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Proletários de todo o mundo, uni-vos!

Charu Mazumdar

Sobre a Guerra Popular na Índia

Edições Nova Cultura


2ª edição
2018
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MAZUMDAR, Charu; Sobre a Guerra Popular na Índia. 2ª Edição. 2018.

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[...] “Naxalbari vive e viverá. Isto porque está baseada em invencível Mar-
xismo-Leninismo-pensamento Mao Tsé-tung. Sabemos que na medida
que avançamos enfrentaremos muitos obstáculos, dificuldades, traições
e contratempos. Mas Naxalbari não morrerá, porque a luz do sol bri-
lhante do Pensamento do Camarada Mao caiu como uma bênção.
Quando Naxalbari recebe parabéns dos heróis nos seringais da Malásia
que têm lutado há 20 anos, quando parabéns são enviados pelos cama-
radas japoneses que têm lutado contra a direção revisionista do seu pró-
prio partido, quando parabéns vêm dos revolucionários australianos,
quando os camaradas das forças armadas de grande China enviam sau-
dações, sentimos o significado dessa chamada imortal, “Trabalhadores
do mundo, uni-vos”, temos um sentimento de unidade e nossa convic-
ção torna-se mais forte e firme, que nós temos nossas queridas relações
em todas as terras. Naxalbari não morreu e nunca vai morrer”.
CHARU MAZUMDAR
ÍNDICE

Apresentação ........................................................................................ 13

OITO DOCUMENTOS HISTÓRICOS (Charu Mazumdar)

Nossas tarefas na situação atual ............................................................. 23

Tornar a Revolução Democrática Popular vitoriosa através da luta contra


o revisionismo ......................................................................................... 27

Qual a origem da explosão revolucionária espontânea na Índia ........... 35

Levar a cabo a luta contra o Revisionismo Moderno .............................. 41

Qual possibilidades o ano de 1965 está indicando? ............................... 47

A tarefa principal hoje é construir o verdadeiro Partido Revolucionário


através da luta intransigente contra o Revisionismo .............................. 51

Aproveitar essa Oportunidade ................................................................. 57

Levar adiante a luta camponesa por meio do combate ao Revisionismo


.................................................................................................................. 63
Sobre a Guerra Popular na Índia Charu Mazumdar

Apresentação
Da Índia, segundo país mais populoso do mundo com
mais de 1,2 bilhão de habitantes e uma das grandes econo-
mias capitalistas chamadas “emergentes”, o público brasi-
leiro pouco recebe de informação e o que vem oriunda da mí-
dia burguesa trata-se de fatos superficiais sobre economia e
excentricidades de uma sociedade ainda dividida em castas.
Porém, é justamente deste país caricaturizado por nossa mí-
dia é que vem um dos processos revolucionários mais avan-
çados, em uma época em que a propaganda ideológica da
burguesia se esforça para fazer parecer que o socialismo é
algo que ficou no passado e que os povos já não se levantam
em armas pela sua libertação.
A Revolução Indiana, um dos principais processos de
luta armada de camponeses e operários em curso no mundo
hoje, dirigido pelo Partido Comunista da Índia (Maoísta) ainda
é pouco conhecida pelo movimento comunista brasileiro.
Como nos ensinou o camarada Mao, “uma faísca pode incen-
diar toda a pradaria”; e foi justamente esse o papel das revol-
tas camponesas de Naxalbari há 50 anos para iniciar o pro-
cesso que nasceu da luta contra o revisionismo e da inspira-
ção da Revolução Chinesa e o grande timoneiro Mao Tsé-
tung. Aplicando o pensamento Mao Tsé-tung à realidade in-
diana e travando o justo combate contra a influência do revi-
sionismo soviético no movimento comunista da Índia que tra-
vava a luta revolucionária no país, Charu Mazumdar escreveu
para o debate interno do Partido o que entrou para a história
como os “Oito documentos históricos”. Estes documentos
sintetizam o processo de luta ideológica e avanço dos comu-
nistas indianos.
Sobre a Guerra Popular na Índia Charu Mazumdar

Por ocasião dos 50 anos completados pela revolta na-


xalita que deu início ao avanço da Guerra Popular, o selo Edi-
ções Nova Cultura, criação da União Reconstrução Comu-
nista, publica o seu primeiro livro acerca da revolução na Ín-
dia, com o registro dos oito documentos fundamentais para a
compreensão do momento que antecedeu a explosão da re-
volta camponesa e sua correta direção para avançar como
avançou.

A revolta em Naxalbari
1967 é o ano que marca o início das revoltas em Na-
xalbari (Bengala Ocidental), onde milhares de camponeses
pobres sem terra e operários armados, dirigidos pela linha re-
volucionária do então Partido Comunista da Índia (Marxista),
declaram guerra contra o Estado indiano, à grande burguesia
e os latifundiários. Eram tempos de grande avanço da luta re-
volucionária dos povos. A luta pela construção socialista
avançava a passos largos com a Grande Revolução Cultural
Proletária lançada por iniciativa de Mao Tsé-tung. A luta con-
tra o revisionismo na Índia também fez com que os revoluci-
onários, marxista-leninistas, demarcassem campo com os
oportunistas do Partido Comunista Indiano, fundando o Par-
tido Comunista da Índia (Marxista). Como não poderia deixar
de ser, mesmo após a fundação do PCI (Marxista) a luta de
classes se fez presente no seio dessa organização, e é justa-
mente em tal momento que os debates sobre a Guerra Popu-
lar Prolongada atingem o seu auge. Logo uma linha oportu-
nista se manifesta no seio do PCI (Marxista), que escolhe o
caminho eleitoral em detrimento do caminho da Guerra Po-
pular Prolongada. A frente do combate contra o oportunismo
encontra-se Charu Mazumdar, líder comunista indiano que li-
derou a “fração vermelha” no interior do PCI (Marxista). E é
Sobre a Guerra Popular na Índia Charu Mazumdar

no ano de 1967 que estoura a Guerra Popular na Índia. Os


comunistas indianos, defensores do caminho da Guerra Po-
pular Prolongada, defendiam o estabelecimento de uma
Frente Única que abrigasse em seu interior todas as classes
democráticas (proletariado, camponeses, pequena-burguesia
e burguesia nacional) dirigidas pelo proletariado, aplicando a
ditadura conjunta e desenvolvendo a Revolução de Nova De-
mocracia. Amplos contingentes de camponeses se unem aos
revolucionários e passam a desenvolver tomadas de terras
contra latifundiários, formando comitês camponeses que
logo se transformaram em guardas armadas.
No ano de 1956, o PCI (Marxista), iniciara um processo
de trabalho de base enviando um grupo de militantes que se
chamava “Grupo Siliguni” para o distrito de Darjeeling, na re-
gião norte do estado de Bengala Ocidental. Estes militantes
produziram panfletos que incitavam o campesinato pobre a
enfrentar com armas nas mãos os latifundiários locais. O tra-
balho de base realizado pelos comunistas naquela região não
tardou a produzir seus primeiros resultados: no dia 3 de
março de 1967, um grupo de camponeses cercou um lote de
terra na via de Naxalbari, em Bengala Ocidental, marcaram o
território com bandeiras vermelhas e colheram a plantação.
Na ocasião, o PCI (Marxista) tentou apaziguar o movimento,
mas não obteve sucesso. Então, os dirigentes do partido, de-
cidiram enviar a polícia para a região, com a finalidade de li-
quidar com aquele movimento que estava em ascensão. Como
resultado disso, em 23 de maio de 1967, os camponeses em
armas executaram um agente da repressão na vila de Jharu-
gaon. Dois dias após a morte do agente policial, em 25 de
maio a polícia do estado de Bengala Ocidental executou 9 mu-
lheres e 2 crianças na vila de Naxalbari.
Sobre a Guerra Popular na Índia Charu Mazumdar

O povo indiano, submetido a dura exploração pelo ca-


pitalismo burocrático, pelo feudalismo e pelo imperialismo,
agora via na linha vermelha do PCI (Marxista) uma esperança
para mudar radicalmente suas vidas. Em um curto período de
tempo, o apoio de grandes contingentes das massas popula-
res indianos à Revolução, fez com que esta modificasse radi-
calmente várias regiões da Índia. Os revolucionários chega-
ram a controlar cerca de 2 mil localidades e sua influência
chegou até mesmo nas grandes cidades do país. É óbvio que
essa poderosa Guerra Popular não agradou em nada os revi-
sionistas e oportunistas que, desde o começo, se colocaram
contra ela. Graças à iniciativa de Charu Mazumdar, o proleta-
riado indiano funda, em 1969, o Partido Comunista da India
(Marxista-Leninista). É óbvio que frente a tais movimenta-
ções, as classes dominantes indianas não ficariam quietas.
Desencadeiam uma violenta contrarrevolução, que matou e
assassinou milhares de revolucionários, camponeses, operá-
rios, etc. Indira Gandhi, lacaia do imperialismo, assassinou a-
proximadamente 10 mil pessoas. Mazumdar, heroico líder do
proletariado indiano, foi preso e assassinado em 1972, assim
como muitos outros revolucionários de diversos lugares do
mundo, que heroicamente tombaram lutando pela revolução
proletária.
A intensa repressão desencadeada pelas classes domi-
nantes contra a revolta naxalita fez com que a luta revolucio-
nária do povo indiano sofresse duras provas. O Partido Co-
munista da Índia (Marxista-Leninista) se divide em diversas
frações. O Partido Comunista da Índia (Marxista-Leninista)
(Guerra Popular) continua desenvolvendo a luta armada em
algumas regiões do país e sofre bastante com a repressão. O
Partido Comunista da Índia (Marxista-Leninista) Bandeira
Sobre a Guerra Popular na Índia Charu Mazumdar

Vermelha, que buscava fortalecer sua base de massas e pos-


teriormente retomar o caminho da luta armada, teve a grande
maioria dos seus líderes assassinados pelo Estado indiano. O
PCI (ML) (GP), na década de 90, aceita fazer parte de um pro-
cesso de paz com o velho Estado indiano, porém isso contri-
buiu para que várias das suas lideranças e militantes fossem
assassinados. O PCI (ML) (GP) respondeu a tais ataques, de-
senvolvendo novamente a Guerra Popular. Em 1994 consoli-
dam posições em diversas localidades do país, desenvolvendo
ataques contra postos policiais, capturando armamentos e re-
compondo suas esforças. Em todas as zonas libertadas pelo
Partido, foi abolido o medieval sistema de castas, realizada a
reforma agrária e as mulheres se libertaram das tradições feu-
dais e semifeudais.
A Guerra Popular passa a avançar sob a liderança e in-
fluência de várias organizações revolucionárias dispersas:
Partido Comunista da Índia (Marxista-Leninista) Naxalbari,
Centro Comunista Maoísta (CCM) e Centro Comunista Revo-
lucionário da Índia (CCRI). A partir de 2003, essas forças pas-
sam por um processo de unidade, primeiro com o CCM e o
CCRI, que formam o Centro Comunista Maoísta (Índia) e, de-
pois, a união deste último com o PCI (ML) Guerra Popular, em
setembro de 2004, que origina o atual Partido Comunista da
Índia (Maoísta). A criação de um único Partido revolucionário
para dirigir a Revolução de Nova Democracia do povo indiano
representa um momento singular na história da luta revoluci-
onária do país. A partir daí a Guerra Popular, mesmo enfren-
tando a cruel resistência do Estado reacionário indiano,
avança de maneira sólida, fazendo tremer todo o tipo de rea-
cionários.

UNIÃO RECONSTRUÇÃO COMUNISTA


OITO DOCUMENTOS HISTÓRICOS
Sobre a Guerra Popular na Índia Charu Mazumdar

PRIMEIRO DOCUMENTO

Nossas Tarefas na Situação Atual

O Governo do Congresso prendeu mil comunistas no


último mês. A maior parte da direção Provincial e Central está
na cadeia hoje. Gulzarilal Nanda anunciou que não irá aceitar
o veredito do eleitorado (e ele não o fez), e começou a contar
histórias absurdas sobre a guerra de guerrilhas. Essa ofensiva
antidemocrática começou em razão da crise internacional e
interna do capitalismo. O Governo da Índia gradualmente se
tornou o principal parceiro político da expansão da hegemo-
nia do imperialismo norte-americano no mundo. O principal
objetivo do Imperialismo ianque é estabelecer a Índia como
seu principal satélite reacionário no Sudeste asiático.
A burguesia indiana é incapaz de encontrar qualquer
caminho para resolver sua crise interna. A crise permanente
de abastecimento alimentar, sua subida dos preços sempre
crescente, estão criando obstáculos para o Plano Quinquenal,
e como resultado disso, não tem outro caminho senão impor-
tar mais e mais capital imperialista anglo-americano. Como
resultado dessa dependência do imperialismo, a crise interna
do capitalismo tende a crescer a cada dia. A burguesia indiana
não foi capaz de encontrar qualquer outro caminho a não ser
assassinar a democracia, deparada com as orientações do im-
perialismo norte-americano e sua própria crise interna.
Houve orientações imperialistas por trás dessas pri-
sões, já que o chefe de polícia dos EUA “Macbright” estava em
Sobre a Guerra Popular na Índia Charu Mazumdar

Delhi durante a prisão dos comunistas, e as prisões em massa


ocorreram após as discussões com ele. Não pode haver solu-
ção para a crise através desses assassinatos da democracia, e
a burguesia indiana também não será capaz de resolvê-la.
Quanto mais o Governo ficar dependente do imperialismo,
mais irá fracassar na resolução da sua crise interna. A cada
dia que passa, o descontentamento do povo aumentará, e
cada vez mais o conflito interno da burguesia tende a crescer.
O capital imperialista exige a prisão dos comunistas
como uma pré-condição para investimentos; então também
quer uma solução temporária para a crise de comida. Para re-
solver essa crise alimentar, alguns passos para impedir o co-
mércio e o lucro com alimentação são necessários e é por isso
que esse controle é necessário. Em um país de economia atra-
sada como a Índia, tal controle invariavelmente enfrenta opo-
sição de um grande setor. Esse conflito da burguesia não é
principalmente um conflito entre capitalistas monopolistas e
a burguesia nacional. Esse conflito é fundamentalmente entre
os comerciantes e os industriais monopolistas. Em um país
de economia atrasada, o comércio nos ramos dos alimentos
e mercadorias essenciais é inevitável para a criação de capital,
e o controle cria obstáculos na criação do capital, e como re-
sultado disso, o conflito interno assume a forma de crise in-
terna. A Índia é um país enorme. Não é possível governar os
450 milhões que vivem nesse país aplicando uma política de
repressão. Não é possível que qualquer país imperialista as-
suma uma responsabilidade tão grande. O imperialismo nor-
te-americano está escrevendo sua agonia de morte, ao man-
ter seu compromisso com esses países do mundo, que asse-
gurou lhes dar ajuda. Enquanto isso, uma crise industrial se
desenvolve nos Estados Unidos. Pode se observar a partir das
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declarações do Presidente Johnson, que o número de desem-


pregados está crescendo no país. De acordo com a declaração
oficial, quatro milhões de pessoas estão desempregadas; 35
milhões estão semidesempregadas e nas fábricas o semide-
semprego também é contínuo. Então o Governo Indiano irá
fracassar em reprimir o descontentamento crescente do povo.
Esse ataque antidemocrático inevitavelmente irá transformar
o descontentamento popular em lutas.
Alguma indicação da forma do movimento de protesto
de amanhã é possível avaliar pelo movimento de idiomas de
Madras. Então, o que virá não é apenas uma era de grandes
lutas, mas também uma era de grandes vitórias. O Partido Co-
munista, portanto, terá que assumir a responsabilidade de li-
derar as lutas revolucionárias do povo na era que se abre, e
devemos ser capazes de assumir a responsabilidade com su-
cesso apenas quando formos capazes de construir a organi-
zação do Partido enquanto uma organização revolucionária.
Qual o fundamento básico para construir uma organi-
zação revolucionária? O Camarada Stalin afirmou que “o fun-
damento básico para construir uma organização revolucioná-
ria são os quadros revolucionários”. Quem é um quadro re-
volucionário? Um quadro revolucionário é aquele que pode
analisar a situação a partir de sua própria iniciativa e pode
adotar políticas de acordo com isso. Ele não necessita esperar
pela ajuda de ninguém.
Nossas palavras de ordem revolucionárias são:
1. Todo membro do Partido deve formar pelo menos
um grupo ativista de cinco pessoas. Ele irá educar os quadros
desse grupo ativista pela educação política.
2. Todo membro do Partido deve garantir que ninguém
desse grupo seja exposto à polícia.
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3. Deve haver um lugar clandestino para reuniões de


cada grupo ativista. Se necessário, teto para abrigar um ou
dois clandestinamente terão que ser arranjados.
4. Todo grupo deve ter uma pessoa estabelecida para
contatos.
5. Um local deve ser organizado para esconder todos
os documentos secretos.
6. Um membro do grupo ativista deve se tornar mem-
bro do Partido assim que ele se tornar perito no trabalho e
educação política.
7. Após ele se tornar um membro do Partido, o grupo
ativista não deve ter qualquer contato com ele.
Esse estilo organizacional deve ser firmemente ado-
tado. Essa organização em si irá assumir a responsabilidade
da organização revolucionária no futuro.
O que será a Educação Política.
A base principal da Revolução Indiana é a revolução
agrária. Então, a principal palavra de ordem da campanha de
propaganda política será fazer a revolução agrária vitoriosa.
Na medida que formos capazes de disseminar o programa da
revolução agrária entre os operários e a pequena-burguesia e
educá-los a partir desta, serão instruídos na educação polí-
tica. Todo grupo ativista deve discutir a análise de classes en-
tre o campesinato, a propaganda do programa da revolução
agrária.

VIVA À REVOLUÇÃO!
Sobre a Guerra Popular na Índia Charu Mazumdar

SEGUNDO DOCUMENTO

Tornar a Revolução Democrática


Popular vitoriosa através
da luta contra o revisionismo

Como o pensamento revisionista se incrustou no Par-


tido indiano por muito tempo, não podíamos construir um
partido revolucionário correto. Nossa tarefa principal hoje é
construir um partido revolucionário correto lutando decidida-
mente contra o pensamento revisionista.
O primeiro entre o pensamento revisionista é conside-
rar “Krishak Sabha” (organização dos camponeses) e os sin-
dicatos como a única atividade do Partido. Os camaradas do
Partido frequentemente confundem o trabalho da organiza-
ção camponesa e dos sindicatos com o trabalho político do
Partido. Eles não percebem que as tarefas políticas do Partido
não podem ser realizadas através das organizações campone-
sas e dos sindicatos. Mas deve ser lembrado ao mesmo tempo
que os sindicatos e a organização do campesinato são uma
das várias armas para servir ao nosso propósito. De outro la-
do, considerar os sindicatos e a organização do campesinato
como o único trabalho do Partido, só pode significar jogar o
Partido na mira do economicismo. A revolução proletária não
pode ser vitoriosa sem uma luta intransigente contra esse
economicismo. Essa é a lição que o camarada Lenin nos deu.
Sobre a Guerra Popular na Índia Charu Mazumdar

Alguns camaradas pensam e ainda pensam hoje que as


nossas tarefas políticas com dirigir alguns poucos movimen-
tos reivindicativos, e consideram uma vitória única através
desses movimentos uma vitória política do Partido. Não ape-
nas isso fez esses camaradas buscarem confinar a responsa-
bilidade de levar a cabo as tarefas políticas do Partido apenas
dentro dos limites desses movimentos. Mas nós, os verdadei-
ros marxistas sabemos que realizar a responsabilidade polí-
tica do Partido significa que o objetivo final de toda propa-
ganda, todos os movimentos e todas as organizações do Par-
tido é estabelecer firmemente o poder político do proletari-
ado. Deve ser lembrado sempre que se as palavras “tomada
do poder político” forem deixadas de lado, o Partido não é
mais um partido revolucionário. Ainda que continue sendo
um partido revolucionário no nome, na realidade será redu-
zido a um partido reformista da burguesia.
Quando falam da tomada do poder político, alguns
querem falar do Centro. Eles pensam que com a gradual ex-
pansão dos limites do movimento, nosso único objetivo será
tomar o poder centralmente. Essa ideia não é apenas errada,
mas essa ideia destrói o pensamento revolucionário correto
dentro do Partido e o reduz a um partido reformista. No Con-
gresso Mundial dos Sindicatos em 1953, um bem testado e
bem estabelecido líder marxista da China, membro do Comitê
Central do Partido Comunista da China, afirmou firmemente
que nos tempos futuros a tática e estratégia da revolução in-
conclusa da Ásia, África e América Latina irá seguir os passos
da China. Em outras palavras, a estratégia e táticas dessas lu-
tas serão a tomada do poder político em toda a extensão do
território. Não apenas esse camarada e membro do Comitê
Central do Partido da China, mas o camarada Lenin também
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mencionou a tomada do poder em toda a extensão do territó-


rio em seus escritos. Acima de tudo, a classe operária da Rús-
sia deu uma prova concreta da conclusão de Lenin quando
mantiveram a cidade de Kronstadt sob apreensão por três
dias. Na era do socialismo, todos os elementos da tomada do
poder em toda a extensão do território estão presentes em
nossa conjuntura.
Um exemplo candente do fato de que isso é possível é
a revolta de Naga. A principal condição dessa tomada do po-
der são as armas nas mãos das forças revolucionárias. Pensar
na tomada do poder sem as armas não é nada senão um so-
nho em vão. Nosso Partido tem uma longa história de lutas.
Demos a liderança aos movimentos operário e camponês na
larga extensão do campo de Bengal do Norte. Naturalmente,
devemos ter que examinar e analisar os movimentos do pas-
sado e tirar lições deles e temos que avançar novamente na
atual era revolucionária.

Análise dos eventos e experiências concretas do Movi-


mento Tebhaga em 1946 e 1457
Os camponeses que participaram nesse movimento
chegavam a cerca de seis milhões. Deve ser lembrado que em
todo o movimento camponês isso foi uma era de ouro. Na
amplitude do movimento, na intensidade das emoções, na ex-
pressão do ódio de classe, esse movimento foi a etapa supe-
rior na luta de classes. Para ajudar a compreender essa etapa,
eu cito uns exemplos desse movimento.

Um evento do dia
Eu estava na época vivendo clandestinamente pelos in-
teresses do movimento. Eu testemunhei pessoalmente a onda
do movimento revolucionário. Vimos como uma única nota
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fez um homem a 16 quilômetros de distância vir correndo co-


mo um louco. Do outro lado, também vimos estar do lado do
marido, uma jovem muçulmana recém-casada que foi subme-
tida a uma bárbara agressão por parte do inimigo de classe.
Eu ouvi o apelo patético daquele marido desarmado: “Cama-
rada, você não pode se vingar?” Logo em seguida, eu vi o in-
tenso ódio do explorado contra o explorador; vi aquele terrí-
vel espetáculo de assassinar um homem vivo a sangue frio
torcendo seu pescoço.
Camaradas, os incidentes acima mencionados nos de-
mandam alguma análise.
Primeiramente, qual foi o motivo histórico que resul-
tou essa forma massiva desse movimento nesses dias que po-
deria criar um ódio tão intenso contra o inimigo de classe?
Em segundo lugar, novamente quais foram as causas
que fizeram desse grande movimento fracassar?
Primeiro, foi a palavra de ordem da tomada do poder
político que criou a forma massiva desse movimento desses
dias, e criou o ódio intenso contra o inimigo de classe. Do
lado oposto, foi essa palavra de ordem que fez o inimigo de
classe adotar seu papel de classe. É a expressão disso que en-
contramos no bárbaro estupro da jovem mulher camponesa e
nos ataques violentos bestiais para esmagar o movimento. Do
outro lado, os camponeses também não hesitaram em atacar
o inimigo de classe. Isso levanta a pergunta: Por que o poder
não conseguiu ser tomado mesmo depois disso? Não pôde
por uma única razão – foi porque o povo em luta desses dias
buscou armas a partir do centro; perdemos fé no caminho in-
dicado por Lenin. Nesses dias hesitamos em aceitar a valente
declaração de Lenin em realizar a revolução coletando armas
localmente e tomando o poder em toda a extensão territorial.
Sobre a Guerra Popular na Índia Charu Mazumdar

Como consequência, os camponeses desarmados não pude-


ram fazer frente e resistir de frente às armas. Mesmo aqueles
que lutaram desafiando a morte tiveram que, enfim, se retirar.
A lição que deve ser retirada dos erros desses dias é que a
responsabilidade de coletar armas reside na organização lo-
cal, não no centro. Então o problema de coletar armas terá
que ser posto diante de cada Grupo Ativista de agora em di-
ante. Facas, bastões, “Dao” – tudo isso são armas, e com sua
ajuda nos momentos oportunos, armas de fogo terão que ser
arrebatadas. Os eventos descritos acima são manifestações
do pensamento revisionista em seu aspecto teórico. Agora, do
ponto de vista organizacional, esses erros devem fazer com-
preender que houveram obstáculos no caminho de uma lide-
rança correta dos vastos movimentos desses dias, para que
eles não encontrem um berço novamente no partido revolu-
cionário. Para esmagar todos esses erros no Partido, este hoje
tem que primeiro estabelecer sua direção sobre as organiza-
ções de massas. Para isso, um balanço da história do Partido
por um longo período revelaria que como resultado do pen-
samento revisionista de considerar os dirigentes dos sindica-
tos e organizações camponesas (krishak sabha) como os ver-
dadeiros representantes do povo, o Partido foi reduzido a um
partido de uns poucos indivíduos. Por conta dessa forma de
pensar, as atividades políticas do Partido se tornaram inertes,
e o proletariado também se tornou desprovido de uma dire-
ção revolucionária correta. Todos os movimentos se confina-
ram nas amarras de movimentos reivindicatórios. Como con-
sequência, os membros do Partido se entusiasmavam com
uma única vitória e se desanimavam por uma única derrota.
Em segundo lugar, como resultado de superestimar a impor-
tância dessa organização, outro tipo de localismo nasceu. Ca-
maradas pensam que o Partido irá sofrer uma séria perda se
Sobre a Guerra Popular na Índia Charu Mazumdar

qualquer camarada for deslocado da sua região e encaram


isso como uma perda à direção pessoal. Desse localismo, ou-
tro tipo de oportunismo se desenvolve. Os camaradas pensam
que sua região é a mais revolucionária; naturalmente nada
deveria ser feito aqui de modo que há perseguição policial.
Por conta de tal ponto de vista, não analisam a situação polí-
tica de todo o país. Como resultado, o dirigismo se desenvolve
e o trabalho de propaganda diário e organizacional sofre com
isto. Como resultado, quando há uma chamada para uma
luta, afirmam que não farão nenhum trabalho pequeno e co-
metem o desvio do aventureirismo. Naturalmente, a questão
surge – quais são os métodos que auxiliam a extirpar esses
desvios? Quais são as diretrizes marxistas que se tornam ta-
refas essenciais para a construção do partido revolucionário?
Em primeiro lugar, todos os trabalhos de organização
do futuro terão que ser feitos como complementares ao Par-
tido. Em outras palavras, as organizações de massas terão
que ser usadas como parte de servir um propósito principal
do Partido. Por essa razão, naturalmente, a direção do Partido
deve ser estabelecida sobre as organizações.
Em segundo lugar, imediatamente a partir de agora
todo o esforço do Partido terá que ser gasto em recrutar no-
vos e novos quadros e em formar inúmeros grupos ativistas
que consistam neles. Deve ser lembrado que na era que vem
chegando, as massas terão que ser educadas através da ma-
quinaria ilegal. Então todo membro do Partido a partir de a-
gora terá que estar habituado a fazer o trabalho ilegal. Para
se acostumar ao trabalho ilegal, é uma tarefa essencial para
cada grupo ativista colar cartazes ilegais. É somente através
desse processo que serão capazes de agir como núcleo cen-
tral nas lutas dirigentes na era das lutas. De outro modo, a
revolução será reduzida a um sonho ideal pequeno-burguês.
Sobre a Guerra Popular na Índia Charu Mazumdar

Em terceiro lugar, é através dessas organizações ativas


que o Partido será capaz de estabelecer sua direção sobre as
organizações de massas. Então, de agora em diante, devemos
ajudar os membros dos grupos ativistas para que eles possam
criticar audazmente os líderes das organizações de massas, e
seu trabalho.
Em quarto lugar, o trabalho das organizações de mas-
sas terá que ser discutido e decidido no Partido antes de ser
implementado nas organizações de massas. Deve ser lem-
brado aqui que as políticas das organizações de massas foram
praticadas erroneamente por muito tempo no Partido. Manter
as discussões no Partido não se chama centralismo democrá-
tico. Essa ideia não está de acordo com o marxismo. E de toda
essa ideia, a conclusão que tem que ser tirada é que o pro-
grama do Partido será adotado desde baixo. Mas se for ado-
tada do nível mais baixo, então o caminho correto marxista
não é implementado, em todas essas atividades inevitavel-
mente ocorrem desvios burgueses. A verdade marxista do
centralismo democrático é que a orientação do Partido vinda
da mais alta direção deva ser realizada. Porque a alta lide-
rança do Partido é quem firmemente se estabeleceu enquanto
marxista através de um longo período de movimentos e deba-
tes teóricos. Temos o direito de criticar as decisões do Partido;
mas uma vez que uma decisão é tomada, se alguém a critica
sem a implementar, ou entrava o trabalho, ou hesita em im-
plementá-la, será culpado de séria violação da disciplina do
Partido.
Como resultado dessa noção da democracia do Partido
como a de um clube de debates, o caminho para espionagem
dentro do Partido é aberto. Naturalmente, a direção revoluci-
onária do Partido então se corrompe e a classe operária é des-
provida de uma direção revolucionária correta. Essa forma
Sobre a Guerra Popular na Índia Charu Mazumdar

pequeno-burguesa de pensar dentro do Partido leva o Partido


à beira da destruição. E isso é manifestação da ideologia pe-
queno-burguesa dentro do Partido. Seu estilo de vida confor-
tável e a atitude da crítica sem disciplina reduz o Partido a um
mero clube de debates. Esse pensamento se torna um obstá-
culo no caminho da construção de um Partido do proletariado
– forte como o aço.
Em quinto lugar, a vida indisciplinada da pequena-bur-
guesia a leva à crítica sem disciplina; ou seja, eles não querem
criticar dentro dos limites da organização. Para se livrar desse
desvio, devemos permanecer conscientes do ponto de vista
Marxista no que tange a crítica. As características da crítica
marxista são: 1) as críticas devem ser feitas dentro da organi-
zação partidária, ou seja, na reunião do Partido; 2) o objetivo
da crítica deve ser construtivo. Ou seja, o objetivo da crítica é
avançar o Partido do ponto de vista dos princípios e da orga-
nização, e devemos sempre estar vigilante para que não haja
críticas sem princípios dentro do Partido.
Camaradas, na atual era revolucionária, vamos com-
pletar a Revolução Democrática Popular lutando de forma in-
transigente contra o revisionismo.

VIVA A REVOLUÇÃO!
Sobre a Guerra Popular na Índia Charu Mazumdar

TERCEIRO DOCUMENTO

Qual a origem da explosão


revolucionária espontânea na Índia

Camaradas, dois eventos ocorreram no mundo na eta-


pa posterior à Segunda Guerra Mundial. Enquanto, por um
lado, a forma aberta da derrota das potências ditas fascistas,
também, do outro lado, o sistema socialista mundial sob a
liderança do camarada Stalin gerou a confiança nas mentes
do povo. Como resultado, se testemunhou uma explosão re-
volucionária espontânea em todo o mundo. Acima de tudo, o
sucesso da Revolução Chinesa em 1949, sem a guerra em si,
trouxe uma nova onda revolucionária dentro dessa explosão
espontânea sobre a qual o Partido Comunista da Índia nunca
conseguiu fazer uma avaliação correta. Como resultado, a
transformação revolucionária em toda a Ásia, a África e a
América Latina trazida por essa grande revolução nunca foi
notada por nós. Consequentemente, falhamos em compreen-
der a importância dessa vigorosa palavra de ordem revoluci-
onária, o apelo dos 650 milhões de revolucionários – “Veja,
nós, pelo contrário, levamos para o caminho do socialismo.
Não, até o imperialismo norte-americano falhou na avaliação
do enorme movimento da nossa corrente revolucionária irre-
sistível”.
Sobre a Guerra Popular na Índia Charu Mazumdar

Porém os povos em luta não cometeram esse erro.


Essa faísca revolucionária se espalhou para o Vietnã, para
Cuba e para todos os países da América Latina.
O povo da Índia respondeu a tal apelo. Vimos a expres-
são disso na revolução democrática espontânea de 1949 que
foi atenuada por nós ao tentar limitá-la aos limites estreitos
da revolução socialista. Não apenas isso, mas houve uma ten-
tativa de negar a importância de toda a Revolução Chinesa,
ao criticar abertamente a fonte desse movimento espontâneo,
a grande Revolução Chinesa e seu Grande Líder, o camarada
Mao Tsé-tung. Acima de tudo, mais adiante, foi consequência
da negação dessa Revolução Chinesa que a palavra de ordem
foi levada dentro do Partido de que a revolução será conquis-
tada não pelo caminho chinês, mas apenas por um caminho
verdadeiramente indiano. E daqui nasceu o revisionismo a-
tual. Foi por conta desse sectarismo de esquerda desses dias
que fomos incapazes de guiar o movimento pela via correta.
Mas não, camaradas! A onda daquele movimento re-
volucionário de 1949 não poderia ser extinta, porque imperi-
alismo nenhum poderia varrer a Revolução Chinesa, a ban-
deira vermelha da esperança da cidade de Pequim.
Vimos novamente esse movimento de refluxo se tornar
uma grande maré em 1951 durante a Guerra da Coreia. Foi
um pleno florescimento disso que vimos em protestos espon-
tâneos, procissões, saudando o contra-ataque de forma unida
pela China e Coreia. Testemunhamos a forma objetiva disso
na grande vitória do Partido Comunista na eleição de 1951.
E foi a forma de luta disso, que vimos na edificação
espontânea das barricadas pelas massas em luta em 1953-54.
Nós não conseguíamos entender. Mas a burguesia
conseguia entender, conseguia reconhecer a forma das mas-
sas em luta, e conseguia saber seu rumo. Percebia que essa
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grande revolução não poderia mais ser ignorada, então para


ludibriar o povo, voltou sua face para o Estado socialista, para
a grande Revolução Chinesa. É por isso que ela participou do
Panchsheel, na Conferência de Bandung.
O imperialismo decadente também percebeu que não
era mais possível usar o velho método. Então, assumiu uma
nova forma, introduziu um novo método de exploração, dan-
do dólares como presente. Teve início o neocolonialismo.
Quando o imperialismo ne todos os reacionários do
mundo estavam se juntando buscando uma saída para salvar
a si mesmos, a política revisionista do traidor Khrushchev em
1956 fez sua aparição diante deles com uma luz de nova es-
perança. O governo reacionário da Índia encontrou uma via
para criar ilusão sobre o caminho capitalista independente de
Khrushchev. Mas o governo reacionário sabia que isso era im-
praticável, ilusório. É por isso que o governo reacionário da
burguesia da Índia firmou um pacto secreto com o imperia-
lismo ianque em 1958.
É por isso que em 1959 lançou uma ofensiva antide-
mocrática, por um lado, suspendendo a constituição em Ke-
rala, então também começou, por outro lado, a difamar a ori-
gem do movimento espontâneo, a grande República Popular
da China. Forneceu abrigo ao agente imperialista do Tibet,
Dalai Lama. Mas quando apesar disso o povo espontanea-
mente seguiu a via da luta, a burguesia imediatamente execu-
tou 80 pessoas. Assim, se deu por terminada a última possi-
bilidade de transição pacífica ao socialismo.
Mas não, camaradas, mesmo com isso o povo não fi-
cou em silêncio diante da força do governo. A greve espontâ-
nea de 1960 se espalhou por toda a Índia em grande escala,
porque a luz da Revolução Chinesa, o reservatório de uma
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força cem vezes, mil vezes, maior do que essa força, está mos-
trando às massas o caminho. É por isso, camaradas, que
mesmo sem o Partido Comunista, o povo seguiu a via da luta.
Quando o povo combatente dessa luta espontânea,
sendo derrotados com armas, pensava em uma luta ainda
mais árdua, a palavra de ordem de governo alternativo de
1962 não conseguiu criar entusiasmo revolucionário em suas
mentes. Porque queriam uma resposta para a pergunta – O
que irá acontecer se o episódio de Kerala se repetir em Ben-
gal? Não podíamos dar uma resposta correta à essa pergunta.
Não poderíamos avançar essa palavra de ordem correta e ar-
rojada naquela época – no evento do episódio de Kerala cons-
tante em Bengal, é a luta armada que seria a única forma de
derrubar o governo.
Mas a burguesia não cometeu nenhum erro ao noticiar
a imagem das massas militantes. É por isso que em 1962 o
governo indiano, atingido pelo pânico, atacou a origem da
luta das massas em luta; ele atacou a grande democracia chi-
nesa. Mas dois eventos ocorreram como resultado disso onde
a própria burguesia cavou sua cova. Primeiro, por conta da
derrota das forças armadas da burguesia, a forma aberta da
debilidade desse governo se tornou tão clara como a luz do
sol diante das massas em luta. As massas combatentes en-
contraram uma nova luz para a luta. Em segundo lugar, por
conta da retirada unilateral das tropas chinesas das áreas in-
dianas, a influência venenosa do nacionalismo desvirtuado
não conseguia chegar nos camponeses. A burguesia entrou
em pânico; esta mandou prender os comunistas.
Mas não conseguia impedir a luta espontânea. Os tra-
balhadores pararam em Bombai. O “Dum Dum Dawai” havia
começado. Para sair dessa terrível situação, a burguesia sol-
tou os comunistas e tentou utilizar seus conflitos internos.
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Mas a notável carta de Dange, cachorro do imperialismo, es-


tragou sua esperança. Um novo partido revolucionário foi for-
mado, Khrushchev saiu do poder, e o revisionismo mundial
recebeu um excelente golpe. A pilastra, do qual a burguesia
havia começado em seus ataques contra a China, começou a
tremer no Vietnã. A burguesia percebeu o perigo e se viu, de
costas para a parede, incapaz de fazer qualquer retirada. En-
tão, prendeu dois mil comunistas. Mas as massas combaten-
tes deram seu veredito em Kerala, o governo viu a explosão
do movimento espontâneo. Arrancaram a última máscara de
democracia.
Mas não, esse movimento espontâneo não pode ser
prevenido mesmo com a prisão de centenas e milhares de co-
munistas e recorrendo a milhares formas de repressão. Por-
que a Revolução Chinesa não pode ser destruída. Nenhuma
tempestade pode apagar a luz daquela Revolução. A burgue-
sia furiosa sabe disso, por isso começou a pisar em seus pró-
prios pontos fracos. Ela está tremendo, imaginando uma or-
ganizando sendo formada dentro do aparato militar. Come-
çou vendo o fantasma de Telengana.
Sim, Camaradas, hoje nós temos que falar corajosa-
mente em uma ousada voz diante do povo que é a tomada do
poder em todo o território que é o nosso caminho. Temos que
fazer a burguesia tremer atingindo em um duro golpe seus
pontos mais fracos. Temos que falar diante do povo com uma
vigorosa voz – Veja, como a pobre, atrasada China, dentro de
16 anos, com a ajuda de sua estrutura socialista, fez de sua
economia, forte e sólida. Do outro lado, temos que expor o
governo traidor que, dentro de 17 anos, transformou a Índia
em um parque de diversões da exploração imperialista. Con-
verteu todo o povo da Índia em uma nação de pedintes dos
estrangeiros. Camaradas, deixem todo o povo trabalhador de
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forma unida se preparar para a luta armada contra esse go-


verno sob a direção da classe operária, na base do programa
da revolução agrária. Do outro lado, vamos criar as bases da
Índia de Nova Democracia do povo construindo áreas campo-
nesas libertadas através de revoltas camponesas.
Vamos, juntos, ombro a ombro, falar em grande es-
trondo:
Viva a unidade dos operários, camponeses e das mas-
sas trabalhadoras!
Viva a iminente luta armada da Índia!
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QUARTO DOCUMENTO

Levar a cabo a luta contra


o Revisionismo Moderno

Nós devemos levar a cabo diariamente a luta contra o


revisionismo, adotando as táticas da tomada do poder em
toda a extensão territorial. Certas ideias revisionistas estão
firmemente enraizadas dentro do Partido. Devemos levar a
cabo a luta contra estas. Estamos discutindo alguns pontos
aqui.
A questão que tomou importância hoje na luta contra
o revisionismo é o apoio dado pela liderança soviética à classe
dominante reacionária da Índia. Eles anunciaram que darão à
Índia uma ajuda de 600 crores durante o Quarto Plano Quin-
quenal. A ideia de que a ajuda soviética está fortalecendo a
independência da Índia é extremamente errada. Porque não
existe nenhuma análise de classes por detrás disso. Devemos
colocar diante do povo claramente nossas visões contra esse
apoio. Se o apoio é dado ao governo da Índia que está se-
guindo o caminho da cooperação com o imperialismo e com
o feudalismo, são as classes reacionárias que são fortaleci-
das. Então a ajuda soviética não fortalece o movimento de-
mocrático da Índia, mas eleva a força das forças reacionárias
em cooperação com o imperialismo norte-americano e os so-
viéticos. É a cooperação ianque-soviética do revisionismo
moderno que estamos observando na Índia – uma associação
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perversa contra as lutas de libertação do povo no futuro. Es-


tamos vendo em nossa experiência na Índia que a dominação
dos grandes monopolistas existe na grande produção das
grandes indústrias que cresceram no setor público com o au-
xílio soviético. Então o Estado não será capaz de controlar a
força das empresas monopolistas através de indústrias públi-
cas, são as empresas monopolistas que estão controlando a
produção das indústrias do setor público. A nossa experiência
é a mesma nos casos do aço e do petróleo.
A questão que se torna importante para nós hoje é o
nacionalismo burguês. Esse nacionalismo é extremamente
estreito e é o nacionalismo estreito que hoje constitui a maior
arma da classe dominante. Essa arma que estão usando não
apernas no caso da China, mas também em qualquer outra
questão como no Paquistão, etc. Ao usarem a palavra de or-
dem de unidade nacional e outras consignas, querem preser-
var a exploração do capital monopolista. Devemos lembrar
que o senso de unidade da Índia cresceu como resultado do
movimento anti-imperialista. Conforme o Governo indiano
realiza seu compromisso com o imperialismo, esse senso de
unidade está sendo atacado em suas raízes. Há apenas um
objetivo na raiz da palavra de ordem de unidade dada pela
atual classe dominante, e essa é a unidade pela exploração do
capital monopolista. Então essa consigna da unidade é reaci-
onária e marxistas devem se opor a ela. A palavra de ordem –
“Kashmir é uma parte inalienável da Índia” – é colocada pela
classe dominante no interesse da pilhagem. Nenhum marxista
pode apoiar essa palavra de ordem. É um dever essencial dos
marxistas aceitar o direito à autodeterminação para qualquer
nacionalidade. Sobre a questão de Kashmir, Nagas, etc., os
marxistas devem expressar seu apoio em favor dos combaten-
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tes. A consciência de uma nova unidade virá no curso da pró-


pria luta contra esse governo da Índia do imperialismo, feu-
dalismo e dos grandes monopolistas, e é no interesse da re-
volução que será necessário manter a Índia unida. Essa uni-
dade será uma firme unidade. É dessa consciência da nacio-
nalidade que houveram lutas no Sul da Índia contra a impo-
sição do hinduísmo e 60 pessoas perderam suas vidas nesse
ano de 1965. Então se a importância dessa luta for menospre-
zada, a classe operária se isolará das lutas das grandes mas-
sas. É no interesse da classe operária que os esforços para o
desenvolvimento dessas nacionalidades devem ser apoiados.
“Estabelecer a análise de classes no movimento cam-
ponês”. Na atual etapa da revolução, todo o campesinato é
aliado da classe operária, e esse campesinato é a maior força
da Revolução Democrática Popular da Índia e tendo isso em
mente, devemos avançar no movimento camponês. Mas to-
dos os camponeses não pertencem à mesma classe. Existem
principalmente quatro classes entre os camponeses – campo-
neses ricos, médios, pobres e sem terra – e há a classe do
artesão rural. Há diferenças em sua consciência revolucioná-
ria e capacidade de trabalhar de acordo com as condições.
Então os marxistas devem sempre tentar estabelecer a direção
dos camponeses pobres e sem terra sobre todo o movimento
camponês. O erro que é frequentemente feito quando se ana-
lisa o campesinato é determiná-lo a partir dos títulos de pro-
priedade da terra. Isso é um erro perigoso. Deve ser analisado
a partir do seu nível de vida e rendimentos. O movimento
camponês se tornará militante à medida em que estabelecer-
mos a direção dos camponeses pobres e sem terra sobre todo
o movimento camponês. Deve-se lembrar que qualquer que
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seja a tática de luta aceita a partir do apoio do amplo campe-


sinato, não pode nunca ser feita no sentido de qualquer aven-
tureirismo.
Deve-se lembrar que em todos esses anos, nos base-
ando no apoio do não-campesinato, nós buscávamos achar
as limitações do movimento camponês, e quando a repressão
chegava nós pensávamos que devia haver algum aventurei-
rismo. Deve se lembrar que nenhuma movimentação de cam-
poneses por reivindicações básicas seguirá um caminho pací-
fico. Para uma análise de classes da organização camponesa
e estabelecer a direção dos camponeses pobres e sem terra,
deve-se dizer em termos de classe ao campesinato que ne-
nhum dos seus problemas fundamentais podem ser resolvi-
dos com a ajuda de qualquer lei desse governo reacionário.
Mas isso não significa que não devemos aproveitar nenhum
movimento legal. O trabalho de associações camponesas
abertas será principalmente para organizar os movimentos
em obter benefícios legais e mudanças legais. Então, entre as
massas camponesas a tarefa principal e mais urgente do Par-
tido será formar grupos do Partido e explicar o programa da
revolução agrária e as táticas da tomada do poder. Através
desse programa, os camponeses pobres e sem terra serão es-
tabelecidos na direção do movimento camponês.
Desde 1959, o governo vem lançando violentos ata-
ques a todo movimento democrático da Índia. Não demos di-
reção a qualquer movimento ativo de resistência contra esses
violentos ataques. Fizemos a convocatória pela resistência
passiva em frente a esses ataques, como o protesto de luto
após o movimento por comida, entre tantos exemplos. Temos
que nos lembrar dos ensinamentos do camarada Mao Tsé-
tung: “a mera resistência passiva contra a repressão cria uma
cisão na unidade combatente das massas e invariavelmente
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leva ao caminho da rendição”. Então, na era atual, em qual-


quer movimento de massas, o movimento de resistência ativa
terá que ser organizado. O programa de resistência ativa se
tornou uma necessidade absoluta para qualquer movimento
de massas. Sem esse programa, organizar qualquer movimen-
to de massas hoje significa jogar as massas no desânimo.
Como resultado da resistência passiva de 1959, não foi possí-
vel organizar qualquer protesto de massas pela demanda por
comida em Calcutá nos anos de 1960 e 1961. Essa organiza-
ção da resistência ativa irá despertar uma nova confiança nas
mentes das massas e a onda de luta irá crescer. O que quere-
mos dizer com resistência ativa? Primeiro, a preservação dos
quadros. Para tal preservação de quadros, refúgios adequa-
dos e sistema de comunicação são necessários. Em segundo
lugar, ensinar ao povo comum as técnicas de resistência, co-
mo deitar no chão diante dos tiros, ou pegar ajuda com al-
guma barreira forte, formar barricadas, etc. Em terceiro lugar,
os esforços de revidar qualquer ataque com a ajuda de grupos
de quadros ativos, que foi descrito pelo camarada Mao Tsé-
tung como “retaliação equivalente”. Na etapa inicial, em pro-
porção a seus ataques, devemos ser capazes de revidar ape-
nas alguns poucos ataques. Mas se mesmo um sucesso mo-
desto for obtido em um caso, a propaganda extensa criará um
novo entusiasmo entre as massas. Essas lutas de resistência
ativa são possíveis nas cidades e no campo, em todo o lugar.
Essa verdade foi comprovada no movimento de resistência
dos negros nos Estados Unidos.
Não há uma ideia clara no Partido sobre a organização
clandestina. Uma organização secreta não cresce apenas se
uns poucos dirigentes estiverem na clandestina. Pelo contrá-
rio, esses mesmos dirigentes correm o perigo de se isolar das
Sobre a Guerra Popular na Índia Charu Mazumdar

fileiras do Partido. Se dirigentes do Partido se tornarem clan-


destinos e trabalharem como líderes de organizações de mas-
sas legais, invariavelmente acabarão presos. Então, a direção
clandestina terá que avançar com o trabalho de construir um
Partido secreto. Então, não é um fato que a tarefa de forjar
um Partido secreto é apenas dos dirigentes clandestinos; todo
membro do Partido deve trabalhar pela organização clandes-
tina e através desses novos quadros do Partido as ligações do
Partido com as massas serão estabelecidas. Apenas assim os
dirigentes clandestinos serão capazes de trabalhar enquanto
dirigentes. Então, nessa etapa, o principal apelo diante do
Partido é que todo membro do Partido terá que formar um
grupo ativista do Partido. Esses grupos ativistas terão que ser
incitados com política revolucionária. A tarefa de formar gru-
pos ativistas deverá ser a principal tarefa para todos os mem-
bros do Partido em todas as frentes. Em quanto tempo pode-
remos elevar tais ativistas a membros do Partido irá depender
de quantos novos ativistas serão capazes de recrutar. Apenas
assim, podemos conseguir um número grande de quadros do
Partido que a polícia desconhece e desaparecerão todas as di-
ficuldades dos dirigentes clandestinos em manter ligações
com as fileiras do partido. Algumas ideias revisionistas entre
nós, sobre questões políticas e organizacionais e organiza-
ções de massas, etc., foram apontadas aqui. Hoje os membros
do Partido terão que voltar a pensar sobre o todo do movi-
mento de massas. Ao estilo de nosso movimento, em nossas
ideias organizacionais, em outras palavras, em quase toda es-
fera de nossas vidas, o revisionismo construiu seu ninho. En-
quanto não conseguirmos eliminá-lo pela raiz, o novo partido
revolucionário não pode ser construído; as possibilidades re-
volucionárias da Índia serão prejudicadas. A história não nos
perdoará.
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QUINTO DOCUMENTO

Qual possibilidades o ano


de 1965 está indicando?

Há alguns camaradas que ficam com medo quando


mencionam a luta armada, e enxergam o espectro do aventu-
reirismo. Eles pensam que o trabalho de construir um partido
revolucionário se encerrou com a adoção do programa, em
outras palavras, com a adoção do programa que são docu-
mentos estratégicos no Sétimo Congresso do Partido. Apenas
a partir de algumas resoluções sobre movimentos adotadas
no Congresso do Partido, chegaram à decisão como se apesar
da atual etapa da revolução e da composição de classes, as
táticas da etapa atual também fossem decididas pelo Sétimo
Congresso. Das suas palavras, aparece como se o movimento
de massas pacífico em si é a principal tática de luta na atual
etapa. Ainda que não defendam abertamente as táticas de
Khrushchev de transição pacífica ao socialismo, o que querem
dizer é quase que a mesma coisa. Eles querem dizer que não
existe possibilidade de revolução na Índia em um futuro pró-
ximo. Então atualmente, teremos que nos mover no caminho
pacífico. Na etapa da luta mundial contra o revisionismo, eles
não podem afirmar abertamente as decisões revisionistas.
Mas estão acusando como aventureiristas e espiões da polí-
tica a qualquer um que fale de luta armada. Ainda assim,
Sobre a Guerra Popular na Índia Charu Mazumdar

mesmo se abandonarmos o movimento de massas de Kash-


mir, o governo assassinou no mínimo 300 pessoas nos últi-
mos oito meses, o número de presos cresceu para milhares e
uma após a outra, as fazendas foram tomadas pelos movi-
mentos de massas. Quais programas estávamos colocando
diante desses agitadores? Nenhum! Do outro lado, estão so-
nhando quando os movimentos de massas pacíficos organi-
zados sob nossa direção irão crescer. Isso em si é um exemplo
vergonhoso de revisionismo. Ainda somos incapazes de per-
ceber que na atual etapa não podemos construir movimentos
de massas pacíficos. Porque a classe dominante não nos dará,
e nem está dando, tal oportunidade. Deveríamos ter apren-
dido essa mesma lição com o movimento de resistência dos
bondes. Mas não aprendemos a lição. Ficamos impacientes
em organizar movimentos satyagraha, mas não percebemos
que o movimento satyagraha atualmente está fadado a falhar.
Isso não quer dizer que os movimentos satyagraha estão to-
dos em conjunto ultrapassados hoje. Todos tipos de movi-
mentos devem ser levados a cabo em todas as épocas; mas a
forma do movimento principal depende da classe dominante.
O aspecto atual de nossa época é que o governo está comba-
tendo todo movimento com ataques violentos. Então, para o
povo, o movimento de resistência armada apareceu como a
necessidade mais importante. Então, no interesse dos movi-
mentos de massas, o apelo deve ser feito à classe operária, ao
campesinato em luta e a todo povo militante: 1) pegar em ar-
mas; 2) formar unidades armadas para confronto; 3) educar
politicamente cada unidade armada. Não fazer essa convoca-
tória seria empurrar as massas desarmadas para a morte sem
qualquer consideração. A classe dominante quer isso, porque
dessa forma podem romper com a força da mente das massas
em luta. As massas agitadas hoje atacam estações de trem,
Sobre a Guerra Popular na Índia Charu Mazumdar

postos policiais, etc. Inúmeras agitações estão irrompendo


em prédios do governo, ou em ônibus, bondes e trens.
Isso é como a agitação dos ludistas contra as máqui-
nas. Os revolucionários terão que dar a liderança consciente;
greve contra os burocratas odiados, contra os policiais, con-
tra os funcionários militares; o povo deve ser ensinado – re-
pressão não é feita pelos postos policiais, mas pelos funcio-
nários no comando dos postos policiais; ataques não são di-
rigidos pelos prédios do governo ou transporte, mas pelos ho-
mens da máquina repressora do governo, e é contra esses ho-
mens que nossos ataques são dirigidos.
Devemos instruir a classe operária e as massas revolu-
cionárias que elas não devem atacar apenas por atacar, mas
devem executar a pessoa que atacam. Porque, se apenas ata-
cam, a máquina reacionária irá revidar. Mas se aniquilarem,
todos da máquina repressora do governo irão entrar em pâ-
nico. Devemos nos lembrar dos ensinamentos do camarada
Mao Tsé-tung: “a armadura do inimigo é nossa armadura”.
Para construir essa armadura, a classe operária deve tomar a
liderança. Deve se dar a liderança ao campesinato nas aldeias,
e tais unidades armadas se transformarão em forças de guer-
rilha no futuro. Se essas unidades armadas também forem
treinadas na educação política elas por si só podem construir
bases de apoio para as lutas no campo. Apenas através desse
método podemos tornar a Revolução Democrática Popular vi-
toriosa. Formando essas unidades de combate entre a classe
operária e as classes revolucionárias, seremos capazes de
construir esse partido revolucionário, o partido que possa se
manter firmemente no marxismo-leninismo revolucionário e
levar adiante a responsabilidade da etapa futura. O governo
está fracassando em abastecer comida para o povo, então o
Sobre a Guerra Popular na Índia Charu Mazumdar

povo ficou inquieto. Então, no interesse da burguesia reacio-


nária da Índia, atacou o Paquistão. O plano imperialista dos
EUA de guerra mundial também opera por detrás dessa
guerra. Ao atacar o Paquistão, a classe dominante novamente
quer criar uma onda de nacionalismo burguês. Mas dessa vez
é claro como a luz do sol que apenas a Índia é a agressora.
Então como resultado da derrota do exército indiano, a luta
antigoverno irá rapidamente se cristalizar entre as massas.
Então os marxistas hoje querem que o exército agressor da
Índia seja derrotado. Essa derrota irá criar novas agitações de
massas. Não apenas desejando sua derrota; os marxistas ao
mesmo tempo devem girar seus esforços para que essa der-
rota seja iminente. Em cada província da Índia, deve se orga-
nizar agitações nas linhas que a agitação de massas em Kas-
hmir vem avançando. A classe dominante da Índia está ten-
tando resolver sua crise com táticas imperialistas. Para resol-
ver a guerra imperialista, devemos avançar junto do caminho
determinado por Lenin, “transformar a guerra imperialista em
uma guerra civil” – devemos compreender o significado dessa
palavra de ordem. Se podemos perceber que a revolução in-
diana invariavelmente tomará a forma de guerra civil, a tática
da tomada do poder em toda a extensão territorial pode ser a
única tática. A tática da tomada do poder, usada na China, é
a única tática. A tática que foi adotada pelo Grande Líder da
China, o camarada Mao Tsé-tung – a mesma tática deve ser
adotada pelos marxistas indianos.
Da experiência desse ano, os camponeses viram que o
governo não se incumbiu de nenhuma responsabilidade de
fornecer comida aos camponeses pobres, mas pelo contrário,
o instrumento repressor do governo foi desencadeado no mo-
mento que as massas camponeses seguiram o caminho de
qualquer movimento. Além disso, ao atacar o Paquistão, mais
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pressão foi imposta sobre os camponeses. Então os campo-


neses pobres deveriam se preparar para o próximo ano. Se
eles ficarem desprovidos das colheitas no campo, terão que
morrer de fome no ano seguinte. Então se preparem agora.
Como a luta para preservar as colheitas pode ser con-
duzida?
1) organizar forças armadas em cada vila;
2) traçar mecanismos para que essas forças possam
coletar o quanto puder de armas e escolher lugares secretos
para esconde-las;
3) escolher locais para esconder as colheitas. Em nos-
sos dias passados, não fizemos qualquer mecanismo perma-
nente para esconder as colheitas. Então a maior parte da co-
lheita ou era destruída ou caía nas mãos do inimigo. Então
deve se organizar mecanismos permanentes para esconder as
colheitas. Onde se pode escondê-las? Em todo país do
mundo, onde quer que os camponeses lutam, as colheitas de-
vem ser escondidas. Para o camponês, o único lugar para es-
conder as plantações pode ser debaixo a própria terra. Em
toda área, todo camponês terá que fazer um local para escon-
der as colheitas embaixo da terra. De outra forma, não há ou-
tros meios de salvar a colheita do inimigo;
4) além de unidades armadas, pequenos grupos de
camponeses devem ser formados para fazer ronda, e manter
comunicação e outros trabalhos;
5) deve se dar educação política para toda unidade e a
propaganda política certamente terá que ser realizada. Deve-
se lembrar que apenas a campanha de propaganda política
pode fazer essa luta mais disseminada e fortalecer o espírito
de luta do camponês. Agora faltam de dois a três meses para
a colheita. Nesse período, as unidades do Partido nas áreas
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camponesas devem levar a cabo a preparação política e orga-


nizacional para prosseguir esse trabalho, e devem atingir boa
compreensão sobre as táticas do trabalho clandestino.
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SEXTO DOCUMENTO

A tarefa principal hoje é construir o


verdadeiro Partido Revolucionário através
da luta intransigente contra o Revisionismo

Os dirigentes do Partido após muito tempo presos, a-


pós o Congresso do Partido, pela primeira vez tiveram uma
reunião de todo o Comitê Central. A direção central do Partido
que foi formado através das lutas contra o revisionismo, ado-
tou uma resolução ideológica e declarou abertamente que to-
das as críticas feitas contra o governo da Índia pelo grande
Partido da China estavam erradas. Ao mesmo tempo, afirma-
ram na resolução que a crítica à direção revisionista soviética
não deveria ser feita de forma pública agora, pois se fosse
feita de outro modo a fé do povo no socialismo declinaria. Ou
seja, não devemos esclarecer o essencial da tentativa feita
pela colaboração da direção revisionista soviética com o im-
perialismo ianque para estabelecer a hegemonia mundial.
O dirigente da Grande Revolução Chinesa, o Partido
Comunista da China, e seu líder, camarada Mao Tsé-tung es-
tão liderando hoje o proletariado e as lutas revolucionárias
do mundo. Depois de Lenin, o camarada Mao Tsé-tung supriu
a posição de Lenin. Então, a luta contra o revisionismo não
pode ser levada a cabo se opondo ao Partido Comunista da
China e ao camarada Mao Tsé-tung. A pureza do marxismo-
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leninismo não pode se manter. Ao se opor ao Partido chinês,


a direção do Partido da Índia abandonou o caminho revoluci-
onário do marxismo-leninismo. Eles estão tentando adotar o
revisionismo o colocando em uma nova moldagem. Então os
membros do Partido devem entender isso claramente hoje
que na luta contra o revisionismo, essa direção do Partido não
é de maneira nenhuma nossa camarada-em-armas, nem mes-
mo associada.
A direção revisionista soviética em colaboração com o
imperialismo dos Estados Unidos hoje está tentando chegar à
hegemonia mundial. Eles estão agindo como inimigos de todo
movimento de libertação nacional hoje. Eles estão tentando
estabelecer a direção revisionista dividindo os partidos revo-
lucionários e vergonhosamente agindo como agentes do im-
perialismo norte-americano. Hoje são os inimigos das lutas
de libertação dos povos em cada país, inimigos das lutas re-
volucionárias, inimigos da China revolucionária, inimigos até
mesmo do povo soviético. Então nenhuma luta contra o im-
perialismo estadunidense pode ser feita sem levar a cabo uma
luta contra essa direção revisionista soviética. É impossível
dirigir a luta anti-imperialista caso não se perceba que a dire-
ção revisionista soviética não é aliada na luta anti-imperia-
lista. A direção do Partido, longe de seguir esse caminho, ao
invés disso, está tentando convencer o povo através de dife-
rentes escritos que a direção soviética, apesar de alguns erros,
está basicamente se opondo às políticas do Governo indiano,
e ainda segue o caminho do socialismo. Ou seja, estão ten-
tando esconder de forma enganosa o fato de que a direção
soviética está transformando o Estado socialista soviético em
um estado capitalista gradualmente e que a própria colabora-
ção ianque-soviética é por causa disso.
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Então, na análise política e organizacional da Índia dos


últimos dois anos, não houve menção da ingerência imperia-
lista, particularmente do imperialismo norte-americano, ain-
da que de Johnson a Humphrey, todos os representantes do
imperialismo estadunidense declararam repetidamente que
irão usar a Índia como um satélite contra a China. Tal questão
tão importante não foi colocada pelo Comitê Central de ma-
neira nenhuma. Então, na resolução política e organizacional,
nenhuma palavra de alerta foi pronunciada aos membros do
Partido diante da contra-ofensiva imperialista. Pelo contrário,
após ler toda a resolução, parece que não houve mudança
particular na situação; que em alguns casos, os rigores au-
mentaram e podem ser combatidos através de movimentos
ordinários. A direção do Partido está absolutamente silenci-
osa sobre o novo aspecto nas lutas nos últimos dois anos – a
expressão da violência revolucionária contra a violência con-
trarrevolucionária –, essa nova corrente que surge nos movi-
mentos de massas. Eles colocaram a questão dos movimentos
de massa de maneira que a simples conclusão que segue dela
é que nosso principal objetivo para as eleições futuras será
estabelecer um governo democrático sem o Congresso. Em
nenhuma parte de sua resolução, foi mencionado que essa
eleição estava sendo realizada para esconder a exploração e
a dominação imperialista indireta. O governo reacionário da
Índia através dessa eleição quer disseminar a ilusão constitu-
cional e por detrás disso, sob instruções do imperialismo,
quer construir o nosso país como um satélite contrarrevolu-
cionário no Sudeste da Ásia, e quer deter a resistência do povo
com violentos ataques aos setores revolucionários das mas-
sas. A experiência da Indonésia nos ensinou o quão violento
o imperialismo decadente pode se tornar hoje. Foi responsa-
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bilidade da direção do Partido preparar seus membros a en-


frentar essa situação e deixar claro que a única via era a vio-
lência revolucionária e organizar todo o Partido a partir disso.
A direção do Partido indiano não apenas não fez isto, mas
também não fez nenhuma conversa sobre resistência revolu-
cionária clandestina dentro do Partido.
A direção do Partido está protestando em alto e bom
som contra o aventureirismo, sempre que ouve “resistência
revolucionária” ou “luta armada”. Mas o mesmo tempo, in-
discriminadamente usam as palavras “esvaziamento do co-
mércio”, “gherao”, “greve contínua”, etc. Porém, quando há
alguma conversa sobre resistir à opressão que invariavel-
mente siga essas táticas de luta, consideram aventureirismo.
A palavra de ordem de “greve contínua em todo o país” não é
nada mais do que uma palavra de ordem pequeno-burguesa
de tipo ultra-esquerdista. Por um lado, essa palavra de ordem
ultra-esquerdista, e do outro, no que tange a questão política,
um desejo desesperado de forjar uma unidade no campo elei-
toral que significa agir como um apêndice da burguesia.
Então essa direção do Partido está se recusando a as-
sumir a responsabilidade da revolução democrática da Índia
e como resultado disso, apelam para as táticas enganosas do
revisionismo moderno, isso é, o caminho de ser revolucioná-
rios em palavras e um apêndice da burguesia na prática. En-
tão o partido revolucionário pode surgir apenas da destruição
do atual sistema de parido e seu quadro democrático. Então
ficar na dita “forma” ou “trabalho constitucional” desse par-
tido, significa tornar os marxista-leninistas ineficazes e coo-
perar com a direção revisionista.
Então, da direção do Partido até os trabalhadores co-
muns, todos aqueles que acreditam no marxismo-leninismo,
devem avançar diante dos membros do Partido com as visões
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revolucionárias do marxismo-leninismo. Apenas assim pode-


mos começar a trabalhar na construção do partido revolucio-
nário. O governo indiano foi obrigado a se retirar em face da
ampla explosão das massas. Como resultado, o escopo do
movimento democrático cresceu no período anterior às elei-
ções. O governo está organizando forças contrarrevolucioná-
rias nesse período. As forças revolucionárias também deverão
tirar o máximo proveito dessa atmosfera aparentemente de-
mocrática. As táticas de luta adotadas pelas massas nos re-
centes movimentos de massa, não foram nada senão lutas
“partisan” de um estágio inicial. Então as forças revolucioná-
rias devem dirigir de maneira organizada essas lutas “parti-
san” e antes da ofensiva contrarrevolucionária massiva come-
çar, os membros do Partido devem estar bem treinados nas
táticas dessas lutas através da teoria e aplicação concreta.
O significado dos grupos ativistas do Partido hoje é
que constituirão “unidades de combate”. Sua principal tarefa
será a campanha de propaganda política e para golpear as
forças contrarrevolucionárias. Devemos sempre ter em mente
os ensinamentos de Mao Tsé-tung – “Os ataques não são ape-
nas por atacar, ataques devem apenas ser para anquilações”.
Aqueles que devem ser atacados são principalmente: 1) os re-
presentantes da máquina estatal como a polícia e militares; 2)
a burocracia detestada; 3) inimigos de classe. O objetivo des-
ses ataques deve ser também coletar armas. Na atual etapa,
esses ataques podem ser realizados em qualquer lugar, na ci-
dade e no campo. Devemos prestar atenção especialmente às
áreas camponesas.
No período pós-eleição, quando a ofensiva contrarre-
volucionária irá assumir um caráter massivo, nossa principal
base terá que ser estabelecida nas regiões camponesas. En-
tão, agora, de imediato, temos que pôr claramente diante da
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nossa organização essa visão de que com o desenvolvimento


do senso de responsabilidade entre a classe operária e os
quadros pequeno-burgueses revolucionários, terão que ir pa-
ra o campo imediatamente. Então com o desenvolvimento do
sentido de responsabilidade entre a classe operária e os qua-
dros pequeno-burgueses, terão que ser enviados para as vilas.
No período da ofensiva contrarrevolucionária, nossa tática
principal será a da grande China, a tática do cerco da cidade
pelo campo. O quão rápido podemos silenciar a ofensiva con-
trarrevolucionária dependerá em quanto tempo podemos
construir as forças armadas do povo. É verdade que no co-
meço, podemos conquistar algumas vitórias, mas em face da
ofensiva contrarrevolucionária massiva, devemos ter que re-
taliar nos interesses apenas de nossa autopreservação. Atra-
vés difícil luta prolongada, o Exército Popular Revolucionário
crescerá – o exército que é inspirado pela consciência política,
e endurecido pelos movimentos e encontros de campanha po-
lítica. Sem esse tipo de exército, não é possível a vitória da
revolução, não é possível proteger os interesses das massas.
Camaradas, ao invés de ficarmos a reboque de movi-
mentos espontâneos, as lutas de resistência terão que se de-
senvolver de maneira organizada hoje. Não faltam nem seis
meses. Se não podemos começar essa luta dentro desse perí-
odo, devemos ter que enfrentar a difícil tarefa de se organizar
em face dos ataques imperialistas.

Partido Comunista da Índia, Centro Maoísta


Sobre a Guerra Popular na Índia Charu Mazumdar

SÉTIMO DOCUMENTO

Aproveitar esta Oportunidade

Nos últimos dois anos, as lutas espontâneas dos estu-


dantes e dos jovens pequeno-burgueses criaram uma agita-
ção de uma ponta da Índia para a outra. Ainda que no começo,
a reivindicação de comida era a principal reivindicação, mas
gradualmente a reivindicação pela destituição do Governo do
Congresso se tornou a principal. O Presidente Mao disse: “os
estudantes pequeno-burgueses e a juventude são uma parte
do povo, e na conclusão inevitável de sua luta, a luta dos ope-
rários e camponeses chegará a um ascenso”. Então quando a
luta dos estudantes e da juventude terminou, a luta dos cam-
poneses começou em Bihar. Centenas de camponeses estão
plantando e colhendo plantações. Eles estão tomando os es-
toques acumulados dos latifundiários. Essa luta tende a se es-
palhar nos dias vindouros em Bengala Ocidental e outros Es-
tados. O governo está recorrendo à repressão violenta para
reprimir as movimentações camponesas. O presidente Mao
disse “onde houver opressão, haverá resistência”. Então es-
tamos testemunhando a resistência espontânea nas lutas dos
estudantes e da juventude. Os camponeses de Bihar estão le-
vando adiante a resistência espontaneamente. Os porta-vozes
oficiais declaram repetidamente que recorreriam e aprofun-
dariam políticas repressoras para preservar a paz e a ordem.
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Então a responsabilidade de construir conscientemente as lu-


tas de resistência surge diante da classe operária revolucio-
nária e seu Partido.
Essa é a era do movimento de resistência ativa. O mo-
vimento de resistência ativa irá abrir caminho à origem da ge-
niosidade revolucionária das massas revolucionárias. Irá es-
palhar a onda da revolução por toda a Índia. Então, nessa
etapa, dirigir sindicatos ou associações camponesas legais
nunca pode ser a tarefa principal para os quadros revolucio-
nários. Sindicatos ou associações camponesas (Kisan Sabha)
não podem ser a força complementar principal na era atual
de onda revolucionária. Não seria correto a partir disso tirar
a conclusão de que sindicatos ou associações camponesas se
tornaram ultrapassados. Porque sindicatos e Kisan Sabhas
basicamente são organizações que constroem a unidade en-
tre os quadros marxista-leninistas e a classe operária e as
massas camponesas. A unidade só será consolidada quando
os quadros marxista-leninistas avançarem no trabalho de
construírem o partido revolucionário entre a classe operária
e as massas camponesas com a tática do movimento de resis-
tência revolucionária. A classe operária revolucionária e os
quadros marxista-leninistas terão que avançar em face das lu-
tas camponesas para dar direção ativa às lutas camponesas
através da resistência ou de lutas “partisan”. O governo rea-
cionário da Índia adotou a tática de assassinar as massas; es-
tão as matando pela fome e com balas. O Presidente Mao
disse: “esse é seu caráter de classe. Eles lançam ataques con-
tra o povo mesmo no risco de ser derrotadas”. Há alguns di-
rigentes que deparados com tais assassinatos indiscrimina-
dos, ficam com medo e buscam proteção. Presidente Mao co-
mentou: “eles são covardes e inválidos da direção revolucio-
nária”. Há outro grupo que enfrenta a morte com coragem.
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Eles tentam revidar cada assassinato – sozinhos são revoluci-


onários e são eles que mostram o caminho às massas.
Aparentemente, o governo pode parecer poderoso,
porque tem em suas mãos, comida e armas. O povo não tem
comida e está desarmado. Mas é na unidade e no firme espí-
rito dessas massas desarmadas que esmagam toda a arrogân-
cia da reação e faz a revolução vitoriosa. Então o Presidente
Mao disse que “na verdade, os reacionários são um tigre de
papel”.
Na etapa atual, nossa tarefa principal será à base de
três palavras de ordem principais. Primeiro, a unidade dos
operários e camponeses. Essa unidade não significa que os
operários e as massas pequeno-burguesas darão apenas
apoio moral ao movimento camponês. Essa palavra de ordem
significa a compreensão de que os camponeses são a força
principal da revolução em um país semicolonial e semifeudal
como a Índia, e a unidade dos camponeses e operários só
pode crescer a partir da luta de classes. Então, sobre a ques-
tão da tomada do poder do Estado, o Presidente Mao disse “é
o território libertado no campo que é a aplicação concreta da
unidade operária-camponesa”. Então é responsabilidade dos
operários e, particularmente, das massas pequeno-burguesas
o desenvolvimento do movimento camponês para construir
as áreas libertadas.
Então o Presidente Mao disse sobre os jovens e estu-
dantes pequeno-burgueses: “se são revolucionários, só pode
o ser determinado enquanto se tornem participantes desse
movimento”. Aqueles que não participarem nesse movimento
tem o perigo de se tornarem reacionários.
Em segundo lugar, o movimento de resistência revolu-
cionário, a luta armada. O governo reacionário da Índia de-
clarou guerra a toda luta por demandas democráticas das
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massas. Dentro da Índia, criou um parque de diversões da ex-


ploração imperialista e feudal, e em sua política externa,
transformou a Índia em um satélite da reação em colaboração
com o imperialismo e revisionistas modernos. O povo da Ín-
dia se rebelou contra essa situação intolerável. Nessa situa-
ção, o movimento de resistência revolucionária ou a luta ar-
mada partisan do Partido revolucionário marxista-leninista
contra a reação e o movimento de resistência passiva do par-
tido revisionista, hoje se tornaram o aspecto principal das po-
líticas do partido. Então todo membro do Partido e quadro
revolucionário terá que compreender essa tática de luta. Eles
devem aprender a aplicá-la na prática e fortalecer o espírito
revolucionário das massas através da propaganda entre as
massas. O sucesso da luta está dependendo do quanto pode-
mos popularizar as políticas da luta armada através da propa-
ganda dela entre as massas.
Em terceiro lugar, a construção de um partido revolu-
cionário. Nessa situação revolucionária da Índia hoje, nossa
organização partidária hoje não é capaz de dar a direção. Sem
ser sólido na teoria, claro na política e sem uma base de mas-
sas a respeito da organização, é impossível dar direção nessa
etapa revolucionária de hoje.
No aspecto teórico, deve ser lembrado que a direção
do Partido do primeiro Estado socialista, a URSS, foi tomada
por uma claque revisionista. Como resultado disto, a influên-
cia revisionista se ampliou nos partidos comunistas de dife-
rentes países do mundo. Em nosso país também enquanto
surgia essa influência revisionista, surgia a necessidade de
formar um Partido em separado. E como resultado disso, um
Partido em separado foi formado no VII Congresso. A forma-
ção de um Partido em separado não significa que a luta contra
o revisionismo se encerrou. O revisionismo fala da luta contra
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o imperialismo, feudalismo e as forças reacionárias, mas na


prática amplia o caminho da conciliação. O marxismo-leni-
nismo se opõe firmemente à essas forças, revida cada ataque
destas, e mobilizando as massas através da luta prolongada
destrói tais forças reacionárias. As velhas ideias se manifes-
tam em: 1) não aceitar a direção do grande Partido chinês
contra os revisionistas internacionais; 2) em não aceitar as
novas forças em desenvolvimento; 3) em não tornar a classe
operária consciente da nova compreensão; 4) em não auxiliar
a luta do campesinato, o principal aliado da classe operária.
No político: a Revolução Democrática Popular terá que
ser vista como a tarefa desse momento. O Presidente Mao
disse que “nenhuma força decadente desiste de seu poder tão
fácil; a liberdade vem apenas da ponta do fuzil”. Então, em
nossa política, o aspecto principal será a luta armada pela to-
mada do poder. O povo comum começou essa luta armada
espontaneamente. O principal objetivo de nossa política será
estabelecer conscientemente essa luta armada sob uma base
de massas. Os três pontos básicos são: 1) a unidade operário-
camponesa sob a direção da classe operária; 2) estabelecer
conscientemente sob uma base de massas, e 3) estabelecer de
maneira sólida a direção do Partido Comunista. É imperativo
não deixar de lado nenhuma dessas três tarefas. Essa política
terá que ser propagada extensivamente entre as massas.
No sentido organizacional: deve se estender a base de
massas do Partido. Nós vimos nos últimos anos, milhares de
quadros militantes ingressarem no trabalho da organização
em diferentes movimentos e lutas, tentar dar direção à essas
lutas, mas no momento que o movimento para, se tornam
inativos novamente. Hoje, na era da explosão revolucionária,
pessoas de muitas áreas atrasadas estão avançando na via
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das lutas, e é através dessas lutas que muitos quadros mili-


tantes jovens estão ingressando no trabalho da organização.
Se nós conseguirmos educar tais quadros em nossa teoria e
política revolucionária, o Partido pode obter sua base de mas-
sas. Devemos ter que começar a trabalhar ousadamente em
recrutar esses quadros e formando grupos clandestinos com
eles. Esses grupos de quadros irão realizar a propaganda po-
lítica e irão agir como unidades de luta armada. O poder ofen-
sivo do Partido depende de quão longe somos capazes de for-
mar esses grupos em números crescentes entre operários e
camponeses. Com quem iremos formar os grupos e outros
pormenores organizacionais, tais como refúgios, abrigos,
etc., certamente deve se manter em segredo. Mas as nossas
teorias, políticas e a palavra de ordem da formação do Partido
jamais pode se manter clandestinas. Na era da luta armada,
toda unidade do Partido deve participar da luta armada e ser
dirigente autoconfiante. As eleições gerais estão para chegar.
Durante essas eleições, os descontentes desejam e ouvirão a
política. Diante das eleições, todo Partido irá tentar propagar
sua política entre as massas. Devemos ter que tirar proveito
dessas eleições para propagar nossa política. Não vamos nos
confundir pela falsa palavra de ordem do governo democrá-
tico sem estar relacionado ao congresso. Devemos ter que le-
var às massas corajosamente a política da nossa Revolução
Democrática Popular, ou seja, a política da unidade operário-
camponesa sob a direção da classe operária, da luta armada,
do estabelecimento da direção do Partido. Se tirarmos pro-
veito plenamente disso, não será possível que qualquer líder
de esquerda se oponha a nós. Temos que tirar o máximo de
proveito dessa oportunidade.
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OITAVO DOCUMENTO

Levar adiante a luta camponesa


por meio do combate ao Revisionismo

No período pós-eleição nossas compreensões se pro-


varão corretas pelas ações da própria liderança do partido
(PCI-M). O Politburo nos orientou a “levar a cabo a luta para
defender os ministros não-congressistas contra a reação”.
Isso sugere que a tarefa principal dos Marxistas não é inten-
sificar a luta de classes, mas defender a metade do gabinete.
Então a convenção dos membros do partido foi convocada
para estabelecer firmemente o economicismo no seio da
classe operária. Imediatamente, por conseguinte, um acordo
para uma trégua na indústria foi assinado por iniciativa do
Gabinete. Proibiram os operários de recorrer a gheraos. O que
poderia ser uma expressão mais clara de conciliação de clas-
ses? Depois de dar aos patrões o direito total de explorar, es-
tão pedindo para os trabalhadores não promover qualquer
luta. Imediatamente após o Partido Comunista ter participado
no Governo que foi instalado como resultado de um poderoso
movimento de massas, o caminho para a conciliação de clas-
ses foi escolhido. Os líderes chineses previram tempos atrás
que aqueles que continuaram neutros no debate internacio-
nal muito breve caminhariam ao caminho do oportunismo.
Agora, os líderes chineses estão dizendo que os advogados de
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uma postura neutra são na realidade revisionistas e logo cru-


zariam para o campo do reacionarismo. Em nosso país, esta-
mos experimentando o quão verdadeira essa previsão é. Nos
testemunhamos a traição da classe operária. A isso soma-se
também o pronunciamento do líder do Partido Comunista,
Harekrishna Konar. No começo ele prometeu que todas as
terras desapropriadas seriam distribuídas entre os campone-
ses sem terra. Aí a quantidade de terra a ser distribuída foi
reduzida. No fim, disse esse ano tudo permaneceria como es-
tava. O acesso à terra foi deixado à mercê dos funcionários da
reforma agrária junior (ORAJ). Foi mostrado aos camponeses
o caminho de enviar petições. Eles foram mais tarde avisados
que a conquista forçada de terra não seria permitida.
Harkrishna Babu não é apenas um membro do Comitê Central
do Partido Comunista; também é Secretário do Sabha Krishak
(associação de camponeses) no Bengal do Oeste. Foi em res-
posta a um chamado do Sabha Krishak liderado por ele que
camponeses empreenderam uma luta para a recuperação de
terra desapropriada e grilada em 1959. No interesse dos lati-
fundiários, o Governo recorreu à repressão e deu decisões fa-
voráveis ao despejo, e ainda sim os camponeses não devolve-
ram a posse da terra em muitos casos e se firmaram na terra
com a força da unidade da população da vila. O líder do
Krishak Sabha apoiou o movimento depois de se tornar um
Ministro? Não. O significado do que ele disse foi que a posse
da terra seria redistribuída. Quem irá obtê-la? Nesse ponto os
ORAJ’s deveriam seguir as visões do Krishak Sabha. Mas de-
veriam tal visões ser aceitas? Nenhuma garantia disso foi
dada por Harekshina Babu. Mas se os ORAJ’s rejeitarem as
visões do Krishak Sabha, os camponeses, em nenhuma cir-
cunstância, poderiam ocupar a terra à força. Harekrishna
Babu não perdeu tempo para esclarecer esse ponto. O que é
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isso? Não é agir como coletor de tributos do governo e jode-


tars [camponeses ricos]? Mesmo os congressistas não ousa-
riam advogar pelas classes feudais tão desavergonhada-
mente. Portanto, obedecer às orientações dos dirigentes do
partido significaria aceitar cegamente a exploração e domina-
ção das classes feudais. Então, a responsabilidade dos comu-
nistas é expor o papel anti-classe e reacionário dessa direção
para os membros do Partido e para o povo, para sustentar o
princípio de intensificar a luta de classes e marchar adiante.
Suponha que sem-terra e camponeses pobres aceitem as pro-
postas e pedidos de submissão de Harekrishna Babu. O que
aconteceria a seguir? Algumas das terras expropriadas são,
sem dúvida, incultiváveis, porém a maioria das terras é culti-
vável. Há camponeses com posse de tais terras. Atualmente,
eles usufruem da terra em virtude de licenças ou dão uma
parte para jodetars. Quando essa terra for redistribuída, isso
vai inevitavelmente resultar em conflitos entre os camponeses
pobres e sem-terra. Tomando vantagem disso, camponeses
ricos vão estabelecer sua liderança sobre o movimento cam-
ponês inteiro, porque tanto o camponês rico tem oportunida-
des de fazer campanha eleitoral, tanto é parceiro da influência
feudal. Portanto, Harekrishna Babu não está tentando proibir
o caminho da luta hoje, mas também está tomando passos
para que a luta camponesa possa não seguir pelo caminho
militante no futuro.
Ainda, adotamos o programa da revolução democrá-
tico-popular e a tarefa dessa revolução é fazer as reformas
agrárias em interesse dos camponeses. Reforma agrária no
interesse do campesinato só é possível quando nós estamos
em condições de pôr fim no jugo das classes feudais nas áreas
rurais. Para fazê-lo, deveremos tomar terras das classes feu-
dais e distribuí-las entre camponeses pobres e sem-terra. Nós
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nunca estaremos hábeis a fazer isso se nosso movimento for


confinado aos limites do economicismo. Em cada área onde
houver um movimento para ocupação de terra temos a expe-
riência de que o camponês que tem posse de terras desapro-
priadas e tem a licença assegurada não é mais ativo no movi-
mento camponês. Por qual razão? É porque o camponês po-
bre mudou dentro de um ano – se tornou um camponês mé-
dio. Então, as demandas econômicas dos camponeses pobres
e os sem-terra não são mais suas demandas. Assim sendo, o
economicismo causa uma brecha na unidade da luta dos cam-
poneses e frustra camponeses sem-terra e pobres. Os defen-
sores do economicismo julgam todo movimento pela quanti-
dade de sacas de arroz ou porções de terra que o camponês
consegue. Se a consciência da luta camponesa aumentou ou
não, isso nunca entra em seu critério. Então eles não fazem o
menor esforço para aumentar a consciência de classe dos
camponeses. Ainda, sabemos que nenhuma luta pode ser em-
preendida sem sacrifícios. O Presidente Mao nos ensinou que
onde há luta, há sacrifício. No estágio inicial da luta, a força
da reação vai ser mais forte do que a força das massas. Por-
tanto, a luta vai ser prolongada. Tendo em vista que as massas
são a força progressista, sua força crescerá dia após dia, mas
como as forças reacionárias são moribundas, seu poder irá
diminuir constantemente. Então, nenhuma luta pode ter su-
cesso se as massas não estiverem dispostas a fazer sacrifícios.
Dessa perspectiva revolucionária básica, o economicismo ca-
minha para o beco sem saída da perspectiva burguesa. É isso
que os líderes do partido estão tentando alcançar com suas
atividades. Uma revisão de todas nossas lutas camponesas
passadas irá mostrar que os líderes do Partido impuseram
compromissos aos camponeses de cima para baixo. Ainda,
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era responsabilidade dos líderes do Partido estabelecer a dis-


puta pela direção da classe operária sobre o movimento cam-
ponês. Eles não fizeram isso anteriormente e não estão fa-
zendo isso agora. Lenin disse que mesmo que uma legislação
progressista seja decretada, se fica a cargo da burocracia im-
plementá-la, os camponeses não conseguirão nada. Então,
nossos líderes ficaram muito longes da via revolucionária.
A revolução agrária é a tarefa desse exato momento;
tarefa essa que não pode deixar de ser feita, pois sem esta,
nada de bom pode ser feito aos camponeses. Mas antes de
levar a cabo a revolução agrária, a destruição do poder do Es-
tado é necessária. Se empenhar na revolução agrária sem a
destruição do poder do Estado significa cair no revisionismo.
Então a destruição do poder do Estado é hoje a primeira e
principal tarefa do movimento camponês. Se isso não puder
ser feito a nível nacional, na base de nível de Estado, irão os
camponeses esperar silenciosamente? Não, o marxismo-leni-
nismo-pensamento Mao Tsé-tung nos ensinou que se em
qualquer área os camponeses podem ser despertados politi-
camente, então devemos ir adiante em destruir o poder do
Estado naquela área. A luta para a construção dessa área li-
bertada é a tarefa mais urgente do movimento camponês atu-
almente, a tarefa do momento. O que devemos chamar de
área libertada? Nós devemos chamar aquelas áreas campone-
sas libertadas o qual podemos derrubar o poder de nossos
inimigos. Para a construção dessas áreas precisamos das for-
ças armadas dos camponeses. Quando falamos em forças ar-
madas temos em mente armamentos feitos pelos campone-
ses. Então queremos armamentos. Se os camponeses vieram
adiante para coletar armas ou não é a base no qual devemos
julgar se eles estão politicamente despertos. De onde os cam-
poneses devem conseguir armas? Os inimigos de classe têm
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armas e vivem nos vilarejos. As armas têm que ser tomadas a


força. Eles não irão dar suas armas voluntariamente para nós.
Portanto, devemos tomar os armamentos à força. Para isso,
aos militantes camponeses devem ser ensinadas todas as tá-
ticas, desde incendiar as casas dos inimigos de classe. Além
disso, devemos resgatar armas das forças armadas do go-
verno atacando-os de forma simultânea. A área em que nós
estamos aptos a organizar a campanha da coleta de armas
deve ser rapidamente transformada em área libertada. Então,
para levar a cabo essa tarefa é necessário propagar extensiva-
mente entre os camponeses a política de edificação da luta
armada. Ademais, é necessário organizar grupos militantes
pequenos e secretos na condução da campanha de coleta de
armamento. Simultaneamente com a propagação da política
de luta armada, os membros desses grupos irão implementar
com sucesso um programa específico de obtenção de armas.
A mera coleta de armamento não altera o caráter da luta – as
armas coletadas devem ser usadas. Apenas assim a capaci-
dade criadora dos camponeses se desenvolve e a luta terá um
salto qualitativo. Isso deve ser feito apenas pelos camponeses
pobres e sem-terra, os aliados fiéis da classe operária. O cam-
ponês médio também é um aliado, mas sua consciência de
luta não é tão intensa como as daqueles camponeses pobres
e sem-terra. Então ele não pode ser um participante da luta
logo de início – precisa de algum tempo. É por isso que a aná-
lise de classe é uma tarefa essencial do Partido Comunista. O
grande líder da China, Presidente Mao Tse-tung tomou, por-
tanto, primeiro essa tarefa e conseguiu apontar a infalibili-
dade da via da luta revolucionária. Então o primeiro ponto de
nosso trabalho organizacional é estabelecer a direção dos
camponeses pobres e sem-terra no movimento camponês. É
no processo de organização do movimento camponês na base
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da luta armada que a direção dos camponeses pobres e sem-


terra será estabelecida. Porque, das classes camponesas, são
os mais revolucionários. Uma organização separada de traba-
lhadores rurais não vai ajudar nessa tarefa. É provável que
uma organização separada de trabalhadores agrícolas enco-
raje uma inclinação à movimentos sindicais baseados no eco-
nomicismo e intensifique os conflitos entre camponeses. A
unidade das classes aliadas não é reforçada, porque no nosso
sistema agrícola a exploração das classes feudais está acima
de tudo. Outra questão que surge nesse contexto é o compro-
misso com os pequenos proprietários. Qual deve ser a pers-
pectiva dos comunistas em relação a isso? Em respeito aos
compromissos devemos considerar quem apoiaremos. Então,
não podemos apoiar qualquer outra classe contra eles. No
movimento camponês (na Índia) os comunistas estão sempre
constrangidos a ceder aos interesses dos camponeses pobres
e sem-terra em nome dos interesses da pequena-burguesia.
Isso enfraquece a determinação de luta dos camponeses po-
bres e sem-terra. Em respeito aos camponeses médios e ricos
nós também devemos ter uma postura diferente. Se olharmos
os camponeses ricos como camponeses médios, os campo-
neses pobres e sem-terra ficarão prejudicados. Novamente, se
olharmos os camponeses médios como camponeses ricos, o
entusiasmo de luta dos camponeses médios irá abrandar. En-
tão, os comunistas devem aprender a fazer a análise de classe
do campesinato em todas as regiões, de acordo com as orien-
tações do Presidente Mao.
Novamente a inquietação entre os camponeses da Ín-
dia explodiu. Eles repetidamente têm solicitado orientação do
Partido Comunista. Nós não contamos a eles que a política da
luta armada e a campanha da coleta de armas constituem o
único caminho. Esse caminho é o caminho da classe operária,
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o caminho da libertação, o caminho para estabelecer uma so-


ciedade livre de exploração. Em cada estado ao longo da Índia
os camponeses atualmente se encontram em estado de inqui-
etação, os comunistas devem mostrar-lhes o caminho. Esse
caminho é o caminho da política da luta armada e da campa-
nha de coleta de armamentos. Nós devemos firmemente a-
poiar esse único caminho para a libertação. A Grande Revolu-
ção Cultural da China declarou guerra a todo tipo de egoísmo,
mentalidade de grupo, revisionismo, seguidismo da burgue-
sia, apreço pela ideologia burguesa – o impacto feroz daquela
revolução chegou até a Índia também. O apelo dessa revolu-
ção é – “esteja preparado para resolutamente fazer todo tipo
de sacrifícios, remover os obstáculos ao longo do caminho
um por um, a vitória deverá ser nossa”. Por mais terrível que
pareça o imperialismo, por mais perigosa que seja a armadi-
lha deixada pelo revisionismo, os dias das forças reacionárias
estão definitivamente contados e os raios de sol brilhantes do
marxismo-leninismo-pensamento Mao Tse-tung devem lim-
par toda escuridão.
Então a questão naturalmente surge: não há necessi-
dade de luta das massas camponesas em demandas particu-
lares nessa era? Certamente existe essa necessidade e existira
no futuro, inclusive. Porque a Índia é um pais vasto e os cam-
poneses também estão divididos em muitas classes, então a
consciência política não pode estar no mesmo nível em todas
as áreas e entre todas as classes. Então sempre haverá a opor-
tunidade e a possibilidade do movimento de massas campo-
nês na base de demandas particulares e os comunistas sem-
pre terão que fazer uso total dessa oportunidade. Que táticas
devem ser adotadas na condução de movimentos por deman-
das parciais e qual deve ser seu objetivo? O ponto básico de
nossas táticas é se a ampla classe campesina se reagrupou ou
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não é nosso objetivo básico deve ser o aumento da consciên-


cia de classe dos camponeses – se têm avançado no caminho
da ampla luta armada. Movimentos baseados em demandas
parciais devem intensificar a luta de classes. A consciência po-
lítica da maioria das massas deve ser elevada. As amplas mas-
sas camponesas devem estar inflamadas para fazer sacrifí-
cios, a luta deve se espalhar para novas áreas. Os movimentos
por exigências parciais podem tomar qualquer forma, mas os
comunistas devem sempre propagar a necessidade de formas
superiores de luta entre as massas camponesas. Sob nenhu-
ma circunstância os comunistas devem tentar passar o tipo
de luta aceitável para os camponeses como o melhor. Na re-
alidade os comunistas devem sempre levar a propaganda en-
tre os camponeses em favor de políticas revolucionárias, isto
é, as políticas da luta armada e da campanha de coleta de ar-
mas. Apesar dessa propaganda, os camponeses possivel-
mente vão decidir ir em delegações de massas e nós devemos
conduzir esse movimento. Em tempos de terror branco a efe-
tividade de tal delegação de massas não deve de maneira ne-
nhuma ser subestimada, porque essas delegações ampliam a
inclusão de camponeses na luta. Movimentos em exigências
parciais nunca devem ser condenados, mas é um crime con-
duzir esses movimentos na maneira do economicismo. É um
crime, mais ainda, pregar que movimentos de demandas eco-
nômicas irão automaticamente tomar a forma de luta política,
porque isso é venerar o espontaneísmo. Tais movimentos po-
dem mostrar o caminho para as massas, ajudá-las a desen-
volver uma perspectiva de clareza, inspirá-las a fazer sacrifí-
cios. Em cada estágio da luta há apenas uma tarefa. Ao menos
que tal tarefa seja cumprida, a luta não vai alcançar um está-
gio superior. Nessa era, a tarefa particular é a política da luta
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armada e a campanha de coleta de armas. Independente-


mente do que façamos sem levar a cabo essa tarefa, a luta não
vai ser levada à etapa superior. A luta vai fracassar, a organi-
zação vai colapsar, a organização não vai crescer. De modo
similar, há apenas um caminho para a revolução na Índia, o
caminho mostrado por Lenin – construir as forças armadas
populares e a república. Lenin disse em 1905 que essas duas
tarefas devem ser levadas sempre que for possível, mesmo
que essas não fossem factíveis em relação a Rússia como um
todo. O Presidente Mao enriqueceu o caminho mostrado por
Lenin. Ele ensinou as táticas de guerra popular e a China al-
cançou a libertação ao longo desse caminho. Atualmente o
caminho está sendo seguido no Vietnã, Tailândia, Malásia, Fi-
lipinas, Birmânia, Indonésia, Iêmen, Congo-Kinshasa, em di-
ferentes países da África e da América Latina. Esse caminho
também foi adotado na Índia, o caminho da construção do
exército das forças armadas populares e a direção da frente
de libertação a qual está sendo seguida em Naga, Mizo e áreas
da Caxemira. Então a classe operária vai ter de ser chamada e
avisada de que precisa dirigir a revolução democrática na Ín-
dia e a classe operária terá que levar a cabo essa tarefa pro-
vendo a direção para a luta de seu aliado mais firme, o cam-
pesinato. Então, é a responsabilidade da classe operária or-
ganizar o movimento camponês e elevá-lo para o estágio da
luta armada. Essa é a tarefa principal da classe operária – “Co-
letar armas e construir as bases da luta armada nas áreas ru-
rais” – isso se chama política da classe operária, a política da
tomada de poder. Nós temos o dever de despertar a classe
operária à base dessa política. Organizar todos os operários
em associações – essa palavra de ordem não eleva a consci-
ência política da classe trabalhadora. Isso certamente não
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significa que não devemos organizar mais nenhuma associa-


ção de trabalhadores. Isso significa que não devemos atolar
os operários revolucionários do Partido em atividades dos
sindicatos – seria a sua tarefa levar a propaganda política en-
tre a classe operária, isto é, propagar a política da luta armada
e a campanha da coleta de armamentos e construir a organi-
zação do Partido. Entre a pequena-burguesia, nossa principal
tarefa é a propaganda e a propagação da significância da luta
camponesa. Isso dito, em cada frente a responsabilidade do
Partido é explicar a importância da luta camponesa e chamar
para a participação na luta. Conforme levarmos essa tarefa,
devemos alcançar a etapa da direção consciente da revolução
democrática. A oposição a esse caminho básico do marxismo-
leninismo não vem apenas dos revisionistas. Os revisionistas
estão tomando o caminho da conciliação de classe de uma
vez, assim é a revolução; os partidos burgueses vieram ao po-
der e havia poder na mão dos operários, camponeses e solda-
dos soviéticos também. Por causa da existência desse poder
dual, a liderança da classe operária se tornou efetiva e apenas
quando nesses sovietes os partidos pequeno-burgueses en-
tregaram o poder para a burguesia que se tornou possível
para a classe operária concluir a Revolução de Outubro.
Eles não analisam as condições objetivas da Índia. Eles
não tiram as lições das lutas que estão sendo empreendidas
na Índia. A principal causa do sucesso da Revolução Russa foi
a correta aplicação da tática de frente única. A questão de tá-
ticas de frente única é igualmente importante na Índia tam-
bém. Mas a tática da Revolução Democrática indiana será di-
ferente na forma. Também na Índia, em Naga, Mizo, Caxemira
e em outras áreas, as lutas estão sendo empreendidas sob a
liderança da pequena-burguesia. Na revolução democrática,
assim sendo, a classe operária terá que marchar adiante junto
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com a formação de uma frente única com eles. As lutas irão


estourar em várias outras novas áreas sobre a liderança dos
partidos burgueses ou pequeno-burgueses. A classe operária
também entrará em alianças com eles e a base principal dessa
aliança será a luta anti-imperialista e o direito à autodetermi-
nação. A classe operária necessariamente admite esse direito,
junto com o direito à secessão.
Embora aqueles que sonham com uma revolução na
Índia pelo caminho da Revolução de Outubro sejam revoluci-
onários, não são capazes de oferecer uma liderança ousada
por causa da sua perspectiva doutrinária. Eles não reconhe-
cem a importância da luta campesina e então inconsciente-
mente acabam por introduzir o economicismo no seio da
classe operária. Eles não são capazes de assimilar as experi-
ências na Ásia, na África e na América Latina. Uma parte deles
se tornou discípula de Che Guevara e falham em enfatizar a
tarefa de organizar o campesinato, a principal força da revo-
lução democrático-popular indiana. Consequentemente, tor-
nar-se-ão vítimas do desvio esquerdista. Então nós devemos
prestar especial atenção e ajudar a educá-los gradualmente.
Em nenhuma circunstância devemos ser intolerantes em re-
lação a eles. Além disso, há entre nós um grupo de camaradas
revolucionários que aceitam o Partido Chinês e o Pensamento
do grande Mao Tse-tung e também o aceitam como o único
caminho. Mas eles veem o livro Como ser um bom comunista
como o único caminho para a auto cultivo e são consequen-
temente levados à um sério desvio. O único caminho marxista
para a auto cultivo ensinada por Lenin e Presidente Mao é o
caminho da luta de classes. Somente se forjando através do
fogo da luta de classes um comunista pode tornar-se ouro
puro. A luta de classes é a verdadeira escola de comunistas e
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a experiência da luta tem que ser verificada à luz do mar-


xismo-leninismo-pensamento Mao Tsé-tung e as lições de-
vem ser tomadas. Então o principal ponto da educação do
Partido é a aplicação dos ensinamentos do marxismo-leni-
nismo na luta de classes, chegando aos princípios gerais ba-
seando-se nessas experiências e levando de volta para o povo
esses princípios somados à experiência. Isso é o que é cha-
mado de “do povo para o povo”. Isso é o ponto básico da edu-
cação do Partido. Esses camaradas revolucionários não são
capazes de entender essa verdade fundamental da educação
do Partido. Como resultado eles cometem desvios idealistas
em relação à educação do Partido. O Presidente Mao nos en-
sinou que não pode existir educação fora da prática. Em suas
palavras, ‘fazer é aprender’. Autoformação é possível apenas
no processo de mudança das condições existentes através da
prática revolucionária.

Revolucionários do mundo, uni-vos!


Viva a unidade revolucionária de operários e campo-
neses!
Viva o Presidente Mao Tsé-tung!