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EXCELENTÍSSIMO (A) SENHOR (A) DOUTOR (A) JUIZ (A) FEDERAL DA

___VARA DO TRABALHO DO RECIFE -PE.

JOSÉ MARIA HONORATO FELIX, brasileiro,


casado, eletricista, CTPS nº 43897, Série: 00013; RG nº 3.621592.567 SSP/PE;
CPF nº 612.296.794-72 e PIS- PASEP n° 12327040894, conta de endereço
eletrônico: silviobatista.adv@gmail.com, residente e domiciliado na Avenida
Gonçalves Dias, nº 2490, Jardim Jordão, Jaboatão dos Guararapes – PE. CEP.
54.320-460(Doc. 01 e 02), através do seu advogado que assina a presente
digitalmente, constituído nos termos da procuração anexada (Doc. 03),
devidamente habilitado no Pje – TRT6, onde receberá notificações, intimações e demais
atos processuais, vem à presença de V. Exª, fundamentado no art. 7º, XXIX, CR/881 e
artigo 8392, alínea “a” da CLT, propor a presente

RECLAMAÇÃO TRABALHISTA

Em face do seu ex-empregador CONDOMINIO LE PARC BOA VIAGEM RESIDENCIAL


RESORT, CNPJ nº 21.330.408/0001-00, com sede Av. General Mac Arthur, nº 303,
Imbiribeira, Recife-PE, CEP 51.150-400. Pelos fatos e fundamentos de direito a seguir
expostos.

I – DO BENEFÍCIO DA JUSTIÇA GRATUITA


Nos termos do art. 14, §1º, da Lei n.º 5.584/70, das Leis n.º 1.060/50 e n.º
7.115/83, bem como do art. 790, §3º, da CLT, o reclamante declara para os
devidos fins, e sob as penas da lei, ser pobre, encontrando-se desempregado e
não tendo como arcar com o pagamento das custas e demais despesas
processuais sem prejuízo do seu sustento e de sua família, pelo que requer os
benefícios da justiça gratuita.

1CR/88. Art. 7°, XXIX - ação, quanto aos créditos resultantes da relação de trabalho, com prazo prescricional de cinco
anos para os trabalhadores urbanos e rurais, até o limite de dois anos após a extinção do contrato de trabalho.

2CLT. Art. 839, “a” – A reclamação poderá ser apresentada: pelos empregados e empregadores, pessoalmente, ou por
seus representantes, e pelos sindicatos de classe.
II – DA DECLARAÇÃO DE AUTENTICIDADE
Declara o patrono através de assinatura digital, para os devidos fins, a
autenticidade dos documentos juntados pelo reclamante neste processo, nos
moldes do artigo 830 da CLT.

III – DOS FATOS

III. A) - DO CONTRATO DE TRABALHO - DA


ADMISSÃO E DA FUNÇÃO

O reclamante foi admitido para laborar junto à empresa ora Reclamada na data de
20.10.2015, na função de Ajudante de Eletricista conforme CTPS (Doc.04, 4.1),
desempenhando última função como Eletricista conforme contracheques (Doc.05).

III. B) DA REMUNERAÇÃO

O reclamante recebeu pelo trabalho, como última remuneração, o valor de


R$1.877,87 ( Mil oitocentos e setenta e sete reais e oitenta e sete centavos)
Salario mensal + 30% de periculosidade (Doc.05), contudo, importa mencionar
que a remuneração em questão não reflete as horas extras efetuadas durante o
mês.

III. C) DA JORNADA DE TRABALHO

Restou convencionado que a jornada de trabalho do reclamante inicialmente foi das 08:00h
às 17:00h com intervalo de 1 (um) hora de segunda à sexta-feira, aos sábados iniciava
os trabalhos às 08:00h com intervalo de 1 (um) hora, finalizando às 17:00h, totalizando
48 horas semanais, em sábados alternados, passando a trabalhar em regime de escala
de 12 horas trabalhando por 36 horas de repouso, no turno noturno iniciando sua
jornada de trabalho das 19h00 às 07h00, após no turno diurno iniciando sua jornada de
trabalho das 07h00 às 19h00, por fim, retornando a sua jornada inicial.

Importante declarar que inobstante as jornadas supracitadas,


o reclamante trabalhou por todo seu período de contrato, executando serviços além do
horário normal, isto é, horas extraordinárias que nunca foram pagas.

III. D) DA DEMISSÃO

O reclamante foi desligado sem justa causa pela reclamada em 02.07.2018


(Doc.06), e permanece até a presente data sem receber devidamente suas verbas
rescisórias e demais direitos que a seguir serão elencados.
IV– DOS DIREITOS

IV. A) DAS HORAS EXTRAS COM ADICIONAL DE 30% DE


PERICULOSIDADE.

Dispõe o inciso XIII do art. 7º da Constituição de 1988: “duração


de trabalho normal não superior a oito horas diárias e quarenta e quatro semanais, facultada
a compensação de horários e a redução da jornada mediante acordo ou convenção coletiva
de trabalho”.
O reclamante, no início da contratualidade tinha como jornada
de trabalho o horário 08:00h às 17:00h com intervalo de 1 (um) hora de segunda à sexta-
feira, aos sábados iniciava os trabalhos às 08:00h com intervalo de 1 (um) hora,
finalizando às 17:00h, totalizando 48 horas semanais, em sábados alternados,
passando a trabalhar em regime de escala de 12 horas trabalhando por 36 horas de
repouso, no turno noturno iniciando sua jornada de trabalho às 19h00 às 07h00, após
no turno diurno iniciando sua jornada de trabalho às 07h00 às 19h00, por fim,
retornando a sua jornada inicial, porém decorrente da demanda de serviços sempre
ultrapassava o limite das horas normais, trabalhando aos sábados, domingos e feriados. Em
todos os dias da semana, considerando os dias de trabalho em escala 12x36, laborava em
regime de sobrejornada, perfazendo uma média de 2,5 (duas e meia) horas extras diarias
durante todo o periodo trabalhado, porém nunca recebidas .
A reclamada nunca pagou as horas habitualmente laboradas em
regime de sobrejornada ao obreiro, razão pela qual requer sua condenação a satisfazer os
pagamentos das horas excedentes à 8ª (oitava) hora e à 44ª (quadragésima quarta) hora
semanal, conforme cálculos de liquidação de sentença previamente apresentados pelo
reclamante, com acréscimo de 30% de Periculosidade sobre o valor da hora trabalhada, além
de sua integração ao salário e reflexos devidos.
Frente à habitualidade da prestação laboral extraordinária,
requer os reflexos da aludida verba sobre os DSR´s (Lei 605/49), aviso prévio indenizado
(CLT, art. 487, § 5º), 13º salários (Súmula 45 TST e CF, art. 7°, VIII), férias + 1/3 (CLT, art.
142, § 5º e CF, art. 7°, XVII), adicional de periculosidade, FGTS (art. 15 e 18, § 1º, da Lei
8036/90) + 40% e, por último, integração das horas extras à remuneração do obreiro.

IV B) – DA DIFERENÇA DAS VERBAS


RESCISÓRIAS

Diante da inexistência de pagamento na Rescisão do Contrato de Trabalho das


horas extras devidas. Logo, restou violado o art. 477, caput da CLT, que possui o
seguinte enunciado:
“É assegurado a todo empregado, não existindo
prazo estipulado para a terminação do respectivo
contrato, e quando não haja ele dado motivo para
cessação das relações de trabalho, o direito de
haver do empregador uma indenização, paga na
base da maior remuneração que tenha percebido
na mesma empresa”. (Grifos nossos).

Nestas condições, requer seja determinado o efetivo pagamento das verbas


rescisórias conforme item VI - Pedidos.

IV. C) – DA MULTA DO ART. 477 DA CLT

Em face do não recebimento das horas extras devidas, a título de verbas


rescisórias referente ao período trabalhado, caracteriza claro descumprimento dos
prazos previstos no § 6º do supracitado artigo. Ensejando a incidência da multa
pecuniária prevista no § 8º do mesmo artigo, equivalente a um salário mensal do
empregado. Neste sentido, transcreve-se os seguintes arrestos:

RECURSO DE REVISTA. MULTA PREVISTA NO ART. 477, § 8º, DA CLT. FATO


GERADOR 1. O fato gerador da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT vincula-
se direta e unicamente ao não cumprimento dos prazos estabelecidos no § 6º do
mesmo dispositivo para pagamento das verbas rescisórias, e não ao ato em si da
homologação da rescisão contratual ou do consequente fornecimento das guias
para percepção do seguro-desemprego e do FGTS. 2. Não se aplica ao
empregador o disposto no § 8º do art. 477 da CLT quando consignada pelo TRT de
origem a quitação das verbas rescisórias no prazo legal. 3. Recurso de revista da
Reclamada de que se conhece e a que se dá provimento.

(TST - RR: 12353520115050007, Relator: João Oreste Dalazen, Data de


Julgamento: 03/06/2015, 4ª Turma, Data de Publicação: DEJT 12/06/2015)

IV D) – DA MULTA DO ART. 467 DA CLT

Conforme os fatos narrados nesta exordial, a reclamada não efetuou o pagamento


de verbas incontroversas, fazendo jus, portanto, o reclamante à multa de 50%, nos
termos do art. 467 da CLT.

Nestas condições, requer seja a reclamada condenada ao pagamento das parcelas


incontroversas acrescidas de 50%, salvo se as mesmas forem pagas em audiência.
IV.E) DOS DANOS MORAIS - CONDUTAS
PRATICADAS PELA RECLAMADA

A configuração do dano moral decorre da conjugação de três elementos


imprescindíveis: nexo causal, ato ilícito e o prejuízo juridicamente indenizável.

DO NEXO CAUSAL

Excelência, a inobservância das regras de segurança do


trabalho pela reclamada são claras, expondo o reclamante a diversos riscos
conforme relação abaixo:

 Acesso as casas de Bomba de recalque com presença


intensa de Cloro. INALANDO, pois a reclamada não
fornecia os EPI _Equipamento de Proteção Individual
adequados e/ou Treinamento específico para
prevenção de riscos, ocasionando pela exposição
Tosse, Náusea de Vómito, sangramento nasal,
incontinência anal etc...

 Acesso as Estações Elevatórias de Esgoto, sendo


Espaços Confinados e local insalubre. Mantendo
contato direto com esgoto, pois a reclamada não
fornecia os EPI _Equipamento de Proteção Individual
adequados e/ou Treinamento específico para
prevenção de riscos, ocasionando doenças de pele
como coceira e vermelhidão etc.

Diante do exposto, esta omissão ocasionou acidente fatal


conforme Laudo pericial e denúncia que compõe Ação Penal nº 0017373-
03.2017.8.17.0001 (Doc.07.0 à 07.8).
Neste ponto importa mencionar, além das violações aos
direitos trabalhistas expostos acima, o descaso, especificamente com a NR – Norma
Regulamentadora nº 33, que trata de SEGURANÇA E SAÚDE NOS TRABALHOS EM
ESPAÇOS CONFINADOS, da reclamada e de seus prepostos:
NO DIA 27 DE ABRIL DE 2017, TRÊS COMPANHEIROS DE TRABALHO
SOFRERAM ACIDENTE DO TRABALHO QUE VITIMOU FATALMENTE DOIS AO
ACESSAREM AS ELEVATÓRIAS SEM EPI’S ADEQUADOS.
DO ATO ILÍCITO

Ante exposto, torna-se de extrema relevância para um julgamento justo a


exposição do que segue.
O RECLAMANTE TRABALHAVA SEM EPI’S ADEQUADOS, SENDO EXPOSTO
A VÁRIOS RISCOS CONFORME ITEM SUPRACITADO (Nexo Causal).

Esta conduta dissona com a CLT o art. 166 “A empresa é obrigada a fornecer aos
empregados, gratuitamente, equipamento de proteção individual adequado ao risco e em
perfeito estado de conservação e funcionamento, sempre que as medidas de ordem geral
não ofereçam completa proteção contra os riscos de acidentes e danos à saúde dos
empregados.”

NÃO POSSUIA TREINAMENTO ESPECÍFICO PARA TRABALHAR EM


ESPAÇO CONFINADO CONFORME NR33, DESCONHECENDO TOTALMENTE AS
MEDIDAS PREVENTIVAS PARA MINIMIZAR E/OU EVITAR OS RISCOS NESTES
AMBIENTES.

A empresa é responsável pela adoção e uso das medidas coletivas e individuais


de proteção e segurança da saúde do trabalhador, devendo prestar informações
pormenorizadas sobre os riscos da operação a executar conforme art. 157 da CLT que
dispõe:
“Art. 157 - Cabe às empresas:
I - cumprir e fazer cumprir as normas de
segurança e medicina do trabalho;
II - instruir os empregados, através de ordens de
serviço, quanto às precauções a tomar no
sentido de evitar acidentes do trabalho ou
doenças ocupacionais;
III - adotar as medidas que lhes sejam
determinadas pelo órgão regional competente;
IV - facilitar o exercício da fiscalização pela
autoridade competente.”

Diante do não fornecimento de EPI’s adequados, treinamentos específicos ao


reclamante, expondo-o a graves riscos, resta consolidado o ato ilícito da reclamada.
PREJUÍZO JURIDICAMENTE INDENIZÁVEL.

A obrigação resulta da norma do art. 157, incisos I e II, e 158, parágrafo único, e
2º da CLT, eis que deve ser o empregador quem assume os riscos da atividade
econômica.
Diante do robusto conjunto probatório apresentado e que será complementado no
decorrer do processo, a conduta ilícita do empregador restará caracterizada. Contudo, o
dano moral não depende de prova do abalo psicológico, mormente porque a adoção de
medidas que reduzam os riscos inerentes ao trabalho é direito fundamental do
trabalhador, nos termos do art. 7º, inciso XXII, da Constituição da República, sendo
hipótese de dano in re ipsa, motivo pelo qual o empregador deve ser responsabilizado
por danos morais quando se diante da omissão no fornecimento de EPI, seja porque, os
que foram fornecidos, não foram capazes de minimizar os riscos a que o reclamante
estava exposto diariamente, isto é, RISCO DE MORTE.
Enquadra-se desta forma o presente caso na responsabilização objetiva da
reclamada, pois toda a atividade desenvolvida pelo empregador que, por sua natureza,
produza riscos para a vida ou incolumidade física ou psíquica de seus empregados,
basta à sua configuração a simples comprovação do nexo de causalidade entre o risco
criado e o dano ocorrido.
Em havendo risco próprio da atividade, haverá a responsabilidade objetiva do empregador,
com o dever de reparação independente da sua culpa, aplicando-se ao caso o disposto no
parágrafo único do art. 927 do CC:

"Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187),
causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo.

Parágrafo único. Haverá obrigação de reparar o dano,


independentemente de culpa, nos casos especificados em
lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo
autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os
direitos de outrem."

Conforme provas acostadas, agiu com NEGLIGÊNCIA E IMPRUDÊNCIA, pois deixou de


fazer algo que deveria ter feito (contratar profissional do SESMT), adotando uma conduta
sem as cautelas /zelo necessários quanto as regras de Segurança (não fornecendo EPI/EPC
para acesso em espaço confinado) .
V – DOS PEDIDOS

Diante o exposto e da fundamentação jurídica, vem o reclamante, perante


Vossa Excelência, requerer:

1. Concessão da gratuidade da justiça, nos termos e pelos motivos expostos


no item I da presente reclamatória;

2. Considerar a última remuneração paga em folha para fins de base dos


cálculos, no valor ........................ R$1.877,87 ( Mil oitocentos e setenta e
sete reais e oitenta e sete centavos) Salario mensal + 30% de
periculosidade;

3. Pagamento do valor correspondente as horas extraordinárias e reflexos da


aludida verba sobre os DSR´s (Lei 605/49), aviso prévio indenizado (CLT, art. 487,
§ 5º), 13º salários (Súmula 45 TST e CF, art. 7°, VIII), férias + 1/3 (CLT, art. 142, §
5º e CF, art. 7°, XVII), adicional de periculosidade, FGTS (art. 15 e 18, § 1º, da Lei
8036/90) + 40% e, por último, integração das horas extras à remuneração do
obreiro, no valor total de R$ 51.420,25 (cinquenta e um mil quatrocentos
e vinte reais e vinte e cinco centavos);

4. O pagamento da multa do art. 477, da CLT no montante de R$1.877,87 (


Mil oitocentos e setenta e sete reais e oitenta e sete centavos) Salario
mensal + 30% de periculosidade, uma vez que a rescisão não foi
devidamente efetuada até a presente data;

5. A Notificação da Reclamada a pagar os valores incontroversos em primeira


audiência, sob pena de condenação da dobra legal prevista no art. 467 da
CLT;

6. A condenação da reclamada ao pagamento da indenização por danos


morais decorrentes das várias condutas ilícitas descriminadas no item IV.E,
caracterizando um significativo dano a dignidade moral do trabalhador, no
valor total de R$ 20.000,00 (vinte mil reais);
Ante o exposto, com fundamento na legislação de regência acima mencionada,
requer digne-se Vossa Excelência determinar a notificação da reclamada para que
compareça à audiência de conciliação e julgamento, oferecendo contestação aos
termos da presente Reclamatória Trabalhista e a acompanhe até ulteriores termos,
sob pena de confissão e revelia, que a condenará ao pagamento de todas as
verbas pleiteadas, acrescidas de juros e correção monetária descontando-se
as comprovadamente já pagas (En. 200-TST), bem como ao pagamento das
custas processuais e demais cominações legais, tudo em regular liquidação
de sentença;

Protesta e requer pela produção de todas as provas em direito admitidas,


especialmente pela produção de prova testemunhal, depoimento pessoal do
representante da reclamada, a exibição, por parte da reclamada de todos os
controles de entrega de EPI – Equipamento de Proteção Individual, de
jornadas de trabalho, cartão de ponto, evidências das medidas preventivas
e/ou corretivas diante dos riscos ao acessar Espaços Confinados conforme
NR33 sob pena de confissão.

Por fim, a indisponibilização dos bens e contas correntes da Requerida para a


garantia da efetivação da justiça.

Dá a causa o valor de R$ 73.298,12 (setenta e três mil


duzentos e noventa e oito reais e doze centavos).

Nestes termos,
Pede deferimento.

Recife-PE, 23 de agosto de 2018.

SILVIO BATISTA DA SILVA


OAB/PE – 38.925