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Síndromes Geriátricas

-GERIATRIA-
Por Victor Santos
(23/05/2018)
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ÍNDICE

1. SÍNDROMES GERIÁTRICAS (OS 5 IS).

2. IMOBILIDADE.

3. INSTABILIDADE POSTURAL.

4. INCONTINÊNCIA.

5. INSUFICIÊNCIA COGNITIVA.

6. IATROGENIA NO IDOSO.

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1. SÍNDROMES GERÍATRICAS (OS 5 IS).

I. O QUE É?
O termo “síndrome geriátrica” é utilizado para identificar condições clínicas nos indivíduos
com idade igual ou superior a 60 anos, condições essas que não se encaixam facilmente em
categorias da Classificação Internacional de Doenças (CID).
• São heterogêneas, mas apresentam características comuns.
• Têm curso crônico.
• Afetam a qualidade de vida dos indivíduos e de suas famílias.
• Afeta os eixos das Atividades de vida diária (AVDs): Autonomia, independência,
cognição, humor, mobilidade e a comunicação.

II. AVDs:

a) Autonomia: Capacidade individual de decisão e comando sobre as suas ações,


estabelecendo e seguindo as próprias regras.

b) Independência: Refere-se à capacidade de realizar algo com os próprios meios e esta


intimamente relacionada ao funcionamento harmoniosa dos 4 domínios funcionais:
Cognição, humor, mobilidade e comunicação.

• Cognição: Capacidade mental de compreender e resolver os problemas do


cotidiano (envolve memória, função executiva, linguagem e etc.).

• Humor: Motivação necessária para os processos mentais.

• Mobilidade: Capacidade de deslocamento do indivíduo, depende da postura,


marcha, capacidade aeróbica e continência esfincteriana.

• Comunicação: Capacidade de estabelecer relacionamento produtivo com o


meio e depende da visão, audição e fala.

A perda dessas funções resulta nas síndromes geriátricas: Incapacidade cognitiva,


instabilidade postural, imobilidade, incontinência e iatrogenia.
Juntas essas síndromes formam os chamados “5 IS da geriatria”.

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2. IMOBILIDADE:

I. O QUE É?
É a incapacidade de se deslocar sem o auxilio de outra pessoa, com finalidade de atender as
necessidades da vida diária. Pode o paciente estar restrito a uma poltrona ou ao leito.
• Representa causa importante de comprometimento da qualidade de vida.
• O espectro de gravidade é variável.

II. FATORES DE PREDISPOSIÇÃO:

• Osteoporose.
• Doenças reumáticas.
• Sequelas de fraturas.
• DPOC, ICC, AVC e infecções.
• Desnutrição e desidratação.
• Parkinson, demência e depressão.
• Longos períodos acamados (lesões por pressão).

III. CONSEQUÊNCIAS:

• Sistema cardiovascular: Alto risco de trombose devido a redistribuição do volume de


sangue dos membros inferiores para a circulação central.

• Sistema respiratório: Risco de insuficiência respiratória.

• Sistema digestório: Anorexia secundária a restrição dietética e risco de constipação


intestinal.

• Sistema geniturinário: Aumento do volume residual da bexiga e alto risco de


retenção urinária o que aumenta o risco de infecção urinária.

• Pele: Lesão por pressão.

• Sistema neurológico: Depressão e confusão mental.

• Musculatura: Sarcopenia (atrofia muscular).

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3. INSTABILIDADE POSTURAL:

I. RISCO:
A instabilidade postural aumenta o risco de ocorrência de quedas (um dos maiores temores
em geriatria).

II. FATOR DE PREDISPOSIÇÃO:

• Alterações no sistema locomotor (alterações de marcha).

• Alterações no sistema vestibular (vertigens e tonturas).

• Alterações no sistema sensorial (Diminuição na acuidade visual).

• Alterações no sistema de propriocepção (Capacidade de perceber o próprio corpo).

• Alterações musculares (sarcopenia).

III. CONSEQUÊNCIAS:

• A maior consequência relacionada a instabilidade postural é a queda.

• A queda é o deslocamento não intencional do corpo para um nível inferior a posição


inicial com incapacidade de correção em tempo hábil, determinada por circunstancias
multifatoriais, comprometendo a estabilidade.

• A complicação mais frequente da queda é o medo de cair novamente, o que, muitas


vezes, impede o idoso de deambular normalmente, deixando-o restrito ao leito ou à
cadeira, agravando seu descondicionamento físico.

• Outro grande risco das quedas são as fraturas, que nos idosos representa um agravo
importante na qualidade de vida.

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4. INCONTINÊNCIA URINÁRIA (IU):

I. O QUE É?
É a perda involuntária de urina em quantidade suficiente para representar um problema
social, de higiene ou médico. Representa um fator de risco de institucionalização.
• A incontinência urinária não é uma condição normal da velhice.
• Tem impacto social gerando estigma social capaz de causar restrições das atividades
sociais, isolamento e depressão.

II. CLASSIFICAÇÃO:
A incontinência urinaria pode ser:
• De stress ou de esforço: Caracterizada pela perda involuntária de urina sincrônica ao
esforço espirro ou tosse. Ocorre devido a fraqueza da musculatura pélvica causando
incapacidade de reter a urina (flacidez de esfíncteres).

• De urgência: Caracterizada pela perda involuntária de urina associada ou


imediatamente precedida de urgência miccional (Polaciúria – aumento do número de
micções e noctúria – necessidade de acordar durante a noite para urinar).

• Mista: Perda involuntária de urina concomitante à urgência miccional e ao esforço.

• Por transbordamento: Caracterizada pelo gotejamento e/ou perda continua de urina


associados ao esvaziamento vesical incompleto, devido a contração deficiente ou
obstrução na via de saída vesical. (A bexiga está sempre cheia).

III. CONSEQUÊNCIAS:

• Econômicas: Medicações e fraldas.


• Físicas: Irritação da pele, Infecção do Trato Urinário (ITU) e úlceras.
• Psicossociais: Isolamento, depressão, vergonha, diminuição da autoestima, problemas
conjugais e familiares.

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5. INSUFICIÊNCIA COGNITIVA:

I. O QUE É?
A cognição é o conjunto de funções cerebrais formadas pela memória, função executiva,
antecipação, sequenciamento e monitoramento de tarefas, linguagem, praxia (capacidade de
executar um ato motor), gnosia (capacidade de reconhecimento de estímulos visuais,
auditivos e táteis) e função visuo-espacial.
A incapacidade cognitiva é um diagnóstico sindrômico que envolve esquecimento
confirmado por familiares, dificuldade no desempenho de atividades cotidianas e alteração
na triagem cognitiva. Está associada a 4 grandes causas:
• Demência.
• Depressão.
• Delirium.
• Doença mental.

II. DEMÊNCIAS:
É o nome dado ao conjunto de alterações que ocorrem no cérebro das pessoas modificando
suas capacidades intelectuais. O termo demência significa que a pessoa apresenta déficits de
memória associados com dificuldades em pelo menos um outro setor, de intensidade
suficiente para restringir as atividades diárias.
TIPOS DE DEMÊNCIAS:

A– Demência vascular (DV):


• Redução do fluxo sanguíneo no cérebro devido a um coagulo de sangue ou ao bloqueio dos
vasos sanguíneos.
• Pode causar acidentes cerebrovasculares.
• Segunda causa mais frequente de demência.

B- Demência por corpos de Lewy (DCL):


• Os corpos de Lewy são compostos de uma proteína que se reúne na área do córtex do
cérebro.
• Perda de memória e dificuldade de pensar.
• Mais parecido com Alzheimer.
• A DCL se diferencia do Alzheimer pelo fato de o primeiro implicar alterações do sono,
alucinações.
• Sintomas característicos: Flutuação dos déficits cognitivos em questão de minutos ou horas,
alucinações visuais bem detalhas, vividas e recorrentes.

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C- Demência fronto temporais (DFT):


• Alterações precoces de personalidade característico, com alterações precoces de
personalidade e de comportamento.
• Alterações de linguagem (redução da fluência verbal)
• Inicio insidioso e caráter progressivo.
• Preservação relativa da memória e habilidade visuaespaciais.

D- Doença de Alzheimer (DA):


• Causa mais frequente de demência, responsável por mais de 50% dos casos na faixa etária
igual ou superior de 65 anos.
• Processo degenerativo que acomete inicialmente a formação hipocampal.
• Comprometimento de áreas corticais associativas.
• Alterações cognitivas e comportamentais, com preservação do funcionamento motor e
sensorial até as fases mais avançadas.
• Declínio da memória e desorientação espacial.
• Alterações de linguagem e de habilidades visuespaciais.

III. DEPRESSÃO:

Caracteriza-se pela presença de humor deprimido (sensação de vida vazia, irritabilidade,


emotividade excessiva, choro frequente, considera-se um peso para a família e acha a morte
uma solução) além de:
• Perda de interesse ou prazer com as atividades que antes eram agradáveis.
• Perda ou ganho significativo de peso.
• Insônia ou hipersonia
• Agitação ou retardo psicomotor.
• Sentimento de inutilidade e culpa excessiva.
• Diminuição da capacidade de concentração.

IV. DELIRIUM:

É a instalação aguda e caracteriza-se pela presença de alterações do nível de consciência e


pelo comprometimento global das funções cognitivas (memória, percepção, linguagem, etc.).
• Geralmente está associado a quadros infecciosos e alterações metabólicas que devem
ser investigadas e tratadas.
• Uma vez tratada a causa, tende a desaparecer.

V. DOENÇAS MENTAIS:

As mais comuns são parafrenia tardia, esquizofrenia residual e oligofrenia.

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6. IATROGENIA:

I. O QUE É?
São afecções decorrentes da intervenção do médico e/ou de seus auxiliares, seja ela certa ou
errada, justificada ou não, mas da qual resultam consequências prejudiciais para a saúde do
paciente.
Deriva do grego iatros (médico) e genia (origem).
II. PODEM CAUSAR IATROGENIA:
• Palavras.
• Atitudes.
• Procedimentos.
• Medicamentos.

III. IMPORTÂNCIA:
É fundamental evitar iatrogenia em idosos devido a sua natural vulnerabilidade mais
acentuada às reações adversas associadas às drogas, às intervenções não medicamentosas,
decorrentes da senescência, do risco de polipatogenia e de polifarmácia, além de
incapacidades.

IV. IATROGENIA MEDICAMENTOSA:


• A causa mais comum de iatrogenia é a interação medicamentosa, que ocorre quando
um ou mais medicamentos alteram os efeitos de outros que estão sendo tomados pelo
paciente, aumentando ou diminuindo a sua ação.
• Reações alérgicas são uma forma de iatrogenia medicamentosa.
• As interações medicamentosas em idosos ocasionam as chamadas Reações Adversas a
Medicamentos (RAM).
• Segundo a OMS as RAM’s são definidas como qualquer efeito nocivo, não intencional
e não desejado de uma droga.
• Quando dois ou mais medicamentos são administrados simultaneamente duas
situações podem ocorrer:
➢ Indiferença farmacológica: Cada medicamento age provocando os efeitos
desejados sem qualquer interação com os outros.
➢ Interferência farmacológica: A ação de um interfere nos efeitos do outro
podendo haver sinergismo (potencialização) ou antagonismo (prejuízo).
• Entre os idosos essas situações podem ocorrer com maior frequência dado o uso de
múltiplos medicamentos (polifarmácia – uso de 5 ou mais medicamentos).

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