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Língua Portuguesa

Apostila para estudos

2013
TRINTA DICAS PARA ESCREVER BEM

1. Deve evitar ao máx. a utiliz. de abrev., etc.

2. É desnecessário fazer-se empregar de um estilo de escrita demasiadamente rebuscado. Tal


prática advém de esmero excessivo que raia o exibicionismo narcisístico.

3. Anule aliterações (repetição da mesma consoante) altamente abusivas.

4. não esqueça as maiúsculas no início das frases.

5. Evite lugares-comuns como o diabo foge da cruz.

6. O uso de parênteses (mesmo quando for relevante) é desnecessário.

7. Estrangeirismos estão out; palavras de origem portuguesa estão in.

8. Evite o emprego de gíria, mesmo que pareça nice, sacou?? Então valeu!

9. Palavras de baixo calão, po..., podem transformar o seu texto numa merda.

10. Nunca generalize: generalizar é um erro em todas as situações.

11. Evite repetir a mesma palavra, pois essa palavra vai ficar uma palavra repetitiva. A repetição
da palavra vai fazer com que a palavra repetida desqualifique o texto onde a palavra se encontra
repetida.

12. Não abuse das citações. Como costuma dizer um amigo meu: 'Quem cita os outros não tem
ideias próprias'.

13. Frases incompletas podem causar

14. Não seja redundante, não é preciso dizer a mesma coisa de formas diferentes; isto é, basta
mencionar cada argumento uma só vez, ou por outras palavras, não repita a mesma ideia várias
vezes.

15. Seja mais ou menos específico.

16. Frases com apenas uma palavra? Jamais!

17. A voz passiva deve ser evitada.

18. Utilize a pontuação corretamente o ponto e a vírgula pois a frase poderá ficar sem sentido
especialmente será que ninguém mais sabe utilizar o ponto de interrogação

19. Quem precisa de perguntas retóricas?

20. Conforme recomenda a A.G.O.P, nunca use siglas desconhecidas.

21. Exagerar é cem milhões de vezes pior do que a moderação.

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22. Evite mesóclises. Repita comigo: 'mesóclises: evitá-las-ei!'

23. Analogias na escrita são tão úteis quanto chifres numa galinha.

24. Não abuse das exclamações! Nunca!!! O seu texto fica horrível!!!!!

25. Evite frases exageradamente longas, pois estas dificultam a compreensão da ideia nelas
contida e, por conterem mais que uma ideia central, o que nem sempre torna o seu conteúdo
acessível, forçam, desta forma, o pobre leitor a separá-la nos seus diversos componentes de forma
a torná-las compreensíveis, o que não deveria ser, afinal de contas, parte do processo da leitura,
hábito que devemos estimular através do uso de frases mais curtas.

26. Cuidado com a hortografia, para não estrupar a língúa portuguêza.

27. Seja incisivo e coerente, ou não.

28. Não fique escrevendo (nem falando) no gerúndio. Você vai estar deixando seu texto pobre e
estar causando ambigüidade, com certeza você vai estar deixando o conteúdo esquisito, vai estar
ficando com a sensação de que as coisas ainda estão acontecendo. E como você vai estar lendo
este texto, tenho certeza que você vai estar prestando atenção e vai estar repassando aos seus
amigos, que vão estar entendendo e vão estar pensando em não estar falando desta maneira
irritante.

29. Outra barbaridade que tu deves evitar chê, é usar muitas expressões que acabem por
denunciar a região onde tu moras, lazarento!... nada de mandar esse trem... vixi... entendeu
bichinho?

30. Não permita que seu texto acabe por rimar, porque senão ninguém irá agüentar já que é
insuportável o mesmo final escutar, o tempo todo sem parar.

Autor: Professor João Pedro da UNICAMP

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« Como é mesmo que dizia Riobaldo? Mire, veja: o mais importante e bonito, do mundo, é
isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas – mas que elas
vão sempre mudando, tal como a linguagem. »
(ROSA, João Guimarães. Primeiras estórias. 15. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001,
p.42.)

EMENTA : Semiótica da comunicação: o que é comunicação. Estudo da linguagem, da


língua, da fala e do discurso. Elementos da comunicação. Funções da linguagem. Língua
falada e língua escrita. Tipos de discurso. Gêneros e tipologias textuais: leitura, análise e
produção de textos. Coesão e coerência textuais. Elementos estruturais do texto.

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Como surgiu a nossa língua?

Os romanos têm muita relação com nossa língua. Os antigos romanos habitavam um pequeno
território chamado Lácio, uma planície que era constantemente atacada por povos vizinhos.
Para defendê-lo, seus habitantes construíram cidadelas. Uma delas era Roma, que comandava um
conjunto de cerca de trinta cidades.
Os romanos falavam uma língua chamada latim. Havia um latim falado pelo povo (soldados,
lavradores, comerciantes) que era o latim vulgar, e um latim escrito, usado pelas pessoas instruídas
(oradores, poetas e escritores de Roma), denominado latim clássico. O latim vulgar não era muito
elegante ou bem cuidado.
O Império Romano foi muito poderoso durante séculos e conquistou quase todo o mundo
conhecido da época. Por isso, a língua latina passou a ser o meio de expressão dos mais diversos povos.
Obrigados a falar uma língua nova, os habitantes das regiões conquistadas misturavam a sua língua
original com o latim e acabavam formando uma terceira língua.
Entre as regiões conquistadas estavam a Península Ibérica, onde hoje se localizam Portugal e
Espanha. O latim vulgar foi a língua predominante em toda a região.
Como as regiões habitadas pelo Império Romano eram habitadas por povos diferentes, cada um
com sua própria língua, diversos modos de falar o latim foram se estabelecendo.
Com o tempo, o Império Romano foi entrando em decadência. Assim, os habitantes das
províncias dominadas deixaram de ter contato com os de Roma e, por isso, o latim das províncias foi
sofrendo transformações profundas.
Os povos que invadiram as terras do Império Romano acabaram com as escolas nas quais se
ensinava o latim e destruíram boa parte da cultura dos romanos. Mas não conseguiram impor suas línguas.
Os árabes também dominaram a Península Ibérica e lá ficaram durante setecentos anos.
O domínio árabe contribuiu para aumentar as diferenças entre as várias línguas que haviam se
formado a partir do latim vulgar. Surgiram, assim, as línguas neolatinas ou românicas (línguas
originárias do latim vulgar), como o português, o espanhol, o francês, o italiano e o romeno.
O português é uma língua neolatina, pois originou-se do latim vulgar, o idioma falado pelos
antigos habitantes do Lácio.
(FERREIRA, Luiz Antônio. Lições de Gramática. 1999.)

As línguas modernas como a portuguesa, por exemplo, possuem cerca de 500 mil palavras, e o
homem é capaz de aprender de 3500 a 4000 palavras ao longo da existência. A Língua Portuguesa é falada
por aproximadamente 250 milhões de pessoas e é a sexta língua mas falada no mundo.

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COMUNICAÇÃO

O que é comunicação?

No final do século XIX, comunicação era troca, entendimento, compreensão, intercâmbio


de mensagens; no século XX, esse conceito foi ampliado e comunicação passou a ser definida
como troca, entendimento, compreensão, intercâmbio de mensagens entre seres da mesma
espécie e atualmente é troca, entendimento, compreensão, intercâmbio de mensagens entre seres
da mesma espécie desde que haja interação/colaboração/cooperação por parte do emissor (E) e do
receptor (R).
Então, podemos concluir que tudo é comunicação, pois ela é de fundamental importância
na vida de todos os seres vivos. Todos os animais que vivem em sociedade utilizam a
comunicação. As formigas e as abelhas, por exemplo, desenvolveram um sistema de
comunicação essencial para a sobrevivência da espécie. A essa capacidade de se comunicar,
damos o nome de linguagem e cada espécie possui uma linguagem própria.
A comunicação ocorre nas situações em que há intenção de comunicar algo a alguém
causando uma reação ou um efeito sobre o outro.
O interlocutor de um texto é o leitor/ouvinte a quem ele, o texto, dirige-se
preferencialmente, ou, em outras palavras, é o leitor/ouvinte em quem pensa o autor no momento
da produção de um texto. Há, para cada texto, não só um contexto, mas também um interlocutor
preferencial.

COMUNICAÇÃO → MENSAGEM → TEXTO → LINGUAGEM


LINGUAGEM: A linguagem é a expressão do pensamento. Ela tem caráter universal porque é
a capacidade que todos os seres vivos têm de trocar ou de compreender mensagens. A principal
função da linguagem é garantir a comunicação. A linguagem não é uma faculdade específica do
homem, já que outros animais podem estabelecer comunicação com seus semelhantes. Não
devemos achar que existe uma comunicação entre os homens e os papagaios, pois o ser humano é
o único animal capaz de criar e utilizar a palavra como meio de comunicação. Se assim o fosse,
os papagaios poderiam sair do local onde vivem e ir para outros lugares e, lá chegando,
estabelecer comunicação com outras pessoas ou com outros papagaios. Mesmo que sejam
treinados para repetir algumas palavras, nunca seriam vistos conversando com outros papagaios
ou com outras pessoas.
É importante ressaltar que somente se comunicam seres da mesma espécie. Por exemplo,
as abelhas comunicam ao enxame o local onde se encontra o néctar por meio de uma dança.
Também os golfinhos modulam sons para comunicar entre si a aflição, a alegria, o apelo à ajuda.
Existem dois tipos de linguagem: a verbal e a não verbal
● Não verbal (simbólica): é aquela que não utiliza palavras. São exemplos de linguagem não
verbal os sinais, os símbolos, as expressões faciais e corporais, os gestos, as cores, as imagens, os
sons.
● Verbal (sígnica): é aquela que utiliza sempre as palavras. É também conhecida como língua.
Portanto, linguagem verbal ou língua são a mesma coisa. Os homens são os únicos seres dotados
de linguagem verbal, ou seja, são os únicos seres capazes de se expressar por meio de palavras.
A linguagem é a forma concreta por meio da qual o homem expressa os próprios
pensamentos, sentimentos e ideologias.

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Podemos definir linguagem como a capacidade que todos os seres vivos têm de trocar ou
de compreender mensagens pelo Princípio da Alteridade: A sociedade não é EU, mas EU +
EUS OU EU + OUTRO(S)

EGO + ALTER = EU + INTERAÇÃO COM O OUTRO

Quem sou eu para:


O lojista: comprador
O médico: cliente
O proprietário: inquilino
A Receita Federal: contribuinte
A aeromoça: passageiro
O rádio: ouvinte
A televisão: telespectador
O jornal: leitor
O político: eleitor
Quando eu morrer:
Finado
Defunto
Falecido
Desencarnado
“Presunto”
“de cujus” (Direito Civil: morto rico. Redução “de cuja sucessão”)

LÍNGUA: é um conjunto de signos e de regras de combinação desses signos com a finalidade de


externar um pensamento. A língua existe em estado potencial, pois está armazenada na memória
dos falantes de uma coletividade. Sendo assim, ela é uma entidade abstrata e também social
porque foi instituída ou imposta, ou seja, é um contrato social firmado e, como tal, deve ser
obedecida e seguida. Nenhum usuário da língua pôde, em momento algum, opinar por meio de
que idioma queria se comunicar.
A língua é uma consequência da evolução da linguagem, já que se trata de uma
sistematização de elementos representativos (signos).
A língua é única, mas ela tem vários usos, pois dentro de uma unidade, há variações:
regionais, faixa etária, sociais, econômicas, fatores interacionais (dependem da situação).

Não te amo mais


Estarei mentindo dizendo que
Ainda te quero como sempre quis
Tenho certeza de que
Nada foi em vão
Sinto dentro de mim que
Você não significa nada
Não poderia dizer mais que
Alimento um grande amor
Sinto cada vez mais que
Já te esqueci!
E jamais usarei a frase
Eu te amo!
Sinto, mas tenho que dizer a verdade
É tarde demais...
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FALA: é a utilização da língua pelo falante a seu modo, ou seja, segundo as possibilidades dele.
É a escolha pessoal que o indivíduo faz dos signos (palavras/vocábulos) da língua, para a
expressão do pensamento. É um ato individual, já que cada pessoa tem uma maneira própria de se
expressar. Consiste na emissão de determinados sons combinados de modo a transmitir
significações a outras pessoas. Na fala, deixamos expressa nossa crença, nossa filosofia, nossa
ideologia, nossa maneira de encarar o mundo ou determinada situação; enfim, nossa marca.
Podemos afirmar que a fala é também concreta, pois é por meio dela que a língua se materializa e
toma forma.
Cada indivíduo se apropria da língua de modo ímpar, ou seja, de maneira própria para se
expressar, pois procura selecionar as formas de enunciação que melhor exprimam gostos e
pensamentos.

DISCURSO: O conceito de discurso é mais abrangente que o de fala, já que aquele compreende
tanto a modalidade realizada oral (fala) quanto a realizada graficamente (escrita). Então, discurso
é a apropriação da língua na modalidade falada (oral) ou escrita.

O SIGNO LINGUÍSTICO

Tomemos os termos vocábulo ou palavra como sinônimos de signo, somente


considerando que o signo é a associação de um significante (som, imagem gráfica) a um
significado (ideia, conceito ou imagem mental).
Por exemplo:
O signo CARRO e composto
↓ ↓
por um significante por um significado:
fônico: /KaRu/ veículo de transporte
gráfico: carro

O SENTIDO DAS PALAVRAS: DENOTAÇÃO E CONOTAÇÃO

Dependendo do contexto em que se encontra, uma palavra pode ter uma significação
objetiva, clara, comum a todos, ou seja, a palavra é empregada em sentido real. É o valor
denotativo da palavra (sentido do dicionário)
Exs.:
O leão é o rei dos animais.
Aquele garfo é de inox.
O mel é produzido pelas abelhas.

A mesma palavra, em outro contexto, pode sugerir outros significados, outras


interpretações. É o valor conotativo da palavra.
Exs.: Aquele homem é um leão.
Aquele homem é um bom garfo.
Iracema era a jovem índia dos lábios de mel.

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EXERCÍCIO

Dê a significação que as palavras abaixo adquirem quando empregadas para atribuir sentido
conotativo aos humanos. Escreva uma frase com sentido figurado para cada uma delas.

a) rato
b) cobra
c) coruja
d) topeira
e) gata
f) víbora

ELEMENTOS DA COMUNICAÇÃO

Conforme dito anteriormente, todo ato de comunicação é um processo no qual estão


envolvidos seis elementos: emissor, receptor, mensagem, código, canal e referente.
EMISSOR: também conhecido como enunciador, codificador, fonte ou remetente, é quem
elabora ou formula a mensagem ou toma a iniciativa de enviá-la. Pode ser individual ou coletivo.
RECEPTOR: também conhecido como enunciatário, decodificador ou destinatário, é quem
recebe a mensagem e pode tornar-se, em seguida, também um emissor (resposta). Pode ser
individual ou coletivo, ouvinte ou leitor.
MENSAGEM: também conhecida como enunciado, é o conteúdo das informações transmitidas.
Mais especificamente, o conjunto de signos bem organizados ou não, mais claros ou menos
claros, que o emissor envia ao receptor.
CÓDIGO: é a linguagem verbal ou não verbal utilizada. Mais especificamente, um conjunto de
signos e de regras de combinação desses signos, as quais o emissor e o receptor devem conhecer
muito bem para se comunicarem com eficiência.
CANAL: é o meio concreto que possibilita a transmissão da mensagem.
Canal visual: desenhos, imagens fixas ou animadas, escrita, etc.
Canal sonoro: fala, música, ruídos, etc.
REFERENTE: São o contexto, a situação e os objetos aos quais a mensagem remete. É a situação
concreta ou real da mensagem, ou seja, é a concretização da mensagem.

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EXERCÍCIOS

1. Nas situações de comunicação abaixo, indique os elementos do processo.


a) Luís escreveu um bilhete para Beatriz em que se podia ler: “Estou com saudades”.
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b) O pai conversa com a filha ao telefone e diz que vai chegar atrasado para o jantar.
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c) Um brasileiro toma um sorvete em uma sorveteria. Ao perceber que um americano está


olhando, dirige-se a este, aponta para o sorvete e diz: “Good”.
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d) Um motorista ultrapassa o sinal fechado. Do outro lado da rua, o guarda de trânsito aponta-lhe
o sinal vermelho e notifica-o de que foi multado mostrando a ocorrência por escrito.
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FUNÇÕES DA LINGUAGEM

Os textos, orais ou escritos, buscam sempre um efeito. Isso nos permite classificá-los com
base nos elementos que eles destacam na situação de comunicação. De acordo com o elemento
destacado, existe uma função presente na situação de comunicação. Portanto, se há seis
elementos de comunicação, consequentemente, há seis funções de linguagem. São elas:

1) Função emotiva ou expressiva: Está centrada no emissor, na 1ª pessoa (eu). Expressa os


sentimentos, as emoções, a opinião, os julgamentos de quem fala em relação àquilo de que está
falando.O texto é subjetivo (texto subjetivo é aquele centrado na 1ª pessoa, em que o emissor fala
dos próprios sentimentos e emoções).

Ex.: Como estou feliz hoje!

2) Função conativa ou apelativa: Está centrada no receptor, na 2ª pessoa (tu/ você). É dirigida
ao receptor com o objetivo de influenciá-lo a fazer ou a deixar de fazer alguma coisa. Principais
características:

a) verbos no imperativo:
Exs.: Beba coca cola.
Compre batom.

b) presença do pronome de tratamento “você”.


Ex. Se eu fosse você, só usava Havaianas.

c) presença dos pronomes possessivos “seu(s), sua(s)”.


Ex.: Fusion, o carro que tem o seu estilo.

3) Função poética: Está centrada na própria mensagem. Valoriza a informação pela forma como
é veiculada. A função poética realça a elaboração da mensagem e caracteriza-se pela criação da
linguagem. Percebe-se um cuidado especial na organização da mensagem por meio da exploração
das figuras de linguagem, do ritmo e das sonoridades.
Exs.:
girafas
africanas
como meus avós
quem me dera
ver o mundo
tão do alto
quanto vós.

“Quem cabritos vende, e cabras não tem, de algum lugar lhe vêm.”

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4) Função metalinguística: Está centrada no código. Traz sempre uma explicação, procurando
definir o que não está claro. Toda mensagem que fala sobre a própria linguagem é
metalinguística. Metalinguagem é, portanto, a linguagem sobre a linguagem, a utilização da
linguagem para esclarecer ou explicar o próprio código a alguém.
Ex.: O que significa a palavra “televisão”?
Trata-se de um vocábulo híbrido porque é constituído por dois radicais distintos: um grego e um
latino: tele = a distância + visão = ver. Portanto, significa “visão a distância”.

5) Função fática: Está centrada no canal ou apenas no contato. Ocorre quando o emissor deseja
verificar se o canal de comunicação está funcionando.
Ex.: “Alô, alô, marciano, aqui quem fala é da Terra!”

6) Função referencial ou informativa: Centrada no referente ou no assunto. Ocorre toda vez


que a mensagem faz referência a acontecimentos, fatos, pessoas, animais ou coisas, com o
objetivo de transmitir informações. Nesta função, o objetivo é informar apenas.
Exs.: O Sol é o centro do nosso sistema planetário.
O serviço de meteorologia prevê chuvas e queda de temperatura neste final de semana.

OBS.: Numa mensagem, podem ser encontradas duas ou mais funções, porém, sempre haverá
predominância de uma delas.

EXERCÍCIOS
Identifique as funções de linguagem presentes nos textos abaixo:
1) Impressão digital a olhos vistos: Vai chegar o dia em que você vai abrir portas com um
simples olhar. É o que pretende a empresa americana Sensar, que criou um sistema de
identificação pela íris, a parte colorida do olho. O processo começa com uma câmera que
fotografa o olho em preto-e-branco. Depois, computadores classificam as áreas escuras que
aparecem na foto e criam uma espécie de código de barras para a íris. Na hora de identificar o
dono do olho, o computador simplesmente puxa o código gravado e compara com a íris do
indivíduo. A Sensar acredita que o novo sistema, chamado Irisdent, estará com uso em caixas
eletrônicos até o final deste ano. Com a promessa de fazer identificações mais confiáveis até que
as tradicionais impressões digitais.
2) – Pois é…
- Então…
- É fogo!
- Ô.
- Nem fale.
- É!
- Ô se é!

3) “(…) Acho, no entanto, que me falta inteligência para explicar essa imagem, mas não me
falta emoção para sentir o remoto e silencioso fascínio de seus segredos. Por isso limito-me a
fixar meus olhos neste quadro de Magritte e, sem saber o que dizer, atino tão-somente com um
vago e contraditório sentimento de atração. (…) Prego mais uma vez meus olhos nesta imagem e
revivo a impressão de que ela fita algum enigma em meu olhar e, sem achar expressão para meu
desconcerto, deixo que estas palavras digam o que realmente sinto e não sei dizer.”

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4) O essencial é saber ver
Saber ver sem estar a pensar.
Saber ver quando se vê.
E nem pensar quando se vê
Nem ver quando se pensa.

5) Em terra de olho quem tem um cego… Ih! Errei!

6) O que significa “olhar vulpino”?


– Significa “olhar de raposa”.

7) – Melhoral é melhor e não faz mal!

8) – Alô, alô, responde!


– Ahn? Quem?
– Sei lá.

9) Na propaganda: “um filtro solar em que você poderá ser a musa dos próximos verões”, temos
um exemplo de função de linguagem:
a) ( ) referencial b) ( ) metalinguística
c) ( ) fática d) ( ) emotiva
e) ( ) apelativa

10) A função conativa ou apelativa está centrada no receptor da mensagem e solicita a atenção
dele. É uma função muito utilizada nas propagandas por meio do uso de verbos no imperativo,
usos do pronome possessivo ou do pronome de tratamento “você”. Abaixo, encontramos alguns
dos mais conhecidos slogans; assinale os que apresentam função conativa:

a) Um diamante é para sempre. ( )


b) Deu duro, tome um Dreher. ( )
c) Knorr é melhor. ( )
d) Põe na Cônsul. ( )
e) Fogos Caramuru não dão chabu. ( )
f) Abuse, use C&A. ( )
g) O Itaú está onde você precisa. ( )
h) Costurar é um ato de amor. ( )
i) Legítimas, só Havaianas. ( )
j) Se eu fosse você, só usava Valisère. ( )
k) Se a marca é Cica, bons produtos indica. ( )
l) Os elogios são para você. ( )
m) Dá o branco que a sua família merece. ( )

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LÍNGUA – NORMAS CULTA E COLOQUIAL

A língua, conforme já visto, é um código de que se serve o homem para elaborar mensagens,
com o objetivo de se comunicar. Existem basicamente duas modalidades de língua, ou seja, duas
línguas funcionais:
1 – Língua culta ou língua-padrão: é a língua vernácula, ou da Nação. Ela obedece ao padrão
culto, ou seja, segue as regras ditadas pela Gramática Normativa. É utilizada pelo segmento mais
culto e influente de uma sociedade (emissoras de rádio e televisão, jornais, revistas, etc.). Essa
modalidade deve ser preservada porque assegura a unidade da língua nacional. É justamente em
nome dessa unidade, tão importante do ponto de vista político e cultural, que é ensinada nas
escolas e difundida nas gramáticas.
2 – Língua popular, cotidiana ou coloquial: É mais espontânea, mais criativa, mais dinâmica,
mais expressiva e bem menos presa às regras gramaticais. Apresenta altos níveis de variação
(social, cultural, econômica, geográfica, etc.).
Para viver, é preciso conhecer a língua popular com sua espontaneidade, criatividade,
dinamismo e expressividade; para conviver, é preciso conhecer a língua culta. A língua
coloquial garante vivência, a culta garante convivência.

LÍNGUA ESCRITA E LÍNGUA FALADA

A língua escrita, estática, mais elaborada e menos econômica, não dispõe de recursos
próprios da língua falada. Existem sociedades ágrafas, ou seja, aquelas em que não existe a língua
escrita, mas sim somente a falada.
A acentuação (relevo da sílaba ou sílabas), a entoação (melodia da frase), as pausas
(intervalos significativos no decorrer do discurso), além da possibilidade de gestos, olhares,
piscadas, etc., fazem da língua falada a modalidade mais expressiva, mais criativa, mais
espontânea e natural, estando, por esse motivo, mais sujeita a transformações/modificações.
Nenhuma, porém, se sobrepõe a outra em importância. Cabe à escola ensinar as duas
modalidades, mostrando as características e as vantagens de uma e de outra, sem deixar
transparecer nenhum caráter de superioridade ou inferioridade, já que, na verdade, não existe.
Isso não significa dizer que se deve admitir tudo na língua falada, pois a nenhum povo interessa a
multiplicação de línguas; a nação alguma interessa o surgimento de dialetos, consequência
natural do enorme distanciamento entre uma modalidade e outra.
A língua escrita é, foi e sempre será mais elaborada que a língua falada, porque é a
modalidade que mantém a unidade linguística de um povo, além de ser a que faz o pensamento
atravessar o espaço e o tempo.
É importante salientar que a norma a ser empregada deve variar de acordo com a
situação em que se desenvolver o discurso, ou seja, o ambiente sociocultural determina o nível de
linguagem que deverá ser utilizado. O vocabulário, a sintaxe, a pronúncia e até a entoação
variam, segundo esse nível.
Portanto, na escrita, deve sempre prevalecer o padrão culto; na fala, o nível coloquial pode
ser empregado, dependendo da situação de comunicação.

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O CONCEITO DE ERRO EM LÍNGUA

Em rigor, ninguém comete erro em língua, exceto em ortografia; o que se comete,


normalmente, são transgressões da norma culta. De fato, aquele que, num momento íntimo do
discurso, diz: “Ninguém deixou ele falar”, não comete propriamente erro, mas transgressão da
norma culta. Um repórter, ao cometer uma transgressão na fala, transgride tanto quanto um
indivíduo que comparece a um jantar trajando bermuda e camiseta. O que deve ser levado em
consideração é o momento do discurso que pode ser íntimo, neutro ou solene.
O momento íntimo é aquele em que as falas são livres e descontraídas: em casa com os
parentes, em reuniões com os amigos ou qualquer outra situação de informalidade em que os
interlocutores estão livres para falar.
Exs.:
Eu não vi ela hoje.
Eu lhe amo.
Não assisti o futebol.
Deixe eu ver isso.
Entrou e saiu do ônibus.
Nos momentos neutros, deve prevalecer a língua-padrão, que á a língua da Nação, como
forma de respeito. O momento neutro é o utilizado nos meios de comunicação de massa (rádio,
televisão, jornais, revistas, etc.). Eis por que a transgressões não são admitidas.
Nesse momento, as construções devem ser:
(Eu) Não a vi hoje.
Eu o/a amo.
Não assisti ao futebol.
Deixe-me ver isso.
Entrou no ônibus e saiu dele.

O momento solene, acessível a poucos, é o da arte poética, caracterizado por momentos de


rara beleza. Em se tratando de arte, tudo é permitido, eis o que designamos de “licença poética”.
Ex.:
“Toda vez que eu viajava pela estrada de Ouro fino, de longe eu avistava a figura de um menino,
que corria, abria a porteira, depois vinha me pedindo: ‘Toque o berrante seu moço e é pra mim
ficar ouvindo’.”

GÍRIA: Ao contrário do que muitos pensam, a gíria não constitui um flagelo da linguagem. O
mal maior da gíria reside na adoção dela como forma permanente de comunicação,
desencadeando um processo não só de esquecimento, como de desprezo do vocabulário oficial.
Usada no momento certo, porém, a gíria é um elemento de linguagem que denota expressividade
e revela grande criatividade, desde que, naturalmente, adequada à mensagem, ao receptor e ao
meio. Ainda que criativa e expressiva, a gíria só é admitida na língua falada. A língua escrita não
a tolera, a não ser na reprodução da fala de determinado meio ou época, cuja intenção é apenas
documentar um fato, ou em casos especiais de comunicação entre amigos, familiares, etc.,
caracterizada pela linguagem informal.

JARGÃO: É a gíria das profissões. Visa à precisão técnica e normalmente aparece também na
forma escrita: juridiquês, informatiquês, pedagogês, tecnologês.

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O QUE É TEXTO?

A palavra texto vem do latim TEXTUS e significa tecido. Sem dúvida alguma, a
palavra texto é familiar a qualquer pessoa, mas não há como falar do que seja um texto sem
ter uma ideia do que é a significação e do que é a linguagem.
Não existe texto inocente, ou seja, todo texto tem uma intenção: expressar uma
opinião, informar algo, apresentar um assunto, contar uma história. A essa intenção chama-
se intenção comunicativa ou intenção discursiva.
DEFININDO TEXTO
“Texto é toda a construção cultural que adquire um significado devido a um sistema
de códigos e invenções: um romance, uma carta, uma palestra, um quadro, uma foto, uma
tabela são atualizações desses sistemas de significados, podendo ser interpretados como
textos” (PLATÃO & FIORIN. Lições de texto. p.25).
Podemos considerar um conjunto de palavras um texto? Se as palavras estiverem
ordenadas numa sequência de modo que transmitam uma mensagem e que o conjunto de
frases que formou o texto é afim com o código utilizado pelos falantes e ouvintes, numa
certa situação espaço-temporal e com certas finalidades, sim. Ou seja, não é possível falar
que um conjunto de frases é um texto se este conjunto não mantém relações entre si e com a
situação em que são produzidas. Então, o que um texto significa, tem a ver,
necessariamente, com a situação com a qual as sequências linguísticas estão relacionadas.
No entanto, é possível constatar que não é só a situação imediata que é constitutiva do
sentido de um texto. As condições histórico-sociais e ideológicas são também elementos da
situação discursiva e constituem as chamadas condições de produção do discurso, nas quais
se produz um texto.
Concluindo, podemos dizer que texto é um todo significativo que,
independentemente da sua extensão, transmite uma mensagem, já que um texto pode ser
constituído por uma palavra, uma frase, ou uma sequência de várias frases. Ainda podemos
definir texto como uma unidade global de sentido. O que define um texto não é a sua
extensão, mas o fato de ele ser uma unidade de sentido em relação à situação (contexto).
Para se entender um texto na sua totalidade, três conhecimentos têm que ser
acionados:
● Conhecimento linguístico (domínio do léxico: vocabulário de uma língua)
● Conhecimento textual (diz respeito ao gênero textual)
● Conhecimento prévio, de mundo ou repertório

Contexto: São as condições de produção de um texto. No momento da interpretação de um


texto, considerar o contexto é de suma importância.

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A MODERNIDADE CHEGOU E É um filho onde éramos seis
TUDO MUDOU O álbum de fotos agora é mostrado por
email
O rouge virou blush O namoro agora é virtual
O pó-de-arroz virou pó-compacto A cantada virou torpedo
O brilho virou gloss E do 'não' não se tem medo
O rímel virou máscara incolor
O break virou street
A Lycra virou stretch O samba, pagode
Anabela virou plataforma O carnaval de rua virou Sapucaí
O folclore brasileiro, halloween
O corpete virou porta-seios O piano agora é teclado, também
Que virou sutiã O forró de sanfona ficou eletrônico
Que virou silicone
Fortificante não é mais Biotônico
A peruca virou aplique, interlace, Bicicleta virou Bike
megahair, alongamento Polícia e ladrão virou counter strike
Preciso incluir aqui: Folhetins são novelas de TV
O que era alisamento de cabelos,
Virou chapinha e agora é escova Fauna e flora a desaparecer
definitiva ou progressiva Lobato virou Paulo Coelho
(é um tal de ver a mulherada com cabelos Caetano virou um chato
lisos e, na maioria, maltratados Chico sumiu da FM e TV

Confeti virou MM Baby se converteu


A crise de nervos virou estresse RPM desapareceu
A chita virou viscose. Elis ressuscitou em Maria Rita?
A purpurina virou gliter Gal virou fênix
A brilhantina virou mousse
Raul e Renato, Cássia e Cazuza,
Os halteres viraram bomba Lennon e Elvis,
A ergométrica virou spinning Todos anjos
A tanga virou fio dental Agora só tocam lira...
E o fio dental virou anti-séptico bucal
Ninguém mais vê... A AIDS virou gripe
A bala antes encontrada agora é perdida
O a-la-carte virou self-service A violência está coisa maldita!
A tristeza, depressão A maconha é calmante
O espaguete virou Miojo pronto
A paquera virou pegação O professor é agora o facilitador
A gafieira virou dança de salão As lições já não importam mais
O que era praça virou shopping A guerra superou a paz
E a sociedade ficou incapaz...
A areia virou ringue De tudo.
A caneta virou teclado Inclusive de notar essas diferenças.
O long play virou CD (VERÍSSIMO, Luiz Fernando)
A fita de vídeo é DVD
16
GÊNEROS E TIPOLOGIAS TEXTUAIS

Gêneros textuais são tipos específicos de texto de qualquer natureza,


literários ou não. Tanto na forma oral como na escrita, os gêneros textuais são
caracterizados por funções específicas e organização retórica mais ou menos
típica. São reconhecíveis pelas características funcionais e organizacionais que
exibem e pelos contextos onde são utilizados. Gêneros textuais são formas de
interação, reprodução e possível alteração sociais que constituem ao mesmo
tempo, processos e ações sociais e envolvem questões de acesso (quem usa quais
textos) e poder.
Podemos falar em gêneros variados que vão do cartão-postal e do telegrama
ao texto científico e conto, fábula, anedota, poema, cartaz, crônica, e-mail,
receita, manual, ofício, charge, etc.
São textos que circulam no mundo, que têm uma função específica, para um
público específico e com características próprias. Os gêneros são como processos
e ações sociais. São processos por estarem intimamente relacionados ao social, ou
seja, se há mudanças sociais, por conseguinte, há alterações na constituição do
gênero, por não serem entidades prontas e acabadas. São ações sociais por
promoverem modificações no mundo, na realidade, isto é, através dos gêneros são
realizadas ações, coisas são feitas causando, com isso, mudanças de estado.
Os gêneros são língua em uso, são língua viva, são instrumentos de
comunicação.
Como eles são instrumentos de comunicação indispensáveis, todas as
pessoas usam gêneros para se comunicar. O fato de todas as pessoas dominarem
pelo menos alguns gêneros, dá uma base para que elas possam aprender outros e
mais outros, de forma infinita.
A fim de simplificar o entendimento de diversos estudos em torno desse
assunto, foi criado o quadro abaixo, pautando-se no estudo de Luiz Antônio
Marcuschi.

17
Tipos textuais Gêneros textuais

Designam uma sequência definida pela São os textos materializados encontrados


natureza linguística de sua composição. em nosso cotidiano. Esses apresentam
São observados aspectos lexicais, características sócio-comunicativas
sintáticos, tempos verbais, relações definidas por seu estilo, função,
lógicas. composição, conteúdo e canal.

♣ Descrição ♣ Carta pessoal


♣ Narração ♣ Bilhete
♣ Dissertação: argumentativa ♣ Diário pessoal
(argumentação com o objetivo de ♣ Agenda
convencer), e expositiva ou opinativa ♣ Anotações
(exposição de uma ideia sem tentativa de ♣ Romance
convencimento) ♣ Resenha
♣ Injunção (texto apelativo) ♣ Blog
♣ Informativo ou explicativo ♣ E-mail
♣ Poético ♣ Bate-papo (Chat)
♣ Orkut
♣ Videoconferência
♣ Fórum
♣ Aula expositiva, virtual
♣ Reunião de condomínio
♣ Debate
♣ Entrevista
♣ Lista de compras
♣ Piada
♣ Sermão
♣ Cardápio
♣ Horóscopo
♣ Manual de instruções de uso
♣ Inquérito policial
♣ Telefonema
♣ Receitas
♣ Bulas de remédio,
♣ Histórias em quadrinhos (HQ) etc.

De acordo com o quadro acima, percebe-se que não existe gênero que não
tenha tipo(s) textuais; todo gênero, materializado em alguma configuração textual,
virá, por conseguinte, ‘encarnado’ em uma ou mais sequências tipológicas.

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TIPOLOGIAS TEXTUAIS

Os textos variam conforme as intenções do autor, podendo ser descritivos,


narrativos, informativos ou explicativos, dissertativos ou argumentativos,
injuntivos ou apelativos e poéticos.
Raramente um texto é construído com as características de um só tipo. O mais
comum é encontrarmos os vários tipos em um só texto. A esse fenômeno, damos o
nome de texto misto (aquele em que as tipologias aparecem mescladas).

TEXTO DESCRITIVO
No texto descritivo, a intenção do autor é a de caracterizar (por meio de
adjetivos), apresentar aspectos ou atributos dos seres (imaginários ou reais, animados ou
inanimados) retratados. Estilisticamente, as figuras de linguagem que predominam são
as metáforas e as comparações. Linguisticamente, são os substantivos acompanhados de
adjetivos. Normalmente, os verbos estão no pretérito imperfeito do indicativo ou são
verbos de ligação. O texto descritivo pode ser comparado a uma fotografia, com a
diferença de que, aquela utiliza a imagem e este, a palavra.
Quando se descreve apenas um ser, o texto pode ser estruturado num único
parágrafo. E quando se descrevem pessoas, a descrição pode também incluir uma parte
psicológica.
A boa descrição consiste em descrever tão fiel e perfeitamente algo que nem se
faz necessário citar o que foi descrito.
Ex.: “Era grande, branco, com crina brilhante de vento e luz, caída sobre o pescoço
firme. As patas pisavam duras e elegantes, os cascos negros. O peito de músculos
avançava com a certeza de um deus. Os olhos grandes, brilhantes, belos, revelavam a
raça do cavalo. (...) Mexendo a cabeça bruscamente, num belo movimento, ergueu-se
e relinchou com toda a sua força.”
(VASCONCELOS, J. M. Coração Dourado. 1972, p.72)

TEXTO INJUNTIVO OU APELATIVO


(Função de linguagem presente: Conativa ou Apelativa). A palavra injunção significa
“ordem formal, imposição, exigência”. Uma das formas verbais do texto injuntivo é o modo
imperativo. Os textos injuntivos exemplificam o uso da linguagem na função apelativa (ou
conativa).
Exs.: Beba coca-cola.
Compre batom, coma batom!
Vem pra Caixa você também!
UNIMED, o plano de saúde que tem o atendimento que a sua família merece!

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TEXTO POÉTICO

(Função de linguagem presente: Poética) No texto poético, o objetivo é a própria


construção da mensagem. O texto poético valoriza sons, ritmos e a variedade de sentidos.
Podemos encontrar textos poéticos narrativos, descritivos, informativos ou injuntivos, como
algumas mensagens publicitárias.

SONETO DE SEPARAÇÃO

De repente do riso fez-se o pranto


Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento


Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente


Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.

Fez-se do amigo próximo o distante


Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.

(MORAES, Vinícius de. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1986,
p. 226-227.)

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TEXTO INFORMATIVO OU EXPLICATIVO
(Função de linguagem presente: Referencial ou Informativa) É aquele tipo de texto
presente em jornais (texto de imprensa), revistas, livros didáticos, trabalhos científicos,
relatórios. Como o próprio nome diz. Tem a função de informar o leitor sobre algum
acontecimento.
O texto informativo deve ter uma linguagem objetiva e não se confunde com os
textos de natureza artística ou literária. Procura transmitir conhecimentos ou analisar um
fenômeno ou uma teoria.
Ex.: CADERNO TRAZ NOVO DICIONÁRIO DE IDEIAS FEITAS
Quatorze intelectuais apontam os principais clichês do discurso atual, inspirados no
Dicionário de idéias feitas, do escritor francês Gustave Flaubert (1821 – 1880). Entre
os principais lugares-comuns, estão: “Fome Zero”, “globalização”, neoliberalismo”,
e “retomada do cinema brasileiro”.
(Folha de S. Paulo, 21/9/2003)
Aplicação das diferentes formas de composição deste tipo de texto
EDITORIAL
1. Conceito: O editorial veicula a opinião do jornal ou, mais especificamente, da direção
do órgão jornalístico. Consiste em um comentário sobre o mais importante fato noticiado,
seja anteriormente, seja na mesma edição ou até mesmo em outro jornal ou meio de
comunicação.

2. Características: Tem caráter opinativo, e, assim, aproxima-se da dissertação, pela


argumentação; distingue-se da notícia, que veicula informação. Por representar a opinião da
direção do jornal, geralmente não traz assinatura e deve adotar um tom, quanto possível,
impessoal.
3. Estruturação: O editorial, por ter caráter dissertativo, estrutura-se nas três partes
fundamentais: introdução, explanação, desenvolvimento ou argumentação e conclusão ou
fecho. A introdução não deve ser longa; deve ser breve, clara, instigante para chamar a
atenção do leitor. A explanação deve ser concatenada, lógica, organizada, levando à
conclusão do texto.
Características do texto jornalístico: Uma notícia ou reportagem costuma ser dividida
em três partes: manchete ou título, primeiro parágrafo e restante da notícia.
a) Manchete ou título: Tem o objetivo de tentar despertar o interesse do leitor pela
leitura. É uma mensagem condensada, rápida e, muitas vezes, surpreendente;
destaca-se graficamente do resto da notícia, pois vem sempre em letras maiúsculas,
em negrito e centralizada.
b) “olho” da notícia: Vem logo abaixo do título. Frase de impacto que tem a função de
criar no leitor interesse pela notícia, por meio de uma síntese dela. Distingue-se do
título por apresentar um tamanho de letra menor, em geral, em estilo itálico. Isso faz
com que também se diferencie do corpo do texto, já que este aparece num tamanho
ainda menor.
Nem todas as notícias possuem “olho”.

21
c) Lide (lead): É o primeiro parágrafo da notícia e o mais importante. Caracteriza-se
por:
- conter as primeiras informações;
- ser breve: apenas um parágrafo;
- responder às perguntas: QUEM? O QUÊ? QUANDO? ONDE? POR QUÊ? COMO?;
- citar o local de origem da notícia, quando esta não for local.
O redator da notícia deve resumir os fatos no primeiro parágrafo (lide) com o cuidado
de manter o interesse do leitor pelo resto da coluna. Portanto, seleciona os elementos mais
importantes para o lide.
d) Sublead: pode aparecer ou não (2º parágrafo)
e) Restante da notícia: é tudo o que vem depois do primeiro parágrafo.
f) Subtítulo: são pequenos comentários que vêm um pouco acima do lide. Nem todas
as notícias trazem subtítulo.

TEXTO NARRATIVO
No texto narrativo, a intenção do autor é a de narrar/relatar/contar fatos,
acontecimentos reais ou imaginários que se sucedem no tempo (sequência linear),
envolvendo personagens e ação.
a) A estrutura da narração é:
- INTRODUÇÃO
- DESENVOLVIMENTO: → complicação: recurso utilizado pelo narrador para
prender a atenção do leitor, e as tensões provenientes dessa situação de desequilíbrio
devem aumentar gradativamente até atingir o clímax.
→ clímax: é o ponto máximo do conflito, o momento
decisivo. As novelas ou filmes a que assistimos, por exemplo, fazem sucesso porque
apresentam diversos conflitos que se desencadeiam até alcançar o clímax.
- CONCLUSÃO OU DESFECHO: é o final da narrativa.
Normalmente, os verbos estão no pretérito perfeito do indicativo.
b) Os elementos da narração são:
- Personagem (ns): QUEM?
- Tempo: QUANDO?
- Espaço ou lugar: ONDE?
- Enredo: COMO?/QUAL A HISTÓRIA QUE SE CONTA?
- Desfecho ou Conclusão: POR ISSO.
c) O foco narrativo é o ponto de vista que o escritor utiliza para contar a história.
Ele pode ser em 1ª ou 3ª pessoa.
● 1ª pessoa: narrador-personagem: narrador participa da história como personagem,
ou seja, ela não só conta, como também vivencia a história. Os verbos e os pronomes

22
são empregados na 1ª pessoa. O narrador se funde com a personagem, que pode ou
não ser a principal.
● 3ª pessoa: narrador observador: o narrador observa os fatos de fora e registra-os.
Nesse caso, os verbos e os pronomes são empregados na 3ª pessoa.
● Narrador onisciente: sempre em 3ª pessoa. Ocorre quando o narrador “invade”o
pensamento das personagens e mostra o que elas pensam ou sentem.
Ex.: “Poema tirado de uma notícia de jornal
João Gostoso era carregador de feira livre e morava no morro
da Babilônia num barracão sem número.
Uma noite, ele chegou no bar Vinte de Novembro
Bebeu
Cantou
Dançou
Depois se atirou na Lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado.”
(BANDEIRA, Manuel. Estrela da manhã. 1974, p. 2)

EXERCÍCIO
No texto narrativo abaixo, indique a estrutura, os elementos constitutivos e o foco
narrativo.

TRAGÉDIA BRASILEIRA

Misael, funcionário da Fazenda, com 63 anos de idade.


Conheceu Maria Elvira na Lapa, - prostituída, com sífilis, dermite nos dedos,
uma aliança empenhada e o dentes em petição de miséria.
Misael tirou Maria Elvira da vida, instalou-a num sobrado no Estácio, pagou
médico, dentista, manicura... Dava tudo quanto ela queria.
Quando Maria Elvira se apanhou de boca bonita, arranjou logo um namorado.
Misael não queria escândalo. Podia dar uma surra, um tiro, uma facada. Não fez
nada disso: mudou de casa.
Viveram três anos assim.
Toda vez que Maria Elvira arranjava namorado, Misael mudava de casa.
Os amantes moraram no Estácio, Rocha, Catete, Rua General Pedra, Olaria,
Ramos, Bonsucesso, Vila Isabel, Rua Marquês de Sapucaí, Niterói, Encantado, Rua
Clapp, outra vez no Estácio, Todos os Santos, Catumbi, Lavradio, Boca do Mato,
Inválidos...
Por fim na Rua da Constituição, onde Misael, privado de sentidos e de
inteligência, matou-a com seis tiros, e a polícia foi encontrá-la caída em
decúbito dorsal, vestida de organdi azul.

(BANDEIRA, Manuel. Estrela da vida inteira)

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TEXTO DISSERTATIVO OU ARGUMENTATIVO
A intenção do autor de um texto dissertativo é a de expor e discutir ideias, por
meio de argumentos (exemplos, justificativas, evidências). A palavra “argumento” é de
origem latina “argumentum” em que “argu” significa: fazer brilhar, iluminar, cintilar uma
ideia. Portanto, argumentação é todo procedimento linguístico que visa a convencer, a fazer
o receptor aceitar o que foi comunicado, a levá-lo a crer no que foi dito e a fazer o que foi
proposto.
O texto dissertativo deve ter, pelo menos, três parágrafos:
Estrutura:
- Introdução ou Apresentação: Esta parte consiste na apresentação do tema + argumentos
resumidos.
- Desenvolvimento ou Argumentação: Os argumentos apresentados na primeira parte (na
introdução) são desenvolvidos aqui buscando convencer ou influenciar o leitor.
- Desfecho ou Conclusão: Reafirmação do tema + posicionamento do autor (proposta de
solução).
O texto argumentativo procura convencer, propondo ou impondo ao receptor uma
interpretação particular de quem o produz. Por isso, mesmo, visa a defender uma tese ou
rejeitá-la. O texto argumentativo não se confunde com os textos informativos, pois nestes os
fatos e ideias não são geralmente expostos com o objetivo de convencer o receptor. Em
geral, o desenvolvimento de uma argumentação comporta três etapas:
- uma tese, que enuncia o ponto de vista que será objeto de demonstração;
- os argumentos, elementos abstratos geralmente apresentados em ordem crescente de
importância e que justificam a tese;
- e as provas que sustentam os argumentos e que devem ser elementos concretos (fatos
ocorridos, depoimentos ou citações de intelectuais reconhecidos, fatos históricos).

DIFERENÇA ENTRE CONVENCER E PERSUADIR

CONVENCER PERSUADIR
● é um exercício lógico ● é um exercício retórico
● dirige-se unicamente à razão ● procura atingir o sentimento
● possui caráter puramente ● tem caráter ideológico,
demonstrativo e atemporal subjetivo e temporal
● é capaz de atingir um “auditório ● dirige-se a um “auditório
universal” particular”

TEMA: O tema é geral assunto que será abordado por todos.

TÍTULO: Dizemos que o título é particular porque cada autor do texto atribuirá a ele
um título que será criação própria, única.

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Características do título

● deve vir centralizado na folha;

● deve conter no máximo três palavras (lembre-se de que artigos, preposições,


conjunções e pronomes são contados como palavras);
● deve ser bastante criativo e original (atraente) para atrair a atenção do leitor e este
sinta-se interessado em ler o texto);
● nunca deve vir sublinhado;
● nunca deve vir entre aspas;
● no final do título, nunca usar ponto-final; pontos-de-exclamação podem ser usados e
pontos-de-interrogação também podem desde que a pergunta feita no título seja
respondida no texto;
● pular uma linha entre o título e o corpo do texto.

MODELO DE TEXTO DISSERTATIVO

Participação do aluno

O aluno tem direito de participar das decisões escolares, pois possui informações, tem
ideias próprias como qualquer pessoa e a vida dele é afetada por aquilo que ocorre na escola.
Hoje, a maioria das crianças e adolescentes têm acesso aos meios de comunicação de
massa. Por meio da televisão, dos jornais, das revistas, das redes informatizadas como a
INTERNET, recebe todo tipo de informação que lhe permite saber o que ocorre no país e no
mundo. Ora, deter informações é um primeiro e importante requisito para tomar decisões
adequadas.
Além de ter informações, o aluno, como qualquer ser humano dotado de inteligência, é
capaz de pensar, de formular ideias originais, de analisá-las, criticá-las e, quando for o caso,
de reformulá-las se lhe apresentam um argumento contrário convincente. Tem, portanto,
mais uma condição necessária à participação.
Em terceiro lugar, o aluno tem um direito legítimo de participar das decisões escolares:
ele é o elemento principal da escola, que só existe para formá-lo, transmitindo-lhe
conhecimentos e valores adequados à vida pessoal e social. Ou seja, a escola tem uma
influência considerável na vida do aluno. Deixá-lo à margem das decisões significa tirar-lhe
o direito de decidir sobre a própria vida.
Por tudo isso, o aluno deve ser solicitado a dar opiniões e a ajudar na solução dos
problemas do cotidiano escolar, não só porque esse é um direito de qualquer pessoa e ele é
capaz de exercê-lo, mas também para que se torne um cidadão habituado a participar das
decisões.

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CONJUNÇÕES – ELEMENTOS DE COESÃO

Conjunções subordinativas adverbiais

Temporais – indicam tempo

 quando, enquanto, mal, antes que, depois que, sempre que, até que, logo que.

Comparativas – indicam comparação entre dois seres, dois objetos, duas situações.

 Como (igual), (menos ... que, mais ... que, melhor ... que, pior ... que, maior ...
que, menor ... que ou do que), (tanto) quanto.

Proporcionais – indicam proporcionalidade.

 à medida que, à proporção que, ao passo que


 quanto mais... tanto mais
 quanto menos... tanto mais
 quanto menos... tanto menos
 quanto mais... tanto menos
 quanto mais... mais
 quanto mais... menos
 quanto menos... mais
 quanto menos... menos

Condicionais – indicam condição.

 se, caso, desde que, contanto que, sem que, salvo se, exceto se, a menos que.

Concessivas – indicam concessão.

 embora, ainda que, se bem que, conquanto, mesmo que, apesar de que.

Conformativas – indicam conformidade: estar de acordo com

 como, conforme, consoante, segundo.

Finais – expressam finalidade.

 a fim de que, para que, que, porque.

Causais – expressam sempre ideia de causa e consequência.

 porque, como, visto que, já que, que, uma vez que, pois que

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Consecutivas – expressam ideia de consequência.

 (tal, tanto, tamanho, tão) ... que

Como

 Causal - porque
 Comparativa - igual
 Conformativa - conforme

Causal

 Porque estava ansioso, agiu precipitadamente.


 Como eu insisti, ela cedeu.

Comparativas

 Ela é vaidosa como (é) a mãe (é).

Conformativa

 Eles nos trataram como esperávamos.

Porque

 conjunção subordinativa causal


 conjunção coordenativa explicativa

Conjunção Coordenativa Explicativa

 Depois de uma oração que apresenta verbo no imperativo.

Venha cá porque estou mandando

 Depois de uma oração que apresenta verbo no subjuntivo exprimindo desejo


(oração optativa).

Que se entendam, porque estamos fartos dessa situação.

 Em orações que expressam um fato que ocorreu após o fato indicado na oração
anterior.

Devem ter posto muita água na planta, porque ela morreu.

27
EXERCÍCIOS – ELEMENTOS DE COESÃO

Texto para as questões 1 e 2.

“Quando alguém está preocupado em reduzir as desigualdades sociais, procura saber


como vão os gastos sociais. Nesses gastos, estão as despesas com saúde, educação e
alimentação gratuita para os carentes. (...) Com o agravamento da crise econômica, a
miséria aumentou. Não apenas mais pessoas estão querendo cobertor, mas o cobertor
está menor. Essa triste situação tem implicações diretas nos 32 milhões de jovens
miseráveis capazes de lotar duzentos estádios como o do Maracanã.”
(Gilberto Dimenstein)
1) Assinale a alternativa coerente com as ideias do texto acima.
a) ( ) O cobertor está menor porque aumentaram os pedintes.
b) ( ) O aumento do número de jovens miseráveis é proporcional aos crescentes
gastos sociais, o que torna mais profunda a crise econômica.
c) ( ) A crise econômica sofre as implicações desses milhões de jovens miseráveis
que se abrigam em vários estádios como o Maracanã.
d) ( ) As desigualdades são agravadas por esses miseráveis que se amontoam nas
ruas, nas praças, enfim, em todo lugar público.
e) ( ) Os pobres aumentaram, e o gasto social caiu.

2) Identifique o período que contém ideia de causa e consequência.


a) ( ) “Com o agravamento da crise econômica, a miséria aumentou.”
b) ( )“Essa triste situação tem implicações diretas nos 32 milhões de jovens miseráveis
...”
c) ( ) “...capazes de lotar duzentos estádios como o do Maracanã.”
d) ( ) “Não apenas mais pessoas estão querendo cobertor, mas o cobertor está menor.”
e) ( ) “Quando alguém está preocupado em reduzir as desigualdades sociais, procura
saber como vão os gastos sociais.”

3) “Se votarmos sem critério, teremos um congresso fraco, produzindo um escândalo


atrás do outro e que será causa de dores de cabeça e de vergonha para todos.”
(Tereza Caniatti)
As palavras destacadas no fragmento têm como função respectivamente:

a) ( ) introduzir ideia de condição e retomar vários elementos citados anteriormente.


b) ( ) introduzir ideia de alternância e retomar “escândalo”.
c) ( ) introduzir ideia de condição e retomar “Congresso”.
d) ( ) introduzir ideia de adversidade e retomar “Congresso”.
e) ( ) introduzir ideia de concessão e retomar “Congresso”.

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4) “Eu assobiava, corria e subia em árvores como os garotos. De modo que a ideia de
libertação das mulheres não chegou a me ocorrer.” Nesse trecho, a relação estabelecida
pelo conector “de modo que” é de:
a) ( ) causa e consequência;
b) ( ) meio e fim;
c) ( ) condição e condicionado;
d) ( ) tempo anterior e tempo posterior;
e) ( ) comparação e comparado.

5) “Os blocos reunidos na Cimeira, no Rio de Janeiro, incluíram Europa, Caribe e


América Latina, ou seja, aquilo que chamamos de Ocidente sem os Estados Unidos, o
maior parceiro comercial do planeta Terra nessa virada de milênio.
Sendo o principal comprador e o principal vendedor de quase toda a produção
mundial, os Estados Unidos podem parecer o gigante Gulliver amarrado por pigmeus.
Mas é possível que a roda da história tenha iniciado devagarinho, aqui mesmo
no Brasil, um novo ciclo e fechado outro.”
(Carlos Heitor Cony)
Considere as seguintes afirmações:
I – Os Estados Unidos são o maior parceiro econômico do planeta Terra nesta virada de
milênio.
II – No segundo parágrafo, a relação entre as ideias é de causa e consequência.
III – No terceiro parágrafo, expressa-se a condição para que um novo ciclo histórico se
estabeleça.

Assinale:
a) ( ) se todas estão corretas;
b) ( ) se apenas II e III estão corretas;
c) ( ) se apenas I está correta;
d) ( ) se apenas I e II estão corretas;
e) ( ) se apenas I e III estão corretas.

6) O amor é um sentimento tão delicado que, às vezes, a gente se satisfaz apenas com
a ilusão de que ele existe. A oração em destaque expressa:
a) ( ) tempo;
b) ( ) finalidade;
c) ( ) condição;
d) ( ) consequência;
e) ( ) proporção.

7) A forma sintética do provérbio “Farinha pouca, meu pirão primeiro” está


corretamente desenvolvida, sem alteração de sentido, nesta outra versão:
a) ( ) Havendo pouca farinha, meu pirão vem em primeiro lugar.
b) ( ) Quando é pouca a farinha, e não havendo pirão, sou o primeiro a reclamar.
d) ( ) Ainda que a farinha seja pouca, o primeiro pirão vem para eu comer.
c) ( ) Sem muita farinha, poderei comer primeiro o meu pirão.
e) ( ) Desde que tenha pouca farinha, primeiro é meu o pirão.

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8) No período a seguir: “A persistirem os sintomas, um médico deverá ser procurado”,
a oração destacada expressa ideia de:
a) ( ) condição;
b) ( ) tempo;
c) ( ) causa;
d) ( ) consequência;
e) ( ) comparação.

9) Reúna os períodos abaixo utilizando um conectivo que mantenha as mesmas relações


semânticas do texto original.
a) Informou imediatamente o economista. Observava o pregão da bolsa de valores.
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
b) Os problemas educacionais não se resolvem. Não há vontade política.
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
c) A mulher enfrenta sérios problemas no mercado de trabalho. A mulher negra é duas
vezes discriminada.
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
d) O Brasil pagou a dívida externa. O tão esperado dinheiro do FMI será liberado para o
nosso país brevemente.
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
e) “As reservas petrolíferas do mundo são limitadas.” “A exploração descontrolada de
petróleo acarretará a exaustão de suas reservas.”
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________

30
EXERCÍCIOS

Nos fragmentos abaixo, identifique o(s) tipo(s) de texto.

Para especialistas, país não consegue alfabetizar adequadamente

a) Relatório encomendado pela Comissão de Educação da Câmara dos Deputados a sete


especialistas na área concluiu que o país não está conseguindo alfabetizar
adequadamente suas crianças e que as avaliações existentes há mais de dez anos não
estão sendo utilizadas para melhorar a qualidade do ensino.
(Folha de S. Paulo, 16/9/2003)

b) Na vida, o olhar da opinião, o contraste dos interesses, a luta das cobiças obrigam a
gente a calar os trapos velhos, a disfarçar os rasgões e os remendos, a não estender ao
mundo as revelações que faz à consciência; e o melhor da obrigação é quando à força de
embaçar os outros, embaça-se um homem a si mesmo, porque em tal caso poupa-se o
vexame, que é uma sensação penosa, e a hipocrisia, que é um vicio hediondo. (Machado
de Assis)

c) “Estava claro o céu, tépido o ar, e as bouças e montes floridos. O mês era de
dezembro de 1963, em véspera de natal”. (Camilo Castelo Branco)

d) Queixei-me de baratas. Uma senhora ouviu-me a queixa. Deu-me a receita de como


matá-las. Que misturasse em partes iguais açúcar, farinha e gesso. A farinha e o açúcar
as atrairiam, o gesso esturricaria o de dentro delas. Assim fiz, Morreram. (Clarice
Lispector)

e) Cidadezinha cheia de graça...


Täo pequenina que até causa dó;
Com seus burricos a pastar na praça
Sua igrejinha de uma torre só... (Mário Quintana)

f) O pardalzinho nasceu
livre. Quebraram-lhe a asa.
Sacha lhe deu uma casa,
Água, comida e carinhos.
Foram cuidados em vão:
A casa era uma prisão,
O pardalzinho morreu.
O corpo, Sacha enterrou
No jardim; a alma, essa voou
para o céu dos passarinhos! (Manuel Bandeira)

31
g) “As palavras atravessam praticamente todas as dimensões da nossa realidade, que estamos
sempre construindo. Assim, somos todos capazes de linguagem, capazes de expressão com as
palavras, apesar de todos os esmagamentos e de todas as manipulações. Apesar de tudo,
falamos e pensamos.” (Severino Barbosa, Emília Amaral)

h) “Todo homem é machista. Desde pequeno se aprende na família, na escola, nas revistas em
quadrinhos, nos filmes e nas propagandas de tevê que ao homem cabem os principais papéis:
ele é o mais esperto e inteligente nos filmes policiais; o centro das decisões na vida familiar; o
estadista, o chefe de seção, o artista e o gênio na vida social; enfim é sempre o protagonista de
uma narrativa feita por e para homens.” (Ciro Marcondes Filho)

i) Os gregos temiam Morfeu, o deus dos sonhos, porque acreditavam que toda noite, ao
adormecer, a divindade poderia atormentá-los enviando pesadelos aterrorizantes. A ciência,
porém, está conseguindo provar que o sono é um bom professor. Ele organiza as ideias,
ensina a mente a resolver problemas e nos faz aprender o que toda a concentração de um dia
inteiro de vigília é incapaz de conseguir. “Enquanto dormimos, nosso cérebro conecta dados
que acabou de guardar com outros acumulados no decorrer dos anos”, afirmou à Super o
neurologista Robert Stickgold, da Universidade Harvard, nos Estados Unidos.
(Superinteressante, novembro/1999)

j) “A Clarinda era uma mulatinha quase branca, cabelo bom, perfil fino e corpo vibrante (...)
Teria seus quatorze ou quinze anos, era um pouco dentuça, ria à toa, gostava de entremear as
tranças com cravinhas e folhas de manjericão – mas logo a Inhá Luísa! Te raspo a cabeça
piolhenta... Ela e as outras recortam-se na minha memória como sombras graciosas, como o
friso de uma jarra antiga, como silhuetas mitológicas descendo a encosta do cabo Sounion, ao
pôr-do-sol, contra céu impassível e mar terrível. Ânfora que ficou da infância, cheia de suas
formas e do forte cheiro daquelas adolescências brunidas pelo suor do trabalho doméstico.
Ancilas... O tal complexo ancilar. Ancilas – servas! Do Sinhô, dos sinhozinhos e faça-se nelas
segundo a sua vontade. Vontade deles, já se vê... A Catita, essa, era menina. Iria pelos seus
sete anos e regulava com meu irmão José. Não se chamava Catita, não. Respondia pela graça
de Evangelista Berta e logo minha avó pulou. O quê? Berta? Como minha filha?
Absolutamente! Isso não é nome de negra. Nome de negra é Balbina, Clemência, Eufrosina,
Porcina, Oportuna, Zerbina ou Catita. Vai ser Catita. A Catita foi posta pela mãe, dormindo,
num trilho da Piau. Fica quieta, bem quietinha, fecha o olho, dorme, que já volto. Mas o
diabinho acordou, levantou, saiu e ainda foi jogado contra o barranco pelo vento da
locomotiva que passava bufando. Vieram entregá-la em nossa casa.” (Nava, 1974, p.5)

k) Seriam onze horas da manhã. O Campos, segundo o costume, acabava de descer do


almoço. Com a pena atrás da orelha e o lenço por dentro do colarinho, dispunha-se a
prosseguir no trabalho interrompido pouco antes. Entrou no escritório e foi sentar-se à
secretária.” (Aluísio Azevedo)

32
ELEMENTOS ESTRUTURAIS DO TEXTO
Um texto pode ser escrito de diversas formas, consoante a sua finalidade ou
funcionalidade. Nunca é demais lembrar que uma redação comporta três partes: introdução
(“é o que não admite nada antes e pede alguma coisa depois”, segundo Aristóteles. Serve para
situar o leitor dentro do assunto a ser desenvolvido, não apresentando fatos ou razões, pois sua
finalidade é predispor o espírito do leitor para o que virá a seguir), desenvolvimento (é o
corpo do trabalho propriamente dito. Nele, são apresentadas as ideias, as razões e os fatos
exigidos pelo que foi anunciado na introdução) e conclusão ou fecho (“é o que pede alguma
coisa antes e nada depois”, segundo Aristóteles. É o conjunto que encerra a redação, de tal
modo que seja desnecessário aduzir-se algo mais).
Um texto pode ser analisado a partir de três elementos fundamentais: estrutura, conteúdo
e expressão.
a) a estrutura compreende: unidade, organicidade e forma.
Unidade: A redação constitui-se de um só assunto; deve organizar-se em função de um só
núcleo temático.
Organicidade: As partes da redação (introdução, desenvolvimento e conclusão) devem ser
organizadas como um todo, articulado de forma coerente e lógica.
Forma: É a maneira de apresentar-se o conteúdo, O tema poderá ser abordado de forma
descritiva, narrativa ou dissertativa. Se se solicitar ao aluno uma descrição, evidentemente
não se pode admitir a forma narrativa; se a solicitação for uma carta comercial, não cabe ao
aluno escrever um poema, um conto ou uma dissertação.
b) O conteúdo exige coesão, coerência e clareza. Etimologicamente, conteúdo é forma
arcaica do particípio passado do verbo conter. Tal forma sobrevive como substantivo e
significa a própria mensagem a ser transmitida.
Coesão (nível microtextual): São elementos como as conjunções, os pronomes, os advérbios
e as preposições que “ligam, unem, conectam” uma palavra à outra, uma oração à outra, um
parágrafo a outro garantindo ao texto a concatenação das ideias.
Coerência (nível macrotextual): A redação deve apresentar um conteúdo em que haja ideias
fundamentais e pertinentes ao tema proposto. As ideias devem ser elaboradas segundo
critérios que possibilitem perfeita redação, visando ao entendimento entre emissor e
receptor. Neste item, a principal observação a ser feita é que não pode haver fuga do tema
proposto, nem inclusão de citações ou informações que não sejam pertinentes ao
desenvolvimento do assunto.

33
Observe os dois textos abaixo. No primeiro, de autoria do escritor cearense Mino, só
existem verbos. No segundo, do escritor Ricardo Tamos, só há substantivos. Entretanto, os
dois são extremamente coerentes.

Como se conjuga um empresário

Acordou. Levantou-se. Aprontou-se. Lavou-se. Barbeou-se. Enxugou-se. Perfumou-


se. Lanchou. Escovou. Abraçou. Beijou. Saiu. Entrou. Cumprimentou. Orientou. Controlou.
Advertiu. Chegou. Desceu. Subiu. Entrou. Cumprimentou. Assentou-se. Preparou-se.
Examinou. Leu. Convocou. Leu. Comentou. Interrompeu. Leu. Despachou. Conferiu.
Vendeu. Vendeu. Vendeu. Ganhou. Ganhou. Ganhou. Lucrou. Lucrou. Lucrou. Lesou.
Explorou. Escondeu. Burlou. Safou-se. Comprou. Vendeu. Assinou. Sacou. Depositou.
Depositou. Depositou. Associou-se. Vendeu-se. Entregou. Sacou. Depositou. Despachou.
Repreendeu. Suspendeu. Demitiu. Negou. Explorou. Desconfiou. Vigiou. Ordenou.
Telefonou. Despachou. Esperou. Checou. Vendeu. Lucrou. Lesou. Demitiu. Convocou.
Elogiou. Bolinou. Estimulou. Beijou. Convidou. Saiu. Chegou. Despiu-se. Abraçou. Deitou-
se Mexeu. Gemeu. Fungou. Babou. Antecipou. Frustrou. Virou-se. Relaxou-se. Envergonhou-
se. Presenteou. Saiu. Despiu-se. Dirigiu-se. Chegou. Beijou. Negou. Lamentou. Justificou-se.
Dormiu. Roncou. Sonhou. Sobressaltou-se. Acordou. Preocupou-se. Temeu. Suou. Ansiou.
Tentou. Despertou. Insistiu. Irritou-se. Temeu. Suou. Ansiou. Tentou. Despertou. Insistiu.
Irritou-se. Temeu. Levantou. Apanhou. Rasgou. Engoliu. Bebeu. Rasgou. Engoliu. Bebeu.
Dormiu. Dormiu. Dormiu. Acordou. Levantou-se. Aprontou-se...

Circuito Fechado (1)

Chinelos, vaso, descarga. Pia, sabonete, Água. Escova, creme dental, água, espuma,
creme de barbear, pincel, espuma, gilete, água, cortina, sabonete, água fria, água quente,
toalha. Creme para cabelo, pente. Cueca, camisa, abotoaduras, calça, meias, sapatos, gravata,
paletó. Carteira, níqueis, documentos, caneta, chaves, lenço, relógio, maço de cigarros, caixa
de fósforo. Jornal. Mesa, cadeiras, xícara e pires, prato, bule, talheres, guardanapo. Quadros.
Pasta, carro. Cigarro, fósforo. Mesa e poltrona, cadeira, cinzeiro, papéis, telefone, agenda,
copo com lápis, canetas, bloco de notas, espátula, pastas, caixas de entrada, de saída, vaso
com plantas, quadros, papéis, cigarro, fósforo. Bandeja, xícara pequena. Cigarro e fósforo.
Papéis, telefone, relatórios, cartas, notas, vales, cheques, memorandos, bilhetes, telefone,
papéis. Relógio. Mesa, cavalete, cinzeiros, cadeiras, esboços de anúncios, fotos, cigarro,
fósforo, bloco de papel, caneta, projetor de filmes, xícara, cartaz, lápis, cigarro, fósforo,
quadro-negro, giz, papel. Mictório, pia, água. Táxi. Mesa, toalha, cadeiras, copos, pratos,
talheres, garrafa, guardanapo, xícara. Maço de cigarros, caixa de fósforo. Escova de dentes,
pasta, água. Mesa e poltrona, papéis, telefone, revista, copo de papel, cigarro, fósforo,
telefone interno, externo, papéis, prova de anúncio, caneta e papel, relógio, papel, pasta,
cigarro, fósforo, papel e caneta, telefone, caneta e papel, telefone, papéis, folheto, xícara,
jornal, cigarro, fósforo, papel e caneta. Carro, maço de cigarros, caixa de fósforo. Paletó,
gravata. Poltrona, copo, revista. Quadros. Mesa, cadeiras, pratos, talheres, copos,
guardanapos. Xícaras. Cigarro e fósforo. Poltrona, livro. Cigarro e fósforo. Televisor,
poltrona. Cigarro e fósforo. Abotoaduras, camisa, sapatos, meias, calça, cueca, pijama,
chinelos. Vaso, descarga, pia, água, escova, creme dental, espuma, água. Chinelos. Coberta,
cama, travesseiro.

34
Veja este texto abaixo e analise sob o ponto de vista da coerência:

RAPAZ,

Fui à Água Doce Cachaçaria e tomei uma cachaça da boa, mas tão boa que resolvi levar dez
garrafas para casa, mas Dona Patroa me obrigou a jogar tudo fora.
Peguei a primeira garrafa, bebi um copo e joguei o resto na pia.
Peguei a segunda garrafa, bebi outro copo e joguei o resto na pia.
Peguei a terceira garrafa, bebi o resto e joguei o copo na pia.
Peguei a quarta garrafa, bebi na pia e joguei o resto no copo.
Peguei o quinto copo, joguei a rolha na pia e bebi a garrafa.
Peguei a sexta pia, bebi a garrafa e joguei o copo no resto.
A sétima garrafa eu peguei no resto e bebi a pia.
Peguei no copo, bebi no resto e joguei a pia na oitava garrafa.
Joguei a nona pia no copo, peguei na garrafa e bebi o resto.
O décimo copo, eu peguei a garrafa no resto e me joguei na pia.
Não me lembro do que fiz com a patroa!

Clareza: A clareza é consequência da coerência. A falta de contato com o tema, a


abordagem tangencial ou fragmentada afetam a clareza por apresentar o conteúdo sem
contornos definidos, diluídos ao longo da redação. Outro obstáculo à clareza é a frase mal-
estruturada ou ambígua que dificulta a compreensão e distorce o sentido.
Quanto à clareza, convém atentar para o seguinte:
- a simplicidade deve prevalecer sobre a linguagem rebuscada; não usar palavras cujo
significado não seja familiar.
Exs.: O senhor Mauro é um quiropedista. (pedicuro)
Participamos de um jantar opíparo. (que tem esplendor, suntuoso)
Tétrica noite aziaga. (que traz má sorte, nefasto)
- Evitar palavras ou expressões vagas:
Exs.: A vida é um negócio sério.

- Evitar pleonasmos:
Exs.: Parasita que vive às custas dos outros.
Todo machismo masculino.

- Evitar o uso de palavras ou expressões ambíguas:


Exs.: A especialidade da loja é vender camas para crianças de ferro.
O funcionário obteve licença por doença de dez dias.

35
c) Expressão refere-se ao domínio do léxico e estrutura da língua. Para se conseguir boa
expressão, é fundamental a leitura de bons escritores e o manuseio constante, habitual do
dicionário. No item expressão, devem-se considerar os seguintes tópicos: criatividade,
propriedade, concisão e correção.

Criatividade: Diz respeito à originalidade. Consiste em saber apresentar uma positiva


contribuição pessoal, seja variando expressões comuns, seja concorrendo para a renovação de
formas antigas.
- Há de se evitar chavões, lugares-comuns:
Exs.: Desde os tempos mais remotos.
Espero contar com a colaboração de todos.
Eu não tenho palavras para agradecer.
- Os chamados “clichês estilísticos” devem ser igualmente evitados:
Exs.: Neste momento solene.
Morrer na flor da idade.

Propriedade: É o uso de palavras ou expressões adequadas ao assunto. Devem ser evitadas as


impropriedades vocabulares tais como:
“A cachorra também é um ser humano.” (A. R. Magri)
O ser humano nasce cru.

Concisão: Consiste em exprimir apenas o necessário, em oposição à prolixidade. Para


conseguir-se tal síntese de pensamento, deve-se
- eliminar o supérfluo, o redundante;
- eliminar o uso excessivo dos indefinidos um e uma;
- evitar o emprego do pronome pessoal sujeito, obrigatório apenas nos casos de ênfase ou
antítese:
Exs.: “Eu sou o bom pastor.” (Evangelho - ênfase)

Correção: Consiste no uso de formas adequadas, do ponto de vista da gramática normativa.


Entre outros conselhos, destacam-se:
- evitar o uso de gírias;
- evitar o emprego de abreviaturas de caráter prático, útil apenas para as anotações;
- empregar corretamente a pontuação;
- é preferível usar a ordem direta da frase;
- usar frases curtas, expressando uma ideia de cada vez, ou seja, evitar períodos longos
(prejudicam a compreensão e o ritmo da frase);
- ter cuidado com o gerúndio, principalmente no início dos períodos;
- a ordem das frases deve corresponder à ordem das ideias.
- separar núcleos de ideias em parágrafos diferentes, observando a conexão entre eles;
- não pular linhas para separar os parágrafos.

36
PRONOMES PESSOAIS DE TRATAMENTO

Segundo a gramática, são denominados pronomes de tratamento certas palavras ou


expressões que valem por pronomes pessoais, como:

 Você

 Senhor

 Vossa Excelência

 Sua Senhoria

Esses pronomes, que são usados na língua formal, são usados no trato cortês a pessoas
que merecem um tratamento especial, porque expressam uma atitude cerimoniosa.

Contribuem para eficácia da redação empresarial o conhecimento e a utilização adequada


das formas de tratamento.

Pronome Abreviatura Emprego


Singular Plural
Você v. - tratamento familiar, situações informais,
pessoas íntimas
Vossa Alteza V. A. VV. AA. príncipes , princesas, duques
Vossa V. Em.ª V. Em.as cardeais
Eminência
Vossa V. Ex.ª V. Exas. Altas autoridades: Presidentes da República e
Excelência vices-presidentes, chefes do Estado-Maior do
Exército, Marinha ou Aeronáutica, chefes do
Gabinete Civil e Militar da Presidência da
República e dos Governos Estaduais,
senadores, deputados estaduais e federais,
prefeitos, vereadores, embaixadores,
Vossa V. Mag.ª V. Mag.as reitores de universidades
Magnificência
Vossa Majestade V. M. VV. MM. reis, imperadores
Vossa Usado por extenso Juízes de Direito
Meritíssima
Vossa V. Revma V. Revmas. sacerdotes
Reverendíssima
Vossa Senhoria V. S. Revma. V. S. Revmas. monsenhores
Reverendíssima
Vossa Senhoria V. Sa. V. Sas. Autoridades de modo geral, clientes
comerciais, funcionários públicos,
Vossa Santidade V. S. (sempre usado só no papa
singular porque existe
somente um papa)

37
Na carta comercial ou no ofício, antes dom texto, o vocativo deve corresponder ao tratamento
devido a cada um:
- Ao Presidente da República, escreve-se por extenso: Excelentíssimo Senhor ou Vossa
Excelência
- Às demais autoridades, escreve-se: Exmo. Sr.
- Aos Reitores de Universidade: Magnífico Reitor
- A um tribunal: Egrégio ou Colendo Tribunal
- A um juiz: Meritíssimo Juiz

Podem-se utilizar, na correspondência comercial, diferentes formas de tratamento:


Senhor, Senhora, Vossa Senhoria (O tratamento de Vossa Senhoria varia de acordo com o
grau hierárquico do signatário e do destinatário. Assim, deve ser usado quando o destinatário
for de hierarquia equivalente ou superior à do signatário), etc.

FECHOS DE CORTESIA

São constituídos pelo último parágrafo; os mais comuns são:

 Atenciosamente.
 Respeitosamente.
 Cordiais saudações (para pessoas muito amigas; cordial significa sincero, íntimo,
afetuoso).
 Saudações.
 Saudações atenciosas.
 Apreciaremos sua pronta resposta.
 Cordialmente (para pessoas muito amigas.)
 Um grande abraço.
 Abraços.
Eis alguns fechos antiquados:

 Aguardando suas notícias, aqui vai meu abraço carinhoso.


 Sendo o que se apresenta para o momento.
 No aguardo de suas breves notícias, aqui vai meu abraço cordial e atencioso.
 Na expectativa de suas breves notícias, aqui vai meu abraço cordial e amável.
 Com nossos agradecimentos, renovamos as expressões de nossa elevada consideração
e distinta amizade.
 Com as expressões de nossa elevada consideração, subscrevemo-nos prazerosamente.
 É tendência moderna evitar o subscrevo-me, o despedimo-nos e o sem mais para o
momento.

38
COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL

39
“Aprendemos no céu o estilo da disposição e também o das palavras.
As estrelas são muito distintas e muito claras. Assim há de ser o estilo (...); muito distinto e
muito claro.
E nem por isso temais que pareça o estilo baixo; as estrelas são muito distintas, e muito claras,
e altíssimas.
O estilo pode ser muito claro e muito alto; tão claro que o entendam os que não sabem e tão
alto que tenham muito a entender os que não sabem.”
(Padre Antonio Vieira (1608 – 1697)

Ementa: Homem, cultura e linguagem: Semiótica da cultura. Formação de repertório a partir


da análise textual e assimilação de conceitos, estilos e procedimentos. Resumo: técnicas de
resumo e simplificação textual. Resenha crítica. Dissertação: do projeto ao texto. Coesão e
coerência textuais. Estratégias de leitura do texto técnico. Análise crítica: os vários sentidos
da palavra. Redações técnicas: currículo, ofício, requerimento, procuração, carta de
apresentação e de solicitação, relatório, memorando, procuração, ata. Seminários sobre
redações empresariais ou técnicas.

CORRESPONDÊNCIA COMERCIAL
Definição:
Segundo o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa (2001, p.846), correspondência
significa “ato, processo ou efeito de corresponder, de apresentar ou estabelecer reciprocidade,
intercâmbio de mensagens, cartas, etc., entre pessoas promovido por meio do serviço próprio
(carta comercial, correio eletrônico), conjunto de cartas, mensagens telegramas, etc.,
expedidas ou recebidas [...]”.
Podemos então definir correspondência como uma forma de comunicação escrita que
se estabelece entre pessoas – físicas ou jurídicas – para tratar de assuntos de mútuo interesse.
A correspondência pode ser particular, oficial ou empresarial.
 Correspondência particular: é aquela que ocorre entre pessoas físicas, podendo ter ou não
caráter de intimidade.
 Correspondência oficial: ocorre entre órgão da administração direta ou indireta do serviço
público civil ou militar, no âmbito municipal, estadual ou federal.
 Correspondência empresarial: é aquela por meio da qual as empresas (estabelecimentos
bancários, indústria e comércio) se comunicam com as pessoas físicas ou jurídicas, tendo
em vista variadas finalidades.

40
REDAÇÃO EMPRESARIAL: ASPECTOS MODERNOS X VÍCIOS

ASPECTOS MODERNOS

ESTILO E LINGUAGEM DO TEXTO EMPRESARIAL MODERNO

Modernizar, por quê?

A necessidade de modernização de estilo e de linguagem das correspondências


empresariais ocorreu no final dos anos 70 devido a um acontecimento econômico histórico, e
a necessidade de conquistar um lugar no competitivo mercado mundial tornou-se maior, e
uma das estratégias que passou a ser utilizada mundialmente foi a redação de informações de
maneira muito mais objetiva. Com a necessidade de se trabalhar na direção da qualidade total,
os procedimentos e os padrões utilizados no dia a dia, foram incrementados para tornar a
linguagem mais clara e sem duplicidade de sentido (ambiguidade) a fim de evitar que o
trabalho fosse refeito e acelerar o intervalo de tempo entre os fatos e as ações. É inegável que
um texto mal-escrito representa não só perda financeira substancial para a empresa, como
também desmotivação para a leitura; falta de credibilidade em quem o envia; conflitos
internos que podem gerar desagregação na empresa já que as mensagens externas não
funcionarão como geratrizes de novos negócios Portanto, a perda advinda de falhas nas
transmissões de comunicações é substancial.
Em se tratando de mercados mundiais e luta por sobrevivência na era da globalização,
não basta apenas investir em informatização e tecnologia, mas sim naquilo que dentro da
sociedade humana é valor de troca: A COMUNICAÇÃO. E esta funciona como instrumento
de marketing indireto, reforçando ou conferindo novos rumos à cultura da empresa.
Em termos empresariais, essa comunicação tem valores bem-definidos: a clareza e a
objetividade nas informações proporcionam e impulsionam a fidedignidade das mensagens e a
agilidade das decisões, molas da sobrevivência e do lucro.

A EFICÁCIA DE UM TEXTO

A comunicação empresarial, diferentemente do texto jornalístico e do literário, tem


como prioridade uma resposta objetivo àquilo que é transmitido. A essa característica, dá-se o
nome de EFICÁCIA. Nesse tipo de comunicação, o destinatário é o cliente e é para ele que é
redigido o texto e também é ele quem dará a resposta. Se o cliente der a resposta que se
esperava, o texto foi eficaz; caso contrário, não e então o texto terá de ser obrigatoriamente
reescrito.

A eficácia de um texto é medida pela resposta.

A EFICÁCIA É OBTIDA POR MECANISMOS DE PERSUASÃO

A eficácia do texto empresarial moderno está associada à força da retórica antiga, já


que, desde os tempos mais remotos, o texto escrito continha uma função expressiva e
persuasiva, consagrada pelos oradores. Atualmente, o meio empresarial gasta fortunas em

41
marketing direto, esquecendo-se de usar os recursos discursivos os quais configuram um
precioso instrumento no relacionamento com o cliente. Estes instrumentos persuasivos que
devem ser elementos constitutivos fundamentais dos textos empresariais são diferentes
daqueles usados nas propagandas.
A redação empresarial deve ser vista como um instrumento relacionado à função
estratégica da empresa sob diversos ângulos: seja na cultura da empresa, seja no aspecto
motivacional, seja no econômico evitando que um texto tenha que ser refeito.
Concluindo: A noção de eficácia aplica-se a todos os textos escritos com a função de
transmitir uma mensagem empresarial.

QUALIDADES DO TEXTO EMPRESARIAL

● Concisão: expressar o máximo de informações com o mínimo de palavras. O texto bem-


escrito e que pretenda ser conciso, será aquele em que todas as palavras e informações
utilizadas tenham uma função significativa.

● Objetividade: Refere-se às ideias relevantes que serão expressas, ou seja, as principais,


retirando do texto todas as supérfluas, que levam o leitor a se perder do foco do assunto
tratado. A objetividade consiste em definir quais são as informações relevantes que se deseja
transmitir naquele momento.

● Clareza: Para obtenção da clareza, dois procedimentos são fundamentais:


educar a capacidade de organização mental;
aprender a colocar em execução convenientemente o material idiomático. Exs.: Vou te
mandar um porco pelo meu irmão, que está bem gordo.
Cachorro faz mal à moça. (cachorro-quente)
Pedro e Paulo vão separar-se. (cada um da mulher dele)

Coerência: (do latim cohaerentia) Estado, qualidade ou atitude de ser coerente: ligação ou
harmonia entre situações, acontecimentos ou ideias; conexão. Esta característica não é apenas
do texto moderno, mas de toda e qualquer comunicação escrita ao longo dos tempos. A língua
escrita exige um rigor e uma disciplina de expressão muito maiores do que a língua falada,
obrigando o emissor a se expressar com harmonia tanto na relação de sentido entre as palavras
(ater-se à significação de cada uma delas) quanto ao encadeamento lógico de ideias (relações
de tempo, espaço, causa e consequência) dentro do texto.

Linguagem formal (obediência à norma culta): No texto empresarial, a linguagem escrita


deverá ser a formal porque esta não privilegia qualquer tipo de variante e, dessa forma, ela
evitará:
- o uso de termos compreendidos só por uma das partes envolvidas na comunicação;
- o uso de expressões informais já que estas determinam a quebra de uma imparcialidade
na transmissão da informação e, consequentemente, a possibilidade de descrédito da
mensagem;
- a ocorrência de quebra dos procedimentos gramaticais que constroem a imagem de
letramento, isto é, de um grau de escolaridade propiciador de credibilidade.
O excessivo coloquialismo não é a forma adequada à comunicação empresarial escrita,
pois ele pode gerar falta de credibilidade – mesmo que essa se dê por correio eletrônico.

Simplicidade, sim, excesso de informalidade, não.

42
VÍCIOS

● Atualmente, para que um texto esteja adequado à situação de comunicação, é fundamental


que ele não apresente vício de linguagem algum. As redações empresariais modernas não
fogem a essa regra, e quaisquer procedimentos ultrapassados tornam o texto pesado e sem
eficácia para atingir o destinatário. Eis alguns vícios:

- Verbosidade: característica de dizer de forma complexa, o que pode ser dito de


maneira mais simples, parágrafos longos e construções intercaladas ou invertidas.
A verbosidade, antes considerada um valor positivo por demonstrar cultura e status,
passa a desempenhar o papel de empecilho da comunicação.
Ex.: Como resultante de persistente e continuado suprimento insatisfatório do
componente J-7 (arruela de equilíbrio do rotor interno), foi determinado pela autoridade
competente que adicionais e/ou novos fornecedores do componente acima mencionado
deveriam ser procurados com vistas a aumentar o número de peças que deveriam ser mantidas
disponíveis no armazém de depósito.
O texto acima é repetitivo e monótono, impreciso e prolixo.

Outros exemplos

Expressões evitáveis Substituir por


supracitado citado
acima citado citado
encarecemos a V. Sa. solicitamos.
desiderato colimado objetivo
temos a informar que informamos
para dirimir dúvidas para esclarecer dúvidas
precípua principal
destarte dessa forma/maneira
referenciado referido
antecipadamente somos gratos agradecemos
aprazada dentro do prazo

Frases e parágrafos longos: dificultam a identificação da ideia principal. Portanto, é


preferível usar sempre frases curtas.
Ex.: A média de produção para o último ano fiscal é maior do que a do ano anterior,
porque aquele foi o ano em que se instalaram as novas prensas de estamparia, automáticas e
hidráulicas, portanto, aumentando o número de peças estampadas durante o período, assim
como também foi o ano em que se introduziram novos métodos de economia de tempo e
economia de mão de obra, e que também contribuíram para uma média maior de produção.

A média de produção do último ano fiscal foi maior que a do ano anterior. Instalaram-
se novas máquinas hidráulicas, automáticas, de alta velocidade, para estamparia e
introduziram-se novos métodos de economia de tempo e trabalho.

43
Verborragia: Apresentação de ideias em um vocabulário sofisticado e sem a preocupação de
uma pausa que organize melhor a lógica delas.
Ex.: Inolvidável consignar-se que o tema eleito para a disciplina legislativa também se
apresenta insurgente ao interesse público, nos moldes em que foi vazada, eis que
presentemente cometidas as atribuições de planejamento dos serviços de informática, e seus
consectários mediatos e imediatos, ao Centro de Processamento de Dados do Rio de Janeiro –
Proderj, circunstância esta que empresta ao projeto em pauta a nota de indesejável paralelismo
organizacional.

Deve-se escrever uma ideia em cada parágrafo.


Vocabulário sofisticado: contribui para a ineficácia do entendimento do texto:

Solicitamos o pagamento das mensalidades nas datas aprazadas no dito carnê,


colaborando destarte para a manutenção precípua deste sodalício na orientação e assistência
dos seus associados.

Solicitamos o pagamento das mensalidades até as datas de vencimento constantes do


carnê.
Chavões: São expressões antiquadas, porém já condicionadas a pertencer ao texto
empresarial. Denomina-se chavão a um vício de estilo já incorporado como linguagem do
texto empresarial. Atualmente, é necessário que os chavões sejam eliminados para que o texto
seja eficaz.
Exs.:
Outrossim: do mesmo modo.
Debalde: em vão, inutilmente.
Destarte: desse modo, dessa maneira.
Vimos, através desta, solicitar... (atravessar, fazer travessia)
Venho, pela presente, solicitar... (ausente é que não poderia ser)
Acusamos o recebimento de seu ofício... (verbo em desuso)
Em resposta ao contrato referenciado... ( não existe a palavra referenciado, substituir por
referido, citado)
Reiteramos os protestos de elevada estima e consideração (fecho incoerente em termos de
significação; em se tratando de chavão, deve ser evitado e substituído por Respeitosamente –
autoridades superiores, inclusive Presidente da República; Atenciosamente – para autoridades
da mesma hierarquia ou de hierarquia inferior)
Sem mais para o momento: forma rude de dizer que não tem mais nada a acrescentar
Deve ser usada em comunicações em que não se pretende encerrar de forma polida como
cartas de cobrança, por exemplo.

Tautologias: repetições viciadas – trata-se de um vício de linguagem que consiste em


repetir uma ideia de forma viciada, com palavras diferentes, mas com o mesmo sentido.

44
Eis alguns exemplos:

elo de ligação detalhes minuciosos


acabamento final conviver junto
juntamente com todos foram unânimes
fato real planejar antecipadamente
encarar de frente abertura inaugural
criação nova última versão definitiva
retornar de novo comparecer em pessoa
surpresa inesperada gritar bem alto
em duas metades iguais demasiadamente excessivo
sintomas indicativos a seu critério pessoal
há anos atrás exceder em muito
outra alternativa Vereador da cidade

Jargão técnico fora do contexto: é a maneira característica e específica de um


determinado grupo se comunicar (advogados, economistas, analistas de sistemas), mas toda
linguagem de um grupo fechado deve sofrer uma adequação quando os destinatários se
ampliam.

Ex.: Visando a ajudar os órgãos no entendimento da Circular nº 4.522/95, esclarecemos que,


no âmbito interno, há uma delegação subentendida da direção da Companhia aos
superintendentes de órgãos e chefes de serviço, via tabela de limite de competência para
definir que contratos devem ter prosseguimento nas bases pactuadas e quais os que deverão
ser objeto de reavaliação.

Visando a ajudar os órgãos no entendimento da Circular nº 4.522/95, informamos que a


Tabela de Limite de Competência em vigor na Companhia é válida para estabelecer quais os
contratos que devem prosseguir nas bases pactuadas e quais os que deverão ser objeto de
reavaliação.

CORRESPONDÊNCIA OFICIAL

Uniformização da correspondência oficial

No serviço público não se podia, até pouco tempo atrás, falar em unidade dos padrões
de correspondência relacionadas aos atos administrativos oficiais.
Porém, em 1991, foi criada pela Presidência da República uma comissão que visava à
uniformização e à simplificação das normas de redação de atos e oficiais. A partir do trabalho
dessa comissão, foi elaborado, em 1992, o Manual de Redação da Presidência da República,
com a finalidade de racionalizar e padronizar a redação das comunicações oficiais.
Desse estudo, resultou a Instrução Normativa nº 4, de 6 de março de 1992, que visa a
consolidar aquelas normas e torná-las obrigatórias no âmbito federal.

45
TIPOS E MODELOS
• Correio eletrônico (e-mail)

46
CURRICULUM VITAE – CURRÍCULO

O que é um Curriculum Vitae?

O CV é a sigla de "Curriculum Vitae", que significa "História de uma vida" em Latim. Em


português, nós também usamos o nome currículo. De modo geral, o Curriculum Vitae (ou
Currículo, apenas) tem como objetivo fornecer o perfil da pessoa para um empregador.
Um Curriculum Vitae bem-elaborado deve conter:
 informações pessoais;
 experiências profissionais;
 habilidades;
 escolaridade;
 referências.

 Dicas para facilitar a maneira de se fazer um Currículum

 Em relação ao papel, utilize o papel sulfite branco A4 com tinta de cor azul ou preta,
nunca se esquecendo de transmitir uma imagem de profissionalismo e formalidade.

 As cartas escritas a mão são do passado, pois atualmente é necessário que a Carta de
Apresentação deva ser feita por meio do computador, exceto para os casos em que a empresa
solicita que seja escrita a mão.

 No primeiro parágrafo, transcreva o motivo do envio de seu Curriculum Vitae,


incluindo a resposta do anúncio, a vaga disponível ou a área que gostaria de trabalhar dentro
da empresa.

 Vá direto ao ponto e seja breve, isto é, sua Carta de Apresentação não deverá conter
mais do que 3 ou 4 parágrafos, sendo que no segundo parágrafo, é necessário descrever o
motivo pelo qual você selecionou a empresa, mostrando que você não só conhece a empresa,
como também o setor de futura atuação.

 No terceiro parágrafo, dê maior destaque para os seus objetivos e competências,


disponibilizando maior valorização pessoal para maior interesse para uma realização de uma
entrevista, porém não exagere.

 Desenvolva sua Carta de Apresentação de maneira formal, entretanto, seja claro, e


evite criar frases complicadas e até mesmo confusas para facilitar a compreensão de suas
ideias.

 Por fim, solicite de maneira cordial, uma entrevista para que você possa ter a chance
de conversar de forma mais abrangente sobre seus objetivos transcritos na carta.

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25 ERROS FATAIS NO CURRÍCULO

Se o currículo é a "chave" que detém a possibilidade de introduzir um profissional em


uma empresa, apresentá-lo com erros pode ser o atalho mais curto para fechar as portas no
mercado.
Mas não falta quem cometa deslizes na hora de elaborar o documento, reduzindo suas
chances de recolocação. Foram ouvidas dez empresas e consultorias de recursos humanos
atuantes em São Paulo para chegar a uma lista com 25 erros comuns nos currículos.
A "tendência" hoje é a compactação exagerada, novo inimigo dos selecionadores -que surgiu
como uma espécie de resposta ao combate incisivo aos currículos longos nos últimos anos.
Com o fenômeno, os candidatos têm dado "um jeitinho" de concentrar tudo numa página,
ainda que omitam informações importantes ou desrespeitem a boa aparência.
Chegar ao tamanho ideal tem a ver com bom senso. Não pode ser tão longo que canse
nem pode omitir dados importantes para o recrutamento.

1 - Fotos inadequadas

O encaminhamento de fotografia, a menos que seja solicitado pelo potencial


empregador, é desnecessário. Só tem peso nas posições em que aparência é diferencial, como
as de recepcionista e de "hostess". Segundo os consultores, os candidatos têm deslizado
bastante nesse sentido, enviando fotos em situação de lazer, com a família ou ainda em trajes
íntimos ou poses sensuais, por exemplo.

2 - Atentado à gramática

Os erros de português causam impressão de formação deficiente e evidenciam falta de


cuidado na finalização do documento, passando uma imagem de "desleixo", e o volume de
erros desse tipo é absurdo A dica é fazer uma revisão rigorosa e, se preciso, pedir ajuda de
alguém mais apto. A mesma cautela é válida para erros de digitação.

3 - Páginas demais

De 40 segundos a um minuto. Esse é o tempo médio de leitura dedicado a cada


currículo nos recrutamentos mais concorridos, apontam os selecionadores. Portanto, o
candidato que costuma enviar documento com mais de três páginas pode ter certeza de que ele
não será lido completamente. O currículo extenso só é bem recebido na área acadêmica.

4 – Supercompactação

Se o currículo muito extenso é prejudicial, o contrário também ocorre, alertam os


consultores. Na ansiedade de não cair no excesso de dados, o candidato "dá um jeito" de pôr
tudo em uma página. Para conseguir o tamanho mínimo, [o candidato] diminui tanto a fonte
que é preciso ler com lupa. E omite informações importantes para a sua apresentação.

5 – Referências

Para atestar a capacidade do candidato, a conhecida lista de nomes com telefones é, às


vezes, dividida em referências pessoais e profissionais. Citar referências é inadequado. Se
preciso, ele entra em contato com o antigo empregador por meios próprios.

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6 - RG, CPF, CTPS...

Números da carteira de identidade, do certificado de pessoa física, da carteira de


trabalho, do passaporte e até da certidão de nascimento. Embora muitos candidatos achem
tentador rechear o currículo com esses dados, os especialistas endossam que são
absolutamente desnecessários. Há ainda quem anexe cópias de todos os documentos ao
currículo, o que é ainda mais dispensável.

7 - Cursos inúteis

Cursos que não estão relacionados à posição que o candidato está pleiteando não têm
razão para serem mencionados no currículo. Essa regra deve ser seguida com o máximo rigor
para os que concorrem a postos executivos.

8 – Turista

Uma viagem só deve ser mencionada no currículo se agrega valor profissional ao


mesmo – intercâmbios e cursos no exterior, por exemplo, constituem vivências internacionais
sólidas e agregam valor. Mas há quem relate excursões de lazer, programações de férias
("Visitei o Paraguai e adorei") ou viagens que fez a trabalho para cidades vizinhas. É
desnecessário.

9 - Frases de (d)efeito

"Sou o melhor profissional da minha empresa", "Sou uma pessoa de fácil


relacionamento e que adora aprender". Jargões e frases de efeito têm reinado nas páginas dos
currículos, causando "arrepios" nos selecionadores. Pior que isso só escrever "Deus é fiel" no
pé do documento. E há quem o faça.

10 – Autógrafo

"Mancada" menos comum hoje do que foi há alguns anos, a mania de assinar o
currículo ainda existe e perdura em aproximadamente 40% dos documentos, dizem os
especialistas. Para garantir a legitimidade da rubrica, alguns candidatos chegam a reconhecer
a firma em cartório. A medida é pura perda de tempo e de dinheiro, pois o currículo não deve
ser assinado.

11 - Hobbies e artes

Enquanto buscava estagiários para a sua equipe em uma instituição financeira, o


gerente C.A. (que prefere não ser identificado) deparou-se com a seguinte afirmação num
currículo: "Adoro esculpir em pedra-sabão". "Nada contra o hobby artístico, mas para que eu
precisava saber daquilo?", indagou o gerente, que descartou o candidato. Moral da história:
hobbies não devem ser incluídos.

12 - Salário à vista

A remuneração é assunto para ser discutido, de preferência, em entrevista. E, mesmo


no caso de a pretensão salarial ser solicitada em anúncio, a inclusão não é unanimidade entre
os especialistas.

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13 - "Tecniquês"

Engenheiros e profissionais de tecnologia são recordistas nesse deslize: o abuso da


linguagem técnica. O resultado é um currículo que beira o incompreensível.

14 - Língua afiada

Parece mentira, mas há quem aproveite o currículo para falar mal do antigo patrão,
"lavar roupa suja" sobre os motivos da demissão ou até incluir informações supostamente
confidenciais da empresa em que trabalhou anteriormente. Esse tipo de erro revela falhas de
postura inadmissíveis.

15 – Pinóquio

A máxima popular já ensina que mentira tem perna curta. E mentira em currículo tem
até hora certa para ir por água abaixo – na entrevista. Entendam-se por mentiras, inclusive,
"exagerinhos" nos resultados obtidos e distorção de funções – que podem ser facilmente
checados com o antigo empregador. Especialistas consideram "gravíssimo" o fato de um
candidato ser "pego na mentira".

16 - Portunhol fluente

Se você não sabe espanhol, não invente de dizer que sabe porque é "parecido com
português". Quem faz isso corre o risco pagar um "mico" arranhando um "portunhol" na
frente do selecionador antes de ser dispensado da seleção. Conhecimentos de idioma pedem
especificação de nível – noções, básico, intermediário ou fluente. E, como a verificação é
simples e rápida, é melhor nunca mentir.

17 - Visual para "abalar"

Para fazer um currículo "bem diferente", o candidato escolhe fontes modernas que
acha no menu do computador e cria um layout "superousado". Imaginando que vai fazer
sucesso, imprime o currículo em papel cor de cenoura, por exemplo.

18 - Histórico sem fim

Apesar de pedir um tópico intitulado "Formação acadêmica", o currículo dispensa que


o profissional se estenda em detalhes da sua vida escolar. No entanto, muitos documentos
trazem o nome de todas as escolas por onde o candidato passou, desde o jardim-de-infância. O
certo é pôr apenas a formação universitária e especializações posteriores, com nome das
instituições e ano de conclusão.

19 - "Conheça-me mais"

É preciso elaborar o currículo tendo sempre em mente que é um documento para fins
profissionais. Portanto, tentar usar esse espaço para transmitir detalhes das suas habilidades
pessoais não é adequado. Destacar que era o primeiro aluno no colegial ou citar as medalhas
recebidas na escola é inútil.

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20 - Sem objetivo

Em vez de ajudar, um objetivo muito amplo pode diminuir suas chances. Com medo
de perder oportunidades, os candidatos abrem ao máximo esse item usando definições difusas.

21 - Pessoas verbais

Conjugar verbos na primeira pessoa do plural -"Coordenamos projetos"- é um erro


muito comum. É melhor substituir por uma definição de ação ou usar a primeira pessoa do
singular - "Coordenação de projetos" ou "Coordenei projetos". Pior ainda é fazer referência a
si usando a terceira pessoa: "Obteve resultados satisfatórios." Dá a ideia de que a ação foi de
outro funcionário.

22 - Túnel do tempo

Atualização constante. Essa é a uma regra básica para manter a eficiência do currículo.
Enviar um documento desatualizado é um deslize que pode trazer prejuízos. Nem pensar em
incluir novos dados manuscritos, o que é mais errado ainda. Mantenha o arquivo sempre à
mão e insira as mudanças que ocorrem na carreira, como novos cursos, independentemente de
estar empregado ou não.

23 - Loucos por anexos

Como se não bastasse o currículo, há quem goste de encaminhar anexos para fazer
mais "volume". Cópias de diplomas e de certificados, cartas de recomendação e até fotocópias
autenticadas dos documentos. Para completar, decidem encadernar o "livrinho". A lata de lixo
é o destino certo da papelada extra, que não tem utilidade, e o selecionador pode ter o trabalho
de destruir a encadernação.

24 - Mais do mesmo

O candidato menciona o que faz no "Objetivo", repete nas "Qualificações


profissionais" e depois conta de novo lá no "Histórico" – onde especifica o que fez em cada
uma das empresas em que trabalhou. Informações repetidas reduzem a concentração de quem
lê. Às vezes, todas as palavras são idênticas. Perde-se espaço para incluir dados relevantes.

25 - Cartas e bilhetes

Carta de apresentação, só quando é pedida. Ou em casos que requerem explicação,


como o do candidato que quer mudar de área. Uma moda mais recente é a de começar o
currículo com um parágrafo com jeito de bilhete. É uma péssima ideia.
Folha de São Paulo, Folha Empregos, 1 de fevereiro de 2004, p. F1.

51
CARTA

Na correspondência empresarial, a carta é classificada em:

 simples: quando trata de um único assunto;

 com referência, ou epigrafada: quando trata de um único assunto, cujo resumo


(síntese) aparece no alto, entre o endereço interno e o vocativo;

 com tópicos: quando trata de vários assuntos abordados em mensagens anteriores


pelo destinatário, colocados em destaque;

 circular: quando se trata de um ou mais assuntos e é encaminhada a vários


destinatários.

Quanto ao aspecto (apresentação/formatação), podemos classificá-lo em:

 endentado/dentado (full block-letter): apresenta entrada nos parágrafos;

 bloco/marginado/americanizado (bloked style): não apresenta entrada de


parágrafo; o documento acompanha a margem esquerda;

 semibloco (semi-blocked): mescla as características dos aspectos endentado e bloco.

CARTA DE APRESENTAÇÃO

A carta de apresentação é comum tanto na correspondência bancária, quanto na


comercial ou na particular. Aliás, certos ditames de etiqueta que conduzem as relações sociais
influem na elaboração e tramitação da carta de apresentação, bancária ou comercial, seja na
escolha do papel em função do apresentado, seja na maneira de fazer a entrega da carta ao
favorecido por ela.
Note-se que, às vezes, uma simples frase a mais transforma a carta de apresentação em
carta de abono e esta em carta de recomendação. Por outro lado, a carta de recomendação
inclui, naturalmente, as outras duas.
O preparo dessas missivas segue, via de regra, essa ordem:
● apresenta a pessoa ou a entidade;
● diz as qualidades pessoais ou profissionais, ou das condições da entidade;
● expõe o principal objetivo da carta (apresentação, abono ou recomendação);
● faz referência ao fim visado pela pessoa ou entidade apresentada (visita,
inspeção, negócios, emprego, etc.).

52
As mensagens linguísticas comportam, às vezes, implícitos que não podem ser
previstos com base apenas no sentido literal. Importantíssimos para a interpretação final da
mensagem, esses implícitos só podem ser descobertos por um trabalho de conjectura feito a
partir de uma avaliação global da situação comunicativa, em que o ouvinte procura recuperar
as intenções do falante. Mensagens que comportam esse tipo de implícito são sempre
interpretadas como indiretas e obrigam, tipicamente, o ouvinte a perguntar: “O que foi que ele
quis dizer com isso?”, Aonde ele quis chegar?”, etc.
O caso mais típico da indireta são as chamadas “implicaturas conversacionais”, cujo
estudo começou pela análise de estórias como esta:
A é um professor de Filosofia recém-formado. Querendo obter emprego em uma
determinada universidade, vai a um de seus antigos professores, B, e pede-lhe
que mande uma carta recomendando-o para o emprego a C, o diretor da tal
universidade. B descreve a carta nos seguintes termos: “A tem excelente
caligrafia e até hoje não foi preso”. C lê a carta e conclui que A não é
aproveitável.
O problema proposto por essa estória consiste em explicar por que C conclui que A é
ruim, quando as informações dadas por B, por si só, não são negativas.
A solução clássica, proposta pelo filósofo norte-americano Peter Grice, consiste em
admitir que os interlocutores estão normalmente empenhados em construir juntos uma
comunicação eficaz e que, para isso, aplicam as seguintes “máximas conversacionais”.
 Diga apenas aquilo que você julga ser verdadeiro.
 Diga as coisas que você quer dizer da melhor maneira possível (por exemplo: evite ser
prolixo, confuso ou desnecessariamente rebuscado na escolha do vocabulário, etc.);
 Diga o máximo que você pode dizer;
 Só diga as coisas relevantes para o propósito da comunicação.

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AS CARTAS TROCADAS

PARA O CHEFE:

São Paulo, 23-5-92

Chefinho,

Cansei minha beleza! Quinta-feira faço as trouxas e caio na farra. Diz pra Zefinha
terminar aqueles ofícios que estão na minha mesa. Bater ofício, na sexta-feira, eu, heim? Só se
for bater no ofício, com relho e vara de marmelo ... Ah! Se alguém perguntar por mim, diz
que eu fui por aí, ou melhor, pro Guarujá, levando meu gato debaixo do braço ...

Beijinho, beijinho, tchau, tchau!

Maria das Graças.

PARA O NAMORADO:

São Paulo, 23 de maio de 1992.

Prezado Senhor,

Tenho o prazer de acusar o recebimento de sua mensagem do dia 22 p.p., onde V. Sª.
convida-me para um fim de semana no Guarujá, a iniciar-se no dia 30 do corrente mês. Devo
esclarecer que, na data marcada, estarei à inteira disposição para acompanhá-lo. Considero
altamente desejável o intercâmbio de beijos e abraços que tal encontro, certamente, irá
propiciar.
Outrossim, informo que seria de bom alvitre providenciar com antecedência as
passagens e reservas de acomodações.
Sem mais para o momento, apresento meus protestos de elevada estima e distinta
consideração.

Atenciosamente,

Maria das Graças.

54
A Carta

• Número de expedição
• Data
• Destinatário/Endereçamento
• Referência/Assunto
• Vocativo
• Texto
• Nome e cargo/função
• Anexos

Observação: O modelo “em bloco” segue o padrão norte-americano, e o texto não é


justificado.

Memorando ou comunicação
interna

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CONVOCAÇÃO
A convocação corresponde ao convite, só que mais no sentido de intimidação,
originando o comparecimento, devendo ser justificado o não comparecimento, enquanto
convite é somente uma solicitação.

CORREIO ELETRÔNICO (E-MAIL)

Para muitos de nós, ele ainda é uma novidade não completamente dominada, mas o
correio eletrônico já está com 32 anos. O nascimento foi em outubro de 1971, nos Estados
Unidos, com a escolha do símbolo @ (arroba) – em inglês at, como a preposição do lugar –
para separar a identificação de uma caixa postal do nome do local que a hospeda.
Os e-mails continuam, como naquela época, sendo mensagens de texto – mesmo
quando aparecem com fotos, cores e documentos anexos – que vão de um lado a outro em
uma rede de computadores.
Na prática, diferentemente do que se poderia prever, a comunicação eletrônica
popularizou-se a ponto de se tornar muito mais do que simples envio de mensagens de texto.
O e-mail se tornou instrumento de trabalho, de divulgação de notícias e anúncios, de diversão
e até mesmo de realizar transferências monetárias (Grupo Sinos, out. 2002).
O e-mail veio reanimar a comunicação escrita, mas, como toda mensagem virtual, não
consegue passar emoções como as que transmitimos por meio da voz (pelo telefone) e na
comunicação direta (gestos e voz). Além disso, a correspondência tem normas de etiqueta e

56
elegância de estilo, seguindo um certo ritual de leitura, releitura. Há uma preocupação com o
estilo do autor.
Características
 redigir mensagens breves;
 dar respostas rápidas;
 organizar textos simples e objetivos.

EMENTA
Ementa significa apontamento, nota, comentário, sumário, súmula. É um comentário
sucinto sobre algum assunto, sumário do que contém uma providencia legal ou do que decidiu
uma autoridade. Faz parte integrante da estrutura de um parecer ou decreto.
Nas universidades, é comum fazer-se ementas de conteúdos programáticos.

57
Requerimento
Definição: segundo o Dicionário Houaiss: 1 - ato ou efeito de pedir por meio de petição
por escrito, segundo as formalidades legais; 2 - qualquer petição verbal ou por escrito; 3 - termo
jurídico, documento que contém uma reivindicação, um pedido.

O requerimento é uma petição dirigida a uma entidade oficial, organismo ou


instituição por meio da qual se solicita uma necessidade ou um interesse.
Como o requerimento é sempre dirigido ao responsável por um determinado setor ou
serviço, deve utilizar-se um tratamento solene e adequado à entidade a quem se dirige e um
registro de língua cuidado, ou seja, culto. Por outro lado, a apresentação da situação deverá
ser feita com clareza, para possibilitar uma fácil compreensão, podendo apoiar-se na
legislação em vigor.
Muitas são as situações do cotidiano em que os indivíduos são confrontados com a
necessidade de requerer determinados serviços, ou benefícios: anulação de matrícula,
mudança de turma, consulta e reapreciação de prova, etc. (em contexto escolar) e pedido de
autorizações ou benefícios diversos (na globalidade da vida do cidadão).

Apresentação
Na apresentação de um requerimento, há que ter alguns cuidados. Assim, deve-se:
- usar uma folha branca ou uma folha própria para o efeito;
- deixar uma margem superior de 6 cm e uma margem esquerda de 7cm;
- separar os diferentes pontos do requerimento por uma linha em branco;
- adequar as formas de tratamento à entidade a que se destina (começa-se por: Exmo Sr. Ou
Ilmo Sr., e no interior do texto, devemos escrever V. Ex.ª ou, por extenso Vossa Excelência).

Características do registro linguístico


 Uso de registro formal;
 utilização de uma linguagem objetiva (identificação, morada, bilhete de identidade,
etc.);
 recurso a palavras ou expressões específicas (requerente, deferimento, requerer,
solicitar, conceder, dignar-se, respeitosamente, etc.);
 emprego da primeira ou da terceira pessoa do singular.

Estrutura do requerimento
Um requerimento bem-estruturado contribui para uma melhor compreensão daquilo
que é pedido. Devem, por isso, constar as seguintes partes:

Estrutura:
Deve ser dividido em três partes:
 Abertura
 Solicitação
 Encerramento

58
► Abertura
 Contém apenas a indicação do destinatário
 O destinatário não é, normalmente, o executor da tarefa, objeto do requerimento. É
ele a autoridade que aprova a solicitação do requerente, para ser executada em
outro nível
 Dever conter pronomes de tratamento e invocativos.
► Solicitação
 Dados Pessoais (nome completo, profissão, identidade e outras informações
necessárias);
 A solicitação é, na verdade, a parte que pode oferecer maior dificuldade ao
redator, uma vez que nela ele terá de comunicar o teor do pedido, de forma clara e
convincente, para obter o deferimento desejado
 Documentos em Anexo
► Encerramento
O encerramento consta da seguinte fórmula:
 Termo de encerramento
 Localidade e Data (esta, por extenso)
 Assinatura do requerente

► Termos de encerramento

 “Nestes termos, pede deferimento”


 “Nesses termos, espera deferimento”
 “Nesses termos, aguarda deferimento”

Ou
 “Nestes termos, peço deferimento”
 “Nesses termos, espero deferimento”
 “Nesses termos, aguardo deferimento”

Obs.: Entre o endereçamento e o corpo do texto, deve-se deixar de sete (7) a dez (10)
espaços para que se obtenha a resposta: solicitação deferida ou indeferida.

59
Requerimento

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OFÍCIO
Conceito:
O ofício é um tipo de correspondência externa muito usado, especialmente quando o
destinatário é do órgão público. Ele serve para informar, encaminhar documentos importantes,
solicitar providências ou informações, propor convênios, ajustes, acordos, etc., convidar alguém
com distinção para a participação em certos eventos; enfim, tratar o destinatário com especial
fineza e consideração
Características
Circula entre Agentes Públicos ou entre um Agente Público e um Particular.
A linguagem deve ser formal sem ser rebuscada.
A finalidade é informar, com o máximo de clareza possível, utilizando-se o padrão culto da
língua.
Forma e estrutura
1. Devem constar do cabeçalho ou do rodapé do ofício as seguintes informações do remetente:
- Nome do órgão ou setor, Endereço postal, Telefone e endereço eletrônico, Timbre, este deve ser
posto no cabeçalho da página.
2. Tipo e número do expediente, seguido da sigla do órgão que o expede.
3. Local e data em que foi assinado com alinhamento à direita. O nome do mês escreve-se com
letra minúscula e, após o ano, coloca-se ponto final.
4. Assunto: resumo do teor do documento. Este item é facultativo.
5. Destinatário: o nome, o cargo e o endereço da pessoa a quem é dirigida a comunicação.
 Quanto ao endereçamento no envelope, se as comunicações forem dirigidas às
autoridades tratadas por Vossa Excelência, terá a seguinte forma:

Excelentíssimo Senhor
Fulano de Tal
Diretor da Fatec de São paulo
Rua ABC, nº 123
01010-000 – São Paulo/SP
 Quando ao destinatário não se empregar o tratamento de Excelência, deve-se dirigir a ele
como Vossa Senhoria, e o endereçamento ficará assim:

Senhor
Eduardo Maia
Secretário Municipal de Saúde
Rua XYZ, nº 789
012301-000 – Rio de Janeiro/RJ
6. Texto: nos casos em que não for de mero encaminhamento de documentos, o expediente deve
conter a seguinte estrutura:
• Introdução: que se confunde com o parágrafo de abertura, na qual é apresentado o assunto
que motiva a comunicação. Evite o uso de formas: “Tenho a honra de”, “Tenho o prazer de”,
“Cumpre-me informar que”, empregue a forma direta.

• Desenvolvimento: no qual o assunto é detalhado; se o texto contiver mais de uma ideia sobre
o assunto, elas devem ser tratadas em parágrafos distintos, o que confere maior clareza à
exposição.

61
• Conclusão; em que é reafirmada ou simplesmente reapresentada a posição recomendada
sobre o assunto.

► Já quando se tratar de mero encaminhamento de documentos, a estrutura é a seguinte:


• Introdução: deve iniciar com referência ao expediente que solicitou o encaminhamento. Se a
remessa do documento não tiver sido solicitada, deve iniciar com a informação do motivo da
comunicação, que é encaminhar, indicando a seguir os dados completos do documento
encaminhado (tipo, data, origem ou signatário, e assunto de que trata), e a razão pela qual
está sendo encaminhado.

• Desenvolvimento: se o autor da comunicação desejar fazer algum comentário a respeito do


documento que encaminha, poderá acrescentar parágrafos de desenvolvimento; em caso
contrário, não há parágrafos de desenvolvimento em ofício de mero encaminhamento.

• Fecho: possui, além da finalidade óbvia de arrematar o texto, a de saudar o destinatário.


Atualmente são utilizados somente dois fechos diferentes para todas as modalidades de
comunicação oficial:

• Para autoridades superiores: Respeitosamente,

• Para autoridades de mesma hierarquia ou de hierarquia inferior: Atenciosamente,

• Vocativo, que invoca o destinatário, seguido de vírgula;

• Para os chefes de Poder, usa-se Excelentíssimo Senhor, seguido do respectivo cargo.

• As demais autoridades são tratadas pelo vocativo Senhor, seguido do respectivo cargo.

• Assinatura do autor da comunicação; e

• Identificação do signatário:

• Excluídas as comunicações assinadas pelo Presidente da República, todas as demais


comunicações oficiais devem trazer o nome e o cargo da autoridade que as expede, abaixo do
local de sua assinatura. A forma da identificação deve ser a seguinte:

• (espaço para assinatura)

• Nome

• Nome do cargo

• Observação: quando o Ofício tiver mais de uma página, a continuação se dará na página
seguinte, com o fecho e a assinatura. O destinatário e o endereçamento ficam sempre na
primeira página.

Forma de diagramação:
O Ofício deve obedecer à seguinte forma de apresentação:
a) deve ser utilizada fonte do tipo Times New Roman de corpo 12 no texto em geral, 11 nas
citações, e 10 nas notas de rodapé;
62
b) para símbolos não existentes na fonte Times New Roman, poderão ser utilizadas as fontes
Symbol e Wingdings;

c) é obrigatório constar a partir da segunda página o número da página;

d) os parágrafos do texto devem ser numerados, exceto o primeiro e o último parágrafos


(que é o fecho), e nos casos em que estes estejam organizados em itens ou títulos e
subtítulos;

e) o início de cada parágrafo do texto deve ter 2,5 cm de distância da margem esquerda;

f) o campo destinado à margem lateral esquerda deve ter, no mínimo, 3,0 cm de largura;

g) o campo destinado à margem lateral direita deve ter 1,5 cm;

h) deve ser utilizado espaçamento simples entre as linhas e de 6 pontos após cada parágrafo
ou, caso o editor de texto não comporte tal recurso, de uma linha em branco;

i) não deve haver abuso de negrito, itálico, sublinhado, letras maiúsculas, sombreado,
sombra, relevo, bordas ou qualquer outra forma de formatação que afete a elegância e a
sobriedade do documento;

j) a impressão dos textos deve ser feita na cor preta em papel branco. A impressão colorida
deve ser usada apenas para gráficos e ilustrações;

k) deve ser impresso em papel de tamanho A-4, ou seja, 297 x 210 mm.

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Memorando Oficial

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Documentos Administrativos
Acordo

ACORDO

Acordo é um ajuste, uma convenção. Acordar é concordar, chegar a um acordo.

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PROCURAÇÃO

INSTRUMENTOS DE PROCURAÇÃO

 A procuração é um instrumento de mandato.


 Deve-se dirigir até um cartório para passar uma procuração.
 Toda procuração deve ser registrada em cartório.
 Você já pode ir com o texto escrito ou pegar modelos prontos no cartório.
Pode ser:
a) por instrumento particular quando feita ou escrita pelo próprio mandante com o
reconhecimento de firma;
b) por instrumento público quando lavrada em cartório, recebendo-se o traslado, havendo
necessidade de outras cópias, o cartório fornecerá certidão;
c) extrajudicial: quando confere um deles para um mandatário praticar negócios comuns, de
cunho civil ou comercial, fora dos tribunais;
d) judicial: quando confere poderes ao bacharel em Direito, devidamente habilitado para
representar, nos tribunais, o mandante na qualidade de autor ou réu.

OBSERVAÇÕES

 A palavra “procuração” deve vir no centro da folha.


 A partitura silábica deve ser gramatical.
 Não se separam os números dos documentos pessoais.
 O mandante pode ser a pessoa física (natural) ou jurídica.
 Substabelecer: transferir a outro a procuração recebida de alguém.
 Outorgar: conceder, dar, declarar em escritura pública.
 Outorgante: pessoa que recebe poderes para, em seu lugar, de fazer as vezes.
 Quem passa a procuração é o mandante, constituinte ou outorgante.
 Quem recebe o mandato é o mandatário, procurador ou outorgado.
 Pode ser pública, se lavrada em cartório.
 Ou particular, se passada de próprio punho pela pessoa que a dá, tendo, todavia de subordinar-
se a certas regras formais para que se identifique como ato perfeito.

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FORMATO

 O papel: Formato Ofício


 Data e assinatura: Colocadas na forma escrita pela lei.

OBRIGAÇÕES DO MANDATÁRIO

 a) Aplicar toda a sua diligência na execução do mandato.


 b) Pagar juros.
 c) Prestar contas.
 d) Apresentar o instrumento do mandato.
 e) Concluir um negócio já começado.

OBRIGAÇÕES DO MANDANTE

 a) Satisfazer a todas as obrigações contraídas pelo mandatário.


 b) Adiantar a importância das despesas necessárias à execução do mandato.
 c) Pagar ao mandatário a remuneração ajustada e as despesas de execução do mandato.
 d) Ressarcir ao mandatário as perdas que sofrer com a execução do mandato sempre que não
resultam de culpa sua ou excesso de poderes.
 e) Obrigação para com aqueles com quem o procurador contratou.

EXTINÇÃO DO MANDATO

 Pela revogação.
 Pela renúncia.
 Pela morte de uma das partes.
 Pelo término do prazo.
 Pela conclusão do negócio.

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► Toda procuração poderá ser redigida em 1ª ou 3ª pessoa. Ambas são corretas. O que não pode
ocorrer é a mistura das pessoas gramaticais, ou seja, começar, por exemplo, em 1ª pessoa e
terminar em 3ª ou vice-versa. A procuração, como qualquer outra redação técnica, deve obedecer
à uniformidade da pessoa gramatical.

Procuração

Recibo

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ATA

DEFINIÇÃO

Ata é o documento em que se registram, de forma exata e metódica, as ocorrências,


resoluções e decisões das assembléias, reuniões ou sessões realizadas por comissões, conselhos,
congregações, corporações ou outras entidades semelhantes.

ELABORAÇÃO

Cuidados

A Ata é documento de valor jurídico. Por essa razão, deve ser lavrada de tal maneira que
não se possam introduzir modificações posteriores. Geralmente é lançada em livro próprio,
devidamente autenticado, cujas páginas são rubricadas por quem redigiu os termos de abertura e
de encerramento, o que lhes dá cunho oficial. Há os que substituem os livros por folhas soltas,
sistema que, embora ofereça algumas vantagens de caráter prático, tem, por outro lado, sérios
inconvenientes, tais como a facilidade de extravio e de acréscimos ou modificações posteriores,
com objetivos fraudulentos.

Na Ata, não se fazem parágrafos ou alíneas: escreve-se tudo seguidamente, para evitar
que, nos espaços em branco, se façam acréscimos. Existem, no entanto, tipos de Atas que, por se
referirem a atos rotineiros e de procedimento padronizado, são lançados em formulários com
espaços a serem preenchidos.

Mesmo nesse tipo de Ata é conveniente, com a finalidade de prevenir qualquer fraude, preencher
os eventuais espaços em branco como pontos ou outros sinais convencionais.

Ressalvas

Na Ata, não se admitem rasuras. Para ressaltar erro constatado durante a redação, usa-se a
palavra digo, depois da qual se repete a palavra ou expressão anterior ao mesmo erro:

Ex.: Aos dezesseis dias do mês de agosto, digo, do mês de setembro de dois mil e dez,
reuniu-se o...

Na data de 2010
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Quando se constata erro ou omissão após a redação, usa-se a expressão em tempo, que é
colocada após o escrito, seguindo-se a emenda ou o acréscimo:

Em tempo: Na linha onde se lê “abono”, leia-se “abandono”

Em tempo: Na linha..., onde se lê “os seguintes critérios”, acrescente-se “de julgamento”.

É também oportuna esta observação: “Em caso de contestações ou emendas ao texto


apresentado, a ata só poderá ser assinada depois de aprovadas as correções.”

Redações e estilo

A Ata é redigida por um secretário efetivo do órgão ou, na falta desse, por um secretário
“ad hoc”, isto é, eventual, designado na ocasião ou somente para ela.

Como a Ata deve ser um registro fiel dos fatos ocorridos em determinada reunião, sua
linguagem deve ser simples e despretensiosa, clara, precisa e concisa, não se prestando, por isso
mesmo, para a demonstração ou extravasamento de prováveis ou supostos dotes literários do
redator.

Assinatura

Assinam a Ata, geralmente, todas as pessoas presentes à reunião. Às vezes, todavia, ela é
assinada somente pelo presidente e pelo secretário. Não há, sobre este assunto, disposição de
caráter geral.

PARTES DA ATA

As partes de uma ata variam segundo a natureza das reuniões cujos eventos se registram.
Entretanto, as mais importantes e que mais frequentemente aparecem, além do título e das
assinaturas, são as seguintes:

 Dia, mês, ano e hora da reunião (por extenso).


 Local da reunião.
 Pessoas presentes, devidamente qualificadas (conselheiros, professores, delegados, etc.).
 Presidente e secretário dos trabalhos

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 Ordem do dia (discussões, votações, deliberações, etc.).
 Fecho

IMPORTANTE

 Não deixe nenhum espaço em branco em nenhum lugar da Ata, para impossibilitar acréscimos
indevidos. Por isso, em Ata só existe um parágrafo, sem espaço inicial. Ao final da Ata, o
espaço restante na linha deve ser completado com um traço.

 Os números são sempre grafados por extenso, o que não impede que você repita-os em
algarismos.

 Se no decorrer da redação da Ata, houver algum erro, as ressalvas na Ata se fazem pela
partícula “digo”.

 Se o erro só for percebido após o término da Ata, procede-se da mesma forma da ressalva,
escrevendo-se “Em tempo” em vez de “Ressalva”.

 Se a reunião não teve quorum, o secretário deve lavrar a Ata assim mesmo, para que o fato
fique registrado, sendo que o único fato a registrar é a própria falta de quorum. Ex.: “Por falta
de quorum não houve hoje, cinco de fevereiro de dois mil e onze, reunião do LEO Clube de
Ipatinga. Eu, (nome do secretário), lavro a presente ata que após lida e aprovada, será assinada.
Ipatinga, 10 de fevereiro de 20...------------------“

 Entre uma Ata e outra deverá ter apenas o espaço para a assinatura do presidente e do
secretário.

 As linhas da Ata devem ser enumeradas.

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Ata

Ata Tradicional

Ata Moderna

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Aviso ou comunicado

Bilhete

Convocação

Declaração

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RELATÓRIO

Relatório é a exposição de ocorrências ou da execução de serviços ou, ainda, dos fatos de uma
administração pública ou privada, sendo essa exposição acompanhada, quando necessário, de gráficos,
mapas, tabelas, ilustrações. O relator deve tomar como base um fato real, descrevê-lo cuidadosamente,
interpretá-lo e, com base na descrição e na interpretação do fato, apresentar propostas práticas.
Existem vários tipos de relatórios: desde os mais simples até os mais elaborados.

CLASSIFICAÇÃO:

Podemos considerar três classes:

► O número de signatários:

- individual: um signatário
- coletivo: mais de um signatário

► A periodicidade:

- normal: surgimento regular


- eventual: surgimento irregular

► O fim: tantos tipos quantos forem os objetivos pretendidos:

- pesquisa
- jurídico
- econômico
- científico

POR ONDE COMEÇAR?

O primeiro passo para se redigir um bom relatório é determinar e fixar o objetivo do que se vai
escrever.
Fixar o objetivo é selecionar a linha de pensamento que orientará o encadeamento a condução de
ideias. Esse procedimento é fundamental para seleção de ideias pertinentes ao assunto e para não haver
dispersão e confusão quanto às informações a serem transmitidas.
Ao escrever um relatório, procure, antes, determinar os verdadeiros objetivos, evitando, assim,
pormenores inúteis que podem confundir o leitor. Antes de iniciar o trabalho, atente para:
- por que devo escrever esse relatório?
- quem irá lê-lo?
- o que pretendo escrever?
- como irei fazê-lo?

SEGUNDO MOMENTO

Depois de fixar o objetivo, para escrever o seu relatório você pode seguir dois caminhos,
ambos igualmente válidos.
Um deles é simplesmente começar a escrever o texto para trabalhá-lo depois. O outro é listar as
várias ideias que lhe ocorram sobre o assunto para posteriormente estruturá-las em um texto.
Não se pode afirmar que um desses caminhos seja melhor que o outro. É meramente questão de
estilo ou, até mesmo, de momento. Uma pessoa pode sentir mais confortável listando primeiramente
aquilo que pretende escrever ou passando direto para o papel (ou tela) o desenvolvimento de sua ideia.
De qualquer forma, o importante é saber que, qualquer que seja o caminho escolhido, este é
apenas o segundo momento. É daqui que o relatório começará a se definir, exigindo uma organização.
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TERCEIRO MOMENTO

Depois do segundo momento é importante planejar a apresentação das informações. Mesmo que
para quem já escreveu o texto, vale a pena saber que o relatório deve primar pela organização e unidade.
Organização e unidade estão relacionadas à ideia central. Sempre, em qualquer tipo de texto, deve
haver uma ideia central que orienta toda a redação. Além disso, todas as ideias devem ser relevantes e
convergir para a central.
Então, observamos que podemos ter dois grandes grupos: o das causas e o das consequências:

ESTRUTURA

Agora é fundamental estruturar a apresentação das informações. A estruturação nada mais é do


que a organização de blocos ou grupos de informações.
Dependendo do tipo de relatório (há vários!), você pode seguir diversas maneiras de estruturar o
texto, desde aquela mais simples, em que há uma exposição de ideia por meio da sequência de introdução-
desenvolvimento-conclusão, até as mais elaboradas, com análises parciais e comentários de pontos
positivos e negativos.
Em relação às monografias, a única distinção entre elas e os relatórios é quanto à apresentação de
sumário ou resumo, logo no início do texto.
O sumário é a “enumeração das principais seções, artigos ou contribuições mais importantes de
um fascículo, feita na mesma ordem em que nele se sucedem”. (ABNT – NB-62)
Já o resumo, indicado para monografias menos formais, é “a apresentação concisa e
frequentemente seletiva do texto de um artigo, obra ou outro documento, pondo em destaque os elementos
de maior interesse e importância, sendo frequentemente redigido por outras pessoas que não o autor”.
(ABNT – NB-87)
A estrutura é fundamental, pois ela revela a organização do pensamento que será seguida, bem
como facilita ao leitor seguir uma linha de compreensão. Portanto, não há como descuidar dessa etapa
essencial.

COMPOSIÇÃO DA ESTRUTURA

Um relatório simples, abordando a exposição de um motivo ou de um tema, pode seguir a


estrutura básica de introdução-desenvolvimento-conclusão.
Na introdução, apresenta-se o assunto, delimitando-o e estabelecendo suas coordenadas gerais. Na
verdade, a introdução apresenta um cenário em que serão inseridas as informações prestadas.
No desenvolvimento, as informações seguem o prometido na introdução, tendo-se o cuidado de
caminhar na direção de um fecho. É a seção central.
O fecho é o encerramento e deve conter:
- considerações finais;
- deduções lógicas de argumentação que a precede;
- sugestões dispostas clara e ordenadamente;
- agradecimentos, despedida, etc.

ELEMENTOS:

Folha de rosto: nela, constarão dados de identificação como: entidade ou empresa, setor ou departamento,
título, autor, local e data.

Sumário: (deverá ser elaborado no final do trabalho) onde devem constar os principais títulos e subtítulos
com as respectivas páginas.

Introdução: apresentação inicial do trabalho, cujo objetivo é levar o leitor à compreensão do assunto,
tomando ciência imediata do conteúdo.
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Desenvolvimento: é o texto propriamente dito com a explanação simples e clara do assunto.

Conclusão: encerramento do trabalho, com a confirmação dos pontos de vista do autor.

Anexos: material ilustrativo complementar – gráficos, tabelas, etc., não estritamente essenciais à
compreensão do assunto.

- Bibliografia: indicações precisas e minuciosas que permitem a identificação de publicações, no todo ou


em parte.

TIPOS DE PLANOS PARA RELATÓRIOS

Há muitas possibilidades de planos (ou esqueletos) de relatórios divididos em grupo. Seguem


abaixo algumas possibilidades. Entretanto, cada relatório tem a sua particularidade e o seu conjunto de
informações. Portanto, cabe ao redator do texto analisar e escolher qual a melhor maneira de estruturar as
suas ideias.

Exemplo 1 – Introdução
Apresentação dos itens observados
Comentários
Conclusão

Exemplo 2 - Introdução
Relato cronológico dos acontecimentos
Apresentação dos itens observados
Análise de causas
Proposta de soluções
Conclusão

Exemplo 3 - Cenário
Enumeração de fatos
Relações de consequência
Comentários
Conclusão

Exemplo 4 – Cenário
Aspectos Positivos
Aspectos Negativos
Considerações gerais
Conclusão

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REFERÊNCIAS

ANDRADE, Maria Margarida. de, HENRIQUES, Antônio. Língua portuguesa: noções básicas para
cursos superiores. São Paulo: Atlas, 1999.

BELTRÃO, Odacir; BELTRÃO Mariúsa. Correspondência: linguagem e comunicação oficial,


empresarial e particular. São Paulo: Atlas, 2007.

CUNHA, Celso; CINTRA, Luís F. Lindley. Nova Gramática do Português Contemporâneo. Rio de
Janeiro: Nova Fronteira, 2001.

GARCIA, Othon M. Comunicação em prosa moderna: aprenda a escrever, aprendendo a pensar. Rio de
Janeiro: F.G.V., 2006.

GOLD, Miriam. Redação Empresarial: escrevendo com sucesso na era da globalização. São Paulo:
Prentice Hall, 2005.

KLEIMAN, Ângela. Texto e leitor: aspectos cognitivos da leitura. Campinas, SP: 1999.

KOCH, Ingedore Villaça. O texto e a construção de sentidos. São Paulo: Contexto, 1997.

KOCH, Ingedore Villaça, TRAVAGLIA, Luiz Carlos. A coerência textual. São Paulo: Contexto, 1998.

______ . A coesão textual. São Paulo: Contexto, 1998.

KOCH, Ingedore Villaça. Argumentação e linguagem. São Paulo: Cortez, 2000.

______ .Desvendando os segredos do texto. São Paulo: Cortez, 2005.

KOCH, Ingedore Villaça, ELIAS, Vanda Maria. Ler e compreender: os sentidos do texto. São Paulo:
Contexto, 2007.

KOCH, Ingedore Villaça, ELIAS, Vanda Maria. Ler e escrever: estratégias de produção textual. São
Paulo: Contexto, 2009.

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MANDRYK, David. FARACO, Carlos Alberto. Língua Portuguesa: prática de redação para estudantes
universitários. Petrópolis, RJ: Vozes, 2004.

MEDEIROS, J.B. Redação empresarial. São Paulo: Atlas, 2009.

ROGER, Cahen. Comunicação Empresarial. São Paulo: Best Seller, 1999.

SAVIOLI, Francisco Platão; FIORIN, José Luiz. Lições de texto: leitura e redação. São Paulo: Ática,
2000.

VANOYE, Francis. Usos da linguagem: problemas e técnicas na produção oral e escrita. São Paulo:
Martins Fontes, 1998.

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