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VI

S A T O R
A R E P O
E N E
T

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O P E R A
T
R O A S
Y3 Q2 DA Q2

Q2 Y3 Q2 DA

X2 SO X2 CQ X2 Q2

SO X2 CQ X2
6 Q2 X2

DA CQ Y3 CQ

CQ DA CQ Y3

DA SO Y3 SO

SO DA SO Y3

X2 + Espaço Virtual
Y3 + Espaço de Esquecimento
Q2 + Espaço Nomeado
DA + Espaço Oculto
CQ + Sub-Espaço
SO + Espaço Reflexivo
ESPELHO¹
1|32 Qualquer um que tenha tido a malícia ou a
curiosidade de colocar um espelho em frente a
algum animal demasiado jovem, pode testemunhar alguns fatos. Tome-
mos, por exemplo, um filhote de gato que se encontre frente a seu reflexo.
Veríamos que esse, ao enxergar aquele corpo estranho do outro lado da
lâmina, teria algumas reações que poderiam ser classificadas como lúdi-
cas, agressivas, temerosas ou mesmo envolvendo uma tentativa háptica
de capturar aquela imagem. Talvez, se o aparato não estiver preso a uma
parede, a criatura possa circundá-lo para averiguar se seu duplo não se en-
contraria no verso da superfície. Entretanto, tão pronto o animal percebe
que aquele reflexo frio não tem uma presença tridimensional, aparece
somente o desprezo por aquela figura. De fato, se aquele ser duplicado
não aparenta poder interagir ou atacar o gato, para o felino esse pouco
importa. É claro que isso funciona tão e somente na reflexão: pássaros ou
pequenos animais em uma televisão continuam a mesmerizar com seu
movimento. O ponto é que o mimetismo próprio do espelho é algo que
não exerce o mesmo fascínio que para aqueles que os penduram em suas
habitações. Então, a questão principal para esse experimento é o fato que,
ao contrário dos outros animais, um humano é facilmente uma presa
daquele outro lado preservado garantido pelo eixo metálico. Mas de que
maneiras? Quando chegamos à resposta, sobressai uma horrível tosse que
nos impede de dizer exatamente aquela importância que gostaríamos de
repetir.

+5+
2|31 Tomemos então a exposição que está aconte-
cendo neste dia 16 de junho de 2008. Se for-
mos pensar como o animal, há muito pouco para ver de fato. Não que
ver o dorso de uma série de pinturas não cesse uma curiosidade material
sobre a maneira como algo é produzido, mas são muito poucos os que ao
ver um quadro passariam a se perguntar a respeito da origem da madeira
que faz parte dos bastidores. Da mesma forma, quase ninguém gostaria
de traçar as histórias a partir dos carimbos alfandegários ou averiguar as
condições de conservação a partir dos mofos e outros fungos que prolife-
ram no verso de uma imagem. Mesmo as molduras para conter essas pe-
ças foram feitas pensando em uma relação apenas com um dos lados, seus
versos têm enchimentos para preencher o espaço dos arabescos, camadas
de vernizes inacabadas e alguns outros conjuntos de sacrifícios para a
aparência frontal. Pelo que lembro, algumas telas até contêm algum es-
boço qualquer ou algo assim, mas era tudo muito ínfimo para identificar
o que estava na frente. Somente alguém que trabalhasse efetivamente no
museu conheceria aquela matéria marrom que ficava estocada nos porões.
Estavam todas essas coisas também quase que como jogadas ao chão,
digamos, em uma certa displicência reveladora. Mesmo que não entenda-
mos como ler esses códigos escritos na reserva, poderíamos fazer algumas
perguntas acerca de outras ordens de leitura possíveis.

+6+
3|30 Se pudéssemos seguir a metáfora de um es-
pelho, poderíamos dizer que o avesso é talvez
uma matéria um pouco inquietante da pintura. Ela não é totalmente
estrangeira, mesmo com todos os códigos arquivísticos incompreensíveis
aos amadores, mas também revela essa distância estranha com um mundo
de cada uma das imagens. De certa maneira, é a imagem da própria dis-
tância intransponível que se coloca em cada ato de olhar. Freud (1919)
um dia apelou para um adjetivo, unheimlich, que é por si só quase que
um desses espelhos estranhos. Uma vez que heimlich designaria algo ca-
seiro, do lar ou mesmo familiar, seu prefixo de negação estaria justamente
opondo seu radical Heim. Não é isso que ocorre, pois o espelho e a ima-
gem de um avesso parecem não operar como negativos um do outro, mas
sim como algo que soma à questão já familiar um pedaço de inquietação.
Então, o que se perguntaria a respeito da exposição de todos aqueles dor-
sos bizarros despejados sobre o chão do museu? Entramos em um mundo
em que talvez não existam antônimos, mas uma soma inquietante com
cada coisa que vemos.

+7+
4|29
S A T O R
A R E P O
T E N E T
O P E R A
R O T A S

5|28 A partir de algum ponto não há mais uma ori-


gem possível, a ideia de uma primeira forma
estilhaça. O avesso é compreendido como movimento de algo, mas não
como contrário desta mesma coisa. Da maneira mais sintética possível, o
dorso pode ser um reverso, talvez não como versão, mas sim como outra
coisa.

6|27 Existe um quadrado esculpido em várias ruí-


nas romanas – e que, portanto, não pode estar
materialmente no museu no dia de hoje – mas que ainda assim é trazido
em cópia para nomear a exposição. Ele contém a frase latina Sator Arepo
Tenet Opera Rotas disposta em uma grade que aparenta ser algo como um

+8+
jogo de palavras-cruzadas que qualquer um poderia encontrar em algum
jornal do dia de hoje. Há alguns detalhes, entretanto, que o diferenciam
do que poderíamos encontrar nos jornais atuais. É um palíndromo criado
para esgotar inúmeros movimentos. Além dos sentidos usuais que uma
leitura convencional poderia ter, ou seja, seguindo os preceitos de mover
da esquerda para a direita e do topo para baixo, há os dois inversos desses
movimentos. É necessária uma engenharia para dispor as vinte e cinco
letras: as cinco palavras são dispostas em um quadrado em cujos quatro
lados aparecem cinco casas, ou quadrados menores e há uma grande in-
tersecção que serve de eixo para as repetições. A palavra Sator no lado
direito se torna Rotas no lado esquerdo, Arepo em Opera e vice e versa.
Tenet é o centro do palíndromo e a palavra que encerra o jogo nessa cruz
em que os reflexos ocorrem. Uma pergunta resiste, no entanto: se estamos
lendo a frase na vertical, na horizontal, da esquerda ou da direita, poder-
-se-ia dizer que a frase continua realmente sendo a mesma?

7|26 O significado da frase Sator – Rotas é em si


algo misterioso. Osman Lins (2005), que
amparou seu romance como uma espiral percorrendo cada letra do qua-
drado, deu duas traduções possíveis para a sentença. O escravo, um dos
protagonistas do livro, é preso por essa sentença dada pelo seu senhor. Ela
é interminável, perfeitamente legível mesmo do outro lado do espelho,
impossível de desmontar e, segundo a mágica particular desse quadrado,

+9+
terá seu significado inviolável. Dessa maneira, ela quer dizer mais que
uma coisa ao mesmo tempo e com o mesmo conjunto de letras, quem
quiser encontrar a mais perfeita imagem que essas cinco palavras descre-
vem vai ter que supor que existam muitas coisas encerradas ali. O mestre
dá a essas vinte e cinco letras duas relações causais: O lavrador mantém
cuidadosamente a charrua nos sulcos, enquanto a segunda se traduziria
como: O lavrador sustém cuidadosamente o mundo em sua órbita. Se o
esforço de trabalho do lavrador na primeira é para controlar o carro em
relação à terra, a segunda indicaria que, se pensarmos bem, o lavrador na
verdade é que mantém a própria terra sob controle. Coube ao próprio
Lins dar um movimento explosivo à cruz, tirando de cada uma das letras
a possibilidade de ainda ferir uma pupila.

8|25 É tanto uma ética da percepção quanto um


truque metodológico: Com a atroz alba, a
composição consistia em cair como caiu o Albatroz.

9|24 Existe um quadro de Millet intitulado “An-


gelus”. Apesar de seu nome, nenhum anjo se
aproxima daquele que crava o olhar. Seus olhos estão encerrados, sua
boca está fechada e suas asas estão minguadas. Talvez a esse anjo da ima-
gem só resta o desaparecimento. Salvador Dalí tinha seu rosto voltado

+ 10 +
para algum passado ilustre e ilustrado, ainda invisível na superfície de
Millet. Onde uma cadeia de eventos aparece diante de nós, ele enxergou
uma única catástrofe, que sem cessar se esconde atrás dos vernizes e que
acaba por nos enterrar sob suas camadas. O pintor posterior gostaria de
demorar-se, de despertar os mortos e juntar esses destroços escondidos.
De seu delírio abria uma erosão que escavava suas pálpebras e era tão forte
que não poderia mais seus olhos. Essa erosão o impelia irresistivelmente
para um passado que ainda não lhe entregava a face. As camadas de tintas
diante dele descendiam até o leito da rocha. O que nós poderíamos cha-
mar de memória é essa erosão involuntária.

10|23 O Angelus talvez habite desconfortavel-


mente as coordenadas que a colocariam
entre tantas outras de seu mesmo pintor: a elegância dos gestos de quem
tem de catar o refugo das plantações, montanhas de feno elevadas pelo
trabalho humano e o charme bucólico sob um sol pleno estão invertidos.
Nessa pintura, os elementos aparentam estar ausentes ou distorcidos para
uma outra ordem da representação pastoril. Primeiramente, o quadro lo-
caliza seu amplo campo de feno sob a luz de um poente escurecedor ou,
talvez, de uma aurora antecedendo o alvorecer. Portanto, há uma dúvida
se essa matéria negra ou escura cobrindo a superfície da tela está a indicar
uma noite futura ou passada. A plantação de feno – ainda mais sob essa
luz – pode aparentar ser algo desolada. É verdade que não é um plano

+ 11 +
perfeito e vazio, mas os montes empilhados e mesmo a torre da igreja do
vilarejo estão muito longe. Esses objetos ainda – ou já – recebem um pou-
co de luz do sol. Vê-se a linha bem demarcada que separa o céu da terra.
Os ombros de duas figuras estão repousados sobre esse horizonte: um ca-
sal de camponeses. O homem está à esquerda e direciona o olhar ao chão.
Ele segura um chapéu entre as mãos postas à altura de seu ventre. Usa
uma calça azul muito escura que provoca uma impressão estranha diante
da palidez e da dessaturação do resto da cena. Um ancinho cravado na
terra se eleva em seu lado, pendendo para o limite esquerdo da pintura.
A mulher está à direita, perfilada em relação ao espectador. Seus cabelos
estão presos sob uma toca, ela porta um avental sujo e uma curvatura na
postura. Está resignadamente rezando. Atrás dela se mostra um carrinho
de mão e aos seus pés está uma cesta. Toda a cena parece se concentrar
nesse pequeno objeto, que faz todos os gestos delicados dos personagens
adquirirem um tom pétreo.

11|22 Alguns diriam que os rostos pintados


por Millet manifestam a devoção cristã e
o agradecimento pelo alimento recolhido em uma cesta de vime. Oficial-
mente, é isso que está retratado: ao ouvir os sinos da igreja ao fundo, esse
casal para a colheita de batatas para recitar um cântico em homenagem
ao anjo Gabriel. O anúncio a Virgem Maria reencarnado no instante da
saudação se transformava em silêncio e agradecimento em meio à rotina

+ 12 +
diária do trabalho no campo. Isso é o que está ali frente aos nossos olhos
ou, pelo menos, é isso o que o Museu d’Orsay resolveu escrever para
apresentar o quadro. Não diríamos que é uma interpretação errônea ou
com uma falta extrema de poesia, mas que essa não poderia ser feita a
beira de uma luz demasiado fraca. Justamente eram os que estavam em
recônditos muito mais escuros que viram outra coisa naquela superfície,
ou melhor, atrás dela. Poderíamos dizer que esses viram naqueles rostos
não uma revelação do sentido divino, mas sim a revelação de uma triste-
za extrema que apenas quem já estava plenamente mergulhado poderia
tornar visível. Se alguns querem ver uma alvorada silenciosa, os outros
não teriam opção se não ver aquela cena invertida em seu eixo em direção
a um ocaso trágico, mas extremamente pulsante. Era um atavismo do
próprio crepúsculo.

12|21 Como conciliar, insisto, essa força, essa fú-


ria das representações com o aspecto mise-
rável, tranquilo, insípido, imbecil, insignificante, estereotipado, convencional
até o limite do Angelus de Millet? Como um antagonismo tamanho não foi
motivo para a inquietação? Desde esse momento nenhuma explicação pode
nos parecer válida se seguirmos acreditando que um quadro assim não quer
dizer nada ou “quase nada”. Estamos convencidos de que tais efeitos devem
corresponder a causas de certa importância e que, sob a mais grandiosa hipo-
crisia de um conteúdo manifestamente açucarado e nulo, algo ocorre. (DALÍ,

+ 13 +
1963. p. 51. Tradução própria)

13|20 Há uma sobrevivência, ou poderíamos


dizer latência, do caráter crepuscular
frente àquilo que se representava como uma matéria algo pacificada da
representação. É claro que até o momento, essa grande noite parecia per-
tencer muito mais à ordem da impressão suspeita de algo. Mas os fatos
pareciam comprovar que havia algo muito perigoso escondido ali, algo
que parecia pôr as camadas magmáticas do fundo em cima de todas as
películas de verniz e entrando dentro de um passado misterioso da obra.
Salvador Dalí nomeou esse gesto como seu método paranoide-analítico,
afinal a hipótese sobre o que emanava dali sem provas só poderia ser
um delírio produtivo. Para ele, explicar a obra não se limitava à imagem
dela própria, para narrá-la havia de encontrar rochas que lembrassem o
casal, lembrar dos poentes e dos animais que conversavam durante esses
momentos, invocar o silêncio entre ele e Gala etc. Inúmeras são as ima-
gens que fez com esse pequeno mito imaginado por Millet. De maneira
alguma foi o único que caiu nesse abismo, ele próprio (1963) nos conta
dos inúmeros camponeses suíços que se reuniam a um vendedor ambu-
lante de reproduções para esgotar essa mesma obra dos pequenos esto-
ques. Breton vasculhou a costa francesa até achar duas enormes rochas
que acreditava terem sido a inspiração para a composição do casal. Um
homem chegou a lacerar a pintura em 1932, talvez quisesse finalmente

+ 14 +
abrir a cena e encontrar o que o colocava em estado de delírio. Segundo
os rumores seguidos pelo autor, mesmo Van Gogh orbitou aquelas figuras
em seus momentos mais duros de crise, porque, no final das contas, o
fogo é o único amigo do diabo.

14|19 Se você estivesse cruzando uma planície


com a firme intenção de ir em frente, mas
andasse para trás, isso então seria desesperador; mas uma vez que está esca-
lando uma encosta íngreme, tão íngreme quanto você próprio é visto de baixo,
os passos para trás podem ser causados apenas pela condição do terreno e você
não precisa se desesperar. (KAFKA, 2011, Aforismo nº 14, p. 140)

15|18 Se não se consegue sair desse delírio pin-


tado e enquadrado, a alternativa parecia
utilizar ainda mais da força que empurra em direção ao verso escuro dos
vernizes. Havia que estar debruçado sobre o Angelus para revelar e poder
traduzir o que se encontrava lá. A partir disso, surge a principal pergunta:
o que de fato essa visão mergulhada proveu a esses loucos?

Eles veriam que aquela cesta arredondada de vime estava servindo como
uma correção minuciosa sobre uma outra forma, mais retangular. Dalí
diria que isso serviria como método ou truque para reduzir o caráter me-
lodramático da cena e das duas figuras que se apresentam. Millet gostaria

+ 15 +
de dar um pouco de dignidade àqueles rostos sombrios, mantendo-os
incólumes perante a alguma tragédia. Para esse casal, o instante de suas
vidas que estava sendo pintado não poderia trazer nenhuma paz. O en-
tendimento de Dalí era que aquilo que está preso hoje a uma parede do
Museu d’Orsay não é o respiro entre a colheita, o que estaria lá muito
bem escondido seria o enterro de uma criança. O enterro na terra era ape-
nas sucedido por um segundo em camadas de tinta. Os delirantes foram
aparentemente reivindicados através de alguns procedimentos tecnológi-
cos. Dalí fez uma petição para que a obra fosse devidamente analisada nos
laboratórios do Louvre utilizando os sistemas já usados para adentrar nos
traços históricos de outras pinturas. De fato, essas radiografias fluorescen-
tes retiradas da tela sugerem que há realmente uma forma quadrangular
sob os pés da mulher, uma pequena tumba pertencente à pré-história do
quadro. A comprovação científica não vinha apenas como uma confirma-
ção de sentido, mas como uma confirmação do próprio caráter dúbio de
uma obra. Quem poderia negar o que havia sido revelado no dia em que
os sinos foram silenciados?

16|17 Por mais trágica que seja alguma cena,


existe uma consolação um tanto espe-
rançosa: há sempre um espelho que consegue nos refletir pela primeira
vez.

+ 16 +
+ 17 +
+ 18 +
Página Anterior: Detalhe de ANGELUS,
1857-1859, Jean-François Millet, óleo
sobre tela, 56 x 66 cm. Musée d'Orsay, Paris.

À direita: P. 10 de THROUGH THE


LOOKING GLASS, 1902, Peter Newell.

Acima: ILUSTRAÇÕES PARA THROUGH


THE LOOKING GLASS, 1871, John Tenniel.

Próxima Página: ANGELUS NOVUS, 1920,


Paul Klee, nanquim, pastel e aquarela sobre papel,
31,8 x 24,2 cm. Museu de Israel, Jerusalém.

+ 19 +
+ 20 +
-edop oãn euq ed otaf o etnateiuqni É
o ajes – ohlepse mu es rebas siamaj som 61|71
o uo açnarbmel an somet adnia euq o ,ouqnígnol siam o ,etneserp siam
.zev amitlú alep megami amu son-ued – odiceuqse etnemadnuforp

-órp a moc uéc o e açrof a enúer megami A


assed amitní edadinu a é alE .asioc airp 51|81
,sonem otnat é o e( asioc ad oãçatimi a men asioc a men é oãn alE .oãinu
alE .)lausiv uo acitsálp etnemairassecen é oãn ale euqrop ,otid iof áj omoc
é asioc a ,açnahlemes aus mE .etnerefid é euq o ,asioc ad açnahlemes a é
sam ,)”is me“ asioc a uo( ”asioc airpórp“ a é oãn alE .amsem is ed adacatsed
mu é oãn otsI“ erbeléc ues moC .lat omoc etneserp asioc ad ”edadimsem“ a
atsiv ariemirp à sonem oa ,raicnuna euq zaf siam adan ettirgaM ,”obmihcac
-imi otnauqne oãçatneserper ad lanab oxodarap mu ,arutiel ariemirp à uo
od megami a ,oduterbos ,é alE .asrevni é megami ad edadrev a ,saM .oãçat
omsem o ramraer arap oãn ,”obmihcac mu é otsi“ ed adahnapmoca obmihcac
es sanepa asioc amu euq ramrfia arap ,oirártnoc oa ,sam ,osrevni oa oxodarap
ed )adum( zid ale euq me e is a ahlemessa es ale euq me adidem an atneserpa
asioc ad rartsom o uo oriegaugnil oãn otid o é megami A .asioc atse uos ue :is
ed ”atid“ uo atid oãn etnemos é oãn edadimsem atse sam :edadimsem aus me
-noc od uo megaugnil ad aleuqa euq edadimsem artuo amu é ale ,odom ortuo
oãçacfiingis ad men oãçacfiitnedi ad mévorp oãn euq edadimsem amu ,otiec
ed oãnes atnetsus es oãn euq sam ,)olpmexe rop ,”obmihcac mu“ ed aleuqa(

+ 21 +
)6102 ,YCNAN( .megami omoc e megami an amsem-is

rassap euq met megami ad oãtseuq a eS


omoc ,amsem is me edadimsem asse rop 41|91
mecerapa euq sotnemele sortuo so moc oãçaler amu recelebatse redop
-er oãçnitsid ad sévarta odnuf mu ed ias ale euq somatiderca eS ?ale moc
é opmet omsem oa euq otnemele mu ed odnalaf somatse ,zul alep adazila
ossecorp o iulcxe oãn ossi ,otnatertnE .ovitudorp otnauq ovitpecrep otnat
.medro amsem à riubirta ,etnemacitadid somagid ,somedop euq osrever
són euq rezid somaíredop ,airpórp is ed sévarta atnitsid é megami amu eS
ariemirp a eS .saled somet euq oãsiv a moc sotnitsidni ratse rop somabaca
,otnatrop ,e edadisonimul otnauqne )mutnemamrfi( uéc od edecorp etrap
-om o eõpusserp otnemahlugrem ed ossecorp o ,oxiab arap opot mu ed
.osrevni otnemiv

-ássecen aicnâtsid a axfi :rohlem rev arap31|02


es-atrebil ,es-avele ”etnajuperbos atsiv“ A

aus a erefnoc ehl euq etnatsnoc oucer ed arutsop amun oãsiv reuqlauq a air
ohlo od odarapes ,oxiab me odahlo otejbo o missa axieD .airtsem airpórp
– missa al-áemon somaíredop – etnegnarba atsiv a ,oirártnoc oA .ahlo euq
axieD .aicnâtsid airpórp a amsiba e azitelaid :rohlem rev arap es-açurbed
socsir so majes euq reuqsiauq ,ohlo oa oãçerid me ribus odahlo otejbo o missa

+ 22 +
an ecerapa odnum o ,etnajuperbos atsiv a araP .setnerefa saicnêuqesnoc sa uo
-icilpxe a é levíssop edutriv aus a ,levígnitani etnemavitinfied od aicnâtsid
olep ,etnegnarba oãsiv aN .odalucami ,orup rebas mu é euq ,sasioc sad oãçat
aicnâtsid amu ,aditrevni aicnâtsid amu odnuges ecerapa odnum o ,oirártnoc
atsiv a euq o odut a sievísnes ranrot son ed zapac mev e iav ed otnemivom me
,ovitinfied ed adan áh oãn iuqa :amic ed atsiv an rignita airedop oxiab ed
siod so ertne etabed mU .rahlo od eteuqnab ortuo etsed etrap zaf rebas-oãn o
-mes es-ratsafa oirássecen é rebas rohlem arap es airanoitseuq oãsiv ed sorenég
ocsir o arobme odnerroc ,es-ramixorpa levájesed é ,oirártnoc olep ,es uo erp
,seõsuli ,seõçudes salep ravel raxied es ed ,ajes uo ,rebas od otejbo o racot ed
o odnuges adanigami oãsserpxe( »levísnes-oxiab« od samsaim uo sordnaem
etnemataxe assap es euq saM .)elliataB ed »omsilairetam-oxiab« od oledom
me son-ratnetnoc somaíredop euq e – oxiab me átse euq o axied es odnauq
osson oa oãçerid me ,són éta ribus – oãçisop ed radum mes amic ed rahlo
)5102 ,NAMREBUH-IDID( ?otnemasnep osson oa e rahlo

-rof saud sasse ,otsisni ,railicnoc omoC


-ugrem esse ,satsopo etnemetnerapa saç 21|12
mu ed odnitrap etnematsopus amu ,snegami sad oãçnitsid a e otnemahl
esauq aiedi amu arapma euq ortuo mu e otiejus mu moc otnemicetnoca
-orp siam zevlat uo – siod so omoC ?oãtseuq amsem ad amonôtua euq
sam ,socinôgatna sotnemivom omoc oãn sodidnetne res medop – sossec
?sotnemivom sesse oãd es omoc ,méla siam ,E ?amos amu omoc

+ 23 +
on rev levíssop aires euq mairid snuglA
-sidni otnemivom o ”suvoN sulegnA“ 11|22
-égart sA .rarretne mes sotrom so sodot raxied a ossergorp od odanimirc
sA .ál ratse medop – amihsoriH ,ognoC ,haohS a – XX olucés od said
.lepap o erbos sadíubirtsid sahlev sahcnam sa moc mednufnoc es samitív
es oãçrot aus otnauqne ,orutuf od edadiraenil amu ed atulosba aiedi A
asse moc amelborp mu sanepa áH .etnedirros ojna od oproc on ecelebatse
es euq snegami sartuo ed serahlim ed otxetnoc mu ed edneped ale ,oãsiv
.aruvarg a moc magil

o erbos iuqa revercse es a ocuop áH


-noc etibah ele zevlat ,”suvoN sulegnA“01|32
-igami res siam otium maçerem euq sarugfi sad ordauq o etnemlevatrof
-fiid euq megami amu É .sadanigami etnemavitircsed áj euq od sieván
olep ajes ,evet a aid mu meuq rop ajes ,adahnapmocased áriv etnemlic
.eelK ed sahnil sa erbos rop etnemleveledni rartsiger rop uobaca esse euq
osserpmi res airedop euq melohcS ed ameop od ralaf oãn omoc áh oãN
sojna sO .latsop-oãtrac mu me essamrofsnart es ale es omoc osrev ues on
omoc ,açnetnes à roiretsop etnemataidemi etnatsni on mecerapased euq
etneserp onrete od aicnêtop airpórp assed ramot omoc uO ?sol-êceuqse
airótsih a odnerrav arpos euq otnev O ?aruvarg ad ralaf a raunitnoc arap
.morram áj lepap o erbos adajopsed arugfi assed rarapes ed levíssopmi é
edadicilpmis airpórp a euq zev amu – odalaf res ed met ossi odut euq áJ

+ 24 +
-nemzilefni – oãçacilpxe ed edadissecen aus ragerrac atnerapa arugfi assed
ed osseva o euq esauq anrot es alE .rezid ed levíssop áres adan esauq et
od oremêfe ojna O .airpórp is ed oãçudart ad uo oãçarran ad ,airpórp is
áh oãN .eõperbos es etneserp reuqlauq arap odazilanrete ojna e etneserp
-noc ohnimac o rezaf aidop es euq me otnop o sam ,ossin odarre ed adan
otium somebas omoc ,snegami sartuo oãS .odidrep otium áh iof áj oirárt
euq éta mahlapse es sam ,maotnoma es etnemairassecen oãn es euq ,meb
otnauq etnateiuqni oãt ranrot es assop oãn rezid es a avon asioc reuqlauq
.evet es aid mu euq oãsserpmi a

sulegnA“ odalutitni eelK ed ordauq mu etsixE


-ap euq ojna mu odatneserper átse eleN .”suvoN 9|42
sohlo sueS .rahlo ues o avarc euq me ogla ed es-ratsafa ed otnop a ratse ecer
ad ojna O .sadaritse oãtse sasa saus e atreba átse acob aus ,sodalagerra oãtse
ednO .odassap o arap odatlov otsor ues met elE .missa recerap ed met airótsih
-sátac acinú amu agrexne ele ,són ed etnaid ecerapa sotneve ed aiedac amu
meb elE .sép sues a assemerra so e sorbmocse aotnoma rassec mes euq ,efort
saM .soçortsed so ratnuj e sotrom so ratrepsed ed ,es-raromed ed airatsog euq
etrof oãt é e sasa saus me uohnarame es euq edatsepmet amu arpos osíarap od
etnemlevitsiserri elepmi o edatsepmet assE .sal-áhcef siam edop oãn ojna o euq
sorbmocse ed odaotnoma o otnauqne ,satsoc sa ád lauq o arap ,orutuf o arap
-sepmet asse é ossergorp ed somamahc són euq O .uéc o éta ecserc eled etnaid
)78 .p .5002 ,NIMAJNEB( .edat

+ 25 +
mu otnauq oãçpecrep ad acité amu otnat É
a ,abla zorta a moC :ocigólodotem euqurt 8|52
.zortablA o uiac omoc riac me aitsisnoc oãçisopmoc

-xe ed airatsog meuq arap amelborp mu egruS


euq o e atircse a ertne oãçaler amugla rarolp 7|62
,sotnemivom ed edadilarulp amu retnam omoC .megami a moc arepo es
etnemlaicnetop ajes euq otxet mu me ,sotnemaçurbed soa seõsnacse sad
a arap adreuqse ad e oxiab arap amic ed etnemlarutan euq esauq odil
oirpórp is me aussop otsopsid olpmexe adac moc retnam omoC ?atierid
oãçisopmoc a euq moc rezaf omoc E ?ralugnis alaf amu ,oãçnitsid amu
ahnet oãn ,megami amu omoc missa ,euq ogla enrot es sotnemele so moc
oãn euq oralc É ?arutiel ariemirp amu me sadatogse sedadilibissop saus
.savitatnet sasse arap samrof áh e savitatnet áh sam ,acinú atsopser amu áh
sad amu adac rarbeuq riugesnoc ed a aires laicnegnitnoc arienam amU
assop oditnes mu ed oãçnetni a euq éta sadizuder res messedup euq setrap
uo odotém mu aires ossi es rezid somaírebas oãN .etnemlitus recerapased
rezaf aunitnoc oicícrexe o ,odom otrec ed ,sam ,euqurt mu etnemselpmis
.orassáp oirpórp ues o rarucorp aloiag a

sam ,sacram raxied a odanitsed é oãn revercsE


6|72
-ram sa sadot ,sacram sad oiem rop ,ragapa a mis

+ 26 +
etnemavitinfied siam ,arutircse ad oirátnemgarf oçapse on recerapased a ;sac
-ni amrof ed riurtsed a ,riurtsed a mébmat uo ;abmut an ecerapased euq od
oirátnemgarf o moc odroca ed revercsE .oãçiurtsed ad odnortse o mes ,levísiv
,levíssop o e laer o ,edadidnuforp a e eicífrepus a levísivni amrof ed iórtsed
otluco osrucsid mu ,oãtne ,áh oãN .otluco o e otsefinam o ,oãhc o e opot o
atreba edadilarulp amu reuqes men ,airavreserp etnedive osrucsid mu euq
od levín on revercsE .avitaterpretni arutiel amu ed arepse à seõçacfiingis ed
ed zapac é oãn euq aicnêrac amu ed oãsiced à ropxe es é etnassecni orrussus
,rautis ed levíssopmi é euq e ragul mes ossecxe mu moc euq siam racram es
.sorvil sod e sosrucsid sod ,sotnemasnep sod oçapse on riubirtsid levíssopmi
à aicnêrac amu ropo etnemos é oãn arutircse ed aicnêgixe atid a rednopseR
ocuopmat ,odavirp otiefe mugla ritrus ed mfi a oizav o moc ragoj uo artuo
-rfia siam uo saud ertne ocnarb me oçapse mu racidni uo retnam etnemos é
rizudnoc ,adan siam ed setna ,ajes zevlaT ?oãtne e sam ,seõçaicnune-seõçam
edadiralugerri a anroter lauq od ritrap a etimil oa megaugnil ed oçapse mu
lauq oa e epmorretni o uo agapa o euq ,etnalaf oãn ,etnalaf oçapse ortuo ed
ed otiefe o moc adacram edadiretla aus a saçarg ramixorpa son somedop ós
)37 .p ,4991 ,TOHCNALB( .es-ragapa

É .onroter siam áh oãn otnop otrec ed ritrap A


,AKFAK( .odaçnacla res ed met euq otnop o etse 5|82
)931 .p ,5 ºn omsirofA ,1102

+ 27 +
4|92

euq o arap adad áj arofátem amu somramot eS


somaíredop ,ohlepse od odal ortuo od etsixe 3|03
-ecehnoc sodoT .zerdax ed orielubat ednarg mu ed megami ad rarbmel
-iv onfi o assevarta ecilA euq me )4002( llorraC ed snegassap sa som
a adot airartnocne ale ,odal ortuo oD .anitroc amu essof es omoc ord
.sadanedrooc meb sasac me omoc sotsopsid sneganosrep so e megasiap
mu me essamrofsnart es meganosrep a es omoc sadirrocrep oãs sassE
airtemis amu moc ,omsem is me odahlepse é ogoj o euq somebaS .oãep
es euq áh ,rapuco es ed sievíssop sasac ortauq e atnesses sa ertne aditrevni
onerret on rartne arap sasac saud e atnirt rop odacram oxie o rassevarta
,euq uo siaugi ertne etabmoc mu e sadacilpud sarugiF .rodagoj ortuo od
é oãn iuqa etnatropmi o ,otnatertnE .siaugi omoc maicini ,sonem olep
,uo arrecne es ele omoc sam ,açemoc etabme esse omoc etnemairassecen

+ 28 +
olutípac odnuges omicéd oN .animret oãn ele omoc ,etnemasicerp siam
ale omoC .odnuforp onos mu ed odnanroter ecilA somet ,avitarran ad
ortuo od erovrá amu bos odicemroda ohlemrev ier od arugfi a uortnocne
odahnos airet lanfia meuq erbos ranoitseuq a eõp es ale ,ohlepse od odal
-euqà oãçerid me alucílep a ohnos me odassap aivah ale eS .airótsih a adot
?omsem o rezaf airedop oãn açep artuo aleuqa euq rop ,ahnartse arret al
?méugla ortuo mu ed ohnos o oãnes adiv a aires euq O

-etnoca átse euq oãçisopxe a oãtne somemoT


-rof eS .8002 ed ohnuj ed 61 aid etsen odnec 2|13
-oP .otaf ed rev arap otium áh ,matrepsed euq sesse omoc rasnep som
etneserp anrot sarutnip ed eirés amu ed osseva o euq rasnep somaíred
amU .ogla ed avitatneserper oãn adnia uo adartsuli oãn airótsih amu adot
erbos oãsiv ad ragapa on airagertne es ós arutxet airpórp ad aurc airétam
retárac o eriuqda otarter mu uo anec amu mes ariedam amsem A .alet a
ad etnatsni adac reV ?missa ogla rev airedop es odnauQ .aiuqíler amu ed
serodaruc so ertne ogoj oxelpmoc o ,seõçeloc sa ertne adnev ad e acort
rop es-odnedrep e sateuqite san e sobmirac son sodartsiger ,suesum sod
-xe asse a setnaveler sasioc sartuo adnia áh saM .snegiro saremúni ertne
uo aicnêtsixe a erbos edadisoiruc asse massapartlu euq seõtseuq ,oãçisop
somaíredoP .ret edop arbo amugla euq euqotse ed retárac o erbos omsem
,rodatcepse oa atneserpa es euq otejbo oa oãçaler me oãn zevlat ratnugrep
ednarg amu é ,meb sioP .anrot es esse rodatcepse lauq etnematsuj sam

+ 29 +
ranigami ed met aroga méugla eS ?omsem é oãn ,oãçisop ed açnerefid
a aires oãsiv a euq áj – arutnip amu atnetsus euq ederap amu omoc esauq
atisiv amu – met odirolocsed otnemitsever ed oçadep mu euq ad amsem
ed airatsog méugla eS .etnateiuqni siam otium ogla ,asioc artuo anrot es
-aicerpa uo oãçalpmetnoc ed oicícrexe ednarg mu me atisiv a ramrofsnart
-noc ed ,ogla rev ed edadilibissopmi ad mévda euq atlaf asse airatse ál ,oãç
,odom otrec eD .leváemon res airedop adnia euq megami amu moc rat
sam ,ohnos od aicnêviv an ád es oãn otnemahnartse o :oãzar ahnit ecilA
siam snegami sasse raçnal ed edadicapacni a acoloc son euq ratrepsed on
.zev amu

-irepxe aus ed edadilaer a erbos oãtseuq a eS


méla ,euqrop( ecilA arap ainoga anrot es aicnê 1|23
on otnemagluj bos avatse aicnêtsixe aus ed azerutan airpórp a ,odut ed
aneuqep aus :atsopser retbo arap oãçpo acinú amu avarbos ,)orvil od lanfi
otnuj orielubat ed açep amu me odamrofsnart es ahnit euq ,haniD ,atag
amsem a razilitu eugesnoc oãn otag mu etnemaivbo omoC .anod a moc
.ocfiílgoreih e odiláp odaim mu etnemselpmis é atsopser a ,megaugnil

olep ,es uo ier od ounítnoc ohnos o uonodnaba etnemavitefe ecilA eS


-an oãçirapa aus odarrecne ahnet ohlepse od odal ortuo eleuqa ,oirártnoc
atsopser amu ritnarag euq azerutan lat ed oãtseuq amu é ,etnatsni eleuq
amu áh iuqa men ,etnemavitefE .rotiel od edadisoiruc a airafsitas ocuop
oterced od osseva o lanfia ,sotaf sod mu reuqlauq ed acreca oãsulcnoc

+ 30 +
-os ,atsopser à somagehc odnauQ .atrecni aicílam atrec amu eõpusserp
reuqlauq etnemataxe rezid ed edepmi son euq essot levírroh amu iasserb
.riteper ed somaíratsog euq aicnâtropmi

+ 31 +
NOTAS DOS EDITORES

+ Caderno forrado com couro preto, 256 folhas quadriculadas, sen-


do qualquer uma não utilizada removida da encadernação. Segue as mes-
mas propriedades dos outros doze.

+ A partir do texto identificado pelo número 17/16, a escrita foi


feita de maneira invertida. É buscado preservar tal efeito aqui. Para uma
melhor leitura desse segmento, recomenda-se colocar o caderno frente a
um espelho.

¹ A nomenclatura dada a este manuscrito segue duas metáforas dis-


tintas, porém unidas em um sentido em que tentam se aproximar da mes-
ma referência. Se, por um lado, as numerações de cada um dos fragmen-
tos seguem a lógica da metade de um tabuleiro de xadrez, a sua inversão
durante a metade do texto parece sugerir a imagem do espelho prevista
durante os esforços de montagem.

+ 32 +
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BENJAMIN, W. Sobre o Conceito de História. In: LÖWY, M.


WALTER BENJAMIN: AVISO DE INCÊNDIO, UMA LEI-
TURA DAS TESES “SOBRE O CONCEITO DE HISTÓRIA”.
São Paulo: Boitempo, 2005.

BLANCHOT, M. EL PASO (NO) MAS ALLÁ. Barcelona: Pai-


dós, 1994.

CARROLL, L. THE COMPLETE ILLUSTRATED WORKS OF


LEWIS CARROLL. Londres: Bounty Books, 2004.

DALÍ, S. EL MITO TRAGICO DEL “ANGELUS” DE MILLET.


Barcelona: Tusquets, 1989.

DIDI-HUBERMAN, G. PENSAR DEBRUÇADO. Lisboa: KKYM,


2015.

KAFKA, F. Aforismos. In: KAFKA, F. KAFKA ESSENCIAL. São


Paulo: Companhia das Letras, 2011.

FREUD, S. OBRAS COMPLETAS VOL. 14 (1917 – 1920).


São Paulo: Companhia das Letras, 2010.

LINS, O. AVALOVARA. São Paulo: Companhia das Letras,


2005.

+ 33 +
JEAN-LUC, Nancy. A IMAGEM – O DISTINTO. outra travessia,
Florianópolis, n. 22, p. 97-110, ago. 2016. ISSN 2176-8552.

CAPA

ANGELUS,1857-1859, Jean-François Millet, óleo sobre tela,


56 x 66 cm. Musée d'Orsay, Paris.

CONTRACAPA

Colagem realizada a partir de reproduções de:

FRAGMENTOS DE PAINÉIS DE TETO, início do século XIV,


artista desconhecido, têmpera sobre madeira. Museu Nacional
d'Art Catalunya, Barcelona.

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