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Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão

Secretaria de Recursos Humanos


Departamento de Normas e Procedimentos Judiciais
Coordenação-Geral de Elaboração, Sistematização e Aplicação das Normas

NOTA TÉCNICA No 513 /2011/CGNOR/ DENOP/SRH/MP

Assunto: Pagamento de Gratificação de Desempenho a servidor afastado para estudo no


exterior.

SUMÁRIO EXECUTIVO

1. Por meio do Ofício nº 345/2011, a Superintendência de Gestão de Recursos


Humanos da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis – SRH/ANP
solicita pronunciamento acerca do seguinte:

a) quanto à possibilidade de pagamento de Gratificação de Desempenho de Atividade


de Regulação - GDAR a servidor afastado para participar de pós graduação strictu
sensu no exterior, pelo período de 24 meses, a contar de 23/08/2011, com término
em 22/08/2013, e com ônus limitado;
b) definir se os termos “efetivo exercício” e “em exercício das atividades” têm a
mesma aplicação, ou se para fins de pagamento de gratificação, o termo em
exercício das atividades significa estar exercendo diariamente suas atividades do
cargo efetivo e, neste caso, qualquer licença, falta ou afastamento será deduzida do
período avaliativo.

ANÁLISE

2. Inicialmente, convém ressaltar que dos autos não se constata manifestação do


Ministério de Minas e Energia, órgão setorial do Sistema de Pessoal Civil da Administração
Federal – SIPEC, condição necessária para pronunciamento desta Secretaria de Recursos
Humanos como órgão central do SIPEC, conforme estabelece o § 2º do art. 5º do Decreto nº
67.326, de 05/10/1970.

3. Frise-se, ainda, que, de acordo com o Regimento Interno da Secretaria de


Recursos Humanos deste Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, publicado
mediante Portaria nº 370, de 26/08/2010, no inciso VII do art. 61 é estabelecido que, compete
a esta Coordenação-Geral de Elaboração, Sistematização e Aplicação das Normas
“manifestar-se em questões de aplicação da legislação relativa à administração de recursos
humanos, formuladas mediante consultas em tese e processos de interesse de servidor, após
manifestações do órgão setorial do SIPEC”.

4. Contudo, tendo em vista a especificidade do assunto, esta Coordenação-Geral


de Elaboração, Sistematização e Aplicação das Normas – CGNOR/MP, em caráter
excepcional, realizará análise acerca da matéria em comento, mesmo ausente a análise do
órgão setorial competente para tanto.

5. Ao analisar o pleito, a Superintendência de Gestão de Recursos Humanos da


ANP entendeu:

5. O art. 102 da referida Lei, define como efetivo exercício os afastamentos em


virtude de estudo no Exterior.
“Art. 102. além das ausências ao serviço previstas no art. 97 são considerados como
de efetivo exercício os afastamentos em virtude de:
(...)
VII – missão ou estudo no exterior, quando autorizado o afastamento, conforme
dispuser o regulamento;” (grifo nosso)
6. Contudo, o Decreto 7.133, de 19 de março de 2010 define que a gratificação de
atividade de regulação é devida quando o servidor estiver em exercício das atividades.
Art. 1º (...)
XLIII – Gratificação de Desempenho de Atividade de Regulação – GDAR, instituída
pela Lei nº 10.871, de 20 de maio de 2004, devida aos ocupantes dos cargos a que se
referem os incisos I a XVI, XIX e XX do art. 1º da mencionada Lei, quando em
exercício de atividades inerentes às atribuições do respectivo cargo nas Agências
Reguladoras (...) (grifo nosso)

7. O referido Decreto determina ainda que a avaliação de desempenho só terá efeitos


financeiros se o servidor tiver permanecido em exercício nas atividades por no
mínimo dois terços de um período completo de avaliação, prevendo que os servidores
em afastamentos considerados como de efetivo exercício , sem prejuízo da
remuneração e direito à percepção da gratificação de desempenho continuarão
recebendo a respectiva gratificação com base na última pontuação.
(...)
8. Ocorre que a possibilidade de haver diligências de interpretação aos conceitos de
“efetivo exercício” e “em exercício das atividades inerentes às atribuições do
respectivo cargo” presentes na legislação, e quanto à previsão legal de pagamento de
gratificação de desempenho para servidores em afastamento para estudo no exterior,

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suscita dúvidas no Âmbito desta Superintendência.

6. Inicialmente, convém colacionar o art. 1º do Decreto nº 91.800, de 1985, que


regulamentou os tipos de viagens ao exterior do pessoal civil da administração direta e
indireta, a serviço ou para aperfeiçoamento, in verbis:

Art. 1º - As viagens ao exterior do pessoal civil da administração direta e indireta, a


serviço ou com a finalidade de aperfeiçoamento, sem nomeação ou designação,
poderão ser de três tipos:
I - com ônus, quando implicarem direito a passagens e diárias, assegurados ao
servidor o vencimento ou salário e demais vantagens de cargo, função ou emprego;
Il - com ônus limitado, quando implicarem direito apenas ao vencimento ou
salário e demais vantagens do cargo, função ou emprego;
III - sem ônus, quando implicarem perda total do vencimento ou salário e demais
vantagens do cargo, função ou emprego, e não acarretarem qualquer despesa para a
Administração.
Parágrafo único - o disposto neste Decreto aplica-se, também, ao pessoal das
fundações criadas por lei federal e que recebam subvenção ou transferência de
recursos à conta do Orçamento da União. (destacamos)

7. No caso apresentado nos autos o servidor, ocupante do cargo efetivo de


Especialista em Regulação de Petróleo e Derivados, Álcool Combustível e Gás Natural,
viajou para estudo no exterior, com ônus limitado, ou seja, sem direito à passagens e diárias,
percebendo apenas os vencimento e demais vantagens do cargo.

8. Embora a GDAR seja uma vantagem do cargo, há que se observar as regras


para sua concessão ao servidor que não esteja no exercício das atribuições do cargo. Vejamos
o que dispõe a Lei nº 10.781, de 2004 e seu Anexo I, transcrito parcialmente, verbis:

LEI Nº 10.781, DE 2004

Art. 1o Ficam criados, para exercício exclusivo nas autarquias especiais denominadas
Agências Reguladoras, referidas no Anexo I desta Lei, e observados os respectivos
quantitativos, os cargos que compõem as carreiras de: Regulamento
(...)
V - Regulação e Fiscalização de Petróleo e Derivados, Álcool Combustível e Gás
Natural, composta de cargos de nível superior de Especialista em Regulação de
Petróleo e Derivados, Álcool Combustível e Gás Natural, com atribuições voltadas
às atividades especializadas de regulação, inspeção, fiscalização e controle da
prospecção petrolífera, da exploração, da comercialização e do uso de petróleo e
derivados, álcool combustível e gás natural, e da prestação de serviços públicos e
produção de combustíveis e de derivados do petróleo, álcool combustível e gás
natural, bem como à implementação de políticas e à realização de estudos e pesquisas

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respectivos a essas atividades;
(...)
Art. 16. Fica instituída a Gratificação de Desempenho de Atividade de Regulação
- GDAR, devida aos ocupantes dos cargos a que se referem os incisos I a XVI,
XIX e XX do art. 1o desta Lei, quando em exercício de atividades inerentes às
atribuições do respectivo cargo nas Agências Reguladoras referidas no Anexo I
desta Lei, observando-se a seguinte composição e limites: (Redação dada pela Lei
nº 11.292, de 2006)
(...)
Art. 18. O titular de cargo efetivo referido nos incisos I a XVI, XIX e XX do art.
1o desta Lei que não se encontre em exercício na entidade de lotação,
excepcionalmente, fará jus à GDAR nas seguintes situações: (Redação dada pela
Lei nº 11.292, de 2006)

I - requisitado pela Presidência ou Vice-Presidência da República ou nas


hipóteses de requisição previstas em lei, situação na qual perceberá a GDAR com
base nas regras aplicáveis como se estivesse em efetivo exercício no seu órgão de
lotação; e (Redação dada pela Lei nº 11.907, de 2009)

II - cedido para órgãos ou entidades da União distintos dos indicados no inciso I


do caput deste artigo e investido em cargos de Natureza Especial, de provimento
em comissão do Grupo-Direção e Assessoramento Superiores, DAS-6, DAS-5,
DAS-4 ou equivalentes, e perceberá a GDAR calculada com base no resultado da
avaliação institucional do período. (Redação dada pela Lei nº 11.907, de 2009)
Parágrafo único. A avaliação institucional referida no inciso II do caput deste artigo
será a da Agência Reguladora de lotação do servidor. (Incluído pela Lei nº 11.907, de
2009)
(...)
Art. 19-A. Em caso de afastamentos e licenças considerados como de efetivo
exercício, sem prejuízo da remuneração e com direito à percepção de gratificação
de desempenho, o servidor continuará percebendo a GDAR em valor
correspondente ao da última pontuação obtida, até que seja processada a sua
primeira avaliação após o retorno. (Incluído pela Lei nº 11.907, de 2009)

§ 1o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de cessão. (Incluído pela
Lei nº 11.907, de 2009)

9. Da leitura do dispositivo supra, tem-se que, o servidor que não esteja no


exercício das atribuições do seu cargo somente fará jus à percepção da GDAR quando
requisitado pela Presidência ou Vice-Presidência da República, ou se cedido para órgão ou
entidades da União, quando investido em cargos de Natureza Especial, de provimento em
comissão do Grupo-Direção e Assessoramento Superiores, DAS-6, DAS-5, DAS-4 ou
equivalentes.

10. Além dessas situações, fará jus à percepção da GDAR o servidor que estiver

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usufruindo licenças ou afastamentos considerados como de efetivo exercício, desde que sem
prejuízo da remuneração e da gratificação de desempenho. Na situação em análise, o servidor
está afastado para estudo no exterior o que, da leitura do art. 102 da Lei nº 8.112, de 1990, é
considerado como de efetivo exercício, in verbis:

Art. 102. Além das ausências ao serviço previstas no art. 97, são considerados como
de efetivo exercício os afastamentos em virtude de:
(...)
VII - missão ou estudo no exterior, quando autorizado o afastamento, conforme
dispuser o regulamento; (Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)

11. Assim, em se tratando de afastamento para estudo no exterior, com ônus


limitado, e desde que o afastamento a que o servidor esteja submetido, conste daqueles
considerados como de efetivo exercício, será permitido o pagamento da GDAR. Observe-se,
no entanto, que em razão de o servidor não ser avaliado enquanto perdure o afastamento, a
GDAR será paga no mesmo percentual alcançado por ocasião da última avaliação de
desempenho, até que seja cumprido novo período avaliativo após seu retorno.

12. Quanto ao segundo questionamento sobre a definição de “exercício do cargo” e


“efetivo exercício” cabe transcrever o que determina o art. 15 da Lei nº 8.112, de 1990, bem
como o art. 16, da Lei nº 10.781, de 2004:

Lei 8.112, de 11 de dezembro de 1990

Art. 15. Exercício é o efetivo desempenho das atribuições do cargo público ou da


função de confiança. (Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97).

Lei nº 10.871, de 20 de maio de 2004:


Art. 16. Fica instituída a Gratificação de Desempenho de Atividade de Regulação -
GDAR, devida aos ocupantes dos cargos a que se referem os incisos I a XVI, XIX e
XX do art. 1º desta Lei, quando em exercício de atividades inerentes às atribuições do
respectivo cargo nas Agências Reguladoras referidas no Anexo I desta Lei,
observando-se a seguinte composição e limites: (Redação dada pela Lei nº 11.292, de
2006)

13. Assim, o legislador delimitou que o exercício é o efetivo desempenho das


atribuições do cargo, critério utilizado não só para aqueles que estão investidos em um cargo
público, mas também para aqueles que exercem uma função de confiança.

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14. No que se refere ao “exercício das atividades” dispostas no art. 16 da Lei nº
10.871, de 2004, entende-se que o propósito do legislador foi regular o critério da concessão
da GDAR, uma vez que não condicionou o deferimento da gratificação ao caso único de
“exercício do cargo efetivo”, uma vez que acresceu o requisito “em exercício de atividades
inerentes às atribuições do respectivo cargo”, isto é, desde que no exercício real, efetivo e
concreto das atividades inerentes às atribuições do respectivo cargo nas Agências
Reguladoras, condição necessária para a avaliação de desempenho, com vistas ao pagamento
da GDAR.

15. Com efeito, para a percepção da GDAR pressupõe-se que o servidor esteja
necessariamente no efetivo exercício do cargo. Assim sendo, torna-se indispensável que
atividades inerentes às atribuições do respectivo cargo ocorra nas condições normais de tempo
(frequência) e lugar (entidade de lotação) em que tais atividades deverão ser prestadas nas
Agências Reguladoras.

16. Todavia, o normativo legal permitiu ao servidor que não se encontre em


exercício na entidade de lotação, a continuidade da percepção da referida gratificação quando
requisitado pela Presidência ou Vice-Presidência da República, ou se cedido para órgão ou
entidades da União, quando investido em cargos de Natureza Especial, de provimento em
comissão do Grupo-Direção e Assessoramento Superiores, DAS-6, DAS-5, DAS-4 ou
equivalentes, bem como nos casos específicos de afastamentos considerados como de efetivo
exercício, hipótese em que o pagamento da GDAR se dará em valor correspondente ao da
última pontuação obtida.

17. Destarte, a despeito de serem considerados como de efetivo exercício os


afastamentos previstos no art. 102 da Lei nº 8.112, de 1990, esses não se confundem com as
concretas atividades funcionais, que decorrem, em sua inteireza da execução plena do
trabalho laboral pelo servidor.

18. Para melhor deslinde do assunto quanto ao período avaliativo nos casos de
licença, falta ou afastamento, cabe observar o que dispõe o Decreto nº 7.133, de 2010:

Art. 2º Para efeito de aplicação do disposto neste Decreto, ficam definidos os

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seguintes termos:
(...)
IV - ciclo de avaliação: período de doze meses considerado para realização da
avaliação de desempenho individual e institucional, com vistas a aferir o desempenho
dos servidores alcançados pelo art. 1º e do órgão ou da entidade em que se encontrem
em exercício; e
(...)
Art. 11. A avaliação de desempenho individual somente produzirá efeitos financeiros
se o servidor tiver permanecido em exercício nas atividades relacionadas ao plano de
trabalho a que se refere o art. 6º, por, no mínimo, dois terços de um período completo
de avaliação.
(...)
Art. 16. Em caso de afastamentos e licenças considerados pela Lei no 8.112, de 1990,
como de efetivo exercício, sem prejuízo da remuneração e com direito à percepção da
gratificação de desempenho, o servidor continuará percebendo a respectiva
gratificação correspondente à última pontuação obtida, até que seja processada a sua
primeira avaliação após o retorno.

19. Dessa maneira, em regra, os servidores terão que cumprir o interstício mínimo
exigido no art. 11 do Decreto nº 7.133, de 2010. Assim, somente farão jus a serem avaliados
com vistas à percepção dos efeitos financeiros da gratificação de desempenho, os servidores
que cumpram, no mínimo, 2/3 (dois terços) de um período completo de avaliação.

20. Nesse sentido, os servidores licenciados ou afastados, nos termos do art. 102,
da Lei 8.112, de 1990, que não cumpram no mínimo, 2/3 (dois terços) de um período
completo de avaliação, continuarão percebendo a gratificação em valor correspondente ao da
última pontuação obtida, até que seja processada a sua primeira avaliação após o retorno.

21. Destaque-se que o ciclo de avaliação compreende um período de doze meses


considerado para realização da avaliação de desempenho individual e institucional, tempo
necessário para aferição do alcance das metas estabelecidas na busca de melhores índices de
produtividade nos vários níveis da organização – institucional, de equipes e individual.

22. Partindo desse contexto, os interstícios em que o servidor estiver afastado ou


licenciado não serão computados no ciclo completo de avaliação, para fins de efeitos
financeiros do pagamento da gratificação de desempenho, uma vez que esse período (2/3) é
considerado mínimo para mensurar se o servidor está se desenvolvendo adequadamente para
o alcance dos objetivos da instituição, sendo a aplicação dos métodos de avaliação utilizados

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subsidiariamente para pagamento de gratificação que tenha por base o desempenho.

23. No entanto, para fins de pagamento da GDAR, a definição dos termos “efetivo
exercício” e “em exercício das atividades” torna-se irrelevante, uma vez que o art. 18 da Lei
nº 10.781, de 2004, excetuou as situações em que a gratificação seria paga ao servidor que
não estivesse no efetivo exercício das atribuições do seu cargo.

CONCLUSÃO

24. Posto o raciocínio acima, sugere-se o envio dos autos ao Ministério de Minas e
Energia, para conhecimento e ampla divulgação deste expediente entre os órgãos seccionais
que lhes são vinculados, bem como ciência e posterior encaminhamento dos autos à
Superintendência de Gestão de Recursos Humanos da Agência Nacional do Petróleo, Gás
Natural e Biocombustíveis – SRH/ANP.
À consideração superior.
Brasília, 8 de dezembro de 2011

CLEONICE SOUSA DE OLIVEIRA MÁRCIA ALVES DE ASSIS


Técnica da DILAF Chefe de Divisão

De acordo. À consideração superior.

Brasília, 08 de dezembro de 2011

ANA CRISTINA SÁ TELES D’AVILA


Coordenadora-Geral de Elaboração, Sistematização e
Aplicação das Normas - Substituta

Aprovo. Encaminhe-se ao Ministério de Minas e Energia, conforme proposto.

Brasília, 08 de dezembro de 2011

VALÉRIA PORTO
Diretora do Departamento de Normas e Procedimentos Judiciais

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