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Apontamentos e Resumos

de Português - 12º Ano

Ficha do trabalho:

Preparação Exame Nacional Gramática


Autores: Ana Machado
Escola: Escola Secundária Avelar Brotero
Data de Publicação: 22/08/2012
Resumo: Resumo/Apontamentos sobre gramática, com vista à preparação
do exame nacional , realizado no âmbito da disciplina de Português (12º
ano). Ver Trab. Completo
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Preparação Exame Nacional Gramática


AdChoices 12º ano Exame valor Frase oração

Deixis

s
A deixis designa o conjunto de palavras ou expressões (expressões deíticas) que têm como função
‘apontar’ para o contexto situacional. Assim, assinalam o sujeito que enuncia (locutor), o sujeito a
quem se dirige (interlocutor), o tempo e o espaço da enunciação. Em função da sua natureza
deítica, é possível apresentar a seguinte classificação:
)

. Deítico pessoal – indica as pessoas do discurso (locutor e interlocutor); integram este grupo os
pronomes pessoais (ex: tu, me, nós, etc.), determinantes e pronomes possessivos (ex: o meu, o
vosso, teu, etc.), sufixos flexionais de pessoa-número (ex: falas, falamos, etc.), bem como
vocativos. EX: «Aceita que eu exista como os sonhos.»; «Quando eu disser não ouças.»

. Deítico espacial – assinala os elementos espaciais, evidenciando a relação de maior ou menor


proximidade relativamente ao lugar ocupado pelo locutor; integram este grupo os advérbios ou
locuções adverbiais de lugar (ex: aqui, cá, além, lá de cima, etc.), os determinantes e pronomes
demonstrativos (ex: este, essa, aquilo, etc.), bem como alguns verbos que indicam movimento
(ex: ir, partir, chegar, aproximar-se, afastar-se, entrar, sair, subir, descer, etc.). EX: «Vamos até
ali.»

. Deítico temporal – localiza fatos no tempo; integram este grupo os advérbios, locuções adverbias
ou expressões de tempo (ex: amanhã, ontem, na semana passada, no dia seguinte, etc.) e sufixos
flexionais de tempo-modo-aspeto (ex: falarei, faláveis, etc.). EX: «Depois de amanha serei outro.»

. Deítico social – assinala a relação hierárquica existente entre os participantes da interação


discursiva e os papéis por eles assumidos (ex: o senhor, vossa excelência, senhor diretor, etc.)
EX: «Eu quero prevenir já o senhor doutor que ele não está bom da cabeça.»
(

Atos de Fala

Sempre que alguém fala, realiza em simultâneo três ações:

· Ato locutório - enunciação de palavras ou frases que veiculam uma determinada mensagem;

· Ato ilocutório - ao proferir um enunciado, o locutor realiza uma ação (ex: prometer, ordenar,
pedir, etc.);

· Ato perlocutório - resultado ou efeito provocado no interlocutor por um determinado ato


ilocutório (ex: convencer, persuadir, assustar, etc.).

Considere-se o seguinte exemplo, enunciado por um professor na sala de aula:

- Está a ficar escuro!


Este enunciado é um ato locutório, na medida em que o professor pronuncia uma frase que

)
obedece às regras gramaticais e é contextualmente correta.

É também um ato ilocutório, pois trata-se da ação de afirmar ou de ordenar (indiretamente) que
levará a uma determinada ação por parte do interlocutor.

A ação realizada pelo interlocutor constitui o ato perlocutório. Neste caso, a enunciação pode levar
um aluno a acender a luz ou a abrir os estores.

Atos Ilocutórios

É possível classificar os atos ilocutórios com base nas intenções comunicativas (objetivo ilocutório)
e na função que assumem no contexto da sua enunciação (força ilocutória).

Dois enunciados podem ter o mesmo objetivo ilocutório mas forças ilocutórias distintas. Por
exemplo, uma ordem e um pedido têm o mesmo objetivo ilocutório (levar alguém a agir), no
entanto as suas forças ilocutórias são diferentes, já que o primeiro tem a força ilocutória de uma
ordem e o segundo a de um pedido.

Tipo Objetivo ilocutório


(

Atos ilocutórios Descrever um determinado estado de coisas e exprimir a


assertivos crença na verdade do seu enunciado (1).

Atos ilocutórios Levar o interlocutor* a praticar uma ação futura, que


diretivos pode ser de natureza verbal [ato ilocutório diretivo de
resposta verbal: perguntas (2)] ou não verbal [ato
ilocutório diretivo de resposta não verbal (3)].

Atos ilocutórios Comprometer o locutor*1 relativamente à prática de


compromissivos uma ação futura (4).

Atos ilocutórios Exprimir o estado psicológico do locutor relativamente ao


expressivos conteúdo do seu enunciado, sendo necessário que este
)

seja sincero naquilo que exprime. Podem ser realizados


utilizando verbos como agradecer (5) ou lamentar (6);
frases e expressões exclamativas com adjetivos
valorativos (7) ou ainda frases exclamativas com verbos
de valor afetivo como adorar (8), gostar, odiar, etc.

Atos ilocutórios Ciar uma nova realidade, capacidade que lhe advém do
declarativos seu estatuto institucional (9).

Atos ilocutórios Transmitir no enunciado do locutor mais do que aquilo


indiretos que realmente diz, ou transmitir algo diferente (10).

*1 a quem a frase se dirige *2 quem anuncia a frase

EX: (1) «Não percebo esta matéria.»

(2) «O que pensas deste filme?»

(3) «Conduz mais devagar!»

(4) «Prometo que estarei lá à hora marcada.»


(

(5) «Obrigada pela folha.»

(6) «Lamento o atraso.»

(7) «Boa noite!»

(8) «Adoro viajar!»

(9) «Declaro-vos marido e mulher.»

(10) «Sabe onde fica o Centro de Congressos?»

o que o locutor quis de fato transmitir foi diga-me onde fica o Centro de Congressos.

Reprodução do discurso no discurso

Quando relata um discurso anteriormente proferido, o locutor reproduz, no seu próprio discurso, o
discurso de outro locutor expresso noutra situação de enunciação. Há cinco grandes modalidades
de reprodução do discurso no discurso:

. Discurso Direto

É o modo de enunciação que reproduz o discurso de locutores ocorrido em situação enunciativas


anteriores, tal como foi dito ou pensado. Quando se trata de um texto ficcional, o narrador coloca
as próprias personagens a apresentar diretamente as suas palavras. Geralmente introduzido por
verbos de tipo declarativo (ex.: dizer, afirmar, etc.) que podem surgir no início, no meio ou no fim
do relato, carateriza-se pela utilização de alguns sinais auxiliares que permitem identificar um
novo enunciado de um locutor: travessões, por exemplo.
E foi já ao café que uns gaúchos fizeram o favor de servir à mesa, […], que Joel se inclinou um
pouco para Carmos Vermelho e ciciou:

─ Precisava de falar contigo…

. Discurso Direto Livre

É um modo de relato de discurso frequente na literatura atual, permitindo criar novos efeitos
estéticos pelas possibilidades de maior liberdade narrativa que oferece. As falas ou os
pensamentos das personagens aparecem imersos no discurso do narrador e desaparecem as
marcas formais que assinalam a mediação do narrador (mudança de parágrafo, aspas, uso de
travessões, etc.).

«Já não via as pessoas. Passava o tempo a falar com elas mas tinha deixado de as ver. As pessoas
começavam logo de manhã a falar. A primeira era a voz do canalizador que tinha ficado de ir às
oito e meia mas não tinha podido aparecer e por isso pede muita desculpa mas agora só daqui a
dois meses e três e dois minutos é que volta a ter tempo para ocupar-se daquele assunto da
banheira bem vistas as coisas não é assim tão urgente ele até tinha um problema semelhante na
casa do engenheiro nunes não sei se conhece o senhor engenheiro aquele que trabalha na câmara
e por isso isto da banheira arruma-se de vez lá para julho em todo o caso ainda antes das férias
porque depois metem-se as férias e é o diabo.»

. Discurso Indireto

O discurso indireto implica uma enunciação indireta, na medida em que um locutor ou narrador se
apropria de um discurso proferido anteriormente para o reproduzir à sua maneira. Este tipo de
discurso é geralmente introduzido por verbos declarativos (dizer, afirmar, responder, etc.).

Eva quis saber mais sobre este Dalai-Lama de que tanto se falava. Maria das Dores disse que a
perita era a irmã, que tinha melhores olhos e conseguia ler a letra pequenina.

. Discurso Indireto Livre

Neste modo de relato de discurso, a enunciação do locutor-relator funde-se com a enunciação do


primeiro locutor, sendo difícil fazer a sua identificação, ao contrário do que se verifica no discurso
direto e no discurso indireto.

. Citação

A citação é um texto ou excerto reproduzido noutro discurso, fazendo-se referência ao autor e/ou
à obra a que pertence. Assinala-se graficamente com aspas ou com um tipo de letra diferente e
são uma das manifestações da intertextualidade.

A principal mudança de natureza fonológica que marca o português do séc. XVI é a simplificação
do sistema de sibilantes […]. A este respeito, Teyssier afirma categoricamente que o português
clássico ainda encontra um sistema de quatro sibilantes:

“A existência de quatro unidades distintivas no português do início do século XVI não sofre
dúvida.” (Teyssier 1982: 50)

. Frase simples e Frase complexa

Frase simples - frase em que existe um único verbo principal ou copulativo.

Frase complexa - frase em que existe mais do que um verbo principal ou copulativo, que contêm
mais do que uma oração. Numa frase complexa, podemos ter orações coordenadas e/ou
subordinantes e subordinadas.

. Coordenação

A coordenação é a relação sintática estabelecida entre elementos que pertencem à mesma


categoria gramatical e que desempenham a mesma função sintática.

As orações coordenadas podem-se classificar em:

Copulativa – estabelece uma relação de adição com a(s) oração(ões) com que se combina.

EX: «Estou cansado e vou descansar.»

Adversativa – transmite uma ideia de contraste, de oposição, relativamente à ideia expressa na


frase ou oração com que se combina.

EX: «Estou cansado, mas vou continuar.»

Disjuntiva – exprime um valor de alternativa face ao que é expresso pela oração com que se
combina.

EX: «Ou descanso ou não posso continuar.»

Conclusiva – transmite uma ideia de conclusão decorrente da ideia expressa na frase ou oração
com que se combina.

EX: «Estou cansado, logo não posso continuar.»

Explicativa – apresenta uma justificação ou explicação relativa à frase ou oração com que se
combina.
EX: «Estou cansado porque andei muito.»

. Subordinação

A subordinação é a relação sintática estabelecida entre orações em que uma (subordinada) está
sintaticamente dependente de outra (subordinante).

As orações subordinadas podem-se classificar em:

Substantiva – desempenha a função sintática de sujeito ou de complemento de um verbo, nome


ou adjetivo, podendo ser facilmente substituída por um pronome como isso e subdividindo-se em:

Completiva, que completa a ideia da oração anterior e pode ser introduzida pelas conjunções
subordinativas «que», «se» e «para».

EX: «Eu bem sei que tu não voltas».

Relativa, que é introduzida por quantificadores e pronomes relativos sem antecedente, como
quem, o que, onde, quanto, que, o qual, os quais, a qual, as quais.

EX: «Quem espera sempre alcança.»

Adjetivas – exerce a mesma função que um adjetivo e subdivide-se em:

. Relativa restritiva, que tem como função restringir a informação dada sobre o antecedente; a
sua omissão acarreta uma alteração do sentido da oração subordinante, pois apresenta informação
relevante para a definição do antecedente.

EX: «O poeta português que escreveu Os Lusíadas foi grandioso.»

. Relativa explicativa, que apresenta informação adicional sobre o antecedente; a sua omissão
não altera o sentido da oração subordinante, uma vez que o antecedente já se encontra
suficientemente definido.

EX: «A literatura, que é imortal, encanta os leitores.»

. Adverbiais – desempenha a função sintática de modificador da frase ou do grupo verbal e,


modificando o sentido de outras orações, subdivide-se em:

. Causal, que indica a causa ou o motivo daquilo que é expresso na subordinante.

EX: «Não compro este carro porque consome muito.»

. Final, que enuncia o objetivo da realização da situação descrita na subordinante.

EX: «Leva dinheiro para pagares as compras.»

. Temporal, que estabelece a referência temporal em relação à qual a subordinante é


interpretada.

EX: «Estavas ao telefone, quando entrei.»

. Concessiva, que admite algo contrário ao que é apresentado na subordinante mas incapaz de
impedi-lo.

EX: «Iremos à piscina, embora não seja do meu agrado.»

. Condicional, que indica uma hipótese ou condição em relação ao que é expresso na


subordinante.

EX: «Se ele fosse rico, teria muitos criados.»

. Comparativa, que contém o segundo elemento de uma comparação que estabelece em relação
a uma situação apresentada na subordinante.

EX: «Ele trata-me como se eu fosse sua inimiga.»

. Consecutiva, que apresenta uma consequência da situação expressa na subordinante.

EX: «Comi tanto que fiquei indisposta.»

Funções Sintáticas

Funções sintáticas ao nível da frase:

. Sujeito – elemento que controla a concordância, em pessoa e em número, relativamente ao


núcleo. Pode ser:

. Simples – constituído apenas por um grupo nominal ou por uma frase.

. Composto – constituído por duas ou mais expressões nominais ou por duas ou mais frases.

. Nulo – não está realizado lexicalmente, sendo possível classificá-lo em:

 .  Subentendido – quando é possível identificar no contexto o referente para o qual remete o
sufixo flexional. EX: «[Tu] Querias crescer depressa, aí tens.»

. Indeterminado – quando o verbo se encontra na 3ª pessoa do plural ou do singular,


acompanhado, neste último caso, do pronome pessoal se com valor impessoal, não sendo possível
identificar o referente do sujeito nulo indeterminado, uma vez que não é definido nem específico.
EX: «Disseram-me que ia chover.»; «Via-se bem que alguns deles faziam logo as contas.»

     .  Expletivo – ocorre apenas com verbos impessoais. EX: «Havia já algumas pessoas à sombra
dos toldos ou estendidos ao sol.»

. Predicado – função sintática desempenhada pelo grupo verbal.

. Modificador da frase – grupo preposicional (1) ou adverbial (2) que, ao contrário dos
complementos, não sendo selecionados pelo verbo, modificam-no, acrescentando informação
suplementar. Caracterizam-se essencialmente pela sua grande mobilidade, podendo ocorrer em
várias posições da frase.

EX: (1) «O carrinho partiu, com Lourival, por entre a azinhaga.»

(2) «O conselheiro enrolava vagarosamente o seu lenço de seda da Índia.»

. Vocativo – constituinte (não obrigatório) que identifica o interlocutor, ocorrendo em frases


imperativas (1), exclamativas (2) e interrogativas (3).

EX: (1) «Fecha a porta, Pedro.»

(2) «Dói-me muito o peito, mãe!»

(3) «Quando tenho alta, senhor doutor?»

Funções sintáticas internas ao grupo verbal:

. Complementos – constituintes da frase selecionados pelo verbo:

. Complemento direto – grupo nominal (1) ou oração substantiva completiva (2) que pode ser
substituído respetivamente pelo pronome pessoal de 3ª pessoa (o/a, os/as) e pelo pronome
demonstrativo átono o.

EX: (1) «Dois homens seguravam o porco.» «Dois homens seguravam-no»

(2) «Hão de jurar que não me conhecem.» «Hão de jurá-lo.»

. Complemento indireto – grupo preposicional (geralmente introduzido pela preposição a) que


pode ser substituído por um pronome pessoal de 3ª pessoa (lhe/lhes).

EX: «Perguntem aí ao Gouveia.» «Perguntem-lhe aí.»

. Complemento oblíquo – grupo adverbial (1) ou preposicional (2) que, ao contrário do


complemento indireto, não pode ser substituído por um pronome pessoal (lhe/lhes).

EX: (1) «Faz bem à alma.» «Faz-lhe à alma.»

(2) «Também me lembro do sopro do maçarico.» «Também me lembro-lhe.»

Exemplos de verbos que pedem complemento oblíquo:

. ir a, vir de, estar em, partir de (nome ou pronome precedido de preposição; advérbio);

. comunicar com, concordar com, discordar de, precisar de, necessitar de, troçar de, casar-se
com, divorciar-se de, dispor-se a, arrepender-se de, interessar-se por (nome ou pronome
precedido de preposição).

. Complemento agente da passiva – grupo preposicional (geralmente introduzido pela


preposição por) que, na frase ativa correspondente, passa a grupo nominal com função de sujeito.

EX: «Uma Câmara não é eleita pelo povo, é nomeada pelo Governo.» «O povo não elege uma
Câmara, o Governo nomeia-a.»

. Predicativos:

. Predicativo do sujeito – grupo nominal (1), adjetival (2), adverbial (3) ou proposicional (4) ou
oração (5) selecionado por um verbo copulativo (estar, ficar, continuar, parecer, permanecer,
revelar-se, ser, tornar-se…) que atribui uma propriedade ou uma localização (espacial ou
temporal) ao sujeito.

EX: (1) «A mãe era uma criatura desagradável e azeda.»

(2) «Garcia ficou aturdido.»

(3) «Olhe que isto é preciso é que todos fiquem bem.»

(4) «Caeiro era de estatura média.»


(5) «Pensar é estar doente dos olhos.»

. Predicativo do complemento direto – grupo nominal (1), adjetival (2) ou preposicional (3),
selecionado por um verbo transitivo predicativo (achar, chamar, considerar, eleger, julgar,
nomear, tratar,…) que atribui uma propriedade ou uma localização (espacial ou temporal) ao
complemento direto.

EX: (1) «[…] se o ministro fizer esse ladrão recebedor de comarca.»

(2) «Todos a achavam simpática.»

(3) «Todos o tinham por tolo.»

. Modificador do grupo verbal – grupo preposicional (1), adverbial (2) ou oração subordinada (3)
que, ao contrário dos complementos, não sendo selecionados pelo verbo, modificam-no,
acrescentando informação suplementar. Caracterizam-se essencialmente pela sua grande
mobilidade, podendo ocorrer em várias posições da frase.

EX: (1) «O carrinho partiu, com Lourival, por entre a azinhaga.»

(2) «O conselheiro enrolava vagarosamente o seu lenço de seda da Índia.»

(3) «Não te posso dar minha filha, porque já não tenho filha.»

Funções sintáticas internas ao grupo nominal:

. Complemento do nome – grupo preposicional [oracional (1) ou não oracional (2)] ou, menos
frequentemente, adjetival (3) que integra o grupo nominal, ocorrendo sempre à direita do nome
que completa e sendo sempre de preenchimento opcional.

EX: (1) «Tem curiosidade de saber como é esta pobre máquina por dentro […].»

(2) «Ter pena dele seria como ter pena dum plátano […].»

(3) «A procura turística tem aumentado.»

. Modificador do nome – função sintática que integra o grupo nominal, modificando-o através de
informações suplementares.

. Restritivo – grupo preposicional (1), grupo adjetival (2) ou oração relativa restritiva (3) que
modifica o nome, restringindo a sua referência.

EX: (1) «Fechou a porta da cela atrás de si […].»

(2) «De repente, a rapariga loira viu uma criança sair a correr.»

(3) «Há palavras que fazem bater mais depressa o coração […].»

. Apositivo – grupo nominal (1), adjetival (2) ou preposicional (3) ou oração relativa explicativa
(4) que, ao modificarem o nome, não limitam a sua referência. Na escrita, está sempre separado
por vírgulas do nome que modifica e ocorre normalmente à direita do mesmo.

EX: (1) «Alguma vez a sua Loló, magra e frenética criatura de olhos verdes, brincara nos jardins
dos palacetes […]?»

(2) «Que doença estranha, lenta mas tenaz, matava o Rei?»

(3) «A velha tinha-se dado preparatoriamente um choro, de grande efeito em corações de


viajante.»

(4) «O rapaz, que chegou pelo lado de trás, abriu a cancela de madeira.»

Funções sintáticas internas ao grupo adjetival:

. Complemento do adjetivo – grupo preposicional [não oracional (1) ou oracional (2)] que
integra o grupo adjetival, ocorrendo sempre à sua direita. Não é de preenchimento obrigatório.

EX: (1) «E será o pai feliz com o meu sacrifício?»

(2) «Sou fácil de definir.»

. Modificador do adjetivo – grupo adverbial que integra o grupo adjetival, correspondendo a um


advérbio colocado à esquerda do adjetivo.

EX: «Verão como o elefante se enfrenta com os mais furiosos ventos contrários.»

Testes práticos para identificar os complementos do verbo e o modificador do grupo verbal

. Complemento direto: pode ser substituído pelo pronome pessoal o, a, os, as. Se for uma
oração, pode substituir-se pelo pronome demonstrativo isso. Surge na resposta à questão: O
sujeito + verbo + o quê? ou + quem?

. Complemento indireto: pode ser substituído pelo pronome pessoal lhe, lhes. Surge na resposta
à questão: O sujeito + verbo (+ complemento direto) + a quem?

. Complemento agente da passiva: na frase ativa, desempenharia a função de sujeito.


. Complemento oblíquo: não pode ser substituído pelos pronomes pessoais o e lhe.

Classes de Palavras

. Nome:

. Comum – não se aplica a uma entidade única, podendo designar objetos, seres, fatos e
conceitos de forma não individualizada. EX: «Quero aquele pão.»

. Próprio – designa uma única entidade num determinado contexto comunicativo. EX: «Basílio
tomou-lhe as mãos.»

. Contável – designa entidades ou seres singulares, passíveis de serem divididos em partes


distintas e enumerados. EX: caderno, cadeira, lápis, etc.

. Não-contável – designa algo que é concebido como um todo contínuo, não podendo ser dividido
em partes singulares nem contado. Ex: farinha, açúcar, água, etc.

. Concreto – designa objetos ou entidades físicas que podem ser localizadas no tempo e no
espaço. EX: janela, porta, árvore, gato, etc.

. Abstrato – refere-se a entidades não tangíveis, imateriais, como sentimentos ou conceitos. EX:
felicidade, beleza, perigo, medo, verdade, etc.

. Adjetivo:

. Qualificativo – modifica um grupo nominal, atribuindo-lhe uma qualidade.

. Numeral – modifica o nome, atribuindo-lhe uma determinada ordem dentro de uma série.
Corresponde a uma palavra tradicionalmente classificada como numeral ordinal. EX: primeiro,
segundo, vigésimo lugar, etc.

. Relacional – palavra que se distingue dos restantes adjetivos por apresentar características
próprias: completa, geralmente, o sentido do nome, atribuindo-lhe informações de natureza
classificatória, deriva de nomes [comércio comercial], não admite variação em grau [uma
manifestação operária uma manifestação muito operária], ocorre sempre em posição pós-nominal
e não tem antónimo.

. Variação em género:

. Biforme – possui uma forma para o feminino e para o masculino.

. Uniforme – possui apenas uma forma para ambos os géneros.

. Variação em grau:

. Normal – expressa simplesmente a qualidade.

. Comparativo – compara uma qualidade entre duas entidades, distinguindo-se três


modalidades:

. De superioridade – EX: «Londres é mais cosmopolita do que Lisboa.»

. De inferioridade – EX: «Lisboa é menos agitada do que Londres.»

. De igualdade – EX: «Londres é tão movimentada como Paris.»

. Superlativo:

. Relativo – apresenta uma qualidade atribuída a uma entidade que é comparada a um conjunto
de entidades.

. De superioridade – EX: «O Everest é a mais alta montanha do mundo.»

. De inferioridade – EX: «Os países da África subsariana são os menos desenvolvidos.»

. Absoluto – indica uma qualidade que supera a noção que normalmente se tem dessa mesma
qualidade, não se relacionando com nenhum conjunto de entidades.

. Sintético – EX: «Este problema é facílimo.»

. Analítico – EX: «Aquele ator é bastante célebre.»

. Pronome:

. Pessoal

. Demonstrativo

. Possessivo

. Indefinido

. Relativo

. Interrogativo

. Determinante:
. Artigo definido

. Artigo indefinido

. Demonstrativo

. Possessivo

. Indefinido

. Relativo

. Interrogativo

. Quantificador:

. Universal

. Existencial

. Numeral

. Relativo

. Interrogativo

. Verbo:

. Principal

. Copulativo

. Auxiliar

Advérbio:

. De negação

. De afirmação

. De quantidade e grau

. De inclusão e exclusão

. Relativo

. Interrogativo

. De predicado

. De frase

. Conetivo

. Conjunção/locução conjuncional:

. Coordenativa

. Subordinativa

. Preposição/locução prepositiva

. Interjeição

Processos Morfológicos de Formação Regular de Palavras

. Flexão

Designa o processo que se aplica apenas às palavras variáveis, permitindo especificar as suas
propriedades morfossintáticas e morfossemânticas (número, tempo, modo, etc.).

. Flexão nominal e adjetival - aplica-se aos nomes e adjetivos, podendo também incidir em
determinantes, quantificadores e pronomes.

. Flexão de número - permite distinguir o singular do plural. Enquanto o singular não possui
qualquer afixo, o plural é realizado pelo sufixo –s. [Pé (singular), pés (plural)]

. Flexão de género - permite distinguir o masculino do feminino. [Aluno, aluna]

. Flexão em grau - permite estabelecer uma gradação no significado de alguns nomes e adjetivos.
[Carro, carrinho, carrão]

. Flexão de caso - permite identificar as funções sintáticas dos pronomes pessoais.

. Flexão verbal - os verbos flexionam em tempo, modo, pessoa e número. Apresentam-se no


quadro abaixo os sufixos flexionais de tempo (T), modo (M), pessoa (P) e número (N).
Sufixo TM Sufixos PN (Pessoa e Número)
Modo Tempo (Tempo e Singular Plural
Modo)
1ª 2ª 3ª 1ª 2ª 3ª

Indicativo Presente Amálgama1

Pretérito Amálgama1
Perfeito

Pretérito -va -s -mos -is -m


Imperfeito -a

Pretérito -ra -s -mos -is -m


mais-que-
perfeito

Conjuntivo Presente -e (1ª -s -mos -is -m


conjugação)
-a (2ª e 3ª
conj.)

Pretérito -sse -s -mos -is -m


Imperfeito

Futuro -r / -re -s -mos -des -m

Infinitivo Pessoal -r / -re -s -mos -des -m

O presente e o pretérito perfeito do indicativo não possuem sufixos individuais de TM e PN,


ocorrendo apenas um que reúne todas as informações, designado amálgama.

. Derivação

É o processo morfológico que permite a formação de novas palavras a partir de uma forma de
base, podendo envolver a junção de um afixo.

. Afixação

É o processo morfológico que associa uma afixo a uma base, permitindo formar novas palavras.
Uma palavra formada por afixação resulta da junção de um afixo a uma base. [etern: eternizar ;
fala : falador; clara: claramente]. Fazem parte da afixação os processo de:

. Derivação por sufixação - processo de formação de palavras que consiste na junção de um afixo
(sufixo) à direita da base. [(estudant)e - estudantil; (activ)o - activista; (gag)o - gaguejar]

. Derivação por prefixação - processo de formação de palavras que consiste na junção de um


afixo (prefixo) à esquerda da base. [gordura - anti-gordura; legal - ilegal; (lig)ar - desligar]

. Derivação parassindética - processo de formação de palavras que consiste na junção simultânea


de um prefixo e de um sufixo a uma base. [tronar - des(tron)ar; patriar → ex(patri)ar; lisar - a(lis)
ar]

. Derivação não-afixar

Permite formar nomes a partir de verbos, mas, ao invés de se juntar um afixo, retira-se um
segmento à base. [atacar - ataque; chorar - choro]

. Conversão

É um processo de formação de palavras que não implica qualquer alteração formal, na medida em
que apenas se procede à alteração da classe de palavra. [O comer e o coçar vão do começar.]

. Composição

Designa o processo morfológico de formação de palavras que associa duas ou mais formas de
base.

. Composição morfológica

Resulta da associação de dois ou mais radicais, ligados entre si por meio de uma vogal de ligação
(i ou o), podendo ocorrer um hífen entre os radicais. À forma composta atribui-se o nome de
composto morfológico. [lus(o)-(descendente); fot(o)grafia, queim(ó)dromo]

. Composição morfossintática

Designa o processo de composição que associas duas ou mais palavras. [ator-encenador; governo-
sombra; surdo-mudo; guarda-roupa]
Processos irregulares de formação de palavras

O léxico de uma língua pode ser alargado através do recurso a processos irregulares de formação
de palavras, permitindo assim a criação de neologismos → novos conceitos ou realidades, podendo
ser de natureza formal (amálgama, sigla, acronímia, onomatopeia e truncação) ou semântica
(extensão semântica e empréstimo).

. Extensão Semântica

Processo que ocorre quando são atribuídos novos sentidos a uma unidade lexical já existente.
[Não embarco nessas ideias! → o verbo embarcar começou por significar “entrar numa
embarcação”, mas, por extensão semântica, também passou a ter o sentido de “aderir, aceitar”]

. Empréstimo

Processo que resulta da apropriação de uma unidade lexical de outra língua. [gabardina (do
francês); piza (do italiano)]

. Amálgama

Processo de criação de palavras que resulta da junção de partes de duas ou mais unidades
lexicais. [informática (informação+automática)]

. Sigla
Unidade resultante da junção das iniciais de um grupo de palavras, que são pronunciadas
individualmente. [PSP (Polícia de Segurança Pública)]

. Acrónimo

Unidade lexical resultante da junção das letras ou sílabas iniciais de um conjunto de palavras,
sendo pronunciada como uma palavra. [sida, nato, onu]

. Onomatopeia

Unidade lexical resultante da imitação de um som natural. [fru-fru, tique-taque]

. Truncação

Processo de criação lexical que resulta da supressão de uma parte da palavra. [disco (discoteca),
Alex (Alexandre)]

Significação lexical

O significado de uma unidade é lexical sempre que refere entidades do mundo, podendo ser
denotativo ou conotativo.

. Denotação

Parte objetiva do significado lexical, podendo ser analisada fora do discurso, uma vez que é literal
e estável.

“A chave da porta desapareceu.” - o sentido denotativo de chave é: instrumento metálico


destinado a abrir portas

. Conotação

Parte subjetiva, instável do significado lexical que se atualiza em sentidos secundários ancorados
ao sentido denotativo da unidade lexical.

“Precisas de te concentrar para encontrares a chave do teu problema.” - um dos sentidos


conotativos de chave é: solução

. Monossemia

Caraterística semântica de unidades lexicais que apenas possuem um único significado em todos
os contextos. É frequente nos termos de linguagens especializadas [“telefone; estetoscópio”].

. Polissemia

Caraterística semântica da maior parte das unidades lexicais que possuem vários significados,
relacionados entre si [borracho - pombo novo; bonito; bêbado].

Relações Semânticas entre Palavras

Atendendo ao seu significado, as palavras podem estabelecer entre si diferentes tipos de relações.
Estas relações assumem particular relevância na construção da coesão textual, já que
representam um contributo indispensável para a unidade semântica do conjunto (enunciado/texto)
a que pertencem.
Relações de Semelhança – Sinonímia

Existe sinonímia quando a substituição de um item lexical por outro não altera o significado do
enunciado:

. Sinonímia total - quando as unidades lexicais têm o mesmo significado em todos os contextos
linguísticos no mesmo registo.

· Sinonímia parcial - quando as unidades lexicais têm o mesmo significado em muitos contextos,
mas não em todos, não sendo, portanto, substituíveis entre si em todos os enunciados.

Morrer e falecer não podem ser usados em todos os contextos:

Morrer de susto - Falecer de susto [X]

O doente faleceu - A planta faleceu [X]

Relações de Oposição – Antonímia

A antonímia é a relação de oposição que se estabelece entre o significado de duas ou mais


unidades lexicais. [gordo – magro]

Relações de Hierarquia

São estabelecidas através de hiperónimos e hipónimos.

. Hiperonímia - relação hierárquica de inclusão de significado entre duas unidades lexicais, em que
o significado do hiperónimo (por ser mais geral) inclui o dos hipónimos;

· Hiponímia - relação hierárquica de inclusão de significado entre duas unidades lexicais, em que o
significado do hipónimo (por ser mais específico) é incluído no do hiperónimo.

[Flor (hiperónimo): cravo, rosa, lírio, jarro, malmequer, etc. (hipónimos)]

Relações de Parte-Todo

São estabelecidas através do recurso a holónimos e merónimos.

. Holonímia - relação de inclusão semântica entre duas unidades lexicais, em que o significado de
uma (o holónimo) é considerado um todo cujas partes constituintes são os merónimos.

· Meronímia - relação de hierarquia semântica entre duas unidades lexicais, em que o significado
de um (o merónimo) corresponde a uma parte constituinte da outra (holónimo).

[Computador (holónimo): teclado, monitor, rato, etc. (merónimos)]

As relações de hiperonímia – hiponímia distinguem-se das de holonímia – meronímia, na


medida em que as primeiras equivalem a uma relação de ser, enquanto as segundas se definem
como uma relação de ter.

Baleia (hipónimo) é um mamífero (hiperónimo).

Barco (holónimo) tem vela, leme, convés… (merónimos).

Estrutura Lexical

. Campo Lexical - conjunto de unidades lexicais que se referem ao mesmo domínio conceptual.

Calças, saia, camisola, camisa, vestido, etc. → pertencem ao mesmo campo lexical: vestuário.

. Campo semântico - conjunto de sentidos que uma unidade linguística pode atualizar nos
diferentes contextos em que pode ocorrer.

Campos semânticos de bola e neve: bola de futebol, bola de neve, vela do barco, vela do carro,
etc.

Figuras de Estilo

. A nível fónico - incidem nas propriedades fonéticas das palavras selecionadas pelo seu autor,
que procura assim criar efeitos estético-expressivos através dos sons, conferindo ritmo e
musicalidade ao texto.

. Aliteração - repetição intencional de sons consonânticos [consoantes] em palavras sucessivas ou


próximas.

O vento vago voltou

. Assonância - repetição intencional dos mesmos sons vocálicos em palavras sucessivas ou


próximas.

À tona de águas paradas


· A nível sintático - resultam da criação de efeitos estéticos e expressivos através de recursos
sintáticos e morfológicos

. Anáfora - repetição sucessiva de uma palavra ou expressão no início de frases ou versos.

É urgente o amor.

É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras, ódio, solidão e crueldade, alguns lamentos, muitas espadas.

. Anacoluto - interrupção brusca da construção sintática inicial da frase, resultante de uma


mudança inesperada do pensamento.

Ó senhor doutor. O senhor vai ver que o Alentejo… Eu tenho aí uma herdade, havemos de lá ir.

. Anástrofe - alteração da ordem direta da frase devido à anteposição de um complemento ou à


deslocação de uma palavra.

Às horas em que um frio vento passa.

. Assíndeto - omissão da partícula de ligação entre palavras ou frases, que passam a estar
separadas através de vírgulas

E aos meus olhos saqueados é como se a cidade ardesse, uma cidade fantástica, aberta de
quarteirões, de praças, de sonhos.

. Epanadiplose - repetição da mesma palavra ou expressão no início e no final de um verso ou de


uma frase.

Noite igual por dentro ao silêncio, Noite

Com as estrelas lantejoulas rápidas

No teu vestido franjado de Infinito.

. Epanalepse - repetição da mesma palavra ou expressão em vários momentos de um texto,


relativamente próximos.

Amei a mulher, amei a terra, amei o mar.

. Epífora - repetição da mesma palavra ou expressão no final de versos ou de frases sucessivas.

Não sou nada.

Nunca serei nada.

Não posso querer ser nada.

. Enumeração - apresentação sucessiva de elementos.

Mas o melhor do mundo são as crianças,

Flores, música, o luar e o sol.

. Gradação - sucessão de elementos que se apresentam segundo uma ordem significativa,


positiva ou negativa, de modo a destacar uma evolução ascendente ou descendente.

A minha vida é um avental que se soltou.

É uma onda que se alevantou.

É um átomo a mais que se animou…

. Hipérbato - separação de palavras que pertencem ao mesmo grupo sintático; transposição da


ordem normal das palavras de uma oração

As inquietas ondas apartando. [apartando as ondas inquietas]

. Paralelismo de construção - repetição da estrutura frásica para memorizar ou destacar ideias

Três vezes do leme as mãos ergueu,

Três vezes ao leme as reprendeu.

. Polissíndeto - repetição do elemento de ligação entre frases ou palavras

E com as mãos e os pés


E com o nariz e a boca.

A nível interpretativo:

. Alegoria - representação física de ideias, realidades abstratas, obtida através de um conjunto de


imagens, de comparações, de metáforas, de personificações ou de animismos. Normalmente
concretizada através de seres animados.

O polvo, com aquele seu capelo na cabeça, parece um monge; com aqueles seus raios estendidos,
parece uma estrela; com aquele não ter osso nem espinha, parece a mesma brandura, a mesma
mansidão. [Neste excerto, a figura do polvo é a representação física de ideias como a hipocrisia e
a traição.]

. Animismo - atribuição de propriedades anímicas a seres ou realidades inanimados. Não se


confunde com a personificação na medida em que as propriedades atribuídas não são humanas.

Um vento selvagem, sem cabresto, cavalgava pelas ruas.

. Antítese - apresentação de dois conceitos opostos para realçar o seu contraste.


Julguei que isto era o fim e afinal é o princípio.

. Antonomásia - substituição de um nome próprio por uma palavra ou expressão que o designem
de modo inconfundível.

Cessem do sábio grego e do Troiano.

. Apóstrofe/invocação - interpelação, chamamento de alguém ou de algo personificado

Ó céu! Ó campo! Ó canção!

. Comparação - relação de semelhança entre duas ideias usando uma partícula comparativa ou
verbos como «parecer», «assemelhar-se», etc.

O meu olhar é nítido como um girassol.

. Disfemismo - apresentação, de forma violenta, de uma ideia que pode ser expressa de forma
suave.

Cheiro que não ofende estes narizes, habituados, que estão ao churrasco do auto-de-fé.

. Eufemismo - expressão, de uma ideia chocante, de uma forma suave.

Quando a fogueira se apagar tens de te ir embora [= morrer].

. Hipálage - transferência de caraterísticas de uma realidade para outra com a qual está
relacionada.

Nós fumámos um preguiçoso charuto no jardim.

. Hipérbole - exagero da realidade.

Corre um rio sem fim.

. Ironia - afirmação que pretende sugerir ou insinuar o contrário;

. Metáfora - comparação de dois conceitos sem utilização da partícula comparativa.

Numa onda de alegria.

. Metonímia - utilização de um vocábulo em vez de outro, com o qual tem uma relação de
contiguidade.

Estou a estudar Camões.

. Oximoro - expressão que inclui contradição, revelando assim a sua complexidade.

São coisas vestindo nadas.

. Perífrase - utilização de muitas palavras para dizer o que pode ser expresso por poucas.
Pelo neto gentil do velho Atlante [= Mercúrio]

. Personificação - atribuição de caraterísticas humanas a seres inanimados ou a animais. Quando


uma nuvem passa a mão por cima da luz.

. Pleonasmo - utilização de duas palavras ou expressões que significam o mesmo, tendo


geralmente valor de insistência.

Vi, claramente visto, o lume vivo.

. Sinestesia - expressão simultânea de sensações diferentes.

Brancura quente da calçada.

Noções de Versificação

Verso

Entende-se por verso cada uma das linhas de um poema.

. Ritmo - efeito sonoro produzido intencionalmente pela alternância entre sílabas tónicas
(acentuadas) e sílabas átonas (não acentuadas). Ao conjunto das sílabas acentuadas presentes
num verso atribui-se a designação de acento rítmico.

· Metro/métrica – medida poética que corresponde ao número de sílabas métricas de um verso. A


contagem do número de sílabas métricas:

. É efetuada apenas até à sílaba tónica (sílaba acentuada) da última palavra do verso;

. Procede-se normalmente à junção das vogais átonas finais quando a palavra seguinte é
iniciada por vogal.

EX: «Mu/dam/-se os/tem/pos/, mu/dam/-se as/von/ta/des.»

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10

(última sílaba métrica) (elisão) (elisão)

Classificação dos versos quando à métrica:

. Monossílabo – uma sílaba

. Dissílabo – duas sílabas

. Trissílabo – três sílabas

. Tetrassílabo – quatro sílabas

. Pentassílabo/redondilha menor – cinco sílabas

. Hexassílabo – seis sílabas

. Heptassílabo/redondilha maior – sete sílabas

. Octossílabo – oito sílabas

. Eneassílabo – nove sílabas

. Decassílabo – dez sílabas

. Hendecassílabo – onze sílabas

. Dodecassílabo – doze sílabas

Rima

Rima é a correspondência dos mesmos sons.

Classificação da rima:

. Em função da correspondência de sons:

. Rima consoante/perfeita - correspondência total de sons (consoantes e vogais) a partir da última


sílaba tónica.

Cruel como os Assírios

Lânguido como os Persas,

Entre estrelas e círios

Cristão só nas conversas.

. Rima toante/imperfeita - existe apenas uma correspondência de sons vocálicos a partir da última
sílaba tónica.

Veio pela encosta um monte

E a rir de modo a ouvir-se de longe.


. Em função da natureza gramatical das palavras que rimam:

. Rima rica - incide em unidades pertencentes a classes de palavras diferentes.

. Rima pobre - incide em unidades pertencentes à mesma classe de palavras.

. Em função do esquema rimático (combinações de rima):

. Rima cruzada- a b a b

. Rima emparelhada - a a b b

. Rima interpolada - a b b a ou a b c a

. Rima encadeada - última palavra de um verso rima com o meio do verso seguinte.

E há nevoentos desencantos

Dos encantos dos pensamentos.

. Rima interior - uma das palavras (ou ambas) que rima encontra-se no interior do verso.

E eu na alma – tenho a calma.

Estrofe

Classificação da estrofe em função do número de versos:

. Monóstico – um verso

. Dístico ou parelha – dois versos

. Terceto – três versos

. Quadra – quatro versos

. Quintilha – cinco versos

. Sextilha – seis versos

. Oitava – oito versos

. Novena – nove versos

. Décima – dez versos

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