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MINISTÉRIO DA SAÚDE

SECRETARIA-EXECUTIVA DO CONSELHO NACIONAL DE SAÚDE - SECNS


Esplanada dos Ministérios, Bloco G - Bairro Zona Cívico-Administrativa, Brasília/DF, CEP 70058-900
Site - saude.gov.br

Ofício nº 928/2018/SECNS/MS
Brasília, 16 de agosto de 2018.

Ao Senhor
Henrique Sartori de Almeida Prado
Secretário Executivo
Ministério da Educação - MEC
Esplanada dos Ministérios, Bl. L - 7º Andar
70047-900 - Brasília - DF
executiva@mec.gov.br

Assunto: Solicita ao MEC observância às Resoluções e Recomendações do CNS, com base no Artigo
200 da CF/1988.

Senhor Secretário,

O Conselho Nacional de Saúde (CNS), órgão colegiado de caráter permanente e deliberativo,


integrante da estrutura regimental do Ministério da Saúde, conforme determinação do Inciso III do Artigo 198
da Constituição Federal de 1988, da Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990, e da Lei nº 8.142, de 28 de
dezembro de 1990, vem, por meio de seus legítimos representantes, em audiência com o Senhor Ministro de
Estado da Educação Rossieli Soares da Silva, reafirmar que a ordenação da formação profissional na área
de saúde é competência constitucional do Sistema Único de Saúde (SUS), em observância ao Título VIII
(Da Ordem Social), Capítulo II (Da Seguridade Social), Seção II (Da Saúde), Artigo 200 da Constituição
Federal de 1988, conforme transcrito abaixo:
Art. 200. Ao sistema único de saúde compete, além de outras atribuições, nos termos da
lei:
I - controlar e fiscalizar procedimentos, produtos e substâncias de interesse para a saúde
e participar da produção de medicamentos, equipamentos, imunobiológicos, hemoderivados e outros
insumos;
II - executar as ações de vigilância sanitária e epidemiológica, bem como as de saúde do
trabalhador;
III - ordenar a formação de recursos humanos na área de saúde;
IV - participar da formulação da política e da execução das ações de saneamento
básico;
V - incrementar, em sua área de atuação, o desenvolvimento científico e tecnológico e a
inovação;
VI - fiscalizar e inspecionar alimentos, compreendido o controle de seu teor nutricional,
bem como bebidas e águas para consumo humano;
VII - participar do controle e fiscalização da produção, transporte, guarda e utilização
de substâncias e produtos psicoativos, tóxicos e radioativos;

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VIII - colaborar na proteção do meio ambiente, nele compreendido o do trabalho.
Por isso, em cumprimento a esta determinação constitucional, o CNS vem discutindo,
permanentemente, em sua Comissão Intersetorial de Recursos Humanos e Relações de Trabalho (CIRHRT), e
deliberando por meio de Resoluções e Recomendações aprovadas em seu Pleno (órgão colegiado composto
por representantes do Governo, dos prestadores de serviços em saúde, dos profissionais de saúde e dos
usuário do SUS), e homologadas pelo Ministro de Estado da Saúde, sobre as seguintes pautas, de estreita
articulação com o Ministério da Educação (MEC), relacionadas à formação profissional e ao trabalho em
saúde:

1. Quanto ao exercício das funções de regulação, supervisão e avaliação das


instituições de educação superior e dos cursos superiores de graduação e de pós-graduação no
sistema federal de ensino (amparado pelo Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990; Lei nº
8.142, de 28 de dezembro de 1990; Decreto 8.754, de 10 de maio de 2016; Decreto 9.235, de 15
de dezembro de 2017; e Portaria Normativa 40, de 12 de dezembro de 2007, republicada em 29
de dezembro de 2010)

Resolução 350, de 9 de junho de 2005: afirma o entendimento de que a


homologação da abertura de cursos na área da saúde pelo Ministério da Educação somente seja
possível com a não objeção do Ministério da Saúde (MS) e do Conselho Nacional de Saúde (CNS),
cumprindo-se as considerações da Constituição Federal; reitera que a emissão de critérios
técnicos educacionais e sanitários relativos à abertura e reconhecimento de novos cursos para a
área da saúde deve levar em conta a regulação pelo Estado; a necessidade de democratizar a
educação superior; a necessidade de formar profissionais com perfil, número e distribuição
adequados ao SUS e a necessidade de estabelecer projetos políticos pedagógicos compatíveis com
a proposta de Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN); aprova os critérios de regulação da
abertura e reconhecimento de novos cursos da área da saúde;

Recomendação 024, de 9 de junho de 2017: recomenda ao Instituto Nacional de


Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP) que retome o diálogo entre órgãos e
entidades afins à temática, inclusive o CNS, e a Comissão Intersetorial instituída pela Portaria
MEC n.º 1.053, de 12 de setembro de 2016, encarregada de realizar ajustes no inteiro teor da
Portaria MEC n.º 386, de 10 de maio de 2016, que estabelecia indicadores do Instrumento de
Avaliação de Cursos de Graduação na área da saúde.

2. Quanto à autorização de cursos de Medicina no âmbito do Programa Mais


Médicos (amparado pela Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990; Lei nº 8.142, de 28 de
dezembro de 1990; Lei 12.871, de 22 de outubro de 2013; Decreto 8.754, de 10 de maio de
2016)

Recomendação 38, de 11 de agosto de 2017: recomenda à Secretaria de Regulação


e Supervisão da Educação Superior do Ministério da Educação (SERES/MEC) que revogue a
Portaria Normativa nº 13, de 20 de julho de 2017, que altera a Portaria Normativa nº 7, de 24 de
março de 2017, não mais submetendo os processos de autorização para funcionamento de cursos
de medicina, no âmbito do Programa Mais Médicos, à manifestação do Conselho Nacional de
Saúde, uma vez que tal Portaria Normativa se coloca em oposição ao Decreto nº 8.754, de 10 de
maio de 2016, não respeitando, portanto, legislação superior vigente; e que reestabeleça o trâmite
dos processos de autorização e, futuramente, reconhecimento de cursos de Medicina no âmbito do
Programa Mais Médicos, encaminhando-os para análise e parecer do CNS, via Sistema e-Mec, de
acordo com o disposto da Portaria Normativa nº 40, de 12 de dezembro de 2007, republicada em
29 de dezembro de 2010;
Recomendação 15, de 10 de maio de 2018, que recomenda ao MEC a revogação das
portarias nº 328/2018 e nº 329/2018, assinadas pelo Excelentíssimo Ministro da Educação, José
Mendonça Filho, no dia 5 de abril de 2018, que suspende o protocolo de pedidos de aumento de vagas
e de novos editais de chamamento público para autorização de cursos de graduação em Medicina; que o
Conselho Nacional de Saúde seja convidado a participar deste processo com vistas a contribuir com a
análise acerca da carência destes profissionais em praticamente todas as regiões do país; e aos Conselhos
de Educação dos Estados e do Distrito Federal: que atuem no sentido de questionarem a suspensão
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proposta pelas portarias nº 328/2018 e nº 329/2018, impedindo assim a possibilidade de eventual
formação profissional superior às que dispomos atualmente.

3. Quanto às Residências Multiprofissionais e em Área Profissional da Saúde


(amparado pela Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990; Lei nº 8.142, de 28 de dezembro de
1990)

Resolução 450, de 10 de novembro de 2011: recomenda que os programas de


residência multiprofissional e em áreas profissionais da saúde sejam ampliados, com ênfase na formação
de profissionais para as redes de atenção prioritárias e nas áreas estruturantes do SUS;

Recomendação 025, de 9 de junho de 2017: recomenda à Secretaria de Educação


Superior do Ministério da Educação (SESU/MEC) a convocação imediata, no prazo de 15 dias, de
reunião da Comissão Nacional de Residência Multiprofissional em Saúde (CNRMS), tendo em vista
a relevância dessa modalidade de pós-graduação lato sensu para a formação de novos
trabalhadores para o SUS, a partir das necessidades de saúde da população.

Resolução 593, de 9 de agosto de 2018: designa à Comissão Intersetorial de


Recursos Humanos e Relações de Trabalho (CIRHRT/CNS), garantida a participação das entidades
profissionais da área da saúde, o acompanhamento permanente do controle/participação social na
formalização e execução da política pública de Residências em Saúde e o encaminhamento dos
estudos necessários à elaboração de proposta de regulamentação do Art. 30 da Lei nº 8.080/1990;
atribuir ao segmento dos profissionais de saúde do CNS a competência de indicar seus membros,
que comporão a Comissão Nacional de Residência Multiprofissional em Saúde (CNRMS), mediante
aprovação do Pleno do CNS.

4. Quanto à autorização pelo MEC de cursos de graduação na modalidade Educação


a Distância (EaD), contrariando às diversas manifestações do CNS (amparado pela Lei nº
8.080, de 19 de setembro de 1990; Lei nº 8.142, de 28 de dezembro de 1990)

Resolução 515, de 7 de outubro de 2016: o CNS posiciona-se contrário à


autorização de todo e qualquer curso de graduação da área da saúde, ministrado na modalidade
Educação a Distância (EaD), pelos prejuízos que tais cursos podem oferecer à qualidade da
formação de seus profissionais, bem como pelos riscos que estes profissionais possam causar à
sociedade, imediato, a médio e a longo prazos, refletindo uma formação inadequada e sem
integração ensino/serviço/comunidade;
Moção de Reconhecimento 20, de 10 de novembro de 2017: reconhecimento e apoio
à aprovação do Projeto de Decreto Legislativo (SF) nº 111 /2017 e aos Projetos de Lei nº 7.121/2017,
nº 5.414/2016 e nº 6.858/2017, com o objetivo de que os cursos de graduação da área da saúde sejam
ministrados na modalidade presencial, para garantir segurança e resolubilidade na prestação dos serviços
de saúde à população brasileira;

Recomendação 065, de 8 de dezembro de 2017: recomenda ao Congresso Nacional


que regulamente, com urgência, o inciso III do Art. 200 da Constituição Federal, de modo a garantir que
o processo de ordenamento da formação de recursos humanos para o SUS se consubstancie em
competência objetiva das instâncias do SUS, conforme prevê a Carta Magna; e, à Procuradoria Geral da
República que proponha Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI), junto ao STF, no sentido de anular
os atos administrativos (Decreto nº 9.057/2017, Portaria nº 11/2017, dentre outras) que regulamentam a
modalidade à distância para os cursos de graduação na área da saúde, tendo em vista que essas
normativas usurpam a competência constitucional do SUS para ordenar a formação dos seus
trabalhadores e a competência legal do CNS para garantir a participação popular e o controle social no
processo de construção das ações e políticas de formação para o trabalho em saúde.

Recomendação 069, de 13 de dezembro de 2017: aprovada ad referendum do


Pleno do CNS, recomendando ao Sr. Ministro de Estado da Educação que declare moratória, ou
seja, suspensão provisória, à autorização de cursos de graduação da área da saúde, na
modalidade Educação a Distância (EaD), até que seja devidamente construído e aprovado um

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dispositivo legal que contemple a pactuação da utilização das tecnologias de informação e
comunicação (TIC) no processo educativo, considerando o que prevê o Artigo 200, Inciso III, da
Carta Magna de 1988, bem como o Artigo 14 da Lei nº 8.080/1990 e o Artigo 80 da Lei nº
9.394/1996 (LDB), no que diz respeito à formação profissional em saúde;

Nota Pública contra a graduação a distância na área da saúde, assinada por 57


entidades da área da saúde (Associações, Conselhos e Federações), reafirmando que a formação
dos(as) trabalhadores(as) da área da saúde deve ocorrer por meio de cursos presenciais e
reafirmando que estas entidades, assim como o CNS, são contrários à autorização,
reconhecimento e renovação de reconhecimento de cursos de graduação da área da saúde
ministrados na modalidade a distância (EaD).

5. Quanto à participação do CNS no processo de construção e aprovação das


Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) dos cursos de graduação da área da saúde, em
articulação com o Conselho Nacional de Educação (CNE) (amparado pela Lei nº 8.080, de 19 de
setembro de 1990; Lei nº 8.142, de 28 de dezembro de 1990)

Resolução 515, de 7 de outubro de 2016: o CNS resolve que as Diretrizes


Curriculares Nacionais dos cursos de graduação da área da saúde devem ser objeto de discussão e
deliberação do CNS de forma sistematizada, dentro de um espaço de tempo adequado para
permitir a participação, no debate, das organizações de todas as profissões regulamentadas e das
entidades e movimentos sociais que atuam no controle social, para que o Pleno do Conselho
cumpra suas prerrogativas e atribuições de deliberar sobre o SUS;

Resolução 544, de 10 de março de 2017: aprova a Nota Técnica 003/2017,


contendo recomendações do CNS à proposta de Diretrizes Curriculares Nacionais do curso de
graduação em Saúde Coletiva;

Resolução 546, de 7 de abril de 2017: aprova a Nota Técnica 005/2017, contendo


recomendações do CNS à proposta de Diretrizes Curriculares Nacionais do curso de graduação
em Farmácia;

Resolução 559, de 15 de setembro de 2017 (com alterações aprovadas na


Resolução 581, de 22 de ,arço de 2018): aprova o Parecer Técnico 161/2017, que dispõe sobre as
recomendações do CNS à proposta de Diretrizes Curriculares Nacionais do curso de graduação
em Fisioterapia;

Resolução 569, de 08 de dezembro de 2017: reafirma a prerrogativa constitucional


do SUS em ordenar a formação dos(as) trabalhadores(as) da área da saúde; aprova o Parecer
Técnico 300/2017, que apresenta princípios gerais a serem incorporados nas DCN de todos os
cursos de graduação da área da saúde, como elementos norteadores para o desenvolvimento dos
currículos e das atividades didático-pedagógicas, e que deverão compor o perfil dos egressos
desses cursos e; aprova os pressupostos, princípios e diretrizes comuns para a graduação na área
da saúde, construídos na perspectiva do controle/participação social em saúde;

Resolução 573, de 31 de janeiro de 2018: aprova o Parecer Técnico 28/2018,


contendo recomendações do CNS à proposta de Diretrizes Curriculares Nacionais do curso de
graduação Bacharelado em Enfermagem (aguardando homologação).

Pelo exposto, solicitamos que V.Exa. interceda junto às respectivas esferas do Ministério da
Educação, em especial a Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior (SERES), a Secretaria
de Educação Superior (SESU), o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira
(INEP) e o Conselho Nacional de Educação (CNE), para que atuem em efetiva articulação com este Conselho
Nacional de Saúde, a fim de fazer cumprir a Carta Magna, bem como as Resoluções e Recomendações aqui
descritas, com ênfase nos seguintes encaminhamentos:

1. Que o MEC efetive, imediatamente, sua representação no Pleno/CNS e na


CIRHRT/CNS;
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2. Que o MEC considere os pareceres emitidos pela CIRHRT e homologados pelo
Pleno/CNS;
3. Que o MEC reestabeleça o trâmite dos processos de autorização de cursos de
Medicina no âmbito do Programa Mais Médicos, encaminhando-os para análise
e parecer do CNS, via Sistema e-Mec, de acordo com o disposto da Portaria
Normativa nº 40, de 12 de dezembro de 2007, republicada em 29 de dezembro
de 2010;
4. Que que o CNS seja convidado a participar do processo de discussão que
ocorre no MEC quanto a carência de profissionais médicos em praticamente
todas as regiões do país;
5. Que o credenciamento e autorização de cursos de graduação na área da saúde
se dê, unicamente, na modalidade Presencial e, jamais, na modalidade A
Distância;
6. Que o CNE considere as princípios gerais a serem incorporados nas DCN de
todos os cursos de graduação da área da saúde, como elementos norteadores
para o desenvolvimento dos currículos e das atividades didático-pedagógicas, e
que deverão compor o perfil dos egressos desses cursos, constantes na
Resolução 569, de 8 de dezembro de 2017;
7. Que o CNE oficialize a representação do CNS nas Comissões que analisam as
DCN dos cursos de graduação da área da saúde;
8. Que a utilização de Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) nas
diferentes disciplinas dos cursos de graduação da área da saúde, credenciados
exclusivamente na modalidade Presencial, poderá ser regulada pelas DCN de
cada curso (percentual de carga-horária permitido, em quais disciplinas do
curso, etc);
9. Que o INEP informe ao CNS o calendário de visitas in loco de seus avaliadores,
para efeitos de autorização de cursos de graduação da área da saúde, com o
objetivo de que os Conselhos Estaduais e Municipais de Saúde possam
participar desse processo de avaliação.

Atenciosamente,
Documento assinado eletronicamente por Ana Carolina Dantas Sousa,
Secretário(a)-Executivo(a) do Conselho Nacional de Saúde, em
16/08/2018, às 13:32, conforme horário oficial de Brasília, com fundamento
no art. 6º, § 1º, do Decreto nº 8.539, de 8 de outubro de 2015; e art. 8º, da
Portaria nº 900 de 31 de Março de 2017.

A autenticidade deste documento pode ser conferida no site


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acao=documento_conferir&id_orgao_acesso_externo=0, informando o
código verificador 5245888 e o código CRC A0ADE7E1.

Referência: Processo nº 25000.143053/2018-82 SEI nº 5245888

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CONSELHO NACIONAL DE SAÚDE

RESOLUÇÃO Nº 350, DE 09 DE JUNHO DE 2005.

O Plenário do Conselho Nacional de Saúde, em sua Centésima Qüinquagésima Quinta Reunião Ordinária,
realizada nos dias 08 e 09 de junho de 2005, no uso de suas competências regimentais e atribuições conferidas pela Lei n°
8.080, de 19 de setembro de 1990, e pela Lei n° 8.142, de 28 de dezembro de 1990, e
- considerando o inciso III, do Art. 200, da Constituição Federal;
- considerando os Artigos 6o, Inciso III; 15, Inciso IX; 16, Inciso XI e 27, Inciso I, da Lei Orgânica da Saúde (Lei
Federal nº 8.080/90);
- considerando o Artigo 4º, Inciso II, da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei Federal nº
9.394/96);
- considerando o Decreto Federal nº 3.860/2001;
- considerando os Princípios e Diretrizes para a Norma Operacional Básica de Gestão do Trabalho e da Educação
na saúde - NOB/RH-SUS, aprovados pelo Conselho Nacional de Saúde;
- considerando as Deliberações da XII Conferência Nacional de Saúde, relativas ao trabalho e aos trabalhadores
da saúde;
- considerando as Resoluções CNS nº 324, de 03 de julho de 2003, nº 325, de 03 de julho de 2003, nº 336, de 15
de fevereiro de 2004 e nº 337, de 11 de março de 2004;
- considerando a Portaria MEC nº 4361, de 29 de dezembro de 2004; e
- considerando o Parecer da Comissão Intersetorial de Recursos Humanos do CNS, relativo às diretrizes gerais
referentes aos critérios para a abertura e reconhecimento de cursos de graduação com diretrizes curriculares orientadas para
a área da saúde.

RESOLVE:

1) afirmar o entendimento de que a homologação da abertura de cursos na área da saúde pelo Ministério da
Educação somente seja possível com a não objeção do Ministério da Saúde e do Conselho Nacional de Saúde, cumprindo-
se as considerações acima, relativamente à Constituição Federal;
2) reiterar que a emissão de critérios técnicos educacionais e sanitários relativos à abertura e reconhecimento de
novos cursos para a área da saúde deve levar em conta a regulação pelo Estado; a necessidade de democratizar a educação
superior; a necessidade de formar profissionais com perfil, número e distribuição adequados ao Sistema Único de Saúde e a
necessidade de estabelecer projetos políticos pedagógicos compatíveis com a proposta de Diretrizes Curriculares
Nacionais;
3) aprovar o parecer emitido pela Comissão Intersetorial de Recursos Humanos quanto ao debate e
recomendações relativos às “Diretrizes gerais referentes aos critérios para a abertura e reconhecimento de cursos de
graduação com diretrizes curriculares orientadas para a área da saúde” e a íntegra do documento que lhe deu suporte,
ambos anexos a presente Resolução;
4) aprovar os critérios de regulação da abertura e reconhecimento de novos cursos da área da saúde, constantes
desse parecer e assim discriminados:
a) Quanto às necessidades sociais:
- demonstração pelo novo curso da possibilidade de utilização da rede de serviços instalada (distribuição e
concentração de serviços por capacidade resolutiva) e de outros recursos e equipamentos sociais existentes na região;
- no caso de a rede de serviços existentes não ser suficiente ou não estar disponível, comprovação de dotação
orçamentária para a instalação da rede ou ampliação da capacidade instalada na saúde (hospital de ensino, ambulatórios,
laboratórios, consultórios odontológicos etc. e criação de outros campos e cenários de práticas);
- demonstração de que a oferta de vagas é coerente com a capacidade instalada para a prática, bem como com o
número de docentes existentes e com a capacidade didático-pedagógica instalada (laboratório de práticas, acervo
bibliográfico comprovado mediante nota fiscal ou termo de doação);
- demonstração do compromisso social do novo curso com a promoção do desenvolvimento regional por meio

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do enfrentamento dos problemas de saúde da região;
- demonstração de compromisso do novo curso com a oferta de residências e especializações de acordo com as
necessidades de saúde e do sistema de saúde;
- demonstração de compromisso do novo curso com a produção de conhecimentos voltados para as necessidades
da população e para o desenvolvimento tecnológico da região; e
- demonstração de mecanismos que favoreçam a interiorização e a fixação de profissionais, incluindo
compromisso com a educação permanente dos docentes e dos profissionais dos serviços de saúde em coerência com a
construção do SUS.
b) Quanto ao projeto político-pedagógico coerente com as necessidades sociais:
- inovação das propostas pedagógicas, orientadas pelas diretrizes curriculares, incluindo explicitação dos
cenários de prática e dos compromissos com a integralidade, a multiprofissionalidade e a produção de conhecimento
socialmente relevante;
- organização de currículos com ousadia de inovação na perspectiva da formação em equipe de saúde, com
práticas de educação por métodos ativos e de educação permanente, entre outros;
- organização de currículos e práticas de aprendizagem orientados pela aceitação ativa das diversidades sociais e
humanas de gênero, raça, etnia, classe social, geração, orientação sexual e necessidades especiais (deficiências, patologias,
transtornos etc.);
- projeto construído em parceria e/ou com compromissos assumidos com os gestores locais do SUS
(locorregional);
- compromissos com a promoção do conhecimento sobre a realidade local, seus saberes e práticas e com o
desenvolvimento de responsabilidades entre instituição, estudantes, profissionais e realidade local;
- compromisso com o desenvolvimento social, urbano e rural, por meio da oferta de atividades de extensão
(inclusão digital, educação popular; cursos preparatórios para o trabalho, cursos preparatórios para concursos, diminuição
dos índices de analfabetismo, cursos de graduação);
- compromissos com o diálogo entre docentes, estudantes e sociedade;
- compromisso de contrapartida das instituições privadas que utilizam instituições públicas como campo de
ensino em serviço; e
- responsabilidade social de atendimento às necessidades locais, inclusive nos aspectos relacionados ao acesso a
serviços, como espaço científico, cultural, humano e profissional compartilhando seus problemas e projetos.
c) Quanto à relevância social do curso:
- verificação da contribuição do novo curso para a superação dos desequilíbrios na oferta de profissionais de
saúde atualmente existentes, levando em conta:
- relação entre a distribuição das ofertas de formação e a distribuição da população;
- atual disponibilidade e distribuição de profissionais;
- coerência com as políticas públicas de saúde para a área profissional e para a região.
- superação da predominância da lógica de mercado na educação superior, estabelecendo-se a preferência para a
abertura de cursos públicos;
- não ser curso isolado na área da saúde onde as oportunidades de trocas interprofissionais, tendo em vista a
construção prática da interdisciplinaridade na formação e composição dos perfis profissionais, estejam ausentes;
- aplicação dos princípios gerais e dos critérios sem ser genérica, devendo implicar, sempre que possível ou
necessário, o estudo caso-a-caso, a fim de contemplar a relevância social do curso diante das necessidades sociais e
regionais ou da sua capacidade de apoiar locais e regiões do país de maneira responsável, contínua e capaz de ampliar
capacidades assistências, tecnológicas e pedagógicas locais.
5) recomendar aos Excelentíssimos Senhores Ministros de Estado da Saúde e da Educação e ao Senhor
Presidente do Conselho Nacional de Educação que implementem esses critérios em cumprimento da Constituição Federal,
no tocante ao papel ordenador do SUS na formação de recursos humanos em saúde (Artigo 200 da Constituição Nacional,
acima considerado); e
6) recomendar a mais ampla divulgação e disseminação dessa resolução, do parecer e do documento sobre
“Diretrizes gerais referentes aos critérios para a abertura e reconhecimento de cursos de graduação com diretrizes
curriculares orientadas para a área da saúde”, bem como da íntegra do estudo sobre necessidade de profissionais e
especialistas em saúde empreendido pelo Ministério da Saúde, inclusive na forma de livro, reconhecendo sua qualidade
para a informação e construção de metodologia para o conhecimento da necessidade de oferta da formação em saúde, no
âmbito da graduação e especialização profissional.

HUMBERTO COSTA
Presidente do Conselho Nacional de Saúde

Homologo a Resolução CNS Nº 350, de 09 de junho de 2005, nos termos do Decreto de Delegação de
Competência de 12 de novembro de 1991.

HUMBERTO COSTA
Ministro de Estado da Saúde

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RECOMENDAÇÃO Nº 024, DE 9 DE JUNHO DE 2017

O Plenário do Conselho Nacional de Saúde, em sua Ducentésima Nonagésima Quarta


Reunião Ordinária, realizada nos dias 8 e 9 de junho de 2017, no uso de suas atribuições
conferidas pela Lei n.º 8.080, de 19 de setembro de 1990; pela Lei n.º 8.142, de 28 de dezembro
de 1990; pelo Decreto n.º 5.839, de 11 de julho de 2006; cumprindo as disposições da
Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, da legislação brasileira correlata; e
considerando que o Sistema Único de Saúde (SUS) é uma política de Estado que visa
à promoção, prevenção e recuperação da saúde e que, segundo o Art. 200 da Constituição
Federal de 1988, compete ao SUS a ordenação da formação de recursos humanos na área da
saúde, de acordo com as necessidades de saúde da população;
considerando que o Conselho Nacional de Saúde (CNS), em caráter permanente e
deliberativo, é órgão colegiado composto por representantes do governo, prestadores de serviço,
profissionais de saúde e usuários, que atua na formulação de estratégias e no controle da
execução da política de saúde na instância correspondente, inclusive nos aspectos econômicos e
financeiros, cujas decisões serão homologadas pelo chefe do poder legalmente constituído em
cada esfera do governo (Art. 1º, II, §2º da Lei n.º 8.142, de 28 de dezembro de 1990);
considerando que a Comissão Intersetorial de Recursos Humanos e Relações de
Trabalho do CNS (CIRHRT/CNS) tem sua atuação legitimada pela Lei n.º 8.080, de 19 de
setembro de 1990, que dispõe sobre a criação de comissões intersetoriais de âmbito nacional,
subordinadas ao CNS, integradas pelos Ministérios e órgãos competentes e por entidades
representativas da sociedade civil, com a finalidade de articular políticas e programas de
interesse para a saúde, cuja execução envolva áreas não compreendidas no âmbito do SUS;
considerando que a CIRHRT/CNS atua no exercício das funções de regulação,
supervisão e avaliação de instituições de educação superior e cursos superiores de graduação e
sequenciais no sistema federal de ensino, em articulação com o Ministério da Educação (MEC)
e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), no âmbito
da Lei n.º 9.394, de 20 de dezembro de 1996; do Decreto n.º 8.754, de 10 de maio de 2016; da
Portaria Normativa MEC n.º 40, de 12 de dezembro de 2007; da Resolução CNS n.º 350, de 09
de junho de 2005 e da Resolução CNS n.º 515, de 3 de junho de 2016;
considerando que o CNS, por meio da Moção de Apoio n.º 005, de 10 de setembro de
2015, manifestou apoio e reconhecimento ao INEP na condução do processo de atualização do
Instrumento de Avaliação de Cursos de Graduação e parabenizou o Instituto pela construção
participativa com que o trabalho vinha sendo realizado, contemplando diferentes atores no
processo;
considerando que as alterações sugeridas no processo de atualização do Instrumento
de Avaliação de Cursos de Graduação dialogam com os temas e critérios dispostos na
Resolução CNS n.º 350/2005;
considerando que a proposta de novo Instrumento foi disponibilizada para Consulta
Pública no dia 20 de agosto de 2015, com o objetivo de receber contribuições para o
aprimoramento do Instrumento de Avaliação de Cursos de Graduação e que a CIRHRT/CNS
enviou contribuições que foram acatadas pelo INEP;
considerando que a CIRHRT/CNS coordena, atualmente, as atividades do Grupo de
Trabalho (GT) criado para discutir as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) dos cursos de
graduação da área da saúde, para que sejam voltadas para o fortalecimento dos princípios do
SUS, conforme aprovado na 286ª Reunião Ordinária - RO, ocorrida em 6 e 7 de outubro de
2016, e que a observância das DCN são um dos critérios de avaliação constantes no Instrumento
de Avaliação de Cursos de Graduação utilizado pelo INEP; e
considerando os avanços legais e normativos referentes à educação superior
implementados no Brasil ao longo dos últimos anos.

Recomendação (5250778) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 8


Recomenda:
Ao Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP):
Que retome o diálogo entre órgãos e entidades afins à temática, inclusive o CNS, e a
Comissão Intersetorial instituída pela Portaria MEC n.º 1.053, de 12 de setembro de 2016,
encarregada de realizar ajustes no inteiro teor da Portaria MEC n.º 386, de 10 de maio de 2016,
que estabelecia indicadores do Instrumento de Avaliação de Cursos de Graduação na área da
saúde.

Plenário do Conselho Nacional de Saúde, em sua Ducentésima Nonagésima Quarta


Reunião Ordinária, realizada nos dias 8 e 9 de junho de 2017.

Recomendação (5250778) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 9


RECOMENDAÇÃO Nº 015, DE 10 DE MAIO DE 2018.

O Plenário do Conselho Nacional de Saúde (CNS), em sua Trecentésima


Quinta Reunião Ordinária, realizada nos dias 9 e 10 de maio de 2018, no uso de suas
competências regimentais e atribuições conferidas pela Lei n.º 8.080, de 19 de setembro
de 1990; pela Lei n.º 8.142, de 28 de dezembro de 1990; pela Lei Complementar nº 141,
de 13 de janeiro de 2012; pelo Decreto n.º 5.839, de 11 de julho de 2006; cumprindo as
disposições da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 e da legislação
brasileira correlata; e
considerando que, conforme disposto no Art. 200, III da Constituição Federal
de 1988, a ordenação da formação de recursos humanos na área da saúde é competência
do Sistema Único de Saúde (SUS);
considerando que o Conselho de Saúde é uma instância colegiada,
deliberativa e permanente do SUS em cada esfera de governo, integrante da estrutura
organizacional do Ministério da Saúde, da Secretaria de Saúde dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios, com composição, organização e competência fixadas pela Lei
nº 8.142, de 28 de dezembro de 1990;
considerando que os Conselhos de Saúde são espaços instituídos para o
exercício da democracia participativa com a atuação da comunidade nas políticas
públicas e na administração da saúde (Resolução CNS nº 453, de 10 de maio de 2012,
primeira diretriz);
considerando a Lei nº 12. 871, de 22 de outubro de 2013, que institui o
Programa Mais Médicos com a finalidade de formar recursos humanos na área médica
para o SUS;
considerando a portaria Interministerial MS/MEC nº 1.369, de 8 de julho de
2013, que dispõe sobre a implementação do Projeto Mais Médicos para o Brasil;
considerando a pesquisa Demografia Médica 2018, realizada pela Faculdade
de Medicina da Universidade de São Paulo, que aponta, entre seus dados, que em 2010
havia no Brasil 1,91 médico para cada grupo de mil habitantes, número que atingiu 2,18
médicos em 2018, uma proporção ainda bem abaixo dos países desenvolvidos e com
melhores índices sanitários;
considerando que mesmo que haja alteração importante no quadro
demográfico dos médicos, ainda há uma carência enorme desses profissionais em
praticamente todas as regiões do país, principalmente nas regiões Norte e Nordeste,

Recomendação (5250856) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 10


obrigado a competir, em condições bastante desiguais, com aqueles que operam na lógica
de mercado;
considerando que enquanto a Região Sudeste tem 2,81 médicos por mil
habitantes, a região Nordeste e a região Norte possuem, respectivamente, apenas 1,41 e
1,16 médico por grupo mil habitantes, estando o Distrito Federal no ponto mais
discrepante com 4,35 médicos a cada mil habitantes, com salários bastante razoáveis, mas
enfrentando em seu sistema público sérias dificuldades e carências deste profissional;
considerando que, diante desse quadro, há uma necessidade premente de
melhor reordenamento para o interior do país e para as periferias das grandes cidades de
promover incentivos a permanência e de garantir uma maior retaguarda científica e
operacional destes profissionais de saúde nos vazios assistenciais;
considerando estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Aplicada (Ipea),
segundo o qual 58,1% dos 2.773 entrevistados disseram que a falta de médicos é um dos
principais problemas do SUS;
considerando que a edição das portarias nº 238 e nº 329 do Ministério da
Educação significará o aprofundamento de uma situação de carência do profissional
médico com profundos reflexos negativos no Sistema Único de Saúde e na população
contrariando diretrizes das conferências nacionais de saúde e do Programa Mais Médicos;
e
considerando que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a
ausência de cobertura assistencial médica no Brasil é apontada como crítica.

Recomenda
Ao Ministério da Educação:
1. A revogação das portarias nº 328/2018 e nº 329/2018, assinadas pelo
Excelentíssimo Ministro da Educação, José Mendonça Filho, no dia 5 de abril de 2018,
que suspende o protocolo de pedidos de aumento de vagas e de novos editais de
chamamento público para autorização de cursos de graduação em Medicina;
2. Que o Conselho Nacional de Saúde seja convidado a participar deste
processo com vistas a contribuir com a análise acerca da carência destes profissionais em
praticamente todas as regiões do país; e
Aos Conselhos de Educação dos Estados e do Distrito Federal:
Que atuem no sentido de questionarem a suspensão proposta pelas portarias
nº 328/2018 e nº 329/2018, impedindo assim a possibilidade de eventual formação
profissional superior às que dispomos atualmente.

Recomendação (5250856) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 11


Plenário do Conselho Nacional de Saúde, em sua Trecentésima Quinta
Reunião Ordinária, realizada nos dias 9 e 10 de maio de 2018.

Recomendação (5250856) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 12


RECOMENDAÇÃO Nº 038, DE 11 DE AGOSTO DE 2017

O Plenário do Conselho Nacional de Saúde, em sua Ducentésima Nonagésima


Sexta Reunião Ordinária, realizada nos dias 10 e 11 de agosto de 2017, no uso de suas
atribuições conferidas pela Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990; pela Lei nº 8.142,
de 28 de dezembro de 1990; pelo Decreto nº 5.839, de 11 de julho de 2006; cumprindo
as disposições da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, da legislação
brasileira correlata; e

considerando que o Sistema Único de Saúde (SUS) é uma política de Estado que
visa à promoção, prevenção e recuperação da saúde e que, segundo o Art. 200 da
Constituição Federal de 1988, compete ao SUS a ordenação da formação de recursos
humanos na área da saúde, de acordo com as necessidades de saúde da população;
considerando que a Lei nº 12.871, de 22 de outubro de 2013, em seu Art. 1º,
institui o Programa Mais Médicos (PMM), com a finalidade de formar recursos humanos
na área médica para o Sistema Único de Saúde (SUS);
considerando que a referida Lei, em seu Art. 2º, incisos I, II e III, para atender aos
objetivos do PMM, adota ações de reordenação da oferta de cursos de Medicina e de
vagas para residência médica, priorizando regiões de saúde com menor relação de vagas
por médicos por habitante e com estruturas de serviços de saúde em condições de ofertar
campo de prática suficiente e de qualidade para os estudantes, bem como estabelece novos
parâmetros para a formação médica no Brasil, além de promover, nas regiões prioritárias
do SUS, o aperfeiçoamento de médicos na área de atenção básica em saúde, mediante
integração ensino-serviço;
considerando que a referida Lei, em seu Capítulo II, Art. 3º, estabelece critérios
para autorização e funcionamento de cursos de graduação em Medicina, por instituições
de educação privada, por meio de chamamento público, cabendo ao Ministro de Estado
da Educação dispor sobre a pré-seleção dos Municípios, ouvido o Ministério da Saúde;
considerando que o Conselho Nacional de Saúde (CNS), em caráter permanente e
deliberativo, é órgão colegiado composto por representantes do governo, prestadores de
serviço, profissionais de saúde e usuários, que atua na formulação de estratégias e no
controle da execução da política de saúde na instância correspondente, inclusive nos
aspectos econômicos e financeiros, cujas decisões serão homologadas pelo chefe do poder
legalmente constituído em cada esfera do governo (Art. 1º, II, §2º da Lei nº 8.142, de 28
de dezembro de 1990);
considerando que o Decreto nº 5.839, de 11 de julho de 2006, Art. 2º, Inciso VIII,
dispõe sobre a competência do CNS de articular-se com o Ministério da Educação quanto
à criação de novos cursos de ensino superior na área de saúde, no que concerne à
caracterização das necessidades sociais;
considerando que a Comissão Intersetorial de Recursos Humanos e Relações de
Trabalho (CIRHRT) tem sua atuação legitimada pela Lei nº 8.080, de 19 de setembro de
1990, que dispõe sobre a criação de comissões intersetoriais de âmbito nacional,
subordinadas ao CNS, integradas pelos Ministérios e órgãos competentes e por entidades

Recomendação (5251272) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 13


representativas da sociedade civil, com a finalidade de articular políticas e programas de
interesse para a saúde, cuja execução envolva áreas não compreendidas no âmbito do
SUS;
considerando que a CIRHRT/CNS atua no exercício das funções de regulação,
supervisão e avaliação de instituições de educação superior e cursos superiores de
graduação e sequenciais no sistema federal de ensino, em articulação com o Ministério
da Educação (MEC), no âmbito da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996; do Decreto
nº 8.754, de 10 de maio de 2016; da Portaria Normativa MEC nº 40, de 12 de dezembro
de 2007; da Resolução CNS nº 350, de 09 de junho de 2005 e da Resolução CNS nº 515,
de 3 de junho de 2016;
considerando que as funções acima citadas, de regulação, supervisão e avaliação
referem-se tanto às instituições de educação superior, quanto aos cursos superiores de
graduação, não se encerrando no período de autorização do curso, necessitando, por isso,
da articulação permanente e contínua entre o Ministério da Educação e o Ministério da
Saúde, compreendendo também os órgãos que fazem parte de suas estruturas (Instituto
Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira/INEP, Conselho Nacional
de Educação/CNE e CNS);
considerando que, a partir da implementação das ações da Lei nº 12.871, de 22 de
outubro de 2013, os Conselheiros Nacionais de Saúde, representando este CNS,
participaram de algumas visitas in loco a municípios pré-selecionados, juntamente com
comissão de avaliadores do MEC, referentes ao Edital nº 3/2013 (primeiro Edital de pré-
seleção de municípios);
considerando que, a partir daí, não houve mais a participação deste CNS na etapa
seguinte, de seleção das mantenedoras de IES, referente ao Edital nº 6/2014;
considerando que, nos Editais subsequentes lançados pelo MEC, este CNS
também não mais participou efetivamente, em especial, Edital nº 1/2015 (municípios) e
Edital nº 1/2017 (mantenedoras); e
considerando que, diante do exposto, os fatos vão de encontro ao Parecer nº
00985/2017/CONJUR-MEC/CGU/AGU, que entendeu que poderia ser dispensada a
manifestação do CNE, bem como do CNS, uma vez que “considerando o Art. 3º, Inciso
I da Lei nº 12.871/2013, haveria a oitiva do Ministério da Saúde na pré-seleção dos
municípios para a autorização de cursos de medicina”.

Recomenda

À Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior do Ministério


da Educação (SERES/MEC):

Que revogue a Portaria Normativa nº 13, de 20 de julho de 2017, que altera a


Portaria Normativa nº 7, de 24 de março de 2017, não mais submetendo os processos de
autorização para funcionamento de cursos de medicina, no âmbito do Programa Mais
Médicos, à manifestação do Conselho Nacional de Saúde, uma vez que tal Portaria

Recomendação (5251272) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 14


Normativa se coloca em oposição ao Decreto nº 8.754, de 10 de maio de 2016, não
respeitando, portanto, legislação superior vigente; e

Que reestabeleça o trâmite dos processos de autorização e, futuramente,


reconhecimento de cursos de Medicina no âmbito do Programa Mais Médicos,
encaminhando-os para análise e parecer do CNS, via Sistema e-Mec, de acordo com o
disposto da Portaria Normativa nº 40, de 12 de dezembro de 2007.

Plenário do Conselho Nacional de Saúde, em sua Ducentésima Nonagésima Sexta


Reunião Ordinária, realizada nos dias 10 e 11 de agosto de 2017.

Recomendação (5251272) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 15


RESOLUÇÃO Nº 450, DE 10 DE NOVEMBRO DE 2011

O Plenário do Conselho Nacional de Saúde, em sua Ducentésima Vigésima Sétima Reunião


Ordinária, realizada nos dias 9 e 10 de novembro de 2011, no uso de suas competências regimentais
e atribuições conferidas pela Lei n° 8.080, de 19 de setembro de 1990, pela Lei n° 8.142, de 28 de
dezembro de 1990, e pelo Decreto n° 5.839, de 11 de julho de 2006, e

Considerando que o art. 200 da Constituição Federal determina que cabe ao Sistema Único
de Saúde a ordenação da formação de recursos humanos na saúde;
Considerando a importância de formar profissionais de saúde de acordo com as Diretrizes
Curriculares Nacionais, competentes, humanos, éticos e com responsabilidade social;
Considerando que a rede de atenção à saúde do Sistema Único de Saúde é o local
privilegiado para a formação dos profissionais de saúde;
Considerando a necessidade de aprimorar a qualidade da formação dos profissionais de
saúde e os sistemas de autorização, reconhecimento e renovação de reconhecimento dos cursos de
graduação da área da saúde;
Considerando a necessidade de formar profissionais de saúde em número suficiente para
atender às necessidades de saúde da sociedade e corrigir as disparidades regionais;
Considerando a necessidade de formar médicos especialistas, por meio de programas de
residência médica, com qualidade e número suficientes para atender às necessidades de saúde da
sociedade em todas as regiões do País; e
Considerando a importância de aumentar e aprimorar os programas de residência
multiprofissional e áreas profissionais da saúde.

Resolve:

1. Apoiar o Ministério da Saúde na realização de estudos para determinar o número de


profissionais que devem ser formados anualmente, em todas as profissões da saúde, para atender às
necessidades da sociedade brasileira.
2. Recomendar que o Ministério da Saúde continue sua ação conjunta com o Ministério da
Educação no sentido de aprimorar a qualidade dos cursos de graduação das profissões da saúde,
aperfeiçoando os processos de autorização, reconhecimento e renovação de reconhecimento dos
cursos.
3. Aprovar a continuidade dos programas do Ministério da Saúde de estímulo às mudanças
nos cursos de graduação da área da saúde, como o Pró-Saúde e o PET-Saúde, recomendando que
eles tenham ênfase nas redes prioritárias de atenção à saúde e na formação para o trabalho em
equipe multiprofissional.
4. Apoiar o Ministério da Saúde na realização de estudos para determinar o número de
médicos especialistas necessários para atender às necessidades de saúde da sociedade brasileira.
5. Aprovar a continuidade e a ampliação do financiamento de programas de residência
médica, priorizando as especialidades mais necessárias para a atenção à saúde e corrigindo as
disparidades regionais.
6. Recomendar que os programas de residência multiprofissional e em áreas profissionais da
saúde sejam ampliados, com ênfase na formação de profissionais para as redes de atenção
prioritárias para o Sistema Único de Saúde e nas áreas estruturantes do SUS.
7. Recomendar que o Ministério da Saúde, em conjunto com o Ministério da Educação,
desenvolva iniciativas para garantir a qualidade dos programas de residência médica e
multiprofissional, com ênfase na elaboração de diretrizes curriculares coerentes com as diretrizes
curriculares da graduação, avaliação dos programas e desenvolvimento docente.

Resolução (5251445) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 16


8. Determinar que o Ministério da Saúde, em conjunto com as Secretarias Estaduais e
Municipais, aperfeiçoe os mecanismos de integração ensino-serviço, para que o Sistema Único de
Saúde assuma cada vez mais o seu papel de formar, qualificar e dar educação permanente a todos os
trabalhadores e profissionais de saúde, transformando-se progressivamente, em Sistema Único de
Saúde Escola.

ALEXANDRE ROCHA SANTOS PADILHA


Presidente do Conselho Nacional de Saúde

Homologo a Resolução CNS nº 450 de 10 de novembro de 2011, nos termos do Decreto nº


5.839, de 11 de julho de 2006.

ALEXANDRE ROCHA SANTOS PADILHA


Ministro de Estado da Saúde

Resolução (5251445) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 17


RECOMENDAÇÃO Nº 025, DE 9 DE JUNHO DE 2017

O Plenário do Conselho Nacional de Saúde, em sua Ducentésima Nonagésima


Quarta Reunião Ordinária, realizada nos dias 8 e 9 de junho de 2017, no uso de suas
atribuições conferidas pela Lei n.º 8.080, de 19 de setembro de 1990; pela Lei n.º 8.142,
de 28 de dezembro de 1990; pelo Decreto n.º 5.839, de 11 de julho de 2006; cumprindo
as disposições da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, da legislação
brasileira correlata; e
considerando que a saúde é um direito fundamental de todo ser humano e dever
do Estado, conforme preconizado pelo Art. 196 da Constituição Federal de 1988;
considerando que o Sistema Único de Saúde (SUS) é uma política de Estado
que visa à promoção, prevenção e recuperação da saúde e que, segundo o Art. 200 da
Constituição Federal de 1988, compete ao SUS a ordenação da formação de recursos
humanos na área da saúde, de acordo com as necessidades de saúde da população;
considerando que o Conselho Nacional de Saúde (CNS), em caráter
permanente e deliberativo, é órgão colegiado composto por representantes do governo,
prestadores de serviço, profissionais de saúde e usuários, que atua na formulação de
estratégias e no controle da execução da política de saúde na instância correspondente,
inclusive nos aspectos econômicos e financeiros, cujas decisões serão homologadas pelo
chefe do poder legalmente constituído em cada esfera do governo (Art. 1º, II, §2º da Lei
n.º 8.142, de 28 de dezembro de 1990);
considerando que a Comissão Intersetorial de Recursos Humanos e Relações
de Trabalho (CIRHRT/CNS) tem sua atuação legitimada pela Lei n.º 8.080, de 19 de
setembro de 1990, que dispõe sobre a criação de comissões intersetoriais de âmbito
nacional, subordinadas ao Conselho Nacional de Saúde, integradas pelos Ministérios e
órgãos competentes e por entidades representativas da sociedade civil, com a finalidade
de articular políticas e programas de interesse para a saúde, cuja execução envolva áreas
não compreendidas no âmbito do SUS;
considerando a Lei n.º 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as
Diretrizes e Bases da Educação Nacional;
considerando a Lei nº 11.129, de 30 de junho de 2005, que entre outras
providências, cria as Residências Multiprofissionais e em Área Profissional da Saúde, e
cria a Comissão Nacional de Residência Multiprofissional em Saúde (CNRMS);
considerando a Portaria Interministerial n.º 1.077, de 12 de novembro de 2009,
que dispõe sobre a Residência Multiprofissional em Saúde e a Residência em Área
Profissional da Saúde e institui o Programa Nacional de Bolsas para Residências
Multiprofissionais e em Área Profissional da Saúde;
considerando a Portaria Interministerial n.º 16, de 22 de dezembro de 2014, que
atualiza o processo de designação dos membros da CNRMS e inclui áreas profissionais
para a realização de Programas de Residência Multiprofissional e em Área Profissional
da Saúde;
considerando a Portaria Conjunta n.º 53, de 2 de outubro de 2015, que nomeia
membros natos e não natos para a CNRMS;
considerando que a CNRMS tem como principais atribuições: avaliar e
acreditar os Programas de Residência Multiprofissional em Saúde e Residência em Área
Profissional da Saúde, de acordo com os pressupostos do SUS e que atendam às
necessidades sócioepidemiológicas da população brasileira; credenciar os Programas de
Residência Multiprofissional e em Área Profissional da Saúde, bem como as

Recomendação (5251604) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 18


instituições habilitadas para oferecê-los; e registrar os certificados desses Programas, de
validade nacional, com especificação de categoria e ênfase de cada programa;
considerando que as Residências Multiprofissionais e em Área Profissional da
Saúde são orientadas pelos princípios e diretrizes do SUS, a partir da articulação entre
as Instituições de Educação Superior (IES), os serviços públicos de saúde e a
comunidade, em um contexto que busca aproximar as práxis da educação em saúde com
a realidade social;
considerando que a formação em serviço, característica dos Programas de
Residências em Saúde, proporciona não somente a qualificação dos trabalhadores do
SUS, mas o desenvolvimento do próprio sistema de saúde, partindo da reflexão sobre a
realidade dos serviços e sobre o que precisa ser transformado, com a finalidade de
melhorar a gestão e o cuidado em saúde;
considerando que a formação no/para o SUS deve ser pautada pelas
necessidades de saúde das pessoas e pela integralidade da atenção e, para tanto, requer
uma formação interprofissional, humanista, técnica e de ordem prática presencial;
considerando que não têm sido realizadas as plenárias da CNRMS, desde
outubro de 2016; e
considerando a responsabilidade constitucional do Ministério da Saúde de
ordenar a formação dos trabalhadores para a saúde, em articulação com o Ministério da
Educação.

Recomenda:

À Secretaria de Educação Superior, do Ministério da Educação (SEsu/MEC):


A convocação imediata, no prazo de 15 dias, de reunião da Comissão Nacional
de Residência Multiprofissional em Saúde (CNRMS), tendo em vista a relevância dessa
modalidade de pós-graduação lato sensu para a formação de novos trabalhadores para o
SUS, a partir das necessidades de saúde da população.

Plenário do Conselho Nacional de Saúde, em sua Ducentésima Nonagésima


Quarta Reunião Ordinária, realizada nos dias 8 e 9 de junho de 2017.

Recomendação (5251604) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 19


RESOLUÇÃO Nº 593, DE 9 DE AGOSTO DE 2018.

O Plenário do Conselho Nacional de Saúde (CNS), em sua Trecentésima Oitava


Reunião Ordinária, realizada nos dias 8 e 9 de agosto de 2018, e no uso de suas competências
regimentais e atribuições conferidas pela Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990; pela Lei nº
8.142, de 28 de dezembro de 1990; pela Lei Complementar nº 141, de 13 de janeiro de 2012;
pelo Decreto nº 5.839, de 11 de julho de 2006; cumprindo as disposições da Constituição da
República Federativa do Brasil de 1988, da legislação brasileira correlata; e
considerando que nos termos do Art. 200, inciso III, da Constituição Federal de 1988,
é competência do Sistema Único de Saúde (SUS), além de outras atribuições, “ordenar a
formação de recursos humanos na área de saúde”;
considerando que o Art. 6º da Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990,
regulamentando a Constituição, estabelece que “estão incluídas ainda no campo de atuação do
SUS, inciso III - a ordenação da formação de recursos humanos na área de saúde”;
considerando o Art. 12 da Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990, prevê a criação
de “comissões intersetoriais de âmbito nacional subordinadas ao Conselho Nacional de Saúde
(CNS), integradas pelos Ministérios e órgãos competentes e por entidades representativas da
sociedade civil” e, no parágrafo único que “as comissões intersetoriais terão a finalidade de
articular políticas e programas de interesse para a saúde, cuja execução envolva áreas não
compreendidas no âmbito do SUS”;
considerando o Art. 14 da Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990, que prevê que
deverão ser criadas “comissões permanentes de integração entre os serviços de saúde e as
instituições de ensino profissional e superior” com a finalidade de “propor prioridades,
métodos e estratégias para a formação e educação continuada dos recursos humanos do SUS,
na esfera correspondente, assim como em relação à pesquisa e à cooperação técnica entre
essas instituições”;
considerando o Art. 27 da Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990, que prevê que a
política de recursos humanos na área da saúde será formalizada e executada, articuladamente,
pelas diferentes esferas de governo, em cumprimento do objetivo de organizar um sistema de
formação de recursos humanos em todos os níveis de ensino, inclusive de pós-graduação,
além da elaboração de programas de permanente aperfeiçoamento de pessoal, onde os
serviços públicos que integram o SUS constituam campo de prática para ensino e pesquisa,
mediante normas específicas, elaboradas conjuntamente com o sistema educacional;
considerando que o Art. 30 da Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990, dispõe que
“as especializações na forma de treinamento em serviço sob supervisão serão regulamentadas
por Comissão Nacional, instituída de acordo com o Art. 12 desta Lei, garantida a participação
das entidades profissionais correspondentes”;
considerando que a Comissão Intersetorial de Recursos Humanos e Relações de
Trabalho do Conselho Nacional de Saúde (CIRHRT/CNS) tem o papel de cumprir o Art. 12
da Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990;
considerando a Resolução CNS nº 225, de 08 de maio de 1997, que, ao reinstalar a
então Comissão Intersetorial de Recursos Humanos, declarou como sua missão definir nos
aspectos conceitual e de articulações intersetoriais, as obrigações legais de ordenação da
formação de recursos humanos de saúde (Lei 8.080/1990, Art. 6º), de criação de comissões
permanentes de integração serviço-ensino (Lei 8.080/1990, Art. 14), participação na
formulação e na execução da política de formação e desenvolvimento de recursos humanos
para a saúde (Lei 8.080/1990, Art. 15), e aplicação dos objetivos da formalização e execução
da política de recursos humanos, incluindo critérios de preenchimento dos cargos objetivos da

Resolução (5251636) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 20


formalização e execução da política de regulamentação das especializações na forma de
treinamento em serviço (Lei 8.080/1990, Art. 30);
considerando os Princípios e Diretrizes para a Norma Operacional Básica de Gestão
do Trabalho e da Educação na Saúde (NOB/RH-SUS), aprovados pelo Conselho Nacional de
Saúde, que incentivam a formação de pessoal específico, com domínio de tecnologias que
qualifiquem a atenção individual e coletiva à saúde para a garantia da qualidade da atenção à
saúde;
considerando a “Política Nacional de Formação e Desenvolvimento para o SUS:
Caminhos para a Educação Permanente em Saúde”, aprovada pelo Conselho Nacional de
Saúde, em setembro de 2003, que aponta como um dos seus eixos estruturantes a integração
entre instituição de ensino, serviços de saúde, órgão de gestão do SUS e instâncias do controle
social em saúde, e que se caracteriza por ações que visam à mudança nas práticas de formação
e de atenção, no processo de trabalho e na construção do conhecimento, afim de
corresponderem fortemente às necessidades do sistema de saúde, dos serviços e da população;
considerando a Resolução CNS nº 450, de 10 de novembro de 2011, que “recomenda
que os programas de residência multiprofissional e em áreas profissionais da saúde sejam
ampliados, com ênfase na formação de profissionais para as redes de atenção prioritárias para
o Sistema Único de Saúde e nas áreas estruturantes do SUS”;
considerando as discussões do Pleno do Conselho Nacional de Saúde, em sua 295ª
Reunião Ordinária, ocorrida em 6 e 7 de julho de 2017, que criou o Grupo de Trabalho
Residência Multiprofissional em Saúde para tratar dos seguintes objetivos: “recuperar
histórico, fazer diagnóstico e propor soluções”, bem como discutir as bases para uma
“proposta de Diretrizes Gerais/Comuns para as Residências” sob a ótica do controle social e
participação popular em saúde, além de sugerir o encaminhamento de “ações com o MEC”; e
considerando que o objetivo fundamental do ordenamento da formação de recursos
humanos para a saúde contempla a promoção da articulação entre formação, gestão, atenção e
controle social, tendo em vista a humanização, a integralidade, o trabalho em equipe e a
apropriação do Sistema Único de Saúde.

Resolve:

Art. 1º Designar à Comissão Intersetorial de Recursos Humanos e Relações de


Trabalho (CIRHRT/CNS), garantida a participação das entidades profissionais da área da
saúde, o acompanhamento permanente do controle/participação social na formalização e
execução da política pública de Residências em Saúde e o encaminhamento dos estudos
necessários à elaboração de proposta de regulamentação do Art. 30 da Lei nº 8.080/1990.

Art. 2º Atribuir ao segmento dos profissionais de saúde do CNS a competência de


indicar seus membros, que comporão a Comissão Nacional de Residência Multiprofissional
em Saúde (CNRMS), mediante aprovação do Pleno do CNS.

RONALD FERREIRA DOS SANTOS


Presidente do Conselho Nacional de Saúde

Homologo a Resolução CNS nº 593, 9 de agosto de 2018, nos termos do Decreto de


Delegação de Competência de 12 de novembro de 1991.

GILBERTO OCCHI
Ministro de Estado da Saúde

Resolução (5251636) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 21


RESOLUÇÃO No 515, DE 07 DE OUTUBRO DE 2016

O Plenário do Conselho Nacional de Saúde (CNS), em sua Ducentésima Octogésima


Sexta Reunião Ordinária, realizada nos dias 6 e 7 de outubro de 2016, e no uso de suas
competências regimentais e atribuições conferidas pela Lei no 8.080, de 19 de setembro de 1990;
pela Lei no 8.142, de 28 de dezembro de 1990; pelo Decreto no 5.839, de 11 de julho de 2006;
cumprindo as disposições da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, da
legislação brasileira correlata; e
Considerando que a Constituição Federal de 1988 determina que a saúde é direito de
todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução
do risco de doenças e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços
para sua promoção, proteção e recuperação;
Considerando que compete ao Sistema Único de Saúde (SUS) a ordenação da formação
de recursos humanos na área da saúde;
Considerando que a Lei no 8.080, de 1990, dispõe que estão incluídas no campo de
atuação do SUS a execução de ações de ordenação da formação de recursos humanos na área da
saúde;
Considerando que a Lei no 8.142, de 1990, dispõe que o CNS, em caráter permanente e
deliberativo, órgão colegiado composto por representantes do governo, prestadores de serviços,
profissionais de saúde e usuários, atua na formulação de estratégias e no controle da execução da
política de saúde na instância correspondente, inclusive nos aspectos econômicos e financeiros,
cujas decisões serão homologadas pelo chefe do poder legitimamente constituído em dada esfera
do governo;
Considerando que a Educação a Distância (EaD) já é um dispositivo aplicado nos cursos
de graduação, conforme a Portaria no 4.059, de 10 de dezembro de 2004, que autoriza as
instituições de ensino superior a introduzir, na organização pedagógica e curricular de seus
cursos superiores reconhecidos, a oferta de disciplinas integrantes do currículo na modalidade
semipresencial, com base no artigo 81 da Lei no 9.394, de 1996, desde que esta oferta não
ultrapasse 20% (vinte por cento) da carga horária total do curso;
Considerando que, neste caso, já é considerável o tempo para experienciar a
metodologia e a tecnologia, em se tratando da área da saúde, tornando desnecessária uma
formação em EaD para além dessa realidade;
Considerando o Decreto no 8.754, de 2016, que altera o Decreto no 5.773, de 2006, que
dispõe sobre o exercício das funções de regulação, supervisão e avaliação de instituições de
educação superior e cursos superiores de graduação e sequenciais no sistema federal de ensino;
Considerando que a oferta de cursos de graduação em Medicina, Odontologia,
Psicologia e Enfermagem, inclusive em universidades e centros universitários, depende de
autorização do Ministério da Educação (MEC), após manifestação do CNS;

Resolução (5251672) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 22


Considerando a Resolução CNS no 507, de 2016, que torna pública as propostas,
diretrizes e moções aprovadas pelas delegadas e delegados na 15a Conferência Nacional de
Saúde, com vistas a garantir-lhes ampla publicidade até que seja consolidado o Relatório Final;
Considerando que as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) dos cursos de graduação
da área da saúde têm em suas competências, habilidades e atitudes prerrogativas de uma
formação para o trabalho em equipe de caráter multidisciplinar, interdisciplinar e
transdisciplinar, à luz dos princípios do SUS, com ênfase na integralidade da atenção; e
Considerando que a formação para o SUS deve pautar-se na necessidade de saúde das
pessoas e, para tanto, requer uma formação interprofissional, humanista, técnica e de ordem
prática presencial, permeada pela integração ensino/serviço/comunidade, experienciando a
diversidade de cenários/espaços de vivências e práticas que será impedida e comprometida na
EaD,

RESOLVE:

Art. 1o Posicionar-se contrário à autorização de todo e qualquer curso de graduação da


área da saúde, ministrado totalmente na modalidade Educação a Distância (EaD), pelos prejuízos
que tais cursos podem oferecer à qualidade da formação de seus profissionais, bem como pelos
riscos que estes profissionais possam causar à sociedade, imediato, a médio e a longo prazos,
refletindo uma formação inadequada e sem integração ensino/serviço/comunidade.
Art. 2o No caso do disposto na Portaria no 4.059, de 2004, observar que não sejam
abrangidos nesta modalidade de ensino as disciplinas de caráter assistencial e de práticas que
tratem do cuidado/atenção em saúde individual e coletiva.
Art. 3o Que as DCNs da área de saúde sejam objeto de discussão e deliberação do CNS
de forma sistematizada, dentro de um espaço de tempo adequado para permitir a participação, no
debate, das organizações de todas as profissões regulamentadas e das entidades e movimentos
sociais que atuam no controle social, para que o Pleno do Conselho cumpra suas prerrogativas e
atribuições de deliberar sobre o SUS, sistema este que tem a responsabilidade constitucional de
regular os recursos humanos da saúde.

RONALD FERREIRA DOS SANTOS


Presidente do Conselho Nacional de Saúde

Homologo a Resolução CNS no 515, de 07 de outubro de 2016, nos termos do Decreto


de Delegação de Competência de 12 de novembro de 1991.

RICARDO BARROS
Ministro de Estado da Saúde

Publicada no DOU Nº 217, seção 1, página 61, em 11 de novembro de 2016.

Resolução (5251672) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 23


MOÇÃO DE RECONHECIMENTO Nº 20, DE 10 DE NOVEMBRO DE 2017.

O Plenário do Conselho Nacional de Saúde, em sua Ducentésima Nonagésima


Nona Reunião Ordinária, realizada nos dias 9 e 10 de novembro de 2017, em Brasília, no
uso de suas atribuições conferidas pela Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990; pela Lei
nº 8.142, de 28 de dezembro de 1990; pela Lei Complementar nº 141/2012; pelo Decreto
nº 5.839, de 11 de julho de 2006, cumprindo as disposições da Constituição da República
Federativa do Brasil de 1988, da legislação brasileira correlata; e

considerando que a Constituição Federal de 1988 prevê, em seu Art. 196, que
“a saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e
econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso
universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”;
considerando o Art. 200 da Constituição Federal de 1988, que determina que
compete ao Sistema Único de Saúde (SUS), entre outras atribuições, ordenar a formação
dos trabalhadores da área de saúde;
considerando o Decreto nº 9.057, de 25 de maio de 2017, que regulamenta o
Art. 80 da Lei nº 9.394/1996, e permite o credenciamento de Instituições de Educação
Superior exclusivamente para oferta de cursos de graduação na modalidade a distância,
sem prever um tratamento diferenciado para cursos da área da saúde;
considerando o crescimento exponencial e desordenado de cursos de graduação
na área da saúde na modalidade de Educação a Distância (EaD) e os diagnósticos
situacionais que revelam um quadro que não se coaduna com as necessidades para o
adequado exercício profissional;
considerando que a formação em saúde não pode ocorrer de forma dissociada
do trabalho em saúde, ou seja, é imprescindível a integração ensino-serviço-gestão-
comunidade;
considerando que a formação no/para o SUS deve ser pautada pelas
necessidades de saúde das pessoas e pela integralidade da atenção e, para tanto, requer
uma formação interprofissional, humanista, técnica e de ordem prática presencial;
considerando que os estudantes precisam ser inseridos nos cenários de práticas
do SUS e outros equipamentos sociais desde o início da formação, rompendo com a
dicotomia teoria-prática, o que lhes garantirá conhecimentos e compromissos com a
realidade de saúde do seu país e sua região;
considerando que a educação na saúde requer interação constante entre os
trabalhadores da área, estudantes e usuários dos serviços de saúde, para assegurar a
integralidade da atenção, a qualidade e a humanização do atendimento prestado aos
indivíduos, famílias e comunidades;
considerando que, para além dos conhecimentos requeridos para a atuação
profissional, a formação na área da saúde exige o desenvolvimento de habilidades e
atitudes que não podem ser obtidas por meio da modalidade EaD, visto tratar-se de
competências que se adquirem nas práticas inter-relacionais;
considerando a Resolução CNS nº 515, de 7 de outubro de 2016, com
posicionamento contrário à autorização de todo e qualquer curso de graduação da área
da saúde ministrado na modalidade EaD, pelos prejuízos que tais cursos podem oferecer
à qualidade da formação de seus profissionais, bem como pelos riscos que estes
trabalhadores possam causar à sociedade, imediato, a médio e a longo prazos, refletindo
uma formação inadequada e sem a necessária integração ensino-serviço-gestão-
Moção (5251724) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 24
comunidade; e
considerando o Projeto de Decreto Legislativo (SF) nº 111/2017, de autoria do
senador Humberto Costa (sob relatoria do senador Sérgio Petecão), que susta os efeitos
do Decreto nº 9.057/2017 e os Projetos de Lei nº 7.121/2017, nº 5.414/2016 e nº
6.858/2017, de autoria dos deputados Alice Portugal, Rodrigo Pacheco e Rômulo
Gouveia, respectivamente (apensados e sob relatoria do deputado Átila Lira), que se
posicionam de forma contrária à autorização e reconhecimento de cursos de graduação
da área da saúde ministrados na modalidade EaD.

Vem a público:

Manifestar reconhecimento e apoio à aprovação do Projeto de Decreto


Legislativo (SF) nº 111/2017 e aos Projetos de Lei nº 7.121/2017, nº 5.414/2016 e nº
6.858/2017, com o objetivo de que os cursos de graduação da área da saúde sejam
ministrados na modalidade presencial para garantir segurança e resolubilidade na
prestação dos serviços de saúde à população brasileira.

Plenário do Conselho Nacional de Saúde, em sua Ducentésima Nonagésima


Nona Reunião Ordinária, realizada nos dias 9 e 10 de novembro de 2017.

Moção (5251724) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 25


RECOMENDAÇÃO Nº 065, DE 08 DE DEZEMBRO DE 2017.

O Plenário do Conselho Nacional de Saúde (CNS), em sua Trecentésima Reunião


Ordinária, realizada nos dias 7 e 8 de dezembro de 2017, e no uso de suas competências regimentais e
atribuições conferidas pela Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990; pela Lei nº 8.142, de 28 de
dezembro de 1990; pela Lei Complementar nº 141, de 13 de janeiro de 2012; pelo Decreto nº 5.839, de
11 de julho de 2006; cumprindo as disposições da Constituição da República Federativa do Brasil de
1988, da legislação brasileira correlata; e

considerando que a Constituição Federal de 1988 determina que a saúde é direito de todos
e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de
doenças e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção,
proteção e recuperação;
considerando que a Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990, dispõe que estão incluídas no
campo de atuação do Sistema Único de Saúde (SUS) a execução de ações de ordenação da formação de
recursos humanos na área da saúde;
considerando que a Lei nº 8.142, de 28 de dezembro de 1990, dispõe que o CNS, em caráter
permanente e deliberativo, órgão colegiado composto por representantes do governo, prestadores de
serviços, profissionais de saúde e usuários, atua na formulação de estratégias e no controle da execução
da política de saúde na instância correspondente, inclusive nos aspectos econômicos e financeiros, cujas
decisões serão homologadas pelo chefe do poder legitimamente constituído em dada esfera do governo;
considerando a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e
bases da educação nacional e, em seu Artigo 80, atribui ao poder público o incentivo ao desenvolvimento
e à veiculação de programas de ensino a distância, em todos os níveis e modalidades de ensino, e de
educação continuada;
considerando o Decreto nº 5.773, de 9 de maio de 2006, que dispõe sobre o exercício das
funções de regulação, supervisão e avaliação de instituições de educação superior e cursos superiores
de graduação e sequenciais no sistema federal de ensino;
considerando o Decreto nº 8.754, de 10 de maio de 2016, que altera o Decreto nº 5.773, de
9 de maio de 2006 e, em seu Art. 28, §2º, dispõe que a oferta de cursos de graduação em Direito,
Medicina, Odontologia, Psicologia e Enfermagem, inclusive em universidades e centros universitários,
depende de autorização do Ministério da Educação, após prévia manifestação do Conselho Federal da
Ordem dos Advogados do Brasil (CFOAB) e do Conselho Nacional de Saúde (CNS), respectivamente;
considerando o Decreto nº 9.057, de 25 de maio de 2017, que permite o credenciamento de
Instituições de Educação Superior exclusivamente para oferta de cursos de graduação na modalidade a
distância, sem prever um tratamento diferenciado para a área da saúde;
considerando a Portaria nº 1.134, de 10 de outubro de 2016, que revoga a Portaria MEC nº
4.059, de 10 de dezembro de 2004, estabelecendo que as instituições de ensino superior que possuam
pelo menos um curso de graduação reconhecido poderão introduzir, na organização pedagógica e
curricular de seus cursos de graduação presenciais regularmente autorizados, a oferta de disciplinas na
modalidade a distância;
considerando a Resolução CNS nº 350, de 9 de junho de 2005, que afirma que a
homologação da abertura de cursos na área da saúde pelo Ministério da Educação somente seja possível
com a não objeção do Ministério da Saúde e do CNS; e reitera que a emissão de critérios técnicos
educacionais e sanitários relativos à abertura e reconhecimento de novos cursos para a área da saúde
deve levar em conta a regulação pelo Estado; a necessidade de democratizar a educação superior; a
necessidade de formar profissionais com perfil, número e distribuição adequados ao SUS e a necessidade
de estabelecer projetos políticos pedagógicos compatíveis com a proposta de Diretrizes Curriculares
Nacionais (DCN);
considerando a Resolução CNS nº 515, de 7 de outubro de 2016, que trata do
posicionamento contrário do CNS à autorização de todo e qualquer curso de graduação da área da saúde,
ministrado na modalidade Educação a Distância (EaD), pelos prejuízos que tais cursos podem oferecer
à qualidade da formação de seus profissionais, bem como pelos riscos que estes profissionais possam
causar à sociedade, imediato, a médio e a longo prazos, refletindo uma formação inadequada e sem
integração ensino/serviço/comunidade; e ainda, que as DCN da área de saúde devem ser objeto de

Recomendação (5251779) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 26


discussão e deliberação do CNS de forma sistematizada, dentro de um espaço de tempo adequado para
permitir a participação, no debate, das organizações de todas as profissões regulamentadas e das
entidades e movimentos sociais que atuam no controle social, para que o Pleno do Conselho cumpra
suas prerrogativas e atribuições de deliberar sobre o SUS, sistema este que tem a responsabilidade
constitucional de regular os recursos humanos da saúde;
considerando a Resolução CNS nº 507, de 16 de março de 2016, que torna pública as
propostas, diretrizes e moções aprovadas pelas delegadas e delegados na 15ª Conferência Nacional de
Saúde (15ª CNS), com vistas a garantir-lhes ampla publicidade até que seja consolidado o Relatório
Final;
considerando que o Ministério da Educação prevê apenas duas modalidades de ensino para
credenciamento de IES e autorização de cursos, a modalidade presencial e a modalidade a distância
(EaD), e que esta última já vem sendo aplicada em cursos de graduação, inclusive os da área da saúde,
sem observância à Resolução CNS nº 515, de 7 de outubro de 2016;
considerando que as DCN dos cursos de graduação da área da saúde têm em suas
competências, habilidades e atitudes prerrogativas de uma formação para o trabalho em equipe de caráter
multidisciplinar, interdisciplinar e transdisciplinar, à luz dos princípios do SUS, com ênfase na
integralidade da atenção; e
considerando que a formação para o SUS deve pautar-se na necessidade de saúde das
pessoas e, para tanto, requer uma formação interprofissional, humanista, técnica e de ordem prática
presencial, permeada pela integração ensino/serviço/comunidade, experienciando a diversidade de
cenários/espaços de vivências e práticas que será impedida e comprometida na EaD.

Recomenda:

Ao Congresso Nacional
Que regulamente, com urgência, o inciso III do Art. 200 da Constituição Federal, de modo
a garantir que o processo de ordenamento da formação de recursos humanos para o SUS se
consubstancie em competência objetiva das instâncias do SUS, conforme prevê a Carta Magna; e,

À Procuradoria Geral da República


Que proponha Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI), junto ao STF, no sentido de
anular os atos administrativos (Decreto nº 9.057/2017, Portaria nº 11/2017, dentre outras) que
regulamentam a modalidade à distância para os cursos de graduação na área da saúde, tendo em vista
que essas normativas usurpam a competência constitucional do SUS para ordenar a formação dos seus
trabalhadores e a competência legal do CNS para garantir a participação popular e o controle social no
processo de construção das ações e políticas de formação para o trabalho em saúde.

Plenário do Conselho Nacional de Saúde, em sua Trecentésima Reunião Ordinária,


realizada nos dias 7 e 8 de dezembro de 2017.

Recomendação (5251779) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 27


RECOMENDAÇÃO Nº 069, DE 13 DE DEZEMBRO DE 2017

O Presidente do Conselho Nacional de Saúde - CNS, no uso de suas


competências regimentais e atribuições conferidas pelo Regimento Interno do CNS e
garantidas pela Lei n.º 8.080, de 19 de setembro de 1990; pela Lei n.º 8.142, de 28 de
dezembro de 1990; pelo Decreto n.º 5.839, de 11 de julho de 2006; cumprindo as
disposições da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 e da legislação
brasileira correlata; e

considerando que a Constituição Federal de 1988 determina que a saúde é


direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas
que visem à redução do risco de doenças e de outros agravos e ao acesso universal e
igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação;
considerando que o Sistema Único de Saúde (SUS) é uma política de Estado
que visa à promoção, prevenção e recuperação da saúde e que, segundo o Art. 200,
Inciso III da Constituição Federal de 1988, compete ao SUS a ordenação da formação
de recursos humanos na área da saúde, de acordo com as necessidades de saúde da
população
considerando que a Lei n.º 8.080/1990 dispõe que estão incluídas no campo de
atuação do SUS a execução de ações de ordenação da formação de recursos humanos na
área da saúde;
considerando que a Lei n.º 8.142/1990 dispõe que o CNS, em caráter
permanente e deliberativo, órgão colegiado composto por representantes do governo,
prestadores de serviço, profissionais de saúde e usuários, atua na formulação de
estratégias e no controle da execução da política de saúde na instância correspondente,
inclusive nos aspectos econômicos e financeiros, cujas decisões serão homologadas pelo
chefe do poder legitimamente constituído em dada esfera do governo;
considerando a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as
diretrizes e bases da educação nacional e, em seu Artigo 80, atribui ao poder público o
incentivo ao desenvolvimento e à veiculação de programas de ensino a distância, em
todos os níveis e modalidades de ensino, e de educação continuada;
considerando a Resolução nº 350, de 9 de junho de 2005, que afirma o
entendimento de que a homologação da abertura de cursos na área da saúde pelo MEC
somente seja possível com a não objeção do Ministério da Saúde (MS) e do CNS,
cumprindo-se as considerações acima, relativamente à Constituição Federal; e reitera

Recomendação (5251893) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 28


que a emissão de critérios técnicos educacionais e sanitários relativos à abertura e
reconhecimento de novos cursos para a área da saúde deve levar em conta a regulação
pelo Estado; a necessidade de democratizar a educação superior; a necessidade de
formar profissionais com perfil, número e distribuição adequados ao Sistema Único de
Saúde e a necessidade de estabelecer projetos políticos pedagógicos compatíveis com a
proposta de Diretrizes Curriculares Nacionais;
considerando que o Decreto nº 5.839, de 11 de julho de 2006, Art. 2º, Inciso
VIII, dispõe sobre a competência do CNS de articular-se com o MEC quanto à criação
de novos cursos de ensino superior na área de saúde, no que concerne à caracterização
das necessidades sociais;
considerando a Resolução nº 515, de 7 de outubro de 2016, que trata do
posicionamento contrário do Conselho Nacional de Saúde à autorização de todo e
qualquer curso de graduação da área da saúde, ministrado na modalidade Educação a
Distância (EaD), pelos prejuízos que tais cursos podem oferecer à qualidade da
formação de seus profissionais, bem como pelos riscos que estes profissionais possam
causar à sociedade, imediato, a médio e a longo prazos, refletindo uma formação
inadequada e sem integração ensino/serviço/comunidade; e ainda, que as DCN da área
de saúde devem ser objeto de discussão e deliberação do CNS de forma sistematizada,
dentro de um espaço de tempo adequado para permitir a participação, no debate, das
organizações de todas as profissões regulamentadas e das entidades e movimentos
sociais que atuam no controle social, para que o Pleno do Conselho cumpra suas
prerrogativas e atribuições de deliberar sobre o SUS, sistema este que tem a
responsabilidade constitucional de regular os recursos humanos da saúde.
considerando a Portaria nº 1.134, de 10 de outubro de 2016, que revoga a
Portaria MEC nº 4.059, de 10 de dezembro de 2004, estabelecendo que as instituições
de ensino superior que possuam pelo menos um curso de graduação reconhecido
poderão introduzir, na organização pedagógica e curricular de seus cursos de graduação
presenciais regularmente autorizados, a oferta de disciplinas na modalidade a distância;
considerando que não foram observadas as contribuições deste CNS às
Diretrizes Curriculares Nacionais dos cursos de graduação em Saúde Coletiva e
Farmácia constantes, respectivamente, na Resolução nº 544, de 10 de março de 2017
(com Nota Técnica nº 003/2017, em anexo) e na Resolução nº 546, de 7 de abril de
2017 (com Nota Técnica nº 005/2017, em anexo), devidamente encaminhadas ao
Conselho Nacional de Educação;

Recomendação (5251893) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 29


considerando o Decreto nº 9.057, de 25 de maio de 2017, que permite o
credenciamento de Instituições de Educação Superior exclusivamente para oferta de
cursos de graduação na modalidade a distância, sem prever um tratamento diferenciado
para a área da saúde;
considerando a Resolução nº 569, de 8 de dezembro de 2017, que reafirma a
prerrogativa constitucional do SUS em ordenar a formação dos (as) trabalhadores (as)
da área da saúde e aprova o Parecer Técnico nº 300/2017, que apresenta pressupostos,
princípios e diretrizes gerais a serem incorporados nas DCN de todos os cursos de
graduação da área da saúde, como elementos norteadores para o desenvolvimento dos
currículos e das atividades didático-pedagógicas, a fim de compor o perfil dos egressos
desses cursos, e que foram construídos na perspectiva do controle/participação social
em saúde;

considerando a Recomendação nº 065, de 8 de dezembro de 2017, que


recomenda ao Congresso Nacional a regulamentação, com urgência, do inciso III do
Art. 200 da Constituição Federal, de modo a garantir que o processo de ordenamento da
formação de recursos humanos para o SUS se consubstancie em competência objetiva
das instâncias do SUS, conforme prevê a Carta Magna; e à Procuradoria Geral da
República que proponha Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI), junto ao STF, no
sentido de anular os atos administrativos (Decreto nº 9.057/2017, Portaria nº 11/2017,
dentre outras) que regulamentam a modalidade à distância para os cursos de graduação
na área da saúde, tendo em vista que essas normativas usurpam a competência
constitucional do SUS para ordenar a formação dos seus trabalhadores e a competência
legal do CNS para garantir a participação popular e o controle social no processo de
construção das ações e políticas de formação para o trabalho em saúde.

considerando a Nota Pública contra a graduação à distância na área da saúde,


que reafirma que a formação dos(as) trabalhadores(as) da área da saúde deve ocorrer
por meio de cursos presenciais, assinada, até a presente data, por cinquenta (50)
entidades representativas de associações nacionais de ensino, conselhos profissionais,
federações, executivas estudantis, entre outras, apoiadas pelo Conselho Nacional de
Saúde, e tendo como objetivo principal a garantia da segurança e resolubilidade na
prestação dos serviços de saúde à população brasileira;

considerando que a formação para o SUS deve pautar-se na necessidade de


saúde das pessoas e, para tanto, requer uma formação interprofissional, humanista,

Recomendação (5251893) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 30


técnica e de ordem prática presencial, permeada pela integração
ensino/serviço/comunidade, experienciando a diversidade de cenários/espaços de
vivências e práticas que será impedida e comprometida na EaD;

Recomenda ao Sr. Ministro de Estado da Educação, ad referendum do Pleno do


CNS:

Que declare moratória, ou seja, suspensão provisória, à autorização de cursos de


graduação da área da saúde, na modalidade Educação a Distância (EaD), até que seja
devidamente construído e aprovado um dispositivo legal que contemple a pactuação da
utilização das tecnologias de informação e comunicação (TIC) no processo educativo,
considerando o que prevê o Artigo 200, Inciso III, da Carta Magna de 1988, bem como
o Artigo 14 da Lei nº 8.080/1990 e o Artigo 80 da Lei nº 9.394/1996 (LDB), no que diz
respeito à formação profissional em saúde.

Recomendação (5251893) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 31


NOTA PÚBLICA

Contra a Graduação a Distância na Área da Saúde

Formação com Qualidade na Área da Saúde somente na Modalidade Presencial!

A Constituição Federal (CF) de 1988 determina, em seu Art. 196, que “a Saúde é direito de
todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução
do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para
sua promoção, proteção e recuperação”.
Para isso, é fundamental que a formação dos(as) trabalhadores(as) da área da saúde ocorra
na modalidade presencial, pois ela apresenta uma singularidade que inviabiliza a oferta dos cursos
de graduação na modalidade de Educação a Distância (EaD): a formação em saúde não pode ocorrer
de forma dissociada do trabalho em saúde, ou seja, é imprescindível a integração entre o ensino,
os serviços de saúde e a comunidade.
Além disso, a modalidade EaD desconsidera que a educação na saúde requer interação
constante entre os(as) trabalhadores(as) da área, estudantes e usuários(as) dos serviços de saúde,
para assegurar a integralidade da atenção, a qualidade e a humanização do atendimento prestado aos
indivíduos, famílias e comunidades. Deste modo, os(as) estudantes precisam ser inseridos(as) nos
cenários de práticas do Sistema Único de Saúde (SUS) e outros equipamentos sociais desde o início
da formação, integrando teoria e prática, o que lhes garantirá compromissos com a realidade de
saúde do seu país e sua região.
A formação na área da saúde não se limita a oferecer conteúdos teóricos. Para além dos
conhecimentos requeridos para a atuação profissional, ela exige o desenvolvimento de habilidades
e atitudes que não podem ser obtidas por meio da modalidade EaD, sem o contato direto com o ser
humano, visto tratar-se de componentes da formação que se adquirem nas práticas inter-relacionais.
A aprendizagem significativa, que se realiza nos encontros e no compartilhamento de experiências,
pressupõe convivência, diálogo e acesso a práticas colaborativas, essencialmente presenciais.
Importante observar que a maioria dos cursos de graduação presenciais da área não preenche
o número de vagas ofertadas, o que demonstra não apenas a impropriedade, como também a
desnecessidade social da EaD na saúde. Portanto, para estes cursos, não se deve utilizar a modalidade
a distância com a justificativa de atingir metas estipuladas de ampliação do acesso à educação
superior, sendo necessário um debate aprofundado sobre políticas públicas de ensino, a fim de que

Nota (5252020) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 32


sejam consideradas as necessidades sociais para todos os cursos de graduação. Ressalte-se que não
nos referimos aqui às oportunas Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) em cursos
superiores na modalidade presencial, que, devidamente utilizadas, promovem e qualificam os
processos pedagógicos.
Neste sentido, o Conselho Nacional de Saúde (CNS), por meio da Resolução nº 515/2016,
posicionou-se contrariamente à autorização de todo e qualquer curso de graduação em saúde
ministrado na modalidade EaD, pelos prejuízos que tais cursos podem oferecer à qualidade da
formação de seus profissionais, bem como pelos riscos que estes(as) trabalhadores(as) possam
causar à sociedade, imediato, a médio e a longo prazos, refletindo uma formação inadequada e sem
a necessária integração ensino-serviço-comunidade.
Entretanto, ocorre hoje no país um crescimento exponencial e desordenado da graduação a
distância na área da saúde, e os diagnósticos situacionais revelam um quadro incompatível para o
adequado exercício profissional. O Decreto nº 9.057, de 25 de maio de 2017, permite o
credenciamento de Instituições de Educação Superior exclusivamente para oferta de cursos
de graduação na modalidade a distância, sem prever um tratamento diferenciado para a área
da saúde.
Assim, objetivando a garantia da segurança e resolubilidade na prestação dos serviços de
saúde à população brasileira, esta Nota Pública reafirma que a formação dos(as) trabalhadores(as)
da área da saúde deve ocorrer por meio de cursos presenciais.
Somos contrários à autorização, reconhecimento e renovação de reconhecimento de
cursos de graduação da área da saúde ministrados na modalidade a distância!

A saúde pública merece respeito!


A graduação em saúde a distância coloca em risco a segurança da população!

Assinam esta Nota Pública:

1 Associação Brasileira da Ensino em


Fisioterapia (ABENFISIO)

Nota (5252020) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 33


2 Associação Brasileira de Educação
em Nutrição (ABENUT)

3 Associação Brasileira de Educação


Farmacêutica (ABEF)

4 Associação Brasileira de Educação


Médica (ABEM)

5 Associação Brasileira de
Enfermagem (ABEn)

6 Associação Brasileira de Ensino da


Educação Física para a Saúde
(ABENEFS)

Nota (5252020) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 34


7 Associação Brasileira de Ensino de
Psicologia (ABEP)

8 Associação Brasileira de Ensino e


Pesquisa em Serviço Social
(ABEPSS)

9 Associação Brasileira de Ensino


Odontológico (ABENO)

10 Associação Brasileira de Nutrição


(ASBRAN)

11 Associação Brasileira de Psicologia


Escolar e Educacional (ABRAPEE)

Nota (5252020) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 35


12 Associação Brasileira dos
Terapeutas Ocupacionais
(ABRATO)

Associação de Fisioterapeutas do
13 Brasil (AFB)

14 Central dos Trabalhadores e


Trabalhadoras do Brasil (CTB)

15 Centro Acadêmico Livre de


Farmácia da Universidade Federal
da Paraíba (CALFARM-UFPB)

16 Centro Brasileiro de Estudos de


Saúde (CEBES)

17 Confederação Nacional dos


Trabalhadores em Seguridade
Social (CNTSS)

Nota (5252020) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 36


18 Confederação Nacional dos
Trabalhadores em Saúde (CNTS)

19 Conselho Federal de Biologia


(CFBio)

20 Conselho Federal de Educação


Física (CONFEF)

21 Conselho Federal de Enfermagem


(Cofen)

22 Conselho Federal de Farmácia


(CFF)

Nota (5252020) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 37


23 Conselho Federal de Fisioterapia e
Terapia Ocupacional (COFFITO)

24 Conselho Federal de
Fonoaudiologia (CFFa)

25 Conselho Federal de Medicina


(CFM)

26 Conselho Federal de Medicina


Veterinária (CFMV)

27 Conselho Federal de Nutricionistas


(CFN)

28 Conselho Federal de Odontologia


(CFO)

Nota (5252020) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 38


29 Conselho Federal de Serviço Social
(CFESS)

30 Conselho Federal de Psicologia


(CFP)

31 Conselho Regional de Educação


Física (CREF 14 - GO-TO)

32 Conselho Regional de Farmácia do


Rio Grande do Sul (CRF-RS)

33 Conselho Regional de Odontologia


de São Paulo (CRO-SP)

Cuidar é Lutar - Coletivo


Independente de Enfermagem
34
(Centro-Oeste e Paraíba)

Nota (5252020) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 39


35 Direção Executiva Nacional dos
Estudantes de Medicina (DENEM)

36 Diretoria Executiva Nacional de


Estudantes de Fonoaudiologia
(DENEFONO)

37 Escola Nacional dos Farmacêuticos

38 Executiva Nacional de Estudantes


de Nutrição (ENEN)

39 Executiva Nacional dos Estudantes


de Enfermagem (ENEEnf)

40 Executiva Nacional dos Estudantes


de Veterinária (ENEV)

Nota (5252020) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 40


41 Faculdade de Ciências Médicas da
UNICAMP

42 Federação de Estudantes de
Agronomia do Brasil (FEAB)

43 Federação Nacional dos


Farmacêuticos (FENAFAR)

44 Federação Nacional dos


Fisioterapeutas e Terapeutas
Ocupacionais (FENAFITO)

45 Federação Nacional dos Médicos


Veterinários (FENAMEV)

46 Federação Nacional dos


Nutricionistas (FNN)

Nota (5252020) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 41


47 Federação Nacional dos Psicólogos
(FENAPSI)

48 Fórum de Entidades Nacionais da


Psicologia Brasileira (FENPB)

Rede Nacional de Ensino e


Pesquisa em Terapia Ocupacional
49
(RENETO)

50 Rede Unida

51 Sindicato dos Enfermeiros do


Estado de São Paulo (SEESP)

52 Sindicato dos Fisioterapeutas e


Terapeutas Ocupacionais do Estado
da Bahia (SINFITO-BA)

Nota (5252020) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 42


53 Sociedade Brasileira de
Fonoaudiologia (SBFa)

54 União Brasileira de Mulheres


(UBM)

Com o apoio do Conselho Nacional de Saúde

Brasília, março de 2018.

Nota (5252020) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 43


RESOLUÇÃO No 515, DE 07 DE OUTUBRO DE 2016

O Plenário do Conselho Nacional de Saúde (CNS), em sua Ducentésima Octogésima


Sexta Reunião Ordinária, realizada nos dias 6 e 7 de outubro de 2016, e no uso de suas
competências regimentais e atribuições conferidas pela Lei no 8.080, de 19 de setembro de 1990;
pela Lei no 8.142, de 28 de dezembro de 1990; pelo Decreto no 5.839, de 11 de julho de 2006;
cumprindo as disposições da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, da
legislação brasileira correlata; e
Considerando que a Constituição Federal de 1988 determina que a saúde é direito de
todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução
do risco de doenças e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços
para sua promoção, proteção e recuperação;
Considerando que compete ao Sistema Único de Saúde (SUS) a ordenação da formação
de recursos humanos na área da saúde;
Considerando que a Lei no 8.080, de 1990, dispõe que estão incluídas no campo de
atuação do SUS a execução de ações de ordenação da formação de recursos humanos na área da
saúde;
Considerando que a Lei no 8.142, de 1990, dispõe que o CNS, em caráter permanente e
deliberativo, órgão colegiado composto por representantes do governo, prestadores de serviços,
profissionais de saúde e usuários, atua na formulação de estratégias e no controle da execução da
política de saúde na instância correspondente, inclusive nos aspectos econômicos e financeiros,
cujas decisões serão homologadas pelo chefe do poder legitimamente constituído em dada esfera
do governo;
Considerando que a Educação a Distância (EaD) já é um dispositivo aplicado nos cursos
de graduação, conforme a Portaria no 4.059, de 10 de dezembro de 2004, que autoriza as
instituições de ensino superior a introduzir, na organização pedagógica e curricular de seus
cursos superiores reconhecidos, a oferta de disciplinas integrantes do currículo na modalidade
semipresencial, com base no artigo 81 da Lei no 9.394, de 1996, desde que esta oferta não
ultrapasse 20% (vinte por cento) da carga horária total do curso;
Considerando que, neste caso, já é considerável o tempo para experienciar a
metodologia e a tecnologia, em se tratando da área da saúde, tornando desnecessária uma
formação em EaD para além dessa realidade;
Considerando o Decreto no 8.754, de 2016, que altera o Decreto no 5.773, de 2006, que
dispõe sobre o exercício das funções de regulação, supervisão e avaliação de instituições de
educação superior e cursos superiores de graduação e sequenciais no sistema federal de ensino;
Considerando que a oferta de cursos de graduação em Medicina, Odontologia,
Psicologia e Enfermagem, inclusive em universidades e centros universitários, depende de
autorização do Ministério da Educação (MEC), após manifestação do CNS;

Resolução (5252074) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 44


Considerando a Resolução CNS no 507, de 2016, que torna pública as propostas,
diretrizes e moções aprovadas pelas delegadas e delegados na 15a Conferência Nacional de
Saúde, com vistas a garantir-lhes ampla publicidade até que seja consolidado o Relatório Final;
Considerando que as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) dos cursos de graduação
da área da saúde têm em suas competências, habilidades e atitudes prerrogativas de uma
formação para o trabalho em equipe de caráter multidisciplinar, interdisciplinar e
transdisciplinar, à luz dos princípios do SUS, com ênfase na integralidade da atenção; e
Considerando que a formação para o SUS deve pautar-se na necessidade de saúde das
pessoas e, para tanto, requer uma formação interprofissional, humanista, técnica e de ordem
prática presencial, permeada pela integração ensino/serviço/comunidade, experienciando a
diversidade de cenários/espaços de vivências e práticas que será impedida e comprometida na
EaD,

RESOLVE:

Art. 1o Posicionar-se contrário à autorização de todo e qualquer curso de graduação da


área da saúde, ministrado totalmente na modalidade Educação a Distância (EaD), pelos prejuízos
que tais cursos podem oferecer à qualidade da formação de seus profissionais, bem como pelos
riscos que estes profissionais possam causar à sociedade, imediato, a médio e a longo prazos,
refletindo uma formação inadequada e sem integração ensino/serviço/comunidade.
Art. 2o No caso do disposto na Portaria no 4.059, de 2004, observar que não sejam
abrangidos nesta modalidade de ensino as disciplinas de caráter assistencial e de práticas que
tratem do cuidado/atenção em saúde individual e coletiva.
Art. 3o Que as DCNs da área de saúde sejam objeto de discussão e deliberação do CNS
de forma sistematizada, dentro de um espaço de tempo adequado para permitir a participação, no
debate, das organizações de todas as profissões regulamentadas e das entidades e movimentos
sociais que atuam no controle social, para que o Pleno do Conselho cumpra suas prerrogativas e
atribuições de deliberar sobre o SUS, sistema este que tem a responsabilidade constitucional de
regular os recursos humanos da saúde.

RONALD FERREIRA DOS SANTOS


Presidente do Conselho Nacional de Saúde

Homologo a Resolução CNS no 515, de 07 de outubro de 2016, nos termos do Decreto


de Delegação de Competência de 12 de novembro de 1991.

RICARDO BARROS
Ministro de Estado da Saúde

Publicada no DOU Nº 217, seção 1, página 61, em 11 de novembro de 2016.

Resolução (5252074) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 45


RESOLUÇÃO Nº 544, DE 10 DE MARÇO DE 2017

O Plenário do Conselho Nacional de Saúde - CNS, em sua Ducentésima


Nonagésima Primeira Reunião Ordinária, realizada nos dias 9 e 10 de março de 2017, e no
uso de suas competências regimentais e atribuições conferidas pela Lei no 8.080, de 19 de
setembro de 1990; pela Lei no 8.142, de 28 de dezembro de 1990; pelo Decreto no 5.839, de
11 de julho de 2006; cumprindo as disposições da Constituição da República Federativa do
Brasil de 1988, da legislação brasileira correlata; e
considerando que a Constituição Federal de 1988 determina que a saúde é
direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que
visem à redução do risco de doenças e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às
ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação;
considerando que compete ao Sistema Único de Saúde (SUS) a ordenação da
formação de recursos humanos na área da saúde;
considerando que a Lei n.º 8.080/1990 dispõe que estão incluídas no campo de
atuação do SUS a execução de ações de ordenação da formação de recursos humanos na área
da saúde;
considerando que a Lei n.º 8.142/1990 dispõe que o CNS, em caráter
permanente e deliberativo, órgão colegiado composto por representantes do governo,
prestadores de serviço, profissionais de saúde e usuários, atua na formulação de estratégias e
no controle da execução da política de saúde na instância correspondente, inclusive nos
aspectos econômicos e financeiros, cujas decisões serão homologadas pelo chefe do poder
legitimamente constituído em dada esfera do governo;
considerando que as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) dos cursos de
graduação da área da saúde têm em suas competências, habilidade e atitudes prerrogativas de
uma formação para o trabalho em equipe de caráter multidisciplinar, interdisciplinar e
transdisciplinar, à luz dos princípios do SUS, com ênfase na integralidade da atenção;
considerando a Resolução CNS n.º 507/2016, que torna públicas as propostas,
diretrizes e moções aprovadas pelas Delegadas e Delegados na 15ª Conferência Nacional de
Saúde, com vistas a garantir-lhes ampla publicidade até que seja consolidado o Relatório
Final;
considerando a Resolução CNS nº 515/2016, que resolve que as DCNs da área
de saúde sejam objeto de discussão e deliberação do CNS de forma sistematizada, dentro de
um espaço de tempo adequado para permitir a participação, no debate, das organizações de
todas as profissões regulamentadas e das entidades e movimentos sociais que atuam no
controle social, para que o Pleno do Conselho cumpra suas prerrogativas e atribuições de
deliberar sobre o SUS, sistema que tem a responsabilidade constitucional de regular os
recursos humanos da saúde.

considerando que a formação para o SUS deve pautar-se na necessidade de


saúde das pessoas e, para tanto, requer uma formação interprofissional, humanista, técnica e
de ordem prática presencial, permeada pela integração ensino/serviço/comunidade,
experienciando a diversidade de cenários/espaços de vivências e práticas que será impedida e
comprometida na modalidade de ensino a distância (EaD).

RESOLVE:

Resolução (5252213) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 46


Aprovar a Nota Técnica nº 003 contendo recomendações do Conselho
Nacional de Saúde à proposta de Diretrizes Curriculares Nacionais do curso de graduação em
Saúde Coletiva, conforme anexo.

RONALD FERREIRA DOS SANTOS


Presidente do Conselho Nacional de Saúde

Homologo a Resolução CNS Nº 544, de 10 de março de 2017, nos termos do


Decreto de Delegação de Competência de 12 de novembro de 1991.

RICARDO BARROS
Ministro de Estado da Saúde

Resolução (5252213) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 47


ANEXO

CONSELHO NACIONAL DE SAÚDE

NOTA TÉCNICA Nº 003/2017

ASSUNTO: Proposta de Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em


Saúde Coletiva.
INTRODUÇÃO
O Conselho Nacional de Saúde (CNS), órgão colegiado de caráter permanente e
deliberativo, que tem por finalidade atuar na formulação e no controle da execução da Política
Nacional de Saúde, no uso de suas competências regimentais e atribuições legais conferidas,
encaminha ao Conselho Nacional de Educação (CNE) as recomendações do CNS à proposta de
Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Graduação em Saúde Coletiva.
No uso de suas prerrogativas legais, o CNS, integrado pelos Ministérios e órgãos
competentes e por entidades representativas da sociedade civil, dispõe de comissões intersetoriais de
âmbito nacional, com a finalidade de articular políticas e programas de interesse para a saúde, cuja
execução envolva áreas não compreendidas no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). As políticas
e programas que ficam a cargo das comissões intersetoriais abrangem, em especial, as seguintes
atividades: I - alimentação e nutrição; II - saneamento e meio ambiente; III - vigilância sanitária e
farmacoepidemiologia; IV - recursos humanos; V - ciência e tecnologia; e VI - saúde do trabalhador.
(Art. 12, parágrafo único e Art. 13 e incisos da Lei nº 8.080/1990).
Para apreciação da proposta de Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de
Graduação em Saúde Coletiva, tomou-se como marco legal de referência a Lei nº 8.080, de 19 de
setembro de 1990, que regulamentou o artigo 200 da Constituição Federal de 1988, criando o SUS no
Brasil; a Lei nº 8.142, de 28 de dezembro de 1990, que dispõe sobre a participação da comunidade na
gestão do SUS e a Resolução CNS nº 350, de 09 de junho de 2005, que, entre outros, aprova critérios
de regulação da abertura e reconhecimento de novos cursos da área da saúde.
O papel do CNS, expressão máxima da representatividade de participação social (o
controle social), conta com a participação de usuários do SUS, trabalhadores vinculados aos
movimentos sociais organizados, e gestores (prestador de serviço e governo) que desenvolvem um
papel de monitoramento e controle das políticas públicas de saúde, mantendo-se vigilantes, críticos e
propositivos naquelas questões da formação de recursos humanos em saúde para o SUS. Nesse
sentido, a Comissão Intersetorial de Recursos Humanos e Relações de Trabalho – CIRHRT/CNS
submeteu à apreciação e aprovação do plenário do CNS os seguintes argumentos e proposições.
A CIRHRT considerou para sua análise, entre outros fatos, o de que os serviços
públicos integrantes do SUS constituem-se como campo de prática para o ensino e a pesquisa,
mediante normas específicas, elaboradas conjuntamente com o sistema educacional (art. 27, parágrafo

Resolução (5252213) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 48


único, da Lei nº 8.080/1990); e também o papel administrativo da União, Estados, Distrito Federal e os
Municípios, na participação da formulação e da execução da política de formação e desenvolvimento
de recursos humanos para a saúde.
Desse modo, buscou-se relacionar a proposta das Diretrizes Curriculares Nacionais do
Curso de Graduação em Saúde Coletiva, com os preceitos contidos na legislação de criação do SUS,
na legislação de proteção aos grupos humanos expostos a vulnerabilidades (programáticas, individuais
e sociais), incluindo a saúde entre seus determinantes e condicionantes, e nas políticas nacionais
vigentes dos campos da saúde e da educação.
ANÁLISE
Segundo o artigo 200 da Constituição Federal de 1988 compete ao SUS, entre outras
atribuições, a de ordenar a formação de recursos humanos na área de saúde (inciso III) e colaborar na
proteção do meio ambiente, nele compreendido o trabalho (inciso VIII), em saúde e seus trabalhadores
(profissionais de saúde, entre eles). Esse papel de ordenador na qualificação de trabalhadores para o
SUS requer dos dispositivos que regulam a formação de profissionais a sensibilidade para incorporar
as necessidades sociais em saúde, combinadas com as demandas do mundo do trabalho, a competência
profissional e o empenho do pensamento crítico, reflexivo e resolutivo desse trabalhador.
A graduação em Saúde Coletiva surgiu como uma ideia em função do reconhecimento
do desenvolvimento deste novo campo de saber e práticas, distinto da saúde pública institucionalizada,
e resultante da crítica a movimentos ideológicos que lhe precederam, a exemplo da Medicina
Preventiva, da Saúde Comunitária e da Medicina Familiar. Evoluiu como uma proposta decorrente da
criação de Institutos de Saúde Coletiva e similares em universidades públicas, comprometidos com o
projeto da Reforma Sanitária Brasileira (RSB) e com a implementação do SUS. E transformou-se num
projeto que identificava a necessidade de formação de novos sujeitos com ideais ético-políticos bem
definidos e com um corpo de conhecimentos e de práticas passíveis de serem assimilados desde a
graduação, cuja pertinência era admitida por diversos sujeitos do campo da saúde. Cabe ressaltar que a
criação dos cursos de graduação em Saúde Coletiva foi uma decisão ancorada, principalmente, no
atendimento a uma demanda reprimida por parte dos gestores do SUS de preencher os vazios de
profissionais em muitas localidades e serviços. Essa realidade vinha sendo problematizada há muito
tempo pelo Ministério da Saúde (MS), juntamente com os gestores dos Estados e municípios.
Portanto, antecipar a formação do sanitarista é considerado uma estratégia importante para a mudança
do modelo de atenção a saúde no país e criação de um novo ator em defesa da RSB e do SUS (Paim e
Pinto, 2013)1.
O SUS precisa de um graduado em Saúde Coletiva com perfil profissional que o
qualifique como ator estratégico e com identidade específica não garantida por outras graduações
disponíveis. Portanto, longe de se sobrepor aos demais integrantes da equipe de saúde, esse novo ator

1Paim, JS e Pinto, ICM. Graduação em Saúde Coletiva: conquistas e passos para além do sanitarismo. Revista Tempus Actas
em Saúde Coletiva. 2013; Ano VII Vol. 3. p.13-35.

Resolução (5252213) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 49


vem se associar de modo orgânico aos trabalhadores em Saúde Coletiva (Bosi e Paim, 2009)2. Dessa
forma, o curso de graduação em Saúde Coletiva teria a vantagem de reduzir o tempo de formação
deste profissional, sem prejuízo da formação pós-graduada. Ao contrário, o ensino da Saúde Coletiva
na pós-graduação seria beneficiado ao constituir efetivamente uma modalidade de qualificação
avançada e mais específica, sem prejuízo para o ensino da Saúde Coletiva nas demais áreas da Saúde,
uma vez que não haveria superposição competitiva deste profissional com as atribuições específicas
das demais profissões da área. A inserção dos profissionais formados em Saúde Coletiva no processo
de trabalho no âmbito das instituições de saúde evidencia a constituição de relações de
complementariedade com as demais profissões do setor saúde, sem prejuízo da especificidade e
identidade do campo de atuação de cada profissional (Teixeira, 2003)3.
A análise de viabilidade de implantação dos cursos de graduação em Saúde Coletiva
indica a existência de aspectos favoráveis relativos ao contexto sócio sanitário e político-institucional
em nível nacional, em função das tendências da política de Saúde e do processo de reforma do sistema
público de serviços de saúde em todo o país. Atualmente evidencia-se uma enorme demanda por
profissionais de nível superior capacitados para consolidar a RSB, integrando equipes para a
administração do SUS, em diversas modalidades de atuação, entre elas, gestão de sistemas locais de
saúde, gestão de unidades de saúde, administração de custos e auditoria, gestão de informação e gestão
de recursos humanos em saúde. Soma-se a isto o fato de que o fortalecimento dos processos de
reorientação do modelo de atenção, com ênfase na proposta de promoção e vigilância da saúde,
precisa ser respaldado pela formação de profissionais de Saúde Coletiva capazes de assumir os
desafios dessa transformação (Teixeira & Paim, 2002)4.
Sobre o mercado de trabalho para o profissional graduado em Saúde Coletiva, o
cenário descrito permite antever uma demanda no setor público (demanda em expansão a curto, médio
e longo prazo), no setor privado (na administração de sistemas e serviços de Saúde) e no “terceiro
setor”, na medida em que avance a mobilização das Organizações Não-Governamentais na defesa e
proteção da saúde. Especialmente no âmbito do SUS cabe destacar a possibilidade de inserção dos
egressos no âmbito político-gerencial e técnico-assistencial, na medida em que os profissionais de
Saúde Coletiva podem se responsabilizar pelas práticas de formulação de políticas, planejamento,
programação, coordenação, controle e avaliação de sistemas e serviços de saúde, bem como contribuir
para o fortalecimento das ações de promoção da saúde e das ações de vigilância ambiental, sanitária e
epidemiológica, além de participarem de outras ações estratégicas para a consolidação do processo de
mudança do modelo de atenção (Teixeira, 2003).
O trabalho teórico e empírico no campo da saúde coletiva desenvolvido nas
instituições acadêmicas deu suporte a um movimento político em torno da crise da saúde iniciado em

2 Bosi, MLM e Paim JS. Graduação em Saúde Coletiva: limites e possibilidades como estratégia de formação
profissional. Ciência & Saúde Coletiva. 2010; Vol. 15, n. 4, p. 2029-2038.
3 Teixeira, CF. Graduação em Saúde Coletiva: antecipando a formação do Sanitarista. Interface - Comunicação, Saúde,

Educação. 2003. Vol. 7, n.13, p.163-166.


4 Teixeira, CF e Paim, JS. Conjuntura atual e perspectivas da formação de recursos humanos para o SUS. In: Seminário

Resolução (5252213) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 50


meados dos anos 1970, no contexto das lutas pela redemocratização do país, e se difundiu a centros de
estudos, associações profissionais, sindicatos de trabalhadores, organizações comunitárias, religiosas e
partidos políticos, contribuindo para a formulação e execução de um conjunto de mudanças
identificadas como a Reforma Sanitária Brasileira (Paim e col., 2011)5. Esse movimento possibilitou a
construção dos pilares do campo da Saúde Coletiva nas ciências sociais e humanas, na epidemiologia e
na política, planificação e gestão em novas bases teóricas e epistemológicas (Paim, 2008)6. A
identidade científica e profissional do campo da Saúde Coletiva foi conferida pelo objetivo de
construir um marco teórico-metodológico que fosse além do campo conceitual de ciências biológicas e
das ciências médicas na compreensão do processo saúde-doença e da realidade sanitária brasileira,
através do desenvolvimento de estudos que trabalhassem para mediação entre teoria social e saúde,
dentro de uma proposta multidisciplinar de organização do trabalho científico e pela intenção de
promover um movimento político progressista em prol da reorganização da ação estatal no campo
sanitário, de orientação inversa ao caráter privatista, medicalizador e excludente que caracterizava o
perfil assistencial do sistema de saúde brasileiro (Ribeiro, 1991)7.
A graduação em Saúde Coletiva se expressa, portanto, como uma necessidade do SUS
de fortalecer a formação de profissionais comprometidos com a garantia do direito universal a saúde,
ampliar a capacidade institucional do sistema e potencializar o trabalho interdisciplinar em saúde.

ENCAMINHAMENTO
Em virtude da análise feita apresenta-se a seguir as contribuições da Comissão
Intersetorial de Recursos Humanos e Relações de Trabalho do Conselho Nacional de Saúde, e seu
Grupo de Trabalho (GT), aprovado na 286ª Reunião Ordinária - RO, ocorrida em 6 e 7 de outubro de
2016, à redação8 das Diretrizes Curriculares Nacionais do curso de graduação em Saúde Coletiva, nos
termos abaixo indicados:

Institui Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Saúde Coletiva


e dá outras providências.

O Presidente da Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de


Educação tendo em vista o exposto na Lei nº 9.131 de 24 de novembro de 1995, acerca da deliberação
sobre Diretrizes Curriculares de cursos de nível superior, considerando a Lei de Diretrizes e Bases da

Nacional da Rede Unida, 2002, Londrina. Relatório Londrina, 2002. s/p.


5 Paim J, Travassos C, Almeida C, Bahia L, Macinko J. O sistema de saúde brasileiro: história, avanços e desafios. The

Lancet. Saúde no Brasil. 2011. Vol 1. p.11-31.


6 Paim JS. Reforma Sanitária Brasileira: contribuição para a compreensão e crítica. Salvador: EDUFBA; Rio de Janeiro:

Fiocruz; 2008.
7 Ribeiro, PT. A instituição do campo científico da Saúde Coletiva no Brasil [dissertação]. Rio de Janeiro: Escola Nacional de

Saúde Pública. 1991. p.132.


8 As alterações textuais recomendadas pelo CNS/CIRHRT estão destacadas em letra vermelha ao longo dos Capítulos,

Seções e Subseções.

Resolução (5252213) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 51


Educação Nacional nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, a Lei Orgânica da Saúde e leis
regulamentadoras do Sistema Único de Saúde nº 8.080, de 19 de setembro de 1990; nº 8.142, de 28 de
dezembro de 1990; o Decreto nº 7.508, de 28 de junho de 2011 e a Lei Complementar nº 141 de 13 de
janeiro de 2012, a Resolução nº 350, do Conselho Nacional de Saúde, de 09 de junho de 2005; a tabela
de atividades da família ocupacional 2033-20 observada na Portaria Ministerial nº397, do Ministério
do Trabalho e Emprego, de 9 de outubro de 2002, que identifica a tabela de atividades da família
ocupacional 2033-20 na Classificação Brasileira de Ocupações e a definição das Funções Essenciais
da Saúde Pública, da Organização Mundial da Saúde, em 2000, como renovação da estratégia de saúde
para todos no Século XXI e como tarefa internacional à Educação em Saúde Pública.

RESOLVE:
Art. 1º - Instituir as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) a serem observadas
pelas Instituições de Educação Superior (IES) no Brasil quanto à elaboração e implementação do
Projeto Pedagógico de Curso, organização e avaliação da Graduação em Saúde Coletiva.

Capítulo 1
DO OBJETO

Art. 2º - As DCN do Curso de Graduação em Saúde Coletiva estabelecem o perfil do


Bacharel em Saúde Coletiva e os componentes curriculares fundamentais para a formação.

Capítulo 2
DO PERFIL DO BACHAREL EM SAÚDE COLETIVA

Art. 3º - O graduado em Saúde Coletiva terá formação generalista, humanista, crítica,


reflexiva, ética e transformadora, comprometida com a melhoria da qualidade de vida e saúde da
população, capaz de atuar na análise, monitoramento e avaliação de situações de saúde, formulação de
políticas, planejamento, programação e avaliação de sistemas e serviços de saúde, no desenvolvimento
de ações intersetoriais de promoção de saúde, educação e desenvolvimento comunitário na área de
saúde, bem como na execução de ações de vigilância e controle de riscos e agravos à saúde e no
desenvolvimento científico e tecnológico da área de Saúde Coletiva com responsabilidade social e
compromisso com a dignidade humana, cidadania e defesa da democracia, do direito universal a saúde
e do Sistema Único de Saúde, tendo como orientadora a determinação social do processo saúde-
doença.

Art. 4º - A formação do Bacharel em Saúde Coletiva proporcionará competências


específicas e interprofissionais para o exercício profissional nos sistemas, programas e serviços, assim
como em outros espaços sociais e intersetoriais em que se desenvolvam ações na perspectiva da
integralidade da saúde.

Resolução (5252213) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 52


Parágrafo único. O detalhamento das estratégias pedagógicas para alcançar o caráter
interdisciplinar e intersetorial da formação deverá estar detalhado no Projeto Pedagógico do Curso e
abranger as subáreas de Epidemiologia, de Política, Planejamento e Gestão em Saúde e de Ciências
Sociais e Humanas em Saúde.

Art. 5º - Para o exercício profissional que articule conhecimentos, habilidades e


atitudes requeridas ao egresso, a formação do Bacharel em Saúde Coletiva desdobra-se nos seguintes
núcleos de conhecimentos e práticas:

I - Gestão em Saúde;

II - Atenção à Saúde;

III - Educação em Saúde.

Seção I
Gestão em Saúde

Art. 6º - O núcleo de Gestão em Saúde proporcionará o desenvolvimento de


competências para a atuação em política, planejamento, gestão, avaliação e auditoria de sistemas e
serviços de saúde.

Art. 7º - O núcleo de Gestão em Saúde estrutura-se em 5 (cinco) competências:

I - Análise de políticas públicas relacionadas à saúde.

II - Planejamento, gestão, avaliação e auditoria em sistemas e serviços de saúde;

III - Participação social em saúde;

IV - Gestão do trabalho na saúde;

V - Regulação setorial e fiscalização em saúde.

Art. 8º - O desenvolvimento da competência da Análise e atuação em políticas


públicas relacionadas à saúde envolve 4 (quatro) dimensões:

I - Análise da conjuntura e identificação dos atores implicados na produção da saúde;


II - Construção, negociação e implementação de políticas de saúde;

III - Articulação de segmentos e atores;

IV - Monitoramento, avaliação e auditoria de políticas de saúde em contextos locais,


de região de saúde, de geografia política, nacionais e internacional.

Art. 9º - O desenvolvimento da competência de Planejamento, Gestão, Avaliação e


auditoria dos Sistemas e Serviços de Saúde na formação do Bacharel em Saúde Coletiva envolve 4
(quatro) dimensões:

I - Planejamento, gestão, avaliação e auditoria de planos, projetos, programas e ações

Resolução (5252213) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 53


de saúde.
II - Avaliação, monitoramento e auditoria do desempenho e das respostas dos sistemas
e serviços de saúde.
III - Processos de tomada de decisão;
IV - Planificação e gestão em saúde.

Art. 10 - O desenvolvimento da competência da Participação Social em Saúde


envolve a elaboração de metodologias participativas para o planejamento, o desenvolvimento e a
fiscalização de ações em saúde.

Art. 11 - O desenvolvimento da competência de Gestão do Trabalho e da Educação


em Saúde na formação do Bacharel em Saúde Coletiva envolve 4 (quatro) dimensões:

I - Análise de processos de trabalho em saúde;

II - Gestão da força de trabalho;

III - Organização e gerenciamento do trabalho em equipes;

IV - Estabelecimento de abordagens comunicativas para mediar conflitos e conciliar


possíveis visões divergentes entre os sujeitos do trabalho em saúde.

Art. 12 - O desenvolvimento da competência de Regulação Setorial e Fiscalização em


Saúde envolve 2 (duas) dimensões:

I - Elaboração de normas e procedimentos para a fiscalização e auditoria das ações dos


setores complementar e suplementar ao SUS;

II - Monitoramento, avaliação e auditoria de ações, serviços, redes e sistemas do


componente privado e suplementar ao SUS.

Seção II
Atenção à Saúde

Art. 13 – O núcleo de Atenção à Saúde proporcionará o desenvolvimento de


competências para a atuação em ações multiprofissionais, interdisciplinares e intersetoriais de
promoção, proteção e recuperação da saúde, bem como na prevenção de agravos e produção da
qualidade de vida, pautadas na integralidade, equidade e humanização da atenção à saúde. Serão
desenvolvidas as capacidades de atuação na organização das linhas de cuidado e redes de atenção, na
vigilância em saúde, nas ações coletivas para a promoção e recuperação da saúde individual e coletiva,
nas ações de saúde ambiental de proteção da saúde coletiva e ações populacionais de proteção
sanitária.

Art. 14 - O núcleo de Atenção à Saúde estruturam-se em 3 (três) competências:

Resolução (5252213) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 54


I - Organização da atenção integral à saúde;

II - Vigilância em saúde e saúde ambiental;

III - Promoção da saúde individual e coletiva e práticas coletivas de orientação e


intervenção em saúde.

Art. 15 - O desenvolvimento da competência Organização da Atenção Integral à


Saúde envolve 2 (duas) dimensões:

I - Planejamento e cogerenciamento de linhas de cuidado;

II - Apoio matricial e institucional.

Art. 16 – O desenvolvimento da competência da Vigilância em Saúde e Saúde


Ambiental envolve 5 (cinco) dimensões:

I - Análise de Situação de Saúde;


II - Prevenção e controle de condicionantes e determinantes dos estados de saúde-
doença-agravos, de riscos e danos à saúde das populações;
III - Monitoramento da situação de saúde, mediante sistemas de informação e sistemas
de vigilância epidemiológica, sanitária, em saúde do trabalhador e em saúde ambiental;
IV - Saúde ambiental;
V - Sistemas de informação, divulgação e comunicação relativos à saúde em
populações.

Art. 17- O desenvolvimento da competência de Promoção da saúde individual e


coletiva e práticas coletivas de orientação e intervenção em saúde envolve 4 (quatro) dimensões:

I - Identificação das necessidades de promoção da saúde junto aos usuários dos


serviços sanitários ou outros educadores sociais, profissionais e ocupações de saúde em geral;
II - Desenvolvimento de ações de promoção da saúde em diferentes serviços de saúde
e outros cenários de atuação, com ênfase no compartilhamento de conhecimentos;
III - Desenvolvimento de estratégias interativas para a disseminação de práticas de
proteção à saúde.

IV - Elaboração compartilhada e interprofissional de projetos terapêuticos,


estimulando o autocuidado e autonomia das pessoas, famílias, grupos e comunidades reconhecendo os
usuários como protagonistas ativos de sua própria saúde.

Seção III
Educação em Saúde

Resolução (5252213) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 55


Art. 18 – O núcleo de Educação em Saúde proporcionará o desenvolvimento de
competências para a atuação em práticas pedagógicas, de desenvolvimento profissional, de
mobilização popular e ativismo comunitário; para investigação e construção participativa de
conhecimentos em saúde; para condução de programas formativos e pedagógicos em diversos cenários
e para o exercício da docência.

Art. 19 – O núcleo de Educação em Saúde estrutura-se em 3 (três) competências:

I – Educação permanente em saúde e práticas pedagógicas em serviços de saúde;

II – Educação popular em saúde e ativismo comunitário;

III - Investigação e docência na saúde.

Art. 20 – O desenvolvimento da competência de Educação Permanente em Saúde e


Práticas Pedagógicas em Serviços de Saúde envolve 3 (três) dimensões:

I - Aprendizagem cooperativa em ambientes de trabalho.

II - Levantamento de necessidades formativas nos serviços de saúde.

III - Mobilização e participação em equipes para pesquisa-intervenção, pesquisa- ação


e estudo-ação.

Art. 21 - O desenvolvimento da competência da Educação Popular em Saúde e


Ativismo Comunitário envolve 4 (quatro) dimensões:

I - Implementar estratégias de educação popular em saúde, no estímulo à ação


comunitária em projetos de vida e saúde, cultura e saúde, movimento social e saúde, luta por direitos e
enfrentamento das desigualdades sociais e sanitárias;
II - Desenvolver estratégias e tecnologias sociais de ação em saúde;
III - Desenvolver estratégias para a popularização da ciência;
IV - Desenvolver estratégias que promovam o empoderamento, a autonomia e o
engajamento de pessoas, famílias e comunidades.

Art. 22 – O desenvolvimento da competência da Investigação e Docência na Saúde


envolve 3 (três) dimensões:

I - Aplicar métodos e procedimentos de pesquisa em saúde;


II - Produzir materiais técnico-científicos, educativos e organizar eventos de
divulgação, comunicação e educação em saúde;
III - Planejar e realizar processos pedagógicos na saúde.

Capítulo 3

DO PROJETO PEDAGÓGICO DE CURSOS DE GRADUAÇÃO EM SAÚDE COLETIVA

Resolução (5252213) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 56


Seção I

PRINCÍPIOS E PRESSUPOSTOS AO CURRÍCULO

Art. 23 – O Projeto Pedagógico de Curso na Graduação em Saúde Coletiva deverá ser


construído coletivamente por conselhos de saúde, estudantes, movimentos sociais, gestores e a
participação da comunidade, e observará os seguintes princípios e pressupostos:

I - Desenvolvimento curricular orientado à compreensão das necessidades sociais em


saúde;
II - Ter o estudante como protagonista da aprendizagem;
III - Desenvolver nos profissionais em formação a capacidade de aprender
continuamente e a apropriação de princípios e perspectivas da educação permanente em saúde;
IV - Fomentar nos discentes e docentes responsabilidade, ética e compromisso com a
própria educação e a formação das futuras gerações de profissionais, preparados para o acolhimento de
graduandos e residentes da área da saúde, proporcionando condições para que haja benefício mútuo
entre os futuros profissionais e os profissionais dos serviços, inclusive, mediante a mobilidade
acadêmica e profissional, as vivências e estágios na realidade do Sistema Único de Saúde e a
cooperação por meio de redes nacionais e internacionais;
V - Promover a formação integral e adequada do estudante, articulando ensino,
pesquisa e extensão em compromisso com o conhecimento científico e o interesse popular,
especialmente no tocante a gestão, atenção, educação e participação em saúde;
VI - Contemplar atividades complementares e mecanismos para o aproveitamento de
conhecimentos adquiridos pelo estudante mediante estudos e práticas independentes, presenciais ou a
distância, como monitorias; estágios extracurriculares; programas de iniciação científica, iniciação
tecnológica e iniciação à docência; programas de extensão, de educação tutorial e de educação pelo
trabalho; estudos adicionais e cursos realizados em áreas afins; participação em eventos e no
movimento estudantil e participação em instâncias de participação popular em saúde ou de controle
social em saúde;
VII - Criar oportunidades integradas de aprendizagem, desde o início e ao longo de
todo o curso de graduação, tendo a Epidemiologia, a Política, Planejamento e Gestão em Saúde e as
Ciências Sociais e Humanas em Saúde como os eixos fundamentais na formação do sanitarista;
VIII - Criar oportunidades de inserção nas redes de gestão e atenção em saúde,
consideradas como cenários de aprendizagem, desde o início e ao longo de todo o curso de graduação;
IX - Contribuir para a reflexão, compreensão, interpretação, preservação, reforço,
fomento e difusão das culturas e práticas nacionais e regionais em saúde, inseridas nos contextos
internacionais e históricos, respeitando o pluralismo de concepções e a diversidade cultural.

Resolução (5252213) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 57


Art. 24 - Deverão ser utilizadas metodologias participativas de ensino e avaliação da
aprendizagem, do processo didático e do próprio curso, desenvolvendo instrumentos que verifiquem a
estrutura, os processos e os resultados, em consonância como Sistema Nacional de Avaliação da
Educação Superior (SINAES) e com a dinâmica curricular definida pela IES em que for implantado e
desenvolvido.

Art. 25 - As Instituições de Educação Superior deverão desenvolver programas de


formação e desenvolvimento da docência em Saúde Coletiva, com vistas à valorização do trabalho
docente na graduação, ao maior envolvimento dos professores com o Curso e com as atividades
desenvolvidas em comunidade, nas cidades, nas regiões de saúde ou junto às redes de gestão e atenção
do Sistema Único de Saúde.

Art. 26 - Os Cursos de Graduação em Saúde Coletiva deverão desenvolver ou


fomentar programas permanentes de formação e desenvolvimento dos profissionais do Sistema Único
de Saúde, com vistas à melhoria do processo de ensino-aprendizagem nos cenários de práticas e da
qualidade da gestão e da atenção em saúde da população.

Seção II
INFRAESTRUTURA RECOMENDADA

Art. 27 – A infraestrutura recomendada atende aos requisitos do modelo de


aprendizagem e às necessidades formativas, devendo cada curso contar com salas de aula e salas
multiuso para dinâmicas grupais, vivências ludo pedagógicas e simulação de práticas sociais, espaços
de convivência e biblioteca, assim como acesso sem fio à Internet.

Art. 28 – A infraestrutura complementar em laboratórios e observatórios poderá


incluir laboratório de promoção da saúde para o exercício de práticas coletivas sociointerativas, ludo
pedagógicas e vivenciais; laboratório de políticas e participação social em saúde para o
desenvolvimento de processos e simulações consultivas, de construção de negociações e pactuações e
audiências públicas.

Art. 29 - Exige-se o acesso às principais bases de dados para o estudo em saúde da


população, softwares gráficos, estatísticos e de geoprocessamento, formulários para coleta de
informações, preferencialmente em bases de dados oficiais e softwares livres, portal de periódicos e
base de dados em dissertações e teses.

Seção III
Dos conteúdos curriculares

Resolução (5252213) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 58


Art. 30 - São fundamentais para o Curso de Graduação em Saúde Coletiva os
componentes curriculares necessários para a atuação compreensão do processo saúde-doença-cuidado-
qualidade-de-vida, tomando por referência as subáreas da Saúde Coletiva: Epidemiologia; Política,
Planejamento e Gestão em Saúde e Ciências Sociais e Humanas na Saúde, levando em consideração as
seguintes temáticas:

I - Ciências básicas da vida.


II - Epidemiologia: usos e aplicações no desenvolvimento dos serviços e da atenção à
saúde;
III - Gestão, planificação e processos de avaliação e auditoria em saúde;
IV - Políticas públicas e sistemas de saúde;
V - Humanidades em saúde;
VI - Educação, comunicação e promoção da saúde;
VII - Saúde ambiental, análise de situação de saúde e vigilâncias da saúde;
VIII - Pesquisa, ciência tecnologia e inovação em saúde.

Art. 31 - Os conteúdos no currículo do Curso de Graduação em Saúde Coletiva, bem


como sua organização curricular, levarão em consideração as características locorregionais, a inserção
institucional do curso, a flexibilidade de estudos e as demandas e expectativas de desenvolvimento do
campo de saberes e práticas da saúde coletiva.

Art. 32 - A carga horária mínima do Curso de Graduação em Saúde Coletiva é de


3.200 (três mil e duzentas) horas e prazo mínimo de 4 (quatro) anos para sua integralização.

Art. 33 - A formação em Saúde Coletiva inclui estágio curricular obrigatório,


abrangendo prioritariamente seus 3 (três) núcleos de conhecimentos e práticas: Gestão em Saúde,
Atenção à Saúde e Educação em Saúde.

§1º- O Projeto Pedagógico de Curso deverá descrever detalhadamente as modalidades


de estágio, preceptoria e supervisão que serão oferecidas nos estágios curriculares.

§2º- A carga horária mínima do estágio curricular obrigatório é de 600 (seiscentas)


horas.

§3º- Recomenda-se que o mínimo de 40% (quarenta por cento) da carga horária
prevista para o estágio curricular obrigatório seja desenvolvido na Gestão de Sistemas e Serviços de
Saúde.

Art. 34 - Além do estágio curricular obrigatório, o Projeto Pedagógico de Curso deve


dedicar pelo menos 10% da sua carga horária total ou por componente curricular às atividades
extensão, interação e/ou vivência nas redes de atenção à saúde e intersetoriais, em instâncias de
controle social em saúde, órgãos de gestão do Sistema Único de Saúde e outros cenários de

Resolução (5252213) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 59


intervenção do sanitarista ao longo de toda a graduação, de maneira transversal às diferentes etapas do
curso ou contemplando os diferentes componentes curriculares.

Art. 35 - O Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) é componente curricular


obrigatório e deverá constar do projeto pedagógico do curso e suas características, estabelecidas em
regulamento próprio.

Art. 36 - As atividades complementares, de livre eleição pelos estudantes, devem


contemplar diversificadamente os campos do ensino, pesquisa e extensão, além do ativismo
comunitário ou estudantil, quando possível, correspondendo a pelo menos 200 (duzentas) horas.

Art. 37 - As atividades com uso de Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC)


devem estar presentes ao longo de todo o curso de graduação.

Capítulo 4
DAS DISPOSIÇÕES GERAIS

Art. 38 - Nos cursos iniciados antes da vigência desta Resolução, as adequações


curriculares deverão ser progressivamente implantadas em um prazo máximo de 3 (três) anos a contar
de sua publicação.

Parágrafo único. As Instituições de Educação Superior poderão optar pela aplicação


dessas Diretrizes Curriculares Nacionais ao conjunto de seus alunos, mediante adaptação curricular ou
a partir do primeiro ingresso subsequente à sua publicação.

Art. 39 - Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação.

Resolução (5252213) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 60


RESOLUÇÃO No 546, DE 7 DE ABRIL DE 2017.

O Plenário do Conselho Nacional de Saúde (CNS), em sua Ducentésima Nonagésima


Segunda Reunião Ordinária, realizada nos dias 6 e 7 de abril de 2017, e no uso de suas
competências regimentais e atribuições conferidas pela Lei n.º 8.080, de 19 de setembro de
1990; pela Lei n.º 8.142, de 28 de dezembro de 1990; pelo Decreto n.º 5.839, de 11 de julho
de 2006; cumprindo as disposições da Constituição da República Federativa do Brasil de
1988, da legislação brasileira correlata; e
Considerando que a Constituição Federal de 1988 determina que a saúde é direito de
todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem a
redução do risco de doenças e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e
serviços para sua promoção, proteção e recuperação;
Considerando que compete ao Sistema Único de Saúde (SUS) a ordenação da
formação de recursos humanos na área da saúde;
Considerando que a Lei n.º 8.080/1990 dispõe que está incluída, no campo de
atuação do SUS, a execução de ações de ordenação da formação de recursos humanos na área
da saúde;
Considerando que a Lei n.º 8.142/1990 dispõe que o CNS, em caráter permanente e
deliberativo, órgão colegiado composto por representantes do governo, prestadores de
serviço, profissionais de saúde e usuários, atua na formulação de estratégias e no controle da
execução da política de saúde na instância correspondente, inclusive nos aspectos econômicos
e financeiros, cujas decisões serão homologadas pelo chefe do poder legitimamente
constituído em dada esfera do governo;
Considerando que as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) dos cursos de
graduação da área da saúde têm, em suas competências, habilidades e atitudes, prerrogativas
de uma formação para o trabalho em equipe de caráter multidisciplinar, interdisciplinar e
transdisciplinar, à luz dos princípios do SUS, com ênfase na integralidade da atenção;
Considerando a Resolução CNS n.º 507/2016, que torna públicas as propostas,
diretrizes e moções aprovadas pelas Delegadas e Delegados na 15ª Conferência Nacional de
Saúde, com vistas a garantir-lhes ampla publicidade até que seja consolidado o Relatório
Final;
Considerando a Resolução CNS nº 515/2016, que resolve que as DCN da área de
saúde sejam objeto de discussão e deliberação do CNS de forma sistematizada, dentro de um
espaço de tempo adequado para permitir a participação, no debate, das organizações de todas
as profissões regulamentadas e das entidades e movimentos sociais que atuam no controle
social, para que o pleno do CNS cumpra suas prerrogativas e atribuições de deliberar sobre o
SUS, sistema que tem a competência constitucional de regular os recursos humanos da saúde;
Considerando que a formação para o SUS deve pautar-se nas necessidades de saúde
das pessoas e, para tanto, requer uma formação interprofissional, humanista, técnica e de
ordem prática presencial, permeada pela integração ensino/serviço/comunidade,
experienciando uma diversidade de cenários/espaços de vivências e práticas que a modalidade
de ensino a distância (EaD) não possibilita.

Resolução (5252346) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 61


RESOLVE:

1) Aprovar a Nota Técnica Nº 005/2017 contendo recomendações do Conselho


Nacional de Saúde à proposta de Diretrizes Curriculares Nacionais do curso de graduação em
Farmácia, conforme anexo.

RONALD FERREIRA DOS SANTOS


Presidente do Conselho Nacional de Saúde

Homologo a Resolução CNS n.º 546, de 7 de abril de 2017, nos termos do Decreto
de Delegação de Competência de 12 de novembro de 1991.

RICARDO BARROS
Ministro de Estado da Saúde

Resolução (5252346) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 62


NOTA TÉCNICA Nº 005/2017

ASSUNTO: Proposta de Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de


Graduação em Farmácia

INTRODUÇÃO
O Conselho Nacional de Saúde (CNS), órgão colegiado de caráter permanente
e deliberativo, que tem por finalidade atuar na formulação e no controle da execução da
Política Nacional de Saúde, no uso de suas competências regimentais e atribuições legais,
conferidas por sua Secretaria Executiva (SE), encaminha ao Conselho Nacional de Educação
(CNE) suas recomendações à proposta de Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) para o
curso de graduação em Farmácia.
No uso de suas prerrogativas legais, o CNS (composto por Ministérios, órgãos
competentes e entidades representativas da sociedade civil) dispõe de comissões intersetoriais
de âmbito nacional, com a finalidade de articular políticas e programas de interesse para a
saúde, cuja execução envolva áreas não compreendidas no âmbito do Sistema Único de Saúde
(SUS). As políticas e programas que ficam a cargo das comissões intersetoriais abrangem, em
especial, as seguintes atividades: I - alimentação e nutrição; II - saneamento e meio ambiente;
III - vigilância sanitária e farmacoepidemiologia; IV - recursos humanos; V - ciência e
tecnologia; e VI - saúde do trabalhador. (Lei nº 8080/90, Art. 12, parágrafo único e Art.13 e
seus incisos).
Para apreciação da proposta das DCN do curso de graduação em Farmácia
tomou-se como marco legal de referência a Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990, que
regulamentou o artigo 200 da Constituição Federal de 1988, criando o SUS no Brasil e elevou
a assistência farmacêutica como direito de toda cidadã e cidadão brasileiro; a Lei nº 8.142, de
28 de dezembro de 1990, que dispõe sobre a participação da comunidade na gestão do SUS; a
Resolução CNS nº 350, de 9 de junho de 2005, que aprova critérios de regulação da abertura e
reconhecimento de novos cursos da área da saúde; a Resolução CNS nº 338, de 6 de maio de
2004, que aprova a Política Nacional de Assistência Farmacêutica; e a Lei nº 13.021, de 8 de
agosto de 2014, que dispõe sobre o exercício e a fiscalização das atividades farmacêuticas.

Resolução (5252346) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 63


A Comissão Intersetorial de Recursos Humanos e Relações de Trabalho
(CIRHRT/CNS) considerou para sua análise, entre outros aspectos, que os serviços públicos
integrantes do SUS constituem-se como campo de prática para o ensino e a pesquisa,
mediante normas específicas elaboradas conjuntamente com o sistema educacional (art. 27,
parágrafo único, da Lei nº 8.080/90); e também o papel administrativo da União, Estados,
Distrito Federal e Municípios na participação da formulação e da execução da política de
formação e desenvolvimento de recursos humanos para a saúde.
Desse modo, buscou-se relacionar a proposta de revisão das DCN do curso de
graduação em Farmácia, apresentada pela Associação Brasileira de Educação Farmacêutica
(ABEF), pelo Conselho Federal de Farmácia (CFF) e pela Federação Nacional dos
Farmacêuticos (FENAFAR), aos preceitos contidos na legislação de criação do SUS; à
legislação de proteção aos grupos humanos expostos a vulnerabilidades (programáticas,
individuais e sociais), incluindo a saúde entre seus determinantes e condicionantes; e às
políticas nacionais vigentes dos campos da saúde e da educação que têm interface com a
saúde, como é o caso da Política Nacional de Extensão Universitária.
O papel do CNS, expressão máxima da representatividade de participação
social (democracia participativa), conta com a participação de usuários do SUS,
trabalhadores, vinculados aos movimentos sociais organizados, e gestores (prestadores de
serviços e governo), que desenvolvem um papel de monitoramento e controle das políticas
públicas de saúde, mantendo-se vigilantes, críticos e propositivos nas questões da formação
dos trabalhadores da saúde para o SUS. Nesse sentido, a CIRHRT/CNS submeteu à
apreciação e aprovação do plenário do CNS os argumentos e proposições elencados a seguir.
ANÁLISE
Segundo o artigo 200 da Constituição Federal de 1988, compete ao SUS, entre
outras atribuições, ordenar a formação de recursos humanos na área de saúde (inciso III) e
colaborar na proteção do meio ambiente, nele compreendido o trabalho (inciso VIII) em saúde
e seus trabalhadores (profissionais de saúde, entre eles). Esse papel de ordenador na
qualificação de trabalhadores para o SUS requer dos dispositivos que regulam a formação de
profissionais a sensibilidade para incorporar as necessidades sociais em saúde, combinadas
com as demandas do mundo do trabalho, a competência profissional e o empenho do
pensamento crítico, reflexivo e resolutivo dessa trabalhadora e trabalhador.
A tecnologia em saúde e a inovação são instrumentos estratégicos para o
cumprimento do papel do farmacêutico enquanto protagonista na garantia da soberania

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nacional e do desenvolvimento de tecnologias e inovações que garantam o desenvolvimento
sustentável e independente do país.
Entre as áreas do conhecimento humano, a Farmácia assume um relevante
papel social, por ser o campo de pesquisa científica e tecnológica para a produção e controle
de fármacos, medicamentos e insumos, de reagentes químicos, bioquímicos e outros produtos
para diagnóstico, de cosméticos, saneantes e domissanitários, essenciais para as ações de
promoção e proteção da saúde, prevenção e cura de doenças/agravos, dos quais depende, em
grande parte, a recuperação da saúde.
Nesse contexto, o farmacêutico tem um papel fundamental no cuidado e na
comunicação com os pacientes, pois reúne características específicas que lhe conferem
possibilidades de atuação e de resolução de problemas básicos de saúde, tanto pela sua
formação, como por sua influência e contato com a comunidade.
No entendimento de que a formação profissional está intrinsecamente
relacionada com a atuação profissional, o currículo tem que ter competências que mobilizem
conhecimentos, saberes e atitudes que resultem em aptidão para a resolução de problemas,
tanto no setor público, como no setor privado, e deve proporcionar vivências em unidades de
saúde e o trabalho em equipe (interprofissional), atividades consideradas essenciais para
garantir os melhores resultados para a saúde do indivíduo, de sua família e da comunidade.
Além disso, é fundamental que as DCN prevejam a forma como a produção social da saúde
está colocada, reforçando que o profissional farmacêutico está inserido nesse processo como
um ator que atua enquanto agente transformador da sociedade, visando garantir saúde plena
para a população.
Desta forma, a seguir são apresentadas as recomendações da CIRHRT/CNS,
elaboradas por meio de seu Grupo de Trabalho – GT/DCN (aprovado na 286ª Reunião
Ordinária - RO, ocorrida em 6 e 7 de outubro de 2016), à redação1 das Diretrizes Curriculares
Nacionais do curso de graduação em Farmácia.

RECOMENDAÇÕES
CONTRIBUIÇÕES DA COMISSÃO INTERSETORIAL DE RECURSOS
HUMANOS E RELAÇÕES DE TRABALHO/CONSELHO NACIONAL DE SAÚDE À
REDAÇÃO DAS DIRETRIZES CURRICULARES NACIONAIS DO CURSO DE
GRADUAÇÃO EM FARMÁCIA

1 As alterações recomendadas pela CIRHRT/CNS estão destacadas em letra vermelha ao longo do texto.

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Institui Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Farmácia
e dá outras providências.
O Presidente da Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de
Educação, tendo em vista o disposto no Art. 9º, do § 2º, alínea “C”, da Lei nº 4.024, de 20 de
dezembro de 1961, com a redação dada pela Lei nº 9.131, de 24 de novembro de 1995, e com
fundamento no Parecer CES/CNE n° XX/2017, de XX de XXXX de 2017, homologado por
Despacho do Senhor Ministro de Estado da Educação, publicado no DOU de XX de XXXX
de 2017, peça indispensável do conjunto das presentes Diretrizes Curriculares Nacionais,
RESOLVE:
Art. 1º - A presente Resolução institui as Diretrizes Curriculares Nacionais
(DCN) do Curso de Graduação em Farmácia, a serem observadas na organização,
desenvolvimento e avaliação do Curso de Farmácia, no âmbito dos sistemas de ensino
superior do País.
Art. 2º- As Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em
Farmácia definem os princípios, fundamentos, condições e procedimentos da formação de
Farmacêuticos, estabelecidas pela Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de
Educação, para aplicação em âmbito nacional na organização, desenvolvimento e avaliação
dos projetos pedagógicos dos Cursos de Graduação em Farmácia das Instituições do Sistema
de Ensino Superior no País.
Art. 3º - O Curso de Graduação em Farmácia tem como perfil do formando
egresso/profissional o Farmacêutico, profissional da saúde, com formação centrada nos
fármacos, nos medicamentos e na assistência farmacêutica, e de forma integrada às análises
clínicas e toxicológicas, aos cosméticos e aos alimentos, em prol do cuidado à saúde do
indivíduo, da família e da comunidade. A formação deve ser pautada em princípios éticos e
científicos, capacitando para o trabalho nos diferentes níveis de complexidade do sistema de
saúde, por meio de ações de prevenção de doenças, de promoção, proteção e recuperação da
saúde, bem como na pesquisa e no desenvolvimento de serviços e de produtos para a saúde.
Art. 4º - A formação do farmacêutico deve ser humanista, crítica, reflexiva e
generalista, e ter concepção de referência nacional e internacional definida no Projeto
Pedagógico do Curso (PPC) de Graduação em Farmácia, na modalidade Bacharelado,
considerando: I - Os componentes curriculares que integrem conhecimentos teóricos e
práticos de forma interdisciplinar e transdisciplinar; II - O planejamento curricular que
contemple as prioridades de saúde, considerando os contextos nacional, regional e local em
que se insere o curso; III - Os cenários de práticas diversificados, inseridos na comunidade e

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nas redes de atenção à saúde, pública e/ou privada, caracterizados pelo trabalho
interprofissional e colaborativo; IV - As estratégias para a formação centradas na
aprendizagem do estudante, tendo o professor como mediador e facilitador desse processo; V
- As ações intersetoriais e sociais norteadas pelos princípios do Sistema Único de Saúde -
SUS; VI - A atuação profissional articulada com as políticas públicas e o desenvolvimento
científico e tecnológico, para atender às necessidades sociais; VII - O cuidado em saúde, a
gestão, a tecnologia e a inovação como elementos estruturais da formação; VIII - A tomada de
decisão com base na análise crítica e contextualizada das evidências científicas, da escuta
ativa do indivíduo, da família e da comunidade; IX - Liderança, ética, empreendedorismo,
respeito, compromisso, comprometimento, responsabilidade, empatia, gerenciamento e
execução de ações pautadas pela interação, participação e diálogo; X - O compromisso com o
cuidado e a defesa da saúde integral do ser humano, levando-se em conta aspectos
socioeconômicos, políticos, culturais, ambientais, étnico-raciais, de gênero, orientação sexual,
necessidades da sociedade, bem como características regionais; XI - A formação profissional
que capacite para intervir na resolutividade dos problemas de saúde do indivíduo, da família e
da comunidade; XII - A assistência farmacêutica, utilizando o medicamento e outras
tecnologias como instrumentos para a prevenção de doenças, promoção, proteção e
recuperação da saúde; XIII - A incorporação de tecnologias de informação e comunicação em
suas diferentes formas, com aplicabilidade nas relações interpessoais, pautada pela interação,
participação e diálogo, tendo em vista o bem-estar do indivíduo, da família e da comunidade;
XIV - A educação permanente e continuada, responsável e comprometida com a sua própria
formação, estímulo ao desenvolvimento, à mobilidade acadêmico-profissional, à cooperação
por meio de redes nacionais e internacionais, e à capacitação de profissionais.
Art. 5º - Dada a necessária articulação entre conhecimentos, competências,
habilidades e atitudes, para contemplar o perfil do egresso, a formação deve estar estruturada
nos seguintes eixos: I - Cuidado em Saúde; II - Tecnologia e Inovação em Saúde; III - Gestão
em Saúde.

§ 1º - Entende-se como cuidado em saúde um conjunto de ações e de serviços


ofertados ao indivíduo, família e comunidade, que considera a autonomia do ser humano, a
sua singularidade e o contexto real em que vive, por meio de atividades de promoção,
proteção e recuperação da saúde, além da prevenção de doenças, e que possibilite às pessoas
viverem melhor. A sua execução requer o desenvolvimento de competências para identificar e
analisar as necessidades de saúde do indivíduo, da família e da comunidade, bem como para

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planejar, executar e acompanhar ações em saúde, o que envolve: a) o acolhimento do
indivíduo, a verificação das necessidades, a realização da anamnese farmacêutica e o registro
das informações referentes ao cuidado em saúde, considerando o contexto de vida e a
integralidade do indivíduo; b) a avaliação e o manejo da farmacoterapia, com base em
raciocínio clínico, considerando necessidade, prescrição, efetividade, segurança, comodidade,
acesso, adesão e custo; c) a solicitação, realização e interpretação de exames clínico
laboratoriais e toxicológicos, a verificação e avaliação de parâmetros fisiológicos,
bioquímicos e farmacocinéticos, para fins de complementação de diagnóstico, prognóstico e
acompanhamento farmacoterapêutico e da provisão de outros serviços farmacêuticos; d) a
investigação de riscos relacionados à segurança do paciente, visando ao desenvolvimento de
ações preventivas e corretivas; e) a identificação de situações de alerta para o
encaminhamento a outro profissional ou serviço de saúde, atuando de modo a preservar a
saúde e a integridade do paciente; f) o planejamento, a coordenação e a realização de
diagnóstico situacional de saúde, com base em estudos epidemiológicos, demográficos,
farmacoepidemiológicos, farmacoeconômicos, clínico laboratoriais e socioeconômicos, além
de outras investigações de caráter técnico, científico e social, reconhecendo as características
nacionais, regionais e locais; g) a elaboração e aplicação de plano de cuidado farmacêutico,
pactuado com o paciente e/ou cuidador, e articulado com a equipe interprofissional de saúde,
com acompanhamento da sua evolução; h) a prescrição de terapias farmacológicas e não
farmacológicas e de outras intervenções relativas ao cuidado em saúde, conforme legislação
específica, no âmbito de sua competência profissional; i) a dispensação de medicamentos,
considerando o acesso e o seu uso seguro e racional; j) o rastreamento em saúde, a educação
em saúde, o manejo de problemas de saúde autolimitados, a monitorização terapêutica de
medicamentos, a conciliação de medicamentos, a revisão da farmacoterapia, o
acompanhamento farmacoterapêutico, a gestão da clínica, entre outros serviços farmacêuticos;
k) o esclarecimento ao indivíduo e, quando necessário, ao seu cuidador, sobre a condição de
saúde, tratamento, exames clínico-laboratoriais e outros aspectos relativos ao processo de
cuidado; l) a busca, a seleção, a organização, a interpretação e a divulgação de informações
que orientem a tomada de decisões baseadas em evidências científicas, em consonância com
as políticas de saúde; m) a promoção, a comunicação e a educação em saúde, bem como a
educação popular em saúde, envolvendo o indivíduo, a família e a comunidade, identificando
as necessidades de aprendizagem e promovendo ações educativas; n) a prescrição, a
orientação, a aplicação e o acompanhamento visando ao uso adequado de cosméticos e outros
produtos para a saúde; o) a orientação sobre o uso seguro e racional de alimentos relacionados

Resolução (5252346) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 68


à saúde, incluindo os parenterais e enterais, bem como os suplementos alimentares; p) a
prescrição, a aplicação e o acompanhamento das práticas integrativas e complementares, de
acordo com as políticas públicas de saúde e a legislação vigente.
§ 2º - Entende-se como tecnologia em saúde o conjunto organizado de todos os
conhecimentos científicos, empíricos ou intuitivos, empregados na pesquisa, no
desenvolvimento, na produção, na qualidade e na provisão de bens e serviços. A inovação,
por sua vez, é a solução de problemas tecnológicos, compreendendo a introdução ou melhoria
de processos, produtos, estratégias ou serviços, tendo repercussão positiva na saúde individual
e coletiva. A execução da tecnologia e inovação em saúde requer competências que
envolvem: I - Pesquisar, desenvolver, inovar, produzir, controlar e garantir a qualidade de: a)
fármacos, medicamentos e insumos; b) biofármacos, biomedicamentos, imunobiológicos,
hemocomponentes, hemoderivados e outros produtos biotecnológicos e biológicos; c)
reagentes químicos, bioquímicos e outros produtos para diagnóstico; d) alimentos,
preparações parenterais e enterais, suplementos alimentares e dietéticos; e) cosméticos,
saneantes e domissanitários; f) outros produtos relacionados à saúde. II - Pesquisar,
desenvolver, inovar, fiscalizar, gerenciar e garantir a qualidade de tecnologias de processos e
serviços aplicados à área da saúde, envolvendo: a) as tecnologias relacionadas a processos,
práticas e serviços de saúde; b) a sustentabilidade do meio ambiente e a minimização de
riscos; c) a avaliação da infraestrutura necessária à adequação de instalações e equipamentos;
d) a avaliação e implantação de procedimentos adequados de embalagem e de rotulagem; e) a
administração da logística de armazenamento e de transporte; f) a incorporação de tecnologia
de informação, a orientação e o compartilhamento de conhecimentos com a equipe de
trabalho; g) desenvolver as tecnologias relacionais, as quais são capazes de propiciar o
acolhimento necessário para que o usuário e o profissional possam se beneficiar da ação do
cuidado.
§ 3º - Entende-se como gestão em saúde um processo técnico, político e social,
capaz de integrar recursos e ações para a produção de resultados. A sua execução requer as
seguintes competências: I - Identificar e registrar os problemas e as necessidades de saúde, o
que envolve: a) conhecer e compreender as políticas públicas de saúde, aplicando-as de forma
articulada nas diferentes instâncias; b) conhecer e compreender a organização dos serviços e
sistema de saúde; c) conhecer e compreender a gestão da informação; d) participar nas
instâncias consultivas e deliberativas de políticas de saúde. II - Elaborar, implementar,
acompanhar e avaliar o plano de intervenção, processos e projetos, o que envolve: a) conhecer
e avaliar os diferentes modelos de gestão em saúde; b) conhecer e aplicar ferramentas,

Resolução (5252346) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 69


programas e indicadores que visem à qualidade e à segurança dos serviços prestados; c)
propor ações baseadas em evidências científicas nas realidades socioculturais, econômicas e
políticas; d) estabelecer e avaliar planos de intervenção e processos de trabalho; e) conhecer e
compreender as bases da administração e da gestão das empresas farmacêuticas. III-
Promover o desenvolvimento de pessoas e equipes, o que envolve: a) conhecer a legislação
que rege as relações com os trabalhadores e atuar na definição de suas funções e sua
integração com os objetivos da organização do serviço; b) desenvolver a avaliação
participativa das ações e serviços em saúde; c) selecionar, capacitar e gerenciar pessoas,
visando à implantação e à otimização de projetos, processos e planos de ação; d) participar
das instâncias do controle social do SUS.
Art. 6º - O curso de graduação em Farmácia deve estar alinhado com todo o
processo de saúde do indivíduo, da família e da comunidade, com a realidade epidemiológica,
socioeconômica e profissional, proporcionando a integralidade das ações de cuidado, gestão,
tecnologia e inovação em saúde, de modo que permita a mudança da prática como
transformadora da realidade. A formação em Farmácia requer conhecimentos e o
desenvolvimento de habilidades e atitudes, as quais devem ser trabalhadas de forma integrada
em: I - Ciências humanas e sociais aplicadas, ética e bioética, integrando a compreensão dos
determinantes sociais da saúde que consideram os fatores sociais, econômicos, políticos,
culturais, de gênero e de orientação sexual, étnico-raciais, psicológicos e comportamentais,
ambientais, do processo saúde-doença do indivíduo e da população; II - Ciências exatas,
contemplando os campos das ciências químicas, físicas, físico-químicas, matemáticas,
estatísticas, e de tecnologia de informação que compreendem seus domínios teóricos e
práticos, aplicadas às ciências farmacêuticas; III - Ciências biológicas, contemplando as bases
moleculares e celulares, os processos fisiológicos, patológicos e fisiopatológicos da estrutura
e da função dos tecidos, dos órgãos, dos sistemas e dos aparelhos, e o estudo de agentes
infecciosos e parasitários, dos fatores de risco e de proteção para o desenvolvimento de
doenças, aplicadas à prática, dentro dos ciclos de vida; IV - Ciências da saúde, contemplando
o campo da saúde coletiva, a organização e a gestão de pessoas, de serviços e do sistema de
saúde, programas e indicadores de qualidade e segurança dos serviços, políticas de saúde,
legislação sanitária, bem como epidemiologia, comunicação, educação em saúde, práticas
integrativas e complementares, que considerem a determinação social do processo saúde-
doença; V - Ciências farmacêuticas, que contempla: a) assistência farmacêutica, serviços
farmacêuticos, farmacoepidemiologia, farmacoeconomia, farmacovigilância, hemovigilância
e tecnovigilância, em todos os níveis de atenção à saúde; b) farmacologia, farmacologia

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clínica, semiologia farmacêutica, terapias farmacológicas e não farmacológicas, farmácia
clínica, toxicologia, serviços clínico-farmacêuticos e procedimentos dirigidos ao paciente,
família e comunidade, cuidados farmacêuticos e segurança do paciente; c) química
farmacêutica e medicinal, farmacognosia, química de produtos naturais, fitoterapia e
homeopatia; d) farmacotécnica, tecnologia farmacêutica e processos e operações
farmacêuticas, magistrais e industriais, aplicadas a fármacos e medicamentos alopáticos,
homeopáticos, fitoterápicos, cosméticos, radiofármacos, alimentos e outros produtos para a
saúde, planejamento e desenvolvimento de insumos, de fármacos, de medicamentos e de
cosméticos; e) controle e garantia da qualidade de produtos, processos e serviços
farmacêuticos; f) deontologia, legislação sanitária e profissional; g) análises clínicas,
contemplando o domínio de processos e técnicas de áreas como microbiologia clínica,
imunologia clínica, bioquímica clínica, hematologia clínica, parasitologia clínica e
citopatologia clínica; h) genética e biologia molecular; i) análises toxicológicas,
compreendendo o domínio dos processos e técnicas das diversas áreas da toxicologia; j)
gestão de serviços farmacêuticos; farmácia hospitalar, farmácia em oncologia e terapia
nutricional; k) análises de água, de alimentos, de medicamentos, de cosméticos, de saneantes
e de domissanitários. VI - Pesquisa e desenvolvimento para a inovação, a produção, a
avaliação, o controle e a garantia da qualidade de insumos, fármacos, medicamentos,
cosméticos, saneantes, domissanitários, insumos e produtos biotecnológicos, biofármacos,
biomedicamentos, imunobiológicos, hemocomponentes, hemoderivados, e de outros produtos
biotecnológicos e biológicos, além daqueles obtidos por processos de farmacogenética e
farmacogenômica, insumos e equipamentos para diagnóstico clínico-laboratorial, genético e
toxicológico, alimentos, reagentes químicos e bioquímicos, produtos para diagnóstico in vitro
e outros relacionados à saúde, bem como os seus aspectos regulatórios; VII - Pesquisa e
desenvolvimento para a inovação, produção, avaliação, controle e garantia da qualidade e
aspectos regulatórios em processos e serviços de assistência farmacêutica e de atenção à
saúde; VIII - Gestão e empreendedorismo social, no contexto do SUS e do direito à Saúde: a)
projetos e processos; b) empreendimentos farmacêuticos; c) assistência farmacêutica e
estabelecimentos de saúde; d) serviços farmacêuticos e gestão de serviços e do SUS.
Art. 7º - O curso de graduação em Farmácia deve ser desenvolvido em, no
mínimo, 5 (cinco) anos, com carga horária mínima de 5.000 (cinco mil) horas,
obrigatoriamente em regime presencial, em atendimento ao previsto na Resolução CNS nº
515, de 7 de outubro de 2016, devendo ser estruturado em três eixos de formação, estágios
curriculares obrigatórios e atividades complementares, articulando a formação acadêmica à

Resolução (5252346) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 71


atuação profissional. § 1º A carga horária do curso, excetuando-se o estágio curricular e as
atividades complementares, deve ser distribuída da seguinte forma: a) 50 % no eixo cuidado
em saúde; b) 40 % no eixo tecnologia e inovação em saúde; c) 10% no eixo gestão em saúde.
§ 2º Os conteúdos em ciências farmacêuticas devem corresponder a, no mínimo, 50% da
carga horária do curso, excetuando-se o estágio curricular obrigatório.
Art. 8º - A formação em Farmácia inclui, como etapa integrante e obrigatória
da graduação, estágios curriculares, que devem estar regulamentados/institucionalizados,
considerando, em uma análise sistêmica e global, os aspectos de carga horária,
previsão/existência de convênios, formas de apresentação, orientação, supervisão e
coordenação. Os estágios curriculares devem ser realizados sob orientação de docente, em
campos de atuação profissional farmacêutica pertencentes à Instituição de Educação Superior
(IES) e/ou fora dela, mediante convênios, parcerias ou acordos. Os estágios curriculares
devem ser desenvolvidos de forma articulada, em complexidade crescente, distribuídos ao
longo do curso e iniciados, no máximo, no terceiro semestre do curso em graduação em
Farmácia. § 1º- Os estágios curriculares devem corresponder a 20% da carga horária total do
curso de graduação em Farmácia e serem desenvolvidos conforme os percentuais
estabelecidos, em cenários de prática relacionados a: a) fármacos, medicamentos e assistência
farmacêutica: 60% (sessenta por cento); b) análises clínicas, genéticas e toxicológicas: 30%
(trinta por cento); c) especificidades institucionais e regionais: 10% (dez por cento). § 2º- Os
estágios obrigatórios mencionados no parágrafo anterior devem contemplar cenários de
prática do SUS nos diversos níveis de complexidade, isto é, da atenção básica em saúde até o
nível terciário em saúde. § 3º- A farmácia universitária deve ser cenário de prática obrigatório
da IES, ou a ela vinculada, para a execução de atividades de estágio obrigatório relacionadas à
assistência farmacêutica, para todos os estudantes do curso. § 4º- O laboratório universitário
de análises clínicas deve ser cenário de prática obrigatório da IES, ou a ela vinculada, para a
execução de atividades de estágio obrigatório relacionadas às análises clínicas, para todos os
estudantes do curso. § 5º- Os estágios devem ser desenvolvidos sob orientação de docente
farmacêutico e supervisão local por profissional com formação superior e competência na
área do estágio, entendido como preceptor, obedecendo à proporção máxima simultânea de 08
(oito) estudantes por docente e por supervisor/preceptor local.
Art. 9º- Para a integralização do curso de graduação em Farmácia, o estudante
deve elaborar um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), sob orientação exclusiva de
docente da IES, em conformidade com sua área de atuação específica, atendendo à
regulamentação por ela definida. Parágrafo único - O trabalho de conclusão de curso deve

Resolução (5252346) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 72


estar regulamentado/institucionalizado, considerando, em uma análise sistêmica e global, os
aspectos de carga horária, formas de apresentação, orientação e coordenação.
Art.10. O Projeto Pedagógico do Curso (PPC) deve contemplar a realização de
atividades complementares como requisito para a formação envolvendo, por exemplo,
monitorias, estágios não obrigatórios, programas de iniciação científica, programas de
extensão, eventos e cursos realizados em áreas afins, bem como no controle social do SUS, no
movimento estudantil e nas entidades de representação da categoria profissional. § 1º- As
atividades complementares devem estar regulamentadas/institucionalizadas em análise
sistêmica e global, garantindo os aspectos de carga horária, diversidade de atividades e formas
de aproveitamento. § 2º- As atividades complementares devem corresponder, no máximo, a
3% (três por cento) da carga horária total do curso e serem validadas por uma Comissão de
Docentes designada pela Coordenação do Curso de Farmácia.
Art. 11- O curso de graduação em Farmácia deve ter projeto pedagógico
centrado na aprendizagem do estudante e apoiado no professor como facilitador e mediador
do processo, com vistas à formação integral, articulando ensino, pesquisa e extensão.
Parágrafo único - Para a organização e desenvolvimento do curso de graduação em Farmácia
devem ser consideradas: I- a utilização de metodologias ativas de ensino, centradas na
aprendizagem do estudante, com critérios coerentes de acompanhamento e de avaliação do
processo ensino-aprendizagem, que contemplem tecnologias modernas de educação e
avaliações prévias, com caráter formativo; II- a participação ativa do discente no processo de
construção e difusão do conhecimento; III- a interdisciplinaridade e a transdisciplinaridade na
prática docente, articulando o ensino, a pesquisa e a extensão; IV- a avaliação permanente do
curso, envolvendo a comunidade acadêmica e os atores sociais relacionados à educação e à
profissão, em consonância e para o aprimoramento do sistema nacional de avaliação da
educação superior; V- a diversificação dos cenários de ensino-aprendizagem, permitindo ao
estudante conhecer as políticas de saúde, vivenciar a realidade profissional, a organização do
trabalho em saúde e as práticas interprofissionais, garantindo a integração ensino-serviço-
comunidade, desde o início do curso; VI – inserir conteúdos que abordem a história da saúde,
das políticas públicas de saúde, a Reforma Sanitária, o SUS e seus princípios, e os desafios da
organização do trabalho em saúde.
Art. 12 - O PPC deve prever a organização pedagógica para o desenvolvimento
e consolidação das competências descritas nos eixos de formação, de maneira a contribuir
para aprendizagens significativas dos estudantes e para aproximar a prática pedagógica da
realidade profissional, garantindo a integração ensino-serviço-comunidade. § 1º As atividades

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práticas referem-se àquelas realizadas em laboratórios de ensino, laboratórios didáticos
especializados e em outros cenários, visando ao desenvolvimento de habilidades e
conhecimentos. § 2º As atividades práticas devem contemplar o previsto na Resolução CNS
nº 350/2005, inserindo o estudante nos cenários de prática do SUS desde o início da
formação, proporcionando a integração do curso com o sistema local e regional de saúde do
SUS, envolvendo uma relação estudante/docente de, no máximo, 8/1, nos diferentes níveis de
complexidade do sistema de saúde, com ênfase na atenção básica, correspondendo a, no
mínimo, 50% da carga horária total do curso, excetuando-se o estágio curricular obrigatório. §
3º O Curso de Graduação em Farmácia deve ter projeto pedagógico, construído
coletivamente, centrado no aluno como sujeito da aprendizagem e apoiado no professor como
facilitador e mediador do processo ensino-aprendizagem. Esse projeto pedagógico deve
buscar a formação integral e adequada do estudante por meio de uma articulação entre o
ensino, a pesquisa e a extensão/assistência. § 4º As Diretrizes Curriculares e o Projeto
Pedagógico devem orientar o currículo do Curso de Graduação em Farmácia para o perfil
acadêmico e profissional do egresso. Este currículo deve contribuir, também, para a
compreensão, interpretação, preservação, reforço, fomento e difusão das culturas nacionais e
regionais, internacionais e históricas, em um contexto de pluralismo e diversidade cultural. §
5º A organização do Curso de Graduação em Farmácia deve ser definida pelo respectivo
Colegiado do Curso de Graduação em Farmácia, que indica o regime a ser adotado: seriado
anual, seriado semestral ou sistema de créditos. § 6º A estrutura do Curso de Graduação em
Farmácia deve: I - abordar as áreas de conhecimento, habilidades, atitudes e valores éticos,
fundamentais à formação profissional e acadêmica; II - contemplar a abordagem de temas
observando o equilíbrio teórico-prático, desvinculado da visão tecnicista, permitindo na
prática e no exercício das atividades a aprendizagem da arte de aprender; III - buscar a
abordagem precoce de temas inerentes às atividades profissionais de forma integrada,
evitando a separação entre a formação geral e a formação específica; IV - favorecer a
flexibilização curricular de forma a atender interesses mais específicos/atualizados, sem perda
dos conhecimentos essenciais ao exercício da profissão; V - comprometer o aluno com o
desenvolvimento científico e a busca do avanço técnico associado ao bem-estar, à qualidade
de vida e ao respeito aos direitos humanos; VI - ser organizada de forma a permitir que haja
disponibilidade de tempo para a consolidação dos conhecimentos e para as atividades
complementares, objetivando progressiva autonomia intelectual do aluno.
Art. 13 - A Coordenação do Curso de Graduação em Farmácia deve ser
exercida exclusivamente por docente do quadro permanente da IES, formado em Curso de

Resolução (5252346) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 74


Graduação em Farmácia, com o registro de Farmacêutico no Conselho Regional de Farmácia.
Parágrafo único - A atuação do (a) coordenador (a) deve considerar, em uma análise sistêmica
e global, os aspectos de gestão do curso, a relação com os docentes e com os discentes e a
representatividade nos colegiados e conselhos superiores da IES.
Art. 14 - O curso de graduação em Farmácia conta com o Núcleo Docente
Estruturante (NDE), que deve ser atuante no processo de concepção, acompanhamento,
consolidação e avaliação do PPC, utilizando o processo de construção coletiva e participativa,
contemplando a participação obrigatória de representação organizada dos estudantes, além de
executar todas as demais atividades previstas na legislação em vigor. Parágrafo único-
Considerando as especificidades da formação em Farmácia, o NDE deve ser constituído por
docentes do quadro permanente da IES, majoritariamente formados em Curso de Graduação
em Farmácia com o registro de Farmacêutico no Conselho Regional de Farmácia.
Art. 15 – O curso de graduação em Farmácia deve ter o Colegiado de Curso de
Graduação em Farmácia, como instância deliberativa dos assuntos referentes à gestão
administrativa do curso, que deve estar regulamentado/institucionalizado, considerando, em
uma análise sistêmica e global, os aspectos: representatividade dos segmentos, periodicidade
das reuniões, registros e encaminhamento das decisões.
Art. 16 - Os docentes do curso de graduação em Farmácia devem ter
qualificação acadêmica e/ou experiência profissional, comprovadas em suas áreas de atuação
específica, como requisito mínimo para ministrar os conteúdos sob sua responsabilidade. § 1º
- A coordenação do curso de graduação em Farmácia e o ensino de componentes curriculares
específicos das ciências farmacêuticas devem ser exercidos exclusivamente por farmacêuticos
com o registro no Conselho Regional de Farmácia. § 2º- A qualificação e a capacitação
docente devem ser permanentes, tendo como finalidade a melhoria da qualidade do ensino e a
construção coletiva da função social dos professores. § 3º- As IES devem atender aos critérios
e padrões de qualidade definidos pelo MEC em relação à titulação e regime de trabalho dos
docentes do Curso de Graduação em Farmácia Bacharelado.
Art. 17- A IES deve envolver-se no processo de integração ensino-serviço
comunidade, fomentando a educação permanente dos profissionais da rede de saúde, com
vistas à melhoria do serviço e do processo de ensino-aprendizagem nos cenários de práticas.
Art. 18- A implantação e o desenvolvimento das diretrizes curriculares devem
orientar e propiciar concepções curriculares ao Curso de Graduação em Farmácia que serão
acompanhadas e permanentemente avaliadas, a fim de permitir os ajustes que se fizerem
necessários ao seu aperfeiçoamento. § 1º- As avaliações dos alunos devem basear-se nas

Resolução (5252346) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 75


competências, habilidades, atitudes e conhecimentos curriculares desenvolvidos. § 2º - O
Curso de Graduação em Farmácia deve utilizar metodologias e critérios para
acompanhamento e avaliação do processo ensino-aprendizagem dos alunos e do próprio
curso, em consonância com o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior
(SINAES) e com o Sistema de Avaliação da IES à qual pertence.
Art. 19 - O Curso de Graduação em Farmácia deve contemplar as demandas
efetivas de natureza econômica, social, cultural, política e ambiental, assim como garantir o
desenvolvimento das políticas institucionais de ensino, de extensão e de iniciação
científica/pesquisa, constantes no Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI), no âmbito
do curso.
Art. 20 - O Curso de Graduação em Farmácia deve utilizar Tecnologias de
Informação e Comunicação (TICs) no processo de ensino-aprendizagem, que permitam a
execução do Projeto Pedagógico do Curso e a garantia da acessibilidade e do domínio das
TICs.
Art. 21 - O Curso de Graduação em Farmácia deve contar com a infraestrutura
geral e específica disponível pela IES e/ou por meio de convênios, que possibilite o
desenvolvimento pleno do PPC.
Art. 22- Nos cursos iniciados antes de 2016, as adequações curriculares
deverão ser implantadas, progressivamente, até 31 de dezembro de 2019.
Art. 23- Os cursos de Farmácia em funcionamento terão o prazo de 1 (um) ano
a partir da data de publicação desta Resolução para aplicação de suas determinações às turmas
abertas após o início da sua vigência.
Art. 24- Os estudantes de graduação em Farmácia matriculados antes da
vigência desta Resolução têm o direito de concluir seu curso com base nas Diretrizes
Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Farmácia (DCNs Farmácia), editadas pela
Resolução CNE/CES n.º 2, de 19 de fevereiro de 2002, publicadas no Diário Oficial da União,
em 4 de março de 2002, podendo optar pelas novas Diretrizes Curriculares Nacionais do
Curso de Graduação em Farmácia (DCNs Farmácia), em acordo com suas respectivas
instituições, e, neste caso, garantindo-se as adaptações necessárias aos princípios destas
diretrizes. Art. 25- Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação, revogando-se a
Resolução CNE/CES nº2, de 19 de fevereiro de 2002, publicadas no Diário Oficial da União,
em 4 de março de 2002, e demais disposições em contrário.

Resolução (5252346) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 76


RESOLUÇÃO Nº 559, DE 15 DE SETEMBRO DE 2017.

O Plenário do Conselho Nacional de Saúde (CNS), em sua Ducentésima Nonagésima


Sétima Reunião Ordinária, realizada nos dias 14 e 15 de setembro de 2017, e no uso de suas
competências regimentais e atribuições conferidas pela Lei nº 8.080, de 19 de setembro de
1990; pela Lei nº 8.142, de 28 de dezembro de 1990; pelo Decreto nº 5.839, de 11 de julho de
2006; cumprindo as disposições da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988,
da legislação brasileira correlata; e
considerando que a Constituição Federal de 1988 determina que a saúde é direito de
todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem a
redução do risco de doenças e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e
serviços para sua promoção, proteção e recuperação;
considerando que a ordenação da formação de recursos humanos na área da saúde é
competência do Sistema Único de Saúde (SUS), conforme disposto no Art. 200 da
Constituição Federal de 1988 e na Lei nº 8.080/1990;
considerando que o CNS, conforme disposto na Lei nº 8.142/1990, é uma instituição
de caráter permanente e deliberativo, e, enquanto órgão colegiado, detém em sua composição
representantes do governo, prestadores de serviço, profissionais de saúde e usuários, atuando
na formulação e no controle da execução da Política Nacional de Saúde, bem como nas
estratégias e na promoção do processo de controle social, em toda sua amplitude, no âmbito
dos setores público, privado e filantrópico, com observância para os aspectos econômicos e
financeiros, cujas decisões serão homologadas pelo chefe do poder legitimamente constituído
em dada esfera do governo;
considerando que as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) dos cursos de
graduação da área da saúde têm, em seus princípios, competências, habilidades e atitudes,
prerrogativas de uma formação para lidar com projetos humanos e de vida em todas as formas
de expressão com garantias de direitos, pautadas no trabalho em equipe de caráter
interprofissional e à luz de ações multidisciplinares, interdisciplinares e transdisciplinares,
ancorados nos princípios do SUS, com ênfase na integralidade da atenção e na universalidade
de acesso;
considerando a Resolução CNS nº 507/2016, que torna públicas as propostas,
diretrizes e moções aprovadas pelas Delegadas e Delegados na 15ª Conferência Nacional de
Saúde, com vistas a garantir-lhes ampla publicidade até que seja consolidado o Relatório

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Final e que possa servir de consulta e subsídio para implantação e implementação de políticas
de saúde e de educação;
considerando a Resolução CNS nº 515/2016, que resolve que as DCN da área de
saúde sejam objeto de discussão e deliberação do CNS de forma sistematizada, dentro de um
espaço de tempo adequado para permitir a participação, no debate, das organizações de todas
as profissões regulamentadas e das entidades e movimentos sociais que atuam no controle
social, para que o pleno do CNS cumpra suas prerrogativas e atribuições de deliberar sobre o
SUS, sistema que tem a competência constitucional de regular os recursos humanos da saúde;
considerando que a formação para o SUS deve pautar-se nas necessidades de saúde
das pessoas, no respeito à garantia de direitos e na dignidade humana e que, para tanto, requer
uma formação interprofissional, humanista, técnica, científica e de ordem prática presencial,
permeada pela integração ensino, serviço, comunidade, experienciando a diversidade de
cenários/espaços de vivências e práticas; e
considerando a Resolução CNS nº 515/2016 em que o Conselho Nacional de Saúde
posicionou-se contrário à autorização de todo e qualquer curso de graduação da área da saúde,
ministrado totalmente na modalidade de Educação a Distância (EaD), na perspectiva da
garantia da segurança e resolubilidade na prestação dos serviços de saúde à população
brasileira e, pelos prejuízos que tais cursos podem oferecer à qualidade da formação de seus
profissionais, bem como pelos riscos que estes trabalhadores possam causar à sociedade,
imediato, a médio e a longo prazos.

Resolve:
Aprovar o Parecer Técnico nº 161/2017 que dispõe sobre as recomendações do
Conselho Nacional de Saúde à proposta de Diretrizes Curriculares Nacionais do curso de
graduação em Fisioterapia, conforme anexo.

RONALD FERREIRA DOS SANTOS


Presidente do Conselho Nacional de Saúde

Homologo a Resolução CNS nº 559, de 18 de setembro de 2017, nos termos do


Decreto de Delegação de Competência de 12 de novembro de 1991.

RICARDO BARROS
Ministro de Estado da Saúde

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PARECER TÉCNICO Nº 161/2017

ASSUNTO: Recomendações do Conselho Nacional de Saúde à Proposta de


Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação Bacharelado em Fisioterapia.

INTRODUÇÃO
Este Parecer Técnico tem a finalidade de apresentar o resultado dos trabalhos
realizados pela Comissão Intersetorial de Recursos Humanos e Relações de Trabalho do
Conselho Nacional de Saúde (CIRHRT/CNS), em conjunto com o Grupo de Trabalho das
Diretrizes Curriculares Nacionais (GT/DCN), aprovado na 286ª Reunião Ordinária, ocorrida
em 6 e 7 de outubro de 2016, de acordo com o disposto na Resolução CNS nº 407, de 12 de
setembro de 2008, Capítulo IV, que aprova o Regimento Interno do CNS.
Para tanto, fez-se um breve resgate sobre as prerrogativas legais, técnicas e
sócio-políticas do CNS e, sequencialmente, apresentou-se o produto das discussões, no
Parecer Técnico nº 161/2017, cujo teor já foi apreciado e aprovado pelo Pleno do CNS e, por
isso, seguirão anexo à Resolução, para homologação do Excelentíssimo Senhor Ministro da
Saúde e, imediatamente, para conhecimento do Conselho Nacional de Educação do Ministério
da Educação (CNE/MEC).
O CNS, órgão colegiado de caráter permanente e deliberativo, que tem por
finalidade atuar na formulação e no controle da execução da Política Nacional de Saúde, no
uso de suas competências regimentais e atribuições legais, conferidas por sua Secretaria
Executiva (SE), encaminha ao Conselho Nacional de Educação (CNE) suas recomendações à
proposta de Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) para os cursos de graduação
bacharelado em Fisioterapia.
O CNS (composto por ministérios, órgãos competentes e entidades
representativas da sociedade civil) dispõe de comissões intersetoriais de âmbito nacional, com
a finalidade de articular políticas e programas de interesse para a saúde, cuja execução
envolva áreas não compreendidas no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). As políticas e
programas que ficam a cargo das comissões intersetoriais abrangem, em especial, as seguintes
atividades: I - alimentação e nutrição; II - saneamento e meio ambiente; III - vigilância
sanitária e farmacoepidemiologia; IV - recursos humanos; V - ciência e tecnologia; e VI -
saúde do trabalhador (Lei nº 8080/90, Art. 12, parágrafo único e Art.13 e seus incisos).
Para apreciação da proposta das DCN do curso de graduação bacharelado em
Fisioterapia, tomou-se como marco legal de referência: a Lei nº 8.080, de 19 de setembro de

Resolução (5252413) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 79


1990, que regulamentou o Art. 200 da Constituição Federal de 1988, criando o SUS no Brasil
e elevou a assistência à saúde como direito de toda cidadã e cidadão brasileiro; a Lei nº 8.142,
de 28 de dezembro de 1990, que dispõe sobre a participação da comunidade na gestão do
SUS; a Resolução CNS nº 350, de 9 de junho de 2005, que aprova critérios de regulação da
abertura e reconhecimento de novos cursos da área da saúde; a Portaria nº 3.124, de 28 de
dezembro de 2012, que redefine os parâmetros de vinculação dos Núcleos de Apoio à Saúde
da Família (NASF) Modalidades 1, 2 e 3, em que garante a participação de profissionais de
diferentes áreas e possibilita a universalização destas equipes em todos os municípios
brasileiros no âmbito da Atenção Básica; e a Lei nº 10.424, de 15 de abril de 2002, que dispõe
sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o
funcionamento de serviços correspondentes, regulamentando a assistência domiciliar no SUS.
A Comissão Intersetorial de Recursos Humanos e Relações de Trabalho do
Conselho Nacional de Saúde (CIRHRT/CNS) considerou para sua análise, entre outros
aspectos, que os serviços públicos integrantes do SUS constituem-se como campo de prática
para o ensino e a pesquisa, mediante normas específicas elaboradas conjuntamente com o
sistema educacional (Art. 27, parágrafo único, da Lei nº 8.080/1990); e também o papel
administrativo da União, Estados, Distrito Federal e Municípios na participação da
formulação e da execução da política de formação e desenvolvimento de recursos humanos da
área da saúde.
Desse modo, buscou-se relacionar a proposta de revisão das DCN do curso de
graduação Bacharelado em Fisioterapia, apresentada pela Associação Brasileira de Ensino em
Fisioterapia (ABENFISIO) e pelo Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional
(COFFITO), com os preceitos contidos nos pressupostos legislativos de criação e estruturação
do SUS; à legislação de proteção aos grupos humanos expostos a vulnerabilidades
(programáticas, individuais e sociais), incluindo a saúde entre seus determinantes e
condicionantes; e às políticas nacionais vigentes dos campos da saúde e da educação que têm
interface com a saúde, como é o caso da Política Nacional de Extensão Universitária.
O papel do CNS, expressão máxima da representatividade de participação
social (democracia participativa), conta com a participação de usuários do SUS,
trabalhadores, vinculados aos movimentos sociais organizados, e gestores (prestadores de
serviços e governo), que desenvolvem um papel de monitoramento e controle das políticas
públicas de saúde, mantendo-se vigilantes, críticos e propositivos nas questões da formação
dos trabalhadores da saúde para o SUS. Nesse sentido, a CIRHRT/CNS e o GT DCN/CNS
submetem à apreciação e aprovação do plenário do CNS os argumentos e proposições

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elencados a seguir.

DA ANÁLISE
A Constituição Federal de 1988, na Seção da Saúde, em seu Art. 200, revela
que compete ao SUS, entre outras atribuições, ordenar a formação de recursos humanos na
área de saúde (inciso III) e colaborar na proteção do meio ambiente, nele compreendido o
trabalho (inciso VIII) em saúde e seus trabalhadores (profissionais de saúde, entre eles). Esse
papel de ordenador na qualificação de trabalhadores para o SUS requer dos dispositivos que
regulam a formação de profissionais a sensibilidade para incorporar as necessidades sociais
em saúde, combinadas com as demandas do mundo do trabalho, a competência profissional e
o empenho do pensamento crítico, reflexivo e resolutivo dos profissionais da Fisioterapia.
O esboço de minuta aqui apresentada evidencia avanços para a formação do
fisioterapeuta. Está desenhada e organizada a partir de Princípios que devem transversalizar a
formação, e que orientam o perfil do futuro profissional, mediante o desenvolvimento de
competências descritas de acordo com as dimensões e seus respectivos domínios de atuação
profissional. Estas dimensões e domínios retratam os diversificados cenários nos quais o
fisioterapeuta pode se inserir.
A proposta de minuta apresenta ainda conceitos, condições e procedimentos da
formação profissional do bacharel em Fisioterapia e procura elucidar aspectos relevantes da
profissão, como por exemplo: o perfil profissional, o objeto de estudo e de trabalho da
profissão e a assistência pautada na melhor evidência científica. As condições e
procedimentos envolvem os diferentes conhecimentos necessários para a formação, bem
como especifica questões relativas aos projetos pedagógicos do curso, organização curricular,
a relação com o mundo do trabalho, o desafio da complexidade do fazer em saúde
potencializado pela necessidade de saúde das pessoas e a relação com as ofertas do mundo do
trabalho em consonância com os direitos dos usuários do SUS.
As Políticas Públicas de Saúde e de Educação orientam para uma formação que
oferte cuidados e que apresente eficiência e eficácia às questões inerentes ao processo saúde-
doença e garantia de direitos, elementos essenciais às ações de promoção e proteção da saúde,
prevenção de agravos, cura de doenças e a recuperação da saúde no processo de reabilitação,
prevenção e atenuação de problemas de saúde/doenças, voltados à funcionalidade humana.
Nesse contexto, o bacharel em Fisioterapia tem um papel fundamental no
cuidado, na comunicação e na relação com os usuários/pacientes/clientes, uma vez que tem
competências para olhar para o movimento humano em todas as suas formas de expressão e

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potencialidades, com evidência na funcionalidade humana como objeto de exercício do
fisioterapeuta e que compreende todas as atividades realizadas pela pessoa na sua relação com
o meio ambiente, com a sociedade e no contexto biopsicossocial.
A formação profissional e sua direta relação com a atuação profissional suscita
um projeto pedagógico atualizado e orientado por diretrizes democráticas e uma matriz
curricular que dialogue com todos os sujeitos e que seja ponte entre a academia e a sociedade.
Os currículos devem apresentar competências que mobilizem conhecimentos, habilidades e
atitudes que resultem em competências para a resolução de problemas, em amplo aspecto,
seja no setor público, no setor privado e no setor filantrópico, de modo a proporcionar
vivências em territórios e equipamentos sociais que possibilitem a interprofissionalidade e o
trabalho em equipe. Assim, a formação deve mobilizar afetos, saberes e fazeres entre o
indivíduo, sua família, seu trabalho, seu território e comunidade em geral, sendo o
fisioterapeuta inserido nesse processo como um ator que atua como agente transformador da
sociedade em seus distintos aspectos que envolvam a garantia à saúde e à vida.
Com base nas afirmativas, considerações e contextualizações ora expostas,
seguem as recomendações da CIRHRT/CNS, elaboradas por meio de seu Grupo de Trabalho
(GT/DCN), à redação1 das Diretrizes Curriculares Nacionais do curso de graduação
Bacharelado em Fisioterapia.

DAS RECOMENDAÇÕES

CONTRIBUIÇÕES DA CIRHRT/CNS À REDAÇÃO DAS DIRETRIZES


CURRICULARES NACIONAIS DO CURSO DE GRADUAÇÃO BACHARELADO
EM FISIOTERAPIA

CAPÍTULO I

DAS DIRETRIZES CURRICULARES NACIONAIS DO CURSO DE GRADUAÇÃO,


BACHARELADO, EM FISIOTERAPIA

Art. 1º A presente Resolução institui as Diretrizes Curriculares Nacionais do


Curso de Graduação, Bacharelado, em Fisioterapia, a serem observadas e implementadas na

1 As alterações recomendadas pela CIRHRT/CNS estão destacadas em negrito ao longo do texto.

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organização, desenvolvimento e avaliação do Curso de Fisioterapia, no âmbito dos sistemas
de ensino superior do país.
Art. 2º As Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação, Bacharelado,
em Fisioterapia estabelecem e definem os princípios que regem a formação em Fisioterapia e
balizam o desenvolvimento de competências de acordo com as dimensões e seus respectivos
domínios de atuação profissional.
Parágrafo único. Constituem os princípios da formação do bacharel em
Fisioterapia:
I - O Sistema Único de Saúde – SUS, como campo de atuação e exercício
profissional, seja na esfera pública e ou privada, considerando as políticas públicas vigentes e
o contexto social;
II - A saúde como direito fundamental do cidadão;
III - A pessoa como ser indissociável nas dimensões biológica, psicológica, social,
cultural e espiritual;
IV - A Integralidade da atenção à saúde do ser humano, considerando-se as
particularidades ambientais, atitudinais, sociais, étnicas, de gênero, raça, políticas,
econômicas e culturais, individuais e de coletividades;
V - A promoção da saúde, da qualidade de vida, do bem-estar, da prevenção e da
recuperação como estratégia de atenção e cuidado em saúde;
VI - O movimento humano em todas as suas formas de expressão e
potencialidades como objeto de estudo, entendido como todas as atividades realizadas pela
pessoa na sua relação com o meio ambiente, com a sociedade, no contexto biopsicossocial,
com evidência a funcionalidade humana como objeto de exercício profissional;
VII - O tripé ensino-pesquisa-extensão em sua articulação teoria e prática na
integração ensino-serviço-comunidade;
VIII - Autonomia, rigor técnico-científico, atenção biopsicossocial, e
humanização nas ações em saúde, nas práticas baseadas em evidências e no cuidado à
pessoa;
IX - Ética, Bioética no exercício profissional, tendo por base os pressupostos
legais e deontológicos;
X - Compromisso com as entidades, órgãos e representações de classe.
Art. 3º O bacharel em Fisioterapia terá um perfil generalista, humanista, crítico,
criativo, reflexivo e ético, para atuar nos diferentes níveis de complexidade e de de atenção à
saúde, com base na melhor evidência científica, no rigor intelectual e nos avanços

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tecnológicos, resultante da identidade profissional construída ao longo do processo formativo.
O bacharel em Fisioterapia deverá ser um profissional:
I – Comprometido com o Sistema Único de Saúde, tendo como propósito a saúde
funcional do indivíduo e da coletividade, nas diferentes complexidades, mediante a análise
contextualizada dos fatores pessoais e ambientais nas situações que envolvem o processo
saúde-doença, na apropriação do conhecimento e dos recursos disponíveis;
II - Sensível à realidade sociocultural, sociodemográfica e socioeconômica das
pessoas em seu meio; empático, atencioso e engajado às políticas públicas, questões sociais,
culturais, epidemiológicas e ambientais com vistas à sustentabilidade e ao princípio da
economicidade;
III - Propositivo, comunicativo e colaborativo no trabalho interdisciplinar e em
equipe interprofissional, promotor e educador em saúde no fazer fisioterapêutico junto a
pessoa, seus familiares e comunidade;
IV – Com postura investigativa, inovadora e com autonomia intelectual, atento às
inovações tecnológicas e à produção de conhecimento, para a promoção de mudanças na
situação de saúde em benefício da sociedade;
V - Ético no seu fazer profissional, respeitando os princípios da bioética, da
deontologia, dos conhecimentos científicos, comprometido com as necessidades de saúde das
pessoas no âmbito individual e coletivo;
VI - Gestor do sistema, dos serviços de saúde e do cuidado fisioterapêutico, da
atenção em saúde e da educação continuada; empreendedor, líder, autônomo, proativo,
politizado e organizado nas atividades do seu fazer profissional, guiado pelos princípios da
eficiência, eficácia e efetividade;
VII – Implicado com a educação permanente de si e de outrem, com postura
investigativa, inovadora e autonomia intelectual, atento às inovações tecnológicas e à
produção de conhecimentos para as mudanças na situação de saúde em benefício da
sociedade.

CAPÍTULO II

DAS DIMENSÕES E DOMÍNIOS PROFISSIONAIS DO BACHAREL EM FISIOTERAPIA

Art. 4º Dado o perfil do egresso do Curso de Graduação, Bacharelado, em


Fisioterapia considera-se primordial a formação de competências profissionais. Essas

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competências estão articuladas às áreas de atuação e de conhecimento do fisioterapeuta, aqui
elencadas em dimensões e domínios.
I – Atenção fisioterapêutica à saúde;
II – Gestão, empreendedorismo e inovação em saúde;
III – Educação à vida.

Seção I
Atenção Fisioterapêutica à Saúde

Art. 5º Atenção fisioterapêutica à saúde representa o eixo formador que deverá


abordar ações e serviços ofertados ao indivíduo, família e comunidades, respeitados a
autonomia do ser humano, sua singularidade, o contexto social, econômico, sua história de
vida, sua cultura e suas crenças.
Parágrafo único. Essa dimensão articula os saberes e fazeres específicos do
bacharel em Fisioterapia, que deverá respaldar suas ações nos conhecimentos adquiridos no
campo e no núcleo profissional, por meio de atividades de promoção, recuperação da saúde
no processo de reabilitação, prevenção e atenuação de problemas de saúde/doenças, dirigidas
à funcionalidade humana.
I – Na consulta, no diagnóstico fisioterapêutico e no plano de ação em equipe
interprofissional, deverá:
a) realizar o acolhimento, a anamnese, a avaliação cinético-funcional integral do
ser humano, bem como da coletividade, incluindo exames funcionais, clínicos e
complementares, considerando o raciocínio clínico, epidemiológico, métodos e técnicas de
avaliação cinético-funcional e o conhecimento das práticas baseadas em evidências nos
diferentes níveis complexidade e de Atenção à Saúde dirigida à funcionalidade humana;
b) estabelecer vínculo terapeuta-paciente-comunidade mediante escuta qualificada
e resolutiva, a humanização e a comunicação efetiva, considerando-se a história de vida, bem
como os aspectos culturais, contextuais e as relações interfamiliares;
c) estabelecer diagnóstico fisioterapêutico em âmbito individual, coletivo e do
território, bem como o prognóstico e os critérios para alta fisioterapêutica;
d) elaborar e organizar o plano de ação que contemple os objetivos e recursos
fisioterapêuticos e os critérios para alta fisioterapêutica, nos diferentes níveis complexidade e
de Atenção à Saúde dirigida à funcionalidade humana;
e) investigar e identificar os riscos relacionados à segurança do
paciente/usuário/cliente/coletividade e estabelecer um plano de ações e metas para a

Resolução (5252413) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 85


segurança do paciente/usuário/cliente/coletividade, nos diferentes níveis complexidade e de
Atenção à Saúde;
f) elaborar o projeto terapêutico singular e o projeto terapêutico no território, com
vistas à funcionalidade humana e à qualidade de saúde e de vida das pessoas;
g) identificar e analisar as necessidades de saúde específicas do
paciente/usuário/cliente/coletividade, e referenciá-los para outros profissionais, de acordo
com sua especificidade, quando necessário;
h) registrar as informações relativas à consulta fisioterapêutica no prontuário do
paciente/usuário/cliente de forma clara, legível e com linguagem técnica, bem como registrar
informações relativas ao diagnóstico situacional da coletividade, com base nas diretrizes,
classificações, protocolos e evidencias científicas.
i) promover o compartilhamento das informações e o debate em equipe
interprofissional priorizando a integralidade da atenção a saúde;
j) prescrever, confeccionar, adaptar e treinar a pessoa para o uso de próteses
e órteses.
II – Na intervenção e no acompanhamento continuado da ação fisioterapêutica,
deverá:
a) desenvolver ações em saúde de acordo com as políticas públicas, as redes de
atenção e a intersetorialidade, considerando os itinerários terapêuticos nos diferentes níveis de
complexidade e de atenção em saúde, com vistas à integralidade do cuidado;
b) produzir e implementar ações resolutivas para a promoção, prevenção,
atenuação, recuperação no processo de reabilitação, dirigida à funcionalidade humana,
pautadas em práticas baseada em evidências científicas, nas práticas clínicas e no contexto
ambiental, social, econômico e cultural da pessoa e da coletividade;
c) empregar planos de intervenção, a partir da seleção adequada de recursos,
métodos e técnicas fisioterapêuticas, instrumentais e insumos;
d) realizar atividades de educação em saúde e educação popular,
instrumentalizando os indivíduos/famílias/comunidades, respeitando o contexto pessoal,
ambiental e sociocultural, para o empoderamento e o autocuidado de seus problemas de
saúde;
e) promover o trabalho em equipe mediante ações de caráter interdisciplinar,
transdisciplinar e interprofissional, na lógica da clínica ampliada e da redução de danos;
f) formular e emitir laudos, pareceres, atestados e relatórios fisioterapêuticos com
vistas à funcionalidade humana, a partir da observação dos aspectos legais e preservando a

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confidencialidade das informações, a autonomia e a segurança da pessoa e da comunidade
assistida, com base nas diretrizes, classificações, protocolos e evidencias científicas;
g) acompanhar e monitorar as ações em saúde desenvolvidas para avaliação da
resolubilidade das intervenções fisioterapêuticas.

Seção II
Gestão, Empreendedorismo e Inovação em Saúde

Art. 6º Gestão em saúde, empreendedorismo e inovação compreendem o eixo


formador que aborda os processos técnico-gerenciais, políticos e sociais implicados na área da
saúde, tanto no domínio público como no privado, como também nas distintas esferas de
gestão. Neste sentido, o egresso em Fisioterapia terá como compromisso a autonomia
profissional, o comprometimento, a responsabilidade e a humanização, compreendendo, nessa
conjectura, os domínios: gestão do cuidado em saúde, gestão dos serviços de saúde, e gestão
da carreira profissional, assumindo o empreendedorismo e a inovação como elementos
transversais e indissociáveis no processo de gestão em saúde.
I - Gestão do cuidado em saúde compreende:
a) valorizar e viabilizar o acesso de usuários ao sistema, às ações e serviços de
saúde, na perspectiva da integralidade do autocuidado e do cuidado terapêutico;
b) ter iniciativa para tomar decisões frente às situações do processo saúde/doença,
perante a imprevisibilidade e complexidade das circunstâncias, com criatividade, coerência,
prudência e razoabilidade;
c) replanejar o cuidado de acordo com os resultados obtidos, priorizando o
trabalho interprofissional;
d) identificar as potencialidades e fragilidades nos processos de trabalho, propor
mudanças e criar oportunidades para solucionar problemas e melhorar a qualidade do acesso e
da atenção à saúde;
e) planejar e realizar apoio matricial, mediante necessidades das ações
interprofissionais, buscando caminhos e novas possibilidades de ação;
f) coordenar trabalho em grupo nos diferentes níveis de complexidade e de
atenção, com liderança e criatividade, tendo em vista a organização dos processos de trabalho
através da valorização profissional, da empatia e do incentivo à interprofissionalidade.
II - Gestão dos serviços de saúde compreende:
a) propor, mediar e atuar em estratégias de controle social na gestão dos serviços
de saúde para a resolução de problemas de saúde da sociedade;

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b) desencadear e participar ativamente nas discussões e debates interprofissionais
e intersetoriais, com gestores e representantes dos segmentos e movimentos sociais, na
construção de políticas públicas, programas e projetos de saúde, que visem à melhoria dos
indicadores de saúde, considerando a realidade de saúde da região;
c) planejar, implantar, implementar, avaliar e discutir ações e projetos, de acordo
com os indicadores e prioridades em saúde, considerando os programas e políticas vigentes;
d) exercer a gerência e/ou gestão do sistema de saúde, bem como dos serviços de
saúde, públicos e privados, com vistas à sustentabilidade, eficiência, eficácia e
efetividade;
e) fomentar e exercer a vigilância em saúde, com ênfase na atuação
interprofissional, mediante o levantamento e interpretação de dados epidemiológicos, sócio-
demográficos, sanitários e ambientais do território, reconhecendo as características locais e
regionais e os determinantes sociais em saúde;
f) utilizar ferramentas de gestão para elaborar o plano de negócios no âmbito
publico e privado, bem como colaborar na construção dos planos plurianuais nas três esferas
de governo e garantir a sustentabilidade;
g) assessorar e prestar consultorias no âmbito de sua competência profissional;
h) participar ativamente nas instâncias consultivas e deliberativas de políticas de
saúde;
i) manter a eficácia dos recursos tecnológicos e a viabilidade financeira à atuação
fisioterapêutica, garantindo sua qualidade, segurança, controle e economicidade.
III – Gestão da carreira profissional compreende:
a) planejar a carreira baseado em suas expectativas, desejos, oportunidades e
circunstâncias, buscando sempre o desenvolvimento e ascensão profissional;
b) planejar a participação em atividades técnico-científicas, atividades em grupos
de estudo e pesquisa, ligas acadêmicas, programas de educação para o trabalho, sociedades e
associações de acordo com suas prioridades e oportunidades;
c) identificar as necessidades e buscar oportunidades de educação continuada e
permanente com perspicácia e discernimento;
d) analisar as fragilidades e ameaças, reconhecer as potencialidades e criar novas
oportunidades de negócios e projetos profissionais;
e) organizar seus fazeres profissionais com versatilidade, criando novas
oportunidades para si e para outrem, respeitados os princípios da ética, da bioética e
deontológicos;

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f) rever posições profissionais, assumir o novo como possibilidade de
crescimento e investimento;
g) promover o desenvolvimento profissional de acordo com a inovação e o
avanço dos conhecimentos da Fisioterapia;
h) consolidar a identidade profissional em prol do crescimento e desenvolvimento
da profissão a partir do discernimento acerca das atribuições das entidades e os órgãos
representativos de classe com vistas ao fortalecimento da categoria profissional.

Seção III
Educação à vida

Art. 7º Educação à vida representa o eixo formador que aborda o domínio da


educação permanente e da formação continuada. Entende-se por educação permanente, ou
educação informal, aquela que ocorre no cotidiano das pessoas por meio da convivência e do
compartilhamento de saberes, fazeres e conhecimentos com família, colegas e demais atores
sociais, enriquecendo a essência humana em todas as fases de sua existência. A formação
continuada, ou educação formal, pode ocorrer de modo mais estruturado junto às instituições
de ensino, em que o estudante deve seguir um programa pré-determinado, como lato sensu e
stricto sensu, ou ainda, pode ocorrer de modo não formal promovido por meio de eventos,
cursos livres, encontros de escolha pessoal e desejo de cada um.
I - Educação permanente e formação continuada compreendem:
a) desenvolver atividades de educação, formação em saúde, construir/elaborar
material técnico-científico, favorecendo a construção e disseminação do conhecimento;
b) analisar criticamente as fontes de conhecimento para aplicar, racionalmente o
conhecimento científico em prol da melhoria da qualidade dos serviços prestados de atenção a
saúde à sociedade;
c) compreender, no mínimo, uma língua estrangeira para a comunicação e busca
de conhecimentos que contribuam para sua aprendizagem e para as mudanças de suas
práticas;
d) aprender continuamente, com autonomia, a partir do próprio fazer como fonte
de conhecimento, assim como proporcionar a aprendizagem de outrem, desenvolvendo a
curiosidade, a criticidade, através da escuta, da observação e da comunicação efetiva;
e) compartilhar seus conhecimentos, saberes e fazeres, estabelecendo ambiência

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acolhedora, com relações interpessoais respeitosas para a aprendizagem colaborativa e
cooperativa;
f) socializar o conhecimento de forma adequada dentro do contexto social e
cultural ao qual se insere, fazendo uso de linguagem apropriada de acordo com a população
de acesso e a necessidade de comunicação;
g) dominar tecnologias de informação que propiciem o acesso e a guarda de dados
relativos à sua atividade profissional, à comunicação e à ampliação das redes de relações;
h) mobilizar o conhecimento a partir da vivência da profissão e das evidências
científicas, despertando a curiosidade, criticidade e reflexão, contribuindo com a melhoria das
práticas para a atenção e gestão em saúde;
i) participar, ativamente, de atividades de aprendizagem e pesquisa em saúde e
acompanha-las para melhoria da atenção à saúde;
j) articular conhecimentos oriundos de diversas áreas de conhecimentos, das
diversas profissões da equipe interprofissional, para a melhoria dos processos de trabalho em
saúde.

CAPÍTULO III

DAS CONDIÇÕES E PROCEDIMENTOS DA FORMAÇÃO PROFISSIONAL DO


BACHAREL EM FISIOTERAPIA

Art. 8º As condições e procedimentos da formação profissional se reportam às


competências do egresso de Fisioterapia descritas nas dimensões e domínios e que integram
habilidades, atitudes, conhecimentos e saberes para o alcance do perfil profissional almejado.
Para tanto, os conhecimentos necessários a essa formação estão dispostos em:
I - Conhecimentos das Ciências Biológicas e da Saúde – compreende os
conhecimentos dos processos biológicos, da estrutura e função dos processos normais e
alterados dos tecidos, órgãos, sistemas e aparelhos; envolve ainda conhecimentos das bases
moleculares, celulares, bioquímicas e biofísicas, farmacológicas, parasitológicas e
microbiológicas, suporte básico e avançado de vida, articulados aos conhecimentos e ao
fazer fisioterapêutico;
II - Conhecimentos das Ciências Sociais e Humanas – abrange o estudo do ser
humano e de suas relações sociais, contemplando a integração dos aspectos psicossociais,
atitudinais, culturais, econômicos, políticos, étnico-raciais, de gênero e de orientação sexual,
envolvidos no processo saúde-doença nas suas múltiplas determinações. Compreende os

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conhecimentos filosóficos, antropológicos, sociológicos, psicológicos, políticos e
comportamentais; conhecimentos da ética, da legislação e da política;
III - Conhecimentos Investigativos e das Ciências Exatas – abrange
conhecimentos sobre métodos de investigação qualitativos e quantitativos, que permitam
incorporar as inovações advindas da pesquisa à prática fisioterapêutica e o acompanhamento
dos avanços biotecnológicos; incluem-se, ainda, os conhecimentos das bases matemáticas,
estatísticas e computacionais que permitem a digitalização e o armazenamento de dados
textuais e numéricos, permitindo registros em prontuários, análise e interpretação estatística.
IV - Conhecimentos da Saúde Coletiva – abrange os conhecimentos necessários
para a compreensão do processo saúde-doença na situação de saúde considerando os fatores
contextuais, para prevenção de agravos e promoção de saúde, cuidado e recuperação da saúde
do indivíduo e melhoria da qualidade de vida da população. Consistem em conhecimentos dos
determinantes sociais em saúde, epidemiologia, saúde ambiental, vigilância em saúde,
políticas públicas de saúde e ferramentas de gestão, bem como os conhecimentos sobre as
redes de atenção à saúde e a relação com os distintos equipamentos sociais com vistas as
ações intersetoriais, interprofisisonais e o trabalho em equipe e ainda o saber popular;
V - Conhecimentos Fisioterapêuticos – compreende os conhecimentos específicos
da Fisioterapia, a história, a ética profissional e a bioética, a deontologia, diceologia e os
aspectos filosóficos e procedimentais da Fisioterapia; conhecimentos da função, da atividade
e participação, dos fatores ambientais e pessoais, da funcionalidade funcionalidade e
incapacidade, da disfunção do movimento humano; conhecimentos dos recursos, métodos,
instrumentos e técnicas para a consulta, para o tratamento/intervenção, que instrumentalizam
a atuação fisioterapêutica, nas diferentes áreas e nos diferentes níveis de complexidade e de
atenção, seja para atenuação, promoção da saúde, prevenção de agravos, recuperação de saúde
no processo de reabilitação; conhecimento das práticas integrativas e complementares;
conhecimento de suporte básico de vida em urgência e emergência; conhecimentos que
subsidiam a intervenção fisioterapêutica em todas as etapas do ciclo de vida.
Art. 9º Do Projeto Pedagógicos do Curso de Graduação, Bacharelado, em
Fisioterapia:
I - O Curso de Graduação, Bacharelado, em Fisioterapia deve ter um Projeto
Pedagógico, construído coletivamente, permeado pela integração dos conhecimentos
curriculares essenciais, centrado na relação aluno-professor, sendo o professor facilitador e
mediador do processo de ensino-aprendizagem. O Projeto Pedagógico deverá buscar a

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formação integral do estudante, baseado em competências do profissional cidadão,
impulsionado pela articulação entre o ensino, a pesquisa e a extensão/assistência;
II – Deve contemplar o perfil do egresso de forma a considerar as demandas do
contexto locorregional, no qual o curso está inserido. Para tanto, a matriz curricular deverá ser
organizada mediante componentes fixos que compreendem os conteúdos essenciais, assim
como deverá garantir a flexibilização necessária (atividades complementares e
módulos/disciplinas optativas) que contemple as necessidades e expectativas individuais de
formação dos estudantes, em busca do desenvolvimento do setor de saúde na região;
III - Criar mecanismos de aproveitamento de atividades complementares
desenvolvidas pelo estudante, tais como a participação em monitorias, estágios, programas de
iniciação científica, estudos complementares, cursos e congressos realizados em área
especifica e/ou áreas em áreas afins, além do ativismo comunitário e estudantil. O projeto
deve proporcionar oportunidade de mobilidade acadêmica e intercâmbios de modo a fomentar
a aquisição e socialização do conhecimento, o aprendizado de novas culturas e o
aperfeiçoamento de língua estrangeira;
a) As Atividades Complementares não deverão exceder 5% da carga horária
total do curso.

IV - Acompanhar e permanentemente avaliar projeto pedagógico, promovendo os


ajustes que se fizerem necessários a seu aperfeiçoamento;

V - Utilizar metodologias diversificadas para o processo de ensino-aprendizagem


que privilegiam a participação ativa e proativa do estudante e a integração ensino-serviço-
comunidade. A avaliação da aprendizagem deverá estar em consonância com as metodologias
e com a dinâmica curricular definidas pelo projeto para o alcance das competências
profissionais e articuladas ao perfil almejado;

VI- Contemplar atividades teóricas e práticas, sendo que as atividades práticas


deverão ser realizadas nas distintas modalidades de laboratórios (formação geral/básica,
habilidades, ensino, especializado, serviço), bem como nos serviços de saúde locorregionais,
visando ao desenvolvimento de competências profissionais, com complexidade crescente,
desde a observação até a prática assistida em todos os semestres da graduação;

VII - Garantir conteúdos curriculares diversificados à formação generalista,


assegurando o equilíbrio entre as diferentes áreas de conhecimento e os métodos e as técnicas
e os recursos fisioterapêuticos;

VIII - Incorporar formas de integração entre os estudantes, docentes e

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profissionais das redes de atendimento à saúde com vistas à Educação Permanente para a
melhoria do acesso e da qualidade da atenção à saúde da população;

IX - Fomentar e ofertar possibilidades de mobilidade acadêmica;

X - Oferecer aos estudantes com deficiência e/ou necessidades especiais


oportunidades de ensino sob a ótica da acessibilidade plena, com vistas a educação inclusiva
para a integralização curricular, em conformidade com a legislação vigente;

XI - Possibilitar a utilização de Tecnologias de Informação e Tecnologias de


Comunicação remota no processo de ensino-aprendizagem, bem como nas práticas
fisioterapêuticas e de saúde, transversalizadas ao longo do eixo formador;

XII - Promover a flexibilização e otimizar as propostas curriculares para


enriquecê-las e complementá-las, a fim de permitir ao estudante o manuseio da tecnologia, o
acesso a novas informações, considerando os valores, os direitos e a realidade
socioeconômica;

XIII - A formação do bacharel em Fisioterapia incluirá, como etapa integrante da


graduação, o estágio curricular obrigatório de formação em serviço, que poderá ser realizado
em serviços próprios ou conveniados, em regime de parcerias estabelecidas por meio de
convênio firmado entre entes públicos e/ou privados, conforme posto na legislação vigente
sobre o estágio;

XIV - O estágio curricular obrigatório deverá ser realizado sob orientação e


supervisão exercida por docente fisioterapeuta e por supervisor fisioterapeuta da
Instituição de Ensino Superior - IES, preferencialmente nos cenários do Sistema Único de
Saúde, permitindo ao estudante conhecer e vivenciar as políticas públicas de saúde em
situações variadas de vida, de organização do sistema de saúde vigente e do trabalho em
equipe interprofissional e multidisciplinar;

XV - No caso de supervisão exercida por profissionais fisioterapeutas do serviço


de saúde, esta deverá ter acompanhamento presencial diário/permanente de docente
fisioterapeuta, conforme posto na legislação vigente sobre o estágio, contribuindo, assim, com
o processo de Educação Permanente, tanto do profissional do serviço, quanto do docente;

XVI - A carga horária mínima do estágio curricular obrigatório deverá ser de 20%
(vinte por cento) da carga horária total do curso e deverá assegurar, de forma proporcional, a
prática profissionalizante nos diferentes níveis de atenção à saúde (primário, secundário e
terciário), salvo peculiaridades regionais devidamente justificadas no Projeto Pedagógico,

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contempladas no perfil do egresso e nas competências profissionais;

XVII - Para conclusão do curso, o estudante deverá elaborar e defender, perante


uma banca examinadora, um trabalho científico, sob orientação presencial de um docente. O
Trabalho de Conclusão de Curso deve possuir regulamento próprio e estar em consonância
com a proposta formativa constante no Projeto Pedagógico;

XVIII - A coordenação do estágio curricular obrigatório deverá ser desenvolvida


por docente fisioterapeuta.
Art. 10. Da organização do curso:
I - A organização do curso deverá ser definida em seu Projeto Pedagógico, que
indicará a modalidade: seriada anual, seriada semestral, sistema de créditos ou modular;
II - O colegiado, como instância superior e deliberativa do curso, deve assegurar a
representação estudantil e de docentes do curso, desde as ciências básicas até os núcleos
específicos da profissão;
III - Os docentes do curso, para o exercício do magistério superior, deverão ter
qualificação acadêmica e experiência profissional;
IV - O Núcleo Docente Estruturante deve contribuir para a consolidação do
Projeto Pedagógico, pensando estratégias de integração curricular interdisciplinar, incentivo
ao desenvolvimento da pesquisa e da extensão, de acordo com as necessidades do curso;
V - A coordenação do curso, e o ensino dos conteúdos curriculares de
conhecimentos específicos da Fisioterapia deverão ser exercidos, exclusivamente, por docente
fisioterapeuta;
VI - A formação do bacharel em Fisioterapia deve, impreterivelmente, ocorrer na
modalidade de ensino presencial, visto a aquisição de habilidades e desenvolvimento de
competências inerentes ao cuidado em saúde e segurança do paciente;
§ 1º. Em caso de uso de recursos didáticos organizados em diferentes
suportes de informação que utilizem ferramentas tecnológicas e tecnologias de
comunicação remota, estas não devem exceder 20% (vinte por cento) da carga horaria
total do curso.
§ 2º. As atividades didáticas, módulos ou unidades de ensino e aprendizagem
que utilizem ferramentas tecnológicas e tecnologias de comunicação remota, estas não se
aplicam em disciplinas que envolvam formação de habilidade e atitudes relacionadas as
ações, vivências e práticas fisioterapêuticas, bem como em todas as disciplinas
relacionadas ao estágio curricular obrigatório e curricular não obrigatório.

Resolução (5252413) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 94


§ 3º. Disciplinas que envolvam formação de habilidade e atitudes
relacionadas as ações, vivências e práticas fisioterapêuticas, estágios curricular
obrigatório e curricular não obrigatório visa a segurança na realização de processos e
procedimentos, referenciados no padrão de qualidade das boas práticas de atenção à
saúde, com o intuito de evitar riscos, efeitos adversos e danos aos usuários/paciente, com
base em reconhecimento clínico-epidemiológico, na melhor evidência científica
disponível, na garantia da integralidade do cuidado da pessoa, do coletivo e do território
e na garantia de direito e dignidade humana.
Art. 11. O Curso de Graduação, Bacharelado, em Fisioterapia deverá
proporcionar, de forma permanente, meios para o desenvolvimento da docência em
Fisioterapia, com vistas à valorização do trabalho docente na graduação, maior compreensão
dos professores sobre o Projeto Pedagógico do Curso, por meio do domínio conceitual e
pedagógico do documento.
Art. 12. Esta Resolução entrará em vigor na data de sua publicação, ficando
revogada a Resolução CNE/CES nº 4, de 19 de fevereiro de 2002, e demais disposições em
contrário.

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RESOLUÇÃO Nº 569, DE 08 DE DEZEMBRO DE 2017.

O Plenário do Conselho Nacional de Saúde (CNS), em sua Trecentésima


Reunião Ordinária, realizada nos dias 7 e 8 de dezembro de 2017, e no uso de suas
competências regimentais e atribuições conferidas pela Lei nº 8.080, de 19 de setembro
de 1990; pela Lei nº 8.142, de 28 de dezembro de 1990; pela Lei Complementar nº 141,
de 13 de janeiro de 2012; pelo Decreto nº 5.839, de 11 de julho de 2006; cumprindo as
disposições da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, da legislação
brasileira correlata; e

considerando que o Art. 196 da Constituição Federal de 1988, garante que “a


saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e
econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso
universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”;
considerando que o Art. 197 da Constituição Federal de 1988 determina que são
de “relevância pública as ações e serviços de saúde, cabendo ao Poder Público dispor, nos
termos da lei, sobre sua regulamentação, fiscalização e controle, devendo sua execução
ser feita diretamente ou através de terceiros e, também, por pessoa física ou jurídica de
direito privado”;
considerando que a Constituição garante no Art. 198, incisos II e III, o
atendimento integral, com prioridade para as atividades preventivas, sem prejuízo dos
serviços assistenciais e a participação da comunidade”;
considerando que, nos termos do Art. 200, inciso III, da Constituição Federal de
1988, é competência do Sistema Único de Saúde (SUS), além de outras atribuições,
“ordenar a formação de recursos humanos na área de saúde” , diferentemente de
“participar” ou “colaborar” como em outras competências do mesmo artigo;
considerando que o Art. 209, inciso I, da Constituição Federal de 1988 faculta
que “O ensino é livre à iniciativa privada, atendidas as seguintes condições: cumprimento
das normas gerais da educação nacional” cabendo ao SUS, nos termos do Art. 200, inciso
III, “ordenar a formação de recursos humanos na área de saúde”;
considerando que o Art. 6º da Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990,
regulamentando a Constituição, estabelece que “estão incluídas ainda no campo de
atuação do Sistema Único de Saúde (SUS), inciso III - a ordenação da formação de
recursos humanos na área de saúde”;

Resolução (5252439) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 96


considerando que o Art. 12 da Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990, prevê a
criação de “comissões intersetoriais de âmbito nacional subordinadas ao Conselho
Nacional de Saúde (CNS), integradas pelos Ministérios e órgãos competentes e por
entidades representativas da sociedade civil” e, no Parágrafo único que “as comissões
intersetoriais terão a finalidade de articular políticas e programas de interesse para a
saúde, cuja execução envolva áreas não compreendidas no âmbito do Sistema Único de
Saúde (SUS)”;
considerando que a Comissão Intersetorial de Recursos Humanos e Relações de
Trabalho do Conselho Nacional de Saúde (CIRHRT/CNS) tem o papel de cumprir o Art.
12 da Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990;
considerando que o Art. 13 da Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990, define
que “A articulação das políticas e programas, a cargo das comissões intersetoriais
abrangerá, em especial, as seguintes atividades, inciso IV - recursos humanos;
considerando que o Art. 14 da Lei nº 8.080 de 19 de setembro de 1990, determina
que “deverão ser criadas Comissões Permanentes de integração entre os serviços de saúde
e as instituições de ensino profissional e superior”;
considerando o Art. 16 da Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990, que versa
sobre as atribuições da direção nacional do SUS a quem compete, conforme o inciso IX,
“promover a articulação com os órgãos educacionais e de fiscalização do exercício
profissional, bem como com entidades representativas de formação de recursos humanos
na área de saúde”;
considerando que o Art. 27 da Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990, garante
que “A política de recursos humanos na área da saúde será formalizada e executada,
articuladamente, pelas diferentes esferas de governo, em cumprimento dos seguintes
objetivos: I - organização de um sistema de formação de recursos humanos em todos os
níveis de ensino, inclusive de pós-graduação, além da elaboração de programas de
permanente aperfeiçoamento de pessoal”;
considerando que o Art. 1º, §2º da Lei nº 8.142, de 28 de dezembro de 1990,
estabelece que o SUS, deve, necessariamente, contar, em cada esfera de governo, sem
prejuízo das funções do Poder Legislativo, entre suas instâncias colegiadas, com o
Conselho de Saúde, em caráter permanente e deliberativo, órgão colegiado composto por
representantes do governo, prestadores de serviço, profissionais de saúde e usuários, que
atua na formulação de estratégias e no controle da execução da política de saúde na
instância correspondente, inclusive nos aspectos econômicos e financeiros, cujas decisões

Resolução (5252439) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 97


serão homologadas pelo chefe do poder legalmente constituído em cada esfera do
governo;
considerando o Edital MEC/SESU nº 04/1997 como marco histórico de
elaboração de DCN numa perspectiva de construção social e política;
considerando que o paradigma das DCN gerais para os cursos da área da saúde
rompeu com os currículos mínimos e foi bem fundamentado pelo Professor Efren de
Aguiar Maranhão, Presidente da Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de
Educação (CES/CNE) no ano de 2001;
considerando a Resolução CNS nº 350, de 9 de junho de 2005, que aprova
critérios de regulação para a autorização e reconhecimento de cursos de graduação da
área da saúde, tendo em perspectiva: a) as necessidades sociais em saúde; b) projetos
político-pedagógicos coerentes com as necessidades sociais; e c) a relevância social do
curso;
considerando a Resolução CNS nº 515, de 7 de outubro de 2016, na qual o CNS
se manifesta de forma contrária à autorização de todo e qualquer curso de graduação em
saúde ministrado na modalidade a distância (EaD), bem como delibera que as Diretrizes
Curriculares Nacionais (DCN) dos cursos da saúde sejam objeto de discussão e
deliberação do CNS de forma sistematizada, em um espaço de tempo adequado para
permitir a participação, no debate, das organizações de todas as profissões
regulamentadas e das entidades e movimentos sociais que atuam no controle social; e
considerando as competências e habilidades necessárias para a formação dos
profissionais de saúde, esta Resolução expressa pressupostos, princípios e diretrizes
comuns para as DCN dos cursos de graduação da área da saúde e é resultado de uma
construção coletiva e democrática, realizada nos anos de 2016 e 2017, pelo Grupo de
Trabalho das Diretrizes Curriculares Nacionais (GT/DCN), aprovado na 286ª Reunião
Ordinária do CNS, ocorrida em 6 e 7 de outubro de 2016, articulado com associações/
entidades nacionais de ensino, conselhos e federações profissionais, executivas
estudantis, gestores do MEC e MS, entre outros, e coordenada pela Comissão Intersetorial
de Recursos Humanos e Relações de Trabalho do Conselho Nacional de Saúde
(CIRHRT/CNS).

Resolve:
Art. 1º Reafirmar a prerrogativa constitucional do SUS em ordenar a formação
dos (as) trabalhadores (as) da área da saúde.

Resolução (5252439) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 98


Art. 2º Aprovar o Parecer Técnico nº 300/2017, em anexo, que apresenta
princípios gerais a serem incorporados nas DCN de todos os cursos de graduação da área
da saúde, como elementos norteadores para o desenvolvimento dos currículos e das
atividades didático-pedagógicas, e que deverão compor o perfil dos egressos desses
cursos.

Art. 3º Aprovar os pressupostos, princípios e diretrizes comuns para a graduação


na área da saúde, construídos na perspectiva do controle/participação social em saúde, e
apresentados, sinteticamente, nos incisos a seguir:

I - Defesa da vida e defesa do SUS como preceitos orientadores do perfil dos


egressos da área da saúde, com os seguintes objetivos:

a) formação em saúde comprometida com a superação das iniquidades que


causam o adoecimento dos indivíduos e das coletividades, de modo que os futuros
profissionais estejam preparados para implementar ações de promoção da saúde,
educação e desenvolvimento comunitário, com responsabilidade social e compromisso
com a dignidade humana, cidadania e defesa da democracia, do direito universal à saúde
e do SUS, tendo a determinação social do processo saúde-doença como orientadora;
b) valorização da vida, por meio de abordagens dos problemas de saúde
recorrentes na atenção básica, na urgência e na emergência, na promoção da saúde e na
prevenção de riscos e doenças, visando à melhoria dos indicadores de qualidade de vida,
de morbidade e de mortalidade;

c) formação profissional voltada para o trabalho que contribua para o


desenvolvimento social, considerando as dimensões biológica, étnico-racial, de gênero,
geracional, de identidade de gênero, de orientação sexual, de inclusão da pessoa com
deficiência, ética, socioeconômica, cultural, ambiental e demais aspectos que representam
a diversidade da população brasileira.

II - Atendimento às necessidades sociais em saúde, considerando:

a) a responsabilidade social das Instituições de Educação Superior (IES) com


o seu entorno e o compromisso dos cursos da saúde com a promoção do desenvolvimento
regional, por meio do enfrentamento dos problemas de saúde prevalentes e a organização
de redes e sistemas inclusivos e produtores de integralidade;

Resolução (5252439) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 99


b) a abordagem do processo saúde-doença em seus múltiplos aspectos de
determinação, ocorrência e intervenção, para possibilitar que a atuação dos futuros
profissionais possa transformar e melhorar a realidade em que estão inseridos.
III - Integração ensino-serviço-gestão-comunidade, de forma a promover:

a) a inserção dos estudantes nos cenários de práticas do SUS e outros


equipamentos sociais desde o início da formação, integrando a educação e o trabalho em
saúde;
b) a ampliação da rede de atenção em uma rede de ensino-aprendizagem, com
vistas ao desenvolvimento dos (as) trabalhadores (as) e do trabalho em saúde;
c) a diversificação de cenários de práticas, possibilitando aos discentes
vivenciar as políticas de saúde, os fluxos de atenção em rede e de organização do trabalho
em equipe interprofissional;
d) a formalização da integração das IES com as redes de serviços de saúde,
por meio de convênios ou outros instrumentos, que viabilizem pactuações e o
estabelecimento de corresponsabilizações entre as instituições de ensino e as gestões
municipais e estaduais de saúde;
e) a participação dos gestores de saúde nas instâncias decisórias das IES;
f) a integração das ações de formação aos processos de Educação Permanente
em Saúde (EPS) da rede de serviços;
g) a participação ativa da comunidade e/ou das instâncias de controle social
em saúde;
h) que as DCN dos cursos de graduação valorizem a carga horária destinada
aos estágios curriculares e às atividades práticas e de extensão;
i) a articulação entre as atividades de ensino, pesquisa e extensão com a
prestação de serviços de saúde, com base nas necessidades sociais e na capacidade de
promover o desenvolvimento locorregional.
IV - Integralidade e Redes de Atenção à Saúde (RAS), observando-se os
seguintes pressupostos:
a) a integralidade como um dos princípios fundamentais do SUS, que
possibilita acesso universal dos cidadãos aos serviços do sistema de saúde e que garante
ao usuário uma atenção que abrange ações de promoção, proteção e recuperação da saúde,
além de prevenção e tratamento de agravos;

Resolução (5252439) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 100


b) a concepção de rede que rompe com o conceito de sistema verticalizado e
fragmentado para trabalhar com um conjunto articulado de serviços básicos, ambulatórios
e hospitais gerais e especializados;
c) a formação em redes de atenção à saúde caracterizadas pela formação de
relações horizontais entre os pontos de atenção com o centro de comunicação na Atenção
Primária em Saúde (APS), pela centralidade nas necessidades em saúde de uma
população, pela responsabilização na atenção contínua e integral, pelo cuidado
interprofissional, pelo compartilhamento de objetivos e compromissos com os resultados
sanitários e econômicos;
d) a APS como coordenadora do cuidado e ordenadora das RAS. Nesta
perspectiva, a formação dos profissionais da saúde para atuar de forma efetiva, eficiente,
eficaz e segura na atenção básica assume uma importância estratégica, devendo equilibrar
conteúdos e propiciar o desenvolvimento de habilidades e atitudes, tanto em saúde
coletiva, como para a clínica/assistência individual em saúde.
V - Trabalho interprofissional, com as seguintes orientações:

a) as DCN devem expressar a formação de um profissional apto a atuar para


a integralidade da atenção à saúde, por meio do efetivo trabalho em equipe, numa
perspectiva colaborativa e interprofissional. O preceito da integralidade aponta para a
interdisciplinaridade, enquanto integração de diferentes campos de conhecimentos; para
a interprofissionalidade, ocasião em que há intensa interação entre diferentes núcleos
profissionais; e para a intersetorialidade, envolvimento de diferentes setores da sociedade
no atendimento das complexas e dinâmicas necessidades de saúde;
b) os Projetos Pedagógicos dos Cursos (PPC) devem apresentar estratégias
alinhadas aos princípios da interdisciplinaridade, intersetorialidade e
interprofissionalidade, como fundamentos da mudança na lógica da formação dos
profissionais e na dinâmica da produção do cuidado em saúde;
c) as DCN devem estimular a elaboração de projetos terapêuticos assentados
na lógica interprofissional e colaborativa, reconhecendo os usuários dos serviços como
protagonistas ativos e co-produtores do cuidado em saúde, superando a perspectiva
centrada em procedimentos ou nos profissionais.
VI - Projetos Pedagógicos de Cursos (PPC) e componentes curriculares
coerentes com as necessidades sociais em saúde, observando-se:

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a) que as DCN considerem os fundamentos das principais políticas públicas
que contribuem para a redução das desigualdades e para a consolidação do SUS como
sistema universal, integral e equitativo;
b) que os PPC sejam construídos com a participação ativa de representações
de trabalhadores, discentes, usuários e gestores municipais/estaduais do SUS, tendo em
perspectiva sua adequação ao contexto social e a integração dos componentes curriculares
“intra” e “inter” cursos;
c) a relevância de que os PPC e os componentes curriculares estejam
relacionados com todo o processo saúde-doença e referenciados na realidade
epidemiológica, proporcionando a integralidade e a segurança assistencial em saúde;
d) a inovação das propostas pedagógicas, incluindo explicitação dos cenários
de práticas e dos compromissos com a interprofissionalidade, o gerenciamento dos riscos,
a prevenção de erros e a produção de conhecimentos socialmente relevantes;
e) abordagem de temas transversais no currículo que envolvam
conhecimentos, vivências e reflexões sistematizadas acerca dos direitos humanos e de
pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, Transtorno do Espectro Autista (TEA),
educação ambiental, Língua Brasileira de Sinais (Libras), educação das relações étnico-
raciais e história da cultura afro-brasileira, africana, dos povos tradicionais e indígena;
f) os pressupostos e fundamentos da promoção da saúde e seus
determinantes, da Educação Popular em Saúde, e das Práticas Integrativas e
Complementares (PIC) como elementos constituintes da formação, reafirmando o
conceito ampliado de saúde;
g) o fortalecimento das ações de promoção e proteção à saúde relacionadas à
vigilância sanitária, epidemiológica, ambiental e à saúde do trabalhador;
h) que os núcleos de conhecimento e práticas previstos nas DCN considerem
temáticas relacionadas ao envelhecimento populacional, às Doenças Crônicas Não
Transmissíveis (DCNT), à segurança do paciente e à urgência e emergência, entre outras;
i) a formação política e cidadã, que requer a realização de atividades teóricas
e práticas que proporcionem informações e promovam diálogos sobre as relações
humanas, estruturas e formas de organização social, suas transformações, suas expressões
e seu impacto na qualidade de vida das pessoas, famílias, grupos e comunidades.
VII - Utilização de metodologias de ensino que promovam a aprendizagem
colaborativa e significativa, tendo em vista:

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a) a utilização de metodologias diversificadas para o processo de ensino-
aprendizagem, que privilegiem a participação e a autonomia dos estudantes;
b) a integração entre os conteúdos curriculares, de forma a possibilitar
processos de aprendizagem colaborativa e significativa, com base na ação-reflexão-ação,
a partir de competências técnicas, comportamentais, éticas e políticas;
c) propostas educacionais pautadas em práticas interdisciplinares e
integradas ao cotidiano dos docentes, estudantes, gestores, trabalhadores e comunidade,
promovendo a formação de profissionais aptos a “aprender a aprender”, que compreende
o “aprender a conhecer”, o “aprender a fazer”, o “aprender a conviver” e o “aprender a
ser”.
VIII - Valorização da docência na graduação, do profissional da rede de
serviços e do protagonismo estudantil, considerando:

a) a relevância da aprendizagem “no” e “para” o trabalho em saúde, que


pressupõe a implementação de estratégias educacionais dirigidas à formação de docentes
(inclusive para o desenvolvimento de atividades de tutoria) e trabalhadores que atuam na
rede de serviços de saúde em atividades de preceptoria, fundamentadas nos pressupostos
da Educação Permanente em Saúde e que mobilizem o desenvolvimento de competências
pedagógicas de profissionais vinculados ao ensino na área da saúde;
b) o fortalecimento dos mecanismos de participação e organização estudantil
no âmbito das instituições de ensino para garantir a formação de profissionais críticos,
colaborativos e conscientes de seu papel enquanto cidadãos e agentes de transformação
social.
IX - Educação e comunicação em saúde, na seguinte perspectiva:

a) os cursos de graduação devem incorporar aos seus PPC o uso de


Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC), em suas diferentes formas, utilizando
as ferramentas e estratégias disponíveis para efetivar a formação e as práticas para a
educação e comunicação em saúde, bem como sua aplicabilidade nas relações
interpessoais;
b) diálogo com todos os espaços da vida social, considerando o caráter
intersetorial da saúde e sua determinação social, pois a inter-relação comunicação e
educação (“educomunicação”) é central para a mobilização e participação da
comunidade. A “educomunicação” contribui para o crescimento e o aprimoramento do

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SUS, ao elevar a capacidade do exercício do controle social, possibilitando o diálogo com
a sociedade sobre o direito constitucional à saúde, na lógica da seguridade social;
c) estabelecimento de uma relação mais próxima entre a área da saúde e as
mídias e canais alternativos de comunicação para que a educação em saúde seja um
instrumento que permita aos estudantes, trabalhadores, gestores e população em geral se
apropriarem das informações, contribuindo para o exercício pleno da cidadania.
X - Avaliação com caráter processual e formativo, observando-se:

a) a definição de critérios para o acompanhamento e a avaliação dos


processos de ensino-aprendizagem, desenvolvendo mecanismos que verifiquem a
estrutura, os processos e os resultados, visando o contínuo aprimoramento do Sistema
Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES);
b) que a avaliação tenha caráter processual, contextual e formativo, com a
utilização de instrumentos e métodos que avaliem conhecimentos, habilidades e atitudes,
em um processo de construção dialógica, que inclua também a autoavaliação por parte de
gestores, docentes e estudantes.
XI - Pesquisas e tecnologias diversificadas em saúde, de modo a promover:

a) o desenvolvimento do pensamento científico e crítico e a produção de


novos conhecimentos direcionados para a atenção das necessidades de saúde individuais
e coletivas, por meio da disseminação das melhores práticas e do apoio à realização de
pesquisas de interesse da sociedade;
b) investigação de problemas de saúde coletiva pautada nos pressupostos
teórico-metodológicos da pesquisa-ação e da pesquisa-intervenção, pois suas concepções
engendram processos teórico-metodológicos que se configuram como dispositivos de
transformação social;
c) o uso de tecnologias diversificadas em saúde, em especial, as chamadas
“tecnologias leves”, os modos relacionais de atuação dos trabalhadores/equipes/usuários
na produção do cuidado em saúde.
XII - Formação presencial e carga horária mínima para cursos de
graduação da área da saúde, tendo em perspectiva:

a) a garantia da segurança e resolubilidade na prestação dos serviços de


saúde, conforme disposto na Resolução CNS nº 515/2016, com posicionamento contrário
à autorização de todo e qualquer curso de graduação em saúde ministrado na modalidade
Educação a Distância (EaD);

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b) uma formação profissional comprometida com a qualidade e as
necessidades em saúde, em consonância com o preconizado na Recomendação CNS nº
024, de 10 de julho de 2008, no sentido de que a carga-horária total dos cursos de
graduação da área da saúde seja de, no mínimo, 4.000 horas.

RONALD FERREIRA DOS SANTOS


Presidente do Conselho Nacional de Saúde

Homologo a Resolução CNS nº 569, de 8 de dezembro de 2017, nos termos do


Decreto de Delegação de Competência de 12 de novembro de 1991.

RICARDO BARROS
Ministro de Estado da Saúde

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ANEXO
PARECER TÉCNICO Nº 300/2017

ASSUNTO: Princípios Gerais para as Diretrizes Curriculares Nacionais dos


Cursos de Graduação da Área da Saúde.

PREÂMBULO

A Constituição Federal (CF) de 1988 determina que a Saúde é direito de todos e


dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem ao acesso
universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação.

A Reforma Sanitária brasileira e a criação do Sistema Único de Saúde (SUS)


produziram mudanças na gestão, no controle/participação social e no modelo assistencial.
A descentralização do Sistema possibilitou aos estados e aos municípios uma atuação
mais efetiva no enfrentamento dos problemas de saúde. A participação da sociedade se
intensificou, a partir de sua representação nos Conselhos e nas Conferências de Saúde,
reafirmando o direito à saúde como exercício de cidadania. Atuando como mecanismos
essencialmente democráticos, por meio deles, a sociedade se organiza para a efetiva
proteção e promoção da saúde como direito de todos e dever do Estado. A democratização
das políticas de saúde é avanço conquistado no processo de disputas empreendidas pelo
controle/participação social.

Segundo o artigo 200 da CF/88, compete ao SUS, entre outras atribuições, ordenar
a formação dos profissionais da área de saúde. Neste contexto, em observância ao Decreto
nº 8.754, de 10 de maio de 2016, o Conselho Nacional de Saúde (CNS) opera, em parceria
com o Ministério da Educação (MEC), na regulação da formação em saúde do Sistema
Federal de Ensino, manifestando-se em relação à autorização e reconhecimento de cursos
de graduação em Medicina, Odontologia, Psicologia e Enfermagem, em consonância com
os princípios e diretrizes do SUS e Resolução CNS nº 350, de 9 de junho de 2005, que
normatiza os critérios de regulação da abertura e reconhecimento de cursos da área da
saúde, tendo em perspectiva: a) as necessidades sociais em saúde; b) projetos político-
pedagógicos coerentes com as necessidades sociais; e c) a relevância social do curso.

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A Resolução CNS nº 350/2005 apresenta alguns critérios que abrangem:
demonstração pelo novo curso da possibilidade de utilização da rede de serviços instalada
e de outros recursos e equipamentos sociais existentes na região; demonstração da
responsabilidade social do curso com a promoção do desenvolvimento locorregional;
inovação das propostas pedagógicas, orientadas pelas diretrizes curriculares, incluindo
explicitação dos cenários de prática e estratégias para a produção de conhecimentos
socialmente relevantes; projeto construído em parceria e/ou com pactuações definidas
com os gestores locais do SUS; compromissos com o diálogo entre docentes, estudantes
e sociedade; e contribuição do curso para a superação dos desequilíbrios na oferta de
profissionais de saúde atualmente existentes.

Mudanças na formação desses profissionais ainda se configuram como


necessárias e estratégicas para a consolidação do SUS. Reconhecendo este desafio, o
Ministério da Saúde (MS) tem destinado apoio técnico e financeiro a projetos, programas
e políticas públicas que objetivam a qualificação e a adequação do perfil dos trabalhadores
às necessidades sociais em saúde, tendo como eixo a integração ensino-serviço-gestão-
comunidade. Os esforços empreendidos nesse sentido podem ser identificados nas
estratégias governamentais de articulação entre as Instituições de Educação Superior
(IES), os serviços públicos de saúde e a comunidade, em um contexto que busca
aproximar as práxis da educação em saúde com a realidade social.

Neste cenário de múltiplos desafios, o CNS, enquanto órgão colegiado de caráter


permanente e deliberativo, atua na formulação e no controle da execução da Política
Nacional de Saúde, bem como nas estratégias e na promoção do processo de controle
social, em toda a sua amplitude, no âmbito dos setores público e privado.
Em sua 286ª Reunião Ordinária (RO), ocorrida em 6 e 7 de outubro de 2016, o
CNS aprovou a criação de um Grupo de Trabalho (GT) para discutir as Diretrizes
Curriculares Nacionais (DCN) dos cursos de graduação da área da saúde, na perspectiva
de que possam expressar os princípios e as necessidades do SUS, com base na já citada
Resolução CNS nº 350/2005, para assegurar a integralidade da atenção, a qualidade e a
humanização do atendimento prestado aos indivíduos, famílias e comunidades.
A composição do GT/DCN foi aprovada na 287ª RO/CNS, ocorrida em 10 e 11
de novembro de 2016, de acordo com o disposto na Resolução nº 407, de 12 de setembro
de 2008, Capítulo IV, que aprova o Regimento Interno do CNS. Assim, foram indicados

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cinco Conselheiros Nacionais de Saúde, representantes dos segmentos de usuários,
trabalhadores e gestores do SUS.
A constituição do GT/DCN objetivou dar materialidade à Resolução nº 515, de 07
de outubro de 2016, publicada no Diário Oficial da União nº 217, seção 1, página 61, em
11 de novembro de 2016, que expõe o posicionamento contrário deste órgão colegiado à
autorização de todo e qualquer curso de graduação em saúde na modalidade a distância,
bem como delibera que as DCN dos cursos da área da saúde sejam objeto de discussão e
deliberação do CNS de forma sistematizada, em um espaço de tempo adequado para
permitir a participação, no debate, das organizações de todas as profissões
regulamentadas e das entidades e movimentos sociais que atuam no controle social.
Espera-se que as diretrizes apontem para um perfil profissional na perspectiva do
trabalho coletivo em saúde como prática social, organizado de forma interdisciplinar e
interprofissional, e proporcionem conhecimentos, habilidades e atitudes que possam
superar os desafios contemporâneos do mundo do trabalho.
Desta forma, no âmbito da Comissão Intersetorial de Recursos Humanos e
Relações de Trabalho (CIRHRT/CNS), o GT/DCN reuniu-se regularmente ao longo de
2017 para tratar da temática, em um processo de construção coletiva que teve sempre em
perspectiva a articulação entre gestão, atenção, educação e trabalho em saúde, uma vez
que os serviços públicos integrantes do SUS constituem-se como campo de prática para
o ensino, a pesquisa e a extensão, mediante normas específicas elaboradas conjuntamente
com o sistema educacional.
Tendo em vista que a formação profissional está intrinsecamente relacionada com
a atuação profissional, entendemos o trabalho no SUS como lócus produtor do
conhecimento, um espaço de ensino-aprendizagem. A formação em serviço proporciona
não somente a qualificação dos trabalhadores do SUS, mas o desenvolvimento do próprio
sistema de saúde, partindo da reflexão sobre a realidade dos serviços e sobre o que precisa
ser transformado, com a finalidade de melhorar a gestão e o cuidado em saúde.
Portanto, a formação no/para o SUS deve ser pautada pelas necessidades de saúde
das pessoas e pela integralidade da atenção. Para tanto, requer uma formação
interprofissional, humanista, técnica e de ordem prática presencial. Além disso, é
fundamental que as DCN retratem a forma como a produção social da saúde está colocada
e ressaltem que os trabalhadores da área estão inseridos nesse processo como agentes
transformadores da sociedade, visando garantir saúde plena para a população.

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Importante destacar a necessária indissociabilidade entre ensino, pesquisa e
extensão. É comum a priorização da pesquisa científica (sendo geralmente mais
valorizados temas relacionados à alta tecnologia) e do ensino (comumente
descontextualizado das reais demandas dos serviços de saúde e da população), sem que
se valorize suficientemente a extensão universitária, indispensável para uma adequada
formação profissional e que deve ser desenvolvida de forma articulada ao ensino e à
pesquisa. Observe-se que o Plano Nacional de Educação (aprovado por meio da Lei nº
13.005/2014) apresenta, como uma de suas estratégias para o alcance das metas propostas,
“assegurar, no mínimo, 10% (dez por cento) do total de créditos curriculares exigidos
para a graduação em programas e projetos de extensão universitária, orientando sua ação,
prioritariamente, para áreas de grande pertinência social”.
Por sua vez, a intersetorialidade, como prática de gestão na saúde, permite o
estabelecimento de espaços compartilhados de decisões entre instituições e diferentes
setores do Estado que implementam políticas públicas que possam ter impacto positivo
na saúde. Neste sentido, as ações estratégicas de educação na saúde são fortalecidas
quando desenvolvidas de forma articulada entre o Ministério da Saúde e o Ministério da
Educação (MEC).
Esta contextualização exprime a importância de que questões relacionadas à
formação e ao desenvolvimento dos trabalhadores da saúde envolvam distintos atores
sociais dos setores da educação e saúde, com participação das organizações de todas as
profissões regulamentadas e das entidades e movimentos sociais que atuam no controle
social.
Em audiência ocorrida no dia 24 de janeiro de 2017, no edifício sede do Conselho
Nacional de Educação (CNE/MEC), reuniram-se o presidente do CNE, o presidente da
Câmara de Educação Superior/CNE, o presidente do CNS, bem como demais
Conselheiros Nacionais de Saúde, membros da Mesa Diretora/CNS e Coordenadores da
CIRHRT/CNS. Na ocasião, foi pactuado entre os dois órgãos colegiados que o CNS
encaminharia formalmente ao CNE suas contribuições às diretrizes curriculares da área
da saúde, na medida em que fossem sendo amplamente discutidas no âmbito do GT/DCN
da CIRHRT/CNS.
Sendo assim, este parecer apresenta princípios gerais para as Diretrizes
Curriculares Nacionais de todos os cursos de graduação da área da saúde, respeitando-se
a expressão das singularidades de cada um deles e as especificidades de cada profissão,
notadamente aquelas cujo escopo de atuação profissional não se restringe à saúde.

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Os princípios do SUS (público, integral, universal e de qualidade) foram
elementos fundamentais na elaboração do texto, que busca expressar competências
comuns para uma formação em saúde mobilizadora de conhecimentos, habilidades e
atitudes que permitam superar os desafios que se apresentam às práticas profissionais nos
diferentes contextos do trabalho em saúde. Tendo em vista o conceito ampliado de saúde,
os pressupostos aqui registrados abrangem a formação e o desenvolvimento para a saúde
e outras áreas de conhecimento afins.
Em uma perspectiva de construção coletiva e dialógica, ressalte-se que o
documento foi debatido no âmbito do GT-DCN da CIRHRT/CNS e em reuniões
ampliadas em que foram convidados a participar gestores do MS e MEC, além de
representações das associações nacionais de ensino, executivas estudantis, conselhos e
federações das 14 categorias profissionais de saúde de nível superior relacionadas na
Resolução CNS nº 287/1998, quais sejam, Biomedicina, Biologia, Educação Física,
Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Medicina, Medicina
Veterinária, Nutrição, Odontologia, Psicologia, Serviço Social e Terapia
Ocupacional, acrescidas dos profissionais da graduação em Saúde Coletiva.
Deste modo, com base nas considerações acima expressas, a seguir são
apresentados pressupostos, princípios e diretrizes para a graduação na área da saúde, na
perspectiva do controle/participação social em saúde.

I - Defesa da vida e defesa do SUS como preceitos orientadores do perfil dos egressos
da área da saúde
O Conselho Nacional de Saúde reafirma seu compromisso com o disposto na
Constituição Federal de 1988, que instituiu um Estado Democrático destinado a assegurar
o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o
desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade
fraterna, pluralista e sem preconceitos. Com a CF/88, estabeleceu-se um pacto social que
coloca como dever do Estado a oferta de políticas de proteção social e de redução da
pobreza e das desigualdades.
Nesta direção, as Diretrizes Curriculares Nacionais para a formação na área da
saúde também precisam expressar os princípios que constam nos primeiros artigos da
constituição cidadã, cujos pressupostos e objetivos fundamentais apresentam as
necessidades da população brasileira a serem atendidas na construção de uma sociedade
livre, justa e solidária, dentre elas: a dignidade humana, a cidadania, o desenvolvimento

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e a soberania nacional, os valores sociais do trabalho, a redução das desigualdades sociais
e regionais, a proteção aos direitos humanos e a erradicação da pobreza e da
marginalização, promovendo o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo,
cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. Assim, as DCN devem contribuir
para o desenvolvimento humano e social, tendo em vista as iniquidades presentes em
nossa sociedade e os desafios atuais que se apresentam na formação de profissionais
preparados para atuar com resolubilidade no SUS, seja na atenção, na gestão ou no
controle social em saúde.

Destacamos os artigos 196 e 198 da CF/88, que apresenta ainda, em seu Art. 197,
a relevância pública das ações e serviços de saúde, “cabendo ao Poder Público dispor, nos
termos da lei, sobre sua regulamentação, fiscalização e controle”:

Seção II - DA SAÚDE

Art. 196. A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido


mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de
doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações
e serviços para sua promoção, proteção e recuperação.

Art. 198. As ações e serviços públicos de saúde integram uma rede


regionalizada e hierarquizada e constituem um sistema único,
organizado de acordo com as seguintes diretrizes:
I - descentralização, com direção única em cada esfera de governo;
II - atendimento integral, com prioridade para as atividades preventivas,
sem prejuízo dos serviços assistenciais;
III - participação da comunidade.

Ressaltamos, também, o disposto no artigo 5º da Lei nº 8.080/90:

CAPÍTULO I - Dos Objetivos e Atribuições

Art. 5º São objetivos do Sistema Único de Saúde (SUS):


I - a identificação e divulgação dos fatores condicionantes e
determinantes da saúde;
II - a formulação de política de saúde destinada a promover, nos campos
econômico e social, a observância do disposto no § 1º do art. 2º desta
lei;
III - a assistência às pessoas por intermédio de ações de promoção,
proteção e recuperação da saúde, com a realização integrada das ações
assistenciais e das atividades preventivas.

Ainda, no artigo 7º da Lei nº 8.080/90, consta que as ações e serviços públicos de


saúde e os serviços privados contratados ou conveniados que integram o SUS são

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desenvolvidos de acordo com as diretrizes previstas no artigo 198 da Constituição
Federal, obedecendo ainda aos seguintes princípios, entre outros:

 universalidade de acesso aos serviços de saúde em todos os níveis de assistência;


 igualdade da assistência à saúde, sem preconceitos ou privilégios de qualquer
espécie;
 direito à informação, às pessoas assistidas, sobre sua saúde;
 divulgação de informações quanto ao potencial dos serviços de saúde e a sua
utilização pelo usuário;
 utilização da epidemiologia para o estabelecimento de prioridades, a alocação de
recursos e a orientação programática;
 integração em nível executivo das ações de saúde, meio ambiente e saneamento
básico;
 capacidade de resolução dos serviços em todos os níveis de assistência.

Deste modo, as instituições de ensino, orientadas pelas DCN, devem incorporar o


arcabouço teórico do SUS nos projetos pedagógicos de seus cursos, objetivando a
formação de profissionais comprometidos com a democracia e com o direito fundamental
à saúde, que compreendam os princípios, diretrizes e políticas do sistema de saúde. O que
se busca é a valorização da vida, por meio de abordagens dos problemas de saúde
recorrentes na atenção básica, na urgência e na emergência, na promoção da saúde e na
prevenção de riscos e doenças, visando à melhoria dos indicadores de qualidade de vida,
de morbidade e de mortalidade.

Os egressos de cursos da área da saúde devem ter formação generalista,


humanista, crítica, reflexiva, ética e transformadora, comprometida com a melhoria da
qualidade de vida e saúde da população, capazes de atuar na análise, monitoramento e
avaliação de situações de saúde, formulação de políticas, planejamento, programação e
avaliação de sistemas e serviços de saúde. Devem também estar preparados para o
desenvolvimento de ações intersetoriais de promoção da saúde, educação e
desenvolvimento comunitário, com responsabilidade social e compromisso com a
dignidade humana, cidadania e defesa da democracia, do direito universal à saúde e do
SUS, tendo a determinação social do processo saúde-doença como orientadora.
Os cursos de graduação da área da saúde precisam formar trabalhadores com
capacidade para desempenhar atividades nos diferentes níveis de atenção à saúde e
proporcionar o desenvolvimento de competências para a atuação em equipes

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interdisciplinares e interprofissionais, na organização das linhas de cuidado e redes de
atenção, nas ações de proteção da saúde coletiva e de vigilância em saúde, incluindo a
saúde ambiental. Os futuros profissionais da área devem estar preparados a reconhecer e
intervir positivamente nos riscos existentes na prestação de serviços de saúde,
considerando que sua ação é fator importante na prevenção de agravos relacionados ao
cuidado em saúde.
Em consonância com o disposto na CF/88, é importante que sejam consideradas
as dimensões biológica, étnico-racial, de gênero, geracional, de orientação sexual, ética,
socioeconômica, cultural, ambiental e demais aspectos que representam a diversidade da
população brasileira. Objetiva-se favorecer a construção de vínculos, a partir de uma
escuta qualificada dos problemas relatados pelas pessoas, famílias, grupos e
comunidades, respeitando seus valores e crenças, no sentido de concretizar:
I - acesso universal e equidade como direito à cidadania, sem privilégios nem
preconceitos de qualquer espécie, tratando as desigualdades com equidade e atendendo
às necessidades pessoais específicas, segundo as prioridades definidas pela
vulnerabilidade e pelo risco à saúde e à vida;
II - integralidade e humanização do cuidado, por meio de práticas integradas com
as demais ações e instâncias de saúde, de modo a construir projetos terapêuticos
compartilhados, estimulando o autocuidado e a autonomia, reconhecendo os usuários
como protagonistas ativos de sua própria saúde; e
III - qualidade e segurança na atenção à saúde, pautando o pensamento crítico que
conduz o seu fazer nas melhores evidências científicas e nas políticas públicas,
programas, ações estratégicas e diretrizes vigentes, tendo em perspectiva a proteção
responsável e comprometida com a redução de agravos e iatrogenias, em conformidade
com o Programa Nacional de Segurança do Paciente.
Em síntese, uma formação comprometida com a superação das iniquidades que
causam o adoecimento dos indivíduos e das coletividades. A questão dos determinantes
sociais, da produção social da saúde e da doença é central, bem como o atendimento às
necessidades sociais em saúde, tendo em perspectiva a seguridade social, entendida como
um conjunto de ações e instrumentos por meio dos quais se pretende alcançar uma
sociedade justa e solidária, erradicar a pobreza e a marginalização, reduzir as
desigualdades sociais e promover o bem comum.

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Em parceria com os gestores da saúde e do ensino, bem como trabalhadores e
estudantes da área, o controle social em saúde tem papel relevante nesse processo,
cabendo a ele, entre outras atribuições:

I – participar do processo de fortalecimento da integração entre ensino, serviço,


gestão e comunidade;

II – apresentar as demandas dos usuários e dos profissionais de saúde que atuam


no SUS, que atendam às necessidades sociais em saúde e o desenvolvimento
regional/local;

III – monitorar as condições de estruturação e reestruturação da rede de serviços


para atender as demandas relativas à presença de estudantes e docentes, atentando-se para
as condições de acessibilidade e práticas institucionais (instituições de ensino e serviços
de saúde) que sejam promotoras de inclusão social;

IV – monitorar a transparência pública da contrapartida institucional das


instituições de ensino nos campos de práticas dos estudantes;

V – desenvolver ações de educação permanente para o exercício do controle social


em saúde que envolvam a participação de estudantes, docentes das instituições de ensino
e preceptores dos serviços de saúde; e

VI – fomentar ações de reconhecimento da educação permanente integrada ao


processo de trabalho dos serviços que recebem estudantes e docentes das instituições de
ensino.

II - Atendimento às necessidades sociais em saúde


O Artigo 5º da Lei nº 8.080/90 apresenta como um dos objetivos do SUS, “a
identificação e divulgação dos fatores condicionantes e determinantes da saúde’’. É
fundamental que conste nas DCN a forma como a produção social da saúde é
compreendida, uma vez que os processos formativos devem considerar o acelerado ritmo
de evolução do conhecimento, as mudanças do processo de trabalho em saúde, as
transformações nos aspectos demográficos e epidemiológicos, sempre na perspectiva do
equilíbrio entre excelência técnica e relevância social.
Neste contexto, torna-se relevante a responsabilidade social das IES com o seu
entorno, demonstrando o compromisso dos cursos da área da saúde com a promoção do
desenvolvimento regional, por meio do enfrentamento dos problemas de saúde mais

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prevalentes, e com a produção de conhecimentos direcionados para as necessidades da
população e para o desenvolvimento tecnológico locorregional. Isso pode ser viabilizado
a partir de parcerias estabelecidas com a rede de serviços de saúde instalada e outros
recursos e equipamentos sociais existentes na região.
No que se refere ao atendimento das necessidades de saúde coletiva, os cursos
devem abordar o processo saúde-doença em seus múltiplos aspectos de determinação,
ocorrência e intervenção, para possibilitar que a atuação dos futuros profissionais nos
serviços de saúde possa transformar, melhorar a realidade em que estão inseridos.
A investigação de problemas de saúde coletiva comporta o desempenho de análise
das necessidades de saúde de grupos de pessoas e as condições de vida e de saúde de
comunidades, a partir de dados demográficos, epidemiológicos, sanitários e ambientais,
considerando as dimensões de risco, vulnerabilidade, incidência e prevalência das
condições de saúde, com os seguintes descritores:
I - acesso e utilização de dados secundários ou informações que incluam o
contexto político, cultural, socioeconômico, ambiental e das relações, discriminações
institucionais, movimentos e valores de populações em seu território, visando ampliar a
explicação de causas e efeitos fundamentados na determinação social do processo saúde-
doença, assim como seu enfrentamento;
II - relacionamento dos dados e das informações obtidas, articulando os aspectos
biológicos, psicológicos, socioeconômicos, culturais, ambientais, nutricionais e
alimentares relacionados ao adoecimento e à vulnerabilidade de grupos; e
III - estabelecimento de diagnóstico de saúde e priorização de problemas,
considerando sua magnitude, existência de recursos para o seu enfrentamento e
importância técnica, cultural e política do contexto.

III - Integração Ensino-Serviço-Gestão-Comunidade


Para a consolidação do SUS, é primordial investir na formação e desenvolvimento
de seus profissionais, aqui considerados como agentes das mudanças necessárias para os
avanços esperados. Na construção de habilidades e atitudes, as ações educativas devem
ser compreendidas, para além do sentido clássico da aquisição de conhecimentos técnico-
científicos, como um processo de formação de sujeitos críticos e reflexivos, de
transformação da realidade e de criação de novas formas de gestão dos processos de
trabalho.

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O movimento “O SUS como escola”, em que a rede pública de saúde se transforma
em uma rede de ensino-aprendizagem ao disseminar capacidade pedagógica nos serviços,
precisa ser fortalecido, tendo em vista o desenvolvimento dos trabalhadores e do trabalho
em saúde.
A Educação Permanente em Saúde (EPS) propõe um processo longitudinal de
reflexão sobre a realidade do trabalho, que se (re)constrói no cotidiano, buscando superar
a fragmentação do saber que se apresenta quando são adotadas nas políticas educacionais
somente abordagens estruturadas em temas segmentados, sem articulação entre si. Neste
sentido, constitui-se em um dispositivo estratégico para a formação, a gestão, a atenção e
o controle social em saúde.
A EPS considera o mundo do trabalho como escola, ou seja, que as experiências
no trabalho são uma fonte sistemática de formação, de geração de novas ideias e
proposições, de (re)elaboração de conhecimentos que emergem da prática.
Ao integrar o mundo do trabalho ao mundo da educação, o ambiente de
aprendizagem dos estudantes e trabalhadores configura-se no próprio espaço da atenção
e gestão do SUS. Essa aproximação faz com que o aprendizado seja fundamentado na
reflexão das práticas, ganhando sentido por estar relacionado à realidade do trabalho em
saúde.
Deste modo, os estudantes devem ser inseridos nos cenários de práticas do SUS e
outros equipamentos sociais desde o início da formação, rompendo com a dicotomia
teoria-prática, incluindo os serviços de reabilitação do SUS e os serviços conveniados, a
exemplo das APAES, que atendem pessoas com deficiência intelectual e Síndrome de
Down, e das AMAS, que atendem pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
A diversificação de espaços de práticas permite aos alunos vivenciar as políticas
de saúde e de organização do trabalho em equipe interprofissional. Da mesma forma, a
atuação junto à comunidade lhes garantirá conhecimentos e compromissos com a
realidade de saúde do seu país e sua região. Nesta direção, é relevante que as DCN dos
cursos de graduação da área da saúde valorizem a carga horária destinada às atividades
práticas, à participação em atividades de extensão e aos estágios curriculares.
Essa inserção requer supervisão e acompanhamento constantes, entendendo que a
aproximação com a realidade da assistência não pode adicionar riscos aos usuários do
SUS. Não se trata de aprendizado empírico, mas sim, de exposição a uma realidade e
processos assistenciais para os quais os futuros profissionais estão sendo preparados.

Resolução (5252439) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 116


A integração das IES com as redes de serviços de saúde, consideradas como
ambientes relevantes de aprendizagem, precisa ser formalizada por meio de convênios ou
outros instrumentos que viabilizem pactuações e o estabelecimento de
corresponsabilizações entre as instituições de ensino e as gestões municipais e estaduais
de saúde.
Importante que haja representação dos gestores de saúde nas instâncias decisórias
das IES para favorecer a efetiva integração ensino-serviço-gestão-comunidade. Esta
articulação é essencial, frente aos muitos desafios que se apresentam nos cenários de
práticas, relacionados à infraestrutura, disponibilidade de preceptores, ausência de PCCS
(plano de carreiras, cargos e salários), rede de serviços não suficiente para o quantitativo
de estudantes e disputas entre os setores público e privado, entre outros.
A parceria objetiva, portanto, garantir o acesso aos estabelecimentos de saúde sob
a responsabilidade do gestor da área como cenários de práticas para a formação, bem
como estabelecer atribuições das partes relacionadas à integração ensino-serviço-gestão-
comunidade, com vistas à superação dos nós críticos comuns no cotidiano desse processo,
observando-se os seguintes princípios:
I – formação de profissionais de saúde em consonância com os princípios e
diretrizes do SUS, tendo como eixo a abordagem integral do processo de saúde-doença;
II – respeito à diversidade humana, à autonomia dos cidadãos e à atuação
fundamentada em princípios éticos, destacando-se o compromisso com a segurança dos
usuários do sistema, tanto em intervenções diretas quanto em riscos indiretos advindos da
inserção dos estudantes nos cenários de práticas;
III – compromisso das instituições de ensino e gestões municipais, estaduais e
federal do SUS com o desenvolvimento de atividades educacionais e de atenção à saúde
integral;
IV – singularidade das instituições de ensino envolvidas no processo de pactuação
e contratualização das ações de integração ensino e serviço, especialmente as
especificidades relativas à natureza jurídica das instituições de ensino;
V – compromisso das IES com o desenvolvimento de atividades que articulem o
ensino, a pesquisa e a extensão com a prestação de serviços de saúde, com base nas
necessidades sociais e na capacidade de promover o desenvolvimento regional a partir do
enfrentamento dos problemas de saúde da região;
VI – compromisso das instituições de ensino, estados e municípios com as
condições de biossegurança dos estudantes nos serviços da rede;

Resolução (5252439) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 117


VII – integração das ações de formação aos processos de Educação Permanente
da rede de saúde;
VIII – planejamento e avaliação dos processos formativos, compartilhados entre
instituições de ensino e serviços de saúde, garantida a autonomia progressiva do estudante
no desenvolvimento de competências em serviço e de integração do processo de trabalho
da equipe de saúde; e
IX – participação ativa da comunidade e/ou das instâncias do controle social em
saúde.
Ainda, tendo em vista a relevância da formação em serviço para o sistema público
de saúde, as instituições de ensino precisam ser estimuladas e apoiadas a desenvolverem
Programas de Residência Médica, Multiprofissional e em Área Profissional da Saúde,
respeitando-se os mesmos princípios aqui apresentados.

IV - Integralidade e as Redes de Atenção à Saúde (RAS)


A integralidade, como um dos princípios fundamentais do SUS, garante ao usuário
uma atenção que abrange ações de promoção, proteção e recuperação da saúde, além de
prevenção e tratamento de agravos, permitindo acesso universal dos cidadãos aos serviços
e ações do sistema de saúde. Pressupõe atenção focada no indivíduo, na família e na
comunidade.
A atenção básica tem um papel estratégico no SUS. Estudos demonstram que a
Atenção Primária em Saúde (APS), bem organizada e estruturada, pode garantir a
resolução de cerca de 80% das necessidades e problemas de saúde da população. Ela se
constitui como o primeiro contato com o sistema, trazendo os serviços de saúde o mais
próximo possível do cotidiano de vida e trabalho das pessoas.
Um marco histórico da APS é a Declaração de Alma-Ata, em 1978, quando se
realizou a "Conferência Internacional sobre Cuidados Primários de Saúde". Ela já
propunha a instituição de serviços locais de saúde centrados nas necessidades da
população, o trabalho interprofissional e a participação social na gestão de suas
atividades. Entre outras formulações que constam no relatório final da Conferência, a
Declaração concebe a saúde como um direito humano, o aumento de investimentos em
políticas sociais para a redução de iniquidades, e a compreensão de que a saúde é o
resultado das condições econômicas e sociais.

Resolução (5252439) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 118


Starfield (2002) também aponta a relevância da atenção primária no atendimento
às necessidades de saúde das pessoas, e destaca os seguintes atributos para as práticas da
atenção básica: primeiro contato, longitudinalidade, integralidade e coordenação.
No Brasil, a APS incorporou os princípios da Reforma Sanitária, enfatizando a
reorientação do modelo assistencial, a partir de um sistema universal e integrado. O
Ministério da Saúde busca consolidar e qualificar a Estratégia Saúde da Família (ESF)
como modelo de atenção básica e como ordenadora das Redes de Atenção à Saúde (RAS)
no SUS, definidas como arranjos organizativos de ações e serviços de saúde, de diferentes
densidades tecnológicas, que integradas por meio de sistemas de apoio técnico, logístico
e de gestão, buscam garantir a integralidade do cuidado.
A ideia de rede pressupõe ruptura com o conceito de sistema verticalizado para
trabalhar com um conjunto articulado de serviços básicos, ambulatórios de especialidades
e hospitais gerais e especializados. As RAS caracterizam-se, portanto, pela formação de
relações horizontais entre os pontos de atenção com o centro de comunicação na APS,
pela centralidade nas necessidades em saúde de uma população, pela responsabilização
na atenção contínua e integral, pelo cuidado interprofissional, pelo compartilhamento de
objetivos e compromissos com os resultados sanitários e econômicos. Seu fortalecimento
passa necessariamente pelo compromisso em garantir a preservação e a utilização da
melhor informação e canais de comunicação em rede. Os trabalhadores da área da saúde
são atores importantes nesse processo ao atuarem em um sistema complexo e, para tanto,
devem compreender as interfaces, fragilidades e riscos existentes nessa cadeia de
serviços, garantindo a melhor assistência e a segurança do paciente.
A Atenção Básica, desta forma, tem papel chave para o estabelecimento das RAS,
como coordenadora do cuidado e ordenadora dessas redes. Nesta perspectiva, a formação
dos profissionais da saúde para atuar de forma efetiva, eficiente, eficaz e segura na APS
assume uma importância estratégica, devendo equilibrar conteúdos e propiciar o
desenvolvimento de habilidades e atitudes, tanto em saúde coletiva, como para a
clínica/assistência individual em saúde, contemplando também o reconhecimento dos
riscos existentes no sistema, para que os trabalhadores possam agir na sua mitigação.

V - Trabalho interprofissional
As DCN devem expressar a formação de um profissional apto a atuar para a
integralidade da atenção à saúde, por meio do efetivo trabalho em equipe, numa
perspectiva colaborativa e interprofissional. O preceito da integralidade aponta também

Resolução (5252439) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 119


para a interdisciplinaridade – enquanto integração de diferentes campos de
conhecimentos; para a interprofissionalidade – ocasião em que há intensa interação entre
diferentes núcleos profissionais; e para a intersetorialidade – envolvimento de diferentes
setores da sociedade no atendimento das complexas e dinâmicas necessidades de saúde.
A integralidade, sustentada por essas premissas, demanda em sua essência (re)situar os
usuários na centralidade do processo de produção dos serviços de saúde.
O trabalho colaborativo, entendido enquanto complementaridade de diferentes
atores atuando de forma integrada, permite o compartilhamento de objetivos em comum
para alcançar os melhores resultados de saúde. O efetivo trabalho em equipe, dessa forma,
precisa ser compreendido para além de diferentes sujeitos ocupando um mesmo espaço.
É um processo permanente de colaboração sustentado pela parceria, interdependência,
sintonia de ações e finalidades, e equilíbrio das relações de poder, possibilitando
potencializar a atuação do usuário/paciente/sujeito, das famílias e comunidades na
tomada de decisões e na elaboração de ações e políticas que possam dar respostas às suas
demandas. Também se constitui em um instrumento poderoso para garantir a segurança
do paciente, ao possibilitar uma comunicação produtiva entre os profissionais, pela
diminuição da hierarquia, aumento da possibilidade de escuta e atenção compartilhada
para as necessidades das pessoas no processo de saúde-doença.
A integralidade da atenção pressupõe a constituição de redes, ampliando a
aproximação entre instituições, serviços e outros setores envolvidos na atenção à saúde
em sua concepção ampliada, enquanto exercício de cidadania determinado pela dinâmica
sócio-histórica.
A partir desses fundamentos teóricos, conceituais e metodológicos, as diretrizes
curriculares devem estimular a elaboração de projetos terapêuticos assentados na lógica
interprofissional e colaborativa, reconhecendo os usuários dos serviços como
protagonistas ativos e co-produtores do cuidado em saúde.
Nessa perspectiva, os projetos pedagógicos dos cursos da área da saúde precisam
apresentar estratégias alinhadas aos princípios da interdisciplinaridade, intersetorialidade
e interprofissionalidade, como fundamentos da mudança na lógica da formação dos
profissionais e na dinâmica da produção do cuidado.
Trazer esses princípios é reforçar o compromisso pela integralidade da atenção
enquanto orientadora dos processos de fortalecimento e consolidação do SUS. É também
reconhecer a centralidade dos usuários/pacientes, familiares e comunidades na dinâmica
do trabalho em saúde, superando a perspectiva procedimento ou profissional centrado.

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VI - Projetos Pedagógicos de Cursos e Componentes Curriculares coerentes com as
necessidades sociais em saúde
Os Projetos Pedagógicos de Cursos (PPC) devem ser construídos com a
participação ativa de representações de trabalhadores, discentes, usuários e gestores
municipais/estaduais do SUS, tendo em perspectiva sua adequação ao contexto social e a
integração dos componentes curriculares “intra” e “inter” cursos.
É relevante que os PPC e os componentes curriculares fundamentais dos cursos
de graduação da área da saúde estejam relacionados com todo o processo saúde-doença
do cidadão, da família e da comunidade e referenciados na realidade epidemiológica e
profissional, proporcionando a integralidade e a segurança assistencial em saúde. Deve-
se considerar, ainda, que a formação na área requer competências políticas no
estabelecimento de relações entre os trabalhadores, os serviços, a gestão em saúde e a
comunidade, tendo em vista, entre outros aspectos:
I - as dimensões ética, humanística e política, com conteúdos do mundo real, de
forma a desenvolver atitudes e valores orientados para a cidadania;
II - a integração e a interdisciplinaridade, buscando articular as dimensões
biológicas, psicológicas, étnico-raciais, de gênero, geracional, de orientação sexual,
socioeconômicas, culturais, ambientais e educacionais;
III - oportunidades de aprendizagem, desde o início do curso e ao longo de todo o
processo de graduação, tendo as Ciências Humanas e Sociais como eixo transversal na
formação de profissionais com perfil generalista;
IV - inovação das propostas pedagógicas, incluindo explicitação dos cenários de
práticas e dos compromissos com a integralidade, a interprofissionalidade, o
gerenciamento dos riscos, a prevenção de erros e a produção de conhecimentos
socialmente relevantes;
V - compromisso com o desenvolvimento social, urbano e rural, por meio da
oferta de atividades de extensão;
VI - abordagem de temas transversais no currículo que envolvam conhecimentos,
vivências e reflexões sistematizadas acerca dos direitos humanos e de pessoas com
deficiência ou mobilidade reduzida, TEA, educação ambiental, língua brasileira de sinais

Resolução (5252439) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 121


(Libras), educação das relações étnico-raciais e história da cultura afro-brasileira,
africana, dos povos tradicionais e indígena1;
VII - preservação da biodiversidade com sustentabilidade, de modo que sejam
respeitadas as relações entre ser humano, ambiente, sociedade e tecnologias, contribuindo
para a incorporação de novos cuidados, hábitos e práticas de saúde;
VIII - identificação de oportunidades e de desafios na organização do trabalho nas
redes de serviços de saúde, reconhecendo o conceito ampliado de saúde, no qual todos os
cenários em que se produz saúde são ambientes relevantes e neles se deve assumir e
propiciar compromissos com a qualidade e a segurança na atenção à saúde; e
IX – a união indissociável entre a saúde humana, animal e ambiental, tendo
em vista a interconectividade existente entre elas, em consonância com o conceito de
“Saúde Única”.
Neste contexto, o CNS orienta que as diretrizes dos cursos de graduação da área
da saúde considerem os pressupostos e fundamentos da promoção da saúde e seus
determinantes, da Educação Popular em Saúde, e das Práticas Integrativas e
Complementares como elementos constituintes da formação, objetivando que os egressos
estejam preparados para reorientar os serviços de saúde; o fortalecimento da autonomia
dos sujeitos e da cidadania, com olhar emancipatório; e a humanização e a integralidade
na atenção à saúde.
O exercício da Educação Popular em Saúde fomenta o autocuidado e a
participação da comunidade na construção de estratégias direcionadas à garantia do
acesso às ações e serviços de saúde, ao valorizar os saberes dos sujeitos e promover sua
conscientização em relação aos direitos sociais previstos na CF/88.

1 Em atendimento à Lei nº 9.394/96, com redação dada pelas Leis nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008 e à
Resolução CNE/CP nº 01, de 17 de junho de 2004, fundamentada no Parecer CNE/CP nº 3/2004, que estabeleceram
diretrizes para Educação das Relações Étnicos-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e
Indígena; ao disposto na Lei nº 9.795, de 27 de abril de 1999, e Decreto nº 4.281, de 25 de junho de 2002, no que se
refere à Política Nacional de Educação Ambiental; às diretrizes nacionais para a Educação em Direitos Humanos,
conforme disposto no Parecer CNE/CP n° 8, de 06/03/2012, que originou a Resolução CNE/CP n° 1, de 30/05/2012; à
proteção dos direitos da pessoa com Transtorno do Espectro Autista (TEA), conforme disposto na Lei n° 12.764, de
27 de dezembro de 2012; ao preconizado no Decreto nº 5.626/2005, no que se refere à Língua Brasileira de Sinais
(LIBRAS); e às condições de acessibilidade para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, conforme
disposto na CF/88, artigos 205, 206 e 208, na NBR 9.050/2004, da ABNT, na Lei n° 10.098/2000, nos Decretos n°
5.296/2004, n° 6.949/2009, n° 7.611/2011 e na Portaria n° 3.284/2003.

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Outro aspecto relevante a ser considerado na formação diz respeito às Doenças
Crônicas Não Transmissíveis (DCNT), que constituem o problema de saúde de maior
magnitude no país e correspondem a cerca de 70% das causas de mortes, atingindo
fortemente camadas pobres da população e grupos mais vulneráveis. Como determinantes
sociais das DCNT, são apontadas as iniquidades, as diferenças no acesso aos bens e aos
serviços, a baixa escolaridade, as desigualdades no acesso à informação, além dos fatores
de risco modificáveis, como tabagismo, consumo de bebida alcoólica, inatividade física
e alimentação inadequada, tornando possível sua prevenção.
Deste modo, é importante que a graduação em saúde considere os princípios e
diretrizes das principais políticas públicas que contribuem para a redução das
desigualdades e para a consolidação do SUS como sistema universal, integral e equitativo,
tais quais: a Política Nacional de Promoção da Saúde (PNPS), a Política Nacional de
Educação Permanente em Saúde, a Política Nacional de Saúde da Pessoa com
Deficiência, a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do
Espectro Autista, a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher, a Política
Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem e a Política Nacional de Saúde Integral
de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (LGBT).
No âmbito da inclusão de pessoas com deficiência, ressalte-se que, em 2006, a
Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) estabeleceu a Convenção
dos Direitos das Pessoas com Deficiência, com o objetivo de “proteger e garantir o total
e igual acesso a todos os direitos humanos e liberdades fundamentais por todas as pessoas
com deficiência, e promover o respeito à sua dignidade”.
Essa Convenção foi incorporada à legislação brasileira em 2008. Após uma
atuação de liderança em seu processo de elaboração, o Brasil decidiu, soberanamente,
ratificá-la com equivalência de emenda constitucional, nos termos previstos no Artigo 5º,
§ 3º, da CF/88, e, quando o fez, reconheceu um instrumento que gera maior respeito aos
Direitos Humanos. A Convenção e seu Protocolo facultativo são uma referência essencial
para um país com acessibilidade, no sentido mais amplo desse conceito. Não é o limite
individual que determina a deficiência, mas sim as barreiras existentes nos espaços, no
meio físico, no transporte, na informação, na comunicação e nos serviços.
Ressalte-se que a Lei nº 13.146/2015 considera pessoa com deficiência “aquela
que tem impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial,
o qual, em interação com uma ou mais barreiras, pode obstruir sua participação plena e
efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas”.

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Nesta perspectiva, a formação em saúde deve contemplar a diversidade das
pessoas com deficiência, incluindo deficiências intelectuais como o TEA, em que muitos
não conseguem se comunicar. A legislação pertinente aponta para a “inclusão em
conteúdos curriculares, em cursos de nível superior e de educação profissional técnica e
tecnológica, de temas relacionados à pessoa com deficiência nos respectivos campos de
conhecimento” e “o incentivo à formação e à capacitação de profissionais especializados
no atendimento à pessoa com transtorno do espectro autista, bem como a pais e
responsáveis”.
Para efeitos da Lei nº 12.764/2012, é considerada pessoa com TEA aquela
portadora de síndrome clínica caracterizada por: 1) deficiência persistente e clinicamente
significativa da comunicação e da interação sociais, manifestada por deficiência marcada
de comunicação verbal e não verbal usada para interação social; ausência de
reciprocidade social; falência em desenvolver e manter relações apropriadas ao seu nível
de desenvolvimento; e 2) padrões restritivos e repetitivos de comportamentos, interesses
e atividades, manifestados por comportamentos motores ou verbais estereotipados ou por
comportamentos sensoriais incomuns; excessiva aderência a rotinas e padrões de
comportamento ritualizados; interesses restritos e fixos.
Também o envelhecimento populacional se configura em um desafio para a saúde
pública. A velocidade do processo de transição demográfica e epidemiológica vivenciada
pelo país nas últimas décadas repercute em uma série de novas questões para gestores,
docentes, pesquisadores e profissionais dos serviços de saúde, em especial em um
contexto de iniquidades sociais. Esse fenômeno requer da gestão e das instituições
formadoras uma adequação que considere tecnologias específicas e a necessidade de
profissionais preparados para atuarem junto aos idosos, tendo em vista os aspectos
fisiopatológicos e psicossociais singulares que esse público apresenta.
Por sua vez, a Segurança do Paciente é um dos atributos da qualidade do cuidado
e tem adquirido, em todo o mundo, grande importância para os pacientes, famílias,
gestores e profissionais de saúde, com a finalidade de oferecer uma assistência segura. Os
incidentes associados ao cuidado em saúde, e em particular seus eventos adversos,
representam uma elevada morbidade e mortalidade nos sistemas de saúde.
Neste sentido, as ações previstas no âmbito do Programa Nacional de
Segurança do Paciente (PNSP) comtemplam as demais políticas de saúde e objetivam
contribuir para a qualificação do cuidado nas Redes de Atenção à Saúde.

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Ainda, no Brasil, assim como em todo o mundo, há um aumento no número de
casos de urgência e emergência que demandam atenção dos hospitais e serviços de saúde
em geral, o que ocorre em virtude do maior número e maior longevidade da população,
da maior sobrevida de pacientes com diversas doenças crônicas e do expressivo
quantitativo de acidentes e casos de violência civil. Este quadro tem demandado
adequações na formação e desenvolvimento dos trabalhadores da área da saúde, que
devem contemplar: a assistência direta aos pacientes nas situações de urgência e
emergência; o conhecimento e a discussão das políticas públicas de saúde; e a prevenção
e a reabilitação dos agravos, estimulando atividades que enfoquem a promoção da saúde
no sentido de evitar a agudização de doenças crônicas e prevenir os diversos tipos de
condições clínicas agudas e traumas, temas prioritários de saúde pública em todo o
território nacional. Neste sentido, é importante que as DCN definam as competências
requeridas na área de urgência e emergência, em consonância com a Política Nacional de
Atenção às Urgências.
Portanto, os núcleos de conhecimento e práticas previstos nas diretrizes dos cursos
da área da saúde devem dialogar com esse complexo cenário e com a construção histórica
no país em que a Vigilância em Saúde se insere, tendo em perspectiva o fortalecimento
das ações de promoção e proteção à saúde relacionadas à vigilância sanitária,
epidemiológica, ambiental e à saúde do trabalhador.
Reafirmando os preceitos do SUS, recomenda-se a inclusão de processos
pedagógicos que abordem: história da saúde; políticas públicas de saúde no Brasil;
Reforma Sanitária; o SUS e seus princípios; e os desafios da organização do trabalho em
saúde. A formação política e cidadã requer a realização de atividades teóricas e práticas
que proporcionem informações e promovam diálogos sobre as relações humanas,
estruturas e formas de organização social, suas transformações, suas expressões e seu
impacto na qualidade de vida das pessoas, famílias, grupos e comunidades.

VII - Utilização de metodologias de ensino que promovam a aprendizagem


colaborativa e significativa
Com vistas ao alcance das competências profissionais almejadas, é importante que
a avaliação da aprendizagem ocorra em consonância com as metodologias e com a
dinâmica curricular definidas pelos Projetos Pedagógicos dos Cursos.

Resolução (5252439) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 125


Recomenda-se a utilização de metodologias diversificadas para o processo de
ensino-aprendizagem, que privilegiem a participação e a autonomia dos estudantes. Desta
forma, os discentes são sujeitos ativos na construção do conhecimento, tendo os docentes
como facilitadores/mediadores/ativadores desse processo, com vistas à formação integral,
articulando o ensino com a pesquisa e a extensão.
As metodologias participativas proporcionam espaços de diálogo e reflexão sobre
temas diversos e promovem a criticidade de todos os envolvidos nesse processo,
possibilitando também que os profissionais da saúde desenvolvam habilidades e atitudes
para uma atuação mais segura e proponham medidas para reduzir os riscos e eventos
adversos, tendo em vista as interfaces críticas existentes no sistema.
A estrutura dos cursos, portanto, deve privilegiar a integração entre os conteúdos
curriculares, de forma a possibilitar processos de aprendizagem colaborativa e
significativa, com base na ação-reflexão-ação, favorecendo a autonomia e a alteridade.
Propostas educacionais pautadas em práticas interdisciplinares e integradas ao
cotidiano dos docentes, estudantes, gestores, trabalhadores e comunidade promovem a
formação de profissionais aptos a aprender a aprender, que compreende o aprender a
conhecer, o aprender a fazer, o aprender a conviver e o aprender a ser, com vistas à
integralidade da atenção à saúde.
Neste sentido, a utilização de abordagens pedagógicas participativas, que
promovam a aprendizagem significativa, pode formar trabalhadores como sujeitos sociais
com sensibilidade para atuarem de forma efetiva na complexidade do trabalho em saúde,
a partir de competências técnicas, comportamentais, éticas e políticas.

VIII - Valorização da Docência na Graduação, do Profissional da Rede de Serviços


e do Protagonismo Estudantil
Tendo em vista a relevância da aprendizagem “no” e “para” o trabalho em saúde,
torna-se necessária a implementação de estratégias educacionais dirigidas à formação de
docentes (inclusive para o desenvolvimento de atividades de tutoria) e trabalhadores que
atuam na rede de serviços de saúde em atividades de preceptoria, fundamentadas nos
pressupostos da EPS e que mobilizem o desenvolvimento de competências pedagógicas
de profissionais vinculados ao ensino na área da saúde.

Nesta perspectiva, os cursos de graduação devem fomentar a participação dos


profissionais da rede de serviços em programas permanentes de formação e

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desenvolvimento para atuarem como preceptores, objetivando a melhoria do processo de
ensino-aprendizagem nos cenários de práticas e da qualidade da gestão e da atenção à
saúde.

Comumente, observa-se nas instituições de ensino uma valorização excessiva da


pesquisa em detrimento da docência. Visando modificar esse cenário, é primordial que as
IES, por meio de um efetivo apoio institucional (técnico e financeiro), intensifiquem seus
programas de formação docente, com vistas à valorização do trabalho na graduação e ao
maior envolvimento dos professores com o PPC e seu aprimoramento para a
implementação de práticas pedagógicas inovadoras, pautadas na interdisciplinaridade e
em atividades desenvolvidas nas comunidades, nas cidades, nas regiões de saúde ou junto
às redes de gestão e atenção do SUS.

O desenvolvimento de competências comportamentais tem sido reconhecido


como essencial para um cuidado em saúde seguro e de qualidade. Espera-se que os
profissionais de saúde tenham atitudes de escuta, alteridade, empatia, comunicação e
atenção aos riscos e eventos adversos. A educação na saúde tem papel estratégico nesse
processo, quando promove o debate sobre comportamentos, atitudes e decisões que os
profissionais devem ter na assistência em saúde.

Por sua vez, os estudantes são corresponsáveis nos processos de ensino-


aprendizagem, desenvolvendo a curiosidade, formulando questões para a busca de
respostas cientificamente consolidadas, construindo sentidos para a identidade
profissional, com base na reflexão sobre as próprias práticas e no compartilhamento de
saberes com profissionais da saúde e outras áreas do conhecimento. Neste cenário, devem
ser observados o dinamismo das mudanças sociais e científicas que afetam o cuidado e a
formação dos trabalhadores da saúde.
Importante que seja prevista a participação estudantil na estrutura dos PPC, seja
nos Núcleos Docentes Estruturantes (NDE) ou por meio de outros mecanismos de
cogestão. Sugere-se que as atividades complementares, de livre eleição pelos estudantes,
contemplem os campos do ensino, pesquisa e extensão, além do ativismo comunitário e
estudantil, o que possibilita educar cidadãos com capacidade para o pensamento crítico e
transformação da realidade. A participação nas instâncias de participação social do SUS,
no movimento estudantil e nas entidades de representação de categorias profissionais, por
exemplo, possibilita aos discentes compreender o papel dos cidadãos, gestores,
trabalhadores e controle social na elaboração da política de saúde brasileira.

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O fortalecimento dos mecanismos de participação e organização estudantil no
âmbito das instituições de ensino é fundamental para garantir a formação de profissionais
críticos, colaborativos e conscientes de seu papel enquanto cidadãos e agentes de
transformação da sociedade. Desta forma, a comunidade acadêmica deve estimular o
fortalecimento e a independência de entidades estudantis como centros/diretórios
acadêmicos, diretórios estudantis, executivas de curso, entre outros. A cultura de
participação e democracia interna nas instituições de ensino é essencial para o avanço dos
movimentos de transformação da formação em saúde e deve ser reforçada por meio da
paridade entre os segmentos universitários nos espaços colegiados e pelo constante
diálogo com movimentos sociais, gestores, trabalhadores, usuários e outros sujeitos da
comunidade.

IX - Educação e Comunicação em saúde


Com as novas tecnologias que levam à formação de redes vivas de relações dinâmicas em
frequentes transformações, os PPC das instituições de ensino precisam ser reorientados
considerando, inclusive, o papel social dos cursos e das IES.
Uma dimensão importante a ser incluída nas DCN dos cursos de graduação diz
respeito à Comunicação em Saúde, incorporando as Tecnologias da Informação e
Comunicação (TIC), em suas diferentes formas, pautada pela participação e diálogo,
tendo em vista o bem-estar do indivíduo, famílias, grupos e comunidades, para interação
a distância e acesso a bases remotas de dados. Fortalecer competências relacionadas à
educação e à comunicação em saúde é primordial para profissionais que atuam/atuarão
no âmbito do cuidado.
O compartilhamento de informações e a criação de instrumentos eficazes de
comunicação são elementos fundamentais, produtores e indicadores da democracia na
organização do trabalho em saúde e dispositivos para a garantia da segurança no cuidado
em saúde. Comunidades de Práticas, por exemplo, são comprovadamente eficazes quando
se abordam processos que exigem reflexão constante. Essa interação de pessoas, a partir
das práticas vivenciadas na formação, atenção, gestão ou controle social, favorece o
aprendizado coletivo e a construção de redes de informação e conhecimento.
Ressalte-se que estão disponíveis, atualmente, importantes ferramentas e
estratégias que contribuem para a educação e a comunicação em saúde, tais quais o
Sistema Universidade Aberta do SUS (UNA-SUS), o Portal Saúde Baseada em
Evidências, o Telessaúde Brasil Redes e o Portal de Periódicos da CAPES/MEC.

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Considerando o caráter intersetorial da saúde e sua determinação social, a inter-
relação comunicação e educação (“educomunicação”) deve dialogar com todos os
espaços da vida social, pois ela é central para a mobilização e participação da
comunidade. O compartilhamento de informações em saúde traz responsabilidades para
a população sobre sua saúde e a saúde coletiva. A “educomunicação” contribui para o
crescimento e o aprimoramento do SUS, ao elevar a capacidade do exercício do controle
social, possibilitando o diálogo com a sociedade sobre o direito constitucional à saúde, na
lógica da seguridade social.
Estabelecer uma relação mais próxima entre a área da saúde e as mídias e canais
alternativos de comunicação é fundamental, para que a educação em saúde seja um
instrumento que permita aos estudantes, trabalhadores, gestores e população em geral se
apropriarem das informações, contribuindo para o exercício pleno da cidadania.

X - Avaliação com caráter processual e formativo


Os cursos de graduação da área da saúde devem utilizar metodologias
participativas e critérios para o acompanhamento e a avaliação dos processos de ensino-
aprendizagem, desenvolvendo instrumentos que verifiquem a estrutura, os processos e os
resultados, visando o contínuo aprimoramento do Sistema Nacional de Avaliação da
Educação Superior (SINAES), com seus três olhares que se completam e interligam: para
as IES, para os cursos de graduação e para os estudantes, envolvendo na sua realização,
portanto, gestores das instituições de ensino, docentes e discentes.
O processo avaliativo, na sua concepção formativa/emancipatória e como
mecanismo fundamental de regulação e melhoria da qualidade da educação, desempenha
um papel indutor fundamental para viabilizar mudanças na graduação, tendo em
perspectiva a formação de profissionais aptos a prestar atenção à saúde de forma
resolutiva e integral.
É essencial que a avaliação tenha caráter processual, contextual e formativo, com
a utilização de instrumentos e métodos que avaliem conhecimentos, habilidades e
atitudes, em um processo de construção dialógica, com reflexões coletivas que ofereçam
diretrizes para a tomada de decisões e definição de prioridades. Deste modo, os processos
avaliativos periódicos têm caráter abrangente, que incluem também a autoavaliação por
parte de gestores, docentes e estudantes.

XI - Pesquisas e Tecnologias Diversificadas em Saúde

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A promoção do pensamento científico e crítico e a produção de novos
conhecimentos requerem: (1) utilização dos desafios do trabalho para estimular e aplicar
o raciocínio científico, formulando perguntas e hipóteses e buscando dados e
informações; (2) análise crítica de fontes, métodos e resultados, no sentido de avaliar
evidências e práticas no cuidado, na gestão do trabalho e na educação de trabalhadores de
saúde, pessoas sob seus cuidados, famílias e responsáveis; (3) identificação da
necessidade de produção de novos conhecimentos em saúde, a partir do diálogo entre a
própria prática, a produção científica e o desenvolvimento tecnológico disponíveis; e (4)
favorecimento ao desenvolvimento científico e tecnológico direcionado para a atenção
das necessidades de saúde individuais e coletivas, por meio da disseminação das melhores
práticas e do apoio à realização de pesquisas de interesse da sociedade.
A gestão do cuidado deve ocorrer com o uso de saberes e dispositivos de todas as
densidades tecnológicas. As tecnologias em saúde estão necessariamente atreladas ao
cuidado em saúde. Elas são frequentemente entendidas apenas enquanto tecnologias
duras, porém, as DCN devem expressar também uma formação direcionada à utilização
das chamadas “tecnologias leves”, os modos relacionais de atuação dos
trabalhadores/equipes na produção da saúde, que se aplicam diretamente ao cuidado e
que, portanto, propiciam o trabalho vivo em ato.

[...] o trabalhador, para atuar, utiliza três tipos de valises: uma que
está vinculada a sua mão e na qual cabe, por exemplo, um estetoscópio,
bem como uma caneta, papéis, entre vários outros tipos que expressam
uma caixa de ferramentas tecnológicas formada por ‘tecnologias
duras’; outra que está na sua cabeça e na qual cabem saberes bem
estruturados como a clínica ou a epidemiologia ou a pedagogia, que
expressam uma caixa formada por ‘tecnologias leve-duras’; e,
finalmente, uma outra que está presente no espaço relacional
trabalhador-usuário e que contém ‘tecnologias leves’ implicadas com
a produção das relações entre dois sujeitos, que só tem existência em
ato [...] (MERHY, 2006).

A inovação em saúde requer o fomento a pesquisas com ênfase na investigação


das necessidades da comunidade, comunicação em saúde, organização dos serviços de
saúde, experimentação de novos modelos de intervenção, avaliação da incorporação de
novas tecnologias e desenvolvimento de indicadores que permitam melhor estimativa da
resolubilidade da atenção. Este processo deve considerar a Agenda Nacional de
Prioridades de Pesquisa em Saúde, construída coletivamente e publicada pelo Ministério
da Saúde, o que irá favorecer a produção de conhecimentos em áreas prioritárias para o

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desenvolvimento das políticas sociais e o estabelecimento de prioridades de pesquisa em
saúde em consonância com os princípios do SUS.
Neste contexto, para além das pesquisas baseadas em evidências, é preciso que a
investigação de problemas de saúde coletiva seja pautada nos pressupostos teórico-
metodológicos da pesquisa-ação e da pesquisa-intervenção, pois suas concepções
engendram processos teórico-metodológicos que se constituem em dispositivos de
transformação social.

XII - Formação presencial e carga horária mínima para cursos de graduação da


área da saúde

Tendo em perspectiva a garantia da segurança e resolubilidade na prestação dos


serviços de saúde à população brasileira, o Conselho Nacional de Saúde, por meio da já
referida Resolução nº 515/2016, posicionou-se de forma contrária à autorização de todo
e qualquer curso de graduação da área da saúde ministrado na modalidade de Educação a
Distância (EaD), pelos prejuízos que tais cursos podem oferecer à qualidade da formação
de seus profissionais, bem como pelos riscos que estes trabalhadores possam causar à
sociedade, imediato, a médio e a longo prazos, refletindo uma formação inadequada e
sem a necessária integração ensino-serviço-gestão-comunidade.
Não nos referimos aqui às oportunas Tecnologias de Informação e Comunicação
em cursos de graduação na modalidade presencial, que, devidamente utilizadas,
promovem e qualificam os processos pedagógicos na área da saúde.
Entretanto, ratificamos o posicionamento contrário à modalidade EaD na
graduação em saúde. É fundamental que a formação dos trabalhadores da área ocorra na
modalidade presencial, pois ela apresenta uma singularidade que inviabiliza a oferta de
cursos a distância: a formação em saúde não pode ocorrer de forma dissociada do trabalho
em saúde, ou seja, é imprescindível a integração entre o ensino, os serviços de saúde e
a comunidade. A modalidade a distância desconsidera que a graduação em saúde requer
interação constante entre os trabalhadores da área, estudantes e usuários dos serviços de
saúde, para assegurar a integralidade da atenção, a qualidade e a humanização do
atendimento prestado aos indivíduos, famílias e comunidades.

A formação na área da saúde não se limita a oferecer conteúdos teóricos. Para


além dos conhecimentos requeridos para a atuação profissional, ela exige o
desenvolvimento de habilidades e atitudes que não podem ser obtidas por meio da

Resolução (5252439) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 131


modalidade EaD, sem o contato direto com o ser humano, visto tratar-se de competências
que se adquirem nas práticas inter-relacionais. O aprender a conhecer, e especialmente o
aprender a ser, o aprender a fazer, e o aprender a viver juntos, não se viabilizam com a
modalidade a distância. A aprendizagem significativa, que se realiza nos encontros e no
compartilhamento de experiências, pressupõe convivência, diálogo e acesso a práticas
colaborativas, essencialmente presenciais.
Desta forma, considerando o crescimento exponencial e desordenado, bem como
os diagnósticos situacionais de cursos de graduação na modalidade a distância, que
revelam um quadro incompatível para o adequado exercício profissional, reitera-se que
a formação dos trabalhadores da área da saúde deve ser viabilizada por meio de
cursos na modalidade presencial, buscando a qualificação do cuidado em saúde e a
aprendizagem “no” e “para” o trabalho.

Neste sentido, as DCN devem expressar a necessidade de que a graduação dos


trabalhadores da área da saúde ocorra por meio de cursos presenciais, considerando,
ainda, que a maioria deles não preenche o número de vagas ofertadas, o que demonstra
não apenas a impropriedade, como também a desnecessidade de cursos EaD na área da
saúde.
Objetivando garantir uma formação profissional comprometida com a qualidade
e necessidades em saúde da população, recomenda-se que a carga-horária total dos cursos
de graduação da área da saúde deve ser de, no mínimo, 4.000 horas, em consonância com
o disposto na Recomendação CNS nº 24, de 10 de julho de 2008.

Por fim, reafirmamos que a defesa pela formação presencial na área da saúde visa
a segurança na realização de processos e procedimentos, referenciados nos mais altos
padrões das práticas de atenção à saúde, de modo a evitar riscos, efeitos adversos e danos
aos usuários, com base em reconhecimento clínico-epidemiológico e nas vulnerabilidades
das pessoas e grupos sociais.

REFERÊNCIAS
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil.
Brasília: Senado Federal, 1988.

BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Decreto nº 7.508, de 28 de junho de 2011.


Regulamenta a Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990, para dispor sobre a organização
do Sistema Único de Saúde - SUS, o planejamento da saúde, a assistência à saúde e a

Resolução (5252439) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 132


articulação interfederativa, e dá outras providências. Brasília: 2011. Diário Oficial da
União, Poder Executivo, 29 de junho de 2011.

________. Presidência da República. Casa Civil. Decreto nº 8.754, de 10 de maio de


2016. Altera o Decreto no 5.773, de 9 de maio de 2006, que dispõe sobre o exercício das
funções de regulação, supervisão e avaliação de instituições de educação superior e cursos
superiores de graduação e sequenciais no sistema federal de ensino. Brasília: 2016. Diário
Oficial da União, Poder Executivo, 11 de maio de 2016.

________. Presidência da República. Casa Civil. Decreto nº 9.057, de 25 de maio de


2017. Regulamenta o art. 80 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece
as diretrizes e bases da educação nacional. Brasília: 2017. Diário Oficial da União, Poder
Executivo, 26 de maio de 2017.

BRASIL. Ministério da Saúde. Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990. Dispõe sobre as


condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o
funcionamento dos serviços correspondentes e dá outras providências. Diário Oficial da
União, Poder Executivo, Brasília, DF, 20 de setembro de 1990.

________. Ministério da Saúde. Lei nº 8.142, de 28 de dezembro de 1990. Dispõe sobre


a participação da comunidade na gestão do Sistema Único de Saúde - SUS e sobre as
transferências intergovernamentais de recursos financeiros na área da saúde e dá outras
providências. Diário Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, DF, 31 de dezembro
de 1990.

________. Presidência da República. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996.


Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Diário Oficial da União, Poder
Executivo, Brasília, DF, 23 de dezembro de 1996.

________. Presidência da República. Lei nº 12.764, de 27 de dezembro de 2012. Institui


a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro
Autista; e altera o § 3o do art. 98 da Lei no 8.112, de 11 de dezembro de 1990. Diário
Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, DF, 28 de dezembro de 2012.

________. Presidência da República. Lei nº 13.005, de 25 de junho de 2014. Aprova o


Plano Nacional de Educação - PNE e dá outras providências. Diário Oficial da União,
Poder Executivo, Brasília, DF, 26 de junho de 2014.

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________. Presidência da República. Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015. Institui a Lei
Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência).
Diário Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, DF, 7 de julho de 2015.

BRASIL. Ministério da Saúde. Plano Nacional de Saúde – PNS 2016 - 2019. Brasília,
DF, 2016.

BRASIL. Portaria GM/MS nº 1.060, de 5 de junho de 2002. Aprova a Política Nacional


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________. Portaria GM/MS nº 198, de 13 de fevereiro de 2004. Institui a Política


Nacional de Educação Permanente em Saúde como estratégia do Sistema Único de Saúde
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________. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações


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Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, DF, 4 de maio de 2006.

________. Portaria GM/MS nº 1.996, de 20 de agosto de 2007. Dispõe sobre as diretrizes


para a implementação da Política Nacional de Educação Permanente em Saúde e dá outras
providências. Diário Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, DF, 22 de agosto de
2007.

________. Portaria GM/MS nº 1.944, de 27 de agosto de 2009. Institui no âmbito do


Sistema Único de Saúde (SUS), a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do
Homem. Diário Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, DF, 27 de agosto de 2009.

________. Portaria GM/MS nº 1.600, de 7 de julho de 2011. Reformula a Política


Nacional de Atenção às Urgências e institui a Rede de Atenção às Urgências no Sistema
Único de Saúde (SUS). Diário Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, DF, 8 de
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Resolução (5252439) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 134


________. Portaria GM/MS nº 2.836, de 1 de dezembro de 2011. Institui, no âmbito do
Sistema Único de Saúde (SUS), a Política Nacional de Saúde Integral de Lésbicas, Gays,
Bissexuais, Travestis e Transexuais (Política Nacional de Saúde Integral LGBT). Diário
Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, DF, 2 de dezembro de 2011.

________. Portaria GM/MS nº 793, de 24 de abril de 2012. Institui a Rede de Cuidados


à Pessoa com Deficiência no âmbito do Sistema Único de Saúde. Diário Oficial da
União, Poder Executivo, Brasília, DF, 25 de abril de 2012.

________. Portaria GM/MS nº 2.761, de 19 de novembro de 2013. Institui a Política


Nacional de Educação Popular em Saúde no âmbito do Sistema Único de Saúde (PNEPS-
SUS). Diário Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, DF, 20 de novembro de 2013.

________. Portaria GM/MS nº 529, de 1 de abril de 2013. Institui o Programa Nacional


de Segurança do Paciente (PNSP). Diário Oficial da União, Poder Executivo, Brasília,
DF, 2 de abril de 2013.

________. Portaria GM/MS nº 2.446, de 11 de novembro de 2014. Redefine a Política


Nacional de Promoção da Saúde (PNPS). Diário Oficial da União, Poder Executivo,
Brasília, DF, 13 de novembro de 2014.

________. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações


Programáticas Estratégicas. Diretrizes de Atenção à Reabilitação da Pessoa com
Transtornos do Espectro do Autismo (TEA). Brasília: Ministério da Saúde, 2014.

________. Portaria Interministerial nº 1.124, de 4 de agosto de 2015. Institui as diretrizes


para a celebração dos Contratos Organizativos de Ação Pública Ensino-Saúde
(COAPES), para o fortalecimento da integração entre ensino, serviços e comunidade no
âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Diário Oficial da União, Poder Executivo,
Brasília, DF, 5 de agosto de 2015.

BRASIL. Ministério da Saúde. Conselho Nacional de Saúde. Resolução nº 287, de 08 de


outubro de 1998. Brasília, DF. Relaciona categorias profissionais de saúde de nível
superior para fins de atuação do CNS.

________. Ministério da Saúde. Conselho Nacional de Saúde. Resolução nº 350, de 09


de junho de 2005. Brasília, DF. Aprova critérios de regulação para a autorização e
reconhecimento de cursos de graduação da área da saúde.

Resolução (5252439) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 135


________. Ministério da Saúde. Conselho Nacional de Saúde. Recomendação nº 024,
de 10 de julho de 2008. Brasília, DF. Recomenda ao Conselho Nacional de Educação a
definição da carga horária total mínima de 4.000 horas integralizadas em no mínimo 4
(quatro) anos para os cursos de graduação da área da saúde que não se encontram
contempladas no Parecer CES/CNE n.º 08/2007 e Resolução CES/CNE nº 02/2007.

________. Ministério da Saúde. Conselho Nacional de Saúde. Resolução nº 507, de 16


de março de 2016. Brasília, DF. Publica as propostas, diretrizes e moções aprovadas
pelas Delegadas e Delegados na 15a Conferência Nacional de Saúde, com vistas a
garantir-lhes ampla publicidade até que seja consolidado o Relatório Final.

________. Ministério da Saúde. Conselho Nacional de Saúde. Resolução nº 515, de 7


de outubro de 2016. Brasília, DF.

________. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Câmara de


Educação Superior. Resolução nº 3, de 20 de junho de 2014. Institui Diretrizes
Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Medicina e dá outras providências.
Diário Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, DF, 23 de junho de 2014.

________. Ministério da Educação. Parecer CNE/CES nº 1.133/2001. Dispõe sobre as


Diretrizes Curriculares Nacionais dos Cursos de Graduação em Enfermagem, Medicina e
Nutrição. Diário Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, DF, 3 de outubro de 2001.

________. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de


Análise de Situação de Saúde. Plano de ações estratégicas para o enfrentamento das
doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) no Brasil 2011-2022. Brasília, DF, 2011.

DALLARI, S.G. O Direito à Saúde. Revista de Saúde Pública, 1988.

FEUERWERKER, L.C.M. Micropolítica e saúde: produção do cuidado, gestão e


formação. Porto Alegre: Rede UNIDA, 2014.

FREIRE, P. Educação como Prática da Liberdade. 19ª ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra;
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políticas para avançar o SUS. Brasília-DF, 2006, p. 69-78.

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ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE/OMS. Declaração de Alma-Ata. OMS,
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ROSCHKE, M.A. Aprendizagem e conhecimento significativo nos serviços de Saúde.


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STARFIELD, B. Atenção Primária: Equilíbrio entre necessidades de saúde, serviços


e tecnologias. Brasília: UNESCO/Ministério da Saúde, 2002.

Resolução (5252439) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 137


RESOLUÇÃO Nº 573, DE 31 DE JANEIRO DE 2018.

O Plenário do Conselho Nacional de Saúde (CNS), em sua Trecentésima Primeira Reunião


Ordinária, realizada nos dias 30 e 31 de janeiro de 2018, e no uso de suas competências regimentais e
atribuições conferidas pela Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990; pela Lei nº 8.142, de 28 de
dezembro de 1990; pela Lei Complementar nº 141, de 13 de janeiro de 2012; pelo Decreto nº 5.839,
de 11 de julho de 2006; cumprindo as disposições da Constituição da República Federativa do Brasil
de 1988, da legislação brasileira correlata; e
considerando que a Constituição Federal de 1988 (CF de 1988) define a saúde como direito
de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução
do risco de doenças e de outros agravos e ao acesso universal, igualitário e equânime às ações e
serviços para sua promoção, proteção e recuperação;
considerando que a CF de 1988 configura as ações e serviços de saúde como de relevância
pública, que devem ser regulamentados, fiscalizados e controlados por disposições do Poder Público,
nos termos da lei;
considerando que a formação da(o) enfermeira(o deve ser pautada pelas necessidades sociais
é imperativo que a mesma ocorra nos territórios e estabelecimentos de saúde de regiões/redes de
atenção dos serviços públicos, tornando-se imprescindível que o Sistema Único de Saúde (SUS)
participe da regulação e acompanhamento de todo o processo de formação;
considerando que a CF de 1988 define que compete ao SUS ordenar a formação de recursos
humanos na área da saúde;
considerando que a Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990, regulamenta no Art. 15, IX a
“participação do SUS na formulação e na execução da política de formação e desenvolvimento de
recursos humanos para a saúde” e acrescenta no Art. 27, I que “a política de recursos humanos na área
da saúde será formalizada, executada e articulada pelas diferentes esferas de governo, em
cumprimento [...]” do pressuposto da “organização de um sistema de formação de recursos humanos
em todos os níveis de ensino, inclusive de pós-graduação e de programas de permanente
aperfeiçoamento de pessoal”;
considerando que o caráter da inserção econômico-política do trabalho em
enfermagem/saúde junto à sociedade civil e ao Estado revela o desafio da formação em enfermagem
dialogar com a “produção social da saúde”;
considerando que a Lei nº 8.142, de 28 de dezembro de 1990, define que os níveis de saúde
expressam a organização social e econômica do País, tendo a saúde como determinantes e
condicionantes, entre outros, a alimentação, a moradia, o saneamento básico, o meio ambiente, o

Resolução (5252474) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 138


trabalho, a renda, a educação, a atividade física, o transporte, o lazer e o acesso aos bens e serviços
essenciais;
considerando que a Lei nº 8.142, de 28 de dezembro de 1990, dispõe que o CNS, em caráter
permanente e deliberativo é órgão colegiado composto por representantes do governo, prestadores de
serviço, profissionais de saúde e usuários, que atua na formulação de estratégias e no controle da
execução da política de saúde na instância correspondente, inclusive nos aspectos econômicos e
financeiros, cujas decisões serão homologadas pelo chefe do poder legitimamente constituído em
esfera do governo;
considerando que as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) dos cursos de graduação da
área da saúde devem propiciar uma formação para o trabalho em equipe multiprofissional e
interdisciplinar, à luz dos princípios do SUS, com ênfase na integralidade da atenção e em resposta às
necessidades sociais em saúde;
considerando a Resolução CNS nº 350, de 9 de junho de 2005, que define critérios técnicos
educacionais e sanitários relativos à abertura, reconhecimento e renovação de reconhecimento de
cursos para a área da saúde;
considerando a Resolução CNS nº 507, de 16 de março de 2016, que torna públicas as
propostas, diretrizes e moções aprovadas pelas Delegadas e Delegados na 15ª Conferência Nacional
de Saúde, com vistas a garantir-lhes ampla publicidade;
considerando que a formação para o SUS deve pautar-se nas necessidades de saúde das
pessoas, grupos sociais e populações com vivências e práticas que respeitem a garantia de direitos e a
dignidade humana a serem vivenciadas em uma diversidade de cenários/espaços de integração
ensino/serviço/participação social, que propiciem educação integral, interprofissional, humanista,
ético-cidadã, técnico-científica e presencial;
considerando que a Resolução CNS nº 515, de 7 de outubro de 2016, no Art. 3º define “Que
as DCN da área de saúde sejam objeto de discussão e deliberação do CNS, dentro de um espaço de
tempo adequado para permitir a participação, no debate, das organizações de todas as profissões
regulamentadas e das entidades e movimentos sociais que atuam no controle social, para que o Pleno
do CNS cumpra suas prerrogativas e atribuições de deliberar sobre o SUS, sistema este que tem a
responsabilidade constitucional de regular a formação dos recursos humanos da saúde”; e
considerando a Resolução CNS nº 515, de 7 de outubro de 2016, em que o CNS se posicionou
contrário à autorização de todo e qualquer curso de graduação da área da saúde, ministrado totalmente
na modalidade de Educação a Distância (EaD), na perspectiva da garantia da segurança e
resolubilidade na prestação dos serviços de saúde à população brasileira e, pelos prejuízos que tais
cursos podem oferecer à qualidade da formação de seus profissionais, bem como pelos riscos que estes
trabalhadores possam causar à sociedade em imediato, médio e longo prazos.

Resolução (5252474) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 139


RESOLVE:

1) Aprovar o Parecer Técnico nº 28/2018 contendo recomendações do Conselho Nacional de


Saúde (CNS) à proposta de Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) para o curso de graduação
Bacharelado em Enfermagem, conforme anexo.

RONALD FERREIRA DOS SANTOS


Presidente do Conselho Nacional de Saúde

Homologo a Resolução CNS nº 574, de 31 de janeiro de 2018, nos termos do Decreto de


Delegação de Competência de 12 de novembro de 1991.

RICARDO BARROS
Ministro de Estado da Saúde

Resolução (5252474) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 140


PARECER TÉCNICO Nº 28/2018

ASSUNTO: Recomendações do Conselho Nacional de Saúde à proposta de Diretrizes


Curriculares Nacionais (DCN) do curso de graduação Bacharelado em Enfermagem.

INTRODUÇÃO

O Conselho Nacional de Saúde (CNS), órgão colegiado de caráter permanente e deliberativo,


que tem por finalidade atuar na formulação e no controle da execução da Política Nacional de Saúde,
no uso de suas competências regimentais e atribuições legais, conferidas à sua Secretaria Executiva -
SE, encaminha ao Conselho Nacional de Educação (CNE) suas recomendações à proposta de
Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) do curso de graduação Bacharelado em Enfermagem.

O CNS (composto por Ministérios, órgãos competentes e entidades representativas da


sociedade civil) dispõe de comissões intersetoriais de âmbito nacional, com a finalidade de articular
políticas e programas de interesse para a saúde e para a educação em saúde, cuja execução envolva
áreas não compreendidas no âmbito do Sistema Único de Saúde - SUS. As políticas e programas de
saúde, com base na Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990, Art. 12, Parágrafo Único e Art.13 e seus
Incisos, ficam a cargo das seguintes comissões intersetoriais: I - alimentação e nutrição; II -
saneamento e meio ambiente; III - vigilância sanitária e farmacoepidemiologia; IV - recursos
humanos; V - ciência e tecnologia; e VI - saúde do trabalhador. Por sua vez, as políticas e programas
da gestão da ‘educação em saúde e desenvolvimento do SUS’, segundo a Lei nº 8.080, de 19 de
setembro de 1990, Art. 14, Parágrafo Único, fica a cargo das “comissões de integração entre os
serviços de saúde e das instituições de ensino profissional e superior - CIES”, criadas com a finalidade
de propor prioridades, métodos e estratégias para a formação e educação permanente dos recursos
humanos do SUS, a pesquisa e a cooperação técnica entre instituições.

Para apreciação da proposta das DCN do curso de graduação Bacharelado em Enfermagem


tomou-se como marco legal de referência: I) a Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990, que regulamentou
o Art. 200 da Constituição Federal (CF) de 1988, estabelecendo como cláusula pétrea a “saúde como
direito social”, criando o SUS como sistema de saúde universal no Brasil no desenvolvimento de ações
e serviços de relevância pública e instituindo a competência do SUS no ordenamento da formação dos
profissionais da saúde, que inclui a preparação de enfermeiras(os) para a oferta de cuidados de
Enfermagem seguros, de qualidade e resolutivos, o que é direito de todas as pessoas; II) a Lei nº 8.142,
de 28 de dezembro de 1990, que dispõe sobre a participação da comunidade na gestão do SUS; III) a Lei

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nº 10.424, de 15 de abril de 2002, que regula as condições da promoção, proteção e recuperação da saúde,
a organização e o funcionamento de serviços correspondentes na assistência domiciliar no SUS; IV) a
Resolução CNS nº 350, de 9 de junho de 2005, que aprova critérios de regulação da abertura e
reconhecimento de novos cursos da área da saúde; V) o Decreto nº 9.235, de 15 de dezembro de 2017,
que dispõe sobre o exercício das funções de regulação, supervisão e avaliação de instituições de educação
superior e cursos superiores de graduação e pós-graduação no sistema federal de ensino, destacando em
seu Art. 41 que “A oferta de cursos de graduação em Direito, Medicina, Odontologia, Psicologia e
Enfermagem, inclusive em universidades e centros universitários, depende de autorização do Ministério
da Educação, após prévia manifestação do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil e do
Conselho Nacional de Saúde, respectivamente”; VI) a Resolução CNS nº 569, de 8 de dezembro de 2017
e o Parecer Técnico CNS nº 300, de 8 de dezembro de 2017, que apresentam princípios gerais a serem
incorporados nas DCN de todos os cursos de graduação da área da saúde, como elementos norteadores
para o desenvolvimento dos currículos e das atividades didático-pedagógicas, compondo o perfil dos
egressos desses cursos, e aprovam os pressupostos, princípios e diretrizes comuns para a graduação na
área da saúde, construídos na perspectiva do controle/participação social em saúde; VII) e, a Lei nº 7.498,
de 25 de junho de 1986, que dispõe sobre a regulamentação do exercício da Enfermagem, e sua legislação
associada.

A Comissão Intersetorial de Recursos Humanos e Relações de Trabalho do Conselho


Nacional de Saúde - CIRHRT/CNS considerou para a análise das DCN do curso de graduação
Bacharelado em Enfermagem as disposições constitucionais sobre a natureza das ações e serviços de
saúde e sua abrangência, que repercutem de forma interativa na atuação profissional e na formação de
novos profissionais de saúde. A CF de 1988, Art. 196, afirma que “saúde é direito de todos e dever do
Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e
de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção
e recuperação”, compromisso e desafio vivenciado pelos profissionais de Enfermagem no cotidiano
do trabalho interprofissional no campo da saúde. Isso torna imperiosa a necessidade de qualificação
específica permanente do núcleo da Enfermagem para responder ao direito da população a cuidados,
atenção e assistência de enfermagem de qualidade no trabalho coletivo, para o alcance da atenção
integral à saúde. A Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990, no seu Art. 3º, com a redação dada pela
Lei nº 12.864, de 24 de setembro de 2013, define que os níveis de saúde expressam a organização
social e econômica do País, tendo a saúde como determinantes e condicionantes, entre outros, a
alimentação, a moradia, o saneamento básico, o meio ambiente, o trabalho, a renda, a educação, a
atividade física, o transporte, o lazer e o acesso aos bens e serviços essenciais. Por sua vez, o Art. 197
da CF de 1988 define que são de relevância pública as ações e serviços de saúde, cabendo ao Poder

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Público dispor, nos termos da lei, sobre sua regulamentação, fiscalização e controle. No seu Art. 198,
a CF de 1988 define que as ações e serviços públicos de saúde integram uma rede regionalizada e
hierarquizada e constituem um sistema único, organizado a partir das diretrizes de descentralização,
com direção única em cada esfera de governo, de atendimento integral, com prioridade para as
atividades preventivas, sem prejuízo dos serviços assistenciais e de participação da comunidade pela
efetivação da garantia de acesso à resolubilidade do sistema às necessidades sociais em saúde.

A CIRHRT/CNS considerou, na sua análise, entre outros aspectos, que os serviços públicos
integrantes do SUS constituem-se campo de prática para o ensino e a pesquisa, mediante normas
específicas elaboradas conjuntamente com o sistema educacional (Art. 27, Parágrafo Único da Lei nº
8.080/1990); e também o papel administrativo da União, Estados, Distrito Federal e Municípios na
participação da formulação e da execução da política de formação e desenvolvimento de recursos
humanos para a saúde.

Desse modo, buscou-se relacionar a proposta de revisão das DCN do curso de graduação
Bacharelado em Enfermagem apresentada pela Associação Brasileira de Enfermagem - ABEn aos
preceitos contidos na legislação de criação e estruturação do SUS; à legislação de proteção aos grupos
humanos expostos a vulnerabilidades (programáticas, individuais e sociais), incluindo a saúde entre
seus determinantes e condicionantes; e às políticas nacionais vigentes dos campos da saúde e da
educação que têm interface com a saúde, como é o caso da Política Nacional de Extensão
Universitária.
A metodologia utilizada para esse processo incluiu discussões na plenária da CIRHRT/CNS,
em duas reuniões ampliadas do Grupo de Trabalho das Diretrizes Curriculares Nacionais dos Cursos
de Graduação da Área da Saúde (GT/DCN), que contou com a participação de representantes da
Associação Brasileira de Enfermagem - ABEn, da Executiva Nacional dos Estudantes de Enfermagem
- ENEEnf, da Federação Nacional dos Enfermeiros - FNE; do Instituto Nacional de Estudos e
Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira - INEP/MEC; de técnicos do Departamento de Gestão da
Educação na Saúde - DEGES/SGTES/MS, bem como de diversos representantes de outras entidades
com assento no Conselho Nacional de Saúde - CNS. A revisão incorporou a Resolução CNS nº 569,
de 8 de dezembro de 2017 e o Parecer Técnico CNS nº 300 de 8 de dezembro de 2017, que tratam
das Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) gerais/comuns para a graduação na área da saúde.

O papel do CNS, expressão máxima da representatividade de participação social, conta com


a participação de usuários do SUS, de trabalhadores vinculados aos movimentos sociais organizados,
e de gestores (prestadores de serviços e Governo), na construção social e política da democracia

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participativa, fundamental ao monitoramento e controle das políticas públicas de saúde, mantendo-se
vigilantes, críticos e propositivos nas questões da formação dos trabalhadores da saúde para o SUS.
Nesse sentido, a CIRHRT/CNS submeteu à apreciação e aprovação do plenário do CNS as proposições
elencadas a seguir.

ANÁLISE

Segundo o Artigo 200 da CF de 1988, compete ao SUS, entre outras atribuições, ordenar a
formação de recursos humanos na área de saúde (inciso III) e colaborar na proteção do meio ambiente,
nele compreendido o do trabalho (inciso VIII), a ser protegido com regras e conceitos de saúde,
especialmente tendo em vista a saúde do trabalhador. Assim, a ordenação da formação dos
profissionais de saúde tem como referência as necessidades sociais em saúde e fortalece o mundo do
trabalho e a atuação técnica, política e cidadã dos profissionais com visão crítica, reflexiva e
comprometida com a ressignificação das práticas e inovações. Essas características do profissional
egresso da formação acadêmica decorrem da natureza e da abrangência das ações e serviços de saúde
definidas na legislação nacional, em particular, na Constituição Federal de 1988 e nas Leis Orgânicas
da Saúde (Lei nº 8.080/1990 e Lei nº 8.142, de 28 de dezembro de 1990).

Nesse contexto, a/o enfermeira (o), profissional presente nos serviços e redes de atenção, com
atuação direta na atenção, na educação e desenvolvimento no SUS, na coordenação da equipe de
enfermagem e no gerenciamento de serviços e sistemas, bem como nas instâncias de participação e
controle social, tem um papel fundamental no cuidado. Desde a gestão dos cuidados aos atos e na
comunicação com pessoas e coletividades, reúne características específicas que lhe conferem
possibilidades de atuação no cuidado individual e coletivo, atuando sobre os problemas e
necessidades, e na incidência sobre as condições que constituem a produção social da saúde, tanto
pela sua formação, como por sua influência e contato com a comunidade. A enfermagem se realiza na
conformação de práticas e ações na assistência (cuidado e atenção), ensino (educação), pesquisa e na
gerência (gestão). A realidade impõe à Enfermagem o desafio da educação, seja no ensino de
graduação e pós-graduação, pesquisa e extensão, no interior da formação básica e não apenas na
licenciatura. Na escola técnica ou educação profissional em saúde a exigência é ter formação
pedagógica, o que expande essa especialização como rotina nas escolas de enfermagem.

A formação profissional é uma construção da relação solidária entre Educação e Trabalho e


está intrinsecamente relacionada à atuação profissional. O Projeto Pedagógico do Curso (PPC) deve

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desenvolver capacidades profissionais que mobilizem conhecimentos, saberes, habilidades e atitudes
e resultem em aptidão para atuação profissional em sistema de produção de serviços de saúde: público,
filantrópico ou privado. Neste contexto deve disponibilizar vivências em unidades de saúde, no
trabalho interprofissional, atividades consideradas essenciais para a saúde de pessoas, grupos sociais
e populações. A saúde é de relevância pública e o , além da importante abrangência na oferta de ações
individuais e coletivas para a população, também realiza a regulação de serviços acerca de tudo que
possa afetar a saúde.

Além disso, é fundamental que as DCN do curso de graduação Bacharelado em Enfermagem


contemplem a produção social da saúde nos cenários de ensino-aprendizagem: a) a dimensão , que
possibilita encontros e construções de parceria entre trabalhadores/profissionais de
enfermagem/saúde, estudantes e usuários dos serviços de Enfermagem em torno de uma agenda de
afirmação da vida que contribua para o crescimento emocional, social, intelectual e cidadão de
estudantes de , que é base para a conquista de autonomia técnica; b) a dimensão da ergoformação
profissional que contempla a prevenção dos riscos profissionais, a gestão econômica, a gestão de
pessoas, entre outras; e c) a dimensão da participação social como espaço pedagógico para a
constituição de atores na causa da garantia da saúde como direito social, na luta pelo SUS como
sistema universal de saúde e com participação em Conferência(s) Nacional(is) de Saúde e junto aos
Conselhos de Saúde, na formulação de políticas para o SUS.

A seguir são apresentadas as recomendações da CIRHRT/CNS, elaboradas por meio de seu


Grupo de Trabalho - GT/DCN, à redação1 das Diretrizes Curriculares Nacionais do curso de
graduação Bacharelado em Enfermagem.

1As alterações recomendadas pela CIRHRT/CNS estão destacadas em negrito ao longo do texto.

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RECOMENDAÇÕES DO CONSELHO NACIONAL DE SAÚDE (CNS) À
PROPOSTA DAS DIRETRIZES CURRICULARES NACIONAIS DO CURSO DE
GRADUAÇÃO BACHARELADO EM ENFERMAGEM

Institui as Diretrizes Curriculares Nacionais do


Curso de Graduação Bacharelado em Enfermagem

CAPÍTULO I

DAS DIRETRIZES

Art. 1º - A presente Resolução institui as Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de


Graduação em Enfermagem (DCN/ENF), que devem orientar e propiciar concepções curriculares ao
Curso de Graduação em Enfermagem a serem observadas no planejamento, desenvolvimento e
avaliação dos cursos de Enfermagem das Instituições de Ensino Superior do País, tendo como base
legal a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) Nº 9.394 de 20 de dezembro de 1996.

Art. 2º - As DCN/ENF direcionam a estruturação dos cursos de graduação em enfermagem


de forma a constituir o perfil profissional do enfermeiro, em consonância com as perspectivas e
abordagens contemporâneas da Educação em Enfermagem e da Lei do Exercício Profissional,
adequadas e compatíveis com referenciais constitucionais, internacionais e princípios fundantes à
formação de enfermeiras/os, os determinantes Necessidades Sociais da Saúde e do SUS, as necessárias
mudanças do Modelo de Atenção à Saúde no Brasil e os pressupostos da Resolução CNS nº 350, de 9
de junho de 2005, no desenvolvimento de competências de acordo com as dimensões e seus
respectivos domínios de atuação profissional para atuar com qualidade, efetividade e resolutividade
no Sistema Único de Saúde - SUS no contexto da Reforma Sanitária Brasileira.

Art. 3º - As DCN/ENF estabelecem e definem os princípios, os fundamentos, e as finalidades


que regem a formação de enfermeiras/os e balizam o desenvolvimento de competências de acordo
com as dimensões e seus respectivos domínios de atuação profissional e serão instituídas pela Câmara
de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação - CNE, para aplicação, em âmbito nacional,
no planejamento, desenvolvimento e avaliação dos Projetos Pedagógicos do Curso - PPC de
Graduação em Enfermagem das Instituições de Ensino Superior.

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Parágrafo 1º. Constituem os princípios da formação do bacharel em enfermagem e do
bacharel em enfermagem com licenciatura:

I - O Sistema Único de Saúde – SUS, como campo de atuação e exercício profissional,


seja na esfera pública, filantrópica e ou privada, considerando as políticas públicas vigentes e o
contexto social e sanitário do país.
II - A saúde como direito social fundamental ao cidadão.
III - A pessoa como ser indissociável nas dimensões biológica, psicológica, social,
humana, cultural e espiritual.
IV - A integralidade da atenção à saúde do ser humano, considerando-se as
particularidades ambientais, atitudinais, sociais (classe social, geração, raça/cor, etnia, gênero,
orientação sexual, identidade de gênero), políticas, econômicas e culturais, individuais e
coletivas.
V - A promoção da saúde, da qualidade de vida, do bem-estar, da prevenção, da
recuperação, da redução de danos e a reabilitação como estratégia de atenção e cuidado em
saúde.
VI - Autonomia, rigor técnico-científico, atenção biopsicossocial e humanização nas
ações em saúde, nas práticas baseadas em evidências e no cuidado à pessoa, como ação
terapêutica da enfermagem no trabalho interprofissional da saúde e como objeto de estudo e de
produção de cuidados no exercício profissional.
VII - O tripé ensino-pesquisa-extensão em sua articulação teoria e prática, na
integração ensino e serviço com participação social.
VIII - Ética e bioética no exercício profissional, conforme os pressupostos éticos,
políticos e normativo-legais.
IX - Compromisso com as organizações da Enfermagem (entidades, organizações e
autarquia), com os movimentos sociais e com o controle social do SUS.

Parágrafo 2º. Estas DCN/Enfermagem deverão ser revisadas a cada 5 anos

Art. 4º - O graduando em Enfermagem terá formação pautada no processo de aprender a


aprender nas dimensões: aprender a ser, aprender a fazer, aprender a conviver e aprender a
conhecer, tendo em vista articular o ensinar e o aprender a conhecer, classificar, analisar, discorrer,
opinar, fazer analogias, registrar, fazer diagnósticos, fazer generalizações, dentre outros objetivos de

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ensino, propiciar a conquista de autonomia, discernimento e pró-atividade para assegurar a
integralidade à atenção à saúde das pessoas, grupos sociais (famílias, outros) e coletividades.

Art. 5º - As DCN/ENF têm como fundamentos um projeto pedagógico construído,


coletivamente a partir dos seguintes eixos norteadores: conteúdos essenciais para a formação, assim
como a garantia da flexibilização curricular necessária, formação humana integral, interdisciplinar,
centrado na relação aluno-professor, sendo o professor facilitador e mediador do processo de ensino-
aprendizagem, predominância da formação sobre a informação, articulação entre teoria e prática,
indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão/assistência, diversificação dos cenários de
aprendizagem em ambientes simulados e reais, metodologias ativas de ensino-aprendizagem,
incorporação de atividades complementares que contemplem as necessidades e expectativas
individuais de formação dos estudantes e que considerem o desenvolvimento do setor de saúde na
região.

Parágrafo único - Esses fundamentos devem oferecer os elementos para as bases filosóficas,
conceituais e metodológicas, que propiciem um perfil profissional humano, autônomo e ético-legal,
com responsabilidade social, para atuar com qualidade, efetividade e resolubilidade, no SUS.

Art. 6º - O egresso do Curso de Graduação em Enfermagem terá como objeto o cuidado de


enfermagem com foco nas necessidades: sociais em saúde, singulares da pessoa ou de coletivos que
se encontram sob a atenção e os cuidados de enfermagem; terá formação generalista, humanista,
crítica, reflexiva, política e ético-legal, para exercer suas atividades nos diferentes níveis de atenção à
saúde e do cuidado de enfermagem, tais como promoção da saúde, prevenção de doenças e riscos,
tratamentos específicos, redução de danos e agravos, recuperação de doenças, manutenção da saúde e
reabilitação no âmbito individual e coletivo, com senso de responsabilidade social e compromisso
com a defesa da cidadania e da dignidade humana. O egresso deverá estar apto a atuar como
profissional da equipe de saúde, considerando as competências adquiridas no processo formativo, a
autonomia profissional do enfermeiro, a transversalidade e integralidade do conhecimento em ato, na
perspectiva da determinação social do processo saúde-doença; para exercer a gestão dos serviços de
saúde e de enfermagem e a gerência do cuidado de enfermagem na atenção à saúde; para exercer a
profissão, com base no rigor técnico, científico e intelectual, pautado em princípios ético-legais e da
bioética; para reconhecer e intervir, em contextos de complexidade, sobre as necessidades de saúde e
de doença levando em consideração o perfil epidemiológico e sociodemográfico nacional, com ênfase
na sua região de atuação.

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Parágrafo único - No Curso de Graduação para formação do enfermeiro licenciado, o egresso
profissional, além do perfil anteriormente descrito, terá formação para o exercício da docência na
educação profissional técnica de nível médio na enfermagem, além do trabalho como professor, o
enfermeiro licenciado poderá exercer atividades de gestão educacional no contexto da educação
profissional técnica de nível médio em enfermagem.

CAPÍTULO II

DOS MARCOS TEÓRICO E METODOLÓGICO

Art. 7º - O Projeto Pedagógico do Curso - PPC de Graduação em Enfermagem deve explicitar


referenciais teóricos dos campos da educação, da saúde pública e coletiva e da teoria social e política
que possam nortear e fundamentar os princípios e diretrizes propostos.

Art. 8º - As DCN/ENF situam-se no contexto de formação para o Sistema Único de Saúde -


SUS, considerando seus princípios e diretrizes e as políticas e ações de saúde necessárias para
assegurar o acesso universal, a equidade, a integralidade, a humanização, a qualidade e efetividade da
atenção à saúde no Brasil como direito de cidadania.

Parágrafo Único - Este contexto implica em considerar a Atenção Primária à Saúde – APS e
as Redes de Atenção à Saúde - RAS como eixos coordenadores e integradores da formação para o
SUS, com prioridades definidas pela vulnerabilidade social e pelo risco à saúde e à vida.

Art. 9º - A formação de enfermeiros deve estar orientada para as necessidades individuais e


coletivas da população, respeitando as diversidades subjetivas, biológicas, mentais, de raça/cor, etnia,
de gênero, de orientação sexual, de identidade de gênero, de geração, social, econômica, política,
ambiental, cultural, ética, espiritual e levando em consideração todos os aspectos que compõem a
pluralidade humana e que singularizam cada pessoa, grupo e coletividades.

Art. 10 - A educação em enfermagem deve ter como princípio básico o cuidado - ação
terapêutica da Enfermagem - constituindo-se numa atividade humana universal, intrinsecamente
valiosa, responsável pelo processo de manutenção e finitude da vida humana, pela continuidade e
qualidade da vida humana, ao longo do tempo; uma ação humanizada que se realiza entre indivíduos
com condições biopsicossociais, e direitos e deveres.

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§1º - O cuidado profissional em enfermagem é uma das dimensões do cuidado humano, que
se realiza em ato no processo de trabalho em enfermagem, no qual os trabalhadores operam saberes e
múltiplos instrumentos com a finalidade de promover a saúde, prevenir e diagnosticar doenças,
promover saúde, reabilitar, reduzir agravos, recuperar e/ou manter a saúde de pessoas, grupos sociais
(famílias, outros) ou coletividades.

§2º - O cuidado de enfermagem, entre outras formas, se expressa por meio do processo de
enfermagem, da sistematização da assistência de enfermagem - SAE e de um sistema de
classificação/taxonomia como tecnologia do processo de enfermagem, bem como da prestação de
cuidados diretos e indiretos às pessoas, grupos e coletividades.

§3º - No cuidado em enfermagem considera-se o ser humano como um ser histórico, social
e cultural, com complexas necessidades e autonomia para conduzir sua vida e ações de saúde.

§4º - O cuidado de enfermagem contempla a integralidade humana e das ações e relações de


cuidado, em suas dimensões biológica, social, cultural, mental, interacional e comunicativa, numa
prática contínua e integrada, pautada no acolhimento e humanização, orientada pelos conceitos de
saúde, sociedade e trabalho.

Art. 11 - O processo educativo na formação do enfermeiro deve estar fundamentado na


educação emancipatória crítica e culturalmente sensível, na aprendizagem significativa,
problematizando a complexidade da vida, da saúde e do cuidado de enfermagem, além de adotar,
como princípios metodológicos que orientam a formação profissional, a interdisciplinaridade do
conhecimento, a integralidade da formação e a interprofissionalidade das práticas e do trabalho em
saúde.

CAPÍTULO III

DAS ÁREAS DO PROCESSO FORMATIVO

Art. 12 - O processo formativo no Curso de Graduação em Enfermagem, visando garantir


uma sólida formação básica e preparando o futuro graduado para enfrentar os desafios das rápidas
transformações da sociedade, do mercado de trabalho e das condições de exercício profissional, deve
ser desenvolvido nas seguintes áreas ou núcleos de competência:

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I - Cuidado de Enfermagem na Atenção à Saúde Humana

II - Gestão/Gerência do cuidado de enfermagem e dos serviços de enfermagem e saúde

III - Educação em Saúde

IV - Desenvolvimento Profissional em Enfermagem

V - Investigação/Pesquisa em Enfermagem e saúde

VI - Docência na Educação Profissional Técnica de Nível Médio em Enfermagem

Parágrafo Único - As áreas ou núcleos de competência serão desenvolvidos de forma


integrada e contínua com as demais instâncias do sistema de saúde, devendo capacitar o futuro
enfermeiro para pensar criticamente, analisar os problemas de saúde e de enfermagem da coletividade
e apresentar soluções para os mesmos, na perspectiva dos padrões de qualidade, cidadania, ética e
bioética e dos princípios e diretrizes do SUS.

Seção I
Do Cuidado de Enfermagem na Atenção à Saúde Humana

Art. 13 - A área do Cuidado de Enfermagem na Atenção à Saúde Humana deve estar


direcionada para a formação do enfermeiro por meio do exercício das seguintes competências:

I - Praticar ações de enfermagem nos diferentes cenários da prática profissional por meio do
processo de enfermagem, da sistematização da assistência de enfermagem e de um sistema de
classificação/taxonomia como tecnologia do processo de enfermagem, com foco nos processos de
viver e morrer, e nas necessidades de saúde individual, coletiva e de grupos sociais na vida em
comunidade, considerando a legislação e as políticas de saúde vigentes.

II - Utilizar, desenvolver e validar tecnologias que melhoram as práticas do cuidar em


enfermagem.

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III - Reconhecer a saúde como direito social, atuando de forma a promover condições dignas
de vida e garantir a integralidade do cuidado de enfermagem, entendido como conjunto de ações
articuladas e contínuas dos serviços.

IV - Operacionalizar ações de promoção da saúde, proteção, diagnóstico de enfermagem,


prevenção de riscos, agravos e doenças, proteção e recuperação no processo saúde-doença,
reabilitação tanto em nível individual quanto coletivo, considerando, não só os modelos clínico e
epidemiológico, bem como as vulnerabilidades e complexidade das necessidades da saúde humana.

V - Considerar a Atenção Primária à Saúde e as Redes de Atenção à Saúde como orientadoras


para a atuação num sistema organizado por linhas de cuidados em redes, com prioridades definidas
pela vulnerabilidade e pelo risco à saúde e à vida.

VI - Assegurar que a prática da/o enfermeira/o seja realizada de forma interdisciplinar e


multiprofissional com ações específicas colaborativas e intercomplementares em equipes de saúde nas
instâncias do SUS.

VII - Desenvolver a prática de enfermagem pautada pelo pensamento crítico, raciocínio


clínico, promovendo o acolhimento e a comunicação efetiva com usuários, familiares e comunidades;

VIII - Estabelecer cuidados para a sua própria saúde, bem como dos trabalhadores da equipe,
visando o bem-estar como cidadão e como profissional;

IX - Desenvolver o processo de enfermagem como uma das dimensões do cuidado humano,


sustentado no raciocínio clínico e no pensamento crítico.

Seção II
Da Gestão e Gerência do Cuidado de Enfermagem, dos Serviços de Enfermagem e Saúde.

Art. 14 - A área da Gestão e Gerência do Cuidado de Enfermagem, dos Serviços de


Enfermagem e Saúde deve estar direcionada para o reconhecimento dos princípios, diretrizes e
políticas de saúde vigentes, assim como para a coordenação das ações de gerenciamento do cuidado
em enfermagem, por meio do exercício das competências, a seguir apresentadas.

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I - Desenvolver a gestão do Cuidado de Enfermagem nas Redes de Atenção à Saúde, com
base nos indicadores de saúde, assistenciais e gerenciais, no âmbito individual e coletivo,
considerando os diferentes contextos, demandas espontâneas e programáticas de saúde, características
profissionais dos agentes da equipe de Enfermagem, a fim de qualificar os processos de trabalho e
seus resultados.

II - Desenvolver ações gerenciais de diagnóstico, planejamento, organização, logística,


gerenciamento, monitoramento e avaliação no processo de trabalho em Enfermagem e nos serviços
de enfermagem e de saúde, utilizando os instrumentos gerenciais que qualificam o cuidado de
enfermagem e assistência à saúde possibilitando o controle e a participação social, fundamentados em
modelos de Administração de Enfermagem, de Saúde e Gerenciais.

III - Promover por ações de liderança, a articulação da equipe de Enfermagem com os demais
agentes e instituições componentes da rede de atenção à saúde, fortalecendo a integração ensino-
serviço.

IV - Gerenciar dimensionando adequadamente os recursos humanos, os recursos físicos,


materiais, de informação e de tecnologia para o cuidado de enfermagem.

V - Promover a utilização das tecnologias de comunicação e informação para o planejamento,


a gestão e gerenciamento, a organização, a avaliação e o fortalecimento do trabalho em equipe de
enfermagem, e multiprofissional para a gestão do cuidado e dos serviços de enfermagem e de saúde.

VI - Reconhecer a comunicação e o acolhimento como tecnologias indispensáveis do


processo de trabalho da enfermagem, garantindo a privacidade, confidencialidade, o sigilo e
veracidade das informações compartilhadas, na interação com o usuário, profissionais de saúde e o
público em geral.

VII - Desenvolver ações de gestão e gerenciamento do cuidado e dos serviços de Enfermagem


e de saúde, com base em evidências científicas, princípios humanísticos, políticos e ético-legais, no
âmbito da assistência, gerência, ensino e pesquisa visando procedimentos e práticas de qualidade e de
segurança dos usuários e da equipe de enfermagem e de saúde.

VIII - Desenvolver ações de liderança da equipe de Enfermagem na horizontalidade das


relações interpessoais, mediada pela interação e diálogo em respeito ao outro, promovendo a

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qualificação da equipe de Enfermagem por meio de atualização e educação permanente, e a tomada
de decisão fundamentada no Planejamento Estratégico Situacional.

IX - Prever e prover as condições materiais, de força de trabalho e de infraestrutura para a


realização do trabalho de enfermagem, com base nas normas regulamentadoras do trabalho em saúde,
visando o desenvolvimento do cuidado de enfermagem com qualidade.

Seção III

Da Educação em Saúde

Art. 15 - A área educação em Saúde deverá direcionar a formação do enfermeiro para


desenvolver ações educativas com indivíduos, famílias e grupos sociais, na perspectiva da
integralidade do cuidado em saúde, e contribuir com a formação de profissionais de enfermagem, por
meio do exercício das seguintes competências:

I - Reconhecer-se como sujeito do processo de formação, utilizando metodologias ativas de


ensino-aprendizagem e abordagens inovadoras que estimulem nos sujeitos participantes a
aprendizagem significativa, como o uso das diversas tecnologias em favor da educação em saúde.

II - Desenvolver a capacidade de aprender a aprender com os sujeitos participantes, numa


perspectiva plural e de respeito às diversidades, considerando o contexto histórico, político, jurídico e
ético, com base no respeito à autonomia, saberes e experiências dos sujeitos.

III - Desenvolver ações de educação na promoção da saúde, prevenção de riscos, agravos e


doenças, redução de danos e reabilitação considerando a especificidade dos diferentes grupos sociais
e dos distintos processos de vida, saúde, cultura, trabalho, adoecimento e morte, conciliando as
necessidades dos indivíduos, família e comunidade, e atuando como sujeito de transformação social.

IV - Considerar as características, cultural e especificidades dos indivíduos, famílias e grupos


sociais para escolha da opção pedagógica que norteará a ação educativa.

V - Reconhecer a dimensão educativa como inerente ao processo de trabalho da/o


enfermeira/o na Rede de Atenção à Saúde, na perspectiva da integralidade do cuidado em saúde e da
valoração do trabalho educativo na formação de novos profissionais de enfermagem.

Resolução (5252474) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 154


VI - Elaborar projetos educativos com os sujeitos participantes da ação e que contemplem o
diagnóstico das necessidades destes, definição de objetivos, seleção de metodologias e recursos
pedagógicos, implementação e avaliação das ações educativas, fortalecendo a integração ensino-
serviço-comunidade.

Seção IV

Do Desenvolvimento Profissional em Enfermagem

Art.16 - A área Desenvolvimento Profissional em Enfermagem deve estar direcionada para a


formação permanente, humanística e técnico-científica da/o enfermeira/o como sujeito do seu
processo formativo e facilitador do processo de desenvolvimento dos profissionais que compõem a
equipe de enfermagem, por meio das competências a seguir apresentadas:

I - Promover ações que favoreçam o desenvolvimento profissional permanente, frente à


complexidade das necessidades de saúde individual e coletiva e as mudanças no processo de trabalho
em enfermagem e saúde.

II - Buscar estratégias e incorporar valores de defesa da vida e solidariedade social nas ações
para seu desenvolvimento e o reconhecimento da identidade do profissional do enfermeiro junto às
equipes de saúde, para a conquista de respeito e dignificação do trabalho em geral, do seu próprio
trabalho e o da equipe de enfermagem.

III - Reconhecer as necessidades de desenvolvimento profissional, de desenvolvimento dos


profissionais que compõem a equipe de saúde e enfermagem, articulando-as às necessidades dos
serviços de enfermagem e de saúde.

IV - Desenvolver ações educativas com a equipe de enfermagem e de saúde, com base no


respeito à autonomia, saberes e experiências dos profissionais.

V - Considerar as características e especificidades dos profissionais da equipe de enfermagem


e saúde para escolha da opção pedagógica que norteará a ação educativa.

Resolução (5252474) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 155


VI - Elaborar projetos de desenvolvimento profissional, em parceria com a equipe de
enfermagem e saúde, com base nas necessidades identificadas, definição de objetivos, seleção de
metodologias e recursos pedagógicos, implementação e avaliação.

VII - Desenvolver ações que busquem o desenvolvimento da tecnologia e da inovação na


enfermagem bem como da educação permanente, nos diversos cenários de prática de ensino-
aprendizagem.

VIII - Atuar no processo de busca pela valorização da profissão, participando ativamente das
organizações políticas, culturais e científicas da Enfermagem e demais setores da sociedade.

IX - Reconhecer a enfermagem como trabalho e profissão historicamente determinada, com


identidade própria.

X - Compreender o trabalho da enfermagem, sua gênese e transformação, e os múltiplos


fatores que nela intervêm como produtos da ação humana.

XI - Desenvolver formação técnico-científica que confira qualidade ao exercício profissional,


assumindo a responsabilidade e compromisso com os processos de educação permanente para a equipe
e futuros profissionais.

Seção V

Da Investigação e Pesquisa em Enfermagem e Saúde

Art.17 - A área Investigação e Pesquisa em Enfermagem e Saúde deve direcionar a formação


da/o enfermeira/o para desenvolver ações investigativas com indivíduos, famílias e grupos sociais por
meio das competências a seguir apresentadas:

I - Desenvolver uma visão crítica da prática baseada em evidências e da realidade dos serviços
de saúde, entendendo-os como dispositivos importantes na condução de investigações e pesquisa em
enfermagem e saúde orientadas pela ética em pesquisa, a bioética, o diálogo e parceria enfermeira/o-
paciente.

Resolução (5252474) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 156


II - Propor, desenvolver e aplicar pesquisas e/ou outras formas de produção de conhecimento
que objetivem a valorização da prática profissional e o cuidado de enfermagem integral, seguro e de
qualidade na atenção à saúde.

III - Elaborar projetos e realizar pesquisas, em parceria com a equipe de enfermagem e saúde,
com base em necessidades e prioridades individuais e coletivas e princípios éticos.

IV - Realizar análise crítica de diferentes fontes, métodos e resultados, com vistas a avaliar
evidências e boas práticas de cuidado de enfermagem e saúde, gestão e gerenciamento e educação em
enfermagem e saúde.

V - Responder à necessidade de produção de novos conhecimentos em enfermagem, a partir


do diálogo inter profissional e pela apreensão crítica da prática, da produção científica e do
desenvolvimento tecnológico disponível.

Seção VI

Docência para a Educação Profissional Técnica de Nível Médio em Enfermagem

Art. 18 - A licenciatura em enfermagem é reconhecida como curso de graduação que integra


a formação da/o enfermeira/o licenciada/o, fundamentando-se nas legislações vigentes dos órgãos
competentes dirigidas à formação de professores da educação básica no Brasil.

Art. 19 - A licenciatura envolve a integração entre a formação generalista da/o enfermeira/o


e a formação para a docência em uma das modalidades de ensino da educação básica: a educação
profissional técnica de nível médio na enfermagem.

Art. 20 - A formação para a área de atuação docente na educação profissional técnica de


nível médio deve assegurar sólida base de conhecimentos que fundamentem a tomada de decisões:
ético-políticas e tecnicamente responsáveis, no contexto da formação dos trabalhadores técnicos de
nível médio em enfermagem, sendo possível a/ao enfermeira/o professora/r:

I - Reconhecer a educação, especificamente a educação profissional, como prática histórico-


social, relacionada à estrutura político-social, portanto, sempre envolvida com projeto societário.

Resolução (5252474) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 157


II - Conhecer e analisar criticamente as diretrizes políticas e legais que regem a educação
básica, em especial, a educação profissional, bem como as voltadas à formação do trabalhador técnico
de nível médio na área da saúde.

III - Contribuir para a formação de trabalhadores técnicos de nível médio, tendo em vista
dimensões ético-política, cultural, social, técnica e estética, comprometidos com o SUS.

IV - Implementar ações educativas, envolvendo conteúdos, métodos de ensino e avaliação


favoráveis à formação crítica e emancipadora dos trabalhadores técnicos de nível médio.

V - Utilizar diversos recursos e estratégias didático-pedagógicas favorecedores do processo


ensino-aprendizagem na formação dos trabalhadores técnicos de nível médio.

VI - Atuar na gestão de processos educativos e na organização e gestão de cursos técnicos


de enfermagem, favorecendo a construção dos processos de trabalho coletivos.

VII - Participar de instâncias propositoras e decisórias em relação às políticas de educação


profissional, implicando-se principalmente com as questões pertinentes à área da saúde e enfermagem.

VIII - Ter participação política, na busca de qualificar a docência na educação profissional,


considerando as relações e condições de trabalho.

IX - Realizar pesquisa e/ou aplicar resultados de investigações de interesse da área


educacional e específica.

Resolução (5252474) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 158


CAPÍTULO IV

DOS CONTEÚDOS CURRICULARES E PROJETO PEDAGÓGICO

Art. 21 - Os conteúdos essenciais para o Curso de Graduação em Enfermagem devem


estar fundamentados nas áreas de atuação apresentadas no Art. 12 desta Resolução, com
terminalidade em todos os níveis de atenção à saúde, com resolutividade em atendimento ao
indivíduo, à família, grupos e coletivos da vida em comunidade, em consonância com os
princípios do Sistema Único de Saúde, com vistas à integralidade e continuidade das ações do
cuidar, da gestão e gerenciamento, da educação e da pesquisa em enfermagem contemplando:

I - Ciências Biológicas e da Saúde – integram os conteúdos interdisciplinares, teóricos


e práticos, de bases moleculares e celulares dos processos normais e alterados, da estrutura e
função dos tecidos, órgãos, sistemas e aparelhos, bioquímicas, farmacológicas, parasitológicas
e microbiológicas, além de bases epidemiológicas, suporte básico e avançado de vida, saúde
mental, saúde ambiental/ecologia, práticas integrativas e complementares, aplicados às
situações de desequilíbrio das necessidades sociais em saúde e necessidades singulares da
pessoa ou coletivos decorrentes do processo saúde-doença no desenvolvimento da prática de
Enfermagem.

II - Ciências Humanas, Políticas e Sociais – incluem-se os conteúdos referentes às


diversas dimensões da relação indivíduo/coletividade, contribuindo para a compreensão crítica
dos determinantes socioculturais, políticos, antropológicos, históricos, filosóficos, espirituais,
comportamentais, psicológicos, ecológicos, éticos e legais, nos níveis individual e coletivo, que
impactam no equilíbrio das necessidades sociais em saúde e necessidades singulares da pessoa
ou coletivos do processo saúde-doença em seus múltiplos aspectos de determinação, ocorrência
e intervenção.

III - Ciências Exatas e Naturais – incluem-se conteúdos referentes a diversas ciências


exatas, como cálculos, conversão de medidas, planejamento de recursos humanos e materiais,
dimensionamento de pessoal. Inclui também conteúdos como matemática, estatística e

Resolução (5252474) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 159


informática aplicada à enfermagem que permitam a digitalização e o armazenamento de
dados textuais e numéricos, bem como registros em prontuários, análise e interpretação
estatística.

IV - Ciências da Enfermagem - neste tópico de estudo, incluem-se:

a) Fundamentos de Enfermagem: conteúdos teóricos, técnicos e metodológicos que


fundamentam a construção e aplicação dos instrumentos e tecnologias inerentes ao trabalho
da/o Enfermeira/o e da Enfermagem em nível individual e coletivo. Incluem as teorias e
concepções de enfermagem, a sistematização da assistência de enfermagem e o processo de
enfermagem, história da enfermagem, da saúde e o cuidado profissional.

b) Processo de cuidar em Enfermagem: conteúdos teóricos, teórico-práticos, práticos


e estágios desempenho clínico com base em evidências científicas, pensamento crítico e
raciocínio clínico que compõem a assistência de Enfermagem com equidade em nível
individual e coletivo prestada ao recém-nascido, à criança, ao adolescente, ao adulto, ao idoso,
à pessoa de grupos populacionais socialmente diversos (mulheres, LGBTI, população
negra, indígenas, ciganos), à pessoa com deficiência, incluindo a reabilitação da pessoa com
Transtorno do Espectro Autista (TEA) e à pessoa com transtorno mental.

c) Gestão e Gerenciamento em enfermagem e saúde: conteúdos teóricos, teórico-


práticos e práticos de administração, políticas de gestão e gerenciamento em saúde e
enfermagem, para o planejamento, organização, implementação, avaliação e administração do
processo de trabalho de enfermagem, prática de gestão de serviços de saúde e gerenciamento
do cuidado de enfermagem.

d) Educação em Saúde e Enfermagem: conteúdos pertinentes à formação


pedagógica do enfermeiro, independente da Licenciatura em Enfermagem, nos processos de
formação profissional, de participação social e de política profissional, educação
permanente, educação popular em saúde, tutoria e preceptoria.

Resolução (5252474) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 160


e) Investigação em saúde e enfermagem: conteúdos que estimulem o raciocínio
lógico e crítico sobre a produção científica da saúde e da enfermagem, da enfermagem baseada
em evidências, da ética e bioética em pesquisa que implica em defesa da vida e respeito à
dignidade humana, considerando as necessidades de saúde individuais e coletivas, as diversas
formas de saber, respondendo ao desenvolvimento científico, tecnológico e social, assim como
à divulgação do conhecimento para o exercício da enfermagem e melhoria da qualidade de
vida.

f) Temas transversais: conteúdos que envolvam conhecimentos, experiências e


reflexões acerca do cuidado inclusivo, tecnologias de informação e comunicação – TICs,
integralidade e humanização do cuidado, educação ambiental e sustentabilidade, ética
profissional fundamentada nos princípios da ética e bioética, valorização da vida,
epidemiologia, educação para as relações étnico-raciais, de gênero e de identidade de gênero,
acessibilidade, direitos humanos e cidadania, tomada de decisões, gestão da qualidade na
atenção à saúde e segurança do cuidado de enfermagem, trabalho em equipe, políticas de
enfermagem e saúde, sistemas globais, empreendedorismo, conhecimento de línguas
estrangeiras e de LIBRAS.

Art. 22 - Os conteúdos essenciais devem fortalecer a articulação entre educação e


trabalho em saúde, valorizando a assistência, a pesquisa e a extensão que propicia o
compartilhamento de experiências no contexto das práticas inter-relacionais essenciais ao
aprendizado de conhecimentos, habilidades e atitudes, assim como o estímulo às práticas de
estudos complementares, visando desenvolvimento de autonomia técnico-científica,
identidade e valorização profissional da/o enfermeira/o.

§1º Os conteúdos Transversais garantem uma formação pautada na integralidade,


interdisciplinaridade e interprofissionalidade, assim como os conhecimentos gerais e
específicos, técnico e das relações interpessoais.

§2º Nos cursos de formação do enfermeiro licenciado, tendo em vista a articulação


entre a formação da/o enfermeira/o, nas dimensões relativas ao cuidado individual e coletivo e
à gestão do cuidado e dos serviços de saúde, com a formação docente, para atuação na educação

Resolução (5252474) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 161


profissional técnica de nível médio, deverá ser prevista a inserção dos conhecimentos e das
atividades curriculares, especificamente dirigidas à formação docente, distribuídas ao longo do
curso.

Art. 23 - Os conteúdos curriculares a serem desenvolvidos na formação da/o


enfermeira/o devem ser exercidos, por meio de atividades teóricas, teórico-práticas, práticas,
estágios e Estágio Curricular Supervisionado (ECS), devendo conferir ao futuro enfermeiro
a capacidade profissional para atender às demandas e necessidades prevalentes e prioritárias da
população, conforme realidade epidemiológica da região e do país, em consonância com as
políticas públicas.

§1º - Compreende-se por atividade teórica toda a atividade educacional que trabalhe
conteúdos, podendo ser realizada em sala de aula e outros cenários, salas virtuais para o
desenvolvimento da cognição e condições psicoafetivas nas cinco áreas de atuação descritas no
Art.12. Incorpora a dimensão presencial e virtual do conteúdo teórico disponível na literatura
acadêmico-científica.

§2º Compreende-se por atividade prática toda a atividade educacional que desenvolva
habilidades técnicas presenciadas e experienciadas pelos estudantes na realidade (além de
simuladas), com expressão de comportamentos adquiridos em treinamentos ou instruções, com
planejamento e acompanhamento didático pelo docente, a ser realizada em laboratório,
envolvendo uma relação estudante/docente de, no máximo, 10/1 e, após e necessariamente,
em diversificados cenários, em instituições de saúde, envolvendo uma relação
estudante/docente de, no máximo, 6/1, com no mínimo 50% da carga horária total da
disciplina, não sendo substituídos por visitas técnicas e/ou outros dispositivos observacionais.

§3º Compreende-se por atividade teórico-prática toda atividade educacional que


articule conteúdos teóricos e práticos, podendo ser realizada em laboratórios de simulação
e ou de práticas de enfermagem, para o desenvolvimento de competências, habilidades e
atitudes, do pensamento crítico e raciocínio clínico, preferencialmente orientado por casos
e situações que reflitam a experiência do mundo do trabalho da enfermagem.

Resolução (5252474) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 162


§4º Compreende-se por estágio obrigatório o período durante o qual o estudante exerce
uma atividade com vista à sua formação ou aperfeiçoamento profissional, que compõe a matriz
curricular e é supervisionado por docentes enfermeiras/os do curso de graduação da Instituição
de Ensino Superior – IES, nos cenários do SUS, permitindo ao estudante conhecer e vivenciar
as políticas públicas de saúde em situações variadas de vida, de organização do sistema de saúde
vigente e do trabalho em equipe inter profissional e multidisciplinar.

Art. 24 - O Estágio Curricular Supervisionado é obrigatório na formação da/o


enfermeira/o nos dois últimos semestres, podendo se estender até três semestres do Curso de
Graduação em Enfermagem; não exclui ou substitui as atividades de outros estágios não
obrigatórios e as práticas supervisionadas desenvolvidas ao longo da formação da/o
enfermeira/o em cenários diversificados da rede de atenção à saúde da atenção básica,
ambulatorial e hospitalar.

Art. 25 - No planejamento e avaliação das atividades do ECS será assegurada efetiva


participação dos docentes, preceptores, bem como no acompanhamento e supervisão do
graduando.

Parágrafo Único - A preceptoria exercida por enfermeiros do serviço de saúde terá


supervisão compartilhada de docentes próprios da Instituição de Educação Superior - IES.

Art. 26 - A carga horária mínima do Estágio Curricular Supervisionado - ECS deverá


totalizar 30% (trinta por cento) da carga horária total do Curso de Graduação
Bacharelado em Enfermagem, assim distribuída: 50% na atenção básica e 50% na rede
hospitalar.

Parágrafo Único - A carga horária do ECS deve ser cumprida integralmente (100%),
sendo um dos requisitos para aprovação do estudante, não cabendo critérios estabelecidos nas
instituições, com base na Lei nº 11.788 de 25/09/2008 - Art.2º, §1º.

Art. 27 - A escolha dos cenários de práticas e estágios, entendidos como serviços de


saúde dos níveis primário, secundário, terciário e quaternário, estabelecimentos educacionais e

Resolução (5252474) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 163


equipamentos sociais nos quais se realizem intervenções de saúde, deve observar as condições
existentes que propiciem a formação considerando adequação ao Projeto Pedagógico de Curso,
a relação estudante/usuário do SUS, nos termos da Resolução do CNS, nº 350 de 9 de junho de
2005 e o atendimento aos princípios ético-legais da formação e atuação profissional, bem como
os que assegurem a inserção dos estudantes, em diferentes etapas da formação.

Art. 28 - O Projeto Pedagógico do Curso de Graduação em Enfermagem deve ser


criativo, inovador e flexível sendo construído, coletivamente com docentes, discentes,
profissionais do serviço, conselheiro de saúde, gestores e, sempre que possível com usuários,
tendo em vista as instituições de saúde, instituições de ensino, usuários e gestores do SUS,
garantindo:

I - Estudante como sujeito da aprendizagem, tendo o professor como facilitador e


mediador do processo ensino/aprendizagem, pautado na integralidade, na articulação educação
e trabalho e do ensino, pesquisa e extensão-assistência e do cuidado de si.

II - Formação do enfermeiro para o atendimento às necessidades sociais em saúde e


necessidades singulares da pessoa ou de coletivos, com ênfase no Sistema Único de Saúde, na
integralidade da atenção à saúde, na qualidade do cuidado de enfermagem e na humanização
do atendimento.

III - Adoção do arcabouço teórico do SUS, da Ética, da cultura, da Cidadania, da


Epidemiologia e do Processo Saúde-Doença na produção do Cuidado, respeitando-se a
realidade local e regional onde o curso está inserido, e da educação emancipadora.

IV - A lógica de conjuntos interdisciplinares, construção de novas metodologias,


incorporação de conceitos provenientes da pedagogia crítica, tais como a autonomia, a
emancipação e a problematização da realidade; formação integrada ao mundo do trabalho,
mecanismos de acompanhamento, inserção e participação de egressos no curso; modalidades
de avaliação formativa dos estudantes.

Resolução (5252474) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 164


V - Diversificação dos cenários de aprendizagem, metodologias ativas para o processo
ensino-aprendizagem, baseado em casos e situações-problema, educação orientada para
problemas relevantes da sociedade, flexibilidade e integralidade.

VI - Incorporação de estudantes e docentes no processo de ações e serviços, numa


articulação efetiva e dialética entre docentes, estudantes, profissionais e comunidades.

VII - Formação generalista instrumentalizando o profissional para atuar em contextos


diversificados, como forma de se contrapor à especialização precoce e visões parciais da
realidade.

VIII - Inovação das propostas pedagógicas, incluindo explicitação dos cenários de


prática e dos compromissos com a integralidade, a interprofissionalidade e a produção de
conhecimento socialmente relevante;

IX - Organização curricular inovadora na perspectiva da formação inter profissional


para o trabalho em equipe, com práticas de educação por métodos ativos e de educação
permanente, aceitação ativa as diversidades sociais, humanas, de gênero, raça/cor, etnia, classe
social, geração, deficiências e orientação sexual.

X - Construção de parceria e/ou com compromissos assumidos com os gestores


locais do SUS;

XI - Reconhecimento da realidade local, seus saberes e práticas com o


desenvolvimento de responsabilidades entre as instituições, estudantes, profissionais e a
comunidade;

XII - Explicitação do compromisso com o desenvolvimento social, urbano e rural, por


meio da oferta de atividades de extensão.

Art. 29 - O Projeto Pedagógico do Curso – PPC de Graduação em Enfermagem deverá


contemplar atividades complementares.

Resolução (5252474) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 165


§1º - As atividades complementares devem ter objetividade e propostas claras,
caracterizar-se pela diversidade, buscando mecanismos de aproveitamento de conhecimentos
adquiridos pelo estudante por meio de estudos e práticas presenciais, a saber: monitorias;
estágios não obrigatórios; programas/projetos de iniciação científica; programas/projetos de
extensão; estudos complementares e cursos realizados na área do conhecimento, participação
e/ou organização de eventos, participação em atividades políticas da profissão e do SUS, do
movimento estudantil, atividades culturais e desportivas, entre outras.

§2º - As atividades complementares devem possuir formas de aproveitamento, por


meio de um regulamento institucionalizado e conhecido do corpo docente e discente e não
devem ser confundidas com o estágio curricular supervisionado obrigatório nem com outros
estágios ou atividades de práticas curriculares supervisionadas.
§3º - As ações desenvolvidas como atividades complementares, com carga horária
prevista no PPC, devem contribuir com a área de formação e atuação profissional do bacharel
em Enfermagem.

§4º - As atividades complementares não deverão ultrapassar 5% da carga horária total


do curso proposto, buscando desenvolver as funções precípuas do enfermeiro (ensino, pesquisa,
extensão-assistência), atendendo-se à legislação específica vigente.

§ 5º - No aproveitamento das atividades complementares, há que se equilibrar a


carga horária considerada para as atividades de assistência, ensino, pesquisa e extensão.

CAPÍTULO V

DA ORGANIZAÇÃO DO CURSO

Art. 30 - A organização do Curso de Graduação em Enfermagem deverá ser definida


pelo respectivo colegiado, que indicará sua periodicidade e modalidade: seriada anual, seriada
semestral, sistema de créditos ou modular.

Resolução (5252474) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 166


Art. 31 - O Curso de Graduação em Enfermagem deverá constituir um Núcleo Docente
Estruturante, para fins de concepção, consolidação, avaliação, atualização e aprimoramento do
Projeto Pedagógico do Curso em conformidade com as bases legais.

Art. 32 - O Curso de Graduação em Enfermagem tem carga horária mínima de 4.000


(quatro mil) horas e duração mínima de 10 (dez) períodos letivos para sua integralização
curricular, conforme o disposto na Resolução CNE/CES Nº. 04, de 6 de abril de 2009,
desenvolvida na modalidade presencial.

§1º A coordenação do curso e o ensino dos conteúdos curriculares de


conhecimentos específicos da Enfermagem deverão ser exercidos, exclusivamente, por
docente enfermeira(o).

§2º Em caso de uso de recursos didáticos organizados em diferentes suportes


tecnológicos de informação que utilizem ferramentas tecnologias de informação e comunicação
(TICs), estas devem estar em conformidade, com os dispositivos normativo-legais em vigor.

§3º Os recursos tecnológicos da educação à distância ficam restritos a conteúdos


teóricos e ou disciplinas com carga horária teórica (disciplinas com temas transversais ou
eletivas), fica vedado incluir nas “disciplinas de caráter assistencial e de práticas que tratem do
cuidado/atenção em saúde individual e coletiva” em respeito aos dispositivos normativo-legais
em vigor.

Art. 33 - Os cursos de licenciatura, a partir de seus projetos político-pedagógicos,


poderão ser ministrados em parceria com Faculdades/Centros/Departamentos de Educação ou
somente pela Enfermagem, desde que asseguradas às condições adequadas em termos de corpo
docente qualificado para a especificidade desta formação. Em ambas as situações, a gestão
pedagógica democrática, com foco no trabalho coletivo será essencial para compor processos
formativos emancipadores. A carga horária seguirá a legislação vigente.

Resolução (5252474) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 167


Art. 34 - Para conclusão do Curso de Graduação em Enfermagem, o estudante deverá
elaborar um Trabalho de Conclusão de Curso, individual ou no máximo em dupla, sob
orientação de docente da IES.

Parágrafo Único - O Trabalho de Conclusão de Curso é obrigatório para a


integralização curricular e poderá ser apresentado na forma de relatório de pesquisa, cujo
projeto de pesquisa deve ser aprovado em Comitê de Ética em Pesquisa (CEP), artigo,
software, dentre outros considerados no processo avaliativo como contribuição para a formação
científica dos estudantes.

Art. 35 - A estrutura do Curso de Graduação em Enfermagem deverá assegurar:

I - A articulação entre assistência, ensino, pesquisa e extensão propiciando


aprendizagem significativa que leve à construção do perfil da/o enfermeira/o, estimulando a
produção/divulgação do conhecimento, considerando a evolução epistemológica dos modelos
do processo saúde-doença;

II - A extensão como parte integrante do currículo, figurando como forma de ampliar


a vivência e o aprendizado dos estudantes nos diversos cenários de prática, permitindo maior
relação e comprometimento com a realidade social e fortalecimento da articulação entre
educação e trabalho nos cenários do ensino-serviço-comunidade na atenção em saúde;

III – As atividades teóricas, teórico-práticas e a inserção nos cenários de prática,


permeando toda a formação da/o enfermeira/o, de forma integrada e interdisciplinar, organizada
em níveis de densidade tecnológica crescente, desde o início do curso;

IV - A valorização das dimensões éticas e humanísticas, desenvolvendo no estudante


atitudes e valores orientados para a cidadania e à solidariedade;

V - A visão de educar para a cidadania e a participação plena na sociedade;

Resolução (5252474) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 168


VI - Os princípios da autonomia institucional, de flexibilidade, integração estudo -
trabalho e pluralidade no currículo;

VII - A implementação de metodologias ativas de ensino-aprendizagem que


estimulem o estudante a refletir sobre a realidade social e aprenda a aprender;

VIII - A definição de estratégias pedagógicas que articulem o saber; o saber fazer e o


saber conviver, visando desenvolver o aprender a aprender, o aprender a ser, o aprender a fazer,
o aprender a viver juntos e o aprender a conhecer que constitui atributos indispensáveis à
formação do Enfermeiro;

IX - A adoção de abordagens inovadoras e conectadas com a realidade que estimulem


a aprendizagem significativa e o protagonismo do estudante na construção do seu processo de
aprendizagem;

X - As metodologias de ensino deverão ter como princípio a formação de uma


enfermeira/o proativa/o, crítica/o, numa perspectiva plural e de respeito às dimensões das
diversidades subjetivas, considerando o contexto histórico-social, político, jurídico, cultural e
ético;

XI - O estímulo às dinâmicas de trabalho em grupos, por favorecerem a discussão


coletiva e as relações interpessoais.

Art. 36 - Faz-se necessário o compromisso das Instituições de Ensino Superior na


criação de programas permanentes de formação e qualificação docente, por meio de uma
política de formação permanente.

CAPÍTULO VI

DO ACOMPANHAMENTO E AVALIAÇÃO

Resolução (5252474) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 169


Art. 37 - A implantação e desenvolvimento das DCN/ENF deverá ser acompanhada
e permanentemente avaliada, a fim de permitir os ajustes que se fizerem necessários ao seu
aperfeiçoamento.

§1º As avaliações dos estudantes deverão basear-se nos conhecimentos, habilidades,


atitudes, valores e especificidades do cenário relativo aos conteúdos curriculares desenvolvidos,
tendo como referência as DCN/ENF, por meio de diversificados dispositivos que possam
garantir a avaliação formativa da progressão do estudante, ao longo do curso, permitindo
acompanhar o desenvolvimento de competências e conquista de autonomia técnico-científica
no horizonte da formação.

§2º O Curso de Graduação em Enfermagem deverá utilizar metodologias e critérios


para acompanhamento e avaliação do processo ensino-aprendizagem e do próprio curso, em
consonância com o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior e com a dinâmica
curricular definida pela IES a qual pertence.

§3º Nas instituições de ensino superior em que se encontra o Curso de Graduação em


Enfermagem deverá constar um Programa de Formação e Desenvolvimento da Docência em
Saúde, com o objetivo de aprimorar o trabalho docente, no que tange às diferentes estratégias
de ensino para a integração dos conteúdos e sobre as competências e as ações do cuidar em
Enfermagem.

Art. 38 - Fica instituída a avaliação nacional seriada do estudante do curso de


graduação Bacharelado em Enfermagem, nos 5º e 8º períodos, com instrumentos e métodos
que avaliem conhecimentos, habilidades e atitudes, devendo ser implantada no prazo de dois
(dois) anos a contar da publicação desta Resolução, a ser executada pelo MEC/INEP, em
âmbito nacional.
Art. 39 - Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação, revogadas as
disposições em contrário.

Resolução (5252474) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 170


REFERÊNCIAS

Associação Brasileira de Enfermagem. Carta de Florianópolis, Congresso Brasileiro de


Enfermagem. 51, 1999. Anais. Florianópolis: ABEn, 1999.

BRASIL. Lei nº 7.498 de 25 de junho de 1986. Dispõe sobre a regulamentação do exercício da


enfermagem e dá outras providências. Diário Oficial da República Federativa do Brasil,
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______. Ministério da Saúde. Conselho Nacional de Saúde. Recomendação nº 024, de 10 de


julho de 2008. Brasília, DF. Recomenda ao Conselho Nacional de Educação a definição da
carga horária total mínima de 4.000 horas integralizadas em no mínimo 4 (quatro) anos para os
cursos de graduação da área da saúde que não se encontram contempladas no Parecer CES/CNE
n.º 08/2007 e Resolução CES/CNE nº 02/2007.

Resolução (5252474) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 172


______. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Câmara de Educação
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Único de Saúde (SUS), a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem. Diário
Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, DF, 27 de agosto de 2009.

______. Presidência da República. Casa Civil. Decreto nº 7.508, de 28 de junho de 2011.


Regulamenta a Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990, para dispor sobre a organização do
Sistema Único de Saúde - SUS, o planejamento da saúde, a assistência à saúde e a articulação
interfederativa, e dá outras providências. Brasília: 2011. Diário Oficial da União, Poder
Executivo, 29 de junho de 2011.

______ Portaria GM/MS nº 1.600, de 7 de julho de 2011. Reformula a Política Nacional de


Atenção às Urgências e institui a Rede de Atenção às Urgências no Sistema Único de Saúde
(SUS). Diário Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, DF, 8 de julho de 2011.

______. Portaria GM/MS nº 2.836, de 1 de dezembro de 2011. Institui, no âmbito do Sistema


Único de Saúde (SUS), a Política Nacional de Saúde Integral de Lésbicas, Gays, Bissexuais,
Travestis e Transexuais (Política Nacional de Saúde Integral LGBT). Diário Oficial da União,
Poder Executivo, Brasília, DF, 2 de dezembro de 2011.

______. Portaria GM/MS nº 793, de 24 de abril de 2012. Institui a Rede de Cuidados à Pessoa
com Deficiência no âmbito do Sistema Único de Saúde. Diário Oficial da União, Poder
Executivo, Brasília, DF, 25 de abril de 2012.

______. Presidência da República. Lei nº 12.764, de 27 de dezembro de 2012. Institui a Política


Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista; e altera o §
3o do art. 98 da Lei no 8.112, de 11 de dezembro de 1990. Diário Oficial da União, Poder
Executivo, Brasília, DF, 28 de dezembro de 2012.

Resolução (5252474) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 173


______. Portaria GM/MS nº 2.761, de 19 de novembro de 2013. Institui a Política Nacional de
Educação Popular em Saúde no âmbito do Sistema Único de Saúde (PNEPS-SUS). Diário
Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, DF, 20 de novembro de 2013.

______. Portaria GM/MS nº 529, de 1 de abril de 2013. Institui o Programa Nacional de


Segurança do Paciente (PNSP). Diário Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, DF, 2 de
abril de 2013.

______. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Câmara de Educação


Superior. Resolução nº 3, de 20 de junho de 2014. Institui Diretrizes Curriculares Nacionais do
Curso de Graduação em Medicina e dá outras providências. Diário Oficial da União, Poder
Executivo, Brasília, DF, 23 de junho de 2014.

______. Presidência da República. Lei nº 13.005, de 25 de junho de 2014. Aprova o Plano


Nacional de Educação - PNE e dá outras providências. Diário Oficial da União, Poder
Executivo, Brasília, DF, 26 de junho de 2014.

______. Portaria GM/MS nº 2.446, de 11 de novembro de 2014. Redefine a Política Nacional


de Promoção da Saúde (PNPS). Diário Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, DF, 13 de
novembro de 2014.
______. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações
Programáticas Estratégicas. Diretrizes de Atenção à Reabilitação da Pessoa com
Transtornos do Espectro do Autismo (TEA). Brasília: Ministério da Saúde, 2014.

______. Presidência da República. Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015. Institui a Lei Brasileira
de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência). Diário Oficial
da União, Poder Executivo, Brasília, DF, 7 de julho de 2015.

______. Portaria Interministerial nº 1.124, de 4 de agosto de 2015. Institui as diretrizes para a


celebração dos Contratos Organizativos de Ação Pública Ensino-Saúde (COAPES), para o
fortalecimento da integração entre ensino, serviços e comunidade no âmbito do Sistema Único
de Saúde (SUS). Diário Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, DF, 5 de agosto de 2015.

______. Ministério da Saúde. Conselho Nacional de Saúde. Resolução nº 507, de 16 de março


de 2016. Brasília, DF. Publica as propostas, diretrizes e moções aprovadas pelas Delegadas e

Resolução (5252474) SEI 25000.143053/2018-82 / pg. 174


Delegados na 15a Conferência Nacional de Saúde, com vistas a garantir-lhes ampla publicidade
até que seja consolidado o Relatório Final.

______. Presidência da República. Casa Civil. Decreto nº 8.754, de 10 de maio de 2016. Altera
o Decreto no 5.773, de 9 de maio de 2006, que dispõe sobre o exercício das funções de
regulação, supervisão e avaliação de instituições de educação superior e cursos superiores de
graduação e sequenciais no sistema federal de ensino. Brasília: 2016. Diário Oficial da União,
Poder Executivo, 11 de maio de 2016.

______. Ministério da Saúde. Conselho Nacional de Saúde. Resolução nº 515, de 7 de


outubro de 2016. Brasília, DF.

______. Presidência da República. Casa Civil. Decreto nº 9.057, de 25 de maio de 2017.


Regulamenta o art. 80 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes
e bases da educação nacional. Brasília: 2017. Diário Oficial da União, Poder Executivo, 26 de
maio de 2017.

______. Ministério da Saúde. Conselho Nacional de Saúde. Resolução nº 569, de 8 de


dezembro de 2017. Brasília, DF. Aprova o Parecer Técnico nº 300/2017, que apresenta
princípios gerais a serem incorporados nas DCN de todos os cursos de graduação da área da
saúde, como elementos norteadores para o desenvolvimento dos currículos e das atividades
didático-pedagógicas, e que deverão compor o perfil dos egressos desses cursos.
______. Ministério da Saúde. Plano Nacional de Saúde – PNS 2016 - 2019. Brasília, DF,
2016.

______. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Análise de


Situação de Saúde. Plano de ações estratégicas para o enfrentamento das doenças crônicas
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