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Módulo: Saúde Mental

Aula 1: História da Loucura


Professora: Karla Dino
E-mail: annakarlard@yahoo.com.br
O surgimento da Loucura
 História da Loucura - Michel Foucault (1961)

 Domínio da RAZÃO sobre a DESRAZÃO. Situando a razão


como norma, e levando a loucura ao exílio;

 Final da Idade Média > desaparecimento da lepra.


Segregação dos sujeitos;

“A verdade da lepra era a manifestação de Deus na Terra.


Era uma amostra da cólera e da bondade divinas”

 Se espera uma nova encarnação do mal, um outro esgar


do medo, mágicas renovadas de purificação e exclusão”
O surgimento da Loucura
 Esse fenômeno é a loucura;

 A lepra altera o corpo, a loucura transtorna o


espírito;

 Nau dos loucos;

“Por um lado, não se deve reduzir a parte de uma eficácia


prática incontestável: confiar o louco aos marinheiros é com
certeza evitar que ele ficasse vagando indefinidamente
entre os muros da cidade, é ter a certeza de que ele irá para
longe, é torná-lo prisioneiro de sua própria partida.”
(Foucault, 1978)
Jheronimus Bosch, “A Nau dos Loucos”
Sebastian Brant, “Narrenschiff”, 1499
Oskar Laske, “Das Narrenschiff” (Ship of Fools), 1923
“Em alguns lugares da Europa, nas portas das
cidades, existiam casas de prisão para loucos. O
louco é alojado nos limites. Está no limite entre a
cidade e o inabitado, entre a terra e a água,
entre a evidência da verdade e a nulidade do
não ser.” (DÍAZ, Esther. 2012)
O surgimento da Loucura
 Idade média: Loucura como possessão
demoníaca;

 A loucura seria definida como o outro da


razão, ou seja, popularmente aquele que é
extravagante, perturbado ou que perdeu o
juízo.
O surgimento da Loucura
 Hipócrates e a teoria patológica;

 Psiquiatria como especialidade médica;

 Século XIX : tratamento/diagnóstico;

 Clínica;

 Pinel trouxe o diagnóstico implicado na observação


prolongada, rigorosa e sistemática;

 Na Europa, a doutrina de Pinel foi logo ofuscada pelo


emprego inadequado do tratamento
O surgimento da Loucura
 Com a volta da visão organicista na prática
psiquiátrica, o manicômio deixa de ser recurso
terapêutico, e volta a ser um instrumento de
segregação social;

 Surgimento de diversos tratados médicos sobre a


loucura;

 A loucura seria concebida como uma doença,


como um objeto de conhecimento e de
intervenção exclusivos do médico;
O surgimento dos manicômios
 Instituições com diferentes funções:
• Função mais antiga é a de recolher os loucos
• Instituições hospitalares: tratamento médico,
porém os funcionários sem formação;
• Século XIX aparecem Manicômios: acolhiam
apenas doentes mentais, oferecendo
tratamento médico especializado e
sistemático;
O surgimento dos manicômios
 Instituições manicomiais com condições
precárias;

 Pacientes sem diagnósticos de doença mental;

“Os pacientes eram epiléticos, alcoolistas,


homossexuais, prostitutas, gente que se
rebelava, gente que se tornara incômoda para
alguém com mais poder” (ARBEX, 2013)
O surgimento dos manicômios
 Justificativa das instituições: necessária limpeza
social;

 Sujeitos desajustados cujos comportamentos


eram indesejáveis;

 Exerciam a função social de disciplinar corpos


e comportamentos;
 Influência do pensamento de Descartes;

 a razão e o juízo são condições para o homem cuidar


de si;

 Revolução Francesa: a valorização de uma sociedade


gerida por homens e pela razão;

 Louco como perigoso;


 Século XIX: manicômio era considerada a
modalidade terapêutica mais eficaz;

 Mesmo com violência, isolamento e as práticas


coercitivas que eram justificados como um mal
necessário;
Manicômios no Brasil
 Hospício D. Pedro II :
primeiro manicômio/hospital psiquiátrico, criado em 1852 o na cidade do
Rio de Janeiro;

 1912: Lei Federal de Assistência aos Alienados;


 No mesmo ano, status de especialidade médica autônoma aos
psiquiatras;

 1926: Liga Brasileira de Higiene Mental;

 1934: Lei Federal de Assistências aos Doentes Mentais;

 A partir de então houve um aumento de 213% da população internada


em manicômio/hospital psiquiátrico do Brasil;
Referências
DÍAZ, Esther. A Filosofia de Foucault. Ed. Unesp, 2012, Pg. 2-24-26. Trad. César Candiotto. Disponível
em: https://acasadevidro.com/2017/03/02/foucault-e-a-nau-dos-loucos-por-esther-diaz/
Foucault, Michel (1978), História da Loucura na Idade Clássica, São Paulo, Editora Perspectiva, 1ª
ed. 1961.
FIGUEIREDO, M. L. R. ENTRE LOUCOS E MANICÔMIOS: HISTÓRIA DA LOUCURA E A REFORMA
PSIQUIÁTRICA NO BRASIL . Rev. Ciências humanas e sociais, Maceió, v. 2, n.2 , p. 121-136, Nov,
2014.
Michel Foucault e a Nave dos Loucos. 2014 Disponível em:
<https://tendimag.com/2014/07/29/michel-foucault-e-a-nave-dos-loucos/>