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Segurança e Saúde do Trabalho

Maria Luíza Muniz

Curso Técnico em Recursos Humanos


Educação a Distância
2018
EXPEDIENTE

Professor Autor
Maria Luíza Muniz

Design Instrucional
Annara Perboire
Deyvid Souza Nascimento
Renata Marques de Otero
Terezinha Mônica Sinício Beltrão

Revisão de Língua Portuguesa


Eliane Azevedo

Diagramação
Klébia Carvalho

Coordenação
Carlo Pacheco

Coordenação Executiva
George Bento Catunda

Coordenação Geral
Paulo Fernando de Vasconcelos Dutra

Conteúdo produzido para os Cursos Técnicos da Secretaria Executiva de Educação


Profissional de Pernambuco, em convênio com o Ministério da Educação
(Rede e-Tec Brasil).

Fevereiro, 2018
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) de acordo com ISBD

M963s
Muniz, Maria Luíza.
Segurança e Saúde do Trabalho: Curso Técnico em
Recursos Humanos: Educação a distância / Maria Luíza
Muniz. – Recife: Secretaria Executiva de Educação
Profissional de Pernambuco, 2018.
108 p.: il.

Inclui referências bibliográficas.

1. Segurança do trabalho. 2. Política de Saúde. 3.


Trabalhadores. I Muniz, Maria Luíza. II. Título.

CDU – 613.6

Elaborado por Hugo Carlos Cavalcanti | CRB-4 2129


Sumário
Introdução .............................................................................................................................................. 4
1.Competência 01 | Fundamentos da Fisiologia no Trabalho ............................................................... 6
1.1 Surgimento da ergonomia ..............................................................................................................................6

1.2 Classificação da ergonomia .......................................................................................................................... 11

1.3 Risco ergonômico ......................................................................................................................................... 12

1.4 Norma regulamentadora 17 – ergonomia ................................................................................................... 14

1.5 Análise ergonômica de trabalho (AET)......................................................................................................... 23

2.Competência 02 | Gestão da Segurança e da Saúde no Trabalho .................................................... 27


2.1 Riscos ambientais ......................................................................................................................................... 27

2.2 Mapa de riscos ............................................................................................................................................. 34

2.3 Medidas de prevenção dos riscos ................................................................................................................ 39

3.Competência 03 | Condições Técnicas de Trabalho ......................................................................... 52


3.1 Estratégias de prevenção dos riscos ............................................................................................................ 52

3.2 Equipamentos de proteção coletiva (EPC) ................................................................................................... 54

3.3 Equipamentos de proteção individual (EPI) ................................................................................................. 58

3.4 Norma regulamentadora 6 .......................................................................................................................... 63

4.Competência 04 | Aplicações Legais entre Direitos e Obrigações na Segurança e Saúde do


Trabalho................................................................................................................................................ 74
4.1 Histórico da saúde ocupacional ................................................................................................................... 74

4.2 Legislação sobre acidente de trabalho ........................................................................................................ 79

4.3 Comunicação de acidente de trabalho (CAT)............................................................................................... 87

4.4 Previdência social ......................................................................................................................................... 90

4.5 Consequências dos acidentes de trabalho ................................................................................................... 94

Referências ........................................................................................................................................... 96
Minicurrículo do Professor ................................................................................................................. 107
Introdução

Seja bem vindo à disciplina de Segurança e Saúde no Trabalho do curso Técnico de Recursos
Humanos!

Caro aluno, vamos seguir juntos nesta jornada e aproveitar este momento de interação para
aprender um pouco sobre Segurança e Saúde no Trabalho. Entenderemos qual a importância desta
disciplina na prática diária do técnico de Recursos Humanos, e como os conhecimentos dela irão dar
consistência e facilitar as ações a serem realizadas por este profissional.

Podemos destacar vários questionamentos que ao longo da disciplina vamos responder, como por
exemplo: Quando surgiu a ergonomia e como ela se classifica? Quais são os fatores de risco
ambientais e por que a necessidade de identificá-los? Quais os cuidados que se deve tomar ao
elaborar as medidas de prevenção em um local de trabalho? Quando podemos considerar que um
acidente é acidente do trabalho? Quais as causas e consequências dos acidentes de trabalho? O que
são equipamentos de proteção individual e qual a importância deles nos ambientes laborais?

Pretendemos esclarecer e discutir todas estas perguntas acima e acreditamos que ao fim da
disciplina você, prezado aluno, estará apto a respondê-las. Mas não apenas isso, ao final, o aluno
além de obter o conhecimento teórico, será capaz de identificar os riscos ambientais existentes em
locais de trabalho diversos e saberá elaborar e colocar em prática medidas de prevenção contra
estes agravos.

A definição de saúde, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), é a de um completo bem


estar físico, psíquico, social e espiritual, ela também é vista como um processo, uma construção do
ser humano. A saúde e o trabalho, nos dias de hoje, já carregam uma relação de causa e efeito bem
definida. Sendo assim, o trabalho termina por ser um dos determinantes dessa construção, ou seja,
um dos determinantes da saúde dos cidadãos.

4
Caro aluno, a partir do primeiro parágrafo, podemos concluir que o ambiente do trabalho, os
equipamentos utilizados e a organização das atividades são fatores decisivos para a saúde dos
trabalhadores. Por isto a grande importância de estudar a saúde ocupacional, os fatores de risco
para doenças e acidentes existentes no ambiente laboral e as medidas de prevenção de agravos.
Para conseguirmos resultados positivos, é necessário um esforço conjunto dos empregadores, dos
trabalhadores, do Estado e da sociedade civil para melhorar a segurança, a saúde e o bem-estar no
trabalho.

Dessa forma, vamos começar a 1ª competência abordando uma ciência denominada de Ergonomia.
Vamos aprender onde ela surgiu, qual a sua importância, classificação e campo de aplicação. Por
fim, iremos compreender como realizar uma análise ergonômica do trabalho e qual a sua
importância e utilidade.

Na 2ª competência, vamos conhecer os riscos ambientais detalhadamente e como elaborar um


mapa de riscos. Mas não vamos parar por aqui, após aprendermos a identificar estes riscos
começaremos a pensar em medidas para preveni-los e deixar o local de trabalho o mais saudável
possível.

A 3ª competência vem para falar inicialmente da sequência lógica das medidas de prevenção dos
riscos e posteriormente dos equipamentos de proteção individual e dos equipamentos de proteção
coletiva. Eles serão apresentados e conheceremos suas utilidades e importância.

Encerremos esta disciplina na 4ª competência onde faremos um apanhado histórico geral da saúde
ocupacional e conheceremos a legislação que trata dos acidentes ocupacionais. Além disso, serão
abordadas a Previdência Social e os seus benefícios e as causas e consequências dos acidentes de
trabalho para o indivíduo e a sociedade como um todo.

Bons estudos!

5
Competência 01

1.Competência 01 | Fundamentos da Fisiologia no Trabalho

Nesta competência vamos detalhar o risco ergonômico, conhecê-lo e nos aprofundarmos um pouco
nesta ciência que é denominada Ergonomia. Saber como ela surgiu, qual o seu campo de atuação e
a sua importância para a melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores e minimização de
acidentes e doenças relacionados ao trabalho.

1.1 Surgimento da ergonomia

Na época da Revolução Industrial, o avanço da tecnologia e a necessidade de mão de obra foram


muito acelerados e, como consequência, os trabalhadores se encontravam em péssimas condições
para exercerem seus ofícios. Os empresários eram alheios aos problemas dos homens, estavam
apenas preocupados com o aumento da produção e dos lucros.

Entretanto, chegou uma fase onde os índices de acidentes, adoecimentos e morte dos
trabalhadores eram alarmantes. Muitos funcionários tinham ficado inválidos ou tinham ido a óbito
e a escassez de mão de obra começou a ser sentida e a se tornar preocupante. Somou-se a esta
realidade os conhecimentos científicos e tecnológicos que foram aplicados na Segunda Guerra
Mundial como o desenvolvimento de aviões, submarinos, tanques, radares e armas. Os soldados
precisavam de muita habilidade para operá-los e as condições ambientais eram bastante
desfavoráveis o que gerou, na época, diversos erros e acidentes fatais.

6
Competência 01

Figura 01 - Segunda Guerra Mundial


Fonte: http://produto.mercadolivre.com.br
/MLB-233623968-foto-segunda-guerra-tan
que-com-soldados-da-feb-italia-1945-_JM
(2012)
Descrição: imagem representando o
transporte de soldados em guerra.
Objetivo: descrever aspectos da guerra
devido ao texto do caderno.

Logo após a guerra, já tinha vários profissionais envolvidos em projetos que visavam adaptar os
instrumentos às características e capacidade dos soldados que operavam as máquinas. Em 12 de
julho de 1949, na Inglaterra, essas pessoas se reuniram e foi ai onde, oficialmente, nasceu a
Ergonomia. Na mesma época, nos Estados Unidos, a marinha e a força aérea, juntas, montavam um
laboratório de pesquisa de ergonomia com o objetivo de aperfeiçoar aeronaves e submarinos. Por
fim, a ergonomia ganhou impressionante avanço e enorme desenvolvimento tecnológico,
disseminando-se, rapidamente, pela América e Europa, após a Corrida Espacial e a Guerra Fria.

Alguns estudiosos creditam o surgimento da Ergonomia ao homem


primitivo, que com a necessidade de se proteger e sobreviver, sem querer,
começou a aplicar os princípios da Ergonomia, buscando meios de tornar
seus trabalhos mais fáceis e menos penosos.

Caro aluno, você saberia dizer o significado da palavra ergonomia?

7
Competência 01

Ela vem do grego, onde ergon significa trabalho e normos significa normas, regras, leis. Sendo assim,
a Ergonomia é o estudo da adaptação do trabalho às características dos indivíduos, de modo a lhes
proporcionar o máximo de conforto, segurança e bom desempenho de suas atividades no trabalho.

A Ergonomia surge como uma nova ciência, mediante a contribuição de diversas disciplinas
científicas como Antropométrica, Biomecânica Ocupacional, Anatomia, Fisiologia do Trabalho,
Psicologia do Trabalho, Desenho Industrial, Toxicologia e Informática, que visam humanizar o
trabalho, tornando mais produtivos os seus resultados.

Antropometria:
é o espaço onde o trabalho é desenvolvido (equipamentos, máquinas), devendo
considerar os movimentos e dimensões do corpo humano. São feitos estudos das
medidas das várias características do corpo como dimensões lineares, diâmetros e
pesos e também pesquisas para o homem parado e em movimento
(antropometria estática e dinâmica).
Biomecânica:
Se refere a
aspectos mecânicos do movimento humano, incluindo considerações de alcance,
força e velocidade dos movimentos do corpo.

O homem se torna o centro das atenções e cuidados, ele agora é a peça fundamental do sistema de
produção. Os conceitos foram invertidos, se antes o homem tinha que se adaptar ao meio laboral,
agora o trabalho, os equipamentos e o meio é que têm que se moldar ao homem. A constituição, o
potencial e as limitações humanas são analisados e não será exigido além da capacidade individual
de cada pessoa.

O trabalho deve ser motivador e permitir a satisfação física e mental do funcionário e não ser
encarado apenas como um meio de sobrevivência. Existe uma preocupação com as consequências
sanitárias e psicológicas do ambiente, procurando torná-lo agradável e são.

Vários aspectos são estudados na ergonomia como, por exemplo, postura e movimentos corporais
(trabalho sentado, trabalho em pé, movimentação de cargas e levantamento de peso), informações
captadas pela visão e audição, controle (relação de mostradores e controles) e cargos e tarefas.

8
Competência 01

Figura 02 - Trabalhadores Movimentando


Cargas
Fonte: www.hotfrog.com.br/Empresas/COOPL
ABORr-Cooperativa-de-Trabalho (2012)
Descrição: imagem representando a
manipulação de sacos por operários.
Objetivo: descrever aspectos relacionados à
ergonomia no processo de manipulação de
mercadorias.

Você sabia que a Ergonomia se divide em três fases distintas?

São elas:

 Primeira fase ou Ergonomia Tradicional - Nesta fase, os cientistas tinham como objetivo
redimensionar os postos de trabalho e, dessa forma, possibilitar um melhor alcance motor e visual
dos funcionários. Os estudos ficaram centrados nas características físicas e perceptivas do ser
humano e na aplicação de dados no design de controles, displays e arranjos de interesse militar.

 Segunda Fase ou Ergonomia do Meio Ambiente - Passa a se entender a relação do homem


com o meio ambiente, os postos de trabalho são projetados de tal forma que isolam o trabalhador
do ambiente industrial agressivo. Surge a preocupação com os efeitos que a temperatura, o ruído, a
vibração, a iluminação e os aerodispersoides podem causam no homem. Nesta fase, as dimensões
do trabalho e o ambiente passam a ser adequados ao homem.

9
Competência 01

Aerodispersóides: são partículas ou gotículas extremamente pequenas em


suspensão na atmosfera ou ambiente de trabalho que são transportados pela
corrente de ar. Estas partículas são geradas pela ruptura mecânica de sólidos
como minerais ou vegetais pulverizados a que chamamos de poeira ou como
também os materiais líquidos que originam os vapores decorrentes da
evaporação de água, combustíveis e outras substâncias voláteis.

 Terceira Fase ou Ergonomia de Software ou Cognitiva - A Ergonomia começa a operar em


um outro ramo científico, estudando e elaborando sistemas de transmissão de informação mais
adequados à capacidade mental do homem, muito comum à informática e ao controle automático
de processos industriais. Nesta fase, se dá ênfase ao processo cognitivo do ser humano.

Figura 03 - Trabalhador de Digitação


Fonte: http://www.grupoisastur.com/manual_isastur/data/pt/1/1_9.htm (2012)
Descrição: imagem representando uma mulher operando um computador.
Objetivo: descrever aspectos da importância na postura.

10
Competência 01

1.2 Classificação da ergonomia

 Ergonomia de Concepção ou Ergonomia Proativa - Já na fase de planejamento e concepção


dos locais, postos e instrumentos de trabalho se realizam intervenções ergonômicas. É o tipo mais
indicado, pois já se pensa em ambientes de trabalho adequados antes mesmo de os trabalhadores
começarem suas atividades, não sendo necessário estabelecer alterações em situações
previamente estabelecidas. Ou seja, antes de se abrir uma empresa e até mesmo de começar a
construção de suas instalações e compra de suas máquinas e equipamentos já se realiza um estudo
de base para que se realizem essas ações da maneira mais ergonomicamente correta para os
trabalhadores.

Entretanto não é a maneira mais fácil de trabalhar, visto que as decisões serão tomadas baseadas
em situações não reais simuladas em computadores e modelos virtuais. Sendo assim, é exigida uma
maior carga de conhecimento e experiência de quem for colocá-la em prática.

 Ergonomia de Correção ou Ergonomia Reativa - Aqui, as ações serão realizadas em


ambientes reais, onde as atividades laborais já são efetuadas. É quando se identificam problemas
ergonômicos em algumas funções e são necessárias medidas para saná-los. Em algumas situações, a
saúde e a segurança dos trabalhadores está sendo colocada em risco e em outras, os problemas
estão interferindo diretamente na produção; nos dois casos os problemas têm que ser resolvidos.
Um dificultador é que as soluções adotadas, muitas vezes, não são completamente satisfatórias
exigindo custo elevado de implantação.

 Ergonomia de Conscientização - Neste tipo de ergonomia a abordagem é um pouco


diferente, os trabalhadores são capacitados, através de treinamentos de reciclagem individuais ou
coletivos, para que eles mesmos sejam capazes de identificar e corrigir problemas que possam
surgir no dia a dia do trabalho.

11
Competência 01

 Ergonomia de Participação - O usuário do sistema passa a ser envolvido na solução de


problemas ergonômicos. Parte-se do princípio básico de que o usuário detém o conhecimento
prático que muitas vezes acaba passando despercebido pelo projetista na ergonomia de concepção.
Por usuário devemos entender o próprio trabalhador, quando se trata de alterações no posto de
trabalho, e o consumidor, quando se trata do produto de consumo.

1.3 Risco ergonômico

O risco ergonômico envolve todos os fatores em um ambiente de trabalho que estejam associados a
sobrecargas físicas e emocionais, ou seja, tudo que envolva trabalhos cansativos e prolongados e o
lado psicossocial do ser humano.

São eles: relações desgastadas de trabalho, esforço físico intenso, levantamento e transporte
manual de peso, mobiliário inadequado, posturas incorretas, controle rígido de tempo para
produtividade, imposição de ritmos excessivos, trabalho em turno e noturno, jornadas de trabalho
prolongadas, monotonia, repetitividade e outras situações causadoras de estresse físico e /ou
psíquico.

Podemos enumerar diversas medidas de controle a serem implementadas em um ambiente de


trabalho com o objetivo de eliminar ou reduzir os riscos ergonômicos. Como exemplo podemos
citar:

 Diminuição da jornada de trabalho;


 Aumentar o número de turnos ou de equipes;
 Analisar as médias de horas trabalhadas por semana;
 Realizar rodízio entre os funcionários;
 Estabelecer pausas para descanso durante a jornada de trabalho;
 Proporcionar assistência médica e exames periodicamente;

12
Competência 01

 Ao carregar peso fazer uso da mecânica corporal (deixar os pés totalmente apoiados no chão
e mantê-los afastados, manter as costas eretas o máximo possível, flexionar os joelhos e não curvar
a coluna) e utilizar vestimentas que permitam liberdade de movimentos e sapatos fechados e
antiderrapantes;
 Terapias corporais de relaxamento (ex: ginástica laboral), alongamento e reeducação
postural;

Figura 04 - Ginástica Laboral


Fonte: www.saude.al.gov.br/categorias/ atencao
asaude/assistenciahospitalarede0?page=5 (2012)
Descrição: imagem representando o trabalho de
terapia ocupacional.
Objetivo: descrever aspectos da importância da
terapia ocupacional no ambiente de trabalho.

 Psicoterapia, hidroterapia, acupuntura e massoterapia;


 Diminuição da competitividade no ambiente de trabalho;
 Busca de metas coletivas;
 Diminuição da intensidade do trabalho;
 Orientar hábitos saudáveis de vida, como alimentação balanceada, exercícios físicos
regulares, manter o sono diário de, no mínimo, seis horas;
 Não preencher o tempo livre com mais trabalho e sim utilizá-lo para atividades agradáveis;
 Dedicar um tempo para habilidades que sempre quis aprender ou desenvolver, como
pintura, música, dança de salão ou outra que venha a trazer satisfação pessoal;
 Saber administrar tempo levando em consideração além das questões do trabalho, o
cuidado pessoal e o lazer;

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Competência 01

 Cultivar o relacionamento interpessoal, buscando um bom relacionamento com colegas de


trabalho, familiares e amigos.

Figura 05 - Ambiente de Trabalho Saudável


Fonte: www.mundodastribos.com/curso-de-cozinheiro-
profissional-2011-gratis-curso-de-cozinha-gratuito-sp.html (20
12)
Descrição: imagem representando pessoas em uma cozinha.
Objetivo: descrever aspectos do relacionamento profissional
no trbalho.

1.4 Norma regulamentadora 17 – ergonomia

Esta NR tem como objetivo definir parâmetros que permitam a adaptação das condições de
trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores. Dessa forma, proporcionando um
máximo de conforto, segurança e desempenho eficiente. Estas condições de trabalho incluem
aspectos relacionados ao levantamento, transporte e descarga de materiais, ao mobiliário, aos
equipamentos e às condições ambientais do posto de trabalho e à própria organização do trabalho.

14
Competência 01

Figura 06 - Profissional Levantando Peso de


Forma Incorreta
Fonte: www.escoladepostura.com.br/main.asp?
link=noticia (2012)
Descrição: imagem representando uma pessoa
levantando um balde.
Objetivo: descrever aspectos da postura.

A norma define transporte manual de carga como sendo todo transporte no qual o peso da carga é
suportado inteiramente por um só trabalhador, compreendendo o levantamento e a deposição da
carga. Já o transporte manual regular de cargas seria toda atividade realizada de maneira contínua
ou que inclua, mesmo de forma descontínua, o transporte manual de cargas.

Na CLT podemos extrair sobre o transporte manual de cargas:


Artigo 198: O peso máximo que um empregado pode remover individualmente, ressalvadas
as disposições especiais relativas ao trabalho do menor e da mulher, é de 60kg.
Artigo 390: Ao empregador é vedado empregar a mulher em serviços que demandem o
emprego de força muscular superior a 20kg para o trabalho contínuo, ou 25kg para o
trabalho ocasional.
Parágrafo único: Não está compreendido na determinação deste artigo a remoção de
material feita por impulsão ou tração de vagonetes sobre trilhos, de carros de mão ou
quaisquer aparelhos mecânicos.

Quando o transporte manual de cargas ficar a encargo de mulheres ou de trabalhadores jovens


(idade inferior a dezoito anos e maior de quatorze anos), visando o não comprometimento de sua
saúde ou segurança, o peso máximo das cargas deve ser nitidamente menor que àquele admitido
para os homens. Para trabalhador cujo peso seja suscetível de comprometer sua saúde ou sua
segurança não deverá ser exigido nem admitido o transporte manual de cargas.

15
Competência 01

Com o intuito de manter a saúde e prevenir os acidentes entre os trabalhadores designados para o
transporte manual regular de cargas, que não as leves, é necessário treinamento e instruções
quanto aos métodos de trabalho que devem ser utilizados. Meios técnicos apropriados devem ser
utilizados para limitar ou facilitar o transporte manual de cargas.

O transporte e a descarga de materiais feitos por impulsão ou tração de vagonetes sobre trilhos,
carros de mão ou qualquer outro aparelho mecânico e o trabalho de levantamento de material feito
com equipamento mecânico de ação manual deverão ser executados de forma que o esforço físico
realizado pelo trabalhador seja compatível com sua capacidade de força e não comprometa a sua
saúde ou a sua segurança.

Figura 07 - Transporte de Carga


Fonte: www.portal.ufpa.br/imprensa/noticia.php?
cod=5672 (2012)
Descrição: imagem representando o transporte
de cargas.
Objetivo: descrever aspectos da manipulação de
cargas.

Sempre que o ofício puder ser executado na posição sentada, o posto de trabalho deve ser
planejado ou adaptado para esta posição. No caso de atividades nas quais os trabalhos devam ser
realizados sentados, a partir da análise ergonômica do trabalho, poderá ser exigido suporte para os
pés, que se adapte ao comprimento da perna do trabalhador. Já nas atividades nas quais os
trabalhos devam ser realizados de pé, devem ser colocados assentos para descanso em locais em
que possam ser utilizados por todos os trabalhadores durante as pausas.

16
Competência 01

Figura 08 - Equipamentos de
Trabalho Ergonomicamente
Corretos
Fonte: http://moveisparaescritorio.
com.br/tags/ergonomia-no-trabalho
/ (2012)
Descrição: imagem representando a
postura de uma pessoa no ambiente
de trabalho.
Objetivo: descrever aspectos da
importância da postura ao sentar.

No trabalho manual, tanto sentado quanto em pé, as bancadas, mesas, escrivaninhas e os painéis
devem proporcionar ao trabalhador condições de boa postura, visualização e operação. Alguns
requisitos mínimos devem ser atendidos como ter altura e características da superfície de trabalho
compatíveis com o tipo de atividade, com a distância requerida dos olhos ao campo de trabalho e
com a altura do assento, ter área de trabalho de fácil alcance e visualização pelo trabalhador e ter
características dimensionais que possibilitem posicionamento e movimentação adequados dos
segmentos corporais.

Em trabalho que necessite a utilização também dos pés, os pedais e demais comandos para
acionamento pelos pés devem ter posicionamento e dimensões que possibilitem fácil alcance, bem
como ângulos adequados entre as diversas partes do corpo do trabalhador, em função das
características e peculiaridades do trabalho a ser executado.

17
Competência 01

Os assentos utilizados nos postos de trabalho devem atender alguns requisitos mínimos de
conforto como altura ajustável à estatura do trabalhador e à natureza da função exercida,
características de pouca ou nenhuma conformação na base do assento, borda frontal arredondada
e encosto com forma levemente adaptada ao corpo para proteção da região lombar.

Figura 09 - Assento
Ergonômico
Fonte: GONÇALVES,
F.M.(2008)
Descrição: imagem
representando uma
cadeira ergonômica.
Objetivo: descrever por
meio de imagem uma
cadeira ergonômica
para escritório.

Todos os equipamentos, as condições ambientais e a organização do


trabalho devem estar adequados às características psicofisiológicas dos
trabalhadores e à natureza do trabalho a ser executado.

Algumas medidas são necessárias na realização de atividades que envolvam leitura de documentos
para digitação, datilografia ou mecanografia, entre elas o fornecimento de suporte adequado para
documentos que possa ser ajustado proporcionando boa postura, visualização e operação, evitando
movimentação frequente do pescoço e fadiga visual e a utilização de documento de fácil
legibilidade sempre que possível, sendo vedada a utilização do papel brilhante, ou de qualquer
outro tipo que provoque ofuscamento.

18
Competência 01

Observem que os equipamentos utilizados no processamento eletrônico de dados com terminais de


vídeo devem seguir as seguintes regras:

 Condições de mobilidade suficientes para permitir o ajuste da tela do equipamento à


iluminação do ambiente, protegendo-a contra reflexos, e proporcionar corretos ângulos de
visibilidade ao trabalhador;
 O teclado deve ser independente e ter mobilidade, permitindo ao trabalhador ajustá-lo de
acordo com as tarefas a serem executadas;
 A tela, o teclado e o suporte para documentos devem ser colocados de maneira que as
distâncias olho-tela, olho-teclado e olho-documento sejam aproximadamente iguais;
 Ser posicionados em superfícies de trabalho com altura ajustável.

Figura 10 - Teclado Ergonômico


Fonte: GONÇALVES, F.M. (2008)
Descrição: imagem representando
teclados ergonômicos para computador.
Objetivo: demonstrar os modelos de
teclados ergonômicos para computador.

19
Competência 01

Figura 11 – Mouse Ergonômico


Fonte: GONÇALVES, F.M. (2008)
Descrição: imagem representando
mouse ergonômico para
computador.
Objetivo: demonstrar um modelo
de mouse ergonômico para
computador.

Em ambientes de trabalho onde são executadas atividades que exijam solicitação intelectual e
atenção constantes (salas de controle, laboratórios, escritórios, salas de desenvolvimento ou análise
de projetos, etc) condições de conforto são recomendadas, tais como níveis de ruído de acordo com
o estabelecido em normas, índice de temperatura efetiva entre 20 e 23ºC, velocidade do ar não
superior a 0,75m/s e umidade relativa do ar não inferior a 40%.

A iluminação, seja ela natural ou artificial, geral ou suplementar, deve ser apropriada à natureza da
atividade em todos os locais de trabalho. A iluminação geral deve ser uniformemente distribuída e
difusa. A iluminação geral ou suplementar deve ser projetada e instalada de forma a evitar
ofuscamento, reflexos incômodos, sombras e contrastes excessivos.

Quando nos referimos à organização do trabalho devemos estar atentos às normas de produção, ao
modo operatório, a exigência de tempo, a determinação do conteúdo de tempo ao ritmo de
trabalho e ao conteúdo das tarefas.

Nas atividades que exijam sobrecarga muscular estática ou dinâmica do pescoço, ombros, dorso e
membros superiores e inferiores devem ser incluídas pausas para descanso e quando do retorno ao

20
Competência 01

trabalho, após qualquer tipo de afastamento igual ou superior a 15 dias, a exigência de produção
deverá permitir um retorno gradativo aos níveis de produção vigentes na época anterior ao
afastamento.

Figura 12 - Descanso no Ambiente de


Trabalho
Fonte: http://www.pequenoguru.com.br/
tag/produtividade/page/2/ (2008)
Descrição: imagem representando pessoas
descansado no ambiente de trabalho.
Objetivo: demonstrar uma forma de
descanso no ambiente de trabalho.

Em atividades de processamento eletrônico de dados, deve-se ficar atento a algumas questões:

 Fica vetada ao empregador promover qualquer sistema de avaliação dos trabalhadores


envolvidos nas atividades de digitação, que se norteie no número individual de toques sobre o
teclado, para efeito de remuneração e vantagens de qualquer espécie;
 O número máximo de toques reais (cada movimento de pressão sobre o teclado) exigidos
pelo empregador não deve ser superior a 8.000 por hora trabalhada;
 O tempo efetivo de trabalho de entrada de dados não deve exceder o limite máximo de 5
horas, sendo que, no período de tempo restante da jornada, o trabalhador poderá exercer outras
atividades, desde que não exijam movimentos repetitivos, nem esforço visual;
 Nas atividades de entrada de dados deve haver, no mínimo, uma pausa de 10 minutos para
cada 50 minutos trabalhados, não deduzidos da jornada normal de trabalho;

21
Competência 01

 Quando do retorno ao trabalho, após qualquer tipo de afastamento igual ou superior


a 15 dias, a exigência de produção em relação ao número de toques deverá ser iniciado em níveis
inferiores aos 8.000 por hora trabalhada.

O Anexo I é referente ao trabalho dos operadores de checkout. Aplica-se aos empregadores que
desenvolvem atividades comerciais utilizando sistema de autosserviço e checkout, como
supermercados, hipermercados e comércio atacadista. Contêm exigências a serem cumpridas em
relação aos postos de trabalho, a manipulação de mercadorias, a organização do trabalho, aos
aspectos psicossociais do trabalho, e à informação e formação dos trabalhadores.

Já o Anexo II é referente ao trabalho em teleatendimento / telemarketing. Aplica-se a todas as


empresas que mantêm serviço de teleatendimento / telemarketing nas modalidades ativo ou
receptivo em centrais de atendimento telefônico e/ou centrais de relacionamento com clientes,
para prestação de serviços, informação e comercialização de produtos. Contêm exigências a serem
cumpridas em relação ao mobiliário, e equipamentos dos postos de trabalho, capacitação dos
trabalhadores, condições sanitárias de conforto, programa de saúde ocupacional e de prevenção de
riscos ambientais.

Figura 13 - Trabalhadores de Teleatendimento /


Telemarketing
Fonte: http://revistabahia.com.br/2010/02/07/setor-
de-telemarketing-e-lider-nas-ofertas-de-emprego-no-
pais/ (2012)
Descrição: imagem representando pessoas em um
call center.
Objetivo: demonstrar uma forma de divisão e
disposição de trabalho..

22
Competência 01

Para ter acesso a todos os anexos da norma regulamentadora


17 e seu texto na íntegra, clique no link abaixo:
http://www.guiatrabalhista.com.br/legislacao/nr/nr17.htm

1.5 Análise ergonômica de trabalho (AET)

É considerada uma ergonomia de correção e foi desenvolvida por pesquisadores franceses. Com o
intuito de avaliar a adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos
trabalhadores, cabe ao empregador realizar a análise ergonômica do trabalho. Através da aplicação
dos conhecimentos da Ergonomia se faz a análise, o diagnóstico e a correção de uma situação real
do ambiente de trabalho.

Sendo assim, inicialmente se compreende as atividades dos trabalhadores, posteriormente se


identifica um problema ou uma situação problemática e, por fim, realiza-se um diagnóstico que
relaciona os diversos determinantes das atividades e suas consequências, tanto para os
trabalhadores quanto para o sistema. Podemos concluir que a AET não pode ser realizada para toda
a empresa, ela deve ter uma elaboração localizada para cada setor da empresa.

São feitas análises de uma situação de trabalho com o intuito de adaptar o homem:

 Condições Técnicas: estruturas gerais do sistema de produção, fluxo de produção, sistemas


de controle, etc.;
 Condições Ambientais: estuda-se o layout, mobiliário, ruído, iluminação, temperatura;
 Condições Organizacionais: horas de trabalho, turnos, índice de retrabalho, dificuldades
operacionais ambientais e organizacionais;
 Condições Cognitivas: são as exigências na realização do trabalho, controle, qualidade e
inspeção;
 Condições de Regulação no Trabalho: pausas, flexibilidade, paradas, ginástica pré-laboral.

23
Competência 01

A AET se divide em cinco etapas. São elas: a análise de demanda, a análise da tarefa, a análise da
atividade, o diagnóstico e as recomendações.

 Análise de Demanda

É o momento inicial da análise ergonômica, aqui se busca entender a empresa e levantar os


problemas existentes que precisam ser sanados. Para obter os dados necessários é preciso buscar
fontes e meios seguros de informações sobre a demanda, fazendo consultas a alguns serviços da
empresa como os serviços de medicina e segurança do trabalho, departamento de recursos
humanos e departamento de engenharia industrial. A procura é por dados estatísticos referentes a
doenças ocupacionais, acidentes, taxas de absenteísmo e de rotatividade, índices de rotatividade e
organogramas.

É realizada uma visita para reconhecimento da situação de trabalho. Entretanto, antes, deve-se
fazer uma preparação que consiste em informar aos trabalhadores sobre a visita e sobre o estudo
ergonômico que será realizado, conhecer previamente o funcionamento da instituição, verificar a
importância do problema formulado e prever visitas complementares em empresas do mesmo
grupo ou ramo de atividade.

 Análise da Tarefa

Refere-se a um planejamento do ofício e pode estar contida em documentos formais como


procedimentos operacionais e descrição de cargos.
Nesta fase, são analisadas a tarefa prescrita, cujos objetivos e métodos são definidos por instruções,
e a tarefa real. Ou seja, todos os processos do trabalho prescrito são avaliados e o trabalho
executado também. Uma maior ênfase é dada na análise do trabalho real, o intuito principal é
levantar as diferenças entre os dois tipos de tarefas. Dessa forma, são identificados os diferentes
aspectos da realidade do trabalho e as dificuldades são salientadas.

24
Competência 01

 Análise da Atividade

Aqui, será feita uma avaliação de como o homem se comporta no ambiente de trabalho. É o passo a
passo que o indivíduo executa para alcançar os objetivos de produção. As atividades que os
trabalhadores exercem são influenciadas por fatores interno e externos. Entre os fatores internos
podemos citar as características do trabalhador quanto à formação, experiência, idade, sexo,
medidas antropométricas, disposições momentâneas como motivação, sono / vigília e fadiga. Já os
fatores externos fazem referência às condições em que as atividades são executadas, como as
condições ambientais de trabalho (ruído, calor, vibração, iluminação, gases e poeiras), as condições
técnicas do trabalho (materiais, máquinas, ferramentas, documentos, softwares) e as condições
organizacionais de trabalho (trabalho noturno, pausas, horários e ritmo de trabalho).

 Diagnóstico

Nesta fase, se realiza a síntese da análise ergonômica do trabalho. Através de vários fatores
relacionados ao trabalho e à empresa, que podem influenciar o trabalho; vamos evidenciar as
causas que provocam o problema que foi descrito na análise de demanda. Por exemplo: acidentes
podem ser causados por iluminação inadequada, equipamentos sem manutenção e sinalização
incompleta. Já a taxa de absenteísmo, em operadores de telemarketing, pode ser devido à pressão
da chefia e ambiente de trabalho competitivo.
 Recomendações

Inicialmente, é feito um levantamento dos problemas existentes no ambiente laboral e


posteriormente, avaliada a população dos trabalhadores com suas características peculiares, e as
tarefas prescritas, as reais e o comportamento do homem no trabalho. A partir destes dados
levantados se estabelece diagnósticos situacionais, os quais se tornam norteadores no processo de
elaboração de um plano de ação de intervenção. Quando as recomendações já estão definidas não
se deve esquecer de determinar metas a serem alcançadas e prazos para serem cumpridos.

25
Competência 01

A realização de uma intervenção ergonômica tem por finalidade transformar a situação de trabalho
e permitir um melhor conhecimento sobre a atividade real do trabalhador. Ao se identificar os
pontos de desequilíbrio entre o ambiente de trabalho e o homem, é possível questionar as relações
saúde/trabalho e suas consequências negativas, como doenças profissionais e do trabalho, os
acidentes de trabalho e também as exigências da produção quanto à quantidade e qualidade. Com
todo este levantamento, as medidas de proteção adequadas podem ser pensadas e colocadas em
prática.

Dentre os benefícios gerados pela ergonomia podemos citar: aumento da produtividade e


qualidade do produto, redução das faltas dos trabalhadores devido a acidentes e doenças
ocupacionais, satisfação, motivação e conforto do trabalhador e redução da rotatividade dos
empregados.

26
Competência 02

2. Competência 02 | Gestão da Segurança e da Saúde no Trabalho

As doenças ocupacionais são adquiridas pelo trabalhador através da exposição a agentes químicos,
físicos, biológicos, ergonômicos e mecânicos (ou de acidentes). Algumas vezes, elas só ocorrem
após vários anos de exposição ou depois que o trabalhador se afasta do agente causador. Nesta
segunda competência vamos conversar um pouco sobre os tipos de riscos ambientais, o mapa de
risco e as medidas de prevenção e correção para evitar tais agravos.

2.1 Riscos ambientais

Consideram-se riscos ocupacionais, os agentes existentes nos ambientes de trabalho, capazes de


causar danos à saúde do empregado. Os ambientes de trabalho, pela natureza das atividades
desenvolvidas e/ou pelas características de organização, podem comprometer a saúde do
trabalhador em curto, médio e longo prazo, gerando lesões imediatas, doenças ou a morte, além de
prejuízos de ordem legal e patrimonial para a empresa.

O Ministério da Saúde elaborou um manal de procedimentos para os


serviços de saúde onde consta lista das doenças relacionadas ao trabalho.
Confira no link abaixo este material na íntegra.
http://www.medtrab.ufpr.br/arquivos%20para%20dowload%202011/Discip
lina%20Doencas%20do%20Trabalho/Manual%20DO%20Min%20Saude. pdf

No intuito de minimizar esses danos, torna-se necessária a investigação dos riscos no local de
trabalho para conhecer a que fatores os funcionários estão expostos e que possíveis medidas de
proteção são passíveis de serem aplicadas. Ressaltando que não apenas a presença de um agente
nocivo no ambiente laboral é suficiente para causar transtornos. O que será prejudicial é a presença
do fator de risco somada a sua alta concentração, forma de apresentação (líquido, sólido, gasoso),
ao seu nível de toxidade e ao tempo de exposição do trabalhador.

27
Competência 02

Figura 14 – Ambiente de Trabalho


Fonte: www.sgap.al.gov.br/saladeimprensa/noticias/servi
dores -da-sgap-participam-de-capacitacao-em-servicos-de-
alimentacao (2012)
Descrição: imagem representando pessoas trabalhando
em uma cozinha.
Objetivo: demonstrar o ambiente de trabalho.

A portaria nº 3214, de junho de 1978, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTe), foi responsável
pela criação das Normas Regulamentadoras (NR) que se referem à Segurança e Medicina do
Trabalho. Estas normas foram criadas com o objetivo de obrigar as empresas a observarem os
aspectos relacionados à saúde de seus trabalhadores.

Uma dessas normas traz o entendimento de que o desencadeamento das doenças ocupacionais
também está diretamente relacionado ao Limite de Tolerância (LT) dos agentes ambientais a que o
trabalhador fica exposto. A NR-15 (Atividades e Operações Insalubres) define limite de tolerância
como “a concentração ou intensidade máxima ou mínima relacionada com a natureza e o tempo de
exposição ao agente que não causará dano à saúde do trabalhador durante sua vida laboral.”

Podemos avaliar os riscos ambientais existentes em um ambiente de trabalho de duas formas:

1. Avaliação Qualitativa:é a forma mais simples e também conhecida como forma preliminar.
É utilizada apenas a sensibilidade do trabalhador que identifica a presença do risco.
Ex: percepção do cheiro de vazamento de gás.
2.Avaliação Quantitativa:é utilizada para medir, comparar e estabelecer. É necessário o uso
de um método científico e a utilização de instrumentos e equipamentos destinados à
quantificação do risco.
Ex: Medir, através de aparelho específico (dosímetro), o nível de ruído do ambiente.

28
Competência 02

Já a NR-9, Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) considera como riscos ambientais
os agentes físicos, químicos e biológicos existentes nos ambientes de trabalho.

Os riscos físicos são as diversas formas de energia, as quais os trabalhadores podem estar expostos.
Os agentes geradores deste risco possuem a capacidade de alterar as características físicas do meio
ambiente, exigem um meio de transmissão para propagar sua nocividade e agem até mesmo sobre
indivíduos que não têm contato direto com a fonte de risco. São representados por fatores ou
agentes existentes no ambiente de trabalho que podem afetar a saúde dos trabalhadores, como:
ruídos, vibrações, radiações, frio, calor, pressões anormais e umidade.

Figura 15 - Trabalhador Exposto ao Risco


Físico da Umidade
Fonte: http://supershe.zip.net/arch2009-05-
24_2009-05-30.html (2012)
Descrição: imagem representando uma pessoa
lavando um carro.
Objetivo: demonstrar uma forma de trabalho
e postura.

Ficou curioso para saber as outras informações da NR-9?


Acesse o link abaixo:
www81.dataprev.gov.br/sislex/paginas/05/mtb/ 9.htm

29
Competência 02

Os riscos químicos são identificados pelo grande número de substâncias que podem contaminar o
ambiente de trabalho e provocar danos à integridade física e mental dos trabalhadores, a exemplo
de poeiras, fumos, névoas, neblinas, gases, vapores, substâncias, compostos ou outros produtos
químicos. São substâncias compostas ou produtos que podem penetrar no organismo pela via
respiratória, pela via cutânea (através do contato com a pele) ou através do trato gastrointestinal
(digestão). Pode ter ação localizada, quando atua somente na região de contato, e ação sistêmica,
quando são absorvidos e distribuídos dentro do organismo, afetando diferentes órgãos e tecidos.

Figura 16 - Trabalhador Exposto ao


Risco Químico
Fonte: http://www.nrfacil.com.br/
blog/?p=3543 (2012)
Descrição: imagem representando
uma pessoa trabalhando em uma
situação de risco de vida.
Objetivo: demonstrar uma forma de
periculosidade de trabalho.

Os riscos biológicos são microrganismos incluindo os geneticamente modificados ou não, as culturas


de células, os parasitas, as toxinas e os príons, capazes de provocar infecções, alergias ou toxidades
em seres humanos. Ainda podemos incluir as bactérias, os vírus, os fungos e mordidas e ataques
por animais peçonhentos, domésticos e selvagens.

30
Competência 02

Figura 17 - Trabalhador Exposto ao Risco


Biológico
Fonte: http://profjabiorritmo.blogspot.com.br
/2010/08/niveis-de-biosseguranca.html (2012)
Descrição: imagem representando uma pessoa
trabalhando em uma situação de risco de vida
- contaminação.
Objetivo: demonstrar uma forma de
periculosidade de trabalho.

Outros agentes existentes nos ambientes laborais e que são passíveis de causar danos aos
colaboradores são os riscos ergonômicos e de acidente ou mecânicos. Estes dois outros riscos são
trazidos pela norma regulamentadora 9 que serviu para ampliar o conceito de risco ambiental.

Os riscos ergonômicos estão ligados à execução de tarefas, à organização e às relações de trabalho,


ao esforço físico intenso, levantamento e transporte manual de peso, mobiliário inadequado,
posturas incorretas, controle rígido de tempo para produtividade, imposição de ritmos excessivos,
trabalho em turno diurno e noturno, jornadas de trabalho prolongadas, monotonia e repetitividade.
Engloba também os fatores psicossociais e entre eles podemos citar as situações causadoras de
estresse e o relacionamento interpessoal entre o trabalhador e seus colegas de trabalho ou a chefia.

31
Competência 02

Figura 18 – Trabalhador Exposto ao Risco


Ergonômico
Fonte: http://luizsms.blogspot.com.br/2011/
08/simples-questao-de-ergonomia.html (2012)
Descrição: imagem representando uma pessoa
trabalhando em uma situação de risco de vida
sem equipamentos de segurança.
Objetivo: demonstrar uma forma de
periculosidade de trabalho.

Os riscos de acidente ou mecânicos são muito diversificados e estão presentes no arranjo físico
inadequado, pisos pouco resistentes ou irregulares, material ou matéria-prima fora de
especificação, máquinas e equipamentos sem proteção, ferramentas impróprias ou defeituosas,
iluminação excessiva ou insuficiente, instalações elétricas defeituosas, probabilidade de incêndio ou
explosão, armazenamento inadequado, animais peçonhentos e outras situações de risco que
poderão contribuir para a ocorrência de acidentes.

Figura 19 - Trabalhadores Expostos ao


Risco de Acidente
Fonte: www.diariodasaude.com.br/news.
php?article=acidentes-de-trabalho-
causam-3-mil-mortes-por-ano-no-brasil
(2012)

32
Competência 02

Descrição: imagem representando


pessoas trabalhando em uma situação de
risco de vida.
Objetivo: demonstrar uma forma de
periculosidade de trabalho.

Abaixo poderemos visualizar uma tabela que define o mapa de riscos ambientais, estabelecido pela
norma regulamentadora 5. Esta NR trata da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA) que
é composta por trabalhadores e deve participar ativamente de todos os programas de prevenção de
riscos ambientais.

Figura 20 - Classificação dos Fatores de Risco


Fonte: http://blogsegurancatotal.blogspot.com.br/2012/03/o-mapa-
de-risco-foi-criado-atraves- da.html (2012)
Descrição: tabela com as cores e informativos dos graus de riscos de
acidentes.
Objetivo: demonstrar os tipos de riscos, cores e descrições dos
mesmos.

Caro aluno, caso você tenha interesse em conhecer a NR-5 por


inteiro, acesse o link abaixo:
http://www81.dataprev.gov.br/sislex/paginas/05/mtb/9.htm

33
Competência 02

Cada fator de risco é identificado por uma cor diferente! Sendo assim, quando formos representar
um risco ambiental podemos simplesmente colocar a sua cor correspondente.

Figura 21 - Cores dos Fatores de Risco


Fonte: http://valoreseatitudes.blogspot.com.br/2011/07/mapa-de-
riscos_11.html (2012)
Descrição: imagem representando as cores indicativas de riscos.
Objetivo: demonstrar as cores e suas descrições.

2.2 Mapa de riscos

O mapa de risco é a representação gráfica (em uma planta baixa) dos fatores de risco existentes em
um setor de trabalho ou em toda a empresa. Esta representação é feita através de círculos de
diferentes cores e tamanhos, permitindo fácil visualização de todos os riscos de uma empresa.
Como visto em alguns parágrafos acima, cada risco tem uma cor que o representa, e o tamanho dos
círculos vai ser de acordo com a graduação do risco que pode ser classificado em pequeno (leve),
médio e grande (elevado). Esta graduação vai ser mensurada em conformidade com as
sensibilidades dos trabalhadores.

Figura 22 - Simbologia das Cores


Fonte: SESI-SEBRAI. Saúde e segurança no trabalho. Dicas de prevenção de acidentes e
doenças no trabalho. (2005)
Descrição: imagem representando as cores indicativas de riscos (mapa de riscos).
Objetivo: demonstrar as cores e suas descrições.

34
Competência 02

O mapa é considerado um instrumento participativo que vai ser elaborado com a colaboração dos
trabalhadores que serão organizados e acompanhados pela CIPA e terão a supervisão e colaboração
do SESMT. Este momento de elaboração possibilita a troca e divulgação de informações entre os
trabalhadores, bem como estimula a sua participação nas atividades de prevenção.

Podemos atribuir ao mapa de risco a capacidade de fazer um levantamento preliminar de riscos no


ambiente da empresa e de informar o quantitativo de funcionários expostos a esses riscos. Dessa
forma se torna possível gerar informação para todos os empregados da empresa e visitantes, e criar
um planejamento para as ações preventivas que serão adotadas pela empresa.

Benefícios da Adoção do Mapa de Risco:

 identificação prévia dos riscos existentes nos locais de trabalho aos quais os trabalhadores
poderão estar expostos;
 conscientização quanto ao uso adequado das medidas e dos equipamentos de proteção
coletiva e individual;
 redução de gastos com acidentes e doenças, medicação, indenização, substituição de
trabalhadores e danos patrimoniais;
 facilitação da gestão de saúde e segurança no trabalho com aumento da segurança interna e
externa;
 melhoria do clima organizacional, maior produtividade, competitividade e lucratividade.

Elaboração do Mapa de Risco

1. Conhecer o Processo de Trabalho do Local Analisado:


 Os trabalhadores: número, sexo, idade, queixas de saúde, jornada e treinamentos recebido;
 Os equipamentos, instrumentos e materiais de trabalho;
 As atividades exercidas;
 O ambiente.

35
Competência 02

2. Identificar os Riscos Existentes no Local Analisado, Conforme a Classificação Específica dos


Riscos Ambientais.
3. Identificar as Medidas Preventivas Existentes e sua Eficácia Referente à:
 Proteção coletiva;
 Organização do trabalho
 Proteção individual;
 Higiene e conforto: banheiro, lavatórios, vestiários, armários, bebedouro, refeitório, área de
lazer.
4. Identificar os Indicadores de Saúde:
 Queixas mais frequentes e comuns entre os trabalhadores expostos aos mesmos riscos;
 Acidentes de trabalho ocorridos;
 Doenças profissionais diagnosticadas;
 Causas mais frequentes de ausência ao trabalho.
5. Elaborar o Mapa de Riscos, sobre o layout da empresa, indicando através de círculos:
 O grupo a que pertence o risco, de acordo com a cor padronizada;
 O número de trabalhadores expostos ao risco, o qual deve ser anotado dentro ou abaixo do
círculo;
 A intensidade do risco, de acordo com a percepção dos trabalhadores, que deve ser
representada por tamanhos proporcionalmente diferentes de círculos.

Observe atentamente o ambiente de trabalho...

36
Competência 02

Figura 23 - Elaboração do Mapa de Risco – Parte 1


Fonte: SESI-SEBRAI. Saúde e segurança no trabalho.
Dicas de prevenção de acidentes e doenças no
trabalho. (2005)
Descrição: imagem representando um ambiente de
trabalho fictício.
Objetivo: demonstrar pessoas em um ambiente de
trabalho sem equipamentos de segurança.

Imagine que está vendo tudo de cima...

Figura 24 - Elaboração do Mapa de Risco – Parte 2


Fonte: SESI-SEBRAI. Saúde e segurança no trabalho.
Dicas de prevenção de acidentes e doenças no
trabalho. (2005)

37
Competência 02

Descrição: imagem representando um ambiente de


trabalho fictício.
Objetivo: demonstrar pessoas em um ambiente de
trabalho sem equipamentos de segurança.

Agora represente tudo com círculos e cores referentes aos riscos identificados.

Figura 25 - Elaboração do Mapa de Risco – Parte 3


Fonte: SESI-SEBRAI. Saúde e segurança no trabalho. Dicas de prevenção de acidentes e
doenças no trabalho. (2005)
Descrição: imagem representando um mapa de risco.
Objetivo: demonstrar a criação deste mapa de risco.

Depois de discutido e aprovado pela CIPA, o mapa de riscos, completo ou setorial, deverá ser
afixado em cada local analisado, de forma claramente visível e de fácil acesso para os trabalhadores.
O ideal é que logo na entrada da empresa tenha um mapa de riscos de todos os setores da mesma

38
Competência 02

informando, assim, a todos os trabalhadores e funcionários os riscos que podem ser encontrados
em cada ambiente.

2.3 Medidas de prevenção dos riscos

Agentes Físicos

São as diversas formas de energia, as quais os trabalhadores podem estar expostos. Os agentes
geradores deste risco possuem a capacidade de alterar as características físicas do meio ambiente,
exigem um meio de transmissão para propagar sua nocividade e agem até mesmo sobre indivíduos
que não têm contato direto com a fonte de risco.

Vamos agora enumerar as medidas de controle do agente físico calor:

 Insuflação de ar fresco no ambiente (ventiladores e ar condicionado);


 Arejar o ambiente através da abertura de portas e janelas;
 Exaustão de vapores de água (ventiladores ou encanação);
 Uso de barreiras refletoras (alumínio polido, aço inoxidável), colocadas entre o trabalhador e
a fonte geradora de calor;
 Automatização do processo (uso de máquinas no lugar de homens);
 Aclimatação, ou seja, inicialmente expor o trabalhador de forma gradual ao risco para que o
organismo através da sua capacidade fisiológica se adapte ao ambiente;
 Exames periódicos;
 Reposição hídrica e salina (instalar bebedores em locais estratégicos no local de trabalho);
 Limitar o tempo de exposição do trabalhador;
 Equipamentos de proteção individual, vestimentas de tecido leve, cor clara, que absorva o
calor do organismo do funcionário e com sistema de ventilação acoplado.

39
Competência 02

Figura 26 -
Trabalhador Exposto
ao Risco Físico Calor
Fonte: www1.folha.
uol.com.br/fsp/cienci
a/fe2311200901.htm
(2013)
Descrição: imagem
representando um
trabalhador.
Objetivo: representa-
ção de uma pessoa
manipulado produto
em brasa.

Vamos agora enumerar as medidas de controle do agente físico frio:


 Exames médicos periódicos;
 Aclimatação do trabalhador;
 Alimentação balanceada devido à perda grande de energia;
 Hidratação adequada;
 Evitar trabalhos solitários;
 Evitar trabalhos exaustivos que levem ao suor e consequente umedecimento das roupas;
 Troca das vestimentas úmidas por secas sempre que necessário;
 Períodos de descanso em locais aquecidos;
 Educação continuada através de treinamentos;
 Reduzir o tempo de exposição;
 Não conter assentos metálicos nem sistema de ventilação;
 Sistema que permita a abertura das portas internamente;

40
Competência 02

 As roupas devem estar sempre limpas e secas e serem compostas de camadas múltiplas
(calça, capote e luvas) e as botas de couro com forro.

Figura 27 - Trabalhador Exposto ao Risco Físico Frio


Fonte:http://roqueisquem.blogspot.com.br/2009/08/1007200
7camarafrigorificamunicipal.html (2012)
Descrição: imagem representando um trabalhador.
Objetivo: representação de uma pessoa manipulado produto
em ambiente refrigerado.

Vamos agora enumerar as medidas de controle do agente físico radiação ionizante:

 Áreas controladas delimitadas com sinalização e barreiras físicas com blindagem feita de
concreto, aço ou chumbo;
 Utilização de avental plumbífero, protetor de gônadas e tireoide e óculos de vidro
plumbífero com proteção lateral;
 Guarda adequada dos EPI para evitar fissuras ou rompimentos no lençol de chumbo;
 Monitoração individual do agente;
 Monitoramento biológico através de exames de sangue.

41
Competência 02

Figura 28 - Trabalhador
Exposto ao Risco Físico
Radiação Ionizante
Fonte: http://maringa.o
diario.com/empregos/noticia
/305952/raio-x-auxilia-no-
diagnostico-de-doencas/
(2013)
Descrição: imagem
representando um
trabalhador.
Objetivo: representação de
uma pessoa em atendimento
médico.

Vamos agora enumerar as medidas de controle do agente físico radiação não ionizante:

 Diminuir o tempo de exposição;


 Proporcionar descanso em ambiente coberto;
 Realizar exames periódicos;
 Utilizar blusas de manga, calças compridas, chapéu árabe, óculos de sol e protetor solar.

42
Competência 02

Figura 29 - Trabalhador Exposto ao Risco Físico


Radiação Não-Ionizante
Fonte: http://laerciojsilva.blogspot.com.br/2010/08/
sol-escaldante-prejudica-cortador-de.html (2013)
Descrição: imagem representando um trabalhador.
Objetivo: representação de uma pessoa exposta em
ambiente de risco.

Vamos agora enumerar as medidas de controle do agente físico pressões anormais:

 Capacitar o trabalhador quanto aos riscos e os cuidados que ele deve ter para evitar traumas
e doenças descompressivas;
 Os exames de rotina devem estar rigorosamente em dia e a saúde do trabalhador perfeita.

Figura 30 - Trabalhador Exposto ao Risco Físico de


Pressões Extremas
Fonte: http://blue2lip.blogspot.com.br/2012/01/o-
mergulho-e-os-dentes.html#!/2012/01/o-mergulho-
e-os-dentes. html (2013)
Descrição: imagem representando um trabalhador.
Objetivo: representação de uma pessoa exposta em
ambiente de risco.

43
Competência 02

Vamos, agora, enumerar as medidas de controle do agente físico ruído:

 Substituição de equipamento por um mais silencioso;


 Manutenção das máquinas (balanceamento e equilíbrio das partes móveis, lubrificação dos
rolamentos e regulação dos motores);
 Programação das operações de forma que fique o menor número de máquinas funcionando
simultaneamente;
 Substituição de engrenagens metálicas por outras de plástico;
 Isolar a fonte através de barreira isolante e adsorvente de som;
 Monitoramento periódico no agente no ambiente de trabalho;
 Realização dos exames de rotina;
 EPIs – protetor auricular.

Figura 31 - Trabalhador Exposto ao


Risco Físico Ruído
Fonte: http://irc_hsst.blogs.sapo.pt/
(2013)
Descrição: imagem representando
um trabalhador.
Objetivo: representação de uma
pessoa exposta em ambiente de
risco.

Vamos agora enumerar as medidas de controle do agente físico vibração:

 Substituição de equipamentos que produzam vibração;

44
Competência 02

 Instalar amortecedores de vibração em assentos;


 Calibrar o pneu de veículos;
 Utilizar ferramentas com características antivibratórias;
 Colocar pedais de borracha nas máquinas;
 Realizar manutenção periódica nos equipamentos;
 Limitar o tempo de exposição do funcionário;
 Implantar rodízios e pausas na jornada de trabalho;
 Capacitação sobre a forma de utilização correta das ferramentas e equipamentos para
minimizar a vibração;
 Realizar controle médico dos trabalhadores;
 EPIs – luvas antivibração e botas de borracha.

Figura 32 - Trabalhador Exposto ao Risco Físico


Vibração
Fonte: http://porto100riscos.blogspot.com.br/2013
/04/riscos-fisicos.html (2013)
Descrição: imagem representando um trabalhador.
Objetivo: representação de uma pessoa exposta em
ambiente de risco.

Vamos agora enumerar as medidas de controle do agente físico umidade:

 Construção de caneletas para permitir o escoamento da água utilizada;


 Rodízio de funcionários;
 Horários destinados ao descanso em ambientes secos;

45
Competência 02

 Exames periódicos;
 Utilização de EPIs impermeáveis (luvas, macacões e botas).

Figura 33 - Trabalhador Exposto ao Risco Físico


Umidade
Fonte: http://mulheresmil.mec.gov.br/index.php?op
tion=com_content&view=article&id=1584&catid=158
4&Itemid=228&lang=br (2013)
Descrição: imagem representando um trabalhador.
Objetivo: representação de uma pessoa exposta em
ambiente de risco.

Agentes Biológicos

São microrganismos incluindo os geneticamente modificados ou não, as culturas de células, os


parasitas, as toxinas e os príons, capazes de provocar infecções, alergias ou toxidades em seres
humanos. Ainda podemos incluir as bactérias, os vírus, os fungos e mordidas e ataques por animais
peçonhentos, domésticos e selvagens.

46
Competência 02

Figura 34 - Trabalhador Exposto ao Risco Biológico


Fonte: http://www.respectautravail.be/pt/sector/
healthcare/index_html (2013)
Descrição: imagem representando um trabalhador.
Objetivo: representação de uma pessoa exposta em
ambiente de risco.

Vamos agora enumerar as medidas de controle dos agentes biológicos:

 Seleção de equipamentos de trabalho;


 Substituição de microrganismos;
 Modificação do processo de trabalho. Ou seja, do passo a passo, de como o trabalho é
realizado;
 Minimizar a proliferação de contaminantes no ambiente através de limpeza, desinfecção,
ventilação e controle de vetores;
 Utilizar sinalização para indicar a presença do risco;
 Todo local onde exista possibilidade de exposição ao agente biológico deve ter lavatório
exclusivo para higiene das mãos provido de água corrente, sabonete líquido, toalha descartável e
lixeira provida de sistema de abertura sem contato manual;
 Informar sobre os riscos de exposição ao agente biológico;
 Capacitar o trabalhador quanto às normas e procedimentos padronizados;
 Diminuir o número de trabalhadores expostos;
 Fazer uso das precauções padrão ou precauções universais. Inclui realizar os procedimentos
com segurança, utilizar adequadamente os EPIs, evitar manipulação desnecessária de material

47
Competência 02

 biológico, manipular cuidadosamente instrumentos perfurocortantes potencialmente


contaminados, utilizar coletor resistente para descarte destes materiais e evitar o reencape de
agulha ou a desconexão da agulha da seringa;
 Uso de equipamentos de proteção individual adequados a cada tipo de exposição (avental
jaleco, gorro, máscara, luva, avental cirúrgico, protetor ocular, protetor facial, sapatos fechados,
botas, propé...);
 Fazer uso de dispositivos de segurança como conectores e sistemas de infusão sem agulhas,
agulhas e seringas com travas de segurança e seringas com sistema retrátil da agulha;
 Lavagem das mãos antes e depois de cada procedimento;
 A higienização das vestimentas utilizadas nos centros cirúrgicos e obstétricos, serviços de
tratamento intensivo, unidades de pacientes com doenças infectocontagiosas e quando houver
contato direto da vestimenta com material orgânico, deve ser de responsabilidade do empregador;
 Acompanhamento médico dos funcionários;
 Programa de imunização;
 Protocolos de atendimentos pós-exposição a material orgânico;
 Não deve ser permitida a utilização de pias de trabalho para fins diversos dos previstos, o
ato de fumar, o uso de adornos e o manuseio de lentes de contato nos postos de trabalho, o
consumo de alimentos e bebidas nos postos de trabalho, a guarda de alimentos em locais não
destinados para este fim, o uso de calçados abertos e deixar o local de trabalho com os
equipamentos de proteção individual e as vestimentas utilizadas em suas atividades laborais.

Agentes Químicos

São substâncias compostas ou produtos que podem penetrar no organismo pela via respiratória,
pela via cutânea (através do contato com a pele) ou através do trato gastrointestinal (digestão).
Pode ter ação localizada, quando atua somente na região de contato, e ação sistêmica, quando são
absorvidos e distribuídos dentro do organismo, afetando diferentes órgãos e tecidos.

48
Competência 02

Figura 35 - Trabalhador Exposto ao


Risco Químico
Fonte: http://higieneemnoticias.
blogspot.com.br/p/provas.html (201
3)
Descrição: imagem representando
um trabalhador.
Objetivo: representação de uma
pessoa exposta em ambiente de
risco.

Vamos, agora, enumerar as medidas de controle dos agentes químicos:

 Substituição do agente, substância, ferramenta ou tecnologia de trabalho por outro mais


seguro, menos tóxico ou lesivo;
 Mudanças ou alteração do processo produtivo por automatização. Ou seja, a máquina
fazendo o papel do homem e consequentemente o afastando do risco;
 Enclausuramento da operação. Impede a dispersão do contaminante para o ambiente de
trabalho;
 Isolamento ou segregação da operação. Pode ser feito o isolamento no tempo, que consiste
em realizar as operações fora do horário normal, reduzindo assim o quantitativo de trabalhadores
expostos, e o isolamento do espaço, que consiste em realizar o processo a distância da maioria dos
funcionários;
 Umidificação do processo para controlar as poeiras;
 Implantação e manutenção de sistema de ventilação local exaustora adequada e eficiente.
Consiste em esgotar os poluentes (poeiras, gases, vapores, fumos) na fonte antes de sua dispersão
para o ambiente de trabalho;

49
Competência 02

 Medidas de higiene. O ambiente deve ser sempre limpo com água ou aspirador, ou
umedecer a poeira a ser removida;
 Manutenção preventiva e corretiva de máquinas e equipamentos. Evitando a poluição dos
gases e vapores pela eliminação de folgas e frestas e pela lubrificação eficiente;
 Monitoramento sistemá tico dos agentes agressores;
 Classificação e rotulagem das substâncias químicas;
 Equipamentos de proteção ambiental (respiradores, cremes protetores, luvas, botas...);
 Treinamento. Educação continuada dos funcionários sobre segurança, saúde, uso adequado
dos EPI e desenvolvimento de suas atividades;
 Monitoramento individual. Através de exames médicos;
 Medidas de higiene pessoal. Cuidados como lavar as mãos, o rosto e os cabelos no fim da
jornada de trabalho e nas pausas para refeições.

Agentes Ergonômicos

São condições de trabalho que interferem nas características psicofisiológicas dos trabalhadores. Ou
seja, aspectos relacionados ao levantamento, transporte e descarga de materiais, ao mobiliário, aos
equipamentos e às condições ambientais do posto de trabalho e à própria organização do trabalho.
As medidas de controle deste agente já foram detalhadas na primeira competência.

Riscos de Acidente

Os acidentes em um ambiente de trabalho são muito variados e vão depender da atividade que está
sendo realizada. Sendo assim vamos enumerar algumas medidas gerais de controle dos riscos de
acidente:

 Promover um ambiente de trabalho confortável;


 Manter o local de trabalho organizado com todos os objetos nos seus lugares e bem
arrumados;

50
Competência 02

 Informar quanto aos riscos existentes na empresa e as formas de preveni-los;


 Orientar sobre a importância de seguir todas as normas de segurança;
 Utilizar de forma correta os dispositivos de prevenção de acidentes.

Figura 36 - Trabalhador Exposto ao Risco de Acidente


Fonte: www.cut.org.br/destaques/21412/para-evitar-
acidentes-trabalho-de-manutencao-na-rede-eletrica-
deve-ser-feito-a-dois-exigem-sindicatos-do-setor (2013)
Descrição: imagem representando um trabalhador.
Objetivo: representação de uma pessoa exposta em
ambiente de risco.

51
Competência 03

3.Competência 03 | Condições Técnicas de Trabalho

Nesta penúltima competência, iremos entrar em contato com a sequência lógica das medidas de
prevenção dos riscos e com as definições de equipamento de proteção individual (EPI), e
equipamentos de proteção coletivos (EPC). Posteriormente, faremos mais do que isso, vamos saber
qual a utilidade e importância desses materiais para os trabalhadores e de uma forma geral, quais
as medidas e os diversos equipamentos que podem ser adotados para evitar doenças e acidentes
do trabalho.

3.1 Estratégias de prevenção dos riscos

É fundamental criar dentro das empresas um clima de sensibilização dos funcionários, visando à
proteção contra todos os tipos de riscos presentes no ambiente de trabalho. Quando se cria uma
conscientização coletiva referente ao respeito à integridade física dos trabalhadores e melhoria
contínua dos ambientes de trabalho, os acidentes, doenças e custos são prevenidos e reduzidos.

Caro aluno, queremos deixar bem claro que o risco ao trabalhador será maior sempre que o tempo
de exposição ou de contato a fonte de perigo, a frequência de exposição ao perigo e a proximidade
da fonte de perigo forem maiores.

Para podermos elaborar estratégias de prevenção de riscos precisamos, inicialmente, realizar uma
análise preliminar das condições de trabalho:

 Realizar um diagnóstico inicial das características da empresa, dos trabalhadores e dos


ambientes de trabalho. Ou seja, identificar qual o ramo de atividade desta empresa, quem são os
seus trabalhadores (idade, sexo) e a situação estrutural dos setores de trabalho;

52
Competência 03

 Fazer um mapeamento dos processos de produção e atividades relacionadas atentando para


suas principais etapas. Dessa forma, estaremos identificando as condições de risco;
 Caracterizar a exposição através da avaliação dos riscos, com a finalidade de identificar as
fontes de perigo, a intensidade, a concentração e a quantidade nos quais os mesmos são
encontrados;
 Discutir e definir as alternativas de eliminação ou controle das condições de risco e realizar
uma programação de ações de prevenção a serem seguidas com o estabelecimento de prioridades,
objetivos e metas claros a serem cumpridos;
 Implementar e avaliar as medidas adotadas. Efetivar o controle operacional através de uma
avaliação que vise o monitoramento das ações efetuadas e a checagem dos resultados alcançados,
e caso necessário, à reformulação das ações e metas.

Agora nós já sabemos os passos que devemos seguir desde a identificação de um risco até as
medidas de prevenção que devem ser tomadas para saná-los. Mas, na hora de criar essas ações de
prevenção dos riscos, será que também não é necessário seguir uma ordem lógica que aperfeiçoe o
nosso serviço?

A resposta para essa pergunta é sim! Vamos conhecer o Princípio da Tecnologia de Controle
proposto pela higiene ocupacional:

 Inicialmente deve-se evitar que um agente potencialmente tóxico ou perigoso para a saúde
seja utilizado, formado ou liberado;
 Se isso não for possível, deve-se contê-lo de tal forma, que não se propague para o
ambiente;
 Se isso não for possível, ou suficiente, isolá-lo ou diluí-lo no ambiente de trabalho;
 Em último caso, bloquear as vias de entrada no organismo.

Outro método é o Processo para Controle do Risco, que seguindo uma ordem, correlaciona o tipo
de medida ao processo:

53
Competência 03

 Medidas Construtivas ou de Engenharia  Devem ser adotadas na fase de concepção e


projeto. Atuam sobre os meios de trabalho (equipamentos, máquinas e edifícios). Incluem os
equipamentos de proteção coletiva (EPC).

Processo  Eliminar ou Reduzir o Risco.


Envolver o risco.

 Medidas Organizacionais  Limitação do número de expostos ou do tempo de exposição.

Processo  Afastar o Homem.

 Medidas de Proteção Individual ou Adicionais  Utilização dos equipamentos de proteção


individual (EPI).

Processo  Proteger o Homem.

Higiene ocupacional é a ciência dedicada a prevenção, reconhecimento, avaliação


e controle dos riscos existentes ou originados dos locais de trabalho, os quais
podem prejudicar a saúde e o bem estar das pessoas no trabalho, enquanto
considera os possíveis impactos sobre o meio ambiente geral.

3.2 Equipamentos de proteção coletiva (EPC)

Os equipamentos que protegem vários trabalhadores ao mesmo tempo e otimizam o ambiente de


trabalho são denominados de equipamentos de proteção coletiva e são conhecidos pela sigla EPC.
Eles neutralizam o risco na fonte, dispensando, em determinados casos, o uso dos equipamentos de
proteção individual.

54
Competência 03

Como vimos no tópico estratégias de prevenção dos riscos, quando falamos


no princípio da tecnologia de controle, a prioridade vai ser conter o agente
de tal forma que ele não se propague para o meio ambiente (através do uso
de EPC). Apenas em situações onde isso não for possível é que devemos, em
último caso, bloquear as vias de entrada no organismo
(através do uso de EPI)

Os EPCs são dispositivos utilizados no ambiente laboral com o objetivo de proteger os trabalhadores
dos riscos inerentes aos processos. Normalmente os equipamentos de proteção coletiva envolvem
facilidades para os processos industriais colaborando no aumento da produtividade e minimizando
os efeitos de perdas em função de melhorias nos ambientes de trabalho.

Os equipamentos de proteção coletiva podem ser simples, como corrimãos de escadas até sistemas
sofisticados de detecção de gases dentro de uma planta química.

Exemplos de EPC  isolamento de máquinas, corrimão e pastilhas antiderrapantes em escadas,


extintor de incêndio, chuveiros, pias, iluminação adequada, limpeza do local de trabalho, sistema de
exaustão e alarmes.

Figura 37 - Equipamentos de Proteção


Coletiva
Fonte: www.anuncios.gigao.com.br/
equipamentos-de-proteco-coletiva--
epc-gigao-web-8797 (2012)
Descrição: imagem representando
equipamentos de proteção coletiva.
Objetivo: expor os equipamentos de
proteção coletiva.

55
Competência 03

Os equipamentos de proteção coletiva devem ser mantidos nas condições que os especialistas em
segurança estabelecerem, devendo ser reparados sempre que apresentarem qualquer deficiência.
Agora vamos observar alguns exemplos de aplicação de EPC:

 Sistema de exaustão que elimina gases, vapores ou poeiras do local de trabalho;


 Enclausuramento, ou seja, fechamento de máquina barulhenta para limpeza do ruído
excessivo do ambiente;
 Cabo de segurança para conter equipamentos suspensos sujeitos a esforço caso venham a se
desprender;
 Comando bimanual que matem as mãos ocupadas, fora da zona de perigo, durante o ciclo
de uma máquina.

Os EPCs quando adequadamente escolhidos e instalados não prejudicam a eficiência do trabalho.


Para serem perfeitamente adequados eles devem respeitar os seguintes critérios:

 Ser do tipo adequado em relação ao risco que vai neutralizar;


 Depender o menos possível da atuação do homem para atender suas finalidades;
 Ser resistente às agressividades de impactos, corrosão e desgastes a que estiverem sujeitos;
 Permitir serviços e acessórios como limpeza, manutenção e lubrificação;
 Não criar outros tipos de riscos, principalmente mecânicos como obstruções de passagens,
cantos vivos e etc.

Uma das maiores vantagens dos EPCs é a de além de proteger a coletividade dos trabalhadores, não
provocar desconforto no seu uso. Os dispositivos de segurança em máquinas tem a finalidade
principal de proteger a integridade física das pessoas, quer sejam operadores ou outros
trabalhadores presentes nas áreas de processo.

Vamos ver alguns exemplos através de imagens?

56
Competência 03

Modeladora

 Botoeiras de parada de emergência;


 Grade de proteção;
 Esteira para conduzir a massa.
Figura 38 - EPC em Modeladora
Fonte: http://setcamar.org.br/noticias.php?id=105 (2012)
Descrição: imagem representando um equipamento de trabalho - modeladora.
Objetivo: representação de uma modeladora.

1 Prancha de extensão traseira;


2 Proteção laterais;
3 Botoeiras de Parada de Emergência;
4 Chave Liga/Desliga;
5 Indicador Visual p/ Abertura do
Cilindro;
6 Mesa baixa;
7 Lâmina de Limpeza;
8 Proteções das polias;
9 Chapa fechamento do vão cilindro
inferior e mesa baixa;
10 Chapa fechamento do vão cilindro e
o rolete;
11 Proteção fixa.
Figura 39 - EPC em Cilindro de Massa
Fonte: http://setcamar.org.br/noticias.php?id=105 (2012)
Descrição: imagem representando um equipamento de trabalho – cilindro de massa.
Objetivo: representação de uma cilindro de massa.

57
Competência 03

3. 3 Equipamentos de proteção individual (EPI)

Hoje a ciência e a tecnologia colocam a nossa disposição no mercado uma vasta quantidade de
medidas e equipamentos de proteção. Todas elas visam minimizar os risco e evitar as doenças
ocupacionais e os acidentes de trabalho. Os dispositivos de uso individual, destinados à proteção
da integridade física e da saúde de apenas um trabalhador são os equipamentos de proteção
individual, conhecidos pela sigla EPI.

Os EPIs formam, em conjunto, um recurso amplamente empregado para a segurança do


trabalhador no exercício de suas funções. Quando não for possível adotar medidas de segurança de
ordem geral para garantir a proteção contra os riscos de acidentes e doenças ocupacionais, deve-se
utilizar os equipamentos de proteção individual.

O controle dos riscos através do uso de EPI deve ser implantado somente depois de esgotadas as
análises para eliminação do risco existente em sua fonte geradora e quando não for possível a
adoção de outras medidas de proteção coletiva.

São exemplos de EPI  luvas, botas, máscara, capacete, jaleco e protetor auricular.

Figura 40 - Equipamentos de Proteção Individual


Fonte: www.sempretops.com/cursos/cursos-e-
treinamentos-de equipamentos-de-protecao-individual/
(2012)
Descrição: imagem representando equipamentos de
proteção coletiva.
Objetivo: expor os equipamentos de proteção coletiva.

58
Competência 03

Caro aluno, fique atento às quatro características básicas que um EPI deve
conter:
1.Proteger adequadamente.
2.Resistentes.
3.Práticos.
4.De fácil Manutenção.

Como já foi dito anteriormente, o EPI nunca deve ser a primeira opção, na verdade ele só deve ser
usado em último caso. A sua utilização ocorre rotineiramente ou excepcionalmente nas seguintes
situações:

 Quando o trabalhador se expõe diretamente a riscos não controláveis por outros meios
técnicos de segurança, ou seja, quando não for possível eliminar o risco por outras medidas ou
equipamento de proteção coletiva (EPC).
Exemplo: uso de óculos, protetores, máscaras e outros EPIs em operações com aparelhos de
soldagem.
 Quando o trabalhador se expõe a riscos apenas parcialmente controlados por outros
recursos técnicos, um caso seria quando for necessário que um funcionário além de utilizar a
proteção coletiva faça uma complementação com o uso de uma proteção individual.
Exemplo: uso de máscaras respiratórias apropriadas em cabines de pintura, mesmo que ela já seja
provida de ventilação.
 A título precário, em período de instalação, reparos ou substituição de dispositivos, para
impedir o contato do trabalhador com o fator de risco. Situações com exposição de curto período.
Exemplo: Uso de luvas de amianto para a manipulação de peças quentes, enquanto não se dispõe
de equipamentos para esse manuseio.
 Em trabalhos eventuais e ou emergenciais, ou seja, quando a rotina do trabalho é quebrada
por qualquer anormalidade, exigindo o uso de proteção complementar e temporária pelos
trabalhadores envolvidos.
Exemplo: uso de máscaras respiratórias apropriadas para reparos de vazamentos de contaminantes.

59
Competência 03

Os equipamentos de proteção individual não evitam os acidentes, como


acontece de forma eficaz com os equipamentos de proteção coletiva.
Apenas diminuem ou evitam lesões que podem decorrer de acidentes.

Será que qualquer trabalhador será capaz de escolher adequadamente o melhor equipamento de
proteção individual a ser utilizado em determinada situação? Quem seria o profissional mais
indicado?

A padronização dos EPIs é feita de acordo com o estabelecido na legislação, dentro das
necessidades da Empresa e com aprovação do Serviço Especializado em Engenharia de Segurança
em Medicina do Trabalho (SESMT). O profissional que ficar responsável pela seleção do EPI a ser
usado deve ter no mínimo o conhecimento:

 Do equipamento;
 Das condições em que o trabalho é executado;
 Do tipo de risco a ser prevenido;
 Da parte do corpo a ser atingida;
 Das características e qualidade técnica do EPI;
 Do grau de proteção que o produto deve proporcionar;
 Se ele possui o certificado de aprovação (CA) do Ministério do Trabalho e Emprego.

A utilização de Equipamentos de Proteção Individual – EPI é obrigatória para todos os


trabalhadores, de acordo com as definições feitas pelo SESMT da Empresa.

Cabe à empresa o fornecimento do EPI adequado, entretanto não adianta apenas providenciar o
equipamento ao funcionário, é preciso conscientizá-lo da importância do seu uso na prevenção de
acidentes e doenças e fornecer informação através de capacitações continuadas da forma correta
de utilizá-los. O empregador deve controlar o uso do EPI adequado ao risco, conforme a legislação

60
Competência 03

específica e quando solicitado ou observar que o produto não oferece proteção eficiente contra o
agente nocivo, o supervisor ou representante do SESMT deve providenciar a substituição do
equipamento.

Quando a empresa fornece um equipamento de proteção individual a um funcionário é


recomendado que ela emita uma declaração. Este documento vai servir tanto para comprovar que
o equipamento foi entregue ao funcionário quanto para responsabilizar o mesmo pela guarda e uso
adequado do EPI.

Figura 41 – Termo de Responsabilidade pela Guarda e Uso de EPI


Fonte: Grupo Pão de Açúcar (2012)
Descrição: exemplo de documento de termo de responsabilidade.
Objetivo: demonstrar o tipo de documento referente ao termo de
responsabilidade.

61
Competência 03

Todo EPI deve conter um manual de utilização. Este manual deve ser elaborado pelo SESMT, em
conjunto com a engenharia e empregados, e tem por objetivo apresentar os EPIs padronizados e
utilizados na empresa. Neste documento é possível encontrar informações quanto às situações de
uso, conservação, periodicidade de troca, especificações aplicáveis e códigos para requisição, além
de ser utilizado como material de consulta e treinamento para profissionais do SESMT e usuários.

Como seria um manual de utilização de um EPI? Você consegue imaginar? Vamos dar um exemplo
prático de um avental de raspa para soldador para podemos entender melhor.

Avental de Raspa para Soldador

 Objetivo: Proteção do tronco do usuário contra respingos de materiais em fusão, operação


de solda e agentes cortantes ou escoriantes.
 Utilização: Este avental deve ser utilizado em atividades que envolvam risco de respingo de
materiais em fusão, operação de solda e agentes cortantes ou escoriantes. É necessário certificar-se
de que as mãos, corpo e o avental estejam limpos e secos antes da utilização. O avental que estiver
impregnado com óleo, graxas, produtos químicos e outros materiais não deve ser utilizado. O
avental deve ser utilizado amarrado de forma a cobrir toda a superfície do corpo a ser protegida.
 Cuidados e conservação: O avental de raspa deve ser inspecionado visualmente antes de sua
utilização; ao final das atividades o mesmo deverá ser guardado em local adequado, seco e distante
de umidade; não deixar o avental mal acondicionado, impregnado de substâncias agressivas ou
exposto a intempéries.
 Periodicidade de troca: Deverá ser substituído quando apresentar rasgo ou qualquer tipo de
dano que possa prejudicar a proteção do usuário.
 Especificações: O avental de raspa comum deve atender à Padronização xxxxxxx e o avental
com manga e pala para soldador deve atender à Padronização XXXXXXXX.

62
Competência 03

3.4 Norma regulamentadora 6

A Norma Regulamentadora 6 (NR-6) fala exclusivamente sobre os equipamentos de proteção


individual. Ela os define como sendo todo dispositivo ou produto, de uso individual utilizado pelo
trabalhador, destinado à proteção de riscos suscetíveis de ameaçar a segurança e a saúde no
trabalho.

Segundo a NR 6, entende-se como equipamento conjugado de proteção


individual, todo aquele composto por vários dispositivos, que o fabricante
tenha associado contra um ou mais riscos que possam correr
simultaneamente e que sejam suscetíveis de ameaçar a segurança e a
saúde no trabalho.

Seja o EPI de fabricação tanto nacional quanto importado, ele só poderá ser colocado à venda ou
para uso com a indicação do Certificado de Aprovação (CA). Este documento deve ser expedido pelo
órgão nacional competente em matéria de segurança e saúde no trabalho do Ministério do
Trabalho e Emprego.

A presença do CA é uma prova de que o EPI foi avaliado e testado por órgãos competentes do
governo, e consequentemente, serve para a atividade que lhe fora determinada, ou seja, ele atesta
que o equipamento de proteção individual é realmente válido para uma determinada atividade.

63
Competência 03

Figura 42 - Exemplo de Certificado de Aprovação


Fonte: www.audicare.com.br/07-10v-11_certificado.aspx (2012)
Descrição: exemplo de documento de equipamento de proteção individual.
Objetivo: demonstrar o tipo de documento referente ao equipamento de proteção individual.

O Certificado de Aprovação concedido aos EPIs, para fins de comercialização, terão validade de 5
anos, podendo ser renovado. À SESMT (Serviço de Segurança e Medicina do Trabalho) fica
reservado o direito de estabelecer prazos inferiores aos citados acima, desde que as características
do EPI assim exijam.

Os EPIs devem apresentar em letras bem visíveis o nome comercial da empresa fabricante, o lote de
fabricação e o número do CA e no caso de EPI importado, o nome do importador, o lote de
fabricação e o número do CA. No caso de impossibilidade em realizar esta gravação no EPI, o órgão

64
Competência 03

competente em matéria de segurança e saúde no trabalho poderá autorizar uma forma alternativa
de gravação, a ser proposta pelo fabricante ou importador, devendo esta constar do CA.

Figura 43 - Certificado de Aprovação


Fonte: www.mmed.com.br/certificado.html
(2012)
Descrição: exemplo de selo de certificação
de aprovação do Ministério do Trabalho.
Objetivo: demonstrar o tipo de selo do
Ministério do Trabalho.

É de obrigação das empresas fornecerem gratuitamente, aos empregados, o EPI adequado para
determinada função, atentando para as peculiaridades de cada atividade profissional, e em perfeito
estado de conservação e funcionamento.

Fica de responsabilidade do SESMT, após ter ouvido a opinião da Comissão Interna de Prevenção de
Acidentes (CIPA) e dos trabalhadores usuários, recomendar ao empregador o uso de determinado
EPI adequado ao risco existente em determinada atividade.

No link abaixo você encontrará informações sobre A CIPA e


prevenção de acidentes no ambiente de trabalho.
http://www. unifenas.br/ extensao/cartilha/ApostilaCipa.pdf

Caso a empresa esteja, por lei, desobrigada a constituir SESMT, cabe ao empregador escolher o EPI
adequado ao risco, mediante orientação de profissionais tecnicamente habilitados, ouvida a CIPA
ou, na falta desta, o profissional designado e trabalhadores usuários.

65
Competência 03

Designado: Quando um estabelecimento não é obrigado por lei a


estabelecer uma CIPA, a empresa designará um responsável pelo
cumprimento dos objetivos da CIPA. O designado será o funcionário
que terá essa responsabilidade e exercerá esse papel.

A norma regulamentadora 4 fala sobre o Serviço Especializado em Engenharia de


Segurança e Medicina do Trabalho (SESMT) e a norma regulamentadora 5 sobre
Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA). Nos links abaixo você pode
acessar essas NRs na íntegra:
SESMT www010.dataprev.gov.br/sislex/paginas/05/mtb/4.htm
CIPA-www.guia trabalhista.com.br/legislacao/nr/nr5.htm

Segundo a Norma Regulamentadora 6 o empregado, o empregador e o fabricante nacional ou


importado do EPI teriam algumas obrigações quanto ao equipamento de proteção individual.

Cabe ao Empregador:

 Adquirir o EPI adequado ao risco de cada atividade;


 Exigir dos trabalhadores o seu uso;
 Fornecer aos funcionários apenas EPIs que sejam aprovados pelo órgão nacional
competente em matéria de segurança e saúde no trabalho;
 Orientar e treinar o trabalhador sobre o uso adequado, a guarda e conservação;
 Responsabilizar-se pela higienização e manutenção periódica;
 Comunicar ao Ministério do trabalho e emprego qualquer irregularidade observada;
 Registrar o fornecimento do EPI ao trabalhador, podendo ser adotados livros, fichas ou
sistema eletrônico.

Cabe ao Empregado:

 Utilizar o EPI apenas para a finalidade a que ele se destina;

66
Competência 03

 Responsabilizar-se pela guarda e conservação;


 Comunicar ao empregador qualquer alteração que o torne impróprio para uso;
 Cumprir as determinações do empregador sobre o uso adequado.

Cabe ao Fabricante e ou Importadores:

 Cadastrar-se junto ao órgão nacional competente em matéria de segurança e saúde no


trabalho;
 Solicitar a emissão do Certificado de Aprovação;
 Solicitar a renovação do CA quando vencido o prazo de validade estipulado pelo órgão
competente;
 Solicitar novo CA quando houver alteração das especificações do equipamento aprovado;
 Responsabilizar-se pela manutenção da qualidade do EPI que deu origem ao CA;
 Apenas comercializar e colocar a venda EPI portador de CA;

 Comunicar ao órgão competente qualquer alteração dos dados cadastrais fornecidos;


 Comercializar o EPI com instruções técnicas no idioma nacional, orientando sua utilização,
manutenção, restrição e demais referências ao seu uso;
 Fazer constar do EPI o número do lote de fabricação;
 Providenciar a avaliação da conformidade do EPI no âmbito do Sistema Nacional de
Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (SINMETRO), quando for necessário;
 Fornecer as informações referentes aos processos de limpeza e higienização de seus EPIs,
indicando quando for o caso, o número de higienizações e acima do qual é necessário proceder à
revisão ou à substituição do equipamento, a fim de garantir que os mesmos mantenham as
características de proteção original.

O anexo da NR 6 lista todos os tipos de EPI existentes, eles se subdividem em:

67
Competência 03

 Proteção da Cabeça e do Crânio;

Figura 44 - capacete
Fonte: www.inclusive.org.br/?p=18415 (2013)
Descrição: exemplo de capacete para proteção da
cabeça.
Objetivo: demonstrar um dos tipos de capacetes
utilizados em construções.

 Proteção dos Olhos e Face;

Figura 45 - Óculos com Proteção


Lateral
Fonte: www.nilton.com.br/canais/
produtos/detalhes.asp?codProduto=9
3 (2012)
Descrição: exemplo de óculos de
proteção.
Objetivo: demonstrar um dos tipos de
óculos utilizados em construções.

68
Competência 03

 Proteção Auditiva;

Figura 46 - Protetor Auricular


Fonte: www.geraisepi.com.br/
protecao_auditiva.html (2013)
Descrição: exemplo de protetor
auricular.
Objetivo: demonstrar um dos tipos de
protetor auricular utilizados em
construções.

 Proteção dos Membros Inferiores;

Figura 47 - Calça Térmica


Fonte: www.dalmoro.com.br/
produtos/268 (2012)
Descrição: exemplo de calça para
proteção.
Objetivo: demonstrar um dos
tipos de calça utilizados em
construções.

69
Competência 03

 Proteção dos Membros Superiores;

Figura 48 - Capa Impermeável


Fonte: www.grupobrascamp.com.br/brascamp/
home (2013)
Descrição: exemplo de capa impermeável para
proteção.
Objetivo: demonstrar um dos tipos de capas
impermeáveis utilizados em construções.

 Proteção do Tronco;

Figura 49 - Avental para Altas


Temperaturas
Fonte: www.patavo.com.br/av.050.
htm (2012)
Descrição: exemplo de avental para
altas temperaturas para proteção da
cabeça.
Objetivo: demonstrar um dos tipos de
avental para altas temperaturas.

70
Competência 03

 Proteção do Corpo Inteiro;

Figura 50 - Macacão
Fonte: www.
engesel.com.br/pro
dutos-perigosos.php
(2013)
Descrição: exemplo
de macacão para
proteção corporal.
Objetivo: demons-
trar um dos tipos de
macacão para
contatos com
ambientes com
graus de
periculosidade.

 Proteção das Mãos;

Figura 51 - Luva de Malha de Aço


Fonte:www.nei.com.br/produto/2009
/01/luvas%20de%20malha%20de%20
aco%20inox%20los%20angeles%20art
igos%20de%20protecao%20ltda.html
(2012)
Descrição: exemplo de luva de malha
de aço para proteção.
Objetivo: demonstrar um dos tipos de
luva de malha de aço utilizados em
construções.

71
Competência 03

 Proteção dos Pés;

Figura 52 - Botina de PVC


Fonte: www.cekuniformes.com.br/
produtos_epi_cat.php?cat=37 (2012)
Descrição: exemplo de Botina de PVC
para proteção.
Objetivo: demonstrar um dos tipos de
botinas de PVC utilizados em
construções.

 Proteção Respiratória;

Figura 53 - Máscara
com Filtro para Gases
Tóxicos
Fonte: www.atrasorb.
com.br/index.php?I=20
(2013)
Descrição: exemplo de -
Máscara com Filtro para
Gases Tóxicos para
proteção.
Objetivo: demonstrar
um dos tipos de -
Máscara com Filtro para
Gases Tóxicos utilizados
em construções.

72
Competência 03

 Proteção Contra Quedas

Figura 54 - Cinto para Segurança


Fonte: www.oxiwelding.com.br/epi.html (2013)
Descrição: exemplo de cinto para segurança.
Objetivo: demonstrar um dos tipos de cinto
para segurança utilizados em construções.

Para conhecer a NR 6 por completo e o seu anexo, que lista os


equipamentos de proteção individual, clique no link abaixo:
http://portal.mte.gov.br/data/files/8A7C816A33EF45990134335D0C415
AD6/NR-06%20(atualizada)%202011.pdf

73
Competência 04

4.Competência 04 | Aplicações Legais entre Direitos e Obrigações na


Segurança e Saúde do Trabalho

Vamos iniciar essa última competência conhecendo um pouco sobre o histórico da Saúde
Ocupacional e quando e como surgiu a preocupação com os acidentes de trabalhos no mundo e no
Brasil. Posteriormente serão abordadas as leis existentes sobre acidentes de trabalho. O que é um
acidente de trabalho? Que situações eu posso considerar como sendo acidente de trabalho? O que
é Previdência Social? Quais os benefícios da Previdência Social? E por fim, comentaremos um pouco
sobre as consequências que o acidente de trabalho gera tanto para o trabalhador quanto para a
sociedade como um todo.

4.1 Histórico da saúde ocupacional

O homem foi percebendo que algumas substâncias de origem animal, vegetal ou mineral, quando
manipuladas ou ingeridas, são capazes de produzir doenças e até mesmo de causar a morte.

Há cerca de 400 anos Paracelso discorreu:

“Todas as substâncias são tóxicas. Não há uma que não seja veneno. A dose correta é que diferencia
um veneno de um remédio.”

Através desta reflexão e com os conhecimentos mais atuais podemos concluir que qualquer
substância presente no ambiente do trabalho pode vir a produzir algum efeito adverso quando em
contato com o organismo humano.

74
Competência 04

Figura 55 - Mineradores
Fonte: http://guayaberamineira.blogspot.com.br/2008
_11_01_archive.html (2012)
Descrição: exemplo de trabalho de mineração por meio
de uma pintura.
Objetivo: demonstrar a forma como os mineradores
atuavam na época.

É importante ressaltar que diversos fatores em conjunto vão interferir no desenvolvimento de


alguma doença ocupacional, como por exemplo: o tempo de exposição ao agente, a concentração
das substâncias, a quantidade do agente no ambiente laboral, a intensidade da exposição e a
suscetibilidade individual do trabalhador.

Sendo assim, quanto maior for o tempo de exposição ao agente, à concentração das substâncias, à
quantidade do agente no ambiente laboral e à intensidade da exposição, mais vulneráveis ao
adoecimento estarão os trabalhadores. Entretanto, o aparecimento ou agravamento das doenças
ocupacionais serão determinados pela suscetibilidade individual, ou seja, características particulares
de cada pessoa. Algumas pessoas são mais altas, outras são magras, umas tem a pele escura,
outras, a imunidade mais baixa e determinados grupos têm uma facilidade maior a adquirir
determinadas doenças quando comparados a outros.

A Revolução Industrial foi iniciada na Europa (Inglaterra, França e Alemanha) e ocorreu entre 1760 e
1850. Nesta época, as condições de trabalho eram precárias, não havia limites nas jornadas de
trabalho, o ambiente era fechado e as máquinas sem nenhuma proteção. Consequentemente as
doenças e os acidentes com mutilações e óbitos eram numerosos e as doenças infectocontagiosas
se disseminaram.

75
Competência 04

Figura 56 - Revolução Industrial


Fonte: www.fisica-interessante.com/
aula-historia-e-epistemologia-da-cien cia-
11-crise-da-fisica-1.html (2012)
Descrição: pintura ressaltando a época
da revolução industrial.
Objetivo: demonstrar, por meio da
pintura, a representação de indústrias.

Neste momento, onde a força de trabalho era explorada de forma desumana visando apenas à
produtividade das grandes indústrias, tornou-se necessária uma intervenção, sob a pena de
inviabilidade de sobrevivência dos trabalhadores. Foi neste contexto que surgiu na Inglaterra, a
medicina do trabalho.

O interesse inicial brotou de um proprietário de uma fábrica têxtil chamado Robert Dernham que
estava preocupado com a saúde dos seus trabalhadores que não dispunham de nenhum cuidado
médico, além dos prestados por instituições filantrópicas.

76
Competência 04

Figura 57 - Crianças Trabalhando em Fábrica


Têxtil
Fonte: http://profvalquiriahistoria.blogspot.
com.br/2009/05/as-muitas-faces-da-revolu ca
o-industrial.html (2012)
Descrição: exemplo de trabalho infantil em
uma indústria.
Objetivo: demonstrar a forma as crianças
trabalhavam em uma indústria.

Dernham procurou o seu médico particular, Robert Baker, e lhe questionou qual seria a melhor
maneira para ele resolver esta situação. A resposta de Baker foi:

Coloque no interior da sua fábrica o seu próprio médico, que servirá de intermediário entre
você, os seus trabalhadores e o público. Deixe-o visitar a fábrica, sala por sala, sempre que
existam pessoas trabalhando, de maneira que ele possa verificar o efeito do trabalho sobre
as pessoas. E se ele verificar que qualquer dos trabalhadores está sofrendo a influência de
causas que possam ser prevenidas, a ele competirá fazer tal prevenção. Dessa forma você
poderá dizer: meu médico é a minha defesa, pois a ele dei toda a minha autoridade no que
diz respeito à proteção da saúde e das condições físicas dos meus operários; se algum deles
vier a sofrer qualquer alteração da saúde, o médico, unicamente, é que deve ser
responsabilizado.

Surgiu assim em 1830, quando Robert Dernham contratou Baker para trabalhar em sua fábrica, o
primeiro serviço de medicina do trabalho.

Vamos agora reler atentamente a resposta dada por Baker. Se prestarmos atenção poderemos
observar que em suas palavras despontam os elementos básicos das expectativas do capital quanto
às finalidades de um serviço de medicina do trabalho:
 Serviços dirigidos por pessoas de inteira confiança do empresário e que estivessem dispostas
a defendê-lo;

77
Competência 04

 Serviços que fossem centrados na figura do médico;


 Seria uma tarefa eminentemente médica a prevenção dos danos à saúde resultantes dos
riscos do trabalho;
 Ao médico caberia a responsabilidade pela ocorrência de problemas de saúde.

Devido à inexistência ou precariedade dos serviços de saúde e por contemplar as expectativas dos
empregadores, o modelo acima descrito se difundiu rapidamente entre vários países. Os serviços de
medicina do trabalho passaram a criar e manter a dependência do trabalhador e de seus familiares
ao mesmo tempo em que controlava diretamente a força de trabalho.

Algumas indústrias, em especial nos Estados Unidos, se mantiveram muito resistentes em prestar
uma atenção especial aos problemas de saúde de seus trabalhadores. As primeiras iniciativas em
relação a serviços médicos apenas surgiram a partir do aparecimento da legislação sobre
indenizações em casos de acidentes de trabalho. Nestes casos o interesse principal dos
empregadores era reduzir o custo das indenizações.

Como se deu a evolução da Saúde Ocupacional aqui no Brasil?

A América Latina, incluindo o Brasil, passou pelo processo da Revolução Industrial por volta de
1930, bem mais tarde que os países norte-americanos e europeus. Apesar da experiência já vivida
pelos demais países, passamos pelas mesmas fases. Em 1970 o Brasil já era considerado o campeão
de acidentes de trabalho.

Aqui no Brasil, os serviços médicos dentro das empresas foram criados por iniciativa dos
empregadores e são, razoavelmente, recentes. Inicialmente, consistia em assistência médica
gratuita para os trabalhadores, provenientes de forma geral do campo. Apesar da Organização
Internacional do Trabalho (OIT) recomendar serviços com caráter essencialmente preventivos, os
brasileiros eram eminentemente curativos e assistenciais. Apenas em 1972, o governo brasileiro
baixou a portaria nº 3237 e tornou obrigatória a existência dos serviços médicos, de higiene e
segurança em todas as empresas com mais de 100 trabalhadores.

78
Competência 04

4.2 Legislação sobre acidente de trabalho

A primeira lei que falou de acidentes de trabalho no Brasil foi o Decreto 3.724, de 1919. Ele define
como acidente de trabalho o produzido por uma causa súbita, violenta, externa e involuntária no
exercício do trabalho, determinando lesões corporais ou perturbações funcionais, que constituam a
causa única da morte ou perda total, ou parcial, permanente ou temporária, da capacidade do
trabalho. A moléstia contraída exclusivamente pelo exercício do trabalho, quando este, por si só, a
der causa e determinar a morte do operário, ou perda total, ou parcial, permanente ou temporária,
da capacidade para o trabalho. Nessas situações o empregador ficaria obrigado a pagar uma
indenização ao operário ou a sua família. Desta forma, as doenças decorrentes das condições de
trabalho não eram consideradas.

Figura 58 - Acidente de Trabalho


Fonte: www.cabuloso.xpg.com.br/portal/galleries/view/acidente-
no-trabalho-2(2012)
Descrição: exemplo de acidente de trabalho.
Objetivo: demonstrar os perigos referentes aos acidentes de
trabalho.

O Interessou-se em ler o decreto 3.724 inteiro?


Acesse o link abaixo:
http://www. Acidentedo trabalho.adv.br/ leis/DEC-003724/Integral. htm

79
Competência 04

Lesão Corporal - É o dano anatômico, tal como a ferida, a fratura, o


esmagamento ou a perda de um pé.
Perturbação Funcional - É o prejuízo do funcionamento de qualquer
órgão ou sentido, tal como a perda da visão ou da movimentação de
um braço.

O decreto 24.637, de 1934 ampliou a definição de acidente do trabalho para toda lesão corporal,
perturbação funcional, ou doença produzida pelo exercício do trabalho ou em consequência dele,
que determine a morte, ou a suspensão, ou a limitação, permanente ou temporária, total ou
parcial, da capacidade para o trabalho. Esta lei também incluiu como acidente de trabalho as
doenças profissionais que são definidas como as inerentes ou peculiares a determinados ramos de
atividade.

Ficou curioso para conhecer o texto do decreto 24.637 na íntegra?


Acesse o link abaixo
www2.camara.gov.br/legin/fed/decret/1930-1939/decreto-24637-10-julho-
1934-505781-publicacaooriginal-1-pe.html

Em 1991 surgiu a Lei 8.213 que dispõe sobre os Planos de Benefícios da Previdência Social e em
1999 o Decreto 3.048 regulamentou esta lei. O artigo 19 da referida lei define como acidente do
trabalho o que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da empresa, provocando lesão corporal
ou perturbação funcional que cause a morte ou a perda ou redução, permanente ou temporária, da
capacidade para o trabalho.

A empresa passa a ser responsável pela adoção e uso das medidas coletivas e individuais de
proteção e segurança da saúde do trabalho e deve prestar informações detalhadas sobre os riscos
das atividades realizadas e produtos utilizados. Caso as empresas deixem de cumprir as normas de
segurança e higiene do trabalho, podem ser punidas com multas.

Caro aluno, é importante saber que os acidentes de trabalho podem ser de três tipos:

80
Competência 04

 Acidente Típico - aquele causado ao trabalhador de forma imediata e que lhe inflige um
dano corporal, como uma fratura, contusão, queimadura.

Figura 59 - Queimadura em
Trabalhador
Fonte: www.cabuloso.xpg.com.br
/outros/Fotos-de-Queimaduras-1-2-
3-graus/ (2012)
Descrição: exemplo de acidente de
trabalho.
Objetivo: demonstrar os perigos
referentes aos acidentes de
trabalho.

 Acidente de Trajeto - aquele ocorrido com o trabalhador, quando do seu deslocamento de


casa para o trabalho e do trabalho para casa.

 Doenças Profissionais ou do Trabalho - geralmente adquiridas por exposição crônica do


trabalhador a agentes nocivos, ou causadas por esforços repetitivos e esforços superiores aos que
teria condições de suportar.

As doenças decorrentes do trabalho são consideradas acidentes de trabalho e elas se


subdividem em:
Doença Profissional: entendida como a doença produzida ou desencadeada pelo exercício
do trabalho peculiar a determinada atividade. A própria atividade laborativa basta para
comprovar a relação de causa e efeito entre o trabalho e a doença.
Ex: silicose
Doença do Trabalho: entendida como a doença adquirida ou desencadeada em função de
condições especiais em que o trabalho é realizado e que com ele se relacione
diretamente. Neste caso, necessita-se comprovar a relação de causa e efeito entre o
trabalho e a doença.
Ex: lombalgia em profissional de enfermagem.

81
Competência 04

Para adquirir mais conhecimento sobre as doenças ocupacionais e os tipos de


acidentes do trabalho confira no link abaixo a Seção I (Das Espécies de
Prestações) do Capítulo II (Das prestações em geral) da Lei nº 8.213, de 24 de
julho de 1991.
http://www. planalto.gov.br/ ccivil_03/leis/L8213cons.htm

são consideradas como doenças do trabalho as doenças degenerativas, inerentes a grupo etário,
que não produzam incapacidade laborativa e as doenças endêmicas adquiridas por segurado
habitante de regiões em que ela se desenvolva, salvo comprovação de que é resultante de
exposição ou contato direto determinado pela natureza do trabalho. Exemplo de doenças
endêmicas: malária e febre amarela na região Norte do Brasil.

Equipara-se também ao acidente de trabalho, segundo o artigo 21 da Lei 8.213, o acidente ligado ao
trabalho que, embora não seja causa única, tenha contribuído diretamente para a morte do
segurado, para redução ou perda da sua capacidade para o trabalho, ou produzido lesão que exija
atenção médica para a sua recuperação e doença proveniente de contaminação acidental do
empregado no exercício de sua atividade.

Vamos imaginar um profissional da área de saúde que durante a sua jornada de trabalho estava
muito cansado e distraído e ao reencapar uma seringa se furou. Vamos supor que esta agulha tinha
sido utilizada para coletar sangue de um paciente soropositivo para a hepatite B e posteriormente
este funcionário desenvolveu a doença decorrente desta exposição.

82
Competência 04

Figura 60 - Acidente com Risco


Biológico
Fonte: www.intranet.foar.unesp.br/
endodontia/index.htm (2012)
Descrição: Exemplo de acidente de
trabalho.
Objetivo: demonstrar os perigos
referentes aos acidentes de
trabalho.

Outro exemplo seria um trabalhador que atua no corte de carnes bovinas e contrai o carbúnculo.
Estes exemplos se enquadram na definição acima de acidente de trabalho.

O carbúnculo é uma doença infecciosa aguda provocada pela bactéria


Bacillus anthracis. Os casos humanos de carbúnculo devem-se
normalmente à exposição a animais infectados ou a carne ou pele
infectada. As vítimas têm profissões relacionadas com a manipulação
de animais ou de produtos derivados.

Também são considerados acidentes de trabalho os sofridos pelo funcionário no local e horário do
trabalho, decorrente de: ato de agressão, sabotagem ou terrorismo praticado por terceiro ou
companheiro de trabalho; ofensa física intencional, inclusive de terceiro ou companheiro de
trabalho; ato de imprudência, negligência ou imperícia de terceiro ou de companheiro de trabalho;
ato de pessoa privada do uso da razão; desabamento, inundação, incêndio e outros casos fortuitos
ou decorrentes de força maior.
 Negligência - desleixo, descuido, desatenção, menosprezo, preguiça, intolerância.

83
Competência 04

Ex: Cirurgião que por pressa e falta de atenção acaba esquecendo uma pinça cirúrgica dentro
de um paciente.

 Imprudência - ato contrário à prudência, falta de cautela.

Ex: motorista de ônibus que ultrapassa o sinal vermelho, ou anda pelo acostamento, mesmo
sabendo que é errado.

 Imperícia - incompetência, inexperiência, inabilidade.

Ex: Enfermeiro que não sabe a técnica correta para retirada de um dreno torácico e mesmo
assim resolve realizar o procedimento.

As situações onde o funcionário sofre um acidente, ainda que fora do local e horário de trabalho
são equiparadas a acidente de trabalho quando: na execução de ordem ou na realização de serviço
sob a autoridade da empresa; em viagem a serviço da empresa, inclusive para estudo quando
financiada por esta, dentro de seus planos, para melhor capacitação da mão de obra, independente
do meio de locomoção utilizado, inclusive o veículo de propriedade do funcionário; no percurso da
residência para o local de trabalho ou deste para aquela, qualquer que seja o meio de locomoção,
inclusive veículo de propriedade do funcionário; na prestação espontânea de qualquer serviço à
empresa para lhe proporcionar proveito ou evitar prejuízo.

Lembrando que nos períodos destinados à refeição ou descanso, ou por ocasião da satisfação de
outras necessidades fisiológicas, no local do trabalho ou durante este, o empregado é considerado
no exercício do trabalho.

Sendo assim, se um empregado, em seu dia de folga, passa pela empresa que trabalha e observa
que existe um problema em sua cobertura, e que a chuva está molhando o seu interior, e na busca
de reparar esta situação, se acidenta, será essa situação considerada como acidente de trabalho.

84
Competência 04

Figura 61 - Situação de Risco para Acidente de


Trabalho
Fonte: http://g1.globo.com/sp/bauru-marilia/
noticia/2012/09/vaca-fica-presa-em-telhado-de-
casa-em-jau-sp.html (2012)
Descrição: exemplo de possível acidente de
trabalho.
Objetivo: demonstrar os perigos referentes aos
acidentes de trabalho.

Outra situação é a de um trabalhador que está se deslocando, mesmo que em veículo próprio para
outra cidade, fora do horário de trabalho, para executar serviço da empresa, e sofre um acidente,
ocorrerá também o enquadramento como acidente de trabalho.

Figura 62 – Acidente de Trajeto


Fonte: http://noticias.r7.com/cidades/noticias
/chuva-causa-transtornos-no-transito-em-porto-
alegre-20100518.html (2012)
Descrição: exemplo de acidente de trajeto.
Objetivo: demonstrar os perigos referentes aos
acidentes de trajeto.

85
Competência 04

Vamos conhecer a Lei 8.213, de 24 de julho de 1991 por inteiro?


Acesse o link abaixo:
http://www. planalto.gov.br/ ccivil_03/leis/l8213cons. htm

A Norma Brasileira de Responsabilidade (NBR) 14.280 da Associação Brasileira de Normas Técnicas


(ABNT) detalha alguns conceitos. Vamos aprendê-los?

 Acidente de Trabalho - a ocorrência imprevista e indesejável, instantânea ou não,


relacionada com o exercício do trabalho que provoca lesão pessoal ou de que decorre risco próximo
ou remoto dessa lesão.

 Acidente sem Lesão Pessoal - é o que não apresenta lesão pessoal como consequência do
acidente, ou seja, houve o acidente, mas não houve lesão à pessoa.

 Acidente Impessoal - é aquele cuja caracterização independe de acidentado (não há


acidentado).

 Acidente Inicial - é o acidente impessoal desencadeador de um ou mais acidentes.

 Acidente Pessoal - é aquele que depende de existir acidentado.

 Agente do Acidente - é a coisa, matéria, substância ou energia que determinou o início do


processo que irá resultar em lesão, ou seja, que desencadeou o acidente. Ex: martelo que quebra
um vidro, que por sua vez corta uma pessoa (o martelo é o agente).

86
Competência 04

4.3 Comunicação de acidente de trabalho (CAT)

Todo acidente de trabalho ou doença profissional deverá ser comunicado pela empresa, devendo
esta pagar multa aplicada e cobrada pela Previdência Social em casos de omissão.

A CAT é um formulário que a empresa deverá preencher comunicando o acidente de trabalho,


ocorrido com seu empregado, havendo ou não afastamento. A empresa fica obrigada a comunicar o
acidente do trabalho à Previdência Social até o primeiro dia útil seguinte ao da ocorrência e, em
caso de morte, de imediato.

Tipos de CAT:

 CAT Inicial- refere-se à primeira comunicação do acidente ou doença do trabalho.

 CAT Reabertura- quando houver reinício de tratamento ou afastamento por agravamento


da lesão (acidente, ou doença já comunicado anteriormente).

 CAT Comunicação de Óbito - refere-se à comunicação do óbito, em decorrência de acidente


do trabalho, ocorrido após emissão da CAT inicial. Deverá ser anexada a cópia da certidão de óbito
e, quando houver, do laudo de necropsia.

Acidentes com morte imediata deverão ser comunicados em CAT inicial.

87
Competência 04

É de obrigação das empresas emitirem a CAT, essa atribuição geralmente é do setor de pessoal da
empresa, mas pode também ficar sob a responsabilidade do setor de segurança e medicina do
trabalho. Em situações onde a empresa não emita o formulário, ele pode ser gerado pelo sindicato,
médico que assistiu a vítima, funcionário ou dependente e autoridade pública. Nesses casos não
prevalece os prazos de emissão.
A Comunicação de Acidente de Trabalho deve ser preenchida em formulário padronizado pela
Previdência Social e emitida em seis vias, as quais serão enviadas para:

 1ª via: ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS);


 2ª via: à empresa;
 3ª via: ao funcionário ou dependente;
 4ª via: ao sindicato de classe do trabalhador;
 5ª via: ao Sistema Único de Saúde (SUS);
 6ª via: à Delegacia Regional do Trabalho (DRT).

O formulário tem três campos distintos:

1. Emitente – contém dados da empresa, do trabalhador (segurado) e do acidente.

2. Atestado Médico – preenchido pelo médico, contém dados da lesão com sua caracterização.

3. INSS – informações próprias do INSS, a quem cabe preencher.

88
Competência 04

Figura 63 – Comunicação de Acidente de Trabalho


Fonte: http://aprendendonormas.com/?nr=0 (2013)
Descrição: exemplo de documento para comunicação de acidente de trabalho.
Objetivo: demonstrar o modelo de documento.

89
Competência 04

Quando falamos em Acidente e Doenças Ocupacionais, há dois conceitos que não podem deixar de
ser abordados:

 Anamnese - É o histórico da vida do funcionário, que geralmente é colhido através de um


questionário com perguntas. Está subdividida em anamnese ocupacional, quando as perguntas se
referem à ocupação atual ou anterior do trabalhador, e em anamnese clínica, quando as perguntas
se referem aos hábitos de vida, a história familiar e agravos pregressos.
 Nexo Causal - Também conhecido como Nexo Técnico, é a relação entre o agravo
(adoecimento ou acidente) e a situação de trabalho. Ou seja, é quando se consegue fazer a ligação
entre a causa e o efeito, entre os fatores de risco do ambiente laboral que estariam levando o
trabalhador ao adoecimento ou a se acidentar. Não é simples, uma vez que tal processo é
específico para cada indivíduo, envolvendo sua história de vida e de trabalho. Para estabelecer o
nexo, torna-se fundamental a descrição detalhada da situação de trabalho, quanto ao ambiente, à
organização e à percepção da influência do trabalho no processo de adoecer. Muitas vezes, também
se torna necessário complementar as informações com resultado de exames clínicos (físico e
mental) e complementares (exame de sangue, de fezes, de urina, de imagem e etc.).

4.4 Previdência social

É um seguro que em caso de doença, acidente, gravidez, prisão, morte e velhice; garante a renda do
contribuinte e de sua família. Para que o trabalhador tenha esta proteção, é necessário que ele se
inscreva e contribua todos os meses.

São vários os benefícios ofertados e juntos eles vão garantir tranquilidade quanto ao presente e em
relação ao futuro asseguram um rendimento seguro. Os benefícios são:

90
Competência 04

 Aposentadoria por Invalidez

É o benefício concedido ao funcionário, quando em caso de acidente ou doença ele for considerado
pela perícia médica da Previdência Social incapacitado para exercer suas atividades ou outro tipo de
serviço que lhe garanta o sustento.

Em casos de doença existe uma carência para o contribuinte receber o benefício. Ou seja, para ter
direito ao benefício o trabalhador tem que ter contribuído para a Previdência Social por no mínimo
doze meses. Em situações de acidente este prazo não é cobrado, sendo apenas necessário o
funcionário estar inscrito na Previdência Social.

Os trabalhadores que já recebem a aposentadoria por invalidez devem se submeter à perícia


médica de dois em dois anos para que o benefício não seja suspenso. A aposentadoria deixa de ser
paga no momento em que o segurado recupera a capacidade e volta ao trabalho.

A aposentadoria por invalidez não será de direito para as pessoas que quando se filiarem já tenham
alguma doença ou lesão que geraria este benefício. A exceção é quando a incapacidade resultar no
agravamento da enfermidade.

 Aposentadoria Especial

É um benefício concedido aos funcionários que trabalharam em condições prejudiciais à saúde ou a


integridade física. Deverá ser comprovado o tempo de trabalho, a efetiva exposição aos agentes
nocivos químicos, físicos e biológicos ou a associação de agentes prejudiciais pelo período exigido
para a concessão do benefício, este tempo será de 15, 20 ou 25 anos, dependendo da profissão.

Para saber mais sobre a aposentadoria especial acesse o link abaixo:


http://www. conatig.org.br/doc/Aposentadoria_ Especial.pdf

91
Competência 04

No caso de pessoas que exerceram sucessivamente duas ou mais atividades em condições


prejudiciais à saúde ou integridade física e em nenhuma delas completou o prazo mínimo para ter
direito a aposentadoria especial, poderá somar os períodos das duas atividades para poder receber
o benefício.

 Auxílio Acidente

É concedido ao trabalhador que após um acidente fica com sequelas que diminuem sua capacidade
de trabalho. É pago ao funcionário que recebia auxílio doença.
Este auxílio tem caráter de indenização e por isso pode ser acumulado com outros benefícios pagos
pela Previdência Social, exceto aposentadoria. Quando o trabalhador se aposenta ele deixa de ter
direito ao auxílio acidente.

 Auxílio Doença

Quando o trabalhador fica impedido de trabalhar por mais de 15 dias consecutivos, seja por motivo
de doença ou acidente, ele tem direito a este benefício. A Previdência social só passa a pagar a
partir do 16º dia de afastamento do funcionário, os primeiros 15 dias são pagos pelo empregador.

Para ter direito a este benefício o trabalhador tem que ter contribuído para a Previdência Social por
no mínimo doze meses. Em situações de acidente de qualquer natureza (por acidente de trabalho
ou fora do trabalho) ou de doença profissional ou do trabalho, este prazo não será exigido.

Terá direito ao benefício sem a necessidade de cumprir o prazo mínimo de contribuição e desde
que esteja inscrito na Previdência Social quando do início da incapacidade, o trabalhador acometido
de tuberculose ativa, hanseníase, alienação mental, neoplasia maligna, cegueira, paralisia
irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante,
nefropatia grave, doença de Paget em estágio avançado (osteíte deformante), síndrome da
imunodeficiência adquirida (AIDS), contaminação por radiação (comprovada em laudo médico) ou
hepatopatia grave.

92
Competência 04

O auxílio não será de direito para as pessoas que quando se filiarem já tenham alguma doença ou
lesão que geraria este benefício.

Exceto quando a incapacidade resultar no agravamento da enfermidade.

O trabalhador que está recebendo o auxílio doença deverá realizar exame médico periódico. Em
situações onde não é possível o retorno a atividade habitual, o empregado deverá participar do
programa de reabilitação profissional para o exercício de outra atividade. O programa será prescrito
e custeado pela Previdência Social e o trabalhador que não se submeter a ele pode ter o benefício
cortado.

Este auxílio deixa de ser pago no caso do funcionário recuperar a capacidade e retornar ao trabalho
ou quando se transforma em aposentadoria por invalidez.

 Pensão por Morte

É um benefício pago a família do empregado quando ele vai a óbito. Não existe tempo mínimo de
contribuição para a concessão deste auxílio, entretanto a morte tem que ter ocorrido enquanto o
trabalhador estava contribuindo.

Poderá receber a pensão por morte um irmão ou filho maior de idade do trabalhador, desde que
seja inválido. Esta invalidez tem que ser comprovada mediante exame médico pericial anterior ou
simultâneo ao óbito.

A pensão por morte será rateada em partes iguais no caso de existir mais de um pensionista. A
parte daquele cujo direito à pensão cessar, será revertida em favor dos demais dependentes.

Em algumas situações, a cota individual do benefício deixa de ser paga; são elas: pela morte do
pensionista; para o filho ou irmão que se emancipar, ainda que inválido, ou ao completar 21 anos

93
Competência 04

de idade, salvo se inválido; quando acabar a invalidez (no caso de pensionista inválido). Não será
considerada a emancipação decorrente de colação de grau científico em curso de ensino superior.

4.5 Consequências dos acidentes de trabalho

As doenças e os acidentes decorrentes do trabalho geram diversos fatores negativos tanto para o
trabalhador acidentado, quanto para as empresas e a sociedade. A soma dos custos e prejuízos
humanos, sociais e econômicos é muito alta e, algumas vezes, irreparáveis.

O índice de trabalhadores mortos prematuramente ou que ficam incapacitados é alarmante. Os


funcionários que conseguem fugir de tais infortúnios ainda podem ser atingidos pelo sofrimento
físico e mental (depressão e traumas), desemprego, pela necessidade de cirurgias, próteses,
assistência médica e psicológica, fisioterapia, remédios, dependência de terceiros para
acompanhamento e locomoção; diminuição do poder aquisitivo e preconceito.

Figura 64 - Trabalhador Acidentado


Fonte: http://jornalesp.com/doc/3781 (2012)
Descrição: exemplo de acidente de trabalho.
Objetivo: demonstrar os perigos referentes aos
acidentes de trabalho.

As empresas também são atingidas fortemente pelas consequências de acidentes e doenças


ocupacionais. Elas ficam responsáveis pelo pagamento do salário do trabalhador nos primeiros 15
dias após o acidente, pelo transporte e assistência médica de urgência, pela investigação das causas
do acidente e correção da situação. Em algumas circunstâncias, é necessária a paralisação de

94
Competência 04

máquinas, equipamentos e setores com consequente interrupção da produção, em outros ocorrem


prejuízos como a destruição de máquinas, veículos e equipamentos ou danificação de produtos,
matéria-prima e outros insumos. É importante resaltar que dificilmente a empresa consegue
manter o mesmo conceito e imagem no mercado.
E em relação à sociedade? Como será que acidentes e doenças gerados no ambiente laboral podem
vir a interferir na vida cotidiana dos cidadãos? Como nós estamos sendo afetados?

Segundo os dados estatísticos, a maioria das pessoas que sofrem acidente do trabalho está em uma
faixa etária entre 20 e 30 anos. Estes jovens trabalhadores muitas vezes são os responsáveis pelo
sustento de suas famílias e acabam onerando a sociedade por necessitarem de socorro e
medicações de urgência, intervenções cirúrgicas, leitos nos hospitais, maior apoio da família e da
comunidade e de benefícios previdenciários. O País de uma forma geral acaba prejudicado, visto
que, a população economicamente ativa fica reduzida.

95
Referências

ANÚNCIOS GIGÃO. Figura 37 - Equipamentos de Proteção Coletiva. Disponível em:


www.anuncios.gigao.com.br/equipamentos-de-proteco-coletiva--epc-gigao-web-8797. Acessado
em: out de 2012.

APRENDENDO NORMAS. Figura 63 – Comunicação de Acidente de Trabalho. Disponível em:


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Minicurrículo do Professor

Dados Pessoais

 Nome: Maria Luísa Corrêa Muniz


 Email: luisa__muniz@hotmail.com

Formação

 Mestrado: Saúde Coletiva com Foco em Epidemiologia – em


andamento
Universidade Federal de Pernambuco – UFPE

 Pós- graduação: Enfermagem do Trabalho – 2010 Espaço


Enfermagem
Residência: Saúde da Mulher – 2010
Instituto de Medicina Integrada Professor Fernando Figueira (IMIP)

 Graduação: Enfermagem (Bacharela e Licenciada) - 2008


Universidade Federal de Pernambuco – UFPE

Experiência Profissional

 Escola Técnica Estadual Almirante Soares Dutra (ETEASD)


Docente do Curso de Técnico de Segurança do Trabalho, Análises Clínicas, Prótese
Dentária e Enfermagem
Período: Fevereiro de 2010 até a presente data

107
 Instituto de Medicina Integrada Professor Fernando Figueira (IMIP)
Residente em Saúde da Mulher
Período: Fevereiro de 2009 até janeiro de 2011

 Escola Wilton de Meira Pacheco (ESEMP)


Docente do Curso de Técnico de Enfermagem
Período: Março de 2009 até março de 2010
Unidade Mista de Tejucupapo
Enfermeira Assistencial
Período: Outubro de 2011 até a presente data

 Secretaria Estadual de Educação


Professora Pesquisadora da Educação à Distância
Período: Maio de 2012 até a presente data

 Beiró Uchoa – Moreno


Enfermeira Assistencial
Período: Janeiro de 2013 até a presente data

108