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CEUMA Universidade

Oficina de Metodologias Ativas: Técnica de SnowBall

Textos estruturados a partir da literatura citada em referência,


para realizar um SNOWBALL em sala de aula.

Prof. Angelo Augusto Paula do Nascimento


angeloapnascimento@icloud.com

Texto 1 - SALA DE SITUAÇÃO EM SAÚDE

A sala de situação de saúde é um espaço físico e virtual onde a informação em saúde é


analisada sistematicamente por uma equipe técnica, para caracterizar a real situação de saúde
de uma determinada população.

São espaços de inteligência em saúde, dotados de visão integral e intersetorial, que,


partindo da análise e da avaliação permanente da situação de saúde, atuam como instância
integradora da informação. Esse dispositivo gera a vigilância em saúde pública nas diferentes
áreas e níveis, constituindo assim um órgão de assessoria direta capaz de aportar informação
oportuna e relevante para apoiar a de tomada de decisões em relação ao processo saúde-
doença das populações. A informação é apresentada e divulgada em diversos formatos, tais
como: tabelas, gráficos, mapas, documentos técnicos ou relatórios estratégicos, ou seja, não
há modelo adotado para fazer uma sala de situação, ela deve ser coerente e de fácil
entendimento para o público-alvo no qual se destina.

Em termos de seus usos e funções, as salas de situação de saúde, estão voltadas para:
planejar e avaliar ações em saúde, apoiar a definição dos programas e políticas que melhorem
a saúde de uma dada realidade, avaliar a qualidade e o acesso aos serviços ofertados à uma
população, apoiar a vigilância da saúde pública, dirigir a resposta dos serviços de saúde em
situações de emergência como surtos epidêmicos ou desastres naturais e principalmente para
difundir informação em saúde à comunidade, interagindo e fomentando a saúde.

Exemplo de salas de situação:

Texto montado para trabalhar em sala de aula - SNOWBALL


Disciplina Programa Interdisciplinar Comunitário (PIC) – Universidade Potiguar (UnP)
Escolaridade

17%

83%

Alfabetizados
Texto 2 - DIAGNÓSTICO COMUNITÁRIO

A análise da situação de saúde é o primeiro passo no momento em que iremos


adentrar para conhecer a realidade de uma comunidade. Não é aceitável realizar ações em
saúde sem anteriormente realizar esse diagnóstico, que deve envolver a participação popular,
a abordagem intersetorial e a descentralização da política de saúde. O ideal é que o
diagnóstico comunitário seja feito pela comunidade, juntamente com a equipe de saúde, num
trabalho coletivo de identificação e autoanálise dos problemas, necessidades e recursos da
comunidade e de sua qualidade de vida. É dando a palavra à comunidade, escutando-a,
favorecendo a expressão de suas necessidades, que a equipe de saúde fica conhecendo o que
essa comunidade sabe sobre seus problemas, necessidades e recursos em relação à saúde.

Nem sempre o que a equipe percebe e identifica como prioridade é o que a


comunidade quer e precisa. Por exemplo, às vezes uma comunidade quer se organizar por um
melhor serviço de água e o serviço de saúde se organiza em torno de um programa intensivo
de planejamento familiar. Como a saúde está muito relacionada às condições de vida, fazer
uma análise do que se precisa para melhorar a saúde de uma comunidade é um trabalho
grande e deve ser realizado em equipe. A equipe de saúde como um todo tem fundamental
importância na realização deste processo, porém destacamos o Agente Comunitário de Saúde
como sendo extremamente valioso, pois além de fazer o cadastramento das famílias da sua
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área, faz o mapeamento e reúne a comunidade para, juntos, discutirem as suas necessidades e
decidirem as prioridades para a área.

Lembrando-se que para fazer o diagnóstico, devemos envolver não só profissionais de


saúde, mas trabalhadores de outras profissões, grupos e pessoas da comunidade de forma
geral. Deve-se definir os objetivos do diagnóstico, mobilizar os meios e recursos e avaliar os
resultados. Esses resultados deverão ser sempre complementados com mais informações, pois
além de não se conseguir todos os dados em um primeiro momento, as situações mudam e os
dados iniciais vão sendo modificados e atualizados. Quando se tem um diagnóstico
comunitário como ponto de partida para o trabalho em saúde, as ações são planejadas,
decididas e realizadas em comum, entre profissionais e comunidade, a partir de uma
identificação local de problemas e recursos, de uma adaptação das prioridades do município,
às políticas de saúde estaduais e federais.

Texto 3 - DETERMINANTES SOCIAIS DE SAÚDE (DSS)


Os Determinantes Sociais de Saúde têm conceitos diversos que se complementam e se
aliam em sua base. Para a Comissão Nacional sobre os Determinantes Sociais da Saúde
(CNDSS), os DSS são os fatores sociais, econômicos, culturais, étnicos/raciais, psicológicos e
comportamentais que influenciam a ocorrência de problemas de saúde e seus fatores de risco
na população. A Organização Mundial da Saúde (OMS) diz que DSS são as condições sociais em
que as pessoas vivem e trabalham. Outros teóricos consideram como os fatores e mecanismos
através dos quais as condições sociais afetam a saúde e que potencialmente podem ser
alterados através de ações baseadas em informação e propõe, uma definição bastante
sintética, ao entendê-los como as características sociais dentro das quais a vida transcorre.
Considerar os Determinantes Sociais de Saúde é perceber que outros elementos
podem interferir no processo saúde-doença de um indivíduo ou comunidade e que as
condições sociais em que os indivíduos estão inseridos estão diretamente relacionadas com
sua situação de saúde.
Essa relação é representada através do modelo de Dahlgren e Whitehead, que inclui os
DSS em diferentes camadas, desde uma camada mais próxima dos determinantes individuais
até uma camada distal, onde se situam os macrodeterminantes.

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Como se pode ver na figura, os indivíduos estão na base do modelo, com suas
características individuais de idade, sexo e fatores genéticos que, evidentemente, exercem
influência sobre seu potencial e suas condições de saúde. Na camada seguinte aparecem o
comportamento e os estilos de vida individuais, que está diretamente relacionado com a
qualidade de vida.
A camada seguinte destaca a influência das redes comunitárias e de apoio, cuja maior
ou menor riqueza expressa o nível de coesão social que, como vimos, é de fundamental
importância para a saúde da sociedade como um todo. No próximo nível estão representados
os fatores relacionados a condições de vida e de trabalho, disponibilidade de alimentos e
acesso a ambientes e serviços essenciais, como saúde e educação, indicando que as pessoas
em desvantagem social correm um risco diferenciado, criado por condições habitacionais mais
humildes, exposição a condições mais perigosas ou estressantes de trabalho e acesso menor
aos serviços. Finalmente, no último nível estão situados os macrodeterminantes relacionados
às condições econômicas, culturais e ambientais da sociedade e que possuem grande
influência sobre as demais camadas.
As intervenções necessárias aos DSS estão relacionadas, na ordem das camadas, aos
programas educativos, alimentos saudáveis, criação de espaços públicos para a prática de
esportes e exercícios físicos, bem como formas de combate do tabaco e do álcool.

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Ainda trabalhar as relações de solidariedade e confiança entre pessoas e grupos,
através de políticas que busquem estabelecer redes de apoio e fortalecer a organização e
participação das pessoas e das comunidades. Assegurar acesso à água limpa, esgoto, habitação
adequada, emprego, serviços de saúde e de educação de qualidade e outros e por fim, através
de políticas macroeconômicas e de mercado de trabalho, de proteção ambiental e de
promoção de uma cultura de paz e solidariedade que visem a promover um desenvolvimento
sustentável, reduzindo as desigualdades sociais e econômicas

Texto 4 - CONTROLE SOCIAL


Os movimentos sociais ocorridos durante a década de 80 na busca por um Estado
democrático aos serviços de saúde impulsionaram a modificação do modelo vigente de
controle social da época que culminou com a criação do SUS a partir da Constituição
Federativa de 1988. Determinou ainda, no artigo 198, que a sociedade participasse da gestão
do sistema de saúde.
A Lei Orgânica n. 8.142/90 instituiu duas instâncias colegiadas para a participação da
comunidade na gestão do SUS em cada esfera de governo: A Conferência de Saúde e o
Conselho de Saúde, ambas, de caráter municipal, estadual, nacional e paritários uma vez que
são compostos por duas partes: 50% de usuários indicados pela população e 50% de
trabalhadores e prestadores de serviço.

Municipal

Conselho de
Estadual
Saúde

Nacional
Lei 8.142/90
Municipal

Conferência
Estadual
de Saúde

Nacional

Os conselhos e as conferências de saúde se constituem, atualmente, nos principais


espaços para o exercício da participação e do controle social na implantação e na
implementação das políticas de saúde em todas as esferas de governo. Atuando como
mecanismos democráticos, na qual a sociedade se organiza para a efetiva proteção da saúde
como direito de todos e dever do Estado.
O Conselho de Saúde tem a função de definir a política de saúde, controlar e fiscalizar
a sua execução, inclusive nos aspectos financeiros. Sua atuação e variedade de competências

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fazem com que, hoje em dia, todos os municípios brasileiros disponham de um conselho de
saúde.
Trata-se de um órgão colegiado, isto é, composto por pessoas que representam
diferentes grupos da sociedade; permanente, pois tem sua existência garantida; e deliberativo,
ou seja, toma decisões que devem ser cumpridas pelo poder público.
Os Conselhos de Saúde são constituídos por conselheiros, que se responsabilizam pela
proposição, discussão, acompanhamento, deliberação, avaliação e fiscalização da
implementação da política de saúde.
A Conferência de Saúde tem por finalidade institucionalizar a participação da
sociedade nas atividades de planejamento, gestão e controle de uma determinada política ou
conjunto de políticas públicas. São espaços democráticos de construção da política de saúde,
onde a população se manifesta, orienta e decide sobre a saúde em cada esfera de governo.
Funciona como assembleia ou fórum para a discussão dos problemas de saúde a cada
04 anos, e são espaços destinados a analisar os avanços e retrocessos do SUS e a propor
diretrizes para a formulação das políticas de saúde. Elas tratam dos mesmos temas já previstos
para a etapa nacional e servem para discutir e aprovar propostas prévias que contribuam com
as políticas de saúde e que serão levadas, posteriormente, para discussão mais ampla durante
a Conferência Nacional.

Texto 5 – CONCEITO DE FAMÍLIA


O tema família é um daqueles sobre os quais todas as pessoas têm uma opinião.
Entretanto, para qualquer pessoa é complicado delimitar o significado da palavra família e,
ainda mais, reunir e expor de forma conceitual os aspectos que a envolvem. Nem sempre tal
resposta é bem estruturada, mas, geralmente, ela nos dá uma imagem, isto é, a representação
do que para nós é ou deveria ser uma família.
Não se tem conhecimento de alguma sociedade em que não estivessem presentes
modelos de organização familiar em sua estrutura social. Mas, ao mesmo tempo, há forte
tendência a expressarmos nossa concepção de família a partir de um tipo ideal, de um modelo,
de uma abstração que corresponda a um “padrão de normalidade”. A consciência coletiva, o
conjunto de representações da sociedade, impõe às pessoas esse padrão, mesmo que não
corresponda às realidades individuais, ao nosso modelo ou à experiência de família da qual
fazemos parte.
O termo família, que provém do latim famulus (criado, servidor), aplicava-se
originalmente ao conjunto de empregados de um senhor e, mais tarde, passou a ser utilizado

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para denominar o grupo de pessoas que vivem numa casa, unidas por laços de sangue e
submetidas à autoridade de um chefe comum (PRADO, 1986).
Por essa razão, a família é representada, tanto popularmente como em dicionários,
como grupo de pessoas aparentadas, que vivem, em geral, na mesma casa, particularmente o
pai, a mãe e os filhos. Da mesma forma, pode significar pessoas unidas por laços de
parentesco, linhagem, ascendência, estirpe, sangue e por adoção. Pode-se, portanto, dizer que
a entidade família é de existência incontestável.
Verifica-se, contudo, que independentemente da conceituação formal ou do sentido
etimológico da palavra, alguns elementos, ao longo da existência da humanidade, identificam
um grupo familiar:
• Espaço de apoio à sobrevivência e proteção integral dos filhos e demais membros.
• Espaço dos extremos da vida: do nascimento à morte, vivência das emoções e dos
afetos extremos.
• Espaço de conflito e de negociação, onde os sujeitos aprendem a viver
saudavelmente em sociedade.
• Espaço de disponibilização de aportes afetivos e materiais necessários ao
desenvolvimento e bem-estar de seus componentes.
• Espaço de educação informal e apoio à educação formal, podendo haver ou não
absorção de valores éticos e humanitários e aprofundamento de laços de solidariedade
(PRADO, 1986).
Ressalte-se que há significativas diferenças entre a “família como instituição social” e
as “formas de família” existentes em dado período histórico da sociedade. A família, como
instituição, é uma referência abstrata para a descrição da organização e das finalidades
socialmente importantes que tende a desenvolver.
Entendidas como sistemas sociais, as famílias têm grande variação de características
estruturais, o que significa que a forma abstrata de instituição cede lugar aos “imponderáveis
da vida real”, isto é, às mais variadas combinações concretas daqueles elementos e papéis
descritos abstratamente (PRADO, 1986).
A família pode ser, ainda, compreendida nas perspectivas:
• Biológica: constituindo-se de pai, mãe e filhos.
• Sociológica: uma das instituições sociais, que especificam os papéis sociais e os
preceitos para o comportamento dos indivíduos.
• Antropológica: significando um agregado que partilha um universo de símbolos e
valores, códigos e normas, relacionados aos processos de socialização do indivíduo.

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• Psicológica: considerada uma unidade emocional em que o funcionamento de um
afeta o conjunto da família.

REFERÊNCIAS
BUSS, Paulo Marchiori e FILHO, Alberto Pellegrini. A Saúde e seus Determinantes Sociais. PHYSIS:
Revista Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, 2007.

BRASIL. Organização Pan-Americana da Saúde. Sala de Situação em Saúde: compartilhando as


experiências do Brasil. Brasília; 2010.

Brasil. Ministério da Saúde. Para entender o controle social na saúde / Ministério da Saúde, Conselho
Nacional de Saúde. – Brasília: Ministério da Saúde, 2013. 178 p. : il.

CHAPADEIRO, Cibele Alves; ANDRADE, Helga Yuri Silva Okano; ARAÚJO, Maria Rizoneide Negreiros de. A
família como foco da Atenção Primária à Saúde. Belo Horizonte: NESCON/UFMG, 2011. 100 p.

RIBEIRO, P. C., Pedrosa, J. I. S., NOGUEIRA, L. T., SOUSA, M. F. Ferramentas para o diagnóstico
comunitário de saúde na consolidação da estratégia saúde da família. Revista Tempus Actas de Saúde
Coletiva, 2012.

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