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Aluno: Flávio Ricardo da Silva

Professor: Rubin Assis de Souza


Disciplina: Fil5660 – Seminário de Ensino de Filosofia

Resumo: O Papel do Trabalhador Social no Processo de Mudança


(Paulo Freire)

Freire inicia o texto refletindo sobre o próprio sentido desta frase (“o papel do
trabalhador social no processo de mudança”). Ele quer fazer vir à tona um sentido mais
profundo da frase. Por meio de uma análise crítica ele deseja mostrar a relação de seus
termos para formação de um pensamento estruturado que se apóie em um tema
significativo. Não é possível a discussão desse tema – nas palavras de Freire – sem que
se estabeleça uma compreensão comum (mesmo que esta parta de diferentes
perspectivas). Por meio da análise crítica, ele deseja superar a ingenuidade e uma visão
demasiado simplista, que não pode chegar ao âmago do que ele quer tratar.
Freire ressalta que o olhar crítico é um ad-mirar. Esse estaria para além de um
mero olhar, mas buscaria penetrar no que foi admirado, olhando-o de dentro, e desse
dentro olhar o que nos faz ver. No homem ingênuo, que enfrenta a realidade
“desarmado”, não se dá está admiração. Ele apenas olha, sem adentrar o que está sendo
olhado, sem realmente vê-lo.
Freire quer fazer ver que a frase supracitada não é um mero conjunto de sons
formando um rótulo estático. Mas uma frase que envolve um tema significativo, um
problema, um desafio. Ela não pode ser tomada como um clichê, algo comum e
rotineiro. Se assim o for, não ultrapassamos a superfície e permanecemos numa
discussão de clichês que nos foram “depositados”.
Desta feita, uma análise crítica da frase proposta tem por objetivo viabilizar a
compreensão de seu contexto total, no qual se encontra o tema, o desafio. A partir deste
vislumbre pode-se iniciar o trabalho de separar o contexto em suas partes constitutivas.
Efetuada esta separação, podemos voltar ao contexto total, por meio do ad-mirar, e
compreendê-lo de forma mais dinâmica. Depois de admirar o texto, que nos permite
alcançar o contexto como um todo, procedemos à separação deste em partes que nos
permitem perceber a interação entre estas partes. Que, por sua vez, se mostram como
co-responsáveis pelo significado do texto. Este ir para o todo e voltar para a parte, para
Freire, são operações que se implicam dialeticamente. E que só se dividem “por uma
necessidade do espírito de abstrair para alcançar o concreto”.
Assim, depois de admirar a frase por dentro, reconhecer seu tema desafiador e
separá-la em seus elementos constitutivos, descobrimos que o termo papel acha-se
restringido em sua significação por uma expressão que limita sua extensão, ou seja, do
trabalhador social. E nesta última há uma restrição, social, que delimita a compreensão
do termo trabalhador. Assim, esta subdivisão da estrutura social, ou seja, papel do
trabalhador social, liga-se a o processo de mudança. Este representando o onde em que
o papel se cumpre. Ao analisar-se assim a frase fica claro “que o papel do trabalhador
social se dá no processo de mudança”.
Nossa compreensão muda, no entanto, quando não mais analisamos a frase em
si, mas o quefazer do trabalhador social. Nessa análise do quefazer descobrimos que o
papel do trabalhador social não se dá apenas na mudança, mas num domínio do qual a
mudança é uma das dimensões. Este domínio específico de atuação do trabalhador
social é a estrutura social. Esta deve ser entendida em sua complexidade, em seu
dinamismo e estabilidade para termos dela uma visão crítica. O estático e o dinâmico
são, de fato, o que constitui a estrutura social. Não há exclusividade de estabilidade ou
dinamismo, quando se trata de estruturas.
Se a estrutura social fosse absolutamente mutável, sem haver um oposto para
esta mudança, nem sequer a conheceríamos. Também não pode ser essencialmente
estática, pois se assim fosse perderia seu caráter humano e histórico. Não sendo
histórica não poderia ser chamada de estrutura social. Não há permanência da mudança,
nem do estático na estrutura social, mas sim, o jogo dialético da mudança-estabilidade.
Desta feita, a essência da estrutura social, não é mudança nem estabilidade, enquanto
tomados isoladamente, mas “a duração da contradição entre ambos”.
Toda a estrutura social, sendo histórica, tem como expressão da sua forma de
ser a “duração” do processo dialético perpetrado entre estabilidade e mudança. Sob esta
perspectiva, é muito importante manter uma visão crítica desta estrutura. Mudança e
estabilidade não são um “em si”, de forma a estarem separados e independentes da
estrutura. Mas são mudança e estabilidade de formas dadas.
Mudança e estabilidade resultam ambas da ação do homem no mundo, da sua
práxis. O homem ao responder aos desafios do mundo, constrói seu mundo. Um mundo
histórico-cultural. Esta criação humana, este mundo histórico-cultural, produto de sua
práxis, se volta contra o homem e acaba condicionando-o. O homem acaba por tornar-se
condicionado por sua própria criação, de modo que ele não pode fugir dela.
Dentro deste mundo criado pelo homem, a mudança e a estabilidade desta sua
criação surgem como tendências contrárias, que se contradizem. Não há mundo humano
que não mostre essa contradição. Assim, só do mundo humano pode se dizer que está
sendo (e não do mundo animal). O mundo humano só é, enquanto sendo, e só se
mantém sendo, enquanto se dialetiza entre estabilidade e mudança. A mudança implica
um constante romper que, ás vezes lenta, às vezes rapidamente, busca tirar da inércia,
enquanto a estabilidade busca a cristalização da criação. A mudança renova a estrutura,
enquanto a estabilidade tende a normalizar – tornar o criado em algo dado – esta
estrutura.
Assim sendo, o trabalhador social deve estar cônscio de que atua em uma
realidade constituída de estabilidade e mudança e que, como homem, somente pode
entender-se e explicar-se como um ser que se relaciona com esta realidade. Que,
enquanto agente nesta realidade, ele age com outros homens que são tão condicionados
quanto ele por esta realidade que se constitui dialeticamente através da oposição entre
estabilidade e mudança. E que, finalmente, ele deve conhecer esta realidade.
Este conhecer não se reduz ao nível da pura doxa (opinião), mas sim que se
chegue ao logos (saber) e se dirija ao ontos (essência da realidade). O movimento da
doxa ao logos, no entanto, não se dá de forma meramente intelectual. “Na ação que
provoca uma reflexão que se volta a ela” o trabalhador social vai atinando para o
predomínio da mudança ou estabilidade no contexto social em que age. Vai percebendo
que forças estão com a mudança e quais estão com a estabilidade.
O trabalhador social deve estar atento ao fato de que a estrutura social é obra
dos homens e, assim sendo, a sua modificação também é obra deles. A tarefa
fundamental é serem sujeitos e não objetos de modificação. Tal tarefa exige um
aprofundamento da tomada de consciência da realidade. Realidade que é alvo de atos
contraditórios daqueles que querem mantê-la e daqueles que querem modificá-la.
O trabalhador social não pode ser neutro. Ele deve, como homem, fazer uma
escolha. Aderir à mudança que se faz no sentido da humanização, do ser mais do
homem, ou ficar a favor da estabilidade.
Isto não quer dizer que o trabalhador social deva impor suas opiniões por meio
de seu trabalho pedagógico. Agir assim seria agir em contradição com a humanização.
Esta, enquanto libertação do homem, não pode se valer de métodos como a
manipulação, que prende o homem ao invés de libertá-lo.
A opção que o trabalhador social faz, determina seus métodos e técnicas. Como
dito anteriormente, não existe neutralidade. Se o trabalhador social optar pela anti-
mudança, seus métodos e técnicas refletiram essa opção pelo frear da mudança. Ao
invés de desenvolver um trabalho no sentido de fazer com que a realidade, a estrutura
social, vá, num esforço crítico, se desvelando aos homens com os quais trabalha. O
trabalhador social assim decidido, não se aterá a esta problemática da estrutura social,
mas tenderá a optar por soluções de caráter assistencialista que privilegiam a
paralisação. Tal paralisação não pretende outra coisa que normalizar a estrutura social
através do destaque de seu caráter de estabilidade.
O trabalhador social comprometido com a anti-mudança tem receio quase
mágico a respeito da novidade. Esta lhe parece sempre muito incerta. Há nele uma
inquietude acrítica a respeito das conseqüências da mudança, mudança esta que sempre
lhe parece uma ameaça ao seu status quo. Assim, seus métodos de ação não privilegiam
a colaboração e a comunicação, mas a manipulação ostensiva ou disfarçada. Desta feita,
àquele que está comprometido com a anti-mudança não interessa que os homens
revisem criticamente a percepção condicionada que lhes é outorgada pela estrutura
social em que vivem.
Quando os indivíduos, por meio da ação e da reflexão, tornam-se capazes de
perceber a perspectiva condicionada que a estrutura social lhes fornece, esta perspectiva
muda – mesmo que isso não signifique, ainda, uma mudança da própria estrutura. Essa
mudança significa ver a estrutura social como ela é, ou seja, uma realidade histórico-
cultural, uma criação dos homens que pode ser modificada por eles. Uma mudança da
percepção ingênua da realidade, que tende ao fatalismo, cede lugar a uma percepção que
vê a si própria. Quando um homem é, assim, capaz de se ver, enquanto alcança uma
realidade que lhe parecia um “em si” inflexível, ele é, também, capaz de objetivá-la.
Descobrindo seu papel criador e potencialmente transformador desta realidade. O
fatalismo, fruto da ingenuidade, cede lugar à esperança crítica que move os homens para
a transformação.
O trabalhador social que escolheu a mudança, não pode temer a liberdade, não
preceitua, não manipula e não foge do diálogo, pelo contrário, o procura e o vive em seu
dia a dia. Sua missão é humanitária. Trabalha com os homens, não contra e nem sobre
eles. Observa os homens com quem trabalha como pessoas e não como coisas, como
sujeitos e não objetos. Se na estrutura social em que se encontram, os homens sejam
vistos como coisas, sua escolha pela mudança o conduz para a busca da superação desta
estrutura. Superação que leva os homens do estado de coisas (objetos) para o de
sujeitos. O trabalhador social que escolhe a mudança deve estar convencido de que
declaração de que o homem é pessoa e, enquanto pessoa, é livre não faz sentido, caso
não exista um trabalho contínuo e apaixonado na transformação da estrutura social em
que estes homens se encontram coisificados.
O trabalhador social não pode aceitar, sem crítica, a alcunha de “o agente da
mudança”. Primeiro por que esta mudança não pode ser posta assim de forma abstrata,
mas trata-se de mudança da estrutura social. A estrutura social é, assim, o seu objetivo.
Porém, tal estrutura não subsiste sem os homens, o que significa que ela não muda sem
um esforço coletivo destes. Ou seja, o trabalhador social não pode ser nomeado como “o
agente da mudança”, mas sim, como um dos agentes da mudança.
Deste modo, trabalhador social deve lembrar aos homens que eles são sujeitos
do processo de transformação, tanto quanto ele. E se a estrutura social se interpõe no
caminho desse “verem-se como sujeitos”, o trabalhador social deve problematizar essa
estrutura, e não reforçar o estado de objeto em que os homens se encontram.
A estrutura social que deve ser mudada é uma totalidade. O objetivo da
mudança é a superação de uma totalidade por outra. Se a estrutura social é uma
totalidade ela é constituída por partes. Assim, se põe ao trabalhador social a questão de
saber se há ou não validez nas mudanças parciais, antes de uma mudança na totalidade.
Mudar as partes em direção a totalidade, ou mudar a totalidade e assim mudar suas
partes constituintes?
A estabilidade e mudança em uma estrutura não podem ser vistas de forma
meramente mecânica. Posto que os homens não são simples objetos da mudança ou da
estabilidade. Quem faz a estabilidade e a mudança de estruturas sociais – que são
construções histórico-culturais – são os homens. Estes se repartem entre os que desejam
a mudança e os que desejam a estabilidade. Assim, é certo que estes homens criam todo
tipo de grupo, organização, instituição com estratégias e táticas de ação tanto para
facilitar a mudança quanto para manter a estabilidade. Ou seja, o processo não é
meramente mecânico e simples, mas tem muitas nuances e desafios.
O problema que se põe àqueles que perfazem uma mudança gradual das partes
para mudar a totalidade é que, ao mudar uma dessas partes, a resposta estrutural e
ideológica não tarda a chegar. Por um lado, há as dimensões da realidade que, ao se
manterem como estão, tornam-se obstáculo para a mudança da dimensão em que se está
trabalhando. Por outro lado, surgem as forças contrárias a transformação que tendem a
ganhar força frente à ameaça concreta da transformação de uma das partes. Assim, seria
ingênuo pensar que forças contrárias a mudança não perceberiam que a mudança de
uma parte leva a mudança de outras. E que não haveria, desta feita, uma reação sempre
mais forte a esta transformação das partes.
Numa estrutura social que passa por um processo como esse, tende a haver um
aprofundamento do antagonismo entre os que querem a mudança e os que não a
desejam. Na medida em que o antagonismo cresce, aumentam os mitos que desejam a
preservação do status quo. Neste caso não cabe ao trabalhador social criar “contra-
mitos” que apoiariam a mudança, mas sim, problematizar essa mitificação aos homens.
Desmitificar a realidade com os homens.
Os mitos, na visão de Freire, são elementos básicos da manipulação. O
trabalhador social deve responder a eles, mas não com a manipulação da manipulação
que realizam os que se põem contra a mudança. Posto que esta manipulação é um
instrumento de desumanização, enquanto a mudança só se justifica enquanto tendo uma
finalidade humanista. Não se pode servir a finalidades humanistas se utilizando de
instrumentos de desumanização.
Desta forma, o trabalhador social que optou pela mudança não pode tornar seu
discurso em “ativismo”. Ele deve trabalhar junto aos homens em um esforço reflexivo
dialógico e crítico coletivo, e não apenas doutriná-los.
Da mesma forma que se faz ingênua uma visão focal da estrutura social, que
não seja capaz de atinar que as partes têm relações entre si e formam uma totalidade –
ou seja, não são partes separadas de forma absoluta. Também é ingênua a noção de que
uma estrutura social seja absoluta. “Uma estrutura social como um todo encontra-se em
relação com outras estruturas sociais”. Assim, podem se dar relações entre sociedades.
Que podem ser de dois tipos: sociedades-sujeitos com sociedades-sujeitos ou
sociedades-sujeitos com sociedades-objeto. O primeiro tipo é uma relação de sociedades
de “seres para si”. Já o segundo é uma relação de uma sociedade de “seres para si” com
uma sociedade de “seres para outro”. Um “ser para si” transforma-se em um “ser para
outro”, quando perde a sua autonomia. Perde a capacidade de decidir por si mesmo e a
entrega a outro. Quando em uma sociedade o âmago de suas decisões não se encontra
nela própria, mas em outra, tal sociedade se encontra em um estado de “ser para outro”
A verdadeira transformação de uma sociedade-objeto deve ser perpetrada por
seus homens, seus constituintes. Mas é certo, que em determinadas situações, o
condicionamento externo sobre ela é muito forte. De modo que, nem sempre se faz
viável o tipo de transformações que se deseja dentro de certo período histórico. Além do
desejo de transformar, há a dependência de uma viabilidade ou inviabilidade histórica.
Porém, qualquer que seja a viabilidade ou inviabilidade histórica do período que se
vive. O trabalhador social comprometido com a mudança deve atuar e refletir com os
homens a fim de conscientizar-se, junto com estes homens, das reais dificuldades da sua
sociedade. Desta feita, o trabalhador social deve estar ampliando constantemente seu
conhecimento, não só no sentido de métodos e técnicas, mas também dos limites
objetivos com os quais se depara.
Fala-se em mudança cultural, mas fica a pergunta para o trabalhador social que
realmente deseja perpetrá-la: o que é mudança cultural? Ou, num sentido mais essencial,
o que é cultural? Para Freire, nas constantes relações homem-realidade, homem-
estrutura, realidade-homem, estrutura-homem se dá a dimensão do cultural que é tudo
que é criado e recriado pelo homem. Tanto um instrumento de caça feito de lasca de
pedra, quanto uma obra de Van Gogh. Todos esses produtos da criação humana, sejam
espirituais ou materiais, acabam voltando-se contra ele. Impondo-lhe certas formas de
ser e de se comportar que são culturais.
Freire afirma que mesmo que haja a transformação da estrutura social, esta
nova estrutura ainda necessitará de uma mudança cultural. O que se havia cristalizado
na antiga estrutura continua na nova, ate é que esta, através da experiência histórica dos
homens, proporcione novas formas de ser que se liguem à nova e não a antiga estrutura.
Já no caso em que ainda não houve transformação estrutural, há, também, o trabalho de
se tentar mudar a perspectiva que se tem da realidade. Esta mudança não se pode dar
apenas do ponto de vista intelectualista, mas na ação e reflexão dentro de um momento
histórico.
Enquanto a realidade for vista como algo imutável e superior às forças de
mudança que desta perspectiva a encaram, a tendência dos que assim pensam será
adotar uma postura fatalista e desesperançada. E procurar fora da própria realidade uma
explicação para a sua inércia e incapacidade de se tornar em sujeito ativo. O homem,
assim condicionado, desenvolve uma percepção mágica da realidade, que provoca uma
reação também mágica diante dela. E com esta “mágica” o homem tenta defender-se do
incerto.
Pode se dizer que uma mudança de perspectiva só é possível com a mudança
da estrutura. Se tal afirmação for tomada acriticamente, pode levar a uma visão
mecanicista da relação percepção-mundo. Por outro lado, para evitar uma visão idealista
de suas afirmações, Freire tenta esclarecer o que entende por mudança de percepção.
Ele diz que só se pode entender o homem no mundo. A verdade não se
encontra apenas no “homem interior”, visto que este apenas existe na dicotomia com o
mundo em e com o qual se fala. Mas a mudança da percepção da realidade pode
acontecer “antes” da sua transformação. Se este “antes” for excluído de uma
significação estática do tempo, própria da consciência ingênua. O “antes” aqui não
significa um momento anterior, separado do próximo por uma demarcação rígida. O
“antes” aqui toma parte no processo, participa da estrutura envolvendo os homens como
um passado que foi presente, ou como um anterior-presente à estrutura e que
proporciona a possibilidade de mudança. Assim no hoje, pode se tornar perceptível o
antagonismo entre mudança e estabilidade. Quanto mais radical esse antagonismo, mais
se revela a estrutura que condiciona tal percepção. De modo que, isto já se faz suficiente
para que se verifique uma mudança de percepção. Nesse clima proporcionado pelo
anterior-presente o trabalhador social pode problematizar para o homem o que se mostra
oposto a isso no seu hoje-anterior-presente, tentando propiciar a mudança da percepção
da realidade. Assim, essa mudança de realidade não é outra coisa que a percepção
crítica desta realidade.
Esta mudança de percepção, desta forma, se dá na problematização da
realidade concreta e suas contradições internas, implicando um novo enfrentamento da
realidade por parte do homem. Desta feita, o homem ad-mira a totalidade, a vê de
“dentro” e do “interior” separa-a em suas partes e volta a ad-mirá-la. Alcançando uma
visão mais crítica e profunda de sua condição na realidade que não condiciona. O
homem se apropria do contexto; se insere nele; sem ficar “aderido” a ele. Não
permanece “sob” o tempo, mas no tempo. Reconhecendo-se homem. Homem atuante,
pensante, que pode crescer, transformar e não apenas acomodar-se fatalisticamente a
uma realidade desumanizante. E este reconhecimento implica no desejo de mudar para
ser mais.
“Tentar a conscientização dos indivíduos com quem se trabalha, enquanto com
eles também se conscientiza, este e não outro nos parece ser o papel do trabalhador
social que optou pela mudança”.