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Aula 12

Legislação Penal Extravagante p/ Polícia Civil - DF (Delegado)

Professor: Paulo Guimarães

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Legislação Penal Extravagante para PCDF (Delegado)
Teoria e exercícios comentados
Prof. Paulo Guimarães – Aula 12
AULA 12: Crimes Hediondos (Lei nº 8.072/1990);
Crimes Contra a Ordem Econômica (Lei nº
8.176/1991). Crimes de responsabilidade
(Decreto-Lei nº 201/1967, Lei nº 1.079/1950 e
Lei nº 8.176/1991).

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autorais (copyright), nos termos da Lei 9.610/98, que altera,
atualiza e consolida a legislação sobre direitos autorais e dá
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SUMÁRIO PÁGINA
1. Lei nº 8.072/1990 e alterações (Crimes hediondos) 2
2. Lei nº 8.176/1991 (Crimes Contra a Ordem
8
Econômica)
3. Crimes de responsabilidade (Decreto-Lei nº
10
201/1967, Lei nº 1.079/1950 e Lei nº 8.176/1991).
4. Resumo do Concurseiro 32
5. Questões comentadas 42
6. Questões sem comentários 53

Olá, caro amigo! Na aula de hoje estudaremos a Lei dos


Crimes Hediondos e os Crimes contra a Ordem Econômica. São assuntos
importantes para a sua prova, ok?
Além disso, falaremos sobre os crimes de responsabilidade,
que não são um tema tão comum em concursos, mas eventualmente
pode aparecer, não é mesmo?

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Pense logo nos últimos antes da prova, e em como você fará
uma boa revisão para certificar-se de que o conteúdo estudado nas
primeiras aulas não seja perdido.
Bons estudos!

1. LEI Nº 8.072/1990 E ALTERAÇÕES (CRIMES HEDIONDOS)

Um crime é qualificado como hediondo porque é considerado


muito grave, repugnante, aviltante. O legislador entendeu que esses
crimes merecem uma maior reprovação por parte do Estado.
Os crimes hediondos estão no topo da pirâmide da
desvaloração axiológica criminal. São os crimes que causam mais aversão
à sociedade.
A Constituição da República menciona os crimes hediondos no
art. 5º, XLIII.

XLIII - a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de


graça ou anistia a prática da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes
e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes hediondos,
por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo
evitá-los, se omitirem;
A prática de tortura, o tráfico de drogas e o terrorismo são
mencionados especificamente pela Constituição. Esses são considerados
crimes equiparados a hediondos. Axiologicamente, não há nenhuma
diferença entre eles, mas Lei nº 8.072/1990, bem como a própria
Constituição, mencionam esses crimes separadamente, de forma que não
fazem parte do conjunto dos crimes hediondos, apesar de terem muitas
vezes o mesmo tratamento.
Os crimes hediondos e os crimes equiparados a hediondos são
inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia. A Lei dos Crimes

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Hediondos menciona ainda, em seu art, 2º, a impossibilidade de
concessão de indulto:

Art. 2º Os crimes hediondos, a prática da tortura, o tráfico ilícito


de entorpecentes e drogas afins e o terrorismo são insuscetíveis de:
I - anistia, graça e indulto;
II - fiança.
A graça, o indulto e a anistia são formas de extinção da
punibilidade.
Anistia é o ato do Poder Legislativo por meio do qual se
extinguem as consequências de um fato que em tese seria punível e,
como resultado, qualquer processo sobre ele. É uma medida
ordinariamente adotada para pacificação dos espíritos após motins ou
revoluções.
A graça, diferentemente, é concedida a pessoa determinada,
enquanto o indulto tem caráter coletivo. Ambos, porém, somente podem
ser concedidos por ato do Presidente da República, sendo possível a
delegação dessa competência a Ministro de Estado, ao Advogado-Geral da
União ou ao Procurador-Geral da República.
A redação original do inciso II do art. 2º vedava também a
concessão de liberdade provisória nos casos de crimes hediondos e
equiparados. Você pode notar, entretanto, que a Constituição não fez
qualquer menção à restrição da liberdade do acusado por tais crimes.
Pelo contrário, o teor do art. 5º, LXVI, é no sentido de que
“ninguém deve ser levado à prisão ou nela mantido, quando a lei admitir
a liberdade provisória, com ou sem fiança”. Foi por essa razão que o
dispositivo foi alterado em 2007, e hoje os crimes hediondos e
equiparados são inafiançáveis, mas o acusado apenas pode ter sua
liberdade restringida cautelarmente quando houver decisão judicial
fundamentada, e apenas nos casos previstos em lei (art. 312 do CPP).

Mas quais são os crimes hediondos?

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Art. 1o São considerados hediondos os seguintes crimes, todos
tipificados no Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código
Penal, consumados ou tentados:
I - homicídio (art. 121), quando praticado em atividade típica de
grupo de extermínio, ainda que cometido por um só agente, e homicídio
qualificado (art. 121, § 2o, I, II, III, IV e V);
II - latrocínio (art. 157, § 3o, in fine);
III - extorsão qualificada pela morte (art. 158, § 2o);
IV - extorsão mediante sequestro e na forma qualificada (art. 159,
caput, e §§ lo, 2o e 3o);
V - estupro (art. 213, caput e §§ 1o e 2o);
VI - estupro de vulnerável (art. 217-A, caput e §§ 1o, 2o, 3o e 4o);
VII - epidemia com resultado morte (art. 267, § 1o).
VII-A – (VETADO)
VII-B - falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produto
destinado a fins terapêuticos ou medicinais (art. 273, caput e § 1o, §
1o-A e § 1o-B, com a redação dada pela Lei no 9.677, de 2 de julho de
1998).
VIII - favorecimento da prostituição ou de outra forma de
exploração sexual de criança ou adolescente ou de vulnerável (art.
218-B, caput, e §§ 1º e 2º).
Parágrafo único. Considera-se também hediondo o crime de
genocídio previsto nos arts. 1o, 2o e 3o da Lei no 2.889, de 1o de outubro
de 1956, tentado ou consumado.
Antes da alteração sofrida pelos incisos V e VI em 2009, havia
uma grande discussão doutrinária acerca da inclusão ou não do estupro (e
atentado violento ao pudor) em suas formas qualificadas no rol dos
crimes hediondos, pois os dispositivos mencionados apenas tratavam do
caput dos artigos correspondentes do Código Penal. Hoje você pode notar
que os dispositivos tratam do caput e dos parágrafos do art. 213.

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CRIMES HEDIONDOS CRIMES EQUIPARADOS A
HEDIONDOS

Homicídio por grupo de extermínio, e


homicídio qualificado
Tortura
Latrocínio
Extorsão qualificada pela morte
Extorsão mediante sequestro e na
forma qualificada
Tráfico de Drogas
Estupro simples e de vulnerável
Epidemia com resultado morte
Falsificação, corrupção,
adulteração ou alteração de
produto destinado a fins
terapêuticos ou medicinais
Genocídio Terrorismo
Favorecimento da prostituição ou de
outra forma de exploração sexual de
criança ou adolescente ou de
vulnerável.

Já houve muita controvérsia na Doutrina acerca da


possibilidade de progressão de regime do condenado por crime
hediondo. Com as alterações legislativas que sofreram os parágrafos do
art. 2º, a discussão foi sepultada de uma vez por todas.

§ 1o A pena por crime previsto neste artigo será cumprida inicialmente em


regime fechado.

§ 2o A progressão de regime, no caso dos condenados aos crimes


previstos neste artigo, dar-se-á após o cumprimento de 2/5 (dois
quintos) da pena, se o apenado for primário, e de 3/5 (três quintos),
se reincidente.

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É interessante também saber que o juiz deve decidir
fundamentadamente se o réu poderá apelar em liberdade, caso haja
condenação.
A redação anterior do §1º era de que a pena seria cumprida
integralmente em regime fechado.
O §1º foi recentemente declarado inconstitucional pelo STF,
em sede de controle difuso, no julgamento do HC 111840. Abaixo
transcrevo trecho da ementa do julgado.

Ordem concedida tão somente para remover o óbice constante do §


1º do art. 2º da Lei nº 8.072/90, com a redação dada pela Lei nº
11.464/07, o qual determina que “[a] pena por crime previsto neste
artigo será cumprida inicialmente em regime fechado“. Declaração
incidental de inconstitucionalidade, com efeito ex nunc, da
obrigatoriedade de fixação do regime fechado para início do cumprimento
de pena decorrente da condenação por crime hediondo ou equiparado.
Recomendo que você tome bastante cuidado ao responder
uma eventual questão de prova sobre esse tema, pois a banca pode ainda
não ter incorporado a nova Jurisprudência. Cuidado também com
expressões que façam menção diretamente à lei. Essas são as tais
“questões blindadas”.

É possível a progressão de regime do condenado por crime


hediondo, sendo possível quando se der o cumprimento de 2/5 da pena
(apenado primário), ou de 3/5 (reincidente).
A Lei dos Crimes Hediondos determina que a pena deve ser
cumprida inicialmente em regime fechado. Todavia, o STF já declarou
este dispositivo constitucional em sede de controle difuso.

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Art. 8º Será de três a seis anos de reclusão a pena prevista no art.


288 do Código Penal, quando se tratar de crimes hediondos, prática da
tortura, tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins ou terrorismo.
O art. 288 do Código Penal diz respeito ao crime de
quadrilha ou bando. Quando a quadrilha ou bando tiver por objeto a
prática de crimes hediondos ou equiparados a hediondos, haverá
aumento de pena: a pena cominada pelo CP é de reclusão de 1 a 3 anos,
enquanto, neste caso, será de reclusão de 3 a 6 anos.

Parágrafo único. O participante e o associado que denunciar à


autoridade o bando ou quadrilha, possibilitando seu desmantelamento,
terá a pena reduzida de um a dois terços.
O parágrafo único traz mais uma hipótese de delação
premiada, aqui chamada de traição benéfica. É importante que você
compreenda que, quanto a crimes hediondos, a delação premiada
somente se aplica quando houver quadrilha ou bando, formada
especificamente para o fim de cometer crimes hediondos ou equiparados.
Caso um participante da quadrilha ou bando denuncie o grupo
às autoridades, levando ao seu desmantelamento, sua pena será reduzida
de 1 a 2 terços.
Um aspecto encarado pela Doutrina é o que diz respeito à
prova do desmantelamento da quadrilha ou bando. Obviamente é muito
difícil fazer essa comprovação, e nada impede que, mesmo que todos os
componentes sejam presos, eles voltem a reunir-se no futuro para a
prática dos mesmos crimes. O Poder Judiciário deve, portanto, encarar
com parcimônia o dispositivo legal.

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DELAÇÃO PREMIADA NOS CRIMES HEDIONDOS
TRAIÇÃO BENÉFICA
- Apenas quando houver quadrilha ou bando formado especificamente
para a prática de crimes hediondos ou equiparados a hediondos;
- O participante ou associado da quadrilha ou bando precisa denunciá-la
às autoridades, possibilitando seu desmantelamento;
- A pena será reduzida de um a dois terços.

2. LEI Nº 8.176/1991 (CRIMES CONTRA A ORDEM ECONÔMICA)

Esta lei é pequena e tem o conteúdo bem simples. Não


consegui encontrar nenhuma questão do Cespe que abordasse seus
dispositivos. Obviamente esse dado deve ajudar você a alocar seu tempo
de estudo, mas recomendo que você não deixe de estudar nenhum dos
assuntos, especialmente tratando de Direito Penal e Processual Penal, que
são o carro-chefe do seu concurso.
Na realidade, o objeto principal da Lei nº 8.176/1991 não é a
tipificação de crimes, mas sim o estabelecimento de normas acerca do
manejo, estocagem e utilização de combustíveis.
Em meio a esse tema, os arts. 1º e 2º tipificam condutas
relacionadas, mas apenas os crimes previstos no art. 1º são tratados
como crimes contra a ordem econômica. Considerando que o conteúdo
programático do seu concurso menciona apenas esses crimes,
estudaremos apenas um artigo neste item da nossa aula.
As condutas tipificadas como crimes contra a ordem
econômica pela lei em estudo são as seguintes:

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Art. 1° Constitui crime contra a ordem econômica:
I - adquirir, distribuir e revender derivados de petróleo, gás
natural e suas frações recuperáveis, álcool etílico, hidratado carburante
e demais combustíveis líquidos carburantes, em desacordo com as
normas estabelecidas na forma da lei;
II - usar gás liquefeito de petróleo em motores de qualquer
espécie, saunas, caldeiras e aquecimento de piscinas, ou para fins
automotivos, em desacordo com as normas estabelecidas na forma da lei.
Pena: detenção de um a cinco anos.
Essas condutas são muito comuns. A venda de “gasolina
batizada”, por exemplo, se amolda ao inciso I, bem como a venda
irregular de gás de cozinha, tão comum em cidades pequenas e
subúrbios.
A entidade responsável por regulamentar a extração,
produção e venda desses produtos é a Agência Nacional do Petróleo, Gás
Natural e Biocombustíveis (ANP), que expede portarias a respeito dos
requisitos que devem ser observados, especialmente quanto à segurança.
O inciso II criminaliza a conduta de quem utiliza gás de
cozinha como combustível em finalidades inadequadas. O GLP, nome
técnico do gás de cozinha, não pode ser utilizado para alimentar motores,
saunas, caldeiras, e nem aquecer piscinas, e, principalmente, alimentar
motores de automóveis.
Um dos mais importantes temas relacionados a esses crimes e
que já foram encarados pela Jurisprudência é a questão da
competência. Inicialmente, o Ministério Público Federal entendeu que
haveria interesse da União, mais especificamente da ANP, e, portanto, a
competência para julgar o crime seria da Justiça Federal.
Nas palavras do Ministro Marco Aurélio, “na situação concreta
não se cogita uma prática contrária a um serviço, mas trata-se de um
inquérito quanto à adulteração do combustível. Não se pode, pelo fato de
se falsificar um produto que tem de certa forma balizamento para a venda
fixado por uma autarquia, concluir-se sempre pela Justiça Federal”.

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A competência para julgar tais crimes, portanto, foi atribuída
à Justiça Comum estadual.

Segundo a jurisprudência, a competência para julgar os


crimes previstos no art. 1º da Lei nº 8.176/1991 é da Justiça Comum
estadual.

3. CRIMES DE RESPONSABILIDADE (DECRETO-LEI Nº


201/1967, LEI Nº 1.079/1950)

Atenção! De longe, este não é um dos assuntos mais


importantes para sua prova. Preparei a aula de forma que você estará
pronto para responder uma eventual questão com tranquilidade, mas este
tema, apesar de ser bastante interessante, é definitivamente secundário
para o seu concurso.

3.1. Definição e aspectos gerais

A Constituição Federal de 1988, além de tratar dos princípios


aplicáveis ao Direito Penal e Processual Penal, das garantias individuais
nos procedimentos investigativos e das atribuições da autoridade policial,
do Ministério Público e do Poder Judiciário, também menciona diretamente
algumas modalidades de crimes, a exemplo do tráfico de drogas, da
tortura, do racismo, dos crimes hediondos, etc.
Os crimes de responsabilidade também são mencionados
diretamente pela Constituição, que estatui, em seu art. 85:

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Art. 85. São crimes de responsabilidade os atos do Presidente da
República que atentem contra a Constituição Federal e, especialmente,
contra:
I - a existência da União;
II - o livre exercício do Poder Legislativo, do Poder Judiciário, do
Ministério Público e dos Poderes constitucionais das unidades da
Federação;
III - o exercício dos direitos políticos, individuais e sociais;
IV - a segurança interna do País;
V - a probidade na administração;
VI - a lei orçamentária;
VII - o cumprimento das leis e das decisões judiciais.
Parágrafo único. Esses crimes serão definidos em lei especial, que
estabelecerá as normas de processo e julgamento.
Na realidade, os crimes de responsabilidade não se amoldam
à definição de crime que nós estudamos no Direito Penal. Apesar do
nome, esses delitos são infrações político-administrativas, e tanto
seu processamento quanto as penas cominadas são de natureza
eminentemente política.

Os crimes de responsabilidade, apesar do nome, não são


crimes. Sua natureza é de infração político-administrativa.

Veja bem, isso não quer dizer que uma conduta considerada
crime de responsabilidade (infração político-administrativa) não pode ser
também tipificada como crime na legislação penal. A Lei nº 1.079/1950,
que faz as vezes da lei especial mencionada pela Constituição,
determina expressamente que não há bis in idem quando houver o

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processamento e julgamento do infrator por crime comum praticado por
meio da mesma conduta tida por crime de responsabilidade.

Art. 3º A imposição da pena referida no artigo anterior não exclui o


processo e julgamento do acusado por crime comum, na justiça
ordinária, nos termos das leis de processo penal.

O rol trazido pelo art. 85 da Constituição é apenas


exemplificativo, cabendo à lei especial definir os crimes de
responsabilidade. O STF já confirmou a competência da União para editar
a referida lei.

Súmula 722 do STF


São da competência legislativa da união a definição dos crimes de
responsabilidade e o estabelecimento das respectivas normas de processo
e julgamento

A Doutrina menciona ainda uma definição ampla de crime


de responsabilidade, que incluiria os crimes próprios de funcionário
público, para os quais, em geral, é cominada pena privativa de
liberdade. Nós não estudaremos esses crimes hoje. O objeto na nossa
aula será composto pelos crimes de responsabilidade em sentido estrito,
ou seja, as infrações político-administrativas.
A Lei nº 1.079/1950 não foi completamente recepcionada pela
Constituição de 1988. Começaremos agora a estudar os dispositivos
dessa lei.
3.2. Sujeito ativo

Art. 2º Os crimes definidos nesta lei, ainda quando simplesmente


tentados, são passíveis da pena de perda do cargo, com inabilitação,
até cinco anos, para o exercício de qualquer função pública, imposta

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pelo Senado Federal nos processos contra o Presidente da República
ou Ministros de Estado, contra os Ministros do Supremo Tribunal
Federal ou contra o Procurador Geral da República.
Primeiramente veremos quem são as pessoas que podem
cometer os crimes tratados por esta lei. O art. 2º traz um primeiro rol, ao
qual devem ser adicionados os Governadores e Secretários de Estado, nos
termos do art. 74.
O rol se amplia ainda mais quando consideramos o art. 52 da
Constituição.

Art. 52. Compete privativamente ao Senado Federal:


I - processar e julgar o Presidente e o Vice-Presidente da
República nos crimes de responsabilidade, bem como os Ministros de
Estado e os Comandantes da Marinha, do Exército e da
Aeronáutica nos crimes da mesma natureza conexos com aqueles;
II - processar e julgar os Ministros do Supremo Tribunal
Federal, os membros do Conselho Nacional de Justiça e do
Conselho Nacional do Ministério Público, o Procurador-Geral da
República e o Advogado-Geral da União nos crimes de
responsabilidade;

Você deve estar se perguntando se não é possível a


ocorrência de crime de responsabilidade nos Municípios, não é mesmo?
Os crimes de responsabilidade também podem ser cometidos pelos
Prefeitos e Vereadores, e o assunto é tratado pelo Decreto-Lei nº
201/1967, que também estudaremos na aula de hoje. Há ainda a Lei nº
7.106/1983, que define os crimes de responsabilidade dos
Governadores do Distrito Federal e dos Territórios, bem como dos
seus respectivos Secretários.
Por último, e deixando o rol ainda um pouco mais extenso, a
Lei nº 1.079/1950 também abre a possibilidade de algumas pessoas
cometerem crimes de responsabilidade contra a lei orçamentária,

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previstos no art. 10. Esta possibilidade apenas foi criada em 2000, por
meio da Lei nº 10.028/2000, que também ampliou a lista de crimes de
responsabilidade contra a lei orçamentária.

Os crimes de responsabilidade são próprios, somente sendo


possível a infração por parte dos ocupantes dos seguintes cargos:
Presidente da República;
Vice-Presidente da República;
Ministros de Estado;
Ministros do Supremo Tribunal Federal;
Membros do Conselho Nacional de Justiça;
Membros do Conselho Nacional do Ministério Público;
Procurador Geral da República;
Advogado-Geral da União;
Governadores dos Estados, DF e Territórios;
Secretários dos Estados, DF e Territórios;
Comandantes das Forças Armadas (nos crimes conexos com o Presidente
e o Vice-Presidente);
Prefeitos;
Vereadores.
Os Procuradores-Gerais do Trabalho, Eleitoral e Militar, os Procuradores-
Gerais de Justiça dos Estados e do Distrito Federal, os Procuradores-
Gerais dos Estados e do Distrito Federal, e os membros do Ministério
Público da União e dos Estados, da Advocacia-Geral da União, das
Procuradorias dos Estados e do Distrito Federal, quando no exercício de
função de chefia das unidades regionais ou locais das respectivas
instituições  apenas cometem crimes de responsabilidade contra

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a lei orçamentária;
Presidentes, e respectivos substitutos quando no exercício da
Presidência, dos Tribunais Superiores, dos Tribunais de Contas, dos
Tribunais Regionais Federais, do Trabalho e Eleitorais, dos Tribunais de
Justiça e de Alçada dos Estados e do Distrito Federal, e aos Juízes
Diretores de Foro ou função equivalente no primeiro grau de jurisdição 
apenas cometem crimes de responsabilidade contra a lei
orçamentária.

3.3. Sanções

A Lei nº 1.079/1950 traz como sanção a perda do cargo,


com inabilitação para o exercício de qualquer função pública por
até 5 anos. Este dispositivo, entretanto, deve ser interpretado à luz da
Constituição de 1988, que traz o seguinte no parágrafo único do art. 52:
Parágrafo único. Nos casos previstos nos incisos I e II, funcionará
como Presidente o do Supremo Tribunal Federal, limitando-se a
condenação, que somente será proferida por dois terços dos votos do
Senado Federal, à perda do cargo, com inabilitação, por oito anos,
para o exercício de função pública, sem prejuízo das demais sanções
judiciais cabíveis.
Podemos concluir, portanto, que o art. 2º da Lei nº
1.079/1950 não foi inteiramente recepcionado pela Constituição Federal.
Observe também que a Constituição determinou o período de inabilitação,
não dando qualquer margem ao julgador para aplicar a penalidade por
prazo inferior a 8 anos.
Preste atenção às questões que são formuladas cobrando a
literalidade da lei. Caso a assertiva utilize expressões como “de acordo
com a Lei nº 1.079/1950” ou “nos termos da lei...” a resposta deve ser
dada de acordo com a literalidade do dispositivo legal.
O Decreto-Lei nº 201/1967 trata, sob a rubrica de “crimes de
responsabilidade”, também de infrações penais. Isso significa que neste

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caso não estamos diante apenas de infrações político-administrativas,
mas também de crimes apenados com privação de liberdade, tanto na
modalidade reclusão quanto na modalidade detenção.

3.4. Dos crimes de responsabilidade em espécie

Os crimes previstos na Lei nº 1.079/1950 inicialmente se


referem apenas ao Presidente da República, e são categorizados tanto por
ela quanto pela Constituição de forma temática.
A lista é bastante extensa, mas as questões já formuladas
sobre o assunto são simples e não cobram nada além da literalidade da
lei.

CRIMES DE RESPONSABILIDADE – PRESIDENTE DA REPÚBLICA


CRIMES CONTRA A 1 - entreter, direta ou indiretamente, inteligência com
EXISTÊNCIA DA governo estrangeiro, provocando-o a fazer guerra ou cometer
UNIÃO hostilidade contra a República, prometer-lhe assistência ou
favor, ou dar-lhe qualquer auxílio nos preparativos ou planos
de guerra contra a República;
2 - tentar, diretamente e por fatos, submeter a União ou
algum dos Estados ou Territórios a domínio estrangeiro, ou
dela separar qualquer Estado ou porção do território nacional;
3 - cometer ato de hostilidade contra nação estrangeira,
expondo a República ao perigo da guerra, ou
comprometendo-lhe a neutralidade;
4 - revelar negócios políticos ou militares, que devam ser
mantidos secretos a bem da defesa da segurança externa ou
dos interesses da Nação;
5 - auxiliar, por qualquer modo, nação inimiga a fazer a
guerra ou a cometer hostilidade contra a República;
6 - celebrar tratados, convenções ou ajustes que
comprometam a dignidade da Nação;
7 - violar a imunidade dos embaixadores ou ministros
estrangeiros acreditados no país;
8 - declarar a guerra, salvo os casos de invasão ou agressão

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estrangeira, ou fazer a paz, sem autorização do Congresso
Nacional.
9 - não empregar contra o inimigo os meios de defesa de que
poderia dispor;
10 - permitir o Presidente da República, durante as sessões
legislativas e sem autorização do Congresso Nacional, que
forças estrangeiras transitem pelo território do país, ou, por
motivo de guerra, nele permaneçam temporariamente;
11 - violar tratados legitimamente feitos com nações
estrangeiras.
CRIMES CONTRA O 1 - tentar dissolver o Congresso Nacional, impedir a reunião
LIVRE EXERCÍCIO ou tentar impedir por qualquer modo o funcionamento de
DOS PODERES qualquer de suas Câmaras;
CONSTITUCIONAIS 2 - usar de violência ou ameaça contra algum representante
da Nação para afastá-lo da Câmara a que pertença ou para
coagi-lo no modo de exercer o seu mandato bem como
conseguir ou tentar conseguir o mesmo objetivo mediante
suborno ou outras formas de corrupção;
3 - violar as imunidades asseguradas aos membros do
Congresso Nacional, das Assembleias Legislativas dos
Estados, da Câmara dos Vereadores do Distrito Federal e das
Câmaras Municipais;
4 - permitir que força estrangeira transite pelo território do
país ou nele permaneça quando a isso se oponha o Congresso
Nacional;
5 - opor-se diretamente e por fatos ao livre exercício do
Poder Judiciário, ou obstar, por meios violentos, ao efeito dos
seus atos, mandados ou sentenças;
6 - usar de violência ou ameaça, para constranger juiz, ou
jurado, a proferir ou deixar de proferir despacho, sentença ou
voto, ou a fazer ou deixar de fazer ato do seu ofício;
7 - praticar contra os poderes estaduais ou municipais ato
definido como crime neste artigo;
8 - intervir em negócios peculiares aos Estados ou aos
Municípios com desobediência às normas constitucionais.
CRIMES CONTRA O 1- impedir por violência, ameaça ou corrupção, o livre
EXERCÍCIO DOS exercício do voto;
DIREITOS 2 - obstar ao livre exercício das funções dos mesários

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POLÍTICOS, eleitorais;
INDIVIDUAIS E 3 - violar o escrutínio de seção eleitoral ou inquinar de
SOCIAIS nulidade o seu resultado pela subtração, desvio ou
inutilização do respectivo material;
4 - utilizar o poder federal para impedir a livre execução da
lei eleitoral;
5 - servir-se das autoridades sob sua subordinação imediata
para praticar abuso do poder, ou tolerar que essas
autoridades o pratiquem sem repressão sua;
6 - subverter ou tentar subverter por meios violentos a
ordem política e social;
7 - incitar militares à desobediência à lei ou infração à
disciplina;
8 - provocar animosidade entre as classes armadas ou contra
elas, ou delas contra as instituições civis;
9 - violar patentemente qualquer direito ou garantia
individual constante do art. 141 e bem assim os direitos
sociais assegurados no artigo 157 da Constituição;
10 - tomar ou autorizar durante o estado de sítio, medidas de
repressão que excedam os limites estabelecidos na
Constituição.
CRIMES CONTRA A 1 - tentar mudar por violência a forma de governo da
SEGURANÇA República;
INTERNA DO PAÍS 2 - tentar mudar por violência a Constituição Federal ou de
algum dos Estados, ou lei da União, de Estado ou Município;
3 - decretar o estado de sítio, estando reunido o Congresso
Nacional, ou no recesso deste, não havendo comoção interna
grave nem fatos que evidenciem estar a mesma a irromper
ou não ocorrendo guerra externa;
4 - praticar ou concorrer para que se perpetre qualquer dos
crimes contra a segurança interna, definidos na legislação
penal;
5 - não dar as providências de sua competência para impedir
ou frustrar a execução desses crimes;
6 - ausentar-se do país sem autorização do Congresso
Nacional;
7 - permitir, de forma expressa ou tácita, a infração de lei
federal de ordem pública;

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8 - deixar de tomar, nos prazos fixados, as providências
determinadas por lei ou tratado federal e necessário a sua
execução e cumprimento.
CRIMES CONTRA A 1 - omitir ou retardar dolosamente a publicação das leis e
PROBIDADE NA resoluções do Poder Legislativo ou dos atos do Poder
ADMINISTRAÇÃO Executivo;
2 - não prestar ao Congresso Nacional dentro de sessenta
dias após a abertura da sessão legislativa, as contas relativas
ao exercício anterior;
3 - não tornar efetiva a responsabilidade dos seus
subordinados, quando manifesta em delitos funcionais ou na
prática de atos contrários à Constituição;
4 - expedir ordens ou fazer requisição de forma contrária às
disposições expressas da Constituição;
5 - infringir no provimento dos cargos públicos, as normas
legais;
6 - Usar de violência ou ameaça contra funcionário público
para coagi-lo a proceder ilegalmente, bem como utilizar-se de
suborno ou de qualquer outra forma de corrupção para o
mesmo fim;
7 - proceder de modo incompatível com a dignidade, a honra
e o decoro do cargo.

CRIMES CONTRA A 1- Não apresentar ao Congresso Nacional a proposta do


LEI ORÇAMENTÁRIA orçamento da República dentro dos primeiros dois meses de
cada sessão legislativa;
2 - Exceder ou transportar, sem autorização legal, as verbas
do orçamento;
3 - Realizar o estorno de verbas;
4 - Infringir, patentemente, e de qualquer modo, dispositivo
da lei orçamentária.
5 - deixar de ordenar a redução do montante da dívida
consolidada, nos prazos estabelecidos em lei, quando o
montante ultrapassar o valor resultante da aplicação do limite
máximo fixado pelo Senado Federal;
6 - ordenar ou autorizar a abertura de crédito em desacordo
com os limites estabelecidos pelo Senado Federal, sem
fundamento na lei orçamentária ou na de crédito adicional ou

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com inobservância de prescrição legal;
7 - deixar de promover ou de ordenar na forma da lei, o
cancelamento, a amortização ou a constituição de reserva
para anular os efeitos de operação de crédito realizada com
inobservância de limite, condição ou montante estabelecido
em lei;
8 - deixar de promover ou de ordenar a liquidação integral de
operação de crédito por antecipação de receita orçamentária,
inclusive os respectivos juros e demais encargos, até o
encerramento do exercício financeiro;
9 - ordenar ou autorizar, em desacordo com a lei, a
realização de operação de crédito com qualquer um dos
demais entes da Federação, inclusive suas entidades da
administração indireta, ainda que na forma de novação,
refinanciamento ou postergação de dívida contraída
anteriormente;
10 - captar recursos a título de antecipação de receita de
tributo ou contribuição cujo fato gerador ainda não tenha
ocorrido;
11 - ordenar ou autorizar a destinação de recursos
provenientes da emissão de títulos para finalidade diversa da
prevista na lei que a autorizou;
12 - realizar ou receber transferência voluntária em
desacordo com limite ou condição estabelecida em lei.
CRIMES CONTRA A 1 - ordenar despesas não autorizadas por lei ou sem
GUARDA E LEGAL observância das prescrições legais relativas às mesmas;
EMPREGO DOS 2 - Abrir crédito sem fundamento em lei ou sem as
DINHEIROS formalidades legais;
PÚBLICOS: 3 - Contrair empréstimo, emitir moeda corrente ou apólices,
ou efetuar operação de crédito sem autorização legal;
4 - alienar imóveis nacionais ou empenhar rendas públicas
sem autorização legal;
5 - negligenciar a arrecadação das rendas impostos e taxas,
bem como a conservação do patrimônio nacional.
CRIMES CONTRA O 1 - impedir, por qualquer meio, o efeito dos atos, mandados
CUMPRIMENTO DAS ou decisões do Poder Judiciário;
DECISÕES 2 - Recusar o cumprimento das decisões do Poder Judiciário
JUDICIÁRIAS; no que depender do exercício das funções do Poder

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Executivo;
3 - deixar de atender a requisição de intervenção federal do
Supremo Tribunal Federal ou do Tribunal Superior Eleitoral;
4 - Impedir ou frustrar pagamento determinado por sentença
judiciária.

A seguir, temos os crimes de responsabilidade próprios dos


Ministros de Estado. Perceba que o primeiro item menciona de forma
genérica os atos definidos pela própria Lei nº 1.079/1950, ou seja, os
crimes previstos para o Presidente da República, quando praticados ou
ordenados por Ministros de Estado, também serão considerados crimes
de responsabilidade, de autoria destes.

CRIMES DE RESPONSABILIDADE – MINISTROS DE ESTADO


1 - os atos definidos nesta lei, quando por eles praticados ou ordenados;
2 - os atos previstos nesta lei que os Ministros assinarem com o Presidente da
República ou por ordem deste praticarem;
3 - A falta de comparecimento sem justificação, perante a Câmara dos Deputados ou o
Senado Federal, ou qualquer das suas comissões, quando uma ou outra casa do
Congresso os convocar para pessoalmente, prestarem informações acerca de assunto
previamente determinado;
4 - Não prestarem dentro em trinta dias e sem motivo justo, a qualquer das Câmaras
do Congresso Nacional, as informações que ela lhes solicitar por escrito, ou prestarem-
nas com falsidade.

Há dispositivos específicos tratando também dos crimes


cometidos pelos Ministros do STF e pelo Procurador Geral da
República. Os itens 3 e 4 do quadro a seguir estão repetidos também no
texto legal.

CRIMES DE RESPONSABILIDADE – MINISTROS DO STF


1- alterar, por qualquer forma, exceto por via de recurso, a decisão ou voto já proferido
em sessão do Tribunal;
2 - proferir julgamento, quando, por lei, seja suspeito na causa;

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3 - ser patentemente desidioso no cumprimento dos deveres do cargo:
4 - ser patentemente desidioso no cumprimento dos deveres do cargo;
5 - proceder de modo incompatível com a honra dignidade e decoro de suas funções.

Art. 39-A. Constituem, também, crimes de responsabilidade do Presidente do


Supremo Tribunal Federal ou de seu substituto quando no exercício da Presidência, as
condutas previstas no art. 10* desta Lei, quando por eles ordenadas ou praticadas.
Parágrafo único. O disposto neste artigo aplica-se aos Presidentes, e respectivos
substitutos quando no exercício da Presidência, dos Tribunais Superiores, dos Tribunais
de Contas, dos Tribunais Regionais Federais, do Trabalho e Eleitorais, dos Tribunais de
Justiça e de Alçada dos Estados e do Distrito Federal, e aos Juízes Diretores de Foro ou
função equivalente no primeiro grau de jurisdição.

*As condutas previstas no art. 10 são os crimes de responsabilidade contra a lei


orçamentária.

CRIMES DE RESPONSABILIDADE – PROCURADOR GERAL DA


REPÚBLICA
1 - emitir parecer, quando, por lei, seja suspeito na causa;
2 - recusar-se a prática de ato que lhe incumba;
3 - ser patentemente desidioso no cumprimento de suas atribuições;
4 - proceder de modo incompatível com a dignidade e o decoro do cargo.

Art. 40-A. Constituem, também, crimes de responsabilidade do Procurador-Geral


da República, ou de seu substituto quando no exercício da chefia do Ministério Público
da União, as condutas previstas no art. 10* desta Lei, quando por eles ordenadas ou
praticadas.
Parágrafo único. O disposto neste artigo aplica-se:
I – ao Advogado-Geral da União;
II – aos Procuradores-Gerais do Trabalho, Eleitoral e Militar, aos Procuradores-
Gerais de Justiça dos Estados e do Distrito Federal, aos Procuradores-Gerais dos
Estados e do Distrito Federal, e aos membros do Ministério Público da União e dos
Estados, da Advocacia-Geral da União, das Procuradorias dos Estados e do Distrito
Federal, quando no exercício de função de chefia das unidades regionais ou locais das
respectivas instituições.

*As condutas previstas no art. 10 são os crimes de responsabilidade contra a lei

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orçamentária.

Não há tipificação específica para os crimes de


responsabilidade cometidos pelos Governadores e seus Secretários. O
art. 74 da lei em estudo determina que os atos por ela previstos
constituirão crimes de responsabilidade também quando praticados por
essas pessoas.
Quanto aos crimes praticados por Prefeitos e Vereadores, o
assunto nunca foi cobrado em concursos federais, e pessoalmente
acredito que cobrar detalhes sobre isso não faria muito sentido.
Recomendo que você leia, apenas por desencargo de consciência, o art.
1º do Decreto-Lei nº 201/1967 (que trata das infrações penais praticadas
pelo Prefeito e julgados pelo Poder Judiciário), o art. 4º (que trata das
infrações político-administrativas) e o art. 7º (que trata das infrações
político-administrativas cometidas por vereadores).

Art. 1º São crimes de responsabilidade dos Prefeitos Municipais,


sujeitos ao julgamento do Poder Judiciário, independentemente do
pronunciamento da Câmara dos Vereadores:
I - apropriar-se de bens ou rendas públicas, ou desviá-los em
proveito próprio ou alheio;
II - utilizar-se, indevidamente, em proveito próprio ou alheio, de
bens, rendas ou serviços públicos;
III - desviar, ou aplicar indevidamente, rendas ou verbas públicas;
IV - empregar subvenções, auxílios, empréstimos ou recursos de
qualquer natureza, em desacordo com os planos ou programas a que se
destinam;
V - ordenar ou efetuar despesas não autorizadas por lei, ou realizá-
las em desacordo com as normas financeiras pertinentes;
VI - deixar de prestar contas anuais da administração financeira do
Município a Câmara de Vereadores, ou ao órgão que a Constituição do
Estado indicar, nos prazos e condições estabelecidos;

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VII - Deixar de prestar contas, no devido tempo, ao órgão
competente, da aplicação de recursos, empréstimos subvenções ou
auxílios internos ou externos, recebidos a qualquer titulo;
VIII - Contrair empréstimo, emitir apólices, ou obrigar o Município
por títulos de crédito, sem autorização da Câmara, ou em desacordo com
a lei;
IX - Conceder empréstimo, auxílios ou subvenções sem autorização
da Câmara, ou em desacordo com a lei;
X - Alienar ou onerar bens imóveis, ou rendas municipais, sem
autorização da Câmara, ou em desacordo com a lei;
XI - Adquirir bens, ou realizar serviços e obras, sem concorrência ou
coleta de preços, nos casos exigidos em lei;
XII - Antecipar ou inverter a ordem de pagamento a credores do
Município, sem vantagem para o erário;
XIII - Nomear, admitir ou designar servidor, contra expressa
disposição de lei;
XIV - Negar execução a lei federal, estadual ou municipal, ou deixar
de cumprir ordem judicial, sem dar o motivo da recusa ou da
impossibilidade, por escrito, à autoridade competente;
XV - Deixar de fornecer certidões de atos ou contratos municipais,
dentro do prazo estabelecido em lei.
XVI – deixar de ordenar a redução do montante da dívida
consolidada, nos prazos estabelecidos em lei, quando o montante
ultrapassar o valor resultante da aplicação do limite máximo fixado pelo
Senado Federal; (Incluído pela Lei 10.028, de 2000)
XVII – ordenar ou autorizar a abertura de crédito em desacordo com
os limites estabelecidos pelo Senado Federal, sem fundamento na lei
orçamentária ou na de crédito adicional ou com inobservância de
prescrição legal; (Incluído pela Lei 10.028, de 2000)
XVIII – deixar de promover ou de ordenar, na forma da lei, o
cancelamento, a amortização ou a constituição de reserva para anular os
efeitos de operação de crédito realizada com inobservância de limite,

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condição ou montante estabelecido em lei; (Incluído pela Lei 10.028, de
2000)
XIX – deixar de promover ou de ordenar a liquidação integral de
operação de crédito por antecipação de receita orçamentária, inclusive os
respectivos juros e demais encargos, até o encerramento do exercício
financeiro; (Incluído pela Lei 10.028, de 2000)
XX – ordenar ou autorizar, em desacordo com a lei, a realização de
operação de crédito com qualquer um dos demais entes da Federação,
inclusive suas entidades da administração indireta, ainda que na forma de
novação, refinanciamento ou postergação de dívida contraída
anteriormente; (Incluído pela Lei 10.028, de 2000)
XXI – captar recursos a título de antecipação de receita de tributo ou
contribuição cujo fato gerador ainda não tenha ocorrido; (Incluído pela Lei
10.028, de 2000)
XXII – ordenar ou autorizar a destinação de recursos provenientes
da emissão de títulos para finalidade diversa da prevista na lei que a
autorizou; (Incluído pela Lei 10.028, de 2000)
XXIII – realizar ou receber transferência voluntária em desacordo
com limite ou condição estabelecida em lei. (Incluído pela Lei 10.028, de
2000)

Art. 4º São infrações político-administrativas dos Prefeitos


Municipais sujeitas ao julgamento pela Câmara dos Vereadores e
sancionadas com a cassação do mandato:
I - Impedir o funcionamento regular da Câmara;
II - Impedir o exame de livros, folhas de pagamento e demais
documentos que devam constar dos arquivos da Prefeitura, bem como a
verificação de obras e serviços municipais, por comissão de investigação
da Câmara ou auditoria, regularmente instituída;
III - Desatender, sem motivo justo, as convocações ou os pedidos de
informações da Câmara, quando feitos a tempo e em forma regular;

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IV - Retardar a publicação ou deixar de publicar as leis e atos
sujeitos a essa formalidade;
V - Deixar de apresentar à Câmara, no devido tempo, e em forma
regular, a proposta orçamentária;
VI - Descumprir o orçamento aprovado para o exercício financeiro,
VII - Praticar, contra expressa disposição de lei, ato de sua
competência ou emitir-se na sua prática;
VIII - Omitir-se ou negligenciar na defesa de bens, rendas, direitos
ou interesses do Município sujeito à administração da Prefeitura;
IX - Ausentar-se do Município, por tempo superior ao permitido em
lei, ou afastar-se da Prefeitura, sem autorização da Câmara dos
Vereadores;
X - Proceder de modo incompatível com a dignidade e o decoro do
cargo.

Art. 7º A Câmara poderá cassar o mandato de Vereador, quando:


I - Utilizar-se do mandato para a prática de atos de corrupção ou de
improbidade administrativa;
II - Fixar residência fora do Município;
III - Proceder de modo incompatível com a dignidade, da Câmara ou
faltar com o decoro na sua conduta pública.

3.5. Rito para acusação e julgamento do Presidente, Vice-


Presidente e Ministros de Estado

As normas para este julgamento são determinadas pela Lei nº


1.079/1950, com aplicação subsidiária dos regimentos das casas do
Congresso Nacional e do Código de Processo Penal.
Qualquer cidadão pode denunciar o Presidente da
República ou Ministro de Estado perante a Câmara dos Deputados em

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razão de crime de responsabilidade. A denúncia somente pode ser
recebida se o denunciado ainda não tiver deixado o cargo.

Art. 16. A denúncia assinada pelo denunciante e com a firma


reconhecida, deve ser acompanhada dos documentos que a
comprovem, ou da declaração de impossibilidade de apresentá-los, com
a indicação do local onde possam ser encontrados, nos crimes de que
haja prova testemunhal, a denúncia deverá conter o rol das
testemunhas, em número de cinco no mínimo.
É interessante perceber que a lei estabelece um número
mínimo de 5 testemunhas. Essas testemunhas devem comparecer
obrigatoriamente, sendo possível que a Mesa da Câmara dos Deputados
ou do Senado Federal tome as providências para sua condução coercitiva.
A seguir, os trabalhos serão conduzidos por uma comissão
especial eleita que deve contar com representantes de todos os
partidos, observada a proporcionalidade.
A comissão se reunirá no prazo de 48h e emitirá parecer no
prazo de 10 dias a respeito do recebimento ou não da denúncia, sendo
possível a determinação de diligências.

Art. 22. Encerrada a discussão do parecer, e submetido o mesmo a


votação nominal, será a denúncia, com os documentos que a instruam,
arquivada, se não for considerada objeto de deliberação. No caso
contrário, será remetida por cópia autêntica ao denunciado, que terá o
prazo de vinte dias para contestá-la e indicar os meios de prova com que
pretenda demonstrar a verdade do alegado.
Para que seja admitida a acusação contra o Presidente da
República, é necessário o voto favorável de dois terços da Câmara
dos Deputados.
Se a acusação tratar de crime comum, a denúncia será
encaminhada para o Supremo Tribunal Federal. Se tratar de crime de
responsabilidade, o responsável pelo julgamento é o Senado Federal.

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A partir do momento em que a denúncia for apresentada no
Senado, o Presidente da comissão especial enviará cópia do feito ao
acusado, que será notificado para comparecer em dia determinado.
Caso o acusado não apresente defesa, o Presidente marcará
novo dia para o julgamento e nomeará advogado para fazer a defesa.
A sessão de julgamento será presidida pelo Presidente
do Supremo Tribunal Federal que, abrindo a sessão, mandará ler o
processo preparatório, a peça acusatória, e as peças da defesa. Em
seguida serão inquiridas as testemunhas, que deverão depor
publicamente e separadas umas das outras.
A formulação de perguntas às testemunhas poderá ser
requerida pelos membros da comissão acusadora ou do Senado, ou ainda
pelo acusado ou seu advogado.

Art. 31. Encerrada a discussão o Presidente do Supremo Tribunal


Federal fará relatório resumido da denúncia e das provas da acusação e
da defesa e submeterá a votação nominal dos senadores o
julgamento.
[...]
Art. 33. No caso de condenação, o Senado por iniciativa do
presidente fixará o prazo de inabilitação do condenado para o exercício
de qualquer função pública; e no caso de haver crime comum deliberará
ainda sobre se o Presidente o deverá submeter à justiça ordinária,
independentemente da ação de qualquer interessado.
Art. 34. Proferida a sentença condenatória, o acusado estará, ipso
facto destituído do cargo.
Somente poderá haver condenação pelo voto de dois terços
do Senado Federal.
Como já mencionado, o prazo de inabilitação estabelecido
pela Constituição Federal é de oito anos, e não de “até cinco anos”,
como é a redação original da Lei nº 1.079/1950.

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Art. 36. Não pode interferir, em nenhuma fase do processo de
responsabilidade do Presidente da República ou dos Ministros de Estado, o
deputado ou senador;
a) que tiver parentesco consanguíneo ou afim, com o acusado, em
linha reta; em linha colateral, os irmãos cunhados, enquanto durar o
cunhado, e os primos coirmãos;
b) que, como testemunha do processo tiver deposto de ciência
própria.
Estes são os casos de impedimento no julgamento dos
crimes de responsabilidade. A proibição se aplica tanto a deputados
quanto a senadores, que não poderão de forma alguma participar do
processo.

3.6. Rito de acusação e julgamento para Governadores


e Secretários dos estados

É permitido a qualquer cidadão fazer denúncia perante a


Assembleia Legislativa acerca de crimes de responsabilidade cometidos
por Governador ou Secretário. Assim como no rito que já estudamos,
não será recebida denúncia contra aquele que já tiver deixado o cargo.
Trataremos das diferenças entre o rito aplicável ao Presidente,
Vice-Presidente e Ministros de Estado. Inicialmente cabe mencionar que o
quórum para recebimento da denúncia por parte da Assembleia
Legislativa é de maioria absoluta. Neste caso o acusado será
imediatamente afastado das suas funções.

Art. 78. O Governador será julgado nos crimes de responsabilidade,


pela forma que determinar a Constituição do Estado e não poderá

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ser condenado, senão à perda do cargo, com inabilitação até cinco anos,
para o exercício de qualquer função pública, sem prejuízo da ação da
justiça comum.
Caberá à Constituição de cada Estado determinar os detalhes
acerca do procedimento de julgamento. Os únicos parâmetros que a Lei
nº 1.079/1950 estabelece são os seguintes:
- O órgão julgador será presidido pelo Presidente do
Tribunal de Justiça;
- A condenação só pode ser decretada pelo voto de dois
terços dos membros do órgão julgador;
Caso a Constituição do Estado não trate do assunto, será
aplicado o disposto na lei que estamos estudando, devendo o órgão
julgador ser composto por cinco membros do Poder Legislativo
(escolhidos mediante voto) e cinco Desembargadores (escolhidos por
sorteio), devendo o Presidente do Tribunal de Justiça votar apenas em
caso de empate.

3.7. Rito de acusação e julgamento para Prefeitos –


Decreto-Lei nº 201/1967

Mais uma vez a denúncia do Prefeito em razão de crime de


responsabilidade pode ser feita à Câmara Municipal por qualquer
cidadão. O Decreto-Lei utiliza a expressão “eleitor”. Se o denunciante for
vereador, estará impedido de votar acerca do recebimento da denúncia,
ou de compor a comissão processante.
A denúncia será recebida mediante voto favorável da maioria
simples dos componentes da Câmara. Na mesma sessão será formada a
comissão processante, com três vereadores sorteados.
O Presidente da comissão notificará o acusado para que
ofereça defesa no prazo de 10 dias, indique as provas que pretende
produzir e arrole testemunhas num número máximo de 10. Decorrido o

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prazo da defesa, a comissão processante emitirá parecer opinando pelo
arquivamento ou prosseguimento da denúncia.
Caso a comissão opine pelo prosseguimento, o Presidente
designará a instrução e determinará os atos, diligências e audiências
necessárias.

Art. 5º, V – concluída a instrução, será aberta vista do processo ao


denunciado, para razões escritas, no prazo de 5 (cinco) dias, e, após, a
Comissão processante emitirá parecer final, pela procedência ou
improcedência da acusação, e solicitará ao Presidente da Câmara a
convocação de sessão para julgamento. Na sessão de julgamento, serão
lidas as peças requeridas por qualquer dos Vereadores e pelos
denunciados, e, a seguir, os que desejarem poderão manifestar-se
verbalmente, pelo tempo máximo de 15 (quinze) minutos cada um, e, ao
final, o denunciado, ou seu procurador, terá o prazo máximo de 2 (duas)
horas para produzir sua defesa oral;
Este dispositivo teve sua redação alterada em 2009. A
redação anterior determinava que seria lido todo o processo na sessão de
julgamento. Hoje apenas será lido o que for requerido pelos vereadores
ou pelo acusado.
A possibilidade de surgir uma questão sobre esse assunto na
sua prova é remota, mas chamo sua atenção para essa alteração pontual,
pois as bancas gostam muito de alterações recentes na legislação.
O acusado poderá ser condenado pelo voto de dois terços
dos membros da Câmara. O mandato do Prefeito será cassado por
meio de decreto legislativo.

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4. RESUMO DO CONCURSEIRO

CRIMES HEDIONDOS CRIMES EQUIPARADOS A


HEDIONDOS

Homicídio por grupo de extermínio, e


homicídio qualificado
Tortura
Latrocínio
Extorsão qualificada pela morte
Extorsão mediante sequestro e na
forma qualificada
Tráfico de Drogas
Estupro simples e de vulnerável
Epidemia com resultado morte
Falsificação, corrupção,
adulteração ou alteração de
produto destinado a fins
terapêuticos ou medicinais
Genocídio Terrorismo
Favorecimento da prostituição ou de
outra forma de exploração sexual de
criança ou adolescente ou de
vulnerável.

É possível a progressão de regime do condenado por crime


hediondo, sendo possível quando se der o cumprimento de 2/5 da pena
(apenado primário), ou de 3/5 (reincidente).
A Lei dos Crimes Hediondos determina que a pena deve ser
cumprida inicialmente em regime fechado. Todavia, o STF já declarou
este dispositivo constitucional em sede de controle difuso.

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DELAÇÃO PREMIADA NOS CRIMES HEDIONDOS
TRAIÇÃO BENÉFICA
- Apenas quando houver quadrilha ou bando formado especificamente
para a prática de crimes hediondos ou equiparados a hediondos;
- O participante ou associado da quadrilha ou bando precisa denunciá-la
às autoridades, possibilitando seu desmantelamento;
- A pena será reduzida de um a dois terços.

Segundo a jurisprudência, a competência para julgar os


crimes previstos no art. 1º da Lei nº 8.176/1991 é da Justiça Comum
estadual.

Os crimes de responsabilidade, apesar do nome, não são


crimes. Sua natureza é de infração político-administrativa.

Súmula 722 do STF


São da competência legislativa da união a definição dos crimes de
responsabilidade e o estabelecimento das respectivas normas de processo
e julgamento

Os crimes de responsabilidade são próprios, somente sendo


possível a infração por parte dos ocupantes dos seguintes cargos:
Presidente da República;
Vice-Presidente da República;
Ministros de Estado;
Ministros do Supremo Tribunal Federal;
Membros do Conselho Nacional de Justiça;
Membros do Conselho Nacional do Ministério Público;
Procurador Geral da República;
Advogado-Geral da União;
Governadores dos Estados, DF e Territórios;
Secretários dos Estados, DF e Territórios;

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Comandantes das Forças Armadas (nos crimes conexos com o Presidente
e o Vice-Presidente);
Prefeitos;
Vereadores.
Os Procuradores-Gerais do Trabalho, Eleitoral e Militar, os Procuradores-
Gerais de Justiça dos Estados e do Distrito Federal, os Procuradores-
Gerais dos Estados e do Distrito Federal, e os membros do Ministério
Público da União e dos Estados, da Advocacia-Geral da União, das
Procuradorias dos Estados e do Distrito Federal, quando no exercício de
função de chefia das unidades regionais ou locais das respectivas
instituições  apenas cometem crimes de responsabilidade contra
a lei orçamentária;
Presidentes, e respectivos substitutos quando no exercício da
Presidência, dos Tribunais Superiores, dos Tribunais de Contas, dos
Tribunais Regionais Federais, do Trabalho e Eleitorais, dos Tribunais de
Justiça e de Alçada dos Estados e do Distrito Federal, e aos Juízes
Diretores de Foro ou função equivalente no primeiro grau de jurisdição 
apenas cometem crimes de responsabilidade contra a lei
orçamentária.

CRIMES DE RESPONSABILIDADE – PRESIDENTE DA REPÚBLICA


CRIMES CONTRA A 1 - entreter, direta ou indiretamente, inteligência com
EXISTÊNCIA DA governo estrangeiro, provocando-o a fazer guerra ou cometer
UNIÃO hostilidade contra a República, prometer-lhe assistência ou
favor, ou dar-lhe qualquer auxílio nos preparativos ou planos
de guerra contra a República;
2 - tentar, diretamente e por fatos, submeter a União ou
algum dos Estados ou Territórios a domínio estrangeiro, ou
dela separar qualquer Estado ou porção do território nacional;
3 - cometer ato de hostilidade contra nação estrangeira,
expondo a República ao perigo da guerra, ou
comprometendo-lhe a neutralidade;
4 - revelar negócios políticos ou militares, que devam ser

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mantidos secretos a bem da defesa da segurança externa ou
dos interesses da Nação;
5 - auxiliar, por qualquer modo, nação inimiga a fazer a
guerra ou a cometer hostilidade contra a República;
6 - celebrar tratados, convenções ou ajustes que
comprometam a dignidade da Nação;
7 - violar a imunidade dos embaixadores ou ministros
estrangeiros acreditados no país;
8 - declarar a guerra, salvo os casos de invasão ou agressão
estrangeira, ou fazer a paz, sem autorização do Congresso
Nacional.
9 - não empregar contra o inimigo os meios de defesa de que
poderia dispor;
10 - permitir o Presidente da República, durante as sessões
legislativas e sem autorização do Congresso Nacional, que
forças estrangeiras transitem pelo território do país, ou, por
motivo de guerra, nele permaneçam temporariamente;
11 - violar tratados legitimamente feitos com nações
estrangeiras.
CRIMES CONTRA O 1 - tentar dissolver o Congresso Nacional, impedir a reunião
LIVRE EXERCÍCIO ou tentar impedir por qualquer modo o funcionamento de
DOS PODERES qualquer de suas Câmaras;
CONSTITUCIONAIS 2 - usar de violência ou ameaça contra algum representante
da Nação para afastá-lo da Câmara a que pertença ou para
coagi-lo no modo de exercer o seu mandato bem como
conseguir ou tentar conseguir o mesmo objetivo mediante
suborno ou outras formas de corrupção;
3 - violar as imunidades asseguradas aos membros do
Congresso Nacional, das Assembleias Legislativas dos
Estados, da Câmara dos Vereadores do Distrito Federal e das
Câmaras Municipais;
4 - permitir que força estrangeira transite pelo território do
país ou nele permaneça quando a isso se oponha o Congresso
Nacional;
5 - opor-se diretamente e por fatos ao livre exercício do
Poder Judiciário, ou obstar, por meios violentos, ao efeito dos
seus atos, mandados ou sentenças;
6 - usar de violência ou ameaça, para constranger juiz, ou

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jurado, a proferir ou deixar de proferir despacho, sentença ou
voto, ou a fazer ou deixar de fazer ato do seu ofício;
7 - praticar contra os poderes estaduais ou municipais ato
definido como crime neste artigo;
8 - intervir em negócios peculiares aos Estados ou aos
Municípios com desobediência às normas constitucionais.

CRIMES CONTRA O 1- impedir por violência, ameaça ou corrupção, o livre


EXERCÍCIO DOS exercício do voto;
DIREITOS 2 - obstar ao livre exercício das funções dos mesários
POLÍTICOS, eleitorais;
INDIVIDUAIS E 3 - violar o escrutínio de seção eleitoral ou inquinar de
SOCIAIS nulidade o seu resultado pela subtração, desvio ou
inutilização do respectivo material;
4 - utilizar o poder federal para impedir a livre execução da
lei eleitoral;
5 - servir-se das autoridades sob sua subordinação imediata
para praticar abuso do poder, ou tolerar que essas
autoridades o pratiquem sem repressão sua;
6 - subverter ou tentar subverter por meios violentos a
ordem política e social;
7 - incitar militares à desobediência à lei ou infração à
disciplina;
8 - provocar animosidade entre as classes armadas ou contra
elas, ou delas contra as instituições civis;
9 - violar patentemente qualquer direito ou garantia
individual constante do art. 141 e bem assim os direitos
sociais assegurados no artigo 157 da Constituição;
10 - tomar ou autorizar durante o estado de sítio, medidas de
repressão que excedam os limites estabelecidos na
Constituição.
CRIMES CONTRA A 1 - tentar mudar por violência a forma de governo da
SEGURANÇA República;
INTERNA DO PAÍS 2 - tentar mudar por violência a Constituição Federal ou de
algum dos Estados, ou lei da União, de Estado ou Município;
3 - decretar o estado de sítio, estando reunido o Congresso
Nacional, ou no recesso deste, não havendo comoção interna
grave nem fatos que evidenciem estar a mesma a irromper

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ou não ocorrendo guerra externa;
4 - praticar ou concorrer para que se perpetre qualquer dos
crimes contra a segurança interna, definidos na legislação
penal;
5 - não dar as providências de sua competência para impedir
ou frustrar a execução desses crimes;
6 - ausentar-se do país sem autorização do Congresso
Nacional;
7 - permitir, de forma expressa ou tácita, a infração de lei
federal de ordem pública;
8 - deixar de tomar, nos prazos fixados, as providências
determinadas por lei ou tratado federal e necessário a sua
execução e cumprimento.
CRIMES CONTRA A 1 - omitir ou retardar dolosamente a publicação das leis e
PROBIDADE NA resoluções do Poder Legislativo ou dos atos do Poder
ADMINISTRAÇÃO Executivo;
2 - não prestar ao Congresso Nacional dentro de sessenta
dias após a abertura da sessão legislativa, as contas relativas
ao exercício anterior;
3 - não tornar efetiva a responsabilidade dos seus
subordinados, quando manifesta em delitos funcionais ou na
prática de atos contrários à Constituição;
4 - expedir ordens ou fazer requisição de forma contrária às
disposições expressas da Constituição;
5 - infringir no provimento dos cargos públicos, as normas
legais;
6 - Usar de violência ou ameaça contra funcionário público
para coagi-lo a proceder ilegalmente, bem como utilizar-se de
suborno ou de qualquer outra forma de corrupção para o
mesmo fim;
7 - proceder de modo incompatível com a dignidade, a honra
e o decoro do cargo.

CRIMES CONTRA A 1- Não apresentar ao Congresso Nacional a proposta do


LEI ORÇAMENTÁRIA orçamento da República dentro dos primeiros dois meses de
cada sessão legislativa;
2 - Exceder ou transportar, sem autorização legal, as verbas
do orçamento;

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3 - Realizar o estorno de verbas;
4 - Infringir, patentemente, e de qualquer modo, dispositivo
da lei orçamentária.
5 - deixar de ordenar a redução do montante da dívida
consolidada, nos prazos estabelecidos em lei, quando o
montante ultrapassar o valor resultante da aplicação do limite
máximo fixado pelo Senado Federal;
6 - ordenar ou autorizar a abertura de crédito em desacordo
com os limites estabelecidos pelo Senado Federal, sem
fundamento na lei orçamentária ou na de crédito adicional ou
com inobservância de prescrição legal;
7 - deixar de promover ou de ordenar na forma da lei, o
cancelamento, a amortização ou a constituição de reserva
para anular os efeitos de operação de crédito realizada com
inobservância de limite, condição ou montante estabelecido
em lei;
8 - deixar de promover ou de ordenar a liquidação integral de
operação de crédito por antecipação de receita orçamentária,
inclusive os respectivos juros e demais encargos, até o
encerramento do exercício financeiro;
9 - ordenar ou autorizar, em desacordo com a lei, a
realização de operação de crédito com qualquer um dos
demais entes da Federação, inclusive suas entidades da
administração indireta, ainda que na forma de novação,
refinanciamento ou postergação de dívida contraída
anteriormente;
10 - captar recursos a título de antecipação de receita de
tributo ou contribuição cujo fato gerador ainda não tenha
ocorrido;
11 - ordenar ou autorizar a destinação de recursos
provenientes da emissão de títulos para finalidade diversa da
prevista na lei que a autorizou;
12 - realizar ou receber transferência voluntária em
desacordo com limite ou condição estabelecida em lei.
CRIMES CONTRA A 1 - ordenar despesas não autorizadas por lei ou sem
GUARDA E LEGAL observância das prescrições legais relativas às mesmas;
EMPREGO DOS 2 - Abrir crédito sem fundamento em lei ou sem as
DINHEIROS formalidades legais;

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PÚBLICOS: 3 - Contrair empréstimo, emitir moeda corrente ou apólices,
ou efetuar operação de crédito sem autorização legal;
4 - alienar imóveis nacionais ou empenhar rendas públicas
sem autorização legal;
5 - negligenciar a arrecadação das rendas impostos e taxas,
bem como a conservação do patrimônio nacional.

CRIMES CONTRA O 1 - impedir, por qualquer meio, o efeito dos atos, mandados
CUMPRIMENTO DAS ou decisões do Poder Judiciário;
DECISÕES 2 - Recusar o cumprimento das decisões do Poder Judiciário
JUDICIÁRIAS; no que depender do exercício das funções do Poder
Executivo;
3 - deixar de atender a requisição de intervenção federal do
Supremo Tribunal Federal ou do Tribunal Superior Eleitoral;
4 - Impedir ou frustrar pagamento determinado por sentença
judiciária.

CRIMES DE RESPONSABILIDADE – MINISTROS DE ESTADO


1 - os atos definidos nesta lei, quando por eles praticados ou ordenados;
2 - os atos previstos nesta lei que os Ministros assinarem com o Presidente da
República ou por ordem deste praticarem;
3 - A falta de comparecimento sem justificação, perante a Câmara dos Deputados ou o
Senado Federal, ou qualquer das suas comissões, quando uma ou outra casa do
Congresso os convocar para pessoalmente, prestarem informações acerca de assunto
previamente determinado;
4 - Não prestarem dentro em trinta dias e sem motivo justo, a qualquer das Câmaras
do Congresso Nacional, as informações que ela lhes solicitar por escrito, ou prestarem-
nas com falsidade.

CRIMES DE RESPONSABILIDADE – MINISTROS DO STF


1- alterar, por qualquer forma, exceto por via de recurso, a decisão ou voto já
proferido em sessão do Tribunal;
2 - proferir julgamento, quando, por lei, seja suspeito na causa;
3 - ser patentemente desidioso no cumprimento dos deveres do cargo:
4 - ser patentemente desidioso no cumprimento dos deveres do cargo;
5 - proceder de modo incompatível com a honra dignidade e decoro de suas

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funções.

Art. 39-A. Constituem, também, crimes de responsabilidade do Presidente do


Supremo Tribunal Federal ou de seu substituto quando no exercício da Presidência,
as condutas previstas no art. 10* desta Lei, quando por eles ordenadas ou
praticadas.
Parágrafo único. O disposto neste artigo aplica-se aos Presidentes, e
respectivos substitutos quando no exercício da Presidência, dos Tribunais
Superiores, dos Tribunais de Contas, dos Tribunais Regionais Federais, do Trabalho
e Eleitorais, dos Tribunais de Justiça e de Alçada dos Estados e do Distrito Federal,
e aos Juízes Diretores de Foro ou função equivalente no primeiro grau de jurisdição.

*As condutas previstas no art. 10 são os crimes de responsabilidade contra a lei


orçamentária.

CRIMES DE RESPONSABILIDADE – PROCURADOR GERAL DA


REPÚBLICA
1 - emitir parecer, quando, por lei, seja suspeito na causa;
2 - recusar-se a prática de ato que lhe incumba;
3 - ser patentemente desidioso no cumprimento de suas atribuições;
4 - proceder de modo incompatível com a dignidade e o decoro do cargo.

Art. 40-A. Constituem, também, crimes de responsabilidade do Procurador-


Geral da República, ou de seu substituto quando no exercício da chefia do Ministério
Público da União, as condutas previstas no art. 10* desta Lei, quando por eles
ordenadas ou praticadas.
Parágrafo único. O disposto neste artigo aplica-se:
I – ao Advogado-Geral da União;
II – aos Procuradores-Gerais do Trabalho, Eleitoral e Militar, aos
Procuradores-Gerais de Justiça dos Estados e do Distrito Federal, aos Procuradores-
Gerais dos Estados e do Distrito Federal, e aos membros do Ministério Público da
União e dos Estados, da Advocacia-Geral da União, das Procuradorias dos Estados e
do Distrito Federal, quando no exercício de função de chefia das unidades regionais
ou locais das respectivas instituições.

*As condutas previstas no art. 10 são os crimes de responsabilidade contra a lei


orçamentária.

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A seguir estão as questões de concursos anteriores, como de


costume. Se ficar alguma dúvida, utilize nosso fórum. Estou à disposição
também no e-mail.

Grande abraço!

Paulo Guimarães
pauloguimaraes@estrategiaconcursos.com.br
www.facebook.com/pauloguimaraesfilho

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4. QUESTÕES COMENTADAS

1. PC-SP – Investigador de Polícia – 2014 – VUNESP. A Lei de


Crimes Hediondos (Lei n.º 8.072/90) dispõe que será de três a seis anos
de reclusão a pena prevista no art. 288 do Código Penal (Associação
Criminosa), quando se tratar de crimes hediondos, prática da tortura,
tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins ou terrorismo. Nessa
hipótese, o participante e o associado que denunciar à autoridade o bando
ou quadrilha, possibilitando seu desmantelamento,

a) deverá cumprir a pena em estabelecimento distinto dos demais


participantes.
b) deixará de responder pelo referido crime.
c) terá a pena reduzida de um a dois terços.
d) terá a pena anistiada pelo Presidente da República.
e) terá sua pena convertida para prestação de serviços à comunidade.

COMENTÁRIOS: A questão dos cobra o conteúdo do parágrafo único do


art. 8o da Lei dos Crimes Hediondos. Vamos relembrar?

Parágrafo único. O participante e o associado que denunciar à


autoridade o bando ou quadrilha, possibilitando seu desmantelamento,
terá a pena reduzida de um a dois terços.

GABARITO: C

2. DPE-MS – Defensor Público – 2012 – VUNESP. São crimes


hediondos:

a) epidemia com resultado morte – concussão – extorsão qualificada pela


morte – estupro de vulnerável.

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b) homicídio qualificado – estupro de vulnerável – extorsão qualificada
pela morte – falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produto
destinado a fins terapêuticos ou medicinais.
c) latrocínio – tráfico de pessoa – homicídio qualificado – falsificação,
corrupção, adulteração ou alteração de produto destinado a fins
terapêuticos ou medicinais.
d) extorsão qualificada pela morte – estupro de vulnerável – lenocínio –
tráfico de pessoa.

COMENTÁRIOS: A única que alternativa que apresenta crimes


apresentados na nossa tabela é a letra B.

GABARITO: B

3. TJ-SP – Titular de Serviços de Notas e de Registros – 2011 –


VUNESP. Assinale a alternativa correta.
São considerados crimes hediondos

a) o perigo de contágio de moléstia grave, extorsão.


b) o latrocínio, extorsão mediante sequestro, estupro.
c) o sequestro e cárcere privado.
d) o homicídio, o aborto e o infanticídio.

COMENTÁRIOS: Mais uma questão simples sobre os crimes que são


considerados hediondos. Já deu pra perceber que tem que ter atenção,
não é?

GABARITO: B

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4. PC-BA – Delegado de Polícia – 2013 – Cespe. O indivíduo
penalmente imputável condenado à pena privativa de liberdade de vinte e
três anos de reclusão pela prática do crime de extorsão seguido de morte
poderá ser beneficiado, no decorrer da execução da pena, pela
progressão de regime após o cumprimento de dois quintos da pena, se for
réu primário, ou de três quintos, se reincidente.

COMENTÁRIOS: O crime de extorsão qualificado pela morte consta na


lista dos crimes hediondos. É importante que você tenha bem claro na sua
mente que é possível a progressão de regime do condenado por crime
hediondo. O cumprimento da pena se dará incialmente em regime
fechado, mas a progressão pode ocorrer quando se der o cumprimento de
2/5 da pena (apenado primário), ou de 3/5 (reincidente).

GABARITO: C

5. MPU – Técnico – 2010 – Cespe. Os crimes hediondos, embora


inafiançáveis e insuscetíveis de graça e indulto, podem ser anistiados.

COMENTÁRIOS: Esta questão pode ser respondida com base


exclusivamente na Constituição, que determina que os crimes hediondos,
assim como os equiparados (prática de tortura, tráfico ilícito de
entorpecentes e drogas afins, e terrorismo) são inafiançáveis e
insuscetíveis de graça ou anistia.

GABARITO: E

6. MPU – Técnico – 2010 – Cespe. Constitui crime hediondo a


adulteração de produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais.

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COMENTÁRIOS: É importante que você memorize bem a lista dos crimes
hediondos, ok? A falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de
produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais consta na lista.

GABARITO: C

7. CNJ – Analista Judiciário – 2013 – Cespe. Recentemente, ocorreu


a inclusão do crime de corrupção ativa no rol dos delitos hediondos, fato
que, entre outros efeitos, tornou esse crime inafiançável e determinou
que o início do cumprimento da pena ocorra em regime fechado.

COMENTÁRIOS: Atualmente tramita na Câmara um projeto de lei nesse


sentido, mas hoje a corrupção não consta na lista da Lei dos Crimes
Hediondos.

GABARITO: E

8. TJ-AC – Técnico Judiciário – 2012 – Cespe. Considere que


Francisco, não reincidente, seja condenado, pela prática de crime
hediondo, a pena privativa de liberdade de seis anos de reclusão. Nessa
situação, Francisco deverá iniciar o cumprimento da sanção penal em
regime semiaberto, porquanto a pena cominada é superior a quatro anos
e não excede a oito.

COMENTÁRIOS: Já dá para termos uma ideia de quais são os assuntos


que o Cespe mais cobra nas provas, não é mesmo? O cumprimento da
pena por crime hediondo, nos termos da lei, começa necessariamente no
regime fechado, mas é possível a progressão. Lembre-se, porém, que
esse dispositivo já foi declarado inconstitucional de forma incidental pelo
STF, apesar de a questão ser anterior ao julgamento.

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GABARITO: E

9. TJ-ES – Analista Judiciário – 2011 – Cespe. Considere a seguinte


situação hipotética.
Maura praticou crime de extorsão, mediante sequestro, em 27/3/2008, e,
denunciada, regularmente processada e condenada, iniciou o
cumprimento de sua pena em regime fechado. Nessa situação hipotética,
após o cumprimento de um sexto da pena em regime fechado, Maura terá
direito à progressão de regime, de fechado para semiaberto.

COMENTÁRIOS: Em 2007 a redação da Lei de Crimes Hediondos foi


alterada, e agora faz menção à possibilidade de progressão de regime
quando cumpridos 2/5 da pena (condenado primário) ou 3/5 da pena
(reincidente). Esta lei é especial em relação ao Código de Processo Penal,
que estabelece a regra de progressão com 1/6 da pena cumprida.

GABARITO: E

10. DPE-PI – Defensor Público – 2009 – Cespe (adaptada). A nova


figura típica denominada estupro de vulnerável não foi incluída no rol de
delitos hediondos, fato que tem gerado várias críticas por parte da
doutrina mais autorizada.

COMENTÁRIOS: A Lei nº 12.015/2009 incluiu no rol dos crimes


hediondos a figura do estupro de vulnerável, ao tempo em que sepultou a
discussão sobre a inclusão ou não do estupro simples na lista de crimes
hediondos. Hoje qualquer estupro é considerado crime hediondo.

GABARITO: E

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11. TJDFT – Analista Judiciário – 2008 – Cespe. O crime de homicídio
é considerado hediondo quando praticado em atividade típica de grupo de
extermínio, ainda que cometido por um só agente, e quando for
qualificado.

COMENTÁRIOS: Para não haver perigo de você não lembrar da lista dos
crimes hediondos, vou repeti-la aqui, ok?

CRIMES HEDIONDOS CRIMES EQUIPARADOS A


HEDIONDOS

Homicídio por grupo de extermínio, e


homicídio qualificado
Tortura
Latrocínio
Extorsão qualificada pela morte
Extorsão mediante sequestro e na
forma qualificada
Tráfico de Drogas
Estupro simples e de vulnerável
Epidemia com resultado morte
Falsificação, corrupção,
adulteração ou alteração de
produto destinado a fins
terapêuticos ou medicinais
Genocídio Terrorismo
Favorecimento da prostituição ou de
outra forma de exploração sexual de
criança ou adolescente ou de
vulnerável.

GABARITO: C

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12. AGU – Advogado da União – 2012 – Cespe (adaptada).
Consoante a jurisprudência, compete, em regra, à justiça estadual
processar e julgar os casos que envolvam crimes previstos na Lei n.º
8.176/1991, quando relacionados à adulteração de combustível.

COMENTÁRIOS: Lembre-se de a jurisprudência é no sentido de que a


competência é da Justiça Comum Estadual.

GABARITO: C

13. PGE-RJ – Técnico Superior de Análise Contábil – 2009 – FCC.


Os crimes de responsabilidade previstos na Lei nº 1.079/50 sujeitam os
respectivos autores à perda do cargo, com inabilitação para o exercício de
qualquer função pública até

a) quatro anos.
b) dois anos.
c) cinco anos.
d) um ano.
e) três anos.

COMENTÁRIOS: Esta questão gerou polêmica por causa da não recepção


do art. 2º da Lei nº 1.079/1950 pela Constituição de 1988. Apesar de
terem chovido recursos, a banca não anulou a questão. Imagino que isso
tenha ocorrido porque a lei é mencionada especificamente no enunciado,
apesar de a questão não ter sido “blindada” com expressões do tipo “de
acordo com a lei...”.

GABARITO: C

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14. TCM-RJ – Auditor – 2008 – FGV. Assinale a alternativa que não
constitui um crime de responsabilidade.

a) utilizar o poder federal para impedir a livre execução da lei eleitoral.


b) tentar, diretamente e por fatos, submeter a União ou algum dos
Estados ou Territórios a domínio estrangeiro.
c) infringir as normas legais no provimento dos cargos públicos.
d) realizar operação financeira sem observância das normas legais e
regulamentares ou aceitar garantia insuficiente ou inidônea.
e) revelar negócios políticos ou militares que devam ser mantidos
secretos a bem da defesa da segurança externa ou dos interesses da
Nação.

COMENTÁRIOS: A realização de operação financeira ilegal ou irregular é


conduta prevista pelo art. 10 da Lei nº 8.429/1992 (Lei de Improbidade
Administrativa), e não crime de responsabilidade. As demais condutas são
tratadas pela Lei nº 1.079/1950.

GABARITO: D

15. TCM-RJ – Auditor – 2008 – FGV (adaptada). É crime de


responsabilidade contra o livre exercício dos direitos políticos, individuais
e sociais utilizar o poder federal para impedir a livre execução da lei
eleitoral.

COMENTÁRIOS: Esta conduta está prevista no item 4 do art. 7º da Lei


nº 1.079/1950.

GABARITO: C

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16. TCM-RJ – Auditor – 2008 – FGV (adaptada). É crime de
responsabilidade contra a probidade na administração infringir as normas
legais no provimento dos cargos públicos.

COMENTÁRIOS: Esta conduta está prevista no art. 9º, item 5, da Lei nº


1.079/1950.

GABARITO: C

17. PGE-RR – Procurador do Estado – 2006 – FCC. Constitui crime de


responsabilidade dos prefeitos, sujeito ao julgamento do Poder Judiciário,
independentemente do pronunciamento da Câmara dos Vereadores,

a) nomear, admitir ou designar servidor, contra disposição de lei,


expressa ou tácita.
b) deixar de cumprir ordem judicial, sem dar o motivo da recusa ou da
impossibilidade à autoridade judiciária, por escrito ou verbalmente, no
prazo de lei.
c) captar recursos a título de antecipação de receita de tributo ou
contribuição social, cujo fato gerador tenha ocorrido a menos de 30
(trinta) dias.
d) deixar de prestar contas mensais da administração financeira do
Município à Câmara dos Vereadores.
e) antecipar ou inverter a ordem de pagamento a credores do Município,
sem vantagem para o erário.

COMENTÁRIOS: Infelizmente as bancas ainda formulam este tipo de


questão com uma certa frequência. Acho muito improvável surgir algo
assim na sua prova, mas é bom dar uma lida no art. 1º do Decreto-Lei nº
201/1967 para não se surpreender com os absurdos. As alternativas
trazem condutas previstas no dispositivo, trocando apenas algumas

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palavras para tentar confundir o candidato. A única que está estritamente
de acordo com o Decreto-Lei é a letra E.

a) nomear, admitir ou designar servidor, contra disposição de lei,


expressa ou tácita (“contra expressa disposição de lei”).
b) deixar de cumprir ordem judicial, sem dar o motivo da recusa ou da
impossibilidade à autoridade judiciária, por escrito ou verbalmente, no
prazo de lei (não há possibilidade de comunicação verbal neste caso).
c) captar recursos a título de antecipação de receita de tributo ou
contribuição social, cujo fato gerador tenha ocorrido a menos de 30
(trinta) dias (o correto é “cujo fato gerador ainda não tenha ocorrido”).
O examinador ainda ofendeu a língua portuguesa...
d) deixar de prestar contas mensais da administração financeira do
Município à Câmara dos Vereadores (o prazo para prestação de contas é
anual).

GABARITO: E

18. TJ-PE – Técnico Judiciário – 2007 – FCC. O agente público que


NÃO pode ser considerado sujeito ativo do crime de responsabilidade, nos
termos da Lei no 1079/50, é

a) Juiz Diretor de Foro ou função equivalente no primeiro grau de


jurisdição.
b) Advogado-Geral da União.
c) Secretário de Estado.
d) Procurador-Geral de Justiça dos Estados.
e) Presidente Nacional e das Secções Estaduais da Ordem dos Advogados
do Brasil.

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COMENTÁRIOS: Esta questão diz respeito ao rol de sujeitos ativos dos
crimes de responsabilidade. Perceba que a alternativa A e a alternativa D
citam pessoas que apenas cometem crimes de responsabilidade contra a
lei orçamentária. A OAB, entretanto, não é citada pela Lei nº 1.079/1950
em nenhum momento.

GABARITO: E

19. TCE-RN – Assessor Técnico Jurídico – 2009 – Cespe. As


infrações penais tipificadas no Decreto-Lei nº 201/1967 têm como
destinatários os prefeitos municipais e os vereadores.

COMENTÁRIOS: Aqui é pegadinha mesmo! As infrações penais previstas


no Decreto-Lei nº 201/1967 dizem respeito apenas aos Prefeitos. Quanto
aos vereadores, o art. 7º trata das infrações político-administrativas, mas
não há infrações penais tipificadas.

GABARITO: E

20. TCE-RN – Assessor Técnico Jurídico – 2009 – Cespe. Os crimes


de responsabilidade dos prefeitos municipais não incluem a conduta de
receber transferência voluntária em desacordo com condição estabelecida
em lei.

COMENTÁRIOS: Esta conduta está prevista no art. 1º, XXIII do Decreto-


Lei nº 201/1967. Lembre-se de que o art. 1º prevê infrações penais
próprias dos Prefeitos, que, nesses casos, serão julgados pelo Poder
Judiciário.

GABARITO: E

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5. QUESTÕES SEM COMENTÁRIOS

1. PC-SP – Investigador de Polícia – 2014 – VUNESP. A Lei de


Crimes Hediondos (Lei n.º 8.072/90) dispõe que será de três a seis anos
de reclusão a pena prevista no art. 288 do Código Penal (Associação
Criminosa), quando se tratar de crimes hediondos, prática da tortura,
tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins ou terrorismo. Nessa
hipótese, o participante e o associado que denunciar à autoridade o bando
ou quadrilha, possibilitando seu desmantelamento,

a) deverá cumprir a pena em estabelecimento distinto dos demais


participantes.
b) deixará de responder pelo referido crime.
c) terá a pena reduzida de um a dois terços.
d) terá a pena anistiada pelo Presidente da República.
e) terá sua pena convertida para prestação de serviços à comunidade.

2. DPE-MS – Defensor Público – 2012 – VUNESP. São crimes


hediondos:

a) epidemia com resultado morte – concussão – extorsão qualificada pela


morte – estupro de vulnerável.
b) homicídio qualificado – estupro de vulnerável – extorsão qualificada
pela morte – falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produto
destinado a fins terapêuticos ou medicinais.
c) latrocínio – tráfico de pessoa – homicídio qualificado – falsificação,
corrupção, adulteração ou alteração de produto destinado a fins
terapêuticos ou medicinais.
d) extorsão qualificada pela morte – estupro de vulnerável – lenocínio –
tráfico de pessoa.

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3. TJ-SP – Titular de Serviços de Notas e de Registros – 2011 –
VUNESP. Assinale a alternativa correta.
São considerados crimes hediondos

a) o perigo de contágio de moléstia grave, extorsão.


b) o latrocínio, extorsão mediante sequestro, estupro.
c) o sequestro e cárcere privado.
d) o homicídio, o aborto e o infanticídio.

4. PC-BA – Delegado de Polícia – 2013 – Cespe. O indivíduo


penalmente imputável condenado à pena privativa de liberdade de vinte e
três anos de reclusão pela prática do crime de extorsão seguido de morte
poderá ser beneficiado, no decorrer da execução da pena, pela
progressão de regime após o cumprimento de dois quintos da pena, se for
réu primário, ou de três quintos, se reincidente.

5. MPU – Técnico – 2010 – Cespe. Os crimes hediondos, embora


inafiançáveis e insuscetíveis de graça e indulto, podem ser anistiados.

6. MPU – Técnico – 2010 – Cespe. Constitui crime hediondo a


adulteração de produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais.

7. CNJ – Analista Judiciário – 2013 – Cespe. Recentemente, ocorreu


a inclusão do crime de corrupção ativa no rol dos delitos hediondos, fato
que, entre outros efeitos, tornou esse crime inafiançável e determinou
que o início do cumprimento da pena ocorra em regime fechado.

8. TJ-AC – Técnico Judiciário – 2012 – Cespe. Considere que


Francisco, não reincidente, seja condenado, pela prática de crime
hediondo, a pena privativa de liberdade de seis anos de reclusão. Nessa
situação, Francisco deverá iniciar o cumprimento da sanção penal em

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regime semiaberto, porquanto a pena cominada é superior a quatro anos
e não excede a oito.

9. TJ-ES – Analista Judiciário – 2011 – Cespe. Considere a seguinte


situação hipotética.
Maura praticou crime de extorsão, mediante sequestro, em 27/3/2008, e,
denunciada, regularmente processada e condenada, iniciou o
cumprimento de sua pena em regime fechado. Nessa situação hipotética,
após o cumprimento de um sexto da pena em regime fechado, Maura terá
direito à progressão de regime, de fechado para semiaberto.

10. DPE-PI – Defensor Público – 2009 – Cespe (adaptada). A nova


figura típica denominada estupro de vulnerável não foi incluída no rol de
delitos hediondos, fato que tem gerado várias críticas por parte da
doutrina mais autorizada.

11. TJDFT – Analista Judiciário – 2008 – Cespe. O crime de homicídio


é considerado hediondo quando praticado em atividade típica de grupo de
extermínio, ainda que cometido por um só agente, e quando for
qualificado.

12. AGU – Advogado da União – 2012 – Cespe (adaptada).


Consoante a jurisprudência, compete, em regra, à justiça estadual
processar e julgar os casos que envolvam crimes previstos na Lei n.º
8.176/1991, quando relacionados à adulteração de combustível.

13. PGE-RJ – Técnico Superior de Análise Contábil – 2009 – FCC.


Os crimes de responsabilidade previstos na Lei nº 1.079/50 sujeitam os
respectivos autores à perda do cargo, com inabilitação para o exercício de
qualquer função pública até

a) quatro anos.

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b) dois anos.
c) cinco anos.
d) um ano.
e) três anos.

14. TCM-RJ – Auditor – 2008 – FGV. Assinale a alternativa que não


constitui um crime de responsabilidade.

a) utilizar o poder federal para impedir a livre execução da lei eleitoral.


b) tentar, diretamente e por fatos, submeter a União ou algum dos
Estados ou Territórios a domínio estrangeiro.
c) infringir as normas legais no provimento dos cargos públicos.
d) realizar operação financeira sem observância das normas legais e
regulamentares ou aceitar garantia insuficiente ou inidônea.
e) revelar negócios políticos ou militares que devam ser mantidos
secretos a bem da defesa da segurança externa ou dos interesses da
Nação.

15. TCM-RJ – Auditor – 2008 – FGV (adaptada). É crime de


responsabilidade contra o livre exercício dos direitos políticos, individuais
e sociais utilizar o poder federal para impedir a livre execução da lei
eleitoral.

16. TCM-RJ – Auditor – 2008 – FGV (adaptada). É crime de


responsabilidade contra a probidade na administração infringir as normas
legais no provimento dos cargos públicos.

17. PGE-RR – Procurador do Estado – 2006 – FCC. Constitui crime de


responsabilidade dos prefeitos, sujeito ao julgamento do Poder Judiciário,
independentemente do pronunciamento da Câmara dos Vereadores,

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b) deixar de cumprir ordem judicial, sem dar o motivo da recusa ou da
impossibilidade à autoridade judiciária, por escrito ou verbalmente, no
prazo de lei.
c) captar recursos a título de antecipação de receita de tributo ou
contribuição social, cujo fato gerador tenha ocorrido a menos de 30
(trinta) dias.
d) deixar de prestar contas mensais da administração financeira do
Município à Câmara dos Vereadores.
e) antecipar ou inverter a ordem de pagamento a credores do Município,
sem vantagem para o erário.

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NÃO pode ser considerado sujeito ativo do crime de responsabilidade, nos
termos da Lei no 1079/50, é

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jurisdição.
b) Advogado-Geral da União.
c) Secretário de Estado.
d) Procurador-Geral de Justiça dos Estados.
e) Presidente Nacional e das Secções Estaduais da Ordem dos Advogados
do Brasil.

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destinatários os prefeitos municipais e os vereadores.

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20. TCE-RN – Assessor Técnico Jurídico – 2009 – Cespe. Os crimes
de responsabilidade dos prefeitos municipais não incluem a conduta de
receber transferência voluntária em desacordo com condição estabelecida
em lei.

GABARITO
1. C 11. C
2. B 12. C
3. B 13. C
4. C 14. D
5. E 15. C
6. C 16. C
7. E 17. E
8. E 18. E
9. E 19. E
10. E 20. E

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