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No caso do especialista em educação, é interessante observar que essa condição

não se aplica, apenas, a quem exerce funções como a de administração,


orientação educacional ou supervisão. Na verdade, são também especialistas (no
sentido de quem domina, especificamente, uma determinada área de
conhecimento e trabalho) os professores de modo geral, no âmbito de seus
conteúdos específicos (Rangel, 1998, p. 151).
É importante que a escola trate o momento da decisão sobre a escolha de livros
com muito cuidado e atenção, de modo que isso se dê com a participação e
critério de grupo, observando-se o estado do conhecimento, qualidade de
valores, correção e atualidade de conceitos. A escola deve, portanto, planejar,
organizar o momento em que a editoras ou mesmo os órgãos oficiais do sistema
lhe oferecem livros, e os professores, em conjunto, os recebem para ler, trocar
impressões, estudar e decidir.
Afasta-se, mais uma vez, a crítica tecnicista, compreendendo-se os planos como
roteiros refletidos coletivamente, de modo a organizar o trabalho, entendendo
que o previsto nesta organização poderá ser alterado, de acordo com as
circunstâncias da prática. O momento de planejar coletivamente é também o de
pensar a contextualização e a interdisciplinaridade.

O plano não é papel para “arquivo”, mas encaminhamento de ações


conjuntamente refletidas. Reflexão-ação-reflexão continua sendo, portanto,
referência para o processo de orientação e coordenação supervisoras, que se
aplicam, também, aos métodos de ensino.
É também nesse sentido – de avaliar a avaliação – que os Conselhos de Classe não
se concentram em resultados, mas alargam a sua visão, associando esses
resultados ao processo, tanto do aluno como dos professores. Reavaliam-se,
portanto, os conceitos, os procedimentos e instrumentos com que se verificam os
produtos da aprendizagem, procurando-se, ainda, meios de qualificar e
contextualizar a avaliação, focalizando as atividades do dia a dia, os níveis de
participação e possíveis contribuições trazidas da experiência, do conhecimento
espontâneo dos alunos. Essa análise oferece também subsídios à recuperação.
A escola – local, por excelência, por natureza, de implementação do processo
didático – é espaço de pesquisa e aproveitamento dos seus objetos para
(re)construí-los à luz de fundamentos teóricos, considerando-se, também, os que
são explicitados e assumidos no projeto político pedagógico.

(...) os problemas do cotidiano devem ser aqueles que suscitem o estudo


sistematizado, desenvolvido em bases teórico-metodológicas. A pesquisa amplia
a compreensão do processo didático (...); é também objetivo comum, que motiva,
mobiliza e aproxima professores (...).