Você está na página 1de 13

IBS

INTERNATIONAL BIBLICAL
SEMINARY. INC.

AS ESCRITURAS
Myer Pearlman
DOUTRINA DAS ESCRITURAS SAGRADAS

"O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não


hão de passar" (Mat. 24:35). "Seca-se a erva, e caem
as flores, porém a palavra de nosso Deus subsiste
eternamente" (Isa. 40:8).
“Quem destruísse este Livro, como já tentaram
fazer os inimigos da felicidade humana, nos deixaria
profundamente desconhecedores do nosso Criador, da criação do
mundo que habitamos, da origem e dos progenitores da raça, como
também do nosso futuro destino, e nos subordinaria para sempre ao
domínio do capricho, das dúvidas e da concepção visionária. A
destruição deste Livro nos privaria da religião cristã, com todos os
seus confortos espirituais, esperanças e perspectivas animadoras, e no
lugar desses, nada nos deixaria a não ser a penumbra triste da
infidelidade e as monstruosas sombras do paganismo. A destruição
deste Livro despovoaria o céu, fechando para sempre suas portas
contra a miserável posteridade de Adão, restaurando ao rei dos
terrores o seu aguilhão; enterraria no mesmo túmulo que recebe os
nossos corpos, todos os que antes de nós morreram, e deixando a nós
o mesmo triste destino. Enfim, a destruição deste Livro nos roubaria
de uma vez tudo quanto evita que a nossa Existência se tome a maior
das maldições; cobriria o sol; secaria o oceano e removeria a
atmosfera do mundo moral, e degradaria o homem a ponto de ele ter
ciúmes da posição dos próprios animais”. — Dr. Payson.
E o Dr. Hodges escreve: "A inteligência divina nos leva a crer que
Deus tenha adaptado os meios ao fim, e que ele, enfim, coroará essa
natureza religiosa com uma religião sobrenatural. A benevolência de
Deus nos conduz a esperar que ele solucione a grave perplexidade e
evite o perigo para as suas criaturas. A justiça de Deus nos conduz à
esperança de que falará ele em tons claros e com autoridade à nossa
consciência."
3. Essa revelação deveria estar em forma escrita.
É razoável que sua mensagem tomasse forma de livro. Como disse o
Dr. Keyser: "Os livros representam o melhor meio de preservar a
verdade em sua integridade e transmiti-la de geração a geração. A
memória e a tradição não merecem confiança. Portanto, Deus agiu
com a máxima sabedoria e também dum modo normal dando ao
1
DOUTRINA DAS ESCRITURAS SAGRADAS

homem a sua revelação em forma de livro. De nenhuma outra


maneira, pelo que podemos ver, podia ter ele entregue aos homens
um ideal infalível que estivesse acessível a todos os homens e que
continuasse intacto através dos séculos e do qual todos os povos
pudessem obter a mesma norma de fé e prática."
É razoável concluir que Deus inspirasse os seus servos a arquivarem
essas verdades, verdades que não poderiam ser descortinadas pela
razão humana. E, finalmente, é razoável crer que Deus tivesse
preservado, por sua providência, os manuscritos das escrituras
bíblicas e que tivesse influenciado a sua igreja a incluir no cânon
sagrado somente os livros que fossem divinamente inspirados.

2
DOUTRINA DAS ESCRITURAS SAGRADAS

II. A INSPIRAÇÃO DAS ESCRITURAS

É possível que haja uma religião divina sem uma literatura


inspirada. O professor Francis L. Patton observa:
"Se o simples testemunho histórico prova que Jesus operou
milagres, pronunciou profecias e proclamou a sua divindade — se
pode ser demonstrado que ele foi crucificado para redimir os
pecadores, e que foi ressuscitado dentre os mortos e que fez com que
o destino dos homens dependesse de aceitá-lo como o seu Salvador -
então, sejam inspirados ou não os registros, ai daquele que
descuidar de tão grande salvação."
Todavia, não tomaremos mais tempo com isso, pois não existe
nenhuma dúvida quanto à inspiração da Bíblia. "Toda a Escritura é
divinamente inspirada" (literalmente: "é dada pelo sopro de Deus"),
declara Paulo. (2 Tim. 3:16.) "Porque a profecia não foi antigamente
produzida por vontade de homem algum", escreve Pedro, "mas os
homens santos de Deus falaram, inspirados pelo Espírito Santo" (2
Pedro 1:21).
Assim define Webster a inspiração: "A influência sobrenatural do
Espírito de Deus sobre a mente humana, pela qual os profetas,
apóstolos e escritores sacros foram habilitados para exporem a
verdade divina sem nenhuma mistura de erro."
Segundo o Dr. Gaussen, "é o poder inexplicável que o Espírito
Divino exerce sobre os autores das Escrituras, em guiá-los até mesmo
no emprego correio das palavras e em preservá-los de todo erro, bem
como de qualquer omissão".
Assim escreveu o Dr. William Evans: "A inspiração divina, como é
definida por Paulo nesta passagem (2 Tim. 3:16), é a forte
inspiração espiritual de Deus sobre os homens, capacitando-os a
expressarem a verdade; é Deus falando pêlos homens, e, por
conseguinte, o Antigo Testamento é a Palavra de Deus. Ê como se o
próprio Deus houvesse falado cada palavra do livro. As Escrituras
são o resultado da divina inspiração espiritual, da mesma maneira
em que o falar humano é efetuado pela respiração pela boca do
homem." Podemos dizer que a declaração de Pedro revela que o
Espírito Santo estava presente duma maneira especial e milagrosa
3
DOUTRINA DAS ESCRITURAS SAGRADAS

sobre os escritores das Escrituras, revelando-lhes as verdades que


antes não conheciam e guiando-os também no registro dessas
verdades e dos acontecimentos, dos quais eram testemunhas oculares,
de maneira que as pudessem apresentar com exatidão substancial ao
conhecimento de outrem.
Alguém poderia julgar, pela leitura dos vários credos do
Cristianismo, tratar-se de assunto bastante complexo, cheio de
enigmas teológicos e tumultuado por definições obscuras. Mas esse
não é o caso. As doutrinas no Novo Testamento, como originalmente
expostas, são simples e se podem definir de maneira simples. Mas,
com o passar dos tempos, a igreja teve de enfrentar doutrinas e
opiniões erradas e defeituosas e, por conseguinte, se viu obrigada a
cercar as doutrinas certas e protegê-las com definições. Deste
processo de definições exatas e detalhadas surgiram os credos. As
declarações doutrinárias ocuparam uma parte importante e necessária
na vida da igreja, e constituíram impedimento a seu progresso
unicamente quando uma aquiescência formal a essas doutrinas veio a
substituir a viva fé.
A doutrina da inspiração, como é apresentada na Palavra, é
relativamente simples, mas o surgimento de idéias errôneas criou a
necessidade de proteger a doutrina certa com definições completas e
detalhadas. Contra certas teorias, é necessário afirmar que a
inspiração das Escrituras é a seguinte:
l. Divina e não apenas humana.
O modernista identifica a inspiração das Escrituras Sagradas com o
mesmo esclarecimento espiritual e sabedoria de que foram dotados
tais homens como:
Platão, Sócrates, Browning, Shakespeare e outros gênios do mundo
literário, filosófico e religioso. A inspiração, dessa forma, seria
considerada apenas uma coisa puramente natural. Essa teoria rouba à
palavra inspiração todo o seu significado e não combina, em
absoluto, com o caráter sobrenatural e único da Bíblia.
2. Única e não comum.
Alguns confundem a inspiração com o esclarecimento. Refere-se à
influência do Espírito Santo, comum a todos os cristãos, influência
4
DOUTRINA DAS ESCRITURAS SAGRADAS
que os ajuda a compreender as coisas de Deus. (l Cor. 2:4; Mat.
16:17.) Eles mantêm a opinião de que esse esclarecimento espiritual
seja a explicação adequada sobre a origem da Bíblia. Existo uma
faculdade nos homens, assim ensinam eles, pela qual se pode
conhecer a Deus — uma espécie de olho da sua alma. Quando os
homens piedosos da antiguidade meditavam em Deus, o Espírito
Divino vivificava essa faculdade, dando-lhes esclarecimentos dos
mistérios divinos.
Tal esclarecimento é prometido aos crentes e tem sido experimentado
por eles. Mas este esclarecimento não é o mesmo que inspiração.
Sabemos, segundo está escrito em l Ped. 1:10-12, que às vezes os
profetas recebiam verdades por inspiração e lhes era negado
esclarecimento necessário à sua compreensão dessas mesmas
verdades. O Espírito Santo inspirou-lhes as palavras, mas não achou
por bem conceder-lhes a compreensão do seu significado. Descreve-
se Caifás como sendo o veículo duma mensagem inspirada (se bem
que o foi inconscientemente), apesar de não estar ele pensando em
Deus. Nesse momento ele foi inspirado mas não esclarecido. (João
11:49-52.)
Notemos duas diferenças específicas entre o esclarecimento e a
inspiração:
(1) Quanto à duração, o esclarecimento é, ou pode ser, permanente.
"Porém a vereda dos justos é como a luz da aurora, que vai brilhando
mais e mais até ser dia perfeito" (Prov. 4:18). A unção que o crente
recebeu do Espírito Santo permanece nele, diz o apóstolo João (l João
2:20-27). Por outro lado, a inspiração também era intermitente; o
profeta não podia profetizar à vontade, porém estava sujeito à
vontade do Espírito. "Porque a profecia não foi antigamente
produzida por vontade de homem algum", declara Pedro, "mas os
homens santos de Deus falaram, inspirados pelo Espírito Santo" (2
Pedro 1:21). Que a inspiracão profética viesse repentinamente está
implícita na expressão comum: "A palavra do Senhor veio" a este ou
àquele profeta. Uma distinção clara se faz entre os verdadeiros
profetas, que profetizam unicamente quando lhes vem a palavra do
Senhor, e os profetas falsos que proferem uma mensagem de sua
própria invenção. (Jer. 14:14; 23:11, 16; Ezeq. 13:2, 3.)
(2) O esclarecimento admite a graduação, enquanto a inspiração
não admite graduação alguma. Varia de pessoa para pessoa o grau de

5
DOUTRINA DAS ESCRITURAS SAGRADAS
esclarecimento, mas no caso da inspiração, no sentido bíblico, a
pessoa ou recebeu ou não recebeu a inspiração.
3. Viva e não mecânica.
A inspiração não significa ditado, no sentido de que os escritores
fossem passivos, sem que tomassem parte as suas faculdades no
registro da mensagem, embora sejam algumas porções das Escrituras
ditadas, como por exemplo, os Dez Mandamentos e a Oração
Dominical. A própria palavra inspiração exclui o sentido de ação
meramente mecânica, e a ação mecânica exclui qualquer sentido de
inspiração. Por exemplo, um homem de negócios não inspira sua
secretária ao ditar-lhe as cartas. Deus não falou pêlos homens como
quem fala por um alto-falante. Antes seu Divino Espírito usou as suas
faculdades mentais, produzindo desta maneira uma mensagem
perfeitamente divina, e que, ao mesmo tempo, conservasse os traços
da personalidade do autor. Embora seja a Palavra do Senhor, é ao
mesmo tempo, em certo sentido, a palavra de Moisés, ou de Paulo.
"Deus nada fez a não ser pelo homem; o homem nada fez, a não ser
por Deus. É Deus quem fala no homem, é Deus quem fala pelo
homem, é Deus quem fala como homem, é Deus quem fala a favor do
homem."
O fato de haver cooperação divina e humana na produção duma
mensagem inspirada é bastante conhecido; mas "como" se processa
esta cooperação é mais difícil de explicar. Se o entrosamento de
mente e corpo já é um mistério demasiado grande, mesmo para o
homem mais sábio; quanto mais não é o entrosamento do Espírito de
Deus e o espírito do homem!
4. Completa e não somente parcial.
Segundo a teoria da inspiração parcial, os escritores seriam
preservados do erro em questões necessárias à salvação dos homens,
mas não em outras matérias como sejam: história, ciência, cronologia
e outras semelhantes. Portanto, segundo essa opinião, seria mais
correto dizer que "A Bíblia contém a Palavra, em lugar de dizer que é
a Palavra de Deus".

6
DOUTRINA DAS ESCRITURAS SAGRADAS

Essa teoria nos submergiria num pântano de incertezas, pois quem


pode, sem equívoco, julgar o que é e o que não é essencial à
salvação? Onde está a autoridade infalível que decida qual parte é a
Palavra de Deus e qual não o é? E se a história da Bíblia é falha,
então a doutrina também o é, porque a doutrina bíblica se baseia na
história bíblica. Finalmente, as Escrituras mesmas reivindicam para si
a inspiração plenária. Cristo e seus apóstolos aplicaram o termo
"Palavra de Deus" a todo o Antigo Testamento.
5. Verbal e não apenas de conceitos.
Segundo outra teoria, Deus inspirou os pensamentos, mas não as
palavras dos escritores. Isto é, Deus inspirou os homens, e deixou ao
critério deles a seleção das palavras e das expressões. Mas a ênfase
bíblica não está nos homens inspirados, mas sim nas palavras
inspiradas. "Havendo antigamente falado... aos pais pelos profetas"
(Heb. 1:1). "Homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito
Santo" (2 Pedro 1:21). Ainda mais, é difícil separar a palavra do
pensamento; um pensamento é uma palavra antes de ser ela proferida.
("Não comeceis dizer em vossos corações"; "o tolo disse em seu
coração"); uma palavra é um pensamento ao qual se deu expressão.
Pensamentos divinamente inspirados naturalmente teriam sua
expressão em palavras divinamente inspiradas. Paulo nos fala de
"palavras ensinadas pelo Espírito" (l Cor. 2:13). Finalmente, uma
simples palavra é citada como sendo o fundamento de doutrinas
básicas. (João 10:35; Mat. 22:42-45; Gál. 3:16; Heb. 12:26, 27.)
Precisamos fazer distinção também entre a revelação e a inspiração.
Por revelação queremos dizer aquele ato de Deus pelo qual ele dá a
conhecer o que o homem por si mesmo não podia saber; por
inspiração queremos dizer que o escritor é preservado de qualquer
erro ao escrever essa revelação. Por exemplo, os Dez Mandamentos
foram revelados, e Moisés foi inspirado ao registrá-los no
Pentateuco.
A inspiração nem sempre implica revelação; por exemplo, Moisés foi
inspirado a registrar eventos que ele mesmo havia presenciado e que
dessa maneira estavam dentro do âmbito do seu próprio
conhecimento.
7
DOUTRINA DAS ESCRITURAS SAGRADAS

Distingamos também entre as palavras inspiradas e os registros


inspirados. Por exemplo, muitos dizeres de Satanás são registrados
nas Escrituras e sabemos que o diabo certamente não foi inspirado
por Deus ao proferi-los; mas o registro dessas expressões satânicas
foi inspirado.
III. A VERIFICAÇÃO DAS ESCRITURAS

1. Elas reivindicam inspiração.


O Antigo Testamento declara-se escrito sob uma inspiração especial
de Deus. A expressão "e Deus disse", ou equivalente, é usada mais de
2.600 vezes. A história, a lei, os salmos e as profecias são declarados
escritos por homens sob inspiração especial de Deus. (Vide Êxo.
24:4; 34:28; Jos. 3:9; 2 Reis 17:13; Isa. 34:16; 59:21; Zac. 7:12; Sal.
78:1; Prov. 6:23.) Cristo mesmo sancionou o Antigo Testamento,
citou-o e viveu em harmonia com os seus ensinos. Ele aprovou a sua
veracidade e autoridade (Mat. 5:18; João 10:35; Luc. 18:31-33;
24:25, 44; Mat. 23:1,2; 26:54) e o mesmo fizeram os apóstolos. (Luc.
3:4; Rom. 3:2; 2 Tim. 3:16; Heb. 1:1; 2 Pedro 1:21; 3:2; Atos 1:16;
3:18; l Cor. 2:9-16.).
Arroga-se o Novo Testamento uma inspiração semelhante? Quanto à
inspiração dos Evangelhos é garantida pela promessa de Cristo de
que o Espírito traria à mente dos apóstolos todas as coisas que ele
lhes havia ensinado, e que o mesmo Espírito os guiaria em toda
verdade. Em todo o Novo Testamento ele se declara uma revelação
mais completa e clara de Deus do que aquela dada no Antigo
Testamento, e com absoluta autoridade declara a ab-rogação das leis
antigas. Portanto, se o Antigo Testamento é inspirado, a mesma
inspiração deve ter o Novo. Parece que Pedro procura colocar as
epístolas de Paulo no mesmo nível dos livros do Antigo Testamento,
(2 Ped. 3:15,16), e Paulo e os demais apóstolos afirmam falar com a
autoridade divina, (l Cor. 2:13; 14:31; l Tess. 2:13; 4:2; 2 Ped. 3:2; l
João 1:5; Apõe. 1:1.)
2. Dão a impressão de serem inspiradas.
As Escrituras se dizem inspiradas; um exame delas revelará o fato de
que seu caráter sustenta essa posição. A Bíblia, ao se apresentar em
8
DOUTRINA DAS ESCRITURAS SAGRADAS

juízo, o faz com bom testemunho! Quanto a seus autores, foi ela
escrita por homens cuja honestidade e integridade não podem ser
postas em dúvida; quanto ao seu conteúdo, há nele a mais sublime
revelação de Deus ao mundo; quanto à influência, tem trazido a luz
salvadora às nações e indivíduos, e possui um poder infalível para
guiar os homens a Deus e transformar-lhes o caráter; quanto à sua
autoridade, desempenha o papel dum tribunal supremo em assuntos
religiosos, de maneira que até mesmo os cultos falsos são obrigados a
citar suas palavras para poderem impressionar o público.
Falam sobre coisas específicas. Notemos: (l) Sua exatidão. Nota-se a
ausência total dos absurdos que se encontram em outros livros
"sagrados". Não lemos, por exemplo, que a terra saísse dum ovo,
tendo transcorrido certo número de anos para a sua incubação,
descansando ele sobre uma tartaruga; a terra rodeada por sete mares
de água salgada, suco de cana, bebidas alcoólicas, manteiga pura leite
coalhado, etc.
Escreve o Dr. D. S. Clarke: "Há uma diferença insondável entre a
Bíblia e qualquer outro livro. Essa diferença deve-se à sua origem”.
(2) Sua unidade. Contendo sessenta e seis livros, escritos por uns
quarenta diferentes autores, num período de mais ou menos mil e
seiscentos anos, abrangendo uma variedade de tópicos, ela, no
entanto, demonstra uma unidade de tema e propósito que só se
explica como tendo ela uma mente diretriz. (3) Quantos livros
suportam serem lidos mesmo duas vezes? Mas a Bíblia pode ser lida
centenas de vezes sem se poder sondar suas profundezas ou sem que
se perca o interesse do leitor. (4) A sua assombrosa circulação,
estando já traduzida em milhares de idiomas e dialetos, e lida em
todos os países do mundo. (5) O tempo não a afeta. É um dos livros
mais antigos do mundo e ao mesmo tempo o mais moderno. A alma
humana nunca a pode dispensar. O pão é um dos alimentos mais
antigos, e ao mesmo tempo o mais moderno. Enquanto os homens
tiverem fome, desejarão o pão para o corpo; e enquanto anelarem por
Deus e as coisas eternas, desejarão a Bíblia. (6) Sua admirável
preservação em face de perseguição e a oposição da ciência. "Os
martelos se gastam, mas a bigorna permanece”.

9
DOUTRINA DAS ESCRITURAS SAGRADAS
3. Sente-se que são inspiradas.

"Mas será que você crê naquele livro?" Disse um professor de um


colégio de Nova York a uma aluna que havia assistido às classes
bíblicas. "Oh, sim," ela respondeu; "acontece que conheço
pessoalmente o Autor." Ela declarou a mais ponderável razão de crer
na Bíblia como a Palavra de Deus; a saber, o seu apelo ao nosso
conhecimento pessoal, falando em tom que nos faz sentir sua origem
divina.
A Igreja Romana assevera que a origem divina das Escrituras
depende, em última análise, do testemunho da igreja, a qual se
considera o guia infalível em todas as questões de fé e prática. "Como
se a verdade eterna e inviolável de Deus dependesse do juízo do
homem!" declarou João Calvino, o grande Reformador. Ainda,
declarou ele: Assevera-se que a igreja decide qual a reverência que
se deve às Escrituras, e quais os livros que devem ser incluídos no
cânone sagrado. Esta interrogação: "Como saberemos que vieram
de Deus as Escrituras, a não ser que haja uma decisão da igreja?" é
tão tola quanto a seguinte pergunta:
"Como discerniremos a luz das trevas, o branco do negro, o amargo
do doce?”.
O testemunho do Espírito é superior a todos os argumentos. Deus,
na sua Palavra, é a única testemunha fidedigna concernente a si
mesmo: da mesma maneira a sua Palavra não achará crença
verdadeira nos corações dos homens enquanto não for selada pelo
testemunho do seu Espírito. O mesmo Espírito que falou pelos
profetas deve entrar em nossos corações para convencer-nos de que
esses profetas fielmente entregaram a mensagem que Deus lhes
confiam. (Isa. 59:21.)
Que este então seja um assunto resolvido: aqueles que são
ensinados internamente pelo Espírito Santo depositam confiança
firme nas Escrituras; que as Escrituras são a sua própria evidência;
que elas não podem legalmente estar sujeitas às provas e aos
argumentos, mas sim que obtenham, pelo testemunho do Espírito, a
confiança que merecem.

10
DOUTRINA DAS ESCRITURAS SAGRADAS

Sendo assim, por que aduzimos evidências externas da exatidão das


Escrituras e de seu merecimento geral? Fazemos isto primeiramente,
não para poder crer que são certas, mas sim porque sentimos que são
certas; em segundo lugar, é natural motivo de alegria poder apontar
evidências externas das coisas que cremos no coração; finalmente,
estas provas servem de veículo e receptáculo, por assim dizer, pelos
quais podemos expressar em palavras a nossa convicção íntima, e
dessa maneira "estando sempre preparados para responder a qualquer
que vos pedir a razão da esperança que há em vós" (l Ped. 3:15).
4. Provam ser inspiradas.
O Dr. Eugene Stock disse: Quando era menino, li uma história que
me mostrou os diferentes meios pelos quais podemos ter certeza de
que esta grande biblioteca de Livros Sagrados, a que chamamos
Bíblia, é realmente a Palavra de Deus, e sua revelação aos homens.
O escritor da história havia explicado três classes de evidências — a
histórica, a interna e a experimental. Então ele contou como certo
vez enviou um menino a um químico para comprar uns gramas de
fósforo. O menino voltou com um pacotinho; seria mesmo fósforo? O
menino relatou que foi à drogaria e pediu fósforo. O químico foi as
prateleiras, tirou uma substância dum frasco, colocou-a num
pacotinho e lho deu. O menino o levou diretamente à casa. Esta foi
então a evidência histórica de que no pacotinho havia fósforo. Ao
abrir-se o pacotinho, notava-se que o conteúdo parecia ser fósforo e
cheirava também a fósforo. Essa foi a evidência interna. Quando
ateou fogo à substância houve fortíssima combustão! Essa foi a
evidência experimental!
As defesas intelectuais da Bíblia têm seu lugar; mas, afinal de
contas, o melhor argumento é o prático. A Bíblia tem produzido
resultados práticos. Tem influenciado a civilização, transformado
vidas, trazido luz, inspiração e conforto a milhões e sua obra ainda
continua.

11
DOUTRINA DAS ESCRITURAS SAGRADAS

QUESTIONÁRIO — AS ESCRITURAS

1. Expressar em poucas palavras por que necessitamos das


Escrituras.
2. Por que as Escrituras tomaram forma de livro?
3. Mencione dois versículos que demonstram a inspiração das
Escrituras.
4. Dê uma definição de inspiração, baseada na declaração de Pedro.
(2 Ped.
1:21.)
6. Quais as condições existentes na igreja que motivaram essa
declaração?
7. Mencione cinco aspectos positivos da inspiração das Escrituras e
seu oposto negativo.
8. Compare a "inspiração" com a "iluminação" ou "esclarecimento".
9. Explique em que sentido a inspiração é viva e não mecânica.
10. Em que nos fundamentamos para afirmar que a inspiração das
Escrituras é completa e não meramente parcial?
11. Inspirou Deus também as palavras, ou somente os pensamentos
dos escritores? Dê uma prova.
12. Apontar a distinção entre revelação e inspiração e dar um
exemplo.
13. Existem palavras não inspiradas nos registros inspirados? Dê um
exemplo.
14. Que prova há no Antigo Testamento de que este foi escrito por
inspiração de Deus? Cite algumas referências bíblicas.
15. Dar algumas referências bíblicas que demonstrem que Paulo e
outros autores do Novo Testamento falaram com autoridade divina.
16. Mencionar seis coisas a respeito da Bíblia que sustentam a
afirmação de que ela é inspirada.
17. De que maneira nosso coração confirma a inspiração das
Escrituras?

12