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DOUTRINA SOCIAL DA IGREJA

Um compromisso inadiável
Lorena 19 março 2017

As fontes
• Pentateuco

• Profetas

• Sapienciais

Antigo Testamento

• A prática de Jesus
• O Reino de Deus
• A Parábola do Bom Samaritano

NOVO TESTAMENTO
• Historicamente, os teólogos cristãos dos primeiros
séculos (séc. I a VIII) foram chamados “Padres da
Igreja”, e sua reflexão foi denominada “Patrística”
• São os "primeiros pais", pastores e mestres da Igreja
Primitiva. Eles são importantes porque, em seu tempo,
foram:
• - exemplos de aplicação da utopia evangélica à realidade;
• - testemunhas e fiadores da leitura que a Igreja fazia da
Escritura.

PATRÍSTICA

São Gregório de Nissa


Discurso sobre o amor aos pobres
São Gregório Nazianzeno
• Talvez tu dês esmolas, mas de onde as tiras
senão de teus assaltos cruéis, do sofrimento, Que faremos, pois, nós? Nós que herdamos um grande e novo nome, o
do próprio Cristo; nós, que somos nação santa, sacerdócio régio, povo
das lágrimas e dos suspiros do povo? particular e eleito, seguidor de obras boas e salvíficas; nós, discípulos do
• Se o pobre soubesse de onde vem a tua Cristo manso e benigno, que carregou sobre si nossas enfermidades, se
humilhou a ponto de assumir nossa carne e se fez habitar neste
esmola, ele a recusaria, porque a sentiria tabernáculo terrestre, sofrendo por nosso amor a fim de que nos
como morder a carne de seu irmão e sugar enriquecêssemos de sua divindade? Tendo tal exemplo de misericórdia e
o sangue de seu companheiro.Ele te diria compaixão, que pensaremos e que faremos com esses miseráveis?
estas palavras corajosas: Vamos desprezá-los, passar por eles de largo, abandoná-los como cobras
ou feras? De maneira alguma, irmão! Isso não nos conviria, ovelhas que
• ‘Não sacies minha sede com as lágrimas de somos de Cristo, do bom pastor que vai em busca da ovelha desgarrada
meus irmãos, não dês ao pobre o pão e fortalece a frágil. Nem, aliás, condiz com a natureza humana, que tem
por lei a compaixão e pela debilidade comum, nos ensina pela piedade e
endurecido com os soluços de meus humanidade.
companheiros de miséria. Devolve ao teu • Consentiremos que eles suportem o relento, enquanto habitamos
semelhante o que lhe roubaste e te serei casas esplêndidas, ornadas de toda espécie de pedras raras,
muito grato. De que vale consolares um coruscantes de ouro e prata, ornadas de mosaicos e pinturas
pobre, se tu fazes outros cem?’ variegadas que são ilusão para os olhos? E umas habitamos, outras
estamos ainda construindo... para quem? Talvez nem mesmo vão
ser de nossos herdeiros e sim de estranhos, quiçá de inimigos e
invejosos. Consentiremos então que aqueles doentes sofram sob
• São João Crisóstomo seus farrapos enquanto nos regalamos com vestimentas suaves de
finos tecidos, de linho e de seda? Destas, algumas nos servirão para
nossa indecência mais que para nosso adorno (pois assim julgo
• “Deus nunca fez uns ricos e outros pobres. tudo que é inútil e supérfluo);outras guardaremos nas arcas, como
Deu à mesma terra para todos. A Terra é inutilidades destinadas ao consumo de traça e do tempo.
toda do Senhor e os frutos da terra devem Consentiremos, pois, que eles não tenham o necessário para comer (ó
ser comuns todos. As palavras “meu” e eu” delícias minhas, ó misérias deles!) e permaneçam ante nossas portas,
desfalecidos de fome, sem meios até corpóreos para pedir? Pois
são motivo e causa de discórdia. A destituídos de voz, não se queixam; sem mãos não as podem estender
comunidade de bens é uma forma de para pedir; sem pés não podem andar até os ricos; sem respiração não
existência mais adequada à natureza do que podem entoar seus lamentos, e o que é o maior dos males, (a cegueira),
a propriedade privada “(Epist.I ad têm pelo mais leve, pois dão graças por não verem a desgraça que
sofrem!
Timotheum, XII,4).
Santo Tomás de Aquino (1225-1274) - Frade que elabora síntese realista e operacional do primado
do destino universal dos bens, com a organização privada da propriedade. Ele distingue três tipos
(ordens ou níveis) de justiça:
· a comutativa (relativa à troca), que se fundamenta no direito de cada um à contrapartida
adequada do serviço que presta ao outro - é o caso do preço justo da mercadoria .
· a distributiva, que se baseia no destino universal dos bens para todos, e na dignidade da
pessoa humana. Assim, a viúva e o necessitado têm direito ao um mínimo para viver; a
responsabilidade cabe, de modo especial, aos príncipes civis e eclesiásticos;
· a legal, que se funda no bem comum e corresponde às obrigações e direitos do Estado (e da
Igreja) para com as pessoas e os grupos (familiar e outros). Assim, existe a obrigação de
pagar impostos (ou o dízimo) e o direito aos serviços públicos.

Quanto ao que cada um possui, Tomás distingue três fatias possíveis:


· o necessário é aquilo de que preciso para viver humanamente;
· o conveniente é aquilo de que necessito para estar bem, para me realizar;
· o supérfluo é o que excede; neste caso, já há uma crítica ao consumismo!

Período medieval - Escolástica

DOUTRINA SOCIAL DA IGREJA


Origem da DSI

“É o resultado de uma atenta reflexão sobre as complexas realidades da vida do


homem na sociedade e no contexto internacional à luz da fé e da tradição
eclesial” (SRS 41g)
“A DSI se desenvolve por uma reflexão madura ao contato com situações em
mudança deste mundo, baixo o impulso do Evangelho” (OA 42)
“O ensinamento social da Igreja nasceu do encontro da mensagem evangélica e
de suas exigências... com os problemas que emanam da vida da sociedade.” (LC
72a)
“A DSI se articula à medida que a Igreja interpreta os acontecimentos ao longo
da história, à luz do conjunto da palavra revelada por Jesus Cristo e com a
assistência do Espírito Santo” (CIC 2.422)

Estes textos explicitam a origem constitutiva dos documentos sociais


da Igreja. Manifestam que não são outra coisa mais que o resultado do
julgamento da situação social de cada momento à luz da revelação e
da concepção cristã do mundo.

Identidade da DSI: o que é

“De novo afirmamos, e acima de tudo, que a doutrina social cristã é parte
integrante da concepção cristã da vida. ” (MM 221)
“Ela constituiu-se como uma doutrina, usando os recursos da sabedoria e das
ciências humanas, diz respeito ao aspecto ético desta vida e leva em consideração
os aspectos técnicos dos problemas, mas sempre para julgá-los do ponto de vista
moral”. (LC 72c)
“A DSI não é, antes de tudo, uma doutrina política nem muito menos
econômica... chamada a propor opções técnicas..., nem um sucedáneo do
capitalismo..., nem uma terceira via entre o capitalismo e o comunismo...”
(Discurso Universidade de Riga em 9-9-1993)
“A sua finalidade principal é interpretar estas realidades, examinando a sua
conformidade ou desconformidade com as linhas do ensinamento do Evangelho
sobre o homem e sobre a sua vocação terrena e ao mesmo tempo transcendente;
visa, pois, orientar o comportamento cristão. ” (SRS 41g)
“Ela pertence, por conseguinte, não ao domínio da ideologia, mas da teologia e
especialmente da teologia moral. ” (SRS 41)
Conteúdo da DSI

“Perita em humanidade, a Igreja oferece, em sua doutrina social, um conjunto de


princípios de reflexão, de critérios de julgamento, como também de diretrizes de ação ”
(LC 72c)

“Mas a Igreja é «perita em humanidade», e isso impele-a necessariamente a alargar a


sua missão religiosa aos vários campos em que os homens e as mulheres desenvolvem
as suas atividades em busca da felicidade, sempre relativa, que é possível neste mundo,
em conformidade com a sua dignidade de pessoas. ” (SRS 41b)

“... A doutrina social, por si mesma, tem o valor de um instrumento de evangelização:


enquanto tal, anuncia Deus e o mistério de salvação em Cristo a cada homem e, pela
mesma razão, revela o homem a si mesmo. A esta luz, e somente nela, se ocupa do
resto: dos direitos humanos de cada um e, em particular, do «proletariado», da família
e da educação, dos deveres do Estado, do ordenamento da sociedade nacional e
internacional, da vida económica, da cultura, da guerra e da paz, do respeito pela vida
desde o momento da concepção até à morte. (CA 54b)

Conteúdo da DSI:
Se distinguem, ademais, três dimensões na DSI:
Ø Uma dimensão teórica, porque está formada por princípios teóricos
de raíz teológica, moral ou racional, derivados do evangelho e da
experiência humana da Igreja.
Ø Uma dimensão histórica, porque os documentos da DSI estão em
conexão e fazem referência à situações históricas determinadas e porque
os princípios de reflexão, critérios de juizo e diretrizes para ação que
contém usam-se neles para iluminar e julgar essas situações e as
ideologias sociais, políticas e econômicas vigentes em cada época.
ØUma dimensão prática, porque se dirige à orientar a ação humana o
que exige a aplicação efetiva desses princípios na praxis, traduzindo-os
concretamente na forma e na medida que as circunstâncias permitem e
reclamam.
O SUJEITO DA DSI
No sujeito podemos distinguir os seguintes aspectos:

Ø Quem é seu titular: a DSI é própria da Igreja, isto é, de toda a Comunidade Eclesial.
Ø Quem a formula: a DSI é subscrita e formulada pela hierarquia da Igreja, Papa e
Bispos, que tem o carisma do magistério em representação das suas respectivas
comunidades eclesiais.
Ø Quem a elabora: a DSI elabora-se com a cooperação de teólogos e leigos, espertos e
com experiência nas questões sociais e em diãlogo, mais ou menos explícito, com a
Comunidade e com os homens de boa vontade.
Ø A quem é dirigida: os destinatários da DSI são as pessoas a quem se dirige o
documento. A partir da PT as Encíclicas sociais figuram dirigidas aos bispos, sacerdotes,
religiosos, fiéis e a todos os homens de boa vontade.

O OBJETIVO DA DSI
(A sua finalidade: para que)

No objetivo podemos distinguir os seguintes aspectos:

Ø Objetivo imediato : interpretar as realidades sociais, o que implica iluminá-las e julgá-


las a luz do Evangelho e desta maneira dar respostas as grandes questões sociais, que em
cada tempo e lugar dão lugar na vida social.

Ø Objetivo intermédio: guiar a conduta dos católicos e orientar as pessoas no seu


compromisso na construção da sociedade.

Ø Objetivo último: a libertação e promoção integral da pessoa.


PRINCÍPIOS TEÓRICOS
PESSOA

ØDignidade humana e
seus direitos inalienáveis POLÍTICA

ØSubsidiariedade
ØParticipação

SOCIEDADE
ØBem comum
ØSolidariedade ECONOMIA
ØPropriedade Privada/ Função
social ØDestino universal dos bens criados
ØOpção preferencial pelos pobres ØPrimazia do trabalho sobre o capital

Defesa da Dignidade da Pessoa Humana e de seus


direitos inalienáveis
"O homem é o caminho da Igreja - representa a síntese mais densa do compromisso da
Igreja com o homem.
A promoção integral do homem.
A dignidade da pessoa humana deve ser o objetivo último da produção de bens, da
organização política e das expressões culturais.

IMAGO DEI

Princípio Fundamental:
• o trabalho como chave da vida social. É por ele que o ser
humano se realiza plenamente, ao mesmo tempo que
colabora com a obra da criação
• O trabalho não pode ser entendido como uma mercadoria
sujeita a Leia da Oferta e da Procura.
• Através do trabalho, homem e mulher, se tornam
colaboradores da Criação..

Primazia do Trabalho sobre o


Capital

• conjunto das condições concretas que permitem a


todos atingir níveis de vida compatíveis com sua
dignidade
• O bem comum nacional é a responsabilidade e a
própria razão de ser do Estado, ou seja, o bem de
todos, sem discriminações.
• O bem comum mundial é o bem da comunidade
das nações, confiado a uma autoridade supra-
nacional e cujos sujeitos são precisamente os
diversos países do mundo.

Princípio do Bem Comum


• É o princípio segundo o qual cada um cresce em valor e
dignidade na medida em que investe as suas capacidades
e o seu dinamismo na promoção do outro.
• O contra-ponto de uma postura individualista., deve
perpassar todas as formas de relações humanas.
• Solidariedade passiva – Solidariedade ativa.

Princípio da Solidariedade

• Do direito natural à categoria de função social da propriedade.


• Toda a propriedade, antes de ser um bem pessoal e privado,
deve estar subordinada aos interesses da sociedade, ou seja, ao
bem comum.
• “sobre toda a propriedade pesa uma hipoteca social”.

Propriedade Privada
e sua Função Social
• princípio que oferece os critérios para discernir, na
variedade das conjunturas, a solução de problemas tais
como centralização e descentralização, nacionalização e
privatização. Segundo ele, as instâncias superiores de
poder não se devem atribuir o desempenho daquilo que as
instâncias inferiores podem melhor realizar .

• uma instância superior ajudará os membros de uma


determinada instância social a fazerem o que em si
compete a eles mesmos realizar; não lhe cabe tomar o
lugar deles e muito menos destruí-os ou absorvê-los

Princípio da
Subsidiariedade

• . Os bens criados se destinam a todo os homens.


• : “Deus destinou a terra, com tudo o que ela contém,
para o uso de todos, com eqüidade, sob as regras da
justiça, inseparável da caridade. Sejam quais forem
as formas de propriedade...”.

Princípio da Destinação
Universal dos Bens
• A sociedade necessita da participação
justa, proporcionada e responsável de
todos os membros e setores na vida social,
econômica, política e cultural…

Participação

Opção preferencial pelos pobres


Diante das estruturas de morte, Jesus
faz presente a vida plena. “Eu vim para
dar vida aos homens e para que a
tenham em plenitude”

“ Os rostos sofredores dos pobres são


rostos sofredores de Cristo”. Eles
desafiam o núcleo do trabalho da
Igreja, da pastoral e de nossas atitudes
cristãs. Tudo o que tem relação co
Cristo tem relação com os pobres, e
tudo o que está relacionado com os
pobres clama por Jesus Cristo: “ Tudo
quanto vocês fizeram a um destes meus
irmãos menores, o fizeram a mim” (Ap.
393)
com os “rostos sofredores que doem em nós....

v População de rua: “requerem da igreja cuidado especial, atenção e


trabalho de promoção humana, de tal modo que enquanto se proporciona
a elas ajuda no necessário da vida, que também sejam incluídas em
projetos de participação e promoção nos quais elas próprias sejam sujeitos
de sua re-inserção social” (407)
v Migrantes: “ é a expressão da caridade, também eclesial, o
acompanhamento pastoral dos migrantes... Na América Latina e Caribe,
os emigrantes, deslocados e refugiados, sobretudo por causas econômicas,
políticas e de violência, constituem fato novo e dramático” (411)
v Enfermos: “ A Igreja tem feito opção pela vida. Esta nos projeta
necessariamente pra as periferias mais profundas da existência: o nascer e
op morrer, a criança e o idoso, o sadio e o enfermo. ... Inclusive o fraco, o
recém-concebido,o envelhecido pelos anos e o enfermo” (417
v Dependentes de droga: “A Igreja não pode permanecer indiferente diante
desse flagelo que está destruindo a humanidade (422)... A igreja deve
promover luta frontal contra o consumo e o tráfico de drogas (423)
v Detidos em prisões: “ .... Muitas as pessoas que devem cumprir pena em
recintos penitenciários desumanos, caracterizados pelo comércio de armas,
drogas aglomeração, torturas, ausência de programas de reabilitação,
crime organizado que impede um processo de reeducação e de inserção na
vida produtiva da sociedade.” (427)

DOCUMENTOS SOCIAIS
• Documentos Sociais
• 1891 – Rerum Novarum – Leão XIII
• 1931 – Quadragésimo Anno – Pio XI – 40 anos da RN
• 1941 – Radiomensagem – A Solenidade – Pio XII
• 1961 – Mater et Magistra – João XXIII – 70 anos RN
• 1963 – Pacem in terris – João XXIII
• 1965 – Gaudium et Spes – Concilio Vaticano II
• 1967 – Populorum Progressio – Paulo VI
• 1971 – Octogésima Adveniens – Paulo VI – 80 anos RN
• 1981 – Laboren Exercens – João Paulo II
• 1987 – Solicitudo rei Socialis – João Paulo II
• 1991 – Centesimus Annus – João Paulo II
• 2009 – Caritas in Veritate – Bento XVI - 40 anos da PP
• 2016 – Laudato Si - Francisco

RESUMINDO
• “A Doutrina Social da Igreja é como uma verdadeira
revolução antropológica, cuja proposta é anunciar a
verdade de Cristo na sociedade”. “A Doutrina Social da
Igreja é ‘Caritas in Veritate in re sociali’: anúncio da
verdade de Cristo na sociedade”.

• §2422 - O ensinamento social da Igreja abrange um corpo


de doutrina na que se articula à medida que a Igreja
interpreta os acontecimentos ao longo da história, à luz do
conjunto da palavra revelada por Jesus Cristo, com a
assistência do Espírito Santo.

• Economia e princípios éticos


• Solidariedade social
• Economia para o bem da pessoa
• Desenvolvimento integral da pessoa
• §2499. A moral denuncia o flagelo dos estados
totalitários que falsificam sistematicamente a verdade,
exercem mediante os meios de comunicação uma
dominação política da opinião,
• "manipulam" os acusados e as testemunhas de processos
públicos e imaginam assegurar sua tirania sufocando e
reprimindo tudo o que consideram "delitos de opinião".

• §2425 - A Igreja tem rejeitado as ideologias totalitárias e


atéias associadas, nos tempos modernos, ao "comunismo"
ou ao "socialismo".

• Além disso, na prática do "capitalismo", ela recusou o


individualismo e o primado absoluto da lei do mercado
sobre o trabalho humano.
• §2459 – O homem é o autor, o centro e
o fim de toda a vida econômica e social.
O ponto decisivo da questão social é
que os bens criados por Deus para
todos de fato cheguem a todos
conforme a justiça e com a ajuda da
caridade.

• §2424 - Uma teoria que faz do lucro a


regra exclusiva e o fim último da
atividade econômica é moralmente
inaceitável.
• O apetite desordenado pelo dinheiro
não deixa de produzir seus efeitos
perversos.
•A regulamentação da economia
exclusivamente por meio planejamento
centralizado perverte na base os vínculos
sociais; sua regulamentação unicamente
pela lei do mercado vai contra a justiça
social, "pois há muitas necessidades
humanas que não podem atendidas pelo
mercado".

• §2427 - O trabalho é um dever (2Ts 3,10). O trabalho honra


os dons do Criador e os talentos recebidos. Também pode
ser redentor... o homem colabora de certa maneira com o
Filho de Deus em sua obra redentora. Mostra-se discípulo
de Cristo carregando a cruz, cada dia, na atividade que é
chamado a realizar. O trabalho pode ser um meio de
santificação.
• §2431 - A responsabilidade do Estado.
• "A atividade econômica, sobretudo a
da economia de mercado, não pode
desenvolver-se num vazio institucional,
jurídico e político. Ela supõe que sejam
asseguradas as garantias das liberdades
individuais e da propriedade, sem
esquecer uma moeda estável e serviços
públicos eficazes”.

• §2242. O cidadão é obrigado a não seguir as


prescrições das autoridades civis quando estes preceitos são
contrários às exigências da ordem moral, aos direitos
fundamentais das pessoas ou aos ensinamentos do
Evangelho. "Dai a César o que é de César e a Deus o que é
de Deus" (Mt 22,21). ‘Obedecer antes a Deus que aos
homens" (At 5,29).

• §2254. A autoridade pública deve respeitar os direitos


fundamentais da pessoa humana e as condições de exercício
de sua liberdade.
• §2432 - Os responsáveis pelas empresas
têm, perante a sociedade a
responsabilidade econômica e ecológica
por suas operações. Têm o dever de
considerar o bem das pessoas e não
apenas aumento dos lucros. Entretanto,
estes são necessários, pois permitem
realizar os investimentos que garantem
o futuro das empresas, garantindo o
emprego.

• §2433 - O acesso ao trabalho e à


profissão deve estar aberto a todos, sem
discriminação injusta: homens e
mulheres, normais e excepcionais ou
deficientes, autóctones e migrantes... a
sociedade deve ajudar os cidadãos a
conseguir um trabalho e um emprego.
• §2434 - O salário justo é o fruto
legítimo do trabalho. Recusá-lo ou retê-
lo pode constituir uma grave injustiça.
• Para se avaliar a remuneração
eqüitativa, é preciso levar em conta ao
mesmo tempo as necessidades e as
contribuições de cada um.

• §2435 - A greve é moralmente legítima


quando se apresenta como um recurso
inevitável, e mesmo necessário, em vista
de um benefício proporcionado.
• Torna-se moralmente inaceitável
quando é acompanhada de violências
ou ainda quando se lhe atribuem
objetivos não diretamente ligados às
condições de trabalho ou contrários ao
bem comum (greve política).
• §2439 - As nações ricas têm uma responsabilidade
moral grave para com aquelas que não podem garantir
sozinhas os próprios meios de seu desenvolvimento ou
foram impedidas de fazê-lo por trágicos acontecimentos
históricos.

• §2440 - É necessário também reformar as


instituições econômicas e financeiras
internacionais, para que elas promovam melhor as
relações eqüitativas com os países menos
desenvolvidos.

• §2441- Aumentar o senso de Deus e o conhecimento de si


mesmo é a base de todo desenvolvimento completo da
sociedade humana.
• §2442 - Não cabe aos pastores da Igreja
intervir diretamente na construção
política e na organização da vida social.
• Essa tarefa faz parte da vocação dos
fiéis leigos, que agem por própria
iniciativa com seus concidadãos.

• Política e o bem comum

• §1925. O bem comum comporta três elementos


essenciais: o respeito e a promoção dos direitos
fundamentais da pessoa; a prosperidade ou o
desenvolvimento dos bens espirituais e temporais da
sociedade; a paz e a segurança do grupo e de seus
membros.
• Caridade – a lei maior

• §2443 - "Dá ao que te pede e não voltes as costas ao que te


pede emprestado" (Mt 5,42). "De graça recebestes, de
graça dai" (Mt 10,8).

• §2444 - "O amor da Igreja pelos pobres... faz parte de sua


tradição constante." Não se estende apenas à pobreza
material, mas também às numerosas formas de pobreza
cultural e religiosa.

• “Para animar cristãmente a ordem temporal, no


sentido que se disse de servir a pessoa e a sociedade, os
fiéis leigos não podem absolutamente abdicar da
participação na « política », ou seja, da múltipla e
variada ação econômica, social, legislativa,
administrativa e cultural, destinada a promover
orgânica e institucionalmente o bem comum”.
• (Christifideles laici, 42)
• “As acusações de arrivismo, idolatria de poder, egoísmo e
corrupção que muitas vezes são dirigidas aos homens do
governo, do parlamento, da classe dominante ou partido
político, bem como a opinião muito difusa de que a política
é um lugar de necessário perigo moral, não justificam
minimamente nem o cepticismo nem o absenteísmo dos
cristãos pela coisa pública”. (CL, 42)

• “Os católicos versados em política, e devidamente firmes na


fé e na doutrina cristã não recusem cargos públicos, se
puderem por uma digna administração prover o bem
comum e abrir caminho para o Evangelho” (Apostolicam
Actuositatem, 14)
• Os pobres, uma riqueza:

• "Os pobres não devem ser considerados um ‘fardo’, mas


um recurso, mesmo do ponto de vista estritamente
econômico." (CV,n. 35)

• “A política partidarista é o campo próprio dos leigos (GS


43). Corresponde `a sua condição leiga constituir e
organizar partidos políticos com ideologia e estratégia
adequada para alcançar seus legítimos fins”. (Puebla 524)
• Imigrantes:
• "É certo que os trabalhadores estrangeiros, não obstante as
dificuldades relacionadas com a sua integração, prestam
com o seu trabalho uma contribuição significativa para o
desenvolvimento econômico do país de acolhimento.
(...) Todo o imigrante é uma pessoa humana e, enquanto tal,
possui direitos fundamentais inalienáveis que hão de ser
respeitados por todos em qualquer situação." (CV, n. 62)

• Problemas e Necessidades do país:


• Corrupção – governamental, estatal e privada
• Impunidade revoltante
• Legislativos fracos e desmoralizados
• Justiça ideológica e conivente com o poder
• Reforma política – novos políticos
• Reforma Tributária – trabalhista - educacional