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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RECÔNCAVO DA BAHIA


CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS, AMBIENTAIS E BIOLÓGICAS

ÁGUAS SALOBRAS E FREQUÊNCIAS DE IRRIGAÇÃO NA


PRODUÇÃO HIDROPÔNICA DO COENTRO

ITAMAR DE SOUZA OLIVEIRA

CRUZ DAS ALMAS – BA


MAIO DE 2015
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ÁGUAS SALOBRAS E FREQUÊNCIAS DE IRRIGAÇÃO NA


PRODUÇÃO HIDROPÔNICA DO COENTRO

ITAMAR DE SOUZA OLIVEIRA

Trabalho de conclusão de curso submetido ao


Colegiado de Graduação de Agronomia do Centro de
Ciências Agrárias, Ambientais e Biológicas da
Universidade Federal do Recôncavo da Bahia como
requisito parcial para obtenção do título de Engenheiro
Agrônomo.

Orientador: Prof. Dr. Tales Miler Soares


UFRB - CCAAB

CRUZ DAS ALMAS – BA


MAIO DE 2015
FICHA CATALOGRÁFICA

Ficha elaborada pela Biblioteca Universitária de Cruz das Almas – UFRB.


UNIVERSIDADE FEDERAL DO RECÔNCAVO DA BAHIA
CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS, AMBIENTAIS E BIOLÓGICAS

COMISSÃO EXAMINADORA DA DEFESA DE TRABALHO DE


CONCLUSÃO DE CURSO

ITAMAR DE SOUZA OLIVEIRA

Monografia aprovada em 14/05/2015

Prof. Dr. Tales Miler Soares


UFRB – CCAAB
(Orientador)

Prof. Dr. Lucas Melo Vellame


UFRB – CCAAB

Dra. Karoline Santos Gonçalves


UFRB – CCAAB

CRUZ DAS ALMAS – BA


MAIO DE 2015
DEDICATÓRIA

Dedico este trabalho ao meu Pai Manoel da Silva Oliveira (in memoriam) e minha
Mãe Marileide de Souza Oliveira.

Meus irmãos Maria Itamires de Souza Oliveira, Michele de Souza Oliveira e


Wallas de Souza Oliveira.

À minha namorada Geocassia de Oliveira Santana, pelo apoio em todo esse


período.
AGRADECIMENTOS

Agradeço a Deus por sempre me dar força e determinação na busca dos


meus objetivos.

Ao Professor Dr. Tales Miler Soares pela orientação, contribuições e


incentivo para realização desse trabalho.

Ao doutorando do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Agrícola,


Mairton Gomes da Silva, por todos os ensinamentos e contribuições para
execução desse trabalho.

Ao PET Agronomia pela soma de conhecimentos e as contribuições para


minha vida profissional.

Aos amigos de convivência da republica Engenharia pela companhia nessa


jornada.

A todos os amigos, professores e funcionários da UFRB.


SUMÁRIO
LISTA DE FIGURAS ............................................................................................... i
LISTA DE TABELAS ............................................................................................. iii
RESUMO: ............................................................................................................. iv
1. INTRODUÇÃO ................................................................................................ 1
2. REVISÃO DE LITERATURA............................................................................ 3
2.1. O coentro .................................................................................................. 3

2.2. Recursos hídricos e hidroponia ................................................................. 4

2.3. Efeito da salinidade sobre as plantas ........................................................ 6

2.4. Águas salobras ......................................................................................... 6

2.4.1. Caracterização das águas .....................................................................................6


2.4.2. Uso de águas de qualidade inferior na produção agrícola ................................7
3. MATERIAL E MÉTODOS ................................................................................ 9
3.1. Localização e descrição do ambiente experimental .................................. 9

3.2. Estrutura e funcionamento do sistema .................................................... 10

3.3. Manejo da solução nutritiva ..................................................................... 11

3.4. Delineamento experimental ..................................................................... 11

3.5. Condução da cultura do coentro ............................................................. 12

3.6. Variáveis avaliadas ................................................................................. 13

3.7. Consumo hídrico e eficiência do uso da água ......................................... 13

3.8. Análise estatística ................................................................................... 14

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO ..................................................................... 15


4.1. Condutividade elétrica e pH da solução nutritiva ..................................... 15

4.2. Aspectos qualitativos das plantas do coentro .......................................... 17

4.3. Produção de massa de matéria fresca da parte aérea ............................ 18

4.4. Consumo hídrico ..................................................................................... 25

4.5. Eficiência do uso da água ....................................................................... 28

5. CONCLUSÕES ............................................................................................. 31
6. REFRERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................ 32
i

LISTA DE FIGURAS

Figura 1. Temperatura do ar externa a casa de vegetação ao longo do ciclo de


cultivo do coentro hidropônico, de 1 aos 22 dias após o transplantio (DAT). .......... 9

Figura 2. Estrutura hidropônica (A) e disposição dos perfis hidropônicos (B). ..... 10

Figura 3. Conjunto de temporizadores e disjuntores usados para distribuição da


energia elétrica e controle das frequências de recirculação da solução nutritiva. . 11

Figura 4. Semeadura do coentro (A) e irrigação diária (B)................................... 13

Figura 5. Condutividade elétrica e taxa de salinização da solução nutritiva ao


longo do ciclo de cultivo do coentro hidropônico, com o uso das frequências de
0,25 h (A, C) e 2 h (B, D)...................................................................................... 16

Figura 6. Monitoramento do pH da solução nutritiva em função da condutividade


elétrica da água ao longo do ciclo de cultivo do coentro hidropônico, nas
frequências 0,25 h (A) e de 2 h (B). ..................................................................... 17

Figura 7. Aspecto geral das plantas de coentro cv. Verdão em sistema


hidropônico DFT em função da condutividade elétrica da água CEa e das
frequências de recirculação da solução nutritiva de 0,25 h (A) e 2 h (B), aos 25
DAT. .................................................................................................................... 18

Figura 8. Massa de matéria fresca da parte aérea no maço de plantas do coentro


hidropônico, em função da condutividade elétrica da água (CEa), aos 10 e 15 dias
após o transplantio (DAT). ................................................................................... 20

Figura 9. Efeito da interação entre condutividade elétrica da água (CEa) e


frequências de recirculação da solução nutritiva para massa de matéria fresca do
maço de plantas (MFPAmaço) do coentro hidropônico, aos 20 dias após o
transplantio (DAT). ............................................................................................... 20

Figura 10. Efeito das frequências de recirculação da solução nutritiva (FR) e


condutividade elétrica da água (CEa) sobre a MFPAmaço de plantas do coentro
hidropônico, aos 20 dias após o transplantio (DAT). ............................................ 21

Figura 11. Médias das massas de matéria fresca do maço (MFPAmaço) de plantas
do coentro hidropônico em função da posição das plantas nos perfis hidropônicos,
aos 10,15 e 20 dias após o transplantio (DAT)..................................................... 23
ii

Figura 12. Médias da massa de matéria fresca do maço de plantas (MFPA maço) do
coentro hidropônico em função das frequências de recirculação da solução
nutritiva, aos 10, 15 e 25 dias após o transplantio (DAT). .................................... 24

Figura 13. Desdobramento do efeito da condutividade elétrica da água dentro das


posições inicial, intermediária e final dos canais para o cultivo do coentro
hidropônico, aos 25 dias após o transplantio (DAT). ............................................ 24

Figura 14. Desdobramento do efeito das posições inicial, intermediária e final dos
canais de cultivo dentro da condutividade elétrica da água no cultivo do coentro
hidropônico, aos 25 dias após o transplantio (DAT). ............................................ 25

Figura 15. Consumo hídrico (CH) acumulado por período do coentro hidropônico
em função da condutividade elétrica da água, dos 2-10, 11-15, 16-20, 21-24 e dos
2-24 dias após o transplantio (DAT). .................................................................... 27

Figura 16. Médias do consumo hídrico diário do coentro hidropônico em função


das frequências de recirculação da solução nutritiva, no período dos 2-10, 11-15,
16-20, 21-24 e dos 2-24 dias após o transplantio (DAT). ..................................... 28

Figura 17. Eficiência do uso da água com base na massa de matéria fresca da
parte aérea do maço de plantas (EUAMFPA) do coentro hidropônico, em função da
condutividade elétrica da água (CEa), aos 10, 15, 20 e 25 dias após o transplantio
(DAT). .................................................................................................................. 30
iii

LISTA DE TABELAS

Tabela 1. Resumos das análises de variância para massa de materia fresca da


parte aérea (MFPAmaço) do coentro hidropônico, em função da condutividade
elétrica da água (CEa), frequências de recirculação da solução nutritiva (FR) e
posições das plantas nos perfis hidropônicos (PPH), aos 10, 15, 20 e 25 dias após
o transplantio (DAT) ............................................................................................. 19

Tabela 2. Resumos da análise de variância para o consumo hídrico do coentro


hidropônico em função da condutividade elétrica da água (CEa) e das frequências
de recirculação da solução nutritiva (FR), nos períodos dos 2-10, 11-15, 16-20,
21-24 e dos 2-24 dias após o transplantio (DAT) ................................................. 26

Tabela 3. Resumo das análises de variância para a eficiência do uso da água


com base na massa de matéria fresca da parte aérea do maço de plantas
(EUAMFPA) do coentro hidropônico, em função da condutividade elétrica da água
(CEa) e das frequências de recirculação da solução nutritiva (FR), aos 10, 15, 20
e 25 dias após o transplantio (DAT) ..................................................................... 29
iv

ÁGUAS SALOBRAS E FREQUÊNCIAS DE IRRIGAÇÃO NA PRODUÇÃO


HIDROPÔNICA DO COENTRO

RESUMO: O presente trabalho tem como objetivo avaliar o cultivo do coentro em


sistema hidropônico adaptado DFT (Técnica de fluxo profundo) com diferentes
níveis de salinidade da água e frequências de recirculação da solução nutritiva. O
delineamento experimental foi em blocos casualizados com cinco repetições, em
esquema fatorial 2x4 e em parcela subdividida, adotando nas parcelas o uso de
águas salobras (0,26; 2,47; 4,91 e 7,0 dS m-1) e frequências de recirculação de
solução nutritiva (em intervalos de 0,25 e 2 h) com duração de 15 min cada
evento de recirculação, e nas subparcelas avaliou-se a posição das plantas nos
canais de cultivo (posição inicial, intermediária e final). Aos 10, 15, 20 e 25 dias
após o transplantio (DAT) foram realizadas colheitas para a obtenção da massa
de matéria fresca da parte aérea do maço de plantas (MFPAmaço). Determinou-se
o consumo hídrico para os períodos dos 2-10; 11-15; 16-20; 21-24 e dos 2-24
DAT. Ainda determinou-se a eficiência do uso da água com base nas massas de
matéria fresca (EUAMFPA) da parte aérea do maço de plantas. As frequências de
recirculação da solução influenciaram (p<0,05) a MFPAmaço apenas ao 10 DAT,
sendo que a frequência de 2 h apresentou uma redução de 8,38% em relação a
frequência de 0,25 h. Aos 10, 15 e 20 DAT as posições das plantas nos canais de
cultivo promoveram diferenças sobre a MFPAmaço, sendo os maiores obtidos na
posição intermediária. Aos 20 DAT houve interação das águas salobras com
frequências e aos 25 DAT das águas com a posição das plantas nos canais de
cultivo. Para produzir um maço de 12 plantas de coentro no período 2-24 DAT,
gastou-se em média 0,892 L com água doce (0,26 dS m-1), com redução da
ordem de 40% para o maior nível de salinidade da água (7,0 dS m-1). As
frequências de recirculação da solução nutritiva não influenciaram sobre o
consumo hídrico dos 2-24 DAT. Não foi observado sintomas de toxidez ou
deficiência mineral que pudessem ser atribuídos à salinidade da água ou à falta
de oxigenação da solução nutritiva.

PALAVRAS-CHAVE: Hidroponia, salinidade, consumo hídrico.


v

BRACKISH WATERS AND IRRIGATION FREQUENCY IN CORIANDER


HYDROPONIC CULTIVATION

ABSTRACT: This study aims to evaluate the coriander cultivation in an adapted


DFT hydroponic system (deep flow technique) with different levels of water salinity
water and recirculation frequency of nutrient solution. The experimental design
was randomized blocks with five replications in a 2x4 factorial and split plot:
electrivel condutctivity level of water (0.26; 2.47; 4.91 and 7.0 dS m-1) and nutrient
solution recirculation frequencies (at intervals of 0.25 to 2 hours) with duration of
15 min each recirculation event; and positions of the plants in cultivation channels
(starting position, intermediate and final) as the apleit-plant factor. At 10, 15, 20
and 25 days after transplanting (DAT) samples were collected to obtain the fresh
mess of shoot (sheaf) (FMS sheaf). It was determined the water consumption a
periods: 2-10; 11-15; 16-20; 21-24 and 2-24 DAT. Efficiency of water use was
determinated based on the values of fresh man of shoot sheaf (EUAFMS). The
recirculation frequency of nutrient solution was singnificient for FMS sheaf only at
10 DAT. The frequency of 2 h decreased FMS 8.38% irrelation 0.25 h. At 10, 15
and 20 DAT the positions of plants in cultivation channels promoted differences on
FMSsheaf, with higher vdues obtaioned in the intermediate position. At 20 DAT
there was interaction of brackish water with frequencies; and at 25 DAT to the
position of plants in cultivation channels. To produce a sheaf of 12 Coriander
plants in 2-24 DAT period, it was used 0,892 L with fresh water (0.26 dS m-1);
reduction of 40% was registered for the highest level of salinity water (7.0 dS m-1).
Frequencies recirculation of nutrient solution did not affect on water consumption
of 2-24 DAT. There was no signs of toxicity or mineral deficiency that could be
attributed to salinity or lack of oxygenation of the nutrient solution.

KEYWORDS: hydroponics, salinity, water consumption.


1

1. INTRODUÇÃO

A procura de hortaliças tem aumentado significativamente e é justificada


pelo aumento da população e pela atual tendência de mudança no hábito
alimentar do consumidor. Ao mesmo tempo em que amplia mais o mercado para
a comercialização de hortaliças, o consumidor também torna-se mais exigente na
escolha do produto. Isso tem mostrado que quantidade e qualidade deverão estar
juntos em todo processo produtivo.
A redução dos recursos hídricos já é uma realidade em muitas regiões do
Brasil e principalmente na Região Semiárida. De acordo com Alves et al. (2011),
algumas pesquisas recentes têm sugerido a técnica da hidroponia como uma
alternativa para comunidades isoladas do Semiárido, onde a escassez de água
doce torna-se um problema ainda mais dramático. Segundo Jesus Filho (2000),
inúmeras são as vantagens elencadas deste sistema sobre o cultivo no solo,
como o melhor aproveitamento dos fertilizantes, antecipação da colheita, produtos
com elevado valor nutritivo e redução dos custos operacionais de cultivo. Para
Alves et al. (2011), a hidroponia amplifica a vantagem da irrigação localizada, no
que diz respeito ao menor efeito da salinidade sobre as plantas, reduzindo ainda
os riscos ambientais associados ao acúmulo de sais no ambiente.
Nos últimos anos o cultivo hidropônico de plantas e diversas técnicas de
cultivo sem solo têm sido desenvolvidas e utilizadas no Brasil, sendo a principal
delas o fluxo laminar de nutrientes (NFT) (FAQUIM; FURLANI, 1999). Esse
sistema é caracterizado pela alta frequência de recirculação da solução nutritiva e
com isso aumenta os custos de produção pela maior demanda de energia.
O sistema DFT (técnica do fluxo profundo) é outro sistema de potencial
comercialização. Nesse sistema, a solução nutritiva forma uma lamina profunda (5
a 20 cm) na qual as raízes das plantas ficam submersas continuamente na
solução (FURLANI et al., 1999). Esse contato permanente com a solução pode
constituir um impedimento à oxigenação das raízes, o que pode reduzir a
produção (SILVA, 2014). Por esse motivo, a hidroponia DFT além de requerer
sistemas de aeração da solução, ainda deve-se determinar a frequência de
irrigação mais adequada para cada cultura (FAGAN et al., 2006a; BARNABÉ et
al., 2009; SANTOS et al., 2011).
2

De acordo com Silva (2014), é estratégico investir na cultura do coentro em


hidroponia DFT com uso de água salobra, visto que, mesmo sendo o coentro uma
cultura de destaque comercial, são poucos os estudos que visam melhorar as
técnicas de cultivo. Além disso, o cultivo em sistema DFT associado à baixa
frequência de recirculação da solução nutritiva, poderá trazer menor custo de
produção ao produtor hidropônico em relação ao cultivo NFT com alta frequência
de recirculação da solução.
Em hidroponia DFT ainda são poucos os estudos com a cultura do coentro,
principalmente para a resposta de produção com utilização de águas salobras,
frequências de recirculação da solução nutritiva e posições das plantas no perfil
hidropônico.
O fator posição das plantas nos perfis de cultivo merece uma atenção nas
pesquisas em hidroponia, pois alguns trabalhos de pesquisas e observações em
campo têm mostrado que gradientes de produção podem ocorrer ao longo do
perfil de cultivo. Portanto, pesquisas precisam ser feitas para identificar as causas
e apresentar possíveis soluções para se obter produção mais uniforme.
Diante do exposto, o presente trabalho objetivou avaliar a produção e o
consumo hídrico do coentro cultivado sob condições hidropônicas com diferentes
níveis de salinidade da água e duas frequências de recirculação da solução
nutritiva, bem como avaliar o gradiente de produção para as posições nos perfis
de cultivo e monitorar o padrão de salinização e de alcalinização da solução
nutritiva.
3

2. REVISÃO DE LITERATURA

2.1. O coentro

O coentro (Coriandrum sativum L.) é nativo da Ásia ocidental, região leste do


Mediterrâneo e sul da Europa (CHARLES, 2013). Hoje é cultivado em diversos
países, dentre eles a Argentina, Brasil, Egito, Espanha, Estados Unidos, França,
Holanda, Índia, Itália, Marrocos, México, Paquistão, Romênia e Turquia
(CHARLES, 2013). É uma cultura típica de clima quente, com relativa intolerância
a baixas temperaturas, sendo seu desenvolvimento máximo alcançado em
regiões com temperatura média de 20°C e elevada intensidade luminosa
(DONEGÁ, 2009).
No Brasil, as variedades mais cultivadas são as Verdão, Palmeira,
Americano Gigante, Português, Tabocas e Tapacurá. Estas são classificadas em
precoces (Verdão, Palmeira e Tabocas) e tardias (Americano, Gigante, Português
e Tapacurá). As variedades precoces se desenvolvem bem em clima tropical e
tem fase vegetativa entre 30-45 dias e as tardias são mais adaptadas ao clima
subtropical/temperado e apresenta fase vegetativa entre 50-60 dias (MARI, 2009).
Embora a principal utilização do coentro seja culinária, outras finalidades
menos conhecidas são dadas a planta: cosméticas e farmacêuticas. Na culinária,
é amplamente utilizado como condimento em diversos países (CHARLES, 2013).
No Brasil, especialmente nas regiões Norte e Nordeste são usados como tempero
na culinária, sendo as folhas frescas aplicadas no preparo de comidas em geral e
as sementes utilizadas no processamento de carnes defumadas, doces, pães,
picles e licores (MELO et al., 2009). Em países europeus é comum o uso de suas
folhas como tempero no preparo de linguiças, molhos, ensopados e sopas. Na
Índia, as folhas frescas, as sementes e o óleo são utilizados em produtos de
panificação, doces, sobremesas, bebidas, aves, carnes e peixes. Nos Estados
Unidos, as sementes e o óleo são também utilizados em cachorros-quentes,
pimentas, bolinhos, ensopados e sobremesas (CHARLES, 2013).
4

2.2. Recursos hídricos e hidroponia

Devido às condições climáticas da Região Nordeste, o coentro é muitas


vezes cultivado com o uso de irrigação, e a água utilizada é proveniente de
pequenas fontes tais como poços e açudes pequenos, que podem apresentar
concentrações elevadas de sais (MEDEIROS et al., 1998).
A depleção quantitativa e qualitativa dos recursos hídricos nos últimos anos
tem conduzido à busca de técnicas para uso mais eficiente da água e também
para o aproveitamento racional de águas consideradas de qualidade inferior
(ALVES et al., 2011).
Pelas dificuldades técnicas e orçamentárias de se recalcar águas
superficiais até as comunidades difusas no território do Semiárido, as águas
subterrâneas são uma opção razoável. No entanto, em função das características
climáticas e geológicas no semiárido essas águas são frequentemente salobras e
exploradas em vazões menores que 4 m-3 h-1 (AUDRY; SUASSUNA, 1995;
COSTA et al., 2006), dificultando a irrigação convencional
No cenário atual, a abertura de novas fronteiras agrícolas não é viável
devido ao desmatamento e a preocupação com o meio ambiente. Assim, é cada
vez mais necessário aumentar a produtividade de diferentes espécies de plantas
por meio de técnicas como a hidroponia, que garante a preservação dos recursos
naturais como água e o solo e aumenta a produtividade (CORRÊA et al., 2012).
Uma opção para se utilizar as águas de qualidade inferior são os cultivos
hidropônicos de hortaliças, pois segundo Soares et al. (2007) a resposta das
plantas à salinidade em sistemas hidropônicos é melhor do que no cultivo em
solo, porque existe ausência do potencial mátrico sobre o potencial total da água
irá reduzir a dificuldade de absorção de água pelas plantas.
A própria estrutura hidropônica funciona como sistema de drenagem e os
sais acumulados ao final do cultivo podem ser facilmente descartados para fora
do sistema, viabilizando uma atividade produtiva geradora de renda para as
comunidades rurais, com maior segurança ambiental (DIAS et al., 2010).
Atualmente, a hidroponia vem sendo bastante difundida através de
pesquisas científicas visando o uso de águas de qualidade inferior (SOARES,
2007; DIAS et al., 2009; ALVES et al., 2011; DANTAS, 2012; MACIEL et al.,
5

2012). No Brasil, o sistema hidropônico mais utilizado é o tipo NFT (técnica do


fluxo laminar de nutrientes) (SANTOS, 2009). No sistema NFT, a solução nutritiva
é bombeada aos canais e escoa por gravidade formando uma fina lâmina de
solução que irriga as raízes das plantas fixadas em orifícios presentes nos canais
de cultivo (FURLANI et al., 1999; SOARES, 2007).
Já no sistema Floating (técnica do fluxo profundo), as raízes das plantas
ficam submersas continuamente na solução nutritiva. Esse contato permanente
com a solução pode constituir um impedimento à oxigenação das raízes, o que
pode reduzir a produção. Por esse motivo, a hidroponia DFT requer sistemas de
aeração da solução (BARNABÉ et al., 2009; SANTOS et al., 2011).
O cultivo hidropônico representa uma alternativa ao cultivo convencional,
com vantagens para o consumidor, produtor e para o meio ambiente, com a
obtenção de produtos de alta qualidade, encurtamento do ciclo de produção,
maior produtividade, de insumos agrícolas e de mão de obra; maiores eficiências
no uso da água como fruto da redução da evaporação e a não necessidade de
aplicação da fração de lixiviação; menor consumo hídrico; não necessita da
implantação de sistemas de drenagem, já que a hidroponia integra irrigação e
drenagem num mesmo sistema, com recirculação do efluente (no caso do sistema
fechado) (RODRIGUES, 2002; SOARES, 2007; GOMES, 2009; SANTOS, 2009;
PAULUS et al., 2010; BLAT et al., 2011; PAULUS et al., 2012a; SILVA et al.,
2014b).
A escolha do sistema hidropônico a ser empregado depende, entre outros
fatores, do porte da espécie a ser cultivada e, principalmente, da disponibilidade e
custo dos materiais com potencial de uso como substratos. Os sistemas
hidropônicos de produção de plantas atualmente em uso passaram por diversas
modificações desde as primeiras experiências realizadas há décadas, para se
adaptar às condições ambientais e socioeconômicas das distintas regiões de
produção (ANDRIOLO et al., 2004). Qualquer espécie vegetal pode ser cultivada
em sistema hidropônico, desde que sejam adaptadas estruturas adequadas para
o seu cultivo (LUZ et al., 2010).
6

2.3. Efeito da salinidade sobre as plantas

O meio salino interfere na nutrição mineral das culturas, devido à redução do


potencial osmótico da solução do solo, diminuindo a disponibilidade de água para
as plantas, além de proporcionar efeito tóxico de certos íons às plantas. Em
ambientes salinos, o NaCl é o sal predominante e o que causa maiores danos às
plantas devido à absorção excessiva dos íons Na+ e Cl- e ao aumento da pressão
osmótica que dificulta a absorção de água pelas plantas, levando ao fenômeno
conhecido como “seca fisiológica”, diminuindo, consequentemente, a absorção
dos nutrientes (JESUS, 2011). Um efeito imediato do estresse osmótico sobre o
crescimento da planta é a inibição da expansão celular, direta ou indiretamente,
por meio do ácido abscísico (JOUYBAN, 2012), reduzindo a absorção de água
pelas raízes, inibindo a atividade meristemática e, consequentemente, redução no
crescimento e desenvolvimento das plantas (AL-KARAKI et al., 2009).
O excesso de sais na zona radicular tem em geral um efeito deletério no
crescimento das plantas que se manifesta por uma equivalente redução na taxa
de transpiração e crescimento (HOLANDA et al., 2010).
Cada espécie de planta é sensível a maiores ou menores teores de sais na
água. Algumas produzem rendimentos aceitáveis com altos níveis de salinidade e
outras são sensíveis a níveis relativamente baixos (OLIVEIRA et al., 2013).

2.4. Águas salobras


2.4.1. Caracterização das águas

A qualidade da água para irrigação nem sempre é definida com perfeição.


Para que se possa fazer uma correta interpretação da qualidade da água para
irrigação, os parâmetros analisados devem estar relacionados com seus efeitos
no solo, na cultura e no manejo de irrigação, os quais serão necessários para
controlar ou compensar os problemas com a qualidade da água (BERNARDO et
al., 2006).
As determinações da concentração de cátions e de ânions, do pH, da
condutividade elétrica (CE) e da relação de adsorção de sódio são quem
determinam a qualidade da água para irrigação. A CE é o parâmetro mais
empregado para expressar a concentração de sais solúveis na água e
7

corresponde à medida da capacidade de uma água em conduzir eletricidade,


sendo crescente à medida que a concentração de sais aumenta (LACERDA et al.,
2010).
Dentre as características que determinam a qualidade da água para a
irrigação, a concentração de sais solúveis ou salinidade é um fator limitante ao
desenvolvimento de algumas culturas (BERNARDO et al., 2006). O Laboratório
de Salinidade dos Estados Unidos propôs a classificação conforme a
condutividade elétrica das águas, isto é, em função da concentração total de sais
solúveis, sendo: água de baixa salinidade (CE < 0,25 dS m-1); água de salinidade
média (CE entre 0,25 - 0,75 dS m-1); água de salinidade alta (CE entre 0,75 - 2,25
dS m-1) e água de salinidade muito alta (CE > 2,25 dS m-1) (ALMEIDA, 2010;
HOLANDA, 2010).

2.4.2. Uso de águas de qualidade inferior na produção agrícola

A escassez de água, em algumas localidades, está exigindo que águas de


qualidade inferior sejam utilizadas, principalmente, na irrigação. Neste caso, a
utilização dessas águas fica condicionada à tolerância das culturas à salinidade e
ao manejo de práticas como irrigação e adubação, com vistas a se evitar
impactos ambientais, com consequentes prejuízos às culturas e à sociedade
(CORREIA et al., 2005).
A qualidade dessas águas é influenciada pelos efeitos naturais e
antropogênicos, incluindo clima, local, geologia e práticas de irrigação. Uma vez
que constituintes indesejáveis são aplicados ao solo eles podem sofrer lenta
dissolução por um longo período, o que torna difícil seu controle. Os efeitos da
salinidade do solo e da água já estão amplamente discutidos na literatura
especialmente em relação à sua influência na redução da produção (SILVA et al.,
2014a).
No semiárido brasileiro existe grande disponibilidade de águas de
concentrações salinas inviáveis para utilização direta na irrigação convencional da
maioria dos cultivos. Isto porque além de proporcionar baixa resposta em
condições salinas, a forma tradicional de cultivo potencializa o efeito da salinidade
(SANTOS et al., 2010). Assim, é necessário o uso racional da água para a
8

agricultura, baseada no aproveitamento de fontes alternativas caracterizadas


como de qualidade inferior, para produção de alimentos, de modo tal que
comprometa menos o meio ambiente e garanta a produção continuada (DANTAS,
2012).
9

3. MATERIAL E MÉTODOS

3.1. Localização e descrição do ambiente experimental

O trabalho foi desenvolvido em casa de vegetação no Núcleo de Engenharia


de Água e Solo/NEAS, na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia/UFRB,
situado no município de Cruz das Almas, Bahia (12º 40’ 19” de latitude Sul, 39º
06’ 23” de longitude Oeste e altitude média de 220 m).
A região tem clima classificado como úmido a subúmido, com umidade
relativa de 80% e temperatura média anual de 24,1ºC, apresentando pluviosidade
média anual de 1.170 mm (ALMEIDA, 1991).
A casa de vegetação possui estrutura em aço galvanizado, com cobertura
em arco tipo túnel e as paredes laterais e frontais confeccionadas com tela escura
com 50% de sombreamento. As dimensões da casa de vegetação são de 7,0 m
de largura 32,0 m de comprimento e pé direito de 3 m.
Foram obtidos dados de temperatura máxima, mínima e média do ar
externos a casa de vegetação de uma estação meteorológica automática
localizada na Embrapa Mandioca e Fruticultura, pertencente ao INMET. Os dados
compreenderam o período de 22 de junho a 13 de julho de 2014. A temperatura
máxima oscilou entre 23,8ºC a 28,0ºC, a temperatura mínima de 18,1°C a 21,4°C
e a temperatura média de 21°C e 23,54°C, respectivamente (Figura 1).

40
Média Máxima Mínima
35
Temperatura do ar (ºC)

30
25
20
15
10
5
0
1 4 7 10 13 16 19 22
Dias após o transplantio (DAT)
Figura 1. Temperatura do ar externa a casa de vegetação ao longo do ciclo de cultivo do coentro
hidropônico, de 1 aos 22 dias após o transplantio (DAT).
10

3.2. Estrutura e funcionamento do sistema

No experimento foi utilizado o sistema hidropônico proposto por Silva (2014),


o sistema adaptado DFT (técnica do fluxo profundo) com declividade nula dos
canais de cultivo. Os canais de cultivo foram confeccionados com tubulações de
PVC com diâmetro de 75 mm, com 6 m de comprimento, com orifícios circulares
de 44 mm de diâmetro, espaçados em 0,07 m (85 orifícios por tubo), com
espaçamento de 0,80 m entre os tubos (Figura 2A).
Em cada tubo foi acoplado um tampão e um joelho nas extremidades, de
modo a manter uma lâmina média de solução nutritiva de 45 mm na tubulação.
Para manter esse nível de solução, na saída do tampão foi inserido um conector,
e neste foi conectada uma mangueira para derivar o excesso de solução nutritiva
para o reservatório de origem. A estrutura foi composta por 20 bancadas de
cultivo, cada uma com dois perfis hidropônicos. Cada parcela foi representada por
um perfil hidropônico independente, composta por um reservatório de plástico,
com disponibilidade de 53 L de solução nutritiva e uma eletrobomba para recalcar
a solução para o perfil hidropônico, com vazão média de 1,55 L min-1 (Figura 2B).

A. B.

Figura 2. Estrutura hidropônica (A) e disposição dos perfis hidropônicos (B).

A rede elétrica foi dividida em oito sub-redes, que, individualmente


acionavam cinco eletrobombas. A programação das frequências foi realizada por
temporizadores analógicos, cada um conectado a um disjuntor da rede elétrica
principal, servindo para a recirculação de cinco perfis hidropônicos. (Figura 3).
11

Figura 3. Conjunto de temporizadores e disjuntores usados para distribuição da energia elétrica e


controle das frequências de recirculação da solução nutritiva.

3.3. Manejo da solução nutritiva

Para a solução nutritiva, utilizou-se a recomendação de Furlani et al. (1999),


para hortaliças folhosas. O volume de solução disponibilizado no reservatório de
abastecimento foi de 53 L, somando-se o volume do canal de cultivo, de
aproximadamente 19,0 L. Portanto, o volume disponibilizado de solução nutritiva
foi de 0,85 L por maço de plantas de coentro.
A condutividade elétrica da solução nutritiva foi avaliada a cada três dias
com a utilização de condutivímetro de bancada. Com o mesmo intervalo de dias
avaliou-se o pH com auxílio de um peagâmetro portátil.

3.4. Delineamento experimental

Utilizou-se o delineamento experimental em blocos aleatorizados, em


esquema fatorial 2x4, em parcela subdividida, adotando nas parcelas os níveis de
águas salobras e as frequências de recirculação de solução nutritiva. Nas
subparcelas avaliou-se a posição das plantas nos perfis hidropônicos (posição
inicial, intermediaria e final), com cinco repetições, totalizando 120 parcelas.
Foram estudados três tipos de águas salobras (2,47; 4,91 e 7,0 dS m-1) e a
testemunha (0,26 dS m-1). Foram estudadas duas frequências de recirculação da
solução nutritiva (0,25 e 2 h). A primeira frequência, denominada controle,
constituiu da seguinte programação: das 06:00 h da manhã às 20:00 h da noite, o
12

sistema ficou ligado 15 min e desligado 15 min; das 20:00 h às 06:00 h a


recirculação da solução foi a cada duas horas, ficando ligado por 15 min. Na
segunda frequência, a recirculação foi realizada a cada 2 horas, respectivamente,
permanecendo o sistema ligado por 15 minutos.
O preparo da solução nutritiva foi realizado com água doce (0,26 dS m-1) e
água salobra (2,47; 4,91 e 7,0 dS m-1) totalizando, após adição dos nutrientes
condutividades elétricas da solução (CEsol) de 2,05; 4,6; 6,47 e 8,26 dS m-1. Para
obter os tratamento com águas salobras, foi adicionado NaCl na água controle
(0,26 ds m-1) até atingir as condutividades esperadas. Na sequência fez-se a
adição dos nutrientes.
O consumo evapotranspirado em cada parcela foi medido e reposto
diariamente manualmente com auxilio de uma proveta graduada. No tratamento
controle o volume consumido foi reposto com água doce (0,26 dS m-1) e nos
demais com águas salobras, respectivamente a cada tratamento (2,47; 4,91 e 7,0
dS m-1).

3.5. Condução da cultura do coentro

Seguindo metodologia e resultados de trabalho realizado por Silva (2014),


no dia 12 de junho de 2014 foram semeadas 12 sementes (germinação 95%) de
coentro cv. Verdão por unidade de cultivo. A semeadura foi em copos plásticos de
50 mL, contendo uma camada de substrato de coco e outra camada de
vermiculita na proporção de volume 2:1 (Figura 4A).
Da semeadura ao transplantio as irrigações foram realizadas manualmente
com água do abastecimento local (0,26 dS m-1). As plantas foram transplantadas
para os perfis hidropônicos aos nove dias após a semeadura (Figura 4B).
13

A. B.

Figura 4. Semeadura do coentro (A) e irrigação diária (B).

3.6. Variáveis avaliadas

As avaliações ocorreram aos 10, 15, 20 e 25 dias após o trasnsplantio


(DAT). Por parcela foram coletados três maços de plantas de coentro, sendo cada
maço representado por 12 plantas.
Obteve-se a massa de matéria fresca da parte aérea do maço de plantas
(MFPAmaço). A MFPAmaço foi pesada em balança de precisão (0,01 g).

3.7. Consumo hídrico e eficiência do uso da água

O consumo hídrico foi calculado a partir dos volumes repostos visando


retornar o nível de solução nutritiva até uma altura previamente estabelecida, para
os seguintes períodos: dos 2-10, dos 11-15, dos 16-20, dos 21-24 dias após o
transplantio (DAT), além do consumo hídrico total acumulado no ciclo (2-24 DAT).
A eficiência do uso da água (EUA) foi determinada pela relação entre a
produção com base nas massas de matéria fresca da parte aérea do maço de
plantas e o volume consumido por período (Equação 1) (FAGAN et al. 2009).
MassaPA
EUA  (1)
CHacum
em que:
EUA - eficiência do uso da água da parte aérea do maço de plantas da massa de
matéria fresca, g L-1;
MassaPA - massa de matéria fresca da parte aérea do maço de plantas
(MFPAmaço), g;
CHacum - consumo hídrico acumulado por período (L).
14

As plantas foram avaliadas visualmente para possível detecção de sintomas


de toxidez e/ou deficiência nutricional ou estresse hídrico.

3.8. Análise estatística

Mediante aplicação do teste F da análise de variância (ANAVA), avaliou-se a


significância dos tratamentos. Quando verificou-se significância na interação entre
os tratamentos, procedeu-se o desdobramento estatístico. Na avaliação do
consumo hídrico e eficiência do uso da água, procedeu-se uma análise mais
simples sem adotar as parcelas subdivididas, pois o consumo só é possível
avaliar em toda a parcela. No estudo dos fatores isolados frequências de
recirculação e posições das plantas nos canais de cultivo foram feitas
comparações mediante teste de médias (Tukey a 0,05 de probabilidade). Já a
salinidade da água foi avaliada mediante análise de regressão, selecionando-se
os modelos com base na significância de seus termos, no valor do coeficiente de
determinação e no significado agronômico do comportamento. A análise
estatística foi realizada com o auxílio do programa estatístico SISVAR
(FERREIRA, 2011).
Os coeficientes de determinação apresentados no presente texto foram
calculados para as repetições de cada tratamento e não apenas para as médias o
qual foi determinado por meio de planilha eletrônica.
15

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO

4.1. Condutividade elétrica e pH da solução nutritiva

Nos tratamentos referentes às frequências de recirculação da solução


nutritiva de 0,25 e 2 h, o comportamento da CE da solução nutritiva (CEsol) ao
longo do ciclo de cultivo foi semelhante entre si (Figura 5). Quanto ao tratamento
com água doce (0,26 dS m-1) utilizada tanto para o preparo da solução nutritiva
quanto para reposição das perdas por evapotranspiração, ocorreu uma tendência
de redução da CEsol ao longo do ciclo de cultivo (Figura 5). Esse comportamento
ocorreu em função do maior consumo de nutrientes não repostos ser maior que o
aporte de sais dissolvidos nessa água. Essa tendência de redução da CEsol com
o abastecimento com água doce foi observado em outros trabalhos (COSTA et
al., 2001; SOARES et al., 2010; ALVES et al., 2011; PAULUS et al., 2010;
PAULUS et al., 2012b; SILVA, 2014; SOARES, 2014).
A taxa de salinização diária calculada entre as CE inicial e final da solução
nutritiva apresentou comportamento crescente em função do aumento da CEa.
Registrou-se as menores taxas de salinização da solução nutritiva com ambas as
frequências de recirculação de 0,25 h (Figura 5C) e 2 h (Figura 5D) com a CEa
controle (0,26 dS m-1), com valores negativos da ordem de -0,054 e -0,043 dS m-1
dia-1, respectivamente. Considerando o maior nível de salinidade da água (7,0 dS
m-1), a taxa de salinização cresceu para 0,099 e 0,114 dS m-1 dia-1 para as
frequências de 0,25 e 2 h, respectivamente. O mesmo resultado foi reportado em
outros experimentos com uso de água salobra no cultivo hidropônico: Soares et
al. (2010) na cultura do alface, Silva et al. (2011) na cultura da rúcula, Cazuza et
al. (2014a) na cultura do coentro.
16

Figura 5. Condutividade elétrica e taxa de salinização da solução nutritiva ao longo do ciclo de


cultivo do coentro hidropônico, com o uso das frequências de 0,25 h (A, C) e 2 h (B, D).

Nos tratamentos em que o preparo da solução nutritiva e a reposição das


perdas por evapotranspiração foi realizada com água salobra, houve efeito
contrário, ou seja, ocorreu aumento da CEsol ao longo do ciclo. Resultados
semelhantes foram observados por Santos et al. (2010), Paulus et al. (2010,
2012b), Soares et al. (2010) e Alves et al. (2011). A crescente salinização é
explicada pelo acúmulo de íons incorporados a cada reposição do volume
evapotranspirado com água salina.
Para os diferentes tipos de usos de águas salobras e doce não foi feita a
reposição dos nutrientes absorvido pela cultura. Foi disponibilizado 0,85 L por
maço de plantas. O valor de solução nutritiva disponibilizado no presente trabalho
está de acordo com as recomendações de Furlani et al. (1999), que é de 0,5 a 1,0
L por planta folhosa de pequeno porte.
Assim como reportado para a CEsol, o pH apresentou o mesmo
comportamento em ambas as frequências de recirculação (0,25 e 2 h) durante o
ciclo de cultivo. No dia do transplantio os valores de pH da solução nutritiva foram
de 6,5 com uso de água doce (0,26 dS m-1) e de 6,6 com uso de águas salobras
(Figura 6). No final do ciclo (23 DAT), os valores de pH da solução nutritiva com
águas doce e salobras na frequência de 0,25 h foram de 6,7; 6,66; 6,62 e 6,5
17

(Figura 6A) e na frequência de 2 h foram de 6,84; 6,66; 5,42 e 6,56 (Figura 6B)
para águas de CE 0,26; 2,46; 4,51 e 7,0 dS m-1, respectivamente. Os valores de
pH oscilaram dentro da faixa recomendada para o cultivo hidropônico, sendo
realizadas as correções quando necessário. As correções foram para elevar o pH,
revelando que o coentro hidropônico nas condições do presente experimento foi
um cultivo acidificante do meio. Donegá (2009), Luz et al. (2012), Cazuza Neto et
al. (2014b), Silva (2014) e Silva et al. (2014) mantiveram o pH da solução nutritiva
na faixa de 5,5 a 6,5 no estudo com o coentro cultivado em sistema hidropônico
NFT. Já Daflon et al. (2014) no cultivo de coentro em sistema flutuante
mantiveram o pH próximo de 5,7.

Figura 6. Monitoramento do pH da solução nutritiva em função da condutividade elétrica da água


ao longo do ciclo de cultivo do coentro hidropônico, nas frequências 0,25 h (A) e de 2 h (B).

4.2. Aspectos qualitativos das plantas do coentro

Visualmente foi constatado redução de tamanho e da massa das plantas de


coentro em função do aumento da salinidade da água em ambas às frequências
de recirculação (Figura 7). Mesmo com efeito visual de reduções sobre o
rendimento das plantas, não foram constatados sintomas de toxidez ou
deficiência mineral.
Devido às condições de contorno controladas, durante a condução do
experimento não foram observados ataques de pragas e/ou doenças. No trabalho
realizado por Silva (2014) com a cultura do coentro conduzido na mesma
estrutura DFT, o autor também não relatou injúrias nas plantas e nem hipoxia, que
é sempre um fator preocupante em sistema DFT onde a maior profundidade da
lâmina pode dificultar a difusão de oxigênio.
18

Figura 7. Aspecto geral das plantas de coentro cv. Verdão em sistema hidropônico DFT em
função da condutividade elétrica da água CEa e das frequências de recirculação da solução
nutritiva de 0,25 h (A) e 2 h (B), aos 25 DAT.

4.3. Produção de massa de matéria fresca da parte aérea

Efeitos significativos sobre a massa de matéria fresca da parte aérea do


maço de plantas (MFPAmaço) de coentro foram registrados nas interações: entre
salinidade das águas (CEa) e frequências de recirculação da solução nutritiva
(FR) aos 20 DAT; entre CEa e posições das plantas nos perfis hidropônicos
(PPH), aos 25 DAT. Houve efeito altamente significativo (p<0,01) do fator CEa,
aos 10, 15, 20 e 25 DAT. Para o fator posição das plantas nos perfis hidropônicos,
ocorreu efeito significativo aos 10, 15 e 20 DAT. As frequências de recirculação
promoveram efeito significativo (p<0,05) apenas aos 10 DAT (Tabela 1).
19

Tabela 1. Resumos das análises de variância para massa de materia fresca da parte aérea
(MFPAmaço) do coentro hidropônico, em função da condutividade elétrica da água (CEa),
frequências de recirculação da solução nutritiva (FR) e posições das plantas nos perfis
hidropônicos (PPH), aos 10, 15, 20 e 25 dias após o transplantio (DAT)

Quadrados Médios
FV GL
10 DAT 15DAT 20DAT 25DAT
Bloco 4 1,511* 6,269ns 93,377** 52,117ns
PPH 2 2,337** 22,555* 104,222** 233,395ns
Erro a 8 0,269 3,486 11,099 56,020
CEa 3 2,954** 84,789** 859,302** 1938,681**
Reg. Linear 1 6,933** 249,183** 2577,234** 5709,025**
Reg. Quadrática 1 1,894ns 0,040ns 0,095ns 99,919ns
Desvio Reg. 1 0,035ns 5,144ns 0,577ns 7,098ns
FR 1 2,818* 4,551ns 18,299ns 14,651ns
CEa x FR 3 0,891ns 2,474ns 72,563* 88,628ns
CEa x PPH 6 0,287ns 5,933ns 12,873ns 95,447*
FR x PPH 2 1,248ns 1,834ns 19,828ns 35,279ns
CEa x FR x PPH 6 0,203ns 2,234ns 2,994ns 22,563ns
Erro b 84 0,649 4,468 19,514 39,755
CV a (%) 14,63 19,41 15,85 21,50
CV b (%) 22,72 21,98 21,02 18,11
**; * - significativo pelo teste F a 0,01 e 0,05 de probabilidade, respectivamente, ns - não
significativo; CV - coeficiente de variação.

Aos 10 e 15 DAT a MFPAmaço decresceu linearmente com o aumento da


CEa, com redução da ordem de 2,43 e 4,86% por cada acréscimo unitário de CEa
(dS m-1), respectivamente (Figura 8).
Em estudo conduzido por Silva (2009) com rúcula em sistema hidropônico
NFT nas condições climáticas de Piracicaba, observou decréscimo na produção
de matéria fresca de 5,57% para cada aumento unitário na salinidade.
Paulus et al. (2012b), avaliando em dois cultivos o crescimento e o consumo
hídrico do alface em sistema hidropônico NFT, obteve redução de 6,0 e 6,5%
respectivamente, por cada acréscimo unitário da salinidade da água (dS m-1) em
relação às da solução nutritiva sem água salina (2,00 e 1,60 dS m-1).
20

15 10 DAT 15 DAT

fresca da parte aérea


MFPA (15 DAT) = -0,5686**CEa + 11,6984**

Massa de matéria
R² = 75,38%; a/b = 4,86% (dS m-1)-1
10

(g)
5

MFPA (10 DAT) = -0,0948**CEa + 3,8935**


R² = 34,69%; a/b = 2,43% (dS m-1)-1
0
0 1 2 3 4 5 6 7 8
Condutividade elétrica da água (dS m-1)
Figura 8. Massa de matéria fresca da parte aérea no maço de plantas do coentro hidropônico, em
função da condutividade elétrica da água (CEa), aos 10 e 15 dias após o transplantio (DAT).

Observou-se efeito linear decrescente na MFPAmaço tanto com a frequência


de 0,25 h quanto para a frequência de 2 h aos 20 DAT. As reduções na MFPAmaço
foram da ordem de 7,25 e 5,88% por cada acréscimo unitário de CEa (dS m-1),
respectivamente (Figura 9). Aos 25 DAT, quando não houve efeito da frequência,
a redução relativa de MFPAmaço foi de 6,08% para cada aumento na CEa.

40 20 DAT (0,25 h) 20 DAT (2 h)


Massa de matéria fresca

35 MFPA (2 h) = -1,5436**CEa + 26,2733**


R² = 63,50%; a/b = 5,88% (dS m-1)-1
da parte aérea (g)

30
25
20
15
10
MFPA (0,25 h) = -2,1134**CEa + 29,1401**
5 R² = 71,78%; a/b = 7,25% (dS m-1)-1
0
0 1 2 3 4 5 6 7 8
Condutividade elétrica da água (dS m-1)
Figura 9. Efeito da interação entre condutividade elétrica da água (CEa) e frequências de
recirculação da solução nutritiva para massa de matéria fresca do maço de plantas (MFPAmaço) do
coentro hidropônico, aos 20 dias após o transplantio (DAT).

Quanto ao desdobramento da interação do fator CEa e da frequência de


recirculação aos 20 DAT, com o uso de água doce (CEa 0,26 dS m-1) a frequência
de 2 h promoveu menor acúmulo de MFPAmaço em relação à frequência controle
(0,25 h). Porém, para os níveis de CEa de 2,47, 4,91 e 7,0 dS m -1, a produção de
MFPAmaço não apresentou diferenças significativas (Figura 10). Infere-se que os
21

níveis de CEa acima de 0,26 ds m-1 passaram a ter efeito mais representativo na
produção do que as frequências adotadas. Para Silva (2014), os intervalos entre
recirculação da solução nutritiva além de gerar uma economia energética
considerável, aumentam a vida útil do sistema hidropônico de produção.

40 20 DAT (0,25 h) 20 DAT (2 h)


29,78a
Massa de matéria fresca da

24,80b
30 22,63a 23,51a

17,73a 19,86a
parte aérea (g)

20 15,48a 14,32a

10

0
0,26 2,47 4,91 7,0
Condutividade elétrica da água (dS m-1)

Letras diferentes apenas dentro da CEa indicam diferenças significativas a 0,05 de probabilidade
pelo teste de Tukey
Figura 10. Efeito das frequências de recirculação da solução nutritiva (FR) e condutividade elétrica
da água (CEa) sobre a MFPAmaço de plantas do coentro hidropônico, aos 20 dias após o
transplantio (DAT).

A posição intermediária promoveu maior rendimento da massa de matéria


fresca do maço de plantas (MFPAmaço), com valor médio de 3,83 g e nas posições
inicial e final com mesmo rendimento de MFPAmaço (3,41 g por maço) aos 10 DAT;
e aos 15 DAT com mesmo comportamento, na posição intermediária com média
de 10,48 g e nas posições inicial e final não diferenciaram entre si. Para os 20
DAT, a posição intermediária apresentou rendimento superior apenas em relação
à posição inicial, registrando valores médios da ordem de 19,64, 22,79 e 20,61 g
por maço de plantas nas posições inicial, intermediária e final, respectivamente.
Na posição inicial aos 20 DAT verificou-se redução da MFPAmaço em relação à
posição intermediaria da ordem de 13,82% (Figura 11).
Tanto para a posição inicial quanto a final no perfil de cultivo, há forte
indícios que o efeito bordadura em função da ação dos ventos e menor
luminosidade em relação ao centro da estufa, tenham causado essa redução de
produção de massa verde em comparação com a posição intermediária.
22

Uma das hipóteses que pode ser considerada é que para as plantas da
posição final dos perfis, a redução na produção pode estar associado ao
recebimento de solução nutritiva com menor potencial osmótico, pois, sendo a
absorção de água mais intensa que a de nutrientes, as plantas locadas no final
dos canais receberão a solução com pressão osmótica maior, podendo
apresentar murcha e redução do desenvolvimento.
A segunda hipótese é quanto a posição inicial das plantas nos canais de
cultivo com. Acredita-se também que há grande efeito do íon sódio pela reposição
contínua de 15 minutos de aplicação da solução a cada evento de recirculação da
solução nos canais, o que contribui com maior concentração de sódio no início do
canal de cultivo, pois é nesse ponto que solução nutritiva é injetada. Vale salientar
que a comprovação das duas hipóteses citadas na tentativa de explicar os efeitos
na diminuição da produção das posições inicial e final em comparação com a
intermediária, precisam testada para comprovação em trabalhos futuros.
Em trabalho conduzido por Luz et al. (2011) com rúcula em hidroponia NFT
não ocorreu diferenças estatísticas do fator posições das plantas nos perfis
hidropônicos sobre a massa fresca da parte aérea das plantas, o que foi atribuído
ao pequeno comprimento (4 m) dos canais de cultivo, não promovendo
desuniformidade na aplicação da solução. Enquanto Luz et al. (2012) com o
coentro cultivado em sistema NFT com canais de 4,5 m, verificaram a maior
produção de massa fresca da parte aérea na posição inicial, seguida da posição
intermediária e com menor produção na posição final dos perfis hidropônicos.
23

40 Inicial Intermediária Final

Massa de matéria fresca da


22,79a
30
parte aérea (g) 19,64b 20,61ab

20
10,48a
9,08b 9,29b
10 3,83a
3,41b 3,41b

0
10 15 20
Dias após o transplantio (DAT)
Letras diferentes apenas dentro do período indicam diferenças significativas a 0,01 de
probabilidade pelo teste de Tukey
Figura 11. Médias das massas de matéria fresca do maço (MFPA maço) de plantas do coentro
hidropônico em função da posição das plantas nos perfis hidropônicos, aos 10,15 e 20 dias após o
transplantio (DAT).

Quanto as frequências de recirculação da solução nutritiva, no período dos


10 DAT, a frequência controle (0,25 h) favoreceu a maior MFPA maço em
comparação com a frequência de 2 h. Porém, aos 15 e 20 DAT, as frequências
não apresentaram diferenças sobre a produção de massa fresca da parte aérea.
Os resultados do presente trabalho aos 15 e 25 DAT, corroboram com os obtidos
por Silva (2014) com as mesmas frequência de recirculação da solução nutritiva
sobre produção de massa fresca da parte aérea (MFPAmaço) (Figura 12).
Santos et al. (2011) ao conduzirem trabalho comparativo da produção de
alface entre os sistemas NFT e Floating, obtiveram resultados superiores na
produção de massa fresca e seca da parte aérea no sistema Floating, sendo esta
atribuída ao fato das raízes estarem providas com solução nutritiva oxigenada.
Para os autores, no sistema NFT, apesar da alta frequência de irrigação,
comparada à agricultura irrigada convencional no solo, tem-se sim um período de
restrição hídrica para as plantas, o que pode se constituir numa fonte de estresse
para as raízes, com repercussão na transpiração e absorção de íons, além de
menor arrefecimento das raízes.
Diante dos resultados, o maior intervalo (2 horas) mostrou-se adequado para
produção comercial do coentro. Logo, o produtor poderá ter uma produção mais
24

eficiente em termos energéticos e, consequente, aumento da receita líquida por


poder obter produção com menor custo de produção.

50 0,25 h 2h 35,16a 34,46a


Massa de matéria fresca da

40
parte aérea (g)

30

20
9,81a 9,42a
10 3,70a
3,39b

0
10 15 25
Dias após o transplantio (DAT)
Letras diferentes apenas dentro do período indicam diferenças significativas a 0,05 de
probabilidade pelo teste de Tukey
Figura 12. Médias da massa de matéria fresca do maço de plantas (MFPA maço) do coentro
hidropônico em função das frequências de recirculação da solução nutritiva, aos 10, 15 e 25 dias
após o transplantio (DAT).

Aos 25 DAT, no desdobramento das posições dentro da CEa, verificou-se


efeito linear decrescente na MFPAmaço nas posições inicial, intermediária e final
em função do aumento da CEa. As reduções da MFPAmaço na posições inicial,
intermediária e final foram da ordem de 6,74, 6,88 e 4,28% por cada acréscimo
unitário de CEa (dS m-1) (Figura 13).
70 Inicial Intermediária Final
Massa de matéria fresca da

60 MFPA (Inicial) = -3,0426**CEa + 45,1451**


R² = 73,51%; a/b = 6,74% (dS m-1)-1
50
parte aérea (g)

40
30
20 MFPA (Interméd.) = -3,4513**CEa + 50,1519**
R² = 79,73%; a/b = 6,88% (dS m-1)-1
10 MFPA (Final) = -1,6705**CEa + 39,0044**
R² = 51,99%; a/b = 4,28% (dS m-1)-1
0
0 1 2 3 4 5 6 7 8
Condutividade elétrica da água (dS m-1)
Figura 13. Desdobramento do efeito da condutividade elétrica da água dentro das posições inicial,
intermediária e final dos canais para o cultivo do coentro hidropônico, aos 25 dias após o
transplantio (DAT).
25

No desdobramento do efeito do fator posição das plantas dentro da CEa aos


25 DAT, com a CEa de 0,26 dS m-1 a posição inicial foi semelhante
estatisticamente à posição intermediária; sendo a posição final inferior apenas em
relação à intermediária. O mesmo comportamento foi registrado dentro da CEa de
2,47 dS m-1. Já dentro das CEa de 4,91 e 7,0 dS m-1 as posições não
apresentaram diferenças entre si (Figura 14).
Os resultados do presente trabalho estão de acordo com os reportados por
Silva (2014) em trabalho anterior na mesma estrutura experimental; pois de
acordo com o autor aos 21 DAT, o maior rendimento de matéria fresca foi nas
posições inicial e intermediária e a posição final com o mesmo rendimento, com
redução da ordem de 14% em relação à posição inicial.
70 Inicial Intermediária Final
60 47,92a
42,40a
Massa de matéria fresca da

43,79ab
50 38,97ab
38,09b 35,82a
34,63b
parte aérea (g)

40 32,89a 25,95a
29,14a
23,94a
30 24,14a

20
10
0
0,26 2,47 4,91 7,0
Condutividade elétrica da água (dS m-1)
Letras diferentes apenas dentro do período indicam diferenças significativas a 0,05 de
probabilidade pelo teste de Tukey
Figura 14. Desdobramento do efeito das posições inicial, intermediária e final dos canais de cultivo
dentro da condutividade elétrica da água no cultivo do coentro hidropônico, aos 25 dias após o
transplantio (DAT).

4.4. Consumo hídrico

De acordo com a análise de variância, houve efeito altamente significativo


(p<0,01) da CE da água sobre o consumo hídrico acumulado por período, dos 11-
15, 16-20 e dos 21-24 DAT. Quanto ao efeito das frequências de recirculação
sobre o consumo hídrico, estas influenciaram significativamente (p<0,05) apenas
no período dos 16-20 DAT (Tabela 2).
26

Observou-se efeito linear decrescente sobre o consumo hídrico por período


em função do incremento da salinidade da água. Nos períodos dos 11-15, 16-20,
20-24 e dos 2-24 DAT ocorreram reduções no consumo hídrico por acréscimo
unitário da CE (em dS m-1) da ordem de 6,3; 7,42; 7,53 e 5,85%, respectivamente.
No período inicial de avaliação (2-10 DAT), o consumo acumulado foi de
0,15 L; a partir do segundo período (11-16 DAT) de avaliação o consumo com o
uso de água doce (0,26 dS m-1) e o maior nível de salinidade (7,0 dS m-1) foi de
0,21 e 0,12 L, respectivamente com redução de aproximadamente 43%. Nos
últimos dois períodos (16-20 e 21-24 DAT) ocorreram as maiores reduções
percentuais sobre o consumo, sendo de aproximadamente 51% (Figura 15).

Tabela 2. Resumos da análise de variância para o consumo hídrico do coentro hidropônico em


função da condutividade elétrica da água (CEa) e das frequências de recirculação da solução
nutritiva (FR), nos períodos dos 2-10, 11-15, 16-20, 21-24 e dos 2-24 dias após o transplantio
(DAT)

Quadrados Médios
FV GL
2-10 DAT 11-15 DAT 16-20 DAT 21-24 DAT 2-24 DAT
ns ns ns ns
Bloco 4 0,0006 0,0005 0,0006 0,0008 0,0068ns
CEa 3 0,0022ns 0,0157** 0,0478** 0,0269** 0,2540**
Reg. Linear 1 0,0004ns 0,0489** 0,1407** 0,0801** 0,7312**
Reg. Quadrática 1 0,0063ns 0,001* 0,0015* 0,0006ns 0,0282*
ns ns ns ns
Desvio Reg. 1 0,0001 0,0000 0,0012 0,00004 0,0026ns
FR 1 0,0002ns 0,00001ns 0,0038* 0,0006ns 0,0040ns
CEa x FR 3 0,0046ns 0,0003ns 0,0008ns 0,0008ns 0,0009ns
Erro 28 0,0024 0,0002 0,0003 0,0007 0,0056
CV (%) 32,91 8,17 7,82 15,21 10,50
**; * - significativo pelo teste F a 0,01 e 0,05 de probabilidade, respectivamente, ns - não
significativo; CV - coeficiente de variação.

Quanto ao consumo acumulado durante todo o ciclo (2-24 DAT), gastou-se


em média um volume de 0,892 L com o uso água doce para produzir um maço de
12 plantas de coentro (Figura 15). Nas mesmas estruturas de pesquisas, em
trabalho realizado por Silva (2014) também com a cultura do coentro, o autor
reportou que em média para produzir um maço com a mesma densidade de
plantas adotada no presente trabalho, foi gasto o volume de 1,45 L de água doce,
no período de 2 aos 24 DAT, com temperatura média do interior da casa de
27

vegetação de 27,9°C. No presente trabalho a temperatura média externa do ar do


1 aos 22 DAT foi de 22,27°C, podendo isso representar uma menor
evapotranspiração e consequentemente menor consumo hídrico. Já quando o
mesmo autor utilizou água salobra (4,91 dS m-1) reportou reduções da ordem de
33,10% em relação ao tratamento controle (0,32 dS m-1). Considerando esse
mesmo período no presente trabalho e estimando o consumo hídrico para uma
CEa de 4,91 dS m-1, a redução percentual foi de aproximadamente 35,75%.
Portanto, para ambos os estudos foram obtidas reduções da mesma magnitude.
Essas reduções sobre o consumo hídrico ocorrem em função da redução do
potencial osmótico e da energia livre de água causando o fechamento estomático,
o que dificulta a absorção de água pelas plantas. Em trabalhos anteriores com
hidroponia tem-se verificado o mesmo comportamento de redução do consumo
hídrico em função do incremento da salinidade da água (SOARES et al., 2010;
ALVES et al., 2011; PAULUS et al., 2012b; SILVA et al., 2012; CAZUZA NETO et
al., 2014a).
1,2 CH (2-24 DAT) = -0,053**CEa +
2-10DAT 11-15DAT 16-20DAT 0,9059**
Consumo hídrico (L por maço)

21-24DAT 2-24DAT R² = 86,17%; a/b = 5,85% (dS m-1)-1


1,0
CH (21-24 DAT) = -0,0177**CEa +
0,2351**
0,8
R² = 88,82%; a/b = 7,53% (dS m-1)-1
0,6 CH (16-20 DAT) = -0,0234**CEa +
0,3154**
0,4 R² = 93,91%; a/b = 7,42% (dS m-1)-1

0,2 CH (11-15 DAT) = -0,0134**CEa +


0,2127**
0,0 R² = 91,55%; a/b = 6,30% (dS m-1)-1
0 1 2 3 4 5 6 7 8
CH (2-10 DAT) = Média = 0,15
Condutividade elétrica da água (dS m-1)
Figura 15. Consumo hídrico (CH) acumulado por período do coentro hidropônico em função da
condutividade elétrica da água, dos 2-10, 11-15, 16-20, 21-24 e dos 2-24 dias após o transplantio
(DAT).

Nas frequências de recirculação da solução nutritiva, apenas no período dos


16 aos 20 DAT as plantas apresentaram maior consumo hídrico, quando
produzidas com maior frequência de recirculação (0,25 h). Quanto ao consumo
hídrico acumulado durante o ciclo (2-24 DAT), não houve diferença estatística
28

entre a frequência-controle e a frequência de 2 horas registrando em média 0,722


e 0,701 L por maço de plantas (Figura 16).

1,2
0,25 h 2h
1,0
Consumo hídrico (L por maço)

0,722a 0,701a
0,8

0,6

0,4 0,238a 0,219b


0,147a 0,151a0,163a 0,164a 0,173a 0,166a
0,2

0,0
2-10 11-15 16-20 21-24 2-24
Dias após o transplantio (DAT)

Letras diferentes apenas dentro do período indicam diferenças significativas a 0,05 de


probabilidade pelo teste de Tukey
Figura 16. Médias do consumo hídrico diário do coentro hidropônico em função das frequências
de recirculação da solução nutritiva, no período dos 2-10, 11-15, 16-20, 21-24 e dos 2-24 dias
após o transplantio (DAT).

4.5. Eficiência do uso da água

Houve efeito significativo da salinidade da água sobre a eficiência de uso da


água com base na massa de matéria fresca da parte aérea (EUAMFPA) aos 20 e 25
DAT (Tabela 3).
29

Tabela 3. Resumo das análises de variância para a eficiência do uso da água com base na massa
de matéria fresca da parte aérea do maço de plantas (EUA MFPA) do coentro hidropônico, em
função da condutividade elétrica da água (CEa) e das frequências de recirculação da solução
nutritiva (FR), aos 10, 15, 20 e 25 dias após o transplantio (DAT)
Quadrado Médio
FV GL
10 DAT 15 DAT 20 DAT 25 DAT
Bloco 4 17,119ns 2,732 ns
37,827ns 75,794ns
CEa 3 145,473ns 59,877ns 107,894* 151,995*
Reg. Linear 1 - - 185,006* 34,189ns
Reg. Quadrática 1 - - 137,595ns 421,145**
Desvio Reg 1 - - 1,081ns 0,651ns
FR 1 140,550ns 35,062ns 0,493ns 0,428ns
CEa x FR 3 59,716ns 32,723ns 104,410ns 52,857ns
Erro 28 54,019 43,111 36,393 45,484
CV (%) 28,60 20,97 38,788 13,69
**; * - significativo pelo teste F a 0,01 e 0,05 de probabilidade, respectivamente, ns - não
significativo; CV - coeficiente de variação.

Os valores médios da EUAMFPA aos 10 e 15 DAT foram da ordem de 25,78 e


31,35 g L-1 respectivamente. Aos 20 DAT os dados de EUA em função da CEa
ajustaram-se ao modelo de primeiro grau, porém seu coeficiente de determinação
foi muito baixo, explicando apenas 16,62% dos dados observados (Figura 17).
Assim como reportado no presente trabalho aos 10 e 15 DAT, em trabalho
realizado por Silva (2014) não foi verificado efeito significativo da salinidade da
água sobre a EUA da massa fresca da parte aérea.
Aos 25 DAT a resposta da EUA foi representada pelo modelo quadrático.
Isso pode explicar o fato que até a CEa de 3,33 dS m-1, o consumo hídrico foi
mais afetado do que a produção de matéria fresca; a partir desse ponto ocorreu
redução na EUA, logo a produção de matéria fresca foi mais afetada do que o
consumo hídrico.
30

100 EUA 10DAT EUA 15DAT EUA (25 DAT) = -0,6673**CEa2 +


4,4469*CEa + 46,204**
EUA 20DAT EUA 25DAT
80 R² = 35,30%
EUAMFPA (g por L)
EUA (20 DAT) = -0,8759*CEa +
42,02**
60 R² = 16,63%

40
EUA (15 DAT) = Média = 31,35

20
EUA (10 DAT) = Média = 25,78
0
0 1 2 3 4 5 6 7 8
Condutividade elétrica da água (dS m-1)
Figura 17. Eficiência do uso da água com base na massa de matéria fresca da parte aérea do
maço de plantas (EUAMFPA) do coentro hidropônico, em função da condutividade elétrica da água
(CEa), aos 10, 15, 20 e 25 dias após o transplantio (DAT).
31

5. CONCLUSÕES

No final do ciclo de cultivo as frequências de recirculação da solução


nutritiva (0,25 e 2 h) não promoveram diferenças significativas sobre a massa de
matéria fresca da parte aérea do maço de plantas.
No final do ciclo da cultura a condutividade elétrica da água promoveu
redução da produção na massa fresca do maço do coentro da ordem de 6,08%
por cada acréscimo unitário de CEa (dS m-1).
A produção de massa verde do maço de plantas do coentro foi menor para a
posição final do canal de cultivo.
No período dos 2 aos 24 dias após o transplantio para produzir um maço de
12 plantas de coentro hidropônico foi gasto em média um volume de 0,892 L com
a CEa 0,26 dS m-1, havendo redução relativa de 5,85% para cada aumento
unitário na CEa (dS m-1).
Não houve efeito significativo das frequências de recirculação da solução
nutritiva sobre o consumo hídrico durante o ciclo dos 2 aos 24 dias após o
transplantio.
Aos 25 dias após o transplantio a eficiência máxima no uso da água (53,61 g
-1
L ), com base na massa de matéria fresca do maço, foi estimada para CEa de
3,33 dS m-1.
Por todo o ciclo da cultura não foram observados sintomas de toxidez ou
deficiência mineral que pudessem ser atribuídos à salinidade ou à falta de
oxigenação da solução nutritiva.
32

6. REFRERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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