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6 DESENVOLVIMENTO DO PRODUTO

Este capítulo descreve as etapas do desenvolvimento de um mobiliário, utilizado a


metodologia propostas pela NBR ISO TR 14062 para o desenvolvimento do produto.
Trata-se das fases de desenvolvimento, conceitos, hipótese e o produto final.

Após o estudo das metodologias mais conhecidas na área acadêmica do design proposta
nesta pesquisa, verificou-se que os procedimentos metodológicos para o desenvolvimento
ou redesign de produtos é de suma importância no desenvolvimento de projetos. O
principal objetivo em adotar uma metodologia específica, de um autor ou desenvolvida pela
identidade do próprio designer, ou até mesmo relacionada a um tipo de produto específico,
é de poder mensurar, delinear um caminho a seguir através de fases a fim de minimizar o
erro e delimitar um tempo previsto para o desenvolvimento e execução do projeto.

Ao se analisar o procedimento metodológico descritos no item 4 desta pesquisa observou-se


que nenhuma proposta leva em consideração aspectos do ecodesign, ou de como inserir
aspectos ambientais no processo de desenvolvimento de produtos em seu ciclo de vida.
Visto que, o investimento em aspectos ambientais o quanto antes no projeto, tem como
fatores primordiais minimizar os riscos e investir em produtos que acarretam menor
impacto ao meio ambiente.

Contextualizando os requisitos apresentados pela NBR ISO T/R 14062:2004, tratando-se de


integrar o ecodesign no projeto e desenvolvimento de produtos sustentáveis, a Fig. 13
expõe um modelo genérico subdividido em fases do projeto, processo e desenvolvimento
do produto chamando atenção de como integrar aspectos ambientais, em todas as etapas do
projeto com seus estágios típicos e ações possíveis.

Deste modo, a NBR ISO T/R 14062:2004 descrita em forma de um relatório técnico pode
ser utilizada como uma metodologia de projeto. Uma vez que, constitui em uma orientação
descrita em fases passando por estágios e finalizando com um objetivo. Portanto,
comparando-se as técnicas de desenvolvimento de produtos e princípios de ecodesign
propostos pela norma, esta pode ser considerada como uma metodologia para o
desenvolvimento de produtos sustentáveis, podendo ser utilizada por designers e
desenvolvedores de produtos quando se almeja o desenvolvimento de um produto
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sustentável, ou de inserir aspectos ambientais no projeto desde a sua concepção até o


descarte.

Portanto, o objetivo deste trabalho é inserir aspectos ambientais no projeto e no


desenvolvimento de um mobiliário a partir do aproveitamento do resíduo de madeira Pínus
elliotti, este será desenvolvido utilizando o procedimento metodológico da NBR ISO T/R
14062:2004, seguindo as fases descritas pela norma, representada pela figura 13, para o
desenvolvimento do produto, e posteriormente analisar e avaliar o projeto do produto e o
seu processo de desenvolvimento.

6.1 APLICAÇÃO DA METODOLOGIA PROPOSTA PELA NBR ISO T/C 14062:2004


NO PROJETO DO PRODUTO

Os estágios típicos do projeto do produto e do processo de desenvolvimento apresentados


pela norma podem ser descritos como: planejamento, projeto conceitual, projeto detalhado,
ensaio/protótipo, produção e lançamento no mercado e por fim a revisão do produto.
Ressalta-se que alguns estágios típicos (como por exemplo, técnicas e ferramentas
apresentadas do decorrer dos estágios) não se aplicam no desenvolvimento do produto que
será demonstrado neste trabalho.

FASE 01: PLANEJAMENTO

O produto a ser desenvolvido tem como objetivo reaproveitamento do resíduo de madeira,


neste caso o resíduo de Pínus elliotti e posteriormente o desenvolvimento de um mobiliário.
O resíduo a ser utilizado neste projeto provém de uma etapa secundária da usinagem da
madeira Pínus, provenientes do Complexo Agroindustrial Pindobas - Venda Nova do
Imigrante, ES. Abaixo, segue a descrição da fase de planejamento.

Descrição da empresa pesquisada e características do resíduo madeireiro


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A empresa pesquisada reside no município de VNI - ES. É uma empresa brasileira


considerada de médio porte (em torno de 50 colaboradores efetivos), onde a matéria prima
principal é a transformação do Pínus elliotti em madeira serrada.

A indústria é auto-suficiente em matéria prima, tendo aproximadamente uma área 2.500


hectares de madeira de reflorestamento plantada, as plantações de Pínus são localizadas
próximas a empresa e também em regiões vizinhas. São serrados mensalmente cerca de
600m³ de tora de Pínus, tendo como resíduos; cavacos, aparas, cascas, e uma grande
quantidade de pó de serra, proveniente da transformação das toras em ripas, chapas e
outros.

Fotos Empresa

A maioria do resíduo que não possui algum tipo de aproveitamento, como por exemplo as
cascas, e o próprio câmbio da madeira é utilizada pela própria empresa, como combustível
na queima para secagem da madeira em estufas, e o restante é vendido para outros fins
como; para artesanato, produção de embalagens, o pó de serra para agricultura e outros. A
figura abaixo demostra um exemplo de embalagem, neste caso, para o transporte de panelas
de barro produzida a partir da usinagem de refugos da madeira pínus, proveniente da
empresa citada acima.
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Figura ...: Embalagem para Panela de Barro confeccionada a partir de Resíduo de Pínus
Fonte: Arquivo do Autor

A serraria conta especialmente com linhas de produção para a confecção de chapas de


madeira serrada. Pode-se dizer que o “carro-chefe” dos produtos oferecidos pela empresa
são madeiras destinadas para construção civil, embalagens para o transporte de mármore e
granito, e chapas para a produção de móveis, comercializados para o pólo moveleiro de
Ubá-MG.

Os resíduos que serão utilizados neste projeto são derivados de uma etapa secundária da
transformação da madeira. Os resíduos (“refugos”) são descartados pela empresa por
motivos como a fragilidade mecânica, presença de nós e irregularidades tornando-se
inadequados para o uso.

FOTOS DA EMPRESA (VISTA PANORÂMICA)


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FOTOS DO RESÍDUO.......

Aspectos ambientais relacionados a matéria prima principal – Pínus Elliotti

O resíduo a ser utilizado no projeto, além do fácil acesso (por parte do pesquisador),
também foi escolhido por apresentar um menor impacto ambiental quando comparado a
outros materiais, como pode ser justificado pela figura abaixo.

Figura... Índice de impacto para a produção de alguns materiais (Ecoindicator 95).


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Fonte: Manzini & Vezzoli (2008).

A figura... apresenta uma avaliação de nocividade (Método Ecoindicator1) de impacto


ambiental para alguns materiais mais utilizados no projeto de produtos. Verifica-se que o
impacto da madeira Pínus elliotti, é bem menor quando se comparado com outros materiais
de maior impacto (Cobre, Latão, Poliéster). Os valores apresentados neste histograma
equivalem a produção de 1 kg do material.

Outro fator a se considerar em relação a madeira Pínus, e que a mesma é oriunda de


reflorestamento próprio, ou seja, utiliza-se recurso natural renovável, tornando-o fonte de
benefícios para auxiliar o desenvolvimento socioeconômico regional, rapidez na usinagem,
boa trabalhabilidade e grande versatilidade.

Materiais possivelmente utilizados

Além do resíduo de Pínus, que é a matéria prima principal para o desenvolvimento


doproduto, outros materiais poderão ser utilizados no desenvolvimento, sempre levando em
consideração ciclo de vida. Assim, os materiais para acabamento também terá o conceito de
ecológicos. Tais materiais utilizados podem ser listados como: cola branca PVA a base
d’agua, rebites, parafusos, tarugos, selador impermeabilizante de base aquosa composto por
óleos e resinas naturais, e outros materiais de marcenaria.( a lista de material será melhor
descrita na fase de detalhamento).

Quesitos ambientais

O projeto visa também elevar a consciência ambiental do público, sendo um produto


voltado para a redução do impacto ao meio ambiente. Outro fator de grande importância a
se verificar nas etapas posteriores, é que os resíduos poderão sofrer uma pequena perda em
suas propriedades físicas. Uma vez que já passou por uma cadeia produtiva, tornando-o

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Os valores de impacto ambiental são relativos uns aos outros e referem-se a produção de 1Kg de material.
Tais valores foram elaborados na Holanda, em um projeto patrocinado pelo governo e que envolveu o centro
de CML da Universidade de Leiden, A Pré-consultant, a Philipis, a Ocè, a Nedcar e a Fresno. O programa
desenvolve análises e a avaliação por intermédio de alguns passos como; efeito estufa, poluição, lixos
resíduos metálicos e outros. (Manzini & VEZZOLI, 2008).
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apropriado por outras funções, e que estas, estejam de acordo com as suas novas
características. Ao contrário, a ser verificado em um produto de referência, como por
exemplo, móveis modulados que passam por todo o processo de fabricação de chapas,
cortes, laminação e /ou pintura, linhas de montagem mecanizadas e tratamentos para que
possam desempenhar a função a qual se destina.

Ao se finalizar esta fase, a partir do conteúdo e conceitos discutidos na pesquisa em relação


à sustentabilidade, já é possível listar algumas idéias qualificadas para o projeto e requisitos
que serão a base para as próximas fases;

• Gerar mais um nível de aproveitamento do material (resíduo);

• Desenvolvimento de possíveis chapas/ painéis através da colagem dos resíduos,


procurando-se obter varias composições com a união dos resíduos para o
desenvolvimento de painéis e posteriormente o desenvolvimento do produto.

• Conferir conceitos de modularidade ao produto;

• Utilizar materiais de acabamento menos impactante ao meio ambiente;

• Utilizar estratégias de DFx, e ecodesign conforme descritos no ítem 3 no decorrer


do desenvolvimento do produto;

• Atribuir conceito de produto sustentável, procurando conscientizar os usuários a


respeito da preservação do meio ambiente.

Fase 02: Projeto Conceitual

Ao se identificar os pré-requisitos para o produto na fase anterior, esta fase compreenderá


os conceitos, a seleção destes conceitos para o projeto do produto.Com objetivos de atender
os possíveis requisitos listados na fase anterior inicialmente será desenvolvido painéis
(chapas) com o resíduo para posteriormente desenvolver o mobiliário.

Peralta Agudelo et al (2008), cita que para a obtenção de chapas a partir de resíduos adota-
se três critérios básicos como; a não eliminação dos nós dos resíduos, considerando que
estes representam um diferencial nas peças a serem produzidas; realizar o menos número de
interferência nos resíduos evitando assim a geração de novos resíduos, usar tecnologias de
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junção já existentes (edge glued2) com o objetivo de obter chapas contínuas de diversos
tamanhos.

O quando abaixo mostra alguns estudos de união de resíduos

Colado deitado, com comprimento


aleatório, 100 mm de largura e 30 mm de
altura; linha de colagem desalinhada;
priorizada do nó em uma das faces;
Cortado ao meio, colado em pé/topo, lado a
lado, fibras no sentido vertical e horizontal,
comprimento aleatório, 50 mm de largura e
30 mm de altura, linha de corte desalinhada,
priorizada a presença do nó em uma das
faces.

Quadro... Estudos de união de resíduos (adaptado).


Fonte: Peralta Agudelo et al (2008).

A partir das informações acima, foram realizados alguns estudos para ver a possibilidades
da união do resíduo para se obter as chapas. Obteve-se bons resultados, com chapas de
50x50mm, como apresentado pela figura abaixo.

Figura 00 - Teste de união de resíduo (montagem) Figura:00 – Resultado do teste inicial


Fonte: Arquivo do autor Fonte: Arquivo do autor

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“Os painéis de sarrafo, também chamados de painéis de madeira colados lateralmente, ou na língua inglesa,
conhecidos como "Edge Glued Panel" (EGP), são atualmente bastante utilizados para a confecção de móveis,
portas, pisos e também na construção civil. Com a alta demanda da madeira, este tipo de painel está ganhando
espaço por utilizar pedaços de madeira para a confecção de painéis que apresentam aspecto de madeira
sólidaIsto gera grande valor agregado ao produto final. Além disso, o que antes podia ser resíduo, agora se
transforma em produto valioso, sendo a técnica bastante ecoeficiente e sustentável. Através dessa tecnologia
podem ser obtidas tábuas para construções, habitações, portas, prateleiras, pisos, forros, etc. Podem ainda ser
construídas peças estruturais de maiores dimensões e resistências.
(Fonte: http://www.remade.com.br/br/madeira_pmva.php?num=2&title=EGP, acesso em 26/08/2010).
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Para se atingir o resultado apresentado pela Fig. 00, utilizou-se para a união dos resíduos
cola PVA a base d´agua e prensamento mecânico pelas laterais. (colocar obs. No fim deste
tópico que os testes não foram feitos em maquinas específicas, montou-se um gabarito
próprio.)

Outros testes foram realizados com novas composições, tendo diferentes resultados, como
as descritas abaixo:

Expor outras formas...


Colocar fotos dos painéis....

A partir da formação dos painéis (chapas), verificou-se que com este tipo de união de
resíduos teria como produzir o mobiliário, devido algumas características próprias como;
resistência a corte, parafusos e furos, grande versatilidade nas chapas . Deste modo partiu-
se para a geração de conceitos de projeto, realizando inicialmente um brainstorrming
(tempestade de idéias) e decidiu-se que o mobiliário teria como diferencial a forma
geométrica, seguindo um desenho reto, leve e elegante.

A forma geométrica para o mobiliário foi escolhida por se tratar de uma melhor
trabalhabilidade na confeção do mobiliário, e que