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Cuidados para os aficionados em games

Por Bruna Torres

Crianças, adolescentes e até adultos estão cada vez mais imersos no universo dos videogames. Chegam a
passar horas e até dias na frente da televisão ou computador em busca do entretenimento. Este tipo de
diversão pode trazer diversos benefícios, porém, se jogado em excesso, traz também malefícios, que
precisam de acompanhamento profissional para que volte a ser tratado como normal.
Gilberto Lacerda, especialista em Tecnologia na Educação e professor da Faculdade de Educação da
Universidade de Brasília (UnB), ressalta que os videogames fazem bem ou mal dependendo da
quantidade de tempo que uma pessoa passa em frente ao jogo. “Independente se o jogo é eletrônico ou
não é prejudicial se o tempo de exposição for excessivo. O prejudicial é acomodar seu cotidiano nesse
aparato e o excesso torna-se negativo”.
Adriana Rodrigues, mãe de José Lindolfo e Mateus Rodrigues, 10 e nove anos, se preocupa com a
dependência nos videogames, e por isso impõe limites aos filhos, que ora estão no videogame de console
ou nos jogos de computador. “Acredito que se eu não controlasse, eles não teriam tanta responsabilidade.
Eu permito que eles joguem três horas por dia, menos nos dias de prova, que não podem nem ligar o
videogame”, conta.

A Academia Americana de Pediatria dita que crianças a partir de seis anos devem jogar no máximo duas
horas por dia, e com menos de seis anos, no máximo uma hora diária. Mas para Lacerda, essas regras não
se aplicam a todos. “Todos são diferentes e é difícil estabelecer regras e aplicá-las como receitas. Isso
depende muito da inteligência e de como as pessoas se locomovem na vida, para saber qual tempo
estipular de frente à um jogo”, salienta.
Gilberto Lacerda, revela que a escola tem um papel importante na educação dos jovens, para que não se
viciem em videogames. “Os pais constituem um papel importante na vida dos filhos, mas normalmente
têm pouco tempo para eles, que ou estão na escola ou no computador. Por isso a escola precisa expor
diferentes linguagens que irão despertar o interesse dos jovens para outros”, explica.
Além disso, ele alerta que os pais devem impor limites de tempo sim, que dependerá da maturidade de
cada um, e também levar os filhos para outras atividades. “Cabe aos pais e a escola aos poucos mostrar
outras possibilidades. Elas não vão ao cinema, ao teatro, ou outros lugares sozinhas, precisam da
companhia dos pais. O filho não vai ler um livro se nunca viu o pai lendo ou se os pais nunca o levaram
para ler, ou para uma biblioteca, por exemplo”, diz Lacerda.
O especialista ainda destaca que os videogames trazem benefícios como saber como lidar com este tipo
de tecnologia, solução de problemas, e até desenvolver artifícios. “Porém, a partir do momento que a
criança, o jovem ou o adulto se torna aficionado em jogos eletrônicos, por esse modo de comunicação e o
troca pelas demais atividades, vai se tornar prejudicial, e desenvolve diversos problemas , como timidez,
problemas de saúde, entre outros”, revela.
Por isso, ele adiciona que quanto mais rico for o arsenal de informações que uma criança tem, melhor
para ela. “Todos precisam ter outros interesses na vida. Seja interação com a leitura, com vídeos, cinema,
teatro, amigos, escola, brincadeiras com os pais”, completa.
Há quem pense que os videogames só afetam crianças e do sexo masculino. A história de Roberta Lima,
prova o contrário. Ela se mudou de uma fazenda para Brasília e nunca foi acostumada com cidades
grandes. Quando não estava na faculdade, passava o resto do dia em casa. “Meu tempo livre era todo
dedicado aos jogos. Aos poucos, comecei a dormir mais tarde e a faltar aula no dia seguinte por não
conseguir acordar. Acabei reprovando por falta em algumas disciplinas”, lembra.
Além de problemas nos estudos, ela ainda teve problemas alimentares. Com a faculdade em greve, ela
jogava o dia todo, comia na frente do computador e só parava para dormir. “Cheguei a ficar 19h jogando
direto, sem levantar da cadeira pra nada. Teve até um dia que esqueci de tomar banho. O resultado disso,
em dois meses da greve, foi que engordei 10 kg”.
Após quatro anos no vício, ela resolveu mudar os hábitos e se dedicar mais a outros afazeres. “Deixei
esses jogos de lado, me formei, mas não voltei ao vício. A própria vida, gradativamente, me chamou à
responsabilidade. Com emprego, estudos e outras atividades, jogos assim não tinham mais espaço na
minha rotina”, destaca ela, que continua jogando, mas apenas jogos que não exigem tanta dedicação.
Roberta acredita que o vício dela não foi negativo. “Da mesma forma que eu tive problemas na faculdade
por causa dos jogos, muitos colegas meus tiveram problemas por exagerarem nas festas e bebidas. É uma
fase da vida. O importante é saber que, uma hora, essas coisas tem de ser deixadas de lado para encarar as
responsabilidades da vida. Aquele que não consegue largar, seja o que for, é porque tem algum problema
e deveria procurar ajuda”, alerta ela.

Benefícios
 Interatividade com o jogo e com outros jogadores;
 Aprendizado sobre novas línguas, culturas, valores sociais e diferentes estilos de artes;
 Causar reflexão nos jogadores;
 Transmitir educação por meio da interação;
 Treinar coordenação motora e raciocínio, desenvolvendo a inteligência e a resolução de problemas.

Malefícios
 Dificuldade em relacionamentos;
 Dificuldade em lidar com problemas reais;
 Competitividade excessiva;
 Alimentação incorreta;
 Postura errada;
 Dificuldade em fixar atenção e em memorização