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RESUMO:

Marco, tudo bem? Nenhum dos dois artigos lidos, no meu caso, são estudos de caso.
São artigos conceituais e epistemológicos da metodologia etnográfica, viu. Pois, vem vamos às
resenhas:

Artigo de Mattos (2011), acerca da “Abordagem etnográfica na investigação científica”.

Mattos (2011) escreveu um artigo sobre a etnografia em um escrito baseado


previamente para proveito em suas aulas de metodologia com enfoque na área da educação. A
etnografia implica numa abordagem holística e dialética cultural; analisa a interação dos atores
sociais, com uma participação ativa do pesquisador; e procura analisar o significado e o
significativo dos símbolos e das ações em uma sociedade.

Epistemologicamente e conceitualmente, a etnografia compreende (Mattos, 2011):

1) do “senso questionador do etnógrafo”;


2) “Tem uma análise holística e dialética da cultura”;
3) O objeto da pesquisa torna-se sujeito, sob a participação ativa do pesquisador;
4) Ajuda a explicar as relações dos atores sociais;
5) Outras denominações para etnografia são: “pesquisa participante, pesquisa
interpretativa, pesquisa hermenêutica, dentre outras”;
6) Procura-se estudar como que um grupo social conduz sua vida, seu cotidiano,
significado de suas ações. Assim, o etnógrafo, documenta, monitora e procura o
significado da ação e sua densidade descritiva;
7) Interacionismo simbólico, importante na análise do processo de interação.
8) Um diário ou algum modelo para que o etnógrafo possa descrever um grupo social
de forma densa e aprofundada;

A etnografia herdou bastante da etnologia, entretanto, uma varia da outra, pois


enquanto a etnologia busca analisar as variáveis de uma sociedade de forma global, a etnografia
tem foco local. A etimologia da palavra etnografia é grega e significa “escrita do visível” ou de
uma “sociedade em particular”, enquanto etnologia significa estudo de outros povos. (os gregos
se chamavam de helenos e chamavam os estrangeiros de etnoe), assim, etnologia é um estudo
científico sobre o outro (Mattos, 2011).

Outros elementos fundamentais na pesquisa etnográfica são: microanálise etnográfica;


significado e significação; objetivos da etnografia; perspectiva dialética; e análise da interação e
o contexto (Mattos, 2011).

A microanálise etnográfica trata-se de um recorte de determinada sociedade que reflete


o todo. Como estudar o comportamento e a relação entre alunos e professores de uma sala de
aula, que pode refletir o todo de uma escola por meio das particularidades que podem ser
levadas a generalização, conforme olhar do etnógrafo (Mattos, 2011).

Ao incluir a semiótica (estudo da linguagem não falada), da linguagem escrita e formal


e de outros diversos símbolos, procura-se entender o significado e a significação de x para
determinada sociedade. Assim como a perspectiva dialética, isso é, sob uma análise holística,
analisar como cada parte se relaciona com o todo e com outras partes desse formato sistêmico
(Mattos, 2011).
Quanto à interação entre os atores e o contexto, analisa-se a reciprocidade, o
comportamento, o que as pessoas desse grupo social fazem e sua relação com os valores
(moralidade e ética) de determinado grupo social, a cultura de uma sociedade, para que se possa
descrevê-la.

Artigo de Marcon e Soriano-Sierra (2017), acerca da “Etnografia como Estratégia Investigativa


da Cultura Organizacional para a Sustentabilidade”.

Marcon e Soriano-Sierra (2017) fizeram uma revisão de literatura aprofundada e


exploratória. Propôs novos paradigmas para a aplicação da metodologia qualitativa etnográfica
para analisar a sustentabilidade em organizações.

Assim, a abordagem qualitativa e etnográfica são as melhores ferramentas para se


estudar como a sustentabilidade é aplicada em organizações:

1) A metodologia qualitativa permite a exploração e compreensão do significado


individual ou grupal sob determinada questão, assim, tem um “relatório final”
flexível devido ao uso de “variáveis subjetivas”;
2) A metodologia qualitativa utiliza questões abertas, não reduz contextos e sujeitos a
variáveis quantitativas, considera o subjetivo e a característica própria dos objetos
de estudo, não há um axioma de “verdade universalizável”, sempre sob a ética de
pesquisa;
3) Pode-se compreender o todo, sistêmico, por meio de pesquisa qualitativa;
4) A etnografia estuda-se cultura, assim, fornece “técnicas de abordagem de aspectos
da linguagem, das vestimentas, dos costumes e das representações de autoridade
(Marcon & Soriano-Sierra, 2017, 38-55).
5) Etnografia possibilita identificação da produção material de determinado grupo, sua
envolvência entre si mesmos, os processos culturais, organizacionais e produtivos,
a saber, o “conhecimento tácito” compartilhado por gerações e indivíduos: uma
cultura.

Por fim, Marcon e Soriano-Sierra (2017) propôs um protocolo para investigar cultura na
sociedade, com as seguintes etapas:

1) Identificar o contexto a ser observado (organização);


2) Identificar os sujeitos do contexto (atores e intervenientes, p. ex.: membros da
organização);
3) Obter a aprovação dos responsáveis (diretores, presidentes e gerentes das
organizações investigadas);
4) Observar as diretrizes éticas;
5) Manter um roteiro de entrevista semiestruturada, com questões abertas;
6) Ao entrevistar os sujeitos do estudo, não direcionar as respostas. Manter-se aberto.
Escutar mais do que falar;
7) Repetir perguntas formuladas de outra maneira, viabilizando a ampla reflexão e a
captura das ideias e sentimentos genuínos do informante;
8) Observar comportamentos, movimentos, emoções, etc. Procurar descrevê-los;
9) Informações aparentemente aleatórias podem revelar-se importantes quando da
consolidação
10) Participar da Coleta de Dados, documente percepções, reflexões, ilações, ideias,
observações, etc. durante o processo;
11) Ter em mãos ferramentas de anotação. Insights surgem mesmo após a coleta de
dados em campo
12) Consolidar o estudo efetuado em um relatório descrevendo detalhadamente os
achados;
13) Validar as informações retornando ao campo quantas vezes forem necessárias;
14) Revisar o relatório com a descrição interpretativa da cultura.