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Dimensionamento de Caixa d’água

Como dimensionar uma caixa d'água. Passo a passo para fazer o


dimensionamento de um reservatório de água. Calcular o tamanho da
caixa de água ideal.

Dimensionar uma caixa d’água em uma construção, seja de uma


residência ou de um edifício, geralmente gera dúvidas no cálculo da
capacidade das caixas ou reservatórios de água em uma instalação
hidráulica.
Segundo a NBR 5626, a capacidade dos reservatórios de uma edificação
deve atender ao padrão de consumo de água no edifício e, se possível
obter informações, considerar a frequência e duração de interrupções do
abastecimento.

O volume de água reservado para uso doméstico deve ser, no mínimo, o


necessário para 24 horas de consumo normal pelo número total de
usuários na edificação, sem considerar, o volume de água para combate
à incêndio. Entretanto, dependendo do local ou da finalidade da
edificação, a capacidade de reservação de água pode variar de acordo
com as necessidades do cliente. Por exemplo, um local onde é comum a
falta de água ou uma lavanderia, ou um restaurante, é possível
dimensionar uma caixa dagua para três ou quatro dias de consumo.

Para o dimensionamento da caixa dágua, utiliza-se a tabela abaixo


como estimativa de consumo de água predial diário. Por exemplo, se
estiver sendo projetado um reservatório de água para um escritório, por
padrão, adota-se o consumo de água de 50 litros por pessoa por dia.
Tipo de construção Consumo médio (litros/dia)
Tipo de construção Consumo médio (litros/dia)

Alojamentos provisórios 80 por pessoa

Casas populares ou rurais 120 por pessoa

Residências 150 por pessoa

Apartamentos 200 por pessoa

Hotéis (s/cozinha e s/ lavanderia) 120 por hóspede

Escolas – internatos 150 por pessoa

Escolas – semi internatos 100 por pessoa

Escolas – externatos 50 por pessoa

Quartéis 150 por pessoa

Edifícios públicos ou comerciais 50 por pessoa

Escritórios 50 por pessoa

Cinemas e teatros 2 por lugar

Templos 2 por lugar

Restaurantes e similares 25 por refeição


Tipo de construção Consumo médio (litros/dia)

Garagens 50 por automóvel

Lavanderias 30 por kg de roupa seca

Mercados 5 por m² de área

Matadouros – animais de grande porte 300 por cabeça abatida

Matadouros – animais de pequeno porte 150 por cabeça abatida

Postos de serviço p/ automóveis 150 por veículo

Cavalariças 100 por cavalo

Jardins 1,5 por m²

Orfanato, asilo, berçário 150 por pessoa

Ambulatório 25 por pessoa

Creche 50 por pessoa

Oficina de costura 50 por pessoa

Importante: Quando não se sabe quantas pessoas vão morar na


residência ou edifício, devemos utilizar os dados da tabela abaixo:

Ambiente Número de pessoas


Ambiente Número de pessoas

Dormitório 2 pessoas

Dormitório de empregado (a) 1 pessoa

Dimensionar uma caixa de água – Exemplo

Um edifício de apartamentos possui 12 pavimentos, com 4 apartamentos


por pavimento. Cada apartamento de 3 quartos possui uma dependência
completa de empregada (quarto de empregada). Como será o sistema
de reservação de águade consumo em 2 reservatórios, para um período
de 2 dias?

Resolução: Para cada apartamento, deveremos considerar que existam 7


pessoas (2 para cada dormitório e mais 1 para o quarto de empregada).
Como temos 4 apartamentos por andar e 12 pavimentos no edifício, o
número total de pessoas que devemos considerar para
o dimensionamento do reservatório de água é 4 x 12 x 7 = 336
pessoas.
De acordo com a tabela de estimativa de consumo predial diário, uma
pessoa consome em média 200 litros de água por dia em apartamentos.
Logo, o consumo total diário do edifício será de 200 litros/hab x 336 hab
= 67200 litros.

Como os reservatórios deverão atender o prédio por dois dias, não


podemos de esquecer de multiplicar o consumo por 2: 67200 x 2 =
134400 litros.
Portanto, agora podemos dimensionar as capacidades dos reservatórios
inferior e superior.

Cálculo do reservatório inferior de água

Para o cálculo do reservatório inferior de água, considera-se 3/5 da


capacidade total encontrada, ou seja, 3/5 de 134400 L = 80640 litros.

IMPORTANTE: Essa proporção foi usada somente para o exemplo e não


é uma regra. A NBR 5626 recomenda que a divisão da reservação total
entre os reservatórios inferiores e superiores seja feita para atender as
necessidades da edificação e do uso de água pelo seus moradores,
estabelecendo um sistema de recalque compatível e de operação e
manutenção da instalação predial de água fria.
Cálculo do reservatório superior de água

Para o cálculo do reservatório superior de água, considera-se 2/5 da


capacidade total encontrada, ou seja, 2/5 de 134400 L = 53760 litros.

Cálculo do reservatório de incêndio

Para o cálculo do volume da reserva técnica de incêndio, usamos a


fórmula V = Q x t, conforme item 5.4.2 da NBR 13.714/2000, onde:

 V = Volume da reserva técnica de incêndio em litros;


 Q = É a vazão, em litros por minuto, de dois jatos de água do
hidrante mais desfavorável hidraulicamente, conforme item 5.3.3
e Tabela 1 da NBR 13.714/2000;
 t = É o tempo de 60 minutos para sistemas tipo 1 e 2, e de 30
minutos para sistema tipo 3.

No exemplo dado, o prédio é classificado como residencial, de habitação


multifamiliar que precisa de um sistema do tipo 1.Para calcularmos o
volume necessário para a reserva técnica de incêndio, aplicaremos a
fórmula demonstrada acima.

V=Qxt

onde, V = (80 + 80)* x 60**

V = 160 x 60

V = 9.600 litros

* Ver vazão constante na Tabela 1 da NBR 13.714/2000, para sistemas


do tipo 1, lembrando que o “Q” refere-se a vazão de dois jatos de água
do hidrante mais desfavorável hidraulicamente;

** 60 é o tempo em minutos para sistemas tipo 1 e 2.

Resumo sobre a NBR 5626


A NBR 5626 é a norma técnica que define os requisitos para garantir
bom desempenho nas redes, segurança sanitária e potabilidade de
água, quando aplicável.

A NBR 5626 é a norma técnica que define os requisitos de projeto,


execução e manutenção das instalações hidráulicas prediais de água fria
para garantir bom desempenho nas redes, segurança sanitária e
potabilidade de água, quando aplicável. Esta norma se aplica a qualquer
edificação (residencial ou não) que faça uso de água, sendo potável ou
não.
Neste resumo sobre a NBR 5626 tentamos reunir todas as informações
mais importantes a serem consideradas para facilitar o entendimento e
aplicação da norma. Se tiver qualquer dúvida, escreva-nos um
comentário ao final do texto. Boa leitura!
Termos e definições importantes

A NBR 5626 define alguns termos importantes que envolvem esse tipo
de instalação e são fundamentais para que um engenheiro possa projetar
ou prover assistência técnica garantindo o desempenho e segurança
nesse tipo de instalação.

Dentre eles, destacam-se:

 Abastecimento direto: É utilizado caso não haja necessidade de


reservação de água na edificação e a pressão da rede de
distribuição seja suficiente para abastecer os pontos de água.
Neste caso, corre-se o risco de ficar desabastecido em caso de
manutenção da rede pela concessionária.
 Abastecimento indireto: vem do reservatório interno da
edificação. Neste caso, será necessário realizar
o dimensionamento do reservatório de água.
 Água fria: água à temperatura ambiente.
 Alimentador predial: tubulação que abastece a edificação. Pode
vir da concessionária (cidades) ou algum outro corpo d’água (zona
rural).
 Conexão cruzada: união, em algum ponto, entre água potável e
águas de qualidade desconhecida. É proibida por esta norma.
 Diâmetro nominal: valor, geralmente em milímetros, que define o
diâmetro das tubulações.
 Extravasor ou ladrão: serve para eliminar água do reservatório
em caso de defeitos na torneira de boia. Deve, preferencialmente,
jorrar água em ponto externo visível, denunciando o problema.
 Instalação elevatória ou de recalque: sistema que bombeia
águas a um reservatório superior, quando a ação da gravidade for
insuficiente / pressão de fornecimento for inferior à necessária nos
locais críticos.
 Plásticos e metais sanitários: peças em plásticos ou metais
diversos utilizadas em equipamentos de uso de água potável,
como pias, lavatórios e louças.

Como definir as tubulações

As tubulações podem ser feitas de diferentes materiais. Entretanto, para


água fria, aquelas compostas de PVC apresentaram melhor
desempenho, por não sofrerem problemas de corrosão.

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variant-ligatures: normal; font-variant-caps: normal; font-weight: 400; letter-spacing:
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normal; widows: 2; word-spacing: 0px; -webkit-text-stroke-width: 0px; background-
color: rgb(255, 255, 255); text-decoration-style: initial; text-decoration-color: initial;">

Para o projeto de instalações de água fria, a NBR 5626 define:

 Fonte de abastecimento: definir se virá de concessionária, poço, açude, pluvial

ou mista. Deve-se respeitar a segurança e necessidade ou não de potabilidade.

Uso de água pluvial possui norma específica.

 Reservatório: deve ser em material estanque e inerte, que não interfira na

qualidade da água. O projeto deve garantir que possa ser higienizado, bem como

que permita pressão estática mínima de funcionamento aos equipamentos

hidráulicos. Caso não atenda a pressão, pode ser necessário inserir pressurizador

ou elevar a cota da base. A NBR 5626 recomenda seguir norma local

(concessionária / prefeitura – código de obras) para definir o volume. Nas suas

entradas e saídas, para permitir limpeza e manutenções, deve haver registros de

esfera / adaptadores com registro para interrupção do fluxo de água.

 Barriletes, colunas de distribuição e ramais: as tubulações vão se ramificando


a partir do barrilete em colunas de distribuição e ramais, de modo a atender aos
dispositivos que utilizam água fria.

Deve-se prover um registro de gaveta para cada cômodo molhado. Para

dimensionar, a norma sugere o método dos pesos, onde são somados os pesos de

todos os equipamentos a atender, obtendo-se a vazão correspondente. Deve-se

estipular, então, um diâmetro igual ou maior ao necessário para atender ao limite

de velocidade da água e os diâmetros mínimos para cada equipamento. Também


se deve verificar quanto à perda de carga (pressão mínima).

Há ainda um ábaco que pode auxiliar nesse dimensionamento, onde são relacionados os

diâmetros nominais, somas de pesos e vazões. Este ábaco não consta na NBR

5626:1998, mas facilita o processo de cálculo:


Fonte: Tigre
Outra parte do projeto de instalações de água fria está na representação gráfica. Deve-se

fazer plantas de distribuição das colunas de água fria sobre lajes de cobertura, esquemas

isométricos ou vistas em escala grande.

Estas representações servem tanto para auxiliar o processo executivo como para orientar

o dimensionamento, facilitando a identificação e quantificação das conexões, maiores

responsáveis pela perda de carga.

Outras Recomendações

 Posição entre alimentador e instalações de esgoto: preferir adotar posições

opostas em um terreno, quando possível.


 Desenho: o mais simples possível, buscando economia de material e facilidade

de execução. Também é importante prever locais com instalações não unidas à

alvenaria e demais elementos construtivos, mochetas e outras configurações que

facilitem a manutenção sem quebradeira. Uma última dica é concentrar as

instalações no menor número de paredes, ou mesmo em uma, caso for possível e

o projeto arquitetônico deixar.

 Verificação: antes da execução de revestimentos, deve-se ter garantias do bom

funcionamento do sistema.

 Norma a adotar: verificar sempre qual a norma técnica que está em vigor, por
ocorrerem revisões periódicas.