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Requerimento administrativo.

Aposentadoria por tempo de


contribuição com averbação de tempo
rural e conversão de tempo especial em
comum. Motorista rodoviário.
Presunção: motorista de ônibus.

AO ILMO A . SR A . GERENTE EXECUTIVO DA AGÊNCIA DA PREVIDÊNCIA


SOCIAL DE XXXX – UF

XXXX, brasileiro, maior, solteiro, inscrito no CPF sob o nº xxx.xxx.xxx-xx, residente e


domiciliado em XX/UF, vem, por meio de seus procuradores, requerer a concessão de
APOSENTADORIA POR TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO COM AVERBAÇÃO
DE TEMPO DE SERVIÇO RURAL E CONVERSÃO DE TEMPO DE SERVIÇO
ESPECIAL EM COMUM pelos seguintes fundamentos fáticos e jurídicos:

I – DOS FATOS
O Requerente, nascido em xx/xx/xxxx, contando atualmente com 52 anos de
idade, possui vocação campesina, desempenhando labor rurícola pelo menos desde os
seus 12 anos, em mútua e recíproca colaboração com sua mãe e irmãos.

No ano de 19XX, o Sr. XXXX se afastou do meio rural em busca de melhores


condições de vida no meio urbano, quando passou a desempenhar atividades laborativas
com exposição habitual e permanente a agentes nocivos a sua saúde.

O quadro a seguir demonstra, de forma objetiva, os diversos períodos contributivos, de


modo que os requisitos ensejadores do benefício tornam-se incontroversos:

Data Inicial Data Final Empregador Função Fator Tempo de contribuição Carência
Regime de
XX anos, XX meses e
economia Agricultor 1,00 –
XX dias.
familiar
XX anos, XX meses e
Motorista 1,00 XX
XX dias.
XX anos, XX meses e
Motorista 1,00 XX
XX dias.
XX anos, XX meses e
XX dias, com acréscimo
de XX meses e XX dias.
Atividade considerada
Motorista
1,40 nociva com base no item XX
rodoviário
2.4.4 do Anexo ao
Decreto 53.831/1964 e
item 2.4.2 do Anexo II
do Decreto 53.080/1979.
XX anos, XX meses e
Manobrista 1,00 XX
XX dias.
XX anos, XX meses e
Motorista
XX dias, com acréscimo
de 1,40 XXX
de XX anos, XX meses
caminhão
e XX dias.

Marco temporal Tempo total Carência Idade


Até a DER XX anos, XX meses e XXX XX anos e XX
xx/xx/xxxx XX dias. contribuições meses

II – DO DIREITO
A nova aposentadoria por tempo de contribuição, ainda não disciplinada em legislação
infraconstitucional, encontra-se estabelecida no art. 201, § 7o, I, da Constituição Federal
e nos arts. 52 a 56 da Lei 8.213/91, exceto naquilo em que forem incompatíveis com o
novo regramento constitucional.

O fato gerador da aposentadoria em apreço é o tempo de contribuição, o qual, na regra


permanente da nova legislação é de 35 anos para os homens. Trata-se do período de
vínculo previdenciário, sendo também consideradas as situações previstas no art. 55 da
Lei 8.213/91. No presente caso, o Requerente possui um total de XX anos, XX meses e
XX dias, tornando o requisito preenchido.

Quanto à carência, verifica-se que foram realizadas XXX contribuições, número


superior aos 180 meses exigidos, conforme determina o art. 25, II, da lei 8.213/91.
No caso em comento, o Segurado laborou, primeiramente, no campo, em regime de
economia familiar e, posteriormente, dedicou-se ao ofício de motorista, especialmente
de veículos de grande porte. Nesse sentido, oportuno tecer alguns esclarecimentos
acerca de cada período em específico.

Período: xx/xx/xxxx 12º aniversário a xx/xx/xxxx

Empresa: Regime de economia familiar

Cargo: Agricultor

Para fins de comprovação do tempo de serviço rural, o Sr. XXXX apresenta os


seguintes documentos:

–…

–…

–…

O Requerente é de família que se dedica às lides campesinas há longa data.

Conforme se depreende das certidões em anexo, o avô materno do Segurado, XXX, era
agricultor na data de seu casamento xx/xx/xxxx . Após o matrimônio, a avó materna do
Segurado, XXXX, também passou a exercer atividade rural com o marido, tanto que
faleceu na condição de agricultora aposentada vide certidão de óbito de xx/xx/xxxx, em
anexo .

A mãe do Requerente, Sra. XXXX, nascida filha de casal de agricultores, também se


dedicou às lides campestres ao longo de toda a sua vida, sendo beneficiária de benefício
de aposentadoria rural.

Ocorre que o presente caso apresenta certas particularidades. O desempenho das


atividades campesinas pela mãe do Segurado, a Sra. XXXX, teve início nas terras nos
pais dela avós do Requerente e, posteriormente, em terras vizinhas, que não pertenciam
a ningúem.

Conforme certidão do Cartório de Registro de Imóveis da Comarca de XXXX UF , em


anexo, o imóvel de matrícula nº xxx, antes de pertencer à Sra. XXXX, não possuía
registro nenhum, tratando-se de verdadeiras terras devolutas.

Assim, a Sra. XXXX, juntamente com sua família incluído o Requerente , passou a
cultivar as terras, dar-lhe destinação útil, plantando e criando animais necessários à
subsistência do núcleo familiar.

Na época, o cultivo era muito primário, destinado primordialmente a atender as


necessidades básicas do grupo familiar, havendo quase nenhuma comercialização de
produtos.
Em 19XX, após o tramitar de ação judicial, foi reconhecido o direito de propriedade da
Sra. XXXX em relação às terras que cultivava com a sua família, havendo a aquisição
por usucapião de uma fração de terras de xxxm² xxx metros quadrados , ou seja, X
hectares.

Destaque-se que, por se tratar de área adquirida por usucapião, é necessário que a mãe
do Segurado já estivesse possuindo a terra sem oposição e tornado-a produtiva por seu
trabalho muito tempo antes do ajuizamento do processo que deu origem à
transcrição no Registro de Imóveis, pois NA DATA DE INÍCIO DA AÇÃO seria
necessário comprovar que já se estava na posse das terras por vários anos.

Não é outra a conclusão a que se chega pela análise do histórico escolar em anexo, o
qual comprova que ele frequentava escola rural, mais especificamente localizada em
XXXX, no ano de XXXX, quando o Segurado XXXX completou 12 doze anos de
idade.

Tamanho era o vínculo do Sr. XXX com o campo que mesmo depois da sua ida para a
cidade, o mesmo permaneceu auxiliando a sua genitora nas questões campesinas, pois
detinha experiência e conhecimento. É o que se depreende do comprovante de entrega
de declaração para cadastro de imóvel rural ao INCRA, recebido pelo referido Instituto
em xx/xx/xxxx, através do qual o Segurado-Requerente assinou em nome de sua
genitora, proprietária das terras.

Tanto é que, ainda hoje em dia, os talões de notas fiscais de produtor são emitidos
conjuntamente em seu nome e no nome de sua genitora, revelando a histórica ligação do
Segurado com o campo, bem como a existência, ainda hoje, de certo vínculo do
Requerente com a vida rural, uma vez que esta persiste sendo a única fonte de renda
para parcela de sua família.

Assim, verifica-se que o conjunto probatório demonstra o efetivo desempenho do labor


rurícula pelo Sr. XXXX, ao menos desde os seus 12 anos de idade, em mútua e
recíproca colaboração com sua genitora e com seus irmãos.

Salienta-se a possibilidade de contagem do período de atividade rural como tempo de


contribuição para fins previdenciários a partir dos 12 anos de idade. Nesse diapasão,
destaque-se trecho do recente voto da Relatora Edna Fernandes Silverio, julgado em
17/07/2015, pela 27ª Junta de Recursos da Previdência Social processo nº
44232.268884/2014-53 , acompanhando a jurisprudência pacificada do TRF-4, STJ e
STF. Veja-se:

“Verifica-se, ainda, que o recorrente completou 12 anos idade em 1965. Com efeito, a
vedação constitucional do trabalho antes de completados 14 quatorze anos de
idade, tem como objetivo coibir o trabalho infantil, não podendo trazer prejuízo ao
trabalhador, no que diz respeito à contagem de tempo de contribuição para fins
previdenciários. Todavia, pacificado na jurisprudência, o entendimento segundo o
qual o labor para fins previdenciários pode ser computado a partir dos 12 anos de
idade.” sem grifos no original

Por oportuno, destaca-se que a atividade rural desempenhada pelo Requerente e sua
família está em estrita consonância com o conceito de “atividade desenvolvida em
regime de economia familiar” constante no § 1º do artigo 39 da Instrução Normativanº
77/2015/INSS/PRES:

Art. 39. São considerados segurados especiais o produtor rural e o pescador artesanal ou
a este assemelhado, desde que exerçam a atividade rural individualmente ou em regime
de economia familiar, ainda que com o auxílio eventual de terceiros.

§ 1º A atividade é desenvolvida em regime de economia familiar quando o trabalho dos


memebros do grupoi familiar é indispensável à sua subsistência e desenvolvimento
socioeconômico, sendo exercido em condições de mútua dependência e colaboração,
sem a utilização de empregados permanentes, independentemente do valor auferido pelo
segurado especial com a comercialização da sua produção, quando houver, observado
que: […]

Com efeito, vislumbra-se que o Sr. XXXX começou a auxiliar seus genitores na
agropecuária ainda muito jovem, exercendo atividade rural desde tenra idade, até o seu
afastamento do meio rurícula em busca de melhores condições de vida no meio urbano.

Além disso, é importante destacar que a genitora do Requerente aposentou-se como


segurada especial, comprovando a inequívoca vocação campesina do Sr. XXXX e do
grupo familiar.

Insta, ainda, registrar que as provas em nome da mãe e dos avós do Requerente são
revestidas de veracidade, sendo certo que, por ser menor de idade na época, o Sr.
XXXX não haveria como apresentar provas em seu nome qualificando-o como
trabalhador rural. Ademais, considerando que todo o grupo familiar se dedicava às
atividades rurais e…