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FUNDAMENTOS DE

ANTROPOLOGIA E
SOCIOLOGIA

Esse material foi produzido a partir de Convênio de Colaboração


firmado entre as Instituições:

Fundamentos de Antropologia e So1 1

2/1/2008 16:51:26
Expediente
Curso de Direito Coletânea de Exercícios
Coordenação Geral do Curso de Direito da Universidade Estácio de Sá
Prof. André Cleófas Uchôa Cavalcanti
Coordenação do Projeto
Núcleo de Qualificação e Apoio Didático-Pedagógico
Coordenação Pedagógica
Profa. Tereza Moura
Organização da Coletânea
Professores da Disciplina, sob a coordenação da Profa. Edir Figueiredo de Oliveira T
. Mello
Fundamentos de Antropologia e So2 2

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CARO ALUNO

A Metodologia do Caso Concreto aplicada em nosso Curso de Direito,


é centrada na articulação entre teoria e prática, com vistas a desenvolver o
raciocínio jurídico. Ela abarca o estudo interdisciplinar dos vários ramos do
Direito, permitindo o exercício constante da pesquisa, a análise de conceitos,
bem como a discussão de suas aplicações.
O objetivo é preparar os alunos para a busca de resoluções criativas a partir
do conhecimento acumulado, com a sustentação por meio de argumentos coerentes
e consistentes. Desta forma, acreditamos ser possível tornar as aulas mais
interativas e, consequentemente, melhorar a qualidade do ensino oferecido.
Na formação dos futuros profissionais, entendemos que não é papel
do Curso de Direito da Universidade Estácio de Sá tão somente oferecer
conteúdos de bom nível. A excelência do curso será atingida no momento
em que possamos formar profissionais autônomos, críticos e reflexivos.
Para alcançarmos esse propósito, apresentamos a Coletânea de Exercícios,
instrumento fundamental da Metodologia do Caso Concreto. Ela
contempla a solução de uma série de casos práticos a serem desenvolvidos
pelo aluno, com auxílio do professor.
Como regra primeira, é necessário que o aluno adquira o costume de
estudar previamente o conteúdo que será ministrado pelo professor em sala
de aula. Desta forma, terá subsídios para enfrentar e solucionar cada caso
proposto.O mais importante não é encontrar a solução correta, mas pesquisar
de maneira disciplinada, de forma a adquirir conhecimento sobre o tema.
A tentativa de solucionar os casos em momento anterior à aula expositiva,
aumenta consideravelmente a capacidade de compreensão do discente.
Este, a partir de um pré-entendimento acerca do tema abordado, terá melhores
condições de, não só consolidar seus conhecimentos, mas também
dialogar de forma coerente e madura com o professor, criando um ambiente
acadêmico mais rico e exitoso.
Além desse, há outros motivos para a adoção desta Coletânea. Um segundo
a ser ressaltado, é o de que o método estimula o desenvolvimento da
capacidade investigativa do aluno, incentivando-o à pesquisa e, consequentemente,
proporcionando-lhe maior grau de independência intelectual.
Há, ainda, um terceiro motivo a ser mencionado. As constantes mudanças
no mundo do conhecimento e, por conseqüência, no universo jurídico
exigem do profissional do Direito, no exercício de suas atividades, enfrentar
situações nas quais os seus conhecimentos teóricos acumulados não
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serão, per si, suficientes para a resolução das questões práticas a ele confiadas.
Neste sentido, e tendo como referência o seu futuro profissional, consideramos
imprescindível que, desde cedo, desenvolva hábitos que aumentem sua
potencialidade intelectual e emocional para se relacionar com essa realidade.
E isto é proporcionado pela Metodologia do Estudo de Casos.
No que se refere à concepção formal do presente material, esclarecemos
que o conteúdo programático da disciplina a ser ministrada durante o
período foi subdividido em 15 partes, sendo que a cada uma delas chamaremos
Semana . Na primeira semana de aula, por exemplo, o professor
ministrará o conteúdo condizente a Semana no 1. Na segunda, a Semana no 2,
e, assim, sucessivamente.
O período letivo semestral do nosso curso possui 22 semanas. O fato
de termos dividido o programa da disciplina em 15 partes não foi por
acaso. Levou-se em consideração não somente as aulas que são destinadas
à aplicação das avaliações ou os eventuais feriados, mas, principalmente, as
necessidades pedagógicas de cada professor.
Isto porque, o nosso projeto pedagógico reconhece a importância de
destinar um tempo extra a ser utilizado pelo professor e a seu critério
nas situações na qual este perceba a necessidade de enfatizar de forma
mais intensa uma determinada parte do programa, seja por sua complexidade,
seja por ter observado na turma um nível insuficiente de compreensão.
Hoje, após a implantação da metodologia em todo o curso no Estado
do Rio de Janeiro, por intermédio das Coletâneas de Exercícios, é possível
observar o resultado positivo deste trabalho, que agora chega a outras
localidades do Brasil. Recente convênio firmado entre as Instituições que
figuram nas páginas iniciais deste caderno, permitiu a colaboração dos
respectivos docentes na feitura deste material disponibilizado aos alunos.
A certeza que nos acompanha é a de que não apenas tornamos as aulas mais
interativas e dialógicas, como se mostra mais nítida a interseção entre os
campos da teoria e da prática, no Direito.
Por todas essas razões, o desempenho e os resultados obtidos pelo aluno
nesta disciplina estão intimamente relacionados ao esforço despendido
por ele na realização das tarefas solicitadas, em conformidade com as orientações
do professor. A aquisição do hábito do estudo perene e perseverante,
não apenas o levará a obter alta performance no decorrer do seu curso, como
também potencializará suas habilidades e competências para um aprendizado
mais denso e profundo pelo resto de sua vida.
Lembre-se: na vida acadêmica, não há milagres; há estudo com perseverança
e determinação. Bom trabalho.
Coordenação Geral do Curso de Direito

Fundamentos de Antropologia e So4 4

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PROCEDIMENTOS PARA UTILIZAÇÃO
DAS COLETÂNEAS DE EXERCÍCIOS

1. O aluno deverá desenvolver pesquisa prévia sobre os temas


objeto de estudo de cada semana, envolvendo a legislação, a doutrina
e a jurisprudência e apresentar soluções, por meio da resolução
dos casos, preparando-se para debates em sala de aula.
2. Antes do início de cada aula, o aluno depositará sobre a mesa
do professor o material relativo aos casos pesquisados e pré-resolvidos,
para que o docente rubrique e devolva no início da própria aula.
3. Após a discussão e solução dos casos em sala de aula, com o
professor, o aluno deverá aperfeiçoar o seu trabalho, utilizando, necessariamente,
citações de doutrina e/ou jurisprudência pertinentes
aos casos.
4. A entrega tempestiva dos trabalhos será obrigatória, para efeito
de lançamento dos graus respectivos (zero a dois), independentemente
do comparecimento do aluno às provas.
5. Até o dia da AV1 e da AV2, respectivamente, o aluno deverá entregar
o conteúdo do trabalho relativo às aulas já ministradas, anexando
os originais rubricados pelo professor, bem como o aperfeiçoamento dos
mesmos, organizado de forma cronológica, em pasta ou envelope, devidamente
identificados, para atribuição de pontuação (zero a dois), que
será somada à que for atribuída à AV1 e AV2 (zero a oito).
6. A pontuação relativa à coletânea de exercícios na AV3 (zero
a dois) será a média aritmética entre os graus atribuídos aos exercícios
apresentados até a AV1 e a AV2 (zero a dois).
7. As AV1, AV2 e AV3 valerão até oito pontos e conterão, no
mínimo, três questões baseadas nos casos constantes da Coletânea
de Exercícios.
Coordenação Geral do Curso de Direito

Fundamentos de Antropologia e So5 5

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SUMÁRIO
SEMANA 1
A análise social. 9
SEMANA 2
Cultura e sociedade. 11
SEMANA 3
Ordem, desordem e controle social. 14
SEMANA 4
O estudo dos fatos sociais. 16
SEMANA 5
Moral e sociedade. 18
SEMANA 6
Solidariedade social: a base da sociedade. 21
SEMANA 7
O método compressivo. 23
SEMANA 8
Dominação e poder. 25
SEMANA 9
O método dialético. 27
SEMANA 10
Estado e Direito. 29

Fundamentos de Antropologia e So7 7

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SEMANA 11
Discriminação, preconceito e intolerância na
sociedade globalizada. 32
SEMANA 12
Pobreza e exclusão social. 34
SEMANA 13
Moral, família e religião, novas demandas sociais. 38
SEMANA 14
Ecologia e Direito. 41
SEMANA 15
Espaço, território e urbanização. 44

Fundamentos de Antropologia e So8 8

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Fundamentos de Antropologia e Sociologia
SEMANA 1

A análise social. Sociologia e Direito. Interface da análise sociológica


e antropológica para a compreensão dos fenômenos sócio-jurídicos.
O conhecimento sociológico como base da compreensão da
sociedade. A importância da análise sociológica. A sociedade como
ordem normativa. Preconceito e intolerância. Cultura e Direito.
Objetivos da aula:
definir as ciências sociais e descrever as áreas de conhecimento
que a constitui: sociologia, antropologia e política;
entender o enfoque específico utilizado pelas ciências sociais
na análise da sociedade;
desenvolver conceitos básicos das ciências sociais que permitam
a análise da realidade social e sua correspondência com o
fenômeno jurídico;
identificar as relações sociais como fenômeno cultural.
Para responder os casos a seguir, leia: COSTA, Cristina. Sociologia:
introdução à ciência da sociedade. São Paulo: Moderna, 2001;
LARAIA, R. Cultura um conceito antropológico. Rio de Janeiro,
Zahar, 1999. 1ª parte; e acesse o SIA, sala de aula da disciplina, e leia o
texto: Você tem cultura?, de Roberto DaMatta, p. 69 a 89.
Casos
1. Menino de olaria só sabe o primeiro nome.
Dono de um nome incomum, Agean, 15 anos, produz 500 tijolos
por dia, em uma olaria rudimentar de Araripina (PE), para receber
R$ 50,00 por mês, menos da metade do salário mínimo vigente no Brasil.
A exploração, o sol, a seca, a ignorância por nunca ter ido à escola
tiram a memória do rapaz, que não sabe seu próprio sobrenome
e não tem registro de nascimento.
Agean só existe para a sua família, para o dono da precária e
pequena olaria e para o dono do boteco onde toma pinga.
Por falta de registro, ele não é considerado cidadão pernambucano,
nordestino, nem do Brasil. Está oficialmente fora do mundo. Seu
mundo é a margem BR-232, quilômetro 530, onde está a olaria, e o

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COLETÂNEA DE EXERCÍCIOS
trecho de dois quilômetros de caatinga que liga o local de trabalho
até sua casa. Como tantos moradores do Sertão do Araripe, Agean é
um cidadão sem pátria. O amassa-barro, o faz-tijolo, o mesmo tijolo
que é incorporado nas paredes das mansões do resto do Brasil.
Fonte: Jorge Araújo, Folha de S.Paulo, 27/10/2006.
a) Considerando a história de Agean e a leitura dos textos suge

ridos, é possível afirmar que ele não faz parte da sociedade


brasileira. Explique.
b) Primeiro, o texto afirma que Agean não é cidadão e depois
afirma que ele é um cidadão sem pátria. Quais explicações
poderiam ser utilizadas do ponto de vista para entendermos
tais afirmativas?
2. Será que o homem já nasce pronto?
Conheci, certa vez, um empresário paulista que se dizia socialista.
Segundo ele, o socialismo era uma bela idéia, porém impossível de
ser concretizada. Dizia ele que O homem tem uma natureza que não
permite que ele seja justo. Igualdade e fraternidade são apenas ideais.
O homem é ambicioso e compete com os outros para ver quem vai
sobreviver. Por isso sempre haverá guerras e maldades. Foi a natureza
que nos fez assim. Está em nossos genes .
É interessante verificar que muitas pessoas, e não apenas o empresário
paulista, pensam que o homem já nasce feito. Esse, talvez,
seja um dos maiores empecilhos para que o próprio homem acredite
que pode mudar a sociedade, já que qualquer sociedade, necessariamente,
será injusta, com os homens lutando entre si para ocupar os
melhores espaços. A história da humanidade talvez possa nos indicar
o caminho para entendermos quem somos e se é impossível mudarmos
nosso modo de ser. Vejamos o caso a seguir:
O menino selvagem de Aveyron
Em setembro de 1799, um menino, de cerca de 12 anos de idade,
foi encontrado perto da floresta de Aveyron, sul da França. Estava
sozinho, sem roupa, andava de quatro e não falava uma palavra.
Aparentemente, fora abandonado pelos pais e cresceu sozinho na
floresta. O menino, a quem lhe deram o nome de Victor, foi levado

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Fundamentos de Antropologia e Sociologia
para Paris, onde ficou aos cuidados do médico Jean-Marc-Gaspar
Itard. Durante 5 anos, o Dr. Itard dedicou-se a ensinar Victor a falar,
a ler, a se comportar como um ser humano, mas seus esforços foram
em vão. Pouco progresso foi conseguido durante esse tempo. Victor
nunca falou e aprendeu a ler somente uma palavra (leite). Não era
mais o menino selvagem de quando fora encontrado, mas também
não se tornou humano.
a) Considerando a história de Victor, o que podemos concluir
sobre o que acontece aos homens quando vivem isolados?
b) Muitas lendas e mitos relatam a história de heróis que, mesmo
crescendo no isolamento, tornaram-se humanos Rômulo
e Remo, Tarzan, Mogli e apresentaram comportamentos
compatíveis com o resto da humanidade. Comparando estas
personagens com o caso de Victor, seria possível ou não a eles
apreenderem sozinho os comportamentos humanos? Por quê?
SEMANA 2
Cultura e sociedade. Um conceito antropológico. Cultura e sociedade.
Natureza e cultura. Alteridade/estranhamento. Etnocentrismo/
relativismo cultural. Diversidade cultural. Globalização/mundialização
dos costumes. Preconceito e intolerância. Direito e Cultura.
Objetivos da aula:
apresentar um quadro de referência sobre a antropologia e sua
gênese;
compreender a oposição fundamental entre natureza e cultura,
paradigma clássico da antropologia;
identificar os conceitos básicos da análise cultural da antropologia:
etnocentrismo, relativismo cultural, alteridade.
Para responder os casos a seguir, leia: LARAIA, R. Cultura
um conceito antropológico. Rio de Janeiro: Zahar, 1999. 1ª parte;
COSTA, Cristina. Sociologia: introdução à ciência da sociedade. São
Paulo: Moderna, 2001; e acesse o SIA, sala de aula da disciplina, e
leia o texto: Você tem cultura?, de Roberto Da Matta, p. 69 a 89.
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COLETÂNEA DE EXERCÍCIOS
1. Somos europeus!!!!
Os ingleses não gostam de estrangeiros, de um modo geral, mas
gostam menos ainda dos paquistaneses. Os espanhóis têm horror aos
ciganos, assim como os alemães, húngaros e búlgaros. Os poloneses
detestam os alemães e os ucranianos. Os ucranianos, por sua vez,
têm ojeriza aos georgianos e aos armênios. Os lituanos preferem ver
os poloneses pelas costas. E os franceses ficariam felizes se os imigrantes
argelinos, tunisianos e marroquinos voltassem para o Norte
da África.
De maneira resumida, seria esse o panorama atual na grande Europa,
conforme os resultados da pesquisa mais ampla feita até agora
sobre a situação do racismo no continente. A sondagem, envolvendo
13 mil pessoas em 12 países, foi feita pelo grupo norte-americano
Times Mirror Center e deixou assustadas as organizações de defesa e
proteção das minorias étnicas.
Mais grave do que os violentos incidentes que começam a acontecer
por todos os lados seria na opinião dessas organizações a
complacência dos políticos diante do fenômeno. É cada vez maior o
numero daqueles que, para não desagradar o eleitorado e garantir seus
mandatos, preferem ficar calados e fingir que o problema não existe.
Fonte: O Estado de S. Paulo, em reportagem de 20/9/2006.
a) Sobre o caso apresentado, você diria que há uma posição de
intolerância e etnocentrismo por parte dos países envolvidos?
Explique por quê.
b) No texto apresentado, há a referência a vários países europeus.
Podemos dizer que, por fazerem parte do mesmo continente,
eles são grupos iguais? Justifique. Trabalhe esta questão, le

vando em consideração os conceitos de alteridade, cultura,


relativismo cultural.
2. Armas contra a violência doméstica: mulheres de Pernambuco
dão o alarme quando são surradas.
Apitar diante do perigo não é novidade. Antes mesmo de as
mulheres pernambucanas que inspiraram o grupo do Cosme Velho
recorrerem ao instrumento contra a violência doméstica, apitaços já
eram usados de um modo um tanto distinto no Rio. A ironia é que,

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Fundamentos de Antropologia e Sociologia
nos anos 1980 e 1990, na Praia de Ipanema, a polícia era o inimigo
que inspirava o barulho. Os apiteiros eram os usuários de maconha
das imediações do Posto Nove, que comunicavam a chegada dos policiais
por meio de altos silvos.
Em Pernambuco, no ano passado, a ONG Cidadania feminina
distribuiu mais de mil apitos só na favela Alto José Bonifácio, no recife.
Lá, o modus operandi guarda semelhança com o do Cosme Velho.
Se uma mulher apanha, apita, e as outras imediatamente a seguem.
Caso ela não possa fazê-lo, e alguma vizinha ouça ou presencie a
surra, esta soa o alarme. O objetivo é constranger o agressor e reduzir
a violência contra a mulher no estado, onde são registradas mais de
dez mil agressões do gênero por ano.
No Dia Internacional de Combate à Violência Contra a Mulher
do ano passado (25 de novembro), as moradoras do Alto uniram-se
a outras militantes no Centro da capital pernambucana com seus
apitos para fazer um ato público. Deixaram o bairro descoberto por
duas horas. Enquanto o apitaço ocorria no Centro, no morro onde
elas atuam acontecia um estupro. O crime foi denunciado poucos
minutos depois de acontecer, durante a manifestação.
Décadas antes das pernambucanas, vítimas de abuso sexual
na Bolívia apelaram para os apitos nos anos de 1970. Lá os apitos
tenderam a constranger os agressores e suscitaram um debate
sobre os direitos da mulher numa sociedade então ainda profundamente
machista.
Fonte: Jornal O Globo, setembro de 2007.
a) Os símbolos são arbitrários e, para serem compreendidos, é
preciso levar em consideração os significados atribuídos aos
objetos e comportamentos em determinado contexto social.
Neste sentido, faça uma análise da dimensão simbólica dos
apitaços descritos no texto.
b) Existe uma profunda relação entre a cultura e os fenômenos
jurídicos. Faça uma análise de como ambos se relacionam no
caso de Ipanema e de Pernambuco.
c) A cultura é dinâmica e está em permanente transformação.
De que forma o dinamismo da cultura pode influenciar as
práticas jurídicas?

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COLETÂNEA DE EXERCÍCIOS
SEMANA 3

Ordem, desordem e controle social. O método positivista: evolução,


controle e ordem social. A influência do pensamento positivista
no Brasil. Relação direito e positivismo. Estrutura social; estática
e dinâmica social. Ordem, progresso e evolução social; conceito
de ordem. Ordem versus desordem.
Objetivos da aula:
entender as categorias de ordem e progresso social, a partir do
pensamento comteano;
conceituar e problematizar a idéia de evolução social, ordem
e controle social;
compreender a importância e influencia da corrente positivista
na sociedade brasileira.
Para responder os casos a seguir, leia: LARAIA, R. Cultura
um conceito antropológico. Rio de Janeiro: Zahar, 1999. 1ª parte;
COSTA, Cristina. Sociologia: introdução à ciência da sociedade. São
Paulo: Moderna, 2001, p. 64 a 72; e acesse o SIA, sala de aula da
disciplina, e leia o texto: Você tem cultura?, de Roberto Da Matta.
Caso
1. O debate sobre a maioridade penal nos remete ao final do
século XIX. Estava na ordem do dia a elaboração do primeiro Código
Penal da República. Pensadores brasileiros duvidavam da viabilidade
de uma nação povoada por não arianos , não aptos para a igualdade
jurídica , como dizia Nina Rodrigues, fundador de nossa medicina
legal. Questionando se a possibilidade de distinguir entre o bem e o
mal seria a mesma entre raças inferiores e superiores , elabora um
sistema classificatório para definir criminosos natos e criminosos
de hábito reforçado pelo meio . A maioridade penal deveria ser avaliada
caso a caso, através de um exame de discernimento . Para ele,
as crianças de raças inferiores amadureciam mais cedo.
Fonte: Helena Bocayuva e Maria Lúcia Karam, JB, 9/12/2003.
O positivismo pregava o uso de referenciais e metodologia das
ciências naturais para explicar e solucionar os problemas sociais. Po

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Fundamentos de Antropologia e Sociologia
demos encontrar influência desta concepção no texto? Por quê? A
seu ver, a biologia foi eficiente para explicar a criminalidade?
Qual é a relação entre as primeiras correntes de estudo científico
da sociedade e o Direito brasileiro?
2. O ganhador do prêmio Nobel de Medicina, James Watson, pioneiro
no trabalho de deciframento do genoma humano, causou espanto
ao reacender, com força total, uma polêmica que parecia definitivamente
superada pelos próprios geneticistas. O pesquisador americano, de 79
anos, declarou ao jornal The Sunday Times ser pessimista sobre a África
porque as políticas ocidentais para os países africanos eram, erroneamente,
baseadas na presunção de que os negros seriam tão inteligentes
quanto os brancos quando, na verdade, testes sugerem o contrário.
Watson não apresentou argumentos científicos para embasar
suas idéias nem especificou que testes seriam esses. Afirmou apenas
que os genes responsáveis pelas diferenças na inteligência humana
devem ser descobertos dentro de dez a 15 anos. Essas afirmações
constam em um livro que será publicado na semana que vem, no
qual Watson escreve que não há motivo algum para crer que as capacidades
intelectuais de povos separados em sua evolução tiveram que
evoluir de modo idêntico .
Para o geneticista Sergio Pena, professor titular do Departamento
de Bioquímica e Imunologia da UFMG, há uma relação genealógica entre
todas as populações do mundo, incluindo a européia, e a África. A
humanidade moderna emergiu na África há menos de 200 mil anos e só
nos últimos 60 mil anos saiu deste continente para habitar os outros:
Do ponto de vista evolucionário, somos todos africanos, vivendo
na África ou em exílio recente de lá. Não faz sentido haver
diferenças biológicas entre africanos e povos de outros continentes.
Na opinião do geneticista, nos últimos 500 anos, a África tem
sido vítima de um imperialismo europeu impiedoso e selvagem, que
criou dissensões entre grupos étnicos e manteve o continente economicamente
de joelhos.
Fonte: O Globo, 19/10/2007.
a) O cientista James Watson estaria inspirado nas concepções
positivistas, (neste caso, o darwinismo social), para explicar
as diferenças de evolução entre os povos e raças? Justifique.

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COLETÂNEA DE EXERCÍCIOS
b) É possível afirmar que as características biológicas e sociais
determinariam a superioridade de uns povos e a inferioridade
de outros? Explique.
SEMANA 4
O estudo dos fatos sociais. O surgimento da sociologia científica.
A distinção entre os fenômenos individuais e sociais. A importância
da socialização/educação para a formação do ser social. O
que é fato social. Fato social e características. Aborto como fato
social. Crime e sociedade. Crime como fato social. A visão de
crime para a teoria sociológica. Crime e violência.
Objetivos da aula:
definir o que é fato social, suas características e o crime como
fato social;
entender como se deu a construção do campo de investigação
sociológica, a partir do estudo de fenômenos gerais e externos:
direito, crime, religião, educação etc.;
distinguir os fenômenos sociais dos fenômenos biológicos, problematizando
certas concepções naturalizadas de comportamentos
sociais.
Para responder os casos a seguir, leia: COSTA, Cristina. Sociologia:
introdução à ciência da sociedade. São Paulo: Moderna, 2001,
p. 81 a 88.
Casos
1. Leia a reportagem a seguir, ela relata o caso de um grupo de
jovens que espancou uma mulher na Barra da Tijuca.
Jovens roubam e agridem doméstica e afirmam que a confundiram
com prostituta
RIO A empregada doméstica Sirley Dias de Carvalho Pinto,
de 32 anos, teve a bolsa roubada e foi espancada por cinco jovens
moradores de condomínios de classe média da Barra da Tijuca, na
madrugada de sábado. Os golpes foram todos direcionados à sua cabeça.
Presos por policiais da 16ª. DP (Barra), três dos rapazes o

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Fundamentos de Antropologia e So16 16

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Fundamentos de Antropologia e Sociologia
estudante de administração Felippe de Macedo Nery Neto, de 20
anos, o técnico de informática Leonardo Andrade, de 19, e o estudante
de gastronomia Júlio Junqueira, de 21 confessaram o crime
e serão levados para a Polinter. Como justificativa para o que fizeram,
alegaram ter confundido a vítima com uma prostituta.
Fonte: matéria publicada em 24/06/2007,
às 17h13m, Lilian Fernandes, em O Globo.
a) Utilizando como base de análise a perspectiva teórica de
Durkheim e as discussões em sala de aula, como podemos in

terpretar o comportamento individual e em grupo dos jovens


mostrados na matéria?
b) A partir da perspectiva sociológica de Durkheim, como você
analisaria o crime cometido por estes jovens? Você identificaria
a transgressão da juventude como um dado natural?
2. A greve que mata.
A crise explica porque o governo quer mudar a regras do direito
de greve. É uma greve que mata embora a Constituição diga que
saúde é direito de todos e dever do estado. O que matou Elizângela
foi a omissão do agente do estado, que tem o dever de dar assistência
médica, o que matou Elizângela foi tolher um direito constitucional da
paciente. Incrível que situações assim durem meses, tolhendo direitos
e omitindo deveres, como se a Constituição não fosse a lei maior
e mais forte de uma nação organizada. Os ministros da saúde e da
educação já se manifestaram de forma severa contra as greves em
serviços essenciais, como saúde e educação, e nada aconteceu. Em
Brasília, já dura três meses uma greve dos funcionários da universidade,
impedindo aulas e acesso à biblioteca. Isso a despeito de a Constituição
estabelecer, também, que educação é direito de todos e dever
do estado. Alunos que buscam a universidade pública são lesados
em seu direito e agentes do estado não cumprem com o seu dever. A
Constituição também garante o direito de greve? Sim, mas ressalva
que, no serviço público, o direito de greve será exercido nos termos
e nos limites definidos em lei específica . Isso está valendo há quase
20 anos e ainda não fizerem a lei que precisa estabelecer os limites. O
governo promete projeto. Obviamente, os limites não podem ir além
dos direitos e deveres estabelecidos para a saúde e a educação, por

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Fundamentos de Antropologia e So17 17

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COLETÂNEA DE EXERCÍCIOS
exemplo. A que pressões o estado se curva? Certamente não são às
pressões daqueles que são privados do direito à saúde e à educação.
Em 2003, o governo criou, para isso, a Mesa Nacional de Negociação
Permanente e o nome permanente já promete um prazo infinito.
Há 20 dias, foi criado um grupo de trabalho o que revela a mesma
intenção e sabem quem o integra? A CUT e os sindicatos de
funcionários públicos. Convidaram a raposa para discutir as regras
do galinheiro. Alguém que represente Elizângela não tem chance de
opinar, no grupo de trabalho, sobre o seu direito à vida.
Fonte: O Globo, 20/8/2007.
a) Qual seria, para Durkheim, o objeto de estudo de estudo evidenciado
no texto? Justifique dentro da postura metodológica
proposta pelo autor.
b) Na concepção durkheimiana da análise do fato social normal,
patológico e anômico, qual se aplicaria ao caso concreto supracitado.
Justifique.
SEMANA 5

Moral e sociedade. Moral e sociedade: a análise do fato social


normal, patológico e anômico. A presença constante da coerção
social. Crime como fato social. O estado normal e patológico da
sociedade. A importância da socialização. Educação para a formação
do ser social.
Objetivos da aula:
caracterizar o Direito como fato social e refletir sobre o vínculo
entre as fontes formais e materiais do Direito.
identificar o crime como fato social e, por meio do método
proposto por Durkheim, trabalhar o distanciamento necessário
para analisar a evolução deste fenômeno a partir da ordem
normativa de cada sociedade ou grupamento.
perceber a influência da sociedade sobre os comportamentos
antes tidos como pessoais. Problematizar a questão da liberdade
individual nas sociedades modernas.
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Fundamentos de Antropologia e So18 18

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Fundamentos de Antropologia e Sociologia
Para responder os casos a seguir, leia: COSTA, Cristina. Sociologia:
introdução à ciência da sociedade. São Paulo: Moderna, 2001,
p. 81 a 88.
Casos
1. Campanha contra a mutilação genital ganha força no Egito.
Os homens de uma humilde comunidade de agricultores estavam
furiosos. Uma menina de 13 anos foi levada a uma clínica para ser submetida
à remoção do clitóris, cirurgia considerada necessária aqui para
a preservação da castidade e da honra. A menina morreu, mas não foi
isso que deixou aqueles homens tão nervosos. Depois da morte da garota,
o governo interditou a clínica e foi isso que enfureceu a todos.
Eles não podem nos deter , vociferava Saad Yehia, dono de uma loja de
chás na rua principal. Somos a favor da circuncisão! , repetia gritando.
Mesmo que o Estado não goste, vamos circuncidar as meninas , desafiava
Fahmy Ezzeddin Shaweesh, um idoso morador do vilarejo.
A circuncisão, como seus defensores a chamam, ou mutilação
genital feminina, como seus opositores a definem, tornou-se de repente
o foco de um debate no Egito nos últimos meses. Uma campanha
de âmbito nacional em prol da interrupção da prática se transformou
em um dos mais poderosos movimentos sociais do Egito em décadas,
unificando alianças até então pouco prováveis de pólos do governo,
líderes religiosos oficiais e manifestantes nas ruas. Embora o Ministério
da Saúde do Egito tenha decretado o fim da prática em 1996,
ele permitiu exceções em casos de emergência, uma brecha considerada,
pelos opositores, como tão ampla que, na verdade, acabou anulando
a proibição. No entanto, o governo agora tenta obrigar uma
proibição total. Durante séculos, as meninas egípcias entre 7 e 13
anos são submetidas ao procedimento, às vezes realizado por médicos,
às vezes por barbeiros ou alguém do vilarejo disposto a fazê-lo.
Em 2005, uma pesquisa promovida pelo governo na área de saúde
revelou que 96% das milhares de mulheres casadas, divorciadas ou
viúvas entrevistadas afirmaram ter sofrido o procedimento, número
considerado alarmante por muitos dos próprios egípcios. A conclusão
da pesquisa dizia: A prática de circuncisão feminina é praticamente
universal entre as mulheres em idade reprodutiva no Egito .
Embora a prática seja comum e cada vez mais polêmica em toda a

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COLETÂNEA DE EXERCÍCIOS
África sub-saariana, de todos os países árabes, o único outro lugar
onde essa prática é disseminada é o Lêmen, segundo especialistas. Na
Arábia Saudita, onde as mulheres não têm permissão para dirigir nem
para votar, e só podem trabalhar em poucos tipos de serviço, a prática
é considerada repugnante e um reflexo de tradições pré-islâmicas.
Entretanto, surge agora um movimento repentino de forças opostas
à mutilação genital no Egito que está fazendo uma pressão sem
precedentes pelo fim da prática. Mais de um século após as primeiras
tentativas de acabar com esse costume, o movimento derrubou uma
das principais barreiras à mudança: não é mais considerado tabu discutir
o assunto em público. Essa mudança coincidiu com uma pequena,
porém crescente, aceitação do debate sobre sexualidade na televisão e
no rádio. Pela primeira vez, segundo os opositores da mutilação genital,
noticiários de televisão e jornais reportaram sem censuras os detalhes
de operações negligentes e realizadas sem nenhuma higiene. Há alguns
meses, duas meninas morreram e o fato foi noticiado em matéria de
capa do Al Masry al Yom, jornal independente e popular.
Fonte: texto traduzido por Claudia Freire. Disponível em:
<http://g1.globo.com/Noticias/>. Acesso em: 22/09/2007.
a) O fato tratado no texto é anômico, patológico ou normal?
Justifique.
b) Explique o conceito de consciência coletiva na concepção
teórica de Durkheim e como ela pode ser observada no caso
apresentado.
2. Observe as fotos a seguir:
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Fundamentos de Antropologia e Sociologia

Estas fotos retratam o estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro,


lotado por torcidas organizadas. Na visão durkheimiana, pode-se dizer
que são fenômenos coletivos típicos, expressos por meio de uma
forma de consciência que contrapõe indivíduo/sociedade.
Neste contexto, responda:
a) Quais tipos de consciência Durkheim reconhece como partes
constitutivas do indivíduo? Por quê?
b) Somente quem torce por um time de futebol teria esta consciência?
Como ela influencia o comportamento social?
SEMANA 6

Solidariedade social: a base da sociedade. Anomia, patologia e


normalidade na análise social. O funcionamento da sociedade
como organismo. Consciência coletiva. Fato moral. A solidariedade
orgânica: fragilidade das instituições sociais. Exemplos de
fragilidade em instituições modernas. Solidariedade social e Direito.
A importância da normatização social: o direito. Coesão e
coerção social.
Objetivos da aula:
refletir sobre a sociedade, tendo por base as características do
fato moral, especialmente a desiderabilidade;
compreender, no bojo do pensamento de Durkheim, a evolução
das formas de organização social (simples e complexa)
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Fundamentos de Antropologia e So21 21

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COLETÂNEA DE EXERCÍCIOS

do ponto de vista dos laços existentes entre o indivíduo e a


sociedade (solidariedade social);
analisar a noção de consciência coletiva como fenômeno associado
às formas de solidariedade, destacando sua expressão
moral e jurídica.
Para responder os casos a seguir, leia: COSTA, Cristina. Sociologia:
introdução à ciência da sociedade. São Paulo: Moderna, 2001,
p. 81 a 88.
Casos
1. Infância na hora da morte.
A mortalidade infantil na pequena cidade alagoana de Carneiros,
a 253 quilômetros de Maceió, não é um índice, é um massacre:
633,3 em cada mil crianças.
A miséria absoluta em que vive o pequeno município de 5.800 habitantes
é a causa principal da infinidade de enterros: crianças mal nutridas,
num lugar que praticamente nada produz, com exceção de pequenas
culturas de mandioca e feijão, não resistem às doenças respiratórias
e às complicações intestinais. O único médico da cidade, Gérson Leão
de Mello, 31 anos, clínico geral formado pela Universidade Federal de
Alagoas, atende em média 80 pessoas, por dia, entre adultos e crianças.
Muitas doenças , diz ele, poderiam ser evitadas caso a população fosse
mais informada e menos afeita a crendices populares e tradicionais
da região . As mulheres, por exemplo, em sua maioria, casam-se muito
jovens, com cerca de 14 anos, isto quer dizer, quase crianças ainda, e
têm, em média, 16 filhos. Metade das crianças nascidas morrem antes
do primeiro ano de vida. Há casos drásticos, como o de Marinalva Maria
de Jesus, de 51 anos. Dos seus 26 filhos, apenas quatro sobreviveram.
Vivemos em um mundo diferente , diz ela, esperamos somente o dia
em que Deus nos chame para nos tirar desta terra . A morte das crianças
é encarada como uma graça divina em Carneiros. Como diz Maria Milton
dos Santos, 38 anos, que perdeu seis dos 16 filhos que teve: Deus
resolveu levá-los, me fazendo um favor .
Fonte: texto adaptado da revista Isto é, maio de 2005.

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Fundamentos de Antropologia e So22 22

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Fundamentos de Antropologia e Sociologia
a) Considerando o texto apresentado, responda: na visão
durkheimiana, qual seria o modelo de sociedade que caracterizaria
a cidade de Carneiros? Por quê?
b) Que tipo de solidariedade e vínculos constitui a base da sociedade
de Carneiros? E a que tipo de direito corresponde esta
forma de solidariedade? Retire do texto um trecho que evidencie
a concepção de justiça da população de Carneiros?
2. Do karoshi ao karojsatsu.
A dedicação que os japoneses dispensam a suas tarefas é conhecida.
Não é por acaso que o Japão é a única nação do mundo em que existe
um termo para definir a morte por esgotamento em razão do trabalho
em demasia: karoshi. O número de horas extras, somado à pesada hierarquia
social do país e à falta de relacionamento entre o empresário e
o trabalhador, que obriga os funcionários a manterem a cabeça baixa
frente a seus superiores, provoca momentos insuportáveis para qualquer
pessoa. Baixa auto-estima e distúrbios de personalidade costumam ser
os sintomas mais freqüentes entre os japoneses, dadas as extenuantes
condições de trabalho a que se submetem todos os dias. A estes fatores
trabalhistas, psicológicos e sociais, soma-se a impressionante quantidade
de álcool ingerida diariamente. Tudo isso pode despertar o desejo da
própria morte, o que é conhecido como karojsatsu.
Fonte: JB Ecológico, 8/4/2007.
a) Considerando o texto, responda: na visão durkheimiana qual seria
o modelo de sociedade que caracterizaria o Japão? Por quê?
b) Que tipo de solidariedade e vínculos constitui a base da sociedade
japonesa? E a que tipo de direito corresponde esta
solidariedade? Justifique.
SEMANA 7
O método compressivo. O método compreensivo. A noção de sociologia
compreensiva. Os diversos tipos de atividade social a
análise dos planos em que se da interação social: o econômico, o
social e o político. A atualidade do pensamento sociológico sobra a
questão: Raymundo Faoro e Os donos do poder. A noção de indivíduo
e sociedade e a construção da cidadania.

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Fundamentos de Antropologia e So23 23

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COLETÂNEA DE EXERCÍCIOS
Objetivos da aula:
conhecer o método compreensivo e a análise do nexo causal;
presentar o conceito de ação social;
distinguir ação social e relação social;
identificar tipos de ação social;
conhecer o método compreensivo e a análise do nexo causal.
Para responder os casos a seguir, leia: COSTA, Cristina. Sociologia:
introdução à ciência da sociedade. São Paulo: Moderna, 2001,
p. 94 a 102.
Caso
1. Sociedade mais competitiva exige famílias menores.
Em artigo publicado recentemente no Washington Post, o conhecido
jornalista Alan Carlson aponta a crescente competitividade que
existe nos países mais desenvolvidos como uma das principais causas
da queda dos índices de natalidade. Os filhos seriam um obstáculo
ao sucesso profissional dos pais, por causa do tempo e do dinheiro
que teriam de ser dedicados à educação das crianças.
Por este motivo, mais e mais casais optam por casamentos sem
filhos ou mesmo por não casarem. Nas sociedades em que o capitalismo
está no auge do seu desenvolvimento, bom mesmo é ficar
sozinho. Será?
Fonte: matéria adaptada do jornal
Folha de S.Paulo de 18/8/2006.
a) Segundo a teoria da ação social de Weber, que tipo de ação
está presente no texto? Justifique.
b) O texto apresenta a idéia de ficar sozinho , exemplo típico
do individualismo crescente, como uma boa alternativa na
sociedade contemporânea. Neste sentido, explique, segundo
a visão weberiana, por que o individualismo é uma tendência
da sociedade moderna.
2. O aniversário da morte de Zumbi, escolhido o Dia da Consciência
Negra, costuma ser saudado ao longo dos anos com uma série de
manifestações culturais ligadas à África. Mas, numa era em que as
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Fundamentos de Antropologia e Sociologia
rimas do rap e o pancadão funk deram ao negro uma voz ainda mais
forte, ganhando significativa adesão dos jovens, será que as raízes
africanas ainda têm valor para a população que hoje luta contra a
exclusão? A exaltação da África, que nos idos dos anos 80 ganhou
peso de legitimação cultural, parece uma etapa já superada. Já há
intelectuais apontando que o mais iminente no momento é dissecar
uma suposta cultura de periferia, que tem sua maior representação
nos novos astros do movimento hip-hop e nos funkeiros.
Fonte: JB, 20/11/2006.
a) A partir do referencial teórico de Weber, defina o que é tipo
ideal e explique como ele se apresenta na negritude defendida
pelo movimento negro ao longo do tempo.
b) Que tipo de ação social pode ser identificada na comemoração
do aniversário de morte do Zumbi? Por quê?
SEMANA 8

Dominação e poder. Autoridade, dominação e poder. Os conceitos


de autoridade, dominação e poder na Sociologia de Max Weber.
A separação entre as esferas da política e da ciência. A dimensão
política do conceito de dominação. Tipos de dominação legítima
e as fontes da autoridade. A dominação racional ou legal e seu
tipo mais puro: a dominação burocrática. A dominação de caráter
tradicional e o mais puro a dominação patriarcal. A dominação
carismática. Direito e dominação. Patrimonialismo e nepotismo.
Objetivos da aula:
identificar a diferença fundamental entre dominação e poder;
conhecer os conceitos de autoridade e legitimidade;
entender as principais diferenças entre a sociologia compreensiva
de Weber e as demais teorias sociológicas abordadas no curso;
distinguir os tipos puros de dominação.
Para responder os casos a seguir, leia: COSTA, Cristina. Sociologia:
introdução à ciência da sociedade. São Paulo: Moderna, 2001,
p. 94 a 102.
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COLETÂNEA DE EXERCÍCIOS
Casos
1. Republicano contra o sabe com quem está falando? .
Uma das contribuições do governo Lula aos usos e costumes nacionais
é a popularização da palavra republicano , no sentido de que
o Estado deve agir, está certo, de maneira impessoal, duela a quien
duela . Aqui, o grande historiador José Murilo de Carvalho brinda os
leitores da coluna (alusão ao jornal O Globo ) com as raízes da expressão:
O sentido clássico do termo república foi definido modernamente
por Montesquieu no Espírito das Leis . Buscando inspiração
na etimologia da palavra (coisa pública) e na experiência romana, ele
caracterizou a república como um regime em que predomina o interesse
público, a virtude cívica, e não o interesse privado, a res privata. República
é o bom governo. Outra dimensão do termo, ligada à primeira,
é a igualdade dos cidadãos perante a lei. Dentro deste espírito, a Revolução
Francesa aboliu todos os títulos de nobreza e passou a usar só
o tratamento de cidadão. Definindo o termo negativamente, república
ou republicano é o oposto do que ainda somos, após quase 120 anos de
vigência do regime: privatistas, nepotistas, familistas, patrimonialistas,
clientelistas, corporativistas, estatistas, hierarquizados, doidos por um
título de doutor. Duas frases definem nossa incompatibilidade com a
virtude cívica e a igualdade: farinha pouca, meu pirão primeiro e
você sabe com quem está falando? . Frei Vicente do Salvador escreveu,
no século XVII: Nenhum homem nesta terra é republico, nem
zela ou trata do bem comum, senão cada um do bem particular . Deve
ter sido uma maldição do frade.
Fonte: O Globo, 2. ed., 10/5/2007.
a) Weber, em sua perspectiva teórica sobre dominação, estabelece
três tipos puros. Identifique e justifique os tipos de dominação
presentes no texto.
b) Faça uma análise que relacione o tipo de dominação atribuído
ao Estado brasileiro e ao seu sistema jurídico.
2. Coronelismo, enxada e voto.
E assim nos parece este aspecto importantíssimo do coronelismo ,
que é o sistema de reciprocidade: de um lado, os chefes municipais
e os coronéis , que conduzem magotes de eleitores como
quem toca tropa de burros; de outro, a situação política dominante

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Fundamentos de Antropologia e So26 26

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Fundamentos de Antropologia e Sociologia
no Estado, que dispõe do erário, dos empregos, dos favores e da força
policial, que possui, em suma, o cofre das graças e o poder da desgraça.
É claro, portanto, que os dois aspectos o prestígio próprio dos
coronéis e o prestígio de empréstimo que o poder público lhes outorga
são mutuamente dependentes e funcionam ao mesmo tempo
como determinantes e determinados. Sem a licença do coronel
firmada na estrutura agrária do país , o governo não se sentiria
obrigado a um tratamento de reciprocidade, e sem essa reciprocidade
a liderança do coronel ficaria sensivelmente diminuída.
Fonte: LEAL, V. N. Coronelismo, enxada e voto.
5. ed. São Paulo: Alfa-Ômega, 1986. p. 43.
a) Weber, em sua perspectiva teórica sobre dominação, estabelece
três tipos puros. Identifique e justifique o tipo de dominação
presente no texto.
b) Faça uma pesquisa sobre o significado da palavra patrimonialismo.
O tipo de dominação descrito neste texto se encaixa
nesta definição? Justifique.
SEMANA 9

O método dialético. Práxis. A noção de ideologia e desigualdade


social. Sociedade e transformação.
Objetivos da aula:
conhecer o conceito de práxis;
conhecer o método dialético de análise da sociedade;
apresentar os principais conceitos relacionados ao método
dialético.
Para responder os casos a seguir, leia: COSTA, Cristina. Sociologia:
introdução à ciência da sociedade. São Paulo: Moderna, 2001,
p. 110 a 124.
Casos
1. Ao contrário das formigas.
A dependência do indivíduo em relação à sociedade é um fato da
natureza que não pode ser abolido tal como no caso das formigas
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COLETÂNEA DE EXERCÍCIOS
e das abelhas. No entanto, enquanto todo o processo de vida das formigas
e abelhas é reduzido ao mais pequeno pormenor por instintos
hereditários rígidos, o padrão social e as inter-relações dos seres humanos
são muito variáveis e susceptíveis de mudança. A memória, a
capacidade de fazer novas combinações, o dom da comunicação oral
tornaram possíveis os desenvolvimentos entre os seres humanos que
não são ditados por necessidades biológicas. Estes desenvolvimentos
manifestam-se nas tradições, instituições e organizações; na literatura;
nas obras científicas e de engenharia; nas obras de arte. Isto explica a
forma como, num determinado sentido, o homem pode influenciar a sua
vida através da sua própria conduta, e como neste processo o pensamento
e a vontade conscientes podem desempenhar um papel...
Fonte: EINSTEIN, Albert. Por que o Socialismo?
Encontros com a Civilização Brasileira, n. 17, / 11/979.
a) Assim como as abelhas e as formigas, o homem se relaciona
com a natureza e com outros seres de sua espécie. Entretan

to, apresente as principais diferenças entre os homens e esses


animais a partir do conceito de trabalho na obra de Marx.
b) Qual a importância das ações humanas apresentadas no texto
para a transformação da realidade social?
2. Um dia eu chego lá.
A organização dicotômica do trabalho pela qual se separam a
concepção e execução do produto reduz as possibilidades de o empregado
encontrar satisfação na maior parte de sua vida, enquanto se
obriga a tarefas desinteressantes. Daí a necessidade de se dar prazer pela
posse de bens. (...) A estimulação artificial das necessidades provoca
aberrações do consumo: montamos uma sala completa de som, sem
gostar de música; compramos biblioteca a metro , deixando volumes
virgens nas estantes; adquirimos quadros famosos, sem saber apreciá-los
(ou para mantê-los no cofre). A obsolescência dos objetos, rapidamente
postos fora de moda, exerce uma tirania invisível, obrigando as pessoas
a comprarem a televisão nova, o refrigerador ou o carro porque o design
se tornou antiquado ou porque uma nova engenhoca se mostrou indispensável
(...) Mas há um contraponto importante no processo de estimulação
artificial do consumo supérfluo notado não só na propagan

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Fundamentos de Antropologia e Sociologia
da, mas na televisão, nas novelas , que é a existência de grande parcela
da população com baixo poder aquisitivo, reduzida apenas ao desejo de
consumir. O que faz com que essa massa desprotegida não se revolte?
Há mecanismos na própria sociedade que impedem a tomada
de consciência: as pessoas têm a ilusão de que vivem numa sociedade de
mobilidade social e que, pelo empenho no trabalho, pelo estudo, há
possibilidade de mudança, ou seja, um dia eu chego lá ... E se não
chegam, é porque não tiveram sorte ou competência .
Fonte: ARANHA, MARTINS. Filosofando.
São Paulo: Moderna. p.16.
a) O texto anterior faz referência a dois importantes conceitos
marxistas: ideologia e alienação. Defina cada um deles.
b) Mostre como eles se apresentam e se relacionam no texto
anterior.
SEMANA 10

Estado e Direito. A visão critica sobre o Estado e ao Direito moderno.


Função do Direito. Desigualdade social. Práxis e Justiça.
Ideologia. Exclusão social. Justiça e desigualdade social.
Objetivos da aula:
analisar o ideário democrático e a função do estado moderno;
compreender o papel do direito na sociedade de classes;
apresentar o conceito de desigualdade social, inclusão e exclusão
social;
mostrar a relação entre as ideologias e as desigualdades sociais;
explicar o conceito de ideologia e sua relação com o estado e
o Direito.
Para responder os casos a seguir, leia: COSTA, Cristina. Sociologia:
introdução à ciência da sociedade. São Paulo: Moderna, 2001,
p. 110 a 124.
Casos
1. Cidade expulsa mendigos.
Uma decisão da prefeitura de Apucarana, no interior do Paraná,
provocou reações na Secretaria Especial dos Direitos Humanos. As

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COLETÂNEA DE EXERCÍCIOS
sistentes sociais recolheram os moradores de rua e aqueles que não
tinham parentes receberam uma passagem para deixar a cidade e a
ameaça de serem processados por vadiagem se retornarem.
No dia 19/03/2007, assistentes sociais acompanhadas de PMS
recolheram 15 mendigos e andarilhos, a maioria de outras cidades.
Não é para ficar aqui. Se você não mora aqui em Apucarana não
tem que ficar aqui , reclamou uma delas.
Na delegacia, a polícia fichou todo mundo. Quem era da cidade
foi encaminhado para a casa de parentes ou abrigos. Seis moradores
de rua receberam passagem de ônibus para voltar aos locais de
origem com uma advertência: se fossem vistos de novo na cidade,
seriam processados por vadiagem.
Fonte: Jornal Hoje, 26/3/2007.
a) O Direito na sociedade moderna define que todos os indivíduos
têm os mesmos direitos e são iguais perante a lei. Leia
o texto e faça uma análise, de acordo com a crítica marxista,
em relação ao sistema jurídico na sociedade capitalista.
b) E você como advogado e cidadão concorda com a decisão da Prefeitura
de Apucarana? Essa seria a solução para acabar com o problema
da mendicância e com os moradores de rua da cidade?
2. Dados relevantes.
ONU: Rio e SP têm metade dos assassinatos no País. Segundo
o relatório, 100 pessoas morrem por dia no Brasil, em média, vítimas
de armas de fogo.
Rio Sozinha, a cidade de São Paulo responde por 1% de
todos os homicídios do planeta apesar de ter apenas 0,17% da
população mundial, afirma um relatório da Organização das Nações
Unidas (ONU), divulgado nesta segunda-feira. Juntas, São Paulo e
Rio respondem por metade dos assassinatos no Brasil, disse o estudo.
A estatística faz parte de um documento da agência da ONU para os
assentamentos humanos, UN-Habitat, que marca o Dia Mundial do
Habitat, neste 1º de outubro.
O levantamento compila e avalia, pela primeira vez, cerca de
200 estudos já produzidos nos últimos anos sobre violência pela
ONU e outras instituições.

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Fundamentos de Antropologia e Sociologia
Entre 1970 e hoje, a taxa de homicídios em São Paulo quadruplicou;
a do Rio triplicou. Em 1999, São Paulo registrou 11,4 mil
assassinatos, 17 vezes mais que Nova York. Em 2001, a taxa de homicídios
no Rio foi de 45 a cada 100 mil pessoas.
O relatório faz uma comparação com a Colômbia para apontar
a gravidade da violência no Rio. Entre 1978 e 2000, 49,9 mil pessoas
foram assassinadas nas favelas cariocas. No mesmo período, 39 mil
pessoas foram vítimas de homicídio em toda a Colômbia. Segundo
a ONU, a violência no Brasil tem um perfil jovem. Dois terços dos
crimes envolvem pessoas de até 25 anos, e a ONU alerta que crianças
de 6 anos já fazem parte de quadrilhas com a função de carregar
drogas. O documento afirma que os jovens são as principais vítimas
da violência em todo o mundo. Um dos fatores é a existência de 74
milhões de jovens desempregados.
O relatório utiliza o caso de São Paulo para ilustrar como a
expansão caótica das cidades colabora para a elevação das taxas de
criminalidade nos centros urbanos. De acordo com a ONU, a capital
paulista se expandiu à impressionante taxa de 5% entre 1870 e 2000,
quando bateu os 18 milhões de habitantes.
Apenas entre 1940 e 1960, a população da capital cresceu 171%.
No mesmo período, a migração do campo para a cidade fez a periferia
metropolitana inchar 364%. Incapazes de lidar com as demandas por
serviços urbanos e justiça, as instituições civis foram esmagadas pelo
ritmo e o tamanho do crescimento populacional , diz o estudo.
Fonte: informações do Terra.
<http://odia.terra.com.br/brasil/htm/geral_126206.asp>.
a) A partir do relatório, observa-se grande incidência de atos
violentos contra os pobres urbanos. Explique o motivo desta
incidência, tendo como perspectiva a teoria marxista sobre
desigualdade social.
b) O documento afirma que os jovens são as principais vítimas
da violência em todo o mundo. Um dos fatores é a existência
de 74 milhões de jovens desempregados . Neste contexto, o
trabalho seria uma categoria-chave para entender a relação
entre violência e desemprego. Utilizando a teoria marxista,
explique por quê.

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COLETÂNEA DE EXERCÍCIOS
SEMANA 11

Discriminação, preconceito e intolerância na sociedade globalizada.


A atualidade da análise sociológica na compreensão da sociedade.
Discriminação, preconceito e intolerância na sociedade
globalizada.
Objetivos da aula:
entender o que é globalização;
identificar os aspectos sociais e culturais relacionados ao processo
de globalização;
compreender, histórica e sociologicamente, os processos que envolvem
o preconceito, a intolerância e a discriminação social.
Para responder estes casos, leia: COSTA, Cristina. Sociologia: introdução
à ciência da sociedade. São Paulo: Moderna, 2001, p. 247 a 256.
Casos
1. As ações terroristas cada vez mais se propagam pelo mundo,
havendo ataques em várias cidades, em todos os continentes. Nesse
contexto, analise a seguinte notícia:
No dia 10 de março de 2005, o Presidente de Governo da Espanha,
José Luis Rodriguez Zapatero, em conferência sobre o terrorismo,
ocorrida em Madri, para lembrar os atentados do dia 11 de março de
2004, assinalou que os espanhóis encheram as ruas em sinal de dor e
solidariedade e, dois dias depois, encheram as urnas, mostrando, assim,
o único caminho para derrotar o terrorismo: a democracia . Também
proclamou que não existe álibi para o assassinato indiscriminado. Zapatero
afirmou que não há política, nem ideologia, resistência ou luta
no terror, só há o vazio da futilidade, a infâmia e a barbárie. Também
defendeu a comunidade islâmica, lembrando que não se deve vincular
esse fenômeno com nenhuma civilização, cultura ou religião. Por esse
motivo, apostou na criação pelas Nações Unidas de uma aliança de
civilizações, para que não se continue ignorando a pobreza extrema,
a exclusão social ou os Estados falidos, que constituem, segundo ele,
um terreno fértil para o terrorismo .
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Fundamentos de Antropologia e Sociologia
Fonte: MANCEBO, Isabel. Madri fecha conferência sobre
terrorismo e relembra os mortos de 11-M. Disponível em: <http://
www2.rnw.nl/rnw/pt/atualidade/europa/at050311_ onzedemarco?>
Acesso em: set. 2007 (com adaptações).
a) Qual a principal razão, indicada pelo governante espanhol,
para que haja tais iniciativas do terror?
b) No pronunciamento de Zapatero, é possível identificar a separação
entre diferenças e desigualdades sociais? Como?
2. Hora de proibir
Que esperança tem um jovem nascido em um bairro sem alma,
cercado apenas de feiúra, aprisionado pelas muralhas cinzentas
em uma terra baldia também cinzenta, e condenado a uma vida
cinzenta, enquanto em torno dele a sociedade prefere ignorar sua
situação até que chegue a hora de reprimir, a hora de PROIBIR?
François Mitterrand, Folha de S.Paulo, 15/11/2005, em artigo de Douglas Ireland.

Intensas manifestações contra os estrangeiros ressurgiram na Europa


na década de 1990. Com a queda do socialismo, ocorreu um grande
do fluxo imigratório de populações que fugiam da crise econômica
dos países da antiga órbita soviética e das guerras civis que esfacelaram
a ex-Iugoslávia. A França, a Bélgica e, principalmente, a Alemanha
foram os principais receptores destes novos migrantes que vieram a
ser somados aos milhões de estrangeiros que já viviam nestes países.
Na Alemanha, grupos neonazistas incendiaram albergues e promoveram
violentos ataques à população de origem turca. Partidos políticos
de direita e de extrema direita, defensores da deportação em massa de
estrangeiros, tiveram votação expressiva em diversos países do continente.
Ao mesmo tempo, a entrada de imigrantes vindos da África e
da Ásia acentuou-se com a globalização e os impactos negativos que
este processo tem produzido em todo o mundo pobre. Para muitos europeus
a xenofobia está associada ao raciocínio simplista que relaciona
o desemprego acentuado na Europa das últimas décadas à presença
do estrangeiro. Alega-se, em alguns países da Europa, que muitos empregos
foram tomados por grupos de origem imigrante em detrimento
de verdadeiros europeus. A onda de violência detonada pelos jovens
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Fundamentos de Antropologia e So33 33

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COLETÂNEA DE EXERCÍCIOS
suburbanos na França, em outubro de 2005, pode ser atribuída ao colapso
do Estado de Bem Estar Social que abandonou na última década,
sistematicamente, a população mais pobre. Mas é também fruto da intolerância
e do racismo. Estes jovens são filhos ou netos de imigrantes,
nascidos na França, e, portanto, de nacionalidade francesa. Esta não é
só uma realidade da França, mas de diversos países da União Européia,
que temem que os distúrbios possam se espalhar por outros países do
continente. O fato de terem nascidos na França, Alemanha, Inglaterra,
Itália não os tornaram verdadeiros franceses, ingleses, alemães ou
italianos. Na Alemanha, é comum um ditado: Caso um pato nasça
no galinheiro, isto não o torna galinha, ele permanecerá sendo pato .
Na prática, é assim que parte expressiva da sociedade destes países vê
seus vizinhos suburbanos de ascendência argelina, marroquina, turca,
senegalesa, paquistanesa, hindu etc.
Fonte: MENDONÇA, Cláudio. Imigração na Europa.
Publicado em: <www.uol.com.br>. Disponível em: 17 nov. 2005.
Indaga-se:
a) Os fenômenos da xenofobia e do racismo, na socieda

de contemporânea, são problemas exclusivos dos países da


Europa Ocidental?
b) Após os atentados às Torres Gêmeas em 11 de setembro de 20001,
o medo do terror passou a ser justificativa para o aumento do aparelho
repressivo dos Estados nacionais. Podemos relacionar essa
política ao assassinato do brasileiro Jean Charles, no metrô de
Londres, em 2005? Pesquise sobre esse caso e responda a questão.
SEMANA 12
Pobreza e exclusão social. A atualidade da análise sociológica na
compreensão da sociedade. Discriminação, pobreza e cidadania.
Objetivos da aula:
entender o que é globalização;
identificar os aspectos sociais e culturais relacionados ao processo
de globalização;
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Fundamentos de Antropologia e Sociologia
compreender, histórica e sociologicamente, os processos que envolvem
o preconceito, a intolerância e a discriminação social.
Para responder estes casos leia: COSTA, Cristina. Sociologia: introdução
à ciência da sociedade. São Paulo: Moderna, 2001, p. 231 a
239 e 247 a 256.
Casos
1. Jovens aprendem a viração .
R. C. R., de oito anos, acorda todas as manhãs quando o policial
o derruba do banco da Praça da Sé. Nesse momento, começa, como
em todos os dias, a luta para se adaptar ao ambiente adverso da rua,
conseguir comida, sustento e até diversão.
O que você quer dizer com problemas? Nunca tive grandes problemas,
sempre me viro , afirma L. A. S., menino de rua que tem
nove anos.
Marcos Lima Araújo diz: Tenho 18 anos, não estudei, passo o dia
todo andando aqui pelo centro. Não tenho a mínima idéia de como
mudar. Acho que, daqui a cinco anos, vou estar na mesma . Para ele,
apanhar de policiais, roubar, cheirar cola, fumar maconha e crack não
são problemas. Nem a violência do Testa de Amolar Faca , jovem de
22 anos que espanca os meninos todas as vezes que os encontra. Ele
chama a gente de irmãos mais novos , diz o amigo R.C.R.
Eles ficam um pouco mais bravos quando contam que a colega
Babi teve que rolar no lixo para se lembrar de onde veio , porque
o policial Bigode Cara de Bode estava nervoso. Ou como pularam
do primeiro andar de um prédio quando o guarda não deixou eles
descerem as escadas. Se vocês vieram para roubar, vão sair pela janela ,
gritou o vigia, segundo um menino.
Durante passeio dos meninos pelo centro, chegou uma senhora,
de mais de 50 anos, e começou a atazaná-los. Não enche, velha
pinguça , gritou W.S.C., que estava com os outros dois. A senhora
retrucou com uma ofensa e agarrou o mais novo pelo braço. Os dois
chutaram a mulher e derrubaram a bituca do cigarro que fumavam
no copo de pinga. A senhora saiu esbravejando. Tem muita gente
folgada aqui na rua , disse L.A.S.

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COLETÂNEA DE EXERCÍCIOS

Mesmo assim, L.A.S. nem percebeu que havia sofrido e praticado


violência. Saiu de casa porque apanhava dos pais e não passa mais
um dia sendo respeitado.
Para M.S.S., de 18 anos, é pior quando os pedestres passam longe
dele na calçada ou fecham o vidro dos carros ao verem ele na rua.
Poxa, não estou nem assaltando. Eu sei que todo mundo está com
medo, mas... . M.S.S. não tem argumentos, ainda assim, sabe que
merece mais respeito.
Fonte: GREGORI, Maria Filomena. Viração experiências
de meninos nas ruas. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.
Indaga-se:
a) O caso de L.A.S. ilustra diferentes tipos de violência, presentes
no cotidiano dos meninos de rua. Como a cultura influencia
as diferentes concepções de direito e justiça encontradas
na sociedade brasileira?
b) Identifique no texto passagens que possibilitem discutir a relação
entre preconceito e intolerância.
c) Viração é a categoria utilizada pela autora para expressar a
habilidade que os meninos de rua desenvolveram para contornar
as situações adversas. A partir das situações descritas no
texto e de outras conhecidas por você, discorra sobre a influência
da cultura no estabelecimento de diversos modos de vida.
2. Globalização, reestruturação produtiva e cidadania.
Nas últimas décadas, o debate em torno das dimensões da participação
popular na gestão pública e das possibilidades de extensão da cidadania
tem procurado dar conta de novos desafios teóricos impostos
por um amplo quadro de transformações, interligadas, que alteraram
os padrões de soberania dos Estados, permitiram a construção de novas
formas de pertencimento e construção de comunidades políticas,
assim como condicionaram, de forma cada vez mais intensa, o desenvolvimento
dos países à dinâmica do mercado financeiro mundial.
Assim, a crise da sociedade industrial deflagrada pelo processo
de transnacionalização da economia, amparado por uma enorme expansão
das novas tecnologias de informação em rede e da imposição

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Fundamentos de Antropologia e Sociologia
de novos padrões de flexibilização das atividades produtivas, implicaram
a própria reestruturação das atribuições do Estado, levando à
falência do Estado de Bem-Estar Social e o surgimento de um novo
formato de Estado, o chamado Estado mínimo. A implementação de
elementos da especialização flexível e o predomínio de políticas neoliberais,
voltadas para soluções de livre-mercado, resultaram em significativo
aumento do desemprego, aumento da informalidade, pobreza
e insegurança. Como suporte ideológico a tais transformações,
imputa-se aos indivíduos e não às alterações do sistema produtivo, a
responsabilidade sobre a sua capacidade de se manter empregado.
Em contrapartida, como medida compensatória às desigualdades
sociais, crescem os apelos à solidariedade social, às iniciativas comunitárias
fomentadas em parte por organizações do terceiro setor e as empresas,
por meio do conceito de responsabilidade social, desenvolvem
projetos assistencialistas, educativos e de qualificação profissional. Dessa
forma, realiza-se a substituição de benefícios concretos, intermediados
pelo Estado, por uma solidariedade que, sequer concreta, apresenta tendências
filantrópicas, que, por si só, não são capazes de gerar direitos.
Contudo, toda forma de dominação traz, em si, alguma forma de
resistência. O crescimento do terceiro setor e de arranjos produtivos
locais corresponde não somente à formas de compensação e reforço
das políticas neoliberais, como também trazem, em seu bojo, novas
possibilidades de crítica e resistência, que abrem, às populações
envolvidas, novos mecanismos de participação e trajetórias sociais,
cujo êxito dependerá de uma série de circunstâncias contextuais,
que, de acordo com a bibliografia sobre o tema, envolvem o fortalecimento
de redes sociais, por intermédio dos princípios de confiança
e reciprocidade entre os atores, estratégias de desenho institucional
e natureza e densidade das organizações civis.
Fonte: texto de Annelise Fernandez, professora de
sociologia da Universidade Estácio de Sá.
a) De acordo com o texto, quais foram as alterações nos padrões de
cidadania trazidas pelo processo de globalização econômica?
b) Em relação às práticas de cidadania, qual é a diferença entre
as ações solidárias e as ações geradoras de direitos?
c) Ao falar do terceiro setor, o texto apresenta uma concepção
dialética? Justifique.

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COLETÂNEA DE EXERCÍCIOS
SEMANA 13

Moral, família e religião, novas demandas sociais. A atualidade da


análise sociológica na compreensão da sociedade. Moral, família
e religião, novas demandas sociais.
Objetivos da aula:
refletir sobre questões contemporâneas da sociedade brasileira
e mundial;
analisar criticamente as mudanças ocorridas nas relações sociais
e seus reflexos no Direito.
Para responder estes casos, leia: COSTA, Cristina. Sociologia: introdução
à ciência da sociedade. São Paulo: Moderna, 2001, p. 247 a 256.
Casos
1. O paradigma Cássia Eller.
A cantora Cássia Eller foi motivo de polêmica mesmo depois de
sua morte, em dezembro de 2001. Sua companheira, Maria Eugênia
Vieira Martins, e a família entraram numa disputa judicial pela guarda
do filho da cantora, Francisco Eller, o Chicão. Depois do processo
que se desenvolveu com atenção especial da mídia e da sociedade,
Maria Eugênia teve o direito de ficar definitivamente com a criança.
Para a professora Miriam Grossi, professora do programa de pós-graduação
interdisciplinar em Ciências Humanas da Universidade Federal
de Santa Catarina (UFSC), o caso representa um paradigma na
luta pelo reconhecimento de direitos na união homossexual. Miriam
foi uma das palestrantes da mesa-redonda Subjetividades e outras
famílias , realizada na manhã de quinta-feira, 17 de junho, no auditório
da Faculdade de Saúde da Universidade de Brasília (UnB), pelo
II Congresso da Associação Brasileira de Estudos da Homocultura.
De acordo com Miriam, em pouco mais de 20 anos, a temática
da família homossexual cresceu e passou a ser debatida no mundo
inteiro. Nos Estados Unidos, tem caráter mais jurídico, enquanto na
França, por exemplo, refere-se mais à antropologia e à psicanálise.
De forma geral, aponta a professora da UFSC, a sociedade já aceita

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Fundamentos de Antropologia e Sociologia
o relacionamento, mas a justiça ainda não tem parâmetros sobre a
formação de família e a adoção. No Brasil e na França, por exemplo,
lésbicas entre 25 e 30 anos acreditam que ter filhos é um direito do
qual não querem abrir mão , detalha.
A professora de psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro
(UFRJ), Anna Paula Uziel, analisou oito processos de adoção no
Rio de Janeiro solicitados por homossexuais durante a década de 1990
sete de homens e uma por mulher. Todos foram deferidos. No entanto,
quando os homens eram os requerentes, as exigências de psicólogos
e assistentes sociais aumentavam. Em alguns casos, chegavam
a entrevistar as mães dos requerentes , diz. A única situação feminina
analisada por ela foi encaminhada diretamente para o juiz. A tendência
é conceder a guarda, mas a discussão não pode ser pautada pela
sexualidade de quem solicita a adoção , avalia. De acordo com ela,
essas novas situações demandam discussões legais e normatização.
Já a professora da UFSC, que começou seus estudos na França,
conta que jovens lésbicas francesas procuram clínicas de inseminação
artificial na Bélgica para conseguirem ter filhos. Lá, também existem
muitos casos de homossexuais masculinos que assumem filhos de empregadas
ou amigas para formarem suas próprias famílias. Enquanto
isso, no Brasil, os casais de lésbicas costumam buscar a adoção legal
para essa finalidade. Segundo Anna Paula, os casos femininos são vistos
com mais naturalidade pela justiça brasileira e, mesmo quando as
requerentes assumem a união e dizem ser homossexuais, a informação
não consta dos processos. É interessante notar que, na França, a família
é a comunidade homossexual e o projeto do casal. Já no Brasil,
representa também uma legitimação da conjugalidade , explica.
Fonte: matéria elaborada por André Augusto Castro,
assessor de comunicação social da Universidade de Brasília.
Disponível em: <www.unb.br>. Acesso em: 17 jun. 2004.
Indaga-se:
a) Quais as implicações sociológicas e jurídicas do uso da expressão
família homossexual ?
b) No caso apresentado, qual a teoria de parentesco que caracteriza
a relação entre o filho da falecida cantora e a sua companheira?

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COLETÂNEA DE EXERCÍCIOS

c) Segundo a professora Miriam Grossi, a sociedade já aceita


o relacionamento, mas a justiça ainda não tem parâmetros
sobre a formação de família e a adoção . Com base nessa afirmação
e na observação de outros fenômenos sociais, discuta
como o sistema jurídico brasileiro vem se posicionando em
relação às mudanças no campo da moral e dos costumes, verificadas,
no país, nos últimos anos.
1. Os textos a seguir retratam contextos históricos diferentes
que marcam a condição feminina na sociedade.
O melhor resumo prático de todo o programa moderno breve
consistirá neste princípio incontestável: o homem deve sustentar a
mulher (grifo do autor), a fim de que ela possa preencher convenientemente
seu santo destino social. Espero que este catecismo faça
apreciar a íntima conexão que existe entre esta condição e o conjunto
da grande renovação considerada sobre todos os seus aspectos:
moral, mental e mesmo material. Sob a santa revolução feminina, a
revolução proletária se purificar-se-á espontaneamente das disposições
subversivas, que até aqui a têm neutralizado.
Fonte: COMTE, A. Catecismo positivista.
2. A hora e a vez da mulher: independentes, elas se equiparam
aos homens na vida sexual.
(...) Amparadas na revolução sexual desencadeada na década
de 70, bem como na independência financeira, social e profissional
obtidas nas últimas décadas, muitas já assumem, sem medo e sem pudor,
serem viciadas na busca pelo prazer, pela realização dos seus desejos
e fantasias. Detalhe: na hora em que lhes convier e com quem
elas decidirem que mereça o prazer de suas companhias
Fonte: Jornal da Estácio, abril de 2007, p. 6.
a) O primeiro texto foi escrito no século XIX por Auguste Comte
e o segundo diz respeito à situação da mulher no século XXI.
Como se apresenta a relação homem-mulher nos dois casos?
b) Segundo Comte, a mulher é um ser mais moral do que o homem,
portanto, ela é a principal responsável pela formação familiar.
Como a sociedade moderna encara esta questão, levando em
conta, como diz o texto, a independência financeira, social e
profissional feminina?

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Fundamentos de Antropologia e Sociologia
SEMANA 14

Ecologia e Direito. A atualidade da análise sociológica na compreensão


da sociedade. Ecologia e direito.
Objetivos da aula:
refletir sobre questões contemporâneas da sociedade brasileira
e mundial;
analisar criticamente as mudanças ocorridas nas relações sociais
e seus reflexos no Direito.
Para responder estes casos, leia: COSTA, Cristina. Sociologia: introdução
à ciência da sociedade. São Paulo: Moderna, 2001, p. 247 a 256.
Casos
1. Crime ambiental em Caxias.
Fiscais fizeram uma inspeção em uma área de preservação ambiental,
em Duque de Caxias. No local, encontraram desmatamento
e construções irregulares.
Moradores de Duque de Caxias denunciam o desmatamento
de uma área de preservação ambiental.
Fiscais da Secretaria de Meio Ambiente fizeram uma inspeção
na área. Além de árvores derrubadas, encontraram sinais do uso de
explosivos e até uma construção irregular.
A fumaça foi o primeiro da degradação: eram três focos de queimada
que poderiam se alastrar pela mata. No bairro-parque Quitativa,
em Duque de Caxias, está boa parte de uma área de preservação
ambiental permanente, que se expande até a cidade de Petrópolis.
No local, é proibido, por lei, desmatar e construir qualquer tipo
de edificação, mas é justamente o que vem acontecendo. Biólogos e
agentes da Secretaria de Meio Ambiente de Caxias receberam denúncias
de moradores vizinhos e fizeram uma inspeção.
Eles constaram que árvores foram derrubadas em uma área que
corresponde a dois campos de futebol. A clareira gigante iria se transformar
em loteamento, mas foram retiradas as placas indicando que

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COLETÂNEA DE EXERCÍCIOS
terrenos estariam à venda. Algumas alertavam que o desmatamento
teria sido autorizado pelo Ibama.
É uma surpresa ver uma placa de venda, principalmente com placas
do Ibama afixadas nas árvores, indo de encontro à própria legislação
federal. Falta atuação e autuação , se queixa o biólogo Sandro Barbosa.
Além da degradação da mata, foi detectada a utilização de explosivos.
Em uma área da reserva, uma grande rocha foi explodida
para fazer a limpeza do terreno. Em uma inspeção semelhante, no
mês passado, explosivos foram encontrados no local. Era um material
bastante artesanal, mas de efeito muito extenso. Duas pessoas
foram levadas para a delegacia: o responsável pela obra e o manipulador
do material explosivo , conta um fiscal.
Os biólogos também se depararam com uma casa em construção.
Os pedreiros abandonaram a obra com a chegada dos fiscais, deixando
cimento fresco e ferramentas para trás.
O mais curioso foi encontrado em uma placa em frente ao terreno: o
projeto de construção da casa teria passado pela Secretaria de Obras
de Duque de Caxias.
Não há autorização da Secretaria de Obras para a construção.
A placa não tem número de processo e a Secretaria não recebeu nada
assim , declara o secretário municipal de obras, João Carlos Grilo.
Estamos intensificando a fiscalização na área e em todo o município ,
acrescentou.
O Ibama informou que tomou conhecimento da denúncia através
da reportagem do RJTV, e que vai mandar uma equipe até o local
para verificar as denúncias.
Fonte: Disponível em: www.globo.com. Acesso em: 8 out. 2005.
Indaga-se:
O debate sobre ecologia ganhou corpo no pensamento social e
jurídico contemporâneo. Relacione o impulso desse debate com o
processo de globalização ocorrido nas últimas décadas.
A Lei nº 9.605, de 13/02/1998, em seu artigo 60, tipifica, como
crime, construir, reformar, ampliar, instalar ou fazer funcionar, em
qualquer parte do território nacional, estabelecimentos, obras ou
serviços potencialmente poluidores, sem licença ou autorização dos

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Fundamentos de Antropologia e Sociologia
órgãos ambientais competentes, ou contrariando as normas legais e
regulamentares pertinentes.
Identifique no texto anterior, bem como em outros casos de seu
conhecimento, práticas que vão de encontro ao previsto na referida lei.
2. Conflitos ambientais e direitos difusos em unidades de
conservação.
Os novos valores do socioambientalismo implicam a substituição
da lógica utilitária e dominadora do homem sobre a natureza,
nascida na Idade Moderna, por outra mais integrada, que reconhece
o direito à vida de outras espécies, mas com uma preocupação fundamentalmente
centrada no destino da humanidade. A proteção do
meio ambiente, nessa nova abordagem, adquire um caráter universal,
pois este se torna um bem público que deve ser protegido, tendo
em vista seu uso comum. Essa dimensão consensual sobre o meio
ambiente permite falar na construção de um novo contrato social
que pressupõe a emergência de direitos de caráter coletivo e difuso,
sobrepondo-se aos interesses individualizados.
A concepção de direitos relacionados ao meio ambiente altera
a tradicional correspondência entre direitos e deveres, garantidos aos
indivíduos. Os benefícios, atribuídos a um ambiente saudável e equilibrado,
assim como as restrições de uso, necessárias para a sua preservação,
são distribuídos irregularmente entre os diferentes grupos sociais. Algumas
populações sofrem mais com os danos ambientais, tais como
a poluição, a escassez ou o impedimento de fazer uso dos recursos
naturais, ou, ao contrário, usufruem mais intensamente de um meio
ambiente harmônico. Em tais casos, não é raro que os grupos privilegiados,
em nome da preservação, tentem restringir o acesso de outras
pessoas a esses paraísos naturais. Outro aspecto é que o ambientalismo
também impõe a construção de uma nova consciência temporal, a partir
da qual os danos ou benefícios são transferidos a gerações futuras.
Contudo, para Mário Fuks (2000, p. 76), é preciso confrontar
este caráter universal com o sentidos locais que ele assume. Os sujeitos
dos interesses difusos são sempre virtuais um espaço vazio a ser
preenchido por qualquer membro da sociedade. No caso especifico
das unidades de conservação, isso implica pensar em que contexto,
quais foram os interesses, os argumentos e os atores que legitimaram
sua criação e implantação.

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COLETÂNEA DE EXERCÍCIOS
Na mesma linha, é preciso compreender a percepção da sociedade
local a respeito da implantação das unidades de conservação,
suas formas de adaptação, resistência e elaboração de um discurso
que legitime seus direitos, sobretudo por meio da apropriação de categorias
ambientais. Por exemplo, a ampliação das categorias de unidades
de conservação de uso direto (admitem formas de uso e permanência
humana) é fruto do longo processo de luta pelo direito das
populações tradicionais em permanecer em seu território original.
Fonte: texto de Annelise Fernandez, Professora de Sociologia
da Universidade Estácio de Sá.
a) Quais são as maiores dificuldades que se impõem ao direito
na questão ambiental?
b) O discurso ambiental pode, em algumas situações, tornar-se
ideológico? Justifique.
c) Quais são os principais conflitos que envolvem a criação de
unidades de conservação?
SEMANA 15

Espaço, território e urbanização. A atualidade da análise sociológica


na compreensão da sociedade. Espaço, território e urbanização.
Objetivos da aula:
refletir sobre questões contemporâneas da sociedade brasileira
e mundial;
analisar criticamente as mudanças ocorridas nas relações sociais
e seus reflexos no Direito.
Para responder estes casos, leia: COSTA, Cristina. Sociologia: introdução
à ciência da sociedade. São Paulo: Moderna, 2001, p. 247 a 256.
Casos
1. Favelas: uma questão estratégica para o Rio.
A favela é o testemunho mais visível dos padrões históricos de
desenvolvimento brasileiro, que incorporam precariamente a base
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Fundamentos de Antropologia e So44 44

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Fundamentos de Antropologia e Sociologia
social. Nos grotões rurais, onde o tempo está congelado, ele tem reduzida
visibilidade. Na cidade e na metrópole, não. A favelização foi
um processo dinâmico de uma urbanização não inclusiva e desatenta
com o popular. Formalmente, as favelas se alimentaram de movimentos
migratórios internos que têm origem na expulsão de mão-de-obra
do campo e na atração que a cidade exerce para todos os que buscam
a loteria do emprego digno ou uma atividade informal que gere uma
renda monetária mínima. As luzes da cidade atraem brasileiros pobres
e miseráveis que sabem que, apesar da precariedade urbana, terão, na
cidade, alguma remota possibilidade de prosperidade e, objetivamente,
acesso ainda que imperfeito aos serviços públicos. (...)
As favelas tendem a se localizar o mais próximo possível dos locais
de subsistência: o pobre urbano presta serviços à classe média e
rica. Assim, na proximidade destas residências, vai surgindo a favela
prestadora de qualquer tipo de serviço lícito ou ilícito. A favela exporta
serviços e horas de trabalho para o asfalto, recebe renda, em
parte, importa bens e serviços do asfalto, mas, em função do tamanho
da favela e da renda média obtida, alimenta uma cadeia de empregos
e atividades na própria favela, desde a cabeleireira-manicure
até o burrinho que transporta materiais de construção nas costas
para as encostas. A criatividade das mulheres que se empregam no
asfalto criou, na retaguarda, a mãe-crecheira, que é o simulacro popular
da babá dos ricos. Com o risco de toda a simplificação, a favela
é o microcosmo das macroestruturas brasileiras.
O Programa Favela-Bairro realizou a mais importante intervenção
sistêmica feita no Brasil. A Prefeitura do Rio de Janeiro resolveu,
salvo para subáreas sem solução de engenharia (que no futuro deverão
ser removidas), as questões da água, esgoto, coleta de lixo, acesso
por veículo automotor, nomenclatura de logradouros e criação de
endereços. A intervenção melhoradora de uma favela, de caráter
pioneiro, gera a chamada expulsão branca , como foi o caso de uma
favela em Brás de Pina. O Favela-Bairro, por sua escala, reduziu a
expulsão branca , porém, deu origem a um fenômeno inédito: os
lotes nas favelas começaram a ser verticalizados e surgiu um mercado
de pisos: a caricatura da especulação imobiliária em microescala. Por
outro lado, o Favela-Bairro, ao não ser acompanhado de programas

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COLETÂNEA DE EXERCÍCIOS
equivalentes nos demais municípios da região metropolitana, deu
origem a uma migração intrametropolitana.
O lento crescimento demográfico da região metropolitana foi
acompanhado de um expressivo crescimento das favelas do município
do Rio. Alguns terrenos ocupados por favelas por exemplo,
a Rocinha são valiosos para o jogo especulativo imobiliário. O
desavisado pode inspirar-se por alguma proposta de remoção. Isto
é uma violência contra um povo predominantemente trabalhador e
pacífico. A violência de uma remoção alimentará dialeticamente a
violência na cidade. A escalada da violência urbana é correlata com
a prosperidade da economia da droga e com o desencanto que uma
juventude que não tem perspectivas de emprego e renda.
Tudo revela que a questão das favelas exige um plano nacional.
A verdadeira solução para as favelas exige não o pagamento de juros
repugnantes aos rentistas, e sim, nacionalmente, uma política que
privilegie a criação de empregos. Com a política neoliberal, não há
solução para a favelização.
Fonte: texto de Carlos Lessa, professor do Instituto de
Economia da UFRJ e ex-presidente do BNDES. JB, 11/9/2005.
a) O texto sugere que não é possível remover a maioria das favelas
nem deixá-las como estão. Por quê?
b) Faça uma análise sobre as muitas formas em que o espaço
urbano e o desenvolvimento econômico estão relacionados
neste texto:
2. A justiça em debate.
A reforma da Justiça está hoje na agenda política do Brasil. O
direito e a justiça, para serem exercidos democraticamente, têm
de se assentar numa cultura democrática, e esta é tanto mais preciosa
quanto mais difíceis são as condições em que ela se constrói.
Tais condições são hoje muito difíceis por duas razões: devido à
distância que separa os direitos formalmente concedidos das práticas
sociais que impunemente os violam; porque as vítimas de tais
práticas, longe de se limitarem a chorar na exclusão, cada vez mais
reclamam, individual e coletivamente, para serem ouvidas e se organizam
para resistir à impunidade. A frustração sistemática das

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Fundamentos de Antropologia e Sociologia
expectativas democráticas pode levar à desistência da crença no
papel do direito na construção da democracia e, em última instância,
à desistência da democracia.
O imperativo da reforma judicial se assenta em três razões principais.
A primeira é o campo dos interesses econômicos, que reclama
um sistema judiciário eficiente e rápido, que permita a previsibilidade
dos negócios e garanta a salvaguarda dos direitos de propriedade. É
nesse campo que se concentra a grande parte das reformas do sistema
judiciário por todo o mundo. A segunda razão tem a ver com a corrupção.
Essa questão foi sempre tratada de duas perspectivas: a luta judiciária
contra a corrupção e a luta contra a corrupção no Judiciário. Até
agora, na América Latina, quando se falou de corrupção e de Judiciário,
falou-se sobretudo da corrupção dentro do Judiciário. Sempre que
leva a cabo o combate à corrupção, o Judiciário é posto perante uma
situação dilemática: esse combate, se, por um lado, contribui para a
maior legitimidade social dos tribunais, por outro, aumenta a controvérsia
política à volta deles.
Os tribunais não foram feitos para julgar para cima, isto é, para
julgar os poderosos. Foram feitos para julgar os de baixo, as classes
populares, que, durante muito tempo, só tiveram contato com
o sistema judicial pela via repressiva. A igualdade formal de todos
perante a lei nunca impediu que os que estão no poder tenham direitos
especiais, imunidades e prerrogativas que, nos casos extremos,
configuram um direito à impunidade. Quando os tribunais começam
a julgar para cima, a situação muda. Ocorre a judicialização da política.
O combate à corrupção leva a que alguns conflitos políticos
sejam resolvidos em tribunal. Só que a judicialização da política conduz
à politização do Judiciário, tornando-o mais controverso, mais
visível e vulnerável politicamente. Nos melhores casos, tem vindo a
produzir um deslocamento da legitimidade do Estado: do Executivo
e do Legislativo para o Judiciário.
Esse movimento leva a que se criem expectativas positivas elevadas
a respeito do sistema judiciário, esperando-se que resolva os
problemas que o sistema político não consegue resolver. Mas a criação
de expectativas exageradas acerca do Judiciário é, ela própria,
uma fonte de problemas.

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Em geral, o sistema judiciário não corresponde à expectativa e,


rapidamente, passa de solução a problema. A terceira razão para a
reforma judicial está no impulso democrático dos cidadãos que tomam
consciência dos seus direitos. Essa consciência revela que a
procura efetiva de direitos é a ponta do iceberg. Para além dela, há
a procura suprimida. É a procura dos cidadãos que têm consciência
de seus direitos, mas que se sentem impotentes para os reivindicar
quando violados. Intimidam-se ante as autoridades judiciais que os
esmagam com a linguagem esotérica, o racismo e o sexismo mais ou
menos explícitos, a presença arrogante, os edifícios esmagadores, as
labirínticas secretarias. Se a procura suprimida for considerada, levará
a uma grande transformação do Judiciário. Mas é preciso termos
a noção da exigência que está pela frente. Não fará sentido assacar a
culpa toda ao Judiciário se as reformas ficarem aquém dessa exigência.
Como ponto de partida, uma nova concepção do acesso ao direito
e à Justiça. Na concepção convencional, busca-se o acesso a algo
que já existe e não muda em conseqüência do acesso. Ao contrário,
na nova concepção, o acesso irá mudar a Justiça a que se tem acesso.
Os vetores principais dessa transformação são: profundas reformas
processuais; nova organização e gestão judiciária; revolução na formação
de magistrados, desde as faculdades de direito até a formação
permanente; novas concepções de independência judicial; uma relação
do poder judicial mais transparente, com o poder político e a
mídia, e mais densa, com os movimentos e organizações sociais; uma
cultura jurídica democrática e não corporativa.
Fonte: Boaventura de Sousa Santos, 66,
sociólogo português (Cortez, 2007).
a) Analise a frase do autor de acordo com a perspectiva marxista
sobre o Estado e o Direito: os tribunais não foram feitos para
julgar para cima, isto é, para julgar os poderosos. Foram fei

tos para julgar os de baixo, as classes populares, que, durante


muito tempo, só tiveram contato com o sistema judicial pela
via repressiva .
b) Identifique, no texto, algumas idéias que podem estar relacio

nadas com o conceito de práxis.

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Leituras sugeridas para pesquisa e aprofundamento:


Leitura obrigatória
COSTA, Cristina. Sociologia: introdução à ciência da sociedade. São
Paulo: Moderna, 2001.
Leitura complementar
Sugestão de texto complementar ou a critério do professor:
DA MATTA, Roberto. Sabe com quem está falando? Um ensaio
sobre a distinção entre individuo e pessoa no Brasil. In: Carnavais,
malandros e heróis: para uma sociologia do dilema brasileiro. Rio de
Janeiro: Ed. Rocco,1997. p. 181-186 e 207-218.
LENOIR, Remi. Objeto sociológico e problema social. In: MERILLIÉ,
D. et al. Iniciação à prática sociológica. Petrópolis: Vozes, 1996.
VELHO, Gilberto (Org.). 1985 [1971]. Desvio e divergência. Rio de
Janeiro: JZE.
_______. O fenômeno urbano. Rio de Janeiro: Jorge Zahar editores,
1976.
QUINTANEIRO,Tânia; BARBOSA, Maria Ligia de O.; OLIVEIRA,
Marcia Gardênia. Um toque de clássicos: Durkheim, Marx e Weber.
Belo Horizonte: UFMG, 1999.

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