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Antropologia da Religião | PPGSA 21/08/18 18'24

Antropologia da Religião
Programa

O curso tem como foco a noção de sagrado. Percorrerá uma linhagem de


autores que se dedicaram a abordá-la tomando como ponto de partida a
definição que Durkheim e seus colaboradores lhe atribuíram. Nesse trajeto,
um tema recorrente será o do sacrifício, que serviu várias vezes de apoio
para elaborações sobre o sagrado. À medida que avançamos, perceberemos
certos deslocamentos que conferem ao conceito uma ênfase sobre o que
está associado ao encoberto, ao contagioso, ao transgressivo, ao violento,
forçando a tomar o sagrado como uma força essencialmente ambivalente e
com implicações sociais muito difusas. Na mesma linhagem de
pensamento, surge também o tema dos cultos de possessão, o qual será
privilegiado na parte final do curso por meio de uma discussão específica
sobre a umbanda. As ênfases adquiridas ao longo do trajeto qualificam a
noção de sagrado para a abordagem de algumas configurações religiosas, e
a umbanda é contemplada para tal exercício.
Três pontos gerais podem ainda ser destacados: (i) a conexão sagrado-
sociedade, crucial na definição durkheimiana, será mantida ao longo do
curso, mas sofrendo mutações que revertem sobre ambos os termos da
equação; (ii) a noção de sagrado pode ser entendida como instrumento
tanto para a abordagem de sistemas religiosos, quanto para o tratamento
de dimensões não restritas ao universo rotulado de “religioso”; (iii) será
possível, acompanhando o trajeto proposto, problematizar as relações
entre antropologia do “tradicional” (“sociedades primitivas”) e
antropologia do “moderno” (“sociedades complexas”).
1ª. sessão
Apresentação

2ª. sessão
DURKHEIM, Émile. “Definição do fenômeno religioso e da religião”

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[1912]. In: As Formas Elementares da Vida Religiosa. São Paulo: Martins


Fontes, 2000, p. 3-32.
ISAMBERT, François-André. “Les durkheimiens et le sacré”. Le Sens du
Sacré. Paris: Minuit, 1982, p. 215-245.

3ª. sessão
MAUSS, Marcel e HUBERT, Henri. Sobre o Sacrifício [1899]. São Paulo:
Cosac Naify, 2005.

4ª. sessão
DETIENNE, Marcel. “Culinary practices and the spirit of sacrifice”. In:
Detienne e Vernant (orgs.). The cuisine of sacrifice among the Greeks.
Chicago: The University of Chicago Press, 1989, p. 1-20.
ISAMBERT, François-André. “De la notion au concept”. Le Sens du Sacré.
Paris: Minuit, 1982, p. 246-274.
CLIFFORD, James. “Sobre o surrealismo etnográfico”. In: A Experiência
Etnográfica (organização de J.R. Gonçalves). Rio de Janeiro: Ed. UFRJ,
1998, p. 132-178.
MORAES, Eliane Robert. “A mesa de dissecação”. In: O Corpo Impossível.
São Paulo: Iluminuras / FAPESP, 2002, p. 39-54.

5ª. sessão
CAILLOIS, Roger. “La ambigüedad de lo sagrado” e “La transgresión
sagrada” [1939]. In: El Hombre y lo Sagrado. México: Fondo de Cultura
Económica, 2004, p. 27-56; 101-135.

6ª./7ª. sessões
BATAILLE, Georges. A Parte Maldita (precedida de “A Noção de
Despesa”). Rio de Janeiro: Imago, 1975, p. 27-45 (“Noção de Despesa”
[1933]); 57-79, 100-114 (“Introdução teórica” e “Potlatch” da Parte Maldita
[1949]).
BATAILLE, Georges. “L’apprenti sorcier” [1938]. In: D. Hollier (org.). Le
Collège de Sociologie. Paris: Gallimard, 1979, p. 36-59.
BATAILLE, Georges e CAILLOIS, Roger. “La sociologie sacrée et les
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rapports entre ‘société’ , ‘organisme’, ‘être'” [1937]. In: D. Hollier (org.). Le


Collège de Sociologie. Paris: Gallimard, 1979, p. 139-158.
BATAILLE, Georges. “Le Collège de Sociologie” [1939] (trecho). In: D.
Hollier (org.). Le Collège de Sociologie. Paris: Gallimard, 1979, p. 527-536.

BATAILLE, Georges. Teoria da Religião [1948]. São Paulo: Ática, 1993, p.


19-49.
BATAILLE, Georges. O Erotismo [1957]. Porto Alegre: L&PM, 1987, p. 59-
87.
BATAILLE, Georges. “Sacrifícios e guerras dos astecas” [1949]. In: A Parte
Maldita, p. 83-99.
BATAILLE, Georges. “Le sacrifice” [1940]. In: Oeuvres Completes, Paris:
Gallimard, 1976, t. II, p. 263-280.

8ª. sessão
GIRARD, René. “O sacrifício”. In: A Violência e o Sagrado [1972]. São
Paulo: Paz e Terra, 1998, p. 11-54.
CLASTRES, Pierre. “Arqueologia da violência: a guerra nas sociedades
primitivas” [1977]. In: Arqueologia da Violência. São Paulo: Cosac Naif,
2004, p. 231-270.

9ª. sessão
LÉVI-STRAUSS, Claude. O Pensamento Selvagem [1962]. Rio de Janeiro:
Cia. Editora Nacional, 1970. Cap. 8, p. 250-279.
DOUGLAS, Mary. Pureza e Perigo [1966]. São Paulo: Perspectiva, 1976.
Introdução, Caps. 1 e 2, p. 11-56.

10ª. sessão
TAUSSIG, Michael. “Transgression”. M. Taylor (org.). Critical Terms for
Religious Studies. Chicago: The University of Chicago Press, 1997, p. 349-
364.
GRAEBER, David. “Catastrophe: magic and history in Rural Madagascar”.
In: Campos, 5 /1, 2004, p. 9-30. (disponível em
http://calvados.c3sl.ufpr.br/ojs2/index.php/campos/article/view/1633/13
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11ª. sessão
LEIRIS, Michel. Espelho da Tauromaquia. São Paulo: Cosac Naif, 2002
[1938].
BRUMANA, Fernando. “Ser outro Leiris y la posesión”. Ilha, 5 (1), 2003, p.
91-129.

12ª. sessão
Filme: Jean ROUCH, Les Maîtres Fous, 1955.

BASTIDE, Roger. “O Sagrado Selvagem” [1973]. Cadernos de Campo, n. 2,


1992, p. 143-157 (disponível em
http://www.aguaforte.com/antropologia/osurbanitas/revista/sacre.htm)
SZTUTMAN, Renato. “Imagens perigosas: a possessão e a gênese do
cinema de Jean Rouch”. In: Cadernos de Campo, 13, 2005, p. 115-124.
ROUCH, Jean. “On the vicissitudes of the self: the possessed dancer, the
magician, the sorcerer, the filmmaker, and the ethnographer”. In: Ciné-
Ethnography. Minneapolis: University of Minnesota Press, 2003, p. 87-
101.

13ª. sessão
BRUMANA, Fernando e MARTINEZ, Elda. “Os protagonistas (II): os
mortos. O panteão umbandista”. In: Marginália Sagrada . Campinas: Ed.
Unicamp, 1991, p. 231-300.
NEGRÃO, Lísias Nogueira. “Questão moral I: esquerda e direita”. In: Entre
a Cruz e a Encruzilhada. Formação do campo umbandista em São Paulo.
São Paulo: Edusp, 1996, p. 337-348.
HALE, Lindsay. “Preto Velho: Resistance, Redemption, and Engendered
Representations of Slavery in a Brazilian Possession-Trance Religion”.
American Ethnologist 24 (2), 1997, p. 392-414.

14ª. sessão
MEYER, Marlyse. Maria Padilha e toda a sua Quadrilha. De amante de um

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Rei de Castela à Pomba-Gira de Umbanda. São Paulo: Duas Cidades, 1993,


p. 71-140.

15ª. sessão
Discussões finais
Alguma bibliografia complementar (a ser estendida ao longo do curso)
Benjamin, Walter. “O surrealismo”. In: Obras Escolhidas – Magia e
Técnica, Arte e Política. São Paulo: Ed. Brasiliense, 1994, p. 21-35.
Bibliografia sobre Durkheim e religião:
http://www.unc.edu/~elliott/durkheim.html
Caillé, Alain. Antropologia do Dom. O Terceiro Paradigma. Petrópolis:
Vozes, 2002.
Cartry, Michel (org.). Sous le masque de l’animal – essays sur le sacrifice
en Afrique Noire. Paris: PUF, 1987.
Dean, Carolyn. “Law and Sacrifice: Bataille, Lacan and the Critique of the
Subject”. Representations, 13, 1986, p.42-62.
Durkheim, Émile. “Sobre la definicion de los fenómenos religiosos” [1897-
1898]. In: Classiificaciones Primitivas (y otros ensayos de antropologia
positiva). Barcelona: Ariel, 1996.
Gonçaves, Marco Antônio. “Filme-Ritual e Etnografia Surrealista: Os
Mestres Loucos de Jean Rouch”. No prelo.
Grossi, Motta e Cavignac (orgs.). Antropologia Francesa no Século XX.
Recife : Massangana, 2006.
Heimonet, Jean-Michel. “Le Collège de Sociologie, un gigantesque
malentendu”. Esprit, maio 1984, p. 39-56.
Heimonet, Jean-Michel. Politiques de l’Écriture. Le sens du sacré dans la
pensée française du surréalisme à nos jours. Paris: Ed. Jean Michel Place,
1990.
Heusch, Luc de. Sacrifice in Africa. Manchester: Manchester University
Press, 1985.
Jamin, Jean. “Un sacré collège ou les apprentis sorciers de la sociologie”.
Cahiers Internationaux de Sociologie, 68, 1980, p. 5-30.
Jamin, Jean. “Quand le sacré devint gauche”. L’ire des vents, 3 (4), 1981, p.
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98-118.
Jones, Robert Alun. “Robertson Smith, Durkheim and Sacrifice: A
Historical Context for the Elementary Forms of the Religious Life.” Journal
of the History of the Behavioral Sciences 17.2 (1981): 184-205.
Leiris, Michel. ” La possession et ses aspects théatraux chez les éthiopiens
de Gondar ” [1958]. In : Jamin, J. (org.). Mirroir de L’Afrique. Paris,
Gallimard, 1996.
Leiris, Michel. L’Afrique Fantôme [1934]. Paris: Gallimard, 1984.
Leiris, Michel; Price, Sally; Jean Jamin. “A Conversation with Michel
Leiris”. Current Anthropology, 29(1), 1988, p. 157-174.
Leiris. “Le sacré dans la vie quotidienne”. In: Hollier, Denis (org.). Le
Collège de Sociologie. Paris: Gallimard, 1979, p. 60-74.
Monnerot, Jules. Le faits sociaux ne sont pas des choses. Paris: Gallimard,
1946.
Paden, William. “Before ‘The Sacred’ Became Theological: Durkheim and
Reductionism”. In: Idinopulos and Yonan (orgs). Religion and
Reductionism. Brill, 1994, p. 198-210.
Pickering, W.S.F. (org.) Durkheim on religion. (textos de Durkheim).
Londres: RKP, 1975.
Pickering, W.S.F. Durkheim’s Sociology of Religion: themes and theories.
Londres: RKP, 1984.
Reichler, Claude. “Les intermittences du sacré”.Les Temps Modernes,
n°535, février 1991, p. 20-36.
Richman, Michèle. “Anthropology and Modernism in France: from
Durkheim to the Collège de Sociologie”. In: M. Manganaro (org.).
Modernist Anthropology. Princeton: Princeton University Press, 1990, p.
183-214.
Richman, Michèle. “Introduction to the Collège de Sociologie:
poststructuralism before its time?” Stanford French Review, 12, 1988, p.
79-86.
Richman, Michèle. “Leiris’s L’Age d’homme: politics and the sacred in
everyday Ethnography”. Yale French Studies, 81, 1992, p.91-110.

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Richman, Michèle. Reading Georges Bataille: beyond the gift. Baltimore:


Johns Hopkins University Press, 1982.
Taussig, Michael. Mimesis and Alterity. New York, Routledge, 1993.
Webster, Steven. “The historical materialist criltique of surrealism and
postmodernist ethnography”. In: M. Manganaro (org.). Modernist
Anthropology. Princeton: Princeton University Press, 1990, p. 266-299.

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