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Manual do Usuário

(Versão 2.1 – maio de 2007)

1. Índice

1. Apresentação pág 02

2. Requisitos Mínimos para Instalação pág 03

3. Instalação pág 03

4. Aspectos Gerais do Programa pág 04

4.1 Entrada de Dados pág 04

4.1.1 Tipo de Bloco pág 04

4.1.2 Geometria e Carregamento na Superfície pág 05

4.2 Bancos de Dados pág 07

4.3 Dimensionamento Externo pág 07

4.4 Dimensionamento Interno pág 08

4.5 Verificação da Conexão pág 10

4.6 Relatório pág 10

4.7 Detalhamento em Base CAD pág 10

5. Exemplo Passo a Passo pág 12

6. Bibliografia pág 31
Manual do Usuário
(Versão 2.1 – maio de 2007)

1. Apresentação

ForTerrae é um programa computacional desenvolvido para a análise e o


dimensionamento de estruturas de contenção em solo reforçado com Geogrelhas Fortrac e
face em Blocos Segmentais Terrae. Os sistemas construtivos, conhecidos como Muros
Terrae, foram desenvolvidos no Brasil pela Terrae Engenharia Ltda., que possui uma
parceria com a Huesker Ltda., fabricante das geogrelhas Fortrac. Maiores informações
sobre os Muros Terrae podem ser encontradas na internet na página
www.murosterrae.com.br.

O programa foi desenvolvido pela empresa de software Dynamiccad Ltda.


ForTerrae é um programa de distribuição e utilização livre e permite a análise e o
dimensionamento de Muros Terrae de forma extremamente rápida através de uma
ferramenta poderosa de cálculo e uma interface que fornece diretamente seções
transversais em ambiente CAD. O programa possui ainda acoplado um programa básico
de CAD que permite a edição e a impressão dos perfis gerados, além do salvamento em
arquivos tipo dwg ou dxf para posterior utilização em programas CAD.

O programa alia a simplicidade no uso para as situações normais a bancos de dados


com informações sobre propriedades dos blocos, das geogrelhas, solos e compactadores
utilizados. O usuário pode utilizar solos e compactadores padrões ou incluir novos nos
bancos de dados. O programa segue uma seqüência de cálculo lógica e simples para
dimensionamentos rápidos, mas que pode ser adaptada e modificada por projetistas mais
experientes para as mais diversas situações.

Como qualquer ferramenta de cálculo, os resultados devem ser sempre analisados


por um engenheiro projetista experiente, e a utilização dos resultados do programa para a
execução de obras deve ser aprovada pelos responsáveis técnicos pelo projeto e pela
execução da obra. O usuário deve ler e aceitar os termos de licença e utilização do
programa que aparecem na tela ao se iniciar o ForTerrae.

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2. Requisitos Mínimos para Instalação

Configuração mínima:
Hardware: Pentium II com 64Mb de RAM e 20Mb de espaço em disco
Software: Windows 98/NT/2000/XP

Configuração recomentada:
Hardware:Pentium III com 128Mb de RAM e 40Mb de espaço em disco
Software: Windows 98/NT/2000/XP

3. Instalação

Ao se inserir o CD do ForTerrae o usuário deverá selecionar INICIAR e EXECUTAR. Em


seguida digitar D:\SETUP (D: ou o driver correspondente ao leitor de CD) na caixa de
diálogo EXECUTAR.
A instalação será iniciada e a tela de boas vindas será apresentada:

Dependendo da versão do Windows em que estiver sendo instalada poderão aparecer


mensagens referentes a diferentes versões dos aplicativos utilizados pelo sistema
ForTerrae. É recomendável que o usuário siga sempre as recomendações exibidas na tela
de aviso.

Para iniciar o programa basta selecionar INICIAR > PROGRAMAS, buscar o grupo de
programas do ForTerrae e selecionar o ícone do aplicativo para executá-lo.

No CD de instalação o usuário encontrará diversas pastas com conteúdos referentes ao


programa:

Acrobat: contém o Acrobat reader. Programa necessário para visualizar arquivos PDF.
Artigos: contém o artigo de referência para o método de dimensionamento interno
utilizado no programa.
Detalhes: contém desenhos em formato DWG para muros em diversas situações.
Fotos: contém diversas fotos de detalhes construtivos e obras executadas.
Help: contém o arquivo com este texto.
Manuais de Montagem: arquivos com a descrição da técnica de montagem dos muros.

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4. Aspectos Gerais do Programa

O programa foi desenvolvido para ambiente Windows (Windows 98 ou posterior),


sedo a entrada de dados e a análise feitas em ambiente gráfico com a entrada direta de
valores e/ou com a utilização de bancos de dados com valores pré-definidos.

O dimensionamento é feito em duas etapas distintas. Para o dimensionamento


externo da estrutura em solo reforçado são realizadas análises de equilíbrio ao
deslizamento e ao tombamento e o cálculo das tensões na base do muro. No
dimensionamento externo o usuário define a geometria do muro, presença de nível d’água
e carregamentos na superfície, além dos parâmetros do solo a ser contido pelo muro e os
parâmetros do solo reforçado do muro propriamente dito. Para satisfazer o equilíbrio
externo o usuário define um comprimento de reforço “B” que atente aos fatores de
segurança desejados.

Definido o comprimento de reforço e a geometria do muro, o dimensionamento


interno dos reforços é feito pelo método de Ehrlich e Mitchel (1995), que leva em conta os
efeitos da rigidez do solo e do reforço bem como a influência da compactação do solo. Para
o dimensionamento dos reforços o usuário escolhe uma ou mais geogrelhas que pretende
utilizar e define o tipo de compactador. O programa calcula a posição, o espaçamento e a
geogrelha mais adequados, procurando sempre otimizar a solução para espaçamentos de
0,60 m. A partir do cálculo realizado automaticamente o usuário pode retornar à página
anterior para definir outros tipos de geogrelha ou alterar diretamente na tabela de
resultados os espaçamentos e as geogrelhas utilizadas de modo a padronizar o projeto ou
adequá-lo às suas preferências.

4.1 Entrada de Dados

4.1.1 Tipo de Bloco

Muros Terrae possuem quatro tipos de blocos que podem ser combinados em
algumas situações. A tabela 1 apresenta as informações básicas dos tipos de blocos, suas
aplicações mais usuais e limitações.

Figuras 4.1 e 4.2 -Face dos muros com blocos F e LF e face dos muros com blocos W e LW.
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Tabela 1 – Tipos de Blocos Terrae
Bloco Característica Aplicações Limitações
Bloco leve de dimensões Muros baixos com Altura livre máxima do
Terrae LF 25x40x20 (base, largura, reforço leve em obras muro de 3,00 metros
altura) que permite o de paisagismo e
plantio de vegetação em arquitetura
faces com inclinação 4:1.
Bloco leve de dimensões Muros baixos com Altura livre máxima do
Terrae LW 25x40x20 (base, largura, reforço leve em obras muro de 3,00 metros
altura) com face ondulada de paisagismo,
que resulta em muros arquitetura e
com inclinação 10:1. engenharia.
Bloco pesado de Muros baixos a Altura livre máxima do
Terrae F dimensões 40x40x20 médios com reforço muro de 5,00 metros
(base, largura, altura) que leve a médio. Obras de
permite o plantio de paisagismo,
vegetação em faces com arquitetura e
inclinação 4:1. engenharia.
Bloco pesado de Muros médios a altos
Altura total máxima do
Terrae W dimensões 40x40x20 com reforço médio a
muro de 20 metros (valor
(base, largura, altura) com pesado. Obras delimite do programa,
face ondulada que resulta engenharia. alturas maiores podem
em muros com inclinação ser atingidas com
10:1. cuidados especiais)
Combinação de blocos F eMuros baixos a Altura livre máxima do
Terrae F+LF LF para otimizar muros médios com reforço muro de 5,00 metros
com plantio de vegetaçãoleve a médio. Obras de
em faces com inclinação paisagismo,
4:1. arquitetura e
engenharia.
Combinação de blocos W Muros médios a altos Altura total máxima do
Terrae W+LW e LW para otimizar com reforço médio a muro de 20 metros (valor
muros com face ondulada pesado. Obras de limite do programa,
e inclinação 10:1. engenharia. alturas maiores podem
ser atingidas com
cuidados especiais)

4.1.2 Geometria e Carregamento na Superfície

A figura 4.3 apresenta a seção transversal esquemática utilizada no programa para a


definição das variáveis que definem a geometria do muro.

• A definição do tipo de bloco define o ângulo ß da face do muro.


• Hl e He definem a altura livre e a altura de embutimento do muro respectivamente
(o programa calcula automaticamente He como 0,1Hl, mas o valor de He pode ser
alterado pelo usuário). A soma de Hl e He definem a altura total (H) do muro.
• A altura do nível d’água existente no maciço atrás do muro é definida por Hw. Este
nível d’água exerce empuxo considerado no dimensionamento externo apenas.

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• A definição de um talude no topo do muro é feita a partir da distância onde o
talude inicia (xp), da sua inclinação (alfa) e da sua altura (Hp). O programa possui
caixas para definir diretamente um talude infinito (definido apenas por xp e alfa)
ou para definir terrapleno horizontal (valores de xp, Hp e alfa nulos).
• No topo do talude pode ser aplicada uma sobrecarga contínua de intensidade q,
largura Lqt e afastada da crista do talude de xq. As unidades devem ser em kN/m2 .
• O comprimento dos reforços define a largura do muro B e é o dado de entrada para
a verificação do equilíbrio externo. O programa calcula B como 0,7H para o
primeiro cálculo, mas esse valor pode ser alterado pelo usuário.
• IMPORTANTE: Independente do valor de B necessário para o dimensionamento
externo é recomendável que o comprimento dos reforços seja no mínimo igual a
70% da altura total do muro e não menor do que 3,0 metros para garantir a
estabilidade interna e a ancoragem dos reforços na massa de solo.
• O empuxo calculado pelo método de Coulomb graficamente é definido por E, com
componentes verticais e horizontais Ev e Eh respectivamente. Para a verificação ao
tombamento do muro o programa admite a resultante do empuxo atuando a 1/3 da
altura total do muro.
• O programa fornece como resultado os fatores de segurança ao tombamento e ao
deslizamento, além das tensões normais nas extremidades da base do muro. O
muro deve ser apoiado em solo de fundação que tenha tensões admissíveis
compatíveis com os valores fornecidos pelo programa.
• IMPORTANTE: O programa não realiza verificações de segurança à ruptura global
através de superfícies de ruptura profundas. Caso essa possibilidade exista devem
ser feitas análises através de métodos de equilíbrio limite que considerem
superfícies profundas.

Figura 4.3 - Seção transversal esquemática utilizada no programa

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4.2 Bancos de Dados

O programa possui 5 bancos de dados conforme apresentado na tabela 2. Os bancos


de dados referentes ao tipo e propriedades de blocos e de geogrelhas são fechados, isto é, o
usuário escolhe valores mas não pode alterar estes valores nem inserir novos. Os bancos
de dados referentes ao solo do muro, ao solo do talude e ao equipamento de compactação
são abertos, isto é, o usuário pode escolher entre valores pré-definidos ou pode definir
novos valores com base em ensaios de laboratório ou valores regionais.

Tabela 2 – Definição dos bancos de dados.


Banco de dados Informações Tipo
Parâmetros de resistência e rigidez do solo que compõe a
Solo do muro massa de solo reforçado do muro. Os parâmetros são Aberto
referentes ao modelo elástico não linear hiperbólico; peso
específico natural, coesão, ângulo de atrito, k, n e Rf.
Parâmetros de resistência do solo a ser contido no tardoz
Solo do talude do muro. Peso específico natural e submerso, coesão, Aberto
ângulo de atrito, ângulo de atrito solo-muro no tardoz,
ângulo de atrito solo-muro na base.
Tipos de compactador e propriedades referentes à
Compactador energia de compactação. Peso estático, peso dinâmico Aberto
(estático equivalente) e área da base.
Bloco Tipo de bloco a ser utilizado na face. Fechado
Propriedades da geogrelha Fortrac de poliéster e de PVA.
Geogrelha Neste banco de dados o usuário escolhe o tipo da Fechado
geogrelha, resistências, vida útil da obra, condições de
instalação e Ph do solo. Com base nestas informações o
programa calcula o fator de redução da geogrelha com
base em ensaios de certificação (BBA 01/R125).

4.3 Dimensionamento Externo

A verificação da estabilidade externa é feita pelo método de Coulomb. O cálculo do


empuxo é feito através de processo gráfico para diferentes valores do ângulo da superfície
de ruptura, definida pelo ângulo teta. O programa traça um gráfico de empuxo versus teta
e seleciona o valor crítico do empuxo. Com este valor são feitas verificações ao
tombamento e ao deslizamento, bem como são calculadas as tensões na base. Caso os
valores do fator de segurança ao tombamento sejam inferiores aos mínimos requeridos
(geralmente 1,50), o usuário pode retornar à tela anterior, redefinir o valor do
comprimento dos reforços (B) e fazer novamente as verificações.

IMPORTANTE: Independente do valor de B necessário para o dimensionamento externo é


recomendável que o comprimento dos reforços seja no mínimo igual a 70% da altura total
do muro para garantir a estabilidade interna e a ancoragem dos reforços na massa de solo.

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IMPORTANTE: O programa não realiza análises de estabilidade global para rupturas
profundas e nem análises de capacidade de carga na base. O usuário deve garantir que a
base do muro estará apoiada em solo com capacidade de carga igual ou superior às
tensões na base calculadas pelo programa. Caso o solo de fundação não tenha capacidade
de carga devem ser estudadas alternativas como o aumento da altura de embutimento, a
substituição do solo de fundação ou a sua melhoria através de reforço e/ou
estaqueamento.

4.4 Dimensionamento Interno

Para o cálculo das cargas nos reforços o programa utiliza o método proposto por
Ehrlich e Mitchel (1995). Este método calcula a carga individual em cada camada de
reforço a partir do espaçamento entre geogrelhas, das propriedades de resistência e
rigidez do reforço e da geogrelha e da energia de compactação induzida pelo equipamento
de compactação. No disco de instalação deste programa pode ser visualizado o arquivo
em pdf com informações sobre o método utilizado (Ehrlich, 1999).

É importante que o usuário tenha em mente que a maior dificuldade em projetos de


engenharia geotécnica é a definição de valores para as propriedades geotécnicas dos solos.
Sugere-se que sejam sempre realizados ensaios nos materiais naturais (talude) e nos que
serão utilizados nos muros (solo compactado). A experiência regional destas propriedades
é essencial para que futuros projetos sejam cada vez mais realistas. Do mesmo modo a
definição do equipamento de compactação deve fazer parte de um projeto, pelo menos a
definição se a compactação será com soquete (sapo), placa vibratória ou rolo compactador,
uma vez que o equipamento de compactação exerce influência nas cargas dos reforços e
principalmente nas deformações durante e após a construção do muro.

Uma vez executado o dimensionamento externo, o usuário escolhe o tipo de


geogrelha, as condições de instalação e vida útil e as resistências a serem utilizadas e o
equipamento de compactação. Com estas informações o programa calcula a distribuição
ótima de geogrelhas utilizando as geogrelhas escolhidas. O programa procura otimizar a
solução para espaçamentos constantes de 0,60m, desde que as geogrelhas tenham
resistência compatível; caso contrário o programa adota espaçamentos menores de forma a
garantir o fator de segurança mínimo para cada reforço (geralmente em torno de 1,1).

IMPORTANTE: Não se deve confundir Fator de Segurança (FS) dos reforços com o Fator
de Redução (FR) da geogrelha. O Fator de Segurança refere-se às incertezas do cálculo em
si, como qualquer projeto de engenharia, enquanto que o Fator de Redução refere-se às
propriedades do material, obtidas através de ensaios de laboratório de curta e longa
duração. O FR depende do material e das propriedades da geogrelha, por isso está
inserido no cálculo e não pode ser alterado pelo usuário.

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O usuário pode interferir na distribuição de geogrelhas de duas maneiras:

• Uma vez que o programa calculou a distribuição ótima pode-se retornar à tela
anterior e escolher outras geogrelhas com resistências diferentes ou alterar o fator
de segurança dos reforços.

• Uma vez que o programa calculou a distribuição ótima pode-se alterar


manualmente o espaçamento e o tipo de geogrelha em cada camada. Neste caso o
programa calcula a carga na geogrelha e o fator de segurança localizado com as
opções do usuário, se o fator de segurança for inferior ao pré-definido o programa
escreve em vermelho os resultados.

• DICA: Sempre que o usuário muda o espaçamento de uma geogrelha, o programa


recalcula a distribuição daquela geogrelha até o topo do muro adotando a
distribuição ótima. Caso o usuário queira definir espaçamentos e tipos de geogrelha
manualmente isto deve ser feito debaixo para cima no muro (de cima para baixo na
tabela de resultados).

• DICA: O fator de segurança interno global da estrutura pode ser entendido como a
média dos fatores individuais de cada camada de reforço. Portanto o usuário pode
optar em selecionar manualmente algumas camadas onde o fator de segurança é
menor do que o pré-definido sem que a estrutura como um todo esteja em risco.
Recomenda-se utilizar fatores de segurança individuais superiores a 1,0 e que a
média dos fatores seja igual ou superior à pré-definida (geralmente 1,1). Isto pode
ser importante quando se quer homogeneizar a distribuição de geogrelhas em uma
obra para diversas seções com alturas diferentes.

Além da distribuição dos reforços e dos fatores de segurança individuais o


programa apresenta para cada camada os alongamentos específicos máximos previstos na
compactação, no final da construção e em longo prazo para a obra, bem como os
deslocamentos previstos na face para as três fases. Estes alongamentos e deslocamentos
dão uma idéia da deformabilidade dos reforços e da influência da compactação. Os
deslocamentos horizontais da face são calculados admitindo-se a distribuição triangular
do alongamento específico ao longo do comprimento do reforço com alongamento nulo
nas extremidades e máximo igual ao calculado no ponto de tração máxima. De modo geral
um bom projeto deve atender às seguintes regras:

• Muros Terrae são estruturas com face relativamente flexível, mas é importante que
as deformações ocorram durante a obra, e não após o seu término. Isto é obtido
adotando-se equipamentos de compactação com grande energia (soquetes ou rolos
vibratórios). Nos resultados observa-se que quanto maior a energia de
compactação, maior o valor da tensão vertical induzida na compactação, maiores os
deslocamentos horizontais decorrentes da compactação e menores os
deslocamentos horizontais no fina da construção em longo prazo. Ou seja, a obra é
mais rígida após a compactação.

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• Geogrelhas Fortrac em poliéster e em PVA são bastante rígidas. Em situações
normais de uso com fator de redução em torno de 2,0 e fator de segurança em torno
de 1,3 o alongamento específico final das geogrelhas após a compactação e em
longo prazo é tipicamente 5% para poliéster e 3% para PVA. Estas propriedades são
importantes quando existem estruturas ou estradas no topo dos muros e diferencia
os Muros Terrae de outras estruturas em solo reforçado que utilizam geotêxteis
como reforço, que deformam aproximadamente 5 vezes mais a longo prazo.

4.5 Verificação da Conexão

A partir de ensaios de laboratório realizados com geogrelhas Fortrac e Blocos


Terrae, foram definidos parâmetros de resistência da conexão entre os reforços e os blocos.
Estes parâmetros estão inseridos no programa ForTerrae, que faz a verificação da conexão
para todas as camadas de reforço a partir da resistência disponível e da tensão no reforço.
A resistência disponível depende do tipo de grelha, da resistência nominal da geogrelha e
da altura de blocos existente acima da grelha. A altura de blocos existente acima da grelha
compõe a forma vertical normal ao esforço de arrancamento da geogrelha na conexão.
Quanto maior a altura de blocos, maior a resistência disponível, valor que também é
limitado pela própria resistência da geogrelha e pela disposição da conexão em camada
simples ou dupla.

4.6 Relatório

Uma vez definido o dimensionamento interno o programa pode gerar um relatório


com todas as informações dos dimensionamentos externo e interno através da opção
“Relatório”. O formato do arquivo padrão é o tipo .mht, diretamente compatível com o
Internet Explorer e configurado para ser impresso em impressoras padrão jato de tinta e
laser em folha tamanho A4. O arquivo pode ser impresso diretamente ou salvo em
formato tipo .mht, .html ou txt.

4.7 Detalhamento em Base CAD

Além do relatório o programa possui um gerador de desenhos em base CAD e um


programa básico para visualização e pequenas alterações em ambiente CAD. O desenho
gerado representa a seção transversal do muro com todos os detalhes. Pode ser impresso
diretamente em folha A4 ou pode ser salvo em arquivo no formato .dwg compatível com
programas de CAD para posterior edição e montagem de plantas gerais do projeto. Junto
com a seção transversal é apresentada uma tabela com o quantitativo estimado de blocos e
geogrelhas para a seção-tipo dimensionada.

O programa apresenta alguns parâmetros para detalhamento já pré-selecionados


para muros de diferentes alturas. Geralmente muros com altura livre acima de 5 metros
possuem conexão do reforço com a face em blocos através de dupla camada e dreno em

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tubo perfurado na base do muro, enquanto que muros com altura menor que 5,0 metros
não possuem estes detalhes. O usuário pode alterar estas definições a seu critério. Ao
posicionar-se o mouse sobre os textos a sua definição é detalhada em caixas de texto.

Ao selecionar-se a opção “OK” o programa abre uma janela em ambiente CAD e


gera a seção com todos os detalhes. O programa em CAD que acompanha o ForTerrae
permite a edição e a inclusão de textos, a visualização em zoom, a impressão pré-
configurada para folhas tamanho A4 e o salvamento do desenho em formato .dwg. Caso o
usuário queira alterar algum parâmetro do detalhamento a janela do programa pode ser
fechada e o detalhamento ser reiniciado a partir da tela de resultados do dimensionamento
interno.

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5. Exemplo Passo a Passo

Neste item é apresentado como exemplo o dimensionamento de um muro típico


com 6,0 metros de altura livre. Para cada etapa do dimensionamento são apresentadas as
telas do programa e feitos comentários a respeito das opções existentes.

O muro a ser dimensionado possui 6,0 metros de altura livre, será composto por
uma areia siltosa compactada com rolo pé-de-carneiro dinâmico e resistirá ao empuxo
decorrente de um solo composto por areia argilosa com nível d’água situado a 4,0 metros
de altura no tardoz do muro. No topo do muro existirá uma sobrecarga composta de uma
camada de solo com 2,0 metros de altura que forma um patamar com inclinação de 20
graus cujo pé está afastado 1,5 metros do topo do muro. Sobre esta camada de solo existirá
ainda uma sobrecarga típica e uma estrada, com 15 kN/m2 atuando em uma faixa de 8,0
metros de largura e afastada de 2,0 metros da crista do talude formado pela camada de
solo. Os demais dados serão apresentados e comentados à medida que são utilizados pelo
programa.

A figura 5.1 apresenta a tela inicial do programa e as condições de uso. Recomenda-


se a leitura do texto antes da concordância em utilizar o programa.

Figura 5.1 – Tela de apresentação e concordância com os termos de utilização

A figura 5.2 apresenta a tela inicial de entrada de dados para a geometria,


parâmetros dos solos do muro e do solo a ser contido e dimensionamento externo. Ao
selecionar-se o botão “Legenda” o usuário pode visualizar a descrição de todas as
variáveis que aparecem na tela conforme apresentado na figura 5.3. Pode-se ainda
posicionar o mouse sobre uma determinada variável que a sua descrição aparecerá na tela.
A tela apresenta ainda uma seção transversal esquemática com a definição das variáveis.

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Figura 5.2 – Tela inicial de entrada de dados.

Figura 5.3 – Tela de legenda da entrada de dados inicial.

O primeiro passo é a definição do tipo de bloco a ser utilizado. Neste exemplo será
feita a combinação dos blocos Terrae-W na parte inferior do muro com blocos Terrae-LW
na parte superior. A figura 5.4 mostra a escolha do conjunto de blocos.

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Figura 5.4 – seleção do tipo de bloco.

A figura 5.5 apresenta a tela de seleção do solo do muro. Este solo é o material que
será utilizado para a execução do muro em solo reforçado. O programa possui um banco
de dados com parâmetros de resistência e deformabilidade típicos. Ressalta-se que para
considerar os efeitos de compactação e rigidez dos materiais o programa requer os
parâmetros do modelo hiperbólico, para os quais são necessários ensaios triaxiais. O banco
de dados apresentado no programa possui alguns valores típicos de referência para estes
parâmetros. Para obras de maior porte recomenda-se sempre a execução de ensaios
específicos. O resultado de qualquer método de dimensionamento está diretamente
relacionado com a qualidade dos dados de entrada. A figura 5.6 apresenta a tela do banco
de dados. Nesta tabela o usuário pode cadastrar novos solos com propriedades específicas.
Ao incluir um novo solo o programa automaticamente atualiza o banco de dados no
computador onde está instalado.

Figuras 5.5 e 5.6 – Seleção do solo do muro e formato do banco de dados.

Selecionado o tipo de bloco e o solo do muro o usuário deve indicar a altura livre do
muro (Hl), ao fazê-lo o programa automaticamente sugere o valor da altura de
embutimento (He) e da base do muro, que também define o comprimento dos reforços
(figura 5.7). Para a altura de embutimento é sugerido o valor de 0,1 de Hl, arredondado
para múltiplos de 0,20 m (altura de um bloco). Para a base (e comprimento dos reforços) é
sugerido o valor de 0,7 da altura total (Ht=Hl+He) e não menor do que 3,0 metros, que é o
comprimento mínimo recomendado para os reforços no dimensionamento interno. O
usuário pode alterar os valores de He e B caso ache necessário em função da capacidade
de carga da base do muro ou caso o muro requeira comprimentos de reforços maiores
conforme será visto mais adiante.

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figura 5.7 – Definição das alturas e da base do muro.

A etapa seguinte é a definição da geometria no topo do muro, aplicação de sobre-


carga e a posição do nível d’água que pode exercer empuxo no tardoz do muro em solo
reforçado. A figura 5.8 apresenta a tela com os dados de entrada e o desenho com a seção
esquemática. Ao pressionar a opção para visualizar o muro em escala o programa
apresenta a seção transversal com o dados do muro em escala real (figura 5.9).
Dependendo dos parâmetros o desenho pode ficar pouco claro, caso o usuário tenha
dúvidas sobre a precisão dos dados de entrada a visualização da seção sempre pode ser
alternada entre o muro esquemático e o real.

Quando o terrapleno acima do muro for horizontal o programa permite escolher a


opção “Terrapleno horizontal”. Nesta situação os dados de xp, Hp e alfa ficam
suprimidos. Também no caso de talude infinito com inclinação constante pode-se escolher
a opção “Talude infinito”, onde são suprimidos os dados de Hp, q, xq e Lqt. Para que o
muro seja estável na situação de talude infinito o ângulo alfa deve ser menor do que o
ângulo de atrito do solo a ser contido.

Figura 5.8 Definição da geometria e seção esquemática.

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Figura 5.9 Definição da geometria e seção em escala.

A escolha ou inclusão do tipo de solo do talude a ser contido é feita do mesmo


modo que a escolha do tipo de solo do muro. O usuário pode selecionar solos pré-
cadastrados ou incluir novos solos com parâmetros obtidos em ensaios específicos. Para o
solo a ser contido não são necessários parâmetros referentes ao modelo hiperbólico,
apenas o peso específico (natural e submerso), coesão, ângulo de atrito interno, ângulo de
atrito solo-muro no tardoz e ângulo de atrito solo-muro na base do muro. As figuras 5.10 e
5.11 apresentam as janelas da escolha do solo a ser contido e o formato do banco de dados.

Figuras 5.10 e 5.11 – Seleção do solo a ser contido e formato do banco de dados.

A figura 5.12 apresenta a tela final com todos os dados de entrados necessários para
o dimensionamento externo. Normalmente os comprimentos de reforços são
arredondados para múltiplos de 10 ou 50 cm. No exemplo a figura 5.13 apresenta a
mudança do valor de B de 4,62 para 5,0 metros.

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Figura 5.12 e 5.13 – Tela final do dimensionamento externo e alteração no valor de B.

Selecionando a opção “Calcular” o programa calcula o empuxo total e os fatores de


segurança ao dimensionamento externo do muro, isto é, tombamento e deslizamento
(figura 5.14). O programa informa ainda as tensões de compressão que irão surgir na base
nas extremidades externa e interna do muro. Não é feita a verificação da capacidade de
carga do solo de fundação, e nem é verificada a estabilidade global da estrutura em
superfícies de rupturas profundas. Para garantir a estabilidade do muro quanto a
recalques, o projetista deve garantir que o solo de fundação tenha tensão admissível igual
ou maior do que as tensões na base indicadas pelo programa. Já para garantir a
estabilidade global do conjunto muro-talude podem ser realizadas análises de estabilidade
global através de métodos específicos (Superfície circular, Bishop, Janbu, etc...).

A figura 5.14 apresenta a tela de resultados do dimensionamento externo, com o


diagrama de vetores de esforços e a posição da seção de ruptura crítica. Caso o usuário
queira verificar outras seções basta manter a tecla Ctrl pressionada e passar o mouse sobre
o gráfico de E versus teta que aparece na tela. Ao selecionar-se a opção “Legenda” aparece
uma janela com a descrição dos valores calculados (figura 5.15)

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Figura 5.14 – Tela de resultados do dimensionamento externo.

Figura 5.15 – Tela de legenda da tela de resultados do dimensionamento externo.

Caso o usuário esteja de acordo com os valores dos fatores de segurança ao


tombamento e ao deslizamento calculados pode-se selecionar a janela de
“Dimensionamento Interno”, ou, caso contrário, pode-se selecionar a janela “Voltar” para
alterar os dados de entrada. No exemplo o valor crítico foi o Fator de segurança ao
deslizamento (1,84 sem a consideração da componente vertical do empuxo). O usuário
pode voltar à janela anterior e diminuir o valor de B, diminuindo a base do muro e o
comprimento dos reforços. Deve-se observar, no entanto, que para o dimensionamento
interno os reforços devem ter um comprimento mínimo para garantir a estabilidade do
muro. A maioria das normas internacionais exige que o comprimento mínimo dos reforços
seja de 70% da altura total do muro e não menor que 3,0 metros. No Brasil existem obras
bem sucedidas com comprimentos de reforços entre 60 e 70% da altura total. De qualquer
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modo recomendam-se comprimentos de no mínimo 60% da altura total em qualquer
situação, e comprimentos mínimos de 70% para muros com sobrecarga ou com taludes no
topo do muro. A figura 5.16 apresenta a tela de aviso ao usuário sempre que o valor e B
escolhido for menor do que 70% da altura total ou menor que 3,0 metros (no caso a
tentativa foi de 4,5 metros). O usuário pode ignorar o aviso e continuar com o valor de B
escolhido ou pode alterar o valor e B. No exemplo o valor final adotado foi de 4,7 metros,
que resulta em um fator e segurança mínimo ao deslizamento de 1,75 e uma relação B/H
de 71%.

Figura 5.16 – Tela de aviso quando B adotado é menor que 70% da altura total do muro.

Figura 5.17 – Tela final de dimensionamento externo para B = 4,70 m.

19
Ao selecionar-se a janela de “Dimensionamento interno” o programa apresenta a
tela de resumo de dados do dimensionamento externo e entrada de dados para o
dimensionamento interno (figura 5.18). Do mesmo modo que nas telas anteriores a janela
“Legenda” abre uma tela com a definição dos dados (figura 5.19).

Figura 5.18 – Tela de entrada de dados do dimensionamento interno

Figura 5.19 – Tela de legenda da tela de dados de entrada do dimensionamento interno.

20
Para o dimensionamento interno o usuário deve selecionar o tipo de compactador a
ser utilizado. O programa possui um banco de dados com informações de alguns tipos
padrão, mas o usuário pode incluir outros compactadores no banco de dados. Para tanto é
necessário conhecer o peso estático, o peso dinâmico equivalente e a área da base do
compactador. Como geralmente na fase de projeto não se conhece o compactador a ser
utilizado, a escolha do tipo geralmente é feita em função do tamanho da obra. Obras
pequenas geralmente utilizam compactadores manuais (soquete ou sapo), enquanto obras
maiores utilizam compactadores lisos ou tipo pé de carneiro dinâmicos. Observe-se que a
energia de compactação de soquetes (sapos) é grande e estes equipamentos são mais
indicados para muros em solo reforçado do que placas vibratórias. Segundo o método de
dimensionamento adotado pelo programa, quanto maior a energia de compactação,
menores serão as deformações do muro no período pós-construtivo. As figuras 5.20 e 5.21
apresentam as telas de escolha do compactador e o respectivo banco de dados.

Figuras 5.20 e 5.21 – Seleção do compactador e formato do banco de dados.

Na tela da figura 5.18 o programa apresenta os parâmetros do solo do muro como


estão no banco de dados. Nesta etapa do projeto o usuário pode alterar os dados
diretamente nas janelas, neste caso aparecerá ao lado do nome do solo do muro a
informação “customizado” entre colchetes. A figura 5.22 apresenta a alteração da coesão
de zero para o valor de 5 kPa. Caso o usuário altere o valor do peso específico do solo do
muro os fatores e segurança ao tombamento e ao deslizamento sofrerão alterações e o
programa automaticamente recalcula o dimensionamento externo e volta para a tela
anterior com estes resultados.

Figura 5.22 – Alteração do valor da coesão do solo do muro.

21
Definidos o tipo de compactador e confirmados ou alterados os parâmetros do solo,
devem ser selecionados o tipo de geogrelha a ser utilizada e as condições de utilização
(vida útil da obra, danos de instalação e fatores ambientais). A partir do tipo de geogrelha
e das condições de utilização o programa fornece os fatores de redução parciais e o fator
de redução total. Estes fatores são obtidos em ensaios específicos em laboratório e são
certificados para uso em uma determinada geogrelha. Estes fatores de redução não devem
ser confundidos com fatores de segurança internos, uma vez que são fatores de redução da
resistência da geogrelha e são válidos apenas para geogrelhas Fortrac de poliéster e de
PVA utilizadas em muros Terrae. Estes valores são fixos e o usuário não pode mudá-los.

Figura 5.23 – Certificação dos fatores de redução das geogrelhas Fortrac.

A escolha de geogrelhas Fortrac de Poliéster ou de PVA depende geralmente das


condições de utilização. Para a maioria das obras de engenharia ligadas a contenção de
taludes, a utilização de geogrelhas de poliéster é indicada por ser um material bastante
rígido e pouco sujeito à fenômenos de fluência, resultando em muros que apresentam
deformações pequenas após o período de compactação e final de construção. Exceção é
feita a ambientes agressivos, principalmente solos com Ph alto, que podem agredir o
poliéster, situação em que geogrelhas de PVA são mais indicadas. Também quando são
requeridos muros com menores deformações totais finais as geogrelhas de PVA devem ser
selecionadas, uma vez que são mais rígidas e resultam em muros ainda menos
deformáveis que no caso de muros com geogrelhas de poliéster.
O usuário pode ainda especificar o fator de fegurança mínimo individual de cada
camada de reforço (default de 1,1) e a máxima deformação total admissível para o projeto
(10% para Fortrac, 8% para Fortrac T e 4% para Fortrac MP (PVA)). Com a utilização
destes recursos o usuário pode fazer o dimensionamento baseado em critérios de
deformação máxima ou de “servicibilidade” da obra.

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Cabe observar que o fator de segurança é o mínimo individual para cada camada de
reforço e é calculado sobre a resistência já minorada da geogrelha pelos fatores de redução.
Geralmente a escolha de um valor típico de 1,1 ou 1,2 para este valor resulta em fatores de
segurança internos globais (ou médios) entre 1,30 e 1,50, valores coerentes com os métodos
de dimensionamento tradicionais.

A figura 5.24 apresenta a escolha de geogrelhas Fortrac de poliéster e a seleção de


geogrelhas com 35 e 55 kN de resistência por metro. O usuário deve escolher pelo menos
uma geogrelha para que o programa faça o dimensionamento interno. Quanto mais
geogrelhas o usuário escolher, mais otimizada será a distribuição dos reforços, mas
implicará na compra de vários tipos de geogrelhas na implantação da obra. A escolha
ótima de geogrelhas depende das condições específicas do projeto e de alguma experiência
por parte do usuário, mas de modo geral pode-se indicar algumas regras básicas:

1. A utilização de Fortrac 20/13-20 é indicada apenas para muros com alturas


menores que 3,0 metros de altura livre e que possam sofrer algumas deformações
sem prejudicar estruturas apoiadas no topo dos muros.
2. A geogrelha Fortrac 35/20-20 é indicada para muros com alturas de até 5 metros
como única geogrelha e em muros maiores que 5 metros é indicada em conjunto
com outras geogrelhas, de modo que a parte superior do muro seja composta de
Fortrac 35/20-20 e a parte inferior de geogrelhas mais resistentes.
3. De modo geral, alturas até 3 metros, somente Fortrac 35/20-20; alturas entre 3 e 6
metros, Fortrac 35/20-20 e Fortrac 55/30-20; altura entre 6 e 9 metros, Fortrac
35/20-20, 55/30-20 e 80/30-20; Altura entre 9 e 12 metros, Fortrac 35/20-20, 55/30-
20, 80/30-20 e 110/30-20; e para alturas acima de 12metros o ideal é a seleção de
todos os tipos.

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Figura 5.24 – tela de escolha das geogrelhas.

Ao se selecionar “Dimensionar” na tela do dimensionamento interno o programa


apresenta uma tela de aviso sempre que o usuário tiver especificado um valor de coesão
para o solo do muro diferente de zero conforme apresentado na figura 5.25. A maioria dos
métodos de dimensionamento de muros de solo reforçado não considera coesão no solo
do muro, o que tem sido apontado como uma prática bastante conservadora para solos
tropicais. O método utilizado pelo programa para o dimensionamento dos reforços
permite que se considere a coesão no solo do muro, com a conseqüente diminuição nos
coeficientes de empuxo horizontal e diminuição dos esforços nas geogrelhas. Recomenda-
se muito cuidado quando da adoção de valores diferentes de zero para a coesão. De modo
geral valores sempre menores que 20 kPa e mesmo assim somente em solos onde foram
realizados ensaios em laboratórios com amostras compactadas e saturadas. Caso o usuário
não tenha certeza quanto à contribuição ou não da coesão em caráter permanente, o
programa permite que ela seja desconsiderada fazendo-se esta opção nesta tela. No
exemplo a opção de desconsiderar a coesão não foi selecionada.

Figura 5.25 – Aviso e opção para desconsiderar a coesão.

24
As figuras 5.26, 5.27 e 5.28 apresentam a tela de saída do dimensionamento interno
(figura 5.26 e 5.27 com a janela deslocada) e a legenda dos valores calculados.

Figuras 5.26 e 5.27 – Telas de saída do dimensionamento interno.

Figura 5.28 – Tela de legenda do dimensionamento interno.

O programa apresenta uma saída bastante detalhada com informações específicas


de cada reforço, incluindo cota, geogrelha selecionada, espaçamento, tensão no reforço,
fator de segurança individual, alongamentos específicos máximos na compactação, final
de construção e longo prazo, deslocamento da face na compactação, final de construção e
longo prazo, tensão vertical induzida pelo compactador, tensão vertical final e coeficientes
de empuxo ativo equivalente, no final da compactação e final da construção. Além das
informações detalhadas o programa apresenta o fator de segurança interno global (ou
médio dos reforços) e a previsão dos deslocamentos médios da face e seus incrementos nas
três fases da obra (compactação, final da construção e longo prazo). Os deslocamentos
horizontais da face são calculados admitindo-se a distribuição triangular do alongamento
específico ao longo do comprimento do reforço com alongamento nulo nas extremidades e
máximo igual ao calculado no ponto de tração máxima.

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O programa procura otimizar a distribuição de geogrelhas para espaçamentos de
0,60 m, caso as geogrelhas escolhidas não sejam suficientes para resistir aos esforços
calculados os espaçamentos são reduzidos para 0,40 ou até 0,20 m de modo a garantir a
estabilidade local com o fator de segurança mínimo especificado.

Observa-se que o fator de segurança interno global é de 2,07 para fatores


individuais mínimos de 1,1, o que está em consonância com métodos de dimensionamento
tradicionais. Também o deslocamento da face médio total previsto é de 9,6 cm, mas destes
7,2 cm ocorrem durante a compactação das camadas, resultando apenas 2,4 cm para para
longo prazo respectivamente, o que representa uma distorção de aproximadamente 0,36%
em relação à altura total do muro (6,6 m) para longo prazo. Vale lembrar que a energia de
compactação influencia muito nos deslocamentos na fase de compactação e até o final da
construção. Quanto maior a energia de compactação, maior a solicitação no reforço
durante a compactação e menores as deformações após a fase de compactação. Pode-se
dizer que a compactação atua como um pré-adensamento do solo ou um pré-
tensionamento dos reforços.

O método de cálculo utilizado permite que os projetos de muros sejam baseados


não apenas em estado de equilíbrio limite ou ruptura, mas também em limites de
utilização de serviço, geralmente definidos por alongamentoe específicos máximos nos
reforçoa no final da obra e/ou a longo prazo. Esta metodologia permite que sejam
dimensionadas obras menos deformáveis em função das necessidades de utilização,
tipicamente muros que suportam ferrovias ou estruturas muito rígidas.

O usuário pode interferir nos resultados basicamente de duas maneiras;


diretamente na janela de resultados ou na janela de dados do dimensionamento interno.
As figuras 5.29 e 5.30 apresentam as possibilidades de se alterar diretamente na janela de
resultados os espaçamentos entre reforços ou a geogrelha adotada em uma camada.
Quando se alteram os espaçamentos o programa recalcula automaticamente todos os
reforços posicionados acima daquele no qual o espaçamento foi alterado manualmente.
Portanto o usuário deve iniciar as alterações manuais de baixo para cima na distribuição
dos reforços, ou de cima para baixo na janela de resultados. Quando a escolha de um
espaçamento e de uma geogrelha implicar em um fator de segurança interno individual
menor do que o mínimo especificado, a linha deste reforço fica ressaltada em letras
vermelhas e em negrito, mas o programa aceita os dados selecionados pelo usuário.

Figuras 5.29 e 5.30 – Alteração manual do espaçamento e do tipo de geogrelha.

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Outro modo de se alterar os resultados é o retorno à tela de dados do
dimensionamento interno e a alteração do fator de segurança mínimo. Como resultado o
fator de segurança interno global será maior devido à escolha de geogrelhas mais
resistentes. Em conseqüência os alongamentos máximos e os deslocamentos da face serão
menores.
Outro meio de diminuir os deslocamentos da face seria a opção por geogrelhas
Fortrac T ou Fortrac MP (PVA), que são mais rígidas. No exemplo a escolha de geogrelhas
Fortrac 35/20-20/30MP e 55/25-20/30MP com fator de segurança mínimo de 1,1 resultaria
em um acréscimo de 0,4 cm no final da construção e mais 1,0 cm a longo prazo. Uma
opção com ainda menores deslocamentos seria a utilização de geogrelhas de PVA com
fator de segurança mínimo maior do que 1,1 ou com a diminuição da máxima deformação
total admissível.
Uma vez definida a distribuição de reforçoa o programa faz a verificação do fator
de segurança das conexões de todas as grogrelhas. Para tanto é comparada a resistência
disponível da conexão com a tração nos reforços. A resistência disponivel é calculada a
partir a fórmula Tcon=A+PtanB, onde P é a força equivalente ao peso das camadas de
blocos acima da geogrelha, B é o ângulo de atrito entre os reforços e os blocos e A é o valor
da resistência disponível para blocos não confinados (P=zero). O valor de Tcon possui
ainda como limite o valor de Tconult que é a resistência onde a geogrelha rasga na
conexão, que independe do valor de P. Os valores de A, B e Tconult foram obtidos em
ensaios de laboratório para todas as grelhas utilizadas e todos os tipos de blocos. Estes
valores são intrínscicos ao sistema Muros Terrae e são automaticamente utilizados na
verificação.
A figura 5.31 apresenta a tela de saida da verificação da conexão, e a figura 5.32
apresenta a legenda da figura. Como default o programa adota conexão em camada
simples para geogrelhas Fortrac mais leves (Fortrac 20/13-20 e Fortrac 35/20-20) e conexão
em camada dupla (com dobra) para geogrelhas mais resistentes. O usuário pode alterar
para utilizar camada simples ou dupla utilizando os botões na janela. Para simplificar a
execução e os desenhos, a escolha deve ser feita pelo tipo da geogrelha. A figura 5.33
apresenta o exemplo onde também as geogrelhas Fortrac 35/20-20 são adotadas com
conexão em dupla camada (com dobra).
É comum que na parte superior de muros que tenham taludes próximos ao topo
dos muros com sobrecargas o fator de segurança na conexão seja baixo, uma vez que
existe tensão nos reforços e a resistência disponível é baixa porque a altura de blocos
acima das geogrelhas é pequena. Nesta situação pode-se trabalhar com conexão em dupla
camada e as vezes é necessário inserir mais uma camada de reforço (diminuindo
oespaçamento das últimas camadas) ou até aumentando a resistência das geogrelhas
superiores. Outra alternativa que pode ser utilizada para casos extremos é o
preenchimento dos blocos das útimas camadas com concreto margo ao invés de brita. O
preenchimento com concreto garante uma conexão ótima, com resistência disponível igual
a máxima da geogrelha (Tconult.)

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Figura 5.31 – Verificação da conexão.

Figura 5.32 – Legenda da verificação da conexão.

Figura 5.33 – Alteração de camada simples para camada dupla nas geogrelhas.

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Uma vez definido o dimensionamento interno o programa pode gerar um relatório com
todas as informações dos dimensionamentos externo e interno através da opção
“relatório”. A figura 5.34apresenta a janela de entrada de informações sobre a obra e a
figura 5.35apresenta um pedaço do relatório gerado. O formato do arquivo padrão é o tipo
mht, diretamente compatível com o Internet Explorer e configurado para ser impresso em
impressoras padrão jato de tinta e laser em folha tamanho A4. O arquivo pode ser
impresso diretamente ou salvo em arquivo tipo mht, html ou txt.

Figura 5.34– Tela de informações (cabeçalho) para o relatório.

Figura 5.35– Parte inicial do relatório do dimensionamento.

29
Além do relatório o programa possui um gerador de desenhos em base CAD e um
programa básico para visualização e pequenas alterações em ambiente CAD. O desenho
gerado representa a seção transversal do muro com todos os detalhes. Pode ser impresso
diretamente em folha A4 ou pode ser salvo em arquivo no formato dwg compatível com
programas de CAD para posterior edição e montagem de plantas gerais do projeto.

A figura 5.36apresenta a tela de definição de parâmetros para o desenho da seção.


De modo geral as opções de detalhamento mais usuais já são pré-selecionadas para muros
de diferentes alturas. Geralmente muros com altura acima de 5 metros possuem conexão
do reforço com a face em blocos através de dupla camada e dreno em tubo perfurado na
base do muro, enquanto que muros com altura menor que 5,0 metros não possuem estes
detalhes. O usuário pode alterar estas definições a seu critério. Ao posicionar-se o mouse
sobre os textos a sua definição é detalhada em caixas de texto.

No caso de muros com a utilização de blocos tipo Terrae-W e Terrae-LW o usuário


deve definir quantos blocos do tipo Terrae-LW serão usados na parte superior do muro
conforme apresentado na figura 5.37 São permitidos no máximo 15 blocos do tipo Terrae-
LW, o que equivale a uma altura de 3,0 metros.

Figuras 5.36e 5.37– Tela de definições para o detalhamento e definição no número de


blocos tipo Terrae-LW na parte superior do muro.

Ao selecionar-se a opção “ok” o programa abre uma janela em ambiente CAD e


gera a seção com todos os detalhes. O programa em CAD que acompanha o ForTerrae
permite a edição e a inclusão de textos, a visualização em zoom, a impressão pré-
configurada para folhas tamanho A4 e o salvamento do desenho em formato dwg. Caso o
usuário queira alterar algum parâmetro do detalhamento, a janela do programa pode ser
fechada e o detalhamento ser reiniciado a partir da tela de resultados do dimensionamento
interno. A figura 5.38apresenta a seção transversal gerada para o exemplo.

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Figura 5.38– Seção transversal gerada em ambiente CAD.

1. Bibliografia

Ehrlich, M and Mitchell, J.K. (1994) “Working Stress Design Method For Reinforced Soil
Walls”. Journal of Geotechnical Engineering. ASCE, Vol. 120, No. 4, pp. 625-647.

Ehrlich, M. (1999) “Análise de Muros e taludes de Solo Reforçado” Geossintéticos’99. Rio


de Janeiro – RJ. Volume 1 pp. 73-84.

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