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Saúde e Meio

Ambiente
Material Teórico
Meio Ambiente, Saúde e Sustentabilidade

Responsável pelo Conteúdo:


Profa. Ms. Nilza Maria Coradi.

Revisão Textual:
Prof. Ms. Claudio Brites.
Meio Ambiente, Saúde e Sustentabilidade

• Introdução

• Poluição das Águas e Saneamento

• Contaminação dos Solos

• Poluição Atmosférica – Qualidade do Ar

·· Nesta unidade, serão abordados as fontes e os tipos mais


comuns de poluição nas águas, no solo e no ar, destacando as
características e propriedades dos principais contaminantes.
Estudaremos os aspectos gerais relacionados ao transporte, à
reatividade e aos processos que os poluentes sofrem, e suas
consequências na saúde da população.

Nesta unidade, serão abordados as fontes e os tipos mais comuns de poluição nas águas,
no solo e no ar, destacando as características e propriedades dos principais contaminantes.
Estudaremos os aspectos gerais relacionados ao transporte, à reatividade e aos processos
que os poluentes sofrem, e suas consequências na saúde da população.
Para o profissional que trabalha na gestão do meio ambiente é importante conhecer as
principais fontes de poluição a que estamos submetidos e como isso afeta o meio ambiente
e a saúde.
É fundamental que fique claro que os profissionais da área de saúde e meio ambiente devem
unir esforços para manter um ambiente saudável, de modo que todos os elementos interajam
de forma equilibrada e harmoniosa.

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Unidade: Meio Ambiente, Saúde e Sustentabilidade

Contextualização

Para termos um desenvolvimento sustentável, devemos equilibrar as atividades antrópicas


suas modificações ambientais e os impactos causados que podem comprometer negativamente a
qualidade de vida presente e futura. Com isso bem claro, podemos propor mudanças no padrão
de consumo com uma maior eficiência no sistema de produção, otimização dos recursos naturais
e minimização da geração de rejeitos. Como resultado, teremos uma redução na quantidade de
poluentes lançados no meio, melhoria da qualidade de vida e da saúde da população.
Um planejamento ambiental urbano adequado pode trazer um uso mais eficiente da energia,
com um sistema de transporte urbano que estimule a redução de viagens, transportes de cargas
menos poluentes, reduzindo assim a poluição atmosférica.
É necessário que os recursos hídricos sejam utilizados de forma mais consciente, no sentido
de preservar os recursos ainda disponíveis e tratar as águas residuárias, promovendo mais saúde
para a população.
Da mesma maneira a utilização de pesticidas deve ser controlado e medidas mitigadoras
adotadas para minimizar os efeitos na saúde.
Para tanto, o profissional de meio ambiente precisa ter uma formação abrangente e conseguir
gerir uma equipe multidisciplinar, desta forma os resultados serão com certeza mais eficientes,
tanto na preservação dos recursos naturais, na melhor maneira de utilizá-los, como melhorando
a saúde e a qualidade de vida da população.

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Introdução

Nesta unidade, serão abordados as principais fontes e tipos de poluição nas águas, solo
e ar, destacando as características e propriedades dos principais contaminantes. Estudaremos
os aspectos gerais relacionados ao transporte, à reatividade e aos processos que os poluentes
sofrem e suas consequências na saúde da população. Para o profissional que trabalha na
gestão do meio ambiente é importante conhecer as principais fontes de poluição a que estamos
submetidos e como isso afeta o meio ambiente e a saúde. É fundamental que fique claro que os
profissionais da área de saúde e meio ambiente devem unir esforços para manter um ambiente
saudável, de modo que todos os elementos interajam de forma equilibrada e em harmonia.
As modificações nos padrões de consumo em escala global bem como o que seus impactos
alcançaram no último século foram aspectos determinantes para as alterações dos espaços
naturais. Houve um grande pico na taxa de consumo de recursos naturais associado ao processo
de urbanização com o aumento dos índices de poluição urbana, levando a grandes modificações
ambientais, reduzindo a camada de ozônio, aumentando o efeito estufa e diminuindo a
biodiversidade, entre outros resultados.
As alterações ambientais decorrentes do processo antrópico de ocupação dos espaços e de
urbanização ocorrem em escalas incompatíveis com a capacidade de suporte dos ecossistemas
naturais, resultando em esgotamento dos recursos e em poluição. Diversos estudos mostram que
essas alterações levaram à poluição do meio ambiente físico, aumentando o risco de exposição
a doenças e atuando de forma negativa na qualidade de vida da população.

Poluição das Águas e Saneamento

A água é a substância mais abundante do planeta e é o elemento mais importante para


a sobrevivência da espécie humana e de toda a vida na terra. A água é um recurso natural
essencial, tanto como componente nos seres vivos, meio de vida de várias espécies vegetais
e animais, quanto como elemento de produção de bens de consumo e produtos agrícolas. A
água é o constituinte inorgânico mais abundante na matéria viva. No homem, representa 60%
do seu peso. Como fator de consumo nas atividades humanas, a água também tem um papel
importante, tanto na agricultura, indústria, quanto no uso doméstico.
Em termos globais, as fontes de água são abundantes, no entanto, quase sempre são mal
distribuídas na superfície da terra. Mesmo no Brasil, que possui a maior disponibilidade hídrica
do planeta, os recursos hídricos estão localizados em sua maior parte na região norte (68,5%),
onde habita apenas 7% da população; na região sudeste, que possui 43% da população
brasileira, há apenas 6% dos recursos hídricos.
As águas dos oceanos e lagos salgados correspondem a 98% e são indisponíveis para
diversos tipos de usos. Da água doce restante (2%), cerca de 70% está na forma de gelo, na

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atmosfera e em águas subterrâneas, a maior parte em grandes profundidades – isso significa


que a quantidade de água doce que de alguma forma pode estar disponível para o uso é de
0,3%, e se encontra no solo. A parcela disponível nos cursos de água é a menor, é de onde
retiramos a maior parte que consumimos, para uso nas mais diversas finalidades – e onde
lançamos nossos resíduos.

Nos últimos 50 anos, com o crescimento populacional, ocorreu um aumento da produção


industrial e agrícola por conta da fabricação e utilização de compostos químicos sintéticos
(inseticidas, herbicidas, plásticos, etc.). Os resíduos gerados por esses compostos chegam aos
recursos hídricos alterando a qualidade da água. O conhecimento e a compreensão das fontes
de poluição, interações e efeitos dos poluentes são essenciais para o controle e para a obtenção
de um ambiente saudável e economicamente sustentável.

A água potável e de boa qualidade é fundamental para a saúde dos seres humanos, entretanto,
a maioria da população não tem acesso a esse bem tão precioso.

Apesar de ser tão importante para os seres humanos, a água é também um dos meios mais
comuns de transmissão de doenças. Se a água utilizada não apresentar a qualidade necessária,
os organismos que a consumirem serão infectados e alvos de inúmeras doenças. O quadro 1.1
apresenta algumas doenças infecciosas de veiculação hídrica.

Muitas doenças são transmitidas pela água e podem ser evitadas com um tratamento
adequado dessa água antes do seu uso. As estações de tratamento se utilizam de vários recursos
como a decantação, filtração, cloração, a fim de eliminar os microrganismos causadores das
mais diversas enfermidades.

Principais Doenças causadas pela Ingestão de Água Contaminada


Doenças Agente Causador Sintomas

Diarreia abundante, vômitos ocasionais, rápida desidratação, acidose,


Cólera Víbrio Cholera 01
câimbras musculares e colapso respiratório.

Amebíase Entamoeba Histolytica Disenteria aguda, com febre, calafrios e diarreia sanguinolenta

Gastroenterite Viral Rota Vírus Diarreia, vômitos, levando à desidratação grave.

Hepatite Vírus de Hepatite A Febre, mal-estar geral, falta de apetite, Icterícia


Desinteria Bacilar Bactéria Shigella Fezes com sangue e pus, vômitos e cólicas

Fonte: O básico da água - CUNO University - 1997

Fontes e Tipos de Poluição Hídrica


A Lei de Politica Nacional do Meio Ambiente (Lei No 6.938 de 31 de agosto de 1981)
define poluição:
[...] a degradação da qualidade ambiental resultante de atividades que direta
ou indiretamente:
a. Prejudiquem a saúde, a segurança e o bem estar da população;

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b. Criem condições adversas às atividades sociais e econômicas;
c. Afetem desfavoravelmente a biota;
d. Afetem as condições estéticas ou sanitárias do Meio Ambiente;
e. Lancem matéria ou energia em desacordo com os padrões ambientais estabelecidos.

A poluição das águas é consequência principalmente de atividades humanas, como o


lançamento de efluentes domésticos e industriais sem tratamento. A poluição aquática pode ser
classificada em:

»» Poluição térmica – Proveniente do descarte nos rios de grande quantidade de água


aquecida utilizada em processos de refrigeração em refinarias, siderúrgicas e usinas
termoelétricas. Dentre as várias consequências desse processo tem-se a redução do
oxigênio, dificultando a respiração dos peixes, além de potencializar a ação de poluentes
presentes na água, aumentando a velocidade das reações e a solubilidade de compostos;

»» Poluição sedimentar – Acúmulo de partículas em suspensão, geralmente partículas


de solo e produtos químicos orgânicos ou inorgânicos insolúveis, essas partículas
bloqueiam a entrada de raios solares, interferindo na fotossíntese de plantas aquáticas.
O assoreamento dos corpos de água é uma consequência grave da poluição sedimentar;

»» Poluição biológica – É a presença de microrganismos patogênicos causadores de


doenças que estão presentes nos excrementos humanos e animais, tais como: Bactérias,
que provocam infecções intestinais epidêmicas e endêmicas; Protozoários; vírus e
verminoses. Por meio das águas residuais, os microrganismos chegam a outros corpos
aquáticos podendo contaminar outros indivíduos. Inúmeras medidas de saúde pública
têm sido adotadas para minimizar essa contaminação, como a desinfecção da água
destinada ao consumo humano, a coleta e o tratamento de efluentes (esgotos);

»» Poluição radioativa – A poluição por resíduos radioativos é proveniente principalmente


de resíduos radioativos lançados no mar, afundamento de arsenais nucleares, explosões
atômicas submarinas ou fugas radioativas. Esses compostos radioativos podem ser bem
prejudiciais à saúde, o principal efeito da exposição é o câncer;

»» Poluição química – É a presença de compostos químicos na água, tais como: compostos


biodegradáveis (matéria orgânica, sabões, proteínas, carboidratos e gorduras) e compostos
persistentes, são compostos químicos utilizados na produção de plásticos, fibras sintéticas,
borrachas, solventes, agentes preservantes, entre outros. Sua estrutura química é muito
resistente, que é uma característica positiva, no entanto, essa característica tem se tornado um
grave problema ambiental, já que esses compostos não se degradam facilmente. Seus efeitos
ainda estão sendo estudados, mas podem ser carcinogênicos e mutagênicos.

Os poluentes aquáticos podem ser classificados para efeito de legislação como:

»» Fontes pontuais – Aquelas de fácil identificação e monitoramento. É possível identificar


a composição dos resíduos e prever o impacto no ambiente e na saúde. Como exemplo,
podemos citar os efluentes industriais;

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»» Fontes difusas – Que apresentam características específicas e se espalham por diferentes


locais, sendo difíceis de serem identificadas em função da característica de suas descargas
e da abrangência de sua atuação. Exemplo: atividades agrícolas.

Poluição Aquática no Brasil


O termo utilizado para as águas que apresentam suas características naturais alteradas após
a utilização humana é efluente (esgoto). São na sua maioria compostas por excretas humanas e
água de origem doméstica, comercial e industrial.
Um dos principais problemas de poluição das águas no Brasil diz respeito aos efluentes
domésticos. O Brasil enfrenta um panorama bastante crítico em relação à coleta e tratamento de
efluentes, onde apenas 32,5% da população tem seus efluentes tratados, enquanto a maioria,
67,5%, não é beneficiada com o sistema de tratamento.
Os sistemas locais de tratamento de efluentes são principalmente fossas e sumidouros. A
grande maioria está nas zonas rurais, onde a densidade populacional é baixa, e em zonas
urbanas, nas periferias, onde o nível socioeconômico da população é baixo, não existindo rede
pública eficiente de coleta e tratamento dos efluentes.
Os poluentes que podem estar presentes nas águas podem ser divididos em categorias. Nos
efluentes domésticos, os principais poluentes encontrados são os poluentes orgânicos: matéria
orgânica e organismos patogênicos. Nos efluentes industriais, além da matéria orgânica, também
envolve substâncias metálicas e compostos organossintéticos.
Os poluentes inorgânicos se diferenciam dos orgânicos por não serem degradáveis, fazendo
com que haja acumulação nos diversos compartimentos ambientais. São amplamente utilizados
na indústria, estando presentes na laminação de metais, formulações de pesticidas, em pigmentos
como esmaltes, tintas e corantes. Os metais podem ser distribuídos no ambiente por conta
das impurezas em fertilizantes; formulação de pesticidas; preservativos de madeira; dejetos da
produção intensiva de porcos e aves; entre outros.

Usos e Tratamento de águas residuais


Nenhum recurso natural apresenta tantos usos quanto a água. Essa utilização pode ser
dividida nos seguintes grupos:

• Abastecimento público;
• Abastecimento industrial;
• Atividades agropastoris, incluindo a irrigação;
• Preservação da Fauna e da flora aquáticas;
• Recreação;
• Geração de energia elétrica,
• Navegação;
• Diluição e transporte de poluentes.

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Após a utilização das águas, temos a necessidade de tratar os resíduos, isso ocorre principalmente
em virtude das exigências cada vez maiores dos órgãos públicos, como resposta ao interesse popular
na saúde pública e a uma maior cobrança da sociedade em defesa do meio ambiente.

Um sistema de tratamento de águas residuais é constituído por uma série de processos,


que são empregados para a remoção de substancias indesejáveis da água ou para adequá-
la a padrões aceitáveis. A remoção de substancias indesejáveis envolve a alteração de suas
características físicas, químicas e/ou biológicas.

»» Processos Físicos – Esse processo é utilizado para separar sólidos em suspensão das
águas residuais e para equalizar e homogeneizar um efluente.

»» Processos Químicos – São processos nos quais a utilização de produtos químicos


é necessária para aumentar a eficiência da remoção de um elemento ou substância.
Normalmente esse processo é realizado em conjuntos com processo físicos, e algumas
vezes com processos biológicos.

»» Processos Biológicos – Os processos biológicos são aqueles que dependem da ação


de microrganismos aeróbios ou anaeróbios. Os processos biológicos procuram reproduzir
os fenômenos biológicos observados na natureza.

Os sistemas de tratamento de águas residuais, incluindo um ou mais processos descritos, são


classificados de acordo com o tipo de material a ser removido e da eficiência da sua remoção.

Saneamento Básico
O saneamento básico trata de um conjunto de ações que visam proporcionar níveis crescentes
de qualidade ambiental em determinado espaço geográfico – em prol da população que habita
esse espaço. Essas ações, se bem aplicadas, produzem efeitos positivos sobre o bem estar e a
saúde da população.

Os principais efeitos positivos do saneamento básico, relatado no dossiê do saneamento, são:


melhoria da saúde da população e redução dos recursos aplicados no tratamento de doenças;
diminuição dos custos de tratamento da água para abastecimento; melhoria do potencial
produtivo das pessoas; dinamização da economia e geração de empregos; eliminação da
poluição estético visual e desenvolvimento do turismo; eliminação de barreiras não tarifárias
para os produtos exportáveis das empresas locais; conservação ambiental. O investimento em
esgoto sanitário tem um forte impacto sobre a economia dos municípios como: valorização dos
imóveis; crescimento da atividade de construção civil; criação de novos empregos; etc.

Fica claro que é importante e urgente resolver a crise da água. Esse recurso natural se situa em
uma perspectiva mais ampla de solução de problemas e resolução de conflitos. O desafio para
um desenvolvimento sustentável é unir esforços no sentido de erradicar a pobreza, modificar os
padrões de produção e consumo insustentáveis, e proteger, administrar e recuperar os recursos
naturais, para que possamos ter uma melhor qualidade de vida e mais saúde.

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Contaminação dos Solos

O solo é um recurso natural renovável de importância semelhante a da água e, como base


de um ciclo orgânico, é pré-requisito para a existência da vida. Por outro lado, sem vida não
existiria solo fértil e produtivo. A ação dos microrganismos no solo, decompondo a matéria
orgânica, é uma condição fundamental para a fertilidade do solo.

Do solo, vegetais e animais retiram elementos para a manutenção da vida, encontram habitats
e, num processo dinâmico e harmônico de troca de matéria e energia, reciclam os elementos
minerais nos ciclos biogeoquímicos. O solo, portanto, tem vida, sendo necessário conhecer seus
mecanismos e sua dinâmica para o equilíbrio ecológico, manter e preservar sua fertilidade e
deixá-lo livre das contaminações decorrentes do uso inadequado de recursos.

O solo foi definido de diversas maneiras, mas para nosso estudo é importante saber apenas
que é um recurso natural que deve ser bem utilizado para manter em equilíbrio a vida no
planeta. O solo desempenha funções diversificadas e fundamentais, como:

• Substrato essencial a vida na terra;


• Fator de controle natural dos ciclos de elementos e energia;
• Filtro bioquímico nas trocas entre a atmosfera e a litosfera;
• Reservatório natural de água doce;
• Substrato essencial para a produção de alimentos;
• Substrato essencial à vida animal e humana.

Com a revolução industrial, houve um aumento considerável da poluição e da geração de


resíduos. Muitos dos problemas ambientais que encontramos hoje é resultado de mais de 200
anos de má gestão do lixo industrial, onde as contaminações são consequências frequentes.

Áreas contaminadas representam riscos à saúde pública onde substancias toxicas podem
entrar em contato direto com a pele, serem ingeridas ou inaladas. Odores e gases nocivos podem
ser liberados de terrenos contaminados, infiltrados nas águas subterrâneas, chegando até as
redes de distribuição de água potável. Esses contaminantes podem influenciar negativamente a
vegetação, os animais e o homem.

A contaminação de origem industrial, quando se manifesta no solo, tende a ser localizada,


afetando normalmente as regiões industrializadas e as concentrações urbanas. A falta de
esgotamento sanitário adequado nas zonas rurais e o uso indiscriminado de pesticidas e
fertilizantes também são agravantes na contaminação dos solos.

A ideia de que a qualidade do solo também pode significar um problema de saúde pública e
representar riscos para o ecossistema surgiu depois que a contaminação da água e do ar já eram
objeto de vasta legislação. A poluição ambiental permitiu que as preocupações com a qualidade
dos solos e sedimentos se tornassem presentes no cotidiano de pesquisadores do assunto.

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A contaminação do solo tem características como caráter cumulativo e baixa mobilidade
dos poluentes, no entanto, em algumas situações do solo com valores de pH baixos, ou com
grandes quantidades de areia, essa mobilidade se torna maior, fazendo com que os elementos
tóxicos tenham sua solubilidade facilitada, ficando mais suscetíveis à lixiviação para lenções
subterrâneos e outros corpos de água.
O termo “contaminação do solo” se refere à presença de substâncias tóxicas como:
hidrocarbonetos, óleos pesados, subprodutos petroquímicos, metais pesados, elementos
inorgânicos, solventes, compostos clorados, pesticidas, entre outros. Os poluentes inorgânicos
são conhecidos como “elementos tóxicos” e compreendem elementos metálicos e metaloides
da tabela periódica. Incluem-se nessa denominação elementos que em baixa concentração são
essenciais aos organismos vivos, mas quando se apresentam em concentrações mais elevadas,
provocam desequilíbrio, oferecendo certa toxidez – elementos como mercúrio, chumbo, cadmio
e arsênio são altamente tóxicos aos seres humanos, mesmo em baixas concentrações, e são
causadores de doenças e anomalias.

Elementos tóxicos no solo


Alguns elementos quando presentes, mesmo em baixas concentrações, são muito tóxicos aos
seres humanos, animais e plantas. Falaremos a seguir de alguns elementos cuja toxicidade é um
risco para a saúde.

»» Cadmio (Cd) – Muitas atividades humanas resultam em lançamentos significativos


desse elemento no meio ambiente. O cádmio é liberado no ar, solo e água por atividades
antrópicas, as principais fontes de contaminação são a produção e o consumo de metais
não ferrosos pela indústria automobilística em pigmentos, estabilizantes para plásticos,
baterias, além de uso em foto e litografia, borrachas e fungicidas.

»» Chumbo (Pb) – O chumbo tetraetílico foi considerado a maior fonte antropogênica


desse elemento no ambiente, por ter sido adicionado à gasolina na década de 1920.

»» Cromo (Cr) – O cromo hexavalente é altamente móvel no solo. Algumas fontes de


contaminação do solo por cromo são: mineração, produção de ligas resistentes à
corrosão, cromagem eletrolítica, adição de cromo a tijolos refratários, produção de óleos
lubrificantes, curtimento de couro, produção de pigmentos de cromo.
Colocar uma chamada para um vídeo que estará disponível no material complementar (http://
eaulas.usp.br/portal/video.action?idItem=3516)

Contaminantes Biológicos (resíduos domésticos)


A partir do ponto de vista da saúde pública, discutiremos os riscos da contaminação do solo
pelos resíduos domésticos. Estima-se que um grama de fezes pode albergar 10 milhões de vírus,
1 milhão de bactérias, mil cistos de parasitas e 100 ovos de parasitas. Portanto, a presença
desses seres no solo pode trazer sérias consequências aos humanos.

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Vários fatores influenciam no transporte desses organismos no solo. Vírus e bactérias são
facilmente adsorvidos pela argila, quanto maior o teor de argila no solo, maior a capacidade de
atenuar a presença desses seres patógenos. O pH ácido favorece a adsorção dos vírus, enquanto
solos com pH básico propiciam a adsorção desses seres.
A velocidade do fluxo de água possibilita que os microrganismos penetrem mais intensamente.
Depois de uma intensa chuva, há a possibilidade de haver desadsorção das bactérias e dos vírus
retidos na superfície, por essa razão, é recomendado que os sanitários (tipo fossa seca) sejam
construídos pelo menos a 1,5m de distância do aquífero ou lençol freático e a 15-30m do poço
de água de abastecimento.
O lixo doméstico, se disposto a céu aberto em barrancas de rios, lixões, encostas de
montanhas, etc., constitui uma via de acesso a agentes patógenos para o homem. Esse acesso
pode ser direto – quando o ser humano entra em contato com os resíduos – ou indireto – por
meio do transporte por insetos, roedores, suínos, aves. O lixo doméstico e dos serviços de saúde
podem apresentar vários seres patológicos que sobrevivem até 10 dias no lixo.

Fonte: IBGE, 1989/2000.

Pesticidas no solo e suas consequências na saúde


Com a produção de alimentos em larga escala em função do aumento da população, torna-
se indispensável o controle de pragas e doenças com a utilização dos pesticidas.
Pesticidas são definidos como substâncias químicas ou biológicas que são utilizadas no
controle de pragas e doenças que afetam a agricultura, e para prevenir, destruir ou repelir
insetos, fungos, nematoides, ervas daninhas, etc.
O uso indiscriminado com ausência de critérios é um problema sério para o meio ambiente
e, consequentemente, para saúde. A principal consequência é o aumento dos riscos de
contaminação de produtos da agropecuária com resíduos químicos prejudiciais a saúde. A
Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que aproximadamente três milhões de pessoas

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são intoxicadas por ano em consequência da utilização de agrotóxicos – destas, 220 mil morrem
e 750 mil adquirem doenças crônicas.
Com o intuito de controlar o uso de pesticidas e o nível desses resíduos nos alimentos, órgãos
internacionais e nacionais têm estabelecido os chamados Limites Máximos de Resíduos (LMR).
No âmbito internacional, esses limites são estipulados pelo Comitê para Resíduos de Pesticidas
Codex Alimentarius (CCRP). Nacionalmente, os limites são estabelecidos pelos governos
durante o processo de registro do produto. No Brasil, a legislação federal de agrotóxicos foi
regulamentada em 1990.
Os pesticidas representam os produtos mais encontrados em corpos hídricos, em função
de seu uso amplo em áreas agrícolas e urbanas. Eles englobam uma variedade de compostos
químicos com diferentes propriedades com diversos graus de persistência ambiental e potencial
tóxico, carcinogênico, mutagênico, com efeito endócrino em diversos animais e seres humanos.

Em virtude da gravidade do uso de agrotóxicos e suas consequências na saúde humana, é


urgente e necessário que se realizem estudos mais aprofundados e medidas mitigadoras para
diminuir e eliminar os efeitos nocivos dessas substâncias para o meio ambiente e seres humanos.

Poluição Atmosférica – Qualidade do Ar

As atividades antrópicas e sua intensificação ao longo da história são as responsáveis pela


grande emissão de gases e partículas na atmosfera. Como resultado, a atmosfera vem sendo
modificada na sua composição. Com o aumento de gases e partículas, diferentes efeitos surgem:
mudança da qualidade do ar que respiramos, modificações no ambiente físico em escala regional
– como a chuva ácida – e escala global – como o efeito estufa, que pode levar ao aquecimento
do planeta com alterações no clima, resultando em um risco para a vida do homem no planeta.

As emissões provenientes dessas atividades, como a queima de madeira, carvão e demais


combustíveis fósseis, nos processos industriais, nas atividades agropecuárias, visando atender
os padrões de consumo e produção, têm provocado impactos na saúde pública, na qualidade
de vida e no meio ambiente.

A atmosfera é um recurso natural, recebe concentrações de substâncias em processos


naturais – tais como as erupções vulcânicas, decomposição de vegetais e animais, incêndios
florestais, entre outros. Porém, com o crescimento dos espaços urbanos, houve um aumento
considerável dessas emissões, agora com origem antrópica, elevando a poluição atmosférica
tanto local como globalmente. Podemos perceber um processo de exaustão da capacidade de
suporte dos ecossistemas, principalmente onde as aglomerações urbanas se instalaram. Como
consequência, temos alterações significativas na atmosfera: aumento dos gases do efeito estufa,
redução da camada de ozônio, chuva acida, entre outros.

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Pesquisas mostram que milhares de pessoas morrem anualmente como consequência da


poluição atmosférica em áreas urbanas, principalmente em decorrência de doenças respiratórias.
Diante disso, são necessários esforços no sentido de reverter esse quadro, que resulta em
impactos econômicos para as nações, para o bem estar das comunidades e, claro, para o meio
ambiente. Para tanto, devemos focar em algumas medidas como:

• Politicas que priorizem as ações na reversão dessa problemática;


• Programas de educação ambiental com foco na questão da qualidade do ar e nas
medidas mitigadoras;
• Minimização na produção de resíduos com mudanças nos padrões de consumo e produção;
• Aplicação de procedimentos adequados para tratar os resíduos gerados;
• Definir formas de ocupação e uso do solo, respeitando os limites de capacidade de suporte
e do tempo de autodepuração dos espaços.

Poluentes Atmosféricos
A poluição do ar pode ser definida como: presença de matéria ou energia na atmosfera,
de forma a torná-la imprópria, causar prejuízos aos usos antrópicos, à saúde pública e ao
ecossistema natural (PHILIPPI, 2014).

Os poluentes atmosféricos podem ser classificados de acordo com sua forma e emissão:

»» Poluentes Primários – Poluentes emitidos diretamente pelas fontes. Exemplo: emissões


de veículos movidos a gasolina que englobam, entre outros, o dióxido de carbono (CO2),
monóxido de carbono (CO), hidrocarboneto (HC);

»» Poluentes Secundários – Não emitidos diretamente por fontes, mas formados a partir
de reações ocorridas na troposfera. Exemplo: o ozônio.

Existe poluentes na atmosfera que resultam de reações ocorridas na própria atmosfera.


Um exemplo de reação que ocorre em uma atmosfera poluída é a fotoquímica, onde alguns
elementos como óxido de nitrogênio e hidrocarbonetos, na presença da luz, produzem os
oxidantes fotoquímicos que são tóxicos.

Principais Poluentes Atmosféricos


Alguns poluentes atmosféricos são emitidos em maior quantidade e por um grande número
de fontes, estando mais presentes em áreas urbanas poluídas, oferecendo grandes riscos à
saúde, flora e fauna. Entre eles, podemos destacar: as partículas em suspensão, o dióxido de
enxofre, os óxidos de nitrogênio, os hidrocarbonetos, o monóxido de carbono e os oxidantes
fotoquímicos. Devemos citar também os poluentes que apresentam grande impacto na saúde

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pública e ocupacional, dentre eles: o cloro e seus compostos, as névoas acidas, os odores, as
fumaças, o mercúrio, partículas de chumbo, amianto, partículas radioativas, etc.

Efeitos da Poluição do Ar na Saúde e no Meio Ambiente


Diversos efeitos são observados e sentidos na poluição atmosférica, tanto na saúde quanto
no meio ambiente. Uma das alterações causadas pela poluição do ar é a deterioração da
visibilidade. Esse efeito tem um impacto no bem estar das pessoas, aumentando os riscos de
acidentes. A redução da visibilidade ocorre por conta de partículas sólidas e líquidas suspensas
na atmosfera, que absorvem e dispersam a luz.
Na vegetação, alguns efeitos dos poluentes podem ocorrer: redução na penetração da luz –
reduzindo a capacidade de fotossíntese – por sedimentação de partículas nas folhas, deposição
de poluentes no solo, penetração dos poluentes pelos estômatos das plantas, interferindo na
troca de gases. Essas alterações podem ocasionar alterações no crescimento e na produção das
plantas, com prejuízos na agricultura.
Os efeitos na população podem ser divididos em dois grupos: efeitos agudos e efeitos
crônicos. As pessoas não são afetadas igualmente pelos poluentes, diversos aspectos devem ser
considerados: os biológicos, físicos e sociais no contexto do indivíduo e da população expostos.

Em relação aos impactos na saúde pública, estudos encontraram uma associação entre a
concentração média de determinados poluentes e indicadores de mortalidade e morbidade.
Conforme observado, doenças respiratórias apresentam-se como um dos principais efeitos na
saúde humana da poluição do ar.
• Fazer uma indicação de um vídeo disponível (http://eaulas.usp.br/portal/video.
action?idItem=3517) no material complementar e de um PDF (Poluição nas grandes metrópoles)

Impactos econômicos também são observados em função da poluição atmosférica, podemos


destacar os custos na saúde pública e na gestão dos espaços em função da contribuição no
aumento da mortalidade e morbidade, bem como de maiores custos de manutenção de
equipamentos urbanos, patrimônios históricos, etc.

A quaidade do ar e a proteção da saúde pública são direitos da sociedade, garantidos pela


Constituição Federal Brasileira de 1988, cabendo à sociedade atuar no sentido de eliminar ou
reduzir os efeitos negativos à saúde agravados pela poluição do ar.

Para tanto, a capacitação de recursos humanos para a atuação na gestão da qualidade do ar,
pesquisas e estruturação do sistema de monitoramento tornam-se ações prioritárias. A mudança nos
padrões de consumo e de produção, otimizando os recursos naturais e minimizando a geração de
resíduos, também, pois terá como resultado a diminuição do consumo de combustíveis fósseis e de
recursos naturais e, consequentemente, a redução na quantidade de poluentes lançados na atmosfera.

Um planejamento ambiental adequado pode resultar no uso mais eficiente da energia. Parte
desse planejamento deve pensar em transporte urbano mais funcional, que reduza o número
de carros particulares na rua.

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Unidade: Meio Ambiente, Saúde e Sustentabilidade

É necessário que a sociedade repense os modelos de desenvolvimento para um consumo


sustentável, buscando alternativas que façam com que suas atividades sejam menos
impactantes. A conscientização da comunidade para a importância da questão da poluição
do ar resultará na tomada de decisão, considerando as questões de desenvolvimento
econômico, social e ambiental.

Considerações Finais
Para termos um desenvolvimento sustentável devemos equilibrar as atividades
antrópicas, suas modificações ambientais e os impactos causados que podem comprometer
negativamente a qualidade de vida presente e futura. Com isso bem claro, podemos propor
mudanças no padrão de consumo, alcançando maior eficiência no sistema de produção, a
otimização dos recursos naturais e a minimização da geração de rejeitos. Como resultado,
teremos uma redução na quantidade de poluentes lançados no meio, melhoria da qualidade
de vida e da saúde da população.

Como dito anteriormente, o planejamento ambiental urbano adequado pode trazer um uso
mais eficiente da energia, o estabelecimento de um sistema de transporte urbano que estimule
a redução de viagens, o uso de transportes de cargas menos poluentes. Essas ações reduzirão a
poluição atmosférica.
É necessário que os recursos hídricos sejam utilizados de forma mais consciente, no sentido
de preservar e tratar as águas residuais, promovendo mais saúde para a população.
Da mesma maneira, a utilização de pesticidas deve ser controlada e medidas mitigadoras
adotadas para minimizar os efeitos ruins para saúde.
Para tanto, o profissional de meio ambiente precisa ter uma formação abrangente e conseguir
gerir uma equipe multidisciplinar. Dessa forma, os resultados serão com certeza mais eficientes,
tanto na preservação dos recursos naturais, na melhor maneira de utilizá-los, quanto para
melhora significativa da saúde e da qualidade de vida da população.

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Material Complementar

Endereço eletrônico dos vídeos sugeridos no material teórico.


• http://eaulas.usp.br/portal/video.action?idItem=3516
• http://eaulas.usp.br/portal/video.action?idItem=3517

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Referências

PHILIPPI, A; Pelicioni, M.C.F. Educação ambiental e sustentabilidade. 2. ed. Barueri:


Manoele, 2014.
PHILIPPI, A. Saneamento, saúde e ambiente. Barueri: Manoele, 2014.
BATTAGLIN, P. et al. Saúde Coletiva: um campo em construção. Curitiba: Ibpex, 2006.
ROSA, A et al. Meio ambiente e sustentabilidade (recurso eletrônico). Porto Alegre:
Bookman, 2012.

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Anotações

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