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Análises de Óleo Lubrificante

Solução apresentada

Equipamentos parados por deficiência de lubrificação causam prejuízos inestimáveis


principalmente no que se refere a desgaste prematuros, perda de rendimento, redução da vida
útil do equipamento e nos casos mais graves o travamento do motor. Visando reduzir custos, a
análise do óleo lubrificante surgiu como apoio à manutenção preditiva e pró-ativa, ou seja,
através de uma série de técnicas analíticas do óleo usado pode-se avaliar onde e quando os
prováveis problemas surgirão.
Dessa forma há maior qualidade e menor custo com manutenção, aumento da vida útil do
equipamento e economia de combustível e óleo lubrificante.
Os ensaios físico-químicos a serem realizados para controle de qualidade de óleos
lubrificantes são:

Conjunto de análises básicas que compõe o controle de qualidade de óleos lubrificantes

1 - ÁGUA

A contaminação por água é indesejável na maioria dos sistemas de lubrificação, porque


sua presença pode resultar em:
a)formação de emulsões;
b)falha ou ineficiência de lubrificação em pontos críticos;
c)precipitação dos aditivos por hidrólise;
d)formação de borras. Em óleos "sujos", que pode entupir telas, filtros ou tubulações;
e)contribuição para a corrosão das superfícies metálicas em certos casos.

2 - CORROSÃO EM LAMINA DE COBRE

Alguns óleos têm incorporados em sua formulação certos aditivos contendo cloro, enxofre
ou sais inorgânicos, que, sob condições específicas de serviço, podem contribuir no caso dos
óleos lubrificantes, para corrosão em partes dos equipamentos ou, no caso de óleos de corte,
nas peças a serem usinadas.
Existem vários tipos de testes de corrosão para produtos derivados do petróleo,
dependendo da aplicação a que esses produtos se destinam. Como os metais mais sujeitos a
esse tipo de ataque corrosivo são o cobre e suas ligas, materiais amplamente empregados em
mancais, o teste mais utilizado é o que avalia o ataque corrosivo a uma lâmina de cobre sob
condições padronizadas.

3 - DEMULSIBILIDADE

A determinação da demulsibilidade é de suma importância para óleos lubrificantes que


tenham contato regular com água, devido à natureza do serviço que desempenham, como, por
exemplo, óleos para turbinas a vapor, para máquina de papel, para sistemas hidráulicos etc.,
em que o óleo não deve formar emulsão com água. Em outras aplicações, tais como óleos
para máquinas a vapor, determinados compressores de ar, marteletes de perfuração de
rochas, estimula-se a formação de emulsões.

4 - DENSIDADE

É a relação entre massa de um determinado volume de produto, à temperatura "t" pela


massa de igual volume de água destilada, a uma dada temperatura.
Com base no princípio de que todo corpo mergulhado em um líquido desloca um volume
igual ao do líquido deslocado, mede-se a densidade de um aparelho chamado densímetro, este
tem haste graduada, dando leitura direta.
A densidade de um lubrificante, analisada juntamente com outras características, dá
informações significativas acerca do óleo novo.

5 - DILUIÇÃO POR COMBUSTÍVEL

Este teste é realizado para se determinar a quantidade de combustível presente em


amostras de óleos lubrificantes em motores de combustão interna a gasolina, a álcool ou motor
a diesel.

6 - ESPUMA

A formação de espuma é geralmente devida a uma aeração excessiva do óleo


lubrificante. A medida mais importante em relação a esta anomalia não é exatamente o
impedimento à sua formação, que algumas vezes é inevitável, e sim a sua quebra, isto é, o seu
desaparecimento. A espuma resulta em lubrificação inadequada, cavitação e fluxo deficiente de
óleo e pode ser um problema em sistemas que possuem engrenagens e/ou mancais de alta
velocidade e naqueles que utilizam bombeamento sob alta pressão ou lubrificação por salpico,
os quais, em geral, tendem a formar espuma.
A espuma pode ser causada por baixo nível de óleo no reservatório, fazendo com que a
bomba aspire ar, juntamente com o óleo, ou pela entrada falsa de ar nas linhas de sucção de
óleo da bomba, ou ainda pelo posicionamento da linha de retorno do óleo ao reservatório muito
acima do nível de óleo, criando elevada turbulência e aeração, entre outros.
Assim como óleos lubrificantes, emulsões de óleos em água podem receber, na prática,
aditivos antiespumantes, cuja seleção deve ser feita pelo fabricante do produto, pois há um
número relativamente alto de recursos disponíveis, que terão que ser adequados a cada caso
específico.

7 - FULIGEM

Produtos da combustão entram no óleo através do sopro normal dos pistões, reduzindo a
capacidade do óleo de proteger e lubrificar os componentes do motor.
Refletindo-se um feixe de luz infravermelha por uma película de óleo usado, obtemos
diretamente o percentual de fuligem presente no óleo e comparadas com o óleo novo como
prova em branco.
Fuligem Resíduos insolúveis de combustível parcialmente queimado podem espessar o
óleo, exaurem os aditivos e podem eventualmente entupir os filtros. A fuligem é encontrada
normalmente em amostras de óleo de motor.

8 - ÍNDICE DE VISCOSIDADE

É um número empírico, não dimensional, que indica o efeito da variação da temperatura


sobre a viscosidade do óleo. É determinado baseado sempre na medição da viscosidade
cinemática a duas temperaturas diferentes. Um elevado IV significa que o óleo terá uma
variação relativamente pequena de viscosidade em função de variações de temperatura.
O IV indica, principalmente, a natureza (tipo) do óleo básico empregado no lubrificante.
Os óleos parafínicos têm, usualmente, um IV próximo ou acima de 100; os óleos
seminaftênicos
tem IV por volta de 30 e os produtos naftênicos (que normalmente contém um
elevado teor de aromáticos) tem IV próximo de 0. A mistura de óleos de diferentes tipos produz
índices de viscosidade intermediários.
9 - INSOLÚVEIS

São substâncias presentes nos lubrificante, em determinados solventes orgânicos como o


pentano, tolueno, ou hexano. Os insolúveis são, principalmente, produtos da oxidação do óleo
(borras, vernizes, resinas, gomas), fuligem da combustão, degradação do óleo entre outros.

10- PONTO DE FLUIDEZ

Apesar de o ponto de fluidez ser considerado por muitos como único e absoluto critério
para se determinar se o óleo é adequado ou não para a aplicação sob baixas temperaturas,
isto não corresponde à realidade. Sob condições de alto cisalhamento, quando o óleo está em
movimento forçado por dispositivos mecânicos, os cristais de parafina têm o entrelaçamento
rompido devido ao fornecimento de energia suficiente para fazer o óleo fluir. Sob tais
condições, mais importante que o valor do ponto de fluidez do óleo é o valor de sua
viscosidade a baixas temperaturas, que será o determinante da sua capacidade de ser
bombeado.

11 - PONTO DE FULGOR

A determinação do ponto de fulgor de um óleo sem uso tem importância sob o ponto de
vista de segurança uma vez que temperaturas acima do ponto de fulgor podem conduzir a
condições favoráveis à ocorrência de incêndios ou explosões. É também um dos testes mais
indicativos na análise de óleos lubrificantes usados em motores de combustão interna, já que
permite prever se o óleo em uso foi contaminado ou não pelo combustível.

12 - RIGIDEZ DIELÉTRICA

A rigidez dielétrica de um óleo isolante expressa a sua resistência à passagem da


corrente elétrica. É definida como a voltagem na qual ocorre a passagem de corrente elétrica
entre dois eletrodos, sob as condições prescritas pelo teste.
No estado puro, livre de qualquer contaminante, o óleo é um condutor de eletricidade
extremamente pobre (ou seja, um bom isolante). Por isso, a rigidez dielétrica indica
principalmente a presença, ou ausência, no óleo, de agentes contaminantes, como água,
impurezas ou partículas condutoras, que podem estar presentes quando são encontrados
valores relativamente baixos de rigidez dielétrica. Algumas vezes, uma alta rigidez não indica a
ausência de todos esses contaminantes; e singular importância no efeito sobre esta
propriedade é a quantidade de água presente.
Embora a determinação da rigidez dielétrica não seja um método utilizável para se prever
a vida útil do óleo (pelo fato de não ser uma função da composição do óleo), determinações
periódicas são importantes para indicar o momento da troca ou a necessidade de regeneração
da carga de óleo.

13 - TAN

Representa a massa em mgKOH/g necessária para neutralizar um grama de óleo: é a


medida de todas as substâncias contidas no óleo que reagem com hidróxido de potássio. Os
constituintes mais comuns de tais produtos ácidos são ácidos orgânicos, sabões de metais,
produtos de oxidação, nitritos e nitrocompostos e ainda outros compostos, que podem estar
presentes como aditivos e que reagem com hidróxido de potássio.
Como resultado da progressiva oxidação do óleo, pode formar-se ácidos orgânicos; ou
sabões metálicos são, então, resultantes da reação destes ácidos com metais. Ácidos minerais
(isto é, ácidos orgânicos fortes), se presentes numa amostra de óleo, são originários,
basicamente, dos compostos de enxofre presentes nos combustíveis. Nitratos orgânicos e
nitrocompostos, também originários dos combustíveis, contribuem para aumentar a acidez
14 - TBN

É a massa em miligramas de ácido clorídrico ou perclórico, expressa em termos de


quantidade equivalente de hidróxido de potássio, necessária para neutralizar todas as
substâncias presentes num grama de óleo que reagem com esses ácidos. Este teste é
normalmente feito em óleos que contém aditivos alcalinos (reserva alcalina do produto). Em
óleos usados, é uma indicação desta reserva alcalina remanescente, que, enquanto existir, não
permitirá a presença de ácidos fortes.

15 - VISCOSIDADE

Em termos gerais, é definida como sendo a resistência oposta ao escoamento e consiste


na medição do tempo que um fluido leva para escoar por um capilar, sob uma determinada
temperatura, entre duas marcas existentes em um tubo aferido (fatorado). A viscosidade
cinemática é a resultante do produto entre esse tempo, em segundos, e o fator do tubo.

Análise morfológica de partículas contaminantes e de desgaste

Desgaste

O exame das diversas partículas sólidas presentes no lubrificante em uso tem sido objeto
de extensas pesquisas, uma vez que já se comprovou que esses elementos são portadores de
inúmeras informações acerca do sistema lubrificado.
O adequado tratamento dos dados trazidos por essas partículas leva ao conhecimento do
perfil normal de desgaste bem como à predição de problemas no equipamento: falhas e até
mesmo fraturas são provocadas por desgaste, que cria pontos de intensificação de tensão,
enfraquece peças, desajusta mecanismos, provoca vibrações, etc.
Quando uma peça sofre desgaste, partículas são depositadas no lubrificante;
dependendo do tipo de processo sofrido, Abrasivo, Adesivo, Corrosivo ou Composto, tipos
diferentes de partículas são detectadas.
Além de se conhecer o tamanho e o número de partículas, os estudos se direcionaram à
investigação da morfologia das mesmas. Dos vários elementos encontrados pode-se
determinar na maioria dos casos qual sua origem e se realmente indicam prejuízo ao sistema.
A utilização de um ou outro método investigatório, espectrofotometria, ferrografia ou
análise microscópica, depende não só da aplicação em particular como dos meios disponíveis
e até mesmo da linha de trabalho seguida.

Espectrofotometria de absorção atômica

A espectrofotometria de absorção atômica oferece meios rápidos para a determinação


dos elementos inorgânicos presentes nos óleos lubrificantes usados: metais de desgaste, de
contaminação externa e de aditivos presentes.
A identificação de contaminantes metálicos freqüentemente fornece indícios para a
correção de condições prejudiciais a uma máquina. Por exemplo, a presença de cromo pode
ser devido ao desgaste dos anéis ou camisas (se o motor estiver equipado com anéis
cromados) ou pode ser devido ao vazamento para o cárter de fluido refrigerante inibido com
cromatos.
A pesquisa de metais de desgaste poderá ser complementada, com vantagem, pela
análise morfológica de partículas, uma vez que o método da espectrofotometria não é capaz de
proporcionar informações sobre partículas maiores.

Contagem de partículas: Contaminação do fluido hidráulico

A invasão do sistema hidráulico por diversos tipos de contaminantes é um fato freqüente,


que compromete o desempenho do equipamento e provoca outras implicações sensíveis:
perda de tempo e aumento de custos de manutenção e produção. A questão torna-se ainda
mais delicada, quando, ao examinarmos as causas dessa contaminação, verificamos que uma
grande via de acesso das impurezas ao sistema, é o próprio óleo hidráulico. Pelas funções
exercidas no sistema (transmissões de potência, lubrificação, refrigeração, etc.), o óleo
hidráulico é fator altamente comprometedor no rendimento do circuito hidráulico.
A contaminação do sistema hidráulico pode se dar por partículas sólidas, ar, água e
outros produtos, que, por reações, formam borra e resina.
O ingresso desses elementos no circuito pode ocorrer por causas diversas.
As más condições de armazenamento do óleo podem comprometer sua composição e
desempenho: a permanência prolongada em tambores pode proporcionar o contato do fluido
com a ferrugem interna (formada pela condensação do ar úmido do próprio tambor) e outros
elementos do recipiente. Observa-se que tambores são usados para acondicionar os mais
variados produtos e o processo de lavagem (quando ocorre) nem sempre é eficaz... O
recipiente pode comprometer até mesmo a qualidade de óleos novos. O recipiente pode
comprometer até mesmo a qualidade de óleos novos.
O manuseio do lubrificante e as condições de troca e reposição do óleo muitas vezes
facilitam a contaminação do sistema. O abastecimento deve ser feito fora do ambiente
agressivo o que nem sempre é possível. Neste caso, devem ser criados dispositivos de
adaptação à máquina, para evitar o contato do ar contaminado do ambiente com o fluido.
Sabendo que, pela situação de campo até mesmo essas adaptações tornam-se inviáveis, é
fundamental a checagem periódica do estado do óleo.
As condições internas do equipamento representam outro ponto a ser considerado:

a) O óleo do reservatório normalmente varia de volume quando são acionados os cilindros e


essa diferença de volume é completada com o ar ambiente, que pode trazer consigo inúmeras
sujidades. O filtro de ar rigidamente dentro das especificações é de suma importância;

b) Note-se que o próprio sistema hidráulico é um fator de aumento de partículas metálicas no


óleo, tanto em fase inicial de funcionamento (amaciamento), quanto posteriormente, por
desgaste natural das peças.

O processo de abrasão e erosão é acelerado pelo óleo, que, em movimento rápido


incrementa a desagregação de incrustações de areia de fundição, cascas de solda, etc.
(fenômeno tão mais intenso quanto maiores as velocidade e/ou pressões do fluxo de fluido no
sistema).
Alguns procedimentos de manutenção podem, também, veicular partículas sólidas,
contaminando o óleo. Assim, a inspeção ou troca de componentes deve ser feita dentro de
critérios rigorosos, evitando exposições desnecessárias, peças mal acondicionadas e material
inadequado. Atenção especial deve ser dada à substituição do fluido hidráulico não só no
manuseio, como na observação da situação da máquina: o óleo altamente contaminado deve
ser trocado somente depois de ter havido funcionamento do equipamento por algumas horas
o que evita a deposição de contaminantes sólidos.

Contagem de partículas: Controle das condições do óleo

O CONTADOR DE PARTÍCULAS é um aparelho de tecnologia que, contam e classificam


em faixas granulométricas, os contaminantes sólidos existentes no óleo.
Essa técnica, inicialmente usada no controle de fluidos em satélites e naves espaciais, foi
gradativamente estendida a sistemas hipercríticos, hidrostáticos, hidráulicos, etc.
O controle é, hoje, recurso indispensável ao departamento de manutenção para que se
obtenha melhor desempenho e maior vida útil dos componentes do sistema.
A ISO 4406 (International Standards Organization) nível padrão de limpeza, tem obtido
uma vasta aceitação em muitas indústrias de hoje. Uma versão modificada vastamente
utilizada deste padrão refere-se ao número de partículas maiores que 2, 5 e 15 micra em um
volume de 100 mililitros. O número de partículas maiores que 2 e 5 micra é usado como ponto
de referência para partículas sedimentadas. As partículas maiores que 15 micra, contribuem
grandemente para uma possível falha catastrófica no componente.