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20 CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHARIA SANITÁRIA E AMBIENTAL

IMPACTO DA CONSTRUÇÃO RODOVIÁRIA


NA QUALIDADE DA ÁGUA

Sérgio João de Luca(1)


Professor Titular, Pesquisador CNPq IA. Orientador de Mestrado e
Doutorado IPH e CE/UFRGS.
Käthe Sofia da Rosa Schmidt (foto)
Engenheira Civil pela Escola de Engenharia da Universidade Federal do
Rio Grande do Sul. Mestranda em Recursos Hídricos e Saneamento
Ambiental pelo Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH-UFRGS).

Endereço(1): Avenida Bento Gonçalves, 9500 - Porto Alegre - RS - CEP:


91501-970 - Brasil - Tel: (051) 316-6680 - e-mail: deluca@if1.if.ufrgs.br

RESUMO

A construção rodoviária tem estado sob pressão da sociedade brasileira no sentido de


desenvolver técnicas e métodos construtivos que minimizem os danos ambientais.
Notadamente, uma das grandes preocupações tem sido o impacto da construção de
rodovias, ferrovias e perimetrais sobre os recursos hídricos locais e regionais.

O presente trabalho apresenta um levantamento da qualidade das águas impactadas por


uma construção rodoviária. O empreendimento rodoviário a ser monitorado trata-se da
execução da terraplenagem da rodovia RS 486 – Rota do Sol, situada no nordeste gaúcho.

Mais especificamente, tem-se acompanhado a variação temporal de parâmetros adotados


para caracterizar a qualidade das águas de dois arroios, a saber, o Arroio Carvalho e o
Arroio Bananeiras, localizados nas proximidades de sistemas de disposição de materiais
de descarte da terraplenagem denominados bota-foras.

Os arroios em questão recebem as águas de drenagem superficial e subterrânea dos


referidos sistemas, que se constituem em sítios para a deposição de material gerado na
execução dos cortes e que não apresentam condições geotécnicas para serem utilizados
nos trabalhos de terraplenagem. Alguns trechos apresentam variação negativa nos
impactos causados nos recursos hídricos, mostrando que as medidas mitigadoras terão
que ser redimensionadas.

PALAVRAS-CHAVE: Construção Rodoviária, Impacto Ambiental, Qualidade dos


Recursos Hídricos.

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INTRODUÇÃO

O presente trabalho apresenta o levantamento da qualidade das águas impactadas por uma
construção rodoviária, a RS 486 - Rota do Sol, situada no nordeste gaúcho e que interliga
a região serrana do planalto a BR 101 no município de Terra de Areia próximo ao litoral.
As médias diárias de tráfego esperadas, após a finalização da pavimentação e abertura ao
tráfego, serão de 2 436 veículos por dia, com picos médios diários no verão de 6 133
automóveis e caminhões (DAER,1996). Esta estrada está sob controle ambiental cerrado
dos órgãos ambientais, ONGs e Ministério Público, uma vez que tem influência sobre
uma encosta de serra, Escarpa da Serra geral, com Mata Atlântica e Mata de Araucária.
Várias unidades de conservação, públicas, federais, estaduais e particulares poderão vir a
ser impactadas pelas obras. Destacam-se entre estas unidades, o Parque Nacional dos
Aparados da Serra, a Floresta Nacional de S. Francisco de Paula, a Reserva Indígena
Guarani Barra do Ouro e a Área de Preservação de Maquiné, PUC/RS.

A preservação ambiental da fauna e da flora, principalmente de espécies em extinção, está,


naqueles ecossistemas, intimamente relacionada com a qualidade dos recursos hídricos
regionais. Por exemplo, existem cerca de 59 cursos de água que serão interceptados pela
estrada. Cerca de 30 são nascentes, pertencendo à classe especial de acordo com a Resolução
no 20 do CONAMA de 1986. A precipitação pode variar entre 1 750 mm na baixada até 2
500 mm na encosta e no planalto. Não há déficit hídrico regional, pois as chuvas são bem
distribuídas ao longo do ano. A extensão da rodovia será de 53,45 Km, com segmento junto a
encostas íngremes de 11,35 Km. O volume de material escavado, que irá causar problemas de
erosão e arraste de sólidos em suspensão, será de 2 141 850 ton, sendo que 48% deste
material será escavado na região da encosta da serra. O volume de bota-fora gerado será de
586 517 ton, criando áreas desnudas de cerca de 116 ha.

Os impactos ambientais mais profundos (DNER,1996) dizem respeito à criação de zonas


de escorregamentos, aos escorregamentos de taludes de cortes e aterros da própria obra,
ao surgimento de processos erosivos, ao assoreamento dos corpos de água, ao aumento de
contaminação por tensoativos, por matéria orgânica, etc, à alteração das características
hidráulicas do lençol freático e à interferência com as drenagens naturais, prejudicando,
principalmente, a vegetação ombrófila secundária.

Este trabalho irá apresentar os resultados do acompanhamento da construção desta


rodovia e seu impacto na qualidade de água dos Arroios Carvalho e Bananeiras que
recebem a drenagem superficial das águas que precipitam sobre os sistemas de bota-foras.
A escolha de se realizar o monitoramento destes sistemas recaiu no fato da necessidade de
verificar-se a eficiência das bacias de sedimentação projetadas com o objetivo de diminuir
o carregamento de sólidos para os cursos de água, assim como monitorar a ocorrência de
contaminação por outros elementos.

O DAER-RS, em atendimento ao Programa de Monitoramento Ambiental proposto pelo


EIA, levantou dados históricos referentes a qualidade da água dos cursos de água atingidos
pela rodovia, cujo objetivo é fornecer subsídios para a verificação da eficiência das medidas
propostas com vistas a minimização dos impactos nos recursos hídricos. Foram implantados
dezesseis (16) pontos de amostragem dos cursos de água que estão localizados na área de
influência direta da rodovia. Para a bacia do rio Três Forquilhas foram selecionados doze (12)
pontos de amostragem das águas superficiais. Na bacia do rio Tainhas, onde a estrada
desenvolve-se por cerca de 8 Km, selecionaram-se quatro (4) pontos.

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Os dados históricos são adotados, no presente trabalho, como indicadores da qualidade


das águas antes do início das obras de terraplenagem.

Neste estudo, está sendo monitorada a qualidade das águas de drenagem superficial de
três sistemas, a saber, o bota-fora Arroio Bananeiras, localizado nas proximidades do Km
0+775 do Lote I (subtrecho: Arroio Bananeiras-Terra de Areia), o bota-fora Arroio
Carvalho 1, localizado nas proximidades do Km 4+000 do Lote II (subtrecho: Arroio
Bannaneiras-Aratinga), e o bota-fora Arroio Carvalho 2 localizado nas proximidades do
Km 4+500 do Lote II. O bota-fora Arroio Bananeiras está concluído, tendo sido
executada sua drenagem superficial e enleivamento. O bota-fora Arroio Carvalho 1
encontra-se em fase de operação e vem recebendo material proveniente dos descartes das
obras de terraplenagem. O bota-fora Arroio Carvalho 2 ainda não está sendo operado,
pois encontra-se em processo de licenciamento junto aos órgãos ambientais.

Com a escolha dos sistemas acima citados, obtém-se os cenários para três distintas
configurações construtivas:
- bota-fora Arroio Bananeiras: estrutura finalizada, com dispositivos para
proteção contra erosão superficial (enleivamento e drenagem superficial);
- bota-fora Arroio Carvalho 1: estrutura em operação, com depósitos de
materiais de descartes das operações de terraplenagem e com dispositivo para
redução do aporte de sólidos ao curso de água (bacias de sedimentação);
- bota-fora Arroio Carvalho 2: monitoramento das condições iniciais da
qualidade da água antes do início da operação da estrutura.

Os pontos levantados pelo DAER e utilizados neste trabalho, são denominados ACA 03,
situado nas proximidades dos bota-foras Arroio Carvalho 1 e 2, e ABA 06 situado nas
proximidades do bota-fora Arroio Bananeiras.

MATERIAIS E MÉTODOS

Para a realização da amostragem e posterior análise dos parâmetros indicadores da


qualidade da água dos dois Arroios tem-se realizado coletas a montante e a jusante dos
sítios dos bota-foras, a exceção do bota-fora Arroio Carvalho 2 onde tem-se amostrado
apenas a montante. Simultaneamente à amostragem, é feita a medição de vazão dos
Arroios nos pontos monitorados (uma medição para cada sistema). A partir das amostras
coletadas nos pontos indicados, estão sendo determinados os seguintes parâmetros:
temperatura da água, pH, condutividade, turbidez, sólidos totais, sólidos suspensos,
sólidos dissolvidos, sólidos sedimentáveis, oxigênio dissolvido, demanda bioquímica de
oxigênio, demanda química de oxigênio, óleos e graxas, nitrogênio total, fósforo total,
cloretos, fluoreto, nitrito, nitrato, fosfato, sulfato, coliformes totais, coliformes fecais,
alumínio, arsênio, cádmio, chumbo, cromo, ferro, mercúrio e surfactantes.

As análises destes parâmetros estão sendo realizadas de acordo com a metodologia


indicada pelo Standard Methods for the Examination of Water and Wastewater – 19th Ed
(1995). A periodicidade das coletas tem sido mensal e teve seu início em 18/08/98.

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DADOS HISTÓRICOS DA ETAPA ANTERIOR À EXECUÇÃO DAS OBRAS DE


TERRAPLENAGEM

Para os bota-foras Arroio Bananeiras, Arroio Carvalho 1 e 2 são apresentados os dados


históricos do monitoramento realizado pelo DAER-RS, que são adotados como
representativos das condições iniciais dos arroios previamente à construção da rodovia.
Estes dados serviram de base para o licenciamento ambiental do empreendimento.

Quadro 1: Dados Históricos de Monitoramento Realizado pelo DAER-RS em


Atendimento ao Plano de Monitoramento Ambiental (mg/L, exceto onde anotado).
Parâmetros Arroio Carvalho 1 e 2 Arroio Bananeiras
Média Intervalo Média Intervalo
Temperatura da água (ºC) 18.4 15.0 - 23.0 19.6 16.0 - 23.0
pH 7.5 7.3 - 8 7.3 6.8 - 7.6
Condutividade (µmho/cm) 34.2 29.0 - 40.0 36.6 32.6 - 41.5
Turbidez (NTU) 4.0 1.5 - 5.2 4.0 1.5 - 5.2
Sólidos Suspensos 26.2 9.0 - 53.0 45.6 30.0 - 74.0
Oxigênio Dissolvido 9.9 8.9 - 12.4 8.9 7.9 - 10.4
DBO - 5 dias 2.4 2.0 - 3.8 2.5 2.0 - 4.2
DQO 9.6 4.0 - 16.0 7.2 4.0 - 8.0
Óleos e Graxas ND ND ND ND
Nitrogênio total 1.6 0.5 - 4.2 1.3 0.6 - 3.9
Fósforo total 0.03 0.01 - 0.05 0.06 0.03 - 0.13
Cloretos 4.74 4.0 - 5.9 5.18 4.0 - 6.5
Coliformes totais (NPM/100ml) 584 22 - 1600 217 29 - 920
Coliformes fecais (NPM/100ml) 24 12 - 33 22 11 - 49
Alumínio 0.33 0.37 - 0,52 0,53 0,28 - 0,87
Cádmio ND ND ND ND
Chumbo ND ND 0,01 0 - 0,05
Cromo total ND ND ND ND
Ferro total 0.29 0.06 - 0.47 0.54 0.28 - 0.98
Surfactantes 0.004 ND - 0.02 ND ND

A partir dos dados reportados acima, verificou-se que as condições prévias à construção
da obra, conduzem ao enquadramento dos parâmetros analisados dentro dos limites de
classe especial ou classe 1, à exceção do ferro total que apresenta 0,54 mg/L para o
Arroio Bananeiras, situando-o em classe 3 (0.3 a 5.0 mg/L) e do alumínio que enquadra-
se como classe 4 (acima de 0.1 mg/L) tanto para o Arroio Carvalho como para o Arroio
Bananeiras.

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RESULTADOS PRELIMINARES OBTIDOS NA ETAPA POSTERIOR AO


INÍCIO DAS OBRAS DE TERRAPLENAGEM

Nesta etapa deu-se o início da amostragem e posterior análise dos parâmetros citados
anteriormente. As amostragens e análises encontram-se ainda em fase de andamento,
restando realizar uma última campanha prevista para o início do mês de janeiro de 1999.
Após esta campanha, serão concluídos os trabalhos de análise e se pretende verificar a
distribuição temporal e espacial dos impactos causados pela execução dos sistemas de
bota-fora, bem como a eficiência das medidas mitigadoras preconizadas, tais como
enleivamento, caixas de óleo, bacias de sedimentação, etc. O Quadro 2 mostra os
parâmetros analisados e os resultados preliminares obtidos.

Quadro 2: Comparativo entre Valores Históricos e Média dos Valores Monitorados para o Bota-fora
Arroio Carvalho 2 (mg/L, exceto onde anotado).
Parâmetros Média histórica Monitoramento
a montante
Temperatura da água (ºC) 18.4 17.5
pH 7.5 7.7
Condutividade (µmho/cm) 34.2 48.3
Turbidez (NTU) 4.0 7.3
Sólidos Suspensos 26.2 56.3
Oxigênio Dissolvido 9.9 9.25
DBO - 5 dias 2.4 1.54
DQO 9.6 5.6
Óleos e Graxas ND 0.0249
Nitrogênio total 1.6 ND
Fósforo total 0.03 -
Cloretos 4.74 2.74
Coliformes totais (NPM/100ml) 584 1669
Coliformes fecais (NPM/100ml) 24 84
Alumínio 0,33 1.59
Cádmio ND ND
Chumbo ND 0.09
Cromo total ND 0.02
Ferro total 0.29 1.33
Surfactantes 0.004 0.0817

Através do dados dispostos no quadro anterior, verifica-se que os parâmetros em sua maioria
ainda estão enquadrados como classe especial ou 1. No entanto as concentrações de ferro

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total e de alumínio situam-se como classe 3 e 4 respectivamente. O parâmetro coliforme total


passou de classe 1 para 2 e o chumbo de classe especial para classe 4. Até o presente
momento, observa-se o aparecimento de baixas concentrações de óleos e graxas, sinalizando
que as máquinas rodoviárias e o tráfego local ainda não constituem forte pressão ambiental.

Quadro 3: Comparativo entre Valores Históricos e Média dos Valores Monitorados


para o Bota-fora Arroio Carvalho 1 (mg/L, exceto onde anotado).
Parâmetros Média Monitoramento Monitoramento
histórica a montante a jusante
Temperatura da água (ºC) 18.4 18.6 18.7
pH 7.5 7.8 7.7
Condutividade (µmho/cm) 34.2 36.5 37.0
Turbidez (NTU) 4.0 10.7 8.4
Sólidos Suspensos 26.2 18.3 30.0
Oxigênio Dissolvido 9.9 9.15 8.55
DBO - 5 dias 2.4 1.01 1.59
DQO 9.6 5.2 8.8
Óleos e Graxas ND 0.0343 0.0351
Nitrogênio total 1.6 ND ND
Fósforo total 0.03 - -
Cloretos 4.74 2.79 2.78
Coliformes totais (NPM/100ml) 584 2341 3212
Coliformes fecais (NPM/100ml) 24 48 184
Alumínio 0.33 1.19 1.07
Cádmio ND ND ND
Chumbo ND 0.09 0.08
Cromo total ND 0.025 0.016
Ferro total 0.29 1.45 1.53
Surfactantes 0.004 0.0889 0.0731

Da mesma forma que para o bota-fora Arroio Carvalho 2, através do dados apresentados
no quadro acima, verifica-se que, para o bota-fora Arroio Carvalho 1, os parâmetros, em
sua maioria, ainda estão enquadrados como classe especial ou 1. No entanto, as
concentrações de ferro total e de alumínio situam-se como classe 3 e 4 respectivamente. O
parâmetro coliforme total passou de classe 1 para 2 e o chumbo de classe especial para
classe 4. Novamente, observa-se o aparecimento de baixos teores de óleos e graxas. Se a
legislação ambiental fosse realmente aplicada, não seria permitido a mudança de classe e
a obra teria que ser embargada.

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Quadro 4: Comparativo entre Valores Históricos e Média dos Valores Monitorados


para o Bota-fora Arroio Bananeiras (mg/L, exceto onde anotado).
Parâmetros Média Monitoramento Monitoramento
histórica a montante a jusante
Temperatura da água 19.6 20.1 20.2
pH 7.3 7.9 8.0
Condutividade (µmho/cm) 36.6 42.5 39.3
Turbidez (NTU) 4.0 12.8 12.6
Sólidos Suspensos 45.6 26.5 31.3
Oxigênio Dissolvido 8.9 8.7 8.5
DBO - 5 dias 2.5 0.87 1.01
DQO 7.2 5.9 12.4
Óleos e Graxas ND 0.0302 0.0575
Nitrogênio total 1.3 ND ND
Fósforo total 0.06 - -
Cloretos 5.18 2.40 2.94
Coliformes totais (NPM/100ml) 217 4008 4216
Coliformes fecais (NPM/100ml) 22 105 129
Alumínio 0,53 1.39 1.35
Cádmio ND ND ND
Chumbo 0,01 0.09 0.09
Cromo total ND 0.018 0.007
Ferro total 0.54 1.29 1.76
Surfactantes ND 0.0603 0.0804

Os resultados referentes ao bota-fora Arroio Bananeiras, já concluído e com dispositivos de


minimização da poluição, indicam que os parâmetros alumínio, chumbo e ferro total
enquadram o corpo receptor em classe 4 e 3. Os coliformes totais passaram de classe 1, nos
dados históricos paea classe 2 após a conclusão do bota-fora. Verifica-se também a ocorrência,
ainda que baixa, de óleos e graxas. A contaminação rodoviária, em análise, também está
alterando a classe do rio para pior, o que não é permitido pela legislação ambiental vigente.

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CONCLUSÕES

Os resultados do monitoramento dos recursos hídricos da Rota do Sol foram apresentados.


Verifica-se que o corpo de água principal recebe contribuição de bota-foras em várias fases: a
construir, em uso e já saturado e enleivado. Nas duas últimas situações, apesar das medidas
mitigadoras, estes sistemas não tem funcionado a contento, contaminando o meio hídrico com
alumínio, ferro, chumbo e coliformes totais, alterando a classe dos rios e arroios, o que é
proibido pela legislação. Os dados sugerem uma revisão das técnicas de mitigação e
implementação de dispositivos de controle de qualidade mais eficientes.

AGRADECIMENTOS

Agradecemos à Superintendência de Estudos e Projetos do DAER – Departamento


Autônomo de Estradas de Rodagem do RS pela colaboração prestada para a realização do
presente estudo.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. CONAMA/IBAMA. Resolução n.o 20. Brasília, 1986.


2. DAER/RS. Relatório Síntese dos Estudos Ambientais, RS 486 – Rota do Sol. Porto Alegre, 1996.
3. DNER/MT. Corpo Normativo Ambiental para Empreendimento Rodoviários. Campo Grande, 1996.
4. Standard Methods for the Examination of Water and Wastewater – 19th Ed. 1995.

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