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 Direito Tributário
 Introdução ao Direito
Tributário
 Aula 01
 Atualizado em 05/03/2018

Sumário
1. Introdução ao Direito Tributário ______________________________________ 2
1.1. Atividade Financeira do Estado__________________________________________ 2
1.2. Definição de tributo___________________________________________________ 3
1.2.1. Prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir ___ 3
1.2.2. Prestação compulsória ____________________________________________________ 4
1.2.3. Prestação que não constitui sanção de ato ilícito _______________________________ 4
1.2.4. Prestação instituída em lei _________________________________________________ 4
1.2.5. Prestação cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada ________ 4

1.3. Tributos em espécie___________________________________________________ 5


1.3.1. A determinação da natureza jurídica específica do tributo _______________________ 5
1.3.2. Impostos _______________________________________________________________ 6
1.3.2.1. Criação dos impostos ___________________________________________________ 7
1.3.2.2. Impostos e o princípio da capacidade contributiva ___________________________ 7
1.3.3. Taxas __________________________________________________________________ 8
1.3.3.1. Taxas de Polícia ________________________________________________________ 8
1.3.3.2. Taxas de serviço _______________________________________________________ 9
1.3.3.2.1. Serviço público específico e divisível ____________________________________ 9
1.3.3.2.2. Utilização efetiva ou potencial de serviços públicos ______________________ 10
1.3.3.2.3. A base de cálculo das taxas __________________________________________ 11

1 1.3.4.
1.3.2.2.4. Taxas e Preços Públicos - Diferenças ____________________________________ 12
Contribuições de melhoria ________________________________________________ 14
1.3.4.1. O cálculo da contribuição de melhoria __________________________________ 15
1.3.5. Empréstimos compulsórios _______________________________________________ 15
1.3.5.1. Destinação da arrecadação _____________________________________________ 15
1.3.5.2. Restituição __________________________________________________________ 16
1.3.6. Contribuições especiais __________________________________________________ 16
1.3.6.1. Contribuições sociais __________________________________________________ 17
1.3.6.2. Contribuições de seguridade social e outras contribuições sociais ______________ 18
1.3.6.3. Contribuições sociais gerais _____________________________________________ 18
1.3.6.3.1. Salário-educação __________________________________________________ 19
1.3.6.3.2. As contribuições criadas pela LC 110/01 (FGTS) __________________________ 19
1.3.6.3.3. As contribuições para os serviços sociais autônomos _____________________ 19
1.3.6.4. Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE __________________ 20
1.3.6.5. Contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas –
Contribuições corporativas ______________________________________________________ 22
1.3.6.5.1. Contribuição sindical _______________________________________________ 22
1.3.6.5.2. Contribuições corporativas para o custeio das entidades de fiscalização do
exercício de profissões regulamentadas __________________________________________ 22
1.3.6.6. Contribuição de Iluminação Pública – COSIP. _______________________________ 23

1.4. Classificações doutrinárias dos tributos __________________________________ 24


1.4.1. Quanto à discriminação das rendas por competência: federais, estaduais ou municipais
24
1.4.2. Quanto ao exercício da competência impositiva: privativos, comuns e residuais _____ 24

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1.4.3. Quanto à finalidade: fiscais, extrafiscais, parafiscais ____________________________ 24


1.4.4. Quanto à hipótese de incidência: vinculados e não vinculados ___________________ 24
1.4.5. Quanto ao destino da arrecadação: arrecadação vinculada e arrecadação não vinculada
24
1.4.6. Quanto à possibilidade de repercussão do encargo econômico-financeiro: diretos e
indiretos 25
1.4.7. Quanto aos aspectos objetivos e subjetivos da hipótese de incidência: reais e pessoais26
1.4.8. Quanto às bases econômicas de incidência – Classificação do CTN ________________ 26

1. Introdução ao Direito Tributário


Trata-se de ramo predominantemente de direito público, onde prevalece a vontade do
Estado, sob o manto dos princípios da supremacia do interesse público sobre o interesse
privado e da indisponibilidade do interesse público.

Aqui, há o sujeito ativo (credor, ente tributante) e o sujeito passivo (devedor,


contribuinte), que deverá cumprir uma obrigação (fazer, não fazer ou pagar), que será, em
regra, uma obrigação sempre decorrente lei,

Essa obrigação decorrente de lei descreverá uma hipótese de incidência, ou fato gerador
em abstrato, que ensejará o surgimento do tributo. Quando ela ocorrer no mundo dos fatos,
dizemos que ocorreu o fato gerador em concreto, ou seja, a subsunção à norma.

1.1. Atividade Financeira do Estado


2 A obtenção de recursos de recursos pelo Estado para consecução de seus fins se dá de
duas formas: receita originária e receita derivada.
Receita originária: trata-se da obtenção de receitas patrimoniais ou empresariais pelo
Estado, através da exploração de seu patrimônio, de aluguéis de seus bens, recursos de
atividades econômicas prestadas, não havendo Poder de Império, atuando como se fosse
particular. Tema mais afeto ao direito financeiro e econômico.
#fiqueligado: Natureza jurídica dos royalties:
Ler STF ADI 3273. O executivo pode atribuir royalties a terceiros, desde que
assegurada a participação ou compensação financeira ao Ente Federado
produtor sobre o resultado decorrente da extração, ainda que em
percentual inferior a 10% (Obs: pode ser a no mínimo 5%, tendo em conta
os riscos geológicos e expectativas de produção) (previsão dos percentuais
é de origem legal, e não constitucional). A CF prevê a participação dos
entes federados no resultado da exploração, mas não a limita a qualquer
porcentagem. A importância cobrada das concessionárias que exploram
recursos minerais (definição de royalties) é classificada como receita
originária, não integrante do sistema tributário nacional, mas sim da
ordem econômica. O fato de a prestação pecuniária compulsória ser
instituída por lei não torna necessariamente um tributo a participação nos
resultados ou da compensação financeira

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Receita derivada: aqui o Estado utiliza de sua prerrogativa de Poder Público para, através
de lei, obrigar os cidadãos a recolherem valores aos cofres públicos, independentemente da
vontade destes. Trata-se dos tributos, tema que estudaremos.
Nas duas espécies de receita o ente público pode ser devedor. Ele pode alugar um imóvel
de outro ente federativo. Esse imóvel pode gerar tributo, como taxas, de competência de
outro ente federativo. Aqui temos os tributos, multas e reparações de guerra.
Importante mencionar que os tributos podem ter duas finalidades distintas: a finalidade
fiscal, que é aquela que busca arrecadar dinheiro aos cofres públicos (IR, ICMS, ISS) e a
finalidade extrafiscal, que é um método de intervenção do estado na economia através de
benefícios, incentivos ou maneiras de se evitar uma conduta (II, IE, IOF, IPI, CIDE).
Ainda, deve ser entendido o conceito de parafiscalidade, ou tributo parafiscal, que
consiste na atribuição dos valores arrecadados a uma pessoa distinta daquela que possui a
competência para instituir o tributo, a fim de custear seus objetivos, como os conselhos de
classe, por exemplo, que cobram contribuições corporativas dos profissionais para manter
suas atividades. A competência para instituir contribuições é da União, mas o valor arrecadado
é destinado aos Conselhos. Pode ocorrer também quando há delegação da capacidade
tributária ativa (cobrar e fiscalizar).
1.2. Definição de tributo
Segundo o CTN, que adota a corrente tripartida, clássica, o tributo é:
Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela
se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada
3 mediante atividade administrativa plenamente vinculada.
Deve-se esmiuçar todos os requisitos aí expostos para que haja uma boa compreensão da
matéria.
1.2.1. Prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa
exprimir
A regra é que seja pago em dinheiro, em moeda. Entretanto, o CTN, em seu artigo 156, XI,
permite o pagamento de tributos através de dação em bens imóveis, nos termos da lei.
Entretanto, a parte que diz “cujo valor nela se possa exprimir” abre possibilidades de outras
maneiras de pagamento, desde que previstas no código. Assim, não há que se falar que a
hipótese de pagar o tributo com outra maneira que não o dinheiro estaria derrogando o artigo
3º, pois é uma maneira que a “moeda” pode se exprimir, pois o imóvel tem valor.
O STF entende ser inconstitucional lei do DF que permite o pagamento de tributos
mediante dação em pagamento de materiais destinados a atender a programas de Governo.
Só lei complementar pode dispor sobre extinção do crédito tributário.
Entretanto, o STF, posteriormente, entendeu que é possível a criação de novas hipóteses
de extinção do crédito tributário através de lei ordinária local, pois o pacto federativo permite
ao ente estipular a possibilidade de receber algo de seu interesse para quitar o débito, bem
como que, se o ente pode perdoar a dívida, também pode autorizar a extinção do crédito de
uma forma não prevista no CTN, máxime porque quem pode o mais (remir a dívida), pode o
menos.
Ainda, quanto a dação de bens móveis para quitar o débito, o STF entende ser
INCONSTITUCIONAL, pois só cabe a lei federal dispor sobre regras gerais de licitação,
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entendendo que o pagamento de um bem por bens móveis, está, na prática, adquirindo um
bem sem licitação. (Manter firme nesta hipótese em prova e se perguntar que há possibilidade
de outros meios de extinção do crédito, lembrar do parágrafo acima).
Ainda, o candidato deve saber que é possível a fixação de valor dos tributos por meio de
indexadores, como a UFIR, que trata-se de um índice que, multiplicado, seria o valor do
tributo. Ex: o valor do tributo é 20 UFIRs. Sobre a utilização de títulos de dívida pública para
quitar o tributo, há discussão, mas sabe-se que isso se configura compensação.
Jurisprudência: somente lei complementar pode prever novas formas de extinção do
crédito tributário. “As normas relativas à prescrição e à decadência tributária têm natureza
de normas gerais de direito tributário, cuja disciplina é reservada a Lei complementar, tanto
sob a Constituição pretérita (art. 18, § 1º, da CR de 1967/69) quanto sob a Constituição atual
(art. 146, III, b, da CR de 1988). Interpretação que preserva a força normativa da
Constituição, que prevê disciplina homogênea, em âmbito nacional, da prescrição,
decadência, obrigação e crédito tributários. Permitir regulação distinta sobre esses temas,
pelos diversos entes da federação, implicaria prejuízo à vedação de tratamento desigual
entre contribuintes em situação equivalente e à segurança jurídica. [...]

1.2.2. Prestação compulsória


É irrelevante a vontade de querer pagar ou não, devendo cumprir a obrigação prevista em
lei. No que tange aos tributos, a lei é fonte direta e imediata da obrigação de pagar. Trabalho
compulsório, como servir ao exército, não é tributo.

4 1.2.3. Prestação que não constitui sanção de ato ilícito


Aqui reside a diferença entre tributo e multa. O tributo não possui natureza sancionatória,
e visa arrecadar e intervir em situações econômicas. Lado outro, a multa é sanção pelo
descumprimento de algum preceito normativo, possuindo como função coibir a prática do ato
ilícito. O tributo, em regra, não possui caráter preventivo ou repressivo. Por que em regra?
Porque os tributos extrafiscais são utilizados para induzir determinadas condutas.
Devemos ter em mente, ainda, que a obrigação do tributo nasce a partir da ocorrência do
fato gerador, não importando sua origem. Assim, é permitido tributar os rendimentos de
atividades ilícitas/criminosas. Trata-se do princípio pecúnia non olet, em português, dinheiro
não tem cheiro. Isso é chancelado pelo STF. Se o FG ocorreu, o tributo é devido.
Outro ponto que merece destaque é a proibição de tributo com caráter sancionatório e a
proibição de tributo com efeito confiscatório, disposto na CF. Há uma falta de correspondência
entre a punição e o tributo, pois este, conforme já dito, é para fatos geradores. A pena é algo
distinto de tributo.
1.2.4. Prestação instituída em lei
Regra sem exceção. O tributo só pode ser criado por lei (ordinária ou complementar) ou
ato normativo de igual força (MP). O povo só paga os tributos que aceitou pagar.
1.2.5. Prestação cobrada mediante atividade administrativa plenamente
vinculada
A autoridade tributária não pode fazer juízo de conveniência e oportunidade para efetiva o
lançamento do tributo, uma vez que a cobrança é atividade vinculada (obrigatória).

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Não se deve confundir com os demais conceitos da palavra vinculada em direito tributário:
 Cobrança (atividade administrativa) vinculada.
 Tributo vinculado (atividade estatal específica): taxas, contribuições de melhoria.
 Destinação vinculada (arrecadação possui destino vinculado): CIDE, empréstimos
compulsórios.
O CTN afirma (artigo 4º) que é irrelevante para definir o tributo a destinação legal de sua
arrecadação. Entretanto, hoje em dia essa norma não é válida, uma vez que as contribuições
podem ter o mesmo fato gerador do que os impostos, mudando tão somente a sua
destinação, pois o valor arrecadado pelas contribuições é para um custeio já especificado em
lei, diferentemente dos impostos.
FGTS: não é tributo, não obstante seja arrecadado pelo Poder Público, é destinado ao
particular, sendo depositado em conta específica para posterior saque deste. Ademais, a
Súmula 353 do STJ dispõe que as disposições do CTN não se aplicam às contribuições para o
FGTS.
Aproveitando o gancho do FGTS, o STF acabou com a prescrição trintenária, entendendo
que o artigo 7º, inciso XXIX da CF prevê que, para os créditos resultantes das relações de
trabalho, aplica-se o prazo prescricional de cinco anos, até o limite de dois anos após a
extinção do contrato de trabalho. Modulação: aplica-se a partir da data do julgamento,
13/11/2014.
O STF entende que as contribuições para o FGTS não são tributos, mas sim obrigação
trabalhista, de cunho sui generis, sendo que a prescrição quinquenal para o FGTS não tem
fundamento nenhum no CTN, mas na própria CF.
5 1.3. Tributos em espécie
Acerca da classificação, há várias correntes, entretanto, destacam-se a tripartida (CTN) e a
pentapartida (CF/STF).
O CTN adota a teoria tripartida, entendendo, conforme o artigo 5º, que só são tributos os
impostos, taxas e contribuições de melhoria. Entretanto, o dispositivo não restringe as
espécies tributárias às três enumeradas, mas apenas agrupa aquelas cuja competência para
criação é atribuída simultaneamente aos três entes políticos, tratando-se, portanto, de norma
atributiva de competência, e não de norma que lista exaustivamente as espécies de tributos
do ordenamento. Nesse sentido, o STF adotou a teoria da pentapartição.
Algumas bancas entendem o seguinte: “Para entender a teoria pentapartida, é preciso
levar em conta que o artigo 4º do CTN foi parcialmente não recepcionado pela CF88, uma vez
que leva em conta o nome do tributo e a destinação legal do produto de sua arrecadação. No
CTN, o trecho “é irrelevante para determinar a espécie tributária a destinação legal do produto
de sua arredação” foi revogado pela CF pelo sistema pentapartite.”
1.3.1. A determinação da natureza jurídica específica do tributo
Artigo 4º, CTN: a natureza jurídica específica do tributo é determinada pelo fato gerador
da respectiva obrigação, sendo irrelevante para qualifica-la a denominação e demais
características formais adotadas pela lei, bem como a destinação legal do produto de sua
arrecadação.

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Assim, primeiro analisa-se se o tributo é vinculado ou não vinculado (atividade estatal


específica). Se não for vinculado, é imposto. Se for vinculado, terá que ser analisada a sua
referibilidade (destinação vinculada), podendo ser taxa ou contribuição.
Problemas da tricotomia:
 STF: O serviço público de iluminação, apesar de ser prestação de serviço, não pode
ser remunerado por taxa, pois não é possível quantificar os usuários – uti universi,
não atendendo aos requisitos da qualificação como taxa.  EC 39 criou, então, a
contribuição de custeio ao serviço de iluminação pública. Veja: aqui há um serviço,
é vinculado, logo, pela corrente tripartida, seria taxa, mas não pode ser taxa, pois
não preenche os requisitos.
 Após a EC 33, a CF passou a prever que com exceção do ICMS, nenhum outro
imposto poderá incidir sobre algumas operações de combustíveis. Veja que é
IMPOSTO, de modo que foi possível incidir a CIDE. Se fosse adotada a corrente
tripartida, isso não poderia ser possível, pois a CIDE tem um fato gerador
independente de atividade estatal e destinação vinculada.
Ainda, deve-se esclarecer que o simples fato gerador já não é mais adequado para definir o
tributo, pois contribuições e impostos podem ter fato gerador igual, como IR e CSLL, sendo
diferenciado tão somente pelo destino do produto de sua arrecadação. A única maneira de
diferenciá-los é entendendo que o artigo 4º do CTN foi parcialmente não recepcionado pela
CF, pois hoje utiliza-se o destino da arrecadação para verificar a espécie do tributo.
No mais, importante salientar que apesar de a CF prever (145, §2º) que as taxas não
podem ter base de cálculo própria de imposto, é possível que tenha um ou mais elementos
6 desta base de cálculo. Aqui, para determinar a natureza jurídica de um tributo, analisa-se
também a BC, e não somente o FG, havendo um cotejo entre a BC e o FG da taxa em relação
ao imposto.
1.3.2. Impostos
Trata-se de espécie tributária devida independentemente de qualquer atividade estatal,
pela manifestação de riqueza do contribuinte, não vinculado por natureza. Sua destinação é
para as mais diversas necessidades do Estado, em benefício de toda a coletividade, de forma
que os manifestantes de riqueza compulsoriamente se solidarizem com a sociedade, daí o
caráter contributivo dos impostos, bem como, porque é fundado na capacidade contributiva
do cidadão.
A vinculação de sua receita é vedada pela CF (art. 167, IV), admitindo exceções
constitucinais. Logo, os impostos são não vinculados, de arrecadação não vinculada, com
finalidade de remunerar os serviços universais (uti universi) que, por não gozarem de
referibilidade, não podem ser custeados por intermédio de taxas.
A competência para instituí-los é discriminada na CF, cabendo a cada ente federativo
editar lei ordinária para instituí-los. Em princípio, o rol da CF é taxativo (números clausus),
salvo para a União, que pode instituir, mediante Lei Complementar, novos impostos, desde
que não sejam cumulativos e não tenham FG ou BC próprios dos impostos já discriminados na
CF (art. 154, I). Trata-se da competência residual da União, podendo-se aplicar o mesmo para
as contribuições sociais (art. 195, §4º). Em ambos os casos faz-se necessário LC, o que
inviabiliza a utilização de MP (CF art. 62, §1º, III).

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Ainda, a União pode criar, por meio de Lei Ordinária, Impostos Extraordinários em caso de
guerra externa ou sua iminência, compreendidos ou não em sua competência. Aqui vê-se a
única hipótese de bitributação autorizada pela CF. Assim, a União pode instituir o IEG tendo
como o fato gerador o mesmo do ICMS. Neste sentido, afirma-se que só a União tem
competência tributária privativa absoluta, como no caso do IEG.
Todos os impostos previstos na CR/88 deverão ter base de cálculo, contribuintes e fatos
geradores definidos por lei complementar NACIONAL (art. 146, III, a, CR/88), que, via de regra,
é o CTN. Isso quer dizer que os impostos residuais, aqueles não previstos na Constituição,
apesar de precisarem ser criados por lei complementar, poderão ter esses elementos fixados
por lei ordinária.
Frise-se que, somente a união possui competência tributária privativa absoluta, pois, no
caso de guerra externa ou sua iminência, está autorizada a tributar as mesmas bases
econômicas atribuídas aos demais entes políticos.

1.3.2.1. Criação dos impostos


O ente deve editar a lei/MP instituindo (e não criando, pois quem cria é a CF) os impostos,
definindo sua BC, FG, alíquotas e contribuintes.
Em relação aos impostos, o artigo 146, III, a, da CF determina que Lei Complementar de
caráter nacional defina os respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes
(alíquotas NÃO). Tal norma é o CTN, conforme já dito, sendo aplicável no que for cabível aos
entes. Entretanto, é importante mencionar que o CTN não regula todos os impostos criados
pela CF, ocasião em que o STF entendeu que, quando a União deixa de editar normas gerais, os
7 Estados podem exercer a competência legislativa plena, conforme o artigo 24, §3º, da CF. O
caso refere-se ao IPVA, que por ter sido previsto apenas na CF de 67 (depois do CTN), sequer
foi mencionado no CTN, não havendo normas gerais sobre IPVA.
1.3.2.2. Impostos e o princípio da capacidade contributiva
Conforme o artigo 145, §1º da CF, sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal
e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à
administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar,
respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio (impostos reais), os
rendimentos (impostos pessoais) e as atividades econômicas do contribuinte.
Nos impostos reais não há incidência do referido princípio, vez que ele é cobrado pelo
valor do objeto (ICMS, IPI), incidindo objetivamente. Já nos pessoais, os impostos incidem
subjetivamente, levando-se em consideração os aspectos pessoais do contribuinte (IR), como
gastos com educação, saúde, valor de renda, etc.
Não obstante a previsão deste princípio seja expressamente previsto aos tributos, o STF
entende que nada impede que o princípio da capacidade contributiva seja levado em
consideração na criação de taxas. Logo, CF determina que é só para os impostos, e o STF
admite sua extensão para outras espécies tributárias.
Julgados importantes:
 STF: o princípio em comente aplica-se aos demais tributos, em especial à TAXA.

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 Não obstante os impostos reais não tenha aplicação do referido princípio, alguns
deles podem ser progressivos, na medida do valor do bem, tal como o IPTU,
permitido pela CF, e o ITCMD, conforme já decidido pelo STF neste último.
 O princípio pode ser aplicado com alíquotas progressivas ou escalonamento de
base de cálculo.
 STF: fere o princípio da isonomia a discriminação com base na função ou na
ocupação exercida pelo contribuinte.
 STF: inconstitucional LC estadual que isenta MP de custas judiciais, notariais,
cartorárias, taxas e emolumentos.
 STF: não fere a isonomia o tratamento desigual à ME e EPP. Caso os sócios tenham
condições de disputar no mercado de trabalho sem assistência do Estado, com
preparo científico, preparo para disputa, o Estado pode retirar o tratamento
benefíco.
 É possível a discriminação de ramos de atividade econômica, desde que racionais.
 É possível incentivos fiscais para contratação de funcionários com determinadas
características, como idosos e deficientes.
 STF: não fere a isonomia a sobrecarga de tributos aos bancos (alíquota maior nas
contribuições sociais) a cargo do empregador sobre a folha de salários. Art. 195. §
9º.
 Constitucinoal lei estadual que estabelece alíquota de IPVA diferenciada em razão
do tipo do veículo.
 Não há tributo progressivo quando as alíquotas são diferenciadas segundo
critérios que não levam em consideração a capacidade contributiva.
8
1.3.3. Taxas
Todos os entes políticos poderão instituir taxas, em razão do exercício do poder de polícia
ou pela utilização, efetiva ou potencial, de serviços públicos, específicos e divisíveis, prestados
ao contribuinte ou postos a sua disposição (art. 145, II, CF e art. 77, CTN).
As taxas são, claramente, tributos retributivos ou contraprestacionais, uma vez que não
podem ser cobradas sem que haja o efetivo exercício do poder de polícia ou que preste ao
contribuinte ou coloque à sua disposição um serviço público específico e divisível. Logo, são
dois os fatos que geram taxas: exercício poder de polícia e disponibilização de serviço público.
1.3.3.1. Taxas de Polícia
Tem como fato gerador o exercício regular do poder de polícia, fundamentado na
supremacia do interesse público sobre o interesse privado. O artigo 78 do CTN conceitua
poder de polícia como atividade da administração pública que, limitando ou disciplinando
direito, interesse ou liberdade, regula a prática de ato ou abstenção de fato, em razão de
interesse público concernente à segurança, à higiene, à ordem, aos costumes, à disciplina da
produção e do mercado, ao exercício de atividades econômicas dependentes de concessão ou
autorização do Poder Público, à tranquilidade pública ou ao respeito à propriedade e aos
direitos individuais ou coletivos.
Para que seja válida a taxa de polícia, deve haver efetivo exercício regular, deste poder,
nos limites da lei, observando o processo legal, sendo uma atividade discricionária, sem abuso
ou desvio de poder.

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Caso comum é o das taxas de localização e funcionamento. O STJ entende que, para haver
cobrança pela renovação da taxa de funcionamento, é necessário que haja um novo
procedimento de fiscalização.

A regra para cobrar a taxa de polícia é o efetivo exercício da fiscalização, entretanto, o STF
entende ser presumido o exercício de poder de polícia, mesmo que não comprove a efetiva
fiscalização no estabelecimento, caso haja órgão de fiscalização devidamente criado e
integrado por servidores legalmente competentes para o exercício de certa atividade.

Ainda, o STF entende que a existência de órgão administrativo não é condição para o
reconhecimento da constitucionalidade da taxa, mas apenas um dos elementos para se aferir
o exercício do Poder de Polícia, de modo que é possível a cobrança desde que seja efetivo
exercício do Poder de Polícia.

O STF quis dizer o seguinte: não obstante o poder de polícia precisar ser efetivo para que
possam ser cobradas as taxas, não é necessário que haja um órgão público criado unicamente
para referida fiscalização. Se, por meio de sua estrutura orgânica, o ente tiver condição de
proceder a fiscalização, por quaisquer de seus órgãos, possível é que seja a fiscalização tida por
efetiva. Por fim, já decidiu o STF também que o poder de polícia não precisa ser realizado
necessariamente de forma presencial; pode ser realizado de local remoto: “A incidência de
taxa pelo exercício de poder de polícia pressupõe ao menos (1) competência para fiscalizar a
atividade e (2) a existência de órgão ou aparato aptos a exercer a fiscalização. 2. O EXERCÍCIO
DO PODER DE POLÍCIA NÃO É NECESSARIAMENTE PRESENCIAL, POIS PODE OCORRER A PARTIR
9 DE LOCAL REMOTO, COM O AUXÍLIO DE INSTRUMENTOS E TÉCNICAS QUE PERMITAM À
ADMINISTRAÇÃO EXAMINAR A CONDUTA DO AGENTE FISCALIZADO. ”

STJ: “contribuição” para o FUNDAF: destina-se a reforçar o caixa da Secretaria da Receita


Federal do Brasil, remunerando os encargos de sua atividade fiscalizatória. O Tribunal
entendeu que se trata de taxa, pois houve exercício de poder de polícia, devendo ser
disciplinado em lei a instituição do tributo, e não em decreto, como aconteceu.

STF: é legítima a taxa de fiscalização dos mercados de títulos e valores mobiliários (súmula
665, STF); a taxa de fiscalização e controle dos serviços públicos delegados; a taxa de
fiscalização de anúncios, todas sendo de poder de Polícia.

1.3.3.2. Taxas de serviço


O serviço deve ser específico e divisível; o destinatário deve utilizar efetiva ou
potencialmente o serviço; o serviço deve ser prestado ao contribuinte ou posto a sua
disposição. (artigo 79 do CTN)
1.3.3.2.1. Serviço público específico e divisível
Específico: quando possam ser destacados em unidades autônomas de intervenção, de
utilidade, ou de necessidades públicas.  Que seja possível especificar o serviço que está
sendo prestado.
Divisível: quando suscetíveis de utilização, separadamente, por parte de cada um dos seus
usuários.  Cada usuário deve poder utilizar separadamente, de modo que seja possível
identificar individualmente o usuário, entendido como serviço uti singuli.
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Logo, para que seja possível a cobrança é necessário que o contribuinte possa identificar o
serviço a ele prestado e que o Estado possa identificar o contribuinte, individualmente. Com
base nesse raciocínio, o STF editou súmula vinculante com o seguinte entendimento:
Súmula Vinculante 19: A taxa cobrada exclusivamente em razão dos serviços públicos de
coleta, remoção e tratamento ou destinação de lixo ou resíduos provenientes de imóveis, não
viola o artigo 145, II, da Constituição Federal. é possível identificar os usuários, que são os
proprietários das casas que produzem o lixo.
Entretanto, se essa taxa envolver limpeza de logradouros públicos ou qualquer outro
serviço de natureza indivisível, será flagrantemente inconstitucional. Logo, percebe-se que no
caso de não ser possível identificar os destinatários, serviço uti universi, não se pode
remunerar o serviço por taxa, mas sim por impostos, destinado a serviços gerais.
É o caso da iluminação pública, pois não é possível identificar os sujeitos que usufruem do
serviço, motivo pelo qual o STF editou súmula vinculante com o seguinte entendimento:
Súmula vinculante 41: O serviço de iluminação pública não pode ser remunerado
mediante taxa.
Isto posto, foi criada a COSIP, através da EC 39/02, que criou a contribuição de iluminação
pública, de competência dos municípios e do DF, podendo ser cobrada na conta de telefone.
STF: não podem ser financiados por taxa os serviços gerais, tendo em vista a
indivisibilidade, como os serviços de segurança pública, diplomação, defesa externa do país,
etc. Neste sentido, em 2017, o STF considerou inconstitucional a taxa de combate a sinistros
cobrada pelos municípios, assentando a tese de que “a segurança pública, presentes a
10 prevenção e o combate a incêndios, faz-se, no campo da atividade precípua, pela unidade da
Federação e, porque serviço essencial, tem como a viabilizá-la a arrecadação de impostos, não
cabendo ao Município a criação de taxa para tal fim.” Logo, tratando-se de serviço de
competência dos Estados, bem como de serviço geral, deve ser financiado por imposto, e não
por taxa municipal.
1.3.3.2.2. Utilização efetiva ou potencial de serviços públicos
Utilização potencial: a taxa pode ser cobrada mesmo sem a utilização efetiva do serviço
pelo sujeito passivo, desde que posto à disposição e desde que previsto em lei. Aqui, mesmo
se o contribuinte não utilizar o serviço ele irá pagar.
Utilização efetiva: a taxa só é cobrada se for efetivamente utilizado o serviço pelo
contribuinte.
Quando da instituição do tributo, a lei deverá dispor se será cobrado pela utilização
potencial, de cobrança compulsória, quando o serviço transpõe a barreira dos interesses
meramente individuais, de forma que se fosse dado ao particular decidir por não o utilizar, o
prejuízo pudesse se reverter contra a coletividade. Ou, ainda, se será cobrado pela utilização
efetiva, quando não se encaixar no caso anterior.
Entretanto, perceba: a utilização deve ser potencial ou efetiva, a depender da
importância do serviço para a coletividade, entretanto, a disponibilização deve ser sempre
efetiva. Ou seja, o serviço deve ser sempre disponibilizado para que seja cobrada a taxa, não
podendo se falar em cobrança sem serviço.
Por fim, é importante esclarecer que o serviço deve consistir em uma utilidade ou atender
uma necessidade do contribuinte, de modo que o STF entende ser inconstitucional a cobrança
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de taxa por emissão de guia ou carnê de cobrança de um tributo, uma vez que o serviço é
prestado no exclusive interesse da própria Administração, não fazendo sentido o contribuinte
ser cobrado a pagar uma taxa destinada ao serviço de cobrá-lo.
1.3.3.2.3. A base de cálculo das taxas
A CF dispõe (art. 145, §2º) que é vedado que as taxas tenham BC própria de impostos. Já o
CTN dispõe que a taxa não pode ter BC ou FG idênticos aos que correspondem a imposto (art.
77, p.u.). A taxa não incide em função de manifestações de riqueza, de signos presuntivos de
riqueza, a taxa incide como retribuição a um exercício de uma atividade estatal específica e
dirigida ao obrigado.
A BC da taxa deve ter correlação razoável com o serviço prestado, diferentemente do
imposto, que só guarda relação com o valor da riqueza do contribuinte, uma vez que trata-se
de um tributo vinculado à atividade estatal prestada. Assim, o valor e a base de cálculo devem
ter correlação com o serviço, sob pena de enriquecimento ilícito do Estado. Neste sentido, foi
editada a Súmula 595 pelo STF:
Súmula 595 – STF: É inconstitucional a taxa municipal de conservação de estradas de
rodagem cuja base de cálculo seja idêntica a do imposto territorial rural.
Ainda, aqui, além da base de cálculo ser igual, há outro fator impeditivo: falta de
especificidade e divisibilidade, não sendo possível especificar o serviço nem identificar os seus
usuários.
STF: as custas judiciais e emolumentos, por serem tributos da espécie taxa, cobrados para
remunerar a prestação do serviço público específico e divisível da jurisdição, podem ser
11 cobradas tendo por base de cálculo o valor da causa ou da condenação (custas ad valorem).
Entretanto, se a alíquota for excessiva ou se inexistir previsão de um teto, elas se tornam
ilegítimas, por não guardarem correlação com o valor gasto pelo Estado para prestar o serviço,
e por configurarem uma maneira indireta de a lei excluir do Poder Judiciário lesão ou ameaça a
direito, ferindo o livro acesso à jurisdição. Isso foi sumulado:
Súmula 667 – STF: Viola a garantia constitucional de acesso à jurisdição a taxa judiciária
calculada sem limite sobre o valor da causa.
Sobre essas custas judiciais, o STF entende que: “é vedada a destinação dos valores
recolhidos a título de custas e emolumentos a pessoas jurídicas de direito privado. ” Ex:
associação de magistrados.
Lembre-se o entendimento do STF: inconstitucional LC estadual que isenta MP de custas
judiciais, notariais, cartorárias, taxas e emolumentos, pois fere a isonomia.
Sendo as custas judiciais tributos, respeitam todos os princípios tributários (legalidade,
anterioridade anual e noventena).
STF: constitucional taxa de coleta de lixo tendo a base de cálculo um valor proporcional à
área construída dos imóveis, presumindo-se de que o imóvel maior produzirá mais lixo do que
o imóvel menor. Trata-se apenas de um elemento da base de cálculo do IPTU, e não sua
integral identidade. Após reiterações deste entendimento, o STF editou a súmula vinculante
29:
Súmula vinculante 29: É constitucional a adoção no cálculo do valor de taxa de um ou mais
elementos da base de cálculo própria de determinado imposto, desde que não haja integral
identidade entre uma base e outra.
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Ainda, o STF aceita criação de taxas com valores fixos constantes em tabelas que tomem
como referência grandezas, como exemplo a taxa de fiscalização dos mercados de títulos e
valores mobiliários, que varia em função do patrimônio líquido dos contribuintes. O STF
entendeu que o patrimônio líquido não era a base de cálculo da taxa, mas tão somente um
fator de referência para definir o valor tabelado a ser pago pelas empresas, estipulado na
forma de tributo fixo. Perceba: não é multiplicado a alíquota pelo patrimônio, mas sim
verifica-se o patrimônio e tributa com base um valor fixo estipulado em uma tabela. Isto posto,
o STF sumulou este entendimento, preconizado pela Lei nº 7.940/89:
Súmula 665 – STF: É constitucional a taxa de fiscalização dos mercados de títulos e valores
mobiliários instituída pela Lei 7.490/89.
No mesmo sentido, é constitucional a utilização de fator de referência para cobrar taxa
paga aos cartórios para transferências de imóveis o valor do imóvel transferido, considerando-
se como tal o mesmo que foi apurado na cobrança do IPTU.
Ainda, o STF entende que “As taxas municipais de fiscalização e funcionamento não podem
ter como base de cálculo o número de empregados ou ramo de atividade exercida pelo
contribuinte.”
De outro lado, a Corte entende que: “A taxa de fiscalização e funcionamento pode ter
como base de cálculo a área de fiscalização, na medida em que traduz o custo da atividade
estatal de fiscalização. Quando a Constituição se refere às taxas, o faz no sentido de que o
tributo não incida sobre a prestação, mas em razão da prestação de serviço pelo Estado. A área
ocupada pelo estabelecimento comercial revela-se apta a refletir o custo aproximado da
atividade estatal de fiscalização.”
12
1.3.2.2.4. Taxas e Preços Públicos - Diferenças
Os serviços públicos também podem ser remunerados por tarifas/preços públicos, o que
poderia causar uma certa confusão com taxas de serviço, pois ambos remuneram uma
atividade estatal e ambos possuem referibilidade. Entretanto, está é a única semelhança,
conforme tabela abaixo que dinstingue preço público/tarifa e taxa:
TAXA PREÇO PÚBLICO/TARIFA
Regime jurídico tributário, de direito público Regime contratual, de direito privado
Arrecadação é produto de receita derivada A receita é produto de receita originária
É uma prestação compulsória É uma prestação facultativa, de contrato
Não é possível rescisão, pois decorre de lei É possível rescisão pela vontade da parte
Obedece à noventena, anterioridade e Não obedece a nenhum princípio tributário,
legalidade. podendo ser fixado conforme normativa da
pessoa jurídica
Só figura no polo ativo pessoas jurídicas de O sujeito passivo é pessoa jurídica de direito
direito público privado
A utilização pode ser efetiva ou potencial Deve ser sempre efetiva

Neste sentido, o STF sumulou o seguinte entendimento>


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Súmula 545 – STF: Preços de serviços públicos e taxas não se confundem, porque estas,
diferentemente daqueles, são compulsórias e têm sua cobrança condicionada à prévia
autorização orçamentária, em relação à lei que as instituiu.
A parte tachada deve-se ao fato de que não vigora mais no nosso ordenamento a
necessidade de previsão da instituição do tributo na lei orçamentária (princípio da anualidade
orçamentária).
STF: serviços de água e esgoto, prestados por concessionárias de serviço público, não
possui caráter tributário, sem remunerados por preço público. Decidido com base na pessoa
jurídica de direito privado que figura no polo passivo, bem como que a cobrança é originada
por um contrato feito entre particulares. Nesse mesmo sentido, o STJ editou a súmula 412,
afirmando que a ação de repetição de indébito de tarifas de água e esgoto sujeita-se ao prazo
prescricional estabelecido no Código Civil, justamente por não se tratar de tributo.
Ainda, a Corte entende: A concessionária de água e esgoto pode cobrar “tarifa de esgotamento
sanitário” mesmo na hipótese em que realiza apenas a coleta e o transporte dos dejetos
sanitários, sem fazer o tratamento final dos efluentes. Assim, é legal a cobrança de tarifa de
esgoto na hipótese em que a concessionária realize apenas uma — e não todas — das quatro
etapas em que se desdobra o serviço de esgotamento sanitário (a coleta, o transporte, o
tratamento e a disposição final de dejetos).

Forma de remuneração dos serviços específicos e divisíveis:


1) Serviços públicos propriamente estatais: atua no serviço de sua soberania, são
indelegáveis, somente o Estado pode prestar. São remunerados mediante taxa. Ex:
13 emissão de passaporte e serviço jurisdicional.
2) Serviços públicos essenciais ao serviço ao interesse público: prestados no interesse
da comunidade, remunerados mediante taxa, que incidirá sobre a utilização efetiva ou
potencial do serviço. Ex: coleta de lixo.
3) Serviços públicos não essenciais: a sua não utilização não resulta dano ou prejuízo
para a comunidade. Podem ser delegados. São remunerados, em regra, por preço
público. Ex: telefonia, energia, gás.
STF: Como o Poder Público não pode fugir das restrições do poder de tributar, é evidente
que, nos casos em que é devida a taxa, não pode ele esquivar-se destas, impondo ao invés de
taxa, preço público, sob pena de fraude às limitações constitucionais.
Anotações do meu caderno sobre preço público:
● Pedágio tem natureza de preço-público, e não de taxa, podendo ser instituído/majorado por
decreto do poder executivo. Logo, não respeita e estrita legalidade. Em relação ao pedágio, o
STF já determinou que é preço público, não se sujeitando aos princípios tributários, e sua
cobrança INDEPENDE da disponibilização ao usuário de uma via alternativa de tráfego. Quanto
ao pedágio nos dias atuais, a inexistência de via alternativa gratuita não ofende a garantia de
liberdade de locomoção, sendo irrelevante a existência ou não de via alternativa para que seja
permitida a exação, não sendo exigida quer na CF quer na lei, não interferindo na
voluntariedade do pagamento, que, de fato, somente se dá com a efetiva utilização da
rodovia. Não há violação ao princípio da livre locomoção.
● Tarifa aeroportuária é preço-público, pois é devida por utilização da estrutura aeroportuária.
Lembrar que a INFRAERO é Empresa Pública.

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● Encargos de capacidade emergencial e de aquisição de energia elétrica emergencial são preço


público, não possuindo natureza tributária.
● A despesa com porte de remessa e retorno não se enquadra no conceito de taxa judiciária,
uma vez que as custas dos serviços forenses se dividem em taxa judiciária e custas em sentido
estrito. O porte de remessa e retorno é típica despesa de um serviço postal, prestado por
empresa pública monopolística e, assim, remunerado mediante tarifas ou preço público

1.3.4. Contribuições de melhoria


Trata-se de tributo vinculado à realização de uma obra pública que cause valorização
imobiliária da propriedade do contribuinte. Logo, percebam, não é qualquer valorização ou
benefício. A obra pública deve ocasionar a valorização imobiliária no imóvel do contribuinte.
Trata-se de um requisito fundamental.
A contribuição é decorrente da obra pública, e não para a obra pública. Ou seja, é cobrada
depois, e não antecipadamente com finalidade de custeio. Excepcionalmente, porém, o tributo
poderá ser cobrado sobre parte da obra, desde que a parcela realizada tenha
inequivocamente resultado em valorização dos imóveis localizados na área de influência. Sua
existência funda-se na vedação do enriquecimento sem causa do particular.
Ainda, no caso da contribuição de melhoria, a cláusula que transfere ao locatário a
obrigação de pagar não é apenas ineficaz em relação à fazenda pública, é nula também na
relação locatícia. Isto porque quem ganha com a valorização imobiliária é o proprietário, e não
o locatário.
Fato gerador: é a valorização imobiliária, e não a realização da obra. O STF exige que haja
14 um acréscimo de valor à propriedade imobiliária dos contribuintes, de forma que a base de
cálculo será exatamente o valor acrescido: “Sem valorização imobiliária decorrente de obra
pública não há contribuição de melhoria, porque a hipótese de incidência desta é a
valorização e a sua base de cálculo é a diferença entre os dois momentos: o anterior e o
posterior à obra pública, vale dizer o quantum da valorização imobiliária”. O STJ entende da
mesma maneira.
Ainda, O STF entende que não pode ser instituída taxa quando for cabível a criação da
contribuição de melhoria. Trata-se de uma manifestação do princípio da legalidade, numa
acepção afeta à especificidade.
STF e asfalto VS. recapeamento: a realização de pavimentação nova, suscetível de vir a
caracterizar benefício direto a imóvel determinado com incremento de seu valor, pode
justificar a cobrança de contribuição de melhoria. O mesmo não acontece com recapeamento
de via pública já asfaltada, que constitui simples serviço de manunteção e conservação.
O STJ entende ser legítima a fixação de base de cálculo do tributo mediante a utilização de
montantes presumidos de valorização, indicados pela administração pública, desde que
facultada a apresentação, pelo sujeito passivo, de prova em sentido contrário.
● Limites da contribuição de melhoria (previstos só na legislação infraconstitucional):
o Total: do custo da obra. Só é permitido cobrar o que foi gasto na obra.
o Individual: limitada a valorização sofrida pelo imóvel específico.

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1.3.4.1. O cálculo da contribuição de melhoria


O CTN determina (artigo 81 e seguintes) que (i) a lei instituidora da contribuição de
melhoria deve determinar a parcela do custo da obra e que (ii) a contribuição relativa a cada
imóvel será determinada pelo rateio da parcela do custo da obra pelos imóveis situados na
zona beneficiada em função dos respectivos fatores individuais de valorização.
O valor determina-se por simples regra de três, dividindo-se o valor a ser financiado entre
os proprietários dos imóveis beneficiados, proporcionalmente à valorização individual de cada
imóvel. Frise-se que o custo da obra pode ser muito maior do que a valorização do imóvel, não
havendo como cobrar mais do que a valorização.
Nesse sentido, o STJ entende: É uníssono o entendimento jurisprudencial neste Superior
Tribunal de que a base de cálculo da contribuição de melhoria é a efetiva valorização
imobiliária, a qual é aferida mediante a diferença entre o valor do imóvel antes do início da
obra e após a sua conclusão, sendo inadmissível a sua cobrança com base somente no custo
da obra pública realizada.
1.3.5. Empréstimos compulsórios
Art. 148. A União, mediante lei complementar, poderá instituir empréstimos
compulsórios:
I - para atender a despesas extraordinárias, decorrentes de calamidade pública, de
guerra externa ou sua iminência.
II - no caso de investimento público de caráter urgente e de relevante interesse
nacional, observado o disposto no art. 150, III, "b".

15 Parágrafo único. A aplicação dos recursos provenientes de empréstimo compulsório


será vinculada à despesa que fundamentou sua instituição.
São empréstimos forçados, que só podem ser instituídos por meio de lei complementar,
sendo tributo de competência exclusiva da União (art. 148, CF). O STF entende pela natureza
jurídica de tributo do empréstimo compulsório, não obstante a posterior devolução dos
valores. Se é instituído por lei complementar, lembre-se de que é VEDADO instituição por MP,
por expressa determinação da constituição (CF, art. 62, §1º, III).
Não confunda com os créditos extraordinários do direito financeiro. Lá é possível a
abertura do crédito extraordinário por meio de MP, comunicando o Poder Legislativo
posteriormente.
Ademais, importante dizer que empréstimo compulsório para “conjuntura que exija a
absorção temporária de poder aquisitivo”, expressa no CTN, art, 15, III, não foi recepcionada
pela CF.
Sempre há relevância e urgência nesses tributos. Entretanto, o legislador foi sensível ao
fato de que nos casos de guerra externa e sua iminência e de calamidade pública (somente
inciso I), há necessidade maior de celeridade da verba. Isto posto, nesses casos, a exação pode
ser criada sem necessidade de observância aos princípios da anterioridade e da noventena.
1.3.5.1. Destinação da arrecadação
Conforme o parágrafo único, a aplicação dos recursos proveniente do empréstimo
compulsório será vinculada à despesa que fundamentou sua instituição, logo, o empréstimo
compulsório é um tributo de arrecadação vinculada, e não um tributo vinculado, pois seu fato
gerador é “aberto”, ou seja, não é possível fazer sua definição prévia, nem na CF, nem no CTN,
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de forma que este aspecto só poderá ser verificado por intermédio da análise pormenorizada
do fato gerador definido nas leis que os instituam.
1.3.5.2. Restituição
A lei instituidora, segundo o parágrafo único do artigo 15 do CTN, determina que a lei
instituidora defina o prazo e as condições de resgate. É obrigatório isso, senão é ilegítima a
instituição do tributo. Se o legislador instituir um tributo chamando-o de empréstimo
compulsório, mas na lei de instituição não estabelecer a previsão da restituição, não será
empréstimo compulsório.
O STF entende que a restituição do valor arrecadado deve ser efetuada na mesma espécie
em que recolhido. Nesse sentido, o STF declarou inconstitucional empréstimo compulsório
sobre veículos e sobre combustíveis surgidos conjuntamente na vigência da CF de 69, a
devolução foi prevista não em dinheiro, mas em quotas do Fundo Nacional do
Desenvolvimento.
Já no caso do empréstimo compulsório instituído em favor da Eletrobrás, o STF decidiu que
o tributo criado havia sido recepcionado pela CF, acatando a hipótese de devolução em ações.
Foi uma exceção.
A cláusula de restituição do tributo gera uma segunda relação obrigacional, que é uma
relação de direito público assumida pelo Estado, não tributária, obrigação passiva do Estado
como qualquer outra, como a obrigação de pagar os seus servidores, remunerar os seus
fornecedores, de indenizar por atos ilícitos etc.
Na posição do STJ, A RESTITUIÇÃO DO EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO, SE NÃO HOUVER
16 LEI ESPECÍFICA, NÃO SE FAZ COM JUROS PELA TAXA SELIC.
Mas na repetição do indébito tributário não incide SELIC? Incide, mas a repetição do EC
não é uma repetição de indébito tributário, é uma repetição de valor que era efetivamente
devido, não tendo, repita-se, natureza tributária. Como a devolução do EC não é baseada em
relação de natureza tributária, não se pode invocar as normas das leis tributárias federais que
tratam da SELIC em matéria tributária. Esse é o entendimento do STJ.

1.3.6. Contribuições especiais


Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de
intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou
econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o
disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º,
relativamente às contribuições a que alude o dispositivo.
§ 1º Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão contribuição, cobrada
de seus servidores, para o custeio, em benefício destes, do regime previdenciário de
que trata o art. 40, cuja alíquota não será inferior à da contribuição dos servidores
titulares de cargos efetivos da União.

De início, já é possível observar que o constituinte previu três espécies de


contribuições: (a) contribuições sociais; (b) contribuições de intervenção no domínio
econômico (CIDE); (c) contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas
(corporativas). Essas três são de competência exclusiva da União.

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Não obstante à competência exclusiva da União, o parágrafo primeiro do artigo 149


excepciona esta regra, podendo os Estados, Municípios e DF instituir contribuição social para
custeio do RPPS de seus servidores. Não há menção de assistência social dos servidores,
atente-se. Ainda, perceba que a alíquota não pode ser inferior à da contribuição dos titulares
de cargo efetivo da União.
No que toca à CIDE, a CF estabeleceu que não incidirão sobre as receitas decorrentes
de exportação, como fim de fomentar este setor, sob a máxima de que não deve exportar
tributos, mas sim mercadorias e serviços. Neste sentido, não incide PIS/COFINS sobre as
receitas (bruto), mas incide CSLL sobre o lucro (líquido), e incidia CPMF enquanto existia,
sendo este entendimento pacificado pelo STF. Em suma: as receitas são imunes, mas o lucro
não.
Em relação às importações, a CF expressa que incidirá sobre a importação de produtos
ou serviços estrangeiros. Assim, aquele que vende produto estrangeiro no Brasil está sujeito a
dupla tributação do PIS/COFINS: uma na importação e outra na sua venda no Brasil. Isso serve
para não haver benefício fiscal ao produto importado.
Ainda, a EC 39/02 a acresceu à CF o artigo 149-A, que trata da contribuição para o
custeio do serviço de iluminação pública, sendo um tributo sui generis.
Assim, em um quadro, temos:
1) Contribuições sociais
a. Seguridade social
b. Outras contribuições sociais
c. Contribuições sociais gerais
17 2) Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE)
3) Contribuições corporativas
4) Contribuição para Custeio do Serviço de Iluminação Pública (COSIP)

Quanto ao destino da arrecadação o STF já se manifestou que “o que importa perquirir


não é fato de a União arrecadar a contribuição, mas se o produto da arrecadação é destinado
ao financiamento da seguridade social”. Assim, apesar da contribuição social para seguridade
ser instituída pela União e, ser destinada ao custeio dos benefícios do INSS e, ainda,
arrecadada por órgão da União, Receita Federal, isso não desvirtua a qualidade de
contribuição social do tributo. Não havendo necessidade de a receita ser revertida ao próprio
ente instituidor para qualificar o tributo como contribuição.
1.3.6.1. Contribuições sociais
De acordo com o STF, está dividida em três subespécies:
a) Contribuições de seguridade social: destinadas a custear serviços relacionados à saúde,
à previdência e à assistência social (art. 194, CF).
b) Outras contribuições sociais: são as residuais, previstas na CF, artigo 195, §4º.
c) Contribuições sociais gerais: quando destinadas a algum outro tipo de atuação da União
na área social.
i. Fiscalização e regulação de atividades profissionais: CREA, CRC, CRE, CRM.
ii. Intervenção no domínio econômico: CIDE, SESC, SEBRAE, SENAI, SENAC, SESI

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1.3.6.2. Contribuições de seguridade social e outras contribuições sociais


As contribuições de seguridade social são regulamentadas pelo artigo 195, prevendo suas
fontes de financiamento (bases de cálculo). Entretanto, a CF prevê no §4º do mesmo artigo a
possibilidade de instituição de novas fontes destinadas à manutenção ou à expansão da
seguridade social, conhecida como outras contribuições sociais, tratando-se de mais uma
hipótese de competência residual da União, como ocorre com os impostos.
Nesta competência residual, o artigo 195, §4º dispõe os requisitos para criação de novas
contribuições sociais para o financiamento da seguridade social: instituição por lei
complementar; obediência à não cumulatividade e a inovação quanto às bases de cálculo e
fatos geradores.
Em relação ao último requisito, o STF entende que a exigência de inovação de BC e FG só
existe dentro da mesma espécie tributária, de modo que uma contribuição residual pode ter
BC e FG de imposto, entretanto, uma contribuição não pode ter BC e FG igual de outra
contribuição existente.
A exigência de lei complementar só se aplica para criação de contribuições não previstas
na Constituição Federal, pois se a fonte já consta na CF, utiliza-se lei ordinária. Esse
entendimento é pacífico no STF: “Todas as contribuições, sem exceção, sujeitam-se à lei
complementar de normas gerais, assim ao CTN (art. 146, ex vi do art. 149). Isto não quer dizer
que a instituição dessas contribuições exige lei complementar: porque não são impostos, não
há exigência no sentido de que os seus fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes
estejam definidos na lei complementar. ”
Desta interpretação, entende-se, que apesar de os impostos serem instituídos por lei
18 ordinária, é necessária que haja uma lei complementar definindo seus fatos geradores, bases
de cálculos e contribuintes (artigo 146). Essa lei, na maioria das vezes, é o CTN – lembrar da
exceção do IPVA e que os Estados, na ausência de legislação geral, podem legislar plenamente.
Portanto: se a fonte da base de cálculo estiver expressamente prevista na CF, a contribuição
pode ser instituída por lei ordinária; caso contrário, será por lei complementar. (Atenção:
alíquotas não estão no artigo 146 como exigência de que esteja previsto na lei regulamentar
do imposto, podendo ser previsto na lei ordinária que instituir o tributo!)
ATENÇÃO!!! As contribuições sociais para custeio da seguridade social são exceção ao
princípio da anterioridade anual, mas não são exceção à noventena, de modo que o tributo
pode ser cobrado “90 dias depois da publicação da lei que as houver instituído ou amentado”,
ainda que no mesmo exercício.
1.3.6.3. Contribuições sociais gerais
Destinam-se ao custeio de atividades da União nas áreas sociais que não sejam passíveis
de enquadramento nos subsistemas de seguridade social (saúde, previdência e assistência
social), como o salário-educação, cuja arrecadação é constitucionalmente vinculada ao custeio
da educação básica pública.
Aqui também se enquadram as contribuições do “Sistema S”, compostos pelos serviços
sociais autônomos (SESC, SESI, SEBRAE, SENAI). Também, as contribuições criadas pela LC
110/01, para custear a complementação das contas do FGTS, em virtude dos expurgos
inflacionários, tratando-se de contribuição atípica, pois não prevista na CF.

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1.3.6.3.1. Salário-educação
A CF, artigo 212, §5ª, dispõe que “a educação básica pública terá como fonte adicional de
financiamento a contribuição social do salário-educação, recolhida pelas empresas na forma
da lei”.
Quando criada, na CF de 69, não era obrigatória e não possuía natureza obrigatória,
justamente por faltar-lhe a compulsoriedade. Com o advento da CF88, passou a ser
obrigatória, tendo natureza indiscutivelmente tributária, apenas permitindo que os
contribuintes deduzissem do valor a pagar o montante relativo ao investimento realizado no
ensino fundamental de seus dependentes. Hoje, essa dedução não existe mais, revogada pela
EC 14/96.
Através da Súmula 732 – STF, a Suprema Corte entende que “é constitucional a cobrança
da contribuição do salário-educação, seja sob a carta de 1969, seja sob a CF de 98, e no regime
da Lei 9.424/96. ”
Ainda, o STF entendeu que apesar de ter natureza social geral, ela não é uma outra fonte
destinada ao custeio da seguridade social e, portanto, sua criação não depende de lei
complementar (ADC 3). Logo, no âmbito das contribuições especiais, só se utiliza lei
complementar para aquelas residuais destinadas ao custeio da seguridade social.
1.3.6.3.2. As contribuições criadas pela LC 110/01 (FGTS)
Em virtude de planos econômicos adotados pelo brasil, houve uma hiperinflação, de modo
que os proprietários de contas do FGTS sentiram-se prejudicados, requerendo garantia do
pagamento dos “expurgos inflacionários”, que são a correção devida aos valores depositados.
19 O STF reconheceu o direito ao pagamento dos expurgos concernentes aos Planos Verão e
Collor I, de modo que a União Federal editou a LC 110/01, possibilitando acordo para quitação
do débito e instituindo duas contribuições sociais devidas pelos empregadores e destinadas a
custear os pagamentos: a) devida em caso de despedida sem justa causa, 10% sobre o
montante de todos os depósitos do FGTS devidos durante a vigência do contrato; b) mensal,
alíquota de 0,5% sobre a remuneração devida, no mês anterior.
O STF entendeu que eram contribuições sociais gerais, submetida, portanto, à
anterioridade anual geral, pois somente as destinadas ao custeio da seguridade social são
exceção à noventena.
Essas contribuições não estavam previstas na Constituição Federal, podendo induzir-nos
ao erro de acreditar que deveriam ser instituídas por LC. Ocorre que não é o caso, pois a
obrigatoriedade de instituição por LC é só para aquelas que se destinam ao custeio da
seguridade social, conforme já mencionado anteriormente. Portanto, apesar de ter sido
instituída por LC, poderia ter sido perfeitamente por meio de Lei Ordinária.
Trata-se, portanto, de uma contribuição social geral atípica, cujo destino da arrecadação é
estipulado diretamente na lei instituidora, sem qualquer previsão constitucional expressa.
1.3.6.3.3. As contribuições para os serviços sociais autônomos
São para custear as atividades das pessoas jurídicas de direito privado, não integrantes da
administração pública, mas que realizam atividade de interesse público (e não serviço
público, ok?!), legitimando-se, portanto, como destinatárias do produto destas arrecadações,
nos termos dos artigos 240 da CF: “Ficam ressalvadas do disposto no artigo 195 as atuais

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contribuições compulsórias dos empregadores sobre a folha de salários, destinadas às


entidades privadas de serviço social e de formação profissional vinculadas ao sistema sindical”.
São normalmente cobradas com as contribuições dos empregadores ao RGPS, entretanto,
diferencia-se no destino da arrecadação, pois vão para as entidades do Sistema S, tratando-se
de um exemplo clássico de parafiscalidade.
Essas contribuições só podem ser cobradas dos “integrantes das respectivas corporações”,
sendo impossível cobrá-las de uma empresa cuja atividade não se enquadre no âmbito de
atuação do respectivo serviço social. São contribuições “corporativas”. Ex: o SESC – Serviço
Social do Comércio só pode cobrar dos comerciantes.
Em relação a isso, as definições de corporações abarcadas por SESC e SENAC não pode ser
realizada tendo como pano de fundo a imprópria separação entre “serviço” e “comércio”, pois
trata-se de um direito de todos os trabalhadores filiar-se a tais serviços, devendo as empresas
filiarem-se ao serviço social mais específico, de acordo com sua atividade. Ex: indústrias filiam-
se ao SESI, SENAI. Os que não se enquadram em nada vão para o SESC e SENAC
Neste sentido, o STJ entende que os empregados das empresas prestadoras de serviços
não podem ser excluídos dos benefícios sociais das entidades em questão (SESC e SENAC)
quando inexistente entidade específica para amparar a categoria profissional a que pertencem.
O STJ entende que tais contribuições são contribuições sociais gerais, pois visam
benefícios às ordens econômica, devendo ser mantidos por toda a sociedade e não somente
por determinadas corporações.
Mas atenção, em relação ao SEBRAE, por estimular incentivar o mercado, o STF também
20 entende que se tratam de contribuições que de intervenção no domínio econômico, bem
como que é desnecessária a vinculação direta do contribuinte ou que ele seja beneficiário da
atuação do Sistema S para que tenha a obrigação de recolher a respectiva contribuição.
1.3.6.4. Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE
De competência exclusiva da União, prevista no artigo 149 da União, seu exercício não está
sujeito a reserva de lei complementar, podendo ser instituída por lei ordinária ou MP. Trata-se
de tributo extrafiscal, por definição, cuja finalidade é intervir numa situação social ou
econômica.
Mas a extrafiscalidade da CIDE não é relacionada à regulação do mercado, mas sim
angariar receitas para incentivar determinada atividade. SE A HIPÓTESE PREVISTA EM LEI,
PARA FUNDAMENTAR A COBRANÇA, NÃO SE RELACIONAR COM A EFETIVA INTERVENÇÃO
NO DOMÍNIO ECONÔMICO, ESTAR-SE-Á DIANTE DE FLAGRANTE INCONSTITUCIONALIDADE.
Para serem consideradas legítimas, suas finalidades têm que ser compatíveis com as
disposições constitucionais. A sua intervenção na economia tem como finalidade destinar o
produto de sua arrecadação como uma espécie de reforço orçamentário a uma determinada
atividade, de modo a incentivá-la, como exemplo, temos o CIDE-royalties, devida pela pessoa
jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológico oriunda de
contratos firmados com residentes ou domiciliados no exterior. O destino da arrecadação
desse royaltie será para o desenvolvimento de tecnologia no País, incentivando-a.
Ainda, há a CIDE-combustíveis, cuja a própria CF dispõe no artigo 177, §4º, que a CIDE que
incide sobre importação ou comercialização de petróleo e seus derivados, gás natural e seus
derivados e álcool combustível, deverá ter sua arrecadação destinada ao pagamento de

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subsídios a preços ou transporte de álcool combustível, gás natural e seus derivados e


derivados de petróleo; ao financiamento de projetos ambientais relacionados com a indústria
do petróleo e do gás; ao financiamento de programas de infraestrutura de transportes.
É importante esclarecer que o STF entende que “As contribuições de intervenção no
domínio econômico podem ser criadas por lei ordinária e NÃO EXIGEM VINCULAÇÃO DIRETA
ENTRE O CONTRIBUINTE E A APLICAÇÃO DOS RECURSOS ARRECADADOS.”
Desse julgado, temos a seguinte conclusão: na CIDE ocorre a destinação do produto da
arrecadação a determinada atividade, forma de incentivo, ou então, tributa-se determinada
atividade, sem lhe destinar a arrecadação, para fins de regular quantitativa ou
qualitativamente sua oferta.
Possui fatos geradores previstos nos artigos 149 e 177: importação sobre produtos
estrangeiros; faturamento; receita bruta; valor da operação; valor aduaneiro. Ademais, a
União possui uma liberdade ampla em instituir outras CIDEs.
Quanto ao destino, na CF88 só a CIDE-combustíveis possui expressamente qual será seu
fato gerador e qual será a destinação do tributo. Fato gerador: atividades de importação ou
comercialização de petróleo e seus derivados, gás natural e seus derivados e álcool
combustível. Destinação: Subsidiar os preços ou transporte de álcool, gás natural e petróleo e
seus derivados; Financiamento de projetos ambientais relacionados com a indústria do
petróleo e do gás; Financiamento de programas de infraestrutura de transportes.
Uma importante observação, do meu caderno de estudos:
o As bases de cálculos descritas no artigo 149, §2º, III, “a”, da CF são exemplificativas (até
21 hoje, 26/2/2018, há REx com repercussão geral pendente de julgamento). A controvérsia
recai sobre a folha de salário como base de cálculo, uma vez que quando da redação
original da CF não constava tal artigo e, com a EC 33/01, não foi incluído o texto “folha de
salário”, mas tão somente o “faturamento, a receita bruta ou o valor da operação e, no
caso de importação, o valor aduaneiro”. Ocorre que, mesmo antes da EC, já existiam
CIDEs com BC sobre a folha de salário, como as contribuições ao SEBRAE, ao INCRA, APEX-
BRASIL, ABDI, todas ordinárias, com fundamento no artigo 149.
▪ Argumento dos contribuintes pela inconstitucionalidade: o rol do 149 é taxativo,
não havendo menção à folha de salário, de modo que a EC 33 tornou
inconstitucional a exação das CIDEs com BC de folhas de salário.
▪ Argumentos dos da Fazenda Nacional pela constitucionalidade: as BCs trazidas
pela EC 33 são facultativas, pois o texto fala “poderão ter alíquotas..., tendo por
base o faturamento, a receita bruta ou o valor da operação; logo, as BCs são
exemplificativas, de modo que podem ser utilizadas ou não; qualquer vedação
com relação à BC teria que vir expressamente no texto constitucional; o STF já se
manifestou sobre a constitucionalidade das contribuições (CIDE) ao SEBRAE e
INCRA, com base na folha de pagamento. Se fosse para declarar
inconstitucionalidade da BC teria feito naquele momento.
▪ TODOS OS TRFs julgam pela constitucionalidade da folha de salários como BC de
CIDEs.

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1.3.6.5. Contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas


– Contribuições corporativas
Objetiva a obtenção de recursos destinados a financiar atividades de interesses de
instituições representativas ou fiscalizatórias de categorias profissionais ou econômicas.
Importante mencionar que há uma tendência da jurisprudência em enquadrar como
corporativas as contribuições para os serviços sociais autônomos, com ressalva expressa para
o caso daquela destinada ao financiamento do SEBRAE, como “interventiva”, ou seja, CIDE.
1.3.6.5.1. Contribuição sindical
A CF prevê a criação de duas contribuições sindicais, quais sejam: a) contribuição fixada
pela assembleia geral, para custeio do sistema confederativo do respectivo sindicato; b)
contribuição fixada em lei, cobrada de todos os trabalhadores. A primeira é voluntária, paga
apenas pelos sindicalizados, não se tratando de tributo, uma vez que é fixada por uma
assembleia e não é oriunda de lei. Neste sentido, o STF editou súmula vinculante:
Súmula Vinculante 40: A contribuição confederativa de que trata o artigo 8º, IV, da
Constituição Federal, só é exigível dos filiados ao sindicato respectivo.
A segunda contribuição sindical era instituída em lei e cobrada de todos os integrantes da
categoria envolvida, independentemente da filiação ao respectivo sindicato, detendo
“inequívoco caráter tributário” (ADI 1.076-MC), pois atendia a todos os elementos constantes
do art. 3º do CTN.
Contudo, com o advento da Lei 13.467/2017 (Reforma Trabalhista), o art. 579 da CLT foi
alterado em sua essência, e o desconto da contribuição sindical ficou condicionado “à
22 autorização prévia e expressa dos que participarem de uma determinada categoria econômica
ou profissional, ou de uma profissão liberal”.
Como consequência, cessada a compulsoriedade da exação, deixou ela de ostentar
natureza tributária. Quando a contribuição sindical era considerada tributo, o Supremo
Tribunal Federal entendia que os valores arrecadados eram verdadeiras receitas públicas, o
que tinha o efeito de submeter as entidades sindicais beneficiárias à competência fiscalizadora
do Tribunal de Contas da União (MS 28.465/DF).
Como a contribuição sindical não mais se enquadra no conceito de tributo, também não
mais é possível sustentar a competência do TCU para fiscalização daquelas respectivas
sindicais.
1.3.6.5.2. Contribuições corporativas para o custeio das entidades de fiscalização do
exercício de profissões regulamentadas
A CF dispõe ser livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, mas prevê a
possibilidade de a lei estabelecer as qualificações profissionais necessárias para o exercício de
tal direito. Com isso, foram criadas instituições descentralizadas que fiscalizam o exercício de
determinadas atividades e profissões, além de representar os interesses dos respectivos
profissionais. Aqui, a lei reputa essas atividades como de interesse público, o que legitima a
possibilidade de o Estado instituir tributos cujo produto da arrecadação seja destinado a tais
instituições.
Trata-se de típico tributo parafiscal, pois o produto da arrecadação é destinado aos
conselhos profissionais. Essas entidades possuem natureza jurídica de autarquias

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corporativas, dispondo de poder de polícia administrativa, regulamentando e fiscalizando o


exercício das profissões, de modo que seu tributo da espécie contribuições corporativas.
A exceção fica a parte da OAB, que não é autarquia, pois não restringe suas atividades à
defesa de interesses corporativos, pois, além de cuidarem da disciplina dos advogados, a OAB
tem o dever de defender a Constituição Federal, os direitos humanos, a justiça social, a
aplicação da leis, administração da justiça e aperfeiçoamento da cultura e das instituições
jurídicas.
Com exceção da OAB, as anuidades cobradas pelos conselhos profissionais são
verdadeiras contribuições de interesse de categorias profissionais ou econômicas. É o que
entende o STF.
As contribuições da OAB, por não serem enquadradas como tributo, são executadas não
pelo rito da LEF, mas pelo CPC.
Em suma: as anuidades pagas aos conselhos profissionais são tributos da espécie
“contribuições corporativas”, salvo as anuidades pagas à OAB, que não possuem natureza
jurídica tributária.
Quanto à base de cálculo e alíquota, o STF entende que: Não viola a legalidade tributária
a lei que, prescrevendo o teto, possibilita o ato normativo infralegal fixar o valor de taxa em
proporção razoável com os custos da atuação estatal, valor esse que não pode ser atualizado
por ato do próprio conselho de fiscalização em percentual superior aos índices de correção
monetária legalmente previstos.
Vale ressaltar que, nos termos do art. 5º da Lei nº 12.514/2011, o fato gerador para
23 cobrança de anuidades de conselho de fiscalização profissional é o registro, sendo irrelevante
o exercício da profissão.

1.3.6.6. Contribuição de Iluminação Pública – COSIP.


Trata-se de contribuição prevista no artigo 149-A da CF, de natureza sui generis, criada
pela impossibilidade de se cobrar um valor, mediante taxa, para custear o serviço da
iluminação pública, consoante a Súmula Vinculante 41, pois não era possível mensurar seus
usuários individualmente, sendo um serviço uti universi, bem como, não poderia ser
remunerada por imposto, pois não pode ter o seu valor arrecadado vinculado a qualquer
despesa.
A competência para sua instituição é apenas dos municípios e do DF, que podem exercê-la
mediante lei própria, de modo que fica livre a instituição de BC, FG, alíquotas e contribuintes
pelos sujeitos competentes.
Quanto ao pagamento o STF entende que é lícito que seja cobrado das pessoas físicas e
jurídicas em suas faturas de energia, ou seja, que se restrinja aos consumidores, não havendo
que se falar em afronta à isonomia ante a impossibilidade de identificar e tributar todos os
beneficiários; bem como que seja cobrado progressivamente em relação ao consumo de cada
contribuinte, de modo que “é lícito supor que quem tem um consumo maior tem condições de
pagar mais”.
Quanto à natureza jurídica, o STF entendeu que o tributo não se confunde com um
imposto, porque sua receita se destina a finalidade específica, o que é vedado, e não se
confunde com taxa, por não exigir contraprestação individualizada de um serviço ao
contribuinte. É um tributo sui generis.
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1.4. Classificações doutrinárias dos tributos


1.4.1. Quanto à discriminação das rendas por competência: federais, estaduais
ou municipais
Trata-se da atribuição constitucional de competência para instituição do tributo. O tributo
é federal, se compete à União instituir; estadual, se compete ao Estado instituir; Municipal, se
compete ao município instituir.
Ainda, há que se mencionar a competência cumulativa do Distrito Federal, pois acumula
os tributos estaduais, assim como a União, além dos tributos federais, acumula, nos
Territórios, os tributos estaduais (sempre) e municipais, caso não haja divisão do Território em
municípios, conforme artigo 147 da CF.

1.4.2. Quanto ao exercício da competência impositiva: privativos, comuns e


residuais
Privativos: a CF defere a determinado ente político competência exclusiva para sua
instituição, não sendo possível delegação, quer expressa, quer tácita, como nos impostos,
empréstimos compulsórios, contribuições especiais (ressalva-se a contribuição para custeio da
previdência dos servidores) e da COSIP (municipal e DF).
Comuns: a CF atribui competência a todos os entes para instituição, indistintamente,
como as taxas e contribuição de melhoria.
Residuais: novos impostos e novas contribuições para seguridade social, só da União.

24 1.4.3. Quanto à finalidade: fiscais, extrafiscais, parafiscais


Fiscal: visa precipuamente arrecadar, carrear recursos para os cofres públicos. ISS, ICMS,
IR.
Extrafiscal: objetiva fundamentalmente intervir numa situação social ou econômica.
Parafiscal: possui finalidade parafiscal quando a lei tributária nomeia sujeito ativo diverso
da pessoa que instituiu o tributo, atribuindo-lhe a disponibilidade dos recursos arrecadados
para o implemento de seus objetivos.

1.4.4. Quanto à hipótese de incidência: vinculados e não vinculados


Vinculados/Retributivos: o fato gerador é uma atividade específica estatal em relação ao
sujeito passivo. Taxas e contribuições de melhoria.
Não vinculados/Contributivos: o fato gerador é um fato do contribuinte, não sendo
necessário atividade do Estado em relação ao sujeito passivo. É o caso dos impostos.

1.4.5. Quanto ao destino da arrecadação: arrecadação vinculada e arrecadação


não vinculada
Arrecadação vinculada: a receita (preste atenção viu, aqui é a receita, de modo que não se
deve confundir com a classificação anterior), o produto da arrecadação é destinado
exclusivamente a determinadas atividades. Ex: contribuições sociais, taxas, empréstimo
compulsório.
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Arrecadação não vinculada: o Estado tem liberdade de escolher onde irá aplicar suas
receitas em qualquer despesa autorizada no orçamento. Ex: impostos.

ATENÇÃO!!!!!! As taxas e as contribuições de melhoria podem ou não ter a arrecadação


vinculada, de acordo com a discricionariedade do legislador, salvo as custas e emolumentos
(taxas judiciárias), pois estas são destinadas especificamente custeio dos serviços afetos às
atividades específicas da justiça. Podem ou não???? Como??? Isso, podem ou não: nas
TAXAS, o serviço ou o poder de polícia podem ser custeados com recursos do orçamento e ter
o valor da sua arrecadação destinado aos cofres públicos para cobrir outras despesas
orçamentárias. É uma OPÇÃO. Já nas CONTRIBUIÇÕES DE MELHORIA, deve-se observar que
somente após realizada a obra e verificada a valorização imobiliária o tributo poderá ser
cobrado, não havendo que se imaginar a vinculação dos valores arrecadados à realização da
obra, pois a cobrança só é feita depois da conclusão destas. O dinheiro só volta ao cofre
público.

1.4.6. Quanto à possibilidade de repercussão do encargo econômico-financeiro:


diretos e indiretos
Indiretos: permitem a translação do encargo econômico-financeiro para uma pessoa
diferente daquela definida em lei como sujeito passivo. Ex: ICMS, IPI, quem paga é o
consumidor final, pois o valor é embutido no preço do produto.

Diretos: a lei não permite a tal translação, de forma que a pessoa definida em lei como
sujeito passivo é a mesma que sofre o impacto econômico-financeiro do tributo.
25 É relevante a classificação no ponto de restituição dos tributos indiretos, pois o CTN dispõe
no artigo 166 que: A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência
do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido o referido
encargo, ou, no caso de tê-lo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado
a recebê-la. STJ: De acordo com o que preconizam os arts. 165 e 166 do CTN, mesmo quando
se tratar de tributo que comporte a transferência do encargo financeiro, apenas o sujeito
passivo da relação jurídico-tributária, na condição de contribuinte de direito, pode reclamar
a repetição de indébito, entendimento consolidado no julgamento do REsp 904.394/AL,
submetido ao rito do art. 543-C do CPC.

Em suma: só será feita a restituição se o contribuinte de direito comprovar ter assumido o


encargo do tributo, de modo que não tenha transferido este a outro; se transferiu, o
contribuinte de fato deverá autorizar expressamente o contribuinte de direito a receber a
restituição, no caso de o contribuinte de direito ter transferido o tributo. Isto posto, o
contribuinte de fato não tem legitimidade para pleitear a restituição do que já foi pago
indevidamente nos tributos indiretos.

Entretanto, há exceção a esse entendimento: no caso de repetição de indébito contra


concessionárias de serviço público, o STJ entende ser possível a restituição diretamente pelo
consumidor, vez que seria inviável o contribuinte de direito restituir o valor de todos os
contribuintes e devolvê-los.

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1.4.7. Quanto aos aspectos objetivos e subjetivos da hipótese de incidência:


reais e pessoais
Reais: os tributos em que em sua incidência não levam em consideração aspectos
pessoais, subjetivos. Incidem objetivamente sobre as coisas. ICMS, IPVA

Pessoais: os tributos incidem de forma subjetiva, considerando os aspectos pessoais do


contribuinte. IR.

1.4.8. Quanto às bases econômicas de incidência – Classificação do CTN


Sobre o comércio exterior: II e IE; Sobre patrimônio ou a renda: IR, ITR, IGF, IPVA, ITCMD,
IPTU e ITBI; Sobre a produção ou circulação: IPI, ICMS, IOF e ISS; Impostos extraordinários:
IEG.

Atenção: o STF entende que nos casos em que a CF imuniza “patrimônio, rendas e
serviços”, não se pode fazer cega utilização da classificação do CTN para restringir a
imunidade, pois não se pode adotar classificações infraconstitucionais como meio de restrigir a
plena aplicabilidade da Constituição Federal.

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