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Administração Pública p/ MPOG

Teoria e exercícios comentados


Prof. Rodrigo Rennó – Aula 01

Sumário
Administração Pública ............................................................................ 3
Administração Direta ........................................................................... 5
Administração Indireta ......................................................................... 7
Autarquias .................................................................................... 8
Fundação ................................................................................... 15
Empresa Pública............................................................................ 17
Sociedade de Economia Mista............................................................. 19
Consórcios Públicos........................................................................ 24
Mudanças Institucionais Recentes............................................................ 29
Terceiro Setor - Paraestatais .................................................................. 33
Serviços Sociais Autônomos .............................................................. 34
Organizações Sociais ...................................................................... 36
Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) ......................... 40
Instituições Comunitárias de Educação Superior (ICES) ................................ 44
Entidades de Apoio ........................................................................ 46
Conselhos ..................................................................................... 53
Agência Reguladora .......................................................................... 54
Agência Executiva ............................................................................ 63
Lista de Questões Trabalhadas na Aula. ........................................................ 74
Gabaritos. ........................................................................................ 86
Bibliografia ...................................................................................... 86

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Administração Pública

A Administração Pública pode ser definida de várias formas. De


acordo com a ciência da Administração, refere-se ao ramo da Administração
aplicado à gestão dos diversos entes públicos e da administração direta e
indireta.
De acordo com a ciência jurídica, trata-se do conjunto de funções e
órgãos instituídos para a consecução dos objetivos do governo. De acordo
com Meirelles, a Administração Pública:
“em sentido formal é o conjunto de órgãos
instituídos para consecução dos objetivos do
Governo. Em sentido material, é o conjunto das
funções necessárias para os serviços públicos em
geral...pratica atos de execução, vinculada à lei
ou à norma técnica, com maior ou menor
autonomia funcional, de acordo com a
competência do órgão ou agente.”
Assim, no sentido amplo, abrange os órgãos do governo, que
exercem a função política, mas também os órgãos e agentes que exercem
funções administrativas1.
Desta forma, a Administração Pública é um conjunto de órgãos e
agentes públicos que devem executar as políticas públicas e as funções
estatais. Poderíamos definir as funções políticas como as principais
diretrizes de um governo, suas principais políticas de atuação na sociedade.
Já ao corpo técnico – a burocracia – cabe a função de executar estas
políticas definidas pelos agentes políticos. Assim sendo, estes agentes têm
a responsabilidade técnica – mas não política – de executar as funções
estatais.
Imagine que um governador decide ampliar o horário escolar em
todas as instituições de ensino de seu estado. Assim, ele acredita que esta
decisão ampliará os conhecimentos dos alunos e proporcionará um melhor
futuro a estes jovens.
Esta é, portanto, uma decisão política. Entretanto, para que se torne
realidade, dependerá de uma série de atos administrativos e de um
trabalho de gestão para que esta decisão possa ser executada de acordo
com os objetivos do governo.
De acordo com Alexandrino e Paulo:
“O “como fazer”, o estabelecimento das prioridades
na execução, o detalhamento dos programas de

1
(Alexandrino & Paulo, Direito administrativo descomplicado, 2009)

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ação, tudo isso é atividade administrativa em
sentido amplo, vale dizer, atividade política, para
o exercício da qual o Poder Público, embora
subordinado à lei e ao direito, dispõe de ampla
discricionariedade.”
Vamos dar uma olhada em algumas questões que cobram isso?
1 - (FGV – BADESC – ANALISTA ADM - 2010) Com relação ao
funcionamento da administração pública, analise as afirmativas a
seguir.
I. A administração pública, em sentido formal, é o conjunto de
órgãos instituídos para a consecução dos objetivos do governo.
II. A administração pública executa, técnica e legalmente, os atos
de governo.
III. A administração pública executa, com responsabilidade
constitucional e política, os projetos governamentais.
Assinale:
a) se somente a afirmativa I estiver correta.
b) se somente a afirmativa II estiver correta.
c) se somente a afirmativa III estiver correta.
d) se somente as afirmativas I e III estiverem corretas.
e) se todas as afirmativas estiverem corretas.

A primeira frase está correta. Na segunda afirmativa, cabe uma


diferenciação entre os atos de governo (políticos) com os atos de
execução - executados pela Administração Pública. Desta forma, a
segunda frase está errada, pois os atos de governo são executados pelos
agentes políticos.
A terceira frase também está incorreta, pois a Administração Pública
executa seus atos sem a responsabilidade constitucional e política, somente
técnica. Ou seja, não é responsável pela definição das leis e das políticas
governamentais. O nosso gabarito é, portanto, a letra A.

2 - (CESGRANRIO – CAPES – ANALISTA - 2008) Em sentido formal,


a Administração Pública pode ser conceituada como o (a):
a) conjunto de funções necessárias aos serviços públicos em geral.
b) conjunto de órgãos instituídos para a consecução dos objetivos
do Governo.
c) expressão política de comando e de fixação de objetivos do
Estado.

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d) união dos Poderes de Estado com funções atribuídas com
precipuidade.
e) união de três elementos originários e indissociáveis: Povo,
Território e Governo soberano.

Vejam como a banca somente copiou a definição de Administração


Pública do Meirelles. De acordo com o autor, a “Administração Pública é
conjunto de órgãos instituídos para a consecução dos objetivos do
Governo”.
Assim sendo, o gabarito é a letra B.

Administração Direta

Dentro do Estado, podemos classificar os órgãos e entidades entre a


Administração Direta e a Indireta. A Administração Direta concentra os
órgãos e setores sem personalidade jurídica própria dos três Poderes
pelos quais o Estado atua diretamente.
Dentre estes órgãos, podemos citar (no caso da União): a Presidência
da República e seus ministérios, os órgãos do poder Judiciário (STF, STJ,
TST, TSE etc.) e do Legislativo (Senado e Câmara), o Tribunal de Contas
da União, a Advocacia Geral da União, o Ministério Público da União, os
conselhos etc.
De acordo com o entendimento da doutrina, os órgãos apenas
possuem competências (são centros de competências) sem possuir
capacidade jurídica e constituir pessoa jurídica2.
Quando um grupo de pessoas políticas possuir competências para
realizar trabalhos administrativos, centralizadamente, estaremos
diante da Administração Pública Direta.
Nesse tipo de Administração, observa-se a desconcentração
administrativa. Aqui, o conjunto de pessoas trabalha naquilo que
chamamos de órgãos públicos que não possuem personalidade jurídica
própria, isto é, compõem a estrutura da pessoa jurídica da qual se formou.
Diferentemente, na Administração Pública Indireta, esse grupo de
pessoas realizará os trabalhos administrativos de forma descentralizada
e, nessa descentralização administrativa, o conjunto de pessoas jurídicas
denomina-se de entidades.
O Decreto-Lei 200, de 1967, tido como referencial na organização
administrativa do setor público federal do Poder Executivo, no Brasil, em

2
(Paludo A. V., 2010)

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seu artigo 4o, dispõe sobre a divisão da Administração Direta e Indireta,
senão vejamos:
“Art. 4° A Administração Federal compreende:
I - A Administração Direta, que se constitui
dos serviços integrados na estrutura administrativa
da Presidência da República e dos Ministérios.
II - A Administração Indireta, que
compreende as seguintes categorias de entidades,
dotadas de personalidade jurídica própria:
a) Autarquias;
b) Empresas Públicas;
c) Sociedades de Economia Mista.
d) Fundações públicas. (Incluído pela Lei nº
7.596, de 1987)
Parágrafo único. As entidades compreendidas
na Administração Indireta vinculam-se ao Ministério
em cuja área de competência estiver enquadrada
sua principal atividade.”
Mais tarde, a Constituição Federal, de 1988, no caput do artigo 37,
dispõe sobre a existência da Administração Direta e Indireta em todos os
Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) de qualquer esfera política
(União, estados, DF e municípios), conforme nota-se abaixo:
“Art. 37. A administração pública direta e indireta
de qualquer dos Poderes da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios
obedecerá aos princípios de legalidade,
impessoalidade, moralidade, publicidade e
eficiência(...)”
Para finalizar esse tópico, quero apenas resumir o conceito de
Administração Pública Direta que nada mais é do que pessoas jurídicas de
direito público com autonomia político-administrativa os quais sofreram
desconcentração das atividades administrativas. Como exemplo, temos: os
Ministérios e as Secretarias.
Vejamos uma questão sobre o tema.
3 – (CESPE - ICMBIO - TÉCNICO – 2014) Existem órgãos da
administração direta atuando na administração federal, estadual e
municipal.

Questão pode ser respondida com a leitura do caput do artigo 37 da


CF/88, senão vejamos:

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“Art. 37. A administração pública direta e
indireta de qualquer dos Poderes da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios
obedecerá aos princípios de legalidade,
impessoalidade, moralidade, publicidade e
eficiência.”
Percebam que administração pública direta e indireta atua nos três
Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) e em todas as esferas (União,
estados, municípios e DF). Gabarito, portanto, questão correta.

Administração Indireta

A Administração Indireta é composta por entidades que têm


personalidade jurídica, podendo ser de Direito Público ou Direito
Privado, que operam por delegação ou outorga do poder público ao qual
estão ligadas.
Dentre as entidades da Administração Indireta podemos citar: as
fundações, as autarquias, as empresas públicas, as sociedades de
economia mista e os consórcios públicos (instituídos como associação
pública ou pessoa jurídica de direito privado)3.
Estas entidades normalmente são vinculadas aos ministérios (ou
secretarias) da área em que atuam. Assim, uma empresa pública federal
voltada para pesquisas na área de educação estará vinculada ao ministério
da educação. Entretanto, esta empresa terá autonomia em relação ao
ministério, sendo controlada apenas em relação à finalidade.
Resumindo, a Administração Indireta nada mais é do que entidades
com personalidade jurídica própria, criadas por meio de lei específica pelo
Poder Público, por descentralização administrativa, para desempenharem
atividades da Administração.
São entidades da Administração Indireta:

 Autarquia;
 Fundação;
 Empresa Pública;
 Sociedade de Economia Mista.
Conforme o inciso XIX do artigo 37 da CF/88, as autarquias serão
criadas de forma direta por meio de lei específica. Já as demais entidades
terão suas criações autorizadas por lei específica, mas a criação em si

3
(Paludo A. V., 2010)

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acontecerá quando o poder público vier a inscrever os atos constitutivos
delas em um registro público com competência para tal.

Autarquias

Pessoal, agora vamos falar um pouco sobre cada entidade da


Administração Indireta. As autarquias são pessoas jurídicas de direito
público, criadas e extintas por meio de lei específica para desempenhar
funções típicas de Estado.
A criação, no âmbito da União, será de competência privativa do
Presidente da República. O professor Marçal Justen Filho4 define autarquia
da seguinte forma:
“Autarquia é uma pessoa jurídica de direito público,
instituída para desempenhar atividades
administrativas sob regime de direito público,
criada por lei que determina o grau de autonomia
em face da Administração direta.”
Quando o autor, em sua definição, dispõe que a autarquia se trata de
uma pessoa jurídica de direito público, ele está associando às
competências privativas de Estado, em desigualdade com o particular.
Já quando ele fala que o regime é de direito público, ele afirma que a
autarquia não atuará em atividades econômicas propriamente ditas, e
realizará atividade típica da Administração Pública.
Essa entidade administrativa possui autonomia gerencial,
orçamentária e patrimonial. Além disso, ela detém capacidade conferida
pelo ente que a criou para uma área específica de atuação.
Como pertencem à administração indireta, de modo a serem
vinculadas apenas administrativamente ao ente que o criou, não existe
controle hierárquico entre o ente e as autarquias, apenas um controle
finalístico.
Como as autarquias possuem personalidade de direito público, seus
agentes praticam atos considerados atos administrativos, com observância
de todos os requisitos obrigatórios de um ato dessa natureza, como o
sujeito, a forma, o motivo, o objeto e a finalidade.
Da mesma forma, as autarquias devem obediência aos atributos dos
atos administrativos, que são: supremacia do interesse público,
presunção de legitimidade, autoexecutoriedade, imperatividade.
Vale salientar que as contratações de bens e serviços feitos pelas
autarquias seguem os procedimentos públicos para tais, isto é, observam

4
(Justen Filho, 2012)

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a Lei das Licitações, a de no 8.666, de 1993, assim como a Lei 10.520, de
2002, que rege a modalidade pregão de licitação para a aquisição de bens
e serviços comuns.
Observem uma coisa: assim como as autarquias devem seguir ao rito
da Lei 8.666/93 para suas contratações, elas também recebem privilégios
fornecidos por essa Lei à Administração Pública.
Dentre eles, temos a prerrogativa de poder modificar ou rescindir um
contrato de forma unilateral, devidamente motivado e atendendo ao
interesse público. Outra prerrogativa seria o Poder Público ter que fiscalizar
o contrato, impondo, no que couberem, as penalidades devidas.
Segundo o artigo 36, §6° da CF/88, as pessoas jurídicas de direito
público (e as autarquias se enquadram aí), possuem responsabilidades
pelos danos causados a terceiros por seus agentes.
A nossa Carta Magna, inclusive, assegurou que tal responsabilidade
também pode recair sobre aquele que tiver dado causa quando houver dolo
ou culpa.
Vale saber que os bens das autarquias, assim como de qualquer
pessoa jurídica de direito público, são inalienáveis, impenhoráveis, não
podem ser objeto de direitos reais de garantia (penhor, hipoteca, por
exemplo), nem tão pouco, sujeitos a usucapião.
Por fim, tem-se a Justiça Federal como foro responsável pelo
julgamento de causas de interesse das autarquias, conforme artigo 109,
inciso I e VIII da CF/88, transcrito abaixo.:
“ Art. 109. Aos juízes federais compete processar e
julgar:
I - as causas em que a União, entidade autárquica
ou empresa pública federal forem interessadas na
condição de autoras, rés, assistentes ou oponentes,
exceto as de falência, as de acidentes de trabalho e
as sujeitas à Justiça Eleitoral e à Justiça do
Trabalho;
(...)
VIII - os mandados de segurança e os "habeas-
data" contra ato de autoridade federal, excetuados
os casos de competência dos tribunais
federais.”
Como exemplos de autarquias, vale citar o que a professora Fernanda
Marinela5 dispõe sobre o enquadramento dessas entidades conforme os
objetivos delas:

5
(Martins, 1997)

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 “Autarquias Assistenciais: INCRA –
Instituto Nacional de Colonização e Reforma
Agrária;
 Autarquias Previdenciárias: INSS –
Instituto Nacional de Seguro Social;
 Autarquias Culturais: UFLA – Universidade
Federal de Alagoas; UFBA – Universidade Federal
da Bahia, além de outras universidades federais;
 Autarquias Profissionais: incumbidas da
inscrição de certos profissionais e fiscalização de
suas atividades, como, por exemplo, o Conselho de
Medicina, o Conselho de Odontologia, o Conselho de
Administração e outros;
 Autarquias Administrativas: categoria
residual, isto é, entidades que se destinam às
diversas atividades administrativas, como:
INMETRO – Instituto Nacional de Metrologia,
Normalização e Qualidade Industrial; BACEN –
Banco Central; IBAMA – Instituto Brasileiro do Meio
Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis;
 Autarquias de Controle: são as agências
reguladoras(...).”
Pessoal, há um entendimento da doutrina de que existem
autarquias de regime especial, que seriam tipos de autarquias que
gozariam de maior autonomia administrativa. Dentre estes casos, têm-se
as agências reguladoras, que estudaremos um pouco mais a frente, ok?
Vejamos algumas questões sobre as autarquias:
4 - (CESPE - MEC – TODOS OS CARGOS – 2014) No âmbito federal,
as autarquias são entes da administração indireta dotados de
personalidade jurídica própria e criados por lei para executar
atividades típicas da administração. Essas entidades sujeitam-se à
supervisão ministerial, mas não se subordinam hierarquicamente
ao ministério correspondente.

O Decreto-Lei 200/67, que dispõe sobre a organização da


Administração Federal, conceitua autarquia como “serviço autônomo,
criado por lei, com personalidade jurídica, patrimônio e receita próprios,
para executar atividades típicas da Administração Pública, que requeiram,
para seu melhor funcionamento, gestão administrativa e financeira
descentralizada”.
As autarquias, portanto, não se subordinam hierarquicamente ao
ministério correspondente, o que torna o gabarito ser questão correta.

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5 – (CESPE - ANTAQ - TÉCNICO – 2014) As entidades
administrativas, como as autarquias, são pessoas jurídicas de
direito público interno, detentoras de autonomia política e
financeira e de autorregulação.

Pessoal, as autarquias possuem autonomia administrativa e


financeira, mas não política. Esse é o primeiro erro da questão.
Outro erro está em afirmar que elas possuem autonomia de
autoregulação. “As autarquias encontram-se vinculadas a determinado
Ministério (e não subordinadas); incide sobre elas controle
finalístico/supervisão ministerial (e não controle hierárquico)6”.
Dessa forma, as autarquias não detêm autonomia de autoregulação,
nem incide sobre elas controle hierárquico. O que há é um controle
finalístico. Gabarito, portanto, questão errada.

6 – (CESPE - ANTAQ – CONHECIMENTOS BÁSICOS – 2014) Embora


as autarquias não estejam hierarquicamente subordinadas à
administração pública direta, seus bens são impenhoráveis e seus
servidores estão sujeitos à vedação de acumulação de cargos e
funções públicas.

Vimos que “as autarquias encontram-se vinculadas a determinado


Ministério (e não subordinadas); incide sobre elas controle
finalístico/supervisão ministerial (e não controle hierárquico)7”.
Logo, essa primeira parte da questão está correta.
Os bens das autarquias são bens públicos, logo, além de serem
impenhoráveis, também são imprescritíveis, não podendo, portanto, serem
adquiridos mediante usucapião.
Por fim, os seus servidores (nomeados após aprovação em concurso
público) não podem acumular cargos, empregos ou funções públicas.
Gabarito, portanto, questão correta.

7 – (CESPE - ICMBIO - TÉCNICO – 2014) As autarquias integram a


administração indireta e, por isso, não possuem patrimônio.

6
(Paludo A. , 2013)
7
(Paludo A. , 2013)

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A primeira frase está correta, pois as autarquias realmente integram
a administração indireta.
Já a segunda frase está errada, pois essa entidade possui patrimônio.
O patrimônio inicial poderá ser constituído de duas formas8: ser transferido
pela própria lei (pelo ente federado que a criou), ou ser formado
posteriormente, mediante decreto de transferência de bens, por meio de
aquisição ou doação. Gabarito, portanto, questão errada.

8 - (CESPE - MEC – TODOS OS CARGOS – 2014) No âmbito federal,


as autarquias são entes da administração indireta dotados de
personalidade jurídica própria e criados por lei para executar
atividades típicas da administração. Essas entidades sujeitam-se à
supervisão ministerial, mas não se subordinam hierarquicamente
ao ministério correspondente.

O Decreto-Lei 200/67, que dispõe sobre a organização da


Administração Federal, conceitua autarquia como “serviço autônomo,
criado por lei, com personalidade jurídica, patrimônio e receita próprios,
para executar atividades típicas da Administração Pública, que requeiram,
para seu melhor funcionamento, gestão administrativa e financeira
descentralizada”.
As autarquias, portanto, não se subordinam hierarquicamente ao
ministério correspondente, o que torna o gabarito ser questão correta.

9 – (CESPE - TJ-DF – TITULAR DE SERVIÇOS DE NOTAS E


REGISTROS – 2014) No que se refere à administração pública,
assinale a opção correta.
a) Consoante o entendimento do STF, encontra fundamento
constitucional a exigência legal de aprovação legislativa prévia
para a exoneração de ocupante do cargo de presidente de
autarquia.
b) Por não se submeterem ao regime jurídico de direito público, as
sociedades de economia mista exploradoras de atividade
econômica estão dispensadas da realização de concurso público
para a admissão de pessoal.
c) Não se aplica às empresas públicas prestadoras de serviço
público a responsabilidade civil objetiva pelos danos que seus
agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros.

8
(Paludo A. , 2013)

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d) A descentralização administrativa por meio de delegação de
serviço público pode ocorrer por meio de contrato e pressupõe
relação de hierarquia.
e) As entidades paraestatais, entes privados que não integram a
administração pública direta e indireta, colaboram com o Estado no
desempenho de atividades de interesse público, sem finalidade
lucrativa, como os serviços sociais autônomos.

A letra A está errada, pois, com base no princípio da separação dos


Poderes, não encontra fundamento constitucional a aprovação pelo Poder
Legislativo de exoneração de cargo de ocupante em entidade em outro
Poder.
Poderia surgir alguma dúvida sobre essa autarquia ser fruto de
descentralização de qual Poder. Entretanto, o julgamento da Suprema
Corte analisou a necessidade ou não de exigência de aprovação
legislativa prévia para a exoneração de dirigentes de entidades da
Administração Indireta pelo Chefe do Poder Executivo. Logo, não pode
o Poder Legislativo interferir com base no supracitado princípio.
A letra B está errada. O inciso II do artigo 37 da CF/88 dispõe o
seguinte: “a investidura em cargo ou emprego público depende de
aprovação prévia em concurso público de provas ou de provas e títulos,
de acordo com a natureza e a complexidade do cargo ou emprego, na forma
prevista em lei, ressalvadas as nomeações para cargo em comissão
declarado em lei de livre nomeação e exoneração”.
Não bastasse o comando constitucional, o Tribunal de Contas da
União editou a Súmula de número 231, cujo teor é o seguinte:
“A exigência de concurso público para
admissão de pessoal se estende a toda a
Administração Indireta, nela compreendidas as
Autarquias, as Fundações instituídas e mantidas
pelo Poder Público, as Sociedades de Economia
Mista, as Empresas Públicas e, ainda, as demais
entidades controladas direta ou indiretamente pela
União, mesmo que visem a objetivos estritamente
econômicos, em regime de competitividade com a
iniciativa privada9”.
A letra C está errada, pois de acordo com o §6º do artigo 37 da CF/88,
as pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado
prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus
agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de

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Súmula 231 do TCU

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regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa. Esse tipo de
responsabilidade é a objetiva, ok?
Logo, se aplica às empresas públicas prestadoras de serviço público
a responsabilidade civil objetiva pelos danos que seus agentes, nessa
qualidade, causarem a terceiros.
A letra D também está errada, pois a descentralização pressupõe
vinculação e não hierarquia.
Por fim a letra E está totalmente correta, sendo um bom conceito
para entidades paraestatais, e é o gabarito da questão.

10 - (FCC - TRT - 7ª REGIÃO – ANALISTA JUDICIÁRIO – 2009)


Aplicam-se às autarquias, dentre outras regras e princípios, o
seguinte:
a) Por gozarem de autonomia, seus contratos não estão sujeitos a
licitação.
b) Não têm direito a ação regressiva contra seus servidores
culpados por danos a terceiros.
c) Agem por delegação do Poder que a instituiu.
d) Gozam de imunidade de impostos sobre seu patrimônio, renda e
serviços vinculados às suas finalidades essenciais ou delas
decorrentes.
e) Subordinam-se hierarquicamente à entidade estatal a que
pertencem.

Pessoal, a letra A está errada e pode-se confirmar o erro com a leitura


do parágrafo 1º da Lei das Licitações (Lei nº 8.666/93), senão vejamos:
“Art. 1º Esta Lei estabelece normas gerais sobre
licitações e contratos administrativos pertinentes
a obras, serviços, inclusive de publicidade,
compras, alienações e locações no âmbito dos
Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal
e dos Municípios.
Parágrafo único. Subordinam-se ao regime desta
Lei, além dos órgãos da administração direta, os
fundos especiais, as autarquias, as fundações
públicas, as empresas públicas, as sociedades de
economia mista e demais entidades controladas
direta ou indiretamente pela União, Estados,
Distrito Federal e Municípios”.

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Dessa forma, as autarquias subordinam-se, sim, às licitações. A letra
B também está errada, uma vez que o parágrafo 6º do artigo 37 da Carta
Magna dispõe que as pessoas jurídicas de direito público, como as
autarquias, e as de direito privado prestadoras de serviços públicos,
responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a
terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos
casos de dolo ou culpa.
A letra C está errada, pois a descentralização de serviços para uma
autarquia se dá por meio de outorga e não por delegação. A letra E está
errada, pois já sabemos que não existe subordinação entre uma autarquia
e a entidade a qual se criou; o que há é uma vinculação com um controle
finalístico.
Dessa forma, sobrou apenas a letra D, que está correta, pois essa
prerrogativa de imunidade está prevista no §4º do artigo 150 da CF/88. O
gabarito, portanto, é letra D.

Fundação

As fundações foram instituídas pelo Decreto Lei n° 200/67, e


gozavam de grande autonomia administrativa. Entretanto, com a
Constituição Federal de 1988 estas prerrogativas foram retiradas.
Segundo os professores Marcelo Alexandrino e Vicente Paulo 10, a
definição para Fundações Públicas é a seguinte:
“Entidade da Administração Indireta instituída pelo
poder público mediante a personificação de um
patrimônio que, dependendo da forma da criação,
adquire personalidade jurídica de direito público ou
personalidade jurídica de direito privado, à qual a
lei atribui competências administrativas específicas,
regra geral, em atividades de interesse social (a
serem definidas em lei complementar).”
As fundações públicas são pessoas jurídicas de Direito Público,
criadas por lei específica e/ou registro de ato constitutivo, mediante
a transferência de um determinado acervo patrimonial pelo ente instituidor.
Pessoal, aqui cabe um parêntese. Vocês devem estar se
perguntando: professor, as fundações são de direito público ou privado? E,
ainda mais: elas são criadas por lei específica ou só autorizadas a sua
criação mediante lei?

10
(Alexandrino & Paulo, Direito administrativo descomplicado, 2009)

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Acontece que há muita divergência doutrinária. Vamos seguir, em
nossa aula, o que a doutrina majoritária e o STF consideram. Para eles, o
Poder Público poderá instituir fundações com personalidade jurídica de
direito público e de direito privado.
Caso o Poder Público edite uma lei específica criando uma fundação,
para a maioria dos autores, ele estará criando uma fundação pública,
igualmente a uma autarquia, com personalidade jurídica de direito público.
Estaria, portando, criando entidades com as mesmas prerrogativas de uma
autarquia, sendo denominadas, também, de “autarquias fundacionais”
ou “fundações autárquicas”.
Entretanto, se for seguir o dispositivo constitucional, previsto no
inciso XIX do artigo 37 da CF/88, estará autorizando a criação de uma
fundação com personalidade de direito privado, como as empresas públicas
e as sociedades de economia mista.

“Art. 37. A administração pública direta e indireta


de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do
Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos
princípios de legalidade, impessoalidade,
moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao
seguinte:
(...)
XIX – somente por lei específica poderá ser criada
autarquia e autorizada a instituição de empresa
pública, de sociedade de economia mista e de
fundação, cabendo à lei complementar, neste
último caso, definir as áreas de sua atuação”.

Dessa forma, vocês devem levar para a prova esse detalhe sobre as
fundações, pois as bancas adoram fazer pegadinhas sobre esse assunto,
ok?

Vejam, abaixo, um quadro com as principais diferenças entre


fundações de direito público e de direito privado:

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Fundações com personalidade jurídica de direito público


Criação por meio de Lei específica;
Possuem a titularidade de podere públicos, assim com as autarquias.
Origem dos recursos provenientes do orçamento público;
Possuem natureza jurídica de direito público;

Fundações com personalidade jurídica de direito privado


Criação autorizada por lei e após a inscrição de seus atos constitutivos no
Registro Civil das Pessoas Jurídicas;
Não detém a tituaridade de poderes público, apenas o exercício deles;
A origem de recursos se dá como de uma fundação privada: renda de
doações e de serviços prestados;
Possuem natureza jurídica de direito privado.

Figura 1. Principais diferenças entre fundações de direito público e de direito privado.

Pessoal, vamos detalhar só mais um pouco as fundações públicas,


ok? A área de atuação delas cabe a uma lei complementar. Esta lei
definirá o campo de atividades da entidade. Dentre as áreas de atuação de
uma fundação, têm-se: educação e ensino, assistência social, médica e
hospitalar, pesquisa e atividades culturais.
Assim como as autarquias, as fundações públicas possuem foro na
Justiça Federal, e também são detentoras de prerrogativas como: os atos
administrativos apresentam requisitos, atributos, e outras características
como uma autarquia. Seus bens não estão penhoráveis, nem alienáveis,
nem sujeitos a usucapião.
Vale salientar, inclusive, que os recursos repassados para as
fundações estão previstos no orçamento do ente federal. E, ainda mais, as
fundações públicas, ao prestarem serviços públicos, responderão pelos
danos causados a terceiros pelos seus agentes. No entanto, é plenamente
cabível, em caso de dolo ou culpa, o regresso da ação contra os
responsáveis.

Empresa Pública

As empresas públicas são entidades de Direito Privado, criadas


após autorização legislativa, mediante lei específica. Depois dessa
autorização, o Poder Executivo registra os atos constitutivos em um

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estabelecimento público responsável para tal. Aí sim, que se cria a
entidade, isto é, concluído o registro dos atos constitutivos.
O caracteriza esse tipo de empresa ser uma entidade pública, dentre
outras coisas, é o fato de a totalidade de seu capital estar em nome do
poder público (não necessariamente do mesmo ente, pois podem ser sócios
a União e algum estado, por exemplo). Logo, todo o capital da empresa
deve ser de recurso público.
Além disso, elas podem escolher o regime organizacional, ou seja,
podem ser constituídas por qualquer forma jurídica como sociedades
limitadas, sociedades anônimas (S.A.), entre outras. Estas empresas têm
a finalidade de explorar atividades econômicas (como atividades
industriais e comerciais) e prestar serviços públicos.
Apesar de formalmente serem entidades de Direito Privado,
obedecem também a certas regras e princípios do Direito Público. Isto é
observável de acordo com a finalidade dessa entidade da Administração
Indireta.
Se explorar atividade econômica for o seu fim, o regime jurídico será
o de direito privado. No entanto, se for prestar serviço público, o regime
jurídico adotado será o de direito público.
Desta forma, muitos doutrinadores consideram seu regime jurídico
como híbrido, ou seja, majoritariamente privado, mas com alguns aspectos
derivados do Direito Público.
Elas submetem-se a um controle administrativo, mesmo que não
tenham que se subordinar a uma hierarquia. Isto significa que essas
empresas públicas devem se sujeitar a um controle finalístico do ente que
as criou. Desse modo, não cabe, nessa relação, uma subordinação, e sim,
uma vinculação.
Vale lembrar que as empresas públicas possuem autonomia
gerencial, orçamentária e financeira para realizar suas atividades. O
que se ressalta é que, com a autorização legislativa para sua criação, o
ente público estará transferindo a titularidade do serviço público por meio
de descentralização, o que se denomina de outorga legal.
Quanto à responsabilidade civil por danos causados a terceiros, vale
lembrar que as entidades que exploram atividades econômicas não seguem
as mesmas regras das que prestam serviços públicos. Isto é, as primeiras
não se submetem às regras de responsabilidade civil objetiva, logo não
respondem diretamente pelos danos que seus agentes venham causar a
terceiros.
Elas, portanto, seguem as regras previstas pelos códigos: civil e
criminal. Já aquelas que prestam serviços públicos respondem pelos
prejuízos que suas agentes causarem a terceiros quando agirem dentro de
suas funções.

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O regime de pessoal tanto para as empresas públicas quanto para as
sociedades de economia mista será o de emprego público. Nesse regime,
o agente ingressa no emprego por meio de seleção de provas ou provas e
títulos, isto é, por concurso público e devem observância ao teto
remuneratório do servidor público.
No entanto, eles são disciplinados, após ingressarem, pelo regime da
Consolidação das Leis do Trabalho – CLT. Isto significa que não possuem
estabilidade no serviço público, seus entraves trabalhistas são analisados
pela Justiça do Trabalho e se submetem ao regime geral de previdência
social.
Por fim, deve-se frisar que a Constituição Federal, de 1988, no
parágrafo segundo do artigo 173 dispõe o seguinte:
“Art. 173. § 2º As empresas públicas e as
sociedades de economia mista não poderão gozar
de privilégios fiscais não extensivos às do setor
privado.”
O constituinte quis informar, com esse parágrafo, que fica proibido
que as empresas públicas e as sociedades de economia mista, que
explorem atividades econômicas, recebam privilégios fiscais que
também não sejam concedidos às empresas privadas. Isso não inclui
àquelas prestadoras de serviços públicos. Lembrem-se disso na hora da
prova, ok?
Dentre algumas empresas públicas conhecidas temos: Caixa
Econômica Federal, Empresa de Correios e Telégrafos e a Infraero, Serviço
Federal de Processamento de Dados.

Sociedade de Economia Mista

Como as empresas públicas, as sociedades de economia mista são


entidades de Direito Privado. Elas também não são criadas por lei. A lei
deve apenas autorizar sua criação, na forma de um Decreto de iniciativa do
chefe do Poder Executivo. Após autorização legislativa, sua criação também
se dará pelo registro dos atos constitutivos.
Ao contrário das empresas públicas, as sociedades de economia mista
devem ser constituídas exclusivamente na forma de sociedades
anônimas.
Entretanto, estas não têm a proibição de contar com capital privado
(como acontece com as empresas públicas). A única exigência é que o
Estado tenha 51% das ações com direito a voto.
Desta forma, muitas vezes o Estado pode ter apenas 17% do capital
total de uma sociedade de economia mista, mas manter seu controle sobre
a mesma. Isto ocorre porque a nossa legislação das S.A. permite que

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existam até dois terços das ações de uma empresa de capital aberto sem
direito a voto (chamadas ações preferenciais).
Ou seja, o Estado deve ter a maioria do capital relativo às ações com
direito a voto (ações ordinárias), não a maioria do capital (ações ordinárias
mais as ações preferenciais) conforme inciso III, artigo 5º do Decreto Lei
nº 200, de 1967:
"Art. 5.
(...)
III - Sociedade de Economia Mista - a entidade
dotada de personalidade jurídica de direito privado,
criada por lei para a exploração de atividade
econômica, sob a forma de sociedade anônima,
cujas ações com direito a voto pertençam em
sua maioria à União ou a entidade da
Administração Indireta".

Estas empresas são criadas com o propósito de explorar a atividade


econômica, apesar de, eventualmente, poderem prestar serviços públicos.
Dentre os exemplos de sociedade de economia mista, temos: Banco
do Brasil, Petrobrás, etc.
Pessoal, a maioria das características de uma sociedade de economia
mista se iguala às de uma empresa pública, conforme vimos no tópico em
que falamos sobre esta última.
Veremos agora um gráfico que relacionará as principais diferenças
entre essas duas entidades.

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Empresas Públicas
Instituída sob qualquer forma: Sociedade Anônima, LTDA, etc;
Inscrição no registro de empresas mercantis ou registro civil de
pessoas jurídicas;
Capital exclusivamente público;
Foro processual: Justiça Federal.
Sociedade de Economia Mista
Instituída sob forma de Sociedade Anônima (S/A);
Inscrição no registro público de empresas mercantis;
Capital público mais o privado, com maioris das açoes co direito a voto
pertencente à União ou entidade da Administração Indireta;
Foro processual: Justiç a Estadual.

Figura 2. Diferenças entre EP e SEM

Agora vejamos as principais características em comum entre elas:

EP e SEM
Pessoas Jurídicas de Direito Privado;
Criação por meio de autorização de lei específica e registro
dos atos constitutivos em seguida;
Objeto : exploração de atividades econômicas e prestação
de serviços públicos;
Ingresso por concurso público;
Empregados públicos regidos pela CLT;

Figura 3. Características em comum de EP e SEM

Vamos ver mais algumas questões?


11 - (CESPE - MEC – TODOS OS CARGOS – 2014) A empresa pública
somente pode ser criada por lei específica, com personalidade
jurídica de direito público e adotando quaisquer formas societárias
admitidas pelo Direito.

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O primeiro erro da questão está em afirmar que a empresa pública é
criada mediante lei específica. Vimos que lei específica apenas autoriza a
sua criação, não é verdade?
O segundo erro encontra-se na afirmação do tipo de personalidade
jurídica da empresa pública. Ora, já estamos cansados de saber que a
personalidade jurídica da empresa pública é de direito privado. Gabarito,
portanto, questão errada.

12 - (CESPE – CÂMARA DOS DEPUTADOS – ANALISTA LEGISLATIVO


– 2014) Autarquias são entidades criadas para desenvolver
atividades que não exijam execução por órgãos portadores de
natureza jurídica de direito público.

Questão bem tranquila, não é mesmo? Vimos por diversas vezes que
autarquia é um ente da administração indireta que possui personalidade
jurídica de direito público. Logo, executarão atividades sob a supervisão
ministerial, sem subordinação hierárquica. Gabarito, portanto, questão
errada.

13 - (CESPE - MTE – AGENTE ADMINISTRATIVO – 2014) As


empresas públicas são entidades integrantes do quadro da
administração direta dotadas de personalidade jurídica própria.

Questão bem tranquila, não é mesmo? As empresas públicas são


entidades integrantes da administração indireta, com personalidade
jurídica de direito privado. Dessa forma, o gabarito é questão errada.

14 - (CESPE – CAIXA – NÍVEL SUPERIOR – 2014) Sendo o capital


social das empresas públicas integralmente público, a
personalidade jurídica dessas empresas é de direito público.

O capital das empresas públicas realmente é 100% público, mas isso


não quer dizer que possuem personalidade jurídica de direito público.
O regime jurídico das empresas públicas é de direito privado, e não
poderão usufruir de privilégios fiscais não extensivos às do setor privado.
Gabarito, portanto, questão errada.

15 - (CESPE - SUFRAMA – AGENTE ADMINISTRATIVO – 2014)


Considerando que a SUFRAMA, autarquia vinculada ao Ministério do
Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, pretenda

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contratar serviços de consultoria para auxiliar na elaboração do
Plano Diretor Plurienal da ZFM, julgue o item a seguir:
Sendo uma autarquia, a SUFRAMA não é obrigada a realizar prévio
procedimento de licitação para contratar o serviço.

Subordinam-se à Lei 8.666/93, Lei das Licitações, além dos órgãos


da administração direta, os fundos especiais, as autarquias, as fundações
públicas as empresas públicas, as sociedades de economia mista e demais
entidades controladas direta ou indiretamente pela União, Estados, Distrito
Federal e Municípios. Gabarito, portanto, questão errada.

16 - (CESPE - SUFRAMA – AGENTE ADMINISTRATIVO – 2014)


Empresa pública e sociedade de economia mista são entidades da
administração indireta com personalidade jurídica de direito
privado.

Questão bem fácil, não é verdade? A personalidade jurídica da


empresa pública e da sociedade de economia mista é mesmo de direito
privado. Gabarito, portanto, questão correta.

17 – (CESPE – POLÍCIA FEDERAL – AGENTE – 2014) O cargo de


dirigente de empresa pública e de sociedade de economia mista é
regido pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

De acordo com a doutrina, os dirigentes das empresas públicas e


sociedades de economia mista, “quando não são em empregados
integrantes dos respectivos quadros de pessoal, não podem ser
classificados como empregados públicos celetistas. Nessa situação, o
dirigente não está sujeito nem a regime trabalhista nem a regime
estatutário11”.
Dessa forma, quando não forem empregados da entidade, os
dirigentes devem um controle finalístico ou supervisão à pessoa política que
o nomeou.
Por fim, caso os dirigentes sejam empregados da entidade, a relação
jurídica funcional submete-se à legislação trabalhista, regida pela CLT.
Dessa forma, o gabarito é questão errada.

11
(Alexandrino & Paulo, Direito Administrativo Descomplicado, 2014)

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18 – (CESPE - TJ-SE – TÉCNICO – 2014) As empresas públicas se
diferenciam das sociedades de economia mista, entre outros
fatores, pela forma jurídica e de constituição de seu capital social.

As EP e SEC se diferenciam pela:


 Forma jurídica;
 Constituição de seu capital social;
 Foro Processual.

Gabarito, portanto, questão correta.

Consórcios Públicos

A Lei 11.107/2005 dispõe sobre normas gerais para a União, os


Estados, o Distrito Federal e os Municípios contratarem consórcios
públicos para a realização de objetivos de interesse comum.
O consórcio público adquirirá personalidade jurídica:
I – de direito público, no caso de constituir associação pública,
mediante a vigência das leis de ratificação do protocolo de intenções;
II – de direito privado, mediante o atendimento dos requisitos da
legislação civil.
No entanto, o consórcio público com personalidade jurídica de
direito público integra a administração indireta de todos os entes
da Federação consorciados, conforme vimos anteriormente.
Para a União participar de um consórcio público, todos os todos os
Estados em cujos territórios estejam situados os Municípios consorciados
também deverão fazer parte.
Conforme a Lei, os consórcios públicos, na área de saúde deverão
obedecer aos princípios, diretrizes e normas que regulam o Sistema Único
de Saúde – SUS.
Pessoal, os objetivos dos consórcios públicos serão determinados
pelos entes da Federação que se consorciarem, observados os limites
constitucionais e para alcançar tal fim, o consórcio público poderá:
I – firmar convênios, contratos, acordos de qualquer natureza,
receber auxílios, contribuições e subvenções sociais ou econômicas de
outras entidades e órgãos do governo;
II – nos termos do contrato de consórcio de direito público, promover
desapropriações e instituir servidões nos termos de declaração de utilidade
ou necessidade pública, ou interesse social, realizada pelo Poder Público; e

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III – ser contratado pela administração direta ou indireta dos entes
da Federação consorciados, dispensada a licitação.
O consórcio público será constituído por contrato cuja celebração
dependerá da prévia subscrição de protocolo de intenções (publicado
na imprensa oficial), o qual deverá definir o número de votos que cada
ente da Federação consorciado possui na assembleia geral, sendo
assegurado 1 (um) voto a cada ente consorciado.
É também no protocolo de intenções que são definidas as condições
para que o consórcio público celebre contrato de gestão ou termo de
parceria. Logo, percebe-se que há dois tipos de contratos passíveis de
serem firmados pelo consórcio público: contrato de gestão ou termo de
parceria.
Pessoal, os entes consorciados somente entregarão recursos ao
consórcio público mediante contrato de rateio que será formalizado em
cada exercício financeiro, e seu prazo de vigência não será superior ao das
dotações que o suportam. Há uma exceção para esse prazo não ser
superior: quando tiverem como objeto os projetos consistentes em
programas e ações contemplados em plano plurianual ou a gestão
associada de serviços públicos custeados por tarifas ou outros preços
públicos.
Cabe apena mais uma consideração quanto ao contrato de rateio: é
proibido aplicar os recursos entregues ao consórcio público por meio de
contrato de rateio para o atendimento de despesas genéricas, inclusive
transferências ou operações de crédito.
O consórcio público está sujeito à fiscalização contábil,
operacional e patrimonial pelo Tribunal de Contas competente para
apreciar as contas do Chefe do Poder Executivo representante legal do
consórcio, inclusive quanto à legalidade, legitimidade e economicidade das
despesas, atos, contratos e renúncia de receitas, sem prejuízo do controle
externo a ser exercido em razão de cada um dos contratos de rateio.
Dessa forma, os agentes públicos incumbidos da gestão de consórcio
não responderão pessoalmente pelas obrigações contraídas pelo
consórcio público.
E caso um ente da Federação queira se retirar do consórcio? Como
deverá proceder? Bom, a retirada dependerá de ato formal de seu
representante na assembleia geral. No entanto, a retirada ou a
extinção do consórcio público não prejudicará as obrigações já constituídas,
inclusive os contratos de programa, cuja extinção dependerá do prévio
pagamento das indenizações eventualmente devidas.
Conforme a Lei, até que haja decisão que indique os responsáveis por
cada obrigação, os entes consorciados responderão solidariamente
pelas obrigações remanescentes, garantindo o direito de regresso em face
dos entes beneficiados ou dos que deram causa à obrigação.

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E como ficam os bens que o ente consorciado destinou ao consócio
público, mas agora quer se retirar? Simples: apenas se houver previsão
expressa no contrato de consórcio público ou no instrumento de
transferência ou de alienação, é que o consorciado terá os bens revertidos
ou retrocedidos.
Falamos há pouco sobre o contrato de programa. Este contrato
serve para constituir e regular, como condição de sua validade, as
obrigações que um ente da Federação vier a constituir para com outro
ente da Federação ou para com consórcio público no âmbito de gestão
associada em que haja a prestação de serviços públicos ou a transferência
total ou parcial de encargos, serviços, pessoal ou de bens necessários à
continuidade dos serviços transferidos.
O contrato de programa, portanto, poderá ser celebrado por
entidades de direito público ou privado que integrem a administração
indireta de qualquer dos entes da Federação consorciados ou conveniados
desde que haja previsão no contrato de consórcio público, ou de convênio
de cooperação.
Conforme a Lei, o contrato de programa deverá:
I – atender à legislação de concessões e permissões de serviços
públicos; e
II – prever procedimentos que garantam a transparência da gestão
econômica e financeira de cada serviço em relação a cada um de seus
titulares.
Caso o contratado não mais integrar a administração indireta do ente
da Federação que autorizou a gestão associada de serviços públicos por
meio de consórcio público ou de convênio de cooperação, o contrato de
programa celebrado será automaticamente extinto.
Atenção para um detalhe: o contrato de programa continuará vigente
mesmo quando extinto o consórcio público ou o convênio de cooperação
que autorizou a gestão associada de serviços públicos. Ele só deixa de
existir se o contratado deixar de integras a administração indireta, ok?
Vejamos mais algumas questões.
19 - (CESPE - TJ-CE – ANALISTA JUDICIÁRIO – 2014) A respeito de
organização administrativa, assinale a opção correta.
a) As organizações sociais são pessoas jurídicas de direito público
que celebram contrato de gestão com o poder público para a
prestação de serviços públicos de natureza social.
b) São consideradas agências executivas as autarquias, fundações,
empresas públicas e sociedades de economia mista que
apresentam regime jurídico especial que lhes concede maior
autonomia em relação ao ente federativo que as criou.

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c) Os consórcios públicos sob o regime jurídico de direito público
são associações públicas sem personalidade jurídica criadas para a
gestão associada de serviços públicos de interesse de mais de um
ente federativo.
d) Tratando-se de órgão público, a competência é irrenunciável e
intransferível.
e) As autarquias são entidades criadas pelos entes federativos para
a execução atividades que requeiram gestão administrativa e
financeira descentralizada, porém, o ente federativo continuará
titular do serviço, sendo responsável, dessa forma, pelos atos
praticados pela autarquia.

Questão tranquila. De cara, vocês marcam a letra D, gabarito da


questão. A letra A está errada, pois as OSs possuem personalidade jurídica
de direito privado.
Apenas as autarquias e fundações públicas podem se qualificar com
agências executivas, conforme comando da Lei 9.649/98, desde que
cumpridos requisitos como: ter um plano estratégico de reestruturação e
de desenvolvimento institucional em andamento; ter celebrado Contrato de
Gestão com o respectivo Ministério supervisor. Logo, a letra B também está
errada.
Esse item pode ser respondido com a leitura do artigo 60 da Lei
11.107/2005, que dispõe sobre normas gerais de contratação de consórcios
públicos, senão vejamos:
“Art.6o. O consórcio público adquirirá personalidade
jurídica:
I – de direito público, no caso de constituir
associação pública, mediante a vigência das leis de
ratificação do protocolo de intenções;
II– de direito privado, mediante o atendimento
dos requisitos da legislação civil.
§ 1o O consórcio público com personalidade jurídica
de direito público integra a administração
indireta de todos os entes da Federação
consorciados”.
Dessa forma, os consórcios públicos de direito público são
classificados como pertencentes à Administração Indireta, em qualquer
ente federativo. Letra C, portanto, errada.
Na descentralização por outorga, como é a que ocorre nos casos de
criação de uma autarquia, Lei específica cria a entidade e a titularidade e a
execução do serviço público são transferidas para a nova pessoa jurídica.

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Dessa forma a letra E está errada e o gabarito da questão é mesmo a letra
D.

20 - (CESPE - MEC – TODOS OS CARGOS – 2014) Ao consórcio


público — é vedado firmar convênios, contratos e acordos de
qualquer natureza, receber auxílios, contribuições e subvenções
sociais ou econômicas de outras entidades e órgãos do governo.

Voltando à Lei 11.107, de 2005, os consórcios públicos poderão,


SIM, firmar convênios, contratos, acordos de qualquer natureza,
receber auxílios, contribuições e subvenções sociais ou econômicas
de outras entidades e órgãos do governo.
Também poderão promover desapropriações e instituir servidões nos
termos de declaração de utilidade ou necessidade pública, ou interesse
social, realizada pelo Poder Público nos termos do contrato de consórcio de
direito público; e ser contratado pela administração direta ou indireta dos
entes da Federação consorciados, dispensada a licitação. Gabarito,
portanto, questão errada.

21 - (CESPE - MTE - CONTADOR – 2014) Os consórcios públicos são


constituídos por meio de ato editado pelo chefe do Poder Executivo
dos entes federativos consorciados.

O consórcio público não será constituído por meio de ato editado pelo
chefe do Poder Executivo dos entes federativos consorciados, e sim por
contrato cuja celebração só ocorrerá após prévia subscrição de protocolo
de intenções. Dessa forma, o gabarito é questão errada.

22 - (CESPE - MTE - CONTADOR – 2014) A retirada de um dos entes


federativos que integra um consórcio público desconstitui todo esse
consórcio e implica a extinção das obrigações já constituídas, como
os contratos de programa.

Conforme a Lei no 11.107, de 2005, a retirada dependerá de ato


formal, não prejudicando as obrigações já constituídas, inclusive os
contratos de programa. Gabarito, desse modo, questão errada.

23 - (ESAF - RFB / AFRFB - 2014) Em se tratando dos Consórcios


públicos, Terceiro Setor e o disposto na Instrução Normativa
SLTI/MP n. 02 de 2008, é correto afirmar:

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a) a lei que rege os consórcios públicos prevê dois tipos de
contratos a serem firmados pelos entes consorciados: o contrato de
rateio e o contrato de cooperação.
b) o serviço deverá ser executado obrigatoriamente pelos
cooperados, vedando-se qualquer intermediação, quando se tratar
da contratação de cooperativas.
c) o terceiro setor compreende as entidades da sociedade civil de
fins públicos e lucrativos coexistindo com o primeiro setor, que é o
Estado, e o segundo setor, que é o mercado.
d) é vedado ao consórcio público a possibilidade de ser contratado
pela administração direta ou indireta dos entes da Federação
consorciados, com dispensa de licitação.
e) no caso de extinção do consórcio público, os entes consorciados
responderão subsidiariamente pelas obrigações remanescentes,
até que haja decisão que indique os responsáveis por cada
obrigação.

A letra A está errada, pois a Lei prevê a possibilidade de os entes


consorciados celebrem entre si: contrato de gestão ou termo de
parceria. Além disso, a lei também define outros tipos de contrato:
contratos de rateio, contratos de programa, entre outros instrumentos.
A letra B está correta e é o gabarito da questão. Essa letra B é bem
intuitiva, e mesmo que o candidato não soubesse, bastaria um pouco de
bom senso para respondê-la, pois claro que não é permitido repassar a
execução do contrato firmado, uma vez que são intuitu personae.
A letra C está errada, pois não existe entidade com fins lucrativos o
terceiro setor.
A letra D está errada, pois cabe sim a dispensa de licitação ao ser
contratado pela administração direta e indireta dos entes consorciados.
A letra E está errada, pois não responderão subsidiariamente, e, sim,
solidariamente pelas obrigações remanescentes, até que haja decisão que
indique os responsáveis por cada obrigação. Dessa forma, o gabarito é letra
D.

Mudanças Institucionais Recentes.

Dentro de um contexto de esgotamento do modelo burocrático de


tipo weberiano e de uma crise fiscal que inviabilizou, na década de 90, o

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Estado interventor e desenvolvimentista, diversas inovações foram
buscadas que possibilitassem ao Estado melhor atuar em conjunto com a
sociedade e o mercado.
No Brasil, este movimento se acentuou com a introdução de práticas
e instrumentos ligados ao movimento da Nova Gestão Pública – NGP –
como o controle por resultados, uma maior preocupação com a
accountability, a busca pela avaliação de desempenho, a gestão por
competências, a publicização e a contratualização de resultados.
Na Reforma de 1995, movida por Bresser Pereira no comando do
MARE, existia um diagnóstico de que o Estado tinha sido “engessado” por
uma decisão política contida na Constituição Federal de 1988 que, na
opinião destes atores, tinha trazido um “retrocesso burocrático”. De acordo
com o PDRAE12,
“A conjunção desses dois fatores leva, na
Constituição de 1988, a um retrocesso burocrático
sem precedentes. Sem que houvesse maior debate
público, o Congresso Constituinte promoveu um
surpreendente engessamento do aparelho estatal
ao estender para os serviços do Estado e para as
próprias empresas estatais praticamente as
mesmas regras burocráticas rígidas adotadas no
núcleo estratégico do Estado. A nova constituição
determinou a perda da autonomia do Poder
Executivo para tratar da estruturação dos órgãos
públicos, instituiu a obrigatoriedade de regime
jurídico único para os servidores civis da União, dos
Estados-membros e dos Municípios, e retirou da
administração indireta a sua flexibilidade
operacional ao atribuir às fundações e autarquias
públicas normas de funcionamento idênticas às que
regem a administração direta.”
Bresser buscou inserir o Estado brasileiro dentro de uma visão mais
gerencial, com uma preocupação em redirecionar os esforços do Estado e
fornecer ferramentas de gestão mais adequadas aos novos desafios.
Assim, foram pensados diversos novos modelos de interação do
Estado com novos atores na prestação de serviços, o chamado terceiro
setor e novas relações do Estado com o mercado, com a criação das
agências reguladoras, por exemplo.
Com a contratualização de resultados, o Estado poderia passar a
controlar a oferta de serviços públicos sem ter de necessariamente prover

12
(Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado, 1995)

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o serviço. A publicização foi, portanto, este movimento de descentralizar a
execução destes serviços para organizações privadas sem fins lucrativos.
Vamos ver algumas questões agora?
24 - (CESPE - TRT - 10ª REGIÃO (DF e TO) – ANALISTA JUDICIÁRIO
– 2013) As autarquias federais detêm autonomia administrativa
relativa, estando subordinadas aos respectivos ministérios de sua
área de atuação.

As autarquias não se subordinam às entidades que as criaram, elas


se vinculam. Com isso, elas possuem, sim, autonomia administrativa, mas
devem, às suas instituidoras, um controle finalístico.
Desse modo, o gabarito é questão errada, pois as autarquias estão
vinculadas e não subordinadas ao Ministério que a criou.

25 - (CESPE - TRT - 10ª REGIÃO (DF e TO) – ANALISTA JUDICIÁRIO


– 2013) As empresas públicas devem ser constituídas
obrigatoriamente sob a forma de sociedade anônima.

Essa questão traz uma característica de outra entidade da


Administração Indireta: as sociedades de economia mista. As empresas
públicas podem adquirir qualquer forma de organização admitida no
Direito, contanto que o capital seja exclusivamente público.
Assim sendo, o gabarito é questão errada.

26 - (CESPE – CÂMARA DOS DEPUTADOS – ANALISTA LEGISLATIVO


- 2012) O início da personalidade jurídica de uma autarquia
coincide com o registro de seu estatuto no cartório competente.

De acordo com o inciso XIX, do artigo 37, da CF/88, uma autarquia é


criada por lei específica, sem a necessidade de registro de seu estatuto
para sua criação vigorar. Senão vejamos:
“Art. 37. A administração pública direta e indireta
de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do
Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos
princípios de legalidade, impessoalidade,
moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao
seguinte:
(...)

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XIX - somente por lei específica poderá ser criada
autarquia e autorizada a instituição de empresa
pública, de sociedade de economia mista e de
fundação, cabendo à lei complementar, neste
último caso, definir as áreas de sua atuação.”
Dessa maneira, ao se publicar a lei que instituiu a autarquia, ela
torna-se criada. O gabarito, portanto, é questão errada.

27 - (CESPE - TCE-ES – AUDITOR DE CONTROLE EXTERNO –


AUDITORIA GOVERNAMENTAL – 2012) O regime jurídico a que se
sujeitam as empresas públicas e as sociedades de economia mista
é de natureza híbrida.

Quando se diz que as empresas públicas e as sociedades de economia


mista possuem natureza híbrida, está querendo dizer que elas obedecem a
duas regras: privado e público.
Vou tentar explicar melhor com um exemplo. Os agentes que
ingressaram no trabalho de uma empresa pública ou de uma sociedade de
economia mista, fizeram-no por meio de concurso público (regime público).
No entanto, esses agentes são denominados de empregados públicos e são
regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (regime privado). Assim
sendo, o gabarito é questão correta.

28 - (CESPE - PRF – AGENTE ADMINISTRATIVO – 2012) São


exemplos de prerrogativas estatais estendidas às autarquias a
imunidade tributária recíproca e os privilégios processuais da
Fazenda Pública.

As autarquias realizam atividades típicas da Administração Pública,


logo possuem certas prerrogativas como um órgão da Administração
Direta, isto é, como uma pessoa jurídica de direito público.
Uma das vantagens é a imunidade tributária relativa a impostos.
Dessa forma as autarquias são imunes aos impostos sobre patrimônio,
renda e serviços. O gabarito, portanto, é questão correta.

29 - (CESPE - TJ-AC – ANALISTA JUDICIÁRIO – 2012) A empresa


pública criada com a finalidade de explorar atividade econômica
deve ser, necessariamente, formada sob o regime de pessoa
jurídica de direito privado.

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Uma empresa pública, entidade da Administração Indireta, que
explore atividade econômica, criada após autorização por lei específica e
depois de registrado seus atos constitutivos na junta comercial, sujeita-se
ao regime jurídico próprio de empresas privadas, inclusive quanto aos
direitos e obrigações civis, comerciais, trabalhistas e tributários.
Dessa forma, o gabarito é questão correta.

30 - (CESPE - ANAC – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – 2012) A


desconcentração administrativa consiste na distribuição interna de
competências, no âmbito de uma mesma pessoa jurídica; a
descentralização administrativa pressupõe a distribuição de
competência para outra pessoa, física ou jurídica.

Questão bem tranquila, pessoal. Ela está claramente dando as


definições de desconcentração e descentralização administrativa.
Vale ressaltar apenas que na desconcentração, o Estado distribui algumas
funções dentro da mesma pessoa jurídica, ou seja, continua existindo
apenas a Administração Direta.
Já na descentralização administrativa, o Estado transfere suas
atividades para outra pessoa jurídica, criando uma entidade da
Administração Indireta.
Desse modo, o gabarito é questão correta.

31 - (CESPE - TCU – TÉCNICO DE CONTROLE EXTERNO – 2012) Não


se admite a criação de fundações públicas para a exploração de
atividade econômica.

As fundações públicas são criadas com a finalidade de


desempenharem atividades sem fins lucrativos, isto é, aquelas que
possuem um caráter assistencial: seja médica, seja educacional, seja
cultural, seja de pesquisa.
Dessa forma, realmente não se cria fundação pública para explorar
atividade econômica, tornando o gabarito uma questão correta.

Terceiro Setor - Paraestatais

As entidades paraestatais pertencem ao Terceiro Setor, e realizam


atividades de interesse social por meio de pessoas privadas, sem fins
lucrativos e que não integram a administração pública.

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Estas organizações são entidades privadas, que são criadas através
de autorização legislativa e após terem seus atos constitutivos registrados
no registro civil das pessoas jurídicas. Como alguns exemplos destas
entidades, podemos citar:

 Serviço Social da Indústria – SESI;


 Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial – SENAC;
 Serviço Social do Comércio – SESC;
 Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial – SENAI;
 Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas –
SEBRAE;
 Serviço Social do Transporte;
 Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte – SENAT.
Atenção para um detalhe que pode ser pegadinha de prova. O SESC
foi criado por meio do Decreto-Lei nº 9.853, em 1946, quando se atribuiu
à Confederação Nacional do Comércio o encargo de criar e organizar o
SESC. Logo, a banca Cespe considerou como correta que o SESC foi criado
por lei. No entanto, fora essa paraestatal, a doutrina afirma que a criação
do 3º Setor é autorizado por lei, como exposto anteriormente, ok?
Estas paraestatais são financiadas através de contribuições
compulsórias pagas por trabalhadores sindicalizados, o que é um exemplo
de parafiscalidade tributária. Como cada entidade foca em um setor
específico (transporte, por exemplo), consegue-se alcançar benefícios para
estes grupos ou categorias profissionais. Vale lembrar de que o governo
também direciona recursos públicos para garantir a continuidade das
atividades dessas entidades, sujeitando-se ao controle do Tribunal de
Contas da União.
Dessa forma, as atividades de cunho social, sem fins lucrativos, ou
até assistenciais, caracterizam os serviços sociais autônomos.
Normalmente, essas atividades visam atingir alguns conjuntos profissionais
ou sociais, realizando atividades de utilidade pública.
Resumindo, vamos uma vez vamos frisar que as entidades
paraestatais executam serviços de interesse e utilidade pública, mas não
são estritamente serviços públicos. Obviamente, são entidades sem fins
lucrativos. Assim sendo, os recursos que “sobrarem” (superávit) devem ser
reinvestidos nas atividades finalísticas das entidades.
De acordo com decisões do TCU, as entidades do sistema S podem
definir ritos simplificados próprios de licitação, desde que não contrariem
as regras gerais estabelecidas na Lei 8666/93. Desta forma, necessitam
sim ter um regulamento estabelecendo as regras formais e procedimentos
necessários para as compras de produtos e serviços.

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Além disso, não são obrigadas por lei a realizar concurso público para
contratar pessoal14.
Vejamos como o tema já foi cobrado em provas de concurso.
32 – (CESPE - ANTAQ – CONHECIMENTOS BÁSICOS – 2014) As
entidades que compõem o serviço social autônomo prestam serviço
público e, por isso, integram a administração pública indireta,
estando sujeitas ao controle do tribunal de contas.

As entidades que compõem o serviço social autônomo prestam


serviço público em colaboração com o Estado, no entanto, não fazem
parte nem da administração direta, nem da indireta. Mesmo assim,
sua criação deve estar prevista em lei.
Os serviços sociais autônomos realizam atividades de natureza social,
sem finalidade lucrativa. E de onde vem os recursos que mantêm essas
entidades? Eles vêm de dotações orçamentárias do Estado e de
determinadas contribuições sociais compulsórias de natureza tributária.
Portanto, por receberem recursos públicos, ficam sujeitos ao controle
do Tribunal de Contas da União e do Ministério Público. Gabarito, portanto,
questão errada, por afirmar que essas entidades integram a administração
pública indireta.

Organizações Sociais

As Organizações Sociais foram pensadas dentro desta lógica da


Administração Gerencial que buscava a descentralização da atuação do
Estado. Dentro do PDRAE, existia um objetivo de fortalecer o Núcleo
Estratégico do Estado e transferir atividades ou serviços não exclusivos do
Estado para organizações privadas sem fins lucrativos, ou seja, uma
transferência do setor estatal para o não estatal.
Desta maneira, estes serviços poderiam ser executados com maior
eficiência devido à maior capilaridade destas organizações e uma maior
flexibilidade. Para controlar o desempenho destas entidades e assegurar o
bom uso dos recursos públicos empregados, seriam utilizados os contratos
de gestão entre a Administração Pública e as Organizações Sociais – OS.
Através deste contrato de gestão, o Estado definiria os objetivos e
indicadores de desempenho a serem seguidos e garantiria os recursos
necessários para a execução dos serviços15.

14
(Mazza, 2011)
15
(Violin, 2006)

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De certo modo, o contrato de gestão foi utilizado antes mesmo do
PDRAE. Este modelo foi introduzido no Brasil pelo governo Collor, com a
experiência da Rede Sarah de Hospitais16. Este instituto foi criado pela Lei
n° 8.246/91, que instituiu o Serviço Social Autônomo Associação das
Pioneiras Sociais, que assinou contrato com o Ministério da Saúde naquele
mesmo ano.
Portanto, a primeira experiência do contrato de gestão precedeu a
chamada reforma do Estado. Esta experiência da contratualização buscava,
assim, um maior desempenho através da utilização de instrumentos e
modelos mais flexíveis de gestão.
De acordo com o PDRAE, as Organizações Sociais eram definidas
como:
“O Projeto das Organizações Sociais tem como
objetivo permitir a descentralização de
atividades no setor de prestação de serviços não-
exclusivos, nos quais não existe o exercício do
poder de Estado, a partir do pressuposto que esses
serviços serão mais eficientemente realizados se,
mantendo o financiamento do Estado, forem
realizados pelo setor público não-estatal.
Entende-se por “organizações sociais” as entidades
de direito privado que, por iniciativa do Poder
Executivo, obtêm autorização legislativa para
celebrar contrato de gestão com esse poder, e
assim ter direito à dotação orçamentária.
As organizações sociais terão autonomia
financeira e administrativa, respeitadas
condições descritas em lei específica como, por
exemplo, a forma de composição de seus conselhos
de administração, prevenindo-se, deste modo, a
privatização ou a feudalização dessas entidades.
Elas \receberão recursos orçamentários, podendo
obter outros ingressos através da prestação de
serviços, doações, legados, financiamentos, etc.”
Dentre as atividades que seriam englobadas por estas organizações,
temos: o ensino, a pesquisa científica, o desenvolvimento
tecnológico, a proteção e preservação do meio ambiente, a cultura
e a saúde17.
Estes serviços são típicos de Estado, mas não são consideradas
atividades exclusivas de Estado. Assim, como são atividades de interesse

16
(Torres, 2007)
17
(Paludo A. V., 2010)

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público que estarão sendo executadas pelas OSs, não podemos considera-
las como concessionárias ou permissionárias18.
As OSs são, portanto, entidades privadas sem fins lucrativos que
celebram contrato de gestão com a administração pública para práticas de
atividades de interesse social ou de utilidade pública.
O termo Organização Social, na verdade, é uma qualificação a uma
pessoa jurídica já existente, podendo assumir forma de associação ou de
fundação. Após a criação formal de uma determinada instituição, ela pode
solicitar ao Ministério a qualificação como entidade não estatal, a absorção
de atividades com o contrato de gestão e a denominação como entidade:
Organização Social.
Entretanto, cabe lembrar que esta qualificação pelo Ministério
é um ato discricionário, ou seja, depende da avaliação de conveniência
e oportunidade. Assim, este órgão não é obrigado a aceitar o pedido de
qualificação pela organização.
A Lei que introduziu este novo modelo de instituição foi a n°
9.637/98. Nesta lei, está prevista a transferência de recursos
orçamentários às OSs. Também prevê a transferência de bens públicos
necessários ao funcionamento da OS por meio da permissão de uso,
dispensando a licitação.
Além disso, o setor público pode até ceder servidores para a OS (com
ônus para a origem, ou seja, para o Estado). Assim, ocorreria uma situação
“polêmica” de um servidor custeado pelo Estado prestar serviços para uma
organização privada.
Estas organizações não precisariam seguir precisamente a Lei
8666/93 – Lei de Licitações e Contratos – mas deveriam estabelecer algum
regulamento próprio para a compra de serviços, produtos e contratação de
obras com a utilização de recursos públicos.
Na verdade, há obrigatoriedade em licitar quando as OS’s
contratarem bens e serviços utilizando recursos repassados pela União,
desde que estes bens e serviços NÃO estiverem previstos no contrato de
gestão. Agora, se houver previsão do objeto no contrato de gestão,
a licitação é dispensável.
Quando foi dito "regulamento" anteriormente, a ideia é de que a OS
não poderá, a bel prazer, sair gastando os recursos repassados pela União.
Ela deverá estabelecer algumas regras a serem seguidas.
Resumindo: as OS devem seguir a Lei de Licitações e Contratos
quando, por meio de recursos repassados pela União, adquirirem bens e
serviços que não estiverem previstos no contrato de gestão. Se houver essa

18
(Mazza, 2011)

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previsão, a licitação é dispensada e a OS se valerá de regras estabelecidas
para efetivar a compra de produtos, serviços e a contratação de obras, ok?
Um ponto muitas vezes cobrado em concursos é exatamente a
flexibilidade das Organizações Sociais frente à Administração Direta.
Evidentemente, as OSs são mais flexíveis do que a Administração Pública.
Entretanto, estas organizações “perdem” flexibilidade ao se tornarem
Organizações Sociais, pois devem se enquadrar em determinadas
condições (como os regulamentos de compras acima citados) e prestar
contas dos recursos públicos aos órgãos de controle. Assim, estas
organizações reduzem sua autonomia e flexibilidade ao se
tornarem OSs.
Entretanto, a OS não conseguiu escapar do “contingenciamento” dos
recursos orçamentários – como “sofrem” os órgãos da Administração Direta
– pois na lei está estabelecido:
“São assegurados às OSs os créditos previstos no
orçamento e as respectivas liberações financeiras,
de acordo com o cronograma de desembolso
previsto no contrato de gestão.”
Desta forma, este fato, somado ao questionamento do modelo pela
oposição no STF, acabou dificultando a abertura de muitas Organizações
Sociais no plano federal. As OSCIPs, que veremos a seguir, acabaram
tomando o lugar anteriormente imaginado para as OSs.
Só mais um detalhe: contingenciar não significa "cortar" gastos
literalmente. Contingenciar significa submeter a OS aos limites
orçamentários para o empenho de despesas, assim como aos limites
financeiros. Dessa forma, esses limites são uma forma de programação
orçamentária e financeira que visa ampliar o controle de uso do erário
público frente às receitas
Resumindo, a Lei n° 9.637/98 dispõe que o contrato de gestão
firmado servirá para gerar uma parceria entre o Estado e a entidade
qualificada com o intuito de fomentar e executar atividades de ensino,
pesquisa científica, desenvolvimento tecnológico, proteção e preservação
do meio ambiente, cultura e saúde.
Esse fomento se dá por meio de envio de recursos orçamentários,
assim como a cessão de servidores, com ônus para o órgão de origem, e a
permissão gratuita de uso de bens públicos garantida por cláusula expressa
no contrato de gestão, sendo a licitação dispensada.
Por fim, cabe lembrar de que haverá fiscalização da execução do
contrato de gestão por uma comissão de avaliação dentro do órgão ou da
entidade do poder público responsável pela supervisão. Caso haja qualquer
ilegalidade ou irregularidade quanto ao uso do erário público, o Tribunal de
Contas da União deverá ser notificado para tomar as providencias cabíveis.
Vejamos uma questão sobre o tema.

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33 – (CESPE - ANTAQ - TÉCNICO – 2014) Para a criação de
entidades da administração indireta, como sociedades de economia
mista, empresas públicas e organizações sociais, é necessária a
edição de lei formal pelo Poder Legislativo.

O primeiro erro da questão está em englobar as OS no rol de


entidades de administração indireta. As OS não fazem parte nem da
administração direta, nem da indireta.
Quanto à criação de entidades de administração indireta, apenas Lei
específica cria as autarquias. As demais têm sua criação autorizada por
meio de lei. Gabarito, portanto, questão errada.

Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP)

As OSCIPs – Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público –


não estavam previstas no PDRAE. Estas foram depois introduzidas pela Lei
n° 9.790/99 dentro de um contexto de busca de uma atuação do Estado
em rede e em parcerias com a sociedade.
Estas devem desempenhar atividades de interesse público com
auxílio do Estado dentro de áreas como:

 Assistência social;
 Promoção da Cultura, do Patrimônio Histórico e Artístico;
 Educação gratuita;
 Promoção gratuita da saúde;
 Segurança alimentar;
 Meio ambiente;
 Trabalho voluntário;
 Combate à pobreza etc.
A Lei também relaciona atividades que não podem ser utilizadas para
que uma pessoa jurídica sem fins lucrativos possa se qualificar como
OSCIP, senão vejamos:
“Art. 2o Não são passíveis de qualificação como Organizações
da Sociedade Civil de Interesse Público, ainda que se dediquem de
qualquer forma às atividades descritas no art. 3o desta Lei:
I - as sociedades comerciais;
II - os sindicatos, as associações de classe ou de representação de
categoria profissional;
III - as instituições religiosas ou voltadas para a disseminação de
credos, cultos, práticas e visões devocionais e confessionais;

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IV - as organizações partidárias e assemelhadas, inclusive suas
fundações;
V - as entidades de benefício mútuo destinadas a proporcionar bens
ou serviços a um círculo restrito de associados ou sócios;
VI - as entidades e empresas que comercializam planos de saúde e
assemelhados;
VII - as instituições hospitalares privadas não gratuitas e suas
mantenedoras;
VIII - as escolas privadas dedicadas ao ensino formal não gratuito e
suas mantenedoras;
IX - as organizações sociais;
X - as cooperativas;
XI - as fundações públicas;
XII - as fundações, sociedades civis ou associações de direito
XIII - as organizações creditícias que tenham quaisquer tipo de
vinculação com o sistema financeiro nacional a que se refere o art. 192 da
Constituição Federal”.
De acordo com Di Pietro19, a diferença principal entre as OSs e as
OSCIPs é que as primeiras recebem “delegação” para prestar serviços
públicos enquanto as OSCIPs exercem atividade privada com a ajuda do
Estado. De acordo com a autora20:
“Trata-se, no caso, de real atividade de fomento, ou
seja, de incentivo à iniciativa privada de interesse
público. O Estado não está abrindo mão do serviço
público (tal como ocorre na organização social) para
transferi-lo à iniciativa privada, mas fazendo
parceria, ajudando, cooperando com entidades
privadas que, observados os requisitos legais, se
disponham a exercer as atividades indicadas no
artigo 3°, por se tratar de atividades que, mesmo
sem a natureza de serviços públicos, atendem
necessidades coletivas.”
Ao contrário das Organizações Sociais, que formalizam um contrato
de gestão do o Estado, as OSCIPs firmam um termo de parceria. De
acordo com a Lei 9.790/99:
“o termo de parceria é o instrumento passível de
ser firmado entro o Poder Público e as entidades

19
(Di Pietro, 2007) apud (Paludo A. V., 2010)
20
(Di Pietro, 2005) apud (Torres, 2007)

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qualificadas como Organizações da Sociedade Civil
de Interesse Público, destinado à formação de
vínculo de cooperação entre as partes, para o
fomento e a execução das atividades de interesse
público previstas em lei.”
Este termo de parceria deve conter os objetivos a serem alcançados,
as metas e prazos relativos a estes objetivos, os critérios para a avaliação,
a previsão de receitas e despesas e as obrigações das OSCIPs21.
Para se qualificar como OSCIP, uma instituição deve ser qualificada
como pessoa jurídica sem fins lucrativos, ou seja, não pode distribuir
lucros, rendas ou dividendos entre seus sócios ou associados.
A qualificação como OSCIP é concedida pelo Ministério da Justiça
(e não o Ministério da área em que a OSCIP atua, como o Ministério da
Educação, por exemplo) como ato vinculado. Assim, preenchendo os
requisitos necessários a qualificação é devida, não devendo ser feita análise
de oportunidade e conveniência pela Administração.
Entretanto, ainda que a qualificação como OSCIP seja um ato
vinculado, a assinatura do termo de parceria com o Ministério da
área fim é um ato discricionário.
A princípio, a assinatura deste termo de parceria deve ser precedida
de uma consulta aos Conselhos de Políticas Públicas das áreas
correspondentes de atuação existentes, nos respectivos níveis de governo.
Cabe aqui lembrar que uma ONG – Organização Não Governamental
– não é o mesmo que uma OSCIP. Uma OSCIP pode ser considerada uma
ONG, pois não é parte do Estado, mas nem toda ONG é qualificada como
OSCIP. Existem muitas ONGs (como o MST, por exemplo) que nem têm
uma existência formal, ou seja, não existem oficialmente – não são
registradas em cartório etc.
Assim como ocorreu no caso das organizações sociais, o marco legal
das OSCIPs não criou uma nova categoria de pessoa jurídica, mas gerou
uma possibilidade de organizações do setor privado se qualifiquem como
organizações da sociedade civil de interesse público, desde que certos
requisitos sejam cumpridos22.
Uma grande diferença entre as OSs e as OSCIPS se enquadra na
forma de financiamento pelo Estado. Ao contrário das OSs, que dispõem de
recursos inseridos no Orçamento da União, as OSCIPs recebem recursos de
forma mais esporádica, através dos termos de parceria23.

21
(Paludo A. V., 2010)
22
(Alexandrino & Paulo, Direito administrativo descomplicado, 2009)
23
(Torres, 2007)

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Além disso, o modelo institucional e legal das OSCIPs não foi
questionado legalmente como foi o das Organizações Sociais. Assim, estas
têm sido muito mais ativas, com milhares de casos em funcionamento no
país atualmente.
Pessoal, o Decreto 3.100, de 1999, que regulamenta a Lei instituidora
do Termo de Parceria, dispôs, em seu artigo 16, que “é possível a vigência
simultânea de um ou mais Termos de Parceria, ainda que com o
mesmo órgão estatal, de acordo com a capacidade operacional da
Organização da Sociedade Civil de Interesse Público”.
O Decreto vedou que se celebre Termo de Parceria com alguma
OSCIP que tenha, em suas relações anteriores com a União, incorrido em
pelo menos uma das seguintes condutas:

 omissão no dever de prestar contas;


 descumprimento injustificado do objeto de convênios,
contratos de repasse ou termos de parceria;
 desvio de finalidade na aplicação dos recursos transferidos;
 ocorrência de dano ao Erário;
 prática de outros atos ilícitos na execução de convênios,
contratos de repasse ou termos de parceria.
Outro aspecto importante é a possibilidade de uma OSCIP remunerar
os dirigentes da entidade, desde que esta remuneração seja realmente uma
contraprestação aos serviços efetivamente efetuados e que estejam de
acordo com os valores praticados no mercado de trabalho da região.
Da mesma forma que uma OS, as OSCIPs devem constituir, em um
prazo de 30 dias após a qualificação, um regulamento próprio contendo os
procedimentos para compras de obras, bens e serviços com os recursos
públicos obtidos com a parceria.
Atenção para um detalhe: a OSCIP, ao contratar obras, compras,
serviços com previsão de repasse de erário pela União no termo de
parceria, deverá realizar licitação pública. Além disso, após o Decreto n°
5.504/2005, tanto OSs como OSCIPs foram obrigadas a utilizar a
modalidade do pregão em suas compras de bens e serviços comuns.
No entanto, não há equivalência às OSs quanto à dispensa de licitação
quando o poder público quiser contratar bens ou serviços presentes no
termo de parceria de uma OSCIP. Isto é, não há dispensa de licitação para
a contratação de OSCIP pelo poder público, ok?
Abaixo, podemos ver algumas características das Organizações
Sociais – OS – e das Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público
– OSCIP:

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Dentre os requisitos, têm-se: a previsão, no seu estatuto, de normas
que disponham sobre a adoção de práticas de gestão administrativa;
a constituição de conselho fiscal ou órgão equivalente, a
participação de representantes dos docentes, estudantes e técnicos
administrativos em órgãos colegiados acadêmicos deliberativos da
instituição, normatização de prestação de contas, com observância dos
princípios fundamentais de contabilidade e das Normas Brasileiras de
Contabilidade, da publicidade do relatório de atividades e das
demonstrações financeiras da entidade no encerramento do exercício fiscal,
da prestação de contas de todos os recursos e bens de origem pública.
O Ministério da Educação qualifica a instituição com ICES por meio de
um certificado. A emissão do certificado é ato vinculado desde que se
cumpra todos os requisitos e o interessado apresentar a documentação
exigida por completo no requerimento. O MEC tem 30 (trinta) dias para
deferir ou não o pedido formulado. Caso defira, a publicação do ato se ará
em até 15 (quinze) dias. Por fim, o prazo para que se emita o certificado
também será de 15 (quinze) dias.
No entanto, se o pedido for indeferido, o MEC notificará sua decisão
por meio de publicação no Diário Oficial da União, e a instituição poderá em
até 30 (trinta) dias recorrer.
As ICES fornecerão programas de extensão e ação comunitária
voltados à formação e desenvolvimento dos alunos e ao desenvolvimento
da sociedade. Vale ressaltar que essas ICES devem oferecer serviços
gratuitos à população, na proporção dos recursos captados pelo poder
público.
Logo no artigo primeiro da Lei, pode-se notar que, dentre as
características que uma ICES deve apresentar, têm-se: possuir
personalidade jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, além de
obedecer a exigência de ser constituída na forma de associação ou
fundação.
Para possuírem o status de ser “sem fins lucrativos”, uma ICES não
pode distribuir qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, e
devem aplicar integralmente no País os seus recursos na manutenção dos
seus objetivos institucionais, além de manter escrituração de suas receitas
e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua
exatidão.
Caso, uma ICES venha a se extinguir, seu patrimônio deverá ser
destinado à outra do mesmo gênero ou uma instituição pública.
Vimos que o instrumento utilizado para firmar um vínculo entre uma
ICES e o poder público é o termo de parceria, não é verdade? O que vocês
não podem esquecer é de que esse termo de parceria não substitui as
modalidades de ajuste, acordo e convênio previstos na legislação. Logo, no
que couber um desses institutos, não poderá haver substituição pelo termo
de parceria.

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Estado, mantendo vínculo jurídico com entidades da administração direta
ou indireta, em regra por meio de convênios25”.
Pessoal, esse é um caso de entidades paraestatais ainda não
regulamentado por completo. Escrevo dessa forma, pois não há uma lei
geral que regulamente as entidades de apoio como um todo. Há apenas a
Lei no 8.958, de 1994, que dispõe sobre um tipo de entidade de apoio,
isto é, trata das relações entre as Instituições Federais de Ensino
Superior (IFES) e de Pesquisa Científica e Tecnológica (ICTs) com as
fundações de apoio.
No entanto, em primeiro lugar, o que se deve ter em mente nesses
casos em que não há dispositivo legal é a noção de que eles se enquadram
na obrigação de cumprimento das regras de direito público direcionadas a
qualquer um que aufere ou gerencie recursos públicos, ok?
Voltando à Lei no 8.958, de 1994, veremos que ela só trata de um
tipo de entidades de apoio, que é a fundação. As outras espécies
(associação ou cooperativa), que mantém o vínculo jurídico por meio de
convênios, não foram ainda reguladas. Ademais, os convênios de que trata
esta Lei serão regulamentados por ato do Poder Executivo Federal. Então,
vamos comentar um pouco essa Lei?
Já no artigo primeiro, observa-se que as IFES e as demais ICTs,
poderão celebrar convênios e contratos, por prazo determinado, com
fundações instituídas com a finalidade de apoiar projetos de ensino,
pesquisa, extensão, desenvolvimento institucional, científico e
tecnológico e estímulo à inovação, inclusive na gestão administrativa e
financeira necessária à execução desses projetos.
As fundações de apoio serão constituídas na forma de fundações de
direito privado, sem fins lucrativos, e deverão observar os princípios
da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade,
economicidade e eficiência.
Essas fundações estarão sujeitas à fiscalização pelo Ministério
Público, nos termos do Código Civil e do Código de Processo Civil; à
legislação trabalhista; e ao prévio registro e credenciamento no
Ministério da Educação e do Desporto e no Ministério da Ciência e
Tecnologia, renovável bienalmente.
Um caso curioso autorizado pela Lei estudada é o fato de
organizações sociais e entidades privadas poderem realizar
convênios e contratos, por prazo determinado, com as fundações de
apoio, com a finalidade de dar apoio às IFES e às demais ICTs,
inclusive na gestão administrativa e financeira dos projetos de ensino,
pesquisa, extensão, desenvolvimento institucional, científico e

25
(Di Pietro, 2009) apud (Alexandrino & Paulo, Direito Administrativo Descomplicado,
2014)

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tecnológico e estímulo à inovação. Isso, claro, depois de haver
anuência expressa das instituições apoiadas.
As fundações de apoio adotarão regulamento específico de
aquisições e contratações de obras e serviços, a ser editado por meio
de ato do Poder Executivo federal, quando executarem convênios,
contratos, acordos e demais ajustes abrangidos por esta Lei, inclusive
daqueles que envolvam recursos provenientes do poder público.
Nesses casos, isto é, onde houver execução de convênios, contratos,
acordos e demais ajustes, as fundações de apoio deverão: prestar contas
dos recursos aplicados aos entes financiadores; submeter-se ao controle
de gestão pelo órgão máximo da Instituição Federal de Ensino ou similar
da entidade contratante; submeter-se ao controle finalístico pelo órgão
de controle governamental competente.
É possível, inclusive, que as fundações de apoio captem recursos
financeiros essenciais à formação e à execução dos projetos de pesquisa,
desenvolvimento e inovação, sem ingresso na Conta Única do Tesouro
Nacional. Isso, claro, desde que haja concordância expressa das
instituições apoiadas.
Vejamos, agora, o que é proibido a essas fundações de apoio:
I - contratar cônjuge, companheiro ou parente, em linha reta ou
colateral, por consanguinidade ou afinidade, até o terceiro grau, de:
a) servidor das IFES e demais ICTs que atue na direção das
respectivas fundações; e
b) ocupantes de cargos de direção superior das IFES e demais ICTs
por elas apoiadas;
II - contratar, sem licitação, pessoa jurídica que tenha como
proprietário, sócio ou cotista:
a) seu dirigente;
b) servidor das IFES e demais ICTs; e
c) cônjuge, companheiro ou parente em linha reta ou colateral, por
consanguinidade ou afinidade, até o terceiro grau de seu dirigente ou de
servidor das IFES e demais ICTs por elas apoiadas; e
III - utilizar recursos em finalidade diversa da prevista nos projetos
de ensino, pesquisa e extensão e de desenvolvimento institucional,
científico e tecnológico e de estímulo à inovação.
A Lei também veda que as IFES e ICTs paguem débitos contraídos
pelas instituições contratadas de acordo com esse instrumento jurídico.
Também, não caberá a IFES ou ICTs, a qualquer título, a responsabilidade
sobre o pessoal contratado pelas fundações de apoio, até mesmo quando
se utilizar o pessoal da instituição.

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Por fim, a Lei garante que as fundações de apoio poderão, por meio
de instrumento legal próprio, utilizar-se de bens e serviços das IFES e
demais ICTs apoiadas, pelo prazo necessário à elaboração e execução do
projeto de ensino, pesquisa e extensão e de desenvolvimento institucional,
científico e tecnológico e de estímulo à inovação, mediante ressarcimento
previamente definido para cada projeto, e desde que seja no cumprimento
das finalidades citadas.
Entretanto, nos projetos que envolvam risco tecnológico, para
solução de problema técnico específico ou obtenção de produto ou processo
inovador, o uso de bens e serviços das IFES ou demais ICTs poderá ser
contabilizado como contrapartida da instituição ao projeto, mediante
previsão contratual de participação da instituição nos ganhos econômicos
dele derivados. Neste caso, o ressarcimento previsto poderá ser
dispensado, desde que haja justificativa circunstanciada constante no
projeto a ser aprovado pelo Conselho Superior das IFES ou órgão
competente nas demais ICTs.
Vamos ver algumas questões agora?
34 – (CESPE - TJ-DF – JUIZ DE DIREITO SUBSTITUTO – 2014) No
que diz respeito ao terceiro setor, assinale a opção correta à luz da
doutrina, da legislação de regência e da jurisprudência do STF
acerca da matéria.
a) Os serviços sociais autônomos, embora não integrem a
administração pública, se sujeitam à obrigatoriedade de realização
de concurso público para a contratação de pessoal.
b) O DF pode dispensar a realização de licitação para a celebração
de contrato de prestação de serviços com organização social, assim
qualificada por meio de contrato de gestão celebrado com
município de estado da Federação.
c) Os serviços sociais autônomos, tais como SESI e SENAI, ainda
que de âmbito nacional, sujeitam-se à jurisdição da justiça
estadual.
d) Devido à competência exclusiva da União para legislar sobre
normas gerais de contratação, será inválida lei distrital que
regulamente, no âmbito do DF, a qualificação de organização social,
dado o caráter nacional da Lei n.º 9.637/1998.
e) As instituições religiosas podem qualificar-se como OSCIPs,
desde que não tenham fins lucrativos e os respectivos objetivos
sociais e normas estatutárias atendam aos requisitos instituídos
por lei.

Os serviços sociais autônomos não se sujeitam à obrigatoriedade de


realização de concurso público para a contratação de pessoal. Dessa forma,
a letra A está errada.

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Pessoal, a regra é que a licitação seja dispensável caso a
administração pública queira contratar a OS para prestação de serviço,
previsto no contrato de gestão, dentro da respectiva esfera de governo.
Percebam que o contrato de gestão, conforme o enunciado, fora
firmado entre a OS e um município da Federação, não é verdade? Dessa
forma, mesmo que o objeto a ser contratado esteja previsto no contrato de
gestão, o DF não poderia contratar com dispensa de licitação, apenas o
respectivo município com quem fora assinado o contrato de gestão, ok?
Portanto, a letra B também está errada.
De acordo com a Súmula 516 do STF, o SESI está sujeito à jurisdição
da justiça estadual. A banca considerou como correto o item C, estendendo,
portanto, a jurisdição conferida pelo STF aos Serviços Sociais Autônomos.
A letra D também está errada. Primeiramente, a Lei n.º 9.637/1998
é federal e não nacional. Dessa fora, podem os Estados e Municípios, se
quiserem, instituir a figura das organizações sociais por meio de leis
próprias.
Outro erro do item está em afirmar que é competência exclusiva da
União para legislar sobre normas gerais de contratação. Essa competência
é privativa, e não exclusiva, conforme o inciso XXVII do artigo 22 da CF/88.
A Lei nº 9.790, de 1999, que dispõe sobre a qualificação de pessoas
jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, como Organizações da
Sociedade Civil de Interesse Público, não adminite que instituições
religiosas se qualifique como OSCIP, senão vejamos:
“Art. 2º Não são passíveis de qualificação como
Organizações da Sociedade Civil de Interesse
Público, ainda que se dediquem de qualquer forma
às atividades descritas no art. 3º desta Lei:
I - as sociedades comerciais;
II - os sindicatos, as associações de classe ou de
representação de categoria profissional;
III - as instituições religiosas ou voltadas para a
disseminação de credos, cultos, práticas e visões
devocionais e confessionais (...)”.
Dessa forma, o gabarito é letra C.

35 - (CESPE - TCU - ACE - 2009) O Estado, quando celebra termo de


parceria com organizações da sociedade civil de interesse público
(OSCIPs), abre mão de serviço público, transferindo-o à iniciativa
privada.

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Quando o Estado transfere um serviço público para uma OSCIP, não
transfere a titularidade do serviço público. O que ocorre é a transferência
da execução do serviço, mas a titularidade continua nas mãos da
Administração Pública.
Só existe uma transferência de titularidade do serviço público quando
a Administração faz uma descentralização por outorga. Neste caso a
titularidade é repassada para uma entidade da Administração Indireta (e
não da iniciativa privada). Desta maneira, o gabarito é questão errada.

36 - (CESPE - ANATEL / ANALISTA - 2006) As organizações sociais


podem receber legalmente recursos orçamentários e bens públicos
necessários ao cumprimento do contrato de gestão.

Perfeito. As Organizações Sociais podem sim receber recursos,


materiais e até servidores públicos para o funcionamento das OSs.
Cabe lembrar que este modelo foi criado com a intenção de
transformar certas autarquias e fundações em organizações não estatais.
Como estas instituições já existiam, teriam de “levar” seus bens na
transição.
Esta transformação seria muito difícil ocorrer sem esta ajuda inicial
do setor público. Portanto, o gabarito é questão correta.

37- (CESPE - ANATEL - ANALISTA - 2006) Segundo o plano diretor


da reforma do aparelho do Estado, o terceiro setor é entendido
como aquele de atuação simultânea do Estado e da sociedade civil
na execução de atividades de interesse público ou social não-
exclusivas do Estado. São entidades do terceiro setor, por exemplo,
as autarquias qualificadas como agências executivas, por meio de
contrato de gestão, após o qual estão autorizadas a executar
atividades mais eficientes de interesse público.

Entidades do terceiro setor são aquelas que nem são enquadradas


como parte do Estado nem podem ser consideradas como parte do
“mercado”. Estas podem ser as Organizações Sociais ou as Organizações
da Sociedade Civil de Interesse Público.
Uma agência executiva é apenas uma autarquia ou fundação que
firmou um contrato de gestão (como objetivos pactuados em troca de maior
autonomia). Ou seja, continua fazendo “parte” do Estado, não deixa de ser
um ente estatal.
Desta maneira, o gabarito é questão errada.

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38 - (CESPE – TRE-BA - ANALISTA – 2010) Os contratos de gestão
são instrumentos modernos que possibilitam maior autonomia em
algumas agências do governo.

Beleza. A busca pela contratualização se insere mesmo nesta troca


de maior autonomia aos gestores por maior desempenho. O gabarito é
questão correta.

39 - (CESPE - TCU - ACE - 2008) A qualificação como organização


da sociedade civil de interesse público (OSCIP), atribuível às
pessoas jurídicas de direito privado, requer que tais organizações
não tenham fins lucrativos ou que, tendo-os, elas não distribuam
os resultados aos seus dirigentes e os apliquem preferencialmente
na consecução do respectivo objeto social.

Negativo. Para que uma entidade seja qualificada como uma OSCIP,
deve sim ser caracterizada como uma entidade privada sem fins lucrativos.
Assim, não podem transferir lucros e dividendos aos seus dirigentes.
Evidentemente, se as receitas superarem as despesas, o excesso
deve ser investido da mesma atividade, não configurando lucro. O gabarito
é questão errada.

40 - (CESPE – AGU - ADVOGADO - 2009) As entidades de apoio são


pessoas jurídicas de direito privado sem fins lucrativos, que podem
ser instituídas sob a forma de fundação, associação ou cooperativa,
tendo por objeto a prestação, em caráter privado, de serviços
sociais não exclusivos do Estado. Tais entidades mantêm vínculo
jurídico com a administração pública direta ou indireta, em regra,
por meio de convênio. Por sua vez, os serviços sociais autônomos
são entes paraestatais, de cooperação com o poder público,
prestando serviço público delegado pelo Estado.

Esta questão está errada, pois os serviços sociais autônomos (ou


entes paraestatais) não prestam serviços públicos delegados pelo Estado.
Estas paraestatais executam atividades não exclusivas de interesse público.
O gabarito é questão errada.

41 - (CESPE – TJ-DF - ANALISTA - 2008) O uso indiscriminado da


expressão terceiro setor acabou por tornar o conceito
demasiadamente abrangente, fazendo que nele se possam
enquadrar todos os modelos de entidades que não se incluam no

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conceito do primeiro setor, o Estado, e do segundo setor, o
mercado.

O conceito de terceiro setor é o que os especialistas chamam de


conceito “guarda-chuva”, ou seja, acaba englobando diversos significados.
Tudo o que não se pode enquadrar como mercado ou Estado acaba sendo
qualificado como terceiro setor.
Portanto, tanto as ONGs quanto as Organizações Sociais são
classificadas, por exemplo, como entidades do terceiro setor. O gabarito é
questão correta.

Conselhos

Os conselhos estão inseridos neste contexto de busca por uma maior


participação popular nas decisões do Estado. De certa forma, é um esforço
de se sair de uma democracia estritamente representativa, em que só
temos um “momento” de participação nos temas públicos (a eleição) para
outro modelo de uma democracia mais “direta”.
Este movimento de criação de “arenas” em que a participação da
sociedade seja mais levada em consideração também serve para aumentar
a accountability, no caso do tipo societal.
Esta accountability societal refere-se ao controle exercido pela
sociedade civil, muitas vezes representada por ONGs, sindicatos e
associações. Estas instituições, em busca de denunciar abusos e
desmandos dos agentes públicos, além de propor mudanças em
determinadas políticas públicas, exercem uma pressão legítima sobre a
Administração Pública.
Além disso, estas instituições buscam, com este tipo de pressão e de
denúncia, alertar os “canais normais” de controle, como o Ministério Público
e o Tribunal de Contas da União, por exemplo.
De acordo com Smulovitz e Peruzzotti26:
“um mecanismo de controle não-eleitoral, que
emprega ferramentas institucionais e não
institucionais (ações legais, participação em
instâncias de monitoramento, denúncias na mídia,
etc.) e que se baseia na ação de múltiplas
associações de cidadãos, movimentos, ou mídia,
objetivando expor erros e falhas do governo, trazer
novas questões para a agenda pública ou

26
(Smulovitz e Peruzzotti, 2000) apud (Carneiro, 2006)

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influenciar decisões políticas a serem
implementadas pelos órgãos públicos.”
De acordo com Carneiro27, os Conselhos de Políticas Públicas, em que
o Estado e a sociedade participam de forma paritária, são exemplos desta
accountability societal, pois possibilitam a participação popular na
condução das políticas públicas e, portanto, no funcionamento do Estado.
De acordo com a autora:
“os conselhos apontam para uma nova forma de
atuação de instrumentos de accountability
societal, pela capacidade de colocar tópicos na
agenda pública, de controlar seu desenvolvimento
e de monitorar processos de implementação de
políticas e direitos, através de uma
institucionalidade híbrida, composta de
representantes do governo e da sociedade civil.”
Desta maneira, estes conselhos agem como contraponto às práticas
clientelistas e patrimonialistas arraigadas em diversas regiões de nosso
país. De acordo com Raichelis28:
“Pela sua composição paritária entre
representantes da sociedade civil e do governo,
pela natureza deliberativa de suas funções e como
mecanismo de controle social sobre as ações
estatais, pode-se considerar que os Conselhos
aparecem como um constructo institucional que se
opõe à histórica tendência clientelista,
patrimonialista e autoritária do Estado brasileiro”
Estes conselhos podem atuar nas áreas de: saúde, assistência social,
meio ambiente, cultura etc.

Agência Reguladora

A crise do petróleo (anos 70) e o baixo crescimento econômico da


década de 80 trouxeram dificuldades crescentes para que os Estado
pudessem manter os gastos relativos aos serviços públicos que a população
demandava e, ao mesmo tempo, induzir o crescimento da economia
através de empresas estatais cada vez mais deficitárias.
Com esse cenário, muitos Estados iniciaram um conjunto de reformas
pró-mercado. Estas reformas buscaram transferir para o mercado diversos

27
(Carneiro, 2006)
28
(Raichelis , 2000)

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setores antes administrados pelo Estado, objetivando um aumento de
eficiência destes mercados e uma recuperação da situação fiscal destes
governos.
No caso brasileiro, o Estado tinha criado centenas de empresas
estatais e estas tinham uma participação muito grande na economia
nacional. Desde siderúrgicas até empresas têxteis, o Estado estava
presente em diversos ramos e atuava diretamente na dinâmica de
crescimento.
Entretanto, o governo brasileiro não detinha mais uma capacidade de
investir nestas empresas. Com isso, estas foram se deteriorando e não
“agregavam mais valor”.
Além disso, o Estado era visto como ineficiente e a gestão pública
seria, naquela época, um empecilho a estas empresas se desenvolverem e
serem competitivas com as instituições privadas, seja no Brasil, seja no
mundo.
Assim, ocorreu um processo formal de privatização destas empresas
estatais. Empresas como a Embraer, a CSN e a Vale do Rio Doce foram
transferidas para o setor privado. Entretanto, muitas empresas atuavam
em áreas em que o Estado era anteriormente monopolista ou que
prestavam serviços públicos, como o caso das empresas fornecedoras de
telefonia e eletricidade.
Se estas empresas ficassem “livres” para atuar da maneira que
quisessem, poderiam deixar de ofertar estes serviços em regiões pobres,
cobrar valores abusivos, deixar a qualidade do serviço cair, além de não
investir o que seria necessário para a universalização dos serviços.
De acordo com Sundfeld29:
“se o Estado abdicasse totalmente do poder de
interferir na prestação de serviços públicos
privatizados e na correspondente estrutura
empresarial, correria o risco de assistir,
passivamente, ao colapso de setores essenciais
para o país, como o setor elétrico e o de
telecomunicações. O Estado necessita, ainda,
impedir práticas anticoncorrenciais, o que não
pode, de forma nenhuma, ser deixado ao encargo
da “mão invisível” do mercado. Existe, também, a
necessidade de proteção dos interesses dos
usuários e de assegurar a universalização dos
serviços públicos, possibilitando que eles sejam

29
(Sundfeld, 2000) apud (Gonçalves, 2000)

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prestados aos milhões de excluídos existentes no
Brasil.”
Para que estes problemas não viessem a ocorrer, estes novos
operadores privados deveriam ser regulados de alguma forma. Outro
aspecto importante se relaciona com a atração de investimentos privados
de longo prazo.
Muitos destes ramos econômicos (eletricidade, por exemplo)
dependem de investimentos intensivos em capital (volume grande de
dinheiro em um momento inicial) e só são “pagos” no longo prazo. Portanto,
deve existir uma forte segurança jurídica e uma confiança destes
empresários e investidores na manutenção da “regra do jogo”, ou seja, no
marco regulatório do setor.
Para que exista uma confiança maior na capacidade da agência
reguladora de manter as regras do jogo e atuar com imparcialidade nas
disputas entre o Estado, os consumidores e os investidores, buscou-se um
modelo que desse maior autonomia para estas agências.
Estas buscaram equilibrar os interesses privados (respeito aos
contratos, estabilidade de regras, lucratividade etc.) com os interesses
públicos (universalização do serviço, preços adequados, aumento dos
investimentos etc.), de modo que a sociedade como um todo fosse
beneficiada.
Desta forma, o Estado deixou de ser o Estado provedor ou produtor
para entrar em outro modelo: o Estado regulador. Se a Administração
Pública não iria mais executar o trabalho diretamente, deveria acompanhar
o trabalho destes novos operadores privados, para que a qualidade do
serviço efetivamente melhorasse e que as margens de lucro fossem
mantidas em níveis razoáveis.
Para isto, foram criadas as Agências Reguladoras. Estas organizações
foram criadas como autarquias de regime especial. Entre suas principais
características, pode-se citar30:

 Independência administrativa;
 Autonomia financeira;
 Ausência de subordinação hierárquica;
 Dirigentes que servem por mandatos fixos com prazo
determinado;
 Obedecendo ao princípio da especialidade, seus atos não
podem ser revistos ou alterados pelo Poder Executivo, apenas
pelo Judiciário.

30
(Torres, 2007)

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Quanto a essa última característica, vale um comentário rápido: há
dúvidas se cabe, ou não, recurso do Executivo para as Agências
Reguladoras, o chamado hierárquico impróprio, indo de encontro ao
princípio da especialidade citado.
Um parecer da AGU, de 2006, prevê a aceitação do recurso
hierárquico impróprio. No entanto, este só cabe quando uma autarquia de
regime especial praticar um ato administrativo que invada a competência
de um Ministro de Estado. Dessa forma, só cabe o recurso em matérias de
caráter político, e não em matérias especificamente técnicas, ok?
Não se preocupem muito com o recurso hierárquico impróprio, ok?
Só citei aqui por ser motivo de algumas dúvidas de alunos.
Continuando, ao contrário das demais autarquias e fundações, em
que seus dirigentes podem ser exonerados livremente pelo chefe do Poder
Executivo, os dirigentes das autarquias estão “blindados” contra
exonerações sem motivo justificado (esta só pode ocorrer com um processo
judicial transitado em julgado).
Além disso, estes dirigentes já sabem que ficarão no cargo por um
tempo determinado (que varia de três anos no caso da ANVISA a cinco anos
no caso da ANATEL)31.
Seus dirigentes são escolhidos pelo Presidente da República e devem
ser aprovados em sabatina no Senado Federal. Quando seus mandatos são
encerrados, os ex-dirigentes devem cumprir uma quarentena antes de
poder atuar no mesmo ramo em que a agência de regulação funciona.
Entretanto, essa quarentena não deverá ser observada se o ex-
dirigente for exonerado a pedido e estiver dentro do prazo de seis meses
do início do seu mandato. Vejamos o que fala a Lei 9.986, de 2000, que
dispõe sobre a gestão de recursos humanos das Agências Reguladoras:
“Art. 8o O ex-dirigente fica impedido para o
exercício de atividades ou de prestar qualquer
serviço no setor regulado pela respectiva
agência, por um período de quatro meses,
contados da exoneração ou do término do seu
mandato.
§1o Inclui-se no período a que se refere o caput
eventuais períodos de férias não gozadas.
§ 2o Durante o impedimento, o ex-dirigente ficará
vinculado à agência, fazendo jus a remuneração
compensatória equivalente à do cargo de direção
que exerceu e aos benefícios a ele inerentes.

31
(Mazza, 2011)

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§ 3o Aplica-se o disposto neste artigo ao ex-
dirigente exonerado a pedido, se este já tiver
cumprido pelo menos seis meses do seu
mandato.
§ 4o Incorre na prática de crime de advocacia
administrativa, sujeitando-se às penas da lei, o ex-
dirigente que violar o impedimento previsto neste
artigo, sem prejuízo das demais sanções cabíveis,
administrativas e civis.
§ 5o Na hipótese de o ex-dirigente ser servidor
público, poderá ele optar pela aplicação do disposto
no § 2o, ou pelo retorno ao desempenho das
funções de seu cargo efetivo ou emprego público,
desde que não haja conflito de interesse”.
As primeiras agências reguladoras a serem criadas foram: a ANEEL
(energia elétrica) em 1996, a ANATEL (telecomunicações) em 1997 e a ANP
(setor do Petróleo) também em 1997.
Entretanto, não existe ainda uma “lei geral” das agências
reguladoras, pois cada uma tem certas peculiaridades. Apesar disso,
existem certas características comuns, como uma alta capacidade técnica
de especialização, serem instituídas como autarquias sob regime especial
e regularem um setor de atividade econômica ou um serviço público
específico.
Cabe aqui lembrar que, apesar das agências reguladoras serem
identificadas com o processo de privatização, a regulação não existe apenas
nas áreas em que existiu a desestatização.
Há setores que não foram transferidos para a iniciativa privada (como
a área de Petróleo, por exemplo) que é regulada. Da mesma forma, existem
setores que nunca foram operados pelo Estado que sofrem regulação (como
o setor de “planos de saúde”) por estarem em áreas sensíveis.
Além disso, existem setores da economia que são regulados por
entidades não enquadradas neste “modelo” de agências reguladoras, como
o mercado de capitais – regulado pela Comissão de Valores Mobiliários –
CVM.
Outro exemplo é o do Banco Central, que é o órgão regulador do
sistema financeiro nacional, bem como do CADE – Conselho Administrativo
de Defesa Econômica, que tem a função de orientar, fiscalizar, prevenir e
apurar abusos de poder econômico.
Vejamos algumas questões sobre o tema.
42 - (CESPE - ANTAQ – CONHECIMENTOS BÁSICOS – 2014) O poder
normativo das agências reguladoras, cujo objetivo é atender à
necessidade crescente de normatividade baseada em questões

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técnicas com mínima influência política, deve estar amparado em
fundamento legal.

As agências reguladoras fixam regram com a finalidade de instruir os


setores de atuação.
De acordo com Mazza32, “não se trata de competência regulamentar
porque a edição de regulamentos é privativa do Chefe do Poder Executivo.
Por isso, os atos normativos expedidos pelas agências reguladoras nunca
podem conter determinações sob pena de violação da privatividade da
competência regulamentar”.
O autor ainda dispõe que é proibido que os atos normativos
contrariem regras fixadas na legislação, e tratem de temas que não foram
objeto de lei anterior; além de editar atos administrativos gerais e
abstratos.
Dessa forma, está correto em afirmar que o objetivo possui relação
com as questões técnicas com mínima influência política. Gabarito,
portanto, questão correta.

43 – (CESPE - ANTAQ – CONHECIMENTOS BÁSICOS – 2014) As


decisões das agências reguladoras federais estão sujeitas à revisão
ministerial, inclusive por meio de recurso hierárquico impróprio.

Todos já sabem que as decisões das agências reguladoras estão


sujeitas à revisão ministerial ou controle finalístico, não é verdade? A
dúvida da questão é quanto ao recurso hierárquico impróprio.
E o que seria esse recurso? Esse recurso é aquele direcionado à
autoridade administrativa diferente da sua superior hierarquicamente.
A Advocacia-Geral da União já se manifestou, por meio de dois
pareceres aprovados pelo Presidente da República, a respeito da
possibilidade ou não das agências reguladoras interporem recursos
hierárquicos impróprios. Nos dois, ela admitiu a interposição desse tipo de
recurso. Dessa forma, o gabarito é questão correta.

44 – (CESPE - ANTAQ – CONHECIMENTOS BÁSICOS – 2014) Dada a


importância da ANTAQ como autoridade administrativa
independente das atividades portuárias e de transporte aquaviário,
ela figura entre as três primeiras agências criadas com assento

32
(Mazza, 2011)

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constitucional, ao lado da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e da
Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL).

A CF/88 previu apenas dois entes reguladores: ANP e ANATEL.


No inciso XI, artigo 21 da Carta Magna, fora previsto a criação de um órgão
regulador que viesse atuar sobre os serviços de telecomunicações. Em
1997, portanto, a Lei nº 9.472 instituiu a ANATEL.
Já no inciso III do §2º do artigo 177 da CF/88, determinou-se que lei
instituísse órgão que regulasse o monopólio do petróleo pela União. Dessa
forma, em 1997, a Lei nº 9.478 instituiu a ANP.
A ANTAQ não fora prevista na Carta Política. Logo, o gabarito é
questão errada.

45 – (CESPE - ANTAQ – CONHECIMENTOS BÁSICOS – 2014) A


criação das agências reguladoras advém da política econômica
adotada no Brasil na década de 90 do século XX, quando ocorreram
privatizações decorrentes do Plano Nacional de Desestatização.

As privatizações no Brasil, na década de 90, decorreram do Plano


Nacional de Desestatização, resultado da administração gerencial,
difundida naquele período. Em 1995, aprovaram as EC 8/1995 e 9/1995,
prevendo a instituição de órgãos reguladores (ANATEL e ANP).
Dessa forma, percebam que a privatização no Brasil foi o marco
para fortalecer a implantação das agências reguladoras.
No entanto, a regulação no Brasil já era imposta antes mesmo das
privatizações, conforme leitura do caput do artigo 174 da CF/88, senão
vejamos:
“Art. 174. Como agente normativo e regulador da
atividade econômica, o Estado exercerá, na
forma da lei, as funções de fiscalização, incentivo e
planejamento, sendo este determinante para o
setor público e indicativo para o setor privado”.

Então, pessoal, cuidado com pegadinha de prova. As privatizações,


na década de 90, fortaleceram a criação das agências reguladoras;
entretanto, a regulação da atividade econômica pelo Estado já era prevista
anteriormente. Gabarito, portanto, questão correta.

46 - (CESPE - ANTAQ – TÉCNICO EM REGULAÇÃO – 2014) A função


normativa das agências reguladoras se equipara à função

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regulamentar do chefe do Poder Executivo de complementação das
leis.

Pessoal, a função normativa das agências reguladoras “não se


trata tecnicamente de competência regulamentar porque a edição de
regulamentos é privativa do Chefe do Poder Executivo (art. 84, IV, da
CF/88). Por isso, os atos normativos expedidos pelas agências reguladoras
nunca podem conter determinações, simultaneamente gerais e abstratas,
sob pena de violação da privatividade da competência regulamenta 33”.
Dessa forma, diante do que foi colocado, o gabarito é questão errada.

47 - (CESPE - ANTAQ – TÉCNICO EM REGULAÇÃO – 2014) As


agências reguladoras exercem função normativa primária,
observadas as normas hierarquicamente superiores.

Primeiramente, vamos distinguir função normativa primária de


função normativa secundária. A primeira predispõe a edição de atos
normativos primários, ou seja, aqueles possuem a função de legislar,
submetendo-se aos comandos constitucionais. Exemplo: emendas à
Constituição, leis complementares, leis ordinárias, decretos legislativos,
medidas provisórias, leis delegadas.
Já a função normativa secundária aponta para a função
regulamentar, respeitando a lei e não diretamente à Constituição, como por
exemplo, portarias, resoluções, instruções, circulares, regimentos,
estatutos, etc.
As agências reguladoras exercem a função normativa secundária e
não a primária. Gabarito, portanto, questão errada.

48 – (CESPE - ANTAQ – CONHECIMENTOS BÁSICOS – 2014) Os


órgãos administrativos são pessoas jurídicas de direito público que
compõem tanto a administração pública direta quanto a indireta.

Pessoal, a questão está errada, pois os órgãos administrativos não


possuem personalidade jurídica própria, uma vez que advêm da
desconcentração administrativa. Gabarito, portanto, questão errada.

49 – (CESPE - ANATEL – CONHECIMENTOS BÁSICOS – 2014) No


Brasil, as agências reguladoras, assim como o Banco Central, são

33
(Mazza, 2011)

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dotadas de autonomia operacional e independência em relação aos
poderes do Estado.

As agências reguladoras podem ser instituídas como autarquias sob


regime especial; no entanto, o Banco Central é apenas uma autarquia sob
regime especial.
E o que seria autarquia sob regime especial? Seria aquela que, além
de autonomia administrativa, financeira e ausência de subordinação
hierárquica (características comuns a todas as autarquias), seus dirigentes
possuem mandato fixo. Gabarito, portanto, questão errada.

50 – (CESPE - ANATEL – CONHECIMENTOS BÁSICOS – 2014) As


agências reguladoras no Brasil foram criadas no governo Collor
como instrumentos do Poder Executivo para minimizarem os
problemas econômicos relacionados à prestação dos serviços
públicos.

A regulação no Brasil fora prevista antes mesmo do governo Collor,


conforme artigo 174 da CF/88:
“Art. 174. Como agente normativo e regulador da
atividade econômica, o Estado exercerá, na
forma da lei, as funções de fiscalização, incentivo e
planejamento, sendo este determinante para o
setor público e indicativo para o setor privado”.

No entanto, somente com as EC 8/1995 e 9/1995, no governo


Fernando Henrique Cardoso, que se instituíram órgãos reguladores como a
ANATEL e ANP.
Vale lembrar de que a Lei nº 8.031, de 1990, previa o Programa
Nacional de Desestatização (PND) no governo Collor. Entretanto, ele não
conseguiu implantar o PND, que só “saiu mesmo do papel” no governo de
FHC. Este sancionou a Lei nº 9.491, de 1997, que revogou a Lei anterior e
alterou os procedimentos relativos ao PND.
Dessa forma, o gabarito é questão errada, pois as agências
reguladoras não foram criadas no governo Collor.

51 – (CESPE – CÂMARA DOS DEPUTADOS – ANALISTA LEGISLATIVO


– 2014) As agências reguladoras são órgãos pertencentes à
administração pública direta.

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As agências reguladoras são autarquias sob regime especial,
pertencente, portanto, da administração pública indireta. Gabarito,
portanto, questão errada.

Agência Executiva

As agências executivas foram uma inovação trazida também pela


reforma gerencial de 1995. A ideia seria a de, através da celebração de um
contrato de gestão, fornecer maior autonomia e flexibilidade de gestão para
autarquias e fundações desde que se comprometessem com determinadas
metas e objetivos pactuados.
De acordo com a Lei 9.649/98, em seu artigo n°51:
“O Poder Executivo poderá qualificar como Agência
Executiva a autarquia ou fundação que tenha
cumprido os seguintes requisitos:
I – ter um plano estratégico de reestruturação e de
desenvolvimento institucional em andamento;
II – ter celebrado Contrato de Gestão com o
respectivo Ministério supervisor.”
Portanto, uma agência executiva é apenas uma qualificação
concedida a uma autarquia ou fundação já existente, que firme um contrato
de gestão possibilitando o aumento de sua autonomia gerencial,
orçamentária e financeira34.
Esse reconhecimento de agência executiva se dá por meio de
Decreto, garantindo uma maior autonomia de gestão àquelas entidades. A
desqualificação também se dará por meio desse instrumento. Nesse caso,
a entidade volta a ser uma autarquia ou fundação “normal”, com suas
competências, caso haja descumprimento dos requisitos previstos tanto no
contrato de gestão quanto em lei.
O tempo de duração de um contrato de gestão será de, no mínimo,
um ano, podendo ser renovado após aprovação de uma avaliação a qual se
submeterá sobre os resultados auferidos.
Vejamos, no gráfico abaixo, quais cláusulas de um contrato de gestão
devem existir para que uma autarquia ou fundação pública se qualifique
como uma agência executiva:

34
(Alexandrino & Paulo, Direito administrativo descomplicado, 2009)

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Cláusulas que tratem de:


objetivos e metas da entidade, com seus respectivos planos de ação anuais, prazos de
consecução e indicadores de desempenho;
demonstrativo de compatibilidade dos planos de ação anuais com o orçamento e com o
cronograma de desembolso, por fonte;
responsabilidades dos signatários em relação ao atingimento dos objetivos e metas definidos,
inclusive no provimento de meios necessários à consecução dos resultados propostos;
medidas legais e administrativas a serem adotadas pelos signatários e partes intervenientes com
a finalidade de assegurar maior autonomia de gestão orçamentária, financeira, operacional e
administrativa e a disponibilidade de recursos orçamentários e financeiros imprescindíveis ao
cumprimento dos objetivos e metas;
critérios, parâmetros, fórmulas e conseqüências, sempre que possível quantificados, a serem
considerados na avaliação do seu cumprimento;
penalidades aplicáveis à entidade e aos seus dirigentes, proporcionais ao grau do
descumprimento dos objetivos e metas contratados, bem como a eventuais faltas cometidas;
condições para sua revisão, renovação e rescisão;
vigência.

Figura 7. Cláusulas indispensáveis em um contrato de gestão que qualifique autarquia ou fundação pública em agência
executiva.

Entre as vantagens concedidas a estas agências, poderiam utilizar a


dispensa de licitação para compras de até 20% do valor máximo admitido
para a modalidade convite, ao invés de 10% para o resto da Administração
Pública.
Infelizmente, este modelo não evoluiu muito, pois como os benefícios
aos órgãos não ficaram muito claros e a falta de clareza dos objetivos a
serem atingidos não favoreceu sua disseminação na Administração Pública.
Dentre os casos de agências executivas, temos o INMETRO – Instituto
Nacional de Metrologia, Normatização e Qualidade Industrial. Veja abaixo
uma comparação entre as agências reguladoras e as agências executivas:

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Esta questão é um pouco confusa, mas está errada. Os serviços de
saúde não são considerados atividades exclusivas do Estado, mas são sim
típicas. De acordo com o PDRAE, estas atividades seriam executadas tanto
pelo Estado quanto pelas entidades não estatais, como as organizações
sociais.
Assim, o gabarito é questão errada.

54 - (CESPE - TCU - ACE - 2008) Os diretores das agências


reguladoras serão escolhidos pelo presidente da República, mas
essa escolha deve ser aprovada, por meio de voto secreto, após
arguição pública, pelo Senado Federal.

Beleza. Os diretores das agências reguladoras são nomeados pelo


chefe do Poder Executivo (o Presidente da República, no caso da União),
mas deverão passar por uma sabatina pública no Senado Federal. O
gabarito é questão correta.

55 - (CESPE – TJ-DF - ANALISTA - 2008) Embora seja possível


identificar dissenso na doutrina acerca das características das
entidades do terceiro setor, são comumente apontadas como
diferenciais das entidades que o compõem a natureza privada, a
ausência de finalidade lucrativa, a auto-administração, a
institucionalização e o fato de serem voluntárias.

A questão aborda o fato de que estas organizações do terceiro setor


são muito diversas. Entretanto, são realmente de caráter privado, não tem
fins lucrativos, são independentes em sua administração e exercem suas
atividades por iniciativa própria, ou seja, são voluntárias.
O gabarito é mesmo questão correta.

56 - (CESPE – TJ-DF - ANALISTA - 2008) Ao termo publicização do


terceiro setor podem ser atribuídos pelo menos dois sentidos. Um
é o que se refere à prestação de serviços de interesse público por
entidades componentes do terceiro setor, com o apoio do Estado. O
segundo refere-se à transformação de entidades públicas em
entidades privadas sem fins lucrativos.

O termo publicização se relaciona com a transferência de atividades


não exclusivas do Estado para organizações privadas sem fins lucrativos,
os entes não estatais.

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Além disso, o modelo das organizações sociais (as OSs) foi pensado
tendo como objetivo a transformação de entidades da Administração
Indireta nestas organizações privadas. Apesar disso, como este modelo das
OS foi muito criticado e está sendo julgado no STF, acabou gerando uma
insegurança jurídica muito grande, “abrindo” espaço para o crescimento do
modelo das OSCIPs.
Assim sendo, o gabarito é questão correta.

57 - (CESPE - ANATEL - ANALISTA - 2009) O mandato dos


conselheiros e dos diretores das agências reguladoras terá o prazo
fixado na lei de criação de cada agência.

Exato. Este prazo não é uniforme para todas as agências, podendo


variar de três anos até cinco anos (no caso da ANATEL). O gabarito é
questão correta.

58 - (CESPE - ANATEL - ANALISTA - 2009) As agências reguladoras


serão dirigidas em regime de colegiado, por um conselho diretor ou
diretoria composta por conselheiros ou diretores, sendo um deles o
seu presidente, o diretor-geral ou diretor-presidente.

A questão está correta e reflete o caráter colegiado do funcionamento


das diretorias das agências reguladoras. O gabarito é questão correta.

59 - (CESPE - ANATEL - ANALISTA - 2009) As agências reguladoras


têm caráter nacional, sendo vedado aos estados e ao Distrito
Federal criar suas próprias agências estaduais quando se tratar de
serviço público, por ausência de previsão constitucional.

Esta questão não é muito difícil, não é mesmo? Existem diversas


agências estaduais e municipais em funcionamento no Brasil atualmente.
Assim, os entes subnacionais podem sim criar suas próprias agências
reguladoras. O gabarito é questão errada.

60 - (CESPE - MS - ANALISTA - 2010) Entidades paraestatais são


pessoas jurídicas de direito privado que colaboram com o Estado no
desempenho de atividades não lucrativas; elas não integram a
estrutura da administração pública.

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Beleza. Estas organizações são entidades privadas e não estatais
(não fazem parte do Estado). Assim, não integram a estrutura da
Administração Pública. O gabarito é questão correta.

61 - (CESPE - ANATEL - ANALISTA - 2006) Três meses após ter


tomado posse para cumprir o seu mandato, um diretor da ANATEL
foi exonerado a pedido e, em razão de sua experiência no setor, foi
contratado, logo após a exoneração, para prestar consultoria a uma
empresa ligada ao setor de telecomunicações.
A esse ex-diretor não se aplica nenhum impedimento para
prestação de qualquer tipo de serviço a empresa integrante do
setor regulado pela agência.

A questão está correta, pois o ex-diretor só deverá cumprir uma


quarentena, ou seja, devera ficar algum tempo sem poder trabalhar na
mesma área regulada pela agência, se for exonerado a pedido após seis
meses. Tempo suficiente para ser capaz de ter influência em empresas
privadas.
Desta forma, se esta pessoa era um diretor da ANATEL, poderá
trabalhar no setor de telecomunicações após a sua exoneração. O gabarito
é questão correta.

62 - (CESPE - MPU - TÉCNICO - 2010) Considere que Pedro,


imediatamente após o término de seu mandato como dirigente de
agência reguladora, tenha sido convidado a assumir cargo gerencial
em empresa do setor regulado pela agência onde cumprira o
mandato. Nessa situação, Pedro não poderá assumir
imediatamente o novo cargo, devendo cumprir quarentena.

Beleza. Os ex-dirigentes de agências reguladoras devem cumprir um


tempo de quarentena antes de poder atuar na mesma área de atuação da
agência que trabalhavam. O gabarito é questão correta.

63 - (CESPE - MPU - ANALISTA - 2010) As agências executivas


fazem parte da administração direta, e as agências reguladoras
integram a administração pública indireta.

A questão está errada, pois ambas as agências (reguladoras e


executivas) pertencem à Administração Indireta.
Cabe lembrar que uma agência reguladora é uma autarquia em
regime especial. O gabarito é questão errada.

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64 - (CESPE – IBRAM - ADVOGADO - 2009) Se determinada


associação, com natureza de pessoa jurídica privada, sem fim
lucrativo, que tinha por objeto a proteção e a preservação do meio
ambiente, firme contrato de gestão com o poder público, por meio
do qual passe a ser qualificada como organização social, então, com
essa qualificação, ela poderá celebrar contratos de prestação de
serviços com o poder público, para desempenhar as atividades
contempladas no contrato de gestão, sem que haja necessidade de
prévia licitação.

No caso das Organizações Sociais, estas podem ser contratadas


diretamente pela Administração Pública para executar as atividades
dispostas no contrato de gestão firmado. O gabarito é questão correta.

65 - (CESPE – IBRAM - ADVOGADO - 2009) Uma autarquia pode ser


qualificada como agência executiva desde que estabeleça contrato
de gestão com o ministério supervisor e tenha também plano
estratégico de reestruturação e de desenvolvimento institucional
em andamento.

Uma agência executiva é uma qualificação recebida por uma


autarquia que tenha firmado contrato de gestão com a Administração
Pública e tenha um Plano Estratégico em andamento. O gabarito é mesmo
questão correta.

66 - (CESPE - TC-DF - TÉCNICO – 2014) O Serviço Social do


Comércio, exemplo de entidade de direito privado que atua em
colaboração com o Estado, apesar de ter sido criado por lei, não
integra a administração indireta.

O Serviço Social, entidade do terceiro setor, que atua por


Colaboração, não integra a Administração Indireta, como as Autarquias,
Fundações de Direito Público, Sociedade de Economia Mista e Empresas
Públicas, e muito menos, a Administração Pública Direta. Gabarito,
portanto, questão correta.

67 - (CESPE - TC-DF - TÉCNICO – 2014) Os municípios, assim como


os estados-membros, poderão ter sua administração indireta, em
razão da autonomia a eles conferida pela CF.

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A autonomia que a nossa Carta Magna confere aos municípios


encontra-se no artigo 18, senão vejamos:
“Art. 18. A organização político-administrativa da
República Federativa do Brasil compreende a União,
os Estados, o Distrito Federal e os Municípios,
todos autônomos, nos termos desta
Constituição”.
Logo, a partir dessa autonomia, os municípios poderão ter sua
Administração Direta e Indireta. Esta deverá estar vinculada àquela,
exercendo suas atividades administrativas de modo descentralizado.
O gabarito, dessa forma, é questão correta.

68 - (CESPE - TC-DF – TÉCNICO – 2014) Ao contrário das empresas


públicas, em que o regime de pessoal é híbrido, sendo permitida a
vinculação de agentes tanto sob o regime celetista quanto sob o
estatutário, nas sociedades de economia mista, o vínculo jurídico
que se firma é exclusivamente contratual, sob a égide da
Consolidação das Leis do Trabalho.

O regime de pessoal das empresas públicas não é híbrido, pois não


se admite haver dois regimes ao mesmo tempo, como o estatutário e o
celetista.
As empresas públicas, assim como as sociedades de economia mista
possuem regime celetista, o que torna o gabarito ser questão errada.

69 - (CESPE - TC-DF - TÉCNICO – 2014) Em virtude do princípio da


reserva legal, a criação dos entes integrantes da administração
indireta depende de lei específica.

Vejamos que o inciso XIX do artigo 37 da CF/88 dispõe a respeito da


reserva legal sobre a criação dos entes integrantes da administração
indireta:
“Art. 37. A administração pública direta e indireta
de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do
Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos
princípios de legalidade, impessoalidade,
moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao
seguinte:
(...)

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XIX - somente por lei específica poderá ser criada
autarquia e autorizada a instituição de empresa
pública, de sociedade de economia mista e de
fundação, cabendo à lei complementar, neste
último caso, definir as áreas de sua atuação”.

O comando da questão fala que a criação “depende” de lei específica.


Isto é verdade. Só não se esqueçam de que para as Autarquias, basta a lei
específica para que haja a sua criação. Enquanto as demais, a lei específica
autoriza a sua criação que se concretizará com o registro dos atos
constitutivos no Registro Civil de Pessoal Jurídica.
Só mais um detalhe: levem para a prova que a as fundações também
podem ser instituídas por lei específica, como as autarquias, denominando-
se, portanto, de “autarquias fundacionais” ou “fundações autárquicas”.
Desse modo, o gabarito é questão correta.

70 - (CESPE – CÂMARA DOS DEPUTADOS – ANALISTA LEGISLATIVO


– 2014) As autarquias só podem ser criadas por lei.

Questão correta. As autarquias só podem ser criadas por lei, e esta


deverá ser específica. Gabarito, realmente, questão correta.

71 - (CESPE - MTE - CONTADOR – 2014) As OSCIPs podem cooperar


com o poder público prestando serviços intermediários de apoio a
organizações sem fins lucrativos e a órgãos da administração
pública que atuem em áreas similares àquelas em que desenvolvem
suas atividades, sendo-lhes vedado executar diretamente projetos,
programas e planos de ação.

Questão pode ser respondida com a leitura do parágrafo único da Lei


9.790, de 1999, que dispõe sobre a qualificação de pessoas jurídicas de
direito privado, sem fins lucrativos, como Organizações da Sociedade Civil
de Interesse Público, senão vejamos:
“Art. 3o A qualificação instituída por esta Lei,
observado em qualquer caso, o princípio da
universalização dos serviços, no respectivo âmbito
de atuação das Organizações, somente será
conferida às pessoas jurídicas de direito privado,
sem fins lucrativos, cujos objetivos sociais tenham
pelo menos uma das seguintes finalidades:
I - promoção da assistência social;

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II - promoção da cultura, defesa e conservação do
patrimônio histórico e artístico;
III - promoção gratuita da educação, observando-
se a forma complementar de participação das
organizações de que trata esta Lei;
IV - promoção gratuita da saúde, observando-se a
forma complementar de participação das
organizações de que trata esta Lei;
V - promoção da segurança alimentar e nutricional;
VI - defesa, preservação e conservação do meio
ambiente e promoção do desenvolvimento
sustentável;
VII - promoção do voluntariado;
VIII - promoção do desenvolvimento econômico e
social e combate à pobreza;
IX - experimentação, não lucrativa, de novos
modelos sócio-produtivos e de sistemas
alternativos de produção, comércio, emprego e
crédito;
X - promoção de direitos estabelecidos, construção
de novos direitos e assessoria jurídica gratuita de
interesse suplementar;
XI - promoção da ética, da paz, da cidadania, dos
direitos humanos, da democracia e de outros
valores universais;
XII - estudos e pesquisas, desenvolvimento de
tecnologias alternativas, produção e divulgação de
informações e conhecimentos técnicos e científicos
que digam respeito às atividades mencionadas
neste artigo.
Parágrafo único. Para os fins deste artigo, a
dedicação às atividades nele previstas configura-se
mediante a execução direta de projetos,
programas, planos de ações correlatas, por
meio da doação de recursos físicos, humanos e
financeiros, ou ainda pela prestação de serviços
intermediários de apoio a outras organizações sem
fins lucrativos e a órgãos do setor público que
atuem em áreas afins”.

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Dessa forma, as atividades previstas às OSCIPs podem ser feitas por
meio de execução direta de projetos, programa, planos de ações correlatos.
Gabarito, portanto, questão errada.

72 - (CESPE - PGE-BA - PROCURADOR – 2014) Desde que presentes


a relevância e urgência da matéria, a criação da autarquia pode ser
autorizada por medida provisória, devendo, nesse caso, ser
providenciado o registro do ato constitutivo na junta comercial
competente.

Uma autarquia SÓ pode ser criada mediante lei específica, sem


necessidade de registro em junta comercial competente. Medida provisória
não pode criar autarquia, ok? Dessa forma, o gabarito é questão errada.

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Lista de Questões Trabalhadas na Aula.

1 - (FGV – BADESC – ANALISTA ADM - 2010) Com relação ao


funcionamento da administração pública, analise as afirmativas a seguir.
I. A administração pública, em sentido formal, é o conjunto de órgãos
instituídos para a consecução dos objetivos do governo.
II. A administração pública executa, técnica e legalmente, os atos de
governo.
III. A administração pública executa, com responsabilidade constitucional
e política, os projetos governamentais.
Assinale:
a) se somente a afirmativa I estiver correta.
b) se somente a afirmativa II estiver correta.
c) se somente a afirmativa III estiver correta.
d) se somente as afirmativas I e III estiverem corretas.
e) se todas as afirmativas estiverem corretas.

2 - (CESGRANRIO – CAPES – ANALISTA - 2008) Em sentido formal, a


Administração Pública pode ser conceituada como o (a):
a) conjunto de funções necessárias aos serviços públicos em geral.
b) conjunto de órgãos instituídos para a consecução dos objetivos do
Governo.
c) expressão política de comando e de fixação de objetivos do Estado.
d) união dos Poderes de Estado com funções atribuídas com precipuidade.
e) união de três elementos originários e indissociáveis: Povo, Território e
Governo soberano.

3 – (CESPE - ICMBIO - TÉCNICO – 2014) Existem órgãos da administração


direta atuando na administração federal, estadual e municipal.

4 - (CESPE - MEC – TODOS OS CARGOS – 2014) No âmbito federal, as


autarquias são entes da administração indireta dotados de personalidade
jurídica própria e criados por lei para executar atividades típicas da
administração. Essas entidades sujeitam-se à supervisão ministerial, mas
não se subordinam hierarquicamente ao ministério correspondente.

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5 – (CESPE - ANTAQ - TÉCNICO – 2014) As entidades administrativas,
como as autarquias, são pessoas jurídicas de direito público interno,
detentoras de autonomia política e financeira e de autorregulação.

6 – (CESPE - ANTAQ – CONHECIMENTOS BÁSICOS – 2014) Embora as


autarquias não estejam hierarquicamente subordinadas à administração
pública direta, seus bens são impenhoráveis e seus servidores estão
sujeitos à vedação de acumulação de cargos e funções públicas.

7 – (CESPE - ICMBIO - TÉCNICO – 2014) As autarquias integram a


administração indireta e, por isso, não possuem patrimônio.

8 - (CESPE - MEC – TODOS OS CARGOS – 2014) No âmbito federal, as


autarquias são entes da administração indireta dotados de personalidade
jurídica própria e criados por lei para executar atividades típicas da
administração. Essas entidades sujeitam-se à supervisão ministerial, mas
não se subordinam hierarquicamente ao ministério correspondente.

9 – (CESPE - TJ-DF – TITULAR DE SERVIÇOS DE NOTAS E REGISTROS –


2014) No que se refere à administração pública, assinale a opção correta.
a) Consoante o entendimento do STF, encontra fundamento constitucional
a exigência legal de aprovação legislativa prévia para a exoneração de
ocupante do cargo de presidente de autarquia.
b) Por não se submeterem ao regime jurídico de direito público, as
sociedades de economia mista exploradoras de atividade econômica estão
dispensadas da realização de concurso público para a admissão de pessoal.
c) Não se aplica às empresas públicas prestadoras de serviço público a
responsabilidade civil objetiva pelos danos que seus agentes, nessa
qualidade, causarem a terceiros.
d) A descentralização administrativa por meio de delegação de serviço
público pode ocorrer por meio de contrato e pressupõe relação de
hierarquia.
e) As entidades paraestatais, entes privados que não integram a
administração pública direta e indireta, colaboram com o Estado no
desempenho de atividades de interesse público, sem finalidade lucrativa,
como os serviços sociais autônomos.

10 - (FCC - TRT - 7ª REGIÃO – ANALISTA JUDICIÁRIO – 2009) Aplicam-se


às autarquias, dentre outras regras e princípios, o seguinte:

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a) Por gozarem de autonomia, seus contratos não estão sujeitos a
licitação.
b) Não têm direito a ação regressiva contra seus servidores culpados por
danos a terceiros.
c) Agem por delegação do Poder que a instituiu.
d) Gozam de imunidade de impostos sobre seu patrimônio, renda e
serviços vinculados às suas finalidades essenciais ou delas decorrentes.
e) Subordinam-se hierarquicamente à entidade estatal a que pertencem.

11 - (CESPE - MEC – TODOS OS CARGOS – 2014) A empresa pública


somente pode ser criada por lei específica, com personalidade jurídica de
direito público e adotando quaisquer formas societárias admitidas pelo
Direito.

12 - (CESPE – CÂMARA DOS DEPUTADOS – ANALISTA LEGISLATIVO –


2014) Autarquias são entidades criadas para desenvolver atividades que
não exijam execução por órgãos portadores de natureza jurídica de direito
público.

13 - (CESPE - MTE – AGENTE ADMINISTRATIVO – 2014) As empresas


públicas são entidades integrantes do quadro da administração direta
dotadas de personalidade jurídica própria.

14 - (CESPE – CAIXA – NÍVEL SUPERIOR – 2014) Sendo o capital social das


empresas públicas integralmente público, a personalidade jurídica dessas
empresas é de direito público.

15 - (CESPE - SUFRAMA – AGENTE ADMINISTRATIVO – 2014)


Considerando que a SUFRAMA, autarquia vinculada ao Ministério do
Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, pretenda contratar
serviços de consultoria para auxiliar na elaboração do Plano Diretor
Plurienal da ZFM, julgue o item a seguir:
Sendo uma autarquia, a SUFRAMA não é obrigada a realizar prévio
procedimento de licitação para contratar o serviço.

16 - (CESPE - SUFRAMA – AGENTE ADMINISTRATIVO – 2014) Empresa


pública e sociedade de economia mista são entidades da administração
indireta com personalidade jurídica de direito privado.

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17 – (CESPE – POLÍCIA FEDERAL – AGENTE – 2014) O cargo de dirigente
de empresa pública e de sociedade de economia mista é regido pela
Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

18 – (CESPE - TJ-SE – TÉCNICO – 2014) As empresas públicas se


diferenciam das sociedades de economia mista, entre outros fatores, pela
forma jurídica e de constituição de seu capital social.

19 - (CESPE - TJ-CE – ANALISTA JUDICIÁRIO – 2014) A respeito de


organização administrativa, assinale a opção correta.
a) As organizações sociais são pessoas jurídicas de direito público que
celebram contrato de gestão com o poder público para a prestação de
serviços públicos de natureza social.
b) São consideradas agências executivas as autarquias, fundações,
empresas públicas e sociedades de economia mista que apresentam regime
jurídico especial que lhes concede maior autonomia em relação ao ente
federativo que as criou.
c) Os consórcios públicos sob o regime jurídico de direito público são
associações públicas sem personalidade jurídica criadas para a gestão
associada de serviços públicos de interesse de mais de um ente federativo.
d) Tratando-se de órgão público, a competência é irrenunciável e
intransferível.
e) As autarquias são entidades criadas pelos entes federativos para a
execução atividades que requeiram gestão administrativa e financeira
descentralizada, porém, o ente federativo continuará titular do serviço,
sendo responsável, dessa forma, pelos atos praticados pela autarquia.

20 - (CESPE - MEC – TODOS OS CARGOS – 2014) Ao consórcio público —


é vedado firmar convênios, contratos e acordos de qualquer natureza,
receber auxílios, contribuições e subvenções sociais ou econômicas de
outras entidades e órgãos do governo.

21 - (CESPE - MTE - CONTADOR – 2014) Os consórcios públicos são


constituídos por meio de ato editado pelo chefe do Poder Executivo dos
entes federativos consorciados.

22 - (CESPE - MTE - CONTADOR – 2014) A retirada de um dos entes


federativos que integra um consórcio público desconstitui todo esse
consórcio e implica a extinção das obrigações já constituídas, como os
contratos de programa.

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23 - (ESAF - RFB / AFRFB - 2014) Em se tratando dos Consórcios públicos,


Terceiro Setor e o disposto na Instrução Normativa SLTI/MP n. 02 de 2008,
é correto afirmar:
a) a lei que rege os consórcios públicos prevê dois tipos de contratos a
serem firmados pelos entes consorciados: o contrato de rateio e o contrato
de cooperação.
b) o serviço deverá ser executado obrigatoriamente pelos cooperados,
vedando-se qualquer intermediação, quando se tratar da contratação de
cooperativas.
c) o terceiro setor compreende as entidades da sociedade civil de fins
públicos e lucrativos coexistindo com o primeiro setor, que é o Estado, e o
segundo setor, que é o mercado.
d) é vedado ao consórcio público a possibilidade de ser contratado pela
administração direta ou indireta dos entes da Federação consorciados, com
dispensa de licitação.
e) no caso de extinção do consórcio público, os entes consorciados
responderão subsidiariamente pelas obrigações remanescentes, até que
haja decisão que indique os responsáveis por cada obrigação.

24 - (CESPE - TRT - 10ª REGIÃO (DF e TO) – ANALISTA JUDICIÁRIO –


2013) As autarquias federais detêm autonomia administrativa relativa,
estando subordinadas aos respectivos ministérios de sua área de atuação.

25 - (CESPE - TRT - 10ª REGIÃO (DF e TO) – ANALISTA JUDICIÁRIO –


2013) As empresas públicas devem ser constituídas obrigatoriamente sob
a forma de sociedade anônima.

26 - (CESPE – CÂMARA DOS DEPUTADOS – ANALISTA LEGISLATIVO -


2012) O início da personalidade jurídica de uma autarquia coincide com o
registro de seu estatuto no cartório competente.

27 - (CESPE - TCE-ES – AUDITOR DE CONTROLE EXTERNO – AUDITORIA


GOVERNAMENTAL – 2012) O regime jurídico a que se sujeitam as empresas
públicas e as sociedades de economia mista é de natureza híbrida.

28 - (CESPE - PRF – AGENTE ADMINISTRATIVO – 2012) São exemplos de


prerrogativas estatais estendidas às autarquias a imunidade tributária
recíproca e os privilégios processuais da Fazenda Pública.

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29 - (CESPE - TJ-AC – ANALISTA JUDICIÁRIO – 2012) A empresa pública
criada com a finalidade de explorar atividade econômica deve ser,
necessariamente, formada sob o regime de pessoa jurídica de direito
privado.

30 - (CESPE - ANAC – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – 2012) A


desconcentração administrativa consiste na distribuição interna de
competências, no âmbito de uma mesma pessoa jurídica; a
descentralização administrativa pressupõe a distribuição de competência
para outra pessoa, física ou jurídica.

31 - (CESPE - TCU – TÉCNICO DE CONTROLE EXTERNO – 2012) Não se


admite a criação de fundações públicas para a exploração de atividade
econômica.

32 – (CESPE - ANTAQ – CONHECIMENTOS BÁSICOS – 2014) As entidades


que compõem o serviço social autônomo prestam serviço público e, por
isso, integram a administração pública indireta, estando sujeitas ao
controle do tribunal de contas.

33 – (CESPE - ANTAQ - TÉCNICO – 2014) Para a criação de entidades da


administração indireta, como sociedades de economia mista, empresas
públicas e organizações sociais, é necessária a edição de lei formal pelo
Poder Legislativo.

34 – (CESPE - TJ-DF – JUIZ DE DIREITO SUBSTITUTO – 2014) No que diz


respeito ao terceiro setor, assinale a opção correta à luz da doutrina, da
legislação de regência e da jurisprudência do STF acerca da matéria.
a) Os serviços sociais autônomos, embora não integrem a administração
pública, se sujeitam à obrigatoriedade de realização de concurso público
para a contratação de pessoal.
b) O DF pode dispensar a realização de licitação para a celebração de
contrato de prestação de serviços com organização social, assim qualificada
por meio de contrato de gestão celebrado com município de estado da
Federação.
c) Os serviços sociais autônomos, tais como SESI e SENAI, ainda que de
âmbito nacional, sujeitam-se à jurisdição da justiça estadual.
d) Devido à competência exclusiva da União para legislar sobre normas
gerais de contratação, será inválida lei distrital que regulamente, no âmbito
do DF, a qualificação de organização social, dado o caráter nacional da Lei
n.º 9.637/1998.

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e) As instituições religiosas podem qualificar-se como OSCIPs, desde que
não tenham fins lucrativos e os respectivos objetivos sociais e normas
estatutárias atendam aos requisitos instituídos por lei.

35 - (CESPE - TCU - ACE - 2009) O Estado, quando celebra termo de


parceria com organizações da sociedade civil de interesse público (OSCIPs),
abre mão de serviço público, transferindo-o à iniciativa privada.

36 - (CESPE - ANATEL - ANALISTA - 2006) As organizações sociais podem


receber legalmente recursos orçamentários e bens públicos necessários ao
cumprimento do contrato de gestão.

37- (CESPE - ANATEL - ANALISTA - 2006) Segundo o plano diretor da


reforma do aparelho do Estado, o terceiro setor é entendido como aquele
de atuação simultânea do Estado e da sociedade civil na execução de
atividades de interesse público ou social não-exclusivas do Estado. São
entidades do terceiro setor, por exemplo, as autarquias qualificadas como
agências executivas, por meio de contrato de gestão, após o qual estão
autorizadas a executar atividades mais eficientes de interesse público.

38 - (CESPE – TRE-BA - ANALISTA – 2010) Os contratos de gestão são


instrumentos modernos que possibilitam maior autonomia em algumas
agências do governo.

39 - (CESPE - TCU - ACE - 2008) A qualificação como organização da


sociedade civil de interesse público (OSCIP), atribuível às pessoas jurídicas
de direito privado, requer que tais organizações não tenham fins lucrativos
ou que, tendo-os, elas não distribuam os resultados aos seus dirigentes e
os apliquem preferencialmente na consecução do respectivo objeto social.

40 - (CESPE – AGU - ADVOGADO - 2009) As entidades de apoio são pessoas


jurídicas de direito privado sem fins lucrativos, que podem ser instituídas
sob a forma de fundação, associação ou cooperativa, tendo por objeto a
prestação, em caráter privado, de serviços sociais não exclusivos do
Estado. Tais entidades mantêm vínculo jurídico com a administração
pública direta ou indireta, em regra, por meio de convênio. Por sua vez, os
serviços sociais autônomos são entes paraestatais, de cooperação com o
poder público, prestando serviço público delegado pelo Estado.

41 - (CESPE – TJ-DF - ANALISTA - 2008) O uso indiscriminado da expressão


terceiro setor acabou por tornar o conceito demasiadamente abrangente,

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fazendo que nele se possam enquadrar todos os modelos de entidades que
não se incluam no conceito do primeiro setor, o Estado, e do segundo setor,
o mercado.

42 - (CESPE - ANTAQ – CONHECIMENTOS BÁSICOS – 2014) O poder


normativo das agências reguladoras, cujo objetivo é atender à necessidade
crescente de normatividade baseada em questões técnicas com mínima
influência política, deve estar amparado em fundamento legal.

43 – (CESPE - ANTAQ – CONHECIMENTOS BÁSICOS – 2014) As decisões


das agências reguladoras federais estão sujeitas à revisão ministerial,
inclusive por meio de recurso hierárquico impróprio.

44 – (CESPE - ANTAQ – CONHECIMENTOS BÁSICOS – 2014) Dada a


importância da ANTAQ como autoridade administrativa independente das
atividades portuárias e de transporte aquaviário, ela figura entre as três
primeiras agências criadas com assento constitucional, ao lado da Agência
Nacional do Petróleo (ANP) e da Agência Nacional de Telecomunicações
(ANATEL).

45 – (CESPE - ANTAQ – CONHECIMENTOS BÁSICOS – 2014) A criação das


agências reguladoras advém da política econômica adotada no Brasil na
década de 90 do século XX, quando ocorreram privatizações decorrentes
do Plano Nacional de Desestatização.

46 - (CESPE - ANTAQ – TÉCNICO EM REGULAÇÃO – 2014) A função


normativa das agências reguladoras se equipara à função regulamentar do
chefe do Poder Executivo de complementação das leis.

47 - (CESPE - ANTAQ – TÉCNICO EM REGULAÇÃO – 2014) As agências


reguladoras exercem função normativa primária, observadas as normas
hierarquicamente superiores.

48 – (CESPE - ANTAQ – CONHECIMENTOS BÁSICOS – 2014) Os órgãos


administrativos são pessoas jurídicas de direito público que compõem tanto
a administração pública direta quanto a indireta.

49 – (CESPE - ANATEL – CONHECIMENTOS BÁSICOS – 2014) No Brasil, as


agências reguladoras, assim como o Banco Central, são dotadas de
autonomia operacional e independência em relação aos poderes do Estado.

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50 – (CESPE - ANATEL – CONHECIMENTOS BÁSICOS – 2014) As agências


reguladoras no Brasil foram criadas no governo Collor como instrumentos
do Poder Executivo para minimizarem os problemas econômicos
relacionados à prestação dos serviços públicos.

51 – (CESPE – CÂMARA DOS DEPUTADOS – ANALISTA LEGISLATIVO –


2014) As agências reguladoras são órgãos pertencentes à administração
pública direta.

52 - (CESPE - TCU - ACE - 2009) As entidades do Sistema S (SESI, SESC,


SENAI etc.), conforme entendimento do TCU, não se submetem aos estritos
termos da Lei n.º 8.666/1993, mas sim a regulamentos próprios.

53 - (CESPE - TCU - ACE - 2008) A organização social, que integra as


chamadas entidades paraestatais, insere-se na concepção administrativa
fundada no conceito de Estado mínimo, segundo o qual a saúde não é
considerada atividade típica de Estado.

54 - (CESPE - TCU - ACE - 2008) Os diretores das agências reguladoras


serão escolhidos pelo presidente da República, mas essa escolha deve ser
aprovada, por meio de voto secreto, após arguição pública, pelo Senado
Federal.

55 - (CESPE – TJ-DF - ANALISTA - 2008) Embora seja possível identificar


dissenso na doutrina acerca das características das entidades do terceiro
setor, são comumente apontadas como diferenciais das entidades que o
compõem a natureza privada, a ausência de finalidade lucrativa, a auto-
administração, a institucionalização e o fato de serem voluntárias.

56 - (CESPE – TJ-DF - ANALISTA - 2008) Ao termo publicização do terceiro


setor podem ser atribuídos pelo menos dois sentidos. Um é o que se refere
à prestação de serviços de interesse público por entidades componentes do
terceiro setor, com o apoio do Estado. O segundo refere-se à transformação
de entidades públicas em entidades privadas sem fins lucrativos.

57 - (CESPE - ANATEL - ANALISTA - 2009) O mandato dos conselheiros e


dos diretores das agências reguladoras terá o prazo fixado na lei de criação
de cada agência.

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58 - (CESPE - ANATEL - ANALISTA - 2009) As agências reguladoras serão
dirigidas em regime de colegiado, por um conselho diretor ou diretoria
composta por conselheiros ou diretores, sendo um deles o seu presidente,
o diretor-geral ou diretor-presidente.

59 - (CESPE - ANATEL - ANALISTA - 2009) As agências reguladoras têm


caráter nacional, sendo vedado aos estados e ao Distrito Federal criar suas
próprias agências estaduais quando se tratar de serviço público, por
ausência de previsão constitucional.

60 - (CESPE - MS - ANALISTA - 2010) Entidades paraestatais são pessoas


jurídicas de direito privado que colaboram com o Estado no desempenho
de atividades não lucrativas; elas não integram a estrutura da
administração pública.

61 - (CESPE - ANATEL - ANALISTA - 2006) Três meses após ter tomado


posse para cumprir o seu mandato, um diretor da ANATEL foi exonerado a
pedido e, em razão de sua experiência no setor, foi contratado, logo após
a exoneração, para prestar consultoria a uma empresa ligada ao setor de
telecomunicações.
A esse ex-diretor não se aplica nenhum impedimento para prestação de
qualquer tipo de serviço a empresa integrante do setor regulado pela
agência.

62 - (CESPE - MPU - TÉCNICO - 2010) Considere que Pedro, imediatamente


após o término de seu mandato como dirigente de agência reguladora,
tenha sido convidado a assumir cargo gerencial em empresa do setor
regulado pela agência onde cumprira o mandato. Nessa situação, Pedro não
poderá assumir imediatamente o novo cargo, devendo cumprir quarentena.

63 - (CESPE - MPU - ANALISTA - 2010) As agências executivas fazem parte


da administração direta, e as agências reguladoras integram a
administração pública indireta.

64 - (CESPE – IBRAM - ADVOGADO - 2009) Se determinada associação,


com natureza de pessoa jurídica privada, sem fim lucrativo, que tinha por
objeto a proteção e a preservação do meio ambiente, firme contrato de
gestão com o poder público, por meio do qual passe a ser qualificada como
organização social, então, com essa qualificação, ela poderá celebrar
contratos de prestação de serviços com o poder público, para desempenhar

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as atividades contempladas no contrato de gestão, sem que haja
necessidade de prévia licitação.

65 - (CESPE – IBRAM - ADVOGADO - 2009) Uma autarquia pode ser


qualificada como agência executiva desde que estabeleça contrato de
gestão com o ministério supervisor e tenha também plano estratégico de
reestruturação e de desenvolvimento institucional em andamento.

66 - (CESPE - TC-DF - TÉCNICO – 2014) O Serviço Social do Comércio,


exemplo de entidade de direito privado que atua em colaboração com o
Estado, apesar de ter sido criado por lei, não integra a administração
indireta.

67 - (CESPE - TC-DF - TÉCNICO – 2014) Os municípios, assim como os


estados-membros, poderão ter sua administração indireta, em razão da
autonomia a eles conferida pela CF.

68 - (CESPE - TC-DF – TÉCNICO – 2014) Ao contrário das empresas


públicas, em que o regime de pessoal é híbrido, sendo permitida a
vinculação de agentes tanto sob o regime celetista quanto sob o
estatutário, nas sociedades de economia mista, o vínculo jurídico que se
firma é exclusivamente contratual, sob a égide da Consolidação das Leis do
Trabalho.

69 - (CESPE - TC-DF - TÉCNICO – 2014) Em virtude do princípio da reserva


legal, a criação dos entes integrantes da administração indireta depende
de lei específica.

70 - (CESPE – CÂMARA DOS DEPUTADOS – ANALISTA LEGISLATIVO –


2014) As autarquias só podem ser criadas por lei.

71 - (CESPE - MTE - CONTADOR – 2014) As OSCIPs podem cooperar com


o poder público prestando serviços intermediários de apoio a organizações
sem fins lucrativos e a órgãos da administração pública que atuem em
áreas similares àquelas em que desenvolvem suas atividades, sendo-lhes
vedado executar diretamente projetos, programas e planos de ação.

72 - (CESPE - PGE-BA - PROCURADOR – 2014) Desde que presentes a


relevância e urgência da matéria, a criação da autarquia pode ser

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autorizada por medida provisória, devendo, nesse caso, ser providenciado
o registro do ato constitutivo na junta comercial competente.

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Gabaritos.
1. A 25. E 49. E
2. B 26. E 50. E
3. C 27. C 51. E
4. C 28. C 52. C
5. E 29. C 53. E
6. C 30. C 54. C
7. E 31. C 55. C
8. C 32. E 56. C
9. E 33. E 57. C
10. D 34. C 58. C
11. E 35. E 59. E
12. E 36. C 60. C
13. E 37. E 61. C
14. E 38. C 62. C
15. E 39. E 63. E
16. C 40. E 64. C
17. E 41. C 65. C
18. C 42. C 66. C
19. D 43. C 67. C
20. E 44. E 68. E
21. E 45. C 69. C
22. E 46. E 70. C
23. D 47. E 71. E
24. E 48. E 72. E

Bibliografia
Alexandrino, M., & Paulo, V. (2009). Direito administrativo descomplicado.
São Paulo: Forense.
Alexandrino, M., & Paulo, V. (2014). Direito Administrativo Descomplicado.
Rio de Janeiro : Forense; São Paulo: Método.
Carneiro, C. B. (2006). Conselhos de Políticas Públicas: desafios para sua
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Di Pietro, M. (2009). Direito Administrativo. São Paulo: Atlas.
Gonçalves, J. E. (Out/Dez. de 2000). Processo, que Processo? Revista de
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Justen Filho, M. (2012). Curso de Direito Administrativo. Belo Horizonte:
Fórum.
Martins, L. (1997). Reforma da Administração Pública e cultura política no
Brasil: uma visão geral. Caderno Enap, n° 8.
Mazza, A. (2011). Manual de direito administrativo (1° Ed. ed.). São Paulo:
Saraiva.
Paludo, A. (2013). Administração Pública. Rio de Janeiro: Elsevier.
Paludo, A. V. (2010). Administração pública: teoria e questões (1° ed.). Rio
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(1995). Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado. Brasília:
Presidência da República.
Raichelis , R. (2000). Democratizar a gestão das políticas sociais – um
desafio a ser enfrentado pela sociedade civil. Política Social -
Programa de Capacitação Continuada para Analistas Sociais. Brasília.
Torres, M. d. (2007). Agências, contratos e Oscips: a experiência pública
brasileira. Rio de Janeiro: FGV.
Violin, T. C. (2006). Terceiro setor e as parcerias com a Administração
Pública: uma análise crítica. Belo Horizonte: Fórum.

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