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Lista 3: Comensurabilidade e N´umeros Reais

0.1 Exerc´ıcios Recomendados - unidade 4

1. Fixemos uma unidade de medida u. Sejam AB e CD dois segmentos comensur´aveis entre si.

Responda `as perguntas a seguir, justificando suas respostas.

(a)

Podemos afirmar que as medidas de AB e de CD em rela¸c˜ao a u s˜ao n´umeros racionais?

(b)

Se a medida de AB ´e um n´umero racional, o que podemos afirmar sobre a medida de CD?

Solu¸c˜oes:

(a)

N˜ao necessariamente. Podemos ter AB = π e CD = 2 π.

e CD (b) A medida de CD ´e racional. Com efeito, se AB = m
e CD
(b) A medida de CD ´e racional. Com efeito, se AB = m
=
p , ent˜ao
n AB
q
p = m p
CD = AB p = m
.

q

n

q

n q

2. Explique por que a unicidade da decomposi¸c˜ao em fatores primos ´e importante na demonstra¸c˜ao

de 2 ´e irracional (p. 11).

A hip´otese que 2 ´e racional, digamos 2 = p/q, equivale a` igualdade p 2 = 2 q 2 , q

= 0, e esta

igualdade mostra um n´umero real p 2 cuja decomposi¸c˜ao em fatores primos apresenta o fator 2

elevado a uma potˆencia par (essa potˆencia pode ser 0) e o mesmo n´umero 2 q 2 ) cuja decomposi¸c˜ao em fatores primos apresenta o fator 2 elevado a uma potˆencia ´ımpar. A unicidade da decomposi¸c˜ao em fatores primos ´e importante nessa demonstra¸c˜ao pois ela garante que a igualdade p 2 = 2 q 2 ´e imposs´ıvel.

3.

O

objetivo desta quest˜ao ´e generalizar a demonstra¸c˜ao de que 2 / Q (p. 11).

(a)

Adapte a demonstra¸c˜ao para concluir que se p N ´e um n´umero primo, ent˜ao p / Q.

Se p = m/n, ent˜ao m 2 = p n 2 :

como p ´e primo, temos n

= 1. Ent˜ao a decomposi¸c˜ao em

fatores primos do membro esquerdo cont´em uma potˆencia par de p enquanto que a decomposi¸c˜ao

do membro direito cont´em uma potˆencia ´ımpar de p. Isto ´e uma contradi¸c˜ao. Logo p / Q.

(b) Dado n N qualquer, mostre que n Q n N. Isto ´e, n˜ao pode existir um n´umero

natural cuja raiz quadrada seja um racional n˜ao inteiro.

Se n = k 2 , com k N, ent˜ao n = k N. Mostremos agora que, se n n˜ao ´e o quadrado de um outro n´umero natural, sua raiz quadrada

´e irracional. Suponhamos por absurdo que n = p

Q, ou seja, p 2 = n; ent˜ao p 2 = n q 2 .

Como os fatores primos de p 2 e q 2 aparecem todos com expoente par, o mesmo deve ocorrer com os fatores primos de n. Ent˜ao n ´e o quadrado de algum n´umero natural, contrariando nossa hip´otese.

q

q

0.2 Exerc´ıcios Suplementares - unidade 4

1. Nesta unidade, discutimos a interpreta¸c˜ao da opera¸c˜ao de divis˜ao como medida (p. 18), em que

consideramos o divisor q como uma unidade de medida e o dividendo p como uma grandeza a ser medida. Embora esta interpreta¸c˜ao se aplique a quaisquer n´umeros reais, na pr´atica, seu emprego na representa¸c˜ao de divis˜oes entre racionais pode ser menos ou mais complicado, dependendo do exemplo. Em linhas gerais, podemos destacar quatro “graus de dificuldade”, a saber:

(i) p > q e p ´e m´ultiplo inteiro de q. Neste caso, o resultado da divis˜ao ´e um n´umero natural. (ii) p > q, mas p n˜ao ´e m´ultiplo inteiro de q. Neste caso, o resultado da divis˜ao ´e um n´umero racional maior do que 1. (iii) p < q e q ´e m´ultiplo inteiro de p. Neste caso, o resultado da divis˜ao ´e o inverso de um n´umero natural.

1

(iv) p < q, mas q n˜ao ´e m´ultiplo inteiro de p. Neste caso, o resultado da divis˜ao ´e um n´umero racional menor do que 1.

Lista 4: Completeza e Representa¸c˜ao de N´umeros Reais

0.3 Exerc´ıcios Recomendados - unidades 5 e 6

Quest˜ao 3. O n´umero 0, 123456789101112131415

A sequˆencia sugere que ser˜ao listados os n´umeros naturais em ordem crescente. Se isto for verdade, o n´umero dado ´e irracional, pois nenhuma sequˆencia se repete. Como n˜ao h´a informa¸c˜ao adicional de que isto realmente ocorra, nada podemos afirmar sobre a racionalidade desse n´umero

´e racional ou irracional?

(veja o pr´oximo exerc´ıcio) (e se tal n´umero fosse 0, 123456789101112131415

Em livros did´aticos do ensino b´asico, encontramos comumente exerc´ıcios que pe-

dem para classificar n´umeros dados como racionais ou irracionais.

encontram-se express˜oes decimais como 0, 1515

sidera que enunciados de exerc´ıcios desse tipo s˜ao adequados ou podem causar algum tipo de confus˜ao? Quest˜ao 5. Considere conhecidas todas as propriedades das opera¸c˜oes de adi¸c˜ao e de multi- plica¸c˜ao com n´umeros reais, especialmente a defini¸c˜ao de inverso aditivo (ou sim´etrico): o sim´etrico de x R ´e o (´unico) n´umero (x) R tal que x + (x) = 0. Justifique a “regra dos sinais”do produto, isto ´e, que a, b R vale:

(i) (a) = a (ii) (a) b = (a b) = a (b) (iii) (a) (b) = a b. N˜ao ´e incomum que os alunos no ensino b´asico se confundam com esta regra, em geral por memoriz´a-la sem entender. Como vocˆe exploraria a representa¸c˜ao dos n´umeros reais na reta, em especial a rela¸c˜ao de simetria entre os n´umeros positivos e negativos para ajud´a-los a entender melhor que (x) = x? Em primeiro lugar, notemos que o sim´etrico de um elemento a ´e o unico´ n´umero real x que verifica a rela¸c˜ao a + x = 0. Assim, para provar (i), basta notar que a ´e o unico´ n´umero real que verifica a equa¸c˜ao (a)+x = 0. Portanto a ´e o sim´etrico de a (que ´e o elemento indicado por (a), ou seja a = (a) . Para provar a primeira igualdade de (ii), basta notar que (a) b ´e o unico´ n´umero real x que verifica a rela¸c˜ao (a) b + x = 0, uma vez que

a b + (a) b = a + (a) b = 0 b = 0.

A verifica¸c˜ao da outra igualdade ´e an´aloga. Para provar (iii), notemos que, aplicando (ii) e (i) temos

, mostrados dessa forma. Vocˆe con-

Quest˜ao 4.

Dentre os exemplos dados,

?).

ou 0, 26

(a) (b) (ii)

= [a (b)] (ii)

= (a b) (i)

= a b.

Quest˜ao 6. Ao terminar um problema envolvendo radicais, os alunos normalmente s˜ao instados a racionalizar o denominador do resultado obtido. Por que isso?

raz˜ao: est´etica - a fra¸c˜ao 2

2

1

um aspecto mais agrad´avel as`

a

¯

´e considerada mais simp´atica do que

opera¸c˜oes:

1

3 +

1

2

= 2 + 3

2 3

parece que fica melhor fazer assim:

3

3

+ 2

2

= 3 2 + 2 3

6

2

2

2 . Al´em disso, ela d´a

2 a

¯

denominador ´e inteiro. Consideremos, por exemplo, a tarefa de calcular valores aproximados de

, para melhorar a aproxima¸c˜ao de 1, 41 2 , os c´alculos j´a obtidos podem ser aproveitados

raz˜ao Quando calculamos valores aproximados de uma divis˜ao, fica mais confort´avel se o

2

2

1

2 : para melhorar a aproxima¸c˜ao de 1, 00 1, 41,

em 1, 4142 2

temos que refazer todos os c´alculos em 1, 00 1, 4142.

, enquanto que, se considerarmos

3 a raz˜ao A representa¸c˜ao 2

¯

2

d´a uma id´eia mais adequada da grandeza do n´umero, pois permite

localizar mais facilmente a posi¸c˜ao do n´umero na reta real. O n´umero 2

2

dados α = a 0 , a 1 a 2

a

n

e β = b 0 , b 1 b 2

b

n

´e localizado no ponto

m´edio do segmento que liga 0 a 2.

Quest˜ao 7. Sejam

modo que essas representa¸c˜oes n˜ao terminem numa sequˆencia de noves. Mostre que a rela¸c˜ao de

, n´umeros reais escritos de

ordem α β traduz-se do seguinte modo: se α

= β tem-se que a n < b n para o primeiro ´ındice n

tal que a n = b n .

1

Como b 0 a 0 1 e (0, b 1 b 2

Suponhamos a 0 = b 0 , a 1 = b 1 , temos

o

¯

modo Suponhamos a 0 < b 0 , temos β α = (b 0 a 0 ) + (0, b 1 b 2

b n ··· − 0, a 1 a 2

a n

b n ··· − 0, a 1 a 2

) < 1, temos β α > 0.

a n1 = b n1 e a n < b n , e seja γ = b 0 , b 1 b 2

b n1 0

a

n

0

).

;

10 n (β γ) = b n , b n+1 b n+2

e

10 n (α γ) = a n , an + 1a n+2

e, como a n < b < n, temos 10 n (α γ) < 10 n (β γ); portanto α γ < β γ donde α < β.

2 o modo Escrevemos

.

α = a 0 + a

β = b 0 +

10

b

1

1

a

2

100

b

2

+

+

10

100

+ ··· +

+ ··· +

a

n

10

b

n

n

10

n

+ .

+ .

.

.

.

.

Se a 0 = b 0 , a 1 = b 1 ,

a n1 = b n1

e a n < b n ; temos

Temos |b n+j a n+j | ≤

β

α = b n a n

10

n

+ b n+1 a n+1

10 n+1

+ .

.

.

9 para todo n. Portanto

|b n+1 a n+1 |

10

n+1

+ |b n+2 a n+2 |

10

n+2

+ ··· <

9

10 n+1 +

9

10 n+2 + ···

=

9

10

10

n+1

9

=

1

10

n

Como b n a n

10

n

>

1

10

n

e o resto da soma da PG ´e < 10 n , temos que β α > 0.

Quest˜ao 8. Mostre a Propriedade Arquimediana dos n´umeros reais, ou seja, dado um n´umero

real α, qualquer, existe um n´umero natural n tal que n > α.

Esta propriedade ´e equivalente ao fato que o conjunto N ´e ilimitado: se n˜ao existisse tal n´umero natural n, ter´ıamos n α, para todo n N, e isto implicaria que N ´e limitado, e, portanto, finito. Podemos supor α > 0. Pelo axioma de completeza, o n´umero a tem uma representa¸c˜ao decimal

α = a 0 , a 1 a 2

a

n

, isto ´e:

α = a 0 + 10 a +

1

a

2

10

2 + ··· +

a

10

n

n + ···

em que a 0 N e a j ∈ {0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9}, para todo j 1. Como

a

10 +

1

a

2

10 2 + ··· +

a

n

10 n + ··· ≤

9

9

10 +

10 2 + ··· +

9

10 n + ··· =

temos a 0 α a 0 + 1:

assim, n = a 0 + 1 ´e o n´umero procurado.

3

9

10

1

1

10

= 1

Quest˜ao 8a. Mostre que, dados α > 0, β > 0, existe um n´umero natural n tal que n α > β.

Pelo Exerc´ıcio 8, existe n N tal que n >

β

α , logo n α > β.

Quest˜ao 9. Mostre que o conjunto dos racionais ´e denso nos reais, ou seja, dados α e β n´umeros reais, com α < β, mostre que existe r Q tal que α < r < β.

Queremos mostrar que existem inteiros m, n, com m > 0 tais que α <

m α < n < m β

m n < β, ou seja

(1)

βα ; assim m (β α) >

1, ou seja m β m α > 1 e ´e claro que existe um inteiro n entre m α e m β.

Quest˜ao 10. Mostre que o conjunto dos irracionais ´e denso nos reais, ou seja, dados α e β n´umeros reais, com α < β, mostre que existe γ R\Q tal que α < γ < β.

Como β α > 0, pela propriedade arquimediana, existe m tal que m >

1

Pelo exerc´ıcio anterior, existe r

√ 2
2

Q tal que α < r

< β.

Como

√ 2
2

βr > 0, pela propriedade

Assim, o

arquimediana, existe n tal que

n´umero irracional procurado ´e γ = r + 2

βr < n; portanto, 2 < n (β r), donde r + 2

n

√ 2 < n ( β − r ), donde r + √ 2 n n

n .

2 < n ( β − r ), donde r + √ 2 n n .

< β.

0.4 Exerc´ıcios Suplementares - unidades 5 e 6

Quest˜ao 1. Nesta unidade (p. 4), observamos que as condi¸c˜oes m´ınimas para que uma rela¸c˜ao

4, definida entre os elementos de um conjunto X, seja considerada uma rela¸c˜ao de ordem s˜ao as propriedades:

(i) reflexiva: x x, x X;

(ii) antissim´etrica: x, y X,

(iii) transitiva:

Al´em disso, dizemos que esta rela¸c˜ao ordem ´e total se vale a propriedade:

(iv) tricotomia: x , y X vale uma e somente uma das possibilidades x y, x = y, y x.

x y, x y,

x y x = y; y z x z.

x , y , z X,

Caso contr´ario, dizemos que a ordem ´e parcial. Fixado um conjunto A, considere P(A) o conjunto das partes de A, isto ´e, o conjunto cujos elementos s˜ao os subconjuntos de A.

(a)

Mostre que a rela¸c˜ao de inclus˜ao define uma ordem em P(A).

(b)

A

ordem definida pela rela¸c˜ao de inclus˜ao ´e total ou parcial? Justifique sua resposta.

(a)

As propriedades (i), (ii) e (iii) acima trivialmente verificadas: a propriedade reflexiva fica

A A, A P (A); a propriedade antissim´etrica: fica A B e B A A = B; e a propriedade transitiva fica A B e B C A C

(b) Qualquer que seja A, a ordem definida pela rela¸c˜ao de inclus˜ao ´e parcial. A ordem ´e total

apenas no caso em que A ´e um conjunto unit´ario. Se A cont´em dois elementos distintos x, y, os conjuntos {x} e {y} n˜ao s˜ao compar´aveis.

Quest˜ao 2. Comentamos que um corpo ´e dito ordenado se nele est´a definida uma rela¸c˜ao de

ordem compat´ıvel com as opera¸c˜oes alg´ebricas (p. 3), no sentido que valem as propriedades de monotonicidade. Dizer corpo ordenado e corpo munido de uma ordem ´e o mesmo? Considere

o exemplo a seguir. Podemos definir no conjunto dos n´umeros complexos, a chamada ordem

lexicogr´afica, definida como segue. Se z 1 = a 1 + i b 1 e z 2 = a 2 + i b 2 s˜ao n´umeros complexos,

diremos que z 1 z 2 se:

(a) A ordem lexicogr´afica faz de C um corpo ordenado? Justifique sua resposta.

A ordem lexicogr´afica nos d´a que i > 0. Se a ordem fosse compat´ıvel com as opera¸c˜oes

alg´ebricas, ter´ıamos i i > 0. Mas i i = 1 < 0. Logo, a ordem lexicogr´afica n˜ao faz de C um corpo

ordenado.

a 1 < a 2 ou (a 1 = a 2 e b 1 < b 2 )

´

(b) E poss´ıvel munir C de uma ordem de forma que ele seja um corpo ordenado? Justifique sua

resposta.

4

Suponhamos poss´ıvel munir C de uma ordem de forma que ele seja um corpo ordenado: de- notemos tal ordem pelos s´ımbolos e (dados z , w C , temos z w ou z = w ou z w ). Assim, vale a propriedade:

Se z w e x 0 ent˜ao x z w Em primeiro lugar, notemos que devemos ter 1 0. De fato, se fosse 1 0, ter´ıamos 1 0. Pela compatibilidade da ordem com a multiplica¸c˜ao, dever´ıamos ter (1) 2 0. Mas pela regra dos sinais (1) 2 = (1) (1) = 1 0, uma contradi¸c˜ao. Logo, devemos ter 1 0. Analisemos agora o n´umero i. Temos apenas uma das alternativas: i 0 ou i 0. Se i 0, pela compatibilidade da ordem com a multiplica¸c˜ao, dever´ıamos ter i 2 0. Mas i 2 = 1 0. Se i 0, ent˜ao i 0. Pela compatibilidade da ordem com a multiplica¸c˜ao, dever´ıamos ter (i) 2 0. Mas (i) 2 = i 2 = 1 0. Estas contradi¸c˜oes mostram que n˜ao ´e poss´ıvel definir uma ordem em C de forma que ele seja um corpo ordenado. Quest˜ao 4. Da mesma forma que expressamos um n´umero real qualquer na base 10, podemos encontrar express˜oes em rela¸c˜ao a uma base β N, com β 2, qualquer. Dizemos que um n´umero

α R est´a expresso na base β se ele ´e escrito na forma:

α = a 0 +

+

n=1

a n β n

em que a 0 Z e os a n s˜ao d´ıgitos entre 0 e β 1.

(2)

(a) Sejam x e y os n´umeros reais cujas representa¸c˜oes no sistema de numera¸c˜ao de base 4 s˜ao

dadas por 0,321 e 0, 111

decimal. (b) Mostre que um n´umero racional a = m

R, com m, n Z, n = 0 e mdc(m, n) = 1, possui

representa¸c˜ao finita no sistema de numera¸c˜ao posicional de base β se, e somente se, o denominador

n n˜ao possui fatores primos que n˜ao sejam fatores de β.

(b) Em uma base β, qualquer, ´e verdade que um n´umero ´e racional se, e somente se, admite

representa¸c˜ao finita ou peri´odica? (c) Considere o n´umero que possui uma express˜ao na base β dada por a 0 = 0 e a n = β1, n N. Que n´umero ´e esse?

Uma solu¸c˜ao:

(a) Pela defini¸c˜ao da express˜ao de um n´umero real no sistema de numera¸c˜ao posicional de base

β, temos que:

, respectivamente. Determine as representa¸c˜oes de x e de y no sistema

n

x = (0, 321) β = 3 × 1

4 + 2 ×

y = (0, 111

) β =

+

k=1

1

4

k

1

2 + 1 ×

4

4 3 = 4 + 8 +

1

3

1

1

64

=

57

64

= 0, 890625

Portanto, a express˜ao acima ´e a soma da progress˜ao geom´etrica infinita cujo termo inicial ´e raz˜ao ´e 1 4 . Essa soma converge para:

1

4 1 − 1 4
4
1 − 1
4

=

1

3

= 0, 333

(b) Suponhamos que α admita representa¸c˜ao finita:

4 1 e a

α = a 0 +

N

n=1

a n β n = a 0 + a 1 β 1 + ··· + a N β N

5

Portanto

α = a 0 + β N (a 1 β N1 + a 2 β N2 + ··· + a N )

N

Q

Suponhamos que α admita representa¸c˜ao peri´odica: para simplificar a nota¸c˜ao, vamos analisar

primeiro o caso em que o per´ıodo ´e 2, isto ´e, a 1 = a 3 =

e a 2 = a 4 =

Ent˜ao

α =

a 0 + a 1 β 1 + a 2 β 2 + a 3 β 3 + a 4 β 4 + ··· + a n β n + ··· =

= a 0 + (a 1 β 1 + a 1 β 3 + ··· + a 1 β (2 n1) + ··· ) + (a 2 β 2 + a 2 β 4 + ··· + a 2 β 2 n + ··· ) =

=

a 0 + a 1 β 1 (1 + β 2 +

β 4 + ··· ) + a 2 β 2 (1 + β 2 + ··· ) =

=

a 0 + a 1 β 1

1

1 β 2 + a 2 β 2

1

a 1 β

a

2

1 β 2 = a 0 + β 2 1 + β 2 1

Como a 0 Z e

a 1 ,

a 2 , β N, temos α Q.

Agora fica f´acil analisar o caso geral:

temos a 1

Neste caso, o n´umero α ´e escrito como a soma

se o per´ıodo ´e

p,

a 2 = a p+2 = a p+4 =

=

a p+1

=

a p+3

=

.

.

.

e

α =

a 0 + a 1 β 1 + a 2 β 2 + a 3 β 3 + a 4 β 4 + ··· + a p β p + a p+1 β p1 + ··· =

=

a 0 + (a 1 β 1 + a 1 β p1 + ··· + a 1 β n p1 + ··· ) + (a 2 β 2 + a 2 β p2 + ··· + a 2 β n p2 + · · · )+

+ (a p β p + a p β 2 p + ··· + a p β n p + ··· ) =

= a 0 + a 1 β 1 (1 + β p + ··· ) + a 2 β 2 (1 + β p + ··· ) + a p β p (1 + β p + ··· ) =

= a 0 +

a 1 β 1

1 β p +

a 2 β 2

1 β p

+

··· +

a p β p

1 β p

() Suponhamos que α seja racional. Queremos mostrar que α admite representa¸c˜ao finita ou peri´odica. Vamos recordar o significado da express˜ao em (2). Fa¸camos o caso α > 0. Seja a 0 a parte

inteira de α: ´e o maior n´umero natural menor que ou igual a α (denotamos a 0 = [α]). Se a 0 = α, j´a temos a representa¸c˜ao (2). Se a 0 < α, como ´e o maior n´umero natural menor que α, temos

0 < α a 0 < 1.

Denotemos α 0 = a 0

Denotemos I β = {0, 1,

Como 0 < α a 0 < 1, temos 0 < β (α a 0 ) < β. Seja a 1 o maior elemento de I β tal que

, β 1}.

a 1 β (α a 0 ).

Se a 1 < β (α a 0 ), como β (α a 0 ) a 1 < 1, temos α a 0 a 1 temos α α 1 <

Se a 1 = β (α a 0 ), temos α = a 0 + a 1

β

1

e j´a temos a representa¸c˜ao (2).

<

β <

1

β . Denotando α 1 = a 0 + a β 1 ,

β . Agora repetimos o processo: como 0 < α a 0 a 1

β

1

β , temos 0 < β 2 (α a 0 a 1 ) < β.

β

Seja a 2 o maior elemento de I β

α = a 0 + a 1 Se a 2 < α 1 = a 0 + a 1

tal que a 2 β (α a 0 a 1 ).

β

Se a 2 = β 2 (α a 0 a 1 ), temos

β

1

2 . Denotando

β

+ ··· +

a

n

β n , Al´em

2 e j´a temos a representa¸c˜ao (2).

a

2

β

β

+

β (αa 0 a 1 ), como 0 < β 2 (αa 0 a 1 ) < β, temos α a 0 a 1 a 2 2 <

β

β

β

β

+

2 , temos α α 2 <

a

2

1

β 2 . Continuando deste modo constru´ımos uma sequˆencia (α n ), em que α n = a 0 + a 1

β

β

β

1

β

satisfazendo α α n <

n . disso, α n α, quando n → ∞. Como no caso da representa¸c˜ao na base 10, podemos escrever (2).

Como a j 0, para todo n, temos α 1 α 2 ≤ ··· ≤ α n ≤ · · · .

Q. Como a representa¸c˜ao (2) n˜ao trabalha

com a parte inteira de α, vamos supor a 0 = 0 (se a 0 fosse diferente de zero, trabalhar´ıamos com

α = α a 0 , que tem a parte inteira igual a zero): assim, vamos tomar 0 < p

Vamos agora resolver o exerc´ıcio, em que α = p

q

q

< 1.

6

Como 0 < p β

q

< β, pelo algoritmo da divis˜ao podemos escrever p β

q

e a 1 I β , e portanto

p

q

= a 1

β

r

1

q β .

+

= a 1 + r 1 , com 0 r 1 < q

q

(3)

Imitando o procedimento do caso decimal, multiplicamos o resto por β 2 e continuamos a

a 2 + r 2 , com

divis˜ao: como 0 r 1 β 2

q β

= r 1 β

q

< β, usando o algoritmo da divis˜ao escrevemos r 1 β

q

=

q

0 r 2 < 1 e a 2 < β, ou seja,

q

q β = a 2

1

β

r

r

2

q

β 2 .

2 +

Substituindo em (3), temos

p

q

= a 1

β

a 2

β 2 + q β 2

r

2

+

Agora multiplicamos o novo resto por β 3 e continuamos a divis˜ao: como 0 r 2 β 3

q

β 2

= r 2 β

q

usando o algoritmo da divis˜ao escrevemos r 2 β

q

= a 3 + r 3 , com 0 r 3

q

q

< 1 e a 3 < β, ou seja,

(4)

< β,

 

r

2

r 3

Substituindo em (5), temos

q

β = a 3

β

3

+

q β 3 .

 
 

p

= a 1

a

+ 2

a 3

 

r

3

q

β

β

2 +

β

3 +

q

β 3 .

Continuando deste modo, chegaremos a

p a

β

q β

a

1

+ 3

2

2

+

β

3

a

=

+

·

·

·

.

(5)

(6)

Se r k = 0 para algum k, ent˜ao a n = 0 para todo n > k e teremos uma soma finita

p

= a 1

a

2

a

k

β

k

.

+

2 + ··· +

β

(7)

q

= 0 para todo n, teremos a n

β

= 0 para uma infinidade de ´ındices n em (6).

Agora,

como r n ∈ {0, 1,

os quocientes tamb´em se repetir˜ao. Mais precisamente, teremos r j = r k , para algum k < j < q e, ent˜ao a j+1 = a k+1 , o que implicar´a r j+2 = r k+2 e a j+2 = a k+2 , que, por sua vez implicar´a,

a j+3 = a k+3 e r j+3 = r k+3 , e assim por diante, at´e r 2 jk = r j e a 2 jk = a j . Ent˜ao a sucess˜ao de

d´ıgitos a k , r k+1 ,

, q 1} para todo n, estes restos come¸car˜ao a se repetir e consequentemente

Se r n

a j se repetir´a sempre.

(c) Temos

α =

+

n=1

a n β n = (β 1)

+

n=1

β n = (β 1)

1

1 1/β

= (β 1)

1

β 1 = 1.

Quest˜ao 5. (a) Mostre que um n´umero racional, representado como fra¸c˜ao irredut´ıvel por p admite express˜ao decimal finita se, e somente se, o denominador q n˜ao possui fatores primos diferentes de 2 ou 5.

,

q

´

(b) E verdade que, se um n´umero racional possui representa¸c˜ao decimal finita, ent˜ao ele ter´a

representa¸c˜ao finita em rela¸c˜ao a outra base qualquer?

(c) Generalize o fato demonstrado no item (a) para uma base qualquer.

Solu¸c˜ao:

(a) Em primeiro lugar, notemos que as fra¸c˜oes da forma

Suponhamos que o denominador q n˜ao possui fatores primos diferentes de 2 ou 5, isto ´e, q = 2 j 5 k .

Se j < k, tomamos n = 2 kj , se k < j, tomamos n = 5 kj . Multiplicando q por n obtemos uma

potˆencia de 10: q n = 10 k , se j < k ou q n = 10 j , se k < j. Ent˜ao p express˜ao decimal finita.

q

, que admite

n admitem express˜ao decimal finita.

m

10

=

p

n

q

n

=

p n

10

j

7

Reciprocamente, todo n´umero α que admite express˜ao decimal finita pode ser escrito na forma

n : basta tomar como numerador o n´umero inteiro formado pelos d´ıgitos de α e como denominador 10 m , em que m ´ea quantidade de d´ıgitos ap´os a v´ırgula.

10

m

(b) FALSO: veja o item (b) do exerc´ıcio anterior. Para um exemplo num´erico, consideremos o

n´umero

5 = 0, 2, mas na base 6 ele tem representa¸c˜ao

1

5 , que tem representa¸c˜ao decimal finita:

1

infinita

1

5

= 0, 1, 1, 1,

6

:

com efeito, temos

1

1

1

1

6

1

= 1

0, 1, 1, 1,

 

6

 

6 =

6 + 6 2 +

6 3 + ··· =

5

.

= 5 1 − 1 6 6
=
5
1 − 1
6 6

(c) O item (a) sugere que para termos representa¸c˜ao decimal finita, os unicos´ fatores primos do

denominador da fra¸c˜ao devem ser os fatores primos de β. Antes de resolver o exerc´ıcio, analisemos alguns exemplos.

Expressar 71

Temos

72 na base 6:

notemos os fatores de 6 s˜ao 2 e 3 e que 72 = 2 3 · 3 2 .

71 · 6

72

= 71

12

= 5 + 11

12 ,

donde

71

72

= 5

11

6 + 72 .

Agora repetimos o procedimento acima com opera¸c˜oes

11 · 36

72

= 11

2

1

= 5 + 2 ,

11

72 :

multiplicamos

11

72

donde

11

72 =

5

1

36 + 72

por 36 e efetuamos as

e portanto

Agora, ´e f´acil ver que

1

72

=

3

72·3 =

71

72 =

5

6 + 72 =

11

3

316 . Logo

5

6 + 36 + 72

5

1

71

72 =

5

6 + 36 + 316

5 3

Expressar

30 23 na base 6: notemos 30 = 2 · 3 · 5: o denominador tem o fator 5, que n˜ao ´e fator

de 6. A representa¸c˜ao n˜ao ser´a finita. Temos

23 · 6

30

= 23

5

=

4 +

3 5 ,

donde

23

30

= 4

3

6 + 30 .

Agora repetimos o procedimento acima com

30 3 : multiplicamos

30 3 por 36 e efetuamos as opera¸c˜oes

e portanto

3 · 36

30

= 18

5

23

30

=

3

+ 3 ,

5

donde

3

30 =

3

3

36 + 5 · 36

= 6 4 + 30 = 4

3

3

3

180

6 + 36 +

Repetimos o procedimento acima com

3

180 : multiplicamos

30 19 por 216 e efetuamos as opera¸c˜oes

e portanto

3 · 36

180

= 18

5

=

3 + 3 ,

5

3

3

3

3

donde

 

180 =

216 + 5 · 216

3

3

3

23

30 = 4

180 = 4

3

6 + 36 +

6 + 36 + 216 + 5 · 216

(8)

Observemos agora que o resto da divis˜ao se repete em (8). Consequentemente, os quocientes tamb´em se repetem e teremos uma representa¸c˜ao peri´odica.

8

Vamos agora resolver o exerc´ıcio. Consideremos o n´umero racional p , com p < q para evitar

o a 0 da representa¸c˜ao (2).

primos: β = a b e que denominador seja da forma q = a m b n (para fixar a nota¸c˜ao, vamos supor

m < n). Multiplicando o numerador e denominador por a nm , obtemos a fra¸c˜ao p a nm . Agora

escrevemos esta fra¸c˜ao como uma soma finita p a nm

p a nm < β n , multiplicamos p a nm

a 1 I β = {0, 1,

β n do seguinte modo: como

por β e efetuamos a divis˜ao; pelo algoritmo da divis˜ao, existem

Para simplificar, suponhamos que a base β tenha apenas 2 fatores

q

β

n

β n

= a 1

β

+ ··· + a n

β

n

, β 1} e r 1 0, r 1 < β n1 tais que

p a nm β

β

n

= p

a

nm

β n1 = a 1 +

r

1

β n1 ,

donde

p a nm

β

n

= a 1 +

β

r

1

β n .

Agora multiplicamos

e r 2 0, r 2 < β n2 tais que