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ELEMENTOS CONSTITUTIVOS

Além dos requisitos comuns a todos os contratos (agente capaz, objeto lícito, possível,
determinado ou determinável e forma prescrita ou não defesa em lei), por nós já
estudados na aula 2, o contrato de doação tem duas peculiaridades, uma em relação
aos sujeitos e outra em relação ao objeto.

Elemento Subjetivo:

No contrato de doação temos um elemento subjetivo, que envolve dupla


manifestação de vontade: do doador, de efetuar a liberalidade (animus donandi) e
do donatário, de aceitar, expressa ou tacitamente, como já vimos anteriormente.

Desse ato de liberalidade do doador, resulta a classificação do contrato como gratuito.


A menos que se imponha um encargo ao donatário, quando então se tratará de um
contrato oneroso (a ser visto mais adiante), caso em que o silêncio não pressupõe
aceitação (parte final do art. 539).

A Capacidade Ativa (do Doador)

Além de ser exigida a capacidade de pessoas naturais ou jurídicas requerida para os


contratos em geral, temos que:

1) É vedado ao absolutamente incapaz, mesmo representado, doar; ao


relativamente incapaz, somente se assistido, segundo entende uma parte da
doutrina.

Exceto no regime de separação absoluta consensual de bens, o consentimento


do cônjuge é indispensável ainda que o donatário seja o filho do casal (CC,
art. 1647 IV).

2) Importa em adiantamento da legítima a doação de ascendente para


descendente, independentemente de consentimento expresso dos demais
descendentes (CC, art. 544).

Obs.: Sucessão Legítima é aquela que decorre em virtude da morte de alguém,


sendo chamados a suceder ao falecido, no que diz respeito ao seu patrimônio
(herança), aqueles que a lei designa especificamente. Esses, designados
especificamente por lei, são os denominados herdeiros necessários, a quem
fica reservada a metade da herança, a legítima (CC, arts. 1.789, 1.845, 1.846
e 1.857 e seu § 1º).

3) O mesmo vale entre cônjuges (CC, art. 544), menos no regime de separação
absoluta de bens quando esta se der por determinação legal, ou seja, nas
hipóteses previstas no artigo 1641 do Código Civil.

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4) A doação por mandatário depende da outorga de poderes especiais e
expressos (CC, art. 661) para contratação com um beneficiário previamente
determinado ou para escolha dentre vários indicados pelo doador.

A Capacidade Passiva (do Donatário)

Devido ao caráter benéfico do ato, a condição de donatário admite todos aqueles que
têm personalidade natural ou jurídica, ou seja, capacidade de direito, inclusive os
nascituros e pessoas indeterminadas ou não identificadas (CC, arts. 542, 543 e 546).

Elemento Objetivo:

A transferência de bens, em vida, do patrimônio do doador, que empobrece, para o


patrimônio do donatário, que enriquece, de modo atual e irrevogável.

Esse elemento objetivo permite que a algumas liberalidades, como remissão de dívida
e pagamento de débito alheio, seja atribuída a denominação de doação indireta.

Como é ato entre vivos, a doação exclui atos de disposição de última vontade – como
testamento. Além disso, não abarca atos de cortesia, de conteúdo social, religioso ou
moral ou gratificações, como presentes, esmola e gorjetas.

Quanto ao objeto a ser transmitido, a doação contempla, assim como a compra e


venda, apenas os bens corpóreos, aqueles que têm existência física, material, que se
manifestam em estado sólido, líquido, gasoso, de energia elétrica e de ondas de
frequência eletromagnéticas. Enfim, que podem ser tocados ou perceptíveis por
outros sentidos.

Já os bens incorpóreos [direitos reais, direitos autorais, direito ao crédito,


conhecimento técnico de valor econômico concernente à indústria ou comércio (know-
how), software, direito de herança etc.] são transmissíveis somente mediante o
instituto da cessão, cujo conceito é:
Negócio jurídico bilateral, pelo qual o titular de certos direitos obrigacionais ou reais
dotados de transmissibilidade realiza a sua transferência em favor de terceiros, a
título oneroso ou gratuito.