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Clecio Bunzen

Doutor em Linguística Aplicada, professor do Ensino Superior


Márcia Mendonça
Doutora em Linguística, professora do Ensino Superior e autora de
materiais didáticos voltados para Educação de Jovens e Adultos
Maria Amábile Mansutti
Licenciada em Pedagogia, autora de currículos e materiais didáticos
de Matemática para o Ensino Fundamental
Marina Marcos Valadão
Doutora em Saúde Pública, graduada em Enfermagem e Obstetrícia,
professora do Ensino Superior
Roberto Catelli Jr.
Mestre em História, autor de obras didáticas, formador e assessor
para a educação básica na modalidade Educação de Jovens e Adultos
Roberto Giansanti
Bacharel em Geografia. Consultor e produtor de material didático
para a área de Educação de Jovens e Adultos

2a edição, São Paulo, 2013

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© Ação Educativa, 2013
2a edição, Global Editora, São Paulo 2013

Global Editora Ação Educativa


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Gerente de produção Coordenação geral
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Assistente editorial Consultoria
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Hires Héglan Estagiários em editoração
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Pesquisa iconográfica Marcel Coronato
Tempo Composto Apoio
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Capa
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Foto da capa
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do petróleo, Rio de Janeiro, 2011)
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Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)


SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ
D635
2. ed.
Direitos e participação, volume 3 : anos iniciais do ensino fundamental : manual
do educador : educação de jovens e adultos / Clécio Bunzen ... [et al.]. - 2. ed. - São
Paulo: Global, 2013.
400, 496 p. : il. (Viver, Aprender)

Inclui bibliografia
ISBN 978-85-260-1863-1 (aluno) - 978-85-260-1864-8 (educador)

1. Jovens - Educação. 2. Educação de adultos. 3. Ensino fundamental. 4.


Integração social. I. Bunzen, Clecio, 1978- II. Série.

13-00580 CDD:374.012
CDU: 374

Colabore com a produção científica e cultural.


Proibida a reprodução total ou parcial desta obra
sem a autorização do editor.

No de Catálogo (aluno): 3487


N de Catálogo (educador): 3488
o

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Apresentação

Caro aluno, cara aluna,

O livro que você está recebendo agora vai ajudá‑lo(la) a conhecer mais o mundo
da escrita e dos números. Além disso, permitirá saber mais sobre assuntos
que dizem respeito à vida de todos nós, como a saúde, a sexualidade, o trabalho, a
cidade e o campo, a riqueza cultural brasileira, a participação política, os direitos
humanos, os meios de comunicação e muitos outros.
Este livro foi feito para pessoas jovens e adultas que, como você, desejam conti‑
nuar aprendendo por toda a vida. Ele traz histórias de vida, letras de música, notí‑
cias, mapas, gráficos, poemas, crônicas e muitos outros textos. Você vai aprender a
estudar e também a ler e escrever cada vez melhor no seu dia a dia, seja no trabalho,
seja na família, seja na comunidade.
Há no livro muitas atividades que vão desafiá‑lo(la) a aprender mais sobre as
pessoas e a sociedade em que vivemos, sobre o lugar onde você vive e também sobre
o Brasil e outros países do mundo. Esperamos que, além de ampliar seus conheci‑
mentos sobre a realidade que o(a) cerca, você possa cuidar melhor de si, dos outros
e do lugar onde vive. Ele também lança o desafio, por meio de pesquisas e entre‑
vistas, de buscar soluções para os problemas que afetam a vida de sua comunidade.
Para fazer as atividades, você vai usar os saberes que já possui e vai realizar no‑
vas aprendizagens. No começo, muita coisa pode parecer novidade, mas aos poucos
você verá o quanto já conhece e o quanto pode vir a aprender. Portanto, seu enga‑
jamento é fundamental: arrisque-se e vá em frente. Pergunte sempre e peça ajuda
a seu professor e a seus colegas. O livro propõe diversas atividades para que você
possa exercitar sempre o trabalho coletivo, seja em duplas, seja em pequenos gru‑
pos, seja com a turma toda. Falando, ouvindo, lendo, escrevendo, experimentando,
pensando, pesquisando e trocando ideias, você vai aprender ainda mais.
Quando terminar este livro, você terá adquirido muitos conhecimentos novos e
as habilidades e capacidades para aprender, o que será motivo de alegria e satisfação
para você e para todos que torcem pelo seu sucesso. Você estará alcançando grandes
conquistas e um direito que é de todos: o direito a uma educação de qualidade.
Bom trabalho!
Os autores

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Sumário

EIXO 1 – AS SOCIEDADES HUMANAS E O MEIO AMBIENTE

Capítulo 1 – Uma natureza inesgotável? 7


Capítulo 2 – Amazônia, berço das águas 16
Capítulo 3 – Nordeste, Nordestes 32
Capítulo 4 – Água, fonte da vida 42
Capítulo 5 – Calculando o consumo de água 54
Capítulo 6 – A roda da vida 63
Capítulo 7 – A natureza na boca do povo 73
Capítulo 8 – Mapeando os ambientes 84

EIXO 2 – DA PRODUÇÃO AO CONSUMO

Capítulo 1 – A formação das sociedades de consumo 94


Capítulo 2 – Anunciar é preciso! 104
Capítulo 3 – Outro modo de produzir e consumir 110
Capítulo 4 – Trabalho, consumo e saúde 120
Capítulo 5 – Quanto custa? 129
Capítulo 6 – Para garantir os direitos do consumidor 138
Capítulo 7 – De olho nas embalagens 146
Capítulo 8 – Comprar, vender, pagar, receber 159

EIXO 3 – PARTICIPAÇÃO POLÍTICA

Capítulo 1 – O que é ser cidadão? 170


Capítulo 2 – Ditadura e democracia no Brasil 180
Capítulo 3 – A importância da participação política 193
Capítulo 4 – Lição de cidadania 205

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Capítulo 5 – Saúde para todos 215
Capítulo 6 – Para discutir política: literatura! 226
Capítulo 7 – Desenvolvimento social no Brasil 234
Capítulo 8 – Política: palavras e imagens 250

EIXO 4 – MUNDO DO TRABALHO

Capítulo 1 – Os desafios do mundo do trabalho 264


Capítulo 2 – Lutas sociais e conquistas trabalhistas no Brasil 275
Capítulo 3 – O trabalho no campo no Brasil 286
Capítulo 4 – Três séculos de luta 296
Capítulo 5 – Acidentes e doenças do trabalho 307
Capítulo 6 – Textos do mundo do trabalho 317
Capítulo 7 – Calculando salários, descontos e benefícios 328
Capítulo 8 – Trabalho: arte e poesia 337

EIXO 5 – DIREITOS HUMANOS

Capítulo 1 – O direito à vida 348


Capítulo 2 – O direito à educação 359
Capítulo 3 – O direito à igualdade étnico-racial 368
Capítulo 4 – O direito à liberdade de expressão 377
Capítulo 5 – Espaços públicos para todos 387
Capítulo 6 – Escrever e exigir direitos 392

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eixo 1
capítulo 1
Uma natureza inesgotável?

eM roda
Os recursos que a natureza nos oferece são fundamentais para a sobrevivência do ser
humano. Precisamos de água, alimentos, fontes de energia e matérias-primas para sobre-
viver. Utilizamos muitos dos recursos naturais para construir a sociedade em que vivemos
e garantir a nossa sobrevivência. Mas será que existe o GLOSSÁRIO
risco de esses recursos acabarem? Estamos destruindo- Matéria-prima: bem natural ou
-os? Ou estamos conseguindo fazer com que se renovem? resultante de cultivo que serve a
processos produtivos para gerar
Com os colegas, responda a essas questões, basean- produtos acabados. Exemplos: o
do-se no que você já conhece sobre o assunto (o qual leu pau-brasil, usado na fabricação de
tintas; o minério de ferro, usado na
em jornais e revistas, ouviu no rádio ou assistiu em progra- fabricação de aço.
mas de televisão).

Para ler docuMento HistÓrico


Quando os portugueses iniciaram o processo de conquista do Brasil, em 1500, logo
começaram a explorar seus recursos naturais. Primeiro, extraíram o pau-brasil – madeira
utilizada na fabricação de uma tinta que na Europa era usada para tingir tecidos. No litoral,
entre o Rio Grande do Norte e o Rio de Janeiro, existiam mi-
O pastor francês Jean de
lhões de exemplares dessa árvore tropical. Estima-se que, nos
Léry (1534-1611) veio ao Brasil
primeiros cem anos da colonização portuguesa, cerca de dois para pregar o Evangelho,
milhões de pau-brasil tenham sido cortados. Atualmente, o com uma expedição que
pretendia formar um núcleo
pau-brasil é uma das espécies em risco de extinção no Brasil.
de colonização francesa.
Sobre isso, leia o diálogo que ocorreu em 1557 entre o Em 1578, publicou um relato
pastor francês Jean de Léry e um índio Tupinambá. Após a sobre essa viagem, que
chamou de Narrativa de uma
leitura, pesquise e registre as palavras desconhecidas.
viagem feita à terra do Brasil.
Em geral, os nossos Tupinambá ficam bem admirados ao
ver os franceses e os outros dos países longínquos terem tanto trabalho para buscar o seu
arabotã, isto é, pau‑brasil. Houve uma vez um ancião da tribo que me fez esta pergunta:
“Por que vindes, vós outros, mairs e perós (franceses e portugueses), buscar lenha
de tão longe para vos aquecer? Não tendes madeira em vossa terra?”.
Respondi que tínhamos muita, mas não daquela qualidade, e que não a
queimávamos, como ele o supunha, mas dela extraíamos tinta para tingir, tal qual o
faziam eles com seus cordões de algodão e suas plumas.

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Retrucou o velho imediatamente: “E porventura precisais de muito?”.
“Sim”, respondi‑lhe (procurando sempre fazer‑me entender), “pois no nosso
país existem negociantes que possuem mais panos, facas, tesouros, espelhos e outras
mercadorias do que podeis imaginar e um só deles compra todo o pau‑brasil, com que
muitos navios voltam carregados”.
“Ah!”, retrucou o selvagem, “tu me contas maravilhas”, acrescentando depois de
bem compreender o que lhe dissera: “Mas esse homem tão rico de que me falas não
morre?”
“Sim”, disse eu, “morre como os outros”. Mas os selvagens

Fabio Colombini
são grandes conversadores e costumam ir, em qualquer
assunto, até o fim, por isso perguntou‑me de novo: “E quando
morre, para quem fica o que deixa?”
“Para seus filhos, se os tem”, respondi, “na falta destes,
para os irmãos ou parentes mais próximos”.
“Na verdade”, continuou o velho, que como vereis não era
nenhum tolo, “agora vejo que vós outros mairs sois grandes
loucos, pois atravessais o mar e sofreis grandes incômodos,
como dizeis quando aqui chegais, e trabalhais tanto para
amontoar riquezas para vossos filhos ou para aqueles que
vos sobrevivem! Não será a terra que vos nutria suficiente
para alimentá‑los também? Temos pais, mães e filhos a quem
amamos; mas estamos certos de que, depois de nossa morte,
a terra que nos nutriu também os nutrirá, por isso não nos
preocupamos e descansamos sem maiores cuidados!”.
Pau-brasil. Jardim Botânico,Rio
ALVES FILHO, Ivan. Brasil, 500 anos em documentos.
de Janeiro (RJ), 2010.
Rio de Janeiro: Mauad, 1999.

1. Ao ler um texto, muitas vezes, você poderá encontrar palavras que não conhece ou
não tem certeza do seu significado. Nesse caso, você pode observar os trechos ante-
riores e posteriores à palavra desconhecida para descobrir um possível significado ou
pode verificar se o próprio texto já traz uma definição dela. Releia o trecho:
Em geral, os nossos Tupinambá ficam bem admirados ao ver os franceses e os outros
dos países longínquos terem tanto trabalho para buscar o seu arabotã, isto é, pau-brasil.

a) O que significa longínquo? Você já ouviu ou falou essa palavra no seu dia a dia?

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b) A palavra longínquo lembra a você alguma outra palavra? Se não conseguir lem-
brar, escreva “longínquo” no caderno, apague as últimas quatro letras e tente
associar com uma palavra que usamos no nosso cotidiano. As duas palavras têm
a mesma origem e, por isso, são escritas de forma parecida.
c) O que significa arabotã? Como você chegou a essa conclusão?

2. Segundo Jean de Léry, qual seria a finalidade do comércio do pau-brasil?

3. De acordo com o texto, por que o índio Tupinambá estranhava o comércio de pau-brasil
realizado pelos europeus?

4. Em sua opinião, a visão do índio Tupinambá e a do europeu são diferentes em relação


ao uso dos recursos naturais?

5. Conte o número de parágrafos existentes no texto. Em qual deles o ancião Tupinambá


mostra estranhamento em relação ao esforço dos estrangeiros para acumular riquezas?

GLOSSÁRIO
Parágrafo: unidade menor que compõe os textos em prosa, identificado graficamente por um ligeiro
afastamento de sua primeira linha em relação à margem esquerda da folha. Possui diferentes extensões:
parágrafo longo (composto por várias linhas) e parágrafo curto.

FLORESTA EM RISCO
O alvo dos europeus não foi apenas a exploração do pau-brasil. A cana-de-açúcar tam-
bém foi explorada. Depois de 1500, os primeiros engenhos de cana começaram a ser
instalados no litoral nordestino. Neles, era fabricado o açúcar que seria vendido na Europa.

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Cerca de dois séculos após a chegada dos portu-

Rogério Reis/Pulsar Imagens


gueses ao Brasil, além da cana-de-açúcar, outras ativi-
dades econômicas contribuíram para devastar a Mata
Atlântica. Entre elas, estão a exploração do ouro em
Minas Gerais e, mais tarde, a cafeicultura em São Paulo
e no Rio de Janeiro. Além disso, desde o período colo-
nial, grandes áreas foram desmatadas para a criação
de gado. No que resultou tudo isso?
Conforme o historiador José Augusto Pádua, “a
floresta aparecia, aos olhos dos colonizadores [entre
Assim como a Mata Atlântica, a Floresta
1500 e 1822], como um oceano verde sem limites. Era Amazônica também está sendo ameaçada pelo
o mito da natureza inesgotável a favorecer o uso de mé- desmatamento. Na fotografia, a floresta na região
todos descuidados [...] de produção rural”. do Amapá, 2012.

Para ler teXto eXPositivo


Leia agora o texto do historiador Warren Dean sobre a Mata Atlântica no século XIX.

Instrumentos da devastação
GLOSSÁRIO

A queimada da floresta para plantar cafezais foi uma Fardo: aquilo que é difícil, duro de
suportar.
das principais causas da devastação da Mata Atlântica no
Rotação: revezamento de terras de
século XIX. O comércio do café estimulou o crescimento cultivo.
da população, a urbanização, a industrialização e a Voracidade: característica daquele
que devora, capacidade de
implantação de ferrovias. [...] consumir, destruir.
A população humana da região sudeste da Mata
Atlântica multiplicou‑se no século XIX. Contando cerca
de um milhão de pessoas em 1808, atingiu 6,4 milhões
Acervo Iconographia

em 1890. [...] Dada a voracidade da técnica tradicional


de agricultura, a alimentação dos moradores da Mata
Atlântica constituía um pesado fardo sobre ela [...].
Não se introduziu a rotação [de culturas agrícolas];
ao contrário, uma única cultura era explorada até
minguar. Não se tentou também adubar a terra. Quando,
após uma série de plantios e abandonos, um campo não
mais rebrotava como floresta secundária e gerava apenas No século XIX, a cidade do
capim, [...] era abandonado ao pastoreio. [...] Rio de Janeiro era uma grande
consumidora de lenha e carvão,
A cidade [do Rio de Janeiro] era também grande comércio que contribuiu para a
consumidora de lenha e carvão. Vendedores de lenha e devastação da Mata Atlântica. Na
fabricantes de carvão normalmente compravam os lotes fotografia, a Rua do Ouvidor, no
Rio de Janeiro (RJ), 1862
que limpavam. [...]

10 Eixo 1

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Havia também um ativo comércio atacadista de madeira. [...] Um observador
relatou que, em 1888, quinhentos carroções de madeira eram vendidos diariamente
no Rio de Janeiro [...], mais de 270 mil toneladas por ano. [...] Em 1882, eram 173 as
padarias do Rio de Janeiro, bem como trinta as torrefações de café e 36 as refinarias de
açúcar. Ainda uma cidade não industrial, o Rio de Janeiro, ao contrário, importava da
Inglaterra a maioria de suas manufaturas.
Na metade dos anos 1840, porém, a imposição de uma certa proteção [à indústria
nacional] favoreceu o surgimento de muitas fabriquetas, no setor de construção naval,
mobiliário, têxteis, couro, papel, metalurgia, materiais de construção, sabão e velas,
lo entre outros. Sessenta ferrarias e fundições, em 1882, consumiam grande parte das 12
gião mil toneladas de carvão importadas anualmente GLOSSÁRIO

pela cidade. [...] Manguezais: comunidades vegetais e de


fauna costeiras, situadas em zonas de maré,
A madeira dos manguezais era a preferida recebendo tanto a água salgada do mar como
para diversos objetivos, principalmente para a água dos rios que ali desembocam. São
espécies de árvores e arbustos adaptadas a
alimentar caldeiras; queimava lentamente e não solos encharcados, lodosos, com alto teor de
sal e pouco arejados, mas ricos em matéria
deixava resíduos. orgânica. Algumas árvores têm raízes aéreas.
DEAN, Warren. A ferro e fogo: a história e a devastação da Mata Vivem nesses ambientes espécies de algas,
caranguejos e moluscos. O termo “mangue”
Atlântica brasileira. 1. ed. São Paulo:
denomina as espécies vegetais que aparecem
Companhia das Letras, 2004.(Fragmento). no manguezal.
1. Qual é o tema principal tratado no texto?

2. Numere os parágrafos do texto. Depois, indique em quais deles são tratados os se-
guintes assuntos:

a) A rotação de terras para o plantio:


b) O consumo de madeira na cidade do Rio de Janeiro:
c) A Mata Atlântica começou a ser desmatada para a produção de alimentos para a
cidade do Rio de Janeiro:
3. Faça uma lista das causas, descritas pelo historiador, que levaram ao aumento da
devastação da Mata Atlântica no século XIX.

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4. Complete as frases com base nas informações do texto:
a) Quando as áreas de não mais rebrotavam, eram
abandonadas ao .
b) A cidade do Rio de Janeiro consumia muito
e . O surgimento de muitas
também provocou o aumento do consumo de .
5. A população da região sudeste da Mata Atlântica se multiplicou em pouco mais de
cem anos. De 1808 a 1890, de quanto foi o aumento dessa população?

6. Em 1888, quinhentos carroções de madeira eram vendidos diariamente no Rio de Ja-


neiro, mais de 270 mil toneladas por ano. Escreva apenas a quantidade de madeira
vendida por ano.

Para ler MaPa

Este mapa do Brasil mostra a área original da Mata Atlântica e o que restou dela hoje.
Conforme a legenda, a área verde-clara mostra a distribuição original da floresta, isto é, a
floresta que existia antigamente. A área verde-escura do mapa indica as áreas restantes de
Mata Atlântica. Analise o mapa e as informações do quadro e responda às questões a seguir.

atlas dos remanescentes


Ilustração digital: Conexão Editorial

florestais da Mata atlântica

GLOSSÁRIO

Remanescente:
o que resta.

Cobertura original de Mata Atlântica N


0 155 310 km
Remanescentes da Mata Atlântica
O L

Fonte: SOS Mata Atlântica. Disponível em: <http://mapas.sosma.org.br>. Acesso


em: 31 jan. 2012.

12 Eixo 1

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1. O título do mapa informa ao leitor o assunto principal nele representado. Que outro
título você daria a esse mapa? Por quê?

2. Com a ajuda do professor, consulte um mapa do Brasil com a divisão em estados e regiões.
a) Anote, em seu caderno, as regiões brasileiras e os estados que compõem cada uma.
b) Comparando os dois mapas, identifique os estados em que havia a presença da
Mata Atlântica originalmente.

c) Observe se a Mata Atlântica estava presente originalmente no estado em que


você nasceu.

3. Analisando o mapa, é possível afirmar que a área ocupada pela Mata Atlântica aumen-
tou ou diminuiu ao longo do tempo? Justifique sua resposta.

4. Em quais regiões houve maior devastação dessa mata?

5. Em quais partes do Brasil estão as maiores áreas que restaram da Mata Atlântica?

Mata Atlântica
A Mata Atlântica é patrimônio nacional e também mundial, já que abriga uma
grande diversidade de formas de vida. Sua conservação é de grande importância
também para a sobrevivência do ser humano. Mais de 100 milhões de habitantes das
cidades brasileiras são abastecidos por águas que dependem da floresta, pois ela ajuda
a proteger as nascentes dos rios.

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A mata assegura também a fertilidade do solo e protege as encostas das serras,
evitando desmoronamentos. Preservar a Mata Atlântica significa garantir abrigo a mais
de 20 mil espécies de plantas – muitas delas com grande potencial para uso medicinal.
Além disso, ela abriga cerca de 270 espécies de mamíferos e 992 espécies de aves, boa
parte ameaçada de extinção.
Fonte: <http://www.sosma.org.br/nossa-causa/a-mata-atlantica/>. Acesso em: 8 fev. 2013.

Pensando sobre a língua


Algumas palavras da nossa língua são formadas ao se juntar duas ou mais palavras.
Observe:

matéria-­prima aguardente pau-­brasil


cana-­de-­açúcar passatempo mico-­leão-­dourado

1. Observe o significado das palavras e sua relação com as partes. Por exemplo, aguarden-
te é formada por água + ardente. O que essas duas palavras têm a ver com o significa-
do de “aguardente”, que é uma bebida alcoólica? Por que foram escolhidas justamente
essas duas palavras? Discuta com os colegas a formação desta e das demais palavras.

2. No seu caderno, separe as palavras em duas colunas:


a) Na primeira, escreva as palavras que são escritas juntas, sem divisão nenhuma.
b) Na outra, escreva as palavras que são escritas separadas, mas ligadas por um
traço chamado hífen (-).
3. Pesquise em jornais, revistas, placas ou outros suportes. mais palavras formadas
dessa maneira. Traga sua pesquisa para a classe e veja se você e a turma sabem
o que significam. Consulte o dicionário para buscar o significado daquelas que são
desconhecidas.

Para ler anúncio publicitário


Podem-se criar anúncios publicitários não apenas para vender produtos, mas tam-
bém para divulgar uma ideia, por exemplo. Eles também são chamados de institucionais
quando a intenção é criar uma imagem favorável de algo ou de uma instituição (empresa,
entidade ou órgão do governo). O objetivo dos anúncios também é alterar o cotidiano das
pessoas, propondo que pensem em certos assuntos. Assim, é comum encontrar, nas ruas,

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em jornais e revistas, na televisão, anúncios que envolvem questões sociais, como a po-
luição, a prevenção de doenças, os acidentes de trânsito etc.
Geralmente, esses anúncios publicitários não visam ao lucro financeiro e são promo-
vidos por grupos, associações ou organizações que lutam por causas sociais.
Leia o anúncio publicitário ao lado e, depois,
discuta-o em grupo.

Fundação S.O.S Mata Atlântica


1. O que mais chamou sua atenção nesse anúncio?
2. Na bandeira do Brasil, o que representa o verde?
3. O que está faltando na bandeira? Por que ela
não está completa?
4. Em sua opinião, quem está tirando o verde da
nossa terra?
5. As imagens ajudam na divulgação da ideia de
preservar a natureza? Como?
6. O anúncio foi elaborado para provocar que reação nos leitores?
7. Procure em jornais e revistas outros exemplos de anúncios publicitários institucionais
relativos ao meio ambiente. Leve-os para a sala de aula e discuta qual é considerado
mais bem elaborado e por quê.
Com a ajuda dos colegas, monte um mural na escola. Não se esqueça de redigir le-
gendas sobre cada exemplo de anúncio publicitário, informando a instituição respon-
sável por ele, onde foi publicado e em que data.

Escrevendo anúncio publicitário


Agora que você já estudou sobre a Mata Atlântica e sua destruição progressiva, e tam-
bém sobre os anúncios publicitários institucionais, convidamos você a criar um anúncio
em grupo. Lembre-se de que ele deve causar impacto nos leitores, ou seja, deve levá-
los a refletir sobre a destruição do meio ambiente, e até ajudá-los a mudar de atitude.
Dependendo da realidade do local onde você mora, a agressão ao ambiente pode se dar
de diferentes formas: poluição dos rios, lixo jogado em local inadequado, casas constru-
ídas em locais de matas, que deveriam ser preservadas. Discuta com os colegas qual
será o foco do anúncio.
Crie um texto curto; muitas vezes, basta uma só frase que fale sobre a destruição da
natureza. É importante também usar imagens que levem a pensar no assunto. Você pode
fotografar os locais da comunidade onde há agressão ao meio ambiente.
Quando os anúncios estiverem prontos, discuta os resultados com a turma. Depois,
eles podem ser expostos na escola ou reproduzidos e expostos em locais públicos da
comunidade, numa campanha de conscientização.

4o e 5o anos 15

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eixo 1

capítulo 2
Amazônia, berço das águas

eM roda
Um viajante que já tenha percorrido o Brasil certamente não deixou GLOSSÁRIO
de reparar que há uma grande variedade natural no país. São serras e Caudaloso:
que possui
planaltos, florestas tropicais e cerrados, rios caudalosos e outros que grande corrente
secam em um período do ano. A temperatura e a umidade podem estar ou fluxo.
Abundante.
elevadas em muitos pontos da Amazônia, e também pode nevar em
algumas cidades gaúchas e catarinenses, na região Sul.
O Brasil está entre os países com a maior diversidade natural do mundo. É o lugar
onde se encontra, por exemplo, a maior variedade de flores e de espécies de macacos
em todo o planeta. Você sabia que no Pantanal está a maior concentração de espécies
de aves do mundo?
Converse com seus colegas: Como se explica tamanha diversidade natural? Como
essa diversidade está distribuída no território brasileiro? Como a sociedade nacional uti-
liza o seu rico patrimônio natural?

Para Ler fotoGrafia


Observe as imagens reproduzidas a seguir. Elas mostram diferentes conjuntos natu-
rais encontrados no nosso país.
Ricardo Azoury / Pulsar Imagens

Artur Keunecke / Pulsar Imagens

Mata de igapó nas margens do Chapada dos Guimarães (MT), 2010


Rio Negro, Barcelos (AM), 2011

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Sofia Colombini
Rogério Reis
Manguezal na Ilha do Cardoso, Cananeia (SP), 2012 Paisagem de caatinga no Sertão
Nordestino, Quixadá (CE), 2012

GLOSSÁRIO
Você já esteve em um lugar que tivesse Bioma: associação mais ou menos homogênea de
algum desses conjuntos naturais? Onde? plantas e animais em equilíbrio entre si e com o
meio físico (clima, relevo, rios etc.); pode envolver
O que você vê em cada uma das imagens? grandes extensões, ligadas às faixas de latitude e aos
Converse com seus colegas sobre isso. tipos climáticos. Por exemplo, as florestas tropicais
(próximas da faixa equatorial) ou a tundra (em
Esses conjuntos naturais são também
altas latitudes, vizinhas aos polos) conferem a cada
chamados de biomas. bioma semelhança na fisionomia da vegetação.

eM aÇÃo

1. Compare as imagens e responda: Você percebeu diferenças entre os conjuntos natu-


rais apresentados? Quais são elas?

2. Em que regiões do país esses conjuntos naturais estão localizados? Consulte o


mapa do Brasil político (com a divisão das regiões, estados e suas capitais), se for
necessário.

4o e 5o anos 17

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3. Em sua opinião, quais são os conjuntos naturais influenciados por clima seco? E
quais deles estão associados a clima mais úmido? Registre sua opinião.

4. Observe atentamente os detalhes das vegetações que aparecem nas imagens:

Fabio Colombini
Fabio Colombini

Cajueiro, Porto de Galinhas, Ipojuca (PE), s.d. Chapéu-de-couro. Parque Nacional da Chapada
dos Veadeiros, Alto Paraíso de Goías (GO), 2010.
Fabio Colombini
Mauricio Simonetti / Pulsar Imagens

Mangue-branco, Ilha do Cardoso, Cananeia (SP), 2012 Detalhe da Caatinga, Jatobá (PE), 2012

18 Eixo 1

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• Como são as folhas que compõem as plantas em cada um dos conjuntos naturais
apresentados? Existem diferenças e semelhanças entre as folhas que aparecem na
vegetação onde o clima é seco e onde o clima é úmido? Qual é a principal diferença
que pode ser percebida por meio das imagens? E quais são as semelhanças?

5. Descreva alguns aspectos naturais do lugar onde você mora. Anote o que for possível
observar sobre como são as plantas, o solo, a presença de água, entre outros. Discu-
ta com os colegas para verificar a percepção de cada um sobre os aspectos naturais
do seu entorno, em que concordam ou discordam etc.

Para pesquisar
Em grupo e com a ajuda do professor, pesquisem, na biblioteca ou na internet, livros
escolares, atlas geográficos e vídeos que informem a localização dos grandes conjuntos
naturais do Brasil – biomas –, ou seja, em que regiões do nosso país eles são encontra-
dos. Cada grupo ficará responsável por um dos biomas. Cada um desses conjuntos se
caracteriza por sua relativa homogeneidade, ou seja, não apresenta grandes diferenças na
distribuição de plantas e animais, tipos de solo, formas do relevo ou variações do clima
(temperaturas, quantidade de chuvas, ventos etc.).
Pesquisem informações sobre os seguintes aspectos do bioma escolhido: (1) plantas tí-
picas; (2) animais; (3) tipos de solo; (4) formas do relevo e (5) clima. Anotem as informações
de modo organizado, pois elas serão usadas na produção de fichas técnicas sobre os biomas.

Escrevendo ficha técnica


As fichas técnicas podem conter diversos assuntos sobre animais, plantas, carros,
entre outros. Veja os dois exemplos, um já preenchido e outro a ser preenchido:

4o e 5o anos 19

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FICHA TÉCNICA – FORMIGA-GIGANTE

Nome popular: formiga-gigante

Nome científico: Dinoponera lucida


Fábio colombini

Hábitat: Espírito Santo, sul da Bahia e poucas áreas


de Minas Gerais
Alimentação: pequenos animais mortos ou moribundos, como
caracóis, rãs, insetos.
Reprodução: a fêmea reprodutora não é uma rainha, mas uma
operária que disputa com outras operárias do seu ninho a
chance de ser a fêmea reprodutora.
Curiosidade: as formigas-gigantes operárias não têm asas.
Fonte de pesquisa: CAMPIOLO, Sofia; PEIXOTO, Amanda Vieira.
Formiga Atta s.p. Uma formiga e tanto. Ciência Hoje das Crianças. Rio de Janeiro,
ed. 181, p. 13-16, jul. 2007.

FICHA TÉCNICA – CERRADO


Thomaz Vita Neto/Pulsar Imagens

Características:

Clima:

Relevo:

Localização no Brasil:

Vegetação:

Flora:

Fauna:

Paisagem do cerrado. Pirenópolis Fontes de pesquisa:


(GO), 2012

A turma se dividirá em grupos para produzir uma ficha técnica sobre um dos biomas
brasileiros. A ficha técnica serve como fonte de consulta rápida sobre variados assuntos.
Por isso, traz apenas informações básicas e escritas de forma resumida. Em geral, apre-
senta uma imagem. As fichas técnicas que a turma produzir podem ficar disponíveis na
biblioteca para que qualquer pessoa interessada possa consultá-las.
Observe que, nas fichas técnicas, há um título, que indica o assunto tratado. Os itens
sobre os quais a ficha traz informações estão destacados: as letras estão em negrito ou
com fonte diferente. Também há divisão em blocos de informação. Para que sua ficha
fique bem organizada, discuta com seu grupo:
• que fotografia será usada;
• como as informações serão resumidas, para caber na ficha.

20 Eixo 1

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Para registrar a localização dos principais biomas brasileiros, use como referência o
nome das grandes regiões e dos estados.

escrevendo textos

Vimos que existem grandes diferenças entre a vegetação dos conjuntos naturais.
Você teve também a possibilidade de observar que o tamanho das folhas da vegetação
dos diferentes ambientes varia, mas que, de modo geral, todas apresentam a cor verde.
Para ampliar esse trabalho, pesquise em livros de Ciências a respeito das principais fun-
ções das folhas, que são a fotossíntese, a transpiração e a respiração. Após a pesquisa,
reúna-se com seu grupo e, com a orientação do professor, compare o material pesquisa-
do. Procure relacionar as diferenças entre as folhas e as características dos ambientes
em que elas aparecem. Em seguida, elabore um texto abordando as funções das folhas
nos vegetais, utilizando imagens para ilustrá-lo.
Apresente o texto para a classe e escute com atenção a apresentação dos textos dos
outros grupos.

AMAZÔNIA, pÁTRIA dAS ÁGUAS

Para Ler Prosa Poética


A área conhecida como Amazônia ocupa quase a metade do território brasileiro. A sua
diversidade natural é impressionante.
O texto a seguir, escrito pelo poeta amazonense Thiago de Mello, fala sobre essa
região. Nascido em Barreirinha (AM), em 1926, Thiago de Mello estudou em Manaus e
no Rio de Janeiro. Trocou a medicina pela poesia, passando a escrever poemas e tex-
tos em prosa. Tornou-se notável pela sua luta em defesa dos direitos humanos e pela
preservação da Floresta Amazônica. O texto a seguir foi escrito em prosa, na década de
1950. Um texto em prosa é diferente de um poema, que GLOSSÁRIO
é escrito em versos. Ele descreve de forma bela e poética Prosa: texto escrito até o final da
os segredos da Amazônia. Acompanhe a leitura a ser feita linha, diferente do poema, que é
escrito em versos. Texto escrito
pelo professor. normalmente em parágrafos.

A fundação da pátria da água GLOSSÁRIO


Bojo: parte saliente e
Da altura extrema da cordilheira, onde as neves são arredondada que se destaca.
Cordilheira: grande cadeia
eternas, a água se desprende e traça um risco trêmulo
de montanhas com altitudes
na pele antiga da pedra: o Amazonas acaba de nascer. A variáveis, como a dos Andes, na
América do Sul.
cada instante ele nasce. Descende devagar, sinuosa luz,
para crescer no chão. Varando verdes, inventa seu caminho e se acrescenta. Águas
subterrâneas afloram para abraçar-se com a água que desceu dos Andes. Do bojo das

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nuvens alvíssimas, tangidas pelo vento, desce a água celeste. Reunidas, elas avançam,
multiplicadas em infinitos caminhos, banhando a imensa planície cortada pela linha do
Equador. Planície que ocupa a vigésima parte da superfície GLOSSÁRIO
deste lugar chamado Terra, onde moramos. Verde universo Alvíssimo: (de alvo) que significa
“muito branco”; claro.
equatorial, que abrange nove países da América Latina e
Atordoante: que causa
ocupa quase a metade do chão brasileiro. Aqui está a maior perturbação ou tontura.
reserva mundial de água doce, ramificado em milhares Compacto: que tem partes
bastante unidas entre si; denso.
de caminhos de água, mágico labirinto que de si mesmo Planície: terreno mais ou menos
se recria incessante, atravessando milhões de quilômetros plano ou pouco acidentado,
que pode aparecer em altitudes
quadrados de território verde... variadas.
“É a Amazônia, Tangido: tocado; atingido.

A pátria da água.”
É a Grande Amazônia, toda ela no trópico úmido, com a sua floresta compacta e
atordoante [...] Intocada e desconhecida em muito de sua extensão e de sua verdade, a
Amazônia ainda está sendo descoberta.
MELLO, Thiago de. Amazonas: pátria da água.
São Paulo: Gaia/Boccatto, 2007. (Fragmento).

1. O texto menciona o nascimento de um rio. Que rio é esse?

2. O texto se refere à Cordilheira dos Andes, uma cadeia de montanhas que fica na Amé-
rica Latina, onde nasce o rio Amazonas. Com a ajuda do professor, localize em um
mapa da América Latina a área onde nasce o rio, o seu percurso e onde ele desem-
boca. Faça um traço nesse percurso no mapa.
3. No início do texto, Thiago de Mello diz, sobre o rio, que “a cada instante ele nasce”.
Em sua opinião, o que ele quis dizer com essa afirmação?

4. O que é o “verde universo equatorial” mencionado no texto?

5. O poeta fala que a Amazônia está no “trópico úmido”. Nos climas tropicais, como o de
boa parte do Brasil, uma das características principais é a temperatura elevada. Você
conhece mais uma característica de áreas desse tipo?

22 Eixo 1

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6. Na época em que o texto foi escrito, há mais de sessenta anos, a Floresta Amazônica
era “intocada”. O que isso significa?

7. Observe as imagens a seguir e responda: nos dias de hoje ainda é possível dizer que
a Floresta Amazônica continua “intocada”? Justifique sua resposta.

Delfim Martins
Edson Sato / Pulsar Imagens

Desmatamento de mata ciliar amazônica, à beira Estrada vicinal, Caracaraí (AM), 2012
do rio Tapajós (MT), (2012)

Mapa do desmatamento

Maps World

Fonte: IBGE

4o e 5o anos 23

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Pensando sobre a língua
Na descrição da Amazônia feita por Thiago de Mello, há trechos bonitos, como “Águas
subterrâneas afloram para abraçar-se com a água que desceu dos Andes”. Em vez de di-
zer da maneira mais comum, “Águas subterrâneas afloram para juntar-se com a água que
desceu dos Andes”, o autor preferiu uma expressão diferente, que aproximasse as águas
dos seres humanos, que se abraçam, se enlaçam.
1. Releia o trecho a seguir:
“Da altura extrema da cordilheira, onde as neves são eternas, a água se desprende e
traça um risco trêmulo na pele antiga da pedra: o Amazonas acaba de nascer.”
Em dupla, lembrando o tema do texto, procurem explicar:
a) O que são “neves eternas”?

b) O que é “um risco trêmulo”?

c) O que é a “pele antiga da pedra”?

2. O que deixaria o texto mais poético, mais emocionante: as explicações que você deu
ou as palavras usadas pelo poeta? Por quê?

3. O texto traz, diversas vezes, palavras que retomam outras, como ele, ela, seu, sua. Re-
leia os trechos a seguir com atenção e diga a que se referem as palavras destacadas.
Se for preciso, releia todo o texto e ligue com uma seta as palavras.

a) “Da altura extrema da cordilheira, onde as neves são eternas, a água se despren-
de e traça um risco trêmulo na pele antiga da pedra: o Amazonas acaba de nascer.
A cada instante ele nasce. Descende devagar, sinuosa luz, para crescer no chão.
Varando verdes, inventa seu caminho e se acrescenta.”

b) “Do bojo das nuvens alvíssimas, tangidas pelo vento, desce a água celeste. Reu-
nidas, elas avançam, multiplicadas em infinitos caminhos, banhando a imensa
planície cortada pela linha do Equador.”

24 Eixo 1

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Para ler texto expositivo
Um texto expositivo traz informações, ideias e discussões sobre um determinado
assunto. Com um colega, leia o texto a seguir e registre as ideias que você considera as
mais importantes.

Rogério Reis / Pulsar Imagens


Amazônia
A Amazônia brasileira abrange
os estados do Amazonas, Pará,
Amapá, Rondônia, Acre e parte
de Roraima, Tocantins, o norte de
Mato Grosso e oeste do Maranhão.
Sua extensão é de mais de 3 mi-
lhões de quilômetros quadrados
(km2). Ela se situa em uma grande
faixa ao norte do Brasil.
As fotos que costumamos ver
da Amazônia quase sempre desta-
A manutenção de rios e mata da Floresta Amazônica
cam uma vastidão de terras cober- significa o equilíbrio da região. Parque Nacional de
tas por florestas. Mas a Amazônia Anavilhanas, no Rio Negro, Manaus (AM), 2011.
também é formada por cerrados,
campos e mangues (nas áreas litorâneas). A floresta possui grande variedade
interna, tanto em tamanho como na diversidade de espécies, conforme o ponto
onde se localizam, em terra firme ou áreas inundáveis – os igapós. Assim, seria
mais apropriado falar em “Florestas Amazônicas”.
Ao contrário do que muitos imaginam, em geral os solos da região são pobres
e, muitas vezes, arenosos. As várzeas dos rios são, em regra, os terrenos mais
férteis. Na maior parte da região, entretanto, pode-se dizer que a fertilidade do
solo depende da própria floresta e da fauna. Cada folha, tronco caído ou animal
morto tem sua importância. Com as altas temperaturas e a forte umidade, eles
se decompõem rapidamente e devolvem ao solo os nutrientes necessários para
manter a vegetação.
Se a floresta for retirada, as fortes chuvas rapidamente retiram e carregam
esses nutrientes. Esse problema é comum em áreas onde a mata foi retirada
para dar lugar a pastagens, campos de cultivo ou áreas de exploração mineral.
A Amazônia está situada na faixa equatorial do globo terrestre, sujeita a forte
radiação solar e chuvas intensas. Parte dessa água ganha a atmosfera a partir da
evaporação da água retida nas copas das árvores e da transpiração das plantas.
As fortes chuvas se devem também à evaporação das águas dos rios e do mar.
Esses motivos explicam por que é tão importante manter as coberturas vegetais:
o desmatamento da região pode provocar perda de umidade, empobrecer os so-
los e mudar o clima local.

4o e 5o anos 25

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1. Qual é o tema geral tratado no texto?

2. Faça a correspondência entre os parágrafos do texto e o assunto tratado em cada um


deles.
a) 1o parágrafo ( ) chuvas na Amazônia
b) 2o parágrafo ( ) localização e extensão da região
c) 3o parágrafo ( ) fertilidade dos solos
d) 4o parágrafo ( ) variedade de ambientes na Amazônia
e) 5o parágrafo ( ) riscos à proteção dos solos
3. Com um colega, procure no dicionário o significado de palavras que você ainda não
conhece.
4. Com base no texto, responda: Qual é a relação entre as chuvas, o solo e a floresta?
Escreva uma frase que exponha essa relação.

5. Observe o esquema abaixo. Ele mostra alguns processos descritos no texto. Crie
um título para ele na linha a seguir. Depois, complete as lacunas das frases com as
palavras que você selecionar do banco de palavras da página seguinte. Nesse banco,
há vários pares de palavras, sendo uma delas bem específica, que serve melhor aos
esquemas científicos, e outra mais geral.

Ilustração digital: Luis Moura


a) Restos de plantas, como folhas e troncos,
caem no . d

b) Pequenos organismos, como fungos e bacté-


rias, ajudam na desses
restos.
b
c) Os nutrientes serão a a

pelas raízes das plantas.

d) As copas das protegem c

o da ação das águas


das chuvas e das enxurradas.

26 Eixo 1

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chão – solo decomposição – destruição

absorvidos – sugados plantas – árvores solo – chão

6. Releia o texto e localize no mapa do Brasil os estados que fazem parte da Amazônia.
Anote o nome dos estados da Amazônia e suas siglas.

Em grupos
Vimos no esquema anterior que os fungos e as
bactérias ajudam na decomposição dos restos de plan- Algum tempo atrás, muitos
moradores das margens dos rios
tas. Assim, eles obtêm os alimentos de que precisam da Amazônia começaram a ter
para viver. uma nova doença. Os médicos
Leia, em dupla, ao lado um boxe sobre a doença perceberam que essas pessoas
tinham muito mercúrio acumulado
que está atingindo os moradores da Amazônia. Procure no organismo. O mercúrio é
explicar, com seu colega de dupla, a ocorrência dessa usado no garimpo, para ajudar
doença. Para chegar a essa explicação, lembrem que no processo de purificação do
ouro, que é extraído na região.
cada ser vivo se alimenta de outros seres vivos, vege- Depois de utilizado no garimpo,
tais ou animais. o mercúrio é jogado nos rios e no
Compare a explicação de sua dupla com as explica- solo. Essa forma de garimpo de
ouro causa muita poluição, porque
ções das outras duplas. Procure chegar a conclusões o mercúrio se acumula no ambiente
comuns com os colegas e o professor. de diversas formas, inclusive em
peixes e outros animais silvestres,
que bebem a água dos rios.

HOMENS E NATUREZA NA AMAZÔNIA

Para ler fotografia


Por ser uma área de grande extensão territorial e com rica diversidade natural, a
Amazônia corre muitos riscos. Vários grupos e setores econômicos exploram a região de
maneira indevida, comprometendo o equilíbrio dos ambientes. Se esse processo destru-
tivo não parar, espécies de peixes, plantas e animais podem desaparecer, e muitas delas
ainda não são bem conhecidas. As imagens a seguir mostram diferentes atividades ex-
ploratórias na região. Observe-as.

4o e 5o anos 27

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Ricardo Azoury/Pulsar Imagens

Carlos Secchin/Opção Brasil Imagens


1 2 3

Rogerio Reis/Tyba
Rio Tapajós (MT), 2012 Calçoene (AP), 2012
Ana Mokarzel / Pulsar Imagens

Fabio Colombini
4 5

Xapuri (AC), 2012 Vigia (PA), 2012 Parque do Xingu (MT), 2011

1. Associe corretamente os textos às fotos.


a) ( ) Foto 1 O desmatamento para pastos e culturas agrícolas compromete os
solos que, sem a floresta, tornam­-se mais pobres.
b) ( ) Foto 2 Seringueiros e coletores de castanha-do-pará exploram a floresta, no
entanto, eles a mantêm praticamente sem alterações.
c) ( ) Foto 3 A Amazônia abriga inúmeros povos indígenas, sociedades que tradi-
cionalmente vivem de pesca, caça, coleta de frutos e pequenas roças.
d) ( ) Foto 4 As comunidades ribeirinhas vivem às margens dos rios e igarapés,
onde pescam e plantam pequenas roças.
e) ( ) Foto 5 O subsolo da Amazônia é rico em minerais, como ferro e alumínio. Os
garimpos e as indústrias extrativas comprometem os solos e os rios.
2. Em sua opinião, quais transformações essas atividades provocam nos diferentes am-
bientes da Amazônia?

28 Eixo 1

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3. A partir do que você já viu sobre a Amazônia, responda: Quais das ações humanas
apresentadas trazem efeitos negativos para a floresta e os ambientes da região?
Quais seriam esses efeitos?

4. Quais seriam as atividades e os usos da floresta e dos rios que não provocam gran-
des alterações na Amazônia? Justifique sua resposta.

A natureza pede socorro

Em roda
O ser humano depende da natureza e, muitas vezes, demonstra desconhecimento
acerca das consequências que as agressões a ela acarretarão para as futuras gerações.
Vivemos em um planeta no qual a natureza é constantemente agredida das mais diferen-
tes maneiras: lixo, poluição, desmatamento, incêndios criminosos são alguns exemplos.
Ambientalistas, repórteres, estudantes, membros de organizações não governamen-
tais lutam pela preservação do meio ambiente e pela conscientização das pessoas sobre
os danos que estão sendo causados ao nosso planeta. Vários artistas representam em
suas obras a indignação e a revolta que sentem pela inconsequência daqueles que igno-
ram as relações que devem se estabelecer entre ser humano e meio ambiente. Essa é
a maneira que o artista plástico Frans Krajcberg encontrou para manifestar seu repúdio
pelas queimadas e desmatamentos desmedidos.
Comente com seus colegas e seu professor se você já viu uma escultura. Onde? Na
cidade, na praça, em um parque, na entrada de um banco, em uma avenida? Qual era
o seu tamanho? Foi possível reconhecer o material com o qual foi produzida: ferro, aço,
mármore, pedra-sabão, argila, resina, arame, madeira?

Para apreciar escultura


A escultura é uma expressão das Artes Visuais. Diferentemente da pintura, que conta
com duas dimensões (largura e altura) e, por isso, é chamada de bidimensional, essa expres-
são possui três dimensões (largura, altura e profundidade) e é chamada de tridimensional. Es-
sas três dimensões conferem à escultura um elemento que se chama volume. A apreciação
de uma escultura nos permite observar todos os seus lados ao caminharmos ao seu redor.

4o e 5o anos 29

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Observe a reprodução da escultura de Frans Krajcberg a seguir.

Frans Krajcberg

Cipós da Amazônia,
1989. Cipós
extraídos de
queimadas em
Mato Grosso.

Em roda

1. Que impressão lhe causa essa escultura? Descreva o que sente com apenas uma palavra.
2. Para apreciar essa obra, se estivéssemos nesse local, poderíamos observá-la de to-
dos os lados? Na sua opinião, dependendo da posição em que estivesse ao redor da
escultura, você poderia apreciá-la de formas diferentes?
3. Que material foi utilizado nessa obra? O artista usou alguma cor para pintar a obra?
O que representam essas cores para você?
4. Essa escultura foi fotografada pelo artista. Que local é esse? Essas linhas curvas
causam alguma impressão? Qual? Que nome você daria a essa escultura?

30 Eixo 1

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Para Ler nota BioGrÁfica
Frans Krajcberg nasceu na Polônia, em uma cidade chamada Kozienice em 1921. Es-
cultor, pintor, gravador, fotógrafo, ele estudou engenharia e artes em Leningrado. Perdeu
os pais, o irmão e demais parentes em um campo de concentração na Segunda Guerra
Mundial (1939-1945). Veio para o Brasil em 1948 e, em 1951, participou da 1a Bienal de
São Paulo expondo duas pinturas. Para pintar, isolou-se nas florestas do Paraná. Naturali-
zou-se brasileiro e, a partir de 1958, passou a dividir seu tempo com trabalhos na França
e no Brasil.
Em 1972, Frans passou a residir em Nova Viçosa, no litoral sul da Bahia. Sua casa
foi construída sobre um tronco de pequi com 2,60 m de diâmetro, que o artista trouxe
de muito longe. É uma casa de madeira que fica a sete metros GLOSSÁRIO
do chão. Para chegar até o alto, uma escada circunda o tronco. Diâmetro: linha que
É nesse local que Frans cria suas esculturas e coleta a matéria- passa pelo centro de
uma circunferência
prima de suas obras: raízes, cipós e caules de palmeiras, troncos ou de um círculo; em
queimados ou abandonados no fundo dos rios. A defesa ao meio geometria, é chamada
corda.
ambiente é a marca de suas obras.

Para criar ProduÇÃo artística


Agora que você já conhece como Frans Krajcberg representa em suas obras o repúdio
pela devastação ao meio ambiente, propomos que, tomando como ponto de partida a
obra desse artista, você colete materiais descartados na natureza para criar a sua escul-
tura e também colaborar para que as pessoas reflitam sobre sua relação com o meio am-
biente. Exponha a sua produção em local combinado com o professor. Aprecie a produção
dos colegas e observe os materiais coletados e reunidos nas esculturas.

Para desenhar
No texto sobre o artista, leia as características da casa onde ele mora e desenhe
como você imagina que ela seja. Desenhe também os arredores e pinte com as cores de
sua preferência. Se desejar, use as técnicas que o artista utilizava, aproveitando mate-
riais retirados da natureza.
Depois de prontos os desenhos, o professor vai mostrar fotografias da casa de Krajc-
berg para que vocês possam apreciar a interpretação que fizeram.
Participe de uma exposição programada por você, seus colegas e o professor.

4o e 5o anos 31

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Eixo 1

capítulo 3
Nordeste, Nordestes

EM roda
Rios com leito seco, céu azul e sem nuvens, solos rachados, populações da zona rural
fugindo das fortes secas. Essas são algumas imagens, muito comuns, do Nordeste bra-
sileiro. Mas será que a região se resume a isso? Existe apenas um Nordeste ou existem
vários Nordestes? Converse com os colegas sobre essas questões. Procure descobrir o
que sabem e como veem essa região brasileira.

Para lEr MaPa E FotograFia


Observe o mapa e as fotos a seguir. Eles mostram a localização do Nordeste brasilei-
ro e diferentes aspectos da natureza encontrados nessa região do país.

Fabio Colombini
Maps World

Praia do Espelho, Porto Seguro


(BA), 2012

Fabio Colombini

Riacho seco, Cabaceira (PB), 2012


João Prudente / Pulsar Imagens

Fonte: Atlas Geográfico Escolar,IBGE, 2009.

Planalto de Borborema, Santa


Luzia (PB), 2011

32 Eixo 1

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Com um colega e com a ajuda do professor, responda:
1. Em seu caderno, faça o que se pede a seguir.
a) Descreva o que você vê nas fotos. Registre detalhes da vegetação, do solo, do
relevo, dos rios.
b) Registre as principais diferenças entre os conjuntos naturais apresentados. Quais
são elas?
2. Observe o mapa da região Nordeste. Anote a seguir o nome dos estados nordestinos
e a sigla correspondente. Veja o exemplo:

Rio Grande do Norte – RN,

3. De acordo com o mapa do Nordeste, quais são os conjuntos naturais da região?

4. Desses conjuntos, qual é o mais extenso? Em quais estados nordestinos ele aparece?

5. Das sub-regiões nordestinas, qual é a mais castigada pelas secas?

6. A partir do que você viu nas fotos e no mapa, responda: Existe diversidade de ambien-
tes naturais na região Nordeste? Justifique sua resposta.

Para lEr PoEMa

Os trechos a seguir são do poema Morte e vida severina, de autoria de João Cabral
de Melo Neto. O poema foi escrito em 1954, para ser encenado, ou seja, como um texto
de teatro. Ele trata da viagem de um retirante pernambucano – Severino –, que foge da
seca no sertão em direção ao litoral, sempre acompanhando o curso do rio Capibaribe.

4o e 5o anos 33

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Ele passa por sub-regiões presentes na maioria dos estados do Nordeste: Sertão, Agreste
e Zona da Mata.
Como o poema é longo, selecionamos dois trechos. No início de cada um, o autor dá
informações sobre a cena narrada. Primeiro, leia-os em voz baixa. Depois o professor vai
ler em voz alta. Fique atento para a beleza dos versos, o ritmo e as rimas.
Trecho 1 Trecho 2
O RETIRANTE TEM MEDO DE SE CHEGANDO AO RECIFE O
EXTRAVIAR PORQUE SEU GUIA, O RETIRANTE SENTA-­SE PARA
RIO CAPIBARIBE, CORTOU COM O DESCANSAR AO PÉ DE UM
VERSO MURO ALTO E CAIADO E
OUVE, SEM SER NOTADO, A
... Pensei que seguindo o rio CONVERSA DE DOIS COVEIROS
eu jamais me perderia:
ele é o caminho mais certo, – Eu também, antigamente,
de todos o melhor guia. fui do subúrbio dos indigentes,
Mas como segui-lo agora e uma coisa notei
que interrompeu a descida? que jamais entenderei:
Vejo que o Capibaribe, essa gente do Sertão
como os rios lá de cima, que desce para o litoral, sem razão,
é tão pobre que nem sempre fica vivendo no meio da lama,
pode cumprir sua sina comendo os siris que apanha
e no verão também corta, pois bem: quando sua morte chega,
com pernas que não caminham. temos que enterrá­-los em terra seca.
[...] [...]
MELO NETO, João Cabral de. Morte e vida severina: e outros poemas em voz alta.
Rio de Janeiro: Alfaguara, 2007. (Fragmentos).
Leo Caldas / Pulsar Imagens

Mapa do Estado de Pernambuco


Maps World

Fonte: ATLAS Geográfico Escolar. 5 ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2009.

Vista aérea do Rio


Capibaribe e do centro da
cidade de Recife (PE), 2013

34 Eixo 1

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1. Em que região o trecho 1 se passa? Como você chegou a essa conclusão?

2. E a cena do trecho 2, onde acontece? Justifique sua resposta.

3. O trecho 1 traz a angústia do retirante Severino, que vem seguindo o rio Capibaribe.
Ele apresenta uma consequência da falta de chuva, que afeta o rio. Qual é ela?

4. Já o trecho 2 fala da vida dos retirantes ao chegarem ao litoral. Como vivem essas
pessoas, segundo esse trecho?

5. Observe o título do poema – Morte e vida severina. Por que você acha que o autor deu
esse título à obra? O que ele tem a ver com a realidade mostrada nos trechos?

Em grupos
Agora, convidamos você a fazer uma dramatização de trechos desse poema. Uma dra-
matização é como uma peça de teatro simplificada. O ideal é que todos leiam o poema
inteiro para escolher a parte de que a turma mais gostou e dramatizá-la.
• É preciso ler em voz alta, com expressividade, e ao mesmo tempo fazer movimentos,
gestos, imitações, que tenham relação com o que está sendo lido.
• Pode-se colocar música de fundo, usar roupas e cenários que ajudem na dramatiza-
ção. Mas todos os elementos – cenário, figurino, trilha sonora – devem ser adequa-
dos à interpretação que vocês darão ao texto.
Com a ajuda do professor, organize a sala em grupos. Cada grupo ficará responsável
por dramatizar um trecho do poema. Para isso é necessário:
• organizar os grupos para discutir que movimentos, músicas e acessórios são ade-
quados para a dramatização do trecho escolhido;
• ensaiar para observar os detalhes antes da apresentação.
Depois de ensaiar a dramatização, faça com seus colegas uma apresentação para
a turma. A dramatização pode ser feita também para outras classes da escola.

4o e 5o anos 35

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O SERTÃO NORDESTINO

Em roda
Existem vários Nordestes, tanto nos aspectos naturais quanto econômicos e sociais.
Há uma grande variedade de ambientes, com diferentes condições de umidade, chuvas,
altitude, tipos de plantas e animais etc. A faixa oeste do Maranhão é mais parecida com
a Amazônia, com florestas úmidas. Na Zona da Mata, distribuía-se originalmente a Mata
Tropical Atlântica, hoje bastante devastada. Mas talvez a imagem mais conhecida entre
os brasileiros, além de suas belas praias e extensos litorais, é a do Sertão Nordestino.
O que você sabe sobre essa sub-região? Há alguém da turma que tenha nascido lá? Con-
verse com os colegas sobre ela.

Para ler poema de cordel


O poema a seguir foi escrito por Antônio Gonçalves da Silva, o grande poeta popular
nordestino conhecido como Patativa do Assaré. Nascido em 1909, em Assaré (CE), Pa-
tativa frequentou a escola por apenas quatro meses, mas passou a vida inteira “lidando
com as letras”, como ele dizia. Era agricultor, mas também leitor de livros de autores
brasileiros importantes, como José de Alencar e Machado de Assis.
Em livros e discos, cantou em versos a vida e os ideais do sertanejo, assim como as
injustiças que sofria. Não esqueceu as cidades, a caatinga, os pássaros, a fartura após
a chuva. Acompanhe a leitura que será feita pelo professor.

Dois quadros
Na seca inclemente do nosso Nordeste,
O sol é mais quente e o céu mais azul
E o povo se achando sem pão e sem veste,
Viaja à procura das terras do Sul.
[...]
Porém, quando chove, tudo é riso e festa,
O campo e a floresta prometem fartura,
Escutam-se as notas agudas e graves
do canto das aves louvando a natura.
[...]
Patativa do Assaré. Cante lá, que eu canto cá:
filosofia de um trovador nordestino.
Rio de Janeiro: Vozes, 1978. (Fragmento).

1. O poema conta um fato muito frequente para as pessoas que vivem no Sertão Nor-
destino. Que fato é esse?

36 Eixo 1

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2. Para entender melhor o poema, pense em algumas palavras, como inclemente. Ela é
formada de in + clemente. Se in significa “negação, não”, e clemente significa “aque-
le que tem misericórdia, clemência”, o que quer dizer inclemente? O que significa,
então, seca inclemente?

3. O poema cita animais e vegetação da região. Converse com os colegas e o professor


e procure identificar quais são eles. Se necessário, pesquise outras fontes, como
dicionários, enciclopédias, internet, livros e revistas.
4. Localize em um mapa da região Nordeste a cidade natal do poeta.
5. Observe o título do poema. Por que, em sua opinião, o autor criou esse título?

6. Observe agora as fotos a seguir:


Mauricio Simonetti / Pulsar Imagens
Cesar Diniz / Pulsar Imagens

Leito do rio Cabeça da Vaca, Teofilândia (BA), 2012 Casas no Sertão baiano, Anagé (BA) 2012.

a) O que mostram as fotos apresentadas?

4o e 5o anos 37

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b) Em sua opinião, elas reforçam ou negam o que dizem os versos de Patativa do
Assaré? Explique sua resposta para a turma.

Para ler texto expositivo


O texto a seguir traz informações sobre o Sertão Nordestino. Acompanhe a leitura
junto com o professor. Procure identificar o tema geral e os assuntos tratados.

O Sertão Nordestino
A maior parte do Nordeste corresponde a uma área conhecida como Sertão
Nordestino. Grande parte dessa sub-região é recoberta pela caatinga. Essa ve-
getação aparece em quase todos os estados da região, como Ceará, Rio Grande
do Norte e na maior parte de Pernambuco, Paraíba, Alagoas, Sergipe e no interior
da Bahia. O norte de Minas Gerais também tem características semelhantes às
demais áreas do Sertão Nordestino.
A caatinga é formada por árvores baixas, arbustos e cactos, resistentes à
seca. Nesse período, as plantas perdem as folhas. Isso é uma adaptação à
falta de água, pois elas transpiram pelas folhas e perdem água. Sem as folhas,
a perda de água é mínima. Mas para conhecer de verdade a caatinga é preciso
percorrê-la em dois momentos: nas secas e após as chuvas. No período das chu-
vas, a paisagem verde torna a caatinga tão diferente que fica difícil reconhecê-la.
Vários rios que atravessam o Sertão Nordestino apresentam grande variação
do volume de água nas secas e nas chuvas. São os chamados rios temporários,
como é o Jaguaribe, no Ceará. O São Francisco e o Parnaíba são dois rios perma-
nentes. Embora não sequem, a sua quantidade de água fica reduzida no período
seco. Há muitos anos, os governos estudam formas de levar a água do São Fran-
cisco para as regiões mais secas, mas isso sempre é motivo de muita discórdia.
Muitos brasileiros imaginam que o Sertão Nordestino é uma área onde não
chove ou chove pouco. Mas isso não é correto. Poucas regiões desse tipo, chama-
das de semiáridas, recebem a quantidade de chuvas que cai no Nordeste. O que
ocorre é que as chuvas se concentram em três meses do ano.
O sertanejo já sabe que a cada cinco ou seis anos as chuvas ficam mais ir-
regulares. Outro fator é a elevada evaporação por causa da forte insolação que
ocorre ali. Já se sabe também que a descida de ar seco sobre a região é uma das
causas do clima seco.
Mesmo assim, os sertanejos aprenderam há muito tempo a conviver com as
secas. É a região semiárida mais populosa do mundo, com mais de 25 milhões

38 Eixo 1

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de pessoas. Muitos são agricultores que plantam no período das chuvas ou ar-
mazenam a água das chuvas em cisternas.
As cisternas são tanques construídos ao lado das casas das famílias. Elas
podem guardar água em quantidade suficiente para uma família de sete pessoas
beber, cozinhar e tomar banho por até oito meses. Nos últimos anos, centenas
de comunidades construíram esses reservatórios. Com isso, consomem água de
boa qualidade, evitando as doenças.

Joel Silva/ Folhapress


Mauricio Simonetti / Pulsar Imagens

Em 2012, o Sertão Nordestino viveu um longo Caatinga verde no período de chuvas no estado do
período de seca, que se estendeu por mais de um Rio Grande do Norte, 2012
ano. Na imagem, um agricultor observa o gado
beber água em um açude quase seco na zona
rural de Paranatama (PE)

Com um colega, responda às questões.


1. Qual é o tema geral tratado no texto?

2. A partir do que você já sabe sobre o Sertão Nordestino, crie um novo título para o
texto, que dê mais informações sobre essa região.

3. A turma vai indicar as palavras desconhecidas no texto para elaborar um glossário,


que é uma lista de palavras desconhecidas com seus significados. Cada dupla deve
escrever o que significa uma palavra da lista. O glossário será registrado na lousa,
para que todos possam anotar.

4o e 5o anos 39

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4. Abaixo estão os assuntos tratados em cada parágrafo O sumário sempre está
do texto. Escreva esses assuntos na mesma ordem nas páginas iniciais dos livros
em que eles aparecem no texto. Em seguida, faça com e apresenta os assuntos na
sequência em que aparecem
esses assuntos um sumário do texto. no livro. Ele ajuda a pessoa a
• Os rios do Sertão Nordestino procurar cada assunto para
• A convivência dos sertanejos com a seca leitura e consultas.
• Características da caatinga
• Localização do Sertão Nordestino
• A distribuição das chuvas no Sertão Nordestino.

5. Associe as colunas, ligando o fato a uma explicação sobre o que ocorre no Nordeste.
a) Seca no Sertão Nordestino ( ) Diminui a perda de água
b) Rios temporários ( ) Período das chuvas
c) Paisagens verdejantes na caatinga ( ) Descida de ar seco
d) Plantas das caatingas perdem as folhas ( ) Período prolongado de seca
6. Em quais parágrafos do texto encontramos informações sobre:
a) o volume dos rios no Nordeste?

b) a chuva em algumas regiões do Nordeste?

c) a caatinga?

7. Que informações as imagens nos trazem sobre a seca na região Nordeste?

40 Eixo 1

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Para ler texto argumentativo
A seca e a cerca
Os maiores críticos dos programas de combate às secas no Nordeste costumam dizer
que o problema da região é a cerca, e não a seca. Entre os problemas estão a concentração de
terras e o uso de dinheiro público em benefício de apenas alguns fazendeiros e empresários.
Essa apropriação indevida dos recursos públicos ficou conhecida como “indústria da
seca”. Existe, de fato, o problema da seca no Sertão Nordestino, desde o Ceará até o norte
de Minas Gerais. Muitas obras de irrigação e combate às secas, como a construção de
açudes, vêm sendo construídas há mais de cem anos. Mas elas atenderam quase sempre
as fazendas dos “coronéis”, os grandes proprietários de terras do Sertão Nordestino.
OLIVA, Jaime T.; GIANSANTI, Roberto. Espaço e modernidade:
temas da Geografia do Brasil. São Paulo: Atual, 1999. (Fragmento).

1. O que significa a expressão “a seca e a cerca”?

2. Indique a seguir a frase que apresenta fatos, o que aconteceu, e a frase que apre-
senta opiniões, ou seja, o que os autores pensam dos fatos. Justifique sua resposta.

a) “Muitas obras de irrigação e combate às secas, como a construção de açudes,


vêm sendo construídas há mais de cem anos.”

b) “... o problema da região é a cerca, e não a seca.”

3. Qual é a opinião dos autores sobre a indústria da seca?

4o e 5o anos 41

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Eixo 1

Capítulo 4
Água, fonte da vida

EM RODA
A água está entre os recursos naturais indispensáveis à existência da vida. Isso vale
tanto para os seres humanos quanto para as demais formas de vida. Ao longo do tempo,
as sociedades humanas desenvolveram variadas formas de obtenção e uso da água. Veja
alguns exemplos nas imagens a seguir.

PARA LER fOTOGRAfIA

1. O que você observa em cada imagem? Descreva em detalhes para um colega o que
você viu.
Delfim Martins / Pulsar Imagens

Fabio Colombini / Sofia Colombini


Unidade de bombeamento Casa com cisterna, Pedro II (PI), 2012
e canal de irrigação do
Projeto Jaíba (MG), 2011

2. Compare as duas fotos e responda em qual situação:


a) a água que está sendo utilizada se encontra na superfície da Terra.

b) a água obtida vem da atmosfera.

3. Converse com seus colegas sobre as seguintes questões: Como a água chega até
a casa das pessoas? De onde ela vem? O que foi preciso construir para garantir o
abastecimento doméstico de água?

42 Eixo 1

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A ÁGUA NA TERRA

EM RODA
Nos últimos anos, os pesquisadores vêm alertando para a importância de economizar
água e de evitar desperdícios. Por que eles estão falando isso? Quanto existe de água
disponível no planeta? E no Brasil, existe água em abundância? Para começar a respon-
der a essas questões, observe o mapa a seguir.

PARA LER MAPA


Este é um mapa-múndi. Trata-se de uma representação da Terra, o planeta onde vive-
mos. Para que esse mapa fosse desenhado, foi preciso fazer cálculos para transformar
uma esfera – a Terra – em uma representação plana. Nela, podemos visualizar toda a
superfície do planeta.

Planisfério – Continentes e oceanos

Ilustração Digital: Maps World

Fonte: ATLAS Geográfico Escolar. 5 ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2009.

Em dupla e com a ajuda do professor, responda às questões.


1. O que são as áreas coloridas em azul?

2. O que são as áreas coloridas em marrom, verde e branco?

4o e 5o anos 43

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3. Consulte um atlas geográfico ou um mapa-múndi na escola e responda:
a) Onde se localiza o Brasil?

b) Que oceano banha o litoral brasileiro?

4. Observe o mapa-múndi novamente e compare as áreas cobertas por água e por terra.
Qual delas é maior?

5. Com base no mapa, é possível afirmar que há grande quantidade de água apropriada
para o consumo humano no mundo? Explique sua resposta para a turma.

Leia as informações no quadro a seguir. Com base nelas, responda às questões 6 e 7.

ÁGUAS E
Assim como ocorre com o nosso corpo, a Terra é formada de 70% de água. Os 30%
TERRAS NO
restantes da superfície do planeta são as terras emersas – os continentes.
MUNDO

ÁGUA PARA Apenas 2,5% da água disponível no mundo é doce. O restante é água salgada dos
oceanos, imprópria para beber ou irrigar lavouras. Desses 2,5% de água doce,
O CONSUMO
apenas uma pequena parte está pronta para o consumo; o restante está sob o solo,
HUMANO em geleiras ou na forma de neve, no alto das montanhas.

DISTRIBUIÇÃO A água é distribuída de modo irregular na superfície da Terra. Existem regiões


DA ÁGUA DOCE com fartura, como a maior parte do Brasil, e outras que sofrem com a falta desse
NA TERRA recurso, como os desertos africanos e do Oriente Médio.

O Brasil possui uma situação privilegiada quanto à presença de água. Cerca de 12%
A SITUAÇÃO da água doce do mundo está em nosso país. Mas a distribuição dessa água varia
DO BRASIL muito entre as regiões. Por exemplo, existe abundância na Amazônia e escassez em
pontos do Sertão Nordestino.

6. Reescreva as afirmações a seguir, corrigindo-as de acordo com as informações do


quadro, e destaque a que estiver correta:
• Existe água em abundância para o consumo humano em toda a Terra.

• A distribuição da água doce é bastante irregular no mundo.

44 Eixo 1

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• No mundo, apenas o Brasil tem grande quantidade de água doce.

7. Os brasileiros precisam se preocupar com a economia de água? Explique a resposta


de sua dupla para a turma.

PARA LER ESqUEMA


O esquema a seguir mostra, de modo simplificado, o caminho das águas na natureza.
Esse caminho forma um ciclo pelo qual as águas percorrem os ambientes.

Ilustração digital: Luis Moura


Nuvem

Chuva

Evaporação

Mar

Infiltração

Com um colega, responda às questões a seguir:


1. Descreva com suas palavras o movimento feito pelas águas.

2. De acordo com o esquema, como as nuvens se for- GLOSSÁRIO


mam? Qual elemento da natureza contribui para que a Atmosfera: camada de gases que
envolve a Terra.
água vá para as partes mais altas da atmosfera?

4o e 5o anos 45

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3. O que acontece com a água da chuva?

4. O que ocorre com as águas dos rios?

5. Observando o que acontece no lugar onde você mora, responda:


a) Quais obras criadas pelos homens impedem o pleno funcionamento do ciclo da
água?

b) O que pode ser feito para que esse problema seja GLOSSÁRIO

amenizado ou resolvido? Amenizado: aquilo que se tornou


suave, ameno.

6. Dê um título ao esquema, indicando ao leitor de que assunto ele trata.

PARA PESqUISAR
A água, assim como grande parte dos materiais presentes na natureza, pode se
apresentar em três estados físicos diferentes: sólido, líquido e gasoso. Dependendo da
temperatura e da pressão atmosférica no local onde estão, os materiais podem mudar
de estado físico.
Existem muitas situações do dia a dia nas quais acontecem mudanças de estado físi-
co da água – por exemplo, quando colocamos água no congelador e ela passa do estado
líquido para o estado sólido ou quando colocamos a roupa no varal e a água presente no
tecido passa do estado líquido para o estado de vapor, evaporando-se.
Pesquise o nome que é dado para cada uma das mudanças de fase sofridas pela
água e procure identificar essas mudanças em situações que você vive em casa ou em
seu trabalho. Elabore uma lista e apresente aos colegas de sala.

46 Eixo 1

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PARA LER CRÔNICA
Crônica é um texto que fala de situações do cotidiano, muitas vezes com um toque de
humor. A que você vai ler foi escrita pelo professor de Geografia Manoel Fernandes. Ela
fala da água de um jeito bem diferente. Acompanhe a leitura e divirta-se!

Agá dois ó
A água é uma coisa líquida que vive de passear. A gente pode às vezes até não
perceber, mas ela está em todos os lugares onde estamos. Às vezes é tão leve que se
mistura com o ar e forma nuvens de mar. Às vezes é pesada como uma montanha,
mas ainda assim brinca de flutuar sobre o oceano e fica lá, boiando, boiando, até se
desmanchar.
A água, já descobriram alguns cientistas, é o feminino de agá dois ó, sendo que sua
forma singular é conhecida como gota; no plural ela se pronuncia como um monte de
pingos que misturados podem formar um rio doce ou um mar salgado; depende do
gosto do freguês ou da onda da maré.
A água vive de mudar de estado: evapora hoje. Chove amanhã, na semana que vem
tá fria feito gelo, depois se derrete. Adora ficar indo e voltando, fazendo estripulia de
menina sapeca. Tem dias que gosta de ser aquela nuvem que encobre o sol, em outros
deseja descansar sobre a copa das árvores para pegar um bronze legal.
A água tem momentos de grande recolhimento, quando penetrando a terra se
esconde entre os espaços deixados pelos grãos de areia e fica ali quieta, depois aflora
em alguma fonte e aparece como um riachinho tranquilo, aí vai crescendo de tamanho
e só para quando tem que se abraçar com os braços do grande oceano.
A água não guarda nenhuma mágoa, não tem certos preconceitos e cabe em
qualquer lugar. Está no nosso corpo também numa cor que é vermelha por fazer parte
do sangue, mas prefere ser chamada de inodora, insípida e incolor. Suas três GLOSSÁRIO
Matiz: tom
propriedades mais propagadas e apagadas são fruto da sua timidez de aparecer de cor.
como uma das mais importantes substâncias da vida. Propagado:
transmitido,
A água adora circular pela terra, sobe de um jeito e já desce outra, e vive assim
disseminado.
de mudar as cores de sua roupa. Seu mais belo vestido é feito de sete matizes de
um mesmo colorido, uma grande lição de arco-íris para o mundo, onde o que mais
importa é poder propor aos homens uma aliança de amor em vez de potes de ouro.
Enredada em seus segredos, a água é mística, lava-nos de nossa tristeza quando
por vezes choramos. Em lágrimas vertidas a sua chama nos purifica, nos adormece o
sofrimento, nos ressuscita para a maravilhosa aventura da vida.
A água está sempre por aí circulando o planeta no seu louco automóvel – um tal de
ciclo hidrológico – evaporando gasosa, precipitando líquida ou sólida, parando no ar

4o e 5o anos 47

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pela intercepção, infiltrando, ressurgindo, escoando às vezes um tanto superficialmente,
e assim vai se remexendo toda e construindo o seu show natural – ou você nunca ouviu
o rock do teto molhado, com trovão na bateria e a chuva sobre as teclas do telhado?
A água está sofrendo de uma doença que parece incurável e [...] uma epidemia.
Suja e maltrapilha ela está a cada dia menos límpida, menos potável, menos leve, menos
sadia, menos corredia, menos viva no seu jeitão descontraído. Em algumas poças ela
estagnou como se houvesse sofrido uma paralisia; em certos lagos se tornou escura;
noutros ficou escassa e, pior ainda, parece que o grande problema advém do fato de
estar sendo envenenada.
O planeta Terra, visto de cima, lá do espaço, é uma enorme bola
azul feita de água. Muitos dizem que viemos do pó e ao pó voltaremos; GLOSSÁRIO
Fênix: ave que,
na verdade a vida inteira de todos os seres veio da água, nasceu nas segundo a
profundezas desse líquido maravilhoso. A nave azulada está à deriva, mitologia, após
viver séculos e
entre as bordas de duas calotas sofre os efeitos da grande estufa, e ameaça ser queimada,
inundar o mundo. Apesar de tudo, parece que ainda nos salvaremos, e renascia das
próprias cinzas.
como fênix, em vez de renascer das cinzas, haveremos de renascer... no
berço das águas.
SOUZA NETO, Manoel Fernandes de. Aula de geografia e algumas crônicas.
Campina Grande, PB: Bagagem, 2008. (Fragmento).

1. A crônica que você leu fala da água. Para representar os elementos naturais, como
chumbo, água, ferro e outros, são usados letras e números. A água é representada pela
fórmula H2O. Observe o título da crônica e diga o que ele tem a ver com a fórmula H2O.

2. Que outro título você daria para essa crônica? Por quê?

3. Em dupla, procure explicar oralmente:


a) Por que o autor falou em “potes de ouro” no 6o parágrafo, logo depois de ter falado
em “arco-íris”?
b) “Muitos dizem que viemos do pó e ao pó voltaremos”. Você já ouviu essa expres-
são? Em que local? Sabe onde ela surgiu?

48 Eixo 1

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4. A crônica “Agá dois ó” expõe características da água em cada parágrafo. Conte quan-
tos parágrafos tem a crônica. Indique os parágrafos em que cada aspecto da água é
abordado e complete a lista com esses assuntos. Siga o exemplo:

3o parágrafo Comenta as mudanças de estado da água.

Descreve o mau uso da água.

Associa a água com o surgimento da vida.

Descreve de forma poética o ciclo da água.

5. Que trechos da crônica estão relacionados ao esquema, visto anteriormente, sobre o


caminho das águas na natureza?

6. Qual seria a ideia principal dos parágrafos 1, 6 e 10?

7. O autor faz diversas comparações no texto. Nos trechos a seguir, identifique o que
está sendo comparado e qual a semelhança sugerida. Complete o quadro da página
seguinte como o exemplo.
a) O planeta Terra, visto de cima, lá do espaço, é uma enorme bola azul feita de água.
b) A nave azulada está à deriva [...]
c) [...] ou você nunca ouviu o rock do teto molhado [...]

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OBJETO DE COMPARAÇÃO 1 SEMELHANÇA(S) OBJETO DE COMPARAÇÃO 2
Cor azul
a) Planeta Terra Bola
Formato redondo
b)

c)

Pensando sobre a língua


Discuta em dupla:
• Há diferença entre falar um “rio limpo” e um “rio poluído”?
• Há diferença entre “água forte” e “água fraca”?
• Há diferença entre “água mineral” e “água doce”?
Quando se diz “água suja”, “água limpa” ou “água quente”, está se caracterizando a
água e mostrando suas qualidades positivas ou negativas. “Água suja” indica uma imper-
feição, enquanto “água limpa” aponta para uma qualidade positiva.
Em vários textos que lemos ou produzimos, utilizamos palavras para atribuir determi-
nadas características às pessoas, aos objetos, aos lugares etc. Essas palavras – como
suja, limpa, quente etc. – são chamadas de adjetivos.
1. Na crônica “Agá dois ó”, o autor Manoel Fernandes utiliza adjetivos ou expressões
para caracterizar a água, o planeta Terra e outros. Vejamos dois exemplos:
A água é uma coisa líquida que vive de passear.
O planeta Terra visto de cima, lá do espaço, é uma enorme bola azul feita de água.
a) Complete o quadro com os adjetivos e as expressões utilizados pelo autor na crô-
nica para caracterizar a água. Veja os exemplos:

CARACTERÍSTICAS
doce
imprópria para consumo

Água

50 Eixo 1

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b) Em sua opinião, por que o autor utilizou vários adjetivos e expressões para carac-
terizar a água?

2. Em dupla, observe a foto abaixo e procure descrever as pessoas, os objetos e os


lugares, utilizando adjetivos.

Fernando Favoretto/Criar Imagem


Crianças brincando em jardim, São Paulo (SP), 2010.

3. Em seguida, compare os adjetivos que você usou para fazer sua descrição com os
escolhidos por outras duplas. Houve diferenças? Quais? Por que você acha que houve
diferenças?

4o e 5o anos 51

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ÁGUA: SABENDO USAR, NÃO VAI FALTAR

Em roda
Para que usamos a água? Quais os destinos dela? Existem diferenças nos usos da
água entre as sociedades humanas? Quais usos causam danos e impactos? Essas per-
guntas surgem quando pensamos nos limites impostos ao uso da água. Converse com
seus colegas sobre essas questões.

Para ler gráfico


Distribuição do consumo de água
Observe no gráfico ao lado os diferentes usos da no mundo por tipos de uso
água. Esse tipo de gráfico é chamado de gráfico de se-

Ilustração digital: Planeta Terra design


Doméstico
tor ou diagrama de setor. Popularmente, é conhecido Industrial
como “gráfico de pizza”. O círculo representa o consu- 10% Agrícola
mo total de água. Cada fatia representa o consumo de
água por tipos de uso. 20%
Como já vimos, os gráficos representam informa- 70%
ções de forma simplificada e resumida por meio de
números, figuras geométricas, imagens e desenhos. Fonte: Unesco(<www.unesco.
org>) e Snatander(<http://

1. Qual é o tipo de uso que mais consome água no sustentabilidade.santander.com.


br>). Acesso em: 19 dez. 2012.

mundo? Em sua opinião, por que isso acontece?

2. Quais são os outros tipos de uso representados no gráfico?

3. Além dos usos demonstrados no gráfico, você conhece outros? Cite pelo menos dois.

4. O quadro a seguir mostra alguns usos da água. Assinale aqueles em que efetivamen-
te a água é gasta ou perdida ao ser usada.

Limpeza de praças Abastecimento Indústria de produtos


Usinas hidrelétricas (  )
e ruas (  ) de escolas (  ) alimentícios (  )
Despejo de esgoto
Tratamento do gado (  ) Banho (  ) Navegação (  )
doméstico no rio (  )

52 Eixo 1

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5. Agora, responda: Há muito gasto de água quando ela é usada como via de transporte
ou para gerar energia? Quais consequências esses usos podem trazer?

Para pesquisar
O consumo de água no Brasil é muito semelhante ao que acontece no mundo inteiro:
a maior parte da água disponível vai para as atividades agropecuárias, para irrigar as cultu-
ras agrícolas e para o consumo dos animais. No uso doméstico, a água serve para beber,
preparar alimentos, para a higiene pessoal, para a limpeza da moradia, entre outros usos.
Mas já se sabe que a maior parte do consumo de água nas residências ocorre no banheiro,
especialmente na hora do banho. Existem também os casos em que calçadas e automó-
veis são lavados com esguichos (mangueiras), gastando uma enorme quantidade de água.
Reúna-se com seu grupo para pesquisar “dicas” sobre o uso adequado da água. Leia
o roteiro a seguir:
m.

1. Coletem dicas para economizar água e para evitar desperdícios e ações que compro-
metam a qualidade da água.
2. Lembrem-se de que não são apenas os indivíduos e as famílias que podem economi-
zar água. Pesquisem e anotem outras instituições que também devem se responsa-
bilizar pelo uso adequado da água. Entre elas estão, por exemplo, as empresas e o
poder público.

Produzindo vinheta educativa


Agora, vocês vão divulgar os resultados da pesquisa, na comunidade, com as dicas
para economizar água e evitar desperdício. Organizem os resultados e preparem vinhetas
educativas para rádio. As vinhetas são textos curtos, gravados e transmitidos via rádio –
da comunidade, da escola – ou pelo sistema de som da escola. As vinhetas podem ter
um fundo musical e podem terminar sempre com a mesma frase.
Lembrem-se de que os ouvintes não terão texto escrito para acompanhar. Por isso,
as vinhetas devem ser lidas de forma clara, depois de muitos ensaios. As frases devem
ser curtas, como: “Não escove os dentes com a torneira aberta”. Testem as vinhetas
lendo-as em voz alta para pessoas que não as escreveram. Elas poderão verificar se as
vinhetas são chamativas e se é possível entendê-las. Reescrevam até chegarem ao me-
lhor texto. Para gravar, estejam em um local silencioso. Usem o equipamento que estiver
disponível: celular, computador, gravador.

4o e 5o anos 53

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Eixo 1

Capítulo 5
Calculando o consumo de água

EM RODA
Visto do espaço, o nosso planeta bem que poderia se chamar “Água”. Com algumas
“ilhas” de terra firme, cerca de dois terços da superfície da Terra são ocupados pelas
águas dos oceanos. Para ter uma ideia da proporção entre a quantidade de terra e de água
em nosso planeta, você vai fazer um desenho. Para isso, siga as instruções:
1. Com uma régua, desenhe uma barra de 12 cm por 3 cm. Em seguida, divida a barra
em três partes iguais. Cada uma das partes corresponde a um terço ou à terça parte
da barra toda.

Um terço é o mesmo que a terça parte.

2. Providencie lápis azul e marrom. Ao lado da barra, faça uma legenda usando a cor azul
para indicar água e a cor marrom para indicar terra. Pinte dois terços da barra de azul
e o terço restante de marrom. Considere que a barra desenhada representa todo o
planeta Terra. No quadro, pode-se observar que dois terços do planeta são ocupados
por água e um terço, por terra.
3. Águas públicas são aquelas que precisam de tratamento e de transporte. Essas águas
abastecem as cidades, e é preciso pagar pelo seu uso. Veja, no quadro a seguir, como
é feita a distribuição das águas públicas em uma cidade:

um quarto um quarto um quarto um quarto

A barra toda é formada por quatro quartos.


fins domésticos fins comerciais fins industriais

Um quarto é o mesmo que a quarta parte.

4. Analisando o quadro que mostra a distribuição das águas públicas, vemos que dois
quartos são usados para fins domésticos, um quarto para fins comerciais e um quarto
para fins industriais.
5. Observe, neste outro quadro, a relação que existe entre dois quartos e metade:
um quarto um quarto um quarto um quarto
metade metade
A barra toda é formada por quatro quartos ou por duas metades.

54 Eixo 1

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CONSUMO DE ÁGUA NO BRASIL E NO MUNDO

EM AÇÃO
Escolha um colega para fazer esta atividade com você.
1. No dia a dia, é comum fazermos cálculos envolvendo metade, terça parte, quarta parte e
assim por diante. Nos problemas a seguir, são apresentadas algumas dessas situações:

Um reservatório, que Para nos mantermos hidratados, é Aproximadamente um terço


pode conter até 1 000 recomendável beber dois litros de da água consumida por uma
litros de água, está água por dia. Entretanto, a maioria família pequena é resultado de
com a metade de sua das pessoas bebe apenas um desperdício. Se uma família de
capacidade. Quantos quarto dessa quantidade. Calcule a três pessoas consome 300 litros
litros de água há no quantidade de água que a maioria de água por dia, quantos litros
reservatório? das pessoas bebe diariamente. ela pode estar desperdiçando?

2. Em dupla, pense em como solucionar cada problema. Lembre-se: fazer desenhos


pode ajudar na solução. Anote as soluções para apresentar na sala de aula.

3. Escreva uma situação-problema envolvendo metade, terça parte ou quarta parte. Tro-
que o problema elaborado com outra dupla. Resolva-o e apresente a solução para
quem o elaborou.

4. O consumo de água por pessoa varia de país para país e de região para região. Veja
alguns exemplos no quadro a seguir.

PAÍS CONSUMO DIÁRIO DE ÁGUA POR PESSOA


Escócia 410 litros
Estados Unidos 300 litros
Austrália 270 litros
Fonte: IX Encontro Nacional da Ecoeco, Brasília (DF), out. 2011. Disponível em:
<http://www.ecoeco.org.br/conteudo/publicacoes/encontros/ix_en/GT6-350-248-
20110620232427.pdf>. Acesso em: 10 maio 2013

a) Qual é o país que consome diariamente mais litros de água por pessoa?

4o e 5o anos 55

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b) Qual é a diferença entre o consumo diário de água de uma pessoa que vive nos
Estados Unidos e o de uma pessoa que vive na Escócia?

c) Quantos litros de água uma pessoa que vive na Austrália economiza por dia em
relação a uma pessoa que vive na Escócia?

5. Observe a quantidade aproximada de água consumida, por pessoa, em alguns esta-


dos do Brasil.

ESTADO CONSUMO DIÁRIO DE ÁGUA POR PESSOA


Distrito Federal 225 litros
Minas Gerais 124 litros
Rio de Janeiro 140 litros
Fonte: IX Encontro Nacional da Ecoeco, Brasília (DF), out. 2011. Disponível em:
<http://www.ecoeco.org.br/conteudo/publicacoes/encontros/ix_en/GT6-350-248-
20110620232427.pdf>. Acesso em: 10 maio 2013

a) Quem gasta menor quantidade de água: uma pessoa que vive em Minas Gerais ou
uma pessoa que vive no Distrito Federal?

b) Compare as informações sobre o consumo diário de água na Escócia, nos Esta-


dos Unidos e na Austrália com as informações referentes a lugares do Brasil. O
que se pode concluir? Converse com seu colega sobre essa questão e depois
expressem oralmente a opinião da dupla para a classe.
Vamos estudar um pouco mais sobre o consumo de água. Para tanto, você vai apren-
der algumas “dicas” de cálculo mental em situações de multiplicação. No decorrer das
atividades, procure analisar e compreender cada estratégia apresentada. Ao resolver os
cálculos, explique para a classe como você e seu par pensaram para chegar ao resultado
e ouça as explicações de outras duplas. Trocando ideias com seus colegas, certamente
você descobrirá diferentes maneiras de calcular.
6. Observe as estratégias usadas nos cálculos a seguir

1 × 40 = 40 1 × 400 = 400
1×4=4
10 × 4 = 40 100 × 4 = 400
3 × 20 = 60 3 × 200 = 600
3×2=6
30 × 2 = 60 300 × 2 = 600

56 Eixo 1

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Agora é com você. Encontre o resultado de cada um dos cálculos abaixo e explique,
no caderno, como você fez para obter cada um deles.

4×2= 3×5= 6×9=


4 × 20 = 3 × 50 = 60 × 9 =
4 × 200 = 30 × 5 = 6 × 90 =
40 × 2 = 3 × 50 = 600 × 9 =
400 × 2 = 3 × 500 = 6 × 900 =

7. Veja diferentes estratégias para calcular 4 x 40:

4 × 10 = 40 2 × 40 = 80 4 × 4 = 16
4 × 10 = 40 2 × 40 = 80
4 × 10 = 40
4 × 10 = 40
40 + 40 + 40 + 40 = 160 80 + 80 = 160 16 × 10 = 160

Utilize essas estratégias para fazer estes cálculos no caderno:

2 × 20 = 3 × 70 = 6 × 300 = 4 × 80 =
8. Observe as estratégias para calcular 3 x 12:

3 × 10 = 30 3 × 6 = 18
3×2=6 3 × 6 = 18
30 + 6 = 36 18 + 18 = 36
Complete, no caderno, os resultados a seguir utilizando essas estratégias:
2 × 14 = 3 × 16 = 4 × 22 = 5 × 32 =

9. Aplique as estratégias que você aprendeu nas atividades anteriores para calcular:
3 × 132 = 4 × 126 = 6 × 159 = 5 × 324 =

Participe da atividade de correção organizada pelo professor. Cada dupla deverá expli-
car a estratégia que usou para fazer os cálculos. Compare as estratégias das outras
duplas com as suas.
10. Retome as informações apresentadas na atividade 5 e calcule:
a) Quantos litros de água consome, por semana, uma pessoa que vive no Distrito Fede-
ral, uma pessoa que vive em Minas Gerais e uma pessoa que vive no Rio de Janeiro.

4o e 5o anos 57

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b) Em litros de água, a economia feita, em uma semana, por uma pessoa que vive
em Minas Gerais em relação a uma pessoa que vive no Distrito Federal.

c) A economia mensal, em litros de água, feita por uma pessoa que vive no Distrito
Federal em relação a uma pessoa que vive no Rio de Janeiro.

CALCULANDO O CONSUMO DOMÉSTICO DE ÁGUA

Em roda
Em relação à água, os brasileiros são privilegiados. O nosso país tem a maior reserva
de água doce do planeta, porém a distribuição não é feita de modo uniforme, ou seja, há
diferenças entre as regiões quanto à disponibilidade de água. Além disso, a ação humana
tem sido bastante negativa no sentido de poluir nossas reservas de água. Quase todo
esgoto doméstico e uma boa parte dos resíduos industriais não tratados são lançados
nos nossos rios, lagos, lagoas ou no mar.
Pudemos observar que o brasileiro não consome tanta água quanto os cidadãos de
outros países. Mesmo assim, é bom estar atento e zelar contra o desperdício de um bem
vital para a humanidade. Acompanhe os cálculos a seguir:
1. Para calcular o consumo de água de uma residência, podemos analisar as informa-
ções enviadas pelo órgão público responsável pela distribuição da água ou fazer es-
timativas.
Por exemplo, sabendo que 1 000 litros de água são consumidos em dois dias numa
residência habitada por 4 pessoas, é possível estimar o consumo diário de água nes-
sa residência? E o consumo diário de água por pessoa
dessa residência? Converse com os colegas e com o Lembre-­se: antes de tentar
professor sobre os dados. resolver cada problema,
é preciso identificar as
informações que permitem
Estratégias de cálculo encontrar a resposta. Para fazer
essa análise, após ler o texto
do problema, responda sempre
Para construir a solução desse problema, vamos con- a duas questões: Qual é a
siderar que: pergunta do problema? O que
• 1 000 litros são consumidos em dois dias numa resi- tenho de saber para encontrar a
resposta?
dência habitada por 4 pessoas;

58 Eixo 1

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• o consumo de água é igual em todos os dias;
• os 4 moradores da casa consomem a mesma quantidade de água por dia.

Responda:

a) Qual é o consumo diário de água nessa família?


b) Qual é o consumo diário de água de uma pessoa dessa família?
Para responder aos itens a e b, podemos utilizar algumas estratégias de cálculo.
Observe as “dicas”.

• Primeiro, dividir 1 000 por 2 para encontrar a quantidade de água consumida em


um dia na residência.

10 : 2 = 5 100 : 2 = 50 1 000 : 2 = 500

• Depois, dividir 500 por 4 para encontrar o consumo diário de água por pessoa.
Veja diferentes estratégias para se obter o resultado.

400 : 4 = 100 A metade de 500 é 250 100 : 4 = 25


100 : 4 = 25 (500 : 2 = 250) 100 : 4 = 25
100 : 4 = 25
100 : 4 = 25
100 : 4 = 25
A metade de 250 é 125
100 + 25 = 125 (250 : 2 = 125) 25 + 25 + 25 + 25 + 25 = 125

Agora que você já aprendeu algumas estratégias de cálculo, responda aos próximos
itens. Registre as estratégias que você utilizou.

c) Qual é o consumo de água semanal dessa família?


d) Qual é o consumo de água semanal de uma pessoa dessa família?
e) E o consumo de água da família durante um mês?
2. Veja mais dicas e estratégias para calcular quocientes e produtos.

24 : 3 = 8
240 : 3 = 80
2 400 : 3 = 800

a) Utilize essa dica para fazer os cálculos a seguir e explique como ela funciona.
8:2= 36 : 6 = 55 : 5 = 64 : 8 =

80 : 2 = 360 : 6 = 550 : 5 = 640 : 8 =

8 000 : 2 = 3 600 : 6 = 5 500 : 5 = 6 400 : 8 =

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b) Mais uma dica:
Se Se Se
8 × 9 = 72 80 × 9 = 720 800 × 9 = 7 200
8 × 90 = 720 8 × 900 = 7200

Então, Então, Então,


72 : 8 = 9 720 : 80 = 9 7200 : 800 = 9
72 : 9 = 8 720 : 9 = 80 7200 : 9 = 800

c) Faça os cálculos a seguir e explique a dica que você usou para obter cada resultado
210 : 7 = 2 100 : 7 = 560 : 8 = 5 600 : 8 =

210 : 70 = 2 100 : 700 = 560 : 80 = 5 600 : 800 =

210 : 3 = 2 100 : 3 = 560 : 7 = 5 600 : 7 =

210 : 30 = 2 100 : 300 = 560 : 70 = 5 600 : 700 =

3. Utilize todas as dicas e estratégias de cálculo mental que você aprendeu neste capí-
tulo para resolver, no caderno, as seguintes situações-problema:
a) Uma torneira que goteja sem parar chega a um desperdício de 46 litros de água
por dia. Calcule quantos litros de água serão desperdiçados por mês se a torneira
não for consertada.
b) Um filete de mais ou menos dois milímetros que escorre constantemente de uma
torneira causa um desperdício de aproximadamente 4 mil litros de água por mês
de 30 dias. Quantos reservatórios de 500 litros poderiam ser abastecidos com a
água desperdiçada?
4. Com base nas estratégias de cálculo desenvolvidas até agora e no que você viu na
atividade anterior, procure verificar qual é o consumo de água na sua casa. Para tanto,
siga estas orientações:
a) Observe as situações de consumo de água: quando as pessoas tomam banho,
escovam os dentes, lavam louça, roupas. Verifique também se há o costume de
lavar calçadas, automóveis etc. Registre o tempo destinado a essas atividades, o
número de vezes que elas acontecem por dia ou por semana, e quantas pessoas
vivem em sua casa.
b) Quando o levantamento estiver pronto, avalie se há desperdício de água na sua
casa. Em caso positivo, converse com seus familiares sobre o que deve ser feito
para acabar com esse desperdício.
c) Descubra qual é a capacidade do reservatório de água da sua casa e em quantos
dias ela é consumida. Com base nessas informações e com a ajuda do professor,
calcule quantos litros de água, em média, são consumidos por dia em sua casa e
qual o consumo diário de água por pessoa.

60 Eixo 1

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d) Compare seu trabalho com o de seus colegas e converse sobre as diferenças que
existem na distribuição e no consumo da água em cada casa.

Com a calculadora
Utilize a calculadora para resolver a situação-problema a seguir e registre os cálculos
realizados.
Suponha que você reside no Distrito Federal – Brasília – e recebeu em casa a visita
de uma tia e dois primos. Os parentes ficarão 8 dias em sua residência. Agora, sabendo
que o consumo diário de uma pessoa que vive no Distrito Federal é de 225 litros de água
por dia, responda:
a) O consumo de água de sua residência sofrerá alguma alteração?

b) Qual será o consumo diário de água de sua casa nesse período de 8 dias?

c) Ao final da visita, qual terá sido o consumo de água de sua residência?

d) Em quanto aumentará o consumo de água em sua residência?

Após calcular e registrar os resultados, apresente para o grupo suas estratégias e


procedimentos para resolver o problema. Verifique se todos utilizaram as mesmas es-
tratégias. Converse com seus colegas sobre a utilidade da calculadora na resolução
de problemas.

Para ler conta de água


As contas de água

Tempo Composto
que recebemos em casa
trazem várias informa-
ções importantes sobre
o consumo de água. Va-
mos pensar um pouco
sobre elas. Observe a
conta a seguir e locali-
ze as informações que
você acha importantes
para saber mais sobre o
consumo de água.

4o e 5o anos 61

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1. Que informações vêm destacadas na conta de água? Por que isso acontece?

2. Ao receber a conta de água em casa, como você pode ter certeza de que é sua mesmo
e que não houve engano?

3. Para saber se houve aumento ou diminuição no gasto de água ao longo dos meses,
onde você deve buscar essa informação? Que tipo de cálculo você faz?

4. Se você precisar fazer alguma reclamação para a companhia de água, é preciso apre-
sentar um número que identifica a sua residência. Localize esse número na conta.
5. Observe o consumo de água nessa conta no mês anterior. Qual é a diferença entre o
consumo de água entre um mês e o outro?

6. Os modelos de conta de água atuais incluem informações sobre a qualidade da água


que é consumida. É importante ter acesso a essas informações? Por quê?

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Eixo 1

capítulo 6
A roda da vida

Em roda
Muitas vezes, encontramos em parques ou em áreas públicas restos de alimentos e
resíduos espalhados pelo chão, como latas, garrafas e plásticos. Isso acontece porque
nem todas as pessoas se preocupam em jogar o lixo em local adequado. E nem sempre
a coleta de lixo ocorre de maneira eficiente. Entretanto, podemos observar que os restos
de alimentos se integram ao solo mais rapidamente do que outros materiais. Você sabe
explicar por que existe essa diferença? Discuta o tema com os colegas.

Para lEr tExto ExPositivo


O texto a seguir ajuda a explicar por que existem diferenças no tempo de decomposi-
ção dos alimentos e demais produtos de origem vegetal ou animal.

Cadeia alimentar
Michael Patricia Fogden/Corbis/Latinstock

A energia do Sol, captada pelos seres clorofilados


– denominados produtores – é a fonte de alimentação
desses seres vivos.
Produtores são fonte de alimento para os consu-
midores primários – organismos herbívoros e que, por
sua vez, são alimentos (e fonte de energia) para outros
consumidores. Esses organismos serão consumidos
pelos seres detritívoros e/ou decompositores – como
urubus e bactérias, respectivamente. E, desta forma, Formigas carregando folhas, na Costa Rica.
um organismo é fonte de matéria e energia a outro
organismo, ao servir de alimento a ele.
Cadeia alimentar é o percurso de matéria e energia em vários níveis tróficos, ou seja,
a cada grupo de organismos com necessidades alimentares
semelhantes quanto à fonte principal de alimento. GLOSSÁRIO

Produtores: são todos os seres autotróficos clorofilados, Autotróficos: seres vivos que
produzem seu próprio alimento
presentes em todas as cadeias alimentares. Eles transformam a partir da conversão da matéria
inorgânica em matéria orgânica,
a energia luminosa em energia química, sendo assim, o na presença de energia solar,
único processo de entrada de energia em um ecossistema. como os vegetais.

4o e 5o anos 63

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Consumidores: são os que se alimentam dos produtores (consumidores primários)
ou de outros consumidores (consumidores secundários, terciários etc.). Nesse nível
trófico estão os detritívoros – animais que se alimentam de restos orgânicos e têm
como representantes urubus, abutres, hienas, moscas etc.
Decompositores: reciclam a matéria orgânica, decompondo-a e degradando-a
em matéria inorgânica. Esta é reaproveitada pelos produtores, dando continuidade ao
ciclo. São representados por micro-organismos, tais como fungos e bactérias.
Exemplo de cadeia alimentar:

Artur Keunecke / Pulsar Imagens


Highinthesky | Dreamstime.com

Vchphoto | Dreamstime.com
Vegetais Camundongo Serpente
Dr. Jack Bostrack/Visuals
Unlimited/Corbis

YNN-STONE/Keystone
Decompositores Águia

Teias alimentares são várias cadeias alimentares relacionadas entre si. Elas
representam de forma mais fiel o que ocorre, de fato, na natureza.
ARAGUAIA, Mariana. Cadeia alimentar. Disponível em:
<http://www.brasilescola.com/biologia/cadeia-alimentar.htm>. Acesso em: 9 jan. 2013.

Em ação

1. A palavra cadeia pode ter mais de um significado. Marque o sentido que a palavra tem
na expressão “cadeia alimentar”:
( ) presídio; casa de detenção.
( ) c onjunto de ações ou fatos que acontecem um após o outro e que podem ser
considerados como um fenômeno mais geral.
( ) estabelecimentos comerciais que pertencem a um só dono.
( ) corrente; elos, anéis ou argolas entrelaçados, usados para amarrar e prender.

64 Eixo 1

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2. Em dupla, faça um esquema da cadeia alimentar, como foi descrito no texto. Lem-
bre-se de usar imagens (desenhos ou fotos) para os animais, com legenda (o nome
do animal abaixo da sua imagem) e setas indicando a direção do próximo na cadeia
alimentar. Depois, dê um título ao seu esquema.
Outros seres vivos participam da mesma cadeia alimentar em uma lagoa: algas, pei-
xes, aves aquáticas, micro-organismos, caramujos. Complete a representação dessa
cadeia alimentar de acordo com a sequência a seguir. Nela, cada ser vivo serve de
alimento para o outro. Confira o resultado com o professor e os colegas.

algas micro-organismos

3. Observe a cadeia alimentar a seguir e responda às questões.


Rcmathiraj | Dreamstime.com

Chrisvanlennepphoto |
Dreamstime.com
Gerson Gerloff / Pulsar Imagens
Vegetais Gafanhoto Ave

FLPA/Mark Iisson/Keystone
Dr. Jack Bostrack/Visuals
Unlimited/Corbis

Fabio Colombini

Decompositores Águia Serpente

a) Analise a cadeia alimentar e responda:


• Caso o número de serpentes diminua muito, o que poderá acontecer com o nú-
mero de águias?

• A próxima consequência desse desequilíbrio da cadeia alimentar será o aumen-


to do número de aves e a diminuição acentuada do número de gafanhotos. Volte
a observar a cadeia alimentar representada e explique por que isso acontecerá.

4o e 5o anos 65

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Uma cadeia alimentar sempre começa por produtores, continua com consumidores e termina com
um tipo especial de consumidores, que são os decompositores. Eles ajudam a devolver os restos dos
seres vivos ao solo.
O grupo de produtores é formado pelas plantas e outros seres que produzem o próprio alimento
com substâncias simples que obtêm do ambiente.
O grupo de consumidores é formado pelos seres vivos que não são capazes de produzir seu
próprio alimento. Todos eles precisam se alimentar de outros seres vivos. Incluem os consumidores
primários, que se alimentam de plantas (herbívoros) e os consumidores secundários (carnívoros), que
se alimentam de outros animais ou de substâncias produzidas por eles. Por exemplo, o esquilo come
sementes de pinheiro e a coruja come o esquilo. Quando a coruja morre, seu corpo serve de alimento
para bactérias e fungos, voltando a fazer parte do solo.

Para ler esquema


Observe o esquema a seguir. As diferentes cadeias alimentares estão entrelaçadas, formando
teias alimentares. A reunião de cadeias forma uma teia alimentar.

Catanr1 | Dreamstime.com

FLPA/Mark Iisson/
Keystone
Igor Sokalski / Dreamstime.com

Fabio Colombini
coelho Serpente

Gerson Gerloff /
Pulsar Imagens
Gerson Gerloff / Pulsar
Imagens

Capim Águia

Gafanhoto Bem-te-vi
Dr. Jack Bostrack/Visuals
Unlimited/Corbis

Decompositores

1. Identifique no esquema algumas cadeias alimentares, como a do exemplo:

sementes de árvores passarinho gavião fungos e bactérias

2. Quantas cadeias alimentares você conseguiu identificar? Escolha uma delas e regis-
tre no caderno.
3. Em dupla ou em grupo, pesquise outras cadeias alimentares. Depois, monte um mural
com figuras e fotos mostrando as cadeias pesquisadas.

66 Eixo 1

EF1_V3_Eixo1_cap6.indd 66 2/7/14 6:24 PM


Para ler texto expositivo
Os hábitos criados pelo modo de vida atual levam a sociedade a produzir grande quan-
tidade de lixo, mas poucas pessoas pensam no lixo que produzem e onde ele vai parar.
São apresentados, a seguir, alguns números sobre a quantidade de lixo produzido pelos
habitantes de diversas partes do mundo. O conjunto do lixo produzido nas residências é de-
nominado resíduo sólido domiciliar.

Diariamente, são produzidos dois milhões de toneladas de resíduos sólidos


domiciliares no mundo. A contribuição de alguns países na produção mundial des-
ses resíduos chama a atenção: só os Estados Unidos, por exemplo, geram 230
milhões de toneladas de lixo ao ano, o que representa 31% do total.
Conforme o economista Fábio Fonseca Figueiredo:
"Como principal economia do mundo, os Estados Unidos são o país que mais
gerou resíduos per capita, com 2,08 kg/hab/dia no ano de 2005. Segundo a Agência
Europeia de Meio Ambiente, em 1995, cada cidadão europeu gerou 1,26 kg de resí-
duos diários. Em 2004, essa quantidade passou para 1,56 kg/dia e a previsão é que
alcance 1,86 kg/dia em 2020. O Brasil encontra-se em posição intermediária, já que
a média nacional é de 0,78 kg diários de resíduos gerados por habitante. Para o ano
de 2009, a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Es-
peciais (abrelpe) informa que a geração per capita de resíduos no Brasil saltou para
0,98 kg/dia, o que representa um aumento de 26,0% em relação ao ano de 2007."
Planeta Terra Desgin

Produção diária de lixo por habitante na


Europa, no Brasil e nos Estados Unidos
2,5
Quilogramas por dia por habitante

Estados Unidos
2 Europa

Europa
1,5 Europa
Brasil
1

0,5

0
1995 2004 2005 2009 2020
Europa 1,26 1,56 1,86
Estados Unidos 2,08
Brasil 0,98

FIGUEIREDO, Fábio Fonseca. Panorama dos resíduos sólidos brasileiros: análises de suas estatísticas, 12. dez. 2010.
Disponível em: <http://www.ub.edu/geocrit/b3w-928.htm>. Acesso em: 9 jan. 2013.

1. Qual é o tema geral tratado no texto? Crie um título para o texto que mostre a principal
ideia apresentada.

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2. Em sua opinião, por que alguns países produzem mais lixo do que outros?

3. A quantidade de lixo está anotada em g/dia ou kg/dia. Você sabe o que significam
essas unidades? Escreva-as por extenso.

Escrevendo resumo
Na escola, muitas vezes, precisamos resumir um texto. E o que isso significa? Signifi-
ca selecionar as informações mais importantes do texto para escrever um novo texto, ou
seja, o resumo. O resumo deve manter as ideias principais do texto original. Para isso, é
importante que você:
• Faça uma primeira leitura muito atenta do texto completo.
• Releia parágrafo por parágrafo, destacando as informações mais importantes, ou seja,
a ideia principal de cada parágrafo. Não é preciso destacar detalhes do texto, apenas
destacar as ideias principais. Essa é a fase da seleção e apagamento, por exemplo:

Já os materiais que não existiam na natureza e foram


inventados pelo ser humano, como latas, plásticos e vi-
dros, vão se acumulando na natureza e continuam sendo
lixo, porque não contam com uma cadeia alimentar para
contribuir com a sua decomposição.

• Você pode também anotar uma ou duas palavras-chave ao lado do parágrafo ou no


caderno, por exemplo:

 ateriais
•m
Já os materiais que não existiam na natureza e foram inventados
inventados pelo ser humano, como latas, plásticos e vi-
dros, vão se acumulando na natureza e continuam sendo
pelo homem
lixo, porque não contam com uma cadeia alimentar para
contribuir com a sua decomposição.
• decomposição

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• Por fim, redija o resumo na ordem da apresentação das ideias para facilitar a produção
do texto. Lembre-se de que o resumo de um texto deve apresentar de forma abreviada
as principais informações. Esse é o momento da construção.

Resumo do parágrafo
Os materiais inventados pelo homem demoram mais tempo para se decompor
porque não há cadeia alimentar que contribua para isso.

1. Procure seguir os passos descritos e escreva um resumo para ser entregue a uma
pessoa que não leu o texto sobre a produção de lixo no mundo. Pergunte o que ela
entendeu do resumo. Se ela compreendeu o texto e identificou as ideias principais
que estavam no texto original, é um sinal de que o seu resumo está bom.
2. Mas, antes de entregar o resumo, é preciso avaliar seu texto. Veja as dicas a seguir:

• Leia em voz alta para verificar se você esqueceu alguma informação ou palavra importante.
Lembre-se de que o leitor do seu resumo não leu o texto original!
• Há alguma palavra no resumo sobre a qual você teve dúvida se estava escrita corretamente? Se sim,
consulte um dicionário ou pergunte ao professor.
• No resumo, geralmente, não se utilizam frases muito longas.
• Fique atento para utilizar o ponto-final (.) no final das frases.
• Verifique se as frases do seu resumo foram iniciadas com letras maiúsculas.
• Então, passe a limpo o texto e observe o que foi modificado e o porquê de cada modificação.

Em grupos
Acompanhe a leitura de algumas informações sobre os destinos do lixo. Elas vão
ajudá-lo a participar de um debate.
1. Grande parte do lixo produzido pelos seres humanos é depositada no solo de diferen-
tes formas. Observe as fotos a seguir e identifique as maneiras de depositar ou tratar
o lixo que causam menos prejuízo ao meio ambiente.
Ismar Ingber / Pulsar Imagens

Marcelo Justo/Folhapress

Alexandre Tokitaka / Pulsar Imagens

Catadores de lixo em aterro Escavadeira em aterro sanitário. Lixeiras de coleta seletiva. São
sanitário Duque de Caxias (RJ), 2012 Osasco (SP), 2012 Paulo (SP), 2011

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2. Tudo o que é lançado no solo vai se decompor e um dia voltará a se reintegrar a ele.
Mas, dependendo do material de que é feito cada objeto, o processo pode levar bas-
tante tempo. Enquanto esse tempo não passa, esse lixo continuará sendo lixo.
Os materiais que sofrem decomposição com a ajuda de outros seres vivos são cha-
mados de resíduos orgânicos ou biodegradáveis.
Os resíduos que não servem de alimento para nenhum ser vivo não são biodegradá-
veis e demoram muito mais tempo para voltar a ser solo. Leia o quadro a seguir:

tEmPo quE alguns obJEtos lEvam Para sE rEintEgrar ao solo

de 3 meses a um ano de 2 a 10 anos mais de 100 anos

Jornais Pontas de cigarro Plásticos


Palitos Goma de mascar Latas de alumínio
Pedaços de pau Latas Pedaços de ferro
Restos de frutas Vidros

3. Com seus colegas de grupo, faça um resumo das informações sobre o tempo de decom-
posição dos resíduos que costumamos jogar no lixo. Em seguida, participe de um deba-
te a respeito do tema, dando sua opinião sobre a proposta apresentada neste quadro:

Noomhh/
Dreamstime.com
Para diminuir o problema do lixo, recomenda-se
adotar a prática dos 3 Rs:
• Reduzir o consumo de materiais que demo-
ram para se reintegrar ao solo.
• Reutilizar esses materiais.
• Reciclar, ou seja, transformar os materiais
usados em novos produtos.

4. Apresente propostas para se produzir menos lixo não biodegradável. Com a ajuda do
professor, escolha, por votação, as melhores propostas.
5. Agora, reflita: alguma dessas propostas pode ser colocada em prática imediatamen-
te? Se sim, que tal começar a fazer isso no seu dia a dia? Experimente!

Para PEsquisar
Existem materiais naturais, materiais inventados pelo ser humano, GLOSSÁRIO
que se dissolvem na água, e outros que são insolúveis. A mistura da Insolúvel: que
água com o material dissolvido é chamada de solução. não se dissolve.

70 Eixo 1

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1. Pensando nas suas experiências pessoais, procure listar materiais que se dissolvem e que
não se dissolvem na água. Elabore uma tabela no caderno como a do exemplo a seguir.
<A
MATERIAL DISSOLVE NA ÁGUA NÃO DISSOLVE NA ÁGUA
lin
Ferro x

2. Procure rótulos de produtos nos quais apareçam a palavra solúvel, solução ou sol-
vente. Se possível, traga-os para a sala de aula. Procure compreender o significado
dessas palavras e por que elas aparecem nos rótulos dos produtos selecionadas.
3. Compare suas conclusões com as de seus colegas. Com a ajuda do professor, elabo-
re um texto coletivo com as conclusões da classe.

Pensando sobre a língua

1. Leia as palavras do quadro:

alimento capins ambiente insetos fungos onças


consumidores decompositores plantas sementes decomposição
serpentes camundongos gavião reciclagem

2. Leia em voz alta as palavras e discuta com os seus colegas e com o professor o que
elas têm em comum.
3. Você percebeu que todas essas palavras têm som nasal representado por alguns
conjuntos de letras, como an, ão, om, in etc.? Circule, nessas palavras, as sílabas
que têm esse som. Em seguida, observe as marcas que são usadas, na escrita, para
indicar os sons nasais.
4. Complete a tabela com as palavras do quadro, separando-as em três grupos. Em se-
guida, complete cada coluna com outras palavras.

Som nasal com N Som nasal com M Som nasal com til (~)

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Observando as palavras do quadro anterior e pesquisando outras, complete o próximo
quadro:
Som nasal Letras Exemplos
/ã/ AM AMBIENTE
AN
à GAVIÃO
/ e/
˜ EM
EN SERPENTES
˜
/i/ IM
IN
/õ/ OM
ON
Õ GAVIÕES
/ u/
˜ UM
UN FUNGOS

5. Leia as palavras a seguir em voz alta e discuta com os seus colegas e com o profes-
sor se as sílabas destacadas são ou não sílabas nasais:

humano planeta animal

• O que você concluiu? Você percebeu que essas sílabas têm som nasal, mas não
têm M ou N depois das vogais nem o til (~)? Por que isso acontece? Converse com
os seus colegas e com o professor e registre suas conclusões.

Algumas sílabas têm som nasal porque terminam com as letras M ou N, como nas

palavras e .

Outras sílabas têm som nasal porque são acentuadas com ,

como nas palavras e .

Há também sílabas que são nasais porque a sílaba seguinte começa com

ou , como nas palavras e .

72 Eixo 1

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eixo 1

capítulo 7
A natureza na boca do povo

em roda
Todas as sociedades sentem necessidade de explicar e compreender tudo que está
à sua volta. A natureza tem sido a fonte de diversas perguntas, por exemplo: Como surgi-
ram o dia e a noite? Qual é a origem das estrelas? Por que existe o arco-íris?
A resposta para tais questões, muitas vezes, aparece em forma de narrativas antigas,
contadas e recontadas oralmente, de geração em geração. São os mitos e as lendas. Vá-
rios mitos explicam a origem de um lugar, de um povo, de um animal, de uma divindade,
de um fenômeno da natureza.
As lendas são histórias com seres fantásticos, ou seja, que têm poderes sobrenatu-
rais, que nós não conseguimos explicar.
Em grupo, converse com seus colegas, orientados pelas seguintes perguntas:
• Na sua região, é comum as pessoas contarem lendas?
• Você acredita em alguma lenda ou mito? Conte aos seus colegas.
• Você já ouviu falar, por exemplo, que alguém é filho de boto? Em que situação?
• Você conhece alguma lenda que explique a origem de algum elemento da natureza?
Se a resposta for afirmativa, conte-a para seus colegas.

Para PesQuisar
As lendas e os mitos são transmitidos e conservados pela tradição oral. Porém, mui-
tas dessas histórias encontram-se registradas também em livros. Neste capítulo, um dos
objetivos é produzir um livro de lendas de sua região ou de outras partes do Brasil.
Em grupo, faça um levantamento das lendas mais conhecidas em sua região. Cada in-
tegrante do seu grupo entrevistará dez pessoas para saber qual é a lenda mais conhecida.
Organize, no caderno, os dados das entrevistas em um quadro como o do exemplo abaixo.

nome do idade do lenda mais como conHeceu


entrevistado entrevistado conHecida a lenda
A mãe contava na
Marcela Pereira 35 anos Mula-sem-cabeça
infância.

Em seguida, a turma vai eleger as lendas mais conhecidas para serem recontadas
no livro que será criado por todos. Cada grupo ficará responsável por recontar uma lenda
que irá compor esse livro.

4o e 5o anos 73

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Para ler capa de livro
Como você está produzindo um livro, é importante perceber como ele se organiza.
Um dos elementos do livro que fornece várias informações para o leitor é a capa. Muitas
vezes, ao examinarmos apenas a capa, já percebemos de que assunto ele trata, além de
obtermos outras informações, como editora e nome do autor.
Observe estas capas de livros e discuta, em dupla, quais deles contam lendas.
Em seguida, conte para seus colegas de classe como você descobriu isso.

Reprodução

Reprodução
Capa do livro Outros contos Capa do livro Mitos e lendas do
africanos, editora Paulinas, 2006 Brasil, editora Paulus, 2009

1. Com a ajuda do professor, faça, em seu caderno, uma lista das informações presen-
tes na capa dos livros. Comece com o título do livro.
2. Por que essas informações estão na capa? Qual é a importância delas para o leitor?

3. Qual dos livros você teria mais vontade de ler só de olhar a capa? Por quê? Explique
para seus colegas e observe se eles têm a mesma opinião que você.

AS LENDAS E suas PERSONAGENS


Assim como os contos de fadas e as telenovelas, as lendas contam histórias de
personagens que podem ser humanas, animais ou seres com características fantásti-
cas, irreais. Nas lendas, aparecem seres sobrenaturais e é comum encontrarmos uma

74 Eixo 1

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descrição das personagens feita pelo narrador. É o narrador quem conta a história, relata
os acontecimentos e descreve as personagens, identifica o espaço e o tempo em que a
história se passa.

Em AÇÃO

1. Em dupla, discuta oralmente: quais das personagens a seguir você relacionaria a len-
das brasileiras? Discuta também o porquê de cada associação.

Negrinho do Pastoreio Branca de Neve Lampião Iara

Bruxa Saci Roque Santeiro Papa­figo

2. Escolha duas personagens que você associou às lendas brasileiras e faça, no ca-
derno, uma breve descrição delas. Procure responder às seguintes questões: Como
são essas personagens? Quais são suas características físicas? Elas têm poderes
especiais?
3. Agora, associe a caracterização feita nos verbetes a seguir com personagens de len-
das brasileiras.

1. Habitante do fundo dos rios. Homem pequeno, 2. Pequeno indígena, escuro, ágil, nu ou usando
corcunda, com unhas enormes, grandes mãos e tanga, fumando cachimbo, doido pela cachaça
pés peludos, que, quando contrariado, costuma e pelo fumo, reinando sobre todos os animais
virar os barcos, perseguir barqueiros ou ordenar e fazendo pactos com os caçadores.
aos peixes que se escondam.
Luís da Câmara Cascudo. Dicionário do folclore brasileiro. São Paulo: Global, 2012.

4. Dos textos que irão compor o livro de lendas brasileiras, escreva no caderno que per-
sonagens aparecerão e como você poderia descrevê­-las.

Para ler lenda


A lenda do Barba Ruiva surgiu na região Norte. Você a conhece? Nela, fatos sobre-
naturais acontecem, pois fogem ao que normalmente se espera no mundo real. Observe
como o Barba Ruiva surge em meio à força da natureza.

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Barba Ruiva
Aqui está a lagoa de Paranaguá, limpa como um espelho e GLOSSÁRIO

bonita como noiva enfeitada. Paranaguá: lagoa


Espraia-se em quinze quilômetros por cinco de largura, mas não localizada no Piauí.

era, tempo antigo, assim grande, poderosa como um braço de mar.


Cresceu por encanto, cobrindo mato e caminho, por causa

Jô Oliveira
do pecado dos homens.
Nas salinas, ponta leste do povoado de Paranaguá, vivia
uma viúva com três filhas. O Rio Fundo caía numa lagoa
pequena no meio da várzea.
Um dia, não se sabe como, a mais moça das filhas da
viúva adoeceu e ninguém atinava com a moléstia. Ficou triste
e pensativa.
Estava esperando menino e o namorado morrera sem ter
ocasião de levar a moça ao altar.
Chegando o tempo, descansou a moça nos matos e,
querendo esconder a vergonha, deitou o filhinho num tacho
de cobre e sacudiu-o dentro da lagoa.
O tacho desceu e subiu logo, trazido por uma Mãe D’Água,
tremendo de raiva na sua beleza feiticeira. Amaldiçoou a moça que chorava e mergulhou.
As águas foram crescendo, subindo e correndo, numa enchente sem fim, dia e noite,
alagando, encharcando, atolando, aumentando sem cessar, cumprindo uma ordem
misteriosa. Tomou toda a várzea, passando por cima das carnaubeiras e buritis, dando
onda como maré em enchente na lua.
Ficou a lagoa encantada, cheia de luzes e de vozes. Ninguém podia morar na beira
porque, a noite inteira, subia do fundo d’água um choro de criança nova, como se chamasse
a mãe para amamentar.
Ano vai e ano vem, o choro parou e, vez por outra, aparecia um homem moço, airoso, muito
claro, menino de manhã, com barbas ruivas ao meio dia e barbado de branco ao anoitecer.
Muita gente o viu e tem visto. Foge dos homens e procura as mulheres que vão bater
roupa. Agarra-as só para abraçar e beijar. Depois, corre e pula na lagoa, desaparecendo.
Nenhuma mulher bate roupa e toma banho sozinha, com medo do Barba Ruiva.
Homem de respeito, doutor formado, tem encontrado o filho da Mãe D’Água, e perde o
uso de razão, horas e horas.
Mas, o Barba Ruiva não ofende a ninguém. Corre sua sina nas águas da lagoa de
Paranaguá, perseguindo mulheres e fugindo dos homens.

76 Eixo 1

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Um dia desencantará. Se uma mulher atirar na cabeça dele água GLOSSÁRIO
benta e um rosário indulgenciado. Barba Ruiva é pagão, e deixa de Indulgenciado: com
ser encantado sendo cristão. perdão dos pecados.
Pagão: aquele que não
Mas não nasceu ainda essa mulher valente para desencantar o foi batizado.
Barba Ruiva.
Por isso ele cumpre sua sina nas águas claras da Lagoa de Paranaguá.
CASCUDO, Luís da Câmara. Lendas brasileiras para jovens. 2. ed. São Paulo: Global, 2006, p. 23-27.

1. A moça “estava esperando menino”. O que isso significa?

2. Como o Barba Ruiva surgiu?

3. Que outra personagem lendária aparece nessa lenda?

4. O texto conta como o Barba Ruiva se transforma ao longo do dia. Descreva o que
acontece com ele.

5. Numa lenda, os seres apresentam características fantásticas, ou seja, que não são
próprias do mundo real. No caso do Barba Ruiva, quais são essas características?

Para ler índice

Editora Global
No livro que a turma vai produzir, é importante organizar
as lendas. Observe o sumário do livro de Câmara Cascudo e
discuta com os seus colegas:
• Você já viu algum texto parecido com esse? Onde?
• Que informações ele traz? Para que serve?
• Como se chama?
• O livro trata de que assunto?
• Em que página do livro está a lenda “A serpente emplu-
mada da Lapa”?
• Se o leitor quiser começar a leitura do livro pela lenda
“Cobra Norato”, em que página ele deve abrir?

4o e 5o anos 77

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• Agora, com a ajuda dos colegas e do professor, identifique as características do
índice, completando o texto:

Em vários livros, é comum haver uma dos capítulos ou textos


da obra, organizados de acordo com a em que aparecem
no livro. Do lado , há o número da em
que cada texto ou capítulo se encontra. Essa lista se chama ou
sumário e informa o leitor que partes ou textos tem o livro. O é
importante também porque ajuda o leitor a rapidamente o que
ele está procurando, pois ele pode abrir logo na certa, sem ter que
folhear o livro inteiro.

Escrevendo textos
Para organizar o livro sobre lendas, decida, em grupo, o título da lenda que vocês irão
recontar, escreva-o em um pedaço de papel e entregue-o ao professor. Discuta com a tur-
ma a ordem em que as lendas irão aparecer no livro. Para isso, usando os títulos escritos
no papel, a turma montará, na lousa ou em uma cartolina, um índice provisório, para se
ter uma ideia geral do livro.
É importante lembrar que há várias formas de organizar um livro. Por exemplo, no caso
do livro de lendas, pode-se organizar os textos em itens de acordo com:
• ordem alfabética dos títulos;
• região de origem, entre outros.
Por isso, a decisão precisa ser coletiva.

Para ler lenda


Agora, você vai conhecer outra len-
Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa.

da contada no poema “O rei que mora


no mar”, de Ferreira Gullar. Esse escritor
brasileiro nasceu na cidade de São Luís,
capital do Maranhão e um dos lugares
do Brasil em que é possível conhecer vá-
rias lendas. Antes de ler o poema, con- D. Sebastião
verse com seus colegas sobre o título, em retrato
com base nas seguintes questões: pintado por
Cristóvão de
• Como serão o rei e o mar mencio- Morais. Óleo
nados no título? sobre tela
99 cm x 85
• Qual será a lenda contada pelo
cm, 1571
poeta?

78 Eixo 1

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Após a discussão, escute o poema e compare com as suas ideias iniciais.

O rei que mora no mar


Diz a lenda que na praia
dos Lençóis no Maranhão
há um touro negro encantado
e que esse touro é Dom Sebastião.
Dizem que, se a noite é feia,
qualquer um pode escutar
o touro a correr na areia
até se perder no mar
Onde vive num palácio
feito de sede e de ouro.

Luis Salvatore / Pulsar Imagens


Mas todo encanto se acaba
Se alguém enfrentar o touro.
E se alguém matar o touro
o ouro se torna pão:
Nunca mais haverá fome
nas terras do Maranhão.
E voltará a ser rei
O rei Dom Sebastião.
Isso é que diz a lenda
Mas eu digo muito mais:
Se o povo matar o touro,
a encantação se desfaz. Lagoa Azul, Parque Nacional dos Lençóis Maranhen-
Mas não é o rei, é o povo ses, Barreirinhas (MA), 2011
Que afinal se desencanta.
Não é o rei, é o povo
Que se liberta e levanta
Como seu próprio senhor:
Que o povo é o rei encantado
no touro que ele inventou.
Ferreira Gullar. O rei que mora no mar. 3. ed. São Paulo: Global, 2002.

1. Qual é a lenda contada no poema de Ferreira Gullar?

2. Por que, na sua opinião, o título do poema é “O rei que mora no mar”?

3. Segundo a lenda, quem é o touro negro encantado? O que ele faz e onde mora?

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4. O que você sabe sobre Dom Sebastião? Faça uma pesquisa e descubra por que ele
é mencionado na lenda.

5. O poema diz que “se o povo matar o touro/ a encantação se desfaz”. Que encantação
seria essa?

6. Leia, a seguir, um trecho do depoimento de um pescador albino, Manoel de Oliveira,


de 67 anos, conhecido como Macieira e morador da Ilha dos Lençóis:

“Nas noites de lua cheia, subo as dunas na esperança GLOSSÁRIO

de vê-lo [dom Sebastião]. Minha curiosidade é saber Albino: pessoa que possui uma
anomalia, caracterizada pela ausência
como ele é: se é branco, preto ou albino como eu. Meus total ou parcial do pigmento da pele,
dos pelos, entre outras alterações.
avós viram muitas vezes o touro passeando nas dunas e
me disseram que essa ilha é dele e eu acredito nisso.” [...]
Sobre a viabilidade de um dia o rei vir a desencantar, Macieira é categórico: “Não
vai ser nada bom. Já diziam os meus antepassados que se isso acontecer a ilha vira
cidade e São Luís desaparece nas profundezas do mar.”
RODRIGUES, Madi; SILVA, Leopoldo. Filhos do encanto. Disponível em: <http://www.istoe.com.br/
reportagens/14571_FILHOS+DO+ENCANTO>. Acesso em: 9 jan. 2013.

• Qual é a relação do depoimento com a lenda contada no poema de Ferreira Gullar?

7. “Rei, rei, rei Sebastião, quem desencantar Lençóis vai abaixo o Maranhão” é o trecho
de uma cantiga popular, cantada pelos moradores de Lençóis. Que versos do poema
estabelecem uma relação com essa cantiga popular?

8. Discuta com o seu grupo como você compreende a estrofe final do poema. Em segui-
da, compare as várias interpretações que surgirem na sala de aula.

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Pensando sobre a língua
1. Nos textos narrativos, percebe-­se que o narrador conta fatos, ações ou acontecimen-
tos que ocorrem em determinado local (espaço) e em determinado momento (tempo).
Releia as lendas do Barba Ruiva e do rei que mora no mar e preencha o quadro:

LENDA DO BARBA RUIVA LENDA DO REI QUE MORA NO MAR

Personagens

Espaço (local em que


se passam as ações)

Tempo (época ou mo-


mento do dia em que
se passam as ações)

2. Nos textos narrativos, geralmente, encontramos várias palavras e expressões que


nos informam sobre o tempo e o espaço em que as ações acontecem. Encontre, nas
lendas lidas neste capítulo, palavras e expressões que nos informam sobre:
• o tempo em que se passa a narrativa;

• o espaço em que se passa a narrativa.

3. Reescreva o verbete a seguir como se você descrevesse uma personagem do sexo


feminino.

Habitante do fundo dos rios. Homem pequeno, corcunda, com unhas enormes, grandes mãos e
pés peludos que, quando contrariado, costuma virar os barcos, perseguir barqueiros ou ordenar aos
peixes que se escondam.

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4. Que palavras foram alteradas? Escreva-as e coloque ao lado delas as alterações.

5. O que essas palavras têm em comum? Por que elas foram alteradas? Que alterações
foram feitas?

6. As palavras pequeno, corcunda e contrariado se referem a qual palavra no texto? Por


que a palavra corcunda não foi alterada?

7. Por que o autor escreveu as palavras enormes, grandes e peludos em vez de enorme,
grande e peludo?

8. Releia, agora, este outro verbete e diga se está descrevendo uma personagem do
sexo masculino ou feminino. Explique como você chegou a essa conclusão.

Pequeno indígena, escuro, ágil, nu ou usando tanga, fumando cachimbo, doido pela cachaça
e pelo fumo, reinando sobre todos os animais e fazendo pactos com os caçadores.

9. Se esse verbete estivesse descrevendo vários indígenas e não um, como o texto fica-
ria? Em dupla, reescreva-o no caderno e verifique as alterações feitas. Por que elas
ocorreram?

82 Eixo 1

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Escrevendo textos

1. Após a pesquisa em sua região, a leitura de algumas lendas e a produção de um


sumário inicial, chegou a hora de o seu grupo recontar a lenda escolhida. Neste
primeiro momento, é necessário planejar o texto que será escrito coletivamente.
Em grupo, discuta oralmente os seguintes pontos antes de iniciar a escrita:
• Quais são as personagens que aparecem na lenda que será recontada?
• Quais características das personagens precisam aparecer na lenda?
• Elas têm alguma relação com a natureza? Qual?
• Quais acontecimentos aparecem na lenda? Em que ordem eles acontecem?
• Como se encontra a personagem no início e no fim da lenda? Houve alguma modificação?
• Em que local e época se passam as ações? Como você vai descrever o local e o
espaço?
2. Após a discussão oral, escreva a primeira versão da lenda para o livro. Neste momen-
to, lembre-se das discussões anteriores e das lendas que leu no capítulo.
3. Releia agora a primeira versão da lenda e observe os seguintes aspectos:
• As personagens e o espaço são típicos das lendas brasileiras?
• Há alguma transformação nas personagens ao longo da lenda?
• Há descrição das personagens?
• As ações que a personagem pratica ou os acontecimentos por que ela passa são
destacados?
• As personagens têm alguma característica fantástica, sobrenatural?
• As lendas estão envolventes, conseguem prender a atenção de quem lê ou de quem
escuta?
• As palavras estão escritas corretamente e os parágrafos organizam o texto em partes?
4. Com a ajuda do professor, crie uma capa para o livro e finalize o sumário. Lembre-se
dos elementos que normalmente compõem as capas dos livros (título, editora e auto-
res) e consulte alguns, se necessário.
Coloque as lendas na ordem em que aparecerão no livro e organize a paginação. O
sumário do livro deverá conter, além dos títulos das lendas, o número correto das pá-
ginas em que elas aparecem.
Depois do livro pronto, reproduza vários exemplares e organize com os colegas um
lançamento na escola ou na comunidade, com sessão de autógrafos e contação de
lendas. Afinal, elas são parte da cultura de um povo, que se pode reconhecer nesses
textos.
Em grupo, faça cartazes para divulgar o evento. Monte, também, com a ajuda dos co-
legas, um mural ilustrado com as personagens lendárias, seus nomes, e, se possível,
um resumo de cada lenda.

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Eixo 1

Capítulo 8
Mapeando os ambientes

Em roda
Hoje, existem diversas tecnologias que permitem aos seres humanos observar a Terra
inteira, de uma só vez. O nosso planeta está à disposição do olhar humano por meio de
fotos feitas por satélites artificiais que giram em volta da Terra. No passado, as socieda-
des humanas não podiam contar com esses valiosos recursos. Mas, desde os tempos
mais remotos, diferentes povos e culturas procuraram criar formas de representar a Terra
e os lugares onde viviam. Observe a imagem abaixo.
Entre os documentos criados pelos homens para representar a Terra estão os mapas.
Eles são representações

Derek Bayes /Art/Lebrecht Music Arts/Corbis/Latinstock


no plano, seja uma folha
de papel, livro ou mapa-
-múndi. Os mapas mos-
tram, de forma simplifi-
cada, toda a superfície
terrestre ou partes dela.
Mas como o mundo
pode caber em uma folha
de papel? Assim como
uma fotografia 3 x 4 apre-
senta o rosto de uma
pessoa, os mapas apre-
sentam partes da super-
fície da Terra reduzidas.
Essa redução é uma re-
lação de proporção entre
o real e o representado,
chamada de escala. Por
exemplo, 1 centímetro de
distância entre dois pon-
tos em um mapa pode
ser igual a uma distância
de 100 quilômetros na
realidade.
Mapa-múndi conhecido como TO

84 Eixo 1

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para lEr mapa
Vamos conhecer agora com mais detalhes al- GLOSSÁRIO
Continente: é uma grande superfície de
guns espaços do Brasil e do mundo. Para isso, va- terra emersa (acima do nível do mar),
mos utilizar diferentes mapas e saber um pouco formada pela ação da natureza. Nos
mais sobre os elementos mais importantes desses continentes as sociedades humanas
constroem seus espaços de vida. São
documentos. separados pelas águas dos mares e
Junto com um colega, examine o mapa a seguir e oceanos.
responda às questões no caderno. Se possível, con- Oceano: é uma grande superfície líquida
que separa as terras imersas, formadas
sulte o mapa-múndi digital no site do IBGE, na inter- pela ação da natureza. Os oceanos
net <http://www.ibge.gov.br/paisesat/main.php>. ocupam dois terços da superfície terrestre.

mapa-múndi – Continentes e oceanos

Maps World
EUROPA
ÁSIA

AMÉRICA ÁFRICA

OCEANIA

ANTÁRTIDA

Fonte: ATLAS Geográfico Escolar. 5 ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2009.

1. Que porção da superfície da Terra está representada no mapa?


2. Quais são os elementos destacados no mapa? Para que serve cada um deles?
3. Anote o nome dos continentes e oceanos representados no mapa. Converse com os
colegas: Como você conseguiu identificar os continentes e os oceanos?
4. Agora, localize de modo aproximado a posição do Brasil. Em qual continente ele fica?
5. Observe as linhas que aparecem no mapa e anote o nome das linhas principais. Em
sua opinião, o que significam essas linhas?

4o e 5o anos 85

ef1_v3_eixo1_cap8.indd 85 2/7/14 6:27 PM


Em grupos
Com alguns colegas, observe o mapa a seguir.

Fonte: ATLAS Geográfico Escolar. 5 ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2009.

Maps World

86 Eixo 1

ef1_v3_eixo1_cap8.indd 86 2/7/14 6:27 PM


Em ação

1. O continente americano é dividido em três subcontinentes: América do Norte, América


Central e América do Sul. Com seus colegas, identifique em qual deles está o Brasil.
2. Das linhas do mapa, a que fica no centro é a do Equador, que divide a Terra em he-
misfério Norte e hemisfério Sul. A palavra hemisfério significa “metade (hemi) de uma
esfera (a Terra)”. A linha que passa pelo hemisfério Norte é o Trópico de Câncer. A
que passa pelo hemisfério Sul é o Trópico de Capricórnio. Essas linhas são pontos
de referência no mapa, pelas quais podemos situar lugares. Usando esses pontos de
referência, responda: em que hemisfério fica o Brasil?

3. Leia a sua resposta para a classe e compare-a com a dos seus colegas. Se for neces-
sário, complete suas anotações.

Em roda

“Se oriente, rapaz”


As posições Norte, Sul, Leste e Oeste são usadas em todo o mundo. São os chama-
dos pontos cardeais. A palavra cardeal, nesse caso, significa “principal”. Esses pontos
formam os sistemas de orientação. Converse com os colegas: De onde se originaram es-
ses pontos? Como se define o que é o Norte? Como encontrar o Leste ou o Oeste? Como
os pontos cardeais aparecem nos mapas? Observe o esquema apresentado a seguir.

Para ler esquema


A Terra gira em torno de um eixo imaginário. Esse eixo atravessa o centro de nosso pla-
neta, passando pelos polos Norte e Sul. Para
Ilutstração digital: Mauricio Negro

realizar esse movimento, a Terra leva em torno


de 24 horas. É esse movimento que dá origem
aos dias e às noites. As extremidades desse
eixo são os polos terrestres. Por convenção, o
polo superior em relação à linha do Equador é
o polo Norte e o polo inferior é o Sul.
Falar em parte superior (Norte) e parte in-
ferior (Sul) supõe que haja uma linha divisória
entre o Norte e o Sul. Essa linha divide a Terra
em duas metades iguais – os hemisférios. É
chamada de Equador, que vem da palavra la-
tina equalis, que significa “igual”. O Equador
divide a Terra em duas partes iguais.
Os outros dois pontos cardeais são o Les- (Imagem sem escala, cores-fantasia.)
te e o Oeste. A referência é o Sol, referência

4o e 5o anos 87

ef1_v3_eixo1_cap8.indd 87 2/7/14 6:27 PM


externa que não é fixa, pois ele “muda de posição” durante o ano. Na verdade, o Leste e
o Oeste não correspondem sempre ao ponto exato onde o Sol nasce e onde o Sol se põe.
O ponto cardeal Leste é mais ou menos definido como aquele que aponta para o lado da
aparição diária do Sol (nascente), acompanhando o seu movimento aparente. O Oeste
aponta para o lado do pôr do sol.

Em grupos
Os mapas utilizam os
Com base no esquema da página anterior e nos textos pontos cardeais como
vistos anteriormente, faça com os colegas uma experiência. referência para orientação.
Você vai precisar de um globo terrestre e de uma lanterna. Os nomes e as posições
resultaram de uma convenção
Podem ser usadas uma bola, ou uma laranja, e uma vela.
entre os diferentes países
Acenda a lanterna e ilumine uma face da Terra, tal como e sociedades. Ou seja, um
aparece no esquema, com inclinação do eixo do planeta. acordo para que todos
Em seguida, gire o globo lentamente, da esquerda para a passassem a utilizar
igualmente o mesmo sistema
direita. Com isso, você estará reproduzindo o movimento de orientação. Observe em um
de rotação da Terra. Observe que uma faixa está iluminada. atlas o nome e a posição das
Portanto, será dia nessa faixa. Enquanto isso, a outra faixa regiões brasileiras.
estará no escuro, o que corresponde à noite.

Agora, responda às perguntas.


1. Anote o nome de um estado que está ao norte do Brasil.

2. Dê o nome de um estado que está ao norte de Mato Grosso.

3. Qual estado faz divisa com o Paraná ao sul?

4. Que estado fica a leste de Rondônia?

5. Cite o nome do estado que faz divisa com a Bahia a oeste.

A rosa dos ventos mostra a posição dos pontos


Ilutstração digital: Mauricio Negro

cardeais (Norte, Sul, Leste e Oeste) e dos pontos


colaterais ou auxiliares, que ajudam a definir os
rumos ou direções (Nordeste-NE, Sudeste-SE,
Sudoeste-SO e Noroeste-NO). Esse desenho
aparece nas bússolas, instrumentos usados para
orientação.

88 Eixo 1

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“DO LADO DE BAIXO DO EQUADOR”
Vimos que nos mapas existem linhas formando um quadriculado, tanto na posição
vertical quanto na horizontal. Converse com seus colegas: Como foram definidas essas
linhas? Para que elas servem? Qual é a função delas?

Para ler texto expositivo e esquema

As coordenadas geográficas

Ilustração digital: Mauricio Negro


Um mapa é um instrumento criado
pelas sociedades humanas basicamente
para responder a perguntas como “onde
estou” ou “onde fica esse lugar”. Mas
como fazer isso com precisão? Desde a
Antiguidade, os seres humanos foram de-
senvolvendo o que hoje chamamos de co-
ordenadas geográficas ou coordenadas
terrestres.
Elas são um conjunto de linhas tra-
çadas nos mapas e nos globos, nas dire-
(Imagem sem escala, cores-fantasia.)
ções Leste-Oeste ou Norte-Sul. Por isso,
não compreenderemos as coordenadas
geográficas sem os pontos cardeais. Sendo linhas que vão nas duas direções, elas aca-
bam por formar uma verdadeira rede quadriculada nos mapas e nos globos.
As linhas na posição horizontal são os paralelos; as linhas verticais são os meridia-
nos. Um fenômeno que ajudou a definir essas linhas vem de fora da Terra. É a noção
de meio-dia. Meridiano é uma palavra que vem do latim antigo e significa “meio-dia”. O
meridiano de um lugar passou a ser definido como a linha Norte-Sul traçada exatamente
sob o sol do meio-dia. Eles também ajudam a saber as diferenças de horários entre os
lugares, conforme o movimento de rotação da Terra.
Os paralelos foram traçados a partir de pontos da superfície em que se observava
que a posição do Sol produzia um meio-­dia perfeito. O Equador, que divide a Terra em dois
hemisférios, é uma faixa da Terra com essa característica. Os demais paralelos são linhas
traçadas em volta da Terra, paralelas à linha do Equador. Eles também ajudam a definir as
características climáticas das regiões. As que estão mais afastadas do Equador e mais
próximas dos polos apresentam temperaturas baixas.
Existem medidas para calcular as distâncias entre os meridianos ou entre os paralelos,
estabelecendo assim, com precisão, a localização de cada ponto na superfície terrestre.
Com as coordenadas geográficas, o sistema de orientação atinge um grau muito ele-
vado de eficiência. Trata-se de um sistema de localização em que tudo é possível de ser
localizado com precisão na superfície terrestre.

4o e 5o anos 89

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Em ação
Consulte o mapa-múndi da página 87 e o mapa do Brasil, abaixo, para fazer as ativi-
dades a seguir.
Mapa Político do Brasil

Maps World
Fonte: ATLAS Geográfico Escolar. 5 ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2009.

1. Identifique o país situado na América do Norte, atravessado pelo Trópico de Câncer e


que faz fronteira com os Estados Unidos.

2. Localize dois países da África pelos quais passa a linha do Equador.

3. Responda:
a) Quais os estados brasileiros por onde passa a linha do Equador?

b) Quais os estados brasileiros atravessados pelo Trópico de Capricórnio?

c) Quais os estados brasileiros ao sul do Trópico de Capricórnio e que não são cor-
tados por ele?

90 Eixo 1

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VIAGEM ANUAL
Além de girar em torno do seu eixo, a Terra também gira em torno do Sol. Esse
movimento é conhecido como movimento de translação. Essa viagem leva pouco
mais de um ano para terminar. Mais exatamente, são 365 dias e 6 horas. Para ajus-
tar nosso calendário anual a esse movimento, a cada quatro anos essas 6 horas são
somadas e transformadas em mais um dia – o famoso ano bissexto, em que fevereiro
tem 29 dias.
O movimento de translação determina as estações do ano: primavera, verão, outono e
inverno. Como o eixo da Terra está inclinado em relação ao caminho do planeta em torno
do Sol – que chamamos de órbita –, ocorrem diferentes situações de exposição da Terra
aos raios solares. Quando um hemisfério está mais exposto ao Sol, acontece o contrário
com o outro hemisfério. Dessa forma, quando é verão no hemisfério Sul, é inverno no
hemisfério Norte, e vice-versa. Sobre isso, observe o esquema a seguir.

Ilustração digital: Mauricio Negro


(Imagem sem escala, cores-fantasia.)

Para ler esquema


Observe o esquema acima e responda às questões no caderno.
1. Por que a cada quatro anos o mês de fevereiro tem 29 dias?
2. Por que sempre um hemisfério está mais exposto ao Sol do que o outro?
3. Em que estação do ano os dias são mais longos e as noites mais curtas? Por que
isso acontece? Faça uma pesquisa sobre o tema, se necessário.
4. Em geral, como são as estações do verão e inverno na sua região? Qual é a influência
do movimento de translação nas diferenças entre as estações?

4o e 5o anos 91

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MAPEANDO OS ambientes BRASILEIROS
A forma esférica da Terra, seu eixo inclinado e seus movimentos criam diferenças
naturais entre os espaços. Isso acontece, entre outras razões, porque, em geral, quanto
mais próxima da linha do Equador estiver uma região, maior será a quantidade de luz e
calor que ela recebe do Sol. Ao contrário, quanto maior a proximidade dos polos, menores
e menos intensos serão a luz e o calor recebidos do Sol.
Com isso, por exemplo, paisagens na faixa tropical apresentam maior proliferação de
formas de vida, com vegetação abundante e grande variedade de animais.
Observe o mapa e as fotos a seguir, com os biomas brasileiros. Eles são conjuntos
naturais em que se associam de forma mais ou menos homogênea fauna, flora, águas e
relevo. Observe também a legenda. Ela vai ajudar a fazer a leitura do mapa. Nesse caso,
as cores correspondem à localização e distribuição dos biomas brasileiros.

Para ler mapa e fotografia

BIOMAS BRASILEIROS

Maps World

Fontes: MAPA de biomas do Brasil; Brasília: IBGE; Ministério do Meio Ambiente, 2004.
Fábio Colombini

Mario Friedlander / Pulsar Imagens

Stefan Hess / Tyba

1. Vista aérea do rio 2. Chapada dos Guimarães (MT), 2010. 3. Pantanal, Aquidauana (MS), 2010
Negro e do arquipélago
de Anavilhanas, Manaus
(AM), 2010

92 Eixo 1

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Fabio Colombini

Eduardo Zappia / Pulsar Imagens

Palê Zuppani / Pulsar Imagens


5. Caatinga, Missão Velha (CE), 6. Praia do Espelho, Porto Seguro, 7. Manguezal, Santos (SP), 2012
2012. (BA), 2012

1. Quais são os biomas representados no mapa?

2. Qual desses biomas é atravessado pela linha do Equador? Quais são as característi-
cas naturais desse bioma, de acordo com a foto?

3. Qual dos biomas apresentados situa-se ao sul do Trópico de Capricórnio? Quais são
as características naturais desse bioma apresentadas na foto?

4. Qual é a localização dos cerrados no território brasileiro?

5. Compare a Caatinga com a Mata Atlântica. Com base no mapa e nas imagens, cite
duas diferenças entre elas quanto aos aspectos naturais.

4o e 5o anos 93

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Eixo 2
Capítulo 1 A formação das sociedades
de consumo

Em roda
A maneira como nossa sociedade está organizada relaciona-se diretamente com as
formas de produzir, trabalhar e viver. No passado, as famílias produziam boa parte do que
consumiam. Assim, em propriedades rurais do Brasil colonial, por exemplo, obtinham-se
da terra os alimentos e a madeira para lenha. Carne, leite e ovos vinham da criação de
animais.
Nos dias atuais, ainda produzimos bens e alimentos em nossas casas? Faça uma
lista dos bens indispensáveis a sua vida, como alimentos, roupas, calçados, móveis,
eletrodomésticos e outros itens. Quais bens são produzidos em sua casa? E quais deles
são comprados?

para lEr piNtura


As pinturas a seguir, de Jean-Baptiste Debret, mostram aspectos do cotidiano brasi-
leiro do século XIX. Observe com atenção o que está sendo feito em cada uma delas e
descreva os detalhes para um colega de classe. Lembre-se de que as pinturas mostram
uma visão particular dos autores sobre o mundo e a vida.
Museu Castro Maya, Rio de Janeiro

Museu Castro Maya, Rio de Janeiro

Pequena moenda de cana portátil, de Jean- Oficina de sapateiro, no Rio de Janeiro, de Jean-Baptiste
-Baptiste Debret, 1822. Aquarela sobre papel, Debret 1820-1830. Aquarela sobre papel, 16,7 cm × 23,1 cm.
17,6 cm × 25,5 cm. Produção de bens essenciais Produção artesanal de sapatos no Brasil, com base no
era uma atividade desenvolvida pelos escravos. trabalho escravo.

94 Eixo 2

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1. Faça uma descrição das imagens com o maior número possível de detalhes.

2. Em sua opinião, qual poderia ser o destino dos bens produzidos em cada uma das telas?

3. Você acha que as situações descritas nas cenas ainda acontecem hoje em dia? Explique.

A SOCIEdAdE dE CONSUMO

Em roda
Se muitas famílias no passado produziam o necessário para seu consumo ou subsis-
tência, por que grande parte delas deixou de agir dessa forma? Por que, cada vez mais,
as pessoas passaram a comprar os bens de que necessitam? Quando esse modo de vida
começou a mudar? Vocês conseguem identificar essas mudanças no contexto em que vi-
vem? Entre o período em que seus avós eram jovens e hoje, ocorreram muitas mudanças
em sua comunidade no que se refere às formas de produzir e adquirir o que é necessário
para a subsistência? Converse com seus colegas sobre essas questões.

para lEr tEXto EXpositiVo

Vivemos em uma sociedade denominada capitalista. Nela, o lucro é o ob-


jetivo maior daqueles que produzem mercadorias a serem vendidas, existindo
uma clara divisão entre proprietários dos meios de produção e trabalhadores. Os
primeiros possuem riquezas que lhes permitem investir (capital); e os segundos,
sua força de trabalho, oferecida ao capitalista em troca de um salário.

4o e 5o anos 95

V3_Eixo2_Cap_1.indd 95 2/7/14 6:29 PM


Essa estrutura social começou a se tornar uma realidade na Europa há mais
de 250 anos, quando ocorreu a chamada Revolução Industrial, na Inglaterra.
Naquele período, criou-se o sistema de fábrica, no qual o capitalista comprava
máquinas, ferramentas e matérias-primas, organizava-as em um único espaço e
contratava trabalhadores que iriam operar essas máquinas com a finalidade de
fabricar um produto durante certo período do dia. Em troca, os trabalhadores rece-
biam um salário que era somente o suficiente para que pudessem ter condições
mínimas de sobrevivência.
No sistema de fábrica, não era o trabalhador quem ditava o ritmo da produção,
mas sim as máquinas. Ele deixava de ser o produtor de um artigo para se transformar
em um operador da máquina que fabricava somente uma parte do produto. Com o au-
mento da produção, foi preciso criar também um mercado de consumo desses bens.
Vale lembrar que, em várias partes do mundo, nos últimos duzentos anos,
houve uma intensa exploração dos trabalhadores. Homens, mulheres e até mes-
mo crianças trabalhavam até dezoito horas por dia, em condições precárias. Além
disso, os operários eram controlados por capatazes que aplicavam até mesmo
castigos físicos a trabalhadores que não cumpriam suas tarefas. Somente com
a organização dos trabalhadores e a realização de muitas greves e protestos co-
meçaram a se formular leis que concediam direitos aos operários e limitavam sua
jornada de trabalho.
No Brasil, o início do processo de industrialização e do sistema de fábrica
deu-se por volta dos anos 1880 e também ficou marcado por uma excessiva ex-
ploração dos trabalhadores.
No início do século XX, houve uma maior especialização do trabalho com a
implantação do sistema fordista, criado por Henry Ford, proprietário da fábrica
dos veículos Ford, nos Estados Unidos. Seu objetivo era fabricar o maior número
possível de veículos em menos tempo. Para isso, criou a chamada linha de mon-
tagem, na qual cada trabalhador se limitava a realizar uma tarefa na produção do
veículo. O operário realizava tarefas muito repetitivas, mas o ritmo da produção
era acelerado, sendo possível fabricar mais carros em menos tempo. Esse siste-
ma de produção espalhou-se pela maioria das fábricas.
O desenvolvimento da indústria estimulou muitas pessoas em diferentes
paí­ses a viver em cidades. Elas buscavam trabalhar em atividades industriais
para fugir da fome, uma vez que muitos trabalhadores do campo haviam sido
expulsos de suas terras, transformadas em propriedades capitalistas. Portan-
to, diferentemente da vida tradicional no campo, cada vez menos se produzia
para o próprio consumo.
Henry Ford foi um dos primeiros a descobrir que cada trabalhador deveria
ser considerado também um consumidor. De outro modo, não haveria o que fa-
zer com tantos produtos fabricados. Ele foi um dos primeiros a oferecer crédito
a seus próprios trabalhadores, para que eles pudessem também se transfor-
mar em consumidores.

96 Eixo 2

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Em dupla, e com ajuda de seu professor, faça as atividades a seguir.
1. No texto que você leu, várias palavras como lucro e mercadoria encontram–se rela-
cionadas ao capitalismo. Faça uma lista com outras palavras do texto que também
podem ser relacionadas a esse tema e escreva o que você entende a respeito de
cada uma delas.

2. Com a ajuda da turma e de seu professor, acrescente palavras que não estão no texto,
mas que também se relacionam ao capitalismo.

3. Numere os parágrafos do texto. Depois, faça a correspondência entre os parágrafos


do texto e o assunto tratado em cada um deles.
a) 1o parágrafo (  ) A industrialização no Brasil.
b) 2o parágrafo (  ) A criação da linha de montagem.
c) 3o parágrafo (  ) Cada trabalhador é também um consumidor.
d) 4o parágrafo (  ) A exploração do trabalho nas fábricas.
e) 5o parágrafo (  ) A vida nas cidades e as mudanças na produção e consumo.
f) 6o parágrafo (  ) A organização da sociedade capitalista.
g) 7o parágrafo (  ) O aumento da produção gera um mercado de consumo.
h) 8o parágrafo (  ) A Revolução Industrial e o sistema de fábrica.
4. Agora, crie um título para o texto.

5. O texto afirma que os trabalhadores passaram a ser explorados nos últimos duzentos
anos. De que maneira essa exploração aconteceu?

4o e 5o anos 97

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Em grupos
O quadro a seguir mostra, de modo simplificado, etapas da industrialização e do con-
sumo do leite e seus derivados realizadas hoje em dia.

Eeandrey | Dreamstime.com

Ernesto Reghran / Pulsar Imagens

João Prudente / Pulsar Imagens


(  ) Supermercados, padarias (  ) Fazendas de criação de gado leiteiro. (  ) T ransporte do leite
e mercearias: venda das fazendas para
do leite e derivados ao cooperativas.
consumidor final.

(  ) Transporte do leite das (  ) Transporte (  ) Usinas: o leite (  ) Fábricas e laticínios:


cooperativas para as do leite é batido e controle de qualidade.
usinas de beneficiamento. industrializado pasteurizado. Embalagem do leite e
e seus derivados derivados.
para pontos
comerciais.

1. Crie um título para o quadro.

2. No quadro, as etapas estão fora de ordem. Escreva as etapas da produção ao consu-


mo final do leite e de seus derivados na ordem em que ocorrem.
3. Crie uma palavra-chave ou expressão para cada uma das etapas apresentadas no
quadro.

4. Em que momento desse processo há a participação do consumidor?

98 Eixo 2

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5. Com base no quadro, é possível afirmar que existe uma relação direta entre campo e
cidade no capitalismo? Argumente.

Para ler fotografia


Observe as fotos a seguir.

Acervo Iconographia

Mauricio Simonetti/Tyba

(1) Linha de montagem São Caetano Sul (2) Linha de montagem totalmente mecânica, feita por robôs
(SP), 1940. e máquinas. São Bernardo do Campo (2010).

Observe novamente as fotos 1 e 2 e responda:


1. O que está sendo produzido na foto 1? Que partes do produto estão sendo feitas?

2. O que está sendo produzido na foto 2? Quem está produzindo cada parte do produto?

4o e 5o anos 99

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3. Quais são as semelhanças entre os dois sistemas de produção apresentados?

4. Quais são as diferenças entre esses dois sistemas de produção?

5. Em sua opinião, qual das duas linhas de montagem consegue fabricar mais produtos
em menos tempo? Por quê?

CONSUMO E CONSUMISMO

Em roda
Nas sociedades em que se fabricam produtos em larga escala para serem vendidos
no mercado, é preciso que existam consumidores. Mais do que isso: eles precisam ser
estimulados a comprar. Converse com seus colegas sobre as seguintes questões:
• Todas as pessoas têm condições financeiras de adquirir os bens que são vendidos?
Existem produtos oferecidos apenas à população de renda mais alta? Quais são
eles?
• O sistema econômico inventou a publicidade para convencer os consumidores a
comprar mais produtos. Em sua opinião, como ela atua?
• A seu ver, há pessoas que compram produtos de que não necessitam realmente?
Por que elas fazem isso?
• Você é uma pessoa que consome além do necessário? Explique.

Para ler poema


José Paulo Paes é um poeta paulista, nascido em 1926 e falecido em 1998, que es-
creveu textos curtos, mas repletos de significado. A seguir, observe um poema escrito por
ele, que fala sobre o consumo. Leia-o em voz baixa. depois, seu professor vai lê-lo em voz
alta para a turma. Boa leitura!

100 Eixo 2

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Ilustração digital: Pingado Sociedade Ilustrativa

Ao shopping center
Pelos teus círculos
vagamos sem rumo
nós almas penadas
do mundo do consumo.
De elevador ao céu
pela escada ao inferno:
os extremos se tocam
no castigo eterno.
Cada loja é um novo
prego em nossa cruz.
Por mais que compremos
estamos sempre nus.
Nós que por teus círculos
Vagamos sem perdão
à espera (até quando?)
da Grande Liquidação.
PAES, José Paulo. Melhores poemas.
5. ed. São Paulo: Global, 2003.

4o e 5o anos 101

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1. O poema de José Paulo Paes faz uma comparação entre o mundo espiritual e o mundo
do consumo. Faça no caderno um quadro, como o do modelo a seguir, e preencha-o
com palavras ou expressões de cada um desses mundos.
Mundo espiritual Mundo do consumo
Alma penada
Céu

2. Agora releia o trecho em que se compara cada loja ao prego na cruz.


“Cada loja é um novo / prego em nossa cruz.”

• Por que as lojas são comparadas ao prego na cruz? Qual é a semelhança entre eles?

3. O que você entende do trecho “Por mais que compremos / estamos sempre nus.”?

4. O que o poema nos diz sobre o consumo no shopping center? Ele aponta mais aspec-
tos negativos ou positivos? Converse com os colegas.
5. Quais ideias presentes no poema são destacadas na ilustração que o acompanha?

Em roda
Converse com seus colegas:
• Existe diferença entre consumo e consumismo?
• A prática chamada de consumismo traz prejuízos para a sociedade como um todo?
Quais seriam esses prejuízos?

Escrevendo textos
Na discussão anterior, você ouviu as opiniões de vários colegas. Alguns concordaram
com determinada ideia e outros não. Isso acontece porque as pessoas pensam de formas
diferentes sobre um mesmo assunto.

102 Eixo 2

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Por exemplo, uma garota, Roberta, defende a ideia de que não é necessário comprar
sapatos novos no Natal. Mas será que todos pensam assim? As lojas de calçados encon-
tram-se vazias nesse período do ano? Roberta tem uma opinião, um ponto de vista. Para
convencer sua mãe a não comprar sapatos novos no Natal, Roberta pode usar argumen-
tos, ou seja, razões para tentar convencê-la a não realizar a compra.
Quantas vezes, no dia a dia, damos a nossa opinião e tentamos convencer as pessoas
de nossas ideias? Muitas vezes, elas não concordam e nos apresentam os seus contra-
-argumentos, ou seja, os argumentos contrários à nossa opinião.
Com seu grupo, escolha uma das situações a seguir para fazer uma dramatização. Em
cada uma delas, você encontrará duas pessoas que estão defendendo pontos de vista
diferentes sobre uma determinada situação.

Situação 1: C
 arlos, 43 anos, caixa de supermercado, tenta convencer sua esposa, Joa-
na, a não fazer compras no supermercado em que ele trabalha.

Situação 2: F rancisco, 8 anos, chora e tenta convencer sua mãe a comprar um brinque-
do no supermercado.

Situação 3: Juliana, 22 anos, vendedora de uma loja de roupas, procura convencer


um(a) cliente a levar mais um produto de sua loja.

• Escreva os argumentos e os contra-argumentos de cada uma das pessoas envolvi-


das na situação.
• Com um colega, dramatize para sua sala a conversa entre as duas pessoas. Lem-
brem-se de adotar gestos e modos de falar próprios das pessoas que estão repre-
sentando (garoto, marido, vendedora, cliente etc.). Ensaiem algumas vezes, ajustan-
do o que for necessário.
• Enquanto um grupo dramatiza, os outros escrevem no caderno quais foram os argu-
mentos e os contra-argumentos utilizados pelas duas pessoas.

Para debater
Assista aos vídeos 1 e 2 da série Consciente Coletivo, produzida pelo Instituto Akatu
em parceria com o canal Futura (disponíveis em: <http://www.akatu.org.br/videos>). De-
pois, debata com seus colegas as seguintes questões:
1. Qual o impacto do consumo excessivo para a vida no planeta Terra?
2. Que relações os vídeos mostram existir entre os recursos naturais, o consumo e a
crise ambiental?
3. Que soluções podem preservar o meio ambiente e a vida?
4. O que você entendeu por sustentabilidade?
5. O que pode ser feito para criar um ambiente sustentável?

4o e 5o anos 103

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eixo 2
capítulo 2
Anunciar é preciso!

eM roda
Você concorda que vivemos rodeados por anúncios publicitários? Observe as fotos a
seguir e, depois, converse com seus colegas e professor sobre as questões.

Alexandre Tokitaka / Pulsar Imagens

Cesar Diniz / Pulsar Imagens

Partida de futebol, estádio do Pacaembu, em Vendedor ambulante em Cabo Frio (RJ), 2012.
São Paulo (SP), 2011.

• Em que locais é possível encontrar anúncios publicitários?


• Quantas vezes ao dia você tem contato com esses anúncios?
• A seu ver, os anúncios publicitários estão mesmo por toda parte?

ANÚNCIOS PUBLICITÁRIOS POR TODOS OS LADOS!


Os anúncios publicitários aparecem nos jornais, nas revistas, nas rádios, na televisão,
na internet, nos ônibus, nos cartazes e murais espalhados nas ruas, nas estradas, em
outdoors, nos muros e nas camisetas das pessoas. Para vender seus produtos e servi-
ços, as empresas precisam transformá-los em objetos de desejo, ou seja, precisam fazer
com que o consumidor, motivado pelo anúncio publicitário, decida comprar esse determi-
nado produto. Neste capítulo, vamos estudar alguns dos recursos utilizados nos anúncios
publicitários para atrair o consumidor.
As palavras, as cores e as imagens são alguns dos recursos empregados nos anún-
cios publicitários para convencer o consumidor de que o produto oferecido é “melhor” do

104 Eixo 2

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que os outros. Para despertar o desejo do consumidor, o produto costuma ser mostrado
com bastante destaque, muitas vezes por meio de uma pessoa famosa, conferindo-lhe,
assim, credibilidade. Além disso, outro recurso utilizado em anúncios publicitários para
atrair o consumidor é o uso de uma linguagem próxima a do seu dia a dia, gerando iden-
tificação com o produto oferecido.
Os anúncios publicitários são sempre produzidos tendo em vista um público-alvo. É
ele quem determina em grande parte as características desses anúncios. Produzir um
anúncio publicitário para o público feminino, por exemplo, é diferente de criar um anúncio
para o público masculino ou infantil.
J.L. Bulcão/Pulsar Imagens

Os anúncios publicitarios estão em todas as partes. Na fotografia, a rodovia sete, na Cidade


del Este, fronteira entre Paraguai e Brasil 2002

eM roda
Converse com seus colegas e responda:
• Em que períodos do ano você observa uma quantidade maior de anúncios publicitá-
rios nas ruas e na televisão?
• Por que em momentos especiais, como a Copa do Mundo, o Natal e o Carnaval, qua-
se todos os anúncios publicitários destacam determinados produtos?
• Você acha que o anúncio publicitário é feito de um jeito especial para atingir um
certo público, como os jovens, as crianças, os homens, as mulheres, os ricos e os
pobres? Justifique com um exemplo.

4o e 5o anos 105

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Para pesquisar
Reúna-se em grupo e, juntos, procurem em jornais, revistas ou em outras fontes,
como anúncios publicitários de produtos como alimentos, eletrodomésticos, calçados,
roupas etc. Depois, observem esses anúncios, identificando os seguintes aspectos:
• Público-alvo (crianças, mulheres, jovens etc.).
• Imagem utilizada.
• Modo como o produto foi descrito para convencer o consumidor a comprá-lo.
Em seguida, escolham os três anúncios mais criativos, apresentando-os para a turma,
comentando as conclusões do grupo.

JINGLES E SLOGANS
Um dos recursos utilizados para atrair o consumidor em anúncios publicitários veicu-
lados na rádio ou TV são os jingles, mensagens curtas musicadas. Outro recurso muitas
vezes associado ao jingle é o slogan, frase curta que ressalta as qualidades de um pro-
duto. Uma das características de um slogan é que seja lembrado com facilidade e, assim,
imediatamente associado ao produto. Relembre, por exemplo, um antigo slogan muito
conhecido da Caixa Econômica Federal: “Vem pra Caixa você também! Vem!”

para ler jingles e slogans


O jingle também deve ser marcante e ficar na memória do consumidor. Você já ouviu
os jingles a seguir? Leia-os e, depois, responda às questões.

Pipoca na panela
Começa a arrebentar
Pipoca com sal
Que sede que dá
Pipoca e guaraná, que programa legal
Só eu e você
E sem piruá, que tal? [...]
©copyright  MCR Produções de Propaganda.

O tempo passa
O tempo voa
E a poupança Bamerindus continua numa boa [...]
©copyright by Walter Santos e Tereza Souza.

106 Eixo 2

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Os jingles só são memorizados com facilidade porque são construídos de forma bem
pensada.
1. A partir do que você observou, sublinhe que recursos, comuns nesses dois jingles,
nos ajudam a lembrar deles.

frases longas palavras difíceis rimas repetições

2. Identifique palavras que rimam nos jingles que você acabou de ler.

3. Alguns jingles têm refrão, ou seja, frases que se repetem. Normalmente, os refrões
dos jingles funcionam como os slogans dos anúncios publicitários.
• Você conseguiu identificar slogans nos jingles que leu?

4. Que outros jingles ou slogans você conhece? Reúna-se em grupo e, com a ajuda do
professor, faça uma gincana em sua sala para saber qual grupo conhece mais jingles
e slogans.

Pensando sobre a língua

1. Nos anúncios publicitários, é comum encontrarmos diversas palavras que indicam


qualidades dos produtos ou serviços anunciados. Essas palavras são denominadas
adjetivos. Escreva, em seu caderno, algumas das qualidades associadas a um produ-
to apresentado em um dos anúncios publicitários presentes neste capítulo.
2. Converse com seus colegas e professor sobre a função dos adjetivos nos anúncios
publicitários.
3. Os adjetivos são palavras que atribuem características aos nomes, que podem ser
tanto qualidades como defeitos. Por exemplo: “leite saboroso”, “leite nutritivo”, “leite
saudável” ou “leite estragado”, “leite ruim”, “leite fraco”. Com base nisso, discuta
com seus colegas as seguintes questões:
a) É comum encontrarmos nos anúncios publicitários adjetivos que indiquem defei-
tos dos produtos ou dos serviços anunciados?
b) Por que isso acontece?

4o e 5o anos 107

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4. Os anúncios publicitários usam adjetivos para ressaltar qualidades de diversos tipos,
de acordo com o produto e com o consumidor que pretendem atingir. Os anúncios po-
dem destacar qualidades como sabor, beleza, preço, eficiência, diversão e segurança.
• Se você fosse criar anúncios publicitários para os produtos a seguir, que adjetivos
usaria e por quê? Em dupla, complete a tabela abaixo com pelo menos dois adjeti-
vos para cada produto. Depois, justifique sua escolha na última coluna da tabela.
Iniciamos o preenchimento para você.

Produto Adjetivos Qualidades ressaltadas Justificativa

O consumidor quer
ter certeza de que a
bicicleta é segura e não
segura segurança
vão ocorrer acidentes;
bicicleta confortável conforto
deseja ter conforto e,
barata economia
ao mesmo tempo, não
quer gastar muito com
a compra da bicicleta.

biscoito

calçado

roupa

5. Em diversos anúncios publicitários, observamos frases como “Compre nosso produ-


to”. Elas são chamadas de imperativas, pois dão conselhos, ordens ou fazem pedi-
dos. Por que, a seu ver, esse tipo de frase é tão utilizado nos anúncios publicitários?

108 Eixo 2

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6. Leia as frases a seguir e transforme-as em frases imperativas. Observe o modelo.
a) Você pode comprar o novo desodorante Maxi.
Compre o novo desodorante Maxi.

b) Você poderia provar o óleo Milhasol.

c) É bom ter o novo celular CELL.

7. Na sua opinião, qual das duas versões de cada frase da questão anterior convence
mais o consumidor a comprar o produto? Discuta com seus colegas e registre suas
conclusões.

Para pesquisar
Em grupo, você e seus colegas devem pesquisar anúncios publicitários que consi-
derem bem elaborados, ou porque convencem de fato o público-alvo, ou porque têm um
texto interessante, chamativo. Pesquisem em jornais, revistas, na internet, ouvindo rádio
e assistindo à televisão.
Depois, escolham o melhor anúncio e registrem as seguintes informações: o produto
anunciado, o público-alvo, onde o anúncio foi veiculado.
Levem o anúncio escolhido para a classe e discutam com os outros grupos a escolha
com base nas seguintes questões:
• Por que esse anúncio foi escolhido?
• Que estratégias foram usadas nesse anúncio para tentar convencer os consumidores?

Escrevendo anúncios publicitários


Em grupo, você vai testar sua capacidade de criar anúncios publicitários. Seu grupo
vai escolher um produto e o público a que se destina (crianças, homens, mulheres, ido-
sos, atletas, donas de casa, empresários, aposentados etc.) e depois criar:
Considerando que os alunos não produzirão textos como
a) um nome para o produto; publicitários, o objetivo da atividade é levá-los a refletir criticamente
sobre as estratégias persuasivas, além de experimentar o uso das
b) um slogan para uma publicidade; linguagens verbal e não verbal na tentativa de produzir um texto
persuasivo.

c) um anúncio publicitário com imagens (que podem ser, por exemplo, uma colagem
das imagens selecionadas pelo seu grupo).

Depois, mostrem o resultado para a turma e discutam quais anúncios poderiam real-
mente convencer o público consumidor escolhido em cada caso.

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eixo 2
capítulo 3
Outro modo de produzir
e consumir
em roda
Nossa sociedade organizou-se com base no modo capitalista de produção: industrial,
urbano e marcado pelo consumo de massas. Nesse sistema, a maioria da população é de
trabalhadores, enquanto somente uma pequena parcela representa os patrões, ou seja,
os donos dos chamados meios de produção. Constituiu-se uma sociedade de consumo
em que nem sempre as necessidades essenciais determinam o que deve ser produzido
e consumido. Muitas pessoas consomem exageradamente ou ficam ávidas para adquirir
as últimas novidades, muitas vezes movidas pelos anúncios publicitários.
Converse com seus colegas sobre a seguinte questão: Existe um modo diferente de
produzir, consumir e viver que não seja esse que conhecemos?

S.F. de Wilde/Demotix/Corbis/Latinstock

Ativistas pixando a fachada do Federal Finance Tower na Bélgica, 2011.

Para ler esQuema


Vamos analisar duas formas de organização da produção presentes em nossa socieda-
de e compreender as diferenças entre elas. Observe os esquemas a seguir relacionados
à fabricação de roupas.

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Esquema 1

Ilustrações digitais: Estúdio Pingado


Esquema 2

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1. Nos dois sistemas de produção descritos nos esquemas existem patrões e emprega-
dos? Explique.

2. Compare a forma como o lucro é administrado nos dois sistemas de produção. Existe
diferença entre eles? Explique.

3. Em sua opinião, quais são as diferenças mais importantes entre os dois sistemas de
produção?

4. O que há em comum entre os dois sistemas de produção?

5. Em sua opinião, quais são as vantagens e as desvantagens de cada um dos sistemas


de produção? Justifique sua resposta e apresente para os colegas da turma.

COOPERATIVA: UMA PRODUÇÃO SOLIDÁRIA


Leia a reportagem a seguir com os colegas e com o professor. Ela mostra uma al-
ternativa para a inserção de trabalhadores rurais no mercado de trabalho, organizada no
interior do estado de São Paulo.
Uma reportagem é uma forma de documentar experiências humanas e precisa infor-
mar quando e onde o fato ocorreu e quem foram as pessoas envolvidas.

112 Eixo 2

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Para ler notícia

Globo Comunicação e participações S.A.


9/3/2013 14h46 – Atualizado em 19/03/2013 14h54.

Assentados criam cooperativa e aumentam produção em Itapeva, SP


São seis agrovilas que trabalham no sistema da agricultura familiar.
Agricultores produzem hortifrútis, leite e grãos que abastecem a região.

Do G1 Itapetininga e Região
Trabalhadores rurais que moram em assentamentos na região de Itapeva (SP)
comemoram o crescimento na produção. O aumen­to ocorreu após a iniciativa deles em
se agregarem e montarem uma cooperativa, a Cooperativa dos Assentados de Reforma
Agrária e Pequenos Produtores da Região de Itapeva (Cooapri).
O grupo já existe desde 2007, mas a cada ano os agricultores conseguem aumentar
a diversificação de produtos e se fortalecem economicamente. Eles trabalham com
hortifrútis, grãos e laticínios.

4o e 5o anos 113

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O pecuarista Arno Hanh, de Itapeva, que é um dos 80 cooperados em um
laticínio, conta que consegue entregar até 180 litros de leite por dia na empresa
coordenada pela cooperativa. Ao todo, a indústria chega a receber 1,4 mil de leite
diariamente. Hanh, que também produz grãos, afirma que com a venda direta
aumentou a renda e consegue garantir o sustento da família. “Tudo o que tenho
hoje, o que não é grande coisa, mas dá para ser virar bem, consegui com esse
trabalho de cooperativa, da produção de leite e de grãos”, afirma. [...]
Somando as seis agrovilas que compõem a cooperativa, são 370 assentados.
Em uma delas, a Agrovila III, que fica em Itaberá (SP), no limite com Itapeva, a
horta comunitária garante produção e renda para 30 famílias que fazem o cultivo.
[...]
Dos 5,5 mil hectares pertencentes ao assentamento, 2 mil hectares são dedicados
ao hortifrúti. Entre os produtos produzidos estão beterrabas, alfaces, cenouras
entre outros produtos. Por meio do Programa de Aquisição de Alimentos
(PAA) e do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), a cooperativa
consegue fornecer alimentos para 18 prefeituras do interior do estado. Com isso,
os agricultores têm garantia de que a produção terá saída e, consequentemente,
retorno financeiro.
A agrônoma Ana Terra Reis representa a Cooapri. Ela é responsável pela
negociação de vendas, além de pesquisar e verificar em quais programas do
governo cada grupo se encaixa. Ela prepara a documentação e ainda negocia com
a iniciativa privada a venda dos produtos do laticínio, a venda do arroz, do feijão
e das hortaliças. [...]
Como os legumes e verduras são produzidos no sistema de agricultura
familiar, em hortas comunitárias, os produtores afirmam que os alimentos são
mais saudáveis, pois não recebem agrotóxicos. A qualidade aos consumidores
também é garantida porque todos os produtos são colhidos no mesmo dia em que
são levados aos destinos. [...]

Reúna-se com um colega e respondam às perguntas sobre a notícia que acabaram de ler.
1. Procure no dicionário as palavras que vocês ainda não conhecem e anotem no cader-
no o seu significado.
2. Qual é o tema da notícia?

114 Eixo 2

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3. A notícia descreve a experiência de uma cooperativa. Com base no que foi escrito, o
que podemos entender por cooperativa?

4. Leiam as frases a seguir. Depois, escrevam embaixo de cada uma o número do pará-
grafo correspondente à ideia apresentada.
a) A compra feita pelas prefeituras do interior garante boa saída para a produção da
cooperativa.

b) A venda direta aumenta a renda dos trabalhadores.

c) A produção dos trabalhadores rurais de Itapeva (SP) aumentou depois que eles se
organizaram em cooperativa.

5. Para você, qual é a maior lição que pode ser aprendida com essa experiência? Expli-
que sua resposta e apresente-a para os colegas.

Pensando sobre a língua

1. Nas reportagens e notícias publicadas em jornais, sites ou revistas, é comum o jor-


nalista marcar os trechos do texto que foram ditos por outras pessoas com um sinal
de pontuação chamado aspas (“ ”). Releia a notícia “Assentados criam cooperativa e
aumentam produção em Itapeva, SP” e responda às questões:

4o e 5o anos 115

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a) Em que trechos o jornalista usou as aspas para marcar a fala de outras pessoas?

b) Os trechos marcados com aspas foram ditos por quem?

2. Releia os trechos a seguir. Neles encontramos outro sinal de pontuação, chamado de


parênteses ( ).
“O aumento ocorreu após a iniciativa deles em se agregarem e montarem uma
cooperativa, a Cooperativa dos Assentados de Reforma Agrária e Pequenos Produtores da
Região de Itapeva (Cooapri). ”

“Por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e do Programa Nacional de


Alimentação Escolar (Pnae), a cooperativa consegue fornecer alimentos para 18 prefeituras
do interior do estado.”

a) Para que servem os parênteses nesses trechos?

b) A informação escrita entre parênteses já tinha sido apre- Na notícia lida, alguns
sentada no texto? De que forma? trechos foram omitidos. Para
marcar os trechos do texto
onde houve cortes, usa-se uma
combinação de dois sinais
de pontuação: reticências
colocadas entre colchetes [...].

Para ler notícia


As cooperativas populares
A economia solidária, em linhas gerais, constitui-se como um modo de produção e
distribuição alternativo, criado e recriado periodicamente por pessoas excluídas do mercado
de trabalho. Tem como unidade típica de produção a cooperativa. Segundo o professor Paul
Singer, uma cooperativa organizada em bases solidárias pauta-se nos seguintes princípios:

116 Eixo 2

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• empreendimento de posse coletiva – a propriedade do empreendimento é de
todos os cooperados;
• participação direta ou por representação (quando a cooperativa tiver grande
número de cooperados) na tomada de decisões;
• repartição da receita líquida – arrecadação já com descontos de impostos e outras
despesas – entre os cooperados, após discussões e negociações entre todos e
destinação do excedente anual (“sobras”), também segundo acertos entre todos
os cooperados.

Existem três tipos de cooperativas:

a) cooperativas de produção (confecção

Fabio Colombini
de roupas, artesanato, marcenaria,
alimentos etc.);
b) cooperativas de trabalho (profissionais
como psicólogos, médicos, técnicos
de informática associam-se para
exercerem a profissão);
c) cooperativas de prestação de serviços
(cooperados vendem diversos serviços,
como de limpeza, manutenção,
reparação etc., muitas vezes executados
nos locais e com meios fornecidos Cooperativa de reciclagem de lixo,
São Paulo (SP), 2012.
pelos compradores).

SANTIN, Patricia. As cooperativas populares.


Revista Integração, São Paulo, jul. 2004.

Na internet

É possível encontrar vídeos interessantes sobre o assunto estudado:

• Brasileiros: Quebra Coco, faz a Vida. TV Câmara/UNB. Disponível em: <http://ob-


jetoseducacionais2.mec.gov.br/handle/mec/15366>.
O vídeo traz a experiência de mulheres que alcançaram a independência econômica com
a criação de uma cooperativa que atua na comercialização e exportação do babaçu.
• Economia solidária e comércio justo. Instituto Faces. Disponível em: <http://www.
facesdobrasil.org.br/bons-exemplos.html>.
Acesso a várias experiências bem-sucedidas de economia solidária no Brasil.

4o e 5o anos 117

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Em roda
Vimos que já existem formas de produzir e distribuir a riqueza obtida pelo trabalho
de modo mais igualitário. Mas será que existem alternativas do mesmo tipo também no
modo de consumir? Imagine que sua turma vai se organizar em um grupo de compras com
o objetivo de agir de modo diferente do que ocorre habitualmente.
Algumas perguntas precisam, então, de respostas: quais são os bens a serem com-
prados? Só pode comprar quem tem dinheiro? Vale qualquer produto, de qualquer marca
ou de qualquer empresa? Como definir o que é realmente necessário e o que não é?
Converse com seus colegas sobre essas questões.

Para ler cartilha educativa

O que entendemos por consumo responsável?


[...]

G. Evangelista/Opção Imagens
Em geral, o que vemos são pessoas escolhendo É cada vez mais
quais produtos vão comprar a partir do desejo e da comum a reciclagem
e o reaproveitamento
necessidade, sem pensar no que esse ato provoca, para de materiais que,
além do que seus olhos veem, no mundo a sua volta. Ao se descartados,
levariam centenas
comprar alimentos, a maioria das pessoas se preocupa
de anos para se
mais com aparência, sabor e preço, deixando de lado decompor na
suas consequências para a saúde, o meio ambiente, a natureza. Um
exemplo disso é, o
sociedade, a cultura, a economia e o mundo. Mas não luminária feita de
podemos esquecer que, ao escolher comprar este ou filtro de papel usado
em peça de artefato
aquele produto, estamos alimentando também atitudes
de Minas Gerais.
que podem ser ou não sustentáveis.
Vivemos numa cultura em que o consumismo e a prática de relações desrespeitosas
com os trabalhadores têm trazido sérias consequências para a sustentabilidade da vida
no planeta. Refletir sobre o nosso consumo e buscar alternativas mais sustentáveis e
responsáveis é um dos maiores desafios que o homem encontra hoje para efetivamente
contribuir na construção de uma melhor qualidade de vida para si e para todos.
O Consumo Responsável (CR) é a intervenção do consumidor que entende
que suas escolhas diárias afetam sua qualidade de vida, a sociedade, a economia e a
natureza. Assim, esse consumidor (um indivíduo, um grupo ou uma instituição) busca
alternativas, ajudando a construir opções saudáveis, sustentáveis e responsáveis de
produção, comercialização e consumo. [...]
PISTELLI, Renata de Salles S.; MASCARENHAS, Thais Silva. Organização de Grupos
de Consumo Responsável. São Paulo: Instituto Kairós, 2011. p. 4-5. (Fragmento).
Também disponível em: <http://institutokairos.net/wp-content/
uploads/2012/04/Grupos-de-Consumo.pdf>. Acesso em: 21 abr. 2013

118 Eixo 2

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Em ação
Com um colega, responda às seguintes perguntas sobre o texto que você acabou de ler.
1. Qual é o tema tratado no texto?

2. Segundo o texto, o que significa “consumo responsável”?

3. Para quem defende o consumo responsável, quais seriam as atitudes adequadas do


consumidor? Dê exemplos.

Escrevendo textos
Reúna-se com alguns colegas e escrevam um folheto informativo com recomendações
às pessoas sobre a melhor forma de consumir produtos. Sigam as instruções:
• Criem um título para o folheto. Definam quem são as pessoas que vão recebê-lo.
• Discutam a melhor forma de se dirigir ao público que vai receber o folheto.
• Elaborem um pequeno texto sobre o consumo.
• Definam as recomendações para um consumo responsável. Usem frases curtas
para leitura mais rápida. Organizem esses tópicos em ordem numérica.
• Se acharem interessante, utilizem ilustrações ou fotografias para chamar a atenção
do público que lerá o folheto.
• Lembrem-se de usar um tamanho de letra que facilite a leitura. Façam destaques
com cores para as informações mais importantes.
• Ao final, revisem o folheto. Observem se as informações mais importantes foram
ditas e se podem ser entendidas facilmente. Verifiquem o uso do ponto-final, das
letras maiúsculas e a grafia das palavras. Se quiserem, troquem os folhetos com
outros grupos para que todos se ajudem nessa tarefa de revisão.

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Eixo 2
Capítulo 4
Trabalho, consumo e saúde

Em roda
A produção agrícola e industrial, em escala cada vez maior, tem causado muitos pre-
juízos ao meio ambiente e à saúde dos seres vivos. Voltados mais para o lucro imediato
do que para o bem-estar das pessoas, muitos sistemas de produção agrícola e industrial
causam poluição e degradação ambiental, provocando o esgotamento de recursos da
natureza.
O mau uso dos recursos naturais causa o desequilíbrio ecológico, a poluição do ar,
do solo, das águas superficiais e subterrâneas, além de riscos e danos para a saúde da
população em geral.
Você conhece exemplos de sistemas de produção que causam prejuízos ao meio am-
biente e à saúde das pessoas? Apresente-os oralmente para a turma.

Rafael Andrade/Folhapress

Em dezembro de 2011, a praia do Bonfim, em Angra dos Reis (RJ), foi contaminada pelo óleo que vazou do
navio-tanque Cidade de São Paulo, da Petrobras.

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para lEr rEportagEm E tEXto informatiVo
Com a ajuda do professor, a turma deve ser dividida em dois grupos. Cada grupo vai
ler um dos textos apresentados a seguir.

Brasileiro consome cinco quilos de agrotóxicos por ano, mostra estudo


A venda de agrotóxicos no Brasil em 2010 teve um aumento de 190% em
comparação a 2009. Isso significa que cada brasileiro consome cerca de cinco quilos de
venenos agrícolas por ano. Os dados fazem parte de um estudo da Associação Brasileira
de Saúde Coletiva (Abrasco), baseado em informações disponibilizadas pela Agência
Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O estudo foi apresentado hoje (16) na Cúpula
dos Povos pela médica sanitarista Lia Giraldo da Silva Augusto, da Universidade Federal
de Pernambuco (UFPE).
Ela credita o aumento na venda dos agrotóxicos ao bom momento do mercado
agrícola, puxado principalmente por uma forte demanda chinesa. O produto que mais
recebe venenos é a soja transgênica, que precisa do glifosato para produzir, em um tipo
de “venda casada”, explicou a pesquisadora.
GLOSSÁRIO
“Este ano a Abrasco decidiu construir um dossiê sobre o tema Agroindústria: atividade
do agrotóxico e os impactos na saúde e no meio ambiente. [...].” econômica baseada
na industrialização de
Segundo a médica, o uso de agrotóxicos no Brasil faz parte do matérias-primas da
modelo produtivo adotado na agricultura nacional. “Este modelo agropecuária. Exemplos
dessa atividade são a
da agroindústria é todo sustentado no pacote da revolução transformação da cana-
-de-açúcar em açúcar
verde, que é baseada em uma agricultura químico-dependente. e álcool combustível,
O agrotóxico é parte desse modelo. Por causa disso, desde 2008 o e da laranja em suco
industrializado.
Brasil ocupa o primeiro lugar no consumo de agrotóxicos, segundo
dados levantados pela Abrasco na Anvisa.”
Vladimir Platonow. Agência Brasil, Rio de Janeiro, 16 jun. 2012.
Disponível em:<http://noticias.uol.com.br/meio-ambiente/ultimas-noticias/redacao/2012/06/16/brasileiro-consome-
cinco-quilos-de-agrotoxicos-por-ano-mostra-estudo-divulgado-na-cupula-dos-povos.htm>.
Acesso em: 21 abr. 2013. (Fragmento.)

Agrotóxico
Segundo a legislação vigente [no Brasil], agrotóxicos são produtos e agentes
de processos físicos, químicos ou biológicos, utilizados nos setores de produção,
armazenamento e beneficiamento de produtos agrícolas, pastagens, proteção de
florestas, nativas ou plantadas, e de outros ecossistemas e de ambientes urbanos,
hídricos e industriais.
O agrotóxico visa alterar a composição da flora ou da fauna, a fim de preservá-
-las da ação danosa de seres vivos considerados nocivos. Também são considerados

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agrotóxicos as substâncias e produtos empregados como desfolhantes, dessecantes,
estimuladores e inibidores de crescimento.
Ministério do Meio Ambiente. Disponível em: <http://www.mma.gov.br/
seguranca-quimica/agrotoxicos>. Acesso em: 12 mar. 2013.

Ernesto Reghran/Pulsar Imagens


Trator fazendo pulverização na plantação de soja, Palotina. (PR), 2011.

Em grupos

1. Após a leitura do texto escolhido, seu grupo vai descrevê-lo para os demais. Para isso:
• Observem e anotem quando e onde o texto foi veiculado.
• Selecionem as informações principais do texto.
• Analisem com atenção o título do texto.
2. Apresentem oralmente para a turma um resumo do texto. Comentem e discutam com
os colegas as informações mais importantes.

Em ação
Ao término da leitura e dos comentários orais sobre os textos, responda, com seu
grupo, às seguintes questões:
1. Quais são os prejuízos ao meio ambiente e à saúde das pessoas citados nos dois
textos?

2. Quais são as causas desses prejuízos?

122 Eixo 2

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3. Os textos deixam clara a relação entre o modo de produzir os bens e os prejuízos cau-
sados ao meio ambiente e à saúde? Se a resposta for afirmativa, destaque um trecho
que mostre essa relação.

4. Observe, no quadro a seguir, duas palavras utilizadas nos textos. Elas são formadas
por dois radicais, ou seja, duas partes com significados independentes. Descubra os
dois radicais de cada palavra e escreva-os, separadamente, na segunda coluna.

Agrotóxico

Agroindústria

• Depois de escrever os dois radicais de cada palavra, responda: qual deles se rela-
ciona com a palavra campo?

5. Com base nas respostas anteriores, escreva, em grupo, o significado de cada palavra
Ajude os alunos a deduzirem o significado da palavra agrotóxico, explicando o sentido de cada
na terceira coluna do quadro. radical. Como agro é uma palavra latina que significa “terra cultivada, campo”; tóxico significa
veneno, “agrotóxico” é um veneno utilizado no campo, ou seja, um defensivo agrícola.
6. Procure em jornais, em revistas e no dicionário outras palavras que iniciam com AGRO,
ou com outros radicais, como BIO­e MONO­. Em seguida, escreva no caderno o signi-
ficado de cada uma das palavras encontradas.

Para pesquisar
Os textos anteriores trataram da
Dizm/Dreamstime.com

presença de agrotóxicos nos alimen-


tos. Você já se perguntou por que não
conseguimos ver essas substâncias
ou até mesmo as bactérias que apa-
recem nos alimentos? Se você respon-
der que é porque são muito pequenos,
acertou. Para realizar essas análises,
existem muitos equipamentos, entre
eles o microscópio, que permitem ver
ou constatar a presença de seres vi-
vos ou substâncias que podem causar
danos à saúde e que não conseguimos Microscópio
moderno.
enxergar a olho nu.

4o e 5o anos 123

V3_Eixo2_Cap_4.indd 123 2/7/14 6:34 PM


1. Pesquise informações sobre o microscópio: quem o inventou, os tipos existentes hoje
e as áreas nas quais são utilizados.
2. Quais são os outros equipamentos criados pelo ser humano que nos ajudam a enxer-
gar melhor? O que têm em comum na sua estrutura?
3. Com orientação de seu professor, elabore, com três colegas, um cartaz apresentando
o resultado de sua pesquisa.

Pensando sobre a língua


Neste capítulo, encontramos algumas siglas. Você sabe o que é uma sigla? É uma for-
ma reduzida de escrever palavras ou expressões. Leia as siglas a seguir e seu significado.

Abrasco – Associação Brasileira de Saúde Coletiva


Anvisa – Agência Nacional de Vigilância Sanitária
UFPE – Universidade Federal de Pernambuco

1. Ligue cada uma das siglas a seguir a seu significado. Depois, reescreva-as no cader-
no, acompanhadas de seus significados.
RG Cadastro de Pessoas Físicas
CPF Código de Endereçamento Postal
INSS Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana
IPTU Instituto Nacional do Seguro Social
IML Instituto Médico Legal
CEP Registro Geral

2. Agora, escreva as siglas correspondentes aos seguintes nomes:

• Educação de Jovens e Adultos:


• Sistema Único de Saúde:
• Polícia Militar:
• Carteira de Trabalho e Previdência Social:
• Serviço de Proteção ao Crédito:
• Discagem Direta a Distância:

3. Observe estas siglas e seus significados:

Embrapa – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária


Petrobras – Petróleo Brasileiro S.A.
Sebrae – Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas
Ibama – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis
Funai – Fundação Nacional do Índio
Sudene – Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste

124 Eixo 2

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• As siglas desse quadro foram formadas do mesmo modo que na questão 2? Por quê?

4. Converse com os colegas sobre a formação das siglas. Em seguida, complete as la-
cunas. As siglas são formadas, normalmente, de duas maneiras:
• pelas letras das palavras que compõem uma expressão,
como em INSS e nesse caso são sempre escritas com
letras ;
• pelas sílabas das palavras que compõem uma expressão,
como em SUDENE e ;
• Podem ser formadas também parte pelas sílabas das palavras
que compõem uma expressão e parte pelas letras dessas
palavras, como em FUNAI e .
Nos dois últimos casos podem ser escritas apenas com letras
(SUDENE) ou com letra e minúscula (Sudene).
Não se usam pontos para separar as letras: não se escreve C.P.F. e sim .
5. No texto que você leu, a sigla Anvisa aparece entre parênteses ( ), depois da ex-
pressão que ela representa. Às vezes acontece o contrário: não é a sigla que aparece
entre parênteses, mas o significado dela. Por exemplo, Apae (Associação de Pais e
Amigos dos Excepcionais). Releia o texto e responda:
a) O que significam as siglas Anvisa e Abrasco?

b) Se você encontrasse só as siglas Anvisa e Abrasco no texto, você entenderia o


que significam? Explique.

c) Por que a informação aparece duas vezes, de formas diferentes: na sigla e na


expressão completa? Você acha que isso é importante para a compreensão do
texto? Discuta com seus colegas.

4o e 5o anos 125

V3_Eixo2_Cap_4.indd 125 2/7/14 6:34 PM


A SAÚDE DOS TRABALHADORES

Para ler fotografia


Observe as duas situações apresentadas nas fotografias.

Carlos Vieira/CB/D.A Press


Gerson Sobreira

Trabalhadores cortam toras em carvoaria, na Pulverização em lavoura de café. Arapongas


comunidade quilombola em São Domingos Conceição (PR), 2010.
da Barra (ES), 2008.

Em ação
Em dupla, observe as fotografias e responda às seguintes perguntas:
1. Quais atividades estão sendo realizadas pelos trabalhadores?

2. Da forma como estão sendo realizadas, essas atividades podem afetar a saúde dos
trabalhadores?

3. Quais os riscos que essas atividades, da forma como estão sendo realizadas, pro-
duzem para o meio ambiente? Quem pode ser afetado por esses riscos ambientais?

126 Eixo 2

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O adicional de insalubridade

As leis brasileiras, assim como em outros países do mundo, determinam que


o trabalho em condições de risco deve ser remunerado com um valor a mais, cha-
mado adicional de insalubridade.
O trabalho em condições insalubres, isto é, que prejudicam a saúde, assegura
ao trabalhador o direito de receber um adicional sobre o salário-mínimo da região.
O valor desse adicional é calculado em função do risco de insalubridade a que o
trabalhador fica exposto. Ele prevê a décima parte do salário (10%) para um grau
mínimo de insalubridade. Portanto, se o trabalhador recebe GLOSSÁRIO
R$ 400,00, o adicional será de R$ 40,00. Para o grau máxi-
Insalubridade:
mo de insalubridade, o adicional é de 2/5 (40%) do salário. condição que causa
Assim, se o salário é de R$ 400,00, o adicional será de R$ danos à saúde.
160,00.

para pEsquisar
Vimos que uma produção agrícola e industrial inadequada traz prejuízos ao meio am-
biente e à saúde dos seres vivos.
Hoje, muitas pessoas em todo o mundo querem mudar essa realidade. Cada um pode
fazer sua parte, por exemplo, colhendo informações sobre as condições de insalubridade
no em próprio trabalho.
Reúna-se com alguns colegas, escolham um ambiente de trabalho e escrevam um ro-
teiro de observação sobre ele. Sugerimos a seguir alguns tópicos para esse roteiro, mas
vocês podem completá-lo com questões que considerem importantes.

• Os trabalhadores utilizam roupas adequadas ao trabalho que exercem?


• Em caso de necessidade, eles possuem equipamentos de proteção, como luvas,
máscaras ou capacetes?
• Os trabalhadores ficam expostos a substâncias perigosas?
• Existem avisos no ambiente de trabalho do tipo “Proibido fumar” ou “Cuidado: pro-
duto inflamável”?
• Existem recipientes adequados para depositar lixo e resíduos em geral?

Levem as respostas para a classe e discutam com os colegas a seguinte questão:


Os ambientes de trabalho analisados apresentam boas condições de trabalho? Por quê?

EsCrEVEndo Carta dE soliCitação


Com base no que foi encontrado na pesquisa realizada, você pode propor ações que
mudem essa realidade.
Uma possibilidade é entrar em contato com representantes da Comissão Interna de
Prevenção de Acidentes (Cipa) de uma empresa que fez parte da pesquisa. A Cipa tem a
função de identificar e tomar providências em relação aos riscos em ambientes de trabalho.

4o e 5o anos 127

V3_Eixo2_Cap_4.indd 127 2/7/14 6:34 PM


Reúna-se com seus colegas de grupo e juntos elaborem uma carta endereçada à
Cipa, na qual vocês deverão:

• Apresentar-se, dizendo quem são e por que estão procurando a Cipa.


• Apresentar relatório dos problemas encontrados, com base nas respostas da ativi-
dade anterior. É preciso dizer como e onde a pesquisa foi feita.
• Solicitar providências sobre os problemas verificados nos diversos ambientes de
trabalho pesquisados.

Observem o exemplo a seguir para entender como uma carta deve ser organizada e
encaminhada ao destinatário. Lembrem-se de que, ao se dirigir a uma instituição, não se
deve usar palavras muito informais, como você, ou gírias.

Data
Destinatário,
nome
do responsável
e setor
Rio de Janeiro, 5 de abril de 2013.

QSL – Tubos para encanamentos


Ao Sr. Sílvio Ribeiro
Coordenador da CIPA
Assunto
Ref. Segurança dos trabalhadores

Prezado Sr.,

XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
Saudação/vocativo XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX.
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
Corpo do texto
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX-
XXXXXXXXXXXXXXXXXX

Atenciosamente,
Fechamento João Martins
e assinatura Comissão de funcionários da Metalurgia
do emissor

128 Eixo 2

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Eixo 2
Capítulo 5
Quanto custa?

EM roDa
Leia o texto e, com a sua turma, responda à questão a seguir.

Quanto custa um copo de leite?


Ao tomar um copo de leite em casa, pouca atenção se dá aos significados dessa
ação. O gostoso líquido foi produzido, embalado, transportado e vendido até chegar ao
copo para ser consumido. Aliás, o copo também foi produzido, embalado, transportado
e vendido, envolvendo um grande número de trabalhadores de diversas esferas da
produção, distribuição e comercialização, esferas que, por sua vez, consumiram
quantidades de energia e matéria-prima.

Elenatheurise/Dreamstime.com
Qualidade de vida, consumo e trabalho. Coordenação do projeto F. J.
C. Mazzeu, D. J. Demarco, L. Kalil.
São Paulo: Unitrabalho – Fundação Interuniversitária de Estudos e
Pesquisas sobre o Trabalho; Brasília, DF:
Ministério da Educação/Secad – Secretraria de Educação
Continuada, Alfabetização e Diversidade, 2007, p. 21 (Coleção
Cadernos de EJA.) Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/secad/
arquivos/pdf/09_cd_al.pdf> Acesso em: 19 mar. 2013.

• Você poderia relatar o processo pelo


qual passa o leite, desde a ordenha
até o momento de ser consumido?

Copo de leite. Foto de 2010.

EM GrUpos

1. Reflita sobre os diferentes tipos de trabalho desenvolvidos na produção do leite. Par-


ticipe do debate que seu professor irá organizar, fazendo um levantamento de tudo o
que acontece antes que esse produto seja consumido por nós. Siga os itens de cada
uma das etapas apresentadas no quadro a seguir.

4o e 5o anos 129

V3_Eixo2_Cap_5.indd 129 2/7/14 6:35 PM


produção do leite
• Propriedade: terra (grande ou pequena) e gado leiteiro (pequenos ou grandes rebanhos).
• Plantação e manutenção: pastos, currais, ração e remédios para o gado.
• Trabalho: assalariado ou não (agricultor, lavrador, boia-fria).
•Capital: dono da propriedade e do rebanho ou fazendeiros e empresas que arrendam as terras.

Distribuição do leite
• Laticínios: empresas ou cooperativas.
• Máquinas: para pasteurizar, homogeneizar e embalar o leite.
• Tipos de leite produzidos: A, B, C, em pó, condensado, iogurtes etc. (para públicos
diferenciados por idade e poder aquisitivo).
• Propaganda: meios de comunicação informam e “convencem” as pessoas a comprarem os
diferentes tipos de leite.
• Matéria-prima: leite natural extraído da vaca.
• Trabalho: assalariado (operários, engenheiros e administradores).
• Capital: dono do laticínio (empresário ou cooperado).
• Venda: dinheiro, à vista, a prazo, consignado.

Compra e venda do leite


• Local: padarias, supermercados, entre outros.
• Escolha da marca: preço (impostos), validade, embalagem, condições de higiene.
• Compra e venda: dinheiro, à vista, a prazo, consignado.
• Transporte: do laticínio para o ponto de venda (caminhões com refrigeração).
• Matéria-prima: leite pasteurizado.
• Trabalho: assalariado (balconistas, caixas, motoristas etc.).
• Capital: dono do estabelecimento comercial que vende o leite.

2. Você pode perceber que, nas etapas que antecedem o consumo do leite, o trabalho
e a circulação de dinheiro sempre estão envolvidos. Discuta com a turma a respeito
de como acontece a circulação do dinheiro. Exponha suas ideias. Verifique se seus
colegas pensam ou não como você.
GLOSSÁRIO
Lucro: benefício livre de
despesas que se obtém na
CUSTOS E LUCROS exploração de uma atividade
econômica. Pode ser também
definido como a diferença
No preço de produtos comercializados, como alimentos, remé- entre o preço de compra e o de
dios, vestuário, materiais de limpeza, estão incluídos custos diretos venda, descontadas as despesas
e indiretos. O custo direto abrange fatores como matéria-prima, sa- ocorridas entre essas duas
operações.
lários dos trabalhadores e embalagem do produto. O custo indireto
inclui uso de locais apropriados para produzir, consumo de água e energia elétrica, empre-
go de equipamentos e transporte. Do ponto de vista do empresário, para haver lucro, o

130 Eixo 2

V3_Eixo2_Cap_5.indd 130 2/7/14 6:35 PM


preço de venda ao consumidor de um produto como o leite pode ser dez, cem ou até mil
vezes maior do que o preço de venda da matéria-­prima natural.
Você sabe o que significam as expressões: “dez vezes maior”, “cem vezes maior”,
“mil vezes maior”? Observe os cálculos a seguir para compreender essas relações:

5 × 10 = 50 5 × 100 = 500 5 × 1 000 = 5 000

Veja no quadro valor de lugar os resultados dos cálculos feitos anteriormente.

Milhares Unidades
Centena Dezena Unidade
Centena Dezena Unidade
de milhar de milhar de milhar
5
5 0
5 0 0
5 0 0 0

Analisando os números que aparecem no quadro valor de lugar, pode-se observar que:
• ao ser multiplicado por dez, um número torna-se dez vezes maior;
• ao ser multiplicado por cem, um número torna-se cem vezes maior;
• ao ser multiplicado por mil, um número torna-se mil vezes maior.

Em ação

1. Faça os cálculos a seguir no caderno e registre os resultados abaixo.

1 × 10 = 1 × 100 = 1 × 1 000 =

10 × 10 = 10 × 100 = 10 × 1 000 =

15 × 10 = 15 × 100 = 15 × 1 000 =

100 × 10 = 100 × 100 = 100 × 1 000 =

225 × 10 = 225 × 100 = 225 × 1 000 =

1 000 × 10 = 1 000 × 100 = 1 000 × 1 000 =

1 341 × 10 = 1 341 × 100 = 1 341 × 1 000 =

4o e 5o anos 131

V3_Eixo2_Cap_5.indd 131 2/7/14 6:35 PM


2. Faça os cálculos no caderno e registre os resultados no quadro.

Dez vezes maior que Cem vezes maior que Mil vezes maior que

30 é igual a 500 é igual a 9 é igual a

300 é igual a 5 é igual a 90 é igual a

3 000 é igual a 5 000 é igual a 9 000 é igual a

126 é igual a 1 230 é igual a 7 549 é igual a

75 é igual a 85 é igual a 930 é igual a

3. Observe os cálculos a seguir para compreender as relações: “dez vezes menor”, “cem
vezes menor”, “mil vezes menor”.

2 000 : 10 = 200 2 000 : 100 = 20 2 000 : 1 000 = 2

4. No caderno, construa um quadro valor de lugar e represente nele os cálculos e os


resultados do exercício anterior. Veja o exemplo da página anterior.
5. Analise os números que você representou no quadro valor de lugar da questão ante-
rior e explique cada uma destas relações:
a) Ao ser dividido por dez, um número torna-se dez vezes menor.

b) Ao ser dividido por cem, um número torna-se cem vezes menor.

c) Ao ser dividido por mil, um número torna-se mil vezes menor.

132 Eixo 2

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6. Faça os cálculos e preencha os quadros com os resultados:

Cem vezes menor que 500 é Mil vezes menor que 150 000 é

Dez vezes menor que 100 é Cem vezes menor que 30 000 é

Mil vezes menor que 8 000 é Mil vezes maior que 125 000 é

7. Faça os cálculos a seguir em seu caderno e registre os resultados abaixo.

10 : 10 = 5 000 : 100 = 125 000 : 100 =

100 : 10 = 5 000 : 10 = 455 500 : 100 =

1 000 : 10 = 50 000 : 10 = 15 630 : 10 =

1 000 : 100 = 50 000 : 100 = 102 200 : 100 =

1 000 : 1 000 = 50 000 : 1 000 = 149 000 : 1 000 =

8. Observe os números, as operações e os resultados do quadro a seguir. Depois, com-


plete-o com o que está faltando.
Número Operação Resultado
60 × 100
600 × 1 000
× 10 700
× 100 15 000
250 2 500
250 25 000
30 000 : 100
30 000 : 1 000
4 500 45
450 45
: 10 120
: 100 120

4o e 5o anos 133

V3_Eixo2_Cap_5.indd 133 2/7/14 6:35 PM


9. Em cada linha do quadro a seguir aparece uma situação-problema. Analise as informa-
ções e complete-o com o que está faltando em cada uma.

Preço de venda
Custo direto Custo indireto
da mercadoria
Mil vezes maior que
R$ 5,00
o custo direto.
R$ 7,00 R$ 707,00
R$ 20,00 R$ 2 020,00
Dez vezes maior que
R$ 55,00
o custo direto.

RESOLVENDO PROBLEMAS

Durante a resolução de um problema, antes de se lançar na busca do resultado, é


muito importante ter certeza de que se compreendeu bem o enunciado. Além de uma boa
leitura do problema, é necessário identificar a pergunta e as informações relevantes para
sua resolução.
Faça um exercício de compreensão, analisando e resolvendo os problemas a seguir.

Em ação

1. Um fabricante quer ter um lucro dez vezes maior do que o valor que gastou para pro-
duzir uma mercadoria. Se o custo para produzir a mercadoria foi de R$ 25,00, por
quanto o fabricante terá de vendê-la para lucrar o que pretende?
a) Com base no enunciado do problema, responda às questões a seguir. Depois,
debata com seus colegas para saber se você fez uma boa interpretação do pro-
blema.
• Qual é a pergunta do problema?

• Quais são as informações importantes para planejar a solução do problema?

• Todas as informações importantes estão indicadas no texto?

• Alguma informação do texto é desnecessária?

b) Resolva o problema no caderno e apresente seu plano de solução para a turma.

134 Eixo 2

V3_Eixo2_Cap_5.indd 134 2/7/14 6:35 PM


2. Um produtor teve um lucro cem vezes maior do que o valor que investiu num determi-
nado produto. O custo total do produto foi de R$ 60,00, e o tempo de produção foi de
5 dias. Qual foi o lucro do produtor com a venda desse produto?
a) Antes de resolver o problema, complete:
• A pergunta do problema é
• As informações importantes para planejar a solução do problema são

• A informação desnecessária é
b) Resolva o problema no caderno. Depois compare seu plano de solução com o de
outros colegas. Verifique se algum deles encontrou a mesma resposta que você,
mas pensou em um plano de solução diferente do seu.
c) Dê sua opinião: Pode-se pensar em planos de solução diferentes para resolver
corretamente um mesmo problema?

3. O custo total de uma mercadoria foi avaliado em R$ 1 300,00. Essa mercadoria foi ven-
dida por R$ 13 000,00. Quantas vezes o valor de venda foi maior que o valor de custo?
a) Antes de resolver o problema responda:
• O que se quer saber?

• Falta alguma informação para que se possa planejar a solução desse problema?

b) Resolva o problema em duas etapas:


• Na primeira, escreva frases explicando, em sequência, todas as ações que pre-
cisam ser realizadas para se obter a resposta.
• Na segunda, construa a solução seguindo as frases escritas até obter a resposta.
c) Em sua opinião, a primeira etapa facilitou a realização da segunda? Explique.

4. Releia o texto “Resolvendo problemas”. Com base no que leu e no que aprendeu nos
exercícios anteriores, escreva no caderno o que é preciso fazer para se compreender
um problema. Converse com seus colegas sobre essa questão.

4o e 5o anos 135

V3_Eixo2_Cap_5.indd 135 2/7/14 6:35 PM


Em roda
Estudamos até aqui algumas relações entre produção, consumo e trabalho. Essas
relações envolvem aspectos políticos, econômicos e sociais e implicam direitos e respon-
sabilidades para quem produz e para quem consome. Por isso, são relações organizadas
por leis. Em nossa sociedade, marcada pela desigualdade de acesso ao trabalho e aos
bens de consumo, nem sempre essas leis são justas ou cumpridas por todos.
Por isso, é importante que cada um de nós conheça seus direitos e deveres e se posi-
cione diante dos problemas relacionados à produção, ao consumo e ao trabalho, de forma
crítica e responsável, promovendo o respeito, a solidariedade e a cooperação.
Você conhece seus direitos e deveres como trabalhador? E como consumidor? Quais
são, em sua opinião, os direitos e deveres de um produtor? Discuta essas questões com
seus colegas.

Escrevendo painel de preços

Você e seus colegas se reunirão em grupos e, juntos, vão organizar a montagem de um


painel sobre os custos diretos e indiretos de vários produtos consumidos no dia a dia.
Ao montar o painel e exibi­-lo na escola ou em algum outro lugar da comunidade, vocês es-
tarão ajudando as pessoas a entender o porquê de as mercadorias custarem um certo preço.
O painel pode ter o seguinte título: “Entendendo o preço dos produtos”. Sigam estas
instruções.
1. Você e os colegas do grupo vão escolher uma mercadoria do quadro a seguir para
fazer uma pesquisa dos seus custos diretos e indiretos.

pó de café sal açúcar feijão arroz

água sanitária sabão em barra detergente óleo papel higiênico

2. Após a escolha do produto, montem um esquema mostrando seu processo de produ-


ção, distribuição e compra. Para organizar melhor as informações, usem como modelo
o texto do início deste capítulo, que trata das etapas da produção do leite.
3. Para obter informações para o esquema, pesquisem em vários estabelecimentos da
região:
• Visitem supermercados ou mercearias do bairro e anotem os diferentes valores da
mercadoria escolhida.
• Entrevistem donos de mercearias ou gerentes de supermercados para descobrir o
valor da mercadoria antes de ser exposta à venda ao público.
• Pesquisem em livros, revistas e sites na internet informações sobre o processo de
produção, distribuição e compra desse produto. Anotem as etapas de produção e os
trabalhadores envolvidos.

136 Eixo 2

V3_Eixo2_Cap_5.indd 136 2/7/14 6:35 PM


• Observem o rótulo do produto para saber onde foi produzido, entre outras informa-
ções relevantes que podem interferir no preço final, como um alto custo de transporte
dessa mercadoria. Além disso, vocês podem encontrar no rótulo telefones de contato
da empresa, onde poderão obter outras informações importantes sobre o produto.

Ilustração digital: Estúdio Pingado


4. Façam um cartaz para o produto escolhido, utilizando ilustrações, desenhos e fotogra-
fias para demonstrar as suas etapas de produção, distribuição e consumo. Depois,
com a ajuda do professor, seu grupo e os demais afixarão os cartazes em um painel
que ficará exposto na escola ou em algum outro local da comunidade.

Ilustração digital: Estúdio Pingado

4o e 5o anos 137

V3_Eixo2_Cap_5.indd 137 2/7/14 6:35 PM


Eixo 2
Capítulo 6
Para garantir os direitos
do consumidor
Em roda
Todo mundo que compra ou usa algum produto ou serviço tem uma série de direitos.
Esses direitos estão reunidos no Código de Defesa do Consumidor, lei aprovada no Brasil
em 1990 e que contém diversas normas organizadas em capítulos e artigos. O artigo 31
do Capítulo V, por exemplo, define que:

Art. 31 A oferta e apresentação de produtos ou serviços devem assegurar informações


corretas, claras, precisas, ostensivas e em língua portuguesa sobre suas características,
qualidades, quantidade, composição, preço, garantia, prazos de validade e origem,
entre outros dados, bem como sobre os riscos que apresentam à saúde e segurança dos
consumidores.
Código de Defesa do Consumidor. Artigo 31, Capítulo V.
Disponível em: <www.planalto.gov.br/civil_03/leis/I8078.htm>
Acesso em: 21 abr. 2013.

Você já fez alguma compra de produtos ou serviços na qual notou que seus direitos
não foram respeitados? Nessa situação, você conseguiu tomar medidas para fazer valer
seus direitos? Troque informações com seus colegas sobre essa experiência.
Breno Fortes/CB/D.A Press

Atendimento no Instituto de Defesa do Consumidor – Procon. Brasília (DF), 2011.

138 Eixo 2

V3_Eixo2_Cap_6.indd 138 2/7/14 6:36 PM


Para lEr noTíCia
Você sabe o que é o Procon?
O que é o Procon?
Ele pode ser importante em sua
vida. Entenda por que lendo a ex- Procon é a sigla usada para designar os órgãos de defesa
do consumidor municipais ou estaduais. O Procon é
plicação ao lado. responsável pela proteção, amparo e defesa do consumidor
Procurar o Procon torna-se ne- em cada estado e cidade do país. Cabe a esse órgão orientar,
cessário quando os direitos dos receber, analisar e encaminhar reclamações, consultas
e denúncias de consumidores; fiscalizar previamente os
consumidores não são respeita- direitos dos consumidores e aplicar as sanções, quando for
dos. A notícia a seguir trata desse o caso. Todos esses órgãos fazem parte do Sistema Nacional
tipo de situação. de Defesa do Consumidor (SNDC).

Black Friday: Procon-SP notifica 7 varejistas


por maquiagem em descontos
SÃO PAULO – Sete varejistas que participam do Black Friday foram notificadas pelo
Procon-SP nesta sexta-feira, 23. Segundo o órgão, denúncias feitas por consumidores
indicam que as redes estão promovendo “maquiagem nos descontos”. Segundo o
órgão, as irregularidades estariam sendo praticadas pelas lojas virtuais de Ponto Frio,
Submarino, Americanas.com, Wal-Mart, Saraiva e Fast Shop. Já o Extra foi notificado
em suas lojas física e virtual.
Ferramentas disponíveis na internet ajudam o consumidor a acompanhar o
histórico dos preços dos produtos e assim, checar se o valor pedido é realmente
vantajoso, conforme mostrou reportagem do Link. Apesar da promessa de descontos –
alguns chegam a 90% – muitas empresas aumentaram os preços dos produtos antes do
Black Friday. Segundo o Procon, tal prática é ilegal.
O Procon-SP deu prazo até a próxima sexta-feira, 30, para as empresas se
manifestarem. O órgão também pediu ao organizador do Black Friday explicações
sobre problemas observados pelos consumidores ao acessar alguns links de ofertas e
sites de lojas.
O diretor executivo do Procon-SP, Paulo Arthur Góes, explica que a venda de
produtos e serviços, seja em lojas físicas ou on-line, deve seguir as determinações do
Código de Defesa do Consumidor (CDC).
“O prazo de devolução da compra feita pela internet é de até sete dias. O negócio
pode ser cancelado neste intervalo de tempo seja qual for o valor cobrado”, afirma Góes.
Se o produto for entregue com defeito, explica o diretor executivo, a loja virtual
tem 30 dias para solucionar o problema; caso contrário, o consumidor pode escolher
entre receber uma mercadoria nova ou ser reembolsado.
O ESTADO de S. Paulo, 23 nov. 2012. Disponível em: <http://economia.estadao.com.br/noticias/
economia%20geral,black-friday-procon-sp-notifica-7-varejistas-por-maquiagem-em-descontos,135639,0.htm>
Acesso em: 21 abr. 2013.

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Em ação

1. Em qual seção do jornal você encontraria essa notícia: internacional, esportes, cida-
des, classificados, política? Justifique sua resposta.

2. Qual foi o produto ou serviço consumido?

3. Que direito do consumidor foi desrespeitado?

4. Em sua opinião, o que precisa ser feito para que os problemas mencionados na notí-
cia sejam evitados?

5. Converse com seus colegas e responda: Já ocorreram situações semelhantes no mu-


nicípio onde você vive? Escreva um pequeno relato contando o que aconteceu.

CONSUMIDOR OU CONSUMISTA?

Em roda
Todos os cidadãos são, de alguma forma, consumidores, porque compram alimentos,
roupas ou outros produtos. Até mesmo uma pessoa que produz a maior parte do que
necessita é considerada consumidora, porque utiliza serviços públicos de iluminação,
comunicação e saúde.
A garantia dos direitos do consumidor não depende somente de quem oferece produ-
tos ou serviços, mas também, em boa parte, dos cuidados dos próprios consumidores
nas escolhas que fazem ao comprar ou utilizar serviços.

140 Eixo 2

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Vimos em outros capítulos recomendações para que procuremos observar os prazos
de validade e a qualidade dos produtos antes de comprar. Do mesmo modo, deve-se
evitar o consumo exagerado, os desperdícios e a compra de bens com embalagens que
impedem a reciclagem.
Converse com seus colegas: O que cada um tem feito para consumir bens e serviços
de forma adequada?

Para ler cartum


Os cartuns são uma forma bem­-humorada de se fazer críticas ou comentários sobre
a sociedade em que vivemos. São desenhos que contêm, às vezes, caricaturas de perso-
nagens ou de pessoas conhecidas. Observe o cartum a seguir que critica o consumismo
em nossa sociedade.

Biratan

Biratan. Disponível em:<http://biratancartoon.blogspot.com.br/2010/05/carto%2oServ


iços:Oficinasdehumor&MeioAmbiente/Exposições/Cartoon perfumes angel Ecológico/
Charge/Caricatura pessoal/Video pessoal/Jornais/Projetos gráficos/Cartazes/Ilustrações>.
Acesso em: 11 maio 2013.

Em ação

1. Converse com alguns colegas sobre o significado desse cartum.


2. Se você fosse dar um título para esse cartum qual seria?

Explique aos colegas o porquê dessa escolha.

4o e 5o anos 141

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3. Argumente com sua turma, com a ajuda do professor: Quais os riscos que o consumo
não crítico traz para a continuidade da vida das sociedades humanas?

4. Os cartuns procuram fazer uma crítica com humor. Como isso foi feito nesse cartum?

Para pesquisar
Será que as pessoas à sua volta são consumidoras atentas aos direitos dos consu-
midores e, ao mesmo tempo, ao consumo crítico?
Com seus colegas, faça uma pesquisa de opinião para conhecer alguns dos hábitos de
consumo das pessoas de sua escola ou seu município. Vocês podem, criar um questionário
para aplicar essa pesquisa. A seguir, há um roteiro de questões que poderão ser incluídas
no questionário. Elabore mais algumas que você considere importantes e mãos à obra!

Roteiro de questões para pesquisa de opinião


Ao comprar um produto ou ao contratar um serviço, você costuma analisar os aspectos
a seguir?
1. Necessito mesmo desse produto ou serviço?
( ) Sempre. ( ) Às vezes. ( ) Nunca.
2. Ele possui preço acessível?
( ) Sempre. ( ) Às vezes. ( ) Nunca.
3. Ele é não poluente?
( ) Sempre. ( ) Às vezes. ( ) Nunca.
4. A embalagem é reciclável?
( ) Sempre. ( ) Às vezes. ( ) Nunca.
5. Os componentes do produto são obtidos de um modo que respeite o meio ambiente e a saúde humana?
( ) Sempre. ( ) Às vezes. ( ) Nunca.
6. O produto contém substâncias prejudiciais à saúde?
( ) Sempre. ( ) Às vezes. ( ) Nunca.
7. A empresa fabricante respeita os direitos dos trabalhadores?
( ) Sempre. ( ) Às vezes. ( ) Nunca.

142 Eixo 2

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Com a ajuda de seu professor, analise as respostas. Discuta os resultados com a
turma e ajude a montar um painel na escola com as principais conclusões da pesquisa.

Pensando sobre a língua

1. Refaça o quadro a seguir em seu caderno e complete-o com outras palavras que tam-
bém se escrevem com R ou RR. É importante que você escreva as palavras encontra-
das nas colunas correspondentes. Para isso, observe com atenção a posição e o som
do R ou RR nas palavras de cada uma destas colunas:

RECLAMAÇÃO DIREITO IRREGULARIDADE PRODUTO SERVIÇO ENROLAÇÃO

2. Observe as palavras de cada uma das colunas do quadro e leia-as em voz alta. Em
seguida, responda coletivamente às seguintes questões:
a) Qual o som do R nas palavras da primeira coluna? Qual é a posição dessa letra
nessas palavras?
b) Qual o som do R nas palavras da segunda coluna? Que letras vêm antes e depois
do R nessas palavras?
c) Qual o som do RR nas palavras da terceira coluna? Que letras vêm antes e depois
do RR nessas palavras? Você já viu alguma palavra iniciada por RR? Consulte um
dicionário.
d) Por que a palavra “DIREITO” se escreve com um R só e a palavra “IRREGULARI-
DADE” com dois?
e) Qual o som da letra R nas palavras da última coluna? Você percebeu que o R está
no começo de uma sílaba? Que letras vêm antes do R nessas palavras? Por que
a palavra “ENROLAÇÃO” não pode ser escrita com RR?
f) Qual o som da letra R na palavra “PRODUTO” e nas outras palavras da mesma
coluna? Você percebeu que o R está no meio da sílaba nessas palavras?
g) Qual o som da letra R na palavra “SERVIÇO” e nas outras palavras da mesma co-
luna? Você percebeu que o R está no final da sílaba nessas palavras?
3. Converse com os seus colegas sobre as questões a seguir e registre suas conclusões
com a ajuda de seu professor.
a) Quando a letra R está no início das palavras, como em , ela
tem um som .
b) Não se escreve RR no das palavras.
c) Quando o som da letra R é e está entre duas vogais,
como na palavra “DIREITO”, usamos .

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d) Quando o som da letra R é e está entre duas vogais,
como na palavra “IRREGULARIDADE”, usamos .
e) Quando o som da letra R é e está no começo de uma sílaba ante-
cedida de consoante, como na palavra “ENROLADO”, usamos .
f) A letra R pode aparecer no de uma sílaba, como na
palavra “PRODUTO”.
g) A letra R pode aparecer no de uma sílaba, como na
palavra “SERVIÇO”.
4. Reúna-se com um colega e juntos completem, no caderno, o quadro a seguir apenas
com palavras com R ou RR. Escrevam no mínimo cinco palavras para cada coluna. Em
seguida, o professor escreverá na lousa as palavras escritas por cada dupla, forman-
do um quadro coletivo.

nomes de nomes de
nomes de pessoas nomes de frutas nomes de lugares
animais profissões

MOBILIZAÇÃO CONTRA O CONSUMISMO

Para lEr noTíCia E FoTograFia


Em várias partes do mundo vêm crescendo os movimentos sociais contra as práticas
consumistas. Veja a seguir uma notícia e uma imagem que tratam desse tema.

Buy Nothing Day: 24 horas sem comprar nada


Criado no Canadá há 20 anos como forma de protesto ao consumismo exagerado,
o Buy Nothing Day – mais conhecido como Dia Mundial sem Compras, no Brasil –
é comemorado anualmente no último sábado de novembro e propõe que as pessoas
fiquem 24 horas sem gastar nada. Você topa o desafio? [...]
Um dos assuntos da semana é o Black Friday, evento anual criado nos EUA –
mas que já chegou ao Brasil há dois anos –, que acontece sempre na última sexta-
feira de novembro, quando diversas lojas oferecem aos consumidores “descontos
tentadores” em vários produtos. A ação, claro, é um afronte ao consumo consciente.
Que tal, então, “guardar o porquinho”, ao invés de quebrá-lo para
GLOSSÁRIO
fazer compras supérfluas? Buy Nothing Day:
Este é o desafio do Buy Nothing Day – mais conhecido como Dia termo da língua
inglesa que dá
Mundial sem Compras, no Brasil. Comemorada sempre no último nome ao protesto
sábado de novembro – não por acaso, após o Dia de Ação de Graças, (literalmente, dia de
não comprar nada).
famoso nos EUA e Canadá –, a data é um protesto ao consumismo

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exagerado e, ao mesmo tempo, um desafio à população: ficar

Jerry Cleveland/Colaborador/Denver Post via Getty Images


24 horas sem comprar absolutamente nada. Você consegue?
A ideia é que as pessoas experimentem a sensação de não
se deixar levar pelo apelo de adquirir coisas, simplesmente, pelo
“prazer” de tê-las, sem necessidade, e que reflitam a respeito do
hábito de consumir por impulso. Os criadores da data – o artista
Ted Buster e o publicitário Kalle Lasn, da organização Adbusters –
acreditam que esse é o melhor caminho para as pessoas perceberem
que gastar não é sinônimo de viver bem. [...]
SPITZCOVSKY, Débora. Buy nothing day: 24 horas sem comprar nada. Planeta Sustentável, 23 nov. 2012.
Disponível em: <http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/atitude/buy-nothing-day-dia-mundial-
sem-compras-consumo-consciente-722566.shtml>. (Fragmento.)
Acesso em: 21 abr. 2013. Cartaz que celebra o
Buy Nothing Day, 2004.

Em ação
1. O que a imagem e a notícia estão apresentando?

2. Por que as pessoas estão se manifestando?

3. Em sua opinião, qual é a importância de manifestações como essa?

4. Você já presenciou ou ouviu falar de manifestações como essa em sua cidade ou


região? Se a resposta for afirmativa, escreva um pequeno relato descrevendo esse
acontecimento.

4o e 5o anos 145

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Eixo 2
capítulo 7
De olho nas embalagens

EM RoDa
Hoje, as embalagens fazem parte dos produtos e sua função é manter a qualidade
e a durabilidade deles. Por isso, na hora de comprar, é preciso observar as embalagens,
principalmente as dos alimentos.

Monkeybusinessimages | Dreamstime.com

Consumidor observa embalagem de alimentos em supermercado.

Veja algumas dicas ao consumidor.


• Não comprar produtos com embalagens amassadas, furadas ou danificadas.
• Toda embalagem deve trazer informações escritas, em português, sobre prazo de
validade, quantidade, composição, nome e endereço do fabricante.
• Algumas embalagens podem atribuir ao alimento características que ele não possui.
Por exemplo, podem apresentar a imagem de uma fruta quando o produto só contém
a essência dessa fruta.
• Alimentos em vidros, garrafas e potes devem ser observados contra a luz para ver
se o líquido não está escuro ou contém detritos.
• Embalagens a vácuo, como as de salsicha, queijo e massas, não devem formar líqui-
do ou manchas no seu interior. Isso pode indicar a deterioração do alimento.
• As instruções sobre abertura e manuseio do produto devem ser seguidas atenta-
mente, principalmente em embalagens com material cortante.

146 Eixo 2

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• Reclamações sobre produtos deteriorados podem ser encaminhadas ao Programa
Estadual ou Municipal de Defesa do Consumidor (Procon) ou à Vigilância Sanitária
de sua cidade.
• Para reclamar é preciso ter o número do Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ)
da empresa, o endereço do local onde o produto foi comprado, a mercadoria (ou sua
embalagem) e a nota fiscal (ou tíquete de compra).

Converse com seus colegas sobre estas questões: Você segue algumas dessas reco-
mendações? Você já comprou algum produto deteriorado? Nessa ocasião, fez valer seus
direitos de consumidor? Como?

PaRa lER coNSUlTa Do lEiToR


Agora, você vai ler uma consulta feita, pela internet, com Sophia, uma especialista
que dá dicas sobre direitos do consumidor. A seção chama-se “O que faço, Sophia?”.

Eliana: Somente este mês percebi que a embalagem de absorvente higiênico está
com dois a menos. Só que o preço continua o mesmo. Posso reclamar?

Sophia: A portaria 81 do Ministério da Justiça e a Lei 11.078/02 estabelecem que


a empresa que reduzir o conteúdo dos produtos deve fazer constar esta informação na
embalagem. Se a empresa informou a mudança, ela está dentro da lei.
Disponível em: <http://noticias.uol.com.br/economia/financas/consumidor/produtos-maquiados.jhtm>.
Acesso em: 20 mar. 2013.

EM ação

1. Por que o leitor decidiu fazer a consulta?

2. Ao fazer compras, você já passou por situação semelhante à que a leitora relata?
Conte como foi.

3. Segundo a orientação do site, a leitora pode reclamar ao Procon? Explique.

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4. Por que algumas empresas diminuem a quantidade de produtos nas embalagens?

5. O que você acha dessa prática?

6. Selecione embalagens de produtos como alimentos, produtos de limpeza geral e de


higiene pessoal, e medicamentos. Observe se nelas aparecem informações esclare-
cedoras, como nome do fabricante, composição do produto, validade, medidas etc.

• Observe as medidas que aparecem nas embalagens selecionadas e depois escreva


as informações na tabela abaixo, escolhendo a coluna adequada para cada uma das
informações.

Medida de comprimento Medida de massa Medida de capacidade

UNIDADES DE MEDIDA

Ao observar as embalagens, você deve ter encontrado unidades de medida de massa,


como quilograma, grama e centigrama; unidades de medida de capacidade, como litro e
mililitro; unidades de medida de comprimento, como metro, centímetro e milímetro.
Comprimento, massa e capacidade são grandezas que costumam ser medidas com
unidades convencionais. As unidades convencionais de medida fazem parte do sistema
métrico decimal e seguem as mesmas regras da numeração decimal. As unidades de
medida mais usadas podem ser observadas no quadro valor de lugar a seguir:

Unidade
x 10 ← x 10 ← x 10 ← : 10 → : 10 → : 10
principal
Medidas de
Quilômetro Metro Centímetro Milímetro
comprimento
Medidas
Litro Mililitro
de capacidade
Medidas
Quilograma Grama Centigrama Miligrama
de massa

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EScREVENDo TEXTo EXPoSiTiVo
As unidades convencionais de comprimento, capacidade e massa, indicadas no qua-
dro anterior, são as mais usadas no dia a dia. Escreva no caderno um pequeno texto dan-
do exemplos de situações nas quais essas unidades de medida são utilizadas.

PaRa coMPREENDER UMa RElação PRoPoRcioNal

A ideia de proporcionalidade está presente em muitas situações do dia a dia. Como


exemplo, podemos citar o trabalho de um ilustrador que precisa ampliar um desenho, ou
a atividade de uma cozinheira que necessita ampliar uma receita.
Acompanhe, nas situações a seguir, explicações sobre relações proporcionais.
1. Observe essas duas imagens de embalagens de café reproduzidas em tamanhos
diferentes.
A
Fotos: Fernando Favoretto / Criar Imagem

• Identifique semelhanças e diferenças entre elas. Com uma régua, meça as arestas
das figuras A e B. O que você observa em relação às medidas GLOSSÁRIO
obtidas?
Arestas: linhas
formadas pelo
encontro de
duas faces de
um poliedro.

2. Agora, observe esta situação:

Receita de arroz para servir três pessoas Receita de arroz para servir nove pessoas

uma xícara de arroz três xícaras de arroz

uma colher de óleo três colheres de óleo

duas xícaras de água seis xícaras de água

meia colher de sal uma e meia colher de sal

4o e 5o anos 149

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• O que você observa em relação às quantidades dos ingredientes da primeira receita
e as quantidades da receita ampliada?

Nas duas situações apresentadas, existe uma relação proporcional entre as grandezas.
• Na primeira situação, as medidas das arestas da imagem maior são o dobro das
medidas das arestas correspondentes da imagem menor.
• Na segunda situação, as quantidades dos ingredientes da receita ampliada são o
triplo das quantidades dos ingredientes correspondentes da primeira receita.
3. Verifique a ilustração a seguir. Há uma relação proporcional entre as grandezas? Expli-
que sua resposta para a turma.

Ilustração digital: Estúdio Pingado

150 Eixo 2

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Em ação
Com um colega, faça as atividades a seguir.
1. Observe nestas situações se a relação entre as grandezas é ou não proporcional.
Explique suas respostas no caderno.
a) Um pão francês custa R$ 0,20. Paulo comprou quatro pães e pagou R$ 0,80. Carlos
comprou dez pães e pagou R$ 2,00. Maria comprou quinze pães e pagou R$ 3,00. Na
venda dos pães, é mantida uma relação proporcional entre a quantidade e o preço?
b) Para fazer serviços de pintura, um fabricante recomenda colocar três medidas de
tinta e uma de água. Um pintor preparou a mistura juntando seis galões de tinta e
três de água. No preparo da tinta, o pintor seguiu a recomendação do fabricante?
c) Na embalagem de suco de maracujá está escrito: para 250 mL de suco concen-
trado, acrescentar 750 mL de água. Observe estas misturas:
• 500 mL de suco concentrado e 1,5L de água;
• 750 mL de suco concentrado e 2L de água.
Em qual das duas situações a ampliação da receita mantém a proporção entre
as medidas indicadas na embalagem?
d) Observe as informações apresentadas na tabela a seguir. Complete-a com os
dados que faltam, mantendo uma relação proporcional entre as duas grandezas.
Dias
1 2 3 4 5 6
trabalhados
Valor
R$ 30,00 R$ 60,00 R$ 90,00
recebido

2. Confira no quadro a seguir a lista de alguns produtos antes e após a redução das
medidas, com os respectivos preços.
PRODUTOS ANTES DA REDUÇÃO APÓS A REDUÇÃO
Medida Preço Medida Preço
Biscoito 200 g R$ 1,00 150 g R$ 0,90
Papel higiênico 40 m R$ 2,00 30 m R$ 1,70
Sabão em pó 1 kg R$ 3,50 900 g R$ 3,30
Desodorante 50 mL R$ 3,00 40 mL R$ 2,60
Fralda descartável 12 unidades R$ 12,00 10 unidades R$ 10,50

Para cada produto, verifique se foi ou não mantida uma relação proporcional entre as
medidas e os preços. Use estratégias de cálculo mental e registre no caderno os resulta-
dos obtidos para apresentar na classe e comparar com os de outras duplas.
3. No quadro a seguir, aparece uma lista de produtos cujas medidas ou quantidades
foram reduzidas. Observe as informações e calcule qual deveria ser o preço de cada
produto, considerando a redução e mantendo uma relação proporcional entre as me-
didas e os preços.

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PRODUTOS ANTES DA REDUÇÃO APÓS A REDUÇÃO
Medida Preço Medida Preço
Sardinha em lata 135 g R$ 1,35 130 g
Sabonete 190 g R$ 0,90 185 g
Iogurte 110 mL R$ 1,10 100 mL
Ovo 112 unidades R$ 2,40 110 unidades
Extrato de tomate 250 g R$ 1,25 200 g

Participe da correção coletiva, explicando as estratégias de cálculo que você e seu par
utilizaram para obter os resultados.

Para fazer com a calculadora


Observe o quadro abaixo e resolva as situações-problema com o auxílio da calculado-
ra. Registre no caderno as respostas e os cálculos realizados.
PRODUTOS ANTES DA REDUÇÃO APÓS A REDUÇÃO
Medida Preço Medida Preço
Desodorante 50 mL R$ 13,00 40 mL R$ 12,60
Papel higiênico 40 m R$ 12,00 30 m R$ 11,70
Fralda descartável 12 unidades R$ 12,00 10 unidades R$ 10,50
Sabonete 90 g R$ 10,90 85 g R$ 10,85

a) Quantas pessoas residem com você?


b) Quais dos itens do quadro são consumidos em sua casa?
c) Você saberia dizer, para cada um desses itens, a quantidade consumida em sua
casa no período de um mês?
d) Calcule o gasto mensal com um desses itens consumidos em sua casa, antes e
depois da redução dos preços.
2. Em uma família com duas crianças de um e dois anos, são usadas diariamente
16 fraldas descartáveis. Com base nisso, responda:
a) Para uma semana, quantos pacotes contendo 12 fraldas descartáveis são neces-
sários?
b) Qual é a despesa semanal com fraldas descartáveis, tomando como base os pre-
ços antes da redução? E depois da redução?
c) Com a redução no pacote de fraldas descartáveis de 12 para 10 unidades, quan-
tos pacotes serão necessários para uma semana?

152 Eixo 2

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COLECIONANDO EMBALAGENS

Gaoqing/Dreamstime.com
A criação de embalagens pode ser considerada
uma forma de arte. Caixas de papel reciclado, lami-
nado, ondulado, com diferentes formas, enfeitam pa-
pelarias, supermercados e lojas. Mas atenção: exa-
minar as embalagens é uma dica importante para
um consumo crítico. Ao comprar, é preciso escolher
aquelas que podem ser recicladas ou reutilizadas.
A turma toda vai organizar uma coleção de em-
balagens na classe. Contribua trazendo uma emba-
lagem para fazer parte da coleção.
Embalagens artesanais.

AS MARCAS DOS SÓLIDOS GLOSSÁRIO

1. Identifique nas embalagens da coleção as formas de sólidos geo- Poliedro: sólido


geométrico
métricos que você conhece. Verifique quais são os sólidos que mais cujas faces são
aparecem nas embalagens. Relembre o nome de cada um deles e compostas por
separe os poliedros de corpos redondos. polígonos.

2. Escolha uma embalagem e identifique o sólido geométrico que ela


lembra. Sobre uma folha de papel, experimente diferentes maneiras de apoiar a em-
balagem, sem que você tenha de segurá–la. Cada vez que conseguir apoiá–la, use o
lápis para fazer o contorno da parte apoiada sobre o papel e veja a figura desenhada.
3. Faça o mesmo com outras embalagens. Para cada uma delas, identifique o sólido
geométrico e indique os contornos desenhados. Compare suas respostas com as
figuras a seguir.

Ilustrações digitais: Estúdio Pingado

cilindro cubo pirâmide de base quadrada


Ilustrações digitais: Estúdio Pingado

círculo quadrado quadrado

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Ilustrações digitais: Estúdio Pingado
cone paralelepípedo pirâmide de base triangular

Ilustrações digitais: Estúdio Pingado


círculo três retângulos triângulo

As figuras geométricas obtidas a partir dos contornos são chamadas figuras planas.

Em ação
Observe estes grupos de figuras planas.

Ilustração digital: Estúdio Pingado

1. Analise as figuras que aparecem no quadro azul. O que as diferencia das figuras que
aparecem no quadro amarelo?

2. O que as figuras assinaladas com um × têm em comum?

154 Eixo 2

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3. Identifique todas as figuras que estão nos quadros (azul e amarelo) e assinaladas
com um ×. Que características comuns existem entre elas?

4. Que relação existe entre polígonos e poliedros?


As figuras que estão nos quadros azuis
e assinaladas com um × são chamadas de
polígonos.
A palavra polígono vem do grego (poli
significa “muitos” e gono, “ângulos”).
5. Participe da correção coletiva desta atividade. Chamamos de polígono uma figura
geométrica plana com um contorno (linha
Compare suas respostas com as de seus cole-
fechada que não apresenta cruzamentos)
gas. Faça as correções necessárias. formado apenas por segmentos de reta.

Em grupos

1. Numa folha de cartolina, cada aluno do grupo vai desenhar, com a régua, três polígo-
nos diferentes e recortá­-los. Depois, todos os integrantes do grupo devem reunir as
figuras recortadas e agrupá-­las, colocando juntos polígonos com o mesmo número de
lados. Montem um cartaz com as figuras, destacando os agrupamentos de polígonos.
Vejam a seguir o nome dos grupos de polígonos:
Triângulos: polígonos de três lados.
Quadriláteros: polígonos de quatro lados.
Pentágonos: polígonos de cinco lados.
Hexágonos: polígonos de seis lados.
2. Apresentem o trabalho do grupo para a turma, explicando como os polígonos foram
agrupados. Observem o trabalho dos outros grupos e verifiquem se os polígonos es-
tão agrupados da mesma forma.
3. Respondam: É possível desenhar um polígono com apenas dois lados? Justifiquem.

4. Expliquem por que o círculo não é um polígono.

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5. Escrevam um pequeno texto contando o que aprenderam sobre a relação entre polie-
dros e polígonos.

SIMETRIAS

Em roda
O que você observa nesta foto?

Marcio Cabral/Opção Brasil Imagens


Palácio do Planalto em Brasília (DF), 2012.

Repare que a superfície da água forma uma linha


que separa o edifício – ou a paisagem – de sua imagem
refletida, em um efeito semelhante ao proporcionado

Ilustrações digitais: Estúdio Pingado


por um espelho. Nessa foto, observamos que o edifício
– ou a paisagem – e sua imagem refletida formam uma
simetria.
Construa três retângulos de papel com as medidas
de 4 cm e 8 cm de lado.
• Dobre o primeiro, de modo que se obtenham dois
quadrados.
• Dobre o segundo, de modo que se obtenham dois
triângulos.
• Dobre o terceiro, de modo que se obtenham dois re-
tângulos.
Observe em cada dobradura se as duas partes se
encaixam perfeitamente uma sobre a outra. Se isso
acontecer, as duas partes da figura são simétricas e o
vinco da dobradura é o eixo de simetria.

Uma figura é simétrica ou apresenta simetria quando é possível


dobrá-la uma vez, de modo que as duas partes tenham igual tamanho
e formato. Nesse caso, a “dobra” é o eixo de simetria da figura.

156 Eixo 2

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Em ação
No papel quadriculado
1. Reproduza as figuras a seguir em uma folha de papel quadriculado. Trace uma linha
em cada uma delas, dividindo-as em partes simétricas. Observe se todas apresentam
eixo de simetria e se há alguma com mais de um eixo de simetria.

Ilustrações digitais: Estúdio Pingado


C pentágono D hexágono;
A quadrado; B triângulo regular;
equilátero;

F estrela de seis pontas; G cruz de


E trapézio quatro braços
regular;

2. Copie o modelo de tabela, abaixo, no caderno e complete–a com o nome das figuras
e o número de eixos de simetria de cada uma das figuras da atividade anterior.

Figura Número de eixos de simetria

A. quadrado

3. Compare suas respostas com as de seus colegas.


4. Reproduza as figuras a seguir em uma folha de papel quadriculado. Nelas, aparecem
partes das bandeiras de alguns países. Complete cada uma delas, considerando a
linha vermelha como o eixo de simetria.

Bandeiras
Ilustrações digitais: Estúdio Pingado

4o e 5o anos 157

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5. Desenhe no papel quadriculado a metade de três figuras simétricas diferentes e peça
para um colega completar. Observe se ele completou corretamente as figuras.
6. Observe algumas palavras simétricas:

U
V
A
BODE
A
M
A
• Encontre outras palavras simétricas e mostre-as para a classe.

Em grupos
Procure em revistas fotos de construções, objetos e elementos da natureza que lem-
brem formas simétricas. Recorte as imagens e organize com elas um painel. Dê um título
a ele e exponha-o na sala, para ser apreciado pelos colegas.

158 Eixo 2

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Eixo 2
capítulo 8
Comprar, vender, pagar, receber

Em roda
Todos os dias, participamos de diversas situações que envolvem o uso de valores
monetários, seja para pagar, seja para receber, seja para registrar essas transações.
Como “dinheiro não é brincadeira”, é muito importante saber compreender e produzir os
documentos que garantem a segurança das pessoas nessas situações.
Discuta com seus colegas:
• Em seu emprego ou ao realizar um trabalho, você recebe em dinheiro, cheque, em
mercadorias ou por meio de algum serviço prestado em troca? Ou recebe ainda por
outra forma?
• Qual forma de pagamento você prefere? Por quê?
• Se você tem emprego fixo, o pagamento é feito por semana, por quinzena ou por mês?
• Você assina algum documento após receber o pagamento pelo trabalho realizado?
• Quando você realiza uma compra em um estabelecimento comercial, recebe algum
documento da loja? Qual?
• Em sua opinião, esses documentos são importantes? Por quê?
• Você compreende o que está escrito neles? Por que é importante compreendê­los?

Zé Zuppani/Pulsar Imagens

Funcionário recebendo pagamento. Bertioga (SP), 2009.

4o e 5o anos 159

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LENDO E ESCREVENDO
Ao consumirmos algum produto ou contratarmos algum serviço, podemos pagar de
diversas maneiras: com cartão de crédito, dinheiro, cartão de débito, cheque ou carnê.
Você já prestou atenção no preenchimento de um cheque? Já observou as informa­
ções do comprovante do cartão de crédito? Vamos pensar um pouco sobre esses docu­
mentos que nos garantem direitos e, por isso, são tão importantes no nosso dia a dia.

Para lEr chEquE

1. Observe esta reprodução de uma folha de cheque e converse com seus colegas e o
professor sobre as questões a seguir:

Ilustração digital: Estúdio Pingado


a) Identifique as informações que estão na folha do cheque.
b) Que informações devem ser preenchidas no momento de emitir o cheque?
c) Por que esses dados são importantes para a segurança de quem emite o cheque
e de quem o recebe? Discuta com seus colegas.
d) Há alguma informação que não seja obrigatória no preenchimento do cheque?
e) Como devem ser escritos os números no cheque: em algarismos ou por extenso?
f) Você sabe por que é preciso escrever duas vezes a quantia de dinheiro no cheque?
g) É comum escrever alguma informação atrás do cheque? Qual? Por quê?
2. Complete as lacunas do texto a seguir com as conclusões a que você chegou sobre o
preenchimento da folha de cheque.

Um cheque é um documento que permite a alguém receber dinheiro de GLOSSÁRIO


outra pessoa. Conta corrente:
É possível receber o dinheiro na hora, apresentando o cheque no caixa de conta bancária de
depósitos à vista.
um banco. Outra alternativa é depositar o cheque em uma conta corrente, na
qual o dinheiro será creditado.

160 Eixo 2

V3_Eixo2_Cap_8.indd 160 2/7/14 6:42 PM


• Para que essa operação financeira seja segura, o cheque traz algumas
importantes, tais como:

• de dinheiro, escrita
vezes, em algarismos e ;

• da pessoa ou da empresa que irá receber o dinheiro


ou descontar o cheque, no caso de cheque nominal;

• data e onde o cheque foi emitido;

• assinatura de quem o cheque.

Para PEsquisar
Mesmo com todas as informações preen­ A origem dos cheques
chidas corretamente no cheque, uma pessoa Você conhece a origem dos cheques? Eles
surgiram das cartas! Há centenas de anos, ainda não
ainda corre o risco de não receber o dinheiro. existiam bancos para guardar grandes quantias de
Se não houver dinheiro na conta de quem emi­ dinheiro. Então, quando um pagamento precisava
tiu o cheque, ele não é descontado. ser feito a alguém, e o dinheiro estava guardado
em outro lugar, a pessoa que ia receber levava uma
Você sabe como se chamam os cheques carta. Essa carta era escrita pelo devedor, afirmando
desses correntistas que não têm o dinheiro que a quantia podia ser entregue ao portador da
na conta para pagar? O nome mais comum carta. Observe os dizeres nos cheques: “Pague por
este cheque a quantia de
é “cheque sem fundo”. Você conhece outros a ”. Esse era o início das cartas usadas
termos para nomear esses cheques? Faça um para esse fim, contendo a quantia que o portador
levantamento, com os seus colegas, de pala­ deveria receber ao mostrar a carta.
vras e expressões relacionadas aos cheques. GLOSSÁRIO
Seu professor vai anotá­las na lousa. Correntista: titular de uma conta corrente em um banco.

Para lEr chargE


A charge a seguir trata, de forma bem­humorada, de um fato frequente nas transações
com cheques: os cheques sem fundo.
Observe como o chargista retrata essa situação.
João Marcos Parreira Mendonça

Produzido para o site


do Conselho Federal de
Economia (COFECON)
por João Marcos Parreira
Mendonça. Cresce
número de cheques sem
fundo.

4o e 5o anos 161

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1. Observe a charge e responda:
a) Que personagem fala na charge? Como você chegou a essa conclusão?

b) “O cheque voltou.” Como você interpreta essa frase? Como ela está representada
na charge?

c) Por que o nome “Arnaldo” aparece em letras maiores e em negrito? O que isso
sugere?

d) Pelo desenho, qual é a reação de Arnaldo? Que detalhes permitem que você che­
gue a essa conclusão?

2. As charges que aparecem em jornais, revistas ou telejornais normalmente se asso­


ciam a fatos que estão sendo noticiados. Leia as manchetes a seguir e anote quais
delas podem ter relação com a charge que você observou. Justifique sua resposta.
a) Comércio de João Pessoa fecha por causa de falta de segurança.
b) Aumenta em 9,4% o volume de cheques devolvidos em junho.
c) Empresas participam da campanha Cheque Donativo.
d) Número de cheques sem fundo caiu este mês.

162 Eixo 2

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Em ação
1. Imagine que você está no supermercado e precisa pagar uma compra de R$ 87,30
com cheque. No caderno, copie a folha de cheque apresentada neste capítulo e preen­
cha-o como se fosse um cheque seu. Use o verso do cheque para escrever alguma
informação extra. Depois, troque de caderno com seu colega para que cada um verifi­
que se o preenchimento foi correto.
2. Lembre-se de que a assinatura é uma marca de identificação. Cada pessoa cria uma
forma original de escrever seu nome para assinar documentos, por exemplo. Em que
documentos ou situações é necessário usar nossa assinatura? Com a ajuda de sua
turma e do professor, elabore uma lista.

3. A assinatura dos cheques deve ser igual à da carteira de identidade para que o banco
possa conferir se o cheque foi assinado pelo titular da conta corrente. Assine seu
nome duas vezes, como consta da carteira de identidade. Se você não tiver carteira
de identidade, copie a assinatura utilizada em outro documento. Verifique se elas fi­
caram parecidas. A assinatura de algumas pessoas muda com o tempo, mesmo que
elas não queiram. Isso já aconteceu com você?

TRABALHAR E RECEBER

Para pesquisar
Em várias situações do nosso dia a dia, precisamos receber ou emitir recibos, que são
documentos que provam o pagamento de algum produto ou serviço. É comum você pedir
ou emitir recibos? Em que situações? Discuta com seus colegas.
Pesquise modelos de recibos, traga-­os para a classe e compare­-os para verificar as in­
formações fornecidas em cada um deles. Compare, também, as informações disponíveis
nos cheques e nos recibos. Observe que um recibo informa o tipo de serviço realizado
(em alguns consta até de que forma o pagamento foi feito).

4o e 5o anos 163

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Para ler recibo
No recibo, encontramos várias informações sobre os serviços prestados ou produtos
comprados. Leia este recibo e converse com os colegas e o professor sobre as questões
a seguir.

Ilustração digital: Estúdio Pingado


1. Onde está indicado que se trata de um recibo?
2. Esse recibo é de prestação de serviços ou de compra de mercadorias?
3. Qual é o valor do recibo?
4. O valor aparece quantas vezes no recibo? De que formas?
5. O valor é referente a que tipo de serviço?
6. Quem prestou o serviço?
7. Quem foi beneficiado pelo serviço?
8. Quando o recibo foi emitido?
9. Com a ajuda do professor, faça uma lista de outras informações que constam do recibo.
10. Se você vai pagar a alguém, quem assina o recibo? Que nome consta do recibo, o seu
ou o de quem recebeu o pagamento?
11. Se você vai receber de alguém, quem assina o recibo e que nome consta dele?

164 Eixo 2

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Pensando sobre a língua
Nos cheques e recibos, as quantias são escritas em algarismos e por extenso. Algu­
mas palavras podem causar dúvidas na hora de escrever.
1. Complete as lacunas do quadro a seguir.

Estas palavras são formadas de partes. Observe:

(600) Seiscentos: seis centos

(700) Setecentos: sete

(800) : oito centos

(900) : nove

Conclusão: esses nomes mantêm o C da palavra “CENTO”. Por isso são escritos com C.
SEISCENTOS – SETECENTOS – OITOCENTOS – NOVECENTOS

2. Complete, agora, este quadro:

Dez + : dezesseis (16)

Dez + : dezessete (17)

Dez + oito: (18)

Dez + nove: (19)

Conclusão: esses nomes mantêm o Z da palavra “DEZ“. Por isso são escritos com Z.

DEZESSEIS – DEZESSETE – DEZOITO – DEZENOVE

3. Você percebeu que as palavras dezesseis e dezessete foram escritas com SS? Em
sua opinião por que isso acontece? Por que não podemos escrever com um S só?
Discuta com os seus colegas e com o professor e registre suas conclusões

4o e 5o anos 165

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Para ler contracheque
Vimos que há diversas maneiras de receber por um trabalho realizado. Do mesmo
modo, documentos diferentes como recibos e contracheques podem ser usados para
registrar esse recebimento. Para quem trabalha por conta própria ou presta pequenos
serviços eventuais, nem sempre há documentos a serem assinados. Entretanto, funcioná­
rios de empresas precisam assinar documentos ao receber o salário, que podem ser um
recibo ou um contracheque (também chamado de holerite). Compreender as informações
do contracheque pode ajudar a garantir seus direitos.
Observe o contracheque reproduzido abaixo e converse com seus colegas e o profes­
sor sobre as questões a seguir, a fim de compreender as várias informações que ele traz
sobre a remuneração de um funcionário.

Ilustração digital: Estúdio Pingado

1. No contracheque, há itens a respeito do que foi recebido e do que foi descontado.


Como você pode saber o que é desconto e o que é recebimento? Onde é possível
encontrar essa informação?
2. Algumas lojas exigem o contracheque para vender no crediário. Que informações pre­
sentes no contracheque as lojas querem comprovar?
3. No contracheque observado, o funcionário recebe um adicional no salário. A que se
refere esse adicional? De quanto é? Esse valor representa muito em relação ao total
recebido pelo funcionário?
4. Que impostos foram descontados do salário? Você sabe para que eles servem?
5. Você sabe o que é valor “líquido” e valor “bruto” da remuneração em um contracheque?

166 Eixo 2

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SE COMPRAR, TEM CUPOM FISCAL

Para ler cupom fiscal


Quando compramos ou consumimos algo, o estabelecimento comercial deve nos for­
necer a nota fiscal ou o cupom fiscal. Esses documentos garantem ao cidadão dois
direitos: que os impostos embutidos no valor da mercadoria sejam recolhidos para o
governo e que o consumidor esteja protegido em uma eventual necessidade de troca da
mercadoria.
É importante lembrar que os impostos pagos ao governo pelas empresas são calcula­
dos justamente por meio da soma das notas fiscais. Por essa razão, algumas empresas,
para não pagar os impostos devidos, fornecem uma nota semelhante ao cupom fiscal ou
à nota fiscal, mas que não tem validade. Observe os dois exemplos a seguir:

Ilustração digital: Estúdio Pingado

1. Identifique qual é o cupom fiscal e qual é a nota sem valor fiscal.


2. Que informações há no cupom fiscal e na nota sem valor fiscal? Copie o modelo de
tabela abaixo em seu caderno e complete, acrescentando informações.

Informação Cupom fiscal Nota sem valor fiscal


1. Nome da empresa
2. Endereço

3. Compare as informações constantes no cupom fiscal e na nota sem valor fiscal. O que
não consta na nota sem valor fiscal?
4. Algumas empresas denominam a nota sem valor fiscal de “nota de pedido” ou “nota
de venda”. Você conhece outras denominações para a nota sem valor fiscal?

4o e 5o anos 167

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Para compor uma coleção

Há mais de 60 anos, o consumo tem sido um dos temas abordados pelos artistas
contemporâneos. Produtos industrializados descartáveis (como embalagens, pneus, ma­
deira, entulhos) são muitas vezes incorporados como material para a produção de traba­
lhos artísticos
As obras da artista brasileira Jac Leiner são resultados de seu trabalho como co­
lecionadora de objetos de nosso cotiadiano relacionados ao comsumo: sacolas plás­
ticas, embalagens, cédulas de dinheiro, adesivos talheres, entre outros objetos. Sem
a intenção de reciclar materiais, a artista retira esses objetos do circuito de consumo
e os transforma em arte, organizando-os e ordenando-os de diferentes maneiras. A
artista chegou a forrar paredes de salas de museus com sacolas unidas lado a lado
como se fosse um grande tecido. Com cédulas de dinheiro fez composições diversas,
tri e bidimensionais.

Eduardo Ortega/Coleção Particular

Ilustração Nomes, de Jac Leirner, 1989.

Agora é a vez de você e seus colegas coletarem objetos descartados para compor
uma grande coleção.
Em grupos, selecionem os que farão parte de sua composição artística. Os critérios
para essa seleção poderão estar relacionados com cor, forma, tamanho, utilidade, entre
outras características. Depois, organizem os objetos de forma bem original, agrupando-os
sobre placas de papelão ou outro material descartável. Se desejarem, poderão pintar os
objetos. Vocês possuem informações importantes sobre consumo, material e liberdade
para criar, fatores essenciais para a produção artística.
Organize com seus colegas a exposição dos trabalhos e não se esqueça de foto­
grafá-los.

168 Eixo 2

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Para AMPLIAR seus estudos

Livro THERY, Hervé; MELLO, Neli. Atlas do Brasil: disparidades e dinâmicas


do território. São Paulo: Edusp, 2009.
Excelente atlas geográfico para leitura e consulta, com textos e mapas do Brasil, que apre-
senta espaços e atividades econômicas das diversas regiões do país.

Filmes NAÇÃO fast-food. Direção: Richard Linklater. EUA, 2006. 113 min.
Filme que mostra os riscos à saúde da população e ao meio ambiente provocados pela
indústria do fast-food. Após descobrir que a carne usada em seu estabelecimento para fa-
zer o hambúrguer está contaminada, um executivo da maior rede de fast-food dos Estados
Unidos faz uma jornada à origem dos alimentos servidos em restaurantes como o dele,
descobrindo fatos nada agradáveis sobre a qualidade desses produtos.

PEQUENA miss Sunshine. Direção: Jonathan Dayton e Valerie Faris.


EUA, 2006. 101 min.
Uma problemática família americana leva a filha caçula para participar de um concurso
para pré-adolescentes. Num misto de humor e drama, traz uma crítica à sociedade de
consumo norte-americana e à busca por dinheiro a qualquer custo.

TEMPOS modernos. Direção: Charles Chaplin. EUA, 1936. 87 min.


Obra-prima do diretor Charles Chaplin, que mostra o ritmo frenético da vida de um ope-
rário numa linha de montagem, em que é testada uma máquina “revolucionária” para
eliminar a hora do almoço.

UMA verdade inconveniente. Direção: Davis Guggenheim. EUA, 2006.


100 min.
O ex-vice-presidente dos EUA, Al Gore, analisa o problema do aquecimento global e
seus riscos para a vida humana.

Sites FACES DO BRASIL


Disponível em: <www.facesdobrasil.org.br/>. Acesso em: 1 fev. 2014.
Traz textos e vídeos sobre o que se denomina de comércio justo e solidário.

INSTITUTO AKATU
Disponível em: <http://www.akatu.org.br>. Acesso em: 1 fev. 2014.
Portal da organização não governamental com textos, notícias e dicas sobre consumo
consciente.

PORTAL DO CONSUMIDOR
Disponível em: <www.portaldoconsumidor.gov.br/procon.asp>. Acesso em: 1 fev. 2014.
Site do órgão de Proteção e Defesa do Consumidor do Governo Federal com links de
acesso aos Procons de todos os estados.
ROTULAGEM NUTRICIONAL OBRIGATÓRIA: Manual de orientação aos
consumidores
Disponível em: <http://www.anvisa.gov.br/alimentos/rotulos/manual_rotulagem.pdf>. Acesso em: 1 fev. 2014.
Esse manual ajuda a entender e utilizar as informações nutricionais contidas nos rótulos
dos alimentos. Conhecendo a composição dos alimentos que consumimos, podemos
escolher os produtos que melhor atendam às nossas necessidades e preferências.

4o e 5o anos 169

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eixo 3

capítulo 1
O que é ser cidadão?

em roda
É comum jornais, revistas e programas de televisão fazerem referência à cidadania e
mencionarem com muita frequência os direitos do cidadão. Mas quais são esses direi‑
tos? Existem também deveres ou obrigações do cidadão perante a lei? Como lutar pelos
direitos do cidadão? Seriam somente os governantes eleitos os responsáveis pela garan‑
tia da cidadania? Você se considera um cidadão, com os direitos atendidos e os deveres
cumpridos? Discuta essas questões com seus colegas.

Antonio Cunha/Esp. CB/D.A Press

Protesto contra Proposta de Emenda Constitucional sobre demarcação de terras indígenas em Brasília
(DF), 2013.

Para ler artigos da constituição


A Constituição é a lei maior do país. Ela é formada de diversas partes, chamadas arti-
gos. Cada artigo apresenta o que a lei garante ou proíbe para os cidadãos brasileiros. Os
artigos são divididos em parágrafos, que especificam mais ainda cada item da lei.

170 Eixo 3

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Leia agora alguns artigos da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988
e procure perceber qual é o assunto tratado em cada um deles.
Artigo 1o – A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel
dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático
de Direito e tem como fundamentos: GLOSSÁRIO
I – a soberania; Indissolúvel:
que não se pode
II – a cidadania;
dissolver; que não
III – a dignidade da pessoa humana; se pode desfazer.
IV – os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa; Lesivo: que
prejudica ou causa
V – o pluralismo político. dano.
[…] Pluralismo: sistema
que admite a
Artigo 5o pluralidade ou
diversidade de
[…]
ideias; opiniões,
LXXIII [73] – Qualquer cidadão é parte legítima para propor comportamentos
etc.
ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de
Soberania:
entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao qualidade ou
condição de
meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural [...]; soberano; refere-
[…] -se ao poder ou à
autoridade de um
Artigo 74o – Parágrafo 2o – Qualquer cidadão, partido político, país.
associação ou sindicato é parte legítima para, na forma da lei, denunciar
irregularidades ou ilegalidades. […]
Artigo 205o – A educação, direito de todos e dever do Estado e da família,
será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno
desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação
para o trabalho.
Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm>.
Acesso em: 16 fev. 2013. (Fragmento.)

em gruPos
Para organizar a discussão em grupo, siga os passos abaixo.
• Discuta em grupo o que significa ser cidadão, conforme os artigos da Constituição
Brasileira de 1988, citados anteriormente.
• Indique o aspecto relacionado à cidadania presente em cada um dos artigos.
• Procure lembrar exemplos de ações que podem ou devem ser realizadas para cada
um dos artigos.
• Apresente o resultado da discussão para o restante da turma. É fundamental que,
nessa apresentação, seja feita referência direta aos artigos constitucionais.

4o e 5o anos 171

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Para ler entrevista
Leia agora a entrevista do sociólogo Herbert de Souza, o

Américo Vermelho/ Folha Imagem


Betinho, concedida em 1994. Na década de 1960, ele atuou
na resistência ao governo militar instalado no Brasil. Por causa
de seu envolvimento nessa luta, viveu por um tempo no exílio.
Defensor da democracia e dos direitos humanos, criou a cam‑
panha “Ação pela cidadania contra a miséria e pela vida”. He-
mofílico, contraiu o vírus da Aids em uma transfusão de sangue.
Morreu, em 1997, aos 61 anos, no Rio de Janeiro.

Pergunta – O que é ser cidadão?


Betinho no Rio de
Betinho – O cidadão é o indivíduo que tem consciência
Janeiro (RJ), 1995.
de seus direitos e deveres e participa ativamente de todas as
questões da sociedade. Tudo o que acontece no mundo, seja no GLOSSÁRIO

meu país, na minha cidade ou no meu bairro, acontece comigo. Ético: relativo a ética;
conjunto de regras e
Então eu preciso participar das decisões que interferem na minha preceitos como valores e
a moral de um indivíduo,
vida. Um cidadão com um sentimento ético forte e consciência grupo ou sociedade.
da cidadania não deixa passar nada, não abre mão desse poder de Exílio: situação em que os
indivíduos são obrigados a
participação. viver fora do seu país.
Pergunta – Ser cidadão é votar? Hemofílico: aquele que
Betinho – Votar é escolher um sujeito, dar a ele a tarefa de possui hemofilia, doença
que afeta a coagulação do
representá-lo por quatro anos e cobrar. Mas cobrar antes mesmo sangue, fazendo com que
o corpo seja incapaz de
da próxima eleição. Muitas vezes, a gente vota e, depois, esquece controlar sangramentos.
até em quem votou. A ideia de cidadania ativa é ser alguém que
cobra, propõe e pressiona o tempo todo. O cidadão precisa ter consciência de seu
poder. Então, se há um problema na sua rua, você chama o seu vereador, e, se elegeu o
prefeito, chama o prefeito.
SOUZA, Herbert de; RODRIGUES, Carla. Ética e cidadania. São Paulo: Moderna, 1994. p. 22. (Fragmento.)

em ação

1. Segundo Betinho, a cidadania se relaciona somente com os problemas individuais?


De que maneira a cidadania se relaciona com a participação na vida social?

172 Eixo 3

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2. Para Betinho, exercer o direito de voto é suficiente para ser cidadão? Você concorda
com a posição dele? Explique sua resposta para a turma.

3. Levando em consideração as afirmações do entrevistado, dê exemplos de ações que


se relacionem com o exercício da cidadania.

4. Betinho aconselha: “[...] Se há um problema na sua rua, você chama o seu vereador,
e, se elegeu o prefeito, chama o prefeito.” Alguma vez, você já procurou o vereador ou
o prefeito ou outro representante do governo por algum problema? Por quê?

5. Se você fosse entrevistado por um repórter, como responderia à questão: De que ma‑
neira se pode exercer a cidadania no Brasil?

Para ler charge


A charge é um desenho que pode vir acompanhado de texto. O nome charge tem sua ori‑
gem na língua francesa e significa carga. Faz referência à carga pesada da artilharia do exérci‑
to, pois, em geral, seu objetivo é atacar. Ela apresenta, de forma bem‑humorada, uma caricatu‑
ra dos personagens retratados, sejam eles conhecidos, sejam eles não conhecidos. Em geral,
a charge se refere a fatos imediatos do cotidiano e é marcada pela visão crítica do autor. Há
também charges que se mantêm por longo tempo, especialmente as que abordam assuntos

4o e 5o anos 173

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como a injustiça social, já que problemas desse tipo permanecem por muitos anos. Alguns ar‑
tistas além de pintarem ou esculpirem ficam também conhecidos por produzir charges, mas há
aqueles que se dedicam exclusivamente a esse gênero de arte e são chamados de chargistas.
As charges a seguir foram feitas com objetivo didático, com a finalidade de esclarecer
o leitor sobre direitos e deveres do cidadão. Elas fazem parte de uma espécie de cartilha
chamada Cidadania para principiantes: a história dos direitos do homem. Observe-as e
responda às questões.

Charge 1 Charge 2

César Lobo
Charge 3 Charge 4

NOVAES, Carlos Eduardo; LOBO, César. Cidadania para principiantes: a história dos direitos do homem. São Paulo: Ática, 2004. p. 196-198.

1. De qual charge você mais gostou? Por quê?

2. Quais são os direitos garantidos aos cidadãos em cada uma das charges?

174 Eixo 3

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3. Você já passou por uma situação em que esses direitos tenham sido violados? Conte
para seus colegas.
4. Com a ajuda do professor, forme um grupo e escolha uma das charges para ser ana‑
lisada. A partir da charge escolhida:
• indique qual direito foi conquistado pelos cidadãos e passou a fazer parte da lei;
• descreva com detalhes a cena construída pelos cartunistas: quem são os persona‑
gens, em que situação estão, o que dizem, quais suas reações etc.
5. As charges ficam engraçadas porque, muitas vezes, a lei diz uma coisa e a situação
retratada na charge diz exatamente o contrário. A crítica e o humor da charge são
construídos com base nessa contradição. Com os colegas e o professor, ajude a pre‑
encher o quadro abaixo, de acordo com a crítica que os autores fazem em cada uma
das charges.

O que os
Charge direito garantido o que a imagem mostra
personagens dizem

Uma família de pessoas


Respeito a todas as
1 negras chega à portaria de
raças.
um prédio.

6. Reflita sobre esta afirmação, com base nas charges: “Para que a cidadania exista,
basta que a lei seja elaborada e aprovada.” Discuta sua resposta com os colegas.

Para ler texto expositivo e fotografia


Em 1984, ocorreu no Brasil o movimento Diretas Já. Por que existiu esse movimento
em nosso país?
Desde 1964, quando ocorreu um golpe de Estado que conduziu os militares ao poder,
não houve mais eleição direta para presidente. Havia também a censura, que reprimia mani‑
festações e opiniões contrárias ao governo. Com isso, o Brasil deixou de ser um país demo‑
crático, pois os cidadãos não podiam mais escolher seus governantes por meio do voto dire‑
to, nem tinham o direito de exprimir suas opiniões livremente. O destino de todos estava nas
mãos de um grupo que tomou o poder pelas armas e não pela livre escolha da população.

4o e 5o anos 175

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No final da década de 1970, após muita mobilização popular, iniciou–se o chamado
processo de transição para a democracia. O presidente João Baptista Figueiredo (1979-
-1984) foi o último presidente militar. Depois dele, um presidente civil deveria ser eleito.
No entanto, a Constituição do país determinava que as eleições fossem indiretas. O novo
presidente seria escolhido pelo Congresso Nacional e não pelo voto popular.
Assim, em 1984, nasceu o movimento Diretas Já, que reivindicava mudanças na Cons‑
tituição. Os partidários desse movimento queriam garantir as eleições diretas para presi‑
dente. Apesar das grandes manifestações populares por todo país, o Congresso Nacional
votou contra a mudança na Constituição. Em 1985, Tancredo Neves foi eleito presidente
pelo voto indireto, mas faleceu em razão de uma doença antes mesmo de assumir o car‑
go. Por isso, José Sarney, vice-presidente, governou entre 1985 e 1989.

Maurício Simonetti/Pulsar Imagens

Manifestação pelas Diretas Já, na Praça da Sé, na cidade de São Paulo (SP), 1984.

Em ação

1. Observe bem a imagem anterior. Que movimento ela retrata?

176 Eixo 3

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2. Por que existiu esse movimento? O que ele reivindicava?

3. Em que cidade essa foto foi obtida?

4. O movimento ocorreu apenas nessa cidade? Consulte o texto para responder.

5. Observe a imagem com atenção e responda: Em que tipo de lugar as pessoas esta‑
vam reunidas? Por quê?

6. Havia muita gente na manifestação? Justifique sua resposta com base na foto.

7. Podemos considerar essa manifestação um ato de cidadania? Para formular sua res‑
posta, releia a entrevista de Betinho.

Pensando sobre a língua

1. Você percebeu que o texto sobre o movimento Diretas Já está dividido em partes ou
blocos? Cada uma dessas partes é chamada de parágrafo. Agora, responda: Quantos
parágrafos tem o texto que você leu?

4o e 5o anos 177

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2. Releia o texto e, com um colega, escreva no caderno do que trata cada um dos quatro
parágrafos.
3. Você notou que os parágrafos do texto começam um pouco afastados da margem es‑
querda? Sem esse afastamento, ficaria mais fácil ou mais difícil perceber onde inicia
cada parágrafo?
4. Observe, agora, o trecho inicial do texto sobre as Diretas Já apresentado de duas
maneiras diferentes.

Sem parágrafos Com parágrafos

Em 1984, ocorreu no Brasil o Movimento Em 1984, ocorreu no Brasil o Movimento


Diretas Já. Por que existiu esse movimento Diretas Já. Por que existiu esse movimento
em nosso país? Desde 1964, quando ocorreu em nosso país?
um golpe de Estado que conduziu os Desde 1964, quando ocorreu um golpe
militares ao poder, não houve mais eleição de Estado que conduziu os militares ao
direta para presidente. Havia também a poder, não houve mais eleição direta para
censura, que reprimia manifestações e presidente. Havia também a censura, que
opiniões contrárias ao governo. Com isso, reprimia manifestações e opiniões contrárias
o Brasil deixou de ser um país democrático, ao governo. Com isso, o Brasil deixou de ser
pois os cidadãos não podiam mais escolher um país democrático, pois os cidadãos não
seus governantes, por meio do voto direto podiam mais escolher seus governantes por
nem tinham o direito de exprimir suas meio do voto direto, nem tinham o direito
opiniões livremente. Os destinos de todos de exprimir suas opiniões livremente. Os
estavam nas mãos de um grupo que tomou destinos de todos estavam nas mãos de um
o poder pelas armas e não pela livre escolha grupo que tomou o poder pelas armas e não
da população. pela livre escolha da população.

• Em sua opinião, é melhor ler o texto com parágrafos ou sem parágrafos? Por quê?
5. Discuta com seus colegas e o professor:
a) O que há de diferente na forma de organizar os textos em parágrafos?
b) Como o leitor pode saber qual é o primeiro e qual é o segundo parágrafo?

Escrevendo cartilha educativa


Agora você vai escrever uma cartilha educativa sobre cidadania. Vimos antes uma
cartilha que usa charges para falar dos direitos do cidadão. Cada grupo vai produzir uma
charge para a cartilha da seguinte forma:
a) um texto que apresente o direito do cidadão que deveria ser respeitado;
b) uma charge que mostre uma situação e algumas personagens em que esse di‑
reito do cidadão está sendo desrespeitado. Se preferirem, podem pesquisar ima‑
gens e fazer colagens.

178 Eixo 3

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Grupo de direitos Exemplos

Direito à vida
Direito à igualdade
Direito à liberdade
Direitos individuais e coletivos Direito à segurança
Direito à propriedade
Direito à liberdade de expressão
Direito à associação e reunião

Direito à educação
Direito ao trabalho
Direito à infância
Direitos sociais Direito à saúde
Direito à previdência social
Direito a envelhecer com dignidade
Direito ao seguro-desemprego

Lembre-se do que estudamos sobre as charges na cartilha sobre direitos humanos: o


humor é conseguido quando a situação desenhada é contrária ao que está dito no texto
ou ao que os personagens falam. Desenhos engraçados também ajudam nisso.
Reproduza e distribua a cartilha em sua escola e na comunidade. Se não for possível,
faça um painel com as charges e exponha-o na escola ou na comunidade.

É a vez de falar! – Debate regrado


Depois de tudo pronto, a turma pode ler a cartilha e debater sobre cidadania.
Com a grande desigualdade social no Brasil, quem são os responsáveis pela garantia
de cidadania?
O professor será o mediador, ou seja, quem garantirá a todos o direito de falar. Para
isso, ele fará uma lista de inscrição de quem vai falar a cada momento. Dessa maneira, evi‑
ta-se que o debate se torne um “bate­-boca” e que apenas alguns expressem sua opinião.
Você deve se preparar para o debate, anotando alguns argumentos para defender o
que pensa. Escreva algumas ideias que tenha lido nos textos deste capítulo, talvez até
alguma frase dita por alguém. Lembre que, após a fala de um colega, você pode pedir ao
mediador para inscrever você na lista e, quando chegar a sua vez, fale o que pensa, se
concorda ou discorda e por que razão. Bom debate!

4o e 5o anos 179

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eixo 3

Capítulo 2
Ditadura e democracia no Brasil

eM roDa
A Constituição brasileira de 1988 restabeleceu o regime democrático no Brasil. Mas o
que isso significou? O que existia antes que se opunha à democracia? Qual é a diferença
entre um regime político ditatorial e um democrático?
Procure em um dicionário o significado das palavras ditadura e democracia.
1. Aponte duas diferenças importantes entre essas duas formas de governo.
2. Analise as imagens abaixo e classifique-as conforme a definição que você pesquisou
no dicionário. Qual delas está relacionada a uma situação comum em democracias?
E qual delas é o retrato de uma ditadura?

Acervo Iconographia/Reminiscências

Repressão de militares
a estudantes contrários
ao governo. São Paulo
(SP), 1997.
Acervo Iconographia/Reminiscências

Eleitor votando para


vereador. Porto Alegre
(RS), 2012.

180 Eixo 3

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Para ler texto exPositivo
O texto a seguir mostra como a ideia de democracia foi construída ao longo da Histó-
ria. Leia-o com atenção e, com um colega, responda às questões.

O QUE É DEMOCRACIA?

Araldo de Luca/Corbis
A palavra democracia tem origem na cultura
grega e pode ser traduzida como governo do povo
ou dos cidadãos. Na cidade de Atenas, por volta
do ano 500 a.C. (antes do nascimento de Cristo),
criou–se o sistema de governo que chamamos de
democracia. Nessa sociedade, havia homens livres,
que eram cidadãos, e os escravos, que, além de
trabalhar para os homens livres, não tinham direitos
políticos. Para ser um cidadão, era preciso também
ser filho de pais atenienses. Portanto, nem os es-
trangeiros nem os escravos podiam ser cidadãos.
Os cidadãos, por sua vez, exerciam a democracia
direta, isto é, reuniam–se em um local público para to-
mar decisões importantes sobre os destinos da cidade.
As leis eram criadas e aprovadas por essa assem-
bleia de cidadãos.
Nos dias atuais, a democracia se organiza de Ânfora, Grécia, 500-475 a.C.
outra forma. Em geral, ela se relaciona com um tipo
especial de governo republicano. Nas sociedades republicanas democráticas, os
governantes são eleitos diretamente pelo povo, como ocorre no Brasil atualmen-
te. No entanto, ao contrário do que ocorria em Atenas na Antiguidade, nos dias
de hoje não podemos aprovar diretamente com nosso voto as leis que são pro-
postas. Quem faz isso são os deputados e senadores que escolhemos para nos
representar.
Em uma democracia, deve haver também liberdade de expressão. Ninguém
pode ser proibido de manifestar livremente seu pensamento, nem ser preso sem
que se prove que tenha cometido um crime previsto em lei. O cidadão tem o di-
reito de se opor às ideias dos governantes e de participar de movimentos sociais
que proponham mudanças no município, no estado ou no país.
Nos governos ditatoriais, ocorre o inverso. Com apoio militar, em geral, um
grupo toma o poder pela força e impõe suas regras e leis a toda a população. As-
sim, não há liberdade de expressão e aqueles que discordarem das ideias desse
governo podem ser presos ou excluídos da sociedade. Em vários casos, como
ocorreu no Chile, na Argentina e no Brasil, milhares de pessoas foram mortas

4o e 5o anos 181

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por discordar dos governos

Horacio Villalobos/Corbis
militares.
É importante compreen-
der que nos governos ditato-
riais ocorre, quase sempre,
um grande fortalecimento
do Poder Executivo (do chefe
de governo, em especial, do
presidente) e um enfraqueci-
mento do Poder Legislativo
(deputados, senadores ou
vereadores, que elaboram e
aprovam as leis). O presiden-
te que tomou o poder e seus
ministros decidem o destino Soldados e prisioneiros na ditadura chilena, Chile, 1993.
da nação sem que os depu-
tados e senadores possam interferir. Em ditaduras, como já ocorreu no Brasil, o
Poder Legislativo até mesmo deixou de funcionar.
Nos governos democráticos republicanos, os direitos dos cidadãos, as obriga-
ções do Estado e dos governantes e suas funções são definidos por uma Cons-
tituição. Ela é elaborada por representantes eleitos pelos cidadãos, reunidos no
que se denomina de Assembleia Constituinte. Essa Constituição passa a ser a
lei maior do país, definindo a forma de eleição do presidente, dos deputados, dos
governadores e dos prefeitos.

1. Qual é o tema geral tratado no texto?

2. Numere os parágrafos do texto. Em seguida, escreva uma frase que mostre qual é o
assunto de cada parágrafo.

182 Eixo 3

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3. Segundo o texto, a democracia em Atenas foi criada por volta do ano 500 a.C., no
período conhecido como Antiguidade. Indique quantos anos se passaram desde essa
data até o ano em que você está vivendo.

4. Indique uma característica importante da democracia de Atenas.

5. Indique uma característica importante da democracia existente atualmente no Brasil.

6. Conforme o que você leu no texto, explique o significado dos termos a seguir:
a) República

b) Constituição

7. Explique a frase a seguir, utilizando as informações do texto: “A democracia atenien-


se excluía parte da população, enquanto as democracias modernas incluem o maior
número possível de eleitores.”

4o e 5o anos 183

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Para ler texto expositivo

Ditadura e democracia no Brasil: 1945-2013

Em 1945, o Brasil vivia num regime ditatorial. A Constituição havia sido feita
por um pequeno grupo de pessoas, a pedido do presidente Getúlio Vargas. Ele
havia assumido a presidência em 1930, por meio de um golpe de Estado, com o
apoio de militares. Não havia eleições para presidente, e a população não podia
se manifestar livremente.
No final de 1945, contudo, Getúlio Vargas renunciou ao cargo. Alguns grupos
políticos organizaram um movimento a favor da democratização do país e pressio-
naram Vargas para que ocorressem

Acervo Iconographia
eleições presidenciais. Com medo
de que isso não acontecesse, um
grupo de militares mobilizou suas
tropas contra o presidente e ele de-
cidiu renunciar.
No ano seguinte, em 1946, foram
eleitos uma Assembleia Constituinte
e um presidente da República pelo
voto direto, Eurico Gaspar Dutra. A
partir de então, foi restabelecida a
liberdade de opinião. Elaborou–se
uma nova Constituição, que garantiu
a realização de eleições para presi-
dente, governadores, prefeitos, de-
putados e senadores. Após cerca de
Manifestação anti-Vargas (SP), 1945
15 anos de ditadura, pela primeira
vez, o país vivia um regime efetiva-
Acervo Iconographia

mente democrático. Foram eleitos


os presidentes Juscelino Kubitschek
e Jânio Quadros.
Em 1961, após a renúncia do
presidente eleito, Jânio Quadros, o vi-
ce-presidente, João Goulart, assumiu
a presidência. Mas ele sofreu muitas
pressões de parte do exército, que
não concordava com suas propostas
de reformas para o país. Ele propu-
nha, por exemplo, a realização de
uma ampla reforma agrária. Os mili-
tares, por sua vez, acusavam–no de João Goulart discursa no Comício das Reformas (RJ), 1964.

184 Eixo 3

V3_Eixo3_Cap_2.indd 184 2/7/14 6:47 PM


ser favorável aos grupos políticos que lutavam por mudanças sociais.
Em 1964, ocorreu então um novo golpe no Brasil, dessa vez com os militares
à frente. João Goulart foi deposto, e o marechal Castelo Branco se tornou presi-
dente do país. Nesse momento, todas as eleições livres foram suspensas. Em
1967, uma nova Constituição foi elaborada, confirmando o caráter não democrá-
tico do novo governo. Estabeleceu–se a censura, e os partidos políticos foram ex-
tintos. Em seu lugar, permitiu-se a existência de apenas dois partidos: a Aliança
Renovadora Nacional (Arena), favorável ao governo, e o Movimento Democrático
Brasileiro (MDB), no qual estavam os opositores ao regime militar. Os movimen-
tos sociais ficaram limitados em sua atuação. Muitos opositores do regime mili-
tar foram presos, torturados, exilados ou mortos.
Arquivo/AGE/AE

Soldados levam manifestantes presos após confronto com a


polícia, Rio de Janeiro (RJ), 1968.

Após a resistência de muitos grupos que lutavam contra a ditadura, a demo-


cracia começou a se restabelecer na primeira metade dos anos 1980. Em 1985,
um colégio eleitoral (deputados e senadores) elegeu Tancredo Neves de forma
indireta à presidência. Doente, ele não chegou a assumir o poder. Em seu lugar,
assumiu José Sarney, seu vice-presidente. Em 1986, foram eleitos os deputados
que formaram uma nova Assembleia Constituinte e, em 1988, foi promulgada a
nova Constituição, que está em vigência até os dias atuais. Nessa Constituição,
foram retomadas as eleições diretas para os governantes e a liberdade de opi-
nião e de imprensa. Em 1989, ocorreu a primeira eleição presidencial direta após
mais de vinte anos de ditadura militar. Nela, Fernando Collor de Mello foi eleito
presidente. Mas, sob forte acusação de corrupção, ele foi deposto do cargo. Em
seu lugar, assumiu o vice–presidente Itamar Franco. Em 1994, Fernando Henrique
Cardoso elegeu–se presidente, sendo reeleito em 1998. Em 2002, foi a vez de
Luiz Inácio Lula da Silva, também reeleito em 2006. E, em 2010, Dilma Rousseff
foi a primeira mulher a assumir a presidência da República.

4o e 5o anos 185

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186
Golpe militar,

Eixo 3
deposição de João

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Goulart e fim do
período democrático; O General
João Goulart assume a o marechal Castelo Artur da Costa
Eleição de Getúlio Eleição de Juscelino Eleição de Jânio presidência após renúncia Branco torna-se e Silva assume
Vargas Kubitschek Quadros de Jânio Quadros presidente a presidência

1950 1955 1961 1961 1964 1967

Folha Imagem
Folha Imagem
Acervo Iconographia/Reminiscências

Acervo Iconographia/Reminiscências
Acervo Iconographia/Reminiscências

Emílio O General Luiz Inácio


Garrastazu Ernesto Promulgação Fernando Collor Fernando Henrique Lula da Silva, Dilma Rousseff,
Médici torna-se Geisel assume Eleição João Fim da Ditadura da atual de Melo, eleito Cardoso, eleito por eleito por voto eleita por voto
presidente a presidência Figueiredo Militar Constituição por voto popular voto popular popular popular

1969 1974 1979 1985 1988 1989 1994-1998 2002-2006 2010

João Bittar/Folha Imagem


Ricardo Azoury/Olhar Imagem

Ricardo Azoury/ Olhar Imagem


Márcia Gouthier/Folha Imagem
Rudy Trindade/Frame/Folhapress

2/7/14 6:47 PM
Para ler anúncio publicitário
O anúncio publicitário que você vai ler a seguir também conta a história dos últimos
presidentes do nosso país, mas de um jeito diferente. Ele descreve fatos da realidade de
um modo irônico e informal. Foi publicado em 1997 e era uma peça publicitária do jornal
Folha de S.Paulo, que pretendia mostrar aos leitores o quanto esse veículo de comunica-
ção traz informações de modo descomplicado, de fácil entendimento.
Os presidentes
Tinha um presidente que antes havia sido ditador, mas depois foi eleito. Só que um
segurança, amigo dele, arrumou encrenca na rua e o presidente deu um tiro no peito,
peito dele, não do segurança. Foi um bafafá, mas assumiu o vice.
Depois veio um presidente que construiu uma cidade no meio do nada e mudou
a capital do país pra lá. Aí veio outro que falava esquisito e tinha mania de vassoura, e
que de repente renunciou, ninguém entendeu bem por quê. Então, deu uma confusão
danada, mas acabou assumindo o vice, que começou a ter ideias novas e foi derrubado
pelos militares, que botaram um general na presidência.
Aliás, um não, vários, um atrás do outro. Teve aquele baixinho, depois aquele outro
que teve um treco, e assumiu uma junta militar. Aí vieram mais três que não gostavam
muito de ser presidentes e, quando ninguém mais aguentava generais, eles deixaram
entrar um civil, que tinha sido ministro daquele que deu um tiro no peito, mas ele
também teve um treco bem no dia da posse e entrou esse outro, que seria vice, que
tinha um bigode estranho e se dizia poeta, que fez uma lei proibindo os preços de
subirem e deu com os burros n’água.
Foi quando voltou a eleição direta e ganhou um almofadinha, que confiscou o
dinheiro da população, construiu uma cascata em casa e quase foi pra cadeia, junto
com o tesoureiro, que depois foi morto em circunstâncias misteriosas.
Mas quando o almofadinha dançou, entrou um vice, aquele do topete, amante do
pão de queijo, que relançou o fusca e lançou um novo dinheiro, bolado por um ministro
que, por isso, virou presidente e está aí, ficando mais um pouquinho, talvez disputando
a eleição com o do bigode, o do topete e, se deixarem, o da cascata.
Bom, é basicamente isso.
Veja. São Paulo, n. 1479, 22 jan. 1997, p. 70-75.

1. Compare os textos “Ditadura e democracia no Brasil: 1945-2013” e “Os presidentes”.


a) O que há em comum entre eles?

4o e 5o anos 187

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b) Qual texto dá informações mais detalhadas?

c) Qual deles é engraçado?

2. Algum nome de presidente foi citado no anúncio publicitário? Você conseguiu identifi-
car algum presidente? Como?

3. Faça uma tabela no caderno, como o modelo a seguir, e preenche-a de acordo com o
anúncio.

Nome do presidente descrição Fato de que participou

4. A descrição dos presidentes feita no anúncio publicitário é parecida com a descrição


feita no texto “Ditadura e democracia no Brasil: 1945-2013”? Por quê?

5. Descreva o(a) atual presidente(a) do Brasil de forma semelhante à do anúncio. Lem-


bre–se: não escreva o nome do(a) presidente(a) e apresente características que o (a)
identifiquem. Compare seu texto com o dos colegas e veja qual ficou mais interessan-
te ou engraçado.

188 Eixo 3

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6. Você acha que o texto “Os presidentes” seria publicado no jornal em forma de notícia
ou reportagem? Por quê?

DITADURA MILITAR: AME-A OU DEIXE-A

Em grupos

1. O boxe a seguir traz algumas palavras para discutir em sala de aula. Você vê relações
entre elas? Quais? Comente com seus colegas.

censura nacionalismo ditadura protestos direitos propaganda

2. Observe os cartazes de publicidade a seguir e comente com seus colegas: Eles ven-
dem uma ideia ou um produto? Qual? Escreva suas conclusões nas linhas abaixo
Reprodução
Reprodução

Cartazes de campanhas do Governo Brasileiro na década de 1970.

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No início dos anos 1970, quando o Brasil era governado pelo general Emílio Garras-
tazu Médici, durante a ditadura militar, o governo brasileiro realizou várias campanhas
publicitárias. Elas tinham a finalidade de criar um forte sentimento nacionalista e ampliar
o apoio ao governo ditatorial.
Uma das mais famosas campanhas foi a que tinha o slogan reproduzido no cartaz da
página anterior: “Brasil: ame-o ou deixe-o”, fazendo referência ao fato de que, em vez de
protestar, as pessoas deveriam amar seu país.
Outro slogan conhecido foi “Ninguém mais segura este país”, que divulgava a ideia de
que o Brasil era um país em desenvolvimento e que o governo estaria conduzindo com
competência o crescimento econômico nacional.

Para ler tiras em quadrinhos


Você já percebeu que um texto puxa outro? Pois é! Muitas vezes, encontramos a nos-
so redor textos que retomam outros textos. Leia as tiras a seguir.

Ziraldo
Ziraldo. In: Sérgio
Augusto; Jaguar
(Orgs.). O melhor
do Pasquim:
antologia. 1969-
1971. Rio de Janeiro:
DesidrataDesiderata,
2006. p.144.

Luciano Tasso

Luciano Tasso. São Paulo, 2007. (Especialmente para este livro.)

As tiras em quadrinhos que você leu referem-se ao período da ditadura militar no Bra-
sil, quando foi criada a chamada censura prévia. Com ela, os veículos de comunicação,
bem como compositores, teatrólogos, cineastas, deveriam submeter suas produções a
um censor do governo, que permitiria ou não a divulgação do trabalho.

190 Eixo 3

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Em ação

1. Qual é o assunto tratado em cada uma das tiras?

2. Em sua opinião, como esses assuntos se relacionam com as publicidades do governo


militar vistas antes?

3. Comparando os cartazes de propagandas e as tirinhas, quais eram favoráveis e quais


eram contrárias à ditadura imposta pelos militares? Explique sua resposta aos colegas.

4. O que os desenhos da primeira tira nos dizem sobre o slogan “Brasil: ame–o ou
deixe–o”?

5. A segunda tira fala sobre a censura prévia, muito frequente na ditadura militar. Expli-
que com suas palavras como seria esse tipo de censura.

4o e 5o anos 191

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6. Com base nas imagens, responda: Podemos afirmar que elas se referem a um período
em que se vivia sob um governo ditatorial?

Escrevendo texto de opinião


Com um colega, escreva um texto de opinião para ser publicado no mural da escola
ou da classe. Elabore um pequeno texto que diga qual é, em sua opinião, a melhor forma
de governo: ditadura ou democracia. As características do texto de opinião são:
• Os leitores do mural devem perceber qual é a opinião do autor do texto; não basta
dizer que o melhor é a ditadura ou a democracia, é preciso explicar por que razão
você pensa assim. Esses são os argumentos a serem apresentados de forma clara.
• Procure apresentar mais de um argumento para defender sua posição.
• Antes de escrever seu texto, releia os textos deste capítulo. Discuta com seu parcei-
ro qual é a melhor forma de governo: ditadura ou democracia.
• Anote algumas ideias que vão ajudar a argumentar, a defender sua posição.
• Fique atento às palavras que ajudam a deixar o texto mais organizado. Para apresen-
tar seus argumentos, use palavras que ligam as informações, como: “A ditadura é a
melhor forma de governo porque não é preciso...”.
• Para apresentar um segundo argumento, você pode dizer algo assim: “Além disso,
a democracia é melhor porque...”; “A democracia também é...”.
• Para organizar o texto, você pode dividi-lo segundo os assuntos, usando um parágra-
fo para cada argumento.

192 Eixo 3

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eixo 3

Capítulo 3
A importância da participação
política

em roda
Muitos brasileiros costumam afirmar que não gostam de política. Entretanto, pesqui-
sadores e estudiosos alertam para os riscos de se deixar as tarefas políticas apenas para
os políticos ou os que afirmam gostar de fazer política. Entre eles, estão representantes
eleitos como prefeitos, deputados ou vereadores.
Mas o que é fazer política? Para você, quais dos itens a seguir são atos políticos?
Discuta com seus colegas e justifique.

Fernando Favoretto / Criar Imagem


Fernando Favoretto / Criar Imagem

Reunião de alunos. São Paulo(SP), julho 2011. Reunião de moradores. São Paulo(SP), 2011.

Fabyana Mota/ON/D.A Press


Paulo de Araújo/CB/D.A Press

Eleições 2010. Candidato do Partido Social Cristão Reunião no Sindicato dos Trabalhadores
(PSC) ao governo do Distrito Federal, Joaquim em Ensino Superior (Sintespb), para decidir
Roriz, e o candidato a deputado federal Ronaldo sobre alteração na jornada de trabalho. João
Fonseca, durante reunião com militantes no Pessoa(PB), 24/8/2010.
comitê de campanha no Setor de Indústria e
Abastecimento(SIA) Brasília(DF), 8/9/2010.

4o e 5o anos 193

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• Participar de reunião na escola para discutir suas regras de funcionamento.
• Participar de reunião de comitê de apoio a um candidato a deputado federal.
• Conversar com os vizinhos sobre a melhor forma de solicitar melhorias no bairro.
• Comparecer à reunião do sindicato para discutir aumento salarial.
Pois bem, se para você, apenas um ou outro dos itens anteriores são atos políticos,
enganou–se: todos eles são atos políticos, porque todos envolvem a participação e o com-
promisso dos cidadãos. E você, o que pensa dessa discussão? Em sua opinião, é importan-
te participar desse tipo de ato? Converse com seus colegas sobre essas questões.
Adriano Ishibashi/Frame/Folhapress

Funcionários da Agência
Nacional do Petróleo
(ANP) realizaram uma
manifestação em frente
ao Theatro Municipal do
Rio de Janeiro na tarde
desta sexta-feira, no centro
da capital, com faixas e
camisetas. A manifestação
teve por objetivo o início
da greve dos servidores,
27/7/2012.

Para pesquisar
Uma pesquisa de opinião na escola pode ajudar a obter algumas informações sobre
a questão da participação política. Elabore algumas perguntas que esclareçam se as
pessoas sabem quem são os responsáveis pela tomada de decisões e concretização
de determinadas obras. Sugerimos algumas para começar. Se desejar, reformule–as e
acrescente outras.
1. Quem é a autoridade responsável pelas obras de calçamento das ruas?
2. Quem deve cuidar da segurança da cidade?
3. Quem elabora as leis para garantir os direitos dos cidadãos?
Quando as perguntas estiverem prontas, aplique a pesquisa em outras turmas da es-
cola. Registre os resultados, fazendo os cálculos para saber quantas pessoas acertaram
as respostas. Houve alguma pergunta com pouco acerto? O que isso sugere?
Depois, conclua: na maioria dos casos, as pessoas estão bem informadas sobre
a responsabilidade política das autoridades e de cada cidadão? Elas têm informações
sobre as diferentes formas de participação política? Em que áreas apresentaram mais
dificuldades? Como poderão obter mais informações?

194 Eixo 3

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DEMOCRACIA REPRESENTATIVA

em gruPos
Para compreender como funciona o sistema político brasileiro, é importan-
te assinalar algumas de suas principais características. GLOSSÁRIO
O sistema chamado de democracia direta ocorre quando membros de
Delegar: conceder
uma coletividade reúnem–se no mesmo lugar e ao mesmo tempo para tomar poderes a alguém.
decisões. Eles também estão fazendo política, como já faziam os cidadãos de
Atenas na Antiguidade reunidos na praça principal (a ágora).
O eleitor brasileiro, por meio do voto, escolhe seus representantes. Ele delega a es-
ses políticos o poder de decidir uma série de assuntos em seu nome. Esse sistema, que
é o existente no Brasil, recebe o nome de democracia representativa, em que as deci-
sões políticas são tomadas pelos representantes eleitos.
Converse com os colegas sobre as seguintes questões: Quais são os representantes
que os brasileiros escolhem nas eleições? Quais cargos eles vão ocupar? Quais são as
principais tarefas dos ocupantes desses cargos? Existem problemas no sistema de re-
presentação política de nosso país? Quais? Anote e discuta os resultados com a turma.

Para ler texto exPositivo

Falamos em governo quando forças políticas organizadas ocupam o poder


no Estado por um tempo. Isso ocorre, por exemplo, quando se elege um presi-
dente ou os governadores dos estados. Essas forças políticas são formadas por
indivíduos organizados em partidos políticos, como ocorre no Brasil e em outros
países. O modo de escolher o chefe de governo e outros representantes varia
bastante entre os países.
No Brasil, essas autoridades escolhidas pela população vão administrar o
país em três níveis: federal (ou nacional), estadual e municipal. Para isso, o go-
verno está dividido em três poderes, independentes entre si (ver quadro a seguir):
1. Poder Legislativo: tem a tarefa de elaborar e aprovar as leis, no plano fede-
ral (deputado federal, senador), no estadual (deputado estadual) e no municipal
(vereador).
2. Poder Executivo: tem a tarefa de executar leis e elaborar políticas públi-
cas, que são ações concretas em campos como educação, saúde ou habitação,
tanto no plano federal (presidente da República) como no estadual (governador)
e no municipal (prefeito).
3. Poder Judiciário: é o poder encarregado de zelar pelo cumprimento das
leis, promover a justiça e investigar denúncias de irregularidades. Esse poder
organiza–se apenas nos planos estadual e federal. Seus representantes não são
escolhidos pela população. Eles são selecionados por meio de concurso público.

4o e 5o anos 195

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Constituição da República Federativa do Brasil

Poder Executivo Poder Judiciário Poder Legislativo

Presidente da Ministros Supremo Tribunal Câmara dos


Senado
República de Estado Federal deputados
Eleito pelo Nomeados Superior Tribunal
voto direto pelo presidente Tribunal Superior Eleitos
Tribunal de Superior
da República Superior Tribunal pelo voto
Justiça do
Eleitoral Militar direto
Trabalho

Em ação

1. Os títulos dos textos expositivos normalmente retratam o tema geral do texto. Dos
títulos apresentados a seguir, qual deles você sugere para o texto acima? Justifique
sua resposta.
a) Os diversos partidos políticos no Brasil
b) O sistema brasileiro de representação política
c) O chefe do governo

2. De acordo com o texto, faça a correspondência entre as colunas abaixo, associando


corretamente o cargo a suas atribuições:
a) presidente ( ) chefe de governo no nível estadual
b) vereadores ( ) fiscalizam o cumprimento das leis
c) deputados federais ( ) chefe do Executivo federal (senadores)
d) governador ( ) fazem leis que valem para todo o país
e) juízes ( ) aprovam leis que valem para o município

Em roda
Entender quem exerce cada cargo na administração do país é importante, mas não é
suficiente para garantir a participação política de cada cidadão. É preciso também votar,
e de forma consciente.
• Cite o nome de um prefeito eleito em seu município. Você se lembra de algum fato
marcante da administração desse prefeito? Qual?
• Você votou nas últimas eleições para presidente, governador, deputados e senado-
res? Você lembra em quem votou?
• Pense nas eleições que ocorrem no Brasil e responda: Você acha que vale a pena
votar? Discuta sua resposta com a turma.

196 Eixo 3

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Na internet
Assista ao programa A escolha é sua, disponibilizado pela Câmara dos Deputados.
Ele explica, em linguagem simples, as funções do poder legislativo e entrevista cientistas
políticos, representantes de ONGs, estudantes universitários e artistas. O vídeo também
pode ser baixado gratuitamente. Ele está disponível em: <http://www2.camara.leg.br/
camaranoticias/tv/materias/DOCUMENTARIOS/191888-A-ESCOLHA-E-SUA-1:-DEPUTA-
DOS-E-SENADORES.html>.

Para ler fotografia


As construções são, por vezes, mais do que simples prédios ou casas. Elas podem
expressar significados e ser também verdadeiras obras de arte. O prédio do Congresso
Nacional, em Brasília, reúne a Câmara dos Deputados e o Senado Federal. Foi projetado
por Oscar Niemeyer, famoso arquiteto brasileiro. Ao lado de Lúcio Costa, ele foi responsá-
vel pelo projeto da construção de Brasília. Observe a foto a seguir:
Fabio Colombini

Palácio do Planalto. Brasília (DF), 2011.

1. Há três partes bem delimitadas nessa construção. Quais são elas?

2. Que partes são exatamente opostas, na forma e na posição em que se encontram?

4o e 5o anos 197

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3. O Congresso Nacional reúne deputados e senadores de todos os estados do país, de
diversos partidos políticos. Eles foram eleitos com o voto de brasileiros de diferentes
idades, classes sociais, profissões etc. Em sua opinião, deputados e senadores de-
fendem as mesmas ideias, pensam da mesma maneira, concordam em tudo? Discuta
com seus colegas.
4. Alguns desses representantes apoiam o governo, outros se opõem a ele. Você con-
segue ver, no prédio do Congresso, essa ideia de situações que se opõem, mas que
estão próximas?

5. Selecione cartões-postais, gravuras e fotos com imagens de Brasília. Com eles, orga-
nize um mural. Não se esqueça de fazer as legendas.

Para pesquisar
No Brasil, o presidente da República é o responsável, por exemplo, pela segurança
das fronteiras do país. Ele também coordena políticas econômicas, encaminhando ao
Congresso Nacional, propostas para o valor do salário mínimo.
O governador responde pela segurança pública de seu estado, com as polícias civil e
militar. O prefeito, por sua vez, tem entre suas atribuições cuidar da pavimentação de ruas
e da coleta de lixo de seu município.
Com um grupo de colegas, pesquise outras atribuições dos chefes do Poder Executivo
nos níveis federal, estadual e municipal. Siga o roteiro.
• Em uma folha de papel, faça um esquema mostrando as atribuições do chefe de
governo de cada nível. Já começamos para você.

Poder Executivo – Brasil

Presidente da Governador do
Prefeito
República Estado

• Discuta os resultados com os colegas e ajude a construir um quadro geral com as


sugestões de toda a turma sobre as atribuições dos chefes de governo.

198 Eixo 3

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• Em seguida, prepare um organograma semelhante para o Poder Legislativo nos níveis fe-
deral, estadual e municipal. Pesquise as atribuições de cada um deles. Insira o nome dos
atuais vereadores, deputados estaduais e deputados federais eleitos em seu estado.
• Com os colegas, escolha um local na escola para afixar e divulgar os resultados da
pesquisa. Assim, os estudantes poderão saber quem são as autoridades responsá-
veis pelos serviços públicos e cobrar delas melhor atendimento.
Divulgue também os links que o Congresso Nacional tem para que cada eleitor possa
enviar e-mails aos deputados e senadores.

A DEMOCRACIA PARTICIPATIVA

Em roda
Após o candidato eleito exercer o cargo por certo tempo, nem todos ficam satisfeitos
com seu trabalho. Converse com seus colegas: Isso também acontece com os estudantes
da turma? Quais são as principais razões das insatisfações? Reflita sobre as seguintes
questões: O que é possível fazer para que os representantes, tanto do Executivo como do
Legislativo, cumpram suas obrigações? Existem formas de controlar e fiscalizar os atos
dos representantes eleitos?

Para ler texto expositivo


Apesar de vivermos num sistema de democracia representativa, existem no nosso
país mecanismos de participação popular e de democracia direta. Alguns preferem
chamar essas experiências de democracia participativa. Sobre esse assunto, leia o
texto a seguir.

Os projetos de iniciativa popular


O artigo 61 da atual Constituição inclui a apresentação de projetos de iniciativa
popular. Como isso funciona? Trata-se de uma forma de democracia direta. Cada
proposta deve ser assinada por, no mínimo, 1% do eleitorado nacional. Isso representa
pouco mais de um milhão de eleitores, distribuídos em pelo menos cinco estados.
Para facilitar a participação popular no processo de elaboração das leis, a Câmara
dos Deputados criou uma comissão para receber ideias da sociedade. A partir de
então, associações e órgãos de classe, sindicatos e entidades da sociedade civil podem
apresentar sugestões à Câmara. A matéria deve ser encaminhada por carta, correio
eletrônico ou pessoalmente à Comissão de Legislação Participativa. Se aprovada, é
transformada em projeto de lei, iniciando então sua tramitação normal na Casa.
Disponível em: <http://www.camara.gov.br/internet/agencia/materias>. Acesso em: 12 nov. 2012. (Fragmento).

4o e 5o anos 199

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1. O título do texto aponta para o tema principal? Que outro título poderia substituí–lo?

2. O que são os projetos de iniciativa popular?

3. Em sua opinião, a medida apresentada pela Câmara dos Deputados, que cria uma
comissão para receber propostas da sociedade, beneficia a população? Por quê?

4. O texto afirma que essas propostas são medidas de democracia direta. Você está de
acordo com essa afirmação? Explique.

Agora, leia o texto a seguir sobre a Lei da Ficha Limpa.


A chamada Lei da Ficha Limpa, antigo anseio popular, impede o político condenado
por órgãos colegiados de disputar cargos eletivos.

Alan Marques/Folhapress
Alan Marques/Folhapress
Foi aprovada no Congresso e sancionada por Lula
em 2010, ano eleitoral. A aplicação da lei, porém,
dividiu opiniões e levou a um impasse que só se
resolveu cinco meses após a eleição, quando o
Supremo decidiu que a regra só valerá em 2012.
Numa análise rápida pode parecer uma derrota
dos eleitores para os políticos corruptos. Não é.
Ao decidir pela aplicação da lei apenas a partir de
2012, o tribunal preservou a segurança jurídica Manifestantes entregam na Câmara dos Deputados
projeto popular com 1,3 milhão de assinaturas
brasileira, um dos pilares da democracia.
exigindo a “ficha limpa” dos candidatos nas eleições.
Fonte: Acervo Digital, Temas, Ficha Limpa. Veja. Disponível em: <http://veja. Folha de S.Paulo, 29 set. 2009.
abril.com.br/tema/ficha-limpa>. Acesso em: 8 fev. 2013.

200 Eixo 3

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5. Em que medida a imagem nos ajuda a compreender o significado de uma emenda popular?

6. Quem pode apresentar projetos de iniciativa popular à Câmara dos Deputados? Faça
uma lista do que as pessoas devem fazer para apresentar projetos desse tipo.

Leia agora outro texto, dessa vez sobre o Orçamento Participativo. Trata-­se de um sis-
tema que vem ocorrendo há muitos anos em cidades como Porto Alegre (RS) e Recife (PE).
O Orçamento Participativo em Porto Alegre
O Orçamento Participativo (OP) é um processo pelo qual a população decide, de
forma direta, a aplicação dos recursos em obras e serviços que serão executados pela
administração municipal. Inicia-se com as reuniões preparatórias, quando a Prefeitura
presta contas do exercício passado e apresenta o Plano de Investimentos e Serviços
(PIS) para o ano seguinte.
As secretarias municipais e autarquias acompanham essas reuniões, prestando
esclarecimentos sobre os critérios que norteiam o processo e a viabilidade das demandas.
Nas Assembleias Regionais e Temáticas, que se realizam de abril a maio, nas 17
Regiões e seis Temáticas do OP, a população elege as prioridades para o município, seus
conselheiros, e define o número de delegados da cidade para os seus respectivos fóruns
regionais e grupos de discussões temáticas.
Prefeitura Municipal de Porto Alegre: Portal transparência.
Disponível em: <http://www2.portoalegre.rs.gov.br/op/default.php?p_secao=15>. Acesso em: 10 fev. 2013. (Fragmento.)

7. Como funciona o sistema de Orçamento Participativo em Porto Alegre?

4o e 5o anos 201

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8. Como são escolhidos os representantes da população no orçamento participativo de
Porto Alegre?

Juca Varella/Folhapress
O Orçamento Participativo funcionou na cidade de São Paulo
entre 2001 e 2004. Na imagem moradores do Conjunto
Habitacional São Jorge Arpoador usam quadra de esporte de
escola construída por meio do Orçamento Participativo. São
Paulo (SP), 17/01/2003.

9. Existe participação popular nas decisões políticas tomadas em seu município? De


quais maneiras? Se não existe, em sua opinião, essa participação deveria ocorrer? O
que você acha que as pessoas precisam fazer para que ocorra?

202 Eixo 3

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para ler gráfico
Nas reuniões do Orçamento Participativo, as pessoas apresentam opiniões diferen-
tes. Enquanto uma quer a instalação de um posto de saúde, outra quer rede de esgotos.
Observe o gráfico a seguir, com as prioridades mais votadas nas reuniões do Orçamento
Participativo de 2008, no Recife (PE).
Tema votos
Pavimentação e drenagem 36.058
Habitação 10.012
Saneamento básico 1.004
Contenção de encostas de morros 7.292
Saúde 10.352
Educação 9.512
Trabalho e renda 857
Lazer e esportes 7.962
Cultura 1.634
Assistência social 76
Cultura – 3% Assistência Social – 2%
Lazer e esportes – 7%

Trabalho e renda – 7% Pavimentação e drenagem – 29%

Educação – 8%

Saúde – 10% Habitação – 12%

Contenção de encostas
e morros – 11% Saneamento básico – 11%

Fonte: <http://www.recife.pe.gov.br/op/>. Acesso em: 12 fev. 2013.

Em ação
Respobda às questões no caderno.
1. Quais foram os três problemas mais graves apontados no gráfico? Como você perce-
be isso no gráfico?
2. Desses, qual deve ser resolvido primeiro, de acordo com a opinião das comunidades?
3. Qual item foi considerado prioridade: a contenção de encostas e morros ou esportes
e lazer?
4. Você concorda com a escolha feita pelas comunidades do Recife? Por quê?
5. O que seria prioridade no lugar onde você mora? Discuta com seus colegas.

4o e 5o anos 203

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Escrevendo proposta para o orçamento municipal
Imagine que você vai participar de uma reunião da associação de moradores para
discutir que obras deveriam ser executadas primeiro pela prefeitura de seu município. Ou
seja, quais seriam as prioridades no Orçamento Participativo de sua cidade.
Em grupo, com base no gráfico anterior, discuta e escolha as prioridades. Como é uma
reunião com muita gente, com ideias diferentes, é preciso ouvir a opinião dos outros e tam-
bém apresentar o que você pensa de forma convincente. Para não esquecer nada do que
tem a dizer na reunião, você deve ter um texto antes. É ele que você vai escrever agora.
Ao planejar e escrever o seu texto, lembre-se de que:
• É importante escolher uma necessidade fundamental para a melhoria da comunidade.
Para isso, é necessário pensar que área precisa de maior investimento em seu município.
• É necessário procurar argumentos e exemplos convincentes para que as pessoas
votem em sua proposta. Você deve informar as vantagens que uma obra ou ação
pode trazer para a sua comunidade.
• Você pode organizar o texto da seguinte forma, dividindo-o em três parágrafos:
a) no 1o parágrafo, escreva quem são as pessoas do grupo que elaboraram o texto;
b) no 2o parágrafo, apresente o problema escolhido. Se for saúde, por exemplo, es-
creva o que ainda falta fazer quanto a esse assunto na comunidade;
c) no 3o parágrafo, tente convencer as pessoas de que esse problema deve ser resol-
vido primeiro que os outros. Para isso, use argumentos. Por exemplo: “Sabemos
que a comunidade tem problemas de segurança, mas a saúde é mais importante
porque muitas pessoas morrem sem socorro médico”.
Por fim, revise seu texto, atentando para a grafia, a clareza das ideias e o poder de
convencimento. Após a escrita do texto, você poderá simular uma votação para escolher
qual das propostas é a mais urgente para sua comunidade. Escute os textos que serão
lidos em voz alta e vote. Depois, com os resultados da votação, discuta que temática foi
prioridade para sua turma e qual a importância da proposta mais votada. Se houver pos-
sibilidade, encaminhe a demanda mais votada para a Câmara Municipal.

204 Eixo 3

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Eixo 3

capítulo 4
Lição de cidadania

Em roda
Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), as eleições realizadas em outubro de
2010 levaram mais de 135 milhões de brasileiros às urnas. Foi uma grande lição de cida-
dania. Você concorda com essa afirmação? Apresente sua opinião para a classe.

Luciana Whitaker / Pulsar Imagens


Ney Mendes/A Crítica/Folhapress

Movimento na comunidade Nossa Senhora de


Eleitora votando em urna eletrônica durante as
Fátima, em que eleitores chegam a caminhar por
eleições 2010. Rio de Janeiro (RJ), 10/2010.
15 minutos até o local da votação, Manaus (AM),
3/10/2010.

QUEM É O ELEITOR BRASILEIRO

Para lEr GrÁFico


Em 2012, o perfil dos eleitores modificou-se em relação às eleições de 2006. Um
dado que chamou a atenção foi o aumento significativo no número de eleitores. Veja a
seguir uma de suas características: a quantidade de eleitores brasileiros por sexo.

4o e 5o anos 205

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Ilustração digital: Planeta Terra Design
Homens 48%

Mulheres 52%

Fonte: TSE, 2012. Disponível em: <http://www.tse.jus.br/eleicoes/


estatisticas/estatisticas-eleicoes-2012>. Acesso em: 8 fev. 2013.

Esse é um gráfico de setor. O círculo representa o total de eleitores. A parte pintada


de roxo indica a porcentagem de eleitoras e a pintada de azul, a porcentagem de eleito-
res. Na legenda, pode-se ver que o grupo dos homens corresponde a 48% do eleitorado e
o das mulheres, a 52%. O total corresponde a 100%.
Nesse gráfico, as informações estão indicadas em porcentagem:
• 48% – lê-se quarenta e oito por cento;
• 52% – lê-se cinquenta e dois por cento;
• 100% – lê-se cem por cento.

135 000 000 equivalem a aproximadamente 100% dos eleitores

Veja o significado dessas informações:

52 48
Mulheres Homens
Ilustração digital: Planeta Terra Design

Em ação

1. Para calcular 10% ( 10 ou 10 em 100) de uma quantidade, basta dividi-la por 10.
100quanto são 10% de 1 000 eleitores, calcula-se:
Por exemplo, para saber
1 000 : 10 = 100
Assim, 10% de 1 000 eleitores é igual a 100 eleitores.

206 Eixo 3

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a) Observe os dados a seguir e calcule 10% de cada um deles. Em seguida, explique
para os colegas os cálculos que você fez.
2 000 pessoas 250 km 20 L 5 kg

b) Para cada um dos dados indicados no quadro calcule: 5%, 15% e 20%. Uma dica:
observe que 5% é a metade de 10%. Explique para a classe como você fez para
obter cada resultado.

c) Todos os alunos empregaram a mesma estratégia para calcular as porcentagens


indicadas? Em sua opinião, qual foi a estratégia mais prática?

2. Sabendo-se que em 2012 o número de eleitores brasileiros era cerca de 135 milhões,
que 48% deles era do sexo masculino e 52% do sexo feminino, podemos descobrir o
número aproximado de homens e mulheres aptos a votar nessa eleição.
Para calcular esses números, podemos utilizar a estratégia da decomposição.
Veja a seguir como empregar essa estratégia:
• Primeiro, calculamos 10% do total de eleitores dividindo 135 000.000. por
10: 135 000 000 : 10 = 13 500 000; 10% de 135 000 000 é igual a 13 500 000
• Em seguida, calculamos 1% dos eleitores dividindo 135 000 000 por 100.
135 000.000 : 100 = 1 350 000; 1% de 135 000 000 é igual a 1 350 000.

4o e 5o anos 207

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• A partir desses resultados, podemos verificar que:
40% + 8% = 4 x 10% + 8 x 1%
48% de 135 milhões é 4 x 13 500 000 + 8 x 1 350 000
o mesmo que: 54 000 000 + 10 800 000
54 800 000
50% + 2% = 5x 10% + 2 x 1%
52% de 135 milhões 4 x 13 500 000 + 2 x 1 350 000
é o mesmo que: 67 500 000 + 2 700 000
70 200 000

Veja outra maneira de obter os mesmos resultados:

48% = 50% – 2%
50% é a metade de 100%, logo, 50% de
135 000 000 é 135 000 000 : 2 = 67 500 000
2% = 1% + 1%
48% de 135 milhões é o Sendo 1% = 1 350 000, temos:
mesmo que: 2 x 1 350 000 = 2 700 000
Então, 50% - 2% =
67 500 00-2 700 000
64 800 000
52% = 50% + 2%
52% de 135 milhões 52% = 67 000 000 + 2 700 000
que é o mesmo que: 70 200 000

a) Nas eleições de 2012, qual foi o número aproximado de eleitores do sexo mascu-
lino? Esse número é inferior ao número de eleitores do sexo feminino?

b) No espaço abaixo, calcule a diferença entre o número de eleitores do sexo mascu-


lino e do sexo feminino e explique para os colegas a estratégia de cálculo utilizada.

208 Eixo 3

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3. Apesar do crescimento do número de jovens, a faixa etária que concentrou o maior
número de eleitores em 2012 foi a de 25 a 34 anos, com 24% do eleitorado. Calcule
aproximadamente o total de eleitores incluídos nessa faixa etária.

4. Apresente os seus resultados para a classe. Observe as diferentes estratégias usa-


das para calcular porcentagem. Faça correções, caso seja necessário.

Nas atividades anteriores, você aprendeu a calcular porcentagem usando o recurso da decomposição.
Esse recurso pode ser aplicado a outras situações de cálculo que envolvam porcentagem. Mas existem
outros recursos para esse cálculo. Um deles utiliza a técnica operatória da multiplicação.

TÉCNICA OPERATÓRIA DA MULTIPLICAÇÃO

Para ler esquemas


Qualquer multiplicação pode ser representada por um retângulo. Podemos utilizar um
retângulo composto de quadradinhos para “visualizar” a multiplicação de dois números.
Acompanhe o exemplo, 5 x 16 pode ser representada por:

16

Para calcular o total de quadradinhos, podemos decompor o retângulo da seguinte forma:

16
10 6

Veja a seguir diferentes maneiras de registrar numericamente os cálculos obtidos a


partir da decomposição do retângulo.

4o e 5o anos 209

V3_Eixo3_Cap_4.indd 209 2/7/14 6:50 PM


10 + 6 dezena unidade
dezena unidade
x 5 1 6
5 x 10 = 50 3
1 6
50 + 30 x 5
5 x 6 = 30 x 5
3 0
50 + 30 = 80 8 0
5 0
80 8 0

Em ação

1. Represente por meio de retângulos os cálculos a seguir. Decomponha cada retângulo


e escolha um registro numérico para representá-lo. Você pode usar papel quadriculado.

8 x 22 = 7 x 15 = 8 x 30 =

2. Utilize os recursos de cálculo que você aprendeu na atividade anterior para realizar es-
tes cálculos no caderno (não é necessário representar a multiplicação no quadriculado).

8 x 22 = 9 x 56 = 5 x 121 =

3. Observe no retângulo a seguir a representação da multiplicação de 12 por 16 e suas


decomposições:
16
10 6

10 12

• Observe agora as diferentes maneiras de registrar numericamente os cálculos obti-


dos a partir das decomposições do retângulo:

210 Eixo 3

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10 x 10 = 100 centena dezena unidade centena dezena unidade
10 + 6
2 x 10 = 20 1 1
6
x 10 + 2
10 x 6 = 60 x 1 2
20 + 12
2 x 6 = 12 100 + 60 1 3 2
100 + 20 + 60 + 12 = 192 100 + 80 + 12 2 1 6 0+
6 1 9 2
1 0 0
192 1 9

Utilize a estratégia que você aprendeu na atividade anterior para fazer estes cálculos
no caderno (não é necessário representar a multiplicação no quadriculado).

15 x 17 = 23 x 33 12 x 121

4. Na situação a seguir, apresentamos outra maneira de Em 2012, dos cerca de 16 mil


calcular porcentagem: candidatos a vice-prefeito que
• Primeiro, vamos calcular quantos grupos de 100 exis- concorreram às eleições, 17%
tem em 16 000: eram do sexo feminino. O que
é preciso fazer para calcular o
16 000 : 100 = 160 número aproximado de mu-
• Sabendo que 17 é o número de mulheres em cada lheres que concorreram a esse
cargo nas eleições municipais
grupo de 100 candidatos, vamos multiplicar 160 por em 2012?
17, aplicando a técnica operatória da multiplicação:

milhar centena dezena unidade


4
1 6 0
x 1 7
1 1 2 0
1 6 0 +
2 7 2 0
Assim, obtemos o número 2 720, que corresponde ao total aproximado de mulheres
que se candidataram ao cargo de vice-prefeitas nas eleições de 2012.
Usando a estratégia que você aprendeu na atividade anterior, resolva no caderno:
a) Aproximadamente 2 100 mulheres se candidataram para o cargo de prefeito nas
eleições realizadas em 2012. Entre elas, o maior número de concorrentes, 39%,
cadastrou-se na região Nordeste, seguida pela região Sudeste, com 28% das candi-
datas, e pela região Sul, com 14% das candidatas. Calcule o total de mulheres que
disputaram as prefeituras em 2012 nas regiões Nordeste, Sudeste e Sul do país.

4o e 5o anos 211

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b) Dos cerca de 13 280 candidatos do sexo masculino a prefeito nas eleições de
2012, 50% tinham entre 45 e 59 anos de idade. Calcule quantos candidatos a
prefeito encontravam-se nessa faixa etária nessas eleições.

ESCOLARIDADE DO ELEITORADO

Para ler números em textos


Os dados do Tribunal Superior Eleitoral mostram que, em outubro de 2012, 8 milhões
de eleitores brasileiros afirmaram ser analfabetos, 45 milhões informaram não ter o En-
sino Fundamental completo e 19 milhões declararam que sabiam apenas ler e escrever.
Mostrou-se ainda que no ano de 2012 o número de eleitores passou de 135 milhões.
Para facilitar os cálculos, utilizaremos como total o valor de 135 milhões.
Sabemos que:
• 135 000 000 é igual a 100% dos eleitores;
• 13 500 000 é igual a 10% dos eleitores;
• 6 750 000 é igual a 5% dos eleitores;
• 1 350 000 é igual a 1% dos eleitores.
Para saber qual é a porcentagem aproximada de eleitores que declararam apenas
saber ler e escrever (19 milhões), é possível fazer o seguinte cálculo:

13 500 000 + 1 350 000 + 1 350 000 + 1 350 000 + 1 350 000 = 18 900 000

10% + 1% + 1% + 1% + 1% = 14%

Assim, concluímos que a porcentagem de eleitores que declarou apenas saber ler e
escrever estava entre 13% e 14%, isto é, maior que 13% e menor que 14%.

Em ação

1. Use o recurso da decomposição e da estimativa para calcular:


a) a porcentagem de eleitores que afirmaram ser analfabetos;

b) a porcentagem de eleitores que informaram não ter completado o Ensino Fundamental.

212 Eixo 3

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2. Além da decomposição e da estimativa, existem outros recursos para traduzir situações
numéricas em porcentagem. Um deles é o que utiliza a técnica operatória da divisão. Ob-
serve duas estratégias diferentes usadas para obter o resultado de 235 dividido por 5.

A. 235 5 B.
– 50 centena dezena unidade
10
185 2 3 5 5
– 50 10 – 2 0 47
135
– 50 3 5
10 + unidade
85 – 3 5 dezena
– 50 10 0 0
35
– 35 7
0 47

a) Explique como “funciona” cada uma dessas estratégias.

b) Faça esses cálculos usando a estratégia A.

395 : 9 = 136 : 4 = 525 : 5 =

c) Faça esses cálculos usando a estratégia B.

255 : 5 = 240 : 6 = 896 : 6 =

4o e 5o anos 213

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3. Observe as estratégias utilizadas para calcular:
252 12
–120 10
132
–120 10 +
12
–12 1
0 21

centena dezena unidade

2 5 2 12
– 2 4 21
1 2
unidade
– 1 2 dezena
0 0

1240 24
–240 10
1000
–240 10
760
–240 10 +
520
–240 10
280
–240 10
40
–24 1
16 51

milhar centena dezena unidade

1 2 4 0 24
– 1 2 0 51
0 0 4 0
unidade
– 2 4 dezena
1 6

214 Eixo 3

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Eixo 3

capítulo 5
Saúde para todos

Em roda
Imagine uma cidade ideal, considerada saudável, na qual as pessoas têm uma boa
qualidade de vida. Nela, os moradores não viverão para sempre, é claro, mas o ambiente
e a vida em sociedade podem ajudar a população a enfrentar os desafios cotidianos para
alcançar a melhor condição de saúde possível. Assim, cada cidadã ou cidadão poderá
desenvolver todo o seu potencial, de acordo com suas características e limitações.
Como seria essa cidade? Como seria o cotidiano dessas pessoas e quais seriam
seus sonhos e desejos? Como funcionariam as instituições e os serviços dessa cidade?
Com um grupo de colegas, responda a essas questões. Anote o que foi discutido e
apresente um resumo para a turma.

Produzindo mural
Com o seu grupo, represente a “cidade saudável” em uma folha bem grande de papel.
Para isso, usem papéis coloridos, pincéis, canetas hidrográficas e lápis de cor, pedaços
de panos, sucata e cola. Com a ajuda do professor, representem os elementos que o
grupo achar importantes para que uma cidade possa ser considerada saudável. Não se
esqueça de criar um título para a “cidade saudável” e uma legenda para o trabalho, ano-
tando o que significam os símbolos e as cores utilizados.
Em seguida, cada grupo, ao apresentar o trabalho, deverá descrever essa cidade e
justificar as razões pelas quais ela é mais saudável. Exponha os trabalhos em murais na
sala de aula ou na escola.

Para lEr EsquEma


Ao criar no papel essa “cidade saudável”, você deve ter notado quantos fatores da
vida diária influem na saúde da população. De acordo com a Organização Mundial da
Saúde (OMS) e a lei brasileira que criou o Sistema Único de Saúde (SUS), a saúde não
pode ser conquistada somente com o uso de serviços médicos e de remédios. O acesso
a consultas e tratamentos médicos pode ajudar, mas é preciso que sejam criadas condi-
ções favoráveis para se ter saúde.
Em dupla, analise o esquema a seguir. Nele, estão indicadas algumas condições con-
sideradas importantes para que a população tenha boa saúde.

4o e 5o anos 215

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216
Eixo 3

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Fernando Favoretto/Criar Imagens Alf Ribeiro/AE/AE

Em ação
Fabio Abu / Opção Brasil Imagens G. Evangelista / Opção Brasil Imagens

Gilson Teixeira/OIMP/D.A Press Gilson Teixeira/OIMP/D.A Press

1. Com base nas imagens, escreva o que sugere cada condição representada.

2/7/14 6:52 PM
2. Você concorda que essas são condições importantes para a boa saúde? Por quê?

3. Acrescente uma ou mais condições que você também considera importantes.

4. Os trabalhos elaborados pela turma para representar a “cidade saudável” ajudam a


lembrar outras condições importantes, inclusive para a saúde mental? Explique sua
resposta.

Para pesquisar
No Brasil, o sistema público de saúde está organizado de forma descentralizada. Isso
significa que cada município é responsável por fazer um planejamento de políticas de
saúde pública, de acordo com as necessidades de sua população. Você sabe como esse
sistema está organizado na cidade em que mora?
Com a ajuda do professor, faça uma pesquisa sobre os serviços de saúde existentes
em sua cidade. Se você mora em uma cidade grande, faça essa pesquisa no bairro onde
está situada sua escola.

4o e 5o anos 217

V3_Eixo3_Cap_5.indd 217 2/7/14 6:52 PM


Também podem ser feitas visitas à Se-

Mauricio Simonetti /
Pulsar Imagens
cretaria de Saúde ou a diferentes unidades
de saúde da região. Outra possibilidade é
convidar um profissional da área para expli-
car à turma como funcionam alguns serviços
do sistema local. Para isso: (HUT) - Hospital
de Urgências e
1. Escolha o local onde será realizada a
Traumas. Petrolina
pesquisa. (PE), 6/2012.
2. Elabore um questionário para orientar a
realização da entrevista com as pessoas

Luciana Whitaker /
Pulsar Imagens
que têm informações sobre o funciona-
mento do sistema local de saúde. Algu-
mas perguntas já estão elaboradas. Você Posto de saúde na
pode adaptá–las e incluir outras. Veja a favela de Vila Canoa
seguir. no bairro de São
Conrado, zona sul
3. Registre as respostas, que podem ser da cidade, Rio de
anotadas ou gravadas, mediante autori- Janeiro (RJ), 10/2012.
zação do entrevistado.
Roteiro de questões
1. Existem centros, postos de saúde ou unidades do Programa de Saúde da
Família no local?
2. Qual é o horário de funcionamento?
3. Quais tipos de profissionais da saúde atuam nesses serviços?
4. Quais são os tipos de atendimento para a prevenção ou o tratamento de
doenças realizados nesses serviços?
5. Existe pronto-socorro no local? Quais são os motivos que levam as pessoas
a buscar esse tipo de serviço?
6. Podemos ter acesso a gráficos ou tabelas oficiais que informem o número
de atendimentos dos postos, a quantidade de profissionais contratados por
unidade de saúde etc.?
7. Existe um conselho local de saúde? Quem são seus participantes? Como
ele funciona?
8. Os membros desse conselho controlam os recursos do Fundo Municipal de
Saúde? Consideram que o plano de saúde do município está sendo cumpri-
do corretamente?
9. Existem organizações não governamentais relacionadas à saúde atuando na
região? Em caso positivo, quais projetos e ações são desenvolvidos por elas?

218 Eixo 3

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Produzindo jornal escolar
Agora você irá ampliar a sua pesquisa para além dos dados coletados nessas entre-
vistas. Você pode, então, fazer uma pesquisa de satisfação entre moradores do bairro a
respeito dos serviços de saúde prestados à população. Essa pesquisa tem o objetivo de
“ouvir” o que pensam clientes ou pessoas atendidas por um serviço para poder melhorar
o atendimento. Planeje em grupo três ou quatro perguntas que poderiam ser feitas a al-
guns cidadãos que usam os serviços de saúde.
As informações serão veiculadas em um pequeno jornal temático, ou seja, que aborde
apenas um tema.
Como o assunto do jornal será “A saúde da comunidade”, dê a ele um título de acordo
com o tema.
Com a ajuda do professor, planeje como o jornal será organizado, escolhendo partes das
entrevistas que serão utilizadas e que outras notícias sobre o tema poderão ser publicadas.
Outras dicas poderão ajudar você na produção do jornal:
• inclusão de um mapa do local selecionado para a realização da pesquisa, com des-
taque para a localização e as características principais dos serviços públicos de
saúde em funcionamento;
• produção de textos para complementar os objetivos de sua turma, por exemplo,
charges, veiculação de dicas de saúde, informações úteis etc.;
• indicação de alguma forma de contato com o grupo que produziu o jornal, como o
endereço da escola, e–mail ou um número de telefone;
• o jornal poderá ser reproduzido para os demais alunos da escola, publicado em mu-
rais ou na internet.

Para ler texto expositivo

O Sistema Único de Saúde (SUS) foi criado em 1988, após décadas de pres-
sões e debates de movimentos sociais e de profissionais da saúde em favor de um
sistema público para todos os brasileiros. Essa foi uma grande conquista porque
até essa data o atendimento nos serviços públicos de saúde era restrito a determi-
nados programas – como vacinação, tratamento de doenças transmissíveis – ou a
determinadas parcelas da população – como trabalhadores com carteira assinada
e seus dependentes. São raros os países nos quais a lei estabelece que o sistema
público seja responsável pelo atendimento integral da população, da prevenção de
doenças ao final do tratamento, incluindo o fornecimento gratuito de medicamentos.
Até 1988, a saúde não era considerada um direito de todos. Quem tinha car-
teira de trabalho assinada e pagava a Previdência Social tinha direito ao atendi-
mento nos serviços públicos. A população que não podia pagar por atendimento
particular e não tinha o chamado INPS (Instituto Nacional de Previdência Social)
era chamada de indigente ou carente. Somente com a promulgação da nova
Constituição Federal, chamada de “Constituição Cidadã”, a lei brasileira passou
a definir que “a saúde é um direito de todos e um dever do Estado”.

4o e 5o anos 219

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De 1988 para cá, pouco a pouco, o Sistema Único de Saúde começou a
se transformar em realidade, embora ainda precise avançar muito para funcio-
nar como está definido na lei. Os municípios, por exemplo, também passaram a
ser responsáveis pelo sistema. Alguns deles avançaram mais, outros menos, de
acordo com o compromisso dos governantes em transformar a lei em medidas
práticas.
Existem, por exemplo, municípios brasileiros que já contam com equipes do
Programa de Saúde da Família para atender toda a população. Outros estão ape-
nas começando. Em muitos deles, a população passou a ter voz ativa nas Con-
ferências de Saúde, realizadas a cada quatro anos em todo o país, assim como
no Conselho Municipal de Saúde, no qual os usuários dos serviços têm direito
à metade das vagas. Os conselhos podem controlar, cada vez mais, o uso dos
recursos públicos depositados no Fundo Municipal de Saúde.
Os problemas mais graves ainda acontecem nos lugares em que os governan-
tes não empregam corretamente os recursos depositados no Fundo de Saúde.
Ou, pior ainda, tentam voltar às práticas anteriores à criação do SUS, entregando
os serviços de saúde para a iniciativa privada. O uso de serviços de saúde pri-
vados, com fins lucrativos, também é um direito dos brasileiros. Mas isso não
diminui o dever do Estado e dos cidadãos de defender o sistema público. Onde o
SUS funciona, seus usuários sabem o que têm a defender. Onde não funciona, é
preciso melhorá-lo, pois é um direito de todos os brasileiros.
A Lei do SUS garante o atendimento igualitário e universal (a todos os brasilei-
ros), sem distinção de sexo, cor, etnia, renda ou classe social. Esse atendimento
no sistema público é gratuito porque já foi pago pelo cidadão por meio de contri-
buições sociais e impostos.

Em ação
Em dupla, consulte o texto para responder às seguintes perguntas:
1. Quando foi criado o SUS?

2. Antes da criação do SUS, quem tinha direito ao atendimento nos serviços públicos de
saúde?

3. Quem paga pelos serviços públicos de saúde?

220 Eixo 3

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4. O texto indica diversas formas de controle do uso dos recursos para o SUS pela po-
pulação. Quais são elas?

5. O que a população deve fazer quando o poder público não implanta o SUS?

6. Você já utilizou os serviços do SUS? Em caso afirmativo, escreva sobre essa experiência.

João Prudente / Pulsar Imagens

Posto do SUS no Povoado São Pedro, região do


agreste. Garanhuns (PE), 11/2012.

Para ler texto expositivo

A maior parte das notícias veiculadas na TV, no rádio e nos jornais mostra
somente os problemas de saúde da população brasileira. Isso leva as pessoas
a acreditar que o SUS é sinônimo de longas filas, falta de médicos e de vagas
nos hospitais. Entretanto, para saber como funciona o SUS, é preciso conhecer
também o outro lado da moeda.

4o e 5o anos 221

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O SUS é um dos maiores sistemas públicos de saúde do mundo, e todos
os brasileiros utilizam seus serviços, como vacinação, fiscalização sanitária de
alimentos e estabelecimentos comerciais, pesquisas com medicamentos, entre
muitos outros. Cerca de 20% da população também utiliza serviços privados de
saúde para atendimento individual. Entretanto, 80% da população residente no
país usa o sistema público para todos os tipos de serviços relacionados à saúde.
Leia alguns números de atendimentos do SUS no quadro a seguir.

alguns números do sus (2012)

Segundo o Ministério da Saúde, o SUS tem 6,1 mil hospitais credenciados, 45 mil
unidades de atenção primária e 30,3 mil Equipes de Saúde da Família (ESF).

Realizou 2,8 bilhões de procedimentos ambulatoriais anuais.

Nos hospitais vinculados ao SUS, foram efetuados: 19 mil transplantes de órgãos,


tecidos e células; 236 mil cirurgias cardíacas; 9,7 milhões de procedimentos de
quimioterapia e radioterapia e 11 milhões de internações.

Em ação
Considerando a população brasileira (2010) estimada em 191 milhões de pessoas
responda:
1. Quantas pessoas utilizam o sistema público para todos os tipos de serviços relacio-
nados à saúde?

2. Quantos procedimentos ambulatoriais anuais foram registrados no SUS durante o ano


de 2012? Escreva esse número usando algarismos.

Escrevendo carta aberta


Uma carta aberta é um texto que, dirigido a alguma autoridade, tem o objetivo de
argumentar e fazer reivindicações sobre um tema de interesse público. Em geral, a carta
aberta é produzida por um grupo com interesses em comum. Diferentemente de outros
tipos de carta, ela deve ser conhecida pelo maior número de pessoas possível, como
forma de protesto, de alerta.

222 Eixo 3

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Tomando como base as conclusões a que você chegou nas atividades de pesquisa
anteriores, sua turma deverá propor uma reivindicação que considere importante para
melhorar a saúde de um grupo de pessoas. O grupo escolhido pode ser seus vizinhos,
sua turma, seus colegas do trabalho. De forma coletiva, com a ajuda do professor, a carta
à autoridade responsável deve incluir os seguintes tópicos:
• para quem essa reivindicação deve ser dirigida;
• qual é sua reivindicação;
• por que o atendimento de sua reivindicação é importante para melhorar a saúde
desse grupo de pessoas.
Antes de iniciar a produção do seu texto, leia a carta aberta a seguir. Ela foi enviada
ao presidente da República por entidades ligadas à saúde, reunidas numa organização
chamada Rede Unida. Em seguida, discuta com o seu colega de dupla:
a) Como a carta está organizada?
b) Quais são os elementos que compõem a carta? Faça uma lista deles, com seu
colega e com a ajuda do professor.
c) Qual é a reivindicação do grupo que enviou a carta?
d) Quais os argumentos nela utilizados para convencer o presidente da República?

Saúde não é moeda de troca


Carta aberta ao presidente
Belo Horizonte, 3 de julho de 2005
Excelentíssimo Senhor Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva
Senhor Presidente,
O Sistema Único de Saúde (SUS) é uma disposição constitucional e uma conquista
da sociedade brasileira, com forte apoio dos movimentos sociais. O SUS está em
construção, no âmbito do Movimento da Reforma Sanitária Brasileira, desde a década
de 1970. Entendemos que o SUS é, portanto, bem mais do que um projeto ou uma
política de um governo. […]
Reunidos em Assembleia Geral Extraordinária, os congressistas e representantes
das entidades participantes do VI Congresso Nacional da Rede Unida […] manifestam
pública e enfaticamente sua preocupação frente às mudanças anunciadas no Ministério
da Saúde. A Rede é um movimento social suprapartidário, independente dos governos,
criada há 20 anos e que tem construído com milhares de pessoas e entidades este novo
sistema de saúde.
Nós, professores e estudantes universitários das 14 carreiras profissionais da área
da saúde, profissionais e dirigentes de serviços de saúde e líderes comunitários, que
dedicamos esforços diários ao trabalho de formação profissional e de prestação de
serviços na saúde, acreditamos na saúde como um direito e acreditamos na possibilidade

4o e 5o anos 223

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de uma sociedade mais saudável. Registramos com firmeza […] a reivindicação de que
seja assegurada a continuidade das políticas públicas do SUS. […]
É inadmissível que a sociedade continue arcando com as consequências de
interesses político-partidários menores, em detrimento das reais necessidades de saúde
da população. A saúde é um bem público e um direito de todo cidadão brasileiro. A
saúde não é e não pode vir a ser moeda de troca.
Rede Unida e participantes do VI Congresso Nacional. Disponível em: <http://www.abem_educmed.org.br/
publicacoes/boletins_virtual/volume_s/carta_belo_horizonte.htm>. Acesso em: 12 fev. 2013. (Fragmento.)

Após a leitura, inicie, com seu colega, a elaboração da carta. Lembre-se de que é
necessário definir quem será o destinatário dessa carta. Essa escolha depende da mu-
dança pretendida para melhorar a saúde do grupo de pessoas com quem você convive.
Nesse momento, é importante definir bem qual será a mudança que será proposta e para
quem será a reivindicação.
Explique na carta por que a falta desse recurso causa problemas à saúde das pes-
soas. Em seguida, argumente por que essa mudança na situação de vida melhoraria a
saúde das pessoas. Terminada a carta, observe os seguintes aspectos e reescreva-a, se
achar necessário.
1. A carta encontra-se organizada de maneira adequada?
2. Constam local e data no canto direito e superior do papel?
3. Consta o nome correto do destinatário?
4. O texto da carta apresenta alguma forma de tratamento (Prezado Senhor, Prezada
Senhora, Sr. Coordenador, Sra. Vice-­diretora etc.)?
5. As reivindicações estão descritas de forma clara?
6. Há argumentos convincentes para as reivindicações?
7. A carta está organizada por parágrafos, ou seja, eles ajudam a separar o assunto em
subtemas?
8. Há alguma palavra que necessite de correção ortográfica?

Releia a carta em voz alta para a turma e verifique se a reivindicação é pertinente e


se o destinatário escolhido é o mais adequado. Pesquise o endereço do órgão público em
que o destinatário trabalha e envie a carta por e-mail ou pelo correio. Nesse último caso,
preencha corretamente o envelope. Acompanhe o desenvolvimento do pedido e procure
se informar sobre o seu andamento.
Exponha as informações obtidas no mural. Atualmente, é comum que as cartas aber-
tas sejam divulgadas na internet, em redes sociais, já que pessoas de todo o mundo
podem acessar o texto rapidamente.
Verifique em que site seria possível publicar a carta aberta.

224 Eixo 3

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VACINAS E SOROS: AJUDANDO A MANTER A SAÚDE

Soros e vacinas são produtos de origem biológica usados na prevenção e no trata-


mento de doenças. A diferença entre esses dois produtos está no fato de os soros já
conterem os anticorpos necessários para combater determinada doença ou intoxicação.
Por exemplo, no caso de uma picada de cobra peçonhenta, injeta-se o soro com os anti-
corpos, que agirão imediatamente contra o veneno.
As vacinas, por sua vez, são preventivas. Elas contêm os agentes infecciosos (microrga-
nismos mortos ou de virulência abrandada) incapazes de provocar a doença e que induzem
a produção de anticorpos pelo organismo da pessoa vacinada; desse modo, no caso de
a pessoa, depois de vacinada, ter contato com o agente infeccioso, o organismo já estará
apto a agir.
O Instituto Butantan, em São Paulo, é responsável por cerca de 80% dos soros e va-
cinas utilizados hoje no Brasil.

Em roda
Vacinar-se não é coisa de criança. Os adultos devem tomar os reforços de algumas
vacinas aplicadas na infância e na adolescência e, após atingirem a idade de 65 anos, é
aconselhável a vacinação anual contra a gripe.
Converse com seus colegas e procure elaborar uma lista das vacinas que vocês toma-
ram e quais são as doenças que elas ajudam a prevenir.

4o e 5o anos 225

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eixo 3

capítulo 6
Para discutir política: literatura!

em roda
A literatura é a arte da palavra. Quando criam poemas, crônicas, contos e romances,
os autores representam a realidade de um modo muito particular. A política, como faz
parte da vida, também é tema de várias obras literárias.
Discuta com os colegas:
• Você já assistiu a algum filme, novela ou minissérie que tenha retratado fatos políticos?
• Você já leu alguma história de ficção – crônica, conto ou romance – sobre política?
• Você se lembra dos personagens desses textos envolvidas na política?
• A política é um assunto adequado para um poema? Você conhece algum poema que
fale de política?

Para ler Poema


Bertold Brecht, poeta alemão que viveu na primeira metade do século XX, escreveu
diversos poemas sobre temas políticos. Ele foi perseguido nos países em que morou e
enfrentou muitos problemas.
O poema que você vai ler a seguir é atribuído a Brecht e trata das pessoas que não
querem saber de política. Conheça um trecho e veja se concorda com as ideias do autor.

O analfabeto político
Hulton-Deutsch Colletion/Latinstock/CORBIS

O pior analfabeto é o analfabeto político.


Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos
políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do
peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem
das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o
peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua
ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o
pior de todos os bandidos que é o político vigarista, pilantra, o

Brecht, em 1950.
corrupto e lacaio dos exploradores do povo. […]
Bertold Brecht. Disponível em:
<http://www.culturabrasil.org/brechtantologia.htm>.
Acesso em: 16 jan. 2013. (Fragmento).

226 Eixo 3

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em ação

1. Segundo o poema, quem é o analfabeto político?

2. Você conhece algum “analfabeto político” como foi descrito no texto?

3. No poema, fatos da vida cotidiana, como o preço do feijão e do remédio, dependem


de decisões políticas. Você imagina que tipo de decisão política influencia esses as-
pectos? Quem toma essas decisões?

4. Em dupla, relacionem outros itens da vida cotidiana que também dependem de deci-
sões políticas.

5. Acrescente outras consequências que, em sua opinião, ocorrem por ignorância políti-
ca, segundo o poema.
6. Você concorda com o que o poema afirma sobre quem não se interessa por política?
Justifique sua resposta.

7. Há alguma relação entre as afirmações do poeta alemão e a realidade política no


Brasil de hoje? Explique.

4o e 5o anos 227

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Para ler trecho de romance
Assim como o conto, o romance também é um texto narrativo. Nele, várias ações e si-
tuações ocorrem paralelamente. O romance Vidas secas, de Graciliano Ramos, publicado
em 1938, conta a história de uma família de sertanejos que foge da seca a pé pelo ser-
tão: Fabiano, sinhá Vitória, o menino mais velho, o menino mais novo e a cachorra Baleia.
Nesse percurso, Fabiano, o chefe da família, um vaqueiro muito pobre e de poucas
palavras, é surrado e preso injustamente na feira da cidade por um soldado de polícia.
Passa a noite na cadeia, achando a situação muito injusta. Um ano mais tarde, ao seguir
o rastro de uma égua no meio da caatinga, Fabiano se encontra com o soldado que o pren-
deu. Estão apenas os dois. Como será o encontro? O que pode ter ocorrido? No capítulo
“O soldado amarelo”, reproduzido a seguir, você vai saber.

O soldado amarelo
[…] Desembaraçou o cabresto, puxou o facão, pôs-se a cortar as quipás e as
palmatórias que interrompiam a passagem.
Tinha feito um estrago feio, a terra se cobria de palmas espinhosas. Deteve-se,
percebendo rumor de garranchos, voltou-se e deu de cara com o soldado amarelo
que, um ano antes, o levara à cadeia, onde ele aguentara uma surra e passara a noite.
Baixou a arma. Aquilo durou um segundo. Menos: durou uma fração de segundo. Se
houvesse durado mais tempo, o amarelo teria caído esperneando na poeira, com o
quengo rachado. […]
O soldado, magrinho, enfezadinho, tremia. E Fabiano tinha vontade de levantar o
facão de novo. Tinha vontade, mas os músculos afrouxavam. […]
Tinha medo e repetia que estava em perigo, mas isto lhe pareceu tão absurdo que
se pôs a rir. Medo daquilo? Nunca vira uma pessoa tremer assim. Cachorro. Ele não era
dunga na cidade? Não pisava os pés dos matutos, na feira? Não botava gente na cadeia?
Sem-vergonha, mofino.
Irritou-se. Por que seria que aquele safado batia os dentes como um caititu? Não
via que ele era incapaz de vingar-se? Não via? Fechou a cara. A ideia do perigo ia-se
sumindo. Que perigo? Contra aquilo nem precisava facão, bastavam as unhas. Agitando
os chocalhos e os látegos, chegou a mão esquerda, grossa e cabeluda, à cara do polícia, que
recuou e se encostou a uma catingueira. Se não fosse a catingueira, o infeliz teria caído.
Fabiano pregou nele os olhos ensanguentados, meteu o facão na bainha. Podia matá-
-lo com as unhas. Lembrou-se da surra que levara e da noite passada na cadeia. Sim
senhor. Aquilo ganhava dinheiro para maltratar as criaturas inofensivas. Estava certo? O
rosto de Fabiano contraía-se, medonho, mais feio que um focinho. Hem? Estava certo?
Bulir com as pessoas que não fazem mal a ninguém. Por quê? Sufocava-se, as rugas na testa
aprofundavam-se, os pequenos olhos abriam-se demais numa interrogação dolorosa.

228 Eixo 3

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O soldado encolhia-se, escondia-se por trás da árvore. E Fabiano cravava as unhas
nas palmas calosas. [...] Durante um minuto, a cólera que sentia por se considerar
impotente foi tão grande que recuperou a força e avançou para o inimigo.
A raiva cessou, os dedos que feriam a palma descerraram-se – e Fabiano estacou
desajeitado, como um pato, o corpo amolecido.
Aquela coisa arriada e achacada metia as pessoas na cadeia, dava-lhes surra. Não
entendia. Se fosse uma criatura de saúde e muque, estava certo. Enfim, apanhar do
governo não é desfeita, e Fabiano até sentiria orgulho ao recordar-se da aventura. Mas
aquilo... Soltou uns grunhidos. Por que motivo o governo aproveitava gente assim? Só
se tinha receio de empregar tipos direitos. Aquela cambada só servia para morder as
pessoas inofensivas. Ele, Fabiano, seria tão ruim se andasse fardado? Iria pisar os pés
dos trabalhadores e dar pancada neles? Não iria. [...]
Aprumou-se, fixou os olhos nos olhos do polícia, que se desviaram. Um homem.
Besteira pensar que ia ficar murcho o resto da vida. Estava acabado? Não estava. Mas
para que suprimir aquele doente que bambeava e só queria ir para baixo? Inutilizar-se
por causa de uma fraqueza fardada que vadiava na feira e insultava os pobres! Não se
inutilizava, não valia a pena inutilizar-se. Guardava a sua força.
Vacilou e coçou a testa. Havia muitos bichinhos assim ruins, havia um horror de
bichinhos assim fracos e ruins.
Afastou-se inquieto. Vendo-o acanalhado e ordeiro, o soldado ganhou coragem,
avançou, pisou firme, perguntou o caminho. E Fabiano tirou o chapéu de couro.
Governo é governo.
Tirou o chapéu de couro, curvou-se e ensinou o caminho ao soldado amarelo.
Graciliano Ramos. Vidas secas. 116. ed. [1. ed. 1938]. São Paulo: Record, 2011. p. 99-107. (Fragmento).

Durante a chamada Primeira República, ou República Velha, nas


primeiras décadas do século XX, as forças policiais tinham grande
autoridade política nas pequenas cidades e vilas do Sertão Nordestino.
Para manter o domínio local e também para combater cangaceiros, os
policiais muitas vezes cometiam todo tipo de violência.

Em ação
1. Qual é a sua opinião sobre o trecho lido?

4o e 5o anos 229

v3_eixo3_cap_6.indd 229 2/7/14 6:53 PM


2. Qual foi a primeira reação de Fabiano ao encontrar o soldado amarelo?

3. Fabiano tinha certeza do que deveria fazer? Como você chegou a essa conclusão?

4. Como você entende a frase dita por Fabiano, “Governo é governo”, logo após ele de-
cidir ensinar o caminho ao soldado amarelo?

5. Fabiano se sentia injustiçado? Como você chegou a essa conclusão?

6. Observe a frase final do capítulo: “Tirou o chapéu de couro, curvou­-se e ensinou o


caminho ao soldado amarelo”. As ações destacadas indicam quais sentimentos de
Fabiano em relação ao soldado amarelo? Explique.

7. No texto, há várias palavras pouco conhecidas, algumas típicas da região Nordeste.


Mesmo sem conhecer exatamente o significado de todas as palavras, podemos per-
ceber o significado de algumas delas a partir do texto. Observe o trecho:
“[...] Desembaraçou o cabresto, puxou o facão, pôs­-se a cortar as quipás e as
palmatórias que interrompiam a passagem. Tinha feito um estrago feio, a terra se
cobria de palmas espinhosas. [...]”

230 Eixo 3

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• As palavras destacadas são plantas, animais ou pedras? Justifique sua resposta.

8. Faça a correspondência entre as colunas, associando as palavras destacadas ao seu


significado. Se precisar, volte ao texto e leia o que veio antes ou depois das palavras:

1 […] Desembaraçou o cabresto, puxou o facão, pôs-se ( ) irritado, impaciente


a cortar as quipás e as palmatórias que interrompiam a
passagem.
2 [...] Tinha feito um estrago feio, a terra se cobria de ( ) endireitar-se
palmas espinhosas. Deteve-­se, percebendo rumor de
garranchos, voltou­-se e deu de cara com o soldado
amarelo […].
3 Se houvesse durado mais tempo, o amarelo teria caído ( ) freio usado em cavalos
esperneando na poeira, com o quengo rachado. [...]
4 O soldado, magrinho, enfezadinho, tremia. [...] ( ) homem bravo, valente
5 [...] Ele não era dunga na cidade? [...] ( ) galhos tortuosos de árvore
6 [...] Sem­-vergonha, mofino. ( ) eliminar, extinguir
7 [...] Bulir com as pessoas que não fazem mal a ( ) cabeça, crânio
ninguém.
8 A raiva cessou, os dedos que feriam a palma ( ) resmungos
descerraram-se [...].
9 [...] Se fosse uma criatura de saúde e muque, estava ( ) abriram­-se
certo. [...]
10 [...] Soltou uns grunhidos. [...] ( ) força física, músculo
11 [...] Só se tinha receio de empregar tipos direitos. [...] ( ) ficar bambo, vacilar
12 Aprumou-se, fixou os olhos nos olhos do polícia, que ( ) mexer, mover
se desviaram. [...]
13 Mas para que suprimir aquele doente que bambeava e ( ) infeliz, desgraçado
só queria ir para baixo?
14 Mas para que suprimir aquele doente que bambeava e ( ) pessoa correta, honesta,
só queria ir para baixo? [...] de boa índole

O encontro entre Fabiano e o soldado amarelo fala de injustiça, covardia e relações


políticas entre pessoas com poder e sem poder na sociedade. Se você quiser conhecer
a história completa, leia o romance Vidas secas ou assista à adaptação que foi feita para
o cinema. Procure o livro na internet, na biblioteca de sua escola ou de sua comunidade,
compre ou peça emprestado a alguém. Aproveite!

4o e 5o anos 231

v3_eixo3_cap_6.indd 231 2/7/14 6:53 PM


Pensando sobre a língua
Numa história de ficção, criar personagens interessantes é essencial, pois são eles
que conduzem os fatos. Para apresentá-los ao leitor, o autor da história pode fazer uma
descrição dos personagens, isto é, dizer como eles são, no físico e no temperamento, o
que fazem, do que gostam, do que não gostam, quais são suas qualidades ou seus defei-
tos etc. Veja como essa descrição aparece no texto lido:

“O soldado, magrinho, enfezadinho, tremia.”

1. Que personagem está sendo descrito nesse caso? Que palavras o descrevem?

2. Para descrever uma personagem, é possível sua identidade social


(idade, profissão, gênero etc.), descrever como é sua aparência
e também descrever como se sente.
3. A descrição também serve para mostrar como o personagem está se sentindo.
Diga como você imagina que se sentiam os personagens com base nas descrições
a seguir:

“Sufocava-se, as rugas na testa aprofundavam-se, os pequenos olhos abriam­-se demais numa


interrogação dolorosa.”
“O rosto de Fabiano contraía-se, medonho, mais feio que um focinho.”
“O soldado encolhia-se, escondia-se por trás da árvore.”
“E Fabiano cravava as unhas nas palmas calosas.”

4. Os personagens podem ser caracterizados também de forma indireta, não muito explí-
cita, pelas ações que praticam, pelas atitudes que têm. Por exemplo, se no encontro
com Fabiano, o texto diz: “O soldado encolhia­-se, escondia-se por trás da árvore”,
podemos concluir que o soldado estava com medo.
Considerando o que você leu no trecho do romance Vidas secas, resuma em uma pa-
lavra qual é a característica de Fabiano destacada nos trechos a seguir:

“Vacilou e coçou a testa.”


“E Fabiano tinha vontade de levantar o facão de novo. Tinha vontade, mas os músculos
afrouxavam.”

232 Eixo 3

v3_eixo3_cap_6.indd 232 2/7/14 6:53 PM


para ler ilustração
A ilustração é uma forma muito antiga de arte, em geral, ligada a um texto. As ilus-
trações em livros literários se referem ao que está escrito. Os ilustradores precisam co-
municar as ideias contidas nos textos que ilustram, porém interpretam a obra literária e
a representam com a sensibilidade própria da arte. Observe algumas ilustrações criadas
para a obra Vidas secas, por diferentes artistas, em diferentes épocas
Agora, discuta com seus colegas: Em que aspectos são semelhantes? Em que são
diferentes? Os artistas usaram a mesma técnica? Leia as legendas para responder. Qual
das três ilustrações lhe causou maior sensação de tristeza? Por quê? Leia novamente as
legendas e note como cada um dos ilustradores é identificado de forma diferente. Que
diferenças podem haver entre suas atividades?
Aldemir Martins

Márcio da Silva Nagao

Rodrigo Rosa/ Edições Paulinas


Ilustração de Aldemir Martins. Capa de Márcio da Silva Ilustração do desenhista
Nagao, artista gráfico. Rodrigo Rosa, para a obra
Retratos Narrados.

Criando Ilustração
Em grupo, você vai criar uma ilustração para o capítulo “O soldado amarelo”, do ro-
mance Vidas secas. As ilustrações farão parte de uma exposição. Dessa forma, vocês po-
derão divulgar o texto de Graciliano Ramos e sua interpretação do que foi lido. Podemos
pensar por meio da arte!
Para começar, leia o capítulo do livro na íntegra. Procure pela obra em bibliotecas, se-
bos e na internet. O ideal é que o livro inteiro seja lido. Você vai criar a ilustração de acor-
do com a sua interpretação do capítulo. Nunca é possível representar na imagem tudo o
que aconteceu, por isso, é preciso fazer uma seleção a partir do que lhe chamou a aten-
ção, do que você acha que mereceria ser retratado na ilustração, que personagem(ns)
vai(ão) aparecer, sob qual ponto de vista etc.
Pense em como caracterizar as personagens do capítulo "O soldado amarelo" por meio da
imagem. Você pode desenhar, fazer uma colagem, pintar, enfim, escolher a técnica que preferir.
Depois que a ilustração estiver pronta, crie uma legenda, com o seu nome e sobrenome,
a técnica usada e o ano de criação. Organize, com a ajuda do professor, uma exposição na
escola com as ilustrações. O texto “O soldado amarelo” precisa estar exposto também, em
destaque, com letras em tamanho que permitam a leitura. Com a ajuda do professor, faça um
pequeno texto que apresente a exposição. Convidem a comunidade e aproveitem o momento!

4o e 5o anos 233

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Eixo 3

capítulo 7
Desenvolvimento social no
Brasil
Em roda
Um país é considerado socialmente desenvolvido quando sua população tem boas
condições de vida. Para avaliar o desenvolvimento social, os órgãos do governo e os
da sociedade civil criam indicadores sociais. Esses indicadores são informações sobre
características da realidade da população, como trabalho, saúde, educação, rendimento,
justiça, segurança pública, condições de vida das famílias etc.
Os indicadores sociais são importantes para a população porque permitem que o co-
nhecimento sobre sua própria realidade seja ampliado. Para os governantes, essas infor-
mações possibilitam acompanhar os resultados de iniciativas do governo com o objetivo
de manter ou corrigir as metas.
Um importante indicador social é a escolaridade da população. Vejamos alguns da-
dos, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), sobre o tempo
de estudo da população brasileira.

Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (2011) – PNAD


–, as mulheres passam mais tempo estudando durante a vida do que os homens. O
estudo realizado pelo IBGE relata que as
Fernando Favoretto/Criar Imagem

mulheres com mais de dez anos de idade


estudam em média 7,5 anos, enquanto os
homens apresentam desempenho de apenas
7,1 anos de estudo. Concluiu-se também que
a média geral do país é de 7,3 anos de estudo
e que a faixa etária com melhor desempenho
é a das pessoas com idade entre 20 e 24 anos.
Nesta faixa etária, as mulheres declararam ter
10,2 anos de estudo, ao passo que os homens
afirmaram estudar durante 9,3 anos.
Estudantes da turma do EJA em sala de aula. São
Fonte: <http://noticias.universia.com.br/atualidade/
Paulo (SP), 2012.
noticia/2012/09/21/968320/mulheres-estudam-mais-
homens-no-brasil-aponta-ibge.html>. Acesso em: 19 nov. 2012.

Em sua opinião, esse indicador mostra um bom nível de desenvolvimento social do


país? Converse com seus colegas sobre esse assunto.

234 Eixo 3

V3_Eixo3_Cap_7.indd 234 2/7/14 6:55 PM


para lEr NúmEros Em tEXtos
No texto anterior, há números escritos com vírgula: 7,1 – 7,3 – 7,5 – 9,3 – 10,2. São
números não inteiros, escritos na forma decimal e chamados números decimais. Veja
alguns exemplos:
• O valor do salário mínimo em 2013 era de R$ 678,00.
• Surgem no mercado novas embalagens de refrigerante com capacidade para 2,5 litros.
• O peso de um recém-nascido varia em média de 3 kg a 3,600 kg, e a altura, de 0,45 m
a 0,55 m.
Observe no quadro valor de lugar a representação de alguns números. Observe tam-
bém a leitura e a escrita de cada um deles.

Quadro valor dE lugar – sistEma dE NumEração dEcimal


partE iNtEira partE Não iNtEira
milhar centena dezena unidade décimo centésimo milésimo
1 0 0 0
1 0 0
1 0
1
1
0 1
0 0 1

Quadro valor dE lugar – sistEma dE NumEração dEcimal


partE iNtEira partE Não iNtEira Escrita lEitura
milhar centena dezena unidade décimo centésimo milésimo milhar centena
1 milhar ou
1 0 0 0 1 000
mil
1 centena
1 0 0 100
ou cem
1 dezena ou
1 0 10
dez
1 1 1 unidade
0 1 0,1 1 décimo
0 0 1 0,01 1 centésimo
0 0 0 1 0,001 1 milésimo

A vírgula tem um papel importante na escrita dos números decimais, pois ela separa a parte inteira da
parte do número que não é inteira.

4o e 5o anos 235

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Em ação

1. Usando como referência o quadro valor de lugar:


a) Faça a leitura dos números que aparecem no texto que está na primeira página
deste capítulo.
b) Faça a leitura dos números a seguir:

1,5 0,75 10,175


2,05 0,025 6,80
13,006 0,250 10,5

2. Com os algarismos 3, 6, 9 e 1, escreva (sem repeti-los):


a) O maior número possível que só tenha a parte inteira ou o maior número inteiro.

b) Um número que tenha 61 centésimos.

c) Um número que tenha 3 unidades.

3. Escreva as seguintes sequências de números:


a) de 1,2 a 2,1 acrescentando sempre 0,1.

b) de 1 a 1,8 acrescentando sempre 0,2.

c) de 1,06 a 2,06 acrescentando sempre 0,02.

d) de 1 a 1,005 acrescentando sempre 0,001.

236 Eixo 3

V3_Eixo3_Cap_7.indd 236 2/7/14 6:55 PM


Em grupos
Para estudar os números decimais, vamos usar instrumentos de medida de compri-
mento como fita métrica, metro de carpinteiro, régua. Você também pode construir uma
fita métrica usando uma tira de papel ou de tecido que meça exatamente 1 metro.
A. Nessa tira, marque o número 0 numa das extremidades e o número 1 na outra.
Certifique-se de que o intervalo entre 0 e 1 seja exatamente de um metro.
B. Usando uma régua, divida a tira de papel em dez partes iguais, iniciando pelo
número 0. Cada uma dessas partes representa um décimo do metro e o nome dessa
unidade de medida é decímetro. Seu símbolo é dm.
C. Ainda usando a régua, divida cada décimo em dez partes iguais. Observe que a tira
toda ficou dividida em cem partes iguais. Cada uma dessas partes representa 1 centési-
mo do metro. O nome dessa unidade de medida é centímetro. Seu símbolo é cm.
D. É possível ainda dividir cada centésimo em dez partes iguais. Embora seja difícil
fazer essas divisões na tira de papel ou de tecido, elas podem ser observadas na régua.
Se dividirmos cada centímetro em dez partes iguais, o metro todo ficará dividido em mil
partes iguais. Cada uma dessas partes representa 1 milésimo do metro e o nome dessa
unidade de medida é milímetro. Seu símbolo é mm.
Com a régua, trace, no caderno, um quadrado formado por 10 quadradinhos de 1 cm
de lado. Quando a figura estiver pronta, observe o número total de quadradinhos. Usando
lápis de cor, pinte na figura: 3 décimos de azul; 20 centésimos de vermelho; 2 décimos e
10 centésimos de amarelo; e 0,2 de verde.

NÚMEROS DECIMAIS E MEDIDAS

Para ler medidas


Observe abaixo diferentes maneiras de escrever cada um dos números representados
no quadro valor de lugar:

Números decimais nas medidas de comprimento

parte inteira parte não inteira

quilômetro decímetro centímetro milímetro


metro (m)
(km) (dm) (cm) (mm)

5 0 0 0

2 0 0 0

6 0

4o e 5o anos 237

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5 quilômetros - 5 km 2 metros - 2m 6 centímetros - 6 cm 8 milímetros - 8 mm

5 000 metros - 5 000 m 20 decímetros - 20 dm 60 milímetros - 60 mm 0,008 metros - 0,008 m

200 centímetros - 200 cm 0,06 metros - 0,06 m

2 000 milímetros - 2 000 mm

Números decimais nas medidas de massa


parte inteira parte não inteira
quilograma centígrama miligrama
grama (g)
(kg) (cg) (mg)
7 0 0 0

3 0 0 0

4 0

Observe diferentes maneiras de escrever cada um dos números representados no


quadro valor de lugar.

7 quilogramas - 7 kg 3 gramas - 3 g 4 centígramas - 4 cg 2 milígramas - 2 mg


7.000 gramas - 7000 g 300 centígramas - 300 cg 40 milígramas - 40 mg
3.000 milígramas - 3.000 mg 0.04 gramas - 0,04 g 0, 002 gramas - 0,002 g

Números decimais nas medidas de capacidade


parte inteira parte não inteira
litro (L) decímetro (dm)centímetro (cm) mililitro (mL)
8 0 0
5

Observe diferentes maneiras de escrever cada um dos números representados no


quadro valor de lugar:

8 litros - 8 L 5 mililitros - 5 mL

8 000 mililitros - 8 000 mL 0,005 litros - 0,005 L

238 Eixo 3

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Números decimais no sistema monetário
reais centavos
6 5 0 0
4 0 0
2 0
5

Veja a escrita e a leitura desses números:

R$ 65,00 R$ 4,00 R$ 0,20 R$ 0,05

Sessenta e cinco reais Quatro reais Vinte centavos Cinco centavos

Em ação

1. Represente no quadro valor de lugar:

50 m 0, 125 m 6 000 cm 0,25 m

2. Observe a altura de cada pessoa deste grupo: Pedro 1,85 m; Carlos 1,79 m; Paulo
1,72 m; Alfredo 190 cm; e José 187 cm.
• Organize uma lista com o nome das pessoas por ordem de altura, do mais alto para
o mais baixo.

4o e 5o anos 239

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3. Complete:

20 m = cm 300 cm = m 15 cm = m 500 mm = m 400 mm = cm

4. Complete:

200 g = mg 1,5 kg = mg 0,5 g = cg 0,003 g = mg

5. Com os números a seguir construa uma sequência numérica em ordem crescente:

1.55 g 0,15 g 1,5 g 1,005 g 1,10 g 1,0 g

6. Complete:

16 L = mL 1,5 L = mL 0,3 L = mL 0,03 L = mL 40 mL = L

7. Com os números a seguir, construa uma sequência numérica em ordem crescente:

50 L 0,5 L 0,005 L 0,555 L 5L 0,55 L

8. Complete:

5 reais = 600 centavos = 30 centavos = 10 000 centavos =

centavos reais reais reais

240 Eixo 3

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Em grupos
Com alguns colegas, resolva problemas que envolvam números decimais. Acompanhe
a resolução dos dois primeiros.

Situação-problema 1

O valor do meu salário é R$ 900,00. Pago de aluguel a quantia equivalente a 0,4 do


meu salário. Qual é o valor do aluguel?
• Observe nesse problema que 0,4 é a parte do salário para pagar o aluguel. O mes-
mo que 4 décimos (corresponde a 4 décimos do salário).
• R$ 900,00 é o valor do salário (corresponde a 10 décimos).
• Para saber o valor de 1 décimo do salário, é preciso calcular:
R$ 900,00 : 10 = R$ 90,00 (corresponde a 1 décimo de R$ 900,00).
• Para saber o valor de 4 décimos do salário, é preciso calcular:
4 x R$ 90, 00 = R$ 360,00 (corresponde a 4 décimos de R$ 900,00);
Assim, encontramos o valor do aluguel, que é igual a R$ 360,00.

Situação-problema 2

A taxa de mortalidade infantil de um município foi de 0,03 no último ano. Sabendo


que nesse período o número de nascimentos foi de 6 000, calcule quantas crianças não
sobreviveram ao primeiro ano de vida.
• Observe nesse problema que 0,03 é a taxa de mortalidade infantil (corresponde a 3
centésimos do total de nascimentos).
• 6 000 é o total de nascimentos (corresponde a 100 centésimos).
• Para saber o valor de 1 centésimo dos nascimentos, é preciso calcular:
6 000 : 100 = 60 (corresponde a 1 centésimo de 6 000).
• Para saber o valor de 3 centésimos dos nascimentos, é preciso calcular:
3 x 60 = 180 (corresponde a 6 centésimos de 6 000);
Assim, encontramos o total de crianças que não sobreviveram ao primeiro ano de
vida, que é igual a 180.

Resolva, no caderno, os problemas a seguir e registre as soluções encontradas pelo


grupo para depois apresentá-las em sala de aula.

1. Uma pessoa recebe mensalmente R$ 1 200,00 e gasta 0,5 do salário com alimenta-
ção e transporte. Calcule o valor dos gastos mensais dessa pessoa com esses itens.
2. Dos 15 000 habitantes de uma cidade, 0,55 são mulheres. Quantas são as mulheres
que vivem nessa cidade?
3. Um automóvel percorreu 0,4 de um trajeto de 60 km. Calcule em quilômetros o per-
curso feito por esse automóvel.
4. Na composição do lixo, 0,20 correspondem a papel e papelão. Calcule quantos quilo-
gramas de papel e papelão há em 400 quilogramas de lixo.

4o e 5o anos 241

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5. No setor de embalagens de uma fábrica, a equipe de empacotadores embalou 2 500
pacotes. Esse número corresponde a 0,25 do total de pacotes que são embalados
por dia. Quantos pacotes são embalados diariamente por essa equipe?
6. Em época de pouca chuva, o departamento de água de um município decreta seu
racionamento. Na casa de Pedro, no período de racionamento, foram economizados
700 litros de água em uma semana. Isso corresponde a 0,35 do total de litros consu-
midos normalmente por semana. Calcule quantos litros de água são consumidos na
casa de Pedro, em uma semana, quando não há racionamento.

FRAÇÕES

Em roda
O uso de celulares é moda entre os brasileiros. Nos últimos anos, a onda do alô
pelo celular cresceu bastante. Em vez de se comprometer em pagar a taxa mensal de
telefonia fixa (mesmo com valor reduzido), a opção mais em conta é ainda, sem dúvida,
uma linha móvel pré-paga. De acordo com o IBGE, em 2011, aproximadamente 70%
da população pesquisada declarou possuir telefone celular para uso pessoal. Alguns
estados, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul e São Paulo, passaram a compor uma lista
de estados brasileiros que já ultrapassaram um celular por habitante.
Fonte: <http://ftp.ibge.gov.br/Trabalho_e_Rendimento/
Pesquisa_Nacional_por_Amostra_de_Domicilios_anual/2011/Sintese_Indicadores/comentarios2011.pdf>.

1. O uso de celulares está aumentando na região em que você vive?


2. Você concorda que as pessoas estão preferindo o celular ao telefone fixo?
3. O que leva as pessoas a escolher o tipo de telefone que terão em casa?
Segundo o texto anterior, para cada dez pessoas pesquisadas, sete possuem telefo-
ne celular. Usando a linguagem matemática, é possível representar essa informação
de diferentes maneiras:
Por meio do número decimal: 0,7 indica que de um total de 10 pessoas pesquisadas,
7 delas têm telefone celular.
Por meio de porcentagem: 70% indica que em cada grupo de 100 pessoas, 70 têm
telefone celular.
7
Também se pode usar a fração para representar essa informação.
10
7
A leitura de 10
pode ser sete décimos ou sete sobre dez.
7
Para representar a fração 10
, parte-se de um todo (unidade) dividido em dez partes
1
equivalentes, e cada uma das partes representa 10
(um décimo) do todo. Observe a figura:

242 Eixo 3

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1
10

7 3
10 10
Assim:

10
indica o todo dividido em dez partes equivalentes;
10
3
indica a parte do todo pintada de laranja;
10
7
indica a parte do todo pintada de verde.
10

3 7 10
+ + =1
10 10 10

10 10
Observe que é igual a 1, porque representa o todo (unidade).
10 10

Para representar sete décimos, temos a forma fracionária 7 ou a representação


10
decimal 0,7.
Observe que 7 e 0,7 localizam-se na mesma posição na sequência de números.
10

0 0,5 0,6 0,7 1 1,5 1


7
10

METADE, UM TERÇO, UM QUARTO

Como consta no texto anterior, o celular se tornou item indispensável na vida do bra-
sileiro. Outro item que também faz parte do dia a dia de muitos brasileiros é a internet.
O número de usuários de internet no Brasil aumentou em 10 milhões entre 2009 e
2011, um crescimento de 14,7%.
Um estudo elaborado pelo IBGE revela que nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul
mais da metade dos habitantes acessam a rede. Nas regiões Norte e Nordeste, um terço
da população acessa a internet. Aproximadamente um quarto das pessoas que acessam
a internet tem idade acima dos 40 anos.
Na linguagem matemática, essas quantidades podem ser indicadas por meio das
frações:

4o e 5o anos 243

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Acesso à internet – Acesso à internet – Pessoas com 40 anos ou
Região Centro-Oeste Região Nordeste mais que acessam a internet

1 1 1
um meio ou metade um terço ou terça parte um quarto ou quarta parte
2 3 4

Observe que:

1 1 2 1 1 1 3 1 1 1 1 4
+ = =1 + + = =1 + + + = =1
2 2 2 3 3 3 3 4 4 4 4 4

Em ação

1. Usando número decimal e porcentagem, indique:


a) Metade dos habitantes das regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul acessa a internet.

b) Nas regiões Norte e Nordeste, um terço da população utiliza a internet.

2. Em sua opinião, o acesso à internet traz benefícios aos habitantes das cidades?
Discuta com seus colegas sobre potencialidades e fragilidades do acesso à internet.
Registre suas conclusões.

244 Eixo 3

V3_Eixo3_Cap_7.indd 244 2/7/14 6:55 PM


Em grupos

1. Escreva a fração indicada pela parte colorida em cada figura.


a)

b)

c)

2. Em cada uma das figuras, pinte a fração indicada.


2
a) 3

7
b) 8

3
c) 9

3. Ao lado de cada situação a seguir, faça um desenho para representar a fração indicada.
1
a) Percorri 5
do caminho.

b) Já gastei 3
4
do salário.
1
c) Fiz 10
do trabalho.

4. Represente por meio de frações:


a) dois sétimos: d) quatro décimos:
b) um sexto: e) um vinte avos:
c) três terços: f) cinco nonos:
5. Analise cada situação a seguir, faça desenhos e escreva a resposta.
a) João e Pedro recebem o mesmo salário todos os meses. Neste mês, João gas-
1 2
tou de seu salário e Pedro gastou . Quem gastou mais?
2 4

4o e 5o anos 245

V3_Eixo3_Cap_7.indd 245 2/7/14 6:55 PM


3
b) Numa competição esportiva, o participante número 1 fez 4
das provas e o par-
3
ticipante número 2 fez das provas. Qual dos dois fez mais provas?
5

1
c) Maria e Joana estão lendo um mesmo livro de contos. Maria leu 3
do livro e
1
Joana leu . Quem leu mais?
8

1 1
6. No item a do exercício anterior, você deve ter observado que é igual a . Escreva
2 2
três frações diferentes que representem metade e faça desenhos para representá-las.

Para calcular fração

1. Na figura a seguir, estão repre-


sentadas as residências de um Residências que possuem
bairro de uma pequena cidade somente telefone celular
fictícia. Residências que possuem
telefone celular e telefone fixo
a) Escreva a fração que corres-
Residências que possuem
ponde a cada cor que apare- somente telefone fixo
ce na figura.

b) Faça a leitura da figura para obter informações sobre o tipo de aparelho de telefo-
ne que existe nas residências. Escreva suas observações.

246 Eixo 3

V3_Eixo3_Cap_7.indd 246 2/7/14 6:55 PM


c) O que representa a figura toda? E a parte da figura que está em branco?

2. Imagine que nesse bairro há 120 residências. Para obter o número de residências que
possuem apenas telefone celular, podemos fazer os seguintes cálculos:

8
representa o total de residências, que é igual a 120.
8

4
representa o número de residências com telefone celular.
8

4 8
Como é a metade de , pode-se fazer 120 : 2 = 60.
8 8

Assim, obtém-se o número de residências apenas com telefone celular, que é igual a 60.

2
3. A figura que aparece na atividade 1 indica que das residências têm telefone celular
8
e telefone fixo; logo, para descobrir quantas são essas residências, é preciso calcular:

1
de 120 é igual a 120: 8 = 15
8
2 1 1
= +
8 8 8
2
Logo, = 15 + 15 = 30
8

Assim, o número de residências que possuem telefone celular e telefone fixo é igual a 30.

Pode-se pensar de outra maneira para encontrar esse resultado. Tente descobrir e
compare com as soluções encontradas por seus colegas.
4. Descubra quantas residências desse bairro têm apenas telefone fixo. Apresente sua
resposta para a classe e compare-a com as respostas de seus colegas.

5. Analise a situação-problema a seguir e pense em uma maneira de obter a resposta.


Dois quintos das residências de um bairro dispõem apenas de telefone celular. Sa-
bendo que o número de residências que só possuem celular é igual a 50, calcule o
total de residências que existem no bairro.

4o e 5o anos 247

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Faça desenhos e cálculos. Acompanhe a explicação do professor e compare-a com a sua.

Em ação
Resolva no caderno estas situações-problema que envolvem frações e dinheiro. Faça
desenhos.
2
1. Suponha que seu salário é de R$ 2 000,00. Desse valor, são pagos no primeiro
5
dia útil do mês e o restante é pago no décimo dia útil do mês. Quanto você recebe no
primeiro dia útil do mês? E no décimo dia útil?
2. Suponha que uma pessoa receba seu salário no primeiro e no décimo dia útil do mês.
2
No primeiro dia útil do mês, ela recebe R$ 800,00, que corresponde a do valor
5
desse salário. Qual é o valor total do salário dela? Quanto essa pessoa recebe no
décimo dia útil do mês?
1 1
3. Uma balconista gasta o seu salário da seguinte maneira: para pagar aluguel,
4 8
para pagar contas da casa e metade do salário para pagar alimentação e transporte.
Após pagar todas essas contas, sobra algum dinheiro para ela?
1
4. Seu salário bruto é igual a R$ 1 880,00. Desse valor são descontados para paga-
12
mento de INSS e sindicato. Qual é o valor do desconto do seu salário? Qual é o valor
do salário líquido que você recebe?
5. Um funcionário recebe R$ 1 800,00 por mês. Durante o primeiro trimestre do ano, ele
1
conseguiu colocar na poupança dos salários que recebeu. Quanto esse funcioná-
6
rio colocou na poupança no primeiro trimestre do ano?
6. Se uma pessoa recebe R$ 10,00 por hora de trabalho e desse valor é descontado
R$ 1,00 para recolhimento de impostos. Qual é a fração que indica o desconto re-
ferente aos impostos recolhidos do valor-hora de trabalho? O valor bruto do salário
mensal dessa pessoa é R$ 2 000,00. Qual é valor do desconto mensal referente ao
recolhimento de impostos?

248 Eixo 3

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Com a calculadora
Utilize a calculadora para resolver os exercícios. Anote os cálculos que você realizou
no caderno.
De acordo com os resultados do Censo Demográfico 2010, divulgados pelo IBGE, no
37
grupo de aproximadamente 162 milhões de pessoas de 10 anos ou mais de idade,
100
27 25
não possuem rendimentos, recebem até um salário mínimo, recebem mais de 1
100 100
9 2
a 3 salários mínimos, recebem mais de 3 a 10 salários mínimos e recebem mais
100 100
de 10 salários mínimos.
Nesse grupo:
a) Quantas são as pessoas que recebem até um salário mínimo?
b) Quantas são as pessoas que não possuem rendimentos?
c) Que fração representa o número de pessoas que recebe mais de 3 salários mínimos?
d) Quantas são as pessoas que recebem entre 1 e 3 salários mínimos?
e) Se somarmos as pessoas que recebem mais de 1 a 3 salários mínimos, mais de
3 a 10 salários mínimos e as que recebem mais de 10 salários mínimos, qual
fração representa o total de pessoas?
Para cada resposta, compare os cálculos que você fez com os de um colega. Vocês
fizeram os mesmos cálculos para obter as respostas? É possível fazer cálculos diferentes
para encontrar cada uma das respostas?

4o e 5o anos 249

V3_Eixo3_Cap_7.indd 249 2/7/14 6:55 PM


Eixo 3

capítulo 8
Política: palavras e imagens

Em roda
Certamente, você já ouviu, leu ou refletiu sobre o discurso político. Entramos em
contato com ele em diversas ocasiões: nos períodos de campanha eleitoral, nas propa-
gandas políticas veiculadas gratuitamente pela TV, nos cartazes espalhados pelas ruas,
nos pronunciamentos feitos por senadores e deputados no Congresso Nacional, nas en-
trevistas com políticos etc. Esse discurso político influencia a formação de opinião dos
cidadãos, dos eleitores. Por essa razão, vamos estudar aqui algumas características do
discurso político. Dida Sampaio/ Agência Estado/ AE

Rafaela Tabosa/ON/D.A Press

A senadora Lídice da Mata (PSB-BA) discursa no Encontro de políticos durante discurso. João
plenário do Senado, Brasília (DF), 14/10/2011. Pessoa (PB), 2010.

VOCÊ É O (E)LEITOR!

Em roda
Discuta com os colegas as seguintes questões:
• O que os políticos falam para conseguir o apoio dos eleitores?
• Você se lembra de algumas frases que são ditas por políticos?
• Lembra–se de algum slogan usado em campanha eleitoral?
• Como ficam as ruas de seu município e de seu bairro em época de eleição?
• Atualmente, quais são os meios de comunicação mais utilizados pelos políticos
durante a campanha?

250 Eixo 3

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Para lEr SlOgAn Político
Assim como nos textos publicitários, os slogans são comuns no mundo da política. Em
cartazes, na televisão, nas músicas de campanha eleitoral e no rádio, esses slogans chamam
a atenção do eleitor para convencê–lo das qualidades do candidato, usando poucas palavras.
Alguns slogans políticos destacam qualidades dos candidatos como “José da Silva,
ética e competência” e “Escolha trabalho e honestidade, vote em Amilton Sodré”.
Já outros slogans preferem dar um tom bem–humorado à campanha, seja criticando
outros políticos, seja se diferenciando deles. Observe os slogans políticos a seguir e res-
ponda às questões propostas.

“Meu nome é Enéas!”


“Não jogue seu voto pela janela! Vote Devanir Panela!”
“Chega de malas, vote em Bouças.”
“Tudo pela Dinha.”
“Não vote em A, nem em B, nem em C; na hora H, vote em Gê.”
“Não vote sentado, vote em Pé.”
“Vote em Defunto, porque político Bom é político Morto.”
“Peroba, neles!”

Em ação
1. Em quais locais os slogans costumam aparecer?

2. Quais slogans usam nomes de candidatos à eleição? Você consegue identificar os


nomes dos candidatos nos slogans?

3. Algum slogan ressalta características positivas do candidato? De que maneira?


Quais criticam os políticos?

4o e 5o anos 251

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4. Quais slogans utilizam a rima para chamar a atenção do eleitor? Por que você acha
que esse recurso é utilizado?

5. Outro recurso é o duplo sentido: quando se lê em voz alta certos slogans, outra men-
sagem pode ser entendida. Em quais deles você identifica o uso do duplo sentido?
Leia em voz alta para descobrir e divirta–se.

6. Você conhece slogans que usam o humor para atrair eleitores? Dê um exemplo.

Escrevendo
Imagine que, em sua escola, um grupo de alunos deverá ser eleito para representá–la
em um fórum de discussão sobre política e cidadania. Cada grupo de alunos que se can-
didatar deverá pensar em uma proposta clara e produzir
alguns textos para iniciar a campanha. Ilustração digital: Estúdio Pingado

Cada grupo de sua sala deverá apresentar uma pro-


posta que ressalte por que esse deve ser o grupo esco-
lhido para participar do fórum de discussão. Pense nos
argumentos que convencerão os possíveis eleitores a
votar em seu grupo.
Em seguida, elabore um cartaz eleitoral com um
slogan que revele a posição política do grupo. Discuta
como o cartaz será organizado para convencer o eleitor.
Observe o exemplo ao lado, ele poderá ajudar. Lembre–
se de chamar a atenção do leitor para o cartaz, esco-
lhendo, com cuidado, cores, imagens e tipo e tamanho
de letras.

252 Eixo 3

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Apresente o cartaz para a turma e, se possível, com a ajuda do professor, promova uma
pequena eleição em sua escola para escolher o melhor cartaz eleitoral. Se for possível,
aproveite o momento de eleição do Grêmio Estudantil ou do representante estudantil no
Conselho Escolar da instituição onde você estuda para fazer uma campanha de verdade.

Para ler jingle


Além dos slogans, é comum os políticos utilizarem jingles durante a campanha eleito-
ral. No Brasil, desde os anos 1960, temos visto o crescimento de estratégias das propa-
gandas nas campanhas eleitorais. A vassoura, por exemplo, foi o símbolo de campanha
do presidente Jânio da Silva Quadros, que governou o Brasil em 1961, por apenas sete
meses, quando então renunciou. Leia um trecho do jingle que fez bastante sucesso nos
anos 1960 e que ajudou a eleger Jânio Quadros:

Varre, varre vassourinha


Varre, varre, varre, varre
Varre, varre vassourinha,
Varre, varre a bandalheira
Que o povo já está cansado
De sofrer dessa maneira
Jânio Quadros é a esperança
Desse povo abandonado.
[…]
Vamos vencer com Jânio.

Em ação

1. Por que uma vassoura foi usada como símbolo da campanha? O que ela representa?

2. Em sua opinião, o que significa “varre a bandalheira”?

3. É comum o candidato se apresentar como uma pessoa diferente em relação aos de-
mais candidatos. Isso ocorre nesse jingle? Em que parte?

4o e 5o anos 253

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Para ler charge
Durante todo o ano e principalmente durante as campanhas eleitorais, observamos
que políticos são retratados nas charges de jornais, revistas, televisão e internet. Dife-
rentemente de outros profissionais, os políticos são constantemente escolhidos como
personagens de charges. Observe as charges a seguir, produzidas durante a eleição pre-
sidencial de 2002, e discuta-as com sua turma.

Cláudio/Folha Imagem
Cláudio/Folha Imagem

Galeria de charges. Eleições 2002.


Claudio, 2006. Folha Online. Galeria de charges. Eleições 2002 Disponível em:
<http://www1.folha.uol.com.br/folha/especial/2002/eleicoes/charges.shtml>.

Em ação

1. Você reconhece os políticos que as charges retratam? Quem são eles?

2. Na primeira charge, há alguma expressão que é muito usada por políticos? Qual?

3. Em sua opinião, por que o título da primeira charge é “Promessas”?

4. Que título você daria à segunda charge? Justifique sua resposta.

254 Eixo 3

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O POLÍTICO E SUA IMAGEM

Ao ouvir ou ler um discurso político, é interessante notar como o político, normalmen-


te, constrói sua imagem com a citação de algumas características (virtudes ou defeitos)
necessárias para exercer um cargo público. Você já percebeu que o político parece saber
que o eleitor quer votar em alguém que tenha aquelas características?
Observe o quadro a seguir com algumas características pessoais que podem ser as-
sociadas aos políticos.

honesto sincero frio agressivo simples moderado humano confiável


corrupto democrático arrogante maduro vaidoso autêntico
prepotente limitado ambicioso ditador inteligente

Em ação
1. Em sua opinião, que características positivas e negativas aparecem no quadro?

2. Você já ouviu algum político afirmar que tem algumas das características pessoais
apresentadas no quadro?

3. Quais outras características positivas e negativas poderiam ser acrescentadas ao


quadro? Por quê?

Para ler discurso político


Leia o trecho inicial do discurso da presidente da República, Dilma Rousseff, na ceri-
mônia de posse em 1o de janeiro de 2011.

4o e 5o anos 255

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Sinto uma imensa honra por essa escolha do povo brasileiro e sei do significado
histórico desta decisão.
Sei, também, como é aparente a suavidade da seda verde-amarela da faixa
presidencial, pois ela traz consigo uma enorme responsabilidade perante a nação.
Para assumi-la, tenho comigo a força e o exemplo da mulher brasileira. Abro meu
coração para receber, neste momento, uma centelha de sua imensa energia.
E sei que meu mandato deve incluir a tradução mais generosa desta ousadia do
voto popular que, após levar à presidência um homem do povo, decide convocar uma
mulher para dirigir os destinos do país.
Venho para abrir portas para que muitas outras mulheres também possam, no
futuro, ser presidenta; e para que – no dia de hoje – todas as brasileiras sintam o orgulho
e a alegria de ser mulher.
Não venho para enaltecer a minha biografia; mas para glorificar a vida de cada
mulher brasileira. Meu compromisso supremo é honrar as mulheres, proteger os mais
frágeis e governar para todos!
Venho, antes de tudo, para dar continuidade ao maior processo de afirmação que
este país já viveu. [...]
Nós temos uma história construída junto com vocês. A nossa vitória não foi o
resultado apenas de uma campanha que começou em junho deste não e terminou no
dia 27 de outubro. Antes de mim, companheiros e companheiras lutaram. Antes do
PT, companheiros e companheiras morreram neste país, lutando para conquistar a
democracia e a liberdade. [...]
Eu estou convencida de que hoje não existe, no Brasil, nenhum brasileiro ou
brasileira mais conhecedor da realidade e das dificuldades que vamos enfrentar. Mas,
ao mesmo tempo, estou convencida e quero afirmar a vocês: não existe, na face da
Terra, nenhum homem mais otimista do que eu estou, hoje, e posso afirmar que vamos
ajudar este país.
O meu papel, neste instante, com muita humildade, mas também com muita
serenidade, é de dizer a vocês que eu vou fazer o que acredito que o Brasil precisa que
seja feito nesses quatro anos. [...]
Disponível em: <http://www.edukbr.com.br/mochila/discurso.htm>. Acesso em: 29 jan. 2013. (Fragmento).
Também disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/poder/853564-leia-integra-do-
discurso-de-posse-de-dilma-rousseff-no-congresso.shtml.

1. Discuta em dupla: quais características pessoais são apresentadas nesse início de


discurso?
2. Você acha que o texto cria uma imagem positiva ou negativa da presidente recém-
-eleita? Elabore no caderno um quadro com essas características.

256 Eixo 3

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POLÍTICA E ARGUMENTAÇÃO
Você já percebeu que o discurso político, muitas vezes, prioriza os argumentos para
convencer os eleitores? Os guias eleitorais e os debates na televisão que têm sido feitos
no Brasil nos últimos anos são bons exemplos disso. Nesses eventos, os políticos procu-
ram criar uma imagem positiva de si para o público, enquanto se referem aos opositores
de forma negativa ou indiferente.

Marlene Bergamo/Folhapress
Os candidatos à presidência Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) cumprimentam-se em debate
eleitoral realizado pela Rede Globo, Rio de Janeiro (RJ), 2010.

Pensando sobre a língua


Leia a seguir o título de uma notícia e responda às perguntas.

Brasileiros preferem políticos honestos, segundo pesquisa


Folha Online, 16 jan. 2008. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/folha/
podcasts/ult10065u364043.shtml>.Acesso em: 27 out. 2009.

1. Se no título da notícia tivéssemos a palavra população em vez de brasileiros, como


esse título ficaria? Escreva a seguir.

2. Que alterações foram feitas? Por quê?

3. A palavra honestos está se referindo a que palavra do título?

4o e 5o anos 257

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4. Reescreva o título da notícia, substituindo a palavra honestos por outras palavras que
poderiam ficar no lugar dela. Consulte o quadro apresentado anteriormente com ca-
racterísticas associadas aos políticos, para ajudá-lo nessa substituição.
Brasileiros preferem políticos , segundo pesquisa.
5. Que alterações foram feitas? Por quê?

6. Leia a seguir um trecho da notícia desse título. Reescreva-a, substituindo a palavra


eleitores por eleitor. Depois, discuta com seus colegas e o professor quais palavras
foram alteradas e por que isso ocorreu.
“[...] é opinião quase unânime, entre os eleitores brasileiros, que um candidato à
presidência da República nunca tenha se envolvido em casos de corrupção.”

Para ler carta aberta

É comum alguns políticos escreverem cartas abertas ao povo em determinados mo-


mentos da História. Ao cometer suicídio em 1954, o ex–presidente Getúlio Vargas, eleito
pelo povo em 1951, deixou redigida uma carta aberta.
É preciso lembrar que Vargas era um governante muito admirado pelas classes po-
pulares por ter criado diversas leis de proteção ao trabalhador. No entanto, seu governo
vinha sendo acusado de corrupção pelos adversários e a tensão crescia no país.
Leia a seguir alguns fragmentos da carta aberta que ele deixou.
Mais uma vez as forças e os interesses contra o povo coordenaram-se e novamente
se desencadeiam sobre mim.
Não me acusam, insultam; não me combatem, caluniam, e não me dão o direito
de defesa. Precisam sufocar a minha voz e impedir a minha ação, para que eu não
continue a defender, como sempre defendi, o povo e principalmente os humildes. Sigo
o destino que me é imposto. […]
Tenho lutado mês a mês, dia a dia, hora a hora, resistindo a uma pressão constante,
incessante, tudo suportando em silêncio, tudo esquecendo, renunciando a mim mesmo,

258 Eixo 3

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para defender o povo, que agora se queda desamparado. Nada mais vos posso GLOSSÁRIO
Holocauto:
dar, a não ser meu sangue. Se as aves de rapina querem o sangue de alguém, sacrifício.
querem continuar sugando o povo brasileiro, eu ofereço em holocausto a
minha vida. […] E aos que pensam que me derrotaram respondo com minha vitória.
Era escravo do povo e hoje me liberto para a vida eterna. Mas esse povo de quem fui
escravo não mais será escravo de ninguém. Meu sacrifício ficará para sempre em sua
alma e meu sangue será o preço do seu resgate.
[…] O ódio, as infâmias, a calúnia não abateram meu ânimo. Eu vos dei a minha
vida. Agora vos ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro
passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na História.
Rio de Janeiro, 23 de agosto de 1954.Getúlio Vargas.
Disponível em: <http://www0.rio.rj.gov.br/memorialgetuliovargas/conteudo/expo8.html>. Acesso em: 12 mar. 2013.

Em ação

1. Getúlio Vargas construiu a própria imagem de político nos fragmentos dessa carta. Na
sua opinião, qual das alternativas a seguir aponta para a forma com que ele construiu
essa imagem de si mesmo?
a) Um político arrependido dos problemas que aconteceram em seu governo.
b) Um político que aceita bem as críticas da oposição.
c) Um político que não acredita que pode fazer mais pelo povo.

2. Que fragmentos da carta o levaram à resposta da pergunta anterior? Alguma palavra


ou alguma expressão em particular?

3. Quem parece ser o leitor da carta? Como você chegou a essa conclusão?

4o e 5o anos 259

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4. Nessa carta, que explicações sobre a decisão final de Getúlio Vargas são apresenta-
das para o leitor?

5. Quais palavras ou expressões da carta remetem à ideia de que Getúlio Vargas come-
terá suicídio em seguida?

6. Por que Getúlio Vargas terminou a carta com a frase: “Serenamente dou o primeiro
passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na História”?

7. Faça uma leitura dramatizada da carta, ou seja, uma leitura que expresse emoções.
Para isso, imagine o que sentia o presidente quando a escreveu, pense nas palavras
que você diria com mais ênfase, em que parte você faria pausas mais longas. A turma
pode eleger a melhor leitura dramatizada.

HUMOR E CRIATIVIDADE

Para PEsQuisar
A charge ou a caricatura são maneiras de protestar e denunciar com humor. GLOSSÁRIO
A charge transmite sua mensagem, quase sempre com humor, em um Denunciar:
único quadro ou cena, e seu idealizador trabalha com assuntos atuais, como revelar atitudes
fatos políticos e sociais. Seu entendimento é quase sempre universal. de alguém
contrárias ao
A caricatura é um desenho engraçado que realça e exagera as caracte- nosso conceito
rísticas de uma pessoa. Políticos, esportistas, atores ou atrizes são alvos de legalidade.
constantes dos caricaturistas, que muitas vezes conseguem demonstrar Protestar:
manifestar-se
em seus desenhos, com traços distorcidos e simples, aspectos da perso- contra um ato
nalidade da pessoa que está em notícia no momento. Observe as imagens considerado
ilegal.
a seguir – caricatura e charge.

260 Eixo 3

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Luciano Tasso

Luciano Tasso
Caricatura, de Luciano Tasso. Charge sobre aquecimento global, de Luciano Tasso.

Colete jornais e revistas. Forme um grupo com mais três colegas e, juntos, sociali-
zem o material que conseguiram. Pesquisem neles caricaturas e charges para montar
um painel coletivo e assim apreciar as diferentes formas de representar os assuntos do
cotidiano com humor e criatividade. Lembre-se de que, para compreender uma charge, é
preciso associá-la ao fato recente que está criticando.

Para lEr chargE


Chico Caruso iniciou sua carreira como chargista em 1968, no GLOSSÁRIO
jornal Folha da Tarde, com desenhos sobre temas que variavam do Anatomia: ciência que
futebol à política. Autor de diversos livros, além de chargista, é ca- estuda a forma e a estrutura
interna dos seres vivos. Nos
ricaturista e ilustrador. Para criar algumas de suas charges para o seres humanos, os estudos
jornal O Globo, no qual trabalha há vinte anos, ele se apropriou de de anatomia são feitos
em cadáveres e permitem
obras de arte famosas, como é o caso de Lição de anatomia. Nes- conhecer cada um dos
sa obra, um médico e seus aprendizes estudam a anatomia de um órgãos, músculos, ossos,
cadáver. Observe as reproduções do quadro e da charge. Depois, nervos e até mesmo as
células do corpo.
discuta com um colega as questões a seguir.
Chico Caruso
Museu Mauritshius, Holanda

Rembrandt. Lição de anatomia do dr. Nicolaes Chico Caruso. “Lição de anatomia”, 1992. O Globo.
Tulp, 1632. Óleo sobre tela, 169,5 cm x 216 cm.

4o e 5o anos 261

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• Ao apropriar-se da obra de Rembrandt, Chico Caruso substituiu a fisionomia das
pessoas. Você consegue reconhecer quem são elas?
• A charge foi criada em 1992, na época do impeachment do ex-presidente Fernando
Collor de Mello, acusado de permitir a corrupção no seu governo. No centro da char-
ge, está Collor, rodeado de políticos brasileiros famosos.
• O que acontece com Collor na charge? O que demonstra a expressão facial dos que o
rodeiam? Como isso pode ser associado ao processo que o levou a perder seu mandato?
• Observe agora as cores utilizadas por artista holandês Rembrandt no quadro e por
Caruso na charge. São iguais? Essas cores escuras, características da pintura Bar-
roca, transmitem algum sentimento? Qual? O foco de luz em uma parte do quadro
também é uma das características do Barroco. Para onde se dirige o foco de luz no
quadro e na charge? Que nome você daria à charge de Caruso?

Para conhecer o artista


Um dos maiores nomes da arte Barroca, Rembrandt van Rijn, grande pintor holandês,
nasceu em 1606 na cidade de Leiden e faleceu em 1669, em Amsterdã. O quadro Lição
de anatomia do dr. Nicolaes Tulp é uma pintura a óleo sobre tela, criada em 1632. A obra
é um retrato coletivo de um grupo de importantes professores em uma aula de anatomia
comandada pelo médico cuja obra leva o nome. Assim como os professores, o cadáver que
aparece na tela era conhecido de Rembrandt. Tratava-se de um marginal morto em uma
briga motivada pelo roubo de um casaco. É uma obra revolucionária para a sua época

Para ler caricatura


As duas caricaturas apresentadas a seguir são de pessoas bastante conhecidas.
Observe-as.
Você sabe quem as
Baptistão

Chico Caruso
caricaturas retratam?
Considerando-se que
a principal característica
da caricatura é o desta-
que dos traços mais mar-
cantes de uma pessoa,
como você descreve os
traços da fisionomia do
personagem que cada de-
senhista explorou?
Que interpretação cada
caricaturista deu à perso-
nagem retratada?
Marta Suplicy Mick Jagger

262 Eixo 3

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Para amPliar sEus Estudos

Livros NOVAES, Carlos Eduardo; LOBO, César. Cidadania para principiantes:


a História dos Direitos Humanos. São Paulo: Atual, 2004.
Os autores apresentam os direitos fundamentais do ser humano, baseados na Declara-
ção Universal dos Direitos do Homem e em aspectos da legislação nacional, de forma
bem-humorada e com textos e charges.
SOUZA, Herbert de; RODRIGUES, Carla. Ética e cidadania. São Paulo:
Moderna, 1994.

Filmes O ANO em que meus pais saíram de férias. Direção: Cao Hamburguer. Bra-
sil, 2006. 110 min.
A ditadura militar na visão de uma criança cujos pais envolvem-se na luta de resistência ao poder
dos militares.
OS CAMINHOS da democracia. Direção: Alfredo Alves. Brasil, s/d.
Série de documentários sobre a construção da democracia no Brasil, com depoimentos de
diversas personalidades, entre elas, Herbert de Souza, o Betinho.
ZUZU Angel. Direção: Sergio Rezende. Brasil, 2006. 103 min.
Conta a história da estilista de sucesso Zuzu Angel, cujo filho foi torturado e morto durante
a ditadura militar.

Sites ROTULAGEM NUTRICIONAL OBRIGATÓRIA: Manual de orientação aos


consumidores
Disponível em: <http://www.anvisa.gov.br/alimentos/rotulos/manual_rotulagem.pdf>. Acesso em: 1 fev. 2014.
Esse manual ajuda a entender e utilizar as informações nutricionais contidas nos rótulos dos
alimentos. Conhecendo a composição dos alimentos que consumimos, podemos escolher os
produtos que melhor atendam às nossas necessidades e preferências.
TRANSPARÊNCIA BRASIL
Disponível em: <www.transparenciabrasil.org.br/index/html>. Acesso em: 1 fev. 2014.
Site da organização não governamental com textos e notícias sobre o controle e a fiscalização
das atividades dos representantes eleitos pela população brasileira.

4o e 5o anos 263

v3_eixo3_cap_8.indd 263 2/7/14 6:57 PM


Eixo 4

capítulo 1
Os desafios do mundo do
trabalho

Em roda
No Brasil, as leis definem que vivemos em um regime de trabalho livre, isto é, que
hoje em dia não prevalece o trabalho escravo, embora haja muitas denúncias de que isso
ainda ocorra em algumas regiões brasileiras, sobretudo no campo.
O trabalhador livre é aquele que, em geral, pode oferecer seu trabalho a qualquer em-
pregador e que recebe um pagamento em forma de salário, em troca das tarefas que de-
sempenha. Existem também outras formas de desempenhar as tarefas: é o caso dos que
trabalham por conta própria e dos pequenos proprietários rurais. Há ainda aqueles que
estão desempregados e se submetem a uma condição a qual se denomina subemprego,
que é trabalhar sem ter acesso a direitos trabalhistas ou mesmo fazer trabalhos eventuais
com pagamentos, em geral, pequenos, conhecidos como “bicos”. Veja as fotos a seguir.
Carlos Goldgrub/Opção Brasil Imagens

Alexandre Tokitaka/Pulsar Imagens


Robert Byron/Dreamstime.com

Motoboys na Avenida Tira- Homem usando Carregador conhecido como “chapa” na zona
dentes, São Paulo (SP), 2012. computador. Foto de 2010. cerealista no Brás. São Paulo (SP), 2010.

Por quais dessas experiências no trabalho você já passou? Faça um relato sobre isso
e ouça também os depoimentos dos colegas.

Para PEsQuisar
Para começar a estudar este tema, primeiro faça um levantamento das ocupações de
seus colegas. Com a ajuda do professor, responda às questões a seguir.
1. Você possui uma profissão? Em caso afirmativo, que profissão?

264 Eixo 4

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2. Você exerce mais de uma profissão ou ocupação? Se a resposta for afirmativa, quais
são elas?

3. Você é:

( ) assalariado ( ) aposentado
( ) autônomo ( ) não está trabalhando no momento
( ) proprietário
4. Quantas horas você trabalha por dia?

5. Você possui registro na carteira de trabalho?

6. Faça, em seu caderno, um quadro com as respostas dos colegas da turma. Anote o
nome das profissões ou ocupações, quantos são assalariados e outros dados. Caso
ocorra, escreva também a segunda profissão ou ocupação. Veja o exemplo a seguir.
rEgisTro
ToTal dE
Em car- Jornada dE TrabalHo ToTal dE EsTudanTEs
EsTudanTEs
TEira
Até 4 horas/dia
sim
De 4 a 6 horas/dia

De 6 a 8 horas/dia
não
Mais de 8 horas/dia
nÚmEro dE nÚmEro dE rEgimE dE nÚmEro dE
Profissão TiPo dE EmPrEgo
EsTudanTEs EsTudanTEs TrabalHo EsTudanTEs

Assalariado

Autonônomo

Proprietário

Aposentado
Não está
trabalhando
Outros

4o e 5o anos 265

V3_Eixo4_Cap_1.indd 265 2/7/14 6:58 PM


Em ação
Com base nas informações do quadro anterior, responda:
1. Dos estudantes da turma, quantos trabalham sem registro em carteira?

2. Dos colegas da classe, quantos estão sem trabalhar? Desse total, quantos são os
que não trabalham porque não conseguem emprego?

3. Examine o quadro a seguir, que apresenta alguns verbetes.


Trabalho: atividade própria dos seres humanos; por meio dela, produzem bens e serviços
necessários a sua sobrevivência e elaboram sua cultura.
Emprego: refere-se ao posto de trabalho ocupado por uma pessoa; cargo, função, colocação.
Profissão: atividade especializada para a qual um indivíduo se preparou, a qual pode exercer ou não.

Agora, responda:
a) Quantos colegas de sua turma possuem uma profissão?

b) Quantos possuem um emprego, mas não têm uma especialização profissional?

O objetivo do dossiê é permitir ao aluno a consulta, em um único suporte, de dados variados sobre a realidade do trabalho na
turma, com textos produzidos a partir das aprendizagens vivenciadas nos capítulos deste eixo.

Escrevendo relatório
Neste eixo 4, sobre o “Mundo do Trabalho”, você e sua turma irão aprender bastante
sobre itens associados a trabalho: as relações de trabalho, o trabalho no campo no Brasil,
as doenças do trabalho. Vocês irão produzir um dossiê sobre o tema, com dados sobre a
realidade de sua turma. Dossiê é um conjunto de documentos que tem por objetivo dis-
seminar informações sobre um tema ou um processo de forma mais aprofundada. Assim,
para que você e sua turma conheçam e compreendam melhor sobre a realidade do traba-
lho em sua classe, o dossiê vai reunir textos diversos, elaborados ao longo dos capítulos.
O primeiro documento do dossiê será um relatório elaborado com base nos dados
preenchidos anteriormente no quadro. Relatórios são textos que reúnem informações
obtidas com pesquisas e servem para esclarecer sobre o que foi pesquisado. Nesse
tipo de texto, podem constar também comentários críticos sobre os dados encontrados
e conclusões sobre a existência de problemas ou não. Divididos em grupos, cada um vai
produzir parte do relatório sobre um dos seguintes temas:
Profissão – regime de trabalho – jornada de trabalho – registro em carteira
Cada grupo deverá expor no texto os resultados da pesquisa e, depois, comentar se
há algum problema, se é possível propor soluções. Veja o exemplo a seguir.

266 Eixo 4

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ASSUNTO: PROFISSÃO
Relatório sobre as profissões
Em nossa turma, há pessoas trabalhando em profissões diferentes.
A maioria das pessoas é ___________. Apenas _________ pessoas trabalham
como _____________.

É comum haver poucas pessoas com profissões definidas. Para oferecer mais oportu-
nidades de trabalho para essas pessoas, seria melhor que todos aprendessem ao menos
uma profissão.
Após a produção do relatório, um aluno deverá lê-lo para toda a turma e acrescentar
ou retirar informações apontadas pelos colegas. Nesse momento, é importante que todos
verifiquem se há clareza na apresentação dos resultados da pesquisa e se os comentá-
rios são pertinentes.

O DESAFIO DO DESEMPREGO NO BRASIL

Em roda
Forme um grupo com alguns colegas e discuta as seguintes questões: o que vocês sa-
bem sobre o desemprego no Brasil? Quais são os grupos mais afetados pelo desemprego
em nosso país? Por que não há emprego para todos? Se uma pessoa estudar e se formar
em uma faculdade, terá emprego garantido? Anote as conclusões de seu grupo e discuta
os resultados. Em seguida, examine as manchetes de jornal reproduzidas a seguir.

Para ler título e subtítulo de notícia


Estes títulos foram retirados de jornais impressos ou da internet. Leia-os e compare
as informações trazidas por eles.

— Crise amplia disparidade do desemprego entre sexos.


O Estado de S.Paulo, 12/12/2012.

— Desemprego cai para 5,8% em maio, mostra IBGE.


Portal G1, 21/6/2012.

— Taxa é a menor para maio desde o início da série histórica, em 2002.


Portal G1, 21/6/2012.

— Salário médio ficou em R$ 1 725,60, alta de 4,9% sobre maio de 2011.


Portal G1, 21/6/2012.

4o e 5o anos 267

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Em ação

1. Quais são os fatos apresentados nos títulos das notícias?

2. Qual é o órgão de pesquisa em que a segunda notícia se baseia?

3. A primeira notícia se refere à crise mundial iniciada em 2008. O que ela anuncia so-
bre o desemprego no mundo? Em sua opinião, por que esse fato ocorre? Caso seja
necessário, faça uma pesquisa na internet sobre a crise econômica de 2008.

Para ler gráfico

Taxa de desemprego em alguns países da América e Europa 2012


30
24,9
25 23,8

20
15,5
15
Taxa de desemprego
10,1 10,8
10 8,2
5,7 6,4 7,2 7,3
5,2
4,9
5

0
r

ha

il

ru

sU a

ça

ia

ia

a
ga
ua
do

do
in

nh
as

éc
Pe

an
an

Itá
ug

tu
nt
ua

ni
Br

pa
Gr
Fr
em

r
ge
Ur
Eq

Po

Es
Ar
Al

do
ta
Es

Fonte de dados: Panorama Laboral 2012: América Latina y el Caribe. Lima: OIT, 2012. Disponível em: <http://www.oit.org.br/sites/default/files/topic/gender/doc/
panoramalaboral2012_969.pdf>. Acesso em: 1o mar. 2013.

1. Em qual desses países havia a maior taxa de desemprego em 2012?

268 Eixo 4

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2. Em qual desses países havia a menor taxa de desemprego em 2012?

3. Havia maior taxa de desemprego nos países da América ou da Europa? Justifique.

4. Com a orientação do seu professor, faça uma pesquisa para compreender por que o
desemprego é tão alto em um desses países. Discuta os resultados da pesquisa com
os colegas.
5. Descubra também qual é a taxa de desemprego atual de pelos menos um país da
Europa e um país da América. Houve melhora ou piora?

Pensando sobre a língua


Falta de qualificação entre jovens é causa
de desemprego, mostra Unesco
Brasília – Duzentos milhões de jovens, com idade entre 15 e 24 anos, de países em
desenvolvimento não completaram o ensino primário, equivalente ao Ensino Fundamental no
Brasil, e precisam de caminhos alternativos para adquirir habilidades básicas para o emprego.
O número representa 20% da população desses países nessa faixa etária e foi apresentado
no 10o Relatório de Monitoramento Global de Educação para Todos, publicado hoje (16) pela
Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
O relatório mostra que a população jovem do mundo é a maior que já existiu
e que um em cada oito jovens está desempregado. Além disso, mais de 25% estão
em trabalhos que os deixam na linha da pobreza ou abaixo dela, equivalente a um
rendimento inferior a US$ 1,25 por dia. O documento ressalta que “a profunda falta

4o e 5o anos 269

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de qualificação da juventude é mais nociva do que nunca”, neste momento de crise
econômica que continua afetando sociedades de todo o mundo.
A publicação avalia que houve progresso significativo em algumas regiões, mas
poucas estão no caminho para atingir as seis metas previstas no Acordo de Dacar
(Senegal), assinado por 164 países durante a Conferência Mundial de Educação de
2000. Pelo acordo, até 2015 devem ser cumpridas as seguintes metas: expandir cuidados
na primeira infância e educação; universalizar o ensino primário; promover as
competências de aprendizagem e de vida para jovens e adultos; reduzir o analfabetismo
em 50%; alcançar a paridade e igualdade de gênero; melhorar a qualidade da educação.
Em todo o mundo, 250 milhões de crianças em idade escolar primária não sabem
ler ou escrever, frequentando ou não a escola. Entre os adolescentes, 71 milhões estão
fora da escola secundária, perdendo, segundo a pesquisa, a oportunidade de adquirir
habilidades vitais para um emprego digno no futuro.
As populações jovens pobres são as que mais precisam de capacitação, principalmente
das áreas rurais. “Muitos jovens fazendeiros, com problemas de escassez de terras e
efeitos da mudança climática, não têm sequer as habilidades básicas necessárias para se
proteger e se sustentar”, conclui o estudo. No Brasil, aqueles que moram na zona rural
têm o dobro de chance de ser pobres e 45% não completaram o Ensino Fundamental.
Segundo a diretora-geral da Unesco, Irina Bokova, o mundo está testemunhando
uma geração jovem frustrada pela disparidade crônica entre habilidade e emprego. “A
melhor resposta à crise econômica e ao desemprego de jovens é assegurar a capacitação
básica e relevante de que precisam para entrar no universo do trabalho com confiança”,
disse. Para ela, esses jovens precisam ter caminhos alternativos para a educação, para
conseguir as habilidades necessárias à sobrevivência, a viver com dignidade e contribuir
com suas comunidades.
O relatório mostra ainda que não investir nas habilidades de jovens tem efeitos de
longo prazo visíveis em todos os países. Mesmo nas nações desenvolvidas, a estimativa é que
160 milhões de adultos, ou 20% deles, não tenham requisitos mínimos para se candidatar
a um emprego, como ler um jornal, escrever ou fazer cálculos. Por isso, a Unesco defende
que investir no desenvolvimento das habilidades de jovens é uma estratégia inteligente
para países que querem impulsionar seu desenvolvimento econômico.
A partir dos dados, a entidade alerta que, apesar de a área econômica ser a primeira
a se beneficiar da mão de obra mais qualificada, o setor privado contribui muito pouco
na educação dos jovens, com apenas 5% dos fundos oficiais. Além disso, recomenda
que governos e países doadores de fundos globais para a educação se empenhem para
garantir o investimento necessário.
Danilo Macedo. Agência Brasil, 16/10/2012. Disponível em: <http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2012-10-16/
falta-de-qualificacao-entre-jovens-e-causa-de-desemprego-mostra-unesco>. Acesso em: 1o mar. 2013.

270 Eixo 4

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Pensar sobre a língua

1. Leia os trechos, retirados do texto lido, e compare-os com uma outra versão deles,
apresentada ao lado. Qual é a diferença?
a)

“As populações jovens pobres são as que mais As populações jovens pobres são as populações que
precisam de capacitação, principalmente das mais precisam de capacitação, principalmente das
áreas rurais.” áreas rurais.

b)

“A publicação avalia que houve progresso signi- A publicação avalia que houve progresso signi-
ficativo em algumas regiões, mas poucas estão ficativo em algumas regiões, mas poucas regiões
no caminho para atingir as seis metas previstas estão no caminho para atingir as seis metas pre-
no Acordo de Dacar (Senegal).” vistas no Acordo de Dacar (Senegal).

2. Converse com os seus colegas e com o professor sobre o que você observou na com-
paração dos trechos e responda às questões a seguir.
a) Qual das versões dos trechos está menos repetitiva? Por quê?

4o e 5o anos 271

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b) Observe o trecho:
“Para ela, esses jovens precisam ter caminhos alternativos para a educação, para
conseguir as habilidades necessárias à sobrevivência, a viver com dignidade e contribuir
com suas comunidades.”

A que se referem as palavras em negrito?

c) Será que essas substituições foram necessárias? O que você pensa disso?

3. Neste capítulo, encontramos a palavra desemprego. Observe, a seguir, outras palavras


também iniciadas por des- e discuta com seus colegas e com o professor o significado
de cada uma delas.

desleal desonra desfazer desumano desentupir desenrolar


desconhecido desacordado desunião desarrumado desocupado

4. Discuta, agora, com seus colegas e com o professor o sentido da partícula des-.
5. Você conhece outras palavras que também iniciam por des-? Faça uma lista com es-
sas palavras.

6. Neste capítulo, também encontramos a palavra subemprego. Você sabe o que ela significa?

272 Eixo 4

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7. Observe, a seguir, outras palavras também iniciadas por sub- e responda a algumas
questões sobre elas.

subemprego  subdelegado  subterrâneo  subsolo
subchefe  submarino  subsíndico

a) Em que palavras sub- se refere a cargo inferior?

b) Em que palavras sub- se refere a lugar abaixo/embaixo de outro?

Em grupos
Um dado importante é o de que realmente não há empregos para todos. Mas quem
são as pessoas mais afetadas pelo problema? E por que são mais afetados? Discuta com
seus colegas com base nas informações a seguir. O professor vai anotar as ideias na lousa.
Perfil do desemprego no Brasil em 2011
O perfil dos desocupados com 15 anos ou mais de idade, também foi levantado
pela pesquisa. Mais da metade dos desocupados eram mulheres, 35,1% nunca
trabalharam, mais de um terço (33,9%) eram jovens entre 18 e 24 anos de idade; 57,6%
pretos ou pardos e 53,6% com ensino médio incompleto. A PNAD também confirmou
a tendência de queda no trabalho infantil (5 a 17 anos) em 2011. Em dois anos, houve
redução de 14%; entretanto, esse contingente chega a 3,7 milhões.
Fonte: Pnad 2011, IBGE. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/noticia_
visualiza.php?id_noticia=2222&id_pagina=1>. Acesso em: 1o mar. 2013.

Em grupo, recolha depoimentos de negros, mulheres e jovens, perguntando-lhes das


dificuldades que enfrentam no mercado de trabalho. Utilize os dados da lousa para se
orientar melhor. Elabore algumas questões, por exemplo, dirigindo-se a um jovem: “Qual
é o maior empecilho encontrado pelos jovens ao procurar o primeiro emprego?” ou, diri-
gindo-se a uma mulher: “Homens e mulheres que desempenham a mesma função nas
empresas costumam ganhar o mesmo salário?”.
Depois de conseguir a autorização das pessoas entrevistadas, registre os depoimen-
tos — gravando, filmando ou anotando. Selecione alguns depoimentos e acrescente-os
ao dossiê, informando, para cada depoimento, idade, sexo e etnia do depoente.

4o e 5o anos 273

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Para criar uma produção artística

Museu d’Orsay, Paris


Jean-François Millet. As respingadeiras, 1857.
Óleo sobre tela, 83,5 x 110 cm.

Muitos artistas ficaram conhecidos por retratar o mundo do trabalho. Um deles é o


pintor Jean- François Millet (1814-1875), conhecido por suas representações de trabalha-
dores rurais.
Agora é sua vez. Você já possui muitas informações sobre o tema trabalho. Leu,
pesquisou, fez entrevistas e agora poderá usar a linguagem da arte para expressar suas
reflexões sobre o que aprendeu.
Com seu grupo, organize um festival de audiovisuais (produções que envolvem som e
imagem). Tanto pode ser um filme de curta metragem, como uma apresentação mais mo-
desta em Power Point. Inicialmente é importante que se decida a mensagem que querem
passar. Siga o roteiro a seguir.
1. Captação de imagens: as imagens poderão ser filmadas ou mesmo fotografadas.
Existe ainda a possibilidade de se coletar imagens sobre o tema em livros, jornais,
revistas ou na internet. Outra possibilidade é a produção de imagens por meio de de-
senhos ou pinturas realizados pelo próprio grupo.
2. Definição do áudio: o trabalho poderá contar ou não com um narrador e necessitará
de uma trilha sonora (música de fundo), que poderá ser composta pelo grupo ou sele-
cionada no extenso repertório musical brasileiro. Muitos compositores têm abordado
o tema em suas canções, como Chico Buarque de Holanda – “Pedro Pedreiro” –, Seu
Jorge – “Trabalhador brasileiro” –, e muitos outros. O grupo também poderá optar por
usar uma música instrumental (sem letra).
3. Roteiro: organizar o roteiro é organizar as ideias. Uma boa forma de fazer isso é por
meio da escrita. Anote as ideias que aparecerem, as dúvidas, as possibilidades. Man-
ter um bloco de anotações ou fazê-las em um caderno vai ajudá-los bastante.
4. Montagem e gravação: os grupos poderão escolher a formas de montagem de ima-
gens e sons em forma de vídeo ou de uma apresentação. A escolha de um título é
muito importante assim como a colocação dos créditos (nomes dos participantes e
suas funções na produção do audiovisual).
Com os audiovisuais prontos, o festival já pode acontecer.

274 Eixo 4

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Eixo 4

capítulo 2
Lutas sociais e conquistas
trabalhistas no Brasil

Em roda
Vamos refletir agora sobre as iniciativas de trabalhadores para reduzir a exploração,
obter conquistas salariais, direitos trabalhistas e até mesmo evitar o desemprego. Você
conhece alguma dessas iniciativas? Em caso afirmativo, relate para seus colegas.

Eduardo Maia/DN/D.A Press


Produção de leite e queijo na fábrica da Cooperativa da
Cersel. Currais Novos (RN), 2012.

Para lEr rEPortagEm


A reportagem é um texto jornalístico que circula em veículos como jornal impresso,
televisão, internet, revistas e rádio. Ela relata e analisa acontecimentos do cotidiano, de
interesse público, a partir de certo ponto de vista. É importante perceber, ao ler uma re-
portagem, quando ela foi publicada, em que jornal, se há indicação do nome do jornalista
que a escreveu etc.
Trabalhadores da GM fazem protesto
Objetivo é evitar cortes em São José dos Campos
O Estado de S. Paulo , 8 de dezembro de 2012
Após mais uma tentativa frustrada de acordo com a direção da General Motors do
Brasil, na expectativa de evitar possíveis demissões em janeiro na fábrica de São José
dos Campos, dirigentes do Sindicato dos Metalúrgicos e cerca de 120 trabalhadores que
estão no layoff (contrato de trabalho suspenso) realizaram protesto ontem, percorrendo
as ruas da cidade.

4o e 5o anos 275

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Localização de São José dos Campos (SP)

“Dilma, proíba as demissões na GM” e

Ilustração digital: World Maps


“Dilma, empresa que faz exportação não pode
fazer demissão” eram algumas das frases inscritas
nas faixas carregadas pelos manifestantes.
Eles protestavam contra a ameaça de
demissões na empresa, tentando sensibilizá-
la para reintegrar os trabalhadores em layoff
e manter o MVA (Montagem de Veículos
Automotores) na unidade em que hoje é
Fonte: ATLAS geográfico escolar. 5 ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2009. produzido apenas o modelo Classic.
Até o primeiro semestre deste ano o setor
produzia, além do Classic, a Meriva, a Zafira e o Corsa Hatch. Com o fechamento das
três últimas linhas em agosto, e a intenção de parar de produzir o Classic em janeiro, a
GM alega excedente de mão de obra.
A passeata terminou na porta da prefeitura de São José dos Campos, que estava com
os portões trancados. “O governo municipal dá mais uma mostra de que não se importa
com as demissões da GM e suas consequências”, afirmou o sindicalista Antonio Ferreira de
Barros, conhecido como Macapá.
Na quinta-feira, foi feita reunião entre sindicalistas e representantes da empresa
para discutir a situação dos 779 funcionários da montadora que estão em layoff desde
30 de novembro. Ao fim de três horas de conversa, não se chegou a um acordo. Macapá
disse que a GM está “irredutível” a qualquer proposta do sindicato. “Isso é um absurdo”,
afirmou. A empresa não comentou o assunto.
João Carlos de Faria. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 8 dez. 2012. Disponível em: <http://www.estadao.com.br/noticias/
impresso,trabalhadores-da-gm-fazem-protesto,970898,0.htm>. Acesso em: 1o mar. 2013.

Em ação

1. Em que data e local ocorreu o fato citado?

2. Com base na reportagem e no mapa responda: onde se localiza a empresa citada?

3. Anote três frases que mostrem as informações mais importantes do texto.

276 Eixo 4

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4. De que maneira os trabalhadores se organizaram para lutar contra o desemprego?

5. Conforme o texto, como o sindicato atuou na relação entre trabalhadores e empresa?

6. Você conhece um exemplo de uma mobilização de trabalhadores, como greves ou


protestos? Já participou de alguma? Escreva um relato sobre isso e apresente-o aos
colegas.

Para ler texto expositivo


Para exercer o direito de greve, foram necessárias muita luta e organização dos traba-
lhadores. É o que mostra o texto a seguir.

O Brasil começou a se industrializar a partir dos anos 1880. As primeiras


fábricas surgiram em São Paulo e no Rio de Janeiro. Antes disso, registrava-se
a presença de cerca de vinte fábricas de chapéus nos anos 1850. Em 1889, já
existiam mais de seiscentas empresas fabricando produtos variados.
Nos anos 1930, a industrialização ganhou maior impulso. Entre os anos 1880
e 1930, organizou-se também o movimento operário no Brasil. Em 1889, o Brasil
deixou de ser uma monarquia e tornou-se uma república. Naquele momento, o
governo e as elites do país não toleravam nenhuma forma de organização dos
trabalhadores.
Em 1890, o presidente Floriano Peixoto ordenou que os estrangeiros que vives-
sem no Brasil e participassem de algum movimento de trabalhadores deveriam ser
expulsos do país.
As condições de trabalho nas fábricas eram péssimas. A jornada de trabalho
chegava a 14 horas por dia; os castigos físicos eram comuns; e os salários eram
miseráveis.

4o e 5o anos 277

V3_Eixo4_Cap_2.indd 277 2/7/14 7:00 PM


Apesar das dificuldades, sur-

Acervo Iconographia
giram as primeiras organizações
operárias. Em 1906, ocorreu o
Primeiro Congresso Operário Bra-
sileiro. A organização de greves
em protesto às condições de tra-
balho e aos baixos salários tor-
nou-se mais intensa. A primeira
greve geral em São Paulo ocor-
reu em 1917. Os trabalhadores Greve geral: grevistas descem ladeira do Carmo, em direção
ao Brás. São Paulo (SP), 1917.
paulistanos decidiram parar as
atividades para exigir jornada de
trabalho de oito horas diárias e salários dignos.
Após o fim dessa greve, que obteve como conquista 20% de aumento salarial
e a não punição dos grevistas, muitas categorias se uniram para realizar movi-
mento semelhante no Rio de Janeiro. Nos anos 1920, a organização dos operá-
rios e os protestos continuaram a crescer.
A partir de 1930, no entanto, quando Getúlio Vargas se tornou presidente do
Brasil, os sindicatos passaram a ser controlados diretamente pelo Governo, que
reprimiu a livre organização. Após muitos percalços, hoje os sindicatos conquista-
ram o direito de se organizar livremente.

Em ação

1. Qual é o tema tratado no texto? Se você tivesse que dar um título ao texto, qual seria?

2. Faça uma linha do tempo localizando as datas e os eventos ligados ao movimento


operário brasileiro entre 1880 e 1930. Escreva o nome do evento em cada momento.
Veja o exemplo a seguir.

início da
industrialização
I____________I______________I___________I____________I____________|...
1880 1930

278 Eixo 4

V3_Eixo4_Cap_2.indd 278 2/7/14 7:00 PM


3. No início da história do movimento operário brasileiro, qual era a posição dos gover-
nantes sobre a organização dos trabalhadores?

4. Quais eram as reivindicações dos trabalhadores nesse período?

5. Qual era o papel das greves para o movimento operário?

6. Pode-se afirmar que o movimento operário obteve conquistas para a classe trabalha-
dora nesse período?

Vargas e as reformas trabalhistas


Em 1930, Getúlio Vargas assumiu a presidência por meio de um golpe de Estado.
Apoiado por militares, chegou ao poder pelo uso da força e não por eleições livres. De-
fendia a ampliação da indústria e dos direitos trabalhistas. No entanto, combateu os sin-
dicatos livres. Aqueles que se opusessem poderiam ser punidos. Instalou uma ditadura
no Brasil de 1937 até 1945, período conhecido como Estado Novo. Nesses anos, Vargas
criou o salário-mínimo (1940) e a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), que estabele-
ceu direitos dos trabalhadores e obrigações dos patrões, que vigoram até hoje.
Além da repressão à livre organização dos operários, o governo Vargas investiu forte-
mente em propagandas políticas. Observe os cartazes a seguir.

4o e 5o anos 279

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Para ler propaganda política
As propagandas políticas têm o objetivo de convencer os cidadãos de que certo po-
lítico ou governo faz um bom trabalho e, portanto, merece a confiança do povo. Observe
como isso aparece nos cartazes.
Acervo Iconographia

Acervo Iconographia
Cartaz do DIP, 1944. Cartaz de propaganda do Governo Vagas.

Em ação

1. Descreva detalhadamente as imagens atentando para os aspectos pedidos.


a) Que imagem dos trabalhadores os cartazes parecem criar? Por quê?

b) No cartaz sobre 1o de maio, que figura está em destaque? Por quê?

280 Eixo 4

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c) o trabalho é apresentado como algo importante para o país? De que forma?

2. Em sua opinião, o que o governo Vargas pretendia com essas propagandas?

3. A partir dos textos e dos cartazes, responda: Por que Vargas, ao mesmo tempo em
que concedia direitos aos trabalhadores, impedia sua livre organização?

Para lEr artigos das lEis


Leia agora alguns artigos das leis trabalhistas aprovadas em 1943, durante o Estado
Novo. A seguir, responda às questões.
Decreto-Lei n.o 5.452, de 1o de maio de 1943
(Consolidação das Leis Trabalhistas – CLT)
[...]
Artigo 13 – A Carteira de Trabalho e Previdência Social é obrigatória para o
exercício de qualquer emprego, inclusive de natureza rural […].
Artigo 58 – A duração normal do trabalho, para os empregados em qualquer
atividade privada, não excederá de 8 (oito) horas diárias […].
Artigo 59 – A duração normal do trabalho poderá ser acrescida de horas
suplementares, em número não excedente de 2 (duas) […].
Parágrafo 1o […] A importância da remuneração da hora suplementar […] será,
pelo menos, 50% (cinquenta por cento) superior à da hora normal. glossÁrio

Artigo 129 – Todo empregado terá direito anualmente ao gozo de um Hora


suplementar:
período de férias, sem prejuízo da remuneração. […] hora extra.

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Artigo 391 – Não constitui justo motivo para a rescisão do contrato de glossÁrio
trabalho da mulher o fato de haver contraído matrimônio ou de encontrar-se Contrair
em estado de gravidez. […] matrimônio:
casar-se.
Artigo 476 – Em caso de seguro-doença ou auxílio-enfermidade, o
empregado é considerado em licença não remunerada, durante o prazo desse
benefício. […]
Fonte: Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del5452compilado.htm>. Acesso em: 28 mar. 2013.

Em ação

1. Faça uma lista dos direitos trabalhistas concedidos pela CLT conforme os artigos ci-
tados. Escolha expressões que representem o conteúdo de cada artigo. Por exemplo:
Artigo 13 – Registro na Carteira de Trabalho.

2. Converse com seus colegas e responda: Quais desses artigos ainda estão valendo,
ou seja, continuam em vigor? Cite dois exemplos.

3. Você acha que existem brasileiros que ainda não se beneficiaram dos direitos previs-
tos na CLT? Dê exemplos.

282 Eixo 4

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Pensando sobre a língua

1. Para compreender um texto, algumas vezes precisamos recuperar informações men-


cionadas anteriormente. Relembre, a seguir, as informações apresentadas no texto de
“Vargas e as reformas trabalhistas” sobre o governo Vargas e as reformas trabalhis-
tas. Depois, responda às questões.

Em 1930, Getúlio Vargas assumiu a presidência por meio de um golpe de Es-


tado. Apoiado por militares, chegou ao poder pelo uso da força e não por eleições
livres. Defendia a ampliação da indústria no país e dos direitos trabalhistas. No
entanto, combateu os sindicatos livres. Aqueles que se opusessem poderiam ser
punidos. Instalou uma ditadura no Brasil de 1937 até 1945, período conhecido
como Estado Novo. Nesses anos, Vargas criou o salário-mínimo (1940) e a Con-
solidação das Leis Trabalhistas (CLT), que estabeleceu direitos dos trabalhadores
e obrigações dos patrões, que vigoram até hoje.

a) Quem defendia a ampliação da indústria no país e dos direitos dos trabalhadores?

b) Quem combateu os sindicatos livres e criou o controle do Estado sobre as organi-


zações dos trabalhadores?

c) Quem instalou uma ditadura no Brasil a partir de 1937?

d) O nome da pessoa que executou essas ações é citado nas linhas 2, 3, 4 e 5 do


texto?

e) Mesmo sem o nome da pessoa escrito nas linhas citadas, você conseguiu saber
de quem cada trecho falava? Como?

2. Leia, a seguir, o texto sem as omissões (versão modificada) e compare-o com a versão
original. Em seguida, responda às questões apresentadas.

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Em 1930, Getúlio Vargas assumiu a presidência por meio de um golpe de Es-
tado. Apoiado por militares, Getúlio Vargas chegou ao poder pelo uso da força e
não por eleições livres. Getúlio Vargas defendia a ampliação da indústria no país
e dos direitos trabalhistas. No entanto, Getúlio Vargas combateu os sindicatos
livres. Aqueles que se opusessem poderiam ser punidos. Getúlio Vargas instalou
uma ditadura no Brasil de 1937 até 1945. Esse período ficou conhecido como
Estado Novo. Nesses anos, Vargas criou o salário-mínimo (1940) e a Consolida-
ção das Leis Trabalhistas (CLT), que estabeleceu direitos dos trabalhadores e
obrigações dos patrões, que vigoram até hoje.

a) Qual das duas versões está menos repetitiva? Por quê?

b) No trecho “Nesses anos, Vargas criou o salário-mínimo (1940) e a Consolidação


das Leis Trabalhistas (CLT) [...]”, o termo “Vargas” se refere a quem?

c) Nesse trecho, em vez de retirar o termo “Getúlio Vargas”, outra solução foi encon-
trada para evitar muitas repetições desse nome. Qual?

Para ler texto expositivo


O novo sindicalismo
Após um curto período de vida democrática, em 1964 veio o golpe militar
que instaurou uma ditadura no país. Com ela, eliminou-se o direito de greve, vá-
rios sindicalistas foram perseguidos e sindicatos sofreram intervenção do Estado
para controlar suas atividades.
Isso não impediu, contudo, que os sindicatos continuassem a se organi-
zar e lutar por melhores condições de trabalho. Nos anos 1970, ocorreu um
grande crescimento do número de sindicatos. No final dessa década, surgiu
uma grande mobilização de trabalhadores, especialmente na região do ABC
paulista, onde havia muitas indústrias automobilísticas. Esse novo sindicalis-
mo organizou-se de maneira mais independente em relação às decisões gover-
namentais. Inovou também no modo de fazer paralisações e teve uma atitude
firme na defesa de suas reivindicações.
Em 1978, ocorreu uma grande greve dos trabalhadores da indústria auto-
mobilística do ABC. Reivindicava-se aumento salarial imediato e exigia-se uma
negociação mais democrática com empresários. Nos dois anos seguintes, várias
categorias realizaram greves, chegando a um total de cerca de 4 milhões de tra-
balhadores grevistas nesse período.

284 Eixo 4

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Em 1983 foi criada a Central Única dos

Folhapress
Trabalhadores (CUT), que passou a represen-
tar os interesses de várias categorias de ma-
neira unificada. Em 1986, surgiu uma outra
central sindical, a Central Geral dos Trabalha-
dores (CGT), que em 1988 passou a se deno-
minar Confederação Geral dos Trabalhadores.
Em 1991 foi fundada ainda a Força Sindical.
1. O texto é composto de quatro parágrafos. Escre- Manifestação de metalúrgicos durante
va no caderno uma frase que apresente a ideia Assembleia em greve no ABCD, São
principal de cada um deles. Bernardo do Campo. (SP). 1979.

2. Faça no caderno uma linha do tempo para marcar as datas e os fatos principais des-
tacados no texto sobre o novo sindicalismo no Brasil. Veja o exemplo a seguir.

golpe
militar
I_____________I_______|______I_____________I_____________I___________
1964 1970

Para ler gráfico


Observe o gráfico e responda às questões no caderno.
Total Anual de Greves – Brasil, de 1985 a 2011

Fontes de dados: Balanço das greves em 2010-2011. DIEESE SAG-DIEESE – Sistema de Acompanhamento de
Greves. Disponível em: <http://dieese.org.br/esp/estPesq63balGreves2010_2011.pdf>. Acesso em: 1o. mar. 2013.
Ricardo Antunes. O novo sindicalismo no Brasil. 2. ed. Campinas: Pontes, 1995.

1. Segundo dados do gráfico, em que ano ocorreram mais greves no Brasil?


2. De acordo com o gráfico, as greves aumentaram ou diminuíram desde o surgimento
do novo sindicalismo? Justifique sua resposta.
3. Você acha importante que os trabalhadores hoje possam se organizar e fazer greves?
Por quê?

4o e 5o anos 285

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Eixo 4

capítulo 3
O trabalho no campo no Brasil

Em roda
Quem são os trabalhadores rurais no Brasil hoje? Como sobrevivem? Quais dificulda-
des enfrentam? Essas são algumas questões sobre o trabalho nos campos brasileiros.
Nosso país possui grande quantidade de terras para a agricultura e a criação de ani-
mais. Por outro lado, é comum que jornais e emissoras de TV noticiem conflitos entre
pequenos agricultores, policiais e fazendeiros. As disputas mostram que ainda há muito
para se resolver no campo. A principal questão é o fato de muitos não terem acesso à
terra, hoje concentrada nas mãos de grandes proprietários ou empresas. Converse com
seus colegas e procure identificar:
• os estudantes da turma cujas famílias são do meio rural;
• quais atividades essas pessoas desenvolvem ou desenvolveram no campo;
• se o trabalho no campo é ou era suficiente para sustentar a família com dignidade;
• se eram proprietários da terra em que trabalhavam;
• se migraram para a cidade e por quais motivos.
Ajude o professor a registrar na lousa as principais conclusões dessa discussão.

para lEr grÁfico


Um gráfico representa diferentes situações com figuras e dados numéricos.
Para entender um gráfico, é preciso ler o título, os dados nos eixos vertical e horizon-
tal e na legenda. Leia os gráficos a seguir, baseados no último Censo Agropecuário feito
no Brasil.

grÁfico 1
pessoal ocupado na agricultura, por sexo (2006)
14 000 000
12 000 000
10 000 000
8 000 000
6 000 000 11 515 194
4 000 000
2 000 000 5 052 350
0 Mulheres
Homens

Fonte: IBGE, Censo Agropecuário, 2006.

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grÁfico 2
número de estabelecimentos por condição do produtor - 2006
12 915 560

1 180 000
576 570 774 094 445 815 675 405

Proprietário Assentado Arrendatário Parceiro Ocupante Produtor sem


sem titulação área
definitiva

Fonte: IBGE, Censo agropecuário, 2006.

Em ação
Com um colega, leia e anote os títulos dos gráficos. Depois, responda:
1. Que tipo de informação vamos encontrar em cada um deles?

2. Qual órgão recolheu as informações dos gráficos? Quando foram obtidas?

3. De acordo com o Gráfico 1, compare a participação das mulheres com a participação


dos homens nas atividades rurais.

4o e 5o anos 287

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4. Faça um glossário explicando cada uma das categorias indicadas no Gráfico 2.

5. O que chamou mais sua atenção no Gráfico 2? Justifique.

Escrevendo texto expositivo


Escreva, com mais um colega, um texto que destaque algumas características dos
trabalhadores rurais brasileiros. Vocês podem se dividir por tipo de lavoura ou criação de
animal (trabalhadores do corte da cana, da indústria leiteira, das carvoarias, etc.). Sele-
cione fotografias para ilustrar o texto. Para essa tarefa, faça pesquisas na internet, em
jornais e revistas e use as informações que você obteve até agora.
Cada texto escrito pelas duplas deverá compor o dossiê que você já começou a elabo-
rar. Observe se a descrição que vocês fizeram informa onde e como os trabalhadores ru-
rais realizam suas tarefas e se a maioria é composta de homens ou mulheres. Acrescente
outras informações que vão enriquecer o texto e o próprio dossiê, como se há casos de
trabalho infantil ou escravo. Esse texto será complementado mais adiante.

AS RELAÇÕES DE TRABALHO NO CAMPO


Há uma grande variedade de fatores que se levam em conta para diferenciar
os produtores rurais no Brasil: sua condição de produtor (proprietário ou trabalha-
dor “livre”), tipos de ocupação profissional, relações de trabalho, e outras. Para
entender tanta diversidade, muitos estudiosos costumam dividir esses produto-
res da seguinte forma:
• um primeiro grupo vem do modo como o campo se organizou no Brasil: pequenos
proprietários, entre eles os agricultores familiares e os grandes proprietários;

288 Eixo 4

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• outro grupo resulta de processos que aconteceram nos últimos cinquenta anos:
os trabalhadores rurais assalariados e os grandes empresários rurais;
• somado a esses, está um terceiro tipo que ainda não teve acesso às terras. Ele
é conhecido por sua luta e organização. Os “sem-terra”, como são conhecidos,
procuram ocupar terras, plantar e reivindicar o título de propriedade das áreas
ocupadas.

Para ler fotografia


Com base nas informações apresentadas, identifique as situações das fotos abaixo.
Gerson Gerloff/Pulsar Imagens

Marcelo Ferreira/CB/D.A Press

Agricultor trabalhando em plantação de mandioca Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e sindicatos


local. São Martinho da Serra (RS), 2012. ruralistas durante manifestação na Esplanada dos
Ministérios. Brasília (DF), 2012.
Rogério Reis/Pulsar Imagens

Ernesto Reglnan/Pulsar Images

Cortadores de cana-de-açúcar na margem da Galpões da cooperativa Agroindustrial consolata


rodovia AL-101. Coruripe (AL), 2010. (Copacol). Cafelândia (PR), 2012.

Em ação

1. Crie para cada foto uma legenda que fale um pouco mais sobre o que a imagem mos-
tra a respeito do trabalho no campo.
2. Leia o texto a seguir. Ele descreve o tipo de trabalho e de propriedade da terra. De-
pois, em grupo, responda às perguntas.

4o e 5o anos 289

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Pequenos proprietários familiares: suas terras raramente superam GLOSSÁRIO
cem hectares. Eles têm a posse legal das terras. Respondem pela Autônoma: de
autonomia;
maior parte da produção de gêneros alimentícios e da criação de em- qualidade de
pregos no campo. Sua situação varia bastante, indo desde a produção quem governa
a si próprio,
autônoma até casos em que são obrigados a vender sua produção independente de
outros.
para uma única empresa do campo. Para sobreviver, alguns membros
Hectare: forma de
da família trabalham na cidade durante alguns meses do ano. medida agrária,
Posseiros ou ocupantes: mantêm a posse da terra, mas não são que equivale a
dez mil metros
os donos. Também produzem alimentos, em geral em pequenas áre- quadrados
as. Como não têm o título de propriedade da terra, sofrem todo tipo
de pressão. Muitos foram expulsos das áreas que ocupavam.
Rendeiros e parceiros: pequenos produtores que, em troca do uso da terra,
pagam ao proprietário uma renda, seja ela em trabalho, produtos ou dinheiro. O
uso da terra pode ocorrer por meio de parcerias (meeiros – dividem metade da
produção com o proprietário; terceiros – dividem um terço da produção, etc.) ou
pelo arrendamento (espécie de aluguel de terras). Existem ainda os agregados,
que moram nas propriedades e trabalham para os donos, em troca de moradia e
uma pequena roça de subsistência.
Todas essas formas de trabalho na terra combinam-se com o trabalho assa-
lariado temporário ou permanente no campo. Há também casos de agricultores
que trabalham parte do ano nas cidades, como, operários em obras da constru-
ção civil.

Para verificar se o texto foi compreendido, cada grupo vai explicar uma categoria de
trabalhador para o resto da turma. O desafio é fazer isso sem ler o texto na hora de expor.
Os demais alunos avaliarão se a explicação foi correta e clara.
3. Associe cada frase a um dos tipos de trabalhador rural descrito no texto acima.
a) Utilizam as terras de outros para produzir, pagando por isso quantias em dinheiro
ou produtos.

b) São os proprietários legais das terras.

c) São pressionados a abandonar as terras porque não são seus proprietários, em-
bora as ocupem e produzam nelas.

d) Produzem a maior parte dos alimentos no Brasil.

290 Eixo 4

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Para ler texto expositivo

A agricultura familiar no Brasil


A agricultura familiar é uma forma de produção em que os agricultores e seus
familiares dirigem e realizam a produção. Para isso, baseiam-se no trabalho dos
membros da família. Às vezes, contratam trabalhadores assalariados, sobretudo
nas colheitas.
Aproximadamente 85% do total de propriedades rurais do país pertencem
a grupos familiares. Apenas 20% dessas propriedades agrícolas são de caráter
patronal, ou seja, baseadas nas relações típicas entre patrão e empregado. Além
das famílias que têm a posse e a propriedade da terra, existem também outras
situações envolvendo a agricultura familiar, como a dos ocupantes, arrendatários
e parceiros.
Para se ter uma ideia da importância do setor no Brasil, cerca de 60% de
todos os alimentos consumidos pelos brasileiros são produzidos por agricultores
familiares. Eles são responsáveis por grande parte da produção nacional de fei-
jão, fumo, mandioca, milho, leite e carne de porco.
É importante lembrar que, ao contrário, muitas das grandes propriedades ou
empresas no campo dedicam-se a produzir ou industrializar bens agrícolas para
exportação, como no caso da soja, cana, café e laranja. Nas últimas décadas,
introduziu-se de forma intensa no campo o uso de máquinas agrícolas, fertilizan-
tes químicos, sistemas modernos de irrigação e outras técnicas.
Mas essas inovações beneficiaram especialmente as culturas de exportação.
Embora bastante produtivas, em muitos casos elas geram poucos empregos agrí-
colas, já que as máquinas dispensam mão de obra. De outro lado, há culturas
desse tipo que podem gerar empregos em cidades, como fábricas de uniformes
e fabricação ou venda de instrumentos agrícolas.
A agricultura familiar pode ser um importante fator de desenvolvimento das
áreas rurais. Com ela, é possível haver grande diversificação das economias,
geração de empregos e renda, seja esta agrícola ou não agrícola. É uma forma
de evitar que muitos trabalhadores rurais migrem para as cidades. Nos últimos
anos, tem havido incentivos à formação de cooperativas de agricultores familia-
res. Uma das vantagens é a maior possibilidade de conseguir mais facilmente
financiamentos para continuar plantando, pois os agricultores passam a atuar de
forma coletiva.

Em ação
Responda às questões a seguir no caderno.
1. Numere os parágrafos do texto. A seguir, escreva uma frase que mostre qual é a ideia
principal de cada um deles.

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2. Segundo o texto, quais são os produtos gerados pela agricultura familiar?
3. Por que o desenvolvimento da agricultura familiar pode colaborar para manter os tra-
balhadores no campo?
4. Cite duas diferenças entre a produção familiar típica e a produção das grandes em-
presas rurais.
5. Existem muitos casos de agricultores que trabalham parte do ano no campo e outra
parte na cidade. Por que você acha que isso acontece?

Pensando sobre a língua

1. Vamos rever agora alguns aspectos da pontuação. Releia o texto “A agricultura fami-
liar no Brasil” e observe os pontos-finais (.) que aparecem nele. Em seguida, discuta
com a turma a correta utilização desse sinal.
2. Observe as palavras que aparecem depois dos pontos-finais e responda às seguintes
questões:
a) Essas palavras estão escritas com letra inicial maiúscula ou minúscula?

b) Por que você acha que isso acontece?

3. Observe o início de cada um dos parágrafos do texto e diga se eles começam sempre
com letra inicial maiúscula ou minúscula. Você saberia explicar por quê?

4. Complete o quadro a seguir.

Depois do ponto-final (.) usamos sempre letra ______________ no início da palavra


seguinte. No início dos parágrafos também usamos letra inicial ____________ .

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5. Neste trecho, o nome Brasil está escrito com letra inicial maiúscula. Releia-o e res-
ponda às questões a seguir.
“Para se ter uma ideia da importância do setor no Brasil, cerca de 60% de todos os
alimentos consumidos pelos brasileiros são produzidos por agricultores familiares. Eles
são responsáveis por grande parte da produção nacional de feijão, fumo, mandioca,
milho, leite e carne de porco.”
a) O nome Brasil está escrito depois de um ponto-final ou no início de um parágrafo?

b) Por que essa palavra está escrita com letra inicial maiúscula?

c) Você conhece outras palavras como essa que também são escritas com letra ini-
cial maiúscula? Quais?

d) Por que a palavra “Eles” está escrita com letra inicial maiúscula?

6. Em dupla, leia o texto a seguir e, então, reescreva-o no caderno colocando pontos-


-finais (.) e letras maiúsculas.
boia-fria é o nome que se dá, no brasil, a trabalhadores rurais empregados em
lavouras diversas mas que não possuem suas próprias terras
recebem esse nome por levarem consigo suas próprias refeições (na gíria, boia)
em recipientes sem isolamento térmico desde que saem de casa, pela manhã, o
que faz com que elas já estejam frias na hora do almoço
trabalham mediante o pagamento de um salário e geralmente são conduzidos
em caminhões em precárias condições de segurança, de casa até as plantações
onde devem trabalhar os locais variam de acordo com as épocas do ano e as
épocas de colheita
nos últimos anos houve diversas denúncias e casos de boias-frias trabalhan-
do em condição análoga à escravidão.

7. Agora, seu professor irá escrever o texto da atividade anterior na lousa, colocando, com
a ajuda de todos, pontos-finais e letras maiúsculas. Discuta as respostas das duplas.

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Escrevendo texto expositivo
Ainda em dupla, complete o texto sobre o trabalhador rural brasileiro com novas in-
formações. Destaque os tipos de produtores rurais, de acordo com a organização do tra-
balho e a posse ou a propriedade da terra. Dependendo do tipo de lavoura ou criação, é
mais comum haver um predomínio de certo tipo de produtor rural. Verifique se é preciso
reescrever o texto, mudar a ordem das informações. Observe se houve repetições, prin-
cipalmente das palavras trabalhadores ou trabalhadores rurais. Outro aspecto a observar
é como você distribuiu as informações em parágrafos. É possível usar um parágrafo para
cada bloco de informações: distribuição por sexo, formas de organização do trabalho,
posse da terra etc. Antes de passar a limpo, peça de novo à outra dupla que leia o texto
de vocês para ver se há algo a ser melhorado.

TEM NOVIDADE NO CAMPO

Em grupos

1. Observe as fotos abaixo e discuta:


a) Quais são as atividades econômicas apresentadas? Leia as legendas para responder.

b) As atividades apresentadas são típicas do trabalho agrícola ou não?


Luis Salvatore/ Pulsar Images

Diego Gazola/ Pulsar Images


Eduardo Zappia/ Pulsar Images

Produção de queijo de búfala Grupo de pessoas fazendo trilha Gado pastando em hotel
na zona rural. São João da Boa rural. Vale do Pati, Andaraí (BA), fazenda. Aquidauna (MS), 2010.
Vista (SP), 2013. 2011.

294 Eixo 4

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2. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), há crescimento – ain-
da que pequeno – da população rural acima de dez anos de idade. Cresce também
o número de trabalhadores ocupados em atividades não agrícolas. No entanto, vem
diminuindo o número de trabalhadores na lavoura e na criação de animais. Discuta
com seu grupo:
a) Por que os agricultores passaram a se dedicar a essas outras atividades?
b) Por que vários trabalhadores rurais já não se dedicam à agricultura?
3. Escreva as principais conclusões a que seu grupo chegou e apresente-as em forma
de tópicos para a turma. Para isso, escreva antes os tópicos e, no momento da apre-
sentação, leia cada um deles. Se quiser, comente-os, explicando-os para os colegas.

Escrevendo texto expositivo


Escreva com seu grupo um texto sobre as novas ocupações no campo que será incor-
porado ao dossiê. Crie um título que informe ao leitor sobre o assunto do texto. Os textos
serão expostos no painel e várias pessoas poderão lê-lo. Observe se as informações
sobre as novas ocupações estão claras. O uso de parágrafos também pode ajudar esse
entendimento.
Para ilustrar o texto no painel, selecione fotografias, desenhos e outras ilustrações
que mostrem as transformações ocorridas no campo no Brasil. Discuta os resultados
com seus colegas.

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Eixo 4

capítulo 4
Três séculos de luta

Em roDa
Lemos em capítulos anteriores sobre algumas lutas trabalhistas que ocorreram no
Brasil num tempo distante. São elas:
• o Brasil começou a se tornar um país industrializado a partir de 1880;
• entre os anos 1880 e 1930, organizou-se no país o movimento operário;
• em 1906, ocorreu o Primeiro Congresso Operário Brasileiro;
• a primeira greve geral em São Paulo aconteceu em 1917.
Todos esses fatos ocorreram em séculos passados; em outro milênio. Já são quase
três séculos de luta dos trabalhadores do país. Agora, vamos compreender melhor como
funcionam essas marcas de tempo. Converse com seus colegas: Em que século esta-
mos? E em qual milênio? Qual é o século anterior ao que estamos?

SÉCULOS E MILÊNIOS
Mayatskyy/Dreamstime.com

Coleção Particular

Calendário de pedra Asteca. Calendário 2014.

Para marcar o tempo, a maioria dos calendários utiliza a unidade “ano”. A partir do
ano, podem-se definir outras unidades de tempo como:
• década: corresponde a um período de 10 anos;
• século: corresponde a um período de 100 anos;
• milênio: corresponde a um período de 1 000 anos.

296 Eixo 4

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Em açÃo

1. Transcreva para o seu caderno e complete:

Um milênio corresponde Um século é formado por Em um milênio há


a ____________ séculos. ____________ décadas. _________ décadas.

2. A história da civilização humana é dividida em milênios, usando o início da Era Cristã


como marca de tempo.
Era: é a época marcada por um acontecimento importante a partir do
qual se começa a contar datas. Os povos ocidentais vivem na Era Cristã
ou Era de Cristo, que se iniciou com seu nascimento, datado como ano 1.
Veja neste quadro os milênios da Era Cristã. Observe e anote, em seu caderno, o iní-
cio e o término de cada um deles.

mIlÊnIoS Da Era
prImEIro SEgunDo TErcEIro
crISTÃ
Início ano 1 ano 1001 ano 2001
Término ano 1000 ano 2000 ano 3000

3. Com base no quadro anterior, responda:


a) Em que ano teve início o terceiro milênio e em que ano ele terminará?

b) Qual foi o milênio que antecedeu o que estamos vivendo?

c) Qual foi o último ano do milênio passado?

d) Quantos anos faltam para o término deste milênio?

e) Você se lembra de algum fato importante ocorrido no milênio passado? Anote nas
linhas abaixo e conte para seus colegas.

4o e 5o anos 297

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4. Os milênios são formados pelos séculos. Observe a divisão em séculos da Era Cristã
e o início e o término de cada um deles.

Séculos I II III IV V VI VII VIII IX X

Início 1 101 201 301 401 501 601 701 801 901
Término 100 200 300 400 500 600 700 800 900 1000

Séculos XI XII XIII XIV XV XVI XVII XVIII XIX XX XXI

Início 1001 1101 1201 1301 1401 1501 1601 1701 1801 1901 2001
Término 1100 1200 1300 1400 1500 1600 1700 1800 1900 2000 2100

Como se pode notar, um século sempre inicia em 01 e termina em 00. Os séculos


geralmente são registrados com algarismos romanos.

Os algarismos romanos fazem parte de um sistema de numeração criado pela civilização romana.
Esse sistema usava sete letras maiúsculas para escrever números:
I (1), V (5), X (10), L (50), C (100), D (500), M (1 000).
Algarismos romanos podem ser vistos em mostradores de relógio, em capítulos de livros, em nomes
de papas e imperadores, no registro de séculos. Veja as frases a seguir.
“Os portugueses chegaram ao Brasil no século XVI.”
“Muitas pessoas lamentaram a morte do Papa João Paulo II.”
Assim, nos exemplos acima:
XVI significa 16: X (10 séculos) + V (cinco séculos) + I (um século)
II significa 2: I (um século) + I (um século)

Consulte as informações apresentadas neste capítulo e escreva em algarismos romanos:


a) o século em que o Brasil se tornou um país industrializado:

b) os séculos em que se organizou o movimento operário brasileiro:

c) o século em que ocorreu a primeira greve geral em São Paulo:

d) o século da Era Cristã em que estamos vivendo:

e) o século passado e o próximo (indique o início e o término de cada um deles):

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f) o sé