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Republicanismo, a

Implantação e o
Funcionamento da da
“República Velha”
Objetivos
● Compreender as dinâmicas políticas que conduziram à implantação da
República.
● Identificar e caracterizar o movimento republicano das décadas de 1870 e
1880.
● Caracterizar, através da constituição de 1891, o regime político instituido em
1889.
● Compreender as dinâmicas de funcionamento da República na sua primeira
década de vida.
Introdução
● Os ideólogos do Estado Novo produziram uma imagem da Primeira
República (a República Velha) como um regime liberal, oligárquico, fraco do
ponto de vista do controlo político centralizado, e por isso caótico e
desorganizado; europaízante e por isso afastado do “povo”; inepto e incapaz
de modernizar económica e socialmente o país.

● Nos anos 1980, em particular, as transformações na disciplina da história


conduziram a uma revalorização da história política e consequentemente ao
incrementar do interesse sobre a Primeira República (José Murilo de
Carvalho, Ângela de Castro Gomes, Cláudia Viscardi).
15 de Novembro de 1889
1. Um fenómeno militar - desvinculado do movimento republicano civil.

2. Improviso: objetivo inicial era o derrube do governo de Ouro Preto, não a


implantação da República.

3. O descontentamento no exército, fruto de questões que se arrastavam desde


a guerra do Paraguai, foi um importante fator. O crescente espírito
corporativo do exército traduziu-se na crença de uma missão cívica de
obrigação de condução dos destinos da pátria.
4. Perda de apoio político da monarquia entre setores influentes da cafeicultura
do Vale da Paraíba e do Oeste Paulista. Os cafeicultores paulistas queriam
um mais ativo controle sobre as decisões políticas, económicas e financeiras.
Pedro Américo, O Grito do Iprianga, 1888

Henrique Bernardelli, Marechal


Deodoro, 1919
Benedito Calixto, Proclamação da República, 1893.
Republicanismo
● Partido Republicano (1870) - Classes médias urbanas e elite agromercantil
dissidente (jovens diplomados).
● Indústria e classes médias urbanas contra o latifúndio rural (ou “complexo
agroexportador cafeeiro”)
● Culturas políticas republicanas: liberalismo americano, jacobinismo,
positivismo (Murilo de Carvalho).
● Federalismo e o princípio descentralizador - grandes bandeiras políticas do
republicanismo.
● Abolição da Escravidão.
● Modernos processos de difusão: partidos, clubes e imprensa.
O processo político na Primeira República - Maria E.
L. Resende

● Constituição de 1891 - estadualização e negação da cidadania.

● Militarismo, federalismo e instabilidade política.

● Política dos governadores e funcionamento do sistema político.


Constituição de 1891
○ Modelo na Constituição dos EUA. Presidencialismo.
○ Federalismo (substitui o centralismo do Império, conferindo grande poder aos
estados que passam eleger os governadores, a poder cobrar impostos,
contrair empréstimos, elaborar o seu próprio sistema eleitoral e judiciário, ter a
sua própria força militar).
○ Individualismo.A ênfase no individualismo deixou de lado preocupações com
o bem público. Liberdade de culto e de expressão, de segurança individual e
igualdade perante a lei e o direito de propriedade - em detrimento dos direitos
políticos (que eram de associação e reunião para todos, mas limitavam o
direito de voto aos alfabetizados e aos homens). Não existiam direitos sociais.
○ Separação entre o Estado e a Igreja: instituição do registo civil e
secularização dos cemitérios
○ Alfabetismo como principal critério censitário.
Militarismo e Instabilidade (1889-1898)
● Indefinição e ausência de um projeto político nítido na nova ordem política
(confronto entre as três correntes). Mais destruição da monarquia do que
invenção da República.
● Floriano Peixoto (1890-1894). Símbolo do republicanismo mais radical, os
seus apoiantes ficaram conhecidos como jacobinos.
● Revolta da Vacina, Rio de Janeiro, Novembro de 1904. Revolta da Chibata,
Rio de Janeiro, Novembro de 1910.
● Movimentos sociais rurais como os Canudos (Baía, 1896-1897), Contestado
(Paraná e Santa Catarina, 1912-1916) e Juazeiro (Ceará, 1914).
● Quais as origens da instabilidade?
Política dos Governadores: O Liberalismo
Oligárquico
○ Presidência de Campos Sales (1898-1902). A aliança entre a oligarquia cafeeira
paulista e a oligarquia mineira atingiu, no início do século XX, a hegemonia política.
○ Compromisso executivo federal / executivos estaduais. Não interferência federal em
assuntos estaduais. Governadores estaduais apoiam presidente nas suas políticas.
○ Cada sucessão presidencial exigia negociações complexas;
○ Personalismo e autoritarismo no poder exercidos pelos latifundiários rurais (o que
impediu a consolidação de instituições públicas e cidadania forte).
○ Fraco poder do estado - embora esta tese seja alvo de debate ( intervenção na
economia)
○ Fraca mobilização popular para o processo político (paradoxo da república:
implantada em nome do povo, ostracizou-o social e politicamente).
○ O liberalismo excludente: impeditivo da construção da cidadania
Estados Deputados
Representação
Minas Gerais 37 Federal
São Paulo 22

Bahia 22

Rio de Janeiro 17

Pernambuco 17

Rio Grande do Sul 16

Distrito Federal 10

Ceará 10

Maranhão 7

Alagoas 6

Paraná 5