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C.

A Existência de Deus na Bíblia


Os escritores bíblicos não tiveram o propósito de provar a existência de
Deus. O objetivo deles foi narrar as ações redentoras de Deus na história da
humanidade. A existência de Deus para eles foi um pressuposto
fundamental de tudo que eles disseram
A Bíblia começa com Deus já existindo e criando o universo e todas as
coisas da natureza. “No princípio, Deus criou os céus e a terra” (Gn 1.1).
Da ação criadora de Deus, os escritores bíblicos passaram a narrar a
história da rebelião da humanidade contra Deus, e, concomitantemente, a
descrever os atos redentores de Deus.
A maior parte da história bíblica (AT) se refere ao povo de Israel, formado
e instruído por Deus com o propósito de servir de agente na história da
redenção. Outra parte (NT) descreve a vida e as obras de Cristo, o
descendente prometido a Abraão, que veio para abençoar as famílias da
terra; descreve também a formação e expansão da igreja, o novo povo de
Deus, constituído por aqueles que creem Cristo, de todas as nações.
Ao descrever as ações e os propósitos de Deus e seus atributos, as
Escrituras suscitam a fé naqueles que ouvem a sua mensagem com
sinceridade de coração (Rm 10.17); ela também instrui, corrige e
aperfeiçoa a nossa crença e vida com Deus. Enfim, as “Sagradas Letras”
podem tornar o homem sábio para a salvação, pela fé em Cristo Jesus, e
preparado para agir segundo a vontade de Deus (2Tm 3.15-17). A Bíblia,
então, é a fonte primordial do conhecimento de Deus e seus propósitos.
D. Posições Divergentes Acerca de Deus
Como vimos, a existência de Deus é uma verdade admitida e vivenciada
universalmente, evidenciada nas obras da natureza, na consciência humana
e gloriosamente testemunhada nas Escrituras. Mesmo assim, alguns
assumem posições divergentes, negando a existência de Deus ou
distorcendo ideias acerca de Deus. Apresentamos a seguir quatro dessas
posições.
1. Ateísmo.
Os que negam a existência de Deus não nasceram ateus. Provavelmente
eles também tiveram alguma percepção intuitiva e racional da divindade,
como é natural a todos os seres humanos. Mas houve um afastamento dessa
percepção intuitiva, motivado por fatores internos e externos. Com uma
propensão para uma vida de “liberdade”, “sem Deus”, alguns buscaram
justificativas para a sua opção de vida; outros foram fortemente
influenciados por fatores oriundos do seu
próprio meio social.
Convém distinguir dois tipos de ateus: os práticos e os teóricos. Os ateus
por motivos práticos são os que negam a existência de Deus por
conveniência própria. Preferem viver como se Deus não existisse. É como
diz o salmista: “O insensato diz no seu coração: Deus não existe” (SI 14.1).
Eles não têm uma teoria razoável para explicar a não existência de Deus; só
não querem pensar que Deus existe, porque isto atrapalha o seu estilo de
vida.
Por outro lado, os ateus por razões teóricas negam a existência de Deus por
uma questão de convencimento racional. Eles têm uma explicação.
Entretanto, seus argumentos falham em algum lugar, ou nas premissas ou
nas conclusões ou em ambas. Porém, como não percebem isto, ou não
querem perceber, eles têm a convicção de que estão com a verdade, ao
menos no plano racional, embora, nem sempre, no nível da consciência.
Mas convém ressaltar que há mais argumentos racionais em favor da
existência de Deus do que em sentido contrário.
2. Materialismo.
O materialismo nega qualquer conhecimento válido no campo religioso,
pois para o materialista tudo é matéria ou alguma manifestação dela. Nega
a realidade do espírito. Explica todos os fenômenos mentais ou espirituais
como propriedades e funções da matéria. Dizem: “O cérebro tem fibras
para o pensamento como as pernas têm fibras para o movimento”; ou “o
cérebro segrega o pensamento como o fígado segrega a biles”. Para o
materialista não existe Deus, nem diabo, nem anjos, nem céu, nem inferno,
nem imortalidade, mas apenas matéria e força. Ele é um ateu, porém,
materialista.
Mas as Escrituras e a experiência humana testificam de algo além da
matéria que integra a realidade. A matéria não é a única realidade, nem
mesmo a mais significativa no conjunto das coisas. A própria atitude do
homem, inclusive a dos materialistas, em face de valores imateriais da vida,
denuncia a falácia do argumento materialista.
3. Panteísmo.
No panteísmo não há um Deus pessoal nem revelação especial. Deus é
tudo, tudo é Deus. Deus é a inteligência impessoal e a vida que penetra
todo o universo. Portanto, o panteísta nega a existência de um ser divino
distinto da natureza; Deus é a natureza. Mas a Bíblia faz clara distinção
entre Deus e a criação, sendo esta
oriunda e dependente do Criador. O panteísmo é, pois, uma forma de
ateísmo.
4. Agnosticismo.
O agnosticismo afirma que o homem não pode conhecer a realidade das
coisas. Não nega que haja uma realidade divina, mas nega que dela
possamos saber alguma coisa. Portanto, o agnóstico não pode afirmar que
Deus existe nem que não existe. Mas isto é um argumento falho. Nós
aprendemos com a Escritura que o homem foi feito à imagem e semelhança
de Deus, e isto implica em o ser humano ser capaz de conhecer as
manifestações do Criador e ter comunhão com ele (Rm 1.19-21).
Todos esses argumentos contrários à existência de um Deus pessoal, que
se revelou e que se deixa conhecer pelo homem, podem ser superados
pelo conhecimento certo que nos vem da revelação especial e da própria
experiência, conhecimento esse elaborado e explicitado na teologia.