Você está na página 1de 202

Jacques-Alain Miller

  • M a t e m a s

I

Tradução:

S é r g i o La i a

psicanalista

Revisão técnica:

A n g e l i n a Ha r a r i

psicanalista

Jorge Zahar Editor

Rio de Janeiro

Tradução selecionados autorizada pelo autor. de uma coletânea de textos

Fontes:

“Ação Jeremy da Bentham”, estrutura”, Ornicar? Les Cahiers 3, maio pour 1975; l ’Analyse “Teoría 9, verão d ’alíngua”, 1968; Ornicar? “A máquina 1, janeiro panóptica 1975; de “X

topologia 1984; “Despertar”, no ensino Ornicar? de Lacan”, 20/21; Quarto “ Não II, há Bruxelas; clínica sem “Um ética outro ”, Actes Lacan”, de Ornicar? la École de 28, la janeiro Cause

Freudienne Freudienne de V; Paris, “ Suplemento 1979; “Lições topológico sobre a ‘Uma a apresentação questão preliminar... de doentes”, Ornicar? 10, julho

Actes de la École

de outubro 1977; la Cause “Mostrado de 1983 Freudienne em em Aix-la Prémontré”, IV; Provence; “Des-sentido Analytica “Lacan para 37,1984; e as psicose”, psicoses!”, “Produzir extraído conferência o de sujeito?”, conferência inédita Actes proferida pronunciada de la École em

em L’Enigme Marselha, et la 1987; Psychose, “Clínica 1993. irônica”, La Cause Freudienne. Revue de Psychanalyse.

Jorge Copyright Copyright Zahar © © Editor 1996 1996, da Ltda. Jacques-Alain edição em língua Miller portuguesa:

rua México 31 sobreloja

tel.: 20031-144 (021) 240-0226 Rio de Janeiro, / fax: (021) RJ 262-5123

0000 048572in020000

Todos A constitui reprodução os violação direitos não-autorizada reservados. do copyright. desta (Lei publicação, 5.988) no todo ou em p<

Sindicato CIP-Brasil. Nacional Catalogação-na-fonte dos Editores dc Livros, RJ.

M592m

Angelina Miller, Maternas Jacques-Alain Harari. I / Jacques-Alain — Rio de Janeiro: Miller; Jorge tradução, Zahar Sérgio Ed., 1996. Laia; revisão técnica,

(Campo Freudiano no Brasil)

Tradução ISBN 85-7110-351-8 de uma coletânea de textos selecionados pelo autor.

1. Lacan, Jacques, 1901-1981. 2. Psicanálise. I. Título. II. Série.

96-0481

CDU CDD 159.964.2 150.195

••

-

-

Sumário

'• n i

i

  • I S o b r e a E s t r u t u r a

7

Ação da estrutura

9

A Teoria máquina d’alíngua panóptica (rudimento) de Jeremy 55 Bentham

A topologia no ensino de Lacan

73

24

  • II C l Um í n i c outro a e R Lacan e a l

91 93

Despertar

102

Não há clínica sem ética

107

  • III E s Suplemento t r u t u r a e topológico P s i c o s e a “Uma questão preliminar...”

117

Lições sobre a apresentação de doentes

Produzir Mostrado o em sujeito? Prémontré

155

150

Des-sentido para as psicoses!

162

138

119

IV C l Lacan í n i c a e e psicose P s i c o s e 173

Clínica irônica

190

171

S o b r e

a

I

E s t r u t u r a

Ação da estrutura

Advertência

de Esse 1964, texto Jacques exige ser Lacan introduzido fundava a por Ecole suas Freudienne circunstâncias. de Paris Em e 27 a abria de junho para

os agruparam-se, não-analistas. como Alguns os alunos estatutos da o Ecole exigiam, Normale, em um a fim “cartel”, de a ela que aderir, foi

páginas designado membros que desse em vão função grupo ser lidas do pretendiam eram objeto destinadas de inscrever seu interesse: a justificar seus Teoria trabalhos, o título do Discurso. sob tributários o qual As os e

Annuaire datados apenas uma do de lista l mesmo ’École de Freudienne, nomes, campo e conceituai. assim o qual, ficaram em Elas sua abandonadas. deviam forma definitiva, ser publicadas tornou-se no

Se agora as publico é porque, apesar do tempo transcorrido, parece-

me e então Lacan, que complexas, os colocando seminários apesar assim de todos ao do alcance que os tipos os de Cahiers nos todas quais as pour inteligências decifram-se l ’Analyse Freud, verdades já deram Marx até a

conhecer estrutura do — sujeito o que e estava da ciência articulado ainda não nesse é percebido texto sobre pela as maioria. relações da

Preâmbulo

A psicanálise, assim como o marxismo, estabelece o princípio de uma

organização escutá-la e é reduzida nova do ao campo silêncio conceituai. ou, por uma Eis repressão por que ainda interior, não é acolhida se sabe

9

10

maternas /

algumas mas conjurada, até contra recitada as quais nas linguagens ela se insurgiu que lhe — são a ficología, teóricamente a biologia, anteriores, a

filosofía exilada. do espirito —; eis por que seu nome é usurpado, e sua verdade

Pretendemos, Evocá-la é hoje de uma nossa demanda parte, subscrevê-la sempre intempestiva. e arcar com os custos dessa

sariamente limites reorganização. em que nosso Talvez nossa discurso. ignorância seja interessante Mas não: da prática parece-nos acreditar psicanalítica que que nos o contrai fato cegamos de neces- tê-los nos

reconhecido não abole a legitimidade que lhe prescrevemos; ao contrário,

funda nossas essa presunções. legitimidade O discurso e a assegura cujo projeto contra concebemos a eventual só intemperança poderia assumir de

pela no início, do-se campo mediação somente na medida freudiano de em em um seu uma que discurso conceito. é vocação o único que Nossa crítica, a a tomar precede, intervenção a como experiência identificado seu fica ponto portanto em por de si manifestan- partida nós suspensa desde uma o

idéia da especificidade freudiana no discurso de Jacques Lacan. Nosso

primeiro discursos as experimentá-lo, quais meditamos propósito que o constituindo-lhe recortam, — tentam não elaborar estender é o menos uma sua suas exposição ambicioso teoria conseqüências, unitária sistemática. — era a fim associá-lo compreendê-lo Aquelas de distribuir a outros sobre e a

O potência conjunto em desse espaços trabalho variados sobre nos conceitos quais alguns terá aqui como já estarão palavra circunscritos. de ordem a

modelo sua definição de exceção, extensão ou, de exportá-to inversamente, e Georges sua compreensão, Canguillem: para buscar-lhe fora de é generalizá-lo sua “... um trabalhar região modelo; de pela um origem, em conceito incorporação suma, tomá-lo é conferir-lhe fazer como de traços variar um

progressivamente, forma”.1 por meio de transformações regulares, - a função - de uma

caso, do conceito: entretanto, A crítica, ela sem não ela dúvida, recebe é convocada o pode reconhecimento pretender senão pelo a liberdade tribunal e a sanção de do de seu estabelecimento seu rigor. discurso- Nesse

progresso, objeto, somente sendo autorizada, até levada no conceito mas muito já de pensada, rapidamente seu exercício; pelo a que dele ela ela logo absorver pensa, constata requisitada os meios que não de e está seu até

entabulada, não lhe é acessória: que ela o desdobra sem excedê-lo. Essa

de conceito descoberta Jacques de Lacan, toma-se, estrutura a de pouco por ser ele preceptor a pouco, criado e o de construído. seu sua tema. crítica, Apropriedade mantém-se de do início discurso no

Aqui, científico. a estrutura não guarda o lugar de nenhum para-além do discurso

A distância em relação à experiência imposta pelos modelos, mas da

qual guardiães se operar são ao do rigorosos—deve mesmo vivido ao tempo, estrutural. agora para incluir desaparecer, o irredutível e uma integração em sua definição exata deve os

“natural”, A estrutura assim como não subtrai não lhe mais acrescenta um conteúdo o “inteligível “empírico” . No caso de um de apenas objeto

de se eles expor seus uma elementos, um relação objeto de na isola-se exterioridade dimensão o produto de e, uma a de fim rede sua de para produção, se tornar descrever estabelecendo indiferente o agenciamento à causa, entre

um acaba-se pensamento por compreendê-la mecanicista autoriza como o perfeito isso. guardião de seus efeitos: só

Quando a atividade estruturalista acaba por rejeitar temporalidade e

subjetividade à objetos antropologia, inteiramente no mesmo espaço constituídos à neutralizado biologia, referindo-os do da espírito. causa, à Ela ela “vida se se serve, força social”, a sem garantir à “cultura”, razão, seus do

de estruturalismo alguma toda coisa relação disso. lingüístico: que Uma o sujeito vez este, que mantém ao abrir a alteração com seu campo sua provocada palavra, pela exclusão se pela interdita exclusão preliminar dizer do

sua sujeito exportação região falante de legítima origem. não é anulada, delas, O estruturalismo porque as estruturas seus psicanalítico objetos lingüísticas são realiza, experiências: não valem a nosso fora ver, uma de a

subjetividade ineliminável está situada aí e elas se desenvolvem segundo

topologia o seu deslocamento tempo da interior, estrutura de seus indiscerníveis não elementos. contradiz do desde progresso então sua de dinâmica, sua constituição. que escande A

que ela Estrutura, inclui. portanto, é o que localiza uma experiência para o sujeito

Duas funções qualificam nosso conceito de estrutura: a estruturação,

ou ação Tirar da as estrutura, conseqüências e a subjetividade, de uma tal sujeitada. hipótese engendra a estrutura.

um seu são estrutura plano susceptíveis estado, É claro, estruturante atual, e uma para no de dimensão começar, qual serem e uma ela deduzidos. se virtual, estrutura que ofereceria a primeira segundo Será estruturada. a preciso um função a observador qual portanto impõe todos os reparti-la e distinguir que seus constitui estados entre uma

12

maternas /

de imanen sim At pli te, é ca esse isto p a ra é: ponto, passa o p onto r a de prim de um eir v ista a a de está a scrição ser p a toma ra a a um do segun po conhecimento. r da um co a mo investigação sua As cláus duas ul se a

som ordens ente estão a um em método, continuidade, não há atraso, su a relação portanto, é simples, nenhum s u a tem divisão po estrutural é relativa e

um mov im ento estabelecido n a estrutura seria somente aparente.

perceb própria Caso e, , segue-se a reflete se suponha e uma a significa, agora distorsão um um elemento geral elemento qu e que afeta capaz se o volta de con red p junt a ob ra o rá a d -la realidad a economia po r conta e e a

estrutural co mp ort a e o a element recompõe o que segu dissemos, ndo novas leis. Desd e o mom ento em que ela

— — — sua a essa virtu atualidade ausência ali dade do torna se e produ strutura -se uma z na nte experiência, ordem se converte real d em a estrutura: u m a ausência, a aç ão da

estrutura O estruturante, acaba po r ser p o suporta r não estar da por aí, uma rege falta. o real.

A disc ordânci a motriz é

seus ali instituir mantida: efeitos a di apenas me pois nsão a de introdução do si estru m esm tur o, desse ado-enquanto-ele-o-vive, dispõe elemento um a ordena reflexivo, ção imaginária, co que mo basta tomando con- para

f siste t terciária, empor aze nd m a o âne estrutural, desde imaginária, a e difer então ideal ente se intrinsecamente constitui da de início, ordem no vê-se real, real. parte realizada. apesar D aí da resulta de realidade. Es coorde que sa dup a na red U licida da m uplicação a com estrutura de afeta, ele do e

sujeito, em ao nível compensaçã Nesse reflexivo do estrutura segundo o, n o o element nte imaginário, estatuto, nã o o há reflexivo seu reflexividade na o-refle sujeitamento qu e xivo a p — r no o v , o o o estruturante. c red que a — uz o na a define med ser apenas id como a em que um um

suporte. q ue cada A um r e l a dos ç ã o termos do sujeito de ve com ao a outro estrutura, suas relação definições, cir cular m as n a dissimétrica med ida em

po d dade e sto um em que a fun sua é ção um continuidade a imaginária inserção, p se ela de verifica de produção s-co nhe co mo de cim rep inconcebível ent resentações o2, restab elece sem qu e ndo a respond mediação a reali- em

p M ção ela as fu aus ele s c ênc é i o ao n ia a m sob do es m estruturan a cobert o tempo ura te seu delas e com efeito: e, pensam ne as sse rep sentido, a resentações produ ção o imag da são falta. inário encenadas Aestr é seu utu meio. pelo ra -

d q q issim ue ue elas elas ul ar se se fur a esquivam, razão ta m — d e co sua pois mo existência. o sua qu função e estrutur É é de s a e su a furtar, realidade a própria elas estru as existem estrutura. tura ap estruturante en Que as p a sua r a

sua refl exão inércia na — subjetivid , as co nstitua ade lhes c o m o assegure sist emas um e se a esforce coerê ncia incess — antemente outro nome para de

a ç ã o

da estrutura

13

que tomá-la a falta s independentes a qual elas prev da in ação em do as estruturante, intima. im pl ica que é interiormente

co mo A tais. c au sa Co s ns e reflete eqüentemente, entre os efeitos sua subordinação que ela determina às transformações e que se ignoram es-

resistê mult inegavelm truturantes ipl nc ica ia ndo ente das é necessa os repres sobre níveis riame enta o do imaginário, çõe nt estruturado e s ou indireta. dos portanto sistemas em A ação seu sobre conjunto. de do represen estruturante, o real, N taçõ ó difer s ch es, am enc s egundo se am ian exerc os do de e e a

vi sobredet nesse és do Para espaç imaginário, erm reconstituir o inação permanente se a de a to totalidade m terminação a de indireta, distorções da estruturante estruture desigual e defasagens é e pr excên que, ec is o tri por fazer ca generalizadas, se a corresponder, seus exe rce efeitos. r pe os lo

efeitos tanto à falta e su a co cau m o sa a lateral, seu princípio. toma r a medida de sua incid ência e reportá-la

Ora, a falt a nunca é aparente, um a vez eue o estrutur ado des conhece

prim se a ação pr e o ira d u que z vista. no o espaço forma, De ve-se de e dedu seus ofer zir ec efeitos, e daí uma que, um coerência, nesse elemento l ug ar um se ond a interpõe, homogene e a falta realizando da idade causa à

sua suturação. Toda estrutura, a nosso ver, compreende assim um engodo, lugar-

s t do, atual: aí. enent eqüê Ess o lug nc e o e elemento ia c de ar onjunto dada, d falta, a falta. pon , lig do exatamen ad to pl o ano v ac ao ilan virtua te que irr te ac l que se (do ional percebe, só espaço pertence na realidade, m estruturante) as apa é o ren denuncia, e teme lo — m nte a is se aí fra ao dilacera inse co pl an rin da o -

Distingu iremos a fun çã o do elemento que não se enquadra, m as que

nh ponto ilude ec im o impr en olh to óprio , ar nom [trompe ou ea ndo seu l p seu ’o onto e il], lu no gar e infinito. p co a ra m o o o qual p o n to toda utó pico p erc ep da ção estrutura, é des-co- seu

isso e Sem de eludi-lo, dúvida, pois um a nad investigação a que excede positivista a superfície n ão deixa pl an a de sobre iludir-se a qual com ela

pa p seu ers ssa pec aspecto s eu tiv a olhar se singular, impõe. cai em Ess contraditório e su lugar a rede. impossível , Par desigual a constatá-lo, de no ocupar plan o; se uma o anuncia elem conversã ento então que o po da o r

pre ma sc s ença ara assina é indevida, la agora, que por ele um n ã a o cert deveria a flexão estar de aí. sua Mas configuração, é sobre esse que ponto, sua

o e a o í tomar espaço espaço onde se po “ gira transcend interceptam, r princípio r sobre ental” si de m se organização esm articulam do o estruturante e, p o r o o uma espaço próprio q rotação u e d circunscrito e lugar-tenente: v er-s c om e - p á l regu e do ta qu estrutur lar logo e seu consum-" s e olhar, ado verá e

14

maternas I

sua divisão, descobrir o reinado interior de sua lei e a ordem que secretamen-

te leitura truída ajusta sobre diagonal. o que um se A oferece espaço topologia ao unido olhar: conveniente em a translação seu centro para da figurá-la pela estrutura exterioridade deveria a abre para ser de cons- uma sua

circunscrição, exterior central. numa O fora convergência passa para dentro. pontual: seu exterior periférico é seu

o específico transforma sujeito Toda que de um atividade cada concerne estado um da que dos estrutura, a não essa níveis se prática onde parte desenrola o do eficaz estruturante ponto somente não utópico, é por falta. no posto isso imaginário, E evidente liberado estratégico, mas que do

des-conhecimento aferente ao seu lugar.

Sujeito

É a partir da estrutura que é preciso empreender a teoria do sujeito, que

um que sustenta de si, discurso vai no da sua final estrutura que inserção — buscaria na ao origem como sujeito: seu adquirida. — fundamento é do o bastante percurso E essencial na para esfera histórico arruinar de preservar uma ou a metódico doação possibilidade aqui imediata a de ordem uma de

consciência-de-si, trário, unicamente a ao estrutura mesmo é tempo originária, preambular se nenhum e essencial. retorno da Se, consciência ao con-

último não sobre é si para do mesma que “exumar”, inicial, lhe descobre nem não se superar sua trata organização, nem a realidade de redescobri-lo, então — é preciso o imediato nem atravessá-la, de não atingi-lo, é mais e

forçar em seu retraimento o que a localiza. Se, portanto, contra

a filosofia

de sujeitada. do um estruturalismo, fundamento, Requisitada impomos com pela a função representação, a subjetividade, de uma ela causa. não não é Sua está como lacuna entretanto regente, reparte na mas posição seu como ser

consciente em cada um dos níveis que o imaginário induz na realidade

estruturada; localização assim nenhum na quanto dos estrutura atributos à sua estruturante. unidade, do sujeito ela O psicológico, se sujeito mantém na em estrutura ele sua escapa localização, não à sua conserva defini- sua

ção, e o direito. jamais estabilizada entre a teoria do conhecimento, a moral, a política

mundo tentativa Eis por fenomenológica as uma tarefas investigação da teoria de reencontrar arqueológica do sujeito. o Ela estado baseada deve, ingênuo de na percepção. início, ou selvagem desmentir A feno- do a

menología, com efeito, esperava, por uma redução do visível ao visível, a

história, doação do e o suporte invisível secreto, que ela imutável, reencontrava a-histórico, não era nada do conhecimento além do avesso e de da

ação da estrutura

15

uma um visível estrutura definitivamente que sistematiza milagroso. o visível Se, que ao a contrário, esconde furtivamente, o invisível abriga se o

invisível le radical varia de e uma transforma percepção o visível, totalmente começa histórica, a arqueologia absolutamente verdadeiramen- es-

o tidade pecificada, primeiro primordial exemplo estruturada o ver dessa e como o arqueologia3. dizer. um A discurso obra de Michel e que proporciona Foucault atualmente à sua iden- dá

sujeito. posição É Elas preciso estatutariamente convergem também na tratar idêntica medida detalhadamente em diante que dos lhe atribuem as objetos análises do em psicológicas mundo, definitivo e uma que do

tituir mede resumem a a unidade correção sua função constante do funcionamento àquela sob de o reuni-los nome subjetivo. de em realidade um O parêntese discurso que, em para da contrapartida, sobredeter- lhes cons-

minação, ao contrário, nos faz chegar ao ponto de reconhecer como

espontânea decepciona-se, dita registrar a e orientação seu capitalizar mal-entendido do suas sujeito experiências, é constituitivo. para o engodo. dispor Tal engano No na realidade fundo, não lhe o sujeito de inter- um

sistema de balizamento através do qual sua existência se adapta e persevera.

poderia animal, Será sário Mas preciso, nada à ação ela portanto pode se sem da efetua estrutura fazer ser dúvida, pensada pela com distinguir de intervenção que um segundo sua des-conhecimento um adaptação secundária des-conhecimento modelos ao que real de inadequado, valem um seja sistema adequado nativa. para o nocivo corretor. Ela mundo neces- não à

conceito subsistência assim como único do o de sujeito: que des-conhecimento. se no pode ponto nomear em que de estamos, sensibilidade, apercepção estão e reunidas a ideologia, no

O des-conhecimento não é o avesso exato do conhecimento, e a

conceituais, ao “tomada explícito, de fechados consciência”, não o exclui; ou quase ao isto contrário, é, fechados, a operação integra-o, prolonga que permite e a a dimensão formação passar do de do imaginá- sistemas vivido

faz motivações, rio. com A esfera que os deriva psicológica, homens do des-conhecimento ajam aquela sempre das em volições vista funcional de e um dos do fim, apetites, estruturante, isto é, isto do útil é, o que que das

eles percebem. Uma vez que os sistemas adequados que elaboram o

etnologia, des-conhecimento esperar a limitação esta permanece da do causa campo uma formam, da psicologia, psicologia. para Claude e é da psicanálise Lévi-Strauss, que o objeto é preciso da

A teoria do sujeito introduz uma doutrina da intersubjetividade da

recíprocos. qual já é certo A relação que ela que não se estabelece pode se articular de um sujeito em termos com um simplesmente outro não é

16

maternas i

mais alteridade de deduzir reversível, simples, seu agenciamento a não gêmea ser que ou a dependa cissípara partir de exclusivamente um habita dos o termos imaginário, de permite um e dos o qualificá-lo desespero dois: essa

de unicamente refere dizer, milagroso. exponenciada. a uma os alteridade O efeitos, que os Ela se une absoluta nunca enoda e arranja é e em dada se ausência, decide seus no laços, presente, sobre uma isso uma alteridade, e do entretanto Outra qual nós Cena, por não vemos assim e há os

presença que não passe por ela e não se constitua aí.

com um Nenhuma objeto, relação preenche de a um falta, sujeito a não com ser outro por uma sujeito, formação ou de imaginária um sujeito

que momento correlata quais a sutura, se a pode da uma mas reciprocidade refutação dizer ela volta que de a nas derivam se todas encontrar psicologias as da políticas em reciprocidade, da seu intersubjetividade liberais interior. ou A e humanistas, contestação que estão deve das ser in- do

concebem definidamente como em “a busca insatisfação” desse objeto humana que (é a viria uneasiness preencher lockiana) o que e elas que

asseguraria a transparência das relações inter-humanas. Quando se sabe que

não comporta metáfora, é, do é ajustamento após que um um sujeito, o “ter” imaginário como que é preciso o o meio homem é o viés considerar mais da tem certo determinação isso, uma de mas reforçar política após de uma seu da a inadequação felicidade, “ser” estrutura ou, sem que isto do

sujeito E à preciso, estrutura. enfim, reunir todas essas análises numa doutrina da aliena-

mesma ção, tratada tividade em como e conflito que gozar não esse de basta aberto inferno sua para com atividade; do definir Hegel qual ela a apenas e reflexividade, o deveria neo-hegelianismo. se se concebe liberar a alienação para isso Para se de não apossar uma uma pode subje- esfera dela ser

do lacunar, autônoma estruturante, sujeito-agente da consciência-de-si, que só imaginário aparece como e não do estruturado, de sujeito um sujeito no real sujeito-suporte, reduplicado ao des-reconhecer-se e elemento portanto

no imaginário como elemento no estruturante. Mas uma alienação é essen-

cial por ele é sua ao encenador sujeito conta os pois efeitos em ele sua do só fantasia. estruturante, se efetua como onde agente ele já no está imaginário, contabilizado. ao tomar Ator,

Ciência

Ora, uma vez que os propósitos do sujeito foram restituídos à sua depen-

dência definida radical, como constitutiva no que concerne do sujeito à ação sujeitado, do estruturante como é e possível a alienação, que um foi

ação da estrutura

17

primeiro discurso O único se fato lugar: dê que um como objeto ele um se adequado discurso arrisca a da reencontrar, e desenvolva sobredeterminação ou suas melhor, próprias é mesmo que normas? ele possível? suscita Em

ciência necessariamente singular tificidade na de em qual uma geral, sua implicação em o razão sua fato afirmação, de se refletida: sua funda, própria mas para seu possibilidade, cujo status além lugar do advém problema cabe manifesta de unicamente uma de doutrina toda o circuito cien- a ele da

partida consignar, exatamente temático forçar final a o e partir primeiro conceito do qual e que ditar se nós os ordena pretendemos termos nosso categóricos. processo. tomar como É esse o problema ponto de

nosso estabelece Caso saber, a se lógica, pronunciaremos consinta “campo chamar da a palavra” exigência “campo o do da de psicanálise, enunciado” uma posição antecipando o nova campo no onde espaço sobre se

como campo da linguagem pertinência do discurso. e produziremos cardeal a cientificidade esta proposição: ou não, um deve campo, se constituir que comporta como

sua alfabeto formalização Quando de seus a símbolos, lógica e sua constrói dedução, um conjunto um de sistema modo inicial formalizado, que de fórmulas os enunciados e ela de regras exprime que para ele o

produzirá mesma, atividade essa lógica não dimensão se se desdobrem vincula permanece, aos de nenhuma sistemas de direito, que dimensão sempre ela não virtual; redutível. engendrou quando Ao por con- uma si

comunicação cuja trário, virtualidade os enunciados não é essencial é levada isolados em e que no conta campo os define e a lingüístico emissão como mensagens. assim se referem como Mas a a um recepção a própria código

fixam antes os limites do campo do que não fazem parte dele.

capaz do código, Se de agora sustentá-la, ele tentamos não manterá ele não derivar poderá nem da com relação ser o um suporte lingüística nem indiviso com um outro da sujeito mensagem uma que relação seja e

idêntica: enunciada o código, pelo sujeito, necessário não pertence à produção ao da sujeito palavra, emissor mas ausente e não da é para palavra ser

situado tópica dimensão que em exponenciada se seu esboça lugar, separa a recepção da alteridade, o plano também onde que indicamos o o requer sujeito e se acima. é preciso efetua Adistribuição na situá-lo primeira na

pessoa sujeito-agente, ser proferida e o lugar e é aí desse elidido retornar código e de definitivamente, onde onde sua ele palavra é dado, posto se mas origina que onde esse para justamente, é se o inverter lugar como que ao

garante e a falta sua do sujeito-agente intelecção e sua no verdade. lugar do A código, falta do que código são correlatas, ao nível da abrem palavra no

18

maternas i

sujeito interior é da capaz linguagem de um inconsciente. a fissura do inconsciente. Podemos dizer agora: o

e um estrutura elemento Apsicanálise a palavra cuja transitividade articula do sujeito, essa onde fissura é comandada este com figura essa por numa Outra urna função cena combinatoria onde passiva se decide como qua-

direção cia ternária, primordial da outra qual e Cena sua geradora. palavra que faz deixada advir livre o animal retorna humano como que da linguagem à sua dependên- e na

Mas outros circuitos se ramificam sobre essa fissura. Nós nos ocu-

veracidade, pamos a conexão dessa com e que palavra a Outra nós chamamos forçada cena primordial pela de discurso. visada se estabelece consciente A topologia aqui de permanece; apenas seu fim por como uma mas

seleção secundária, em outras palavras: segundo os modos da linguagem,

Por “interesses a conexão exemplo: se de faz a classe”. Outra com cena outras Uma da especificação Outras luta de cenas classes, das enxertadas cuja faltas combinatória se no anuncia. lugar do dispõe código. dos

forçadas uma interpretação. A articulação prescreve Não uma fundamental é leitura um comentário deles que estrutura que porque não é os nem não discursos um está comentário, em como busca palavras de nem um

sentido do que texto se poderia que, que entretanto por restituir efeito o de e evocaria, indefinidamente uma desgraça o implicaria inseparável multiplicar necessariamente, do recorrendo verbo, um se ao absteria sentido fundo

fazer no tácito vocabulário passar da palavra, um sentido de e uma inesgotável de filosofia um texto a toda constituída, para exploração. um outro sem e, Tampouco por excluir exemplo, que é questão uma traduzi-lo outra de

relação interpretação ao discurso possa primeiro, também se como encarregar um elemento dele: um neutro tal discurso e se estabeleceria seria, em

ciados sobre letra um texto que ele mais Spinoza sua como próximos continuidade, parasita. criticou do mistério Retomar na sua exegese simultaneidade de um seu bíblica. enunciado sentido Enfim, lógica supõe através não soletrando essa de basta relação outros restituir a super- com enun- a a

fície. to para O “estruturalismo” uma leitura que ao busca nível do a falta enunciado específica deve ser que apenas suporta um a momen- função

estruturante, essa ção, leitura o nome transgressiva de uma análise busca nos que que parece se atravessa dá através conveniente. o enunciado do lugar-tenente na direção dessa da falta. enuncia- Para

iluminar, A falta não de é uma que se impotência trata não do é uma verbo palavra ou uma silenciada astúcia do que autor, bastaria é o

que silêncio, não podia a falha se que esclarecer organiza porque a palavra é a partir enunciada, de sua ausência é o lugar que escamoteado o texto era

ação da estrutura

19

possível recíproca eclipsado discurso é e se central, onde que situa, se os essa de combinam discursos onde distância ele fala, se os é interior. proferiam: elementos para a É cjual preciso de Outra ele um fala. romper cena objeto A exterioridade onde a em determinação uma o sujeito rede do

estruturada: nós buscamos uma determinação unívoca — não somente o

que isso isso quer quer não dizer, dizê-lo. mas O sobretudo conjunto de o que um isso texto não será diz, portanto na medida considerado em que

por sutura. estrutura, nós A como o partir que o do comporta, que lugar-tenente está em portanto, torno para as de o marcas qual uma convergem falta, da ação princípio que as desordens ele da realiza: ação do da a

enunciado revelar o discurso de suas do contradições, sujeito como o fazer discurso o plano do des-conhecimento do enunciado girar aferente deve

estruturante. inverte ao lugar ao onde se O fazer ele, sujeito enquanto na primeira emite elemento o discurso pessoa. ou Explorar-se-á que suporte, ele recebe, está portanto situado e a determinação o na espaço estrutura do se

metonímica. e deslocamento interior, retraída A da causa determinação. e declarada, se metaforiza poderá Esta, em ser ao um mesmo qualificada discurso tempo apenas e, unívoca, em geral, de causalidade reprimida em toda

estrutural da estrutura: estrutura. é pois que o a sujeito condição tome necessária o efeito pela ao causa. funcionamento Lei fundamental da causalidade da ação

Como, portanto, é possível um discurso que se pauta apenas por si

um claro mesmo, seu relação campo, estado que ao um não singular lugar uma discurso é o atenção da retorno do verdade, plano, estruturante, desimplicada à realidade sem o que inconsciente, fecha uma para e simplesmente posição além a palavra dos adequado particular discursos sobre.si positiva, a seu do mesma. que mas sujeito objeto? abrem é ainda Esse em É o

fechamento do sua discurso exterioridade não-científico do discurso central, científico a porque desconecta ela não expulsa poderia de qualquer verdadeiramente ser confundido outra Cena. com a Pensamento falta, a sutura reduz

um clausuramento. do interior exterior; do dito Mas campo de outro o limite que modo, dessa ele o circunscreve, circunscrição discurso cientifico ele tem será uma não nomeado: espessura, é cunhado tem por en-

periferia uma seu desenvolvimento falta A dupla deste, simples, negação deve-se mas entretanto reconhecer a confere falta de uma não uma a estrutura é positividade falta independente. é também que o ao torna A seu uma falta possível, campo, falta. da falta mas, da deixa qual na

que aberto o acompanha, em todo discurso sem lhe científico ser intrínseca: o lugar do um des-conhecimento, discurso científico a ideologia como tal

não comporta elemento utópico. Seria preciso figurar dois espaços

20

maternas I

superpostos, sem ponto de basta, sem deslizamento (lapso) de um no outro.

cerrado, e O um fechamento espaço do qual foracluído. da não ciência se percebe A opera foraclusão nenhum portanto é limite o uma ouiro ao repartição se lado considerá-lo do enclausuramento. entre um do interior, campo

psicose: Bastará esse o foracluído termo para retorna indicar sob que a forma toda do ciência impossível. é estruturada como uma

Com efeito, é o corte epistemológico que nós reencontramos, mas ao

seu status abordá-lo campo científico por no exterior sua inédito vertente de de toda um exterior, ciência discurso devemos em da geral sobredeterminação e reconhecer cuja injunção o privilégio teórica, que constitui assim e o

como werden” resgatar. prática freudiano, (terapêutica que, a ou nosso política) ver, convoca é dada pelo o sujeito “Wo es científico war, soll a ich se

marxista Louis Nós Althusser, e conhecemos o discurso da hipoteca freudiano. dois discursos que Porque a concepção da o primeiro sobredeterminação: da sociedade hoje está como liberado, o discurso sujeito por

possível histórico da interpretação associá-los. fazia pesar do indivíduo Sustentamos sobre ele, como como que sujeito o os segundo discursos psicológico, o foi, de Marx por agora Jacques e de nos Freud Lacan, parece são

suscetíveis se refletirem de em se um comunicarem discurso teórico por meio unitário. de transformações regulares e de

Setembro de 1964

Notas sobre as causas da ciência

define, O incide problema sobre crucial seu próprio para a estatuto. Doutrina da ciência, aquele mesmo que a

Com efeito, só ela pode apresentá-lo, já que, ao contrário de uma

ciência sob sua particular, própria jurisdição. ela não tem A Doutrina, exterior: portanto, os princípios só pode que se a governam colocar caso caem se

de inclua os si fenômenos mesma. no número A da introjeção auto-reflexividade. de seus que objetos; ela sofre, se ela mal não se tem instaura, exterior, a destina está no para interior todos

não tem sentido pode As conseqüências ser ou, dita, pelo porque menos, dessa ela não propriedade não tem pode um que ser são seja construída. as enunciável. seguintes: Desde a Como Doutrina o tal, início, não ela

expô-la, isto é, explicá-la, desenvolvê-la, exibi-la, é, de direito, impossível.

ação da estrutura

21

E, do se princípio nada há que de razão, não possa e há ser duas dito, se maneiras nada é sem de entendê-lo, nome (é a nossa segundo versão a

Anônima. pontuação Doutrina da — ciência Heidegger é impossível, o demonstra ela tem para o nome Leibniz), do inominável: o projeto a Doutrina de uma

ao mesmo Desde tempo então, em todo que enunciado ela não é nada que a além visa será de preâmbulo preambular e periferia: e periférico, ela

sempre é toda aspirada parte. ao lado pelo dela, que está uma à vez sua que volta. ela não O discurso está em que parte lhe alguma é adequado e, sim, está por

reflexividade campo Essas a meta-linguagem propriedades que, ao interditar indiscernível maravilhosas que sua da seguem-se enunciação linguagem-objeto. de se uma divida, única: Seria faz sua portanto em auto- seu

contraditório um de produzir lugar qualquer na ao linguagem conceito do Universo da sua Doutrina ausência do discurso. Anônima lhe Expô-la, proporcionando que se isto pudesse é, perdê-la, o contexto, isolá-la a fim em é

um propósito infinito.

palavra. início E um provavelmente Em filósofo um certo que sentido, por fala, que cujos seu Fichte, livros discurso que constituem pretendeu não deve apenas o se que conservar, eu o resíduo disse, ele é da de é

proferido da inscrita Ciência” por visando Wittgenstein de 1794 desaparecer, são um em “manual 6.54 e sempre do Tratactus: para comporta os seus os ouvintes”, “Princípios a cláusula as de da exposições Doutrina anulação

nunca que da acabamento Doutrina lhe é é dito possível. interno ou retomam é dito Não da a Doutrina há cada as meta-linguagem conferências. momento, não é acidental: sempre Não da Doutrina, a presente, duvidamos dispersão assim mas é a que jamais única o essencial o forma não- aí. E

seus ouvintes não formam um público, cada um está diante dela, confiado

no a e si a lugar cada mesmo deles, vez e como solitário. fora a deles, primeira O mas discurso vez, cada não a um anulação deve pensa efetuar, para do processo aqueles por sua que da própria enunciação, o escutam, conta,

pois minável, o processo quando o só operador termina vislumbra no momento que ele em não que construía ele se descobre a Doutrina inter- por

Assim, si tudo a Doutrina mesmo, o que vê-se mas incide é impossível que, que sobre para ele se ela, aquele ou construía que ou que que sua ela vive nela. exposição envolve e Assim, se move é tudo infinita, é a nela, mesma o que ou e quer que que coisa a envolvê-la. ela quer dizer precede falar que

ou que a é, quer mas escrever, que deve ela ser se produzida apresenta como por nós um sem esforço, poder “não sê-lo” uma (“Princípios realidade

da Doutrina da Ciência”).

22

maternas i

posteriori como O correlato que do se signo: enuncia uma um construção objeto aqui depende auto-reflexivo, impossível, de uma ou portanto lei, uma lei da atividade auto-reprodutor, razãó a priori, infinita. ou tem Eis a

por que se pode dizer tanto que ele não existe, quanto que ele é indestrutível.

inconsciente Para ter do reconhecido princípio da o contradição, desejo4 como é preciso indestrutível que Freud e subtraído tenha tido o

poderia movimento repetição, algum saber ter posto nada é sobre perpétuo. de que comum esse ele objeto, é indivisível. com o cuja fim auto-reprodução de Quanto qualquer à análise, processo não seu é físico, divisão, término pois mas não seu

discurso tos, que Acrescento, a se proposição articula para àquele de marcar Fichte de Spinoza. o que lugar cito onde mais inserir acima outros situa o desenvolvimen- ponto onde seu

primeiro além caracteriza atribuir do “É ao eu preciso escrito o Eu sou” incondicionado absoluto de (p.24), necessariamente Schelling, as e se propriedades de ater O maneira Eu ao aproximar-se como eu sou perfeita, da princípio como substância, do pois ao spinozismo da Incondicionado tudo filosofia: tal o como que caso ele “Spinoza indica diz se cabe vá da o

entretanto, substância de Spinoza o pode se seguinte: expõe se aplicar em pelo um fato termo texto de a definitivo. que termo Deus ao não Eu é absoluto”. consciente Destaquemos, de si, a teoria

e relance, Freud Talvez na — aporia impedirão as coordenadas da Doutrina, o riso que daqueles o eu que, atribuo, então? que enpassant, acreditam uma ideologia! ter a Fichte—Spinoza reconhecido, de

assumir conceito desviando-os Para da os anunciar Doutrina quatro para os problemas que, da meus Ciência a meu fins. de ver, ou Fichte o ela que não se no nomeia é opúsculo isso, filosofia, eu direi de 1794, que e retomá-los, é Sobre preciso o

por ciências campo: vir? Como as E particulares? que decisões a Doutrina ela deve que Por está descobrir instituem pensar certa de o suas seus que esgotar causas. princípios. elas a não ciência, Como podem Como se inclusive distingue integrar se distingue a em ciência ela seu das da

objeto? lógica? absorve incomensuráveis. Como Ela ou que lhe lógica ele é antinómica, se do desvanece significante. isto nela: é, ela Como eles e só ele se existem são conduz incompatíveis, na ela não-relação, em relação que como a ela seu o

preciso anuncio humano Que entender somente (ou essas seja, respostas como o disso que ciência que ela não deve para sejam o conjunto Kant ser. um Mas começava, simulacro indistinto se é claro, mas da de própria desde todo não se conhecimento já, Doutrina: derivava que não da eu é

\

ação da estrutura

23

em um a experiência), exclusão que lugar O ela que é da ensina preparado é percepção, mas preciso o qual pensamento na posição saber da Doutrina consciência para do que situar sujeito para calcula, e a a de história torna posição todos verifica a ciência os das de modos e um ciências experimenta, possível. sujeito do sentimento, na em medida com toda

conjuntura são as relações que ele mantém com a instância da garantia, com

seus poderemos o sujeito enunciados, correlativo conhecer com à as seu ciência causas objeto. se da Se relaciona ciência. chegarmos com a essas fixar três os modos determinações, nos quais

NOTAS

  • 1. “Dialetique et philosophie du nom chez Gaston Bachelard”. Revue Internationale

de 2. No Philosophie, original, méconnaissance. 1963. O prefixo mé, além de seu valor privativo (“não-co-

nhecimento”), tem também um sentido pejorativo, no caso um “conhecimento falho”

ou “negligente”. (N.T.).

  • 3. ao É discurso o tema explícito fenomenológico de O nascimento (o de Maurice da clínica. Merleau-Ponty Pensar-se-á em menos particular), em não dar positivista crédito na fundamentá-lo 4. medida em de que outro é cego modo: a toda como mutação discurso do rigoroso, invisível, no do imaginário, que em retomá-lo do imaginário. para

Aperseveração, no sentido de Spinoza, é um efeito idêntico.

A máquina panóptica de Jeremy Bentham

O dispositivo

Para começar é preciso descrever o essencial do dispositivo.

ferência, circunferência, O dispositivo a cada uma pavimento, é zona uma intermediária. edificação. as celas. No A edificação centro, a torre. é circular. Entre Nessa o centro circun- e a

uma entrar porta, Cada o ar de e cela a grades, luz, tem embora uma de tal janela impeça modo voltada que de o se ar para ver e a o fora, luz exterior alcançam feita — de forma e, o para centro. a dentro, deixar

Em celas. contrapartida, A partir das galerias as persianas da torre interditam central, a pode-se visão das portanto galerias ver a partir as celas. das

entrar A Uma e sair edificação muralha da edificação, é circunda fechada. para a transpor edificação. a muralha, Entre as uma duas, única um via fosso. projetada. Para

A máquina universal

dispositivo centrações O Panopticon humanas. polivalente não é uma de vigilância, prisão. E um a máquina princípio óptica geral universal de construção, das con- o

E exatamente assim que Bentham o concebe: mediante pequenos

uma escolas, ajustes, destinação a as configuração fábricas, única: os hospícios, panóptica é a casa de os valerá habitantes hospitais tanto e para involuntários, as Workhouses. as prisões como reticentes Ela não para tem ou as

forçados.

24

a máquina panóptica de Jeremy Bentham

25

A dupla muralha, a pedra, o fosso fecham esse espaço e asseguram

sua inteiro invisível. vedação. na tópica Mas interior. esse não Essa é o tópica mérito tem original por função da construção, repartir o que visível está por e o

Do ponto central, o espaço fechado é visível de uma parte a outra,

ferência sem impossível esconderijos, onde se estão comunicar a as transparência celas, com tudo o é se ponto perfeita. inverte: vizinho, De é impossível qualquer impossível ponto olhar distinguir da para circun- fora, o

lidade. ponto Essa central. O espaço configuração fechado instaura é sem portanto profundidade, uma dissimetria exposto, oferecido brutal da visibi- a um

confisca o único dissimulado recluso. olho, o olhar solitário, nele, em a não seu central. ser proveito, o próprio Ele apropria-se está olhar, imerso onividente do na poder luz. invisível. de Nada, ver, a ninguém, este Avigilância submete está

Na edificação opaca e circular, é a luz que aprisiona.

O semblante1 de Deus

central dentemente Os dois da princípios vigilância da outra. fundamentais e sua invisibilidade. da construção Cada uma panóptica se justifica são a indepen- posição

vigilância disposição Que de a mais vigilância um pavimento, econômica. se instale um Economia único no centro inspetor. de pessoal: de uma Economia construção basta, dos para deslocamen- circular, assegurar é a a

uma seja tos. circular, Uniformização vista perfeita, contudo, e das a mesma “de celas. todas vista, Não as conformações de é essencial um número que (...) indefinido a é forma a única da de que edificação alojamen- assegura

tos com as mesmas dimensões”2. O que valoriza a configuração circular é

centro. idênticas. domínio, que ela Evidência permite, cada O único qual de em ponto se uma rende. um medida que campo ela comum distingue, já homogeneizado e de o uma único exceção “ponto pela luz, a singular” que, partições por seu é o

Que o olho veja, sem ser visto — eis a maior astúcia do “Panopticon”.

Se espiá-lo, despisto-a. eu discernir capto Se o o suas Olho olhar intermitências, está que escondido, me espia, suas domino ele falhas, me a olha, vigilância, estudo até mesmo suas é a regularidades, minha quando vez não de

— me vê. e a Ao economia se enfurnar ainda à sombra, ganha com o Olho isso, intensifica pois o número todos os daqueles seus poderes que

suportam a função da vigilância pode ser reduzido à medida dessa inten-

26

maternas /

sificação. extrema facilidade Assim, “a de onipresença sua presença aparente real”3. do inspetor

(...)

combina com a

poderes desenvolve: encerrando aparência Constata-se vão esmagadora os para até reclusos criar um a potência máximo uma cobrindo em instância uma multiplicadora de vigiados, uma dependência onividente, realidade um que mínimo da parcimoniosa. a onipresente, máquina qual de nenhuma vigilantes, benthameana onisciente, Mas prisão uma seus

comum nhecer um se Deus aproxima, artificial. uma instância em que, certamente, é preciso reco-

poderosos Não do Salmo é O o que “Panopticon” 139 a Bentham propósito o exergo quis é de de uma seu significar, um máquina projeto? dos numerosos certa — de produzir ocasião, “esboços” fazendo um semblante que de ele um dirigiu versículo de Deus. aos

Se tomar as asas da aurora,

E Se ainda me fixar vossa nos mão confins que lá do me mar, levaria,

Se E vossa eu dissesse: destra que “Pelo me menos sustentaria, as trevas me ocultarão,

As E a próprias morte, como trevas fora não luz, são me escuras há de para envolver.”, vós.4

A minúcia

Nos posfácios, senão elementos vantagens textos apenas mais e da que inconvenientes: uma edificação, consagra extensos, pequena ao prevê e parte “Panopticon” a ele correspondência todos ainda tem uma —, os — atos, Bentham doutrina o opúsculo avalia da qual teoriza das interminavelmente não lâmpadas de sobre 1791, conhecemos todos os e uma dois os

(sobre doutrina o aquecimento): a ventilação), dos relógios, não da há uma terra altura, doutrina (sobre largura, o da solo água profundidade para (sobre se construir) o abastecimento), que ele e do não fogo calcule; (sobre do ar

não escadas; há material como que o recluso ele não vai teste; se consagra vestir? dormir? vários capítulos lavar-se? para caminhar? a teoria tais das

questões são o objeto de longas e impassíveis dissertações.

de alucinação Bentham Esse no realismo ao leitor. que Não seria escrupuloso é sua preciso, psicologia engendra, contudo, individual: relacionar provavelmente, ela a minúcia é consubstancial um visionária efeito de a

seu projeto.

aí a herança O axioma de Helvétius que suporta — o é dispositivo que as circunstâncias panóptico fazem — pode-se o homem. reconhecer Visto

a máquina panóptica de Jeremy Bentkam

27

que “Panopticon” se trata aqui será de o espaço transformá-lo, do controle é preciso totalitário. dominar, banir, o acaso. O

Tudo nele será portanto pesado, comparado, avaliado. Tudo será

mundo, o localizado. discurso nesse não Tudo lugar, tenha será será se discutido. encarregado. totalmente Tudo dominado. terá um Não sentido há detalhes explicitável. dos quais O

por Tudo, sobre que Toda portanto, os Bentham efeitos circunstancia é deve, causa. nunca por Quem deu age conseguinte, por sobre quiser concluído o homem. se tornar praticar o “Panopticon”: Nada senhor uma é, das sobre análise causas cada ele, absoluta. sem para elemento, efeito. reinar Eis

cada de uma conjunto estipulação de elementos, expressa. cada fato, cada gesto devem constituir objeto

Por exemplo, a evacuação dos excrementos. Bentham consagra a essa

cada o sível, disposição questão ar das cela pelas uma celas um seria mesmas longa tubo ficaria contrária para nota5. razões, viciado evacuação Estabelecer às organizar exigências com isso. — banheiros a mas de evacuação Desde solidão, de um então, comuns modo individual de segurança. é preciso é tal impossível: que — prever não e, É depois, impos- possa essa em

servir mecanismo, para uma os materiais evasão. Resta que deverão portanto ser inventar, empregados. descrever com detalhe o

Toda matéria, como se vê, é matéria para se raciocinar.

O templo da razão

mundo Poder-se-ia (ou existe não apenas é serve) esta dizer simples em a relação uma que convicção: o outra. a que outra dá O coisa. nada que fundamento acaba é sem por efeito. à concepção sustentar Isto é: toda que utilitarista coisa toda serve coisa do

coisa um resultado. há Conseqüentemente, um mais e um menos, não há e absoluto, todo efeito mas, é hierarquizável em contrapartida, em relação em toda a

que aí são tenha Nesse apenas como sentido, artifícios, única o “Panopticon” razão não há de nada ser existir, é de o modelo natural, nada do nada de mundo indiferente. de contingente, utilitarista: Tudo nada tudo aí é

exatamente calculado, sem excedente, ou falta. Articulações, dispositivos,

agenciamentos. Nenhum objeto Por toda aí é parte, simplesmente máquinas. o que ele é, nenhuma atividade tem

seu ela tomar fim começa seu em lugar si desde mesma. na a galeria escritura A vigilância que do lhe projeto, começou é destinada desde bem no antes o centro momento que da o inspetor configuração; em que viesse ele é

28

maternas I

máquina concebido tudo tem vocação em e planejado, que para cada funcionar. desde elemento sua previsão. O é, “Panopticon” por sua Nada vez, aí é, máquina, se portanto, “deixa objeto estar”, uma enorme de já que um

cálculo.

o calculável. que O o favorece utilitarista Em relação e o diz que a um mais: o resultado, contraria. urna vez pode-se, Trata-se que nada em então todos é de sem os estender casos, efeito, discernir um tudo e de é

diminuir outras. o outro, de avaliar as causas, de balancear umas em relação às

partilha Isso sua significa necessidade. que, A no razão universo calculante panóptico, encontra a razão aqui seu faz império, reinar sem que

0c toda o da essa Nada reclusão. população de mais lógico: à qual o Bentham prisioneiro, destina o pobre, sua o invenção, louco, o aluno, o poder o doente, pode

dispor dade, aos dela. dispositivos. Ela é oferecida, O “Panopticon” liberada com pés acolhe e punhos os que atados, são à forçados racionali- a

renunciar talizáveis. a toda iniciativa e que são, em função disso, totalmente instrumen-

nem transparente, recanto, O “Panopticon” em e está dois exposto sentidos: é assim sob primeiro, a o inspeção templo porque da permanente razão. ele não Templo do tem Olho nem luminoso invisível; sombra, e

mas dade: também nenhuma porque opacidade o domínio faz obstáculo totalitário à do razão. meio A evacua tudo, doravante, toda irracionali- poder-

se-á dar Delírio, razão, caso é o que se queira, anuncia delírio Bentham da análise. em seu Sob “Panopticon”. a condição de escutá-lo

relativo, assim: artifícios. delírio se absolutiza próprio a à si razão mesma que, e, concebendo negando toda um natureza, mundo onde faz uso tudo de seria seus

Tudo serve

Pode-se agora formular a lei que rege o espaço homogêneo da construção

panóptica: como em vão. um Todo movimento, tudo desperdício deve servir todo deve — movimento concorrer ser reabsorvido. constitui para um Toda um resultado. gasto, atividade todo Nada é gasto analisável ali é deve feito

utilitarista? ser produtivo. Viver Pois sem o matar tempo o vivo tempo é o — tempo poderia que produz. ser essa a palavra de ordem

lha — Tomemos em particular um exemplo. os reclusos, Tudo da funciona mesma forma no “Panopticon”, que as outras tudo peças traba- da

a máquina panóptica de Jeremy Bentham

29

grande em do tempo tempos, máquina. da eles produção. repousem, O próprio Por rendimento se conseguinte, distraiam. de Distrair-se? seu não trabalho basta Trata-se reduzir exige que, o de repouso de se tempos distrair ao

mínimo na medida necessário. do possível, Esse retomado “sacrifício” em um — é outro o termo processo de Bentham de produção. — deve Todo ser,

jogo com tempo, que estará alegrar um assim homem o trabalho voltado encontre para e tornar até o proveito. entretenimento rentável Dever-se-á a alegria. em seu “Se portanto, trabalho, é possível ao por mesmo fazer que

não? o que deveria impedir isso?”6.

um sono outro — Bentham facticidade trabalho, propõe, e irredutível. que de somente um modo a variedade definitivo, é que o repouso um trabalho ideal. distrai Resta de o

positivo necessidades O do ideal rendimento. mais panóptico elementares Bentham é a servidão deveriam um dia integral disse chegar a da Bowring, a ser natureza capturadas seu ao editor, útil. no dis- que As

nos mos conta: satisfazer “Lembre-se nem mesmo que nós um não besoin satisfazemos como pura ou perda. ao menos Deveria não servir devería- de

esterco”7.

PoMcrestia

existência. enuncia O demiurgo assim: Tudo utilitarista tudo deve deve servir, organiza servir já várias dissemos. um universo vezes. Mas onde o princípio a utilidade completo funda se a

Cada elemento reúne numerosas utilidades. Cada dispositivo é mul-

tiplicador. língua minimiser inglesa (“minimizar”). Bentham e, daí, sempre na francesa, busca um os verbos máximo maximiser — e é ele (“maximizar”) que introduz na e

se cruzam. Assim, Toda cada causa elemento tem benthameano vários efeitos. é um Inversamente, núcleo onde cada várias efeito redes é

reforçado um labirinto Quando ao de ser Bentham utilidades, produzido responde atravessado por várias a seus causas. por opositores, múltiplas Cada peça cadeias é sempre da causais. montagem revelando é

usos desapercebidos, recruzando de modo definido as relações. Ele não

cessa de Quando inventar várias “benefícios soluções colaterais”8. se apresentam, ele escolhe aquela que é o

ponto dividir, efeitos de o classificar, mais encontro longe contar do possível, maior e agenciar. número e fazê-los E de é entrar por vantagens. isso nos que campos Ainda é preciso mais aí, é seguir diversos. preciso os

A todo sistema benthameano, pode-se aplicar esse termo que ele emprega

30

maternas t

uma instrumento vez, tomando-o de múltiplos de usos”9. empréstimo de Bacon: é um policresto, “um

O “Panopticon” inteiro verifica essa definição, já que ele pode valer

Mas trabalha, ao mesmo isso come é tempo igualmente e dorme. como prisão, verdadeiro como para usina, a própria como escola, cela, onde como o hospício. recluso

seria logo Bentham reutilizado, concebeu um aqui mundo um de mundo sobre-utilização. sem dejetos — onde todo o resto

O olho público

de o O olhar campo prisioneiros que panóptico os reúne, cercados mantém haveria de muros sua apenas unidade em uma sua coleção apenas solidão, a não-totalizada partir curvados de seu sob centro. de o átomos, jugo Sem da

vigilância. petáculo do O inspetor. “Panopticon”, nessas condições, nada seria além do es-

grande humanidade. Bentham máquina Ao nunca espetáculo, eficaz pretendeu tem, o ao público contrário, que assim é convocado. vocação fosse. A para casa ser dos a cálculos, escola da a

principal dos castigos Tomemos que seja um a legislador pública versão penitenciária é racional particularmente espera do “Panopticon”. é necessário, a dissuasão pelo pois Que exemplo. o a execução benefício

utilidade: considerados A abertura por um delinqüentes da lado, construção dissuade-se potenciais, ao público os visitantes visto já que acumula, (que — sublinha certamente portanto, Bentham uma podem dupla ser —

são por acolhê-la, o processo outro aqueles lado, por de para gostarem moralização, ensinam-se quem essa de as experiências agindo virtudes, instrução diretamente a é economia, fortes), a mais sobre moraliza-se necessária, a racionalidade. os prisioneiros, oS a população; que Assim, virão age

indiretamente Uma terceira sobre utilidade os visitantes. se acrescenta agora. No sistema benthameano,

A é medida resposta uma questão que inteira se instrui crucial é encontrada com saber o espetáculo, aqui: quem o olho tem o público visitante os guardiões vigiará controla sob o olho sua sua interior. organiza- guarda. A

ção. sob a vigilância a É vigilância. aí então invisível, que Nisso o espaço por se pode sua benthameano vez, ainda reintegra acrescentar se toma a visibilidade, perfeitamente que os visitantes o vigilante panóptico: vigiam cai

curiosidade igualmente se os enfraquece detentos — em vantagem um indivíduo, considerável, ao passo que se é tem verdade toda chance que a

a máquina panóptica de Jeremy Bentham

31

de com estar o objetivo viva em de um se maior divertir. número de pessoas, que estão só de passagem,

controle “para Portanto, uma que única se exerce a cela, quarta vocês sobre utilidade terão os reclusos, milhares será contada a produção de inspetores”10. como de o um reforçamento supercontrole: do

se torna Assim, o mais a prisão, luminoso lugar logradouro, de exclusão, o é mais reinscrita próximo, no espaço o mais social: familiar. ela

Verdadeiro contínuo e continuamente teatro do castigo, interessante, ela oferece no aos qual espectadores os personagens “um nocivos drama

estão in A specie localização expostos das prisões a uma ignomínia panópticas educativa”11. será deduzida a partir daí: elas

cidades, serão que Bentham construídas para ser tenha de nas fácil polemizado proximidades acesso à muito maioria. da tempo metrópole Não contra será de e a deportação perto espantar, das portanto, grandes para as

colônias. dispositivo Ao imaginável contrário, o “um número management de visitantes racional e espectadores”12. multiplicará por todo

zidas pela Resumamos. mesma causa: Acabamos a abertura de deduzir da prisão quatro ao utilidades público (utilidades distintas produ- adian-

tadas acelerando uma quinta: por Bentham assim o olhar sua em público moralização. momentos só pode diferentes, aumentar Será preciso em a vergonha obras por isso, diversas). dos pergunta prisioneiros, Há ainda Ben-

te liberdade? tham, a delicadeza de um tornar conflito Estamos com para de a sempre deveres: aí qual diante Bentam infame do um que, conflito o aquele na resolve? moral de que utilidades. do “Que um utilitarismo, dia se E faça será como o é colocado o não delinqüente equivalen- apreciar em

portar uma máscara enquanto ele ficar à mostra”13.

“as admitido máscaras Mas assim logo poderão e Bentham de fazer ser convergir inventa feitas mais um a própria novo ou menos meio dissimulação trágicas, de tirar proveito na com proporção a exibição: do que da é

pela enormidade tal artifício curiosidade lançará dos crimes que sobre ele daqueles excitará a cena contribuirá e que o terror as portam. que bastante ele O inspirará”14. ar para de mistério fixar a atenção que um

Nenhuma crueldade

Nenhuma pretendia ser: crueldade um filantropo. em Bentham. E que Nesse a crueldade sentido, é gratuita ele é sem — improdutiva. dúvida o que

dipositivo dor. Ser Que cruel montado princípio é querer unifica a fim a de dor a atormentar, teoria pela dos dor, castigos? isto admiti-la é, obter, O castigo como de um absoluta. é de indivíduo, início Se um o a

32

maternas /

coisa, utilitarista deve se servir. diz filantropo, Um segundo é que, dispositivo a seus olhos, será a agenciado, dor, assim que como a retomará, qualquer

dando-lhe um sentido, um valor, em suma, utilizando-a.

nele seqüente mesmo”, Aprimeira Para que raciocinar legitima escreve máquina, o corretamente, Bentham, malefício, como tal, “é convertendo um produz seria malefício”15. preciso apenas o negativo conhecer um É mal: em a utilização seu “todo em contrário. primeiro castigo sub-

penal lugar lastima: (...) examinasse todas supõe “um as uma serviço maneiras os enciclopédia efeitos apreciável de fazer mais um seria dos ou homem menos sofrimentos, prestado dolorosos sofrer. à sociedade A cuja redação resultantes ausência pela de pessoa um Bentham das código con- que

por não tusões golpes somente produzidas de as chicote penas por etc.”16. físicas, golpes dados E mas seria também com preciso uma as estudar corda, penas lacerações morais. mais detalhadamente produzidas

como thameana O um castigo incide capital acumula desde aplicado então um na capital-dor: sobre expectativa a rentabilidade. “a de dor um produzida lucro”17. pelos A análise castigos ben- é

A Várias vítima utilidades do delito disputam tem direito o sofrimento a dele beneficiar-se. bruto. A dor, nesse caso,

utilidade, restitui será compensatória. o isto que é, obteve de prazer Isso ilicitamente. é e, justiça, quando já Mas sofre, que é todo é um um delinqüente axioma devedor da que psicologia é forçosamente um ladrão ben- de

thameana equivalente do delinqüente o em fato um em de outro. que um a trabalho E dor preciso de alguém produtivo portanto não e, investir poderia correlativamente, o sofrimento produzir um taxar extraído prazer os

delitos. Ou Ou, é ainda: o Estado pode-se que se retornar apropria a dor da contra dor e a o coloca delinqüente a trabalho. do qual ela foi

maneiras extraída, delinqüente com de realizar um o fim inválido de essa tomá-lo incapacidade: ou moralizá-lo? incapaz de física repetir “Disablemenf e moral. o seu Vale malefício. mais ou “reforma- fazer Há duas do

tion”18. As Um três cálculo utilidades decidirá. que acabamos de enumerar são, cada uma, legítimas

vez e, como além que uma disso, do moralização. trabalho-sofrimento suscetíveis Entretanto, de entrar pode-se nos mesmo dispositivos esperar consideradas tanto que um as proveito na combinam, determinação material uma

dos castigos, elas são subsidiárias. A compensação só interessa aos in-

“incapacitar” divíduos. O trabalho o delinqüente. em benefício A moralização do Estado modifica não exprime somente a uma vontade pessoa. de

a máquina panóptica de Jeremy Bentham

33

que sobre ela É toda incide a prevenção humanidade”. sobre todos que realiza os delinqüentes a rentabilidade possíveis, máxima isto é, do “pouco capital-dor, a pouco, já

Máquina de chicotear

muito Não e Um de código perdas há ou castigos pouco, penal que as com suaves se penas apresenta alto ou se ou calculam, rigorosos. baixo portanto rendimento. segundo Há como apenas uma as É economia utilidades. sofrimentos em termos do de que sofrimento. proveitos custam

rir algumas algumas Ora, propriedades. para punições ser suscetível em Mantém-se relação de a entrar outras. aí, por em isso, um cálculo, um critério o castigo para se deve prefe- ter

positivo dificuldade ticulares, O sofrimento atormentador um aqui castigo é a só seguinte: idêntico produza pode ser o extrai um dispositivo calculado efeito de pessoas sob estável, é geral, a condição diferentes constante, e os indivíduos de quantidades que regular. o par- dis- A

pobre; variáveis nada, ção. enquanto ou de ainda: dores: que privar uma o letrado um multa analfabeto vê fixa desaparecer extrai de lápis do rico assim e de menos uma papel preciosa prazer não é do lhe consola- que retirar do

economia corporais: Que utilitarista. os a mesma corpos se causa É parecem por produza isso que e um Bentham efeitos algoz autômato díspares, aspira mecanizar eis não o percebe que os perturba castigos diferen- a

se ças: em “uma movimento máquina várias poderia chibatas ser construída”, elásticas sugere de junco Bentham, ou de barbatanas “que colocas- de

baleia, do delinqüente cujo número poderia e tamanho ser submetido poderiam aos ser golpes determinados dessas chibatas, pela lei: a o força corpo e

é a arbitrário velocidade seria de sua suprimido”19. aplicação sendo Para conjugar prescritas uma pelo segunda juiz: assim, utilização tudo a o essa que

primeira, mesmo multiplicadas, tempo Bentham de o suplício, modo prevê que “o ainda um terror que grande da as cena máquinas número aumentaria, de de prisioneiros chicotear sem o poderiam acréscimo sofresse ser ao de

sofrimento Encontramos real”. nesse circuito a formulação explícita de um princípio

— aparência que enquanto do sempre castigo que que comanda que ela o delinqüente produz. influencia a análise Com a é conduta efeito, benthameana: o único e dos apenas a indivíduos experimentar a a realidade aparência e realiza uma vale — a a apenas dor face dissuasão, real. visível pela A

realidade é aqui o investimento e a aparência, o proveito. Daí a injunçáo

34

maternas /

humanitária do utilitarista: maximizar a aparência e minimizar a reali-

salutar algum dade.“Se dia de terror enforcar um homem sobre um o em homem espirito pessoa”20. popular, en ejfigie seria produzisse loucura ou a crueldade mesma impressão enforcar

os tica. atração recursos Vê-se do espetáculo. que da arte a legislação teatral. Novo A só viés frugalidade se para torna confirmar científica das penas os sob méritos a supõe condição da a cena profusão, de utilizar panóp- a

terceira que à O gradação bom o Frugalidade, chicote dispositivo propriedade dos mecânico delitos deve estabilidade necessária se ter responde adapte um efeito — ao rigorosamente a a castigo essa máquina regular, exigência, benthameano: mas de aquela chicotear variável, uma das vez a de nos ajustabilidade. dores. que tal revela modo a força, É claro uma que a

velocidade ção do juiz e uma o número gama bem de golpes completa são variáveis, de intensidades. colocando assim à disposi-

estar importante em Uma condições medida que o legislador de exata comparar é estabelecida a codifique. o prazer desde que Todo ele então criminoso espera entre de potencial seu delito crime e dor. deve com É

o legislador eventual delitos, tormento escolhendo delinqüente deverá que a se punição o explicitar menor) calculará, lhe para sem minimizando inflingirá. minimizar equívocos É sua seu por e, seguindo dor delito isso futura. que (isto seu A o é, proporção exemplo, cálculo entre dois do o é

fator de dissuasão.

A analogia, perdida e reencontrada

A equivalências, assegurar função a do comensurabilidade código convertendo penal delitos agora geral em se de dores, deixa todas contribuindo explorar: as atividades é uma com que tabela isso os seres para de

perdas. humanos as virtudes Bíblia praticam da utilitarista. prudência, nas comunidades Tudo do raciocínio, tem um que preço. formam, do cálculo ensinando-lhes dos proveitos também e das

Assim, o castigo entra na rede das trocas.

por responde é ao ser mesmo Pode-se homogêneo? à função tempo agora que estável, Só resolver deve pode ser econômico, ser esta a sua, o aprisionamento. questão: aquela ajustável? qual de moeda é Qual o castigo penal? é o castigo Isto que é, melhor o ideal que

e o a tempo. duração Aprivação Combinada é perfeitamente de liberdade com os divisível. é trabalhos sentida A por forçados, prisão todos, é ela uma tem-se é medida máquina uma pela punição de duração subtrair de

a máquina panóptica de Jeremy Bentham

35

castigo alta rentabilidade. dos tempos Bentham modernos. não duvida: isso será o castigo do futuro, o

Entretanto, o que se ganha aí em homogeneidade, perde-se em

tudes todas exemplaridade. que as familiaridades ligavam A universal até então antigas, e o monótona castigo todas as ao relações equivalência crime que naturais, ele penitenciária punia, todas tomando as simili- desfaz o

resgate sensível e evidente. O aprisionamento, em si mesmo, é indiferen-

gicos. ciado, igualitária ele não e muda, diz nada, a prisão é indecifrável apaga a alegre sem a mediação abundância do dos código. castigos Uniforme, analó-

Princípios lugares, Bentham, ser de exaustivo. lei contudo, penal21. Uma consagra E nota que ele de a pretende, Dumont esses castigos nos tanto informa aqui um capítulo como que alguns em de outros seus não

passou, leram deve dispor essa mas exposição de ela uma subsiste enorme sem no variedade “uma texto extrema benthameano, de instrumentos. repugnância”, a título O tempo mas de da o inspiração cirurgião analogia

eventual, como uma reserva.

midade sua aplicação O imediata mérito logo do — castigo evocava e, inversamente, analógico sua causa residia no — fato conferindo-lhe no de fato que de a preparação que assim o espetáculo uma do legiti- delito de

punição. dois logo objetos evocava Com pela o efeito, castigo qual, “a estando vindouro analogia um — é essa presente intensificando relação, no conexão espírito, o poder a ou idéia dissuasivo ligação do outro entre da

— naturalmente ou contraste, sobrevêm”22. engate efetuado Portanto, por um deve operador, haver similitude uma marca entre característica. um e outro

veneno sua punição: Por etc. exemplo: Assim, o incendiário o o instrumento criminoso, é castigado é ao idêntico, planejar pelo o fogo, que seu serviu crime, o envenenador, ao é delito levado serve pelo a se à

própria representar algoz: “a sorte”23. cada no etapa lugar A de analogia de sua sua preparação, vítima, vem aqui, como sua de imaginação se algum ele fosse modo, lhe então suprir representará seu a falta próprio sua de

identificação sibilidade. com o outro, de simpatia, da qual o crime obtém sua pos-

caluniou, Ou ainda, mentiu, o sua castigo língua pode será atingir furada; o órgão vocé falsificou, ativo no crime sua mão — você será

na furada dúvida vítima. com mais O uma fácil, que ponta não mas é que nada de ferro nem senão em por a forma isso lei de é de a talião, mais pena cuja eqüitativa. — compreensão ou o órgão atingido é sem

perpetrado Bentham seu crime concebe com um a ajuda castigo de um particular disfarce para — a fim aqueles de se que subtrair teriam ao

36

maternas /

olho seja gravada público: sobre a analogia o corpo, exige impressão que uma indelével representação ou não, desse à escolha. disfarce lhe

caso se Eis torne, aí a fecunda como almeja fonte de Bentham, invenções o castigo que o aprisionamento universal. Esse vai efeito exaurir de

meio homogeneização para isso: toda deverá prisão portanto deve exibir ser compensado. sua função, sua A arquitetura aparência deve dará se o

vir de destaquei, conformar modo aos lábios a “surpreender exceder à sua daquele finalidade a realidade. que a imaginação passa e até, As os construções termos: segundo e despertar “aqui o penitenciárias axioma um é a terror morada utilitarista salutar” do serão crime”24. ao que feitas fazer já

para tenciária se Ou moralizar — ainda: os insolventes, as e três destinados classes retidos a que sair por Bentham um falta dia; de distingue os pagamento; aprisionados, na população os malfeitores, condenados peni-

perpétuos culpa cinzas dos e as reclusos: — dos serão últimos, as divididas prisões negras. dos em primeiros As três primeiras tipos serão de prisões. não brancas, comportarão A as cor dos designará segundos, nenhum a

signo, ao passo que as outras serão altamente simbólicas: do exterior, serão

vistas tigre, (...). No representando “diversas interior, figuras, que a se disposição coloque emblemáticas dois de se esqueletos, fazer (...), um o mal, macaco, um a astúcia de cada uma e a lado raposa rapacidade de e uma um

porta nenhum de ferro rapaz (...). que Uma visitasse, prisão mesmo representaria apenas por assim uma a residência vez, um lugar da morte assim e

decorado, poderia deixar de receber daí uma impressão muito salutar e

qualidade nada detenção”, indelével”25. sobre predicável “Casa ela, Enfim, uma penitenciária”, vez a as não que três ser ela prisões sua é, “Prisão cor, nesta teriam uma terra, negra” vez nomes presença que — não a diferentes: última do se pode além. não dizer tem “Casa outra mais de

A encenação utilitarista

Toma-se espetáculo. facilmente Uma vez o que pensamento ele pretende, utilitarista com efeito, como, reduzir por princípio, tudo ao hostil mensu- ao

rável, imagina-se que toda estética e toda ostentação lhe são supérfluas.

contrário, Assim, número compreende-se de — efeitos. pode-se É na dizer: mal engenhosidade “forçar” o princípio as causas multiplicadora do menor a fim custo de obter que que se delas prescreve reconhece o maior o a

inteligência benthameana. A arte teatral que, das realidades mais frágeis,

extrai um do útil finalidade fantasmagorias — à condição, justificada certamente, magníficas por outra de é, via. nesse que essa sentido, prodigalidade um modelo concorra da ciência para

a máquina panóptica de Jeremy Bentham

37

te escritos. de suas Há O um astúcias, olho, cálculo que Bentham reina das aparências, sobre o diz o império com e todas Bentham panóptico, as letras: o pratica é “digam o órgão em todos suas predominan- prédicas os seus

para canal o da olho, imaginação, se vocês quiserem que o julgamento pregar com da maioria eficácia. da É humanidade por esse órgão, pode pelo ser

conduzido assim estariam e modelado os homens à vontade. nas mãos Como do marionetes legislador nas que, mãos além do da mercador, ciência

própria teatral”26. à sua função, deveria prestar uma aplicada atenção ao efeito

Bentham critica a prática do juramento: é funcionalizar a divindade

e alto encená-lo: é especular grau de escolher moralidade. sobre um uma motivo formulação Mas, caso frágil, se solene, manter queira impor sua empregá-lo, palavra, uma dicção, o então que supõe uma é preciso ges- um

legível, ticulação representado enfática, ornar a punição as paredes de perjúrios com quadros (quadros legendados que poderão de ser, maneira para

in sublinhar aumentar extremis), o o caráter efeito colocar deles, sagrado bem escondidos à vista do juramento) um ministro sob uma ou religioso um cortina oficial e (no descerrados de caso justiça de se (se apenas querer é seu

caráter reformado político por Bentham que se pretende se transforma valorizar), assim e em assim uma por máquina diante. teatral. O tribunal

serve utilitarista De para um é algum necessariamente modo fim, mais mas profundo, ao teatral, que tudo — observa-se devido aí faz sentido. não que somente todo Toda o a função que dispositivo tudo é um aí

papel.

Prisões da linguagem

poeira O rentáveis, utilitarista de ele átomos classifica. não pára de pensamento de É que, analisar. com o que Seu objetivo ele discurso perderia de compor levanta se não as em montagens os seu enumerasse rastro mais uma

incessantemente.

de reunir, listas, É ter a isso contraditórias à mão que os Bentham resultados entre se consagra: si, tão que abundantes ele seus esforça textos em suas enormemente intermináveis minuciosas por se divisões. captar, inflam

E a sem Crestomaquia, é por contar isso o que “Panopticon” grande a Proibição parte — de da culmina suas usura, obras com os Textos — o os estabelecimento Recursos sobre a lei da dos ação de pobres um humana, plano, etc.,

de lógica um grande ou de um mapa, quadro de um sinótico. grande índice geral das matérias, de uma árvore

38

maternas i

Uma expressão retorna sob a pena de Bentham: em matéria jurídica

como “no “a menor primeiro em sombra, lógica, golpe é nenhuma preciso de vista”. sempre obscuridade, E ainda: poder não nenhuma se deve encontrar subsistir mancha”. “at “no first Ora, darkspof’ glance” essas são — —

tica. as mesmas expressões que Bentham usa quando elogia a construção panóp-

Isso se compreende por si só: as grandes nomenclaturas que expõem

de suas Classificação domínio ramificações que dos inspira homens, exaustivas a teoria classificação são penitenciária as prisões dos da termos e linguagem. a teoria — um lógica É olho o mesmo de idêntico Bentham. ideal as

domina. Os homens, os termos — trata-se de deter suas flutuações, de en-

quadrar lugar lizá-los. ou, todos Assim ao menos, os se seus observa nunca deslocamentos, que, perdê-los antes de de de ser vista fixá-los liberal, em uma seus o utilitarista vez movimentos, por todas é despótico. em imobi- um

Terra dos pobres

As construções rista, tabelas o discurso benthameanas benthameanas e o real são são são reversíveis, classificações prisões de sem termos; resto. materializadas. inversamente, Para o todas utilita- as

Em 1797 — estando bloqueada a construção da prisão panóptica

votada polivalente pobres um pelo problema como Parlamento alojamento nacional — Bentham de e pobres. os melhores se Acrise propõe espíritos de empregar 1795 pensantes fez da sua questão máquina se unem dos

para remediar isso.

outro conceito uma (intemas)/externas. enfermidade A lugar primeira de Bentham indigência obra27 do As espírito chama primeiras se é aqui abre ou de a com dividido “o são: uma mapa uma 1. enfermidade definitivas segundo “Tabela geral da da suas do Terra (elas indigência”, corpo), causas: dizem dos 2. Pobres”. respeito duráveis, pessoais que em O a

mais infância, temporárias “sem-idade”), (incapacidade 3. intermitentes de prover e suas temporárias necessidades (incapacidade por causa de de

trabalhar todas costumes, temporárias: dèvido falta de a relações), doença desemprego, ou ruína. ocupação incapacidade com crianças). de obter As trabalho segundas (maus são

numerado: nevoeiro asmáticos, Nessa prolongado, os os grade bastardos surdos muito as tanto e mulheres suas simples, quanto mães, grávidas, todos os os naufragados, jardineiros os pobres os domésticos dispensados encontram os alcoviteiros demitidos um devido lugar, e por ao os

a máquina panóptica de Jeremy Bentham

39

variada, um melancólicos, mau maravilhosamente patrão os (a manetas se distinguir — homogeneizada em daqueles suma, toda que pelas um essa bom virtudes formidável patrão de uma despede), população, taxono- os

mia mente o número implacável. levantado, de pobres Um assim pertencente formulário como a idade, será a cada enviado o uma sexo, dessas a a cada saúde paróquia categorias etc. a fim seja de exata- que

— expõe os Sobre O pavimentos, em que uma o é perímetro o segunda “Panopticon” os compartimentos, obra28, da edificação dos a não pobres, ser — as circular esse celas cujo mesmo funcionamento ou, são na tanto inscrito falta divisões de, na hexagonal Bentham pedra? como

prevenir dade subdivisões. tem a sua corrupção Tudo razão, aqui todo — é distanciamento moral questão — de e separação a infecção seu motivo. e — de física; reunião. É preciso para Toda separar: se certificar proximi- para

fazer da impedir segurança obstáculo sobretudo — aos a guarda, que ruídos, nasçam aí aos também, maus “desejos cheiros, será insaciáveis” invisível às visões — — desagradáveis; e da separar salubridade os sexos. para —

Mas aproximar há lugar o doente para e se o juntar médico, também: assegurar reunir a inspeção os casados, moral, as a educação, famílias,

passagem permitir se de dividem outro o modo, incessante trabalho de novo encontram em segundo de uma comum. seus classificação outros A pares vida critérios à da noite... a outra, instituição para À novas os noite, separados é tarefas, constituída os reclusos se sc reúnem, juntam pela são

complementares: ordenados aos tagarelas em impenitentes? classes, portanto, dispostos — quem só podem segundo se deve ser colocar um os arranjo surdos-mudos; próximo astucioso aos os delirantes que cegos os não faz e

sofrerão na vizinhança dos melancólicos, silenciosos, nem daquela dos

enfermos A casa monstruosos. panóptica é o lugar das coexistências: não demonstra ela, em

humanidade? meios ato, O “improvement que disponíveis, o homem Ela of não o é management”29 gênio é compatível o melhor utilitarista dos com não compôs mundos o é homem, nada com possíveis além as ela misérias do não que, que dá através da aprender um criação? ser dos à a

lógica das classes que coloca cada coisa em seu lugar.

A polícia das Identidades

Transparência Para esses cada valores coisa, exigem geral, é preciso classificação que um toda nome—e incerteza geral, Bentham quanto cálculo às é geral, identidades grande utilização criador seja de apagada. geral nomes —

40

maternas /

mais diante repulsa do Eterno pelas —, multidões um lugar, do um que número. pelos vagabundos. Por isso, o utilitarista não tem

pode sombrios em essas toda levar faltas O sua vagabundo que em de superfície. lhe lógica conta, oferece é vivas. o rebelde E homem uma preciso Eles sociedade ao sem recolher cálculo, serão lugar, presos que, os flutuando, o vagabundos, infelizmente, nômade, ñas “Workhouses” povoando aquele desaparecer não é que panóptica os panóp- não cantos com se

ticas30. A multidão é a derrocada das taxonomías, a indeterminação das

numerações. zem excitando aí, deixando a agitação, No lugar impressões excluindo de relações tão a fortes reflexão; reguladas, quanto mudanças variadas. é a confusão incessantes Toda que multidão se domina, produ- —

perigosa ausência de quando classificação aproxima humana indivíduos — já com é sediciosa. maus costumes, Ela é particularmente pois ela lhes

Mas “a cria vergonha um como meio a é desaprovação comum o medo da onde desaprovação mutuamente pelo crime daqueles se se manifestaria protegem com os da quais em censura uma convivemos. multidão do Olho:

pensamentos, composta de criminosos?”31. eles formam um O tribunal tribunal a seu da modo: opinião “uma pública lex loci some é formada de seus

por diferente, eles consentimento se homogeneizam, há os insistentes tácito”32. e é e o os pior Cada novos, que delinqüente prevalece. os suaves e é os culpado revoltados; de um na massa, modo

É preciso fixar o vagabundo, dividir a multidão. Bentham anseia por

do insistência, uma Japão, polícia cada os geral meios um das é de obrigado reconhecer identidades. a portar e de É preciso encontrar seu nome acrescentar, os em indivíduos: sua roupa”33. sublinha “na capital “Nas com

schools34, universidades cada inglesas, um tem não os alunos só um uniforme, vestem uma mas roupa uma especial. placa numerada. Nas charity Não

falemos dos soldados. O mínimo é que os pobres usem uniforme”35.

— pela prisioneiros e a qual O diferenciação ideal evitarão do é “Panopticon” conjugar as mais tentações a sistemática homogeneidade gozarão da evasão: de e mais uma mais para neutra diferenciação completa os — homens, o número. — mais o mangas uniforme concreta, Mas de os

comprimentos desiguais — a esquerda normal, a direita mais comprida do

que uma tatuagem a descrição de um natural, vestido detalhada indelével de mulher. de por sua muito Os pessoa, braços tempo. um terão signalement, “Um assim homem uma como escapa. cor diferente, dizem Fazer os

franceses, possibilidade é mais de erro”36. ou menos inútil: um traço simples o distingue sem

a máquina panóptica de Jeremy Bentljam

41

Carew De em fato, 1804 seria —, preciso não somente tatuar a nação os detentos inteira — ou escreve os desertores37. Bentham Seria a Sir

família deléveis38. dispostos apenas um e os de E outro preciso seus um modo modo próprios lamentar de tão em imitar irregular”39: que seus “os os punhos, nomes marinheiros, um próprios com mesmo caracteres que dos nome, têm indivíduos os claros com nomes efeito, sejam e in- de

um pertence está nome para a ser próprio, vários. escrita, É que uma de pertença verdadeira modo que, unicamente falta em cada de lógica. a país, ele”40. Uma “cada nova indivíduo nomenclatura (tenha)

Resumamos. Um nome próprio, verdadeiramente próprio, para cada

um humanidade apagável: saber (o a equivalente resposta isso e instauraria estenderia à questão de um uma a número, fundamental ordem segurança panóptica em suma), dos geral, contratos: pela posto tatuado terra que “quem em inteira, se poderia sua é carne, você, por sempre toda com não a

quem estou tratando?”41

o seria proprietário, a E abreviatura evidente o destinatário, que de um toda certificado, mercadoria a qualidade estabelecendo, deveria e a quantidade ser etiquetada. de modo do produto42. incontestável, Essa etiqueta

tornaria Asseguradas possível. as identidades, a grande contabilidade das utilidades se

Em todo estabelecimento panóptico, repete Bentham, é preciso man-

ter especialmente simultânea o caixa. do O Book-keeping43 domínio facilitada a pela ser registrado. proximidade é uma ciência Serão da cuja vigilância mantidos prática, e registros da nessa transparência ocasião, cronoló- é

gicos levantamento — dia a dia, de estoques, e outros metódicos—por dossiês de saúde, assunto, dossiês índices de conduta de população, moral,

registros de reclamações, de punições (com capa preta), de recompensas

duplicada cada (de acontecimento capa uma vermelha)... delas em sua seria anotada inscrição logo E o no registro indicado livro exaustiva, correspondente deveria aí, dividido o ser governo estendido em — suas em a vida à partes condição nação incessantemente constitutivas, inteira: de tomar todo

decisões abalizadas,

científicas...

No horizonte — Bentham não diz isso de

jeito alguma a comparação nenhum parte um de em manuscrito tudo sua com obra tudo, publicada, onde o ele registro o diz mas da — deve humanidade. a contabilização certamente planetária, existir em

O filantropo totalitário

O utilitarista é, como tal, destinado ao exaustivo.

42

maternas i

objeto: assim Em como tudo primeiro o tudo que o é que suscetível lugar, é suscetível o utilitarista de ser de conhecido ser não feito recusa é é matéria matéria dar atenção para para uma uma a nenhum ciência, arte.44

Nenhuma quer coisa, discriminação é um teórico polivalente prévia: o utilitarista para quem acolhe nada indiferentemente é estranho. qual-

o totaliza Em segundo e o complexifica. lugar, em todo A totalidade objeto, ele está pratica sempre a mesma por operação: se dividir: ele o

utilitarista do produz elas objeto sejam portanto, inicial, encontra exaustivas. continuamente, o desnaturaliza, por toda parte sínteses o o transforma separável. sistemáticas em Ele montagem. se e obriga é indispensável a O uma utilitarista análise que

expansão. O discurso Por mais do restrito utilitarista que é o destinado, objeto lhe pela pareça mesma à primeira necessidade, vista, ele à

procedimentos reduz ralizado. tion45. a Uma seus Bentham montagem fundamentos gerais: cria, dccompondo-o, é para “metodizada” o qualificar domínio do ele esse se qual é o a processo, reconstitui melhor se apossa possível. a maximizado, palavra e o trata Desde methodiza- segundo então, gene-

origem, a imperialista. solução tem utilitarista E sempre como valor não excede há de domínio sempre modelo, algum o é problema exemplar, que não particular portanto seja metodizável... naturalmente que lhe deu

máximo. maximização Na teoria Certamente, não utilitarista poderia esse ser o que soberano definitiva: se mantém bem ao contrário, não no lugar é um de ele objeto soberano é essencialmente definido, bem c o a

variável, função, quiza — ele sempre há é em constante. toda suscetível parte Obstinadamente o de mais improvement, e o menos sem de — fraquejar, aprimoramento; e reforma o utilitarista — sempre mas hierar- como há o

melhor.

ponto Agora de partida fica de claro sua que reflexão, a referência sempre do se revela utilitarista, de modo qualquer definitivo que seja como o

não sentido o utilitarista sendo que outra o é “Panopticon” fundamentalmente senão o grande não é Todo: um panoptista. tema o universo, entre outros a humanidade. na obra de Bentham: E nesse

O utilitarismo, que aparece na esfera política como radicalismo,

variante samente aspirando o do à que maximização liberalismo, lhe permite é perpétua de aparecer fato uma e como universal. concepção uma Esse filantropia: totalitária totalitarismo a expansão do mundo, é preci- de

seu império, com efeito, só tem por limite a espécie humana.

Bentham; encantador Bowring encontramos o princípio publica do no aí máximo, volume uma nota xi a filantropia onde de sua se edição conjugam e o imperialismo. o último com caderno um frescor de

a máquina panóptica de Jeremy Bentham

43

Característica 1831. 16 de fevereiro. do espírito Um de depois J.B. de ter atingido a idade de 83 anos.

J.B. o mais ambicioso dos ambiciosos. Seu império — o império que ele

aspira humana, em todos — em os estendendo-se tempos todos os vindouros. lugares, até, e — compreendendo, em todos os lugares o conjunto habitáveis da espécie da terra

J.B. instrumento o mais filantropo de sua ambição. dos filantropos: a filantropia, objetivo e

Seus limites: não são outros além da terra46.

A fórmula

um O utilitarismo, enunciado que único. tem Este, o Todo no como dizer campo, de Bentham, tem com guia princípio, toda a sabe-se, teoria,

exprime-a, envolve-a por inteiro: “all-directing’, “all-comprehensive”47.

Ele banalidade a condensa todos os tão comentários. bem que, uma Esta não vez é produzido, sua propriedade esteriliza menos com notável. sua

por Eis moral, aí si o só, em “dito” vale companhia para de Bentham, seu dos autor estóicos, que encarnar, é preciso dos epicuristas nos tentar manuais, despertar e dos uma céticos. — grande “dito” atitude que,

“Priestley De início, a foi fórmula: o primeiro a maior (a felicidade menos que para tenha o maior sido número. Beccaria) que

caso ensinou do “Panopticon”, minha boca a pronunciar Bentham não essa reivindica verdade sagrada”48. a paternidade Assim de uma como idéia no

massima à Priestley, a de qual Beccaria, dedicou felicita no Essay na sua divisa introdução on vida. the nel first De maggior ao fato, principle tratado essa numero). Dei of expressão government, delitti Mas e se pode-se dellepene, acha de 1768, sob lê-la de a como ainda 1764 pena sob em (la de

uma a maior obra felicidade anterior, para de Hutcheson, o maior número”49. “que a melhor ação é a que proporciona

riu mesma ação por segundo Entretanto, coisa, muito mas tempo a em propensão de lugar o modo princípio da diferente: que fórmula de parece utilidade será da maior ter aprovada de que, felicidade, aumentar sem ou desaprovada dúvida, Bentham ou diminuir enuncia prefe- “toda a a

felicidade acusa cia última a formulação da análise, parte cujo de está 1789 sempre interesse de não em está explicitar jogo em em questão”50. qual toda é “aparte” ação Em humana, 1822, cujo interesse, Bentham em toda

circunstância: a humanidade, seu bem-estar.

que tarismo concorre Esse promete: axioma para todo esse justifica meio fim - a propriamente - instrumentalização “uma utilização”, dito se escreve reconhece generalizada Bentham na medida-em que em o utili- sua

44

maternas i

Lógica, para fim subordinado, o mesmo “ou é uma fim isto universal”51. modificação é, um meio do O suscetível imenso fim universal, discurso de ser isto empregado de é, Bentham, o bem-estar, em criador contribuir ou um de

va, inumeráveis o máximo dispositivos, de felicidade quer do portanto máximo de ter seres apenas humanos. uma referência Mas o que definiti- age,

efetivamente, da primeira. nesse discurso, é uma fórmula mais breve, que se pode derivar

O máximo

percurso, Simplesmente nar-se com reinar outra o nas máximo. coisa, construções servir. Isto Nada é, benthameanas? o útil pode pelo existir útil: não a Tudo não é ser a deve lei em que ser relação vimos, útil, relacio- a neste outra

coisa, princípio todo dado isto que e é, o transforma. ao o detenha. que funciona. Engloba Ele necessariamente E a esse terra funcionamento, inteira. se E estende. se ele portanto, tem Apropria-se a humanidade não tem de

como ele, é, muito por “fim”, si simplesmente, mesmo, é no sentido iria além. que de O o limite, paradoxo útil faz de seu fronteira que absoluto atormenta — do extrínseca, relativo o discurso por uma utilitarista essência. vez que

Bentham distinção, trumentalização o que serve, se os imãos protege dispositivos se humanos, enuncia desse são como paradoxo estejam ordenados filantropia certos, pela em Fórmula. relação máxima. lhes serve! ao O De fim fanatismo uma universal: só vez, da tudo sem ins-

qual decisão, se Para pensa de Bentham, modo todo que pensável, a fórmula nunca critério é poderia arquimediana: absoluto, haver incerteza ponto que de constitui no apoio mundo a sempre partir ben- do a

subordinado thameanp. Todo à Fórmula. enunciado Mas que a própria figura Fórmula, no discurso princípio utilitarista de toda é por validação, direito

pois por “(o é o princípio enunciado si o que mesmo: é utilizado de autônomo, utilidade) uma para cadeia provar realizando é suscetível de todas provas sua as de outras deve própria alguma ter coisas posição, prova seu não começo direta? pode indemonstrável: ser não em provado parece, algum

lugar52.

colocar “é sebre possível Mas ele fora refutação*alguma: se para do ele Todo um escapa homem para a toda combatê-lo, porque mover demonstração, ele a terra? envolve isto é, Sim, em em o Todo, nenhum contrapartida mas seria ele lugar deve necessário pensável: não de início recai se

encontrar inteira de modo do desapercebido, uma universo outra do terra discurso, em onde seu se é nome. apoiar”53. englobante: Seu império A se Fórmula, ela não é contestada, como tem exterior. a superfície ainda é,

a máquina panóptica de Jeremy Bentham

45

títulos: Todas as contestações da Fórmula podem ser reagrupadas sob dois

nunca ensina — foi a preferir o seguido princípio o nefasto até de o ascetismo, fim ao útil; por o qualquer que que nada o refuta criatura é senão é sua viva, o inconsistencia: avesso e nunca da Fórmula, poderá “(ele)

sê-lo”54.

riamente — o todo princípio critério da fundado simpatia, sobre rubrica a avaliação na qual Bentham pessoal do introduz bem e do aleato- mal,

natureza, princípio, seja empregado em nome da “não para justiça do tanto significar senso um natural moral, principio a negação etc.; do senso positivo é, de na comum, todo verdade, em principio”55. si do mesmo, entendimento, fazer do como capricho um da termo lei um da

nome que objetivo ela Só do das a a útil, Fórmula constitui escolhas e Bentham dá como racionais. um lugar se sua esforça legítimo Entre referência por os à homens, explicitar, comunidade última, há fundando em querelas humana, todo adversário, apenas o uma cálculo vez em

um apelo dissimulado ao próprio princípio que acredita destruir. As

justas divergências Bentham e as é contas aquele só têm falsas, que lugar leva ou entre entre em interpretações conta as contas o conjunto parciais do útil, dos e a conta seres entre universal. humanos, as contas

calculando para a humanidade.

— não pois é contingente, Daí é preciso se segue, certamente que evidentemente, sua pessoa que exista está que necessariamente pelo a inscrição menos “J.B.” um implicada homem em seu em na sistema teoria quem

exceção das a utilidade demonstrações. análoga, pessoal no se seio confunda da humanidade, inteiramente àquela com da a utilidade Fórmula universal no conjunto —;

Nisso, pode-se dizer que Bentham é incompreensível para ele mesmo.

Dois mestres

Para dos tos? primeiros, Na que Introdução serve quatorze, enumerar aos princípios dos aqui, segundos, tal como da moral doze, Bentham, e da ao legislação56, que os se prazeres acrescentam ele e os distingue, tormen- subdi-

visões e combinações. Outras obras apresentam listas ligeiramente modifi-

(spying-glass) clatura cadas —vocábulos estabelecida o “prazer mudados, em “os da recursos curiosidade”, espécies da reagrupadas. ação”57 ou ainda batiza de Por de “prazer exemplo, “prazer da da anomen- orelha” luneta” o

contrário da “aflição do trabalho”...

46

maternas i

nem a Pouco dor. Todas importa as espécies — pois suas são homogêneas, “espécies” não o distinguem “prazer do cheiro” nem o prazer, e o da

geneidade estão “reputação”, um para se o estende o “prazer outro até assim do a própria sentido como diferença sexual” o positivo e entre o para “da o o habilidade”. prazer negativo. e a dor, A E partir pois a homo- eles daí,

para em unidades que um cálculo discretas, seja isto possível, é, não basta fluam propor como que fluxos, o prazer mas e a se dor articulem venham

como um prazer, cadeias. uma A dor, sensibilidade para qualificar é, de uma início, quantidade dividida; pode-se positiva portanto ou negativa; dizer: é

uma moeda Pode-se sensível, abordar cujos muito valores rapidamente se avaliam os seis e se critérios comparam. que individuali-

ção certeza, zam de um mesmo proximidade, prazer tipo), ou uma pureza fecundidade dor, permitindo (tendência (tendência sua a não avaliação: ser a ser seguida seguida intensidade, por por uma uma sensação duração, sensa-

o oposta); acrescentada cálculo se é a apenas a sensação extensão. regulador: concerne Pode-se “não a abordar várias se deve muito pessoas esperar rapidamente ao que mesmo esse isso, processo tempo, porque será de

legislativa o avaliação processo possa ou efetivamente jurídica. ser aplicado Não seguido se deve, a cada nessas contudo, juízo ocasiões, perdê-lo moral, aproxima-se ou de vista a cada e, conforme operação mais ou

processo menos dele; exato”58. esse processo tem mais ou menos a característica de um

evidente, O cálculo é o postulado dos prazeres, necessário que confere à racionalização a Bentham sua da política. celebridade E o mais ins-

poderia dor, trumento pela medir qual do juiz, os os danos comentadores não do e as psicólogo. reparações. de Bentham E Amáquina o símbolo resolveram da de justiça calcular se interessar perfeita, o prazer que e de a

seria modo apenas específico, o meio como ideal se ela do pudesse domínio funcionar absoluto ainda dos que indivíduos imperfeitamente, e das

comunidades. Seu segredo se revela na primeira frase da

Introdução...:

“a

Natureza colocou a humanidade sob o governo de dois mestres soberanos,

a dor e O o que prazer”. é originário no homem benthameano é o assujeitamento. O

para é cálculo o prazer, governável; conduzi-lo, dos fugindo prazeres é, ter por do à comenta tormento; mão natureza, as alavancas um ele desnaturalizável enunciado é uma que máquina ativam único: pela seus elementar, o homem sensibilidade; recursos; é deixada submetido; buscando basta, pela

Natureza no poder dos dispensadores de felicidade.

serva do Se que a humanidade se colocará é como serva mestre de dois de mestres, seus mestres. conseqüentemente E, no “Panopticon”, ela será

a máquina panóptica de Jeremy Bentham

47

como reclusos. vimos, Bentham solta como se fossem cães o prazer e a dor sobre os

Tüdo é possível

A à disposição Natureza, na dos teoria mestres utilitarista, o prazer não e é a nada dor além para do amestrar que isso: e o conduzir que coloca os

homens. humanidade institui nenhuma ANatureza indefinidamente referência, aqui não não diz plástica. nada, impõe não nenhum estabelece limite: nenhuma ela engendra norma, uma não

não duas depois, pode reservas Ao porque se experimentá-la percorrer quanto um prazer a toda essa ao muito maleabilidade a infinito; obra intenso benthameana, de início viraria universal. porque dor. encontrar-se-iam De Por sua um outro vida lado, é lado, o limitada; homem apenas uma

diferença irredutível individualiza cada corpo e cada espírito; há “a radical

frame originário campo of das body”, é mutações. imutável. assim O como que “a não radical é circunscrever frame of mind”59; em limites esse estreitos contexto o

entrega Com o futuro isso, o ao otimismo desencadeamento benthameano das profere potências um do “tudo útil. é possível” que

por De não fato, ponto há, O não primeiro ele a introdução é poderia totalmente livro haver publicado dos escrito contrato Comentários para por originário, Bentham afirmar de Blackstone esta é nem consagrado tese direito retomada sobre natural. a a refutar lei por inglesa60. Hume: ponto

reinasse Era sem necessário, restrição. com As efeito, leis não que retomam a Natureza nenhum se calasse discurso para que anterior o útil

um depositado elas dispositivo se desviam na origem de disso, linguagem, pela não Natureza se pode dominando reconduzi-las ou por o Deus: prazer a pode-se e isso. a dor As em apenas leis nome são dizer do apenas útil. que

Ex nihilo

Imaginar deveres que uma lhe lei preexistiriam natural, regulamentar é supor enunciados a lei positiva sem enunciação sobre os direitos — a não e

lei, Natureza ser os direitos de quando sua legisladora, enunciação e esta os é deveres referida se efetiva, o útil nascem. a um é humana, a única providencial A legislação instância isto é, de emissor de um é, legitimação, do ato divino. princípio de linguagem Se então ao não fim, é que há da

fenômeno de discurso — efeito de discurso.

48

maternas /

Como a linguagem poderia não reproduzir um modelo, mas criar

Herbert ta entidades ele, pode Spencer, que produzir apenas por alguma exemplo, sustentariam coisa a declara a partir seu incompreensível61. ser de nada? por si Esse mesmo? não Quem, seria Essa um pergun- criação, efeito

numerosos que se reconhece aqueles apenas que se na recusam onipotência a concordar divina e, com acrescenta isso. ele ainda, são

para divina. o O utilitarista, Bentham ex nihilo o da na assume lei medida constitui, em em sua sem que teoria ele dúvida, das foraclui ficções. um toda problema Não garantia é uma incontornável natural obra, mas ou

um como esparsos62. Mill, tema nem tal. da Stuart C.K. obra, Ogden Mill, bastante nem foi os perdido o editores primeiro em Bowring suas a reunir margens e Dumont, em um para volume o que tenham nem os isolado James textos

se o discurso pode Impossível exprimir veicula. sem exprimir-se Isto se é: referir não sem há a. discurso Os supor substantivos a existência que não encabeçam reconheça de alguns essa entidades. elementos função. Não que

unívoca. entidades Ora, A que a percepção natureza os sentidos dessas servirá testemunham entidades de primeiro que diretamente se princípio supõe como — de são discriminação: existentes os corpos não —, há e é

há viu, os conhecimento assim nomeando incorpóreos, aquelas lembra ao inferencial, das essas Bentham, é quais a mediato. entidades, alma como vocês segundo enquanto Entretanto, aquilo se certamente persuadem a fórmula cujo tal, sejam ou, conhecimento entendo do ainda, unicamente elas apóstolo. sensíveis Deus, que é elas O por imediato que perceptível ou existem um ninguém dedutíveis, raciocínio àquilo na se nunca reali- opõe cujo eu, —

dade e que o substantivo se sustenta em um substancial.

na linguagem nomes que filosofia não É do existe, aí que que inglesa abriga, coisas. como uma desde com segunda se O isso discurso Hobbes efeito, existisse. dicotomia é substantivos e excessivo, Locke, Essa se motiva simples traça: pletórico; sem entre a constatação, análise substâncias. ele o real permite lingüística: e tradicional o Há irreal. falar mais não do A

tomar desvio, contrabando, as estabelecer palavras foracluir pelas uma o coisas, irreal. alfândega medir linguajeira, o discurso recalcar pela realidade, os vocábulos reduzir de o

é casa preciso de Mas, uma distinguir argumenta tal rua ainda de Bentham, uma entre tal o cidade fabuloso o irreal mora não e o é um fictício. homogêneo. demônio Se afirmo chifrudo Em sua que esfera, e em com tal

tridente, como real e a uma observação entidade me que desmente, não existia: criei uma apenas “não-entidade”, uma fábula, descrevendo um nada. Há

outras entidades, que tampouco existem, mas que as exigências próprias à

a máquina panóptica de Jeremy Bentham

49

forma gramatical do discurso me forçam a nomear, evocar,

tomar presentes

lavra: lhes na expressão, atribuir é a fabulação existência. mesmo do quando discurso Se aí há “na como fábula, verdade tal ela — é e eu necessária. na não realidade” posso Ela me eu não exprimir não é de pretendo minha sem

substantivar, as quais Bentham isto é, reserva sem produzir o nome entidades de ficções. irreais, mas indispensáveis, para

estiver Inversamente, cia à linguagem—unicamente separada As em ficções uso — elas entre supor-lhes são extraem os necessárias seres correlatos à seu linguagem humanos, ser à apenas linguagem: reais •— não da que é se transformá-las enunciação, as poderá entidades “enquanto prescindir não fictícias em a têm fábulas: linguagem delas”63. existên- devem “é

portanto sua existência; seres de sua linguagem, existência dos impossível quais o e discurso entretanto constitui indispensável”64. toda a matéria. Há

falaciosa “como Entretanto, se — fosse aquela real”65, como da gramática um não viés se pode arrasta — falar a trabalha. a expressão, de uma Através entidade uma disso, potência fictícia o fictício maligna, a não ser se

confunde incessantemente com o fabuloso; falar engendra uma crença,

não ficções, como se se deixam portanto, fosse definir uma deverão superstição: “pelo ser gênero despistadas. a todo e pela termo espécie”, Mas corresponde como não apreendê-las? são uma nem coisa. subsumi- Elas As

como creve. das, nem tema As subsumem. ficções pode ser serão traduzida Conseqüentemente, retraduzidas: em uma “toda proposição somente proposição a que paráfrase que tem tem uma uma as entidade circuns- ficção

um blemática: real ser como corporal. ela tal”66. apresenta Nesse Uma sentido, proposição uma imagem; a ficção que parafraseá-la benthameana incide sobre é uma referir é o que ficção a a imagem logística é em- a

— nomeará que preenchimento Bentham como forja símbolo de para frase. designar vazio ou a incompleto paráfrase de — ficção: testemunha “phraseopleorisis” isso o nome

integral Isso do quer discurso, dizer a redução que Bentham das entidades teria como fictícias? ideal Basta o preenchimento lembrar que

não se trata há linguagem de dissipar sem as ficções, ficções. mas O utilitarismo de dominá-las, não porque é um nominalismo: as ficções agem. não

linguagem investigação E aí que como lingüística se descobre poder de desinteressada: o legislação. objetivo da As “teoria é entidades uma das teoria ficções”, fictícias da legislação, que mobilizam não é uma da as

entidades reais, as distribuem, as organizam: falar é legislar, isto é, fazer

poderes. agir coisas Todas Alei que as natural entidades não existem. é uma jurídicas fábula; são toda entidades lei é ser fictícias, de linguagem direitos, que deveres, coloca

50

maternas l

em discurso jogo duas jurídico entidades em seu reais: conjunto. o prazer, Uma a dor, lei que é apenas são a única o dispositivo referência lin- do

guajeiro a fórmula: que tal associa ação provocará artificialmente tal sofrimento, as ações e ou os tal efeitos felicidade. sensíveis, segundo

Pannomion

sidades discurso O direito do humano é discurso “um desses não através poderia objetos de existir”67. uma cuja existência ficção Isso tão é é necessária dissimulada válido também que, pelas sem para neces- ela, ou- o

Essas tras reciprocamente entidades entidades que são, traduzíveis, estão pode-se em jogo substituíveis. dizer, no discurso simultâneas, Se jurídico: sua exatamente natureza delito, dever, correlativas, de ficção poder. é

direito ignorada, — gira-se e assim em se círculos: segue, deslocando “um direito o peso é um da poder, definição, ou um para poder frente é um e

para que limite, as trás, leis seria de se possível reportam um termo sustentar a um a outro”68. único que objeto, há Levando apenas que uma elas a teoria comentam, única benthameana entidade fazem jurídica variar, a seu e

traduzem, dividem e repartem. Esse objeto único é o sofrimento.

sofrimento, parte Sofrimento efetiva mais [do e do trabalho prazer, que de mas governamental] recompensas: a princípio sofrimento. “...é prosseguiria certo que Alei unicamente nunca é promessa nenhuma pela de

cetível oferece é recompensa, mais de certa inteiramente ser do não mais que passaria estendida, o a prazer isso, sequer (menos como suas de fontes uma se dependente viu) meia são e inumeráveis hora”69. o medo das circunstâncias, A é dor, “o — instrumento com o corpo efeito, sus- se

ficção necessário, temente, fundamental, de o todas único as porque aplicável ficções a jurídicas, mais aos objetivos próxima o delito do da é, castigo. sociedade”70. de um modo Conseqüen- definitivo, a

pode ser Da recitado mesma forma tanto na os linguagem códigos são penal convertíveis: como na linguagem o discurso legislativo civil. Mas

se O cria código é preciso os delitos civil, escolher e com os castigos efeito, uma ordem, cria — os e, direitos é através o código e disso, os penal deveres, envolve que ao está passo implicitamente acima que do o penal civil. o

primeiro. e traça legislador de um para mestre”71. O cada se código manifesta um as penal regras a cada é o de código indivíduo; sua conduta; fundamental, ele ele permite, usa é a nesse linguagem ordena, discurso interdita; de um que pai ele “o

comodidade Resta dizer que se que divide o discurso o código. que legisla A “teoria é uno .das e ficções” que é somente desemboca por

a máquina panóptica de Jeremy Bentham

51

portanto associadas, sobre unificadas, um código harmonizadas universal e sob integral um mesmo — todas principio, as leis cada reunidas, uma

completa, possam realizando ser individualizada, “a vistas projeção de uma da esfera única numerada, das vez” leis — redigida de o tal Pannomion modo em uma que — todas álgebra o grande as unívoca suas código partes —

panóptico72.

declaração O legislador de uma vontade, panóptico vestida é um com lingüista. um signo O que exterior? é uma O lei senhor, senão diz a

exemplo, As está Bentham, leis na que posição o impõe soberano formam de a lei ser os — a códigos seu obedecida que vassalo, se define distinguem-se em o simplesmente pai um a estado. seu apenas filho, Nova por por o ser homem seu ocasião a instancia emissor, à mulher. para que por se

concentra; classificar: a ou emissão essa instancia que legisla delega segue seus percursos poderes, ou mais bem ou os menos divide, longos; ou os

cada enunciado? enunciado etc...73. de quais da lei maneiras? é desmontável: quais quem motivos enuncia? ele mobiliza? a que se como aplica se o

exprime?

Aqui, cada termo conta. É por isso que Bentham redige a

“Nomografía”, O legislador lingüística é um lógico e estilística — no sentido legislativas74. benthameano: a ciência dos

os meios egoísmos. mesmos utilizados A fins. ficção Ela para legislativa assegura, se atingir pelo ajusta os viés fins75 os do interesses medo, —, isto a e conexão os é, um faz concorrer mecánico entre o dever para dos

e dispositivo, restitui o interesse. depois ele de O convoca os legislador ter triturado. todos é, portanto, os saberes um e todas psicólogo. as populações, Em seu enorme e só os

Um estilo

Bentham não reserva o estilo nomográfico para a legislação, estendendo-o

daí preciso a toda se segue sua dividir obra. que — Pois a “o escritura processo é preciso deve de que, realizar subdivisão no discurso, sem não cessar tudo poderia sua esteja própria ser em levado seu análise. muito lugar; E

longe”76 — até atingir os átomos de sentido, as unidades de pensamento.

É para um preciso nome. individualizar: numerar, Assim, cada para todo significação, que elemento, parte alguma todo como conjunto se o perca, prisioneiro de e é elementos, preciso em sua denominar, cela, deve será ter

cativa significado. Preferir existenciais; de os um substantivos Escrever ao termo invés á dedjçtjrjçjse^e — é ? aos " désambiguer11 adequação, verbos:78 aplica transparência desaloja-se — um a regulamento, expressão com do isso significante é as diga de suposições Bentham. que e uma do

'

52

maternas /

por uma aplicação sua entidade vez, dele da dividi-la se qual impõe, você em e você poderá categorias revela variar uma que a extensão entidade você numerará e dissimulada compreensão e denominará, pelo e poderá, verbo,

classificará que, eles próprios, por ordem serão de objeto preferência, de uma variável numeração, segundo de uma os casos classificação — casos

espessura etc. Desde semântica, então, você a escreverá escritura de um Bentham, discurso que raso, se sem quer profundidade, “algébrica”. Mas sem

elas ei-lo observemos outras forçado classificações somente a retomar os indefinidamente efeitos que se superpõem desse ideal suas e de se classificações, “desambiguação” embaralham, a a alongar abrir absoluta: sobre sem

medida intolerante suas à frases, alusão, dividindo-as, cada proposição detalhando-as, devorada desdobrando pelos incisivos toda que elipse, se

nada mais cruzam e retoma tempo à sombra, sob a questão de cada relacioná-los no termo, equívoco, na estaca envolvendo-os, em zero, mas novas ela, prometendo-se, listas, proliferando na medida e ele abandona em desta tão que rápido vez, seu ele manuscrito não que a dissipa, não deixar há

um forma-se retomá-lo capítulo, novamente — o “go capítulo on” por (avante!, se trás infla, dele, continue!), é um e ele livro, acrescenta é mas o último ainda uma termo inacabado, nota, de a nota um é se manus- preciso toma

— crito Bentham, sobre ele, infatigável, as o teórico ficções, não da um transparência, cessou manuscrito de escrever, promotor abandonado...79. de escrever do estilo E textos sem é assim ambigüidade ilegíveis que e,

se por Acrescentemos podemos outros: Dumont, dizer, que panóptico ele James promovia Mill, —, textos John as virtudes Stuart cuja maior Mill, da brevidade parte Francis só Place, veio — “quanto à luz Bowring... editada mais

curta sobra for a arte a frase”, das abreviações. lemos na “Nomografia”, Panoptista opaco. “melhor ela é” — e teorizava

Fevereiro de 1973

NOTAS

sentido 1. No origina!, de “face”, semblant. “rosto”. É Semblant importante tem ressaltar relações qi?c, estritas em francês, com o semblanl verbo sembler, não tem que o

pode verdade. aparente; ser (N.T.) traduzido trata-se mais por daquilo “parecer”, que, mas ao não simular implica algo, apenas sustenta o que nesse é falso, parecer ilusório, a sua
2.

  • 3. Panopticon, Ibid., W. III, carta W. III, 6, carta p.45. 5, p.44.

a máquina panóptica de Jeremy Bentham

53

  • 5. Ibid., Ibid., W. W. XXI, III, p.41-42. p.96 (nota).

4.

  • 6. Ibid., Ibid., W. W. III, XX, p.142. p.585.

necessidades 7. fisiológicas.] [Besoin, em francês no original inglês, refere-se aqui a
8.

Ibid., W. XVI, p.397.

  • 9. Ibid., W. XVI, p.428.

    • 12. Panopticon PoorLaw, Ibid.,W. III, W. versus p.133. XVI, New p.389. South Wales, ibid., W. III, p.174.
      13.

10.

11.

Ibid., W. II, p.431.

  • 16. Introduction Principies Ibid., W. II, of p.431. to Penal the Principies Law, W. II, of p.414. Moráis and Législation, cap. XIII, p.281.
    17.

14.

15.

Ibid., p.396.

tivamente 18. Em inglês traduzidos no original. por “incapacitação” Os termos disablement ou “reforma”. e reformation (N.T.) podem ser respec-
19.

  • 20. Ibid., Ibid., W. W. Il, II, p.398 p.415.

  • 21. Ibid., Ibid., W. W. II, Il, p.407. p.407-8.
    23.

22.

  • 24. Ibid, Ibid, Ibid, W. W. W. II, II, H, p.424. p.431. p.408.

25.

“Falem 26. “The para rationale os olhos, of evidence”. se vocês querem W. XII, tocar p.321. o E coração”. também, nos Principies, W. II, p.557:

  • 28. Situation Outline ofa and Worklntitled Relief of the Pauper Poor, W. Management XVI, p.361. Improved, W. XVI, p.369.

27.

traduzida 29. Em inglês por “aperfeiçoamento no original, a expressão da administração”. “improvement (N.T.) of management!” pode ser
30.

  • 31. Panopticon, Tracts on Poor W. Law, III, p.l W. 38. XVI, p.401.

“lei 32. Ibid, local”. W. (N.T.) III, p.l 38. [A expressão lex loci, pode ser traduzida por “lei de ocasião”,
33.

Principies of Penal Law, W. II, p.557,

dade”, 34. A expressão o que nos charity remete a school instituições pode ser escolares literalmente populares, traduzida sustentadas por “escola pela caridade de cari-

de 35. leigos e/ou ordens religiosas. (N.T.)

  • 36. Panopticon, Pauper Management. W. III, p.l56. W. III, [Signalement p.389. é uma descrição das feições e dos traços

exteriores de uma pessoa que nos permitiriam reconhecê-la, o que se aproximaria do

que 37. chamamos em portugués de “retrato falado”. (N.T.)

  • 39. Pauper Correspondance, The Rationale Management. of Judicial W. XX, W. p.414. III, Evidence, p.389. W. XIII, p.212.
    40.

38.

OfLaws, cap. XIII, p.312.

  • 42. Principies Ibid, cap. XIII, of Penal p.312. Law, W. II, p.556.

41.

54

maternas /

  • 43. til e Em contábil inglês, feita no original, pelos guarda-livros boob-keeping (book-keepers). consiste na atividade (N.T.) de escrituração mercan-
    44.

  • 45. Ver, Ver, entre entre outros outros textos, textos, Logic, Logic, W. W. XV, XV, p.261. p.240.

  • 47. 46. Esses Ibid., W. termos XI, p.71. aparecem em inglês no original e poderiam ser traduzidos, respec-

  • 48. tivamente, Ibid., W. por XIX, “totalmente p.142. Essa dirigido” frase é e do “que Commonplace tudo abarca”. Book (N.T.) que Bentham sustentava

  • 50. 49. no ano Inquiry Introduction de 1784. into the Em to the Original 1822, Principles ele o cita f on of somente Ideas Morals of Beauty Priestley and Legislation, and (W. Virtue, XIX, p.126. p.79). p.177, 2s ed., 1726.
    51.

W. XV, p.231.

  • 53. 52. Introduction to the Principles

Ibid., p.129.

  • 54. 55. Ibid., Ibid., p. p.136. 140.

of Morals and Legislation, p.128.

  • citado 56. 57. 58. Introduction..., Ibid., Table por p. of C.W. 155-63. the Springs Everett, p.153. of The Manuscritos Action, Education W. I. ofJ. da University Bentham. College de Londres, caixa 14, em estrutura 59. As inglês expressões corporal” no original “a e “uma radical e podem radical frame ser, estrutura of respectivamente, body” de e espírito”. “a radical traduzidas frame of por mind “uma aparecem radical
    60.

  • 61. A Fragment of Government.

  • 62. “The Citamos Great os Political escritos que Superstitions”, se referem às in ficções The Man segundo versus a the edição State, Ogden, p.] 63. Bentham’s

Theory of Fictions, Londres, 1932. A maior parte dos textos vem dos volumes III, IV, IX, e

considerava XV 63. da edição como Bowring. “longos Odgen e inúteis” também (L’évolution procurou de esses la doctrine manuscritos utilitaire, que p.357). Elie Haleevy

Ibid., p.17. 64. 65. 66. Ibid., Ibid., Ibid., p.15. p.13. p.86.
Ibid., p.17.
64.
65.
66.
Ibid., Ibid., Ibid., p.15. p.13. p.86.
  • 67. 68. 69. Panopticon W. IX, p.218. versus New South Wales, W. III, p.594.

  • 70. 71. Leading Of View Laws, of a Principles p.135. Complete for Code a Constitutional of Laws, W. IX, Code, p.161. W. VII, p.208. Pannomial 72. Ibid., p.205. Fragments, O nome W. Pannomion, IX, p.211-30. que designa o código integral, é empregado nos
    73.

  • 74. Nomography, Essa minuciosa W. desmontagem IX, p.231-83. é o objeto do tratado Of Laws.
    75. Ver Logic, W. XV, p.219.

  • 76. 77. 78. Nomography, Langage, Trata-se de W. um XV, W. neologismo; IX, p.315. p.267. o termo dicionarizado é desambiguiser. (N.T.)

Introduction 79. Ibid., W. to IX, the p.295. Principles A obra of que Morals nasceu and de Legislation. uma nota é Of Laws, que impele para a

Teoria (rudimento) d’alíngua

romana. Gostaria poucos dias. Ela que o Ela essa é, em o será exposição todo pela caso, honestas ao pelo Congresso lugar que de desejo sua da composição: École colocar Freudienne nela? aqui, Vocês nesses fosse me

dirão.

memória? instituição Será E que que estamos é o a congresso nossa, reunidos e que é algo aqui agora além em completa Roma de uma apenas dez das anos? molduras para confortar sociais uma da

é c um que o tempo hábito A a segregação reunião do que capitalismo, responde periódica engendra a uma uma daqueles a lei. necessidade vez que que o exercem ato de é nosso tomado uma tempo, na mesma forma que profissão para do métier mim é

O congresso é uma prática social da qual vivem empresas especiali-

zadas mos. e semelhantes Em e que intervalos tem em suas seu regulares, viagens ganha-pão, organizadas, aqueles assim que como suas se reconhecem cotas em seu e até discurso, como seus mundanis- solidários renovam

bolsa cm entre bando, si dos uma valores assegurar-se aliança. no Eles domínio que também sua de coletividade sua vêm atividade. reavivar existe, Isso esse contar-se, é pacto, verdadeiro reaquecer-se verificar para os a

sitários médicos, mas certamente e os os psicanalistas. padeiros, os membros os militantes Sem da dúvida, École políticos, Freudienne não os assim mestres, de como Paris. nem para os histéricos, os univer-

tos. apresentar, Pot-pourri Em sessão um pouco — plenária, que, desordenadamente, entretanto, onde falo nutre agora, nossa uma a amostragem memória profissão social. tem de o seus hábito produ- de

Freudienne, Não faço talvez pouco engendre caso dessa laço inscrição social. Não que entre zombo nós, dela. membros Não sonho da École que

55

56

maternas i

seria ela desapareça. eu aqui a não Conheço ser clown sua para necessidade. vocês? — Se, posição aliás, zombasse à qual, é verdade, dela, o que me

verdade, destinava uma (falo verdade disso que no passado) não traz conseqüências. minha vocação de filósofo: dizer a

mandava, Nero segundo — é o Tácito, exemplo chamar que evocarei, os filósofos já que após estamos as refeições em Roma para fruir —

gladiadores ser de suas pelo menos controvérsias, no circo. dois. Mas, e os enfim, incitava para a que se atracar, isso se desse como agora, se fazia eu com teria de os

não-tonto, memória, Se participo diferente é que aqui desse daquela adoto ritual, como social, portanto, posso uma memória o sem discurso me que representar analítico. os gregos É mais uma tomaram como outra

como essencial. musa sob nome de Mnemosine, e que convoca à re-lembrança do

proferido e, aliás, Este foi em o congresso, que Roma me disseram há a vinte meu ver, e para um está que anos, reunido eu bem me decidisse antes para desta que a vir— comemoremos Escola um existir discurso — —

quantos longe para restam nos daqueles ter, por diferentes de então? — motivos, um discurso chamado, cujo engajado eco foi bastante e hoje

reunido Também, nesta sala. não tendo de minha parte outro motivo para me dirigir a

vocês sagem o discurso além se inverte, de de Roma ter-me por marcava ter proposto sido o escolhida ímpeto—não — não posso — a tendo transcrever dizer outro assim, motivo a palavra pois além toda da men- deste qual

para dizendo, me eu dirigir lhe farei a vocês, quatro começarei elogios. por um elogio a Lacan. Ou, melhor

razão” Lacan, Meu (À une primeiro em raison): seu elogio Seminário, é a Lacan, cita esta o mestre. Iluminação de Rimbaud, “A uma

nova Um toque harmonia. de teu dedo no tambor desencadeia todos os sons e dá início à

A Um tua passo cabeça teu avança: recruta o os novo novos amor! homens, Tua cabeça e os põe recua, em marcha. — o novo amor!1

Sim, o mestre. Seria exagero dizer isso diante de uma Sociedade tão

conta, tarimbada? aqui ainda, que escutaram quem O novo ignora amor um isso?, foi Tu batizado és cada aquele um em que daqueles, Roma me seguirá, em cada 1953, um e e proferiram, por é ele sua que própria retém para

se confirmar na posição de discípulo, o Tu és meu mestre.

teoria d’alíngua

57

Às vezes, certos ingênuos subitamente descobrem que não somos

Onde a comanda—portanto, uma função sociedade está de o escândalo, ensinar científica a não como a não ser porque é ser possível? sob para a seguimos fôrma aqueles Era da assim, um que Universidade? não mestre, talvez, podem nas e um mais seitas mestre conceber antigas. que

Tampouco sábio, Lacan filósofo é é o que um famoso se mestre. forja sem-mãos. conforme Dizer isso Nenhuma a é, ordem de início, do moderação, mundo dizer e que muda nenhuma ele seu não desejo. é tem- um

perança, não o seria nada jamais. de neutralidade. A apatia analítica, Aquele fora que das acreditasse quatro paredes ser sempre da sessão, analista é

a própria abjeção.

lhes ontem. contar Só posso uma falar historinha da ética que da corre, psicanálise parece, do no exterior. meio e que Para me fazê-lo, contaram vou

que um Um outro, analistazinho e esse outro, entra diante no elevador dos olhos todas estupefatos as manhãs ao do mesmo ascensorista, tempo

lá. enfim, lhe O dá ascensorista uma como cuspida. o senhor aproveita, Certa faz manhã, para então, suportar o analista para todos perguntar chega os dias sozinho, ao que analistazinho: aquele o outro outro não “mas, cara está

lhe cuspa Ataraxia na cara?”. (não é E mesmo?) o analistazinho digna do responde: estóico que “Esse sacrifica, problema pisoteia é dele.” com

seu desejo Quando sua se dignidade. provoca alguém do meio analítico — e o que se presta

fresquinho diz melhor é ‘de a que isso de serve ontem senão fazer à um noite: qualquer congresso? “Quando coisa — se ?’. é escuta-se Não analisado, se crê o mais meu que em eu caro, lhes nada.” o que conto se

da analítico psicanálise? Muitos é esse, têm então, essa para convicção. que a análise? O que é Será preciso essa moral dizer é de que porco se o a ideal ética

isso, discurso bem, e é Mas que claro analítico. há essa que Lacan, posição Lacan Os que porcos, é um todos mal pouco é analisado”. verdade, os dias depressiva nos têm Esse demonstra resposta não também é para o que alfa é tudo. um a e análise o comentário “Mas, ômega não veja do é

fresquinho do Congresso.

qual que do aqui, ele se E não pode por remeto negligencia. isso dizer à que página que celebro não E 757 para é aqui dos tanto aqueles Ecrits, de seu início que gozo assim que acreditam que Lacan, como o ocupa, que às o primeiras mestre, estou mas elucubran- seu aquele páginas desejo do

do seminário sobre os escritos técnicos de Freud.

58

maternas i

algo militar É a École e talvez Freudienne demasiado o nosso suntuoso pôr-se para em nosso marcha? posicionamento. Trata-se de termo

conformemos Mestre é à aquele convenção. que não Mestre teme é aquele o vizinho, que que não sempre envesga exige os olhos que nem nos

para a direita nem para a esquerda, nem para trás, nem para todos os lados.

Mestre uma caravana é aquele que que passa. não cede em seu desejo e que desse modo é sozinho

esquecido singular, tem de Freud incomparável. lhe uma foi importavam. um palavra, mestre. todas E Ter assim dor as o de pequenas mestre cabeça, convoca ter coisas trepado cada da vida, mal um ontem para de o sua à que noite, vida ele

filósofos? Para isso Deveria não Por é que, preciso dizer com por menos efeito, que do a abandonar psicanálise que um retomo, o conceito talvez uma seja por reversão hermética essas babaquices? dos valores. para os

Eu de esse quem observo operário, éramos como por néscios o “maoísmo” um tempo porque nada nosso foi o sabíamos agente sujeito-suposto-saber, para fazer alguns. com O as operário mãos, nos senão..., levou diante a

entrever a vaidade do idealismo.

nada. nada tudo -— lhe Lacan O nada que tirar. é um resta um E mestre somente mestre, senão oferece de perder traído fechar de impunemente, seu a mais tampa exemplo. elevado? do caixão. Para pois E alguns, seu ninguém exemplo. isso lhe é arranca Trair perder é

permitido. O mestre E é então está portanto que, cego, na posição ele cai. A talvez verdade de acreditar é que, ao que mestre, tudo lhe nada é

é esquece aí permitido. para lhe o limite lembrar Ele de é imobilizado disso. seu poder, o em discurso um lugar da histérica do qual que não o se importuna demite. E está se

Volto agora a Lacan, o histérico.

possível autêntica. Histérica, reavivar A palavra a um palavra está pouco aviltada de esse Lacan brilho desde é mesmo, embaçado? o existencialismo. ao menos por Mas esse não traço, seria

permanecem pilhadas, Com aqui somos as Demonstra-se mesmas quem como gaios alguma palavras e gaios a o verdade? pavão, vez de vestidos já Lacan, compôs pavão. As provas com arrancadas algo penas a fatigam, que soe de de seu verdadeiro? pavão. dizia discurso, Braque, Mas Nós roubadas, os o pintor. todos gaios

parece pensar, Para hoje semblante o ouvinte, plagiado de e saber, mesmo ao lado balbucia-se, para daquele o leitor de recita-se, do Lacan? Seminário, torna-se Faz-se qual apenas semblante2 discurso a pôr não de os

teoria d’alíngua

59

pés a verdade nos mesmos prestes trilhos, a sorrir. em nome da escritura, escrevinha-se. A verdade —

pode na escolares, tradição mais Há, portanto, ou saber filosófica subir o o aí, que tom chama-se quando era e trovejar, um os de sofista. escuto, sofistas. o que quando Em me Lacan todo faz os dizer dizia caso, escuto que ontem é balbuciar uma eles que são figura não como o que da se

como tradição. A verificar sofística, que na um tradição, pensamento é a arte não de simular é um semblante o pensamento de pensamento? falando. E

Lacan são Como misantropos? e discriminar o primeiro Trata-se o falsário pensamento ainda que apareça? de de teatro, seu simulacro? Será mas por de isso um Como outro que alguns distinguir gênero. filósofos Então, entre

é preciso admitir o seguinte: que não há nenhuma marca instituída que

pontua da entrelinhas. verdade?” no discurso “Na — escreve verdade, o acento Lacan, quem da em se verdade. algum colocaria lugar. O como acento O sofista testemunha da verdade é aquele do está que acento nas faz

como topologia. diz ready-made. se isso Ele não acredita se visse. que há Ele o pode “pronto-pensar” falar de tudo, (prêt-à-penser do gozo, da ) pintura, — isso da se

quando, Aquem como em é sabido, Lacan nada todos enxerga, os gatos só são resta pardos. mostrar-se na calada da noite

Fazer semblante de saber, fazer semblante do saber, é a impostura

sobre que, a ele, nesse ouso a qual viés, dizê-lo, o discurso o analista, de um da modo Universidade mais do desesperado. que qualquer se sustenta. um, E está compreende-se sujeito a aspirar por

ao Lacan Mas educador. isso não irá impedir-me de entabular meu terceiro elogio, aquele

termo lo? Ele Que é foi belo. título buscá-la Que é referência mais em Fichte. conveniente Lacan introduzia, ao fundador há dessa dez anos, Escola? para Escola, justificá- o

educador”: as diga, Porém, lerei uma uma vez passagem que as coisas de Nietzsche, talvez sejam de seu muito texto difíceis “Schopenhauer para que eu

vejo-a “Se formada só -— por depois três analiso elementos: a impressão a impressão que Schopenhauer de sua probidade, me causou, de sua

porque porque dirigindo-se alegria e conquistou não de consegue a sua si mesmo. constância. pelo não pensamento [E sê-lo. certo Probo que Sua porque a diríamos força mais fala eleva-se difícil isso e escreve de das direto outro vitórias. para modo]. e sem si Constante mesmo, esforço Alegre

como uma chama no ar tranqüilo, segura de si, sem tremor, sem inquietude.

60

maternas /

que Ele encontra o buscava. infalivelmente Ele se enlaça o seu aí com caminho firmeza, sem vigorosa, que tenhamos por uma sequer impulsão notado

irresistível, tenha sentido como o que se movido significa, por em uma nossa lei de época gravitação. de humanidade E qualquer híbrida, um que

encontrar livre de hesitações um caráter e inteiro, de entraves, coerente, compreenderá munido de suas minha articulações felicidade próprias, e minha

surpresa no dia em que descobri Schopenhauer”.

para Mas também falar Chego disso ao serei com meu breve. pertinência, quarto Direi elogio somente seria a Lacan preciso o seguinte— — estar o analista. entre quem seus E, melhor sem analisandos. aparece dúvida,

mudos, testemunha em seu ou destino trocam nesse de de sentido objeto discurso. é a? este O fato: que sua aqueles função que no o deixam discurso tomam-se analítico

Também louvarei nele, mais que o analista, o analisando,

pois todos

nada seu nós que, seminário, o certamente, disso”. conhecemos. E seu ele faz próprio auditório E aquele uma diz diferença o que isso, sustenta mantém é o com analisando com o o seminário a status fascinação de do seu em objeto de “não Paris. seu a quero Lacan, na olhar análise saber — em o

propriamente Falei há dita. pouco de Lacan, o educador. Seria fácil para mim reverter a

—- coisa o mestre o mestre e falar e poderia que de Lacan, não falar se furta o de colegial. Lacan, à solicitação Falei o escravo, de da Lacan, histérica. quero o histérico. dizer, Enfim, o nosso. falei Poderia de Lacan, dizer

francês, Lacan “tonto” notava, (dupe) no só início se diz de no seu feminino. seminário Completarei no ano passado esta nota que, sobre em

fatuidade? própria a cia... língua verdade com E nunca esta que outra: querer as provas “fátuo” fazer acabam suas (fat) provas. só por se fatigá-los. diz E tomar-se no masculino. Beatitude, a tal ponto O suficiên- que pela é a

Já membros um ainda nós, mestre E outras no acreditamos de entanto, feroz façanhas. sua Escola. que quem ter o pressiona, E ainda feito preciso muito exige que pensar provas em não escutá-lo, que o de deixa ele, Lacan Lacan, respirar, em a não segui-lo, “o ser que mestre”, ele lhe mesmo? em exige tem ser

ele o seu Mas ofício. paro por aqui. Envergonhar, dizia Lacan no ano passado, era para

opõe Compreender ao Tento discurso agora opõe-se do ingressar analista. a interpretar, em meu tema, assim e como o tomo o por discurso um ponto do mestre qualquer. se

teoria d’alíngua

61

“Salvo dos Primeiros O o que sábio, é compreender? analíticos, ninguém sabe que Recorri, dá o que uma quer para imagem que ilustrá-lo, seja, viva e disso. a isso um Zenão texto Cícero de mostrava escreve: Cicero,

com assensus. tação, um visum, gesto. Em dizia. seguida, Ele Depois, mostrava quando dobrava sua fechava mão, um os pouco completamente dedos os estendidos. dedos. a Eis mão o Eis assentimento, e mostrava a represen- o

punho, o aproximava nome declarava de catalepse, a mão que esquerda ali que estava não da a era compreensão, mão utilizado direita e, antes comprehensio. com dele. força, Em fechava seguida, Daí ter com- dado ele

pletamente salvo o sábio.” seu punho; dizia: eis a ciência, scientia que ninguém possui,

fechado. mestre Não formula O conheço conceito o sentido emblema é a apreensão do conhecimento. mais do belo real da — ciência é assim do que que o discurso esse punho do

não ser Agora, a própria o que língua? é que — desfaz a rebelde, essa captura, a inamestrável. essa captura do conceito a

lógica, mestres, Leibniz, é por se foi ter que um se destinado nunca lógico, concebeu reconhecido à tarefa a de filosofia amestrar precursor senão a língua. da para matematização o serviço dos da

imperfeita. dizer o Como que E não Leibniz é um se sabe, fato diz e da isso? mais língua Exatamente ou que menos ela o permita como que se Frege sabe. falar para o dirá: nada a língua dizer, e é

Esse fato deixa aberta a questão, diante de todo enunciado, de saber

falso, se lógica. imputável, se ao trata Se menos a pode-se do primeira pensamento sem a que princípio se reduzisse isso ou se assim visse, do à segunda, símile dizê-lo, sem que do não à isso pensamento. divisão se se poderia escutasse. da gramática mais Esse dizer fato e da o é

“a textos, língua É e o que sonho que ele fecharia dos chama, filósofos. a em boca seu É dos pequeno essa ignorantes”. língua texto que “Prefácio Não Leibniz é esse imagina à o ciência projeto em geral”, vários que a

fossem logística reformuladas retomava? Se nessa as propriedades língua artificial, enunciadas o falso em se uma reconheceria língua natural pelo

que dizer, é, O só e que o faz não-senso, é isso. certo E é coloca que mesmo a língua aí mais o seu artificial, formulável, ponto de longe honra. se de desvaneceria. impedir falar para nada

escrita comunicação, não está O — problema demonstrado. o que que é ela verdadeiro é que substituirá Leibniz — as mas acredita línguas também naturais. que pronunciada, ela pode E, precisamente, não e somente servir o para que ser

62

maternas /

concurso lógica Pode-se pode de ser uma aqui falada? academia: abrir a questão uma língua que cuja não gramática seria um se tema confunda ruim para com o a

da linguagem, O que começou uma outra com abordagem a descoberta da de língua Freud cujo foi uma sentido outra só abordagem veio à luz

se mais, línguas Psicanálise com diz, sua no dizer formais. campo retomada e outra lógica freudiano, São coisa por — propriedades uma Lacan. do as que se falhas Dizer funda o que inelimináveis da mais sobre se língua diz, do o que falar que que e a se para positivas justificam outra sabe, nada elimina. não do dizer, a ato saber criação A de não análise o falar. que das são

encontra que a lógica seu domestica. bem nas lixeiras da lógica. Ou, ainda, a análise desencadeia o

de universo Digamos do discurso. que a concepção lógica da linguagem tem como pivô a idéia

evoca, De convoca, onde se localiza origina os a noção objetos. de Supondo-se universo do que discurso? esses objetos Todo discurso formam

pode um discurso campo se estender é relativo e que esse ou ao restringir, campo universo é unificado, de mas onde ele ele existe eis capta aí desde o seus universo o objetos. momento do discurso. Esse em universo que Cada se

entabule um discurso.

vem primeiro. Podemos Aqui, perguntar pouco se importa. esse discurso Boole cria escreve o universo no capítulo ou se o m universo de suas

Leis no interior do pensamento: do qual os “em sujeitos cada das discurso, operações há um do limite espírito implícito estão confinados.” ou explícito

Aquela visava Qual anunciando: que é, o leva desde a “Vou coincidir então, falar a extensão com de tudo.” a extensão máxima suposta do universo do todo do que discurso? o outro

E nesse universo total, reservatório talvez insondável de tudo o que

universo pode do discurso. haver particular. a O dizer, discurso Cada que mais enunciado cada solto, discurso, constitui diz Boole, como uma sem se amostra acredita, entraves, do seleciona universo unfettered, total seu é

do “aquele ampla próprio e no pelos universo”. qual quais os termos os limites que utilizamos do discurso são são entendidos coextensíveis na acepção com aqueles mais

conjunto dizer é Eis, raciocínio, dos portanto, objetos até o do que mesmo discurso, supõe cálculo. a esse ntíção conjunto O de que universo é calculado? é unificado, do discurso: Classes, totalizado existe isto e é, o o

mesma; seleções. o conjunto a A penúltima, vazio. primeira E então a seleção que que apresenta se é a pode que os simbolizar apresenta indivíduos; pelo a maior a última, Um totalidade a classe a que máxima fornece em si

teoria d’alíngua

63

do e, por universo, Zero, aquela aquela na na qual qual ninguém todos os se indivíduos encontra. se encontram recolhidos,

as topologia, espécies Essa caso concepção da classificação. se admita unifica que Essa assim uma unificação classe todas é as um operações pode conceito ser dita da representável linguagem em termos sob por de

um circuitos com caminho um outro. são homótipos, fechado, E mais: por pode isto um é, ser por circuito. contraído deformação, E, no em universo um todo ponto. circuito booleano, pode coincidir todos os

a tópica Tal da é a catalepse. tópica do conceito, aquela da representação e da compreensão,

Coloco portanto a questão: por que a tópica lógica não poderia ser

formais, aquela A da idéia que língua, realmente leibniziana a tópica existem. da analítica? língua Mas nova hoje está cada realizada. um sabe Trata-se que elas das não línguas podem

ser sonhava, diz é uma inteligivelmente faladas, língua “sem e sem que equivocação, enunciador são é dito apenas com nem possível. propósito, escrituras. anfibolia”, E a um língua A a discurso língua língua do De em com sem arte que a palavras. combinatoria qual tudo o Leibniz que se

matematização, E por saber a formalização disso que a lingüística das línguas empreendeu naturais. com Chomsky sua

dez anos, Esse encontra empreendimento, hoje seus cuja limites audácia e revela e frescor seus impasses fascinavam no há momento apenas

cm torna interminável que o instrumeno sua vitória de cláusulas imanipulável; é mundial suplementares no é discurso o que a cada meu da uma amigo Universidade. de suas Jean-Claude transformações A adjunção Milner

explicava um dia em uma intervenção no seminário de Lacan.

structures, real rebelde De modo caixa à formalização? que preta a questão que rejeita é A de sem gramática atualidade: falhar os chomskiana, qual enunciados é portanto, desde agramaticais, na língua, Syntatic o é

Não, classificado apenas não o sujeito há sujeito como suposto poético suposto saber por saber na Jakobson língua. na língua, Mas basta não o menor para há catalepse frustrar chiste, essa o da menor língua, instância. efeito não

há semelhantes. lebniziano duas domínio frases, dos da discerníveis Na língua. indiscerníveis. dimensão Por solo quê? da numero. Porque Não língua, há não na aplica-se língua há na língua sem dois reservas sons, dois ditos duas o que princípio palavras, sejam

Lacan, último Quando Tartufo não digo digo “Ah! o que e por repito, Lacan ser não devoto, disse. é a Cada mesma não sou vez coisa menos que Planchon que homem”, digo. lança Quando quem em cito não seu

percebe que esse verso jamais foi pronunciado? O véu cai por um instante,

64

maternas l

Sertorius para e é o objeto mim): de oculto “Ah! Comeille por da comédia ser (o verso romano, que é circunstancial, súbito não se surge é menos em agradeço cena. homem” E quem quando (foi o Moliére indicou se lê no

fálico O quem homem da copiou comédia, mudou de Comeille), de mas uma o homem frase ‘homem’ para “da outra. humanidade”, muda Não de há sentido. palavra o homem Não à qual é patológico. o eu homem possa

nos Lacan fazer será significar em preciso, seu novo qualquer para discurso-texto tomar coisa, próximo se minha tão o para frase que além ele é bastante designa, do espírito longa, bem do mais dizia tempo tempo ontem que

do a se que passar o tempo por doxa. necessário para que o primeiro discurso de Roma comece

demonstre monumento metamorfoseiem. O que como amamos da linguagem Os a mesma autores no teatro? que cadeia são equivocação Talvez consolados significante seja o e com fato anfibolia é estátuas, de flexível, que não cada mas corroam, não encenação o havendo sentido, não

o língua, primeiro, A há teoria apenas está da perdido. língua diferenças”. é somente esta tese de Saussure levada a sério: “na

não termo é uma Aprimeira positivo? substância. Trata-se conseqüência Mas da o que mesma que pode o próprio questão ser isso Saussure que exatamente, a seguinte: deduz diferenças é que o que a língua é sem um

significante? A definição lacaniana do significante, “um significante repre-

círculo senta o vicioso. sujeito para E que um não outro se pode significante” definir um é significante manifestamente mas, pelo apenas menos um

dois, significante definição Sj, S2 de ; pode é um o mínimo termo portanto que para ser não se dita, permite fazer exatamente, uma que diferença. se aconceitual. feche Essa a mão definição Trata-se sobre ele. do da

Acrescento: assim — e a no mão discurso de Zenão de Lacan, permanece não há um aberta, termo os que dedos não simplesmente seja definido

dobrados.

tou o outra. nossos alíngua”, artigo à língua Foi E amigos Lacan definido, “cada a princípio essa não italianos, alíngua”, palavra, o dá singular nesse prova mesmo “alíngua”, porque sentido disso ao aqueles próprio em cada que em ato, Lacan alíngua uma que tomando-se vocábulo. melhor única criou é incomparável palavra essa conhecem Dir-se-á incompreensível palavra, — como unindo nosso a acrescen- qualquer ele modo assim para “as

de falar? Preciso agora chegar a esse ponto, a essa novidade que fará seu

caminho, estejamos e preparados que Lacan o bastante nos explica para escutá-lo: há pelo menos a linguagem dois anos, não é sem alíngua. que

teoria d’alíngua

65

lembrava? riedade Que de A conclusão todos seguinte: os termos o a estruturalismo definição que entram relacional tirou em dos da tais tese termos relações. saussuriana implica Se há a que solida- apenas eu

ele eles diferenças, tas, é, é constituem um ele mesmo, todo. cada Todo sistema: termo um objeto todo é a estrutura definido formado estruturalista é relativamente de um partes sistema, é elemento solidárias. isto aos é, de outros; para um Em os todo, resumo, desde estruturalis- ou então, então tudo

é todo, todo é tudo3.

cuja to até concepção o Eis infinito em que das geral o totalidades. estruturalismo do mundo Distingue-se — é de esse Lacan o termo—supõe quanto se distingue a isso porque um do de envolvimen- Jakobson, deduz da

tese pode aqui saussuriana há traduzir alguns nessa anos: levada circunstância nada a sério é tudo. esse por materna esta proposição que se escreve que Lacan S(Á), enunciou e qué se

Eu queria fazer aqui para vocês uma dedução rápida, mas o tempo

me diferenças, então, pressiona, em não se um importa vou elemento adiante. qual se todo, Digamos coloca um apenas será simplesmente a menos. ao se diferenciar que se de há um apenas outro,

Todo manuseio do significante, toda compressão do significante, S,

mão Nesse em um que sentido, conjunto se fecha, o A, discurso está cria sempre uma do perda, mestre aí, pois notada é nós a condição existimos S(A)- Ora, mesma no a discurso mão do justamente, inconsciente. do mestre. a

E elementos, guagem. o esquema Aliás, não do irei esse discurso evocá-lo esquema do mestre, aqui, já não poderia aquele se encontra que ser Lacan o próprio esboçado articulou materna no em livro da quatro lin- dos

sujeito Quatro na conceitos cadeia significante? fundamentais da psicanálise, figurando o fading do

como A Aperto fundamental inconsistência o passo na para teoria d’alíngua chegar d’alíngua: é o à que noção a Tarski multiplicidade que demonstra eu gostaria inconsistente. no de início isolar de aqui seu

principal de sua linguagem artigo sobre formal. a função Mas o da próprio verdade, Cantor antes enxergara de montar mais a maquinaria longe em

uma carta a Dedekind que citarei brevemente aqui.

Cantor, a totalidade O distinguem-se ponto de de seus partida elementos aí duas é o de espécies. como uma multiplicidade existindo A primeira simultaneamente. é determinada. tal que permite Funciona Segundo pensar

portanto multiplicidade esses permite elementos essa como reunião. consistente, um leva objeto a A uma hipótese único, isto contradição. é, uma de um uma unidade. conjunto. existência Aí está, Aí A diz está, segunda simultânea Cantor, diz Cantor, espécie uma de todos mui- uma não

66

maternas t

sistente que, tiplicidade entretanto, já tem absolutamente portanto só pode suas se infinita construir credenciais ou inconsistente. ao evacuá-la. na borda Amultiplicidade da teoria dos conjuntos incon-

escrevia multiplicidades antigo, É necessário preciso em uma inconsistentes. medir carta à lógica, a o Arnaud: passo entre Com dado o “Para Ser isso, aqui e encerrar o estaria por Um. Cantor No o desfeito assunto, mesmo com um mantenho sentido, a suposição vínculo Leibniz muito como das

axioma essa proposição idêntica, diversificada apenas pelo acento: saber

É acento que o próprio o que na não primeira Leibniz é verdadeiramente parte quem é diz sobre ver o um um apenas ser e, não na uma segunda, é verdadeiramente diferença sobre de o pontuação. termo um ser.” “ser”. O

letras unitários, derrogar derrogam, ics—pensar Pensar o um e axioma que ser o inconsistente disjunto exige o leibniziano. ics uma como cujo nova — um comportamento, vamos É estética ser introduzir sem abreviá-lo, pensá-lo do espaço por cujo como entre porte, por e do que um os tempo. cuja ser seres não, manutenção é, portanto, com inteiros, três

patíveis reunido, O ics e um inseparáveis. é turbilhão Um em Dois. ou E uma um Ele comutação. ser é feito que não de partes pode ao ser mesmo nem partilhado, tempo incom- nem

Era nisso que residia minha intenção — mas fui muito lento para ter

há mim tempo pouco a de voz fazê-lo quando de Lacan. hoje uma — nova de reatar harmonia com durante alguns dos certo temas tempo que encobriu me detinham para

lógica Há do alguns significante anos, — com teria efeito, sido promovi um prazer a partir ler para do discurso vocês aqui de pedaços Lacan a

de tunidade uma exposição de fazê-lo de talvez forma em monadológica outro lugar — vou sobre adiante. esse tema. A meta Terei era opor- ainda

esse de universo discurso. Lacan. matema do E Esse discurso, penso do S(A)—do materna ser o possível significante nota qual exatamente não mostrar quero da heterotopia como, fazer o significante o a alfa cada do e suposto o ômega do vez, inintegrável esses universo do discurso termos do ao

diferentes, o sujeito, o objeto, o nome do Pai, o falo podem ser inscritos

de nesse Nada ser lugar, é da tudo, falta assim mas, e, talvez, como acrescenta de tantas modalizações. maneiras Lacan, “cada — Por não vez que me de o vem nada maneira outra seria palavra diferente”. uniforme? -—

Diversidade dialética. do nada — na verdade, é esta a concepção propriamente

sentimento que quanto O Seminário de mais que é quanto a de mesma Lacan, mais coisa, isso por muda, que mais são mais muda. numerosos é a mesma E do ventre coisa? os que fecundo Parece-me têm esse de

teoria cl’alíngua

67

S(A) quero que saber emana nada esse disso”. discurso, isto é, do ponto irredutível, de um “eu não

o desse que Por discurso? é o que significante?, todos E que nós se coloca às o que vezes a é questão temos o falo? “o dificuldades Buscam-se que é isso?” em substâncias — nos o que aproximar é o e real, sua

definição. Nunca se encontrará nada senão círculos viciosos, pois essas

sentido, categorias infinito. Mais todas penetram vale são guardar as umas mesmas, no nas bolso em outras, outro, sua como navalha podem um de se acordeão Occam. diferenciar, — talvez em certo ao

Ressaltarei ainda que não havia termo para alíngua antes de Lacan

essa criá-lo, “natureza” nem na lógica, faz rir, nem e isso na já lingüística. é pensá-la Dizia-se pelo artifício “línguas formal. naturais” Dizia-se —

çamos, “língua e corrente” o Aquiles — lingüista alíngua perde corre, o é fôlego. verdade, Dizia-se tão rápido também que não “a língua a alcan- de

sem berço, Iodos recair os que dias, em suporta a Husserl. língua todo da O o conversa”, matemático edifício da mas — lógica filiação é também matemática, da a qual língua talvez pode-se da criança ele dize-lo não no se

certamente, orgulhe — é já filho é bem do melhor. vernáculo. Dizia-se também “língua materna” e isso,

natural explica Tarski, não muito é algo que bem, analisa de acabado, em essa 1920 língua, de e fechado, poucos, arria os delimitado que braços, aí se dizendo: encontra por limites “a o linguagem nítidos”. resgate da E

universalidade é inscrever, necessariamente sendo dessa necessariamente uma linguagem linguagem inconsistente. natural, inconsistente. uma vez Uma que linguagem tudo pode universal aí se

verdade livre, clown, desencadeada. A o maravilha nessa bufão alíngua do é carnaval, que Não não sem há pode mestre ou essa ainda ser alíngua do definida “o significante, Homem não — haveria ela mascarado”, encontra-se a não verdade, ser derrisório, mascarado mas aí em que ato, o a

semblante. talvez Isso com também rosto da pode mulher. se dizer assim: não há discurso que não seja de

“a um língua equivalente Há ainda nacional”. um d’alíngua. nome, Efetivamente, impróprio, Mas a a língua língua d’alíngua, nacional nacional que é poderia — preciso todas passar reter: as línguas diz-se como

fazer nacionais nacional, fins econômicos, aqui primeiramente — a longa é uma políticos, história produção da da padronizar língua histórica luta dos nacional patoás do a comunicação. discurso contra e dos do dialetos eles,pois mestre. É verdade contra ela Seria visa, que a preciso língua com essa

história ainda está por escrever — história da opressão pela língua do

68

maternas /

mestre, da resistência também — onde há opressão, há resistência, não? E,

nossa e enfim, a linguagem de Machiavel. língua, é sempre culta e o alíngua Seria nascimento e a gíria. preciso que Evocaria, triunfa, tão falar difícil também uma caso da vez língua houvesse da que língua italiana, acaba tempo, inglesa por e falaria unir Du e Bellay das lado de outras. Dante a para lado

Uma

voz\...

e da confusão das línguas. Suponho que Lacan não se

importa muito com o que se diz sobre ele. Mas acho isso suicida para os

participantes!

materna. desnaturalizar J.-A. Miller: alíngua A Escola na medida é uma em iniciativa que se possa de tomar amestramento, essa alíngua que como visa

nunca diferente A deixa Escola daquela de é querer uma que máquina é fazer a deles. com para que desmatemalizar os seres falantes alíngua, falem pois uma o mestre língua

A linguagem — digamos assim como primeira aproximação — é

segunda Talvez em relação renovemos à alíngua. essa velha O que questão é, portanto, filosófica a linguagem? a partir de Lacan. A

d’alíngua. linguagem Este é o resultado é, sob os de olhos um trabalho do mestre, sobre o conceito alíngua. É científico, uma construção e aqui

universitário, discurso alíngua, de do tentar mestre, d’alíngua. compreendê-la. e que E sua a estrutura maneira Digamos é científica a mesma que a linguagem de do discurso se reencontrar é, do com mestre. efeito, com

A do questão Seminário Assim de traduzirei, como xx: “a o linguagem mestre a princípio, coloca é uma esta a mão elucubração proposição n’alíngua de de não Lacan saber é diferente sobre na última alíngua”. daquela lição

de como o Um vem captar alíngua, quebrá-la de novo, articulá-la, de como

o para escrever. linguagem o ser mestre alfabetizá-la. falante se Daí que abre encarna se se seu abre chama caminho aí, a toma gramática, possibilidade n’alíngua, corpo ou de matemática, dessas linguagem, a conceitua, teorias ou isto mesmo lógica, dos é, elementos acaba que pelas fosse por quais da só se

Os articulação elementos. Essa captura que Euclides se seguem, do elemento se dizia o próprio n’alíngua, o elementador. título a da fragmentação, obra E é de também Euclides a dispersão o as nome evoca: e do a

alfabeto, e todo gramático pode ser considerado, de direito, elementador,

elementor. O elementador é aquele que, em nome do Um, significante-mestre,

dissabores amestra alíngua da lingüística para extrair ou da dela lógica um que conceito não devam de linguagem. ser relacionados Não há ao

teoria d’alíngua

69

desconhecimento dos efeitos dessa operação de amestramento sobre alín-

  • gua- pode Lacan. dar “Há “O conta muito que se a mais título sabe coisas fazer de linguagem.” com n’alíngua alíngua do Testemunha ultrapassa que sabe a muito disso linguagem”, é aquilo o inconsciente, de diz que ainda se

já o retórico que O acabam inconsciente sem por igual. perturbar é feito d’alíngua, o corpo e cujos sua alma, efeitos como vão no além pensamento. de comunicar, São

aproximadamente A questão que os seria termos preciso de Lacan colocar, em Televisão, e há dois anos ano passado. — talvez Lacan,

significa mas era Vejo difícil a partir apenas de daí seguir, um “o inconsciente modo a tenha de respondido traduzir é estruturado agora ontem como essa —, fórmula. é uma a seguinte: linguagem”? Ela o só que é

verdadeira preciso analítico portanto tenta quando saber, dizer se isto trata — é, digo-o do tenta inconsciente saber com precaução d’alíngua como e — aquilo de que seus que o efeitos. inconsciente o discurso Seria

justamente alíngua. dito freudiano é também uma elucubração de saber sobre

dominação das línguas Estava do no prestes mestre mundo, a sobre mas citar irei as aqui, línguas, adiante para o para dar relatório terminar uma da idéia UNESCO com das alguns tentativas sobre comen- a vida de

tários sobre alíngua.

por é O feita mal-entendido Lacan, O de que qualquer fornece é alíngua? está coisa, bastante em O do Bloch todas indicações que se as et arrasta páginas, Wachtburg, sobre tanto de pois nos que tão tudo antros é freqüentemente feita pode como alíngua. fazer nos Alíngua sentido, salões. citado

Disse imaginário, ele “dizer” com um ou pouco “de Deus”. de boa É vontade. “croata” Mal-entendido ou “gravata”? é “Was a palavra ist das?”. certa.

A achava sistema homofonia nada fonemático. melhor é o motor para d’alíngua. caracterizar Eis urna por que alíngua imagino do que que evocar Lacan não seu

pelo nosso que a som, Dizer análise bom alíngua Feydeau “alíngua” parece suposta, e liberar em essa uma peça aquela e única desencadear. que anterior palavra aprecio Queria é, ao muito, justamente, significante evocar intitulada designar agora mestre, Un Feydeau, chat alíngua aquela en

poche, comunicarem, saiba na na verdade qual se se dizer dilacerarem, vê quem em cena, é se quem. escutarem durante duas e se amarem, horas, seres sem que falantes nenhum se

é, aquilo Alíngua através é o do depósito, qual cada a coletânea um inscreveu, dos traços digamos, dos outros seu desejo “sujeitos”, n’alíngua, isto

70

maternas i

porque pois suas o fantasias, ser é falante reevocar isto precisa é, algo ainda dos que de significantes Lacan significantes. comentou para Direi, desejar, no porque seminário e que está ele dos em goza?, voga, Quatro de e

conceitos...:

comer escalopes de vitela ou “saltimbocca alia Romana”, todos

— — sabem aquele e será Para que o que completar não meu, ele é já a provoca, mesma que a doutrina não coisa. que irei ele d’alíngua, adiante constitui... —, seria evocar preciso o gozo chegar do a significante esse termo

feito “gozo com É do ai significante”... ele, que pode se pode por avahar vezes A tese o provocar caminho clássica o de de sentimento Lacan. Lacan, Esse que de como imobilidade, caminho, colegial quando mas eu

Essa havia frase copiado, encontra-se era a seguinte: nos Ecrits, “o à gozo página é interdito 821. Daí a Lacan quem ter fala evocado como tal”. que

brinda talvez da palavra. o há gozo dois ou só três pudesse anos?, ser com dito algo entre que as seria, linhas. ao contrário, E com o que o gozo Lacan próprio nos

nio, que no discurso diz como Há “o contradição gozo dizia de Lacan é Rouletabille, interdito teses ai? Seria cruciais a quem vê-se aluno fala e, apenas de quando como Zenão fogo. não tal” quem De se ao acompanha acento nisso um a acreditasse. outro, hoje o colocado da raciocí- frase Há

no seguir gozo através da palavra, do Seminário no gozo de do Lacan. significante, há um caminho que se pode

e terapêutica Freud angústia” Sigo o caminho adiante, negativa, que de o sintoma por Lacan, o suposto ora, que é lembrando gozo. Freud masoquismo Se diz somente, não, muito originário? como bem para explicar em garantir “Inibição, a dita a partir sintoma reação de

sintoma indicam O sintoma pelo é nó menos de é significantes. gozo, uma mas direção também, Essas a seguir. Lacan duas proposições o demonstrou colocadas amplamente, juntas o

para Outro alcançá-la Alíngua da linguagem, sem e o chiste dúvida ele também, lhe não "pega se aloja cavalga em no primeira lugar atrás do mão”. d’alíngua, Outro da perde linguagem, o fôlego O

nada sobre a Queria o dizer “matema”. — dizer sobre ainda o vocábulo uma palavra—e que divide, a abreviarei conta-me, até a Ecole não ter Freudienne, mais quase

que alíngua A doutrina só se d’alíngua sustenta é do inseparável mal-entendido, da doutrina que vive do matema. dele, que Ao nutre-se passo

dele, matema, porque ao contrário, os sentidos pode se se cruzam transmitir e integralmente se multiplicam “sem sobre anfibolia os sons, nem o

teoria d’alíngua

71

equivocação”, para retomar os termos de Leibniz, porque ele é feito de letras

sem dizer significação. o Sobre seguinte: o que em é o um matema, livro de talvez lógica, bastasse, há o que para se que traduz fosse e representado, o que não se

depois, das traduz. “frases O há que o protocolares” que se traduz não se é tem essa chamava necessidade linguagem de jargão, que de ser Otto o que traduzido Neurath, se coloca em o em imortal um torno. livro Otto de E,

do lógica nome de próprio. uma alíngua para outra, e isso é o matema. Permanece a questão

experiência Se não inefável. houvesse Os matema analistas da psicanálise, nunca teriam então chance a psicanálise de se seria entender. uma

conhecem Formariam a uma frase comunidade de Hegel: “os iniciática, mistérios fechada dos egípcios sobre um são segredo. mistérios Vocês para

com analistas os próprios a crença seriam egípcios”. de mistérios que o E, outro bem, para sabe, os se próprios não e só houvesse pensaria analistas. matemas, em Cada dissimular um os se mistérios confortaria do vizinho dos

sua Freudienne. insuficiência. Em seus Mas esse estatutos não poderia figura ser, expressamente evidentemente, que o a caso experiência da École

“matema analítica mais precisa, não da psicanálise”, o poderia que ele ser já dizia uma nada há experiência faz dez além anos. de inefável. repetir, sob E quando uma forma Lacan talvez diz

contribuir Se há para um matema os debates da psicanálise, da comunidade outros que que não sustenta os analistas a experiência podem

Paris não analítica. estão que, É engajados desde porque sua a origem, no teoria ato analítico”, do não-analistas, matema como é o entre alicerce me jogava os quais da École na me cara incluo, Freudienne um daqueles os “que de

ne. for não-analisandos que fiel E têm me à a sua parece tendência orientação. tiveram, que eles de tomar desde continuarão a sua análise fundação, a tê-lo como enquanto seu um lugar “direito a na École École adquirido”4, Freudienne Freudien- os

Campo O Direi Freudiano que somente, não pude em para Vincennes desenvolver finalizar, e, se aqui, que o puder, retomarei sem na dúvida École no alíngua departamento Freudienne como de dito tal Paris. não do

tem referência. É por isso que cada discurso fundamental lhe inventa uma.

É apenas não seu é esse semblante, um discurso outro modo colocado que não de fazê-lo seria no lugar de faltar. semblante. do agente. A própria Ela Mas também psicanálise isso é toma para certamente seu cada ponto um

psicanálise privilégio, de partida em quanto é um um artifício. semblante, à psicanálise, Ela o é objeto tal um como certo a. Como Lacan modo qualquer de a define, abordar outro é ser alíngua. discurso, esse viés Seu a

72

maternas i

se com volte vocação Eis sobre porque o para seu, a fazer virtude porque desfalecer da além honestas do mais, os semblantes. é necessária para ela, seu Isso a seu semblante supõe exercício, que é abjeção. ela com não o

qual Televisão) Lacan atingir — não os é canalhas. mesmo? — sonha (pois é assim que ele terminou

Roma, 29 de outubro — 2 de novembro de 1974

NOTAS

1. Tradução de Ledo Ivo. No original: “Un coup de ton doigt sur le tambour décharge

nouveaux détourne, les sons et — hommes commence le nouvel et leur amour.” la en-marche. nouvelle (N.T.) harmonie”. / Ta tête se / détourne: Un pas, le de nouvel toi, c’est amour! la levée Ta tête des se
2.

do No artigo original, “A máquina semblant. panóptica...” Para uma (N.T.) discussão a propósito dessa tradução, ver a nota 1
3.

  • 4. No No original original, encontramos tout est tout. a (N.T.) expressão francesa rente de situation que significa urna

“vantagem adquirida há tempos e que é, por isso, considerada por seu beneficiário como

um direito irreversível”. (N.T.)

A topologia no ensino de Lacan

Di Lacan”, recorre tante Ciaccia para a sobre ela. Lacan, propôs Parece-me as isso razões que é eu um um e falasse o fato. tema lugar Mas muito da dessa “topologia por conveniente. referência, qué? no conjunto sobre A topologia por do que ensino é impor- Lacan de

salvo, Partamos talvez, o que do mais for elementar. simples — Tentarei não vou delimitar desenhar o figuras lugar e no justificar quadro, a

importância Sou um da leitor topologia de Lacan no ensino e não hesitei de Lacan. em trazer seus Escritos. Eviden-

seminário temente, e indicar creio que que trata-se do não faremos que estamos de a isso uma um aqui ainda conferência, estilo para por que elucubrar, muito pode mas tempo. parecer creio mas para que mais tentar isso adequado tem decifrar o valor Lacan, a um de

entender Atopologia essa proposição não pode de ser duas extraída maneiras. do ensino Em primeiro de Lacan. lugar, Podemos não se tentar pode

seria Simplesmente amputar árida, o ensino desinteressante, porque de Lacan a topologia de sem sua relação parte de Lacan topológica, com está a experiência presente sob o pretexto de psicanalítica. um de modo que

morte. ela discreto marca desde seu lugar o Discurso de modo de Roma, eminente desde ao se 1953 referir — no à função final desse primordial discurso, da

mais dramático, Por que primordial? Lacan coloca Em seu desde vocabulário logo que dessa a morte época, está certamente ligada à emer- bem

há toda gência Isto simpatia é, importância: o da símbolo ordem ou simbólica. adequação não o símbolo acompanha Diz manifesta-se natural, isso as de coisas, ao um »princípio contrário, modo entre bem o como símbolo há hegeliano, antinomia a morte e a o coisa da que e coisa. uma tem não

73

74

maternas ¡

exigência eterniza a de coisa. anulação Os símbolos daquilo que permitem o símbolo que figura essa coisa como perdure a coisa. O para símbolo além

permaneça cia. de sua Trata-se existência como de uma objeto e, assim, análise de referência por bastante exemplo para hegeliana, para além o dos já sujeito que limites o humano, simbólico de sua existên- que não ela é

correlato disso que de é a um substância mundo pleno, e a materialidade mas, ao contrário, do mundo. opera como esvaziamento

desejo substituição. A como materialidade Nesse eterno, sentido, o desejo dos símbolos ela que condiciona não é está, uma como a materialidade morte as e necessidades, o desejo suplementar, freudiano, ligado de o a

pode sua esse mortificação ou atingir aquele do objeto sujeito significante. particular. antes da O palavra Lacan, sujeito a não então, falante, ser, evoca precisamente, por o ser seguinte: deslocado sua nada morte, pelo se

que símbolo, Lacan, Como sofre, mais situar, desde tarde, em o o relação princípio tome como ao do que $, jogo, sujeito concerne uma mortificado mortificação à palavra pelo do que significante. sujeito, fará com essa

morte “substancia” que pertence seja problemático? ao símbolo, que Podemos lhe é consubstancial, simplesmente ainda dizer que que o a morte termo

falante é em morte o que que não vem enquanto admitimos é após simplesmente a ele vida, o estiver sujeito é alguma algo sustentado falante, que coisa está mortificado que pelo além é vivo. puramente da Mas pelo vida desde exterior — significante, é uma o momento ao função sujeito essa

la instalada da morte no para cerne o da animal. experiência Nestc da último, palavra. diz É Lacan, preciso a portanto morte é afetada diferenciá- por

uma presente passagem no sujeito do do inconsistente simbólico ocupa da vida um à lugar morte, central ao passo na palavra. que a morte Tudo

vez, morte. palavra o a todo que em concerne exercício Esse um um sentido escrito, centro da à existência palavra. mortal exterior sua topologia: é E ao à do nesse linguagem mesmo sujeito “dizer ponto tempo adquire que que é mais exterior esse Lacan seu do sentido introduz sentido que à linguagem uma mortal a pela partir metáfora revela primeira e central dessa na e

manifesta uma estrutura”.

primeira tem um Todos centro frase. os eferente O problemas que vai à palavra: justificar da topologia aí que está se de o paradoxo, trata Lacan de já uma estão um estrutura ponto presentes ao é mesmo que nessa se

se tempo aproximaram central e exterior. desse paradoxo, Esse é o de passo tal configuração. dado por Lacan. O que Muitos é verdadeira- filósofos

mente metáfora, específico e assim de implicar Lacan a é estrutura o fato de que não funda se contentar essa disposição com o que espacial. aqui faz

a topologia no ensino de Lacan

75

ção, da movimento estrutura encontramos Até em é até L constante ’étourdit que o mesmo se e em coloque mais Lacan: movimento: adiante, seu onde problemático no recusa só que se se poderia da refere metáfora status ver a essa de uma e “real”. espacializa- implicação metáfora, Esse

ele essas reinstitui estruturas a estrutura se relacionam que a sustenta com o próprio e, em um real terceiro que está tempo, em jogo. propõe que

exterior Retomemos à linguagem) o parágrafo é diferente de da Lacan: espacialização “essa estrutura da circunferência (de um centro ou da

de esfera simbólica seu em meio: que designa ela alguns responde topologicamente se comprazem muito mais como em a esse esquematizar um grupo anel.” relacional os limites que do a vivo lógica e

exterior Do a que ele. se O trata? problema, Se delimitamos ligado à experiência um espaço, psicanalítica podemos situar e à construção um ponto

esse lacaniana muito deve exterior ao dramático, mesmo das ao relações mesmo tempo não é ser do tempo simplesmente simbólico reencontrada no interior. e da periférica, no morte, Em interior. outros é é que Essa também termos, devemos morte, central. a zona termo reencontrar exterior Temos talvez

reencontrada Lacan aqui, de faz um desses modo em todos fenômenos muito os simples, níveis ao da longo essa experiência posição de todo o analítica de seu “exclusão ensino. e da teorização interna” que que é

desenvolvido “parece Eis que o que mais anos justifica depois do que o — a que uma superficialidade Lacan representação, propõe de introduzir uma uma forma zona, e que topológica: é à só forma será

tridimensional exterioridade única região”. periférica O de toro um toro (a e câmara sua que exterioridade é de preciso ar) é recorrer, introduzido central constituem na medida precisamente em apenas que como uma sua

uma figura que permite sustentar essa relação de exclusão interna tão

fundamental em sua Resta conexão muita (observação com coisa a por morte. de comentar Lacan, Veremos, p.320-1 dessa em primeira dos seguida, Ecrits introdução que ). a construção à topologia do

princípio, desejo desejo Um momento se em dirige, colocado Lacan crucial objeto é para sua no fundamentalmente conseqüência ensino além do de vetor Lacan lógica. do inatingível é desejo, aquele O objeto em como porque que do aquilo ele desejo metonímico. distingue, a que foi, o a

desse contrário, por nunca que objeto consegue a progressão aquém do se desejo, desse complementar do vetor desejo o objeto e que nunca com causa nos consegue ele. permite do Encontramos desejo recuperar compreender que novamente se o objeto encontra, muito causa, uma bem ao

relação que nos faz pensar nessa exclusão interna.

76

maternas i

passagem humano Nesse que, inconsistente ponto por sua pode-se vez, para pode fazer a morte, querer o contraste e o morrer. que Lacan entre Não o ainda é indiferente animal, chama com de que sua ser o

topologia exemplo que seja surge aquele sob do ser a pena para de a morte, Lacan Empédocles nessa primeira jogando-se emergência no Etna da

morte. e tornando-se, Não é indiferente assim, por porque esse ato, naquilo o próprio que constituirá símbolo mesmo uma outra do ser articula- para a

ção inconsciente”, exemplo da topologia de Empédocles, na de qual Lacan, alienação o a saber, seu querer e a separação construção morrer, estão que que figura articuladas, volta em a ser “Posição citado. é ainda do A o

conexão Lacan, e entre isso a poderia topologia nos e dar a morte uma não idéia é simplesmente também de seu um seminário acidente em A

topologia e o tempo.

momento, pelo extimidade tarde, prefixo Essa vai tentar uma estrutura do “ex”). gozo expressão fazer Reúne-se de (substituição exclusão a topologia mais em interna surpreendente uma do do prefixo única é gozo, reencontrada palavra “in”, chegando do na que essa palavra quando “exclusão a difícil inventar, “intimidade”, Lacan, conjunção interna”: nesse mais

entre um substantivo e um adjetivo que lhe é contrário.

camento, com em colocar o Essa retorno uma estrutura um do vez termo recalcado. que requer na simplesmente psicanálise ser Quanto explorada ao o recalcamento recalcamento, exterior, também é preciso em neurótico não se tratando se levar pode coordena-se em contentar do recal- conta

também as modalidades de seu retomo no que seria a superfície interna.

uma combinatória Em se tratando diferente. da foraclusão, A foraclusão há ainda é a a exclusão exigência para de uma o exterior. lógica,

retoma Quando a outra dimensão no o termo real. foraclusão do elemento é utilizado, excluído, ele a saber, é correlato o foracluído de um retorno do simbólico sobre

Em todo caso, podemos manter esse termo “extimidade”, que permite

fazer em lacaniana. o patemático reabsorção uma Há série no certamente completa, matemático, a partir um de que e esforço um é Lacan exatamente certo constante em número L esse ’étourdit em esforço, de Lacan estruturas considera que para não reabsorver da como culmina clínica “a

conquista da psicanálise”. Por exemplo, pode-se fascinar pelo “muito”, e o

nome canálise dessa faz experiência matema onde em o Lacan místico é encontra misticismo. um Nesse objeto contexto, de fascinação. a psi-

possa Evidentemente, do ensino simplesmente de Lacan ninguém é ser o matematizado. esforço sustenta constante que O tudo que de obter constitui na experiência maternas o avanço a psicanalítica partir espantoso dessa

a topologia no ensino de Lacan

11

prática experiência que se renuncia que se efetivamente imaginaria a esse esforço, não autônoma toda a experiência matematizável. e que poderia analítica Desde simplesmente se volta o momento para não uma em ser

nada portanto, em destacar mais por que as escolha, relações a fascinação desse que estão do esforço indizível. em de causa matematização, A entre topologia os termos de isto Lacan que é, participam do participa, esforço

da essas experiência relações, psicanalítica. mas ambas são A esfera utilizadas e o plano no caso não do bastam animal. para representar

Essa referência constante de Lacan é extraída dos etnólogos clássicos

do dessa em fim posição ordem do século concêntrica pode XIX ser e inteiramente do em início relação do suficiente. XX: ao meio, Para um ele O se animal, animal, ajusta pode-se um aí exatamente; esquematismo dizer, está no

com sujeito o animal, próprio o sujeito com há animal. adequação o como desejo Ora, sujeito não entre a primeira podem da o Umwelt, palavra, descoberta ser representadas não o meio, se da dá e experiência nada o Innenwelt, dessa disso. maneira, analítica As que relações constitui não é que, do se

— pode é só representar pensar nesse assim paradoxo o que faz que com Freud que formulava nele essa harmonia como pulsão se desconcerte de morte.

isto ser extraída é, Em a topologia segundo de seu de lugar, ensino Lacan a topologia para só tem se constituir utilidade de Lacan imersa em não disciplina pode em ser seu tomada independente, ensino, à parte, não é

uma Lacan, disciplina que falem sui generis. dela considerando-a, Não pode haver por especialistas exemplo, o da Innenwelt topologia do de

referência Umwelt, que o que seria ocorreu o conjunto com a idéia do ensino que Freud de Lacan. fazia da Podemos psicanálise tomar aplicada. como

psicanalítica Naquele como à história a etnologia, da momento, arte e de ou outro o à folclore, etnologia, imaginava-se diferentes a história o que domínios que o ocupa da de arte delimitados um é sempre etc. lado Quando havia uma universitariamente, questão Freud a experiência se surgida refere

na recorre antropologia: experiência a tais referências. é psicanalítica, a abordagem Totem de e é e Freud para tabu da não responder questão é uma obra a do essa pai de na questão etnologia análise que que ou ele de o

obriga, por algumas razões de estrutura, a recorrer a uma elaboração mítica.

domínios autonomizar Para nos Lacan, as quais referências não a psicanálise há o perigo científicas se aplicaria. de se de imaginar Lacan Entretanto, e poder criar não especialistas autonomizar seria preciso na os

Isso tendência topologia é tanto tomasse de mais Lacan, verdadeiro corpo, especialistas seria para tão vã a em topologia como sua os teoria esforços de Lacan dos de jogos que análise muito etc. aplicada. Se dificil- essa

mente poderia se tornar uma disciplina sui generis.

78

maternas i

classicamente mais, tramos está no com De em nível que uma livrinhos da é se feita maquinaria geometria chamava essa de passatempos, topologia? de projetiva extremamente analysis Em e situs. de quebra-cabeças primeiro três simples. Trata-se superfícies lugar, Hoje da etc. há banda em da três Essa disciplina dia de objetos, os topologia Moebius, encon- que não

Lacan da garrafa introduz de Klein em um e do momento cross-cap, bem figura preciso um pouco de seu mais seminário complexa sobre que a

seminário borromeano, identificação. R.S.I., introduzido Em um segundo capítulo no lugar, seminário do ensino há os Mais, de nós Lacan ainda e, mais muito e que precisamente, se mais tornou, complexo, com o nó o

como capítulos, muito a mais outra. bastantes recente, A topologia com heterogêneos, uma de Lacan, matemática portanto, ainda que que nada não tenham é, mais em si, é alguns do tão que bem pontos esses acabada dois de

contato. exatamente Cada as um mesmas. deles responde a questões da teoria analítica que não são

pretendiam é continua uma A metáfora”, posição a dizer. ser a de Ele coisa diz Lacan critica ele mesma desde em e até relação — os zomba primeiros Freud a esses sempre dos momentos esquemas esquemas considerou em de é a Freud, 1953, seguinte: que se e que é tratava o “não que não

borromeano, Freud de ilustrações. localizou critica Lacan, o isso, especialmente em o supereu seu seminário e o o esquema eu. em Lacan Caracas, da diz segunda que contrapondo-o a topologia tópica, no não ao qual nó é

uma metáfora, que ela representa a estrutura, e chega a propor, em um

segundo experiência. à estrutura tempo, e Veremos à topologia que que ela que é é preciso de a representa. certo qualificar modo Aí o essa está real designação um mesmo ponto em de chave real jogo feita para na

do aqueles nó “metáfora, que se interessam estrutura especialmente e real”. Nós pela representamos topologia de essa Lacan: topologia, trata-se a

um podia manejamos entrelaçamento parecer espacialmente. excessivo. de nós e Lacan, dizer: “isso às vezes, é a coisa a valoriza mesma”. ao ponto Para muitos, de mostrar isso

Com a topologia, trata-se de matrizes, de combinações significantes.

É consideramos Lacan apenas — de ele modo próprio que se secundário, trata insistiu de espaço. nisso em virtude — Fundamentalmente, é integralmente do nascimento redutível a da topologia coisa, a uma que de

combinatória. de mais Lacan pesada, e a e segunda, Nós há aí a representamos uma entre distinção a topologia para entre nós dos a primeira e a objetos manejamos vertente e a topologia de uma da topologia maneira do nó

borromeano. é de ordem combinatória Mas não se deve em seu abstrair ensino. a topologia Isso faz parte de Lacan do mesmo de tudo capítulo o que

a topologia no ensino de Lacan

79

esquema concernente fazem parte das a da letras tópica mesma alfa do e significante. série, beta, o sem grafo esquecer O em grafo dois a elementar, níveis combinatória são combinatórios o esquema dos quatro Z, o e

de binatória, discursos. Lacan. o Todos A que topologia permite esses exercícios é observar introduzida que podem a com topologia ser o significante, subsumidos não é “isolável” e pelo aí onde termo no não ensino com- há

significante, apenas, pode-se de contentar “uma aí onde captura” com não a topologia pelo há o simbólico, que da Lacan esfera não chamou, e há do necessidade plano. por um de certo topologia, tempo

Essas idéias podem ser mantidas com uma correção feita pelo próprio

Lacan: reduzido Isso explica todo pura por corpo e simplesmente que vivo Lacan tem pôde uma à extensão, se topologia lançar ao nas no partes configurações sentido extra em partes que do não corpo cartesiano. pode vivo, ser

ele as liumano, freio que podia quanto existem tórico observar a nas isso, etc. que membranas São caso na inspirações natureza não se cerebrais. queira encontram-se um pouco desembocar Mas é “limites”; preciso formas em que topológicas, do uma se mesmo coloque filosofia modo, como um da

natureza. Assim, com essa correção que faço, a topologia se sustenta no

significante. comum topologia no e que até Nesse a aparece teoria contexto, dos como conjuntos o rede, que como há ou de a cadeia, comum teoria como das entre classes? axioma a combinatória, O etc.? que O há que de a

topologia tudo tem necessidade isso no tem ensino em de comum duas de Lacan: dimensões é inteiramente tudo isso para se funcionar. decisivo sustenta em para Com duas captar efeito, dimensões, o o lugar lugar do da só

Outro profundidade. por Lacan no sentido vão inteiramente E por de Lacan isso que de (que encontro o estilo é o inconsciente e à a experiência experiência e o de discurso) da todo análise mundo não guiada — tem o

consciente sustentar inconsciente e não mesmo é um é o ser que habituar-se de alguém superfície, tem com em não o seu seguinte: é um interior. ser o de E inconsciente profundidade. muito difícil não pensar, O tem in-

profundidade, exterior ao sujeito, não é a uma ponto interioridade. de que a ordem E, ao simbólica contrário, (inovação fundamentalmente a partir da

o qual somente que Lacan é tradição, o outro, repensou o o que pequeno o ensino fala antes outro de Freud) que que o cada sujeito é também um surja. tem o discurso para O Outro si. Há comum, é isso, também não tudo o é

está o Outro todo Outro no sujeito. com sujeito é efetivamente sua Se inicial e vocês que o maiúscula. lerem analista nossa o exterioridade, Seminário não No vem alcance tentar XI, maior verão a exterioridade colocá-lo dessa que o inicial inconsciente de novo em maiúscula, relação ali, mas não a

que o inconsciente é exterior ao paciente e ao analista, que pedem novamen-

80

maternas i

Em caminho te do outras exterior no palavras, qual a abertura o inconsciente a topologia disso que nada das se tem pode superfícies de continuar intuitivo. deve a chamar nos conduzir de espaço. pelo

que introduzir todo Devo o com campo corrigir o significante. da um psicanálise pouco Isso o se é que exato, reduz disse mas ao a que não propósito é se significante, poderia da topologia concluir que toda daí se

forma da e por letra”. se de articular, E análise verdade se a teoria reduz que há das ao a instância que pulsões. Lacan No da valorizou letra, Seminário mas em há, XI, seu solidária Os texto quatro “A mas conceitos instância distinta

fundamentais desejo, Por ambas exemplo, não mas eram a pulsão. da tradicionalmente, distinguidas, psicanálise, O que é importante e Lacan é justamente reduzia-se não nos incluiu quatro sua a transferência distinção entre conceitos esses que é à sua conceitos condiciona repetição, escolha. o

a transferência, invenção do desde sujeito que suposto se tenha saber. eliminado O sujeito suposto dessa posição saber é de a mola mola da a

repetição. A pulsão, diz Lacan em “Posição do inconsciente”, advém de

deriva uma de aparelhos topologia do significante, significantes e não de já que uma no ela mundo. energética. deriva Lacan da De introdução sempre todo modo, citava de um toda este certo energética exemplo: número

“onde um aí, o sentido. que está supõe a Sobre energia a introdução a de topologia uma cascata?”. do das significante pulsões, E preciso Lacan para começar que não a deu energética a muitas colocar possa informa- energia ter

particular, ções, “Posição mas do à forneceu análise inconsciente”, vetorial. a informação sendo Ele faz este suficiente referência um capítulo aos ao recorrer, teoremas da topologia de de Stokes um de Lacan modo em

da maior importância, mas não desenvolvido, não ilustrado.

do trata-se objeto Tomo da a topologia e a da primeira pulsão; do vertente sujeito a topologia e da também, topologia do objeto correlativamente, antes a faz de a conexão R.S.I. Por da entre topologia um esses lado,

dois eixos. Nesse sentido, o que a topologia permite? Sem a topologia,

Lacan experiência to saber” sem — dúvida analítica vocês não requer. podem teria podido Utiliza-se utilizar elaborar também “S.S.S.” o sujeito as para mesmas se sem dizer substância iniciais “sujeito para supos- que o a

jeito o sujeito sujeito cartesiano, sem que substância. não que é mais Lacan O que sujeito coloca pontual, sem como uma substância vez o próprio que é suas também sujeito propriedades certamente da psicanálise, e suas su-

como representações um sujeito são substancial, evacuadas. um O sujeito sujeito que na análise resiste, foi um geralmente sujeito instintivo. tratado

E que uma induz construção uma disjunção extremamente já presente complexa nas categorias chegar a de sustentar Aristóteles. um discurso Não há

a topologia no ensino de Lacan

81

funcionamento, dupla significante topologia entre e sob na sujeito as lógica. e o espécies sujeito e substância; Voltamos do não sujeito substancial a esses encontrar sem substância, dois tem o termos seu sujeito suporte que têm mortificado pode cada em se Lacan inscrever um pelo seu na

o tem também oito outro invertido com valor ajuda e a como não do ser que o que, o Lacan de nas uma chama fórmulas variável de sigla da da sexuação, função geral na fálica. banda por exemplo, de Moebius, não

Descartes elaborar Tentei um é sujeito sem encontrar substância sem uma substância referência de um sem modo recorrer que muito mostrasse aos matemas. fugidio o que — O é sujeito no procurar quinto em

parágrafo a recupera. da Alguém Segunda que Meditação, se apóia em ele Descartes é sem substância tentou elaborar e, logo o em sujeito seguida, sem

substância, de efetivada rejeitar pelos a o promoção que anglo-saxões não deixou da psicanálise de antes ter influência e depois do eu {moi) de sobre Freud. na Lacan experiência Refiro-me no que se analítica a tratava Sartre

mais permitir que é modernas uma não referência nos da embaraçarmos filosofia, de Lacan em se no tratando nesse início enorme do do sujeito Seminário eu (moi) e do eu li: consolidado (moi) as elaborações deveriam por

nho um Kris, status dessa Lowenstein de elaboração total e dessubstancialização. Hartmann, filosófica pois que temos acarreta Sartre na um intuição opõe, status de de extremo um Sartre lado, o do testemu- o sujeito, em-si,

Seminário o ser como in, o fala que da é psicose — tem-se dizendo aí uma que definição nela se trata de do Lacan real como quando, o que no

é, consciência, ser como o que o é. em-si que Sartre é sartreano. uma tenta espécie isolá-lo De bem outro pela difícil lado, magia de há delimitar, do outro estilo, tipo já que de que se ser, ele forja o está ser pela por da

presença consigo repetição, mesmo para pelos si em desse grandes uma ser fluxos adequação tão singular: verbais, primeira”. “o ao ser dispor, da Fala consciência em ainda O ser do não princípio e o coincide nada, de a

ser identidade que se como quebra, sintético, não há como identidade uma unificação, de si para mas si, não em se há tratando coincidência desse

bem consigo tempo a conseqüência o mesmo. desvia do A barra puro — é e que aliás simples vem por atingir princípio isso que o sujeito o de ser identidade. que é a barra ele tenta Sartre que captar ao observa mesmo não

Por coincide haver consigo um déficit mesmo: ao nível o sujeito do princípio é efetivamente de identidade, sujeito o a ser se em identificar. questão

princípio se o analisou famoso identifica. muito de exemplo identidade Há bem uma do a propósito garçom e correlação a tendência do do café imaginário. imediata à identificação—rrája-se que se entre toma Vocês esse por comiecem garçom déficit do ao de muito que nível café, Sartre bem é do o

82

maternas I

exemplo déficit de da identidade. identificação com o imaginário sustentada por um sujeito em

não identidade”, é Algumas nada”, “o “o sujeito fórmulas: para-si é separado existe “parecer sob de sua a si forma própria mesmo de coincidência”, e um o que alhures o separa em “escapar de relação si mesmo a a sua si

ser” mesmo”, — Sartre “é um fala, ser assim, que se de afeta uma perpetuamente defasagem perpétua, por uma de inconsistência uma falta de ser, do

a cedidas, de realidade uma falha o termo humana de ser. “falta”, Tem-se deve a ser conexão uma ela própria série do de desejo uma metáforas falta, e da uma falta. extremamente vez Sartre que propõe faz bem-su- advir que a

falta bastaria si mesmo no para mundo — prová-lo. o desejo e, desde O é a então, desejo falta a de não existência ser. é um Aqui, estado do considero desejo psíquico, como apenas é um fato o escape humano que nos de

permite observar o parentesco do esforço sartreano com o tipo de ser que

Lacan déficit e que, em tentou de identidade nenhum captar momento, no do que sujeito concerne ele nunca é situado ao é pensado sujeito. a partir em A diferença da relação linguagem. ao maior em-si é opaco que o

dos rna, jogos, distinguindo, Lacan, na ao teoria tratar de início, dos de um conjuntos o sujeito conjectural e, não de substancial, e um o físico. modo Ele mais abordou-o encontrou amplo, pelo na na mate- teoria com-

— binatória sem o nenhuma lugar da do topologia Outro substância, como o que espaço situando lhe permitiu de o combinatórias, que assegurar efetivamente a condição subsistência faz falta para em do se sujeito Sartre poder

propor experiência des-substancializada: um sujeito analítica. sem Lacan o substância gozo. evocou e uma o que única constitui substância a única dessa substância experiência da

vamente, ticulam Um significantes, nada espaço tem de a ver combinatórias, onde com eles nenhum desenvolvem um espaço espaço da suas simbólico intuição, cadeias com e onde que, nenhum se efeti- ar-

espaço do da espelho, análise, da estética que pois é a a no primeira experiência sentido investida de Kant. do espelho E de o Lacan que não se do pode é exterior uma ver experiência desde para o o estádio campo do

psicanalista, corpo todo o está ensino essencialmente trata-se de Lacan de para uma presente que observação. ele como formule corpo Desde que imaginário. o o estádio imaginário do Será espelho, é o preciso corpo. o

Isso nutre timo está da a vida fragmentação muito fantasística, próximo do do as corpo. momento formações Nesse em imaginárias, sentido, que ele o já imaginário dizia vem que como tudo surge emprés- o que in-