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Tradução de: Franco Farinelli, L'invenzione della terra. Palermo: Sellerio 2007, Cap.

13, Ipotesi su Utopia


Hipóteses sobre Utopia
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Si potrebbe rimproverare chi vi parla, che Poderia-se acusar quem está falando, que
è un geografo, di voler sostenere che la é um geógrafo, de querer sustentar que a
Terra l'hanno inventata i mitografi, gli Terra foi inventada pelos mitógrafos, os
evangelisti, gli umanisti, i filosofi, gli artisti, evangelistas, os humanistas, os filósofos,
tutti fuorché i geografi. Naturalmente non pelos artistas, por todos, menos que pelos
è cosí, soltanto che dal punto di vista geógrafos. Naturalmente não é assim,
storico, i geografi arrivano mesmo que, do ponto de vista histórico,
sostanzialmente a cose fatte, vale a dire all os geógrafos cheguem substancialmente
´inizio del Seicento. Prima della geografia apenas a coisas feitas, a saber, no início
vi era, dopo la cosmogonia e la do século XVII. Antes da geografia havia,
cosmologia, la cosmografia; e sono i depois da cosmogonia e a cosmologia, a
cosmografi, tra Quattrocento e cosmografia; e são os cosmógrafos, entre
Cinquecento, a riflettere sulla vera forma o século XV e XVI, que refletem sobre a
della Terra e a porsi le questioni che verdadeira forma da Terra e que levantam
ancora adesso noi ci poniamo. Tutti as questões que ainda hoje nós
sapevano che la Terra era sferica, levantamos. Todos sabiam que a Terra era
naturalmente, e nessuno credeva che esférica, naturalmente, e ninguém
fosse piatta; i problemi nascevano però acreditava que fosse plana: os problemas,
quando, ammessa la forma sferica, si porém, nasciam quando, admitindo a
trattava di conciliare tale modello con forma esférica, se tratava de conciliar tal
tutto il resto che del mondo si credeva di modelo com tudo o resto que do mundo
conoscere, secondo due principali se acreditava conhecer, segundo duas
direzioni: le opinioni degli antichi e le direções principais: as opiniões dos
scoperte dei marinai che tra Quattrocento antigos e as descobertas dos navegadores
e Cinquecento costringono a demolire que, entre o século XV e XVI obrigam a se
molte delle concezioni e delle teorie desfazer de muitas das concepções e
esistenti. E la prima regione terrestre che teorias existentes. E a primeira região
da tale complessa tensione riceve la terrestre que a partir de tal complexa
propria descrizione è quella di Utopia, tensão recebe a sua própria descrição é a
posta in bilico tra realtà e irrealtà. de Utopia, colocada entre realidade e
! irrealidade. 

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Jean Desmarais (per gli umanisti Jean Desmarais (para os humanistas,
Paludanus) lodava l´Utopia, il dulcissimum Paludanus) louvava a Utopia, o
somnium di Moro, come l´Elogio della dulcissimum somnium de More, como o
Saggezza. Ma le cose sono forse un po´ Elogio da Sabedoria. As coisas, porém,
più complicate: tra la follia e la saggezza vi sejam talvez um pouco mais complicadas:
è un rapporto che non è soltanto d entre loucura e sabedoria há uma relação
´opposizione e contrasto. Tra l´Elogio di não apenas de oposição e conflito. Entre
Erasmo e l´Utopia vi è una stretta o Elogio e a Utopia há uma relação estrita,
relazione, non foss´altro per il fatto che la a não ser outra coisa senão pelo fato que
seconda parte di questa (la decisiva) a segunda parte dessa (a decisiva) foi
venne scritta, a qualche settimana di escrita algumas semanas depois, sob o
distanza, sotto lo stesso tetto che aveva mesmo teto que tinha visto a redação
visto la stesura di quello. daquele.
La prima parte dell´Elogio, concepito nel A primeira parte do Elogio, concebido em
1509 valicando a cavallo i passi alpini, si 1509 atravessando a cavalo os
fonda su un´idea principale: che non si dà desfiladeiros alpinos, baseia-se sobre uma
una ragione astratta, ma che al contrario ideia principal: que não há uma razão
ogni forma di razionalità dipende dal abstrata, mas que, ao contrário, cada
contesto. In altri termini: non esiste una forma de racionalidade depende do
ragione fondata su regole che, contexto. Em outros termos: não existe
distruggendo ogni differenza locale, uma razão fundada sobre regras que,
possano pretendere di valere comunque e destruindo todas as diferenças locais,
ovunque. Insomma: lo spazio, il regno dell podem exigir ser válidas de qualquer
´equivalenza generale, non c´è, ma al suo forma e em qualquer lugar.
posto, aristetolicamente, esistono soltanto Em suma: não há o espaço, o reino da
i luoghi, l´un l´altro irriducibili perché equivalência geral, mas, no seu lugar,
dotati di qualità specifiche e distinte. D aristotelicamente, existem apenas os
´altra parte, il Moriae Encomium significa lugares, irredutíveis um ao outro enquanto
non soltanto l´elogio della follia e insieme dotados de qualidades especificas e
di Moro stesso, ma si riferisce anche a distintas. Por outro lado, o Moriae
quel che in lingua francese si dice moiré, e Encomium significa não apenas o elogio
riguarda un tessuto che riflette la luce da loucura e, junto a isso, do próprio
secondo versi differenti, in cui cioè le More, mas se refere também ao que em
componenti sono voltate in direzioni língua francesa se fala moiré, e é relativo a
diverse, e perciò trasgrediscono il precetto um tecido que reflete a luz segundo
dell´isotropismo cui ogni estensione nella versos diferentes, isto é, em que as
geometria classica, dunque ogni tavola componentes são voltadas em direções
dunque ogni spazio, deve sottostare. diferentes, e, por isso, transgridem o
! preceito do isotropismo, a que devem
! estar submetidas, na geometria clássica
! todas as extensões, então todas as
! tábuas, então todos os espaços.
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In altri termini: Erasmo e Moro dicono la Em outros termos: Erasmo e More falam a
stessa cosa, descrivono lo stesso paese, mesma coisa, descrevem o mesmo pais,
ambedue rivendicano, contro la logica ambos reivindicam, contra a lógica
omologante dello spazio che per primi tra homologadora do espaço que, primeiros
i moderni mostrano di comprendere, il entre os modernos, mostram
diritto dei luoghi di continuare ad esistere, compreender, o direito dos lugares de
a dispetto dell´inesorabile avvento dello continuar a existir, a pesar da inexorável
spazio stesso. Se nel caso di Moro vinda do próprio espaço. Se no caso de
davvero di sogno si tratta, è il sogno della More de verdadeiro sonho se trata, é o
conciliazione tra logica spaziale e logica sonho da conciliação entre lógica espacial
locale, di un luogo che diventa spazio e lógica local, de um lugar que se torna
senza per questo cessare di essere luogo, espaço sem por isso parar de ser lugar,
qualcosa di irriducibile a qualsiasi algo irredutível a qualquer homologação.
omologazione. Per questo tale luogo di Por isso tal lugar de fato não existe,
fatto non esiste, anche se sussiste, se mesmo que subsista, mesmo que
possiamo pensarlo. E proprio tale letterale podemos pensá-lo. E justamente tal
ambiguità, tale duplice livello, fonda l ambiguidade literal, tal duplo nível, funda
´ambigua natura di Utopia, spiega come al a natureza ambígua de Utopia, explica
contempo essa possa esservi e non como, ao mesmo tempo, ela possa haver
esservi, esser vera e insieme esser falsa. Si e não haver, ser verdadeira e, juntamente,
rilegga il piccolo poema del poeta utopico falsa.
Vento-Insignificante che Moro verga sul Leia-se novamente o pequeno poema do
rovescio del secondo foglio del volume, e poeta utópico Vento-Insignificante que
che dal latino all´italiano così può tradursi: More escreve no verso da segunda folha
Utopo, il mio signore, mi ha reso isola da do volume, e que do latim ao português
non-isola che ero. pode-ser traduzido assim:
Io sola, tra tutte le terre, ho rappresentato !
per i mortali la città filosofica, Utopo, o meu senhor, me tornou ilha, de
pur non avendo nulla di filosofico. não-ilha que eu era.
Molto volentieri condivido quel che è mio, Eu sola, entre todas as terras, representei
senza problemi para os mortais a cidade filosofica,
accetto dagli altri quel che vi è di meglio. mesmo não tendo nada de filosófico.
! De bom grau\agradecida compartilho o
! que é meu, sem problema
! aceito dos outros o que há de melhor.
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Certo, è Utopia che parla. Ma cos´è (o chi Com certeza, está falando Utopia. Mas o
è) Utopia, qual è la soluzione dell que é (ou quem é) Utopia, qual é a
´indovinello che il poemetto propone? Per solução do enigma que o pequeno
rispondere bisogna tornare al terribile poema propõe? Para responder, é preciso
finale della Repubblica di Platone, dove Er voltar ao final terrível da República de
racconta del cammino che i trapassati Platão, onde Er conta do caminho que os
debbono compiere sull´arida pianura dell traspassados tem que cumprir sobre a
´Ade all´interno di un paese la cui natura árida planicie do Hades, no interior de um
risulta, a farvi caso, alquanto analoga a país em que a natureza resulta, reparando
quella di Utopia: vi sono i fiumi ma nessun bem, bastante análoga a da Utopia: há
recipiente è in grado di attingere la loro rios, mas nenhum recipiente é capaz de
acqua, vi sono gli alberi ma essi non fanno atingir a sua água, há arvores, mas elas
ombra. Di quale paese si tratta? não fazem sombras. De qual país se trata?
Lo spiega appunto l´indovinello proposto O explica, nomeadamente, o enigma
da Utopia. Essa è un´isola, ma all´inizio era proposto por Utopia. Esta é uma ilha, mas
un´altra cosa: una penisola, come riporta no início era uma outra coisa: uma
Raffaele Itlodeo, il marinaio che ne península, como relata Rafael Itlodeo, o
racconta. E una penisola è una quasi-isola, navegante que conta dela. E uma
qualcosa cui per essere un´isola manca península é uma quase-ilha, algo a que,
poco, soltanto qualche tratto. Questo para ser uma ilha, falta pouco, apenas uns
qualcosa non ha nulla di filosofico, ha una traços. Este algo não tem nada de
natura molto concreta e per nulla ideale, filosófico, tem uma natureza muito
eppure è l´unica cosa che può concreta e por nada ideal, mesmo assim é
rappresentare (perché già contiene: a única coisa que pode representar
esprimere significa far uscire) la città della (porque já a contem: expressar significa
filosofia, e ciò accade nel seguente modo: deixar sair) a cidade da filosofia, e isso
quel che essa detiene viene trasmesso agli acontece da seguinte maneira: o que esta
uomini, da cui essa accoglie le cose detém é transmitido aos homens, dos
migliori. All´inizio, insomma, vi è qualcosa quais ela acolhe as coisas melhores. No
che, per essere quel che sarà alla fine, ha início, em suma, á algo que, para ser o
bisogno soltanto di una lieve modifica: que será no final, apenas precisa de uma
essa avviene mutando quel che è interno leve modificação: ela acontece mudando
in quel che è esterno e viceversa, in tal o que é interno em o que é esterno e
maniera che quel che vi è di più concreto vice-versa, de tal maneira que o que há de
si trasforma, pure restando quel che è, in mais concreto se transforma, mesmo
ciò che di più filosofico ed ideale si possa restando o que é, em o que de mais
concepire. filosófico e ideal se possa conceber.
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Mahāvīra, matematico indiano del IX !
secolo d. C., spiegava che lo zero diventa !
ciò che gli si aggiunge. Il caso presente è !
ancora più complesso: quel che possiamo Mahāvīra, matemático indiano do século
pensare e rappresentare, e di IX d. C., explicava que o zero se torna o
conseguenza se del caso realizzare, que se acrescenta a ele. O caso presente
dipende non soltanto dalla nostra mente é ainda mais complexo: o que nós
ma anche da una struttura concreta, non podemos pensar e representar, e,
naturale ma artificiale, che in qualche consequentemente se for o caso realizar,
maniera già lo incorpora. Rappresentare depende não apenas da nossa mente,
qualcosa è un atto che da un lato mette mas também de uma estrutura concreta,
allo scoperto la forma latente di tale não natural mas artificial, que de qualquer
struttura, che si trasmette alla forma di maneira já o incorpora. Representar algo é
quel che viene rappresentato, dall´altro um ato que, por um lado, descobre
esso modifica la forma e la natura del \desvela a forma latente de tal estrutura,
piano materiale sul quale la que se transmite à forma do que é
rappresentazione si svolge, pur representado, por outro, modifica a forma
lasciandolo allo stesso tempo inalterato. e a natureza do plano material sobre que
Tale piano non equivale allo zero, perché a representação se desdobra, deixando-o
non si limita a divenire la figura ao mesmo tempo inalterado. Tal plano
rappresentata, ma la co-determina. Allo não equivale ao zero, porque não se limita
stesso tempo, esso costituisce l´unica a se tornar a figura representada, mas a
possibilità perché la rappresentazione co-determina. Ao mesmo tempo, ele
stessa possa aver luogo, e poiché nello constitui a unica possibilidade, porque a
specifico si tratta di una forma urbana, di própria representação possa acontecer, e,
una città ideale, il piano in questione è tratando-se, no caso específico, de uma
quello della tavola, della rappresentazione forma urbana, de uma cidade ideal, o
cartografica o geografica che dir si voglia, plano em questão é o da tábua, da
della mappa insomma. È su questo piano representação cartográfica, ou geográfica
infatti che i defunti di cui narra Platone se quiserem, do mapa, em suma.
nella Repubblica compiono il loro viaggio É sobre este plano, de fato, que os
sotterraneo: soltanto se il paese è defuntos de quem narra Platão na
raffigurato su una mappa gli alberi, che República cumprem a sua viagem
pure vi sono, non fanno ombra e l´acqua subterrânea: apenas se o país é
dei fiumi, che pure vi sono, non si può representado\desenhado sobre um mapa
bere. Il paese c´è, ma allo stesso tempo as arvores, mesmo havendo, não fazem
non c´è. E che Utopia sia per molti versi lo sombra e a água dos rios, mesmo
stesso paese risulta chiaro dai nomi. havendo, não se pode beber. Há o país,
! mas ao mesmo tempo não há. E que
! Utopia seja em vários aspectos o mesmo
! país se torna claro pelos nomes.

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Sostiene liricamente Louis Marin che l Defende liricamente Louis Marin que a
´utopia "è questo non luogo dove i nomi utopia "é este não lugar onde os nomes
non designano propriamente, dove non vi não designam propriamente, onde não há
è il proprio del nome, dove essi o próprio do nome, onde eles designam o
designano l´altro dal proprio; outro do próprio: desapropriação na
disappropriazione nell´appellazione, apelação, ausência na indicação da
assenza nell´indicazione della presenza, presença, metáfora do próprio, esta é a
metafora del proprio, questa è la possente poderosa desconstrução realizada pelos
decostruzione realizzata dai nomi propri nomes próprios utópicos: eles criam, nas
utopici: essi creano, nella loro usa proliferação, o outro do lugar, do rio,
proliferazione, l´altro del luogo, del fiume, da cidade, do sábio, do sentido que não é
della città, del saggio, del senso che non o lugar, a cidade, o sentido ideal, mas a
è il luogo, la città il senso ideale, ma la sua despossessão, a sua denúncia no
loro despossessione, la loro denuncia mesmo momento em que a linguagem
nello stesso momento in cui il linguaggio toma posse deles. De fato\Evidentemente
se ne impossessa". Decisamente troppo demasiado lírico. Teria sido suficiente
lirico. Sarebbe bastato dire che i nomi di dizer que os nomes de Utopia são
Utopia sono cartografici, nel senso che cartográficos, no sentido que designam a
designano la natura cartografica del paese natureza cartográfica do país a que se
a cui si riferiscono. Il fiume si chiama referem. O rio chama-se Anidro, "sem
Anidro, "senz´acqua", ed è esattamente lo água", e é exatamente o mesmo do
stesso di quello platonico descritto nel platónico, descrito no mito de Er. O
mito di Er. Il primo nome che Utopo, nel primeiro nome que Utopo, em conquistá-
conquistarla, assegna a Utopia è Abraxa, la, atribui a utopia é Abraxa, que significa
che significa "su cui non piove". A sud-est "sobre o que não chove". A Sul-Leste de
di Utopia si trova il paese degli Acorî, dei Utopia está o país dos Acorî, dos "sem
"senza regione". Il principe di Utopia região". O príncipe de Utopia é chamado
viene chiamato Ademo, "senza popolo", Ademo, "sem povo", a capital chama-se
la capitale si chiama Amaruoto, che vuol Amaruoto, que quer dizer "apenas
dire "appena visibile", ma può anche visível", mas pode ser entendida também
intendersi come qualcosa che si può como algo que não pode ser cancelado. 

cancellare.
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Sicché bisogna bene intendere quel che Por isso, é preciso entender bem o que
Moro vuole dire con tali antifrasi quando More quer dizer com tais antífrases
spiega per lettera a Pierre Gilles che i quando explica numa carta a Pierre Gilles
nomi propri dell´isola affermavano la loro que os nomes próprios da ilha afirmavam
realtà storica proprio nella misura in cui il a realidade histórica deles justamente na
loro significato "corrispondeva a nulla", medida em que o seu significado
nihil significantia: l´espressione non vuol "correspondia a nada", nihil significantia:
dire che essi non hanno alcun senso, a expressão não quer dizer que eles não
piuttosto che essi significano il nulla, cioè fazem nenhum sentido, mas sim que eles
che non si riferiscono a realia, ma a significam o nada, isto é, que não se
semplici segni grafici, e proprio in tale referem a realia, mas a simples signos
riferimento esibiscono il loro carattere gráficos, e justamente em tal referência
storicamente determinato, la propria exibem o seu caráter historicamente
natura moderna, la propria appartenenza determinado, a sua natureza moderna, a
all´"epoca dell´immagine del mondo", per própria pertença a "época da imagem do
dirla con Heidegger, cioè all´epoca della mundo", para falar com Heidegger, isto é,
riduzione del mondo alla sua immagine, à época da redução do mundo à sua
dunque a spazio. Come Pierre Gilles imagem, então a espaço. Como Pierre
spiega al suo amico Busleyden: nel libro di Gilles explica ao seu amigo Busleyden: no
Moro il lettore crede di vedere l´isola livro de More o leitor acredita ver a ilha
"dipinta come se fosse sotto i suoi stessi "pintada como se fosse sob os seus
occhi", dove quel "dipinta va inteso alla próprios olhos", onde aquele "pintada"
lettera. deve ser entendido literalmente. 

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Ma se Moro è tra i primi a comprendere il Mas se More está entre os primeiros que
carattere incipiente e ineluttabile di tale compreenderam o carater incipiente e
riduzione, che un secolo dopo Hobbes inelutável de tal redução, que um século
assumerà come irreversibile, tutta la depois Hobbes assumirá como
descrizione di Utopia è sottilmente irreversível, toda a descrição de Utopia
animata dalla tensione tra spazio e luogo. está subtilmente animada pela tensão
Le cinquantaquattro città dell´isola sono entre espaço e lugar. As cinquenta quatro
"quasi tutte uguali". Il "piano di tutte è cidades da ilha são "quase todas iguais".
identico e, per quanto consente la O "plano de todas é idêntico e, na
posizione, anche l´aspetto". Le loro piazze medida em que a posição o permite,
"sono tracciate in modo acconcio sia per i também o aspecto". As suas praças "são
trasporti che contro i venti." Insomma: la traçadas de modo adequado seja para os
rigidità, l´uniformità e la serialità del piano, transportes seja contra os ventos". Em
che esistono, sono ovunque e in ogni caso suma: a rigidez, a uniformidade e a
temperate dal rispetto per il dato naturale, serialidade do plano, que existem, são em
che introduce differenze magari lievi ma todos os lugares e em todos os casos
decisive tra un impianto e l´altro, sicché temperadas pelo respeito pelo dado
nessuna città, come nessuna piazza e natural, que introduz diferenças mesmo
nessuna via, obbedisce al criterio dello leves, mas decisivas entre uma instalação
standard che è la marca spaziale definitiva \armação e a outra, assim que nenhuma
e per eccellenza, ma ogni costruzione cidade, como nenhuma praça e nenhuma
riflette in qualche misura valori locali. Se rua\via, obedece ao critério do padrão
davvero, come voleva il Desmarais, si que é o marco espacial definitivo e por
tratta di un sogno, esso riguarda proprio excelência, mas cada construção reflete
la conciliazione tra spazio e luogo, tra gli numa certa medida valores locais. Se
opposti estremi della materiale realmente, como queria o Desmarais,
costituzione della modernità. Utopia è il trata-se de um sonho, ele tem a ver com
luogo che diventa spazio senza cessare di \é relativo a justamente a conciliação
essere luogo. Essa è insomma "il paese entre espaço e lugar, entre os opostos
che secondo il nome non esiste" soltanto extremos da material constituição da
perché essa é una mappa, che come tutte modernidade. Utopia é o lugar que se
le mappe può stare dappertutto sicché torna espaço sem cessar de ser lugar. Ela
non sta davvero da nessuna parte. Essa è é em suma "o país que de acordo com o
un´isola perché ogni mappa é un´isola, nome não existe" apenas porque ela é um
rappresenta cioè un brano della faccia mapa, que como todos os mapas pode
della Terra separato e a sé stante, e in tale estar em qualquer lugar e por isso não
separatezza consiste — esattamente come está realmente em lugar nenhum. Ela é
nel racconto di Raffaele viene narrato — l uma ilha porque cada mapa é uma ilha,
´origine del suo carattere artificiale. isto é, representa um excerto da face da
! Terra separado e distinto, e em tal
! separação consiste — exatamente como
! se narra no conto de Rafael —- a origem
! do seu caráter artificial.
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Utopia esiste e insieme non esiste perché Utopia existe e ao mesmo tempo não
la sua natura cartografica a renderla un existe porque a sua natureza cartográfica
congegno spaziale, nel senso che è lo a torna um dispositivo espacial, no sentido
spazio il prodotto che il piano della tavola, que é o espaço o produto que o plano da
la struttura tabulare che accoglie il tábua, a estrutura tabular que acolhe o
disegno, comunica, "impartisce" dall desenho, comunica, "distribui" a partir do
´interno. Ma insieme il "meglio" (per i n t e r i o r. M a s , j u n t a m e n t e , o
riprendere l´altro termine dell´indovinello) "melhor" (para retomar o outro termo do
che essa riceve dall´esterno, dalla mente enigma) que ela recebe do exterior, da
di Moro, si condensa non soltanto nel mente do More, se condensa não apenas
valore del luogo, nel rispetto del dato no valor do lugar, no respeito do dado
naturale, nella consapevolezza della natural, na consciência da especificidade
specificità delle relazioni particolari tra gli das relações particulares entre os homens
uomini e gli ambienti ma nell´idea, o e os ambientes, mas na ideia, ou melhor,
meglio nella speranza che luogo e spazio na esperança que lugar e espaço
(qualità e quantità singolarità e standard) (qualidade e quantidade, singularidade e
non fossero per sempre e ovunque l´un l padrão) não sejam sempre e em todos os
´altro antagonisti e incompatibili. lugares antagonistas e incompatíveis um
ao outro.

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