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A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) tem sido um dos assuntos mais

falados na educação ultimamente. Trata-se do documento que mais recebeu sugestões e


contribuições na história do país! Isso já mostra a importância que possui, não só para
os educadores, mas para o país inteiro.

A BNCC para a Educação Infantil e o Ensino Fundamental foi aprovada e


homologada em dezembro de 2017. Por sua vez, o documento para o Ensino
Médio foi apresentado e encaminhado ao Conselho Nacional de Educação (CNE) em
abril de 2018 e está atualmente em fase de discussão.

O que é a BNCC?
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é um documento que visa
a nortear o que é ensinado nas escolas do Brasil inteiro, englobando todas as fases da
educação básica, desde a Educação Infantil até o final do Ensino Médio. Trata-se de
uma espécie de referência dos objetivos de aprendizagem de cada uma das etapas de sua
formação. Longe de ser um currículo, a Base Nacional é uma ferramenta que visa a
orientar a elaboração do currículo específico de cada escola, sem desconsiderar as
particularidades metodológicas, sociais e regionais de cada uma.

Isso significa que a Base estabelece os objetivos de aprendizagem que se quer


alcançar, por meio da definição de competências e habilidades essenciais, enquanto o
currículo irá determinar como esses objetivos serão alcançados, traçando as estratégias
pedagógicas mais adequadas.

Sendo assim, a BNCC não consiste em um currículo, mas um documento


norteador e uma referência única para que as escolas elaborem os seus currículos. De
acordo com o ex-Ministro da Educação Mendonça Filho, “os currículos devem estar
absolutamente sintonizados com a nova BNCC, cumprindo as diretrizes gerais que
consagram as etapas de aprendizagem que devem ser seguidas por todas as escolas”.
A imagem abaixo ilustra bem essa relação da Base Nacional Comum Curricular e o
currículo das escolas:

“A Base é um documento normativo que define o conjunto orgânico progressivo das


aprendizagens essenciais e indica os conhecimentos e competências que se espera que todos os
estudantes desenvolvam ao longo da escolaridade. Ela se baseia nas diretrizes curriculares
nacionais da educação básica e soma-se aos propósitos que direcionam a educação brasileira para
formação integral e para a construção de uma sociedade melhor.” - Maria Helena Guimarães, ex-
Secretária Executiva do Ministério da Educação.

Visando a unificar as influências e referências de cada instituição de ensino, a


BNCC surge para solucionar um problema muito comum no Brasil. Quando analisam-
se os currículos escolares espalhados pelo país, é possível encontrar discrepâncias muito
grandes.

Apesar de ter sido colocada em prática nos últimos anos, a ideia de uma base
curricular comum às escolas de todo o Brasil já existe desde a promulgação da
Constituição de 1988, cujo artigo 210 prevê a criação de uma grade de conteúdos fixos a
serem estudados no Ensino Fundamental. Veja abaixo o trecho retirado do documento
oficial:

Art. 210. Serão fixados conteúdos mínimos para o ensino fundamental, de maneira a assegurar
formação básica comum e respeito aos valores culturais e artísticos, nacionais e regionais.

Fonte: Constituição da República Federativa do Brasil,


consultada em 21/02/2017, às 08:05

Com a BNCC, os direitos de aprendizagem de todos os alunos passam a ser


assegurados. Dessa forma, o principal objetivo da Base é garantir a educação com
equidade, por meio da definição das competências essenciais para a formação do
cidadão em cada ano da educação básica.

O que existia antes da BNCC?


Certamente não é a primeira vez que as escolas brasileiras se veem diante de
diretrizes curriculares elaboradas pelo governo. Entre os anos de 1997 e 2000, segundo
estabelecido pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), foram criados
os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) para os Ensinos Fundamental e Médio.
Somente mais tarde, por meio do Programa Currículo em Movimento, incluiu-se uma
proposta para o desenvolvimento de uma grade também para a Educação Infantil.

Embora tenham o objetivo de criar condições que permitam o acesso aos


conhecimentos necessários ao exercício da cidadania dos jovens, os Parâmetros
Curriculares Nacionais não eram tão detalhados ou tampouco tão objetivos quanto
almeja ser a BNCC.

Como a BNCC foi elaborada?


Depois da definição dos profissionais que fariam parte da comissão de
especialistas para a elaboração da proposta da Base Nacional Comum Curricular, em
junho de 2015, e do lançamento do Portal BNCC, em julho do mesmo ano, o texto
preliminar da Base foi divulgado.

Assim, em setembro de 2015, abriu-se espaço para as contribuições do público.


Inicialmente programado para receber feedbacks até o dia 15 de dezembro, esse prazo
acabou sendo prorrogado até 15 de março de 2016, quando a consulta pública da
primeira versão foi concluída.

O portal recebeu mais de 12 milhões de contribuições e, a partir delas, o documento foi revisado.

Em maio de 2016, a segunda versão da Base Nacional Comum Curricular foi


publicada, dando início aos Seminários Estaduais realizados em todas as unidades da
federação. Os 27 Seminários foram organizados e articulados pelo Conselho Nacional
de Secretários de Educação (CONSED) e pela União Nacional dos Dirigentes
Municipais de Educação (UNDIME), entre os meses de junho e agosto.

O objetivo desses Seminários foi receber contribuições relevantes de alunos,


professores, especialistas, coordenadores e instituições para melhorar ainda mais o
documento. No total, houve participação de mais de 9 mil pessoas.

Em setembro de 2016 o documento preliminar que sistematizou os Seminários


realizados foi entregue ao Ministro da Educação, Mendonça Filho. Contendo as
principais observações feitas pelos educadores, esse documento apresentava
preocupações, como a linguagem confusa e genérica do documento, que na teoria
deveria ser claro e conciso.

Após a entrega do documento ao Ministro, foi anunciada pelo MEC uma medida
que separava a Base Nacional Comum Curricular em duas partes, uma referente à
Educação Infantil e ao Ensino Fundamental e a outra relativa ao Ensino Médio.

No dia 06/04/2017, foi anunciada a terceira versão da Base da Educação


Infantil e Ensino Fundamental. O documento passou por mais uma rodada de
discussões e ajustes e uma nova versão foi aprovada pelo CNE e homologada pelo
Ministro da Educação em dezembro de 2017.

O documento relativo ao Ensino Médio, por sua vez, foi divulgado pelo MEC no
dia 03/04/2018 e atualmente está sendo debatida pelo Conselho Nacional de Educação.

Competências do século XXI na BNCC


Conforme foi dito pela ex-Secretária Executiva do MEC, Maria Helena
Guimarães, em apresentação no dia 06/04/2017, a BNCC tem como objetivo garantir
a formação integral dos indivíduos por meio de desenvolvimento das
chamadas competências do século XXI.

“As competências do século XXI dizem respeito a formar cidadãos mais críticos, com
capacidade de aprender a aprender, de resolver problemas, de ter autonomia para a tomada de
decisões, cidadãos que sejam capazes de trabalhar em equipe, respeitar o outro, o pluralismo de
ideias, que tenham a capacidade de argumentar e defender seu ponto de vista. (...) A sociedade
contemporânea impõe um novo olhar a questões centrais da educação, em especial: o que aprender,
para que aprender, como ensinar e como avaliar o aprendizado.” Maria Helena Guimarães, ex-
Secretária Executiva do Ministério da Educação.

Sendo assim, as competências do século XXI preveem a formação de cidadãos


críticos, criativos, participativos e responsáveis, capazes de se comunicar, lidar com as
próprias emoções e propor soluções para problemas e desafios. Essas competências
guiaram a elaboração da BNCC e implicam em uma desvinculação da escola do
passado, que valoriza a memorização de conteúdos.

Como ficam as diferenças regionais do ensino na


BNCC?
Após a aprovação da versão final da Base Nacional Comum Curricular, a
Secretaria de Educação de cada estado e município poderá incluir em seus
currículos conteúdos específicos (como a História e a Geografia da região ou as
tradições específicas dos povos indígenas daquele estado, por exemplo), configurando a
chamada base diferencial.

Isso está de acordo com uma estratégia do Plano Nacional de Educação, que
visa a “desenvolver tecnologias pedagógicas que combinem, de maneira articulada, a
organização do tempo e das atividades didáticas entre a escola e o ambiente
comunitário, considerando as especificidades da educação especial, das escolas do
campo e das comunidades indígenas e quilombolas.”

Dessa forma, a Base Nacional Comum Curricular pretende unificar conteúdos


básicos, que devem ser ensinados em todo o país e que correspondem ao currículo
mínimo obrigatório de todas as escolas. Ao mesmo tempo, pretende que os
ensinamentos tradicionais e regionais continuem sendo passados aos alunos,
correspondendo à parte diversificada do currículo escolar.

Portanto, as escolas poderão acrescentar ao seu Projeto Político Pedagógico


(PPP) o que for característico de cada comunidade, sem deixar de lado os direitos dos
alunos previstos na BNCC.

As competências gerais da BNCC


A nova versão da Base prevê que os estudantes devem, ao longo da educação
básica, desenvolver competências cognitivas e socioemocionais para sua formação.
São 10 as competências gerais determinadas pela BNCC e consideradas fundamentais
para os estudantes:
1) Valorizar e utilizar os conhecimentos historicamente construídos sobre o
mundo físico, social, cultural e digital para entender e explicar a realidade, continuar
aprendendo e colaborar para a construção de uma sociedade justa, democrática e
inclusiva.

2) Exercitar a curiosidade intelectual e recorrer à abordagem própria das ciências,


incluindo a investigação, a reflexão, a análise crítica, a imaginação e a criatividade, para
investigar causas, elaborar e testar hipóteses, formular e resolver problemas e criar
soluções (inclusive tecnológicas) com base nos conhecimentos das diferentes áreas.

“Nós entramos na escola, aos seis anos, com 98% de índice criativo saímos da faculdade, aos 23 ou
24 anos, com apenas 2%.” - Luís Rasquilha, especialista em futuro.

3) Valorizar e fruir as diversas manifestações artísticas e culturais, das locais às


mundiais, e também participar de práticas diversificadas da produção artístico-cultural.

4) Utilizar diferentes linguagens - verbal (oral ou visual-motora, como Libras, e


escrita), corporal, visual, sonora e digital -, bem como conhecimentos das linguagens
artística, matemática e científica, para se expressar e partilhar informações,
experiências, ideias e sentimentos em diferentes contextos e produzir sentidos que
levem ao entendimento mútuo.

5) Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de


forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as
escolares) para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir
conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e
coletiva.

6) Valorizar a diversidade de saberes e vivências culturais e apropriar-se de


conhecimentos e experiências que lhe possibilitem entender as relações próprias do
mundo do trabalho e fazer escolhas alinhadas ao exercício da cidadania e ao seu projeto
de vida, com liberdade, autonomia, consciência crítica e responsabilidade.

7) Argumentar com base em fatos, dados e informações confiáveis, para formular,


negociar e defender ideias, pontos de vista e decisões comuns que respeitem e
promovam os direitos humanos, a consciência socioambiental e o consumo responsável
em âmbito local, regional e global, com posicionamento ético em relação ao cuidado de
si mesmo, dos outros e do planeta.

8) Conhecer-se, apreciar-se e cuidar de sua saúde física e emocional, compreendendo-


se na diversidade humana e reconhecendo suas emoções e as dos outros, com autocrítica
e capacidade para lidar com elas.

9) Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, fazendo-se


respeitar e promovendo o respeito ao outro e aos direitos humanos, com acolhimento
e valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes,
identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza.
10) Agir pessoal e coletivamente com autonomia, responsabilidade, flexibilidade,
resiliência e determinação, tomando decisões com base em
princípios éticos,democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários.

Essas competências serviram de referência para estruturação de toda a Base, desde a


Educação Infantil até o fim do Ensino Médio.

BNCC para a Educação Infantil e o Ensino


Fundamental
A terceira versão da BNCC para a Educação Infantil e o Ensino
Fundamental foi divulgada no dia 06/04/2017 em apresentação realizada em Brasília.
Essa versão foi discutida em audiências públicas realizadas em todas as regiões do
país, que resultaram em 619 colaborações enviadas ao Conselho Nacional de Educação
(CNE). A versão final foi aprovada e homologada em dezembro de 2017.

A Educação Infantil é organizada por campos de experiências e se baseia em


seis direitos de aprendizagem e desenvolvimento:

1) conviver;

2) brincar;

3) participar;

4) explorar;

5) expressar;

6) conhecer-se.

e em cinco campos de experiências:

1) o eu, o outro e o nós;

2) corpo, gestos e movimento;

3) traços, sons, cores e formas;

4) oralidade e escrita;

5) espaços, tempos, quantidades, relações e transformações.


O Ensino Fundamental, por sua vez, parte das quatro áreas do
conhecimentodefinidas pela LDB:

1) Linguagens (Língua Portuguesa, Artes, Educação Física e Língua Inglesa);

2) Matemática;

3) Ciências da Natureza;

4) Ciências Humanas (Geografia e História).

definindo unidades temáticas e habilidades que devem ser aprendidas em cada ano,
observando-se a progressão dos alunos.
BNCC para o Ensino Médio
O documento referente à BNCC para o Ensino Médio foi divulgado no dia
03/04/2018, quando foi entregue pelo Ministério da Educação para o CNE. O texto
encontra-se atualmente em fase de discussão para posterior aprovação e homologação.

O Ensino Médio, assim como o Ensino Fundamental, está organizado em quatro áreas
do conhecimento, de acordo com as determinações da LDB:

1) Linguagens e suas Tecnologias;

2) Matemática e suas Tecnologias;

3) Ciências da Natureza e suas Tecnologias;

4) Ciências Humanas e Sociais Aplicadas.

sendo que cada área do conhecimento compreende competências específicas de


área que devem ser desenvolvidas ao longo de toda a etapa.

Além disso, no Ensino Médio, são apresentados os itinerários formativos, que


possibilitam a flexibilização curricular ao oferecer aos estudantes a possibilidade de
escolha da área do conhecimento sobre a qual se tem maior interesse. São cinco
itinerários: um para cada grande área do segmento e um relativo à Formação técnica e
profissional.

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