Não é à toa que este livro foi dedicado~'a todos aqueles que ousaram sonhar, ousaram lutar, ousaram correr riscos, ousaram dizer não". Sua autora, Cecilia Coimbra, era uma jovem professora de
II istória que estudava

Psicologia quando, em agosto de 1970, no período mais duro
(I()

GUARDIÃES DA ORDEM

regime militar foi presa de História e

pdo DOI-CODI!Rj. Sólidos conhecimentos dl' Psicologia - em que mais \:mll', depois de libertada, Cecilia se graduou - são uma 111<1 deste livro. Mas ele é, n:a 1;llllb('I11,muito fortemente 1ll:lrcado pela vivência pessoal e pda personalidade forte e cor;ljosa de sua autora. Cecilia é, antes de mais 11:lda,LIma cidadã sintonizada ('0111 seu tempo - no que ele o lelll de Illais rico e generoso. :llgu{'1ll com uma qualidade que distingue os melhores seres hUlllanos: sabe se indign:lr diante das injustiças, llleslllo q Ul' hoje esteja na
:1 111od:1 conversa fiada de que

É

l'l:ls

S;tO

UIll pre\'o inevitável a pvla "modernidade".

M' p;lg:11'

Cecilia Maria Bouças Coimbra

CONSELHO DIRETOR

GUARDIÃES DA ORDEM
uma viagem pelas práticas psi no Brasil do "Milagre"

Túlio Vagner dos Santos Vicente Ronaldo Fonseca Paes de Lima Luiz Ricardo Leitão Jane Lucas Assunção

AsSESSORIA JURíDICA

Lia de Oliveira

CONSELHO EDITORIAL

Carlos Eduardo Falcão Uchôa João Ramos Filho José Novaes Manoel de Carvalho Almeida Manoel Ricardo Simões Tamara Egler

Oficina do Autor
Rio de Janeiro - 1995

1

@

1995 - Cecilia Maria Bouças Coim bra

SÉRIE CENA ABERTA
volume 2

SUPERVISAO EDITORIAL

Luiz Ricardo Leitâo
PROJETO GRÁFICO

& EDITORAÇAo leme Lucc~,Assunçâo
DE TEXTO

ELETRÔNICA

PREPARAÇAo

E REVISAo

loâo Ramos Filbo Manoel de Camalho Almeida Ronaldo Fonseca Paes de Lima
CAPA

Lui, Hem'ique Nascimellto
FOTOS

AgPttcialB Ct~,tódio Coimbm
[MPRESsAo E ENCADERNAÇAo

A todos aqueles que ousaram sonhar, ousaram lutar, ousaram correr riscos, ousaram dizer nào. Àqueles que sonharam novos encontros, novos agenciamentos, novas formas de lJÍlJer neste mundo e que, por estes sonhos e lutas, como a pesteforam marcados, mas,sacrados, extenninados. A todos que, nos anos 60 e 70, apaixonadamente, tentaram - e ainda hoje tentam - marcar suas uida..<; nào pela "mesmice", pelo instituído, pela naturalizaçào, ao contrário, pela denúncia, criaçào de novos espaços. pela desmitificaçào, mas, pela

Marques-,<'ctraiuaGráficos e Editol'es

A todos os que sohrelJÍveram a esta luta, a este masReservados os dil'eÍtos de publicaçâo desta ediçâo pela

sacre. emhora com projlmdas marcas e, em especial, aos que nào mais estâo entre nós - aos Mortos e Desaparecidos Políticos e a seus }ámiliares, em particular guerreiro Joào Luiz de Moraes - dedico este Trabalho. ao

OFICINA DO AlffOR
Editam e DistrilJuidom de PulJlicaçàes Cultumis L!da. Caixa Postal 25004 - GEP 20552-970 Te! (()21) 331-5001 - Rl C017t?io Elefl'Ónico ARFMOBY@EMBRATEL.NETBR

Impresso no Brasil - Printed in Brazi/ Novembro cle 199')

As minhas saudades. a minha indignaçâo, a minha força para continuar lutarldo, de outra..<; foroTas ejeitos, em busca de norJ(lSalianças, enco11tros e caminhos.

Coimbra. Fernanda Coelho. os agradecimentos de todos nós que sobrevivemos. ao Norberto de Abreu Silva Neto. em especial a Cléa Lopes de Moraes. contribuíram para que esses fragmentos de histórias pudessem ser costurados e contados. o tenente Ivan salvou a minha vida e a de cerca de 200 outros companheiros universitários.Conde Rodrigues. Maria Elisa Rodrigues Coimbra. Esther Arantes. Ao João Ramos. Após isto foi preso e expulso do Exército. A você. Suzana K. Ana Paula Jesus de Melo. por sua generosidade e coragem. Ao Grupo Tortura Nunca Mais/RJ. Em 1º de abril de 1964. direta ou indiretamente. Angela da Silva Rodrigues. estiveram comigo nesta travessia. Ivan. Emidio Tadeu B.AGRADECIMENTOS A todos às que foram por mim entrevistados e que. e ao Eduardo Lociser. . Lisboa e Mirtha Ramirez. A todos os amigos e companheiros que. Dora Cristina Rodrigues Coimbra. efetivamente. quando o CACO foi cercado por grupos paramilitares. Ana Maria Mota Ribeiro. Em especial ao José Novaes. possibilitou que eu trilhasse muitos outros caminhos até escrever este livro. Aos meus ftlhos José Ricardo e Sérgio Ricardo Novaes pela paciência e cumplicidade. Lilia Ferreira Lobo. A Ivan Cavalcante Proença que. Heliana de B.

A instituição fonuação analítica ou a pedagogia da submissão m . O () () I analisador analisador analisador analisador Décio Soares de Souza Regina Chnaiderman Helena Besserman Vianna Amilcar Lobo &í 89 94 99 I07 IV .A "venladcira" psicanálise 60 6) ou o Santuário de Vesta n .Algumas situaçõcs analisadoras das práticas psicanalíticas I 2 69 79 80 84- O analisador Werner Kemper () analisador Anna Katri.Os Anos Instituintes 1 De 60 a 64: o engajamento populista 2 De 64 a 69: o engajamento consentido e seu rompimento 11 .Os Anos da Institucionalização i li :\il' 1 2 2 7 17 I 2 .-) O () ::.2 As associações de moradores no Rio de Janeiro ').n Kemper ~ .A procura.1 Alguns movimentos sociais na grande São Paulo '). 70 e 80 no Brasil I . reagimos a isso O familiarismo como controle social A psicologização e os especialistas "pSi" A produção subterrânea de algumas práticas instituintes 'i.lNDICE APRESENTAÇÃO INTRODUÇÃO I -A Questão da Militância CAPÍTULo I Alguns processos de subjetivação nos anos 60.) O "Novo Sindicalismo" e seus efeitos 19 22 )0 ')4 38 4') 48 ')3 CAPÍTIJI. da diferença O Instituto de Medicina Psicológica 107 . classe média.-) -1 ') O terrorismo de estado E como nós.O 11 As práticas psicanalíticas nos anos 70 no Brasil I .

4 A Clínica Terra O movimento lacaniano 4.1 Instituto de Orientação Psicológica 3.3 Alguns estabelecimentos: CIO.O movimento dos psicólogos e o patemaHsmo dos psicanalistas 1 A psicologia: seu boom e as faculdades particulares 2 Os psicólogos paulistas e a SBPSP 3 O movimento dos psicólogos cariocas 3.1 As duas sociedades de psicodrama: ABPS e a SOPSP 221 Dalrniro Bustos e uma outra vertente do psicodrama argentino no Brasil 222 A normatização das práticas psicodramáticas: a FEBRAP 224 228 230 231 234 235 239 243 n . Grupos e Instituições 3.3 A Sociedade de Estudos Psicanalíticos Latino-Americanos 3.O analisador psicodrama pedagógico IV -Alguns efeitos das práticas psicodramáticas CAPÍIlJLo IV Algumas práticas ligadas ao Movimento do Potencial Humano I .Sampa e o Psicodrama 1 O GEPSP e o "sucesso" do psicodrama 207 211 211 V .3 O Instituto Sedes Sapientiae 2. IOOR e outros Movimento do Potencial Humano 5 vn -Um adendo 2 às práticas psicanalíticas: a fumília e a Subversão 1 A pesquisa sobre O perfil psicológico do "terrorista" brasileiro Outras participações "psi" : CAPÍIlJLom As práticas psicodramáticas 1.1 O lacanismo em solo carioca 4.1 O Grupo de Estudos de Psicologia Social Aplicada 2.A Ruptura com as sociedades ligadas à IPA 1 A segunda geração dos argentinos 2 Sampa e o movimento "psi" na segunda metade dos Anos 70 2. em solo carioca 2. a sociedade moreniana e o CPRJ m.3 A somaterapia 2 E.3 A Psicanalítica do Rio de Janeiro 108 112 115 115 118 124 125 127 129 137 144 145 152 152 153 154 160 161 163 163 164 169 170 171 171 178 184 184 186 188 194 197 204 2 3 4 O grande happeninge a cisão do movimento psicodramático paulista . 216 2.As Práticas "Neo-Reichianas" 1 Em São Paulo: as duas gerações de "corporalistas" 1.1 No Sedes Sapientiae 1.1 A Brasileira de São Paulo : 5.O Movimento do Potencial Humano 247 247 259 259 262 262 264 267 269 272 275 279 280 282 284 288 289 291 295 301 n-As práticas de "aconselhamento rogerianas" 1 Na Paulicéia 1.2 A Brasileira do Rio de Janeiro 5.O analisador poder médico 2 .2 O Instituto de Estudos e Orientação da Família 2.3 Os psicólogos cariocas e a tutela dos psicanalistas 3.4 O "modismo" grupal entre os "psi" cariocas: a SPAG VI .Algumas situações analisadoras das práticas psicodramáticas 1 .5 A Casa e o CEPAI 3 Enquanto isso.1 O Núcleo de Estudos de Formação Freudiana 3.1 O Grupo de Abordagem Centrada na Pessoa 1.2 O Círcub Psicanalítico do Rio de Janeiro 3 A Clínica Social de Psicanálise V .2 As comunidades terapêuticas e os "psi" cariocas 3.2 O Instituto Brasileiro de Psicanálise.O Psicodramano Rio deJaneiro 1 O psicodrama triádico e a Sociedade Brasileira de Psicoterapia. no Rio de Janeiro 3.2 O Sedes Sapientiae 2 E no Rio de Janeiro: o Centro de Psicologia da Pessoa 4 m -As práticas da Gestalt-Terapia 1 Na Paulicéia: o Sedes Sapientiae 2 No Rio de Janeiro IV .2 Outros estabelecimentos: Ágora e IPE 1.4 O Núcleo de Estudos de Psicologia e Psiquiatria 2.2 O lacanismo em solo paulista As "crises" nas sociedades oficiais (Quebra-se o monopólio da IPA?) 5..Algwnas situações analisadoras das práticas ligadas ao . Dinâmica de Grupo e Psicodrama 2 O psicodrama moreniano: a SOPERJ.2 Rádice e os simpósios altemativos 2.1 Alguns "cotporalistas" 2.

1 O analisador especialista . Em relação a essas últimas.Anais de congressos DISCOGRAFIA ANEXOS 347 É sempre animador encontrar psicólogos atentos à ciência que praticam. etc m .Psicodramatistas entrevistados IV .Psicanalistas entrevisL1.O Movimento Institucionalio. Estavam presentes mistificações fáceis de criticar. à procura de convergências entre as modalidades psicoterapêuticas então em vigor e os desígnios da ditadura militar. 338 341 343 IV . período escuro da vida brasileira.Revistas.ta Francês 1 2 3 1 () período da psicossociologia institucionaL O período das intervenções socioanalíticas A análise institucional se institucionaliza Institucionalio. continham momentos de lucidez que é importante sublinhar. jornais. Formados sobretudo como técnicos. A tarefa é gigantesca e complexa.'1 329 332 Os Anos 80 e a Análise Institucional no Brasil I . esses profissionais geralmente não dispõem de instrumentos teóricos que lhes permitam perceber que suas práticas não são politicamente neutras. uma prática que quer ajustar os desviantes.Alguns processos de suhjetivação na segunda metade dos anos 80 no Brasil 11 .dos li . Cecília adverte para o perigo da transformação de 3'. Cecília Coimbra faz uma incursão pelo universo dos psicólogos nos anos 70.O Movimento 2 33'.ta no eixo Rio-São Paulo No Rio de Janeiro Na Paulicéia m .Outros profissionais e ex-presos políticos entreviSL1. mas também porque eram diversas as suas extrações teóricas.2 363 367 : -)68 369 I . patologizando-as em nome da ordem e do progresso. embora em essência conservadqres. etc IV . via de regra. prospectos. boletins.Documentos.Profissionais entrevistados ligados ao movimento do potencial humano -)70 371 371 371 . foram introduzidas também propostas de intervenção atentas à dominação e à exploração inerentes às sociedades capitalistas e que propunham a desmontagem de práticas autoritárias nas instituições e nas relações sociais. o preconceito. suas concepções quase sempre omitem as questões da ideologia e das relações de poder e explicam comportamentos reduzindo-os a uma dimensão psicológica reificada. chegaram também métodos de intervenção que. pois que não iam além do nível raso do mais absoluto senso comum.Algumas Considerações CAPÍTUlO VI Algumas conclusões' Ê necessário' BmIJOGRAFIA I .• 301 APRESENTAÇÃO 2 O analisador "a mágica ela salvação" 30Ce VI . o confinamento. a exclusão.dos m . Discurso lacunar.perito . que arredonda as arestas de respostas de resistência justas e saudáveis.Livros e artigos II . uma prática que justifica a desigualdade social.Algumas considerações CAPÍ11JLOV :no 316 317 323 32. não só porque as modas terapêuticas em vigor no país naquela época eram muitas. Qual a natureza da atuação política que se esconde sob as chamadas "práticas psi"? Via de regra.

mas nutrem grandes esperanças. A paisagem vista da janela. Ponto de partida imprescindível. de uma história. diz Heller em O Cotidiano e a História. feito de largas pinceladas. das práticas psicológicas no Brasil do milagre. Os Maria Helena Souza Patto São Paulo. Estou preso à vida e olho meus companheiros: Estão taciturnos. fechada em si mesma. as idéias que querem denunciar a injustiça e a iniqüidade. Não fugirei para as ilhas. outubro de 1995. Cecília Maria Bouças Coimbra é uma mulher corajosa e lúcida quando se trata de enfrentar trabalhos hercúleos. Nã. vamos de mãos dadas. O tempo é a minha matéria. Este livro é mais uma prova de que a militância por um mundo mais humano está no coração de sua vida de guerreira. Uma idéia não pode se permitir ser liberal. para cumprir o mandato divino de ser produtiva".. Nem serei raptado por serafins. homens presentes. tenaz. Deve ser enérgica. a análise que ele contém certamente é um convite a outras análises mais profundas. Entre eles. Não serei o cantor de uma mulher. O principal está feito. "Não serei o poeta de um mundo caduco Também não cantarei o mundo futuro . Opresente é tão grande.o nos afastemos muito. Os Guardiães da Ordem é um mural. de Andrade) A vida presente!" (Mãos Dadas -CarlosDmmmond ií iií . considero a enorme realidade. O texto de Cecília é indignado e radical. O tempo presente. "as idéias tolerantes". como devem ser. "são passivas e por isso historicamente ineficazes. Não direi os suspiros ao anoitecer. alertar os psicólogos para a dimensão histórica e social de idéias e técnicas que aparecem como isentas. segundo Agnes Heller. não nos afastemos.originalmente críticas em automatismos que se conjugam com a ordem que interessa aos poderosos.

~. 29. nem uma suposta neutralidade na relação ". nos encontramos. vão estar trabalhando para o funcionamento desses processos na medida de suas possibilidades e dos agenciamentos que consigam pôr para funcionar Isso quer dizer que não há objetividade científica alguma nesse campo.. cuja profissão consiste em se interessar pelo discurso do outro. e Rolnik. como qualquer outro dispositivo social. p. 40. In: Guattari. e Rolnik. (>p.> pela produção de 111 liitas subjetividades. e quais foram algumas de suas gêneses históricas. Micropolitica: Cartografias do Desejo. ao contrário. visto produzirem esquemas dominantes de percepção do mundo". cit.IN1RODuçÃO ". F. minha proposta é caminhar por alguns processos de slIbjctivação nos anos 60. Félix Guattarl1 Este trabalho pretende ser um levantamento do que foram algumas práticas "psi" na década de 70 no Brasil e um repensar sobre elas: a que demandas atenderam e ao mesmo tempo produziram. "Encruzilhada" em que estão também todos aqueles que ensinam e que. As forças sociais que administram o capitalismo hoje entendem que a produção de subjetividades talvez seja mais importante que qualquer outro tipo de produção. ou no campo do trabalho social.. s.a produção de subjetividade constitui matéria-prima de toda e qualquer produção. 70 e 80: como são produzidos hegemonical11ente2. Vozes. 2 v . Por isso. Nele pretendo também pensar a "encruzilhada" em que todos nós.todos aqueles.. "psi".. ou. devemos interpelar todos aqueles que ocupam uma posição de ensino nas ciências sociais epsicológicas. mais essencial até que o petróleo e as energias. enfim. S. Guattari mostra que ". No conceito de subjetividade dominante ou hegemônica. F.. Eles se encontram numa encruzilhada política e micropolítica fundamental. são responsávei. Ou vão fazer o jogo dessa reprodução de modelos que não nos permitem criar saídas para os processos de singularização. 1988. em que momentos conseguimos forjar processos de singulaGuattari. p.

e Rolnik. tal conceito leva a uma análise do lugar que se ocupa nas relações sociais em geral e não apenas no âmbito da intervenção que se está realizando. 1978.a minha geração . a de analisador. nada tipo terra firme. alguns agenciamentos e uma infindável vontade de entender melhor o que esta geração viveu. mais abertos. Terrltorios Y Equipamentos Coletivos. Caminhada que é uma viagem retrospectiva de uma geração .). da qual éJegitirnador. 1988. A análise aqui empreendida toma de empréstimo algumas categorias do Marxismo.nas questões relativas à genealogia das práticas "psi" e aos efeito~ de sua difusão. não de forma dogmática. Sendo produzidas por tais modelos e. Equipamentos coletivos seriam" . In: Fourquet. onde diferentes fluxos podem e devem se misturar. pA5. as práticas "psi" têm também produzido outros espaços que não os hegemônicos? Em que momentos encontramos rupturas que nos permitam afirmar algo de novo.. cir.. Espaços. aos encontros. onde funcionam e funcionarão corno sistemas rígidos e fechados de relações de força.principalmente no que se refere às produções de subjetividades . no miolo dissà tudo. pp. Gustavo Gelli. A utilização que faço desses enfoques lembra em muito uma caixa de ferramentas. Por último. como também no estudo da divisão social do trabalho através da abordagem feita por A. quando se faz necessária uma abordagem da 3 Processo de singularização é utilizado por Guattari para designar os processos disruptores no =po da produção do desejo. Viagem que me produziu muitos encontros. É o processo material e social através do qual as forças materiais do inconsciente. R]. nada muito seguro e estável. lIIuitas vezes. opondo-se à posição neutro-positivista . RealiAlgumas das principais figuras desse movimento são Georges Lapas. muitos embarcadouros foram visitados e encontros aconteceram. que funciona? Meu interesse está no caráter desnaturalizador de muitas dessas produções e pretendo lançar mão de todas essas lcrramentas. fortalecendo essas subjetividades dominantes. Gorz. Antoine Savoy. as práticas "psi": criando e fortalecendo territórios singulares e reproduzindo/produzindo modelos. A noção de implicação em análise institucional.. outras sensibilidades. definido como aquele que analisa as implicações de suas pertenças e referências institucionais. Barcelona. 71. Estas questões e muitas outras aparecem nesta caminhada que me propus fazer. por que se exilou e por que voltou e continuou pretendendo produzir espaços mais flexíveis. In: Guattari. principalmente. outros modos de ser e de estar no mundo? . René Laurau.es pequenas barcaças que me ajudaram a percorrer e entender melhor as paisagens que ia vislumbrando. Espaços onde se luta cotidianamente no sentido de se afmnarem caminhos diferentes dos modelados pela "mídia" e demais equipamentos coletivoss. com os profissionais "psi" e ex-presos políticos do eixo Rio-São Paulo. de onde retiro o que me é útil em determinados momentos. analisando também o lugar que ocupa na divisão social do trabalbo. além de pontes e barcaças. que percorre os três grandes grupos de práticas aqui presentes (psicanálise.. através da afirmação de outras maneiras de ser. os instrumentos de codificação. e esses referenciais funcionaram. Isto porque a crítica aos "especialismos" é um dos fios condutores deste trabalho. de criativo? Afirmar outras percepções. F. Nada de ferro ou de concreto. Graal. nJmo marxista e maoísta. criações e paixões. Portanto. Microfisica do Poder. portanto. estavam presentes sentimentos os mais diversos.vai nos falar do intelectual implicado. Dentre elas há uma. enftm..que se origina do conceito de contratransferência. para espaços não tão delimitados. vii (J . fluidas e leves. Portanto. 73 e 88.com todas as implicações4 daí decorrentes. L. muitos mergulhos aconteceram. ~ensibilidades.. mas apoios e por vez. outra percepção. Estes caminhos correspondem à minha própria trajetória de vida. tomo se tem dado essa luta ao longo de três décadas e como se encontram. de limitação e de exclusão da energia social livre ( . Equipamentos dei Poder: Ciudades. e Murard. psicodrama e terapias ligadas ao Movimento do Potencial Humano). vêm flXat-Sesobre o corpo social. vão sendo apresentadas ao leitor. de fechamento. p. por que morreu. vi 4 5 formação social capitalistica. Op. como pequenas construções que me auxiliaram na travessia. Pierre Evrard. F. Patrice Ville. Durante esta viagem. Guattari . aquilo que lIIe serve. no decorrer de todo este trabalho." In: FoucauIt.e de Michel Foucault . como pontes. de incrustação. onde se façam presentes novas alianças. abertos aos fluxos. S.). () percurso que tenho realizado até aqui: de lugares muito bem marcados.. de relações de produção codificadas e institucionalizadas ( . o equipamento coletivo é o território não familiar onde se exerce diretamente a soberania do Estado". ao mesmo tempo. Nesta viagem pelos últimos 30 anos. beneficio-me do referencial Institucionalista de origem francesa6 através de uma série de ferramentas que. dentre outros.rizaçã03. Da mesma forma. etc. M. por que lutou. também são utilizadas categorias pertinentes aos pensamentos de F. 70. Paisagens nas quais. trata-se de movimentos de protesto do inconsciente contra a subjetividade capitalística.sade. mas como instrumentos de luta. Rémi lless. Imagem utilizada por Gilles Deleuze em "Os intelectuais e o Poder.

ternura.) que atravessam nossas vidas. cientificidade e tecnicismo. lecimentos "oficiais" de psicanálise: muitas exigências burocráticas foram feitas. Assim. estatutos. Boadella. 1974. fazendo uma análise institucional das instituições9: psicanálise. D. Lowen. onde a paixão não está presente. por exemplo. econômico. onde a coleta "objetiva" de informações é o mais importante. Châteletll o significado de "ser um historiador. C. predominava a morte. libidinal. Coleção História da FilosofIa: idéias. 4 11 Châtelet. A. Reich. representa a clareza que se tem dos entrecruzamentos. p. terapeutas corporais e ex-presos políticos que me falaram de suas trajetórias e. Enftm.. 10 Rodrigues. nA História". Todos esses materiais encontramse citados nas notas e na Bibliografia. comuns ou diferentes. Em muitos desses encontros. se esta facilidade ocorreu com os que entrevistei. modelos e subjetividades têm sido por elas fortalecidos e produzidos. mimeogr. A leitura de todas as entrevistas e materiais fornecidos é responsabilidade minha. Foi realizada também pesquisa em jornais da grande imprensa sobre os anos 70 e 80 no Brasil e em alguns jornais e revistas "psi" da época. traz certas características modelares instituídas e tão bem marcadas. regulamentos. amargura.Jmapresença que não pode ser pensada como neutralidade. correspondências. agenciamentos se efetuaram. emoções e marcas se uniram. Falar da vida. H. como. criado por F. Essa viagem me mostrou isso. etc. Bustos. Rogers. vol. social. massacres. como. omissões. busco mostrar como a formação "psi". não sabidas e desconhecidas. abstratos. difere do de otganização ou estabelecimento. A FDosofta das Ciências Sociais. dispositivos. sonhos. apesar de terem sido fundamentais como matéria-prima para o que exponho aqui. Neste sentido. (Org. D. algumas obras de J. para a análise institucional. predomina o viés positivista. pretendo historicizar e mostrar a produção de algumas práticas psicoterapêuticas nos anos 70 no Brasil. Zahar. etc. o homem e a sociedade são apresentados como "coisas em si". dores de cabeça e enjôos dominavam. fraquezas. doutrinas. da historicidade do historiador. pois é este um dos caminhos que 9 de instituição. íx o conceito viii . F. vividos com emoção. onde. R].C. para se conseguir os estatutos e regimentos. assim como alguns dos referenciais teóricos dos movimentos psicodramáticos e do Potencial Humano. As relações transversais são. o lado obscuro da vida.e suas opiniões não seriam expostas. onde se tornam hegemônicos os conceitos de neutralidade. foram importantes para que eu pudesse compreender muitos dos conceitos citados pelos entrevistados.). objetividade. setembro/1989. nos diferentes discursos e práticas. Moreno. Além de todos esses materiais. cultural. Os materiais consultados .ln: Châtelet. cumplicidades. naturais e não produzidos historicamente. apesar de não serem utilizados neste trabalho. das afirmações. . R. foram encontros de grande intensidade. Entretanto. De qualquer modo. onde nossos prazeres e desprazeres ficam de lado. Nessa travessia vivi tudo isso. desventuras. 7. W. hoje". L. e que outras instituições.zei ao todo 173 entrevistas com psicanalistas. especialmente. o distanciamento se fazia presente. Em outros encontros. Estes. psicodrama e terapias corporais. sexual. G. para o primeiro plano do palco. a luta. requer l.UER]. de tudo que pode transformar o mundo e a nós mesmos. psicodramatistas. F. em nossa formação. ódio e mesmo desprezo. das pertenças e referências de todos os tipos (político. em geral.B. dos anos 70 no Brasil: de suas experiências. das lutas. em geral. este estudo não é uma pesquisa "neutra". Traballio apresentado no Curso de Mestrado . a vida. Bermudez. Michel Foucault: Por uma História das Práticas.regimentos. isto não aconteceu com os estabe8 O conceito de transversalidade. Um trabalho de Heliana Conde Rodrigues1o inspirou-me a ir procurarem um texto de F. artigos publicados.foram colocados em Anexo . foram também consultados muitos artigos e teses versando sobre a história do movimento psicanalítico no eixo Rio-São Paulo. Guattari e muito utilizado em análise institucional.foram muitos deles gentilmente cedidos pelos entrevistados. conivências e alianças. O contrato feito com todos os entrevistados foi de que seus nomes seriam citados somente ao final de cada Capítulo . inconscientes. gestaltistas. onde nossas transversalidades8 não se atualizam. Instituição é o espaço onde as relações de produção estão instituídas de maneira aparentemente natural e eterna e não onde o jurídico se manifesta. Com esse instrumental. ideológico. As identificações somente ocorreram quando os assuntos apontados já se haviam tomado públicos através de notícias na grande imprensa. apontando o que elas têm instrumentalizado. uma forte sensibilidade pairava no ar. Boyesen e de muitos outros brasileiros foram consultadas. ao compartilharmos histórias. utopias. aventuras. mas que traziam a paixão.

Nesse ponto. não são neutros e estão produzindo .há o risco de este trabalho ter os rótulo de "relativismo sociológico". impõe-se outra concepção das seqüências acontecimentais como inStrumento de inteligibilidade. Sobre o assunto.. implicado com as lutas que se travam.J que só servem para o prazer (. A própria noção de acontecimento aqui é vista de outra forma: não como um fato compreensível. ". equipe reunida em tomo dos "Anais. Na História Positivista predominam fatos. nomes e cronologias encadeados. "relativismo histórico" . como produto que remete a outras redes de acontecimentos. mas como ruptura. p. etc. Civilização". em suma. a ". tanto a crônica quanto a sociologia". 13 Idem. 211. Op. Quanto a este sentido de "acontecimento".. p.. em suma. a da História Positivista e a da Nova História. representada. "00. dentro de uma perspectiva institucionalista. cit.no dizer de Guattari . Seria o que.. datações. 218. até porque . fundada pelos autores citados.. A Nova História. 15 Châtelet. Blochl4.. daquele que os etiqueta. no outrora e no antigamente. forças sociais. 08. Sociedade. nova16 Rodrigues.por restaurar a opaci-dade das práticas passadas.. como produtora. F.subjetividades hegemônicas e processos de singularização. Antes de tudo. é principalmente estar articulado. Na Filosofia da História estariam os marxistas contemporâneos. cit. esforçam-se -para esclarecer o presente . sem refer€ndas a essas prdticas determinantes "15 (grifas meus). Doravante. Châtelet mostra a importância do Materialismo Histórico. 211. em outros campos".de tecer alguns comentários e.. Econotnia. a abordagem da Nova História não difere em essência da marxista. em suas conseqüências. Esses trabalhos perigam em ". cit. dentro de uma perspectiva totalizante.. dos acontecimentos materiais. em que a inscrição histórica se toma fundamental. não para se fazer uma Filosofia da História. dentre outros.e já ouvi isto muito. Ser historiador. como comem (. por L. gostaria . os grandes nomes e sínteses. Op. um jornalismo retrospectivo que tenta reencontrar.C.. Esses historiadores ". A tentativa de se caminhar por esta abordagem é um desafio.00) daquele que os produz . principalmente .). a causalidade dos sentimentos e . como vivem realmente. p. para as diferentes práticas. os conhecimentos elaborados pelo historiador.. em sua diversidade. uma espécie de 'jornalismo superior". Op. quer se queira ou não. têm peso. hoje. 213. Op.. "12 (grifas do autor). F. como navegam.não se implicar politicamente com as lutas presentes. recusa tanto o acontecimento como a lei... Esta Nova História. construir imagens confortadoras e bem ligadas"13. não passar de instrumentos sem poder (. onde a origem e a finalidade são aspectos fundamentais.Fevre e M. onde a preocupação está em "00. especialista. mas para se ter claro que. Os atos do poder (dosdiversospoderes).percorro em relação às praticas psicoterapêuticas. nilo poderão ser compreendidos. como eles habi-tam. p... 17 Châtelet. pode cair na armadilha de . profundidade econômica da última instância" 16. (ou qualquer outro nome que se queira dar aos peritos no mundo capitalístico) estão presentes no mundo. importa determinar longamente em que horizonte real e imaginário os diversos agentes e pacientes históricos intervêm.caso não aceitem estar em situação ideológica'17 (grifas meus). a história vista como um desenrolar contínuo de forma linear ou dialética.o historiógrafo. intelectual. ". no combate político/ideológico do cotidiano. é saber o lugar que se ocupa na própria divisão social do trabalho. São.B.de alguns colegas psicanalistas .o estudante . cit. pormais atuantes que sejam. 12 Châtelet... xi x . 14 Segundo Châtelet. voltada para o presente. a não ser no ponto em que esta última privilegia. p. Analisa o autor três principais linhas na historiografia atual: a da Filosofia da História. H. da qual se é um dos legitimadores. como andam.o historiador -. abandonando as grandes datas.. é conhecido como a História do Instituído. segundo o próprio Châtelet..apesar de dar ênfase às rupturas históricas .e daquele que os descreve . indicam que estão fora da triste problemática do acontecimento ou do doloroso referencial cronológico. o desenrolar dos fatos. F.

utilizando a "caixa de ferramentas" .) que agrega elementos muito diferentes C . modificação de um mesmo objeto que brotasse sempre de um mesmo lugar (. com uma palavra vaga. prefere apontar para a produçiio do real pela via da história. Tal é o sentido da negação dos objetos naturais. Paul Veyne vai mostrando como as diferentes práticas vão engendrando no mundo objetos sempre diversos. terminado.istória que "não apaga o que pode revelar". Foucault. que mostra "o lugar de onde olha". Por sua vez. In: Como se Escreve a HIstória. Mostra o intelectual implicado.mente. como naturais. que era. como algo dado. 1982. em vez de usar termos vagos e nobres"18. e a afrrmação da paixã021..M. a saber. pretendo utilizá-lo a partir de outras práticas. daí não existirem "loucura através dos tempos". religião ... Lourau. será um rosto parlicular muito diferente que se formará no mesmo ponto e. minha percepção. se os entendo. como um trabalho jamais acabado. cit. visto este termo ter tido. sobre tal ponto material. Trechos contidos em um artigo de Foucault. ao montar uma história das práticas. evolução ou 18 Veyne. do que fazem as pessoas: simplesmente Foucault tenta falar sobre isso de uma maneira exata. M. Foucault não descobriu uma nova instância. ciência histórica ou. Não quero relativizar nada. de onde vem? Mas. "Foucault Revoluciona a História".. a história das práticas de Foucault e o "historiador hoje" de Châtelet trazem para o palco uma h. Isto mostra como ".. numa outra época.procurar uma tal origem é tentar reencontrar "oque imediatamente'. 172. Entretanto. o "aquilo mesmo" de uma imagem exatamente adequada a si. uma outra produção histórica. não fala de coisa diferente da qual fala todo historiador. até então. por sabê-lo produzido por certas práticas e movimentos sociais num determinado momento da história da esquerda. Apontar que nossas práticas determin:. p. como a religião C . . de outras produções. é querer tirar todas as mdscaras para desvelar.) pela vontade subjetiva de analisar até o fim as implicações de suas pertenças e referências institucionais"22. enfim. em uma certa época. mas estão sendo sempre produzidos. das mudanças históricas. em uma outra época. diferentes "rostos". como todas as coisas. 88. inversamente. por não entender o objeto "militância" como natural e a-histórico. todas as astúcias. p... "o momento em que está". não bd.. Cadernos da Universidade de Brasília. mas sendo produzidos historicamente por práticas que os objetivam e que são muito bem datadas. Umfalso objeto natural. "Mas cada prática. mas mundial. Op. pois ". p. 19 20 21 22 Idem. chamada "prática". Op. todos os disfarces. 159 e 160. Foucault. um rosto histórico singular que acreditamos reconhecer ou que chamamos. minha escuta. serão ventilados em práticas muito diferentes e objetivados por elas sob fisionomia muito lliferente"19 (grifos meus). como aquele que ". ela própria. isto é.já citada por Deleuze -. descrever seus contornos pontiagudos. "religião ou medicina através dos tempos".. como produções históricas. In: EI Análisis Institucional Abierto. seformará um rosto vagamente semelhante ao precedente. Campo xii xiii . Microfisica do Poder. através do tempo. desconhecida: ele se esforça para ver a prática tal qual é realmente. uma identidade primeira"]JJ (grifos meus). não só brasileira. não existem por si. os objetos considerados naturais e já dados. do resto da história. ainda. mas. sobre um novo ponto. p. Neste texto. "El Estado en e1 Análisis Institucional". 1977. Madrid. 19. o conjunto das práticas engendra. Relativizar algo de princípio mostra a existência dos objetos em si. Por isso. P. simplesmente vou relativizar meu olhar. eles não são dados em si. cit. Aquele que nunca é chamado de militante.) que.. ao invés de relativizar no tempo aquilo que é diferente. se define (.. em outras épocas.). nega um pensar totalizado da história que remeteria à busca de uma origem ou finalidade. Da mesma forma. retirar dela outros pensadores: Paul Veyne e Michel Foucault. com seus contornos inimitáveis. é tomar por acidentais todas as peripécias que puderam ter acontecido. para poder apreender os diferentes aspectos desses objetos. pp. quero sim desnaturalizar! Isso porque não entendo os objetos como tendo existência em si. assim como o sujeito. Portanto. R. 30.. "o partido que toma". das mil transformações da realidade histórica. M. muito simplesmente.lm os sujeitos. o real.

do instituído. Com isto. do processo de singularização e. Enfim. "divisa". não pretendo fazer a reconstrução de uma "determinada" memória histórica. onde as proposições . mas de uma "outra". em seu dia-a-dia. em realidade. silenciosamente. Militância e não mais uma armadilha. Ou seja. marginalizados e desqualificados saberes e a muitas e muitas práticas. não se pode ser aquilo". tentam. das implicações. onde os papéis profissionais são mais alguns dos modelos impostos e produzidos pelas diferentes práticas sociais. Em realidade. sempre impedida de aparecer. ao mesmo tempo. rompe-se com o autoritarismo dos saberes oficiais. do instituinte. Militância que revela.Aldír Blanc eJoão Bosco) · Fazer esta travessia é uma forma de resgatar um período de nossa história que muitos tentam esquecer. instituída. (PÚltaformn . Não traz lema. para a xiv ocultação. desnaturalizando lugares sagrados do saber e do não-saber. o poder desses modelos. proponho a desconstrução de uma história conhecida como "oficial". mas anuncia para a possibilidade de se escapar.e como acontece isso em nossa fomação "psi" entre trabalho psicológico e trabalho político é mais um engodo dos especialismos. efetivamente. Desde o início desta viagem me propus a produzir um textointervenção. Por um bloco Sem bandeira ou fingimento Que balance e bagunce O desfile e o julgamento. "se é isto.mesmo que provisoriamente . forjando novas formas de perceber o mundo. sempre ocultada. militância que aponta para a desmitificação do corporativismo. desqualificados. nem divisa Que a gente não precisa Que organizem nosso carnaval Por um bloco Que derrube esse coreto Com passistas à vontade Que não dancem o minueto. e intervenções. outras estratégias de vida que não as dominantes. "ordem". onde se consegue apontar para as armadilhas do instituído. fazendo surgir daí uma "outra" memória. da transversalidade. da afirmação. da desqualificação de práticas vistas como "diferentes" e da manutenção e superioridade de algumas consideradas "científicas". de se quebrar . estão gestàndo. só o são porque a postura arbitrária e dogmática da "ciência" os produziu para serem percebidos e aceitos assim. novas formas de se viver melhor neste mundo. sempre estigmatizada. a mitificação e a naturalização das práticas e modelos oficiais dominantes. pois até isto o capitalismo produziu: o militante é mais um especialista! Mas militância que nega os especialismos. onde se possa consignar que a distinção feita . "competentes". considerados marginais. Não com o intuito de uma reconstrução. Mas a militância enquanto produção de territórios singulares. Rompe-se com o território fechado da falta.I. ocorreram: em mim e em muitos entrevistados. produzir outros tipos de relação. da carência.os lugares marcados e determinados pelas subjetividades dominantes que dicotomizam. Militância guerreira em que se fica ao lado da vida. uma "outra" história. "organização". fechados e hierarquizados. em seus microespaços. Referindo-se a inúmeros sujeitos que. Por um bloco Que aumente o movimento Que sacuda e arrebente O cordão de isolamento ".e não os dogmas científicos são extraídas das relações que estabelecemos entre as práticas sociais e as nossas próprias práticas cotidianas. da neutralidade e dos regimes de verdade pré-estabelecidos. "inferiores" e "menores". portanto. que cotidianamente. Militância não vista como mais um esp ecialismo . englobantes e totalizantes. excluem: ou se é "psi" ou se é militante.A QuEsTÃO DA MnrrÂNCIA "Não põe corda no meu bloco Não vem com teu carro chefe Não dá ordem ao pessoal. a produção deste texto-intervenção é uma forma de militância. novos. Não a militância dos anos 60170 e que ainda hoje perdura: a militância como "lema". "carro-chefe". Militância que se refere aos diferentes. e que aponta como certos saberes. mas com uma proposta de desconstrução. Referindo-se também a xv . mesmo que provisoriamente.

políticos. Indignação e paixão que vêm da minha implicação. efetivamente. militante e implicada com a história. procura apontar agenciamentos e encontros que foram se dando ao longo de uma história e.todo e qualquer intelectual que utilize seus saberes. denúncia.. desejo pensar na possibilidade de construir novos espaços e forjar novos aliados. de novas alianças que afirmem a vida. faça parte de outros espaços. e Rolnick. essência imutável". que vivem numa espécie de dependência e 1 xvi . para a mitificação e naturalização de algumas práticas psicoterapêuticas dominantes na década de 70. por conseguinte. e ainda hoje. da academia. Ou seja. sem dúvida alguma. dependendo de um agenciamento de enunciação produzi-la ou não"!. consultar Guattari.. ". a expansão. a paixão. embora outras existam. este trabalho se propor a ser um trabalho militante. É uma leitura.não "como coisa em si. não pertença ao território das identidades reconhecidas. mas como ". pretendo apontar para o político. Portanto. para a produção de subjetividades. Penso produção de subjetividades. que pensar a que subjetividade estou me referindo. enquanto profissional psicóloga. Pretensão em demasia? Talvez. paixão. Entretanto. Indignação e paixão que são também produzidas pelo fato de mexer com questões tão naturalizadas e até mesmo sagradas: a genealogia de algumas práticas psicoterapêuticas no Brasil e da própria formação "psi". uma intervenção. assim como as economias ditas soclalistas dos países do leste. segundo o enfoque guattariano . do cientificismo. sentir. Mas que. esta ou aquela subjetividade. Este texto-intervenção é. 70 e 80 no Brasil há. Para se falar sobre alguns processos de subjetivação nos anos 60. mas também setores do 3" mundo ou do capitalismo periférico. desnaturalização que estão presentes na maioria das páginas deste trabalho e apesar da radicalidade de minhas percepções. um texto indignado e apaixonado. suas práticas para a produção de novos sujeitos. Tratase. É uma forma de pensar os diferentes encontros que tive ao longo das três últimas décadas.. inicialmente. etc. da minha história de vida. perceber a si e ao mundOJProduzidas por diferentes dispositivos sociais. apesar da indignação. F. S. utilizado por Guattari. formas de pensar. é a afirmação de uma percepção de mundo. que tenta ampliar suas alianças. Daí.. Militância que é uma construção cotidiana e que percorre os mais variados caminhos. designa não apenas as sociedades designadas como capitalistas. expandindo outras formas de estar neste mundo. J . 70 E 80 NO BRASIL Este trabalho tenta mostrar a singularidade de uma existência. existentes no mundo capitalístic02• Pretendo 1 Z Sobre o assunto. Op. de uma leitura que. portanto. cito O termo capitalístico. culturais. CAPÍTIJLO I ALGUNS PROCESSOS DE SUBjETIVAÇÃO NOS ANos 60. Militância que nega toda e qualquer ortodoxia e fechamento. pretendo.

É principalmente nestas classes médias urbanas que pretendo identificar alguns processos de subjetivação que vão sendo produzidos no decorrer dos anos 60. há grandes pressões dc grupos de esquerda. In. ainda fortalecidos e alimentados pelo próprio governo populista! desenvolvimentista de João Goulart. 2 a Brasil de 61 a 64 caracteriza-se pelo projeto de reformas de base e de desenvolvimento nacional. 3 4 3 . crescente aumento das chamadas classes médias urbanas.. É a partir do Governo Juscelino Kubistcheck. Subdesenvolm'do. H. o que gera uma política populista dos governos deste período'. hoje Brasil Mas um dia o gigante despertou Deixou de ser gigante adormecido E dele um anão se levantou Era um país subdesenvolvido.tizar as massas". Ela está aliada à expansão do capitalismo monopolista. e ainda se respiram os ares de uma democracia liberal burguesa. então. que se dão os grandes avanços na chamada modernização do Brasil. necessariamente. como o sonho que pode se tornar realidade. p. quando a política de alianças se fragiliza e se desagrega. Seugovemovaide 19S6al96l. com o consentimento e apoio governamentais. o presidente "bossa nova". Na cultura. A efervescência política. Onde a brisa fala amores Nas lindas tardes de abrir Co1Tf!Í para as bandas do sul Debaixo de um céu de anil Encontrareis um gigante deitado Santa Cruz. a acelerada urbanização e o contradependéncia do capitalismo~. Op. Aqui no Brasil. Tese de Doutorado . as preocupações com a panicipação popular". Tais sociedades. especificamente no Brasil dos anos 70. cit. voltam-se para a "conscientização popular". segundo Guattari. através do crescimento da industrialização dominada pelo capital estrangeiro.B. 1978. o que se torna mais claro após a renúncia de Jânio Quadros. o primeiro da década de 60'. Daí a intransigente defesa que se faz do princípio de não-intervenção em Cuba. que passa. Por outro lado. Estas pressões surgem em diferentes áreas. em nada se cüferenciam do ponto de vista do modo de produção da subjetividade. 15. 70 e 80. esses anos estão marcados pelos debates em torno do "engajamento" e da "eficácia revolucionária". para que possam participar do "processo revolucionário". Cmco de Ame Carlos Lyra) Se os anos SOpassaram a ser conhecidos. a pacto populista começa a se esfacelar. o Centro Popular de Cultura da União Nacional dos Estudantes'. onde a tônica é a formação de uma "vanguarda" e seu trabalho de "conscien. Termo utilizado por Felix Guattari para se referir à cultura de massas no mundo capitalístico. Hollanda. a partir de então. a embalar toda uma juventude latino-americana. S. . hnpressões de Viagem. Esta situação gera não somente uma forte manipulação para com os setores populares como também uma forte pressão destes mesmos setores. com sede no Rio 5 6 jânioQuadros em 1961 e João Goulart de 1961 a 1964.atifada de flores. a década de 60 tem sido caracterizada como os alegres e descontraídos anos onde se ouve a Bossa Nova. Sem dúvida. os grupos dominantes aliados aos capitais estrangeiros mostram-se incapazes de formular uma política autônoma.DE 60 A 64: O ENGAJAMENTO POPUUSTA "O Brasil é uma terra de amores Ak. Verifica-se. I . Ressoam muito próximos de nós os ecos da vitoriosa Revolução Cubana. (Cançilo do SubdesemJolvldo .:Guanari.apontar para a chamada cultura de massas ou "cultura mercadoria'" como um dos elementos principais na produção dessas subjetividades capitalisticas.UFRJ.CPCIUNE. o intenso clima de rhobilização e os àvanços na modernização. pelo poder da núdia. como os "anos dourados".Os ANos mSTITUINTES: 1. F. É neste quadro que se desenvolvem movimentos sociais que. frente ao reordenamento monopolista do capitalismo internacional. industrialízação e urbanização que configuram esse período trazem. subdesenvolvido ". e Rolnik.

juntamente com a cúpula da Igreja Católica.. Francisco Julião e as Ligas Camponesas incendeiam com sonhos de liberdade e de reforma agrária os pequenos camponeses da Zona da Mata. ao se referir a Nata Leão e Carlos Lyra. Nelson Cavaquinho e Zé Keti. In.. em muitas capitais do pais.Joaquim Pedro de Andrade. F. Neste quadro dá-se o golpe militar de 64. estar sempre alerta para que a pátria. não se percebe que as atuações do CPC e de uma 12 13 Hollanda. portanto. quando as forças armadas ocupam o Estado para servir a tais interesses. provocado principaimente pela continua elevação do custo de vida. cito Guattari chama a isso de "processo de singuIarizaçâo". Moacir Félix. 4 dos assalariados. denunciam a "comunização" da sociedade brasileira e exigem um governo forte. esquetes. e Rolnik. por meio da qual constrói a figura do comunista como traidor da pátria. já nos quatro primeiros anos dos 60 havia sido irúciado o desenvolvimento de modos de subjetivação singulares 13. a familia e a propriedade sejam territórios sagrados e intocáveis por tal peste. Carlos Diégues. vários livros de cordel. apesar da resistência de alguns pequenos arrendatários. surgem posturas e comportamentos que recusam as normas pré-estabelecidas e instituídas. São Paulo. a modernização e a democratização e os projetos de tomada do poder". Paulo Freire em Pernambuco e no Rio de JaneirolO A politização da Bossa Nova e sua aproximação com oS "sambistas de morro" como Cartola. etc. Também são lançados os Cadernos do Povo Brasileiro. e como preparação de terreno. Augusto Baal. além de se fragilizar. No Nordeste.B. clt. tendo como temas centrais os mitos do nacionalismo e do povo. musicais. através de todos esses movimentos sociais. marcados pelo "engajamento" e em mãos da esquerda. posseiros e camponeses. Carlos Lyra. 3. Como efeito disto. Guattari. Paulo M. assim como alguns movimentos sociais e sindicais estão. Se por um lado estes processos de subjetivação tornam-se dominantes. é necessário esconjurá-lo. Affonso Romano de Sant'ArU1a. Op. do golpe de 31 de março de 1964. Torquato Neto.. Sérgio Ricardo. principalmente na juventu de universitária de classe média. H. sào organizadas as Marchas da Família com Deus e pela Propriedade. uma intensa campanha se desenvolve desde os anos 50. Multidões de senhoras e suas famílias de classe média e média alta desfilam pelas rua.. "todos esses modos de manipulaçào e de telecomando"!'. posteriormente. Antonio Carlos Fontoura e muitos outros O governador do Estado de Pernambuco é Miguel Arraes. 1989. em Pernambuco. leva para diferentes estados brasileiros.do pejo MEC.de Janeiro. Global. através da chamada UNE/Volante. ChiCo de Assis. alguns continuariam produzindo. A fmalídade é "educar o povão" através da arte. Ali. Peixoto. chs artes plásticas e ". começa a se tornar perigoso para a expansão monopolista do capital estrangeiro. Campos.. produzida no decorrer desta década e na seguinte: o fantasma do comunismo ameaça e ronda as famílias brasileiras. São Paulo. p. Entretanto. semanas antes e depoL. 1990. (ia das Letras. Diferentes experiências com alfabetização de adultos são realizadas. Para isso. aquele flerte com o populismo iria acabar estragando a fX!esia da coisa". peças de teatro. Apesar disso. e o irúcio da divisão do movimento bossa-novistall marcam esses primeiros quatro anos dos 60.e na América Latina . O Melhor Teatro do CPC da UNE. e são produzidos alguns filmes como Cinco Vezes Favela e o inacabado Cabra Marcado para Morrer'. que são vividos de forma intensa c ardorosa por uma juventude universitária de classe média. Marcos Farias. Eduardo Coutinho. Ferreira Gullar. p. Léon Hit?man. 17. Geir Campos. F. órgão da Secretaria de Educação da Prefeitura de Recife' e. O chamado Programa Nacional de Alíabeti7aÇâo. entre eles. Chega de Saudades. Oduvaldo Víana Filllo. endossa. como o Movimento de Cultura Popular (MCP). Essa subjetividade é cada vez maL. 347. cinematográficos. Percebe-se bem o crescente grau de combatividade 7 8 9 10 11 o CPC da UNE foi criado em abril de 1961 e tinha como fmaUdades promover atividades nos setores teatrais. pela Civilização Brasileira. i\1iguel Borges. do centro do Rio de Janeiro e Sào Paulo e. elevar o nível de conscientização das massas populares". o pacto populista entre o governo de João Goulart e os setores populares. quando afirma que ~. Armando Costa. Conseqüentemente. R. p.uma barreira à sua expansão. A principal produção cultural da época. como em geral no campo brasileiro. Este sente no modelo politico vigente no Brasil . Destes eventos vão surgir muitos artistas e poetas. as relações de produção capitalistas vão gradativamente se tornando hegemônicas. Op. carlos Estevam. 14 5 . Um dos centros de debate é o lnstituto Superior de Estudos Brasileiros (lSEB). Estamos em 1962. Sobre o assunto ver Castro. S. José Carlos Capinam. como GianfrancescoGuarnleri. crises de recessão. cuja euforia nacionalista c reformista não deixa perceber que o impeto do processo de industrialização começa a diminuir e a economia passa por uma série de problemas. vários shows.

Santos. S.. Porto Akgn:'. A religião é vista como o "ópio do povo" e o triângulo Deus. tão defendida pelas muUleres de classe médi:l.era!do vandni) I'.. 1. UnuJ cultura lX)ltada para a questâo social. (Org. como a imposição de valores burgueses. As relações entre homens e mulheres são pensadas de forma mai~ igualitári:l. em que ptedominam muitos aspectos paternalistas e vanguardistas. e a rigidez e o autorit:lrismo do J Cdsamento formal cle nossos pais chegam a ser ridicularizados. tem sua discussão iniciada por essa juventude universitária. sobrctudo entre algumas parcclas da juventude universitária de classe média das grandes cidades. uma clara consciência da distância ". C.. PCB ( Partido Cornunim Brasil".. fXlsteriormenre.série de outros movimentos sociai"i da época sào. 198"7. produziu-se UtJUl arte politica. UllI cng:lj:lmento populist:l. nossa fOl1n:lç'ão. e J UC (Juventude Universitária Católica). p. que nossa educação havia sido um. Este deix:l de ser uma mera ocupação provisória para tornarse ". jàz IVao espera acontecer" (Prd Nilo lHzer que Nilo Falei de Flores . nos anos 60. 18 19 MacieL L C. unta via legítima de realização pessoal e afirmação cb própria independência. se or~ como AP IAção Popular).) principalmente no seu engajamento politico. mais: tinbamos a certeza de que i. Rio de Janeiro.>. ":-. 1988. Campus.. especialmente nos doL~grandes gru pamentos então exi~tentes . T.adas nlai"}Jovens de artistas c intelectuais a ponto de seus efeitos serem sentidos até hoje''16. constrnç6es.. com as subjetividades hegemõnicas produzidas pelas práticas capit:llisticas e fortalecidas pela ditadura militar em nosso pais. entretanto. Muitos da geração comprometeram suas uidas com a política e seu modo especifico de encarar a realidade" 18. 24. A. entre o intelectual e o povo. "A sexu:llid:lde exp:lmle-se p:lrd :llém dos limites do c:ls:lmento .p. cit.os." e a própria monog:lnú:I. p.. 16 17 lfollancb. Trata-se d:l produção de territórios singulares.PCB e JlICI9~. :lté certo ponto.. havendo. raços dados ou nào b l"as escolas..) O Efeito Psi.& PM. alheio aos /Jroblemas sociais e polítú. desde a sexualidade até o trabalho.e" In: Figueira.principalmente no decorrer da década seguinte. Provam-se e aprovam-se novos valores e padrões de comportamento. o poder do pai e a submissão da mãe e dos filllOSsão questionados no próprio cotidiano dessa juventude. em contato com a participaçâo politica e a rnilitânci:l. 107.esta era para nós a pior daç alienaçoes Foi assim que... não somente na sua protl"sionalizaçào llKL. p. aind:l m:lrcados pelo stalinismo e rigídez vigentes na época e que seráo r:ldic:llizados pela gerdção de 68. nível de mobilização das cam. uma opção .'l distorçào. 7.r. :I minissaia c o biqumi vão produzir processos de singularização que irão se cllOC:lr. Anos 60. vamos embora. Clll realidade. era a nossa questão hásica. apesar de todos os limites ainda impostos pelos próprios companheiros de militância. A reprodução torn:l-se. Exploram-se canúnhos onde é fundamental a satisfaçào pessoal nos relacionamentos COll1outras pessoas. Que esperar nao e saber Quem . Estas posturas correspondem a uma produção colocada pela efelVescência política da época e conseguem um alto ". "Quedamos mudar o mundo. 103-120. Caminhando e cantando e seguindo a canção l"em. O tabu da virgindade é desqu:llitlmdo e gr:lcldtiv:lmente cai por terra. o que tmnsp:lrece na poesia populista através de um indLsfarçável sentimento de culpa"". H. 2 -DE 64A 69: O ENGAJAMENTO CONSENTIDO E SEU ROMPIMENfO "Caminhando e cantando e seguindo a canção Somos todos iguaL." 60. que. Ilá a valorLzação da participação das mulheres. Pátria e Família denunciado como um princípio fiscista.. E. descobre-se que :lquela geFdçào despertd par:l algo que alguntaS gerações anteriores já denunciavam. clandestino Jesck os anos 10. :I nlliior :lspiração é se fazerem todos govern:lr por um código igualitário"". 29.Ull1processo mórbido. Enfim.ssoia acontecer ( J Não nos passava pela cabeça que o ser humano pudesse passar seu tempo de vida sobre a terra.. enmo!! doisgrancJcs territórios 7 . O Cdsamento deixa de ser para elas a única perspectiva honmela ele independência familiar. a partir do qual a hiemrquia. "Perceben10s. campos.>abe a hora.R op. nos ano. Idem.·iro)." com as dLscussões sobre o direito ao aborto e :lO uso da pílub :lnticoncepcional. nas ruas.Iasrelações entre pais e ftlhos. lI11la defortllaç:lo""o.. ~AMulher Uherada ~ a Difusão da PsicanálLo.

especialmente entre os estudante" ( .. 1964-1969. de mantê~1aem sua ''Pureza'' popular. Discute~se a necessidade de se presenJar a "autêntíca" musica popular brasileira. Edu Lobo.. apesar da ditadura. do controle que exi. R. Op. circuito nitidamente integrado ao sistema . Milton Nascimento. torturados e. é a vez de Arena Canta Zumbi. Os novos compositores que dai surgem trazem. 9. an/i~imperialistas. o "engajamento" ainda dá o tom e seus parâmetros são obviamente políticos. dL. As Ligas Camponesas são dissolvidas e seus líderes perseguidos. com Erasmo e Roberto Carlos. Maria Bethânia.B. Entretanto. vêse um outro quadro. uma falência ocasional cuja consciência o rito supetava" lA. arrepiada de emoçàó cí/. sob intervenção.. ) sintonízados secretamente com ofracasso de 64. 23 Hollanda. Ivan lins e muitos outros. multiplicam-se os diferentes festivais e shows em circuitos universitários". num primeiro momento -. seus sindicatos. em São Paulo.. tendo em vista. Torquato Neto.c.com relação à produção da época. Em 1967. um programa festivo. cinema. 21 Hollanda. ). é lançado o programa A Jovem Guarda. Nos debates que se travam sobre a música popular. principalmente. um erro inJormulado e corrigíuel. Op.te em todas as produções musicai. de pé. disco e a ser consumido por um público já "convertido" de int~ electuais e estudantes de classe média. presos. em dezembro de 68. cuja pretensão é a produção de outras subjetividades. pp. prisões e torturas .B. no período que vai do golpe de 64 até o Ato Institucional nº S. suas prerrogativas políticas são retiradas. até agosto de 6S no Rio de Janeiro. Janeiro. João do Vale e Zé Keti -leva. clt.. que é o traço mai. 1978. clt. Gilberto Gil. O engajamento político é eliminado 24 2'5 Idem. ass<L'5sinados. Um dos efeitos do golpe militar. há uma intensa difusão de toda essa "postura participante e conscientizadora". Apesar do consentimento. iniciados em 6S e 66 pela TV Record. os talentos que começam a surgir na música popular brasileira. WToda uma geração de músicos. do "rock" e das guitarras elétricas'i'b. que lota os auditórios onde é apresentado. pela negação aos instituídos. L. cit. idéias é totalmente bloqueada às classes populares.-'ica.. 4'5 e 46. vilJido como um incidente passageiro. a canção de protesto procura atuar como catalisadora polítíca de setores da classe média. Inclinada para uma temática explicitamente de denuncia social. Paz e Terra. Certas subjetividades podem se tornar singulares. nào é o impedinlento da Circulaçãoelasproduções teóricas e culturais da esquerda'l Ao contrário". 33. A partir dos festivais de Música Popular Brasileira. com músicas de Edu Lobo e organizado por Gianfrancesco Guarnieri e Augusto Boal. p.B Op. H. com Eli. Op. A ditadura militar. são colocados sob o controle ainda mais rígido do Ministério do Trabalho. H. com os CPCs fundados em várias faculdades de vários estados e uma série de outros movimentos.. poetas e cantores revela~se nestes festivais. socialistas e revolucionárias"n.estreado em dezembro de 64 com Nara Leão. É o circuito do espetáculo que passa a funcionar: o show Opinião . de militância entre os universitários na época. então instaurada. H.22 Schwarz. p. Caetano Veloso. há uma hegemonia cultural da esquerda. não obstante as centenas de cassações. pelos novos encontros que podem propiciar. mais de 100 mil pessoas a se emocionar com o ainda ideário nacionalista-populista.. longe da invasão do imperialismo. Os espetáculos são verda~ deiros rneetings onde a "intelligentzia" renova entre seus pares suas inclinações populares. um rito coletivo. GonzaguinI1n. visível deste panoranu brasileiro de 64 a 69. muitos. e literárias da época. há o perigo de se produzirem territórios singulares. Os trabalhadores assalariados são sileociados e perdem o direito de barganhar coletivamente aumento de salários.Se antes de 64. como Chico Buarque de Hollanda. caracteriza-se pela fórte concentração de poder no executivo federal. p. Regina e Jair Rodrigues. Um dos representantes desta "autêntica" música popular brasileira é o programa da TV Record O Fino da Bossa.. uma tendência participante. de um modo geral. Cultura e Política. "Lembro-me de ter assistido várias vezes ao "show". Era uma açdo entre amigos A platéia fechava com o palco Um encontro ritual ( .teatro. Em I96S. G-alCosta. Passa a se realizar num ". na esteira do engajamento popular· a canção de protesto. Hollanda. In: O Pai de Familia e Outros Estudos. EUsRegina. e é utilizada para resolver as contradições no plano econõmico que o impasse político tinha agravado. Geraldo Vandré. 2IJ Maciel. Rio de 2fJ 8 9 . a circulação de tai.

como Cacá Dieg-ues. Muitos cineastas que introduzem uma nova linguagem no cinema brasileiro tinham vindo do CPC. . p. que . "Ainda que pareça ambígua a nomeação de uma esquerda festiva ~ num momento em que a grat't' derrota política anterior não poderia ser motivo para festas . 37 :52 Idem. e sua identificação como subversão. dirigido por Anselmo Duarte e adaptacL:l de uma peça de Dias Gomes. São Paulo. do tnovimento contracultural. o Cinema Novo vem na esteira de O Pagador de Promessas.. d e importante uer que essa ambigüidade traduz a própria novidade dessa nova geraçdo que irá marcar o período: a festa é a marca de uma crítica ao tom grave e nobre da prática e do dir:. o cinema de C'raddard. o fato des. inaugurando uma nova linguagem na cinematografia brasileira. 46. Arnaldo Jabor. H.') expõem seus argumentos como quem desembainha suas armas na iminência de um duelo" 28. Hollanda. pai') a "Jovem Guarda" ganha espaços na mídia e repercute.r:. Joaquim Pedro de Andrade.çta do PC. diversos paíseç em do ocidente e do leste na segunda metade dos anos 60" ~1 E efetivamente isso ocorre. os ensaios C. se convencionou chamar a "esquerda festiva" ou "geração Paissandu".B.•está tomado pelo proIJincianismo e pela modernização A indústria cultural passa a ocupar um lugar importante. 30 Idem. p. ainda. Glauber Rocha. É quase quc um rito assi'tir-se aos filmes de Goddard. p. A jà/ta de acuidade em perceber o conteUdo de ambigüidade que une os termos esquerda + festio va éfatal. tão ao gosto da classe média dos anos 50. 10 11 . adequados ã modernização em processo. percebendo os impasses do processo cultural hrasileiro e recebendo informações dos movimentos culturais e políticos da juventude que explodem nos EUA e na Europa . as guitarras elétricas e o w-íê-íêsão potencializados lado das famosa. "A burguesia busca novos padrõés. Uma das principais características deste "cinema novo" é a palavra passar a ser tematizada como questão central e o grande número de adaptações de obras literárias29 Substituindo as chanchadas da Atlântida. absorvendo informações do processo de guerrilha revolucionária latino-americana e dos nwvimentos jovens que marcam as inquietações política.cursoque caracterizava e definia a ação cultural da geração anterior. Tratase de uma esquerda que passará a criticar o discurso reformista e nacionali. com conseqüências que vêm até n05.apesar das marcas elo período anterior . principalmente. dentro ainda do mito do nacionali. É o movimento tropicalista. fortalece-se o chamado Cinema Novo. H. com sua preocupação por temas sociais. Nesta segunda metade da década de 60. faz parte do que 27 28 2f) Está se formando a geração de 68 que terá.r:.msdias"32. Rolnik.o. cito O Pagado!' de Promessa'i.ou. dir:.esse grupo passa a desempenhar um papel fundamental não só para a mUstca popular.')versões norte-americanas. as cançoes. definindo novos costumes e padrões de comporlamento"ZI. Estação liberdade. S.'t..JO c ignorado. A eles se junta. uma juventude de classe média.R Op. uma forte influência das chamadas teorias foquistas sobre a revolução e.ç e do discurso müitante do popultsmo. o cinema. O rock. 46.consegue fazer verdadeiras obras de arte com seus Illmes: Deus e o Diabo na Terra do Sol. poir:. por outro.cursocritico produzido poressa nova geração irá constituir-se e. e a produção que tenta responder a essa nl?Cessidade dá margem a toda sorte de "cafonices" O pai. com Oscarito e Grande Otelo. que recupera a festa e a alegria da esquerda contra a ~l Hollanda. os Beatles. Cartografia Sentimental.curso do engajamento. Bufiuel e desvendar-se nos bares o hermeli. entre a juventude não-universitária de classe popular e as donas-de-casa-de-c1asse-média. dentre outros. a imprensa. 1989) p. Op_ dt. Truffaut. O público de todos esses espetáculos. ganhou em 1961 a Palma de Ouro no Festival de Cannes. por um lado.mo-populista. que marca uma ruptura com o di. Terra em Transe e outros. obras. provavelmente não estava sendo percebido quando a "velha esquerda" ortodoxa Julgava de forma pljorativa a prática da "nova esquerda" que seformava.mo de tai.os hippies.sa esquerda deslocar-se para porta.atamente sob o signo da ambigüidade. a canção de Bob Dy/an . 183. e cinema da moda (Paíssandu). mas para toda a produção da época. "É nesse clima que um novo grupo de jovens artistas começa a expressar sua inquietação_ Desconfiando dos mitos nacionalísta. "A mídia está sendo palco de uma lJerdadeira guerra civil· o teatro. () principio da festa. a televi'ião. principalmente da Zona Sul elo Rio de Janeiro. como até hoje. O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro.

Uma das manias do ano é ".<. "Recusando o discurso populista. trava com as canções de protesto uma verdadeira guerra de interpretações. Nunca se leu tanto como nesses anos.sisudez dos "ortodoxos" e dá o pulo do gato em relação ao rock. e no cinema Glauber Rodla. tem um claro sentido de combate. Ventura. 1968: o Ano que Não Tenninuu.. Z. A revista Civilização Brasileira de 6'. às guitarras elétricas e à mídia. p. A. o tropkalismo é a expressão de uma crLw (. a visão épico-dramática e nacional-popular dos revolucionários e sua linha da história"3'3. Em 1967. roupas coloridas. apesar de o tropicalismo ser uma novidade em rela. p.. a recusa de padrões de bom comportamento c. DA 1968: A lItopla de uma Paixão. :3') 36 37 Bueno.ramsci. Ferreira Guliar.i. Fernando Henrique Cardoso. na época. pode produzir também singularidades e não somente subjetividades dominantes..p. Rio de Janeiro. Pá"lsaro de Fogo no Ten:clro Mundo. Dai seu grande sucesso... C. Op. a construçào literária das letras. 54 Hollancla. uma opçiio estética onde o comportamento passa a ser elemento crítico. herdeiro de Oswald de Andrade e do movin1ento antropofágico e modernista de 1922.~ de massa. perceber a ruptura que o u'opicali. suhvenendo a ordem mesma do cotidiano":)4 .Althusser. com uma linguagem marginal. DebraYJ Lukács. 1988.":iffio traz. Guevara. ao iêiê-tê. desconfiando dos projetos de tomada de poder." tanto da direita quanto da esquerda. Figllfas como Walter Benjamim. com o Happening Tropicalista. Todos esses fatos vão engrossar o caldo de cultura que irá explodir em 6il. com seu conteúdo ao mesmo tempo alegre e agressivo. 1\ elson Werneck Sodré e Illuitos outros autores nacionais e estrangeiros desfilam por suas páginas. Cabelos longos.. do outro. o tropicalismo irrompe em cena. as artes plásticas e o cinema.. 12 . a marca dos movimentos contraculturai. a técnica. propondo um choque que vai muito alêm do modismo ou da menoridade de roupas e comportamento "35. adicionada a tudo l. Mostram os "novos baianos" que tudo isso pode ser politizado. B. SS. 19fi:. de comer. que é produzida junto com o movimento tropicali'5ta. Nova Fron~ira. no Rio de Janeiro. ensina a decuplicar a velocidade da leitura"".)2.l..ta (]'CB) e a esquerda revolucionária (as primeiras dissidências então criadas). H. como Marcuse e Norman Mailer são devorados. Rio de JJ.o. não oficial. um verdadeiro lJoom editorial.mo. de um lado. 19&3. tendo como pano de fundo as duas visões de Brasil e de mundo presentes na esquerda: ".neiro. 20... tlluitos estudantes não conseguenl. dessacralizando tanto as canções de protesto como o iê-iê-tê da "jovem guarda" c. Mao.l. tentar romper com esta forma "ortodoxa".ão ao modo tradicional de a esquerda fazer politica.UFRJ. 1'\0 entanto. um revolucionário método que. desenham o perftl de uma inteleetualidade não assumida pelo discurso oficial. I'\as artes plásticas. quando há a possibilidade de se fazer uma série de sincretismos e de mi'5turas. portanto. A geração de 6il. o que se torna extremamente polêmico dentro da esquerda. Op. LouL. Tese de Doutorado . expande-se para () teatro. pelas subjetividades dominantes. descobre o poder dos impulsos festivos e eróticos. o alegórico e a critica de comportamento. Correa. em I968. conlO atitude. a visão trágíca dos antropofágíco~tropicalistas e suas linha. embora ambiguamente. a 69 é o pólo de concentração (la inteleetualidade de esquerda e ali se travam debates entre o que se convenciona chamar de esquerda rcformL. Paulo FrancL5. S. cit. não xenófobo. I lélio Oiticica. há o lançamento. Há. Para muitos. o tropicali. de morar. traz.. com sua Terra em Transe. dtandoJosé Celso Martine7. o movimento tropicalista. e a geração de 68. Abandonam-se 0$ antigos modos de vestir. p. a leitura dinâmica. dizia a propaganda. :33 Rolnik. o fragmentárúJ. valorizando a ocupação dos canai. há o lançamento de O Rei da Vela (Oswald de Andrade/José Celso Martinez Correa) pelo grupo Of1cina. n ReiS Filho. Ainda em principios de 1968. cit. Leandro Konder. Carlos Nelson Coutinho.'5S0.. Espaço e Tempo.misturadas de história e geografia e. p. e tanto Marx. Por isso. 110. Eric Hobsbawm. de falar. de Roda Viva (Chico Buarque/José Celso Martinez Correa) trazendo a proposta de um teatro corrosivo decidido a enfrentar preconceitos e a retirar o espectador de seu papel passivo e consulnidor" 36. "É uma linguagem de margem porque se expõe às critica.

o comportamento (. () reflt4"<o consolida-se." uma juventude que se acredi/a política e acha que tudo deve se submeter ao político' o amor. pp. no Calabouço. tiros c bombas de efeito moral. A principal reivindicação. ver alguns depoimentos comidos em Botelho. de estudantes qu('já não são acompanhados m..s que saem da missa de sétimo dia de Edson.çmo de Althusser. e registram-se os priIneiros choques violentos com a policia. O mouimento mais amplo perde o lolego. as idéias de Lukâcs. na Igreja da Candelária. achando uma petulância. N. p.USP. nas principais cidades do país. É difícil ser indiferente nesses tempos apaixonados. "A insistência em ri?Sponder na" ruas a cada desafio conduz apenas ao isolamento de algumas centena. em março de 68. que os deixa de fora.F. onde muitos espaços são ocupados pelos estudantes.! a ditadura. f Polarizam-se as diferentes posiçôes das esquerd'Ls.-/Jela l1tória dos IJietcongs.oiânia.• de Marcuse. lutas que vinham desde o início dos 60 e que o golpe de 64 fez arrefecer um pouco. Em 1966. 1989.•do que dÍS(.A.utir. dos professores.. a cultura. a fallOr ou contra a" gutlarras elétricas na MPB. De junho a agosto. que não hesita em invadir igrejas c hospitais. sendo marcado pela partieipaçào paritária ('í0% de alunos e 'í0% de professores l. a Clinica de Psicologia e o CRlISPsào ocupados pelos estudantes. torce-se. nos anos 66. os ~feitos da pl1ula anticoncepcional. Porto Alegre. Op. Ulll horror os dehates em termos de igualdade sobre problemas curriculares. nos hares. Belo Horizonte. Ficam célebres a.o dos presos eU1passeatas anteriores é. nas passeatas. Abre-se. dos religiosos e das màes dos estudantes.s fotos da cavalaria da policia militar atacando as pessoa. 7'). 67 e início de 68. Recife c C. ocasião em que é formada uma cOlnissàopara dialogar C0111 Governo Costa e Silva. quando há a decretação do AI-'í e a invasào da lJniversidade pelo Exército. Manifestaçôes se realizam em Fortaleza. quando cerca de 700 lideres estudantis são presos. a policia invade uma assembléia na lJFRj. Discute-se a re!c)rmulaçào dos curriculos nas Assembléias paritárias.n tne:. Sào Paulo. no mesmo junho de 68. o que antes do Golpe a juventude universitária ainda nào havia conseguido: o questionan1ento elas relaçôes verticais e autoritárias entre professores e alunos. o caráter socialLçta da n>voluçào hrasileira. as manifestaçôes estudantis.. Na USP. a Faculdade de Filosofia. no Rio de janeiro. nas universidades públicas. en1 sua 1l1aioriauniversitários. as teorias inouadora . de outro os que os repudian1. uma ousadia. 18 lO' 19. "estourado" pela policia. tanto quanto a duração dos dehates Mai. dos profissionais liberais. E. inconformados com a falta de vagas. tendem até o final de 68.recusada pelo governo e as conversaçôes são rOlnpidas.Z. apesar de aprovados. reivindicam mais verbas para as escolas e universidades. O assassinato do secundarista Edson Luiz. o movimento dos "excedentes". vê-se a divisJ. maior participaçào nos órgàos de decisào. Também bá mui/o o que diKldir. Os temas sao infindáveis.).reunindo represeno tantes dos estudantes. o revi. 40 Reis Fi1ho. contra a diJadura" 38 Os estudantes. dt. em 68. nas praias: a altura das saias. há o célebre congresso clandestino da lJNE em Ibiúna. claro. Estào sendo criadas as condiçôes para a Passeata dos Cem Mil. nas Assembléias.onnas de luta e organizaçào" 4Q. alastram-se. é a faisca que laltava a um monte de palha seca.. Os Fios da História: Reconstroção da IUstórla da Psicologia Clinlca da Universidade de São Paulo Tese de Doutorado .ooni. 1968 radicaliza tal reivindicaçào. o sexo.o dos professores: de um lado aqueles que apóiam os estudantes. DL"cuf(>-senas UnilX!rsidades. de um lado 19 Sobre o assunto. os discussões se es38 Idem. por Chico ou Caetano..js meses seguintes. Também a T Iniversidade de Brasilia é invadida pela policia. Os estudantes. pela participaçâo poli/ica dos padres e. a liberaçJ. Em outubro. a reitoria da USP. En1todos esses movimentos.D. etc''. Estas açôes provocan1 desânimo e medo em vez de indignaçào. o tamanho dos cabelos. inicia-se. O movimento entra em refluxo. É necessário inventar nova<. Seu enterro e as mL~sasde sétimo dia transfonnam-se en1 verdadeiros atos cívicos contí. Se antes de 64 o movirnemo estudantil reivindica a participaçào de 1/3 dos estudantes nos órgàos de decisão das Universidades. quando os estudantes revidam com paus e pedras em meio a nuvens de gás lacrimogêneo. no Rio de janeiro.. realizada no Rio de janeiro.'"1nO pelos próprios colegas. pedagógicos. pois qualquer manifestaçào de protesto organizada é respondida a bala pela polícia. t4 IS . No Rio de janeiro. em 1968 começam a ocupar alguns espaços universitários.

agora. seqüestros e espancamentos de artistas e estudantes"". Silencia-se e massacrase toda e qualquer pessoa que ousa levantar a voz. não está acuado. sendo presos e afastados de sllas funções. sendo um dos seus aspectos rnais agressivos os grupos paramilitares. cit. mas mantém-se na ofensiva e precisa elo AI-'i para levar até às últimas conseqüências seu modelo de desenvolvilnento econômico e sociaL "Suportamos seus efeitos até hoje. segundo muitas leituras da época. que fecha a década de 60. além da critica ao popu/i.. apontam. É denunciado no próprio Parlalnento o envolvitnento e utilizaçào de uma tropa de elite da Aeronáutica (o PARA-SAR) a prática ele missões criminosas. Z.ao contrário do que muitos afirmam. deslocam Ministro da Aeronáutica desmente.que recebeu as inspirações de diferentes acontecimentos internacionais. Rio de Janeiro. A Revolução Faltou ao Encontro. Sobre as diferentes organizaçóes ciandestinas de esquerda existentes no Brasil nos fin. o PC pregando a acumulação de forças. A derrota de 64 mostra que não há. 42 O Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR). 15 Reis Filho.. dissidência do PeS. 66. E as suas conseqüências se prolongarão mais ainda"". o regime mílitar consolida a sua forma mais brutal de atuação através ele uma série ele medidas como o fortalecimento do aparato repressivo. com Mário Alves. muito tempo a perder.<'Lam:uc:l. A partir elaí. de I3 de dezembro ele 1968. e out. p. em 1960. em editoras. p.Ia. A peça Roda Viva é proibida em todo o território nacional pela Polícia Federal como um show depravado. Op. Ao lado disso. sendo muito forlo.).. Perfil dos Atingidos.Torquato Neto e Gilberto Gil) A geração de 68 no Brasil..> entre os estudantes cb. espaços culturais. cit.1 Ventura. faculdades (..~ e bananeiras Ao canto do juriti Aqui meu pânico e glória Aqui meu laço e cadeia Conheço bem minha história C01neça na lua cheia E termina antes do fim Aqui é o fim do mundo Aqui é o fim do mundo Ou lá" CJfargirrAlia 11 . e os textos de Mao. mas vanos oficiais do PARA-SAR confirmam.o MR-8 e a VPR". surgiu em abril de 1968. a conjuntura política ajuda a acender a imagfnaçdo revolucionária: o desgaste do governo milüar e crescente. O Movimenro Revolucioniria R de Outubro (MR-8) originou--se da chanuch Dissidência da Guanabara do peB. entra nos anos 70 mantendo sua resis44 Idem. dentre outras. O Governo Militar.s tarde teve' a adesão de Carlo. "Bombas em teatros do Rio c São Paulo. de diferentes formas. chamados de partidos do Sim e do Sim Senhor"41. o golpe dentro do golpe. jornais. Está armada a cena para o golpe de misericórdia. Guevara e Régis Debray apontam para a luta armada. com base na Doutrina de Segurança NacionaL Desta forma. I As próprias greves operárias de 1968. Muitas já começam a estruturar seus próprios grupos armado. É desse período o surgimento de várias organizações clandestinas que.-o.. em 1968. p. 30. D.<.A.sde 60 e início de 70 ver: Arquidiocese de São Paulo. não aparecera ainda o "milagre brasileiro". D. a repressão age em 1968 de forma cada vez mais violenta.. trazendo para o palco os terríveis e inesquecíveis anos 70. com Carlos M:uighella. Op.-. alguns de seus quadros para o campo (na preparação da guerrilha rural) e para as fábricas. 16 11 .A Ação Libertadora Nacional (ALNl lambem nasceu de uma dissicIencia do peR. está garantido o elesenvolvimento econômico com a crescente internacionalização da economia brasileira e a devida elinúnação elas "oposições internas".uma linha propondo o enfrentamento. o Ato Institucional nº 'i. 1')6S: A Utopia de nma Paixão. l-irasilieme.é a recessão e uma grande descrença toma conta da juventude em relaçiio aos partidos políticos legais: o MDB e a ARENA. 1990...A. com a ocupação de algumas empresas pelos trabalhadores. "Por outro lado. t7 .. Jacob Gorender e outro. para o enfrentamento com o regime. Araçá. pregam do entrentamento até a luta armada contra a ditadura: o PCBR. Apolônio de Carvalho. mai. época A Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) foi criada <-'m1967. 32. O n 4. de outro. 1988 e Reis Filho.. palmeiras.em Contagem e em Osasco.Os ANos DA INSrrruOONAllZAÇÃO "Aqui o terceiro mundo Pede a hençdo e vai dormir Entre cascatas. a ALN.'itnO e ao PC r€forçada pelo surgimento de alternativas como a cubana. Vozes. São Paulo. os exemplos de Ho Chi Min.

y' ser filho da . De pinho tinto de . E novas subjetividades hegcmônicas V:l. Seio Pau/o. em que tudo tende cio a ser institucionalizado. Todavia.o início dos anos 70.winKue Como heher dessa behida amarga. não se podem tolerar os '·a. '_.farecs.tade mim esse cálice. se coloca para os movimentos de resistência no Brasil.ntagonL'imos internos".egislativas da em Guanabara.eras Câmaras de Vereadore. a singuiariza. três. ll11pulsionam muitos no Brasil a "criar um. Goiás. tornã-Ios equivalentes às formas já existentes: anulá-los ao reconhecê-los.(. muitos Vietnãs".saçoes de 19 . Pernamhuco e com inum. Tanta lYU'11tíra. vai sendo integrJdo. nuvens. Em 1968. na etapa sob () signo pós-6R. Tragar a d01. gradativamente. As forças sociais. hã os golpcs no Chile c no I iruguai. no Brasil e em todo mundo. que consL'te em fazer possível a institucionalizaçào de movimentos instituintes. esta cri.. engolir a lahuta.na qual os movimentos sociais com patticipaçào I1lassiva colocaram cm evidência o instituinte .O AI-~ coloca o Congresso em recesso e. nOV~l<'. experiências com drogas. passam a ser reconhecidas pelo conjunto elas for~:as sociaL') instituídas. Os militantes ligados à luta armada s~10aniquilados.e cálice. as I"rtes mensagens .O sendo produzidas. R. Por outro lado."(-'11a s(7fil/)o da outra.c a fase vivida na década de 70 é a da ins(itucionaliza~~à()_Tal momento é situado no contexto hi'itórico da vitória eSlnag3c1oL'3 capitalL'imo monopolista. tanta força bruta· rCdtice . aniquil3ndo. no Brasil. ajàsta de mim es. Mesmo calada a boca.• anta.olados: em todo o mundo. ainda nos 1 . Em 197:\. Outra realidade lYU'110S1rI00ta. . contesLa~'ão do consumisnlo. para a sociedade brasileira ctn geral há um desinteresse pelas diferentes [onnas de pal1icipaçào e questionamento social. anulado. Os acontecimentos de 68 no B"L.mann".. Instal3-se no continente a Doutrina ele Seguran"" Nacional. navew. apesar de tudo isso. Sik"J-ncio cidade não se escuta na De que me sen. Rio dejaneiro.. Pai. que estabelece que. etc.s em todo o país Cw.O TERRORISMO DE ESTADO "Pai. massacrados e o movimento COI1trJ. organizada ou não._ seguida. alcan\-'ando os diferentes campos da vida social. fascinanl muitos jovens. afa. primeiros anos da década ele 70. política.'ão. seus costumes e atitudes (cabelos e barbas cOlnpriclos. é a ditadura sem c1L. 'roda c qualquer oposi. Este é o grande risco que.cultural. outros processos 18 Cobre-se a América Latina dc pesada.<. A resistência no início da década de 70. roupas coloridas e a itnagem de selvagens). até então marginai'i ou minoritárias. mostra um ref'luxo dos lemas antes tão inllamadamcnte debatidos. trabalhista.. afasta de mim esse cálice. Diferentclnenle da década anterior . na primeira metade dos anos 70. LOUfOU fala do "efeito MülJ. resistências. como tal. Lapassade propô c uma interpretaç1o. Pai. e mesmo a derrota de Che G uevara na Bolívia. ed~lcaci()nal.~1elbor.'ão que possa abalar a "segurança do Estado" é considerada Cfjme e. () Estado aprende a se f"rw1cccr graças às debilidades dessas lulas anti-institucionaL.~c capitalL'imo do alcan~a agora as instituiçôcs clJlturaL~. Em 197:\.l por esses dois fenômenos: a luta armada contra a ditadura c os movimentos I de singularizaçào vão sendo gestados subterraneamente. é punida. em 76 é a vez ela Argentina. para a 'segurança do regime". até sobre a Constituiçào Federal.<. Sangrentas c cruéis ditadura") militares se impôem. Tal doutrina prevalece sobre todas as leis. criminal. econômica.tência sob duas lemnas: de um lado. G.iII)(>r/o (aI e Chim HlItlrque) de contracultura. Cl11 nome da "segurança nacion~d" e do "desenvolvimento econc)Jnico"J qualquer força.il não lóram pontuais ou L. Entretanto.ação. a captur3 de processos de singulari'l. popular ou nào. para poder integrá-los. resta ()peito. ocon'e o mesmo com as AssemlJtéias l. As forças dominantes aceitam o instituinte.las vitórias elas guerrilhas vietnamitas. a inlluência hljJjJlé. da tradicional organização fanilliar e sexual. dois.

Brasil Nunca Mais.. empresa estatal e Universidade. consultar: Stephan. 36. A. emerge em 1968 uma força unificada antiguerrilha que recebe financiamentos privados e públicos: a Operaçào Banelei45 46 47 Arquidiocese de São Paulo. no início dos anos 70. São Paulo.'isil. É o órgão da repressão mais importante elentro e fora elo Brasil. conectandose com os governos dos estados. sem paralelo (nas demais dt/aduras militares latino-amencanas). Comissão clt:Justiça e Paz. os "líderes" dos Esquadrões da Morte. ao fazerem parte do aparelho repressivo. Rio de Janeiro. "O SN! brasileiro alcançou um grau extraordinário de prerrogativas legalmente sancionadas e de autonomia burocrática.segundo as infoflnaçôes veicul3das pela mídia . Os DOI-CODI's pa$sam a dispor do comando efetivo sobre todos os órgãos de segurança existentes numa determinada região militar. desele junho ele 64 (três meses após o golpe).. 1986 e Arquidiocese de São Paulo. também alimentados com financiamentos privados e pliblicos e o fortalecimento dos chamados Esquadrôes ela Morte.) todas as medidas coibídoras daç liberdades democráticas" 4~. Estes. 1076. tendo uma agência em cada MinL~tério. De 1967 a 1972. que continuam atuando impunemente contra as parcelas maL.••pobres da população. como justificativa para que permanecessem em vigência (. transtnutam-se em heróis nacionais. Tais são seus poderes e força que. e é também cassado Carlos Lacerda. j e a paralíçaçdo quase completa da atividade fxJpular de denúncia.ligados às três armas. A repressão se soflStica. estiveram de alguma forma ligados a este Órgão.. tomo I. um dos pn'ncípais artffices do golpe müitar (. H_P. por fim. Em 1970. a Aeronáutica estrutura seu serviço ele inteligência.'Os conta 49 Sohre o assunto. cit... interrogatórios e torturas. estruturam-se os DOI/COm s. ã Polícia federal. Em 67. São Paulo.. a Marinha organiza o CENIMAR. No começo dos anos 70. ficando sob a jurL~dição do Comando Regional do Exército. Op. p.para "diminuír os indices de criminal idade" entre as populaçôes marginalizadas das periferias das grandes cidades. surgidos no Rio de Janeiro c em São Paulo. antes de assumirem o executivo. foi de 1969 até 1974. De 1968 em eliante.ões elo Exército (elE). acarreta problemas para os denunciantes A ação dos organismos repre. 1985. J A resultante de todo esse caudal ( . E. Ligam-se também à polícia política. ao ponto de se transformar na quarta força armaela. rante (OBAN). Isso por sua vez e apontado pelos círculos mais extremados das Forças Armadas. DOI-CODI/SP e DOI-CODI!R).trumentos . ver: Bicudo. No Brasil. que responde diretamente ao Ministério do Exército.mandatos parlamentares ceifam mais 69 membros do Congresso Nacional. embora não uniformizada". o que significa uma integração maior entre 0s organismos repressivos já exL~lenles. pregando ostensivamente a institucionalizaçào da pena de 1l1orte9. Stephan. elesele os anos ~O. Rio de Janeiro. Acrescentem-se a toelo este aparato repressivo olkiaI os grupos paramilitares. Paz e Terra.com funcionamento similar ao ClE.Meu DepOimento sobre o Esqua. chega-se a falar da exL~tência ele um verdadeiro Estado dentro do Estado. Vozes. É no transcorrer elo Governo Médici" que as funções e prerrogativas do SNI aumentam significativamente e se elá sua militarização. Principalinente nos anos 70.p. no sentielo ele "meU1orar" a eficiência ela repressào. resiçfência e reiuindicaçôes. Em cada região nulitar elo país.dião da Morte. Os Militares: Da Abertura à Nova RepúbUca. a OBA]\' se institucionaliza como DOI/CODI-SP (Destacamento de Operações e Informaçôes/Centro de Operaçôes de Defesa Interna). Em São Paulo. censurada na imprensa e. São esses ES'luadrôes da Morte que inspi. lQt)j tanto que todos os generais presidentes. intimamente vinculados aos órgàos que se ooltam para as prisões. restando quase que uma unica forma de atuaçdo: a clandestina e/ou armada. criando o CISA. Para um estudo sobre os aparatos de repressão no Brasil. às Polícias Estaduais. muitas vezes. é criaelo o Serviço Nacional de Informações. Princípios de Justiça c paz: Pena de Morte. Comissão de Justiça e Paz. cresce. São Paulo.(B. como OBAN. os Esquadrões ela Morte são utilizados como in. Projeto BrasD Nunca Mais . 48 20 . aos Corpos de Bombeiros. nos anos 70. do general Emilio Garrastazu Médici. A. Jazendo parte do chamado "sL~tctnade segurança". 1985. às Polícias Militares. fortalecemse graebtivamente durante todo o períoelo ditatorial. é organizado o Centro de Informaç.32 O terceiro governo militar. Os que se dL"pôem a apontar os violentos crimes por eles cometidos passanl a ser identificados con10 "inimigos do regime" c tratados como tal.O Regime Milltar. empresas privadas e aclininistrações municipais. ao DOPS.drn nos anos 80 e 90 os famosos "grupos de extermínio". "Qualquer denuncia sobre esses crimes é pronta"u~te desttu"11Uda. intocáveis pela Justiça. . criam-se inúmeros outros aparellios repressivos.. Tanto no Rio quanto em São Paulo..

~AInterpretação do B'J. Rio ele'jaoeiro. mais se perseguem opositores. REAGIMOS A ISSO ••..ls f:1ra6nicas. P. fragilizar e pulverizar os opositores do regul1e. Sia Paulo. chega-se ã cifra de 90.oger. leva a um torpor social.. eu acbo i.é talnbém a época do "miIagrc brasileiro". Não é por acaso que esta época em que mais se tortura.' fil1abru71te uencido na "ida Ma...ào internacional do tr. " Jj. A ditadura mj)jtar brasileira exporta krlOw-how de tortura para as demais ditaduras latino-americanas. cit. Ao sonI do pregão das Bolsas de Valores e do slogarl "Brasil: ame-o ou deixe-o". de se recusar ou mesmo questionar a ordem social que está sendo produzida.ú. fortalecida e imposta. legai~ "'. uma função: produz subjetividades. como dispositivo social.~. Além de obter informações. produzida pela repressão no Brasil. o Brasil passa a participar ele [()rma mai.chem 1973 quando ainda S~ sentem os cfêmero~ deitas do "milagre brasileiro" sobre 9) Arquidiocese de São Paulo. UIl1.) O Brasil Republkano.'udeuia estar aJegt'e e satif/eito :'oJestecampo fértil. (Urg. Op. de "euforia". em toda a América Latina. graças 3.vo1."t1. cala a sociedade. 4. mas pelu status. Vive-se unl clima de ufani. enquanto a classe média. dificultando e inIpec1inclo qualquer circulação e manifestação de c:::tráterunI pouco nlai. ')1 ')2 ')5 Música W:lv:J. [<)8'). c "A televisão passa a alcançar um nível de eficiência internacional. A Zuna Sul du RlO de Janeiro passa" ser o local preferido para se morar. p. A partir de 1972." intensa no comércio lllundial.c. aspectu importante nos projetos de ascensão desta classe Illédia urbana"3. nàu pelas facilidades e comodidades que uferece... há .. j()89.xa. o que mostra as dificuldades. n1ais se a. A "ilha de tranqüilidade" é um lugar extremamente atraente para o capi131monopolisl3 internacional. tais técnicas são cada vez mais sofisticadas e surge a instituição do "desaparecido político". ClASSE MÉDIA.E COMO NÓS. aproveitando-se das sobras econôtnicas do "milagre".com total impunidade e acobertamento ate tnesmo de detenninados di. Projeto Brasil Nunca Mais. 22 23 . Instituição macabra. l1. 210-24') Sobre illllO. a ascendente classe média vive momentos inesquecíveis ele consumismo com a "lnodernização". B. de bens.ln: Fausto.l1Jalho: a de exportador de produtos industrializados.. Em 1990. neste período...çto uma grande piada E um tanto ou quanto perigosa Por" que foi tão fácil conçeguir E agom eu me pergU11lo e dai . Si.'iSassina. "Eu devia estar contente Porque tenho um emprego Sou o dito cidadão respeitado E ganho quatro mil cruzeiros por" mês Eu devia agradecer ao Senhor Por ter tido sucesso na uida como artista Eu devia estar feliz porque Consegui comprar um Corcel 73 Por morar em lpanema IJepoL. de ter passado fome por dois anos Aqui na Cidade Marat. e e este terrOrislTIOde Estado dissemina o terror en1 toda a sociedade brasileira. pois é uma forma de continuar a tortura sobre os familiares que até hoje procuram seus "desaparecidos". Utupia limaria: 1JmEstudo de AntropologiaSocla1. de "bem-estar". Há uma produção massiva de subjetividades coletivas. com a constru\'3..0 de obr. de "progresso". capo IV.~ Eu tenbo uma porçào dl' coisas grandes Pn1 conquistar. conquista de uma nova posição na divi. eu nào posso.jorge Zahar. A censura torna -se feroz e violentíssil1la. tanto interna como externamente. a tortura passa a ser prática "COll1U1l1"oncial. Difd. rítico. a uma cumplicidade. Pelo medo. levada ao ritnIo de "Brasil Grande".positivo. ver o e:studo de Velho.ficar ai parado ()uro de Tolo _Rutl/Seí. 2 ..:l crescente internacionalizarão da economia br:::tsileira"~2.'Ílhosa nu de/'Ía estar sorrindo I! orgulhoso Por' te.sil: lJou Experiência Histórica de Desenvolvimemo". Com isso. a tortura cumpre. ou seja. vai alegremente consumindo todo tipo de coisas. as camad:t-'_medias urbana.. quando se vende a imagem da "ilha de tranqüilidade". nlais se seqüestra.mo.000 desaparecidos políticos. 34.

ç(' e e substituido .este debilüa-çe.çúo Política é para os polílicos Estudante tem mesmo é que estudar r. tornam-se "melhores". na "grande potência" que será este país. Marcuse e Norman Mailer. tenta romper com os padrões jornali'ticos impostos pela grande imprensa.. 'panema. .a eshoça-lo nao s6 será tachado de traidor. H. A Pomba e outros." captados nesta pesquisa. onde as pessoas trabalham.. S6 de um lado. empobrecidas da populaçào.'5. há uma esfera onde acontecem coisas que sào importantes. O importante ritnelhorar sempre"S6 'Parece halJer uma ditriw'JOem "dois mundos" S4 S'.s discurso. a classe média aceitam passivamente que compete ao governo a resoluçào dos problema. sohem na l'ida. em especial. estimados não somente pela classe média: expande-se também como valor fundamental para as classes mai.91 e 92. 1987. É no Pasquim. em que a defesa da ordem. de seus méritos. as categorias "política" e "gol-'f?rno" Acredita-se no "Brasil Grande". ) e é remetida para r s-'. Rio de Janeiro. P lOS. "subir" na vielatorna-se uma palavra de ordcm.com Torquato Neto... desde questôes mais amplas até problemas os mai~ aparentemente triviais do coticliano58. Bondinho.. na coluna "Underground". Abre espaços para questôes como drogas. 1'1'.).tências essas subjetividades coletiva. como Pasquim. OI'. Op..uma qUl' se traduz na possihilidade de mudar-se para Copacabana. Eu quero suhir na vida e nao tenho medo de tmbalho. em 1970.fim de cunhar matéria de e'qJressiio para as intensidades atuais: o gestn criador .or. A TV passa a ser um dos bens mai. 19S t. 1'1'. WallySailormoon. norte-americanos dos anos 60. influenciado' pela contracultura. o que nos permite avaliar as subjetividadcs domimnt. na Zona Sul do Rio ck Janeiro }X)r Gilberto VeU1o. processos de subjetivação traduzem-se pela importância quc é dada ao consumismo. cotidiano.>ia~seum circulo I. O movimento pós-tropicali. Jorge Zalur..lobo. Ao lado disso. transmuta-. Também o jornal Opinião traz debates sobre a atuaçào cultural subordinada ao Estado e críticas ã tendência nacionalista-populi~ta no campo da cuJtura. estará co"endo jJerigo de lida ( . como Allan Guinsberg e autores como Mc Luhan. bens de um modo geral. de outro lado. G. de programns tipo Chacrinha..belo medo e o medo aumenta ainda mais a timidez do gesto criador Desencad(. deixando o tom "objetivo" e supostanlente "neutro" para abertalncnte exprintir suas opiniões. através de I1UCCtCS c metáforas. consumir mais e mais roupas. a outra nào jaz parle da nossa experiência e. o que li /J. Flor do Mal. o que traz profundas mudanças em toda a sociedade brasileira. mas distantes e inacessíveis por sua própria natureza . "filafaculdade não me meto em confu. à necessidade de :')e ascender socialmente.Op_cit.a política Há duas possihüidades de poder. Há unla aceitação quase unânin1e das regras do sistema. uào á mis.es nas camadas médias urbanas no inicio dos anos 70 no Brasil.B. "divertimentos '. A Inoderniza~ào tecnológica da área de tclccon1unicações é um fato... isteneial ( . Dudn Machado e Hélio Oiticica..scsde entrevistas feitas.ta. A criatividade é estancada. divulgando as importantes contribuiçôes de M.tema as pessoas crêem que "subir" depende de suas virtudes e pessoais. da disciplina. da aJdeia global que se fortalece gradativamente nesses anos 70 e chega ao apogeu nos 80 e 90. na "modernizaçào". um profundo conformismo político.. da hierarquiJ. E interessantc a análise dos difert'ntt'. lido para Copacabana. Nos horários de novela. assiste-se a um verdadeiro ritual: todos à volta do aparelho. 196 FrJ. 194. continua mesmo após o exiJio de Caetano e Gil . no "crescimento". Rogério Duprat. 12S. no "progresso". J. SS Ve1ho. etc. o Hollanda. que o Inovimento contracultural é mostrado através de informaçôes dos poetas beaL. "Os agenciamentos estào interceptados: joram grampeados E' terminantemi?11te jJroihido fazer uso da Hngua a . cit. adquirem mais prestigio.. Individualismo e Cultura: Nota •• para uma Antropologia Contemporânea.G. tentativas de se forjarem e produzirem territórios singulares.p.>icioso qual o dew40 /'ai no enfraquecendo cada vez maLç a sua potência de (:fetuaçdo"~s. com a todas as dificuldades da época. 24 25 .A nós compete traballlar c/ou estudar c não nos imiscuir em política. cumprem suas obrigações.fornecendo valores e padrôes para um país que uaí prá frente'''.. mas muitos artistas a utilizam para ludibriar a censura. A imprensa "alternativa" ou "nanica". compram e assistem te/ep/silo. Rolnilc S. OI'.loi desauton'zado e quem ou". Contudo! há res~<. homossexuali~mo.dentre S7 Velho. (h submi"ào sào enfatizados. cit. É o reinado da Redc C. etc. da Sociedade Tai. produzida por Luiz Cnrlos Maciel.. e onde o medo às autoridades domina a todos.sa ou ao cinema. o "povão" c. É proibido o gesto C71ador. Foucault. cil. loucura.há. Acredita-se na excelência do sLc.

a linguauem e a !!ida.emhora para a grande maioria passem despercebidos -. nos costumes e comportaInentos que a década ele HO em muito irá ahsonlt'r. os movimentos ele resistência. Júlio Bressanc e Ozualclo Candeias. que embarcam na na/le em nonw do saher moderno e de al1t. sexuais. Tenda dos Milagres . músicos. 1"\0 entanto.. seja do Estado seja das empresas privadas. de outro.o: de um lado . o que predomina no teatro é o aspecto empresarial que encontra um solo fértil para suas superproduções. Confecção artesanal de garrafas de coca-coia.<emplo. mas (. pp..) gera~~ào que entra na clandestinidade e/ou' na luta armada. dentre outros .J uma marginalidade l'Ílúla e sentida de maneira imediata frente ã ordem do cotidiano'~~. Chico Alvim e outros. que conseguirão. T\~oinício desses anos 70.tll Apesar de tai. a pro/ijérar os lil'rinl1os que sao passados de mão em mâo.a de arte determinando uma produção que.mu>ntalmente na e. A. Ickm. queajJarenti'mente pouco se identificariam com os temas do n01'Og!'U/Jo. listas de pessoas mortas. por último. emjJenhado fimd{. artic. ao transformar-se pnponderantemente em rentável neRôcio.4. criadas nesse período. Vão ser estes movimentos que continuarão . Um tipO de trahalho coleti/!() e múltiplo. surgem porém alguns trabalhos produzidos por arti.esma loucura" ( J. como diz Wal(v. há () chamado cinema "marginal" E que.através náo só do clima de medo imperante.) (' cmru!çam. entao.ta!-i e plásticos. op.é () setor que mais adere às exigências do novo mercado e à política cultuml elo ESl. De tal produçáo independente surgem poetas como Chacal.'jru. dominado pelas supcrprocluçtk's holly\voodianas epmo Xica da Silva. p. 125. Augusto c 1 {aroldo de Campos."tas de pessoas presas. as subjetividades hegemônicas .c.'nfatizam o cârater di' gmpo e artesanal de suas experi(>ncias ( . [!. assim como algumas produçôes em Super 8..•literária. com filmes de Rogério Sganzerla. 1.euç e teatros em ( . p. moedas de zero centavo.o.:'() ver: Mello. José Cebo M:trtjn~z COrrL'3. as "inser~ões em circuitos ideológicos". clt . mu. l. ao Brasil elo "milagre" imposto pela ditadura.tência produzidas nesse período s:l. Fora. por catllinhos diferentes dos da luta armada. As artes plásticas apoiadas pelo Estado sC!.. 'fJ (i) Holbnda. J'\a literatura a geração t1liIrlCÓf~rafoparcce e.stascorno L)igia Clark.w' Urupo nào e mat. lOr~.l)or(~..'5.a. ctc.outros. aparecem grupos "nào-enlpresariai. l "t..'· C0l110 o chamado teatro de invenção de Paulo Affonso Grisolli e Amir Ilacldad."tas plásticos envolvidos com o cOlupromisso de retratar o cotidiano. os hl{Jpies ligados.. M. deste circuito oficial. tornar-se mutante" w. apesar de se constituírenl em guetos. cllando. recusar as relações dadas como jJronta.cooptaIl1 muitos artistas c intelectuais.. e que fortalecerão as llludanl.<. ••da Cultura no RcWme Militar. mas tatnbém da. cineasta. cria seu próprio circuito: nào depende do apoio ojkial. tenta algo de novo. Esses passam a se ligar às agências estatais vinculadas à área da cultura e que sáo dinamizadas ou.<. chegando aos 1>0. estwJam "transando a m. dentre outros. Espaço L' Tempo. IJerde em muito sua l'italidade crítica e praticamente dd"'a de interessar aos setores da Juventude unil'ersitdrla" 61.l){). SobrL' a resistência cultural n(>. Dona Flor e seus Dois Maridos. CiJdo Meirelles inicia desde os 60 um trabaUlo que se prolonga por todos os 70.~asque efetivamente ocorrem nas rclaçôes familiares.. mesmo.~ ano. eS1~ooS "concretc>tas" Décio Pignatari. promessas de ascensão social muito fortes na época ..fremum "hoom" df? mercado com os leiJóes e a hoL. cédulas de zero cruzeiro.c. das tenwtivas de se forjar singularidades.) 20 Anos de Resistência: Alternativa. publiclIn a Navilouca com textos de poeta. l~~ L' lil .ç. a Illanifestaçôcs de poctas.c."tperimentaçdo radical de linguagens inol'adoras como "'estmtêgia de "ida "(. Rio dt' Jan(.de outra forma .. B. se opor à "ilha de tranqüilidade e progresso". às produçtles "altetnativas" acitna 61 62 Idem.. P preciso muda. n1uitos deles. Ao lado deles.. ) A marginalidade des. resistências. mas que.do_ ntretanto. C~=o. 198().. que lnarcam movimentos de resistência. Vão ser.. por muitos chamados de "alternativos". O cinetna.•• 2ú . sem dúvida. lJf!11didos portas de cinema. As formas de I'l'sLc. a partir de modelos originai. I'ia/ar. receitas para confecção de coquetéis mo/nUJlI. como as dcmai.as contestaçàes oriundas da década de 6o.onde são escritas mensagens diversas: li.

somente tempos depois põde começar a ser pensado no Brasil. os militantes dos anos 70. H. Aí. as drogas são associadas a um plano extcrno par" minar a juventude. Na época. tem hábitos e costumes desviantes. por cerca de quatro anos. vivendo da esperança de um dia conqulstar a terra prometida"". ligadas à juventude da época''.. O que na Europa o Maio de 68 mostrou. filhos) etc. Todavia. 60. ln: Individualismo e cuhura. os que morrem. os hippies. Idem. eln comunidades. con10 já esperava. apregoando as práticas grupaLs. após o Al-:. G. são todos desaparecidos políticos até hoje"'. com seus aspectos lúdicos. Ações armadas se sucedem nas cidades e no campo. iniciada no sul do Pará pelo Panido Comunista do Brasil (J'C do B). vio.. poie.seminada-"i anos 70 nos no Brasil: a do subversivo e a do drog'"do. comoventes em sua coragem. então exilados em Londres o ambiente aqui está. É como afirma Hélio Oiticica em carta dc 1970 para Caetano e Gil. mobiliza milhares de soldados do Exército para combater os guerrilheiros. p.. num total de 59. o que se torna perigosíssin1o. e ao ser en. a fanu1ia. p. ateu. Duas categorias são produzida-c. é um ser moralmente nocivo..~ de classe lllédia (' média alta que. p. Pretendemos transformar o mundo e nào percebemos a reproduçào autoritária em que caímos con1 nossos companheiros. 1979.. Desres guerrilheiros. mas ninguém realiza nada""".. tornando-a presa fácil das ideologias "subversivas". vanguardismo e palavras de ordem totalmente dissociados das "massas" que querem "libenar". o aspecto de doença já está dado. antifamjliari~tas c nêHnacles .. tanto o subversivo quanto o drogado apresentam problemas psicológi~os graves e sérios. Tal categoria vem acompanhada de outros adjetivos como: criminoso. Ele está contaminado e pode passar a doença. apesar da total apatia e indiferença da maioria da população. etc. OS/IO/89.ou em quase todos . da micropolitica. somente depois do total aniquilamento da luta armada: que as lUlas contra os Estados capitalísticos necessariamente ligam-se ao questionamento dos micropoderes. A prinJeira é apresentada com conota~ões de grande periculosidade e violência. o subversivo tem tanto possibilídade. 64 6'. Guerra de Guerrilhas no Brasil.toser uma ameaça política à ordem vigente. quando aceitamos e naturalizamos diferentes instituições: a organiza~o.reproduzem o autoritarismo. come~amos também a ser vencidos por nós nlesmos. tomando-se. São Pauto. a mais violenta e sangrenta repressão dá-se contra a Guerrilha do Araguaia. "viajando".e. juntam-se drogado c subversivo. cit. p.cit. do autoritarismo imperante no nosso dia-a-dia. que não chegam a 100. por mandatários de fora I h •. Está contalninado por "ideologias exóticas". Cheios de messianismo. Por outro lado. "Por sua vez. Os militantes.114. anticonsu63 Sobre o assunto ver Portela.. Sonhamos com a revolução como um acontecimento que libertaria a humanidade das opressões. . ultradepressivo (. a dureza e a inflexibilidade nossa e de nossos companheiros. traidor. nlistas. o que traz fortes implicações morais. Op. a pátria. e que. em sua resistência. o sectarismo que querem combater. encarna todos os males e é um agente consciente de contesta~ão à sociedade""' Para as subjetividades hegemônicas da época. poucos territórios onde não sejam capturados. usando drogas. sobretudo entre os joven. No drogado.... como de enfeitiçar..e muito dic. p. A luta armada leva muitos para a clandestinidade. anti-industriais.. F. a moral e a civilização.. conseguem produzir poucas subjetividades singulares. experimentando scus corpos. S. 60. O inimigo tanlbénl está ao nosso lado e dentro de nós. O'..UI11 anti-social. eleve ser identificada e controlada. "O Ano das Drogas e da Repressão" [n:JBiCademo ldéias. a. poio:. no cotidiano das nossas relações. inst'llam-se nUOla marginalidade crônica""". Oiticica. [dem. em todos os sentidos. t6 67 éS (j) Rotnik. Estudo feito por Velho. Op. . O subversivo não está somente contra o regime político. apesar de sua resistência no seu cotidiano. ao mesmo tempo em que os inimigos "de fora" nos vencem. Idem.) todos têm planos. luas contra a religião. 112. em muitos momentos . cmbora houvesse todo um suporte coletivo que os ancorasse: os movunentos c()ntraculturaL~.ç de contaminar.' não encontram outras formas de fazer oposição ao regime militar. No campo. l\ão se consegue reinventar novas formas de pensar a transforma~o.ti?itiçado adquin'u a capacidade de enfeüiçar"6B. Global. Sua resistência "é feita de um não querer" vivendo em bandos.sitn.citadas e embalados pelos movimentos contraculturais que haviam sacudido os Estados Unidos e a Europa nos anos 60 e 70. 28 29 . Sobre o assunto esta obra é fundamental..

'amido e tristeza A gente se olha. Assim. E se desentrnde no instante ('m que {ala _. ma"~("a/x' ao. O . Minha W'Ó reclama t: hora do almoço Pu ainda estou I)em moço. Prá tanta t1t. mile me chama do almoço. Se seus J1lhos. esses filhos "desviantes" e '·diferentes" s:1o produzidos pelos prohlemas por que essas bmílias passam.sto. E nos arrasta moço. algo está errado.fedo. São pessoas que fogem às suas obriga. S'etoca e se cala. acreditando plenamente que algo estj errado. Sem ter l-'1s.cutil'ei. o que se torna um valor Ixisico para elas. "1panxida' 3 . Ou coiça pmw:tda. A sua boca arn'rla...-filhos Isso nao significa qw.O FAMILIARISMO COMO CONlROLE SOCIAL "/'v'o centro da sala.s"~ lJeú..fundo do prato (. p_ '"4 31 30 .'('bada..'inda cI(' dl{iciéncias psicolôRicas l' morai. torturado e J. Ou caLça par'ecída. Negra calJeleira. A sua mào parada. irma mab. deve cooperar ni.Pitar tai" Jx'rlgos" -. p.'o. E molbada d(' medo Pai na caheceira J? bom Jlinha E hora Minha do almoço. em que o controle e a dL"iciplina estão presentes c ela... grande preocup:W30 com a família: fala-se da sua importância como mantcnedor:l de uma sociedade s:lud:'ivcl.Belcbior) o que está suhjaccme a estas duas categorias c.sinaclo. /Jiante da mesa. nOI'Cl. medo.(. culpabilizando seus filhos e culpabilizando-se.tmn acusarDes contra o "mundo ('. medo.. (]/orfl do Almoço ./o a l'ída_ Ou coLça parecida. com i~so consideradas doentes.'il'U J)eito dese110. }. são poi".-':loé a produ't::1o de uma outra suhjetividade: a "crise" da f:1nülia..\1('1'ior·· ste e /'il'irio comn /)l'1·manentemente E (Jerigoso e !)()luiâor. medo.:emos de coi. medo Cada um guarda maL'i O seu segt'edo A sua mao jf. ao questionar os dominios e criticá-los. ":4 ameaça é ri1'Ída como .•eza. o dispositivo produzido no sentido de enfraquecer todo c qualquer movimento de resistência que possa forjar processos de singulariza'r. Principallnentc nas Gllna(bs médias urbanas vem sendo vendida desde há muito a importância dos projetos de ascens:lo social.. porwntn. I li.".principalmente por suas atitudes em relação ao trabalho e ã família. estào se tornando "subversivos" ou '·bipjJit?-:'. /'. eles c suas famílias s:10 os responsáveis c nà() () estado ele terror que grassa e111toda a sociedade'" As famílias aceitam tal discurso. t '70 luem. se algum hífJfJie após experiências com drogas não reton1a ela "viagem··. 64 ~1 Idem."a H cuidemos da I'ida Senão chega ti malte Ou coisa parccítia.o naturaL" e indi. Se algum militante é seqüestrado. neste momento.> do.ss~L<.' nào ('. poem em dUl'Ída uma ordem e uma concepçào de mundo que devem set' pistas com.·ões e questionam os planos e projetos de ascensão social de suas familias. a sua "descstrLlturaçào '. lündamcntahnente os de classe média e média alta.\ indil'iduos que comfJOem a família a responsalJilidade de enfrenta-lo" âejénder-"e (. lAcrada e selada.\fedo.'\~i<. a família.

exigente. o "interior" é percebido cotno uma realidade absoluta. ou por grandes empresas. portanto. .. J com a ampla veiculação de uma propaganda que enfatiza o consumo e o sucesso material.. No capitalismo. tirânico e cheio de. seja de militantes ou de hippies em suas 'comunidades". p. O Declínio do Homem Público: As Tirania ••do lntimismo. cntao a falta di! . ~'ões humanas e torna-se natural sempre se estar perguntando o que uma pessoa ou um acontecimcnto significanl.. Ulll cu sempre insatisfeito..'i.. nega-se o que acontece fora c volta-se par. afinal.ta" estão diretamente Iigacbs às relações que o sujeito lem com o seu cCIrpo.tomar o fato de estarmos Cln privacidade..so . particularmente nos anos 70. O intin-UStll0 está.verdadeiros guetos ... sao eles que estao sendo jàlhos para com ela. "Se o ato de tentar contar aos outros a n'Sfx1to di! si mesmo rJ sentido de modo intenso e real.]nte.]través de todos os seus atos... fundamentalmente ligado a uma cultura psicológica . por conseguinte. o intirnLo. . Apesar das críticas feitas ao familiarismo então vigente..::lo d. frito diretamente por parte do Estado.6 Expressão utilizada Pllf Richard Senett in Op.e a uma cultura da 'S Idem. nas cbsses médias urbanas brasileiras.Esse modelo de família que compra.onde tudo é rcduzido 00 psiquismo . Cia.reproduzem em seus espaços o mesmo esquema familiar que tentam anular. Assim sendo.) mas botar meu pezinho no apartamento dele. 409 .Tenl0s tentado . () que predomina é o "reino elo eu". "autêntico" . Gil. o fantiliar.l o que acontece dentro de si. há uma extrema vigilância entre elas para quc tais "papéis" sejam desempenhados.. 105. A intimizaçào passa a ser uma preocupação const.>. a jJes. Uln fim em si meslno"7'i. 1988. 274 e 27'. São Paulo. a privacidade familiar e a interioriz~u. em que o mundo exterior parece nos decepcionar. A inlportância da privacidade é apregoada intensamente: o que acontece fora não nos interessa. Sâo interessantes os grupos que se formam nos anos 70. não pode haver laço sociaL "/4. eles não sdo adequados iAs necessidades dela.'itóricaque reforça o projeto individualizante de família I. um interesse Glda vez maior pelos problemas da personalidade (' a procura de uma autenticidade quc exige :. criando a ilusào de que uma vez que se tenha um sentimento ele precisa ser tnanifcstado. pp. com uizinho a gente só pergunta se está pred"ando de alguma coisa (. nossa vida nos ba. viaja. com i.'i mantem unida. fort::l1ece. e ao mesmo tempo enl que as pessoas devem ser clnociona1tnentc abertas umas com as outras. R. Esta visão intimista da sociedade7b. de sua fanu1ia. . 409. Estamos. estes grupos . p.]s pessoas. torna-se o refúgio contra os terrores da sociedade.<ita.. ria-se um c tecido que a. "72 somos urna "comunicl1dc" de seres iguais. "Esse processo se dá dentro de uma conjuntura hi.mo penetr. das Letras. In: "A Utopia Urhana~ Op.veleidades. parece vazio c sem atrativos.soa está sendo auténtica. p. dialetos e ritos próprios. ascende socialmente é o modelo que se fortalece com o "milagre brasileiro".deste modo. o mundo nos frustra e. Se nàa há abet1ura psicológica.vivendo nesses "grupos" ou "comunidades" ~/dizenclo para o mundo que este não nos interessa: 72 73 74 Idem. investe.l todo custo que o sujeito sej. I fã. "A idéia de comunidade que está envoluida aqui ti a crença de que quando as pessoas se abrem umas com as outra.l obsessivamente nas rela- A ênfase dada i responsabilidade individual de cada membro da família mostra o fechan1ento dela sobre si mesma. cit" p. portanto..'esjJostados ou~ tms significa que hd algo e""ado cmn eles. eu niio ponho não"73 o privado. Criam-se linguagens. Trecho de entrevista feit:1 por Gilberco Velho em 1970. na qual as pessoas se preocupam apenas com as histórias de suas próprias vidas c COOl suas cllloçôes partkul::Lres. Sennett. sinais gritantes de uma vida pessoal desmedida e de uma vida pública esvaziada. 70. a sós ou (0111 a fan1l1iae antigos íntllllos. ". fica reforçada a uença df!que os impulsos pr6prios ã pessoa selo a imica realidade na qual ela pode wnfiar"T'..'Idodi'. As exigências dessa "personalidade intimi".] transparente. Idem. com ele nada queremos.'> que nao estilo entendendo. com os outros c COHl a sociedade em geral.

jorge Zahar.''' 1)0 (Casa no Campo . no qual tudo se torna psicologiLável: há uma sociologia psicológica.uma incompatibilidade entre os domínios público e privado. há Ulll esvaziatl1ento político. pau a píC/ue e . O Contexto Social da PskanálJse. Esta vi.saficar do tamanbo da paz.42. a melhoria nas rela\~ões familiares. tanumho ideal. no Brasil . a descoberta de si IneStno. Ilá uma atitude cética em termos de politica. uma antropologia psicológica. implicita nesta verlente psicologizante.-'ão.L'icen'iàosocial: o maior sucesso profi'isional.. dos casa!" infelizes. A..) pouco ca. principalmente nas classes médias urbanas.. Onde eu /)Qssa com/x). do corpo.tultiplicam~. A militância politica. afetivas. etc. do familiar e o psicologistno fornece uma legitimação "científica" :l tecnologia do ajustamento. . 1989. a idéia de qUi' o indir'íduo dispoe de uma quan~ tidade de energia limitada que corre o riKO de S(trdesperdiçada.mo psicológico. Rh. é preciso cuidar do casal.. Investe-se permanentemente no domínio do privado. etc. As categorias políticas são transformadas em categori:ls psicológicas. em vez de um meio para se conhecer o mundo..imlo) Atltnentam a prcocupa<. ).fbi ensinado viver (.. "Numa sociedade intima todos os fenômenos ..• Hu quero uma ca~a no campo.o indife"ença pelos emcantos da intimidade ou familiar amorosa ( J. a ampliação e/ou consolidaçào do patrimônio. a ser medida de todas as cO~"ias "7'). com a finalidade de adquirirem um sentido Os conflitos políticos são interpretados em termos do jogo das personalidades politicas"7lI. E tenba som(-'nte a cerleza Dos limítes do cm1xJ e nada mai . Ilá um imperiali. nos anos 70..:ào c o investimento com as questões relativas ao "interior" e o conhecimento de si mesmo torna-se uma IInalidadc. Onde eu possa plantar Im"us amigos. 9. Ou seja. dos filbos despíados. ) são convertidos em questões de pt"fSOnalidade.. O que interessa são os projetos de .VA!)(". o itnportante não é o que se faz. Subjetividade Acredita~se que a aproxitnaçào. é prec!"o jazer algo e os conselheiros e os "psí" são justamente aqueles que a isso se dedicam. rurais Eu quero uma caVA no campo. do se:m.. os filhos. VeUlo. ou até voltar-se contra de. a preocupação com os casamentos.<. G. dos filhos. 79 00 Figueira. na medida do possíliel. etn suma. Meu'õ discos e Urros e nada mais. dos incompreendidos..ào intitni')ta é extremamente valorizada nos anos 70. a busca da autenticidade e do calor humano são os fatores essenciai.. O discurso psicologizante .A PSICOLOGIZAÇÃO E OS ESPECIALISTAS "PSI" "Eu quero uma casa no campo. Para esta família em "cri... sobretudo pela crença de que os interesses pessoais. S.interioridade ~ onde tudo é reduzido ao privado. 1981. mas o que se sente.Zé Rodn>: c . para o bom andanlento de uma sociedade.ide janeiro. Produz-se uma oposi\. 271. da sua adaptação social . é rejeitada. muitos rocks E tenha somente a certeza Dos amigos do peito e nada mai~ urbanas. na década de 70.wciais (. a liberação das repressôes. Francisco Alves.. se> nao Jor imoestida no domínio adequado do privado. de tato.. Rio de janeiro. p.e" há quc se ter especialistas: .caracterLstico das camadas médias 78 ldem. O único sentido está no privado. o donlÍnjo público são esvaziados e desprovidos de sentido. há urna psicologizaçào elo cotidiano e da vielasocial. 4 .(grifos meus). . p. . .• os conselheiros e e psicólogos.p. daqudes a quem não ... Onde eu pos.mostra cOlno a dimensão privada mais intim~')[aé incorporada ao cotidiano. A politização do cotidiano pode ter como contraparlida a desafetirmçào da vid(1 privada "!le. familiares estão acima de qua~squer outros e que não se pode e não se deve ahrir mão deles. e Sociedade: Uma Experiência de Creração. 34 3S . ':4 sU/)QstaI'alorizaçao do trabalho ou da política aparece como (. é vi'ta de forma extremamente ncgativa. Parece /Jauer. quando a realidade social. "O sujeito psicológico passa. sempre em nurnero suJi'ciente para atender à demanda dos PU!"desarmados.

87 Tese defendida GOfZ. 20 l Op cit. lJesmotil1ado (. a açiio deste tijJo de tuteia I-'ai mais atem.tas "psi" estão vigilantes o e atentos para resgatar suas vítimas.). e detém seu monopólio. por outro.é lido COlHO a "desestabiliza(. o se.' pr. o choque entre as diferentes subietividades produzidas e fortalecid:l'i no decorrer dos anos 60 c 70 .H. \idade. Op_ ciL e Funçúcs do Pareclamcnto Costa. Protegei-o. Faça-o compreender qtw a I. j os pai" se inquietam· tinham jracaç. c o fechamento da fatuília sobre si lnesma~ produções típica. J. e Democracia. "Há sem/H'c um "a mais" a corriRir.n!12.e com o ma. C()rtez. DoL"gran83 8-1 8'5 Dom.cipLinados. a instituição do divórcio. proli"sional e sexual da 111ulher. 0p_ dt. C. J. dizem os psicólogos Nao o deLw ficar sem jazer nada. tes Temps des Parents. Rio dl' Janeiro.acU) DefXlrtamento por MarilelU Graal.>idal' uma luta. "objetivo" e "neutro". UFF'. as subjetividades dominantes afinnando tais temas.~t. Ano li .. \1artins I lJ8U. poL~. llesst'l. em Origem e livros como: Hoje? Da Arte i Ciência: Rio de Janeiro. a "bem da moral e dos bons costulnes". um "a menos" a tratar ( . l!1Semestre. Rio de jJ. replicam os professores. Recrt!Jera os c:fdtos imprcuL<.. De um lado.'ido capitali'imo monopolista.'iidade ser apoiado. a emancipação intelectual.. O surgimento de tais especialistas e seu fortalecimento no mundo capitalL'itico nào se dá pela necessidade elc modernizaçào C' desenvolvimento da sociedade. diferentemente do padre e do médico. Com essa "tirania da intimidade".ado Hm·'Cra tempo para corrigir'? Nao lhe meta medo.. "rigoroso". ele. Volio. A lilJenbdc sexual.'3cursosque se afirmam "científicos" e "neutros" produzem. são imediatamente renletidos para o território "da IOlta". São Paulo. Ordem da.raJ..M. 201 e 202. observa o psiquiatra.~ã()"a fanúlia.tos de<. o controle da natalidade. de um país que se "moderniza".m-j'j . possuem o saber. a culpa é deles. l% e 197 F Médica e Nonna Familiar. de mas mio dirigido" g[. pp l.. lVão existe mais neles. descobrem os sociólogos.. dizem outros. como o intuni')mo. É enl cima de tais questões que o especialista "psi" entra. Nào é por acaso que os anos 70. ).do por Donzdut.curso da competência"36os técnicos e os especialistas aparecenl como os que entendem do assunto. Rio ck: Janeiro. Ele nào e~1á motivado. "a dissolução" dos Gls:unentos. ultura C Marglin CR I()rg-. no Brasil. detentores do conheciJncnto "científico". C. dizem uns. se nao se tornará um jmrapo Proibido traumatizá-lo. por Stephen CM. com sua providencial neutfa81 82 Don7. vcrebdeiros i1ulllinados. ) Todar'ia. de modo sistemático l! calculado. A i\lorte do Educador" 1982 •••. "U que é Ser Educador Vida e Morte de Tarefas.ta manipuJaçao."dmo de honestidade e neutralidade. A Polida Tais di. ser tolerados.'íduo sente a nC!Ceç.clol.i. V. portanto estuda mal. "A Di\'ü'!3o Soôal do Trabalho t."li amilia"li.o. são marcados pela preocupa\'ào com a técnica. Proibido renunciar e tomar iniciativa " ~. como tamlJem nào assumem o objetit'O de destruila Simplesmente querem aludar as pl>.J. como trIPio de manutençao e reproduçdo da ordem social (. Ele fi ansioso.. a niw ser numa jorrf/i2 residual. simplesmeme "verifica o desejo do seu clieme""A lamilia tornase consumidora ávida de tudo o que pode ajudá-la a "realizar-se""'.'iOas r'iuerem SlJa'"Ítttaa çao n~ma conjuntura imtdvel.'\:o as relaçóes afetivas e entre os memhros da família ( .nornlatizados. atraves da tutela terapêutica o como. ''Proibido inquíetar ofilho..--I7-"78 apre. "Essas múltiplas falas dos especialistas "competentes" geram o sentitnento individual e coletivo de incompetência. Deixe-o expor-se.ç..muitas delas. no chamado "di. (~raal. nde os cspeciali. ) jJ(Js\-ama ser usados. Desta forma. Têcníco- os Especialismos Revi. In: 148Q . citJ. alguns territórios singulares que não poderiam.H. p. mas pela sua funçào de melhor controlar. 1986.J Educador São Paulo.. "verdades" dotadas de efeitos poderosL'5imos. . Sobre o assunto Científicos"_ lQQO.'16 Termo usado em algun" c:k s•••. Cluui de PsicoloRU. ocultando-lhes (Jongem e n caraler politico-_'i"OciaI"H". Os pais se cunJam diante disso· se o filho fica ansioso. C0111 a emergência de especiali'5tas em diferentes setores e a ênfase no "discurso da competência".wllJ ou dogmatisnw /vao desixnam ninguem autoritariamente para a vida jiunüiar.nciro. na familia e na sociedade em geral. onde as rtierências fiTas desa/Jareceram e onde o indil. disciplinar. ordenam. qualquer angústia elo cotidiano. se "desenvolvc". c "vai pra frente" ."-Cmada e em Coimbra. "crepúsculo do macho". d como necessidade de procurar ajuda "competente" par3 os males que a "lligcl11. 1<)76. "o sexo sem freios". nonnatizar (' naturalizar a divisão social do trabalho estruturada sobre a dominação e a submissão8i.F. Criticada Divisâo do Trabalho. a socializaçào dos selviços doméso ticos necessitam Se-f di<.) e ló A. qualquer sentimento de mal-estar existencial. pmjelar nele os práprios sonhos superados.L'lol. Fontes. yt'r Coimbra. artigos us In: Brandão. poderosa arma de dominaçào"".. qualquer morali. pr.

AExperlêncla do Autoritarismo e Prática. hsscs médi~. De repente.' [Pesadelo . olha a ponte. de um lado c a segurança nacional. Olha o dia de ontem chegando Que medo r..MaurtCfo TapaJÔSe Paulo César Pínheiro) Se. tais temas são produzidos e fortalecidos: a modernização e o desenvoivimentismo. princiralmeme um de . nos primeiros anos da década de 70.estão nastantc marcadas pela ênfase no familiarismo. tnesll10 na segunda metade cios anos 70.A PRODUÇÃO SUBTERRÂNEA DE ALGUMAS forjarem outras 1'or1113s e luta. as classes médias urbanas brasileiras respiram e vivem o clima ufanista do "milagre". S.. articulam-se com as novas subjetividades então produzidas pelos diferentes 1110vimentos sociai<:) que se fortalecCll1." que reeha\. V.tnentos sociaL" e populares se reorganizam e se fortalecem. olha o outro Olha o velho. há neste período tentativas ele se 38 . As práticas "psi" durante os anos 70 .que os diferentes movi. do país que "vai pra frente". ainda na prinleira n1ctade dos anos 70.mente instit:uíc1os. e no poder dos cspeciali<:)tasCOffiSCUS di')(ursos "competentes". em São Paulo nos Anos 70. fiun1 prilnciro 11lO1nento não tendo ressonância na:. Somente nos anos 80 é que tal implicação se dad de forma tnais dara. que inventam novas formas de fazer política88 88 Esl'l vertente está presente nos trabalhos de: Te11es. não poderia deixar de assinalar o nascimento ele outras jormas de resio. apesar das resl'tências que acontecem (luta armada e ecos dos movimentos contraeulturais)..seus PRÁTICAS INSTITIJINTES "Quando um muro sf!{>am encara Uma ponte une Se a uingança O remorso pune Você uem me agarra Alguêm vem me solta.'ão nas camadas médias urbanas. em função deles.a Olha o muro. Dissertação de Mestr3do . de outro. olha eu de nom Perturbando a paz fl-'-igindo o troco ltamos por aí. quando uma série de movimentos nascidos nas periferias das grandes cidades brasileiras atingem as camadas médias urbanas. orientando-se pelas subjetividades hegemônicas então fortalecidas.após a "distensão 1cnta. no início dos anos 80 o panorama l1ludará. nos bairros de periferia das grandes cidades. Prática. dentro de um enfóquc tipicamente de classe média urbana. que novas práticas vão se gestando. quero apontar para Ullla outra vertente: a de que é no periodo mal' repressivo da ditadura militar. gradual e segura" de Geisel e a "abertura" de Figueiredo . outros segrnentos sociais.'. por serem elas as principals consumidoras das práticas "psi". no privado em detrimento do público.1981. Embora este Capítulo se atenha ã produ\.' Você corla um verso Eu escrl.'ão de subjetividades e de alguns processos de singulariza\."ocêtem de nós Olha aí. principalmente. atingindo. Você vai na marra E r:Ja um dia volJa se a/orça e tua Ela um dia é n05. de que é somente na década de 80 .s de resL"tir são forjadas." a não ser por parte de algu ns c poucos militantes de esquerda. Se estas novas maneira. olha o moço c/Jegando Que medo l'Oâ tem de nós Olha aí. Poucos são os grupos "psi" que. eu e meu cachorro Olha o Vfff'SO. ue politizam q o cotidiano dos lugares de trabalho e moradia.. Ao contrário do que nllJitos afirman1. 5 .des vetores são aqui utilizados c. "científicos" e "neutros". d sobretudo. mais explícita.tanto no Rio de Janeiro quanto em São Paulo ."1JO outro Você me prende uivo Eu escapo mario. especia1111ente a partir de 1974/197~. outros territórios singulares.r TSP.·am os movimentos trac!icionai.tênciaocorridas ainda nos anos 70." lnstituintes: Os Movimentos Social".

sao desfeitos e rejeitos sob a açào simultânea de novos discursos e práticas que informam os movimentos sociais populares. que repensam o marxismo.êneia. Segundo F. 56. ao mesmo tem(Xl em que se organizam as Comis. além dos acontecimentos de 1968 em torno da Oposição Sindical Metalúrgica". Todos os espa.cresce a propaganda anticomunista em todos os espaços sociais..l. que pas. Paz e Terí.) p. Estes movimentos cOlneçam a existir com os próprios "estilhaçOS"90dvindos das derrotas impostas por ocasião do golpe de 1964 e a do Al-S em 1968.do por Vera Silva Telles em Anos 70: Experiências e Prática.LS Reinventando a Participação e o Poder Popular: O ABM .47fi! Silveira. Seus "sobreviventes".J e Mainwaring S. a ordem molecular ~ " é a dos fluxos. nas fábricas . dr.ão que pesa sobre a atuação política. publicado in Krischkl2. dentro da própria Igreja e dos chamados movimentos comunitários.Federação de Bairros de São João de Mcriti. chocam-se e lutam contra as subjetividades hegemônicas fortalecidas pela ditadura militar. como mostram as palavras de um militante operário: ·'Falaram prd mim uma epoca: você é I01J(.'l devires.) A Igreja nas Bases em Tempo de Transição.que a ditadura militar brasileira aprofunda e acirra surge uma série de movimentos sociais_procurando novos caIninhos. por muitos considerados insigrúficantes. do. quando se iniciam as primeiras articulações de diferentes experiências partindo de ". Em realidade. não só porque a repressão é muito mais forte (jogo desaparecem com você!).l d'lauL.ição sindical. 1988 &. 1987 Sader. primeiramente entre as camadas mais pobres da população e posteriormente .Pretendo. Ou seja. Prefácio in Sader. 92 93 94 Citado por Telles. OS sindicalistas.mSAEIFGV-Rj. E. ao resgatarem criticamente as várias experiências dos anos 60 e início dos 70. Op. Dissertaçâo de Mestrado . Guattari. (Orgs. r.no inicio dos anos 80 .pelo próprio processo recessivo por que passa o pais.a novas políticas que substituem as até entáo conhecidas e tradicionalmente utilizadas. alimentação. Op. Os "novos sujeitos" reinventam em seu cotidiano novas formas de fazer política e em seus movimentos enfrentam a "velha política" ainda dominante. a certeza de que lutar não vale a pena. padres e freiras progressistas. Op. uma outra concepção de opo. Idem. prineipalmente. das esquerdas e do sindicalismo .<. Estas poucas linhas mostram com grande riqueza a tirania do intimismo. como uma das forças organizadas. L& PM: CEDEC ]986.o. p. moradores ligados aos núcleos comunitários das paróquias locais"9'. ativistas operários. V. capítulos "Anos 70: Experiências e Práticas Cotidianas". Assim. "Os antigos centros organizadores flgreja. com o AI-S.<. dão origem nos bairros e. A Constnlçào de Uma Hegemonia. Cuninhos que produzem práticas ligadas à "teologia da libertação".. Guattari"'. salário. Esta exclusão política faz dos bairros lugares com perspectiva de abrigar alguma forma de resistência. em Osasco. cie 91 Nas greve. esse processo de forjar singularidades defronta-se cotidianamente com as subjetividades dominantes encontradas entre as esquerdas. difundindo. A famosa "crise das instituições" que se explícita nos diferentes movimentos de 1968 começa na prática a ser repensada no Brasil. partidos políticos de esquerda e sindicatos) em crise. autonomia.. deixa issoprá Já. M.-'''õeS Fábricas. como também a importância de se cuidar da família e a desqualifica. Mais do que isto.S. educação e saúde e pela democratização da sociedade em todos os seus níveis.~70.'i.3 se destacar ao longo da a segunda metade dos ano. ainda que de maneira sucinta. Estes segmentos despertos do sonho do "milagreeconômico" vão paulatinamente tomando-se aliados nas lutas por melhores condições de vida. moradia. entre algunus parcelas de classe mêdia. seus sujeitos" 89. p. criatividade e singularidade que irão forjando algumas práticas instituintes e através de suas experiências concretas podem ser percebidas como pequenas revoluções moleculares.'i Cotidiana.. M. das tran~içôes de fases. assinalar a emergência de "novos sujeitos políticos". a luta armada e o movimento sindical. 40 41 . 55. Rio de Janeiro. Em cima. ai cuidar da v sua vida. de articula-se a Oposição Sindical Metalúrgica de Sâo Paulo. questionando e combatendo o sindicalismo oficial fortalecido pela ditadura militar. para outros estados. Porto Alegre. começam a romper com o silêncio imposto e são gestados nos bairros de periferia. ainda na primeira metade dos anos 70.~ de 1968. da sua famllia.os passam a estar subordinados aos imperativos da "segurança" e do "desenvolvimento". ntilitantes da esquerda. Pequenos atos e experiências que se nunifestam com aparente timidez. são expressões de resist. a partir de 1964 e mais notadamente 1%8. segundo expressão de F. a força do privado em detrimento do público. das crises da Igreja. qualquer hora desaparecem com vocO "92 (grifos meus). trabalho. cit. E. I J 90 Termo utlli?:l. o que reduz as antigas e instituídas formas de militância à impotência. Quando Novos Personagens Entraram em Cena. logo a seguir.

"a a ser a Igreja. ".fenômenos são reapropriados pelo próprio let. através da. que tloreseem desde o início dos anos 70. é assassinado com requintes de crueldade e barbarisnlo o padre Antonio Henrique Pereira Neto. O aparato de repressão liga-os a algumas organizações clandestinas ainda em atividade na épDca"'.. cit.s iniciativas de organização e mobilização popular em torno das reivindicaçôes especificas dos hairros. muitos ligados à luta armada e ã clandestinidade. ocorrido no Rio de Janeiro. p. um auxiliar de D." de mudanças de modo de vida.. de creches.. Sabemos como os processos de subjetivação são também proeluzielos pelos fenômenos religiosos.. até os 90 continuam mostrando sua disposição em resistir. nlUilos deles moradores nesses bairros periféricos. resi"e denuncianelo os milhares de crimes ocorridos no campo contra. O Conselho lndigenista Missilmário (CIMI). Durante os anos de maior repressão. por força do próprio Q7 Segundo levantamento feito pelas CPTs. nas fábricas. As Corni"ões de Justiça e Paz.. converte-se numa força expressiva e poderosa em termos de unir e articular dilerentes agentes. Significativanlcnte a. p 42 ele diferentes estados. e o político é rejeitado. com seu potencial criador.A Igreja tem um papel fundamental em grande parte destas novas fonnas de resistência. da educação popular.FASE. Op_ cit . Tanto que.À'<or supostamente participarem da organização VAR-Palmares..senta uma forte contribuição de energia de luta no campo sacia!""". criada em 1975.sburger. de grupos de noivos ou de casais. em que o público é desqualificado. de 1964 a ]989. é o caso.. Rio de Janeiro. hoje espalhada por quase toelos os estados brasileiros. M.. [o Pre. é o conjunto das po.nÇ:lsrumis"'.Em 1969. há em Medellin. denuncianelo as tortura~. presões arbitrárias.~sibi1idadesde práticas específica. ligadas às Arquiclioceses das intensidades". no subúrbio de Osvaldo Cruz. é importante pensarmos COlno esses ". com sua "opção preferencial pelos pobres". V-S. de clubes de mães. assassinatos e desaparecimentos de centenas de presos politicos.. pDr exemplo. F.. é o caso de militantes de esquerda. que não encontranl espaços em seus sindicatos e fábricas. criaelo em 1972. Surgindo no início dos anos 70. As CEBs vão propiciar que seus núcleos nos bairros tornem-se pontos de convergência e cmzanlento de experiências vividas em lugares distintos: é o ca.. A revolução molecular.S. destacam-se na luta em prol dos Direitos Humanos.. p '57 Guattari. foram assassinados 1'5n trabalhadores rurais brasileira!. No caso da "teologia ela libertação". A ContL"ão Pastoral ela Terra (CPT). dt . a tirania do intimismo. quando um padre e vários jovens que amam no "Grupo de Jovens de Osvaldo Cruz" são presos e barbarameme torturack. 321. até hoje denuncia e luta contra as arbitrariedades cometidas contra as nações indígenas. e Araújo.p..~pessoas {. todos trazendo "a marca ele Medellin"9). através de ações concretas e cotidianas. no período de 69 a 73. as liderJ.M.. Guattari. ]87.. na Colômbia." In: Op. Vários grupos ligados ã Igreja da "teologia da libertação" transformam-se em iJnportantes trincheiras de luta c denúncia contra as violências cometidas e a itnpunidade vigente. F_ e Rolnik. op. nas fábricas e nos mais variados espaços. Caso.T..~ do Concilio Vaticano [l para a realidack. uma tarefa extremamente elifkil"98 Mesmo não sendo hegemônica no interior ela Igreja. viabilizam nos bairros de periferia um trabalho ele aglutinação operária que havía se tornado. S."1'dade esse ten'doJ. In: Proposta . ciL.c.<. que tanlhénl surgem logo no início dos anos 70. As Pastorais Operárias. 9'5 ° 96 l)R l)9 43 . diferentes experiências e de forjar novas militâncias. Entretanto. Em 1968. também. 154. a 2~ Conferencia dos Bispos Latino-Americanos. em 1971. lreiras.tanto no Rio quanto enl São Paulo que habitam as peril'erias. nº 49.· do Terceiro . dispersos após o aniquilamento de suas organizações.fundo. junho/199]. Helder Câmara no Recife e até hoje os culpados não foram punidos.e Rolnik. ano À'V. a "teologia ela libertação". começa-se a quebrar. In. que se compromete lU luta contn as causas sociais da miséria. por exemplo. são as únicas organizações que resistcnl no dia-adia a toda sorte de violências institucionalizadas. de mutação entre a.. mais fortes onde há a criação de CEJ3s. por intermédio da organização de grupos de jovens. De sua crLse.). Sem dúvida.. () ponto de encontro destes dilerentes agentes pa. assiste-se a uma s6rie de perseguições e prisões de padres. uma espécie ". 'Tribunal Nacional dos Crimes Contr. p.:idosocial (e até como há uma reinvençào da religÜJ-. em geral.'iO dos migrantes . principalmente. agentes pastorais e leigos comprometidos com diferentes traballJos "comunitários". "s CEBs.l Lltifúndio: Uma Resposta da Sociedade Civil à Violência do Estado".surgem as Comunidades EclesiaLs de Base (CEBs). desde o illlCIO cios 70. OQ-15 Telles. associaçôes de bairros e diferentes movinlcntos sociais tornam-se.. o por que repre. Das CEBs provém um considerável número de "novos" militantes que aluam nos bairros. 0r. traduzindo os en~irumento. desvalorizado.r. de militantes operários.

Brandt.s103.'"Surem forlemente a e. pelo lixo amontoado. estão estreitamente vinculados às Comunidades de Base e à Igreja da "teologia da libertação". p. vinculadas às diferentes condições em que são produzida. ao ser nomeado Arcehispo de São Paulo.Tanto o Movimento Feminino pela Anistia criado no Rio de Janeiro quanto os Comitês Brasileiros pela Anistia (CBAs) surgidos em vários estados brasileiros trazem nlaciçalncnte a presença das nlulheres que.começam a "colocar o pé para fora das soleiras de suas portas" e. mas os números são ainda imprecisos101. "A Igreja e a A Abertura: 1974-198')". dt" qU:l. operando fi"uras nos discursos dominantes.que desempenhará ao longo das duas décadas seguintes importante papel na aglutinação e fortalecimento de numerosos nlovimentos sociais -. ele produção singular. resistência e ani"tia penetra. o Movimento do Custo de Vida."Cistência de uma opinitio tdo pt1Míca de oposiçào. a princípio. mortos (' desaparecidos.com toda a sua ambigüidade . P 13. {) livro São Paulo: O Povo em Movimento ck P. maridos e companheiros presos. o lugar de resistência. (Orgs. nasce e se desenvolve unu série de nl0vunentos ConlOo Clube de Mães da periferia sul. As Comunidades Eclesiais de Base multiplicam-se.. produzindo algumas revoluções moleculares. reinventam novas formas de reivindicar seus direitos. muitos principiam a sair dc dentro de suas intimidades. 26. esses movimentos. Op. o Movinlento de Saúde e Educação da Zona Leste. em alguns movinlentos sociais de periferia. condena publicamente as torturas que ocorrem nas prisões paulistas. dentre outros. pelo direito de reivindicar direitos"l"".( ao e. à medida que se 103 Aspecto ressaltado por Sackr.. Logo são organizadas as Comunidades Eclesiais de Base que irão proliferar por toda a metrópole. pela existência de valas negras que correm a céu aberto. nas nlas. É justamente a partir da fragmentação e diversidade de lodos esses movunentos surgidos na ccna política elos anos 70 que emergenl formas singufares de expressão. Não pretendo aqui fazer U11l estudo detalhado sobre estes movimentos sociais no eixo Rio-.. torna-se necessário comentar algo sobre alguns movimentos surgidos na periferia da Grande São Paulo e sobre as Associa"ôes de Bairros e Moradores no Rio de Janeiro. 118. moradias e serviços de saúde decentes.ocupa. In: Krischke.D. geral e irrestrita começa a ganllar corpo em vários setores da sociedade brasileira. a começar pelo primeiro. irrompendo na cena pública. S~er e V.ndo coment:l. E. PJ. lutam para conquistar o próprio direito à cidadania. pela falta de saneamento básico. cit. pelo alto indice de mortalidade infantil. Principalmente aqueles que mais sotrem com as péssimas e precárias condições de vida provocadas pela própria expansão do capitalismo . cit. pela falta de transportes. 102 Sader. Delas.. e em diferentes atos. Paulo Evaristo Arns . E. Embora fique mai.l A IgreJa nas Bases em Tempo de Transição. Op. LOl Cava. o 1110vimento pela 100 Sader E.. R. S. abrem um campo de referência e legitimaçdo para comportamentos contestaçào "102. nos parlamentos. Se. em muitos momentos. Novos espaços públicos eSL'lO sendo conslrUidos. puhlicado pela Vozes.-qJre. acredito que. A partir de 197~ a luta pela anistia ampla. tanlbénl. Nas eleições de 1974 o MDB tem quase quatro vezes mais votos que os dados à AREl'A.. lutam e buscam seus fIlhos.:. pela falta d'água.1 . Op. nas periferias das grandes cidades. de rebeldia. C. p. ~ Mainwaring. sobretudo. ". Op. Estes resultados. 13-4"). não apenas na zona rural. de salários indignos e. para mostrar o distanciamento e a não-inlplicação e articulação dos diferentes gntpos "psi" que se organizam nos anos 70 com tais processos de singularização. 5. como também nas periferias das grandes cidades."ão Paulo. . dL. Em 1984 calcula-se em 80 mil para todo o pais. 44 4) . Todavia. Constituindo-se como sujeitos politicos. em 1980.Alguns Movimentos Sociais na Grande São Paulo Já em 1970 D. É nas próprias lutas c enlrentamentos do dia-a-dia que irão emergir esses novos significados.restrito aos setores de classe tnédia urbana. em especial naqueles que têm uma maior influência das CEBs. onde o cotidiano . de algo novo e criativo.contexto brasileiro de desemprego.

Os Clubes de Mães.L' atividades cios Clubes de Mães. aumento de salát'ios acima do custo de {lida (' um abono de emergência. vão se expandir na própria hase da população.seus direitos enquanto màes. por t11eiOdc palestras.õc. no Jardim Alfredo c no Alto Riviera .:. ". cursos. oficialInente. o movimento consegue que. se já desde o final dos anos '::. ocupam um lugar de dcsGlque. eleitos pelos moraelores.'os e descobrindo a força de sua organização. englobando grande parte da população não-católica. Ocupando outros espa. que lança a campanha ". Em cima elos daclos obtidos.. pois. 202. os Clubes de Mães politizam-se na medida em '1ue as lutas cio dia-a-clia passam a ser um aprendizado ele cidadania.:ào dá-se em torno da coleta do lixo".0 cxi.. C:ontinuam a ter o apuio claro c explícito da Igreja progressi.a I'alorizaçào da luta contra a injustiça no lugar do assistencialismo caritatim" 104. na Figueira Ci-randc. 1II11:l cgiti11lidadc I que incentiva <L'i "ba.. dando origem em 1976 a uma asselnbléia C0l11 mil pessoas.s/(> ensaia a pas.. lPlllaprendizado no qual os silenciados se organiZ. segunclo Édcr Sader.'.. o que vai implicar a contestaçào dos próprios valores vigentes.a constituiçdo de uma cnordenação de clubes de mae3: 3 ."períência dos conselhos se estende dejJoi'i a outros bairros da zona 1e:.. o referido autor aponta três aspectos. O Movimento de Saúde e Educação da Zona Leste surge em 197') de um núcleo da Pastoral Operária na Igreia ele S. Op. trazem para muitas muUleres que deles participam modificações nas relações em bmilia. 227. Em 197. esposas c companheiras. Assim. pesquisas. especialmente. tuas.tas ligam-se ao 111oVllnento e. enlpréstinlo de materiais e."'."lli~lIn. Alguns médicos sanitari.. visitas. onde Inna Passoni é professora" . pro 210 l' 2lJ Os Clubes de Màes e o Movimento do Custo de Vida não só politizam as lutas cotidianas dos moradores das periferias. não podem ser vistos como movimentos única e cxclusiv:llnentc vinculados às CEB. E. No ano seguinte. sobre a alta !(}1 Sader.1e. cit... nova pesquisa e novo abaixo-assinado com 18.._a primeira mohilizar.).lll1 e lutam por seus direitos. p 220 lO' Idem. de participação na gestão dos senJi{os púbJicos··w.~. () Movim. Na esteira cla expansão c fortalecimento cio Movimento de Saúcle 106 Idem.'Ssar en1 l1lUito seus litnitcs iniciai'S. é feito um abaixo-assinado ao Presidente da República com cerca ele 16. No ano seguinte. que lhes fornece grande parte de sua infra-estrutura. principal1ncntc.1 ~ a organizaçdo por elas memu:l. Conseguem 1. conseguclll Cln 1977 organizar as pritnciras comissões de saúde na região. o mouimento de saude da zona le.._questào da precariedade da educação".s específicas ligadas aos diferentes problemas dos bairros.250000 a'i. muitas tnulheres começatn não só a ::d"irmar seus direitos politicos enqualllo cidadãs como também .'S. dos artigos básicos consumidos por suas bmilias. como locais para rcuniôcs.'iagem da pura lula reüJÍndicatíva para uma açdo política.. Através da prdtica do contmle popular sobre os centros de saUde.-inaturas reiuindicando o congelamento dos preços dos gênems de pn'meira necessidade. discute-se a questão da verminose e . IJisando ã coleta de J milbão de a.00 assinaturas.. em I97H. é feita uma pes. principalmente. Maleus..00 assinaturas.. :"Jo entanto. particularmente na perüeria sul de São Paulo.sta. o que lhe permite blar de um "novo começo" na bistôria dos cluhes de mães. realizada pelas próprias mulheres da perileria sul. com a criação de uma Pastoral de Saúde.nos 70 vão se revestir de uma grJnde mudança e de noviclade e. na Vila Hemo.ento do Custo de Vida surge como um desdohramento das vári. A grande novidade é que os Clubes de Mães passam a estar nas mãos das próprias llmlhercs.J .o que é uma extensão .. 10') Idem.. p. pois torn:1nl-5e progressivamente movimentos populares. p. '.000 pessoas a uma Assembléia em Vila Mariana. 47 . A expansão e organização do Movimento 4 do Custo de Vida levam.!u. a precariedade dos serviços públicos necessários à prescrva\'ão da salide da população""". vão transbordar e ultrapa.". responsáveis por sua direção... sejam constituidos os Conselhos ele Saúde. Através de reivindica~-.\1·naturasl"IC6. Confornlc relatos colhidos.scs" católicas a participarCl11.em cima da .. ''A e.iOltalecem e se expandem pelas rq(loes de periferia e pela própria cidade de São Paulo. e que participam nas gestões dos centros de saúde .

Todos esses movimentos vão . trabalhos ligados ã educação popular. desde 197~. o ato ecumênico realizado. na Catedral da Sé. representantes de 18 bairros de Nova Iguaçu lórmam o Movimento de Amigos do Bairro (MAB) que. mas o próprio direito ã cidadania c. Milhares de pessoas cerram meiras . fOi di..na Zona Leste. há um notável fortalecimento do movimento popular. por exemplo. ele é seqüestrado e torturado por grupos paramilitares c. Através das lutas concret:l..\1eriti.. "A Igreja CatOlica e o Movimento Popular: Nova [~aç'u 1974-198'5". em di.'ira. Até 1974. não somente noções como solidariedade. as primeiras CEBs. com sua expansão. assumirá importante papel na coordenação e articulação elas diferentes associações de bairros de Nova Iguaçu. p.')o que Ulna série de aten1. I\LLS. no final dos anos 70. em 1978.:! prefeituras. A amplia~ão dos movimentos elaBaixada Fluminense dá-se quando no tlnal dos 70 e início dos 130os três agrupamentos (MAB. em idênticas circunstãncias. ao longo dos anos seguintes. exigindo-se o atendimento a certos direitos básicos. nada é es. principalmente. dentre outros. há pouca difusão dos movimentos existentes em Nova [guaçu. logo no início da década de 70. Mauro MoreUi. bi'po de Nova Iguaçu. torna-se Federação das Associações de Moradores de São João de Meriti' "'. pelo aparato repres5Í1XJ_ O m01Jimento de bairros fica reduzido a iniciativas isoladas (.dos terrorL'itas são efetivados contra a tlgllra de D. nas lutas cotidianas. In: Kir3chke. 77 1(1) Idem. p. principalmente nas regiões de periferia e onde bispos progressitas assumem em suas ações concretas a "opção preferencial pelos pobres". gradativamente. é também o cenário onde inicialmente vão se desenvolver. 110 Sobre o dc&nvolvimento do trabalho em São João de . e as fortes pressões que sofre o governo militar fazem com que Geisel afaste o comandante do II Exército.. que propunha organizar os católicos para a ohtençâo de melhores semiços urbanos. A Baixada Fluminense. "ada é apurado. fato já verificado na periferia sul desde o mcio da década. organiza-se o Movimento União de Bairros (MUB) com o apoio de D.ring. O ch<llnado Movimento de Integração Comunitária.. e as de vários outros padres ligados ã "teologia da libertação" são importantes para o 48 19 . S. quando do assassinato do jornalista Wladimir Herzog nas dependências do DOI-COm/Sp. e flb. '. AMB e MUll) 108 Mainwaring.-":l. Também em São João de Merili. há um atCnlado a bomba contra a catedral de "ova [glla\:u. Da mesma I"onna. tem início. um trabalho sobre saúde que se propaga pelos grupos bíblicos. Notadamente onde as Comunidades Eclesiais de Base se expandem. Em 197~.1-100. Em 1976. Em 1981. ver: Silvl. 8. A tlgura de D. classe. constitui-se numa extraordinária manifestação contra o reginle militar. Adriano llipôlito. g . religião.cutir todos os problemas que at1igem a população. também no Rio de Janeiro a Igreja "progressista" desempenha um inlportante papel no surgimento de várias associações de bairros.como já afmnei . comprometido com a chamada "linha dura"...c1arecido. posteriormente.passando por cima das diferenças de partido. Op_ dto Como em São Paulo.J. chegando a se constituir num movimento de massas. ".construindo novas subjetividades no sentido de se assumir.em defesa dos direitos humanos e contra qualquer tipo de violência.I Em 197'i. começa a crescer o movimento de associações quando é criada a AMB (Amigos de Bairro de Meriti). bispo de Caxias. com alguns médicos sanitari'tas. que.l Op. Adriano Hipólito. vão mostrando às "autoridades" o crescente fortalecimento das organizações populares que proliferam na época."-5oluidoem meados de 1970.2 -As Associações de Moradores no Rio de Janei1"o seu surgimento e fortalecimento. mostra a força desses diferentes movimentos populares organizados.se alguma atticulação entre bairros e alguma tentativa de [-'incutar estas lutas a qUl"Stoes mai. em Caxias. dele participam quase 100 associa~ões de bairros" 109. raça e credo . surgem. é morto o metalúrgico Manuel Fiel Filho. clubes de mães e grupos de jovens e preocupa-se. cit. Em 1978. erais "lr:J:l.e&'5esnlovimentos vão POllCO a pouco ampliando as conquistas de relevantes espaços politlcos. PJ. S IOrg:-. ) sem que houves. Meses depois. região na qual o Esquadrão da Morte mais "atua" impunemente. Nos microespaços realizam-se pressões canti. que trazem como preocupação constante a questão da alfabetização. Paulo Evaristo Arns.<. 5.inw3. por D. Não é por aca.

conlO tatnbém para eTÚrentalnentos l11ais massivos.d](t·ô~ssanitár~as e de v!d.a do IABOnstituto dos Ar'luitet'" do Brasil) sobre ~ produção arquitetônica do Rio de janeiro nas duas últimas décadas. as edificações C()~lSC~temtraduzir melhor as preocupações quanto à escala da ciclacle l' a paisagem urbana''11-" lambém como efeito dos movinlentos de prese. Disserta~o de Mestrado . 06.nao so na capital.._ Em sua trajetó.a norte do Rio de janeiro.)116.LOp.~ar estas intervcnçôes na paisagem quando os espigôes passam .~ apontadas.0 .\~ que caracterizou os anos 60.112.p. conlO nas mUitos COIUO qUL<)losSOC1a15 decadas ele 60 e 70. prioridades de um plano de .R.llClalmentc de um Encontro Popular de Saúde.-' Ickm. de moraelta.'i gerais con10: a organização dos trabalhadore:. A politização. 132 e I.JI9 1I(1 Branco.. consultar: Saúde: DI-reitodc 'il '. F "Espaço e Poder: A Criação de Territórlos na Cidade~. "/vucJeando 17 A'5ociaçoes de Moradores ou entidades similares.. preSid~ a :e'nodelação metropolitana (nos anos 70) expressa a prefxJ. ()p. n~ 16. quatteirõcs inteiros clesaparecenl. ultrapassa aqueles espaços c prenuncia lutas tnai. condenados pelos movimentos soci~ü'5 L . de fazer.1. o direito de greve..F. a partir da questão l spl'ufJca.. A luta dos mutuários do Banco Nacional de Habitação (BNH) por Il)8'5 Satkr.R.' dissolvertdo e. In Espaço e Debates.c1osUs Tcse. da saude publICa. inclusive. ele baixos salários. o não ao Fundo Monetário Internacional. "Grandes obras de infra-estrutura lfIân"a dilaceram a cidade desarticulando os espaços dos bairros ( ) Prevalece ~ pensamento de remoçdo de faoela. A. a abertura de frentes de trabalho nas áreas urbana e rural.p..praç'3.\1ica que 111 Pontos rctir::J.cit.. elc. a pesqu isa revela que.ria 'por melhores condir."alador da remodelação urbana. Já nos anos RO.p. In: JB/ Cad erno Cidade .sinl. que a fAMERj se organiza.'paços de conl'ü0ncia fonnados pelos mcontros cotídianos na cidade ( ) A própria concepção urbani.: pnnclpalmente.articulam-se não só em cima de pequenas lutas do dia-a-dia. In: Silveir.. ./08/91.48 114 Guattari. o fim da Lei dc Segurança Nacional."l.a.'Popular e as prioridack'..~Associaçoes de l\-loraclores de São c João de Meriti. 112 Alencar. ocorre a defesa dast. p . vanlaS assistir. 48 113 Akncar. que passam a ser preservadas.1 ser .1:. A primeira. feita em cima de ações específicas do cotidiano dos habitantes dos bairros. a. articulando-a com as condi\-'ões sanitárias.desprezo com que a tecnocracia dirigente trata a qualidade de mda dos que não têm uutomó1!e1 e nuo uivem nas zonas nobres da cidade"l]>.~O. ao surgunento dc algum:!s Associações de MOf:!dores em bairros tipicamente de classe média que. de desemprego. na (:"~(~~" ele Deus. no nnal da década.~ do l'! Congresso da Federação d. através ". ligadas a problemas conlUns dos mOf'". como soluçào para o fJ1"OblemahabitacionaU. Fora os I11ovimcntos ele bairros da Baixada Flunlinense.tencla e o .. pelo bto de a sociedade CO~ltcs. p. A_C. 1'1'..rvaçào dos valores ela cidade e do meio ambiente. ('xigindo~sC' nlelhorcs c()n. .lll. en1 sindicatos livres.'aude para o estado do Rio de janeiro1l3.IESAl~. que se organizam ainda na pritneira metade dos anos 70. zon. FGV-Rj.0. em L978. lund~ll-se que' nos anos 70 há um :1utnento do número de intervenções na paIsagem urlJana. não se pode dizer que a FAMERj tenha nascido de um amplo mmdmento de bases. Pelo contran"o.f(:rd~ d~a. o fim do arrocho salarial." de '1. Apontam.ciL.. Segundo pesqui. outubro ili' 198).-'i. 19CJO. 111) Sobre esse I Encontro de Saúdt.na" em todo o estado . a reforma agrária.()p. . A.avelas."A arquitetura dos Anos 70 1. a qual vai ". M_L S.ldores da Baixada. um de seu" objetivos e e:'<atamente o de formUlar a criaçao de noms Assoctaçoe. a. f'. cit. •Associações de Morado-res Vinculados à FAMERJ e A Comrtroção de Uma • Educação para a CidadaniaAtravt$ da Politizaçào de Base. ele falt:! de escolas.' grandes frentes de luta da FAMERJ: p~l~ saude publIca e em defesa dos mutuários.B.. originam a FAMERJ(Federação de Associações de Moradores do Estado do Rio de Janeiro)..foratiores. realizado em 1980. A especulação imobiliária traz o que Guattari chama de "alisamento da paisagem""': a destruição fisica de espaços cultur:!lmente importantes como resultado do ritmo ava. É justamente em cima da luta contr:! a desenfreada especulação imobiliária..). arqucs.a em geraL e nào são mal') percebidas por que devem ser extirpados. de transporte.x}es de vida para a popu1. li" ê BO" . desmatando e poluindo a Zona Sul e grilando terras e fonnando loteamentos clandestinos na Zona Oesle"ll3.

de simples espedadores. os maiores desafios enfrentados pela FAMERJ e Associações de Moradores cariocas. A Estratégia da Recusa:: Análise das Greves de 1978. é uma das responsáveis pelas greves em 1968.. Rio deJaneiro. 1979 e 1980 têm para o conjunto da sociedade brasileira. quadras de esporte e fortalecem-se diferentes grupos culturais que. a era da partidpação. Processo Produtivo.<. o discurso populista tem efeIto desmobüizador. M. A Oposição Sindical Metalúrgica de São Paulo. pp. em muitas áreas. em sua maioria. Muitos.J Nessa luta pela habitação. A.UFPB. como "salvação" de todos os male. "Apelando quase sempre para os "humildes': os 'pohres" em geral. é reveladora: "as Associações de Moradores são afluentes de um rio importante. 122 Sobre a assunto . e as Comissões de Fábrica convertem-se em símbolo da organização pautada na fábrica. faz com que a FAMERJcresça e defmitivamente se enraíze no seio da classe média urbana carioca.) e conhecedor das propostas das esquerdas.J Urna frase de Brizola. com o novo governo fluminense eleito.L. Espaço Educativo: Um Campo de Lutas. 53 e IH. questionando a própria estrutura sindical vigente. e colocando o governo e a própria figura carismática do líder Todos. 5. no início dos anos 80. Brasiliense. apresenta a alternativa das Comissões de Fábtica·n No Correr dos anos 70. Dissertação de Mestrado .além dos livros citados de Sader. mas sobretudo. ]13 e 114. "Esse movimento pela hahitaçào tem inicio nos conjuntos habitacionais de áreas pobres.3 . é na área da cultura .O "Novo Sindicalismo" e Seus Efeitos O fato de colocar em item à parte o chamado "novo sindicalismo" que se manifesta junto com os demais movimentos sociais nos anos 70. são as tentativas de cooptação e de atrelamento do movimento ãs forças instituídas. novos agentes e novas militâncias vão sendo forjados. É O risco de cooptação que cotidianamente correm os movimentos sociais dispostos a criar não somente espaços de resistência. onde os índices de inadimplência são crescentes. sucessora da etapa reivindicatória do Movimento Comunitário. Entretanto.uma "nova" política habitacional. mostram produções voltadas para as questões do cotidiano. cit. 12] Idem. territórios singulares por meio de dispositivos que sinalizam em direção a práticas instituintes. a FAMERj ganha dimensão nacional e passa a ser uma referência para os três milhoes e 400 mil mutuarios do BNH em todo o Rrastl"119. Portador de uma inegável sensibilidade para o social (_. ver também: Marani. quando.s lideranças "comunitárias" e atrela paulatinamente o movimento de muitas Associações de Moradores ao governo do Estado. Centro de Qualidade de Vida. afJfma Chico Alencar que o movimento das Associações de Moradores no Rio de Janeiro tem se constituído numa" .R. São Paulo. também a FAMERJ participa da luta por melhores condições de abastecimento através do projeto "Feirinha Comunitária". passam efetivamente a sujeitos políticos. sociais. Após 1982.pela própria inserção majoritária da classe média nas Associações de Moradores das Zonas Norte e Sul -. no Ginásio do Olaria. através de campanhas por espaços de lazer. Isso leva à paralisação e burocratizaçiio de muitos movimentos associaUvos (.S. Em todas essas ações coletivas. novos espaços. Assim como os movimentos de bairros da Baixada Fluminense. 120 [demo p. como efeito de uma nova política salaTÚlI que corrói os ganhos do trabalho r.. que é o partido politko" 121 Cgr:ifosdo próprio autor). em rna1fo de 1983. Se nos primeiros anos da década de 70 toda e qualquer resistência dentro das fábricas é quase impossível pelas perseguições que ali ocorrem. op. 1982 119 A1cncar.. 52 53 . no início dos anos 80. Consegue-se a construção de diversas praças. novas linguagens. Osasco permanece como referência quase obrigatória nas discussões da militância operária. tem início urna política populi')ta que coopta muita. que a FAMERJobterá suas maiores vitórias..as Comissões de Fábrica como ruptura com a ordem capitalista e como base para a oposição ao sindicato . que se fonna em 1%7/68.. ocorridas em Osasco. F. por conta disso. espécie de "escola básica" de politização"'2lJ Contudo.c. 1982 e Athayde. principalmente as das Zonas Oeste e Norte. e Silveira. 144. pp. R. num encontro com milhares de lideranças comunítárias. no seu governo. Leonel Bn'zoJa consegue criar a ilusão de que inaugura. 1988. liJgo também os mutuários de classe média são atingidos. E. realça a importância que as greves de 1978. Zona None do Rio..

mas real e presente em todas as partes" 173 (grifos meus). Nelas. acreditam na "grande potência" que será este pais c que ascender socialmente depende do eslórço de cada um. pequenas lutas.. é assassinado friamente pela PM paulista o operário metalúrgico Santo Dias da Silva .ai estão fortemente enlranludas. "()êxito nas greves de maio-junho cria uma disposíçdo de luta na categoria que permite à Oposição ocupar virtualmente o Sindicato na conduçao da greve em novembro de J 978 e. depois.ões nascidas na sociedade civil.p.mos. cit.. pequenos atos. E. poi . Por ocasião deste último tllovimento. Não é por acaso que aBpoliticas sindicais instituidaB na época são claramente assistenciais.~sociativos que surgenl e. p. os diferentes movimentos sociais e associativos respaldatll e assumem posturas de solidariedade real aos trabalhadores grevistas. só fi inteligível quando As greves do ABC.. leva diferentes categorias de diversos estados a também utilizarem o instrumento de greve. através também de obras fortalecida e sua proposta de Comissões de Fábricas se materializa em várias empresas. por intermédio das Pastorais Operárias e dos diferentes nlovimentos a. novos sujeitos politicos. sejan1produzidas no sentido de acolher algumas reivinclica. Em 1980. novas linguagens. Rio de Janeiro e Minas Gerais e os professores elo Rio ele Janeiro que priorizam a organização pela base. Entretanto. o enfrentamento direto com o Estado autoritário. De um moelo geral. as lutas cotidianas dos operários nos seus locais de trabalho . 288 ..é 123 Sader. As lutas não se restringenl somente aos amnentos salariais. no seio do qual o "novo sindicalismo irrompe. principalmente. Em 1977. a campanl1J pela reposição salarial iniciada pelos metalúrgicos do ABC é um marco de retomada das lutas massivas que culminam com as greves de 197H.es"I. que vênl de suas IXLo.vão provendo novas ondas de resi<. O Sinelicato dos Metalúrgicos em São Bemarelo elo Campo" .além de fortalecerem a Oposição Metalúrgica.algumas dessas pressôes. de "desenvolvimento" e "seguranp" nacionais.tência. Um deles. a resistência é organizada fundamentalmente nos bairros. silenctO. criando novas ações. fomentados pelo "milagre econômico". tendo à frente os próprios sindicaIL. No limiardos anos 70. Op. que expande sua proposta de questionamento à organização sindical vigente em outros estados. sabe-se fazer portador . inicia-se um claro processo recessivo. p_ 243. questão da estabilidade no emprego. em outro contexto. colônias de férias e unu série de outras aquisições que demonstram como as subjetividades hegemônicas. os sonhos de ascensão social. novas táticas de luta. os principaL5 sindicatos brasileiros. em novembro de 1979" n.nos próprios sindicatos a situação não é diferente.. Aplaudindo e scguindo as linhas preconizadas pelo governo. Também no operariado.. .. Pastorais Operárias e Movimentos de Bairros .quando comandava um piquete de greve.. mas. seria apenas mostra de fraqueza ou desorganizaçào. os sindicatos transfornum-se em espaços perigosos de delação. "Essarevalorizaçao daquüo que. produzem também efeitos sociais poderosíssi. pequenas conquistas em diferentes fábricas continuam sendo realizados. EUl lodo esse processo. gradativatnentc. à inserida num conjunto depequenas ações que evidenciam a resistblcia operdrla. lô Idem. fortalecem-se. conlO tanlbém aumentaln as delnissões. preocu pando~seprioritariamente conl as chamadas realizações materiais: compra de grandes prédios para suas sedes.tas. anele não só as percbs salariais crescem assustadoramente. nova onda de greves ocorre. 124 Idem. à família e não desperdice tempo com politica. então fortalecidas pela ditadura militar. Além de se tornarem alheios às lutas operárias.!s. A chamada politica de "descompressão" iniciada por Geisel e a resistência operária no interior das fábricas fazcnl com que "aberturas" Neste quadro.e sabe potenciar . Dispersa.forjada nessas pequenas ações no espaço fabril e nos espaços dos bairros . se fortalecem.em muito fortalecidas pelas CBEs. São os metalúrgicos de São Paulo.membro da Pastoral Operária e da Oposição Metalúrgica de São Paulo . faraônicas. desde que se dedique ao trabalho. 2'51... a Oposição Sindical .fUI. muitas vezes sufocada.

contra a OAB/ Rj1". . e. cit" p. é uma "anistia fardada"l29 que.'Lrabalho" morre um sargemo e fica gravemente ferido um tenente. apesar dos recursos e casuísmos empregados pela ditadura.. com o PDT. Representa a capitulação e su1xJrdlnaçã. pois.~ Humanas e Filosofia. cautelosamente. bastante insatisfeitos com seu afastamento dos centros de poder. assim deixando impelir o harco da economia com força má.S."lquim e Movimento. Cadernos do ICHF. 129 Bastante restrita. Porto Alegre. M.0 "-'xplodicbs. Também é extinto o bipartidari~mo com a dissolução da ARENA e do MDB. M. O caos econômico agrdva-se e ao pai~ é imposto um forte programa de recessão. principiam a receber seus primeiros exilados e professores anistiados. Passamos - Esta chega ao patamar acima elos 100% e as atividades econômicas sofrem uma queda sem precedentes. os "boL~õesradicais" ligados à extrema direita. na fase do primeiro "milagre ". Cria-se um ". C. no final dos 70. no curso do qual se recorre a mais recessão para se cOlllbaler a própria recessJ..]. fIgura juridica pela qual os torturadores são anistiados. em particular. o governo a capitular diante do Fundo Monetário Internacionall28.sbancas de jornais quc vt'·ockm so. "Análise Institucional no Rio de janeiJo: Subversão ou Modi. no início dos anos 80 voltam-se contra a classe média. "Trata-se do coroamento formal de um processo cujas origens remotas se encontram no Golpe de 1964 e no regime por ele instau~a~. 93.smo?~. há a implantação ele linhas politicas que tentam efetivar o projeto de restauração política de "abertura"12b. da Ordem dos Advogados do Brasil e da Associação Brasileira de Imprensa. dentre uma série de exceções.C O Grande Salto para o Caos. e Assis. 133 Silva.'rnati\if). p.J-C. julho/1989.M. H. A censura à imprensa. H.. em 1980. Oro cit. ciL. senão tCfilor com os inúmeros atentados à bomba contra bancas de jornais em vários estados brasileiros130. cria os chamados "crimes conexos". por fases de susto. Alem dis~. Delfim Neto pode comparar-se ao mestre de navegaçao que orientou as pelaspara colber a melhor }Orça dos ~Jf?1'ttos internacionais. neste momento. l:'l! O :lLentadocontra:l OAB/R) mata com uma carta-bomba suasecretiriã. 127 Tavares. um fracasso completo no que . D. Com a~ eleições de 1982. proíbe o pagamento dos atrasados e a discussão da causa da suposta punição. abrindo-se um plano destinado a prolongar a permanência do poder militar. O 1~17. p. dentre outros. In: Silva.J. uma série de medidas políticas visando à "abertura" são tomaela~. Se. k.<. externos.C.~crealir. diante da comurudade bancana internacional. não aceitam as medidas que levam o país a uma democratização. entretanto é uma resposta necessária da ditadura ao fortalecimento da sociedade civil através dos Comitês Brasileiros pela 126 Este trecho que se segue é uma síntese de um item contido no traballio de Coimbra.C.. o sistema fInanceiro internacional já se prepara para nos apresentar as pesadas contas do "milagre econômico". e Assis. 80 )il . p. "A impunidade caminha ao ia'do da insegurança. recehem cartas ameaçadora. í9. Op. ao longo do tempo. Ani~tia. no dizer de Maria da Conceição Tavares..e e Assis. mil pessoas. tenha condições de fazer rolar a dívida exrema. sargentos e praças que não são anistiados e não podem voltar as flleiras. Ainda em 1979.uma. pois veta expressamente qualquer recurso ao }udiciário e deixa de re~~ os salários. a época da "administra. com o PMDB. 1:'\0 ~m2"7/08/80.() último dos atos terroristas cks. 1">4 Tavares. No entanto.' pretende explodir o local onde . fol deslocando o eixo da dependência econômica do campo tecnologtco e industrial para o campo financeiJo~.). que leva. 128 A submissão ao FMI é indispensável para que o governo brasileiro.o"134.eperíodo .1J . 198'5.<. associado a um arrocho salarial que traz eleitos deva~tadores sobre a.. o último elo ciclo militar. ln: Repe:tl5alldo Algwwa. discrimina cerca de '5. n~ 06.'ào do caos": . NeSl:e "aciclt. ?~. Ao lado deste caos econômico. que.<."~como o Pa. . Anistia os torturadores antes de irem a qualquer julgamento. St: não suspendem as venrla.'me clt. (Agora) pretende criar o próprio lJento (. A partir de 1979. l & P M. In: Tavares. No dizer ele Hélio Silva.::minários~altt. A.g'dllha força o Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo. s3. do Movimento Feminino pela Ani~tia. p.].o ~-howoo 1'1de Maio com cerca de 1'. Lyda Monteiro da Silva. ambos do Ser.\-1. que será o nascedouro do Partido dos Trabalhadores."l Práticas em Pskologia Escolar Numa Visão lnstitucionallsta.caso do Bispo de Nova 19uaç.t.o toral dos interesses nacionais aos desígnios. A oposição ganha os governos dos três mai~ importantes estados: Rio de Janeiro. 1%4: VInte Anos de Golpe Militar. 90.'iclasses luédia e trahalhadora.'500ofidais. bastante restrita. . O aLenLado do Riocenlro ocor~ em _~Oi04iRl . Até porque. Op.·iço Secreto do Exercito t' pertt'ocemes ao DOI-O >Dl/R). Rio deJaneiro. em 1983. Universidade Federal Fluminensel1nstituto de Ciência. São Paulo e Minas Gerai~. com o governo Figueiredo.. Nenhum culpado é punido"133. 198'5.Jorge Za~r. É. começa a ser suspensa) e a sociedade em geral e as universidades.. o governo militar perde fragorosamente enl onze estados brasileiros. é sancionada a Lei da Anistia.C.~erejere â situaçao externa do país e à inflaçao" 127.sessemanários. atacam os movimentos sociai~ da periferia .CÍrculo vicioso de pau perizaçào.. culminando com o do Rioccntro'''. c dentre outros.

A configuração deste quadro, com os "novos personagens que entram em cena" por intermédio dos vários movimentos sociais, faz com que a ilegitimidade e o repúdio ao governo militar cresçam.
"A combinação, no governo Figueiredo, de uma recessão cada lX'Z mais intolerável, com uma notória condescendência em relação aos escân4alos financeiros. envolvendo somas gigantescas e altas personalidades do regime, priva o governo e o que restava do sistema inietado em 1964 de qualquer apoio significativo, em todos os estratos da população" 13S.

a partidos políticos cf ou diferentes movimentos sociais do penodo, esses "psi" têm uma expressiva participação, inclusive por meio de denúncias que fazem na grande imprensa, quando há "permi'8ão" da censura para
l':iSO.Porém, parece haver um "corte" entre suas atuações enquanto

Compreende-se, assim, o grande êxito que, ao longo de 1983 e 1984, consegue a campanha das Diretas Já! em todo o pais. Mais de SO milhões de brasileiros saem às ruas, comparecendo aos cooúcios da oposição, exigindo eleições diretas para presidente e a democratização da sociedade em todos os nivel,. Todavia, apesar da extraordinária mobilização popular, a ditadura ainda possui seus trunfos e, por força do pacto com as elites dirigentes, incluindo alguns partidos que se dizem de oposição - da mesma forma como havia ocorrido com a Lei da Anistia -, consegue barrar a Emenda Dante de Oliveira, em 1984, e manter as eleições indiretas para presidente da República através do Colégio EleitoraL B, portanto, nesse clima de grande mobilização popular, repúdio e indignação ao ciclo autoritário, que se inicia a década ele 80. Mobilização que começa a atingir as classes médias urbanas brasileiras que, refeitas do sonho do "milagre", ligam-se ãs Associações de Moradores, às campanhas pela Anistia, contra o Custo de Vida e às Diretas Já!, participando de uma série de movimentos de "minorias" con10 dos negros, das mulheres, etc. Entretanto, se o início dos anos 80 traz para a cena política todos esses novos sujeitos, poucos serão os grupos "psl", no eixo Rio---..'ião Paulo, que se implicarão efetivamente em tais movimentos. Interessante notar que alguns psicólogos e psicanalistas - estes últimos ligados às Sociedades vinculada, à IPA- desempenham, durante toda a década de 70 e mesmo na seguinte, importantes papéis nas lutas de resistência pela democratização da sociedade brasileira. Ligando-se
135 Jaguaribe, H. Sociedade e Política. Rio de janeiro,jorge Zahar, 193'5,p. 36.

cidadãos e aquelas enquanto profIssionais. Em seus espaços "psi", em seu cotidiano como trabalhadores "psi", não há implicação politica com os diferentes movimentos sociais. B a força e o poder que têm algumas subjetividades hegemõnieas, já vistas anteriormente, quando acionadas e fortalecidas por alguns dL'positivos e instituições como a "verdadeira" psicanálise e a formação analítica, conforme veremos a seguir.

S8

S9

CAPÍTIJLO

II

Analisando CrItlcamente esses gmpos, seus funcionamentos, organizações, estatutos, burocracias, currículos, crises e rachas, não pretendo entrar em mera descrição instituída desses estabelecimentos. Não quero privilegiar o "movimento interno" desses gmpos, mas. ao contrário, atualizar sua hi'tória com as práticas então produzidas. É um desafio! O espaço "psi", que se eslmtura no Brasil nos anos 30,40 e 50, é feito em cima da "carência",da "falta"das crianças "problema", da, crianças com "dificuldades" de aprendizagem e/nu emocionais.

As PRÁTICAS PSlCANALÍIlCAS NOS ANos

70 NO BRASIL

Proponho çaminharmos um pouco mais e adent.!".umos o território n "psi" propriamente dito. Território este que, como já vimos, vai se fortalecendo - fundamentalmente nos anos 70 - em cima da produção da "crise da fanúlia moderna", em cima da carência, da falta. O objetivo de analisar algumas práticas psicoterapêuticas nos anos 70, agora neste Capítulo ligadas à psicanálise, conduziu-me também a tentar uma abordagem instituída. Instituída no sentido de mostrar um pouco a hi'tória de cada um dos gmpos "psi" que se formam ao longo desta década, fazendo uma análise do interior do próprio movimento. Se,por um lado, a utilização deste enfoque corre o risco de capturar - e portanto trair - o objetivo inicial, por outro traz maiores informações sobre os diferentes gmpamentos que se estabelecem e que práticas por eles sào disseminadas. Acredito, também, que esta hi'tória instituída, pelas próprias informações contidas, possibilite outras leituras e percepções. Ao históriar os principai, grupos '·psi" no Rio de janeiro e em São Paulo, quero, ao lado di'5o, sobretudo, cotejar suas práticas, as subjetividades dominantes, os movimentos sociai, e alguns processos de singularização, no sentido de entender essas práticas e os saberes por elas produzidos e fortalecidos.

Os saberes sobre a infância - não somente no Brasil mas principalmente nos Estados Unidos e Europa - ampliam-sei, sur~indo preocupações com a chamada infância "desadaptada", com as crianças ··difíceis". Não se enfatiza ainda a questão da prevenção, que irá predominar nos meios psicoterápicos e escolares brasileiros a partir da década de 60. O que se marca é a necessidade de atendimento a essas crianças. Nas entrevistas feitas - notadamente com psicanalistas mulheres, de formação médica ou psicológica - foi registrada a atuação de algumas em órgãos governamentais (federais, estaduais e/ou municipais) nas décadas de 40, 50 e 60 - tanto em São Paulo quanto no Rio de janeiroem Serviços de Higiene Mental, Centros de Orientação Infantil e juvenil, Setores de Psicologia Clínica, etc. Nestes órgãos, inicialmente é dada assi<;tência à "criança-problema" e, se necessário, orientação aos pai') e professores'. De início,estes serviços são de cunho puramente diagnóstico (aplicação de testes), com algum acnmpanhamenro psicopedagógico aos pais e professores'. Gradativamente, muitos deles passam para o atendimento clínico dessas crianças "problema". Da desaclaptação infantil, caminha-se para a intervenção na vida sexual e familiar,prática bastante desenvolvida no Bra,il nos anos 70 Ao lado di."o, cresce a importância dada à prevenção e o circuito escola-lanúlia se fecha.

Sobre o assunto, 2

ver: DOl17..etot,]. Op. cÍt

3

Sobre o assunto, ver Bicudo, V.L "Memória e fatos". In: Revista [di. São Paulo, 1990. .D~sde os anos 20 e 30, 0$ higienistas ntl Brasil vão privilegiar propostas de intervenção junto ilB cflanças c, paralelamente, ~osseu,~resp:msíveis. Sobre o assumo, ver: Cost::t,j.F. Ordem Médica e NonnaFarnDlar. Op. cie e Nunes, S.A. "Da Medicina Social à Psicanálise". In: Rirmo,). (Ofg.). Percursos na História da Psicanálise. Rio de ):meiro, Taurus, [988,6[-122. 61

60

"Partindo da escola, dos problemas de desadaptação escolar, passou-se para os problemas da procriação, da vidafamiliar e da harmonia conjugal, para, finalmente, voltar à escola com a instauração da educação sexual. Nesse circuito escola-família, o operador de cada etapa Jbi a psicanálise. É ela quem autoriza o deslocamento dos problemas de aproveitamento escolar para os de harmonia familiar. Ê ainda ela quem instrui uma educação sexual não mais centrada nas doenças venéreas, mas na questão do equilíbrio mental e afetivo. Face ao desdobramento dos psicólogos, dos conselheiros e dos educadores que se satelizam em torno da relaçdo escola-jamüia não basta dizer que ai passou a psicanálise. Seria mais exalo dizer. embora jogando um pouco com a." palavras, que é por ai através desse ativismo familiarescolar que ela pôde passar "4(grifo do autor).

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I- A

"VERDADEIRA" PSICANÁIJSE ou O

SANTIJÁRIo DE VESTA No eixo Rio-São Paulo, são três os estabelecimentos de formação psicanalítica ligados à International Psychoanalitical Association (IPA), fundada por Freud e seus discípulos em 1910: a Sociedade Brasileira de Psicanálcse de São Paulo (SBPSP), a Sociedade Psicanalitica do Rio de janeiro (SPRJ) e a Sociedade Brasileira de Psicanálise elo Rio de janeiro (SBPRJ) A SBPSP é a primeira a ser reconhecida como Sociedade miada ã IPA, em 1951, no XVIICongresso Psicanalítico Internacional, em Amsterclã. Desde 1937, funciona como Grupo de Psicanálise de São Paulo, ligado ã Ora. Adelheid Koch, membro da Sociedade PSicanalitiC'dde Berlim, que vem dar formação analitica em São Paulo depois de insistentes solicitações feitas pelo Dr. DUNal Marcondes. A SPR] é reconhecida como Sociedade miada à IPA em 1955, no XIX Congresso Psicanalitico Internacional, em Genebra. Desde 1947, já existe, no Rio de janeiro, fundado por um grupo de médicos, o Instituto Brasileiro de Psicanálise; no ano seguinte, chega Mark Burke, membro associado da Sociedade Britânica de Psicanálise, e inicia a formação analítica nesta cidade. Em 1948, chega Werner Kemper, da Sociedade Psicanalítica de Berlim, que divide a ]{,rmação com Burke. Em 1949, retorna de Buenos Aires, já com sua formação analitica concluida pela Associação Psicanalítica Argentina, o casal Perestrello; pouco depois chegam outros analistas brasileiros também ali formados. Em 1951, há uma crise no Instituto Brasileiro de Psicanálise, e W. Kemper, com seu grupo de analisandos, sai e funda () Centro de Estudos Psicanalíticos. É este grupo que, em 1955, é aceito pela IPA como SPRf. A SBPRJ apenas é reconhecida como Sociedade ligada ã IPA em 1959, no XXI Congresso Psicanalítico Internacional, em Copenhague. A SBPRj é oriunda do grupo de M. Burke que ficara no'lnstituto Brasileiro de Psicanálise, do grupo argentino que havia fundado, em 1951, a Sociedade de Psicanálise cio Rio de janeiro e de outros analistas brasileiros chegados ao Rio Com formação analítica feita em Londres'.
Sobre o assunto, ver Perestrello, M. H:istória da Socledade Origens e Fundação. Rio de)aneiro, lmago, 1987. BrasDelra de Psicanálise: Suas

Em decorrência dessa, a questão familiar se torna a grande locomotiva pela qual a psicanálise avança a toda velocidade no Brasil dos anos 60 e 70. Não almejo aqui fazer uma história da psicanálise, do psicodrama ou das terapias corporaL, no Brasil na década de 70. Pretendo, sim, apontar como essas práticas vão proliferar em determinados momentos históricos; COlnose dá sua expansão, o "boonz psi", c que instituições e dispositivos serão instrumentalizados e fortalecidos por elas. Para tal, é necessário comentar algo sobre a história dessas práticas, seus estabelecimentos, equipamentos, dispositivos e instituições. Muitas das informações que me guiaram partiram de dois trabalhos que mostram a expansão da psicanálise em São Paulo e no Rio de janeiro. Em São Paulo, Roberto Yutaka Sagawa' realiza um aprofundado estudo da psicanálise "oficial" desde os anos 20 até os 80. No Rio de janeiro, Ana Cristina Costa de Figueiredo' fala da difusão do movimento psicanalítico de 1970 a 1983. Estas leituras me forneceram as pistas para definir o universo de minha pesquisa, a quem procurar, a quem entrevistar o qu e ler.
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Donzelot,).Op.cit.,pp. 177 e 178. Sagawa, R Y. Os Inconscientes no Divâ da História. Dissertação de Mestrado - UNlCAM:P, 1989,2 vols. Figueiredo, A.CC Estratégias de Dlfmão do Movimento Psicanalítico no Rio de Janeiro1970/1983. Dissertação de Meffi:rado PUGIR], 1984. -

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Gradativamente as Sociedades latino-americanas vinculadas à IPA procuram se aproximar e, em 1960, é fundado o COPAL (Comitê Coordenador das Organizações Psicanalíticas da América Latina) no li! Congresso Latino-Americano, realizado em Santiago, no Chile. Desde 1956, realizam-se congress,k' latino-americanos, a cada dois anos, das Sociedades Psicanalíticas ligadas à IPA. Os principaL, objeüvos do COPAL são o de expandir a psicanálise na América Latina, conseguir maior representação dessas Sociedades peranle os órgãos psicanalíticos internacionais, estabelecer alguns padrões e regras comuns na formação analítica dos países latino-americanos e apoiar oS grupos latino-americanos que ainda não tenham sido reconhecidos como Sociedades pela IPA'- Posteriormente, o COPAL passa a ser conhecido como FEPAL. A Associação Brasileira de psicanálise (ABP), entidade que tem por objetivo congregar as Sociedades de Psicanálise do Brasil filiadas à IPA, somente é fundada em 1967. Passa a se constiluir em órgão federativo dessas Sociedades, respeitando as suas autonomias. Também na ABP como nas Sociedades do Rio e de São Paulo, os membros associados não têm direito a voto LO, Pelo período de fundação do COPAL e da ABP, percebe-se que o movimento latino-americano - considere-se aqui, principaimente, o argentino - está bem maL, desenvolvido que o brasileiro. Só quando as Sociedades "oficiais" sentem-se mais fortes no Bra."iil, ou seja. quando se inicia o desenvolvimento da psicanálise e sua aceitação pela sociedade em geral - entenda-se classes média e média alta - é que se dispõem a fonnar uma a''isociação nacional. Entidade que. por sua vez. irá favorecer mais ainda a divulgação da psicanálise no Brasil. Por esta organização, que, a meu ver, não é unicamente burocrática, mas de controle c, em especial, de apoio corporativo, temos no caso do Brasil - no alto da pirâmide a IPA (o nivel internacional); logo abaixo, o COPAL (o nívellatino-americanol; depoL, a ABP (o nível nacional) e, finalmente. as quatro Sociedades "oficiais" (São Paulo, Porto Alegre e as duas do Rio de Janeiro l, fornlando uma rede de apoio e controle mútuos.
8 9 10 lo±m. Sobre () assunto, ver: Ra.''Covsky, A. e Grinberg, L. "P:1ssaoo, Presente e Futuro do COPAL". In: Revista Bra."illeit'a de Psicanálise - vol. VI, nl>! 3 t' 4. 1972, 369-376. Sobre o assunto, ver: Estatutos da Associação Bra."illei1'3de Pslca:oálise, 1967, mimeogr.

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Destas, somente a de São Paulo (SBPSP1,desde os seus primeiros Estatutos em 1949, abre a possibilidade de. além dos médicos. também psicólogos e proti'5sionais de outros cursos superiores se inscreverem para a formação analítica. No caso de outros cursos. fica a critério da Comi"sào de Ensino a aceitação ou não do candidatoll. Apesar de a Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo ter esta postura e as duas do Rio de Janeiro, ao contrário, só permitirem médicos em sua fonnação, io;;;so não vai significar maior abertura, menor rigidez". É evidente que, no Rio de Janeiro, esta posição nos anos 70 vai impliGlr uma aglutinação. uma união maior dos psicólogos que desejam ter o status de psicanalistas. Por isto. o movimento dos psicólogos no Rio de Janeiro, no final da década de 60 e início da de 70, é bcm mais corporativo e apresenta caracterL,ticas diferentes do de São Paulo. A SBPRJ, em seu primeiro Estatuto de 1959 - talvez por influência da de São Paulo -, coloca a questão da entrada de psicólogos e outros profL%ionais na formação analítica de forma bastante ambígua. Não se defme claramente contra a entrada, subordinando-a" ... à aprovação prévia de uma legislação que permita o exercício terapêutico da psicanálise por leigos no pa[,"". Entretanto, em 1971. quando se manifesta, no Rio de Janeiro, a pressão dos psicólogos par.! terem acesso à formação analítica, são votados aditivos aos Estatutos de 1959, que enunciam claramente, como os da SPRJl', que "... todos os componentes da Sociedade, sejam membros Titulares, Associados, Candidatos e Aspirantes deverão estar inscritos no Conselho Regional de Medicina"l'. Desde o ano anterior, no Regulamento para a Formação de Psicanalistas, isso é requ[,ito para aquele que deseja fazer formação, a"sim como é exigida experiência psiquiátrica de pelo menos um anal'. Ou seja. diante da pressão dos psicólogos. a SBPIU acaba com a ambigüidade: é explícita cm sua exclusão.
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Sobre o assunto, ver Sagawa, R.v' Op. cit., 2'i!vo1. e Bicudo, V.L "Memória e Fatos". In: Op. cit., p.

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A admissão de leigos na formação analítica em São Paulo vem desde o inído do Grupo Psicanalítico de São Paulo formado em torno de Ourval Marcondes e Adelheid Koch. Sobre isto, ver Sagawa. R.Y. Op. clt, 1" voI. Estatutos daSBPlU. 1959. mimeogr., p. 11. A SPRJ,por seus estatutos, aceita para foanação estudantes de Medicina a partir do 3º ano. Estatutos daSBPlU. Op. clt., p. 37. "Regulamemo para a formação de Psicanalistas", 1970_In: Estatutos SBPlU. Op. cit., pp.42 e 47.

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M. 2º vo1. duas catL"goria.(. que equipamentos e dispositivos são utilizados por ela e que práticas são ai produzidas. (Org. Tais princípios inscreven1-sc no caD1po da medicina. Sagawa.a-se os psicólogos e a segunda geração de argentinostornam-se os bastiões da prática mais reacionária e fascista. algo da produção desta instituição será aqui mencionado. novas categorias de sócios. sobretudo no Rio de janeiro.exclua qualquer outro profbsional de sua formação que não seja médico. vários estudos" tenham assínalado a adoção dos príncipios da psicanálise pela comuniclade médica nos anos 20 e 30. por exemplo. no qual o inrintismo predomina em detrimento do público e o familiari. cit. têm que se submeter à formação analítica nas Sociedades ligadas à IPA. em 1960 na SBPSP "..a realizada nas Sociedades "oficiais" . mas. nem dizer q~. são criadas. Os altos escalões ocupam todas as posiçoes de poder nos d~lerentes órgilos da sociedade Os mesmos sete ana/Nas didatas e. .. São inreressantes os escritos de alguns analistas ligados às Sociedades "oficiais"quando da difusão da psicanáli')e entre os psicólogos cariocas. não é a exclusão de outros profL')sionai') que vai caracterizar o fechamento destas Sociedades a tudo que possa ser criativo. "Da Medicina Sodal à Psicanálise".s. notadamente entre os que vão se dedicar à chamada psicologia clínica."psicanálise. 07-L 2. Ela está presente nos anali.silOformadas mai. em São Paulo. acrescentada às fomlas já exi.é irrelevante se pudermos compreender algumas instituições que são instrumentalizadas pela psicanálise. membros. Hi. por um número maior .'ltóriada SBPIU: Suas Origens e Fundação. Porém. presidente no iniciodos anos 70 da SPRj.Pode parecer estranho que a psicanálise. c11Iboraem suas origens a psicanáli. como poluidora do meio n1édico17.se fosse apenas uma modalidade terapêutica... pela. .1csch "vef(hdeirJ. Op. não só através dos Estatutos das Sociedades.e sempre crescente. o terror nos lnais variaclosespaços. Op. os inferiores.é um dos guardi..stas considerados "progressi.stas". Op. a diretoria do lm/üuto e a Comissão de Ensino" N. Seus artigos sobre a "poluição" da psicanálise feita por um bando de "invasores" -Iei. que. com a tutela que exercem sobre o movimento dos psicólogos no Rio de janeiro e a postura que. suas organiza~'ões internas e suas burocracias. é perfeita111ente c0111preensíveJ. principaln1ente. lima clínica que nada tem a ver com u o mundo.. novo ou transformador. ). A. Leão Cabemite. para exercerem a prática clinica. _. e Perestrello. No entanto. nos anos 70 .storicamente: a prática 67 66 .')práticas que ela dissemina. Ela está presente e difundida como crença nas classes média e lnédia alta. A instituição "verdadeira" psicanáli. nas décadas de 40 e 50 tanto no Rio de Janeiro quanto em São Paulo -.) sdo sempre os mesmos elementos a ocupar a presidência da Sociedade.. cit. ela está presente nos próprios psicólogos tanto cariocas quanto paulistas que. com uma total desvinculação de qualquer tipo de implicação.muito explorado pelos psicólogos no Rio de janeiro. Ln:Sagawa R. Por exemplo. e Birman. Nota-se quc a cada novo Estatuto votado nos anos 60 e 70 a hierarquia aumenta. Este t. ao se organizar en1 Sociedades . cit. Pior. na Introdução 17 18 19 Sobre isso. etc.). cil Sobre O assunto ver os trabalhos de Nunes. Entretanto.no . que são os clientes e consumidores dessa psicanálise. poi."psicanálise? Aprodução de uma prática. como algo não produzido hi. onde os que não fazem parte de uma formação especitlca .stentes. É o falso objeto natural de que nos fala Paul Veyne. R.e vai permear todos os itens seguintes relativos às práticas analiticas. ~Retomando à I-listória". filas C0111 ma assepsia fastigiosa.não podem a ela ter acesso. deste trabalho.e a exercem. 2º vo1.anteriores à de "membtvaderente': que foram as de ''sócio aspirante" e "sócio aderente" (.) autrwntando a distância hierárquica de "candidato" a "membro aderente" ( ) de tal 1naneira que se fonna uma pirâmidf? onde os escalOes superiores sao ocupados por um pequeno núnwro de membtvs e. Loman1com relação aos acontecin1entos de 68 na 1 rsp.. Op. e 188.Y.).'. ao se referir à década de 60. S. de transversalidade.com exceção da de São Paulo .Y. 18'. Esta ínstituição produz fortes subjetividades.. Op. de um território onde a "verdade" está presente. não são apenas os psicanalistas mais "à direita" que d. como veremos ao longo deste trabalho. denunciada por médicos psiqui. em que os projetos de ascensão social tomam-se prioritários. Mas o que é a "vercladeirJ.J. pp.smo é a tônica.. esta forma de pensar uma prática clínica é hegemônica.). o medo e o "desbunde".sseminam este tipo de pensar a prática psicanalítica.atras e neurologistas como prática charlatã.:istentes (. In: Birman.. cit. Num contexto político onde grassa a censura. ver os episódios de agressão sofridos por Adelheid Koch em São Paulo e a prisão no Rio de Janeitode Werner Kemper.

muitos considerados "progressistas". É necessário exercer um hom controle sobre aqueles que um dia irão representá-la.. Os jovens psicólogos querem . o que lhes permite usufruir tantos prestígios e privilégios políticos e sociais.inacessível aos leigos -.alardeiam com seus discursos/práticas tal religiosidade. portanto. sacerdotisas e guardiães do Santuário de Vesta (a deusa da Vida entre os romanos) . sem dúvida. estes. os dicbtas se comportam como se este lugar 69 68 . poL. outros eleitos. 1964. () dicima. enfim. somente elas . que tem existência própria e que é. etc. In: Bloch.. é meramente a forma de garantir sua vinculação a ela.os representantes dessa fonnaçào razão plenipotenciários onipotência. seu poder c os ritos de inicia\-~ão. pois a iniciação em seus "mistérios" é coisa delicada e pode se tomar perigosa se não houver unJa "preparação" adequada. que circulam pelo mundo. "conservadores" os que defendem esses lugares santos. que. e Cousin. organizam seus próprios templos . Por isso. a dominação dos anali'itasj por outro.>ubmi"ão d. terminando por criar outras religiosidades.pela análise terapêutica oS pessoal desses candidatos COIl1 U1l1 sumo c devenl informar sobre poder.tas em geral. Este religioso respeito e submissão que todas as Sociedades "oficiais" demonstram em relação à grande instância. Como templos sagrados. No apogeu do chamado "mundo romano". Entretanto. Posteriormente. que cada vez se tornam lnais conlplexos. coll1mai. evitando toda e qualquer mistura. Como vestais.Coleção Rumos do Mundo. c Para a "verdadeira" psicanálise.. tornam-se públicas e formais e passam a ser Controladas pelo Estado.') amadas nlédias urbanas brasileiras. a tr:lqueza e a . em suas falas até podem questionar esses templos sagrados. a força. antes. sempre foi e será. a hegemonia está com a instituição "verdadeira" psicanálise que naturaliza uma determinada prática clínica. natural.. Esta relação produz e fortalece por um lado :I 2J) Prática religiosa entre os romanos antigos.ser "iniciados"em tais "mistérios" inacessíveis aos simples mortais e. para isso. outros "iniciados".são as detentoras da "verdadeira" psicanálise. padre ou professor. para os analL. Roma e seu Destino . Através desta. Entrementes.-" ociedades S "oficiais" é a da l()nna~ào. enquanto estiverem a serviço do culto'O Assim. Para os psicanalistas "oficiais". personificada pela IPA. instituiçào que é instrU111cntalizada dentro da.psicanalítica é este objeto que é assim. os psicanalistas "oficiais" resguardam a pureza da "verdadeira" psicanálise e por isso poucos são os privilegiados que têm acesso a esses templos sagrados. fi - A INSTITUIÇÃO FORMAÇÃO ANAIirICA A PEDAGOGIA DA SUBMISSÃO ou Outra. cursos. o treinan1ento psicanalítico deve ser função exclusiva dos Institutos das Sociedades e não de qualquer analista individualmente. São . que organiza um corpo hierarquizado de sacerdotes. são os que maL. facilita e fortalece a produção de certas subjetividades que se entranham profundamente em todos os poros da. outros sacerdotes. sobre aqueles que no futuro serão seus guardiães.. devem manEersua virgindade. Ilsboa.como efeito da produção de suas próprias práticas . afirmam sem exceção todos os psicanalistas ligados às Sociedades conhecidas como "oneiais".aqueles que detêm os conhecimentos por ele ensinadosé o Olimpo de onde advêm todas essas "verdades". as antigas práticas religiosas. prestigio que qualquer médico. deve ser "especial". Para a sociedade em geral. a fortnação deve merecer todos os cuidados. t\aturalizam-sc o domínio dos didatas. impurezas e poluições que estão ao seu redor. candidatos. antes realizadas pelas famílias. E com 1I1na agravante: são oS responsáveL.é verdade que em cinJa de uma série de críticas a todas essas mitificações -. estas Sociedades devem se resguardar das misturas. a lPA representada pelos herdeiros diretos do Grande Pai . suas infoffilações sào fundamentais para que se possa saber do "real :lproveitamento" dos candidatos a analistas.e muito .. de início aceitam e até pedem a tutela dos que já estão dentro desses santuários e os podem "iniciar". Cosmos. em suas práticas só fazem reafirmá-los e reforçá-los. poucos os que podem funcionar como vestaL>. devem ser "purificados". a in1potência. J. De um modo geral. outras "verdades". Suas supervi"àes clínicas. possui um enorme controle na avaliação do aluno. necessita de todo um processo e formação próprios e diferentes dos utilizados academicamente.. c uma suma verdade. Untl SUIlla seus "progressos" nas sessôcs analíticas. como um dado em si. Não são apenas os analistas maL. na primeira metade da década de 70. R. a psicanálise não pode ser uma formação dada em Universidades. análi')cs didáticas.

Sagawa. estuda-se e aplica-se a teoria e a témica dos "mestres" estrangeiros de forma mecânica e totalmente acrítica. faha de análise ou meS1110 a cOlnprovacio ele uma análise lnal feita.nJo rah que. Sagawa referc'-sc a islo qUJ. Por l. reconhecido por muitos psicmar.. Em outros G. muito enfatizado nos anos 70.'ãoanalítica e pelos própri<)s psicanali"tas em as seus COn<iu!lorios ê uma clcmagogia. ~través das análises didáticas e supervl'iÕeS de casos. Pouc.:01. pelo menos um didau_ 1Jm Study Groupé o qw primeiw reconhecimenlo !Cito pela !1'.~eformar um Stud)' (~rotlprl'conhecido pela LPA. portanto. p_ 2'50.. Estes últimos rótulos são colocados p:ua os grupos que fazem 21 Sapwa. por herança.>. o que vai tomá-lo extrenlarnente lucrativo pela pouca concorrência. Embora os Estatutos dessas Sociedades prevejam a possibilidade de afastamento de tal função. di..~ llec<.')tos como conflitos pessoais... trai\'ão ao espírito da psicanálise. portanto. Vl<ito Sociedades serem estabeJecinlentos privados e terem.!~ um grnpo especializado de conhecimento Assim. principalmente na classe lnédia. de:-.lr alto pelos seus serviços. para o interior do sujeito. tão ambicionado pelos jovens profissionai'i "psi" Esse elitismo em muito <1wli a classe média dos anos 70 no Brasil com seus projetos de ascensão sociai.. Os preços cobrados por esses cspeciJ.os. Esse número restrito de dicbta. como pelo poder dos didatas.ic:rna!ílicL 70 71 . Sociedades "oficiais" afirmarem categoricamente que a discussão sobre os altos preços .Y.aqueles que melhor atendem. a produção de subjetividades voltadas para o privado. ão L:lUSa n surpresa alguns entrevistados pertencentes à. que seu trabalho se reSUlne ao tncro atcnditnento a esses "aspirantes" a psicanaIL'itas. R. ToLlos e quai. São centros de formação que importanl continuamente uma psicanálise estrangeira e os psicanalistas locais são meralnente reprodutores dessa psicanálise importada (sobretuclo da Inglaterra).ljstas repercutem na sociedade em geral como uma valorização desse trahalho.t:1 ronna. seus serviços são oferecidos dentro de altos padrões Ilnanceiros.p.malista é tão atraente. a análise didática é considerada o aspecto mais importante na formação de um analista. para o seu autoconllecimento. Tal fato determina o pequeno número de didatas e de psicanali. 21 22 23 Há somente um exemplo na SRPSP que comentarei à parte como uma situação analisadora da "verdadeira» psican.devem cobr. origem a unu Sociedade l'. Esse saber venl satisfazer c fOlnentar as demandas então produzidas e. que chegaria <1 seu auge nos anos 90. cie. o apoio :l privatizaçào.'\ qUe: (!. No Rio de Janeiro o "kJeinianismo" domina n'"s duas Sociedades. corresponde ao que já apontamos como a psico!ogização da vida cotidiana.. "Os didatas são considerados os "maL" dotados".indo. R_Y 0r.) e OJ mecanismos íns~ titucionaís passam a ser manipulados por esses detentores como .. Esta sim poeleria pagar '" altos preços exigidos pelas Sociedades "otkiais" para a fonnar.c. I'\ão há. Tal situação é naturali7~~daem cima da produção oficiai da época sobre a quest30 do público e do privado..")quer conllitos que ocorrem dentro (tessas Sodedades são psicologizados. são considerados como desavenças de ordeln teárica. 201_ Idem.la população. os "melhores': etc e.cobrados pela tOTIna\.dentro do que a própria psicanálic. A subietividadc que vai sendo constmída é a de que os estabelecimentos privados ... 2q . vi.e considera como um profissional "competente" -. Seu número é tão reduzido para atender à crescente demanda dc candidatos à formação. a. sustentar o controle interno no que se refere J. p_ 203. Statw' de psic.l •. Por sua vez. Isto é facilmente corroborado não só pela pobreza da formação analítica .sS<Írio hajJ. visto que os oferecidos pela rede pública são de péssima qualidade. movimento passional. a formação psicanalítica no Instituto de Psicanálise restringiu-se a Freud. em todos os setores . não se tem notícia de nenhum caso em que isto tenha ocorrido. listas. tentativa de denegri-ia ou heresia. elo ponto de vista elo "discurso da competência".)SO. uma produção que se possa chanur cle origirlal. em grande parcela .:trá posteriormente.. Segundo infoffiuções obtidas por Sagawa em São Paulo "". para ...<.tas fonnados dentro da ótica da "verdadeira" psicanálise. é t:lInbém uma fonna de ".ilisç e formaçào atulitica. o direito de cobrJ. Este tato. uas s atribuições. constituem um ideal a ser atingido por todo psicanalista dentro da sociedade (. empobrece a formação. possibilidade de ocorrer ou não uma fl'isào {na Sociedade r~4.r alto.H. Vai se produz.flo analítica.. por ser ainda reduzido o número de profissionais..fosse vitalício e cotno se tivessem adquirido. cil. Klein e Bion a partir de 1970"". tal atlnnação alimenta em muito o poder dos dielatas e.iatas têm uma clientela fora deste universo e a pouca produção teórica realizada na época limita-se à reprodução pobre de Ulna psicanálise estrangeira. op.

1972. a. Ma~c.os do Rio de Janeiro ~ que. sua vida mental eSQ nas màos do analista que o ajudará .e. ver al~n. puL<.oposição interna dentro das Sociedades "oficiais". e coerentes com todo o funcionamento da.ando.>soeiados (o psicanalLs1. cit.In: Revista Brasileira de Psicanálise.1 1 e 2. desta maneira. as "fon11asdegrad.'i. nfinl. um Modelo . a singularie dade está terminantemente proibida neste espaço. pOle. C. A submLssão e a insignificância de hoje serão o poder e a onipotência de amanhã.<. não pode. O Pskanali •• o. por não terem formação nessas Sociedades. do voltar-se para dentro de si mesmo. naturalizam um gru po particular de especialistas que têm o monopólio da "escuta" e são vL. ao enfatizarem a importância e a construção de um clima carregado de afeto. dominador . A psicanálLse. produz.explorado. São crenças tatnbém presentes nos próprios dispositivos de fOllllaçào analítica.nalista~. naturaliza e tenta eternizar as relações tipo senhor .dntem a justeza de sua. no Rio de Janeiro. como tlgura. "O Supremo Tribunal do in.<.Ao se denominarem . vários psicanalistas. um Pai. A fOIll1:lçãoanalítica e a. R Op. em todas as três Sociedades ligada. o psicanalLsta não é médico ou não-médico. considerada "objetiva" e "cientifica". O que está embutido nessas situaçôes nio são posturas teóricas diferentes.ões" e os mecanic." e mcsnlO as características autoritárias. ditatoriais. onde a neutralidade impera. m 72 73 . dominador e explorador.'c.l!. g'd. do que ~c.dominado.'as.s. pelo autoritaristno que caracteriza esta Sociedade". é psicanalista"" -.adas". dispor de sua criatividade. A obediência e a servidão são as nonnas vigentes. Da mesma forma. pela leitura esquemática e pobre da realidade social e psiquica privilegiando a realidade interna em detrimento da externa .a caminhar e a '. sempre afastada em nome da l Inião Societária fortemente instituída. o que. é considerado C0010 responsável pela rigidez.. Cabernite.. "neutra" e.wa. (1_ 17. que é o analisando. dominado e explorado faz da sua capitulação o preço que paga para se tornar um dia senhor. traem o espirito da psicanálise. o "destino c1a. ao apontarem os "desvios". pela postura rígida e autoritária dos psicanalLstas dominante da época.s linhas.'Jandro. depoimemos coktados por S:Lg3..l. L "Regulamentação da ProftsSio de Psica.' diversidades. os fatos apontados produzen1 a infantilizaçào..R.. nQ.:18 internas pelo poder dentro das Sociedades "oficiair. sentimentos que devem ser comuns e de solidariedade doutrínal. O que vigoram são os deveres disciplinares estabelecidos nos eS1. o ptivado. produz um espaço protegido.tos. dominante na década de 70 nas Sociedades "oficiais" nesta cidade. assim. dominante nos anos 70 na SBPSP. o "bionianistno". a desqualificação do analL. respeitadas e idealizadas. ensinada como uma teoria abstrata praticada por especialistas abstratos . p.. transformando-se em modelos de referência. Em S.R.s à IPA.n10S e processos psiquicos. Rio <1.conSClente dLstribui absolvições e condenações"'b A questão do poder é sempre escamoteada.tel. 33.s poderosa.. são posturas que corrcspondem às práticas c às suhjetividades dominantes produzidas no periodo em que a rigidez. 2" 1101. Gr. que 1l1arCam a formação analítica são vistas por muitos como diferenças ele ordem teórica. na sociedade em geral.lno. lIt1la Burocracia.. Estas prática.:1tutos. a CritiCA. vaI. um Mestre. em realidade. de um modelo qualquer para excomungar as diferen. 197$. em SUlna."ssim. ao aflfll1:lrema necessiclade do crescimento pessoal. o mundo interno e o domínio do privado são enfatizados e fortalecidos.con10 um 2') 1h Pai. poi. afirmam que o "kleinianismo". o dis~mciamcnto e a neutralidade são sinônimos de cientificicbde. a criação. As lu1. Há.~ instituições que necessitam de Ut11 Mestre. de sua fan1ília. e também para os psicólogos . denegrindo-a.-asteI.:1 formado) es1. é o responsável. A "criança". e a psicologizaçào. faz com que a psicanálLse e sua fOfilaç:ão se tornem cúmpHces do Sl'5tenla sócio-econônuco em que se inscrevem. Ca. onde a realidade cotidiana não entra.so. Há uma produção ativa de invalidaç:ão do sócio-político". portanto. asséptico. explorador . originalidade. VI.. pela sociedade em geral. a produçáo de demandas que necessitam do "apoio" e do recurso psicanalitico: as relações familiares 27 28 :!'J Tal comparação foi feita por muitos entrevistados ligados às Sociedades "ofidais". de um lado. cito Sobr~ isso.:1tutariamente até os anos 80 não têm o dijá reito de participar nas Assembléias Gerais e muito menos vo1. Predominam o intimie.:lr. A liberdade.io Paulo. O candidato submetido.". não podem se dizer psicanalLsta8.. por outro..crescer"27. Fomlecem as subjetiviclades hegemônicas produzidas nesses anos. os membros a. Este é tratado e percebido como um bebê. Naturalizam uma postura "asséptica". Por isso.escravo.spráticas daí decorrentes têm efeitos sociais poderosíssimos.principalmente em sua cúpula dirigentc. A inslituição-fonnação.Y ()p.

. Por outro. Há. de cuja inkiarn'tl partira a mudança do tema.).1 (as aspas são minha responsabilidade). imobilismo e apatia de quase todos os setores da sociedade que as práticas psicanalíticas se expandem e ganham características bem mais autorítárias. p. o de jovem." e familiares. Questionamos 2. uma vez que a psicanálise está se transformando numa "mercadoria de consumo". de lnedo.'. Rio de Janeiro. trata-se ele uma ditadura militar . toda e qualquer construção singular. C..) e estudantes universitários que desejam se autoconhecer. p. e Bertoldo. Entretanto. A única voz crítica e que. natural. 1977. enfim. a exploração das potencialidades emocionaL" a "orientação" para os processos decisórios pessoais. em 1970. (Org. No Rio de Janeiro. desaparecinlentos dos que se opunham aos modelos então vigentes. [n: Birman. Tanto os chamados militantes como os h ippies são. uma ferrenha censura e um enorme poderío ela núdia no sentido de impedir toda e qualquer resistência.C. 74 75 . o de estudante.tas" acreditam que se está iniciando um processo de "democratização" da psicanálise. etc31. é o período de hegemonia da psicanálise e da formação vinculadas à IPA . "ampliar" sua criatiuídade. Duas reações ocorrem nestc penado entre os próprios psicanalistas "oficiais". uma "ampliação" da detnanda r. elo Vlll Congresso Psicanalítico LatinoAmericano. A primeira metade dos anos 70 . em Porto Alegre. pelos anos mais terríveL' de perseguições. cit.tas defendem suas práticas atacando tais movimentos e procurando "resguardar" a psicanálise de ser conspurcada. 33. em vez de ampliação da demanda. alguns entrevistados . Estas demandas são produzidas e fortalecidas.é representada. do Pensamento Psicanalítico". com seus dispositivos e instituições. os ideais de feminilidade e masculinidade"'. com o voto contra da Associação Psicanalítica Argentina. assassinatos.o que agrava mais ainda a situa~ào . e seu medo expressava seu grau de cmnpromi. quando se iniciam as pressões dos psicólogos para terem acesso ã formação analitica. ver também: Castel.. As filas em seus consultórios são c'ada vez mais numerosa. Sobre este assunto. lnterlivros. no Brasil. uma violência extremada. portanto. Op. seqüestros. práticas psicanaliticas e o poder das Sociedades "oficiais" que se julgam donas da formação analítica. as reações são de medo e perplexidade.r.B. os mais "progressi. (Org. pp.. Katz. desele os modelos ligados ao sistema em geral até aqueles como os de tanulia. 12 e 13· Idem. 1977. 253-263. É nesse contexto de terror nos diferentes microespaços. entre os profissionaLs lilJerais (psicólogos.) a queixa tomando-se cada vez mais inespeciflea ". principalmente. 14 e 44. "melhorar" a "qualidade" de seus uínculos erotico. ao lado de tais produções. O que pretendi apontar até aqui é que as práticas dominantes dentro das Sociedades "ot1ciais". só se toma um hoorn. Belo Horiwme. intelcctuais. De um lado. esses psicanalL.e só tem passageln. A. Psicaná1ise e Instftuição. C "Anotações para uma História Atual do Movimento Psicanalítico Argentino: Interpretaçào Crítica da Ideologia e da Ação Política de UmSetor de Pequena Burguesia".(a famosa "crise" a que já me referi). uma naturAlização desta demanda? Naturalização no sentido de que ela não é percebida como produção dessas próprias práticas "psi". M. cit. aIÚquilados e/ou cooptados. por decisão da maioria elas sociedades participantes. cit. M. professores. visto que seu consumo torna-se cada vez fi1aior. porque há esses processos de subjetivaç::lo típicos elo capitalismo monopolista.slavsky. nestes primeiros anos dos 70. T. iniciativa ou eficiência profissionais ( . etc.que.S. mas como um objeto já dado e. Relata um representante da Ar A: "As cúpulas das A. ver o texto de Santos. na época. pp. . .tanto no Rio quanto em São Paulo .e. Yí Bra. e a psicoterapia de grupo passa a ser utilizada como forma de dar vazão ã demanda então recrudescida ou para atender a alguns segmentos de classe média que não podem pagar os altos preços de uma análLse individual. o sexual. detendo o monopólio da psicanálise.). No caso do Brasil. Documentário.~ciações hrasileiras.C "Representações do Masculino nas Revistas Femininas~..J...admitem que foi esse o periodo em que mais prosperaram fmanceiramente. questiona e denuncia a utilização das 30 31 32 33 Sobre o assunto. O tema original "Violência e Agressão" foi alterado. Um exemplo é a realização. R ()p. há outras. artistas.s()com o regime de terror polkial do paíç"-"4.). 2S-48. Ou não seria. uma forte repressão. que. Unham cargos oficiais que poderiam perder. em uma de suas obras". mostra tal produção é Katz. Figueiredo.. afetil'o. 13. para "Correntes AtuaL.s. favorecem em muito as subjetividades hegemônicas produzidas e a psicanálio.C Op. In: Langer.".. como já mostrei. toelo e qualquer agenciamento. etc. tortura.

Sociedade Contemporânea Brasileira: Familla e valores. Muitos autores apresentam a difusão dessas práticas "psf' sem. adolescente. 1987. 32. dizer quem fez. A. Mais recentemente doiç diários cariocas publicam colunas assinadas por psicanalistas que respondem âs cartas dos leitores Também a telel)iSdo oferece espaço para uma pedagogia de inspiração psicanalítica em programas femininos e debates variados. ('ISO sem mencionar a. que geram "ufanismo" e intimismo. M. p. sob cuja ótica a vida cotidiana das classes média e média alta passa a ser tetuatizada e vivida. Diferentes setores da vida social brasileira sofrem esses efeitos: são psicologizados.no cotidiano.J.é a primeira inversão do poder. o que fez. Este "determinado" sujeito vai sendo criado e estimulado à medida que a psicanálise nos grandes centros urbanos brasileiros invade a midia . médias urbanas.'i especializadas. Cultura da ~icanálise. cit. Psicologia e Sociedade.o terrorismo de Estado está presente .'i norlf!lase programas bumoTÍ'iticos ':ll4as is. cit. 103-120. FamiHa. em especial.CC. ele se exerce. mas porque falar a esse respeito . em realidade. discursos e modos de subjetivação. 14 e 1'5.198S. úpico da. pp. 1991. Campus. 189-205. (Org. Onde há o poder. l'\O Brasil desse período. nomear. cia disto.se"_ In: Figueird.. Bra. H. Toda e qualquer crise é vivida como necessidade terapêutica. 277. as da núdia (justificando e valorizando tanto o extermínio quanto a ascensão social). produzidos pelas suas próprias práticas. G. sobre o que chama de microfisica do poder."São Paulo. S. Op. de reutsta. pois é ao nivel do próprio corpo social que o poder toma corpo"" (grifos meus).W'5.tas . o nivel do Estado e o das práticas não podem ser" . 198L..e. vão constimindo um "determinado" sujeito. (Org-s. ver Figueira.).e. denuncid-los. onde tudo passa a ser explicado a partir de esquemas interpretativos já dados. todas elas mostram como os micropoderes se exercem em diferentes partes do corpo social. o que gera um enorme medo e progressiva apatia.sacessÍlri'i aos "leigos'. falar deles publicamente é UIIUlluta. através da utilização crescente de palavras. Foucault. Projeto de Dissertação de Mestrado .to não é psicanálise!'~ diriam alguns puri. aliadas a todas as demai. expressões e concepçôes próprias da psicanáli.. propriamente falando. confrontados como realidades pré-existentes e sim articulados. mães. de re1lfsta. ver Ru. Loyola. Op. no entanto. Figueiredo. "Cresce a publicaçào de UI/m.."A Difusão da Psicanilise nos Anos 70: Indicações Para Uma Análise" In: Ribeiro. pois os especialistas "psi" estio ai para aconselhar.condizentes com os dominantes . instruir e acalmar pais. é mn prinreiro passo para outras lutas contra o poder "c\6 (grifas meus). no entanto. as revistas feminl. ele sempre . 35 36 Rodrigues. Absorve-se o "modo" psicanalitico de compreender os mais variados fenômenos do cotidiano. A..j. desenvolve em torno de um foco parlicular do poder f. não é porque ninguem ainda tenha tído consciên- apontar para a produção deste "outro" sujeito que está sendo construido no cotidiano de tais práticas. Microfisicado Poder. Psicanáli. Sobre () assunto. mas como de uma série de práticas sociais . __ Cada luta se ).). c 76.çtas Tatuez possamos retmcar: "Istotambém li psicanálise'>::I9 (grifo do autor).e Saruos.. In: Velho. vigoram diferentes práticas sociai.a grande imprensa. SoA-(Org. c a Difusào cb.UER) . denunciar o alvo . Para ele. mas nas populações periféricas das grandes cidades e na sociedade em geral. Russo.'iemininas com seções de aconselhaf mento psicológico assinadas por psicanalistas e psicólogos r. mas de segmentos empobrecidos da população). não somente sobre as práticas sociais.C. esclarecer...não como simples reprodução de um poder maior. maridos. São Paulo. cit. I.A. Institulo de Medicina Social.produzindo a chamada cultura psicanalítica".enquanto psicanalL. geram também uma série de efeitos que. S.silien. 1'.. As práticas decorrentes da psicanáli. esposa. que seriam os processos de constituição de práticas. a TV . mulheres'" e para propor modelos .41. "Ninguém é.ão que Foucault nos traz. "A MuUler liberacb. O Efeito Psi..de criança.J. etc. Sobre esta questão é importante a vL. T.). nessa fase. como a do exterminio (não só dos opositores aos modelos vigentes.. mas..s~.e perceher o mundo 37 38 39 40 Sobre o assunto. (Org.forçar a rede de informaçâo institucional. 7'. Rio de janeiro. J E se desigtUlr os focos. camada..C "Psicanálise e Casamento".B. pp. 4] 76 77 .çe exerce em determinada direção (. Mesmo os psicanalistas "progressistas" encontram-se marcados por tais modos de se perceber . e Figueira. as práticas eufóricas ligadas aos projetos de ascensão social (principalmente nas classes médias urbanas).C As "Novas Análises". casamento. família. seu titular.l. e.nas". Sobre a questão do casameruo. Todas elas produzem e/ou fortalecem determinados modos de subjetivação. ver o artigo de Santos.~so. Op. não só desses grupos de jovens.

Cada estabelecimento criado vai instrumentalizar a instituição da fOffiução de modo que fique encarcerada num determinado território."psi" c (} mundo que os cerca. realmente. no inicio dos 80.. H. apesar de todas as críticas que fazen1 às Sociedades "oficiai<' e à sua fonl1açào.ões intimistas dc psicanalista e de mundo geradas pelas práticas "psí" e pelas subjetividades hegemõnicas da época. Citarei os casos Werner e Katrin Ken1pcr. de início através da criação da IPA e dos diferentes Institutos de Formação. sem a necessidade de "peritos" para esclarecê-los.S.'Ões. acusarn. transmitidos nas Sociedades "oficiais" como os únicos que. 78-100. com algumas modificações em sua parte inicial.cair no dogma.mos sociais etIuoltos nesta repressão'''". pr. nº 10. implicaçües) nos analisamos'''''.ílJeiscami" nhos para a análise política. A ·verdadeira" psicanálise. Os movimentos dos psicólogos . que n10stram () l1lomento histórico que o Brasil atravessa: revigoramento dos movul1enlos populares e SOCiaL'. Minha intenção. f Estes acontecimentos se impuseram a mim na qualidade de analisadores espontâneos. 19-41.. a estrita observância a determinadas regrds do pensar/ fazer. 44 42 Castel. sob o título "A (de} Formação "psi": Alguns Analisadores". Gropos e lnsthuIçõe~ em Análise.. "Psicoanálisis Y AnálisLsInstitucional". com quai. poderão os clientes dos psicanalistas analisar a instituição psicanalitica e suas implicações' Poderemos saber com quem (com que agentes. R.. o. para o acesso ao que foi Cce) ativanwnte reprimido e para os rnecanL". Rio de Janeiro. prática. nas três Sociedades "oficiai. embora lento e gradual.D.maL' no Rio de Janeiro do que em São Paulo . Essa escuta ''verdadeira'' C' um certo discurso psicanalítico são pedagogicamente ensinados.C. 88. 45 Idem. 43 Este item. no enclausuramento. tem a pretensão de ser a "pura" psicanálise.93. 01esmo aqueles que criticam a fonnação "oficial" vão. ! Estas situações analL~adoras trazem "por si mesmas" "problemas" analiticos fundamentaL': ". por isso.~". 78 79 . absoluta e inquestionáveL Isto não é privilégio da formação ligada ã IPA.1992.ou ctn quase todos . . ao descrever estas situações anali. ganham foro de verdade única. a escuta "verdadeira". utilizarei alguns acontecimentos como analisadores de tais institui\. Se tais equipatncntos são criados para cuidar da transmissão. H.. portanto.B. representam a psicanálise..) que podem serfontes autênticas de conhecirnento e de transformações sociais. Rosa dos Tempos. e os dispositivos colocados a seus serviços di~ciplinam. p. instalan1-se scrÍssirnas crises. vieratn eles inesperadamente ao l1leu encontro. moralizam. POL'as diferentes filiações vão determinar diferentes tipos de escuta e dL. pp. ntisturas. In: Boletln del Centro International de lnvestlgadone~ eu Psicologia Social Y (:rntpal. Basta ver seus discursos/práticas no instante em que pretendem explicitar um projeto politico em nome da psicanálise".adoras. R. 19~41. na ortodoxia. unla detenninada escuta. e estes dispositivos são alguns dos principaL' fatores para que se possa assegurar esta "pureza". pelos cuidados no sentido de evitar poluições. H.processo de "abertura". dt. o "saber das pessoas'~ como pos. expulsam e se tornam cútnplices de UOlverdadeiro terrorismo.H.l. o caso Regina Chnaideffiun. São.em sua luta pelo status de psicanalista. Rio clt' Janeiro. em muitos momentos . o caSo Décio Soares de Souza.R (Org-s. formas de intervenção a nfveJ do L'Ívido (resgatando) acontecimentos rj'etil'amente uilJidos(. onde estão presentes o dognutismo. julho/1987. Em suma... normatizam. considerando uma série de forças até então dL'persas. Rodrigues. m- ALGUMAS SITUAÇÕES ANALISADORAS D~ PSICANALÍTICAS43 PRÃTIC~ Como exemplos do que foi apontado sobre as instituições formação analitica e "verdadeira" psicanáIL~e. Rodrigues.C. o caso Helena Besserman Vianna e o caso Amilcar Lobo. foi publicado in: leitâo. ao organizarem seus estabelecimentos. Ao fazer muitas das cntrevist<L":i. instituetll. eles próprios reali2aram "por si mesmos" a análise. cerceiam. é colocar no cotidiano alguns fatos que nos mostrem como efetivamente funcionam. e Barros.a pennanência da "mesnucc". a ortodoxia.. como a. Op.c. rel'alorizam a e"periêncta direta. para o inconsciente político. reproduzem quase integrdIJnente as instituições formação analítica (nascida da lPA) e a ·verdadeira" psicanálise. Também eles estão marcados pelas vL.. 20 e 21 p. Ou melhor dizendo. Exemplos disso temos quando.cursos. o impedin1cnto da CTiaçlO.

p. correntes <. eom seu grupo de analisandos. Ficanl como presidentes da Sociedade os não-judeus Drs.ta. Pslcanáll'ie e Nazismo Rio de Janeiro. O "As opiniões se dividem sobre essa qu~1ão. 11.]. 23-46. luas aconselham que não se deve fornecer pretextos às autoridades alemãs"'. Dois anos depois.i7.<. A Sociedade Psicanalítica Alemã faz parte do Instituto (.ação da Sociedade Psicanalítica Alemã. C. liga-se às acusações que muitos psicanalistas. logo que Hitler sobe ao poder..Eitingon (entào um dos presidentes da Sociedade Psicanalítica Alemã) deixa scu cargo. após 1933 . assim como a IPA. há um decreto proibindo que judeus assumam a presiclência de estabelecimentos cientificos. em 19~~. e K.j3 e lQ49" In: Katz. estabelecimemo psicoterapêutíco onde estavam todas as . Por pressão dos nazi')tas. ".1miner. em realidade.por ocasião da subida de Hítler ao poder -. df:?nite-se em P1Vtesto â demÍ'. Os "poucos" judeus são IRmemhros.. em Lcipzig. sinl. Op. () relato se torna. como eles. e Rosenrotter. Jones a respeito escreve: No ano seguinte. como fizeram os colegas holandeses numa ocasiào semelhante_ Atas naquele momento. Brainin..__implesmente s a 11U1ade de lado. Boehm é infonl1ado pelo governo nazista de que não seria concedida pennissào a um instituto psicanalítico para ensinar c fomlar candidatos. a metade ele seus membros . Felix Boehm e Carl Müller . K. e apenas os chamados "tratamentos didáticos" realízac!os. separa-se de Burke e. ndo judeu.S. na presença de ErnestJones.oring so" o nome "Grupo de Trabalho A". 1. funda o Centro de Estudos Psicanalíticos do Rio de janeiro que. H. consideram a proibição da psicanálise na Alemanha inevitável. H. as pressões do Partido Nazista recrudesceul.por insistência de Freud. e. Alguns acbam que é mais digno a Sociedade. pr.os nazistas confi"clm a quase totalidade das propriedades. Ainda em 1936. Taurus.lUnschweig. L "Psicanilise tu Alemanha Hitlerista: Conlu Foi Realmente?" [n: 30 81 . Freud e ErnestJones. na mesma reunião. E.. totalmente questionà1lC1 s(' til'cnrlOS em mente ( ) que. Em 1933. Neste rnstituto.\pontaneamente ou fiearUgados Cl.IQ8'5. dlega ao Brasil em 1948.. livros c reviSlas da Editora Psicanalítica Internacional. com a entrada em vigor das leis raciais. de Ernest Jones e do próprio Freud com relação aos compromissos que vào sendo firnlados com o regime nazi. dirigido por M.M. () relato de Boehm pretende dar a impressão de que osjudeu". em sinal de proÜ!sto.soliter. p. Boehm relata que" . sendo o vocabulário psicanálitico omitido e mesmo proibido.mciedade cientifíea. dI. dividindo a fOrn1açào analítica no Rio dc janeiro com Mark Burke (vindo de Londres um ano antes J. 48 49 ')() Idem. os poucos judeus que ficaram na AlemanJla tOlnam a decisào ele se demitir da Sociedade".16.decide sair.sao dos colegas judeus. l'5 e 26 Drager. exigindo a exclusão de todos os membros judeus da Sociedade Psicanalítica Alemà e.4-21. o analista alemdo fJr Kamn.) os psicanali<. É quando . cit.tas aí trabalham c oficialmente continuam com seus consultórios particulares"49. ainda bd um resto de esperança de poder salvar alguma coisa "4: (grifos meus). Necessário se faz refletir um poueo sobre a história da psicanálise na Alemanha de 1933 a 194~ e as responsabilidades da IPA. Pretendo. Lohnunn..O ANALISADOR WERNER KEMPER Werner Kcmper. CS. l~oring).s os associndos da éjxJCu.psi"alemãs. e gr'Jdativamentc vê-se a í.TCSCCJlle arian. K.que eram judeus .alguns da SBPRJ-.B'..têm feito a Werner Kemper de ter participaclo do regime nazista. ('. sem que seus membros possml1 se intitular analistas.. Em 19~I. 16. "Na cspcran~:a de sobreviver como departamento autônomo (. se di. 4"' 46 Infornuçôes retiradas do artigo de Drager. foi reconhecido pela IPA como Socíedade Psicanalítica do Rio de janeiro.em hipótese alguma. jJ01'ém. assinalar como sua permanência na Alemanha. mostra a onussào e a conivência da prática e da instituição psicanalíticas com o nazismo.1 . as obras de Freud são trancadas e os e::mclidatos só podenl consultá-las através ele pedido assinaelo'ifJ. "Psicanálise e t'oía:dsmo" In: I0[Z. Op. emigra "<\t>. têm naquele momento a possibilidade de escolha de se demitirem e. membro da Sociedade Psicanalítica Alemà. ~Obser\'ações sobre a Conjuntura e o Destino da Psicanálise e da Psicoterapiaru Alemanha entre [9. nestes Últinl0S anos . a Sociedade Alemã desliga-se da li' A e ingressa no Instituto Goring (1nstituto Alemão de Pesquisa Psicológica e Psicoterapia. que pretendo mostrar aqui. ctn 19...

favores profissionai" e pessoai".• (Partido Nazista) ( j A ainica . unicamente da Psicanálise a prôpna segurança e a posiçdo sodal ligadas a ela têm que s(!r sallJas a qualquer preço . sendo que quatro delas são dirigidas por psicanalis13so Wcrner Kemper dirige a Policlinica.ustificatil'a para o com/Jottanu-7lto dos analista\' alerndes duranie o nazIsmo. n'Cehendo o nome de lnstitutçao para os Com/Janheiros do POI!() de Poucos Recursos ( ). no entanto.M. o que veremos melhor nas duas últimas situações analisadoras. estando ausentes "a política e a hi"tória concretas".citll.sistema nacional-socialista c que Katz. Em 1967. W. no A período de 1933 a Ii'i. cabe a cadJ um meditar sobre eles e avaliar () quanto a "verdadeira" psicanilí. não há apenas subrnissào adnlinislrativa. nunca saber'ia que seus psícanali.•Kamin<. enquanto socic. . nenhum elos médicos que. mas também no conteúdo. no Brasil. o governo nazí. "submissão de Ernest Jones . submete-se a uma analise didática com Kem{Jer. "Como . o traIJalbo na Clínica não é influenciado pelos n<lzisttlS atlr'istas do Instttuto CT'orlng(. o de Material e Planejamento de Ensino e. sob a capa da neutralidade. omissos e outros.zismo e Psicanálise: Outras Rdações" Idem. por KemlJerexerce importante papel nl' Instituto.'ige boa Psicanálise. nem mesmo curiosidade em se saher como viveu por 12 anos este diretor de 1I1naPoliclmica ligada ao ES13do Nazista. Reuniões científicas nas residências dos analistas são proibidas.. Qoando. Os fatos aí estão.1. que inicialmente e tida como nazista 'Jerrenba".stadof\.sa a ··sal(. r· 198.Em 1938. de COItlpronlisso com os regimes ditatoriais.er. pela aproxinlaçào com o bioiogi~n1o nazista.wnschweig é proibido de ensinar e ser publicado: Bochm. que tnuito contribuem para que-os psicanali. em realidade. W. ()p. tem de alienaçào.."desenl-amados". cit..bde oncL~lmente regi.e a crenp 113 neutralidade da psican:ílise são fatores.mo não impedem a dL"olução da Sociedade Alemã. ciL. em 19ljH. em troca de vantagens. deixando no Brasil sua mulher. a meu ver. e seus fiUlOS. O que se pode depreender desta breve história . enviado pelo próprio EmestJones. O Instituto (~oring funciona com lO seções.e que se implanta nos anos 'i0.Morre em 1976. conivência e mesmo adesão ao regime nazista. aqueles que pemunecerarn foranl. Kemper volta para a Alemanha. só são pennitidas no Instituto (J-oring. . psicanalista resolve emigrar. Ur. pergunta por que somente após a derrota do nazismo este . jamai<.~cia de uma Afinal.S. de realizar análises didáticas. na época. L. 11. Kell1pcr chega ao Brasil. 66 82 Oro cil.tas alemães tenham essas postura') de omi'ssào. O estudo feito por Katz" sobre as publicações oficiais da 11' . C. Segundo Kemper.esmo mod.'açào" da Psicanálise /'vao se trata.o que os colonizadores?"'>'. In: c. o Setor de Estatí'tica c Avaliação: Müller .()'nstituto Ganng eMá entrelaçado como F. Por exemplo. 4{)-"':''). e por que não dizer.tos". llá uma enorme resistência em aceitar e admitir que a prática psicanalítica foi integrada ao . a Sra. estão em sua grande maioria dispostos a Ulna adapta~·à(). Müller -Br.'ào analítica.')tratados são sempre "al)stra.•. neutralidade e o que se c:\.l.Braunschweig. (' se tljJroxinw consider<welmente da forma de jJensar frelulitlU<l "'i? (glifos meus).sta'i eram memhros de uma Sociedade>psicanalitica de um pais colonizado Qual a bistória dos sujeitos que ali se .S. ')1 ')2 Brainin. F. Se um pesquL"adot' estudasse a Índia pelos infor'mesda JjP. "N3. os tema. Op. pseudodespolitizaçào e.::. Todos os compronlissos e submissões ao nazí. finalmeote. cit.. no nlÚ1irno..'.ta dL"olvc o que resta da Sociedade Psicanalítica Alemã. se a leitm' ~aminar qualquer numero do IJP da época.. principalmente. K. mesmo que k-1a atentamen/(' os relatót'ios da Socú?dade Psicanalítica Hindu. a uma adesão 3. apesar ~5DAP de apena~ 5% dos seus associados sen>m membros do l.. sempre se u.trada.b psicanilise sob o 111Reich! Que aqueles que não emigram c têm postos de chefia considerados importantes na época. ou jJe/os at1igos troricos ali publicados.Yt Lohmann. nova ordem? Do que pudemos ler. Kemper. C.J. ) A mulher de Goring."azistu.. saberã que a india em L-7ltaocolonizada pelos ingleses. A própria p"ssividade de rreud. coniventes.euniram~ Como eles pensaram as temtas psicanalistas? Do m. 53 Si Katz.dinRida. 13oehm. p_ . o de Psiquiatria Forense..na época presidente da II'A . p. Nenhuma pergunta. fazem fOl1na..e Roscnrotter.. ·'É verdade que não fica bem ã lPA relembrar certas queslõf?s para a e:ds((. mostra como. Kalan Von !lofL'.

é um crme. Anna Kattrin Kemper.'1ta didata Nilo /)()ssui ela. este e"stabelecirnento passa a chantar-se Círculo Psicanalítico da Guanabara. através de diferenças teóricas. retoma à Alemanha.. na época. por sua criatividade e interesse por crianças. entrcvistados.Kattrin n30 tem compromissos com modelos. nào lenl condi\-~õesde ser uma didata. Em 1968. em suma. Por que flca por nlais ele 10anoS nesta condição' Por que ninguém da SI'H]. o Instituto Brasileiro de Psicanálise. p. com tais posturas. mascarar e n1esmo escamotear diferenças muito maiores. os klcinianos da épOC1. possui Unta vasta clientela em seu consultório. com a volta de Werner para a Alemanha. no Centro de Estudos Psicanalíticos. Como exemplo de sua flexibilidade e abertura com relação à psicanálise. entre. antes ela partiela de W. de sua ternura pessoal e liderança. Burke c o dos anali. de produção de subjetividades. inicialmente. Para a "verdadeira" psicanálise e para a forntação analítica então instituídas. o grupo britânico passa a dominar. Kattrin Kemper. Quando W... pois é o mesmo já assinalado anteriormente: tenta-se. que lugar ele ocupa e. embora tal quebra. mas. em 1969.'1 ortoc1oxta e. é de uma grande vcrsJ. imediatamente a direção da SPR] faz uma denúncia à IPA contra a didata Katnn Kemper.'l Origens e l\mdação. o de M. Não se trata de diferenças teóricas. c enfatizanl sua importância enquanto terapeuL1.o aceita () selli1lg st::Uldartizado. W Kemper já coloca como didata sua mulher. ela não poderia llear muito tempo na SPRJ.'iÜ. de práticas diferentes e divergentes que não são pennitidas pela "verdadeira" psicanálise. M. cerC:l-se de artlstas (muitos ligados à Bossa Nova) c intelectuais. Todos os seus cx-anali<. unta heresia a postura de Kattrin. pois ". ·18. afirmam que a pennanência de Kattrin nessa Socicebde era indeseiad~ e ~)S argumentos utilizados são os mesnlOS acitna defendidos por Manalzlra Pcrestrel1o: nào é médica. ao chegar ao Bm. Anteriormente. os tenha em muito ajudado. cit. com o apoio de 19or Camso. nem psicanalista. aceitam as subjetividades dominantes no meio "psr' e reconhecem que Kattrin é "parcial". Alguns psicanalistas da SPR]. InesnlodepolS da fundação da SPR]. nem ao menos psicóloga. após Unta séria crise institucional.a qualificada pela rIJA. muito incômoda ü ortodoxia klciniana vigente nessa SOCiedade.. ntaS de transgressões. ousara levantar taL<i questões? Outros psicanali'~s da SPR] colocam que sua postura.tiliclade c n3.tant~~ qualquer titulo de medica. acompanhada de sete de seus analisandos e. Ao contrapor-se a c. tendo um estilo próprio de trabalho que permite algumas críticas como a quebra da neutralidade do setting. em 1967. de prestígio. Aproxitna-se de seus pacientes. Dentre estes. está o cartunista]uarez Macltado que não é "psi". Kattrin rornpe corn o que há de mais . psicanalista do Círculo de Viena que. Discordo de tal enfoque.andos são unânirnes em afirmar que. poL<. portanto. que só passa a ser 85 84 .sagrado p~ra os adeptos da "verdadeira" psicanálise e traz más inlluências para a (ormaçào analítica tão cuidadosamente normatizada por esL. por seus dispositivos. apesar da importância que llie dão. que posturas deve assumir em sua prática profJSsional e mesmo em seu cotidiano. Anna Kattrin Kemper retirase. em algumas situações. diferenças que se localiZam em outros niveis . I de psicanálise. !alando da segurança que tem em termos )) Perestrello. funda. coordena um grupo. Em J 971. o grupo argentino. Nenhun1a contesla~'ão ocorre. História da SBPIU= Sua. já antes da fundação do Círculo Psicanalítico e da Clinica Social de Psicanálise em 1972 . a prinuzia era do grupo alemão e.o nível das práticas de poder. simplestnente como grqfóloga "5). o que gera a crise na SPR]. diante das pressões da SPR]. com sua equipe de supervisionandos.tas formados em Londres que vêm dar na SBPR] já haviam levantado tal questão. onde somente alguns "eleitos" têm o monopólio da psicanálise. o que se toma um escândalo paíJ. Kemper. sendo unta profissional reconhecida no meio "psi" carioca nos anos 70. há o caso das supervisões que dá na Clínica Social de Psicanálise aos coordenadores de grupos de crianças. ()p. enquanto anali"itJ. estava em viagem ao Brasil. Kemper. visto que.2 _ O ANAIlSADOR ANNA KATIRIN KEMPER Mesmo antes da SPR] ser reconhecida oficia~nente pela lPA. psicóloga ou de psicanalista -'. Alguns entrevistados atribuem a saída de Kattrin Kemper da SPR] às diferenças teóricas. o [)r. KemfJr!f estimula e protege o trabalho da Sra Kemper como psicanalísta e anali. Alguns de seus ex-analisandos.sta tecnologia klciniana.e hal}ia sido apresentada. do que é ser um psicanalista.

"Nestemomento. Décio. mimeogr. Por sua fOl1llilção em Londres. a não vinculação de qualquer nome. Seu sucesso . em 1929. Mera reprodução 59 6') 61 de um contexto autoritário ou algo mais' Ou 58 'frecho de carta enviada aoS analisandos do Dr. formado em Medicina pelo Rio Grande do Sul. Vianna.com o Dr. Hlst6riada SBPl\I.. o Conselbo Diretor da SBPRJ não explica aos cinco analL. no Brastl. 83 e 84.que. recebe o título de psicanalista de adultos e crianças e fIXa residência no Rio de Janeiro. Explica-se. Em 1955. sendo que alguns dos entrevistados enfatizam que este fato deve ser esquecido e solicitam que não seja divulgado"'.C. em'09/04/1965. Em 29 de março de 1965. em sessão de 07 de abril de 1965. Nas entrevistas feitas com dez psicanaiistas ligados à SBPRJ notase que o "caso Décio" aÚ1da Ú1comoda a muitos deles. possuindo uma grande clientela em seu consultório particular. PsychanalyseundPolilikinBrasmen. atender a clientes alcoolizado e ter tido um romance com uma ex-cliente. pp. segundo alguns entrevistados. e. Décio que.11. É tratado como tabu e poucas infol1llilções são passadas. Esta candidata. Décio traz grande influência de Melanie Klein. as "Infrações" cometidas pelo Dr. formando psicanalistas de crianças. 997-1015. levou-o a cometer certas atitudes "indL. funda um Study Group reconhecido pela IPA em 1957'7 Este Study Group transforma-se na SBPRJ. K1ett-Cotta. In: Psyche. quando vai para Londres lazer formação analítica na Sociedade Britânica de Psicanálise.C. contribui para a expulsão de Décio. assim. na SBPRJ.andos do Dr. M. a meu ver. torna-se uma das figuras mais lmPortantes na divulgação e expansão do "kleinianismo" nos anos 60. november88. em reunião do Conselbo Diretor. Sob o patrocÚ1io desta Sociedade ~ junto com Walderedo Ismael de Oliveira (que também se tomara didata da SBPSP. Pro! Décio Soares de Souza. em 1978. que sumarla1tUmte demitem de suas atividades professores. que ficara no Instituto Brasileiro de Psicanálise. Décio é acusado de beber em demasia. Décio que "infrações" cometidas levam à expulsão de um dos fundadores da Sociedade. vaI. Neste Study Group estavam o grupo de M..cf. onde fizera sua fOl1llilção) e outros colegas. em 1959. QuaL. Burke. p. iniciando suas atividades analiticas'" Além do consultório. são ". pois era membro associado da Associação Psicanalítica Argentina. encobrem a disputa de poder e prestígio que ocorre na época dentro da SBPR]?O Dr.S. inclusive. o fato merece registro. 86 87 . trabalha na Cünica de Orientação da Infância (COI). ]003. com posições politicas bem diferentes das da maioria da cúpula da SBPR]. arroladas as infrações cometidas pelo Sr. que levaram o Conselho a decidir. In: Perestrello. o I Com vocabulário típico de um processo criminal.O ANAliSADOR DÉCIO SOARES DE SOUZA Dr. assim como psicólogos em seus trabalhos de consultório com crianças. aiguns. Op. militares e expulsam estudantes das escolas e universidades"61. Décio. dI. Décio Soares de Souza. na época "aspirante" a anaiista na SBPR]. Citado por Figueiredo. Orienta também vários colegas no Rio de Janeiro. 42. ligada ao Instituto de Psiquiatria da antiga Universidade do Brasil.e sua vitalidade fazem sombra a muitos didatas da SBPRJ. millistra. em realídade. toma-se didata da SBPSP. Em 1961.. ao ser reconhecida oficialmente pela IPA. a aplicar àquele colega a penalidade de EHmirMção. pois é um liberal.questionada após a partida do "Mestre" para a Alemanha. nos termos do artigo 21 dos Estatutos da Sociedade'J59 (grifo contido no próprio documento). o grupo argentino que fundara a Sociedade de Psicanálise do Rio de Janeiro e analistas com formação em Londres (o caso do próprio Décio). na PUC/RJ. O próprio contexto politico da época. que é considerado o primeiro trabalho de sistematização teórica na prática da psicoterapia Infantil". 3 . vive-se sob a ameaça de '~tosInstitucionais" estabelecidos peJo poder militar. cientistas. H. um curso de extensão sobre a "Escola Inglesa". A. Todavia. Como membro associado da Sociedade Britânica de Psicanálise em 1957.cretas" . Vários psicanalistas cariocas entrevistados aftrmam que Décio vai se transformando em figura central do grupo kleiniano no Rio de Janeiro e dentro da própria SBPRJ. exerce até 1950 o cargo de catedrático em Psiquiatria. cit. Stuttgart. Kattrin Kemper morre no Rio de Janeiro. para 56 57 Dados colet:ados na BiografIa e Currieu1umVitae dos fundadores da SBPRj. é chamada para prestar "esclarecimentos" ao Conselbo Diretor sobre seu envolvimento ocorrido fora do Brasil. Op.

. colaborando em revistas estrangeiras de Iingua J"" 6'.a comunicação de que a análise pessoal feita com o Dr. em maio de 1965. Lando. Diante da não-resposta a esta carta e da violência cometida. Dr.não terem sido convocados para o irúcio do ano letivo de 1965.r na enxada numa fazenda de café perto de Campinas até ser caixeiro viajante. Os cinco analisandos de Décio. como o Roosevelt. enfatizadas e alinlentadas por tais instituições. Traballla no Instituto Adolpho Lutz. completam alguns entrevistados. os cinco analisandos de Décio. com ele. Ele "saiu fora" da psicanálise. sprit de corps. mas . mostra-se extremamente agressivo. tem dois filhos: Miriam e Carlos. à guisa de explicações. maio/ 1965.Desde os anos 50. th 89 . 88 questão moral embutida neste acontecimento. 2 e 3. 3 . 00. cometeu infrações contra ela e. Este caso é espinhoso e até hoje continua escondido. morais e sexuais produzidos e fortalecidos pela prática psicanalítica e pelas instituições que ela instrumentalizai Somente com um voto contra. Alguns rótulos. brasileira desde criança. de um grupo de estudos com Anatol Rosenfeld"".e os fatos narrados falam por si sós os dL~positivos de coerção presentes na formação e na prática psicanaliticas. Diretora do Instituto e Secretária da SBPR]. que é a mais enfatizada por todos os entrevL~tados. o que a leva. estão presentes em tal ocorrência. sob.engenheiro agrônomo que abandona a profIssão para ser expertem literatura russa. saem da SBPR).M.Op. silenciamento. Apesar de gostar muito de Química. nascida na Bessarábia. apesar de sua expulsão da SBPRj. de 09 de dezembro de 198'5. Décio Soares de Souza. p. formando-se em 1944. que visões de homem. alemão e judeu perseguido pelo nazismo. 2 . Professor de FilosofIa. chegando a ser um conhecido professor da IJSP -. Décio não tem uma atitude humilde diante das acusações que lhe são feitas. Paulo Roberto Saubermao. 30/01/198'5.algo a ver com os dispositivos normatizadores. mimeogr " pp. PaulolDustr:ada. Sempre cercada pelos alunos . durante anos. isto não ocorreu. "Regina Uniu Cabeças e Corações~. são apresentados por alguns entrevistados: o Dr. estando. permanece até sua morte . o Bandeirantes e o Dante Alighieri.Tanto que na biografla de seus fundadores. estranhando: 1 . também interessada por Filosofla. In: Folha de S.como didata da SBPSP.Betty Milan é uma delas . em 21 de maio de 1965. Somente em 1986. encaminham carta ã Diretoria do Instituto. 4 . apresentada por Marialzira Perestrello".mantém a penalidade. Casada com BorL. está denegrindo-a. Clmaiderman . af=. no Instituto Butantã e em várias escolas particulares de São Paulo.O ANAliSADOR REGINA CHNAIDERMAN Regina Chnaiderrnan. Apontar como essas práticas de submissão. Estudou na Universidade de Berlim e quando chegou ao Brasil teve várias ocupações: desde trabalha.a forma como são eliminados do corpo discente do Instituto.e " ". mimeogr. Em 64 ocone poc pre"ão de alguns pSicanali"". a Assembléia Geral Extraordinária da Sociedade . que já se encontram no 2º ano de formação.já nos anos 50 . Ve. ocultamento. Décio. não havendo sobre ele nada oficial na SBPR).onde somente os membros titulares podem comparecer e votar . disciplinares. não pretendo salientar a 62 Perestrello. dto 6:3 Carta à Exma. na hL~tória desta Sociedade. sem qualquer justificativa. sua fotografia é colocada na galeria de retratos dos ex-presidentes da SBPRj"'. Alguns desses analisandos continuam a análise pessoal. violência. "Muitos dos alunos dessa época ainda lembram daquela figura matriarcal entrando nos laboratórios de Química"".nesses tradicionais colégios paulistas . fora da SBPR). ao serem comunicados da expuL~ão dele. a fazer o Curso de Psicologia na LJSP. Décio Soares de Souza é expulso da Sociedade que ajudara a fundar.tem posturas disruptivas com relação ao tradicional sistema educacional. em 1961. Até porque o Dr.sumo carta da an. de réu tenta colocar-se no lugar de acusador. ele próprio não deixa outra altemativa ao Con~elho Diretor da SBPRj a não ser sua expulsão. O Dr. após ser comunicado de sua exclusão. com isso. tem um "encantamento especial" pelas pessoas. Ao relatar o "caso Décio" como um analisador das instituições formação analítica e "verdadeira" psicanálise. Oficialmente. Não aceita a possibilidade de se reanalisarj ao contrário." Beal"z Pontes de Miranda Ferreira ao presidente da SBPRJ. 39. impedidos de comparecer aos cursos regulares do Instituto. não há referências sobre a expulsão de Décio Soares de Souza.ocorrida em 1970 . ao contrário. de mundo e de ética são produzidas. faz sua primeira graduação na Escola de Química da USP.V. Diante disso. Décio não é mais reconhecida pela SBPRj". até aquele momento. 1. participa. entra com recurso e.

entra na clandestinidade e luta armada. Em primeiro alemã. Regina é convidada para lecionar Psicologia Social na USP. em 1%5. 15/011 1984. em sua opinião. receia autonomear-se analista. In: Folha de S. mais tarde. Ainda em 1968. Desde meados dos 60. são pessoas não-gratas ao regime militar. Lando. exilados.na época militantes secundaristas . teatro artes plásticas ou música. que. A partir dessa segunda negativa. posteriormente. A força e o poder da formação instituída nas Sociedades "oficiais" é um fato e. dezenas de estudantes de Psicologia e psicólogos em sentinários abertos. sem qualquer explicação.) ortodoxos da Sociedade representavam exatamente tudo aquilo que ela sempre combateu.por influência do próprio Melsohn -.que pretenda fazer formaçâo analitica fica a critério da Comissâo de Ensino a aceitação ou não do candidato. Morto em 1974. Regina não é aceita e não há explicações do porquê. quando se discute a sua entrada: "quem poderia ser analista de Regina Chnaiderman'" Além de ser uma pessoa declaradamente de esquerda e ter tido vínculos com o Partido Comunista nos anos 40 e 50. os ditames (. Ferrâo e outros. Boris Chnaiderman. _. V. Critico literário e grande amigo de Regina Omaidennan. ex-presos políticos. que uma leitura limitada de Apesar de sua posição singular e bastante diferente daquela praticada pelos analistas da SBPSP no que respeita aos rituais e dogmas analíticos presentes na formação. Não por coíncidência. Sobre o assunto. Regina sente profundamente esta segunda exclusão. Simpatizantes dos movimentos de esquerda desde o pós-guerra. será didata dessa Sociedade. V. dt. já formada. o que faz de 1964 a 1966. Quando. passa a lecionar Psicologia no Sedes Sapientiae e no Curso de Psicologia de Mogi das Cruzes. Op.<68. Relato de Marilene Carone in Lando. Em segundo lugar . R. Durante sua graduação. cinema. dt. professores no Curso de Psicologia da USP como: Durval Marcondes.na época Regina ainda nâo está formada em Psicologia . Seu fJ1ho. Flávio Herrmann. I lugar. o que resulta num "estilo próprio" de fazer psicanálise. em 1969. Regina faz formação psicodramática com a equipe de Bermudcz e participa ativamente do Congresso Internacional de E8 (f) iO "Afinal. após o AI-S. v. relata que Regina fica muito deprimida e que. De novo seu pedido é negado. reúne. Lígia Alcântara. "Pensando em AtutoI Rosenfeld". Pelos Estatutos. muito próximos ao Partido Comunista.e acima de tutÚJ. Torna-se muito amiga de [saias Melsohn. Judith Andreucci. Cria o famoso "grupo dos sábados". Ferrari. perseguidos. através dos livros. tendo vivido exilado em Cuba até a anistia em 1979. Ainda no 3° ou 4° ano do curso de Psicologia. "Regina proporciona (a eles) um apoio além e albeio ao perimetro psicanalítico"?O Em 1968. solicita entrada na SBPSP para fazer formação. Sua filha. Marilena Carone. tentando juntar Freud com a Filosofta e não isolando a leitura do inconsciente do contexto histórico e social.peJa perda do potencial criador e transformador Freud pode determinar. Em 1966. todos eles didatas. abre seu consultório . professor da USP. pp.periódicas reuniões. Marisa Tafarel e toda uma geração de psicanalistas que têm em Regina sua "primeira mestra"fj). pela elitização a que. 3 e 4. ver: Omaiderman. Por alguns anos. tais regras condUr ziam. Op. mesmo para uma pessoa como Regina. dt. muitos de seus pacientes. tanto ela como seu marido e filhos . Mirian Chnaiderman67. posteriormente. para o profissional nâo-médico ou psicólogo . pois têm uma incrível voracidade de conbecimentos. elas são informadas de que nesta segunda vez em que é recusada pela Sociedade "oficial" é feita a seguinte pergunta por algum didata do Conselho de Ensino. isso pesa. é aluna de vários psicanalistas da SBPSP. Regina e Boris. quanto na supervisão). e muito. no qual estáo presentes Betty Milan. Regina sempre teve um pensamento muito próprio. E novamente solicita ingresso na SBPSP. da escola inglesa (Melanie Klein) à francesa (Lacan). PaulolFolhetim. principalmente nos anos 60. Regina resolve lançar-se profundamente nos estudos sobre a obra de Freud e percorre todas as principais linhas existentes. Op. tornam-se intelectuais brilllantes. desde os rumos das artes e da cultura até assuntos f1!osóficos específicos. Em duas entrevistas dadas a mim. ali tudo é discutido. mesmo já tendo um consultório concorrido e numerosos grupos de estudo e supervisão. é preso algumas vezes quando o Exército invade a Universidade.participam das passeatas estudantis. em sua casa. 90 91 . e com relação aos preços cobrados (tanto na terapia. 67 Lando.

percebe-se o apoio que lhes deu e muitos passam a dar aulas no Curso do Sedes.) (. sabedoria e informação. etc. 92 I 72 Lando. Inicia-se. como Ana Maria Segal. 2" semestre de 1988. Mário Pablo e Lúcia Fucs. se auto-a1ertar. durante o período mais terrível da repressão militar. de braços abertos. que sabia acolher e apresentar. Os acontecimentos deste curso no Sedes. até os enfoques teóricos utilizados em cada caso. São Paulo. . Em 1976. Regina foi uma daB figuras mais importantes no sentido de auxiliá-los. um trabalho tipo "cooperativa": clientes que não podem pagar são aceitos.maçâo em Psicanálise: Alinhavando Algumas Anotaçôes de leitura".. ~Política de For. Esse chamado "estilo próprio" de fazer psicanálise traduz-se na crença de que "a análise é um processo de desalíenação". então. Aberta a todos e às várias correntes. aceder peta primeira vez explicitamente a uma bistorieidade ao J mesmo tempo singular e coletiva.ela então recebia um membro da Escola rnudiana de Paris. Regina foi um arsenal de generosidade. em 1976. nº 1. puderam recorrer e foram recebidos.Revlsta de Pskanálise. Em 1975. Regina Chaiderman morre c1e câncer em 1985. Silvia Alonso Espósito e outros. didata da SBPSP. Em São Paulo. a lacuna aberla no centro das centenas de pensamentos epensadores controvertidos que Regina conseguiu reunir em tomo de si "h. Quem viesse de fora da cidade.. chegava nela. mas desalietulção do discurso que se tem sobre o saber psicatullftú. ennip tiu-nos conhecer o que se fazia na França e também nos outros países latino~americanos (. em 1970. inicialmente arrojada. o Curso ele Psicoterapia Psicanalítica. Op. Sempre atenta ao sofrimento alheio.skanáJtse atmais do encontro. a pressão da SBPSP por consíderá-lo uma formação paralela e a sua divi~ão em dois cursos serão relatados adiante. Faz cirurgia. para organizar um 71 Clmaiderman.Psicodrama e Sociodrama realizado no MASP.o ••71 (grifas meus).é este o fazer do analista" lnstituto de Formação de Terapeutas. cria-se. no caso mais geral. Desta idéia. no item VT deste Capítulo.já em cadeira de rodas. é um ato psicatullftico e é um projeto de desalienação DesaJíenaçiio desta vez não do sujeito analisando. depoi~ de uma enfermidade de dois anos. pois já é claro para Regina e seu grupo que estão contra o modelo da "verdadeira" psicanálíse. discutem-se as regras analíticas instituídas. vai ã Europa para tratamento e quando volta . com o apoio da mósofa Marilena ChauÍ. cito 93 . os pacientes não são materiais de análi. o ensino da Psicanálíse . Por seus depoimentos. colegas que estão em dificuldades são ajudados através da distribuição de clientes. viveu uma dura exclusão no início da carreira. aproximou tantas pessoas.. permanece com sua base teórica psicanalítica aberta a novas técnicas. muitos psicanalistas argentinos vêm exilados para o Brasil. inicia os grupos de estudos sobre Lacan. várias salas no mesmo prédio em que sua mãe tem consultório. generosa no consolo. Segundo Miriam. em que se debatem desde os preços a serem cobrados a determinados clientes. Nas reuniões das terças-feiras com Regina. do Instituto Sedes Sapientiae. acima da indiscutível inteligência.pp. criando um estilo próprio. Mais do que qua!quer atuação ou ideologia.'drnoda fugacidade da vida Ninguem cultivou como ela a amizade.'Ie a explorar como fontes de teon'zaçiio ou a transformar em indüJíduos normai. Sedes. v. são feitos estudos de caso. pois está com metástase na coluna . literalmente..__ É neste se jazer que o analista coopera . lndkou-me o pn°meiro analista. Ano 1. será o carinho sempro atento. nos piores e melbores momentos. A SBPSP recusou-lhe a entrada Mas era feita de muitos fi51egos e foi em Da mesma forma. ao qual todos. cedo ou tarde. 111'5. era uma anfitnoâ nata. R. Faz parte do Grupo de Estudos de Psicodrama de São Paulo até 1971. efoi na sua casa que pnomeiro ouvi falar de Lacan . pois . ) Não trilhou o seu caminho facilmente: pela sua indepen~ dência. no ano de 1973. para Regina. Quando Miriam se fonna em Psicologia. In: Pen:urso. "ARegina já não está. Roberto Azevedo e Regina Clmaidennan são chamados por Madre Cristina. Todos são unânimes em afinnar e enfatizar que.12e 13.. além das supervisões. Todavia. promoveu a P. !s/o fi criação (. aluga. e pelo processo analítico.continua trabalhando no Sedes e em seu consultório. com o golpe militar na Argentina. É de Regina e Miriam Chnaiderman a primeira tradução de Lacan para o português nesta época. Valorizando o l!. Em 1972. com alguns dos que estudam com Regina.rasi1. fez pouco da doença que a afetava ensinando a tirar o má. criar um novo segmento de sua história e.'i_Os pacientes têm que sejazer.

onde abri minha bolsa e. Op. p. 73 74 My1an.B. p. A psicanalista é. como membro dos órgàos de repressão. eu deveria sentar à mesa sem minha bol. retomei até o arquivo. após os cumprimentos de pr{4w.a Dra. Rio de Janeiro. "Quem iria analisar Regina Chnaiderman?" 5 . lmago. . C. Seu pedido é negado por unanimidade pela direção da Sociedade. . feita em 1973 à revista Questionamos nº 2. 1010. B. a multiplicidade de facetas. co.R "Psychoanalyse and Politik In Brasilien" Op.. Rio de Janeiro.frente. Ainda sem sentar-se.ta () artigo 13: "Ao considerar a admissão de Membro em qualquer categoria. sentado diante de mim.) Eu era acusada de denunciar um torturador . s gregos e os troianos. Helena é acusada de plágios num anigo publicado no IJP(Jornal Internacional de Psicanálise) e num resumo feito sobre um psicanalista uruguaio. Cerqueira. pode. se valer do exemplo. o Conselho deverá ter em mente se o mesmo preenche as condições exigidas quanto ã integridade de cardter..• Contribuição à História das Sociedades PsicanaIiticas 00 Rio deJanelro. que deveriam ser deixadas em cima do arquivo situado ao lado da porta {. Op.). no entanto.) A sua vida passou decisivamente por muüas outras. isqueiro.O ANALISADOR HELENA BESSERMAN VIANNA A Dra. Acompanhada pelo mesmo membro do Conselho. I' Solicita. H.. Após várias cartas nas quais a Dra. Helena: "Bati na porta da Biblioteca efui recebida por um dos membros do Conselho. e podia cantar... A diferença.. o constante questionamento. é criticada por ter feito. 76 94 9. o ConseU10 Diretor da SBPR]que o assunto fique em total sigilo. analistas de todos os grupos e de diversas na<:ionalidades. G. óculos e uma caneta (. que..10. H. Ali estavam intelectuais. mimeogr. E. numa conferência pública. cultivar a diferença e a tolerância Quem foi ao enterro viu que ela reunia amigos "dí<. Não Conte a Ninguém. uma reunião. Várias eram as cantigas de ninar que a mãe grande conhecia.. atuando no DOI-COD1/R] . Daí os tantos "somente pessoal" e "oralmente as explicações serão dadas". Helena não aceita as referidas "explicações orais" . Ali estavam congregados os membros de uma tribo nascida do amor ã tribo da Regina"'!>. informou-me que. Vianna.. H. 1982 e Vianna.nal"" (grifos meus). formou meio mundo na própria casa.B. retirei dela cigarros.. insistindo numa leitura rigorosa de Freud.) uma pasta grampeada. 10[3. revoltJia acintosamente r. tendo em vL.. EstatutosdaSBPRJ. Assin1 a descreve a Dra. por assim O diZer. dedicando-se ininterruptamente à transmissão da Psicanálise. desviando-se dos padrões éticos exigidos de "neutralidade" no exercicio proflSsio. que tinha em seu frtmtispkio utntl lista verde-amareÚl e as conhecidas iniciais ( . 1994. posição politiea conhecida e ser devidamente registrada no DOPS. p. coordenada pela psicanalista argentina Marie Langer. .)DOPS C_. 39. 1986. "Uma Grande Mãe e Anfitrià Nata" In: FolhadeS. a Dra.J. Pau1o!llusttada.jJares". requer inscrição como Membro Titular.. cit. ainda. Além desta acusação . Em 197~. Helena responde que se encontra apta a prestar quaLsquer esclarecimentos sobre sua pessoa. foram se despedir dela. o desafio que era Regina Chnaiderman não cabiam na SBPR].p. "numa posturd politica já conhecida".ntra o médico 7) Vianna. A famosa denúncia. que ela alentava nos momentos de crise.75 (grifos meus).a e minha pasta. ver também: Vianna H. sempre observada.S. Rio de Janeiro. Helena Besserman Vianna é membro associado da SBPR] desde 1970. Antes de dirigir o curso no Sedes sa.a de ter denLlnciado o candidato a psicanalista da SPR]. pois.J Entreguei minha bolsa e minha pasta e encaminhei-me para a mesa. é marcada para 24 de jLlnho de 197~. Por ocasião.Amilcar Lobo.. convidada a comparecer a uma reunião reservada com o Consellio Diretor. filhos Regina jazia tudo à sua moda" era única e vai faltar. uma pergunta sobre a aceitação para analista de uma pessoa comprometida com atrocidades a seres humanos. 1994.mas admite que o assunto tratado deverá ficar registrado em Ata -.Sohre o assunto. (Org. em 1974. . Carta aMeusCulegas Psicanalistas. da visita de Bion ao Rio de Janeiro. Graal. disse que me seria muito dificü ali permanecer sem cigarros e sem óculos. Crlsena Psicanáli'le. Um dos membros do Conselho. cit.. Sem compreender. solicitando marcação de data para apresentação de seu trabalho (conforme o previsto nos Estatutos). então. ter a referida psicanalista uma ". em que ela somente poderá ouvir. os padrões éticos e têcnicos"74 (grifos meus). cit.pientiae. tendo em vista a natureza confidencial do assunto. finalmente.. Ninguêm pode ser como ela. por decisão do Conselho.

após retornar de Londres. cit. mas o r. Só que a entrada de He[ena para titular é um direito garantido pelos próprios Estatutos c que. _ Em 1986. nUll1ato corajoso. ressalta a acusação de ter havido uma "denúncia calunio. desde 1974. Helena Besserman Vianna. Ou seja. Isso gera. não se poderia transformar um membro convidado em didatan. outros membros do Conselho Diretor. desde a publicação da denúncia na Argentina.c. As duas Sociedades cariocas. Helena.) vivíamos sob uma das mais sanguinárias fases da repressào promouida pela ditadura.pp. Ainda em 1975.e.. uma pequena crise na Direção do Conselho. é proposto a Helena que todas as cartas e Atas reservadas sejam queimadas e que o incidente seja esquecido.) acusador do c1ime e do cn'minoso" 77 (grifo meu). ao serenl entrevi. a questão é a Dra. Com isso.:) ldem. Sociedades "oficiais" as maiores defensoras do instituido. após uma série de mudanças estatutárias.Amilcar Lobo. também.. Vianna. repressão como candidato a analL'ta. no ano seguinte. acusações não passam de interesses ocultos para denegrir a psicanáIL. que.. com suas acusações. 96 97 . concluem que a autora é a Dm. Isso não é tão importante quanto a atitude da Dra. em âmbito restrito e sigiloso. de que taL. como a de René Major. Helena B. ocorrem pressões contra a indicação de Paulo Grimaldi como didata pelo Conselho Diretor. o que ocorreu em 1976.. mantive as carlas originais guardadas no mais "meticuloso sigilo" e pemumeci polüicamente engajada na luta pela redemocratizaçào do Brasil"7$. (. alguns argumentos como: Leão C~hernite gamntiu para a SBPR] que Lobo mo era torturador. por isso não lhe foi permitido portá-Ia durante a reunião. envolvidos nos acontecinlentos do caso Helena... até muito pouco um habilmente anuladas para encobrir a questao pn'ncipal.çta didata defende seu paciente acusado de ser torturador com a tese de que estas calúnias sao provententes de forças ocultas que desejam destru'ir a Psicanálise Contrata um perito em grajàJogia pe1tencente a órgdo governamental para analisar a grafia de todos os analistas das duas Sociedades e este conclui (. há toda uma correspondência da IPA com as duas Sociedades cariocas sobre o caso Amilcar Loho. Alguns dos envolvidos nos acontecimentos. na qual havia algumas linhas manuscritas. macu[a a psicanálise. Um anali. Há aqui uma agravante: a indicação de Grimaldi para didata vem junto com a de doi. com a negação feita a Helena e os episódios já narrados.. na época. Aftrma Helena que: "Quanto à incineração das cartas trocadas com o Conselho. mas... utilizam.'>a" contra membro de outra sociedade. Dentro da SBPRj. esta prefere "aceitar" a palavra do então presidente da SPR].co.tados. chegara através do jornal do peB VOZ Operária. No mesmo ano. Em seguida. quando lhes interessa há a quebra dessas normas ~ tanto no caso de Helena como no de Grimaldi. à guisa de explicações. Helena vai a Londres conversar com a direção da IPA e muito depois fica sabendo que. ser necessário 'salvar" a Psicanálise e suas instituiç6es a/raués de punições contra o denunciador O cnOminoso ndo ma!" seria o autor do crime. jornais o Caso Amilcar Lobo.Op.tência um membro dos órgãos de de -:-. esta. e de virios psicanalistas espanhóis e canadenses ã IPA. para que os ânimos serenem dentro da SBPR]. Apesar de uma série de denúncias feitas. Helena Vianna pubHcamente narra para toda a SBPR] os acontecimentos de onze anos 78 -. entre todas estas descahida. em [973. ela é muito exaltada politicamente e suas declarações criaram um mal-estar entre as duas Sociedades do Rio de janeiro. Ou ainda que Helena levou o co. ou que He[ena tem dificuldades de convivio humano. Leão Cabernite. através de exames grafológicos. conro em 1975. internamente. Estatutariamente. "Claro que. Estava na SBPRj como membro convidado. H_B. a da Universidade de São Frand. embora sejam as cúpulo. do. nos EEUU. ela poderia apresentar seu trabalho e ficar como membro titular. que se avoluma. Seu paciente é inocentado das acusações feitas e a acusadora do crime torna-se a criminosa. Alguns comentam que é feita uma barganha: fica Helena como titular e Grimaldi como didata. ]Olj. e não o fato de este "aspirante" ser efetivamente elemento de confiança da repressão. Grimaldi era gaúcho e tinha feito formação lU APA. na imprensa francesa.. denuncia a cxi. ou: Helena Vianna tinha um gravador dentro de sua bolsa. volta às manchetes dos principaL.) a autonOa da letra que fizera a denuncia. sim..o para o lado político e ele não tinlla esta conotação.ç acusações.<.Vianna. p. l013e 1014. decidem. A proposta feita pela cúpula da SBPRj e a posterior admissão dessa pSicana[L'ta como membro titular é uma forma não somente de apaziguar os ânimos cÀ'temamentc.

atrás e, em Assembléia, é votada uma retrataçào pública da Sociedade, o que é feito em nota na grande imprensa. Datam dessa época depoimentos dados por alguns dos componentes da Comissão Diretora da SBI'R], em 1975, publicados em Circular Interna da Sociedade de circulação estritamente confidencial. Alguns declaram:
'Julgo ser uma lástima qu.e de novo se esteja revolvendo o passado e de uma forma bastante escandalosa e de rmra forma que a Sociedade, a PsicatuUise e seus altos dirigentes estejam sendo denegridos (.,). /sto não tinha, nem teve qualquer concxâo com a vida política do Pais, nem com o estado de exceção em que vivemos por 15 anos _A Sociedade não parou de funcionar livremente porque existia ditadura no Brasil, nem havia qualquer vincu/açao fi'M:aJizadora governamental sobre nôs. Esta estória falada e decantada pela Dra. Helena não passa de um engodo e mistificação"&:) (grifas meus),

de subjetividade, são produções políticas, e não psiquicamente construídos em abstrato. Daí os relatos distorcidos, contraclitórios, que induzem ao esquecimento, pois "revolver o passado" incomoda a muitos. É mais fácil aceitar como naturais e até saudávei~ as estruturas burocráticas e hierárquicas das Sociedades de Formaçào, a sua "escolarizaçào", domesticaçào, a falta de criatividade, originalidade, seu afastamento com relação ao tnundo, seu conformismo e, sob um manto de ortodoxia, a idealização das imagens de Freud e da psicanálise. O anali,ador Helena Besserman Viana propicia-nos a rara oportunidade de focalizar tudo isto.

6 - O ANAllSADOR AMILCAR LOB()'3
O hoje ex-médico Amilcar Lobo Moreira da Silva, em novembro de 1968, inscreve-se como candidato à formação analítica na SI'R], tendo como didata o Dr. Antonio Dutra Júnior. Em fms de 1969, forma-se em Medicina, presta serviço militar no Exército e, no início de 1970, passa a servir no DOI-CODURj. Seu "trabalho" até 1974 é "atender" os presos políticos antes, durante e depois das sessões de torturas. Com o codinome de Dr. Carneiro, Amilcar Lobo "acompanha" o terror que se abate sobre o país fazendo parte eficaz de sua engrenagem. Antes, durante e depois! Antes das torturas, executa um "trabalho preventivo", no sentido de torná-las mais eficazes, procurando saber se há alguma doença, se o preso é cardíaco, etc. (a primeira "entrevista" antes das torturas de muitos que são conduzidos para o DOI-COm/R] é feita com o Dr. Carneiro, que vai ãs celas dos recém-chegados). Durante, executa também um "trabalho de prevenção", no sentido de testar a resistência do torturado, e avaliar até que ponto ele pode agüentar. Depois das torturas, faz "curativos" quando "cuida" dos farrapos humanos em que o terror converte as pessoas para que, se necessário, voltem a ser torturadas. Ele "freqüenta" também a "Casa da Morte", em Petrópolis, aparelho clandestino da repressão, de onde somente uma presa
83 Sobre o assunto, além dos livros já cita.dos, ver também: Kupennann, D.lllitóriada Transferência na Institudon;;diz:;u;ão da Psicanálise. Dissertação de Mestrado - PUe/R], 1993 e Franco,j.L. de A. A Con.stntção do SDêncio: o Caso Amilcar Lobo e a Psicanálise. Dissertação de Mestrado - UNB, 1994.

Outros, apesar do peso do espirito societário, afirmam:
"Alguns membros da Comissao não a desejavam como Membro Titular. Além das acusações que lhe eram fritas, havia - penso eu - em alguns poucos uma atitude de "nào desejarem comunistas"
na Sociedade. Ora, Dra_Helena, muüos anos antes, demonstrara

publicamente sua posição esquerdista, coisa que nunca negou epenso eu - por esse motivo não era persona grala para alguns membros do Conselho ,oBJ (as aspas e OS grifas são do próprio autor).

Leão Cabernite, presidente da SPR] na época do "tribunal" contrd Helena, assim se refere ao caso:
firullid6de

., Minha participação nesse episódio teve tão-somente a de obter informações sobre o assunto que nos

preocupava a todos. O assunto era debatido e comentado e creio quenada ocorreria à Dra. Viannn se ela também o tivesse ventilado no ambiente psicanaltlico do Rio "!J!(grifos meus).

Apesar de passados tantos anos, a hi'tória da psicanáli,e, durante o período da dítadura militar no Brasil, ainda não foi escrita. Os próprios psicanali~tas não têm nenhum interesse em relembrar ou esclarecer muitos acontecimentos ocorridos durante este período. Há o recalque e a recusa, segundo o vocabulário psicanalítico, e tais mecanismos sào produções
80 Boletim de Noticias ol! 08 - SBPRJ, novembro de 1986, pp. B e 17. 81 Idem, p. 10. 82 JB/C~oBEspecia1-16/09/1989.

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política escapa com vida". O Dr. Carneiro é "aspirante" a psicanalista um ano antes da prisão de Hélio Pellegrino, membro associado da SPR) que, em 1969, é enquadrado na Lei de Segurança Nacional e preso por 'iO dias. Na época, Hélio solicita à SPR) um documento em que ficasse dito - sem mais nada - que a sua prisão poderia causar ansiedade aos seus pacientes. O documento lhe é negado, sob o pretexto de que a Sociedade não pode imiscuir-se em assuntos políticos. Em 1970, o didata de Amilcar Lobo passa a ser Leão Cabernitc, então presidente da SPR). Em 1973, há, na Argentina, a primeim denúncia pública mostrando o "trabalho" feito no COI-CODl/R) por Amilcar Lobo. No mesmo ano, ainda grAças à coragem da Dm. Helena Besserman Vianna, outras denúncias são feitas na França, nos Estados Unidos, no Canadá, na Espanha e chegam ao conhecimento do então presidente da IPA, Serge Lebovici. Este prefere acreditar na "versão" do didata de Lobo, Leão Cabemite, que afirma tratar-se de calúnia. Lebovlci declara ao então presidente da SPR): "Posso utilizar seu testemunho para responder aos colegas que se dirigirem a mim que o Dr. Amilcar Lobo foi caluniado"". Em 1974, pouco depois de uma paciente do grupo coordenado por Amilcar Lobo ter levantado seu envolvimento com a tortum, o caso é levado a Ernesto La Porta, diretor do Instituto de Ensino. Este consegue do Comandante do I Exército, General Silvio Frota, a seguinte declaração endereçada ã direção da SPR):
"Na qualuiade de Comandante do I Exercito e responsável pela Defesa Interna na área do Estado da Guanabara, Rio dejaneiro, Minas Gerais, &pírito Santo, declaro, a fim de desfazer intrl· gas e aleivoSÚlS assacadas proposital e maldosamente por inimigos do regime e seus patronas contra o Dr. Amilcar Lobo Moreira da Silva, que o referido cidadão sempre teve procedimento digno e humano, compatíwl com a sua situação de Oficíal da Reseroa do B:ército convocado e de médico müitante, nada podendo contra ele ser argüido, justamente que afete sua honra,

Ainda em 1974, Leão Cabemite consegue cópia do manuscrito do jornal Voz Operária e, junto com a direção da SBPR), faz exames gmfológicos para saber quem é o denunciante. Apesar da declaração do então poderoso general Sílvio Frota. os rumores dentro da SPRj crescem e, em 1974 e 197'i, Amilcar Lobo voluntariamente se atasta da Sociedade. jj por esta época que, ao se encontrar com Helena Vianna, numa conferência de Bion, realizada no Rio de Janeiro sob os auspicios das Sociedades "oficiais", sussurra-ll,e que tome cuidado, pois pode se dar mal, algo pode lhe acontecer. Após o "tribunal" feito contra Helena na SBPR], quando esta já se havia tomado titular, em 1976, Amilcar Lobo volta a ser membro-candidato da SPR), sem, no entanto, fazer análise didática, comparecendo aos cursos e seminários clínicos. Toda a Sociedade sabe do "trabalho" que havia executado no DOI-CODI/R) de 1970 a 1974 e, além de continuar na SPR), tem seu consultório particular ao lado do de Leão Cabernlte. Em final de 1980, numa mesa redonda promovida pela Clínica Social da Psicanálise, na PUC/R), sob o título "Psicanálise e Fascismo", surge o tema das torturas praticadas contra presos políticos durante os anos 70 no Brasil. Nos debates, RôqlUlo Noronha de Albuquerque declara ser ex-preso polItico e, além de relatar as torturas sofridas, denuncia Amilcar Lobo como tendo feito parte da equipe de torturadores do 001CODI/R). Dias depois, em 02/10/80, Hélio Pellegrino, que fazia parte da referida mesa redonda, envia carta à direção da SPR), lembrando a publicação feita em 1973 na Revista Questionamos e solicitando providências a respeito. A Comissão de Ensino se reúne às pressas e exclui o nome de Amilcar Lobo do quadro de candidatos da Socledade. No dia seguinte, Hélio Pellegrino e Eduardo Mascarenhas são convocados pelo Conselho Consultivo da SPR] e comunicados por seu presidente que estavam expulsos da Sociedade. Esta situação transpira para a imprensa e há uma forte pressão e protestos por parte de muitos membros da Socledade. A Diretoria, pressionada, convoca, para o dia 21/10/80, uma Reunião Plenária que, por unanimidade, recomenda o arquivamento do processo de exclusão dos dois psicanalistas. Esta decisão é acatada de forma distorcida pela direção da SPR] que, em circular
86 JB/Cadern.o BIE.peclal- 16/09/1986. 101

pundonor e decoro} quer militar quer profissional. Rio dejaneiro,
04 de março de 1974"fb (grifos meus). 84 Esta presa política é Inês Etienne Romeu, que denunciou a presença de Amilcar Lobo na "Casa da Morte", em Petrópolis. 85 JB/Cademo B Especial14109/1986, p. 08. 100

de 01/12/80, retira as expulsões, mas atribui a Hélio e a Mascarenhas uma retratação que não houve, além de acusá-los pesadamente. Em 14101/81, os dois psicanalistas respondem, repelindo a retratação e as demais acusações. Em função desta defesa, são expulsos em 27/01/81. Iniciam-se ai vários movimentos de solidariedade a eles e de repúdio ã direção da SPR]; documentos são publicados na grande imprensa, exigindo a convocação de uma Assembléia Geral Extraordinária que somente em abril será realizada. Antes, a direçào da Sociedade ameaça punir os que, em nota pública, se solidarizam com Hélio Pellegrino e Eduardo Mascarenhas. Em 06 e 07/02 de 1981, em manchetes de primeira página dos principais jornais cariocas, a ex-presa política Inês Etienne Romeu e seis outros ex-presos políticos (Cid Benjamin Queiroz, Vânia Abrantes, Ge= Figueiredo, Abigail Paranhos, Dulce Pando]fi e Cecilia Coimbra) denunciam Amilcar Lobo como o médico que os atendeu em 1970 e 71 no DOI - CODIIR] e na "Casa da Morte", em Petrópolis"'. Imediatamente os três Ministros Militares repudiam tais denúncias, afirmando que não irão permitir, no processo de "redemocrati7..açâo" e "abertura" que o p'aís atravessa, estas posturas revanchistas. Afmal, a Lei de Anistia de 1979 havia proposto o esquecinlento e o perdão mútuos: os "terrorist<L," estavam anistiados, assim como aqueles que, do outro lado, haviam praticado oS chamados crimes "conexos". O ConselllO Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro, então sob intervenção federal, afIrma que" ... no caso do atendimento a Inês Etienne, vê-se apenas a prestação de serviços profissionais e não propriamente um crime"B8- e nada faz. Entretanto, a OAB/R], sob a presidência de Eduardo Seabra Fagundes, toma o depoimento desses ex-presos políticos. Em 12 de fevereiro, no calor desses acontecimentos, a Direção da SPR] envia uma Circular a todos os seus membros e nada comenta sobre a expulsão, em janeiro, de Hélio Pellegrino e Eduardo Mascarenhas. No documento, o desligamento de Amilcar Lobo se dá peja interrupção de sua análise didática. Sobre a questão de sua atuação junto ao aparelllo de repressão o que se coloca é o seguinte:
87 JB-05e 07/02/1981. 88 Declarações do Dr. Silvio Sertã, interventor do CREMER)ao JB - 07!02/1Çl81 . 102

"Desde que, em 1973, surgiram os primeiros rnmores sobre /ígaçôes do Dr. Amilcar Lobo com supostas tm1uras praticadas a presos polítk:os, a mtão diretoria do lnstüuto tentou averiguar a veracidade dos fà/os, sem tp4e nalÚJ de concreto fosse apu~ rodo ( ..). Trabalhava-se, apenas, com nmwres _Portanto, as ínuestigaç6es de então, de cujos pormenores somente ontem lJÍm a tomar conhecimento, lUUÚl apuraram de concreto que incrimiruzsse o referido candidato. Ndo obstante 'Isto, pela.•peculiaridades intrin.wcasno processo de/ortnaçào psicanalítica, criouse um impasse em sua análise pessoal, a qual foi interrompida, fato este que írnplicou, conseqüentemente. a susfX>rlsàode sua

formaçdo

"39

(grifos meus),

Naturalmente estamos em 1981, no Governo Figueiredo e, cautelosa c oportunisticamente, após as declarações dos Mini~troSMilitares, a SPR] não diz que acarreratl1 torturas a presos políticos no Brasil e nem que Amilcar Lobo era membro do DOI-CODlIR]. Esta circular tem também o objetivo de tentar diminuir a pressão pelas várias notícias da "crise" por que passa a Sociedade, notícias publicadas nos principais jornais cariocas. Em resposta, Hélio e Masc'arenhas, em longa carta ã direçào da Sociedade, historiam os "casos" Amilcar Lobo e Helena B. Vianna"". As Assembléias Gerais Extraordinárias, de 14/04 e OSlO'; de 1981, compostas ,.... por cinqüenta e duas pessoas c decididas apenas por dez"'\ - somente os membros titulares podem votar -, resolvem pela expulsão dos dois psicanalistas. Duas semanas após, no dia 27 de maio, cria-se o Fónun de Debates, que aprofundará a crL,e na SPR]. TaL, episódios pressionam Amilcar Lobo a sair de seu consultório ao lado do de Leão Cabernite e o número de pacientes baixa sensivelmente. Apesar dLsso, continua a clinicar em consultório emprestado por Paulo Tavares da Silva, tan~)ém membro da SPR]. O "caso Lobo" fica esquecido até 1986 e, em todos esses anos, nenhuma nota da SPR] é emitida, nenhum psicanalista vem a público para lembrar o fato, a não ser o Fórum de Debates que, em seus documentos, afmna que toda a Sociedade é responsável. Em 1986, Amilcar Lobo "espontaneamente""' procura a grande
fJ) Cerqueira, G. (Org,). Op. cit., p. II Ci. (X) Toda essa correspondência encomra-se in Cerqueira, G. (ürg.). ()p. dto CJ] B3.fft..'to,C.A. "Forum de Debates, Pl.lça Política da Psican;Ílíse~. In: Cerqueil.l, G. (Org.).

Or· cit.,

p.I69. Çl,2 () termo "espomaneamente"

refere-se ao fato de que, i época, as hipóte&s levantadas pelos vários

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imprensa e afIrma ter visto Rubens Paiva93 vivo no DOI-CODJlR] e que lá o havia atendido. Refere-se, também, a outros desaparecidos políticos. Novamente, em primeira página dos principais jornais nacionais, o "caso Lobo" envolve a SPR] e a SBPR] com depoimentos de vários psicanalistas. Ainda em 1986, o Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro - não mais sob intervenção federal -, de posse dos depoimentos feitos pelos ex-presos políticos, em 1981, na OABIR], abre um processo contra Amilcar Lobo. Neste mesmo ano, a oposição interna à SPR], conbecida como Fórum, leva para uma Assembléia Geral da Sociedade alguns desses ex-presos políticos que falam de suas torturas, da participação de Amilcar Lobo nelas e da conivência e mesmo cumplicidade dos estabelecimentos psicanalíticos com o terrorismo do Estado que se instalou no Brasij94.A partir daí, por força de múltiplas pressões, notas ofIciais dessas duas Sociedades são publicadas, nos jornaL. de grande circulação do Rio, abominando a tortura e o estado de terror que se abateram sobre o pais, principaimente nos anos 70. Tentam, com isso, após treze anos da primeira denúncia feita contra Amilcar Lobo, lavar sua honra e esquecer sua covardia e cumplicidade. Algumas entrevistas, dadas por Leão Cabernite ã época, a meu ver, merecem destaque, pelo retrato que fazem da "verdadeira" psicanálise. Sobre o témaino da análise didática de Amilcar Lobo, ele afirma:
"... tempos depois, começaram a correr rumores no Rio dejaneiro, de que o Dr. Amilcar Lobo participan·a de equipe de torturadores,
Movimentos de Direitos Humanos do Rio e São Paulo eram de que Amilcar Lobo estaria sendo instrumento de uma facçâo militar - a denominada "linha dura" - que havia sido deixada de lado na briga de sucessão do General Figueite9ü. A facção que havia se imposto, representada pelo General Leônidas Pites Gonçalves, defendia a "abertura" lenta e gradual. Estas hipóteses foram confinuadas mais tarde, quando, em 1989, Amilcar Lobo lança seu livro A Hora do Lobo. A Hora do Cordeiro (Rio de Janeiro, Vozes), em que elogia os Generais Silvio Frota e Fiúza de Castro, representantes da "linha dura" e que haviam se indisposto com a facção do General Leônidas. A leitura desse livro mostra claramente sua ligação com aquela facçâo. Desaparecido político, preso em 20/0]/71, em sua casa na Zona Sul do Rlode Janeiro. Nunca mais foI visto. A versão oficial, divulgada pela imprensa, afirma que Rubens Paiva teria sido resgatado por seus companheiros ''terroristas'' ao ser transportado por agentes do DOI-CODIIRJ, em 28/011 71 Para cerca de 300 psicanalistas, 5 ex-presos políticos (Arlete de Freitas, Abigail Paranhos, Cid Queiroz Benjamim, Cecilia Coimbra e Regina Toscano) deram seus depoimentos num clima temo e silencioso por parte de todo o plenárIo.

Essesrumores tomaram

Imito

de tal magnitude que a análise, que

a cada dia se tomava mais dificü, acabou sendo inviabilizada, tão contaminada foi petaintromissàQ da realidade extertUl " (os grifas são meus).

Sobre os seus objetivos enquanto presidente da SPR] - o foi em três mandatos durante a década de 70 - observa:
"... assumi a presidência da SPR] e uma das minhas metas foi defender a psicatUtlise de ataques diversos vindas sob as

formas mais variadas. Meu propósito.foi o.de manter a Psicanálise dentro dos padróes que impeçam sua descaracten:zaçào. lsso me
tornou extremamente impopular entre aqueles que queriam ser

psicanalistas sem se submeter ao processo dejDrmação preconizada
por Freud e instituída pela !PA "95 (os grifas são meus).

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Sobre sua ideologia, enfaticamente confmna: "...jamais fui político. Minha ideologia é a psicanálise!". Sobre os psicanalistas argentinos Marie Langer e Armando Bauleo, que publícaram na Revista Questionamos a denúncia contra Lobo, diz ainda: "... são órgãos estrangeiros, hostis à psicanálise!" Em 1988, o CREMER]cassa de Amilcar Lobo o direito de exercer a medicina, o que é ratificado um ano depois pelo Conselho Federal de Medicina. É o primeiro caso, na América Latina, de punição a médico que tenha partieipado de torturas. Apesar de estarmos em 1988 - um ano antes da primeira eleição direta para Presidente da República desde 1964 - 0.Df. Laerte Vaz, então presidente do CREMER],na semana do julgamento, recebe várias ameaças. Por unanimidade, Amilcar Lobo é cassado, tanto no Conselho Regional como no Federal. No mesmo julgamento, é aberta pelo primeiro ConseUlO uma Sindicãncia contra a SPR] nas pessoas de Leão Cabernite e Ernesto La Porta. Posteriormente, é transformada em processo que, em julho de 1992, é julgado e, por unanimidade, o CREMER]cassa os dois médicos por omissão, conivência e cumplicidade no "Caso Amilcar Lobo". Em 1994, covardemente, o ConseU10 Federal de Medicina não ratifica a decisão do Regional: Leão Cabernite é suspenso por 30 dias e Ernesto La Porta será novamente julgado pelo CREMER]. Alegam que, apesar de serem culpados, não
9'5 Trechos de uma entrevista de Leão Cabemite aoJ81 CademoB 10<; Especlal16/09/1986.

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"um choque". À guisa de explicações. medtante o seu Departamento de Ensino. ". é que souberam quem era Amilcar Lobo. Mimeogr. recalcam. somente depois de oito e quinze anos.. nada se podia fazer. havia uma perseguição grande a todos que criticavam o regime e que. o que é dil'erente nas demais profl~sões. esclarece que. Muitos alegam desconhecimento do que aconteceu. . sem no entanto atingir a mesma fama. pelas facilidades que os militares lhe deram. nenhum pskanaJista foi preso ou maltratado. O IMP. Kemper. psicologizando. pois sÓ tomaran1 conhecimento ou na época do Fórum de Debates ou quando de sua cassação pelo CREMER]. respectivamente. consultar 0>1mbra.até hoje marcar posições diferentes da "verdadeira" psicanálise e instrumen~ uma outra fOfilação. propondo uma outra formação. IV ..8. EIsa Arruda e outros. recusam . Conivência e Cumplicidade: AnalIsadores de AIgumas Práticas PslcanaIitkas no BrasD Hoje. na William A1onson White Psychoanalitic Society.ser a regra geral"97.. oferece a psiquiatras. Sobre a SPRJ. que o grande erro foi não ter retirado logo o nome de Amilcar Lobo do Roster. funda um Insututo nao vincul~do à IPA e que se pretende diferente da "verdadeira" psicanálise. o boato de que. cit. Quando volta como didata. Isso é o que se deduz da leitura das Tf!1. colocam que Lobo foi seduzido pelo poder. E jamais houve um psicanalista torturador. Oswaldo Domingues de Moraes. eM. os didatas não se constituíam num grupo direitista que aumentou imensamente seu poder com a ideologia da neutralidade e seu pretenso apoJittcismo. Outros.repressão. o Exército poderia prejudicar o funcionamento da Sociedade..que nada sabiam.que toda a Sociedade sabia desde a primeira denúncia que Amilcar pertencia aos quadros de repressão. teorizam sobre o caso. se a direção da SPRJ tomasse alguma atitude contra Amilcar. 1 .podem ter a mesma pena que Lobo''.enfatizam que o clÍllla da época era de medo. médicos e estudantes cp Ç6 KatZ C S Psic~ e Nazismo. é a de que "eu não sabia de nada". AfuTIlam que este "caso" levou à quebra dessa idealização do ser analista. uns comentam. que é produto daquela época e que tinha que ter resolvido aquele "problema" em sua análise. não foi digerido pela Sociedade: "foi uma fatalidade". poi~ sempre há uma idealização da função do analista. por isso. outros até pensaram em sair da SPRJ ou da SBPRJ.e. p. no RIOde Janerro. . em 1953. em realidade. Aqui como na Europa (durante o nazismo). essa situação nada diz contra a Sociedade. mas não o fizeram. Esse'~~ no início dos anos 40 -antes da chegada de M. . até hoje. de onentaçao culturalista no final da década ele 40. inclusive.é formado por alguns jovens psiquiatras como o casal Perestrello.Jlstas oflciars da ABP (Associação Brasileira de Psicanálise). outros . Corria. o silêncio e o esquecimento parecem .assistem ao aparecimento de dois outros estabelec~entos de formação analitica que tentam . ao afmnarem que todo ser humano. Walderedo Ismael de Oliveira.A PROCURA DA DIFERENÇA Os anos 60 no Rio de Janeiro.. Alguns tentam justificá-lo. através da teoria dos instintos. em sua natureza. após sua formação psicanalítica realizada nos E~tados_Unidos. a "rigidez" do grupo de psiquiatras que. pois foi um fato isolado. entrevi~tados. referem-se de maneira contraditória ao "Caso Lobo": uns afIrmam . entretanto. A expressão tão freqüentemente usada. Para uns psicanalistas.a grande maioria . Antes.O INs11TUTO DE MEDICINA PSICOLóGICA O IMP é fundado oficialmente pela médica psiquiatra Iracy Doyle. ironicamente. que estivesse abertamente na . 223.utilizando o próprio vocabulário psicanalítico . presuglo. tomam-se coniventes 96 Sobreo assunto. Op.são poucos . ten:am u~ formação analítica9'. Outros somente dois .Ou seja. oS psicanali~tas das duas Sociedades "oficiais" do Rio de Janeiro. em quase todas as entrevistas realizadas. Burke e W. apesar de serem assíduos membros da SPRJ. e cúmplices. 1994. Omissão. Alguns consideram que o "Caso Lobo". 106 107 . Iracy já contesta a "ortodoxia" e . poder e procura que as Sociedades ligadas à IPA. em seu Boletin1 nO 01. visto que a psicanálise tem fortes vínculos transferenciai~ com a Sociedade. 7vâo houve torluras no Brasil. é um torturador e. especialmente para os analistas mais novos e para os candidatos.

Claudino Borges Neves.. Jorge de SOUZl Santos.como veremos logo adiante _ tentem mostrar as cnormes diferença. Os primeiros quatro anos são de "fortalecimento e organização interna".. O psicólogo não é mencionado. No Círculo. em 1967. Por exemplo. os membros a. é que o IMP se reestrutura e. 100 Dessa primeira turma fazem parte: Hórus Vital Brasil. para nlarcar Unia posiçào diferente das "oficiais" no Rio de Janeiro. o IMP. Tanto o IMP quanto o Círculo Psicanalítico procuram Unia prática psicanalítica e Unia fOfilação diferentes das marcadas pelo dogmatismo e rigidez da IPA.como a Alemã. com autonomia administrativa'02 e. os nlelnbros associados nào têm o direito de participar e votar nas Assembléias Gerais. Todavia. na época. Desde seu início. Sergio Pereira. mimeogr. no Rio de Janeiro.por Katrin Kemper e seus discípulos. fUia-seà InternationaJ Federation of PsvchoanaJitic Societies ([FPS). outubro/82. pois no Brasil. ou em processo de reconhecimento pela IPA. Ewald Mourão. Iracy Doyle não tem ainda uma primeira turma formada no IMplOO e isso provoca uma diáspora: para terminar a fornlação. a William A1onson White e o Grupo Austríaco de 19or Caruso. a outra Internacional Psicanalítica. Rosita Mendonça. Kemper. já está começando a ser produzida a demanda de um "mercado psicológico" e. faz contatos com K. embora os entrevL. N. após sua saída da SPR). e no Círculo. há a instituição "membros honorários" e "beneméritos". chm atenção a presença de um forte academicismo. não é ainda uma protlssão regulamentada. Pretendendo fortalecer as diferen\--:Jscom as Sociedades da lPA. fornlada. Kemper para que. p.'5ociados (os que estão cursando a forn1ação) podem ser excluídos através de ". Ou seja. suas hL'tórias burocráticas. desde a sua reestruturação. os "cursistas". simples julgamento da Diretoria. 1\0 IMP. em 1969. Passa a fazer parte do Círculo Brasileiro de PsicanáIL. ] 3. desde o início de seu funcionamento. de visita ao Brasil. In: Burlamaqui. uma ~spéde de AS? lO3 "O Conselho Diretor é constituído por quatro Membros Psicanalistas Docentes Supervisores ou Didatas do IM? e um representante dos Membro. 102 Funciona como um Sludy Groupaos moldes dos da IPA. pelas Sociechdes Psicanalítica. outros entram para as duas Sociedades "oficiais" já reconhecida. após quatro anos. em I<:XXí. 1974. 19. 109 Burlamaqui. tanto no IMP quanto no Círculo.ele lneelicina. Ao consultar os respectivos Estatutos e Regirnent(JSInternos.e e na formação por ela instituída. no IMP. Entretanto. abre a fornlação para psicólogos. em QC) 1969..não vinculadas à lPA . Boletim lntemo [MP: ~ero HIstórico Comemorativo dos 30 Anos de Fundação do IMP. <Jp_ cit. uma outra Internacional. sem direito a quaL'quer HJl Inicialmente chamado Círculo Brasileiro de ]Jsjeologia Profunda. existentes entre a IPA e a lFPS. poL" no ano anterior. os conhecimentos dinânticos. N.6.. Igor Caruso. cm 1972. p. o Conselho de PsicanalL. já sob a presidência de K. 1\este estabelecimento. alguns viajam para os Estados IInidos. p. Somente em 1960. mimeogr. Hélio Pellegrino. quando Hórus Vital Brasil retoma de sua formação na mesma WAWPS. necessários a sua profi'5sào"99. 1\esta época. justamente. Somente em 1971 o Circulo Psicanalítico é considerado uma "unidade completa" do Círculo Brasileiro de Psicanálise. Jayme Pereira. Ao morrer prematuramente em 19.. a Mexicana. é reconhecido como "sociedade" pelo Círculo Br3Sileiro de Psicanálise.5. têm o "direito" de eleger representantes junto ao Conselho Diretor. professores e assistentes sociais. tão criticado como privilégio das Sociedades "oficiais". "independentes" . abre sua primeira turma de formação. O tão criticado poder dos didatas continua intacto. In: Regimento !MP. organizacionais e institucionais e suas práticas instrunlentalizam os mesmos dispositivos presentes na "verdadeira" psicanálL.. Rio de Janeiro. seja criado um núcleo de fOfilação analítica. como será duas décadas depoL'. quando há a fomaação dos próprios discípulos de Katrin. tem atividades em Belo Horizonte e Porto Alegre e ligações com o Grupo Austríaco de 19or Caruso."Cursistas". o que limjta a entrada de muitos interessados e demonstra um profundo academicismo e elitismo. o IMP exige do candidato ã formaçào curso de especialização ou pós-graduação em Clinica.tados . 108 .e101. 2 ... procurada e de sucesso. o IMP não pode desprezar esta parcela cada vez nlais numerosa de profi'5ionais "psi". e. Urano de OUveira Alves e Maria Magdalena de Menezes Pimentel.!aS fOfilado pelo Conselho Diretor"" e nlais cinco psicanalistas didatas que tomam as decisões nlais importantes. aceita médicos e psicólogos e faz parte da lFPS. da Federação Internacional dos Círculos de Psicologia Profunda..O CÍRCULO PSICANALÍTICO DO RIO DE JANEIRO O outro estabelecinJento que tenta marcar sua diferença com a "verdadeira" psicanálise e a formação por ela instituída é criado. é instituído.

Se a ba.. num momento em que a sociedade civil brasileira já se encontra bastante fortalecida e clamando com mais força por uma maior democratização em todos os sentidos e setores. algumas situações que mostram como se está impregnado da ortodoxia e da intolerância reinantes nas Sociedades "oficiais". visto . Contudo. isso ocorre diferentemente das Sociedades "oficiais" que.a própria criação deste fórum é uma demonstração desta reprodução.es"que ocorrem nas 104 Estatutos doCfrculo Psicanalitico do Rio deJaodro . a medicalização da. em 1969. A exemplo das Sociedades "oficiais". em 1991. p.novembro/1978. a desqualificação de outros. em conseqüência. segundo seus próprios documentos. A própria ftIiaÇão a uma Internacional . Em meados dos anos 80. nos anos 70 e nos ttt 110 . as oposições e dissidências não são toleradas.rubém estão presentes em outros tipos de discursos. Inclusive. apresenta-se o mesmo argumento utilizado pelas cúpulas das Sociedades ligadas ã IPA quando se referem às oposições internas.a IFPS . temos um exemplo: após a flliação ã IFPS. o dognutismo. Apesar dessas explicações. Ou seja. Sob uma roupagem liberal. Também no Círculo Psicanalítico do Rio de janeiro.caberá recurso à Assembléia Geral"l"'. A rigidez.entre outras coisas sua base teórica ser diversificada.introdutor no Rio de janeiro dos estudos sobre Lacan -. ocorrem. pois somente quando terminam a fomução têm a opção de fazer parte dela ou não. tão presentes no mundo "psi" e na sociedade em geral. somente em meados dos 80.s Sociedades "oficiais". o que é confJrnudo em 1980.sdos dois estabelecimentos argumentam que negam a ortodoxia. o CPR solicita sua permanência na IFPS. é bem diferente da IPA. mimeogr. em 1978. 02. que são copiadas pela IFPS e pelas Sociedades "independentes" a ela vinculadas. chegando até Lacan. a meu ver. é um grupo dissidente do Círculo do Rio que pretende se desligar e organizar outro núcleo. demonstra a necessidade de prestigio e reconhecimento internacionais. concebida como "alternativa" . A Federação não possui ftIiação individual e Sinl as Sociedades é que são seus membros. a foonação academicista. a disciplina. "escutas" e práticas psicológicas: eles estão sendo estinlUlados quando as instituições que permeiam e se anlalizam nos vários dispositivos sociais fortalecem os diferentes instituídos: o saber de deternlinado grupo e. Recife e Rio de janeiro). a hierarquia. o que representa a saida da IFPS. Assim.os menlbros efetivos . por influência de Hórus Vital Brasil. dogmatismo e ortodoxia ta. já que é "uma opção" tomar-se membro da SPID. Porto Alegre. o prestígio internacional é inlportante e.que. há também estudos os mais variados. eles não têm. pois suas formações são mais abertas. tanto a SPID quanto o Círculo reformam seus Estatutos e Regimentos. sendo vistas como traições ao grupo que. visto não haver o "patrulhamento" sobre seus membros e sim uma cooperação "científica". Por exemplo. em 1974. taie. alguns anaIisra. num Congresso dos Círculos Psicanalíticos Brasileiros (há unidades em Minas Gerais. No entanto. o IMP. há uma forte tendência lacaniana. é proposta a criação de mais um núcleo no Rio. percebe-se toda a organização e burocracia presentes na IPA.reformas são realizadas após as "cri<. Em realidade. segundo declarações dos entrevistados. é fundada a Sociedade de Psicanálise Iracy Doyle (SPlDl. A reação da direção do Círculo Psicanalítico carioca é a de criticar e imediatamente desligar-se do Círculo Brasileiro. considera ter direito ao seu monopólio. Em entrevistas realizadas. em sua própria história interna. Salvador. pois não são os núcleos que ai estão representados. :'-Jãoobstante todos os esforços da SPID e do Círculo para serem diferentes da "verdadeira" psicanálise.s que são produzidas e fortalecic!as pelas Sociedades "oficiais". a rigidez. Principalmente na SPID (ex-IMP). Em realidade.esclarecimentos.se é "sullivaniana" ou "freudiana". por ter sido o fundador do estabelecimento. aos demai~. Sociedades "oficiais" e que têm também como efeito mudanças em seus Estatutos. mais flexíveis. fica numa situação anômala. cisões ou expulsões: a questão está nas diferenças teóricas. em que há a formação analítica e os "cursistas" não pertencem ã Sociedade. Sobre a força da burocracia e a atenção dada a ela no interior desses estabelecimentos. apesar de se afastar do Círculo Brasileiro. etc. as práticas "psi" desses dois grupos pouco se diferenciam da. constatar-se que a organização burocrática dominante na lPA é reproduzida' nessa outra Internacional. pois é um Instituto de Formação de uma Sociedade que não existe. começam a diversificar seus estudos e leituras com a introdução da Linha francesa. funcionando em Nova Friburgo.

por isso."i persecutórios e/ou anleaçadores. com o decorrer dos anos. "Clinique Sociale de Psychanalyse et la Favela dos ('. Regimentos e outros artigos. inclusive. apesar das análi5es feitas acima. ainda que tais propostas ficassem somente nas intenções e discursos de seus integrantes. novembro/1989. à medida que a Oínica Social de Psicanálise expande seus atendimentos e um número cada vez maior de psicólogos a ela se liga. 26. sendo seu quadro clínico formado por analistas em formação e profissionais que pretendem ser psicanalistas.e"lOs nos anos 70. Esta é uma das razões que levam alguns profJSsionais "psi" "progressistas". os chamados "encontros psicodinâmicos". congregando diversos segmentos interessados na psicanálise. as Sociedades "oficiais" se inquietam. 3 . senlsentitnento. como 112 anistas. foí mediadora e interlocutora do movimento expansionista da psicanáli. São. não muito profunda. mas uma psicoterapia de base analítica e. e justamente por isso. aqueles que se dizem psicanalistas. mas que estão fora da IPA. Hélio Pellegrino e Qlaim S. SU3Sdificuldades .. englobando diferentes profJSsionais "psi". talvez este projeto não tivesse saído do papeL Outras Socíedades de fonnação. a Clínica Social de Psicanálise. de diferentes formações e abordagens. Katz. que atinge seu auge na década de 70. filósofos. 106 Sobre o assunto. fazem um trabalho na Faculdade Cândido Mendes com pais. É verdade que. Matrice.participam efetivamente do projeto. não permitem aos leigos a leitura de seus documentos "sagrados". Ed. Assim. será explanada um pouco aqui. são os usuais e cotidianamente utilizados contra os inimigos da "verdadeira" psicanálise. Reflexão Teórico-ClínicaSobre a Inserção da PsicanáHse no Social: A HIstória da Clí:nka Social de Psicanálise Anna Katrln Kemper e Suas Perspectlvas FuturasRelatório Técnico Ill. nas quais me foi muito difkil conseguir qualquer documento of1cial. In: Macedo. argumentos que. Apesar disso. em 1975/76. Katrin e alguns de seus colaboradores. H. a direção da SPRj chama Hélio Pellegrino e sugere que o nome seja substituído para Clínica Social de Psicoterapia. ver o trabalho desenvolvido no Morro dos Cabritos (Rio de Janeiro) por João Batista Ferreira.oPsicanalítico do Rio deJaneico. psicanalista do CLtcul. a se incorporarem à Clínica Social. de um modo geral. Neste ponto. não ocorreu com as Sociedades "oficiaLs". COllIO já vimos. jornalistaS. A psicanálise não pode ser conspurcada pelas propostas contidas no projeto que se tenta desenvolver na Qínica Social. se não fosse o empenho de Katrin e do pessoal do Circulo.-abritas". Gostaria de registrar e apontar que. Em realidade. 113 .questões. Le PsychanaJyste Sous la Terreur.A CLÍNICA SOCIAL DE PSICANÁLISE Embora não reconhecida pelos analistns do Círculo como fazendo parte de seu estnbelecimento. B.O. prontamente fornecidos pelas suas Secretarias.línica Social inscreve-se no quadro já desaito do boomdas terapêuticas "psi" cuja demanda é fomentada pela produção da "crise da farnilia". fundada por Katrin Kemper e seu grupo em 1972. mIrneogr.]. Módulo N . acusados pelos "verdadeiros" psicanalistas de não oferecerem uma formação analítica. alguns. nlaS somente um representante do 1MPe Hélio Pellegrino . bastante preocupantes nos anos 60 e 70 para as farnilias de classe média . São grupos em que se debatem questões relativas à educação dos filhos. etc A própria criação da C.que já é da SPRj . 61-84. s/data. não fazerem psicanálL5e. um ano antes. (Coord. bá "diferenças" com os guardiães do "Santuário de Vesta". algumas diferenças existem entre esses doLs estabelecimentos e as Sociedades "oficiais". confidenciais. A idéia para essa criação surge quando. Vigneux. FINEP.e que lotam o salão ond'e são realizados.Rio de Janeito. In: Ferreira. Não obstante toda a clientela ser de cl3sse média da Zona Sul carioca. que são de circulação interna e. fortalece-se a idéia de uma clinica que possa atender à população de baixa renda com a implementação de trabalhos grupais. Há outras grandes ilusões contidas neste trabalho e muito presentes 105 Almeida. aqueles que querem denegri-la. A facilidade com que tive acesso aos seus Estatutos. "Desta feita. muitos chegados do exilio. p. Penso que. Estes me foram fornecidos por alguns psicanalistas isoladamente. são chamadas. o prestígio e o poder que as Sociedades "oliciais" possuem no sentido de atrair os jovens profissionai5 'psi" cariocas para sua formação. a Clítúca Social ultrapassa os muros do Círculo Psicanalítico. como já vimos. KM. o atendimento que se faz a populações marginalizadas é ínfimo!06 e a grande demanda de sua clientela provém de estudantes e intelectuai5 da Zona Sul do Rio de janeiro.seguintes.). que. Sua proposta atrai a muitos e a ilusão de se fazer um traballlO por meio do qual se possa atender às pessoas sem condições de pagar um tratamento psicológico privado está presente em toda a sua história. no Rio de janeiro..

se amplia com a proposta do Núcleo de Atendimento Terapêutico" Psicóticos.:tI Ernesto GeiseL 114 11'. Outra é a "postura assistenciaJista" que se tr. 31. três universidades o fazem: a llSP. estando presa em B.1. O profc'5ional enviado pela Clínica Social de Psicanáli. época. ajudou a algumas pessoas marcadas a ferro c fógo pelo regime militar como portador"s da peste." então cumprindo pena.beneilcialn-se com as sobras do "lnilagre econômico".intelectualç de C esquerda. cristão. o de K. há no Rio de Janeiro somente uma universidade que mini. p. Inês :lulori7Du-me a citar seu caso (' seu nome. cai o AI-5 e há mudanças na Lei de Segurança Nacional. A questão assi. na prinleira metade da década de 70. SPAKK que abriga não sô ~ mas sobretudo . inscrevendo-se até mesmo no DESIPE para obter autorização. em muito. de despreendimento. novamente vem à lOna o caso Amilcar Lobo e se desencadeia a crise da SPRj.O MOVIMENTO PATERNAiISMO DOS PsICÓLOGOS E O DOS PSICANALISTAS 1 . muitos são atendidos sob nomes falsos. é o milagre."i tividades. Em São Paulo.lduz no discurso de Ilélio PeUegrino pela ". geral e irrestrita e.\-e. 1]1 Final de governo do Gener. em seus consultórios p"rticulares. alguns atendimentos " pessoas que estão n" clandestinidade são realizados.tra. Segundo a própria Inês. como a primeira Faculdade de Filosofia. Compreende-se. ':.M. (Coord. 107 v . de solidariedade "umam que. cujo curso é iniciado em 19)8. em 1978. Apesar de todas as ilusões e ambigüidades assinaladas. em 1962 e o Sedes Sapientiae' ".:ào dos movinlentos de anistia e o início do processo de "distensão lenta. Ainda em lU \b.lIt com a intensifica\. surge como Instituto Sl'dcs Sapientiae.1..como todos os outros.l 0r.-5 110 Em emrevista concedicLa.em fins de 1980. desde 19)7. o Curso de Psicologia da PUC ~ o da Faculdade de Filosofia "St'des Sapientbe". Mesmo antes. Inês começa a ver a possn)ilidade de sair e isso faz com que se sinta ameaçada. por isso solicita "paio psicológico e discute com o tempeuta tais questões e seu cotidiano na pri'iào. cumprindo pena de prL. É durante a gestão de Ilélio Pellegrino que" Clínic" Social maL. deste fundador" lOS.S de expressão num mOlnento o regime ditatorial exige n1utL~moe alienaçào·'. Em função da perseguição política que paira sobre esses militantes. p. o atendirnento a ex-presos políticos. cit. têm uma extensa clientela.mper. num dos Sitl1pósios protnovidos na ruc pela Clinica Social de PsicanáIL<e. e apresenta-se ãs autoridades como um amigo. fórmula onde os "possuidores doanl aos despossuídos".. K. em final de 78. a.. fórmula que encontra perfeita ressonância no caráter religioso. perigosos "terroristL'. o lan\-':lmento do livro "PsicanáILc..ee Política" e muitas outr3. o Curso de Psicologia: a l'uc. inicio da gestào de Hélio coincide com o adoecimento muitas atividades e sua morte ".tas mais procurados no Rio de Janeiro. ) ocorram. J08 Almeida. quando. (. a ambigüidade presente na atuação desses psicanalistas. conforme nos mostram as refert>ncias da. A própria gestão de Hélio Peilegrino em muito veste o slogan da anLstia anlpla. é importante que se resgate esse lado comjoso de muitos analistas da Clinica Social: um" faceta bonita.e dumnte cerca de SeL' meses visita Inês no Presídio de Bangu semanalmente."dra.. segura e gradual".çta. ".J nutre-se das sobras do "milagre econômico" que permite que doaçõés (. que anali. aqueles que . Lma delas é a de que a psicanálise poderia ser mais um veículo da chamada "con.m 197b.durante a gestão de Hélio Pellegrino de 1978 a 1982107.''iCientização''. facilitando as VL.'Osim como tapetes.e e Instituição" na rue. seu afastamento ck ]m Idem. ou pelo menos ainda uiRoram aí as repercussões do mesmo "UI). tanllJém. aqueles que...çe outras Jantes pesquisadas. Condenada ã prisão perpétua. a organização de concorridos Sinlpósios sobre "Psicanálise e Política" e "PsicanáIL. Um exemplo é o caso de Inês Etienne Romeu 110 que. a Data desta época. que havia sido criam em 1933.ç entm·'Í. enfim. Ciências (' Letras do Brasil. a PIIC.ç para doar.mug" "poio psicológico.A PSICOLOGIA: SEU BOOM E AS FACUlDADES PARTICUIARES Quando ocon'e o golpe de 1964. . mudando as pcnas a que estão condenados muitos presos políticos. geladeiras.ão perpétua. . à época .\tas tenbam bora.mgu.. O "Sedes" esteve vinculado à rue até 19i4. assim.tencialista "dos possuidores doarem aos despossuidos" liga-se também ao bto de que os que promovem a Clinica Social de Psicanálise são alguns dos psicanalL. K(. solicita a uma .. . então.

assiste-se a constantes apelos ele que a educação é o melbor investimento de uma sociedade.•dt. n" 23. que tem o poder de desligar e suspender por três anos alunos e professores envolvidos em atividades consideradas "subversivas". fator fundamental para a mobilidade . que objetivanl dilninuir o acesso à. no Rio de Janeiro. Dai a ênfase dada. A maior parte desses estabeú>cí. Na midia. 1977 117 É a l'eoria do Capital Humano. Correz. 1980. através da Reforma Universitária u" para o setor privado como forma de resolver a chamada "crise universitária".UFF. como forma de se encaminhar o aluno..o:. em 1965. É no bojo dos movimentos contestatórios de 1968 que o governo militar apela. como efeito da galopante ascensão social da claBse méelia. o jubilamento e o decreto-lei 477. São Paul0. a proflssionaliZl. L. !lá um crescimento explosivo de faculdades privadas para atender àqueles que.finalmente. 81. em três áreas educacionai"}: nos cursinhos pré-vestibulares (que antes existiam em número limitado). Brasil'". 1981 e Coimbra.s Educacionais Hegemônicas nos Anos 70 no Janeiro. B. Asslste-se.113. Rio de Janeiro. controle. às proflSSôes tecnicas. Op. encontram-se alguns di'positivos que irão nortear as futuras reformas educacionais. funcionam seis cursos de Psicologia: três em universidades privadas e três em universidades públicas. ciL. Iniversidades públicas. não conseguem seu intento. produzem-se subjetividades voltadas para a ascensão social via educação. Tal fato."sam a jazer da mucaçao um negócio Este negocio Jloria tanto mais quanto aumenJa o congestionamento diante das porta.J. Entrementes. Ou seja.ção do ensino medio. 116 Que pregam. o impasse é solucionado lançando-se mão do setor privado. 86. 113 Trata-se da Lei da Refonna nQ '5'540/68. Sobre o assunto ver além da Op . Na época era o Marechal Artur da Costa e Silva. Para administrar melhor a situação. B. Com isso. em 1965. ( . p. FJdorado.A. 117 tt6 . para poder atender à demanda da população atilla. tendo sido rejeitados pela rede o[kial.social (' 1110la propulsora do desenvolvimento econômicolF.. G." unil1(!rsídades oficiais ( . Já na Constituição de 1967.. A partir dai. Rio de Teoria.cit. pois significam. caracterizado como "crise universitária". no final da década de 60 e no inicio da de 70. no eixo Rio-São Paulo. os chamados "excedentes". uma ameaça à "segurança nacional". a um aumento do número de candidatos aos vestibulares. pois o governo autoriza a criação de cursos superiores a um nllmero cada vez maior de antigos colégios ele Iº e 2º graus e cursos pré-vestibulares.p. principalmente. principalmente. Política Educacional DO Bra. CM. A Produtividade da Escola Improdutiva.S. decretando o inicio dos trabalhos. Vozes.wmtos parliculares funciona à noite.como a clandestinidade e/ou a luta armada . 1992. desejam obter um titulo universitário.çsilo mista (MEC-USAID). expande-se o setor privado. uma outra faculdade vinculada à pue oferece o l. "Foi assunto de gabinete. Entram em cena maciçamente as faculdades particulares. "o.B..sobre as quais o governo militar não tem. In: Cademos do [eHF. de início.) e ministram cursos de "Ilfl baixa produtividade e qualidade Seu principal objetivo é diminuir e mesmo impedir a pressão exercida pela classe média para ascender socialmente via Universidade. 118 Freitag. Cobram taxas bastante elevadas. impositiva e antidemocrática.Moraes.Op. Estado e Sociedade. como o fortalecimento do ensino particular através da ajuda técnico-financeira do governo. Rio de Janeiro."lsionalização do Ensino Médio. de um grupo de trahalho de dez pessoas nomeado pelo Presidente"]]' da Refonna de Ensino Superior mas UIna série de outros atos.). Os Empresários e a Educação. no período. 115 Idem. de Freitag. Cunha. Estas pressões instituintes se tornam perigosas. visto que o descontentamento estudantil está sendo canalizado para atividades . depois de uma comi.UrS()de Psicologia: a Faculdade de Filosofia. Escola. antes de chegar à Universidade. sem nenbuma participação da chamada "comunidade" universitária. Sobre o assunto ver Frigotro. primeiro do própn'o Presidente.R ~A.~da. Sobre o assunto ver Freitag.'iU:A Profi. 114 Freitag. nos ensinos supletivo e no superior de graduação e pós-graduação'H A Reforma Universitária é feita de forma autoritária.1964. via Universidade.". como a nova Lei do Ensino de Iº e 2º graus'''.. Este panorama mudará a partir dp final de 1960 de forma bastante brusca. acima de tudo. jazendo uma análise cu/as recomendaçóes não são conhecidas e. Não sendo possível conter tal pressão. agrava-se ainda malS pela pressão estudantil que atinge seu auge em 1968. é criado. Ciências e Letras São Bento.ç estabelecimentos de ensino particular />a. estas refornms. 1986: Souza. o ouso de Psicologia na UFRJ e. São Paulo. para o ml~rcado de traballlO. o da UEG (atual UERJ). utiliza-se não somente a Lei Ainda no fInal dos anos 60. M. p.

!.F. produz-se uma "certa" Psicologia. IW1'í. 120 Sobre a influência dt psicanálisL: nos cursos de graduação. :"ia graduação de Psicologia. seus modelos de referência.() Proieto Bra.~nNunca Mai~ compreende ]2 volumes. que era um psiquiatra de ceria fama. Série A. Op.~ào.C. (Wifo meu).C. 118 A transcrição do texto acilua prende-se ao fato de que () personagem citado estará ligado ao aparato repressivo brasileiro nos anos 70.. exempJos são a hegemonia do Behaviorismo e de uma Psicologia Social que reproduz lllecanicamente conceitos e técnicas de estudo de inspiração norte-americana. Armando Ferrari. Mais tarde foi diretor do Manicômio ju4iciârio r. 198-. Brasília. Desde seu início.islação.. p. 121 Ver sobre isto o próprio decreto-lei que regulam<.período em que vários legistas fornecem laudos falsos a presos políticos Inortos sob torturas. n" 1. i Achava que terapia era um tratamento e por isso det't"7ia estar na alçada dos médicos.:. l ''!-Iama algum Jíclere.~ que fixa o curriculo mínimo c a duração do Curso de Psico]ogi::t AmJ)OScitados em Psicologia leJ.OS PSICÓLOGOS PAUUSTAS E A SBPSP Em São Paulo. neutralidadc.. B. além desses tanlbém estarào presentes. A própria psicanálise ensinada . Psicologia como professores. Principalmente na l :SP. A.UZlção em PsicoloJ':ia Clínica do Sede. a prol1ssão de psicólogo marca este profi'ssional como aquele que "abranda c resolve os problemas de desajustamentos""'. alguns são extintos.31 e 3'5. objetividade e tecnicisnlo. CFP. desde 1958.p.Os cursos de Psicologia . notadamente na PUe/RI e L:SP ver os trabalhoS de Figueiredo. Paulo Fraletti. Posteriormente.~ rl'-pres. em 1962. [7. É o domínio da psicologia experimental positivista com suas características de cientificidade. os psicanalistas apóianl e respaldam teoriC3mente esta formação. Projetf) Brasil Nunca Mais. em certos cursos. uma vez que alguns psicólogos desse curso e do que há no Sedes1"õ4 já atuam como terapeutas. cit. COlno Virgínia Leone Bicudo. os cursos de História. participam muitas figuras dessa Sociedade.çdesse mot'Ímento medico contra os psícôlogos Um deles era o Parti0 Fralettí. 171 ])epoimento dado à autora.7 12') BotclllO. Disserução de Mestrado . São i tomo 11. r:. Laerte Ferrào. Op.sp 2 .os que desde a década de 30 lutam contra a implantação da psicanálise como uma nova metodologia terapêutica . .e. Este Projdo.:c Paulo. cit. Filosofia e Sociologia vão gradativamente sendo diminuídos e mesmo esvaziados.0'" Funcionários. elcu. _).com isso (.~ toi iniciado um ano antes do da USP. 7. São os médicos-psiquiatr:Ls e neurologist'1s .o psicólogo nâo tinha nada a fl(". E. í.::o assunto. hegenlônica . além de diretor do Instituto Médico Legal de São Paulo.voi. de Psicologia Clinica da u. RoreUlo. os psicanalLstas da SBPSP estão presentes massivamente nos cursos de graduação de 119 Dados apresentados por Freitag.a tran~crição de todo. Op.florescem assustadoramente neste período c..<.Z_F. 126 Sobn. Desde a sua regulamentação.'nta a profi. o que atende às subjetividades donlinantes então criadas e alimentadas ao longo dos últimos anos. dt. simples111cntc corroboram a versão oficial da repressãollb -. exemplares doados pela Arquicliocese de São Paulo a entidaws de Direitos Humanos no Brasil e no exterior. .. Desdc os primórdios dos cursos de Psicologia em São Paulo. cito 123 Idem 124 O Curso <k Especb. 127 Paulo FreJetti consta lU lisu de medicos legistas 1igado.!.sàode psicólogo nº 4119162 e o Parecer n\1403/62 de Valnir ehaga. está impressa a marca cb tradição positivista. pp. Silva.atendendo a essas demandas produzidas .nesses cursos de graduação também está marcada por este positivismo e pela "psicologização" da vicia social e politica. O atendimento privado é o que predomina em detrimento do trabalho em outros setores. pois não se rCferC1TI torturas às sofridas. já em 1973. (ima certa clinica torna-se a grande demanda dos estudantes de psicologia que sonham com seus consultórios privados.F.Z.S. seguindo os JJlodelos produzidos na época e já citados'''.. Op. cit.so delechamento do Curso de Especialização "12. E. dos ({tiais existem somente 2'.: o assunto ver Arquidioce$c do:. a rede privada participa em 66% das suas matrículasll9 Concomitantemente a este crescimento do "mercado psicológico". ()p. bem aos moldes do que lili assinalado anteriormente. 110nnação do Psicólogo. 122 Sobr. em 19'. suspender o Curso de Especializaç'io em Psicologia Clínica da IISP'''.~ os 119 . inclusive. 3. os psicanallstas.que nos tlnais dos anos 50 e início dos 60 fazem grande pressão contra as atividades dos psicólogos. no curso de graduação de Psicologia e no estágio de Clinica outros psicanalistas. quando é criado o curso de Especializa.'ão em Psicologia Clínica.ksenv()!vid() sigilosamentç por cinco anos.Z. e Botelho. diferentemente cio Rio de Janeiro. em 1970 . C0I11()Durval Marcondes. Lygia de Alcântara do Amaral c Juclith Andreucci.PUC/SP. P. 1976. São Paulo. Dai se iniciou um proces. ver. Tentam.

ver: ]I.z. no Rio de Janeiro.! Relatório da Comissão Andmarncomial da Prefeitura de São Paulo -1991.. visto ser pressionado por figura tão retrógrada.df)s a Botelho. oS atendimentos são paraHsados. pp.como já foi demonstrado . que conta com o apoio e o respaldo teórico dos psicanali~tas da SBPSP. 128 Como veremos mais amante. bem no comecinho. mimeogr. Como afirmei anteriormente. etc. In: Isto f/Senhor29/05/1991. Os alunos eram bem primitillOs. Todavia. 121 .anos 60 e 70 -. Não ti"batn "('filo de éticnJ NenbtnnaJ Nenblmul! P.' " Ou: ". pela assepsia que deve comandar a reiacào terapeuta/paciente. tanto a SBPSP quanto o movinlento dos psicó· lagos paulistas estão coerentes com os modelos de subjetividades pro. Na Faculdade de Filosotla da USP. essa pressão da ocupação de vm. Este é um dos que fazem pressão contra a nascente profissão dos psicólogos. se bem que eles "ilo tinham acesso ao que era um atendimento psicólogico..já caracterizado como um dos momentos instituintes da sociedade brasileira e mesmo mundial analisam. o modelo "psi" de atendimento já está marcado nos alunos de final de CllrsO. O respaldo teórico aos psicólogos será dado de outras formas em caráter privado. a ocupação atinge proporções tai. acho que os invasores não eram alunos nossos.até a decretação do A]. dentre eles os psicanalista. flexível que as outras duas Sociedades "oficiais" do Rio de janeiro. ligados ao curso de Psicologia e de alguns de seus alunos. t20 discutir por alguns meses . uDitadura Militar: Loucura Armada". A. obscurantista e fascista. Com a Clinica de Psicologia ocupada praticamente durante todo o segundo semestre. porque muitos estagiários e n1esmo professores consideram não haver condições para i'5o. mns eles MO Unham noção nenhuma di. cir.estimulam essas demandas e geram outras também coerentes com as modelizaçôes da época. aceitando e fortalecendo demandas também produzidas. onde. apesar da aceitação do psicólogo e de outros profissionais. estiveram "internados" alguns presos politicos127. fica claro que. no início dos cursos de graduação em Psicologia. . além de ocupar alguns espaços da USP. I\s Universidades e o tnovimemo estudantil em 19(i. em assembléia./esimwiram e pronto. adotar enfoques maniqueistas e corporativos nesta análise pode nos levar à armadilha de afrnnar que o movimento dos psicólogos. A transversalidade é terminantemente pl'Oibicla!Há alguma diferenç'a da fonna· Izt) Trechos de depoimentos cb.em 68 del'ía estar no F._. que culmina com a saída de vários professores.:3. "Não foi nada simbólica fi invasiio. eram os alunos dos primeiros anos. consegue depoimentos feitos por ex-presos politicos nas Auditorias Militares e de toda a documentação constante nos processos do Superior Tribuna] Militar. eles não tinham feito ainda estagio mn Clínica.se as postuf'JS desses psicanali. Pela análise que fiz das instituições instrumentalizadas por essas Sociedades.'~soalse formava em . mai.H fervilham. k:>tnhro que dizia assim: 'n gente nilo tem condições de atender cem. Op. Entretanto. os c/u'ntes com hordrio marcado nao puderam ser atendido. 202. 204 c 20. psiquiatra e diretor do Manicômio judiciário do juqueri. "que ndo tinha por que não atender . já foi dito que o movimento estudantil em 1968. Nesta última. do respaldo teórico dado ao curso de Psicologia da USP . V. são ocupados o Bloco 10 (que sedia a Psicologia Social e Experimental) e a Clinica (onde os alunos do 4º e ~º anos estagiam). em São Paulo.l!s" E era uma coisa que a gente discutia muito.o que não ocorre no Rio de janeiro'" -. pedagógicas. quero mostrar que essas pressões não vão significar necessariamente que um grupo é "retrógrado". no fmal do ano questões curriculares. e o outro progressista. E. o pe. não é o fato da SBPSP aceitar psicólogos em sua formação que irá caracterizá· la como mais aberta.. Por sua vez . 29 ano "IN (grifas meus). no início da década de 70. ninguêm foi trahalhm~ bloquearam tudo Acho que os alI-1tros não elltendiam. o ~tratamento~ dispensado a esses presos políticos c a responsabilidade do referido psiquiatra. É interessante ler sobre o assunto alguns depoimentos como: ':4gente fez muita questão defalar da posstbiJidade de atendimento e teve um grupinho que se colocou contra.Heles acharam que n6s podíamos continuar atendendo os pacientes com aquela IJalbúrdia.s.ta. é progressista para a época .) que era lima aínica.também é.. mas os atendimentos na Clínica da IISP devem ser mantidos longe de tudo isto. os c1ernais.~ paritárias.-F. Ou. Um exemplo das práticas que são fortalecidas por estas instituições é quando em 1968 .ç. instrumentalizando as instituições "verdadeira" psicanálise e formação analítica.que estào nos primeiros anos. nào são "entendidos" no assunto. há muito poucos psicanalistas das Sociedades "oficiais" presentes nas Universidades. 127 Sobre o assunto. e reportagem de Silva.são espaços onde a vicb e o mundo não podem penetrar. ainda não estão "contaminados" pela neutralidade.~ que lá estavam desde o inicio do curso de Psicologia. duzidos naquele momento. como apontado acima.

torna-se UHl técnico. se") Discordo deste último depoimento. nesça época.". eles achavam um absurdo que alunos sem nenbtmulfonnoç(10 em Psicologia Clínica. porque ndo tinham tido Psicologia Glínica. Vai posteriormente para a clandestinidade e luta armada. f.ios alunos da Sociedade Acho que e.na SBPSP. questionam a tentativa de romper a verticalidade da relaçào professor/aluno. nao sei se bouve mai. Jàzer análi. i época. Afimlam: ". o tempo todo elesficaram em cima di. a participaçào paritária dos estudantes em questôes ligadas à reformuiaçào dos currículos e outros aspectos pedagógicos. de "uma popularização ela psicanáli- rm Idem. portanto. o nosso grupo nem i{ueria dis· Clltir o assunto... 11'i. Os alunos esta/... mas acho quefomos só "ós que nos opusemos a aceitar essa paridade ( . Suicida-se.sora.cuja pauta é a reestnltura~'ào do curso de Psicologia.. ao se ver cerClda pelos órgãos de repressão. 18'). assim para análüe '(! p Quem quise. COlllcntam: "Eles(os psicanalLçtasl tinham um papel imponante (XJrque. no minimo. l.!am conseguindo que a própria ràculdade cedesse muito do que eles queriam e justamente o no.çalgum.ltir currículos e não política"13Z. em 20/08/ 7]. A intluência da psicanálise na Clínica da 1lSP é um tito e a reprodu. naquela ocasião.". ainda em 1968. A instituição formação analítica está presente.. L32 Botelho. Assim que o assunto é levantado. em especial..". autoritarismo e itnposiçào de subrni'ôjsào. Ou mesmo: eles tinham encaminhamento tambem."o..são coerentes com suas opções políticas.vistia uma proposta deste tipo.. quisessem dizer como e que se atende um cliente. tanto que. pois produzem/reproduzem c fortalecem os modelos e as subjetividades ilegemônicos da época.<. ELE Op. não um psicanalista! E são estes técnicos que deverão "popularizar" a psicanáli.s. era mai.) formar analista .'>. ]992. Rio de Janeiro... dentro do movimento estudantil e. :'-lumadas assembléia. acho qURfoi o único grupo da Faculdade que se opôs. na tISP. em Salvador... etc.w grupo foi um que se opôs. obediência irrestrita ao saber instituído e à hierarquia. Para os pobres e para os serviços públicos. como e que se organiza uma Clinica. então foi um NÃO assim redondo.como já demon.catravés do atendimento à população "carente".. apoiado por grande parte do pessoal da Clínica.çe movimento de liberação da PsicaruUise. para as classes média e média alta.e nas prefeituras... com todas as suas caracterí.) Sempre .'ôjticas de arrogância. cit. 1 tinba no inido. deltma lJOpuJarização da Psicandlise "liO (grifas meus).. ou: estou jJondo mais a orimtaçào que (. comultar Patarra. muitos professores safram do curso (.é óbvio . 146. instalar a Psicanáli. pr- 14~. de fato.strei no decorrer de todo este Capítulo .. em um significativo pronunciamento dos prclrcssores-psicanalistas: '7odos os professores da Clinica assinamos uma declaração. alguns psicanalístas da SRPSP e professores da llSp mostram a "fragilidade analítica" do curso. Seriam estes. H').e" pois suas práticas . ) um negócio psicológico . 214 tO' 2]') 122 . Yara.'>. "113 (grifas meus) L3] Ex-aluna do Curso de Psicologia da trSP. nlas apenas U1l1 Curso de graduação de base analítica.. de jOrmar técnicos. barata". os consul~ tórios privados dos psicanalistas.. em crecbes. não urna obrigatoriedade.ção analítica que foi descrita em outro item? Acredito que não: é a mesma postura que deve ser :Jdotacia por todo terapeuta "sério" c "conlpetente".'ào de sua fomJaçào se dá sem grandes diferenças. reage da seguinte forma: "Quc tinha vindo à assembléia para discl. Alguns dos alunos. como se aquele curso lá fosse [onnar alguém eonl experiência nesse sentido . Muitos profes~ sores saíram porque se opuseram a essa paridade que os alunos queriam. mas a prática deles não era uma prática direitista. os psicólogos.fizeram parle de. eú's eram usdefensores da Psicandlise mais barata. Quen1 ainda não possui uma fOffilaçào psicanalítica feita .'ioalpoht'e'· Ou ainda: ".. Imrque jJn'Cisat'a dar a'>. 1Im claro exemplo disto é quando.tisténciapam o pe. era toda uma idealização ( . Apesar di. Ro~ cbs Tempos.'>.j. os defensores ele uma "psicanálise mai.<iso. mas uma proposta para quem quiçesse iniciar análi.. eles achavam que de jeito nenhum tinham possibilidade de querer interferir.e uderia ir à Sociedade de Psicandli'if' ou entrm' naquele tipo df? trabalho de atendimento dos próp. há a noticia da prisão de Iara lavelbergl31 Alunos e professores fazem um abaixo-assinado solicitando providências ao reitor da USP.. os técnicos. p.l. da mcsn1a forma que a acadêmica. um psicanalista da SBPSP c professor desde o início ela graduaçào de Psicologia. Sobre sua vida.. em 68 já profes. /Hlr(l a pU/llúação mais de alguma entrada da Pdcandlise carente Eles eram muito curiosos /JOrque Imliticamente eles tinbam opçàes de direita.

Aos poucos. que funciona até 1974. Desde 196~. Tanlo que. elnbora i.PI1C/SP. estudos de casos clínicos e grupos de supervL. sao mulberes que conse{:uem projissionalizar uma fun. em meados de 70.tas para uma terapia de adulto.. David LilJcnnan e Amaldo Rascovsky.A.para que dêelTIseminários no Rio de Janeiro. 124 seminários..O MOVIMENTO DOS PSICÓLOGOS CARIOCAS :'\0 Rio de Janeiro. contrário. É a origem do Instituto de Orientação Psicológica (IOP). Em 1970. Alguns entrevi·. dado pelos mesmos psicanalL.) menibros titulares e a. na época com vanos gnlpos de superVlsao. por i<.Jsil. Tal exclusào é enfatizada por Fábio Leite Lobo e pelos próprios psicanalistas argentinos convidados. como aspirantes ( .. em seu artigo Iº. como prática que exigia menos qualificaçào.cit . mas nenhum do grupo anterior. convida alguns psicanalistas argentinos como Eduardo Kalina c Amlineb Aberastury . a SBPR) institui. são também situações analLsadoras da SBPSP.ção marcadamente jeminina que tia de "cuidar" das cn"ançaseexpra1. para a Formaçào de PsicanalLstas de Crianças que. Analisa-se . entram outros mais jovens e alguns também ligados a esta Sociedade.1 . difercntcIl1cIlle de São Paulo. dela pouco sabem. os acontccitnentos na USP revelanl "por si mesmos" c desnaturalizam as práticas psicanalíticas entào hegemônicas.p_()1 1:l'Í Figueiredo. p_ ]il6. apesar do seu 1:"\') E. 1%8 [oi um dos grandes analisadores a nivcl Ilumdia) e.) se ocupam definitiuamente da área infamíl_ Em sua grande maian·a.••• baraleasse os custos.tados obscrvatn que esse convite da SPRJ prende-se ao fato de que os psicanalistas.lO dt. o lllOVU11etllo dos psicólogos não conta com o apoio das Sociedades "oJJciai. Todos estes aconteciInentos. dentre DuteIs coi<.<> próprias se ana/içam com os psicanalista. ligados à APA.•• mas ao ". o mercado terapêutico inJantil já é monopólio dos psicólogos.. Realizan1-sc No Rio de Janeiro. p . () convite feilo aos argentinos. . Uma Criança. A única cxigência é a experiência pessoal em análL. Anninda Aberastury. em 1968. no Br. na naquela ocasião. em 197~.. Quando.'16. o Regulamento l~j Idem.')sociad()s s da Sociedade Br. do grupo dos didatas.. na época..O Instituto de Orientação Psicológica F:íbio Leite Lobo.especialLstas em terapia de crianças e adolescentes . Leon (. cit.. esse tipo de atendilncnto é também menosprezado no mercado de trabalho. de início. 198'5.ta. Outros argentinos também participam.~lalulosJaSBPRJ..R. "Os psicólogos cariocas na dilJisdo do "mercado clinico" (".c. COlno Maurício Knohclque substitui Anllinda Aber.Além de ser considerado. Maric Langer. É a conhecida prilneira gcraçào dos argentinos que.so." institttiç6es do estado lbes outorgam Ma..L.:\0 início de 69. ocorridos principalmente durante a ocupaçào da Faculdade de Filosofia da lJSP. É tarde. vai a São Paulo dar scnlÍn:írios no Curso ele Formaçào de Psicanalistas de Crianças.la com a k~ttimidade que os psicanalistas e u. diz: "Poderão ser aceito . A_c_e Op.lstury após sua 1110rtCcm 1972 -. sofre sua oposição.C. Eduardo RoJlas. DissL'rklÇ. que este curso não autoriza ninguém a ser psicanaIL. sofre forte pressão de SClLS supervisionandos c forma um lllrso paralelo ao da SPRJ. da "verdadew.cmbora fique claro que isto não se trata de Ullla fOflnação. fom~dos em sua maioria por psicólogos que trabalham com atenditnento infantil. a convite da SBPSP.l" psicanálise e da formaçào analítica presentes no curso de Psicologia. I"leslrac!() . Fábio Leite Lobo. é a primeira vez que isto ocorre.tas argentinos.as.lsileira de PsicanálLse do Rio de Janeiro""'.. consuJt:u também Silva. esses selllinários seriam aberlos a oulros profissionais) o que é vetado pela Sociedade. pois já há uma legitimidade dessa parcela do mercado para os psicólogos. 3 . pois "vale" praticamente a metade do que é cobrado pelos psicanali.<>elas médicos das Sociedades o/leia L" que teriam a "competência" necessária f]ara tratar de adultos" 1'\4.Up. o atendimento psicoterapêutico infantil é desqualilkado pelas Sociedades "oficiaLs". diretor do Instituto de Ensino da SPR). M. a maioria dos psicanalistas da SBPSP sai do curso de Psicologia da USP. por não terem interesse na terapia infantil. mensalmente.ão.. No Rio de Janeiro. Sobre () assunlo. C0111lItl1:1 freqüência de cerca de cem pessoas. lo 3.rinberg.

a discussão da neutralidade. que não constituem novas estratégias e táticas de ação que possibilitem escapar . no numero de sessOéssemanais. As contribuiçücs dos argentinos el1.000 pessoas enterradas... Acreditam que a prJtica psicanalítica pode ir tl1udando em seu próprio interior para formas nlaL" t1cx. Não somente pelas inovações técnicas que apresentam . A proposta é que. não produzem rupturas com este 1110delo. Não pretendo aqui fazer 111l1análise do Illovimento de Cornua nidade Terapêutica no Rio de janeiro.íveis."soes terapêutica.ao hegemônico. No Engenho de Dentro.zid:. fazem cTÍticas à ortodoxia dominante. os banheiros.a experiência da Comunidade Terapêutica Enfance. por Maxwelljones e pela Teoria da ConlUnicação. Em São Paulo . no Rio de Janeiro.'" nas S('.ç abordagens para crianças e adolescentes.>. quc traz outras implicaçües para (l movimento dos psicólogos. ao que é produzido e percebido como natural..elikrentemente do Rio . mas simplesmente apontar alguns de seus efeitos sobre os "psi" cariocas. com dois psiqui~tras de formação analitica: Oswaldo dos Santos c Wilson Simplicio. como indigente~. . os trabalhos institucionais e grupaLs . mas entre as populaçôes marginalizac1:ls das perilerias elas grandes cidades.2 . os grupos de psicóticos . ( Blaya. que provisoriamente ..mediC'dçôes~ conlC çatn a discutir alguns aspectos da adnlinistra. Enl realidade.'.otkialisnlo. verificou-&. ao que está dado. essa experiência tem início por volta de 1967.lllc.subterraneamente continuam a se gestar outros moviment()s ele resi. ) pouco considerados como jJadentes pam a IJsicanãU\'e" 1. Na cidade de São Scbasti~o. cit..l\fJls/l~l.C. aposta CIll seus projetos de ascensão . etc.i. APAme fazcrn recordar práticas que nào dcsnaturalizanl os modelos dorninantes.. anestesiada pelos efeitos do "milagre do Delllm". Iji Em pesquisa realizada pelo Grupo Tortur. passa a se tornar conhecido e muitos psicólogos vão p'lra lá estagiar.c.para os quaLs ~ gradativamente V:10 sendo suspensas a'. p_ 4'5. pioneiro na época. no IIospil:1I do Engenho de Dentro.k"l essa primeira por geraçào cle argentinos. sem se Lran~versa1izar. iniciada na segunda metade da década de 60 por Di Loretto. sem se artIcular com o que está no mundo.C. em muito "ajuda" o movimento do~ p~icólog:os no Rio de Janeiro.As Comunidades Terapêuticas e os "Psi" Cariocas Fora essa experiência eleatendimento inbntil privado . esses psicanalistas argentinos trazem. Laing e a experiência. a coloca.-'iro. com L11)) ll}(win)cnto próprio interno a ela. Muito inJluenciados.mas aíncla pelo próprio estilo de atendimento privado quc configuram: a qUf'bra de certasjotma/idadl'. já em andamento no Rio (~íJ.social. é mn fOltalecin1cnto dos modelos vigentes. não só entre os jovens ntilitantcs ligados à luta armada.~ variados tipos I t' .s contribui\:ôes c a "ajue13" dada ao movimento dos psicólogos ligJm-se a um momento de feroz repressão no Brasil. há tambénl as figuras de (loffman ThOlnas Szasz e R.ão hospitalar: a comida. entre 1970 e ]Q74. Reformam-no.cujo registro remonta ao final dos anos 60. utilizam-no sob outras roupagens_ E disto necessitam os psicanalistas e os psicólogos cariocas. vai trilhar oS caminhos que levam ao psicodrama. os diferentes movimentos sociais e . surge neste mesmo período. Neste clima ~ elTIque . sob outídS roupagens..smo r~6 Figueiredo. Se. A. Op. (.ão de espelhos.S dos ma. tornandose um foco imp011ante de questionamento do próprio regime asilar. paralelo ao trabalho com grupos de 127 12. em realidade) favorecem o modelo "psi" não muito distante da "verdadeira" psicanálise. etc.sindicai'~~ de um modo geral ~ encontram-se amordaçados e silenciados. o trabalho ele Comunidade Terapêutica. a principio. da loucura. 3. ampliando-se gradativamente pelos 70 -. cerca de '5. not'a.desde fms clt' maio ele 1991 até agosto de 1992. tendo como "causa mortis" violêndJ.' . esta. outras maquiagens. Este trabalho. no Instituto Médico Legal do Rio de Jan. mais "abertas".como as terapias breves. por outro. no início dos anos 70. pela atuação impune (' cada vez mais violenta dos Esquadrôes da Morte l:''-. Impôe-se o terrorismo de Estado.(. o que abordarei no Capitulo seguinte.sse média. O medo ilnpera.. trJ. E essencialmente um trabalho grupal que visa questionar o próprio sistema asilar. para o BrasiL outras contribuk'ôes para os psicólogos no Rio de janeiro c para a própria prática psicanalítica "oficial" aqui dominante.6 . Entretanto. a ascendente cla.'itência ~ as prática. por um lado.l NuncJ. de Marcelo J Emhora a APA também não permitisse a entrada de psiccSlogos para a fonnaçào analítica.nde do Sul.

comporta também a demanda dos próprios psicólogos em sua ânsia de se tomarem psicanalistas. Em 1968/69. justificam-se.subúrbio da Zona Norte do Rio de Janeiro..icroespaços. em seus m. que encontram no tabalho de Comunidade Terapêutica uma forma de resistência e atuação politica. Concordo.todos da Sl'RJ -.r aqui uma história desses estabelecimentos. em muitos aspectos. não obstante suas influências marxistas c antipsiquiátricas. a meu ver. Conde Rodrigues refuta esta tese afirmando que uma das forças presentes nesse trabalho é a critica à Psiquiatria Asilar e Org'dnicista em cinla de ". Exemplos dessa rutela e de sua aceitação pelos próprios psicólogos estão presentes na fOffilaçãOele alguns eSL~belecimentos que congregam psicólogos e psicanalistas . cito 128 Em seu Projeto de Dissertaçào de Mestrado. não só dos pacientes. como a dos psicólogos. diante de uma categoria mha do "milagre econômico". para a Universidade e o curso de Psicologia. A subjetividade massiva então produzida entre os jovens "psi" de classe média é atingir o status de analista. 1. têm seu mercado de trabalho ampliado. alguns perseguidos pelo regime militar. um gmpo de psicólogos.pela própria localização do 110spital . É mais uma experiência de classe média de Zona Sul . os caminhos que alguns deles vão empreender. para "não criar mna situação conflitiva que denunciasse o regime asilar".S. das instituições "verdadeira" psicanálise e formação analítica. cie " p. é uma experiência com a miséria. estudos de caso e gmpos terapêuticos para os próprios coordenadores de grupo. alguns que lá traball1am dizem que. algo sobre sua hL't6ria deve ser mencionado. são "psicotcrapeutas de base analitica". Entretanto.. sem que estes conflitos ele tendências resulten1 em hegenlonias definidas"'. é corroborada pelas posições que tOlllam: alguns . de dUf'dção efêmera. a Bela Vista.em plena vigência dos maLs terríveis anos ela ditadura nlilitar -. 3. Esses "benfeitores" . Apesar dLsto. bases humanistas. além das denlandas criadas entre (k' c1lanlados leigos de classe média e média alta.no período de 1970 a 1976 . servia para "promover o capital dos donos da clínica". os psicólogos não são autorizados a se autonomearem analistas.os nlédicos vão fazer formação analítica na SPRJ. nào almejo faz. No Engenho de Dentro.. é uma experiência pioneira e importante. 129 . quando o trabalho é desarticulado pelo governo federal.3 . junto com Oswaldo dos Santos.Eustácl1io Portella Nunes FiUlOe Roberto Quilelli. muitos profissinais saem desse trabalho com seus sonhos de ser psicanalistas ainda mais revigorados. o trabalho de Comunidade é lnal<) radical. Cerca de 1aoa estagiários passam até 197'. Esse "mercado psicológico". H. Op.C. apesar da grande atração que exerce sobre muitos "psi" maLsà esquerda e pelas limitações do próprio momento histórico em que é realizado . o Hospital Pinel inicia também uma experiência de Comunidade Terapêutica sob a coordenação dos psicanalistas da SPR) e SBPR).e de uma elite intelectual acadêmica.C 0r.io engrossar o movimento dos psicólogos. Heliana B.. sendo feita num hospital privado.psicóticos. assim. por outro.<. To(bvia. marxi':nas. mas do próprio local onde se inscreve esse hospital . psicanalíticas e até mesnlO antipsiquiátricas.39 Rodrigues. isto já te)ifeito em outros trabalhos. 3'). No entanto. ]~R Tese defendida por Figueiredo.39. em seus sonhos de ascensão social fomentados pela subjetividades massivas lórtalecidas na época. poLe. Hoje. Há discordâncias sobre as Comunidades Terapêuticas serem sinlplesmente "tranqüilos campos de difusão da Psicanálise". Muitos desses estagiários são "psi" de esq ucrda. outros v. outras prática. 133 na época. se por um lado as Comunidades Terapêuticas trazem. paternalizado por alguns psicanaILstas. o CESAC e a ArPIA. haja supervisões. ue não são hegemonizadas pela q psicanálise. pelo Engenho de Dentro.como: a Sl'C. Como jâ afirrnei anteriomlente. A. Um ano depois. em realidade. alguns entrevistados mostram-se críticos em relação a essa experiência que. As "Novas AnálIses". pois está vinculada ao Instituto de Psiquiatria da UFRJ. Esta tesc. Meu interesse é mostrar a tutela psicanalitica e a reprodução. tenta organizar uma Comunidade Terapêutica numa clínica particular. gerado no fmal dos anos 60. a demanda dos psicólogos na época é dada peta psicanálise.. Seguindo em alguns aspectos o que é feito no Engenho de Dentro não engloba a comunidade à volta.e.Os Psicólogos Cariocas e a Tutela dos Psicanalistas Apesar de serem pacientes dos psicanalL'tas das Sociedades "oficiais" e de terem com eles supervisões e gmpos de estudo.

têm larga cxperiência cm clinica. M.\' com suas inte. l. A. 292 o Centro de Estudos de Antropologia Clioica (CESAC). Rogers.rJ..". não restringindo mais a entrada SOIllcnte a psicólogos. oficialmente não faz forma(".C.dsora do grupo.<. entre a Universidade c a Associação Psicanalítica.. V. tarnbém) através dessa "ajuda" _ que facilita uma formaçào de base analitica . novt~mbro/1976. A SPC se estrutura à imagem e scmelhança das Sociedades "oficiai..' Drummond. já que a /:61canali.. (. Jaz partc ela ambigüidadc que caracteriza esse estahelecimento.w-'. p. 19S4. () Centro de Antro/x)/og!a Clírzica Esta indefinit. Desejando um reconhecimento ofkial por partc da I'(. em !990. oito. A SPC. /nés (-7a a síntese e o sf". De um traballlD realizadD por quatro integrantes desse grupo retiro alguns trechos cuja análise considero imprescindível. â psicotenA[>ia( ).upo dos 8: A Pré-lfistória do N CESAC Curso de Espechliza\'ào em Psicologia CliniCJ. Este grupo é fOfluaclo por psicólogos ligados ao Curso de Especia1iza. c.2 (' 11_ 14) Baremblit.s. f. C.'ào em Psicologia Clinica da PlIClRj que. Con1precnde-se. este grupo inicial c o posterior fica" . E maLo. torna-se a Sociedade ele Psicanálise ela Cidade do Rio de Janeiro.'30analítica.eaparc'Ce "oficialmente". o que nilo queri~ amos. teralJCuta e psicanali<. A outra e I0trin Kemper. temas filosóticos gerais.prelaçóe.C O (-.. .dcólogos /)ara formação Sabiamosjd.tica e Psicanálise_ Ri" de Janeiro. a "pessoa humana". Quem imIJedl'-? lPA? Nao nl.I.-'Cessariam'(-'nte A.. 04_ IH Katz. 47.:. a mesma exclusão contra a qual diz lutar o movimento dos psicólogos. (grifos meus).)ociedade de Psico!op. b. procuram a psicanalista da SPRj.. p. como uma das técnicas ind('pensr11'C1. Seus fundadores. como já foi dito.ta Por isso me.:.C. paternalismo (' tutela no sentido não só seu de manter cativa essa delnanda. Op."nossas amhiçói's eram as mais conjúsas Não saMamos os limites (' as tii/(.~soprimeiro encontro. quanto dos pr6prios componentes do grupo. Reproduz) portanto. Entretanto. de modo /!(!/ado.C..o. Illas de "base analítica". a mesma exclusão que as ligadas i IPA. no auge da repressão política no Bmsil c na efervescência do lnovi~ 111cntodos psicólogos cariocas com a vinda dos pritneiros psicanalistas argentinDs..O:...'l{10e seus analisandos d de huscar uma formaçao prã{Jn·a"140.. a quem já me referi anteriormente 142.. sendo UHl estabelecimento de f()nna~:io exchJsiva paf'. l.õesna SPC.nari.ser'/JsicóloMOclinico. p. pela própria tutela desses psicanalistas que dão aulas c supcrvLo.Hno.r(-'nças entre. a no.cada aceitação por pane de profissionais que simbolizavam para R()S a identidade do psicólogo clinico Inés Besoucbet (.C. um gnLpO de psicólogos que fazem terapia e/ou grupos de estudo com Fábio Leite Lobo e Gerson Borsoy .A . fundado oficialmente em 1972. na época e ainda 1i I Inês Besouchet é uma das duas p~icatulistas dichta<.L.ia Clínica A Sociedade de Psicologia Clioica.PIle/RJ. S::mto.. 1977. _lnfonne Diag1UJm.. tem sua origem no chamado gnLpO dos 140 Figueiredo. assuntos psicanalíticos gerai.·ão. Logo no início lT)ll1entaJl1: 'Parlimos em hu. não médica da SPRJ. _) SIm fonrul de "indefiniçilo~ foi a mola prop.mIO sociedade psicanaJltíca que não (lcelta p.J. mas. em 1970. Rio de Janeiro. A intl'rdiçáo surge muita. Seu regulamento permite a jormaçâo de Sociedades mistas de medicos i' psicologos. ) Antes do no.~ que tl-'ntamdesconhec('7' e invalidar a d('Ci. L. pois nao pronu'tia nada. já em idealizada tanto pelos qUi' a conheciam como pelos que não a conhecíanr Representava tl próprúl Psicologia atni· co assu".rezes atrás dos divas na figura dos fJrofJrios anali. C111cu currículo . uitotlosa eaceita até -mesmo callto didat(l por ... h' permitido jazer jJsü.. após serem "cortados" nUllla tLllllultuada seleção. Fernandes. é fundada cm 1971.senunca foi regulamentada. ma. poL<.:l'JI43. ainda qUI! mio baja impedimento legal algum.'>. t30 UI . pr.boio ainda indefinido fIe nossas (u'pirações "14.ter seu prestígio c poder garantido junto a essa parcela "psi".:otera/Jiade IJuseanalilica. mimeogr. Concordo com Katz11\ quando afinna que a indeflnição também se encontra no próprio modelo inicia! de estudos: témicas psicodranriticas (Inês Besouchet indica C01110 l11 coordenadores do grupo a pSicodramati')t:l paulL"t3 Norma U dos jato"á). .psicanalistas da SPRj -..) sem entrar em conflito com nenl1uJll.'\ta. colocando-se sempre em disponilJilidade (.l psicólogos.'1Itro de Estudios de Antropologia Clinica. tanto de lnê..ico }' lndicación ReorganJzativa dei Cl.total111cntehaRcaclo na obra de r'reuds a psicandli.ào de encontro. a SPC. e psicóloga._ Segundo a visão produzida e tão enfatizada.ida. mas nao psicanáli.C. Inês Besouchet'''. cit.

É.. r."!5l.S. l-i') 146 14i 148 Katz. A. todo analista reconhece quando um psicólogo é idôneo"l". sua função de linha auxIliar da SPR]. Fernandes.C. o curso tem início com seis professores psicanalistas que não fazem parte dela e. No mundo capitalistico. ao qual os alunos (não pertencentes à SPkJ) poderiam ter aceS5o"[4~ (as aspas são minhas). Como no IOP. em dezembro. Op. I\a época.C. Minai. esse grupo dos oito se amplia e é reconhecido pela PUC. Em sunla. mais fraco" institucionalmente. em 1976. uma das diferenças apontadas entre o psicólogo clinico e o psicanalista é que o primeiro faz diagnósticos "antes" do tratamento. a psicologia clínica. Op. ao imporem o "seu" valor. através de uma identificação sempre carente.ado. 57. assinala Katz que: ''Ao mesmo tempo em que se promete a Psicanálise. A. com cerca de mais de seis anos de expetiência no CESAC. ela é esca~ mo/eada como saber para o aprendizado. a Coca-Cola é uma 149 Figueiredo. p.C ~t alli. pr. é um tema que muito preocupa esse gnlpO. cit. tit. anamnese.unente procurar essa "identidade" C0111s psicanalistas.':Io trabalho é nlenof. Op. Alguns entrevistados observam. p. a SPR] proibe explicitamente que seus membros efetivos dêem supervisão a psicólogos ou membros não-autorizados!". declara um outro psicanalista da SPH]. etc. Op. 294. p. E a psicanálise.S.. as "marcas registradas" são fundamentais na "livre competição" do mercado.itida a "sua" forrtJação. 150 Sobre o assunto ver Katz. fato que atínge também a SPc' Tanto o CESAC quanto a SPC cumprem "..hoje. então. C.Para a "verdadeira" psicanálise. Parece que o só é possível o reconhecimento enquanto profissional psicana1L>tase ele for feito pelos anali'tas que detêm a "verdadeira" psicanálise.tas"l46 E vão just.~cuirnesse assunto. seduzíndo institucionaimente seus membros . Quando.. daquilo que lhes faltaria para serem psicanali. o que é corroborado por Katz. o que mostra a ambigüidade e sua aceitação por aqueles que procuram um reconhecimento institucional para seu trabaUlOclínico: os psicólogos... C. aberta uma clínica e dois anos depoL> um outro grupo de sete psicólogos tenta fundar um Curso de Especialização em Psicoterapia Psicanalitica no CESAc' A direção aceita. Em 1971. 53. embora não se trate de uma formação analitica. o que dá origem em 1972 ao CESAc' conveniado com esta Universidade. p_ 293. pois não diagnostica.C. lerem. 201 e 204. não há lugar para forrtJação em nenhuma especialidade""" Este grupo. na época. Op. de que a prática psicanalitica é superior à da psicologia clínica. 0r.. seguíndo seus cãnones e rituais. 151 Katz.s.. é unia clara tutela: o trabalho psicanalitico para os psicólogos estã fora de questão. utiliza testes. as grifes. que os psicólogos clínicos continuem sendo psicólogos clínicos. e substituida por um saber "inferior". mostrando as diferenças entre psicanáli>e e psicoterapia!43. 294 e Figueiredo.. A identificaçào vai se dando vai sendo produzida ". Só que estes fazem questão de mostrar que as diferenças entre psicanálL. para o qual vigora o convênio. 22.. o que os psicanalistas não fizemo Estes não di. pois ". que.e e psicologia clínica é que podem guiar a "identidade" dos psicólogos. o CESAC retira sua aprovação.: pode-se até utilizar a I mesma técnica. conl os "pais" e as "màes·'. Elas "g~rantem" o valor da mercadoria e. A preocupação com a "identidade" profissional do psicólogo é um tema básico no movimento dos psicólogos cariocas. p. dL. não rotuia. ciL.cutem essas técnicas diagnósticaB e até as aceitam.C. 13l t33 . tiL. A questão da "identidade" profissional do psicólogo clínico é (rabaUIada no grupo pela uruguaia Marta Nieto que vai. c.!lla. é menos profundo. anro1a seu caráter "libertário". Logo depois. p. somente é válida e pemJ. As subjetividades constntídas são essa. é precL". p. 292. este é encerrado. afrrmando textualmente que naquele estabelecimento ".. desqualificam os demais produtos que não têm uma "marca registrada". e nesse trabalho sobre a pré-história do CESACisso é bastante enfatiz. também coordenador desse grupo inicial do CESAC. é psicoterapia de base analítica.. Idem. Por exemplo.. uma das exigências para se miar a este estabelecimento é estar em análise pessoal. Estes devem procurar ser "competentes" clínicos. dele se retira.. ao não se iIni. tiL.. a nova diretoria reafirma que esse estabelecimento é um centro de estudos e não de formação. o grupo do CESAC conclui o Curso de Especialização em Psicologia Clínica na Pl:C. paulatinamente.

•. psicologia e psicanáli. Maurício Knobel. por ser uma entidade interdisciplinar. Estes sào todos ligados à SPRJ. ao Brasil.C. 67. Os demais. que será também o da AP1'IA. A preven\. eSjJeCiaimente osp. esteja nas màos dos psicanalisra.-'nto uma Saciedaâe deformação paralela de fomentada por seu. em 1977.ino da SPRj . para prestar esclarecimentos ao diretm' do Instituto de Enr. nlais grandioso que o prinleiro.e nível internacional através a de congressos. c é este o período de sua maior efervescência. pressões dos psic6logos . fundaela..'ão ou psicoprolllaxia como forma de promoçào da saúde mental passa a scr a peelra de loquc elc muitos psicólogos. 70. por não aceiUr essa orientação.s. Da nleSllla fOffila.ldos às Soeiedades "oficiais". Estes "representantes" estão. é o ele promover uma ampla discussdo entre proft<.'i. quando a rnídia se ocupa dos projetos ele uma psicologia psic'analitica para a int:lncia.de saude mental.. "prevenir os diferentes momentos de crbe por que passa o ser humano". demite-se. os própn'os estatutos confirmam i. p. como já relatei. de um modo geral.. Em 1972 c 1976.~própn'os memlm)s A·la.é chamado "".). justamente os que tinham se ligaelo nlaL..."cía dos psicologos. A Associaçào de Psiquiatria e Psicologia da Inf/hlcl'a e da Adolescência A Associação de Psiquiatria e Psicologia da Infància e da Adolescência (APPIA) é fundada. o psicanallsta da SPRJ.trade 11Ulrk. Daí.. emào presidente ela A1'1'IA. em Buenos Aires. A..sionais de psiquiatria. a adolescência c suas fanlílias1'\".vinculados à linha "oficial" . sào: Eduardo Kalina. a gnmde tniÚon'a dos psicólogos que trabalham na área clínica sefiliar a APP1A "1'4. o maior número é de psicólogos. tem um programa de higiene e psicoprofilaxia da intancia e da adolescência com granelc penetraçào na América Latina" 1\2 O objetivo da ASAPPIA. bcrn aos moldes das subjetividades hegemônicJ.icanali. ALe. publicações e palestras. 69. continua indefinida com relaçào à questão da formação e..~ a APPIA não tinha compromisso jormal algum em formar p. Após o li Congresso.. 66. Esta.Sua fómmla deve ser produzida da mesma fomla nos maL. Op. (:'1APPIA passa a ser um centro de refcn-. Carlos César Castellar. Após o grande sucesso do I Congresso.C. I')') 134 . ) interessados em amp/im' seu mercado de trabalho (. cOfilprdcias nos con<. 152 Figueiredo.<..'i profissional' •. clescle 1973. elnbora a direção. o declínio da APPIA e proporcional aõ surgimento de novas formas de organização dos psicólogos em torno da psicanálise ( . esta entidade promove elo. p. 1'56 Entrevista de Carlos César Castellar cilada por Figueiredo.mhre o !>urgime. quando a mfdia dá uma cobettura nacional. passam a ser lnercadoria". Arminda Aberastury. noS anos 70 no Brasil.s então produzidas: cuidar das fimilias em "crLsc" e. A APPIA. psiquiatras e pSicanaIL. mensalmente. em 1972. mas também assistentes sociais. Sua origem liga-se à ASAP1'IA(Associação Argentina de Psiquiatria e Psicologia ela lntância e da Adolescência). estão no mercado psicológico desqualificado. ) e em dezembro de 1982 a APPIA suspende difinitillamente suas atividades"l~-'.). a "verdadeira" psicanáli<. cit. no Rio ele Janeiro..ultórios dos "representantes autorizados" a usar a grife de Freud. no sentido de garantir a sua "nlarca registrada". os "reles mortais". c abrc-sc uma crise na APrIA.o. por psiquiatras e psicanali'tas da A1'A. dos psú::analísta. qucrendo que a APPIA se tornasse um cstabelecimento de fonllaçào sistenlática .. que pudesse reconhecê-los e jornecer-lbe5 uma fonnaçdo clínica (.que já vinham.ra. em 1970. p. W) Suas principais figuras. p. lig'. (_. Cumpre r ) a função de congregarO. pois nào têm a "marca registrada" sancionada pela IPA. 1.\"icólogos carentes de vinculaçào a uma instituição. os maís progressistas.. no mundo capitalístico. Op.. Idem.e e a fOffilação amlítica instituida pela IPA têm uma trade mark. ao grupo argentino que de 70 a 74 vêm. psicólogos. congrega nào somente médicos.. Contudo. "I'i>. p. n.. por sinal. 153 Idem. Castellar. dt.aumentam.que nlantêm contato com a American Society for Adolescent Psychiatry. pouco a pouco~ vai se esvaziando.4 Idem.~tas. dirigida entào por psicólogos. Leon Grinberg e Arnaldo Rascovsky. dentro ela linguagcm dos argentinos. Esta Sociedade" .s. ela linha considerada "progressista". diferentes países. a. sem dúvida. "Sem duvida...' grandes congressos. Foi desse grupo que vieram ao Rio de janeiro os primeiros argentinos para mini'>trar cursos na SPlij e no IOP a conuite de Fábio Leite Lobo "1"3.

também na Paulicéia começa a se expandir no meio "psi" o enfoque grupalista. tornava-se sócio. ligados à SBPR] e à SPRJ. (OrgJ. a partir daí. Não ignoro que. Prepara.dos psicanalistas ligados à "verdadeira" psicanálise sobre os psicólogos cariocas. passava a freqüentar a sodedade de grupo.• 159 Segundo Castellar ~.). com a difusão do livro Psicoterapia del Grupo. vai ter o embasamento da primeira geração de psicanalistas argentinos. muitos psicólogos para começar a tentar uma formação autônoma. justamente. continuam de um modo geral reproduzindo. surge a tese ". pelo próprio momento histórico. Rocco. A história das práticas grupais no Brasil ainda não foi escrita e toma-se necessário fazer tal levantamento. de que esta forma de abordagem terapêutica seria o melhor caminho para paiscs em desenvolvimento"'''. tratarei do atendimento grupal em solo carioca. Tese de Doutorado. Cf. Naquele instituto. embora não marcados pelo paternalismo direto de alguns psicanalistas. A APPIA. estimular e dar um referencial teórico/ técnico à demanda grupal então produzida. No Rio de Janeiro. 76 e 77.O "Modismo" Grupal entre os "Psi" Cariocas: a SPAG Neste item. fundam a primeira sociedade de grupo.4 . diferentemente das restritas experiências da SPC e do CESAC. A. precisava estar no término de sua formação analítica ou tê~1aterminado. repercute sobre o movimento dos psicólogos. Eles vêm. pois. como o título mostra.com cerca de 1000 filiados. A.C. cit. as instituíções formação analítica e "verdadeira" psicanálise. para seus filhos adolescentes (os filhos do "milagre econômico") . A partir da segunda metade dos anos 70. 157 Figueiredo. por outro. como já vimos.. grupos e instituições) e a organização de um curso de fOlmaçào de psicoterapeutas de crianças e adolescentes. "História da Psicoterapia de Grupos".e. A APPIA é.O. M. L. 3.21·35. In: Py. da não disponibilidade dos psicanalistas da SPRJpara oficializar uma formação. Junte-se a isso o contexto brasileiro da segunda metade dos anos 70. Diante da reação negativa da IPA . de 1972 a 1976 .. quase sem 1')8 Câmara. 136 137 . um pouco mais flexlVel e um pouco menos ortodoxa que a dominante nas Sociedades "oficiais". iniciam-se outros movimentos "psi" no Rio de Janeiro que. difunde para grande parcela dos psicólogos cariocas outras formas de pensar a prática psicanálitica. A.a história da formação de terapeutas de grupo no Rio de Janeiro data do início dos anos 60. Ainda sobre o assunto. Entrementes. que havia contado no seu período de maior efervescência . sem reconhecimentos institucionais vinculados aos psicanalistas "oficiais". por absoluta falta de tempo. p. 127-142. de Marie Langer.as Sociedades "oficiais" cariocas acautelam-se. quando Valcleredo e um grupo de profissionais do Instituto de Psiquiatria (IPUB da UFRJ). talvez um pouco mais aberta. principaimente com adolescentes.L. por um lado. Op. por meio das quais. para o indivíduo se tomar terapeuta de grupo. Se. Py.tanto psicanalistas ligados à SPRJ. essa primeira geração de argentinos contribui decisivamente para que as experiências ocorridas na APPIA não se confundam com aquelas da SPC e do CESAC. A APPIA orienta grande parte do movimento dos psicólogos cariocas no sentido de pensar uma "outra" psicanálise.. no irúcio da década de 70. a APPIA. pp. entre os profISsionais "psi". adquiria o cUreito de ser observador de um grupo". Os psicanalistas mais conservadores recusam o trabalho grupal e são os considerados "progressistas" que se lançam às primeiras experiências com grupos'59. apesar da tutela e. que não chega a se realizar. 1994 . Ver "Co-Terapia".que argumenta que grupoterapia é uma psicoterapia menor e não psicanálise . essas práticas. portanto. o que não é objetivo deste trabalho. p.em termos de estabelecimento . adolescência. Não é por acaso que muitos entrevistados . Op. Todavia.B. muito se disseminam. caso se interessasse pela grupoterapia.._. (Org.há uma grande demanda. no mesmo período. por sua grandiosidade em termos quantitativos.Isto ocorre após tentativas de constituição de gru pos de supervisão em diferentes áreas (infantil. quanto psicólogos . familia. das próprias subjetividades hegemônicas então produzidas -a necessidade de uma ajuda "PSf' para a fantilia "desestruturada" e.enfatizam a importància desse grupo de argentinos. a tutela é mantida. Gropo: A Aflnnação de Um Sbnulacro. PUClSP. Emilio Rodriguéz e Leon Grinberg. por força. principalmente. Gmpo Sobre Gnlpo. 1987. Desde os anos 60. e.entre as realizações de seus dois Congressos. Rio de Janeiro. a última e grande tutela . consultar Barros. cit. 128. Embora esteja vinculado à APA. R. Essa demanda produzida. fortalecimento dos movimentos sociais produzidos nas periferias das grandes cidades cujos ecos começam a chegar a alguns segmentos das camadas médias urbanas. apesar das críticas feitas. portanto. 33. não será aqui abordado o movimento paulista. Eis porque o grande sucesso que fazem no meio "psi" carioca.

A. Também os membros associados estão impedidos de votar nas Assembléias Gerai. 20.lIdação daSPAG/R. Diante desse "mercado psicológico" tão prOlnL<.elho Científico (' ConsuiLivo. LA. em 1969. seu:.. sendo que todos os ex-presidentes fazem parte do Cone... (UrR. Anigo . oS psicanalistas . Além da btLSGl desse reconhecimento externo. (()rg.. Op. a S1'AG/Rj abre sua formaçào aos psicólogos.') que já Elziam trabalhos grupais com adolescentes c adultos.dos. na segunda metade dos anos 70. é a djfusào e a aplicaçào dos conhecimentos psiClnaliticos aos grupos humanos.19 t. nos Estados Unidos.ho/Jping . no Rio de Janeiro.m.l. o poder executivo.. dif1JOdidodesde o início dos anos 60. sobrerud(). L. orientação psicociram{ltica e gestáltica.tensào" . 165 Sobre algum trabalho.>: ara um terço de> p psicõlogoS'·IM. mantendo-se . As eontribuil:ôes dos argentinos.qb". os dida13s. se e. p. "'Pectimsconselhos regionaLç. n. são fund3ll1en13is no sentido de reorganizar e reorientar essas experiência.respaldo teórico. di. As categorias de membros asselnelham-sc às das Sociedades "ofkiais". como no IMP e no Círculo Psicanalítico. há 13mbém a influência de outras técnicas gnl]xlis.. Pelos seus Estatutos. pelo artigo fíº.e a partir daí começamos a trahalhar Durante nossa atü'idade. e os psicanalistas ditos "progressitas" sabem di"o. de Nova York. há o fortalecimento de todo esse [rabaUlO de grupo com profundas influências dos argentinos. dt Op_ cjt. Seu objetivo.' terços de medico. com modificações na fonna de lidar com grupos '1<>0. pr.cípu!as de Bleger e 1'ichon-Rívicre. internamente o autoritarismo c a exclusão estão presentes."1Jeriente.ào da 11'. bá a mudança dos Estatutos e Regimentos.197·1.wmpre a proporçao de do(\. fundanl. À técnica do "grupo operativo" acrescentam outrd. s psiG:mali"io tas mais conservadores da SBPRj e SPRj nào podem continuar indiferentes. vão para a S1'i\(. apesar da rigida oposi. atendem e realimcntanl unla demanda então produzida. somente podem ser membros da SPAG/RJ ". produzem novas demandas. suas presenças sistcmáticas no Rio eleJaneifC\ por sua vez. como membros-natos.'. aprendem as novas técnica:'!. Filia-se à Associação Brasileira de Psicoterapia Analítica de Grupo. Além desse grupo de psicanalistas argentinos. escolhendo. A partir de !977I7R fase de esvaziamento da A1'1'IA. Propag'. que é.JIllde se.~Estatutos da SPAC'/R}.notadanlCnte pelos trabalhos que já desenvolvem no âmbito da psicoterapia de gnlpo.J. por ('..muitos que participaram de sua fundação .~ rt'a!iF.11 trabaUlO grupal. Em 197.saem e.~segrupo de psicanalist:1s. desde 1971.l.. Em tudo. lül Artigo 2° cios Estatutos daSPAG/R.. inclusive. os laboratórios de s{!llsitiui~y trttillill/!" os wnrk..sor. assim como Rodolfo Bohoslavsky que aqui permanece Essas psicólogas. In: Ata da l<u. segundo os Es13tutos. convida sistematicamente as outras duas.!membros sdo medicos e psic6logos que tenbam seU"diplom(b registrado . em Buenos Aires.. nue. na Argentina... assi. acrescidas de membros honorários e benfeitores./Rj""...":i. Há um enorme mercado que não pode ser ignorado.. na PlIClRj. os psicanali. OL 1()2.i\! do parágrafol" d().e pelo avanço do movimento dos psicólogos . Em final de 1977.• nos n. P 2. Da mesnla fOffila que esses profissionai'.!.•e. pelo contexto brasileiro da época ~ Governo Geisel e sua "di.."itas filiados a ulna das Sociedades da Associa~'ão Brasileira de Psicanálise. Quando da forma. In: ()p. .palham pelo Brasil. Pcla sua própria prcsença dentro deste grupo. a SPAG/Rj reproduz as Sociedades "otlciais". aprendida geralmente de algum colega maL. Vér os diferentes artigos contidos in Py.".. especialmente o grupo terapêutico"lbl.o..t época. as maratonas que.mimeogr.j ao ~ no pcriodo dc maior apogeu da APPIA ~ é fundada a Sociedade de 160 Py. trazidas por psicólogas argentinas como Carmen tent. a partir de 1970. à Federação Lalino-Alnericana de Psicoterapia Analítica de Grupo e à American Group I'sychotherapy Association.ta. embasados pela primeira geração de argentinos ~. As maratonas são aqui iniciadas p(')os próprios psicanalista.J . 'TÍl'CmOS uma noção rudimentar hásica.. o Centro de Investigação e Assessoramento em Psicologia (eIA1') que se abre os mais "ariadas técnicas grup:ris influenciadas pelo Movimcnto do Potencial I1umano. da entidade. gradativamente.. cit. . Susana Pravaz e Estela Troya. para ter acesso a ~ tào promissor "mercado gnrpal psi". Psicoterapia Analítica de Grupo do Rio deJaneiro (SPAG/RJl não somcnte como uma lórll1a de respos13 à APPIA ~ que congrega outros profissionais. A prinlcira. na Sociedade.'ào da A1'I'IA. grupais. As técnicas grupai'i expandem-se entre os prollssionai"i "psi" e tornam-se "modismo". alénl dos psicanaliç. a e:tperiéncia nos lenou à ot]?anizaçao.

seus membros ". depois de formados. sidata. tudo dentro do modelo recém-conhecido dos "grupos operativos" de Pichon-Rivierc. não têm acesso à fonna. É importante que os psicólogos possam participar da fonnação na SPAGiR] . gradual e segura.Carlos C. entretanto. p. pois o que se entende por "intervenção clínica"? A partir de 1980/81.muitos deles didatas da Sociedade . os psicólogos. Mudan.. p_ 65. Nesta época. não são autorizados. é sair dos estreitos limites de seus consultórios privados e tornar-se um elemento de "mudança social". entretanto. desde o final da década de 50.os 168 Sobre o assunto. Não percebem. já que duas chapas se apresentam. esses profissionais experimentam não sotuente a coordenação de grupos com pacientes e funcionários. Posteriormente. Desde as experiências com as Comunidades Terapêu164 165 166 16'7 "Estatutos da SPAGIR]" In: Uvro de Atas das Assembléias Gerais. são médicos e pessoas diplomadas em curso superior vinculadas às ciências humanas e sociais com diploma legalmente regi. assumindo tais tarefas de forma mai. frágil e tcndo como modelo único e exclusívo de referência os psicanalistas . por esses Estatutos de 1977. muitos já têm uma experiência em trabalhos grupai. Em seus cursos de graduação. Cai o antigo parágrafo 6º que prevê dois terços para médicos e um terço para psicólogos. somente os membros titulares continuam tendo direito ". Como já apontei. tanto no Engenho de Dentro quanto no Pinel.afmal. em 1982 assume sua presidência .. Essa tentativa é dcnunciada pelos próprios psicólogos que percebem na chamada atuação preventiva ou psicoprofilática uma forma de exclui-los da formação analitica. Susana Pravaz e Estela Troya promovem laboratórios de vivências. ". muitos dos que haviam fundado a SPAGiR) vão se afastando graelativamente de sua direção e de uma série de outras atividades. bem como o de votar e serem votados para os cargos eletivos da Sociedade"'''. extremamente preocupante pam esta categoria. diferentemente da do psicanalista.. Assim é que. e profIssionais. têm como prolessares os psicanalistas .trado""".ão analítica na APA. conlO supervisões e grupos terapêuticos. Castellar. Carmen Lent. quando Bleger e outros didatas da APA mostram que a "identidadc" proflSsional do psicólogo. Paidôs. a voz c voto nas Assembléias. sua grande preocupação é a questão ela"identielade" proflSsional.a no sentido de realizar. na época. que aponta para um outro tipo de controle. p. Idem.\ires. fazem com eles suas tempias.e. 34. [clem. () parágrafo 4º. Bastante ambiguo. no início dos anos 70. 31. Só que com uma diferença: o movimento dos psicólogos argentinos. ao invés de se aliar aos pSicanali'ta' "oficiai. Quase um ano depois. o trabalho gn'pal é também muito difundido. também os chamados "progressistas" estão se afastando e lri toda uma nova geração de psicólogos e psicanalistas participando da vida societária. o que o trabaUlo preventivo produz. Pskohigiene Y Psicologia ln••itudonal t Buenos 14 t . Desta forma. lUas é incluído um outro. que tinha anteriormente sido presidente da APPIA. trabalhos institucionais e comunitáriosl6S. Na questâo ela "identidade" profissional.tas. que continua a tentar encontrar modelos de referência. desde que se possa manter o controle.A "abertura" ou transição é feita dentro dos mesmos moldes que a do Governo Geisel: lenta. No Brasil ..com um movimento muito menos organizado. 64. Pelo artigo 4º. organizase em entielades sindicai. através de atuações grupais.em eleição concorridissima. p. ver o Uvro de Blegtlr. Idem. porém. há anos -. supervisões e grupos de estudo. Também na Argentina. tão corporativo quanto o anterior. tema. no sentido de traballlar o tema da "identidade" proflSsional do psicólogo. os membros da SPAG/R] não médicos (leia-se os psicólogos). oportunidade em que é ampliada a entrada na SPAG. o que não ocorre desde sua fundação . ou menos acrítica. entre os psicólogos. terão seus pacientes assistidos por médicos no caso de carecerenl de interven~ão clínica que só a médico compete desempenhar"'''. esses temas estão presentes entre eles de maneira muito forte. Como no B. . t40 licas no final dos anos 60. ! toela uma tentativa de capturar lá esse movimento. empregando diferentes técnicas grupais.. J. a presidência da SPAG/R] é ocupada por uma psicóloga: Márcia Câmara. nem reconhecidos como anali.dsil.. que já começam a se tornar numerosos. a quem o exercicio da Psicoterapia é autorizada pela legislação em vigor. novos Estatutos e Regimentos são votados. Somente em 1985." e por eles ser tutelado.

principalmente. ao ao psicologo como "((·cnico da. esses dL"posiHl'Os que l d canaliZam os descontentes efazem funcionar asjàrça.Inentos pré-cirúrgicos. atendi. Dissertação de Mestrado . à época. que se emprega lima prática "avançada".. Or.srectü~ sio çnfali7ados Importa-se de forma mcc3nica c acrítica o modelo argentino da Psicologia Institucional de Blegcr com sua linha prevcntiva e os trabalhos de grupo. não tão aferradas .ela\-'cJcs r interpeSS(Kli'i1"711.1o-. reproduzem. Bueno. l anos antes tinhanl nos psicanali')tas '·oficiais" brasileiros.nào saem dos estreitos limites das instituições vlstas como estabelecimentos abstratos. Rio de Janeiro. esquerda. Neste momento. "Criam-se essa. ve[ Bo!losla\'sky.respondem muito bem à demanda produzida nos anos 70 no Brasil.~e llL"iUtudonal no Urasil Rio d. . Não nos esquC'\-'amos de que esses referenciais estão presentes na APPIA e em seus exuberantes Congressos. surgcln outras concepções sobre saúde c doença.'jo ." uleologias nào cliretirras. escolas. ·vl'r: Coimbra. à medida que a inl1uência argentina se amplia. que passam a ser muito utilizados na. j)(lssado /)or alto (' n dciya dr! otJr!rar( . sociais e sindicais. (). Como as dinâmicas de grupo .o.como já aHrmei anteriormente . L. os "grupos operativos" de Pichon-Rivierc.."quc formac.•. . pet.segue refletir sobre os pressupostos de tais modelos que. ( .c suas aspiraçôes técnico-científicas .obo. Apesar da força que o governo militar ainda possui.. participação de grande parcela dos envolvidos nos diferentes pois (lá L1l11a setores do estabelecimento.') 0. É neste momento que essas concepções ganham tantos adeplos entre '" psicólogm l11ais progressistas. Ao contrário do que nesta época já ocorre na Argentina.F.argentinos encontram U111 tnerc. é o que os atrai . I""U Todos <ósse. em que a palavra política ainda é proibidano caso do psicólogo institucional e seus lirnites de atlla~. CtHrealidade servem.oda nos anos ')0 e 60 . C."~1.-~à() ocacional (que v dentro da VL')àode Rodolfo Bohoslavsky torna-se uma terapia foca1)169 e outros.sistc-sc que é conhecido 7 ao conlO o "rnodismo" da Psicologia Institucional e dos ". terapias breves.J.o psicólogo como o "técnico da. da reitlcaçio do trahalho gnlpal. tentando mostrar.tjo em tll. Perguntas já comuns entre os argentinos .. R Orleoladón Vocaciollal: Airt's. ji se percebem os ptinleiros sinaL cio avanço político 'i (le Ull1aoposição ainda tÍ1nida e d() fc)rtalecimento cle muitos movimentos populares..:r7~SS." pur Blt:~l2r. ) é cmtado. " Não é por aC1SOqllC ocorre o hoom dos "gntpos operativos" no Brasil.gosas. Anais UI (Â)flfcri-ncia 8-ra. no início dos anos RO. que práticas c subjetividades cstamos produzindo e fortalecendo?" . Desenvolvem-se as terapias de casal. Janeiro.".R Psicologia Institucional: Ilitkuldadcs e limites. um maior controle sobre esses grupos.idón.. interven\'ôes em crise.B. mesmo os mais J. os psicólogos [)rasileiros.• pt'~<.:.es cujas limitaçôcs só mais tarde serio percchiclL<.c. trabalhD prevçntivo. na segunda metade elos ancl."ilin.como antes .cl:lis"e :l PSICologia InstitucioJl:l1.c no caso de muitos psicólogos.. a utn período em que a luta artnada contra J.<.ínstituintes em círcuito fi'Chado.. não se con. 1080. cit. ()fiu. ({)rg.: eus aspectos de controle s -.<. E.. Tais técnicas .. A Análi.'ão social. como "coisas em si". em última instância.s rl'J:lçü. acompanhamento a gestantes ()rienta. e. a. ditadura militar no Brasil csti quase que totalJnente debelada e () "tnilagre econtnnico" começa a ruir. NllL'V:l i. tnas . Espa~'(l ç Tempo. hospitaL')e empresas como forma de controle. há uma grande curiosidade em rdação às técnicas trazidas pelos argrntinos. 14:\ 142 .lESA}> FGViRJ. nos quais os psicólogos reverentemente acompanham as exposiçôes de seus "mestres·' argentinos e neles têm seus modelos de referência. Valendo-se de um discurso modernizante.'>. obo LF l' Ihrros..no caso da prevel1\-'. Principabnentc entre os psicólogos. Gradativanlente os psicólogos vão se afastando do modelo médico propugnado peh. ) Tal é o sentido dil. C.\'l. RD. conlO lU) Sobre o :lSSllnto. mesmo marcados por influências marxl"itas .~i1cira de Educação.-'Slnh .. e segurança." J. Concepçc. (' Barros..somente puderanl ser pensadas posteriormente.D. sob outras roupagens.~rupos operativos". Socie(L~des"olkiais".'á!t"ula.não criam nOV~L') estratégias c táticas de açiio. R. 'üo conscgLlem ainda questionar as subjetividades que produzem o "lnercado psi" dos anos 70. exerce-se.<. Critica. 1<)84: L Coimbr3.ado extrem~tlnente propício e fatlllnto à di')cussào de tais tetnas. Coimbr3.bzcm funcionar no vazio algumas forças que podem se tomar if1o.à psicopatologia...como já afinnei . Também por inlluência dos argentinos.). 197'7 V la Estratcgia Clínica.apesar de serem considerados unI avanço pam a época -..B.tituintes portanto. r eM. e muito bem. 198"7. Vendc-se ~ todos a i1usào da participa\-~ào :10 cnfatizar o caráter igualitârio c democr~itico desses grupos.B. "Os DL'S:lfios Sociais é a Prática do Psicólogo 1~~co1ar~In. l.. os antigos modelos.R "A lnstiluiçào ili Supervisão: AniiisL' de Implicarbes" In: Sa. Esses modelos ainda marcados pelo dkialismo dos psicaI13listas argentinos .

estariam sendo produzidos por essa prática. apesar de trazer uma série de contribuiçôes um pouco mais "flexívei~" que a dos brasileiros ligados ãs Sociedades "oficiais". Foucaull. Cadernos do lBRAPSI.ta como simplesmente mais uma técnica a ser empregada.A SEGUNDA GERAÇÃO DOS ARGENTINOS A primeira geração de psicanalistas argentinos. vi.querem participar de tão promissor "mercada". ainda. com suas experiências e formações exteriores à APA. não é só o que ocorre.tas não pode ser entendida como um grupo monolítico. uma vez que estamos na era dos peritos c da tecnologia' No Rio de Janeiro. sem nenhum grau de implicação com a realidade social concreta. Aqui seus interlocutores são os psicólogos . já que o momento hL~tórico da época nos mostra o devido uso de tais práticas e os efeitos que provocaJl1. mimeogr. os lacanianos completarão este rompimento. não se contentando mais com o atendimento infantil já aceito e instituído. Analisl" Inortltudonal Y Socioanálisis. os que. Op. consultar Barros R. após o golpe militar de 1976 -. reproduzindo as mesmas práticas e modelos. alguns psicanalistas da SPRJ e da SBPSP.'l Concllciones deI Grupo de Acdôn". pois existem os que vêm exilados.179.A RUPTURA COM AS SOCIEDADES LIGADAS À IPA Na segunda metade da década de 70. sobretudo. Concordo em parte. encontram no Brasil um excelente "mercado psi".mo e fortalece-se a sociedade civil brasileira. R.. Seu aspecto técnico é que predomina. que muito vai "incomodar" os "psi" sem implicações politicas e há. no dizer de M. "La. está muito longe de ser pensada nos anos 70 no Brasil. sus/entadas pela ideologia grupis/a que funciona como verdadeira polícia cultural e estatal e por tras dela. 06 lT. M. [973. o. e funcionando como práticas de controle e assujeitamento. pp. São utilizadas meramente como técnicas abstratas e neutras. No entanto. Desse modo. irá gradativamente romper com as irlStituições analisadas anteriormente. com o "modismo" pouco se estuda o referencial teórico dos "grupos operativos". 172 Saidón. 41 e 42. A própria denominação "os argentinos" uniformiza as diferenças que há entre eles. México. Sem a preocupação em saber para quê e porquê utiliza-se o enfoque grupal.em sua maioria exilados. entre pressões. os que vêm por questões de mercado. defende a "verdadeira" psicanálise e a formação analítica nos moldes da IPA.carentes de modelos para uma "identidade" proflSsional. pois. 144 . Fornece. tanto no CESACquanto na APPlAcomo já vimos. 171 Benurcl. Surgem outros grupos de formação psicanalítica. em 1977 e 1978 -. (Oeg. cujos projetos não vingam. na qual ogrnpismo repousa alegremente"'7J .parttcipacionistas. o "empurrão" que falta. A segunda geração. O próprio Gregório Baremblit nega a existência de uma "Escola Argentina" ou a existência de ". secembro/l'. Posteriormente. demonstrando uma expressiva vinculação político-social em suas práticas. esta segunda geração de psicanali. Guia Tennlnológlco da Teoria e Técnica do Grupo Operativo. 1. que sujeitos. além de introduzir novas estratégias e táticas de ação. Sobre o assunto. Exercem.. em realidade.. por questões de militância política. J Muitos afirmam que a utilização dos "grupos operativos" prendese a questões teóricas. começa a ser delimitado um novo perfil nos movimentos "psi" carioca e paulista. Nuev:l Imagem.S.e. toda a psicologia contemporânet. pois há uma confusão reinante em nosso meio quanto ao uso desta técnica. argentinos agrupáveis em redor 145 VI . esta segunda ajuda a quebrar os m1tos da formação vinculada ã IPA e da "verdadeira" psicanálise. que chega a partir de 1976. é necessário partir para formações autônomas. In: Lourau. Entretanto.como os seus modelos psicanalistas . tomam-se cada vez mais fortes as pressões dos psicólogos por uma formação analitica. p. chega a segunda geração de psicanalistas argentinos . Também eles .D. A questão de se pensar o grupo como um efetivador de forças e que forças seriam estas"" que sàbcres. Se a primeira geração traz contribuições de uma prática psicanalitica. considerada "ollcial". após a implantação da ditadura militar na Argentina. eIn especial os "grupos operativos"~ cai-se num mero "modismo" e numa reificação de tal prática. sem no entanto provocar rupturas.). Rio de Janeiro. em sua maioria exilada. cit. mesmo por questões de exílio. Compo: A Afirmação de Um Simulacro. que objetos. que é utilizada sem um "aprofundamento adequado de suas bases teóricas""'. emerge o !acani.

1973. mas pelo comprOlui'iso dos psicanalistas com os povos empenhados e111 suas lutas de libert"ção"'&'.enconlrar-se-ão real~:ados neste relato. Hl. Não quero nem espero que este trabalho seja visto como uma neutra e linear história das práticas "psi" nos anos 70. M. M~xico.M. em Roma.D. solicitam o direito de voto aos lncmbros associados c () direito de serem cOl1.po Documento. cm Vicm.~. ')3. as agitações em Rosário e Buenos Aires. sim..l. alguns acontecimentos são c serão por tninl destacados em cletrirncnto de outros. 1977 e !. por ser uma federação 111édica.l na América Latina. social dos psicanalistas. uma cb..sunto.. H.desde 69 . onde lr"balllal11junlos os grupos Plataforma e Documento além de diversos outros gntpamentos politicos pertencentes "OS diferentes partidos ele esquerela. Ferrari Harc!oy.o Platafonna tem posi\·ôes lnais radicaLs politicamente. Op. (Org. "Plataforma lntenucionaJ: Psicanálise e Anti-lmperiali~mo". (01110 os psicólogos. em 1971.criase o Centro de Docência e Investigação (CDI). L986. !\'um prirneÍfo tllomento após a ruptura. um dos mais caros e sofisticados hotéis de Roma. exclui outros profissionais. Traço. Trá. p. o 'lU"!. Vozes. dt. E.PA. Up. . 178 () Congresso realiu-se no Cavallieri Hilton. havendo pesso.:. 176 Perestrello. no Jov'Xvll Conwesso Intemacional da lPA.reconhecida pela [1'Aem 19/.lQuestiooamos 2. J. Angel Ganna. Os dois gnlpos. assim como Lmger. A.. dentre outras col"as. É óbvio que.-"11te única em sua tentativa de d apagar as diji. as quais começam a transpor suas fronteiras. ver tanger M.) Ra2. Funda~seJ então. Cirsamü. BH. dentro de minha prática. não passa fi. a Associação Psicanalitica Argentina (A1'A).mdanlentalmentc pelas revolt::L'iinstitucionai . no XXVI Congresso 1ntern"cional da IPA.•• . Segundo depoimento de Marie Langer esta geração de '. A mim. como já mencionei na Introdução deste trabalho. 17') Eram seis os fundadores da APA:Marie Langer. Tod~lvia.de um pensamento unifonnenlente marcado . os cínco didatas que saímos da APA..particip" da Federação Argentina de Psiquiatras (]'AI') junto com o gn. Difun- dc-se por várias cidades do interior a formação analítica . apresentam muitos posicionanlentos em comum. M.mental e de L79 sd)re o :L. Desde o início de sua história. 96 c 97. 180 Kesseiman. F. Marie Langer. pessoalmente. a APA adere ã greve geral 'lu c é declarada contra a violenta repressão feita aos estudantes e aos trabalhadores. prOCUra111dar Cursos de pós-gradua~'ão na FAP. t46 .sidcrados automaticamente.ou pelo menos este . algumas alianças entre n1uitos que vêm exilados. ()rg . In Langer.rença<. Meses depois o gmpo Plataforma Argentina s"i cl" A1'Ac . no Brasil.. 4) das relações entre psicanálise e instituiçüesl79. 11_ Op. após o "Corelobazo" .s fundadoras da A. PbtafornlJ. A minha implicação com esta segunda geração de argentinos é clara e sei que alguns acontecimentos .. cit. toda uma geração de jovens psiquiatras de fonnação marxista entra na AJ'A. a Coordenadoria dos Trabalhadores em Saúde Mcmal (STM) junto com a Associação de Psicólogos e a dos Psicopedagogos. Locura y Sociedad. BH.manifestações populares em Córdoba -."IT'. Palacio.•• quais.L2sdeI Movimiento Psicanalítico Argentino" In: Suarez.) Questionamos 1_ Rio de Janeiro.oriunda de famOla judia da Viena Imperial.l Questionamos 2. Segrae. 1987.apresenta grande atividade em termos de publicações. dias depois da saída do pessoal ligado ao Plataform". ''A experiência do CfJ{ e cer1ame. M. Siglo Veintiuno..'iputam sua hegell1onia. Rosário. M. G_ Ato Psicanaüt1co e Ato Politico.<. 218 147 Em J 968. 246-250 e outros artigos de&~ me. i()8(i.PichonRiviere e Arnaldo Rascovsky. fOrg. Kes~lnun. Ligado ao STM.'filhos"ensinou muita coisIJ a nós. posteriormente. In.ainda que só para médicos -. com o pcronislllo A FAP pouco a pouco vai se identificando revolucionário e há vários grupos que di. 3) do papel 174 Baremblit.~pecialistas a saude. J77 Langer. C0111111uita influência da teoria marxii. Memória. 2) do signifkado.anger. reunidos enl torno de um documento.-rória e Diálogo Psicanalftico_ São Paulo.ón. e Documento.e Guinsberg. função e estmtma das sociedades psicanalíticas.:L') que oscilam entre um grupo e outro. e na formação de alguns psicanalistas brasileiros"6 Nos anos 60.. ligada ao PC. elC.)ta-fóquista. dt. me ajudou a acahar com a dissociaçào (! a unificar. ()rg. mas esta.11 formado os por UIll grupo de didala. na época. cOlno eo) Mendoza.reconhece public-amente que sua luta ". exilouse na Argemina \. Lmerlivros.2'7. no Mexlco. pp. contudo lnuitos caminhos e posturas diferentes. participou na Espanha das Brigadas Imernacionais.''17-''. o paracongresso numa cervelaria popular da vizinhança. entre os (>. No ano seguinte. Est:í lórmado o Gmpo Plataronna Intcrnacional que. também se deslig" d" A1'A. tão em vOg'".. o enfOque psicanalítico com minhas conuicções polítk:a. o grupo argentino e outros organizam um paracongressol78 no qual se propõem as discussões: I) da formação do psican"lista.sma revista. "Vidsitu<. p. J diclatas.

começam a introduzir muitos desses conceitos em suas atuações grupais e institucionais. há cerca de dezenove hospitais gerais só em Buenos Aires. à STM e ao cm fazem trabalhos de assessoria institucional com os mais diversos sindicatos e partidos políticos. desenvolvem a formação analítica. uma grande preocupação com a formação pois.2) a demonstração de que se pode dar e adquirir uma formação séria e de alto nível fora das instituiç6es psicanalíticas oficiais epor uma contribuição econômica mínima que sin'a para manter o local C. para esse Serviço. Maiores detalhes. Gramsci e Mao "181. 3) o avanço. Com o golpe militar. nas situações de greve. como Gregório Baremblit. M. dão apoio psicológico a muitos militantes de esquerda c. O manifesto do grupo Plataforma dizia: 182 Sobre o assunto ver Rodrigues. No entanto ainda não rompem com os "grupos operativos" de Pichon e a Psicologia Institucional de Blcger. In: Boletln dei Centro Internacional de Investigaciones co y Gropal. em que se pensa e se debate como a psicanálise se articula com o marxismo.{Org.). assim._.Ilares a esse modelo de Lanús.B. porém. Uma vez por mês ocorre o Ateneu Clinico. deste modo. Palacio. No final de 1974. M. pp.ldade Terapêutica. "(luta Abena do Departamento de Investigações Institucionais do Brasil a Annando Bauleo". Para alguns argentinos. H. psicanalistas.D. . apesar das posições políticas distintas c até diferentes entre si.j. ocorre. Ao lado dessa formação no CDI. Em Lanús. valendo-se como espaço de preparação da própria prática hospitalar. por isso. psicodramatistas e uma série de outros proflSsionais. alguns desses profissionais. outorgando à prática o privilégio que lhe davam Marx. aproximadamente -. Rio de Janeiro.B. Borda e das Clírúcas. O cm também é fechado logo que há o golpe. Deleuze e da Análise Institucional -. adolescentes e alcoólatras. desde a segunda metade dos anos 60 e nos 70. Nada recebem nesses hospitais: dão o trabalho em troca da formação. 16-21. em suas práticas. 1987. Alguns desses psicanalistas. 111 e 112. n\! la. esses trabalhos e as formações nos hospitais públicos tenrunam. Promovem-se palestras com MaxwellJones sobre Comun. Marie Langer se exila no México e inicia-se a "diáspora argentina".. C. Alguns dos psicanalistas daAPA estão nesses trabalhos. sendo o trabalho eminentemente grupal com crianças.).oferecer a todos a mesma oportunidade de formação ( . em 1976. E.entação dos diferentes grupos de trabahadores de saúde mental ao tntegrarern-se num só movimento gremial (. que passam a ser centros de formação. Sirn. em muitos hospitais públicos. Em 1974. essa formação paralela se fortalece e toda uma geração de psicanalistas se surge à margem da Sociedade "oficial". ver Braslavsky. por exemplo. e Guinsberg. por suas ligações com as organizações então clandestinas. e Bertoldo. à medida que a oposição cresce dentro da APA. essencialmente.conceito guattariano c básico na Análise Institucional . a atuação de psiquiatras e psicólogos que. devido às ameaças da tríplice "A" (poderoso grupo paramilitar que se denomina Associação Anticomunista Argentina).. de alguns passos concretos no tão debatido terrrmo da inter-relação entre marxismo e psicanálise. por exemplo.quando não os fazem fora. Durou pouco pois duas bombas são colocadas na EPSO a qual é fechada pela polícia antes do golpe de 76. Op. etc. voltadas para a saúde pública. quando chega o golpe em 1976. pela leitura que fazem de Guattari. são violentamente perseguidos. etc. fundam a EPSO (Escola Psicanalítica Freudiana e Socioanálise). pois. A partir 1974 a 1976. desde 74 há uma série de provocações da direita: revistas sistemáticas da polícia. dto que permitem pensar a psicanálise extramuros do consultório. irúciandoc se o questionamento da tradicional visão manicomial.. mas agregam-lhes estes novos modos de pensar os grupos e as instituições. Maurício Goldenberg introduz um Serviço de Psiquiatria em que se realizam atendimentos a pacientes internos e externos. M. Bleger e Pichon continuam como os grandes modelos. que envolve uma mistura de pSIcanálise. são atuações claramente implicadas com a política 181 Langer. em 1964.) Questionamos 2.é mais uma dimensào somada às de horizontalidade e verticalidade nos trabalhos grupaisl&. Goldenberg chama. In: Langer. PskologiaSocial 148 t49 . As aulas são trabalhadas por intermédio de "grupos operativos" e Juan Carlo Di Brasi coordena o de epistemologia. cit.C. Op. supervisionando. bombas. a transversalidade . análise institucional e militância política. Alguns dos psicanalistas ligados ao Plataforma. destacam-se o de Lanús. coordenando grupos de estudo.) o que traz algumas verijicaçóes valiosas: 1) a possibilidade de romper a estratificação e a fragm. etc. Avellaneda. têm supervisões e grupos de estudo . Assim. Dentre esses hospitais. Nos serviços. "Anotações pata Uma História do Movimento Psicanalítico A1'gentino~. Evidencia-se.

ligam-se ainda ãs periferias das gTarldes cidades e ao movimento sindical. pelas cDntribuições técnicas que oferecem.sua maior abertura e tlexibilidade e. 49. pois.e ainda se sentindo extremamente perseguidos -. os psicanalistas das Sociedades "oftciais" . Ato P:ricanalitk:o e Ato Polítlco. não 'se afetam com a proposta política que esses argentinos apresentam. no entanto.estão sendo perseguidos. não atingem a classe média.por suas implicações políticas . entendendo ser como uma definição clara que não passa pelo campo de uma Ciência isolada e isolante. sobretudo. Estes compromissos são reafrrmados no Brasil . 129. mas. por exemplo. Os "psf' . quase nenhum "psi" carioca ou paulista lhes pergunta sobre a situação política argentina e suas vinculações com ela. O trabalho institucional não é citado. Somente os psicólogos a ele se referem. psicanalista e psicodramatista argentino. louvam muito mais a primeira geração que esta. a contribuição desses argentinos linlita-se apenas a quebrar .e até hoje é uma forte crença . ". Pertencentes à pequena burguesia ela Zona Sul carioca.não só as do Rio como a de São Paulo -. em sua grande maioria. nesse período. para onde vem a segunda geração de psicanalistas aIgentinos. sim. mas no sentido de sua profISsionalização enquanto psicarlalistas. São unânimes em afrrmar que a mais importante contribuição vem dos "ofrciais'"do inicio dos anos 70. aquele que está ao nosso lado e nem sabe que pode chegar a colaborar. ao chegarem aqui.pelo corporativismo da primeira metade dos anos 70. argüir seus pressupostos. não conseguem perceber. cit.e muito .. considerável intluência.. Profundas e inlportantes retlexões nos trazem os argentinos. sem dúvida. paIa eles. o que ocorrerá mais efetivamente na década seguinte. não no sentido político. subterraneamente se gestando e resistindo aos horrores do terrorismo vigente. em seus microespaços. M. na qual uma série de movimentos sociais que. 184 Baremblit.. Op. Op. mas sim por aquele de uma Ciência comprometida com as múltiplas realidades que pretende estudar e transjormar"IB:'>. a Psicanálfse não é a Instituição Psicana- lítica Ojk. não têm e nem tiveram implicações militantes.ial. 150 151 . E. Estes.. ftlhos do "milagre" e representantes da geração Al-S -. 183 Langer. ciL. inclusive até a denunciar"11l6 Sem dúvida. não somente para uma melhor compreensão do exilio político. os argentinos trouxessem a peste.. por que não dizer.tanto no Rio quanto em São Paulo -. que fazem parte desta classe média. desde o início da década de 70. por sinal. G. Por sua vez. ". para o estudo do que chamam de "cumplícidade civil"IS'\ isto é. seqüestrados. procurados . sem dúvida. vindos de um inlplacável e violento terrorismo de Estado . os psicólogos cariocas. Será que sabem que havia ocorrido um golpe militar num pais vizinho ao nosso? Será que sabem que lá muitos "psi" .. p. Para alguns "psi". pertencentes ou não ao Platafonna. e Guinsberg. Palácio.. não sentem. esta "cumplicidade civil".através das experiências que trazem .. Contudo. não obstante tais enfoques. torturados e assassinados? Será que sabem que o Brasy ainda vive sob o terrorrismo de Estado e sob a vigência da Lei de Segurança Nacional? Será que sabem que aqui muitos foram e continuam sendo torturados. gradual e segura" de Geisel. acentuada ainda mais pelo exílio que se inicia. doravante. possibilitaram grandes mudanças nas práticas grupais. pela . vinha. presos. Estes são.J. Ainda marcados . de um modo geral enquanto movimento.a hegemonia da" Sociedades "ofrciais" na formação dos psicanalistas. Eles.1:o."Para nós. Os argentinos se espantam. poucos são os psicólogos cariocas e paulistas que se deixam efetivamente agenciar pela implicação política e militante que trazem os argentinos. representada 18" Termo utilizado por Eduardo Pavlovsky. como vai sendo elaborado o chamado "colaborador" nas ditaduras. as propostas políticas dos argentinos não fazem muito eco. É como se. sem. oscilam entre a revolta e o ressentimento por seus mentorts (oficiais) pstcanalíticos C .) e o desejo de chegar a integrar-se nos borlas vedados da psicanálise local ou de formar seus próprlos"l84. pela sua "estrangeiridade'". Apesar de estarmos vivendo na época a "distensão lenta. p. assassinados e desaparecidos? São os efeitos da produção massiva das subjetividades produzidas nos anos 70 que levam esses "psi" a ignorar todo esse conte.particularmente Rio e São Paulo -. Esses movimentos sociais.R. do qual sofrem. A Psicanálise é o lugar onde os psicanalistas estiverem. inclusive os considerados "progressistas". msL~temem dizer que a influência dessa segunda geração de argentinos para a prática psicanalítica é quase nenhuma. de sua parcela intelectualizada.pela sua competência teórica.

há uma total hegemonia da SBPSP no que se refere à prática psicanalítica. embora tenham sido jung e seus seguidores os 1&7 Sobre o assunto. Nesses training-groups. fundado pelos discípulos de K. ao apresentar a formação do IBRAPSI no Rio de janeiro. até 1976. ligado a pesquisas e estudos sobre a farnilia e oferecendo orientação e atendimento neste setor. prestando serviços de assessoria a algumas empresas privadas. há em São Paulo os grupos do NEPP. abrem furiosos ataques aos "subversivos" e "terroristas" argentinos. . Group. 2. os papéis e funções do líder e dos membros e não suas personalidades individuais e desenvolvimentos pessoais. sairão muitos profISsionais que se ligarão às chamadas terapias "alternativas" . Há. quem mais claramente "entende" esses compromissos políticos são os psicanalistas "oficiais". In: Territórios .. cit. Veremos isso melhor. 2. Tanto em São Paulo quanto no Rio de janeiro. n!!03. por meio do treinamento das capacidades nas relações humanas. Diferentemente do Rio de janeiro . Não entrarei em detallies sobre suas histórias nos dois espaços geográficos. E. sem dúvida. posteriormente.por grandes parcelas da população. com alguma influência também da orientação rogeriana. Lewin no llnal dos anos 40. centro de treinamento norte186 Pavlovsky. de Regina Chnaíderman e alguns da SBPSP. p. E. Entretanto. Op. muitos são aqueles que ajudam a esses argentinos exilados. do Sedes Sapientiae. única e exclusivamente por absoluta falta de tempo. p. 2 . 51 152 153 . os conservadores da SBPRj e da SPR]. mas poucos os que se emiscuem com suas propostas e implicações políticas. oferece lima série de atividades baseadas. ensinam-se os indivíduos a observar a natureza de suas interações recíprocas e do processo grupal. Além de um pequeno grupo no Rio. Dele. é um dos fatores que mantém todo e qualquer governo fascista e que sustentou intensamente as ditaduras latino-americanas. pois pouco se tem escrito sobre os junguianos brasileiros. que havia se originado da dinâmica de grupo lewiniana.há a criação no inicio dos anos 70 do GEPSA (Grupo de Estudos de Psicologia Social Aplicada) por psicólogos com grande influência do National Training Laboratories.Pubücacion deI Movimiento Solidário de Salud Mental. Sobre o Iacanismo haverá um item à parte.SAMPA E O MOVIMENTO "PSr' NA SEGUNDA METADE DOS ANOS 70 Comentarei alguns estabelecimentos organizados em São Paulo que correm "por fora" da Sociedade "oficial" e que contam com as contribuições dos psicanalistas argentinos da segunda geração que lá se instalam. no item seguinte. é uma formação a nível de especializaçãoH17. na técnica do T. Tem também pouca expressão no movimento "psi" paulista. Tal técnica.2 .B. -'La Vigenda ele Un Compromisso~. a partir daí. mais precisamente em 1972. em São Paulo. há um outro grupo que também corre "por fora" das Sociedades "oficiais": os junguianos. incluindo Hélio Pellegrino e Chaim Samuel Katz. é fundado o INEF (Instituto de Estudos e Orientação da Família).6-9.1 .a qual simplesmente os ignora. pois essas acusações envolvem também a questão de mercado. cnfatiza a Sociologia dos Grupos e não a sua psicologia.os da segunda geração. Organizado por médicos e psicólogos. Pensa-se que. Estes. antes da chegada dos argentinos . Em São Paulo esse grupo tem pouca representatividade.Instituto de Estudos e Orientação da Família Assim é que. ao contrário da SBPSP. ver Rocha. principalmente. serão capazes de melhor compreender sua própria maneira de funcionar num grupo e no trabalho. Também no início dos anos 70. Sua pedagogia é uma mescla de não-diretivismo e método ativo.O Grupo de Estudos de Psicologia Social Aplicada americano de técnicas gru pais.1986. Buenos Aires. Este centro. No Brasil. durante as duas décadas seguintes.onde na primeira metade da década de 70 aparecem alguns grupos de psicólogos tutelados pelos psicanalistas "oficiais" -. um assunto que merece ser estudado. apesar de se colocarem como "diferentes" da formaÇão criada pela IPA. 09.

o Curso de Psicologia Clínica transforma-se no Instituto Sedes Sapientiae. que não são priorizado. uma vez que..'" como clientes. n2 semestre de 1990. novas áreas são criadas no Instituto. desenvolve trabalhos com psicóticos.Revista do Partido dos Trabalhadores. item V. organizado como um centro de "ensino livre". Em 1974. grupos de estudo. em escala menor. Justamente na década de 70. começa a se tornar um dos centros psicoterápicos mais importantesl88. alguns {"ra do âmbito psicanalítico de atendimento privado.4 I» .1. Ano lI. o NEPP. em sua maioria. No movimento "psi" de São Paulo. A partir de 1975. já 189 Instituto Sedes Sapientiae. São Paulo. dentre outros. 1.\'. 191 O Contexto _ órgão oficial de inf. 1981. posteriormente abrigará. 7 e 8. Madre Cristina convida Roberto Azevedo.tas" brasileiros. recémchegado de Londres e psicanalista da SBPSP. Enfim. a hegemonia está com a prática psicanalítica privada. ')4-')8 e Teoria e Debate. como o Centro de Educação Popular (CEDlS). 70-74. Procura-se uma especialização em técnicas grupais ou em atendimento familiar ou em uma outrd abordagem teórica. a Madre CrL'tina.Porém. quando se desvincula da PUC. cit. dentre outras organizações populares. aindà vinculado à PUC/SP. Op. periferia e outros" 191 • Em 1975. p. o exercício da defesa dos direitos humanos como método. publica: "OInstituto Sedes Sapienttae é um instrnmento político que visa atuar na estrutura sócio-econômica brasüeira. passando pela decretação do AI-5 e pelos terríveis anos de perseguições e torturas. a realidade social brasileira como campo de trabalho. tentando se colocar à margem dos modelos e critérios burocráticos regulamentados pelo MEC. São Paulo. fora da SBPSP no início da década de 70.. organiza-se a primeira Sociedade de l"rmação junguiana. como mostrarei no Capítulo IV. Como meios para atingir esse objetivo (. 1. sindicatos. mas pelo que o jornal O Contexto. sobretudo os dos anos 90. mimeogr. muitos "corporaIL. n~ 03.. o Instituto Sedes Sapientiae e. fevereiro/1989. o Centro de Filosofia e outros. Sua proposta é ser: . o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra. São Paulo. irão 'herdar" a visão mistica já implícita em toda a obra do 'mestre" e que marcará profundamente alguns pioneiros das terapias "neo-reicl1ianas" no Brasil. São Paulo. sem dúvida. que cria e estimula as demanclas dominantes.!J. n9. um espaço aberto aos que querem se comprometer com a busca de um projeto alternativo à sociedade brasileira. pela SBPSP. reúne muitos "psi" interessados 188 Sagawa. prendem-se não ã luta dos psicólogos para obterem o status de psicanalista. 2. há vários "rachas" e hoje coexistem pelo menos quatro centros paulistas para formação dentro dessa abordagem teórica. percebe-se que todas essas iniciativas. o Sedes tornase o abrigo de muitos perseguidos!". desde o movimento de 1968. mas a atividades e enfoques diferentes dos desenvolvidos pela Sociedade 'oficial". Sedes. o curso de Psicologia Clinica da Faculdade Sedes Sapientiae. do DPS. no subúrbio do Engenho de Dentro.. pp. No Rio de Janeiro.Revista de Psicanálise. poL. com o nome de Psicoterapia de Orientação Analítica.. no Hospital Psiquiátrico Pedro 11. para organizar tim curso de formação psicanalítica no Sedes o qual somente tem Início no ano seguinte. tem-se a bela figura de NLseda Silveira a qual. em solo paulista. Coordenado por Célia Sodré Dória. e a libertação como ftm"llP. os estabelecimentos que vão competir com a Sociedade "oficial" a nível de formação analítica são. e div. não somente em sua Carta de Princípios. Carta de Princípios.ptimeiros a quebrarem com a "sagrada" utilização do divã e a introduzirem trabalhos com argila e outros materiais durante as sessões terapêuticas. do Departamento de Psicodrama. Instituto Sedes Sapientiae. Da abordagem junguiana. R. Esta orientação política é clara. Posteriormente.) lança mão de cursos.3 .' nem os "leigo. mais adiante. o novo Instituto é reconhecido pela sua participação nos movimentos populares e no compromisso com suas lutas. A figura de Madre Cristina é fundamental. trabalhos com operários. 190 Ver duas entrevistas de Madre Cristina publicadas em: Percurso . esses "outros" enfoques não entusiasmam os "psi" pauli. inspirado na Teología da Libertação. desde os anos 40.O Instituto Sedes Sapientiae Desde o inicio dos anos 70. como no Rio. 2'52 em "outras" linhas de atuação. procurando manter uma ideologia de trabalho que liga as Unhas fundamentais que consagram o homem como princípio.

Ana Maria Segal. uma maior hierarquia. Ele chama Regina Chnaiderman _ que já ministra aulas no Sedes . É o primeiro curso "paralelo" . a de Roberto Azevedo e a de Regina Chnaiderman _ como 192 Sagawa. o que compromete a continuidade e a existência do curso. Por ser O precursor de uma formação fora da Sociedade "oficial". começam a surgir outros grupos de estudos sobre o assunto. assistencialista. o grupo ligado à Regina considera que os outros querem a rcprodução da hierarquia que há na SBPSP. cit. Guillermo e Léa Bigliani. Advém uma crise que resultará na criaçào de dois cursos: o de Espe<ialização em 157 156 . também exilados. de estarem preocupados com uma psicanálise aplicada aos estabelecimentos sociais e. não aceita. democratistas e mesmo demagógicos. Antes da oficialização. Tem a duração de três anos e apresenta um currículo prévio que inclui aulas.) p. mas sendo produzida segundo uma realidade concreta". desqua1ificando o trabalho nos estabelecimentos e valorizando o atendimento privado. Por sua vez.para a função de professor. No ano seguinte. de uma formação em paralelo para os candidatos a monitores. 193 Depoimentos dados a Sagawa. Ainda em 76. Aos membros das Sociedades "oficiais" é vetado dar formação analítica fora de seus estabelecimentos de origem. Tal fato concorre para a formação de dois cursos de Psicanálise no Sedes. é convidada. sem as "verdades" absolutas de certas linhas de trabalho. por conseguinte.que a formação analítica é considerada por todos um privilégio e exclusividade das Sociedades ligadas à IPA.havendo acusações mútuas de ambos os lados. Especialmente os argentinos da segunda geração ligados a Roberto Azevedo são contra a transformação do Sedes em um centro de formação teórico/prático. Regina Cbnaiderman e outros apostam no contrário: maior participação dos alunos e professores. apoiado por alguns professores. O primeiro acusa Regina e seu grupo de serem populistas.três meses depois . Defendem uma formação nãodogmática. R. Os próprios argentinos envolvem-se nesta crise. "uma psicanálise que nào esteja no Olimpo.para que se afastem dess~ formação "paralela". passam a fazer parte do curso. não permitindo a participação de todos os alunos nas decisões sobre o curso. Em 1980. que se mantêm até 1992. seminários e supervisões. e que representam a psicanáli<e ritualistica de divã no seus cnquadres clássicos. Entendese tal ataque da SBPSP. como Mário e Luzia Fucs. dentre outras pessoas. Em suma. para que se pudesse concluir o ano.através de circular telefonemas. ligados à Coordenadoria de Trabalhadores em Saúde Mental e ao Centro de Docência e Investigação. na época. não há em São Paulo nenhum grupo de estudo sobre Psicanálise a não ser os coordenados por Regina Chnaiderman. Os demais rapidamente passam a didatas e têm uma rápida ascensão na SociedadeI93. como funcionavam os hospitais públicos na Argentina antes do golpe de 1976. ele propicia. Alegam defender uma formação psicanalitica consistente e não somente aplicada aos estabelecimentos sociais. dividindo-o em duas "facções". assim. outros argentinos. aberta e cngajada no contexto político-social brasileiro. como responsável pelo curso.y' Op. pois. atualizando-a com os diferentes implicações políticas trazidas da Argentina. telegramas e visitas pessoais . já começam a ficar claras as diferenças de concepção sobre a formação analitica proposta por cada grupo. todavia a análise de cada aluno fica por sua própria conta e iniciativa In Nesse mesmo ano . Após a formação do curso do Sedes. por isso a coordenação e orientação do curso ficarem com Roberto Azevedo. a primeira exilada argentina a chegar a São Paulo. R. autoritarismo e dogmatismo. Roberto Azevedo.como Miriam Chnaiderman . após o golpe militar no pais portenho. não se quer entrar em choques com a SBPSP.e mais oito psicanalista< da SBPSP. 269. Dos oito professores somente doi< permanecem no curso do Sedes: Roberto Azevedo e Fábio Herrmann. Os atritos se sucedem nos anos anteriores à cL<ão. seu elitismo. Na época. fundado em São Paulo.como se diz na época . OCorre uma cisão dentro do curso. defende a existência de provas. a quebra desse monopólio.de psicanálise. A gota d'água que desencadeia a divisão é a contrataçào de alguns ex-alunos .Y. Op. afirma um dos entrevistados. as divergências vão desde pontos de vista teóricos e politicos até questões pessoaL<.a SBPSP pressiona os seus oito membros e professores do Sedes . A proibição da SBPSP gera uma séria crise no Sedes. cito ficaram conhecidas. Roberto Azevedo. não dogmatismo teórico/prático. Por seu lado.

conhecido como o grupo de Regina Chnaiderman. Renato Mezan. funda-se o Departamento de Psicanálise e publica-se a Revista Percurso. na verdade. como tal. fortes competições que se aguçam ainda mais pela postura de Regina Chnaiderman. a argentina Silvia Alonso Espósito e. o que melhora muito a situação. Logo depois. quando há a crise na SBPSP.mo: segundo suas palavras: "em nome de uma fOffilação acadêmica e rigorosa. surge a necessidade de contratação de novos professores para que possam se reestruturar.Psicopatologiae Psicoterapia Analítica. inlplicada politicamente. O interessante é que esses dois cursos do Sedes. destinado a psicólogos e médicos. em 1991. Roberto quer fazer do curso uma reprodução da formação ligada à IPA e da "verdadeira" psicanálise. apesar da dinlensão da luta contra a opressão e alienação de toda espécie. mai. uma vez que o criativo e o novo poélem ser facilmente recuperados ou se tornarem modelos tão opressivos quanto os que pretendem criticar e transf"r~. nlostram: de um lado. 1990. Entretanto. há grupos . proftssionais universitários que já tenham um percurso em sua análise pessoal. impondo-se como uma formação analitica alternativa à da SBPSP. fosse reconhecido pela IPA. Entretanto. por suas diferenças e antagonismos. Em 1981. por suas implicações políticas e pelas contribuições dos argentinos que lá estão. talvez conseguisse ter mais poder dentro da "oficial" que tanto criticava. Em 1990. p. algumas entrevistas assinalam que a riqueza desse curso do Sedes reside justamente nesse fator: a constante permanente que fazem enquanto profissionaL' "é uma forma de viver esse paradoxo aguda e permanentemente". ))8 1'. estão produzindo processos microfascistas. a percepção de que. outras tentando criar processos de singularização e novos agenciamentos. 194 Sedes Sapientiae. além de Miriam. Aceitam as colocações de autoritarL. Ne~se momento. declaram que suas permanências neste grupo estão sendo repensadas. debate-se na ambigüidade de ser uma formação que pretende ficar comprometida socialmente e de estar contraposta à sua própria institucionalização. num nivel molecular. como <4') instituições instrumentalizadas pelas Sociedades "oficiais" são facilmente reproduzidas em grupos que pretendem negá-las. a constante busca por uma formação não tão institu ida. mimeogr. produz-se uma estrutura rígida e vertical". o paradoxo está colocado. não tão arrogante e elitista. fortalecendo-se externamente. mais transversalizada e os desafios a que essa proposta conduz. essas instituições e seu "afastamento" da SBPSP não significa questionamento a esses rituais instituidos.ação e Aperfeiçoamento. mais tarde. :"Iuma análise micropolítica. No de Regina Chnaidern1a1l. por parte do gmpo argentino e dos três que se retiram. que fica conhecido como o grupo de Roberto Azevedo.28. Talvez expresse . Dizem que isso mostra a força que a Sociedade "oficial" possui junto aos grupos que estão fora dela e como são poderosas as subjetividades produzidas pelas instituições que ela instrumentaliza. Com esta divisão em dois cursos. :"lo curso dirigido por Roberto Azevedo.como mostrei com os militantes c hippiesdos anos 70 . malgrado todos os percalços. tanto de um lado como de outro. Confirma-se.que.. e o de Psicoterapia de Orientação Analítica. O curso de Roberto Azevedo patrocina e reproduz.a busca de prestígio e poder. Marilena Carone e Marisa Tafarel. estudo teórico psicanalitico e prática clinica"194. Fernando Ulloa é chamado para fazer um traba1l1o de intervenção institucional. pois a perspectiva de Roberto Azevedo é lr'dnsformar o curso do Sedes num 51udy Group para que. sem dúvida. Roberto Azevedo se afasta do curso que dirigia por ter ocorrido há uma crise. Cursos de Espedall7. subjetividades estão sendo produzidas: umas servindo aos sistemas de modelização.. deste modo. Alguns argentinos que nele continuam. em 1988. Enfim. vai. as perplexidades que produz. Há. hoje chamado Psicanálise. Alguns entreviBtados vinculados a este segundo grupo aftrmam que a cisão se torna inevitável. que em 1981 muda o nome para Cluso de Psicanálise e destina-se a quaisquer ". o curso. Em 1985. Sabemos que. dentre outros. acontece dentro desse grupo uma nova divisão que força a saída de Fábio Herrmann. São Paulo. pois se aproximam muito mais da proposta de formação feita pelo curso de Regina Chnaiderman do que da feita pelo de Roberto..9 .. O de Regina Chnaiderman. de outro.conforme alguns entrevistados assinalam . convênios com a Coordenadoria de Saúde Mental do Estado de São Paulo são criados. entram oS argentinos Oscar e Nora Miguellez. isso fica claro.

Antonio Lancell~ Nelly SimmoneUi e Sérgio Maída. observam alguns entrevistados. graças a Deus". criam um estabelecimento que. pelos também' exilados Isabel Marazina.2. Guattari e Deleuze. tendo à frente Beatriz Aguirre. dentre outros. por dois anos. dentre outras col. em 1991. no qual aparecem as mais diferentes práticas: desde a psicanãlise "oficial". um curso para fonnação de coordenadores de L96 Sobre o assunto ver o programa deste Congresso. de três anos. acima de seu poder aquisitivo. quando o NEPP é fundado. Em 1979. cria um sistema de acompanhantes terapêuticos. de inicio.4 . Permanecem até 1992 Carlos Aticó c Oduvaldo Peloso. Os argentinos para nós foram um vírus. Briganti liga-se aos "corporalistas" e Sócrates vai cuidar de seus negócios. Gregório Baremblit e sua equipe chegam como "uma bomba". de Althusser. Jorge Forbes. paulatinamente. Desde 1976. comparado com a procura ocorrida nos anos de 76 a 79. uma peste. vários cursos breves. 2. Este grupo discute. mudam o nome do grupo para Núcleo de Estudos de Psicologia e Psicanálise por influência dos argentioos que ali chegam. vai para outro grupo. organiza um Hospital Dia: a Casa. Entre eles estão Gregório Baremblit e Oswaldo Saidón . é inaugurado por Armando Bauleo. em São Bernardo do Campo. "Ele nos mostra que somos bionianos. tem como objetivo não uma formação analítica mas cursos sobre uma série de assuntos relacionados às áreas da psicologia e psiquiatria'''. há uma grande procura por parte de pessoas interessadas e. quando um grupo de psiquiatras de formação psicanalítica independente funda junto com um analista da SBPSP o NEPP (Núcleo de Estudos de Psicologia e Psiquiatria). O primeiro. até mais ou menos 1985. Segundo os depoimentos de três dos fundadores. fundado em 1979. fora dos moldes clássicos empregados para os chamados neuróticos. o NEPP vai se esvaziando. Isabel Marazina. que tem como tema oficial.O Núcleo de Estudos de Psicologia e Psiquiatria Além do Sedes. e participado de grupos de estudo com Sócrates Nasser . no inicio dos anos 70. trazendo uma nova leitura da psicanálise. que chega ao Brasil em 1977. que não temos leituras marxistas e vira o NEPP de cabeça para baixo. reduzido a 8 pessoas. Sérgio Maída e Nelly SinlOnelli. c assim. Em 1980.a. 195 Ver sobre esse momento inidal do :'tEpp seus primeiros Boletins de maioflUflho e agosto/setembro/ 1976. Com o sucesso que fazem. mas não fazem parte dela. Esses grupos de estudo interdisciplinares atraem algum público e. Carlos Briganti e Sócrates Nasser saem do NEPP.começam seus atendimentos privados já em 1976 e resolvem abrir grupos de estudo sobre psicanãlise. segundo alguns. organizam junto com Gregório Baremblit e Chaim Samuel Katz o I Congresso Paulista de Psicoterapia Interpretativa.o analista que com eles funda o .depois radicados no Rio de Janeiro _. "Doença Mental e linguagem" 161 160 .\lEPP . no Sedes. Quando chegam os argentinos. até as terapias corporais'9'. Em 1978. passam a oferecer um curso de formação analitica com duração. um outro estabelecimento surge a partir de 1976. O primeiro. inicialmente. existem dois outros estabelecimentos fundados por argentinos: a CASA e o CEPA! . Todos eles obtiveram sua formação através dos membros dessa Sociedade. além do atendimento ambulatorial a psicóticos em grupos ou individualmente.sionaL" com a duração dc três anos. passando pelo iacanismo. fundado em 1980. O CEPA! (Centro de Estudos em Psicanálise e Análise Institucional). sua Oínica Social é fechada c. Lacan. que. a forma pela qual a psicanálise pode ser utilizada no atcndinlento a psicóticos. a partir de 1977.este último de curta duração. Por dificuldades de administração. logo é fundada uma Clinica Social. em pouco tempo. um Seminário sobre grupo. também exilada.5-A CASA e o CEPA! Fechando os anos 70 em São Paulo. Os quatro que haviam feito cursos com Madre Cristina. uma platéia assídua de cerca de cem pessoas circula nos cursos então oferecidos. Em seguida. origina-se de um grupo formado no mesmo ano por pessoas interessadas em abrir um J rospital Dia para psicóticos. é pequeno o número de pessoas que se inscrevem no Curso de Psicanálise. Organiza. porque a formação analítica é carissima e. aberto a quaisquer profe. já com toda uma leitura lacaniana. este grupo. aí. São dadas supervisões institucionais para diferentes órgãos da rede pública e há um Curso de Terapeutas de Grupo. cria-se o Curso de Especialização em Psicanálise. três de seus fundadores.>.

de um modo geral. também. princípalmente Gregório Baremblit.. (Org.que se reúne durante meses. Dissertação de Mestrado . Berlinck. In: Psicanálise da CJínJcaCotldlana. M. inaugurando. progressivamente. 72.O Núcleo de Estudos e Formação Freudiana Sem dúvida. mas em 1978 saem para fundar o IBRAPSI. dessa fonna. T.) não se tratando de um fenômeno de ecletismo (. representada peJas Sociedades ligadas à IPA. Os grupos lacaníanos que surgem neste período serão tratados no próximo item. Katz e Gregório Baremblit ali dão aulas corno professores. Escuta.. 9. p. vai se reduzindo e os que ficam. mas que se dá pela ínstüuição virtual. 3. fundam o NEFF (Núcleo de Estudos e Formação Freudiana). Segundo Ana Cristina Figueiredo..D O Processo de Legitimação do Psicana1Ista= Uma Análise do Núcleo de Estudos e Fonnação Freudiana. não haviam sido autorizados até então a serem psicanalistas. ainda que contrapondo-se às Sociedades "oficiais". Além de uma outra leitura da psicanálise. _. às vezes de forma caótica .T. cit. os argentinos inauguram o que Manuel Berlinck chama de a "instituição virtual" em contraposição à "instituiçào formal" da psicanálise. por exemplo. 3 . Op. a partir de 1977. Esse pluralismo está presente na sustentação de controles com profissionais de diversas orientações (. supervisões institucionais para equipes de trabalho nesses e em outros estabelecimentos. M. Oferece. ainda em 1977200• De inicio.do de argentinos.. 198 Berlinck. 83 200 Sobre a história do NEFF. está ligado às figuras de Chaim Samuel Katz e de alguns argentinos. muitos psicólogos c em geral os que haviam participado.>os.j.J Assim. crescente desconfiança por aqueles que macaqueiam o patuá lacaníano de forma obsessiva sem. 65-73. na primeira metade da década de 70. por estar ligada a espaços considerados "bastardos" pelas subjetividades ·'psi" hegemõnicas. os argentinos são também responsáveis . de alguns dos grupos já citados. também. Op.) uma outra psicanálise"19'. NO RIO DE JANEIRO •. por estarem fora das Sociedades "olkíais". p. como a chama Berlinck e que eu chamaria de "escuta bastarda". J Há. In: Birman. há uma forte influência dessa segunda geração de psicanalistas argentinos. 162 163 . ver Pas". Ainda. como Eduardo Mascarenhas. esses "novos" psicanalistas se caracterizam pelo seu "pluralismo".1. surgiram no Rio de Janeiro vários grupos com diferentes propostas. 1984. a possibilidade de uma fl/iação que não é intermediada tão exclUSivamente peja organizaçào formal. há uma saudável inapetência por aquikJ que pode ser chamado de "psicologia do aleitamento" que alguns identificam como uma certa psicanálise kleíniana (. Este "grupão". o inlcio da organização desses grupos que surgem após 1977. Um outro ponto comum é que muitos dos psicólogos engajados nesses grupos foram anteriormente ligados ao CESAC e à APPIA199Em alguns. que é " uma organização corporatíua que avoca para si um poder que não tem.na c1inica por uma determinada "escuta" que não se filia a nenhuma instituição fOffi1aLa "escuta pluralista" ou "escuta contemporânea". ver na mesma obra o artigo ~O que é Um Psicanalista Argentino?". 197 Berlinck. 1988..PUeiR]. M. É deste "grupão" .C. mas com um objetivo geral comum a todos: o de organizar fOffi1ações psicanalíticas que não passem pelos crítérios de legitin1ação e reconhecimento da IrA. "1'>6 Por isso.) Freud50 Anos Depois. Configura-se un1a outra psicanálise para aqueles que.que muitos psicólogos saem com a determinação de que é possível ser psicanalista. . se desqualifícar o estudo da obra de Lacan. cerca de catorze pessoas. Sobre o assunto de uma "escuta pluralista~. já que há doi~ grupos di~tintos que não conseguem conciliar seus projetos: um apóia o dos argentinos. Chaim S. São Paulo. "Prefácio".ENQUANTO ISSO.J os psicanalistas argentinos proporcionam. "Difusão e Construção". Gradativamente o NEFF acaba se esfacelando. Ressaltando uma relativa autonomia da instituição vittual sobre a formal (. p. no entanto.C.. A. em São Paulo. que em 1977 particípam do chamado "grupão" com cerca de 40 pessoas: alguns "psicanal1stas" da SPR]. segundo M. (.. também muíto influenciados por essa segunda gera. cit.grupo e realiza muitas intervenções institucionais em diferentes estabelecimentos públicos e privados.. de fazer uma formação voltada para os traball1adores em saúde mental (proposta de Gregório ainda por ocasião 199 Figueiredo.

o outro.pouco ou quase nada participam do projeto do IBRAPSLAqueles.. como Thomaz Szasz. Robert Castel. Armando Bauleo. consultar Moraes. como SOfÚa Nassim e Isidoro Americano do Brasil).C. Peter Fry. não fazem muito sentido para a classe média "psi" carioca. dentre outros. Só que a grande demanda então produzida e mesmo fortalecida é a de uma certa ctinica analítica privada. No seu periodo de maior apogeu .aberto a qualquer profissional.os TSMarticulando as diferentes ciências humanas. Erving Goffman. Célio Garcia e o grupo lacaniano brasileiro representado por Betty Milan. Talvez esse projeto estivesse somente na cabeça de alguns dos argentinos que iriam fundar o Instituto Brasileiro de Psicanálise.Chaim Samuel Katz. na época. não obsrante todas as contradições.de 1978 a 1982 . perto de 75 terapeuras t6S 203 Idem. GnIpos e Instituições201 O projeto do mRAPSI. muitos deles vindos pela primeira vez ao Brasil. InstitucionaUsmoCarioca. não pela ênfase dada ã formação de trabaU. A. somente os doi. ou permanecem em seus antigos grupos .cordâneias de "ordem téenico-politiea": é contra a organização de grandes turmas para a formação. já bastante influenciado pelo lacanismo (há no NEFF professores que demonstram tal orientação. O movimento corporativo anterior deixa profundas marcas.a epistemológica da psicanálise.como SPC e CESAC-. As implicações politicas propostas pelo IBRAPSI. na época. assinalam alguns entrevistados). É uma outra geração de psicólogos cariocas que se sente sedUZIda pelo projeto do IBRAPSI. em 1982. busca mostrar a prática psicanalitica implicada e transversalizada. é verdade. p. logo após o I Congresso. por Deleuze.C. Alguns vão se interessar pela Análise Institucional.. Guattari. partidos políticos. sal por dl. Gregório Barcmblit e Luiz Fernando de Mello Campos -. ou vão para a recém-fundada SEPLAou são atraidos pelo movimento hcaniano que irrompe no Rto de Janeiro.adores em saúde mental ou pelo enfoque institucionalisra.. Em outubro de 1978. o IBRAPSIé lançado publicamente através do I Congresso Internacional de Psicanálise.2 . Muitos dos que vão fazer fonnação clinica em psicanálise saem. 87. realizam hoje diferentes trabalhos de intervenções institucionais. "pois após o Congresso chove gente para se inscrever no IBRAPSI" (as primeiras turmas têm cerca de 80 alunos. Dissertação de Mestrado-IMSIUER). funda em 1979 o 1FP (Instituto Freudiano de Psicanálise). Dos três fundadores e diretores do IBRAPSI. 164 . de vários dos mais controvertidos personagens nas áreas das ciências sociaL"psicanálise e psiquiatria"20'. 202 Figueiredo. mas por uma cerra formação ctinica em psicanálise de caráter privado.1994. 2) interdisciplínaridade . etc "!f:R. nesse periodo.O. Todavia. oportunidade na qual mais de mil pessoas nos salões do Copacabana Palace assistem a conferências. com alguma ditleuldade. com o intuito de difundir no Brasil as proposras do cO! e da EPSO.. Presentes também.é muito pouco procurado. Chaim. L. no lBRAPSI. já se credenciam como psicanalistas. Franco Basaglia. radical do que o dos demais: tenrativa de trazer para o Brasil a formação de trabalhadores em saúde mental dentro de uma visão marxisra e não a de fOrnlaf psicanalistas "puros". 3. ambivalências e paradoxos. que foram num passado recente tutelados pela psicanálise "oficial".há cerca de 180 alunos inscritos e. Tanto que o chamado Departamento de Análise Institucional criado. ninguém passa impunemente por uma formação que. Félix Guauari. em sua Ctinica Social. 3) atendimento maciço tanto para os TSMquanto para o maior número possível de setores populares. "O IBRAPS!l)Uí organizar seu programa com base em quatro propósitos fundamentais: 1) cri/k. pelo menos. Gmpos e Instituições. 4) trabalho em associação com sindfcatos. 88. últinlOS continuam. palestras e mesas redondas ". é muito maL. Shere Hite.~ da existência do "grupão"). cit.O Instituto Brasileiro de Psicanálise.que vinham se formando ao longo de todo esse processo e. Grupos e Instituições. coerentes com a produção das periferias das grartdes cidades e do movimento sindical brasileiro. ao lado de suas atuações clinicas privadas. Foucault e. Não é por acaso que muitos dos psicólogos . sem os antolhos e as limitações que os demais grupos tao reltglosamente reproduziram e continuam reproduzindo. sendo reconhecidos como tais em seus consultórios . p. comunidades de base e parlícípação nos planos de saúde do fulado através de pesquisas. Op. 201 Sobre a história do IBRAPSI.

para muitos que a viveram. Além do I Congresso Internacional. Entretanto. Eduardo Lociser sai e Luiz Fernando passa a administrar a Clinica. Cinco livros são publicados no Brasil e um na Argentina. Aqueles que mais atacam e criticam a formação dada no IBRAPSI e suas realizações são os psicanalistas "oficiais". que. uma veZ que os cursos não são muito lucrativos.Katz é seguido acintosamente pela Polícia Federal. com "uma ideologia humanista e assistencialista". o IBRAPSI reestrutura-se e cria uma Sociedade sob o regime de cotas. neste final de década e início dos 80. que culmina com o do Riocentro. Ato psicanalitlcoe Ato Politlco Op. de isolamento e indiferença. ano de organização do I Congresso. inúmeras ameaças. Ela cresce tanto que se torna a principal fonte de renda e de manutenção do IBRAPSI. assim como de algumas agressões encobertas ou diretas (."ro). 167 . é obrigado a se mudar cinco vezes de residência. muitos deles recém-formados e se formando no próprio IBRAPSI e que têm naquele local não apenas um aprendizado. Gregório Baremblit assim as descreve: consiste numa risonha e única combinação de táticas de amável indiferença. em 1983 . No ano seguinte. De irúcio. Como a proposta da cooperativa não traz a dL. Outras crises ocorrem. deste periodo de intensa crise ficam. diretores e "donos" do IBRAPSI. elas são.e Institucional em uma intervençào socioanalitica dentro do próprio grupo que se propugna a isso. não é uma Clínica Social. não pode se realizar.). A direção diJninui este percentual. É o periodo . organizada como uma cooperativa. são publicados artigos insultantes num fomallocal ( . e sindicatos.trabalham atendendo a uma média de 500 pacientes por ano. Sobre as posturas assumidas pelos psicanalistas "oficiais".. naquele momento. 51 e 52. Robert Mendel.. sob seu patrocínio. É impossível a aplicação das ferramentas da Análi. L'to não foi conseguido. em 1981.. apelam para violências de todos os tipos.). G. Luiz Fernando de Melo Campos sai em 166 1984 e Gregório permanece até 1990 somente com seu consultório. refutando os modelos instituídos. mas um espaço onde OS profissionais "psi" trabalham. pois oS terapeutas que recebem 50% dos honorários sobre os atendimentos que realizam . Segundo um de seus diretores.que já a'i. pp. Chaim S. Há propostas de se fazer uma Cooperativa. 50. ameaças de morte e outras delicadezas'r. Eduardo Lociser. ma. De 1978 a 1984. 204 Baremblit. evidenciada.cussão da autogestão. registram-se inclusive ameaça.. Desde 1978. de hábil recuperação.muitos deles ainda alunos -. A criaçào de algo novo. ao publicar um artigo contra a visita ao Brasil do então ditador argentino Videla. . Alguns professores e alunos querem implantar Conselhos para que possam fazer frente ao exagerado centralismo dos doL. Os descontentamentos explodem nas numerosas e intermináveis assembléias. a importància que assumira entre oS proflSsionais "psi" cariocas vai decrescendo gradativamente.. sobretudo os da SPR]. Esse ataque culmina com uma série de agressões telefônicas aos diretores do IBRAPSI que incluem advertências políticas.:)j. A primeira grande crise interna neste grupo ocorre justamente com relação à Clinica. todavia. organiza o 11em 1982.e e Comunicação de Massas". necessitam desse trabalho. Além de uma sistemática campanha de calúnias (arma típica da "rede de divãs" da Zona Sul do Rio dejaner. Eduardo Pavlovsky e outros. Além de violentos ataques feitos por meio da grande imprensa. ligados à extrema direita que domina os aparatos de repressão. criam-se uma revista e um jornal: O Sigmund Organizam-se outros Congressos. com a vinda de René Lourau. porém os ânimos exaltados fazem com que. particularmente a Gregório Baremblit. talvez autogestionário. Os chamados "boisões radicais". Tenta-se a fundação de uma "federação brasileira de grupos psicanalíticos independentes". profunda e intensamente em suas práticas.dos vários atentados a bomba.um pouco depois da saída de Eduardo Lociser -. mas também um trabalho efetivo. Em 1981 o IBRAPSI encontra~se em uma situação simultaneamente exitosa e grave. cit. Oswaldo Saidón e Vida Kankhagi também saiam. As organizações psicanalíticas reacionárias lançam uma verdadeira ofensiva contra ele. Gregório recebe. como o de "Psicanálise e Pedagogia" e o de "PsicanálL. bastante insatisfeitos pela gradativa perda de posições no governo Figueiredo e pelo recrudescimento dos diferentes movimentos sociais. logo a seguir cerca de 40 pessoas se desligam do IBRAPSI formando o Núcleo: Psicanálise e Análise Institucional. ensinamentos e experiências fundamentais no sentido de melhor entender algumas ferramentas institucionalistas. a Clínica amplia-se por intetmédio de vários convênios com empresas estataL.5inalei. o IBRAPSItem uma intensa produção. de morte.

2D6 Idem. com novo currlculo que privilegia a leitura de Freud dentro da escola francesa. tais como o mistério. em muitos aspectos . afasta-se com vários alunos da SEPLA.pois o IBRAPSIefetivamente o está inflacionando com a formação que realiza -. 2JJ5 Idem. visando retirar dos psicólogos o direito de exercer a psicoterapia. propagando esta idéia por muitas capitais do pais. a tetra Freudiana. O argentino Eduardo Vidal. migalhas de poder universitário e uma ridícula auréola de prestígio haseada 3. Em 1983. Luiz Paiva afasta-se e acusa a diretoria de "esquerdista". por Luiz Paiva de Castro (ex-CESAC) e Lourival Coimbra (ex-SBPRJ. que undem a cnar reservas de mercado.em boa parte. em 1978. ftlosofia. cito 2fJ9 Parecer Alcântara-Cahemite emitido pelo Conselho Nacional de Saúde. mostra que. 2fJ7 Idem. Quando. mitologia. 74. no final da década de 70. Além do IBRAPSI e dos grupos lacanianos. endogâmicos.organiza seu currleulo e uma série de normas burocráticas (nota. freqüência.3 .também da turma "especial" -. ainda em 1981. a diftculdadedeingresso. notadamente os ligados ao IBRAPSI.Junto com o problema do mercado . sem qualquer contato entre st.apesar elas críticas que faz ao academicismo das Sociedades vinculadas à IrA . de fom1a contundente"I6. uma grande clientela de psleólogos à procura de formação.inte. já ligado à Clínica Terra. Éclaro que existem pessoas. no Rio de Janeiro. ainda são fundados dois outros grupos: a SEPtA e a Clinica Terra. A. Joel Birman é um dos idealizadores dessa nova orientação. desentende-se com tuiz Paiva e. na "prãtica. sem produção tedrica sôlida. mas que têm prática clinica há mais tempo'''. expulso ela SBPRJ em 1965). já formados. (. Castel. são responsáveis por isso. pouco a pouco.). Deleuze. Guattari. analisando de Décio Soares de Souza. e. 2fJ8 Sobre o desenrolar da história da SEPLA. para os psicanali~tas "oficiais" a questão politica caminha lado a lado: não podem tolerar a quebra dos mitos da "verdadeira" psicanálise e da formação ligada à IPA como únicos e universais. Op. Vários psicólogos do CESAC e clientes de Coimbra vão juntos com Luiz Paiva. No ano segu. diploma).é uma formação psicanalitica articulada com a antropologia.ver Figueiredo. ou melhor. fama ou apoio_ E não é de se estranhar que muitas delas não sejam propriamente psícanalistas"1fJ7.ou em quase todos . o "charmedoshierarcas'. por exemplo. . mais tarde. no Rio de Janeiro. nela permanece. que prepara grupos de estudo sobre tacan. em realidade. existe ainda. tourau ou tapassade haviam dito há muito sobre psicanálise c politica. a SEPLA . Tudo o que Foucault. Não podem tolerar que. etc. 'fragmentos" de pessoas. Narciso Teixeira e José Inácio Parente . notadamente pelos que transitam pelo IBRAPSI ou sofrem sua influência no Rio. E. no Rio. aludindo à preocupação da SEPLA com as lutas pela democratização da sociedade brasileira em gerA!. Além do :"lEFFe do lBRAPSI. p.muito parecida com a do CESAC . Coin1bra retira-se. p. Três turmas inicialmente são criadas: duas de alunos novos e uma "especial" com profIssionais "psi" sem maior formação.A Sociedade de Estudns Psicanalíticos Latino-Americanos em traços unificadores degradantes. Este Parecer não chegou ao Congresso. Gregório Baremblit se refere aos mai~ variados grupos que se formam a partir dos anos 80. compõem uma nova diretoria. professor convidado. e cu/tivadores de um absurdo "narcisismo das {Jequenas diferenças ". que chegam à desqualificação. A proposta inicial .na época conhecidos por pouquissimos dentro do movimento "psi" brasileiro .) em geral sem o menor estímulo. com o propósito de oferecer uma formação de quatro anos. feitas por alguns argentinos ao movimento "psi" carioca. os profissionai~ "psi" começam a avaliar ainda de forma frágil e muito lenta. criando. Como na época corresse o boato de que sairia uma lei.paBsam a ser difundidos e lidos por um maior número de pessoas. etc.alguns da chamada turma "especial"-. algumas pessoas. Aqueles autores .eles não deixam de ter razão. Vivenciam-se intensamente os movin1entos pelas Diretas Já!. p. Malgrado as virulentas e ácidas críticas. A Sociedade de Estudos Psicanalíticos Latino-Americanos (SEPLA) é criada.C. a segunda geração de argentinos. se tenha feito tremer o altar e o trono" 20' dessa psicanálise tão religiosamente defendida por eles. extremamente acadêmicos e rigidos. amiúde rechaçada~ e desacreditadas que fazem suas tentativas de investigaçao e militância (. 58. De 1981 a 1983. sem preocupaçôes sociair. são: minúsculos núcleos. várias crises ali se sucedem. 80.C. _. sem dúvida. proibindo o psicólogo de clinicar"l9. t68 t69 .

Trazendo para o Brasil uma série de questões sobre a formação analítica enunciadas por Lacan. a partir da décacla de 50. Contudo. reúne-se para estudar psicanálise e. D. principalmente M. ". um pouco de sua história nesses dois espaços. segundo alguns entrevistados. fundada oficialmente em 1979. pois. 95.. fundam a Terra-ClÚlica Escola.as práticas "psi" então dOmÚlantes são verdadeiras camisas-de-força. 4. colocada em prática a partir de 1982.qualquer cet1ificado é expedido somente para os cursos "210. 171 170 . posteriormente. dentre outras coisas. a leitura das obras de Lacan começa a ser introduzida. quando iniciam os atendimentos terapêuticos. novos saberes. pessoas Úlclusive identificarias com posições nitidamente progrcssi'tas . Quando inauguram a C1Úlica. não há mais o que fazer... Evídenciam que.O Lacanismo em Solo Carioca No Rio de Janeiro.estar em análise é prerequisito para a formação.e Magno Machado Dias.) . mas o critério é escolha pessoal -. A base teórica é a escola inglesa. p. desde 1975. ã formação instituída pela IPA. pelas críticas que faz à Aos poucos.Nesta época. ausência de uma figura centralizadora de poder (. para trabalhos de orientação vocacional dentro da abordagem clinica do argentino R. estudam sistematicamente psicanálise sob a coordenação de Lourival Coimbra e organizam o Centro de Estudos em Psicologia Clínica. embora Últeressados em veicular algo de novo. Em 1977. ao lado de todos esses grupos "ps. por Hórus Vital Brasil ligado ao IMP.como algumas apontadas acima .C." as principais diretrizes traçadas pela SEPlA poderiam ser resumidas assim: gestâo democráti<:a da sociedade . o chamado lacanismo oferece para muitos "psi" o respaldo teórico para a definitiva quebra do monopólio da psicanálise mantido pelas Sociedades "oficiais'. Op.com muito menos intensidade . não há outras atividades. Magnoligado inicialmente ã PCC/R] e. ainda no início da clécada de 70. de diferente da "verdadeira" psicanálise e da formação instituída pela IPA.apesar das boas Últenções dos envolvidos nestes dois projetos. ainda que sucintamente. depo. ausência de diplomas para o psicanalista .O MOVIMENTO LACANIANO A segunda metade dos anos 70. terminada a formação.conseguem a produção de novas práticas. pensando numa formação psicanalítica "não hierarquizada" e "mais dinâmica". utilizam-se dessa técnica na aprendizagem.. 4 . ausência de didatas na instituiçào . sobretudo. da formação meramente acadêmica. ainda encharcados pelo corporativismo dos psicólogos e. ãs Faculdades Integradas Estácio de Sá. caracterizar-se "verdadeira" psicanálise c. o movimento lacaniano vai. em realidade. Dois anos depois. A. SPID . posteriormente. Klein e Bion.A Clínica Terra O último estabelecimento surgido neste final de década é a Clínica Terra. . O movimento lacaníano apresenta diferentes articulações no Rio de Janeiro e em São Paulo.".a SEPLA. Além de Bohoslavsky. que surgem tanto no Rio quanto em São Paulo. Origina-se de um grupo de psicólogos da UFRJ que. Produzem práticas em muito semelhantes às que pretendem criticar. marca também o aparecitnento do tnovimento lacaniano no Brasil.C. por isso. dt. continuando confinados no estreito território "psi". descrever. Da mesma forma que os demais grupos "psi". valem-se dos "grupos operativos" de Pichon Riviêre.voz e voto para todos -. 3. Bohoslavsky. o M. novos sujeitos? Os exemplos da SEPLA(em seu segundo período) e da CIÚlíca Terra mostram como . Também como o Curso de Psicanálise do Sedes e o IBRAPSI.. fica a pergunta: será que mudanças burocráticas no funcionamento do estabelecimento .1 .vive uma série de contradições e paradoxos pela sua própria proposta de formação. embora estudem também Bleger e Coopero 210 Figueiredo. de criativo. Tentarei. esses estabelecimentos não conseguem fugir das malhas do instituido.4 . fortalecendo-o. a SEPLAvai se esvaziando.

do interesse de todos (. o primeiro convidado a ser chamado para o Sarau é Caetano Este processo compreende a análise (feita com um membro do Colégio). do convidado. "Colégio Freudiano do Rio de Janeiro: 10 Anos de PsicanáIise~. Mestrado em Psicanálise e Doutorado em Psicanálise "2]4."é um encontro. o território mais importante. O convidado é sempre alguém que represente deterDias. A partir de 1979. com a modificação dos Estatutos. p.. 200~216. Assim. 201. Não se trata. no campo pen. A.. crescem e se fortalecem no Brasil.a psicanálise . No ano seguinte. responsável pelos dois tipos de formação que são coloeados eomo níveis de pós-graduação.s práticas que este indice de transversalidade se atualize. o Colégio FreudLano e o Instituto Jacques Lacan reorganizam e ampliam o Curso de Formação em Psicanálise eo dividem em quatro etapas sucessivas: Curso Básico.ante que se abre a partir dL'to"211.. os eartéi" etc. é crLado. assodado ao Colégio Freudiano. existem dois territórios bem delimitados: de um lado. oportunidade em que os laeanistaB fazem mais explidtamente a distinção entre fonnação em psicanálise e formação psicanalítica. 198'5. alguns momentos. cientista. 2]3 Idem. em 1975. os analistas e estudiosos da psicanálise interessados na posição de receberem.1. etc. 207. 203. Esta .C. encarregado da formação em psieanálise. mar. crLa-seo Departamento do Campo Freudiano. Rio de Janeiro. pois é também destinada ". para os participantes.). pode-se acompanhar o que se passa no mundo. D. quando se desvincula da Faculdade Estádo de Sá o Colégio FreudLano passa a oferecer os mais varLados cursos. de início. é o Colégio Freudiano do Rio deJaneiro que. a garantia (após apresentação de trabalhos teóricos. enclausurados em seus grupos. reflexão sobre os textos de Freud e Lacan e. _. minada posição existencial no campo social (artista.o Colégio Freudiano do Rio de janeiro o primeiro estabelecimento lacaniano fundado. que . com as novas refoffilUlações dos Estatutos. vinculado ao Colégio FreudLano. Ao contrário. de receber atransmissão do discurso de um Outro que bem poderá contribuir para sua reflexão no campo da psicanálise"213 (grifas do autor). Explica-se esta citação sobre os saraus lacanianos pelo fato de que pode parecer à primeira vL'ta abertura e Uexibilidade de psicanalistas que. suas práticas não estão implicadas com os diferentes movimentos.I. sim uma oportunidade. m E 1977.p. É em 1979 que se organiza o Centro de Estudos. de modo algum. . ". minha leitura vai por outro caminho: por que é necessário. em algumas ocasiões. 212 Idem. intelectual.). mas congregar os interessados na ". os movimentos socLais e o que passa pelo mundo simplesmente servem como complemento para ela. não se propõe a fazer formação. nos quais. A função é colocar. por isso. p. se efetive. em que há os seminários. para que isso ocorra. a partir da qual o candidato passa a ter com o estabelecimento o vinculo de psicanalista) e o passe (quando se torna psicanalista do Colégio). esta fresta que é um espaço "fora da situação analítica" tem o objetivo de "transmitir o discurso do outro que pode contribuir para o campo da psicanálise". Curso Suplementar..é. . )lo cotidLano. 172 173 . o Instituto Jacques Lacan. seminários e grupos de estu do.. a abertura para o mundo? Justamente porque não é permitido no cotidiano desta. Em 1981. um curso "aberto" e "livre" de formação em psicanálise que funciona somente um semestre. há necessidade de algumas oeasiões. a formação. por M. elemento de alguma minoria ou maioria. a outra. para os diferentes movimentos socLais que. (. querem abrir-se para o mundo. os saraus.Revista da Prática PsicanaJ1tica. constituído por uma única sessão. organiza-se o chamado Sarau. em realidade. J A formação psicanalítica que envolve aprática segundo um OUtro discurso resta vinculada ao prâprio Colégio enquanto Colegiado '~12. a todo e qualquer que reconheça na psicanálise um campo de sabercentraJ em nossa época e.) (. _..fora da situação analttictl. mas não só isso. de outro. Entretanto. operário. o relato de sua uisão a respeüo de sua própria posição diante da cultura. 211 2.In: Revirão Veloso.. na época. nas Faculdades Integradas Estácio de Sá. até então. por eonseguinte. A primeira é uma transmissão claramente pedagógiea e condição para a segunda. conseqüentemente. . Magno e Betty Milan.) de uma redução (queseria indevida) do convidado ao lugarde analisando. Em 1983. por uma fresta. em que um convidado é entrevistado por um cartel especialmente constituído (.

p. assim.análise enquanto "arle" se elitiza de outro modo.C.março/1991. numa publicação de O Revirão. Segundo Magno e seus "seguidores" do Colégio Freudiano. Magno. Magno afastou-se das atividades administrativas do Colégio. 20R Figueiredo. Esse "imperialismo" da psicanálise e essa sua superioridade convergem para práticas que privilegiam a erudição. D. D.. cit. o elitismo c o academicismo. Magno. editada pelo próprio grup021'. pode operar com os diferentes campos culturais. buscam produzir o que chamam de "Clínica Geral". Nestc mesmo ano. se outorga definitivamente ser o representante de Laca" no Brasil" 215 (grifas meus). Extingue-se. Assim sendo. Após os novos Estatutos de 1991. E passa. Op. por não atingir o objetivo a que se propunha por ocasião de sua fundação. Rio de Janeiro. 2J4 215 216 217 Idem. Magno é designado como o mestre Colégio Freudiano.o Instituto Jacques Lacan que. Esta proposição.. 1'4 i I 175 . D. da qual fazem parte os Colégios Freudianos do Rio de Janeiro.estão distantes de uma efetiva transversalidade. J.. as Cirandas tpequeno Congresso em que. artes. seminários. Por i'5o. abertas ao público. através de seus cursos. 06. etc. ° . que é a "intervenção" leita na cultura pela pSlCanálise que. 104. de onde foram retiradas várias informações sobre sua história. em muito aniculandose com o autoritarismo e a hierarquia dominantes no Colégio Freudiano.. ".. há um estatuto específico para a Psicanálise no campo da cultura. ocorre uma grande divisão: saem cerca de 100 pessoas. Por este Estatuto. março/1991. a Politica. M. não adquiriram (. Ainda em 1983. fkando somente com a parte de ensino. 01 e Estatutos . os Saraus e os difercntes cursos apresentados. música.. p. cujos textos são a base do currículo obrigatório do Instituto jacques lAcan.) a "competência" requerida pelo exercício da psicanálise lacaniana "216 (as aspas são minhas). como os Mutirões (encontros sobre um determinado tema apresentado por um membro do grupo). tem sua estrutura claramente baseada no ensino de 3º grau. Por conseguinte. são campos auxiliares da psicanálise. o que significa que a leitura de Freud e lAcan éfeita através da versão de Magno. do Tanto que na "História dos 1 Anos do Colégio Freudiano do Rio de Janeiro". Obra já citada. etc.e. artigos escritos. a Antropologia. já que apresenta a figura de um reitor e de diretores para diferentes áreas. dando pouca ênfase ã chamada clínica. a Sociologia. a partir dessa reforma de 83 toma-se ainda mais academicista. É grande a luta contra a figura controvertida de M. o Corpo Contra a Palavra: Algumas Reflexões sobre a Evolução do Movimento "Psr Brasileiro.. há a apresentação de trabalhos de não-membros). a e. p. que posteriomentc fundam outros grupos lacanianos.'I(ciuir um grande número de membms das novas profissões (na sua maioria os psicólogos) que. nota-se perfeitamente que sua história é a trajetória de M.. . entrevistas dadas. desde 1981. tanto no campo quanto nas cidades e periferias. de Brasília e de Vitória que almejam reunir as associações brasileiras de inspiração lacaniana para manter uma psicanálise com autonomia nacional sem se submeter a colonialismos estrangeiros. pretende-se através dela chegarse a uma explicação da cultura brasileira."A Doutrina" do Regimento Interno do Instituto jacques Lacan. D. em 1988. vê a psicanálise como uma prática discursiva. p. etc. nos 80." e 12º dos Estatutos do Colégio Freudiano do Rio de Janeiro. A.. pela própria produção de subjetividades dominantes. Ver 05 artigos }'t . muito mais complexa do que aqui é exposta especifica deste grupo lacaniano -. havia seduzido os jovens "psi" no início da década . Magno. p 18. tendo a função de "Zelador da doutrina"21'. segundo alguns membros do Colégio. ele uma efetiva implicação com os movimentos que se espalham por todo o Brasil. grupos de estudo.da mesma maneira que a formação analítica "oficial". mimeogr. um grande número de pessoas transita por uma série de atividades elo Colégio. espaço congressual. O elitismo e a erudição atraem a muitos . Trabalho apresentado no Curso de Doutorado.C. por ter um discurso especifico. como não pocierit1 deixar de ser. diferentemente do Mutirão.apesar dos recursos que utilizam advindos da literatura.·ln: Regimento Interno Rio de Janeiro. 1989. Museu Nacional. é formada a Causa Freudiana do Brasil.. o sarau é um dispositivo produzido para servir a tais práticas. M. mimeogr. propiciando diferentes cruzamentos. 218 Russo. "Apsu. Estas práticas eruditas e elitistas mostram como . de algUffUl forma.. "A Doutrina Psicanalítica do Colégio é aquela definida pelo Zelador .

Mantém vinculações com a SPAG. acompanhado de um número razoável de pessoas. Diferentemente das Sociedades "oficiais".219 (grifos meus). O grupo. A crença na assepsia. participam Isidoro Americano do Brasil. A partir de 1983. há um grande racha: sai Isidoro Americano do Brasil. percebe-se que as diferenças entre ambos são muitas. os movimentos sociais não são·pensados. e. Letra Freudiana: Escola. In: Documentos Para uma Escola.. há uma clara alusão ao Colégio Freudiano e.2 . pois não exerce a atração que os anteriormente citados conseguem com relação aos "psi" cariocas. Stella Gimenez também se afasta. tenta desmontar a organização naquilo que tem de "especular" da IPA: acaba com a obrigatoriedade da supervisão e passa a dar seminários e grupos de estudo. tem sido extremamente difícil. I 219 "Ata de 1987". desvinculada de outras práticas. não há a análise didática obrigatória. na neutralidade. a Letra Freudiana inicialmente não se propõe a fazer formação. O mundo. todos os membros têm direito a voz e voto. servindo-se de palestras. marcado pela ética do di. seminários. utilizando os cartéis. p. Rio de Janeiro. oriundo da cisão que vimos ocorrer no NEFF em 1979. Ingenuidade' Acredito que sim. t77 .ece um laço sodal que.de uma formação estritamente "psi" acadêmica (embora lutem contra isso). segundo esta leitura. O grupo que fica continua insistindo na questão de uma formação psicanalítica sem os vícios c mitos presentes nas demais formações.não muito diferente da instituição formação analítica presente nas Sociedades "oficiais" .uma transmissdo e um ensino textuaís. do ideal e dfJ cbejin. conforme depoimentos de alguns de seus fundadores.um compromi. Chaim já havia saído antes. a Escota estabeJ. este pequeno grupo enfrenta uma série de dificuldades. Aqui. o que. Mais tarde. que funciomllll por meio de canéis. após sua saída da SEPLA. Ano 1.'>So com aproduçào escrita: 3 . Novamente em 8S/86. grupos ele estuelo. este gnipoJ embora pretendesse ser autogestivo. pelo argentino Eduardo Vidal. 176 Continua-se prisioneiro de um território "psi" isolado e bem defendido por todos esses ideais. A lRtra Freudiana O último grupo é fundado no Rio de Janeiro em 1981. a SPlD. agora ainda mais reduzido. este não se mantém distante de outros estabelecimentos não-lacanianos no Rio de janeiro. Diferentemente dos dois grupos lacanianos mencionados. já então abertas aos psicólogos. até por priorizar uma certa clinica. Chaim Samuel Katz e a argentina Stella Gimenez (que traz as contribuições do argentino Oscar Masotta).o lnstituto Freudiano de Psicanálise o segundo grupo lacaniano a se formar no Rio de janeiro após o Colégio é o Instituto Freudiano de Psicanálise (IFP). encerra-se e isola-se num espaço eminentemente "psi". tentando pensar a proposta de Lacan. difere do grupo concebido peja pia imaginaria da hierarquia. Psicanálise e Transmissão. De início. mas não só isso. Contra a ortodoxia e o autoritarismo da IPA e do Colégio Freudiano. 1 I .o exercício de UIIUl clittica sustentada no questionamento rlf!. em muito vai reproduzir o modelo unlversitàrio de formação vinculado à IPA e ao próprio Colégio Freudiano. de acordo com muitos depoimentos. na década de 60 na Argentina. mas a organizar grupos ele estudo.çcurso do analista. Principalmente a idéia . nos dogmas ainda se faz presente. etc. bU'icando estabelecer-se uma rotatividade nos cargos de direção. nas assembléias gerais. organiza a chamada" formação permanente" em psicanálise através de: "1. . a SBPRj e o Círculo Psicanalítico. Inicialmente. n2 O. Em 1983.. a transvcrsalidade.oroso da direçào da cura e do final de análise Amm. pela preocupação que a Letra demonstra com a questão ela prática clínica. a Letra Freudiana. Também influenciada pela leitura que Oscar Masotta faz das obras de Freud. outra saída de pessoas que vão fazer sua formação nas "oficiais". Contudo.

que. mas grupos de estudo. 22] Sagawa. na sua expressa0 paulista.professor da USP a partir de 1969.p. dentre elas Márcio Peter de Souza Leite.mo imperante no CEF e as influências jesuíticas ali presentes. A &cola Freudiana de São Paulo Um outro grupo que se institucionaliza logo depois. e Durval Checchinato. sendo muito disperso e os grupos ai fundados têm duração efêmera. em cima de encontros bi anuais (um no Sul. Pois. com um l1lrri11l10prévio. afmnam que: oi. primeiros. !\'atal e maL. numa cidade de marcada tradição católica como São Paulo. o argentino Oscar Angel Cezarotto e Alduisio Moreira de Souza. São Paulo. então. junto com Jacques Laberge. tinham pertencido à Escola Freudiana de Buenos Aires. progressivamente. seminários. . p. em 197'. congregando menos "Quando se pensam as origens do (''hr~surge a indagação sobre o que representa o peso da berança religiosa. O CEF paulL'ta continua funcionando até a primeira metade dos anos 80. O.interessa-se pelos estudos de Lacan e.~graduaçàoem Psicologia Clínka. fundam o Centro de Estudos Freudianos (CEF). (.Série Psicanálise. pouco a pouco. na segunda metade dos anos 70 e início dos 80.P. vindo de Paris. foi a proveta onde se deu a concepção "220. Os que saem em 1978 perguntam: mas teve um mérito "inaugural". para o destino dos paulistas.. Salvador. Questão subjacente de grande importância. à epoca da saída dos didatas da SBPSP. Começam a trabalhar.o J. Que dizer. tinha um projeto ambicioso o Centro de Estudos Freudianos Desde 1973. do Recife. 272 In: Revista Clinica 178 179 . fundada por Oscar Masotta e o terceiro.!kientemente esclarPefda. e em particular. cit. são estabelecidos os estatutos nacionais com a proposta de que os centros regionais tenham seus próprios Estatutos.. impõe-se uma maior institucionalização. Deleparticiparam membros da Escola Freudiana de Pario. e Cesarotto. fonnado pelos que em 1978 deixam o CEF. Os doL. R. chegados no ano anterior da Argentina. uma '1aculaçào precoce que poderia ter uingado não fossem as querelas intestinaL ••e. incluindo os 12 "dissidentes" do CEF"ul Alguns de seus fundadores aftrmam que: " a EFSP foi uma precipitação temporal. de Campinas. Op. s/data. quem. participara da Escola dc Lacan. a jesuitica. Sai do CEF um grupo de doze pessoas. alguns entrevistados declaram que Jacques Laberge.. ol1lpará os lugares de prestígio e mando. quando se criam os Estatutos. Luiz Carlos Nogueira . etc. "Paulieéia Desbravada". considerado o primeíro grupo lacaniano no Brasil. Ferraz e depol' o próprio Luiz Carlos Nogueira. abandonam a instituição oS seus fundadores: Joana Helena C. Jesuíta da Companhia de Jesus. A pue de Campinas.4.<. A saída destes membros tem como principais motivos as queixas referentes ao autoritarL. nào se pode desconhecer esta paternidade. Todavia. Os demais núcleos regionais permanecem atuando. ocorre um racha.S. M. do surgimento do lacanismo numa esfera ligada à Ignja?" pessoas.. Campinas. Leite. Em 1978 no VII Encontro Nacional do CEF. G. Neste mesmo ano. Brasília. teria vindo ao Brasil com a incumbência de criar um movimento lacaniano. O CEF não oferece cursos seqüenciaL. vão se constituindo outros núcleos regionais do CEF como os do Recife. é a Escola Freu<Uana de São Paulo que também realiza grupos de estudo e seminários. ou melhor. sobretudo. o seu curso de pó. em São Paulo o nlOVlllento não é tão forte. em suma. Freudiana . "Nos primeiros anos de existência. de critérios para determinar quem deve entrar. 4'i. 4:.O Lacanismo em Solo Paulista Ao contrário do Rio de Janeiro. por 220 Ferreira Neto. Curitiba.\~48. embora bastante [ragilizados peías diversas cis<Íes ocorrídas.A. Y. explodem as lutas pclo poder dentro do CEF. apresenta uma nitida aglutinação de grupos lacanianos. período em que. em geral. outro no Nordeste) e.2 . que gera a criação de normas. tarde Porto Alegre. Justamente em 1978. nunca su. CEF.. a Escola Freudiana reúne cerca de 30 membros. quem dcve dar os grupos de estudo.

sistematicamente.ran. Foi ejemera sua trajetória Fica a pontuação de que a escolba do nome~ &cola rreudfana ~ representava uma tentativa de identift~ cação imaginária com a instüuição de 1L.S. "uma rcleitura da proposta de cartéis fcita por Lacan". 46.sorte. nQ 14. porem. se reúne no MASP para apresentação e discussão de trabalhos.'mti".logo depois da dissolução de sua Escola. que ai permanece até 1990.Diferentemente das demais.\paço de liberdade fora da hierarquia que religiosamente congregava os integrantes'do CEF Pai... "m. M. uma formação analítica. em 1976.. Sio Paulo: Bibliotec~ rreucliaru de Psicanálise. Ele não dura muito tempo e logo se esvazia. Há ainda as sessões clínicas. como ". 47. cit. Chama-se O Ponto e. Betty Milan e outros pensam em um espaço no qual seja possível congregar todos os que. Em 1980. julho/19s<l. aos poucos. ocorre uma série de rearticulaçõcs no Sedes (nos clois cursos de Psicanáli. vai Luiz Carlos :'<ogueira. O. 227 Idem.Para este estabelecimento.e Cesarolto.'ilio e. surgido no início dos anos 80. é a Biblioteca Freudiana de São Paulo. M_P. um instrumento para a discussão da garantia do analísta e do passe""". 226 ldem. que consigam reuni-los de forma si'ternática.A. das formações. que quebraram a especularídade e a ilusão mega16truma. no NEPP. É um espaço pontual. de forma bem distinta daquela do Rio de Janeiro. as jornadas (reuniôes selnestrais aberta"». proposta feita pelo próprio Lacan após 1980. A Biblíoteca Fwudiana de Sào Paulo o terceiro e último gnlPO lacaniano. Pode-se concluir que a iniciativa ~ava abrir um e. Op. e Cesarotto. e todos os membros da SPSPsão vinculados à Biblioteca. extingue-se a Escola Freudiana de São Paulo num clima de conflitos e lutas internas. p. Por melhor que fosse a pontaria. a Biblioteca. o. os lacanianos paulistas não conseguem organizar estabelecimentos considerados "fortes". fundam a Sociedade Psicanalítica de São Paulo.).G. p. "Os analistas. Em 1988.dezessete membros da BibliotecaFreudiana de São Paulo. É o que muitos consideram ser a efetivação da "política do grão de areia".e). 04~28. p. em São Paulo. os Seminários (conferências). de prestigio e levando a um consurnlsmo do pret-à-porteroficioso'''. Muitos lacanianos seguem dispersos ou em pequenos grupos nãoinstitucionalizados quando. com duração de um semestre ao fim do qual cada participante produz um trabaUlOescrito sobre o tema estudado. no fmal dos 70 e início dos 80. mais tarde. G-A. e se separam quando aquilo já deu tudo o que podia dar"2Z7 Duerentemente também do Rio de Janeiro. 1.'lCrita" ver Kolrai C. em São Paulo. I.2'5 Sobre tais questionamentos. "A Biblioteca Freudiana de PsicanáLise". o alvo se perdeu de t/fsta"ai. tcnham alguma vinculação com Lacan. o curso fundamental (criado em 198'5. Op_ dto 180 I 18t . em 1985. Os quatro grupos possuem professores comuns. p. alguns caracterizam-no como uma "organização empresarial". a coincidência da di. além do oferecimento de grupos de estudo. I\esta Sociedade..cite.. o Colégio (cursos sobre temas especificos. Esta é feita em módulos. aberto a qualquer um). mas nem todos da Biblioteca são vinculados à Sociedade. [n: Capítulos de PsicanálIse. 42. organizada em 1982 por Jorge Forbes. por iniciativa de Jorge Forbes. a Ciranda (estudo específico da criança no "dL.. ao sabor dos ventos. no CEF e na Escola Freudiana.'tso/ução da Escola de Lacan em 1980. Assim. outros'são chamados para seminários ou grupos de estu do. onde os grupos lacaníanos ínstituidos tendem a um isolamento.. preocupada com a questão de direitos autorais. 46..curso analítico") e as reuniões mensais (encontros abertos sob forma de conferências)"". se reunem quando um objetivo comum os aproxima. sair de uma para entrar em outra . "Um pontilbado de boas intenções acompanhava a oferta. que tinha sido um dos fundadores do NEPP. a formação da Biblioteca é wna 222 Ferreira Neto. Solidários e não mais separados. Leite. No entanto.lcan(. composto de 6 semestres e realizado após os módulos). 224 Idem. ver I1erreira NetO. que os aglutinem. P. 223 Maiores informaçóes sobre o que charrum de "transmissio oral" e 'l. S. este grupo não consegue aglutinar os lacanianos paulistas.. cujas iniciativas e atividades começam e acabam ali mesmo. o esforço compensaria: uma eUL (Central Onica Lacaníana) canalizaria e muttiplicaria os efeitos de transmissão. organiza.

autoritárias.revelam a preocupação específica com privados. somente médicos ou psicólogos. não compartilho de tal entendlmento.')so. "racional" e "científico". como Magno. e a questão da formação não é muito enfatizada. Conforme já mencione~ são similares. o isolamento que produzem. de suas "dificulelades". Há aqueles que a ele se associam .filiam-se ao Campo Freudiano228 -. Alguns grupos são pequenos. pouco institucionalizados. a questão é de mérito pessoal. Utilizam-se de discursos tão "verdadeiros' como os anteriores: 'científicos". todavia. levantando acirradas críticas a MilIer e seus seguidores. dentro da teoria do "capital humano". Mesmo se considerarmos as diversas formas de organiZação destes grupos.como já apontei no Rio . Outros. são explicadas do interior do próprio movimento: ora como lutas de poder (daí as várias rupturas existentes). de .a freudiana lacaniana . afirmam fazerem críticas ao "mercantilismo" e ao burocratizados e neles a formação passa por diferentes graus e níveis. isso não acontece.ã exceção do grupo de Magno -. de esforço individual. não há grandes diferenças. apesar di. quando lá estiveram.prit de corps. Se uns conseguem e outros não. Rcstringem-se pura e especiflcamente ao territôrio "psi". já que somente os "iniciados" têm permissão para penetrar nesses templos. a sociedade é democrática: UU"'l triunfam e outroS não. ora como reprodução do que ocorre a nível internacional. tão poderosas. o que pode artificialmente levar ã constatação de que são diferentes. "lógicos" e "racionais". porque não é qualquer um que pode entender a abstração de um dLscursológico-matemática-fIlosóficoe. e que é exportada para o Brasil na década seguinte: a elacarência cultural das crianças que não conseguem aprender.A. É a mesma produção que vemos surgir no campo da educação nos anos 60. quero mostrar . como o Colégío Freudiano no Rio de janeiro e a Biblioteca Freudiana Hrasileira em São Paulo. Miller. Da mesma forma. sem integrar o Campo Freudiano. pela própria precariedade organizativa. hierarquizadas e disciplinadoras como as produzidas pela IPA. saberes e subjetividades.devem manter "puro" e sem misturas o santuário lacaniano. As querelas internas. mas.e uma "outra" "aspecto comercial" embutidos na proposta de MilIcr. da mesma forma que as vestaLs. na Venezuela. criam-se outros profetas e sacerdotes que. formação analítica . em 183 182 . O que produzem tais prátiC:1S' Algo diferente do que as Sociedades "ofleiais"e outros grupos "psi" instrumentalizam? Algo "novo" em relação i "vcrdadeira" psicanálise e i formação analítica? Em realidade. As' articulações com o mundo não são feitas e suaS implicações não são pensadas. Principalmente após a dissolução da Escola de Lacan e depois de sua morte. Poucos são os escolhidos. Daí.a transmissão -. outros são extremamente 228 o I Encontro do Campo Freudiano realizou-se em Caracas. em 1980. estas práticas produzem "outras" instituições: uma "outra" '. Se nele não permanecem é por sua própria "incompetência" e "inferioridade" cultural e intelectual. saberes e sujeitos. lacanianos paulLstas também. se fom10s pensar em lermos de produçio de práticas. embora as portas estejam abertas a quem desejar ingressar nesse espaço. o problema é deles. Por não considerar o Iacanismo como um objeto em si mas como coisa natural. como articular Lacan a seus atendimentos Quando assinalo a similaridade elaspráticas lacanianas cariocas e paulistas. a exemplo do Rio . percebo que é produção e que institui práticas.o fechamento. lacan eJ. pois partem do interíor do próprio movimento "psi" mostrarem muitas diferenças entre estes grupos lacaníanos. tanto em São Paulo quanto no Río de janeiro. a prática clÚlica. nos Estados Unidos. A escola é demoerática. as mesmas práticas de exclusão. sujeitos.que a meu ver são instituídas. da mesma forma que a produção dessas práticas "psi" não são vistas como produzindo objetos.verdadeira" psic31lálise . É distante e inacessível aos leigos. Seantes os "iniciados"eram escolhidos por categoria profissional. o que pode parecer estranho pela dispersão que há em São Paulo. não sendo tão diferentes assim. por conseguinte. Ratifica-se no meio "psi" o que já está naturalizado na sociedade em geral e entre os educadores brasileiros: o lacanismo é extremamente "complexo" e exige "bagagem" cultural e intelectual "superior".OS Entretanto. poucos os que têm "capacidade intelectual" e "recursos culturais" para entender tão dilkil e 'complexo" discurso. apesar de tais interpretações . repudiam o "colonialismo". agora é uma seleção muito mais sutil: a seleção da "competência". Em lugar dos clidatas. a aproximação ou não ajacques Allan Miller provoca acirradas brígas no movin1ento lacaniano brasileiro. No entanto.

Sobre a questão dos altos pre. Op. a fornução analítica. vencedora nas eleições para os principais cargos da Sociedade paulista: presidente. ".. R.'os cobrados . que venceu uma chapa apoiada peja "ojxJsição" Defato. Como não percebo desta maneira. Uma série de manobra$ políticas. 2. 11 S.tados231 . 5 .e didática.2) o alto preço cobrado pelos "didatas". colocando por terra a hegemonia destas Sociedades com relação à formação analítica. a algumas questões que percorrem outros caminhos que não os apontados acima. em oposição a outros que defendem os altos preços por se tratar de uma formação privada de "qualidade". de fomla extremamente autoritária.C. diretor do Instituto e didatas da Comi"ão de Ensino. que detém todos os principais cargos na SRPSP durante os anos 70 com plen". poderosa arma de dominação..configura-se uma reação em cadeia.es"ocorrenl justamente pelo advento do movinlento lacaniano que.. quando se refere à crise na SPRj.. posteriomente. a partir da p..2 Sagawa.1 . ~ este item. desta forma. 2. Op.. uma espécie de rearrumação das Sociedades "oficiai.C.~ Sobre isto. este é () nui. em suma. o que é compartilhado por suas irmãs cariocas e que já foi também por mim registrado em relação à instituição formação analitica. assim. descritas por alguns entrevi.s pontos por ele apomados coincidem I com os que levantei em minhas entrevistas. Para eles isto se deve à ênfase que dão à análi. e que por isso mesmo atrai a muitos. R. 184 181 . já que os candidatos "têm" de cobrar também altos preços para poderem pagar a sua fomuçào.. '~4cada dois anos ocorre esta e!dçiio. importante fator pa. Op. dizem alguns. cit.es seriam. p. principalmente.. o grupo chamado por Sagawa de "estahlishmentbioniano". Op. consegue organizar uma "frente ampla". afrrmam outros. A. a crise. não foi considerada uma chapa de "oposição ".q". em 1982. esta foi a /}rimeira eleiçao desde a tomada do poder pelo 'establisbment hioniano ". () primeiro dos pontos refere-se ao poder que os didatas têm de 229 Orientação seguida por Figueiredo. 3) a ênfase exagerada na "análi.já por mim assinalada em referência à instituição "verdadeira" psicanáli. é sublinhada por vários entrevistados a mediocre e pobre produção científica dos analistas da SBPSP durante a década de 70.e . ver também Sa. Todas estas críticas partem de um grupo que Sagawa chama de "oposição democrática" e que.gawa. em detrimento da produção cientiftea original"l3O. Tai. que vai se avoluoundo desde o final da década de 70. (. o que faz eom que os didatas não tenham tempo disponível para outras atividades. tanto nas do Rio de Janeiro quanto na de São Paulo. dar sempre a última palavra na qualificação dos novos analista$ c dos novos didatas..) mas constituiu uma espeeie de "PMDB" t. R. 5. 226.decorrência disso. é feita pela Comissão de Ensino da SBPSP quando pretende vetar ou aprovar algum membro a analista ou a didata. ciL. onde al~n. Para a cúpula ela SBPSP dominante nos anos 60170. mas segundo os prôprios "analistas" da "oposiçiio". p. 230 Sagawa. não é qualquer um que pode a ele ter acesso. do desqualificado "psi". afmm alguns entrevistados. poderes. as quais "balançam".'. cri.e didática'.A Brasileira de São Paulo Na SBPSP.As "CRISES" NAS SOCIEDADES OFICIAIS O MONOPóUO DA (QUEBRA-SE IPA ?) Nos anos 80: ocorrem violentas crises internas nas Sociedades "oficiais".".Y.) contra o 'establishment bioniano "Z'll. estas "cri<. 232. cir . os pressupostos autoritários em que se baseiam esses grupos. vamos à história instituícla para maiores informações e. é representado por Laerte Ferrão e Frank Phillips. Produzse. unu tentativa de atualização da psicanálise""9 diante da difusão e das transfol11uções sofridas por ela nos anos 70. sem dúvida alguma. uma resposta ao movimento "psi". a subjetividade do incompetente. prende-se principalmente a três pontos: "1) a decisão monopolizadora do "didata" na qualYicação do candidato à "imalista" e do "analista" ã "didata ':.Y.Y. Por outro lado. quebra seu monopólio. cit.e didática. O último ponto prende-se ã ênfase dada à análi..

após uma série de assembléias para a discussão do assunto. Titulares ou Efetivos e Candidatos. a IPA envia praticamente uma intimaçào à SBPR): será excluída ela Internacional se não in. não estão ainda garantidas para a "oposiçào" as mudanças pretendidas e a questào da formaçào de um 5tudy Group. Hoje. ciL.er atendidos pelos didatas que..Sendo todos os C0l11ponentes cOI1'5iclcrados titulares. Em novembro. Em 1983.2. o que fere os Fstatutosl34.. a partir daí. OS. vem à tona violentamente uma série de críticas ao funcionamento interno da SBPRJ. posteriormente." as informa~'ôes prestadas pelos didatas já que estes seràu quaisquer membros titulares que assim o desejarcrll e que tenharll no tnínimo '5 anos de efetivo exercício clínico. 237 A. 5. Em 1986. Todos são Efetivos e têm direito de V()to"4~~.. consegue-se votar 0$ novos Estatutos.. É a gota d'água para que uma série de questionamentos .""0. RY.nào só de associados. liderado por Iloberto Azevedo.13 Sobre o Study Group. Em 1979. Ao lado disso. 2')0. Isaias Melshon e seu grupo enCAminham à IPA uma denúncia sobre o número crescente de candidatos nào atendídos pela SBPSP e a existência de um pequeno número de didatas. que. após avaliações. gradualmente. provisórios os candidatos a analistas que participam das Assembléias Gerais. p_ 04.SBPRj. numerosas e acaloradas assenlbléias se sucedem durante todo o ano de 1980. pr.. Em maio de 1979. 2i8 Artigo 60" ()p_ dt. que o próprio Sagawa afirma não poder ser visto como monolítico. Sobre o assunto. "Independente da IPA Você Acha Que e Preciso Refórmar In: Tn1mna.grafo IÍnico do artigo 12".óri<Js."lurjam e. Muitas assembléias sào realizadas e.cit... a IPA envia representantes a São Paulo e. p_ i ('Pari. até que todos os inscritos possam . n!! O I 0'1-08 2. o que CF.7\1e 8\1 dos Estatutos daSBPRJ . que recebem informaçóes de todos os professores e su pcrvL'mrcs e fazem uma avaliação do candidato238. pois. Jclt:m. Diante disso.••• tituir novamente 3. r 'I{J. pois a questào relativa ao poder dos didatas é ponto sagrado e intocável. abril/l1)90.1. a SBPRj institui de novo .c.B. sobretudo. Seu objetivo é organizar um 5tudy Group em São Paulo que. mas também de alguns titulares.rtigo4Qº 0r. Não há mal. Sagawa informa que a IrA não autoriza seu reconhecimento.. Em 198I. três caLegoria.lY7• Ainda pelos Estatutos de 1982. através de representantes'" No Consdho Diretor. além da perda das posiçóes de poder do antigo grupo. 2. Em 1991. 236 Artigo 0º dos Estatutos da SBPRj.. embora lIque latente até o inicio dos anos 80. e i. reúne-se em tomo de Isaias Melsohn e dele fazem parte Fábio Herrmann. devido às fortes pressóes. :Lspeeto já abordado na ocasiào em que me referi ao Sedes Sapicntiae. Ao final de 1990. o Departamento de Formaçào de PsicanalLstas organiza. desde o início de 1980. Op_ dL p. quando assume a presidência Rosa Beatriz Pontes de Miranda Ferreira.2 -A Brasileira do Rio deJanclro Na SBPRJ. é concedido o voto ao associado. suspende por alguns anos a entrada de novos candidatos."i três categorias de membros (associado.. {)\1..! lima luta de anos por parte de um grande grupo da SBPR) . na presidência de Inaura Vaz Carneiro Leão. há um representante geral destes membros provi. nào há mais a divLsào em Membros Associados. . e lambém 0$ artigos 'j!!. a situaçào é tensa. ". há a designaçào de 12 didatas em caráter extraordinário.o. têm seu número aumentado. p 16 lVí a Rcforn13?". :\'os primeiros meses após a posse da nova chapa de "frente ampla"..P. p. viria a ser uma Sociedade vincLllada à IPA. Sonia e Deodato Azambuja. titular e didata). terceiro grupo nào haver um único (ijelata.':. além dentre outros. resolve colocar a Sociedade sob observaçào. a chamada crise inicia-se desde os acontecimentos narrados 110 Analisador Helena Besserman Vianna cm 197'. vem tentando aglutinar os insatisfeitos com relaçào à situaçào interna da SBPSP. 186 visto neste deflagrando-se uma crise que só terminará em 1982... em Assembléia Geral Ordinária.ln: Sagawa. R. ano da votaçào dos novos Estatutos.. ao poder dos didatas e às manobras políticas utilizadas também pela Comissào de Ensino para a "escolha" de certos analistas e didatas de sua preferência. ver Ferreira. Há um terceiro grupo. ticanl con10 membros .M. o clima é ainda tenso. 0r- [87 . Somente em 1991 a IPA permite a inscriçào de novos candidatos na SBPSP233. soma-se uma série de criticas muito semelhantes às feitas na SBPSP eom relaçào. finalmente em 1982.1982. elege e coordena duas Comissóes: a de Seleçào e a de Acompanhamento e Qualificaçào. em que desaparecem as diferenças entre membros.o grupo denominado de "oposiçào democrática".

situaçào que sempre foi impedida e mesmo temida por seus guardiães. críticas: ". o peso do instituielo é grande. C. demandas.ficam especificamente em seus marcos institucional'). a gerontocracia nas instituições psicanalíticas. Se as Sociedades "oficiais" do Rio de janeiro trazem enfaticamente em suas plataformas o voto aos associados. 2) refomu dos atuais Estatutos e 3) ftm das punições"''" . Entretanto.por cento dos psicanalistas não leram a obra de Freud. à superioridade de seu saber.) OI'. nem sabem o que e epistemologia.Tise". pois pensar tai" questões é. em muito similares às considerddas pelas suas irmãs "oficiais". A Psicanálise está dominada por um baronato Suas instituições são marcadas por cargos vítaHcios. isto não é enfatizado na co-1m". contentando-se com uma introduçao a obra de Me/anie Klein. Questôes. 241 Sobre isto. mostram movimento cresça e . é ali abor<bili 189 188 . cit. pois apenas se denuncia o tecnicismo kleiniano vigente nos anos 70.tanto a de São Paulo quanto a do Rio de janeiro . funcionando em praça pública e. na iruplosão da SPRj enquanto estabelecinÍento de formação e por isso colocar-se contra a "verdadeira" psicanálLsee a formação instituída pela lPA.c!o Fórum contidos in Cerqueira. Entrementes.. paulista. A própria plataforma politica elo Fórum mostra bem isto.é. portanto.. Ivoventa . Nenhuma 0$ SPR] e as reivindicações do Fórum de Debates. este movimento. em SU1na.em quase nada difere elaspropostas elasBrasileiras de São Paulo e do Rio de janeiro. a expul'ião de dois conhecidos psicanalistas.de fomu menos radical . Ou .<. envolvendo a denúncia de um participante dos órgãos de repressão. prevalecem os padrões do mandarinato. Em nenl1un) 111011lento questiona-se cOIno as práticas "psi"continuam engedrando dominios de saber. que poderia ter se tomado instituinte."I) direito elo voto ao memhro associado. diferentes destas questões artig~ de psicmali<. a primeira deflagrada no InICIOdos anos 80.cm parte apontados por mim no Analisador Amilcar Lobo . sob o título Os Barões da Pskanállse In:JB _ 23/0911980. Se as Brasileiras . filas que scnlpre conseguiram ser mantidas em seus estreitos e fechados espaços. em especial. nelas o clima é feudal. Este tema .!41. a SPRj consegue escapar desse estreito território.p. do voto aos associados. o falso "a/X>/iticismo ". e até mesmo a ignorância das obras de Freud (. 170. Sob o titulo "Baronato Da Psicanálise". É verdade que t1guras como Gregório Baremblil e outras são convidadas pelo Fcímm para falar de suas práticas. Mas neles predomina a pretensdo de tudo dominar monopolisticamente"JjQ. à constituiçào do Fórum de Debates em maio de 198\ .é pensar na quebra. de Hanna Sega! Nâo sabem distinguir uma epistemologia idealista de uma materialista.. a hierarquia e o autoritarLsmo vigentes nas Sociedades "oficiais" e a mediocridade e a pohreza de suas produções teórico-práticas. a mediocridade e o "verdadeira" psicanálLse e a formação analitica são discutidas pela grande imprensa.') principai<. (Org. maL. Hegel. ao lugar de poder por eles ocupado socialmente. no Sindicato dos Médicos alénl das notícias. Questões relativas à postura neutra dos psicanalLstas.e às criticas feitas à Sociedade. iruportante é o poder dos didatas. pelos "leigos". pensar a sua própria destruição en- o quanto este movimento ultrapassa os muros de sua Sociedade.A. as discriminações ideolôgicas contra candidatos ã formação. G. não oUlJiramfalar de . etc.. comum às três Sociedades. para a qual a questão maL. São interessantes algumas comparações entre essas três "crises". às figuras de Amilcar Lobo. em nenhum momento são levantadas questões que permitam aprofundar taL"críticas. rapidamente é levado para os nurcos instituielos. faz com que o tecnicismo reinantes na formação analítica.'i argüições ao funcionamento dc suas organizações. com cxceção da questão das punições. Nenhuma das duas questões pode ser pensada pelos psicana240 Barreto. tarde. que saelll na grande inlprensa sobre a "c. A própria criação do Fórum de Debates.-. Na SPRj essas questões ganham a praça pública./ 5. ver cit.3 -A PsicanaIítica do Rio deJanciro A crise da SPR]. a questão do poder e autoritarismo dos didatas. .J.1.passam a ser questionados puhlicamente o poderio dos didatas. numa primeira leitura. No entanto. ' relata a crise da quanto especialísta "psi". não são ventiladas.(Jp. Não conhecem Kant.ta. A própria plataforma politica elo Fórum de Debates .1arx.apesar de não constar elesua plataforma . A 239 Artigo do jornalista Roberto Mello que. O poder e a gerontocracia. a grande imprensa sintetiza esta. que pennitam fazê-las sair do território "psi" proprianlente dito. ou seja. não saindo da. prende-se. C01nuns às outras Sociedades irn1às. sem dúvida.o dos didatas . constituindo sujeitos. Hélio Pellegrino e Eduardo Mascarenhas.os altos custos de tratamento.

mais "den10crJ."~ào adnlinistrativa e acadênlica da Sociedade. principalmente ao longo da segunda metade dos anos 70.') que irão gradativamente avolumando-se e tomando. 190 1974. baseadas em outra "verdadeira" psicanálise. asSlnl. a valorização do instituído... mesmo os mai') progressistas. significam rearrumaçôes diante de todos esses acontecimentos. Cadernos da rue. traz o embasamento teórico que.. junho/ apôs as vitoriosas greves no ABC. são funclamentai.. conceitos e técnicas então hegemônicos. afirmam . Por entender suas práticas e saberes como acontecimentos e dispOSItivos. dentro do próprio marco institucional.o líltinl0 do ciclo nlilitar bastante fragilizado pelos movimentos sociais que. O lacanismo. entranJ nos anos 80 naturalizando e estimulando os especialismos e a demanda "psi". A Venlade e as FonnasJuridicas.l. o estabelecimento mai. Nos anos 80.listas..'ios ruvcis. se intensificam nas cidades e no campo.cia" interna.. Se por um lado as "crises" das Brasileiras .ta quanto a carioca -são interpretadas como "bem-comportadas". frente" corre o risco de "descer ladeira abaixo". que não passara ele uma grande ilusão e que o país: que "ia pra psicanáli. Tanto que quando representantes da IPA. t91 .Para este desgaste.'. erJ votada. por outro esta não produz territórios singulares.:os tais atravessamentos. 242 Foucault. já sentindo os efeitos da recessão vestem-se de "outras roupagens" e demonstram mais "igualdade" entre seus membros. se comparadas com a da SPHJ.vejo neles as marcas aa divisão social do traballlO ao enfatizarem os especialismos. "'este momento.')"aberto". as práticas psicanalíticas. todos os psicanali. no eixo Hio-São Paulo.:wtoritari. É quando inclusive Hélio Pellegrino e Eduardo Mascarenhas são readmitidos na SPRJ. a fazerem uma '.em 78 e 79.. l11ai. Em que contexto hi .tanto a pauli. forçam as Sociedades vinculadas à IrA a nlostrarel11 uma "outra cara". O . n" 16. outra "verdadeira" "transmissão" e outro templo sagrado. 05. mais claramente.'iados por todos L esses l11ovimentos. para variadas e diferentes "escutas" psicológicas.O:.inclusive os do Fórum. O movimento sindical mostra-se revigomdo. Em 1979. as práticas trazidas pela segunda geração de argentínos e. Estas práticas contínuam engendrando e fortalecendo saberes. órico se vcrificarn essas "crises"? No início t dos a110S 80.ltá espaço para diferentes e variadas "verdadeiras" psicanálises. em que signitlcativos segmentos elasOCie(~lde clamam por lillerdade c democracia em todo. p. Nessa época. para variados e diferentes templos sagrados de formação "ps(. a Lei da Anistia. . em 1981. Multiplicam-se as Comunidades Eclesiais de Base e as Associaçôes de Mor. As "crises" aqui apresentadas estão dentro de tais marcos instituídos.. assim como os saberes por ele produzidos.1.ldores. aceitam as deliberaçiíes da IPA. que mais explícita e enfaticamente apresenta a produção de outras práticas "psi". "orientam" a reestrutura. M. c levam para os seus espa(. descobrem estupefatas que o "milagre" havia acabado. e forjando continuanlente sujeitos de conhecimento. no ano seguinte. quando se pretende. muitos cios entrevistad()s. outra "verdadeird" "escuta". implantar mudança. enlbora bastante "capenga".J. Portanto. como também não há interesse em se questionar o lugar ocupado pelo especialista "psi". o que o IBRAPSIrepresentou para uma nova geração de psicólogos cariocas. o saber neutro e descompromi'Sado.) ociais.outra maquiageln"_ Seus antigos pressupostos notadamente autoritários tra- Não somente teme-se o desligamento da IPA. Foi isto que tentei mostrar ao acompanhar a história instituida dos diferentes grupos "ps( surgidos ao longo da década de 70 e inicio da de 80. a relação do sujeito com o objeto ou.e e a formação analítica permanecem intocadas. os psicanali.e com isso a perda de prestígio e até uma subseqüente desqualificação social. que surgem dos diferentes movimentos s tência espalhados por toda a sociedade brasileira. vai desgastando o monopólio das Sociedades "oliciais". Rio de Janeiro. não provoca rupturas. fazem uma "sindicância" na SPRJe. Entretanto. As "crises" que então ocorrenl nas Sociedades "oficiais") efil realide resis- dade. Está dentro elo que é conhecido C01110'"reformismo institucional". a partir da segunda metade dos anos 70.nloigente nas Sociedades v '·oficiais" está ern descompasso com o momento político que () país atravessa. a "verdadeira" econômica que se avizinha. com o governo Figueiredo .. Todavia. é como afirma Foucault: "."democrático". As novas política.. de um modo geral. as camadas l11édias urbanas. a própria verdade tem unul hist6ria "242 (grifas meus). o próprio sujeito tem uma hist6ria. sem dúvida.'1S talnbém estão atraves. Aos poucos a censura vai sendo suspensa.

ffsta?" Qual vanguarda teórico-política 243 Foucault. M.:-w. t92 19'1 . "científicos" e "neutros". responsável.. pois. com isto..continuas formas de saber? ". circulantes e de<.ào do instituído. e sim na qualidade de anna nos combates do presente""..s~ da nio-dicotomização.Recorrendo ainda a Foucault. da mesma forma. O exercício desses poderes e saberes "psi" evidencia-se nas prática. em cima de nossas transversalidadc. as situ:lt.tória L. cit vocês quc1t!m entronizm· para separá-la de todas as numerosas. sabelnos que não há saber neutro e que sua análise impliea neeessariamente a análise do poder. "C01l10um pensar a hi<. Há. É o grande desafio que se coloca.cursos/pciticas considerados "competentes" c "verdadeiros" tênl seu apogeu nos anos 70 no Brasil. a vida lá fora fervilha: movimentos sociais c . de singular. p_ 172. como num a dos Cursos d" Psicancílise do Sedes Sapientiae..'àopolítica. sobrepondo-se os considerados "verdadeiros". produzindo poderosos efeitos. Estes di. 1\':10 é por acaso que.) não C0010 narrativa do superado. em contrapartida. Enquanto isso. Mlcrofislca do Poder. Foucault faz as seguintes perguntas: "Que tipo de saber vocês querem desqualificar no momento em que vocês dizem "é uma ciência "? Que sujeito falante. cairia numa ardilosa armadilha . vislumbraria somente uma maior variedade de práticas psicanalíticas. enuncio um discurso cientifico e sou um cien.indicaisnascem. Foucault tem exaustivamente mostrado que.". Com a quebra do monopólio e\as Sociedades "oficiais". hierarquizantes e totalizantes.tados que julgam impossível a altiL·'ula\~ào desses dois mundos: () da fonnaçào ~l1lalíticae () da implica<. que suJeito de experiência ou de saber vocês querem "menorizar" quando dizem: "Eu que formulo este discurso. ou seja. É apenas um aspecto desta naturalizaçào do instituído.C)ubstituíc1as. A chamada "vida institucional" tOllla grande parte de seu tempo c.. com isso. são as que tentam articular suas práticas e saberes com os diferentes movimentos que estão espalhados neste mundo e. algun" depoinlcntos ele entrevi.(. subjetividades e modelos estão gerando e patrocinando. Os primeiros . é desqualificado. 1\'0 entanto. Poucos. nos poucos grupos que tentam se articular COTn vida. que é a n:lturalizJ. ao não se estabelecerem relações entre os diferentes saberes. inclusive. Por outro lado.. locais.lO contrário. 244 Idem. também. organizam-se. ao mesmo tempo. onde se exercita o poder. como já assinalei no decorrer de todo este Capítulo. scrn as quai') é itnpossivel um bom funcion::unent() do estabelecimento. fortalecem-se e nada disso é percebido. Se ficasse somente na história instituída desses grupos.pela "democratização" das práticas analíticas. um dos desafios a que 111C propus ao percorrer os diversos estabelecitnentos "psi" nos anos 70. muito poucos. desqualificamse os não-competentes. Op. É impressionante a participa~~i()desses "psi" em inWffilinávcis discussôes sobre mfimos detalhes do luncionamento dessas burocmclas. e por isto são não-qualificados. ebs normas e regras que sio criadas e/ou .os "saberes dominados" . . pode ser bem notado ao se pesquisar alg1I1TIaSta" de reuniôes e assemhléias desses estahelecimena tos "psi" que se formam no decorrer da década de 70.". aumentar o índice de transversalidade em seu cotidiano. impõe-se uma importante questão: o que tudo isso traz de novo. não há relação de poder sem a eonstituiçáo de um campo de saber e que. asseguram o exercício de novos poderes243. considerados como excludentes c opostos..segundo muitos .são vistos como estando abaixo do nível requerido pela "cientificidade". formam-se saberes e estes.. restringir-me-ia à expansão e difusão eia psicanálise pelo movimento dos psicólogos. A certa altura. l~este.:ôcsde crise sio intensa (' profundamente viviLbs. descon(muos e não legitimados pela tirania dos discursos/práticas englobantes. Um desses efeitos. encontram-se restritos a esses aspectos meramente instituídos. sobre o assunto. todo saber constitui novas relações de poder. com a transversalidade.s "psi" que "melhor" vão se organizando na segunda metade dos anos 70. no IBllAPSI e na SEPLA. enclausurados enl guetos assépticos. desde as práticas disseminadas pelas Sociedades "oficiaLs" até as dos grupos considerados por muitos COIno"alternativos". burocratizá-los. nos anos HO c 9(L para todos nós "psi" que pretendemos pensar nossas práticas L' sal )('rC'sem cirna de nossas itnplicações históricas. por meio elo qual se inelida o csfórço que muitos "psi" produzem em seus grlllX)Sno sentido de '·melhor" organizá-los. de diferentes estratégias e táticas de ação? Pequeno ainda é o número de profissionais "psi" que tentam exaustivamente em seu cotidiano compreender que práticas. em realidade.

a su/Jversao. Sobre este ponto. Esta participa<. por portaria do Sr. foi autorizado o funcionamento do referido Curso. alguns em» curso de Psú. ou seja. Brasilia. que existiam dua. 246 Dados retirados de Psicologia. Foi pela primeira vez denunciado publicamente. CFP. Aos "recuperáveis" são atribuídas algumas tarefas. outorgou a todos o diploma de psicólogo. Op cit" p. comenta: "Enquanto os dias se pa. etc. iam entrel'i~tando esses rapazes e tnoças. trabaUlando no Centro de Estudos de Pessoal do Exército. que respaldaran1 teórica e tecnicamente o terroriSlTIOde Estado no Brasil com suas práticas e saberes.como o AnalL'iador Atnilcar Lobo ii delTIOnstrou -.stas"~47. evidencia-se esta distinção. estão para ser escritas."íleiros.ção . Brasília.o/.sionaispsi" com a repressão. Todavia. a partir da criação do cargo de psicólogo e a regula24'5 Rodrigues. o major da PM RL. 07. É pensamento corrente na época. onde atuou até 197'5. não chegava a U111 ano de dura. a partir de disposição leg'dlposterior. Nos anos 70. todos os miJitares que fizeram o "Curso de Classificação de Pessoal" . os psicólogos que faziam parte do Centro de Estudos de Pessoal do Exército cran1 . como umJ. Esta hi~tôria e a de diversos " outros profissionaio:. sobretudo o aspecto concernente a lima pesquisa sobre o perfil psicológico dos rnilitantes políticos presos. algo deva ser assinalado. Sobre o treinanlento a torturadores. Discutiam com eles os problemas bra. em muitas declarações e depoimentos de ex-presos políticos. no Rio de Janeiro. em seu livro Rompendo o Silêncio. H.foram reconhecidos ofkialmente como psicólogos.tôria envolvimento direto de do alguns profLo:. ofereceul Cursos de Especializaçào em Psicologia para o pessoal das Forças Armadas e chamam psicólogos e estagiários civis para atuarenl no Forte cio LenlC em uma série de atividades. além disso. 1987.. daí a maioria se negar a falar sobre o a. acredito que.. nada se tem documentado. s/data.'io assenlelha-se àquela que vários médicos tive[an1 .0. advogados. dizia no D01-CODURJ para alguns presos políticos que havia feito cursos de Psicologia para poder aprender a lidar "melhor" com os "terrori. OS 1i/!1VS e arligos /Jara leitura deveriam indUZi-los a uma profunda meditaçào e a olhar a lida sob outro ângulo. Editerra. forma de resgate de uma parcela ela história brasileira. A "contribuição" técnica de muitos desses profissional') ao aparato de repressão durante os anos de terrorismo ele Estado foi incontestável. Em 1970.ficUlis do Exército. tarde. na época. Ciência e Profissão. . na maioria dos casos. no qual se incluiam Noções de Psicologia 1'\ormal e Patológica. incursionando-se pelos campos da memória.o. não só no treinamento a torturadores como também no levantamento de perfis psicológicos de presos politicos.. como médicos legistas. no que se refere aos aspectos psicológicos dos presos políticos. Na Vila Militar. inlaginação.e.en1 muitos casos .'ão de Pessoal" o qual. .Qgia. um dos mais terríveis torturadores do DOI-CODJlRj. que contou com a participação direta ele alguns psicólogos que trabalhavam. conhecido como Dr. pelo Grupo Tortura Nunca MaislR). IllUitoSdeles. Nagib.sal'am.-"i ategorias de presos políticos: os "recupec ráveis" e os "irrecuperáveis". nos anos '. Em 1949. t94 19'. B. O próprio ex-comandante do DOI-COD1/SP. eles dispõem 247 Riscala Corbaje. dentro dos organL'mos de repressão. em 198'5.VII - UM ADENDO FAMÍIlA ÀS PRÁTICAS PSlCANAIinCAS: A E A SUBVERSÃO Um aspecto das práticas "psi" que não poderia deixar de abordar neste trabalbo refere-se à participação direta de alguns ele seus profissionais no aparato repressivo da ditadura militar brasileira. no início dos anos 70. "psi". raciocinio.que. no Rio de Janeiro . 273.<.24l) (grifos meus). 2'5.\Jào pretendo aqui fazer uma hLo:. volição até a Psicologia dos Chefes Militares'''''. Rompendo o Sllêncio. Ministro da Guerra.. haviam feito nas Forças Armadas o "Curso de dassil1caç. no Centro ele Estudos de Pessoal do Exército. 248 illstra. MaL.S. o terrorismo e suas conseqüências.'iSlInto nos dias de hoje. p. um trabalho.nulitares que. Brilhante Ulstrd. no Rio de Janeiro.. Entretanto. no capitulo "Os J oveflS e a Subversão".. p..onde muitos estão presos no início dos anos 70 -.cala Corbaje. localizado no Forte cio Leme. são importantes alguns' comentários iniciaL" De um moelo geral. mentação da proflSSão em 1962. As "Nova"i Análi8es". "salta aos olhos" que llluitos torturadores foram orientados e treinados por profissionaL.

enquanto que no Nordeste seu numero chegava a 11% e. lJnu das autoridades que mais defende L'itO. In:JlJ .escaso dos pais pelos proaliciamento: 1) desajllstes."i'. a quase totalidade.olhery do (:outo e SiJvJ. destaca que: "o terrorismo se abastece nos nu-ios escolares do pa~~' a tônica é arn-gimentarjovens a partir do curso secundádo. "lSl (grifos meus). Dela divergem alguns comandantes de ourros quartéis da própria Vila Militar.l).detidos em diferentes dependência. e esjJirttuaü"!. os rapazes Su1Jnersil'Os desl'iarem as moça. Forense. ferrL'nllo. presos" c.a realizada entre cerca de '. fez pa..quisJ.afirn1a que 2q{) () General rvlurici. 3) desses detidos. hábeis em utilizar a cátedra para fazer proselíJismo poJftico.ch.'lédici.c. 1 . a pedido do próprio chefe do Estado Maior do Exército.-'sde 1()6.00 presos políticos . vincula~se à figura do jovem estudante ele esquerda como "inocente útil" elo "terrorL<.:itaJiga<-'jo com com u general d:l r(·:''. e Abreu.lstazu I'.:~ou a chefe do Estado Maior do F. l. 2".:sm() ano. dentre o pessoal preso na época. deslac:ando-se na luta contra as () Ligas l:amponesas. IQ:t-1.. do holdirl{!.ta.c> .2. Permaneceu até novembro de l()7Q à frente do Estado !\hior elo [x .<.oulo1rt.1 pr('sidenk da Repúhlica.tência e maior será seu "amolecimento".Li<-b S'--' u)ntra a posse de J03. Nova 1.tllO internacional". I S% ao segundo e 5% aos demais Uma análise do fenômeno.ouwrt. que foi o e.x~rdt().'lH·es indil'iduuis e se'llr'lna nos I-'atore..um dos porta-vozes do reginlC'nillitar .19/0711970.~ a e Dromiscua t' tirânica.~(ulhido. :'o'iO-Ll". 4) o trabalho de alguns maus professores.. faz a primeira de urna série de pesquisas entre presos políticos.:st(Cm..:.rtt: do moviment() pam l depor t-. ainda Cln 1969. Este personagem.c1.L'rachdé J.\tudo.trJ..3) poJitização no meio escolar realizada por estudantes profissionais que despertam e exploram o ódio nos jovens.. Murici . também por solicitaçào do C.. Declara o próprio general: ':. quase não batia mulheres envolvidas na trama tetTOris/a. quando foi para a reset\'a e escoUJido par:! a presidência dt ADESG (Assoda(io dos Diplomados da Escola Superior de (~uerrat fJn 1{)7I. L 2'50 Reportagem intitulada "Murici AponLi Alid:1mento de Jovcns para o Terror'. . I. que defendem posiçlo conlrária.~golpL~l:lSque atu:lVJ.li n(l Rio de Janeiro. 2) a "nédia das idades dos presos atrás referidos era de 23 anos.) cOn'ief':adorismo e da repressão.ag... ( . puhlic:1d:t em OJomal. qUillldo teve seu nome na lis\J.muito difundida pela núdia e por setores militares. é n o chefe do Estado Maior do Exército. o nível de escolaridade e as CJusas quc os Levaratn para a luta política. feita pelo mesmo órgão (um õrgão de segurança não ret. por parte do grupo de familiares desses presos políticos .Biográfico BrAsileiro 1930-1983 . FGViR]. junto com o de Emilin Carr.ssumiu d presidénciJ. e t:.:'. MuilO convencido dt.h.:) 1'.. menor será sua resi<. travar muitas conversas. PSICOLÓGICO DO "TERRORISTA" BRASll. 80% pertenciam ao pn11U!iroano universitário. já como general.S lte (.. quando da do Maior do 1IIExército. no Rio de Janeiro. A primeira tese -" do preso "recuperável" . em Porto Alegre '-rXJsiciomnuorenúncia de )ánio ()uaJn "". que a "mel1lt' vence a guerra revolucionária"'.ssante obseTJ!tlrque no Rio de Janeiro o numero delas atingia 26%.sumiu comando da 7~ Região Milit:Lrem Recife.'ra de elementos ligado" às organizaçdes terroristas (. Esses dados mostram como realmente é grande o esforço 252 Reportagem intitulada "Murici Aponta Aliciamento de Jovens para o Terror". " cam(XLOlu.)lviail11en.t:'nv... tríplice par.sJ. Socuis) que de<. Em 1961. com ofito de impor-lhes um idealivno político.seu número não chegava a 2%.. .~ecolocando ao 1J.32 vol.. apontou como causa.moraL. lTIaS crullinosos terrori<. Em J9()f). s<-·mpre.já em vias de organização na época -. forte pressão contra tais comandantes. participou ativamente de alguns L'pisódio~ da hhtór!:l hrasikira. Esta postura prende-se à tese de que quanto "melhor" se tratar Ull1preso político. investiga seus níveis social e de escolaridade.-'elado).de tnaterial de leitura e podeln~ inclusive.. do Exército -.eneral Murici.A PESQIDSA SOBRE O PERFll.m \:'01<:'stn.um sistema de COetraogarante a lealdade inicial do militante: a cland~1inidade sdo instruido. Op.. de 260 estudantes inten'Ogados no Rio. no inícío de 1970. de 197 196 .<101:110. no Sul. l\lunci particlpou ativalllCniL'-do golpe militar doc'1%4 0. Sua proporçâo era de 33% e 23% respectil!tlmente.EIRO A primeira pesquisa é realizada em 1969. em várbs entrevistas à grande itnprensa. i'n'nte do IPES (lostitu({: Clo.08/11/1969 Uma segunda pesqui.mlicomunisla tunto . Dados contidos in J3eloch.rcito..<.'rvJ.: a res/xmsabilidade ridos {Jai. ) sendo intere. J fvaquela ocasião o número de presos (no Exercito) subia a um pouco mais de ')00 A análisf?jeita permitiu a seguinle observação: 1) 56% eram e31udantesou {Jf?SSOaS que há pouco tempo havfam deixado a área estudantil.lre. o.lOSClrCU1(l" ('mpresdri:lis mnoc:ls e paulistas. AA Dicionário Hist6rico ..20% eram de mulheres. cujo objetivo é levantar. no início dos anos 70. General Antonio Carlos da Silva MuricFl').anticumunislJ.4grand(! maioria.'l ( ): a segurarlça conU'ça petu noçuo dos (Ü-'I.~ à i\':. do la. a época.I Titulo de uma outra entrevista de Murici. gerando por isso. Murici J.<' varios milít. blenuls thl mocidade.C. essencwis do 2) d..)ü não há presos políticos.'nti'k. :ls. mestno temporário. J.i.

... que ainda hoje funciona no Forte do Leme. na qual. idade.). por tcmperaluento. 06 04 01 30 Pais separados "'''''''''''''''''''''''''''''''''''''' Carência de afeto na família Problemas de familia ./owns que se Desviaram ~ Op dt :1 G'.. Outros dados interessantes levantados mostram que. neganelo suas origens de classe? As causas não estariam vinculadas à "crise" da familia moderna? Não seriam esses terroristas jovens "elesajustados emocionalmente"."""... . ". se na alguma vez utilizou algum lipo de droga.." Família normal """. sexo. .1. inclusive.. Uma verdadeira anan1l1ese. nunca... dentre outras coisas. como se envolveu em política (por algum namorado. como a maconha.."".. Os demai. se é casado. diretamente . grau de instruçào. se mora com os pai"... qual a pessoa de sua família maL" importmtc. Selllestrc de 1970 é realizada. t98 199 . . qual a relação com os iJIl1. a adolescência c o rebcionanlento fantiljar. Sobre esta primeira parte.subversivo terrorista na área estudantil brasileira.""""""""""" . feito a convite da Associação Brasileira de Educação do Rio de Janeiro.. unla terceira pesquL. que demonstram a preocupação elos governos militares em conhecer melhor os "inimigos ela PátrLa" c retratar a juventude ele classe média que entra para a clanelestinidade e/ou luta annada.elentro das subjetividaeles hegcmônicas na época . esta.... pesqui"a consta de duas partes.a que nos interessa maL. Esta extensa reportagem (uma página e meia) traz m integra o pronunciamento do general Murici.sobre o perfil psicológico do "terrorLsta" brasileiro. Camponês do Nordeste havia apenas um. que têm tudo para ascender socíaimente e se tornarem. porém. quase todos detidos no Parand. Isso demonstra que a maioria dos que ingressam no terrorismo ou na subversão ideológica é constituída por pessoas pertencentes às classes A e B.. [o: O GLOBO ... que o numero de mulheres alidadas ê maior nas áreas mai. nem de pessoas de condição miserável ou de poucos recursos... se dão bem ou brígam na frente elos mhos. sobre o tema "O F~qtuchnte e o Terrorismo" Sobre () mesmo pronunciamento ver "Murici analisa Pesquisa com Subversivos Presos" ln:JB .. COlHO é :1 situação Janüliar (seus paL'i111oral11 que se separaram. Subversivos presos naquela ocasido e provindos de atividades rurats eram apenas 4%.são: por que os filhos da classe média.12/1] /1971. se tem mhos./11/1971. o que pensa fazer após a libcrtaç'ão."""""".. Na primeira. naquela ocasião. Não responderam .. como é seu juntos.. se teve muitos namorados."""" 2'. se pergunta: nome.. exclusiv3.. haverá colaboração elireta elos psicólogos militares e civis ligaelos ao Centro ele Estudos ele Pessoal elo Exército no Rio de Janeiro. que os altos escalões de repressão há muito vinham anunciando através ela míelLa. estão indo para o caminho da contestaçlo a este sistema' Por que se tornam "terroristas". etc. particularmente nos grandes centros..'i 32% dos presos eram constituídos por pessoas de condições sociais diversas. De outro lado. de analfabetos ou mal-alfabetizados. In.lnde l'arda".. '111elbor dotadas financeiramente "253 Estas eluas pesquisas.' 03 .o entre 44 presos políticos Visanelo estabelecer o perfil psicológico desses lnilitantes politicos.""""" .Murici: Rt'cup('rar . apenas 3% eram militare'i refonnados ou cassados e 4 a 5% de operários nao-especializados. ieleólogos elo capitalismo. Nesta."": Quadro 1 Situa9ão da família: """". servem de base para a terceira pesquisa .. com famílLas "elesestruturaelas'" Para poder provar essas hipóteses. um extenso questionário COHl cerca de :. ou por que saiu de cosa. filiação. etc). de nÍlJeJprimário. como foi feita a escolha da profissão.. folhas datilografadas apresenta pcrguntas disserLativ:1s sobre a infância. etc...no segundo 253 Reportagem intitulada "Murici: Recuperar Jovens que se Desviaram ê a Grande Tarefa".. . se teve experiências hOl1l0SseÀ"llaL.."".'ipolitizadas do Brasil do ponto de uista ideológico.s contida. a análise feita pelos oficLais c "psi" envolvidos mostt:l a seguinte tahuhçào a quatro pcrgunt3.fincia e adolescência.R:L'fi ".4 Dados contidos na feporta.oS c se há algmll envolvido em política.') nesse (lU cstic)n:írio'.12."""". ela pequena burguesLa...tnente no Rio de Janeiro...".." . As grandes questões que se colocam . na faculdade.

muitas vezes. enfatiza-se o privaelo em detrímento do público. ou escasso interesse humano e social. Utilizando os dados obtidos na primeira pesquisa em 1969 levantamento do nível de escolarídade entre os presos políticos no Rio de Janeiro -. Foi grande a falta de respostas ao item do Quadro J. embora julgue. pottlnto.. em suína como pessoaç "d~ficeis". sequase um terço d<Jsconsultatros não estavam ajustados ISIClil vida familiar. A scgunda partc elesta pesquisa sobre o perlil psicológíco do "terrorista" brdsileiro é a aplicaçào de uma bateria eletestes: de aptidões. ()final do curso secundário. Murici. o período de pnparo para o vestIbular.firmar sua personalidade.. observa o General Muricí. de nível mental (Raven) c ele pcrsonalidade IRoscnzweig e Rorschach).Quadro 2 Ocasião em que ingressaram na subversão: Após sua formatura Na Faculdade Na entrada da Faculdade Durante o 2° ciclo secundário Após o curso secundário Não responderam 02 24 05 09 02 02 'Telas respostas obtidas uerificu-se logo a importllHeia do hlr na vida do~ jovens e o apoio que ele lbe~ proporciona.àcilmente se deixa conduzir. o resultado é por demai.talvez por atíngirem um perfudo em que ojovem procura . sua rcsponsabílidade e culpabilidade pela situação elos flUlas. Um verdadeiro psicodiagnóstico é.que logo a seguir relata os resultados: ':-"dos 41 examinados. o inicio do curso UniV(. declara que: 200 .r. os órgios de repressão e os "psi" que com eles trabalham chegam à "brilhante" conclusão de que: e nos períodos que imediatamente antecedem e sucedem a entrada na Universidade que se verifica a maioria dos aliciamentos. dos quais cega da metade estavam 2'5'5 Idem. dc ínteresscs.como imatura .•• foram assim considerados 23. 20t Quadro 4 Que pensam 'azer após a liberta9ão: Voltar á Faculdade Voltar á vída normal Retomar á família (moças) Não vêem como possível sua reintegração Ir para fora do país Continuar a luta revolucionária Não responderam 03 14 02 02 01 03 19 Ainda na mesma reportagem.')5 (gtifos meus). ou ainda de dJjkil comunicação humana.. sign~ficati1JO para ser desprezado. Todo este processo é reali7~do por ".ela famma. "analisando" as respostas dadas a estes quatro itens do questionário. deseja mostrar que jd é adulto em ~lUls idéias e capaz de decidir por si mesmo. Quadro 3 Forma ou razão por que foram aliciados: Por envolvímento progressívo Por ligações afetuosas com elementos da esquerda (todas moças) Por estudos e reflexões pessoais Por necessidade de prestígio Induzido por colegas Não responderam 04 08 01 01 04 26 Psicologiza-se. mar. Nilo há dituida que é IK) lar que ~e encontra a melhor trincheira contra os desvio~ da nwral e da conduta soc:ial"/. é a fase em que mai. olkíal com curso ele especialização no Ccntro de Estuelos de Pessoal elo Exército Ie) os resultados foram examínados por psicólogos clv".. 2'íú Idem. construído. j que estâ conduzindo "Z% (grifas meus). 32 f73%i fomm considerados como indit'íduos com dificuldades de relacionamento.7'sitário. fortalece-sc a crença na "crise.

elas . precisando de tratamento. em Ibiúna. Em suma. também . Esta preocupação.difundir na sociedade em geral e nas famílias ele classe média.rio anteriormente respondido. em que são feita. Muitos se negam a respondcr ao questionário e são novamente transferidos para o DOI-CODl/Rj.. (é necessán'aJ uma psicoterapia ocupacional.. mas. Tudo indica que sof''l?mde comple:ws que os lelJam. Tanto que o deputado Cardoso de Menezes. "desequilibrados" emocional e socia~nente e. em 1968: dos estudantes presos. ou vão diretamcnte para a tortura..xa erwol/!er pelos agentes profissionaiç da subversao: incentivar inicíatil'as: como o admirável Projeto Rondon. políticos "voluntariamente" se sublnctcram aos testes c ao questionário propostos.:.bem de acorelo com as subjetividades hegemôniGl$ na época . como forma cle intimidação.. no Rio cle Janeiro..a atitudes de luta contra a sociedade e o meio em que vivem ( . cerca de 99% eram de classe média muJOs de senadores.• semelhantes f. esta pesquisa é realizada em vários quartéis da Vila Militar. segundo alguns..no DOI-CODI/Rj e no IICE. cm espcciaL a crença de que seus t1Ihossão "desajustados".incluídos IS/C! no grupo de d[ficil relacionamento humano. alguns presos políticos.. criaturas infelizes" 2'i' (grifas e aspas presentes na própria reportagem). são separados.. afinne quc os 44 presos "7 Idem. que tudo o Patologiza-se. se aquelas punições tinham valído para alguma coisa esc cstão arrependidos pelo que fizeram. como tinham rcagido. Nestes casos. advogados.. justamente por serem fillJOsda pequena burguesia. etc. Afirmam que fulana é "subversiva" porque seus paL. Isto é confirmado pelos ex-presos políticos entrevistados. Isto em alguns ca. 202 da rcpressão de conhecer melhor os militantcs políticos e traçar o perfil daqueles que estão sendo combatidos. aqueles que se lançam na resLstência contra a ditadura militar: são doentes e é precL.OSj outros. em pronunciamento ã grande imprensa. especialmente no teste de Rorschach. praticamente todos osinseguros (8) e osinstdveis (7j estauam no primeiro grupo. por esse ou aquele motÍll(). "doentes". Estas pesquisas mostranl nào apenas uma necessidade por parte A aplicação dos testes é precedida por uma entrevista individual.18 foram íncluidos no grupo dedesajustados.. pelos transtornos que esses jovens trazenl para a nação que quer "se desenvolver enl ordeln c em paz". pai . Confonne já mencionamos.C."ta afirnlando que não trabalham ali. impessoal e distante. portanto. ). embora o Gcnetal Murici. naquela ocasião.<. os testes em aplicados não contam com a presença de entrevistadores. Pelo levantamento que fiz. quando se faz. concluem que se trata de um levantamento psico- lógico. num tidos geralmente pelas mesadas paternas . muitos torturadorcs não hesitam em dizer a eles quc não cntendcm por que tinham se tornado "terroristas"..In:]H de 26/07/1970. os trahalhos do Crutac da Universidade do Rio Grande do Norte. todos iniciam a enlrevi. elogia o trabaU10feito pelo General Murici e diz: . um levantamento sobre o nível de escolaridade dos presos políticos. assim. médicos c altos oficiais das Forças Armadas)..) tratá-los.. onde estão recolhidos algum presos politicos. e outro .entre os filhos de hurgueses. procuram saber como haviam se sentido durante a tortura. porquc não havia conhecido sua mãe e tem uma madrdsta da qual não gosta. ) Isso porque é curioso que os chefes da subversào trahalhem maís entre os que mw necessitam lutar pela uida. assim. as pessoas são chamadas para explicar algumas respostas dadas. beltrana.• urge dar trabalho à Juventude desocupada.-serào sempn! desajllstados c. naquele período. a Operaçào--:Mauá.são as principaL') responsávei. que a ela foralll submetidos. No momcnto da referida pesquisa. sendo que 3/4 dos mesmos pertenciam ao grupo dos "di{u:eis".~ que o preso político disser será mantido em sigilo e que não será divulgado.. posteriom1ente. somente no ano seguinte é que se verifica a primeira pesquisa sohre o tema. Isso mostra que especial atenção e tratamento der'em ser dados aos /ovens que apresentam um relacionamento d~(fCÍl com seus companheiros. perguntas muito semelhantes às do questioná. Além disso. De fomla tria.as fanúlias . que se dei. alguns "entrevistadores" dizem para os cx-presos políticos que se trata de tentar estabelecer sua "curva da vida". 258 Reportagem intitulada "Deputado elogia entrevista de Murici". :'Ja entrevista realizada antes da área de testes. onde estão os presos politicos. A impressão que têm algum desses presos políticos é a de que os resultados 203 . Esta posição é explicitamente enunciada por álguns comandantes de quartéL.. talvez viesse após o Congresso da tiNE.

ginas 2)':.qlla~. por fugirem um pouco ao tema deste trabalho. Tal fato é apresentado para o grande público como uma preocupa\. Ilá. fazem a referência às torturas sofridas pelos luililantes.•• tiram profissionais que. realizado em César Q.'·/vbrGl_'. em 197:).s. enlitido quando ela é posta em liberdade condicional.llacb. a 22q Principaln1L'ntL'no CapJlulr! )6. Poderiam muitos argumentar .preso C01l116 anos em Sio Paulo. ainda. Corno nào acredito no mito da neutralidade científica e no de qualquer outro tipo de neulrdlidac!e.:sospouticos.sionah5 que colaboraram com o aparato de repressão ~ que estes "psi" estavam apenas cUll1prindo ordens ou desenvolvendo um trabalho COll10 qualquer outro. Muitos outros casos ocorreram: ver.s para que fizessem uma avaliaçào psiquiátrica. lu varios "xemplo$ ck laudos psiqui. rclat3. dizendo-se psicólogo. Bcnjamin . de nO.111se os estados psíquicos "con1'usionais" c/ou "paranóides". seu respaldo teórico/técnico ao 3paralo de repressão.utiliza alguns conceitos c cxplicaçôcs psicanalíticos. serio superficial e panoramicalnente aqui abordados. Rio de Janeiro. em 1971 .' Tortura" das pa.eal alguns casos .nlinl1ac1os os presos político.OUTRAS PARTICIPAÇÕES "PSI" Além da participação nesta pesquL.••U Nunca Mais. cujo laudo psiquiátrico.'. paternalmente aconselha o jovem a se "reinlegrar" na sociedade. reJerente ao internado Ivan Akselrud de Seixas.:l.e César de Q..~ dos testes realizados b) J. inclusive. Vide os testes projctivós de personalidade aplicados: Rosenzweig e Rorsehach. consultar. há numerosos outros casos de atuação "psi" que respaldaram o reginle de terror que se irnplantoll no país.c isto tem ocorrido uitinlal11ellte. afirmando a boa vontade dos militares.. se n. POltllllo. Compreende-se. são encaminhados a psiquiatras para avaliações e exames de sanidade menta]'''. porque is vésperas da liberaçio de algum prcso politico (demonstra. em 10/11/"71. rnargiruU:ta.-hdos da anamnese feita e dos resultado..lricos fornecidos na C. quando algumas entidades de Direitos Ilumanos denunciam os proJl. assim. 2 . este nào leria funcionado t:lo bcm quanto funcionou Em todas 35 ditaduras ialinoamericanas e durante () nazismo.do "perfil psicológico" tinham sido levados ao conhecimento dos responsaveis pelas unidades onde estio detidos.. voluntariatnente. vL<.Ca. Por isto. "Beli:'.do 20C. foram cCinlplices com o regu11Cde terror ou no núninlo. para que estes possam nlclhor "conhecer" c "lidar" com os presos políticos sob SU3$ guardas.> ()()4'79B3'5 2f:/! Arquldiocese cL. etc de alguns presos políticos. SC111aver qualquer nlen~~io às torturas intligidas a eles. respectivamente: aI Relatório Lrimino16gico nº CCIT~D-67/74.tôdiae Tratamento de Taubaté _Documento qw apf('scnu IHpagilLlS datílogr.i.'-1 psiquiatras das Forças Arnladas registratll estas marcas c alguns. empregando seus saberes. rcconlenda lIlll tratanlento de base analítica. 98'3. Estes testes nasceram em solo leórico . ~spL'cialmcntt' os 1 204 damente . o regime de força só conseguiu se sustentar por tanto tempo porque exh. apenas executando seu trabalho_ Entrementes. casos conlO () de Ivan A.simos·exemplrl. em 1971 --' que. rolula ('serve L(lm dkacLl:1n termrismo de tstOl.lOhouvesse prot1ssionah'". A h omissào c a conivência são totais. Estavam.<equências da Tortura" L' (l ). coniventes com a máquina mortífera que se abateu sobre o país.audo de Sankltde :\fcntal.~ PI1.•• quer que sejam eles.aptos a prestar. Há. Em outros casos.(1.<.to não pem1at1CCeU que preso) seja comum a realização de uma entrevista COIl1 alguém que.a sobre o perm psicológico do "terrorista" brasileiro. por exemplo.apesar de todo o referencial psicométrico dominante na época . de 1'01'1na té honesta. Os principais casos referem-se aos laudos psiquiátricos fornecidos a inúmeros presos políticos. Seixas .'lade Cu. no Instimto Médico Legal do Rio de janeiro.preso com 1') anos enl Salvador. do DepMtamento dos Institutos PenaL~do Estado . E por que coloquei to(h . assinale-se quc tal' prolissionaL. justanlente por serem nlenores. os vários laudos psiquiátricos citados no livro Brasil Nunca Mais"". eram otkiais das FOI\. "'reaçücs primitivas de regressào e conversào histérica".. sobretudo após 1968. que mostram nili2'59 Sohre o.pOCJ a(l. Muitos. Neles. o caso de Regina Maria Toseano Pereira.3S violentas marcas psíquicas que as torturas deixaram em presos políticos. . VOZL'S. dois casos. deram apoio ao terrorismo de Estado em diferentes setores c áreas.apitulos 16 "Cofl. 0.. em qualqucr área . sabemos que.. a máquina perversa ptlde se manter a:zeitada e funcionando.<'de como a Psi(lUlJITiJClissica ratolr)W:t. Benlamin.~ão paternal com relação aos jovens que estão sendo conduzidos para o caminho do "mal" e ela "pcrdiçio". por exemplo.:Sao Paulo_ Hra.~as nnadas aos A quais eranl encJ. c~xc1l1i.•• ssas inronna~'()eS como um último item e dentro das práticas psicanalíticas? Porque principallllente a pesquh'ia sobre o pernI psicológico do "terrorista" brasileiro .'io inequívoca de que ele é Ull1 ser "recuperável". contendo . Todavia.

por este movimento e çom o qual o psicodrama. Todos estão dentro de uma abordagem psicanalítica positivL. paulatinamente. algunlas i.. E profissionais "psi" colaborando com este quadro dantesco.. merecem maior atenção. sua vinda para I> Brasil. modelos e dispositívos) como tentarei mostrar no decorrer deste trabalho.C01no se diz no vocablurário psicométrico . Entretanto. sacode principalmente os Estados Unidos . etc O teste de Rorschach é Ut11 exame estmtural eia personalidade. em seu ruL. na segunda metade dessa década. em suma. estigmatizar c normatizar. no início dos anos 70.o:.'movimt:nto_ ~.ta.se está orientada no sentido da resolução do problema colocado -. É um dos testes mais empregados na área dÚ1ica. Todavia. em seu início.e pelo mercado "psi". no terntoflo "psi". porque Jügiria ao assunto deste trabalho.':le e.'1das'· e "equilibradas". Não desejo entrar aqui em detalhes sobre oS testes utilizados na pesquisa lnencionada. para a manutenção e o recrudescitncnto das subjetividades hegemônicas que sustentaranl em muitos aspectos o estado de terror que se abateu sobre o país.e respostas "estnlturacL1. desde uma visão do nível e da capacidade intelectuais. sem dúvida.-'i psicanalíticas. desestruturados. no Brasil. tampouco analisar criticamente o seu uso em geraL embora os considere como poderosL'isimos instrumentos de poder no sentido de marginalizar. algumas outras priticas "psi". vamos acompanhar nos anos 70.adorasc exemplos extremos de como algumas priticas "psi" nos anos 70 colaboraram. especialmente para psicodiagnóstico e outras Hnalidades. .se a reação é "adequada" ou não .ecdouro Estados I Inic!o.". O principal diz respeito à situação em que a referida bateria de testes c os laudos de "sanidade mental" foram realizados: pessoas presas. ua expansão por nos s alguns paises europeus e. o psicodrama tem com ele pontos comuns: o rechaço à psicanilise e a ênfase no enfoque grupali'ta. o nascimento e expansão de outras práticas que. outras práticas psicoterapêuticas tentem romper com o monopólio psicanalítico. Dentre os qucstionan1entos feitos. à época. irão competir com a psicanilL. Alguns aspectos. da psicanáli'ie.. Estas são. de outras formas. a funçào pioneira de se colocar como "alternativo" à psicanáli... contucio. sera melhor estudado no Capítulo [V sobre as práticas surgichs Uesst. O teste de Rosenzweig procura levantar COl110 as pessoas reagem a situa't'ôes de frustraçio. elas continuam detendo a hegemonia nesse mercado. No Brasil o psicodrama tem.'.e são as práticas surgidas da instituiçào psicodramitica. em seus relacionamentos no contexto da personalidade. sendo. fornecendo seu aval teórico/técnico par'. :~ CAPín rrD III As PRÁTICAS PSICODRAMÁTICAS Adentrando ainda maL.. continuaram produzindo e fortalecendo estas mesmas subjetividades. . até os ~l'ipect()S afetivos. E ainda se esperavam peifbnnances . para onde dirigem sua agressividade. "orienL. As primeiras que se colocan1 como "alternativas" ao mercado monopolizado pela psicanilL.. f 206 207 . posteriormente. violentadas no cotidiano da prisão.l justifil"4rque aqueles que resistiam à sanha assassina de um Estado de terror eranl desequilibrados. Embora não fazendo parte do amplo movinlento que. portanto. apesar da competi\:ào e das críticas feitas às priticas psicanalíticas. e as interpretações de seus resultados baseianl-sc amplamente em idéias e tcori3. oferecendo Ull1 amplo panorama em seus resultados.<. rotular.c.o chamado Movimento do Potencial Humano' -. abre caminho pora que. situações anali. efetivamente. concorda.~ .oladas em celas solitárias.mos o Movimento do Potencial Humano. estão: a resistência à terapia centrada exclusivamente na fala e a crítica aos especialL. doentes .. nos anos 60. i . em São Paulo. outras sofrendo grotescas e constantes torturas físicas c psicológicas.

'· Unidos). cultninanclo nos 70 com () "milagre brasileiro". morali.'. L. desde os anos ':. _direito de cidadania ao corpo humano".. os Pioneiros desta reh(4ião íwxmil"áo os mu.~ de Grupo_ Madrid Pirâmide.içoes metodolõgicas.lcultura.já apontado . paço/auo1"iwel a sua uiahilizaçilO"". '.rjad'l.) l'ü'Ída por minorias sociais..slrado\lSI'.-:a (' poluica "'. criando um e•.tú... vão sendo capturadas. Não somente no Brasil mas em termos mundiais. pode atl'nder a estas e. com.. também. nia psieanalitiea." que tão radicalmcnte conlhateram.)fcos. começa efetivamente a ser disputado pelo psicodr:J. 'i 2 SChut7. espeeialismos e Bueno.ymo. () hODlem. paranóias. neuro. de se pensar as terapias começam a aparecer no rasrro de todos esses questionamentos..<. outras.'ta p. f?tnjx'11hados em práticas. até . a das terapias_ () amplo tncrcado psicotcrapêutico. que o j). que ir3 engrossar as diversas manifestat. pelo poder de sua "escuta" e o monopólio que faz do saber "psi" Tanlbém são questionados os altos preços cobrados. eUti.L"nbérf:ér.p.ta.<. em diferentes partes do globo. Os vários questionamentos apresentados .<.!L Instltlúçào Psicodramática: G-ênt'.••.'\L-"'.tórico .pue/R).'\igéncia.arli. representados por rigidez.)fcodrama se di.'. '() psicodrama. Segundo Annc . num cotidiano dzjerente da rotina caDitalista de trabalho/lazer. em 1968.f)or suas pmpo5.'ic d(" lima Escola_ 1)i.profi~wionais e pacientes . critica a abordagem pSicanalitica. não só na formação analítica COIDO nas sessões terapêuticas.'.. poluição. 209 - ."crtaç:iode M<:.a atuar. (/I/OS Rstado. assimiladas pelos dispositivos e pelo "sistelna.L Contracultura: 1978. /)ressupõe menor numero de sessoes.0e atravesS:l a década de 60. jJoetas. Algumas forl11:ls.. que produz novas demandas de consumo . com todos os seus corolários ~xploração..t6ria sob o rotulo de "Bem Generution" "[)rop-ou'-.üstema. sobretudo.<. o último grande eco da conlr.. para o intimismo com relação a toda (' qualquer difkukbde por que passa.L."punha.s. Se as práticas psicodralllática . Ll$cinando boa parte da juventude de classe média européia e latin(Hlmericana. p.é um caminho de resistência.. na época. a.a ahrir e viabilizar um espaço m ã de clientela .'. Outras conccp\:ôes sobre a vida. subjetividades hcgemônicas voltadas para o privado. com :1 industrializa\. lk 2. 02. 1986 Alvc. o informalismo. num efêmero e /m?Cá"io aqui e agora. e no qual a ênfase maior recai sohre a "terapelltiza~~ào". o psicodrama traz o .'~porque decidem desahitar o .petiçào. quando o sujeito sai do divã e pa.ma. A.Ancelin Schutzenberger. no aqui e agora.estes encarnados no lugar ocupado pelo analista.'áo c a crescente urbanização. de sua totalização. 1968 é o clímax do movinlcnto contracultural-a utopia é vivida por quase meio nlilhão de jovens no Festival de Woodstoek.~.0R /\ contracultura nasce nos Estados Unidos nos anos ':.'drop-out<. a família.>ícanáliile.ôes contestltória ." rápida e necessan'amente menos onerosa Pode-w:. arli.tge o trahalbo gmpal.te. I L)dR.ecoam pelos quatro cantos do planeta. a romper ('om o acc." ) que pa...r. l-'ia1Jiliz-uuma formaç'ao mai.para as "camadas medias". p.r. afirmar.. práticas "psí" comcçun também a ser 1(.. a sociedade.. formas "alternativas" que possam fugir da hegcmo . à produção de subjetividades heg-emônicas. a ascendente classe média se alimenta d~. ei. normabnente jOOerlS.A.sam r /Jara a bi. inclusil. autoritarismo e onipotência presentes em sua postura. hierarquização. os diferentes relacionanlentos humanos e sexuais ganhanl muitos adeptos. tcntativas de forj:lr singularidades.desde a sociedade de consumo até as tradicionais organizações familiar e sexual .0.dentre elas. essas "Gtllladas m~dias" expandem-se. que.em que a denlanda "psi" se difunde cada vez mais. em suas or'lRens (no Brasil). O movimento contracultural é considerado por muitos como: uma utopia (_. assumIr uma not'a prática e:'Cistenc{al..'" que explodem. elas certalnentc se in. etc ':4(grifos do autor) Dentro de um momento hL. a utilizar seu corpo para mover-se c interatuar com o a outro. Esta fonna de viver. que tenta inaugurar um novo tipo de militância política. Nuevas Tcrapia.como regcstrado no Capitulo 1.apesar ck)monopólio ch psicanálise.. 101 Idem. As Utopias em Marcha_ Dissen:ação de Mestrado . C01l10 já foi assinalado.. monopolizado pela psicanálise. seu ápice é o ano de 1968. não se inscrevem diretamente no ~ chamado Movimento do Potencial Humano.sumicla pelos chamados hi!Jpies. No Brasil.serem no grande m(wimento de contcstaçào mundial conhecido COlno contracultura... A. uma vida diferente. a partir do inicio dos anos 70.c.

Iris Soares de Azevedo em sua clínica privada em São Paulo. pessoas em seus IOGli.1falguma. dirigido por Jaime Rojas BemJUdez'. de suas intelVençôes pontuai. a primeira na América Latina. alguns médicos psiquiatras assistem no TUCA a um psicodrama público. pela p.de n'lbalho e que pouco acrescentaram à sua expansão.'. FEBRI\P. no estado de NoY3. discorrerei separadamente sobre esses doi') espaços. inicia também uma experiência em Comunidade Terapêutica que percorre. seminários e discussões sobre psicoclrama em sua clínica particular ele psiquiatria infantil. em 1961. Assim como se tenta criar outros modos "alternativos" de viver a vida no planeta Terra. a partir de 1965 .. 81. foram experiência. _)proo(Jcam grande impacto na ocasião (.c."úneira vez. . figurantes. totalmente esporádica" fC'. enl São Paulo e no Rio de Janeiro.O GEPSP E O ·SUCESSO" DO PSICODRAMA Os Doutores Osvaldo Dante.. dos acontecin)entos posteriores que vão marc. que o psicodrama começará. Pierre Weil. _). 6 7 Citacbs por l'ierre Weil in Psicodr. em 1 96'í. novas releituras .'S5eS acontecimentos sao citados também por Navarro. CEPA.una..P. cil. os dispositivos e os saberes que vão sendo instnllnentalizados e forjados por elas. funda.po. . em 1962. em 19'í'í. como. :-/ebt:l.se o seu avanço se localiza na déGlclade 70. pelo Instituto Moreno de treinamento em psicodrama..ar a institucionalização do movunento psicodramático no Bra. hmcbdo em lC)." tentam produzir no Brasil.. e o trabalho clínico. por oca.ma. Rio de Janelro. t. em 8eacon. L.3. Todos t.. ork. quem sabe. Mesmo 3. não posso me furtar a levantar alguns clados da história instituida do psicourama no Brasil.P. Da mesma fonna que fiz conl as práticas pskanalíticas..'>. que tcm uma grande 8 J.à guL"iade maiores informaçôes e. a ser implantado de 111odo tnais efetivo. É isto que as práticas psicodramáticas no final dos anos 60 e início dos 70 e. Em fevereiro de 1968.por Pierre Weil. M. posteriormente. no mesmo ano. Milton Di Loreto e Michael Schwarzschilcl. podo menos. a Associação Argcntina de Psicodrama Y e Psico1erapia de Crrn.. não se podem ignor. Ainda nos anos 60 há algumas tentativas de se levar. Flávio D'Andrea. Dentro da história do psicodf'dIna no Brasil. ligados ao Hospital do Servidor..'lde 194'5. p. foranl interven~iSes isoladas. todos. tatubém aqui exporei brevemente . A Clínica Enfance.pela. além de propiciar g-rupos de estudo sobre o psicodra. a proposta psicodrAmática.1vc.'. 1978. Na mesma ocasião. São P:l. em 1962.'apias de grn/XJ . e. "Caminhos e Descaminhos do Pockr no Psicodrama no Brasil". 1 . realiza-se o curso. Apesar de pretender realçar a produção das práticas psicodratnáticas no eixo Rio-São Paulo e as instituições. In: Aruds do VI Congresso Brasileiro de Pslcodrama. p.. a Enfancel". quando reúne algum'L' pessoas para o estudo do psicodram.a ler o títuJo de Diretor de Psicodratn:l conu'dido. iniciado por Norma Jatobi em 196ü. convidam Bermudez para um curso de duas semanas com vivências. H.ião do V Congresso Latino-Americano de Psicoterapia de Grupo. em seu consultório na ciclade de São Paulo..por Jacob L Moreno. Célio Garcia.auge dos movimentos estudantil c contraculturAl no Brasil -. Por ter uma hist()ria bastante diversa. Roias Bcrmudez foi o primeiro latino-americano .')il""7. I- SAMPA E O PSICODRAMA Em 1967. se /lê alguém ser tratado psicoterupieamente em ."6.desde os anos 306 No entanto. no SENACdo Rio dc Janeiro.era colomtliano <:' rarucac1) na Argentina.. "Essesdois trabalhos (. Bermudez é convidado pelo Serviço de Psiquiatria e Psicologia MédiGl do Hospital do Servidor Público Estadual pam dirigir ali outro psicodrama público. busca-se também conceber novas terapias "alternativas" que fujam da dominação psicanalitiea. Navarro. 9 10 210 211 ..!Júblico Nesta epoca ( ) estâo começando a ganhar imjJuLm no pais e em Sao Paul. gradativalllente. A. na área de Recursos Humanos do Banco da Lavoura de Minas Gerai. 248. de. com psicodrama apliGlcloao treinamento. I'. de forma aleatória a alguns estabelecimentos.ulo.ilizada. no Departamento de Psicologia Médica e Psiquiatria da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (USPl. Op. a primeira metade dos anos 70.a história de algumas das Sociedades psicodramáticas instituidas nos anos 70 no Brasil. no Centro Médico Pedagógico de Minas Gerai. 248--2')6. 248. M. É cm São Paulo. as chamadas "alternativa. realizado em São Paulo. em 1963.pois pela pn'meim vez sefaz realizar um psicodrama público em Sdo Paulo."i experiências desenvolvida. OI' cit.autoritarismo.o as te. Ao voltar à Argentina. escapando à dominação capitalista.

burocráticas.procura (sào organizadas três turmas).principalmente após o Congresso no MASP. Todavia.como já toi mostrado no Capítulo 11. Dados fornecidos em entrevista por A..lri<. o desejo por uma outra forma ele psicoterapia. à busca de "outras" fOfius de terapia. E."5ociaçâo. fornlas "alternativas" à psicanálise. SO:lfesde Azevedo.. A repcrcussào da proposw de um curso s. na segunda metade dos anos 70.. O psicodrama. HIstória Geral do Psicodrama. Pedro Paulo Uzeda Moreira. mimeogr. a grandc procura pela formação cm psicodrama associa-sc.R. Já vimos no Capitulo anterior.Manoel D'Ale.. portanto. conforme já se assinalou no Capitulo 11. 03.'lsand. constitui-se o Grupo de Estudos de Psicodrama de São Paulo (GEPSP). ( ) o que re1.fato motivado pelo pequeno número de didatas. Op. p. l. nesse período: a demanda de cu. decide-se organizar um tLlrSo de formaçào cnl psicodrarna. Op.. Alfredo Correia Soeiro . 249 Alves.G.stcmático de psicodrama é grande. dentro da Associação Argentina. a preparar o terreno para que mais tarde ela viesse a ocorrer.H. cit. cit. o psicodratna. há tempos esperando ser chamado para a formação nesw Sociedade "oflcial".'ltiJlliçõesjormadora~'I'ígc"11t('5··'Ji.. surgc unu série de outros grupos "psi" que começam a romper com o monopólio da SBPSP.ào à formação da SBPSP por parte de uma parcela de profissionais "psi" paulistas. É o mesmo esquema utilizado para que um Study Group seja reconhecido pela IPA: haver um didaw. que. organizei o Instituto de Psicodrama e Psicoterapia de Grupo. em 1970 . Devido ao número de interessados e o desejo de continuar o trabalho iniciado por Bcrmudez. et alll. em São Paulo. morais... os titulas de Psicodramatistas dependerão do Instituto como organismo docente da A. 12 2t3 .•\1ichael SchwarzschOde Deocleciano Alves. na década dc 60 c na primeira metade da de 70 sua hegemonia é absoluta. fundada por). itcnl V1 .. o que mostra U1113 oposil. há. ( ) apesar defd existirem dOl'ioutros cursos de (ormaçao f . 142.P. em seu inicio.lnt:roduçãoao Pslcodrama. ciL p. Cesarino.exerce algumas "pressões": Antonio Carlos Cesarino. elaí. que funciona de ]968 a 1970.. 1974. In: ~avarro. Rojas Bermudez. Esw é a proposta da Associação Argentina de Psicodrama e Psicoterapia de Grupo.C.'ela o anseio de um grande numero de profissionai'i por uma especialidade e que ndo encontram respostas nas i/1. o desejo de ampliar horizontes. mais flexível. e o da 'lociedade de Psicoterapia de Grupo. pois em São Paulo.). Entretanto. como a "grande alternativa" 13• Além das fIlas que se formam às portas da SBPSP . Alves.o curso de Psicoterapia de Orientação Analitica do Sedes (com Robcrto Azevcdo c Regina Chnaidermanl fará alguma sombra à forma"ão analítica "oficia!" ~a época. São Paulo. os cursos do Sedes e da Sociedade de Psicoterapia de Crupo de São Paulo nào conseguem compelir no tnercado ··psi" paulista com a hegcmonia da SBPSP na formação em psicoterapia.. naquele nlomento. organizacionais. a SBPSP . sexuais e que utilize o enfoque grupal.rsos de e!JjJecwlizaçüo em psicoterapta (' imensa. mais democrática nas questões flnanceiras. sem dúvida. seguindo o modelo da Associação PskanilJJtka Argentina. Cesarlno a Ui. em São Paulo. indubiwve]mente..tistem alternativas terapeu. Bermudez. também. O GEPSP emprega como estratégia ele formação o mesmo tripé que as Sociedades "oflciais": terapia. vem preencher Wis aspirações. Mestre)ou. São Paulo.C. seu grande sucesso. In: Op. Jose . a curiosidade. Textualrnente. Cria-se uma comLssàoJ1 que tem a finalidade de congregar pessoas interessadas nesta formaçào e. Somente em 1975 . seminários e supervisões. abandona o movimento psicodramático para tornar-se presidente da SBPSP.) fora o da SBPSP o doSeder. ele afirma: . p. p.e os preços inacessíveis para muitos jovens "psi" de então. assim. M. em 198714. p. Antônio Carlos M. 1977. ajudando. mais tarde. 111. 13 14 1'5 Cesarino. lOÇ 212 Tanto que o GEPSP é filiado à Associação Argentina de Psicodrama e Psicoterapia ele Grupo e só poderá se constituir em Sociedade ou associação quando tiver um diretor brasileiro formado em psicodrama.ro. tão logo o GEPSP se impõe como uma "alternativa" para a formação "psi". de formação de (Em 1 968). de enriquecimento na formação dos profissionais de saúde mental atrai muitos terapeutas para o psicodrama.15(grifas meus). é um precursor desta nJptura.tas que não seja a Sociedade de Psicanálise A perspectiva 11 Esta comissão é formaru por Laéroo de Almeida Lopes. Desse modo. De acordo com ele. do novo. A. tem uma acolhida pronw e inesperada e Deoc1eciano Alves que participou da comissão organizadora do GEPSP -. não e.

companheiro de i BemJudez na Associação Psicodramática Argentina que.tico brJ. alraf'(!s do nasce agregado a um mOl'Ímento mundial de dL••.s da escola arp.EPSP .fI18/j9(Y) !Urr:lru)s in NJ.-.'imoestira.EPSP coloca que: "Uma 1JeZ aceito pela coordenaçdo. A vertente que se impõe.lo..icL . o candidato que des!!jar se on'entar' /Jara /ónnaçao como niretor ou Ego-Au:~:iliar de Psicodrama del'f"'á !Jarlicipar de Reunioes de Estudo e Grupos de "Note-plav/n!!.. assumindo as (unçóes de líderança elo m01. destaca-se E. Com L~so. propoe a organizaçào di' um curso regular de lJsicodrama no Rrasil"lú.EPSP.ileiro. gera . também bzendo parte do Gmpo I'btal')flna ./institucionais.lo obstante todos esses conflitos.'emiropro. GEPSP." o "Instituto . ) em Sao Paulo. na figura cle J.pp... imediatamente em São Paulo. nUt J 2. L. E iniciam um movitnento de contesta\'ão a alguns aspectos elas práticas analític.'18 c às sua. contribuirá para que ocorram glJ.bor essa especie de direito. desde 1971.passam a fazer parte do que ficou conhecido COlUO a segunda geração ele argentinos. iníciaclo em 1969.Ireqüel1les con!lit. LH. Rojas Bermudez.::t.0 Touos ~'stcs conJ1it()sL"Sti() de' A.'ãoc os representantes elas cinco lurmas em formaçào.il. cresce em muito a demanda por Limaformaçào "alternativa" fi psicanálise e. especial o paulista. entre o próprio Bennuclez e seu mestre J.Wore-nolh(. posterionnente.) A participJ\-'ào nesses grupos é condit:.P. em Este "coloniaIL"no·' argentino. para a Associaçào Psicodramática Argentina acorrem muitos profIssionaL" interessados em outras práticas.funçào para a CJual tinham sido escolhidos 2!l. realizado em 1969.Horeno" e de uma da instituiçao formadora instituição nomUltizadora o "lFodd Center'.'im(~to psicodramatico na América Latina com que .Oipagos. maL"aberl~l<)..:àonecessária para 1J.. esta vertente do psicotirama pouco ou qua.m. especialmente oS paulistas e cariocas. w:'minaçàó do /Jsicodrama qUl'.. abre-sc a p:utir de 1968 P"'.odcs rachas no movimento psicodramático mundb. muitos elesses profissionais a partir de 1968como já comentado no Capítulo anterior ...'es.zef pane do próximo Cllrso. 0')'08--196H.'ãode luannbras que se valem até mesmo elo emprego de técnicas p. 2')(1 C 2') I 2t'.tir:ll1do-lhes o cargo ele representantes dos alunos junto J. é a de J. o Boletim Informativo nº 04 comunica quem . continuarem l'm wa !imçao de coordenaçao cada vez maL.. todos membros ela Coordcnaçào do CFPSpl. enfronbados com o P.l o movimento psicodram3. Enlbora não rompam com a prática psicanalítica. O Boletim Informativo n" ()~do (. desta comissão/coordenação saem professores e sllpervi~ores de seus próprios colega. dt" pp.. já se tem onze grupos em forrnaçào de psicodr:una terapêutico (' quatro em psicodratna pedagógico.1I. Contudo. que ir. ()p. assün como se designam diJl'torcs de grupos de estudo c de role-jJ/ayings para os iniciantes.~10. 1."jde turma. pelo próprio Bcrmudez é erigida em coordenação do (.c. contestada "i .Op. blo que.l. citando depuinkllto IH Uoletim Infonnativo do 19 Boletim Informativo do 2..<. GHPS1~ " .. . Dentre eles.'Ítico. cmn diretores indicados pela Coordendçào atêle/. 111e 112.quinze lUrm.l Bennuelez.. em 1969. lij.varm. . M.ão da APA. Rojas BemJudez.<.Moreno. Coordenal. Pavlovsky.luO por Al. ()p.'rupos Tel'al)(~ticos com o f)r Rojas Rermudez"'s (grifos meus) o lTlercadolatino-americano psicodr. cotn a equipe de Bcnnudez.Ainda que Bermudez copie o modelo ele forma. N.adquirindo PriuiJegios no aprendizado e na conduçao do m01timento Ri'Cebem de Bermudez uma carga horária dupla em supentísilo e terapia que os lel-'Cl. em 1968. A comissão escolhida. "() mol'imenfo /Jsicodramático L . hases hrasileiras atra/y:.:ull. egundo reconhca:.'.icl)drama e. OLlsej.l0 explodir no Congresso de 1970. por <.. Isto faz com qLle haja Limagrande participa~'ào de brasileiros no [V Congresso lnternaciona! de Psicodrama. implanta SutL.são os Diretores designados para estes grupos. intennéclio do Bra.cnada irá influir na form:H. da AI'A-.':este.lO dos psicodramatistas brasileiros.mpo de Estudos. espalhando hrp:J" par...sicoelramáticas para transformá-los em representllltes da Coordenaçào junto aos alunos em f()rma~-'. empenhase pela politização do movitnento psicodramático argentino c latU1()anlcricano. centralfzado parI L Mort~o alma!.. que possam enriquecer suas alua~ües gnlpai<.\"intam mai.iá durante a existência do (. em 1-' kkm. dto p.cntina Fato é qu(. CeS:lrinu.::tsem torma\-'. p_ 112 (. maL')flexíveis.dissociado. hzendo desaparecer o (.. ocasiüo em quepoderáfazer Seminários e (.HlSP Il~()~.:imo. 16 Alves.nstituições.'\.. a lazer s com qUl' se .ciL.cit. Os conflitos se avnlum~lIn entre a c()Ordcn:H.C. os quais ck'nuncianl a realiz'Jl".' o pn5prio Bermudez.

que. OP. como: Anne-Ancelin Schutzenberger. seja ampliado e conquistado definitivamente. UI.sede da expansão desse mercado latinoamericano . em sua maioria alunos das onze turmas de formação em psicodrama terapêutico do GEPSP21. Bogliano.Buenos Aires. representantes de comunidades terapêuticas argentinas e da uruguaia Del Sur. o movimento psi~ codramático propóe ( . Maziers e D. pp. proferidas pelos psicanalL'tas paulistas ligados à SBPSP. Bustos. figuras internacionais ligadas ao psicodrama. como uma espêcie de cunha no monopólio da psicoterapia exercido na época pela p!>1canálise"!. Moreno e Zerka se recusem a vir. em 1970.121.tenta fazer uma intervenção socioanalítica através de pequenos colfÚcios durante todo o Congresso. L. por diversas razões. Matsumura. o grupo de teatro inglês living 1heatre e muitos brasileiros.. "O arbítrio da ditadura militar cala as manifestações cuiJurais. o japonês K. ateliês permanentes e de expressão. Breu Stuart e A. o contexto social torna-se texto grupal. se o poder impede manifestações.Eles denunciam que foi um venudeiro show. Tanto para Bermudez quanto para o próprio Moreno é importante que o mercado psicodramático !atino-americano.. a nova proposta. sindicais . feroz da ditadura militar . recém-conqui.onc tradições de uma sociedade silenciada ganham luz atraves do esforço empreendido pelo congresso e ele próprio se constilui em grito pela liherdade e democrada "22 Justillca-se. composto de 39 páginas datilografadas. organizados pelo GEPSP e sob o patrocinio da Associação Argentina de Psicodrama e Psicoterapia de Grupo e do World Center for Psychodrama. à época . L. Várias atividades são programadas. sem duvida. 2 . Quintana. atitude esta que gera inquietação por parte dos organizadores paulistas.o império do silêncio.penado mai. no Brasil. os argentinos E. agentes da Polícia Federal retiram do MASP uma série de cartazes considerados "subversivos": continham frases de J. 143 egosauxiliares. G.. alise organIza um encontro. é realizado na Argentina .O GRANDE HAPPENING E A CISÃODO MOVIMENTO PSICODRAMÁTICO PAUllSTA Em agosto de 1970. estão afastados dela. Moreno! Segundo alguns de seus organizadores entrevi'tados. Segundo as avaliaçôes feitas. a. a proibição do encontro entre as pessoas. Afinal. consultar o programa do Congresso. São.sim.um dos pólos mais importantes para tal expansão. em 1969. 216 21' . antes do inicio do Congresso. com a presença de Moreno e sua mulher Zerka. à comunidade terapêutica e a outras áreas "psi" estão presentes.e. tendo como presidentes honorários. primordialmente.. ao poder que impõe o fracionamento e a conspiração. "--.e. Pavlowsky. Conta-se que Georges Lapassade . seja por questões fmanceiras. artísticas. sobretudo na grande imprensa.tado. grupos de discussão dramatizada. 21 Maiores detalhes. fIlmes e diapositivos. dentre outros.) o encontro-confronto direto entre os homens. os norte-americanos Maxwell-Jones. Os congressos internacionais desde 1964 eram feitos de 2 em 2 anos em países europeus. oficiaimente. seja por falta de vagas na SBPSPou mesmo por questões ideológicas.o grande suces~o obticlos pelos psicodramas públicos."fiel" às práticas instituintes apregoadas pela Análise Institucional.e. participam entre 1500 a 3500 pessoas.'. de segunda a sábado. Não é por acaso que surgem. KnepIer. duas caracteristicas: é um contraponto à ditadura militar e à prática hegemônica da psicanáli.p. Isso porque estamos em 1970. relatos oficiais. Como contraponto à prática hegemônica da psicanálise. se reconhece e estimula. realiza-se no MASP(Museu de Arte de São Paulo) o V éongresso Internacional de Psicodrama e Sociodrama e o I Congresso Internacional de Comunidade Terapêutica. o francês Georges Lapassade.<. Embora. lotam os amplos espaços do MASP. 11C) e 120 [dem. C. o Congresso de 1970 apresenta. na última hora. respectivamente. insurgente. Assim. 22 2~ Alves. o Congresso é a oficialização de uma alternativa prol1ssional para muitos que. J. redigido em português e inglês. Moreno e Maxwell-Jones. E. ferozes críticas ao referido Congresso. que lotam os espaços onde são apresentados. "O Congresso de Pskodrama de 1970 semiu. como teatros permanentes. se a ditadura decreta o isolamento. Sociometry and Group Psychotherapy. dt.

de Moreno. mas.pleno do positivLsmo-cientifidsta qúe domina a prática psicanalitica da época. fundamentalmente. "Mesa Redonda do. Moreno ··deserda" Ber1lludez. Sem dúvida. É um sacrilégio que isto ocorra em espaços públicos. marginalizadas. (Ur~.UlTIavez que os psicodralnas públicos expunham excessivamente as pessoa. também.propagandeando o uso de drogas. uma vez que as subjetividades hegemônicas da época pregam a tirania do privado e o repúdio ao público. c1eve~seconsiderar que numa época de extrema repressão social. O privilégio às atua\. já se sentindo fortalecido a nível latino-americano. fundamentalmente. manifestam-se de i()rma maL violenta esse.detalhes sohre <:sta "c:l. Bermudez." chan1aclas .sicoterápica. Entretanto. já que oS aspectos teóricos ficavaln relegados a un1 segundo plano. ã quebra do setting. poL')atentava contra a moraL os bons costun1CS. Estes conflitos e cL'iôes se acentuam intcmacionahnente e.·ões práticas é um argumento . do casamento. em Amsterdã -.')cente tl10\.'i.conflitos. resguardado e demarcado pelos guardiães da "verdadeira" psicanálLse. aquilo que chaluan1 de "atuações práticas" são OS psicodramas públicos e oS diferentes ateliês organizados.. privilegiouse a atuaçào prática. O psicodrama. fica claro que o V Congresso de Psicodrama c Sociodrama c o r Congresso de Con1unidade Terapêutica marcaram época e é a partir deles que. 219 . tendo os seguintes objetivos: 2'i 2') Maiore. mas como instrun~entos de mudança.•• com a ausência de Moreno. lançando o ManiR festo do Gnlpo Experinlcntal Psicodramático Latino-aluericano.r Cusdmir. 1990. de Bermudez. In: A". claramente. havendo a quebra da privacidade necessária ao tratamento psicoterápico. É verdade. dentre outros. Oficialtncnte.se questionam oS valores capitalisticos instituídos.. atingimlu scu auge em 1973.afirmanl -. quando Bcrmudez e a Associaçãu por ele fundada na Argentina são desligados du World Center. São.'i no na. pela confusão e muitas vezes pela iInprovisação. a visão conservadora e as subjetividades dotninantes no meio psicanalítico. cultural. pelo caos. tendo em vista a inexperiência elos profissionais "psi" paulLstaS em organizar tão grandioso evento. Apesar de todas as discord1l1cias. Este retira. o que lança farpa.) O Psicodramaturgo.c. c()n~ullJ. em 1971 . nun1 momento efi1 que mundialmente .. Para a "verdadeira" psieanálise tais propostas distanciam-se do caráter "cientítlco" que a prática psicoterápica deve ter. o Congresso de 1970 . logo após o Congresso. M. é classificado pelos psicanalLstas até hoje como uma terapia superficial e. Casa cIo Psicólogo. I lá alguns pontos a serem aqui levantados: a questão anti-ética prende-se. Fidel Mncio. conferido pelo Instituto Moreno. Além disso. desqualificadas e inferiorizadas pelo discurso totalizante da '"verdadeira" psicanálise. Como Carloi! Martinez Bouquet.iar.') no eixo Rio-São Paulo.isto gerou atritos com outros psicodramatL"itas de diferentes nacionalidades . em 1965". para o movimento psicodramático mundial.-itncnlopsicodramdtico pauIL'ita. L. artística e 118 eXl<. Alegam que as técnicas psicodramáticas elevem ser utilizadas não como un1 meio de adaptação ao sistema. l11a8un1a série de outras abordagens p. São Paulo. que houve exposição de pessoas durante alguns psicoclramas públicos. E. em que o emocional aJlorava de qualquer forma.•• "alternativas" começatn a ser comentadas e lIm pouco maL conhecida. Os argunlentos de atentado à moral e aos bons costumes revejam. Foi. o título de Diretor em Psicodrama.na fala de alguns de seuS organizadores .p. nào SOlnente o psicodrama. concordam. é a manifestação explícita e pública dos conflitos entre Bermudez e Moreno pela posse: do mercado latino-americano. de um modo geral. menor. por conseguinte.j6-6I.os psicodramas realizados tornaram-se espaços abe!tos para o glupal e para uma verdadeira Gltarse por parte de muitos participantes. Raimundo DiJJello e M:1Iia Alicia Romana. território tão bem protegido.foi marcado pela "atuaçào". Em 1969. SO.. Basta ver o programa do Congresso para que se verifique que isto não ocorreu.. Moreno havia deilo Bermudez e01llO seu herdeiro. portanto.~meus Objetos Que Têm a Ver Com Moreno". No Congresso. política. abertos. sem dúvida.ssaÇ'io". a dissoluçào da fanúlia. . particularmente para a América Latina . atuações menores.. Um outro efeito do Congresso. durante o Congresso de 1970 em São Paulo. rompe com Moreno. um Congresso anti-ético .nos rastroS do movimento contracultural .durante o VI Congresso Internacional de Psicodrama e Soeiodrama. Pavlovsky e outros membros da Associação Argentina de Psicodrama2<' rompeu1 C0111 crmuclez.tcncial. inferior.e.

em 1973. LH. ainda em 1970. consultar Navarro. 121. Cria-se uma divc. Fortaleza.mantcr o monopólio do mercado psicodrarnático !atinoamericano com Bermudez. No Brasil. tendo como sede a Associação Argentina de Psicodrama e Psicoterapia de Grupo e como Secretário Geral. portanto. Porto Alegre. no momento de esclarecer algumas situações analisadoras das práticas psicodramáticas. 2. Em 1975 no Instituto Sedes Sapientiae é iniciado um Curso de Formação Psicodramática do qual participam professores das duas Sociedades paulistas. A este ponto voltarei mais adiante. Paulo Uzeda e Antonio Carlos Cesarino).. Isto começará a mudar em 1975 com a vinda sistemática de Dalmiro Bustos para o Brasil. mantém contatos com alguns psicodramatistas argentinos da antiga equipe de Bermudez que com ele já haviam rompido. 4) revisar e analisar os papéis sociai. M_P. funda-se a Federação Latino-Americana de Psicodrama (FLAS). o clima de cc. pp.minoria dentro do Grupo de Estudos . O primeiro grupo. etc. e Pavlov~ky. Alves. Antônio Correia Soeiro. ao exibicionismo e autoritarismo de Bermudez.As Duas Sociedades de Psicodrama: a ABPSe a SOPSP No final de 1970 há dois grupamentos claros no GEPSP: os que querem continuar a formação anterior sob a coordenação de Bermudez ..a ABPS . Logo depois. causando sérios conflitos C001 os demai. "Esse nwuimento de conflitos se acentua e pro:ssegue até a nwrte de Moreno em 1974. Oi e 08. liderado por Marisa Nogueira Greeb. 2f:J 27 2B 8ouquet. assim. sai o grupo da SOPSP. O segundo. cit.ão dentro da coordenação do GEPSP e da própria equipe de Bermudez. é con. 2) detectar e enfrentar situaçÕes de injustiça social e outras relacionadas com as diferenças sociais. perde uma unidade mais orgânica e até hoje permanece acéfalo "27. Curitiba. todos os 11 representantes das turmas em formação em psicodrama terapêutico e a maioria dos alunos do GEPSP. Rojas Bermudez. vinculada ã Associação Argentina de Bermudez. 2'54 c 2'5'5. liderado por lris Soares Azevedo. Buscase. no VII Congresso Internacional. 1971. como por exemplo. em Tóquio. pp_ 2')3.que representa o Psicoclrama Pedagógico. E.. ã questão do pagamento. Manaus. A partir de entdo o psicodrama."1) pôr em evidência os sistemas repressivos e as condutas que estes fomentem. E. Psicodrama:: Cuândo Y Porquê Dra. Questões. F. O cisma no movimento psicodrarnático mundial se acirra e. Pavlovsky faz parte da segunda geração de argentinos analisada no Capítulo 11. p.. Entretanto.tituídoum comitê para organizar uma Federação Internacional de Psicodrama e Sociodrama. Moeçja. rompendo com ele por completo.1 . A SOPSP também amplia a formação psicodrarnática para Curitiba. a ABPS forma núcleos em Campo Grande. em 1972. 3) investigar as conduta'i autoritárias dentro efora das instituiçÕes. Campinas e Ribeirão Preto. funda a Sociedade de Psicodrama de São Paulo (SOPSP) sem quaisquer ligações com Bermudez.ão é intensificado ao fmal do Congresso quando os oito componentes da cooordenação do CEPSP são diplotnados conlO Diretores em Psicodranl::l por Bermudez.Op_ cit. no item m.matlzar? BA. a nivel internacional. Bermudez discorda frontalmente dessa diretriz.. 220 221 .e os que questionam os métodos e a postura de Bermudez. com o apoio de uma Sociedade de Psicodrama de São Paulo . fazendo implodir o Grupo de Estudos. explodem violentamente..e traz uma clara implicação política para o psicodrama. as duas Sociedades paulistas expandem por algumas cidades do interior de São Paulo e por vários estados brasileiros a formação psicodramática. Roias Bermudez. e outros mais. Várias críticas passam a ser feitas.alunos em fornlaçào23. Nos anos seguintes.s e detectar os "emissores de normas': os que em defesa de seus proprios interesses impõem papéis não relacionados com o interesse da comunidade"lh. com Anne-An~elin Schutzenberger. Assim.c. o qual não sai do papel. onde estão presentes a outra metade da antiga coordenação do GEPSP (Laércio Lopes. funda a Associação Brasileira de Psicodrama e Sociodrama (ABPS). Proteo. Florianópolis. José Manoel D'Allesandro e Alfredo Soeiro. C. Op.. Todavia. Maiores detalhes sobre o movimento dos representantes elas turmas diante da CCXJrdenação do GEPSP e do próprio Bermudez.M. J. que já vigoravam ao longo desses dois anos. Bahia e Rio de Janeiro (caso que será visto adiante no item m.

Aspecto a que Bermudez já havia sc referido. . psicodíJJ11itico Fonseca é protagonie. ao elaborar uma psicopatologia do psicodralna dissociada como já assinalei . por ter grande influência da psicanálLse em sua formação .presentes no olOvimento psicodramático paulista em scu início . em São Paulo. Bustos passa a vir sistematicamente a São Paulo c. enquanto diretor. Desta forma. internacionaimenttl. em uma de Sl""S vindas ao Brasil. In: Op ciL.. o de Ribeirão Preto.começam a se desfazer. a partir de 197~. 22. Em dezembro de 1974.. o psicodranu analítico francês e () psicodrama trj:ídjco.. seria extremamente grosseira e simplista a alusào somente a esta.após sua formação em Beacon. Segundo Sérgio Perazzo.ta de unllllomento no mOVU11ento brasileiro . com Morenll -. 3 . Com o surgimento das duas Sociedades . nl:lis psicanalítica. paulatinamente.do referencial morcniano.e com na as vínd~l<. segunda metade dos anos 70. acredito que algo maie. Uma nova abordagem. Dentro desses doie.:ôes:desde as correntes mais 1110reniana.ARPS e SOPSP .ta. A [()fInação dada por DaLmiro Bustos quebra a profunda "medicaJização" existente na formação berrnudeana. cm 1972 .<) pela SOPSP para dar supervLsôes. Afinnatn que Bermudez. Bustos traz tambénl tecnicamente lima formaçào mais "delnocrática". Embora não seja objetivo deste trabalbo lima análi . oito Cursos ligados à formação em psicodrama: II da ABPS. passando senl pelas que enfatizam o a.."'pectu intrapsíquico-relacional (o psicoc1rama cOlno um processo na esfera intrapsíquica).()cs e à postura. até 197~.-'ão Argentina e fundara. que rompera com a Associa\. seu antigo colaborador. l~ a partir de então que.'ite-se.. se assiIn podem ser chamadas.'i e COll1petiçôes do movimento psicodrantitico argentino. em São Paulo. o "mestre" do psicodrama no Brasil. transmite tal visão aos psicodramatistas paulistas. é Bermudez. no final da década de !'lO. o da SOPSP. o da Campineira.:. em São Paulo. Assim. sob influência de Bustos.No início dos anos 90 há. '. Porém. '.em ]973. É o chamado "grupo autodirigido·'. é bastante diretivo.final dos anos 70 e início cios lJO .a entre estes profissionais que procuratn o respaldo de uma teoria do desenvolvin1ento ela personalidade. pp. o do Vale do Paraíba (SOVAP). apesar de possuir um excelente lllanejo de gnlpo.. há rrê. sllbretudo por intermédio da SOPSP Entretanto. a.DALMIRO BUSTOS E UMA OUTRA VERTENTE PSICODRAMA ARGENTINO NO BRASIL DO Apesar de Rojas Hennudez ter tentado manter seu nl<mopólio sobre o mercado psicodramático brasileiro através da AEPS c da criação do FLAS. na segunda metade dos anos 70.]s ou psicanalíticas. o do Sedes. grupos de estudo c fazer terapias. grandes inJluências méciic.o prática terapêutica psicodramitica~4: uma mais médica. trazendo uma série de conceitos psicanalíticos para a prãtica do psicodrama.grandes gnlpos há numerosas varia..em CJuehá inseguran..') duas vertentes. o Instituto de Formação em Psicodrama)acob L. pois seu trabalho gru paJ é cemrado no protagonista e não no diretor: o gru po é que escolhe o assunto a ser tratado e () protagonista é ml1 membro indicado pelo próprio grupo. 01n protagonistas escolhidos C por ele.e. sem dúvida. outros argentinos continuam vindll ao Brasil.8 te' S9. as críticas e a grande reação à psicanálise .~ e.oe. quando faz uma aproximação ela relação dialógica de Buber com a tIlosofia existencial.deva ser mencionado.havia articulado e imbricado muitos conceitos psicanalíticos aos morcnianos -. até a vi'ião de Fonseca sobre a Matriz de Identidade..sisten1átícas ao Brasil de Bermudez c Bustos. mesmo que de forma um tanto superficial. chamado pelo Departamento de Medicina do Hospital das Clínicas (tlSP)' Dalmiro e Bustos é convidado por um grupo de psicodr::unatic. Moreno..7. enfatizando oS aspectos neurológicos e sofrendo influência de Bernluclez e outra.lJnatiLoa~ão. uma veLoque "pinça" determinado assunto no gnlpo e () leva para a clr. o do Instituto Brasileiro de Psicodrama (1131') e o da Escola Paulista de Psicodratna. começanl a ser mostradas mais cbran1ente algumas diferentes vi..2 Para l11U itos psicodramatl'itas paulistas cntrcvi<.•• dos diferentes enfoques teóricos dentro do e mOVlll1ento psicodramático brasileiro.cola~clássicas de psicodrama: o psicodranu moreniano.:tados. 2() Segundo Anne-Ancelin Schutzenberger.e. vem se consubstanciando nos trabalhos de Alfreelo Naffah Neto: o psicodrama segundo lima leitura nietzschiana30. ~l atualização das divergência. quadro que irá se modificar com a vinda de Dalmiro Bustos.com re1a\-':J.)sL.

Idem. fu:r: unu leitura do psicoc1rama a partir do materialismo diaJético.lmente de três de suas obras: Pskodrama: Descolonizando o Imaginário. Huciteç 1983. a FEBRA? organiza e unillca para todo o país os critérios para a adrnL'5ão e seleção de candidatos ã formação psicodramática e os critérios de escalonamento das equipes formativas. com uma proposta extremamente medicalizante. oriundos do rompimento com Bermudez". Ano 1.sofreu grande influência da escola argentina: inicialmente. 4 .tados. sendo basicamente. Além disso.ln: Revista Febnp. pp. uma preocupação. atmv~s daS seguintes obras. após sua formação. C) T"t'apeuta de Aluno .Rma. tem sido grande a produção na área das práticas psicodramáticas. B. pode-se atlrmar que o psicodrama no Brasil _ pelo menos em São Paulo . após a obtençâo do título de Psicodramatísta. Pelo que foi exposto. com uma proposta maL.' início 00. Segundo levantamento feito por Sérgio Perazzo. graças ã criação de um Conselho Normativo e Fiscal (CNF). _"31 Hoje. por parte qe alguns psicodramatistas paulistas: a de aglutinar as várias Sociedades de psicodrama espalhadas pelo pais. ek vem desenvolvendo uma nova leitura do psicodranu. possua três anos de trabalho fJS'kodramático efetivo. simplesmente convidado. dentre outros. também.. etc. São Paulo. em acréscimo. Em 1979. graduados em Medicina ou Psicologia"" (grifos meus). psicodramatista formado e que esteja em exercício profi'sional espeçífko.B. incluindo dados referentes ao número de pessoas formadas ou em formação. tipos de currículos. 224 225 . O Inco1L'iCiente.psicanalitica. dentro das exigências estatutárias e regimentais da FEBRAP e do CNF. B) Professor de Aluno . nos anos 70. possuindo grupos em disponibilidade para esta tarefa e. 1900 e Poder. são estabelecidos os critérios para a execução da terapia e da supervisão dos alunos e criadas cinco categorias hierárquicas dentro da formação. ".). Todavia. São Paulo. seguindo o mesmo tripé analítico: curso.1 . atraves princip:l.. p. "tenta superar os conflitos do MASP. ]989 Em 1976 é fundada a Federação Brasileira de Psicodrama (FEBRA?)que. Em realidade. funda em São Paulo seu próprio Instituto de formação: o Instituto Moreno. de início. os psicodramatistas brasileiros têm desenvolvido novas formas de pensar a prática do psicodrama terapêutico.por um período mínimo de 160 hs C .de técnica pstcodramática. quando uma série de livros sobre o assunto é lançada por psicodramatistas paulistas.Sem dúvida. posteriormente. São Paulo. São Paulo. não obstante tais influências. cerca de 34 livros de psicodrama foram apresentados no Brasil (alguns com tradução no exterior) e cerca de ~01 artigos foram mostrados nos diferentes Congressos Nacionais de Psicodrama.para matCrias afins. faz mais dois anos de supervisão.. ao menos um trabalho científico correlato à matéria . os candidatos ã admissão dos Cursos de Formação de Psicodramatista devem ser. segundo muitos entrevL. especialmente no relacionado a seus módulos de formaçáo e a seus gabaritos curriculares. 1977. Agora. não se pode negar que. em Congresso de Psícodrama. Dalrrúro Bustos. Nos :mos HO. Assim. até 1991. A.A NORMATIZAÇÃO DAS PRÁTICAS PSICODRAMÁTICAS: AFEBRAP Na mesma época em que Bustos começa seu trabalho de formação no Brasil. que hoje forma a quarta geração de psicodramatL.. supervisões e terapia. Partindo da SOPSP.será exigido o preenchimento das condições gerais expressas para o Professor Regular e para o Terapeuta de A/uno. o psicodrarnatista faz uma formação de aproximadamente quatro anos. tendo feito Supervisão posterior à sua conclusdo de curso . São Paulo. e mais.tas brasileiros. inclusive fugindo aos padrões vigentes nas clássicas escolas identificadas por Anne-Ancelin Schutzenberger (ver nota nº 29).uattari. 1979. Atica. O supervisor é hoje chamado usual31 32 "Conselho Estabelece Normas para Funcionamento de Cursos~. básica e preliminannente. Dt'1euze e (. BrasiJiense.Professor Colaborador . 2'5-26. ou seja: "A}Psicodramatista -formado por Entidade Federada ou congênere. São Paulo.'190. segundo critérios especiais e necessidades particulares. Pskodramatizar. Nid7sche.jimmldo por Entídade Federada à FEBRAp. pela própria Entidade Federada. tempo de funcionamento.2Professor Regular . 30 Alfredo Naffah Neto. nº 1. executa-se um árduo trabalho de levantamento das diferentes Sociedades. e tenha apresentado. O terapeuta de alunos. ou reconhecida pela FEBRAJ~ possuindo experiência em terapia psicodramátíca. Vida e Morte na Situação de Tortura: Esboço de I [ma Fenomenologia do Terror. 2'5. deve ter experiência com grupos terapêuticos e apresentar urna monografta teórico-prática. especialmente a partir dos anos 80. 198'i e Paixões e Questões de 11m Terapeuta. IvaIdGranatolMassao Ohno. tem início. por influência de Spinoza. 2'5 e 26. D)Supervisor .

c. É de se supor que :l institucionaliza<. em 1()76 . aproximar pe.() em quc :1 FEBRAI' é oficialmente laÍl\.. diferentes S()ciedac1es elc f(lrm:l(. declara um psicoc!ran13ti. •. a disciplina.SCIl1dúvida.sde jJsicodrmna.1çjo . sicodramati"tas entrevistados declaram que hoje a psip canálise está. mostra que () Brasil.)crilérios ( .~t(' mO}!im~"tlto.oficia i. com prop()sitos organizativos..~. A hierarquia.ada" Cerca de I'í pessoas .ma cm no Brasil ..Jbilizou') CnnJ. Da mesma forma que o n)(wiJnento contracultura] no.. a qual está "fl13.eralam desde 1970..0 hierárquicos e corporativos como a "verdadeira" p.por meio das Sociedades de j(XI1l. outros objetos de conhecimento.o menos "contaminado" pelos aconte. dL<.. .gressos e outros numeros da "Ih!l'i. também a FEBRAI' congrega os estabelecimentos formadores em psicodrama..além da impottância em se unificar a formac. seguindo as subjetividades hegemônicas produzkbs na época.::..~à() psioldratl1a.'ào desta feclcraçào f\'adonal . reiterando o mesmo arglltllento usado pelos nuis retrógrados defensores da "verc..'ic c formação analÍlica ~ passa a ser natuf'J.?a.:()" "pn)g-ress()" na dissctnin:lçà() das pdticas e dranlátic:l.!lt.ra paulista.:.L.o confrontada.vaGl$ sagr~lcbs"..:.ciplinado[cs e corporativos.'.."" . 12() 227 . há perto de jOOO a :3'100 pessoas.. dl. é o único país que conseguiu organiz:u uma Fcdcra~::lo Kaciollal que congrega. ao aludirem à ehatnada "rclIniào da.lncal[dades A febm/J cm1f.}7l"tltidacÜ-'!l' qlU' âl'l>em s('guir ha. Estas.-:3oentre professores/alunos.<. membros cio antigo GEPSP -.:.ta. face à existência das Sociedades e da Fcclcr3ção" "Iloje todo mundo é psicanaJi'la".:3o percorrem o mesmo Gltninho: inlegram-se.segundo arguml'ntac. o cspecia~ ii"mo s:1o rcafirmadns c cada vez mais produzidos pelas práticas psicodcun::í. pois. quando surgiu o lO tinha como modelo o tripé da forn13l.soas que não se venl falam por estarem emocionalmcnte cnv()/vicias l1(lS a. ocorrido em Serra Negra. A instituiçào formação psicodraIl13tica continua com suas práticas reproduzindo/produzindo.\"imadamente j)sicodtwnatis/a\ "...icamcll!e. '>t/em de dar {.. esta fl'deraçdo im{m1sionou c impulsiona a mganizaçao dl'.• urgimento da ABPSe SOPSP. . entidade nacional que complel:l c coroa o processo de inslitllcionaliza~'ào. tetnpos depois. EI'SI'. em 1~no. que geram saheres 13.J1t'[.ticas. a lom13ção em psicodrama Se já em 1968.lizado e mitificado por força da atua\-~:l()da FEBRAI'" Se as práticas psicodramáticas em seu início buscaram produzir espaços instilUintes com rC'b~:ão~lhegcmonb ela psicanálise. à tneclida que se expandem e s:1o aceitas por rllllilos profissionai.sican~ilisc c a formação analítica. que IÜO . institucionalizam-se .is controlada".mente de professor supervisor didata nas Sociedades de formaçào Ctn psicodrama. outros especialismos. "muito solta"~.clores.os fundadores do psicodrama cm Sào Paulo.:n:'ssos nacionrlÍ. que t~lo radicllmcnte cotnbatia.".aS hierarquias..". sJ.'Soba coordenaçâo de Pierre \\leU . produzem a FEBRAP. em De acordo com os dados colctados. a FEBRAP. ao adotarem utna rdal.3o analítica.<.Conforme descrevem seus participantes. a normatizaçào.l:ldeira'· psicanáli. no início dos anos 90." quando se referem às oposi". os ("w<.") "psj". . em 1976 .<.'Ôes intCt11~L". espírito reinante () no I Congresso Brasileiro de Psicocli'ama.1L Op."). havia no país cerca de 70U a HO() pessoas !ormadas ou em forma\:-'ào em psicodram3.contecimentos decorrentes do "racha" com BCrllllldcz e do .-'iomais aberta. bem dentro dos tnodelos e subjetividades dominantes no meio '·psi'·. Estrutura-se. cm realidade apresentam práticas.lhlicou os anai\' destes con. nos anos 70 no Brasil. ) A/ral'és psic()~ dl'stas l'ntiduâes.se comparada com a formaçào psicodramá- tica. mais Uexível entre terapeutas/pacientes ou na forma\.lo psicodr. saberes e sujeitos. normatiz.~:"o Alv<'."as/um Icgal (' nO"'natil'a /)am a /wátíca psícodramdtica.H UOO J)rofissirmais E o arg-umcnto utilizado em pro) da fllnda(.}O da FEBRAP -. os cspecialismos produzidos pela "verdadeira" pSicanáli. com a funcla\-~â() da FEBRAP estc modelo passa a ser normatizado c disciplinado" O quc antes t:lo radicalmente se combatia . A1gunc..ocasi. aliá.. é•.é o mesmo usado pelas Socicebdcs .". com orgulho.à época da forma<...lllia apnJ.sicologi7-antcs" c "J:uniliari. !lO início dos anos 90.'"anos 70 é cooptado c :1ssimjIado pelo "S~")lema. também as práticas psicodral1láticas ao iniciarem sua instituciona\izat."ic.\") Isto "p.sta da Fehra/J ': /H"OtnO/)('u a/á/maçao de escolas l'ln 1'â/"lCL.<. A cxemplo da Associação Brasileira dc Psicanálise (ABP) e da 11'1\.:l. sob lima outra maquiagcm. 'pl... seria este. isto ocorrcu. p. em /988.. E.mo. portanto. soh outms vestcs.10 trouxe um gmnde "av3. J.'Üc.'it.

aoteriornlente ao início do movimento psicodramálico. de trabalhos de dinâmica de gnlpo de inequívoca influêntia norte-americana. já havia se iniciado a ruptura com a forn1ação analítica "oficial" até então hegenlÔnic. a prinleira metade desses anos é caracterizada pela tutela de alguns psicanalistas "oficiais" ao movimento dos psicólogos. É interessante . pelo próprio momento histórico.O PSICODRAMA NO RIo DE JANEIRO Se em São Paulo o psicodrama. Na segunda metade dos anos 70. com a vinda da segunda geração de argentinos e o fortalecirnento do movimento lacaniano. Nenhum outro proflSSional "psi" é convidado a participar. Outros movimentos. existe Ullla outra. As práticas psicodramáticas só se expandem mais efetivamente em solo carioca no final dos anos 70 e não têm as caracteristicas apresentadas pelos paulistas: oposição às práticas das Sociedades "oficiais" de psicanálise. visto que este assunto recebe um tratamento maior no Capítulo seguinte assinalar a existência no Rio de Janeiro. llá.que utiliza técnicas psicodramáticas para solucionar tal "impasse emocional". Um outro aspecto presente nas práticas psicodramáticas e que indicia um profundo corporativismo é que nos Congressos Nacionais.l. Se em São Paulo. mesmo. os anos 70 são marcados por um forte e corporativo movinlento de psicólogos que 228 desejam ter acesso à formação analítica monopolizada pelas Sociedades vinculadas à IPA. Trabalhos cstes que irilo. composto exclusivamente por psicodramatistas. Enquanto a grande parcela dos psicólogos cariocas é tutelada pelos psicanalistas "oficiai. panorama que mudará somente em 1990. dentre outras. no fmal dos anos 60 e início dos 70. Não somente porque. Mais uma vez argumentos "psicologizantes" são empregados para justificar o fechamento do psicodrama."i Sociedades c da Federação . As próprias caracteristicas de prática "alternativa" il psicanálise que o psicodrama exibe em seu início na Paulicéia não estão presentes no Rio de Janeiro.j:í estão integradas e cooptadas ao "sistema". no Rio de Janeiro isto não ocorre.ático carioca do Imal dos anos 60 e início da década seguinte n:1o levanL'ltais questões. Aqui. Como iá foi mostrado. organizados pela FEBRAP. indubitave~llcnte. A explicação apresentada por alguns psicodramatistas entrevistados é que esta segregação deve-se à "paranóia" produzida pelo Congresso do MASP de 1970. no final da década de 'i0 e na de 60. vai rapidamente sendo disciplinado. questionamentos sociais e tentativas de implicação com a realidade. através da. "desenvolvimento interpessoal" e em algumas cmpresas a aplicação dos T Grnup. por não exi"tir um lnovimento "forte" de psicólogos e a criação de grupos "psi" ~ até porque está garantida aos psicólogos a tórmação analítica "oficial" -. durante o Congresso de Psicodrama realizado no Rio de Janeiro. que consagra uma enorme variedade de profISSionais e práticas consideradas "alternativas". n . o monopólio da SBPSP é ahsoluto. quando o movimento psicodranlático começa sua expansão.SOll1cnteà gui~ade unIa breve referência. as prátieas psicodranliticas .como uma prática aberta e crítica aos especialismos vigentes. sensitiuily-training.cimentos de 1970 . há uma efetiva quebra desta hegemonia psicanalítica vinculada à SBPRJ e à SPR]. podendo. especialização. na primeira metade da década de 70.dentro do momento histórico já apresentado e no rastro do Movill1cnto do Potencial Humano . normatizado e especializado. é uma forma de oposição à hegemonia das práticas emanadas pela SBPSP. que nasce no Brasil dentro do contexto dos movimentos contracultural e do Potencial Humano . Este. Eis porque a afirmação "a FEBRAP supera a emocionalidade causada pela c"são com Bermudez" já faz parte da história "oficial" do psicodrama no Brasil. Em 229 . fazeol no Rio de Janeiro o que o psicodran1a realiza em São Paulo. no final dos anos 70. forma(ta quase que por psicólogos também interessados na clínica. que ir:í se dedicar a trabalhos gmpais. a subjetividade do corporativismo. normatização. portanto. tal fato não se verifka entre os cariocas.uma busea pelas dinâmicas de grupo. como lanIDém porque o pequeno movimento psicodram. sehsibilizar alguns profissionaL> "psi" para a formação psicoclrJmátiea. diferentemente de São Paulo. No Rio de Janeiro. cria-se um verdadeiro "Clube do Bolinha".. no período . E a FEBRAP teve e tem um papel fundamental nesta disciplina. sua organização ser apontada como urna situação analisadora das práticas psicodramáticas. portanto.>".pela sua crescente instilucjonalizaçio. ao fortalecer.

231 Esta longa transcrição prende-se ao fato de que se pode. dentro dos processos de subjetivação hegemônicos à época. são profundamente criticadas pelas chamadas terapias '·alternativas" que pretendem produzir outros tipos de prática. Ronald de Carvalho . Se !iene en euenta ellenguage dei euerpo.). e esteve presente na Sociedade Brasileira de Psicoterapia. alguns desses profissionais ao exercício de uma formação psicodramática. Pierre Weil . E é no Rio de Janeiro que esta forma de reflexão sobre a prática psicodramática aparece no fmal dos anos 60. empJeando a la vez la transferencia .Ancelin Schutzenberger a tríade é uma "metabolização" dos enfoques de Freud. Moreno.•diferentes.O PSICODRAMA MORENIANO: A SOPERJ. vamos à história instituída do psicodrama no Rio de Janeiro. são. Em 1969. Dinâmica de Grupo e Psicodrama desde a sua fundação.através do CEPA.A. de una metabolización de to esencial de ellas de almocárabes C. Para o psicodrama triádico tais questões não se colocam. Tomar como única ley la necessidad de ana/Izar todo lo que acaece en el grupo y lo que se hace. Juiz de Fora e Uberaba. seguindo o rastro dos movimentos do Potencial Humano e contracultural. No ano seguinte.. da interpretação e da neutralidade. incluso opuestas. mas este enfoque grupal impulsionará. las intervenciones dei motUtor son o puedem ser interpretacíones" 34 (grifas meus). o poder e o saber dos especialistas. O estabelecido é que os dois primeiros anos são exdusivamente voltados para a terapia. 1_O PSICODRAMA TRIÁDICO E A SOCIEDADE BRASILEIRA DE PSICOTERAPIA. Las interoenciones se bacen a la vez a rdvel del grupo Y dei individuo. _ una extensiõn representada (psicodramatícamente) de Ia viven. Dinâmica de Grupo e Psicodrama que. conw todo el arsenal clássico dei pstcodrama nwreniano ( j No se trata de una yuxtaposición de jJoslctones teórica. terá uma seção no Rio de Janeiro. A. 59. op. é uma parcela pequena. no Rio de Janeiro . K. Pierre Weil inaugura outras seções da Sociedade Brasileira de Psicoterapia.xión con el aqui y abora dei grupo y /as relaciones con la autorldad y el monitor. A sede permanece em Belo Horizonte e. a partir 34 Schutzenberger. portanto. em Belo Horizonte. funda. antes do irúcio de qualquer formação psicodran1ática. uma delas sob a influência dos psicodramatistas paulistas. Dinâmica de Grupo e Psicodrama.que havia feito formação com Pierre Weil..onsciente ComoJuerzilS latentes dei grupo y diversos resortes dei psicodrama (obedeciendo a las regúls de neutralidad benévola)' de una cierta distancia deI análists.quatro grupos de terapia psicodramática.dentro dessa orientação . Para um melhor entendimento. J dela.rmação. com o psicodrama triádico de Pierre Weil.y sólo pueden estar . cinco seções que formam a Sociedade Nacional de Psicodrama Triádico. L. questões que. ai firo de la navaja de afeitar entre el grupo y el individuo. Em 1970. A SOCIEDADE MORENIANA E O CPR) Em 1980.en eone. as cinco seções que jc. como a de Brasilía.organiza um primeiro grupo de terapia psicodramática por dois anos. 230 .. no final dos anos 60. no início da década de 90. e o que marcará o fmal dos anos 70 com o surgimento de duas Sociedades de formação.rmam a Sociedade de Psicodrama Triádico são associadas ao World Center fundado por J. a Sociedade Brasileira iJe Psicoterapia. sino de una unión. visando a uma jc. portanto. Preservam-se. p. y tener en cuenta las dimensiones de/iru.a de represenJaci6a dramdtial y de la posta en evtdencia de la red de comunicación y de lasjuerzas de grupo). cit.Y la dinámica de grupo. mais tarde. el fYU!talenguage. em São Paulo. y de /aanotaci6n de transferenda como técnú. ele cria . de "neutralidade". 2 . perceber que o psicodrama triádico não aborda as questões que o psicodrama como prática "alternativa" à psicanálise suscitou.realidade. de "transferência" como uma "técnica de representação dran1ática" e as interpretações. Somente a seção do Rio de Janeiro se agrega à FEBRAP. que pode ser dividida em dois momentos: o irúcial. Mantém os conceitos de "inconsciente como força latente". em 1974. a partir de la hipótesis que el discurso dei grupo y la viveneia de un participante están . DINÂMICA DE GRUPO E PSICODRAMA Para Anne. No final dos anos 70 e início dos 80. no fmal dos anos 60.cia de un grupo de "grupo-análisis '. Lewin e Moreno.entretanto.

É. 0.cordâncias teóricas.somos psicoterapeutas analíticos". segundo alguns. metodologia psicodranütica. e se origina de um grupo de doze pessoas que. . rimeiros colocam veementemente que p os psicodramatistas formados pela Sociedade Brasileira de Psicoterapia. Buber. além das informações passadas. Hoje. já que utilizam muito mais as técnicas dranláticas c nào o método de investigação morcniano.tenciai com influência de M. fato que a direção da Sociedade não accita O grupo sai e a SOPSP assumc a responsabilidade pela fonna~·ão. O gmpo propõe uma fonna~'ão paralela à ter. Tanto que.ficamos só no psiCOclralTIa. embora de enfoque moreniano. para depois tcr início a fornlação psicodramáLica. o Centro de Psicodrama do Rio deJaneiro (CPR.ma pedagógico. Dinâmica de Grupo e Psicodrama. inslilukb do lllovuncnlo psicodFJJ1lático carioca e pelo pequcno número de profLo.é a terapia por dois anos. Contudo. presidente naquele período. Dinânlica de Grupo e Psicodrama não são morenianos. de orientação moreniana. porém ao longo dos anos vai se reorganizando..atistas triáclicos observaol que os morenianos ficam somente na cena e no feedback. de lutas pelo poder. Depois desta experiência. em 1l)77. em 1987. no Rio de Janeiro. portanto. atasta-se desta Sociedade com um grupo em formação e funda a Sociedade de Psicodrama do Rio de Janeiro (SOPERJ).ão na SOPER]. pois além da form. Após Ronald de Carvalho deixar sua presidência.não há maiores compelições.tendo sido seu presidente em doL. Dinâmica de Grupo e Psicoclrama. diJerenlemente de lá . ficando somente com cinco pessoas. Em 1986 há uma ri. A proposta . tanlbélll. o Centro de Psicoclralna é un1 dos estabelecinlentos mais fortes na formação psicodramâLiea.:1 aulL. Para isso ehalna de São Paulo uma psicoclramatis!a pedagógica" que treina um grupo de professores c alunos no sentido de construir uma nova fonna de ensinar e de aprender. chama para terapeuta deste gn'po o pSicodramatL'1.\-":1oem psicodrJ. Os psicodram. [X)ssui um Centro de Formação em Psicodrama S Pedagógico: o Reverso. a formação em psicodrama pedagógico. provocando com isso. é implantada. fundada por Pierre Weil . surgida. etc.)lóriJ. entre as abordagens moreniana c triádica ocorrem constantes trocas de farpas. em 1982.é fundada.3') É Maria Antônia Kouri Darci que. a Sociedade lnai~ vinclllaeL1aos psicodramatistas eLoSOPSP..lpia. Quando se fonnam) resolvem fundar lima outra 3. além de ter um maior número ele membros formados e em formação. chamado no CPRJ de "psicodrama aplicado". Urna ["rmação em que. Rona1clde Carvalho. A outra Sociedade de psicodrama carioca.. Pela hi. A SOPERJ.aç:lo triádica. traz para o Rio de Janeiro uma outra postura denu·o elaprática psicodramática: a orientação morcniana-cxi<. pronl()Vcndo do grupo de formação.tencial".tencial. trabalhando as expeetahvas. Esta Sociedade. nós os acusanlOS de só fazerem psicodrama_ Nós não .sionais atuantes na área -se comparado com a Paulicéia e. UI11 trahalho interpretativo empregado à relação transferencial. argumentam enfaticamente. 233 . em realidade. inicia sua rortna~'ào psicodramáLica na Sociedadc Brasileira de Psicoterapia. Segundo enlrevistl com o seu fundador. tanto em São Paulo quanto no Rio de Janeiro. a diretoria seguinte pensa em abrir tunnas para a forn13. tem à sua freme Ronald de Carvalho. o afastamento de Ronald c de um grande grupo que vão formar a Sociedade Moreniana de Psicodrama. Assim.'isociaçào. poL.J). que.:Omão Paulo. por sua própria hL'tcíria. enfrenta grandes dificuldades. uc tem uma orientação triádlca. "Os (Hltros dizem que nào fazemos psicodranla. é criado o Centro de Psicodrama do Rio dc Janeiro. <.taJosé Fonseca p Filho. Em 1985 o CPRJ procura estabelecer uma metodologia psico- clranlática para o ensino do psicodratna.seguindo as normas da Sociedade Brasileira de Psicoterapia. a leitura pudesse haver Ull13. o . aparentemente por dL..<. Não têm. observou-se que "o psicodrama seria a técnica que estaria faltando à terapia exL. não teve grandes crises ao longo desses anos. não aprofundando os conteúdos do grupo. ligado à SOPSP que possui uma orienta~ão morcniana-exL.s de professores que são convidados a dar cursos nas duas Sociedades. há constantes e si"tcmáticas troca. mandatos -. e q nem à SOPERJ. Constata-se que. especialmente entre a SOPERJ e o CPRJ. A concepção de homem e os fundamentos teórico/filosóficos de Moreno nào são levados em conta. pois não pretendem se filiar à BrcLsiJeira.

1. encontra um movimento psicodramático a nível nacional.p.. sendo a inclusão desta profissional aceita a contra~ gosto por Bermudez que não a queria por ser psicóloga e mulher. o Sedes Sapientiae e a Santa Casa. 234 235 . desde seu início.Op. em São Paulo. Apesar disso. Elas próprias realizam "por si mesmas" a análise.psicodrama como prática "alternativa" à hegemonia psicanalítica pouco produziu neste sentido. controlado. A riqueza de detalhes .) uma espécie de controle corporativo"37 Um dos critérios para a escolha desta Comissão. S. além de ter uma orientação ínequíooca para o campo "psi" Esta orientação determina desde o início (. quando ganha terreno a concepção moreniana que questiona esse modelo. apresento aqui duas outras situações analisadoras que denominei poder médico e psicodrama pedagógico. sobre o Rio de Janeiro.. quando participa. sem a necessidade de "peritos" para esclarecê-Ias e são. Sobre o assunto ver o artigo de Perazzo. L. Compreende-se. Na própria equipe de R. 116. cit. já se pode notar o grande número de médicos presentes. logo foi institucionalizado e perdeu a riqueza instituinte que ostentou em seus primeiros anos. M.em São Paulo -. o psicodrama ajudou a quebrar o monopólio das práticas psicanalíticas.nir. segundo depoimento dessa coordenadora do GEPSP Ai se impõe um viés médico com que o psicodrama se estrntura. dentro do modelo psicanalítico de formação. que se referem ao movimento psicodtamático J. visão hegêmonica nas Sociedades psicanalíticas "oficiais" cariocas.aqui sinteticamente abordados . pp. por ocasião da fundação da FEBRAP. embora. é interessante a própria fala de Bermudez. a Psiquiatria do Hospital das Clinicas. é sua representatividade em relação aos principais estabelecimentos de saúde mental de São Paulo. a defasagem de informações que neste Capítulo pode ser encontrada com relação à história dos dois movimentos. cit. anteriormente. 50 e '. Sobre o primeiro. para a m- ALGUMAS SITUAçõES ANAliSADORAS DAS PRATICAS PSICODRAMÁTICAS Estas situações vieram ao meu encontro ao empreender o levantamento da história instituída do movimento psicodrarnático paulista.O ANAllSADOR PODER MÉDICO Em 1%8.7-167. ao descrever o I Congresso Internacional de Psicodrama . todos médicos. por isso.. como Diretor de Psicodrama. 1'. Sobre o assunto. como a Psiquiatria do Hospital do Servidor.cit. Além da situação já citada. "A própria coordenação é con. "Moreno. No primeiro caso . que o acompanha formação em São Paulo. salienta as enormes diferenças entre os dois movimentos. 9 diretores em tknica psicodramdtica (não terapeutas e não mAdicos) elO egosauxiJiares"38 (grifas meus). Op.) p. No segundo caso . no item anterior. em 10 anos (ie existência da Associação Argentina de Psicodrama e Psicoterapia de Grupo. E mais tarde. Cusch. R. praticamente nada. em 1964.no Rio de Janeiro -.. mas aceito pelos psicodramatistas paulistas. formas de intervenção. o INPS. a convite de Moreno. Bermudez traz para São Paulo e para o psicodrama o modelo médico39 fortalecido pela APA.1. . realizado em .. somente 13 diretores foram formados. proposto pelo próprio Bermudez. fosse por elas cooptado.sobre a história instituída do movimento psicodramático paulista. não se pode deixar de afIrmar. paulli". existe algum material escrito36 e. por conseguinte. não chegou a exibir tal produção: foi forjado. como já o fiz no início deste Capítulo. 36 Ver os livros e artigos já indicados.'llftuída por sete médicos e uma psicóloga. o Juqueri. In: Aguiar. quando da organização da comissão que se tornou a coordenação do GEPSP. normatizado e disciplinado pela FEBRAP. só há médicos e se constata que: . formas de se entender melhor as práticas produzidas pelo psicodrama. que. se comparada com a do Rio de Janeiro. Paris. LH. Dom Quixote e a Matriz de Identidade: Uma Análise Crítica~. Bermudez. 37 38 ?f) Alves. embora não utilizado pela Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo. A certa altura relata: . mais tarde.. (Org.

. Entretanto. 01ero executor das tarefas pensadas e planejadas pelo diretor. dentre os quatorze grupos que se colocam como aderentes. estaria dirigida a atingir este (~foque e a conferir-lhe um corpo teórico congruente com sua metodologia. em sua maioria Os h01l1t'n."Ainda recordo vivamente (.... Por este número pode-se avaliar a forp que oS estabelecinlentos psiquiátricos têm junto ao nascente movllllento psicodramático paulista. os especialistas . subjetividades eficazes no sentido de menorizar. Perazzo. no nláximo. meu objetivo aqui nio é uma an:m~e das diferenças teóricas entre Moreno e Bermudez. O diretor. unla vez que as "tarefa--'i" grupo são no feitas por ele..fem uma formação adequtlda. SIM aplicação indiscriminada.e consegue .as de exclusão e de inclusão..Op.. conforme muitos asseguram. realizado no MASP ao se verificar os estabelecinlentos que apóiam o referido evento. deste tllodo. comecei a trahalhar em duas linhas __ uma clínica. em d('zernhro de '%0.pp. muito diferet1tes. R.que almeja questionar as práticas psio)terapêuticas instituídas. que planeja para o ego-auxiliar executar. a ductilidade do instrumento Psicodrmtul. Programa dos Congressos Internacionais de PSiCOc!rJ. com a construçio de uma teoria de desenvolvimento ou de uma psicopato[ogia psicodramática"41. chegar a diretores em técnica psicodralnática.os "incOlupetentes".P. p. {"I Navarro. Assim. cit. etn grande parte mulheres. M. Este é..:codrama do Crupo de Psicodrama de Silo Paulo. Essa divis:lo entre os que ocupam o lugar elo saber . por exemplo.ffi:l L' de Comunidade Tcrapêutic:t- É importante esclarecer que. o ego-auxiliar é o "tarefeiro". dt. Este se propõe . ÇiL.. sentinlentos ele incOIllpetência. ainda como uma prática "alternativa" i hegemonia psicanalítica. e outra teórica. isto é. por indivúhlOs .çencialmente terapl!Ulico decidi que minha tarefa. Percebe-se que o psicodrama. ao contrário. ) a Babel teórica das Mesas Redondas e a falta de st. Ulna vez que estimula. 160. de inferioridade.viliar por médico ou psicólogo (esta «. mas averiguar que tipos de práticas sio produzidas em cima dessas diferenças e que efeitos estio forjando."a conferir-lhe um corpo teórico congruente com sua metodologia". S. Op_ cit. na época.. só podem ser egosauxili. Reproduz-se a divisio social do trabalho no mundo capitaJistico. de elahoraçao e sístematizaçao da obra de Moreno"40 (grifas meus). de inlJestigação (.~ Rermudez que a funçào de Diretor só pode ser exet-cida por médico psiquiatra e a de ego-au. •e a mnrorUl pro• vinha de outras dreas de trabalho. A instituição pSic()cirama.GJ. Depois de nluitas brigas com a equipe argentina e a coordenaçio do C.EPSP.•. psicólogos.. Por outro lado. os exercícios de improvisaçào teatrais com o Psicodrama Ao considerd-lo es. o qual estava sendo utilizado como um recurso técnico para outros enfoques teóricos. A minoria dos assistentes era de médico. p.firmaçdo só fIai se concretizar com a publicação da Regulamentaçao da jonnaçào de terapeutas do Instituto de P. 40 41 42 Bermudez. lndubitavelmente. está prestes a ser normatizado. . possuindo regras preci. enco~tratnos. não são considerados terapeutas. 237 . 14\ e 142. em que aqueles que detêm o saber. ou seja.aterapêutico. preocupando-se "".idéias que nio estão de acordo com a proposta moreniana. nove ligados à área da medicina/psiquiatria"2.os "colllpetentes'·. ou seja. Pela análi~e do programa do Congresso de 1970.. aberta a dü'erentes profi'5ionais. As variadas contribuiçâes. de desquali1kar e de marginalizar os ditos "nio-com!wtentes". "E entendimento do Dr R(~ia. Este modelo médico e estas subjetividades fortalecidos por Bermuclez e pelos médicos c psiquiatras pauli. em princípio. indicavan. O discurso da "competência". OS. os verdadeiros ilul11inados. para r/gorar a partir de março de 1970r4. p. à época. no psicoc1ram.ffil c SododrJ. os técnicos e n:lo-terapeutas ."i. o campo era propicio para adentrar em sua investigação e uiteriOt·sistematizaçâo. 2'50. os "competentes".'lfcs e. disciplinado e medicalizado por Bermudez. Op. é aquele que pensa.tas que se interessarn pelo psicodran1a produzem a seguinte situaçào no GEPSP: só se fOnl1al11 COlnodiretores de psicodrama os tnédicos-psiquiatras.). faz com que suas próprias práticas procluzan1/ reproduzam esses processos de subjetivaçào. sào técnicos.c o lugar do nào-saher ."temaHzaçáo no ensino do ?:'úodrama. torna-se instrunlento de dominação. cleintitnidação.conseguem os psicólogos o diplorna de diretores em técnica psicodranlática.~.Op. dos mais diversos campos. levava muitos a confundir. sào vt"'tos como quem de fato entende do assunto.acureta efeitos sociais poderosíssimos.

tendo feito formação em psicodrama na Associaçâo Argentina de Psicodrama e Psicoterapia de Grupo. 1987. Op. assim mcsmo. Op. o egoauxiliar ganha.ão do movimento psicodramá45 46 Boletins do GEPSP nQ!! e 02. como ego-auxiliares. A formação em psicodrama pedagógico traz. PslcodramaPedagógico. Por esta situação apresentada. peda- gogos. em São Paulo. sobretudo. enfermeiros. 116. desde seu inicio. quando há a ci. no mercado psicodramático paulista. p. o GEPSP regulamenta a entrada de outros profissionais não-médicos. onze grupos de psicodrama terapêutico e quatro de pedagógico. Papiros. No Congresso de 1970. 01 Maria Alicia Romafla. é legitimada e. São Paulo. In: Romana. sociôlogos. vão aos poucos encarregando-se da direção de psicodramas. Pela análise do programa deste Congresso. no dizer de Foucault".nilarisias ou estudantes dessas especialidades (_. é absorvido por práticas que. ligado ao GEPSP. Tal separação entre os que podem planejar e os que somente executam . comentam alguns entrevistados. esses sujeitos de conhecimento. se comparadas ao número dos que procuram o psicodrama terapêutico. dedicou-se a "construir um marco teórico adequado para sua aplicação na educação". 44 Utilizo aqui o que Foucault coloca para os ~saberes domínados" in Microfisica do Poder.está sendo fortalecida.. desde seu início em São Paulo."in Alves. Desde o início do funcionamento do GEPSP há turmas para a formação em psicodrama pedagógico que. (que podem ser) considerados uma "porta de entrada" para o Psú:odrama de modo amplo '. por exemplo. são minorirãrias.)_ Fundamentalmente serão desenlJOJvidas técnicas dramt1ticas aplicadas ao ensiNO nesses cursos. O movimento psicodramático implica. uma outra situação ocorrida na história instituída do movimento psicodramático chamou-me a atenção: a do psicodrama pedagógico. conta-se que há quatro psicólogas mulheres que. portanto.O ANAIlSADOR PSICODRAMA PEDAGÓGICO Dentro desse modelo médico e dos processos de subjetivação nele presentes. Em 1968.pelo discurso do especialismo. a "incompetência" e a "inferioridade" geradas são muito fortes e somente com o tempo . na época. L. somente para o curso de Jogos Dramáticos. a divisão social do trabalho presente nas práticas que se pretendem "alternativas".H. mas. de 1968.ocasião em que a FEBRAPé fundada. citado. em sua origem.da equipe de Bermuclez .Está. Esta situação permanece regulamentada nas Sociedades de psicodrama que se organizam em São Paulo até 1976.as psicólogas. questionam e visam romper com tais monopólios. em co-direção. MA.4S (grifas meus). cit.para cumprir e executar as tarefas planejadas por eles (os diretores dos grupos. 19. percebe-se que os temas são essencialmente relacionados à área terapêutica. Tanto que. A produção de "práticas dominadas". temos no GEPSP. orientadores vocaciona. por extensão. aceita socialmente pela tirania das que se colocam como "superiores" e "verdadeiras". Em 1970. cito 2 .is. em 1980. é organizado por Maria Alicia Romafia'" . o fortalecimento do especialismo e do corporativismo com os efeitos que forjam: a desqualificação de determinadas práticas em função da qualificação de outras. O Congresso de Goiãnia. inicialmente. Este argumento. que é utilizado pelo discurso "dentífico". 238 239 . essas prática" esses saberes.flagrante nesta situação analisadora . Os Boletins n" 01 e 02 assim enunciam a questão: " serão admitidos neste curso: médicos. nenhum dos 143 egos-auxiliares pertence às turmas do psicodrama pedagógico. Entrementes. produzida e reproduzida em todos os niveis da. os "verdadeiros" terapeutas).mesmo após a prescrição de tal regulamentação . marca a entrada dessas psicólogas dirigindo psicodramas públicos e se assumindo enquanto psicodramatistas. quc haviam se formado como técnicas em psicodrama. percorrem diversos consultórios particulares de psicodramatistas .. à época do Congresso no MASP.o curso de psicodrama pedagógico que funciona em local diferente do terapêutico. em formação. Em 1969.todos homens e médicos . averigua-se não somente a força do poder médico. sobre o psicodrama pedagógico são pouquíssimos os assuntos comentados. formações sociais capitalísticas. embora pretenda negá-los em seus di. cerca de 20% a 25% sobre a remuneração do diretor do grupo. a marca de uma prática de segunda categoria. p. terapeutas ocupacionais. sa. Em final de 1970. assistentes sociais. "marginalizadas" e "inferiorizadas". psicólogos..cursos. surgindo daí o Psicodrama Pedagógico. manifestando-se de forma natcral e racional. No inicio de 1970.

"expulsam" as pedagogos. a instituição formação psicodram:ítica .'Olonull 'indo da area que 1 'ler tl'1n o din. Em 1972. Procura-se. uma i11lplicacào política que as pd. sem dúvida. diz tm'lis da reserva de mercado do que /. Canota-se também que aié pritJilegitlda a dimensão clinica e terapêutica do pr~jeto moreniano"4' (grifos meus).ivicbdes domin~ntes nos anos 60 c 70 . A pedagógica é desqualli1cada. O programa da escola Role-Plaviug que: denuncia tal lato. nao S01Y1i:'11leda educaçdo.~to de melhot"tu' seu de. Ilavcndo por isso lima grande dcmanda. "E imporlantr: reconhecer que a l'er/ente adjf!tivada pedagôgka impn'me um conJunto de iniciatil!a.. o do proftssional liberal.ro/Jriamente dt' competéncia "48 (~if()s meus}.. Como já assinalado. na "açào bcilitaclora" no trabalho. aceita e difundida pelos psicoclramatistas paulL5tas. Ao longo dos anos 70 outras escolas. de dicotomizar o homem era claro. ) e o pedup.arcacla peh<.o clinico .ç e gradualmente vem se estrutumndo como prática com penetraçdo social crescente e nu~ecedora de um estudo .! 11) c esta forma de ver a prática psicodramática é.e Maria Alicia Romana limdam a primeira escola de psicodrama pedagógico: a Role-Playing Pesquisa e Aplicação. o poder médico se impõe.produz priticas que valorizam determinado saber . superior ãs c1emaLs. min1Cogr. As turmas de psicodranu pedagógico não aceitam tal situação e retiram-se. um tr3halho maL" questionador na educ3(. ':.:enl nm.tico paulista e o surgimento de duas Sociedades de formaçào (a ABPS e a SOPSP). 47 Alves.Yíl Contúrme as subjetividades dominantes no meio "psi" (não somente brasileiro. observando o psicodmma somente era conhecido como técnica terapêutica. cil" p.. secundados pelos proft. .Licas psicodramáticas terapêuticas no Brasil vJ.) A fonnaçáo em jJsú. já existem cinco grupos de forma\-'~10 em psicodramJ. Mais unu vez. os alunos do pedagógico agregam-se a esta última. por que nào te" tJ(. os grupos ligados ao pedagógico são excluídos.:e.que havia feito o curso no GEPSP . portanto. denuncia 0/.?Ii<. Op.em detrimento de outros. lambém a FEBRAP surgc para dL. Em 1971 organiza-se uma associação dos psicodramatistas pedagógicos paulistas c. Entretanto.'\sode ci'>do entre essas duas 1!('1tentes(a terapêutica e a pedagógica) ndo esconde o controle que a dre(l "psi" exerce desde o início do mol'imento e. As Sociedades de psicodrama que se organizam naquele n101nen[Q tratanl única e exclusivamente ela formação terapêutica.a proposLa (13 R()le-Pla~}jng rompe com () cOlpor:ltivi"mo "psi".~ . com o conlelKio dos conhtximentos a serem transmitidos t. a proposta aceita por maioria estabelece que o grupo ligado ao pedagógico não (Cln direito J voto.'Oempenboe.'Osionais psicólogos.() perdcn<i{). em se tratando de pessoas que lidam com grupos.'>Souma a melodologia de açao Jànlitadora dt. quando a rERRAP é lundada.H.."lcurso da competência" . São Paulo. segundo Marí'Oa Greeb..ogo.a ênfase na melhoria d'L' "rclaçôes interpessoai"'.~~l(). L. em 1964. subjct. Bermudez declara que considera o psicodrama "essencialmente terapêutico" (ver nota n\. O que esti coerente com os processos de subjetivação fortalecidos no meio "psi" daquela época e ainda hoje vigentes é unu cena atuação clinica. ('Oto pomue pensamos que todo o /J. no ano seguinte. em sua maioria. o proces . OCOl a ser votado: sào sócios aderentes.da mesma fornu quc a analitica . .. J R. toda a discritninaçilo de aprendiza/.' interesses corporatilnstas dos medicos psiquiatras em primeiro lugm. agora. Da mesma forma que as Sociedades de (ormaçio psicodram:ítica. na "melhoria cio desempenho" e no "di. o modelo valorizado e de referência é o do terapeuta. os terapeutas. () proce. mas mundial).. atrJ. pedagógico na Role-Playil1g. o terapeuta trahalha com as emoç(ks (. ao descrever o I Congresso Internacional de Psicodranu.~()drama!Jedagógico foi sea/m'ndo jJara outms pm!issionuú.. na assembléia de fomu~'ão deste estabelecimento.pessoais? h\sas nuo sào me. Assim. II)H7.O ( ) h'mbora não se possa afirmar de modo consCientf'. de fonnaçlo em psicodrama pedagógico vão surgindo em São Paulo. claramente. Apes~r de estar aind~ m. trahalbo com as relaçoes inte. que no GEPSP sempre tiveram hegemonia.ciplinar e 48 Role-Púlying: pesquisa c participação. é inferiorizada. 12. pro OJ l' 02.'cac/orfas. assinalando que a questão gira em tomo de lI11tl "reSCl'\lade mercado " e de uma desqualinCl~:ào de tudo o que nào seja terapêutico.nais profundo.vés das técnicas psicoclram:íticas. Em 1976. !v1arisaNogueira Grccb ..

há uma diferença: se na Paulicéia as escolas de formação em psicodrama pedagógico. também evidencia-se a desqualificação desta formação.mo. considerem o psicodrama pedagógico como uma prática menor. em condições de "lidar" com eles próprios. uma vez que os terapeutas estavam tão confusos entre si. "Na verdade. Estes . da mesma forma que o psicodrama é visto pela psicanálise como uma terapia de segunda categoria.as práticas é que irão definir a entrada ou não na formação . mesmo em seus consultórios privados. etc. empresas. dar a entender que as Sociedades de formação. nlaS apenas refletir sobre como tais práticas foram sendo produzidas e que efeitos geraram e continuam gerando. é importante assinalar que este Capítulo não pretende em hipótese alguma "concluir" ou "fechar" algo em relação ã expansão das práticas psicodramáticas no eixo Rio-São Paulo. associados ã SOPSP .lso. Discurso hipócrita e !à. na época. diferentemente das escolas de psicodrallla pedagógico. tão conflituados devido ao "racha" surgido após o Congresso de 70. IV - ALGUNS EFEITOS DAS PRÁTICAS PSICODRAMÁTICAS Chegando a um determinado ponto . as práticas psicodrarnáticas. no Rio de Janeiro isso não acontece. estão estruturadas em cima de um mercado capítalistico. psicológicas e emocionais dos sujeitos que participam de determinados acomecimentos.partidos políticos. "Somente depois que se resolveu o problema entre os terapeutas é que se começou a pensar no psicodrarna pedagógico". não estão voltadas para o lucro. Embora os terapeutas psicodramatistas. O pedagógico continua a ser compreendido como um psicodrarna de segunda categoria. a qual estaria abstratamente acima das leis do mercado capitalí.e a não-obrigatoriedade de terapia em muito incomodam e agridem os psicodramatistas. cursos. Vislumbram-se as argumentações tão ao gosto das práticas "psi" dominantes então. No âmbito fluminense. em sua quase totalidade. 243 .porque finge ignorar que.tico. ainda. No Rio de Janeiro. sob a denominação de psicodrama aplicado. nlaS pura e simplesmente para uma formação. além da formação em psicodrama terapêutico. inúmeros trabalhos de assessoria em diferentes estabelecimentos: escolas. sem exígência de curso universítário . regido pelas leis da oferta e da procura e que condicionam as relações entre capital e trabalho. até porque o tempo de formação é bem menor que o exigido para o psicodrama terapêutico. a partir da segunda metade dos anos 80. Também em solo carioca.e a criação da FEBRAPo COnflfllla têm como modelo as instituições formação analítica e a academia. Desde sua criação. contribuem para a formação na Role-Piaying e em outras escolas paulistas. Alguns argumentos são utilizados pelos terapeutas psicodramatistas: "na época da FEBRAPo pedagógico não fez parte. por sinal -. visando ao lucro. tão bem encaixadas nas subjetividades "psi" hegemônicas. que são reproduzidas por suas práticas ao longo de sua história. tratar da formação de terapeutas. Todavia.normatizar as práticas terapêuticas do psicodrama. alguns deles. Tudo é tratado sob a prinlazia do intirni. oferecem cursos para o pedagógico. os tempeutas psicodramáticos não estavam. segundo análises psíquicas. pela própria história instituída do movimento psicodramático paulí'ta. já que há dua$ Sociedades (o CPRJ e a SOPERJl que.os mais progressistas. Relacionados a este aspecto. estão outros argumentos de 242 alguns terapeutas psicodramatistas para a não-inclusão do psicodrama pedagógico na FEBRAP. como qualquer outra prática. não ocorrendo isto nas Sociedades de formação em psicodrama terapêutico. LTeches. Ainda que os psicodrarnatistas pedagógicos sejam convidados para os Congressos da FEBRAP e deles participem. as Sociedades de psicodrama constituem-se para. também.e não a um final . que incluir uma formação tão diferente era muito difícil". que dirá "lidar" com o pedagógico". Tenta.Observam que essas escolas de formação estão estruturadas canlO empresas.na caminhada que me propus fazer no território psicodramático. estão e continuam até hoje separadas das Sociedades de formação em psicodranla terapêutico. embora seus discursos questionem e neguem essas instituições. exlusivamente. as escolas de formação em psicodrama pedagógico têm realizado. os cursos de formação no pedagógico surgem bem mais tarde que os ligados ao psicodrarna terapêutico. O fato de a formação no pedagógico estar aberta a qualquer um. somente em 1990 são aceitos como membros efetivos desta Federação. tão próximas das falas dos psicanalistas "oficiais".

lJ4 244 .. Senl querer entrar em tai.')aná!ises.altar que a ii1o. Ao contrário. Ctn parte. gestáltica.s. Há grupos ainda pequenos como o do Sedes (organizado por Madre Cristina) e trabaU10s isolados de alguns junguianos e corporalistas.dasaos 111ovimcntossociais"il.. o psicodrama cai num humani.:ào pessoal.. as pr::itiC::lS psicodratnáticas. no Brasil ele é prioritariamente utilizado no âmbito chamado "individual".assim C0l110 terapias rogerianas.'mlo-cxi"tencbJ extremamente forte. transtórmadof. vai incorporando gradativamente uma série de conceitos psicanalíticos. que não a psicodramática.')otia que c11liasa o pSlCodramJ mnrenL.nio é garantia para um:I atuaçào desnatur::. a própria prática pSicodrdmática. ao nio trabalhar com a "falta".tii. aparecem alguns que se colocam como íllorenianos. a demandas de setores sociais que mx:essituvam e podiam arcar com o onu. por força do próprio momento histórico da época e graças ao "empurrão" dado pela segunda geração de argentinos e pelo movilllcnto lacaniano.teneial" e o "aqui e ::. na segunda metade da década de 70. "as relações intcrpessoais" são palavras de ordem Preocupações que trazem implicitamente" crcnp na democracia liberal a qual.. confofInc Jaz a psicanilise. incluindo também o psicodr::lIlla. é o precursor ela quebra da hegemonia psicanalítica. essas terapias consideradas "alternativas". No inicio da década. nas quaL'"a "espontaneidade". vemos que isto. é impoItlnte res.pretendem inaugurar espaços terapêuticos "alternativos". e podendo transcender SU::I prôpria sitLl:It.tina.H.por influência da psicanálise.a c()O'ente representada por R. Tanto o modelo médico. Fora esses aspectos.L.reduzem () ser humano e a cxi')tência a uma abstraçào. as práticas psicodramáticas . Moreno enfati/'. América. 'Esta" terapias. fazem parte elo que chama de "Psicologia Confonni. lllais tarele. as potências que o ser humano carrega e que necessitam Sl?rdesabrochadas. segundo Russel)acolJy.'~10levar :Idi:Inte seus projetos. o psicodrama traz a marca registrada de urna prática privada de consultório. como A..tórico-. clnbora venham no bojo de movinlentos conlestatôrios e liberadores. Hoje.que se concretizará.. um:1 vez que todos possuem lima livre escolha.'1no n}o conct'ltllJ nem trabalha C0l11a ··lalta·. que sCll1pre utilizou ü psicodrama dentro de um enfoque grupal. Gaiarsa. I<r"" Cetto.o:adora. cnloGI todos os sujeitos C0l110livres e iguais. postula a supremacia do modelo médicu.<.balho SO Jacoby. Contudo. Amnésia Social. o pSlCodrama.Se.c.c. sem dúvida..'meiais.. em que todos sào inteiramente livres e íg~lajs. que nasceram nas nl:IS e praç:ls de Viena. que sedo as vi')ta5 no Capítulo seguinte . Bennudez -.Op. Ruptura. Porém. Ao contrário de Moreno..ta""i!'. as práticas pSlcodramáticas . que domina de início. a uma essência universal ic1calizada.j~japontado . comportal11 esta alternativa: o trJ. Não é por acaso que toda. as relacôcs interpessoaic. são gcstadas no território dos Esta.tgora"preclominatl1.2) a escola se ('slmtura 1!Oltadapara a prãtica lihf!ral e se de:J. também condizente com parte das subjetividades hegemónicas no setor "psi" da época. o movimento psicodranlático tem essa função. Rio de J:wt'lm Zahar. Bustos e pela força das subjetividades dominantes no meio "psi" -.c.traballlo. o ser humano. não há outra formação "psi" etn São Paulo além da SBPSP. inicialmente importada dos argentinos . Cln solo pauli')1. no Brasil. J. . Não obstante todos esses aspectos aqui levantados. em seu início.. R. a saída é a solul.pelas influências já vLstas de D. intimamente lig'J. ainda que () enfoque cmpregado seja o grupal. é amortecido c rapkbtnente esquecido_ Em São Paulo. Por isso. apesar de grande parte dos psicodrarnatistas il) ter grande Alvcs. presente na obra de Moreno.a. nu indo em abstrato c nào como produçc)cs lli.p.1 OLJltesalíenantc. ao pregar a liherdade e o igualitarismo. Pr::iticasnas quais o "exi".s C' "corporais". Ao adotar esta base humanista-existencial. "carência".'. Questões que estão presentes nas situações analisadoras já abordada.dt.a aquilo que há de positivo.dos Unidos da. Isto demonstra que (J tranalho grupalista .C0111 a inlluência que sofrem do lll0Vunento contracultura] . a "realizaçào". como os conceitos psicanalíticos posteriormente absorvidos apontam para doLs aspectos: I) a escola de psícodmma se uiabiliza atendendo e correspondendo a demandas de profissionais de saude mental. por não ser o objetivo deste... Solo fértil para a produção dessas subjetividades: a liberdade. no linal dos anos 60 e início dos 70. como nluitos apregu::ll11. Desde seu início em São Paulo. de tais semíços Assim vai se constituindo o psicodrama "49.

Ronaldo Pamplona. Op. Homem"). Estas. pouco utilizados no Brasil . Op.L Moreno. Schutzenberger.s". fora do espaço congressual. cit. Até por não entender as técnicas como instrumentos neutros mas como ferramentas que podem servir para manter e legitimar ou. das quais irei citar as práticas rogerianas. ocorrem atuações. ruas e praças paulistas foram: o das Diretas. como Inglaterra. Holanda. ainda que isoladas. o da Constituinte e o do Trabalho (~Trabalho. Suor e Salário"). as gest.sdiferentes formas como são encaradas e manejadas -. notadamente em São Paulo.notadamente a partir de sua segunda metade . em 1971. na primeira metade da década seguinte. Os chamados Sociodramas Públicos. I. de profissionais psicodramatistas que fogem aos estreitos muros de seus consultórios e mostram uma forte inlplicação política. Moreno in Aguiar. Pavlovsky. por parte da maioria dos psicoclramatistas brasileiros. o da Semana Antlmanicomial. a Criação e a Obra: Um Ensaio sobreJ. Bélgica e França. 1977.que se originam diretamente da obra de W.menos ainda no Rio de Janeiro . A. as prátic".o surgimento. O Criador. Como assinalei. Além dos Sociodramas Públicos. desnaturalizar instituições e transformar realidades. segundo ". (1 da Aids.estão estreitamente vinculadas ao Movimento do Potencialllumano. a atuação extramuros do consultório. e Naffah ~eto. Op. A maior parte fica no estreito território bem resguardado de seus consultórios particulares. as chamadas "corporais" . como destaca. ciI.) O Psicodramaturgo.aparece uma série de trabalhos psicodramáticos de cunho institucionalista em muitos estabelecimentos públicos.. há uma equipe formada por Regina Fournault. A. mesmo que de forma provisória. o Grupo Latino-Americano de E.em 1970. torna-se possível às práticas psicodramáticas a produção de espaços singulares. 247 o chamado 246 . dentre outros.mostram a importãncia das técnicas psicodramátic". M.L. o da Violência. desde o início de 1980. CAPÍTIJLO IV ALGUMAS PRÁTICAS LIGADAS AO MOVIMENTO DO POTENCIAL HUMANO Adentrando ainda maLsno vasto território psicoterapêutico dos anos 70. o cantinho para a formulação de outras concepções de psicoterapia. (ürg. de uma série de práticas colocadas como "alternativas" e que se anunciam no Congresso de Psicodrama do MASP.ílticas e. Alguns já apresentados nas do Homem (~Macho! Masculino. Entretanto. o da Mulher ("Mulher. Especialmente na década de 1980 .L. o fortalecimento de movimentos instituirltes. Reích . dt. fazem Sociodramas Públicos. sobretudo. A. por intermédio dos chamados "Centros de Crescimento" e "Centros de Desenvolvimento do Potencial Humano". Alves.H.s psicodramáticas abrem. Em São Paulo. Vânia Crelier eoutros que. ao contrário. Culpa")..USP. Trabalho. na década de 60 e. MOVIMENTO DO POTENCIAL HUMANO '52 ° Movimento do Potencial Humano' desenvolve-se nos Estados Unidos. Dissertação de Mestrado . ainda é grande a resistência à realização de Sociodramas Públicos. expande-se para vários paises europeus. observamos . e posterior expansão.O SI Sobre isso ver a trajetória de ). alegando um eventual despreparo e argumentando que o sociodrama é uma prática que necessita de melhor embasamento teórico e maior amadurecimento por parte dos profISsionais que o desenvolvem.nas ruas.pelo próprio momento político brasileiro . no Brasil. no início desta década.

do u. mptura com Freud e rechaço da analise e da logoterapia .so de droga.r.~ullura: As Utupia.. Barcelona.Intimalllentc associJclo 30 movimento cootrJCllltuiJ.'.) diferentes escolas de pensamento e incorpora os m. entre tantos ( ) Os mdo.' ji/stil'ais de "ro(k~ das comunidades. ':vou an' ({'ha! vou eat'~ "Pamdise .) a g-uelT. nos Estados Unidos. e asfaml1ias jxy{ueno-lnuRuesas !'i' aSsustam e nao entendem /XH' que seuçfilhos se tornam os nonos bã.Vou': "cw1içao'~ "!Jara/o': "deshunde': "und~rgnmndn r. Anagrama. como palavra ele ordem. na década de 60.f)-' Se no campo terapêutico se desenvolvem os prinClplOs do chamado "potencial humano". para se desenvolver. "era di' aquariu. o Movido mcnto do Potencial r Iumano cngloh..s impostas pelo capitalismo j\'o A década de 60 é. o principal foco de difusão desse Movimento está na Califórnia. 's()cü'(lade de crmsumo". 146. C'loMovimento do Potencial Humano as técnicas da bioenergética de A.) partir das práticas cXl<>tcnciai<.. Segundo G.. Madtid.aSocIedad Psiquiatrlca Avanzada. .Joplin..'.1. Sobre o assuoto consultar também Castel. em a dficada dos "/Jip/Jies'. J3oyesen. tanto a contracultura como o Movimento do Potencial Humano propôenl uma revolut. o antiteatro. Alguns incluem também a Psicologia Bioclinâmica de G.> .tudantLr. em suma. das tradicionais organiza\~ôcs familbrcs c sexuais. "F/o. manifeslaçoes e..1 Vietnã -. sintetizando as novas pSÍCoterapbs de grupo.u.movimentos cootestatúrios pelos direitos civis dos negros e contr. 'ia era '.lifórnia. and dm[) ouf.<dtuando no aqlli e tlgQYfl.>4.1. em suma.. Lowen c da gestalt-terapia de F. da alimentaçào macmlJi6tica e natural. e preciso. cit. Esalen. livres das repressões sod::li. cujas obras convergem para uma prátíca.J('t' Pou'cr". 1987.do grito à Illcdita(. 1980.tJÍnculam-se para jormar um novo programa terapêutico dentro de um movimento cultural mais vasto . Socioanállsi'i Y Potenc:lal Humano. A Gestão dos Riscos. rastro da /)('{lt gC!llcratioll dos anos ')(). que gere para dele extrair uma mais-valia de gozo e de capacidades relacionais.:ào . lur71 in. E. 130b Dylan.L'1I0 pruk-s~()r uniVL'rsitario Tim(lthy Ll·J..)i~ variados procedimentos.ticas. . . a famosa tr-. dm eahelos lon!{ox dar. as filosofias oriundas do Oriente e as técnicIs corporai. et aliL I..'glIIU" elacontracultur. Gedisa. imediatas. onde.é tamhém a década dar. ':As novas teraptas testemunbam assim o jato de que e possivel instrumentalizar a subjeti~'idade e a intersuhjetividade por interuençoes exteriores. Rio de Janeiro.. RogefS. psicodramáticas.al.2 Bueno. bíoenergéticas. lftera!rnente. do insÜtuído.assim como Lowen.redescobrimento da impottâncUt do corpo.. nos ESlados l1nidos muitos países.i ldt'm.fimi lIendti't~ JanL. p.1 (' Oi Lapassade. Turn Oft. no litoral da Ca. de massagens e da mosofia oriental. () Movimento do Potencial Humano apresenta também.da tilwrarào s('. Ha. 1\. G. Castel.'" das cmnna-. do consumo. Sua origem remonta a 1962. sintonize c caia fora" i . entro l' fora das unilJersidades d Surw'm os Reatü!\ os Nollings .\IJem. Elas promovem uma visão do homem pela qual se concebe ele mesmo como um possuidor de uma espécie de capital (seu "potencial"). 1980 249 . "maluco'. estamos diante de uma corrente coletiva que tem vários fundadores. ••("m Marcha. sem e. e faz parte de um conjunto de teorias de desenvolvimento neocapitalista· que toma vulto no 4 ') o [nslituto 6 rr 0. l'. essas inJluências c inserindo-se em um delL'rminado momento histórico norte-:llllericano . dOI..\'/ones.) AIRo nol'f) está acontecendo. rou/JlJ. das ondas mi-.' pelo Iuturo e suas hi/JOtéticas mudanças ou reeom/Jensas< (grifo do aulor).'Cair for.) Timotlly Leary: "sc ligue. """àzerda l'ida uma eelehraçdo do Imeer e da alegria.. "alJU/ar lI" cstnitUnlS': "car'eta'. Lapassade.. indiuíduos subdesenvolvidos e em vias de desenvolVImento..:j(L . 'na. localizado em Big Sur. embora esta autora .> de massa W' encarregam de difundir os simIJ%s da agitaçun /úl'cnil. Pearls se integram aos grupos de encontro de C. 39. r D.lSC do .r. como os tecnocratas dizem dos países do terceiro mundo. '/JUz'". R. R. leva o nome de uma tribo indígena norte-americana. A Teoria do "Capital Humano" está presente e é hegemônica nos anos 60. são fortes os grupos híppíes e a contracultura. discípula de w. "amor". (lI'. Reich':' prefira não se colocar neste Movimento. posteriormente. O ponto de referência é o Instituto de Esalen" cuja finalidade consL'te em descobrir os "meios de melhorar o potencial humano". corporais. Contrat. valendo-se de um conjunto de técnicas grupais. de maneira tal que os pontos comuns . investir e trabalhar.r. no campo pedagógico o mesmo movimento é acompanhado. Francisco Alves.l.hams em plena era da teenoJoRia "'. p.)" do sistema.Scoloridar. jazer justificar seu potencial humano"6• Sofrendo tod:L<. Llmosa lrJ.

no treinamentos. no Brasil. Costa. Op. Da mesma forma.o qual irá produzir o recrudescimento dos grupos de encontro. de cons~lheiros conjugaL" tendo com~ pano de fundo o movimento contracultural. Rio de Janeiro. a Teoria do "Capital Humano" encontra espaço efetivo de sua necessidade e de seu desenvolvimento na fase monopolista. Rio de Janeiro. a guerra do Vietnã e a "guerra fria". realça a importância do investimento nos recursos humanos de uma nação.início dos anos 60. criam sérios problemas. o dispositivo em que se ínjeta a nova cultura. por exemplo. Discute este autor em que escola se deve buscar a gênese do movimento dos grupos de encontro". cuja forma de Estado corresponde à fase do Estado intervencionísta "7. definido como atividade psicossociológica". o grupo de formação.N. na qual contJergem con!n'butç6es da contracultura enquanto ideologia e experiência. Group.. em sua origem.~ nos Anos 70 no Brasil~.M. cit. In: Velho. representam 20% do total de desempregados'>'). subjacente a este projeto desenvolvimentista. G. desenvolveu-se no tlnal da década de 40 e inicio da dc 50. C. A. G. Para outros. tal como um mecanismo para recompor e articular a hegemonia imperi..bem como as 7 8 Frigotto. com maratonas. da nudez que não estavam no programa dos grupos rogerianos (.Declara. no farniliat. A. p.e. A perspectiva de modernização.A. novas fonnas de psicoterapia "11. as lutas dos negros por seus direitos civis. Oroup. Campus. 184. intimista e psícologizante hegemônicas à época. "As Teorias Educacionais Hegemônica. que constituem 10% da força de trabalho norteamericana. do corpo. "Privação Cultural". (Orgs. 183-21 '5.-lista. workshops laboratórios de sensibilidadc grupos de famílias. In: Cadernos do ICII. principalmente na Europa e. com a união das influências de 10 Sobre isto coloca que muitos atribuem a Moreno a paternidade do termo (ver sobre o assunto Schutzenberger. nos Estados Unidos. Rogers o precursor e criador desses grupos que. violentas revoltas urbanas e a pressão exercida pela população em geral. são modificados pela introdução ". G. do gn'to. que foi C. apatia e desencanto. por produzir trabalho. estas práticas "alternativas" mesclam-se com os grupos de encontro.S. Lapassade. passa a ser instrumento para a busca de uma "melhoria" das condições das nações subdesenvolvidas. o qual. das Ultimas quatro deeadas.M. Segundo G. p. S.. "Privação LingiIstica" e «Familia" . o Movimento do Potencial Humano busca uma "melhoria" das condições psicológicas do sujeito. no privado.. Um primeiro movimento de atividades grupaL. nos Estados Unidos. Somam-se a isso a segregação nas escolas e a desigualdade de oportunidades habitacionaL..-se pela intervenção nos estabelecimentos através de uma atuação grupaI. É uma postura marcada pela orientação positJvista e funcionalista da SocioloRia elas Organizações e pela Psicologia Social dos pequenos grupos. Lapassade.J () molJimento atual do "encontro" e. Op. essencialmente ca/ijorniano_ O T Croup e o grupo de base rogeriano sdo um marco. p. com O governo Kennedy.violentos distúrbios sociais e crescente demanda de direitos civis e igualdade de oportunidades diante de empregos. Tudo L'to nos leva a perceber que esta 'febre grupal" não se desenvolve por acaso. que a educação é o principal investimento de uma sociedade. o investimento no "potencial humano" de cada um passa a ser a palavra de ordem no campo terapêutico. travestidos Com roupagens ditas "alternativas". Ver Lapassade. Sobre o a::. 71. Frigotto. do transe. com apoio de estudantes e muitos intelectuais. G. ainda. Op. As reivindicações dos negros nos anos 60 ~ conhecidas como Black Power e Black RelJolution . São Paulo. ela é produzida pelo momento hi'itórico norte-americano. cit.). as dinâmicas de grupo iewinianas e o T. simbolos internacionais desta crL..o pós-6S . 1990. 11 12 9 250 2.. Famma.. Da mesma forma. o grupo de diagnóstico. No entender de G. A Produtividade da Escola Improdutiva. mas também a influência da. UFF nº 28. entretanto. Com isto. associados aos distúrbios contra a guerra do Vietnã. Esta década é marcada em solo norte-americano por .é caracterizada pela chamada "crise das instituições" e se traduz não mais por revoltas ativas. Ela estabelece. como. hab~ tação e escolarização. nos anos 60. marcado por essas lutas bastante violentas e pelas subjetividades familiatista.1 . 62. cit. será caracterizado por um fortc movimento grupalista. como muitos outros. Cortez. ernati2mldo-se as relações interpessoais. na expectativa de futuros retornos. mas pelo comportamento de abandono. A psicossociologia caraeteri:w.sunto. nos anos 60. Dados estatísticos da epoca mostram como os negros. e Figueira.A. pp_ 40 e 41. contudo. 1986.l. A década de 70 . consultar Coimbra. do modo de produção capitalista.. Através dos grupos tenta-se 'resolver" e/ou fragilizar as freqüentes reivindicações: esvazia-se o público e aglutinam-se forças no campo psicológico. de jovens. depois. Psicologia e Sociedade. 1981. forma-se o "capital humano" de um pais ao se investir na escolaridade. este movimento surge da dinâmica de grupo em sua aplicação clínica: o T.

Tanto () AconseU.<.. onde há um histórico c:bs mai~ divcr~os enfoques teóricos e técnicas utilizados no Movimento do Potencial Humano Em SI. Portanto.rupalista norte-americano . fonnouse o National Training Laboratories com sede em Washington que. antes de tudo. Rogers.).processos de subjetivaçào que pensam e priorizam a pessoa. Gmups e pelos gnlpos de encontro rogerianos . o Psicodrama de J. Lewin e C..amento Centr"do na Pessoa de C.ano dos primeiros grupos em Esalen -.~l·S WUfXJS. "OS Estados Lnidos a corrente humanista-existencial. Lou!(!11. desde os anos '...P. 1987. Tendo Como base teórica a dinâmica de grupo. O Movirnento (. para a "preparação" do MovinlcntO do Potencial Humano c vêm no rastro dos T Gmups Estes. RL.. Maslow e o próprio Rogers. Maslow _. K. o termo "grupo de encontro" provém de C. os T Gmu/Jscolaboraram para a difusào dos conceitos lewinianos e também para outras noções vincubdas às investigações com pequenos grupos. taz parte do quc ficou conhecido como psi- cologia hunJanlsta ou Terceira Força -termo l1Jnhado por A. ao Guacterizá-Io como voltado para uma 'evoluçào pessoal".os ealaIisadores .iniciado pelos T.cnfatizanl a sociologia dos grupos e nào a da psicologia. tornando iamosos os grupos de verào desta cidade. Lapassade. G. assim como faz referência às moc. no Maine. Ao longo dos anos essa orientaçlo para o '-crescinlento pessoal" funde-se com os traininggrnups e conjuntamente formam o núcleo do MOVllnentoGmpali<. a Iiberaçào do sujeito das annrras sociais. por mais de duas décadas. uma nova geraçào de animadores californianos de grupo com grande influência de A. a Psicologia Ilumanlsta passa a ser entendida por seus seguidores C01110 muito mais do que U111:1 tcnria. 14 Morato.são os que servem de mediaçào entre o paciente e o terapeuta. graÇh')às experiências vivida. específica.'U livro GnJpos de Encontro (São Paulo. Rogers. os gnl pos de encontro rogerianos contribuem. F Pearts e outros apresentam um novo W estilo· o grupo de encontro com as terapias ditas "alternativas"l. as terapias consideradas "alternativas". •• elhamento Psicológico Centrado na Pessoa.T. junto com o movimento contracultural. flmdamentalmente. !llíOl. cit.2 2. Acon. integrado e interugindo com outros homens e seu meio "H. O enfoque rogeriano existência humana e as condições onde ocorrem a autoatualização do potencial do homem e seu funcionamento total como pessoa em husca de uma realizaçdo criatit'a. representada por Roilo May.moquanto à psicanálise."l". 31 e . principalmente nos Estados Unidos. é visto em sua totalidade. L. A. Estes semo. para o "crescimento pessoal". de um modo geral. alguns dos pontos em que se basearão.2.taque se espalha pelos Estados llnidos nos anos 60. em 1962 . Op. Martins Fontes.24-44. 4. Desse modo. fazendo parte do Movimento do Potencial Humano.5 objetivos des.afin11am us "potencialistas" .casignificado da I" o ponto comum de todas essas pmticas é. o autoconhecimento.os analisadores terapêuticos na linguagem da análise institucional. O homem. as quais atingem seu apogeu nos anos 60. 1'5 2. O primeiro training gmup foi realizado em Bethcl. pp. Estes . Moreno. para lima "melhoria". vai oferecer uma série de atividades grupais.3 . procluz desde o pósguerra . em 19'i0." através da. "desenvolvimento" e "aperteiçoamento da comunicaçào e das relações interpessoai.2. originados da dinâmica de grupo lewlnianacomo já apontei anteriormente -. Rogers enuncia logo no primeiro Clpituio a origem e 0. que o cunhou. Schutz. Moreno e a Gestalt-Terapia dc F. nos anos 60. H. Isto permite . tornando-se uma atitude dingida a um melhor ('ntenditm>nto do homem o ) &ta nol'a abordagem em P'iÚ:ologiahu. Segundo a clellniçào de Maslow. (Org. No final dos anos 40.expande-sc progressivamente e.lalidades l' formas clifercntes com que os grupos de encontro na déClch de 60 se apresentam. São Paulo.década de 'i0 . nessa abordagem. Rogers. conhecido autor do "aconscUlalnento não-diretivo".0. E a Psicologia HUll1anista traduz 111uitobel11tais questôes. C. pois opôe-se tanto ao behaviorLr. L.'icomunicações c das rclaçôes interpessoaisL3. cujas intervenções estruturam o encontro. AA Op.J. cit. em beneficio dos chamados catalisadores . "Abordagem Centrada na Pessoa: Teoria ou Atitude na Relação de Ajuda?" In: Rosemberg. Perls quanto as terapias "corporais" seguimo esses princípios da chamada Psicologia Humanista.. EPU. p. juntamente C0l11o 1l100uento histórico norte-americano. POlSorientam-sc.ir mais além da chamada "terapia da fala" ou "Iogoterapia".. Sobre o assunto ver também Schutzenberger. o repúdio à psicanálise. Os gnlpos de encontro rogerianos surgem com objetivos diferentes daqueles cultivadus pelu T Gmup.

nos anos 60. Pages afirmam que estas dimensões não são abordadas nesses grupos.:'Uais grupais. Sobre esse movinlento califomiano. O sujeito não é visto como produção histórica datável e localizável mas sim como um ser em si. por conseguinte. Existe nesses grupos um aspecto normativo. Contudo. são gradativamente integradas ao sistema. 173. Dentre as que considero mais importantes. Mas. etc. Assim. Não é que a psicanálise esqueça o desejo. econômica e subjetiva de suas ações. Idem. encontra-se uma sériedé pontuações desen' volvidas por Max Pages18 que dizem respeito a vários aspectos da atuação dessas "terapias grupais". elas passam a ser defmidas como um valor. que é extremamente reforçada nestes trabalhos. Dai a decisão de se expressar ou não fugir ao cliente. como o É necessária uma breve explicação. grupos pelos "nudistas" e outros participantes indesejáveis pode desemhocar no/racasso"p. as hi~tórias da conduta dos individuas e de suas repressões sociais estão completamente ocultas nesses grupos. G. " . por isso.vê-se os animadores dos grupos frear sutilmente o movimento. pois isso trata-se do desejo encarnado no corpo e produzido por ele e não de um desejo apenas expresso na linguagem como entende a psicanáli~e. Rio de Janeiro. Forense. Este movimento grupali~ta. assim. 0r. Com relação às dinãmicas . "Enquanto que até agora todas as formas de análise psicológica e social se baseavam na fala e no esquecimento do desejo. 1976. Lapassade quanto M. etc.e condições sócio-políticas da vida cotidiana transversalizadas pelo próprio contexto histórico. 25'. Guattari há duas produções grupais: os grupos sujeitos e os grupos assuteitados ou objetos. Os canais de comunicação somente funcionam para reduzir ou suprirnk a fala dos participantes e os sistemas de poder são dissimulados sob a fachada de um funcionamento "democrático". fazendo com que a espontaneidade seja contida. Maspero. um outro dispositivo de controle da sexualidade. Na ala direita do Moulmento. Op. tanto G. Lapassade observa que. políticas. Ledo engano. Segundo F. Estes mantêm zelosa e secretamente a direção política. natural.A novidade no Movimento do Potencial Humano é a redescoberta do corpo e do desejo. no mais das ()(!zes. estão obrigados a sentir. controlar as pulsôes coletiuas. 1972. os dispositivos anteriores) tanto o psicanalítico socioanalfttco "16. Sobre o assunto. dt. C Rogers anuncia que a invasão da. pois é necessário expressar-se de tal ou qual maneira. das formas mais diversas. etc. e. que não tem. que se pretendiam instituintes. uma "liberação" com limites morais. é ela que mais fala sobre ele de um desejo que está sempre em falta e não de um desejo produtivo e produtor. terapeutas/pacientes. ser "autêntico". a possibilidade de inventar um modo de se relacionar com os demais. F. ver Lapassade. eis que um novo movimento vem alterar essa hipótese de base e destruir. A liberação.. que captura e não libera. torna-se uma palavra de ordem. insUtuir novas formas de tolerância repressiva. tem como um dos temas a liberação do corpo. Psychanal}'5e et Transversalité.. . Os sistemas de repressão e censura são muito fortes nesses grupos. ao se trabalhar a sexualidade e a nudez nesses grupos.. A tão "propalada" não-diretividade torna-se.relações entre formadores/formandos. Paris. econômicas. tudo o que os "mestres" mandarem. ressalto aquela que se refere às atividades dirigidas por um expert. As condições sociais. Pelo questionamento que fazem de todas as formas instituídas. que seja próprio dele ou do qual possa se apropriar. uma hiperdiretividade. na realidade. . como nos observa Deleuze. Um outro aspecto prende-se à dependência. p. In: Guattari. poi~ muitas dessas práticas. ser "honesto". ianquizada e asséptica. ao contrário. com respeito aos formadores e/ou terapeutas. 18 19 Iapassade. estando os participantes totalmente subordinados aos coordenadores. G. a gritar. que assola os Estados llnidos. uma vez que a expressão de idéias e a ação social estão proibidas. porque o que domina dentro do grupo é a regra do nãosaber''. incluindo também Rogers. PerL" 16 1"7 Lowen e vários outroS. ciL e Pagês M. Unicamente são encarados os obstáculos internos e individuais. esta liheraçào não chega ao fundo de suas implicações_ Pode ocorrer que um gmpo de encontro termine com práticas se>. p. os anos 60 trazem a crença de que os grupos que estão emergindo na época não teriam suas ações integradas ao sistema institucional vigente. Orientação Não-Diretiva em Psicoterapia e Psicologia Social. em realidade. 43.

. a nosso l'e1. que marca a primeira metade dos anos 70 no Brasil (' no mundo. contrf!)uf. Scg-undo M. Os sentimentos ele impotência e apatia . lncellliva em muito os compOltamentos de alx. Permite aos empn'gados terem grat?ficaço{'s. porsua I'eZ. apatia c drop-out marGldos pela contracultura já em . os 70 2IJ Pages. o intimo.do h. pesado o sono/pra quem nem sonhou Compre-endem-st' as características que marcam. em termos mundiais.<. tlp.'. \ao ~ji!l'apsicohiológlca indil/iduaJ alcança iodo mundo zida à ".:> que. mas rechfl{o a ideologia do "amor" californiflno ( ) ram/)em me custa sobremaneira sUj)()rtar ..(. A saída é entendida com() uma s{)lu~. jn/c!orizada e ussimilada pl'lo ua sistc-ma qt. m}' /riend/th(' dream fI'as ml' yesterday" ecouncio.~I (grihl.1() individual... o. cle!s limitam çua analise ao n rl'C/ das relaçon intetl)('." de oposiç1o.lllcionamento econômico da sess~lo (' Cl<)S proccss{)S de su!Jjetivaçào presentes nesses grupos.".'> l Se os anos 60 são os anos dos institllintes a nível mundial. nos I() passa-se a qucrer SOtllcntc uma tllue!an\'a na.. () privado. . nao os supor'to em absoluto . bencl'Olo. uma I>ida/)rÍ/'ada menos triçte. ao coiocar em moda o "ilo·/Je. ('m 19m.'.'iS. o enon11Csucesso que ~lS entre oS jovens. 111<. ex:ugemdamente lnJluenciaâ{)~ pelo mod{'lo da /)sicoterapia indil'iduul quando trataram do.A-LL (Ir lil. A ciominaçào dos coordenadores (formadores e/ou ter3pcutas) mesmo engendram trJ.. /.22 2.'e a EurojJa ( J FazC!m i"so.ado já que tudo é reduzido a problemas intcrpcssoais. N:1ohá análise possível do sistema de decisc1cs. e'1x'cialmente.em rcb~-jo aos movimento.{)p j-:'l' I')') cit. o transe.dllz-sc através de SU~L'" pdticJ.ma palatora.pp.'..sao ··terapêutica" e muito decidido a comercializa-la ".lo.apassade conclui quc: "o . na década cle 70 prioriza-se a muclanca no plano pessoal.sobretudo. u uma díl'eçao tokmnte l'epn'. Para os .-tas. Se antes grande parcela da juventude de classe média. a frase famosa do c'v-Beat!<.e.'i1IX'110 Gil intitulada.. r· (12 LlP~1. dos intelectuaL" dos centros de l'IalJOraçao de um pensumento e d(! uma açdo sobre a tran\1ormaçao social ( j Em u.a economia. trazendo uma alLwia uJetuda.. O "sufoco".11ol'Ífnento do Potencial Ifumano se I'incula.\ocioanafístas.\ll:·.'nicas di/o o último toque à dominaçiw nor1e-amen'cuna so!J."'''e a "experienciar" " uma liberdade dl"svinculada de uma realidade social concreta.."e de instituiço('s que /x)dem e del'f'm l' ser tmhalhados e elucidados."'. (f" L. ·.:soaú 1-.• t' subjetivielu. juslifica-se.~'L"tematicumente."..que 13vorccem e ate~ tendências religiosas. mas que nâo /Joc!em scr resoll'idos no a(Jlll c aRora {lO enconm)":' (grit()<. sem conllitos e contracliç()cs.()p.sil'a .1.passam a ser generalizados.Tambénl. l) psicológico. () bmiliar.' }abn /1't'lnon. Se antes (] objetivo era mudar () mundo..{-'.. apelando-se para as rcligiües orientai. são vistos como os ~mos da inslitucionaliza~. 30 mesmo tempo.u> jOnA tdo mdicalmente! comhalido IJIAI .1esvolladas ]XU:I () interior. (mele ~L'" ditaeluras nülilarcs já ccms()Jiuaclas e aparentemente vitoriosa.a emocionul. especialmente. pretendia mudar a sociedade c a vida. como uma resposta ao desencanto que grassa no período ]lós-(lH. o pr()IJfio funcionamento do grupo nào é analie. em um cJimu imediafO de arnor e reconciliaçào..-.es eurupcus. c()n. as terapias ditas "alternativas". enquanto os dirigentes dirigem a economia. de um modo geral. imlJUÍdo de sua mir. no\ anos da músicu de (.'m jJara destmir' a autonomia do pl'nsamento.6.principalmente entre a juventude .<.•• fase de decadéncía. Hogcrs e seus disdpulos americanos ligados à psicologia social J estarwn.21)1 2'l6 ./l.~ BU<':Il(J. de :abcdoria.atina.:ru/m ( J. entào. essrA.. terapias "alternativas" têm. O.. Encerrando estas anJ!ises." te(.•.'11./..()\lJrlbo Aca1Jou" "o sonho acabou e quem nua donnitl/no sle(1)ing-iJaf4/rU"msequer sonhou/como )0. como também nos paLo."se' esten'Ótipos de pnx(1)tore5 que . repressóes intenlJ.'j me'HS).melhor dizendo.'tamente.'mTiem .llit(~s de grupo e. de equilíbrio. a!)mçm~ ejitsoes e ate certo aspecto hipócrita do animadorlihemdo. deIxam entrcver um sonho de paz. amigo de todos.1.(. não somente na América r. do que decorreria a muclanl.cil"PP 21 Lapass:lc1.ltlclono. na musica intitulada "God" 'Ihe! dream is OI'er.<. Pagcs. Sobre isto LJpassaelc assim se expressa: "Para os jJotencialil.':1nos próprios sujeitos e em Sllas rclaçücs.uwr Com úto. C. em I'ez de u uma dircrâo autocritica e hun)(nÜica r.~ /)roh/emas de! .'i conflitos /JOdem C' rief'l'm ser "C'solr'idos no aqui e agora do rncontm..2"\':"l'28ó .jl"p. aceito o grito.'1Jrcssam conflitos de c!a.'-1)l'es redu. a descar1. com 'uas h'cnicas. l'u. de refúgio fora do mundo..1 e. agradall('"i" reo'elos. E este momento histórico consagra prática. mística.

após esta rápida análise sobre o Movimento do Potencial Humano em sua gênese nos Estados Urúdos. com o milagre do Delfim e a repressdo finalmente cientifica. começam a crescer na segunda metade da década de 70. desde seu irúcio .'5do sujeito". Estas terapias "alternativas" têm. É esta falta dc perspectivas As práticas de "aconselhamento psicológico centrado na pessoa" terão diferentes utilizações em São Paulo e no Rio de Janeiro. Alegria."Aconselhamento Psicológico: Questões Introdutórias".Ajuda de F.ti Acredita-se.. p_ 23. Alegria!. 14-23. a pessoa. Assim. nos anos 60. &tamQS penetrando num 'paraíso" consen-'ador.(Org. surgiram nos Estados Unidos.. e sua expansào pela Europa nos 70 . cunhado em Sào Paulo. 25 24 Maciel. J\cste clima. aponta para a construção de um pro( . o enfoque se voltará mais para o campo pedagógico.).. R.destacar algumas dessas práticas psicoterapêuticas "alternativas" que. o BratiJ do ame-o ou deixe-o. (grifos Schmidt. expandem-se os Centros e t. 88. valendo-se dos mais variados nleios. Neste. entra-se na "nova era". o próprio termo. jissumal ''jJsi'' que. pretendo . 2b imagem meus). Nào se tem o que fazer.C Os Anos 60. A grande frase na época é: "Por que nào?". no fInal dos anos 60 e início dos 70 . principálmente em São Paulo. como os do Centro de Bioenergia de Londres e os da Fundação Internacional de Psicologia Biodinãnúca de l1trecl1t. a liberação feminina e a expansào tornam-se as grandes palavras de ordem da época e as terapias chamadas "alternativas" prometem para o aqui e agora a liberdade e a felicidade. acompanhando sua própria gênese nos Estados urúdos. Estes grupos vêm no rastro dos que. portanto. um modelo clínico (mais amplo que o psicoterápico)"". como os grupos de encontro rogerianos estão na gênese do Movimento do Potencial Humano e possuem. 23. 1\0 entanto. ~ão é por acaso que o mi")ticisnlo religioso é mTIa das facetas dos movimentos contracultural e do Potencial Humano e muito influencia as terapias "alternativas". ambos ligados a Gerda Boyesen. a liberação dos sentidos.'\" da ditadura.L.-psicólogo-conselheiro '.. M. Op. Passa-se a trabalhar o corpo. comentarei algo sobre essas práticas. buscando "desbloquear e desreprimir" seus impulsos. dentro da música de Caetano Veloso.mpos de "ajuda-te a ti mesmo".S. dt.o "aconselhamento rogeriano" tem uma aplicação maior na área clírúca. Por que nào experimentar a alegria da vida? Por que não canlinhar "contra o vento. " ..antes da expansào das terapias "corporais" -. enquanto que na Paulicéia. organizados por muitos terapeutas corporais. 1. no desahrochar ele cada unI.) torne mais clara e delineada uma função do psícólogõ com características específicas que Justíftquem uma disUnção com relação à que normalmente temos dopsic6logo clltlko ". p.. através do enfoque humanista-existencial. 259 .. o que aconlece intrapsiquicamente cm cada sujeito. há um vazio político e existencial. Este é o Movimento do Potencial Humano nos anos 70. o cHma. portanto. nos anos 60.. a caracteristica do "sonho acabou".. " medram a luta clandestina e o deshunde. Perls. Idem. barras. nem para onde ir... como o Centro para Estudos da Pessoa de C. sem lenço e SeJll documento. na expansão. rompem-se as barreiras e as "estruturas arcaic3. p.. cit. a energia.In: Rosemberg.. alta. que muito irá influenciar os gestaltistas e "corporalistas" brasileiros os quais encanúnham para estes Centros norte-americanos e europeus. Op.As PRATICAS DE "ACONSEUlAMENTO" ROGERIANAS que faz com que muitos se voltem para dentro de si mesmos.Não é por acaso que pela Europa. A liberação sexual. no início dos anos 70.L. l. Emende-se perfeitamente a inquietude existente no ar. nos encontros. nada no bobo e nas màos'" Por que nào experimentar no aqui e agora tudo o que se pode experimentar' Quebram-se a$ defesas.no final dos anos 50 . no dizer de Luiz Carlos Maeiel. no eixo Rio-Sào Paulo. alguma força. 11 . sendo claramente apresentado como ".NA PAUIJCtIA . tentando quebrar os "fasci')mos internos". Em 1970 ('stamos sem perspectil1as"l4. Rogers e os Centros de A1JtO. principalmente na Inglaterra e Holanda.

. instala-se. o número de alunos-estagiários do SAP aumenta gradativamente.at. psiquiatras. o Acon. Assim.. pela técnica do T Group e por uma pcdagogia que é uma mescla de não-diretivL. "li< 27 Rosemberg. conseqüências de deficiências frsicas. ambas alunas de Oswaldo. orientações c palestras. Isso porque não somente o número de clientes aumenta. Posteriormentc.. não pôde continuar por intervenção dos militares. reuniões com professores. deste grupo saem. também no ·Brasil o "aconselhamento rogeriano" vai se colocar como um contraponto à psicanáli')e e ao behaviorisnlo. ouviamos os projessores. cit. É importante não csquecer .. nos anos 60. consolida-se também a subjetividade que enfatiza a "pessoa conlO centro". que implementam este Serviço dentro de uma orientação humani<:. Suas principaL>figuras são Iara 13velberg e RacheI Rosemberg. expande o número de profLssionaL. psicólogos e assistentes sociais. que estão uivendo intensos momentos de transição. iniciam em solo paulista esta forma de psicoterapia. um Serviço de Psicologia.. 03. p. dentro da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras da IJSP. Uva época}. Op. seu "crescimento". descobríamo.para promover uma ampla série de reuniões de pais. ou sociais. tem inicio a expartSão do que chamam "Psicologia HumanL'ta Aplicacla" e um maior conhecimento sobre C. principalmcnte seus filhos adolescentes. com muita dor e angUstia por sentirem destruído seu equilíbrio e tr>remdificuldade em recuperar-se"3ú."'9 I\os anos 70. p. com a finalidade de orlentá_los"31.27 (grifos meus). no próprio Cursinho . inventávamos.A partir de 1964. desde 1968.. muitos profissionaLs interessados no "acon')elhanlento centrado na pessoa" e nas práticas chamadas "alternativas". acompanhando a tradição histórica das terapias '·alternativas" nascidas nos Estados Cnidos.. tendo em vL'ta a demanda produzida cm cima das subjetividades dominantes na época. 01-13. oferecendo formação de "monitores dc grupo".<. Rogers. quando o professor Oswaldo de Barros Santos começa a lecionar "Aconselhamento Psicológico" na USP. assim.<.. 26. É como afirmam alguns "rogerianos" paulL'tas. Muito inIlucnciado pelas dinãmicas de grupo de K. Lewin..T. p_ 07. Op. transições existenciais penosas.a escolas. por exemplo. partid/Jávamos de reuniaes de coordenação. palestras em salas de aula e reunióes com pais e mestres. dentro dos atendimentos e supervisões fornecidos pela própria cadeira de "Aconselhamento". sua "liberdade". com a contratação de mais professores.mo e método ativo. em 1966. .. H. com a saida de Oswaldo de Barros Santos ela 28 z) 30 31 Idem.l. o Serviço de Aconselhamento Psicológico (SAP). e adaptávamos recursos e técnicas. Nasce. em serviço... de um modo geral. [dem.60 O próprio SAP. p. u/Üizávamos alguns dos primeiros programas de teleuisão realizados na USP.versando sobre adolescência . p. Tanto que.. o Serviço de Psicologia do Departamento de Cursos para Vestibular do Grêmio da FFCL da USP ". 0'5. A partir de 1974. 'Introdução: BiogrAfia de Um S:n:içu". RI. cit. Os alunos de Oswaldo de Barros Santos. administrávamos nossos ser~ viços e finanças. mentai. organizavamos grupos para testes. seu autoconhecimento.pois já foi apontado . mas também pela erescente solicitação dos mais variados serviços como consultorias. assesson·a. Rl. a "crise" da família e a necessiclade de terapia para seus membros. o conselheiro é procurado para fornecer ajuda a pessoas que estão passando por mudanças em suas umas. 2. jaziamos palestras e orienlaçao nas classes. atendíamos aos adolescentes.que existe em São Paulo. "Ivo mundo atual tão turbulento. Assim. 26t . "Datam desta época numerosos debates entre pais efilhos. prestál!amos assis~ tência psicológica direta a pessoas que não poderiam se din"gir ti Cidade Universitária Para atender a necessidades diversas. que fará parte integrante do Instituto dc Psicologia da USP. Rogers.P.elbalrwntoé uma disciplina l'ista pelos acadêmicos como 'pleheia" por ser declaradamente profissionalizante (J É ele que pennite atender a problemas de ajustamento psicológico.ta-exil)lencial "'/""0 Cursinho para Vestihular. RL. Em alguns lugares. In: Rosemberg. comportamentos inadequados. seguindo as idéias do próprio C. 02. Op. após a sua organização. ligado aos cursos para Vestibular do Grêmio.nos anos 70. Morato. o GEPSA(Grupo de Estudos de Psicologia Social Aplicada). Ao lado disso. coutrapondo~se às curas das patologias definidas pela Psicologitl atnica . Rosemberg. (Org.

Rogers . sua ex-aluna RacheI Rosemberg assume a cadeira de "Aconselhamento" e torna-se figura importante dentro do enfoque "rogermno" paulista e mesmo brasileiro.O Grupo de Abordagem dade". no início da década. Deseja também realçar . são importantes para a expansão desta forma de psicoterapia: Oswaldo de Barros Santos e Rachei Rosemberg. Ao se formarem. contudo. ". contribuindo asim para que o "aconselhamento centrado na pessoa" aplicado à área clinica venha a se expandir em São Paulo. inicialmente de caráter clinico e. intensificam-se os chamados "grupos de comunidade": grandes grupos que são um desenvolvimento. como Oswaldo de Barros Santos. É interessante notarmos que em São Paulo . inclusive. como também para as pessoas que. 262 26:J .1. na abordagem centrada na pessoa. in Sobre Centrada na Pessoa Sem dúvida alguma. !ante no Rio como em São Paulo. A Abordagem Centrada na Pessoa e o Oprimido o Poder Pessoal São Paulo. Rogers ao Brasil. voltados para o "crescimento pessoal e social". que . encontram-se aqueles que passam por este Serviço na condição de estagiários. nos anos 60 e 70. abrem seus consultórios privados. R. tendo à frente o pessoal do SAP da USP. progressivamente.2 .e muitos de seus alunos sentem-se atraidos por esta vertente da psicologia humanista: Justamente num momento em que se questionam.. A própria gênese do "aconselhamento ce~trado na pessoa" no decorrer dos anos SO e 60 nos Estados Unidos. 10. dos "grupos de encontro" e costumam durar de um a dez dias. Aproxima-se do humanismo de E.a ênfase é dada ao trabalho grupal. baseando-se nos "grupos de encontro". 1. sofre grande influência do Movimento de Potencial Humano. Rachel Rosemberg. É chamada para as mais variadas e diferentes assessorias e consultorias e passa a ser elemento constante em programas de televisão. é fundado o Grupo de Abordagem Centrada na Pessoa. Questiona tanto a psicologia acadêntica norte-americana quanto a pedagogia tradicional. as verticalidades. em São Paulo.ambos progressistas . a nível mundial. como é o caso de Iara Iavelberg. 1. A atenção. Tanto que. as opressões. com a presença do próprio Rogers e sua equipe. de viver como comunidades autodirigidas"32 O mais célebre ocorrido na época é o de Arcozelo. Martins Fontes.tas. p. organizando um sistema de formação de facilitadores de grupo com grandes encontros anuais.vem no rastro dos T Groups e das dinânticas lewinianas e. nos anos 70. no Rio de Janeiro. Em 1981 fundam no Instituto Sedes Sapientiae o Centro de llstudos da Pessoa.afora seu idealismo e as criticas já assinaladas pretende promover algumas mudanças nas relações paciente/ter"peuta e aluno/professor. indubitavelmente. Laing e concorda em parte com o trabalho do pedagogo brasileiro Paulo Freire. na época exilado". posteriormente. engajados nas lutas de resistência contra a ditadura militar. Em São Paulo. como as maratonas e os "grupos de comuni32 Idem. irradiam esta forma de psicoterapia.USP.com aplicação mais pedagógica . liga-se.o "aconselhamento centrado na pessoa" atrai muitos profISSionais "psi" progressistas. deve estar voltada não apenas para as gêneses do "aconselhamento" nos Estados Unidos. ambas baseadas na verticalidade e na opressão.diferentemente do Rio de Janeiro . Agripino Alberto Domingues e outros mais. 107-11). atua algumas vezes com R. alguns. ao questionar em seus diferentes textos a autoridade e o poder destes especiali. Particu33 Sobre o assunto ver Rogers. a USP e com menos intensidade a PUC/SP e o Sedes.as idéias da vida em comunidade e da autogestão. são os estabelecimentos que. tanto Oswaldo de Barros Santos quanto Rachel Rosemberg .dentro do caldo de cultura do Movimento do PotenciallIumano . 1978.O Sedes Sapientiae Rachei Rosemberg e sua equipe realizam as mais variadas experiências de grupo. a algumas parcelas "progressistas" norteamericanas. C. Em São Paulo e no Rio . mais pedagógico.. com cárater residencial e objetivo psicossocial. as violências que as chamadas "minorias" sofrem e se tenta encontrar caminhos diferentes dos tradicionalmente trilhados.como já mostrei . Fromm. Em 1976. com a vinda de C. Ao lado disso. C.

larmente no Brasil. Aclas. Surgem. HTP. publicações de livros . buscando suas "identidades" pessoal e profL>siona1. em São Paulo. de si mesmo e para "melhorar" as relações no trabalho.final dos anos 60 e por todos os 70 -. através da emoção. A ditadura militar .de que entrar na clandestinidade e/ou na luta armada. O "aconselhamento não-diretivo". Tem início. "crescimento pessoal" tornam-se palavras de ordem em alguns estabelecimentos escolares cariocas. em'!976 .persegue. 27.é somente nos fins da década de 60 que. no Rjo de janeiro. nessa época. em circuito fechado. não é o caminho.. enfim. urna vez que. serão muito enfatizados os princípios da Psicologia Humanista dos "grupos de encontro". . "empático". um incipiente movimento ligado à área clínica o qual resultará. na PUC/Rj. com os trabalhos realizados pela professora Rum Scheeffer da Fundação Getulio VargaslRJ. todos se amam. para todos aqueles que de tal trabalho participam. de todo tipo.ta e não-diretiva procuram caracterizar. tortura. poL.il. há uma maior expansão na área pedagógica do "aconselhamento" psicológico. através da relação de ajuda quc estabelece com o outro"". os proHssionais preocupam-se realmente com a relação professor! aluno.Junçào básica ser o iJ.apesar da influência do Padre Benko. vem no rastro dos trabalhos de dinâmica de grupo de inspiração norte-americana que.. Este movimento grupalista é intensificado na áIea pedagógica a partir dos trabalhos de Rum Seheeffer sobre o "aconselhamento nãodiretivo". nos fms da década de 50 e na de 60. estão no cantinho do "crCSCU11cnto" e da "liberação". como muitos decidiram. Tentam. Rum tenta unir aquilo quc chama "aconselhamento não-diretivo" com a utilização de testes psicológicos. é apenas negado no imaginário. trazer à tona as emoções. com técnicas e métodos voltados para uma melhor aprendizagCln e () "crescimento pessoal" daqueles que estão inseridos neste processo. A psicologia humanista.cilitador do processo de desenvolvinlento humano. O chamado "desenvolvimento interpessoal" é uma preocupação por parte de muitos profLssionais "psi" que. Aconselhamento PsJcológko. Esta demanda então produzida é plenamente respondida pelo "aconselhamento não-diretivo". assassina e desaparece COll1 os opositores politicos. dentro cios grupos. são enfatizados os aspectos técnico-psicológicos. o "autoconhecimento" e o 34 Sobre o assunto ver Scheefer. expandem-se principalmente na áIea clinica. Considera-se fundamental a acumulação de forças e para tanto a atuação em seus locais de trabalho. fica a sensação . conhece no fmal dos anos 60 e início dos 70 a obra de R. tanlbém. onde a ditadura sem disfarces já está se instalando. esta demanda pedagógica se amplie. Os aspectos "compreensivista". todos são "autênticos". Estas práticas de inspiração humanL. Op. Tanto no atendimento psicológico a alunos como no treinamento de professores e na relação professor/aluno. a metodologia não-diretiva e. há violência. São Paulo. 2 . na fundação do Centro de ~s Defrnição de "psicólogo-conselheiro" dada por Morato. mais tarde. por intermédio da chamada "1nodernização" da educação. destituem aquele espaço de qualquer caráter instituinte. todos se compreendem. Os anos 70 no Brasil tnarcam esta orientaçào em rnuitos cstabclecirncntos escolares.E NO RIO DE}ANEffiü: O CENTRO DE PSICOLOGIA DA PESSOA Em solo carioca . as terapias "alternativas" aparecem para muitos como uma resposta. p. no Rio de janeiro. desde os anos 50. especialmente o Capítulo 04. como uma forma de resistência. forças que podem se tornar perigosas pelo seu teor de contestação são canalizadas para funcionar entre quatro paredes. Lá fora.como já foi salientado -. uma "parafernália" de exercícios e vária. onde trabalha"'. com o intuito de orientar o público sobre a aplicação de certas técnicas de dinâmica de grupo para uma "melhor"compreensão do outro. mu ito utilizado nos estabelecimentos escolares cariocas por profio:. influenciando cont isso muitos jovens "psi" paulistas.sionaisque tênl como ". com sua Psicologia Humanista . tão enfatizados na FGV. ao se realizarem. por lUcio das sensibilizações. O instituido nesses trabalhos grupaL. faz com que.em sua fase maL. feroz . passa a ser a tarefa número um. como já foi assinalado. cit . o que transforma o grupo num terreno fértil para as catarses que. no final cios anos 70. 264 26'. R. A vinda de Rogers e sua equipe ao Bra. aderem ao enfoque rogeriano ou ao psicodramático. Laing. o aspecto "igualitário" e "democrático" produzido nesses grupos. A própria "antipsiquiatria" é estudada na época e Rachel Rosemberg é uma das profissionais "psi" que..1976.

São Paulo. além de ser configurado como um ser em abstrato. superoisionamos. nos Estados Unidos. Somos agentes de nuuhl~a social quando cddboranws em planejamentos institucimulis. o que não é exclusivo do "aconselhamento". A capacidade humana é naturalizada. o movimento grupalista COll). m- As PRATICAS DA GESTALT-TERAPlA "Fiquei risioneiro da rigidez dos tabus psicanalíticos: a hora exata p de 50 minutos. Rogers mostra que os "grupos de encontro" têm sido muito adotados em trabalhos de intervenção em diferentes estabelecimentos (fábricas. sobre psicologia e psicoterapia humanista. Fiqueí prisioneiro da dkotomia trabalho e diverlimento: segunda a sexta versus fim de semana. R.Perls O ex-psicanalista alemão F. o crescimento e a difusão dos grupos de encontro. A história é negada e a percepção do sujeito é reificada. tais como.In: Rosemberg. p. workshops. Simplesmente me desvencilhei da minha raiva e rebeldia. ciL. 11. idealista. mitificação e reificação do ser humano. o qual. Op. 1979. do massacre possam ser rapidamente naturalizadas. A par dos comentários enunciados no Capítulo anterior . delineia o grupo de forma otimista. casa.). a revolução nos costumes e comportamentos familiares e sexuais. Também chamada pelo práprioPerls de "terapia existencial". a difusão do uso de drogas. "(Há) dois papéis cabíveis ao psicólogo. cOrg. encontramos nos profissionais.e em relação a alguns princípios da Psicologia Humanista. para uma "mudança construtiva'" A que mudanças se refere? A quem interessam estes tipos de intervenção? A quem e para que servem as chamadas "mudanças construtivas". criador da Gestalt-Terapia'·. não sendo vista como uma produção datada e contextuallzada historicamente. tal como uma realidade "pura". a quem e a quê servem estas dicotomias.sobre psicodrama . 36 Rosemberg. num mundo conflltuado e violento. nenhum envolvimento pessoal (contratransjerênôa/). o movimento hippie e a contracultura. em que as subjetividades da competição. Perls. a um serviço institucional. O enfoque humanista em geral. o fortalecimento de uma visão dicotõmica com relação ao pessoal! profISsional e ao social. há outros pontos que gostaria de destacar. criados. a liberdade e o grupo são vistos em abstrato e não como produções históricas. sofre as influências que esta década e a seguinte trazem. de forma extremamente idealista.Psicologia da Pessoa. pp. quando afIrma que "os grupos têm sua própria sabedoria" . quando colhemos e divulgamos dados obtidos em nosso campo de atuaçâo"?f. tornando-me um cadáver-computador como a maioria dos analistas ortodoxos que conhecia ". estando presente em muitas outras práticas grupalistas. aceitas e fortalecidas? Saindo deste território. E a própria realidade é percebida também em abstrato. 59 e 60. Rl. pelas quais as pessoas adquirem a capacidade de "entender" a si e aos outros. é importante lembrar que. nenhum contato ocular ou social. Somos consultório ou cltnica enquanto atendemos clúmtes. damos assesrorla. treinamentos em dinâmica de grupos e grupos de estudo. um espaço onde se procura refletir a respeito do pensamento humanista e a prática psicoterapêutica através de encontros. a influência mística oriental. nos anos 50. F. dentro da mescla tipica ocorrida no Movimento do Potencial Humano com as diversas práticas que aí se inscrevem.5. o rechaço à psicanãlise. O primeiro deles refere-se ã naturalização.37 F. 37 38 Perls. Fiquei prisioneiro de todos os adornos de um cidadão quadrado e respeitável: família. contribuindo. quando oferecemos nossa presença no cotúlíano da comunidade. tem no "aconselhamento" fortalecida a crença da existência de sua natureza "em si mesma". também ocorre tal fato com alguns "rogerianos" paulistas e cariocas. uma "coisa em si". só ela existe. Como efeito desses princípios que orientam a Psicologia Humanista. Um outro aspecto diz respeito à reificação e idealização do grupo. Cabem algumas perguntas. ao conceituar e entender o grupo de maneira abstrata e não-histórica. especificamente os que tratam do "aconselhamento centrado na pessoa". segundo o referido autor. 266 267 . e analogamente. Summus. quando o próprio C. Escarafunchando Perls. "Introdução: Biografia de Um Serviço~. que aceitam e atuam segundo esta linha. igrejas. ganhar mais dinheiro que o necessário.)(grifas meus).l. da mesma forma que ocorre com a chamada "natureza humana". escolas e até no Departamento de Estado dos Estados Unidos).

a se tornarem mais reais. 39 40 41 Castel. Op. 268 . Rogers. professora da Psicologia. worksho/Js. naquele tempo conhecido como centro do movimento gnrpalista nonealuericano41. Op. as práticas oriundas do Movimento do Poteneial Humano somente cheg'. com o propósito de realizar treinamentos intensivos.'!40. vivências. etc. tendo a atração especial banhos_ Quando vim para Esalen ainda era uma hospedaria pública com alguma'! palestras e :iemináríos L.. um pequeno número de psicólogas . que aqui se inicia nos anos 60. Perls. primeiras trJduções dos dois pritneiros livros de F. o próprio Perls a isso se refere quando. e que nos cabe ajudar as pessoas a se libertarem de suas tiranias internas. vai para os Estados Unidos a fim de obter uma breve forma~ão em gestalHerapia. preparando assim o caminho para profundas mudanças sociai.. Los Angeles e ao Instituto de (.. S. formaçào. Florescem.. No entanto.NA PAUllCÉIk O SEDES SAPIEN11AE como um analogan de formas de sociabilidade perdidas. E a gestào das fragilidades individuais . que realiza alguns workshojJ-s. onde conhece e se encanta C0111 a. "Gestalt-Terapia Hoje: Resgate e Expansâo". Inicialmente. Ano 1. pp.. Perls no B'. E será o Instituto Sedes Sapientiae o grande irradiador de todas essa.. ao Brasil. Sedes Sapientiae.elnbora ocupem lugar secundário em relação às "neoreichianas"..organiza um gmpo de estudo de Gestalt" que. A partir ele 197') até 1978 este mesmo grupo faz viagens sistemáticas aos Estados Unidos parJ. inovações de carater aparentemente quase lúdico e.Frazio eJean C. tanto dentro quanto fora dos Estados Unidos.algumas com experiência psicodramática . 199t. conhece Robert Martin que é convidado a vir para oBrasil.TerapiaExplicada. estão as ligadas à gestalt-terapia que.lm na segunda metade dos anos 70.ehalnacb "terapia existencial" ele Perls.) (e) C. Vão a Esalen. p. observa que: ". cit.). de seu livro Gestalt. o crescimento e desenvolvimento do potencial humaoo ( . a partir de 1973. Em 1977 tem início no Instituto Sedes Sapieritiac a primeira formação em gestalt-terapia organizada por Therese e Tessy. junto com Ana Verônica Mautncr. quando PerLsinstala-se em Esalen. Nestes lneStnos anos. da revoluçào humanÍstico-existenciaL de achar e promover nova'> caminhos para a s:midade. mo. 10_ Segundo o próprio Peds: "Esalen principiou como uma hospedaria. . Entretanto. Dentre elas. Ciomai. terapia. especialmente.mento centrado na pessoa" de C. há uma luta entre o fascismo e uma revoluçâo em curso. enl 1976 e 1977. por intluênci. publicado em I%9 nos Estados Unidos.... pp. 124 e 130. Perls. Em Los Angclcs.. psicoterapias conhecidas como "alternativas" na segunda metade dos anos 70.1n: Revista de Gestalt. R. aparecem 3. Neste ano..! 1. Therese Tellegen. f. na época: ".que no Congresso de Psicodrama do MASP comparece como uma elas representantes elesse Gmpo de Estudos de Psicologia Social Aplicada. vai a Londres.e outras mais. cit. técnicas de deserwolvimento do capital relacional. se comparadas com as terapias "corporais". conhecidas como "neo-reichianas". Logo depois ela vinda de Silvia Peters.'rFra7iio. produção de uma cultura psicológica de massa que consumidores buJímicos ingurgitam 1 . Agora somos um instituto privado em expansão <I968) L . é na IJSP que.lsil: Gestalt-Terapia Explicada e A Abordagem Gestáltica e A Testemunha Ocular da Terapia. a promoção de um trabalho psicológico sobre si mesmo que jaz da mobilização da pessoa.estalt de São Francisco.t3...) o símbolo. onde trabalha e dá formação a prinlcit-a geração ele discípulos de F. Jean darkJuliano e Ibque1 Vieira ch CUnfu. 17 e 18. nlereZlI bnt7BChl (Tessyl. Estamos apenas começancL:) a descobrir meios e caminhos efetivos de crescimento que podem produzir mudanças". na C-aJifórnia. a nova panacéia para enfrentar os problemas da ~>ida em sociedade"39 (grif05 meus). notadamente em São Paulo -. na Paulicéia que estas práticas irão se expandir um pouco lTlais.). no. responsável por um curso 42 Além de 111erese Tel1cgtoo. que o Movitllcnlo do Potencial JIuluano encontra seu auge nos Estados Unidos. In: Peris.zem parte dJste grupo liliao Meyt.. na Introduçào. em 197')eom exce~ão de Lilian M.<.c.S. É.com exceçào do "aconsell". em 1976. se estabelecem os primeiros contatos com a gcstalt-tcrapia e a obra de F. No nlcsmo ano ela traz para São Paulo Silvia Peters. É a partir de 1966. 09-26. Therese Tellegen foi uma das fundadoras e coordenadoras do GEPSA .já assinalado no Capítulo [] . ocupam no eixo Rio-São Paulo um lugar secundário. A Gestão dos Riscos.a ele Therese.Juliano -.wrclCWS de intensificação do "potencial humano ".

M. que começa a influenciar alguns gestaltistas paulistas que viajam para fazer esta formação. após suas constantes viagens aos Estados Unidos.]osófico da gestalt-terapia praticada no Brasil. que ignora a "riqueza" da relação tr:msferencial e de outros conceitos psicanalíticos. J Na verdade. uma aproximação entre a Gestalt e Reich. que. Paralelamente ã formação dada no Sedes. M.Fairbairn. Masterson.. 43 "Apesar de o termo Urelação obietal" se encontrar nos escritos de Freude M. como por exemplo a relação transferencial. O pensar era visto como algo tão ~iciado que só atrapalhava o fluxo da verdadeira "awareness" r. este grupo gestaltista inicial.). o entendimento de que conhecimento. la. Efta ênfase tem vindo junto com um reconhecimento critico de que muitas das vivências que caracterizam os trabalhos gestálticos da épocaforam fxJr vezes bastante traumáticas. Hoje em dia (anos 80) a literatura da Gestalt.Este Centro de Estudos de Gestalt de São Paulo . confrontos dramáticos ou episódios de catarses emotivas"44 (aspas e grifo da autom). fundam o Centro de Estudos de Gestalt de São Paulo. em 1981 e 1982. inúmeros proflSsionais brasileiros que trabalham com esta abordagem. no qual oferecem formação.o trabalho gestático terapêutico45. S. onde . realizam workshops e vários outros trabalhos em diferentes cidades paulistas e no Estado de Santa Catarina. sobretudo em São Paulo. se inicia um movimento em busca de um maior embasamento teórico para que se possam melhor respaldar as práticas ligadas ã gestalt-terapia. organiza num bar do bairro do Bexiga grupos que se propõem ao "desenvolvimento das potencialidades" de quem se dispõe a participar de um dos temas de cada semana. Kemberg. dúvidas e buscas.'3 anos. em que o encantamento inicial dá origenl a uma série de questionamentos.organi7""m um núcleo de gestalt. p. . 11. p. Guntrip. 45 Idem. Em 1983 chega a São Paulo Selma Ciornai. semanalmente. In: Ciornai. Nos anos 60 e 70.. ciL. a 1 e a II Reunião Nacional de Gestalt. experimentalmente. pensa em formar um núcleo paulista que congregue pessoas ligadas ã área. W. predomina ". Tessy e Lilian Frazào. veio junto com um certo desprezo por elaborações teãricas.. a partir dai. Winnicott.Terapia se caracteriza por um imporlante resgate do pensare pela ênfase na importância da teoria para nossas práticas. e que o verdadeírosaber tem que ser aprendido organísmicamente. Op. o Centro começa a ser mais procurado por um número maior de "psi" para formação em gestalt-terapia. a partir de 1977. assim como as várias raízes teóricas da gestalt e os fundamentos fJ. Este Projeto funciona por cerca de 2 anos. Lowen. Esta experiência dura um ano e. informalmente. Miller e H. Idem. Muitos entrevistados declaram que esse periodo é o do "resgate e explicitação das bases fundamentais da gestalt-terapia".R.organiza. A partir dai. na mesma época. Mahler. após vários anos de formação no exterior. É o que afinnam ser um processo de auto conhecimento diferente de uma terapia de grupo.no início dos 80 .. buscam promover. com teoria. os gestaltistas paulistas dos anos 80 caraeterizamse pela procura "de uma explicitação mais clara dos pilares teóricos" que os sustentam. dando margem a comentários do tipo 'Jkou pra contar quem sobrevtveu" r. o Centro de Estudos de Gestalt de São Paulo realiza o Projeto "Oficina de Convivio". 271 .de terapia "neo-reichiana" no Sedes. reunindo.Terapeutas. Nessa década de 80. Robert Martin dá formação em gestaltterapia associando-a ã teoria das relações objetais" e tal orientação 270 Desse modo. p. o que precisa ser realmente reformulado é o conceito de "vivência ". Em 1980. Kohut (mais conhecido como autor da teoria do SelO". e junta-se ao Centro de Gestalt e ao Curso do Sedes com Therese.]osóficos da abordagem fenomenológicoexistencial. É na segunda metade dos anos 80. até hoje sua duração é de . comumente "mal" entendido como algo que tfecessarimnente implica em atuações de cunhos cênicos. inJonnação e sabedoria não sãiJ sinônimos. inicia-se a formação propriamente dita em gestalt-terapia. destrntims e humilhantes. segundo alguns gestaltistas. a epistemologia da direta experiência sensorial. Klein. a vivência não é mais suficiente e importante como havia sido nos anos 60 e 70. J. O. Este curso até 1980 é de 6 meses. A grande critica feita naquele momento por estes proflSSionais refere-se ao frágil arcabouço teórico/fJ. principalmente com a Bioenergética de A. "de um respaldo mais sólido" para . A. em São Paulo. Creio que esta ênfase no valor da vi~Jência!da apreensdo atraves dos sentidos. respectivamente. Tem início uma aproximação com alguns conceitos da psicanálise.F. No Oregon. os autores que me foram apresentados como mais importantes e representativos desta vertente Cu) são W.o primeiro no Brasil. supervisão e terapia.. 21. H. Em 1986. foi uma das características mais marcantes dos movimentos de contracultura dos anos 60_ Em psicoterapia.

Além das tentativas ele integrar compreensões provenientes elas Teorias elas Relações Objetais há, também, outras que, elentro ele uma linha fenomenológico-existencial, sugerem uma aproximação com a Relação Dialógica Buberiana. Este temlO "relação dialógica" é relativamente recente entre os gesta!tistas brasileiros, pois
.. Iof somente a parttr dos anos 80 que Buher pas..'1a a ser con.çfderado literatura básica. e o termo "relaçào dialógíca" a ser e:-.plicitado, elaborado e alticulado como tal dentro do referencial teórico gestáltico "46.

~os ane" 80, alguns observam que o edilkio ela gestaJt-terapia brasileira está sendo construido; as vivências não são tão empregadas como nas décadas de 60·e 70 e a própria noção do "aqui e agora" passa
por uma revL"ão, contendo funclamentalmentc a hi.,tória ele viela da pe~c;;oa.

de cursos com Duprm, com os chilenos Adriana e FrancL"co e de várias maratonas com Maurcen Miller, minL,tra workshops que denomina "Laboratórios ele Relações Interpessoais". Somente em 1981 é que Oesarin inicia cursos de formação em gestalt-terapia no Rio de Janeiro. :>reste mesmo periodo, orgarliza-se também em solo carioca o Instituto Gestalt 00 Rio de Janeiro, sob a direção de Margaret Souza de Joode, dirigido para uma formação de três anos em gestalt-terapia, aberta a médicos, psicólogos ou estudantes do últinlo período desses cursos de graduação Além de oferecer formação, o Instituto programa também vivências em gestalt-terapia, cursos introdutórios sobre a abordagem gcstáltica e atenelinlentos c1inicos individuaL~ e em grupo. Margaret Jood havia feito na década de 70 formação em Esalen e São Francisco e, no início dos 80, este Instituto forma alguns profissionais
cariocas; entretanto, na segunda metade, sua importância começa a decair.

Suceelendo os Encontros NacionaL, realizados em 81 e 82, vários Seminários sobre gestalt-terapia ocorrem em São Paulo a partir de 1986. Já no final elos anos 80, afora os Encontros RegionaL, bienai" realizamse Congressos 1'acionais ele Gestalt-Terapia.

2 - NO RIO DE JANEIRO No Rio de Janeiro, oS chamados gesralti'tas encontram-se dL'per50S c cm núnlcro muito pouco significativo. se comparado às demais práticas psicoterapêuticas da época. até lllesmo àquelas considerada...') "alternativas". Somente em 1976 é que Luiz Duprat - que havia feito vivências com o próprio Perls em Esalcn - inicia precariamente alguns grupos, por tempo limitado, sobre Arleterapia. Em 1977 e 1978, os chilenos Adriana Scheak e FrancL,co Huneuus vénl mensalmente ao Rio c, por tueio de nut-atonas, tOITnam alguns "psi" cariocas. É a partir de 1978, após a viagem de Rogers ao Rio de Janeiro,
que uma de suas assistentes, Maureen Miller, utilizando a "gestalt centra-

A história irlstituída e algumas ferramentas teóricas - apontadas ele fOffila bem sucinta - das práticas ligadas ã gestalt-terapia no eixo Rio-São Paulo, pelo que se pode observar, são extremamente precária.~. Em prinleiro lugar, não há quase nada escrito sobre essas experiências. Os eventuais relatos foram retirados, essencialmente, das entrevL,tas feitas com alguns proflSsionais paulL,tas e cariocas, alguns poucos artigos e teses que contêm algo sobre a história ela gestalt-terapia no Brasil e algumas de suas ferramentas". Em segundo lugar, diferentemente das práticas psicanalíticas, psicoclrarnáticas e, mesmo em menor escala, cio '·aconselhamento centrado na pessoa", não há uma história ele institucionalização das práticas gestálticas no Brasil. Conforme será salientado com relação às chamadas "neo-reichianas", a gestalt-terapia, à procura ele uma coerência com suas gêneses em Esalen, não apresenta uma maior irlstitucionalização, o que significa, em realidade, uma menor disciplirlarização e um menor controle sobre a formação de gestalt-terapeutas. No Sedes, no Centro
47 Sobre o assunto, consultar, além da bibliografia iâ citada: Loffredo, A·.De Cotovelo Apoiado no Parapeito da Palavra.: qual é o horizonte? Projeto de Tese apresentado para Exame de Qualificação ao Doutorado - USP, 1987, mimeogr. 2Iotnik, S. Aquisição de Conceitos na Formação dos Psicólogos Humanistas. Dissertação de MestracL:)- USP, 1990. Uma Filho, A.P. Estudo sobre o Método de Experimentos com Sonhos naConcepção de F. Perls. Dissertação de :\1estrado- USP, 1991. Tellegen,T. Refiexões sobre Trabalho com Gtupos na Abordagem Gestáltlca em Psicoterapia e Educação. Dissertação de mestrado - USP, 1982 e da mesma autora: Elementos de Psicoterapia Crestáltica. São Paulo, 1972, mimeogr.

da na pessoa", oferece lima formaç'ão mais Si')tcluática, visitando durante quatro anos o Brasil. No inicio da década de 80, Décio Cesarin, que havia participado
46 Idem, p. ['7

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de Gestalt de São Paulo e no Instituto Gestalt do Rio de Janeiro, não obstante a instituição de uma formação, não se verificam grandes limitações e tanta rigidez quanto nas demais formações "psi". A formação gestáltica de um modo geral é feita essencialmente como em Esalen cursos, vivên~ias, supervisões ~ nos anos 60 e 70, por intermédio terapias pouco institucionalizadas.

de

de Ida Rolf e da própria Gerda. Assim como esta, Perls utiliza muito o choro, pois segundo ele o pranto suave acompanha o "derretimento" de uma couraça rija e o aparecimento de sentimentos autênticos. Comenta Perls sobre a Bioenergética, no que é acompanhado pela maioria dos gestalti<tas brasileiros;
"Muitos terapeutas externalizam sua loucura-de-controle sobre crentes em busca de crescimento, em vez de superarem este sintomB em si mesmos r.. J Eu não estaria onde estou sem a minha sensibilidade, ritmo e intuÍÇào. Mesmo quando realizo experimentos de grnpo, eles são estruturados de modo a levar em conta onde o outro está naquele momento
,,,jQ,

Conseguem, com isto, quebrar em parte o autoritarismo, a rigidez, a normatização e o controle tão presentes em todas as demais práticas psicoterapêuticas que se instituíram para "organizar" melhor estas formações. É em cima disto que, de um modo geral, muitos psicoterapeutas ligados a outros enfoques teóricos, em especial à psicanálise, desqualificam e menorizam a gestalt-terapia, relegando-a como wna prática inferior e pouco séria. A mesma acusação será feita, como veremos a seguir, às práticas "neo-reichianas". Embora seja incipiente o número de gestalt-terapeutas no eixo Rio-São Paulo, suas técnicas se expandem bastante e são muito empregadas em diferentes áreas, principahnente em trabalhos grupais nas escolas, empresas e hospitais. Resta lembrar que muitos profissionais que se dedicam à gestaltterapia tiveram também formação e sofreram influências da Bioenergética de A.Lowen, não somente no exterior, mas também no Brasil, com a vinda de alguns "bioenergicistas", como Anne Baulmann, que, no fInal dos anos 70 e inicio dos 80, promove uma série de worksbops no Rio de Janeiro. Malgrado tal influência, os gestalt-terapeutas, de um modo geral, criticam hoje - assim como o fazia F. Perls'" - as práticas bioenergéticas. Assinalam - como Perls e G. Boyesen - que A. Lowen produz catarses que pouco levam à elaboração, pois a força com que abre a couraça termina por fechá-la da mesma forma. Eis porque ela é considerada uma psicoterapia essencialmente catártica e autoritária, que suscita grandes defesas. Quanto ao trabalho terapêutico gestáltico, afIrmam ser mais "suave e sutil", à medida que insere e "integra o corpo em seu meio". Apesar de F. Perls não se valer da técnica do "grito primaI" como fazia G.Boyesen, já no fmal de sua vida - morre em 1970 - vai sendo pouco a pouco conduzido para o campo da massagem, por influência
48 Sobre o assunto, consultar a autobiografia de Perls, F.S. Escarafunchando Perls. Op. cito

E, em 1969, faz um alerta sobre o modismo das psicoterapias "alternativas", ao mostrar que as chamadas terapias "estimulantes", em realidade, começam a se ligar na Hcurainstantânea"J na "consciência sensorial instantânea". Afmna ele;
"Estamos entrando na fase dos homens charlatães e de pouca confiança, que pensam que se vocês obtiverem alguma quebra de resistência, estarão curados. sem considerar qualquer nece,<uidade de crescimento, sem considerar o potencial real, sem considerar o gênio inato em todos vocês. Se isto estiver se tornando moda, será tão perigoso para a psicologia quanto deitar no diva durante um ano, uma década, um século (.. J Devo dizer que estou muito preocupado com o que está acontecendo atualmente""IJ (grifo do
autor).

Portanto, Perls percebe e se preocupa, no fmai dos 60, com o modismo que a década seguinte traria em reiação às chamadas terapias "corporais" que, no fmal dos anos 60 e por todos os 70, se expandem de seu principal centro, Esalen, o privilegiado lugar que irradiou o Moviruento do Potencial Humano.

IV - As

PRÁTICAS "NEO-REICHIANAS"

Dentre os discipulos de W. Reich que mais irão influenciar os "corporalistas" brasileiros estão A.Lowen, o criador da Bioenergética,
49 50 Idem, p. 220. Perls, F.S. Gestalt-Terapia

Explicada.

São Paulo, Summus, 1977, pp_ 13 e 14.

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nos anos 50, nos Estados Unidos, e na década seguinte, na Inglaterra, D, Boadella e a norueguesa G, Boyesen, criadora da chamada Psicologia Biodinâmica, Os norte-americanos A, Lowen,John C. Pierrakos e Charles Kelley acompanham a fase de Reich - anterior à americana, antes de 1948, conhecida como a fase da vegeto terapia, na qual há uma influência grande das teorias freudianas da libido e da sexualidade, assim como da análise do caráter reichiana - durante o seu exílio na Noruega, a partir de 1934, antes de sua partida para os Estados Unidos, Os europeus D. Boadella e G. Boyesen também sofrem influência desta penúltima fase de Reich, mas seus trabalhos seguirão caminhos diferentes dos discipulos norte-americanos. Já outros norte-americanos, também discipulos de Reich nos Estados Unidos - Baker e Rolf - seguem a última hse do "mestre": a americana, conhecida como Orgonoterapia. Estes fundam em Nova York um Instituto de Orgonomia, bastante rígido, hierarquizado e medicalizado, onde só médicos podem fazer a formação orgonõmica. Se há diferenças - colocadas aqui de forma bastante superficial, pois tal tema foge ao assunto deste trabalho - entre os enfoques desses discipulos de Reich, há um ponto comum que em muito irá influenciar os "neo-reichianos" brasileiros: relegarem a um segundo plano e, por vczes, ignorarem as contribuições trazidas ao debate freudo-marxista por este pensador em suas primeiras fases. Assim, a entrada dessas vertentes reichianas no Brasil - a orgonoterapia c a vegetoterapia - apresenta-nos duas questões. As práticas corporais difundidas no eixo Rio-São Paulo, na segunda metade dos anos 70, levam à "despolitização" do corpo, porque OS prinCIpais discípulos de Reich, com maior influência na f01ll1açâodos "corporali~tas" brasileiros, produziram-nas exatamente desta forma, escamoteando ou, mesmo, ignorando as contribuições sócio-políticas do "mestre"? Ou, ao contrário, estes discípulos, apesar de suas próprias proposições pseudoapolíticas e extremamente psicologizadas/psicologizantes, já encontrarJlll em Reich base para a produção de taL~práticas? Necessariamente esses dois aspectos não são excludentes; mas, ao contrário, podem ser vistos como complementares. Observamos, por exemplo, o caso de David Boadella, um dos biógrafos de Reich, seu discípulo, teórico da chamada Psicologia do Corpo e que, na década
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de 70, em Londres, influencia alguns brasileiros com suas prátic:IS Boadella, ao falar sobre os "caminhos percorridos por Reieh"S!,minimiz:'l sua militância política e "resgata" seus conceitos de forma alienada/ alienante, optando por relegar a um segundo plano as suas eontribuiç""s explicitamente trarJSformadoras. Prioriza portanto o aspecto mai~ adap tável da obra reichiana à produção das subjetividades capitalisticas. Boadella enfatiza apenas os aspectos psicológicos e somàticos - presen tcs. sem dúvida, principalmente, nas últimas fases da produção reiclliana - e ignora por completo as suas contribuições ao debate lreudo-marxi,ta, assinl como sua "teoria da ideologia"';2. Será Boadella o únieo a "esquecer" a "obra soeial" de Reich? Sem dúvida que não, pois A. Lowen - o cTiador da Bioenergética _ vai mais além. O conceito reichiano de "energia vital", chamado por Lowen de "bioenergia", cm realidade é um prolongamento da libido freudiana, e significa a afirmação e não a negação feita pela psicanálise elas implicações soeiaL, embutidas neste conceito freudiano. Lowen retira lhe toda e qualquer implicação soeial, transfo1ll1anc!o-o unicamente em operador dos proeessos psiquicos e somátICOS". Um outro aspecto enfatizado pela Bioenergética é a "reeuper.! çâo" de muitas proposições da Psicologia do Ego, questionadas por Reich. Lowen vai proeurar compreender a basc somática da Psieologia do Ego, considerando-a em ternl0S de energia 54. O próprio Lowen apresenta a Bioenergética como uma abordagem eompreensivista-humanista, fazendo parte do vasto Movimento do Potencial Humano - o que se opõe radicalmente à orientaçâo reic\liana, essencialmente materialista, em suas primeiras fases. Já O período de produção reichiana nos Estados Unidos está inegavelmente marcado por um enfoque mais idealista e místico. A outra dLscípula de Reich, Gerda Boyesen, que também exerce
')1 ';2 Boadella, D. Nos CamInhos de Reich. São Paulo, Sununus, 198'5.. Ver sobre o assunto a obra de Reich, W. Psicologia de Massas do Fascismo.. Porto, Escorpião, 1974 e a análise feita por Rouarret, São Paulo. Teoria Critica e Psicanállse. Rio de Janeiro, Tempo Brasileiro, 1986, quando realça:l teoria da ideologia de W, Reich e suas contrinuiçôes ao debate freudo-marxista. Sobre o assunto, consultar lowen, A. O Corpo. em Terapia: AAbon\agem Paulo, Surrunus, 19T' No já citado O Corpo. em Terapia: A Abordagem Bioenergé1ka, bioenergéticas da PSicoiogia do Ego. Bioenergética. São

!

')3 54

Lowen mostra as bases

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influência na formação de alguns "corporalista.<' brasileiros, nos anos 70 em Londres, enfatiza em suas práticas aspectos essencialmente somáticos, fisiológicos e psicológicos em detrimento dos sócio-politicoso Tendo sido cliente do vegetoterapeuta norueguês ala Raknes discipulo direto de Reicll -, Gerda funda, nos anos 70, grupos de "ajudate a ti mesmo"! dentro da meSllla orientação compreen.c;ivista-humanista do Movimento do Potencial Humano. Todavia, sua abordagem não se encontra no aqui e agora, o que, segundo ela, "mascara as profundezas do ser". Seu trabalho biodinimico faz remontar as pulsões até seu passado mais antigo, auxiliando na liberação de suas repressões e recalcamentosS'5. Sem pretender aprofundar essas diferentes produções "neoreichianas", por não ser este meu objetivo. quis entretanto levantar alguns pontos que se referem diretamente a questões enunciadas nas práticas de nluitos "neo-reichianos" brasileiros. Por esses "cantinhos percorridos", chega-se à conclusào de que a produção político-social do corpo, enfatizada por Reich, é totaimente esquecida por Boadella, Lowen e Cerda e outros de seus elLscipulos norte-americanos. A dimen<;ão sócio-revolucionária da tcrapi:.t reichiana, em suas primeiras fases, desaparece com esses dLscipulos. Lapassade afirma que:
À bioenergia
li.\1a"'i6.

um traz dentro ele si, onde estaria o "centro do amor e da bondade". Tanto Cerda quanto Lowen, e mesmo F.Peris, ressaltam - com pequenas diferenças - este objetivo em suas terapias, o que mostra a influência que teve sobre eles o terceiro estrato do caráter apontado por Reich COnl() contendo impulsos "decentes", "sãos'; "espontâneos" e "honestos"~7.Contudo, Reich - em suas prinleiras fases - relacionou estnltura de caráter com estrutura social, o que não ocorreu com seus discípulos. Esta pequena introdução tem, por conseguinte, o objetivo de busc::u reconhecer que práticas reichianas são introduzidas no Brasil na scgunda metade elos anos 70, que modelos e subjetividades vão servir, fortalecer e mesmo produzir. Podemos, então, cOJneçar a entrar um pouco na hiç;tória instituída dessas práticas no eixo Rio~São Paulo.

1 - EM SÃO PAULO: AS DUAS GERAÇÕES

DE "CORPORAUSTAS"

) "A bioenergética de A Lm1X'11 é um neo-reichi.'imo de direita ( __ é agregado o slogan da 'psicologia bumani~ta'; enquanto a ohra de Reich era anti-humani..'\/a e anti-espiritua-

E acrescentaria eu: não se pode esquecer as transversalidades presentes nessas obras, as subjetividades que estão sendo produzidas nas décadas de 60 e 70 no caudal dos movimentos contraeulturaLs e do Potencial Humano. De um modo geral - como já foi realçado no início deste Capítulo - os "herdeiros" c "discipulos" de Reiclt, tanto os nortealnericanos quanto os europeus, inscrevem-se nesse momento hi~tórico. Não é por acaso que, de um modo gemI, esus terapias "corporaLs" trazem a crenço no redescobrimento da chamada "personalidade primária", ao acreditarem no núcleo "bom" e "tnaravilhoso" que cada
55 56 Sobre o assunto, consultar Boyesen, c;. Entre Psiquê eSotna. São Paulo, Summus, 1986 lapassade, G_ La Bio-eoergia. BarcelolU, Graniea, [978, p. 87,

Desde 19~'í José Angelo Gaiarsa tcm contato com a obra de W. Reich e, nas décadas de 60 e 70, foi o primeiro no Brasil a iniciar uma psicoterapia individual e gmpal de fundamentação reichiana. Com grandes influências de Jung, Gaiarsa se :luto-intitub um "especiali.<:;tl em exprcssão nào-verbal"". desenvolvendo uma aborclagem corpoml própria. Nos anos 60 e 70, pelos grupos de terapia e/ou de estudo organizados por este autodidata. vai passar quase que toda a primeirA geração dos chanudos ..corporalL"lta..,. paulistas. Muitos, COInoFábio Landa, hoje •.• estão na psicanál~•.• outros. como Regina Favre. Antonio Carlos Mareilio e; (rodoye Rubens KigneL continuam conlO terapeuta...,"corporais", embora sigam caminhos dü'erentes entre si e diferentes elo próprio (iaiarsa. No entanto, apesar das diferenças atuai .•• há pontos que uneIll , Gaiarsa e toda esta geração de "corporali.<)tls" paulistas nos anos 60 e na primeira nlct:1de dos 70: o rechaço à psicanáIL..,e.ao monopólio exercido por esta prática c a busca de outras fonna~:(lCS"alternativa."'" a ela. Não é por acaso que o próprio Gaiarsa c muitos "corporalistas" paulistas desta primeira geração fazem no lInal do década de 60 c no inicio ela
"i7 Sobr(; o assunto, consulwr Rdch, \1/_Análise do Caráter. São Paulo. Martins FonL~s, quando
Primeiro."

dt..·scrL'VL':l existência de três L'strJ.tos no desenvolvim.:.'nto Uo Clr;lt':f"iH Ver wbre o assunt<l sua pL'qucna biogr.l1h in Gabrs3,j .A. O que é O Cotpo_ Coieçào

Pa.ssos. Rio de janóro,

Hrasilieme, [()li6, p_ 8').

278

279

de 70 formação psicodramática no GEPSP (Grupo de Estudos de Psicodrama de São Paulo), na SOPSP (Sociedade de Psicodrama de São Paulo) e estão presentes no Congresso de Psicodrama de 1970, no MASP, que dessacraliza os chamados mundo "interno" e mundo "psíquico", vistos de forma tão secreta e excludente pela psicanálise. Até mesmo aqueles que, posteriormente, se tornam psicanalistas, fazem profundas: severas criticas à formaçào autoritária, elitista e arrogante da SBPSP. E o caso de Ana Verôníca Mautner que, em 1982, abandona a bioenergética e entra, mais tarde, para formação naquela Sociedade "oficial" paulista. 1.1 - No Sedes Sapientiae Esta personagem, além de Gaiarsa, é a segunda grande figura em São Paulo responsável pela expansão ele uma elas terapias "neoreichianas", a Bioenergética, e pela formação de uma boa parte cios "corporalistas" paulistas. Desde 1%5, Ana Verônica trabalha com grupos de sensitivitvtraining em São Paulo. Em 1968 vai a Londres, onde permanece por u~ ano, descobrínelo a gestalt-terapia e os grupos de encontro marcados pelo Movinlento elo Potencial Humano que inicia sua expansão pela Europa. Trabalha com Gaiarsa e, em 1970, fica responsável pelo Curso de Formação de Psicoterapeutas no Instituto Sedes Sapientiae, que se converte em um importante centro irradiador da., chamadas terapias "alternativas", Soffendo grande influência de Lowcn, Ana Verônica, sem dúvida, é uma das principaL' responsáveL~ pela expansão da Bioenergétíca em solo paulista, compondo a segunda geração de "corporali,tas" como Sandra Regina Pa.,choal Sollari e Léa Maria Cardenuto, dentre
outros.

escreve:
"PerlenceftUJs ao mundo que se enrijece de orgulho. que levanta o

ombro na vitória sobre o outro. A Bioenergêtica mantêm-se no esquema. Vencer, ganhar, entrar IW desafio. Propõe um sendo aesJeesquema.-luJe, mas consigo mesmo, Ustlndo asmesmasurrru;lS que se pretende eliminar. O mundo em que vivemos lJa10riza a luta, o desafio e a vitória. Vamos um passo adiante ( ..f No "mMa novaiorq"iano, pesado, violento, os homens lutam por tudo. Lowen os leva a luJar contra si mesmos, a entrar em contato com sua, emoções reprimidas, derrubar suas pr6prlas barreiras "na marra'" (.J A Bioenergeticaacredita na dor que acompanha o cresctmento, porque doloroso é o encontro

com a barreira que não cede. Lm-ven passa pelA dor para
chegar ti alegria, poi.ç tocar a barreira dói"S'f (grifos meus).

Diferentemente da orientação reichiana de Gaiarsa, Fábio Landa e outros que, na época, questionam o autoritarismo e a diretivielaele inlprimada ao curso elo Sedes, Ana Verônica e sua equipe utili7~m as técnicas hards da Bioenergética de Lowen. Isto fica claro pela posição exposta por esta "bioenergicísta" no Prefácio à edição brasileira da primeira obra de Lowen lançada no Brasil, em 1977, O Corpo Em Terapia: a abordagem Bioenergética. A certa altura Ana Verônica
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Este texto mostra com clareza que subjetividades estão sendo fortalecidas e mesmo naturalizadas por estas prátícas: a da competição, a do desafio, a da vitória, tipicas do mundo capitalístíco, onde os maL, fortes esmagam os mais fracos. E mais, dentro da própria herança judaico-cri,tã - também presênte na psicanálise - a crença de que o crescimento só se realiza acompanhado de sofrimento. Só que, no caso da Bioenergétíca, a dor é física mesmo! Em 1974 e 75, Ana Verônica incorpora à sua equipe do Sedes Antonio Carlos M. Goeloy e Regina Favre, que cheg.lm do exterior, após vários cursos, vivências e worrcshops, O primeiro, em 1972, vai a Londres e tem cursoS com Gerda Boyesen, em seu Inc;titutode Biodinâmica e mais tarde, nos Estados Unidos, faz vivências e cursos com A.Lowen em Nova York, e em Esalen com os di,cípulos ele PerL,. Regína Favre, que, em 1973, também fica em Londres fazendo formação e terapia com Gerda, sofre influências de Lowen e da anti psiquiatria de Cooper e Laing. Este curso do Sedes - o primeiro no Brasil a oferecer uma formação dentro da abordagem "corporal" - convida, a partir de 1975, vários expoentes do movimento "corporalista" mundial, como Gerda Boyesen, Alexander Lowen e David Boadella, dentre outros .. Posteriormente, Yvonne Vieira e Maria Mello, que também haviam feito formação psicodramátíca, são íncorporadas ao grupo de Ana
J

'f)

Mautner, A.V. "Prefácio" In: O Corpo em Terapia: A Abordagem 09,lOel1.

Bioenergética.

Op. tiL, pp.

281

Verônica, Godoy e Regina. A primeira vai para os Estados Unidos em 1975, fazer formação com Lowen; a segunda, Maria Mello, em 1979 viaja para Londres e faz formação e terapia com lierda. Forma-se, assim, o que fica conhecido no final dos anos 70 como o "grupo dos cinco" que constituem junto com Gaiarsa - que continua "correndo por fora" - a chamada primeira geração de "corporalistas" paulistas. Figura de grande influência neste movimento, Ana Verônica abandona o Sedes e o movimento "corporal" no início dos anos 80, denegrindo, inclusive, as práticas "neo-reichianas". Isto produz um "trauma" em São Paulo, afIrmam alguns entrevistados. Aos poucos o movimento "corporal" paulista, integrando novos personagens chegados do exterior, vai se reestruturando e fortalecendo. Além de Gerda, Lowen e Boadella, outros cliamados "discípulos" de Reích, como os norte-americanos Stanley Kellennann e dlarles Kelley, também influenciam os "corporalistas" paulistas e cariocas. Em São Paulo, todo este movimento acima narrado e o próprio momento histórico bra·.;ileira- ascensão dos diferentes movimentos sociai..;; e a inlportáncia que o corpo passa a ter para algumas camadas médias urbanas - preparam terreno para. a partir de 1978, fazer explodir com força as chamadas terapias "corporais" que invadem os anos 80, continuando no início dos 90. Efetivamente, junto com o psicodrama, as terapias "neo-reichianas", a partir daí, começaln, ainda que timidamente, a disputar o mercado "psi" paulista, monopolizado até então pela psicanálise.

1

1.2 - Outros Estabelecimentos:

Ágora e IPE

A partir de 1974, os argentinos Martha Berlin e Emilio Rodrigué, instalados na Bahia, fazem formação. terapia, propiciam vivências, maratonas e workshops a muitos "corporalistas" paulistas e cariocas. Martha Berlin,que, no fmal dos anos 60, havia feito formação psicodramática com o grupo de E. Pavlovsky na Argentina, logo depois vai para os Estados Unidos e sofre grande influência do Movimento do Potencial Humano, principahnente da gestalt-terapia e dos "neo-reichianos" norteamericanos. Participa, no limiar dos anos 70, junto com Suzana Pravaz e EsteJa Troya, do CIAP (Centro de Investigação e Assessoramento em
282

Psicologia) - já mencionado no Capitulo 11-. que acrescenta ao "grupo operativo" de Pichon-Riviere outras técnicas do Movinlento do Potencial Humano. Emilio Rodrigué. no irúcio dos anos 70, é um dos didatas da APA, que junto com o Grupo Plataforma rompe com a psicanálise "oficial" argentina. Os dois são figuras inlportantes para o movinlento "corporalista" brasileiro ao fmal dos 70 e início dos 80. pois evidenciam para os profissionais da área a dimensão de uma psicanálise em início de questionamento e facilitam a vinda para o Brasil de alguns psicanalistas e "corporalistas" argentinos como Marie l.anger e Teda Bass, dentre outros. Ernhora já esteja na Argentina em 1982, Martha Berlin viaja quatro vezes por ano ao eixo Rio-São Paulo-Vitória para dar formação. Um outro argentino que, em São Paulo e no Rio de Janeiro, realça as contribuições da psicanálise é Rodolfo Bohoslavsky, tarnhémnos Ilnais dos anos 70 e início dos 80. A partir de 1980, Martha Berlin sai ele Salvador e fIXaseu trabalho no eixo Rio-São Paulo. Dentre as pessoas formadas por Martha - além de alguns "corporalistas" cariocas - estão Liane Zirlk e Carlos Briganti, que havia sido um dos fundadores do NEPP em 1976. Este, em 1981, junto com Regina Favre e Teda Bass, organiza em São Paulo um centro de estudos "neo-reichianos", chamado Ágora, e promove um grande movimento de ciclos de estudo com os "corporalistas" paulistas e cariocas. Estes grupos de estudo acabam concentrando-se, depois de algum tempo, nas mãos de Regina, Brigaoti e l.iane que, em 1985, fundam o estabelecimento também denominado Ágora. A partir de 1988, o Ágora propicia formação em terapia "corporal" de quatro anos, por meio de aulas teóricas e vivenciais (workshops), supervisões e grupos de estudo com monitores. Além dos workshops realizados mensahnente há dois gr'dndes workshops anuais organizados fora de São Paulo. Há uma espécie de auto-seleção e a obrigatoriedade de uma terapia de 4 a 6 semestres com um "neo-rechiano" indicado pelo estabelecinlento. Em 1987 surge um outro grupo paulista que dá formação em terapiá corporal, constituído por Godoy, Yvonne Vieira, Maria Mello e Rubens Kignel, o IPE (Instituto de Psicoterapia Corporal e Ensino), que, em acréscimo aos cursos teóricos, oferece supervisões, vivências e terapia.
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Em início dos anos 90, em São Paulo, existem quatro estabelecimentos que, de forma mais ou menos organizada e instituida, dão formação na área "corporal": o Sedes - cuja responsabilidade hoje está com os "corporalistas" da segunda geração -, o Ágora, o IPE e, também, desde 1981, a Associação Wilhelm Reich, que proporciona atendimento cliníco. através do Instituto Wilhelm Reich, assim como gru pos de estudo e cursos os mais diversos e uma formação de quatro anos. Há ainda a SQciedade Brasileira de Análise Bioe:nergética, vinculada ao Intemationallnstitute for Bioe:nergetic Analyses de Nova York, criado por A.Lowen, que, malgrado suas ligações internacionais, não possui o prestígio e o status que, normalmente, no meio "psi" e na sociedade em geral, se dão às relações internacionai., Subjetividades típicas de pai.es do Terceiro Mundo que, entre os "corporali.tas" paulistas, não estão suficientemente enraizadas, até pelas criticas ferrrenhas que todos eles fazem ãs Sociedades "oficiais" de psicanálise e à IPA. Fora estes quatro estabelecimentos que, a partir dos anos 80, oferecem uma formação em terapia "corporal", temos ainda no limiar dos anos 90 muitos "corporalistas" que, em São Paulo, ministram formação isoladamente. A não-in.titucionalização, característica predominante nas formações "alternativas" da década de 70, vai sendo perdida nos 80. Entretanto, tanto na gestalt-terapia - aspecto já apontado - como, em menor escala, nas terapias "neo-reichianas", ainda há formações isoladas feitas por pessoas que, mesmo assim, organizam suas próprias "escolas". É o caso, dentre outros, de José Angelo Gaiarsa e de Roberto Freire.

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fazia sua fOlmação analítica na SBPSP. Porém, desenvolvia intensa. atividades culturaL, e arti.ticas: era professor da Escola de Arte Dramática de São Paulo, poeta e jornali.ta. Nos anos 60 acompanha o movimento do Teatro de Arena e interessa-se por educação popular, vinculando-se ao Programa Nacional de Alfabetização, coordenado por Paulo Freire. Vive intensamente o período anterior ao golpe militar de 64, escrevendo peças e participando da criação da União Pauli.ta da Classe Teatral, da qual é seu prinleiro presidente. Em 1963 abandona definitivamente sua formação analitica, tendo um ano antes sido um dos fundadores, junto com alguns dominicanos, do semanário Brasil, Urgente, que tem papel fundamental de resL.tência, ptevendo e denunciando o golpe militar que se gesta. Ainda em 63, Roberto Freire dirige o Serviço "acionai do Teatro e compõe outras peças teatraL•. Em 64, é demitido e preso duas vezes, embora continue trabalhando na TV-Record- por poucolempo, pois logo também é demitido. Trabalha como jornalista, participa como jurado de vários festivais da MPB, dirige o TIJCA, ganhando o prêmio Esso de Reportagem, com um trabalho, "Os Meninos do Recife", publicado pela revista Realidade Após a decretação do AI-5, Roberto Freire fica novamente sem trabalho e ao viajar para a Europa conhece o Liuing Ibeatre e os laboratórios de teatro de Grotowski. Tem início aí sua aproximação com a obra de W. Reich. Sofre tanlbém influências da antipsiquiatria de Cooper e Laing e da gestalt-terapia de Perls".
".. , a sua experiência de lJida, se~ eeleti..ww de estudo, vivência e atuaçao em diferentes campos das artes e das ciências, são os ingredientes mais importantes e mais caracterislicos de seu método terapêutko"62.

1.3 - A Somaterapia
Roberto Freire, o criador da chamada "Somaterapia", influencia e forma ainda muitos "corporalistas" por todo o Brasil. Como esta influência em muito extrapola os estreitos limites do eixo Rio-São Paulo, falo um pouco deste "soma terapeuta" no fmal desta apresentação dos "corporalistas" na Paulicéia e antes da história instituída desses proflSsionais em solo carioca. Na década de 50, Roberto Freire"', um "bem comportado" médico,
fD Toda esta parte referente à biografia de Roberto Freire foi retirada de três de suas obras; a principal

Este método - a Somaterapia - vem a público em 1976. após experiências que faz, associando-o aos trabalhos de Rudolf Laban"'neste aspecto é VIva Eu. Vlva Tu, Viva o Rabo do Tatu_ São Paulo, Global, 1977, dedicada a Plínio Mareus.e Chico Buarque. As outras duas obras de Roberto Freire que falam sobre a So.materapia são: Ame e Dê Vexame. Rio de Janeiro, Guanabara, 1990 e Soma: Uma Terapia Ana:tquista, vol. 2: A Anna é o Corpo_ Rio de Janeiro, C,uanabara Koogan, 199] Sobre Petls e a influência exercida no trabalho de Roberto Freire, consultar: Viva Eu, Viva Tu, Viva o Rabo do Tatu. Op. clt. Idem, p. 341. R. Utban em seu Uvro Domínio

61 62 63

do Movimento

(Sâo Paulo, Summus), relaciona e codifica as

284

28';

A Somaterapia, segundo o próprio Roberto Freire, tem várias raízes: a primeira seria o teatro, através da chnça moderna de expressão corporal, apreendida com os discipulos de Laban. A segunda raíz é a Ludoterapia, pois a Soma utiliza-se da mesma metodologia, aplicada não a crianças mas a adultos.
"A terceira raiz da Soma, sem dú",ida a maLç importante. é de natureza polltica, porém com base na minha noçào e uivências políticas das décadas de 60 e 70, o que motivara as lula.s clandestinas tralJadas no plano social, enquanto criava e pesquisava o Soma (. __ Eu buscava uma terapia através da qual a juuentude J. sublevada pudesse livrar-se dos res{duos burgueses de sua personalidade, bem como su..<;tenta·la emocional epsicologicamente

1

I

São Paulo e Rio de Janeiro. Desde 1987, promove encontros sistemáticos de somaterapeutas de diferentes estados. De todos os chamados "corpo'..lIL'tas", tanto paulista.s quanto cariocas, o único, sem dúvida, que traz em seus discursos a palavra política de forula clara é Roberto Freire. Mesmo aqueles - e não são poucos - que, nos anos 60 e 70, de U111aorrna ou de outra, possuenl f alguma vinculação com a luta de resL,tência que se trava no Brasil, ao aderirem às terapias" corporais'· e ao aceitarenl os princípios do chamado Movimento do Potencialllumano (em sua tase de expansão na déc'ada de 70), perdem em muitos aspectos o que seja a inlplicação de suas práticas com os diferentes movin1entos sociai'5. Entrementes, ainda que Freire trale tão explicitamente dessa implicação política, persistem algumas questóes: será que as práticas da Somate,dpia, efetivamente, inauguram e/ou consolidam espaços instituintes, espaços singulares e de luta, mesmo que provL,órios' Será que, apesar desse discurso político, suas pr:íticas não continuam tnarcadas pelo humanismo-existencial tão presente nas que se originam do Movimento do Potencial I lumano? Estas são algumas dúvidas para mim no momento. Contudo, pelo que pude conhecer do trahalho desenvolvido por Roberto Freire, tlca a impressão de que sua "terapia anarquista.", em muitos momentos, aponta para a dessacralização de alguns conceitos da "verdadeira" psicanálLse, como o lugar de saher e poder ocupado pelo especiali'ta. "psi", a pedagogia de opressão presente em sua formação, a importância de outros saberes e práticas que fogem ao estreito campo "psi". Apesar disto, nessas práticas que se pretendem "anarquista.s" rompendo com os chamados dogmas "cientificos" e "psicológicos" encontramos algumas das caracteristicas humanistas aponta.das por Castel: "...umrousseaunismo sonhador que exalta a espontaneidade e pretende lutar contra as alienações c constrangimentos em nome da transparência dos indivíduos ..."" (grifos meus), da sua "autonomia", da sua "conscientização", do seu "crescitnento") acrescentaria eu. () que não fugiria ao humanL,mo-existencial e ã produção de subjetividades voltadas para o privado, para o intimL,mo, para a falta. As observações feitas sobre o trabalho "corporal" de Roberto
67 C..astel,R. A Gestão dos RMcos. Op. cit., p. 146.

na luta contra a ditadura militar (. _.) Eu irnagtnava uma terapia
que fosse marcada por uma
l!Í.<;âo

assim que nasceu a Soma

"64

socialista do homem ( ). E/oí (grifas do autor),

Logo adiante, Freire, ao mostrar outras raízes da Somaterapia, revela que:
"Devo ã Gestal! e á Bioenergética (realizadas terapeuticamente

em poucos meses na Europa J, o que, em anos, a Psicanãlise nao
conseguiu me devo/rl(ff da originalidade, da espontaneidade e da

autonomia

que possuo hoje

'06~.

Assinala ainda que W. Reich, Grotowski,]. Beck (o teatrólogo do Living Theatre) e a Antipsiquiatria em muito influenciaram a Somaterapia. Desde, portanto, o início dos anos 70, Roberto Freire vem atuando no eixo Rio-São Paulo - em 1972 mudou-se para a região serrana de VL,conde de Mauá, no Rio - e a partir da segunda meta.de desses mesmos anos vem formando somaterapeutas. Nos anos 80 estende suas atividades a Brasília, Porto Alegre, Salvador, Recife e Fortaleza e nos 90 chega a Goiânia, Campo Grande, FlorianópolL' e Curitiba. Por volta de 1979, cria as chamadas "Maratonas de Campo", trabalhos terapêuticos etn contato direto com a natureza ... "66, inicialmente realizadas apenas em VL,conde de Mauá, com grupos de
dinâmicas básicas do movimento corporal humano com suas respectivas emoções e tensões elementares. Freire, R. Som.a; Uma Terapia Anarquista_ Op_ cit., pp. S2 e ';3. Idem, p. 53. Idem, p. 61.

64 65 fi:J

286

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teve como musa LeUaDiniz. onde a estética corporal é extremamente valorizada.não se dedica trabalhos.em sua atuação dá mais ênfase aos princípios da Psicologia Biodinâmica de Gerda e à prevenção de neuroses de Eva Reich. Comenta que apesar de. Se.ç. realizando formação com Gerda Boyesen e.E. Esta expansão em solo carioca será preparada por uma série de profL'Sionais que. assim como outros que a seguir serão relacionados no Rio de janeiro.na época centro das terapias chamadas "alternativas" -.até hoje "corre por fOf'd" é Geni . embora tais práticas em muito se assemelhem. Em 1970 Eliane faz formação em 1\ova York. A partir de 1977.tência. desde 1969.. As duas primeiras. Não sofre influências de Lowen. com o aparecimento em massa das academias.do Instituto Radix. seus livros tornam-se "coqueluche". e workshops. consideraçôes sobre as outras práticas "corporais" presentes no eixo Rio-São Paulo serão abordadas ao final deste Capítulo. a apologia do corpo e da alímentação natural e críticas à ortodoxia da esquerda inscrevem-se nesse filomento brasileiro.1-Alguns "Corporalistas". com Charles Kelley. Alguma.ao contrário de Ronlel . em 1977 se encontranl no Rio de janeiro e. em 1978. Lowen. tanto em solo paulLstaquanto no carioca. O grande sucesso alcançado pelo ex-preso político Fernando trabalhando seu próprio corpo. Ceni Cobra . vai para a Inglaterra. no inicio dos anos 80. revivendo murros aspectos dos movimentos dos anos 60 que. Face à inexi<. na época.com sua tanga. ter feito vários trabalhos e0111bjoenergicistas nortc-anlericanos . a explosão das chamadas "terapias corporaLs"insere-se num determinado momento de nossa históüa e todos os profISsionais já citados em São Paulo. o Brasil "aberto" para as maLs diversas questões. sobretudo. facilitadas pelo próprio momento histórico brasileiro da época. vivências e workshops realizados por Emilio Rodrigué e Martha Berlim e com c1es. ema segunda figura na história das terapias "corporaLs" em solo carioGI.lo Brasil em 1974. nas camadas médias urbanas. no Instituto de Bioenergética que. em 197~. de forulaçào na área.Freire foram aqui colocadas pela "diferença" que seu discurso comporta em relação aos demais da área. reúnem-se em Salvador. no Rio de Janeiro. Deste modo.torna-se um autodidata. no Rio de janeiro. veicula de forma competente OS "princípios corporais" de Gabeira. 2 . não tem 289 288 . em 1974. principalmente entre a juventude da Zona Sul carioca. ele uma maior preocupação com seu próprio corpo. no Rio ele Janeiro i'5to ocorrerá somente dos anos 80. conlO veremos logo adiante. c StanJev KcUermann . o o primeiro desses profissionaLscariocas é Romel Alves Costa. um dos dispositivos na produção do "culto ao corpo". vivências a fonnaçào) clnbora tenha participado de nlUilos Gabeira . que.EHane Maria Duailibi Siqueira c Esther Franke1. tendo a orgonoterapia de Reich como base para seu trahalho.recém-chegado do exílio . nesse tnomento. que havia estado. onde encontram Eliane Siqueira. em Esalen e no Instituto Radix. têm formação grupalJcorporal. até 1976. em 1977. por um ano. São elas Sandra do Carmo Guimarães. por algum tempo. Buscando reatualizar nluitos conceitos dos movimentos contracultural e do Potencial Humano. Vêm para o Rio de janeiro. EM SOLO CARIOCA incluem-se neste quadro em que massivamente estão sendo produzidas as subjetividades do "culto ao corpo". Ronlelque conhecera um ano antes a obra de Rcich .C01no Charles Kel1ey. A mídia. que. nos grupos. o descnvolvilnento. trabaUlam juntas. na llniversidade da CaIilcírnia . isoladamente. que . O chamado "culto do corpo" passa a fazer parte do cotidiano de muitos dos filhos da classe média. principia um trabalho "corporal" em seu consultório.a exemplo de Romcl . Não podemos esquecer que os anos 80 trazem para o palco das grandes cidades uma série de participações e reivindicações e. Linne Zink . com A. chegada. posteriormente.. vão adubando o terreno com suas práticas. da estética corporal. alguns cursos com David BoadeUa. assume crescente importância na difusão das práticas "corporaLs"ligadas à Bioenergética um grupo lórmado por quatro mulheres com histórias hem diversas. 000 f no início 2. as quais.que posterionnenlc irá se radicar CllI São Paulo -. inicia-se na Paulicéia a expansão das chamadas terapias "corporais". Gabeira simboliza. na década de 80. Cobra.

todos entrevistados por nmn . desde 1973. na segunda metade elos 80. irá para o campo ·'corporal"). L'm outro "neo-reichiano" inicia . Esaler Frankel. posteriormente. f Este grupo. dá alguns cursos L". quanto no Rio de Janeiro. A quarta personagem. elc Um outro "corporalistl". Antes de blarmos sobre esses Sitnpósios c outros ocorridos em q um solo carioe:a.são. oferecendo virias palestras. enlbora existam outros que. Paulo J linclcmburgo Torres Galv:lo.temáticas viagens ao Brasil.e para Londres.. havia tido contato com (jaiarsa e Roberto Freire. no Instituto de Bioenergética de Nova York.ileiros. espal. se intcressanl pelas chamadas terapias "cocporaLs". . se fix:1 !lO Rio de Janeiro. série de qucstionatnentos sobre a lima própria fonnação "psi". a tortura a presos políticos.participa ativamente. a produção da loucura.. sào muito poucas as pessoas envolvidas com essas aborebgens ditas "alternativas". que. funda a Clinica Social da SER . em 1979. Emílio Rodrigué e Marlha Berlin.Rádice e os Simpósios Alternativos A presença de todos esses profissionais. para lá se dirigem quase todos os que. ..realizando cursos breves c vivências com A. quase toelas elas fazem suas r()rn1J." carioca que tenha colabor."oque pretende ser um trabalho psicoculntral e preventivo eOtn crian~'as e adolescentes.em Salvador. Lowen. que innuênci."i. De um modo geral. falar exaustivamente de cada "corporalist. faz cursos com Gerda Boyesen p~r quatro anos.cmos Viana" da RevistaRádice e organiza Socioc1ramas Públicos com o psicodramatista Ivan Gonçalves Can1pos (que. onde estuda e trabalha Com (~ercla Boyesen por um ano c.. no eixo Rio-São Paulo. que tem sua efetiva expansão con1 os Simpósios Alternativos no Espaço Psi de 1980 a 1983 e com o I c n CicloS Reich dc 1982/1983. em Genebra. Criada em 1976 por Carlos Ralph Lcmos Viana . e peia Revista Rádice.1. no Rio de Janeiro. lez formação em Pedagogia em Israel e Psicologia na Suíça e.desde a scgun(1a metade da década de 70 . tem a preocu pação de ligar o atenclimento clínico ã educação. passando por Hodolló Bolloslavsky. onde inicia lórmaçào com D.evidenciar como essas práticas "corpot:li. em 19HO.Associação do Desenvolvimento Pessoal. Enl 1977 vai para Londres.. foi de fundamental importância porque trouxe para o campo "psi"' carioca.90 Nos anos 70 e 80.. ainda que tenha fcito cursos cotn o bioenergici"ila francês Guy Tanelia. mas através de suas histórias .bastante reduzida. 2. O próprio ano de sua cri:1~'ão. Lowen.~~ões breves estadas em no exterior . !lesses anos. dcsde 1980 até 1986. e mesmo br~LI)i1eiro. Podemos ainda apontar outras figuras. a vinda de vários outros "corporalistas" do exterior e as subjetividades do "culto ao corpo" vio engrossando o movimento carioca. faz sl.ldo para a expansào dessas práticas no início elos anos RO.o Cê Ralph -. conhece as três "corporalistas" que aqui já residiam. de uma Inaneira ou de outra.ta Rádice. concorreram com SU3S práticas para tal expan. Eugenio .ladamente e nos anos 80 viaja com alguma freqüência para os Estados Unidos . desde 1973..1976 . é Nicolau MalufJúnior que. vivência. a questão da saúde mcntal e dos hospitais psiquiátricos no Brasil.seu trahalho no final dos anos 70: é Carlos Eugenio Guimarães Marer. poL. faz criticas à bioenergética de A.assinala () momento enl 291 . começa a trdball1ar corporalmente. é ll11POrt. Influenciado pelo grupo argentino dc J.Sua primeira vinda. por influência da "corporaILsta"paulL"a Maria Mello. Este.2 . 2. ultrapassando em muito os Iirrutes do território "psi".l') nos trazem. Meu objetivo aqui não é. etc..1ntCue vOltC1110S pouco nossa atenç'io para a RevL.-"" chegam até nós. estuda junto.ainda um curso sistematizado.. Boadella. numa visão mais preventiva. junto com Carlos Ralph l.'. o e1itismo das Sociedades "oficiais". com Frank Ledig . dando formação em BiossÚ1tesc para muitos "corporalistas" bFJ.c ao retornarem iniciam a expans30 de taL')práticas_ Os profissionais aqui citados . foi um verdadeiro evento. em São Paulo. pode-se perceber que.de alguma forma marcaram o movinlento ··corporal" no Rio de Janeiro. de início. orRanizados por Carlos Ralph. no Instituto Radix. Blegcr. com Charles Kelley c na Califórnía. dcsde 1972. na época. No início dos anos 70. em 1977 e 1978. Também Eva Reich vem :lO Rio duas vezes. Em 1977 volta ao Brdsil e. c sitnplificaclas . que após uma formação psicodrdn1ática. em absoluto.Estados Unidos e/ou Londres . que também contribui para a expansão ocorrida no início dos anos 80. Pichon Riviêre. Tanto em São Paulo.

corpo/mente trabalhando e sendo trabalhados Com uma programação de 108 C-'l·'t?ntos quatro dia. Mantemos o mesmo clima Sério/Alegre de 1Alternativas. efletir. A Revista Rádice engaja-se. Carlos Henrique Escobar e l11UltOS como tema central "A Politica do Corpo". Uane Zink. escolas e creches. Ano L. desfilam por suas páginas. 1980.paço abet10 por todos. 292 "Rádice.começam a sair das periferias onde. Rádice salienta a importância da implicação do profISsional "psi" com estas práticas que .. Hélio Pellegrino. março/198l. Também estão presentes Carlos Ralph. o pedagogo Paulo Freire. 20-23.. da época. Geni Cobra. Franco Basaglia.assim se refere a este encontro: 'Para nós está claro o perigo da alienação. como editor (j) ··Simpósio Sério/Alegre". Corpo e mente trabalham e são trabalhados em açiw coletiva e indlferenciada Cerca de 900 pessoas. n° 13. Durante quatro dias.. ()hjetivancio. Katrin Kemper. desde o início dos 70.da Revi'ta Rádice. Estão presentes dentre outros os "corpora1islas" Esther Frankel. apesar da d~{icü real'idade~ gostamos multo da uida 'ot>Q.. na época ainda psicodramatista.B. p. biodança. Eliane Siqueira. diferentes formas de expressão e trabalho corporal.. Nicolau Maluf Júnior e Jovino Camargo Júnior do recém-criado Instituto Wilhelm Reich de São Paulo. . Rio delaneiro'>(. o Jornal Espaço Psi . portanto~ nos diferentes movimentos sociais da segunda metadc dos anos 70 e inicio dos 80.sivelo 0. apresenta como R reIna "Sério/Alegre". Ciuattari. Adriano Hipólito. Estão presentes muitos dos mais conhecidos profissionai<. como Romel Alves Costa.que ignora o cotpo A e promete sempre oprazer e a felicidade para o amanhã. Luiz Alfredo Garcia Rosa. Gregório Baremblit. 81. enl particular.que no Brasil se constata o maior recrudescimento cios movimentos populares e sociais c. a biodança.simcomo o "político ". da área. as propostas rcichianas e "neo-reichianas". o teatro. preenchem da maneira mai. realizado em 1980. Chairn Samucl Katz. Fábio Lancla. Martha Berlin. "quando o dia raiar" Queremos pen. In: Revi~aRádice. dentre outros. 03. Bia de Paula. no Parque [Age. díscutem-se inúem meras alternativas para as praticas "psí" no Brasíl. dando continuidade ao I. Esther Frankel. participantes e organizadores.. das universidades. Romel Alves Costa e Ivan Campos. sem dúvida. !mpn'mimos alegria porque. até a das hem inJencionada" ma" individualizantes têcnicas puramente corporaL. surge como continuidade . como nosso sangue também. ln: Espaço PsiJoroal.La ádice e pela Livraria Muro. ra!acionando-a com os dil'erentes movimentos sociai. Já em seu primeiro número. dentre outros. nº 2. a questão da psicanálise..'. Há muitas e variadas conferências e vivências enl psicodrama. que por algum tempo centralizará o debate sobre a Politica do Corpo. em suas diDersasjôrmas. outros. denuncia as torturas e prisões nas ditaduras latino-americanas do Cone Sul.. di5cutír. as práticas orientais.'.o sociólogo Gismo Cerqueira Filho.>.sinônimos de credibilidade pessoal e científica.. no espaço social aherlopor nossas forças. Eugenio Marer.José Angelo Gaiarsa. O 68 nSimpósio Alternativas no Espaço Psi. massagens. Geni Cobra. o bispo de Caxias D. e ao longo dos quatro anos e nleio de sua exi. Criado neste mesmo ano.como já apontei . o preso politico Alex Polari de Alverga. O I Simpósio Alternativas no Espaço Psi. e nluitos outros. como a campanha pela anistia ampla.s integradas". "psi" ou nio. 293 . Por i'ffiJ A POLÍ17CA DO CORPO. as "novas terapia. Eduardo Mascarenhas. a democratizaçáo da sociedade brasileira em geral e dos hospitais psiquiátricos. na E<icolade Artes Visuais. tema central de nosso Simpósio Alternativas no Espaço Psi.. que após quatro anos e meio de trabalho "fecha suas portas". Luta & Prazer".também com a participação de Carlos Ralph . estão sendo gestadas. Rádice apresenta um texto de F. o psicoclrama.'> solidária po. oJornal Rádice Luta & Prazer. desenvolve Este II Sinlpósio. até o u'abalho COll) deficientes físicos. geral e irrestrita. 20. cerca de 1~()eventos são programados no Parque Lage. Ano 3. além disso.'\t1r. o psicodramati. Neste mesmo ano. Eugênio Marer. etc.. da umbanda e do candomblé à dança e ao Tai-Chi. entre conferencistas. Do-In. produzír r sobre esta'>quest6es. queremos nos re-situar na cultura do corpo. Ana Verônica Mautner. vivenciar. como Ronald Laing.ta paulista José Fonseca Filho e o carioca Ivan Campos. as posturas "neocontestatórias" que trabalham na política e no C01pO. discute as mai. tai. em 1981.tênciavários intelectuais. expositores. Thomas Szasz. tn) témicas bioenergéticas. pois não acreditamos que a sisudez e a falta de colorido sc-:jam. dentre outras atividades. p. o antropólogo Gilberto VelllO. 03-13. Assuntos os mais variados são debatidos no palco: desde o direito ao aborto. organizado pela Revi.

debates.3 . José Fonseca Filho. Abrir POrias. com o tema "Prevenção. A partir daí. que traz.nº 12. baile. p. além dos psicodramatistas Ronald de Carvalho..Ano J. num pritneiro mOIl1ento. j\. mas apt'ender a redimensionar uma atuaçdo pela pre. quando cerca de 1000 pcssoas debatcm as práticas reichianas e "neo-reichianas". já no Colégio Bennett a própria Vida é discutida e uívida em três dias de encontro humano.li é org''!nizado um centro de estudos que. social e cósmica"". rtifletir. através de conferências. pretende o debate e ". i<. A Revista Orgon fica somente neste prinleiro nÚ111ero. artimanhas. Em 1983. Em J 982. Os anos 1981 e 1982 marcam.em sua maioria. femlentalTI o terreno para os grandes eventoS que ocorrem de J 980 a 1983. com o apoio de Rádice Luta & Prazer. 02.de sensibüidade"~. Rubens Kignel. belecimento que se propõe funcionar sem sócios. Romcl Alves Costa. os conceitos e as informações são vivenciados através do conhecimento que cada um 72 JomalPsIAnalIl. Paulo Hindemburgo. 2.Alguns Estabelecimentos: CIO. inicia uma formaçào "corporal" que denomina "Programa de Capacitaçào Profissional". Estas. Raízes e sua c1inica sobrevivem somente até 1984. maiolL983. mas também psicanalistas . preocupada com a questão corporal.. n2 4. a que comparecem pessoas de quase todo o Brasil. conlO Roberto freire. O primeiro número deste jornal é dedicado à visão sexual que a esquerda brasileira tem ..prátfca da Pslcologia e ajormaçao de seus profissionais Não só tratar a doença. aqueles vinculados ao IBRAPS[ -. 294 . numa espécie de aUlOgestão. Ainda em J 982 acontece o m Simpósio Alternativas no Espaço Psi com o tema "Expressões de Vida". É um curso "teórico/vivencial".à "sua miséria sexual"..temitica na s área. Estes repercutem enonnemente entre os jovens profIssionais "psi" de Zona Sul carioca e vão estimulando demandas e subjetividades voltadas par'! o trabaUlO com o corpo. ainda à frente de todos esses eventos. mudar a vida.wm)açdo da saúde "71. já sob a organização de Raízes e Cê Ralph.ger:I1c Eugênio Marer c Pedro Castel. Vivências. também promovido peio Jornal Rádice Luta & Prazer. Liszt Vieira e Herbert Daniel. etc. reúnem-se OS primeiros grupos: até mesmo pessoas dispersas passam a se preocupar canl uma formação maio. sai da Rádice Luta & Prazer e funda Raízes . representantes de diferentes movitnentos sociais e alguns exilados recém-chegados. Tudo que ousamos criar e viver. Carlos Ralph. sem local. quando Carlos Ralph edita a Revista Orgon. no qual a teoria. Paulo Hindemburgo. dentre outros. lOOR e Outros Presentes não somente "corporalistas" como Gaiarsa Roberto Freire Bia de Paula. forjadas isoladamente por uma série de profissionais já assinalados e por outros. 'Nicolau Maluf: Esther Frankel. é realízado o II Ciclo Reich. cursos introdutórios de "Bioenergia" e de "Reich e os Neo-Reichianos" e vários profissionais ali prestatn servj\-'os. Deni~C' Dessoni. Norma Jatobá. que será a consumidora dessas práticas que se expandem massivamenle entre a juventude de classe média. no Rio de Janeiro. dezembro/1981. inclusive. à expansão de conhecimentos e disseminaçào de práticas propiciadoras dc consciência pessoal. mostras de arte. por exemplQ.. (~aiarsa c Francesco Drag:otto. uma conferência do bioenergicista John Pierrakos. 16. Psicologia e Política". canaL>. Já se constitui uma clientelá significativa. nQ J1. .p· 10. portanto. Há grupos de estudo sobre as concepções de W. assuntos diretamente ligados ao humano. No ano seguinte é realizado o I Ciclo Reich nas Faculdades Integradas Estácio de Sá. No ano seguinte. no momento bistôrico e po/itico que atravessamos temos que repensar a. dentre outros. ocorre o último e IVSimpósio Alternativas no Espaço Psi. um esta70 71 Luta&: Prazet'. o início da expansão das práticas "corporais". Aftrmam que " . palestra •• shows.Reich. iu1ho/t(J83. José Alberto CoUa.Centro de Estudos do Homem. é organizada uma clinica terapêutica "corporal" para discutir a própria prática clinica. que aborda o tema "Desenvolvimento e Aplicações Práticas do Pensamento Reichiano".. José A. Um espaço para se pensar. p. nlesas redondas.Ano 1Il. sem diretoria. tais como Alfredo Sirkis.. Ainda neste mesmo ano. abrir cabeças. Jomal Psi .

em 1981. ingênua e idealisticamente -localizado na Zona Sul do Rio de Janeiro e composto essencialmente por elementos de classe média . abrem grupos de formação em bioenergética. desde 1979. psicôlogos. 1[. terapia bioenergética. elegendo-se. Sobre o texto final acirua citado.. Após a criação do C10 dá aulas no curso de formação. Abandona progressivamente o enfoque psicodramático e utiliza cada vez mais o orgonoterapêutico. p. Após várias perseguições políticas em seu pais. II. A primeira. Boadella. ele sÓ atende individualmente em casos excepcionais. que já trabalham no mesmo consultório. presidente da SOPERJem 1983. l:m outro grupo organizado no Rio paIa formação de orgonoterapeutas é o Instituto de Orgonomia ola Raknes (IOOR). gostaria de tecer um breve comentário. E o CIO. operários. Após a dupla expulsão de Reich . dentro do enfoque reichiano de prevenção. etc (. dentre outros. grupos de estudo orientadoS. Ivan Gonçalves Campos. tendo como inspiração o movinlento Sexpol criado por Reich. que ilavia desenvolvido e sistematizado a técnica de ma. uma espécie de Casa de Cultura. Reich considera a existência dessa "denl0cracia do trabalho" como a forma natural de organização social que sempre ocorreria quando as pessoas cooperassem harmonicanlente cnl serviços de necessidades comuns e interesses mútuos. Em 1983 surge o primeiro estabelecimento no Rio de Janeiro encarregado de uma formação dentro da orgonoterapia. o bioenergicista Frank Ledig vem regularmente ao Brasil paIa vivências e womshops com seus grupos de formação. médicos. NavaIro. estudantes. Será que suas práticas estão voltadas para a produção de espaços singulaIes que possam fortaiecer esses segmentos sociais' . nos Ciclos Reich. A proposta do CIO é: reproduzir. Volta ao Brasil em 82 e. proporciona formação individual terapêutica/teórica em orgonoterapia de análise do caráter e massagem reichiana. mantém estreito contato com pessoas que estudam Reich. chega ao Brasil.'Sagem reichiana. a 1977. na Alemanha. embora sofram muita influência de D. No inicio dos anos 90. terapias e abre uma creche-escola. como Geni Cobra.uimarães Marer e o argentino Felipe Fernandez. supervisão de terapeutas. na década de 30. 73 "C10". Este conceito. associa-se ao CIO. com quem fazem formação em Biossintese.tlhelm Reich (CIO). Por intermédio delas. convida os trabalhadores.Iosso ) Centro espera estar regido por uma verdadeira democracia do trabalho e. Sandra Guimarães e Eliane Siqueira. In: Orgon. Raízes. Neste mesmo ano. realiza maratonas vivenciaL. Guy Tonella. Este estabelecimento iniciaseu funcionamento oferecendo um curso chamado "Economia Sexual para Prevenção das Neuroses". __.já no inicio dos anos 40. compreende. à sua construçào"73 (grifos meus). rrmdado por Denise Dessoni de Almeida. que é bastante idealista e ingênuo.da Associação Psicanalítica AJemã e do Partido ComunL'ta Alemào . 297 296 .e informativas. iruplicitamente. criando o conceito de "democracia natural do trabalho". aberto a qualquer proflSSionalinteressado na área. etc. este autor aproxirua-se de grupos anaIquistas.inicia fonnação no Instituto Wilhe1m Reich do México com Blanca Rosa Anorre. Carlos Eugênio (. de 197'. pois continua conjugando terapia e irúormação. no Rio de Janeiro. professores. somente três anos depois é que passa a fazer parte do estabeleciruento.convoca trabalhadores e operários para sua construção. chama este trabaUlo de "Ateliê de Emoções". paiestras.e assiste ã explosão do movimento "corporal" carioca com os Sirupósios Alternativos e os Ciclos Reich. que é aiado em 1989pelo italiano Frederico Navarro e pelos brasileiros Alfredo Allemand e Fernando Acosta. . ete. Riode Janeiro. MariaMello. controlar e documentar os descobrimentos de Wúhelm Reich prosseguindo com as investigações em todas as áreas da ciência orgonômlca. De dois em doil) meses reúne todos os seus clientes e formandos num sítio onde fazem "trabalhos de laboratório". s/data. inclusive. Desde 1977. entretanto. que foi psicanalista. Desde 1970 esse argentino havia organizado em Buenos Aires a I' Liga de lnfonnação Sexual. em 1978. alénl de naturalizar as formas de organização social. de 1970a 1974 faz formação em vegetoterapia com o próprio Ola Raknes.passa a ter de si próprio. que vinha de uma formação psicodraInática. portanto. o Centro de Investigação Orgonômica W.Frederico NavaIro. Toda atuação é grupal. de 1983 a 1989. Em 1986. difundir o pensamento e obra de Wühelm Reich a um nível informativo e formativo através de cursos.faz com Arom Abend. conhece Eugênio Marer e Felipe Fernandez. o mito de Rousseau sobre o "bom selvagem".

Esta apresenta três frentes de trabalbo: a da clinica (através de atendimentos individuais. Boadella e por ele autorizados surgem em solo carioca. No fmal da década de 80. assumiram o encargo de organizar uma filial de seu Instituto no Brasil. receberam de seu Instituto de Biossintese o título de training em biossintese e. posteriormente. Rubens Kignel (ambos atuam em São Paulo. ainda que não instituidas oficialmente. desde os anos 299 . Não obstante todas as críticas e questionamentos feitos no plano di'cursivo à formação analítica.que desde 1977 flZera terapia com Roberto Freire. De uma formação inicial bastante assistemátíca. que regula o funcionamento da formação de orgonoterapeutas e de operadores orgonõnticos. pela própria influência do movimento contracultural-. Em solo carioca esses dois estabelecimentos são os que mais se destacam nos anos 80 e 90. de Romel Alves da Costa e de Nicolau Maluf Júnior. O segundo liga-se a Liane Zink. cursos . a da prevenção (através de cursos e palestras.Navarro implanta uma metodologia da vegetoterapia sob bases neurofisiológicas.. prevenção de neuroses em jovens. dos Ciclos Reich e do Jornal Rádice Luta & Prazer . organiza junto ao Instituto Ola Raknes uma escola de formação. desde 1980 dá formação a alguns brasileiros e vem ao Rio. embora sem muita expressão.o Ola Raknes e os de Biossintese . É uma forma de expandir sua formação para o mercado "corporal" brasileiro. no início dos anos 90. De início a formação liga-se à terapia "corporal" em geral. em que uma das caraCleristícas é o fato de seus atores serem elementos "desgarrados" .enquanto discípulo de Reich . as chamadas terapias "alternativas". de um modo geral. O argumento utilizado por ambos os grupos é a legitimidade e reconhecimento internacionais para si e seus alunos em formação.adores das práticas ligadas ao Movimento do Potencial Humano. básico e de formação . que começa a oferecer grupos de formação em 1984. defmitivamente instalado no Brasil. constituindo suas "escolas". aspecto que tanto combateram em suas gêneses. São. embora surjam outros. a. estes três estabelecimentos de formação . IPE c Instituto W. em realidade. É verdade que a Bioenergética nos Estados enidos.' terapias "neoreichianas" chegam à década de 90 em franco processo de institucionalização. ao consignar alguns anali. Ágora. segundo declarações do próprio Navarro. De forma bem mais explícita que os outros quatro estabelecimentos paulistas (Sedes. mas deslocam-se freqüentemente ao Rio para dar formação) e Esther Frankel. Reich) e o CIO no Rio de Janeiro. que fundam o Centro Brasileiro de Biossintese. assim como outros terapeutas "corporais"continuem a oferecer formações isoladamente. de menor expressão. quando recorrerei a tal formação como um dos analisadores das terapia. recebendo o nome de Instituto Brasileiro de Biossintese.em· todos os sentidos. É o caso de Esther Frankel.Em Paris. para dirigir seminários e workshops. Os demais induzem seus formandos a fazerem terapia com profISsionais de seus próprios estabelecimentos. participando ativamente dos Simpósios Alternativos.com outros "corporalistas" funda a Clínica social de Terapia Reichjana.pretendia realizar". O primeiro a se organizar está associado a José Alberto Moreira Corta e outros '·corporalistas". Sobre a formação oferecida discorrerei.para orgonoterapeutas). entram nos anos 90 no Brasil com práticas que produzem módelos. dois estabelecimentos vinculados a D. após fazerem formação com D. Boadella. di'positivos e subjetividades bem próximos das instituições "verdadeira" psicanálise c formação analítica. a Escola de Orgonomia Latino-Americana (EOLA).introdutório. "pronto socorro" para situações de crise. "o que Ola Raknes . pais. ligadas ao Movimento do Potencial Humano. apresentando uma relação de ter"peutas indicados e reconhecidos para a chamada "terapia didática".apresentam suas propostas seguindo o tradicional e acadêmico modelo da formação analítica "oficial". em 1986 e 1987. Pedro Vieira Castel. são criados dois estabelecimentos visando a uma formação em biossintese. Em 1989. Esta é a metodologia empregada pela Escola Européia de Vegetoterapia e pelo Instituto Ola Raknes. filiais de seu Instituto de Biossin298 I tese. por interesse do próprio Boadella. Por questões de poder e com a autorização de Boadella. Em 1986. da qualfalarei mais adiante. o grupo dcfme-se por uma formação orgonõntica. e a da formação (através de grupos de treinamento. desenvolvida por ele. terapia para usuários de droga e trabalho com aidéticos). Estes dois grupos. gestantes e adultos). A principal atividade do Instituto de Orgonomía Ola Raknes é a Escola de Orgonomia Latino-Americana. a partir de 198~.

também algumas de suas caracterlSlÍcas se apresentaram. A"im é que. da comda para o controle de um mercado "corporal" mundial. estas caracteristicas e acontecimentos aqui apresentados realizam a análise. O que foi mostrado neste Capítulo está ligado ao conteúdo das entrevistas realizadas com alguns "corporalista. De um modo geral. Ao lado disso . outros profissionai~ da área que aqui não aparecem. pois sente-se ao longe e no ar o '·mau cheiro" da normatização. esta pequena síntese do movimento "corporalista" no Rio e em São Paulo representa. da mesma forma que as práticas psicodramáticas no Rio de Janeiro. que apresenta muito mais facetas e informações do que aquelas aqui apresentadas.afrrmam alguns corporalistas . principalmente. além dos acontecimentos que se impuseram a mim ao pesquisar as histórias dessas práticas. F. Posteriormente. Entretanto.já desde os anos 50. assim. 1. assim como artigos de jornais e revistas "psi" da época. Uma 'outra" IPA' Parece que sim.~o Rio e em São Paulo. da disciplina e.que toma vulto nos anos 60 e 70 com a expansão do Movimento do Potencial Humano nos Estados Unidos. é empreendida por C. Aqui. Como fiz com as práticas psicanalíticas e as psicodramáticas. portanto. também as "corporais" n não dispõem nestes dois espaços geográficos de nenhum material escrito sobre sua história. sendo vendidas em qualquer esquina. uma primeira contribuição ao assunto. vendem e supervisionam seu know-how corporal pard a América Latina bem dentro de caracterislÍcas empresariais. respectivamente . um monopólio que tão bem a IPA tem desempenhado há mais de 80 anos. São aspectos que aparecem como reveladores. as gestalti~ta. Rogers e os seguidores do "aconselhamento centrado na pessoa". bem dentro da tradição do movin1ento contracultura!. engrossam as fileiras daqueles que pretendem questionar o lugar de saber/poder ocupado pelo especialista.70. Boadella.principalmente as "neo-feichianas": institucionalização ou autonomia. A cultura "neo-reichiana" no Brasil é profundamente oral.O ANALISADOR ESPECIAllSTA . Europa e América Latina.JGADAS SrnrAçÕES ANAIlSADORAS DAS PRATICAS HUMANO AO MOVIMENTO DO POTENCIAL I . Mais do que a procura de terapias "alternativas". realiza-se um lAJngressoEuropeu de Práticas Corporais que. recorrerei neste item a alguns acontecimentos e caracterlSlÍcas relalÍvos ao Movimento do Potencial Humano como situações analisadoras. em solo norte-americano.Ç do eixo Rio-São Paulo. Boadella e muitos outros "corporalistas" norte-americanos e europeus desde a década de 70. PerIs e os terapeutas gestaltistas. constituindo-se. extremamente consolidada pela prática hegemônica da psicanálise. dentro do conceito de analisador. pelo "técnico em psicoterapia". tal questão se insere no bojo de uma série de outras críticas às psicoterapias dominantes à época 301 300 .as técnicas consideradas "alternativas" são utilizadas de qualquer forma. Dentre as muitas críticas que o Movimento do Potencial Humano faz à prática psicanalítica encontra-se a questão do especialista "psi". em analisadores. catalisadores do seu próprio sentido e. tanto Lowen. assim como os "neo-reichianos". propõe a organização de uma Associação Internacional das Terapias Corporais. Tal crítica . ainda r f f v- ALGUMAS I. já se havia transformado numa nascente e lucrativa empresa capitalista. quanto Gerda. Citarei dois anali~adores por mim denominados como os especialistas-peritos e a mágica da salvação.PERITO que sob um minimo de seriedade na formação. Este é o dilema com que se defrontam no Brasil algumas terapias "alternativas" . por qualquer um. este Movimento aliado à contracultura pretende instaurar uma nova concepção de vida que conteste os valores típicos de uma "sociedade industrial e consumista". sob a direção de D. em 1991. aos moldes das mais bem "organizadas" multinacionais. Os anos 90 talvez respondam a esta questão. sem dúvida. E dentre estas contestações encontra-se a função do perito "psi" no mundo capitalistico. sofrem um processo de banalização pela núdia e por muitos de seus profissionai~. Esta história instituida de algumas prática~ "corporais" nos anos 70 e 80 no eixo Rio-São Paulo não pretende esgotar o assunto. Há. Como já vimos no início deste Capítulo.

dentre outros. e assistentes sociais. e visanl à construção de psicoterapias "alternativas" a essa. entendo co1110enc1ausuramcnto desseS diferentes profi~sionai.'i seriam meros "conselheiros-leigos". arrogante e autoritário da "vcrdadeil. Roger.quanto a psicanalítica). p.llfupal". tanto nos Estados Unidos..~Canadâ l' Inglaterra. A superioridade de utna categoria é enfatizada em fun\~à()da inkrinridade de outra.22 e 2. 25.1.es. S..'i de retlexão: a primeira refere-se J. que allrma: "Este !il-ro10i escn'to para estuâantes de P.. fugindo totalmente ao que é colocado . 1\1. " .5 terapias "~lternativa.wfamiliarizar com os métodos utilizados na pràtica do Aconselhamento Psicológico ":'4.skólogo.sional de Contudo. II mesmo esquema já apontado nas suhjetividades produzidas pela divi.... de Sen'iço Social e para outms pmfi<sionais qUi! estejam interessados em . a é figura do conselheiro com esta" car-acti."isunto<lua. Um claro exemplo está na apresent:l(:ão elo livro Aconselhamento Psicológico. legalista e corporativa.como todas as demai. em realidadc. de ()ril'11taçào Rducacional... R Op dt.por C. no estreito território ela "psicologizaçào" c.e isto é bastante enfatizado por C Rogers e seus seguidores .". É mais um especialistno que está sendo construído. cuja precariedade é e7'idenle na sociedade bmsileira'" {grifos meus).sta afinnaçâo só é pálida para pair. Apesar disso. na imposição e fortalecinlento de um "certo" (nadeIo "psi": o "aconselhmnento não-diretivo e humanista centrado na pessoa" A segunda queslào relacionada 3 ruptura dos cspecialismos ..msa questão interessante Há sobre este 3. à nlptura dos cspecialismos. quanto em outros paic. Roger.~c de muitos de seus seguidores. 302 .. ). Scheekr.ento da /unçao ."'.uda". aliás.. I )p_ cit.pelo fato ele qllC o "conselheiro" e () "facilitador" poderiam ser quai~quer profissionais .ticasquuw' ine:\1. e.) Notamos que o Aconselhamento Psicológico chega ate nós confundido de n7·ta forma com a !. possihilidade de uma quebra do saber "pse e a segunda."qucstôes digna.<io social do trabalho no mundo capitalislico. pr. allrma-se que o "aconselhamento" é funçào específica do psicólogo e que os demais prot1sionai.asileim define o Aconselhamento Psicológico como Jun(.. se "facilita" aos outros "crescerem" através de uma relação de "a. como efeito. e L'to é bast:lnte enbtizaelo por seus seguidores. ScheL'fer.s no estreito território "psi".' duas formas enLáo hegemônicas de pensar o s LI icito.'. O "aconselhamento centrado na pessoa". para diferentes profissionai.como () Brasil ~ é utilizado tambénl por profLssionais fora cio setor "psí". Aquilo que é visto por tnuitos . mcnorizacio e infcriorizaclo .refere-se.~kologia...como uma "dCl1l0cratizaçâo" do saber "psi". mas à sua extensão e alnpliaçào para outros profissionais.ojados [Jnido. portanto. pelo qual.fissional de pn"neira linha (.pelo discurso totalizante.conselheiro que transcende a e.1·' psicanálise.~ conselheiros "leigos" para atuarem junto ao . ela brasileira R. Da lnesma forma que o "aconselhamento centrado na pessoa" é desqualificado.1Jeci/icfdar/(> um unico tilm de j)mfir. os saberes e os sujeitos forjados pelos c11al11ados "conselileiro" e "bciliL~dor" encontram-se no espaço do psicológico-existencial.pelo menos nos di. como orientadores educacionais "'"1 "''j Ou seja. cunham o termo "psicólogo-conse1l1ciro" consideram específico do profL"siona1"psi" o aconselhamento c enfaticamente declaram: lJeni€ncia fepolêmica) diz reslNiJo ãconde fonn~lr".'ri<.stente L . ()l) Schmidt. Sobre a primeira questào.. 3 "produção de um tipo de especialL.J .(tanto a behaviorist.s e muitos ele seus seguidores. em suas atuaçües terapêuticas Alguns "rogcrianos" paulistas afirmam que: "Podemos/alar de um reconhL'Cim. Esta referência a outros profissionais não "psi" é uma constante nas obras de C.. () que ern realidade é produzido não diz respeito à quebra do monopólio do saher "psi". em São Paulo. p..~do (~1)ecifica dos !. No Brasil..sicotemJ)ia () conselheiro apresenta-sl' como jJsicólogo clínico I ) A !)1'Ô/Jrialegislaçdo lJ. de forma bastante estreita.s'· . onâl' o conse/beiro funciona como uma espi?ciede jJr(J.tistema de atendimento à saúde mcwtal.es como os E.o.ta em nada diferentc do já conilecido As práticas. que utilizam os termos "conselheiro" e "facilitador . ~:tlgLms"rogeriallos" que.~cllrsos ..<.. que o acusa de ser uma terapia pouco séria 76 Idem. que chegam a criar o termo "conselheiro-leigo".

da mesma forma que no Instituto Ola Raknes . 0)1 seja.e superficial.os requisitos necessários sào: ser nlédko. Há nesses dois cursos de formação presença obrigatória e apre304 A formaçilo oferecida por estes dois grupos segue as regras do próprio Instituto londrino: é de doi. também isto se reproduz no seio do próprio mmimento "rogeriano" . '. pelo que foi exposto."i e a de técnicos Cfi1 orgonoterapia. com a obrigatoriedade de terapia individual e gru pal. Lowen e vários outros "neo-reichianos". pelas criticas feitas por Max Pages e Georges Lapassade à direção imprimida. deve ser mate. Reitera-se a mesnla separação produzida no seio do movimento "rogeriano" acL'itrita à divisão social do trabalho no mundo capitalístico: de um lado os terapeutas cujo curso. exclusôes/inclusões e a produção de um lugar sagrado de saber/poder ocupado pelo especialista "psi". assitn. Há portanto uma hiperdiretividade nesses coordenadores de grupo.xpert que.como já salientei ao analisar o Movimento do Potencial Humano ~. terapia individual e de grupo com terapeutas do Instituto de Orgonomia e supervisão clínica portempo indeterminado.ldores orgonômicos é aberta a qualquer pro~ fissional.'psi". O curso de três anos consta de parte teórica. os demais.ão individual com supcrvic. uma série de discursos contrários ao lugar sagrado ocupado pelo especialL'ita . A formação de opeF. ser aceito em entrevista de seleção com o diretor diclático. sem obrigatoriedade de diploma de curso superior. reprimindo qualquer criação em nome das regras da "espontaneidade" e da "honestidade". O primeiro deles é o Instituto de Orgonomia ala Raknes. auxiliares no trabalho orgonônlico. que. não deixa margem a dúvidas: cópia fiel do modelo de fomlação analítica oferecido pelas Sociedades "oficiais" com suas obrigatoriedades. obviamente. Justifica-se. psicólogo ou outro profISsional reconhe- Um refere-se aos dois tipos ele forma. os técnICOS. O outro estabelecimentu cariuca ele form. tóm1a orgonoterapeutas e operadores orgonômicos. grupos filiados ao Instituto de Biossintese de D. neste Capítulo. O que esta formaçilo apresenta' () mesmo tripé que o modelo de formação analítica "oficial" vinculada à IPA. relevantes POdCll1 ser aqui levantados. funcionando no Rio de Janeiro desde 1989.. dirige a "autenticidade" dos componentes. pesquisadas e pianelacias pelos "competentes" orgonoterapeutas O segundo aspecto diz respeito à própria formação instituída que.lneros auxiliares e execu[Qres das tardas pensadas. silo doi. temos a tórmaçilo "corporal" em dois estabele~ cimentos cariocas já citados na história dessas práticas. supervisão didática e em grupo por um ano.a\~ão "corporal". Perls.este de maneira mais rígida e disciplinadora ~ é produzido e consolidado o lugar do especialista "corporal". contendo parte teórica.. "rigoroso".orcs formados em biossíntese c reconhecidos também pelo referido Instituto.. CJl1 realidade. com este modelo de formação pretcnde~se garantir uma certa fatia do mercado "psi-corporal" carioca para aqueles "didatas" (os terapeutas e supervisores) que detêm o saber/poder da vegetotera30. com sua Escola de Orgonomia Latino-Americana. vislumbra-se. daí a extrema dependência com relação a esses "facilitadores" Ainda como exemplo de que práticas silo produzidas em cima dos discursos criticos aos especialismos forjados pelo Movimento do Potencial Humano. à época. O que se percebe desta t()11l1ação academicamente instituída' Dois aspectos maLo. a existência de um e. . ao coordenar () grupo.ào oferecidos: a de orgonoterapeuta. O curso é também de três anos.. de outro. E mais. sendo exigido estar em terapia de base com um terapeuta do Instituto de Orgonomia. Para a prinlcira formação .a de orgonoterapeutas . anos (correspondendo a 400 horas) de teoria e de prática clinica individual com terapeutas fonnados em bioss[ntese e reconhecidos pelo Instituto de Boadella.. Os primeiros são psicotcrapeutas. facilnlente. estar em terapia de base com um terapeuta do Instituto de Orgonomia. a não obrigatoriedade de um título de nível superior. onde se indueol F.. Todavia . e 100 horas de supervic. pelos coordenadores de grupo. Boadella em Londres: o Centro Brasileiro de Biossintese e o instituto Brasileiro de Biossíntese assinalado anteriormente surgidos no final dos anos 80. Com relação ao Movimento Californiano de Grupos. supervisôes didáticas e seminários. A. também há sentação de monograftlS ao tlnal do I' e 2° anos e de uma tese global ao tlnal do 3º ano. C0010 já foi cido pela Escola de Orgonomia.

Palestra reali:mda em São Paulo.coisas das quais qualquer um pode se libertar""'. de equililJfio.. com ~'-ua. voltam-se para Ulna série de técnicas orientai "i. E<. nos Estados Unidos e no movimento contracultural está presente de f"rma bastante forte a produção de um intenso mistici. no elitismo. classes~ (grifos Não estou. em 26/l 0/ n 78 Castel.. em 197'). O Movimento do Potencial Humano ['li "(. principalmenk" das do budismo. estimuladas nos Estados Unidos . \4. Não é por acaso.xtases_'Tibete.dores.do self~helpi"g: a crença de que a maior causadora das ". "É interessante lembrar que o misticismo oriental tem sua origem em solo norte-americano via colonização inglesa que traz para a Nova InglatetrJ. dentro elapromessa de "felicidade" aos moldes do «meriam way oflife. etc. Consolidarll-se tendências religiosas.. diKOS voadores. Em suma. no que se rcfere à instituiçào formação "corporal" tcnlOS em muitos aspectos a reprodução das pràticas. p."i é a prática ou a Vl"ião errada da viela .). No Rio de Janeiro se desenvolve a partír de 1988 com Eleonora Furtado: Ambas.! o mL. enl especial. HungerandAgression. Op. vicissitudes e doenças humana. aquelas que são acadenucamente instituídas caem.". 1'53.curso sobre a sociedade em geral concebida como jator de alienação.curso da "C0111petência". en1 alguns de seus dL.cípu!os. Por isso. dt. na arrogância.pessoais sob as e~ . 98.mlO mágico. L. 306 307 .o:. R. o movimento Kuniê é introduzido em São Paulo por Paulina Rabinovitch. R. são cada vez tl1r.. símbolo taoi'ta de diferenciação dos opostos. Ego.tào todos mi.pia e da biossíntese. Na. a . Portanto. zen-budismo. j. tentando negar a iInportância de uma formação "psi".no rastro dos movimentos contrJ. COll10as de meditação. Afirma Castel que: mopimento têm certo um di. reali. se farão presentes. no dLo. A contrapm1ida lAtina) e a mágka 1Q. Perls. que alguns "corporalistas" brasileiros. atucinaçoes /J..çJalf" . SClll dúvida. nº 806.está também. nas exclusões/inclusões c.mo.clIltllral e do Potencial Humano Cl _ as subjetividades do etlSí1lCl-'rne vilJe~ do como fazer amígos e influenciar peSSO(L'. A Gestão dos Riscos. Mas não existe nunca andlise desses mecanismos sociais por si mesmos. n:io estou. retardes . . Boadella. "Em Busca do Ego Perdido" In:JB/Cademo de Domingo .. dispositivos e modelos que tão radicalnlente foram combatidos no inicio do Movilnento do Potencial Humano pelas chamadas terapias '·alternativas".ta-perito. místicas. Os Anos 60_ Op.) uma mistura delirante de todos os ê. flutaridade.Z. Rocha. \4-\8.. como D. E esta leitura via coloni23.Ano ]6.F. In Favre. da pio/ência que parre o pais (e a América religiosa.açaoda.\~fi<. fndia. sobretudo a juventude da época78. na construção do lugar de especiaIL. Já em sua primeira obra de 1942. com estas observ3. AdvÍI1do do Instituto Nygma. com sede em Berkeley. que funda o Instituto Nygma do Brasil.. especialmente as tibetanas. ao () voltar-se par.ticismo .r.. bolas de cli. por conseguinte. parapsicologia. hoje.).:ões. de sabedoria e de refúgio. apesar de e do Potencial Hununo nos anos 60 e 70".ua lc::itura filosofus orientais. cujo poder se encar/1 na e se exerce em estruturas. o criador da BiossÍI1tese C0l11sua orientaçào holística. o criador da gestalt-terapia. astrologia. E.O ANALISADOR "A MÁGICA DA SALVAÇÃO" No nascedouro do Movunento do Potencial HlItn:lno. na Califórnia. Também em F..c.'l1_C. nos anos 60.'õicodélicas(".c. conhecidas como Kuniê.~turados no mesmo saco místico da contracultura (. p. Perls lança mão do círculo Yin e Yang.Ção inglesa que estará presel11e nos movimentos contracultural 1901 j(j 80 Maciel.da numeira como ai funciona realmente a meus). hierarquias rígidas. de uma forma ou de outrJ.. 2 . como também atíngem profundamente a sociedade em geral. p."i três últirnas décadas. instituições. A onda se espalha e ataga os países ocidentais" xigências de rentabilidade. pois. na criação e fortaleciolento de lugares sagrados de saber e não-saber. Afetam não apenas as "psi". essas influências orientaL. a coi. ciL.13/10/ 1991.aspecto presente e já realçado na fase amerjcana ele Reich . nem pretendo pregar a ÍI1utilidade das formações. _ os ideólogos (deste) se apelar para as religiôes orientais que prometeul um sonho de p3. a terapia e a supervisão só podem ser feitas com proftssionai~ reconhecidos pelos estabelecimentos fOffim. Os chatnados enfoques e técnicas orientais influenciam profundamente as práticas "alternativas". Estou querendo frisar que há diferentes formações e que.

.não terem formação "corporal". 550: . A lista dos livros mais vendidos em 1991 é encabeçada por obras ". Em São Paulo. Como exemplo da ênfase dada ã dimensão espiritual nos trabalhos "corporais". em sua maioria advindas do Oriente. construidas sobre frágeis. uma na Folha de São Paulo. 309 .o senso comum disfarçado por uma lingU4gem mistu:o-científtca vira novidade"84. em que as palavras não são utilizadas. ~Mercado Editorial Cresce com AutOo-Ajucla" in Folha de São Paulo/ c. Em duas reportagens.. na procura de u~ "verdadeira" alegna e felicidade. mas "vibrações" que de muitas formas penetram e agem no corpo do sujeito.. '( fe Depoimentos dados à reportagem da Folha de São Paulo p~ Ley~Perrone-Moyses pro de literatura da USP) e Maria Helena Patto (professora de PSlcologIa da USP). encontramos alguns que fIZeram formação "corporal" e que se valem dos conhecimentos da astrologia como mai~ um instrumental em seu traballlo terapêutico. p. 09. e Carone.F. F. vinculam-se imediatamente aos "corporalistas" pauli~tas e cariocas. E. do privado em detrimento do público. etc.que. pois apresenta-se como solução para os mais diversos e variados momentos de "crise".o Quiron (Centro de Estudos e Práticas Transomáticas) . da "liberdade interna". intitula~a "Mercado Editorial Cresce com Auto-Ajuda"" e outra no J omal do Brasil. estimulam sem dúvida as subjetividades da "autenticidade". 81 82 83 sca1zo. para os mais diversos e vanados problemas. O mundo "lá fora" não existe.'). o único responsável por seu destino. Todas essas inlIuências místico-religiosas. Para alguns esta tendência" . em nada ou em muito pouca coisa "toca" este sujeito fechado sobre si mesmo. Op. É também a partir da segunda metade dos anos 80 que a astrologia e seus mapas passam a dominar em muitos consultórios paulistas e cariocas. Meu objetivo é apenas oferecer uma panorâmica para que se possa entender melhor o que hoje ocorre com as práticas de alguns "corporalistas" paulistas e cariocas que acrescentam esta abordagem em seus trabalhos. acrescentando a estas subjetividades fortes doses de esotensmo e rrusticismo. Esta forma de encarar a si e ao mundo. estao convertem:ro a feJicidade em capilar 83 (grifas meus). Alquimista': "Diário de Um Mago ". exportada dos Estados Unidos. respectlvamen Op. p. esses mapas tornam-se uma terapia "barata": exigem poucas sessões para a sua feitura e posterior discussão com o cliente. Op. ao prometerem a "felicidade". Roclla. enfatiza-se o "corpo espiritual". Para o ~~or ~vid~.. 84 Sca1zo. clt. sob o título "Em Busca do Ego Perdido"". mostra o estado de desespero das pessoas" e ". principalmente através de exercícios de meditação. 09. procura associar o enfoque espiritual ã prática clínica dentro da abordagem da Biossintese de D. de um estabelecimento . pois ele transcende tudo que aqui foi apresentado.. S. trabalhando-se a vida e a morte. na qual a responsabilIdade da mudança está única e exclusivamente no interior de cada pessoa. "O . vê-se como este fenômeno não se circunscreve somente ao Brasil. um "mundo de paz interior". Por isso.). cit. contando com a participação de alguns "corporalistas" cariocas e paulistas. Propondo um "novo padrão de pensamento" como solução para os mais diferentes problemas.dernoLetras-05/IO/1991. passam um verdadeiro sabão em quem não é feliz.M. estas obras associam-se ao que R. não é por acaso que entramos na década de 90 no Brasil com um mercado editorial onde os livros de "auto-ajuda" se tornam um rico ftlão.que )1 vendem misticismo como ltção de vida ("Bri~a. Com a crença de que somente uma revolução individual/pessoal pode mudar o mundo. no Rio de Janeiro. se existe. F. tive noticia de que algumas empresas utilizam o mapa astrológico como um dos instrumentos para a seleção de pessoal. Se a grande maioria dos astrólogos não têm formação "psi". ou. No plano clinico.M. superficialS e ilusonos arcabouços. dt. dan~o fórmulas para uma saida mágica para os problemas C. e Carone.. temos a fundação por Esther FrankeI em 1990.". encontra princ!palmente na América Latina dos anos 90 um terreno propício e fertil para sua disseminação. banalizar e/ou simplificar este enfoque filosófico tibetano. Boadella e de uma visão holistica. ~astel assinala como cultura "psicológico-relacional". S. Não quero. em hipótese alguma.

w>. a "liberdade"... sem duvida.ç da concorrência.. Fugmdo totalmente aos objetivos defendidos por Reich para uma "prevenção de neuroses". quanto europeus -. Em nenhum deles isto tem sido efetivado.1 Na segunda vertente. dt. Castel. Por outro lado a cartografia de sua obra nào conseguiu cna. que instala na psicologia e no sujeito a responsabilidade por toda e qualquer mudança. a uma forma de trabalhar com a normalidade. elll última instância. a importància de um trabalho preventivo proposlO e colocado em prática por Reich. caracterh~ticas que R.tanto norte-americanos. pouco ou nada se materializam em termos práticos. territórios onde se enfatiza o "auto-conhecimento". supervisão e grupos de formação. gestantes. consegue organizar uma creche-escola. se não fOr perseguindo seus bloqueios e suas reSiStências. produzindo e consoli(lando os processos de subjetivação apontados dentro do Movimento do Potencial Humano. relaciona-se ao fato de que a pós-psicanáIL~e não é o fim da psicanálise.0. portanto. sobrevivendo precariamente. ao fortalecimento de uma nova cultura "psicológico-relacional".Maneiro no gesto que aponta para a questão da ''Política do desejo '.. sem exceção. enfatiza ". pelo menos tanto quanto seus conhecimentos. realiza-se através dos chamados Centros e Grupos de AJuáate a ti mesmo espalhados nos anos 60 e 70 por vários pah~es. 1<. não obstante a virtual manifestaçào ao longo de sua obra. tornam-se.' ce1tamR11te eSsa separação que o h'ava a lX:'11. A questão abordada por R. 310 311 . inaugurando diferentes abordagens.Op. aguçardm tal separação. em sua última fase. Contudo. em realidaele. à gestão das fragilidades individuais. Além disso. Não é por acaso que a "herança" reichiana é disputada por todos eles .. . está presente a amação preventiva. cujas capacidades sao mobüizávei'i a qualquer instante? Mas como conseguir isso. 173. tão enfaticamente repetida por todos os discípulos ele Reich e. Castel afIrma que todas essas novas técnicas psicológicas derivadas da própria psicanálise tornam-se completamente I)j' HS Idem. afIrmam enfaticamente que a "verdadeira herança" de Reich está em suas mãos. 8'5 8S Rolnik. posta em prática pelo "mestre" na Alemanha dos anos 30. Cartografia Castel. sem dúvida.a prevenção situa-se somente ao nivel do discurso. Como de fato enfrentar as mudanças tecnológicas e os imperativo. nà. A primeira. representada por seus discípulos diretos .que.'>. cit. a "autonomia". S. à exceção do CIO. As demais propostas de atendimento a drogados. Sentimental Op. A ênfase.Óhá nenhuma atuação efetiva nesta área por parte desses "corporalistas". Bem distantes do "mestre".. na maioria dos programas e propostas apresentados pelos diferentes estabelecimentos de formação "corporal" pauli~tas e cariocas.. do trabalho "corporal" é colocada nos atendimentos privados através de terapia. esses diversos enfoques "corporais" apresentam entre si aspectos muito semelhantes que . R. se não jaz(. quanto europeus . Castel nomeia como pertencentes à chamada "era da pós-psicanálise""". p. a exigência de trabalhar a sua própria disponibüídade e sua flexibilidade relacional. entre história e geografia. as subjetividades que cultuam o psicológico começam a ser caela vez mais prestigiadas pelo Movimento do Potencial Humano. o E seus discípulos... Com isso.os do eixo Rio~~ão Paulo .tanto norte-americanos. [dem. pais. A questão da prevenção. Esta subjetividade que afirma que cabe a cada um a mudança. 133. assume duas vertentes. Estes aspectos prendem-se principalmente à questão da prevenção. mas ".çescritos. um . que reúne todos esses enfoques "corporais-alternativos" no que chama a "era da pós-psicanálbe".. cultilJando uma espontaneidade reencontrada. p. no Rio de Janeiro. elas continuaram separada.'ndo do trabalhador um ser sem asperezas e sem crispaçào. que. É inegável que.como já foi observado . Em todas as entrevistas realizadas é enfatizada por todos. no gesto que aponta para a e~istmeta de uma relação incindínei entre economia pohtica e economia libidinal. p. etc. representada pelos "corporalistas" brasileiros .se idenlificanl claranlcnte no Reich "alnericano".t. capaz de responder às injunç6es do presente?"íIl .Sar desejo em tE't1nOSde uma "energetica ". aidéticos. o território tronco da indíssolubilidade daquelas duas economtas: em seu. o fim do conlrole (feito) pela psicanálise elo processo de difusão da cultura psicológica na sociedade"'".VI - ALGUMAS CONSIDERAÇÕES >'Reich foi.

) Q] Idem. privilégio das classes médias urbanas que têm sempre a esperança de realizar e constmir uma "verdadeir.deveria "correr" paralela ã sociedade de consumo oficial. psicolngiafazai a experl_a de s•• apr6priajiludização I .. um superinvestimento no psicológico e um não investiInento no social e no político.. A chamada família "normal" representa hoje a maior consumidora destas técnicas "alternativas". A "cultura relacional". que seus herdeiros teriam substituído por uma sensibilidade para os valores da contracuJtura espalhados nos anos ses. E'tSaSnovas técnicas alímentam assim um "ethos". obrigações e hierarquias. munida da unica cerleza de ter perpetuamente perfeita.{icaçâo das relações. Estas caracteristicas apontadas por R. Entrar rul cultura relacionol é abordar uma paisagem social de contornos fluídos. nela peomnece01.a um só tempo pessoal e retacional . . assinaladas por R. Castel. da autenticidade. apesar de transmitirem "sem querer" parte da "herança" psicanalítica.w do social. tna. como ati1Jidade autônoma.. reparar os corpos do que lhes proporcionar "ma mais-valia de harmonia e de beleza t .l" família. em realidade. 1'i4. enfatizada por R. esta maneira inimitável. Sannett e já destacadas por mim. É a chamada "inflação do psicológico". a construção de uma sociedade alternativa ã dominante. o qual teria fortemente atenuado a dimensão marxista de sua ohra. mas largamente difundida na sociedade em geral. É O " i \1 I 11 Há.segundo os "slogans" contraculturais tão fortes ã epoca. as subjetividades fortalecidas e produzidas pela chamada sociedade "alternativa" que . como lá vimos. Neste processo. principalmente. ['i"7 312 .A psicologia represetlla aqui um/Japei homólogo ao da cirurgia estética. de uma só vez porque as outras dimensôes da existtmeia estilo a ela subordirNldas. cultos da espontanf?idade. Caste] como uma das características da "era pós-psicanálise" apresentada. portanto. as fanúlias mais "necessitadas" fmanceiramente as que têm utilizado eSlas abordagens. do não-diretivismo e da conuivência informal"!I9. ainda hoje. São "pós-psicanalíticas". Este é. priticas e sujeitos voltados para "(J superinvestinlento nas relações". para a construção de pretensas novas formas de sociabilidade. a cultura psicológica vê-se como um fim em si.) Dai. uma vez que a sucedem. o psicolôgico invade e . mas do Reich do períodO americano. com a justifIcativa de estarem produzindo valores e práticas "alternativos" ã sociedade capitalistica. tais famíJias não têm acesso ã chan1ada cultura "psicológico-relaciona]". . faz com que a mobilização psicológica seja como um fim em si mesma que satura todos os valores da existência.o. com valores e subjetividades também "alternativos".••sem o quadro de um comercio inscrito nas estruturas sociais e na história. tenninam por privilegiar a parte marginalizada dessa sociedade e. coexistem com ela e.independeptes dela. que retecer a imagem jrágü de lmM sociabilidade clfias imagens estào exibidas nllm umverso uttid:imensional do psicológico "<Xl (grifas meus). Almeja-se. deste modo. ldem..'iatura novos espaços liberados pelo reflu. se situam em territórios marginais. Não sào. .<. mas recusam tal fIliação. Ê como uma democratização do que já se teria podido chamar uma "cu/tura do divà"..roapor uma implicação em um nolJOuni1X?rSO pleno de relaçÕesdo qual não acabaremos nunca de dar a volta. p. As "tiranias do intimismo". Castel produzem saberes. observâvel nos velhos freqüentadores da psicanálise. cuja vida relaCÚJnal seja ao mesmo tempo intensa e harmomosa.é de fato um capital (l. Ao contririo. portanto. em nome de Reich. 141. e porque esse-poroirpa. ao reivindicarem e enaltecerem esta marginalização. retêm muitas de suas mensagens.A 00 Idem. ainda do quepara oprosa1'imOcotidiano. o perfil de alguns "corporalistas" brasileiros que.faz a vez de social representando o estatuto de uma sociabilidade completa quando os fatores propriamente sociais escapam ao dominio dos atores "91 (grifos do autor). cuia finalidade é meno. que muitos autores têm mostrado serem os valores. p. .. no Movimento do Potencial Humano . de recobrir sua vida real com um duplo fantasmático no qual eles existem mai. pelo qual o desenoo/vimento do seu potencial psicológico e a intensíjkação de suas relações com os outros podem tornar-se o alfa e o ômega da extstêncta. ''Poder-se-ía interpretar seu sucesso como uma revanche póstuma de Reich sobre Freud. também são focalizadas por R.wmta: critica da autoridade. "lntensi. poderosa subjetividade hegemônica dos anos 70 e ainda hoje não só afeita ao território "psi".. o "potencial h"mano" . Entretanto.

"diferente" e. desvinculado da ordem capitalLsta.cípulos encontraram base para a expansão de suas práticas psicologi72das/psicologizantes. no capitali~mo. No próprio Reich . Foucault. Microfisica do Poder..com relação à tradicional psicanálise . destituídas de qualquer articulação histórico-sociaL As terapLasditas "neo-reichianas" e o Movimento do Potenclal Humano . ocultando sua dimensão política." e a "era da pós-psicanálise". há nas tempias "corporaLs" aspectos inlportantes e que devem ser ressaltados. não podemos desqualificá-Io e ignol"Ar lguns a enfoques introduzidos por essas teraplas. ao assinalar os tipos de corpos que têm sido produzidos nas e pelas sociedades capitalisticas. esquecida. "abertas" e mesmo "democráticas". poLs ". M. Um deles refere-se à dimensão corporal. mas o fato de essas práticas "corporais" serem . fato já apontado quando me referi à produção de uma cultura "psicológicorelaciona}" e aos processos de suhietivação desenvolvidos no decorrer dos anos 70 no Brasil. o que atrai um novo público em nome desta relação terapêutica "ampliada". há ainda uma questão que gostarla de mencionar. aos poucos a produção política do corpo vai perdendo. os corpos são adestrados e disciplinados nas diferentes instâncLasde poder para se tornarem dóceis e produtivos9'. produzem um corpo alienado. W. a hipótese de ITmitosentrevistados de que as terapias corporais .como já apontei . Além de todos esses aspectos assinalados por Castel sobre as teraplas "alternativas" e "corpomL.'neo-reichianas" que chegam ao Brasil. 93 94 ldem. sua força .nas suas primeiras fases -. no próprio Reich.pelo próprio momento histórico etn que se inserem . enfatizada por tais abordagens.objelivdvel que se cultiva a fim de se torntlr mais "atuante'" na.reconhecendo que instituições. Idem. Não foram somente os discípulos de Reich (cuja influência foi mais sensível na formação dos "corporalistas" brasileiros) que. dispositivos e modelos têm sido construídos e fortalecidos . o que se manifesta na superfície não são essas produções. Se. Típico das subjetividades capitalislicas c muito fonalecido pelas práticas chamadas "corporais". malgrado toelasessas aiticas. Rio de Janeiro. sociabiliLhlde. Vigiare Putllr. Se na terapla reichiana isso aparecia claranlente . Há sim que acrescentar oUlms dimensões que nelas não estão presentes: a instirucional. Castel chama de um "trabalho sobre a normalidade". apesar de tudo isso. por extensão. se entendemos ()aspecto políticocorporal como importante. 19M e Foucault. Op. relacionada à produção de um intenso intimismo. para mim é simplLsta. 314 315 .mais "flexíveis". Assim. M. ocultaram a produção politica do corpo. No entanto.favorecem uma visão a-histórica do homem. 144.tais dL. Vozes. Estas abordagens "corpomis" vêm no rastro do que R.vide suas últimas fases.e a dimensão política. retomam. nos anos 70. no trabalho O" nogozo"<J2 (grifos meus). "alternativa". o intimismo está fundamentalmente articulado com a cultura "psicológico-relacional" e com o retomo para o "eu privado". e mesmo proibida de ser abordada nas terapias ditas "ortodoxas". Entretanto. em suas práticas e formulações teóricas. Impõe-se em decorrência dLsso a produção de muitas questões ligadas ã valorização da autenticidade e ã maior transparência de todos os atos do sujeito.dt.l'Sge 172. p. Todavia.pp. exploram e instrumentalizam um aspecto importante da descoberta freudiana: a possibilidade de trabalhar o próprio conceito de normalidade"". sua liberação faz parte de ações inslituintes que colocam em cheque as estruturas sociais.

no início dos 80 . da análi~e institucionaL Embora a referência a esta década fuja um pouco ao título deste trabalho. Mas retribuo a piscadela do garoto de frete do Trianon. ••bonitas po. Na minha testa caem.tola que as crianças mordem Alguma coisa está fora da ordem Fora da nova ordem mundial.CAPtTIJLO V I- ALGUNS PROCESSOS DE SUBjETIVAÇÃO NA SEGUDA METADE DOS ANos 80 NO BRASIL Os ANos 80 ANÁLISE INSTITUCIONAL EA NO BRASIL "Vapor &rato. não poderia deixar de mencionar .Caetano Veloso) No Capítulo I salientei que a prinleira metadc da década de 80 caracterizou-se pela grande mobilização popular.<. sem Juizo final. Esses movimentos. em 1984. considero este Capitulo uma espécie de estação onde desembarco no final dos 80 e inicio dos 90."""adacontinua É o cano da pf. Vêm colocar-se plumas de um velho cocar.. dos diferentes movimentos sociaL~ que tlorescem desde o limiar dos anos 70. advindas do movimento institucionalista francês. Eu sei o que é bom Eu não espero pelo dia em que todo.um outro conjunto de práticas que vão se forjando e fortalecendo entre os "psi" paulistas e cariocas. portanto..c. Meu canto esconde-se como um bando de ianomânis na floresta. principalmente. a ponte. culminando com a ('-ampanha das Diretas Já!. o viaduto ganindo frrá lua .__expressam tendências profundas na sociedade que awinalam a perda de sustentaçào do sistema político instituido. mas apenas apontaI alguns processos de subjetivação que vão sendo produzidos e desenvolvidos ao longo da segunda metade dos anos 80 no Brasil.'isão mal'i do que {'iSO sdo fatores que aceleram essa crise e que apontam um sentido para a transfonnaçâo social. Foi encontrado na ruína de uma escola em construção Aqui tudo parece que é ainda construção e já é rufna Tudo menino e menina no olho da rua () asfalto. s homens concordem.<.. . um mero seroiçal do narco/ráfico. o Apenas sei de diversas harmonia. Cuspo chicletes de ódio no esgoto exposto do Leblon. Apontam para 316 . Estou de pé em cima do monte de imundo lixo baiano. durante a década de 80. repúdio e indignação ao ciclo militar que se instalara no Brasil em 1964 através. fiá neles a promessa de uma radical renOl'açào da 1-rida política Apontam no sentido de uma política constituida a pariir das questóes da l1da cotidklna.como já mostrei ". Expressam a enorme distância existente entre os mecanismos políticos instituídos e as jorma~ de llida social. esboçando uma breve sintese das gêneses histórico-sociaL~ e teóricas deste movimento instituCÍonalista e da expansão dessas práticas entre alguns profissionais "psi" brasileiros. após a viagem em que percorri as diferentes práticas psícoterapêuticas dominantes nos anos 70 e as que surgem como "alternativas" no decorrer desses anos no eixo RioSão Paulo. empreender aqui uma história do movimento institucionalista paulista e carioca. Aproximando-me do embarcadouro de chegada nesta viagem pelos anos 70 no Brasil.rnvei.mesmo que superficialmente . Ma. A/guma coisa está fora da ordem Fora da nova ordem mundial" (Fora de Ordem . Não pretendo.

se haviam constituído como sujeitos políticos_ O nJ. inicia-se a "Nova República" de Sarney este assume o poder com a morte de Tancredo -. O Fundo Monetário Internacional continua ditando as regras e o país é cada vez n1ai. a partir da interoença..W se recebe" E ri assim que. '~VoBrasil.no de suas história. Segundo Sader. 313. deixa-se levar por fis'.eIVadora. à medida que a "transição" política se efetua.uma nova concepçdo da política. .. a "Nova República" lança em 1986o chamado Plano Cruzado. Dias depois eiaseleições. nos seruiços públícos e nas administmções nos bairros. Eles mostmm que há recantos da realidade ndo recobertos pelos discursos instituidos e ndo iluminados nos cenarios estabelecidos da vida puhUca Constituem um espaço público além do sistema da representação política.>. quando se instala a chamada "Nova República". dando e rece· tuime atravessa betulo ":'(grifas meus). nos sindicatos. E os diferentes movimentos sociais e populares vão Sadet. o Mini."<OU datas Levados "precocemente" aos embates políticos. conseguindo nas eleições para governadores dos estados eleger uma maioria esmagadoramente govemi'ta e con. por meio da qual a corrupção é naturalizada e a "troca de favores" penetra nos diferentes micro espaços. vão simplesmente se colocando na defensiva e lutam desesperadamente por questôes salariais e/ou estabilidade no emprego. Entrementes.ta (UDR). entretanto.~ assolado por Ulna forte e crescente recessão e por ondas de greves que estouram em vários pontos e setores.tro da Fazenda afrouxa os preços e a inflação reprimida estoura." não era o mesmo que o da polftica instituída. 09 318 319 .. que promete como "governo civil" completar a "transição" política iniciada por Geisel e estimulada por Figueiredo. Neles aponta-se a autonomia dos sujeitos coletivos que buscam o controle de suas condições de vida contra as instituições de poder estabelecidas "1_ perdendo gás. o fortalecimento da representação politica instituída e das instituições de poder estabelecidas em detrimento dos espaços singulares construídos pelos movimentos sociais em ascensão até então. .s da vida social. sob o signo constrangido de São Francisco de A. Colocam a reiuindicaçâo da democracia r4erida âs regra.. em realidade..compra de consciências e distribuiçdo de benesses entr-e parlamentares. quando o presidente não consegue aprovar suas lei. Interrogado sobre se o Centra0 acha normal trocar votos jxJr cargos púhlícos.31'5 Schlafman. ° Consolidam-se cada vez mais as subjetividades hegemônicas nos anos 80: a do "cinc.uma série de garantias trabalhistas e o próprio início de uma reforma agrária aos moldes capítalistas ficam prejudicados e mesmo impedidos. p.tante conseIVadora.'. cit. "falcatrua. porta-voz dos grandes fazendeiros e proprietários rurais . Após as eleições presidenciais indiretas. p. os projetos políticos implícitos nestes movimentos sociais vão sendo paulatinamente "derrotados".'l Entraram em Cena. pressões populares e.••fronteiras da política.o direta dos interessados.ç de rádio e teleuisdo com apetite panta+ gruelesco. da mesma forma algumas corrupçôes nos altos escalões dos governos 2 3 Ickm. efoi esta quefi. Quando Novos Personagen. época em que a núcliaexpõe as numerosas e infmdávec. as expre.. A Constituinte instalada desde 1986 sofre.p . eles alargam a. apesar de tudo isto. em sua maior parte é ainelaba.mo consensual". na segunda metade dos 80. In:JBlEdlção Centeruirlo . com a escolha de Tancredo Neves pelo Colégio Eleitoral. Para isso. deputado Roberto Cardoso Alues r. em que a população trabalhadora está direta1lWnte implicada: nas fábricas.l. responde: 'if dando qt.nte na época em que se jonna o Centra0 Em troca da aprovaçâo dos cinco anos e do presüienctalismo. Atraves de suas jormas de organização e de luta.'uno-." dos chamados "colarinhos brancos" e nada acontece a esses "senhores". No entanto. a Assembléia Consti· 578 dias de trabalho. como ocorre durante a Constitu'. Op.ologi. quando a Constituiçào é votada dois anos depoc" apresenta somente alguns avanços nos capítulos referentes aos direitos do cidadào. I .07/04/1991.'i. que temporária e ilusoriamente mantém a economia congelada e contém a inflação. estes movimentos fOfaIll "_ projetados para enfrentamentos decisioos quando ainda mal . ~Os Anos 80". pois com a fonnação e a pressão do charnado Centrão . Isto significa. O descrédito do governo Sarney intensifica-se em todos os segmentos sociais após a "Iàlência" do Plano Cruzado. dentre outras medidas. o governo distribui cargos e canai.. chegando à casa dos três dígitos ao ano.m.saram sua imatun·dade enquanto alternativas de poder no plano da representaçdo política "l. E.grupo de parlamentares de extrema direita ligados à llniào Democrática Ruralc. outros "pacotes" e planos econômicos continuam sendo forjados sob a orientaçáo direta do FMI.

Op. Muüo m.In: Singer. São Paulo. jonnaç6es religiosas. um confronto de princípios pessoais (. Micropolítica. mas envoloe Jonnações do inconsciente. mas nada se comprova seriamente.ln: Singer. Os partidos de 86 (PMDB e PFl) stlO uanidos.]. Desde muito cedo. miaçao regional. em todas as relações sociais. principalmente os do segundo turno. desqualificada e apresentada como um deleito. c Rolnik. levam muitos às lágrimas. o PSDB busca se uiabilizar como fiel da balança o PDT mostra ser uma agre- eo PT se consolida enquanto partido nacional de peso "s.portanto. Não obstante todas as elenúncias feitas sobre estes fatos. GiL. e por motiuos que vários candidatos ofereceram. idealistas e puristas. S.'ln. Nos centros urbanos. A. 08. a tWs ekitores. p. diante do qual todos os demais se mostrariam secundários: a Étícn . a dos meios de conuutkação (desculpem esta lembrança tamentávet)"6 (grifas meus). como coisa de pessoas ingênuas.'i do Desejo.) que não se situa apenas a nível dessas re!açóes sociai. a UDR ofensivamente contra-ataca as diferentes organizações de trabalhadores rurals surgidas ao longo dos anos 70 e início dos 80. crescem não somente os números de agressões a lideranças sindicai~ e/ou trabalhadores. É indispensável uma "limpeza" social: a pena de morte se fortalece extra-oficialmente em nosso país. Milhares de assassinatos são praticados em nome da defesa da propriedade privada... travou-se naqueles meses. dos modos de organização e da sociabilidade. Scritta.. (org. as subjetividades que produzem juízes e autores como 5u. Vive-se uma cri. No campo brasileiro. a Ética politka. de modelos de 1Jida. míticas. estéticas Trata-se de uma crise dos modos de subjetil!açào.. vivem o sonho das Dit"etasJál. anti-ética e seUl princípios.. produzádo especialmente para ser o ·'campeão contra a corrupção". a Hica tWJustiça Eleitoral. 320 321 .). 1990. "Os Novos DesafiO. 190 e 191.> explícitas.de modelas de sensibilidade. l f permitido. realizável.. É neste clima que. É ininuginável para os que viveram os terriveis anos 70 que se pudesse novamente viver o que a campanlu presidencial evidencia: a crença de que o sonho é possível. (Org. a eles tudo é 4 Guauari.: Cartografia. culminando com a morte elo seringueiro Chico Mendes. "A Estrela de Lurian~. em 1989. pior. ela é achincalhada. nos seus representantes. pois se "meter" em política é lidar com coisa suja. desde os grandes roubos e corrupções até os mais bárbaros assassinatos. ficou claro que a campanha eMtoral se desenvol1Je'Tia em torno de um valor. mas sobretudo as cifras da execução de "meninos e meninas de rua". A. "sem medo ele ser felizes". Aumentam assustadoramente os crimes e assassinatos nas cidades e no campo brasileiro. a primeira eleição direta para presidente do pais após 25 anos. vivem o sonho de que é possível mudar este pais. Há neste ano novamente um ascenso dos movimentos populares que se engajam na campanlla presidencial e muitos.ieitos necessários para a "limpeza" do corpo social "enfermo".09. e sobretudo no intervalo do primeiro para o segundo turno.10-ll. Os comícios realizados. de modelos de relações social" (. ciL.. Op. ". O vencedor será um candidato desconltecido e sem partido. das formas de imJeStimento coletivo de formaçàes do inconsciente . OS.A 1Jtica de cada candidato.jãnio de Freitas: ''Depois da eleíçiio presidencial de 89. F. "A campanha presidencial de 1989 ( ) significou transformalJÍtOnosos ções profundas na politíca brasileira { }.) Sem Medo de Ser Feliz. a violência em seus mais diferentes aspectos se naturaliza e essas subjetividades penetram em todos os microespaços. em 23 de dezembro ele 1988. a impunidade continua vigente no país. tem início a campanha presidencial. pp.lis do que uma disputa de v0- tos.). acarretando a dissetninaçào cada vez maior da crença de que os ricos nunca são punidos. ironizada. "o caçador de marajás". nada se apura.p. _.federal e estaduais são comentadas. com o auxílio da llÚdia. A. Grupos de exterllÚnio criados especificamente para estes fins e fmanciados por comerciantes e empresários estimulam. É como afirma o articulista ela Folha de São Pau1o.c. "4. A Ética neste pais não é somente ignorada. a crença de que todos os políticos são iguais e que não adianta lutar ou reivindicar. não somos nem seremos os mesnws que éramos C. Forjam-se também outros processos de subjetivação que se insinuam pelos mais diversos segmentos sociais: a descrença na polltica. espúria.c..).10_ Freitas. S 6 Singer. que reúnem toelas as oposições.

as relações de f'iZinlJança estão gemlmenll' 1'eduzidas a sua mai. da critica à burocracia e da teorização da autogestão na Revista "Socialismo ou Barbán'e"lO. cada vez mais. que a dirigiu até sua dissolução em 1966. Tomou-se um importante espaço de discussão sobre o É neste clima que se "fecha" a elécada ele 80 no Brasil. 14-2'. as diferentes e variadas influências que sofreram nos anos 60 e 70. que. jovens comunistas). desânimo e até desinteresse político começa a tOluar conta ele muitos. 10 8 Oro cit. Os C. de síntese e de subjetividade. Guattari. a derrota nas urnas jamais será capaz de apagar de nossa memória que o sonho é possivel"" E é neste momento que. principalmente. Deleuze e F. desde o final da II~Guerra MuncUalaté os anos 70. Rio de Janeiro. "O Ano em Que Quase Lavamos a Alma~.UERJIIMS. um olhar-se para o próprio ulnbigo e UHl íntimismo exaltado. cas e paulistas começanl a se inlplicar com estes rnovinlentos. gradativamente . das igrejas. Rosa dos Tempos.S. coLhe-se nestes 80. pp. Kotscho. Consultar também Baremblit. da cri"e do 9 Sobre a história do movimento institucionalista francês. de toda a emoção que foi jogada nesses meses de canlpanha por segmentos organizados da população brasileira.A mídia e as chamadas pesquisas de opinião produzem a vitória de Fernando Collor de Mello.. começam a pensar sua prática vinculada a uma realidade concreta. In: Singer. que possui entre seus eleitores não somente os grandes empresários e fazendeiros. do hospttal. Papirus.B. etc" 7 (grifos do autor). Foucault. Compêndio de Análke lnstiIucional e Outras Correntes." poiJr(! e. da queda elo Muro de Berlim e do "fUlldo comunismo". da crise da escola. passando pelas intervenções socioanalíticas realizadas.USP.apesar ela apatia e ele outras produções tão competentemente forjadas . eM. mimeogr. O quc nos anos 70 se plantou. têm concebido. como resultado de toda a paixão.4lida doméstica l!ffl1sendo gangrenada pelo consumo da mídia. mas apenas indicar alguns caminhos trilhados por esta corrente .mada por muitos de a "década perdida". Sem a pretensão de aprofundar as gêneses conceitual e históricosocial do movimento institucionalista francês. 1992 e. As Três Ecologias. prefiro qualificar como Capitalismo Mundial Integrado (Clv[J) tende. do controle que e. G. 14 522 323 . T\'ovos desenhos aparecem na Europa com a reunificação da Alenlanha c a quebra da rígida divisão Ocidente x Oriente. do "fIm das utopias'. Inicia-se. p.wrce sobre a mídia. Persiste porém . de M. até a fase da "institucionalização" da análise institucional francesa' -. 07 e 31.1nde sentimento de apatia. Todo este item 11é uma síntese de algumas partes desse trabalho.. 1. 1990. () que se tem agora é um profundo conforntisnlo. n- O MOVIMENTO INSTITUQONAIlSTA FRANCÊS Ao lado disso. parcelas marginalizadas e desorganizadas politicamente que ainda nutrem esperanças nas promessas megalômanas e populistas do então presidente da república..-cpressdot. ''. (OrR).' de produçeio de IX"nse de serviços para as estruturas produtora. a [JUlaconjugaI ejàmiliar se ("ncontrafreqüentemente "ossificada" /JOruma espeâede padronização dos compol1mnentos. como também os chamados "descamisados". de minha parte. Dissertação de Mestrado . algumas parcelas de protlssionais "psi" carioGuattari. H. SubJetividades em Revolta: as novas análises e o instltuclonalismo francês. 1994. a puhJicidade.C. F. tenciono mostrar.desde a psicossociologia. começam a perceber que produções as práticas "psi". por intermédio. consultar Coimbra. R. J. A.. a deKentrar seus focos de poder das estmtura. G. assinl.malgrado o descenso dos movimentos sociais -. ao lado de suas instituições e dispositivos.O PERÍODO DA PSICOSSOCIOLOGIA INSTITUCIONAL A análise institucional que vai se organizando na primeira metade da década de 60 na França nasceu da Psicoterapia Institucional. Há. jovens protestantes." de signos. cl".a crença ele '1uE' . uma massiva produção de subjetividades: Ufn gr. ainda que sucintamente. São Paulo. desvela o surgimento das ferramentas institucionalistas na França.. das correntes modemi'ltas em Ciências Sociais.. Rodrigues. especialmente.aminhos de Lapassade e da AnáUse institucional: Uma Empresa Possivel? Trabalho apre~ntado no Curso de Doutorado . jovens catõlicos. Nasceu também ". da Pedagogia institucional e da críticainterna nas ciências sociais. 1989. _ O capUalimlO pás-industrial que. A Revista SodaUsmo ou Barbárle foi fundada em 1946 por Qaude Lefort e Cornelius Castoriadis. das crises dos movimentos da juventude (união de estudantes. brilhantemente. a nivel mundial f3b-se do "fimda História". no eixo Rio-São Paulo a difusão de muitas ferramentas advindas da análise institucional de origem francesa. as sondagens..

pelas tentativas de reorganização da vida intra-hospitalar numa direção liberalizante. segundo que não se interrogavam saber marxista e as práticas daí decorrentes.. tem tido bastante influência em alguns pensadores institucionalistas. Vai pinçar dos corpos teóricos de que se originam determinados recursos e (.<. ampliada a toda a classe de aula. em segundo lugar. prepararJ.&Lde. Aída Vasquez e o próprio G. da informação. estruturalista de L. da guerra da Argélia e das mudanças que se seguem a esta guerra "11. por cllscord:u dos companheiros uma "pedagogia terapêutica" de orientação Lapassade. respectivamente: revelam a dimensão inconsciente da instituiçào e a participação dos enfermos na autogestão do chamado processo de ··cura". portanto. 15 O movimento pedagógico Freinet. a correspondência. o problema do Poder . 109 e 112. como () texto livre. nasceu da crise interna das diferentes instituições e dispositivos da sociedade capitalista pós-industrial. 12 Baremblit.sf!ja dos micro e macropoderes -. A Pedagogia Institucional. mesmo o ma. 11 Lourau.C. R. Trot. 1n. dentre outros assunios. influenciada pelas experiências da psicoterapia institucional. IU<rtória do Movimento 1986. 324 32'. porqueo instituciorudismo MO d uma teoria. ou melhor. dentre outros enfoques. as que se ocupam daquilo que ( . Deste modo. a autogestão. Também a Antropologia.'Jtltudonalista. mimeogr.. passando pelas correntes da Psicossociologia noneamericana com marcada influência do marxismo (de Lênin. e notadamente não {mmcrático. 114.. Hucitec. Lapassacle . seja do poder como uma questão do domínio ou da capacidade de fazer"13 (grifos meus). semióticas (as disciplinas que se ocupam do signo. ndo vai tomá-los ao pé da letra. político. da dos an:uquistas e mesmo dos socialistas utópicos.p. Pouco a pouco torna-se V.Unta de suas primeiras vertentes _ caracteriza-se. sobre o ~capita1ismo moderno" e o movimento operário. () diário. Strauss à de P. contendo teses.conduz a autogestão restrita à autogestão generalizada. ~lntrodución: Pequem Histeria de Los lnstitucionalistas"_ In: EIAnáUsh Insdtucional Madrid.. pp. Rene Lourau.) junta-se a Michael Lobrot e anteriores que defendiam psicanalítica e.5positivo social.. Luxemburgo. 109-119.5ível que é a sociedade que institui. os trabalhos realizados no Hospital Psiquiátrico de Saint-A1bain e na Clinica La Borde envolvendo as figuras de Tosquelles e Jean Oury. teorias de economia da sociedade e da história (as disciplinas que se ocupam do problema do poder e dos processos sociais da produção de bens materlai5).Estado que se segue à descolonização. de "cunho reforntista". levou o jornalismo e a imprensa JY.. o movimento institucionalista é influenciado. que vai desde a culturalista. estavam Fernand Oury. 01 e 04. ) chamamos de subjeHvidade"12. Rio de Janeiro. pela Sociologia das Organizações ou Psicologia Social dos pequenos grupos. costumes. uma técnica de autogestao. discursos de uma maneira original. ao lado de uma série de experiências que reiteram tal compromisso. Gramsci a A1thusserl.dentro da qual. R. disciplinas antropológicas que se ocupam da gênese do homem (mitos. leva para o âmbito pedagógico o procedimento aUlogestionário. a segundo Lapa. Campo Abierto. o grnpo caminha para a autogestào·'14. Consistia tu invenção de novos meios e métodos educacionais. I'reine.fa escola e tais técnicas. A Psicoterapia Institucional . É também a sociedade que institui a hierarquização e mantém um sistenta de nornJas e regras que atravessa o hospital.D. "O movimento procura difundir no interior das escolas (_. e Barros.m a autogestâo pedagógica. São Paulo. G. mesmo que suas portas permaneçam abertas. 1977. por sua vez. H.5 "aberto". 13 Idem. r . no inicio dos anos 60. etc. surgido tu França desde 1924. pp. . R. e o que elas têm em comum são as ã. A corrente institucionalista vai incorporando diferentes . pois é o sistenta social exterior ao hospital que promove o cone sadios! doentes. Nos anos 50. do poder econômico.l. do sentido. 1989. Era. na realidade. p. lima vez sobre a escola enquanto d. A Corrente de Lapassade.ky. da comunkação) e. Nesta linha. "Apresentação do Movimento Institucionalista" In: Saúde e Loucura 1.S. Clastres. é claro. Surgida do Movimento Freinet1j• a Pedagogia Institucional. 1 Em suma. desde o pós-guerra.) uai tentar reformular esses conceitos para incorporá-los a um aparelho teórico próprio (" J R"tes principais recursos têm sido determinadas sociologias. anos depois. "o que o institucionalismo jaz com todas essas influências é muito difícil de sistematizar. um pouco à história desse movimento. mas muitas. o aluno se torna o centro de decisão. 14 Rodrigues. I Vamos." quais podemos acrescentar características já apontadas uma crítica do conceito de Verdade €. sistemas simbólicos).) um novo modo de funcionamento das relações humanas: não repressivo. 13.

no XX Congresso do PCUS. cujo principal representante será Lapassade. Ainda dentro desse primeiro momento de sua história .. cit. Lourau a isto se refere ao observar que este "salto" se deu quando Lapassade superou a sedução da psicologia dos pequenos grupos. ao destacar . A Pedagogia Institucional de Lourau. etc. Assim. tanto na pedagogia quanto na psiquiatria. Lobrot e Lapassade.. p. 1983. p. 13. incluindo uma série de experiências que questionam o problema da palavra e da loucura. estão na ordem do dia em muitos países europeus..c.D. foi um movimento de contestação à Psiquiatria tradicional. toda a política reprimida pela ideologia das boas relações sociais. esclarecem-se as relaç6es internas ao grupo e entre os grupos num ·'grupo de grnpos". 13 e 14. No entanto. na primeira metade da década de 60. 18 Lourau.. Francisco Alves. p. C-napos. A antipsiquiatria. Estão assim lançadas as bases para a formação da corrente da Psicossociologia Institucional. criticando a própria sociedade.. R. surgida no início da década de 60. O sociograma substitui o organograma (e) quando os trabalhos grupais sdo realizados em organizaç6es (empresas. Seriam os agentes da modernização.. entre eles Lourau e Lapassade. Lembremo-nos de que as experiências de self-government. "arranjam e tornam mais suportável o capitalismo". Aos poucos. cie.. ainda em 1%2. 19 Lapassade. percorrendo o mesmo rastro em seu Congresso de 1963.''Amm como a Psiquiatria Institucional não questiona o "solo" ou o "enquadre" de sua atuação . G. aqui. mommento. Rio de Janeiro. no qual começam a se desénvolver algumas concepções institucionalistas.. dando início à "desestalinização".a fase da psicossociologia institucional -. descobre-se a importãncia da "instituição-colóquio" como possível lugar de análíse. 327 326 . passam para a "autoregulação de grupo": um grupo capaz de tomar em suas mãos não somente sua análíse. estas correntes trazem 17 Idem.) aparece o nível chamado institucional peJos promotores do 16 Rodrigues. mas muitas outras atividades. afIrma Lourau. "lntrodución: Pequem Historia de Los lnstitucionalistas". está marcado pela orientaçâo funcionalista da Sociólogia dtlS Organizações: a instituição fi concebida como "grupo lie grupos" e suas eventuais crises são vistas como "disfunções'· que demandam alguma espécie de terapia social (boas técnicas. atua-se com grupos (. ]\'uma intervenção com a presença de Lapassade. afuma Lapassade. pp. ao mostrar a dimensão institucional. Realçam a inaportãncia do trabalho com grupos e a análise de uma dimensão oculta: a dimensão institucional.B. Os anos de 1962. ".las próprias intervenções realizams nos diferentes movimentos sociais e do seu trabalho cotidiano que a Análise Institucional vai se construindo. em realidade. Foi nesses anos que cresceram nos meios estudantis e intelectuais franceses os efeitos do informe de Krushev. em 19'. Segundo Robert Lefort. 14. é a partir . iniciase a separação com relação à dinãmica de grupo de inspíração norteamericana. A partir dai. a organização Neste sentido a ênfase está posta na. interessase pelas experiências de autogestão pedagógica e pela crítica à burocracia. Op. 63 e 64 na França fervilham com as propostas autogestionárias. deve-se frisar que o sentido det1lsti:tucimuú.. os institucionalístas fral1ceses fazem criticas aos psicossociólogos de grupo que. constituíra-se em um "laboratório social". R.a Pedagogia Imtituc~na/ não indaga "a" Escola como tar as tratlf!ormações são introduzidas nas relações humanas à mesma"16. A União Nacional dos Estudautes Franceses (UNEF). In: Op. Nós somos os filhos desse acróbata"18.. propiciando o aparecimento de uma nova burocracia. Com isto. J.6. a análíse institucional em curso sofre grande influência dos enfoques antÜilstitucionais surgidos no decorrer dos anos 60.. e Barros. Várias intervenções sociológicas influenciaram a Psicossociologia Institucional e permitiram a Lapassade dar o "salto" para a intervenção socioanalítica. 01. vai sendo produzida. assocmções. e lnstltuJções. A onda se expandiu e a UNEF. tem como base inicial a técnica da dinãmica de grupo aplicada à formação e o T. "Eu propus então (em 1963) chamar de "Análise Institucional" o método que visa a revelar nos grupos esse nít}e! oculto de sua vida e de seu funcionamento "1<'>.. ). Org~ões H. O mais importante dispositivo de intervenção é o grupo."a" Psiquiatria . bons métodOS)"17(grifo das autoras). "relações humanas" (. de orientação autogestionária.. As experiências autogestionárias argelina e iugoslava empolgam muitos estudantes e intelectuais franceses. Group.

Nueva lmagen. Apesar de certa diversidade quanto às motivaçóes das lutas nos diferentes países. p. 21 Lapassade. In: Op. do cientiftcismo. a fim de fazê-las terapêuti=. Portanto.frentamento do mesmo "23. mesmo se pensarmos em escala mundial. México. por sua vez ligada ã crise elas instituições da sociedade capitalistica. Estas correntes ligam-se ao movimento contracultuf'<ll já em franco desenvolvimento na Europa. de en. do '~merican Way ofLife" ao estalinismo. a politização do movimento psiquiátrico e psicanúlítico.do Estado à vida cotidiana ."terapêuticas determinadas. l//ich e com as novas formas de luta ("esquerdismo pedagógico ". personagens nas lutas que se travam em 1968. "antipedagógico") um conteúdo novo. "História dei Movimiento lnstitudonalista" In: ElAnállst ••Institucional... na medida em que. Assim como a antipsiquLatria. o que mostra que os acontecimentos de 68. do TOTAlfTARISMO em toda. Também os movimentos pós-68 tiveram uma profunda repercussão 22 Lapassade. elas drogas à pop-arte.tórico-socLais. 2. da burocracia. G."La Paro1e et la Mort . Nos anos anteriores já havLasido produzida uma série de ações e experiêncLas antiinstitucionais e autogestionárias. porque ele funewna como condensador de uma sérte de movimentos. pois revelam " a precariedade institucional.. com trabalhos taí. p.. totaUzante. A antipedagogLa surgiu também da crise da escola. a necessidade de se repensarem as relações entre política e subjetividade. Circula e cresce. janlmal 1971. ela minL.O PERíODO DAS INTERVENÇÕES SOCIOANALínCAS Este segundo momento da histórLa do movimento institucionalista francês tem seu marco imcial no maio de 68. op. Logo no início da década de 70. uma organização.La NçuP'. nº especial de La AntlpsiquJatrla.G. a práticas sociais "21 (grifos meus).DB.rtema. 21. não foranl pontuais. como anttpsiquiatrla. Recusa esta. da tecnocracia. a contestação foi o denominador comum na década de 60 e. 1977. Ivan lllich prega a "desescolarização". ou melhor.saLa.. dt.:. do C011. 10. ou seja. enfim. sua análise é política e seu apogeu encontra-se no maio de 68 francês. 0)-22. p. Lourau e seu grupo como institucionalistas. interroga a hipótese de hase da Psiquiatria. renuncLa-se a esse propósito. -.. Basaglia.•como os de Cooper. na França. Desta forma. as suas manifestaç6es . do "Stablisbment'. Observa Lapassade que: 2IJ Lefort. da centralização do poder.1 Rodrigue" H. ". sua destruição. que traz em si a sua decadência. cit. a conceitos. simplesmente porque propóe o fechamento dos asilos. 02. citado por Lapassade. tendências e contestaçDes que circulavam no mundo durante aqueles anos. O sentido de irrecuperabilidacle das instituições transfere sua problematização para fora. porque ninguém pode reivindicar para si este acontecimento. Como já apontado. ou educativas. A antipst-.. O maio de 68 é tomado pelo movimento instiluciona1ista francês como um analisador. 42. cit. está ligada ao mouimento e Ibe dá sentido.como a Psicoterapia e a PeclagogLa InstitucionaL. embora sem estratégia global. um enstnamento. 328 329 . p..çsou a "grande recusa". do Sí.C. e Bac"". ligado à mudança socia/"u. Essas correntes antíinstilucionais são vistas por Lapassade. ~totalizante. R. não ficam no interior do espaço institocional . visto atacarem seus próprios princípios. 2 .l".. considerando a escola como um agente reprodutor da sociedade de consumo.recusa do autoritarismo.. pois. ã época. a prátiCa. para quem o maio de 68 expre. ) tem hoje. A crítica ao conservadorismo penetra em todas as esferas do cotidLano: nos costumes e comportamentos. Op. Laing.. ao mostrarem qUi? alnstitl4içào nilo é uma tultrweza.fossem de direita ou de esquerda.ooo".. Entretanto. os estudantes foram os principaL. parece-nos signi~ ficativa a expressão de Marcuse.. da pilula. global. "EI Encuentro Institucional" _In: Anállsis lnstltucional Y Socioanállsls. 197-241.SUmismo. radicais para o entendimento da "loucura" e de sua produção.. do "oftcialí. Cooper e Basaglia apresentam formas maL.· tal políJizaçào tem sentido na medida em que permite colocar as questDeS que a ideologia burguesa tem procurado ocuitar"li!. certa concepçdo dos "transtornos mentais" que dá nascimento a estabelecimentos de cuidados. R. . quiatrla não é uma análise institucional critica. para o qoestionanlento de suas gêneses hL. O deslocamento que então é feito torna-se fundamental: em lugar de tentar transformar as instituições de seu interior. 204. G _~His(ória de] Movimiento Institucionallst.~ Análise Institucional ( .

grupos maoístas. Alguns institutos universitários franceses.''r:periências de autogestão haviam sido recebida ••corno provocações. Supera-se a visão tecnicista da auto gestão e a visão idealista da não-diretividade.titucionalistas franceses . pp_ 221 a 241. "EI 330 331 . as conseqüências do uso espontanei. já que tende a psicologizar a questão institucional das relações que.o período da psicossociologia institucional. estão fundadas no modo de produção capitaJistico e nos processos de subjetivação dominantes.tas emerge como analL. dos trabalhadores sociais. É deste segundo momento ~ por força das freqüentes intervenções socioanalíticas realizadas .ador D. em realídade. em últIma instáncia. Tanto que a maioria eram experiências de autogestão. como um "contraprojeto" organizacional e pedagógico. que funcione como um dispositivo analisador. p. dos homossexuais. na década de 70. A auto gestão sai dos circulos restritos daqueles que a praticam. dentre outros. revelando os elementos ocultos do sistema. neste segundo momento.ta e não elaborado do analL. G. produz. nesta fase. no maio de 68 francês. flZeram com que o número de intervenções socioanalíticas se tornasse cada vez mais freqüente.as intervenções vão sendo realizadas com o apoio de uma série de dispositivos. Lapassade e outros institucionalistas declaram terem sofrido. Por conseguinte.')' Até 1963-64. a luta e o conflito dentro dos grupos e organiza.24. a autogestão passa a ser utilizada nas intervenções socioanalíticas como um dispositivo analisador. adotando o modelo da Psicoterapia e da Pedagogia Institucionais. Bem diferente 24 Lapa-ssade.diferentemente do que pensavam . asseguram os in. das resi. a proposta da análise institucional passa a ser a de que a autogestão se torne uma "contrainstituição". provocando a análLge. fundamentalmente. em seu trabalho Autogestión Pedagogica. análise das implicações e transversalidade. assim como:J. Mas conseguiu se impor C.'i franceses 2'. dentre outros. em Marly-Le-Roy''' que a autogestão do pagamento dos anali. Esta intervenção. não somente na França. grupos de intervenção nos cárceres. espontáneos e construídos). tornou-se uma palavra de ordem revolucionária. A análise institucional.ções anteriores. então utilizados em direção à análise institucional.ador D (dinheiro). a partir desta segunda fase. '~ corrente institucionalista. por meio de situações de intervenção e de suas estreita.ões.no pós-68 . mas além de suas fronteiras. em seus múltiplos aspectos. durante as ocupações das universidades e fábricas. lO. É no transcurso de uma de suas intervenções. Lapassade mostra que a autogestão é impossivel de se realizar em um contexto social de dominação. (T.. objetivando atualizar. agora. aç primeiras e. Gedisa. Assim é que. Os institucionalistas franceses.que não modifica as relações instituidas. ciL.ador D. empregam a autogeslão como um questionamento ao sistema atual das instituições e dispositivos sociais c.a. suas ferramentas de trabalho..'il. paulatinamente. Já na segunda fase de sua história . Diferentes experiências autogestionárias ocorrem e se multiplicam.sobre o movimento institucionaJista francês: os movimentos de liberação da mulher. In: Op. Esta era simplesmente mais uma técnica e não um dispositivo analisador e uma "contra-instituição" que incessantemente permitL"e o aparecimento dos obstáculos. ligações com os mais diferentes movimentos sociais.. Assim. figuram nos programas das ErocolasNormais e dos Deparlamentos de Ciência ••da Educaçào das Universidades. como analisadores (históricos.tências. de suporte para a superação dos métodos grupalistas. anterior a 1%8 ~ os institucionalistas franceses utilizam nas intervenções socioanaliticas ainda uma visão positivista/tecnicista. 1\'05congressos internacionais recebem-se informes sobre autogestao. Na primeira fase de sua história . Estas críticas referem-se à naturalização do dinheiro no enquadre freudolacaniano. alcançando uma grande difusão. Encuentro Institucional".que o grupo de Lourau e Lapassade enfatiza a importância do analL. em interveq. naturalização não observada pelos institucionali. Servem. da técnica autogestionária que visa atuar somente sobre a organização ou estabelecimento e não sobre as instituições que a atravessam e nela se atualizam. importância do analisador D estão descritos in Lapassade. AutogcsdónPedagógica. 1977. dizem adotar a autogestão que. Sobre esta. O grupo de institucionalistas franceses demonstra em seus escritos e intervenções que a maioria das experiências autogestionárias pré68 difundem ainda uma concepção positivista de autogestão. Barcelona. segue sendo atacada e combatida. aparecem algumas noções chave do pensamento institucionalista.

205 e 206. ao contrário. Mostra-se necessárío buscar as gêneses sociais.A ANÁliSE INSTITIJCIONAL SE INSTITIJCIONAUZA Diferentemente da fase anterior. Pautado neste novo instrumento. Lapassade. que. 3 . Colocada em prática nas intervenções do período anterior. tinha esquecido uma instituição sempre 27 28 Idem. Lapassade. mas. constatar-se-á uma regressão nos espaços que. pp. e Lapassade. Quem pode pedi-la? ( . vai sendo depurada das influências funcíonalistas e 2h Sobre a análise feita por lapassade em sua obra Gropos. Tais revisões trazem importantes efeitos e os in.. possam efetivamente ocorrer as transformações tão almejadas. desnaturalizando a relação de troca capitalística e seus lugares fixos: "eu cobro". consultar C. da 1acüi/açào da mudança ':'o que a meu ver impede de se ir à raiz institucional do jato organizativo e relaciona/"l"i (grifo do autor). isto implica a análise no grupo-cliente e no staff analitico. Op. empresa imposslvel: Uma outra proposta de Lapassade e alguns outros institucionalistas franceses. quando o Estado aprende a se fortalecer graças às debilidades das lutas antiinstitucionais. cit.. a análise institucional mostra que. alirmando que: (. posteriormente. Socioanálisls Y Potencial Humano. La Bio--eoergla.An:álise Instltucional: Uma Empresa Possivel? Op. então. até então. um tipo de intervenção que geraria a possibilidade de se instituirem crises na organização-cliente. ~El Encuentro Institucional". a intervenção institucionalista e uma contrariamente aos trabalhos dos psicossociólogos intervencionistas e conselheiros em organização. a "crisanálise" ou o "encontro institucional" favoreceria a manifestação ou o aparecimento da dimensão institucional oculta ou mesmo obscurecida pelos procedimentos prévios. cito positivistas. Segundo Lapassade a fase vivida é a da institucionalização. Não é por acaso que datam desta terceira fase os escritos que investigam a história do movimento institucionalista francês. Lapassade justifica esta proposta. ao contrário da dos psicossociólogos institucionais. Lapassade questiona a possibilidade de que. Sobre este perigo. dentro da primeira fase da história dos institucionalistas franceses e. setores da Igreja e de trabalhadores socíais. o pagamento e sua gestão passam a ser discutidos no interior de cada intervenção. Organizações e instituições. históricas e teóricas da análise institucional. Definem esta intervenção como sendo de curta duração. Os psicossociólogos. G. um melhoramento. Op. com maior ou menor rapidez. a partir de 1973. em um ponto-limite.B. chegando-se a uma nova ferramenta de instituiçào. Por sua vez. Coerentemente. solicitavam intervenções: escolas.. Esta dimensão pode agora ser trazida à luz justamente através dos instituintes que. emergem e se consolidam. encerrada a etapa sob o signo do pós-68.<. ao contrário. O "encontro institucional" se proporia a instalar tal situação de crise.. deparamo-nos com a ferramenta instituição. Lapassade e seu grupo fazem a revisão dos três níveis: grupo. cit. é a utilização das técnicas ligadas ao Movimento do Potencial Humano nas intervenções socioanaliticas. In: Op. no período anterior. "você paga". Neste período.em suas intervenções precedentes. têm a ideologia da ajuda. G. . tão presentes na primeira fase (de 1963 a 1968). CM. G.).nào obstante as interpelações que fazem posteriormente28• A partir da intervenção em Mar1y-Le-Roy(973). este terceiro momento na história do movimento institucionali~ta francês associa-se ao 'que a década de 70 apresenta na França e em todo o mundo: o desinteresse generalizado peJas diferentes formas de partidpação e questionamento sociais. nos níveis do grupo e da organização. pelo encontro.oimbra. a revisão desses três níveis só será explicitada teoricamente a partir de 1972. seu objeto não é uma terapia social.titucionalistas franceses advertem para o termo "crisanálise". uma subversao do instituído. também Lourau tece alguns comentários ao asseverar que. Sobre o assunto consultar. gradativamente. para que alguns de seus setores possam apropriar-se da análise e começar a praticá-la.). Os Canúnhos de Lapassade e da. Como ponto nevrálgico. organização e instituiçã026 Isto acarretará efeitos importantes em suas intervenções. a revisão feita nesses três níveis.. cito 332 333 . a análise institucional não poderá deixar de se institucionalizar. tal fenômeno efetivamente começa a ocorrer na segunda metade dos anos 70. Esta proposta de um outro tipo de intervenção prende-se à critica das supostas mudanças progressivas e de larga duração que ocorreriam nos grupos e nas organizações segundo suas propostas anteriores. Concomitantemente.

G. Caplao.que há uma constante articulação entre pensamento. p.OZ. por extensão. Dois anos depois. os maL~recentes datam de 1978. m . Lapassade propõe que se faça a análise institucional da instituição "potencialista" e a utilização de sua" témicas numa perspectiva institucionallita. pois ainda hoje no meio "psi" há quem faça confusão.presente no cotidiano de todos: o corpo. Pages ao movimento califomiano de grupos. Caplan3'. de influência mais psicanalítica. p.e este é um dos principias em que se baseLa a análise institucional. alguns setores do movimento institucionalista que sofrem grande influência de I':ietzsche.. 1. conforme já se enunciou no Capítulo anterior Ao concluir estc último momcnto. dos próprios caminhos por ele percorridos. daí a célebre expressão "transformar para conhecer" ao invés de conhecer para transfonnar. cit. Op..mesmo que precariamente . pela questào do Desfjo. Isso devido à escassez de material que nos tem chegado ao Brasil sobre a análise institucional e também às informações descontínuas c incolnpletas sobre o referido movin1ento. conforme já foi salientado.C. dentre outros. e Barros. Bleger e os grupos operativos de Piehon-Riviere que não podem ser confundidos com a análise institucional francesa. expandem-se os principais conceitos da psicologia institucional de J.B.remamente dilicil tentar sistematizar . 114..D. prática e intervenções concretas. etc. tomadas de empréstimo daqui e dali . detentor da verdade e habituado ao expurgo daqueles que não "rezam pela mesma cartilha". "Neste sentido. a instituição sexualidade. Ferramentas prlncipairi desta desarliculação. hoje em dia. -. não se constitui num bloco monolítico. Paidós. surgida de diferentes movimentos . H. (. Baremblit. A psicologLa institucional "organizada" pelo argentino J. Deleuze e Guattari. Reconheça-se . com tendência mais militante e anti-socioanalítica.. ou seja. Eleger tem como um dos seus alicerces os níveis de prevenção formulados por G. acreditando tratar-se do mesmo movimento. E. este movimento institucional valoriza sobremaneira o papel do 30 31 Rodrigues. a anállie institucional tem tido como referêncLa os movimentos socLais. ]f) A partir da segunda metade dos anos 70..J.. da intervenção deforças inconscientes em todas as atividades humanas. Há. 334 335 . pós-73. Acredito ser importante uma rápida e sucinta distinção entre psicologia institucional e análise institucional. sociaL~. Buenos Aires. . não poderia deixar de assinalar algumas das principaL~ tendências da análL~cinstitucional francesa que desde 1972 começam a se esboçar. baseada nos "grupos operativos" de PichonRiviere. o GAI de Reims. o que me permite aventar a hipótese de que muitos aspectos aqui presentes podem ter mudado e/ou algumas ferramentas terem sido transformadas pela realidade.no. além de uma atuação emínentemente grupal. Lapassade realiza esta anállie institucional do Movimento do Potencial Humano.alguns eamínhos percorridos pelo movimento institucjonalL~ta francês. de mais de I'. [o: ()P. apresenta algumas críticas não somente à pseudodespolitização do movimento. o GAI (Grupo de Anállie Institucional) de Paris.?f) EvidencLa-se a própria descontinuidade e complexidade de algumas ferramentas utilizadas por esse movimento e. mas a uma série de "entraves" técnicos. 1966. Muitas dessas críticas relacionam-se às feilas por M. Além de tcr dados dispersos.. R. principalmente em solo carioca. Ou seja. Princípios de Psiquiatria Preventiva.O MOVIMENTO INsrrruaONAIJSTA EIXO RIo-SAo PAULO NO Saliento que me foi e'X1. pois começam a se interessar ".. ou seja.."Apresentação do Movimento lnstlweionalista". com posições maL~ intervencionistas e socioanaliticas. É somente na década seguinte que esta "eaixa de ferramentas" começa a ser utilizada pelos "psi" paulistas e cariocas. Embora ainda defenda a utilização dessas técnicas nas intervenções socioanalíticas.. _.e institucional. ao escrever Socioanálisis y Potencial Hwna. diriamos que os "conceitos" da Análise Institucional são 'ferramentas" de desarlicuJação das práticas e discursos instituídos como científicos. TaL~diferenciações alertam para o fato de que a análL. Dentre as principais estão: o CERFI.políticos. dt. Spinoza. o institucionalismo esta preocupado em deSlJe11dá~la. "lf! anos atrás. Onde quer que a subjetividade tenha partidpação.

ôes: "Chaves da Sociologia. cuja implantação competitia aos psicólogos que "saindo de seus consultórios. A segunda geração de argentinos que desembarca exilada. O . de uma publícação original de 1(66). de R.prendem-se à mistura que é feita dos diferentes momentos da análise institucional. posteriormente. dt. pela Civ'. em /977 (traduçào da . de I A. vot.\" ue comp6em o q número sdo assinados coletilJamente As rejlexoes relatiVas a esta estratégia.Segredo da Macumba. abstratos e a-históricos e a instituição é concebida como "grupo de grupOS"32. "Sobre Análisis Institucional o Desde que Lugar Hablamos Cuando se Interviene en lnstituciones". e Célio Garcia. 47. Guilhon de Albuqt«'Tque. o professor de Comunicação Marco Aurélio Luz'" e uma "pequena parcela da juventude universitária ligada às áreas humanas e sociais" interessam-se pelas palestras e participam de algumas intervenções feitas por csse institucionalista francês.'5versalidade. deveriam se transformar em agentes de mudança social". de /974. Paz e Terra.I "Análise Institucional: teoria e prática"". com relação ao movimento editorial brasileiro que versa sobre temas institucionalLstas.Bleger. passa a ser muito utili2ada por uma parcela dos psicólogos cariocas nos anos 70. acolhendo as influências de Bleger e de Pichon e urna série de implicações politicas. Alguns trecbos revestem-se ele noções tipicas da primeira fase da história do movimento institucionalista francês. ver traballio de Barros. na qual se sobressaem relevantes aspectos: está presente um profundo "reformismo institucional". Hcliana C.lI!. embora cheia.. julho/1987. podem ser destacadas as seguintes publica.ç de ambigüidade" 3'>. as orgartizações ou estabelecimentos são percebidos como "coisas em sr'. 34 336 337 . Ainda sobre 33 Nesta Revista. Em outros. volume LXVIl.Lourau e (J Lapassade.edição francesa. após 1976. Entretanto. como anali'5ac!of. n" 4. Rodrigues assinala que. Em 1972 . Voze. ainda na apresentação. Lohrot) Referênciaç à produçãO dos socioanalistas serão tambetn encontradaç nos artigos que compõem a coletânea Metdforas da Desordem. ainda em /972. publica sobre o assunto o livro LesChevauxdu Diable. no mesmo ano. M "Novas Análhes". desde o inicio dos anos 70 há alguns trabalhos e intervenções isolados e pontuais feitos por dois psicanalistas: o carioca Chaim Samuel Katz e o mineiro Célio Garcia. Em realidade.I i psicólogo. Rio de Jandro. H. IJUhlicada pela Paz e Terra em 1978"'6 (grifos da autora).lização Brasileira. op. 16-22. Rio de Janeiro. de G.\ Ano 67. em 1975 (tradução de trabalho originalmente publicado em 1970). quando estes dois "psi". marcada ainda pela orientação funcionalista da Psicologia das Organizações.de julho a dezembro .j.Lapassade vem ao Brasil. este corpo teórico pode ser caracterizado como uma psicossociologia institucional. Delarge. p.S. pela Vozes.' Grupos. Reimer e. o profL'Sional "psi" é um "técnico das relações interpessoais". O resultado dessa visita encontra-se em um número especial da Revista de Cultura Vozes. Rio de Janeiro.al. pela Paz e Terra. p. escreve na época o livro O Segredo da Macumba. n. 36 Idem. Marco Aurélio Luz. dentro da série "Educação em Questão" (quejá publicara Bourdieu e E. de R. no eixo Rio-São Paulo.. '7'anto (a) apresentação. !nurau.. como a realizada em agosto de ]972 na Escola de Comunicação da UFMG..iunto com Lapassade. In: Revista de Cultura Vozes. acompanham alguns de seus escritos e intervenções.'itante confusa. em 1972 (on"Rinal de 197]).D.C. 1974. há a utilizaç'ão de algU111aS ferramentas-chave da análise institucional. publicada em 1973. ver nota rf' 174 no capítulo o assunto.. Lapassade e R. Ainda nos anos 70. M. 10. puhlicará. trazida pela primeira geração de argentinos vinculados à APA. umbanda. maio/]973. 4S. pela F Alves. interessados pelos trabalhos de G. tran. 3S Roddgu". e por uma série de aspeetosligados a estes rituais e. Vai postular que a atuação mais "nobre" e reahnente "progressista" é a institucional-comunitária.bastante compreensíveis por estarmos no início dos anos 70 no Brasil . há algumas intervt:'nçàes realizadas por Lapassade junto com Chaim S. Este institucionaUsta francês se interessa pelo candomblé. R. A psicologia institucional de ). lApassade e Marco Aurelio luz. será a responsável pela difusão dos principias da análise institucional francesa nesses dois espaços geográficos. Kat7. além de uma série de artigos sobre o tema. Desde 1971. são instigantes. como os demai~ tex1o. Lourau.P. [o: Boletin dei Centro Internacional de Investigaciones eu Psicologia Social Y GnIpal. • . 1973. versando exclusivamente sobre 32 Sobre esses aspectos da Psicologia Institucional e as críticas a eles feitas.vtittlCÜ'm. Paris. enlbora de forma ba. além da mencionada Revista de Cultura Vozes. a ela psicossociologia institucional e suas vertentes advindas da Psicoterapi:l e Pedagogia Institucionais. etc. Organizações e Instituições. As ambigüidades c confusões presentes nos artigos que compõem esse número da Revista de Cultura Vozes . • . A Andlise ln.

enfim. todas essas publicações e algumas intervenções ponruais realizadas por C. as implicações de cada um investido' do papel de especialista. E. em 1978. Entretanto. p.. realizam também grupos de esrudo e intervenções socioanalíticas diversas..'"tacomo lima "Escola" ou como um grupo monolítico . desde seu inicio. "p/u. O. representado no Rio de janeiro. uma ".Há também algumas coletineas organizadas por C. AnáHse lnstltucionalno Espaço e Tempo. principalmente. hospício. '·psi". 1. e mais notadamente do seu Departamento de Análise Institucional criado em 1982. tanto no Rio de janeiro quanto em São Paulo. a partir dos anos 80 . -. é do lBRAPSI que saem muitos profissionais "psi" que. 07-{f). e o nº 35 de outubro-dezembro de 1973. In: Saidón. começam a se expandir para uma pequena parcela de profL. até a primeira metade dos anos 90. Em 1987. as instituições e os dispositivos que atravessam e se atualizam nos diferentes estabelecimentos e organizações. Até mesmo algumas pessoas que diretamente não se vinculam ao lBRAPSI sofrem os efeitos desta abordagem. principalmente. io deJaneiro. castração. na segunda metade dos anos 80. assistentes sociais. e. repressão. p_ 08. Saidõn assinala que há uma marca que 339 338 . tentativa de contribuir para a constituição de uma corrente brasileira de análise institucional"''. isoladamente ou em pequenos grupos. a partir de 1984. Esta geração de argentinos aliada a grupos "psi" brasileiros . Sobre esses diferentes trabalhos. tanto em solo carioca quanto paulista. Os "rachas" ocorridos em 1983 naquele estabelecimento propiciam a formação de dois outros que. quem sabe.ainda que tirrúdamente . Idem. que.. Embora este Departamento do lBRAPSI.R. conceüos que abrangem desde uma análise marxisla das relaçÕes de poder â análise foucauldiana dos mfcropoderes. produção de subjetividade. a leituras foucauldianas. grupos de estudo e intervenções as mais variadas em estabelecimentos públicos e privados. em 37 J8 Kamk1ugi. 09. uma proposta singular de trabalho em análise institucional.). como os dois números da Revista Tempo Brasileiro (nº 36/37 de janeiro-junho de 1974.'i" repressdo. deleuzianas e guattarianas. Escobar que contêm artigos que se referem de alguma forma ã produção institucionalista. COIno já assinalei. pessoas ligadas ao Núcleo e ao Centro de Investigação em Psicologia Social e Grupal (CIR). Efetivamente. profissionais "psi" através de cursos. é a segunda geração de argentinos que . pelos argentinos Oswaldo Saidõn e Vida Kamkhagi (ex-IBRAPSI).sionaL.rupos. psicõlogos e psicanalistas que aderem a esta 'nova" forma de se pensar as práticas sociais. em 1974.traz . dentre outras. funcionam agregando.sob o título "Análise Institucional no Brasil". etc. representantada esta última principalmente por Deleuze e Guattari. diferentemente da França e da Europa em geral . formação. lançam uma colel:inea de artigos sobre diferentes intervenções em favela.. Ao lado deles há outros "psi" que. "As Instituições e o Poder") e o livro PslcanáJjse e Ciência da História.e institucional liga-se quase que exclusivamente ao territõrio "psi".no Rio de janeiro as principais ferramentas do movimento institucionalista francês. do inconsciente restritivo freudiano psi<:analítico a uma teoria do inconsciente produti1XJde Deleuze e Guattari. Em realidade. escola e FUNABEM. Katz e C. V. é sobretudo na categoria "psi" que tal prática vai se consubstanciando. principalmente. "A IlL'tória e os Di. São. ~Pref:ício".que. em especial. intervenções.NO RIO DEJANElRO É com a fundação do mRAPSI.cursos".onde os institucionalistas em sua maioria não são profIssionais 'psi". no Brasil a análi. individualmente ou em pequenos l. as ferramentas do movimento instirucionaii'ta francês agregadas. tenha aberto formação de socioanalistas a quaisquer profissionais. -'3-~. de Temas que vão sendo cotidianamente revisados e ampliados no transcurso de diferentes cursos. Garcia não intluenciam o movimento "psi" carioca e paulista.pelo prõprio momento hL'tórico. e que buscam produzir. R solo carioca. B:ra<>D. S. como suas práticas produzem e fortalecem demandas e subjetividades. etc.começa a divulgar com mais intensidade as idéias e ferramentas instirucionalistas aliadas a outras vertentes como a foucauldiana e a nietzschiana. H. etc. mas pedagogos. organizam-se autogestionariamente para pensar uma formação não tão instituída: o Núc1eo-psicanálise e Análise Institucional e o Centro de Estudos SocioPsicana1íticos (CESOP) que. espalham . 1987. publicado pela Eldorado. grupos de estudo. (Org. Portanto. não pode ser vi.

Lancetti que 'Wessa época vivíamos uma multiplicidade de experiências no campo da saúde pública: diversa<.. Antonio Lancetti.tentatívas de modernizar os tratamentos. a re:sísJênciade cenas agenciamentos no campo popular. cit. 08.. signos que nos obrigam ã iml(?Stigaçao Aqui. O. pragmdtica.poL.. esquizoanálise.ssagem de um sentído. atrai alguns profIssionais "psi"." e.~ Como no Rio de Janeiro nos anos 80. a existência de uma 1JOntade de grupos. Com menos força que em solo carioca . que vai se iniciando uma formação socioanalítica em São Paulo. são somente estrategias de pa. t:lmbém em São Paulo são os argentinos da segunda geração aliados a alguns "psi" que espalham as principaL. epistemologia convergente são idéias que nos pn. produção.k~ quase duas décadas. delJir. seja de técniCOS em profetos y} 40 41 Saidón. Est:ls formações para coordenadores d" grupo ligam-se desde logo a uma clientela mais volt:lda para a saúde mental. a ponto de ser difícil reconhecê-las com as urgência.nos mOIJemos deliheradamente em direção a um território.onde os profissionais ligados ã análise institucional vinculan1-se lnai. encontram um espaço mais frrtil e rico para ampliar seus conhecimentos. "investigar trabalhando ". ou melbor. nos anos 80 e 90. apesar da devastação causada na sodedade ciuil pelas diJaduras eseu modelo de capitalismo se1t)agem"39 ] \~ Aponta. Diferentemente de São Paulo . 11-16. Antonio Lancetti. ferramentas institucionalist:ls. por exemplo.NA PAULICÉIA l !I 'i t: Ij ~: . dentro de uma visão esquizoanalitica. tarefa.>e as necessidades que coloca o campo polítu:o-social-culturaJ onde as práticasse realizam (. clínica. os psicólogos que trabalham na área. Idem.).pararam o terreno para outras palm. da área da saúde. Tanto que as supervisões institucionais e as várias intervenções feitas por esses dois estabelecin1entos estão relacionadas com setores públicos estaduais e/ou municipaL. lIma grande figura que. Oswaldo Saidón. Sérgio Maida e alguns "psi" paulistas iniciam no Sedes Sapientiae um curso destinado a trabalhadores em saúde ment:ll dentro de um enfoque institucionalist:l...f educacionais. que. lá não há um est:lbelecimento "forte" como o IBRAPSI a análise institucional também -. criavam-se hospUai. em sua. 340 341 .que começa a se fazer sentir a influência dos argentinos Gregório Baremblit. professor na Lnivetsidade do Estado do Rio deJaneiro (uERj) e na LTniversichde Federal Fluminense (UFF). quando usadas. V. É com o NEPP (Núcleo de Estudos de Psicologia e Psicanálise) designação que. pp.-42 2 . Isabel Marazina. cotno se dão as mistura.<. com seus grupos de estudo em filosofia.s dos conceitos institucionalistas argentinos e franceses COU1 os foucauldianos. l'ontade grupal. Op. Interpretaçào. Foucault. rnunic~pais ou comunitários. (Org.. muito tem ajudado todos esses profissionais "psi" a aprofundar seus conhecin1entos nesses diferentes enfoques é Cláudio Clpiano41. seja a partir do papel de supervisores em uniwrsidades. transdisciplinaridademl(). ampliava-se a rede de ambulatórios de saúde mental.R. horizontalídade. a partir de 1977. p. Spinoza. dentre outros. Afirma A. Aqui. A Casa e o CEPAI. por íçso mesmo. L2 e 13. é a partir deste território que ". dentre outros. p.1t'as mais imprecisa. Por is. seus grupos e J instUuições como obra aberta. será nos anos 80. In: Op.. produzir novos acontecimentos.distingue esses textos: " . Entret:lnto. Em 1987." ao setor de saúde mental -. tem difundido as idéias de Nletzsche. Deleuze e (~uattari. algumas palaum. Filósofo. "Introdução".-dia. transversalidade. Isabel Marazina. ainda. e um início de leitura institucional. deleuzianos e guattarianos ao mostrar que: as referências à escola de Análiçe lnstüucional e à orientação latino-arnericana degmpos e psicologia sacia/se mesclam.. substitui a expressão Núcleo de Estudos de Psicologia e Psiquiatria.sdezenas de grupos de estudo ao longo <. onde as definições. empregada por ocasião de sua fundação um ano antes . Nelly Simmonelli e Sérgio Maída.~~'intervenção. com a organização de dois estabelecimentos. de perseverança popular em trabalhos de solidariedade. l . que atinge t:lmbém a Paulicéia e Belo Horizonte. pretendia-se humanizar alguns 42 Kamkhagi. dt. processo. 12._ Sempre nos interessaram a Psicologia Social. politizar seus trabalhos.so. em solo carioca ligam-se ã instituição pedagógica.

o que fugiria ao tema deste trabalho . ci1. "Criticas de la Teona lnstirucionalista" In: El Análisi<. anteriormente.) enfim. sem pretender um maior aprofundamento na história das 43 Lancetti. (onde) nenhuma teoria pode funcionar sem ruído. de forma panorâmica.. no terceiro momento da história do movimento na França Explicitando melhor: a análise institucional pode também se constituir em ocultamento. 01-02. autoritários.há Sueli Rolnik. o movimento de trabalhadores em saúde mental man~festou imporlante crescimento e singular intensidade. 01. p. com suas "verdades". Três analistas institucionais: Isabel Marazina. Guattari no Brasil. . quando se institucionalizatTI. aceitamos o convite de Mauro Hegenberg . IV - ALGUMAS CONSIDERAÇÕES Além deste curso no Sedes. não somente para lançamentos de livros. deve ser o estrangeiro nesta Colônia. Ao afirmar que os sabere~ são produções de controle através do ··racional". vem se realizando. vontade de transmitir e disposiçâo para aprender. dentre outros. contando com o trabalho de Lancetli e do psicodramatista Mascarenhas. como qualquer outra instituição. Op. uma belíssima cxperiência dentro do enfoque institucionalista e antimanicomial na Casa de Saúde Anchieta. Nos anos de 1985 e 1986.. fundada pelo sociólogo e psicanalista Manuel Berlinck. naturalização e repressão. Ali. . Saúde e Loucura 1. Nestes anos 80. se ndo quiser cair sob sua própria mâquina "44 {grifos meus). 342 343 . sem golpes. Assim.na época diretor do Sedes Sapientiae e membro do Plenário de Trabalhadores em Saúde Mental . Com base em todas as contribuições da análise institucional para o desocultarnento e a desnaturalização dos diferentes equipamentos e instituições sociais que nos atravessam e de todo o instrumental fornecido pelos dispositivos criados por essa análise das instituições.que com seus grupos de estudo de filosofIa tem também ajudado estes profIssionais "psi" a aprofundar seus conhecimentos institucionalistas . gostaria de tecer alguns breves comentários sobre tais práticas. Op. os institucionalistas apontam. Sérgio Maída e eu.43 práticas institucionalistas de origem francesa no eixo Rio-São Paulo . ')3.. Além da figura de Cláudio Ulpiano . algum pontos que nos perntitem pensar algumas pequenas transformações que vêm se produzindo ao longo da segunda metade da década de 80 nas práticas "psi" nesses dois espaços geográficos.através de suas traduções e/ou coordenações . Naquela cidade. investia-se para transformar a linha dominantemente hospitalocêntrica.hospitais psiquiátricos. um espaço que se torna conhecido. descronificar pacientes e funcionários (. hierirquicos. p. também. dois psicodrarnatistas: Antonio Carlos Cesarino e Pedro Mascarenhas.e em meu cotidiano elas se constituírem em uma das "ferramentas" que utilizo -. integrar ações. desde 1989. ambos sob a coordenação de Antonio Lancetti e com o apoio de David Capistrano Filho. (portanto). são lançados Saúde e Loucura 1 (em 1989) e Saúde e Loucura 2 (em 1990). a tradutora dos trabalhos de F. A Andlise Institucional. à medida em que ela nisso se transforme. Institucional.6.esta psicanalista tem realizado vários grupos de estudo sobre o assunto e difundido para muitos as principais ferramentas deleuzianas e guattarianas em seus cursos de pós-graduação na PUe.. sem fracassos r. Secretário Municipal de Saúde de Santos. ciL. entendo que Lapassade e o grupo institucionalista francês apontam para uma apreensão da análise institucional como instituição . através da Prefeitura Municipal.tomam-se extrematnente fechados. 'i2-'.. e que todo saber é uma instituição.apontei simplesmente. Desta forma. e se situam à 44 Authier. A.).e iniciamos a viagem. principalmente para "psi" ligados à área da saúde mental. várias formações privadas através das chamadas supervisões institucionais são realizadas em solo paulista. M.. In. dentre outros. "Apresentação". Até por estar fortemente implicada com as práticas institucionalistas de origem francesa (é esta uma das vertentes que este trabalho percorre) . para " a Colônia Penitenciária de Kajka.o que mostrei. Além da difusão das idéias de Deleuze e Guattari . Eu e outros quatro companheiros abandonamos outras expen·ências formativas. como também para debates e palestras também relativos à linha institucionalista é a Livraria Pulsional. compusemos a equipe que durante dois anos coordenou a experiência com muito afinco.

. Acredito que estes são pontos que merecem ser discutidos por todos nós. Micropolitica: Cartografia'i do Desejo. implicados com a desnaturalização das diferentes instituições que nos alravessatn cotidianamente e que. ou contra as quais se revolta. questionado e desnaturalizado. nas tentações dos micropoderes e das subjetividades dominantes. p.). 'iionais ou setoriais. assim como "analisador': "transversalidade': etc. a fala e a prática. se autodenominem "socioanalistas". a especialistas. cit. 13.. subterraneamente. na universidade. Em realidade. as exigências políticas a que se submete. Um outro aspecto a levantar é a questão do especiali~mo. M. "institucionali. usualmente. entre movimentos sociais.finalmente. pode ser novamente colocada"40 (grifas meus). no bospüal..lld um combate "pela verdade" 011.. que . lançou o termo "análise ínstitucionai". o intelectual tctn uma tripla especificidade: a espec~fictdade de sua posição de classe (pequeno burguês a serviço do capitalismo ou inte!ectual"orgânico" do proletariado).. psiquiatras e psicossociólogos Eles recuperaram tudo isso rapidamente. Ao ignoraI a transversalidade. instituem outros especíalismos. que postula a desnaturalização cotidiana da instituição especialismo. estáticos. ao aprender com eles. tem implicações que não são ft'nciOlUl ou luta ao nivel somente profis. Sabemos. da düJisào entre trabalho manual e intekctw:tl. portanto. Sabe-se. traduzindo-o em termos de interoençao psicossocio/ógica: hd grupos de AndIise Institucional que se fazem contratar pelns grandes empresas para realizar algo equivalente a ItnUl japoneização da classe operdrla AJ:5im. E por que continuamos a fortalecê-Ia em nossas intervenções . como umsaber fechado. 46 f<)ucault. a especiflôdade de suas condições de vida e de trabalho. Microfisica do Poder. a corpos instituciotUlis especializados .. se alojam -fi Guanari. "em torno da ver· dade" ( . seu lugar no laboratório. apesar de nossos discursos contrários. outras onipotências e. saberes/práticas e intervenções concretas advém da necessidade de se criarem incessantemente novas formas para não se cair nas malhas do instituido. institucionalizados. Sabemos que somos psicólogos. Este tem sido o grande desafio enfrentado pela análise institucional. Ê então que sua posição pode adquirir uma significação geral.e a "simples" apresentação de um profi~sional não é tão simples assim. tão desperdiçadas (. que dentro do enfoque institucionalista é constante e cotidianamente apontado.. portanto.. outras inclusões/exclusões. estão decididamente mortos. ao se implicar com os movimentos sociais concretos. estamos trabalhando sistematicamente na consolidação e na produção de subjetividades capitalisticas. por descuido. Este tem sido o grande desaflo que se coloca para todos nós envolvidos com o movimento institucíonalista: não utilizar a análL~e institucional como uma instituição. É então que a questão da profi-'\Sionalizaçâo do intelectual.. Daí a eficácia e o poder da prática dos especiali. Entretanto. ao menos. ao utilizarem estas ferramentas de trabalho. etc. portanto. 11preciso pensar os problemas politicos dos intelectuais não em termos de "ciência/ideologia ". outros lugares de saber. mas em termos de "verdade! poder". pesquisadores ou qualquer outro "perito". que . cit. p'ortador de verdades dogmáticas e universais. Op.J. ligadas a sua condição de intelectual (1. e Rolnik. rompemos com estes lugares sagrados? É como afirma Guattari: 344 " essaspalavras foram tão gastas.eudomínio de pesquisa.tas" ou mesmo "esquizoanalistas" ou "cartógrafos".45 (grifos meus). em suma. em muitos momentos. São rótulos especializados que. acabado e. sabemos que esta marca está impressa em nossa formação social e acadêmica e em nossas práticas.04'. então. Fui eu mesmo quem.çeu combate local ou especifico acarreta efeitos. . com suas práticas. isso acabou remetendo a doutrinas de intervenção. A articulação que os analistas institucionais buscam fazer. p. psicanalistas. em realidade. S.. Op. portanto. . ao tentar negar os modelos de atuação definidos e. que ri tão essencial para as estruturas e para o funcionamento de nossa sociedade.margem do que a realidade social lhes está dizendo. a nos autonomearrnos e pennitir que nos nomeiem de especialista em alguma coisa? Por que não quebramos. 228. reproduz-se e reforça-se a divisão social do trabalho no mundo capitalistico. de um especialista. é uma intervenção concreta -.tas em nossa sociedade. FJe geral deste regime de verdade. que nos percebem e esperam de nós a postura. Perdese o potencial subversivo do movimento institucionalista. que tornaramse o filé mignon de muílos professores universitários. surpreende-nos que muitos profissionais.). a especijicilÚlde de verdade nas sociedades contemporâneas. que tanto se critica nos discursos. r.

Isto é. Um último aspecto a ser levantado prende-se ã questão de uma produção mais recente: a de um discurso prolixo.que se utilizam do referencial institucionalista. . incompreensível para muítos "mortais" que não são "institucionalistas". Estaremos "macaqueando" Deleuze. 07.dentro de nós. fechado. Tomara que seja suficientemente controvertida para que outras 1JOzes acrescentem outros fragmentos" Lucy Garrldo2 É necessário concluir algo? Seriam algumas conclusões .para se iustituir um discurso e um vocabulário extremamente herméticos.tentar ser iuteligível . que ao habitar este território. 1989. Acentua-se uma tendência cada vez maior entre alguns "psi" . CAPíTULO VI ALGUMAS CONCLUSÕES? É NECESSÁRIO? "Esta é uma ttisão pessoal de uma grande dor coletiva. Meu Quarto. como todas as demais. muitas coisas me passam pela cabeça.ão do especialista apontada acima . como iustrumento de denúncia e questionamento do que ali "normalmente" e "naturalmente" é produzido. L. ao contrário.é banalizar. In:JB. 06. vulgarizar nossas ferramentas de trabalho? Penso que não. no lJ11CIO dos anos 70. de algumas ferramentas de Deleuze. 'Mas é. 346 347 .como aquele que tem seu próprio vocabulário. mas fundamentais para que a análL. L. mas. . Foucault. Guattari e mesmo de Foucault . pois se pretendemos desnaturalizar as diferentes instituições sociaL" as primeiras que devemos denunciar são aquelas iustituídas por nós próprios. sobretudo) um pequeno fragmento da história que deve ser contada. p. a paixão que senti ao escrever muitas de suas passagens. reprime. transformá -los. e Garrido. Foucault. por nossos saberes. só entendido por seus pares. que saiamos do lugar de especialL'ta ou que iuventemos um outro. Falo para reunir milhares de vozes que impeçam a fraude. conversas que tive sobre este trabalho. por aqueles que lhe são próximos e idênticos? Será que o oposto . Guattari. MinhaCela. somente decodificáveis pelos "iuiciados". Não estaremos fortalecendo a vL. dessacralizando-o cotidianamente. e que possamos forjar outras formas de ocupar este espaço. mas historicizá-Ios e. pelos lugares ocupados por nós.). Não proponho. não produzirmos outros instituídos. utilizar nossas práticas.uma forma de encerrar o assunto. a solidão tão presente no último ano de redação destes Capítulos. 1973. preocupava-se com este tema ao afrrmar que estava cansado de falar para meia dúzia de "entendidos"''. quem sabe. de resolver a questão? Neste "fmal". Fragmentos de iuúmeras entrevistas. oculta. Desafios terríveis que se nos colocam. consigamos utilizá-lo como máquiua de guerra. L & PM.tas" para colocá-los em análise a fim de. 47 Consultar a entrevista: "M.e institucional não se tome uma iustituição que. por nossas práticas.mesmo que provisórias . o roubo. "socioanalistas" ou "esquizoanalistas". naturaliza. p. Idem. a mistificação e a mentira sobre aquilo que foi a matéria de nossos dias e noites". ao desnaturalizá-los. Porto Alegre. nossos saberes e os lugares que temos socialmente enquanto "especiali. portanto. 1 2 Celiberti. Foucault Condena o Hermetisrno do Intelectual e Faz Questão de Ser Claro~. É apenas parte da história de uma dessas mulheres e sua visão pessoal de uma vida coletiva (. da mesma forma que alguns lacanianos "macaqueiam" Lacan? O próprio M.

que se iniciou nos tumultuados. de que é possível no trabaUlo "psi" uma unplicaçào com os movimentos sociais 349 . "lançando mão da história como arma nos combates do presente'" O que aqui se narrou foram fragmentos de histórias: do Brasil. em muitos casos. o que aqui se produziu foram fragmentos de uma grande dor coletiva: e como concluir sobre a dor e sobre o coletivo. certos sacerdócios. era necessário documentar uma época. mas nem por' isto histórias mais ou menos rigorosas do que tantas outras leituras. gestaJtc. do "ame-o ou deixe-o". o mérito possível desta narrativa' O que foi.diferentes grupos que organizam. sujeição e dominação. nos maL. "desajustados". apesar das "reformas" feitas nos anos 80 após as chamadas "crises". para outros. de seus sonhos e lutas' E como os movimentos "psi" não só eles. de uma geração. com algun1as exceções. vejo também que não se trata apenas de me refazer do espanto. sou de imediato tomada pela dúvida: é necessário concluir' Vejo que não se trata apenas de cansaço. Garrido.') práticas psicanalíticas. Como afIrmam L. Dentre os exemplos que vou mostrando está o movimento iacaniano. reproduzem as mesmas práticas que repudiam. também. da ascensão social vertiginosa. antes de mais nada. certos dogmas. subjetividades capitalísticas. com a naturalização do que é anti-ético. "desestruturados" ou "carentes". conflituados e ousados anos 60. Não para lamentar o que se passou. Como. tentei assinalar a que modeios de subjetividade serviram e ainda servem as institui~'ôes "verdadeira" psicanálise e fonnação analítica. vinculada. Principiando com 3. Além de documentar este período.série de outros estabelecimentos "psi" no eixo Rio-São Paulo. tristes e anleaçadores anos 70 para todos aqueles no interior dos quaL. estes nlCS1110S anos foram a década da euforia.a desqualificação de seus projetos. e documentá-Ia de tal forma a trazer as vozes de seus protagonL. Não pretendi aqui estabelecer verdades dogmáticas. à griJfe da iPA. tornanl-se. então. tive também o propósito de fornecer elementos para o que chamei de desnaturalização de verdades que nos aprisionam. continuou pelos dolorosos. a história que busquei foi a história do presente: quais agencianlcntos de pr~ticasJ discursos e instituições constituíram nossos processos de subjetivação .tase "n('()-reichianas"). Entretanto. por exemplo. Era necessário que se pudesse falar desta dor. Celiberti e L. Vejo que realmente há uma dificuidade que é preciso pensar como qu estão. o que não se construiu. principalmente os cariocas.a dignidade contra o terror e a resistência estiveram presentes.Ao tentar agora uma conclusão. quando esses "psi" começam a se autorizar psicanalista" nos estabelecimentos. Esta viagem. de muitos e muitos projetos. à medida em que tais elementos 348 nos servem como Viagem que chega aos 80 e 90 com o "cinismo consensual". aqui. produtoras e reprodutoras do que é hegemônico. mas também eles . embora creia que estamos a todo momento produzindo verdades. Já as práticas psicodramáticas e as lira das ao Movimento do Potencial Humano (rogerianas. de suas mortes . embora para muitos permaneça a crença de que "o sonho é possivel".dentre tantas coisas . violento.no caso aqui em questão. assim como Unl3. o que se perdeu. Também não pretendi cair num relativisnlO em que tudo se equivale. Entretanto. do "milagre". são questionadas na década de 70 pelo movimento dos psicólogos. como se o esforço tivesse sido em demasia. o meu propósito? Antes de maL. histórias onde estiveram presentes categorias profIssionais englobadas todas como "psi". alegre. onde tudo é o mesmo com pequenas diferenças.estiveram nisto implicados' O que se encontrava em questão? ferramentas de luta contra as mais diversas formas de exploração. pois muitas vezes me surpreendi trL'te. a não ser. A exemplo de Foucault. . talvez. "desadaptados".o que ocorreu com muitos deles .. Ambas.tas.que ainda nos anos 70 pretenderam criticara hegemonia psicanalítica e desenvolver "outras" formas de se pensar e fizer psicoter:lpia. instituições modelares e di~ciplinadoras c(. instituem de forma tão religiosa quanto os chamados "oficiais" certos modelos. embora isto também tenha acontecido. da cumplicidade e da apatia. de algumas décadas. vão gradativamente sendo instituídas. o "subversivo" e o "drogado" puderam ser apropriados como "doentes mentais". tantas outras histórias. nada. aliando ã dor de seus desaparecimentos.)mo o "Santuário de Vesta". Qual. corrupto.

350 351 . dúvidas e desafios. tenta colocá-lo em análise .e que em seu cotidiano forjam outrdS práticas. Enfinl. Restam muitas histórias. p. Daí não me atrever a uma conclusão que. . portanto. O que penso ser trabalho coletivo de todos os que atuam no campo "psi" . mas uma tentativa de trazer esses tempos em sua. pois ". nem sempre os acompanhando. pretensiosa e implicitamente. cit. pois é muito importante tê-los e vivê-los. O que fica de todo este percurso. os desencontros. instituido e naturalizado. apaixonada e até irada ou mesmo decepcionada.que se espalham pelo mundo. Trago comigo também as dores. em conexão com o que ele jaz ou não passar intensidades. saudosista. Eis porque esta narrativa possui também o objetivo de pôr para funcionar agenciamentos que tenham força. 08.efunciotul. . Paris. etSchlzopbrénie. não se irá procurar nada a compreender num livro. as separações e as mortes. um recordar melancólico. de todo este caminho' Não ficam muitas verdades. . utopias e encontros. esta narrativa pretende ser o que G. IJistes e decepcionantes. Esta viagem não foi. de uma geração .papel muito desempenhado pelos intelectuais de esquerda que vêem reconhecido o seu direito de falar enquanto donos da verdade e da justiça'.Mille Plateaux:Capitalisme 10. 4 Deleuze. com toda a t I Todavia: nesses fraglllentos aqui narrados há. de forma mais distante. G. "4 (grifas meus).a minha . mas perguntarcmn o que ei.Guattari afjrmarn constituir o funcionamento de uma obra.e náo só nele . dentro de quaL"multiplicidades ele se introduz e metamorfOseia as suas. com alguns agenciamentos.. Talvez pudesse dizer: ficam problemas.c. sem dúvida. Os lugares de psicóloga . apaixonantes. p. com muitos sonhos. como afirma Foucault . portanto. Com alguns de forma intensa. ãs facilidades e confortos do que se estabelece. paixão e a vida ali presentes. no sentido de expandir outras formas de pensar uma genealogia de algumas práticas "psi" no Brasil.que não estão absolutamente completos e que nunca estarão acabados. se institui e tenta permanecer. Com outros.'\'finuit.. Deleuze e F. 3 Foucauit.que pretende uma outra produção desta prática. Fica talvez uma única certeza: a minha implicação com o meu tempo. de acontecimentos com os quais estive mais ou menos implicada. Não me atrevo. São pedaços de uma trajetória. ainda que os observasse ã distância. Op. MJcrofisica do Poder.como afuma Lucy Garrido no início deste Capitulo . uma I I afnmação singular dos lugares por mim ocupados. '~ procuraria "fechar" algo. sem a "segurança" do que está pronto e acabado. piegas. e Guattari. a ser uma espécie de "consciência dos outros". com todas as marcas.que sem negar este especialismo. muitos acontecimentos belos. Este trabalho é. F.1980. mais diversas e diferentes diInensões.apenas fragmentos de histórias. propositalmente. M.e de militante . e faz parte desta sempre renovada luta contra as tendências sedutoras ao acomodamento c ã naturalização.

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Marilda Resende Camargo Fortes .Elizabeth Cruz Miller .José Inácio Parente .Carlos Eugênia Guimarães Marer .Antônio Celso Pires Osório Pereira .Marisa Nogueira Greeb .Chaim Samucl Katz .Maria Beatriz Canijo Silva e Weeks .Regina Maria Toscano Pereira Adolpho Hoirisch .Carmen Felicitas Lent .Manha &rlin .Ana rvlaria Segal .Wilson de Lyra CJlebabi m- PSICODRAMATISTAS ENlREVISTADOS • Alexandre Ribeiro Bhering .Mario Pablo Fucs .ANExos 11 . Ericson .Luiz Fernando de Mello Campos .Nilza l\tlatia Margareta.Moysés Campos de Aguiar Netto .Romel Alves da Costa .Analúcia Linda Cossich .Antônio Gonçalves dos Santos .Virgínia Leone Bicudo .Undemberg Ribeiro Nunes Rocha .Ana Verônica Mautner .Heliana de Barros ('.Oswaldo de Barros 1.Nicolau Maluf Júnior .lsidoro Americano do Brasil .Roberto Azevedo .Miriam Chnaidcrman . de Bigliani .Alberto Goldin .Ana Lúcia Magalhães Barros .Içami Tiba .Carlos AJberto da Silva Barreto .Joel Birrnan .Léa Maria Cardenuto .Geni Cobra .Luiz César de l\1iranda Ebraico .Luiz Tenório Oliveira Lima .Dalmiro Bustos .Antônio Carlos Eva .David Ramos .Carlos Jose Rubini .Pedro Vieira Castel ~ Rachei Vieira da Cunha .Victor Roberto Ciacco da Silva Dias IV - PROFISSIONAIS MOVIMENTO ENTREVISTADOS LIGADOS AO HUMANO DO POTENQAL Agripino Ail)erto Domingues .Léa Beatriz N.Liane Zink .Dirce Ferreira da Cunha .Márcio Peter de Souza Leite .José Ângelo Gaiarsa .Maria Dalva Leite de Castro de Bonet .Marilza Tafarel Faerman f-.Eustáquio Portella Nunes Filho .Selma Ciomai ~ TIlereza Hantzschl CTessy) .Alejandro Luiz Viviani .Maria Lúcia do Eirado da Silva .Szulim Maíowka ..Manoel Tosta Berlinck .Wian Meyer Fra7.Antônio Lancetti .João Batista Ferreira João Cortes de Barros .Arlete Lopes Diogo .Regina Favre .Miguel Perez ~a varro .José Luiz Araújo SabóiaIvlarco Antônio de Oliveira Silva .Carlos Roberto Aticó .Fábio Antônio Herrmann .José Nazar .Alfredo Correia Soeiro .Fábio Penna Lacombe .Federico Navarro .José Manuel D'Allesandro .Rosita Rodrigues Koschar .Carlos César Castellar .Eduardo Lodzer .lvanise Fontes .)\'ice Pereira Brandão .Madre Cristina Sodré Dória .Carlos Rosário Briganti .Carlos Ralph Lemos Viana .Inês Etienne Romeu .Kátia Martins de Almeida .Laércio de Almeida Lopes Luiz Henrique Alves .Potiguara Mendes da Silveira Júnior .Luiz Miller de Paiva Luiz Alberto Py de Mello e Silva .Rosa Beatriz Pontes de JlvlirandaFerreira .Luiz Carlos Nogueira .Edgardo Musso .Frandsca Abigail Barreto Paranhos .Maria da Paz Pereira Manhães .Esther Frankel .Narciso José de Mello 'feixcira .Paulo Sérgio Lima Silva .Alduizio Moreira de Souza .Eduardo Alfonso Vida.Maria Helena Pinheiro I\azareth .Paulo Hindemburgo Torres Galvâo .Nelly Simonelli .Chaim José Hamer ..OUTROS PROFISSIONAIS E Ex-PREsos POLÍTIcos ENTREVISTADOS I- PSICANAIlSTAS ENTREVISTADOS Adriano Diogo .Ronaldo Pamplona Teixeira clt Costa .Félix Gimenez . Ribeiro lima Silva .Maria Cortesi .Décio Cesarln .Jurandir Freire Costa .Ivam Gonçalves Campos José de Souza Fonseca Filho .aldasSilva .Yvonne Vieira 370 371 .Nalunan Annony .l'vL1.l .Alfredo Naffah Netto .Hórus Vital Brasil lnaura Vaz Carneiro Leão .Stella Maria Gimenez Gordillo Suzana Amalia Palácios .Luda Barbero Mardal de Fucs .Joana Helena da Cunha Ferraz .José Alberto More~ C"otta.Yone C.Beatriz Aguirre .0 Santos .Eduardo Guimarães Mascarenhas da Silva .Raimundo José Barros Teixeira Mendes .Gregório Franklin Baremblit .Maria Mello ..Sonia CUIVOde Azambuja .Antônio Carlos Cesarino .Maria Alicia Romana .Amaryllis Alves Sduinger .Vânia de Lara Crelier .Rubens Kignel .Maria Regina Domingues de Moraes .Herialde Silva Fonseca ..Antônio Carlos Fonseca Antônio Carlos Marcílio Godoy .Alfredo Allemand .Isaias Melsolm .Sandra do Carmo Guimarães ~ Sandra Regina Paschoal Sofiari .Maria Anita C.Cecilia Montag Hirchzon .Galina Schneider .1arialzira Perestrello Câmara .Denise Dessoni de Almeida .Jorge de Figueiredo FOIbes .onde Rodrigues .Ivan Akselrud de Seixas .ria Cristina Rios Magalliães .José Felipe Fernandez .Luiz Roberto Salgado Candiota .:'-Jora BeatriZ Susmanscky de Miguelez Oscar Angel CezaroUo .Edson Soares Lannes .Eliane Maria Duailibe Siqueira .Geraldo do Prado Jucá .Silvia Leonor Alonso Espósito .Jean Clark Juliano .Fernanda Coelho .Helena Celinia Besserman Vianna .• .Luiz Werneck .Oscar Miguelez .Fábio Landa .Isabel Victoria Marazina .Carlos Guilhermo Bigliani .Neusa Maria Martins da Cunha .Pedro Henrique D'Ávila Mascarenhas ~ Regina Foumeaut Monteiro ~ Ronald de Carvalho Filho .

A obra. o compromisso com a busca de um mundo melhor e com a "criação de novos espaços" está presente em cada pãgina deste livro. bate duro naqueles profissionais da área "psi" que.Seu admirável trabalho corno secretária e. sem ser panfletária. Assim.s . tentaram fazer da ciência mais um instrumento de servidão aos poderosos. comportandose como autênticos "guardiães da ordem". corno presidente do Grupo Tortura Nunca Mais do Rio de Janeiro é demonstração disso. Impress:to e Encadernação "MARQUES-SARAIVA" GRÁFICOS E EDITORES S.A Tels (02l!213-9498 .273·9447 Cecilia Coimbra prafessara-adjunta de Psicologia na UFF e presidente do Grupo Tortura Nunca Ma. Milton Temer . atualmente.

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