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A Tradição Esotérica

Ocidental
AMORC, FUDOSI, René Guénon, Ocultismo, Rosa-
Cruz, Teosofia, Golden Dawn, Contra-Iniciação,
OTO, Shambhala, Agharta
Sumário
PARTE I - Dossiê AMORC-FUDOSI................................................................................................ 11
Dossiê AMORC............................................................................................................................. 12
1 - Introdução .......................................................................................................................... 12
2 - Harvey Spencer Lewis - fundador da Rosacruz AMORC (1883 – 1939) ............................. 13
3 - O "Doutor" H. Spencer Lewis ............................................................................................. 17
4 - Cerimônia de Iniciação na França - A "Iniciação" Rosacruz do "Dr." Lewis e "alguns de
seus protagonistas" (1ª Parte) ................................................................................................ 23
5 - As Outras Versões da "Iniciação" - A "Iniciação" do "Dr." Lewis e "alguns de seus
protagonistas" (2- parte) ......................................................................................................... 34
6 - Trabalho, Preparação e Primeira Desilusão ....................................................................... 44
7 - A Delegada da Índia (Um Personagem Misterioso) ........................................................... 47
8 - O Primeiro Manifesto da AMORC - Fevereiro 1915 ........................................................... 61
9 - A Carta de Verdier - Uma Grande Falsificação Apresentada Por Lewis aos Membros da
Rosacruz AMORC ..................................................................................................................... 65
10 - Manifesto R.C.R.F. 987.432 - A Falsificação Desaparecida .............................................. 70
11 - A Prisão do “Dr. Lewis” - Dinheiro que Desaparece - Reconhecimento de uma Mentira 77
12 - O "Doutor” Lewis - "O Mestre Profundis, o Mais Perfeito” - Outra Falsificação - O
Pronunciamento R.F.R.C. 987.601 .......................................................................................... 83
13 - Outra Invenção do "Doutor" Lewis - A Loja Egípcia e suas grutas com oficinas sob o
mando de El Moria Rá de Memphis ........................................................................................ 88
14 - Uma Falsificação Fotográfica do "Doutor" Lewis - a Rua Rosacruz de Toulouse ............. 93
15 - Carta Constitutiva da Grande Loja Branca - (outro "achado" do "doutor" Lewis, fundador
da rosacruz AMORC) ............................................................................................................... 99
16. O "Bispo" Harvey Spencer Lewis e sua Igreja Prístina da Rosa Cruz ............................... 106
17. Entrevista do "Dr." Lewis, fundador da Rosacruz AMORC, com Mussolini, ditador fascista
da Itália, em Março de 1937 ................................................................................................. 113
18. A Falácia da “Teoria dos Ciclos” do “Dr.” H. Spencer Lewis ............................................ 119
ADENDO .................................................................................................................................... 123
A ligação entre a AMORC, a OTO e Crowley ............................................................................. 136
H. Spencer Lewis conhece Reuss........................................................................................... 136
Lewis busca contato com Reuss ............................................................................................ 136
Conexão entre H. S. Lewis, a OTO e o Rito de Memphis-Mizraim ........................................ 137
A criação da T.A.W.U.C.......................................................................................................... 141
Preocupação de Lewis com Crowley ..................................................................................... 141
A Utilização pela AMORC de ensinamentos de Aleister Crowley da OTO ................................ 145

2
A Origem Secreta da Tradição Ritualística da AMORC .............................................................. 150
Introduzindo o Ritual Egípcio de Memphis-Misraim............................................................. 150
A FUDOSI (1936 - 1951)............................................................................................................. 156
Os Anos Precedentes ............................................................................................................ 156
TAWUC-Reuss e Lewis ........................................................................................................... 159
AMORC - Os Anos de Reconhecimento - Traenker & Lewis - A Segunda Fama .................... 161
O Amanhecer de Um Novo Dia, FUDOSI, A Preparação - Emile Dantinne ............................ 166
A Primeira Convenção – Bruxelas (1934) .......................................................................... 171
Primeiro dia, 8 de agosto de 1934; os Rosacruzes. ........................................................... 172
A Ordem Hermética Tetramagista e Mística - 9 de Agosto............................................... 172
O Rito de Memphis-Mizraim - 08-14 agosto. .................................................................... 172
A Ordem Martinista e Synárquica - 9 a 16 de agosto. ...................................................... 176
Simbologia do Emblema da FUDOSI.................................................................................. 177
As Ordens Esotéricas e a Política .......................................................................................... 180
Posição da FUDOSI Sobre A Maçonaria................................................................................. 181
A Segunda Convenção: Setembro de 1936. .......................................................................... 182
A Terceira Convenção: Agosto de 1937. ............................................................................... 183
A Quarta Convenção: Setembro de 1939.............................................................................. 183
1940 a 1945 - Os Anos da Ocupação ..................................................................................... 186
A Quinta Convenção: Julho de 1946. .................................................................................... 187
A 6ª e 7ª Convenção - Paris, setembro de 1947 e Bruxelas, janeiro de 1949....................... 189
A Sucessão Questionável de Augustin Chaboseau................................................................ 189
A 8ª Convenção – Agosto de 1951 ........................................................................................ 192
A FUDOFSI (1939) ..................................................................................................................... 195
Constant Chevillon Contra a FUDOSI .................................................................................... 197
FUDOFSI - Biografias.............................................................................................................. 202
Constant Chevillon (1880- 1944) ........................................................................................... 203
Reuben Swinburne Clymer (1878 - 1966) ............................................................................. 204
Arnold Krumm-Heller (1879-1949) ...................................................................................... 210
Hans-Rudolf Hilfiker-Dunn (1882-1955)................................................................................ 211
August Reichel ....................................................................................................................... 212
Jan Korwin Czarnomski / Conde Jean de Czarnomsky .......................................................... 212
Camille Savoir ........................................................................................................................ 212
O Assassinato de Constant Chevillon .................................................................................... 214

3
A Validade da TOM como único organismo Martinista ............................................................ 217
Raymond Bernard (1923-2006) ................................................................................................. 223
Ordem Rosacruz, AMORC ..................................................................................................... 224
Ordem Martinista Tradicional, OMT ..................................................................................... 226
Ordem Renovada do Templo, ORT........................................................................................ 227
Círculo Internacional de Pesquisas Culturais e Espirituais - CIRCES...................................... 228
Ordem Soberana do Templo Iniciático - OSTI ....................................................................... 229
O CIRCES e a OSTI ...................................................................................................................... 231
Cronologia de Raymond Bernard .............................................................................................. 234
O CIRCES .................................................................................................................................... 236
O Que é o CIRCES? Apresentação: Raymond Bernard ......................................................... 236
Raymond Bernard: A Propósito do C I R C E S ....................................................................... 240
Organização e Objetivos........................................................................................................ 245
Progressão Dentro do Círculo Interior .................................................................................. 246
OSTI - Ordem Soberana do Templo Iniciático - 1º Ciclo ........................................................ 247
OPI - Ordem Pitagórica Internacional – 2º Ciclo ................................................................... 248
OUM - Ordem Universal de Melquisedeque – 3º Ciclo......................................................... 251
Gary L. Stewart (1953)............................................................................................................... 254
Questões Legais..................................................................................................................... 254
Ordem Rosacruz, AMORC versus Gary L. Stewart..................................................................... 258
A Confraternidade da Rosa+Cruz (CR+C) .................................................................................. 266
Uma entrevista com Gary L. Stewart .................................................................................... 266
A crise dos Rosacruzes - O Cisma do S.E.T.I. ............................................................................. 278
Princípios gerais: ................................................................................................................... 279
Histórico ................................................................................................................................ 279
Um contexto conturbado ...................................................................................................... 280
O mal-estar na França ........................................................................................................... 280
Auditoria fiscal e reestruturação da AMORC. ....................................................................... 282
Destinação Amar... ou a história de uma Convenção! .......................................................... 283
Uma Peça Teatral no Escritório Supremo da AMORC ........................................................... 283
Uma luta pelo poder ............................................................................................................. 284
O desenvolvimento do mercantilismo .................................................................................. 286
As diretrizes de negócios da Convenção de 1989 ................................................................. 287
Uma questão de confiança.................................................................................................... 288

4
Datas Significativas da Reorganização Rosacruz de 1990 (AMORC, SETI, CIRCES, CRC) ........... 290
O Caso da Loja Rosacruz AMORC Brasília.................................................................................. 292
Histórico ................................................................................................................................ 293
A Problemática da Filiação Autêntica na Esteira dos Movimentos Rosacrucianos dos Séculos
XVII e XVIII - O Caso AMORC ..................................................................................................... 303
Acréscimos e Supressões .......................................................................................................... 310
1 - Livros Suprimidos ............................................................................................................. 310
2 - Os Livros “Esquecidos” de Raymond Bernard .................................................................. 312
3 - A Profecia Simbólica da Grande Pirâmide........................................................................ 313
5 - Documentos Rosacruzes e Martinistas ............................................................................ 324
A Tradição Rosacruciana e Suas Ordens: Um Levantamento Histórico .................................... 327
A Progressiva Publicação dos Ensinamentos e Rituais .............................................................. 338
PARTE II - A TRADIÇÃO (A SABEDORIA PERENE) E OS PERENIALISTAS...................................... 348
René Guénon (1886-1951) ........................................................................................................ 350
Cronologia de suas Obras...................................................................................................... 355
Estudos Tradicionais - A Sabedoria Perene ............................................................................... 357
Frithjof Schuon (1907—1998) ............................................................................................... 358
Titus Burckhardt (1908—1984) ............................................................................................. 359
Martin Lings (1909—2005).................................................................................................... 359
William Stoddart (1925-2015) ............................................................................................... 360
Tage Lindbom (1909—2001) ................................................................................................. 361
Seyyed Hossein Nasr (1933) .................................................................................................. 361
Ananda Coomaraswamy (1877-1947)................................................................................... 361
Rama Coomaraswamy (1926—2006).................................................................................... 362
Marco Pallis (1895-1989) ...................................................................................................... 363
Mateus Soares de Azevedo (1959)........................................................................................ 364
Joseph Epes Brown (1920-2000) ........................................................................................... 365
Aldous Huxley (1894—1963)................................................................................................. 365
Óscar Freire ........................................................................................................................... 365
Julius Evola (1898—1974) ..................................................................................................... 366
Luiz Pontual ........................................................................................................................... 367
A Revista Sabedoria Perene ...................................................................................................... 368
A Metafísica Oriental................................................................................................................. 373
Para Ler René Guénon - O Mestre da Tradição......................................................................... 387

5
Toques para uma leitura de Guénon .................................................................................... 393
1) Pedra de Fundação ou Orientação Geral - "Introdução Geral ao Estudo das Doutrinas
Hindus" .................................................................................................................................. 395
2) Limpeza de Terreno ou Profilaxia Necessária ................................................................... 395
3) O Mundo Moderno .......................................................................................................... 396
4) Leituras Conexas e Complementares ................................................................................ 397
5) "O Rei do Mundo" & "Considerações Sobre a Iniciação".................................................. 397
6) "A Metafísica Oriental", umbral da Doutrina.................................................................... 398
7) Pedra de Abóboda............................................................................................................. 399
8) Livros conexos e compilações ........................................................................................... 399
Citações Escolhidas de René Guénon ....................................................................................... 403
Via Iniciática e Via Mística ..................................................................................................... 403
Magia e Misticismo ............................................................................................................... 404
Enganos Diversos Concernentes à Iniciação ......................................................................... 405
Da Transmissão Iniciática ...................................................................................................... 405
Dos Centros Iniciáticos .......................................................................................................... 406
Do Segredo Iniciático............................................................................................................. 406
Dos Ritos Iniciáticos............................................................................................................... 407
O Rito e o Símbolo ................................................................................................................. 407
Mitos, Mistérios e Símbolos .................................................................................................. 408
Ritos e Cerimônias................................................................................................................. 409
A Propósito da Magia Cerimonial.......................................................................................... 409
Dos Pretensos Poderes Psíquicos .......................................................................................... 411
A Repulsa aos “Poderes” ....................................................................................................... 412
Sacramentos e Ritos Iniciáticos ............................................................................................. 414
A Prece e o Encantamento .................................................................................................... 414
Das Provas Iniciáticas ............................................................................................................ 415
Da Morte Iniciática ................................................................................................................ 416
Nomes Profanos e Nomes Iniciáticos .................................................................................... 418
O Simbolismo do Teatro ........................................................................................................ 419
Dante Alighieri (Florença, 1265 — Ravena, 1321) ................................................................ 420
Esoterismo Católico............................................................................................................... 423
O Companheirismo e a Maçonaria........................................................................................ 424
Maçonaria Mista - Iniciação Feminina .................................................................................. 426

6
Palavra Perdida e Palavras Substitutas ................................................................................. 426
A Civilização Egípcia .............................................................................................................. 427
A Crise do Mundo Moderno .................................................................................................. 428
A Oposição entre Oriente e Ocidente ................................................................................... 431
Conhecimento e Ação ........................................................................................................... 432
Ciência Sagrada e Ciência Profana ........................................................................................ 433
Astrologia e a Alquimia ......................................................................................................... 434
Matemática Pitagórica .......................................................................................................... 435
A Doutrina dos Ciclos Cósmicos ............................................................................................ 435
Atlântida e Hiperbórea .......................................................................................................... 436
O Lugar da Tradição Atlante no Manvantara ........................................................................ 437
Relações entre a Kabbala e o Pitagorismo ............................................................................ 438
Kabbala e Hermetismo .......................................................................................................... 439
O Símbolo da Serpente.......................................................................................................... 439
O Set Egípcio.......................................................................................................................... 440
Suástica ................................................................................................................................. 441
PARTE III - APORTES TEÓRICOS: A PSEUDO-TRADIÇÃO E A CONTRA-TRADIÇÃO...................... 443
A Contra-Iniciação ................................................................................................................. 444
As Etapas da Ação Anti-Tradicional ....................................................................................... 444
Desvio e Subversão ........................................................................................................... 447
A Inversão dos Símbolos ................................................................................................... 450
A Pseudo-Iniciação ................................................................................................................ 454
Da Anti-Tradição à Contra-Tradição ...................................................................................... 460
A Grande Paródia ou a Espiritualidade Invertida .............................................................. 464
PARTE IV - A PSEUDO-TRADIÇÃO E A PSEUDO-INICIAÇÃO ....................................................... 469
O Espiritismo e sua Influência no Ocultismo e Teosofismo .................................................. 470
Reencarnação .................................................................................................................... 473
O Ocultismo ........................................................................................................................... 475
O Papel de Éliphas Lévi...................................................................................................... 475
Pretensa “Tradição Oriental” e Pretensa “Tradição Ocidental” - Teosofia Vs. Ocultismo 476
As Fontes do Ocultismo Papusiano ................................................................................... 476
O Enigma Martines de Pasqually ....................................................................................... 476
A Ordem dos Élus Coens ................................................................................................... 478
O Martinismo .................................................................................................................... 480

7
Organizações Rosa-Cruzes Pseudo-Iniciáticas....................................................................... 481
A A.M.O.R.C. ...................................................................................................................... 482
Acerca dos “Rosa-Cruzes Lyoneses”.................................................................................. 482
A Rosa-Cruz Cabalística e Descartes.................................................................................. 483
Teosofia e Teosofismo........................................................................................................... 483
Helena Petrovna Blavatsky (1831-1891). .......................................................................... 483
A Chegada do Mestre Morya ............................................................................................ 487
A Origem Acidental da Designação “Sociedade Teosófica” .............................................. 488
A Sociedade Teosófica e o Rosacrucianismo..................................................................... 489
A questão dos «Mahâtmâs».............................................................................................. 490
As Fontes das Obras de Mme Blavatsky............................................................................ 494
As Estâncias de Dzyan ....................................................................................................... 496
Principais Pontos do Ensinamento Teosofista .................................................................. 497
Rudolf Steiner, a Antroposofia e Max Heindel .................................................................. 500
Os Escândalos Sexuais de Leadbeater ............................................................................... 500
Teosofismo e Maçonaria ................................................................................................... 501
O Papel Político da Sociedade Teosófica........................................................................... 502
Jiddu Krisnamurti (1895-1986). ......................................................................................... 503
A Ordem Hermética da Aurora Dourada - Hermetic Order of The Golden Dawn (1887) ..... 506
A Hierarquia na Golden Dawn ........................................................................................... 507
Os Cismas. ......................................................................................................................... 510
A Stella Matutina. .............................................................................................................. 511
A Astrum Argentinum (Estrela de Prata)........................................................................... 511
Dion Fortune. .................................................................................................................... 511
A Ordem de São Rafael...................................................................................................... 512
O livro “Revelações da Aurora Dourada – O Esplendor de uma Ordem Mágica”............. 512
A Ordem Rosa-cruz interna: o Rosae Rubeae at Aureae Crucis ........................................ 517
Moina/Mina Mathers (1865-1928) e os Rituais de Ísis ..................................................... 521
Annie Horniman (1860-1937) e Florence Farr (1860-1917).............................................. 522
William A. Ayton 1816-1908 ............................................................................................. 523
Arthur Machen (1863-1947) ............................................................................................. 523
Arthur Edward Waite (1857 - 1942) .................................................................................. 523
William Butler Yeats (1865 — 1939) ................................................................................. 524
A Srt. Christina Mary Stoddart - A Sóror Paranóica .......................................................... 526

8
Umberto Eco ......................................................................................................................... 530
Estudo Comparativo dos Graus ................................................................................................. 532
PARTE V - A ANTI-TRADIÇÃO E A CONTRA-INICIAÇÃO .............................................................. 533
A Ordem do Templo Solar e os Suicídios Coletivos ................................................................... 535
A Ordo Templi Orientes (OTO - 1895 ou 1902) ......................................................................... 540
Aleister Crowley, o Mago Negro (1875-1947)....................................................................... 541
Thelema: Uma Religião da Nova Era ......................................................................................... 546
Alguns Pontos da “Doutrina” Thelemica ................................................................................... 554
Qliphoth - O Lado Obscuro da Cabala ................................................................................... 554
Choronzon, o Habitante do Abismo ...................................................................................... 557
Astrum Argentum A.·.A.·. (Estrela de Prata) ............................................................................. 558
Marcelo Ramos Motta .............................................................................................................. 564
Descendentes da Golden Dawn ................................................................................................ 566
Fraternitas Saturni................................................................................................................. 566
Zos-Kia-Cultus de Austin Osman Spare ................................................................................. 566
Ordem de Phosphorus .......................................................................................................... 567
Dragon Rouge ou Ordo Draconis et Atri Adamantis ............................................................. 567
Satanismo LaVey ................................................................................................................... 568
Iluminados de Thanateros (IOT) ........................................................................................... 568
Magia do Caos ................................................................................................................... 568
A Fundação do Pacto ......................................................................................................... 569
PARTE VI - MITOS ERRÔNEOS SOBRE SHAMBHALA E AGHARTA .............................................. 572
Mitos Errôneos sobre Shambhala ............................................................................................. 576
Introdução ............................................................................................................................. 576
Teosofia ................................................................................................................................. 577
Asserção de Dorjiev da Rússia como Shambhala .................................................................. 579
Mongólia, Japão e Shambhala .............................................................................................. 580
Ossendowski e Agharti .......................................................................................................... 580
Roerich, Shambhala e Agni Yoga ........................................................................................... 582
Steiner, Antroposofia e Shambhala ...................................................................................... 585
Alice Bailey e a “Força de Shambhala”.................................................................................. 587
Doreal e a Irmandade do Templo Branco ............................................................................. 588
Haushofer, a Sociedade de Thule e a Alemanha Nazista ...................................................... 589
A Busca Nazista de Shambhala e Agharti de Acordo com Pauwels, Bergier e Frére ............ 591

9
A Busca Nazista de Shambhala e Agharti de Acordo com Ravenscroft ................................ 592
Uma Teoria para Explicar o Sentimento Anti-Shambhala e a Inclinação Pró-Agharti dos
Movimentos Ocultistas Alemães........................................................................................... 594
Evidência Que Suporta a Teoria ............................................................................................ 595
Evidência contra a Asserção do Apoio Nazista Oficial dos Credos Ocultistas Alemães acerca
de Shambhala ........................................................................................................................ 597
A Conexão Calmuque ............................................................................................................ 598
Asserções Pós-guerra sobre Shambhala e Discos Voadores ................................................. 601
Conclusão .............................................................................................................................. 602
A Conexão Nazista com Shambhala e o Tibete ......................................................................... 602
Introdução ............................................................................................................................. 602
Os Mitos de Thule e Vril ........................................................................................................ 603
A Sociedade de Thule e a Fundação do Partido Nazi ............................................................ 604
Haushofer, a Sociedade Vril e a Geopolítica ......................................................................... 605
A Suástica .............................................................................................................................. 606
Supressão dos Grupos Ocultistas Rivais pelos Nazis ............................................................. 607
O Budismo na Alemanha Nazi ............................................................................................... 607
O Ahnenerbe ......................................................................................................................... 608
A Expedição Nazi ao Tibete ................................................................................................... 609
Supostas Expedições Ocultistas ao Tibete ............................................................................ 610
PARTE VII – A TRADIÇÃO OCIDENTAL........................................................................................ 612
Orientalismo, o Oriente como Invenção do Ocidente .......................................................... 613
A Rota da Seda: caminhos de mercadores e peregrinos....................................................... 615
CONCLUSÃO .............................................................................................................................. 618
LINKS.......................................................................................................................................... 619

10
PARTE I - Dossiê AMORC-FUDOSI

11
Dossiê AMORC1

1 - Introdução

De todas as ordens rosacruzes, sem dúvida alguma e devido às extensas


campanhas de publicidade que realizam, a mais conhecida é a Rosacruz AMORC, a tal
ponto que quando muitas pessoas ouvem sobre as suas origens e seus ensinamentos,
imagina-se algo antigo e que se perde na noite dos tempos; sem dúvida, não há mais
nada tão irreal, pois tanto a fantástica história quanto os seus ensinamentos, estão
baseadas em fábulas e falsificações perpetradas por Harvey Spencer Lewis, que se
outorgava a si mesmo o título de doutor em filosofia, sem que nenhuma escola ou
universidade lhe tivesse o concedido.

Em respeito à verdade, devemos reconhecer que a AMORC efetuou um amplo


trabalho de divulgação de temas relacionados à autoajuda, constituindo-se na
predecessora dos atuais movimentos da Nova Era, além de fazer com que muitas
pessoas manifestassem interesse em assuntos relacionados ao esoterismo e às
ciências ocultas, porém, isso não exime essa organização, nem os seus dirigentes, da
responsabilidade pelas falsificações históricas e temáticas que foram difundidas
objetivando o aumento do número de membros, causando com isso um dano
importante à Rosacruz, assim como às instituições autênticas e tradicionais, devido à
invenção da FUDOSI (Federação Universal de Ordens e Sociedades Iniciáticas) - através
da qual cometeram inúmeros abusos, deixando de lado grande número de Ordens
Esotéricas e Iniciáticas de prestígio e que não participaram da farsa da autointitulada
"federação", nem se prestaram às suas maquinações.

Entretanto, aos que buscam contato com organizações tradicionais sérias,


verdadeiras transmissoras da luz e não supermercados do esoterismo, como é o caso
do invento dos Lewis, encontrarão nestas páginas motivos para reflexão, bem como,
uma grande quantidade de material documental e gráfico devidamente evidenciado e
autêntico e que servirá para denunciar tanta mentira. Pax, Pax, et Lux semper!

1
A primeira parte deste “Dossiê AMORC” surgiu anonimamente na internet por volta do ano 2000. Na
realidade ele não passa de alguns excertos do livro em francês de Robert Vanloo intitulado “Os
Rosacruzes do Novo Mundo” (Les Rose-Croix Du Nouveau Monde, 1996), que encontra-se atualmente
esgotado.

12
2 - Harvey Spencer Lewis - fundador da Rosacruz AMORC (1883 – 1939)

Para se ter uma ideia precisa, tanto do personagem que fundou a Rosacruz
AMORC, como de suas atividades e relatos, é necessário que se conheçam os
antecedentes do mesmo; também ajudará bastante levar em consideração um
cronograma, que nos facilitará a visão, passo a passo, de muitas das suas
"apropriações".

Utilizaremos várias fontes, devidamente testadas, das quais daremos referências


ao pé da página, uma vez que o presente documento não é um libelo difamatório, mas
sim, um estudo correto e sério, que pode ser comprovado simplesmente consultando-
se as fontes citadas.

O PERSONAGEM

Harvey Spencer Lewis nasceu em Frenchtown,


estado de New Jersey, nos Estados Unidos, filho de
Aaron Lewis, descendente de gauleses e Catherine
Hoffmann, nascida na Alemanha. O pai de Spencer
Lewis era granjeiro e parte de sua infância decorreu na
granja de propriedade de sua família, até que o seu pai,
Aaron, decidiu emigrar para a cidade grande em busca
de melhores perspectivas para a sua vida e a da sua
família. Aaron Lewis interessou-se muito por caligrafia,
chegando a desenvolver uma bela letra, graças,
sobretudo, ao método de escritura Spencer, em cuja
honra deu o segundo nome ao seu filho Harvey.

Aaron Lewis mudou-se para a cidade de New York em busca de melhores


horizontes, quando seu filho Harvey ainda era um menino, tornando-se sócio de
escritório de peritos em caligrafia, onde chegou a desenvolver trabalhos muito
interessantes relacionados a identificação de escrituras falsificadas, etc., chegando a
atuar perante os tribunais em vários casos importantes2.

É importante levar-se em conta os dados mencionados, já que a "manipulação de


documentos", como se verá adiante, será mais que evidente, pois Lewis teve um
intenso relacionamento com o seu pai, o qual, inclusive, o levou em uma viagem

2
Estes dados podem ser encontrados no livro "Missão Cósmica Cumprida", escrito por Ralph M. Lewis,
filho de Harvey Spencer Lewis, em testemunho pela obra do seu pai.

13
profissional à França. Lewis era bom conhecedor das técnicas de "elaboração" de
diplomas, escrituras, etc.

Harvey estudou na Escola Pública de New York n° 16 até 1899, deixando os


estudos aos quinze anos de idade e começando a trabalhar, desde muito jovem, em
ofícios diferentes, dentre eles o de ajudante de um escritório de editores, fotógrafo
profissional (este dado é de suma importância, levando-se em conta as informações
que irão se suceder), também trabalhou como jornalista no Evenig Herald e no Eagle,
para posteriormente e após perder seu emprego, dedicar-se à publicidade.

Lewis pertencia a uma família muito religiosa e quando veio a New York com
seus pais, tornou-se membro da Igreja Metodista, frequentando o Templo
Metropolitano da Sétima Avenida. Lewis diz que desde jovem interessou-se pelos
"fenômenos psíquicos" e que tinha "dons proféticos", unindo-se a uma associação
denominada "Liga de investigações psíquicas de New York" (associação esta que não
tem sua existência comprovada) e que foi eleito Presidente da mesma com a "idade
de 20 anos" (como se pode ver, um presidente muito precoce).

“Durante anos fui presidente desta associação e no


ano seguinte vários cientistas e leigos eminentes
organizaram o Instituto Nova-Iorquino de Pesquisas
Psíquicas (tampouco existem evidências históricas e
documentais desta associação). Fui eleito presidente
deste (Instituto) e seu trabalho se desenvolveu da
mesma forma com que atuava a Liga, só que era um
trabalho mais profundo, envolvendo maior análise e
investigação, pois teve muito a ver com o
desmascaramento e neutralização do trabalho de
médiuns fraudulentos e criminosos, trabalho este que se
efetuou com a colaboração do Departamento de Polícia
de Nova York e com o New York World (Jornal)”. (Não existem provas documentais de
tais trabalhos de colaboração com o World referentes a atos de desmascarar
médiuns e falsários)3.

Foi nesta época que, segundo declarações de Lewis, ele se interessou pelos
Rosacruzes, entrando em contato com pessoas que tinham ouvido falar deles e
inclusive, diziam ter se relacionado com eles, o que não era incomum em um país
como os Estados Unidos, onde a maçonaria e muitas outras associações fraternais,
incluindo-se diversas de natureza rosacruz, sempre tiveram acolhida.

3
Faz-se referência a esta experiência em "Missão Cósmica Cumprida" de RML e em "Confessio R. C.
Fraternitatis" de H.S.L. - parte 2, pg. 12.

14
Também conforme declarações de Lewis, além de ter colocado em prática seus
"dotes psíquicos e proféticos" em suas "associações", continuou frequentando a Igreja
Metodista onde, segundo seu próprio relato, em 1908, teve uma "revelação".

Foi na primavera de 1908, numa quinta-feira, depois do "Serviço de


Ressurreição" que, estando a orar na igreja e olhando para a cruz que havia atrás do
altar, apareceu-lhe um ser divino, meio transparente e luminoso, que lhe revelou sua
missão de restaurar na América a Ordem dos Rosacruzes, aqueles que ele estava
procurando.

"Toda a imagem era como se fosse de neblina e clara como um vapor branco e
espesso. Dos lábios deste vulto brotaram palavras e vi o movimento dos lábios e o
piscar dos olhos. Não irei relatar o que disse, por não recordar exatamente as palavras.
Gostaria de fazê-lo, porque foram pronunciadas de forma amável e numa linguagem
tão divina e bela como as frases mais maravilhosas da Bíblia Sagrada. Tive a impressão
que vinham até minha pessoa procedentes de uma Mente Infinita, Santa e escutei com
sentimento de respeito e agradecimento, porém, não me encontrava perplexo ou
atemorizado.”

“Em resumo, o que me disse foi o


seguinte: se eu quisesse saber mais sobre os
Rosacruzes e seus ensinamentos, teria que me
preparar para uma iniciação na fraternidade,
que possuía um corpo exotérico imortal; que
por vários anos eu tinha sido um habitante do
umbral e de seu templo imaterial, mas que não
havia sido suficientemente resoluto para
cruzar o umbral e que, portanto, não havia
avançado para além do que a minha própria
vontade tinha determinado; que não falaria
nada sobre a fraternidade, em nenhum livro ou
documento, porque seus segredos nunca
tinham sido publicados, nem nunca iriam sê-lo;
que eu iria achar minha iluminação em meu eu interior e não fora; que quem me falava
era um AMORCUS (Curioso o nome da aparição, coincidente com as iniciais da
AMORC; realmente curioso, uma vez que as iniciais da Antiga e Mística Ordem Rosae
Crucis começaram a ser utilizadas em 1915) da antiga fraternidade e que tinha sido
eleito para ser o meu guia, até que eu estivesse preparado para cruzar o umbral e
continuar sozinho; que o corpo exotérico da fraternidade já não existia e que não havia
existido durante os últimos 101 anos; que cada corpo exotérico existia somente
durante 108 anos (já voltaremos sobre este assunto dos anos) e que somente em
1915 este corpo exotérico teria existência novamente e que seria, então, o único corpo

15
exotérico sobre a face ocidental da terra; e que enquanto eu estivesse me preparando
para a minha iniciação ali, o corpo exotérico seria concebido e amadurecido para o seu
advento no mundo material; que eu deveria dedicar todas as noites de quinta–feira
para encontrar orientação; que o próximo corpo exotérico estaria na França, ou
qualquer coisa do gênero”4.

O jovem Lewis, baseado em sua “preparação cultural”, suas “afiliações em


grupos de investigações psíquicas” e as “experiências espirituais havidas”, senti-se com
forças para começar sua tarefa de restauração da Rosa Cruz. Para que possamos
vislumbrar quais os seus méritos e preparo é bom que o conheçamos melhor, na parte
a seguir, com o seu currículo acadêmico e os títulos adquiridos.

4
"Confessio R. C. Fraternitatis" de H.S.L. - parte 2 - pag. 16.

16
3 - O "Doutor" H. Spencer Lewis

O "Doutor" Harvey Spencer Lewis


- fotografia tomada em 1937, aos 54
anos de idade.

Quando se consulta a biografia de


Lewis tal como é apresentada
oficialmente pela AMORC, aparece uma
lista tão grande de títulos que deixa
perplexas as pessoas que os leem, pois
quem possuísse tais títulos seria um dos
maiores iluminados que porventura
tenham existido neste nosso planeta e
merecedor, sem dúvida alguma, dos
mais altos reconhecimentos
acadêmicos mundiais.

Desta forma, podemos ler no "Manual Rosacruz", edição de 1970, do


departamento de publicações da AMORC, em São José da Califórnia e impresso pela
Tosho Printing Co. Ltd. - Tóquio - Japão, na página 16, sobre os seguintes títulos de
Harvey Spencer Lewis:

Primeiro Imperator da AMORC para América do Norte e do Sul


Fundador do presente ciclo de Atividades do Hemisfério Ocidental
Membro do Conselho Supremo R.C. do mundo
Legado da Ordem na França
Ministro de Delegação Estrangeira (Qual?)
Sacerdote Ordenado do Ashrama da Índia
Conselheiro Honorário do "Corda Fratres" da Itália
Sri Sobhita, Grande Loja Branca do Tibete
Membro da Universidade de Andhra, da Índia
Reitor da Universidade Rose Croix5.

5
Manual Rosacruz – 18ª edição em língua inglesa – AMORC.

17
18
São tão impressionantes todos estes títulos que podem fascinar aqueles que se
espantarem com a sua pomposidade e não com o seu conteúdo; trata-se, agora, de
uma questão de analisá-los de forma sucinta e voltaremos aos mesmos em outras
partes destas páginas web.

Primeiro Imperator da AMORC para a América do Norte e do Sul.

- É incontestável que HSL foi o primeiro Imperator da AMORC e temos que


reconhecer aquilo que é certo, pois estas páginas estão dedicadas a verdade.

Fundador do segundo ciclo de atividades no Hemisfério Ocidental.

- Não há nenhuma comprovação histórica de nenhum suposto "Primeiro Ciclo de


Atividades Rosacruzes na América", com suas lojas, templos, sistemas de graus,
dirigentes e mestres, etc. Foi senão após alguns anos depois do início das atividades da
AMORC que se começou a falar de um "suposto" primeiro ciclo de atividades
correspondente ao grupo de "Pietistas", uma pequena seita protestante de origem
alemã, que se estabeleceu nas proximidades de Philadelphia, sob a orientação de
Johan Kelpius, assunto sobre o qual tornaremos a falar.

Membro do Supremo Conselho R.C. do mundo.

- No decorrer da sua vida, HSL somente se intitulou Imperator da América do


Norte e do Sul, portanto, cabe perguntar sobre esse suposto "Conselho Supremo R.C.
do Mundo", se corresponde aquele que lhe outorgou os "supostos documentos" de
autoridade, inexistentes, como provaremos nas próximas páginas; não há evidências
de sua existência e se refere-se a algum "suposto" Conselho em referência à federação
conhecida como FUDOSI, que esteve ativa entre 1934 e 1951, e de cujas manipulações
iremos nos ocupar posteriormente, veremos que o tal "Conselho Supremo R.C.
Mundial" nunca existiu.

Legado da Ordem na França.

- De qual Ordem? Se refere-se à Rosa Cruz, no princípio do século XX, na França


somente estavam ativas a "Ordre Kabalistique de la Rose Croix", fundada por Stanislas
de Guaita," à qual pertenceram os mais ilustres esoteristas franceses da época, tais
como Gerard Encausse (Papus), Teder, Peladan, Barlet, Bricaud, etc., etc. e a "Ordre
Catholique Rosecroix du Temple et du Graal", fundada por Joseph Peladan, o qual,
apesar de ter falecido em 1918, quando a AMORC já contava com três anos de sua
fundação, nunca teve contato com Lewis, nem este pertenceu à sua Ordem na França,
exatamente como provaremos, pelos mesmos escritos de Lewis, ainda que alguns
dirigentes atuais da AMORC queiram vincular, ou sugerem, algum tipo de relação com
a Ordem Rosacruz de Sâr Peladan.

19
Ministro de Delegação Estrangeira.

- Ministro de que? De qual delegação estrangeira? A que país e a que delegação


estrangeira se refere?

Sacerdote Ordenado do Ashrama da Índia

- Lewis nunca esteve na Índia, nem em nenhum Ashram, nem nunca foi
ordenado como sacerdote hindu.

Conselheiro Honorário da "Corda Fratres" da Itália

- Não temos conhecimento de nenhuma "Corda Fratres" na Itália, da qual Lewis


pudesse ter sido conselheiro.

Sri Sobhita, Grande Loja Branca do Tibete

- Em 1920, em São Francisco - Califórnia - Lewis foi ordenado "sacerdote",


supostamente budista, por um tal E.L.A.M.M. Massananda Khan, "Bispo da Igreja do
Dharma" , dando-lhe o nome de "Sri Sobhita Bhikku", através de um diploma, ou carta
constituinte da "Grande Loja Branca do Tibete". Sobre este assunto engraçado
voltaremos mais adiante. Cabe
perguntar-se quando os budistas
tiveram "Igrejas" e quando os
budistas tiveram "Bispos"; se alguém
puder responder a tais questões,
então saberemos "onde" Lewis foi
ordenado como "sacerdote" da
"Igreja do Dharma" pelo "Bispo" Sri
E. L. A. M. M. Massananda Khan.
Também veremos quando a "Grande
Loja Branca do Tibete" concedeu
diplomas ou cartas de autoridade.

Membro da Universidade de
Andhra, da Índia

- Não existem evidências


consistentes de que Lewis tivesse
sido matriculado, ou tivesse cursado
alguma faculdade, ou tivesse
recebido algum diploma legal, em
alguma "Universidade de Andhra" da
Índia.

20
Reitor da Universidade Rose Croix

- Em 1934, Lewis inaugura um edifício nos terrenos da AMORC, em San José da


Califórnia, ao qual dá o título de "Universidade" Rosacruz. Esta "universidade" não
disponibilizava cursos regulares de disciplinas acadêmicas e sim, tão somente, para
membros da AMORC, cursos de "uma semana" no máximo, sobre temas "esotéricos"
(como nos dias de hoje). Os alunos de "uma semana" não precisavam ter nenhum
preparo, titulação ou formação escolar prévia, exceto a condição de "membros da
AMORC, com as suas mensalidades em dia".

O certo é que Harvey Spencer Lewis nunca recebeu outra formação acadêmica
que a de seus anos de estudo, terminados em 1899, na Escola Pública n° 16 de New
York. Entretanto, empenhou-se em se auto-intitular "doutor" em Psicologia e Filosofia,
publicando na revista "The American Rosae Crucis", em fevereiro de 1916, página 17,
as seguintes e surpreendentes declarações:

“Fui eleito por unanimidade Membro Honorário da Sociedade Filomática de


Verdún, na França”. Não existem evidências documentais de que Lewis tenha sido
membro desta sociedade6.

“Da mesma forma à "International Ciencala Societo de Espana”???? Essa


sociedade nunca foi conhecida na Espanha e muito menos com um nome tão pouco
espanhol como "International Ciencala Societo"7.

“E assim também da "Societo di Arti e Cienci de Francia”???? sociedade


completamente desconhecida. Seu nome é muito pouco francês, porém, levando-se
em conta que Lewis não conhecia a língua francesa, como o provam documentos
"exóticos" elaborados por ele e que a seguir mostraremos nestas páginas, é
compreensível que não tenha dado um nome mais estranho ainda à esta sociedade8.

“Em 1904 foi eleito membro da Franco Ecol. R.C. e recebeu o título de Doutor
em Psicologia”. ???? Esta sociedade é completamente desconhecida, uma escola
francesa R.C. - "Rosa Cruz" - em 1904? E com um nome tão pouco francês? Além disso,
recebeu o "Doutorado em Psicologia", com a idade precoce de 20 anos (nasceu em
1883) depois de ter seguido quais cursos?9

6
"The American Rosae Crucis, fevereiro de 1.916 - página 17" (agradecemos a colaboração do Sr. Noel
Witz, que nos forneceu a prova da existência da Sociedade Filomática de Verdún, mediante uma cópia
da capa de um dos seus boletins. O Sr. Witz nos prometeu que se aparecer prova da associação
honorífica de Lewis à citada sociedade, nos fará tomar conhecimento. Por enquanto, sem provas
documentais, não posso dar por válida essa informação, ainda mais conhecendo os antecedentes de
Lewis).
7
idem.
8
idem.
9
idem.

21
“No ano seguinte, a mesma instituição lhe conferiu o título de "Doutor em
Filosofia" e o indicou para ser dignitário Supremo da Ordem Rosacruz”. - O segundo
título de doutor, desta feita em Filosofia, um ano depois, aos 21 anos de idade e, além
disso, dignitário Supremo da Ordem Rosacruz, já em 1905, quando Lewis diz que foi
iniciado na França em 1909 - Que tipo de instituição era essa? E de que jeito essa
antecipação? Como dignitário Supremo da Ordem Rosacruz aos 21 anos, quando a
experiência da "aparição de AMORCUS" na igreja de New York, já mencionada em
páginas anteriores, foi em 1908 e o "espírito AMORCUS" lhe dizia que não havia
nenhum corpo exotérico rosacruz nesta época?10

Além de todas estas "dignidades" acadêmicas, Lewis continuou insistindo em


mais titulações e de algumas delas, teve que prestar contas em diversos
interrogatórios perante os tribunais de diversas instâncias judiciárias nos Estados
Unidos. Sobre esse tema voltaremos a nos ocupar de forma ampla.

Se estes são alguns dos "lauréis" acadêmicos de Lewis, torna-se conveniente


começarmos e de imediato, a nos ocupar da "Iniciação" que declara ter recebido na
França.

10
idem.

22
4 - Cerimônia de Iniciação na França - A "Iniciação" Rosacruz do "Dr." Lewis e
"alguns de seus protagonistas" (1ª Parte)

Já que conhecemos os “títulos acadêmicos” e iniciáticos concedidos pelas “mais


altas instâncias culturais e fraternais” ao "Dr." Harvey Spencer Lewis, torna-se
conveniente que saibamos das circunstâncias de sua "iniciação" na Ordem Rosa Cruz
da Europa, onde lhe foi conferida a "autoridade" para fundar a "ordem dos rosacruzes
AMORC" na América, sendo posteriormente a citada autoridade estendida para o
mundo inteiro.

Devido a grande quantidade de versões existentes, proporcionadas pela mesma


rosacruz AMORC, sobre a cerimônia de "iniciação" pela qual o "Dr." Lewis foi recebido
na Ordem Rosacruz da Europa, de forma mais detalhada na cidade de Toulouse, no
Sudeste da França, mostraremos aqui QUATRO dessas versões, para que os leitores
destas páginas tirem suas próprias conclusões face a amplitude da documentação,
devendo esta ser mais detalhada nas próximas páginas.

Em uma versão bastante extensa, citada em diversas ocasiões na literatura da


AMORC, incluindo-se o livro "Missão Cósmica Cumprida"11, escrito por Ralph M. Lewis,
filho de HSL, nos diz que Lewis foi "iniciado" no mês de agosto de 1909, no Edifício do
Donjon, junto ao Capitólio, em Toulouse; inclusive há uma carta "muito curiosa" à qual
faremos referência mais adiante, que é apresentada pelos atuais dirigentes da AMORC
como "prova" .

Também no folheto "Rosicrucian Digest"12 aparece uma fotografia do Donjon de


Toulouse, que aqui reproduzimos.

11
Ed. da Supreme Grand Lodge of Amorc, Inc. - 1.966.
12
First edition 1975 - ed. Supreme Grand Loge of Amorc, inc.- pag.4.

23
24
Na margem inferior aparece um texto em inglês e outro em espanhol, que diz:
"Este impressionante prédio, tipo torre, em Tolosa, ao sul da França, foi em
determinado tempo o centro da antiga Rose - Croix, a Ordem Rosacruz francesa cuja
autoridade data cronologicamente de muitos séculos no passado. Foi aqui que o Dr. H.
Spencer Lewis foi iniciado na Ordem em 1909, e onde recebeu, na sequência, sua
autoridade para estabelecer a AMORC na América”.

A primeira coisa que temos que levar em conta é que esta é uma das várias
versões da AMORC sobre o lugar onde Lewis foi "iniciado" e é a mais conhecida pelo
público em geral, pois é a versão que se dá em sua publicidade e a que é contada no
livro com a biografia de Lewis e que tem por título "Missão Cósmica Cumprida", escrito
pelo filho do "doutor" e ao qual nos referimos anteriormente.

Sobre o assunto do prédio do Donjon


retornaremos mais adiante, quando iremos tratar
da segunda versão da "iniciação".

Há um fator que devemos levar em conta:


Harvey Spencer Lewis era fotógrafo profissional,
trabalhou como tal, tendo sido proprietário,
inclusive, de um estúdio de fotografia em New York.
Entretanto e por incrível que pareça, não tirou
nenhuma fotografia do lugar onde foi iniciado e
num dos exemplares de sua revista "The American
Rosae Crucis"13 publicou uma série de desenhos
confeccionados por ele, nos quais, dentre outros, aparece o "Donjon", onde
supostamente foi iniciado.

Reproduzimos aqui uma fotografia do Donjon atualmente e o desenho de Lewis,


no qual poderemos comprovar que, levando-se em conta que não existe semelhança
entre ambas, ou as qualidades de Lewis como desenhista eram ruins e ele se julgava
um pintor magnífico ou o "Donjon" da Iniciação estava somente na mente de Lewis.

13
The American Rosae Crucis - Maio de 1916. Todos os números da revista podem ser acessados aqui:
http://www.iapsop.com/archive/materials/american_rosae_crucis/

25
El Donjon de Toulouse atualmente. Atrás se pode ver a fachada do edifício do
Capitólio.

"The Dongeon" desenho de Harvey Spencer Lewis publicado no "The American


Rosae Crucis" maio 1916 - pag. 23

26
Em outro relato, ao qual intitula "Viagem de um peregrino para o Este"14, em
1909, o jovem Lewis tinha estabelecido contato com o editor de um jornal de Paris,
(sem nunca especificar que jornal era esse, nem quem era o editor), o qual o
aconselhou a colocar-se em contato com um professor de línguas, que vivia no
Boulevard Saint Germain, em Paris (do qual também nunca se soube quem era).

Milagrosamente, pois isto nunca ficou suficientemente esclarecido, sendo que


alguns autores duvidam de tal viagem, supõe-se que o pai de Harvey, que tinha sido
contratado pela família Rockfeller para averiguar sua genealogia, contrata o filho como
ajudante e embarcam com destino à França, no dia 24 de julho de 1909, no navio
"América". Este documento, ainda que reproduzido posteriormente pela AMORC
França, foi publicado pela primeira vez em uma das revistas de Lewis15.

Neste escrito, Lewis, depois de entrevistar-se em Paris com os seus contatos,


onde lhe entregaram uma gravura com a imagem da torre do Donjon de Toulouse,
viaja à Montpellier e em seguida, à Toulouse, dirigindo-se para a Sala dos Ilustres, no
edifício do Capitólio, cuja fachada aparece atrás da fotografia do Donjon que nós já
reproduzimos, onde se reúne com um "fotógrafo muito conhecido", apesar de Lewis
nunca ter dito quem era o "fotógrafo conhecido" e que lhe indica nova direção, onde
lhe seriam fornecidas novas instruções.

"...Cheguei na avenida indicada... ia de táxi. Naquela época, havia em Toulouse


um excelente serviço de bondes, porém, nenhum deles percorria a avenida de um
extremo a outro. Por isso era necessário ir de automóvel. O condutor, a meu pedido,
conduzia o veículo lentamente, pois eu ignorava se era a algo ou a alguém a quem eu
deveria prestar atenção. Portanto, observei com o maior cuidado, as pessoas e as
coisas, sem ignorar nenhum prédio. Rodamos, assim, por todo o centro da cidade e
observei, de relance, igrejas, monumentos antigos, algumas ruínas... e, finalmente, A
VELHA TORRE...

Lewis "toma um táxi" que o conduz ao Donjon e aqui se produz um fato muito,
mas muito curioso, que é: Porque teve que tomar um táxi para ir a torre de Donjon se
ela está junto ao edifício do Capitólio, com uma distância de somente 5 metros
separando as edificações? Como é que não viu antes esta torre, da qual já lhe haviam
falado em Paris e que está somente a 5 metros de distância do Prédio do Capitólio,
cuja fachada pode-se ver na fotografia do Donjon já mostrada e em cuja "Sala dos
Ilustres” teve a entrevista com o "célebre fotógrafo"?

14
Voyage d'un Pelerin vers l'Est - ed. Rosicruciennes - 56 rue gambeta - v-s-g- France. Pode ser
encontrada uma cópia da versão publicada em 1957, no Scribd: A Pilgrim's Journey to the East by H.
Spencer Lewis. The Rosicrucian Order Amorc, 25, Garrick Street, London. W. I. December 1957 First
published in The American Rosae Crucis, 1916. https://pt.scribd.com/doc/213635538/A-Pilgrim-s-
Journey-to-the-East-by-H-Spencer-Lewis
15
The American Rosae Crucis - maio 1.916.

27
Depois do "grande trajeto" de uns 5 metros que teve que percorrer até o
Donjon, Lewis continua o seu relato...

"...Eu avançava em direção à velha torre, o coração um pouco apertado, mas não
sem coragem. Chamei junto à porta, mas não obtive resposta. Então eu vi, perto do
muro, um cordão e puxei-o. Em algum lugar, nas profundezas do prédio, ressoou uma
campainha, prédio este que parecia ter centenas de anos e certamente era o caso...

Rangendo, finalmente a porta se abriu ligeiramente. Esperei. Estava muito escuro


no interior e parecia que naquele lugar não havia nenhum sinal de vida. Decidi-me a
empurrar a porta e entrar. Encontrei-me diante de uma velha escadaria, que parecia
bem conservada. Empurrei a pesada porta e escutei o "clic" do fechamento. Estava
preso na velha torre e não experimentei nenhum temor.

Pareceu-me que algo, em cima, tinha se movido. O menor ruído, naquele prédio
silencioso, adquiria proporções enormes. Um grande vão dava acesso ao primeiro
andar. Logo a escada tornava-se em caracol e cada andar dava saída na galeria ao
redor da escada. As galerias eram muito escuras e estreitas.

Olhei para cima, através do vão e para manifestar minha presença, emiti um
"alô!" sem ter a certeza que tal saudação era a mais adequada naqueles locais. Em
seguida, vindo de um andar superior, ouvi claramente: "Entre, entre!". Subi
imediatamente...

...Finalmente cheguei ao andar superior e vi que este consistia de um recinto de


forma quadrangular, com diversas janelas pequenas. As paredes estavam cheias de
estantes com livros, aparentemente muito velhos. Havia duas mesas no recinto, de
aspecto comum e muito gastas e uma vintena de velhas cadeiras, as quais, em troca,
despertavam maior interesse por seu estilo antigo e uma escrivaninha velha coberta de
manuscritos e de utensílios necessários para selar documentos. Havia também uma
vela, cera, fósforos, alguns produtos químicos, uma caneta tinteiro, tinta e alguns
mapas astrológicos.

O homem que me recebeu era um ancião. Tinha uma barba cinzenta e uma vasta
cabeleira levemente eriçada, de um branco puro, que lhe caíam sobre os ombros.
Mantinha-se ereto e sua estatura elevada, seus ombros largos e sua distinção eram
imponentes. Seus olhos castanhos surpreendiam pelo seu brilho. Falava com uma voz
suave e seus gestos eram rápidos. Vestia uma túnica bordada com alguns símbolos que
me eram desconhecidos, porém, que não são desconhecidos por aqueles que são
membros da Rosacruz AMORC”.

Segundo alguns dados fornecidos pelo "Escritório de Turismo de Toulouse" e que


se encontram arquivados desde 1948 no prédio do Donjon, este começou a ser
construído em 1525; durante muito tempo esteve em ruínas e em 1887 foi restaurado

28
por iniciativa de Viollet-le-Duc, adaptando-se seu uso, desde aquela época, para as
atividades oficiais do município de Toulouse. Levando-se em consideração que
somente a parte inferior é área útil e também uma parte superior é destinada a
escritórios, é difícil compreender como, exatamente na mencionada noite, o prédio do
Donjon aumentou e teve sobrepostos diversos andares, em vez do único que tem
desde 1887 e recintos com bibliotecas de livros antiquíssimos e uma pessoa, vestindo
uma túnica branca com símbolos, que o atendeu...

“Dirigi-me a ele em inglês: "Eu me apresento sem ter sido convidado, senhor e se
o faço, é por que, em primeiro lugar, sinto que este prédio é de grande interesse para
mim e em segundo lugar, porque o senhor me disse para entrar. Estou em busca de
uma informação difícil de obter e talvez o senhor possa me ajudar em minha
investigação, tanto que, pelo que vejo, o senhor parece estar interessado em
astrologia", eu lhe disse, apontando para os mapas que se achavam sobre a
escrivaninha. Respondeu-me em um excelente inglês, porém, com pronunciado sotaque
francês: "Você não é nenhum intruso, meu amigo. Você conhece a astrologia e sabe,
portanto, o que são "direcionamentos". Digamos, pois, que você tenha sido
"direcionado" até aqui. Tenho aqui, sobre minha escrivaninha, seu tema natal (mapa
astrológico??) Eu o estava aguardando”.

“Tenho também uma carta preparada para você. Ela te será útil. Sei da
investigação que você está empreendendo e esta carta é a resposta à sua pergunta.
Porém, sente-se. Tenho muitas coisas para te ensinar e explicar”.

“Tens buscado a Ordem Rosacruz de forma séria e quer ser membro dela. Talvez
seu desejo possa ser realizado, mas, e depois? Irá participar da grande obra? Aceitará
perpetuar a ordem em seu país? Serão-te necessários coragem, bravura e decisão".

Depois de ter-lhe dito que o tinha observado desde sua chegada à Paris e
durante toda a sua estada no Sudoeste e que as informações relativas a ele eram
altamente favoráveis (???????) o sábio mostrou a Spencer Lewis alguns documentos
autênticos (de interesse apaixonante) referentes à Rosacruz.

“...Antes de deixar esta torre, à qual você não mais terá oportunidade de voltar,
vou mostrar-te nossos arquivos. Sou o "Grande Secretário". É aqui que conservamos os
arquivos de nossos fratres e sorores (irmãos e irmãs) desde que a Ordem se
estabeleceu neste país. Nunca se extraviou nada, nem o relato mais insignificante em
sua aparência. É aqui que irão ser classificadas suas cartas, suas informações e sua
correspondência concernente ao seu trabalho. O olho vê tudo, o pensamento
onisciente recebe e tudo ocupa lugar em nossos arquivos...”

Em seu relato, Lewis diz que além de livros, documentos, etc. “...Vi relíquias raras
vindas de Jerusalém (???) e de outras cidades e países. Por último, vi o juramento feito
por Lafayette à Ordem, antes de sua partida para a América. Lafayette, primeiro

29
rosacruz francês vindo ao meu país (???) Que o seu nome seja sempre sagrado para a
Ordem na América...”

Aqui se apresenta uma questão importante para as declarações do "Grande


Secretário". De acordo com o livro "Perguntas e Respostas Rosacruzes, com a história
completa da Ordem", escrito pelo "Dr." Harvey Spencer Lewis, (o qual vem a ser a
história oficial dos rosacruzes segundo a AMORC e sobre esse assunto voltaremos em
outras ocasiões, já que o que ali se apresenta, na sua maior parte, é fantasioso e
extremamente duvidoso) a Rosacruz estabeleceu-se em Toulouse durante o reinado
de Carlos Magno, ao redor do ano 800, por intermédio de um monge chamado
Reynaud; se isto é verdade, como é possível que, de acordo com o "Grande
Secretário", os arquivos da Rosacruz tenham estado no Donjon desde que a Ordem se
estabeleceu no país, se a torre foi construída no ano de 1525, isto é: uns 700 anos
depois do estabelecimento da Ordem na França e a torre de Donjon esteve em ruínas
durante muito tempo até que foi restaurada em 1887?

Onde poderiam guardar os arquivos em um prédio que, ao mesmo tempo,


sediava os escritórios do município?

Onde se encontram agora estes documentos antigos, com relatos de Rosacruzes


de muitos séculos passados, que ninguém viu, nem estudioso algum os examinou?
Insistimos que a AMORC não os tem, então: onde estão estes livros e documentos que
foram vistos "somente" por Lewis?

E o que dizer do juramento feito pelo general Lafayette, antes de ir à luta na


guerra da independência dos Estados Unidos da América do Norte? Gostaríamos de
ver este documento "interessantíssimo", do "sagrado" general Lafayette, pois parece
que também desapareceu, se é que alguma vez existiu fora da imaginação do "doutor"
Lewis.

Em seguida, conforme o relato, o ancião diz a Lewis que esteja preparado para
participar de uma cerimônia impressionante, que terá lugar em breve.

Alguns dias mais tarde, chega um automóvel.

"O automóvel - continua Lewis em seu relato - cruzou o par de quilômetros que
nos separavam dos limites da cidade e logo tomou rumo via uma estrada paralela a um
riacho, até a antiga cidade de Tolosa. Tolosa foi a primeira cidade romana da região e
hoje está em ruínas. (Lewis confunde tudo... diz algo tão inconsequente como sair de
Toulouse para ir à "velha cidade de Tolosa" , cabe perguntar se sabe o que está
dizendo, porque não há nenhuma antiga cidade de Tolosa, nem existia em 1909, a dois
quilômetros de Toulouse). O percurso que fizemos é muito interessante. Finalmente,
chegamos a uma grande mansão, rodeada por altos muros e o automóvel atravessou o
portal de entrada. Os magníficos canteiros de flores e a grama bem cuidada da

30
chácara saltaram à minha vista. À esquerda da chácara, um castelo parecia flutuar no
cimo de uma colina verdejante. Mais além do portal, vi algumas velhas casas, uma
delas quadrangular e que era particularmente atraente. O automóvel parou nas
proximidades dela e na entrada, fomos recebidos por um jovem de uniforme que, pelo
seu corte, parecia ser militar.

“Parecia conhecer o condutor e estendeu-lhe calorosamente a mão. Em seguida


voltou-se para mim e, por intermédio de gestos, deu a entender que deveria entregar-
lhe uma carta ou bilhete. Entreguei-lhe a carta que o grande secretário me tinha
confiado. O jovem, depois de tê-la lido, saudou-me cordialmente e fez com que eu
entrasse em uma grande sala de espera”.

"A casa era muito antiga. Era inteiramente construída de pedra, sendo que estas
estavam visivelmente gastas, até o ponto de se perguntar como o prédio ainda estava
em pé. Ao término de alguns minutos fui apresentado a uma mulher de idade, a qual,
inclinando-se, me ofereceu sua mão e me acompanhou ao andar superior, do qual fui
conduzido, com a mesma cerimonia, para um recinto menor. Ali me entregaram alguns
papéis que continham as instruções reservadas a mim".

“Desta forma, fui informado que encontraria os oficiais da Grande loja ao cair do
sol, isto é, três horas mais tarde e que, por enquanto, deveria estudar atento às
instruções que me foram entregues e, também, descansar um pouco. Naturalmente,
não posso publicar aquelas instruções..." Li e reli as instruções e depois me acomodei. Li
as instruções uma vez mais e adormeci sobre o antigo sofá, naquela sala de paredes de
pedra, nesse misterioso prédio o qual, naquela época, era o grande templo da Ordem
na França”. (voltaremos à este sonho do sofá em outro relato, outra versão da
"iniciação".)

“...Nesta mesma noite fui iniciado na ordem da Rosacruz. Minha "travessia


através do umbral" aconteceu naquele recinto memorável. Tomei compromissos
solenes, recebi a grande benção e converti-me em um "frater" da Ordem no instante
em que soava a meia-noite na torre desta residência secreta”.

“Tinha encontrado a luz. A Rosacruz me tinha aceitado e minha alma se


estremeceu ao sentir o sopro da iluminação...”

“Alguns dias depois, em Toulouse” - conclui Spencer Lewis – “...assisti a


convocação mensal dos Iluminatti em outro prédio antigo, situado nas proximidades de
Garona. O prédio tinha sido construído com pedras procedentes de diversas partes do
Egito, da Espanha e da Itália. Estas pedras tinham sido parte de monumentos, templos
e pirâmides, hoje em dia em ruínas. A pedra angular do prédio tinha sido transportada
de Tell-el-Amarna, onde o grande mestre da Ordem viveu em certa época”.

31
Teria sido muito interessante que Lewis, fotógrafo profissional, tivesse
fotografado este prédio “construído com pedras tão tradicionais” e em troca, temos
que nos conformar com o desenho que publicou em sua revista “The American Rosae
Crucis” e que aqui reproduzimos16.

“A parte superior do prédio era utilizada nesta época como mosteiro rosacruz. Na
adega havia uma gruta rosacruz. Esta "gruta" era ampla e seus muros eram
construídos com pedras cinzentas, velhas, por entre as quais crescia o musgo e a
umidade exsudava. Estava escorada por uma grande chaminé e sua única iluminação
provinha de velas e tochas. Nesta gruta havia um altar, construído com madeira
egípcia rara, magnificamente esculpido...”

Gostaríamos muito de poder visitar este prédio e esse "mosteiro" às margens do


rio Gerona, que banha Toulouse; assim como saber quantos "monges", supostamente
rosacruzes, povoavam suas celas monacais. Assim também seria de grande interesse
poder examinar o altar "desaparecido", construído com rara madeira egípcia. Levando
em conta a liberdade existente na França de hoje, onde qualquer um pode se filiar a
qualquer organização e que a AMORC está muito atuante ali, poderíamos ver o prédio
e usufruir de condições tão espirituais, mas parece que ninguém, nem mesmo os
membros da AMORC, sabem onde se localiza.

“No dia de minha saída de Toulouse, me foram entregues vários documentos da


mais alta importância. Os mesmos me investiam com a insigne responsabilidade de
perpetuar as atividades da ordem na América. Eis aqui as últimas instruções que me
foram entregues pelo mui venerável grande mestre da França, M.L ... :”

16
Id.

32
“Frater, por estes documentos V.S. é nomeado legado da nossa ordem em seu
país. Seus deveres e privilégios estão perfeitamente definidos neles. Os documentos
que possui e as joias que hoje lhe entrego, lhe permitirão trabalhar, quando chegado o
momento e da maneira indicada. Quando tiver alcançado alguns progressos,
encontrará um representante da Ordem no Egito. Ele lhe transmitirá outros
documentos e outros selos. De tempos em tempos, algumas pessoas irão até V.S. que
as reconhecerá pelos sinais habituais. Elas completarão os documentos que V.S. tem
em seu poder para, dessa forma, entrar na posse de tudo o quando necessita para
levar a término o seu trabalho. Nosso secretário lhe enviará pessoalmente, com lacre,
sob a proteção do governo francês (esta afirmativa é muito difícil de se manter e muito
menos, acreditar nela, pois é absurdo pensar que o governo da França tenha
patrocinado tais atividades, ou que tenha fornecido ou remetido documentos
Rosacruzes e muito menos para o estrangeiro, onde poderia ocasionar um conflito
diplomático pela fundação e manutenção de uma "associação secreta" em país
estrangeiro) outros documentos, tão logo nós sejamos informados pelos nossos
observadores que V.S. já obteve suficientes progressos. Seus informes semestrais nos
mostrarão se V.S. está em condições de fornecer uma ajuda eficaz à nossa Ordem. Os
donos do mundo (?) se sentirão felizes em poder atender as suas necessidades, se isso
for necessário e se a obra de nossa Ordem for fielmente executada, a paz profunda
será compartilhada por um número cada vez maior de homens de boa vontade em seu
país e no mundo".

Outras questões que se apresentam aos pesquisadores de história e aos que


querem conhecer a verdade sobre as Ordens como a rosacruz AMORC: Onde estão
esses documentos que os Mestres da França forneceram à Lewis? A verdade é que
ninguém sabe onde estão, a AMORC não os torna públicos, em suas publicações nunca
aparece um documento datado antes de 1915, ano em que a AMORC entrou em
atividade. De alguns desses documentos iremos falar com mais detalhes, por seu
"caráter diferenciado".

33
5 - As Outras Versões da "Iniciação" - A "Iniciação" do "Dr." Lewis e "alguns de
seus protagonistas" (2- parte)

Confessio R:. C:. Fraternitatis Um dos documentos onde Lewis fala de sua
"Iniciação"

Nas páginas anteriores apresentamos duas versões, publicadas pela AMORC,


com evidentes contradições quanto a "iniciação" de Harvey Spencer Lewis, na cidade
francesa de Toulouse, onde, supostamente, recebeu a autoridade para o
estabelecimento da AMORC.

Agora iremos apresentar duas outras versões, baseando-nos, como sempre, nas
publicações da rosacruz AMORC, onde veremos, mais uma vez, as enormes e evidentes
contradições sobre a "suposta iniciação" e falsidades extremamente evidentes
relacionadas com a mesma.

Uma dessas publicações é o livro intitulado “Perguntas e Respostas Rosacruzes -


com a História Completa da Ordem Rosacruz”17, por H.S. Lewis o qual, em
contraposição a qualquer investigação séria e sem se basear em nenhuma prova
documental evidente, inventa uma história delirante, situando a fundação da Rosacruz
na época dos faraós do Egito; porém, esse é outro tema que merece um capítulo à
parte. Agora continuaremos com sua "iniciação" tal e qual é apresentada nesse livro.

17
Perguntas e Respostas Rosacruzes - Com a História Completa da Ordem Rosacruz - Autor H.S. Lewis,
editor Supreme Grand Lodge of Amorc Inc, 2- ed. 1932 - Pag. 145 – 146.

34
“...Pouco antes de 1909 solicitou seu ingresso na nossa Sociedade (Instituto de
Investigações Psíquicas de Nova York) uma pessoa com documentos de apresentação,
credenciando-a como sendo "delegado" da Ordem Rosacruz na Índia” (Em seguida nos
ocuparemos desse indivíduo e seus documentos, nas próximas páginas).

“Várias semanas de um relacionamento mais estreito com este membro me deu


a entender que eu bem poderia obter êxito nas minhas gestões para conseguir a
autorização de introduzir nos Estados Unidos, oportunamente, a legítima Ordem
Rosacruz. Foi-me impossível conseguir relacionamento com algum oficial da Ordem em
países estrangeiros, até que em princípios de 1909 soube que se aproximava a hora do
renascimento da Ordem nos Estados Unidos e os preparativos para a abertura do novo
ciclo já tinham sido providenciados”. (Como soube? Refere-se à aparição na Igreja
Metropolitana, da qual fizemos referência? Ou soube de outra forma?)

“O delegado da Índia me motivou a persistir no estímulo que me havia movido


durante mais de seis anos, sem reparar nos obstáculos ou provas que ameaçassem
neutralizar os meus desejos não egoístas. Consequentemente, fui à França no verão de
1909 e depois de um curto diálogo com uma pessoa que não quis se comprometer,
mandaram-me a diversas cidades e tive que peregrinar de uma a outra, até que me
pusesse em contato definitivo com Tolosa, onde soube que a minha vontade e os meus
projetos já eram conhecidos de há muito tempo e me facilitaram o relacionamento
com vários oficiais da Ordem Rosacruz da França e com alguns membros do Conselho
Internacional da Ordem, em várias nações da Europa”.

(Saliente-se este dado segundo o qual o puseram em contato com oficiais na


França e com membros do "Conselho Internacional da Ordem" em várias nações
européias e veremos se coincide com a seguinte versão que iremos apresentar aqui)

“Em uma sessão ordinária do Conselho e em várias sessões extraordinárias da


Ordem, em outras cidades, efetuadas nos meses subsequentes, me iniciaram
regularmente, (uma pergunta com rigor ante esta declaração é saber em que outras
cidades e em que outros meses participou de reuniões extraordinárias e foi iniciado
regularmente, se em todos os outros relatos conhecidos diz ter estado somente em
Paris, em Montpellier e ter sido "iniciado" em Toulouse) “...e me forneceram
documentos preliminares, com instruções, que deveria apresentar a pessoas cujos
nomes me confiaram”. (Que documentos? Pois não existe nenhum documento datado
em 1909 ou antes, sendo que os documentos mais antigos em poder da AMORC datam
de 1915. Lewis fala continuamente em documentos de autoridade, porém, nunca os
apresenta e quando, em 1915, apresenta a chamada "carta de Verdier", resulta, como
veremos mais adiante, em uma falsificação evidente).

“Também recebi instruções para efetuar as reuniões preliminares com a


finalidade de organizar um grupo secreto de obreiros, que mais à frente receberiam

35
instruções dos delegados da Ordem na Índia e na Suíça”. (Esses "rosacruzes" não
deveriam se manter totalmente em segredo? Pois estavam em todas as partes e
agora, também na Suíça, conforme essa afirmativa, por isso não entendemos as
grandes dificuldades que teve para os encontrar e que outros não o fizeram). “Estas
instruções estavam assinadas pelo conde Bellcastle-Ligne, secretário do Conselho
Internacional e o venerável Lasalle, o conhecido autor de muitos documentos
rosacruzes históricos e o Grande Mestre da Ordem na França...” Quem era o Conde de
Bellcastle-Ligne? Porque não existe nenhum nome francês que seja Bellcastle-Ligne.
Alguns argumentam que, como Lewis não sabia francês, realmente queria dizer
Belcastel, o que poderia ser, porém, aqui nos deparamos com duas novas questões:

A primeira: Lewis repete durante anos em seus escritos o nome "Bellcastle-


Ligne" e nunca, durante toda a sua vida e em todos os seus escritos, inclusive os
publicados após a sua morte, esse nome foi corrigido.

A segunda: Aceitando-se, inclusive, que fosse Belcastel, o certo é que na França


não existe nenhum nome composto que seja exatamente "Belcastel-Ligne", com o que
permanece a dúvida quanto a sua autenticidade. Para terminar com os argumentos,
resulta que não existe, nem nunca existiu, e essa informação pode ser conferida nas
melhores enciclopédias, bem como no Ghota, que é o catálogo da nobreza européia,
nenhum título de "Conde de Bellcastle-Ligne, nem nenhum conde "Belcastel-Ligne",
com o que continuamos a nos perguntar de onde Lewis tirou este "nobre francês" ao
qual converte, em outros escritos, em "Imperator Rosacruz do Languedoc".

Também cabe perguntar: quem era o venerável Lasalle, conhecido autor de


muitos documentos históricos rosacruzes? É porque não existe nenhuma evidência de
nenhum Lasalle conhecido entre os autores e estudiosos especializados em temas
Rosacruzes, bem como, não se encontra nas bibliotecas livros ou escritos do tão
"famoso" Lasalle.

Por outro lado, nessa época (1909) havia na França esoteristas que eram
famosos de verdade, Grandes Mestres, etc., de diferentes ordens rosacruzes na França
e de outras ordens, como seriam o Sâr Peladan, o Gerard Encausse (Papus), Teder,
Jean Bricaud, etc., porém, milagre dos milagres, não se tem conhecimento de nenhum
Grande Mestre da Ordem Rosacruz na França chamado Lasalle.

“Antes de deixar a França, tive a satisfação de me relacionar com vários oficiais


superiores...”

Nas edições posteriores deste livro18 o relato se "enriquece" com novos


personagens, com a finalidade de justificar uma situação extremamente delicada, da

18
Histoire Complete de l'Ordre de le Rose Croix - ed. francesa 1978 - pag 128 y 121.

36
qual nos ocuparemos mais à frente e apresenta este novo parágrafo concernente aos
"personagens" que dão "autoridade" ao livro de Lewis.

"O Conde de Bellcastle-Ligne, Secretário Geral do Conselho Internacional", "O


venerável Lasalle, autor bem conhecido de inúmeros documentos históricos rosacruzes
e Grande Mestre da Ordem Rosae Crucis - ou Rose Croix - na França" e o "Sr. Verdier,
Soberano Grande Comendador dos Iluminatti rosacruzes na França".

Seja bem vindo aos escritos deste desconhecido "Sr. Verdier", Soberano Grande
Comendador (soa ao grau 33 da Maçonaria) dos Iluminatti da França, "suposto autor"
de uma carta a qual já fizemos referência e sobre a qual falaremos extensivamente
mais adiante.

A ÚLTIMA VERSÃO DE LEWIS

Desenho - não fotografia - de "mais um dos prédios" onde Lewis afirmou ter sido
"iniciado", e que corresponderia ao prédio do relato que segue .

(The American Rosae Crucis, maio 1916).

Iremos falar agora sobre a última versão da "iniciação" de Lewis, relatada em um


documento que, em princípio, deveria ser reservado, porém, que atualmente corre de
mãos em mãos dentre os muitos estudiosos e pesquisadores das origens da AMORC.
Estamos nos referindo à Confessio R.·. C.·. Fraternitatis19.

19
Versões podem ser encontradas aqui:
Confessio RC Fraternitatis (English)

37
O Dr. Lewis diz em seu relato que foi de automóvel até o prédio, acompanhado
de um jovem intérprete, para ajudá-lo nas conversações.

“...É um prédio feito de pedras, velho e pitoresco, com um pátio grande, sendo
que todos os pisos e escadarias são de pedra. Ao chegar ali, descobri que a pessoa para
a qual me haviam dirigido vivia ali; seu nome correto é Raynaud E. de Bellcastle-Ligne.
Não era um simples encarregado do prédio, mas tinha também seus interesses
pessoais ali e vivia juntamente com sua esposa e uma filha. Seus aposentos ocupavam
uma pequena parte do prédio e no piso superior, me mostraram os restos do velho
salão da Loja Rosacruz, hoje úmido e empoeirado, sem uso por mais de sessenta anos,
apesar de até 1890 ter sido visitado com frequência pelos maçons franceses e por
outras pessoas que conheciam o local...” (agora temos que o velho salão da Loja
Rosacruz onde Lewis foi "iniciado" estava com mais de 60 anos sem uso) “...O velho
senhor, com setenta e oito anos, era filho do último Mestre que havia conduzido uma
Loja Rosacruz naquele lugar e não tinha certeza se o seu pai havia administrado
alguma loja em outro lugar ou não...” (o jovem, que no relato da "viagem de um
peregrino ao Este", que reproduzimos em páginas anteriores, recebeu o condutor
que o levava e pediu a Lewis os seus papéis, havia-se transformado em um ancião de
setenta e oito anos, filho do último mestre Rosacruz, mas que entretanto, não sabia
se o seu pai, o velho Mestre, o tinha sido também em outras lojas). "Porém os donos
atuais do Castelo o haviam encarregado de cuidar da propriedade durante os últimos
vinte anos e os maçons franceses, que tinham interesse nos Poderes Rosacruzes,
deram-lhe instruções (porque ele era um dos seus Irmãos), de conservar intato o salão
da Loja (não sabemos com que objetivo ou por qual razão, uma vez que não se fazia
esforço nenhum para impedir que a chuva e outros elementos o fossem danificando)...”
(Agora resulta que o ancião Bellcastle-Ligne estava com a responsabilidade de cuidar
do castelo, outorgado pelo seu dono, que ainda não era conde e que os maçons o
tinham encarregado de preservar o salão da Loja onde o pai do suposto "conde
Bellcastle" tinha sido Mestre há 60 anos. Mas não era Bellcastle-Ligne Secretário do
Conselho Internacional Rosacruz e em outras oportunidades também Imperator
Rosacruz da região francesa do Languedoc?) Lewis continua descrevendo seu
anfitrião: “...Bellcastle-Ligne e sua família eram detentores de outros títulos reais além
do de Conde e, apesar da sua idade e de seus parcos recursos financeiros, conservava
sua dignidade nobre e seu excelente porte militar; tanto ele como a esposa e sua filha
me concederam essa hospitalidade e extrema cortesia, que fez com que os dias
passados nessa formosa região do Languedoc não perdessem os seus encantos..."20

https://pt.scribd.com/doc/283985083/Confessio-RC-Fraternitatis-English
Confessio RC Fraternitatis (en castellano)
https://pt.scribd.com/doc/269767858/Confessio-RC-Fraternitatis-en-castellano
20
Confessio R:. C:. Fraternitatis - parte III - pagina 8 e seguintes.

38
Bellcastle conduz Lewis por várias dependências do castelo, até a chamada
Terceira Câmara e então lhe diz:

“...Agora não há mais rituais aqui e ninguém te pode conduzir pelos recintos
como dantes, por isso talvez prefiras atravessar sozinho estas Câmaras, só com teu
Deus e com teu Mestre...” Quem poderia iniciá-lo num lugar onde não mais se
realizavam rituais de Iniciação? De acordo com a "lógica" observada, neste e em
outros relatos, a resposta é simples: uma aparição espiritual como já havia visto
antes, das quais temos feito referência? Lewis continua com seu relato: “...Depois de
passados vários minutos me levantei e vi numa área uma luz brilhante que ia tomando
forma, com um halo azulado ao seu redor. Parecia ter menos de um metro de
diâmetro, porém, nessas condições, nos equivocamos quanto às proporções e hoje
tenho certeza que a luz não tinha mais de vinte centímetros. Estava a um metro do solo
e lentamente se fazia mais intensa. Muitos de nossos Irmãos e Irmãs tem visto uma luz
semelhante em nossa Loja, em Nova York, (?) no decorrer de alguns experimentos
especiais. Após vários minutos, a luz cresceu até que tocou o solo e quase chegou ao
teto. Seu centro se tornou mais transparente até que finalmente tomou a aparência de
uma grande aura com um vazio no centro. Neste espaço apareceu um vulto, ao qual
imediatamente reconheci como a mesma figura mística maravilhosa que me tinha
aparecido na Igreja, na primavera de 1908..." (Então o “AMORCUS” que lhe apareceu
em Nova York, volta a aparecer em Toulouse e o "conduz" pelas diferentes câmaras
até entrar no "Salão da Loja", onde o esperava o Sr. Bellcastle-Ligne).

“Depois de entrar no recinto maior e que soube que era o velho Templo ou Sala
da Loja, encontrei-me com o velho Conde, que estava em pé na porta, no outro lado da
sala. Chegou perto e me explicou que vários pertences da antiga loja haviam sido
retirados dali e que seria impossível levar a cerimonia a cabo de uma forma normal.
Portanto, me levou de "local" em "local" e me explicou alguns detalhes, mas em
nenhum momento se referiu a experiência que eu acabava de ter. Pareceu-me que
tinha aceito de forma natural o fato de eu ter cruzado o umbral e me aceitou como
Neófito preparado para maior instrução e Iniciação...”

Em seguida o conde o leva a um aposento para que descanse e lhe diz que
aguardasse ali até ser chamado. "Neste velho aposento, que agora era utilizado para
guarda de objetos, havia um sofá grande, que o Conde me indicou, após ter retirado a
poeira do mesmo, afirmando que eu teria que permanecer ali durante algumas horas,
aguardando outras pessoas que viriam para me conhecer e ajudar-me com relação ao
que iria acontecer. Solicitou que dispensasse o condutor, que estava aguardando, que
se encarregasse do intérprete e eu, então, estaria livre para permanecer ali, da

39
maneira que ele me disse. Aconselhou-me a dormir por alguns instantes e me deixou
só, com a pesada porta de madeira entreaberta”21.

“Eu "adormeci", analisando com cuidado todas as minhas experiências. Dormi


por três horas e me acordei às oito, quando o sol já estava baixo e avermelhado, o que
dava ao recinto em que eu me encontrava cores semelhantes aos do vitral de uma
catedral".

"Quando me levantei, passou por mim uma compreensão súbita e consciente e


então compreendi. Enquanto eu "dormia", o Mestre, o que me havia aparecido na
primeira câmara, me fez passar pela iniciação do Primeiro Grau, mais uma vez, com a
ajuda de outras personalidades e figuras místicas, no mesmo salão que acabava de
visitar. Porém, para esta iniciação psíquica e mística, a velha sala da Loja tinha
adquirido sua aparência de antes e se apresentava como era nos dias de sua maior
glória. Jamais esquecerei esta Iniciação e os que me tem acompanhado durante os
últimos três anos ouviram de mim recordações sobre os vários pertences e utensílios
que vi, apesar de nunca terem chegado a saber como os vi e afinal, depois de tudo, isto
pouco importa para eles ou para mim”. (Primeiro a Loja não estava ativa há 60 anos,
depois lhe aparece um "AMORCUS" espiritual que o conduz de câmara em câmara,
logo passa para a velha sala da Loja, cujos pertences haviam sido retirados dali e,
para terminar, adormece no sofá e "sonha" que passa por uma cerimônia de
Iniciação em uma sala reconstruída, o que viu é o que viu, e o que importa é a
maneira como viu! diz Lewis, sem lembrar-se de outros relatos nos quais havia
Templo, ritual com oficiais, etc.)

“...sai do aposento e desci, encontrando o Conde, que tinha escutado eu descer


pelas velhas escadas de pedra. Disse-lhe simplesmente que acreditava ter passado por
um ritual "de maneira sonolenta", porém, que podia me lembrar da maior parte dele.
Perguntei-lhe se ele sabia que isso iria me acontecer e se haveria outros
acontecimentos semelhantes. Sua resposta foi indefinida e evasiva e me pediu que
adentrasse no recinto maior, onde o conheci pela primeira vez. Ali encontrei mais três
homens, anciãos e distintos, de aparência tranquila e mística, porém, bastante
parecidos com os anciãos do lugar”.

“O Conde explicou que eram vizinhos - aos quais tinha mandado buscar por
intermédio do condutor, enquanto eu "dormia"..."

“Estes "vizinhos", filhos e descendentes dos Rosacruzes do passado, são os que te


fornecem livros novos, documentos, joias, símbolos e te encomendam a missão de

21
idem - parte IV página 1 e seguintes.

40
fundar a AMORC na América, dando-lhe as chamadas instruções do Imperator, cujas
três primeiras aqui reproduzimos”22.

AS INSTRUÇÕES DO IMPERATOR

Primeiro: como a Ordem na França deixou de ter um corpo exotérico desde o ano
de 1880 e como há somente uma parte de mil almas na Ordem, na Europa e não tem
chefe secreto ou Imperator, a Ordem na Europa não pode outorgar nenhuma carta ou
patente; além disso, a Ordem jamais outorgou tais cartas de autoridade ou patentes,
pois tem feito com que seus chefes ou Imperatores evoluam por meio de processos
cósmicos. (Como que a Ordem não estava ativa na França desde 1880? Então quem
poderia conceder poder para estabelecer qualquer atividade rosacruz em qualquer
lugar? O que acontecia com a Ordre Kabalistique de la Rose Croix e a Ordre
Catholique du Temple e du Graal, que estavam ativas? Donde era então o Grande
Mestre e "venerável" Lasalle, famoso autor de documentos rosacruzes? Se a Ordem
nunca forneceu cartas patentes nem cartas de autoridade, porque Lewis veio a dizer
que lhe deram documentos de autoridade, que lhe seriam enviados com a proteção
do Governo Francês, como já se comentou em relatos anteriores?)

Segundo: o último chefe secreto da Ordem na Europa foi Christian Rosenkreutz,


assim denominado e que na realidade foi Francis Bacon, que usou outros nomes
também, como Andrea, na Ordem e Shakespeare em outros trabalhos. (Como é que
Francis Bacon também foi Andrea, se são dois personagens históricos diferentes,
perfeitamente diferenciados e com corpo, vida e personalidades próprias? Atribuir a
Bacon as obras de Shakespeare é uma hipótese, que pode ser aceita ou não, porém,
dizer que Bacon foi Johan Valentin Andrea, personalidade que se sabe quando e
onde nasceu, quem foram seus pais, incluindo-se referências a um de seus tios, que
foi um pastor protestante bastante conhecido em sua época, onde Andrea estudou,
quais postos que ocupou e que viveu na Alemanha, sua correspondência com Jan
Amos Komenski (Comenius), lugar e data onde faleceu, etc., enquanto Bacon viveu
na Inglaterra, ou é o cúmulo do cinismo por parte de Lewis ou é fruto da ignorância
mais abjeta, achando que os outros são ignorantes também).

Terceiro: que em outros países houve milhares de homens e mulheres que


nasceram Rosacruzes, de pais ou avós Rosacruzes, porém, ainda que vivessem de
acordo com os princípios e, em algumas cidades, reuniam-se em grupos pequenos para
estudar, sob nomes diversos, não se organizaram em lojas regulares, após o término do
ciclo de 108 anos de Christian Rosenkreutz... (Isso é dizer: que como a Ordem não
estava ativa na Europa desde 1880, pois então não havia lojas, e os filhos, netos, etc.
de rosacruzes reuniam-se por sua conta, de acordo com esta nova versão, porém,

22
Idem - parte IV - página 9.

41
destituídos de qualquer autoridade, muito menos para "iniciar" ou encarregar
alguém de alguma missão).

Quarto. Que todos estes homens e mulheres e estes grupos pequenos esperavam
pacientemente a chegada do próximo chefe, que sabiam seria em 1915; esta profecia
foi cultivada durante vários séculos, ainda nos tempos de Rosenkreutz e na Índia, onde
o último chefe oriental da Ordem viveu e dali partiu para o Reino Superior. (A que
profecia entre Rosacruzes se refere? Porque, desde o século XVII até agora não se
fala de nenhuma profecia na qual se espera o advento do "próximo chefe", nem as
fontes consultadas não sabem nada, de nenhuma profecia na "Índia", relativa a este
tema. Ou seja, que o advento do "chefe" Lewis estava já prognosticado, "durante
séculos", por profecias Rosacruzes que ninguém conhece... esta última nós não
queremos nem qualificá-la).

Todo este relato, relacionado com os outros, é tão superficial e todas estas
contradições são tão grandes, tão flagrantes e tão absurdas, que à luz dos diferentes
relatos do "Doutor" Harvey Spencer Lewis e da AMORC, as pessoas sensatas podem
começar a tirar algumas conclusões.

Para atenuar os possíveis efeitos de tantas contradições, os dirigentes da AMORC


tem insinuado "alguma relação" entre a "Ordem Rosacruz" de Sâr Peladan e o
chamado "Grupo de Rosacruzes de Toulouse". Deste aspecto, iremos nos ocupar em
outras páginas, nas quais veremos que os dirigentes atuais continuam atuando como
fazia o "fundador"; agora é conveniente que continuemos com a história da
"fundação", tal qual a relata Lewis, para que prossigamos vendo sua "forma de
proceder".

42
The American Rosae Crucis, página 23, maio 1916
Em: http://www.iapsop.com/archive/materials/american_rosae_crucis/

43
6 - Trabalho, Preparação e Primeira Desilusão

Perguntas e Respostas Rosacruzes - Com a História Completa da Ordem


Rosacruz, Harvey Spencer Lewis, 2ª Edição 1932

Conforme relata Harvey Spencer Lewis em seus diversos escritos, uma vez
"iniciado" em Toulouse, regressa a Nova York, onde começa a traduzir e decifrar os
documentos que lhe foram confiados na França (O interessante é notar que nunca,
nem ninguém, exceção feita à Lewis, viu esses documentos originais entregues pelos
"iniciadores" franceses, bem como, também não devem ter se conservado, porque
nunca foram expostos) e a esse respeito, em seu livro "Perguntas e Respostas"23,
edição de 1932, diz o seguinte:

“...Antes de sair da França tive a satisfação de me relacionar com vários oficiais


superiores; e quando regressei aos Estados Unidos, o delegado da Índia me entregou os
documentos e joias que haviam se conservado na antiga fundação rosacruz na
Filadelfia”. (Que joias e documentos da Filadélfia são esses que nunca foram
exibidos? Gostaríamos de ver, ou que alguém mostrasse alguma publicação oficial da
AMORC onde aparecessem esses documentos e joias).

“De 1909 a 1915 o Conselho reuniu-se em minha casa ou na de outros membros,


com a presença de pessoas descendentes dos antigos rosacruzes e de alguns iniciados
na França entre 1900 e 1909”. (Que interessante! De acordo com essa afirmativa,
parece que outras pessoas tinham sido "iniciadas" na França entre 1900 e 1909 e que
tais pessoas poderiam confirmar as declarações de Lewis, em seus múltiplos
aspectos contraditórios, porém, o certo é que nunca se soube o nome desses
"iniciados" que trabalharam lado a lado com Lewis, não se conhecem suas fotos,
mesmo Lewis sendo fotógrafo profissional).

23
Perguntas e Respostas Rosacruzes, com a História completa da Ordem Rosacruz - H.S.L. - Ed. Supreme
Grand Lodge of AMORC inc, - 2- ed. 1932 - pag. 146 – 147.

44
"Em 1915 publicamos o primeiro manifesto oficial anunciando o começo de um
novo ciclo da Ordem e imediatamente procedeu-se a eleição do primeiro Conselho
Supremo da Ordem entre centenas de homens e mulheres cuidadosamente
selecionados durante os sete anos precedentes".

"Na primeira sessão oficial deste Conselho Supremo da Ordem nos Estados
Unidos procedeu-se a nomeação aos cargos e grande foi minha surpresa ao saber que
o delegado da Índia havia recebido instruções para designar-me presidente do
Conselho, em atenção aos meus trabalhos, durante os sete anos precedentes, ao
estabelecimento da verdadeira Rosacruz nos Estados Unidos. Os demais cargos
recaíram em pessoas qualificadas e foram nomeadas comissões, com a finalidade de
traduzir e adaptar às norte-americanas a constituição e demais documentos oficiais da
Ordem na França...".

Em edição posterior do mesmo livro, a de 197324 se diz o seguinte:

"Durante anos tinha reunido um grande número de homens e mulheres que se


interessavam na busca do esoterismo e da metafísica, de acordo com as diretrizes
rosacruzes. Como editor de muitas revistas de caráter esotérico, tinha tomado
conhecimento de diversos manuscritos rosacruzes e tinha descoberto que eu tinha
ligações com os descendentes dos primeiros rosacruzes da América, que haviam se
estabelecido na Filadélfia em 1694. Isso me deu acesso a muitos dos seus antigos
documentos, manuscritos secretos e ensinamentos. Nós discutíamos e analisávamos
estes documentos, para colocar seus conteúdos em prática. Entre nós, a sociedade
composta por centenas de pessoas (esta afirmação é muito importante, como
veremos mais adiante) que tinham uma carreira profissional, era conhecida pelo nome
de "Sociedade de Investigações Rosacruzes".

“As reuniões da sociedade aconteceram entre 1904 e 1909, em Nova York.


Entendendo que não estávamos constituídos ou autorizados para usar o nome de
Rosacruzes, a sociedade atuou publicamente sob o nome de Instituto de Pesquisas
Psíquicas de Nova York”.

“Entre 1909 e 1915, diversas reuniões oficiais do conselho realizaram-se na


minha casa, com a presença de homens e mulheres descendentes dos primeiros
iniciados da Ordem, alguns dos quais tinham sido iniciados na Ordem, na França, entre
1900 e 1909..."

O fato é que Lewis, "devidamente auxiliado" pelos "descendentes dos antigos


rosacruzes" e por "outros iniciados, entre 1900 e 1909", o que supõe um bom
assessoramento, promoveu uma reunião no inverno de 1913 - 191425, descumprindo o

24
Id. 11 edit. 1973. pag.174 e seg.
25
Missão Cósmica Cumprida - R.M.L. Ed. Supreme Gran Lodge of AMORC Inc. - 1966 pag. 226.

45
que lhe disseram no quarto item das instruções do Imperator e que apresentamos em
página anterior... "Quarto. Que todos esses homens e mulheres e estes pequenos
grupos esperavam pacientemente a chegada do próximo chefe, que sabiam seria em
1915; esta profecia se apresentou durante vários séculos, ainda nos tempos de
Rosenkreutz e na Índia, onde o último chefe oriental da Ordem viveu e dali elevou-se ao
Reino Superior..."

A reunião resultou em fracasso, ninguém assinou documento ou carta


constitutiva para proclamar o nascimento da AMORC na América e Lewis, amargurado,
diz em um dos seus escritos:

"...Aqueles que eu pensava estivessem interessados não mostraram interesse


nenhum, senão antipatia. Lembro-me bem desta noite chuvosa, enquanto eu voltava,
indo em direção à casa de uma senhora que vivia em Madison Avenue, perto da rua 34,
com meus documentos sob o braço, a Carta e o "Livro negro", abatido e perplexo. Dos
12 que estiveram reunidos, dentre 20 convidados, nem um só assinou os documentos
preliminares da organização..."26.

Onde estavam as centenas de homens e mulheres cuidadosamente escolhidos


durante sete anos? Onde estavam os descendentes dos antigos Rosacruzes que
haviam analisado, discutido e preparado com Lewis os ensinamentos em seu "Instituto
de Investigações Psíquicas"? Onde estavam os iniciados na França entre 1900 e 1909?
Tudo isto nos faz pensar que tais pessoas somente existiam na imaginação de Lewis.

Então, depois de ter refletido bem, Lewis se dá conta de que tinha se


equivocado, apesar do auxílio de tantos iniciados e descendentes e que não era em
1914, senão em 1915 que tinha que reapresentar os documentos para assinatura...
devidamente auxiliado por um personagem misterioso, a delegada da Índia, mas esta é
outra história, que iremos relatar a seguir...

26
The American Rosae Crucis - julho 1916 - pag. 11 e seguintes, em:
http://www.iapsop.com/archive/materials/american_rosae_crucis/american_rosae_crucis_v1_n7_jul_1
916.pdf

46
7 - A Delegada da Índia (Um Personagem Misterioso)

A Sra. May Banks-Stacey

Em diversas páginas foram feitas referências a um Delegado da Ordem Rosacruz


na Índia, conforme os escritos de Lewis e que, em escritos posteriores, viria a ser uma
mulher, muito misteriosa, cujo "retrato" aparece em uma das obras fundamentais do
"doutor" Harvey Spencer Lewis intitulada "Manual Rosacruz"27, sob cujo retrato consta
uma observação: "... Sra. May Banks-Stacey, Co-fundadora e primeira Grande Matre
dos Estados Unidos (veja-se referência histórica na página 153)..." (estes dados da co-
fundadora e Grande Matre são importantes e dignos de se levar em conta, para
posteriores explicações).

Na página n° 153 do dito "Manual Rosacruz" e que corresponde a uma resenha


biográfica do "doutor" Harvey Spencer Lewis, se diz: "...um membro do ramo inglês

27
Manual Rosacruz - H.S.L. - Supreme Grand Lodge of AMORC Inc. - 18 edit - 1970 - pag. 16. Este
manual, naturalmente, não é mais publicado pela atual AMORC.

47
que patrocinou o primeiro movimento na América, a esposa do coronel May Bank-
Stacey, descendente de Oliver Cromwel e dos D'Arcy, da França, colocou em suas mãos
esses documentos, da mesma maneira e de forma oficial, como lhe haviam sido
transmitidos pelo último dos primeiros Rosacruzes americanos, junto com a joia e a
chave de autoridade que ela recebeu do Grande Mestre da Ordem na Índia, quando era
oficial da Ordem nesse país...”

(Um membro da Ordem Rosacruz na Índia? Onde estava localizada esta Ordem
na Índia, sendo que não há nenhuma referência histórica, exceto nos escritos de
Lewis? Papéis recebidos do Grande Mestre da Ordem na Índia? Quem era esse
Grande Mestre dessa Ordem Rosacruz na Índia? Todos os estudiosos sérios do
esoterismo e da verdadeira história da Rosacruz apreciariam conhecer esses dados e,
por conseguinte, que fossem comprovados.)

O filho de Harvey, Ralph M. Lewis, em sua já citada obra, "Missão Cósmica


Cumprida", também fala da viúva do Coronel Bank-Stacey, quando faz referência à
desilusão sofrida por Harvey Spencer Lewis quando da não assinatura dos papéis por
nenhuma pessoa e diz que, na noite de 25 de novembro de 1914 (aniversário de Lewis)
a delegada da Índia, Sra. Stacey, lhe entregou, junto com uma rosa, os papéis e joias de
autoridade para fundar a AMORC.

Em outro escrito de Lewis, intitulado "A Luz do Egito"28 se diz: "...Uma alta
iniciada da mais antiga organização rosacruz de Londres e Paris (para os Rosacruzes
serem tão secretos e estarem restritos à França, agora vemos que, além de ser
Delegada da Índia, também era membro da rosacruz de Londres e Paris... em página
anterior mencionava-se também a Suíça...) descendente dos D'Arcys, da França (Aqui
já não se fala que era descendente de Oliver Cromwel). Uma mulher que tinha viajado
muito e detentora de inúmeras afiliações (???) apresentou-se como Delegada especial
da Ordem na Índia. Ela entregou ao "Dr." Lewis e ao comitê fundador os papéis
definitivos para o início da grande obra e a Joia de Autoridade, um raro emblema
oficial, bem como, tesouros inestimáveis provenientes dos arquivos do Centro Oriental.
(Temos que perguntar novamente: que papéis são esses que ninguém viu? Que joia?
Quais tesouros?)

Vamos ao ponto que nos dará a pista definitiva sobre esta "misteriosa dama",
"delegada da Índia", "Co-fundadora da AMORC" , "Primeira Grande Matre da Rosacruz
AMORC na América".

No dia 8 de fevereiro de 1915, na presença de nove pessoas (nada das centenas


de pessoas bem escolhidas, conforme dizia o "doutor") acontece uma reunião prévia

28
The Ligth of Egipt - 1927/28 - pag. 14.

48
para a fundação da AMORC e no dia 1° de abril de 1915, às 20:30 horas, na presença
de umas trinta pessoas29 assina-se um pronunciamento que diz:

"Em reunião devidamente constituída nós, abaixo-assinados, senhoras e


cavalheiros da cidade de Nova York nos constituímos formalmente em membros do
Conselho Supremo da Antiga e Mística Ordem da Rosa Cruz em concordância com os
Ritos Antigos e Cerimônias e aprovação do mui Grande e Poderoso Grande Mestre
Geral da América. Em consequência, levado ao conhecimento de todos a proclamação
e estabelecimento da "Ordem Rosacruz na América" e reconhecemos os Oficiais da
Grande Loja, cujos membros aqui constam, como devidamente eleitos em
conformidade com o Primeiro Manifesto Americano”.

Firmado ao 1° dia de abril de 1915.

H. Spencer Lewis

Grande Mestre Geral

Matre Geral (sem assinatura)

Nicholas Storm

Deputado Mestre Geral

Thor Kiimalehto

Secretário Geral

Faça-se a Luz - Fiat Lux

Na continuação seguem as assinaturas dos outros presentes. Reproduzimos este


interessante documento que aparece em um dos folhetos da AMORC30.

29
Segundo nos informa um amável leitor desta página, na revista The American Rosae Crucis, outubro
de 1917, página 195 e seguintes, Harvey Spencer Lewis diz que o número de pessoas presentes à
reunião de 1° de abril de 1915, onde foi assinado este documento, estavam presentes 22 pessoas. E,
efetivamente, contando as assinaturas dos três dignitários e as 19 assinaturas que aparecem na parte
inferior, o que pode ser comprovado no documento constante do "The Rosicrucians Documents"
reproduzido em páginas anteriores, soma-se 22 pessoas, o que coincide com o número indicado por
Lewis. Porém, novamente se apresenta uma questão: se havia 22 pessoas e a assinatura da "Sra. May
Banks-Stacey" e esse era o documento de fundação, onde estava a Senhora que, segundo a AMORC, era
"cofundadora e primeira matre geral da Ordem"?
30
Rosicrucian Documents - S.G.L. of AMORC Inc, - Ed. 1975 - pag. 6.

49
Manifesto AMORC 1- Abril 1915

50
Em vista do exposto e já que estamos interessados em conhecer a verdade,
façamos algumas perguntas:

Levando em conta que a Sra. Stacey era tão importante, já que era Delegada da
Índia, membro de muitas associações, Co-fundadora da AMORC, Primeira Grande
Matre da AMORC na América, quem entregou os documentos e joias ao "doutor"
Harvey Spencer Lewis? Onde e quando nasceu a Sra. May Banks-Stacey? Onde e
quando faleceu? Porque não há referência à participação da Sra. Stacey na reunião
de 15 de fevereiro de 1915? Porque não há referência da participação da Sra.Stacey
na reunião de 1° de abril de 1915? Porque não aparece a assinatura da Sra. Stacey no
Manifesto, no cargo de "MATRE GERAL" tal e qual se pode ver na imagem? É
realmente a Sra. Stacey a que aparece na fotografia da AMORC?

São perguntas em demasia e sem nenhuma resposta, o que nos leva a pensar
que a Sra. May Banks-Stacey, descendente de Cromwell e dos D'Árcy da França,
Delegada da Índia, Cofundadora da AMORC, Primeira Grande Matre da AMORC U.S.A.
(um personagem que deveria ser de importância fundamental, tendo em vista essas
informações) somente existiu na imaginação do "doutor" Lewis. Não queremos ir tão
longe quanto R. S. Clymer, o qual declarou que a pessoa que aparece na fotografia era
"uma atriz contratada", porém, não podemos aceitar a existência real desse
personagem baseando-nos em declarações e escritos tão contraditórios e pela falta de
evidências.

No próximo escrito iremos nos ocupar do Primeiro Documento da AMORC e que


está arquivado na Biblioteca Pública de Nova York e que nos fornece novas surpresas
sobre a “autoridade” e “origens Iniciáticas” de Lewis e veremos a manipulação que os
dirigentes da AMORC pretenderam levar a efeito relacionada a esse documento.

ANEXO I

Recentemente recebi um documento interessante, enviado por um magnífico


historiador do esoterismo, o Sr. Marcel Roggemans, o qual reproduzo integralmente
no rodapé da página31, e que corresponde a um artigo escrito por David T. Rocks e

31
(Deixamos de traduzir o texto relativo a esta nota, por ser demasiado extensa. Procuramos
condensar o conteúdo, sem perder a essência, do original em espanhol.)
For the members interested in rosicrucian history: there are two good articles published in the
magazine "Theosophical History" edited by the great Professor Dr. James A. Santucci (Department of
Religious Studies, California State University). The articles are:
- "H. Spencer Lewis: A Bibliographical Survey", by David T. Rocks. (Vol.4, October 1996).
- "Mrs. May Banks Stacey," by David T. Rocks. (Vol.6, April 1997).
Here is the David Rocks article on May Banks Stacey.
David T. Rocks wrote in the magazine "Theosophical History":

51
Manly P. Hall (1901-1990) believed that Rosicrucians actually existed; however, he also wrote that
the whole subject of Rosicrucianism has been intensely complicated by misrepresentation and
imposture.; As one of the most invidious critics of Rosicrucianism in America, Hall was convinced that
the claims of a number of modern organizations were utterly false.
Similarly, in his analysis of American Rosicrucianism Arthur Edward Waite (1857-1942) wrote that the
Societas Rosicruciana in America obviously has no tradition, no claim on the past and no knowledge
thereof. Moreover, he concluded that:
It would serve no useful purpose to enlarge upon later foundations, like that of Dr. R. Swinburne
Clymer, who seems to have assumed the mantle laid down by [P. B.] Randolph, or Max Heindel's
Rosicrucian Fellowship of California. They represent individual enterprises which have no roots in the
past.
And, in spite of the fact that Waite's assessment of American Rosicrucian groups did not include
Harvey Lewis' enterprise, it cannot be inferred that Lewis' claims of authenticity were any more valid
than the claims of his rivals. Harvey Spencer Lewis (1883-1939) was the founder of the Ancient Mystical
Order Rosae Crucis, established in New York City on April 1, 1915. Lewis introduced May Banks Stacey
(1846-1918) as co-founder of his group in a biography written for the initial issue of AMORC's; official
organ, The American Rosae Crucis.
Approximately three years later, Lewis wrote a combination obituary-biography of Stacey together
with a testimonial attributed to her in support of his claims. Finally, in 1927, Lewis condensed the data
in both biographies and incorporated the fragments into his autobiography, giving her some notoriety,
albeit for his benefit.
Lewis wrote that: he made his first contact with the work of the Rosicrucians through obtaining
copies of the secret manuscripts of the first American Rosicrucians who established their headquarters
near Philadelphia in 1694. A member of the English branch which sponsored the first movement in
America, Mrs. Colonel May Banks Stacey, descendant of Oliver Cromwell and the D'Arcy's of France,
placed in his hands such papers as had been officially transmitted to her by the last of the first American
Rosicrucians, with the Jewel and Key of authority received by her from the Grand Master of the Order in
India while an officer of the work in that country.
On the face of it, the gesture of including Mary Stacey in his autobiography seemed to be a strategy
for the reinforcement of Lewis' claim to Rosicrucian authenticity. Although Lewis publicized her as the
organization's co-founder, Stacey never signed the group's original charter. Moreover, evidence of
Stacey's membership in the English branch which sponsored the first [Rosicrucian] movement in
America remains to be discovered. In any case, only Lewis and Stacey knew for certain the reasons for,
and, the extent of their association. Therefore, a biographical sketch, supported by sources outside of
the Rosicrucian Order (AMORC), is essential to determine whether or not Mary Stacey could have
functioned in the capacity ascribed to her by Lewis.
Mrs. Stacey was born Mary Henrietta Banks in July 1846, in Hollidaysburg, Blair County,
Pennsylvania. The census of August 30, 1850 records Mary H. Banks, age 4, in the household of
Thaddeus Banks. The exact day of her birth remains to be discovered.
Additionally, records relevant to her formal education have yet to be located. However, available
records disclose that her father was a Presbyterian; and a Democrat; Also, Thaddeus Banks was a well
known attorney in Hollidaysburg, who in 1862 served in the House of Representatives of Pennsylvania.
Furthermore, he was the son of Judge Ephraim Banks of Lewistown, Pennsylvania and the grandson
of James Banks Jr., a member of the State Legislature in 1790, as well as a Major General in the
Pennsylvania Militia during the War of 1812.
Mary's earliest known immigrant ancestor, James Banks Sr., was born in Ayr, Scotland in 1732.
He and his wife Anna sailed for America and landed at Christiana Bridge, Delaware in 1755. From
Delaware they went to New London Crossroads, Chester County, Pennsylvania, where they made their
first home in this country. In 1756, James Banks Sr. enlisted and served two years in the Indian
campaigns with Captain Clinton's Volunteers, who incidentally were under the command of Colonel
George Washington. In 1758, he enlisted in the army of General Forbes and marched against Fort Du
Quesne in the French and Indian War.
Mary's mother was Delia Cromwell Reynolds of Cecil County, Maryland, daughter of Reuben
Reynolds and Henrietta Maria Cromwell.
In short, since Mary Banks was a fifth generation American on both sides of the family, her reported
membership in an English branch of Rosicrucianism could serve only to obscure the issue of her origin.

52
Meanwhile, Mary Henrietta Banks married Captain May Humphreys Stacey on December 9, 1869, at
her father's home in Hollidaysburg, Pennsylvania. The ceremony was performed by Reverend William
Preston, Rector of Saint Andrew's [Episcopal] Church of Pittsburgh.
Captain Stacey was an adventuresome choice as a husband. In 1857 he crossed the plains to
California with Lieutenant Edward F. Beale, who was surveying a wagon route between Alberquerque,
New Mexico, and the Colorado River. The only camels that ever crossed the continent were taken by Lt.
Beale's party.
After reaching California, May Stacey stayed for over a year, then returned home on a merchant ship
via Calcutta and the Cape of Good Hope. In 1859 he was appointed Master's Mate of the United States
steamer Crusader. Soon afterwards, Stacey joined the United States Coast Survey steamer Corwin where
he remained until his appointment as first lieutenant in the Union Army.
He was promoted to captain Twelfth Infantry August 19, 1864 and was three times breveted for
distinguished services.
Brevet Lieutenant Colonel, Captain May Stacey and his bride Mary became the parents of a daughter
and two sons: Delia Van Dycke Stacey born at Hollidaysburg, November 9, 1870; Aubrey Banks Stacey,
born at Angel Island, California, February 29, 1872; and, Edward Cecil Cromwell Stacey, born at Camp
Halleck, Nevada, February 14, 1876.
The Staceys were stationed at the most desolate outposts the Army had to offer between 1869 and
1882. According to data in his personnel file Captain Stacey served as commanding officer at the
following posts: Fort Grant, Fort Lowell, Fort Mojave, and Fort Thomas, Arizona; Camp Reynolds on
Angel Island and Fort Yuma, California; Camp Halleck and Fort McDermit, Nevada. Finally, the Staceys
spent their last four Army years at Plattsburg Barracks, and Fort Ontario, New York.
Captain Stacey died at Fort Ontario on February 12, 1886 from paralysis caused by the wounds he
received in the Civil War.
In a short time, May H. Stacey Post No. 586, Grand Army of the Republic was chartered in his honor
at Oswego, New York.
Captain Stacey was buried in Chester, Pennsylvania. Afterward, affidavits obtained by Mary Stacey to
secure her widow's pension indicated that she and her children lived with in-laws in Chester during the
period 1886-1887, and with her sister's family in Baltimore from 1887 to 1891. The report submitted to
Congress by Mr. Brady of the committee on pensions stated that Captain Stacey's death left Mrs. Stacey
and three children in needy circumstances.
Hence, the necessity of living with relatives was evident. Initially, her pension was $20.00 per month,
plus $2.00 per month for each child under sixteen years of age. Three years later, the United States
Senate approved a pension of $30.00 per month.
Supplemented by financial assistance from her children, she lived on that amount for the remainder
of her life.
Clearly, times were hard. From 1892 to 1897, Mary Stacey lived in a boarding house at 139 West
41st Street, New York City. Her landlord, Fred Stanley Betts, complained to the War Department that
Mrs. Stacey, the mother of Lieutenant Stacey was $450.00 in arrears for her board bill. Betts wrote that
she and her son signed a note payable, then moved.
Further proof of her sorry financial circumstances may be inferred from a letter written to President
McKinley. Of her youngest son, she wrote, He is my main support. . . . I have no political influence, but I
have given both my boys to the country. My eldest boy is in Cuba.
In another letter on behalf of her youngest son, Mary Stacey also revealed information about her
personal life. On April 26, 1898, she wrote, I am the First Vice President of [the] New York Women's
Republican Association, and worked hard in the Presidential campaign.
My son is a New York soldier, so I write to you as our Senator, begging you to use your influence with
the President and Secretary of War, to appoint Sergeant Stacey as Second Lieutenant. Also, February 25,
1898, a friend of the family, Thomas F. Reed, Surveyor of Customs, Port of New York, wrote to General
Alger of the War Department on behalf of Sergeant Stacey. Likewise, his letter revealed information
about Mary Stacey's private life. Of Mrs. Stacey, he wrote, With the prominence and loyalty of his father
we can add the distinguished and energetic life and labors of his mother Mrs. May Banks Stacey, who is
engaged in duties on the rostrum, in our schools, and before societies, teaching the young those lessons
of patriotism, which makes our Republic the great and growing power of the world.
Mary Stacey had been teaching at the Charlier Institute, a private school, on Sixth Avenue at Fifty-
ninth Street, opposite Central Park.

53
Her brother-in-law, Professor Elie Charlier was the founder of the Institute and a French Episcopal
minister as well. Moreover, he was Jeannette Stacey's husband.
Consequently, working for her in-laws proved beneficial for Mary Stacey. In addition to the extra
income, she found plenty of time to actively campaign for Cromwell's promotions. Eventually, her
efforts were successful. Cromwell was appointed second lieutenant of Infantry at Fort Leavenworth,
Kansas, on July 15, 1898.
During the Spanish American War, he distinguished himself in Puerto Rico and a few years later in
the Philippines, while his older brother, Aubrey, never rose above the rank of Sergeant.
The following extract is from one of Mary Stacey's letters to Secretary of War, Elihu Root:
You will see I am with the 19th U.S. Inf. now at Camp Meade, [Middletown] Pa., with my son
Cromwell, 1st Lt. but who has acted Captain all through the Porto Rican Campaign. You may have seen
how he covered himself with glory by capturing the famous brigand [Estaban] Garcia. The New York
papers [New York World, April 16, 1899] gave Cromwell's picture and a full account taken from the
Porto Rican papers, in which they said Lt. Stacey deserved great things for thus saving the lives and
property of the people.
Most important, Cromwell's military service reports made it possible to accurately document his
mother's places of residence.
Therefore, this information combined with the knowledge of her financial circumstances would seem
to preclude the notion that Mary Stacey served as an officer of the Rosicrucian Order in India. In fact,
existing records support the contention that her personal and financial circumstances made it all but
impossible for her to travel anywhere other than from relative to relative.
Indeed, Mrs. Stacey prepared a holographic will while residing with her daughter in Atlantic City,
New Jersey. She described the extent of her wealth as: all personal property, viz., jewelry, clothes, bric-
a-brack, books, mining shares, and whatever I may possess at death. . . . .
Mary Stacey died on January 21, 1918, and her daughter filed the will at the Circuit Court of Cook
County, Probate Division, on March 11, 1918. Assets in the estate were about $100.00.
Sexton's records from Graceland Cemetery and Crematorium, 4001 North Clark Street, Chicago,
Illinois, confirm that Mary Stacey was cremated and her ashes scattered.
On the whole, sources outside of the Rosicrucian Order (AMORC) pointedly suggest the following:
1. Although some of Mary Stacey's relatives were wealthy, her immediate family lived modestly.
And, in spite of hardships, Mary Stacey was always completely devoted to her family. When she died she
was living with her daughter in Evanston, Illinois, and her youngest son Cromwell was stationed at
nearby Fort Sheridan. It seems unlikely that she would have forsaken her children to embark upon an
arduous and expensive journey to India. Consequently, evidence of Stacey's service as an officer of the
Rosicrucian Order in India remains to be discovered. Likewise, it is unclear how Mary Stacey could have
been a member of the English branch which sponsored the first [Rosicrucian] movement in America.
2. Finally, Lewis benefitted from their relationship in ways that were obvious. In contrast, one can
only speculate concerning the benefits to Mary Stacey. 's involvement with his organization must remain
questionable. And, since that is the case, it would appear that Lewis' claims of Rosicrucian authenticity
were just as incredulous as the claims of his rivals.
Mrs. May (Banks) Stacey was Mary Henrietta Banks, the wife of May Humphreys Stacey. The
reference to May Banks Stacey was a gender role stereotype whereby her identity was defined by the
relationship to her husband.
Mr. Rocks is a former member of AMORC and currently the head of Rocks and Associates (Orange,
California). As a historian, he is the author of W.C. Fields An Annotated Guide: Chronology,
Bibliographies, Discography, Filmographies, Press Boods, Cigarette Cards, Film Clips, and Impersonators
(Jefferson, North Carolina: McFarlane, 1993). Mr. Rocks is also the author of two bibliographies of
Orange County (California) history: A Contribution Towards a Bibliography of Orange County, California,
Local History, Together with a Checklist of the Publications of the Fine Arts Press of Santa Ana, California
(1971) and Orange County Local History, 1869-1971: A Preliminary Bibliography (1972).
Hall, Manly P. The Riddle of the Rosicrucians (Los Angeles: Philosophical Research Society, 1941), 2, 14-
15.
Waite, Arthur Edward. The Brotherhood of the Rosy Cross (London: Rider & Co., 1924), 615-616.
AMORC is an acronym for the Ancient Mystical Order Rosae Crucis.
Lewis, H. Spencer. Mrs. May Banks Stacey Matre, Rosae Crucis America. The American Rosae Crucis. Vol.
1, No.1 (January, 1916): 16-17.

54
_____ The Supreme Matre Emeritus Raised to the Higher Realms. Ó Cromaat. D (1918): 26-27.
_____ Rosicrucian Manual. AMORC. (Charleston, W. Va.: Lovett Printing Co., 1927), 13, 128.
Lewis claimed that the German Pietists were the first American Rosicrucians. See Julius F. Sachse, The
German Pietists of Provincial Pennsylvania, 1694-1708. (New York: AMS Press, 1970), iv, 37.
Manly P. Hall, Codex Rosae Crucis. (Los Angeles: Philosophical Research Society, 1974), 33-38 contains a
complete description of the so-called secret manuscripts of the first American Rosicrucians.
Mrs. Stacey fervently believed that she was a lineal descendant of Oliver Cromwell. However, famed
genealogist Francis B. Culver was the first to discover the erroneous Cromwell connections.
Unfortunately, every Cromwell who emigrated to Maryland claimed descendance from the
Protector, but, no one has proven a relationship. Additionally, the eminent Maryland genealogist
Harry Wright Newman, wrote that after studying the foregoing [genealogical] outlines, it shows
conclusively that the Maryland Cromwell's are not descended from Oliver the Puritan, unless they be
from his son and namesake, Oliver, who is supposed to have died without issue at the age of twenty-
one. Ó See Newman's Anne Arundel Gentry. A Genealogical History of Twenty-Two Pioneers of Anne
Arundel County, Md., and their descendants. (n.p.: Maryland Pioneer Series, 1933), 4-5.
Lewis, Ralph M. Rosicrucian Documents (San Jose: Supreme Grand Lodge of AMORC, Inc., 1975), 6.
Photograph of the Pronunciamento [charter] issued and signed on the occasion of the first meeting
of the American Supreme Council of the AMORC in New York City, April 1, 1915. Mary Stacey was not
one of the several women who signed the document.
United States. Census. Schedule I. Hollidaysburg, Blair County, Pennsylvania. August 30, 1850. Family of
Thaddeus Banks, House 53, Family 62, page 195.
Letter to the author from James M. Hanly, Pastor, First Presbyterian Church, Hollidaysburg, PA, dated 16
September 1985. Thaddeus Banks united with this church in January 9, 1864. . . .
Davis, Tarring S. and Lucille Shenk. A History of Blair County, Pennsylvania (Harrisburg: National
Historical Association, 1931), II-168. He [Thaddeus Banks] was the Democratic candidate for judge
against Dean and Taylor in 1871, but was defeated.
Wiley, Samuel T. and W. Scott Garner. Biographical and Portrait Cyclopedia of Blair County,
Pennsylvania. (Chicago: Gresham Publishing Co., 1892), 92.
History of that part of the Susquehanna and Juniata Valleys, Embraced in the Counties of Mifflin,
Juniata, Perry, Union and Snyder in the Commonwealth of Pennsylvania. In Two Volumes.
(Philadelphia: Everts, Peck & Richards, 1886), vol. I, 467-68.
Ephraim Banks was a native of Lost Creek Valley (now Juniata County); was born January 17, 1791.
He came to Lewistown in 1817, and was appointed prothonotary of Mifflin County in 1818 by Governor
Freedley.
After studying law, was admitted to practice in 1823; was a member of the Legislature in 1826-7-8; a
member of the Constitutional Convention in 1837; was elected auditor-general of the State in 1850, and
re-elected in 1853. In 1866 he was elected associate judge of Mifflin County, which position he held at
the time of his death, in January, 1871.
Jordan, John W. A History of the Juniata Valley and Its People. Volume I. Illustrated. (New York: Lewis
Historical Publishing Co., 1913), 115.
Montgomery, Thomas Lynch. Pennsylvania Archives, Sixth Series. Volume VII. (Harrisburg: Harrisburg
Publishing Co., State Printer, 1907),937. A general return of the Militia of Pennsylvania for the year
1812. Names of Major Generals: James Banks.
Note that James Banks Sr. was born 38 years after the German Pietists settled near Philadelphia.
History of that part of the Susquehanna and Juniata Valleys embraced in the Counties of Mifflin, Juniata,
Perry, Union and Snyder in the Commonwealth of Pennsylvania. Two Volumes. (Philadelphia: Everts,
Peck & Richards, 1886), I: 824-831. Note: Captain Clinton was also Banks' landlord.
The Biographical Cyclopedia of Representative Men of Maryland and District of Columbia. (Baltimore:
National Biographical Publishing Co., 1879), 556-557.
The English branch of AMORC was established in 1921. See the Rosicrucian Forum, 26-4 (February
1956): 95.
Stacey, Mary H. Affidavit of Marriage to May H. Stacey, dated February 26, 1886. Thomas Dees, Clerk of
Orphan's Court, Chester, Delaware County, Pennsylvania.
Fowler, Harlan D., Camels to California. (Stanford: Stanford University Press, 1950), 46-67, 92-93. Also
see Stacey, May Humphreys. Uncle Sam's Camels: The Journal of May Humphreys Stacey,

55
Supplemented by the Report of Edward Fitzgerald Beale, 1857-1858, edited by Lewis Burt Lesley.
(Cambridge, MA: Harvard University Press, 1929).
Martin, John Hill. Chester and It's Vicinity, Delaware County in Pennsylvania; with Genealogical Sketches
of Some Old Families. (Philadelphia: n.p., 1877), 47.
United States. Cong. House. Report on May H. Stacey by Mr. Brady from the committee on pensions.
49th Congress. 2nd Session. House Report 3694. January 20, 1887. Note: A brevet is a commission
giving a military officer higher nominal rank than that for which he receives pay. However, such a
commission, carries no right of command. It may be conferred by the President of the United States
by and with the consent of the Senate upon officers of the Army and Marine Corps for distinguished
conduct and public service in the presence of the enemy.
Stacey, Mary H. Affidavit of Birth and Baptism of children of Captain and Mrs. Stacey, dated March 8,
1886. J. N. Shanafelt, City Recorder, City of Chester, Delaware County, Pennsylvania. All three of the
Stacey children were baptized by Episcopal ministers.
United States. Adjutant General' s Office. Personnel File 2930, May H. Stacey. 124 leaves.
United States. Cong. House. Report on May H. Stacey by Mr. Brady from the committee on pensions.
49th Congress. 2nd Session. House Report 3694. January 20, 1887.
Boyd' s Oswego City Directory, 1895-96, 75 The original Post Charter and the membership register is in
the archives of the New York State Library at Albany. Note: The Grand Army of the Republic was a
Civil War veteran's organization.
United States. Cong. House. Report on May H. Stacey by Mr. Brady, from the committee on pensions.
49th Congress. 2nd Session. House Report 3694. January 20, 1887.
United States. Cong. Senate. Report on May H. Stacey by Mr. Paddock from the committee on pensions.
50th Congress. 2nd Session. Report 2560. February 8, 1889.
Betts, Fred Stanley. Bills Owed by Mrs. May Banks Stacey since May 1, 1898. Letter to War Department,
dated May 1, 1899. Betts wrote, Since that date I have heard not a word from either of them, and it
seems to me that I have been done out of my money, unless the department in some way induces
Lieutenant Stacey to uphold the honor of a United States Army Officer by meeting his just
obligations.
Stacey, Mary H. Letter to President McKinley re: Promotion of Cromwell Stacey, dated [illegible], 1898.
Her statement, Again, Mr. President, I beg as a soldier Õs widow, as a Grand Army woman, and as a
Mason [?], for your help. This is puzzling. Since women were not allowed into the fraternity proper,
she may have meant a women's masonic auxiliary, which would imply that Captain Stacey was a
Mason. To be sure, she did not mean Co-Masonry because it was not established in America until
1903.
Stacey, May Banks. Letter to [New York] Senator concerning promotion of Cromwell Stacey. April 26,
1898. Name of Senator covered by transmittal notation to the Secretary of War.
Reed, Thomas F. Letter from Office of the Surveyor of Customs, Port of New York to General Russell A.
Alger, War Department concerning Cromwell Stacey. February 25, 1898.
Eyre, Lawrence. Family Records of the Stacey Family and their Connections. (n.p., n.p., [1936]),32-33.
Stacey, Cromwell. Oath of Office. July 15, 1898. –United States. Army. Headquarters Philippines
Div., Manila, P. I. January 26, 1906. General Orders No. 6. Commendation of Cromwell Stacey.
United States. Army. Register of Enlistment, Aubrey B. Stacey. May 7, 1904, Entry 1487, page 188. May
22, 1908, Entry 1353, page 102. February 7, 1911, Entry 618, page 240.
United States. Adjutant General' s Office. Personnel File 9250, Cromwell Stacey. Microfilm, 1204 frames.
Extracted from Officer' s Individual Service Report:
1898-1899 101 West 40th Street, New York City
1899-1902 137 West 67th Street, New York City
1902-1903 47 West 63rd Street, New York City
1903-1904 160 St. Charles Place, Atlantic City, NJ
1904-1905 816 11th Street, NW, Washington, D. C.
1906-1907 Hotel Fredonia, Washington, D. C.
1908-1910 160 St. Charles Place, Atlantic City, NJ
1911-1917 26 East 25th Street, Baltimore, MD
1917-1918 1003 Davis Street, Evanston, IL
Stacey, May Banks. The Last Will & Testament of May Banks Stacey, Atlantic City, New Jersey, February
16, 1904. 1 leaf.

56
publicado em 1996, sendo o mesmo muito extenso e completo, chegando a incluir os
endereços dos sucessivos domicílios da Sra. Stacey desde que começou a cobrar uma
pensão por viuvez, até o seu falecimento em Evanston - Illinois - USA.

No citado documento, no qual se comenta da pouca confiabilidade quanto as


pretensões dos fundadores de vários movimentos rosacruzes na América, incluindo o
"doutor" Lewis, indica-se a existência de uma senhora chamada Mary Henrietta Banks,
nascida em Hollidaysbourg, Pensylvania, em 1846 e casada com o "capitão" (e não
coronel) May Humpfreys Stacey em 1866, com quem teve 3 filhos (uma menina e dois
meninos). O capitão Stacey faleceu em Fort Ontario no ano de 1886, vítima de uma
paralisia causada pelos ferimentos recebidos na Guerra da Secessão norte-americana
deixando viúva sua esposa May Stacey e três filhos: Delia, de 15 anos, Aubrey, de 12
anos e Edward Cecil Cronwell, de 10 anos, deixando-lhe uma pensão por viuvez,
segundo expediente da Secretaria de Guerra dos Estados Unidos, de 20 dólares
mensais, em seguida aumentada para 30 dólares, mais 2 dólares mensais por filho até
que completassem 16 anos.

Sabe-se que a Sra. Stacey vivia em Nova York em 1889 e entre 1898-1899, numa
pensão situada em 101 West 40th Street, Nova York City e que seu locatário, Sr. Fred
Stanley Bets, reclamou perante as autoridades pelo fato da Sra. Stacey estar lhe
devendo um aluguel acumulado em 450 dólares.

A Sra. Mary Henrietta, cujo nome de casada era Mary Stacey (e não Sra. May
Banks-Stacey) faleceu em Evanston, Illinois, no dia 21 de janeiro de 1918. O
testamento da Sra. Stacey foi arquivado junto aos registros gerais do Condado de
Cook, Illinois, em março de 1918, pela sua filha, e todas as suas propriedades (livros,
joias, móveis, etc.) foram avaliados em aproximadamente 100 dólares, um capital
realmente parco.

De toda esta história, como se pode ver no rodapé da página, infere-se o


seguinte:

1 - A Sra. Mary Stacey, viúva do "capitão Stacey e não de algum coronel", é uma
pessoa real que tem muito pouco, ou nada, a ver com May Banks-Stacey, a qual,
segundo todas as evidências, é uma figura inventada por Lewis.

Certificate of Death, State of Illinois, Bureau of Vital Statistics. Mary B. Stacey. Date of Death: January
21, 1918. Filed: February 5, 1918.
Naramore, Milton O. Attorney for Delia (Stacey) Muller. Letter to Bureau of Pensions, dated June 6,
1918. There was no property left by the widow except a few personal effects contained in trunks
which are in storage in New York City.

* * * * *
Mrs. May Banks Stacey - Article by David T. Rocks in "Theosophical History", Vol. VI, 4, October 1996.

57
2 - A Sra. Stacey era uma pobre viúva, mãe de três filhos, com uma pensão de
apenas 20 dólares, concedida pelo Governo dos Estados Unidos, aumentada
posteriormente para 30, mais 2 dólares por filho, até que completassem 16 anos, o
que pressupõe, no máximo, uma miserável pensão de 36 dólares mensais, totalmente
insuficiente para se levar uma vida normal e digna, para uma pessoa que tinha que
sustentar 3 filhos, sendo dois adolescentes.

3 - À luz da documentação exposta, sabe-se que a Sra. Stacey vivia em Nova York,
de pensão, e que tinha uma dívida de 450 dólares com o seu locador e que este entrou
com medidas judiciais, o que é um sinal da pobreza da Sra. Stacey.

4 - Levando em conta seu estado de pobreza e as dívidas que acumulou, bem


como o fato de ter enviuvado, com três filhos pequenos, dos quais cuidou e não
abandonou, como é possível que essa senhora viajasse à Inglaterra, Paris, Egito e Índia,
segundo diz Lewis? Como seria possível que fosse oficial da Rosacruz nos países
mencionados, o que pressupõe uma prolongada estada em cada um deles, de tão alto
custo que eram essas viagens naquela época e ainda por cima tendo lhe confiado uma
missão, como diz Lewis?

5 - Levando em conta somente essas informações, sem entrar em outras


conjeturas, como é o caso de sua correspondência com o Departamento de Guerra
relacionada as promoções de seus filhos no exército, sua suposta descendência dos
Cromwell da Inglaterra e dos D'Arcy da França, dado esse que não aparece em sua
genealogia, o que Lewis a chama com um nome curioso: o primeiro nome do marido,
May, o nome de solteira dela, Banks, o nome do marido, Stacey, resultando tudo isto
na curiosa composição May Banks Stacey, incluindo-se a informação de Lewis sobre
um lugar de nascimento diferente do verdadeiro, além de não indicar a data de
nascimento, com certeza porque a desconhecia, etc. etc. etc.

6 - Considerando que a Sra. Stacey nunca participou das reuniões do grupo de


Lewis e não assinou o manifesto de abertura da AMORC, onde não consta a assinatura
da "Matre Geral", não cabe outra possibilidade que a de chegar a conclusão que Lewis
conhecia pouco, ou quase nada, a Sra. Stacey. (Sr. David Rocks, autor do citado
documento, diz que nunca se poderá saber, realmente, a suposta ou real relação entre
Lewis e a Sra. Stacey e o grau de profundidade da mesma).

7 - Sem chegar a afirmar, como faz Clymer, ainda que é possível que seja assim, a
Sra. Stacey era uma pessoa que se deixou fotografar em troca de dinheiro, sem
nenhuma outra relação com Lewis; o mais provável é que Lewis conheceu a Sra. Stacey
ocasionalmente e que não teve nenhum relacionamento de amizade com ela,
utilizando sua "fotografia" e uma história fictícia para justificar a fundação da AMORC
e dar veracidade à suas fantasias.

58
Do ponto de vista do historiador, o caso enfocado é um acumulado de
falsificações e utilização abusiva e fraudulenta da personalidade de um ser humano, o
qual, com certeza, ignorava por completo de que forma seu nome seria utilizado.

Do ponto de vista humano, é vergonhoso que se tire proveito de uma mulher


pobre, viúva e com sérios problemas econômicos e humanos.

Quem realmente era a Sra. May Banks Stacey? (1846-1918)

Artigo por David T. Rocks em Theosophical History, Volume VI, No. 4 outubro de 1996.

https://pt.scribd.com/document/110899767/Who-really-was-Mrs-May-Banks-Stacey-1846-1918

59
60
8 - O Primeiro Manifesto da AMORC - Fevereiro 1915

Thor Kiimalehto

Secretário Geral da AMORC em 1915

Conforme comentamos em páginas anteriores, no dia


15 de fevereiro de 1915, às 20 horas e trinta minutos,
perante um grupo de 9 pessoas, o "doutor" Lewis
apresenta, em caráter preliminar, um projeto de fundação da AMORC, uma carta de
autoridade (atualmente desaparecida), a "joia de autoridade" (nunca mais se soube
da dita joia de autoridade) que lhe foi entregue pela misteriosa Delegada da Índia (a
qual, com certeza, não assistiu a reunião), bem como o projeto de uma Carta
Constitutiva e o Pronunciamento n° 1 e também, um "livro negro" (do qual, também,
nada se soube posteriormente).

Nesta reunião de 9 pessoas (nada das centenas de pessoas que foram


preparadas entre 1909 e 1915, conforme diz Lewis em seus escritos) sai eleito como
Secretário Geral, com o especial encargo de selecionar os futuros candidatos, o Sr.
Thor Kiimalehto, de profissão tipógrafo, que era amigo pessoal de Harvey Spencer
Lewis, tendo se relacionado com ele quando trabalhava na área de publicidade.

Então, o Sr. Thor Kiimalehto assina, na qualidade de Secretário Geral, o


Pronunciamento n° 1, o qual será depositado, conforme instruções de Lewis, na
Biblioteca Municipal de Nova York, em cujos arquivos ainda se encontra o original.

Este documento foi reencontrado pelo eminente historiador Robert Van Loo, que
tem o mérito de tê-lo exposto à luz, após profundas e exaustivas investigações nos
depósitos de documentos de inúmeras bibliotecas e arquivos e que aparece em seu
livro "Os Rosacruzes do Novo Mundo"32 e também foi amplamente reproduzido em
diversas páginas da Internet, por pessoas interessadas na história dos movimentos
esotéricos, especialmente a AMORC.

Justamente este documento possui características muito interessantes e que


joga muita luz sobre as reais origens da AMORC.

O texto traduzido do pronunciamento, cuja imagem reproduzimos a seguir, diz:

32
Les Rose Croix du Nouveau Monde - Robert Van Loo - Ed. Claire Vigne 1996 - pag. 244

61
PRONUNCIAMENTO AMERICANO

número 1

Que assim seja

No ano de 1915 (= 7)

Será estabelecida
nos Estados Unidos da
América A Fraternidade da
Antiga e Mística Ordem de
Rosae Crucis

De acordo com um
Manifesto Oficial da
O.T.O.

Magna est veritas,

et prevalebit

Fevereiro 1915

Thor Kiimalehto

Secretário Geral

Neste documento original, que se encontra arquivado na Biblioteca Pública de


Nova York, por instrução de Lewis, conforme informamos, está também a carta
manuscrita por Lewis, pela qual se faz a entrega do documento, como se pode
observar no final do texto principal, onde se diz OFFICIAL MANIFESTO O.T.O., pelo
qual Lewis reconhecia expressamente que sua "autoridade", no caso de existir,
derivava da OTO (Ordo Templi Orientis ou Ordem do Templo do Oriente, de cujos
membros, seguramente o mais famoso, foi o controvertido ocultista inglês Aleister
Crowley, que ocupou, durante um certo tempo, o cargo de Grande Mestre da OTO
para a Inglaterra e cuja figura, obra e escritos continuam inspirando diversos ramos da
OTO em várias partes do mundo.

Sobre este tema retornaremos mais adiante. Passados alguns anos deste fato, o
Grande Mestre da OTO Theodor Reuss, conhecido pelo nome simbólico de Peregrinus,

62
conferiu um diploma à Lewis, nomeando-o Grau 33 - 90 - 95, no dia 30 de julho de
192133.

Segundo tudo indica, Lewis, em sua viagem a Europa, conheceu Reuss em


Londres, em 1909, que lá mantinha residência desde 1906. Muitos historiadores
consideram Reuss um "aventureiro do ocultismo". Numa de suas publicações 34 Lewis
declara: "... No ano de 1909 nosso Mestre foi à França e Inglaterra, a fim de completar
sua preparação para a obra rosacruz, recebendo muitos títulos e honrarias, por parte
da Ordem R. C. francesa, bem como um título, emanado da Ordem inglesa...".

Conforme tudo indica, foi justamente esse título, o da "Ordem inglesa", a "carta
de autoridade" que deveria mencionar no Pronunciamento n° 1 - CONFORME
MANIFESTO DA OTO. Em relatos posteriores, nunca mais se mencionou a passagem do
"doutor" Lewis pela cidade de Londres, em sua viagem à Europa em 1909. Atualmente,
os mais altos dirigentes da AMORC continuam fazendo o possível para que não
apareça essa relação entre a fundação da AMORC e a OTO, sem hesitar em efetuar
"hábeis limpezas e retoques" NOS
DOCUMENTOS.

A prova disto é que, no dia 29 de


julho de 1999, numa entrevista com
Christian Bernard, atualmente
Imperator da AMORC, na página WEB
da AMORC França, no site
http://www.amorc.asso.fr/docum/impe
rator.html35, o Manifesto n° 1 aparece
devidamente "depurado" e retocado de
tal maneira que "convenientemente"
não mais aparecem as letras OTO da
imagem original, como se pode
observar na imagem que aqui
reproduzimos e que pode ser vista na
"Entrevista do Imperator"
anteriormente mencionada.

Imagem "habilmente retocada"


que aparece na "entrevista com o
Imperator da AMORC"

33
Rosicrucian Documents - Ed. SGL of AMORC Inc - pag. 38.
34
The American Rosae Crucis - Feb. 1916 - pag. 18.
35
Este endereço está desativado. Atualmente (2016) está redirecionando para http://www.blog-rose-
croix.fr/

63
A seguir iremos nos ocupar de um importante documento, não mencionado em
páginas anteriores e que Lewis apresentou como prova de autenticidade do patrocínio
da Rosacruz Francesa à AMORC, conhecido como "Carta de Verdier", uma manipulação
tão absurda que envergonharia qualquer falsificador novato e de pouca experiência.

64
9 - A Carta de Verdier - Uma Grande Falsificação Apresentada Por Lewis aos
Membros da Rosacruz AMORC

Devido a fatos que aconteceram naquela época, parece que as pessoas que
ingressaram na AMORC, confiando na palavra do "doutor" Harvey Spencer Lewis, o
qual afirmava que a AMORC estava sendo patrocinada pela Rosacruz da França, lhe
solicitaram provas e documentos que ele não tinha apresentado, apesar de suas
reiteradas afirmativas de ter recebido cartas de autoridade e documentos após sua
"iniciação" em Toulouse, na França, em 1909, onde "supostamente" foi comissionado
para fundar a Rosacruz na América.

Então, Lewis publica em um dos seus folhetos36: "Após a Grande Loja da


América, em Nova York, ter iniciado suas atividades, em setembro, o Mons. Jerome T.
Verdier, mago (???) do Supremo Conselho da França, em Toulouse, visitou o Grande
Mestre. Deu sua aprovação ao plano de estabelecimento de lojas em cada Estado da
União, nas principais cidades. Instruções finais, selos e documentos secretos foram
entregues em mãos ao Grande Mestre Geral da América, após o exame das
informações oficiais...”.

Esta carta do Sr. Verdier, Supremo Mago, também consta do folheto "Rosicrucian
Documents"37, cuja imagem reproduzimos e diz o seguinte:

1 de Setembro 1915

M.W.G.M.G (mui poderoso grande mestre geral) H. Spencer Lewis, F.R.C.

New York City, New York

Saudações a um Irmão...

Estou em visita ao seu magnífico país, em companhia e amizade do Supremo


Magus (13° Illuminatti A.M.O.R.C. da Inglaterra) e para mim seria um prazer
apresentar-lhe as saudações da Ordem R. C. da França e lhe rogo que me conceda uma
entrevista informal, em sua casa ou no meu hotel.

Estou seguro que o Respeitável Secretário de sua Grande Loja irá lhe informar de
minha visita não oficial ao seu país e por acreditar que não possa permanecer em Nova
York mais que alguns dias (pois estou a caminho da Grande Loja do Canadá,
juntamente com o Magus Supremo) gostaria que me concedesse o prazer de examinar
alguns relatórios que preparamos e oferecer-lhe alguma ajuda ou conselho que V.S.

36
Rosicrucian Initiation - 1917 - pág. 16.
37
Documentos Rosacruzes - GLS AMORC Inc. - 1975 - pág. 7.

65
tenha sentido necessidade de acrescentar às instruções preparadas pelo nosso
Conselho Supremo.

Se for possível, gostaria de passar pelo T... (templo?) da Grande Loja da América
em sua próxima convocação, ainda que temo não poder me fazer entender, do jeito
que gostaria. Como sempre, nossos sinais silenciosos me servirão, assim como o fazem
na Inglaterra. Poderia eu ter a definição da hora e local para a entrevista, o mais rápido
possível, de acordo com a sua conveniência? Aceite, irmão, meus sinceros desejos de
saúde e êxito para o nosso trabalho.

Fraternalmente.

Jerome J. Verdier

13° F.R.C. - France

Hotel Biltmore

New York City.

Vamos passo a passo:

1 - Pequenas "curiosidades".

...A primeira é que a "carta" é uma carta de saudações. Portanto, parece


impensável que um "francês" de boa educação, tenha feito uma carta de saudações
escrita a máquina, isto em 1915, quando se tomava muito cuidado com as convenções.

...A segunda é que o monograma da carta é do "Hotel Baltimore", em Nova York


e que apesar da certeza de que um viajante escrevesse com papel timbrado do hotel
onde se hospeda, com certeza não teria uma máquina de escrever em seu
apartamento e muito menos em 1915.

Bem que poderia ter se dirigido aos escritórios do Hotel, onde lhe tivessem
emprestado a máquina para escrever a sua carta, o que é pouco provável, porque iria
interromper o trabalho normal dos empregados, quando um homem de boa educação
a teria manuscrito... Porém, enfim... talvez pudesse ser... assim, depois destes
pequenos "detalhes" continuaremos com a análise da carta.

2 - Grandes contradições.

- Porque Lewis não aproveitou a ocasião para apresentar o Sr. Verdier aos
membros?

66
67
- Porque não combinou a entrevista para a Loja, onde os outros teriam podido
saudar o Sr. Verdier e o "Supremo Magus" da Inglaterra?

- Porque, sendo Lewis fotógrafo profissional, não aproveitou para tirar um


retrato do Sr. Verdier, denominado Supremo Comendador dos Illuminatti da França? E,
a seguir, também do "Supremo Magus", que o vinha acompanhando nesta viagem?

- Em viagem com o Supremo Magus da Inglaterra... não dizia Lewis que a


Rosacruz era totalmente secreta em Toulouse, como é que agora estava tão ostensiva
que estava organizada na Inglaterra e tinha seu Supremo Magus e tudo o mais? Como
é que os estudiosos e historiadores do esoterismo, tendo em conta a tradição de
liberdade para as associações esotéricas, tais como a Maçonaria, Martinismo, Golden
Dawn, O.T.O., outros rosacruzes, etc. e que estavam tão ativos, na Inglaterra e na
França e eram todos conhecidos, entretanto ninguém conhecia estes Rosacruzes?

- Em viagem à Grande Loja do Canadá, em 1915 - Como assim, uma Grande Loja
Rosacruz no Canadá, em setembro de 1915?

- Não tínhamos sabido que era o "doutor" Lewis que iria estabelecer os
rosacruzes na América e agora temos que já havia ali uma Grande Loja Rosacruz, no
Canadá?

- Porquê o Sr. Verdier não poderia voltar e não poderia fazer-se entender bem
pelos rosacruzes de Nova York, se dominava tão bem o inglês?

São tantas e tantas perguntas que nos surgem ante tão grandes contradições
que, no mínimo, podemos duvidar seriamente deste "documento".

3 - Falsificações Flagrantes.

Acontece do Sr. Verdier "Supremo Comendador dos Illuminatti da França"


escrever uma carta em excelente inglês, com algumas palavras em "francês" e não se
equivocando em inglês, erra justamente nas "palavras francesas", precisamente o seu
idioma.

Vejamos:

Na última linha do segundo parágrafo, as últimas palavras dizem: Supréme


Concile.

Em francês não se escreve Supréme, senão Suprême (supremo), observe-se o


acento circunflexo, muito importante em francês, sobre o "e".

68
Em francês não se diz Concile, pois parece que esta palavra é derivada do inglês
Council, em francês teria o seu equivalente na palavra Conseil (Conselho).

Conclusão: em francês não se poderia escrever Supréme Concile, mas sim, dir-
se-ia Suprême Conseil (Conselho Supremo)... E um francês culto utilizaria
corretamente os acentos, que são muito importantes no francês. Em vista disto, fica
evidente que o tal Sr. Verdier sabia muito pouco de francês, no mesmo nível de
conhecimento do "doutor" Lewis, que também não sabia quase nada de francês.

A assinatura do Sr. Verdier, tal como se pode ver na reprodução, melhor ainda
quando ampliada, é: Jerome J. Verdier. Na assinatura de um americano, coloca-se
inicialmente o Primeiro Nome, logo no início, seguido por um ponto, o Segundo Nome
e por último o sobrenome. Conclusão: igual a assinatura do Sr. Verdier.

Um francês, principalmente um francês culto, em 1915, colocaria seus nomes e


sobrenome por inteiro. Por exemplo, se o segundo nome do Sr. Verdier fosse Jean,
então teria assinado Jerôme Jean Verdier, isto é, ao estilo francês e não do jeito
americano.

Jérôme Jean Verdier

Toda esta montagem é tão inacreditável, que pode ser atribuída somente a uma
pessoa que "não conhece francês", que possui certo conhecimento na "preparação" de
documentos e com total ausência de escrúpulos. É simplesmente, direta e plenamente
uma FALSIFICAÇÃO mal feita e lamentável.

Tão pouco deve ter convencido os primeiros rosacruzes esta carta solicitada ao
"doutor" Lewis, que iria apresentar novas provas e então, seu atrevimento o levou ao
inconcebível, apresentando a remessa do Pronunciamento R.C.R.F. 987.432.

Porém, essa é a história de uma falsificação, ainda mais ridícula, que deixaremos
para as próximas páginas.

69
10 - Manifesto R.C.R.F. 987.432 - A Falsificação Desaparecida

Manual Rosacruz - editado em


1934 por Editorial Roch, Barcelona –
Espanha, com permissão da AMORC

Dado ao descontentamento dos


rosacruzes americanos de Nova York,
que não puderam ver o "misterioso" Sr.
Verdier, nem ao "Supremo Magus" e
com a evidência de que a carta
apresentada era mais que duvidosa e
que também lhe pediram provas
autênticas de autoridade do "doutor"
Lewis para fundar a AMORC, este
informa que solicitou às mais altas
instâncias Rosacruzes da França para lhe
enviarem cartas de reconhecimento e de
apadrinhamento, para serem mostradas
aos membros americanos.

Desta forma, o "doutor" Harvey Spencer Lewis informa aos rosacruzes da


AMORC, numa de suas publicações, que recebeu os documentos de apadrinhamento
da Rosacruz Francesa, emitidos em 30 de setembro de 191538.

"Este importante documento, escrito em papel especialmente confeccionado e


filigranado, da Ordem francesa, estava assinado e autenticado pelo selo do Supremo
Grande Mestre atual da Ordem na França (quem?) e pelos seus oficiais, bem como,
pelo Grande Mestre que, no devido momento, havia iniciado o Imperator americano na
Ordem”39. (Supomos que, neste último caso, refere-se ao venerável Lasalle, "famoso"
autor de documentos rosacruzes, isto de acordo com Lewis, embora não o
especifique).

“As assinaturas, algumas das quais pertenciam a pessoas eminentes em assuntos


militares e governamentais da França (esta afirmativa é muito delicada, ainda mais se
levar em conta que nesse ano a França já estava em guerra com a Alemanha –
Primeira Guerra Mundial - e Lewis arrisca-se a graves consequências) estão

38
The American Rosae Crucis - julho 1916 - pag. 4.
39
Rosicrucian Initiation – 1917.

70
acompanhadas e identificadas pelos selos oficiais correspondentes, de diferentes
medidas e formas e fazem deste documento algo único e atraente”.

Pendendo do documento, encontra-se um dos selos mais exóticos da Ordem,


feito de cera e papel, de estilo antigo, portador de sinais e palavras estranhas e
ininteligíveis.

Este documento estava guardado em um recipiente de metal leve, à prova de


umidade.

O recipiente estava lacrado e levava o selo da Ordem Francesa Nacional e do


Supremo Conselho, gravado em metal, portando não somente os selos postais
necessários, mas também diferentes símbolos de caráter militar (que grande fixação
tinha Lewis por temas militares, ainda mais nesses anos de guerra) com marcas de
aprovação e vistoria no estrangeiro.

Este documento nunca foi exibido pessoalmente aos membros da AMORC,


desaparecendo em seguida, nunca mais voltando-se a saber dele. Em vez de exibi-lo
aos membros, fez publicar uma fotografia de propaganda da AMORC na América, cujos
contornos eram de baixa qualidade.

Afortunadamente para os historiadores e estudiosos, a AMORC deu permissão a


uma editora espanhola, a Roch, localizada em Barcelona, cujo endereço legal e
oficinas, em 1934, estavam situadas na Rua Aragón, n° 118, para publicar várias obras
da AMORC em espanhol e uma dessas obras foi, precisamente, o "MANUAL
ROSACRUZ", em cuja página 24 também aparece esse documento. Com certeza o
"importante" documento nunca chegou a ser examinado pessoalmente por ninguém,
mas, pelo menos, a sua fotografia conserva-se em duas publicações.

Fotografia do "Manifesto R.C.R.F. 987.432”

71
Infelizmente, ninguém mais o viu, o texto do Manifesto nunca foi publicado e
levando em conta que "desapareceu" e que ninguém mais soube dele, não sabemos o
que dizia o tão "importante" Manifesto, "assinado pelas mais altas autoridades
governamentais e militares da França" e com as "assinaturas e selos dos Grandes
Mestres".

Entretanto, atualmente contamos com a valiosa ajuda da informática e podemos


fazer ampliações, análises e comparações, sendo que vamos fazê-lo também no
presente caso e com isso iremos fazer "grandes descobertas".

Uma ampliação da fotografia do "importante documento" cujo número


curiosamente também é R.C.R.F. 987.43240, uma bonita sequência..., nos permite ver
os selos, onde nada encontramos de militar ou governamental, exceção feita ao selo
situado no lado inferior esquerdo, no qual, sobre um triângulo, há um R ao contrário e

40
Manual Rosacruz - H.Spencer Lewis - Editorial Roch - edit. 1934 - pag. 24.

72
um F, talvez "sugerindo" as iniciais da República Francesa, apesar da forma estranha,
com o R invertido e sobre um símbolo utilizado pela AMORC. Isso dá margem a
dúvidas, pois é impensável que o Governo da Republica Francesa tenha remetido, no
decorrer da Primeira Guerra Mundial, um pacote via correio, com seu
comprometedor apoio a uma "Sociedade Secreta". Porque remeter um pacote pelo
correio, com sua correspondente selagem, em vez de mandá-lo por via diplomática,
dado a natureza delicada do assunto e considerando o momento de guerra, o que
iria despertas as suspeitas dos serviços postais franceses, norte-americanos e dos
serviços de inteligência da França, país em guerra e dos americanos? Estas
afirmativas são incríveis e DEMENCIAIS, impróprias de pessoas sensatas.

Observamos também que os selos do que deveria ser o documento e os selos em


relevo sobre o embrulho, o pacote, estão "retocados", uma técnica utilizada em
princípios do século XX para "corrigir" e "melhorar" imagens, consistindo em modificar
os negativos pelo uso de tinta para acrescentar ou ressaltar, ou aplicando sobre os
negativos para fazer desaparecer. A técnica do "retocar" ficou tristemente famosa,
pelas falsificações históricas, "quando governos e pessoas sem escrúpulos utilizaram a
técnica de "retoque de imagens", e a tal técnica ficou desacreditada. No presente
caso, observa-se que os retoques foram feitos para acrescentar, fazer relevos, etc.
Vamos ver uma ampliação da etiqueta do destinatário do pacote, onde, apesar da
péssima qualidade da imagem, pode-se ver que o pacote estava dirigido à H. Spencer
Lewis.

E é precisamente ao ver melhor a etiqueta do pacote, onde consta o endereço


de H. Spencer Lewis, vemos uma das mais assombrosas e grosseiras imitações do
"doutor", o que explica porque nunca quis exibir o documento original para ninguém,
sendo que a fotografia não voltou a aparecer em mais nenhuma publicação da
AMORC. Para que possamos ver as evidências, reproduziremos a imagem da "carta
constitutiva emitida e assinada por Lewis na "Grande Loja da AMORC em Nova York e
que aparece em todas as edições do "Manual Rosacruz" editados pela AMORC.

73
74
Carta constitutiva da Grande Loja da AMORC em Nova York assinada por H.
Spencer Lewis

75
Observe-se que na margem inferior direita da "carta" encontra-se a assinatura de
H. Spencer Lewis.

Agora, a imagem da etiqueta do pacote postal onde está o endereço de Lewis,


colocamos lado a lado a assinatura de Lewis e o resultado é o seguinte:

Vemos com espanto que a assinatura de Lewis coincide com o endereço postal
da etiqueta no pacote e ante tal evidência, temos que dar por provado que o "doutor"
H. Spencer Lewis MANDOU UM PACOTE PARA ELE MESMO.

Por isso não podia mostrar os documentos aos demais membros.

Por tal fato esses "documentos", remetidos para ele mesmo, não poderiam ser
conservados e desapareceram tão logo foram "recebidos".

Devido a isso não se voltou a reproduzir a fotografia com os documentos, porque


qualquer um se daria conta da "assombrosa" coincidência da letra de Lewis com as
escritas no pacote.

É UMA FALSIFICAÇÃO TÃO GROSSEIRA QUE NENHUMA DAS PESSOAS QUE


EXAMINARAM ESTAS FOTOGRAFIAS PODEM ENTENDER COMO LEWIS SE ATREVEU A
TANTO.

A verdade é que Lewis nunca deixou de ser audacioso, o que o levou inclusive a
ser preso pela polícia de Nova York, porém, este é outro tema que trataremos a seguir.

76
11 - A Prisão do “Dr. Lewis” - Dinheiro que Desaparece - Reconhecimento de
uma Mentira

O "doutor" Harvey Spencer Lewis em seu escritório de Nova York

Há um assunto que, sem parecer de muita gravidade no começo, desperta as


suspeitas dos pesquisadores da história das associações e movimentos ocultistas, em
especial a AMORC, é sobre a detenção do "doutor" Lewis pela polícia de Nova York em
17 de junho de 1918.

Tal episódio, que não deveria se revestir de nenhuma importância, pois qualquer
um pode ser preso por engano ou injustamente e ser liberado após as devidas
comprovações, sem que haja um descrédito nisso para a pessoa que foi presa, ainda
mais em um estado de direito como os Estados Unidos, desperta sérias dúvidas e
suspeitas quando se descobre que o relato sobre o acontecimento, na biografia de

77
Lewis, intitulada "Missão Cósmica Cumprida"41, escrita por Ralph M. Lewis, filho e
sucessor na qualidade de Imperator da AMORC, contém falsidades e contradições, pois
se não houvesse acontecido alguma coisa incorreta, não seria necessário tocar no
assunto.

"Na época em que os Estados Unidos declararam guerra à Alemanha – diz Ralph
M. Lewis, referindo-se às datas da prisão do "doutor" - havia um transatlântico
acostado nos molhes do porto de Nova York. Logo após a declaração oficial de guerra e
de acordo com os costumes, os Estados Unidos confiscaram os bens de procedência
alemã no país. Um deles era o gigantesco transatlântico "Imperator". Levando em
conta que cabogramas, telegramas e cartas relativas à questões rosacruzes eram
esporadicamente enviadas ao Imperator da AMORC, para o pessoal de investigações
do Departamento de Polícia de Nova York a palavra Imperator parecia criar uma
ligação entre a AMORC e a nação contra a qual a América havia declarado guerra. Em
seu entusiasmo e com a esperança de mostrar serviço aos seus superiores, obtiveram
um mandato de investigação, como assunto de guerra, com a permissão para verificar
as sedes da AMORC e de se proceder a investigações e tudo isso em razão do nome
Imperator...”

Concordamos, se assim o deseja, que Ralph M. Lewis, Imperator da AMORC e


filho do "doutor" Lewis chame de ignorantes os policiais do seu país, idem aos juízes
que emitiram a ordem de investigação para que os trabalhos fossem executados, num
país onde o Direito é fundamental e os juízes são pessoas com formação universitária,
etc. etc. Porém, o que não está bem é que Ralph M. Lewis acredite que nós não somos
pessoas cultas, com conhecimentos de história e além disso, que não temos
capacidade de raciocinar.

Durante a Primeira Guerra Mundial, os Estados Unidos declararam guerra à


Alemanha em abril de 1917 e a prisão de Lewis ocorreu no dia 17 de junho de 1918,
isto é: um ano e três meses após a declaração de guerra à Alemanha, com o que
concluímos que os investigadores da polícia de Nova York são tão lentos que, mais um
pouco, iriam prender Lewis após o término da guerra (esta terminou em novembro de
1918) ou que a justificativa do transatlântico alemão "Imperator" é ridícula.

Mais uma vez nos deparamos com uma falsificação, pois a prisão foi motivada
pela denúncia de uma mulher, antiga membro da AMORC, a Sra. Elisabeth Meeker,
que residia no número 70 da Quinta Avenida e que acusou Lewis de apropriação
indébita e desvio de fundos...

Sobre o assunto do dinheiro desaparecido, sem nunca citar nenhum ato de


prisão, R. M. Lewis diz em seu livro42 que a apropriação foi feita por um membro da

41
Missão Cósmica Cumprida - R.M.L. - S.G.L. de AMORC Inc.- edif. 1966 pag. 95 e seg.
42
Idem - pag. 95 e seg.

78
AMORC, em cujas mãos foi deixado o numerário, para que levasse para casa no final
de semana e na segunda-feira, efetuasse o depósito no banco, porém, esse membro
desleal fugiu com o dinheiro, sem que nunca mais tivesse sido encontrado (ou seja,
entregam a um senhor US$ 20.000,00 assim, numa boa, o que agora seria uma
fortuna, para que levasse esse dinheiro para sua casa e segunda-feira ao banco,
provavelmente em uma maletinha... e este senhor fugiu... e tudo isso sem explicar
porque não se efetuaram as operações da maneira usual, dado ao alto valor do
numerário, ou seja: cheques, transferências, etc.)

Todo o assunto começou quando Lewis decidiu comprar uma casa para o Templo
e escritórios da AMORC e contratou a compra da propriedade situada no número 361
Oeste - Rua 23, em Nova York, casa esta que tinha pertencido a célebre cantora
americana Lily Langtry e solicitou donativos para os membros para poder efetuar a
compra, pois tinha que atender os prazos para efetuar a compra e realizar os
pagamentos correspondentes.

Coincidiu que um dos colaboradores mais próximos de Lewis, o Sr. Saunders, que
tinha sido editor da revista "The American Rosae Crucis", da AMORC e que tinha
chegado ao Grau 33 da Maçonaria, ao ir tomando conhecimento, com mais detalhes,
das manipulações de Lewis, solicitou sua demissão de todos os cargos e deixou sua
afiliação na AMORC. Ao saber da saída do Sr. Saunders, uma pessoa que era famosa
pela sua retidão e honradez, muitos membros da AMORC também a deixaram. Em
consequência, pela diminuição dos recursos face a diminuição do número de afiliados,
Lewis teve dificuldades em efetuar os pagamentos e emitiu "Bônus" com remuneração
de 6% a.a., com a justificativa de continuar as obras na casa que iria abrigar o novo
Templo.

Tendo em vista que o tempo ia passando e as obras e reformas do prédio e do


salão do Templo não se concretizavam, muitos membros começaram a inquietar- se e,
ao não receberem justificativas convincentes, provocou um descontentamento geral, o
que levou a Sra. Elisabet Meeker a fazer a denúncia que ocasionou a prisão de Lewis e
o registro policial dos locais da AMORC.

Este fato ficou registrado nos jornais da época, que, ao relatarem a prisão,
desautorizam por completo a versão do transatlântico alemão "Imperator".

Com precisão, o magnífico historiador Robert Vanloo, em seu livro "Os


Rosacruzes do Novo Mundo43 reproduz o recorte do jornal "New York Sun", em sua
edição de 19 de junho de 1918, e que pode ser consultado nos arquivos do jornal.
Nesta edição está a notícia da prisão e seus motivos e onde aparece uma importante
declaração de Lewis, numa entrevista dada ao jornal, em que reconhece que nunca foi
patrocinado por nenhuma Rosacruz Francesa.

43
Los Rosacruces del nuevo Mundo - Robert Vanloo - Ed. Claire Vigne - Edt. 1996 - pag. fot. VII.

79
Reproduzimos a seguir a imagem com a respectiva notícia no jornal New York
Sun:

(The New York Sun - ed. 19 de junho de 1918)

“...O Grande Imperator, sob mandato de prisão, passa a noite na cadeia...”

“Meia dezena de investigadores subordinados aos escritórios do Fiscal do Distrito


examinam os objetos - estolas, túnicas e outros símbolos - encontrados durante as
investigações na sede da Ordem Rosae Crucis americana, conforme citado. Enquanto
isso os investigadores ainda passavam em revista os papéis, livros e outros itens de
toda espécie localizados durante a batida, conforme reportagem exclusiva do "Sun". H.
Spencer Lewis, que foi descrito como o principal responsável, o grande Imperator, o
mestre Profundis o Mais Perfeito e irmão ilustrado dos Illuminati do mundo, declarou
ao "Sun" que a sua prisão, sua detenção e verificações efetuadas, representavam o
maior ultraje que jamais foi perpetrado contra um Rosacruz autêntico e regular. O
Grande Imperator foi preso na segunda-feira à tarde, após uma batida espetacular da
polícia na sede da sua organização, sediada na velha mansão de Lily Laungtry, 361 W

80
th. st. Dois ou três discípulos seus tomaram algumas providencias, porém, o Grande
Imperator passou a noite na prisão”.

"A causa, obrigações ouro"

"Lewis compareceu ontem ao juizado da área de Jefferson Market, perante o juiz


Blau, logo após a declaração sob juramento do Tenente Detetive Joseph Russo, no
quadro de suspeitas relativas a roubo de dinheiro, que seria produto da venda de
títulos da citada Ordem americana, Rosae Crucis. Lewis foi colocado em liberdade sob
fiança de 500 dólares e deve comparecer amanhã para interrogatório. Lewis deu como
sendo seu nome Harvey S. Lewis, enquanto que é conhecido entre os membros do seu
culto como H. Spencer Lewis. A acusação contra ele se fundamenta nas declarações da
Sra. Elisabeth Meeker, a qual, durante um certo tempo, foi membro da organização de
Lewis e no momento em que lhe pareceu que os assuntos financeiros da citada Ordem
estavam em dificuldades, declara que havia pago mais de U$ 100,00 em troca de um
título- ouro, a razão de 6%, da Antiqua e Mística Ordem Rosae Crucis. A Sra. Meeker
declarou ontem que sua contribuição foi feita de modo voluntário, em outubro de
1916, que tinha recebido o título e um recibo pelo seu dinheiro, bem como, 6 dólares de
rendimentos. Ela também declarou que, após inúmeras reuniões da organização,
sentiu-se na obrigação de pedir sua saída como membro. Na última noite, em sua
residência em Flushing, Lewis declarou a um repórter do "Sun" que em nenhum
momento sua organização - a Antiga e Mística Ordem da Rosae Crucis -pretendeu
operar como um ramo da Organização Rosae Crucis da França. "Nós nunca tivemos a
pretensão de ter qualquer certificado, carta patente ou autoridade de nenhum país
estrangeiro declarou por telefone...”

Onde ficaram, então, os documentos entregues na França? E os enviados por


intermédio do Governo Francês? Onde estão os documentos assinados por
eminentes autoridades militares e governamentais francesas? Porque então as
instruções da Rosae Crucis Francesa?

As acusações contra Lewis se baseiam no fato de ter emitido títulos no montante


de milhares de dólares, argumentando que sua organização era um ramo conhecido de
uma instituição a nível mundial (?) consagrada ao estudo do ocultismo.

“Entre os documentos retirados do escritório de Lewis na segunda à tarde,


encontrou-se um pergaminho intitulado "Pronunciamento R.F.R.C. 987.601". Este
documento, enfeitado com uma porção de selos grosseiros, está datado de 20 de
setembro de 1916, Toulouse, France, e está assinado por um tal de Jean Jourdain. Após
a assinatura vem uma série de hieróglifos. No mesmo documento, à atenção do
Secretário Geral, Sr. Thor Kiimalehto, anuncia-se que uma nova jurisdição da Rosae
Crucis foi estabelecida na América, sob a autoridade do Supremo Pontífice e Grande

81
Ancião Sheikh El Moria Ra de Mênfis e que o selo oficial será enviado ao Mestre
Profundis o Mais Perfeito H. Spencer Lewis, em Nova York..."

As provas foram consideradas insuficientes e a acusação retirada. Entretanto, o


assunto nunca foi muito bem esclarecido. Inclusive, Ralph M. Lewis quis disfarçá-lo em
seu livro, porém, várias coisas ficaram bem claras: que Lewis, como vimos acima,
reconheceu nesses momentos não ter recebido cartas, patentes, documentos, etc. da
França, nem estar sendo patrocinado pela Rosa Cruz Francesa, desacreditando
também o único documento que se pode encontrar, o chamado Pronunciamento
R.F.R.C.987.601, que era verdadeiramente ridículo e demencial, no qual se pretende
uma certa relação com uma Loja no Egito, existente naqueles dias, conforme Lewis,
donde o jornal "Sun" retirou os títulos de Grande Imperator, Mestre Profundis o Mais
Perfeito, etc. Naturalmente que esse documento também desapareceu, pois não se
sustentava como coisa séria, apesar de seu texto ter aparecido na revista editada pelo
"Doutor" Lewis e que reproduziremos em sua maior parte, pois é muito extenso, a
seguir, o que irá surpreender os leitores, com certeza.

82
12 - O "Doutor” Lewis - "O Mestre Profundis, o Mais Perfeito” - Outra
Falsificação - O Pronunciamento R.F.R.C. 987.601

Fotografia que aparece no "The American Rosae


Crucis” de fevereiro de 1916

Observe-se que a fotografia está retocada; o corpo,


os braços, a mão e os símbolos sobre a roupa são
desenhos - A técnica do retocado foi amplamente
utilizada pelo "O mais perfeito” em suas fotos, como
já vimos e como continuaremos vendo.

Na página dedicada à prisão de Lewis havia uma


referência ao documento encontrado pela polícia de
Nova York, o pronunciamento RFRC 987.601, no qual
se dava ao "dr" Lewis, fundador da rosacruz AMORC,
o tratamento de "Mestre Profundis, o mais perfeito" e citado em artigo do diário "The
New York Sun".

Este "pronunciamento estava dirigido à Thor Kiimalehto, Secretário Geral da


AMORC, assistente principal do "doutor", sócio em atividades anteriores de
publicidade e amigo íntimo. Sobre o documento, Lewis deu explicações na revista "The
American Rosae Crucis"44, cujo número era 987.601, ou seja, 169 pronunciamentos
após o referido (e que vimos que era uma falsificação) o R.F.R.C. 987.432 - o que nos
faz pensar que os "rosacruzes" europeus eram muito prolíficos na hora de emitir
pronunciamentos, nada menos que 169 em apenas um ano e quase um milhão desde
o início de suas atividades...

Reproduzimos uma tradução do mesmo, tal como apareceu na revista de Lewis.


O documento, da mesma forma que a carta de Verdier, que já foi analisada, está
escrita em inglês excelente, apesar do título estar em "francês", porém um francês tão
raro que não resta outra alternativa que começar a analisar o curioso início da carta e
depois, cada um que tire as suas conclusões.

44
The American Rosae Crucis - setembro 1916 - pag. 24 e seg.

83
The American Rosae Crucis, página 16, fevereiro de 1916
Em: http://www.iapsop.com/archive/materials/american_rosae_crucis/ ou
https://pt.scribd.com/document/176686636/The-American-Rosae-Crucis-February-1916-pdf

84
PRONUNCIAMENTO

Republic Français, R.C. N° 987.601


A la Occident
Le Secretaire General - o Honorável Cavalheiro
Thor Kiimalehto, Antigo R.C.

Se este documento tivesse sido remetido da França e tivesse sido escrito por um
francês, não teria cometido tantos erros em francês e assim o teria escrito em francês:

Republique Française
À l'Occident
Au Secrétaire Général - .....

Bem, deixemos de lado este pequeno "deslize" dos "rosacruzes" franceses", que
escrevem tão mal em francês e continuemos com a tradução do documento, escrito
em um inglês perfeito.

"...Saudações Ante o Sinal da Cruz

Após um Alto Conselho de Latrão, do Conselho R. C. do mundo, que foi realizado


no Egito, em Mênfis, no dia 20 de julho de 1916, depois de Jesus Cristo, R.C. 3269 (O
que é isso de Conselho de Latrão? Uma reunião do Conselho R. C. do mundo? Mas
não eram alguns poucos e muito secretos, na França? Uma reunião em Mênfis, no
Egito, em plena 1a Guerra Mundial e com delegados franceses?) as jurisdições
mundiais R. C. foram reorganizadas, a fim de se adaptarem em função do fim da
guerra entre nações da Europa e Ásia. Dado a reorganização, que deverá ser efetivada
após 1917, o citado Conselho decretou uma divisão territorial tal e qual se apresenta
neste mapa e nesta carta e que fazem parte oficial do documento. (?) Por tal fato, lhe
notificamos oficialmente, bem como ao Conselho Supremo da América, por vosso
intermédio, que agora há oito jurisdições, em lugar das sete que havia na origem (oito
jurisdições rosacruzes, ou sete, é declarar: oito Grandes Lojas em todo o mundo???)
já que a Jurisdição americana converte-se em uma Jurisdição e que deixa de ser um
protetorado de qualquer outra Jurisdição, (mas Lewis não declarou ao jornal "The
Sun", conforme aparece na página dedicada à sua prisão, que nunca havia recebido
cartas, patentes, etc. nem tinham qualquer tipo de dependência do estrangeiro?)
senão que depende da direção do "Supremo Pontífice" El Moria Ra, de Mênfis, Antigo
Sheikh Grande e Perfeito (?). Uma confirmação oficial, acompanhada do Selo Dourado
do Alto Conselho R. C. será enviada diretamente a vosso Mestre o Mais Perfeito
"Profundis" quando o selo dourado, que levará seu nome e seu novo título, tiver sido
fabricado na Oficina da Gruta de Mênfis. (Isto é tão demencial, esta coisa de ter que

85
preparar ao "Mestre o Mais Perfeito Profundis", isto é, Lewis, o selo dourado, com
seu nome e títulos, numa oficina na "Gruta de Mênfis no Egito, que até o autor
destas páginas se ruboriza sabendo que alguém tenha sido capaz de publicar todos
estes despropósitos em uma revista). Tendo em conta a posição que vosso território
ocupa agora e como vossa jurisdição tornou- se a maior do mundo, vosso Conselho
recebeu como privilégio a honra de deter 21 dos 48 votos no Conselho Mundial (?),
dignidade a qual vossa jurisdição foi elevada, como Jurisdição distinta, dado a extensão
que abrange. Mais ainda, por este decreto e documento, previu-se a designação do
Mestre O Mais Perfeito, H. Spencer Lewis (como se verá o "doutor" era uma pessoa
humilde, pouco afeto a títulos e honrarias e as que lhe eram concedidas eram de
uma "grande simplicidade", pois eram limitados tão somente a um ser humano)
Conselheiro Mundial, da mesma forma para o Cavalheiro o Mais Honorável (nem todas
as honrarias seriam para Lewis, o Sr. Kiimalehto também teria que receber algumas)
que também foi nomeado Conselheiro Mundial e de Vv. Ss. dependerá a nomeação de
um terceiro Conselheiro (nunca se soube se Lewis e Kiimalehto nomearam outro
"Conselheiro", parece que não, pois não existem notícias a respeito) nomeação que
será da escolha de vocês, para que possamos informar o Grande Arquivista de Mênfis
(e porque o Sr. Kiimalehto não informaria diretamente o "Grande Arquivista" de
Mênfis?). Possa a paz e o Poder coroar vossos nobres esforços e os do Mestre Mais
Perfeito ("........") e que irá transmitir a Vv. Ss. Este decreto. Que assim seja!

Assinado e selado em 20 de setembro de 1916 d.d. R.C. 3269

A ......... França (?)


J..... J.... com um selo
Arquivista
Assinado M.M. da L...... com um selo
Secretário
Aprovado.
L...... Outro selo.

Este documento, além de ter sido confiscado pela polícia de Nova York e se
tornado público através do jornal "The New York Sun", é tão ridículo que, tão logo
terminou o assunto da prisão de Lewis e lhe foram devolvidos todas as coisas
examinadas, desapareceu misteriosamente e nem Lewis, nem a AMORC voltaram a
mencioná-lo.

Por sorte e como prova de tanto disparate, existem as coleções da revista "The
American Rosae Crucis" onde foram publicados e podem ser consultados na Biblioteca
Municipal de Nova York, bem como na Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos,
onde são arquivadas todas as publicações, periódicas e intermitentes, que são
emitidas nos Estados Unidos. Recentemente, um editor de temas esotéricos,
Kessenguer Publishing, está reeditando estas revistas, condensadas em livro, pelo que

86
é possível encontrar alguns dos documentos citados nessas publicações. Entretanto, já
que Lewis o citou, a seguir falaremos da "Loja Egípcia", em cujas "oficinas nas grutas de
Mênfis" "fabricavam-se" os selos para o Sr. Lewis, humilde "Mestre Mais que Perfeito
Profundis".

87
13 - Outra Invenção do "Doutor" Lewis - A Loja Egípcia e suas grutas com
oficinas sob o mando de El Moria Rá de Memphis

Além da audácia e confiando em que os outros seriam ignorantes e aceitassem


sem pensar as histórias que contava, temos que reconhecer em Lewis uma grande
capacidade para se enrolar cada vez mais e contar histórias cada vez mais delirantes,
numa espiral ascendente de despropósitos.

Independente da "história" dos Rosacruzes, que Lewis faz remontar ao antigo


Egito, nos tempos do faraó Tutmosis III, da XVIII dinastia, o que pode ser consultado
pelos leitores nas diversas publicações da AMORC, bem como em muitas páginas da
AMORC na Internet, assim como, as que alguns de seus membros também fizeram
constar na Internet, as quais estão desprovidas de todo rigor histórico, sem provas que
comprovem, iremos nos referir agora tanto ao delirante Pronunciamento 987.601, que
pudemos ver nas páginas antecedentes, bem como à sua Loja Egípcia.

Se nossos leitores estão lembrados, Lewis declara em seu "Pronunciamento" que


foi nomeado “Mestre Profundis o Mais Perfeito”, pelo Conselho Supremo Rosacruz,
com sede em Mênfis, no Egito e que lhe seria preparado o selo dourado com o seu
nome. Como já deveriam supor os nossos leitores, que seguiram a trajetória do
"doutor" Harvey Spencer Lewis, nestes relatos, o dito selo nunca foi fabricado, porque
nem foi recebido por Lewis, nem pela AMORC, nem nunca foi exibido e supostamente,
conserva-se nos arquivos da AMORC.

Nós que raciocinamos bem, acreditamos que não lhe fabricaram o selo nas
"oficinas da gruta de Mênfis" no Egito, porque o Supremo Pontífice, El Moria Rá de
Mênfis, não tinha dinheiro suficiente para comprar carvão para as fornalhas da
"oficina" ou, talvez, tivesse dispensado do emprego os "artesãos da gruta" porque
eram tempos difíceis, ou talvez não quisesse concorrer com o sindicato dos joalheiros
credenciados... é dizer: teria que ser por alguma razão justa para duvidar da palavra do
"doutor" Lewis, o Mestre Profundis o Mais Perfeito.

O fato é que Lewis afirma no citado "Pronunciamento" que há uma "Loja", com
suas oficinas e grutas, em Mênfis, no Egito e que o líder é uma pessoa em carne e osso,
com a qual tem contato pessoal normalmente. Os dirigentes do Supremo Conselho
Mundial Rosacruz reúnem-se com o citado Sheik El Moria Rá, para a tomada de
decisões administrativas, como, por exemplo, de decidir se haverá mais ou menos
jurisdições rosacruzes "no mundo inteiro".

Por isso, Lewis declarou, em outra bravata, que no Egito havia uma loja rosacruz
chamada AMENHOTEP, onde eram admitidos como membros honorários todos os
membros da AMORC que tivessem alcançado o 4° grau e para isso, emitia um

88
certificado em inglês, com algumas palavras em francês (como sempre, um francês
"muito raro", como por exemplo GARANT D'AMITY em vez de GARANTIE D'AMITIE,
que é como se deveria escrever em francês correto). Reproduzimos aqui um desses
"diplomas".

O documento, além de estar intitulado em "francês estilo nova-iorquino", diz em


inglês:

“Que todos saibam: Que o amado Adepto cuja assinatura se inclui abaixo foi
introduzido no Quarto Grau dos ritos universais da Irmandade Rosacruz. Portanto o
citado Adepto está inscrito em nossos arquivos como um Membro Afiliado da LOJA
AMENHOTEP originalmente instituída no Templo de Luxor no Vale do Nilo e se lhe
conferem todos os benefícios e considerações dos membros afiliados em virtude de seu
registro neste santuário”.

Pelo Santuário Soberano

Arquivista

Assinatura completa do Adepto

O problema surgiu quando alguns membros da AMORC que tinham meios


econômicos e que podiam viajar solicitaram a Lewis, à direção da Loja AMENHOTEP e
às lojas européias, para poder visitá-las em suas viagens e como a autorização não

89
poderia ser dada, porque eram inexistentes, tratou de acertar a situação escrevendo
um artigo45 intitulado “Um Comunicado oficial das Autoridades da Ordem Rose - Croix
à Ordem na América do Norte”, na publicação "Cro Maat", no qual diz:

"...Em consequência estamos autorizados a dizer: ao tomarmos conhecimento de


certas deformações e mal-entendidos concernentes ao Status de vossa Ordem,
emitidas, com certeza, com intenções louváveis mas que, dado a ausência de critérios
indispensáveis, devem desaparecer para sempre a fim de que a perfeita harmonia
possa prevalecer”.

“Temos sabido que é crença de alguns afiliados à vossa Ordem, por si mesmo e
nada mais, concede-se a admissão e comunicação fraternal com Lojas do que é
conhecido como Ordem Rosacruz na Europa e em outras partes do mundo”.

“Comunicamos-lhes que, enquanto é certo que existe uma Ordem R+C, esta não
possui um sistema de lojas tal e como correntemente se conhece e que, por tal motivo,
a admissão de membros da vossa Ordem, apesar de ser possível, não é um direito
individual, senão uma questão de seleção da Ordem R+C, de forma individual”.

“Com este objetivo, ordenamos que qualquer uso de nome, frase ou declaração,
a ser transmitida aos membros da Ordem e que seja incompatível com o aqui exposto,
deverá cessar a partir do recebimento deste documento”.

“Isto não impede que a ordem utilize o título de Antiga e Mística Ordem Rosae
Crucis, jurisdição América do Norte; vale também a abreviatura AMORC..."

Magnífico! Há rosacruzes que solicitam ao "doutor" Lewis o endereço das lojas


na Europa e Egito, com a finalidade de visitá-las e a "Rose-Croix da Europa" envia
uma mensagem, dizendo que não existem lojas tal como são habitualmente
conhecidas e que o dito nas comunicações anteriores, de Lojas em Londres, Paris,
Toulouse, Egito, Índia, Canadá, etc. não tem nada a ver... e apesar de no
Pronunciamento 987.601 se dizer que são uma "irmandade mundial" com oito
jurisdições, os irmãos americanos não podiam ir às Lojas européias, por ser uma
"questão de seleção"... é claro, nós entendemos!

Mas o melhor que aconteceu foi quando, em 1929, Lewis organiza uma
"Peregrinação ao Egito"46, onde é prometido aos rosacruzes americanos uma Iniciação
no mais puro estilo egípcio, no Templo de Luxor.

É certo que se realizou uma cerimonia em fevereiro de 1929, em Luxor, porém,


foi uma cerimônia muito simples, porque, segundo Ralph M. Lewis, em seu livro
"Missão Cósmica Cumprida", tiveram que aguardar a autorização das autoridades

45
Cro Maat - H.S.L. – 1919.
46
Misión Cósmica Cumplida - RML - SGL de AMORC Inc. – 1966.

90
egípcias para a realização da cerimônia noturna nas ruínas do Templo de Luxor, sendo
que não foi autorizado a utilização de fogo, pela proibição emanada dos curadores dos
monumentos egípcios. A cerimônia foi conduzida pessoalmente por Lewis e não por
algum egípcio da "Loja Amenhotep de Luxor, no Vale do Nilo", como dizia Lewis e o
diploma que era emitido para os rosacruzes que atingissem o 4° Grau.

Após seu retorno houve muitos protestos dos membros que participaram da
viagem, porque não puderam ver nem a loja egípcia, nem as lojas européias e
decorrente disto, muitos deixaram a AMORC e isto originou outro conflito, do qual nos
ocuparemos mais adiante.

Assim que a AMORC trocou o diploma47 da "Loja Amenhotep" do Egito, que era
enviado para os membros que tinham atingido o 4° Grau, por outros, nestes não se
mencionava mais nenhuma LOJA AMENHOTEP, nem se declarava que o portador do
citado documento era um membro de loja egípcia, somente que o possuidor do citado
documento era um membro da AMORC e como tal devia ser aceito em todas as
jurisdições da AMORC a nível mundial. Assim mesmo, como se pode ver nos diplomas,
foi trocado o selo da "Loja Amenhotep", que era uma espécie de figura hieroglífica
muito rara, e se transformou no "Selo do Escriba", tal como reza a inscrição em inglês:
"scribe's seal".

O novo diploma

47
O novo diploma pode ser encontrado em: https://pt.scribd.com/document/242748519/AMORC-A-
Treasure-Chest-Message

91
Com certeza, quando atualmente se remete o diploma aos membros da AMORC,
ainda que nunca tenham pisado numa loja e todo o seu "rosacrucianismo" tenha sido
por correspondência, aproveita-se para se oferecer, no mesmo folheto pelo qual o
diploma é remetido, um curso "secreto" de Cabala, este sim, em troca de uma quantia
em dinheiro. Nada como aproveitar as honrarias e diplomas para oferecer "mais luz"
de "cabala secreta", em troca de ordens de pagamento bancárias. Para que possamos
ver uma das "lojas" européias, a seguir poderemos ver e analisar a fotografia de uma
"rua rosacruz" com seu "secretário de Loja", numa impressionante fotografia feita e
habilmente "maquiada" pelo perito fotógrafo "doutor" Harvey Spencer Lewis.

92
14 - Uma Falsificação Fotográfica do "Doutor" Lewis - a Rua Rosacruz de
Toulouse

Uma das habilidades do "doutor" Lewis era a fotografia. Inclusive seu filho Ralph,
no livro "Missão Cósmica Cumprida"48, diz com orgulho que, quando Lewis ainda era
muito jovem, construiu uma máquina fotográfica rudimentar, utilizando como corpo
da câmara a madeira de uma caixa de cigarros. Isto é muito louvável, ainda mais em
princípios do Século XX, quando a tecnologia estava pouco desenvolvida em relação
aos tempos atuais e o espírito empreendedor de um jovem era deveras apreciado.

O fato é que o jovem Lewis trabalhou como fotógrafo na cidade de Nova York,
tendo, inclusive, chegado a ter seu próprio estúdio de fotografia, conservando por
toda a sua vida seu gosto pela fotografia.

Por isso, surpreende que não tivesse tomado fotos de todos os "dignitários" da
Rose - Croix Francesa, nem durante sua viagem à França em 1909, nem
posteriormente, em outra "viagem", em 1926, da qual iremos dar conta", nem do
famoso comendador Verdier. Entretanto, em uma de suas primeiras publicações, "The
American Rosae Crucis"49 publicou uma fotografia interessante, que reproduzimos
aqui.

48
Misión Cósmica Cumplidad- R.M.L - S.G.L. de AMORC Inc. – 1966.
49
"The American Rosae Crucis" - Lewis - 1917 - pag. 06. Em:
https://pt.scribd.com/document/185557234/The-American-Rosae-Crucis-November-1917

93
No texto do artigo intitulado "Toulouse, a cidade mística da França", publicado
no "The American Rosae Crucis", página 212, refere-se à fotografia tirada pelo "doutor"
Lewis: "A cena mostra o estilo típico da arquitetura encontrada nas cidades
fortificadas. Símbolos sobre as janelas e portas da Loja, no andar térreo, o Secretário
em seu escritório mostrando algumas revistas através da janela”.

Efetivamente, como os leitores podem observar, sobre as janelas e a porta de


uma casa velha, que pode ser de qualquer lugar, pode-se ver símbolos triangulares,
com cruzes em seu meio, onde Lewis afirma tratar-se de uma Loja. Aqui se apresentam
várias questões, como em quase todas as afirmativas de Lewis e seus documentos
adulterados.

Primeira pergunta: esta é uma rua de Toulouse no início do século XX? Podemos
somente ver uma velha rua, tal como poderíamos ver em alguns povoados da Espanha,
França, Itália ou Bélgica. Toulouse é uma cidade monumental, com atrativos turísticos,
monumentos da época romana e gótica, além de museus e prédios impressionantes,
pelo que podemos concluir que se a rua da foto em questão é de Toulouse (?) deve
corresponder a uma rua de subúrbio ou nas suas proximidades.

Segunda pergunta: símbolos para identificar uma Loja? Porém, não foi de Lewis
a declaração segundo a qual os rosacruzes que "encontrou" na França se mantinham
em segredo? Como é que colocavam símbolos nas suas Lojas, para que fossem
reconhecidas? Não dizia também Lewis, no "Comunicado oficial das autoridades da
Rose-Croix à Ordem na América do Norte", ao qual fizemos referência em páginas
anteriores, de que na Europa "não havia lojas tal como as conhecemos
habitualmente?”

Terceira pergunta: Um Secretário de loja exibindo revistas da janela do seu


escritório? Onde está o Secretário? Vocês o enxergam? Ou imaginam?... Exibindo
revistas? Que revistas?

Quarta pergunta: como podemos ver, os símbolos que aparecem nas paredes
não tem relevo, são "retoques" sobre a fotografia. A prova definitiva desta montagem
de "símbolos retocados" pintados no negativo da fotografia, para que aparecessem na
imagem, a teve o autor destas páginas quando um amigo, que é arquiteto, analisou a
perspectiva da imagem. No que consiste uma análise de perspectiva de uma imagem?
Conforme as explicações do arquiteto para o autor destas páginas, as pessoas veem as
coisas de uma perspectiva, que é a que dá a sensação de profundidade e distância das
coisas e essa perspectiva pode ser vista apreciada quando se olha uma foto.

A perspectiva das imagens surge como uma projeção das linhas das imagens que
se unem em um ponto focal, que está situado na altura da visão de quem observa.
Esse "ponto focal", para onde convergem as linhas de projeção da imagem, também é
conhecido como "ponto de fuga". Vejamos a imagem com sua análise de perspectiva.

94
No caso da imagem da casa, se fez uma análise de perspectiva projetando-se as
linhas mais definidas do imóvel, tais como os da janela, a margem da rua e uma janela
do andar superior (linhas projetadas em vermelho para se facilitar a identificação).

Como se vê, as linhas projetadas coincidem num ponto, o ponto focal, ponto de
projeção ou ponto de fuga, como queiram defini-lo, o que corresponde a uma
perspectiva normal e natural da casa.

Também foram projetadas as linhas mais definidas dos símbolos que aparecem
sobre a janela e a porta (linhas em azul, para facilitar sua identificação). O resultado é
que as linhas azuis não convergem, e sim, se abrem em paralelo, inclusive divergindo e
que, ao não coincidir em nenhum ponto focal, nem sequer o próprio, indicam que não
tem perspectiva, que são imagens planas, ou seja, são desenhos feitos posteriormente
sobre a fotografia.

Conclusão: as linhas dos imóveis coincidem sobre um ponto focal e a


perspectiva é correta; os símbolos, onde se vê perfeitamente que são "retoque",
além de não terem perspectiva, suas projeções não coincidem num determinado
ponto, projetam-se em direção ao infinito, em paralelo e de forma divergente, ou
seja: são imagens acrescentadas, sem nenhuma relação com os imóveis, o que

95
indica, mais uma vez, que o "doutor" Lewis, perito em fotografia, tornou a fazer uma
falsificação.

Lewis era acostumado a "preparar" documentos, fotografias e diplomas, por isso,


a seguir, mostraremos outro "diploma" confeccionado por Lewis, no qual se designa
como "sacerdote" da "Igreja do Budismo do Darma", com o título de reverendo Sri
Sobhita Bhikku, o que deu origem a um cisma entre os esoteristas europeus e ao
descrédito que fez com que o irmão Rombaud, Grande Mestre do Rito Mênfis Misraim,
da Bélgica, se demitisse de todos os seus cargos, envergonhado e se retirasse de suas
associações místicas e esotéricas. Este tema será abordado a seguir.

96
The American Rosae Crucis –
Em: https://pt.scribd.com/document/185557234/The-American-Rosae-Crucis-
November-1917

97
Fotografias tiradas em 17 de agosto de 1920, em uma “Igreja” do Dharma em São Francisco,
Califórnia, onde vemos Harvey Spencer Lewis50 recebendo uma consagração honorífica como
"sacerdote" budista, com o nome simbólico de "Sri Sobhita Bikku".

50
Fonte: http://rflexionssurtroispoints.blogspot.com.br/2010/02/photos-rares-harvey-spencer-
lewis.html. Foto publicada anteriormente sob os auspícios do misterioso "Salon Rose-Croix", cujo

98
15 - Carta Constitutiva da Grande Loja Branca - (outro "achado" do "doutor"
Lewis, fundador da rosacruz AMORC)

Uma das constantes de Harvey Spencer Lewis, o fundador da AMORC, são suas
contínuas contradições misturadas com amplas doses de fantasia, que o fazem dizer
"digo" onde antes falava "Diego", o que não seria tão criticável numa pessoa comum,
sem responsabilidades de espécie nenhuma, mas não é o caso de uma pessoa que
lidera um movimento, no qual dirige um grande número de pessoas, tais contradições
se constituem em algo nefasto, porquanto DESORIENTAM os que buscam de boa fé.

Se essas fantasias se concretizam em falsificações e "achados" documentais, a


questão torna-se mais grave, pois fica evidente um objetivo de enganar e isso é uma
falta de escrúpulos, onde os meios justificam os fins, os quais, por sua vez, não são
honestos.

Tal é o caso de um dos documentos "fabricados" pelo "doutor" Lewis, que não
media obstáculos na hora de buscar por reconhecimentos e honrarias que pudessem
servir aos seus propósitos. Nos referimos à "Carta Constitutiva da Grande Loja Branca"
emitida durante a "ordenação" de Lewis como "sacerdote" budista. Tudo isso
aconteceu quando Lewis, após ter tido um fracasso estrondoso com a II Convenção da
AMORC, realizada durante o verão de 1918, em Nova York, um grande número de
membros mostraram-se céticos quanto às histórias que Lewis lhes contava, a falta de
explicações plausíveis relativos ao assunto do desaparecimento dos fundos relativos às
"obrigações" de 6% para a compra e restauração da propriedade da cantora Lily
Langtry e a posterior prisão de Lewis. Isso produziu uma evasão considerável de
membros, que fez com que Lewis aceitasse a oferta de um industrial da área
petrolífera, de origem alemã, chamado Willem Reisener, o qual se constituiu em
protetor e mecenas do "doutor" e custeou a mudança da AMORC para a cidade de San
Francisco, em 1919.

Em São Francisco (Califórnia), Lewis entrou em contato com um personagem


curioso, do qual Ralph M. Lewis, filho e sucessor do "doutor" Lewis, em seu livro
"Missão Cósmica Cumprida", conta que era um inglês, ancião, sacerdote budista, que

conservador parecia ser um ex-funcionário da AMORC no parque Rosacruz em San Jose, California... Este
museu virtual ficava hospedado no link: http://www.rosicrucians.org/ (atualmente desativado)
Em uma carta escrita por H. Spencer Lewis e datada 22 de junho de 1928:
"Em anexo estão cartas para V. L. Narasimhan, diretor do mosteiro, e Sri Swami Omkar, o Chefe Sumo
Sacerdote do Mosteiro em Madras, na Índia. Estas cartas confirmam a ordenação de H. Spencer Lewis,
quando ele foi nomeado reverendo Sri Sobhita Bhikku em 17 de agosto de 1920, na cidade de São
Francisco, Califórnia, pelo Bispo Massananda Khan, com a presença de muitos sacerdotes e membros da
R+C no templo budista. Uma fotografia foi tirada da cerimônia e um documento assinado por todos os
presentes também está no arquivo. Note-se que este documento faz H. Spencer Lewis, Bispo e
representante do mosteiro indiano nos Estados Unidos. A segunda carta afirma claramente (onde
destacado em vermelho) que a AMORC é o verdadeiro nome da organização na Índia”.

99
fez amizade com o "doutor" Lewis, com quem passava muitas tardes em seu escritório
falando de filosofia e psicologia budista e que Lewis, por amizade, aceitou receber uma
consagração honorífica como "sacerdote" budista.

A verdade não corresponde com essa versão de Ralph em seu livro; o


personagem ancião era de origem persa e se fazia tratar por "Bispo" (título curioso
para um budista) Massananda, da Igreja do Dharma (uma instituição budista mais
curiosa ainda) e que dizia que atuava como "Grande Hierofante para o Mundo
Ocidental” da "Grande Fraternidade Branca do Tibete" (como iremos ver, se isso é
verdade, o teria situado nas mais altas esferas espirituais do mundo) e que também
se fazia chamar, bem como assinava, com o nome de Sri E.L.A.M.M. Massananda Khan.

O caso é que no dia 17 de agosto de 1920 o "Bispo" Massananda, da "Igreja do


Dharma", ordenou Harvey Spencer Lewis como "sacerdote" da dita "Igreja do Dharma"
e lhe foi conferido o nome simbólico de "Sri Sobhita Bikku", uma das honrarias que já
vimos em página anterior, quando nos referimos aos títulos do nosso personagem
principal.

Para imortalizar a ocasião, emitiu-se um certificado, em forma de pergaminho,


que se constitui na chamada "Carta Constitutiva da Grande Loja Branca", o qual
reproduzimos a seguir e que tem os seguintes dizeres:

G... W... B... L...

(Iniciais de Great White Brotherhood Lodge, ou

Loja da Grande Fraternidade Branca, em inglês)

“Em nome de Kar-Gya-Pa, o Venerável fundador da G.W.B.L. nas montanhas sagradas


do Tibete e em nome de seus sucessores apostólicos, como Narpa, Mila-Ba-Pa, Om-
Rah-Mah, Kar-Ma-Baksri, Kar-Ma-Pa, etc.”

(aqui segue um texto em hebraico)

“Por esta proclamação fazemos saber que, de acordo com instruções, os decretos, os
poderes e os mandamentos da G...W...B...L... da qual o sinal e o nome secreto são
revelados neste documento, fica investido do direito, da autoridade e da permissão
única de atuar como Prelado, Mestre e Chefe Secreto para o Mundo Ocidental, o
abaixo assinado Mensageiro da Luz e nós, que assinamos e selamos este documento,
instituímos e estabelecemos no mundo ocidental, para e durante a era do Aquário, a
seção ocidental da G...W...B...L... que será e continuará sendo um órgão ativo, com
todos os privilégios da Seção Oriental, aceitando e podendo admitir em seu seio os
membros que tenham sido julgado dignos, pela afiliação aos graus desta Ordem

100
reconhecida e aprovada, a fim de conferir os direitos e poderes da G... W... B... L... e
para que sejam afiliados à Seção Oriental da G... W... B... L...”

“E por este documento se proclama, igualmente, a nomeação do Bem Amado e


Respeitado Reverendo Sobhita Bhikku, por mim ordenado em 17 de agosto de 1920, na
Califórnia, USA, conhecido no mundo como Harvey Spencer Lewis, PhD., também
diplomado pela Academia de Ciências da Índia, nosso sucessor na função de prelado e
Chefe Secreto da G... W... B... L... segundo a sucessão apostólica, devido ao falecimento
do abaixo assinado”.

Firmas

Datado : 20 de outubro 1920 d.J.C. 2508 A.B. 3273 R.C. em São Francisco,

Califórnia, USA.

Testemunhas: Maud Moore, Willard Moore, Columba H. Reisener.

101
Rosicrucian Digest, September 1933
https://pt.scribd.com/document/174739552/Rosicrucian-Digest-September-1933-pdf

102
O primeiro detalhe que podemos notar é que o pergaminho da "Carta
Constitutiva" foi emitido no dia 20 de outubro de 1920, três dias depois da "ordenação
como sacerdote budista" de Lewis. Por quê? Por que não foi apresentado no mesmo
dia? Tudo faz pensar que foi uma iniciativa posterior de Lewis, o que lhe devia servir
como "reconhecimento e honra" para posteriores atividades de propaganda. A Carta
constitutiva da "Grande Loja Branca do Tibete" está em inglês e ela não contém
nenhum símbolo ou letra tibetanos. A "Carta Constitutiva" leva uma série de
inscrições em "Hebraico", como se pode ver, após o título, o que faz com que estes
"tibetanos" que não colocam uma única "letra tibetana" no documento,
provavelmente eram peritos em "hebraico".

No interior do "Selo de Salomão" ou estrela de seis pontas, na margem inferior


esquerda, há também uma série de letras hebraicas (?). No selo central, entre as
letras G... W... B... L... há uma Rosacruz, curioso símbolo para uma instituição budista.
No centro e separando as letras hebraicas há uma cruz ansata egípcia, símbolo que
nada tem a ver com os tibetanos e que nunca é usado em nenhum dos seus escritos.
Temos que perguntar por que esses tibetanos da "Grande Loja Branca do Tibete",
pináculo espiritual da humanidade e das maiores inteligências, emitem uma "Carta
Constitutiva" sem conter um único símbolo ou letra tibetana e uma profusão de letras
hebraicas e textos em inglês?

Supostamente e em delírio de grandeza, o fazem herdeiro, "prelado" e chefe


secreto, porém não tão secreto, porque se comunica "urbi et orbi" à Loja sobre a
Grande Fraternidade Branca e ao Bem Amado e Respeitado Prelado Sr. Lewis "Sri
Sobhita Bhikku" o qual, além de "Doutor em Filosofia" , diplomado e honrado pela
Academia de Ciências da Índia (?), desse título e a outros a que nos temos referido. E o
que tudo isso tem a ver para constar deste "curioso" documento?

Por trás desta "ordenação" e da "Carta Constitutiva da Grande Loja Branca do


Tibete", tão curiosa, vejamos o que o mesmo Spencer Lewis diz sobre a "Grande Loja
Branca" no seu livro intitulado "Manual Rosacruz", o que nos situará melhor e ver até
que ponto Lewis era capaz de distorções, inclusive dos seus próprios "ensinamentos",
quando isso lhe convinha.

A GRANDE LOJA BRANCA51

"Há muitos outros Mestres; alguns estão no plano cósmico, levando a cabo sua
obra, enquanto esperam a próxima reencarnação; outros encontram-se neste plano
terreno, dirigindo o trabalho físico enquanto se desenvolvem para o período no plano
Cósmico. Sob seu cuidado, em cada encarnação, preparam-se determinado número de

51
Manual Rosacruz - 18 ed. S.G.L of AMORC Inc. - pag. 172.

103
altos iniciados para realizar um trabalho em sua próxima encarnação e para alguns
destes, se consigna o dever, o serviço e o verdadeiro trabalho de desempenhar altos
cargos de Imperatores, Magos e Hierofantes nas diversas ramificações da Grande
Irmandade Branca, da qual a Ordem Rosacruz é a mais elevada. Estes Imperatores,
Magos e Hierofantes de diversos países, juntamente com os Mestres, compõem a
Santa Assembleia da Grande Loja Branca”.

“A grande Irmandade Branca, por sua vez, é a escola ou fraternidade da Grande


Loja Branca e todo estudante verdadeiro que está na Senda, prepara-se para ser
admitido a esta irmandade invisível de membros visíveis”.

“Lembre-se, a Grande Irmandade Branca não tem um lugar visível de reunião.


Seus membros nunca se reúnem fisicamente. Qualquer organização no Plano Terreno
que se apresente como a Grande Irmandade Branca, é falsa”.

(Veja "Iluminação Divina" e "A Obra dos Grandes Mestres" na página 181).

“A verdadeira preparação de que falamos é com a finalidade de, finalmente, ser


admitido, por intermédio da iniciação Cósmica, a esta Grande Irmandade Branca; aqui
o Mestre aparecerá ao discípulo que esteja preparado, para tomá-lo sob seus cuidados
pessoais e guiá-lo para um desenvolvimento mais elevado, onde, algum dia, irá
alcançar a Maestria da Grande Irmandade Branca; e a designação para o serviço".

(É um pouco confuso isto que diz, mas vem a ser algo como: quando alguém
recebe uma "Iniciação cósmica" ou "espiritual" passa a ser membro da "Grande
Irmandade Branca", mas esta irmandade "espiritual" não possui centros nem lugares
de reunião no plano físico e se alguém diz que tem, é falso).

Ao abrir a página 181 do citado manual, lê-se52:

“Veremos, portanto, que a Grande Irmandade Branca e a Grande Loja Branca


não tem organização visível. Nunca se reúne em sessão conjunta; seus membros não se
congregam em nenhuma assembleia; não possuem Templo que seja conhecido por
algum nome; não possuem rituais terrenos, leis de organização física ou forma
material como Irmandade ou Loja”.

Então, onde ficamos? Se não existem centros de reunião, cerimônias, templos,


etc., o que é isso de "Carta Constitutiva" e que valor real tem, se contradiz o que o
mesmo Lewis dizia ensinar?

O caso é que este assunto tão desconexo e este documento tão passageiro, mais
uma das montagens de Lewis, o qual, como muitos outros, utilizou de maneira
extremamente imprudente, porque era possuidor de uma fantasia desregrada,

52
idem - pag. 181.

104
ocasionou sério incidente entre os membros do rito maçônico Menfis Misraim, quando
um grupo deles, dirigidos pelo advogado belga Jean Mallinguer e Artur Rombaud, se
desligaram da matriz francesa do Rito Maçônico de Menfis Misraim, dirigido pelo
Grande Mestre Constant Chevillon, pois em um dos trechos da carta, em virtude dos
"poderes" conferidos pela "Carta Constitutiva" da Grande Loja Branca do Tibete,
reconhecia os que se desligaram.

Quando o irmão Artur Rombaud soube o que era essa "Carta Constitutiva" da
Grande Loja Branca do Tibete, em função da qual tinha trabalhado, sentiu tanta
vergonha que se demitiu do seu cargo de Grande Mestre de Menfis Misraim e retirou-
se de toda e qualquer atividade associativa.

Com relação a esse tema voltaremos adiante, pela importância da qual se


revestem estes fatos e a fundação da chamada FUDOSI, porém antes é da maior
conveniência conhecer outros fatos relacionados às trapaças de Lewis, fundador da
rosacruz AMORC.

105
16. O "Bispo" Harvey Spencer Lewis e sua Igreja Prístina da Rosa Cruz

H. Spencer Lewis criou uma Igreja Rosacruz na década de 1920, chamada de "A
Igreja Prístina53 da Rosa Cruz". Ele serviu como bispo desta igreja.

A Igreja Prístina da Rosa Cruz, teve sua cerimônia de abertura em San Francisco
em 5 de Junho de 1921. Este anúncio foi publicado no dia anterior:

“No Templo do Rito Escocês amanhã à


noite a Igreja Prístina da Rosa Cruz terá sua
cerimônia de abertura. Esta igreja é patrocinada
pela Fraternidade Rosacruz da América, mas é
uma instituição separada, com filiais nas maiores
cidades dos Estados Unidos. A primeira Igreja
Prístina está localizada no Templo de Isis, em
Nova York, e agora estabelecida nesta cidade vai
realizar serviços regularmente nos domingos à
noite.

O ritual das cerimônias regulares baseia-


se nas antigas cerimônias do Templo do Oriente,
com coro e oficiais em vestes simbólicas e a
música especialmente escrita para esses serviços.
Um sermão moderno é dado em cada
convocação. A igreja não é sectária e não procura
fazer conversões em qualquer culto.”

Em 06 de outubro de 1928 ele ordenou E. E. Thomas como um sacerdote


daquela Igreja. E. E. Thomas acabou sendo processado por Lewis.

H. Spencer Lewis acusou os fratres George L. Smith e E. E. Thomas de fazerem


comentários depreciativos sobre si mesmo e a AMORC. Respostas dos fratres Smith e
Thomas (1933):

https://pt.scribd.com/document/213706817/Fraters-George-L-Smith-and-E-E-Thomas-Answer-Charges-
1933

George L. Smith escreve para o Dr. E. E. Thomas (1931)

Uma carta da época do conflito entre H. Spencer Lewis e George L. Smith e Dr. E.
E. Thomas, membros da AMORC.

https://pt.scribd.com/document/192560270/George-L-Smith-Writes-to-Dr-E-E-Thomas-1931

53
Original, primeira, primitiva, antiga e inalterada. Que pertence a tempos idos; velha, antiga.

106
AMORC vs George L. Smith e E.E.Thomas - Alegações e acusações (1933)

https://pt.scribd.com/document/106398282/AMORC-vs-George-L-Smith-and-E-E-Thomas

Transcrição da imprensa sobre o caso AMORC Vs. E. E. Thomas na Corte


Superior do Estado da Califórnia - 1931

https://pt.scribd.com/doc/316493220/1070-AMORC-Reporter-s-Transcript-AMORC-vs-E-E-Thomas-1931

O “Bispo” Harvey Spencer Lewis da Igreja Prístina da Rosa Cruz54 (1921)

54
O texto em espanhol pode ser encontrado aqui: https://pt.scribd.com/doc/316714580/1094-AMORC-
Spencer-Lewis-y-La-Iglesia-Pristina-de-La-Rosa-Cruz

107
Anúncios da Igreja Pristina da Rosa Cruz

108
Anúncios da Igreja Pristina da Rosa Cruz

109
Anúncios da Igreja Pristina da Rosa Cruz

110
Anúncios da Igreja Pristina da Rosa Cruz

111
Anúncios da Igreja Pristina da Rosa Cruz

112
17. Entrevista do "Dr." Lewis, fundador da Rosacruz AMORC, com Mussolini,
ditador fascista da Itália, em Março de 1937

Na medida em que os capítulos dos presentes relatos iam aparecendo na


Internet, fomos recebendo e-mails com as mais diferentes opiniões: alguns elogiando
o trabalho, outros remetendo novas informações, outros criticando abertamente esta
publicação e outros argumentando.

Um dos argumentos apresentados, bastante frequente entre os que se declaram


membros da AMORC, é que não há importância no fato da origem real da AMORC
provir do fato de ter sido fundada pelo "Dr. Harvey Spencer Lewis, tampouco se foi ou
não iniciado em Toulouse em 1909, mas sim, realmente importante são os
"ensinamentos" que transmite e o seu real impacto na vida do membro.

Estamos totalmente de acordo com relação à grande importância dos


ensinamentos transmitidos e o impacto que causam na vida do adepto, mas também é
certo que uma pessoa atua segundo seus pensamentos e de acordo com sua
condição moral, transmitindo aos demais aquilo que é uma "projeção de sua
personalidade".

Este é um princípio básico em psicologia e é de especial importância nos


instrutores, mestres ou aqueles que transmitem um ensinamento, uma ideia ou uma
maneira de viver, porque é evidente que o aluno, o adepto ou o correligionário
termina por adotar como suas as opiniões que lhe transmite seu mestre ou líder.

Fazemos estas reflexões prévias porque vamos apresentar nestas páginas um


aspecto pouco conhecido de Lewis, fundador da rosacruz AMORC e de suas atividades
as quais, após seu falecimento, os dirigentes da mesma fizeram todo o possível para
ocultar, porém, cujas evidências foram encontradas por pesquisadores e historiadores
do esoterismo e cujas provas podem ser consultadas tanto em coleções privadas,
como em hemerotecas, tanto na Itália como nos Estados Unidos.

Referimos-nos ao relacionamento do "Dr. Harvey Spencer Lewis" com Mussolini,


o ditador fascista da Itália, bem como o seu encontro em Roma, em 1937 e os elogios
que Lewis dirigiu ao ditador fascista, tanto em entrevistas em jornais, como em suas
próprias publicações.

Aqui temos que agradecer a remessa de documentos de amigos desta rede, que
nos enviaram material documental sobre este tema, isto é, do relacionamento entre
Lewis e o ditador fascista Mussolini, cuja autenticidade temos comprovada e que
servirão para ilustrar melhor o tema em pauta.

113
Referências ao encontro entre Lewis e Mussolini também podem ser
encontradas na Hemeroteca da Itália, no magnífico livro de Robert Vanloo intitulado
"Le Rose Croix du Noveau Monde", no "site" do prestigioso historiador Marcel
Roggemans55, escrito em holandês e muito interessante e nos arquivos do jornal
italiano "Il Messaggero", bem como, no "San Jose Mercury Herald", de San José, na
Califórnia, assim como nos arquivos da Biblioteca Municipal de Nova York,
relativamente às primeiras publicações de Lewis.

Para começar, temos que dizer que Lewis se considerava "autocrata" e dessa
forma estabeleceu a administração da AMORC, como uma autocracia, ou melhor
dizendo, com poder absoluto, que emana de si mesmo e que não tem controle de
ninguém.

Na revista "The American Rosae Crucis", durante a época de fundação da


AMORC, Lewis postulava suas ideias relacionadas a governo, declarando: "É justo que
assim seja. A própria Natureza funciona assim, de acordo com o princípio da
autocracia, a única forma que pode assegurar o êxito da missão que lhe é inerente.
Toda lei na natureza é autocrática, imutável, independente do resto, exceção feita ao
propósito e fim para o qual opera, entendendo-se isto como tudo deve apegar-se às
suas leis e princípios”.

“A natureza, ao operar desta forma, o faz de maneira construtiva e não utiliza o


aparente princípio da destruição senão tendo como objetivo a produção de maior
desenvolvimento. Desta maneira, todas as formas de governo autocrático podem ser
construtivas, para o benefício final de todos. Parece existir um sentimento geral de que
a autocracia significa tirania, sofrimento e morte. Nada mais longe da verdade! A
AUTOCRACIA, temperada pelo amor, bem como a tomada de consciência de um
decreto divino, cria a oportunidade de servirmos aos nossos semelhantes e implica na
união de inúmeros espíritos, de numerosos corações e de muitas mãos, com o objetivo
de proporcionar um serviço mais eficaz, um trabalho mais produtivo, seja o que seja”56.

Sem comentários... cada um que chegue às suas próprias conclusões sobre o


ideal de governo do "Dr." Lewis, que como pudemos notar, não corresponde ao da
democracia.

Estes pensamentos nos fazem compreender as declarações do "Dr" Lewis ao


jornal "San Jose Mercury Herald", após uma visita que fez à Itália em 1931.

"Segundo o "Dr" Lewis - diz o citado jornal - sua visita à Itália se desenvolveu em
condições muito mais prazerosas que em anos anteriores. Suas ruas estavam mais
limpas, não havia mendigos, os hotéis estavam melhor cuidados, com diárias fixas, os
55
O trabalho de Marcel Roggemans (em holandês, via tradutor do Chrome) pode ser encontrado em:
http://www.vrijmetselaarsgilde.eu/Maconnieke%20Encyclopedie/RMAP~1/ritualenGO/inhoud.htm
56
The American Rosae Crucis, dezembro 1917 - pag. 248.

114
trens circulavam no horário, sob a supervisão de agentes fascistas. Os navios estavam
sob comandos melhores e conservados de maneira mais cuidadosa que antes”.

“Teve a impressão que tais mudanças se deviam a ditadura de Mussolini. Os


países vizinhos o temem, pois deu provas de que, pelo menos em seu próprio país, os
negócios estavam melhor direcionados que nos outros países, relativamente a
determinados aspectos57".

Como os trens e barcos não estariam operando "melhor", se transportavam


agentes fascistas que os controlavam? Como iria haver mendigos se havia uma lei
fascista que proibia a mendicância pública e os camisas negras de Mussolini se
encarregavam de fazer com que os mendigos pobres e desgraçados a cumprissem?
Como os outros países não iriam temer Mussolini, vendo que poderiam perder sua
liberdade, como os italianos a haviam perdido?

O fato é que Lewis, encantado pelas vigarices do governo fascista italiano, numa
viagem que levou uma centena de membros da AMORC à Europa, é recebido por
Mussolini no dia 5 de março de 1937, ficando este encontro registrado no jornal "Il
Messaggero", cuja primeira página reproduzimos aqui, para delícia dos nossos leitores.

Conteúdo do "Messaggero" no dia 6 de março de 1937

57
San Jose Mercury Herald, 1 de outubro de 1931.

115
Ampliação da notícia e da fotografia do jornal

Ampliação da fotografia em que aparecem Mussolini e Lewis, dentro do círculo.

Diz o artigo do citado diário italiano:

"O "prof." Spencer Lewis, que liderava um grupo de turistas (membros da


AMORC) em visita à Itália, declarou-se feliz e extremamente honrado de poder
apresentar ao Duce uma homenagem por parte do grupo que o acompanhava e
afirmou em nome deste, que cada um dos americanos que tinham desfrutado desta
breve estada na Itália, pode constatar com seus próprios olhos, o que havia sido
realizado na península graças a vontade de Mussolini e concluiu dizendo que cada

116
visitante, após o regresso ao seu país, poderá testemunhar, em nome da verdade, o
que tinha visto. Finalmente, agradeceu de forma calorosa ao Duce, por lhe ter
concedido essa audiência e por ter concedido tal honraria ao grupo...58”

Tudo isto sucedia na Itália em "março de 1937", quando:

- Mussolini tinha proibido as atividades das ordens esotéricas democráticas,


como a Maçonaria, cujo Grande Mestre, o ilustre Torrigliani, foi preso, confinado nas
Ilhas Lipari, onde morreu cego por falta de assistência médica.

- Mussolini já tinha invadido a Líbia e a Abissínia, o que lhe valeu a condenação


unânime dos países democráticos.

- Em 1937, Mussolini estava ajudando com tropas e armas o General Franco, que
tinha se levantado em armas contra o governo legítimo e democrático da República
Espanhola.

- Em 1937, Mussolini dava todo seu apoio militar e político, em conjunto com o
ditador alemão Adolf Hitler, ao general Franco, que proibiu as atividades das ordens
esotéricas democráticas e fuzilou milhares de maçons e centenas de milhares de
democratas.

- Mussolini, da mesma forma que Hitler, estava testando suas modernas armas
contra os democratas, na Guerra Civil Espanhola, para depois utilizá-las na II Guerra
Mundial, que já estava sendo preparada pelos ditadores.

- Mussolini permitiu a deportação de milhares e milhares de judeus italianos para


os campos de concentração alemães, onde morreram na mais abjeta das misérias e
cujo único crime era terem nascido judeus.

E plenos de felicidade devido a recepção do ditador fascista, num artigo que


apareceu na revista oficial da AMORC, em 1937, se comenta esta entrevista:

"A recepção aos rosacruzes, por parte de Mussolini, o magnífico discurso que
pronunciou em reconhecimento ao vosso Imperator, bem como aos Oficiais Supremos,
as magníficas coisas que disse aos rosacruzes da AMORC”59.

Tudo isto são fatos, cuja realidade consta dos arquivos e hemerotecas
correspondentes e não iremos efetuar nenhuma valorização dos mesmos, deixando
que cada um tire suas próprias conclusões e determine se os "ensinamentos" que o
"Dr." Lewis poderia transmitir, cujas falsificações de documentos e fantasias vimos
nestas páginas e entusiástico admirador do ditador fascista Mussolini e suas vigarices,
podem ser "imaculados" .

58
El Messaggero, 6 de março de 1937.
59
Rosicrucian Digest, agosto de 1937, página 267.

117
Sobre os ensinamentos de Lewis iremos falar na sequência e veremos alguns dos
processos por plágio que Lewis teve que enfrentar e seus resultados.

Benito Mussolini saúda os Rosacruzes (AMORC)


The New York Times, New York, Saturday March 6, 1937, page 7.

118
18. A Falácia da “Teoria dos Ciclos” do “Dr.” H. Spencer Lewis

Em “Perguntas e Respostas Rosacruzes...” Lewis expõe uma alternância de ciclos


ativos e inativos, com 108 anos de duração. Segundo ele cada jurisdição que constituía
um ramo da fraternidade rossacruz deveria escolher um certo ano para o aniversário
de sua fundação e, desse ano em diante, operar conforme a periodicidade dos
referidos ciclos. Um ciclo completo, do nascimento ao renascimento, deveria ser de
216 anos (108 anos de atividade, 108 de inatividade). Ao aproximar-se o momento de
cada jurisdição promover o renascimento da Ordem emitia-se um manifesto que
lançava o começo de um novo ciclo. Esse manifesto, anunciava a descoberta de uma
“tumba”, em que fora encontrado o “corpo” de um grande Mestre, C.R.C., que
conferia poderes para restaurar a secreta organização. Esse manifesto seria uma
alegoria, e a existência de Christian Rosenkreutz, fictícia. Spencer Lewis nega a autoria
do Fama por Johann Valentin Andrea e a atribui a Sir Francis Bacon.
Note-se no Quadro 1 a Tabela dos Ciclos de Atividade/Inatividade. Nela o Ciclo
Alemão inicia em 1614 (data do Fama) e entra em inatividade em 1722. Ora é
exatamente em 1724 que a Ordem dos Cavaleiros da Cruz de Ouro e Rosa-Cruz publica
o seu manifesto assinado por Sincerus Renatus, bem no período de inatividade.
Observe o quadro, em 1830 ela deveria renascer novamente, morrendo em 1938
(antes da 2ª Guerra Mundial). Agora observe-se esse excerto do livro de H. Spencer
Lewis: “na Alemanha, as tradições e os aspectos históricos da Ordem deram ímpeto a
sua restauração após a Segunda Grande Guerra. Hoje, a Grande Loja da Alemanha é
uma das mais progressistas da Europa” (pág. 150). Novamente a Teoria dos Ciclos não
corresponde aos fatos, pois a organização foi restaurada justamente em seu período
correspondente à inatividade.
Reportemo-nos ao Fama agora. No alto da porta de Christian Rosenkreutz havia
o seguinte dizer: “Eu me abrirei dentro de 120 anos”. Segundo o Confessio, Christian
nasceu em 1378 e morreu com 106 anos em 1484. Em 1604 se “abriu”, ou seja, 120
anos depois. 1604 deve ter sido o ano em que foi escrito o Fama, pois anterior a sua
publicação de 1614. Se olharmos o quadro no Ciclo Alemão II veremos que as datas
novamente não coincidirão, ou seja, a lei dos ciclos é ineficaz.
1378 1484
+ 106 + 120
1484 1604
Vejamos o suposto “Ciclo Americano”. Começa em 1693, ano da partida dos
rosacruzes da Europa. Contudo deveria começar em 1694, ano da fundação da Colônia
em Filadélfia. Vemos pois que começamos já com um ano de diferença. Em 1909 seria
o ano de renascimento, ano em que H. Spencer Lewis viajou para a Europa para ser
iniciado na Rose-Croix. Em 2017 seria o ano de encerramento das atividades da atual
AMORC. É interessante notar que o Sr. Burnan Schaa, Supremo Tesoureiro da AMORC,
na XII Convenção Nacional Rosacruz em Curitiba, em 1988, declarou que se a AMORC
encerrasse suas atividades, seria somente em 2023, pois foi somente a partir de 1915
que a Ordem começou a funcionar como tal. Salientou, também, que é muito

119
improvável que a atual AMORC americana encerre suas atividades pois, atingiu um
proporção mundial que impossibilita isto. Vemos pois que o ciclo de 108 é utilizado ao
bel-prazer, citado quando é necessário, para provar a “antiguidade” da organização e
seus intrigantes aparecimentos e desaparecimentos, e negado ou torcido quando se
faz necessário. Toda esta demonstração serve para confirmar a falácia da “Teoria dos
Ciclos”.
Análise do Documento da pág. 16 do Dossiê da AMORC:
O referido documento do dossiê da AMORC começa com a seguinte saudação:
“À Glória de Christian Rosenkreutz, Nosso Venerável Mestre”. Examinando a referida
data do documento, podemos ver que ela começa assim:
“Vale de Bruxelas - (Bélgica) - à 15 de junho de 1933 da Era Vulgar; 5933 da Vr...
Lum... e 555 da R+C.”
Ora, é muito estranho que seja usado em 1933, como cronologia rosacruz, o ano
de 555 R+C, pois segundo a cronologia de H. Spencer Lewis o ano deveria ser 3.286
R+C (1353 a.C. + 1933 = 3.286). Lewis pressupõe como ponto de partida 1.353 a.C.
para o calendário rosacruz, referindo-se a mesma ao período do faraó Amenófis IV,
mais conhecido como Akhenaton, que morreu aproximadamente em 1350 a.C.
Verifiquemos agora o motivo do uso de 555 R+C pela Ordem Rose+Croix da
Europa:
1933
- 555
1378

Se estão lembrados, 1378 é o ano de nascimento de Christian Rosenkreutz


segundo o Confessio. Isso indica que a Ordem Européia tomava essa data alegórica
como ponto de partida. Fica óbvio agora que a atual cronologia R+C é simplesmente
uma invenção do “Dr.” Lewis.
Mas e a data de 5.933 Vr... Lum... , a que se refere? Pois bem, na Franco-
Maçonaria o ano maçônico tem início no 1º dia do mês de março, somando 4.000 (por
considerarem ser esta a data da criação do universo) ao ano vulgar. Exemplo: 4.000 +
1.933 = 5.933.

120
121
122
ADENDO

Capa do livro de Robert Vanloo “Os Rosacruzes do Novo Mundo” (Les Rose-Croix Du Nouveau
Monde, 1996)

123
Página 197 do livro de Robert Vanloo “Os Rosacruzes do Novo Mundo” (Les Rose-Croix Du
Nouveau Monde, 1996)

124
Página 198 do livro de Robert Vanloo “Os Rosacruzes do Novo Mundo” (Les Rose-Croix Du
Nouveau Monde, 1996)

125
Página 199 do livro de Robert Vanloo “Os Rosacruzes do Novo Mundo” (Les Rose-Croix Du
Nouveau Monde, 1996)

126
Página 200 do livro de Robert Vanloo “Os Rosacruzes do Novo Mundo” (Les Rose-Croix Du
Nouveau Monde, 1996)

127
Página 201 do livro de Robert Vanloo “Os Rosacruzes do Novo Mundo” (Les Rose-Croix Du
Nouveau Monde, 1996)

128
Página 203 do livro de Robert Vanloo “Os Rosacruzes do Novo Mundo” (Les Rose-Croix Du
Nouveau Monde, 1996)

129
H. Spencer Lewis envolvido em um caso de fraude60 (1908).

60
http://ehbritten.blogspot.com.br/2016/05/the-mail-order-occult-ring-saga-episode.html

130
H. Spencer Lewis envolvido em um caso de fraude61 (1908).

61
http://ehbritten.blogspot.com.br/2016/05/the-mail-order-occult-ring-saga-episode.html

131
Reivindicação de Plágio62 por H. Spencer Lewis (1932)

Counter charges of plagiarism were hurled against H. Spencer Lewis by attorneys for George L.
Smith, a member of AMORC. In this article there are excerpts from "You Rotter" the famous
letter written by Smith to Lewis.

62
https://pt.scribd.com/document/220292976/Plagiarism-by-H-Spencer-Lewis-Claimed-1932

132
Reivindicação de Plágio por H. Spencer Lewis (1932)

133
Reivindicação de Plágio por H. Spencer Lewis (1932)

134
O "Astrólogo”63 Professor H. Spencer Lewis em 1907/1908. Previsões maravilhosas para você!
O notável Astrólogo e Psíquico diz o seu passado e futuro com uma precisão incrível.
Como melhorar a sua condição, financeira, social e fisicamente? Previsões sobre o balanço do ano, em
um belo mapa astral-psíquico; se você deseja saber os seus períodos de sorte e azar; quais armadilhas
evitar; quais as oportunidades agarrar; sugestões sobre negócios, amigos, inimigos, amor, laços de
casamento, viagens, doença, morte, etc., escreva uma breve carta ao Prof. H. Spencer Lewis.

63
https://pt.scribd.com/document/317549418/Astrologer-H-Spencer-Lewis-1908
https://pt.scribd.com/document/317983441/H-Spencer-Lewis-Psychic-Astrologer-1907
https://pt.scribd.com/document/317799030/Astrologer-Professor-H-Spencer-Lewis-1907
https://pt.scribd.com/document/318028234/Astrologer-H-Spencer-Lewis-Tells-Past-and-Future-1907
https://pt.scribd.com/document/317835650/Astrology-Book-by-H-Spencer-Lewis-in-the-Catalogue-of-
Copyright-Entries

135
A ligação entre a AMORC, a OTO e Crowley
por Lucas Moraes

O presente artigo visa trazer traduções em forma de resumos comentados de


materiais estrangeiros selecionados sobre o tema, garantindo ao mesmo tempo acesso
a informações antes não disponíveis para o público de língua portuguesa, e uma
análise crítica de seu conteúdo pelo autor. Nesta publicação trago um esboço sobre
um assunto pouco comentado sobre determinado período histórico que envolve a
fundação da AMORC. Para os leitores não familiarizados com os temas aqui abordados,
recomendo as demais leituras dos amigos colunistas do blog64. Esta publicação tratará
de um assunto específico que envolve os primeiros períodos da AMORC, enfatizando a
relevância do envolvimento entre seu fundador, Harvey Spencer Lewis, e um dos
fundadores da OTO, Theodor Reuss, durante os primeiros anos da AMORC.

H. Spencer Lewis conhece Reuss

Sobre a relação de Lewis com Theodor Reuss, existem rumores que Lewis o
tenha conhecido em 1909 durante sua viagem para a França e para a Inglaterra, mas
não existem dados que confirmem essa posição. Em uma carta da AMORC para Peter-
Robert, um escritor e ocultista suíço historiador da OTO, a posição oficial é que os
dados concretos que existem falam por si só, e esses são de correspondências trocadas
entre Reuss e Lewis. Estas não deixam a menor dúvida sobre a origem de suas
relações. Lewis teria, conforme esses documentos reivindicados pela AMORC,
contatado Reuss no outono de 1920 e não antes, onde então se iniciaram trocas de
correspondências. Veremos a posição da AMORC na carta à Peter-Robert.
No ano de 1920 Lewis ficou sabendo da relação de Reuss com um maçom de Salt
Lake City, McBlain Thomson, editor da “The Universal Freemason” e membro da
“Fédération Maçonnique Universelle” (1908) de Papus. Lewis ficou sabendo de um
projeto deles de reiniciar o projeto iniciado por Papus em 1908 de unir as ordens
iniciáticas e restaurar a Fédération, a nível mundial. Então em 1919 Reuss concedeu a
McBlain certificados de “33°, 96°, IX°, Soberano Grande Mestre General e Grande
Presidente Geral da cidade de Salt Lake, em Utah”. McBlain então foi convidado a um
congresso, o Congresso de Zurich (julho de 1920) que foi considerado uma
continuação histórica do congresso (Congrès Spiritualiste) onde Papus apresenta seu
projeto de 1908.

Lewis busca contato com Reuss

Lewis ficou intrigado com essas informações, e quis entrar em contato com
Reuss para saber mais sobre isso. Ele não conhecia McBlain, conseguiu o endereço de
Reuss, escrevendo a ele se dizendo recomendado por McBlain. Entretanto quando

64
http://oalvorecer.com.br/a-ligacao-entre-a-amorc-a-oto-e-crowley-1/

136
Lewis contatou Reuss, ele respondeu dizendo que havia cortado relações com McBlain
devido ao fracasso do Congresso de Zurich, e pelo que parece, já havia se desligado
dele. Afirmava Reuss que McBlain desviou o tom do congresso para benefício de sua
própria federação maçônica “American Masonic Federation”, e traiu a confiança dele.
Reuss então apresentou a OTO ao Imperator da AMORC como sendo uma
descendente direta dos antigos rosacruzes, e enfatizando que esta não era uma
simples ordem moderna criada por maçons. Em sua primeira carta Reuss apresentou a
OTO como sendo uma fronte exotérica de uma ordem rosacruz interna. E por essa
razão Lewis sentiu interesse em estabelecer um relacionamento com Reuss. Nas
últimas linhas ele escreve dizendo que ficaria contente em estabelecer um
relacionamento amigável entre as Ordens.
As trocas de correspondências duraram de dezembro de 1920 à maio de 1922.
Como Reuss não teve sucesso em renovar, com McBlain, o projeto iniciado por Papus
em 1908, ele viu na AMORC uma oportunidade de reiniciar essa ideia. Então, segundo
posição da AMORC na carta, Reuss enviou a Lewis um documento, uma espécie de
diploma, que simbolizava um elo de amizade, um reconhecimento fraternal mútuo
entre as duas Ordens, a AMORC e a OTO. Apresentarei mais adiante a fotocópia do
documento.

Conexão entre H. S. Lewis, a OTO e o Rito de Memphis-Mizraim

Em 1921 Harvey Spencer Lewis anunciou na sua recém fundada revista “The
Triangle”65 que recebeu da Ordo Templi Orientis um documento que o garantia “os
mais altos graus maçônicos”. Esse documento também conferia ao Imperator o título
de “Ilustríssimo Sir Cavaleiro e Frater R.C.” e apontava a AMORC da América como uma
“medida de amizade para com a Ordo Templi Orientis da Europa”. Ele não dizia quem
assinou o documento, justificando que este veio do “Supremo Santuário da
Maçonaria” no exterior. Mas tempos depois, quando foi publicado o documento,
constatou-se ter sido assinado diretamente por Reuss. Na revista da AMORC constava:

“Um outro item pode ser de interesse de nossos membros. Um extenso e interessante documento
foi recebido durante o mês de agosto de um Supremo Santuário da Maçonaria no exterior conferindo ao
Imperator os mais altos graus maçônicos tais como os Graus Honorários 33° e o 90° do Antigo e
Primitivo Rito de Memphis e Mizraim (sob um documento de autoridade emitido por John Yarker, 33°,
eminente autoridade Maçônica e historiador e Soberano Grande Mestre Geral da Inglaterra) onde nosso
Imperator recebeu os títulos de Príncipe de Memphis (Egito), Membro do Soberano Tribunal e Defensor
da Ordem e Soberano Grande Conservador Patriarcal dos Ritos, Príncipe Sublime dos Magi. O Grau
Honorário 33° carrega consigo o título de Cavaleiro Grande Inspetor Geral. O documento também torna
o Imperator um Membro Honorário do Supremo Santuário da Suíça, Áustria e Alemanha. Estes foram
conferidos sob o documento e a autoridade do Grande Oriente da antiga Gália e do Supremo Santuário
da Grã-Bretanha. Também a Ordo Templi Orientis (Ordem Oriental do Templo, Fraternidade da Luz
Hermética), conferiu seus altos graus ao Imperator com o título de Ilustríssimo Sir Cavaleiro e Frater R.C.,
apontando nossa Suprema Loja nesse país como uma “Medida de Amizade para com a Ordo Templi
Orientis da Europa”.

65
The Triangle, September 29th, 1921, p. 1.
http://www.iapsop.com/archive/materials/triangle/triangle_v1_n6_sep_1921.pdf

137
O documento foi concedido a Lewis por Reuss (Peregrinus), com quem o
Imperator contatou no final de 1920, de acordo com a carta da AMORC. O documento
em si não consta todos os títulos citados por Lewis. Eis o documento:

138
Documento oferecido por Peregrinus (Theodore Reuss), da Ordo Templi Orientis, a H.
Spencer Lewis, conferindo-lhe honrarias e estabelecendo "laço de amizade" entre as
Ordens.

139
Manifesto da OTO/M.·.M.·.M.·. figurando o
selo derivado do Rito de Memphis-Mizraim na
Alemanha, então encabeçado por Theodor
Reuss.

De acordo com as explicações da AMORC em


1999 na carta à Peter-Robert, esse documento
não transmitia nenhuma forma de autoridade
de natureza ritualística ou iniciática a Lewis. E
assim essa carta seria apenas um documento
que firmava uma relação de amizade entre as
Ordens sob o interesse de organizar uma
viagem conjunta de peregrinação ao
“Oberrammergau Passion Play”, para atrair
pessoas de vários lugares, e depois disso
propor uma grande convenção rosacruz
próxima de Munique. Ainda segundo a
AMORC, em cartas posteriores Reuss esclarece
com mais detalhes a natureza da “autoridade”
conferida a Lewis, e adiciona que havia
retirado a autoridade antes concedida a
Charles Stansfield Jones (o Frater Achad, da
A.·.A.·.) na América, pois este teria virado um “filho mágico de Crowley”.

Entretanto, à respeito da natureza desse documento concedido a Lewis, não é


essa simples função que alguns pesquisadores costumam atribuir a ele, afirmando eles
que a natureza desse documento, não só por conceder patentes na OTO, concede
também determinada autoridade no Rito Maçônico de Memphis-Mizraim, e isso revela
uma forte ligação entre esse rito e a AMORC. Essa ligação é assunto polêmico, e
envolve um período muito especial para a conformação
da atual AMORC, que incorreu-se entre 1920 e 1935,
quando o Rito de Memphis-Mizraim foi retirado da
FUDOSI. Tratarei desse assunto e de suas implicações
com maior abrangência em uma próxima série de
publicações.

Liber 777 (“Sanctum Celestial”, antiga “Catedral da


Alma”) original da AMORC portando o selo do Rito de
M.·.M.·. . Os certificados da FUDOSI originais da AMORC
também figuravam o mesmo selo.

140
A criação da T.A.W.U.C

Rapidamente Lewis e Reuss começaram a dar forma ao projeto de criar uma rede
internacional conectando os rosacruzes da América e da Europa. Em 1921 eles
decidiram que o nome dessa rede seria TAWUC, ou The A.M.O.R.C. World Union
Council (Conselho de União Mundial da A.M.O.R.C.). Ambos estavam realmente a fim
de concretizar uma união. Reuss criou um modelo e enviou vários textos a Lewis sobre
como seria a constituição da TAWUC.
Lewis estivera bem entusiasmado com o projeto. Entretanto logo se arrependeu.
Os motivos que fizeram Lewis perder o interesse foram cinco artigos enviados a ele,
antes deles aparecerem na constituição da TAWUC. Quando Reuss afirmava que o
objetivo da TAWUC era de “propagar os antigos e secretos ensinamentos da autêntica
Irmandade R+C” Lewis concordava, mas quando Reuss continuava sendo mais
específico sobre seus interesses e dizia que também era o de “propagar a Santa
Religião Gnóstica e estabelecer departamentos de ensino religioso, de publicação,
econômico, de economia social…” o Imperator ficou preocupado. Ele respondeu em
correspondências a Reuss que não concordava com alguns pontos e falou que
precisavam trabalhar em alguns pontos antes de levar a cabo toda a situação. Ele não
chegou a ser específico, mas fica implícito que os objetivos de ensinar a Religião
Gnóstica, economia, etc., não eram nada atrativos a Lewis.
Outro motivo de discordância com Reuss teria sido as remessas financeiras que
eram pedidas para financiar a secretaria da TAWUC por Reuss. Apesar de Lewis
concordar, o Conselho da AMORC e seus membros acharam que os valores estavam
altos, mesmo Reuss afirmando que o valor médio estava em plena conformidade com
aquele praticado entre obediências maçônicas. As negociações a esse respeito não
foram muito longe e Reuss não cobrou nada a Lewis, assim como este nada chegou a
financiar. Enfim Lewis parece ter sentido que estava agindo precipitado demais com
certas coisas.

Preocupação de Lewis com Crowley

Em determinado momento Lewis pergunta a Reuss qual era exatamente a


posição exata de Crowley dentro da OTO. A resposta de Reuss foi precisa e ele afirmou
que havia cortado todas as relações com Crowley. Por bastante tempo o Imperator
esteve preocupado com o paradeiro do referido, o qual tentava convencer as pessoas
que era o chefe secreto do rosacrucianismo. Na American Rosae Crucis de outubro de
191666 H. Spencer Lewis criticou severamente Aleister Crowley, que foi apresentado
como um praticante de magia negra. Ele especificava que Crowley era um impostor e
que nada tinha a ver com a AMORC, e que ele não era nenhum chefe secreto do
rosacrucianismo como ele afirmava.

66
http://www.iapsop.com/archive/materials/american_rosae_crucis/american_rosae_crucis_v1_n10_oc
t_1916.pdf

141
Theodor Reuss, Spencer Lewis, Ordo Templi Orientis, A.M.O.R.C. e T.A.W.U.C

Outro ponto que fez o Imperator perder o interesse na TAWUC foi que ele
afirmava que Reuss parecia estar mais preocupado com questões comerciais do que
atividades iniciáticas. Lewis parou de responder as cartas de Reuss, o que o deixou
furioso. Depois de bastante tempo Reuss retorna uma carta a Lewis mostrando o como
estava abismado com o silêncio brutal de Lewis. Então Lewis retorna a ele dizendo que
era necessário dar uma pausa para pensar, e mostrou seu desinteresse em dar
prosseguimento com a TAWUC. Em outubro de 1922 Lewis não mais respondeu Reuss.
Em resumo, segundo a posição da AMORC, a relação desta com a OTO durou
cerca de um ano e meio através de projeto que se esboçou e terminou, sem sequelas.
A AMORC afirma que o estudo dessas correspondências trocadas são suficientes para
desmentir qualquer boato que a AMORC surgiu do seio da OTO, e que todos esses
boatos seriam novelas criadas por especuladores desinformados. Todavia não pode-se
esconder que alguns autores levantam pretensiosas afirmações que buscam contestar
certas posições e problematizar certos dados com outros. Pretendo em breve dar
continuidade a essa discussão, abordando alguns pontos mais cuidadosos e trazendo
novas traduções em forma de resumos comentados dos materiais utilizados.

142
Fontes:
http://oalvorecer.com.br/a-ligacao-entre-a-amorc-a-oto-e-crowley-1/

A Letter from the A.M.O.R.C. about the O.T.O. disponível em:


http://www.parareligion.ch/sunrise/amorc_en.htm

Is the A.M.O.R.C. an offspring of the O.T.O. or not ? – Robert Vanloo


http://www.parareligion.ch/sunrise/vanloo/ameng.htm

Ordo Templi Orientis, Antiquus Mysticus Ordo Rosae Crucis A.M.O.R.C., Ancient and
Mystical Order of Rosae Crucis – Peter-Robert Koenig
http://www.parareligion.ch/sunrise/vanloo/mylewis.htm

Harvey Spencer Lewis – Wikipedia


https://en.wikipedia.org/wiki/Harvey_Spencer_Lewis

Theodor Reuss – Wikipedia


https://en.wikipedia.org/wiki/Theodor_Reuss

Antiga e Mística Ordem Rosae Crucis


www.amorc.org.br

Ordo Templi Orientis – Ocultura


http://www.ocultura.org.br/index.php/Ordo_templi_orientis

The Triangle, September 29th, 1921, p. 1.

143
144
A Utilização pela AMORC de ensinamentos de Aleister
Crowley da OTO

Thelema é a filosofia ou religião (dependendo do ponto de vista) baseada nos


dois preceitos fundamentais da chamada Lei de Thelema:

"Faze o que tu queres será o todo da Lei". (orig. "Do what thou wilt shall be the
whole of the Law"67.)

"Amor é a lei, amor sob vontade". (orig. "Love is the law, love under will".)

Não há um consenso sobre a tradução da Lei de Thelema para o idioma


português. Além da tradução apresentada neste artigo existem outras versões como
"Faze o que tu queres deverá ser o todo da Lei." (OTO Portugal), "Faze o que tu queres
pois é tudo da Lei." (Raul Seixas), "Fazei o que tu queres, há de ser o todo da Lei."
(Marcelo Motta) e outras. Desde que seja mantido o estilo literário utilizado, não seja
alterada a pontuação da frase e que se respeite o uso da maiúscula em "Lei" todas são
consideradas válidas. A forma aqui colocada é a utilizada pela O.T.O. brasileira.

Estes foram apresentados ao mundo, desta forma, no Livro da Lei (Liber AL vel
Legis), escrito por Aleister Crowley nos dias 8, 9 e 10 de abril de 1904.

Crowley desenvolveu o sistema thelêmico a partir de uma série de experiências


metafísicas experimentadas por ele e sua então esposa, Rose Edith Kelly Crowley, no
início de 1904. A partir dessas experiências ele alegava ter sido contactado por uma
inteligência não-corpórea denominada Aiwass (a quem identificou mais tarde como
seu Sagrado Anjo Guardião), que ditou a ele, entre o meio-dia e as 13 horas dos dias 8,
9 e 10 de abril daquele ano, o Livro da Lei (Liber AL vel Legis). Sabe-se, além disso, que
pensadores anteriores a Crowley apresentaram traços da cosmovisão e sistema
contidos no livro, de modo que o conhecimento thelêmico, embora coroado pelo Liber
AL, não se restringe a ele.

O livro contém tanto a frase "Faze o que tu queres será o todo da Lei" quanto o
termo Thelema (do grego θέλημα, "vontade"), que Crowley tomou como nome do
sistema filosófico, místico e religioso que veio a se desenvolver a partir do texto
daquele livro, considerado sagrado pelos thelemitas, ou seja, aqueles que seguem a
filosofia ou religião de Thelema. O sistema thelêmico inclui uma série de referências de
magia, ocultismo, misticismo e religião, tanto ocidentais quanto orientais, tais como a

67
Crowley, Aleister (1904). Liber AL vel Legis. The Book of the Law [S.l.: s.n.]

145
Cabala e a Yoga. Segundo Crowley, Thelema representaria um novo sistema ético e
filosófico para a humanidade, caracterizando um Novo Aeon (Nova Era).

É comum que a Lei de Thelema seja compreendida, à primeira leitura, como uma
licença para que se executem todos os desejos e caprichos que uma pessoa tenha, sem
que haja responsabilidade ou consequências por seus atos. Contudo, esta filosofia
prega justamente o oposto, partindo da ideia de que cada ser humano, por possuir
livre arbítrio, é inteiramente responsável por sua existência e por suas ações, sem ser
absolvido ou culpado por nenhum Deus ou Diabo no que tange o destino de sua
própria vida. A liberdade de todo Homem e toda Mulher é, portanto, cultuada, uma
vez que, como consta no Liber AL, "Todo homem e toda mulher é uma estrela". O
resultado disso é um profundo respeito a si próprio, a cada indivíduo e a cada forma de
vida como sendo expressões particulares do Divino.

Além disso, Thelema conclama cada um à descoberta e realização de sua


Vontade (a inicial maiúscula sendo utilizada para diferenciar esta da vontade trivial, a
expressão Verdadeira Vontade também sendo utilizada para tanto, ainda que não
apareça nos textos canônicos). Cada um de nós tem por obrigação descobrir e cumprir
essa Verdadeira Vontade, deixando de lado todo capricho e distração que possa nos
afastar deste objetivo máximo. Ao realizá-la, estamos nos integrando perfeitamente à
nossa Natureza, que reflete a ordem do Universo. Portanto, realizar a Verdadeira
Vontade é despertar para a Vontade do Universo.

Em Thelema, considera-se a Divindade como algo imanente: isto é, que vive


dentro de tudo. Logo, conhecer sua Vontade mais íntima também é conhecer a
Vontade de seu deus Interno. Esse processo de descoberta da Vontade além dos
desejos do Ego constitui um método de realização espiritual baseado principalmente
no autoconhecimento. Infelizmente, os escritos de Crowley são usualmente mal
interpretados e incrivelmente tomados no sentido oposto ao original, dando origem a
comportamentos anti-sociais que nada têm a ver com Thelema.

A nível social, Thelema pode ser entendida como a luta pela vivência da
Liberdade de cada indivíduo, de modo que ele possa se realizar de acordo com sua
órbita particular, isto é, dentro de suas vivências e escolhas específicas. Considerar a
importância essencial do indivíduo para o mundo pode ser uma postura menos
pragmática do que a tradição política adotada por sociedades opressoras e
massificantes. No entanto, pelo que foi explicado anteriormente, está claro que a
tirania e os regimes totalitários nada têm a ver com Thelema.

Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Thelema

146
Nos ensinamentos da AMORC, no 11º Grau, este ensinamento de Aleister
Crowley é citado como “uma das mais antigas leis Rosacruzes”68. Os ensinamentos da
AMORC vão além do que convencionalmente se considera como tradição rosacruz,
contendo elementos da teosofia (veja a adoção do mestres Kuthumi e El Morya
contatados por Madame Blavatsky), novo pensamento, yoga, etc.

Monografia 10 - 11º Grau AMORC-

“Isto me traz ao ponto em que eu posso segura e confidencialmente comentar


uma das mais antigas leis Rosacruzes. Evitamos usá-la em qualquer dos Graus
anteriores porque ela pode ser facilmente mal interpretada. A lei é a seguinte: "Faze o
que tiveres vontade, é toda a lei; o amor é a lei; o
amor sob o domínio da vontade". A primeira parte
desta lei é a mais importante: "Faze o que tiveres
vontade, é toda a lei". Isto não quer dizer que
vocês possam fazer qualquer coisa que queiram e
que não haja outra lei além da que lhes permita
saírem pela vida fazendo qualquer coisa e tudo o
que desejem. Vocês podem imediatamente
perceber que esta ideia absolutamente não
poderia ser uma lei. A chave para essa lei mística
está na palavra
vontade. Esta
injunção de
fazermos as
coisas que queiramos significa fazermos as coisas que
tenhamos examinado, analisado, sobre as quais
tenhamos raciocinado e finalmente chegado a uma
conclusão, com a compreensão de que assumiremos
toda a responsabilidade pelo nosso ato e arcaremos
com todo o carma que disso resulte. Os Fratres e
Sorores podem perceber, portanto, que essa lei é
muito parecida com uma outra expressa em nossos
ensinamentos: "Se ousares fazer, terás o poder para fazer".

68
Ver nota 73 na página http://www.parareligion.ch/sunrise/vanloo/ameng.htm onde consta "73.
AMORC Monografia Mestre, Grau 11, Monografia 10, p. 4."

147
148
149
A Origem Secreta da Tradição Ritualística da AMORC
Sam Robinson

A AMORC tem influência tradicional. Este é o segredo escondido em seus rituais


de iniciação.
Hoje eu irei destrancar um segredo bem guardado dentro da AMORC. Irei
mostrar de onde os rituais de iniciação realmente vêm e por uma boa razão. A AMORC
provavelmente mantém esta pequena joia longe do alcance de seus membros, pois ela
acha um pouco embaraçoso. Seus rituais de iniciação não são antigos per se, mas eles
têm uma bela história para contar.
Como um tradicionalista, eu acredito que a AMORC deve estar orgulhosa dessas
raízes.

Introduzindo o Ritual Egípcio de Memphis-Misraim

Estranhamente muita gente nunca ouviu falar do Memphis-Misraim, que é um


organismo muito Rosacruz. A maioria
dos membros da AMORC tem
mencionado algumas vezes que eles
acham que a AMORC tem pouco a ver
com a Maçonaria. De um modo geral,
eles estão certos. AMORC e Maçonaria
são duas entidades separadas com
diferentes objetivos. E, no entanto, esta
suposição é absolutamente errada
quando se trata do Rito de Memphis-
Misraim, amplamente conhecido como
Maçonaria Egípcia, uma tradição que eu
tive a sorte de ser iniciado na Suécia,
graças a Mikael Gejel & Fin N.
Como e por que a AMORC está relacionada com o M.·.M.·. é fascinante. Este post
vai provar a questão.
Na minha avaliação da AMORC afirmei que “a AMORC é essencialmente o rito
egípcio de Memphis-Misraim sem a lenda do construtor maçônico“69. Isto não foi um

69
Comentário de Gary Stewart na discussão sobre este assunto: "Eu tendo a discordar de você que os
Ritos de Memphis e Misraim tiveram influência seja direta ou indireta no desenvolvimento da AMORC.
HSL não tinha ideia do que ele era até a formação da FUDOSI, em 1934, e Vitor Blanchard começou a
partir daí a enviar-lhe vários rituais, etc. HSL tinha todos os nove graus da AMORC e todos os rituais
(Convocações e Iniciações) concluídos e em operação até 1918. Em 1921, Theodore Reuss enviou a HSL
um documento amistoso com a OTO (Reuss queria trabalhar com Lewis e os membros da AMORC como
em uma peregrinação para ver a Encenação da Paixão) no qual graus de Memphis e Misraim foram
incluídos o nome de Lewis. HSL não sabia o que isso era e pensou que poderia fazê-los, e assim o fez
quando começou a escrever para vários esoteristas na Europa que ele queria conhecer durante a sua

150
palpite que acabou por ser um bang, mas também descobriu-se que o fundador da
AMORC, Harvey Spencer Lewis, propositadamente fez isso, sabendo muito bem que
ele estava mudando os rituais e eviscerando a lenda maçônica.
Para os leitores, que não conhecem, a Maçonaria Egípcia não é a mesma
Maçonaria regular. Esta última é em grande parte Inglesa ou Escocesa, e baseia-se na
lenda do construtor em torno do templo do Rei Salomão. A história tradicional dentro
da Maçonaria regular afirma que um dos mestres construtores do rei Salomão foi
chamado Hiram Abif e foi ele que aprendeu a sabedoria secreta de Salomão, que foi
transmitida através de sua guilda de construtores, dentre a qual estavam os mistérios
secretos da elaboração do templo. Seu ofício se tornou filosófico, com o objetivo de
construir um templo para uma humanidade iluminada.
A Maçonaria Egípcia, por outro lado, é geralmente detestada por Maçons
regulares. Ao invés de ter apenas 33 graus, o Rito de Memphis-Misraim tem 99
iniciações de mistérios no total.
A principal diferença aqui é que eles alegaram uma origem egípcia. Ao invés de
remontar aos construtores do templo de Salomão, eles se viam como uma extensão
dos arquitetos do Egito, que haviam criado as pirâmides e testemunhado os antigos
mistérios lá mesmo. Foi a sua fraternidade, segundo eles, que tinha continuado as
antigas religiões de mistério do Egito, Pérsia, dos Hebreus e da Grécia, todas as quais
eles tinham testemunhado e transmitido em sua Maçonaria Egípcia.
A AMORC em sua história tradicional também reivindica ser oriunda dos
egípcios, ou seja, a partir de Imhotep, ou, como alguns dizem, Akhenaton. Isto é onde
você vai começar a ver o crossover da Maçonaria Egípcia.
Na verdade, o Rito de Memphis-Misraim é uma combinação de dois ritos
anteriores, sendo o primeiro o Rito de Misraim e o segundo o Rito de Memphis. Ambos
tiveram diferentes lendas de fundação.
O Rito de Misraim começou em 1803 como uma extensão da Maçonaria Egípcia
de Cagliostro. De acordo com sua lenda, Misraim foi o neto de Noé, que depois de
sobreviver à inundação fundou o Egito. Ele é conhecido como Menes, o primeiro dos
faraós, e introduziu a Cabala e a Arquitetura para os Egípcios. Tal como acontece com
Rosenkreuz, ele tinha um túmulo de sete lados, rodeado por sete pedras planetárias e,
acima de seu sarcófago, queimava um fogo que nunca se apagava. Este Rito era
Hermético, Cabalístico e possuía 80 graus.

visita em 1929. Aconteceu então que alguns dos contatos que pertenciam ao Grande Oriente Francês
erroneamente pensaram que Lewis era também. Foi embaraçoso (para HSL) quando eles finalmente se
encontraram. Mas para resumir a história, HSL finalizou sua reunião com Emile Dantinne e ele
finalmente conseguiu o que queria, mas apenas alguns anos depois que a AMORC já estava em
operação. O altar triangular (Shekinah) e certos aspectos da Convocação de Loja foram emprestados de
um pequeno livro de 1901 sobre a Filosofia Hindu e o ritual de Iniciação foi uma dramatização de sua
experiência onírica em 1909 quando estava nas ruínas do castelo Bescastle. Apesar de que eu acho que
é muito semelhante ao "A Mais Sagrada Trinosophia" de St. Germain, eu nunca soube que HSL leu este
livro. De qualquer forma, isto é o que argumento sobre a influência do M.·.M.·. e eu tenderei a
argumentar contra ela."

151
O Rito de Memphis foi criada em 1838. Ela também teve altos graus,
aparentemente 88 no total. Sua lenda de fundação foi Rosacruz, alegando que um
sábio egípcio chamado Ormus, que era um sumo sacerdote no templo de Serápis, foi
convertido ao Cristianismo por Marcos no ano 96 d.C. . Ormus é dito como aquele que
retificou os mistérios de Ísis e Osíris com esta nova revelação de Cristo.
A diferença que o Rito de Memphis tinha em relação ao de Misraim era que ele
tinha mais ênfase sobre Templarismo, Cavalaria e Cristianismo Gnóstico. De acordo
com o meu amigo historiador Milko, o Rito de Memphis foi uma tentativa de
cristianizar o anterior Rito de Misraim. Ambos os ritos ensinavam Iluminismo, a
doutrina da Reintegração e tinha fases de trabalho filosóficas, cabalísticas e magísticas.
Foi em 1881 que os Ritos de Memphis e de Misraim foram reunidos em uma
forma de Maçonaria Egípcia.
A nova forma de Maçonaria Egípcia, o Rito de Memphis-Misraim, tornou-se uma
mistura de ambos, que contém os melhores elementos de cada Ordem. Pessoalmente
eu prefiro o Rito de Misraim na medida em que contém mais ritual oculto. Eu também
poderia acrescentar que muitas figuras proeminentes foram membros, incluindo
Blavatsky, Steiner, Westcott, Crowley, Papus, Reuss e Yarker, para citar alguns.
E, é claro, Harvey Spencer Lewis foi um membro.
Isto é onde fica interessante.

A FUDOSI investiu em Harvey Spencer Lewis.


O ano era 1934, 8 de agosto, para ser exato. Spencer Lewis neste dia foi iniciado
no 6°, 87°, 88° 89° e 90°. Neste dia especial, uma reorganização da M.·.M.·. foi decidida
entre os líderes Rosacruzes, que mutuamente reconheciam-se e que tinham trocado
iniciações para ajudar a ratificar a sua autoridade Rosacruz. Eu não preciso repetir a
história da FUDOSI aqui, mas mencionarei o fato de que a maioria dos corpos
Rosacruzes Franceses e Belgas estavam presentes.
Nesta conferência, que durou vários dias, chegou-se a uma conlusão. A FUDOSI
concordou que a origem do “Antigo e Primitivo Rito de Memphis-Misraim” tinha que
ser de fonte Rosacruz.
Assim, na reunião, os irmãos Belgas usaram isso para afirmar que o ramo Francês
era um órgão que representava o Rito de Memphis ao invés do Memphis-Misraim
juntos. Eles declararam que tinham encontrado documentação antiga do ano de 1818
do Rito original de Misraim e consideraram que era o momento certo para uma
renovação completa do Rito.
O historiador e amigo pessoal Milko Boogard escreve:
“De acordo com a FUDOSI esta seria uma “Renovação Rosacruz”, realizada pelo
Primeiro Imperator da Ordem Rosacruz, Harvey Spencer Lewis”.
É aqui que vemos evidência de uma transição dos rituais do estilo maçônico dos
Ritos de Memphis-Misraim, que agora seriam transformados em puramente

152
Rosacruzes e, posteriormente, utilizados pela AMORC. Agora que Spencer Lewis tinha
a autoridade e concordância de seus pares Rosacruzes, ele iria utilizá-lo para constituir
o essencial dos rituais e transformá-los em uma nova forma de Rosacrucianismo.
A Renovação Rosacruz do M.·.M.·. também significava que os elementos
maçônicos tiveram que ser removidos. Não há mais a lenda sobre Hiram Abif, o mestre
de obras. Não há mais segredos sobre o templo de Salomão. Não há mais esquadro e
compasso. Mas os elementos egípcios que fizeram Memphis-Misraim tão especial
permanecem. É por isso que o Parque Rosacruz parece dessa forma.

Há outras duas provas principais para finalizar o argumento da origem M.·.M.·.


da AMORC.
O Altar Shekinah tem sido usado em cerimônias de AMORC desde o seu início. É
sempre mostrado como um altar de três lados. Ele aparece no centro da sede da San
Jose nos principais rituais. Você pode vê-lo representado aqui em uma convocação da
AMORC. Eu também poderia acrescentar que Papus incluiu o uso deste altar em rituais
Martinistas, mas Papus admitiu abertamente que ele o tirou do Rito de Memphis-
Misraim. Hoje a AMORC não possui a tradição oral que se passa com este altar triplo,
embora ela permanece em alguns organismos do Misraim e quando eu a recebi eu
senti que o altar é importante o suficiente para ser incluído em nossa própria Ordem
como um objeto que retrata um casamento místico, de natureza místico-erótica, e
relacionado com os mistérios de Isis-Osíris.
Vou ainda acrescentar que o Rito de Misraim
realmente obteve isto de Cagliostro e seu anterior Ritual
Egípcio. Você pode vê-lo em sua forma original de altar triplo
como representado em sua Trinosophia, muitas vezes
atribuída a St Germain, ao lado. A linhagem de Cagliostro
para a M.·.M.·. é bastante interessante e vale a pena um
estudo mais aprofundado.
Além disto, há um segundo símbolo do M.·.M.·. usado
na AMORC.
O Selo da AMORC foi um objeto de muita disputa. Na

153
verdade, este selo é o mesmo selo derivado do Rito de Memphis-Misraim na
Alemanha, então liderado por Theodore Reuss. Harvey Spencer Lewis ainda esteve
sobre ataque em outro ponto neste mesmo assunto porque Crowley tornou-se o chefe
do rito e a partir de então afirmou que, portanto, deveria exercer autoridade sobre a
AMORC também. Desnecessário será dizer que a AMORC não usa este selo hoje devido
à ligação M.·.M.·./OTO. Mas, se você olhar para os certificados da FUDOSI da AMORC
(antes utilizados) verá que eles eram selados com a própria assinatura do Lewis ao
lado do símbolo do ovo alado do Rito Egípcio.

A história tradicional do Rito de Memphis-Misraim afirma que o rito começou


com Misraim, o primeiro faraó do Egito. É por isso que
depois de falar com Lewis, Crowley também escreve
sobre Lewis dizendo: “Ele disse que a sua Ordem foi
fundada por um dos primeiros reis egípcios e
professavam ter provas documentais de uma hierarquia
ininterrupta de iniciados desde então”.

Claramente neste momento Lewis estava


tomando emprestado a história tradicional de
Memphis-Misraim e não a dos manifestos
Rosacruzes que fala apenas de Christian
Rosenkreuz.
Mais tarde, descobrimos que Lewis poderia
substituir o bom rei “Misraim” por Akhenaton em seus
mitos fundadores. Isso foi feito, a fim de separar ainda
mais a AMORC da lenda maçônica de Misraim. Minha
estimativa é que Lewis realmente teve pouco tempo para digerir e planejar isso com
cuidado, pois a renovação da M.·.M.·. de forma Rosacruz foi finalmente concluída em
1934 e, de fato, Lewis já vinha trabalhando neste Rito Egípcio desde antes de 1920.

154
Para adicionar o selo e o altar triplo (como se não fosse suficiente), devemos
considerar como o Memphis-Misraim foi estilizado em termos não só de seus rituais,
mas também de suas regalias e certificados. Lewis viu que a AMORC se beneficiaria de
tudo isso, tendo em vista o uso de emblemas Egípcios com o sol alado, as colunas
egípcias dos ritos e também selos hieroglíficos que adornam documentos da AMORC.
Embora o altar triplo do M.·.M.·. é realmente o elefante rosa na sala de AMORC,
desnecessário será dizer que a iconografia egípcia fala por si. Antes da AMORC
nenhum outro organismo Rosacruz tinha feito uso do extenso imaginário egípcio de tal
forma, a não ser o Rito de Memphis-Misraim, que claramente deixou suas pegadas em
cima da Ordem Rosacruz criada por Lewis.
Eu acredito que você deve seguir essas pegadas para rastrear o caminho de volta
para onde sua tradição veio. Se você é um membro da AMORC e este post é tão chato
como o meu passado, eu vos digo: não se preocupe. Isto é algo que enriquece a sua
herança. O Rito de M.·.M.·. é bonito, atraente e rico. Com seus misteriosos 99 graus
iniciáticos, o rito herdou os ensinamentos iluministas da época. A decisão de Lewis
para renovar os rituais do M.·.M.·. não é um prego no caixão provando uma história, é
uma real conexão que você pode se orgulhar.
Além do mais, este rito em si já tinha uma origem Rosacruz anteriormente. Mas
isso é outra história…

Fontes:
http://oalvorecer.com.br/origem-secreta-da-tradicao-ritualistica-da-amorc/
http://mystica-aeterna.com/amorc-rituals/

155
A FUDOSI (1936 - 1951)

Fédération Universelle des Ordres et Sociétés Initiatiques (francês)


Federatio Universalis Dirigens Ordines Societatesque Initiationis (latim)

A FUDOSI70 foi fundada em 14 de Agosto de 1934, em Bruxelas (Bélgica), como


uma federação autônoma de ordens e sociedades esotéricas,
formada principalmente por rosacruzes e martinistas.
“A F.U.D.O.S.I. foi formada em 1934 para proteger as
liturgias sagradas, ritos e doutrinas das ordens iniciáticas
tradicionais, de serem apropriados e profanados por
organizações clandestinas"71. A FUDOSI não era uma ordem,
mas uma federação universal de ordens e sociedades esotéricas
e autônomas.
Como nós podemos ver nesta “declaração oficial”,
mencionada acima, o propósito da FUDOSI era unir as “Ordens
Autênticas” sob a orientação de uma Federação Universal. As
ordens e sociedades envolvidas mantinham sua autonomia e independência dentro da
federação.

Os Anos Precedentes

Nós sabemos através da história que houve tentativas anteriores para formar
uma "Federação Mundial de Ordens e Sociedades Esotéricas". O famoso francês Papus
(Gérard Anaclet Vincent Encausse), fundador da Ordem Martinista, organizou uma
convenção em Paris no ano de 1908, com a intenção
de formar uma Federação Universal, porém, o
resultado não foi eficaz.

Papus - Gérard Anaclet Vincent Encausse (1865 -


1916)

70
Este capítulo é um resumo do excelente trabalho desenvolvido por Milko Bogaard, que pode ser
encontrado em: http://www.hermetics.org/fudosi.html
71
Diário da FUDOSI, novembro de 1946.

156
Mesmo antes de 1908 houveram duas convenções realizadas no término do
século 19, uma em 1888 e outra em 1889. Os pioneiros destas convenções eram
belgas. Nos dias 28 e 29 de março de 1888 houve uma convenção com Gustave
Jottrand e Goblet D'Alviella (1846 - 1925) como presidentes. Era uma convenção
maçônica sobre O Significado Esotérico do grau 18 – Soberano Príncipe Rosa Cruz - do
Rito Escocês da Maçonaria. D'Alviella alterou/retificou alguns capítulos do ritual do
grau 18. Mas esta ainda era uma convenção estritamente maçônica.
Outra convenção aconteceu de 9 a 16 de setembro de 1889, em Paris. A
convenção - ou neste caso, o congresso foi intitulado Congresso Espírita e Espiritualista
Internacional. Delegados de todo o mundo vieram a este congresso. Alguns membros
do Congresso foram: Gerard Encausse (Papus), Stanislas de Guaita, George Montieres,
Leon Denis, Gabriel Delanne, a Duquesa de Pomar, etc. Algumas das Ordens e
Sociedades que participaram: a Ordem Martinista, a Fraternidade Hermética de
Luxor, a Ordem Kabalistica da Rose+Croix e a Sociedade Teosófica. Neste congresso
Papus iniciou os seus planos para a realização da atual Ordem Martinista, como nós a
conhecemos hoje em dia.

O passo seguinte foi a Convenção de 1908, realizada em Paris no templo da Loja


"Direito Humano" (Maçonaria Mista), a maior e mais importante já realizada. A
convenção surgiu sob a autoridade de Papus e Victor Blanchard (que terá um papel
importante dentro da FUDOSI). Nada menos que 20 ordens e sociedades assistiram à
convenção. O Presidente foi Papus, o Secretário, Victor Blanchard, o Secretário
assistente, Paul Veux, e o Tesoureiro Chacornac. Alguns membros da organização:
Charles Blanchard, Henri Durville, René Guénon, Teder (Charles Detre), etc. Entre os
visitantes estavam pessoas como Arnold Krumm-Heller, que teria uma grande
influência mais tarde no cisma da "Rosacruz" da América do Sul, com a sua Fraternitas
Rosicruciana Antiqua; e Theodor Reuss que se tornaria o OHO (líder espiritual) da
Ordo Templi Orientis. “Neste congresso Reuss, Papus, Blanchard e Teder trocaram
avidamente títulos, cartas e talvez consagrações"72.

As ordens participantes:
 a Ordem Kabalistica da Rose+Croix,
 o Grande Oriente da Alemanha,
 os Filhos de Ismael (Maçonaria árabe),
 o Direito Humano,
 a Grande Loja da Espanha,
 a Grande Loja Simbólica da Espanha,
 a Grande Loja de Portugal,
 o Antigo e Primitivo Rito da Grã Bretanha e
Irlanda,
 o Rito de Swedenborg da Grã Bretanha,
 a Grande Loja du Cap-Vert,
 o Rito Azul da Argentina,
 a Grande Loja de Ohio,

72
P. R. Koenig: Considere a O.T.O. não existente.

157
 a Grande Loja de São João de Massachusetts,
 o Rito de Swedenborg Alemão e Francês,
 o Illuminati da Alemanha,
 o Alto Conselho do México,
 o Rito de Memphis-Mizraim & O Rito Egípcio da Itália,
 a Ordem Rosacruz Esotérica e
 a Ordem Martinista.

A maioria das Ordens e Sociedades participantes eram organizações maçônicas.


O Congresso Esotérico realmente não teve sucesso na sua intenção, da criação de uma
"Federação Esotérica Internacional". Embora algumas das ordens (a Ordem Martinista,
a Ordem Kabalística da Rosa+Cruz e o Rito de Memphis-Mizraim) se uniram e
estabeleceram uma secretaria na cidade de Paris, a organização nunca realmente se
desenvolveu, devido à Primeira Guerra Mundial, de 1914. Papus morreu em 1916
(tuberculose, contraída nas trincheiras), e com ele o seu sonho.

Não podemos realmente comparar a intenção da FUDOSI com as convenções


mencionadas acima. A FUDOSI representou as ordens esotéricas mais tradicionais com
a exceção do Rito de Memphis-Mizraim (que foi excluído em 1935). Dentro da FUDOSI
a ênfase estava na Rosacruz Tradicional - e Ordens e Organizações Martinistas. Porém,
há uma semelhança. Em todas estas convenções, de 1888, os pioneiros eram
novamente os membros da Ordem Kabalística da Rosa+Cruz (OKRC) e/ou da Ordem
Martinista. Enquanto isso, nos anos 20, na Alemanha pós-guerra, o sonho de uma
Federação Universal “criou vida” entre os "Iniciados” da comunidade esotérica…

Ordem Cabalística da Rosa-Cruz - 1889


Na foto sentados da esquerda para a direita estão:
Papus, Peladan e Guaita

158
TAWUC-Reuss e Lewis

Lembrando o congresso esotérico de Paris em 1908, Reuss citou um congresso


mundial da Maçonaria em Zurique, em 1920. Reuss foi enviado pelo Patriarca da Igreja
Gnóstica Universal, Joanny Bricaud (33º, 90º, 96º),
para fazer da Ordem Gnóstica de Reuss e Aleister
Crowley a “religião oficial" para todos os membros do
grau 18 do Rito Escocês da Maçonaria.

Theodor Reuss (1855 - 1923)

"No Rito de Memphis-Mizraim o grau 18 não tem


nenhuma referência cristã, mas sim místico-
gnóstica... apenas os graus 7, 8, e 9 discorrem sobre
o seu significado.

Lá também estava sendo distribuída literatura


publicitária “dos Neo-cristãos” chamados “OTO" que apresentava uma sociedade OTO

159
utópica. "O congresso foi contra a OTO". As atas, por exemplo, nem mesmo fazem
menção à Religião Gnóstica.

Enquanto isso, H. Spencer Lewis, da AMORC, entrou em contato com um maçom


da cidade de Salt Lake City (Utah), McBlain
Thomson, que era conhecido como um dos
organizadores (junto de Reuss) do Congresso de
Zurique, de julho de 1920. Thomson representou
A Federação Maçônica Americana, A Grande Loja
de Washington, e a Grande Loja de Cuba. Em
julho de 1919 Thomson já tinha recebido de
Reuss um certificado da OTO dos graus 33, 96,
IX, Soberano Mestre Geral... Salt Lake City, Utah.

Harvey Spencer Lewis ficou intrigado com as informações comunicadas a ele


sobre tudo isso. Para emprestar credibilidade (R+C) para a organização da AMORC,
Lewis estava à procura de Ordens Rosacruzes Tradicionais. "Ele quis contatar Theodor
Reuss para saber mais sobre isto. Embora ele não apreciasse muito McBlain Thomson,
ele teve que resolver escrever a ele para poder contatar Theodor Reuss”. Reuss esperou
seis meses antes de responder a carta. (Lewis usou o nome de Thomson como uma
referência. Reuss tinha acabado a conexão entre ele e Thomson devido ao "desastre
de Zurique", imaginem que o nome "Thomson" não era nenhuma boa "referência"
para Reuss!). De qualquer maneira, a primeira carta de Reuss apresenta a Ordo Templi
Orientis como "a frente exotérica ou Ordem externa de uma Ordem Rosacruz”. Como
se pode imaginar, Lewis mostrou muito interesse nas afirmações feitas por Reuss.
Lewis começou uma relação com Reuss. "Com McBlain Thomson, Reuss não tinha feito
sucesso para renovar o projeto começado por Papus em 1908. Ele viu na AMORC uma
ocasião para recomeçar esta idéia. Então, ele enviou um diploma a Lewis”. Este
documento é um “sinal de amizade” entre a OTO e a AMORC73.

Lewis e Reuss discutiram as possibilidades de criar uma organização com uma


base mundial, o estabelecimento de uma Federação Universal que eles nomearam
T.A.W.U.C., The Antiquus Mysticusque Ordo Rosae Crucis World Union Council. No
princípio Lewis reagiu entusiasticamente, mas em um ano ele perdeu o interesse em
Reuss e os planos para a TAWUC. Lewis começou a questionar as assim chamadas
“conexões R+C” de Reuss. E havia o assunto do dinheiro, a "propaganda dos
Gnósticos" e... a posição da "Grande Besta" dentro da OTO (Aleister Crowley)74.

Com relação à colaboração com Aleister Crowley, Reuss expulsou Crowley em


1921: Em outubro de 1921, Reuss escreve para Spencer Lewis: "Eu cortei a conexão
que existia entre nós (Reuss e Crowley) relativa à OTO, e o que quer que aconteça com

73
Lewis recebeu o grau VII° - Grande Conselheiro dos Templários Místicos da OTO. Lembramos que é
apenas um Diploma Honorário, porque o Imperator não recebeu nenhuma iniciação ritual da OTO e
nunca tomou parte nos trabalhos desta Ordem (uma carta da A.M.O.R.C. sobre a O.T.O. P.R. Koenig).
74
Para maiores informação sobre este assunto, dê uma olhada em "uma Carta da AMORC... lembre-se
de que estas declarações foram feitas (AMORC – França) em uma carta para Peter R. Koenig, datada de
22 de fevereiro de 1999.

160
Crowley nos EUA, é agora de seu próprio interesse, e não mais responsabilidade da
OTO".
Depois que Reuss expulsou Crowley da
sua OTO, os seus planos para novos
empreendimentos (como a TAWUC) se
tornaram uma prioridade. “Relativo à
Fraternidade Hermética da Luz, a FRA,
AAORRAC, a Societas Rosicruciana da
Alemanha e Áustria, e a TAWUC (colaboração
com AMORC), Reuss planejou uma
Fraternidade Universal Conjunta” em Ettal,
Oberammergau / Baviera, Alemanha, marcada
durante junho de 1922.

Aleister Crowley ou
Edward Alexander Crowley
(1875 — 1947)

AMORC - Os Anos de Reconhecimento - Traenker & Lewis - A Segunda Fama

Mas, como já mencionado antes, Lewis já tinha perdido seu interesse em Reuss e
os seus planos para a colaboração com a Ordo Templi Orientis de Reuss.

A Peregrinação não despertou muito entusiasmo entre os membros da AMORC...


Theodor Reuss estava furioso e escreveu algumas cartas a H. Spencer Lewis entre
novembro e abril para as quais Lewis respondeu com uma carta, datada de 20 de maio
de 1922, declarando que nenhum membro da AMORC participaria da Peregrinação
organizada por Reuss. A reação de Reuss pode ser facilmente imaginada para a famosa
“Peregrinação de Oberammergau" que deveria acontecer em maio. A relação entre a
OTO e AMORC era então um projeto sem qualquer sequela.

Por incrível que pareça, nos anos trinta, Lewis recorre a Reuss como uma
importante relação europeia para a AMORC. A referência pode ser achada em um livro
(White Book “D”) escrito por Lewis, publicado em 1935, chamado Audi Alteram
Partem75 (ouvindo o outro lado).

Audi Alteram Partem foi escrito "como uma defesa exigida a alguns ataques
pesados feitos a AMORC e ao seu Imperator, feitos por um eclético bando de auto-
designados inimigos (principalmente Reuben Swinburne Clymer da Fraternitas Rosae
Crucis, outro “auto-proclamado” herdeiro do trono do Rosacrucianismo americano, ao
lado de H. S. Lewis). Depois de uma série de tentativas e batalhas públicas, Lewis
publicou o livro em questão, de ordem a "derrubar algumas das infinitas acusações"

75
https://pt.scribd.com/document/121420631/AMORC-White-Book-D

161
feitas por Clymer e Reuss. Lewis declara que pessoas como o Dr. Franz Hartmann, o Dr.
Gerard Encausse, o Dr. François Jollivet-Castelot, e organizações como a Ordem
Martinista, o Rito de Memphis Mizraim, a Rosa-Croix Esotérica e a OTO (?) eram todas
consideradas como importantes relações europeias para a AMORC. O que é realmente
estranho é que Lewis não fez nenhuma menção das Ordens envolvidas com a FUDOSI
que foi constituída um ano antes, em 1934!

De qualquer maneira, depois do insucesso da “aventura” com a TAWUC Lewis


ainda está interessado em uma possível colaboração com o Rosacrucianismo da
Europa, principalmente para emprestar credibilidade à sua própria Ordem, a AMORC.
Neste período, a AMORC estava constantemente sob ataque, como mencionado antes.
Então, Harvey Spencer Lewis e o seu filho, Ralph M. Lewis, começaram a "viajar"
extensivamente pelos EUA nos anos vinte e nos anos trinta. Estas “excursões
Rosacruzes” (ler: conferências) foram feitas para de fato atrair e convencer as pessoas
da credibilidade da AMORC. Eles levaram com eles muitas cartas, patentes, garantias
da amizade, etc., para apoiar as suas reivindicações de "autenticidade". Quase todas
elas eram cartas fraternais de benevolência ou atestados de sociedade, etc., dadas por
respeito a Lewis. A maioria destas cartas, escrituras, etc., não transmitia autoridade de
qualquer espécie!

Traenker e Lewis

No “Diploma Honorário" que Lewis recebeu de Reuss (OTO VIIº - Membro


Honorário para a Suíça, Alemanha e Áustria) em 1921, pode-se achar próximo ao selo
da OTO o selo da Pansophia de Heinrich Traenker. Este selo da Pansophia também
pode ser achado nos documentos oficiais e cartas de Krumm-Heller da Fraternitas
Rosicruciana Antiqua. Há rumores de que Krumm-Heller queria
dar uma "carta" para H. S. Lewis. Mas parece que Krumm-Heller
chegou à conclusão que “a AMORC era um negócio e, portanto,
uma fraude”76.

Por volta de 1920, Heinrich Traenker (1880-1956) criou a


Pansophia, principalmente um projeto de publicação que foi
apoiado financeiramente por Karl Germer, que se tornou sua
parceria em 1922. Traenker já era o Grande Mestre alemão da
OTO de Reuss. A Pansophia publicou livros Rosacruzes
importantes assim como os primeiros escritos de Crowley. Depois da morte de Reuss
em 1923, Traenker "ganhou acesso aos arquivos de Reuss e descobriu que não havia
nenhum sucessor oficial designado para OHO”77. Todos os tipos de intrigas políticas
começaram e vários membros do Décimo Grau começaram a se chamar de OHO. De
1928 em diante, Traenker começou a chamar-se OHO da Ordo Templi Orientis, do Rito
Escocês Antigo e Aceito, da Golden Dawn, do Rito de Heredom, da Fraternidade
Hermética de Luxor, da Fraternitas Rosae Crucis, da Igreja Gnóstica, e dos Illuminates.

76
P. R. Koenig "Baphomet and Rosycross”.
77
Cabeça exterior da OTO. O Líder real.

162
Ao lado da editora, havia a Loja Pansophia. Esta Loja Pansophia estava fechada
em 1928, e de suas cinzas surgiu o Fraternitas Saturni que ainda existe, fundada por
Eugen Grosche/Gregor A. Gregorius, secretário para Traenker da Loja Pansophia. O
movimento inteiro também é conhecido como Collegium Pansophicum (CP). O
Collegium Pansophicum reivindicou ser a única Ordem que continha "os verdadeiros
segredos dos Augustos Irmãos Rosacruzes” (onde eu ouvi isto antes?).
Harvey Spencer Lewis, como mencionado antes, como um “Membro Honorário
para a Suíça, Alemanha e Áustria” contatou o Grande Mestre alemão da OTO, Heinrich
Traenker. Em agosto de 1930 ambos, Lewis e Traenker, fizeram planos para um
"Conselho de Pansophia e Rosacruz Internacional".
Esta Sociedade de Pansophia Universal em
cooperação com a AMORC assinou uma declaração,
chamada de “O segundo Fama”: "Venham todos ver
mais de perto e entrem", os graus recorrem a vários
graus do REAA, do Rito de Memphis-Mizraim, da
Maçonaria, e da OTO. O “Segundo Fama” revela a
manifestação da Ordem Rosacruz em tempos
modernos e a cooperação das partes envolvidas. O
“Segundo Fama” revelou a presença dos REAIS
irmãos da Rosacruz. Porém, a colaboração entre
AMORC e o Movimento da Pansophia de Traenker se
mostraram ser uma desilusão para Lewis.

De acordo com Karl Germer o Collegium


Pansophicum era uma invenção de Traenker. Ele usou
o termo em parte para enganar outras pessoas: ele
indicou obscuramente um corpo de altos Iniciados em países distantes e reivindicou
ser o agente para a Alemanha, se não para toda a Europa. Estes iniciados nunca se
revelaram à ele. O Collegium Pansophicum de fato estava de pé para Traenker e para
mim mesmo, assim Germer escreveu a Max
Schneider em novembro 1935 (11 de agosto de
1935, embora a fonte não seja confiável).

Karl Germer
(1885 - 1962)

Lewis suspeitava que Traenker pudesse ser


uma fraude. E começou a perder interesse na
colaboração. Em 1933, Lewis ridicularizou toda a
questão. Em uma carta para M. Carl, datada de 16

163
de fevereiro de 1934, Lewis fez as seguintes declarações sobre a Pansophia: "Na
realidade o chefe da O.T.O. e da Pansophia Oriental era Theodor Reuss (??). E o termo
“Pansophia” se refere a uma divisão do estudo e trabalho Rosacruz e não uma escola
ou organização separada"78.

Depois do insucesso da colaboração com a AMORC, Traenker estabelece em


Nova Iorque a Societas Pansophia Universalis. No tempo da colaboração da AMORC-
Pansophia (1930 - 1931) Harvey Spencer Lewis contatou Jean Mallinger, leal amigo e
discípulo de Emile Dantinne. A correspondência entre Lewis e Mallinger resultaria,
eventualmente, no estabelecimento da FUDOSI.

LINKS de páginas sobre a AMORC e a OTO

Ordo Templi Orientis e Antiga e Mística Ordem Rosae Crucis - AMORC


Spencer Lewis, Theodor Reuss, Aleister Crowley, Heinrich Traenker
por Peter-Robert Koenig
http://www.parareligion.ch/sunrise/vanloo/mylewis.htm

Carta da AMORC sobre a OTO


http://www.parareligion.ch/sunrise/amorc_fr.htm

A AMORC é uma prole da OTO ou não?


http://www.parareligion.ch/sunrise/vanloo/vanloo.htm
http://www.parareligion.ch/sunrise/vanloo/ameng.htm

AMORC - Martin Erler, ORA - Heinrich Traenker, Pansophie


H. J. Metzger, OTO Suíça - Schikowski
http://www.parareligion.ch/2011/amorc.htm

78
Lewis para M. Carl, carta de 16.2.34, Koenig "O Fenômeno OTO": http://www.parareligion.ch/

164
O SEGUNDO FAMA, de Harvey Spencer Lewis e Heinrich Traenker, foi publicado em
novembro de 1930, sob o título “Sede Internacional do Conselho Supremo da Antiga e
Mística Ordem Rosa Cruz, Berlim, Alemanha”, uma “comunicação oficial para toda a
Humanidade”, emitida através das “Organizações Unidas da Rosa Cruz: AMORC,
Irmandade da Rosa Cruz, Fraternitatis Hermetica Lucis, Ordo Templi Orientis, Collegium
Pansophia e Societas Pansophia”.

165
O Amanhecer de Um Novo Dia, FUDOSI, A Preparação - Emile Dantinne

Não está completamente claro como Lewis conheceu Mallinger. O fato é que a
AMORC era internacionalmente conhecida dentro da comunidade esotérica. A Ordem
já tinha várias Grandes Lojas estabelecidas no estrangeiro. É sabido que H. S. Lewis se
correspondeu intensivamente com fr. Wittemans (escritor de Uma Nova & Autêntica
História dos Rosacruzes) no princípio dos anos 20. Wittemans se uniu a FUDOSI em
1934 e conheceu Mallinger e Dantinne antes da fundação da FUDOSI.

Dr. Hans Grueter

Em 1931, a AMORC – França instalou seu primeiro Grande


Mestre, o Dr. Hans Grueter (1878-1945), dentista de Nice.
Grueter era Maçom (33º), membro do Rito de Memphis-
Mizraim (97º) e membro da B'nai B'rith ("Os Filhos da
Aliança", uma ordem judaica estabelecida em 1843, em
Nova Iorque, análoga a Maçonaria). Grueter era membro do Supremo Conselho da
Grande Loja da França e presidente do Capítulo Philosophie Ecossaisse Internationale.
O Dr. Grueter provavelmente conhecia Mallinger, já que ambos eram membros de
altos-graus do Rito M.·.M.·.. Ambas as Lojas M.·.M.·. a qual pertenciam não
reconheciam Jean Bricaud como Grande Mestre do Rito M.·.M.·.. Eles contataram um
ao outro ao mesmo tempo. De qualquer maneira, depois de Mallinger, no ano de
1932, Emile Dantinne começou a se corresponder com Harvey Spencer Lewis. O
contato com Dantinne se tornou possível por Mallinger ou por Léon Lelarge, que era o
secretário de Dantinne. Em 1933, Lewis recebeu um grau da Universidade Rose+Croix
da Bélgica, o grau de "Doutor em Ciências Psicológicas e Herméticas”. Ele também
recebeu o título exaltado de “SAR”.

Foi Emile Dantinne que começou a contatar várias ordens e sociedades com a
ideia de organizar um congresso semelhante ao de 1908. As primeiras Ordens que ele
contatou foram: a Rosa+Cruz Universitária, a Ordem de Hermes Tetramegisti, a Ordem
dos Companheiros Ímpares (Order of the Odd Fellows), o Rito de Memphis-Misraim
(Bélgica) e a Ordem Brahman79. A Ordem Brahmann e a Ordem dos Companheiros

79
A Ordem Brahman aqui mencionada era uma Ordem Pitagórica. Ordens como a Ordem Brahman era a
continuação do Fratelli Obscuri, constituída em 1575. Sir Thomas More (o escritor da "Utopia") e Sir
Walter Raleigh estavam entre os primeiros membros.

166
Ímpares não responderam. As duas primeiras
ordens estavam sob a autoridade de Dantinne. O
Rito de Memphis Mizraim, também contatado,
era de responsabilidade do amigo íntimo de
Dantinne, Jean Mallinger. Este primeiro
congresso era mais uma “festa familiar” do que o
congresso que Dantinne tinha em mente.

A Ordem dos Companheiros Ímpares


(Order of the Odd Fellows)80 não quis
participar da Federação.

80
A Ordem Oddfellows é uma das maiores fraternidades (sociedades de amigos) no Reino Unido e
celebrou o seu 200º aniversário em 2010. Sendo uma evolução das corporações de comércio medievais,
a Oddfellows começou em Londres no final do século 17, espalhando-se por todo o país, de forma geral,
em bares e salões de igreja, mas agora muitos ramos possuem o seu próprio local de reunião ou Loja de
Oddfellows. Em 1810, a Unidade Manchester da Oddfellows foi formada por um número de grupos
sociais locais que se uniram. Todos os anos, milhares de pessoas se juntam a Oddfellows, não apenas
para usufruir da gama de benefícios financeiros e práticos disponíveis, mas cada vez mais pela rede de
eventos sociais que a sociedade oferece e a oportunidade de fazer amigos. Como a Oddfellows
começou? Em 1810 a Unidade de Manchester da Oddfellows tornou-se oficialmente reconhecida pelo
Governo. No entanto, grupos sociais da Oddfellows na Inglaterra podem ser rastreados até 1066, sendo
uma das mais antigas fraternidades que operam atualmente no Reino Unido. O que é uma fraternidade?
Emergindo das Guildas de comércio medievais, pessoas comuns trabalharam juntas para ajudar umas as
outras em tempos de necessidade. Em seus primeiros dias de operação, não havia “estado de bem estar
social”, seguro social ou mesmo sindicatos, assim, se unindo, os membros das fraternidades poderiam
proteger a si e suas famílias contra doenças, lesões ou morte. Como a Oddfellows operava nos seus
primeiros dias? As primeiras regras sobreviventes datam de uma Loja Oddfellows de 1730 e referem-se
a Loja Loyal Aristarcus em Londres. Há muitos pubs na Grã-Bretanha que ainda hoje são nomeados de
“The Oddfellows” ou “Oddfellows Arms”. Invariavelmente, estes eram locais de encontro das lojas no
passado. Naquela época, a participação em uma reunião da Oddfellows era obrigatória, embora não o
seja hoje em dia, porém, você vai ficar feliz em saber! As reuniões incluíam uma série de brindes (pelo
menos três em uma noite) e a Loja foi instruída a manter os copos dos membros sempre reabastecidos
durante a noite. Não é de admirar, então, que muitas das reuniões da Oddfellows resultaram em muita
folia e, frequentemente, foi necessário o chamado das horas para restaurar a ordem.
https://www.oddfellows.co.uk/About-us/History. O lema da Oddfellows é "Amizade, Amor e
Verdade". Já nos Estados Unidos a Ordem Independente de Companheiros Ímpares foi fundada em
1819, em Baltimore, tornando-se a primeira fraternidade nos Estados Unidos a incluir tanto homens
como mulheres quando se aprovou o “Belo Grau de Rebekah”, em 20 de setembro de 1851.
https://en.wikipedia.org/wiki/Independent_Order_of_Odd_Fellows
https://en.wikipedia.org/wiki/Odd_Fellows_(disambiguation)

167
Victor Blanchard
(1878-1953)

No mesmo ano (1932) Dantinne também contatou Victor


Blanchard, da Ordem Martinista e Synárquica. Blanchard
também assistiu à convenção de 1908. Junto com Blanchard e
Lewis (através de Mallinger), Dantinne começou os
preparativos para a fundação da FUDOSI. Está claro que
depois que Blanchard chegou, a ideia se tornou realidade. A maioria das fontes
declara, além de qualquer dúvida, que Dantinne foi o grande inspirador da FUDOSI,
embora haja fontes que indicam que Mallinger e Lewis (e Armand Rombauts?) eram as
“forças motrizes” nos bastidores81. Antes de continuarmos com os eventos que
aconteceram em agosto de 1934, nós daremos uma olhada mais íntima na “carreira
esotérica” de Emile Dantinne, conhecido como SAR Hieronymus (o seu “nome
místico”).

“Os Mistérios são, em essência, UM. Os símbolos ocultam os mistérios


exclusivamente em favor de nossas mentes estreitas”.

Emile Dantinne nasceu na cidade de Huy, Bélgica, no dia 19 de abril de 1884. Na


sua mocidade, mostrou-se ser um excelente estudante, com talento para idiomas.
Dantinne aprendeu italiano, português, grego, latim e russo. De 1909 em diante
estudou hebreu e árabe na Universidade de Liege (Luik), na Bélgica. Em 1913 Dantinne
conhece C. Virollaud, diretor administrativo da Babylionaca, em Paris. Ele começa a
81
A posição de Emile Dantinne como a “força motriz” por trás da FUDOSI realmente é discutível.
Dantinne era a face da FUDOSI, como Imperator dos Rosacruzes da Europa (nome místico: Sar
Hieronymus), mas as reais “forças motrizes” provavelmente eram os seus principais discípulos, as
pessoas ao seu redor, como Jean Mallinger. Outra “força principal” era Armand Rombauts com seus
vários anos de experiência dentro de diversas fraternidades esotéricas, e claro que não podemos nos
esquecer de Blanchard e H. Spencer Lewis e sua organização, a AMORC.
Um incidente ocorrido em 1933 indica que Dantinne quis deixar todas suas atividades nas ordens!
Em 28 de maio de 1933 Mallinger chama a atenção de seu amigo, Léon Lelarge, relativo à pretensão
de Dantinne em deixar todas as suas atividades nas ordens, inclusive na Ordem Rosacruz. Mallinger vê
na decisão de Dantinne a “mão da Igreja". Mallinger considera o evento como uma catástrofe pessoal,
porque Dantinne era o seu mentor pessoal no caminho. "... foi Dantinne que me mostrou a Luz" disse
Mallinger. Ninguém jamais soube com certeza o que levou Dantinne a considerar seriamente a
suspensão de todas as suas atividades. As fontes suspeitam de uma ligação entre a decisão de Dantinne
e a constituição do Grande Oriente na Bélgica do Antigo e Primitivo Rito de Memphis-Mizraim. A
constituição foi publicada no "Monitor Belga" em 8 de abril de 1933, e foi assinada por Jean Mallinger e
outros membros da O::H::T::M::, a Ordem Hermética Tetramagista e Mística (a Ordem Pitagórica). Não
tendo tomado parte em nada na constituição da nova obediência (a M.'. M.'. belga originalmente
pertencia à obediência francesa), pode se supor que Dantinne teria se sentido “traído” pelos seus
principais discípulos.
No ano seguinte, em março de 1934, foi Mallinger que informou a Lelarge da sua intenção de desistir
da Fraternidade Rosacruz!
De qualquer maneira, como nos conta a história, cinco meses mais tarde tudo foi esquecido e no dia
14 de agosto nasceu a FUDOSI...
(Só Deus sabe o que foi dito na ocasião entre Mallinger e Dantinne, mas dali em diante eles já não
questionariam novamente um ao outro...)

168
estudar as “Tábuas Sumerianas” e deste modo se torna também um perito no idioma
assírio antigo.

Émile Dantinne (1884 – 1969)


SAR Hieronymus)

Joséphin
Péladan
(1858 - 1918)

Em 1904 Dantinne conhece Josephin Peladan quando


Peladan fez uma palestra no Hotel Reavenstein em
Bruxelas. O Hotel Ravenstein era um lugar de reunião para os membros da Ordem de
Peladan a Ordem da Rose+Croix Católica e Estética do Templo e do Graal,
originalmente fundada em 1891 por Josephin Peladan depois que ele deixou a Ordem
Kabalística da Rosa+Cruz. Depois que Peladan fundou a sua nova ordem, ele organizou
os agora famosos Salons des Rose-Croix (Salões da Rosacruz) em Paris. Ele convocou
cerca de 170 artistas que colaboraram nas famosas exposições de arte dos “salões”. Na
terceira exibição efetuada em Bruxelas em 1894, uma filial da Ordem de Peladan se
estabeleceu na Bélgica. A filial belga foi encabeçada pelo famoso pintor simbolista Jean
Delville.

169
Depois da primeira reunião com Peladan em 1904, Dantinne se tornou um
visitante regular da filial de Peladan no Hotel Ravenstein em Bruxelas. A filosofia
Rosacruz floresceu na Bélgica.
Bruxelas se tornou o “quartel general” das ordens e sociedades esotéricas
europeias. Em 1918 Josephin Peladan morreu de intoxicação gastrointestinal. A Ordem
da Rosa-Cruz Católica foi reorganizada por seus discípulos. A Ordem se dividiu em
vários ramos. Gary de Lacroze continuou a original Ordem da Rose-Croix Católica na
França, como fez o pintor Jaques Brasilier. Brasilier publicava um periódico nomeado
de “As folhas da roseta”.
Na Bélgica a Ordem foi reorganizada por Emile Dantinne sob do nome de A
Rosacruz Universal, com ajuda de um certo Du Chastain.
“Após a morte de Peladan, foi Sar Hieronymus que reacendeu a “tocha” da
Ordem e a restabeleceu na tradição antiga da real Rosacruz" (um complemento para
“A Obra e o Pensamento de Péladan”, escrito por Emile Dantinne em 1952). Sar
Hieronymus, como mencionado anteriormente, era o Nome Místico de Emile
Dantinne.
O título “SAR” era usado na Ordem de La Rosa-Croix Catholique original. Este
título só foi dado aos mais altos iniciados da Ordem. O significado do título “SAR” é “o
Filho de Rá” (Sá = o filho; R=Rá ou Re). “SAR” também era usado entre os antigos reis
da Assíria. Uma explicação mais plausível pode ser encontrada nas cartas que Josephin
Peladan (SAR Merodack) escreveu aos seus amigos. Um exemplo pode ser visto em “A
Via Suprema” (o primeiro romance de Peladan) no qual vemos uma carta endereçada a
um certo Príncipe de Courtenay. Se vamos dar uma olhada nas palavras de abertura,
lemos:
"S.A.R. Monseigneur Le Príncipe de Courtenay". A abreviação estava para “Sua
Alteza Real”. O “Nome Místico” -SAR- foi eventualmente, copiado por Sar Hieronymus
e mais tarde foi utilizado por todos os dignitários da FUDOSI.
Em 1923 Dantinne reorganiza toda a Ordem R+C (Ordo Aureae & Rosae Crucis -
OARC) em três Ordens separadas. A Ordem da Rosa+Cruz Universitária, dividida em 9
graus. A Ordem da Rosa+Cruz Universal sob a liderança do Imperator François
Soetewey (SAR Succus), igualmente dividida em 9 graus. Ambas as Ordens serviram a
mesma causa, exceto a Ordem da Rosa+Cruz Universitária, onde só eram admitidos
membros de nível universitário. Finalmente havia a Ordem da Rosa+Cruz Interior sob a
liderança do Imperator Jules Rochat de Abbaye (SAR Apollonius), dividida em 4 graus.
Por conseguinte, a Ordem R+C foi dividida em um total de 13 graus, o 13 grau era o
“Grau de Imperator”.
No dia 31 de dezembro de 1925, Dantinne fundou um Centro R+C em Bruxelas
(Bélgica) sob a liderança de François Soetewey, com Jean Mallinger como secretário.
Em 1927 Dantinne fundou a Ordem Hermética Tetramagista e Mística. A Ordem era
uma reconstrução da Ordem de Pitágoras. A Ordem foi conduzida pelo próprio
Dantinne (Sar Hieronymus), François Soetewey (Sar Succus) e Jean Mallinger (Sar
Elgrim), líder da filial belga do Rito Memphis-Mizraim.
Dantinne trabalhou como bibliotecário na cidade Belga de Huy. Sabemos que
Dantinne frequentou várias universidades durante toda a sua vida. Ele publicou
numerosos artigos na famosa revista suíça 'Inconnu', publicada pelo Rosacruz Pierre
Gillard, primo de Edouard Bertholet (SAR Alkmaion) líder da Rose+Croix do Oriente e da

170
Ordem Martinista e Sinárquica (o sucessor de Blanchard). Gillard era membro da
Grande Loja suíça da AMORC.
Dantinne também foi o fundador do C.R.S.O. (Commision de Recherches
Scientifiques sur L'occultisme), estabelecido em Huy, Bélgica. Ele também fundou o
Institut Scientifiques sur L'occultisme e a Societe Metaphysique em Bruxelas. O
Governo e o Rei da Bélgica recompensaram várias vezes Dantinne por suas
contribuições para a educação e cultura. Em 1962 Dantinne foi admitido no De
Leopoldsorde (um dos mais altos títulos honorários da Bélgica). É desnecessário dizer
que Emile Dantinne era um escritor realizado. Durante sua vida publicou mais de 30
títulos relativo a tópicos como idiomas estrangeiros, história local, metafísica,
ocultismo, etc. Emile Dantinne morreu em Huy no dia 21 de maio de 1969, com 85
anos de idade.

Ao contrário das convenções anteriores onde a maioria das sociedades que


participaram pertenciam a organizações Maçônicas, a convenção da FUDOSI foi
realizada por Rosacruzes tradicionais e organizações Martinistas, com exceção do Rito
Rito M.'. M.'. em 1934. Mas o Rito de Memphis-Mizraim sempre foi próximo ao
Rosacrucianismo e às Ordens Martinistas. Mas, a sociedade com o Rito M.'. M.'. teria
vida curta.
Como foi mencionado anteriormente, entre a Primeira e Segunda Guerra
Mundial, o centro de atividade oculta e mística foi trocado da França para a Bélgica. A
Bélgica se tornou o principal centro para muitas Fraternidades dos quais muitos ramos
ainda existem hoje.

SAR Hieronymus (Dantinne), SAR Alden (Lewis) e SAR Yesir (Blanchard)


começaram os preparativos para a Convenção em agosto de 1934...

Durante a existência da FUDOSI seus líderes trabalharam constantemente na


composição da liderança absoluta da federação (três Imperators) e o Conselho da
FUDOSI (12 membros). A organização cuidou para que o centro absoluto da liderança
da FUDOSI sempre consistisse de, quando possível, membros originais da Ordem
Kabalística da Rosa+Cruz (OKR+C) e do Supremo Conselho da Ordem Martinista (O.M.),
estabelecidos respectivamente em 1888 e 1891. Esta “condição” se aplicava a Augustin
Chaboseau (O.M.) e Lucien Chamuel, também conhecido como “Mauchel” (OKR+C). Ao
todo a FUDOSI organizou oito convenções durante a sua existência: em 1934, 1936,
1937, 1939, 1946, 1947, 1949, e 1951. Todas as convenções aconteceram em Bruxelas
(Bélgica), exceto nos anos 1937 e 1947. Estas aconteceram em Paris, na França.

A Primeira Convenção – Bruxelas (1934)

A primeira Convenção aconteceu em Bruxelas de 8 a 16 de agosto de 1934. No


dia 8 de agosto de 1934 Sar Hieronymus abriu a primeira Convenção da FUDOSI em
Bruxelas, Bélgica. O discurso de abertura de Sar Hieronymus foi publicado
parcialmente em 1935 em um artigo por Frater Artemis (Nome Místico de August

171
Reichel - o Grande Mestre da AMORC da Suíça em substituição de Edouard
Bertholet/Sar Alkmaion, delegado da Confraria dos Irmãos Iluminados da Rosa+Cruz e
da Associação Alquímica da França de Jollivet-Castelot), chamado "Quem Nós Somos E
O Que Nós Queremos", para uma revista chamada La Rose+Croix, publicada por
Jollivet-Castelot, presidente da Associação Alquímica da França.

Primeiro dia, 8 de agosto de 1934; os Rosacruzes.

O primeiro dia da Convenção estava reservado para as Ordens Rosacruzes. Os


seguintes delegados estavam presentes:
- Emile Dantinne - Sar Hieronymus, Imperator para a Europa e delegado da
Ordem da Rosa+Cruz Universal;
- Jean Mallinger - Sar Elgrim, delegado da Ordem da Rosa+Cruz Universitária;
- Harvey Spencer Lewis- Sar Alden, delegado da AMORC-EUA e Milícia Crucifera
Evangelica;
- Hans Grueter - Sar Iohannes, Grão-Mestre da AMORC-França;
- Jeanne Guesdon - Sar Puritia, Grande Secretária da AMORC-França;
- Many Cihlar - Sar Emmanuel, Grande Secretário da AMORC-Áustria;
- Victor Blanchard - Sar Yesir, delegado da Ordem Kabalística da Rosa+Cruz e
substituindo Lucien Chamuel, Grão-Mestre da OKR+C;
- August Reichel - Sar Artemis, Grão-Mestre da AMORC-Suíça, substituindo
Edouard Bertholet (Sar Alkmaion) e delegado da Confraria dos Irmãos Iluminados da
Rosa+Cruz e da Associação Alquímica da França.

A Ordem Hermética Tetramagista e Mística - 9 de Agosto.

Ao mesmo tempo, no dia 9 de agosto de 1934, havia (sob os patrocínios da


FUDOSI) uma reunião da Ordem Hermética Tetramagista e Mística (Ordem de
Pitágoras). Estavam presentes:
- Emile Dantinne, Grande Mestre Universal da Ordem de Pitágoras;
- George De Lagreze, Grande mestre do "quadrado perfeito” (sinônimo para
Grande Loja) representando a França e a Suíça. (Em dezembro 1934 ambas as “lands”
foram separadas como dois “quadrados perfeitos”. Lagreze manteve a França e August
Reichel tornou-se Grão-Mestre do "quadrado perfeito” na Suíça)
- Luis Fitau, cônsul do Chile em Bruxelas, autorizou a Dantinne como Grande
Mestre do "quadrado perfeito” no Chile. Fitau se aposentou em 1939;
- François Soetewey, Grande Mestre do “quadrado perfeito” na Bélgica.

O Rito de Memphis-Mizraim - 08-14 agosto.

10 de agosto, em demanda do Grande Hierofante (chefe do Rito) Guerino Troilo


(33º 98º) (Argentina), representando 60 Lojas, a convenção do Rito M.'. M.'. foi aberta.
Troilo não estava presente, mas ele autorizou Jean Mallinger (33º 97º). Este terceiro
dia lidou com a organização do Rito. O Rito foi retificado para 99 Graus. Os primeiros

172
90 graus são os graus das iniciações simbólicas, antes seguidos de 9 “graus oficiais” em
ordem hierárquica: 99º = Grande Hierofante, 98º = Grande Hierofante Universal, 97º =
todos os membros do Supremo Conselho, e 96º = Soberanos Grandes Mestres.

Jean Mallinger também foi autorizado pelo Grande Mestre Jose Rafael Canedo
da Bolívia. Também estavam presentes: Georges de Lagreze, autorizado por Jean-Henri
Probst-Biraben (33º 97º), Pedro Bersetche (33º 97º) Delegado para o Uruguai, Victor
Blanchard (33º 97º), Hans Grueter (33º 97º) (Suíça e França) e August Reichel (Áustria).
Depois de alguns dias, eles se uniram a Harvey Spencer Lewis (EUA), Maurice de Seck,
Many Cihlar (Áustria), Luis Fitau (Chile) e Jose-Rafael Canedo.

Troilo se tornou Soberano Grande Mestre para todo o mundo e Georges de


Lagreze se tornou o Grande Mestre atuante para todo o mundo. Jean-Henry Probst-
Biraben (33º 97º) se tornou Grande Conselheiro. O Soberano Conselho ficou composto
de: Raoul Fructus (33º 95º), Luis Fitau (33º 95º), August Reichel (33º 90º) e Maurice
Fallot (33º 90º). A convenção foi aberta solenemente por Georges de Lagreze (Mikael).
Alguns dos Irmãos que tinham recebido certificados sem as cerimônias de iniciação
correspondentes foram oficialmente “iniciados”.

Os seguintes Irmãos foram oficialmente iniciados em vários graus:


 George de Lagreze - 33º 97º;
 Jean Mallinger - 33º 97º;
 Maurice de Seck - 33º 97º;
 Many Cihlar 18º - (Cavaleiro Rose-Croix);
 H. Spencer Lewis - 66º 87º 88º 89º 90º;
 Categno (Pedro Bersetche) - 66º 87º 88º 89º 90º.

173
Nos documentos Rosacruzes (pág. 37) esta carta consta como sendo da “Ordem dos
Discípulos de Pitágoras”, conferindo honras a H. Spencer Lewis. Na realidade a Ordem
referida é a de Memphis-Mizraim. “Discípulos de Pitágoras” é apenas o nome do
“Capítulo”. Raymond Bernard tentou reativar uma Ordem Pitagórica dentro do CIRCES
em 1988, mas o próprio CIRCES, a partir de 1993, alterou sua finalidade e reduziu
consideravelmente suas atividades. Na década de 90, após a reorganização da AMORC,
com a expulsão de Gary Stewart, foi adicionado um ritual pitagórico na AMORC por
Christian Bernard.

174
George de Lagreze

François Soetewey

Os grau 87º até o 90º são os graus “Arcana Arcanorum”, tornados famosos por
Cagliostro no século 18. Eles foram originalmente adaptados e incorporados no Rito de
Mizraim na Itália, no princípio do século 19. Os "Arcana Arcanorum” também estavam
incorporados no mais alto grau da Ordem Hermética Tetramagista e Mística, uma das
participantes da Convenção.
 Hans Grueter - 33º 90º;
 Raoul Fructus - 33º 90º;
 Victor Blanchard - 33º 90º;
 Luis Fitau - 33º 90º;
 August Reichel - 33º 90º;
 Maurice Fallot - 33º 90º.

O Alto Conselho do Antigo e Primitivo Rito de Memphis-Mizraim foi instalado no


dia 11 de agosto, sob a liderança do “Grande Hierofante Invisível” Armand Rombauts
(33º 99º), também conhecido como OR-ZAM. Alguns dos outros membros do Alto
Conselho eram Léon Lelarge e Raoul Fructus. As decisões tomadas relativamente a
este rito foram feitas sem autorização. O Grande Mestre do Rito era Constant
Chevillon da França. Rombauts/Or-Zam e o Rito M.'. M.'. Belga pertenciam à
Obediência do Rito da França e, portanto, não tinham autoridade alguma! Rombauts e
Mallinger tentaram criar uma Ordem Autônoma sem qualquer autorização. H. S. Lewis
desempenhou um papel importante em toda a história, como veremos em outro
capítulo.

A Convenção M.'. M.'. foi encerrada no dia 14 de agosto.

175
A Ordem Martinista e Synárquica - 9 a 16 de agosto.

O Grande Mestre da Ordem era Victor Blanchard, que foi o secretário de Papus
na Convenção de 1908. Papus fundou a Federação Maçônica Universal que foi
oficialmente estabelecida durante a convenção. A FMU foi uma "precursora" da
FUDOSI.
Blanchard era o presidente da Convenção Martinista. Ele também era um
delegado da Igreja Gnóstica Universal e do Conselho Supremo da Ordem Kabalística da
Rosa+Cruz.
Por causa de Victor Blanchard o Martinismo foi introduzido (mais uma vez) na
Bélgica. Emile Dantinne, Spencer Lewis e outros dignitários da FUDOSI foram iniciados
como martinistas durante esta convenção.

As seguintes ordens e sociedades foram representadas na primeira convenção:


1. Ordem da Rosa+Cruz Universal (Sar Hieronymus);
2. Ordem da Rosa+Cruz Universitária (Sar Hieronymus, Sar Elgrim);
3. Ordem Cabalística da Rosa+Cruz (Sar Yesir representando Lucien Mauchel);
4. Confraria dos Irmãos Iluminados da Rosa+Cruz (Sar Amertis);
5. Antiga e Mística Ordem Rosa Cruz (AMORC-EUA - Sar Alden, Sar Emmanuel,
Sar Iohannes);
6. Militia Crucifera Evangelica (Sar Alden);
7. Antiga e Mística Ordem Rosa Cruz (AMORC-Suíça - Sar Amertis representando
Sar Alkmaion);
8. Sociedade Alquímica da França (Sar Amertis);
9. Ordem dos Samaritanos Incógnitos (Sar Amertis);
10. Ordem Pitagórica (Ordre Hermetiste Tetramegiste et Mystique - Sar Succus,
Sar Helios);
11. Ordem Martinista e Sinárquica (Sar Yesir);
12. Fraternidade dos Polares (Sar Yesir);
13. Ordem Maçônica Oriental de Memphis-Mizraim Estrita Observância (Sar
Iohannes, Sar Ludovicus);
14. Ordem Co-maçônica de Memphis-Mizraim (Sar Laya, Sar Fulgur);
15. Igreja Gnóstica Universal (Tau Targelius = Victor Blanchard).

Foram escolhidos 12 membros para formar o Supremo Conselho, conduzido por


três Imperators:
- SAR Hieronymus (E. Dantinne) Imperator da Europa;

176
- SAR Alden (H.S. Lewis) Imperator do continente americano;
- Sar Yesir (V. Blanchard) Imperator da Europa Oriental.

H. Spencer Lewis foi


oficialmente iniciado em vários
graus do Rito de Memphis-Mizraim
(66º 87º 88º 89º 90º).

Simbologia do Emblema da FUDOSI

O símbolo da FUDOSI foi desenhado por Spencer Lewis da AMORC e aprovado


pelos restantes congressistas. Representa o ovo místico, que no Egito guardava em seu
seio todos os mistérios. Leva em seu centro os dois imãs bipolares representando os
dois hemisférios unidos em uma mesma fraternidade espiritual. O emblema agrupa
em seu centro um triângulo e um quadrado inacabados, já que todas as iniciações
tradicionais, longe de combater-se, se complementam admiravelmente para dar ao
neófito uma luz única. No meio, a cruz representa a corrente cristã da iniciação, o
quadrado simboliza a iniciação helênica e o triângulo a Iniciação Martinista.

177
Documento da FUDOSI de 23 de setembro de 1934, que declara, em parte: "fica
registrado que a Congregação decide, por unanimidade, reconhecer a AMORC
como a única associação rosacruz verdadeira na América do Norte". Naquela
época a abrangência da AMORC estava limitada à América do Norte, mas
expandiu-se, posteriormente, por todo o mundo.

178
179
As Ordens Esotéricas e a Política
Um aspecto muitas vezes deixado de fora quando se discute os problemas entre
a FUDOSI e as "Ordens de Lyon" é o aspecto de natureza política. As Ordens e
Sociedades Iniciáticas, incluindo a Maçonaria, sempre desempenharam um papel
ambíguo na sociedade.
Especialmente na França, sempre houve (certamente até o momento em que a
FUDOSI foi fundada) um forte movimento republicano dentro do mundo das Ordens e
Sociedades próximas ao movimento conservador e monarquista. Lembramo-nos do
papel da Maçonaria durante a Revolução Francesa.
Quando olhamos para os pontos de vista de alguns dos principais membros da
FUDOSI em relação a este problema, teremos a seguinte imagem:
Emille Dantinne, por exemplo, era um Monarquista que se opunha fortemente
ao movimento republicano.
Ele era um "Naundorfista". O "movimento Naundorfista" foi construído em torno
da hipótese de que um certo Karl Wilhelm Naundorf, um aventureiro, “surgiu” em
Berlim em 1810 e alegou ser o filho do rei francês Louis XVI e Maria Antonieta. Ele
tentou provar sua alegação perante um tribunal na França na qual não teve êxito. Teve
que deixar a França, onde não era mais bem-vindo. Partiu para a Grã-Bretanha, onde
mais tarde afirmou ser "o Messias". Em 1845, finalmente se estabeleceu na Holanda,
onde viveu sob a proteção da coroa holandesa (por causa de alguma invenção militar
de Naundorf), onde morreu no mesmo ano. Seu verdadeiro nome era Charles Louis
Eduard de Bourbon. Seus descendentes repetidamente tentaram provar que Naundorf
era de descendência real. Toda a história finalmente terminou em 1998, quando o
Prof. J. J. Cassiman (University of Leuven, Bélgica) provou (teste de DNA) que Naundorf
não poderia ter sido Louis XVII, sucessor de Louis XVI, rei da França.
Dantinne foi ainda convencido por um membro da FUDOSI, Andre Cordonnier,
que se tornou um dos Imperators da organização em 1946, que era o "novo rei" da
França! Discutiremos este assunto em um dos capítulos seguintes.
As ideias de Émile Dantinne, por exemplo, relativas às questões políticas e
sociais, e até mesmo em assuntos raciais são refletidas em seus escritos, o que pode
lançar várias luzes quanto aos critérios do conclave. As seguintes declarações, feitas
por Dantinne relativas a estes assuntos podem ser encontradas em dois documentos
da FUDOSI, intitulados “Posição das Ordens Iniciáticas Sobre os Problemas
Contemporâneos” e “Concordância sobre as Ordens e Sociedades Iniciáticas”, de
12/10/1941.
Relativo ao tópico “As Ordens Iniciáticas e o Problema da Raça” Dantinne
discorre sobre a visão da FUDOSI na Europa:

“ao contrário da Igreja, as Ordens Iniciáticas da Europa formalmente excluem os


judeus e suas organizações de seus centros. Quaisquer colaborações com os judeus
resultam nas seguintes sérias consequências: anarquia intelectual, indisciplina, cisma e
discórdia, egoísmo, negligência de interesses nacionais, etc.”.

“Pelo contrário, as Ordens exigem de seus membros disciplina, espírito de


comunidade, moralidade, patriotismo, etc...”

Na parte final do documento é declarado:

180
“As genuínas Ordens Iniciáticas são abertas somente à comunidade ariana e não
admitem ninguém pertencendo à raça judia”.

Além disso, é declarado que a influência maçônica era e ainda está muito forte
na sociedade por altas posições asseguradas pelos maçons em “todos os níveis do
Estado”. Os ensinamentos da Maçonaria são descritos como uma “glorificação do
homem em vez de Deus, e os objetivos dos maçons na sociedade apontam para o lucro
e para o ganho pessoal” (12 de outubro de 1941, assinado pelo Imperator da Europa).
Do segundo documento, eu traduzi uma parte em que a atitude da FUDOSI para
com a Franco-Maçonaria é declarada:

Posição da FUDOSI Sobre A Maçonaria.

Em 1934, no tempo da fundação da FUDOSI, a


Franco-Maçonaria foi condenada pelas Ordens
presentes como uma organização ateísta e
nenhuma Ordem Maçônica seria admitida à
federação. Uma exceção era feita em favor do Rito
Antigo de Memphis-Misraim, que era reconhecido
como uma Ordem espiritual e não reconhecido
pelas outras obediências maçônicas.
Mas a admissão acabou por ser um erro (o
texto refere-se aos problemas com Constant
Chevillon). Na visão de Dantinne e da FUDOSI, isto
provou que o judaísmo e o materialismo são
inseparáveis de quaisquer Ritos Maçônicos, que
toda reforma na Maçonaria é utópica, e como uma consequência, nenhuma
colaboração é possível entre a FUDOSI e qualquer Rito ou Ordem Maçônica. Em 1935,
os líderes da FUDOSI excluíram a única ordem maçônica dentro de suas fileiras. Eles
até forçaram seus membros a quebrarem todos os seus laços com a Maçonaria, sob a
penalidade de expulsão (com a exceção do Sr. Wittemans, que permaneceu membro
de uma organização maçônica).
Os documentos são escritos em 1941, quando os países europeus foram
invadidos pelas tropas alemãs de Adolf Hitler. Sabemos que Dantinne não era nazista,
e certos membros da FUDOSI iriam desempenhar um papel na resistência, mas, no
entanto, a raça judaica foi abertamente discriminada pela FUDOSI através dos
documentos oficiais do seu Imperator.
Além disso, não há nenhum erro relativo à visão de Dantinne de uma sociedade
democrática. Ele se opunha fortemente ao movimento liberal e um modelo
democrático de Estado, que ele mesmo via como um pacto maçônico. E, como você
pode ler no acima mencionado, a Maçonaria foi definida como uma organização ateia,
materialista e amoral aos olhos de Dantinne.

181
Outros altos funcionários da FUDOSI também partilhavam da mesma opinião de
Dantinne sobre os problemas da sociedade na época. É bem sabido que Harvey
Spencer Lewis, da AMORC, sempre favoreceu aos sistemas autocráticos acima do
modelo liberal, democrático. Ele próprio foi associado a uma associação
ultranacionalista nos Estados Unidos. Lewis ainda ganhou a confiança de Mussolini,
que já proibira a Maçonaria na Itália, em 1925, que o recebeu com os braços abertos
como "um amigo de família", em 1931. Na ocasião o “Imperator” elogia o ditador da
"ausência de mendigos nas ruas, da arquitetura impressionante, da pontualidade dos
trens", etc. Lewis retorna mais uma vez a Itália em 1937. Nesta circunstancia, Mussolini
dá um discurso no qual ele promete um “futuro radiante” para AMORC.

A Segunda Convenção: Setembro de 1936.


Dois anos após a fundação da FUDOSI, a Segunda Convenção foi realizada em
setembro de 1936, mais uma vez, em Bruxelas, Bélgica. A criação da federação em
1934 suscitou uma comoção entre as ordens e sociedades fraternais. Havia problemas
dentro do Rito de Memphis-Mizraim, problemas que eventualmente resultaram em
uma segunda "Guerra das Rosas" entre a FUDOSI e as Ordens de Lyon, encabeçados
por Constant Chevillon.
As hostilidades entre a FUDOSI e Chevillon era um dos itens na agenda da
Segunda Convenção. Um dos dignitários da FUDOSI perdeu a sua filiação, ou seja,
August Reichel. Reichel (Sar Amertis) decidiu deixar a FUDOSI em 1935 em favor de
Chevillon e sua FUDOFSI... (outra federação contrária a FUDOSI, ver próximo capítulo)
Cabe aqui citar que a “dança das cadeiras” era comum nestas “federações”. As
ordens constituintes de ambas as federações representavam apenas linhagens
diferentes das mesmas tradições. Perguntamos-nos o que definiria e quais seriam os
critérios de uma “autêntica” ordem iniciática tradicional, que a diferenciasse das
“organizações clandestinas”, tendo em vista as acusações mútuas de irregularidade.
Sobre este ponto a obra do escritor René Guenon (que será abordado em outro
capítulo) lança uma luz diferenciada do conceito de “Tradição” adotada por estas
sociedades. É um escritor tradicionalista que se encontra esquecido.
Nesta convenção Ralph Maxwell Lewis (Sar Validivar) recebeu sua iniciação no
martinismo. Ele recebeu o grau SI IV, o "Grau de Iniciador" intitulado Philosophe
Inconnu (Filósofo Incógnito). Ralph M. Lewis foi iniciado por Victor Blanchard (Sar
Yesir) para a Ordem Martinista e Sinárquica (e não para a Ordem Martinista
Tradicional, como alguns querem acreditar).
Na época, a FUDOSI não reconheceu a Ordem Martinista Tradicional (OMT).
Como certificada em 1934 no primeiro congresso, a FUDOSI só reconheceu a Ordem
Martinista e Sinárquica de Blanchard.
Ralph M. Lewis também "recebeu seus graus Rosacruzes" de acordo com Fr.
Fiducius da Argentina. Se isso for verdade, ele provavelmente se refere ao 13º Grau da
Ordem da Rosa+Cruz Universitária de Emile Dantinne (Sar Hieronymus). O 13º Grau foi
intitulado o "Grau de Imperator”. Lewis foi de fato iniciado neste grau de Dantinne.

182
Algumas fontes afirmam que seu pai, Harvey Spencer Lewis também foi iniciado nesse
grau de Dantinne.

A Terceira Convenção: Agosto de 1937.


Esta Terceira Convenção teve lugar em agosto de 1937, em Paris, França, no
templo da Fraternidade dos Polares, na Avenue Junot, em Montmartre. A Fraternidade
dos Polares pertencia a FUDOSI e foi representada por Victor Blanchard (Sar Yesir), que
se tornou presidente da irmandade em 1933. Como já sabemos, Blanchard agiu
também como um dos Três Imperators da Federação.
Não se sabe muito sobre os itens da ordem do dia. As fontes somente
mencionam Harvey Spencer Lewis, que recebeu a autorização para atuar como o
Delegado Soberano da Ordem Martinista e Synárquica para os Estados Unidos.

A Quarta Convenção: Setembro de 1939.


A Federação voltou a Bruxelas, onde eles se reuniram no quarto de setembro de
1939, nos templos da FUDOSI.
A convenção teve lugar ao longo de seis dias, durante os quais os membros do
conselho tiveram que lidar com as substituições dos Imperators Victor Blanchard (Paul
Yesir) e Harvey Spencer Lewis (Sar Alden).
Blanchard tinha sido expulso da FUDOSI, porque ele "se autoconsagrou como o
Grão-Mestre Universal da Rose-Croix e de todas as ordens iniciáticas do mundo".
H. Spencer Lewis teve de ser substituído devido a sua morte, um mês antes da
convenção, em 02 de agosto de 1939.
Jean Mallinger (Sar Elgrim) escreve ao seu amigo Leon Lelarge (Sar Agni):
"A morte imprevista de Sar Alden provoca um grave problema a respeito de sua
sucessão. Nossa tarefa será difícil, e eu vou encaminhar esta carta para o nosso Grande
Mestre informando-o de que, atualmente, existem dois candidatos: o filho de H.
Spencer Lewis e o Grande Mestre Thor Kimaletho.”
"Apesar dos erros82 que ele cometeu, eu tenho uma memória apaixonada por Sar
Alden, porque ele entendeu e reconheceu a superioridade do nosso Mestre" (retirado
dos arquivos de Leon Lelarge83).

82
Muitos membros proeminentes da FUDOSI não acreditavam que Harvey Spencer Lewis fora
iniciado em (ou perto) de Toulouse em 1909. Aqui está uma tradução de uma carta escrita por Jean
Mallinger, em que Mallinger refere-se a sua descrença. A carta é dirigida a August Reichel, datada de
julho de 1935.
"Sem negar a atividade extraordinária de Lewis na AMORC, é um fato bem conhecido, se se fala da
AMORC em um círculo que não está bem informado, o público só vai se referir a Spencer Lewis e seus
métodos. Mas posso dizer-lhe isto, iniciados sérios não aceitarão os métodos americanos, e iniciados
sérios não vão acreditar na "aventura de Toulouse" de Spencer Lewis. Esta é a opinião formal de F.
Sjalung de Copenhage, de Probst, e de Mikael...” a carta continua.
A carta é dirigida a August Reichel da Antiga e Mística Ordem da Rosa Cruz e da Confraria dos Irmãos
Iluminados da Rosa+Cruz, e lida com a abreviatura "AMORC", que foi utilizada por várias organizações,

183
No que se refere à sucessão de H. Spencer Lewis, foi o próprio Spencer Lewis que
nomeou seu filho, Ralph Maxwell Lewis, como seu sucessor em sua última vontade.
Sua escolha foi proposta aos membros do conselho em 12 de agosto de 1939. Na
convenção Ralph M. Lewis agiu oficialmente como o Imperator da AMORC, e foi
instalado como Imperator do “Triunvirato”, que formava a liderança da FUDOSI.
Voltando a demissão de Blanchard, é bastante claro por que ele foi demitido.
Blanchard ficou cem por cento convencido de sua autoridade como o novo Grão-
Mestre Universal da Rose-Croix e de todas as ordens iniciáticas de todo o mundo. Mas
quem ou o que lhe deu a ideia de que ele era o novo Grão-Mestre Universal? Essa é
uma pergunta intrigante.
A causa da convicção de Blanchard pode ser encontrada dentro de uma das
ordens iniciáticas a que ele pertencia, designadamente a Fraternidade dos Polares.
Blanchard tornou-se presidente dessa fraternidade em 1933.
A Fraternidade dos Polares não é geralmente conhecida no mundo de língua
inglesa.
De acordo com a lenda de sua fundação, a Fraternidade dos Polares teve a sua
origem no encontro entre Mario Fille e o misterioso eremita Pai Julian, em 1908, nas
colinas ao norte de Roma. Pai Julian deu a Mario Fille um maço de pergaminhos
antigos que incluía um método divinatório chamado de o "Oráculo da Força Astral". O
oráculo permitiu à irmandade entrar em comunicação com o "Centro Esotérico

de uma forma ou de outra. A Antiga e Mística Ordem da Rosa Cruz da Suíça provavelmente não usava os
ensinamentos de Lewis, na época. Até 1937 a AMORC-Suíça era uma organização independente, não
afiliada à AMORC. Em um documento oficial, datado de 14 de agosto (o primeiro congresso) de 1934, a
organização suíça é chamada de Ordem R+C da Suíça. O documento é assinado por Marc Lanval.
Outra indicação de que a "aventura de Toulouse" é uma invenção de Harvey Spencer Lewis é um
documento, que pertence aos arquivos da FUDOSI, em que o próprio Harvey Spencer Lewis afirma que
toda a história de sua iniciação em Toulouse é uma invenção sua. Este documento está nas mãos do
sucessor de Jean Mallinger.
Outro artigo interessante: The Sun, 19 de junho de 1918. Neste artigo (sobre a prisão de Lewis) H.
Spencer Lewis afirma que nunca alegou estar operando um ramo R+C filiado aos rosacruzes franceses:
(excerto)
Grande Imperator, aflito com a sua apreensão na noite passada na prisão.
"Meia dúzia de detetives ligados ao escritório do promotor público estavam examinando os
acessórios, ou seja, cintos de cetim, roupões e outras regalias - tomados na invasão da sede da chamada
Ordem Americana da Ordem Rosae Crucis...
O Grande Imperator Lewis foi preso na segunda-feira em uma batida espetacular contra a sede de
sua organização na antiga casa de Lily Langtry em 361 Oeste, Rua Vigésima Terceira...
De sua casa em Flushing, na noite passada, Lewis disse a um repórter do The Sun que em nenhum
momento a sua organização - a Antiga e Mística Ordem Rosae Crucis - jamais afirmou estar a funcionar
como um ramo da organização Rosae Crucis da França. "Nós nunca reivindicamos ter qualquer
mandado, carta patente, patente ou autoridade de qualquer país estrangeiro", disse ele por telefone...
Entre os papéis apreendidos na mesa de Lewis, na segunda-feira à noite, havia um pedaço de
pergaminho intitulado “Pronuziamento R.F.R.C. Nº. 987.601”. O documento é adornado com uma série
de selos, de Toulouse, França, 20 de setembro de 1916, e assinado por um certo Jean Jordain. Após a
assinatura segue uma série de hieróglifos. No corpo do documento dirigido ao Le Secretaire Geral, Thos.
Kiimalehto aparece o anúncio de que uma jurisdição separada da Rosae Crucis foi estabelecida na
América..."
83
Os arquivos da FUDOSI pertencentes a Leon Lelarge (Sar Agni, o secretário de Emile Dantinne)
foram descobertos em 1982 por Serge Caillet. O arquivo consistia de muitos documentos relativos às
atividades da FUDOSI e Emile Dantinne. Sem estes documentos, uma grande quantidade de informações
deste fórum não teria sido publicada. Serge Caillet utilizou esses documentos para escrever um livro
chamado: "SAR Hieronymus et la FUDOSI", publicado em 1986, por Cariscript - Paris.

184
Rosacruz no Himalaia", dirigido pelos "Três Sábios Supremos" ou as "Pequenas Luzes
do Oriente", que propunha prepará-los para "a vinda do Espírito sob o signo da Rosa e
da Cruz". E foi o "Oráculo da Força Astral" que deu a Blanchard a ideia de que ele era o
novo Grão-Mestre Universal da Rose-Croix...

Ele enviou uma proclamação a cada Grão-Mestre da Federação, que solicitava


lealdade e reconhecimento de sua nova dignidade. Eu recebi recentemente uma cópia
do documento original, datado de 14 de julho de 1938. Aqui está uma tradução do
cabeçalho e do primeiro parágrafo:

Para Sar Hieronymus

Bruxelas

“Meu querido irmão, com grande prazer eu chamo a sua atenção para o fato de
que o Centro de Agartha, para o qual eu sou, como você já sabe, diretamente ligado,
me entregou vários documentos e objetos mágicos que pertenceram a Christian
Rosenkreutz, o fundador dos Rosacruzes...”

O resto é história... Blanchard foi expulso da FUDOSI e também foi substituído


em todos os outros altos cargos que ocupou. O sucessor como Grão-Mestre da Ordem
Kabalística da Rosa+Cruz de Blanchard foi Augustin Chaboseau.
Por causa da expulsão de Blanchard, a Ordem Martinista e Sinárquica e a
Fraternidade dos Polares, que permaneceram leais a Blanchard, também foram
expulsas da FUDOSI.
Apesar da chamada "lealdade" da Ordem Martinista e Sinárquica a Blanchard,
muitos membros deixaram-na a fim de juntar-se a Ordem Martinista Tradicional de
Victor Emile Michelet e Augustin Chaboseau. Como sabemos a Ordem Martinista
original teve problemas depois que Papus morreu em 1916. Vários martinistas
deixaram a Ordem quando Téder, e depois dele, especialmente Bricaud, mudaram a
ordem em uma Ordem Martinista construída sobre uma base maçônica. Os outros
martinistas, eventualmente, se reorganizaram sob a liderança de Victor Blanchard.
Mas Victor Emile Michelet não reconheceu Blanchard como Grão-Mestre. Ele fundou a
OMT em 1931. Em 1938 ele morreu e foi sucedido por Augustin Chaboseau (que era,
juntamente com Papus, o fundador original do Supremo Conselho da Ordem
Martinista em 1891).

Entre os martinistas que abandonaram Blanchard temos Jeanne Guesdon e


George Lagreze (Mikael), ambos dignitários da Ordem Martinista e Sinárquica.

George Lagreze pertencia ao Supremo Conselho da Ordem Martinista


Tradicional. A escolha da OMT como uma substituta da OM&S foi uma escolha óbvia.

No primeiro dia de setembro de 1939, Ralph Maxwell Lewis recebeu o grau SI de


Lagreze. No mesmo dia Lewis também recebe o grau SI Iniciador (IVº), ambos
assinados por Chaboseau.

185
Emile Dantinne também recebeu os graus OMT depois que deixou a OM&S de
Blanchard.

Ralph M. Lewis solicitou a instalação de um Conselho Martinista da OMT para os


Estados Unidos. Seu pedido foi concedido e Lewis recebeu uma carta patente como
"Soberano Delegado e Grão-Mestre regional da OMT para
os Estados Unidos”.

Desta forma, o Conseil Régional Suprême et Synarchie


des Etats-Unis foi fundado. O conselho consistiu de cinco
membros: Ralph Maxwell Lewis, Cecil A. Poole, Orlando T.
Perrotta, James R. Whitcomb e J. Duane Freeman.

Augustin Chaboseau e George Lagreze estavam


ambos interessados em uma ordem chamada de Ordem da
Lys e da Águia. Ambos estavam tão interessados que cada
SI da OMT recebeu automaticamente a 4ª série
(“Commandeur”) da Ordem da Lys e da Águia. Isto explica
porque a FUDOSI aproximou-se da Ordem, que foi fundada
em 1914 por Demétrio Platon Sémélas (Déon), para se juntar a FUDOSI.

Outra fraternidade que se juntou a FUDOSI foi a União Sinárquica da Polônia,


fundada pelo Dr. Tarlo Mazinski em 1937.

Augustin Chaboseau também retirou Blanchard como Imperator da “Suprema


Trindade" da FUDOSI. O novo triângulo foi composto pelos seguintes Imperators:
- Emile Dantinne;
- Ralph Maxwell Lewis;
- Pierre-Augustin Chaboseau.

Outro ponto de preocupação foram os desenvolvimentos na Alemanha. O


chamado "Édito de 1938” de Hitler proibia todas as atividades da ordem na Alemanha
(na Itália a Maçonaria já fora proibida em 1925). E... em setembro de 1939 (o mês do
4º Congresso) Hitler invadiu a Polônia...

1940 a 1945 - Os Anos da Ocupação


Como afirmado anteriormente, os nazistas proibiram todas as atividades das
ordens, especialmente da Maçonaria e outras ordens iniciáticas, sociedades e
irmandades (mesmo a Thule-Gesellschaft, uma Irmandade pró-Nazi, foi proibida pela
Gestapo em 1942). Todos os encontros, publicações, etc., foram proibidos pelos
nazistas. Os arquivos das ordens foram confiscados e muitas vezes destruídos. Houve
um ramo especial dentro da SS chamado "Ahnenerbe", a "Sociedade da Herança
Ancestral", conduzida pelo próprio Heinrich Himmler, que era responsável por isso.

186
Muitos membros das ordens e sociedades secretas e místicas foram presos e
colocados em campos de concentração ou mortos por pelotões de fuzilamento.
Isso aconteceu também a um dos mais proeminentes líderes de ordens, naquele
momento, Constant Chevillon, chefe das Ordens de Lyon.
Na verdade, Chevillon foi assassinado pelo Regime de Vichy (Klaus Barbie/
Gestapo). Madame Bricaud supôs que Chevillon foi assassinado pela Gestapo, porque
ele era o Grão-Mestre de várias ordens iniciáticas. A explicação de madame Bricaud
(viúva de Jean Bricaud, antecessor de Chevillon) é usada frequentemente como a
“versão oficial”. Mas o Regime de Vichy tinha um motivo diferente.
A Segunda Guerra Mundial, que começou em Setembro de 1939, impediu que
estas ordens e fraternidades colaborassem ativamente, assim pagando o preço de
extremas dificuldades e perseguições pelo regime Nazista.

A Quinta Convenção: Julho de 1946.


A 5ª Convenção foi realizada no Templo de François Soetewey, em Bruxelas,
Bélgica, com a abertura no domingo, dia 21 de julho de 194684. Muitos membros da
FUDOSI tinham morrido desde a última convenção de 1939. A convenção foi realizada
em honra a todos os membros e dignitários falecidos.
A ata da Convenção fez listar a participação de 12 fraternidades:
1. Ordem da Rosa+Cruz Universal;
2. Ordem da Rosa+Cruz Universitária;
3. Ordem Pitagórica (OHT&M)
4. Ordem Martinista e Sinárquica;
5. AMORC;
6. Ordem Martinista Tradicional (OMT);
7. Igreja Gnóstica Universal;
8. Sociedade de Estudos e Investigações Templárias;
9. Ordem Kabalística da Rosa+Cruz;
10. Sociedade de Estudos Martinistas;
11. União Synárquica da Polônia;
12. Ordem da Milicia Crucífera Evangélica.

84
As datas reais dadas são questionáveis. Uma fonte afirma que a 6ª Convenção ocorreu entre 21-25 de
julho, outra fonte menciona 21-22 de julho como as datas reais para a 6ª Convenção.

187
A Ordem da Lys e da Águia85 e a Associação Alquímica da França86 "foram
convidadas a apresentar os seus representantes, mas não enviaram os seus
delegados”.
A razão pela qual a Ordem da Lys e da Águia não apareceu na convenção é
conhecida. Era Chaboseau que estava mais interessado na Ordem da Lys e da Águia
(Ordem Eon), do que Dupré na FUDOSI (Eugene Dupré também tinha sido o Grande
Mestre da Ordem Martinista no Egito no início do século 20, antes que, como a
maioria dos martinistas franceses no Egito, voltou para a França após a Primeira
Guerra Mundial. Estes martinistas do Egito fundaram o "Grupo Independente de
Estudos Martinistas". Dupré nunca foi realmente interessado em uma colaboração
com a FUDOSI. Dupré morreu em um bombardeio no ataque de 12 de junho de 1944.
Recebeu seu Nomen Mysticum (Sar Lilium) postumamente na convenção de 1946.

A Sociedade de Estudos e Investigações Templárias era uma sociedade


templária, “implementada” nas fileiras da federação por Ralph Maxwell Lewis. A
sociedade ficou sob a autoridade do Augustin Cordonnier, aka Sar Gregorius. Não se
sabe muito sobre esta sociedade templária. Tudo o que sabemos é que Harvey
Spencer Lewis foi iniciado na Ordem Soberana Militar do Templo em 1933. Esta
Ordem foi fundada em 1932, em Bruxelas, Bélgica. A Ordem supostamente era afiliada
com a Ordem do Templo, das quais
Dantinne escreveu (em seus escritos
relativos a Peladan e aos Rosacruzes de
Toulouse). É estranho que a Ordem
Soberana Militar do Templo não fosse
membro da FUDOSI, lembrando das
ligações de Dantinne e a organização
templária...

A “Ordre Souverain et Militaire du


Temple” ainda está ativa até hoje87, e
também é conhecida como "L'Ordre et
Souverain Militaire du Temple de
Jerusalém" (OSMTJ), ou a "Soberana Ordem
Militar do Templo de Jerusalém" (SMOTJ),
ou a "Ordem Suprema Militar do Templo de
Jerusalém", com lojas em todo o mundo
(entre os seus membros existem funcionários altamente colocados da OTAN). Sua
Grande Loja é chamada de “Grão Priorado”.

85
As revistas da Ordem da Lys e da Águia podem ser encontradas aqui:
http://www.iapsop.com/archive/materials/eon/
86
As revistas da Associação Alquímica da França podem ser encontradas aqui:
http://www.iapsop.com/archive/materials/rosa_alchemica/
87
OSMTJ Ordre Souverain et Militaire du Temple de Jérusalem: Knights Templar
https://www.facebook.com/OSMTJ/
http://templedeschevaliers.free.fr/
http://osmtj.net/
http://ostj.org/

188
A quinta convenção, que foi apresentada como o 5º "Conclave Mundial da
FUDOSI", teve lugar depois de sete anos de separação, anos "de guerra e de ensaios
terríveis", de cruéis perseguições, prisões e interrogatórios pela Gestapo, ataques e
batidas da polícia, deixando as ordens iniciáticas europeias dizimadas.

“Mas o fim da guerra também marcaria o início de uma nova era, uma era de
restauração e esperança recém-nascida... Especialmente para Emile Dantinne a
"ressurreição" foi "concretizada" na presente Convenção, inspirada por um espírito de
esperança e persistência. Sar Hieronymus (Dantinne) apresentou seu discurso de
abertura para a assembleia reunida no domingo, dia 21 de julho de 1946” (retirado de
“FUDOSI, vol.1. nº.1" publicado pela AMORC, San José, novembro de 1946).

A 6ª e 7ª Convenção - Paris, setembro de 1947 e Bruxelas, janeiro de 1949.

A Sucessão Questionável de Augustin Chaboseau

Pierre-Augustin Chaboseau (1868-1946)


Augustin Chaboseau tornou-se co-Imperator da FUDOSI, bem como Grão-Mestre
da Ordem Martinista Tradicional (OMT88) em 1939.
Os outros membros do "Supremo Conselho da Ordem Martinista Tradicional" na
época eram:
- Georges de Lagrèze;
- Octave Beliard.

Jean Chaboseau (Gileade), filho de Augustin Chaboseau


Jean Chaboseau foi iniciado na OMT em 1932 na Obediência Maçônica em Paris.
Quando seu pai, Augustin, morreu no dia 02 de janeiro de 1946, seu pai foi sucedido
por Lagrèze89. Lagrèze morreu pouco depois de Chaboseau, em abril do mesmo ano, e
Jean Chaboseau deveria suceder Lagrèze como Grão-Mestre da OMT. Em
circunstâncias normais, ele teria sido escolhido como o sucessor de seu pai como co-
Imperator da FUDOSI pelo Conselho Supremo. Mas o "Conselho Supremo" decidiu de
outra forma...

SAR Gregorius, uma fraude?

88
Em francês: L'Ordre Martiniste Traditionnel (O.M.T.)
Em português: Tradicional Ordem Martinista (T.O.M.)
Em inglês: Traditional Martinist Order (T.M.O.)
89
Georges Lagrèze foi escolhido por Chaboseau como seu sucessor como Grão-Mestre da Ordem
Martinista Tradicional. Mas Lagrèze morreu apenas três meses após Chaboseau, sem nomear seu
sucessor. A OMT foi deixada sem um Grande Mestre. A liderança da OMT foi um dos principais itens da
pauta da sexta Convenção.

189
O Conselho Supremo decidiu escolher um Co-Imperator provisório para
completar o Triângulo Supremo nesta 6ª Convenção. As potências regulares desse alto
cargo seriam exercidas por um "Conselho de Regência". É preciso compreender que a
FUDOSI precisava de tempo para resolver "algumas questões pendentes". A morte de
Chaboseau causou alguns sérios problemas internos. A FUDOSI não aceitou Jean
Chaboseau como sucessor de seu pai, tanto como co-Imperator, bem como Grande
Mestre da OMT (algumas fontes afirmam que Augustin Chaboseau escolheu seu filho
como Grão-mestre da OMT). Eles mantiveram o assento do Terceiro Imperator vago, e
decidiram instalar um "Assistente", um "Co-Imperator Interino", provisoriamente, até
que toda a questão pudesse ser devidamente resolvida.
O Conselho Supremo nomeou Fr. André Cordonnier (Sar Gregorius) como
"Imperator Assistente” da FUDOSI naquela Convenção.

Emile Dantinne conheceu Cordonnier em 1931 em sua cidade natal, Huy-sur-


Meuse, na Bélgica. André Cordonnier (1891-1960) foi condenado a vários anos de
prisão na França. Ele fugiu da França em 1920 para a Holanda. Lá, mudou sua
identidade e se tornou o “capelão” da família Bourbon. A família Bourbon era
descendente de Charles Louis Eduard de Bourbon, que foi mais conhecido como Karl
Wilhelm Naundorf e que reivindicou o trono da França. Seus seguidores são
conhecidos como "Naundorfistas". "O movimento Naundorfista" foi construído em
torno da hipótese de que um certo Karl Wilhelm Naundorf, um aventureiro, “surgiu”
em Berlim em 1810 e alegou ser o filho do rei francês Louis XVI e Maria Antonieta."

Através de Dantinne, Cordonnier se envolve no mundo das ordens ocultas e


místicas. Dantinne estava convencido de que Cordonnier se tornaria o novo rei da
França (por causa de sua relação com a família Bourbon) após a Segunda Guerra
Mundial! Também estava convencido de que Cordonnier era um bispo da Igreja
Católica Liberal (da qual C. W. Leadbetter, membro da Sociedade Teosófica de
Blavatsky, foi um dos fundadores), como foi afirmado por Jean Mallinger. A ideia de
que Cordonnier seria o "novo rei da França" é, naturalmente, pura fantasia. De acordo
com Marcel Roggemans a reivindicação de Mallinger que Cordonnier foi um bispo da
Igreja Católica Liberal também foi feita aleatoriamente. Roggemans afirma que entrou
em contato com Maurice Warnon sobre esta matéria. Warnon, que é um bispo da
Igreja Católica Liberal, bem como o presidente e Grão-Mestre da Ordem Martinista
dos Países Baixos, certifica que Cordonnier/Sar Gregorius nunca foi ordenado bispo na
Igreja Católica Liberal!

De qualquer forma, alguns dos "altos iniciados” estavam convencidos de que


Cordonnier era o homem que alegava. E por estas reivindicações a FUDOSI nomeou
Cordonnier (Sar Gregorius) como "Membro do Supremo Conselho" e co-Imperator da
FUDOSI na 6º. Convenção. O novo "Supremo Triângulo" foi composto por:
- Emile Dantinne - SAR Hieronymus;
- Ralph Maxwell Lewis - SAR Validivar;
- André Cordonnier - SAR Gregorius (Assistente).

190
Em 1952, após a FUDOSI ser dissolvida (1951), Cordonnier retorna à França.
Depois de ficar em Paris por um curto período de tempo, ele tornou-de o padre
católico de uma pequena paróquia no rio Loire. Após sua morte, em 1960, as
autoridades francesas descobriram a verdadeira identidade de Cordonnier...

O Conselho de Regência

Um dos principais objetivos da convenção de 1946 foi o estabelecimento de um


Conselho Supremo Martinista que seria a posição das duas ordens principais (OM&S e
OMT) e as outras duas Ordens Martinistas participantes (Sociedade de Estudos
Martinistas e União Synárquica da Polônia).
Depois da guerra, uma das poucas ordens prósperas da Europa durante a guerra,
a Ordem Martinista e Sinárquica, voltou para dentro das fileiras da FUDOSI. Vimos que
Victor Blanchard foi expulso da federação e foi substituído em todos os altos cargos. A
razão para a sua expulsão, como se viu, foi que Blanchard se auto-consagrou como o
Grão-Mestre universal de todas as outras ordens iniciáticas R+C existentes no globo!
Uma das principais questões pendentes no momento é: por que Blanchard
retornou à FUDOSI? A pergunta ainda não foi respondida (talvez ambas as partes
tivessem interesse mútuo em receber
Blanchard?)
Blanchard foi reconciliado com a FUDOSI,
mas nunca mais iria ocupar qualquer cargo
novamente (exceto, é claro, seu cargo de
Grande Mestre da OM&S), apesar do fato de
que Blanchard tinha sido um dos promotores,
fundadores e Imperators da Federação antes da
guerra.

Devido ao fato da FUDOSI não reconhecer


Jean Chaboseau como Grão-Mestre da Ordem
Martinista Tradicional, o Conselho Supremo
manteve o cargo de seu pai, Augustin
Chaboseau, vago. A ata do Conclave de 22 de
julho, que foi publicada pela AMORC, relata
sobre esta questão:

"A Convenção, depois de ouvir os relatórios dos delegados, as mensagens dos


delegados ausentes e os seus relatórios, depois de tomar opiniões e depois de
discussões regulares, decidiu:

191
1) para se manter em vacância o cargo de Terceiro Imperator da FUDOSI, que foi
administrado pelo Ilustríssimo SAR Augustinus, Grão-Mestre da Ordem Martinista
Tradicional, até a eleição de um novo Grão-Mestre desta Ordem. Nesse meio tempo
todos os poderes regulares do Grão-Mestrado serão exercidos por um Conselho de
Regência, composto por:
- SAR Puritia (França) - Jeanne Guesdon (AMORC), Secretária;
- SAR Leukos (América) – Presidente;
- SAR Renatus (Bélgica) - Rene Rossart ('cabeça' dos Martinistas belgas),
Tesoureiro.

Eles só serão qualificados para validar ou entregar cartas ou documentos para a


Ordem durante a vacância deste cargo de Grão-Mestre.

Assim é decretado, sem recurso e confirmado por nós, Imperators e membros do


Conselho Supremo da FUDOSI, em nossas sessões de 22 de julho de 1946. O texto
acima constitui a nossa declaração oficial.”

Em outras palavras, o chamado "Conselho de Regência” foi formado pelos


“cabeças” da ordem. O Conselho Interino foi a resposta da Federação para a pergunta
"quem vai suceder Augustin Charbonneau”? Ignorando o fato de que Jean Chaboseau
era (como afirmado por outras fontes) o Grão-mestre legal da OMT.

A 8ª Convenção – Agosto de 1951


A Convenção foi realizada em Bruxelas e foi de curta duração. Sar Hieronymus
(Emile Dantinne) e Sar Validivar (Ralph M. Lewis) discordaram fortemente em várias
questões principais e sobre o funcionamento e método de organização da AMORC.
Em 1946, a FUDOSI relutantemente aprovou o plano que Lewis tinha elaborado
para a difusão das lições da AMORC por meio de correspondência (embora Dantinne
tenha falado a favor do plano de Lewis em seu "Discurso de Abertura", na Convenção
de 1946).
A FUDOSI também criticou os métodos de publicidade da AMORC para angariar
novos membros. Os dignitários da FUDOSI deixaram bem claro que eles não podiam
mais aceitar os métodos de publicidade que a AMORC praticava.
Outra questão polêmica foi a questão da cremação, que a AMORC aconselhava a
seus membros, alegando que a cremação era o "rito funeral tradicional dos
Rosacruzes". Emile Dantinne protestou fortemente contra o ponto de vista da AMORC.
Dantinne, sendo um cristão, nunca se posicionou a favor da cremação e negou a
declaração da AMORC sobre a cremação ser um “costume tradicional rosacruz”!
A delegação da AMORC não quis mudar o seu ponto de vista, e quando Ralph M.
Lewis criticou um dos dignitários da FUDOSI que teve um "problema" com a admissão
de membros afro-americanos pela AMORC, a reunião terminou. A 8ª Convenção
terminou no dia 14 de agosto de 1951. O dignitário que tinha um "problema" com os
"negros" era Jean Mallinger (Sar Elgrim).

192
Este era o fim da Federação Universal de Ordens e Sociedades Iniciáticas,
FUDOSI.
Um documento oficial foi assinado pelos três Imperators, Sar Validivar (Ralph
Maxwell Lewis), Sar Hieronymus (Emile Dantinne) e Sar Elgrim (Jean Mallinger), como
o terceiro Imperator da montagem final da FUDOSI.

193
Registro dos oficiais que compareceram à reunião da FUDOSI, conclave realizado em
Bruxelas, Bélgica, de 22 a 25 de julho de 1946.

194
A FUDOFSI (1939)
Fédération Universelle des Ordres, Fraternités et Sociétés Initiatiques
(Federação Universal das Ordens, Fraternidades e Sociedades de Iniciados)

A fundação da FUDOSI em Bruxelas, em 1934, causou uma reação dentro do


mundo das Ordens e Fraternidades. A FUDOSI reivindicava ser a protetora de todas as
VERDADEIRAS Ordens e Sociedades
Iniciáticas. Assim, pode-se facilmente
imaginar a reação de todas as Ordens e
Fraternidades que não estavam
representadas na Convenção de 1934.
Especialmente Constant Chevillon - líder de
numerosas ordens e sucessor de Jean
Bricaud na Ordem Martinista de Lyon - que
não estava contente com as decisões feitas
em Bruxelas em 1934 (ver os problemas
dentro do Rito de Memphis-Misraim).

O resultado de todas estas


hostilidades deu origem à fundação da
Federação Universal de Ordens, Sociedades
e Fraternidades de Iniciação, FUDOFSI. Esta Federação era uma aliança principalmente
entre Reuben Swinburne Clymer (líder da Fraternitas Rosae Crucis) e Constant
Chevillon, líder da Ordem Martinista de Lyon.

A primeira reunião da FUDOFSI teve lugar em Paris, em fevereiro de 1939. Os


presentes: Reuben Swinburne Clymer, Alfred I, Sharp, Conde Jean de Czarnomsky,
Constant Chevillon, Henri-Charles Dupont, Henri Dubois, Raoul Fructus (ex-membro da
FUDOSI), Andre Fayolle, Nauwelaerts, Laugenier e Camille Savoir. A eles se juntaram
posteriormente Hans Rudolf Hilfiker-Dunn (herdeiro de Reuss) e Arnold Krumm-Heller.
Chevillon consagra na ocasião Krumm-Heller como um bispo da EGU.

A FUDOFSI foi principalmente criada para agir contra Harvey Spencer Lewis. Esta
afirmação é confirmada em uma carta, escrita por Clymer, ao destinatário Chevillon
(datada de 12/12/1935). Chevillon nomeou Clymer como “Comandante dos Cavaleiros
da Ordem do Santo Graal”, da França.

Por que razão eles atacavam Harvey Spencer Lewis? Um dos objetivos da
FUDOFSI era "limpar o mundo oculto", leia-se: "agir como uma força de oposição" para
a FUDOSI de Dantinne, Blanchard e Lewis. Especialmente Lewis, poderíamos
acrescentar. Após o Cisma dentro do Rito Memphis-Misraim, Chevillon procurou uma
aliança com os inimigos de seus oponentes.

Os ataques da FUDOFSI foram concentrados principalmente sobre Harvey


Spencer Lewis.

195
Aos olhos dos seus adversários Lewis tinha quebrado com a "Tradição" em vários
pontos: Lewis criou um "novo sistema" de Iniciação, que incluiu um "curso de
correspondência no lar" (lições pelo correio) e “Iniciações de Sanctum”; membros da
AMORC tinham que pagar "assinatura de taxas"; o avanço rápido dos seus membros
através dos graus; a AMORC começou a publicar e vender livros sobre misticismo; as
campanhas de publicidade para atrair novos membros, etc., etc.

No início do século 20, com as ordens tradicionais ainda reunidas em Lojas, onde
os membros recebiam as instruções diretamente de um mestre, este sistema recém-
criado pela AMORC foi encarado como uma "blasfêmia". Entretanto o sistema AMORC
de ensino combinado com as campanhas de publicidade provou ser bem sucedido
porque atraiu uma grande quantidade de novos membros (pagantes). Desta forma, a
AMORC tornou-se uma das principais ordens iniciáticas dos anos trinta com Grandes
Lojas em todo o mundo. Além disso, este tipo de "gestão" provou ser um sucesso
financeiro... Financeiramente, AMORC era, e ainda é, a ordem mística mais rica do
planeta.

Ao lado do "sucesso" da AMORC, as reivindicações feitas pelos Lewis,


especialmente em relação à autoridade que lhe foi dada pela "Ordem Rosacruz
Francesa" e um certo E.L.A.M.M. Massananda Khan, foram recebidas com uma mistura
de sentimentos. Para encurtar uma longa história, a AMORC foi encarada como “um
negócio e uma fraude”! Especialmente pelos membros da... FUDOFSI.
August Reichel, deixou a FUDOSI em 1935 e se juntou a FUDOFSI. Não se sabe
muito sobre a FUDOFSI, porque logo após a primeira reunião, em 1939, a Europa
entrou em guerra... Em 1944 Constant Chevillon foi morto pela Gestapo. O sonho
acabou...
A Organização de Chevillon e Clymer “existia principalmente no papel e não foi
tão bem sucedida quanto a própria FUDOSI, principalmente porque Clymer não tinha
os recursos que a AMORC colocou à disposição da FUDOSI. Além disso, o início das
hostilidades na Europa impediram o desenvolvimento dos esforços de Clymer” (fonte:
Trophimus "Um Tesouro Martinista").

As seguintes Ordens e Sociedades foram representadas na Convenção em 1939:


1 – A Ordem Martinista-Martinezista de Lyon;
2 – A Igreja Gnóstica Universal;
3 – A Ordem dos Cavaleiros Masons Elus Cohen do
Universo;
4 – O Antigo e Primitivo Rito de Mênfis-Mizraim;
5 – A Ordem do Santo Graal;
6 – A Ordo Templi Orientis (Suíça);
7 – A Fraternitas Rosicruciana Antiqua;
8 – A Fraternitas Rosae Crucis;
9 – A Ordem Kabalística da Rosa+Cruz (diferente linhagem);
10 – O Rito Escocês Retificado;
11 – A Fraternidade dos Irmãos Iluminados da Rosa+Croix.

196
As organizações listadas acima são algumas das Ordens mais conhecidas que
participaram na FUDOFSI.
Embora a FUDOFSI tenha deixado de existir durante a Segunda Guerra Mundial,
e não foi restabelecida após a guerra, alguns dos ex-membros se contataram em 1947
e estabeleceram uma continuação da FUDOFSI.

"Hans-Rudolf Hilfiker tornou-se ativo novamente em 1947, quando em conjunto


com Swinburne Clymer (1878-1966), ele tentou criar uma aliança mundial de Ordens
Rosacruzes. Isto foi particularmente bem sucedido no Rio de Janeiro, onde Clymer
fundiu sua organização com Krumm-Heller. Hilfiker e Clymer realmente se conheceram
em 7 de maio de 1947, e também em 5 de junho de 1948 em Zurique, Suíça, no hotel
"Baur-au-lac".

Constant Chevillon Contra a FUDOSI

Pudemos ver que as decisões e retificações efetuadas relativas ao Antigo e


Primitivo Rito de Memphis-Misraim tiveram um impacto negativo sobre a Maçonaria
internacional e a comunidade esotérica, especialmente no Rito Memphis-Mizraim90.
Para entender a oposição contra o Memphis-Mizraim na Convenção de 1934, temos de
estudar os desenvolvimentos dentro do Rito Memphis-Mizraim da Bélgica na época.
Muitos dos membros do Alto Conselho, incluindo o “Grande Hierofante Invisível”
(Rombauts), eram membros do ramo belga do Rito.

A história começa em 1912, quando Armando Rombauts (1881-1947) foi


contatado por Papus (um dos fundadores da Ordem Martinista de 1884) para
estabelecer uma Loja Martinista na Bélgica. Rombauts fundou a Grande Loja Nacional
da Bélgica, que foi nomeada “Loja INRI”. Rombauts também havia sido iniciado no Rito
Memphis-Misraim por Papus (outras fontes dizem-nos que o iniciador foi um
holandês).

Em 1918 se tornou o delegado oficial da Ordem Martinista na Bélgica. Ele


também foi iniciado (2) para o mais alto grau (90º) do Rito de Memphis-Misraim pelo
Grão-Mestre da França, Jean Bricaud. Em 1931, Rombauts recebeu uma Carta para
estabelecer um ramo da Ordem de Pitágoras. Este ramo não pertencia à outra Ordem
de Pitágoras existente na Bélgica, que foi fundada por François Soetewey e Emille
Dantinne, em 1927 (O.H.T.M.), embora ambos os ramos começaram depois a trabalhar
conjuntamente em uma base fraterna. A Ordem de Rombauts começou a aceitar
mulheres em suas lojas e começaram a estabelecer lojas em várias cidades (Antuérpia,
Bruxelas, Liège). Estes desenvolvimentos não tiveram a aprovação de Bricaud. As
ordens belgas, que foram lideradas por Rombauts, pertenciam à obediência francesa
de Bricaud.

O acima indicado significa que as Lojas belgas não eram "soberanas", portanto,
não podiam estabelecer as suas próprias Lojas. A Ordem belga de Memphis-Misraim
pertencia à jurisdição francesa e não tinha autoridade alguma. Certa vez Rombauts
90
http://www.sovereignsanctuary.org/index.html

197
pediu a permissão de Bricaud para o estabelecimento de uma jurisdição belga, mas
Bricaud se recusou a fornecer. A filial belga começou então a entrar em contato com
outras lojas M.'. M.'. que Bricaud não reconheceu como Grão-Mestre do rito. Entre as
pessoas que foram contatadas estavam Raoul Fructus, Hans Grueter (Grão-Mestre
AMORC França), George de Lagreze (Grão-Mestre O.H.T.M., França), etc. Quando Jean
Mallinger solicitou a Rombauts corrigir os rituais, Bricaud foi forçado a intervir.

Em 1933 as Lojas belgas não foram reconhecidas oficialmente mais como Lojas
“regulares” do Antigo e Primitivo Rito de Memphis-Mizraim pela obediência francêsa.

As Lojas belgas começaram a trabalhar com Lojas dos Estados Unidos e da


América do Sul. Nesta parte da história foi estabelecido o contato entre Jean Mallinger
e Spencer Lewis. Oficialmente afirma-se que um historiador belga, François Wittemans
(3), tinha aconselhado Mallinger a entrar em contato com Spencer Lewis. Em 11 de
janeiro de 1933 Jean Mallinger escreveu uma carta para Lewis sobre uma possível
colaboração entre a AMORC e as ordens belgas.

Toda a história resultou em um Rito de Memphis-Misraim belga indepente ainda


existente hoje.

O cisma resultou em uma Ordem Internacional ao lado do original Rito M.'. M.'.
do Grão Mestre Jean Bricaud. George Lagreze e Hans Grueter tornaram-se os Grandes
Mestres na França, Troilo na Argentina e Constantin Platounoff na Bélgica. Foi este
grupo de Lojas, sob a orientação e liderança de Emille Dantinne (Dantinne não estava
envolvido nas atividades M.'. M.'.), que formariam a FUDOSI em 1934. Um dos
objetivos da Convenção M.'. M.'. (1934) foi "O Retorno à fonte fundamental do Rito de
Misraim". A obediência francêsa, ao qual a filial belga pertenceu até 1933, trabalhou o
sistema de John Yarker, oficialmente chamado de "O Rito Antigo e Primitivo da
Maçonaria”. O sistema de Yarker trabalhava 33 graus, divididos em 3 seções,
abraçando a Maçonaria Moderna, a da Cavalaria e a Egípcia. Na verdade, o sistema
comprimiu os rituais dos 90 graus de trabalho do Rito de Memphis em 30 Rituais. É
preciso compreender que o sistema original necessitava da “fortuna de um reino” para
levar adiante um Rito de 90 graus com o necessário esplendor. E isso tem sido uma das
principais razões que durante o século 19, em várias cidades em toda a Europa, o Rito
original foi abandonado. Abandonado por causa de dificuldades financeiras...

Os irmãos belgas afirmaram que a obediência francesa era um órgão que


representava o Rito de Memphis, em vez do Memphis-Misraim. Eles declararam que
eles encontraram "documentação antiga" a partir do ano de 1818 do Rito original de
Misraim e consideravam que era o momento certo para uma renovação completa do
Rito. Uma renovação de acordo com a intenção original das fontes do Rito. De acordo
com a FUDOSI esta seria uma "Renovação Rosacruz", realizada pelo Primeiro
Imperator da Ordem Rosacruz, Harvey Spencer Lewis. Em cartas e artigos escritos por
Jean Mallinger, Spencer Lewis etc. (4), a argumentação em favor de uma fundação
Rosacruz do Rito de Memphis-Misraim foi usada para "legalizar" as retificações do Rito
M.'. M.'. .

198
De acordo com Spencer Lewis, em um artigo chamado "Verdadeiro Misticismo",
os Rosacruzes eram descendentes dos essênios, que "criaram" e conservaram os
mistérios cristãos originais, coadjuvado pelos adeptos da Grande Fraternidade Branca
e (mais tarde) pelos Templários. Todos os Adeptos pertenciam ao antigo Rito de
Memphis-Misraim...

A Grande Loja Internacional, a obediência francesa, protestou fortemente contra


estes desenvolvimentos.

Existe um documento muito interessante, escrito por Constant Chevillon (Grão-


Mestre da M.'. M.'. original, após a morte de Bricaud em 1934) que data 01 de março
de 1936, em Paris, descrevendo os acontecimentos de toda a história. O documento
foi enviado a todas as lojas M.'. M.'. ao redor do mundo, informando-as que tinha
acontecido dentro das Lojas M.'. M.'. belgas ao longo dos últimos anos. De especial
interesse é a opinião de Chevillon sobre o Dr. H. S. Lewis e a FUDOSI. Eu traduzi alguns
trechos do documento:

De Ordem M.'. A.y.P. de Memphis-Misraim França


Saudações em Todas as Pontas do Triângulo
Com respeito ao pedido
A todos os M.'. cumprimentos na parte dos três pontos de sabedoria, poder e beleza!

"O senhor Rombauts iniciou o advogado Mallinger, que não é membro da


Ordem, sem qualquer autoridade. Em poucos meses ele foi iniciado nos graus mais
altos. Jean Bricaud, Grão-Mestre do mais alto santuário, opôs por escrito contra esses
acontecimentos na filial belga. Rombauts não respondeu! Juntamente com Mallinger
ele tentou estabelecer uma Ordem independente e autônoma. Eles retificaram os
ritos, iniciaram homens e mulheres nos mais altos graus. Eles criaram graus
suplementares, 98º e 99º, e elevaram o total da quantidade de notas com os graus 96
e 97".

"Um dos visitantes que participou desta convenção era o Imperator da AMORC,
H. S. Lewis de San José, Califórnia. Spencer Lewis foi iniciado na Alemanha em 1921 (5)
no Grau 95 por Reuss-Peregrinus. Spencer Lewis afirmou ser o Grão-Mestre da Grande
Fraternidade Branca do Tibet sob o nome de Sri-Sobbhita-Bikkhu. Lewis deu a
Rombauts o título de Grande Hierofante (Grau 99º) sob o nome de OR-ZAM. Desta
forma Rombauts tornou-se Grão-Mestre da Bélgica, e o que ainda é mais peculiar: a
Rombauts foi dado o nome Rombauts-OR-ZAM-PHANAR, e Phanar foi realocado na
Ordem no Supremo Santuário da Bélgica (como se pode ler na revista 'Adonhiram',
publicada por Jean Mallinger)".

"A Convenção instalou também um Grande Hierofante do Grau 98, H. Troilo,


Grão-Mestre da Grande Loja em Santa Fé, Argentina. A Grande Loja de Santa Fé tem
escrito para nós que eles receberam uma carta na qual estava escrito que os membros
da ordem da Bélgica declararam-se ser iniciados no grau 97 após a morte de Garibaldi
(6), e, portanto, não foram reconhecidos.

199
Em seguida, eles criaram o seu próprio Santuário Ilegal na Europa, Suíça, Índia e
China, que nunca realmente funcionou. Após, eles organizaram uma convenção
internacional em Bruxelas, em agosto de 1934, para estabelecer uma organização
universal. O principal objetivo desta organização é o de condenar outros santuários,
especialmente o Santuário da França. Isso aconteceu, é claro, sem a autorização do
"Antigo e Primitivo Rito da Maçonaria”!

A "autorização oficial" foi dada por H. S. Lewis, como Sri-Sobbhita-Bikkhu!

Por causa da "Tradição", proclamada pela Ordem, Lewis foi "autorizado" por
intermédio do Secretário Internacional para dar carta patente das iniciações da
Ordem. A Carta foi declarada como "Urbi et Orbi" da Ordem!

Mas a famosa Grande Fraternidade Branca do Tibete é desconhecida dentro da


Maçonaria, e, portanto, não tem jurisdição dentro das Lojas M.'. M.'. ..."

"A comunidade maçônica reagiu imediatamente. Incidentes se seguiram. Os


irmãos que pediram uma explicação sobre a retificação do Rito, nunca receberam uma
resposta." Documentos “Oficiais” desapareceram e várias revistas e jornais revelaram
histórias sensacionais. A Carta institucional da Grande Fraternidade Branca foi
ridicularizada em público e uma declaração oficial pronunciou que as cartas patentes
da Grande Fraternidade Branca, não tem qualquer autorização de ofício ou valor
histórico. E assim a chamada "autoridade" de Bruxelas foi embora..."

"Na sequência destes acontecimentos, Rombauts se retirou sem fazer uso da


certificação falsa de H. S. Lewis, deixando a ordem no caos. Ele ainda chama-se o
"Grande Hierofante Invisível" da Ordem, com seu associado Jean Mallinger como Grão-
Mestre da Bélgica. H. S. Lewis, que tentou destruir a carta, ainda retratou-se como a
"autoridade mundial" do Grande Santuário Alden sob a proteção da FUDOSI".

"O Maior Santuário de França respondeu rapidamente:

- Um retorno de todas as Lojas em causa para a tradição da Ordem. As notas


complementares são "ilegais" e, portanto, não são reconhecidas! Todos os membros
da Grande Loja do grupo "Belga" são expulsos da Ordem (Rombauts, Mallinger,
Grueter, Lagreze, etc). A comissão permanente da Ordem autorizou as decisões
tomadas na França. Finalmente, a portas da Loja 'Os Discípulos de Pitágoras' foi
permanentemente fechada em 5 de Setembro de 1933, e sua Carta de funcionamento
retirada."

O documento foi assinado:


Paris, 01 de março de 1936, EV
EL S.G.M.G. Constant Chevillon
EL G. Adm. G. Chnc. Henry Dupont

200
Como afirmado anteriormente, todo o assunto resultou no estabelecimento de
uma Nova Ordem Internacional que representa o Rito de Memphis-Misraim, ao lado
da Ordem "Oficial" representada por Bricaud, e após sua morte, Constant Chevillon.

A oposição do Rito M.'. M.'. regular contra as decisões tomadas na Convenção de


1934 resultaram na expulsão da FUDOSI das Ordens M.'. M.'. representadas na
convenção: Ordem Maçônica Oriental de Memphis-Mizraim da Estrita Observância e a
Ordem Mista de Memphis-Mizraim.

Os três Imperators da FUDOSI (Lewis, Dantinne, Blanchard) tomaram essa


decisão em 01 de agosto de 1935.

Em 1935, August Reichel (AMORC Suíça, Confraria dos Irmãos Iluminados da


Rosa+Cruz, e delegado da Associação Alquímica da França) decidiu deixar a FUDOSI.
Reichel decidiu trabalhar no âmbito das Ordens de Lyon, encabeçada por Constant
Chevillon (a Ordem Martinista-Martinezista de Lyon, a Igreja Gnóstica Universal, a
Ordem dos Cavaleiro Masons Elus Cohen do Universo, o Antigo e Primitivo Rito de
Mênfis Mizraim). A fundação da FUDOSI, fotografada em público como "os protetores
das autênticas sociedades e ordens iniciáticas", fez com que as outras sociedades
reagissem. Isso resultou na fundação da FUDOFSI (Federação Universelle de Ordres,
Fraternites et Sociedades Iniciática), "dirigida" por Constant Chevillon.

O conflito interior entre legalistas e republicanos dentro das Ordens Esotéricas e


Sociedades (incl. Maçonaria) começou antes da Revolução Francesa.

Como mencionado anteriormente, Emille Dantinne foi o sucessor de Josephin


Peladan, o co-fundador da Ordem Kabalística da Rosa+Cruz em 1888. Peladan foi
forçado a deixar a Ordem, depois que ele fundou a “Ordem da Rose+Croix Católica e
Estética do Templo e do Graal”. Ao lado das diferenças de opinião, que se pode
encontrar em qualquer biografia de Peladan, entre Peladan, Stanislas de Guaita e,
especialmente, Papus, Peladan era também um católico convicto e forte defensor da
Igreja Católica. Sua lealdade à Igreja Católica deu-lhe muito crédito pela Igreja. Seus
escritos e sua Ordem não foram condenados pela Igreja, ao contrário da Ordem
Cabalística da Rosa-Cruz e personalidades como Papus. Aqui encontramos o mesmo
contraste que podemos encontrar cerca de 50 anos mais tarde, entre Constante
Chevillon e a FUDOSI.

As diferenças entre Josephin Peladan e a Ordem Cabalística da Rosa-Cruz


resultou na famosa "Guerra das Rosas". Cinquenta anos mais tarde as diferenças entre
Chevillon e a FUDOSI resultaria na fundação da FUDOFSI. Como dito antes a FUDOFSI
foi criada em defesa das Ordens de Lyon e das outras sociedades que não estavam
envolvidas com a FUDOSI.

201
FUDOFSI - Biografias

Quem é quem na FUDOFSI? Quem eram as figuras de destaque dentro da


organização? De onde eles vieram? Que ordens que eles representam? Por que razão
eles atacavam Harvey Spencer Lewis?

Como já vimos, um dos objetivos da FUDOFSI era "Limpar o Mundo Oculto", leia-
se: "agir como uma força de oposição" para a FUDOSI de Dantinne, Blanchard e Lewis.
Especialmente Lewis, poderíamos acrescentar (esta afirmação é confirmada em uma
carta, escrita por Clymer, ao destinatário Chevillon, datada de 12/12/1935). Após a
Cisma dentro do Rito Memphis-Misraim, Chevillon procurou uma aliança com os
inimigos de seus oponentes.

Os ataques da FUDOFSI foram concentrados principalmente sobre Harvey


Spencer Lewis.

Aos olhos dos seus adversários Lewis tinha quebrado com a "Tradição" em vários
pontos: Lewis criou um "novo sistema" de Iniciação, que incluiu um "curso de
correspondência no lar" (lições pelo correio) e “Iniciações de Sanctum”; Membros da
AMORC tinham que pagar "taxas de assinatura"; O avanço rápido dos seus membros
através dos graus; A AMORC começou a publicar e vender livros sobre misticismo; As
campanhas de publicidade para atrair novos membros, etc, etc.

No início do século 20, com as ordens tradicionais ainda reunidas em Lojas, onde
os membros recebiam as instruções diretamente do mestre, este sistema recém-criado
pela AMORC foi encarado como uma "blasfêmia". Entretanto o sistema AMORC de
ensino combinado com as campanhas de publicidade provou ser bem sucedido porque
atraíram uma grande quantidade de novos membros (pagantes). Desta forma, a
AMORC tornou-se uma das principais ordens iniciáticas dos anos trinta, com Grandes
Lojas em todo o mundo. Além disso, este tipo de "gestão" provou ser um sucesso
financeiro... Financeiramente, AMORC era, e ainda é, a Ordem mística mais rica do
planeta.

Ao lado do "sucesso" da AMORC, as reivindicações feitas pelos Lewis,


especialmente em relação à autoridade que lhe foi dada pela "Ordem Rosacruz
Francesa" e um certo Bispo E.L.A.M.M. Massananda Khan (ver carta de Chevillon),
foram recebidas com uma mistura de sentimentos. Para encurtar uma longa história, a
AMORC foi encarada como "um negócio" e uma fraude! Especialmente pelos membros
da... FUDOFSI.

Principais personagens

202
Constant Chevillon (1880- 1944)

Profundo pensador e incansável trabalhador, dividindo seu tempo entre Paris e


Lyon, sucessor de Jean Bricaud, chefe das "Ordens
de Lyon". As Ordens mais conhecidas e prolíficas
chefiadas por Chevillon foram:
- O Antigo e Primitivo Rito de Mênfis Misraim;
- Ordem dos Cavaleiros Masons Elus Cohen do
Universo;

Esta última é mais conhecida como Ordem


Martinista de Lyon ou Ordem Martinista-
Martinezista de Lyon.

É preciso compreender que, antes da fundação


da Ordem Martinista em 1891, por Papus e
Chaboseau, o nome "Martinista" designava os
discípulos de Martinez de Pasqually, que era então o
Martinismo de Lyon, descendendo dos Elus Cohen
de Willermoz, ou o Martinismo Russo, ramo dos Elus Cohen estabelecido na Rússia.

Contudo, no final do século 19, Papus criou, na companhia de Augustin


Chaboseau, uma Ordem Martinista cujo objetivo essencial foi o estudo das obras de
Louis Claude de St. Martin, o Filósofo Desconhecido (“Philosophe Inconnu"), de onde,
hoje, existe a confusão entre Martinistas e Elus Cohen. Depois, Papus tornou-se Grão-
Mestre da M:.M:., desenvolvendo ao mesmo tempo a sua Ordem Martinista. Com a
morte de Papus, seu sucessor, Téder, iniciado no Martinismo de Lyon (Elus Cohen),
planejou reformar a Ordem Martinista de Papus, mas a morte o impediu de realizar
seu plano.

Jean Bricaud lhe sucedeu, retomando a ideia de reforma, presidindo a Ordem


Martinista de Lyon e de Papus, a Sociedade Ocultista International (SOI), onde se
reagruparam todos os profanos, reservando a Ordem dos Elus Cohen (Martinista de
Lyon) para maçons de altos graus. Com a morte de Bricaud, C. Chevillon pegou a tocha
e definitivamente cortou a relação entre o Rito de Memphis Misraim e os Elus Cohen
de um lado, e a SOI da outra parte, da qual ele nomeou Mme. Bricaud como
presidente".

Chevillon foi também Patriarca da Igreja Gnóstica Universal.

Oficialmente afirma-se que Chevillon foi assassinado pela Gestapo, autorizada


pelo regime de Vichy. Seus executores eram membros do Partido Popular Francês e o
MSR, grupos de colaboradores franceses aos nazistas.

Algumas das obras escritas por ele:


- "Du Neant a L'etre" - 1942;
- "Et Verbum caro factum est" - 1944;

203
- "La tradition Universelle" - 1946 re-edição;
- "Reflexion sur le temple social" - 1936 etc.

Em "Reflexion sur le temple social", Chevillon descreve sua "Utopia". Chevillon


era um socialista no coração. Sua Utopia poderia, portanto, ser descrita como um
mundo de socialismo espiritual. O livro reflete sua devoção a um conceito político que
vem do interior. Um conceito que foi também encontrado na base dos ensinamentos
do Antigo e Primitivo Rito de Memphis-Misraim, do qual Chevillon era Grão-Mestre.
Historicamente o H:. M:. sempre foi um oásis para pensadores progressistas e filósofos
socialistas, ou como os franceses descreveram-no, um "enclave reacionário"...
Chevillon foi sucedido por Charles-Henry Dupont. Dupont decidiu, em 12 de dezembro
de 1958 que a Ordem Martinista de Lyon deveria se fundir com a Federação das
Ordens Martinistas, uma federação fundada por Philippe Encausse (filho de Papus)
cujo objetivo era o de reunir todas as Ordens Martinistas.

Reuben Swinburne Clymer (1878 - 1966)


Fundador da Fraternitas Rosae Crucis91,
criada por volta de 1920. Ele alegou estar
representando a Irmandade de EULIS, fundada por
Pascal Beverly Randolph (1825-1875), o primeiro
movimento R+C americano (1). Sua reivindicação
de ser o herdeiro da linhagem de Randolph foi
"invalidada", por quaisquer documentos que
Clymer reivindicava ter a posse, pois ele
certamente recebê-los de si mesmo (é afirmado
por algumas fontes que os documentos que ele
"recebeu" foram comprados por ele da viúva de
Randolph). Clymer também foi iniciado (S.I.) na
Ordem Martinista de Papus por Margaret Peeke,
General-Inspetor para os Estados Unidos. No
entanto, ele nunca foi realmente abertamente
filiado à Ordem Martinista.

"Clymer dedicou muito esforço e trabalho para caluniar e atacar o fundador da


AMORC. Eles acusaram-se mutuamente de ensinar "magia sexual". As intrigas Clymer-
Lewis são muito complexas, e aumentaram para envolver outros grupos como a
Fraternidade Rosacruz de Max Heindel e o SRIA de G. W. Plummer. O caso todo
culminou em vários processos judiciais, que Clymer perdeu".

91
http://fraternitasrosaecrucis.org/
http://www.soul.org/

204
Pode-se facilmente compreender porque Clymer queria cooperar com a FUDOFSI
de Chevillon. Como mencionado anteriormente, a FUDOFSI foi estabelecida
principalmente aos olhos de Clymer para agir contra Harvey Spencer Lewis. Após a
Segunda Guerra Mundial, Clymer tentou criar uma "Aliança Mundial das Ordens
Rosacruzes". A aliança foi particularmente bem sucedida no Brasil, onde Clymer fundiu
sua organização com a de Krumm-Heller (Fraternitas Rosicruciana Antiqua). Reuben
Swinburne Clymer morreu em 1966, e foi sucedido por seu filho Emerson. Hoje, a
Ordem é liderada por Gerald E. Poesnecker. A sede da FRC está localizada em
Quakertown, Pennsylvania. As sociedades ocultas que compõem a FRC no momento
são:
 O Sacerdócio de Aeth;
 Ordem Rosacruz;
 As Escolas Secretas;
 A Irmandade Hermética;
 Fraternitas Rosae Crucis;
 Templo da Rosacruz;
 A Ordem dos Magi;
 Filhos de Ísis e Osíris;
 Illuminatae Americanae.

Algumas das obras de Reuben Swinburne


Clymer:
- O Livro de Rosicruciae, em 3 volumes;
- Antiga Maçonaria Mística Oriental;
- Um Compêndio de Leis Ocultas;
- O Mistério de Osíris (The Mystery of Osiris);
- A Filosofia do Fogo (The Philosophy of Fire);
- Dr. Randolph e a Suprema Grande Cúpula da R+C na França;
- A Fraternidade Rosacruz na América (The Rosicrucian Fraternity in America), em
2 volumes (o vol. 1 tem 463 páginas e o vol. 2 tem 959 páginas), incluindo um monte
de material (e acusações documentadas) contra a AMORC.

205
Em “A Fraternidade Rosacruz na América” (Rosicrucian Fraternity in America), de
Reuben Swinburne Clymer, pág.

206
Em “A Fraternidade Rosacruz na América” (Rosicrucian Fraternity in America), de
Reuben Swinburne Clymer, pág.

207
Em “A Fraternidade Rosacruz na América” (Rosicrucian Fraternity in America), de
Reuben Swinburne Clymer, pág. 365

208
Em “A Fraternidade Rosacruz na América” (Rosicrucian Fraternity in America), de
Reuben Swinburne Clymer, pág. 285. Harvey Spencer Lewis foi iniciado na Ordem
Soberana Militar do Templo em 1933.

209
Arnold Krumm-Heller (1879-1949)

Krumm-Heller era um homem cosmopolita


que viajou por todo o globo. O teósofo alemão e
homeopata Arnold Krumm-Heller recebeu uma
Carta de Theodor Reuss no congresso esotérico de
Paris em 1908, para estabelecer a OTO na América
do Sul, onde Krumm-Heller vivia na época. Krumm
foi um membro da Sociedade Teosófica, onde foi
pessoalmente iniciado por Henry Steel Olcott, em
1897. Em setembro de 1902 ele tornou-se um
"Membro Honorário" dos “Iniciados do Tibete” em
Washington DC. Ele conheceu Papus em 1906, que
fez dele um "Membro Honorário" do "Supreme
Conseil D'iniciação, Ordre Humanitaire Et
Scientifique Pour Le Developement des Etudes
Esoterique de L'orient”. Ele também foi iniciado na
Ordem Martinista na Loja "Hermanubis". Ele
também recebeu sua iniciação para a 90º e 95º grau do Rito de Memphis-Mizraim de
Reuss e Heinrich Klein.

Por volta dessa época (1908), ele teve contato com a famosa Fraternidade
Hermética da Luz/Luxor, de Max Theon, Peter Davidson e Thomas H. Burgoyne. Após
as iniciações que recebeu, ele começou a espalhar o
movimento Martinista em toda América do Sul, sob a
autoridade do Papus. Quando Reuss morreu em 1923, a
OTO foi deixado sem um sucessor. Apesar de Aleister
Crowley afirmar ser o novo OHO (pouco antes de Reuss
morrer, Crowley escreveu a Reuss que a OTO foi tomado
por ele, ele declarou-se como o novo OHO, assinando com
seu Nomen Mysticum "Baphomet"). Na realidade, no
momento da morte de Reuss foi o seguinte: "No momento
da morte de Reuss em 28 de Outubro de 1923, existiam
apenas duas pessoas no interior da Ordo Templi Orientis
que realmente receberam a 10ª Série, o grau de Rex
Summus Sanctissimus ou Supremus Rex, o grau para todos
os Grandes Mestres Nacionais da OTO. Estas pessoas eram:
- Hans Rudolf Hilfiker-Dunn;
- Arnoldo Krumm Heller.

Hilfiker, o 'herdeiro' de Reuss, nunca reivindicou o OHO. Krumm-Heller


unicamente reivindicou o OHO da FRA. Em 1927, Krumm fundou a Fraternitas
Rosicruciana Antiqua (a Ordem trabalha com um sistema de 7 graus). Todas as ordens
reconhecidas de Krumm-Heller estão concentradas sobre países de língua espanhola e
portuguesa. A maioria das reinvindicações de uma linhagem para Krumm podem ser
encontradas na América do Sul. "Após a morte de Reuss, o Dr. Krumm-Heller (ele
realmente foi um médico, estudou medicina no México) foi associado com Crowley,

210
entre outros, embora Krumm-Heller considerava-se como o verdadeiro sucessor de
Reuss". Na época, ele inicialmente deu autoridade a H. Spencer Lewis para operar a
FRA nos EUA. No entanto, mais tarde, ele cortou seus laços com Lewis, porque veio a
acreditar que AMORC estava sendo operada como um negócio, e não como uma
fraternidade. Mais tarde, ele estabeleceu laços com Clymer da FRC e participou da
FUDOFSI. Durante a Segunda Guerra Mundial, Krumm foi preso na Alemanha. Em 1949
ele morreu, sem nomear um sucessor. Os diferentes ramos da FRA foram
desenvolvidos separadamente sob a liderança dos Grandes Mestres de cada país. Vãs
tentativas para recolher a Ordem foram feitas por seu filho, Parsival Krumm-Heller e
também Metzger (filial suíça da OTO). Muitas ordens sobreviveram, especialmente na
América do Sul. Na Europa há alguns ramos “não autorizados”, ainda hoje existentes.
Em 1937, Eduard Münninger (1901-1965) dirigiu uma Ordem chamada Fraternitas
Crucis Áustria. Após a morte de Krumm, entre outras coisas, ele afirmou ser o sucessor
de Krumm-Heller. Martin Erler aconselhou Münninger para 'nomear' sua compilação
de ordens sob o título de AAORRAC (Antiquus Arcanus Ordo Rosae Rubeae et Aureae
Crucis), o mesmo nome que foi usado por Reuss e Krumm-Heller nos anos vinte, e que
também foi usado por Lewis para o seu fim. Na realidade, toda a Ordem foi uma
invenção de Münninger, e pertencia ao ramo alemão da AMORC no momento (2), sob
a liderança de Martin Erler (Erler afirmava ser o sucessor de Emille Dantinne).
Münninger morre em 1965. A AAORRAC ainda está ativa até hoje, mas a organização
não é reconhecida por Erler e pelo filho de Münninger, que herdou a AAORRAC. Karl
Plank, que lidera a Ordem hoje, trabalha com um sistema que é uma mistura entre os
ensinamentos da AMORC e da OTO...

Hans-Rudolf Hilfiker-Dunn (1882-1955)


Em 24 de outubro de 1917 foi fundada a Loja "Libertas et Fraternitas", da Ordo
Templi Orientis, em Zurique (Suíça), sob Reuss e Laban. Alguns dias antes Laban e
Hilfiker tinham pago caro a Reuss por suas próprias cartas constitutivas da OTO.
Nesses papéis a OTO foi igualado com o Rito de Memphis-Mizraim. Em 1919 Reuss
fundou um Supreme Council Of The Cerneau Scottish Rite para a Suíça, Hilfiker foi feito
um oficial do Conselho. Em 12 de maio de 1920 Hilfiker foi feito 33º, 90º, 95º (M.'.
M.'.) por Johnny Bricaud. Após Reuss morrer em 1923, todas as suas cartas e
documentos oficiais foram para seu sucessor, Hans-Rudolf Hilfiker-Dunn. Como vimos
antes, Hilfiker nunca reivindicou a posição de "Cabeça Externa da Ordem" (OHO). Em
1936, ele escreveu em uma carta a Chevillon: "Apesar de Tränker proclamar-se OHO...
a OTO morreu juntamente com Reuss".

Em 1939 Hilfiker participou da FUDOFSI. Após a Segunda Grande Guerra a


FUDOFSI não teve continuidade devido à morte trágica de quem lhe tinha
impulsionado com força, Constant Chevillon. Mas Hilfiker queria continuar a idéia da
FUDOFSI tentando criar uma Aliança Mundial das Ordens Rosacruzes, juntamente com
Swinburne Clymer da FRC. A ideia tornou-se bastante bem sucedida na América do Sul,
particularmente no Brasil, onde a FRC se fundiu com o FRA de Krumm-Heller. Hilfiker
morreu em 1955.

211
August Reichel
August Reichel foi Grão-Mestre de uma ordem obscura chamada a Confraria dos
Irmãos Iluminados da Rosa+Cruz e um discípulo fiel de Jollivet-Castelot, que dirigiu a
Associação Alquímica da França. Reichel estava envolvido em várias ordens
continentais, e era um amigo próximo de Theodor Reuss (OTO). Em 1934, ele
representou a AMORC como Grão-Mestre para a Suíça (substituindo Edouard
Bertholet) no primeiro congresso da FUDOSI em 1934. Ele também representou a
Confraria dos Irmãos Iluminados da Rosa+Cruz, a Ordem dos Samaritanos Incógnitos e
a Associação Alquímica da França no mesmo congresso. Ele também foi escolhido em
Bruxelas, como um membro do Conselho Soberano para o Antigo e Primitivo Rito de
Memphis-Mizraim, e recebeu o grau 33 e 90 do mesmo Rito. Como vimos, as decisões
tomadas em Bruxelas relativas ao Rito de M.'. M.'. foram anuladas pela obediência da
França, liderada por Chevillon. Reichel tentou negociar com Chevillon, mas não teve
êxito. Ele então decidiu romper seu relacionamento com a FUDOSI e se juntou à
oposição em Paris e Lyon...

Jan Korwin Czarnomski / Conde Jean de Czarnomsky


Czarnomsky representou os Martinistas da Polônia, Grécia e Madagascar. Em
1935 foi feito 90º e 95º do Rito de Memphis-Misraim em Varsóvia para a Loja Nº 16 "A
Pirâmide do Norte no Vale do Vístula", e o Capítulo Rosacruz Nº 3, "O Pelicano da
Aurora Nascente", e manteve esses cargos até que estas lojas foram fechadas. Em
1937, ele criou um desdobramento do grupo anti-semita austríaco da Liga Mundial dos
Illuminati em Varsóvia, já em 1938 estas lojas foram fechadas. Em 1939, ele tornou-se
ativo nas fileiras da FUDOFSI. Ele chamou Krumm-Heller, Hilfiker e outros para se
juntar a ele. Jan Czarnomski foi assassinado pela Gestapo em 25 de junho de 1944,
dois meses após Chevillon.

Camille Savoir
Savoir era um amigo próximo de Constant Chevillon e um (famoso) maçom.
Dirigiu (e renovou) o Rito Escocês Retificado. O RER foi o Rito Maçônico que foi
incorporado à Ordem Martinista de Lyon. Savoir também estava envolvido no
desenvolvimento da GLNF (Grande Loja Nacional Francesa) em 1913 e o "Grande
Priorado de Gaules", fundado em 1935. A GLNF é a única
obediência francêsa, que era (e é) reconhecida pela
Grande Loja Inglêsa da Maçonaria. Ele era um membro
do Grande Oriente e do Rito de Memphis-Mizraim.

Notas:

Paschal Beverly Randolph (1825 - 1875)


1) Pascal Beverly Randolph (1825-1875), fundador de
uma Ordem Rosacruz nos EUA, estabelecida em torno de
1861 sob o nome de Irmandade de Eulis. Nos anos
anteriores, ele viajou por todo o mundo (Egito, Palestina,

212
Turquia, Europa) e conheceu várias figuras esotéricas proeminentes, entre outros o
famoso ocultista francês Eliphas Levi. Durante essas visitas, ele aprendeu várias
técnicas ocultas práticas, e o uso de haxixe, que foi uma verdadeira "revelação" para
Randolph. Ele também introduziu a magia sexual em seus ensinamentos. Os
ensinamentos reais são semelhantes aos da famosa Ordem européia chamada
Fraternidade Hermética de Luxor da qual ele conheceu vários membros quando
visitou a França e a Inglaterra. Ele chamou a si mesmo de um “Rosacruz”, sempre
afirmando que a fonte da "sabedoria superior" que possuía, era um conhecimento
recebido através da sintonia. Randolph foi a primeira pessoa ou movimento nos EUA
que realmente usou o termo “Rosacruz”.

2) Martin Erler foi Grão-Mestre da AMORC na Alemanha desde 1949 até 1955. Martin
Erler é um personagem interessante, principalmente por causa de seu backgroud. Erler
(Frater Albinus) pertencia a uma família que era amiga íntima do famoso escritor
rosacruz Gustav Meyrink (1868-1932). Meyrink viveu a maior parte de sua vida em
Praga. Em 1893 Meyrink tornou-se membro da Societas Rosicruciana in Anglia - SRIA,
liderada na época pelo Dr. William Wynn Wescott, que também foi um dos fundadores
e líder da Ordem Hermética da Aurora Dourada. Mais tarde mudou-se para Viena,
onde ele era um dos principais funcionários da Loja "Der Blauen Stern", onde
conheceu a sucessora de Madame Blavatsky na Sociedade Teosófica, Annie Besant. Em
1907 mudou-se para Munique. Gustav Meyrink foi o último (conhecido) Grão-Mestre
dos Irmãos Asiáticos (Fratres Lucis) na cidade de Praga. Ele também foi Grão-Mestre
da antiga "Ordo Rosae Crucis" alemã. Sua viúva e um amigo reuniram a Loja após a
Segunda Guerra Mundial (Não há nenhum documento/carta oficial que comprova a
validade dos "Irmãos Asiáticos", que Meyrink proclama). Um certo Frater Victorius se
tornou o novo Grão-Mestre. Foi a este grupo que Martin Erler juntou-se com a idade
de 27 (provavelmente). Ao mesmo tempo, ele se juntou a AMORC dos quais fr. Albinus
também foi membro. Em 1949, tornou-se Grão-Mestre da AMORC na Alemanha. Em
1953 ele começou a ter "problemas" com Ralph Maxwell Lewis, o Imperator da
AMORC. Erler deixou AMORC em 1955, levando vários membros com ele. Em 1957, foi
iniciado por Emille Dantinne e após Dantinne morrer em 1969, Erler tornou-se seu
sucessor. Todo o quadro faz com que o movimento do qual Erler afirma ser o 'herdeiro'
mais interessante. O movimento tem uma linhagem direta da antiga Ordem Rosacruz
alemã e uma linhagem direta com as várias Ordens chefiadas por Emille Dantinne e
Jean Mallinger! Parece que esse movimento ainda é "ativo", mas trabalha em
completo "silêncio"...

*Colegas do escritor deste fórum estão em contato com Martin Erler, e eles
encontraram "provas" de que Erler pode não ser o herdeiro legítimo de Dantinne.
Parece que Dantinne pessoalmente iniciou várias pessoas próximas à Erler, que
afirmam a mesma posição que Erler tem. Mais uma vez, estas declarações ainda não
estão certas, mas nós vimos muitas vezes antes estes desenvolvimentos, no mundo
das ordens e fraternidades esotéricas...

213
O Assassinato de Constant Chevillon

Em 14 de agosto de 1940 o Regime de Vichy (Petain) proibiu todas as atividades


das ordens esotéricas.

O caso todo começou com Jeanne Canudo, membro da Fraternidade dos Polares.
Ela era uma jornalista e colaborou com os nazistas. Trabalhou para o "serviço das
sociedades secretas", um departamento especial que monitorou as sociedades
secretas, especialmente a Maçonaria. Canudo desempenhou um papel importante em
expor os seguidores do Movimento Sinárquico. Em 1941, a SS procurou na casa de
Hans Grueter (AMORC-França), onde encontraram uma grande quantidade de
documentação, papéis, material oficial das ordens, etc., especialmente documentação
relativa à AMORC e ao Rito de Memphis-Mizraim!

Os documentos sobre o Rito de M.'. M.'. foram a evidência necessária da SS para


confirmar sua suspeita (Chevillon foi o Grande Mestre do Rito).

A Gestapo invadiu a casa de Chevillon e encontraram, entre outras coisas,


diversos documentos referentes ao Movimento Sinárquico e um documento do Pacto
Sinarquial, que ele recebeu de forma confidencial de... Jeanne Canudo. Chevillon
queria comparar as ideias de Saint-Yves d 'Alveydre (fundador da Synarquia) com os
documentos que recebeu de Canudo.

Este "pacto" teve a sua origem na Fraternidade dos Polares. Certos membros
fundaram o "Comite Synarchique Central en Mouvement Synarchique d' Empire". Este
grupo era pró-fascista por natureza e contra um sistema parlamentar, e queria
derrubar o governo francês. A história toda é muito complicada, mas pensamos que os
nazistas suspeitavam que Chevillon fosse um dos conspiradores. Os nazistas
consideravam o Pacto Sinarquista como um rival.

A história termina em 23 de Março de 1944, em algum lugar fora de Lyon,


quando Constant Chevillon enfrentou um pelotão de fuzilamento, formado por uma
unidade pseudo policial. Na realidade, eram franceses colaboradores dos nazistas, por
ordem do Partido Popular Francês e a MSR...

Muitos membros e dignitários das irmandades e sociedades iniciáticas foram


ameaçados com suas vidas ou simplesmente colocados em campos de concentração.

Robert Ambelain, um amigo próximo de Chevillon, teve a esposa e um filho


deportados para um campo de concentração. Jean Mallinger era constantemente
perseguido pela Gestapo.

Fr. Hutin (Sar Pascal), que foi o Arconte de "Negócios Estrangeiros" para a Ordem
Hermética Tetramagista e Mística (Ordem de Hermes), foi preso em Cherbourg,
França. Ele foi deportado para "Camp-Neuengam" e morreu em fevereiro de 1945.
Nico Wolff (Sar Ignis) foi preso em 05 de março de 1943 e deportado para Campo
Flossenburg. Ele morreu em 22 de abril de 1943, depois de tortura prolongada. Raoul

214
Fructus, que era o presidente do Grande Conselho do Rito de Memphis-Mizraim (sob a
FUDOSI), morreu depois de sua deportação em 1945. E a lista continua...

Muitos membros foram perseguidos e muitos tiveram que pagar com suas vidas,
especialmente dentro da comunidade maçônica. Há um monumento em Bruxelas,
Bélgica, em memória a todos os maçons que perderam suas vidas sob o Regime
Nazista.

Muitos membros das ordens eram ativos na resistência. Por exemplo, Leon
Lelarge (Sar Agni), que agiu como um intermediário para Emile Dantinne (Sar
Hieronymus) e os outros membros. Não havia comunicação direta possível com
Dantinne (Dantinne usou esta "técnica" também antes e depois da guerra). Lelarge
trabalhou para as ferrovias belgas (NMBS) e juntou-se à resistência em 1943. A
sabotagem do sistema ferroviário era sua especialidade. Após a libertação, tornou-se o
vice-presidente dos NMBS.

Outro membro que se juntou à resistência foi Sar Lampas, também da área ao
redor de Huy, na Bélgica (cidade natal de Dantinne e Lelarge). Sua casa era usada para
o trabalho ritual e encontros.

Todos os países do oeste europeu sofreram sob o regime nazista, mantendo


todas as atividades das ordens em um baixo perfil. Exceto a Suíça, que manteve a
neutralidade (uma forma duvidosa de neutralidade, mas de qualquer maneira...). A
Ordem Martinista e Synárquica de Victor Blanchard direcionou suas atividades para a
Suíça. A guerra teve o seu impacto sobre as ordens e sociedades iniciáticas. Muitas das
atividades foram direcionadas para os Estados Unidos (o que explica a “boom” das
novas ordens martinistas, logo após a guerra, nos Estados Unidos e Canadá).

Um "incidente" doloroso ocorreu logo após a guerra, quando Emile Dantinne (Sar
Hieronymus) foi preso pela polícia belga. Ele foi acusado de colaboração ativa com os
nazistas. Vários cidadãos da cidade de Huy testemunharam em tribunal que Dantinne
tinha traído vários concidadãos durante a guerra para as autoridades alemãs locais.
Dantinne foi defendido por Jean Mallinger, que era advogado. Leon Lelarge
testemunhou a favor de Dantinne. Todo o caso acabou na retirada das acusações, mas
Dantinne foi embora, um homem alquebrado, que não se atreveu a mostrar-se em
público naquele momento...

A questão permanece até hoje: foi Emille Dantinne um colaborador com ideias
pró-alemãs? Uma pergunta difícil. Os fatos são que Dantinne foi levado a tribunal,
como dito acima, e que ele escreveu alguns documentos (outubro de 1941) em que ele
discriminava abertamente a raça judaica. Ao mesmo tempo, alguns de seus
companheiros mais próximos (Leon Lelarge) eram membros da resistência belga!

Em seu livro "Une police politique de Vichy: le Service des Sociétés Secrètes",
Lucien Sabah afirma que Dantinne escreveu os documentos para agir como um tipo de
manobra diversionista. A manobra referiu-se ao ataque contra a casa de Hans Grueter,

215
um mês antes dos documentos serem escritos! Como vimos antes, Hans Grueter
também foi membro da FUDOSI...

... Declaração interessante

Notas:

1) Muitos membros proeminentes da FUDOSI não acreditavam que Harvey Spencer


Lewis fora iniciado em (ou perto) de Toulouse em 1909. Aqui está uma tradução de
uma carta escrita por Jean Mallinger, em que Mallinger refere-se a sua descrença. A
carta é dirigida a August Reichel, datada de julho de 1935.

"Sem negar a atividade extraordinária de Lewis na AMORC, é um fato bem conhecido,


falando da AMORC em um círculo que não está bem informado, o público só vai se
referir a Spencer Lewis e seus métodos. Mas posso dizer-lhe isto, não aceito os
métodos americanos, e não acredito na "aventura de Toulouse" de Spencer Lewis. Esta
é a opinião formal de F. Sjalung de Copenhage, de Probst, e de Mikael...” a carta
continua...

A carta é dirigida a August Reichel da Ordre Ancien et Mystique de La Rose+Croix


e da Confraria dos Irmãos Iluminados da Rosa+Cruz, e lida com a abreviatura
"AMORC", que foi utilizada por várias organizações, de uma forma ou outra. A Ordre
Ancien et Mystique de la Rose-Croix da Suíça provavelmente não usava os
ensinamentos de Lewis, na época. Até 1937 a AMORC-Suíça era uma organização
independente, não afiliada à AMORC. Em um documento oficial, datado de 14 de
agosto (o primeiro congresso) de 1934, a organização suíça é chamada Ordre R+C de
Suisse. O documento é assinado por Marc Lanval.

Outra indicação de que a "aventura de Toulouse" é uma invenção de Harvey


Spencer Lewis é um documento, que pertence aos arquivos da FUDOSI, em que o
próprio Harvey Spencer Lewis afirma que toda a história de sua iniciação em Toulouse
é uma invenção sua. Este documento está nas mãos do sucessor de Jean Mallinger.

2) Os arquivos da FUDOSI pertencentes a Leon Lelarge (Sar Agni, o secretário de


Emile Dantinne) foram descobertos em 1982 por Serge Caillet. O arquivo consistia de
muitos documentos relativos às atividades da FUDOSI e de Emile Dantinne. Sem estes
documentos, uma grande quantidade de informações deste fórum não teria sido
publicada. Serge Caillet utilizou esses documentos para escrever um livro chamado:
"SAR Hieronymus et la FUDOSI", publicado em 1986, por Cariscript - Paris.

216
A Validade da TOM como único organismo Martinista
ou como ocorreu a sucessão de Augustin Chaboseau

A Ordem Martinista Tradicional e o contexto das convenções finais da FUDOSI

A Ordem Martinista Tradicional (supostamente conhecida - como veremos ao


longo do texto - no Brasil através das iniciais TOM) foi fundada em 24 de julho de 1931.
A Ordem consistia em membros que se revoltaram contra Téder e Jean Bricaud,
insatisfeitos quanto a maçonização excessiva do Martinismo e que não reconhecia em
Victor Blanchard o Grande Mestre da Ordem Martinista, isto é, da Ordem Martinista
que ele (Blanchard) havia constituído em 1921, e
que posteriormente viria a ser conhecida como
Ordem Martinista & Sinárquica (OM&S).

Augustin Chaboseau e Victor-Emile Michelet


não queriam aceitar a eleição de Blanchard como
candidato a Soberano Grande Mestre Universal,
então, Michelet fundou a OMT em 1931, com ele
próprio como Grande Mestre e Chaboseau como
Vice-Grande Mestre. Contudo, existem outras
fontes que reivindicam que Chaboseau é quem
havia sido eleito como Grande Mestre, mas Chaboseau designara Michelet que era
mais velho que ele. Juntamente com Chamuel eles proclamaram que a OMT era a
verdadeira ramificação da primeira Ordem Martinista, ou seja, aquela de 1891.

Tanto Michelet quanto Chaboseau, como também Chamuel, pertenceram ao


grupo Martinista original de 1891 e haviam sido membros do primeiro Conselho
Supremo sob o comando de Papus e, diga-se de passagem, Michelet escreveu em seu
livro “Les Compagnons de La Hiérophanie” que este período foi conhecido como a
grande época do ocultismo francês.

É geralmente sabido que Chaboseau estava na realidade como o Diretor Oculto


da Ordem Martinista original. Michelet também era o fundador da “Associação Amigos
de Péladan”, um “círculo de amigos” que estudou os trabalhos de Joséphin Péladan em
1920. Chamuel (Lucien Mauchel) também era o Grande Mestre da Ordem Kabalística
da Rosa+Cruz (OKR+C), como sucessor de Téder (Charles Détre). O requisito maçônico
não era a única objeção que Chaboseau tivera, ele também, durante sua vida, nunca
pararia de lutar pela liberdade religiosa. Direta ou indiretamente, ele iniciou
Martinistas que continuariam a luta pela liberdade religiosa, entre os quais podemos
citar: Jules Boucher (Ordem Martinista Retificada), Gustave Lambert Brahy (Ordem
Martinista Belga), Maurice H. Warnon (Ordem Martinista dos Países-Baixos). De fato,
era a intenção de Chaboseau, Michelet e Chamuel constituir uma Ordem Martinista
em paralelo com a Ordem Martinista-Martinezista de Lyon.

Em 12 de Janeiro de 1938 Michelet morre. O Conselho Supremo da OMT em


1939 era constituído por Augustin Chaboseau, Jean Chaboseau (Galaad, filho de

217
Augustin Chaboseau), O. Beliard e Georges Lagrèze. Ambos, Beliard e Lagrèze, eram
iniciados na linhagem direta de Papus (Lagrèze foi iniciado por Téder em 30 de junho
de 1906 e havia sido um membro do Conselho Supremo sob Papus desde 8 de outubro
de 1908).

Georges Lagrèze era um dos proeminentes personagens principais da


“comunidade oculta” no momento, ele era também o diretor-geral do Teatro de
Estrasburgo. Um Martinista S:::I:::, membro do Conselho Supremo da Ordem
Martinista e Grande-Inspetor da Ordem em 1908. Lagrèze era também membro da
OKR+C, Estrita Observância e Rito Sueco. Sendo um Maçom do 33° Grau (Rito Escocês
Antigo) do Grande Oriente da França, Lagrèze era também um membro honorário da
Grande Loja da Dinamarca. Em 1909 recebeu uma Carta-Patente de John Yarker,
Grande Hierofante do Antigo & Primitivo Rito de Memphis-Misraïm, de quem Lagrèze
recebeu o 33º/95º Grau neste Rito que viria a ser “confirmado” por Jean Bricaud.
Ademais, era membro dos Cavaleiros Benfeitores da Cidade Santa (C.B.C.S. - fundado
em 1778 por J. B. Willermoz) com o nome místico de Eques Rosae Caritatis como
também era o Grande Mestre na França da Ordem Hermética Tetramagista & Mágica
(O::H::T:: & M::). Em 1937, Lagrèze era designado
Grande Professo dos C.B.C.S. por vários
Dignitários da Grande Loja da Suíça, como o
Chanceler Principal Amez-Droz e um certo Irmão
chamado Lesieus. Cabe mencionar ainda que
Lagrèze também era o Grande Mestre do Elus-
Cohen (restabelecido por Ambelain em 1943) e da
Rosa+Cruz do Oriente.

Robert Ambelain92 (1907 - 1997)

Georges Lagrèze

Em 14 de julho de 1938 Victor Blanchard da


OM&S se auto-consagra como Grande Mestre
Universal da Rosa+Cruz e de todas as Ordens
Iniciáticas do mundo. Ele enviou uma proclamação para cada Grande Mestre da
FUDOSI solicitando lealdade e reconhecimento de sua nova dignidade. Na série ‘1934-
1951 FUDOSI’ a história contada é que Blanchard estava totalmente seguro de que ele
era o Grande Mestre Universal da Rosa+Cruz (capítulo 9 da série93). Blanchard era
também Presidente da Fraternidade dos Polares que “usou” um método divinatório
chamado Oráculo da Força Astral. De alguma maneira este “oráculo” deu a Blanchard
a idéia de que ele era o novo Grande Mestre Universal dos rosacruzes.

92
Aqui encontramos obras de Robert Ambelain em espanhol para baixar
https://sites.google.com/site/tradicionrc/otros-autores/robert-ambelain
93
http://www.hermetics.org/fudosi.html

218
Uma das conseqüências da convicção de Blanchard foi a sua expulsão da FUDOSI
em 1939. A Ordem Martinista & Sinárquica foi substituída na 4ª convenção da
Federação pela Ordem Martinista Tradicional. Muitos membros, inclusive altos
Dignitários como Georges Lagrèze e Jeanne Guesdon (Grande Secretária da AMORC na
França), deixaram a OM&S. Dois outros altos Dignitários da Federação, os Imperators
Émile Dantinne e Ralph Maxwell Lewis da AMORC, deixaram também a OM&S de
Blanchard. Em setembro de 1939, Ralph M. Lewis era iniciado (sujeito à aprovação de
Chaboseau) por Lagrèze na OMT (SI e SI:IV, o Grau de iniciador). Harvey Spencer Lewis,
pai de Ralph, recebeu uma patente de Blanchard para a OM&S nos Estados Unidos. O
primeiro Templo Martinista estabelecido na Califórnia por Lewis foi chamado Louis
Claude de Saint-Martin. Ralph havia sido iniciado na OM&S por Blanchard em 1936
(SI:IV). Em outubro de 1939 Ralph Lewis era designado Soberano Delegado e Grande
Mestre Regional da OMT por Lagrèze, para a Califórnia e para os Estados Unidos. Deste
modo, o Conselho Supremo Regional dos Estados Unidos foi fundado. O conselho
consistia em 5 membros: Ralph Maxwell Lewis, Cecil A. Poole, Orlando T. Perrotta,
James R. Whitcomb e J. Duane. A Carta-Patente foi solicitada por Ralph M. Lewis e o
pedido foi atendido por Lagrèze, junto com um requerimento para a “Regularização de
Iniciação Martinista” pretendida pelos Irmãos Whitcomb, K. Brower, e as Irmãs
Whitcomb, G. Lewis e M. Lewis. Todos eles receberam o grau de SI, com exceção de
Ralph Lewis, que também recebeu o Grau de Iniciador, SI:IV.

Jeanne Guesdon

Augustin Chaboseau morreu em 2 de janeiro de 1946 e foi sucedido por Lagrèze.


Lagrèze morreu logo depois de Chaboseau em abril do mesmo ano, e Jean Chaboseau
sucedeu Lagrèze como Grande Mestre da OMT. Sob
circunstâncias normais, Jean Chaboseau teria sido
escolhido como sucessor de seu pai como co-
Imperator da FUDOSI pelo Conselho Supremo. Mas
não foi o que decidiu o Conselho Supremo... (‘1934-
1951 FUDOSI’ - a 5ª convenção/194694). A história
completa do que realmente aconteceu na convenção
de 1946 está nos capítulos 11 e 12 de ‘1934-1951
FUDOSI’, então, somente iremos apresentar um
pequeno resumo dos eventos que aqui fazemos
referência.

Quando Augustin Chaboseau morreu em 1946


(e logo depois dele Lagrèze) era Jean Chaboseau, seu
filho, quem normalmente teria sucedido seu pai
como Grande Mestre da OMT. O Conselho Supremo não aprovou tal indicação e
instalou um Conselho temporário de Regência para dirigir a Ordem Martinista
Tradicional. Como declarado em ‘1934-1951 FUDOSI’, os membros da FUDOSI
originalmente quiseram estabelecer um Conselho Supremo Martinista que estaria
encabeçando as duas Ordens principais (OM&S de Blanchard - que retornara para as

94
http://www.hermetics.org/fudosi.html

219
fileiras da Federação - e a OMT) e as outras duas Ordens Martinistas participantes, a
saber, Sociedade de Estudos Martinistas e a União Sinárquica da Polônia.

Os detalhes seguintes são tirados do capítulo 11 de ‘1934-1951 FUDOSI’95.

Os momentos do Conclave de 22 de julho que foram publicados pela AMORC,


sobre este assunto:

“A Convenção, depois de ouvir os relatórios dos Delegados, as mensagens dos


Delegados ausentes e seus relatórios, depois de tomar opiniões e depois de discussões
regulares, decidiu:

1) Manter em vacância a cadeira do Terceiro Imperator da FUDOSI, que era


ocupado pelo V.’. ILL.’. Sâr Augustinus, Grande Mestre da Ordem Martinista
Tradicional, até a eleição de um novo Grande Mestre desta Ordem. Enquanto isso
todos os poderes regulares do Grande Mestre serão continuados por um Conselho de
Regência, composto de:
Sâr Puritia (França) - Jeanne Guesdon (AMORC), Secretária;
Sâr Leukos (América) - Presidente;
Sâr Renatus (Bélgica) - René Rossart (“Chefe” dos martinistas belgas), Tesoureiro.

Eles só estarão qualificados para validar documentos para a Ordem durante a


vacância deste posto de Grande Mestre.

Deste modo é decretado sem recurso e confirmados por nós, Imperators e


membros do Conselho Supremo da FUDOSI, em nossos turnos deste 22 de julho de
1946. O que está acima constitui a nossa declaração oficial”.

Então, o Conselho de Regência encabeçaria a Ordem Martinista Tradicional de


1946 em diante.

Jean Chaboseau enviou sua resignação na 6ª convenção e tentou dispersar o


Supremo Conselho da Ordem Martinista, mas seu “movimento” (como se fosse um
“voto de descrédito”) não conseguiu a aprovação da FUDOSI. Em função da
desaprovação, Jean Chaboseau deixou a Ordem Martinista Tradicional, do qual ele era,
durante a direção de seu pai, um membro do Conselho Supremo (juntamente com
Lagrèze e Beliard).

Os planos que a Federação tivera para a unificação das organizações Martinistas


não foram submetidos à aprovação dos Grandes Mestres mais relevantes. Na
convenção de 1947 a OMT não tinha um Grande Mestre e o GM da OM&S, Victor
Blanchard, não compareceu (evidentemente) à esta convenção. Nesta convenção, em
Paris, Ralph Maxwell Lewis foi designado Soberano Grande Mestre da Ordem
Martinista Tradicional. Como mencionado acima, ele foi eleito na ausência de Victor
Blanchard, chefe da OM&S. A cadeira de Grande Mestre da OMT estava desocupada,
porque a Federação votou contra Jean Chaboseau.
95
http://www.hermetics.org/fudosi.html

220
Como declarado em ‘1934-1951 FUDOSI’96:

“Estes dois fatos explicam a atitude de Jean Chaboseau e sua tentativa para
dissolver o Conselho Supremo. Durante a convenção, Ralph Lewis tomou a
oportunidade para designar a ele próprio como Soberano Grande Mestre da Ordem
Martinista Tradicional.

A OMT de Lewis pode ser considerada - no mínino - duvidosa. Primeiramente


por:
1) A duvidosa decisão de sua nomeação como Grande Mestre, em que Ralph
Lewis como co-Imperator, desempenhou um papel ambíguo, como juiz e também
como requerente;
2) A suposta autorização da FUDOSI, na ausência dos Grandes Mestres, de
colocar as Ordens Martinistas sob sua autoridade”.

Os eventos de 1946 e 1947 causaram um cisma dentro das fileiras da OMT e


muitos membros europeus abandonaram a Ordem.

René Rossart (Sâr Renatus), Tesoureiro do Conselho de Regência da OMT e


membro-Conselheiro da FUDOSI, deixou a Ordem. Outros se juntaram a Blanchard da
OM&S ou simplesmente permaneceram independentes como “Martinistas livres”.

Victor Blanchard e René Rossart

O cisma resultou na fundação


da Ordem Martinista Retificada em
1948 por Jules Boucher (autor de A
Simbólica Maçônica), um antigo alto
Oficial da OMT.

Quando a FUDOSI foi dissolvida


em 1951 a OMT deixou de existir. A
filial americana original trocou o
nome e continuou como Tradicional
Ordem Martinista (TMO nos EUA)
sob a égide da AMORC e sendo encabeçada pelo Soberano Grande Mestre Ralph
Lewis, que separou a delegação americana da Ordem original. Ralph Lewis reivindicou
ser sucessor legítimo de Augustin Chaboseau sem o ser. A Ordem cessou de existir
como uma ordem independente e estava intimamente conectada à AMORC.

TMO (da AMORC) na França - Heptada Abbé de La Noue

A Heptada Abbé de La Noue, nº. 22, foi estabelecida em Paris ao redor de 1960
com a ajuda de Raymond Bernard. A Heptada foi dirigida por Julien Origas que se
tornou membro da AMORC em 1951. Origas iria mais tarde encontrar a Ordem
96
http://www.hermetics.org/fudosi.html

221
Renovada do Templo (O.R.T.), do qual ele fora seu Grande Mestre até sua morte em
1983, neste mesmo ano, ele foi sucedido por Luc Jouret. Jouret fora forçado a deixar a
O.R.T. dentro de um ano, levando metade dos membros com ele e juntamente com
Joe di Mambro que havia sido membro da AMORC. Juntos, Jouret e di Mambro
fundaram a Ordem do Templo Solar (em 1994 ocorreriam suicídios coletivos na Suíça e
no Canadá de mais de 50 membros desta Ordem, e, em 1995, a cena se repetiria em
Vercors, França, fazendo 16 vítimas).

A Tradicional Ordem Martinista não reconhece a autoridade de qualquer outra


Ordem Martinista, e é a única O:::M::: que se recusa a admitir irmãos Martinistas de
outros Ramos para visitas. Sua política para com outras organizações Martinistas é
bastante agressiva. Por exemplo, quando a AMORC nos EUA ficou ciente da existência
da Universidade Internacional de Estudos Esotéricos (I.C.E.S.) em Barbados, uma troca
muito acirrada de cartas ocorreu, com a AMORC requerendo que o I.C.E.S. cessasse e
desistisse de suas atividades. Apesar de tudo isso, há alguns indícios de que Christian
Bernard (atual Soberano Grande Mestre da TMO) buscou reconhecimento para a sua
OM através de outros grupos Martinistas na Europa. A TMO se expandiu muito
ultimamente, sobretudo no Brasil, e publica uma revista anual chamada Pantáculo,
uma “cópia” da primeira revista da Ordem Martinista, ou seja, a revista L’Initiation. A
suposta OMT que atua na França não é mais a mesma de Chaboseau, mas sim uma
filial americana da TMO.

Raymond Bernard, Ralph


Lewis e Christian Bernard

222
Raymond Bernard (1923-2006)

Raymond Bernard nasceu a 19 de Maio de


1923, na região de Isère (França), e passou pela
transição a 10 de Janeiro de 2006. Esoterista,
escritor, humanista e responsável por vários
movimentos iniciáticos, dedicou a sua vida à
perpetuação da Tradição no mundo de hoje.

Ao longo de toda a sua vida estabeleceu


contacto com diversos movimentos místicos e
espirituais por todo o mundo, desde as antigas
correntes iniciáticas do Ocidente (como o
rosacrucianismo, martinismo, templarismo,
maçonaria, pitagorismo e druidismo) ao Oriente (o
budismo, hinduísmo, assim como a tradição drusa e
sikh), até às tradições africanas.

Viajou por inúmeros países, no cumprimento das suas responsabilidades


tradicionais, como orador em diversas palestras e seminários, mas também por
motivos culturais e espirituais, criando ligações de fraternidade com diversas
personalidades do mundo iniciático, religioso e político, num espírito pacificador, de
tolerância e respeito para com os diferentes quadrantes.

No início da década de 1940 entrou em contato com a Antiga e Mística Ordem


Rosacruz, AMORC, da qual veio a ser Grão-Mestre para a França e países francófonos –
tendo sido instalado nesta função em Julho de 1959 – e o Legado Supremo na Europa –
função para a qual foi eleito em Agosto de 1966 – e, no ano seguinte, para o mundo
inteiro. Em paralelo com a sua atividade na AMORC, estabeleceu a Ordem Martinista
Tradicional, OMT, e, posteriormente, em 1988, criou o CIRCES – Círculo Internacional
de Pesquisas Culturais e Espirituais e a OSTI – Ordem Soberana do Templo Iniciático,
uma estrutura iniciática de tradição templária e pitagórica, da qual foi Grão-Mestre até
1997, altura em que se retirou de forma definitiva de todas as funções anteriormente
assumidas.

Nota: Não confundir o esoterista Raymond Bernard com dois homônimos: um deles,
realizador de cinema (1891-1977), o outro, pseudônimo do americano Walter
Siegmeister (1901-1965), autor do livro “A Terra Oca”.

223
Movimentos tradicionais nos quais Raymond Bernard teve cargos de responsabilidade:

Ordem Rosacruz, AMORC

O primeiro contato e a afiliação

Tendo tido um primeiro contato com a AMORC – Antiga e


Mística Ordem Rosae Crucis através de Edyth Lynn, entre 1941 e
1945, inicia em 1945 a sua correspondência com Jeanne
Guesdon, que era então Grande Secretária da AMORC para
França e membro da FUDOSI. Em 1948 a AMORC é oficialmente
reativada em França e Raymond Bernard é recebido em Janeiro de 1949 como o
membro nº 2 (estando o nº 1 reservado ao Imperator, o responsável internacional da
AMORC, Ralph Lewis). Em Janeiro de 1952 é recebido na Militia Crucifera Evangelica,
uma “cavalaria interior” da AMORC.

É nomeado Grão-Mestre da AMORC – França

Após a morte de Jeanne Guesdon, anterior Grão-Mestre da AMORC – França, a


29 de Março de 1955, o Imperator Ralph Lewis nomeia-o como sucessor da mesma a
15 de Janeiro de 1956. Nesse mesmo, ano, em Março, é nomeado administrador, bem
como Grande Secretário da
mesma. Esta jurisdição inclui um
conjunto de países de língua
francesa e conta com cerca de
700 membros. Raymond
Bernard instala-se em
Villeneuve-Saint-Georges, nos
arredores de Paris, no local
anteriormente ocupado por
Jeanne Guesdon.

Expansão da jurisdição

Em Julho de 1957
começam a funcionar 40
organismos rosacrucianos no seio da jurisdição francesa, estabelecidos graças à
iniciativa de Raymond Bernard. Nas décadas seguintes, até 1986, seguem-se uma série
de visitas a vários pontos do globo onde a AMORC se encontra implantada (Egito,
Congo, Estados Unidos, Suíça, Marrocos, Haiti, Inglaterra, Benim, Togo, Holanda,
Portugal, Senegal, Mauritânia, Costa do Marfim, Itália, Martinica, Grécia, etc.), no
âmbito de congressos, viagens iniciáticas, convenções e seminários. Em Setembro de
1964 o Imperator congratula Raymond Bernard pelo aumento considerável da

224
jurisdição francesa, que se tornou na mais numerosa da Europa, tendo apenas os
Estados Unidos um número de membros mais elevado.

É nomeado Legado Supremo

No seguimento da morte de
Martha Lewis, viúva do primeiro
Imperator, H. Spencer Lewis,
Raymond Bernard é eleito a 4 de
agosto de 1966 como membro do
Conselho Supremo da AMORC, sendo-
lhe atribuída a função de Legado
Supremo.

Inaugura novos espaços da AMORC

Em 1969 transfere a sede da jurisdição francesa para um palácio localizado na


Normandia, o Château d’Omonville. A 5 de novembro de 1975 inicia as atividades do
Château du Silence (Palácio do Silêncio), um lugar privilegiado para a meditação e os
retiros místicos, perto da cidade de Lyon.

225
Dá lugar à nova geração

Em Julho de 1977, 21 anos após a sua instalação em Villeneuve-Saint-Georges,


com o intuito de dar lugar a uma nova geração na condução dos movimentos
espirituais, anuncia a sua decisão de abandonar o cargo de Grão-Mestre. Porém,
continuará a assumir a função de Legado Supremo a nível mundial até 28 de Maio de
1986, data em que abandona também o Conselho Supremo da AMORC. Após a morte
do Imperator Ralph Lewis, Gary Stewart é eleito como seu sucessor. Raymond Bernard
será o seu consultor pessoal. A 19 de Fevereiro de 1988, no Togo, fará a sua última
participação numa convenção da AMORC.

Ordem Martinista Tradicional, OMT

Recebe a iniciação martinista

Depois de ter sido nomeado Grão-Mestre da AMORC – França, Raymond Bernard


é iniciado na tradição martinista em Julho de 1959 por Jess Duane Freeman, que por
sua vez recebeu a iniciação de H. Spencer Lewis, numa cerimônia que tem lugar em
São José, na Califórnia.

226
Restabelece e desenvolve a OMT

Posteriormente restabelece a OMT (Ordem Martinista Tradicional) no seio da


AMORC – França. A 17 de janeiro de 1960 recebe os 3 graus da iniciação martinista,
assim como o de iniciador, de Marcel Laperruque, Grão-Mestre adjunto do ramo de
Robert Ambelain. Na realidade, trata-se de uma troca de iniciações. Mais tarde,
Raymond Bernard encontrará Robert Ambelain num café junto da igreja da Madalena,
em Paris, dele recebendo a confirmação da regularidade acerca da transmissão
recebida e por ele veiculada.
Em 1970, no início de julho, visita o Haiti enquanto Legado Supremo da AMORC e
inicia os primeiros membros deste país na OMT. Enquanto Grão-Mestre da OMT, e
num espírito de fraternidade, convida a Ordem Martinista de Papus, que é
representada pelo Grão-Mestre Irénée S. e o Grão-Mestre de Honra, Philippe
Encausse, para um Conventículo da OMT. Este encontro realiza-se a 21 de Fevereiro de
1972. A 19 de Fevereiro de 1988, no âmbito de uma convenção da AMORC no Togo,
presidirá ao seu último conventículo martinista.
Numa entrevista privada realizada a 7 de março de 2003, Raymond Bernard fala
acerca da sua filiação iniciática martinista e de como desenvolveu em França através
da OMT, desde a década de 1960. Nesta ocasião, refere os seus contatos com Robert
Ambelain, Philippe Encausse e Marcel Laperruque. Recorda por fim a divisa por si
criada para a AMORC: “A mais ampla tolerância na mais estrita independência”.

Ordem Renovada do Templo, ORT

É recebido na tradição templária

Durante uma viagem a Itália realizada em


outubro de 1955, Raymond Bernard recebe uma
tradição templária de natureza singular, que se
situa fora da continuidade habitual da
progressão maçônica. Ela irá desvelar-se
completamente em 1968 durante uma nova
viagem a Grotta Ferrata, na abadia de S. Nilo,
para além daquela que lhe virá a ser transmitida
em São José, na Califórnia. Desta forma é
depositário de uma legitimidade completa e
reconhecida para a perpetuação da tradição
templária.

227
Efetua as duas primeiras transmissões

A 23 de Setembro de 1968, pelo meio-dia, na cripta da Catedral de Chartres, por


via de uma breve e discreta cerimônia, Raymond Bernard transmite a tradição
templária a Robert Devaux e Julien Origas, cumprindo as instruções dadas pelo seu
iniciador. Este facto é relatado na versão completa do seu livro Rendez-vous Secret à
Rome (Encontro Secreto em Roma), cuja 1ª edição é publicada no início de 1970 pelas
Editions Rosicruciennes.

Funda a ORT

Com o consentimento de Ralph Lewis, Raymond Bernard cria a Ordre Rénové du


Temple (Ordem Renovada do Templo), ORT, a 26 de outubro de 1970. Porém, no mês
de abril do ano seguinte abandona a presidência da ORT, assumindo o Grão-Senescal
da Ordem, Julien Origas, a função de Grão-Mestre. No mesmo ano, em dezembro de
1971, Raymond Bernard retira-se do conselho de administração da ORT e de todas as
suas atividades no seio deste movimento, para se consagrar exclusivamente à sua
função de Grão-Mestre e Legado Supremo da AMORC. Até 16 de Outubro de 1972
mantém uma relação epistolar de aconselhamento com Julien Origas, data em que se
demite da ORT, rompendo também de forma oficial e definitiva qualquer ligação entre
a ORT e a AMORC.

Círculo Internacional de Pesquisas Culturais e Espirituais - CIRCES

A fundação

Em Outubro de 1987, Raymond Bernard instala-se nos


Camarões, em Yaoundé, onde são redigidos a maior parte dos
escritos que servirão de base para o estabelecimento do
futuro CIRCES97. Em Janeiro de 1988 regressa dos Camarões e
cria o CIRCES (Cercle International de Recherches Culturelles Et
Spirituelles – Círculo Internacional de Pesquisas Culturais e
Espirituais), um movimento que se baseia na ação no mundo, sendo então anunciado
na revista Le Monde Inconnu. As atividades têm início no dia 19 de Fevereiro de 1988.

O crescimento

A primeira assembleia plenária na Sorbonne tem lugar a 26 de Junho de 1988 e


conta com a presença de 700 membros, incluindo representantes de cerca de dez
países. É feita uma apresentação completa dos trabalhos do CIRCES exterior e interior,
que se assume como um movimento amplamente aberto, de inspiração cavaleiresca
mas onde, ulteriormente, o progresso se realiza de uma maneira lenta.
O CIRCES tem um desenvolvimento célere e nos anos que se seguem realizam-se
uma série de viagens internacionais (Suíça, Portugal, Brasil, Zaire, Israel, Chipre,
Luxemburgo, Benim, Madagáscar, Itália, Estados Unidos, Colômbia, Abidjan, Austrália,
97
http://www.circes.org/

228
Inglaterra, Bélgica, Costa do Marfim, Roménia, Togo, etc.) onde são nomeados os
Chanceliers, responsáveis nacionais para cada país.

A reestruturação

A 25 de Setembro de 1991 efetua uma reestruturação do CIRCES, eliminando


qualquer forma de ensinamento no seio do movimento e interrompe o envio de
qualquer forma de comunicação regular, privilegiando assim a tradição oral e o
trabalho colegial. Em 1 de Setembro de 1993 dá-se a fusão do CIRCES com a OSTI. O
CIRCES adquire uma nova denominação a 9 de Dezembro do mesmo ano, passando a
ser conhecido como Comité d’Initiatives et de Réalisations Caritatives Et Sociales
(Comité de Iniciativas e de Realizações Caritativas e Sociais), sendo o ramo cultural,
científico, humanitário e caritativo da OSTI.

Ordem Soberana do Templo Iniciático - OSTI

A fundação

Raymond Bernard estabelece a Ordre Souverain du Temple Initiatique (Ordem


Soberana do Templo Iniciático), OSTI, no Palácio dos Papas em Avignon a 25 de
Setembro de 1988 durante o primeiro colóquio do CIRCES, procedendo a 45 iniciações.

O crescimento
Nos anos seguintes realizam-se uma série de viagens iniciáticas, conventos, colóquios e
cenáculos um pouco por todo o mundo (Portugal, Abidjan, Benim, Chipre, Estados
Unidos, etc.)

A reestruturação

A 25 de Setembro de 1991 efetua uma reestruturação na Ordem, eliminando qualquer


forma de ensinamento. Em 1 de Setembro de 1993 dá-se a fusão do CIRCES com a
OSTI. A Regra do Templo, redigida por Raymond Bernard, o Senescal e o Marechal, é
formalmente decretada a 30 de Maio de 1993 em Tomar, no Convento de Cristo.

A passagem de testemunho

229
Em Maio de 1997, também em Portugal, no Convento de Cristo, Raymond Bernard
cessa as suas funções de Grão-Mestre da OSTI e transfere-as oficialmente para Yves
Jayet a 15 de Junho do mesmo ano. Na celebração dos 10 anos do CIRCES, em
Villeneuve-Saint-George, Raymond Bernard participa como convidado de honra. Será a
sua última participação num encontro da OSTI e do CIRCES, do qual se encontra
retirado desde Junho de 1997.

Adaptado de: Raymond Bernard – Puzzles d’Une Vie

https://circuloraymondbernard.wordpress.com/biografia/

230
O CIRCES e a OSTI

A OSTI98 nasceu do impulso do seu fundador, Raymond Bernard - perpetuador de


grandes tradições ocidentais - no dia 19 de fevereiro de 1988, sob o nome de CIRCES
(Círculo Internacional de Pesquisas Culturais e Espirituais).

A divisa “Nada do que é humano vos será estranho” era um convite à reflexão e
à ação num mundo em profunda transformação.
Ocupando um novo espaço, o CIRCES logo canalizou
vocações para o empreendimento, para a ação, para a
transmissão, junto a todos aqueles que desejavam
partilhar seus ideais numa ação comum.

Desde o começo, um círculo interno havia sido


previsto, e esta expressão tomaria forma em 25 de
setembro de 1988, através do estabelecimento da Ordem
Soberana do Templo Iniciático (OSTI). Sob uma forma
depurada, mais direta, o essencial desta nobre tradição iria ser vivificado, animado por
aqueles que se sentiam atraídos pelo espírito cavaleiresco por ela veiculado, mas para
uma cavalaria renovada, a de um milênio que se anuncia como o da partilha e da
espiritualidade.

Assim, o primeiro ciclo de edificação da OSTI desenrolou-se por etapas,


assinaladas periodicamente por uma nova marca, a partir de colóquios realizados na
Europa, na África, na América do Norte e de viagens iniciáticas e culturais à França,
Itália e Portugal.

No círculo interno originalmente estava


previsto as seguintes linhas:

A Ordem Soberana do Templo Iniciático –


O.S.T.I.: este primeiro ciclo apresenta o
pensamento templário em seu aspecto moderno
e atual, com toda a bagagem do passado, no que
diz respeito ao espírito cavalheiresco e com uma
abertura sobre todas as grandes correntes
tradicionais. Essa parte templária envolve e
protege uma pesquisa interior mais específica,
de essência pitagórica.

98
http://www.ostibr.org.br/index.htm

231
A Ordem Pitagórica Internacional – O.P.I.: esta escola pitagórica existiu durante
muito tempo de uma maneira secreta, e está organizada como uma grande
universidade mística. O CIRCES dispõe de documentação que lhe confere a inteira e
plena autoridade para perpetuar a verdade do pensamento de Pitágoras naquele que
está despertado para recebê-lo.

A Ordem Universal de Melquisedeque – O.U.M.: coroando o todo e sustentando


o conjunto, a Ordem Universal de Melquisedeque apresenta-se como o eixo central de
toda a estrutura interna. Ela situa-se, então, na Não-Via. Não se trata mais de si
mesmo; há simplesmente recepção, unidade, a fim de se partilhar mais com outros,
em um mundo onde cada um é uma célula de um mesmo corpo.

As duas últimas ordens não foram implantadas.

A partir de janeiro de 1991 surgiu um atividade


circeana específica, conhecida sobre o nome de
O.S.A.T.A., que era apresentada em monografias
chamadas “admonições”. As iniciais O.S.A.T.A.
possuíam três significados. Na entrada desta
estrutura apenas dois significados eram oferecidos.
O último seria revelado mais tarde. Os significados
para O.S.A.T.A. eram: Ordem Soberana das Antigas
Tradições Arcanas e Ordem Secreta dos Antigos
Templários Aceitos. Entretanto, já na admonição nº
15, a OSATA foi extinta. A partir de novembro de
1992 todas as comunicações do CIRCES foram
suspensas, e toda informação de cunho mais
esotérico, místico ou tradicional, passou a ficar exclusivamente a cargo da OSTI.

Em 1993 a OSTI e o CIRCES fundiram-se numa só associação, afirmando assim


claramente o vínculo indissociável entre o trabalho espiritual e o engajamento
solidário, tornando-se o CIRCES o ramo humanitário da OSTI, sob o nome de "Comitê
de Iniciativas e Realizações Caritativas e Sociais".

Em 1995, ao cabo de sete anos de atividade, os estatutos foram modificados


para especificar que a OSTI não transmitia ensinamento e que o número total dos seus
membros não poderia ultrapassar 1018.

CIRCES: A AÇÃO HUMANITÁRIA

O Comitê de Iniciativas e Realizações Caritativas e Sociais - CIRCES, é um ramo


humanitário da Ordem Soberana do Templo Iniciático, a OSTI.

232
Os ativistas do CIRCES são os cavaleiros da OSTI, mas o trabalho pode também
contar com a participação de voluntários, não membros da Ordem.

QUAL É O TRABALHO DO CIRCES?

O CIRCES tem por vocação agir no mundo, por meio de um trabalho de


solidariedade e ajuda efetivos, em todos os domínios onde for possível levar a sua
assistência e participação, sobretudo:

• a ação humanitária;
• a salvaguarda e a proteção dos direitos do homem;
• a paz e a fraternidade no mundo e entre os povos.
Neste sentido, o CIRCES organiza campanhas, conferências, seminários e ações
diretas de solidariedade junto aos necessitados.

ESTRUTURAS

O CIRCES está estabelecido em 28 países, representado por delegações nacionais


e comitês locais, que atuam como rede internacional de ação, embora mantendo cada
uma das delegações e comitês a sua autonomia. Atua no maior respeito por todas as
outras organizações humanitárias, com as quais colabora ativamente.

A estrutura da organização é articulada em torno de comitês locais, que


trabalham sob a responsabilidade de delegados locais, em todos os países e regiões
onde o CIRCES está implantado. Esses comitês trabalham também sob a coordenação
de comissões internacionais, compostas por especialistas em áreas diversas, que
efetuam pesquisas ou conduzem ações específicas em seus domínios. Em cada país, há
também um delegado nacional, que atua na coordenação geral dos comitês.

Todas essas funções, no entanto, são funções de coordenação, tendo os comitês


locais a mais absoluta independência, de modo a poderem empreender quaisquer
ações e contar com o apoio de quem quer que deseje investir em ações caritativas e
humanitárias que lhes pareçam possíveis e desejáveis, no sentido geral estabelecido
para a Ação CIRCES.

Ao longo de suas operações, o CIRCES tem estreitado laços permanentes de


cooperação e amizade com numerosas associações: Médecins du Monde, Hopital Sans
Frontière, ADICCA, Pharmaciens Sans Frontière, ATD Quart Monde, Secours Populaire,
Secour Catholique, Fondation Abbé Pierre Pour le Logement, entre outras.

233
Cronologia de Raymond Bernard
(19 Mai 1923 - 10 Jan 2006)

Cronograma paralelo traçando a vida e obra de Raymond Bernard, a história da


AMORC e os principais movimentos Templários do século XX99:

1905: criação da OTO (Ordo Templi Orientis) por Theodor Reuss.


1945: Início da correspondência de Raymond Bernard com Jeanne Guesdon.
1945: Antonio Campello Pinto de Sousa Fontes, detentor dos arquivos da filial belga
após a Ordem do Templo de Fabre-Palaprat, funda a OSMTJ (Ordem Militar
Soberana do Templo de Jerusalém).
Dezembro 1948: A reativação oficial da AMORC França. Raymond Bernard se junta
imediatamente.
Junho 1952: Ressurgimento dos Templários em Arginy (Gold Coast), por iniciativa de
Jacques Breyer.
Março 1955: Morte de Jeanne Guesdon.
Março 1956: Raymond Bernard, Secretário da AMORC da França, após Jeanne
Guesdon.
Julho 1959: Raymond Bernard é iniciado e instalado no Templo Supremo, para o cargo
de Grande-Mestre.
1959 - Raymond Bernard, devidamente iniciado por J. Duane Freeman, ele próprio
iniciado por HS Lewis, restaura a OMC (Ordem Martinista Tradicional)
dentro da AMORC da França.
1959: o ressurgimento dos Templários em Arginy (1952) leva o nome de OTS+.
17 de janeiro de 1960: Raymond Bernard recebe três graus de iniciação Martinista,
bem como o de iniciador, Marcel Laperruque, Vice-Grão-Mestre do ramo
de R. Ambelain.
Fevereiro 1960: Fernando Pinto Campello Pereira sucedeu seu pai como chefe da
OSMTJ (Ordem Militar Soberana do Templo de Jerusalém).
3 de março de 1962: Recepção maçônica no grau de mestre. Raymond Bernard, muito
ocupado com seus deveres rosacruzes, em breve termina a sua
participação nos trabalhos da Loja Maçônica.
Junho 1966: Eleição de Jean Soucasse como primeiro Grão-Mestre da OTS+.
Posteriormente a OTS+ torna-se a OSTS (Ordem Soberana do Templo
Solar).
4 de agosto de 1966: Raymond Bernard foi eleito para o Conselho Supremo da AMORC
em San Jose (California) depois da morte de Martha Lewis, viúva do 1º
Imperator. Ele foi eleito para o cargo de Supremo Legado.
Novembro 1970: Com a aprovação de Ralph M. Lewis, Raymond Bernard fundou a ORT
(Ordem do Templo renovado).
1970: cisão dentro da OSMTJ. Fernando Pinto Campello cria a OSMTH (Ordo Supremus
Militaris Templi Hierosolymitani).
Final de 1971: Raymond Bernard aposentou-se do conselho de administração da ORT e
de suas atividades neste movimento.

99
Fonte: http://www.fghoche.com/verites/chronobio.html

234
Outubro 1972: Raymond Bernard demitiu-se da ORT. Qualquer ligação entre a ORT e a
AMORC é oficialmente e permanentemente cortada.
Outubro 1973: Fundação da OVDT (Ordre des Veilleurs du Temple) por L. Metche e B.
Damman, ex-membros da AMORC e da ORT.
Março 1976: Fundação por Noel R. Pais e Jean-Marie do CTSG (Círculo do Templo e do
Santo Graal).
12 jan 1987: Morte de Ralph M. Lewis. Eleição de Gary Stewart como terceiro
Imperator da AMORC.
1978: cisão dentro da OSTS. Criação da OTC (Ordem do Templo Cósmico).
Dezembro 1978: Fundação do FJRT (Fraternidade Joanita para Ressurgimento
Templário), com o J.M. Parent e R. Facon.
Verão 1984: Fundação por Luc Jouret da Ordem TS (Ordre Tradition Solaire - Ordem
Tradição Solar). Cisão com a ORT.
final de 1984: Fundação da OCTCND (Ordre des Chevaliers du Temple du Christ et de
Notre-Dame - Ordem dos Cavaleiros do Templo de Cristo e de Nossa
Senhora).
1988: Raymond Bernard funda o CIRCES (Cercle International de Recherches
Culturelles et Spirituelles - Círculo Internacional para a Pesquisa Cultural e
Espiritual) e a OSTI (Ordre Souverain du Temple Initiatique - Ordem
Soberana do Templo Iniciático).
1990: A OCITS altera o nome para OTS (Ordem do Templo Solar).
Abril 1991: demissão de Gary Stewart como Imperator da AMORC. Eleição de Christian
Bernard como quarto Imperator da AMORC.
Outubro de 1993: fusão da OSTI e do CIRCES sob a denominação de OSTI.
Maio de 1997: Raymond Bernard, aos 74 anos, deixa suas funções dentro da OSTI. Y.
Jayet foi eleita Grande-Mestre.

235
O CIRCES

Círculo Internacional de Pesquisas Culturais e Espirituais

Cercle International de Recherches Culturelles Et Spirituelles

O Que é o CIRCES? Apresentação: Raymond Bernard

Corresponde a mim apresentar-lhes o CIRCES, ou Círculo Internacional de


Pesquisas Culturais e Espirituais, e vou me esforçar para fazê-lo de forma que não haja
confusões. O Presidente Honorário do CIRCES é o Sr. Gary L. Stewart, Imperator da
Ordem Rosacruz - AMORC, e eu assumo
pessoalmente a presidência efetiva. Antes de
tudo, convém explicar claramente aquilo que o
CIRCES não é para compreender depois quais são
as suas metas e as atividades que estão sendo
preparadas. O CIRCES não é um movimento
tradicional no sentido que nós damos geralmente
a esse termo, mas é claro que com o tempo ele o
será. Não é uma ordem no sentido que a tradição
dá a esta palavra, mas a sua evolução pode, sob o
seu atual nome ou sob algum outro, conferir-lhe essa qualidade. Só o futuro o dirá. Ele
não proporciona iniciação sistemática aos seus membros. A iniciação precisa de uma
separação, de tempo, e de escolha. Ele não propõe experiências de caráter
unicamente místico, assim como não sugere doutrinas nem formula ensinamentos, o
que não significa, naturalmente, que não propõe ou não sugere nada. Ele não tem
nada a ver nem pode-se comparar com nenhuma das grandes Organizações
Tradicionais que se perpetuam em nossa época e que o continuarão fazendo no
futuro. A Franco-Maçonaria, por exemplo, ou a Ordem dos Rosacruzes — AMORC -, da
qual ninguém ignora as atividades cada vez mais amplas e importantes a escala
mundial, ou ainda a Ordem Martinista Tradicional. O CIRCES difere radicalmente das
técnicas e métodos seguidos por estas Ordens iniciatórias, e se acento é colocado
sobre este ponto é com a finalidade de evitar qualquer confusão que possa surgir. São
admitidos no CIRCES somente os candidatos e candidatas respeitadores de todas as
tradições, de todas as Ordens, de todas as religiões, e que sabem que seu primeiro
dever para continuar sendo membros e mais tarde aceitos no Círculo Interior, é de
nunca criticar sob nenhuma forma nem circunstância as Ordens tradicionais ou
místicas, sejam quais forem, nem suas técnicas, ensinamentos ou etapas iniciatórias,
nem nenhuma escola ou religião, nem as pessoas que assumem a responsabilidade

236
delas. Entre os deveres de um membro do CIRCES figura, pelo contrário, o
comprometimento e a vontade de considerar em todo momento só os aspectos
positivos destes movimentos, que continuam na nossa época trabalhando para a
melhoria e a evoluçao do homem, e que o fazem segundo métodos ancestrais sob
orientação daqueles que tem se consagrado à suas obras. Eles sabem melhor do que
ninguém ou, pelo menos melhor do que aqueles que não assumem suas
responsabilidades, o que é necessário para continuá—las. Os membros do CIRCES não
podem ditar regras de justiça nem formular juízos egotistas. Agora, mesmo que seu
presidente honorário seja o mais alto dirigente de uma grande Fraternidade
Tradicional Mundial, o CIRCES é estritamente independente de qualquer outro
movimento ou organização. Contando que tenha ficado claro o que nós não somos no
CIRCES para não precisar voltar atrás, é importante agora explicar com a mesma
clareza aquilo que somos, e quais são os nossos objetivos e atividades. As explicações
que seguem não podem ser mais que incompletas e sucintas, considerada a vastidão
dos terrenos que o CIRCES abarca e o constante surgimento de novas possibilidades,
mas indicar algumas direções pode ser
útil.

O CIRCES é um Círculo
Internacional. Dito de outra forma, ele
se abre ao mundo inteiro, e vai se
ramificando progressivamente em todos
os países. Isto, naturalmente, levará
tempo, se bem que o entusiasmo e o
dinamismo podem reduzir
consideravelmente os prazos previstos.
Em qualquer caso, este primeiro ponto
mostra que pertencer ao CIRCES
significa pertencer à um círculo de
pesquisadores em todo o mundo, o que
abre a possibilidade para um membro,
seja no quadro do CIRCES ou
pessoalmente, de constatar com outros
membros de qualquer país, se quiser. É
aí que o termo “internacional” é
fundamental, pois confere ao CIRCES um
caráter de universalidade.

Enquanto isso, as palavras


"Pesquisas Culturais e Espirituais" são as
mais importantes. A sua participação, se você for admitido, não será sob nenhum
aspecto, passiva. A sua qualidade essencial será a de constituir-se num pesquisador em

237
seu país, em sua região, em sua cidade. Você deverá então estar aberto a tudo e
segundo a célebre fórmula: "Nada daquilo que é humano lhes será estranho", é
evidente que cada membro do CIRCES se interessará por algum aspecto da Cultura ou
da busca espiritual, seja esta Música, Pintura, Literatura, História, Geografia, Cura
medicinal, Saúde, Religião, Filosofia, Ciências Conjeturais, etc. E esta enumeração é só
uma ínfima parte desse vasto domínio. A integração ao CIRCES levará cada membro a
aprofundar-se no aspecto que lhe seja mais afim sem, contudo, ignorar os demais que
vão atrair outros membros e é aí que entra a cumprir o seu rol a sede do CIRCES: Nas
“cartas” trimestrais serão tratados diversos assuntos e devo assinalar que serei eu
quem as escreverá, função que assumirei durante todo tempo que me seja possível.
São esses assuntos, essas observações e conclusões das quais falarei nas "cartas" as
que, dentro da busca pessoal, lhes servirão de guia, enquanto vocês recebem muita
informação interessante, que talvez não conhecesse em detalhes por estarem presos
aos problemas cotidianos do mundo material.

Agora, e isso aqui é de uma importância fundamental, a pedido do Sr. Gary L.


Stewart, vou definir rapidamente, dentro da estrutura do CIRCES, o Círculo Interior
Iniciatório. Este Círculo terá um caráter "fechado" e se abrirá apenas aqueles e aquelas
que, após três anos e sob escolha, sejam admitidos como membros. Ou seja, pode-se
ser membro do CIRCES e beneficiar-se de suas inúmeras vantagens, sem ser do Círculo
Interior. Aliás, não é possível solicitar a admissão, se é convidado a formar parte dele e
não há exceção a essa regra. Por outro lado, só se pode pertencer ao Círculo Interior
após um prazo fixo de três anos ininterruptos de filiação ao CIRCES. É durante este
prazo que cada um faz, de alguma forma, a sua prova. É importante distinguir que
todos os membros do CIRCES se beneficiam, desde o começo de sua filiação, do
trabalho espiritual desenvolvido em seu favor, por aqueles que compõem o Círculo
Interior.

A obra está, portanto, começada. O trabalho de cada membro, na busca cultural


e espiritual de cada um, será progressivamente aproveitado por todos. Os círculos em
formação são assembléias reservadas aos Circeanos, que não incluem nenhum ritual, e
nas quais, com ordem e disciplina, cada um expõe, sobre um assunto determinado ou
num livre debate, suas próprias opiniões e o resultado de sua experiência pessoal. É
impossível delimitar com explicações precisas, o campo de atividades do CIRCES e de
seus membros, tão vasto ele é. Seja pois suficiente lembrar que o Circeano é, em
primeiro lugar, um construtor, porque é de construtores que o CIRCE precisa. É por
isso que se faz o apelo a todas as sugestões, a todas as aptidões e a todos os talentos.

Para concluir, é certamente impossível descrever aqui os imensos espaços que se


abrem ante o CIRCES e, consequentemente, ante aqueles e aquelas que serão
admitidos. De fato, é a um grande propósito, à construção de uma vasta edificação, de
uma obra que não tem limite algum, que você é chamado. É para você que o CIRCES

238
empreende sua tarefa. Você vai contribuir individualmente, tanto quanto seja a
contribuição para com você e, se me permite dizer-lhe, tanto quanto meus esforços
me possibilitem, para dar a você minha própria contribuição. Posteriormente serão
Previstas reuniões culturais, encontros mais ou menos importantes em número, e
juntos conseguiremos o que o CIRCES espera de nós, para dar-nos da nossa parte cada
vez mais. Vamos, pois, construir, e aqueles que virão mais tarde compreenderão o que
esses primeiros esforços significaram para uma obra imensa, de um interesse
prodigioso, simultaneamente coletivo e individual, uma obra para nosso tempo, para
os novos tempos.

Eis aqui tudo o que eu posso explicar por enquanto, mas tenho a certeza de que
você sente no fundo a importância do que é o CIRCES, e daquilo que ele será, daquilo
que ele deve ser.

Se você sente um chamado interior que o leva a se unir ao Círculo universal do


qual esta primeira apresentação é um esboço, é essencial você se lembrar que o
CIRCES conta com você, com a sua dedicação, com o seu trabalho. Trata-se de
construir e você deve ter, portanto o espírito de um construtor. Naturalmente isto
implica em alguns sacrifícios, mas se ganha a extrema satisfação de unir-se a uma obra
valiosa.

Por enquanto o CIRCES está simplesmente registrando as inscrições. As


atividades propriamente ditas começarão no dia 19 de fevereiro de 1988, e a primeira
"carta" que eu tenha preparado para o CIRCES, chegará aos seus membros no mais
tardar até esta data. Eles encontrarão nela outras informações muito importantes.
Logo após, uma primeira reunião ou assembléia plenária será organizada o mais rápido
possível. Todos aqueles que sejam admitidos no CIRCES poderão assistir, se o
desejarem. Qualquer demanda de filiação deve ser enviada ao seguinte endereço:

CIRCES
CENTRE INTERNACIONAL DE RECHERCHES
CULTURELLES ET SPIRITUELLES
56, Rue Gambetta
94190 - VILLENEUVE-SAINT-GEORGES
Sinceramente seu,
Raymond Bernard

Nota do CIRCES: As "Cartas" periódicas que são enviadas aos membros levarão até eles
explicações e tudo quanto é preciso para afiliação eficaz e benéfica.

239
Raymond Bernard: A Propósito do C I R C E S100

Em fevereiro passado, Raymond Bernard publicava suas primeiras declarações


referentes ao CIRCES no Le Monde Inconnu ("O mundo desconhecido"). Hoje, frente à
rápida expansão do movimento e às confusões que pudessem criar-se em relação às
suas funções precedentes, ele tem aceito responder nossas perguntas.

Pelos anos 1939-1940, ou seja, no período em que a Ordem Rosacruz não podia
continuar existindo por causa das proibições da época, Raymond Bernard iniciou-se
nos ensinamentos da Ordem por
intermédio de uma inglesa
refugiada na sua cidade natal dos
Alpes. A sua progressão nos
domínios iniciatórios foi tão
brilhante que ele foi nomeado
Grande Mestre em 1956, após sua
antecessora, Jeanne Guesdon. Dez
Anos mais tarde, ele foi nomeado
Legado Supremo, função que
cumpriu junto com a de Grande
Mestre até 1977, data da qual foi
sucedido por Christian Bernard. Ele
foi desta forma, um dos cinco
membros do Ofício Supremo
Mundial da AMORC. Em 1986 ele
decidiu se retirar das suas funções
no seio da Ordem, mas ficou como
conselheiro pessoal do Imperator
M. Gary Stewart, Raymond
Bernard fundou o Círculo Internacional de Pesquisas Culturais e Espirituais (CIRCES), do
qual é hoje o presidente efetivo.

Erik Pigani: Criar um movimento Internacional como o CIRCES é um grande


empreendimento... Como foi que você teve esta ideia?

Raymond Bernard: Quando se tem um caminho como o meu, carregando


enormes responsabilidades, chega um momento em que a gente aspira em se retirar
para ocupar-se mais de si mesmo; ler, meditar e repousar... Foi o que fiz. Por outro
lado, durante esse período de disponibilidade, eu continuei escutando as pessoas e
Deus sabe quanta gente eu conheço, um pouco de cada lugar do planeta e recebi uma
100
Publicado originalmente na revista Le Monde Inconnu ("O mundo desconhecido"), uma entrevista
com Erik Pigani em janeiro de 1988.

240
quantidade incrível de correspondência. Talvez pelo fato de estar mais receptivo às
perguntas implícitas, constatei que todas aquelas pessoas começavam a sentir-se
pouco a vontade nas instituições já existentes, e que estavam aspirando a alguma
coisa nova. Em agosto de 1987 eu tive a ideia de criar um movimento que fosse
adaptado ao mundo de hoje e às circunstâncias totalmente particulares que a gente
vive atualmente. Me parece evidente que precisamos de quadros de expressão
diferentes daqueles que já existem, sem necessariamente entrar em contradição com
eles. Tem sido pois, os acontecimentos e Gary Stewart, o Imperator dos Rosacruzes, os
que me impulsionaram para criar o CIRCES.

E. P.: Você tem ocupado funções muito importantes no seio da AMORC, ao


ponto do Jornal "LE MONDE" ter dito que a renovação da Ordem nos países de língua
francesa foi obra sua... Você não teme que a sua reputação possa prejudicar-se em
relação a sua função como presidente do CIRCES?

R. B.: Isso aí está criando confusões que eu gostaria de dissipar: se qualquer um


tivesse fundado o CIRCES não existiria nenhum mal entendido, mas no meu caso
alguns membros da AMORC pensaram imediatamente que eu estava criando um
movimento complementar. Eu gostaria de poder falar para todo mundo que o CIRCES
é completamente independente da AMORC, mesmo que o Sr. Gary Stewart seja
também o presidente honorário. Evidentemente é impossível para eu renunciar ao
meu passado, e não nego que sou Rosacruz, isto tem sido a minha vida! Eu não me
oponho à AMORC, eu a defendo, e isso é a prova de que a AMORC não é uma seita...
Por outro lado, muitos de seus membros vem ao CIRCES porque, ao cabo desses
longos anos eles têm me outorgado sua confiança. Mas a Ordem Rosacruz não tem
nenhuma influência sobre o CIRCES e alguns membros pertencem a outras
organizações tradicionais, como Franco-Maçonaria, ou são independentes de qualquer
outro movimento.

E. P.: Como poderia você definir o CIRCES?

R. B.: É um círculo de pensamento e de ação. Não é um movimento tradicional


no sentido que normalmente se dá a esse termo. Também não é uma ordem no
sentido dado pela tradição. Ele não confere nenhuma iniciação sistemática a seus
membros, assim como não sugere doutrinas nem dá ensinamentos. É um círculo
composto de comissões e por atelieres, que propõem aos seus membros trabalhar
para a construção do mundo de amanhã, seja qual for a sua formação o a sua
experiência. Há, contudo, um Círculo Interior Iniciatório, que tem um caráter muito
"fechado", porém só é proposto a alguns membros motivados .

E. P.: Porque você tem preferido definir o CIRCES como um Círculo ao invés de
defini-lo como um centro?

241
R. B.: Um centro sugere mais a imagem de um lugar, de um ponto do qual
partem informações, linhas diretrizes e ensinamentos. A noção de Círculo é muito mais
abrangente e permite introduzir uma quantidade de elementos nos quais está
compreendida a infinidade de pequenos círculos que os compõem ou seja, as
comissões e os atelieres .

E. P.: Esses atelieres fazem então pesquisas sobre a Cultura e a Espiritualidade.

R. B.: Sim, mas eles permitem examinar também uma quantidade de outros
problemas. No que se refere à Cultura, ela tem sido com frequência considerada como
uma aquisição permanente, porém tem sido deixada de lado pelos historiadores -
salvo aqueles que são especializados - ou por outros pesquisadores. E, além disso, se
encerra a Cultura em esquemas rígidos que não deixam espaço a imaginação e a
evolução. No CIRCES nós tentamos encontrar, cuidar e preservar os conhecimentos
particulares, considerando essas pesquisas dentro de uma perspectiva de construção
do futuro.

E. P.: E a busca espiritual?

R. B.: Ela alcança todos os campos, sem tabus, dentro do respeito a todas as
religiões, a todas as Ordens tradicionais e a todas as expressões do pensamento. Seja
qual for a sua forma. Nós absorvemos o conhecimento de uma pessoa a partir de sua
experiência e sem nenhum preconceito, porque cada um de nós constitui a expressão
particular do conhecimento global, e esta expressão pode ser de utilidade para muitas
outras pessoas. As buscas espirituais vão assim se orientar nos terrenos práticos,
porque se pode evidentemente, fazer teses sobre o conhecimentos daqui até o
infinito, mas é preciso também saber tirar proveito deles com aplicação adaptada ao
mundo atual. As aplicações que já começam a emergir parecem verdadeiramente se
encaminhar no sentido de um mundo novo. Basta olhar a que velocidade o nosso
mundo está se transformando... Tentar manter antigas ideias na Cultura ou na
Espiritualidade é algo respeitável, mas isso está ruindo por todos os lados, e todas as
formas arcaicas, incluídas as instituições, vão a caminho do desaparecimento...

E. P.: Justamente, pode-se considerar que os movimentos iniciatórios


tradicionais sofrem da mesma doença que as religiões, ou seja, de serem capazes de se
adaptar a este final de século e compreenderem as nossas preocupações?

R. B.: Mesmo que elas tentem considerar os fatos, as religiões têm dificuldade de
se adaptar porque têm se esforçado durante muito tempo a ajustar o mundo a
doutrina. Por outro lado, sendo o seu objetivo oferecer o Paraiso, elas situam a
esperança do outro lado... No que se refere às organizações tradicionais, estas se
empenham em desenvolver a Iniciação, o Eu interior, e a realidade de ser.
Lamentavelmente, viver num circuito fechado convida a se recolher dentro de si
mesmo e a esquecer de doar-se. Afinal, tanto nas religiões como nas organizações, as

242
pessoas desenvolvem uma forte propensão a passividade. O CIRCES não quer impor
uma doutrina nem oferecer o Paraiso, mas convidar para ação e pedir às pessoas que
tem recebido muito doar mais de si mesmas.

E. P.: Apesar de sua curta existência, O CIRCES parece manter uma atividade
intensa...

R. B.: Sim, desde o mês de março passado, perto de 1800 membros têm se unido
a nós, ficando repartidos em atelieres de 19 pessoas. Em Paris, por exemplo, já existe
um Círculo composto por 36 atelieres! E já que um dos lemas do CIRCES é: "Nada
daquilo que é humano lhes será estranho", nós trabalhamos em cima de assuntos tão
diversos como a Ecologia, as Artes, a Ciência, a Medicina (sob todas suas formas), a
Economia, os Direitos e Deveres do homem ou a consciência mundial, só para citar
alguns exemplos. Há alguns comitês atuando no trabalho de campo para ajudar as
pessoas em sua vida pessoal, se possível materialmente, ou contribuindo a dar-lhes
conforto e apoio.

E. P.: Considerando que o movimento começa a projetar-se internacionalmente,


imagino que a organização do CIRCES deva ser complexa.

R. B.: Certamente, visto que temos procurado criar um Círculo o mais vasto
possível! Para nosso país existe um Conselho Nacional formado por 19 pessoas, cada
uma com uma responsabilidade diferente... Porque eu não estou sozinho! Eu lancei a
ideia, mas imediatamente me vi rodeado de pessoas que podiam ocupar-se de tudo
com total liberdade. Em cada país há um chanceler, e esse é o único título outorgado,
pois não queremos criar uma organização pomposa. Este é um estado de espírito que
se reflete em cada um dos nossos atos. É a mesma coisa em relação às questões
financeiras, que ocupam um lugar secundário, há naturalmente uma cotização
nominal, mas não exigimos taxas de inscrição para os encontros. Tudo funciona na
base da beneficência absoluta. Se os responsáveis têm de viajar, os gastos de
transporte são por conta deles. Desta forma o movimento levará mais tempo para se
estabelecer, mas se faz questão de não ter o dinheiro como base.

E. P.: Qualquer um pode-se integrar ao CIRCES não importando qual seja sua
opinião?

R. B.: Sim, claro, a maioria dos membros que chegam até nós já possuem ideias
pessoais baseadas na formação que eles receberam antes, seja por eles mesmos ou
pelo mundo - mais fechado - da tradição. Há, desta forma, universitários que
encontram aqui um veículo para expressar livremente suas ideias, e pessoas que não
são universitários, mas que se preocupam com algum assunto. Tenho de confessar que
é a primeira vez na minha vida que eu vejo um movimento reunir tantas pessoas com
ideias diversas, frequentemente muito avançadas, que elas carregavam consigo

243
durante muito tempo sem poder exteriorizar por falta de possibilidades. Elas
encontram finalmente um meio de trabalhar e fazer alguma coisa que seja útil à
humanidade como conjunto. E o fazem gratuitamente... É uma forma de Karma-Yoga,
ou seja, elas prestam serviço sem se preocupar com o resultado de sua ação. Para mim
é muito estimulante ver estes jovens trabalhar com tanto entusiasmo pela causa
humana, pois são eles os que representam os novos tempos...

E. P.: Você não acha este vasto projeto utópico demais?

R. B.: É realmente um programa enorme que não representa a meta do CIRCES


em si mesmo, senão a finalidade do mundo atual. Temos constatado que os atelieres
que se formam e as interrogações que surgem, correspondem à preocupações e
expectativas, o que confirma as constatações que eu fiz durante meus primeiros anos
de "aposentado". É evidente que hoje todo mundo se faz perguntas e ninguém se
atreve mais a dar respostas. É só ler os jornais e assistir televisão para observar
cotidianamente uma quantidade de coisas sendo expressadas no meio da mais
completa desordem e, por consequências, sem nenhuma eficácia. Enquanto as
informações não são agrupadas e trabalhadas seriamente, elas não servem, e ficam só
na especulação intelectual. Para tornar coerente a informação basta reunir os
elementos que se encontram dispersos e repensar tudo corretamente. Como toda
informação de que dispomos atualmente, tenho certeza de que podemos achar uma
solução para cada um dos nossos problemas, pois não há problemas sem solução!

E. P.: Você pensa em divulgar os trabalhos desenvolvidos pelo CIRCES?

R. B.: Com certeza! Para começar, algumas comissões examinarão os trabalhos


realizados pelos grupos e tirarão conclusões além de me¬ras especulações. Desde o
momento em que algum estudo seja submetido numa única análise ao Conselho
Nacional, ele será publicado. Este é um dos nossos objetivos. Neste mundo onde a
solidão reina feito monarca, mesmo com as pessoas vivendo amontoadas umas sobre
as outras, o CIRCES quer contribuir com seus esforços para uma maior comunicação,
dentro do Círculo, logicamente, mas também fora dele.

E. P.: Você deposita então as suas maiores esperanças de futuro, no CIRCES?

R. B.: Sim, e eu gostaria de repetir que o Círculo é estritamente independente de


qualquer outro movimento ou organização. Por outro lado, as explicações que hoje eu
tive ocasião de expor são incompletas e sucintas, considerada a vastidão dos terrenos
que o CIRCES engloba e o constante surgimento de novas possibilidades. A formidável
e rápida expansão da qual somos testemunhas é a prova de que o Círculo não brotou
no espírito de um só indivíduo, mas que corresponde a uma demanda coletiva. Ele
tinha que nascer algum dia e mesmo que eu não o tivesse fundado, outro o teria feito
em meu lugar. Eu dei, efetivamente, o impulso inicial, mas são todos os membros os

244
que o realizam. Todos eles têm o desejo de construir uma grande obra plenária com
novos meios, não somente para o nosso tempo, mas para uma nova era.

Organização e Objetivos

O C.I.R.C.E.S. é um Círculo Internacional. Em outras palavras, ele se abre ao


mundo inteiro e, progressivamente, terá ramos em todos os países. Entretanto, são as
palavras "Pesquisas Culturais e Espirituais" que são as mais importantes. A participação
não é, de forma alguma, passiva. A qualidade essencial de um membro é a de ser um
buscador em seu país, em sua região, em sua cidade. Ele deve, portanto, estar aberto a
tudo e, segundo a célebre fórmula, "Nada do que é humano lhe será estranho". É
evidente que cada membro do C.I.R.C.E.S. será atraído por tal ou qual aspecto da
cultura ou da pesquisa espiritual, quer se trate de música, de pintura, de literatura, de
história, de geografia, de cura, de saúde, de assuntos religiosos, de filosofia, de
ciências conjeturais, etc. - e esta enumeração é apenas uma parte muito pequena
desse vasto domínio.

O C.I.R.C.E.S. se apresenta como um movimento de espiritualidade e de iniciação


espiritual. Ele não dá formação particular no quadro de seu círculo externo.
Entretanto, ele prodigaliza conselhos e transmite luzes sobre muitos assuntos
relacionados com a existência individual e a vida em sociedade, ou, ainda, com as
novas condições de um mundo em plena mutação. Mas o que confere ao C.I.R.C.E.S.
sua originalidade, é que os membros participam eles próprios da obra comum, pela
contribuição pessoal de seus conhecimentos e de suas aptidões.

O trabalho pessoal de cada um, em suas pesquisas culturais e espirituais trará,


progressivamente, proveito a todos. Os Círculos são assembleias reservadas aos
Circeanos e não comportam nenhum ritual, mas nelas, com ordem e disciplina, cada
um apresenta, sobre um assunto determinado ou num debate livre, suas próprias
opiniões e o resultado de sua experiência pessoal. É impossivel limitar, por explicações
precisas, o ramo de atividades do C.I.R.C.E.S. e seus membros, pois ele é vasto. É
suficiente lembrar que o Circeano é, antes de tudo, um construtor e me todas as
sugestões, todas as praticas e todos os talentos são colocados a serviço do C.I.R.C.E.S.

O CIRCES é formado por círculos locais ou regionais, chamados Sinaxes,


compreendendo Oficinas e Comissões:

- cada oficina, num âmbito local, trabalha sobre um tema particular em ligação
com os assuntos supracitados. Este trabalho comporta duas fases essenciais - estudo e
reflexão sobre o tema escolhido, num primeiro momento, com a colocação em prática
desse estudo, num segundo momento.

245
- quanto às comissões, elas trabalham num âmbito nacional; sintetizam os
trabalhos que emanam das oficinas e tratam de assuntos conexos, difundindo-os ao
conjunto dos membros.

Além disso, no quadro do CIRCES, foi estabelecido um Círculo Interno. Esse


Círculo Interno tem um caráter "fechado" e só é aberto àqueles que, depois de um
prazo estabelecido, serão admitidos, sob escolha, a serem membros. Em outras
palavras, pode-se ser membro do CIRCES e se beneficiar de suas numerosas vantagens,
sem ser membro do Círculo Interno, é-se convidado a fazer parte dele, e não há
qualquer exceção a esta regra. Por outro lado, só se pode ser admitido após um prazo
fixado de três anos de filiação ao CIRCES.

É durante este prazo que cada um faz, de certa forma, sua provação. Deve-se, no
entanto, destacar que todos os membros do CIRCES beneficiar-se-ão, desde o início de
sua filiação, do trabalho espiritual efetuado em seu favor, pelos que compõem o
Círculo Interno.

Progressão Dentro do Círculo Interior

O Círculo Exterior, composto das Sinaxes, das Oficinas e das Comissões funciona
permanentemente, mas uma duração mínima de três anos de Presença dentro dos
círculos é um requisito para aceder aos Círculos Interiores. No curso deste período, o
circeano efetua seu trabalho no seio das Oficinas, posto que recebe neste meio a
comunicação mensal do Grande Chanceler (33 comunicações - 11 por ano). Estas
comunicações são a linha condutora deste período, permitindo-lhe, de sua parte a
integração ao código moral e de seu trabalho pessoal dentro do cotidiano da vida
circeana, e sua harmonização com a essência mesma do CIRCES.

Além desses três anos, ele poderá pertencer e solicitar os trabalhos das Oficinas.
Ele receberá então, não mais a comunicação mensal, mas certos trabalhos publicados
pelas Comissões.

Entretanto, se no curso de sua participação nos trabalhos das Oficinas ou pelo


seu trabalho pessoal, ele manifestar a aspiração espiritual e o desejo místico, ele
poderá pertencer, por um padrinho e/ou decisão do conselho, às portas do Círculo
Interior no curso de um ritual de passagem de admissão de um cavaleiro. O Circulo
Interior está ordenado em três ciclos repartidos assim:

Primeiro ciclo: O.S.T.I. - Ordem Soberana do Templo Iniciático.

Segundo ciclo: O.P.I. - Ordem Pitagórica Internacional.

246
Terceiro ciclo: O.U.M. - Ordem Universal de Melquisedeque.

O primeiro ciclo, de inspiração templária, tem por objeto de estudo a Tradição


Primordial, depois as técnicas do despertar, que permitem enfim uma aproximação as
grandes correntes tradicionais.

O segundo ciclo se apresenta como uma Escola Pitagórica, possuindo três graus
distintos:

- Estado de reflexão e concentração.

- Estado de meditação e contemplação.

- Estado de absorção e fusão.

Essa Escola reagrupa as Doze Mansões, as Câmaras de Meditação e a Câmara da


Unidade, as Células da Epifania e a Câmara da Epifania. O acesso a esta escola se faz
por um padrinho e/ou decisão do Conselho e é em função de um trabalho pessoal
pedido ao estudante do ciclo templário (ou proposto espontaneamente por ele).

O terceiro ciclo comporta a Ordem Universal de Melquisedeque.

OSTI - Ordem Soberana do Templo Iniciático - 1º Ciclo


O primeiro ciclo, de essência templária, constitui um trabalho de preparação e de
reflexão por todos os membros que, por suas aspirações pessoais, foram admitidos
dentro do Círculo Interior do CIRCES.

247
A entrada dentro desta ordem templária se faz no curso de um ritual de
recepção de um Cavaleiro, de inspiração templária. Por todos os membros admitidos,
é tratado então, dentro do ciclo preliminar, de se preparar um espírito cavaleiresco
que sustenta a Escola Pitagórica e a Ordem Pitagórica Internacional.

Sua duração é de três anos e comporta o estudo dos seguintes assuntos:

- a Ordem do Templo;

- o espírito cavalheiresco;

- a tradição primordial, a Atlântida, Melquisedeque, Pitágoras;

- o Graal e os Cavaleiros da Távola Redonda;

- os símbolos templários;

- os elementos da técnica cujo alvo é desenvolver a personalidade psíquica e de


preparar o estudante para a Escola Pitagórica;

- apresentação das bases da filosofia mística necessária a todo o trabalho


interior: reunião da humanidade do Oriente e do Ocidente, da Razão e da Intuição;

- desenvolvimento da alquimia espiritual e evocação do casamento alquímico.

Esses trabalhos são efetuados dentro de um quadro ritualístico e iniciático.

Ao término desses estudos, o estudante é conduzido para as Oficinas de Reflexão


Templária, pequenos grupos de estudo, comissões que fazem pesquisas sobre o
pensamento templário ou trabalhos de autores do passado, experimentando e
testando diferentes assuntos em conexão com a Ordem do Templo.

É neste nível que serão escolhidos certos estudantes que, continuando a


participar das Oficinas de Reflexão Templária, serão dirigidos para a Escola Pitagórica.

OPI - Ordem Pitagórica Internacional – 2º Ciclo

Este segundo ciclo, como uma grande Universidade mística de essência


Pitagórica, constitui o coração mesmo do CIRCES interior. Ele está articulado em três
graus ou estados.

1º grau - reflexão/concentração.

2º grau - meditação/contemplação.

3º grau - absorção/fusão.

248
A entrada dentro desta Escola Pitagórica se faz com um ritual de passagem.

Primeiro grau: reflexão/concentração

Seu fito essencial é um trabalho de preparação e de reflexão por todos os


membros que, por sua aspiração pessoal, foram admitidos dentro da Escola Pitagórica.

Trata-se de cada estudante:

- ser capaz de reconhecer a presença de uma Tradição Primordial que se exprime


através das grandes correntes tradicionais;

- começar a perceber a presença de um campo de força particular que anima o


CIRCES;

- integrar as bases de uma técnica particular, simples, conduzida em harmonia e


em ressonância com o campo de força;

- aprofundar um certo número de assuntos relativos à ciência dos Arquétipos e


aos arcanos da matéria: os números, a astrologia e a geometria sagradas, o
simbolismo, a música e a escala, a psicologia, os sonhos...

Este grau comporta muitas portas distintas:

- práticas e ensinamentos orais, de uma parte, que por seu aspecto de revelação,
conduzirá o estudante em harmonia com esta corrente de pensamento: apresentação
de uma técnica simples e gradual, válida e harmoniosa, da abertura e comunicação
com os planos superiores; apresentação das diferentes correntes tradicionais a partir
de arquivos secretos ou do trabalho das Comissões;

- trabalhos em grupos locais (cenáculos), de outra parte, acerca dos diversos


assuntos aprendidos todos ao longo deste primeiro grau.

Segundo grau: meditação/contemplação

Este grau é constituído das Câmaras de Meditação e das Câmaras da Unidade,


emolduradas pelas Doze Mansões.

- As Mansões são em número de 12 e elas são cada uma delas relativas as 12


notas, as 12 vias de realização, as 12 modalidades de expressão do divino. Elas
trabalham sobre as tradições particulares e sustentam as Câmaras de Meditação e as
Câmaras da Unidade.

- Depois do estudo sumário das diferentes tradições no seio do primeiro grau,


um trabalho pessoal é pedido ao estudante, sob a forma de uma monografia ou de
qualquer outro meio de expressão escrito, oral ou visual. Ele desenvolverá uma ideia
pessoal à luz dos ensinamentos recebidos. Ele poderá ter um andamento demorado

249
enquanto faz este trabalho, mas não poderá participar de nenhuma atividade
ritualística. Depois da apresentação de seu trabalho, com a aprovação do Conselho, o
estudante é então integrado nas Câmaras de Meditação.

Cada uma destas câmaras é articulada em redor das tradições particulares ou das
vias de realização emanadas das 12 Mansões. A finalidade de uma câmara é de:

- pesquisar o Divino ante todas as coisas e contemplar sua manifestação dentro


da diversidade das vias;

- realizar a unidade dentro da multiplicidade;

- descobrir as diferentes pronúncias da Palavra Perdida.

O trabalho no seio de cada câmara é alimentado por:

- entrar em harmonia com os textos procedentes da ou das tradições a que se


referem;

- a participação em rituais próprios de cada tradição;

- viagens aos lugares sublimes destas tradições;

- encontros com os representantes destas tradições.

Cada uma destas câmaras, animadas por um delegado-mestre, recebe suas


diretivas e os manuscritos necessários das 12 Mansões e do Conselho dos Sábios. Os
trabalhos são efetuados dentro de um quadro ritualístico permitindo a comunhão com
o conjunto das tradições.

- Após um trabalho específico sobre cada tradição efetuado dentro das Câmaras
de Meditação, o estudante é levado a experimentar uma aproximação mais unitária no
seio das Câmaras da Unidade, última etapa deste segundo ciclo, vários temas
particulares (Paz, Amor, Alegria) aí são evocados conforme são partes das tradições
estudadas dentro das Câmaras de Meditação. Um ritual da Unidade abre e encerra os
trabalhos destas câmaras o qual forma uma câmara intermediária correspondente a
Sefira XXXX dentro da árvore sefirótica.

Terceiro grau: absorção/fusão

O trabalho deste grau é feito dentro das Células da Epifania. Ele é acessível aos
estudantes dos dois outros graus com decisão do Conselho. Neste estado, o estudante,
além de toda a forma e de toda a técnica, tem a possibilidade de transcender (como
faz a 19ª Lamina do Tarô) além da Palavra Perdida segundo as aspirações de seu ser
profundo. O trabalho destas células se faz sob a égide da Câmara da Epifania.

250
Neste plano, domínio da graça pura, o estudante poderá experimentar a
liberdade total do seu ser interior. Por abandono à providência divina, ele poderá
provar da penhora e da descida do campo de força e "aguardar a vinda do Espírito". É
como uma prece arrebatando a um novo grau de percepção.

A Câmara da Epifania é articulada em redor do "Não-Caminho", propondo a cada


estudante tornar-se um espelho e de confiar e inundar-se da graça e a se transformar.
Ele acompanhará a experimentação de palavras de força, e discutindo assuntos, em
círculos fechados, terá revelações particulares. Ele tratará de preparar o seu ser para
tornar-se a taça do Graal. A participação no trabalho desta câmara secreta não proíbe
em nenhum caso, de participar aos trabalhos dos dois primeiros graus do Ciclo
Pitagórico ou do Ciclo Templário.

OUM - Ordem Universal de Melquisedeque – 3º Ciclo

Coroando o todo e sustentando o conjunto, a Ordem Universal de


Melquisedeque se apresenta como o eixo central de toda a estrutura interior.

251
252
253
Gary L. Stewart (1953)

Gary L. Stewart, nascido a 26 de fevereiro


de 1953 em Stockton, Califórnia, foi o Imperator e
o presidente da diretoria da AMORC entre 1987 e
1990. Após alegações internas de desvio de
fundos, foi afastado do cargo de presidente pela
diretoria da AMORC. Em 10 de agosto de 1993, a
AMORC solicitou ao Tribunal Superior do
Condado de Santa Clara na Califórnia a retirada
das acusações feitas contra ele em prejuízo dela.
Em 1996, fundou uma outra organização
dedicada ao Rosacrucianismo denominada
Confraternidade da Rosa+Cruz (CR+C), da qual é o
atual Imperator. Gary L. Stewart também é o
Cavaleiro Comandante (Knight Commander) da
Ordo Militiae Cruciferae Evangelicae (OMCE) e
Grande Mestre Soberano (Sovereign Grand
Master) da Ordem Martinista Britânica (BMO -
British Martinist Order).

Atualmente, a Ordem Martinista Britânica está ativa nos países de língua inglesa,
em Gana e no Brasil. As demais organizações estão ativas nos Estados Unidos, Reino
Unido, Gana, Brasil, Austrália e em outros países.

Questões Legais

Em 1990, Stewart foi removido de seu cargo de presidente da diretoria da


AMORC pelo voto majoritário da nova diretoria expandida da organização e foi
processado no Tribunal Superior da Califórnia com alegações de desfalque (Caso nº. 1-
90-CV-700028, Rosicrucian Order-Vs-Stewart Et Al). Além de outras pessoas, o Silicon
Valley Bank e o Banc Agricol i Comercial foram também acusados nessa ação. As
alegações de desfalque envolveram a acusação de obtenção de uma linha de crédito
de cinco milhões de dólares em nome da AMORC com o Silicon Valley Bank e a
transferência de três milhões de dólares para o Banc Agricol em Andorra sem a
aprovação adequada da diretoria. Stewart afirma que os fundos foram transferidos de
uma conta bancária da AMORC para outra da própria instituição com o propósito de
lançar a semente para formação de uma Grande Loja na Espanha. A maioria dos
diretores da AMORC afirmava que o estabelecimento de uma linha de crédito e a
subseqüente transferência de fundos foram feitos sem seu conhecimento. Uma
transferência adicional de quinhentos mil dólares, que Stewart sustentava visar o
pagamento de honorários e lançar as sementes para outros programas correlatos da
AMORC, também estava sendo discutida na ação.

254
Stewart respondeu alegando que todas as transações bancárias haviam sido
feitas adequadamente e toda documentação, incluindo a decisão corporativa para se
fazer o empréstimo, havia sido devidamente assinada pelos diretores adequados. A
alegação de Stewart foi apoiada pelo Silicon Valley Bank. Adicionalmente, Stewart
moveu uma reconvenção que incluía alegações de malversação financeira e de
desfalque por parte de vários outros diretores. Em dezembro de 1991, Stewart
solicitou a retirada de toda sua reconvenção em seu prejuízo (o que significa que ele
não pode propor tal ação novamente) e ela foi oficialmente retirada em 7 de janeiro
de 1992.

Em 1993, a Insurance Company of North America solicitou permissão, como


parte interessada, para participação na ação movida pela AMORC e para a continuação
do processo, alegando fraude em seguros por parte da AMORC resultante de
solicitação em outubro de 1990 de pagamento de indenização relativa a este caso.
Após essa solicitação da Insurance Company of North America, a AMORC buscou
ativamente entrar em acordo com todas as partes envolvidas em sua ação e Stewart
foi contatado em 27 de maio de 1993. Em 10 de agosto de 1993, a ação da AMORC
contra Stewart foi acordada fora dos tribunais e foi retirada pela AMORC em prejuízo
dela (o que significa que a AMORC não pode propor tal ação novamente contra ele).

As ações entre Stewart e a AMORC foram acordadas fora dos tribunais e


nenhuma das partes envolvidas na ação e na reconvenção foi jamais acusada ou
condenada de quaisquer crimes. Não houve nenhuma decisão judicial relativa a essas
ações e Stewart nunca contestou o direito da diretoria da AMORC de removê-lo, por
voto majoritário, de seu cargo de presidente. A questão de se ele poderia ou não ser
removido legalmente do Ofício de Imperator (um cargo vitalício) nunca foi considerada
— nem pelos tribunais nem pelas diretrizes internas da AMORC, conforme eram
definidas pela Constituição e pelos Estatutos que dirigiam a organização naquela
época.

Stewart foi também processado em 1992 por Maynard Law Offices por quebra
de contrato (Caso nº. 1-92-CV-720163, Maynard Law Offices-Vs-Stewart), pois estava
impossibilitado de pagar os honorários advocatícios. A questão foi resolvida por
conciliação naquele mesmo ano.

Digitando-se os números dos casos 190CV700028 ou 192CV720163 (através do


Index Search by CASE #) na ligação externa da Superior Court of California, County of
Santa Clara mencionada abaixo, pode-se obter as informações resumidas dos
processos aos quais este artigo se refere:

Superior Court of California, County of Santa Clara:


http://www.sccaseinfo.org/

255
Imperators da AMORC:
Harvey Spencer Lewis (1909 - 1939)
Ralph Maxwell Lewis (1939 - 1987)
Gary L. Stewart (1987 - 1990)
Christian Bernard (1990 - presente)

256
257
Ordem Rosacruz, AMORC versus Gary L. Stewart
por J. C. Boscolo

Os membros mais antigos da AMORC sabem que 1990, alguns fatos aconteceram
e o então Imperator Gary L. Stewart foi afastado sendo substituído pelo atual
Imperator Christian Bernad que permanece até hoje.

Segundo soube depois, os fatos se relacionavam com um suposto desvio de


recursos financeiros dos cofres da AMORC para outras finalidades. Nessa época eu já
tinha 13 anos de filiação à AMORC e, evidentemente fiquei extremamente chateado
com o ocorrido, embora a AMORC não tenha entrado em muitos detalhes do ocorrido
nem de suas consequências e desdobramentos.

Com isso, o antigo Imperator, Gary L.


Stewart, fundou a “Confraternidade Rosae
Crucis – CRC” transmitindo os ensinamentos de
acordo com as monografias originais de H.S.
Lewis (segundo as declarações do próprio Gary
L. Stewart). Mesmo decepcionado, continuei
com os estudos da AMORC onde estou até hoje,
pois aprendi a não confundir os dirigentes com a
Organização.

Então, quero deixar muito claro que não


estou tomando nenhum partido, não estou
dizendo quem estava certo ou errado e nem
criticando ninguém. Tenho profundo respeito
pela AMORC e pala CRC e estou postando o
texto exatamente como o recebi, sem incluir ou
suprimir uma única letra. Que cada um tire suas
próprias conclusões.

“Na segunda-feira 12 de janeiro de 1987 às 23h26, uma nuvem escura desceu


sobre a Ordem Rosa-Cruz. Era a transição do Imperator Ralph M. Lewis, filho do Dr. H.
Spencer Lewis. O archote e as rédeas da liderança foram transmitidos ao novo
Imperator Gary L. Stewart.”

Esta declaração foi feita:

“Em 23 de janeiro de 1987, a Diretoria da Suprema Grande Loja da AMORC, Inc.,


elegeu Gary L. Stewart para o Ofício de Imperator da Ordem Rosacruz, AMORC,
sucedendo Ralph M. Lewis. A Instalação formal do novo Imperator ocorrerá no Templo
Supremo na cerimônia anual do Ano Novo Rosa-Cruz, sexta-feira, 20 de março de 1987
às 20h.”

258
A declaração também afirmava que duas outras eleições haviam ocorrido. Cecil
A. Poole reassumiu a Vice-Presidência da Suprema Grande Loja e Christian Bernard foi
eleito membro da Diretoria da Suprema Grande Loja no ofício de Supremo Legado.
“Tudo ocorreu como planejado e, numa cerimônia mística solene, Gary L. Stewart
foi devidamente instalado na ocasião e no local designados como Imperator da Ordem
Rosacruz, AMORC.”

Tradução em português da Carta da CR+C do Imperator

23 de outubro de 1993.
PARA: Comendadorias da Ordem da Milícia Crucífera Evangélica (O.M.C.E.)
Lojas e Capítulos da Confraternidade Rosae Crucis (CR+C)
DE: Gary L. Stewart, Cavaleiro Comandante e Imperator
Ref.: Declaração

INSTRUÇÕES: Para ser lida aos membros reunidos, antes ou após o Trabalho
Ritualístico. Cópias desta carta podem ser distribuídas aos membros presentes que a
solicitarem. Embora esta não seja uma declaração confidencial, não a estarei
difundindo entre os membros em geral nem deve ela ser publicada em qualquer
boletim.

Caros irmãos e irmãs:

Inicialmente eu havia decidido fazer uma simples


declaração comunicando que a ação judicial entre mim
e a AMORC estava terminada e agradecendo a todos os
irmãos e irmãs que apoiaram tanto o Ofício do
Imperator quanto a minha pessoa no decorrer dos
eventos dos últimos três anos. Como vocês todos estão
bem cientes, pouco falei sobre a questão judicial e, no
pouco que realmente falei, jamais critiquei ou ataquei
quaisquer indivíduos ou entidades. Mais precisamente,
incentivei-os todos, independentemente de suas
inclinações, a concentrar suas energias no Trabalho
Espiritual.

Palavras são inexpressivas a menos que estejam


unidas a atos de realização. E se nossas palavras e
ações são puras e a Serviço da Luz, então resistimos
isentos e livres da fraude e do motivo dissimulado. Na
Senda Espiritual a clareza de propósito e de direção é
essencial. Para o Rosa-Cruz, a liberdade da Verdade —
e a busca de tal liberdade — é apenas um dos muitos
aspectos da criação do Movimento. Se não mantivermos tais atributos, se não
mantivermos um alto nível de integridade e responsabilidade, então nada temos e
nada representamos. Eu mantive silêncio por uma razão crucial — embora existissem
outras de menor importância — e assim foi porque nosso Trabalho é por demais

259
importante para degradar-se em função de nosso envolvimento na sujeira de um
processo civil de uma Corporação. Por que travar batalhas com indivíduos que nem
mesmo compreendem a guerra? Com pessoas que persistem na publicação de
propaganda enganosa? Temos apenas um propósito, que é o de Servir à Luz da
Verdade!

Outros preferiram defender suas ações; mas a que preço? Não são a mentira, a
falsificação e a deturpação da verdade as marcas das trevas da ignorância? Felizmente,
no tocante a esta situação, os seguidores de tais procedimentos são a minoria. Mas o
que essa minoria conseguiu? Nada além de enfraquecer uma entidade e torná-la
vulnerável aos abutres que não têm outro propósito a não ser o de se lançar como
aves de rapina sobre os fracos, e que se identificaram com o propósito declarado de
destruir por vingança. Os abutres aos quais me refiro são aquela entidade que professa
estar “servindo aos ideais do movimento Rosa-Cruz”.

Essas Crônicas não valem o tempo gasto para lê-las, e certamente não refletem o
pensamento Rosa-Cruz de forma nenhuma. Eu quebrei meu silêncio e ao fazê-lo, rogo
para que os leitores desta carta mantenham sua concentração na realização do
Trabalho Espiritual, e se recusem a ser perturbados pela emotividade, envolvendo-se
em qualquer outra coisa que não seja a pureza de seu próprio Trabalho. Não censurem
nem briguem com a AMORC ou com seus assinantes por causa dos atos de uns poucos.
Aquela entidade precisa se curar e explorar as possibilidades de sua nova estrutura e
novo propósito declarados. Não se rebaixem tornando-se envolvidos nas ações
professadas pelas “Crônicas Rosa-Cruzes”.

Devemos nos perguntar sobre seus


motivos e porque eles escolheram
apresentar a verdade de forma tendenciosa
e injusta. Mantenham-se, de preferência,
concentrados no Trabalho Espiritual e
permaneçam sem vacilar em sua Obra para
o Movimento Rosa-Cruz.

Foi por causa da declaração de Kristie


Knutson sobre o término do processo, as
inferências que ela faz e os boatos
resultantes que circularam sobre aquela
declaração, que estou elaborando minha
própria declaração. Esta será a ultima vez
que me refiro a este assunto até o
julgamento a ser realizado em Dallas em
1994.

Então, tornarei públicos todos os documentos, a correspondência trocada com


os advogados da AMORC, a Comunicação Mútua e outros itens relativos ao nosso
acordo. Primeiro: Knutson declara em sua carta: “Embora não nos seja permitido
revelar informações específicas sobre cada acordo, podemos lhes dizer que os acordos

260
foram favoráveis à AMORC e incluíram o recebimento de fundos do Silicon Valley Bank
e de vários outros acusados”. Ela declara, e nos leva a crer, que o acordo entre mim e a
AMORC fora feito sob uma cláusula de confidencialidade e um manto de sigilo. Não o
foi. Tanto eu quanto a AMORC estamos realmente livres para divulgar toda e qualquer
informação relacionada ao nosso acordo. Quanto aos boatos gerados por sua
declaração de que a AMORC recebera dinheiro de mim como resultado de nosso
acordo, são uma inverdade. Nada paguei à AMORC ou a quem quer que fosse,
indivíduo ou entidade, com relação ao processo ou ao que foi acordado.

Segundo: sobre o boato que, no decorrer da resolução de nossa ação judicial, eu


concordei em renunciar o direito que tinha como Imperator ou qualquer associação
com o Rosacrucianismo, mais uma vez é uma inverdade. De fato, aconteceu o
contrário. Fui escolhido como o sucessor de Ralph Lewis pelo próprio Ralph Lewis, e
ele confirmara sua
escolha
informando-a a um
certo número de
indivíduos pré-
selecionados. Jurei
oficialmente e fiz
uma promessa
pessoal a Ralph
Lewis que
manteria e
defenderia aquele
Ofício por toda a
vida e que também escolheria meu sucessor no momento adequado. Ainda mantenho,
e continuarei a manter, a linhagem de Imperator a mim conferida por Ralph Lewis.

Terceiro: quero deixar claro que não busquei um acordo com a AMORC. Eles me
pediram um acordo e, tanto quanto eu saiba, a todas as outras partes no processo.

Finalmente, gostaria de apresentar uma breve cronologia dos eventos:


a) Sexta-feira, 13 de abril de 1990: o processo judicial começa.
b) 25 de abril de 1990: escolho redefinir a guerra e concordo em negociar um
acordo. O acordo fracassa; concordo com a Injunção Preliminar, e retiro o Ofício do
Imperator da AMORC.
c) De abril a novembro de 1990: a AMORC redefine sua estrutura corporativa e
nega o status Tradicional do Imperator, redefinindo aquele Ofício como sendo idêntico
ao de Presidente de uma Corporação. A Corte sustenta que a Diretoria de uma
Corporação tem o direito de destituir um presidente pelo voto majoritário.
Considerando que a Corporação afirmou que Imperator significa presidente da
Corporação, a AMORC admite a retirada do Ofício Tradicional.
d) Entre novembro de 1990 e maio de 1993, tive pouco envolvimento ou
conhecimento do processo, exceto pelas questões relacionadas abaixo, que me
envolviam pessoalmente.
e) Abril de 1991: introduzo o Ofício do Imperator na Ancient Rosae Crucis.

261
f) Novembro de 1991: instruo meu advogado a desistir de minha reconvenção
inativa contra a AMORC.
g) 07 de janeiro de 1992: Efetiva-se a desistência de minha reconvenção em
meu prejuízo (a favor da AMORC).
h) Fevereiro de 1993: tomei conhecimento de que a AMORC e o Silicon Valley
Bank entraram em acordo. A AMORC desistiu de sua queixa contra o banco e o banco
desistiu de sua reconvenção contra a AMORC de conspiração e fraude. (Nota: em
1990, Donna O’Neill escreveu que a AMORC pagara US$ 600.000 de taxa de
empréstimo ao banco, embora toda a questão ainda estivesse em litígio e
tecnicamente não devesse ter sido paga). Knutson agora escreve que a AMORC
recebeu dinheiro do banco como resultado do acordo entre eles. De acordo com os
documentos do Tribunal, a quantia paga à AMORC foi de US$ 290.000 — US$ 310.000
a menos do que a AMORC lhes tinha pagado em 1990!
i) Em março de 1993, descubro que o julgamento deste caso está marcado
para 14 de junho de 1993.
j) Em maio de 1993, sou contatado pela firma de advocacia de San Francisco,
Wallace B. Adams, que representa a “Insurance Company of North America” (INA), a
quem a Suprema
Grande Loja (SLG),
AMORC Inc.
requereu, em
outubro de 1990,
pagamento de
seguro. Eu jamais
ouvira falar dessa
companhia. Uma
vez que a carta de
Knutson afirma:
“… companhias
seguradoras”,
assumo que a
AMORC tivesse
mais de uma. A
firma de advocacia me mandou uma passagem de avião em maio de 1993, e passei
dois dias discutindo com eles o processo. Enquanto lá estive vi, pela primeira vez, três
documentos cruciais que nunca havia visto antes:
Uma apólice de seguro de responsabilidade criminal contra mim pela AMORC
em maio de 1989;
Outra apólice de seguro de responsabilidade criminal contra mim em outubro
de 1989. Ambas as apólices tinham validade de um ano. (Eu desconhecia qualquer
uma das apólices); e III. Um documento de confirmação por telex enviado a Burnam
Schaa pela firma de Dean Whitter, confirmando que eles haviam enviado por telex a
soma de US$ 250.000 para Pittsburgh em fevereiro de 1990, conforme instruções de
Schaa. (Muitos de vocês devem se lembrar de minha alegação que, não somente não
autorizei a transferência daquela quantia, como nem ao menos dela sabia a não ser
semanas mais tarde. Schaa declarou sob juramento que não autorizara a
transferência.).

262
No que Irving Söderlund, em nome da SGL, AMORC Inc., requereu o pagamento
do seguro em outubro de 1990, no montante de US$ 300.000, por “atos desonestos e
fraudulentos de Gary L. Stewart e Nelson Harrison…” com referência à transferência de
US$ 250.000 (feita por Schaa) e uma transferência de US$ 500.000 (que realmente
autorizei), a companhia de seguros começou a questionar a “honestidade” da
reivindicação.

Através de suas próprias investigações e de


conversas comigo, a INA decidiu intervir contra a AMORC
no processo e a seguir deu entrada, naquele mesmo mês,
nos documentos pertinentes. Eles julgaram que todas as
transações conduzidas por mim estavam de acordo com
os procedimentos estabelecidos pela AMORC.
Antes de ir a julgamento, mas depois de
intervenção, a AMORC repentinamente começou a
buscar acordos com as partes restantes do processo. Não
sei com que outras companhias de seguro a AMORC “fez
acordos”, mas conhecendo os eventos com a INA, duvido
seriamente que a AMORC tenha recebido algum dinheiro
delas. Eu arriscaria dizer que o contrário ocorreu, mas uma vez que o acordo entre eles
foi confidencial, eu realmente não sei.
k) Em 27 de maio de 1993, recebi um fax dos advogados da AMORC
declarando que estavam fazendo acordos com todas as outras partes do processo e
que eu era a última parte restante. Eles retirariam a ação contra mim se eu:
Pagasse US$ 100.000 à AMORC; e
Pagasse suas custas processuais relativas à minha reconvenção.

Respondi através de um fax com quinze itens. Entre outras coisas, declarei que
estava pronto para ir a julgamento, que não pagaria nenhuma quantia à AMORC, que a
AMORC deveria pagar os honorários de meu advogado e que meus três anos de
salários não pagos fossem aplicados como se segue:
50% a serem utilizados para o desenvolvimento da AMORC em Gana;
25% a serem utilizados para o desenvolvimento da AMORC na Nigéria; e
25% para aquisições para o Museu Egípcio Rosacruz.

Ainda afirmei que eu fosse parte equitativa com a AMORC na redação e


aprovação de uma declaração geral marcando o fim do processo, e “que um
documento fosse publicado pela AMORC esclarecendo que o título “Imperator” como
utilizado pela AMORC se refere ao Presidente da Corporação e que ele é subserviente
ao Conselho dos Grandes Mestres como declarado… e que eu (Gary L. Stewart)
detenho a legítima transmissão do Ofício do Imperator a mim conferido por Ralph
Lewis… (o qual, como registrado em Washington D.C., é somente meu enquanto eu
viver, não podendo ser transferido a outro sem minha permissão, a qual não dou agora
ou em futuro próximo.)”. Concordei em declarar que retirei o Ofício do Imperator da
AMORC e não reivindicaria a AMORC.

263
Em 7 de junho de 1993, os advogados da AMORC me telefonaram com uma
contraproposta na qual cada um seguisse seu caminho, pagasse as custas dos próprios
advogados e não reivindicasse culpa ou responsabilidade à outra parte. Concordei em
princípio.

Em 18 de junho de 1993, os advogados da AMORC enviaram por fax uma


proposta para o comunicado mútuo. Fiz objeção a vários pontos. Entretanto, meu
interesse crucial era com a cláusula identificadora: “Rosa-Cruzes, uma Corporação da
Califórnia sem fins lucrativos”, usada para identificar a AMORC. Objetei, declarando
que o uso, por eles, da palavra “Rosa-Cruz” implicaria que eu não o era. Uma vez que
eu era o Imperator de um Movimento Rosa-Cruz, tal admissão de minha parte seria
uma inverdade.

Além disso, eu entendia que a AMORC era agora uma Corporação Canadense,
como ela havia anunciado. Assim sendo, eu queria esse ponto esclarecido.

Em 23 de junho de 1993, os advogados da AMORC responderam. Eles


concordaram em não usar a palavra “Rosa-Cruz” e mudaram a cláusula identificadora
para “SLG, AMORC Inc”. Mais tarde declararam que “… a Suprema Loja e a Grande Loja
Inglesa tornaram-se entidades legais independentes… a Grande Loja Inglesa tornou-se
a sucessora interessada legal dos direitos e responsabilidades do processo no início de
1991…”

“Colocado de maneira simples, a Corporação Canadense sem fins lucrativos a que


você faz referência é uma nova entidade legal que não tem interesse neste processo”.

Respondi em 29 de junho de 1993, afirmando que entendia que eles estavam


dizendo que em janeiro de 1991, a SGL, AMORC Inc. foi dissolvida nos EUA e mudou
para o Canadá como uma “nova” Corporação e que também em janeiro de 1991, uma
nova Corporação chamada Grande Loja Inglesa da AMORC foi formada. Se nenhuma
das entidades existia antes daquela data, quem está legitimamente me acionando?

Também declarei que a remoção da SGL, AMORC Inc. para o Canadá era, no meu
entender, uma violação da ordem restritiva relacionada à ação que a AMORC movera
contra mim e objetei que ninguém fora notificado, muito menos os tribunais. Mais
ainda, declarei que nenhuma moção fora feita ante as cortes nomeando a Grande Loja
Inglesa como sucessora legal e, subsequentemente, a despeito do que possa ter sido
pretendido, eu não faria nenhum acordo com uma Corporação que nem mesmo existia
na época do início do processo. Finalmente, declarei que não assinaria nenhum acordo
identificando a SGL, AMORC Inc. como uma Corporação da Califórnia. Eu acrescentei a
palavra “Canadense”.

Em 9 de julho de 1993, eles responderam, dizendo que eu estava negociando


com a SGL, AMORC Inc. e sugeriram remover a “… identificação das partes por
referência ao Estado de incorporação ou residência”. Em outras palavras, a SGL,
AMORC Inc. não seria referida como uma Corporação da Califórnia ou Canadense.

264
Como só recebi a carta deles, datada de 9 de julho de 1993, em 25 de julho,
devido a um erro tipográfico que eles cometeram no meu endereço, eu a respondi em
28 de julho de 1993, afirmando: “Entendo, pelo seu segundo parágrafo que a entidade
com a qual estou atualmente negociando e que iniciou este processo é a SGL, AMORC
Inc., a qual era uma Corporação da Califórnia em abril de 1990, e depois se tornou uma
Corporação Canadense em janeiro de 1991… se os senhores puderem… me garantir
que tal remoção (“da Califórnia” ou “Canadense”) é apropriada perante a corte, não
farei objeções.”

Sua carta de 2 de agosto de 1993 me garantiu que tal remoção era apropriada e
com esse entendimento, concordei com o comunicado mútuo.
l) Em 10 de agosto de 1993, a AMORC abandonou sua ação contra mim em seu
prejuízo (a meu favor). Os termos da conclusão são muito simples.
Nenhum dinheiro foi trocado, ninguém reivindica culpa ou responsabilidade e
ninguém admite qualquer transgressão ou má ação.

Tivesse a declaração de Knutson simplesmente afirmado que o processo acabara,


a minha declaração teria sido a mesma. Foi devido a implicações e boatos que senti a
necessidade de entrar em maiores detalhes para esclarecer a verdadeira natureza da
situação. Por favor, não me contatem com relação a este assunto, uma vez que
permanecerei em silêncio até o Tribunal. (4)

Finalmente, as ações provam a veracidade ou as mentiras das palavras. As ações


da AMORC foram: dissolver, realizar nova incorporação e se mudar para fora do país,
negar o Ofício do Imperator e redefini-lo como Presidente da Corporação, erradicando,
dessa forma, os aspectos tradicionais e fraternais do Movimento Rosa-Cruz. Mas isto
não é necessariamente algo ruim. A AMORC redefiniu seu propósito como uma
Corporação orientada ao público, devotada à educação pública do termo “Rosa-Cruz”.
Ela não declara ser uma Ordem fraternal. O mundo realmente necessita de
organizações como essa e ela deveria ser apoiada em seu trabalho — não criticada ou
atacada por inimigos vingativos, como vem ocorrendo atualmente.

Mas o mundo também precisa de um veículo fraternal, devotado à perpetuação


do Movimento Rosa-Cruz e das Tradições, e tal veículo é a Confraternidade Rosae
Crucis (CR+C), que também mantém e perpetua a integridade do Ofício do Imperator.

Estou satisfeito que meu Ofício tenha mantido essa integridade a despeito dos
ataques de seus inimigos.

Com Paz Profunda,


Gary L. Stewart
IMPERATOR

Fonte: http://jcboscolo.blogspot.com.br/

265
A Confraternidade da Rosa+Cruz (CR+C)

A Confraternidade da Rosa+Cruz (CR+C) é uma organização


Rosa-Cruz fundada em 1996 pelo anterior Imperator da AMORC
Gary L. Stewart, na qual preserva e perpetua a Tradição Rosa-Cruz
2 sob a linhagem e autoridade espiritual, oferecendo os
Ensinamentos Rosa-Cruzes originais preparados nas décadas de
1920 e 1930 por Harvey Spencer Lewis, pai de Ralph Maxwell Lewis
e primeiro Imperator para o segundo ciclo de atividades da Ordem
na América, conforme lhe foram transmitidos por seus Iniciadores.

Ela está ativa nos Estados Unidos, Reino Unido, Gana, Brasil, Austrália e em
outros países.

Gary L. Stewart também fundou a Ordo Militiae Cruciferae Evangelicae (OMCE) e


a Ordem Martinista Britânica (BMO - British Martinist Order).

Uma entrevista com Gary L. Stewart


Imperator de um Movimento Rosa-Cruz,
Cavaleiro Comandante da O.M.C.E. e
Grande Mestre Soberano da Ordem Martinista Britânica
para o site da CR+C, em 9 de agosto de 2002, por Andre Rotkiewicz

P: O que o levou e quando começou sua busca da Verdade e da Luz em um


caminho tradicional?

Eu tinha provavelmente cerca de doze anos de idade quando desenvolvi um


interesse em assuntos místicos, embora realmente me lembre de ter tido algumas
experiências e impressões interessantes muito antes dessa idade. No entanto, até os
dezoito anos não tinha realmente me envolvido com nenhum grupo organizado — e
isso foi com uma Loja esotérica na Bélgica. Suponho que eu creditaria àquela data —
junho de 1971 — o início efetivo em um Caminho Tradicional. Foi somente em 1975
que eu me envolvi no Rosacrucianismo através de minha afiliação à AMORC (Antiga e
Mística Ordem Rosae Crucis).

P: Como o senhor se tornou um Imperator do Movimento Rosa-Cruz?

Na minha opinião, é inapropriado dizer que me tornei um Imperator “do”


Movimento Rosa-Cruz. É melhor dizer que sou um Imperator de “um” Movimento
Rosa-Cruz. A palavra “Rosa-Cruz” é bem genérica em seu uso e há muitos grupos,
pessoas e linhagens diferentes que podem corretamente usar a palavra para descrever

266
sua função e/ou identidade, com relação ao Trabalho que fazem. Na minha opinião,
qualquer um que tente declarar-se como sendo a autêntica ou genuína Ordem Rosa-
Cruz, excluindo qualquer um ou todos os outros, está tristemente carecendo de
perspicácia histórica.

Com isso dito, eu me tornei o Imperator de um movimento Rosa-Cruz que


perpetuou uma linhagem passada do Dr. H. Spencer Lewis para seu filho, Ralph M.
Lewis e para mim mesmo, que estava se manifestando em uma Organização chamada
AMORC. A AMORC foi criada por H. Spencer Lewis em 1915 após muitos anos de
preparação. De acordo com os ditames tradicionais daquela linhagem (e da maioria de
outras Linhagens Rosa-Cruzes de que estou ciente), tornei-me Imperator através de
seleção pessoal de meu predecessor, Ralph Lewis, para tornar-me seu sucessor após
sua morte — que ocorreu em janeiro de 1987.

P: O senhor fundou a Confraternidade da Rosa+Cruz. Poderia nos falar sobre a


história e os objetivos da CR+C?

Eu fundei a CR+C (Confraternidade da Rosa+Cruz) em 1996 com o propósito de


perpetuar tanto as Tradições Rosa-Cruzes quanto a Linhagem do Imperator, como

267
foram passadas para mim. Como muitos estão cientes, o Rosacrucianismo da AMORC
passou por um certo tumulto que começou em 1990. Naquela época, eles embarcaram
em seu próprio caminho, que se desviou tremendamente do Caminho e da Linhagem
iniciais que eu estava encarregado de trabalhar. A CR+C foi formada para preservar
aquela linhagem particular e para tornar disponíveis, em sua forma pura, os
ensinamentos iniciais da R+C como foram apresentados originalmente.

Quanto aos objetivos da CR+C, bem… deixe-me dizer que desde a nossa
formação, em 1996, embarcamos em um programa meticuloso de preparação para
que cada Rosa-Cruz individualmente chegue a um ponto em que aqueles que escolham
possam ajudar a CR+C a começar uma nova era de manifestação de acordo com as
Regras e Códigos da R+C, conforme estabelecidas no século XVII. Haverá um encontro
de todos os Illuminati da CR+C em nossa Convenção Norte-Americana em abril de 2003
para discutir e decidir este assunto. Esses encontros continuarão pelo resto do ano em
Convenções em outras jurisdições, após os quais será feita uma declaração sobre a
direção e os objetivos futuros da CR+C. O que direi agora sobre isso é que
continuaremos a perpetuar as Regras apresentadas no Fama Fraternitatis, mas iremos
adaptá-las ao século XXI, de acordo com a tradição.

P: Após vários séculos de existência do Rosacrucianismo, resta-nos hoje uma


herança de muitas ordens Rosa-Cruzes, ensinamentos e várias linhagens. Esse é um
cenário um tanto confuso para o leitor casual. O senhor poderia nos dar uma
perspectiva de como um Movimento Rosa-Cruz, a Tradição R+C, as linhagens e as
organizações Rosa-Cruzes se relacionam umas com as outras?

Na maioria dos casos, as diversas organizações Rosa-Cruzes se relacionarão umas


com as outras somente no nome, o que, claro, é de pouca ajuda para o leitor “casual”
na tentativa de classificar suas diferenças. Mas, se é de algum consolo, o
Rosacrucianismo nunca teve a intenção de ser algo que pudesse facilmente ser
classificado. Por sua própria natureza, o Rosacrucianismo pretende ser desafiador para
os buscadores e elusivo para os que têm um interesse casual. Como Spinoza escreveu
uma vez “todas as coisas excelentes são tão difíceis quanto raras”. O Rosacrucianismo
certamente se encaixa nessa categoria.

De minha perspectiva, qualquer um que se interesse em ir ao encalço de um


Caminho Rosa-Cruz deve tomar a iniciativa de classificaras diversas opções disponíveis
a ele e escolher uma que esteja de acordo com suas próprias convicções interiores e
com os ditames de sua própria consciência. Como regra prática geral, o
Rosacrucianismo diz respeito a direitos humanos e liberdades básicas, com a liberdade
de inquirição e a verdade no topo da lista. Ele diz respeito a encorajar e ajudar os
indivíduos a desenvolverem todos os aspectos de seu ser — mental, físico e espiritual
— de acordo com sua própria personalidade e intenções. Diz respeitoà evolução do
Espírito e ao desenvolvimento de atributos místicos aprimorados. Não diz respeito

268
nunca a seguir a liderança de outro à exclusão pela perda da própria identidade e das
metas pessoais; não diz respeito a recitar doutrinações dogmáticas; nem a nada que
possa ser ofensivo às sensibilidades próprias de cada um. Em resumo, o
Rosacrucianismo diz respeito à Verdade e a Verdade por sua própria natureza diz
respeitoà liberdade — uma liberdade responsável, mas liberdade, apesar de tudo.

Então, deveria, ou melhor deve ser deixado a cargo do indivíduo encontrar uma
organização ou linhagem Rosa-Cruz que melhor se adapte a suas própria
personalidade, interesses e intenções. Em minha opinião, uma busca não deveria ser
de outra forma. Há várias boas organizações lá fora e encorajo qualquer um que esteja
procurando se tornar um Rosa-Cruz a aprender o máximo possível sobre cada uma em
que esteja interessado. Se as respostas procuradas não estiverem prontamente
disponíveis , então o buscador deveria perguntar — e esperar uma resposta
apropriada.

P: O que fez o Rosacrucianismo sobreviver como uma cultura tradicional viva


através dos últimos vários séculos?

Sua focalização inabalável em seus objetivos e a confiança nas liberdades básicas


para alcançar tais objetivos. Uma coisa interessante sobre o Rosacrucianismo é que,
quando aqueles objetivos se tornam nebulosos, o Movimento em si parece passar por
uma transformação. Talvez por isso haja tantas linhagens diferentes existindo hoje.

P: Como o senhor determina um Rosa-Cruz?

Por suas ações e obras. Se aquelas ações e obras forem compatíveis com o
espírito do Rosacrucianismo, então aquele que conscientemente escolheu se tornar
um Rosa-Cruz pode ser identificado como sendo um.

P: O que faz de uma Ordem Rosa-Cruz uma genuína Ordem R+C?

Acho que a palavra “genuína” tem sido posta demasiadamente no ridículo no


que diz respeito ao Rosacrucianismo. Entretanto, com isso dito, acredito que você
aplicaria os mesmos padrões a uma Ordem que a um indivíduo. Sendo isso através de
suas ações e obras. Não meça as alegações, meça as realizações. E no processo de
medir as realizações, meça também como aquelas realizações foram alcançadas e
assegure-se de que elas são compatíveis com uma ética que reflete o espírito Rosa-
Cruz.

P:O senhor pode compartilhar alguns pensamentos sobre os ensinamentos da


CR+C e que abordagem eles adotam com relação à busca espiritual dos estudantes.

Os ensinamentos da CR+C são planejados para ajudar na busca espiritual do


Rosa-Cruz. Eles não são um plano dogmático de um processo passo a passo, mas um
guia que é adaptável à personalidade do indivíduo e à maneira de atingir sua meta.

269
Eles realmente incluem uma quantidade enorme de exercícios e experimentos para
ajudar a alcançar aquelas metas, assim como muitas sugestões que podem ser de
ajuda, mas o que deve ser compreendido é que a melhor ferramenta de aprendizagem
do Rosa-Cruz é aquela da autoconfiança e é nesse espírito que os ensinamentos da
CR+C são escritos e apresentados.

P: Sendo o Imperator de um Movimento Rosa-Cruz, o senhor pode nos contar


sobre o papel e a perpetuação do Ofício do Imperator?

O papel do Imperator é aquele de guardião e perpetuador da doutrina, do ritual


e da tradição Rosa-Cruz. O Imperator é responsável por assegurar que todos os
problemas envolvendo esses aspectos sejam corretamente manejados e expressados.
Também, no que diz respeito à área de mudanças e atualizações da doutrina etc., o
Imperator é aquele que deve fazer esse trabalho. Embora deva acrescentar que o
Imperator não pode fazer mudanças arbitrárias etc.. Ele ou ela está atado aos
juramentos que fez quando se tornou um Imperator e deve trabalhar dentro daquela
tradição. Isso ajuda grandemente a manter puro o Caminho R+C e é uma das razões
pelas quais a seleção do Imperator é feita por seleção pessoal do Imperator anterior, e
por que a posição é uma indicação ad vitum. Isso leva em conta a continuação
consistente e o treinamento apropriado de um sucessor.

Quanto à perpetuação do Ofício do Imperator, é como eu disse; um ofício


vitalício preenchido por um sucessor escolhido. Isso assegura que o indivíduo
escolhido não fará mudanças arbitrárias, é apropriadamente treinado e irá trabalhar
dentro dos parâmetros do Ofício.

P: Parece que a Tradição R+C está sempre se expressando e se adaptando ao


fluxo do tempo e às condições existentes. O senhor poderia nos dar um exemplo dessa
adaptabilidade na história Rosa-Cruz?

Um bom exemplo disso é a adaptação da metodologia do século XVII àquela do


século XX (o sistema do século XVII continuou mais ou menos bem para dentro do
século XIX). Enquanto o sistema de ensinamento do século XVII se baseava
pesadamente em decifrar imagens alegóricas conhecidas como “pranchas” ou
“arcanos”, relacionados principalmente a textos alquímicos e a outros símbolos, o
formato do século XX foi simplificado em explicações, exercícios e experimentos que se
aprofundavam no desenvolvimento de qualidades místicas e intuitivas dentro do
indivíduo. Entender alegoria e símbolos ainda tem um papel muito importante no
Rosacrucianismo de hoje, mas não é o único papel, como era no passado.

Quanto ao futuro, como disse, haverá logo uma outra adaptação, mas ainda de
acordo com nossas Regras iniciais, como expressado em nossos Manifestos de
fundação do século XVII.

270
P: O senhor acredita que a geração de hoje do Rosacrucianismo vive à altura
dessa virtude de adaptabilidade e assim consegue lidar com os desafios de nossos
tempos?

Eu só posso falar com autoridade pela CR+C e, nesse caso, sim, muito
definitivamente. É minha opinião que em muitos outros grupos R+C dos quais estou
ciente, que alguns deles também são bastante adaptáveis. Com isso dito, também
acho que há algumas organizações que estão criando problemas desnecessários para si
mesmas e, portanto, provavelmente não se qualificariam a esse respeito, mas isso não
é realmente para eu comentar.

P: No passado, houve uma tentativa bem-sucedida de um grupo de várias ordens


esotéricas de criar uma organização (chamada F.U.D.O.S.I.) para proteger e promover
as tradições autênticas para o público daquela época. Eles estavam de certo modo
dando um selo de aprovação para as ordens existentes. Eu me lembro que a AMORC
recebeu carta patente da FUDOSI nomeando-a com certos símbolos e documentação.
Como a Tradição R+C, ou qualquer tradição esotérica, vê tal conceito de
“autenticação” da ordem?

Eu acho que é uma idéia muito nobre e respeitável um grupo de organizações se


unir com o expresso propósito de controle de qualidade nos campos do esoterismo,
ocultismo e misticismo. No entanto, e estou provavelmente na minoria com esta
opinião, não acho que isso tenha realmente sido feito antes. Em qualquer ocasião que
um grupo se una com o propósito declarado de proteger e promover tradições
“autênticas”, duas coisas se tornam obviamente aparentes para mim. Primeiro, que há
uma pressuposição de que as partes interessadas sejam tradições autênticas. Embora
sua meta fosse examinar prováveis tradições, ainda não em seu grupo, e fazer uma
avaliação de suas descobertas sobre a “legitimidade” daqueles grupos, não havia
controle para medir a legitimidade da Ordem fundadora. Aquela autenticidade era
pressuposta em virtude de se estar fundando uma organização fiscalizadora. Em
segundo lugar, torna-se aparente que tal organização deva necessariamente se tornar
exclusiva em sua natureza o que, em minha opinião, é fundamentalmente contrário ao
trabalho tradicional que fazemos. Por exclusiva, não quero dizer protetora de nossas
tradições, o que é muito importante, mas mais exatamente, fechada e crítica de outra
(organização) baseando-se em uma noção preconcebida e a seu serviço. Infelizmente,
em minha opinião, baseada em muitos anos de pesquisa, incluindo discussão com
várias partes envolvidas, cheguei à opinião de que a FUDOSI se incluiu na última
categoria. Desnecessário dizer, a AMORC e H. Spencer Lewis foram parte da estrutura
de fundação da FUDOSI e é caso defensável que a AMORC foi a motivadora por trás de
sua formação com os propósitos de:

 Estabelecimento de uma dominância na América do Norte e em outros


lugares do trabalho Rosa-Cruz e,

271
 Uma tentativa de resolver a disputa Clymer e as muitas outras ações
judiciais em que a AMORC esteve envolvida de 1918 a 1939.

Os efeitos da FUDOSI são muitos e certamente resta muito interesse naquela


organização, especialmente no que diz respeito à questão da “autenticação”. O que
muitas pessoas não percebem é que houve constantes disputas internas entre os
membros da FUDOSI que culminaram em sua dissolução em 1951.

Seja como for, não acho que a Tradição Rosa-Cruz ou qualquer tradição esotérica
para esse propósito precise de autenticação da forma como foi sugerida. Uma vez
mais, meça o valor de uma Ordem por suas obras e confie na epistemologia e nos
métodos do caminho esotérico para expressar sua história e linhagem acima da
produção de cartas-patente e documentos de fundação. O assunto lida com dois
mundos completamente diferentes. Por que comprometer um pelo outro?

P: O senhor também ocupa o ofício de Cavaleiro Comandante da O.M.C.E. e o


ofício de Grande Mestre Soberano da Ordem Martinista Britânica. Tendo uma
fundamentação tradicional tão profunda, como vê o trabalho futuro das tradições
esotéricas na medida em que elas todas se esforcem para trabalhar rumo a um
objetivo comum? Há lugar para uma cooperação mais próxima entre elas?

Há, definitivamente, um lugar para cooperação entre todas as organizações


esotéricas, ocultas e místicas, considerem-se elas Rosa-Cruzes, Martinistas ou qualquer
denominação que escolham. No final das contas, nós estamos todos tentando atingir
as mesmas metas — a elevação e a evolução espiritual de toda a humanidade. Para
alcançar essas metas, nós todos precisamos trabalhar em conjunto uns com os outros.

P: Em um comentário final, o que o senhor vê no futuro do Rosacrucianismo?

Eu tendo a ver o Rosacrucianismo como um fio que tece seu caminho através da
história e para dentro do futuro. É como o véu da Natureza, sempre presente, mas
devendo-se ver através dele para se ver adequadamente. Nisso, mantém aquela
propriedade, sempre estará presente, mas algumas vezes escondido, esperando para
ser redescoberto. Mas quando descoberto, continua de onde parou. Seu futuro? Um
efeito muito profundo na humanidade, e não obstante sutil — justamente como no
passado.

AR: Quero agradecê-lo por seu tempo para dar esta entrevista. Creio que os
visitantes do site da CR+C se beneficiarão de seus pensamentos e percepções sobre o
Rosacrucianismo e sobre assuntos esotéricos em geral.

272
Qual é a linhagem da CR+C?

Nossa linhagem R+C remonta ao Dr. H. Spencer Lewis, que recebeu esta
linhagem na Europa. Existem outras linhagens R+C, originadas no cisma Rosa-Cruz do
século XVII, que estão sendo perpetuadas por diferentes organizações Rosa-Cruzes.

Os seus ensinamentos incluem os ensinamentos R+C originais de H. Spencer


Lewis? Se incluírem, são eles diferentes das versões posteriores desses ensinamentos
editadas pela AMORC?

A CR+C oferece os originais. É verdade que os ensinamentos originais de H.


Spencer Lewis (referido daqui em diante como HSL) diferem daqueles editados pela
AMORC nos anos posteriores. Para ajudar a chegar a uma compreensão adequada das
diferenças, gostaríamos de oferecer a estória desses ensinamentos, relatada pelo
Imperator Gary L. Stewart para um dos indagadores, que foi adaptada para se ajustar
ao formato destas páginas.

HSL começou a escrever as monografias em 1915 e escreveu à razão de


aproximadamente uma por semana, entretanto em 1916, 1917 e 1918 seus escritos
foram muito irregulares. Ele continuou escrevendo até a sua transição em 1939, até
cerca da metade do 12° Grau. Assim, quando utilizamos o termo monografia “original”,
o Grau a que estamos nos referindo é também relevante. Uma monografia original do
12° Grau poderia ser de 1938 ao passo que uma monografia original do Primeiro Grau
teria sido de 1918. Na década de 1930 quando as monografias começaram a ser
submetidas a revisões, isso naturalmente somente se aplicaria às monografias escritas
anteriormente à data da revisão. (Entretanto, nas monografias da CR+C, Gary L.

273
Stewart em seus adendos claramente indica o que aconteceu com uma monografia em
particular.)

As revisões na década de 1930 significavam principalmente que parágrafos


adicionais eram anexados e muito raramente algo era suprimido. Os conceitos não
eram alterados, necessariamente, mas em muitos casos, eles eram confundidos e,
conseqüentemente, instigaram alterações posteriores. Não foi realmente até a década
de 1940, mas principalmente nas décadas de 1970, 1980, e agora na década de 1990,
que as maiores alterações conceituais começaram a tomar lugar.

Antes de 1924, não havia afiliação de sanctum domiciliar e os membros tinham


que ir a uma Loja para receber suas instruções oralmente. Em 1924, a Ordem começou
a centralizar e começou a afiliação de sanctum domiciliar onde os membros recebiam
as monografias pelo correio. Por volta dessa época, as monografias foram editadas
para refletir a nova estrutura. Coisas como “e agora o Mestre deve ler este parágrafo
novamente…” foram alteradas para “e agora você deve reler o parágrafo anterior”.
Este tipo de edição foi feito por outros e não por HSL, pois ele estava comprometido
em escrever novas monografias. Por um período de tempo, os editores começaram a
alterar e a confundir alguns dos assuntos doutrinários tentando “clarificá-los”, para
ajudar a explicar tópicos “difíceis”, mas na realidade eles começaram a confundir e a
alterar as coisas. Foi principalmente nas décadas de 1970, 1980 e então na década de
1990 que as maiores alterações conceituais tomaram lugar.

Como um exemplo de algumas dessas alterações, na década de 1930 a AMORC


começou a adotar a palavra “psíquico” para substituir “Espírito” (algumas vezes a
palavra ‘astral’ substitui ‘psíquico’). Ao assim fazer, eles como que perderam a
totalidade e o escopo do que o Espírito humano é (ou, neste caso, o corpo psíquico).

Olhando para as alterações conceituais, foi na década de 1940 (após a morte de


HSL) que a AMORC começou a enfatizar uma abordagem mais científica para o
Rosacrucianismo — um tipo de exegese do estilo do século XVII do Rosacrucianismo
inglês defendido pelo método indutivo de Sir Francis Bacon, que estava em contraste
com o Rosacrucianismo holandês e francês que enfatizavam o misticismo puro, e com
o Rosacrucianismo alemão que tendia mais para o trabalho alquímico. Na década de
1960, a AMORC começou adotar uma interpretação mais psicológica Junguiana para o
misticismo, que, em minha opinião, tem pouco a ver com o pensamento Rosa-Cruz
tradicional e clássico. Depois de 1990, aquele estilo foi reinterpretado pela AMORC
atual. A AMORC fia-se no dualismo intelectual como sendo a fundação para sua
abordagem epistemológica e ontológica. A CR+C, por outro lado, perpetua a tradição
Rosa-Cruz anterior ao século XVII de misticismo puro que foi mantida no século XVII
pelos Rosa-Cruzes franceses e holandeses. Esta foi a linhagem que por fim iniciou
H.Spencer Lewis, e esta é a abordagem que ele primeiramente deu aos ensinamentos

274
da AMORC, de 1918 até sua morte em 1939. Esta é também a abordagem seguida pela
CR+C.

Doutrinariamente, somos o que pode ser filosoficamente classificado como


místicos panteístas (como oposto a dualistas racionais), que operam no mundo
objetivo seguindo uma manifestação trina epitomada pela Lei do Triângulo.
Resumindo, acreditamos na natureza trina do ser humano como sendo composto de
corpo, espírito e alma com a mente intelectual sendo parte do corpo e a mente
intuitiva sendo um aspecto da combinação espírito/alma. A AMORC, por outro lado, vê
as coisas como dualistas — corpo e alma. Essa seria provavelmente a principal
diferença entre a CR+C e a AMORC atual no que concerne à doutrina, mas há um
número interminável de outras e menos importantes diferenças também — como foi
no caso no cisma da interpretação Rosa-Cruz do século XVII. A CR+C segue a linhagem
expressada pelo pai CRC nos séculos XIII e XIV.

Em minha opinião (do webmaster), os ensinamentos da CR+C, que incluem os


escritos originais de HSL e os adendos de Gary L. Stewart, são uma jóia entre os
ensinamentos R+C de hoje. Em parte, isto é assim por causa da linha bem clara de
misticismo mantida unida pelos adendos de Gary L. Stewart.

O que aconteceu entre o Imperator Gary L. Stewart e a AMORC?

O que aconteceu em 1990 entre Gary L. Stewart e a AMORC é uma estória um


tanto complicada, em si e por si mesmo, sem contar com todo rumor e propaganda
que a tem cercado. Colocado de forma simples, Burnam Schaa, como representante de
Christian Bernard e dos Grandes Mestres, moveu uma ação
judicial civil contra Gary L. Stewart e alguns outros acusados,
alegando que ele (eles) desviou (desviaram) dinheiro. Enquanto
o caso estava sendo conduzido pelo tribunal, a Diretoria da
AMORC exonerou o Imperator Gary L. Stewart. Três anos mais
tarde (1993), a AMORC desistiu de sua ação contra Gary L.
Stewart e admitiu que ele não era culpado de qualquer delito.
Nesse meio tempo, a AMORC dissolveu sua entidade
corporativa que tinha existido desde 1927, reincorporou no
Canadá como uma nova entidade, formou uma nova corporação na Califórnia, deixou
de ser uma Ordem fraternal, e redefiniu o “Imperator” de ser o chefe tradicional de
uma Ordem para ser somente o presidente da nova corporação da AMORC. Então, a
Diretoria elegeu Christian Bernard como o novo Imperator da AMORC.

Este assunto é um tanto complicado e longo e deveria ser considerado com mais
foco. Eu recomendo fortemente que um pesquisador deva obter ambos os lados da
estória daqueles diretamente envolvidos e não confiar somente no que eu digo aqui.

275
O que é importante hoje é lembrar-se do Trabalho que todos os Rosa-Cruzes
foram encarregados de continuar. Na CR+C não estamos tão interessados com o que
aconteceu no passado, exceto em como isso afeta nosso Trabalho no presente e no
futuro. A forma como vemos isso é que se for para a nossa geração do
Rosacrucianismo atingir qualquer coisa, não podemos estar envolvidos em
mesquinhez.

Como é que o Imperator Gary L. Stewart representa a linhagem do Dr. H.


Spencer Lewis, o fundador da AMORC, quando o atual Imperator da AMORC é
Christian Bernard?

A resposta para esta pergunta repousa nas diferenças de definição do Ofício de


Imperator pela AMORC de hoje e pela linhagem e movimento R+C que geraram essa
organização.

Para fornecer uma resposta mais detalhada a essa pergunta podemos querer
começar com algumas reflexões sobre o Movimento Rosa-Cruz e a linhagem R+C da
AMORC (trazida por H. Spencer Lewis) e o papel do Imperator.

Podemos olhar para o Rosacrucianismo como um movimento que tem uma


“alma” e um “espírito” (a Tradição R+C e a iniciação) e um “corpo” (uma organização
Rosa-Cruz) para se expressar. Enquanto os “corpos” vêm e vão, a “alma” e o “espírito”
permanecem. Podemos encontrar essa dinâmica evidente na história dos Rosa-Cruzes
e no número de organizações físicas que eles tiveram. Para assegurar que, com o
passar do tempo, as pessoas não alterarão a Tradição R+C e seus Ensinamentos, um
sistema de preservação foi colocado em ação. Na linhagem de H. Spencer Lewis e em
várias outras, este sistema foi incorporado no Ofício tradicional do Imperator. O
indivíduo que possui o Ofício de Imperator é responsável não só pela preservação da
pureza dos ensinamentos R+C e pelo asseguramento de que a organização siga o
código R+C, mas pela garantia de uma continuidade da missão R+C no futuro. Ele ou
ela deve sempre ser escolhido e preparado para o Ofício pelo Imperator precedente.

Podemos olhar um Imperator como uma pessoa dotada de uma


responsabilidade vitalícia.

A linhagem R+C da AMORC foi nela introduzida por H. Spencer Lewis. Ele
escolheu e treinou seu filho Ralph, a quem transferiu a função de Imperator quando de
sua transição deste mundo em 1939. O Imperator Ralph Lewis então escolheu e
preparou Gary L. Stewart, e transferiu a função de Imperator para ele.

Após os eventos da AMORC de 1990, Gary L. Stewart removeu o Ofício de


Imperator da AMORC. Deixar a AMORC não era exatamente a idéia do Imperator
naquela ocasião, mais exatamente, ele foi forçado a fazê-lo. Resumidamente, ele foi
processado por Christian Bernard e pelos Grandes Mestres por desvio de dinheiro. Três

276
anos mais tarde eles desistiram da ação contra Gary L. Stewart e admitiram que ele
não era culpado de qualquer delito. Nesse meio tempo, eles alteraram a Constituição
da AMORC, cessaram de ser uma Ordem fraternal, dissolveram a entidade corporativa
da AMORC, que tinha existido desde 1927, reincorporaram no Canadá como uma nova
entidade e formaram uma nova corporação na Califórnia. Mais importante, eles
redefeniram o “Imperator” de ser o chefe tradicional de um Movimento Rosa+Cruz
para ser somente o presidente da nova corporação da AMORC. Então, a Diretoria
elegeu Christian Bernard como o novo Imperator da AMORC.

A questão aqui é que as regras Rosa+Cruzes tradicionais de transferir a função de


Imperator e sua linhagem, ou provar um delito do Imperator, nunca foram aplicadas
neste caso.

Na verdade, não importa realmente se a AMORC chama Christian Bernard ou


qualquer outra pessoa de Imperator. É a escolha deles. Entretanto, é preciso
compreender que, seja qual for a linhagem que Christian Bernard tenha, não é a de H.
Spencer Lewis.

277
A crise dos Rosacruzes - O Cisma do S.E.T.I.
SETI - Sauvegarde des Enseignements Traditionnels et Initiatiques - Cénacle de la
Rose+Croix101
SETI - Salvaguarda dos Ensinamentos Tradicionais e Iniciáticos - Cenáculo da Rosa Cruz

Em 1990 um cisma sacudiu o ambiente


Rosacruz francês, a Loja da AMORC da cidade de
Limoges foi fechada, seus líderes "demitidos", um
sinal que não pode ser esquecido...
Assim nasceu o S.E.T.I. (Salvaguarda dos
Ensinamentos Tradicionais e Iniciáticos) que se
tornaria o CRC (Cenáculo da Rosa Cruz), em 1998.
Graças à ação de SETI, os pesquisadores poderiam, então, ver que, desde 1939,
a Ordem Rosacruz AMORC já estava significativamente longe da herança deixada por
Harvey Spencer Lewis (fundador da AMORC), cujo trabalho foi sujeito a um insidioso
revisionismo durante décadas...
Hoje em dia, neste tempo em que alguns acreditam que a "Rosacruz dos Lewis
está em fase de dormência," o trabalho Rosacruz normalmente praticado pelos
componentes do SETI, em grande parte, consiste na reconstituição do legado
inspirador de Harvey Spencer Lewis. O que parece ser diferente do que você pode
obter com a “nova AMORC”...
Esta avaliação, naturalmente, não é compartilhada por todos!
Mas nessa busca, os ensinamentos transmitidos pelo CRC proporcionam a
familiaridade com a cultura Rosacruz que marcou o espírito dos místicos franceses na
segunda metade do século 20.
Estes ensinamentos do CRC tem um grande mérito sobre aqueles da nova
AMORC: eles são totalmente gratuitos, e nunca vão procurar ganhar dinheiro!
O SETI - Cenáculo da Rosa Cruz é uma fraternidade internacional, uma
organização sem fins lucrativos. Desde sua criação em 1990, é dedicado a guardar e
proteger as tradições e iniciações ROSACRUZES, conforme transmitidas por Harvey
Spencer Lewis. A partir de junho 2007, ele transmite, sem restrições, a tradição para
todos aqueles interessados nela e que desejam serem os guardiões e promotores, fiel
a um dos seus princípios fundadores. Abandona o dever de sigilo em relação aos
ensinamentos e rituais na internet e permite hoje a mais ampla divulgação, mais
rápida e mais universal, cumprindo outro princípio básico da nossa fraternidade livre.
Esta inovação, que pode parecer revolucionária, é realmente apenas a evolução
lógica, já prevista em 1931, por Harvey Spencer Lewis, que escreveu:
"Um dia, a AMORC, como nós a conhecemos, não vai mais existir, mas será
substituída por uma multidão de outras organizações em todo o mundo que vão viver
e manter a tradição Rosacruz".

101
http://www.crc-rose-croix.org/

278
Do artigo: "O Rosacrucianismo, um sistema único", escrito e publicado em 1931
por Harvey Spencer Lewis.
O SETI - Cenáculo da Rosa Cruz é uma organização Rosacruz que tem o objetivo
de salvaguardar e divulgar todo o trabalho realizado no início do século 20 por Harvey
Spencer Lewis.

Princípios gerais:

Nenhum membro
A organização, fora do seu Conselho Executivo, não possui membros nem
participantes no sentido usual desses termos. Podem se beneficiar dos serviços da
organização todos os homens e mulheres que expressam o simples desejo e que se
comprometam a respeitar a Carta que rege a operação. Eles são designados como
"cúmplices" no sentido etimológico da palavra que significa "pessoa a quem se tem
confiança”.

Nenhuma contribuição
Quaisquer que sejam os serviços oferecidos aos seus companheiros, a
organização não exige qualquer indenização ou aceita qualquer doação.

A "Loja Mãe"
Uma "Loja Mãe" foi criada na cidade de Limoges, para manter as cerimônias e
rituais rosacruzes. É aberta a todos os interessados, independentemente de onde
residam. O site pertence à Loja Mãe e servirá como uma ligação com todos aqueles
que querem descobrir a tradição Rosacruz.
De acordo com nosso estatuto, todos os nossos documentos são livres para
download em formato PDF, com a única reserva de que eles não serão objeto de
qualquer comercialização, qualquer que seja a sua forma. Para este fim, alguns dos
documentos estão sujeitos a direitos de autor (copyright©).
Todos esses documentos são os escritos originais de Harvey Spencer Lewis:
ensinamentos, rituais, iniciações, artigos, etc.

Histórico

De todas as organizações Rosacruzes, o A.M.O.R.C. (Antiga e Mística Ordem


Rosae Crucis) é a mais notável, e certamente uma das mais importantes: graças ao seu
dinamismo, uma política de comunicação bem conduzida e recursos financeiros
significativos que lhe foram confiados pelos seus membros, tornando-se uma
multinacional do esoterismo.

279
Sua história tem, no entanto, sido agitada. Globalmente, tem sido afetada pelo
cisma do C.I.R.C.E.S. em 1988, e ao mesmo tempo sacudida por conflitos na parte
superior da hierarquia. Na França, estes desenvolvimentos têm levantado questões
que levaram para outro cisma, o do S.E.T.I.. Esta é a história dessa divisão:

Um contexto conturbado

Tudo começou em 1987, com a morte do Imperator (líder supremo) Ralph


Maxwell Lewis, que sucedeu seu pai, Harvey Spencer Lewis, fundador da ordem. Ele foi
substituído por Gary L. Stewart, contra a vontade do Grão-Mestre da AMORC para os
países de língua francesa, Christian Bernard. Christian tinha substituído seu pai, por
decisão do Imperator. Os opositores de Stewart fizeram circular cartas de protesto, daí
exclusões.
Em 1989, uma auditoria mostrou uma perda de um milhão de dólares mais do
que foi afirmado nos livros de contas, e uma falta de 8,3 milhões de dólares em contas
bancárias. O tesoureiro Burnam Schaa acusou Stewart de desviar US $ 3,5 milhões
para uma conta bancária em Andorra; Stewart respondeu que a transferência de
fundos tinha sido destinada a financiar a adaptação da sede da subsidiária espanhola
em San Jose (Califórnia) na Espanha. Mas os oponentes tiveram a última palavra: em
17 Abril de 1990, a hierarquia da Ordem, ajudada pela polícia, expulsou Stewart,
substituído temporariamente por Christian Bernard.
É neste contexto de discussões que o pai de Christian, Raymond Bernard, funda
uma organização concorrente em 1988: o C.I.R.C.E.S. (Centro Internacional de Cultura
e Investigação Espiritual). Segue-se nos países francófonos um conflito pelo controle
das edições de mercado e “bugigangas esotéricas”.

O mal-estar na França

Na França foi realizada em Limoges, em Julho de 1989, a Convenção Geral dos


países de língua francesa, que reuniu cerca de 3.000 delegados e foi bem organizada
pela equipe da Loja Henry Cornelius Agripa. O sucesso deu aos líderes locais uma boa
reputação. Em 13 de Outubro de 1989, o Comitê Diretor da
Convenção de 1989, composto por Jean-Pierre July, Jacques
July e Jacques Devaux encontraram o grande Mestre
Christian Bernard na sede da Ordem, o Castelo d'Omonville.
Eles expressaram sua perplexidade diante dos excessos
financeiros que tiveram repercussão e proporam que um
excedente de 400.000 francos da Convenção fossem
destinados à criação de uma estrutura humanitária dentro
da AMORC, para praticar os ensinamentos Rosacruzes,
ajudando os pobres, incluindo os membros da organização.
Mas em 12 de Novembro, na Convenção de Avignon, quando
foi admitido o princípio da criação de um centro cultural em
Limoges, Christian Bernard recusou a estrutura humanitária.

280
Em 6 de dezembro, os líderes da região de Poitou-Charentes102 da AMORC
tiveram uma entrevista com Raymond Bernard, fundador do CIRCES. Este último
assegurou-lhes que Christian foi manipulado pelos seus conselheiros, incluindo sua
esposa, Helene Lefort. Ele lhes deu o conhecimento de cartas escritas nos Estados
Unidos por membros da hierarquia esotérica que acusavam a Imperator Stewart de
peculato e de distorcer o ensinamento original da Ordem.
Na reunião em Limoges, os membros da hierarquia esotérica da região e os
oficiais das Lojas locais solicitaram ao Grande Conselheiro Jean-Pierre July para pedir
explicações ao Grande Mestre sobre o que estava acontecendo na sede mundial em
San José. Isso é o que ele tentou obter durante uma vã conversa por telefone em
janeiro de 1990. Após uma reunião realizada na Loja Agripa durante a qual foram
contestados o mercantilismo e a mudança dos ensinamentos, Jean-Pierre July
renunciou em 21 de janeiro de 1990; ele recebeu o apoio de três monitores regionais
da região de Poitou-Charentes e dos oficiais.
A reação de Christian Bernard foi rápida. A revisão dos documentos arquivados
em prefeituras francesas mostrava que a maioria, se não todos os organismos
afiliados, foram registrados como associações sem fins lucrativos, regidos pela lei de
1901, e uma pequena equipe liderou tudo a partir do castelo d'Omonville: Christian
Bernard era o Presidente de cada organismo afiliado. Com este título, ele enviou um
emissário para Limoges em 3 de fevereiro. No dia 17, se encontra com a Assembléia
Geral da Loja Agripa; os oficiais demissionários recusam-se a retomar as suas funções,
Christian Bernard decide dissolver o grupo. A Loja foi fechada em 19 de fevereiro. Os
três Monitores Regionais e o Conselheiro da Região de Auvergne foram excluídos da
Ordem. A Loja Agripa foi colocada para “dormir”. Em 5 de março, uma equipe veio de
d’Omonville para assumir o controle de todos os ativos da Loja dissolvida. Sob um
oficial de justiça forçam as portas das instalações da Loja Cornelius Agripa e confiscam
todos os móveis e acessórios, pacientemente acumulados pelos membros rosacruzes
de Limoges por anos. O encerramento da Loja e o confisco autoritário e arbitrário das
propriedades (contas bancárias e móveis) irá fortalecê-los em seu projeto. Membros
da Loja roubada de Limoges, enojados com tais métodos renunciam em massa,
seguidos por muitos na região. Uma petição foi assinada por 66 pessoas em protesto,
mas ficou sem sucesso.
Os excluídos, no seguimento, decidiram juntar-se em uma nova estrutura: o
S.E.T.I. (Salvaguarda dos Ensinamentos Tradicionais e Iniciáticos). Reunindo uma
centena de membros desde o início, o SETI distanciou-se desde o início da AMORC,
negando o princípio que os ensinamentos foram reservados para uma elite de
iniciados, e acentuando a falta de transparência da sua atividade financeira: no SETI
balanços são apresentados abertamente e todos podem participar livremente nas
operações financeiras da organização. Um dos primeiros eventos foi transmitido em 1
de junho de 1990, um panfleto, sobre a autocracia iluminada ou nepotismo cego em
que foram transmitidas informações relativas à deposição do Imperator Stewart.
Ao mesmo tempo, os fundadores do SETI tinham aprendido de documentos
norte-americanos a história do Rosacrucianismo e a origem dos ensinamentos; eles
ficaram mais conscientes das transformações destes entre 1950 e 1980, incluindo o
seu distanciamento gradual do cristianismo. O Conselho de Ética do SETI tomou a
decisão de publicar os ensinamentos originais de H. S. Lewis. Ao mesmo tempo, a
102
Poitou-Charentes é uma região administrativa do centro-oeste da França.

281
fundação americana das “Crônicas Rosacruzes” tinha contatado a nova organização
SETI. O cisma não se limitou às dimensões de uma divisão regional.

Auditoria fiscal e reestruturação da AMORC.

Em Junho de 1990, o AMORC havia solicitado uma auditoria no seu


funcionamento; que resultou na identificação de certas deficiências: o pagamento de
salários a diretores de uma organização declarada sem fins lucrativos e de um sistema
não democrático: inexistência de assembléia geral nos organismos afiliados, onde os
cargos eram de estrutura familiar (ex: Presidente C. Bernard, sua secretária, a
esposa...) em julho de 1991, a AMORC da França foi objeto de uma busca por uma
auditoria fiscal. A Ordem acusou o SETI de ser o instigador, o que foi desmentido pelos
réus.
Reação: por ocasião da assembléia geral, pelo menos em parte ficcional,
Christian Bernard pronunciou a dissolução dos organismos afiliados cujos ativos foram
absorvidos na organização central, a Ordem da Rosa-Cruz AMORC Língua Francesa,
desde outubro de 1991 a abril de 1992.
Neste momento, o cisma entre AMORC e o SETI foi
efetivamente consumado. Em 1998, os dissidentes são
chamados de Associação para a Salvaguarda dos
Ensinamentos Tradicionais e Iniciáticos - Cenáculo da Rosa
Cruz. Seu site http://www.crc-rose-croix.org/ continua a
divulgar textos contestando a AMORC. Incluindo “A
Coragem de Dizer Não... ou A História de Uma Lágrima”103.
Quando perguntado sobre o último texto, a AMORC parece
não estar disposta a ser arrastada para a controvérsia; em
uma carta datada de 14 de março de 2003, André Michel,
do Serviço Jurídico, responde:

"Após a sua carta de 4 de março de 2003, não temos nada especial para falar
sobre o SETI, exceto que este movimento foi fundado por um ex-membro da AMORC,
depois que foi excluído por não-conformidade com as suas regras e propagação de
mentiras e calúnias. Ao contrário do que a atual liderança da SETI sugere dar
importância, este movimento não é um cisma, mas alguns membros dissidentes, como
acontece regularmente em muitas associações filosóficas, culturais ou outras. Para
justificar a existência de seu movimento e se promover os responsáveis pelo S.E.T.I. se
limitam a criticar e difamar a A.M.O.R.C., mas não deixam de plagiar a sua estrutura, o
seu funcionamento e o seu ensino".

O tempo dirá se a dissidência ficou no passado ou vai crescer. Para o historiador,


este artigo é apenas o primeiro passo da pesquisa: a documentação sobre o qual
repousa, por causa da abundância de informações prestadas pelo SETI, desequilibra as
afirmações da AMORC. Pesquisas futuras devem esclarecer os detalhes dos fatos
trazidos imediatamente após a ruptura, estudando o processo de estruturação S.E.T.I.
e a evolução do recrutamento (os dissidentes da AMORC do núcleo de pessoas que
103
http://www.crc-rose-croix.org/index.php/historique-du-seti/courage

282
nunca foram membros), e a evolução das lições: que - tendo sido uma das principais
causas da dissensão - possibilitará para o historiador destacar essas mudanças e avaliar
quão bem o SETI agiu.

Artigo de Bernard Blandre, Presidente da A.E.I.M.R. (Association d’étude et


d’information sur les mouvements religieux - Associação de Estudo e de Informação
sobre os Movimentos Religiosos).

Destinação Amar... ou a história de uma Convenção!

A Convenção de 1989, da qual nós queríamos que fosse uma representação


simbólica do nosso ideal Rosacruz e um retorno às
fontes Rosacruzes, desencadeou um processo
irreversível que nos levou a assumir plenamente o que
chamaríamos de "o legado espiritual da Luz" em
homenagem a Harvey Spencer Lewis. O nascimento do
SETI, do mesmo modo que o CRC, está
indissoluvelmente ligado à organização desta Convenção
em Limoges. Ao voltar para a fonte desses eventos você
poderá entender a gênese do nosso movimento.

Uma Peça Teatral no Escritório Supremo da


AMORC

Em julho de 1986, enquanto os líderes de Limoges


começavam sua longa preparação para a "Convenção de 1989", o que requereu um
grande esforço de coesão na região e aumento de dedicação, Raymond Bernard,
Supremo Legado da AMORC, renuncia as suas funções. Ele era visto, por todos os
Rosacruzes franceses, como o sucessor de Ralph Maxwell Lewis para a posição de
Imperator, e abandona sua missão. Esta renúncia é, obviamente, muito mal vista pelos
Rosacruzes franceses. Os mais selvagens rumores circulam sobre sua saúde, que não
lhe permitiriam mais dirigir a AMORC. Um ano depois, em julho de 1987, a capa da
revista O Mundo Incógnito publicada antes da Convenção de Paris, vai ajudar a
estimular o debate sobre as razões para a sua partida. Ela mostra um Raymond
Bernard com a idade muito marcada; realmente a mudança física está relacionada
principalmente ao fato de que ele abandonou a peruca que escondia a calvície de
longa data. Jean Pierre July, o Grande Conselheiro da região de Poitou-Charentes, que
tinha relações amigáveis com um conferencista da AMORC, advogado da organização e
amigo de Raymond Bernard, descobre que sua renúncia não seria de modo algum
motivada pela sua saúde, mas devida a desacordos profundos na cúpula da
AMORC. Há dúvidas e a confiança absoluta dos membros em relação aos seus líderes
franceses está rachando. Felizmente, há o Imperator Ralph Maxwell Lewis, filho do
fundador da AMORC, para preservar a integridade do movimento.

283
Uma luta pelo poder

Em janeiro de 1987, a notícia de que todos os Rosacruzes temiam há alguns


meses sai: Ralph Maxwell Lewis morreu. Raymond Bernard renunciou há alguns meses
e não irá sucedê-lo. Seu filho, nomeado em seu lugar para o Escritório Supremo,
parece muito inexperiente e todas as habilidades que ele demonstrou para o cargo de
Grão-Mestre, nunca causaram entusiasmo, especialmente entre os membros mais
velhos. É desconhecido para a maioria dos Rosacruzes franceses que Gary L. Stewart é
nomeado pelo Escritório Supremo como Imperator. Muitas teorias foram elaboradas
sobre as razões para esta designação. Parece que de fato Ralph M. Lewis não quis
nomear seu sucessor, como ele deveria logicamente ter feito, por quê? Várias
hipóteses são lançadas, e a versão que o Presidente fundador do SETI emitiu na revista
da AEIMR: a prisão de Gary L. Stewart pela família Bernard, nunca foi refutada (ver o
boletim "Movimentos Religiosos" nº 160104, agosto de 1993)105 .
104
http://www.crc-rose-croix.org/images/historique/mr160.pdf
105
A Exclusão de Raymond Bernard em 1986 - por Jean-Pierre July.
Estou de acordo com o leitor a considerar inadequada a palavra "exclusão" porque ninguém do meu
conhecimento excluiu Raymond Bernard das suas funções. Também é verdade que muitos membros da
AMORC tinham o desejo da nomeação deste dinâmico dirigente como o próximo lmperator depois da
morte de Ralph M. Lewis.
Pelo contrário, eu não compartilho de todas as opiniões de Charles Frederick Vétrigne sobre as
razões para a sua "abdicação". Eu chamaria isso para mim de "protesto" ao invés de “renúncia”.
Já era a minha crença, no momento da sua decisão em 1986, e os testemunhos que vêm dos Estados
Unidos confirmam, que Raymond Bernard entendeu que Ralph Lewis não o designaria como sucessor,
e suponho que essa postura do Imperator sobre a sucessão, determinou a atitude posterior de quem,
reconhecidamente, na verdade, estava por trás do desenvolvimento da AMORC na jurisdição francesa
Não há dúvidas de que democraticamente e dada a sua imensa popularidade entre os membros,
Raymond Bernard teria vencido (a pessoa não pode, contudo, mudar o sistema para o único propósito
de servir aos seus interesses - ver a designação de seu filho como Grão-Mestre).
Na verdade, Ralph Lewis, que teve o privilégio e o dever de nomear seu sucessor, recusou-se a fazê-
lo, sabendo que isso iria criar dificuldades, mas ele deve ter tido muitas boas razões para tomar esta
posição.
De acordo com membros do boletim "Crônicas Rosacruzes" (publicado por ex-líderes da AMORC dos
EUA), Raymond Bernard, portanto, envidou todos os esforços para Gary Stewart ser designado como
sucessor pelo Gabinete Supremo.
É um fato que as relações entre os dois eram excelentes no início. Gary Stewart foi originalmente,
em 1988, presidente honorário do CIRCES, contra o parecer do filho Christian Bernard.
Mr. Vétrigne parece perfeitamente conhecedor da briga de família de vários anos de Raymond
Bernard com sua enteada Helen Lefort. É inegável que a última teve uma influência considerável sobre
os novos rumos da AMORC na França e a AMORC Internacional.
Mas quem deu responsabilidades oficiais para a esposa do Grão-Mestre? (Ela teve, até a recente
reorganização, o cargo de Secretária de todos os organismos afiliados franceses, ao lado do marido,
Presidente vitalício - ver a ata da prefeitura com a declaração). Já antes, Yvonne Bernard (esposa de
Raymond), na verdade, mais discretamente, tinha ocupado esta mesma função.
Portanto, é o sistema autocrático e familiar instalado e mantido por Raymond BERNARD que liderou
a ambiciosa "Senhorita de Tenra idade" dos anos 60 para dirigir hoje o império místico-financeiro que
resta da AMORC.
Quanto a Gary Stewart, ele era apenas uma figura com pouco carisma, encurralado, como sugerido
por Charles Frederick Vétrigne. Mas se a armadilha aparentemente beneficiou os atuais líderes da
AMORC, não estou convencido de que eles eram os idealizadores.
O que é certo é que Christian Bernard nada fez, apesar de nossa intervenção e de muitos outros
membros, para evitar o escândalo que o comportamento Gary Stewart supunha inevitável. Ele preferiu,
ele pareceu, deixar a situação deteriorar-se para remover posteriormente as “castanhas do incêndio”.

284
Em janeiro de 1988 uma nova explosão abala o pequeno mundo da Rosacruz:
Raymond Bernard anuncia oficialmente com grande alarde em sua revista favorita O
Mundo Incógnito (Le Monde Inconnu) a criação do CIRCES - Círculo Internacional de
Pesquisa Espiritual e Cultural. De fato Raymond Bernard criou uma divisão da AMORC,
cuja sigla CIRCES significava, para os iniciados, Círculo Interior da Rosa Cruz Esotérica e
Secreta (Cercle Intérieur de la Rose Croix Esotérique et Secrète). Em qualquer caso,
isto é o que sei dos parentes de Raymond Bernard, como o Grande Conselheiro da
região de Poitou Charentes, ocupando naquele momento uma posição estratégica
como Presidente da futura Convenção Geral dos países de língua francesa da
AMORC. Foi também durante este período que os futuros fundadores do SETI ouviram
pela primeira vez sobre a mudança dos ensinamentos desenvolvidos por Harvey
Spencer Lewis; eles rapidamente verificaram essa informação fornecida pelos parentes
de Raymond Bernard.
A criação do CIRCES causou problemas consideráveis na comunidade Rosacruz da
AMORC. A maioria dos membros franceses acolheu esta iniciativa com entusiasmo
(eles queriam Raymond Bernard como Imperator, e seriam capazes de superar sua
decepção) e, especialmente, como Gary L. Stewart é o primeiro Presidente Honorário
do movimento (isso remove todos os escrúpulos para aqueles que ainda os tem). É
certo que, quanto maior o entusiasmo, mais ele beira ao fanatismo e deixa menos
espaço para a reflexão ou a integridade. Os Executivos de Poitou Charentes não foram
exceção ao entusiasmo geral, e eles estavam prontos para se envolver com o mais
velho Bernard, particularmente porque o CIRCES tinha objetivos altruístas e uma
vocação "humanitária e universal”. No entanto, antes de tomar uma decisão nesta
área, dada a ambiguidade da situação no momento, o Grande Conselheiro propõe para
os Monitores Regionais a procurar o ponto de vista do Grande Mestre Christian
Bernard, ao qual juraram fidelidade como oficiais da Grande Loja. Perguntado pelo
Grande Conselheiro, Bernard filho apresenta claramente a sua oposição à criação do
CIRCES, e vai repetir isso publicamente na Convenção Regional de Aix les Bains, em
maio de 1988. O Grão-Mestre da jurisdição francesa de AMORC é oposição à criação
do CIRCES, e Jean Pierre July considera que os oficiais da Grande Loja não podem
aderir a este movimento enquanto permaneçam no cargo. Esta é a sua concepção de
fidelidade ao serviço, e independentemente de sua ligação com a personalidade de
Raymond Bernard, na época, não adere ao CIRCES. Note-se que, apesar dos apelos do
último, nunca aderiu. Ele pediu ao Monitor Regional da sua região para escolher entre
sua função ou o CIRCES. Ele acreditava que, como membros da AMORC, eles estavam
livres em seus engajamentos, mas não como oficiais. Um deles vai escolher o CIRCES e
renunciar ao seu mandato. Jacques Devaux e Jacques July mantem a sua confiança
para o Grão-Mestre, renunciando a atração do CIRCES. Foi necessário substituir o
demissionário Jean Louis Bourgeois para complementar a equipe de responsáveis
regionais.

A questão permanece: quem aprisionou Gary Stewart?


Uma hipótese é apoiada pelos líderes das "Crônicas Rosacruzes": Raymond Bernard. Talvez ele
esperasse que os Rosacruzes americanos fossem pedir ajuda à AMORC. Como nós mesmos fizemos,
candidamente até dezembro de 1989.
Mas os autores da armadilha podem ser encontrados, mais uma vez, no círculo em torno de
Christian Bernard, que agiram mais rapidamente e maquiavelicamente do que o velho condutor, já um
pouco cansado dessas lutas pelo poder.

285
Quaisquer que foram as crenças e o fervor dos Rosacruzes daquela época, todos
estes eventos começaram a pesar fortemente nos seus espíritos. As perguntas eram
cada vez mais numerosas. Gary L. Stewart, que era o Presidente Honorário do CIRCES,
retira o seu apoio ao movimento. Bernard pai e filho brigam nas notícias da revista O
Mundo Incógnito (Le Monde Inconnu) que definitivamente permanece inseparável da
saga amorquiana. Familiares de Raymond Bernard confirmam, para quem quiser ouvir,
a modificação dos ensinamentos originais da AMORC. Eles afirmam que Serge
Toussaint, que entrou na Ordem no início dos anos 80, foi o autor de profundas
mudanças e da alteração da mensagem da Rosacruz. Este nome era completamente
desconhecido naquela época para os membros da base, trabalhando nessa
transformação lenta e insidiosa da organização. Ele prepara, nas sombras do Grão-
Mestre e de sua esposa, o seu próprio advento.
Todos esses eventos ainda podem parecer ser pouco convincentes ao leitor do
século XXI. Mas entenda o que esta restauração causou interiormente aos membros da
AMORC, durante este período. Quando descobriram que no topo desta pirâmide de
ideais, diante de seus olhos, que a sua organização tinha um punhado de homens e
mulheres numa suja luta pelo poder. Muitos sinceros Rosacruzes, que pensaram que
tinham encontrado nesta grande fraternidade um refúgio seguro das torpezas deste
mundo, lentamente se tornaram cientes de que não era bem assim. No entanto, sem
cair na credulidade de seguidores fanáticos, ainda tinham o direito de esperar que não
seria pior do que no mundo dito "profano". Descobririam que há muito venalidade,
mentiras, manipulação e arbitrariedade que o quotidiano nos reserva.

O desenvolvimento do mercantilismo

Durante vários anos, os membros da AMORC tinham notado, especialmente


através do seu boletim mensal, uma evolução de sua organização sem fins lucrativos
para o fomento de atividades comerciais cada vez mais numerosas e variadas. Desde o
livro esotérico "essencial para a sua evolução", às viagens de "iniciação" ou aos retiros
de silêncio (mais caros e dispendiosos), passando por várias joias e bugigangas que
eram, por vezes, apenas remotamente relacionadas com a filosofia Rosacruz.
Como parte da preparação para a Convenção de
1989, a primeira entrevista no Castelo d’Omonville, sede
da organização, com o Grão-Mestre, permitiu que os
membros e oficiais da Loja Limoges percebessem que a
esposa deste último, oficialmente Secretária da
Associação, estava muito mais preocupada com a
promoção da próxima viagem a Israel, organizada pela
sua agência favorita para os amorquianos, do que pelo
sucesso da Convenção Geral da Ordem referida em
Limoges. A insistência com que ela pediu ao Grande
Conselheiro para convencer os membros a se inscrever
para este passeio, pagando uma taxa, foi
particularmente preocupante para os organizadores
voluntários da Convenção de 1989.

286
A preparação desta reunião Rosacruz também levou as autoridades de Limoges a
entrar em contato com os organizadores das convenções anteriores da AMORC,
incluindo a de Paris, em 1987. Lá, em várias reuniões com os líderes de Paris, eles
descobriram com espanto os gastos extravagantes que foram realizados no Centro
Cultural de Paris, em instalações que só foram alugadas na época pela AMORC, na Rua
Saint Martin. Este estilo de vida contrastava, pelo menos, com os organismos afiliados
das províncias onde os membros, às vezes, tinham que fazer grandes sacrifícios
financeiros para garantir as atividades de seu organismo afiliado.
Apesar das embaraçosas explicações do Grande Mestre para justificar a "vitrine
parisiense" e da necessidade de introduzir no mercado uma série de produtos para
"satisfazer as necessidades dos membros" e "apoiar financeiramente as atividades da
Ordem" a dúvida tinha se instalado. Mas naquela época os Rosacruzes de Limoges
estavam convencidos da integridade do Grande Mestre, em vez de pensar que ele
estava sob a influência de uma comitiva sem escrúpulos que gradualmente infligia
novos rumos para a organização. Além disso, a Convenção de 1989 estava em
preparação, muitos compromissos oficiais haviam sido feitos (quartos, hotéis, vários
negócios, etc.) e era necessário assumir a responsabilidade local para a realização do
evento.
É a sua dedicação e o sentido de rigor na preparação deste evento que vai
justamente conduzir os organizadores de Limoges a muitas descobertas em sucessivas
decepções.

As diretrizes de negócios da Convenção de 1989

Desde o início da preparação, o Grande Mestre insistiu em "rentabilizar" o


evento, o que é mais normal no final. Ele determinou, inicialmente, o limite de
rentabilidade de 800 participantes. O que significava que, dada uma taxa de inscrição
de 600 Francos, foi previsto um orçamento de "despesas" de 480.000 Francos. Nesta
perspectiva, as "receitas" de unicamente a taxa de inscrição para os 3.000
participantes resultaram um colossal lucro de 1.320.000 Francos para a AMORC.
Em última análise, os organizadores locais, considerando que o objetivo de uma
Convenção não era fazer lucro, acabarão por convencer o Grande Mestre em relevar o
seu desejo de rentabilizar. Isto irá permitir-lhes proporcionar aos participantes uma
recepção e um espetáculo dignos de tal evento e em linha com as despesas incorridas
por cada membro. Os resultados financeiros, no entanto, irão liberar 400.000 Francos
como excedente, que deveriam ser, logicamente, reinvestidos em benefício dos
organismos afiliados organizadores da região e que apenas a Loja "Horus Ra" de
Poitiers desenhou um magro lucro (36.000 Francos). O Grande Conselheiro (Presidente
da Convenção) obteve a devolução do empréstimo com a Grande Loja (com 10% na
origem de interesse) para a aquisição de instalações para o benefício da Loja de
Poitiers. Uma transação financeira, que se pode presumir, difícil de entender para os
mutuários comuns. Assim a AMORC emprestou aos organismos afiliados (Lojas,
Capítulos e Pronaoï) com interesses substanciais, quantias reembolsadas ao longo dos
anos pelos membros das associações locais, para a aquisição das instalações, que no
sentido legal da AMORC eram sua aquisição, inteligente, não é?

287
Além disso, muitos documentos foram impressos para a Convenção. Qual foi a
surpresa dos organizadores ao perceber que a impressão sugerida pela AMORC tinha
cotações de preços desde duas a três vezes mais elevadas do que os de impressão na
cidade de Limoges. No interesse de uma boa gestão de acordo com o orçamento, o
Grande Conselho propôs ao Grande Mestre para imprimir todos os documentos da
AMORC em Limoges. O último, para enganar, aprovou uma ordem simbólica de
algumas milhares de folhas em uma impressão de Limoges, enquanto o trabalho mais
lucrativo foi realizado na impressão preferida pelos líderes franceses da AMORC,
apesar das citações dos preços baixos de impressão em Limoges. Que interesse
poderia muito bem ter a associação a pagar mais para o trabalho de impressão?
Todos esses fatos e muitos outros definitivamente semearam a confusão nas
mentes dos membros e organizadores de Limoges, que, em seguida, perguntaram se
aqueles que dirigiam a administração francesa da AMORC estavam de acordo com os
objetivos e ideais defendidos pelos ensinamentos Rosacruzes, ideais estes que os
membros voluntários da Comissão Diretora da Convenção de 1989 passaram muitos
anos de suas vidas defendendo. Mas, considerando o compromisso de toda uma
região para organizar este evento, era impossível voltar atrás. Para que o líquido
coração, nós tivemos que deixar fora do evento e tentar mais tarde obter
esclarecimentos dos líderes da AMORC. En feitas coisas tomariam outro rumo e
esclarecer mais cedo do que agendada a critério de uma reunião.

Uma questão de confiança

Diante deste contexto mercantil, os líderes da Convenção de 1989 decidiram não


jogar com os "mercadores do Templo" e recusaram-se no evento para proceder à
venda de livros, jóias e outras bugigangas da "Tradição Rosacruz". A cooperativa teve
que surgem para compensar a perda de "Edições Rosacruzes" mantidos por BERNARD
pai o benefício da organização que ele tinha CIRCES criados. Entendemos que a
motivação do outro foi localizado. Não importa, a pedido do filho Director BERNARD
"recentemente improvisado" da cooperativa vai-se ao seu comércio nos termos da
Convenção de Limoges. No entanto, por razões de segurança, Jacques DEVAUX
Comissão Organizadora Tesoureiro concorda em transferir todas as noites o dinheiro
recolhido pelo Destacamento Rosacruz em nome "Convenção de 1989". As cartas
trocadas incompetência posteriormente demonstraram o "Director improvisado" da
Rosacruz Diffusion que se esqueceram de 40.000 Francos nos cofres da Convenção,
eles também destacaram a honestidade dos organizadores da Convenção e
preocupação sobre os objetivos reais da AMORC expressas pelo seu Presidente.
Irritado com a obstinação dos membros de Limoges e sua mania de questionar
constantemente sobre o funcionamento da AMORC, o Grande Mestre decidiu mostrar
publicamente sua distância para com as autoridades locais. Tornam-se, em seus olhos,
um pouco curioso e são, provavelmente, honesto demais para ser tratado (o Grande
Conselheiro tem ele não já ofereceu sua renúncia duas vezes em questões de
confiança? O Grande Mestre ter negado). Apesar do sucesso da Convenção de 1989,
em termos de participação e entusiasmo (algumas performances foram aplaudidas
descontroladamente, nove minutos de "ovação em pé" para "Destination Love" da
peça escrita e estrelada por crianças Jacques julho "portador do archote" da AMORC) o

288
Grande Mestre exibiu uma atitude individual mal educada e não agradeceu aos
organizadores ou seja, que completou regularmente durante este tipo de evento. Na
noite de sábado, 22 de julho do penúltimo dia da convenção, ele rapidamente deixa o
banquete oficial para evitar discussões com seus anfitriões. O paradoxo da história é
que à noite, o Presidente da Comissão Organizadora é convidado a participar, a pedido
de um ex-Grande Conselheiro de seus amigos, em uma conversa entre o último e o
enviado especial de Gary STEWART a Limoges, Ken O'Neill. Este antigo Grande
Conselheiro detém uma posição importante na administração fiscal, e expressou ao
enviado norte-americano sua preocupação sobre a gestão da AMORC na França nos
últimos anos. É provável que Ken O'Neill, que desencadear Gary STEWART depois
disso, nunca percebeu essa conversa e apenas Christian Bernard informado do
conteúdo das trocas com ele naquela noite. Isso explica o comportamento mais frio e
distante do Grande Mestre com os organizadores no último dia da Convenção. Desta
vez as suspeitas legítimas substituíram, pelo menos, dúvidas no que diz respeito aos
aspectos financeiros da deriva amorquienne. A Convenção é longa e temos de
aproveitar o balanço para interrogar o Grande Mestre dos novos rumos da AMORC.
Esta questão dos verdadeiros objetivos da organização, tinha sido abordada várias
vezes por telefone com Christian Bernard e até mesmo no relatório final da Convenção
1989, mas ficou sem resposta.
Um compromisso é feito com ele pela Comissão Organizadora para fazer um
balanço da convenção e a questão da confiança.

289
Datas Significativas da Reorganização Rosacruz de 1990
(AMORC, SETI, CIRCES, CRC)

28/05/1986 - Raymond Bernard abandona o Conselho Supremo da AMORC.

12/01/1987 - Morre Ralph M. Lewis.

23/01/1987 - Gary L. Stewart assume como Imperator da AMORC

19/02/1988 - CIRCES - nascimento oficial do CIRCES. 19 de fevereiro marca o início das


atividades do CIRCES.

19/02/1988 - no Togo, Raymond Bernard fará a sua última participação numa


convenção da AMORC.

25/09/1988 - Raymond Bernard estabelece a Ordem Soberana do Templo Iniciático -


OSTI, no Palácio dos Papas, em Avignon, no 1º Simpósio do CIRCES,
procedendo a 45 iniciações.

julho de 1989 - Convenção Rosacruz na cidade de Limoges, França.

1990 - Boatos de desvio de fundos da AMORC fazem com que Gary L. Stewart seja
afastado da AMORC, porém, mantendo seu cargo de Imperator.

13/04/1990: começa o processo judicial entre a AMORC e Gary L. Stewart.

01/06/1990 - nasce o SETI (Salvaguarda dos Ensinamentos Tradicionais e Iniciáticos).

De abril a novembro de 1990: a AMORC redefine sua estrutura corporativa e nega o


status Tradicional de Imperator, redefinindo aquele Ofício como
sendo idêntico ao de Presidente de uma Corporação. A Corte
sustenta que a Diretoria de uma Corporação tem o direito de
destituir um presidente pelo voto majoritário. Considerando que a
Corporação afirmou que Imperator significa presidente da
Corporação, a AMORC admite a retirada do Ofício Tradicional.

Abril de 1991: Gary L. Stewart introduz o Ofício de Imperator na Ancient Rosae Crucis.

25/09/1991 - Raymond Bernard efetua uma reestruturação do CIRCES, eliminando


qualquer forma de ensinamento no seio do movimento e
interrompe o envio de qualquer forma de comunicação regular,
privilegiando assim a tradição oral e o trabalho colegial.

10/08/1993: a AMORC abandona sua ação contra Gary L. Stewart em seu prejuízo (a
favor de Gary L. Stewart). Os termos da conclusão são muito

290
simples. Nenhum dinheiro foi trocado, ninguém reivindicou culpa
ou responsabilidade e ninguém admitiu qualquer transgressão ou
má ação.

01/09/1993 - dá-se a fusão do CIRCES com a OSTI.

291
O Caso da Loja Rosacruz AMORC Brasília

Finalmente o caso da Loja Rosacruz Brasília - e que marcará o começo do fim da


atual A.M.O.R.C. - chega de forma oficial à web em URL registrada e com documentos
para baixar: http://www.transparenciarosacruz.info (site desativado, infelizmente)

Fonte: https://br.groups.yahoo.com/neo/groups/Rosa-Cruzes/conversations/messages/111

Somos estudantes dos ensinamentos veiculados pela Ordem Rosacruz - AMORC,


desde muitos anos, residentes em Brasília, e sentimos o dever interior de levar a
público, a bem da transparência e destemor que caracterizam os místicos, todos os
fatos e documentos por nós conhecidos sobre as divergências atuais entre a Grande
Loja da Jurisdição de Língua Portuguesa - AMORC-GLP e sua associada Loja Rosacruz
Brasília - AMORC, decorrente da revisão estatutária imposta pelo novo Código Civil
Brasileiro, para que cada pessoa interessada possa ter o benefício da ampla
informação e exercer a prerrogativa de julgar por si mesma.

Ano de
Nome Nº de Afiliação
Afiliação
Aldenir de Almeida Gonçalves 201.992/PMC 1986
Allan Kardec Guimarães Fortes 24.699/P 1967
Aulus Plautus Barboza de Souza 40.168/P 1969
Carlos Octávio Pavel 9.204/P 1960
Dalila Maria Mota de Figueiredo Monteiro 184.147/P 1984
Dirceu Braz Goulart Neto 188.961/P 1985
Edeltrudes Pinheiro Lima 33.746/PMC 1968
Eduardo Teixeira 48.791/P 1971
Efraim Queiroz 231.727/PM 1988
Eleny Lopes Filho 196.050/P 1987
Ernani Gustavo de Figueiredo Monteiro 265.951/P 1992
Fernando Antônio Braga da Silva 55.965/PC 1972
Flavio Rogerio Hautsch Reinehr 75.833/P 1975
Franklin Rodrigues da Costa 85.537/PM 1976
Glei Chaves 53.421/P 1972
Helio Francisco de Queiroz Fernandes 11.876/P 1961
Ivone Jorge Dino 276.618/P 1993
Jorge Monteiro Fernandes 65.962/PC 1974
José Felinto Filho 76.045/P 1975
Luiz Vicente Gentil 305.555/P 1997
Maria do Carmo Rodrigues de Freitas Sacco 165.378/PM 1983
Maria Nilva Senhorino 196.050/PMC 1985
Nice Catharina Mecking Rosa de Oliveira 124.668/P 1980
Nídia Carvalho de Oliveira Pavel 64.505/P 1973
Raimundo Alves Leite 58.886/P 1971

292
Ruth de Mello Eboli 4.211/PV 1940
Sadi Pansera 57.377/P 1972
Vadis Antonio Bellaver 90.201/PM 1976
Vania Maria Vieira da Silva 221.166/PM 1987
Vicente Carlos Andrade Domingues 158.801/PM 1982

Histórico

Janeiro de 2002

• Dia 11 é publicado o novo Código Civil Brasileiro - Lei 10.406, determinando


que entidades como a Ordem Rosacruz fossem constituídas como associações (artigo
53) e seu funcionamento obedecesse ao estabelecido nos artigos 54 a 61 daquele
Código:

"Art. 53. Constituem-se as associações pela união de pessoas que se organizem


para fins não econômicos."

Dezembro de 2003 a Setembro de 2004

• Ocorrem reuniões entre os Monitores e a Grande Conselheira da Região GO-01,


ocasiões em que esta sempre informa que a GLP estaria elaborando seu próprio
estatuto e o modelo de estatuto para os Organismos Afiliados, os quais seriam
encaminhados tão logo estivessem prontos.

Setembro de 2004

• No fim do mês, a Loja Brasília recebe o modelo de estatuto a ser aprovado


pelos Organismos Afiliados.

• A Mestria da Loja Brasília solicita à Grande Loja cópia do Estatuto da GLP. Este
fora aprovado pela Diretoria em 15 de janeiro de 2004 e registrado em Cartório.

Outubro de 2004

• Os Monitores para a Região GO-01, Jorge Monteiro Fernandes - Divulgação e


Cultura, José Delfim da Conceição Ferreira - Ordem Juvenil e Dalila Figueiredo -
Pronaoi, renunciam ao tomar conhecimento de que o Estatuto da GLP "que até então
estava sendo elaborado", já havia sido aprovado desde 15 de janeiro de 2004. Em julho
de 2004 o Monitor da Loja Brasília, Flávio Rogério H. Reinehr já havia renunciado por
discordar da postura da GLP, comunicada pela Grande Conselheira, sobre o assunto.

• Os Oficiais do Pronaos Alvorada do Planalto, com sede na cidade satélite de


Ceilândia - DF e do Pronaos Cidade Ocidental - GO, renunciam por meio de carta
registrada em Cartório, dirigida ao Grande Mestre, com cópia para a Grande

293
Conselheira, também manifestando o seu desconforto pela atitude da GLP de não ter
divulgado a aprovação e registro do Estatuto da GLP.

• A Grande Conselheira é informada, pela Mestria da Loja Brasília, de que um


grupo de membros entendeu que a minuta de estatuto enviada pela Grande Loja
precisava de melhorias, em razão de impropriedades jurídicas nela contidas,
necessitando de alterações para ficar em acordo com a Constituição e o próprio Código
Civil. A Grande Conselheira orienta, então, a Mestria da Loja, a formar um Grupo de
Trabalho para estudar o assunto, o que foi feito.

• A Grande Conselheira comunica à Mestria da Loja, via e-mail, que o texto do


estatuto da Loja deveria "ser aprovado como está". Isto é, exatamente conforme o
modelo fornecido pela GLP.

• Dia 30, a Assembléia-Geral de membros da Loja Brasília debate e delibera sobre


dois modelos de estatuto: o enviado pela GLP e a versão com as melhorias proposta
pelo Grupo de Trabalho. A Assembléia rejeita o modelo da GLP, aprovando a versão
com as melhorias por 53 votos dos 65 presentes, havendo 3 votos contrários, 7
abstenções e 2 em branco.

Novembro de 2004

• Dia 13, o Grande Mestre, acompanhado do Chefe da Divisão de Organismos


Afiliados da GLP e da Grande Conselheira para a Região GO-01, está em Brasília. Em
reunião de caráter informal com os membros da Loja, o Grande Mestre insiste na
realização de nova Assembléia-Geral com o propósito de revogar o estatuto aprovado
pela Loja Brasília e substituí-lo pelo modelo elaborado pela GLP. Cerca de 100
membros participam da reunião e a maioria absoluta rejeita a proposição do Grande
Mestre. Apenas 3 dos presentes manifestam sua concordância com a proposta do
Grande Mestre.

• O Grande Mestre sugere, ao final da reunião, que Oficiais da Loja viajem a


Curitiba para tratar do assunto. Os presentes, no entanto, ponderam ser mais
conveniente uma ampla reunião dos Diretores da GLP com todos os membros, em
Brasília, por ser a matéria de natureza administrativa e envolver os estatutos das duas
organizações - Loja Brasília e GLP. Os membros apontam, como razão, que qualquer
revisão estatutária teria de passar necessariamente pela Assembléia-Geral de
membros da Loja. Como alternativa, a Mestria da Loja sugere nova reunião entre a GLP
e Oficiais da Loja Brasília para a primeira semana de fevereiro de 2005, durante a
Convenção Nacional em Curitiba.

Fevereiro de 2005

294
• A Mestre da Loja Maria do Carmo Rodrigues de Freitas Sacco, o Mestre Auxiliar
Franklin Rodrigues da Costa e a ex-Monitora para Pronaoi Dalila Figueiredo se fazem
presentes em Curitiba, participando da Convenção Nacional na expectativa da reunião
sugerida. No entanto, os representantes da GLP não mais demonstram predisposição
para realizá-la.

Junho de 2005

• Dia 7, membros da Loja Brasília, participantes do Grupo de Trabalho que


elaborou o estatuto aprovado, dirigem carta pessoal, em francês, ao Frater Christian
Bernard, na qualidade de Diretor-Presidente da GLP e aos demais Diretores,
apontando "os princípios, as ideias e os conceitos que nortearam a proposição dos
aprimoramentos" inseridos no Estatuto da Loja Brasília.

Setembro de 2005

• Dia 13, a Loja Brasília encaminha à GLP a Carta n° 39/3358, informando não ter
recebido o Certificado de Renovação da Carta Constitutiva e solicitando informações
sobre seu envio.

• Dia 20, a Loja Brasília deposita em favor da GLP o valor de R$ 1.125,00 (Um mil
e cento e vinte e cinco reais) relativo à primeira parcela da renovação da Carta
Constitutiva.

Outubro de 2005

• Dia 14, a GLP devolve o valor da parcela que a Loja Brasília havia depositado
relativo à renovação da Carta Constitutiva. Em carta assinada por dois "procuradores"
comunica que "a razão da devolução decorre de a Carta Constitutiva não ter sido
renovada em razão de irregularidades constantes do Estatuto da Loja Rosacruz Brasília-
AMORC, aprovado em desacordo com as orientações contidas no Manual
Administrativo da GLP".

• Dia 24, a Loja Brasília envia Interpelação Extrajudicial à GLP solicitando que esta
indicasse as "irregularidades constantes do Estatuto da Loja Rosacruz Brasília-AMORC".

• Dias 28 a 30, realiza-se a Convenção Regional Rosacruz em Goiânia-GO. O


Mestre da Loja Brasília, Franklin Rodrigues da Costa, encontra-se com o Diretor de
Planejamento e Patrimônio da GLP, Domingos Sávio Telles. O tema do encontro é o
Estatuto da Loja Brasília e o Diretor reitera a posição da GLP de não renovação da
Carta Constitutiva para a Loja Brasília se esta não adaptar seu estatuto ao modelo
enviado pela GLP.

Novembro de 2005

295
• Dia 6, Membros da Hierarquia, residentes em Brasília, utilizando-se da
prerrogativa da vinculação direta com o Imperator estabelecida pela Organização,
enviam carta ao Frater Christian Bernard, agora na qualidade de Imperator,
expressando preocupações com eventuais conseqüências do não ajustamento
administrativo da GLP às leis brasileiras.

Dezembro de 2005

• Os membros da Loja Brasília tomam conhecimento de que está em curso,


desde 28 de outubro de 2005 - dia da abertura da Convenção Regional em Goiânia-GO
- Ação Judicial movida pela GLP contra a Loja Brasília (fls. 1 a 11 e fls. 12 a 23), sob n°
2005.01.1.117485-6, na 7ª Vara Cível da Justiça do Distrito Federal (acompanhe os
andamentos no TJDFT - http://www.tjdft.jus.br/consultas). Na ação, a GLP pede o
seguinte:

a) "Seja reconhecida e declarada a nulidade da Assembléia Geral da Loja


Requerida, realizada no dia 30 de outubro de 2004 e, conseqüentemente, das
deliberações ali tomadas, determinando-se, ainda que a Loja cumpra as disposições
estatutárias e encaminhe à AMORC-GLP o teor das mudanças que serão objeto da
nova Assembléia, para análise e ratificação da mesma, conforme dispõe o artigo 29 do
antigo estatuto da Loja, sob pena de multa;

b) (...) determinando-se ao 2° Ofício de Imóveis de Brasília que se abstenha de


qualquer ato tendente a averbar/registrar qualquer espécie de negócio jurídico que
tenha por objeto o imóvel situado na SGAN 607, Módulo "G", L2 Norte, seja alienação
ou de gravame, sem a autorização expressa da AMORC-GLP;

c) que a Loja Requerida se abstenha de proceder qualquer espécie de


deliberação que tenha por objeto, direta ou indiretamente, a perda do caráter
Rosacruz da Loja ou à dissolução dos vínculos fraternais, administrativos e financeiros
com a AMORC-GLP, sob pena de multa."

• Dia 19, a Loja Brasília propõe Ação de Consignação em Pagamento n°


2005.01.1.147419-3 - depósito judicial - contra a GLP (acompanhe os andamentos no
TJDFT). O objeto da ação da Loja Brasília está assim:

I) Seja (...) admitido à Autora efetuar o depósito (...) do valor de R$ 4.725,00


(quatro mil, setecentos e vinte e cinco reais) relativo à anuidade de 2005 para a
Requerida, Antiga e Mística Ordem Rosae Crucis - AMORC - Grande Loja de Jurisdição
de Língua Portuguesa (AMORC-GLP);

II) Deferir, a concessão de tutela antecipada, inaudita altera pars, determinando-


se à requerida (AMORC-GLP) que apresente, em cinco dias, no endereço da autora, os

296
"Certificados de Renovação da Carta Constitutiva para os períodos março/2005 a
março/2006 e março/2006 a março/2007";

III) A cominação de multa, em favor da autora, no valor de R$ 1.000,00 (mil


reais), para cada dia de atraso no cumprimento da determinação (do Juiz).

Janeiro de 2006

• O Mestre da Loja Brasília, Franklin Rodrigues da Costa, recebe em sua caixa de


e-mail pessoal imagem de suposta carta do Imperator, em inglês, datada de 28 de
dezembro de 2005. O teor da mensagem, dirigida ao Mestre da Loja, tece
considerações sobre assuntos internos da Loja Brasília;

• Carta assinada pelo Grande Mestre, datada de 31 de janeiro de 2006 é enviada


aos membros, anexando tradução do que seria o expediente do Imperator dirigido ao
Mestre da Loja Brasília, com conteúdo de resposta à carta subscrita pelos membros da
Hierarquia da Ordem.

Fevereiro de 2006

• Dia 15, a Loja Rosacruz Brasília - AMORC apresenta sua Contestação (defesa) na
ação movida pela GLP, bem como Reconvenção (contra-ação) no mesmo processo. Na
reconvenção pede, dentre outras coisas:

a) o afastamento de todos os diretores da GLP, em razão de não terem sido


eleitos em assembléia nacional como determinam os artigos 6° e 17°, § 1°, do Estatuto
da GLP;

b) Designação, pelo Juiz, de junta interventora dentre os Membros Ativos da


AMORC no Brasil para administrar a GLP de forma transitória e com poderes para
designar Comissão Eleitoral, para estabelecer procedimentos e conduzir o processo
eleitoral de eleição de nova diretoria, fixando-se o prazo de 120 (cento e vinte dias)
para a conclusão e posse dos eleitos;

d) Intervenção do Ministério Público;

e) Reconhecer e declarar a invalidade das "Seções Administrativas" do "Manual


Administrativo e Ritualístico para Organismos Afiliados" dada a sua natureza
estatutária e a não aprovação em Assembléia Geral.

• Na terceira semana, é recebida na Caixa Postal da Loja Brasília, uma cópia da


carta atribuída ao Imperator, dirigida ao Frater Franklin Rodrigues da Costa, Mestre da
Loja, acompanhada de um bilhete manuscrito da Secretária do Imperator. Não foi
possível comprovar a autenticidade dessa carta porque, até hoje, o original não foi
recebido.

297
Março de 2006

• Os signatários deste website passam a receber, individualmente, carta do


Grande Mestre, postada na modalidade "Aviso de Recebimento". Registramos que a
carta do Imperator, mencionada no primeiro parágrafo, esteve publicada desde o
início, porém, uma falha técnica impedia sua abertura em alguns computadores. Essa
falha foi corrigida.

Abril de 2006

• Dia 6, na ação judicial 2005.01.1.117485-6 (acompanhe os andamentos no


TJDFT), a GLP apresenta: Réplica à Contestação; Resposta à Reconvenção; Resposta à
Impugnação ao Valor da Causa e anexos.

Setembro de 2006

• A GLP envia carta aos "Vibrantes Rosacruzes de Brasília - Plano Piloto Sul"
convidando-os para uma reunião, fora da Loja Brasília, em "preparação para formar
mais uma célula rosacruz na região".

Outubro de 2006

• Dia 21 é divulgado edital de abertura das inscrições para os cargos da Loja


Brasília em vacância no próximo ano rosacruz: Mestre, Mestre Auxiliar e Presidente da
Junta Depositária. Dias após é divulgado edital para renovar o Conselho Fiscal.

• Candidatam-se ao cargo de Mestre:

 Nídia Pável – GLP nº 64.505/P, Mestre Auxiliar do Ano Rosacruz em curso;


 Allan Kardec – GLP nº 24.699/P, ex-Grande Conselheiro;
 Doralice M. Leite – GLP nº 256.964/PM, ex-Mestre da Loja.
 Candidatam-se ao cargo de Mestre Auxiliar:
 Idália A. dos Santos – GLP nº 32.152/P;
 Marcelo Rodopiano – GLP nº 145.530/P;
 Efraim Queiroz – GLP nº 231.727/PM, Presidente da Junta Depositária em
final de mandato;
 Francisco Ricardo – GLP nº 253.184/PM.

• Candidatam-se ao cargo de Presidente da Junta Depositária:

 João Baptista Lemgruber – GLP nº 140.833/PM, ex-Diretor da Grande


Loja;
 Gustavo Rios – GLP nº 319.563/P.

Novembro de 2006

298
• No 1º Ofício de Registro de Títulos e Documentos da cidade de Curitiba-PR são
obtidas cópia do novo estatuto da AMORC-GLP e cópias das atas das reuniões
realizadas na GLP que aprovaram essa última reforma estatutária.

• Atas nº 3 e nº 4 de 24/03/2006: adiamento da apreciação integral do novo


estatuto e outros assuntos para o dia 21 de abril de 2006.

• Atas nº 5 e nº 6 de 21/04/2006: aprovação do novo estatuto, eleição do Diretor


Tesoureiro e outros assuntos.

• Novo estatuto da AMORC-GLP com validade a partir de 21 de abril de 2006.

• Dia 24, a secretaria da Loja Brasília expede para AMORC-GLP formulários


preenchidos por candidatos inscritos à eleição para Diretoria da Loja, acompanhados
do Ofício nº 001-3359, o qual não relaciona os nomes dos candidatos.

Dezembro de 2006

• A Loja Brasília recebe da AMORC-GLP a carta GM nº 101/06, de 19 de


dezembro, que homologa apenas três candidatos inscritos para as eleições, "Soror
DORALICE DA MOTA LEITE para Mestre; Frater FRANCISCO RICARDO SIQUEIRA
BARBOSA para Mestre Auxiliar; e Frater GUSTAVO MASCARENHAS RIOS para
Presidente da Junta Depositária", não se pronunciando sobre os demais inscritos.

Janeiro de 2007

• Dia 13, os membros inscritos à eleição e não-homologados entram com


requerimento junto à Secretaria da Loja solicitando cópias dos expedientes
encaminhados à Grande Loja e que estes expedientes sejam afixados no Quadro de
Avisos da Loja.

• Dia 15, por meio da carta GM nº 001/07, a GLP ratifica a carta de 19 de


dezembro com os nomes dos membros antes homologados. A Mestria da Loja Brasília
encaminha à Grande Loja a correspondência M-0001–LB relacionando todos os nomes
dos candidatos inscritos. "Há insatisfação. A Mestria foi instada a solicitar informações
quanto aos critérios que orientaram a homologação, a fim de não restarem dúvidas à
honorabilidade dos que, mesmo cumpridas as exigências estatutárias da GLP e da LB,
não foram contemplados."

• Dia 16, a AMORC-GLP encaminha carta a todos os rosacruzes do Distrito


Federal, convidando-os para comparecerem à Assembléia de eleição da nova diretoria
da Loja Brasília, a fim de "prestigiar os Rosacruzes que vem lutando para manter a Loja
dentro dos princípios que norteiam o Rosacrucianismo".

• Dia 17, os membros não-homologados pela Grande Loja entram com novo
requerimento junto à Secretaria da Loja Brasília, solicitando que seus nomes constem

299
das cédulas de votação na assembléia de eleição convocada para 27 de janeiro, com
base no Estatuto da Loja Brasília. A Diretoria da Loja Brasília, em reunião
extraordinária, reconhece a legitimidade das inscrições e homologa todas as
candidaturas registradas emitindo o comunicado nº 01/2007. Dias após, os Fratres
Allan Kardec e Marcelo Rodopiano renunciam às suas candidaturas.

• Dia 18, a AMORC-GLP, pela carta GM nº 002/07, responde a carta M-0001-LB e


confirma a homologação somente dos três candidatos relacionados na carta GM nº
001/07.

• Dia 20 é inaugurado o Fórum Transparência Rosacruz, estrutura virtual que


favorece a interação (basta se registrar) entre pessoas interessadas no tema, de modo
responsável. Seu regimento oferece a todos os participantes as mesmas regras,
conhecidas de antemão. Mensagens e suas respostas, os perfis dos participantes e
outras informações são mantidas em Banco de Dados, formando histórico de opiniões.
O website reformulado inclui formulário para contato sem uso do correio eletrônico no
computador.

• Dia 27 ocorre Assembléia de Eleição para Diretoria e Conselho Fiscal da Loja


Brasília, com a presença de 144 membros, sendo eleitos:

 NÍDIA PAVEL para Mestre da Loja;


 FRANCISCO RICARDO SIQUEIRA BARBOSA para Mestre Auxiliar; e
 JOÃO BAPTISTA A. LEMGRUBER para Presidente da Junta Depositária.

Fevereiro de 2007

• Dia 16, a Loja Brasília apresenta recurso contra decisão proferida pela Juíza em
24/01/2007. Essa decisão diz que os diretores da GLP não podem fazer parte da
Reconvenção apresentada pela Loja Brasília e os exclui da ação.

• Dia 16, membros da AMORC-GLP reapresentam ação judicial nº


2007.01.1.003181-0 (acompanhe os andamentos no TJDFT) pedindo que seja
declarada a invalidade de vários artigos do Estatuto da GLP de 15 de janeiro de 2004,
bem como a total invalidade das alterações estatutárias de 21 de abril de 2006.

Março de 2007

• Na segunda quinzena, o Grande Mestre envia à Loja Brasília e a todos os


membros ativos e inativos do Distrito Federal a carta GM nº 017/07, afirmando (a) não
reconhecer a legitimidade da Assembléia realizada, (b) que os eleitos não são
reconhecidos como autênticos Oficiais Rosacruzes e representantes da Tradição
Rosacruz, e (c) que não considerará a cerimônia de posse ritualística sem o prévio
consentimento da Grande Loja.

300
• Dia 24, a Loja Brasília realiza o ritual de Ano Novo Rosacruz com a posse dos
oficiais administrativos, ritualísticos e iniciáticos, dando continuidade às atividades
administrativas, sociais e ritualísticas programadas pela nova Diretoria da Loja.

• Datada do dia 20 (embora chegando às residências dos destinatários a partir do


dia 26, após o Ritual do Ano Novo), o Grande Mestre remete a todos os membros
ativos e inativos do Distrito Federal a carta GM nº 020/07, dando ciência prévia do
conteúdo de carta do Imperator de 12/3/2007 que estava para chegar na Loja Brasília.
Esta cópia xerox de carta atribuída ao Imperator Christian Bernard proíbe a Loja
Brasília, seus Oficiais e Membros de realizarem rituais e determina a devolução dos
manuais administrativos e ritualísticos, carta constitutiva, documentos rosacruzes,
juramentos, listagem de membros, símbolos e material iniciático e ritualístico.

• Dia 29, o Grande Mestre envia as cartas GM nº 024/07 e GM nº 025/07


notificando da abertura de processo de expulsão, respectivamente, aos membros
oficiantes no ritual de Ano Novo Rosacruz e aos membros empossados como oficiais
administrativos, ritualísticos e iniciáticos.

Abril de 2007

• Dia 18, a AMORC-GLP envia carta aos rosacruzes do Distrito Federal convidando
a participarem do lançamento do novo Organismo Afiliado no salão de festas do
edifício onde reside Soror DORALICE MOTA LEITE, candidata a Mestre não eleita.

• Dia 21, chega à Loja Brasília o Grande Conselheiro da Região GO1, JOSÉ
GONZAGA DE SOUZA, acompanhado de seis outros membros, um deles da Loja
Goiânia. Após iniciada a Convocação Ritualística, entram na sala de atendimento
contígua à Secretaria da Loja, onde está de plantão apenas a Diretora Tesoureira da
Loja, Sóror ALDENIR GONÇALVES. Apresentam-se como representantes do Grande
Mestre CHARLES VEGA PARUCKER, afirmam estarem "cumprindo diligência" e tentam
retirar papéis e documentos da Loja Brasília. A Tesoureira da Loja consegue trancar a
porta que dá passagem do balcão de atendimento à sala da Secretaria e a ação é
frustrada.

Maio de 2007

• Dia 3 é publicado Acórdão de improvimento ao recurso interposto pela Loja


Brasília em face da decisão judicial que excluiu os Diretores da GLP da ação
reconvencional.

• Dia 11, a Diretoria da Loja Brasília, os Associados-Diretores eleitos para a gestão


do ano R+C 3360, membros do Conselho Fiscal, Oficiais Ritualísticos, Oficiais Iniciáticos
e outros membros da Loja Brasília, todos com carta de expulsão da AMORC-GLP,
reapresentam AÇÃO DECLARATÓRIA DE NULIDADE DE ATO JURÍDICO c/c OBRIGAÇÕES

301
DE FAZER e NÃO FAZER, protocolada no Tribunal de Justiça sob nº 2007.01.1.045215-4
(acompanhe os andamentos no TJDFT). São vinte pedidos na ação, dentre os quais
estão o afastamento do Grande Mestre, dos Diretores da GLP e nomeação de Junta
Interventora na GLP.

302
A Problemática da Filiação Autêntica na Esteira dos
Movimentos Rosacrucianos dos Séculos XVII e XVIII - O Caso
AMORC

Em nossos dias, há várias associações mundiais que se pretendem herdeiras da


Rosa+Cruz. Não vamos julgar qual o valor de seus ensinamentos, mas lançar sobre os
fatos uma visão submetida à crítica histórica.

Uma visão geral e mais detalhada sobre as modernas correntes neo-


rosacrucianas ou pseudo-rosacrucianas são tratadas com grande detalhe no estudo de
Robert Vanloo “Les Rose-Croix du Nouveau Monde”. Porém, naquilo que concerne à
AMORC, iremos nos restringir apenas aos dados já abordados por historiadores e
pesquisadores da Rosa+Cruz, onde na maioria das vezes são questionados não
somente sua filiação “autêntica”, mas também de outros movimentos neo-
rosacrucianos, seja por ausência documental, fraude documental, e pelas próprias
características levadas a cabo pelos movimentos modernos que são estranhos aos
movimentos dos séculos XVII e XVIII, chegando até mesmo Frances Yates106 a dizer em
sua introdução de “O Iluminismo Rosacruz”: “Não me ocupo em absoluto da história
posterior dos chamados rosacruzes, nem de suas raras extravagâncias que assim tem
sido designadas”.

De todas as ordens rosacrucianas, sem dúvida alguma, e devido às extensas


campanhas de publicidade que realizam, a mais conhecida é a AMORC, e nem
perderemos tempo com outras. Publicidade que contradiz a tradição daquela
fraternidade ligada aos Manifestos. Tal como é citado por Hargrave Jennings em seu
“Os Rosacruzes, Seus Ritos e Mistérios”: “Juntos dos Adeptos, todos os monarcas são
pobres; ao lado desses teósofos, os mais sábios parecem estúpidos; nunca dão um
passo que possa levá-los a fama, pois desprezam-na; e, se tornam célebres, é quase
como que a contragosto; não buscam honras, porque nenhuma glória humana lhes

106
Frances Amelia Yates (1899-1981) foi uma historiadora inglesa que se concentrou no estudo da
Renascença. Ensinou no Instituto Warburg da Universidade de Londres por muitos anos, e também
escreveu uma série de livros sobre o tema da história esotérica.
Em 1964, ela publicou “Giordano Bruno e a Tradição Hermética”, que passou a ser vista como sua
publicação mais significativa. Neste livro, ela enfatizou o papel do hermetismo nas obras de Bruno e o
papel que a magia e misticismo tiveram no pensamento renascentista. Seu livro “O Iluminismo
Rosacruz” (1972) relata o papel dos manifestos rosacruzes do século XVII e é o desenvolvimento e a
continuação da obra anterior.

303
pode convir”, ou noutro trecho: “O seu maior desejo é passearem incógnitos pelo
mundo”. Michael Maier em “Themis Aurea” reproduz as regras da Fraternidade
contidas no Fama, onde a primeira delas é nada professar publicamente.

Em sua “história” dos Rosacruzes, Lewis faz remontar suas origens ao Antigo
Egito, ao tempo do Faraó Tutmosis III, da XVIII Dinastia. Ora é sabido, que o
Rosacrucianismo original do século XVII era essencialmente cristão, o que basta
analisar os textos fundamentais da Rosa+Cruz, como o Fama e Confessio, para se
aperceber disto. No Fama, no momento da abertura da mítica cripta de Christian
Rosenkreutz (Cristão da Rosa+Cruz), encontrava-se um altar redondo coberto por uma
placa de cobre, na qual estava gravado o seguinte: “Jesus é tudo para mim”, logo
depois, noutro trecho, após as assinaturas dos presentes na abertura da cripta estava
escrito: “Em Deus nascemos, em Jesus Cristo morremos, e pelo Espírito Santo
renascemos”. Nas lâminas do Geheime Figuren, “Os Símbolos Secretos dos Rosacruzes”
isso fica mais ainda evidenciado. O movimento rosacruciano está fortemente vinculado
ao tenso contexto histórico da Europa. A Europa vinha dilacerada pelas Guerras de
Religião, com a Paz de Augsburgo em 1555 as disputas entre católicos e protestantes
supostamente se acalmaram. A tensão tornou a aumentar na década de 80
culminando na Guerra dos Trinta Anos no século seguinte. Susanna Akermann observa
que é inadequado falar num Rosacrucianismo antes da circulação do manifesto Fama
Fraternitatis. A lenda de C.R.C. é que irá lançar as bases da Fraternidade, visto que não
há Rosacrucianismo histórico sem a lenda de Christian Rosenkreutz. É impossível saber
quando essa história foi concebida, mas sabemos que já circulava em forma de
manuscrito por volta de 1610.

O problema que envolve a AMORC está muito


vinculado à figura de seu criador, Harvey Spencer
Lewis, que dava a si mesmo o título de “Doutor” em
Filosofia sem que nenhuma universidade lhe
houvesse concedido. Desta maneira podemos ler em
o “Manual Rosacruz” do Departamento de
publicações da AMORC, San José - Califórnia, os
seguintes títulos de H. Spencer Lewis: Primeiro
Imperator da AMORC para a América do Norte e do
Sul, Fundador do segundo ciclo de atividades no
Hemisfério Ocidental, Membro do Conselho
Supremo R.C. do mundo, Legado da Ordem na
França, Ministro da Delegação Estrangeira, Sacerdote
Ordenado de Ashrama da Índia, Conselheiro Honorário da Corda Fratres da Itália, Sri
Sobhita da Grande Loja Branca do Tibet, Membro da Universidade de Andhra - Índia,
Reitor da Universidade Rosacruz.

304
É incontestável que Spencer Lewis tenha sido o primeiro Imperator da AMORC,
pois foi o seu criador. Por outro lado, não existe nenhuma constância histórica de
nenhum suposto primeiro ciclo de atividades Rosacruzes na América, com suas Lojas,
Templos, Sistemas de graus, Dirigentes e Mestres. Johannes Kelpius e um grupo de
pietistas vieram para América em 1694. Kelpius estava ligado à tradição de Boehme,
pode ter tido vínculos com os rosacruzes do século XVII, mas daí especular que foi
instituído uma Loja rosacruz nas Américas e um primeiro ciclo de atividades é carente
de provas comprobatórias, até mesmo porque, somente em 1710 a Fraternidade da
Rosa+Cruz de Ouro irá publicar através de Sigmund Richter, sob o pseudônimo de
Sincerus Renatus, os 52 artigos que permitiam estruturar a Rosa+Cruz não enquanto
Colégio de Invisíveis iguais entre si, mas enquanto Sociedade Secreta, hierarquizada.

Sigmund Richter anuncia a Rosa+Cruz de Ouro com uma obra chamada “Die
warhafte und volkommene bereitung des philosophischen Stein der Brüderschaft aus
dem Orden des Guldenen und Rosen Kreutzen” (A verdadeira e completa preparação
da Pedra Filosofal da Fraternidade da Ordem da Rosa+Cruz Áurea) escrita em 1710 por
ele próprio. Existe uma cópia da edição de 1710 (Breslau) na Young Collection da
University of Strathclyde Library, em Glasgow. Este livro foi reimpresso em 1714
(também em Breslau), e cópias podem ser encontradas na Bibliotheca Philosophica
Hermetica e no Herzog-August Bibliothek em Wolfenbuttel. Segundo as informações
de Adam McLean, este livro foi reimpresso novamente posteriormente em uma
coleção trabalhos de Richter com o título: Sinceri Renati sämtliche philosophisch und
chymische Schrifften... Leipzig, 1741 e cópias são encontradas na Coleção de Ferguson
na Biblioteca da Universidade de Glasgow, Young Collection, e também na Bibliotheca
Philosophica Hermetica.

H. Spencer Lewis também menciona ser membro de um Conselho Rosacruz


mundial, mas tal conselho nunca existiu. Afirma ter recibo o legado da Ordem na
França, mas, de qual Ordem? Caso se refere à Rosa+Cruz, a princípios do século XX, em
França, somente estavam ativas a Ordre Kabalistique de la Rose+Croix fundada por
Stanislas de Guaita, a quem pertenceram os mais ilustres Ocultistas franceses da época
como o Dr. Gérard Encausse (Papus), Teder, Péladan, Charles Barlet, Jean Bricaud,
entre outros; e a Ordre Catholique Rose+Croix du Temple et du Graal fundada por
Joséphin Péladan, que apesar de ter falecido em 1918, quando fazia três anos que a
AMORC havia sido fundada, nunca teve contato com Lewis, e nem este pertenceu a
sua Ordem na França.

Não obstante ele se designa “Ministro da Delegação Estrangeira”, mas Ministro


de que? De qual delegação estrangeira? A qual país ou a qual delegação estrangeira se
refere? E também Sacerdote Ordenado de Ashrama da Índia, mas Spencer Lewis nunca
esteve na Índia, e nunca foi ordenado como sacerdote hindu, e sobre a Corda Fratres
da Itália não há nenhum registro dessa Irmandade naquele país.

305
Lewis menciona ter sido iniciado em Toulouse. Segundo o livro “Perguntas e
respostas Rosacruzes, com a história completa da Ordem” escrito por Spencer Lewis, a
Rosa+Cruz se estabeleceu em Toulouse durante o reinado do Imperador Carlos Magno,
por volta do ano 800, por um monge chamado Reynand; se isto é assim, como é
possível que os arquivos da Rosa+Cruz hajam estado em Donjon (onde Lewis afirmava
sua Iniciação) desde que a Ordem se estabeleceu nesse país, se a torre mencionada foi
construída no ano de 1525, uns 700 anos depois do “estabelecimento” da Ordem na
França e a torre de Donjon esteve durante muito tempo em ruínas até ser restaurada
no ano de 1887? Onde puderam guardar os arquivos em um edifício que ao mesmo
tempo eram oficinas municipais? Onde estão agora estes documentos antigos com
informações dos muitos séculos passados, que ninguém nunca viu, e nenhum
estudioso jamais examinou? Ou a AMORC não os tem, ou então onde estão estes
documentos que somente foram vistos por Lewis?

Em 1920, em San Francisco - Califórnia, Lewis foi supostamente ordenado como


Sacerdote Budista por um tal Sri E.L.A.M.M. Massananda Khan, Bispo da Igreja do
Dharma, e dando-lhe o nome de Sri Sobhita Bhikku juntamente com um diploma, ou
carta constitutiva da “Grande Loja Branca do Tibet”. Referimos-nos à “Carta
Constitutiva da Grande Loja Branca” emitida durante a “ordenação" de Lewis como
“Sacerdote Budista”, tal Carta Constitutiva da “Grande Loja Branca do Tibet” está em
inglês, e não existe nela nenhum símbolo ou letra em Tibetano. E ademais, não
existem Igrejas e Bispos hindus ou tibetanos. Como Membro da Universidade de
Andhra da Índia, pode-se afirmar que não existe constância histórica real de que Lewis
estivera matriculado, ou seguira nenhum curso, ou recebera um título legal, em
nenhuma “Universidade de Andhra” da Índia.

Harvey também se aponta Reitor da Universidade Rosacruz, o certo é que Harvey


Spencer Lewis nunca recebeu outra formação acadêmica que a de seus anos de
estudos, terminados em 1899, numa escola pública de Nova York, não obstante, ele se
empenhou em titular a si mesmo como “Doutor” em Psicologia e em Filosofia,
publicado na revista “The American Rosae Crucis”, fevereiro de 1916 - página 17”.

Um outro dado levantado foi quando Lewis declarou que no Egito havia uma Loja
Rosacruz que se chamava Loja AMENHOTEP, a que eram admitidos como membros
honoríficos todos os membros da AMORC que houvessem chegado ao 4º G.T., e para
estes ele emitia um certificado em inglês, com algumas palavras em francês, como por
exemplo: GARANT D´AMITIE em vez de GARANTIE D´AMITIE que é como se deveria
escrever em francês correto. Entretanto a Loja não existia no Egito, como puderam
constatar um primeiro grupo de membros que resolveram conhecê-la de fato.

Por outro lado, Lewis menciona em seus escritos a Sra. May Banks-Stacey, a co-
Fundadora e primeira Grande Matre dos Estados Unidos. Numa página do dito
“Manual Rosacruz” que corresponde a uma resenha biográfica de Harvey Spencer

306
Lewis, está escrito: “... um membro de um ramo inglês que auspiciou o primeiro
Movimento na América, a Sra. do coronel May Banks-Stacey, descendente de Oliver
Cromwell, e dos D´Arcy da França, pôs em suas mãos esses papéis, tal e como
oficialmente lhe haviam sido transmitidos pelo último dos primeiros rosacruzes
americanos, junto com a jóia e a chave de autoridade que ela recebeu do Grande
Mestre da Ordem da Índia, quando era oficial da Ordem nesse país...”. Um membro da
Ordem Rosacruz da Índia? Onde estava essa Ordem na Índia, que não existe referência
histórica alguma dela, exceto nestes escritos de Lewis? Papéis recebidos do Grande
Mestre da Ordem na Índia? Quem era esse Grande Mestre dessa Ordem Rosacruz na
Índia? Não existe nenhum registro histórico que o Rosacrucianismo tivesse fincado
bases na Índia.

No dia 8 de fevereiro de 1915 em presença de nove pessoas, houve uma reunião


prévia para a fundação da AMORC e no dia 1º abril de 1915 se firma um
pronunciamento que diz:

“Em reunião devidamente constituída, nós, os abaixo-assinantes, damas e


cavaleiros da cidade de Nova York nos constituímos formalmente em membros do
Conselho Supremo da Antiga e Mística Ordem Rosacruz em concordância com os
Antigos Ritos e Cerimônias, sob a direção e aprovação do Grande e Poderoso Grande
Mestre Geral da América. Em conseqüência, levamos ao conhecimento de todos a
proclamação e o estabelecimento da Ordem Rosacruciana na América e reconhecemos
aos Oficiais da Grande Loja, cujos nomes aqui aparecem, como devidamente eleitos em
conformidade com o Primeiro Manifesto Americano.

Assinado em 1º dia de abril de 1915

H. Spencer Lewis - Grande Mestre Geral


May Banks-Stacey - Matre Geral (sem assinatura)
Nicholas Storm - Deputado Grande Mestre Geral
Thor Kiimalehto - Secretário Geral
Fiat Lux!”.

Se a Sra. May Banks-Stacey era a co-Fundadora da AMORC, e possuía um papel


tão relevante em sua fundação, porque então não assinou o pronunciamento?

E por fim, a história de um manuscrito secreto conhecido por “manuscrito de


Nodin”, que teria sido escrito por volta do 8º século. Tal manuscrito jamais foi citado
por historiadores do Rosacrucianismo. Para se ter uma idéia, a Biblioteca Philosophica
Hermética (BPH) de Amsterdã, fundada em 1957 pelo Sr. Joseph R. Ritman com o
propósito de colecionar trabalhos da tradição Hermética-Cristã, e que pesquisa e
coleciona documentação relevante à toda esta tradição, que organiza exibições,
conferências e publicações sobre estes assuntos, jamais citou tal manuscrito.

307
Os projetos de pesquisas da BPH são principalmente empreendidos pelo
bibliotecário Carlos Gilly, que especificamente pesquisa a tradição do Rosacrucianismo.
Seus esforços se concentram na Biblioteca e em pesquisa de arquivos a fim de
completar a bibliografia definitiva dos primeiros Rosacruzes. Quando ele começou sua
pesquisa em nome da bibliografia dos Rosacruzes, o material de trabalho básico
consistia em várias bibliografias existentes numa listagem com uns 230-240 títulos.
Desde o começo do projeto, mais de 1.300 títulos relevantes para a história do
Rosacrucianismo foram colecionados, um terço do qual em manuscritos. Atualmente a
BPH conta com mais de 9000 títulos sobre os Primeiros Rosacruzes. E nenhum
“manuscrito de Nodin” é citado.

Tem sido sempre característico das organizações rosacrucianas a preocupação de


provar sua autoridade e prevenir-se contra rivais escorando-se na bandeira Rosa+Cruz.
Lewis começou a buscar sua autoridade nos supostos Rosacruzes franceses de
Toulouse. Mas decidiu que também seria desejável ter uma linhagem alemã. Harvey
Spencer Lewis a fim de proporcionar credibilidade à AMORC estava à procura de
Ordens Rosa+Cruzes tradicionais. Ambos, Lewis e Theodore Reuss discutiram as
possibilidades de criarem uma respectiva organização com bases estendidas pelo
mundo inteiro, ou seja, o estabelecimento de uma Federação Universal que eles
chamaram de T.A.W.U.C. (The AMORC World Union Council). A princípio Lewis reagiu
de modo entusiástico, mas dentro de um ano ele perderia seu interesse em Reuss e
pela T.A.W.U.C., Lewis começara a questionar a conexão R+C de Reuss. Logo depois,
por volta de 1930, Lewis aliou-se ao ocultista alemão Heinrich Traenker, que declarara
a si mesmo sucessor de Theodor Reuss (morto em 1924) na liderança da OTO. Lewis e
Traenker criaram então a Sede Internacional do Supremo Conselho da AMORC em
Berlim, e Lewis começou a proclamar suas ligações com os “Rosacruzes alemães”
sendo que parte do plano envolvia a criação de uma nova Fama, dizendo-se emanada
da verdadeira autoridade Rosacruz e declarando que doravante a Antiga e Mística
Ordem Rosacruz (AMORC), seguindo antigas tradições, trabalhou mais ou menos em
segredo através dos séculos para melhorar os destinos da humanidade”. (Christopher
McIntosh, 1997).

Lewis e seus associados encontraram alguma dificuldade para manter a


credibilidade quanto a essa conexão alemã e, no começo de 1933, bolaram planos
para buscar uma nova fonte de autoridade européia, chamada FUDOSI (Federação
Universal de Ordens e Sociedades Iniciáticas). A FUDOSI promoveu a idéia do Antigo
Egito como a “verdadeira” fonte do Rosacrucianismo, uma ideia bastante enfatizada
pela AMORC.

O grande rival de Spencer Lewis foi Reuben Swinburne Clymer, da Fraternitas


Rosae Crucis (outra Ordem que se pretende herdeira dos antigos Rosacruzes). Entre os
dois houve vários embates. Lewis publicou uma carta aberta a Clymer desafiando-o a

308
vir à frente e debater publicamente com ele. Clymer recusou o convite de Lewis e, por
sua vez, pediu a Lewis que submetesse a investigação todos os documentos que
possuía. Compreensivelmente, Lewis não estava disposto a fazer isso, pois alguns deles
podiam causar-lhe embaraços. (McIntosh, 1997).

O historiador Robert Vanloo em “Os Rosacruzes do Novo Mundo”, conclui que a


AMORC é uma criação de Lewis e não deriva de nenhum outro Movimento existente.
Seus ensinamentos são um compêndio resultante de diferentes pesquisas, em que
Lewis adicionou ingredientes pessoais produzindo os seus próprios ensinamentos: “Ela
é a criação de Lewis e não deriva de qualquer outro movimento existente, e os
ensinamentos da AMORC são um compêndio ou síntese de diferentes fontes, uma
espécie de “caldeirão cultural” a que Lewis acrescentou seus próprios ingredientes
pessoais e que finalmente produziu algo próprio. Na verdade Lewis nunca foi
verdadeiramente interessado nas diferentes ordens a partir das quais ele estava à
procura de reconhecimento". (Robert Vanloo, 2001).

309
Acréscimos e Supressões

Estudando o desenvolvimento da AMORC podemos perceber que, no passar dos


anos as suas monografias, livros e panfletos são “atualizados”. As “monografias” são
“atualizadas” na linguagem e também em seu conteúdo. Embora o uso da linguagem
“moderna” seja apropriado, entretanto, os acréscimos e supressões vão além de uma
simples atualização aos tempos modernos. Material inconveniente é deixado de lado,
escondido mesmo. Mas, nos tempos atuais, devido a internet, todo este material está
vindo a lume. Eis alguns deles:

1 - Livros Suprimidos

Comecemos com um livro bem básico sobre a “história” da AMORC. O livro


“Perguntas e Respostas Rosacruzes - Com a História Completa da Ordem Rosacruz”, do
fundador da AMORC, Harvey Spencer Lewis, que foi retirado de circulação no final da
década de 80, por conter uma versão muito fantasiosa da sua história e foi
“atualizado” pelo livro de Christian Rebisse, “Rosa+Cruz, História e Mistérios”.

Perguntas e Respostas Rosacruzes - Com a História


Completa da Ordem Rosacruz - Harvey Spencer Lewis,
2ª Edição em Língua Portuguesa, 1983

310
Rosa+Cruz História e Mistérios, Christian Rebisse, 1ª
Edição em Língua Portuguesa, 2004

Este livro pretende situar o rosacrucianismo na História,


evocando a gênese do esoterismo ocidental e
apresentando as múltiplas correntes a que a Rosacruz
deu nascimento. Neste livro tenta-se inutilmente
confirmar tanto as origens tradicionais como históricas
da AMORC, tentando refutar teses de outros
historiadores.

O Manual Rosacruz: publicado durante muitos anos,


mas contendo muito material inconveniente, é
finalmente deixado de lado.

311
2 - Os Livros “Esquecidos” de Raymond Bernard

Após a criação do movimento CIRCES por Raymond Bernard, que inicialmente


teve como presidente honorário Gary Lee Stewart, o Imperator da AMORC de 1987 a
1990, houve um “desentendimento” com seu filho Christian Bernard, presente
Imperator da AMORC. Atualmente os livros de Raymond Bernard estão “banidos” da
AMORC. Podem ser encontrados em sebos ou na editora Zéfiro de Portugal. Aqui a
listagem que já foi publicada pela AMORC até a década de 1980:

- Encontros com o Insólito, Renes (1982), Zéfiro (2007);

- As Mansões Secretas da Rosa-Cruz, Renes (1983), Zéfiro (2005);

- Mensagens do Sanctum Celestial, Renes (1980);

- Novas Mensagens do Sanctum Celestial, Renes (1983);

- Fragmentos da Sabedoria Rosacruz, Renes (1983).

312
3 - A Profecia Simbólica da Grande Pirâmide

Em 1936 H. Spencer Lewis publicou o livro intitulado "A profecia simbólica da


Grande Pirâmide"107. Ele afirmava que a Ordem Rosacruz, AMORC está na posse de
manuscritos antigos que indicam a existência de passagens subterrâneas e câmaras
que ligam a Esfinge à pirâmide de Quéops.

Um dos pontos mais interessantes sobre o livro "A Profecia simbólica da Grande
Pirâmide", de H. Spencer Lewis é a maneira pela qual ele se conecta com as
descobertas do Dr. Selim Hassan em Gizé, em 1934-1935, com diagramas de uma rede
subterrânea de passagens e câmaras108. Nas próprias palavras de Lewis, "Eles
verificaram, em parte, pelo menos, as coisas indicadas nos dois esquemas
apresentados neste livro e, sem dúvida, a passagem do tempo irá verificar outras
partes destes diagramas”. Diagramas semelhantes também foram publicados por H. C.
Randall-Stevens, um cantor profissional que virou místico, alegando “canalizar”109 a
informação de "Iniciados do Antigo Egito".

"A Profecia simbólica da Grande Pirâmide", de H.


Spencer Lewis, traduzido da 12ª edição norte-
americana.

9º Grau AMORC - Monografia 6, Capa

107
Spencer Lewis - Profecía Simbólica Gran Pirámide
https://pt.scribd.com/document/92671186/Spencer-Lewis-Profecia-Simbolica-Gran-Piramide
108
Ver http://www.towers-online.co.uk/pages/shafted4.htm
109
O termo “canalização” é usado por alguns místicos para designar aquelas pessoas que têm um ou
mais canais desenvolvidos, de modo parcial ou total, e que se comunicam conscientemente com seres
que vivem e evoluem em outros planos e mundos dimensionais, tendo absoluto controle de sua mente
e de sua vontade.

313
A AMORC, nas monografias do 9º Grau (Monografia 6) afirmava o seguinte no
“Sumário desta Monografia”:

- “O candidato à Iniciação egípcia é conduzido à Grande Pirâmide e, por suas galerias e


câmaras, para o próximo e mais elevado rito de Iniciação”.

- “Um oficial do Templo explica que a prova do ar fora superada graças à confiança;
isto é, que, pela confiança nos poderes e métodos superiores, invisíveis e
desconhecidos, o medo fora eliminado e os perigos da dúvida e da hesitação haviam
sido dissipados”.

- “Após ter sido o Neófito devida e simbolicamente vestido, um Guia ritualístico o faz
passar pelo altar e por todas as Estações do Templo. Em seguida, um Mestre invoca
bênçãos cósmicas para o Postulante”.

“Vemos acima um diagrama reproduzido de vários outros, do interessante livro, A


Profecia Simbólica da Grande Pirâmide, do Dr. H. Spencer Lewis. Estude este diagrama
detalhadamente, com relação à sua meditação sobre esta iniciação. Ele mostra
passagens secretas iniciatórias, ligando a Esfinge à Grande Pirâmide, que foram
outrora usadas pelos iniciandos das escolas de mistério. Este desenho está baseado em
manuscritos em poder dos arquivistas das escolas de mistério do Egito. A existência
dessas antecâmaras subterrâneas, como a que está situada abaixo da Esfinge, tem sido
sistematicamente negada, mesmo por eminentes autoridades egípcias. Os egiptólogos
também já declararam que a misteriosa tradição de que havia um altar entre as patas
da Esfinge, e uma placa de pedra em seu peito, contendo sagradas inscrições, era
fantasia. No entanto, em anos relativamente recentes, escavações profundas
revelaram esse altar e a enorme placa de pedra. Aliás, as Expedições Cinematográficas
da AMORC, em 1936 e 1949, filmaram estes locais, inclusive o interior da Grande
Pirâmide. Escavações recentes confirmaram também algumas das passagens
subterrâneas mencionadas nas tradições das escolas de mistério”.

314
9º Grau AMORC - Monografia 6, Sumário

Os diagramas a seguir são reproduzidos a partir da primeira edição do livro "A


Voz do Egito", publicado em 1935 e a primeira edição de "A Profecia Simbólica da
Grande Pirâmide", publicado em 1936.

Suspeita-se que os diagramas foram publicados pela primeira vez por Randall-
Stevens em 1928. O fato de que o livro de Lewis foi publicado em 1936 sugere que ele
pode muito bem ter baseado seus diagramas sobre o trabalho de Randall-Stevens.

315
Pesquisas posteriores mostraram que é muito difícil dizer quem copiou de quem, se é
que este era o caso, ou se ambos copiaram de um terceiro, ou mesmo um do outro.

Randall-Stevens afirma no prefácio do "Os Últimos Dias da Atlântida", que ele


canalizou os ensinamentos de duas entidades chamadas Adolemy e Oneferu. Adolemy
tinha sido encarnado anteriormente sob o nome Osiraes nos reinados de Amenhotep
III e IV, e Oneferu tinha sido encarnado sob o nome MenAton durante o reinado de
Akhenaton. Ele diz que "... toda uma série de detalhes me foi dada vinte e sete anos
atrás a respeito da natureza e da construção da Grande Pirâmide de Gize, também
sobre a Esfinge, que é a entrada para as câmaras de iniciação e passagens que levam
ao Grande Hall, que está abaixo da base da Grande Pirâmide. Foram-me dados planos
detalhados deste Centro Maçônico que são reproduzidos mais tarde neste livro". A
primeira edição do "Os Últimos Dias da Atlântida", foi publicado em 1954, por isso
Randall-Stevens está claramente afirmando que ele recebeu os planos detalhados em
1927.

Em 1935, Randall-Stevens publicou "A Voz do Egito", que era uma compilação de
material selecionado a partir de livros anteriores. Esta primeira edição continha um
diagrama de corte simplificado das câmaras sob a Esfinge (fig.1) e um diagrama da
planta baixa de Gizé (fig.2).

fig 1 - Diagrama de corte da Esfinge de "A Voz do Egito"

316
fig 2 - Planta baixa do Centro Maçônico de "A Voz do Egito" e "Os Últimos Dias da
Atlântida" 1ª, 2ª ed.

317
Em 1936, Lewis afirmou que os diagramas mostrados nas figuras 3 e 4 foram
retirados de manuscritos secretos. Ele afirmava: “Estes desenhos incomuns foram
feitos a partir de manuscritos secretos possuídos por arquivistas das escolas de
mistérios do Egito e do Oriente e são parte dos manuscritos secretos que relatam as
antigas formas de iniciações realizadas na Esfinge e na Grande Pirâmide”110.

fig 3 - Diagrama de corte da Esfinge de "A Profecia Simbólica da Grande


Pirâmide"

110
A Profecia Simbólica da Grande Pirâmide, pág. 181.

318
Figura 4 - Planta baixa de "A Profecia Simbólica da Grande Pirâmide"

319
A primeira edição de "Os Últimos Dias da Atlântida", foi publicada em 1954. O
livro está dividido em duas partes, a primeira é a versão atualizada do "A Voz do
Egito". A segunda parte consiste de uma série de "Ensaios Cósmicos" que consistem
em novo material “canalizado”. Ele contém a mesma planta baixa de Gizé como em "A
Voz do Egito" (fig. 2), mas o diagrama de corte mostrando as câmaras sob a Esfinge
está faltando. A segunda edição publicada em 1957, também omite o diagrama da
Esfinge.

O diagrama de corte da Esfinge (fig.5) faz sua primeira aparição na terceira


edição publicada em 1966, mas agora é semelhante em estrutura ao diagrama de
Lewis de 1936 (fig. 3), em vez do próprio diagrama de Randall-Stevens (fig. 1),
publicado em "A Voz do Egito". Vemos também a primeira aparição do "Plano das
pirâmides e da Esfinge como originalmente construídas" (fig.6).

A página que descreve o "Plano das pirâmides e da Esfinge como originalmente


construídas" também inclui um novo diagrama intitulado "Elevação do olhar
ocidental". A legenda afirma que o plano é "de um esboço original de El Eros", isso
provavelmente é a "Planta baixa do Centro Maçônico do Egito" (fig. 2) de "A Voz do
Egito". É interessante notar que a fig. 6 também inclui detalhes visíveis no diagrama de
"Planta baixa" de Lewis (fig.4), que não estão presentes no diagrama "Planta baixa"
original de Randall Stevens (fig 2). Não há esquema equivalente ao "Elevação do olhar
ocidental" no livro de Lewis.

Fig. 5 - Diagrama de corte da Esfinge de "Os Últimos Dias da Atlântida" 3ª ed.

320
Figura 6 - Planta baixa do "Os Últimos Dias da Atlântida" 3ª ed.

321
Lewis afirma111: "De acordo com o que dizem as tradições e vários manuscritos
místicos, publicados de forma limitada em anos recentes, a Grande Pirâmide constitui,
apenas, o ponto central de magnífico complexo místico egípcio, que encerra mistérios
em cada metro quadrado da área ocupada". Poderia essa referência a "manuscritos
místicos", na verdade, ser uma referência ao trabalho de Randall-Stevens, que na
verdade tinha sido lançado de forma limitada nos últimos anos?

Os diagramas "Plano das pirâmides e da Esfinge como originalmente


construídas" e "Planta baixa do Centro Maçônico do Egito" não mostram o templo
localizado em frente da Esfinge. Este templo foi escavado por Baraize em 1925-1932
com novas escavações sendo concluídas pelo Dr. Selim Hassan, em 1935-1936, ou seja,
a obra foi concluída após a primeira publicação de "A voz do Egito" e "A Profecia
Simbólica da Grande Pirâmide". Uma série de plataformas e passos existiam ao mesmo
tempo, tendo sido construídos sobre a parte superior do templo da Esfinge pré-
existente, quando foi enterrado sob as areias do deserto. As etapas levavam até a
calçada em frente da esfinge em vez de abaixo dela, como mostrado por Lewis e
Randall-Stevens. Parece provável que os diagramas foram baseados, pelo menos em
certa medida, na informação disponível no momento.

Algumas perguntas vêm à mente:

- Será que Lewis inicialmente baseou seus diagramas nos diagramas de Randall-
Stevens de "A Voz do Egito"?

- Por que Randall-Stevens desistiu do seu próprio diagrama da Esfinge na


primeira e segunda edição do "Os Últimos Dias da Atlântida"?

- Por que os diagramas da "Esfinge" e o "Plano de esfinge e as


pirâmides como originalmente construído" na terceira e posteriores
edições do "Os Últimos Dias da Atlântida", são semelhantes aos
diagramas de Lewis?

"Giza, A verdade" por Ian Lawton e Chris Ogilvie-Herald

Na primeira edição do livro "Giza, A Verdade", os autores reproduziram os


diagramas de "Os Últimos Dias da Atlântida" (ver figuras 5 e 6). É claro que eles
pensavam que Lewis tinha copiado os diagramas de Randall-Stevens. Na página 236,
lemos "Em 1936, o então Grande Imperator da Ordem Rosacruz, H. Spencer Lewis,

111
A Profecia Simbólica da Grande Pirâmide, pág. 121.

322
escreveu em "A Profecia Simbólica da Grande Pirâmide", que o planalto de Gizé possuía
muitas câmaras subterrâneas... diagramas desta suposta rede de câmaras e passagens
de Lewis era uma cópia quase exata dos diagramas elaborados entre 1925 e 1927 por
H. C. Randall-Stevens - cujo trabalho será considerado mais tarde porque
supostamente foi canalizado por ele através das vozes dos espíritos "dos antigos
iniciados egípcios”. Nós não temos nenhuma predisposição para sugerir que a
informação recolhida desta forma é necessariamente errada, mas nós acreditamos
que, em seguida, foi copiada e deturpada”.

Informações completas sobre o assunto podem ser acessadas em:

http://www.towers-online.co.uk/pages/shaftidx.htm

http://www.towers-online.co.uk/pages/shafted4.htm

http://www.lostchord.org/ROSTAU/rostau2.html

Bibliografia:

H. Spencer Lewis, "the Symbolic Prophecy of the Great Pyramid" (A Profecia Simbólica
da Grande Pirâmide), AMORC, San Jose, 1936;

Selim Hassan, "Excavations at Giza", vol. VI part I, Cairo Government Press, 1946;

H. C. Randall-Stevens, "Atlantis to the Latter Days" (Os Últimos Dias da Atlântida),


1936;

H. C. Randall-Stevens, "A Voice Out Of Egypt" (A Voz do Egito), 1935.

323
5 - Documentos Rosacruzes e Martinistas

Publicados até o final da década de 80, os livretos Documentos Rosacruzes112 e


Documentos Martinistas, foram suprimidos após a reorganização da AMORC em 1990.

Nos Documentos Martinistas a informação oficial era que H.S. Lewis e Ralph M. Lewis
tinham sido iniciados na Ordem Martinista Tradicional, enquanto, na verdade, tinham sido na
Ordem Martinista e Synárquica. A AMORC somente admitiu essa situação na década de 90,
quando, obviamente, esses livretos saíram de circulação.

112
https://pt.scribd.com/document/141144822/Rosicrucian-Documents-pdf

324
325
326
A Tradição Rosacruciana e Suas Ordens: Um
Levantamento Histórico
Kennyo Ismail

Resumo

O presente artigo teve por objetivo selecionar as principais Ordens de inspiração rosa
cruz, analisando suas histórias e líderes e verificando suas influências doutrinárias. O
resultado desse estudo foi a definição de seis vertentes rosacruzes distintas e o
desenho de uma árvore genealógica abrangendo as vinte e uma Ordens apresentadas.
Palavras-Chave: Rosacrucianismo; sociedades secretas; esoterismo.

Introdução

O Rosacrucianismo é tradicionalmente conhecido como tendo sido desenvolvido na


Alemanha por Christian Rosenkreuz, que teria vivido no século XV e que supostamente
promulgou as doutrinas rosacrucianas básicas (STEINER, 2000). Essas doutrinas
compõem a literatura rosacruciana original, publicada pela primeira vez na Europa no
início do século XVII. Fama Fraternitatis e Confessio Fraternitatis são os dois principais
textos do rosacrucianismo, publicados anonimamente em 1610 e 1615,
respectivamente, na Alemanha (YATES, 1972).

O Fama Fraternitatis descreve o surgimento e história de Christian Rosenkreutz, um


personagem lendário ou talvez alegórico. Buscando por conhecimento, o Frater
C.R.C.113 realiza uma viagem ao Oriente Médio, encontrando-se com sábios e místicos
(possivelmente mestres Sufis e zoroastristas), aprendendo ensinamentos esotéricos e
desenvolvendo poderes de cura. Ao retornar para a Europa suas descobertas são
rejeitadas por religiosos e acadêmicos, fundando então uma fraternidade restrita
chamada Ordem da Rosca Cruz, na qual os membros eram chamados de rosacrucianos.
O livro também descreve o trabalho desenvolvido por seus discípulos e a descoberta
do túmulo oculto de Rosenkreutz. Confessio Fraternitatis aprofunda nos ensinamentos
Rosa Cruzes e propõe um plano de reforma mundial com a criação de uma
comunidade invisível chamada “Spiritus Sancti” com a qual a Ordem pode crescer
secretamente.

Focando no desenvolvimento pessoal, a publicação desses manifestos causou uma


resposta instantânea de grupos intelectuais na Europa, que tentavam entrar em
contato com os membros de tal ordem secreta.

113
Frater é o termo referente a Irmão em Latim. CRC é a abreviação de Christian Rosenkreutz, cuja
primeira aparição foi em “Casamento Alquímico de Christian Rosenkreutz”, publicado em Strasbourg,
em 1616.

327
Os primeiros membros historicamente conhecidos cujos esforços foram de
transformar o conhecimento Rosacruz em um sistema de estudo eram maçons
escoceses, por meio da Societas Rosicruciana (WESTCOTT, 1966). A literatura ocultista
indica que os maçons Rosacruzes permaneceram sozinhos nessa via por pelo menos 88
anos. Depois disso, muitas outras Ordens com base nas tradições Rosacruzes foram
desenvolvidas, muitos delas também por maçons.

Este artigo é uma visão geral das mais importantes Ordens Rosacruzes, e, embora ele
não esgote o tema, pretende-se que sirva como um guia de pesquisa para acadêmicos
que desejam explorar a interligação das várias Ordens.

Breve Históricos das Ordens

Societas Rosicruciana – a Rosa Cruz Maçônica: Essa sociedade, restrita a Mestres


Maçons, surgiu inicialmente na Escócia, em 1800. Atualmente está presente na
Escócia, Inglaterra, EUA, Canadá, Irlanda, Portugal, França e Brasil. Seus ensinamentos
são baseados no Fama Fraternitatis e no Confessio Fraternitatis.
A seguir um breve resumo das duas mais representativas Societas em número de
membros:

Societas Rosicruciana in Anglia – SRIA: Fundada em Londres entre 1865 e 1867 por
Robert Wentworth Little, um maçom, que havia sido iniciado na Societas Rosicruciana
in Scotia (CHURTON, 2009). Muitos ocultistas famosos do século XIX eram membros:
John Yarker, Paschal Bervely Randolph, Arthur Edward Waite, William Wynn Westcott,
Eliphas Levi, Theodor Reuss, Frederick Hockley e William Carpenter, além de muitos
outros (PAIJMANS, 1998). Foi por intermédio da SRIA que a Societas Rosicruciana in
Canada teve sua origem.

Societas Rosicruciana in Civitatibus Foederatis – SRICF: Fundada na Pensilvânia em


1880 sob os auspícios da Societas Rosicruciana in Scotia. Sua sede atual está em
Washington, DC. A Societas nos EUA mantém laços estreitos com a Societas da Escócia,
Inglaterra e Canadá, e promove o crescimento e fortalecimento da causa rosacruciana
maçônica em outros países, como no Brasil.

Hermetic Order of the Golden Dawn: Fundada por três Mestres Maçons da Societas
Rosicruciana in Anglia: William Wynn Westcott, Samuel MacGregor Mathers e William
Robert (GUILEY, 2006). Criada em 1888, logo se espalhou para França, Escócia, Boston,
Filadélfia e Chicago. A Ordem promovia estudos sobre Kabbalah, Alquimia,
Simbolismo, Astrologia e Tarô (McINTOSH, 1997), por meio de um sistema de graus
diretamente herdado da Societas Rosicruciana in Anglia – SRIA (SABLÈ, 1996). Não
demorou muito para que a Ordem se tornasse popular entre os acadêmicos daquela
época (AKERMAN, 1998). Sua popularidade foi enorme entre 1892 e 1896. Em 1897, a
Golden Dawn começou a ruir: Westcott, um médico legista, sucumbiu à pressão e
abandonou a Ordem devido às pressões de que um médico legista da Coroa estivesse

328
associado a uma entidade ocultista. Nesse contexto, Mathers percebeu que o caminho
estava livre para ele assumir a liderança da Ordem, e, a partir daí, muitos conflitos com
as lideranças das Lojas começaram a ocorrer.

A situação ficou pior com a chegada de Aleister Crowley. Pouco tempo após sua
admissão, Crowley exigiu seu ingresso no Círculo Íntimo que comandava a Ordem. Ele
tornou-se próximo de Mathers, que deu a ele autoridade sobre as Lojas na Inglaterra
(HOWE, 1985). Isso levou a um levante dos membros ingleses que acabaram
expulsando Mathers e Crowley da Ordem em 1900. William Butler Yeats, que se
tornaria um laureado com o Nobel de Literatura alguns anos depois, tornou-se o líder
da Ordem, mas renunciou ao cargo em menos de um ano (Ibid., p. 285). Passada essa
fase, a Golden Dawn foi perdendo membros até que finalmente desapareceu em 1915.

Ordem Rosacruciana de Alpha e Omega – ROAO: Uma Ordem criada em 1900 por
Samuel Mathers depois de sua expulsão da Golden Dawn (CICERO, 2003). Mathers
promoveu uma cisão na Golden Dawn, levando consigo um grupo leal que deu início à
ROAO. Um de seus mais famosos membros foi Dion Fortune. Porém, ela acabou sendo
expulse da Ordem depois de muitas discussões e discordâncias com Mathers. Samuel
Mathers conseguiu manter a ROAO em funcionamento até sua morte, em 1918. Sua
esposa, Moina Mathers, assumiu seu posto até que ela faleceu, em 1928 (Ibid., p. 63).

Stella Matutina: Também conhecida como “Rosa Mística”, esse grupo surgiu de um
dos desmembramentos da Golden Dawn em 1900, mas diferente da Ordem
Rosacruciana de Alfa e Omega – a qual foi leal ao Mathers, a Stella Matutina foi
composta por aqueles contra Mathers (REGARDIE, 2003). O foco da Ordem, além do
conhecimento rosacruz (herdado da Golden Dawn), era o desenvolvimento da
habilidade de projeção astral. A Ordem teve seus trabalhos encerrados em 1939.

Ordre Kabbalistique de la Roise Croix – OKRC: A Ordem Cabalística da rosa Cruz foi
fundada em Paris, em 1888, por Stanislas de Guaita (AKERMAN, 1998). O comando da
Ordem era exercido por um conselho de doze membros, seis desses “desconhecidos”
para garantir a sobrevivência da Ordem em caso da falha dos outros (CHURTON, 2009).
A OKRC atraiu atenção de muitos ocultistas da época, como Papus (Gérard Encausse),
François Barlet, Joséphin Péladan e Spencer Lewis (McINTOSH, 1997). Os
ensinamentos da Ordem envolviam conhecimento de Tarô, Astrologia, Alquimia,
Teurgia, Numerologia, e Kabbalah. Essa Ordem ainda sobrevive, e atualmente a
maioria dos ensinamentos da OKRC é relacionada à Kabbalah.114

Ordem da Rosa Cruz Católica – CRC: Fundada por Joséphin Péladan em Paris, em 1890.
Péladan foi cofundador da OKRC, mas declarou ter recebido de seu irmão mais velho
Adrian uma diferente linhagem de Rosa-Cruz, seguindo caminho diferente de Stanislas
de Guaita. Além de estudos esotéricos, a Ordem focou em estudos relacionados a
Ciências, Cultura, Música, Teatro e Artes em geral (DI PASQUALE, 2009). Ele morreu
em 1918 e seus discípulos tentaram dividir a Ordem entre eles. O único que obteve
sucesso foi Emile Dantinne, com a OARC.

114
Vide: http://www.okrc.org/

329
Ordo Aureae & Rosae Crucis – OARC: Criada por um discípulo belga de Péladan, Emile
Dantinne, em 1923 (SABLÈ, 1996). Ele dividiu a Ordem em três partes: Rose-Croix
Universitaire, Rose-Croix Universelle e Rose-Croix Interioure. A Ordem era composta
de um sistema de vinte e dois graus, dos quais o ultimo grau era o “Emperor.” Harvey

Spencer Lewis, o fundador da Antiga e Mística Ordem Rosae Crucis, e seu filho, Ralph
Maxwell Lewis, receberam o grau de Emperor pelas mãos de Dantinne na Europa
(LEWIS, 2009). Esta é uma evidência da relação fraterna entre a OARC e a AMORC. A
OARC ainda existe na Europa através de muitos pequenos grupos que trabalham
discretamente.

Ordo Templi Orientis – OTO: Esta sociedade teve início em 1895, aparentemente por
Carl Kellner, Henry Klein, Theodor Reuss, e Franz Hartmann. A OTO seguiu as tradições
rosacrucianas durante o período que Reuss e Hartmann participaram. Há uma carta de
Reuss enviada a Harvey Spencer Lewis, datada de 1921, na qual ele explica a origem
rosacruciana da OTO (STARR, 2003). Lewis se juntou à OTO depois do convite de Reuss
e saiu da Ordem quando Crowley assumiu sua liderança, em 1924. Muitos grupos se
desligaram da OTO durante a administração de Crowley, o qual modificou o conteúdo
e estrutura da Ordem, dando-lhe um aspecto telemita.

Muitas vertentes surgiram após a “Era Crowley”, apresentando a si mesmos como a


legítima OTO. A que alcançou maior sucesso foi uma sediada em New York e que tem
trabalhado a Ordem internacionalmente. Ela foi fundada por Grady Louis McMurtry,
em 1979, quando a Loja “Agape” foi reaberta, uma vez que funcionou na Califórnia e
era diretamente ligada à OTO original.

Um fato interessante foi a disputa legal que a OTO de McMurtry enfrentou pelos
direitos de governar a instituição e os direitos patrimoniais sobre os materiais literários
da Ordem. Seu oponente era a Ordem brasileira chamada SOTO – Societas Ordo
Templi Orientis, fundada em 1962 e administrada por Marcelo Ramos Motta, que se
declarava o legítimo sucessor de Crowley (LEWIS, 1999). Marcelo Motta foi o primeiro
divulgador telemita no Brasil e era o líder esotérico de Paulo Coelho115. A OTO de
McMurtry ganhou na justiça e detém o direito de continuar usando o nome OTO e
publicando seu material literário.

Pansophicum Collegium – PC: Fundada por Heinrich Tranker, em 1921. Ele foi o líder
da filial alemã da OTO durante a liderança de Reuss e se rebelou quando Crowley
assumiu (D’AOUST & PARFREY, 2007). Atualmente o PC considera-se a única
mantenedora dos verdadeiros segredos da fraternidade rosacruciana. Entre 1921 e
1931 o PC manteve parceria com a AMORC. Durante esse período, um grupo de
membros do PC, insatisfeito com a direção da Ordem, fundou a Fraternitas Saturni –
FS, com uma visão mais voltada para Thelema. Ambas as Ordens, PC e FS, ainda
existem.

115
Paulo Coelho é um imortal da Academia Brasileira de Letras e um dos escritores mais lidos
atualmente no mundo. Alguns de seus livros mais famosos tem temática esotérica, como “Diário de um
Mago”, “O Alquimista” e “Brida”.

330
Fraternitas Saturni – FS: Criada na Alemanha por dissidentes da Pansophicum
Collegium – PC, em 1928, sob a liderança de Gregor Gregorius (FLOWERS, 2006). Esse
grupo especializado em Thelema foi inspirado pelo Rito Escocês Antigo e Aceito,
criando um sistema de trinta e três graus. Em 1936, o governo nazista proibiu a FS e
Gregorius fugiu da Alemanha para evitar a prisão. Com o fim do nazismo, Gregorius
retornou para a Alemanha e reestabeleceu a FS, promovendo muitas reformas
internas.

Fraternitas Rosicruciana Antiqua – FRA: Fundada pelo alemão Henrich Arnold Krumm-
Heller no México, em 1927, sua sede inicialmente funcionou na Alemanha (KONIG,
1995). Krumm-Heller era membro da OTO e recebeu ordens de Reuss para colaborar
com a expansão da OTO na América Latina, mas, em vez disso, ele decidiu criar sua
própria Ordem. FRA fez sucesso em países da América Latina e chegou a outros países
como Espanha e Austrália, mas com resultados menores. Krumm-Heller não formou
novas lideranças nem nomeou um sucessor, então, depois de sua morte, a FRA passou
a operar com lideranças locais, sem uma unidade internacional. Em muitos países a
FRA se aliou à FRC para sobreviverem. Isso enfraqueceu a instituição, causando o
desaparecimento em muitos países, estando a Ordem ativa atualmente apenas no
Brasil e em outros poucos lugares.

Fraternitas Rosae Crucis – FRC: Fundada na Pensilvânia, em 1920, por Reuben Clymer
que afirmava dar continuidade na missão de Paschal Beverly Randolph (RANDOLPH &
CLYMER, 1939). Na verdade, Clymer comprou alguns arquivos e anotações de
Randolph através de sua viúva. A FRC dedicava muito tempo e esforços na tentativa de
derrubar a AMORC e seu fundador, HS Lewis (CLYMER, 1935; SABLÈ, 1996). A família
de Randolph desmentiu as afirmações de que Clymer detinha todo conhecimento de
Randolph, o que gerou grande impacto na Ordem. Em qualquer caso, Clymer manteve-
se como importante fonte para muitos outros ocultistas da época, tais como Krumm-
Heller, fundador da FRA. Em muitos países, a FRC e FRA se fundiram.

Rosicrucian Fellowship: Também conhecida como Associação dos Cristãos Místicos,


ou, simplesmente, a Fraternidade Rosa Cruz, esse grupo foi estabelecido nos EUA por
Max Heindel, em 1909 (HEINDEL, 2012). Essa é uma das poucas instituições que, em
vez de se autoproclamar a descendente direta e legítima da primeira Ordem
Rosacruciana, declara-se inspirada e não a continuação da Fraternidade rosacruciana
original. Ao invés de Lojas, seus membros chamam o local de reuniões pelo termo
Igrejas. De fato, esse é um termo mais adequado, visto a Ordem funcionar mais
parecido com uma religião do que com uma Ordem (SABLÈ, 1996; LEWIS, 2004). Sua
sede fica na Califórnia.

Lectorium Rosicrucianum: Também conhecida como Escola Internacional da Rosa Cruz


Áurea. Foi fundada na Holanda, em 1924, por Wim Leene, Jan Leene e Henriette Stok-
Huizer como o segmento holandês da Rosicrucian Fellowship, até tornar-se uma
instituição separada, trabalhando independente, em 1936 (SABLÈ, 1996). O nome
“Lectorium Rosicrucianum” foi adotado em 1945. Com a morte de Wim Leene em
1938, a Ordem passou a ser governada simultaneamente pelos dois fundadores
remanescentes, ambos compartilhando o título de Grão-Mestre. Depois da morte de

331
Jan Leene em 1968, a Ordem passou a ser governada por um colegiado de treze
membros. A Ordem tem aproximadamente 15.000 membros e está presente em trinta
e seis países, incluindo muitos países na Europa, América do Sul, América do Norte,
África, Austrália e Nova Zelândia (INTROVIGNE, 1997).

Ancient Mystical Order Rosae Crucis – AMORC: Uma das mais conhecidas Ordens
rosicrucianas, a AMORC foi fundada por Harvey Spencer Lewis, em 1915, nos EUA
(GUILEY, 2006). Ele declarou que havia sido iniciado em Toulouse, em 1909, e declarou
que a AMORC era a única legítima Ordem Rosa Cruz, baseado em estudos
desenvolvidos pelo historiador maçônico, Dr. Julius Friedrich Sachse, que afirma que
houve uma expedição rosacruciana em 1694 que estabeleceu uma colônia na
Pensilvânia. Como uma estratégia de crescimento e de ganhar mais legitimidade, Lewis
incorporou à AMORC muitas pequenas, porém antigas, Ordens rosacrucianas de toda a
Europa. Isso foi possível por meio da oferta de apoio material e financeiro que a
AMORC proveria àqueles dispostos a serem incorporados. Apesar disso, o grande
desenvolvimento da AMORC aconteceu quando o filho de HS Lewis, Ralph Maxwell
Lewis, assumiu o posto do pai. Ralph criou os sistemas de instrução por
correspondência e de iniciações em casa, além de reduzir o conteúdo teúrgico em seus
materiais, focando no místico-esotérico. Os rituais de iniciação aparentam ter sido
muito influenciados pela Maçonaria, especialmente pelo Rito Memphis-Misraim.
Através do trabalho de RM Lewis, a AMORC se expandiu para muitos países, incluindo
a criação da Grande Loja AMORC de Língua Portuguesa, com sede no Brasil.

O grande erro de Ralph Maxwell Lewis foi não ter preparado um sucessor, assim como
não ter estabelecido um Conselho Administrativo capaz de dar continuidade ao
trabalho. Depois de sua morte, Gary Stewart assumiu seu posto em 1987 como
Imperator, mas permaneceu apenas três anos como o líder da AMORC, diante de um
escândalo financeiro envolvendo a Ordem. Após três anos de batalha judicial, foram
retiradas as acusações de desvio de fundos existentes sobre Stewart e ele fez um
acordo com a AMORC, renunciando ao cargo. Stewart foi sucedido por Christian
Bernard, em 1990 (GREER, 2009).
A AMORC possui uma Ordem anexa: a Tradicional Ordem Martinista - TOM. O
Imperator da AMORC é também o chefe maior da TOM, e para se tornar membro da
TOM é necessário ser um membro regular da AMORC.

Antiquos Arcanus Ordo Rosae Rubae et Aureae Crucis – AAORRAC: Fundada na


Áustria por Edward Munninger, essa foi uma cisão da jurisdição alemã da AMORC, que
aconteceu em 1952. Eles têm adotado o nome original da AMORC como uma
estratégia de incutir à Ordem um senso de antiguidade que, de fato, não possui. Os
ensinamentos da AAORRAC são baseados nos estudos da AMORC, e eles têm sido
acusados de apropriação indébita de materiais da AMORC e da OTO. Sua sede atual
está localizada na Áustria (LAMPRECHT, 2004).

Antient Rosae Crucis – ARC: Esse grupo foi fundado em 1990 por dissidentes da
AMORC nos EUA, quando dos escândalos da administração de Gary Stewart. Esse
grupo em particular permaneceu leal a Stewart e contra a AMORC, e pediu a Stewart

332
que aceitasse ser o seu Imperator. Seus materiais são baseados no da AMORC
utilizados nos anos de 1950116.

Confraternity of the Rose Cross – CR+C: Fundada pelo ex-Imperator da AMORC, Gary
Stewart, como uma alternativa após o incidente judicial. Opera similarmente à
AMORC, utilizando o material da época do H. S. Lewis antes das várias mudanças
implementadas por seu filho. CR+C trabalha em comunhão com a OMCE – Ordo Militia
Crucifera Evangelica, uma Ordem de inspiração templária. O conteúdo dos materiais
da CR+C é considerado por muitos como o mais fiel aos conceitos da moderna Rosa
Cruz117.

Ordem do Templo da Rosa Cruz – OTRC: Fundada em Londres, em 1912, por duas
mulheres e um homem: Annie Besant, Marie Russak e James Ingall Wedgwood. A
Ordem foi inicialmente composta por teosofistas e membros da Comaçonaria Le Droit
Humain, e se consideravam os legítimos representantes dos Templários e dos
rosacrucianos. O grupo desapareceu em 1918 (HEIDLE & SNOEK, 2008).

Corona Fellowship of Rosicrucians – CFR: Criada por um dos remanescente da OTRC


quando ela foi fechada. Os membros criaram o “Novo Teatro Rosacruciano”, em
Hampshire, uma espécie de fórum que servia de palco para debates ocultista em onde
muitos famosos ocultistas surgiram, como Gerald Gardner. Aparentemente essa
Ordem não sobreviveu à Segunda Guerra Mundial (McINTOSH, 1997).

Les Freres Aines de la Rose-Croix – FARC: Essa instituição declara que foi fundada em
1316, poucos anos depois do fim da Ordem templária. De acordo com seus membros,
alguns cavaleiros templários foram para a Escócia onde reabriram sua Ordem como a
FARC. Entretanto, a FARC foi oficialmente criada em 1971 por Roger Caro, alquimista
francês, autor da lenda sobre a origem templária da Ordem (CARO, 1970). Ele serviu a
Ordem como seu Grão-Mestre até sua morte, em 1992. A instituição tem por foco os
estudos dele de alquimia. Depois da morte de Roger, a FARC foi dissolvida de acordo
com seus últimos desejos.

Conclusões

O presente estudo permite-nos identificar seis vertentes rosacrucianas distintas. Com


a intenção de obter melhor compreensão, essas vertentes serão nomeadas
considerando as características doutrinárias que as distinguem: Hermética, Cabalística,
Thelêmica, Gnóstica, Mística e Teosófica. Uma breve descrição da doutrina que
nomeia cada vertente é feita a seguir118:
 Hermetismo: o estudo e prática da filosofia oculta cujo autor é Hermes
Trimegisto;

116
Alvin Sen Evanger. “Manifestations of the Neo-Rosicrucian Current”. The Alchemy Web Site,
http://www.levity.com/alchemy/alvin.html.
117
Confraternity of the Rose Cross – CR+C, Website Oficial: http://www.crcsite.org/crc.htm.
118
Sobre essas doutrinas, leia: Nevill Drury, The Dictionary of the Esoteric (Londres: Watkins Publishing,
2002).

333
 Cabala: esoterismo judaico cujo objetivo é prover conexões entre espírito e
matéria;
 Thelema: filosofia baseada em amor e vontade, tendo por base seu próprio
“Livro da Lei”;
 Gnose: diz respeito à busca do conhecimento espiritual e divino por meio de
sentimentos e experiências pessoais intuitivas;
 Misticismo: estudos e práticas que permitem a comunicação direta entre o
homem e o Divino, sem intermediários ou restrições de qualquer sistema
teológico fechado;
 Teosofia: um sistema que compreende a interpretação harmonizada de
princípios filosóficos, religiosos e científicos.

A divisão das Ordens apresentadas no desenvolvimento deste estudo nas vertentes


apresentadas, bem como a relação histórica entre o surgimento das mesmas, pode ser
visto no seguinte gráfico:

334
335
Este estudo proporcionou um interessante achado, a relação de proximidade e de
colaboração entre os principais líderes responsáveis pela divulgação da tradição
Rosacruciana durante o final do século XIX e início do século XX: Clymer, Crowley,
Eliphas Lévi, Guaita, Krumm-Heller, Mathers, Papus, Péladan, Reuss e Spencer Lewis.
Apesar de alguns conflitos que ocorreram entre umas dessas personalidades, como
Clymer e Lewis, a história mostra que era comum que líderes de algumas Ordens eram
membros de outras, assinavam manifestos em conjunto, trocavam cartas e títulos.
Algumas Ordens se fundiram e outras trabalharam juntas. Tudo isso indica que, apesar
dos interesses pessoais e institucionais, a difusão do conhecimento rosacruciano
básico foi geralmente tratada como prioridade.

Outra evidência dessa intenção sinérgica foi a iniciativa de Papus, a qual contou com a
associação de muitos dos líderes citados anteriormente, que foi a criação da FUDOSI –
Federatio Universalis Dirigen Ordines Societatesque Initiationis (LEWIS, 2004), uma
associação global de sociedades esotéricas, muitas das quais rosacrucianas. O primeiro
passo para esse objetivo ocorreu em 1908. Porém, muitos dos líderes dessas
organizações não partilhavam um sentimento de mútuo respeito, o que levou a
FUDOSI a encerrar suas atividades em 1951.

É também interessante observar que muitos dos mais populares e respeitados nomes
do ocultismo, como Eliphas Lévi, Papus, Stanislas de Guaita e, o mais polêmico de
todos, Aleister Crowley, eram adeptos da tradição rosacruciana e estavam engajados
em sua causa. Isso é definitivamente uma forte evidência da importância e
credibilidade que a tradição rosacruciana possui no meio ocultista.

Referências Bibliográficas

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YATES, F. A. The Rosicrucian Enlightenment. Londres: Routledge, 1972, p. 59-62

337
A Progressiva Publicação dos Ensinamentos e Rituais

A AMORC é uma das maiores fraternidades do mundo, utilizando-se de uma


publicidade ostensiva, onde a captação de novos membros se dá também através de
revistas e jornais, podemos compreender então que a manutenção dos “segredos” se
torna uma matéria ingrata. Um dos primeiros detratores da AMORC, que a acusa, diga-
se de passagem, injustamente de ser “satanista”, temos Reuben Swinburne Clymer.
Entretanto, Clymer expôs a ligação entre Lewis e Crowley, além de documentar várias
falsificações de Lewis que foram comprovadas posteriormente por Robert Vanloo119.

Por sua vez, Samael Aun Weor escreveu em 1952 a obra “A Revolução de
Belzebu”120. O livro, apesar de conter alguns conceitos ridículos, expõe alguns
ensinamentos originais da AMORC. Vejamos algumas destas “pérolas”:

“Os magos negro da AMORC dão, no ritual de terceiro grau, o nome de um demônio a
seus ingênuos discípulos, e para efeito o discípulo escreve em várias papeletas determinados
nomes que se lhes dão, e ao sacarem a papeleta com o nome segue figurando com ele no
Astral. Os nomes são os seguintes:”

ADJUTOR

COGNITOR

AFECTADOR

DIVINATOR

AMORIFER

JUSTIFIQUE

BENEFACTOR

PENSATOR

“Cada um desses nomes pertence a um demônio que é cabeça de legião, e o ingênuo


discípulo fica sob as ordens e mando do homem que escolheu ao azar. Os oficiais da AMORC
fazem seus discípulos crer que esses nomes revelam simples causalidades morais, e, assim,
enganam suas vítimas.”

“Amorifer é um demônio de capacete vermelho e rosto redondo. Cada um desses


demônios é terrivelmente perverso.”

119
Ver “A Fraternidade Rosacruz na América” (The Rosicrucian Fraternity in America), em 2 volumes, de
Reuben Swinburne Clymer e “Os Rosacruzes do Novo Mundo” (Les Rose-Croix Du Nouveau Monde,
1996), de Robert Vanloo.
120
http://sawzone.org/docs_bra/A_Revolucao_de_Bel.pdf

338
Mais adiante, no mesmo livro, ainda afirma nos seus delírios:

“Abbadon é o Anjo do Abismo. Veste túnica negra e gorro vermelho como os Dugpa e os
Bonpo do Tibet oriental e das comarcas de Sikkim e Butão, como os magos negros do Altar de
MATHRA (pronunciado MASSRA, pelos Rosacruzes da Escola AMORC da Califórnia).”

“Ali vemos clarividentemente Belzebu, o príncipe dos demônios, entregue aos piores
delitos. Membro ativo de um grande templo de magia negra, lutava intensamente para fazer
prosélitos entre a humanidade da Época Solar e foram muitas as almas que ele conquistou
para seu tenebroso templo. Baixou Belzebu os 13 Escalões da magia negra e conseguiu a 13ª
Iniciação Negra, que o converteu em Príncipe dos Demônios. Em sua cintura levava o sinistro
Cordão de Sete Nós, tal como o usam os “ditos” Cavaleiros Templários do mago negro Omar
Cherenzi Lind e os membros da escola de magia negra AMORC de San Jose de Califórnia.”

“Fez-se hábil no manejo da mente e recebeu a Palavra Perdida dos magos negros, que se
escreve MATHREM e se pronuncia MASSREM. Em sua cabeça peluda colocou o barrete da
magia negra e cobriu seus largos e peludos ombros com a negra capa de príncipe dos
demônios. Em sua fronte apareceram os chifres do Diabo. Esses cornos são a marca da Besta.”

“Familiarizou-se com todas as palavras de passe e converteu-se num grande hierarca da


Loja Negra, num adepto da Mão Esquerda. Os magos negros da AMORC de San Jose de
Califórnia têm palavras de passe muito curiosas para reconhecer-se entre si:”

“ARCO: palavra de passe para os de Segundo Grau;”

“KHEI-RA: para os de Terceiro Grau, a qual pronunciam assim: QUEI-RAA;”

“MATHRA: palavra de passe para os de Quarto Grau (pronuncia-se MASSRA). Esta é a


Palavra Perdida dos magos negros, é o nome de um templo de magia negra chamado Mathra.
Dito templo está situado em estado de Jinas na Montanha do Pico, ou Pico de Montanha, nas
Ilhas Açores. Os magos negros do altar de Mathra são magos de gorro vermelho, como os
Bonpo e Dugpas do Tibet. Desse tenebroso templo atlante provêm os rituais negros de hoje, e
não do Egito, como falsamente sustentam os oficiais dessa perigosa instituição.”

“Em vão os magos negros do Quinto Grau gritarão sua palavra de passe ASTRO, porque
esse antro de magia negra irá ao Abismo, onde está a Grande Besta e o Falso Profeta.”

“Em vão gritarão THOKATH, THOKATH, THOKATH (que se pronuncia assim: SOCAS,
SOCAS, SOCAS) as vítimas horríveis do Sexto Grau, porque o fio da Espada da Justiça Cósmica
selará suas gargantas nas horríveis trevas da desesperação, onde só se ouvem prantos e ranger
de dentes.”

“E vós, os místicos negros do Sétimo Grau, em vão queimareis o Sal das Bruxas com
álcool e incenso.”

“O Guardião imundo de vosso sanctum não poderá salvá-los das trevas e da


desesperação, porque chegou o Milenário, e todo aquele que não está junto de Cristo irá ao
Abismo, mesmo que grite como louco “Mathrem, Mathrem, Mathrem”.”

339
Em 1995 Reuben R. Isaac (FRC) publica o livro
“O Desvelar dos Ensinamentos da Ordem Rosacruz:
Uma Revelação”121 (The Unveiling of the Teachings
of the Rosicrucian Order: An Expose). Reuben R.
Isaac foi um membro da Ordem Rosacruz desde
1967. Como um oficial da Ordem Rosacruz, ele
atuou como Mestre na Loja Rosacruz da cidade de
Nova Iorque, bem como historiador da Ordem.

Isaac também foi um oficial e historiador da


Ordem Martinista Tradicional, no Templo da cidade
de Nova Iorque.

De 1969 a 1976, Isaac proferiu palestras


sobre diferentes temas metafísicos, tanto na Loja
Rosacruz quanto no Templo Martinista da cidade
de Nova Iorque, a respeito de Cabala e outros assuntos relacionados. Alguns dos
assuntos constantes no seu livro:

- Primeiro Grau de Templo, p. 37, a natureza da matéria, espírito e alma, a lei da


harmonia, vibrações;

- Segundo Grau de Templo, p. 50, os atributos da alma, a escala da consciência, o


subconsciente;

- Terceiro Grau de Templo, p. 57, a função da memória, a consciência - o


primeiro fator, atualidade e realidade;

- Quarto Grau de Templo, p. 63, Nous, axiomas rosacruzes, Ra e Ma, a célula;

- Quinto Grau de Templo, p. 73, os ensinamentos dos antigos filósofos: Tales,


Anaximandro, Anaxímenes, Heráclito, Pitágoras, Parmênides, Demócrito, Platão;

- Sexto Grau de Templo, p. 77, a manutenção da saúde, a temperatura do corpo,


os elementos positivos e negativos, a célula do sangue, causas da anemia, o ciclo das
células, o aspecto psíquico do homem, a energia nervosa, os dois sistemas nervosos, as
glândulas, técnica rosacruz de tratamento, o sangue e o ar;

- Sétimo Grau de Templo, p. 91, RA, MA, THA, a aura, a projeção psíquica;

- Oitavo Grau de Templo, p. 96, Magister Templi ou o Mestre do Templo, a


finalidade da alma, os efeitos dos sons vocálicos, a palavra secreta perdida MATHREM,
a pineal;

121
https://pt.scribd.com/document/95307978/The-Unveiling-of-the-Teachings-of-the-Rosicrucian-
Order-An-Expose

340
- Nono Grau de Templo, p. 101, o triplo triângulo do poder, o título do grau é
Magus. A palavra perdida em sua forma breve é MATHRA. A sua forma completa é
MATHREM. Sons vocálicos Ma, Tha, Th e Ra. "Se for da vontade do Cósmico, está
feito!". O significado de AUM; as leis da alquimia, RA-MA; O fenômeno da
invisibilidade, a função da pituitária, etc.

- A Hierarquia Rosacruz, p. 121.

- Décimo, Décimo Primeiro e Décimo Segundo Graus. Os "Planos", os graus após


o 12º grau. A Lei da Assunção, p. 124.

- A Militia Crucifera Evangelica, p. 140.

- Os Ensinamentos do Martinismo, p 143, as colunas Boaz e Jachin.

- Grau Associado, p. 145.

- Grau Místico, p. 148.

- Grau SI - Superior Incógnito, p. 154.

- O Círculo dos Filósofos Desconhecidos, p. 154.

- O significado das iniciais FRC, p. 159.

A partir de 2008, o ex-Frater Pierre S.


Freeman122 se coloca contra a AMORC e começa a
publicar vários livros: “O Prisioneiro de San Jose”123
(The Prisoner of San Jose, 2008), “AMORC
Desmascarada”124 (AMORC Unmasked, 2010),
“Mayhem na Rodovia Astral” (Mayhem on the Astral
Highway), “Contos do Mestre das Marionetes” (Tales
of the Puppet Master), escrevendo sobre seus 24
anos de escravidão e controle-mental, contrastando
o verdadeiro desenvolvimento espiritual com o culto
impulsionado por doutrinação alucinatória, na
esperança de ajudar a libertar aqueles tentados a
cair ou já nas garras da AMORC e de outros cultos
religiosos/esotéricos semelhantes.

122
http://www.theprisonerofamorc.typepad.com/
http://pierrefreeman.com/
123
https://pt.scribd.com/document/294026153/The-Prisoner-of-San-Jose
124
https://pt.scribd.com/doc/294051013/AMORC-Unmasked

341
Nascido no Haiti e educado na escola de
engenharia do Haiti, Pierre S. Freeman saiu antes de
obter o diploma e veio para a América, deslumbrado
com suas oportunidades. Nas suas palavras, ele “se
afiliou a AMORC no Haiti, pensando que tinha
encontrado um caminho rápido e fácil para a felicidade
e prosperidade. Vinte e quatro anos depois, pobre e
emocionalmente desequilibrado, ele acordou,
encontrando-se triste e recém-desperto, um
sobrevivente do culto mundial de Controle da Mente.
Como parte de seu processo de cura, ele passou alguns
anos expondo os métodos implementados pelo culto,
que o mantiveram em cativeiro por grande parte de sua
vida. Para fazer isso, ele é autor de dois livros, O Prisioneiro de San Jose e AMORC
Desmascarada, bem como o blog
sobre seus 24 anos de escravidão
pelo Controle da Mente. Nessas
obras, ele tem exaustivamente
exposto a retórica, os exercícios e
o protocolo do culto, detalhando
suas técnicas específicas de
Controle da Mente. Considerando
que ele acredita que o
conhecimento do Controle da
Mente é uma chave importante
para acabar com a escravidão do
culto, ele acrescentou os efeitos
curativos do riso ao conjunto de
soluções para este tipo de
Controle Mental.”

Publicou também uma


versão da “Iniciação do Primeiro
Grau de Templo da AMORC
Ilustrada” (AMORC's First Temple
Degree Initiation ILLUSTRATED),
da qual reproduzimos algumas
figuras.

342
343
344
Enquanto nas Américas a AMORC teve, desde o seu início, detratores como o Dr.
Reuben Swinburne Clymer (ele era realmente médico), que embasavam
documentalmente suas denúncias, houve outros sem critério nenhum, como o
colombiano Samael Aun Weor, pseudônimo de Vitor Manuel Gomez Rodriguez, líder
do movimento gnóstico. As denúncias sempre partiram ou de líderes de outras
organizações ou de ex-membros revoltados. Mas no outro lado do Atlântico, na
França, as coisas foram um pouco diferentes.

Os membros da França estavam longe do acesso aos


arquivos dos Estados Unidos contidos em bibliotecas,
universidades e poder judiciário que guardaram provas
materiais das falsificações de H. S. Lewis. Somente após o
cisma de 1990 é que os franceses se manifestaram
tardiamente, tentando proteger algo que praticamente
estava desmoronando. Como vimos em capítulo anterior, o
Conselho de Ética do SETI liberou totalmente a publicação
dos ensinamentos e rituais conforme elaborados por H. S.
Lewis. Uma breve busca na sua página web nos dá uma
imagem desta situação:

Por exemplo, o Manuscrito de Nodin do quarto grau foi publicado


integralmente, aqui:

http://www.crc-rose-croix.org/index.php/telechargements/file/41-communications-
2eme-cercle-4-5-6

Ritual de Loja

http://www.crc-rose-croix.org/index.php/telechargements/file/7-rituel-de-loge

Sons vocálicos

http://www.crc-rose-croix.org/index.php/telechargements/file/6-sons-de-
voyelles

Ritual de Iniciação na Loja

http://www.crc-rose-croix.org/index.php/telechargements/file/8-rituel-
dinitiation-en-loge

Ritual de Iniciação no Segundo Grau de Templo

http://www.crc-rose-croix.org/index.php/telechargements/file/79-rituel-d-
initiation-du-second-portail

345
Ensinamentos

http://www.crc-rose-croix.org/index.php/telechargements/category/6-
enseignement

Alguma coisa pode ser encontrada também no SCRIB:

Cénacle de La Rose-Croix - Comm 7 Cercle 4

https://pt.scribd.com/doc/280499160/Cenacle-de-La-Rose-Croix-Comm-7-
Cercle-4

Mas a página que oferece os ensinamentos do Cenáculo da Rosa Cruz (CRC) de


uma maneira mais organizada é o "Le Bistrot de la Rose+Croix"125:

Embora o "Bistrô" seja rigorosamente independente de qualquer organização e,


especialmente, da AMORC, do Seti e do CRC, pareceu útil para eles fornecer aos
navegantes os ensinamentos gratuitos do CRC, precedidos por um documento do CRC
contando a sua históra, que, naturalmente, não é a versão da nova AMORC! É claro
que está tudo em francês!

Aqui estão os links diretos para baixar os vários documentos do CRC:

- História do CRC http://ddata.over-blog.com/4/01/44/76/histcrc.pdf

- Círculo Um - equivalência com os graus de neófito:

http://ddata.over-blog.com/4/01/44/76/crc-degres-neophytes.pdf

- Círculo Dois - equivalência com os graus 1-2-3º de Templo:

http://ddata.over-blog.com/4/01/44/76/crc-degres-temple-1-2-3.pdf

- Círculo Dois - equivalência com os graus 4-5º e começo do 6º grau de Templo:

http://ddata.over-blog.com/4/01/44/76/crc-degres-temple-4-5--deb-6.pdf

- Círculo Dois - equivalência com o final do 6º grau de Templo:

http://ddata.over-blog.com/4/01/44/76/crc-degres-temple-fin-6.pdf

- Círculo Dois - equivalência com o 7º grau de Templo:

125
http://www.lebistrotdelarosecroix.com/article-les-enseignements-du-cenacle-de-la-rose-croix-
98091011.html

346
http://ddata.over-blog.com/4/01/44/76/crc-degre-7--temple.pdf

- Círculo Tres - equivalência com o 8º grau e início do 9º grau de Templo:

http://ddata.over-blog.com/4/01/44/76/crc-degres-temple-8--deb9.pdf

- Círculo Tres - equivalência com o final do 9º grau de Templo e início do Confessio:

http://ddata.over-blog.com/4/01/44/76/crc-degre-temple-9-fin---confessio-deb.pdf

- Círculo Tres - Fim do Confessio:

http://ddata.over-blog.com/4/01/44/76/crc-confessio-fin.pdf

- Círculo Quatro - equivalência com o início do 10º grau de Templo

http://ddata.over-blog.com/4/01/44/76/crc-degre-temple-10-deb.pdf

- Círculo Quatro - equivalência com o final do 10º grau de Templo

http://ddata.over-blog.com/4/01/44/76/crc-degre-temple-10-fin.pdf

- Círculo Quatro - equivalência com o início do 11º grau de Templo (introduzido em


01/01/2014)

http://ddata.over-blog.com/4/01/44/76/c04_com6.pdf

347
PARTE II - A TRADIÇÃO (A
SABEDORIA PERENE) E OS
PERENIALISTAS

348
Algumas palavras de advertência...

Após a análise dos fatos precedentes, acreditamos que esta pesquisa estaria
incompleta se não indicasse a existência de estudos por nós considerados de maior
relevância.

Sempre que possível, nesta pesquisa, tentamos citar as fontes da historiografia


oficial conforme a conhecemos atualmente. Mas isso seria limitado, uma vez que este
campo de estudo, as sociedades iniciáticas, nos remete diretamente ao tema da
Tradição Primordial.

Nas páginas seguintes abordaremos a Sabedoria Perene e seus defensores, o que


contrasta fortemente com as sociedades até aqui tratadas.

349
René Guénon (1886-1951)

Guénon126 foi um prodígio precoce. Cedo dominava o grego, latim, inglês,


italiano, alemão, espanhol, sânscrito, hebraico, árabe e mais tarde, o chinês, mantendo
conversação com seus interlocutores europeus e orientais em suas próprias línguas,
para desconcerto de muitos deles, ao constatarem um francês dominar com maestria
a língua e o espírito de civilizações distantes.

O mais decisivo em sua formação, sem


dúvida, foram os dados doutrinais obtidos pela
oralidade diretamente de representantes do
hinduísmo (Escola de Shankara), do Islã (tariqah do
Sheikh Elish El Kebir, da linha Alkbariana) e do
Taoísmo (por intermédio do filho espiritual de
Tong Sou Luat, eminente mestre Taoísta).

Guénon desmascarou terminantemente


dezenas de impostores, desde os grosseiros aos
mais pretensamente refinados, angariando para si,
de um lado, a grata surpresa e o agradecimento
dos que buscavam o oriente autêntico e, de outro,
o ódio e as perseguições de uma maioria, surpreendida em suas falsas bases e
artimanhas.

René (Jean-Marie-Joseph) Guénon127 nasceu em 15 de novembro de 1886 em


Blois, França. Após obter bacharelado em filosofia, Guénon foi recebido na Escola
Politécnica e na Escola Normal Superior em Paris. Encetou estudos da Matemática,
abandona-os em 1906. Ainda nesse ano, começou a dirigir sua atenção para o
ocultismo. Introduziu-se na Escola Hermética dirigida por Papus, pseudônimo do Dr.
Encausse. Foi recebido, ainda, na Ordem Martinista e em diversas organizações
maçônico-ocultistas (Loja Humanidade).

Em 1908, ao ser nomeado secretário do Congresso Espiritualista e Maçônico,


declinou do cargo após o discurso de abertura de Papus. Foi o começo de sua
divergência e ruptura com Papus e outros ocultistas em geral por ele qualificados de
“materialistas”. Ingressou, em seguida, na Loja Tebas praticante do REAA, da Grande
Loja da França, frequentando-a até a Primeira Guerra Mundial. Nessa época, estreitou
contatos com Albert de Pouvouville, iniciado taoísta; Léon Champrenaud (Abdul-

126
http://www.freemasons-freemasonry.com/10carvalho.html
127
A aquisição dos livros de Guenon em português pode ser feita no site:
http://www.reneguenon.net/oinstitutoindex.html

350
Haqq), iniciado sufista; Théodor Reuss, grão-mestre da OTO e Fabre des Essarts,
patriarca da Igreja Gnóstica da França.

Em 1909, teve início a publicação de seus


primeiros trabalhos escritos. O primeiro foi um
relatório da Escola Hermética na “Initiation” de
Papus; o segundo uma polêmica na revista
maçônica Acácia a propósito do Rito de Memphis
e Misraim e, o terceiro, uma reflexão na France
Chrétienne Antimaçonnique sob o pseudônimo Le
Sphinx. Ao mesmo tempo, tomou a frente de
uma enigmática Ordem do Templo Renovada que
o levou a ser excluído da Ordem Martinista e das
organizações controladas por Papus. No final de
1909, ingressando na Igreja Gnóstica de
Alexandria, foi sagrado bispo gnóstico sob o
nome de Palingenius. Fundou, ainda com esse
nome, a revista La Gnose – que circulou até 1912
– na qual foi publicado seu primeiro texto “O Demiurgo”, uma importante parte do
“Simbolismo da Cruz”, e a parte essencial do “O Homem e seu Devenir segundo o
Vedanta” e “Um Lado Pouco Conhecido da Obra de Dante”.

Em 1912, foi iniciado no sufismo sob o nome de Sheikh Abdel Wàhed Yahia.

Em 1913, Abel Clarin de la Rive, diretor do jornal La France Anti-Maçonnique,


abriu colunas para que Guénon expusesse suas idéias sobre a Maçonaria e “o poder
oculto”. Desenvolveu com Charles Nicoullaud e Gustave Bord, colaboradores da
Revista Internacional das Sociedades Secretas (RISS), uma polêmica em torno da
questão dos “Superiores Desconhecidos”. Em 1922,
estabeleceu amizade com Paul Chacornac, editor da
revista “Le Voile d’Isis”, que perderá pouco a pouco
seu caráter ocultista e que, mais tarde, se
transformará nos “Études Traditionnelles”. Ainda
nesse ano, teve publicado “O Erro Espírita”.

Viajou para o Cairo em 1930, em companhia


de Mme. Dina à procura de textos sufis. Começou a
freqüentar, também, a Universidade de El Azhar. À
época, assistiu-se a uma série de artigos na “Voile
d’Isis” tratando do esoterismo islâmico. Adotou o
nome árabe de Sheikh Abdel Wahêd Yahia travando
contato com círculos esotéricos no Cairo. No ano de
1950, sua saúde estava seriamente abalada. Sua

351
morte ocorreu em 7 de janeiro de 1951.

Nas primeiras décadas do século XX – quando começou a publicar seus livros e


artigos – ele por assim dizer se ergueu praticamente sozinho, para expor com precisão
“matemática” as contradições do mundo e da mentalidade de então. Mundo o qual a
grande maioria dos homens acreditava ter um futuro róseo e radiante, cegados que
estavam pelo encanto do “culto” da ciência e da tecnologia, que a todos os problemas,
afinal, resolveria. O pensamento quase unânime de então era que tudo ia se tornar
cada vez melhor, graças ao progresso da técnica, e que o homem finalmente estava se
encaminhando para o paraíso.

Profundamente interessado por filosofia e matemática desde a juventude,


Guénon mudou-se para Paris em 1904, aos 18 anos de idade, para prosseguir seus
estudos no Collège Rollin.

Na capital francesa, envolveu-se com o movimento ocultista que então agitava


parcela do mundo intelectual e artístico parisiense. Foi, por exemplo, admitido numa
“Ordem Martinista”, a qual seria um suposto ramo da “cavalaria cristã”, e também na
“Fraternidade Hermética de Luxor”, bem como em algumas obediências maçônicas e
na “Igreja Gnóstica”. Chegou mesmo a assumir posições de destaque nessas
organizações, algo que lhe propiciou informações preciosas para a sua posterior e
radicalmente crítica postura anti-ocultista. Sua intensa participação nessas sociedades
foi, neste sentido, providencial. Rompeu com o ocultismo, considerando-o uma
contrafação, desprovida de qualquer ensinamento sério: “O equívoco da maior parte
dessas doutrinas pseudo-espiritualistas é o de ser não mais do que materialismo
transposto a outro plano, e de querer aplicar ao patrimônio do espírito os métodos que
a ciência ordinária emprega para o estudo do mundo material”, ele escreveu em
dezembro de 1909.

Sobre o ocultismo em geral, escreveu livros como “O Erro Espírita”, publicado


originalmente em Paris em 1923, e “O Teosofismo – História de Uma Pseudo-Religião”,
de 1921, obras que não perderam sua relevância e que continuam sendo publicadas,
lidas e debatidas. Desnecessário dizer que, por causa delas, granjeou visceral oposição
de parte do submundo ocultista em geral. A este respeito, é interessante reproduzir
aqui o que Mircea Eliade escreveu:

“A crítica mais erudita e devastadora de todos esses assim chamados grupos


ocultistas foi feita, não por um observador externo racionalista, ‘de fora’, mas por um
membro do círculo interno, alguém devidamente iniciado em algumas de suas ordens
secretas e familiarizado com suas doutrinas ocultas; ademais, esta crítica foi feita, não

352
a partir de uma perspectiva cética ou positivista, mas a partir do que ele chamou
‘esoterismo tradicional’. Este crítico culto e inteligente foi René Guénon.”128

Nesta mesma época, nas primeiras décadas do século XX, Guénon entrou em
contato com hindus da escola Advaita-Vedanta, com quem aprofundou seus
conhecimentos da metafísica não-dualista de Shankara – o principal formulador desta
doutrina –, o qual utilizaria em toda a sua obra subseqüente. Vêm daí também seus
contatos com o meio católico francês, no qual pontificavam figuras como o filósofo
neo-tomista Jacques Maritain e o padre Sertillanges, entre outros.

Guénon passou a escrever na década de 1920 para a revista católica Regnabit.


Contudo, a reivindicação para a Igreja, por parte de alguns desses intelectuais, da
posse exclusiva da verdade, forçou Guénon – em razão de sua postura ‘universalista’ e
não exclusivista – a deixar seu quadro de colaboradores. Alguns mais exaltados, não
contentes com isto, chegaram a levar ao Vaticano um pedido para incluir seus livros no
famoso Index. Mas o papa de então, Pio XI (1922-1939), bem como seu sucessor, Pio
XII (1939-1958), negaram o pedido, demonstrando compreensão pela essência dos
seus ensinamentos.

Pouco antes disso, em 1917, foi nomeado professor de filosofia na Argélia, onde
viveu cerca de um ano; foi seu primeiro contato direto e prolongado com o mundo do
Islã. Após a morte de sua primeira mulher, Bherta Loury, ele abandonou Paris, em
1930, com destino ao Cairo. Seu objetivo era pesquisar e traduzir textos da mística
islâmica. Habitou numa casa simples, situada nos arredores da capital do Egito, até
1951, quando faleceu. Seu cotidiano era totalmente dedicado ao estudo e à escrita,
além da manutenção de uma espantosa correspondência com interlocutores em quase
todas as partes do mundo, inclusive o Brasil. Seu primeiro tradutor para o português,
Fernando Guedes Galvão, de São Paulo, correspondeu-se com ele por mais de duas
décadas, de 1929 a 1950. No Egito, Guénon se casou novamente, com Fátima, filha de
um cheikh da centenária confraria mística Qadirya, e teve quatro filhos.

Em vida, publicou 17 livros; postumamente, mais uma dezena de obras vieram à


luz, abordando uma vasta gama temática. Da importância dos símbolos para se
entender a sabedoria das distintas civilizações ao legado do pensamento chinês, da
concepção político-religiosa de Dante Alighieri à história do ocultismo moderno, da
Cabala à Maçonaria, passando pela Alquimia, a Mística Islâmica, a Filosofia Indiana e a
Matemática, sempre tendo como pano de fundo a filosofia perene.

O professor Kenneth Oldmeadow dividiu a obra guenoniana em cinco categorias,


advertindo ao mesmo tempo que se trata de uma classificação algo arbitrária, mas que

128
Ocultismo, Bruxaria e Correntes Culturais. Belo Horizonte, Interlivros, 1979. p. 59.

353
não obstante ajuda a melhor entendê-la. As categorias correspondem grosso modo a
períodos da vida de Guénon. A primeira é a dos escritos ocultistas, abrangendo até a
primeira década do século XX; vem em seguida a fase de crítica do ocultismo; a
terceira categoria é a dos escritos sobre a metafísica oriental; a quarta, sobre a
iniciação; e a quinta e última abrangendo a crítica da mentalidade materialista e
relativista.

Entre estes últimos escritos, destacam-se “A Crise do Mundo Moderno” e “O


Reino da Quantidade e os Sinais dos Tempos”. Duas obras hoje consideradas
visionárias por anteciparem a situação de perplexidade hoje experienciada por muitos,
mostrando que, se o mundo moderno avançou do ponto de vista material e
tecnológico, isto teve e tem um alto custo em termos de degradação intelectual,
cultural, moral, ambiental e, na verdade, de toda a ambiência que cerca o homem, por
exemplo em termos de explosão da violência nos centros urbanos, da expansão de
formas mecanizadas e repetitivas de trabalho, da existência desprovida de sentido, da
cultura estupidificante etc. Critica a crença num progresso indefinido e na evolução
como uma lei inexorável, “dogmas” modernos desprovidos de base verdadeiramente
intelectual.

A vasta e influente obra de René Guénon foi classificada em três categorias


principais pelo autor brasileiro Mateus Soares de Azevedo129.

A primeira é a da exposição da metafísica tradicional, como veiculada em


Shânkara (filósofo hindu do século IX DC), Platão ou Plotino.

A segunda é a da crítica da mentalidade materialista, evolucionista e relativista


da modernidade.

A terceira categoria é a da explicação do simbolismo tradicional, seja o cristão, o


islâmico, o hindu, o taoísta ou o universal.

Ainda segundo Mateus Soares de Azevedo, "foi no Oriente que Guénon


encontrou inspiração e suporte intelectual para sua vasta obra (27 livros, já publicados
nas principais línguas), especialmente no Vedanta não-dualista da Índia, na sabedoria
chinesa e no Sufismo, cujos princípios universais tratou de re-elaborar em estilo
acessível aos ocidentais. (...) Ele foi o mentor e pioneiro do método “perenialista” de
estudo dos legados intelectuais das diferentes civilizações. Foi um dos primeiros a
apontar para a solidariedade substancial dos patrimônios das distintas tradições
religiosas e para seus fundamentos filosóficos comuns, por trás das diferenças de
doutrinas, ritos, moralidades e formas artísticas. Ao mesmo tempo, foi um crítico
severo do exclusivismo religioso e de todo “comunalismo” e fundamentalismo

129
Cf. AZEVEDO, Mateus Soares, René Guénon, entre o Loire e o Vedânta, Gazeta Mercantil, 28 de
dezembro de 2001. http://sabedoriaperene.blogspot.com.br/2008/06/mateus-soares-de-azevedo.html

354
extremista. Foi também um pioneiro da crítica da mentalidade materialista e
individualista de nossos tempos. Para ele, o moderno Ocidente vive em profunda crise
de valores e de sentido porque se separou de suas raízes espirituais e esqueceu as
dimensões mais profundas da existência."

Guénon foi, assim, um dos primeiros a dizer conscientemente não à euforia que
tomava conta do mundo nas primeiras décadas do século XX, quando a crença nos
poderes “mágicos” da ciência e tecnologia estava em seu apogeu. Ele representou para
muitos a objetividade em pessoa, vendo talvez melhor do que ninguém os perigos e
males do subjetivismo e do individualismo, e as conseqüências longínquas destes e de
outros pilares da “Weltanschauung”130 predominante, como o culto à indústria (que
levou à caótica situação ecológica atual, que ameaça a própria sobrevivência do
gênero humano) e ao assim chamado “progresso”, puramente material. Seu agudo
discernimento o fez ver exatamente o que estava errado com nosso mundo; ele foi
assim um dos primeiros a desafiar intelectualmente, com pleno conhecimento de
causa, as crenças do status quo.

Cronologia de suas Obras

a) Obras em vida

1909 – A Fronteira do Outro Mundo.


1921 – Introdução Geral ao Estudo das Doutrinas Hindus.
1921 – O Teosofismo, História de uma Pseudo-Religião.
1923 – O Erro Espírita.
1924 – Oriente e Ocidente.
1925 – O Homem e seu Devir Segundo o Vedanta.
1925 – O Esoterismo de Dante.
1927 – O Rei do Mundo.
1927 – A Crise do Mundo Moderno.
1929 – Autoridade Espiritual e Poder Temporal.
1929 – São Bernardo.
1931 – O Simbolismo da Cruz.

130
Fil. conjunto ordenado de valores, impressões, sentimentos e concepções de natureza intuitiva,
anteriores à reflexão, a respeito da época ou do mundo em que se vive; cosmovisão, mundividência.
Weltanschauung: a visão que temos de mundo: visão de mundo (ou Weltanschauung, como também
costuma ser chamada filosoficamente. Welt é "mundo" em alemão e Anschauung é "visão") é a
orientação subjetiva qual cada um possui, seja particular ou social. É uma perspectiva cognitiva que
abrange valores normativos e existenciais.
Uma visão de mundo é construída por explicações sobre o mundo, sejam metafísicas, científicas,
espirituais e até éticas. Todas são descritivas, fazendo uma análise ontológica do mundo, qual a moral,
ética, razão e concepção de mundo acabam sendo drásticamente influenciadas pelas respostas obtidas
ou aceitas pela pessoa. Em:
http://houseofreasonblog.blogspot.com.br/2011/04/weltanschauung-visao-que-temos-de-mundo.html

355
1932 – Os Estados Múltiplos do Ser.
1939 – A Metafísica Oriental.
1945 – O Reino da Quantidade e os Sinais dos Tempos.
1946 – Os Princípios do Cálculo Infinitesimal.
1946 – A Grande Tríade.
1946 – Considerações Sobre a Iniciação.

b) Obras Póstumas

1952 - Iniciação e Realização Espiritual.


1954 - Considerações sobre o Esoterismo Cristão.
1962 - Símbolos Fundamentais da Ciência Sagrada.
1964 - Estudos sobre a Franco-Maçonaria e o Companheirismo.
1968 - Estudos sobre o Hinduísmo.
1970 - Formas Tradicionais e Ciclos Cósmicos.
1973 – Comptes Rendues (resenha), de artigos surgidos nas revistas Le Voile d’Isis e
Études Traditionnelles.
1973 - Considerações sobre o Esoterismo Islâmico e o Taoísmo. Resenhas.
1976 – Misturas.
1976 – Estudos sobre o Hinduísmo.

356
Estudos Tradicionais - A Sabedoria Perene

Na geografia e topografia dos Estudos Tradicionais no Ocidente moderno, temos,


em primeiro lugar e acima dos demais, René Guénon, seja como reintrodutor do
conceito de Tradição e metafísica, seja como autoridade espiritual, seja como escritor.

Sem René Guénon, não existiriam Titus, Lings, Nasr e todos os demais. Há o que
podemos chamar, ao lado da Cordilheira Guénon, um respeitável e respeitoso grupo
de elevações, isto é, autoridades e escritores "alavancados" ou "germinados" através
da luz intelectual refratada através da suma guenoniana.

Fazem parte deste grupo Ananda Coomaraswamy, Frithjof Schuon, Rama


Coomaraswamy, Titus Burckhardt, Martin Lings, Marco Pallis, Seyyed Hossein Nasr,
Huston Smith, James Cutsinger, William Chittick, Jean Biés, Jean Borella, M. Ali Lakhani,
Harry Oldmeadow e Charles Upton, Michel Vâlsan, Pierre e Jean Grison, Charbonneau-
Lassay, Epes Brown, Matgioi, Gaston Georgel, entre outros que mereceriam igual
destaque.

Há uma clara hierarquia quando tratamos de Estudos Tradicionais no Ocidente


moderno. Guénon é, indiscutivelmente, a cordilheira e a espinha dorsal. Os demais se
desenvolveram a partir da obra e influência de Guénon.

Filosofia perene131

A Filosofia Perene é um termo geralmente usado como sinônimo de Sanatana


Dharma (sânscrito para “Verdade perene ou eterna”).

O filósofo alemão Gottfried Leibniz o utilizou para designar a filosofia comum e


eterna subjacente às grandes religiões mundiais, em particular suas místicas ou seus
esoterismos. O termo foi cunhado na época do Renascimento por Agostinho Steuco,
bibliotecário do Vaticano no século XVI, no livro De Perenni Philosophia libri X, de 1540.

Santo Agostinho (354-430) de certa forma se referiu à sabedoria perene quando


escreveu:
“Aquilo que hoje é chamado de 'religião cristã' já existia entre os antigos e nunca cessou de existir desde
as origens do gênero humano, até o tempo em que o próprio Cristo veio e os homens começaram a
chamar de 'cristã' a verdadeira religião que já existia anteriormente.” (De Vera Religione: X, 19)

O conceito é o princípio fundamental da “Escola Perenialista” (ou


Tradicionalista), formalizada nos escritos dos metafísicos Frithjof Schuon (1907-1998) e
René Guénon (1886-1951). A ideia central da Filosofia Perene é que a Verdade

131
https://pt.wikipedia.org/wiki/Filosofia_perene

357
metafísica fundamental é una, universal e perene, e que as diferentes religiões
constituem distintas linguagens que expressam esta Verdade única.

A Filosofia Perene reconhece o fato de que os sistemas de Pitágoras, Platão,


Aristóteles e Plotino indubitavelmente expõem as mesmas verdades que estão no
coração do Cristianismo. Subsequentemente, o significado do termo foi ampliado para
englobar as metafísicas e as místicas das grandes religiões mundiais, especialmente
Cristianismo, Islã, Budismo e Hinduísmo.

Um dos conceitos fundamentais da Escola Perenialista é o da "unidade


transcendente das religiões" – título do primeiro livro de Frithjof Schuon publicado no
Brasil. Ele afirma que, no coração de cada religião, há um cerne de verdade (sobre
Deus, o homem, a oração e a moralidade) que é idêntico. As diversas religiões
mundiais são, de fato, diferentes – e esta é precisamente sua razão de ser. É o cerne
essencial que é idêntico, não a forma exterior. Todas as grandes religiões mundiais
foram reveladas por Deus, e é por causa disso que cada qual fala em termos absolutos.
Se não o fizesse, não seria uma religião, nem poderia oferecer os meios de salvação.

Mais recentemente, o termo foi popularizado pelo autor britânico Aldous Huxley,
no livro de 1945, The Perennial Philosophy.

Frithjof Schuon (1907—1998)


Nascido na Suíça alemã, se estabeleceu em Paris na
juventude. De perfil filosófico e espiritual, absorveu jovem
ainda as obras de Platão e do Vedanta indiano, interessando-
se ao mesmo tempo pela sabedoria mística e esotérica das
grandes religiões mundiais, especialmente do Cristianismo,
Islamismo e Budismo.

Leitor do metafísico francês René Guénon, ele viajou ao


Cairo em 1938 e em 1939 para conhecê-lo pessoalmente. No Magrebe, buscou o
conhecimento espiritual dos mestres sufis, tendo contatado especialmente a tariqa
(confraria mística) do célebre mestre Sufi Ahmad al-Alawi.

Após a Segunda Guerra Mundial, Schuon, então residente em Lausana,


empreendeu diversas viagens internacionais, com o objetivo de contatar autoridades
espirituais das diversas tradições e recolher material para seus livros. Visitou a Índia, o
Egito, o Marrocos, Grécia, Espanha e as planícies da América do Norte, para travar
contato direto com o patrimônio espiritual dos índios.

Frithjof Schuon faleceu em 5 de maio de 1998 em Bloomington, Indiana, EUA,


para onde havia emigrado, a partir da Suíça natal, em 1980.

358
Entre os livros132 publicados em Português, incluem-se:

- Forma e Substância nas Religiões (São José dos Campos, 2010) ;


- A Transfiguração do Homem (São José dos Campos, 2009);
- Para Compreender o Islã (Lisboa, 1989 e Rio de Janeiro, 2006);
- O Sentido das Raças (São Paulo, 2002);
- O Homem no Universo (São Paulo, 2001, 2006);
- O Esoterismo como princípio e como caminho (S. Paulo, 1995);
- A Unidade Transcendente das Religiões (Lisboa, 1989).

Titus Burckhardt133 (1908—1984)


Filósofo das religiões e historiador da arte tradicional de
origem suiço-alemã. Seus livros abrangem temáticas
cosmológicas, como os dedicados à astrologia e à alquimia, e de
mística e esoterismo islâmico e cristão. Livros publicados em
Português:

- Alquimia (Lisboa, 1991);


- Arte Sagrada no Oriente e no Ocidente (São Paulo, 2005).

Martin Lings (1909—2005)


Os livros de Lings focam em três temas principais: a Filosofia
Perene, a mística islâmica (Sufismo) e o significado espiritual das
peças de William Shakespeare.

Ele é também o autor de uma das mais conhecidas


biografias do Profeta do Islã, intitulada "Maomé: Sua Vida
Baseada nas Fontes Primárias", publicada recentemente no Brasil.

Lings134 estudou Letras no célebre Magdalen College, em


Oxford, onde foi aluno, e depois amigo, de C. S. Lewis. Em 1939,
viajou ao Cairo, com o objetivo de contatar pessoalmente o metafísico e crítico social
francês René Guénon, que lá vivia. Na capital do Egito, permaneceu até 1952, como
professor da Universidade do Cairo. É desta época também sua amizade com o filósofo
das religiões Frithjof Schuon.

De volta à Inglaterra em 1953 — como resultado da expulsão de estrangeiros


levada a cabo pela revolução nacionalística egípcia liderada pelo coronel Nasser —

132
Obras de Frithjof Schuon em espanhol para baixar
https://sites.google.com/site/tradicionrc/home/autores/frithjof-schuon
133
Obras de Titus Burckhardt em espanhol para baixar
https://sites.google.com/site/tradicionrc/islam/titus-burckhardt
134
Obras de Martin Lings em espanhol para baixar
https://sites.google.com/site/tradicionrc/islam/martin-lings

359
escreveu sua famosa tese sobre o cheikh sufi Ahmad al-Alawi, "A Sufi Saint of the 20th
Century", publicada em diversas línguas.

De volta a Londres, tornou-se curador de manuscritos orientais do Museu


Britânico. Livros publicados em Português:

- Sabedoria tradicional e superstições modernas (S. Paulo, 2001)


- A Arte Sagrada de Shakespeare (S. Paulo, 2005)
- Muhammad - a vida do Profeta do Islam segundo as fontes mais antigas (São Paulo,
Attar Ed., 2010. Tradução de Cléris Nogueira,L. Pontual e S. Rizek).
O primeiro volume é uma continuação do clássico de René Guénon, "A Crise do
Mundo Moderno" (de 1922); aponta para as contradições e os erros da mentalidade
materialista e relativista da modernidade e indica as respostas que a Filosofia Perene
(escola de pensamento a que Lings se filiava) oferece para os dilemas do homem
contemporâneo.

O segundo constitui uma explicação dos fundamentos místicos e esotéricos do


teatro de Shakespeare, com análise de peça por peça, de Hamlet a Rei Lear, de A
Tempestade a Othelo.

William Stoddart (1925-2015)


Escritor e médico britânico é um dos mais respeitados e influentes autores da
Filosofia Perene no início do século XXI. Sua abordagem de
temas da história das religiões caracteriza-se por objetividade,
universalidade e clareza. Foi considerado um "mestre da síntese"
pela revista norte-americana Sophia. Por vários anos foi editor-
assistente da prestigiosa revista britânica Studies in Comparative
Religion.

Viveu e trabalhou como médico durante vários anos em


Londres e como escritor, tradutor e editor em Ontário, Canadá.

Viajante infatigável, percorreu quatro continentes e dezenas de países. Esteve na


Índia, no Egito, no Marrocos, na Turquia, na Rússia, na Grécia, no Japão, em Portugal
(na década de 1950) e no Brasil (na década de 1990 e em 2005), além de conhecer em
detalhe os países da Europa Ocidental. Nesses lugares, estudou a cultura tradicional e
manteve contatos com autoridades intelectuais e religiosas, com vistas a recolher
material para seus livros. Livros publicados em Português:

- Lembrar-se num Mundo de Esquecimento: Reflexões sobre Tradição e pós-


modernismo (São José dos Campos, 2013)
- O Budismo ao seu alcance (Rio de Janeiro, 2004)
- O Hinduísmo (S. Paulo, 2005)
- O Sufismo (Lisboa, 1990)

360
Tage Lindbom (1909—2001)
PhD em ciência política, Lindbom pautou seus livros
pela escola marxista entre 1938 e 1965, quando se
desligou de suas funções de teórico e diretor dos arquivos
e da biblioteca central do Partido Social-Democrata sueco
para abraçar a escola perenialista de René Guénon e
Frithjof Schuon.

Ele é autor de O Mito da Democracia (São Paulo,


Ibrasa, 2007), onde sustenta que há um abismo entre a
"retórica" democrática e a realidade concreta das sociedades contemporâneas.

Seyyed Hossein Nasr (1933)


Foi professor de estudos islâmicos na Universidade
George Washington.

Nasr fala e escreve com base em temas como


filosofia, religião, espiritualidade, música, arte, arquitetura,
ciência, literatura, diálogos civilizacionais, e o ambiente
natural. Ele também escreveu dois livros de poesia
(Poemas do Caminho e A Peregrinação de Vida e Sabedoria
de Rumi), e tem sido descrito como um "polímata135".

Nasr fala persa, inglês, francês, espanhol e árabe fluentemente. Em português foi
publicado o livro “O Homem e a Natureza” (Rio de Janeiro, 1977).

Ananda Coomaraswamy (1877-1947)


Filósofo e metafísico ceilonês, um historiador pioneiro e filósofo da arte indiana,
particularmente de história da arte e simbolismo. Foi um notável intérprete da cultura
indiana para o Ocidente e um dos fundadores da Escola perenialista.

Em 1917, se tornou o primeiro curador de arte indiana do Museu de Belas Artes


de Boston, onde teve a oportunidade de enfatizar o elemento espiritual na arte.

135
Um polímata (do "aquele que aprendeu muito") é uma pessoa cujo conhecimento não está restrito a
uma única área. Qualidade de que tem conhecimentos profundos sobre várias ciências ou domínios do
conhecimento humano.

361
Seu filho, o filósofo católico Rama Coomaraswamy,
organizou e publicou uma antologia de seus escritos: The
Essential Ananda Coomaraswamy.

Entre seus poucos livros publicados em português estão


"Hinduísmo e Budismo", "O Que É Civilização?", "Mitos Hindus e
Budistas" e “O Pensamento Vivo de Buda”136.

Rama Coomaraswamy (1926—2006)


Médico e teólogo católico tradicional estadunidense. Filho do filósofo
perenialista indiano Ananda Kentish Coomaraswamy.

Formou-se em Geologia, pela Universidade de Harvard, e em Medicina, pela


Universidade de Nova York, com especialização em cirurgia
torácica e cardiovascular. Ao mesmo tempo, foi um combativo e
erudito defensor do catolicismo tradicional. Vale notar que o
catolicismo tradicional de Coomaraswamy é distinto do
catolicismo oficial moderno, sendo ele expoente do
sedevacantismo137.

O único livro em português de Rama Coomaraswamy publicado é “Ensaios sobre


a destruição da tradição cristã” (2a ed., Editora Irget, 2013), coletânea de textos
críticos sobre o marxismo, a Teologia da Libertação e a concepção tradicional cristã de
economia; o conflito entre ciência e fé; a Renovação Carismática e o credo e o culto na
nova igreja.

Rama Coomaraswamy converteu-se ao Catolicismo aos 22 anos e, paralelamente


à sua carreira médica, aprofundou-se em temas teológicos, o que se comprova por
seus livros e por sua colaboração regular com revistas especializadas em filosofia das
religiões, como a norte-americana Sophia e a canadense Sacred Web. Ele foi também
professor de História Eclesiástica no seminário católico independente Santo Tomás de
Aquino de Rigfield, Connecticut, EUA, por cinco anos.

136
Aqui encontramos obras de Ananda Coomaraswamy em espanhol para baixar
https://sites.google.com/site/tradicionrc/home/autores/ananda-kentish-coomaraswamy
137
Sedevacantismo é a posição defendida por uma minoria resoluta de católicos tradicionalistas que
afirmam que a Santa Sé está vaga desde a morte do Papa Pio XII, em 1958, ou de João XXIII em 1963. O
termo "sedevacantismo" é derivado da frase em latim sede vacante, que significa literalmente "a
cadeira vaga", onde o cadeira em questão é a de um bispo. A utilização específica da frase está no
contexto da vacância da Santa Sé, entre a morte ou renúncia de um Papa e a eleição de seu sucessor.
Para os sedevacantistas, a Igreja Católica não tem atualmente um Papa para a governar e guiar.

362
Em seus livros, procurou criar pontes intelectuais entre o Catolicismo anterior ao
modernismo do concílio Vaticano II e a escola da Filosofia Perene, estabelecida por
Frithjof Schuon e René Guénon, e da qual seu pai foi um dos principais expoentes.

Já ao final da vida, em 1999, Rama Coomaraswamy138 foi ordenado sacerdote


católico, segundo os ritos antigos.

Marco Pallis (1895-1989)


Marco Pallis nasceu em 1895, filho de pais gregos
residentes em Liverpool, tendo recebido a sua educação em
Harrow e na Universidade de Liverpool. Serviu durante a
Primeira Grande Guerra o exército Britânico, tendo-se
posteriormente dedicado ao estudo de música sobre a alçada
de Arnold Dolmetsch. O seu crescimento intelectual foi muito
influenciado pelas obras de dois grandes perenealistas, Ananda
Coomaraswamy e René Guénon, tendo visitado o último duas
vezes no Cairo e traduzido dois dos seus livros com o seu amigo
Richard Nicholson.

Em 1923 Pallis visitou pela primeira vez o sul do Tibete numa expedição de
montanha, tendo aí regressado nos anos de 1933 e 1936, fruto de um profundo
interesse pela sua cultura tradicional, visitando os mosteiros em Sikkin e Ladakh.
Depois da Segunda Grande Guerra regressou para uma visita mais prolongada, altura
em que, após visitar o Ceilão e o Sul da Índia, tendo recebido o darshan de Ramana
Maharshi em Tiravunnamalai, se fixou perto de Shigatse onde estudou com lamas
Tibetanos e foi iniciado numa das linhagens com o nome Tibetano de Thubden
Tendzin.

Pallis regressou a Inglaterra em 1950 quando, em conjunto com Richard


Nicholson e outros músicos, formou o “English Consort of Viols”, um grupo dedicado à
preservação de música inglesa antiga.

Escreveu dois livros resultantes das suas experiências durante a estadia no


Tibete: “Peaks and Lamas” (1939), o qual se veio a tornar um bestseller, e “The Way
and the Mountain” (1960). Constituem um conjunto único de ensaios sobre a cultura
Tibetana e o Budismo Tibetano.

A obra de Pallis é totalmente livre das comuns assumções de superioridade do


Ocidente, derivando grande parte dos seus livros de uma receptividade para com as

138
Obras de Rama P. Coomaraswamy em espanhol para baixar:
https://sites.google.com/site/tradicionrc/cristianismo/rama-p-coomaraswamy

363
lições da Tradição que ainda sobrevivia na altura no Tibete. Pallis atingiu algum
conhecimento público quando participou na exposição da farsa de Lobsang Rampa.

Pallis escreveu inúmeros artigos para a publicação “Studies in Comparative


Religion”, alguns dos quais foram incluídos na sua última publicação, “A Buddhist
Spectrum” (2004). Huston Smith, um dos mais prestigiados estudiosos de religião
escreveu sobre a sua obra, “Para a compreensão, e a beleza que essa compreensão
necessita para ser efetiva, não encontro nenhum autor que o ultrapasse no que diz
respeito ao Budismo”. Marco Pallis deixou-nos em 1989.

Bibliografia:
- Peaks and Lamas (1939);
- The Way and the Mountain (1960);
- A Buddhist Spectrum (2004).

Mateus Soares de Azevedo (1959)


Historiador das religiões, islamólogo e esoterismólogo brasileiro. Como tradutor,
verteu do inglês e do francês diversos livros dos mestres perenialistas Frithjof Schuon,
William Stoddart, Martin Lings e Rama Coomaraswamy.

Em São Paulo, ele cursou Letras na Universidade de


São Paulo (USP) e Jornalismo na Pontifícia Universidade
Católica (PUC/SP). Cursou também Relações
Internacionais na George Washington University (Estados
Unidos), e obteve o mestrado em História das Religiões
pela Universidade de São Paulo.

Na década de 1990, viveu uma temporada em


Washington, nos Estados Unidos, onde foi aluno de
William Stoddart, Rama Coomaraswamy e S. H. Nasr. Lá se
aprofundou no estudo da Filosofia Perene e travou
contato com a obra do metafísico alemão Frithjof Schuon.
Obras publicadas:

- Ocultismo e Religião: em Freud, Jung e Mircea Eliade (São Paulo, 2011). Em co-autoria
com Harry Oldmeadow.
- Homens de um livro só: o Fundamentalismo no Islã, no Cristianismo e no pensamento
moderno (Rio de Janeiro, 2008)
- A Inteligência da Fé: Cristianismo, Islã, Judaísmo (Rio de Janeiro, 2006)
- Mística Islâmica: convergência com a espiritualidade cristã (Petrópolis, 2001)
- Iniciação ao Islã e Sufismo (Rio de Janeiro, 2000)

364
Joseph Epes Brown (1920-2000)
Acadêmico americano que se dedicou ao longo de sua vida
às tradições dos nativos americanos ajudando a trazer o estudo
das tradições religiosas dos índios norte-americanos para o
ensino superior. Sua obra seminal foi um livro intitulado, “The
Sacred Pipe”, um relato de suas discussões com o homem santo
Lakota, Black Elk, sobre os ritos religiosos de seu povo.

Brown tem méritos que


ultrapassam em muito seu objetivo
inicial, obter um depoimento para sua tese de formatura
universitária. Black Elk, grande sábio e alta autoridade
espiritual, após persistente busca, foi localizado numa
fazenda perdida em antigas terras Sioux, trabalhando para o
proprietário como plantador de batatas.

Na verdade, Epes Bown foi atraído para aquele fim de


mundo, pois Black Elk (Hehaka Sapa, em Sioux) planejava
deixar um testamento espiritual e o que tem que acontecer,
acontece necessariamente, às vezes por caminhos os mais
insuspeitados.

Aldous Huxley (1894—1963)


É preciso mencionar também o livro de Aldous Huxley139, The
Perennial Philosophy, de (1945), apesar da perspetiva de Huxley ser
mais literária do que espiritual.

- A Filosofia Perene: uma interpretação dos grandes místicos do


Oriente e do Ocidente (Ed. Globo, 2010).

Óscar Freire140
Autor tradicional argentino, seus artigos chamam a atenção imediatamente pela
ortodoxia, tal como nos foi legada pela obra de Guénon, a coerência (ajuste lógico
perfeito entre o todo e suas partes) e generosidade. Óscar Freire aborda uma vasta
gama de tópicos, tais como importantes questões lingüísticas, a mentalidade moderna
e a tradicional, o simbolismo e registros cuidadosamente preparados de formas

139
Mais conhecido pelo seu romance "Admirável Mundo Novo".
140
Obras de Óscar Freire em espanhol para baixar:
https://sites.google.com/site/tradicionrc/islam/oscar-freire
http://www.reneguenon.net/OscarFreire/OscarFreireTextoIndex.html

365
tradicionais pouco faladas, tais como os aborígines australianos e os nativos das três
Américas.

Julius Evola (1898—1974)


Giulio Cesare Andrea Evola, mais conhecido como Julius
141
Evola , foi um filósofo gnóstico, escritor, pintor e poeta
italiano do século XX, em cuja obra se tem inspirado algumas
correntes esotéricas contemporâneas e pensadores
tradicionalistas. Evola consideradava suas posições e valores
espirituais como aristocrata, tradicionalista, masculino, heróico
e desafiadoramente reacionário. A sua posição como autor
perenialista é aceita por uns e rejeitada por outros142.

Seu pai, Vicenzo Evola, pertencia à pequena nobreza da


Sicília. Sabe-se muito pouco acerca da sua infância e adolescência, mas ter-se-á sentido
atraído bem cedo pela filosofia de Nietzsche, Michelstaedter e Otto Weininger, bem
como pela estética e filosofia do futurismo de Papini e Marinetti, e pelo Dadaismo.
Evola começou por ser conhecido como pintor dadaísta.

Em 1917 é mobilizado para a Primeira Guerra Mundial como oficial de artilharia,


mas não chega a combater. Contata com a filosofia budista em 1921, começando a
dedicar-se à poesia e à filosofia.

Em 1926 publica L'uomo Come Potenza, adotando uma visão


tântrica da natureza. Evola frequentava então os círculos
antroposóficos inspirados na obra de Rudolf Steiner, tendo vindo a
colaborar desde 1924 na revista Ultra, ligada ao ambiente romano
teosófico de Decio e Olga Calvari, Ignis, Biyichnis e Atanor.

Em 1934, publica “Rivolta Contro Il Mondo Moderno”143,


considerada como a sua obra mais importante. Nessa obra, sob a
influência da interpretação do mito de Schelling, da visão cíclica das sociedades
humanas de Jacob Bachofen, e da hipótese de Herman Wirth sobre a existência de um
centro ártico primordial, Evola apela a um regresso às fontes pagãs da antiguidade e a
um passado "hiperbóreo" comum às estirpes indo-europeias.

141
Obras de Julius Evola em espanhol para baixar:
https://sites.google.com/site/tradicionrc/otros-autores/julius-evola
142
O envolvimento de Evola com o fascismo é um dos motivos.
143
"Revolta Contra O Mundo Moderno" é em parte cópia e em parte desenvolvimento de "A Crise do
Mundo Moderno" de Guenon.

366
Luiz Pontual
Luiz Pontual144, prêmio Esso de jornalismo e diretor e editor do
Instituto René Guénon de Estudos Tradicionais. Publicou o livro
"Você ainda acredita em democracia?".

144
http://www.reneguenon.net/lpontual.html

367
A Revista Sabedoria Perene

A Revista Sabedoria Perene surgiu de um desejo latente de divulgar em Portugal


a corrente de pensamento conhecida por “tradicionalismo” ou “perenialismo”.

Com efeito, é precisamente esse o principal objetivo do primeiro número, e a


grande maioria dos ensaios incluídos procuram apresentar diferentes, embora
convergentes, pontos de vista sobre esta corrente ou escola de pensamento. Esta
intenção é sobretudo cumprida no bloco de artigos da revista agrupados sob o título
“Tradição e Sophia Perennis”, no qual se procurou clarificar de forma inequívoca os
significados destas duas expressões. Apesar da excelência de todos os ensaios aí
apresentados, não se pode deixar de salientar a inclusão do famoso “O que é a
Tradição?” do ilustre Seyyeid Hossein Nasr e o maravilhoso texto de Reza Shah-Kazemi
sobre a função espiritual da Tradição, onde expõe longa e claramente a perspectiva
perenialista em relação à filiação religiosa, às vias espirituais e à oração. De
semelhante importância são os já consagrados artigos de Schuon sobre a Filosofia
Perene e a Religio Perennis.

No ensaio seleccionado para “Introdução” à revista, este importante texto,


escrito há quase duas décadas, não só nos introduz a muitos dos temas chave do
pensamento perenialista, como nos apresenta brilhantemente os seus três principais
intérpretes e fundadores, René Guénon, Ananda Coomaraswamy e Frithjof Schuon.

São precisamente estes três sábios, cujo advento o mundo moderno não
conseguiu evitar, os ‘alvos’ do bloco “In memoriam” que antecipa o encerramento do
primeiro número. Procurar-se-á manter esta forma de conclusão em futuros números,
prestando homenagem às grandes iluminárias desta corrente de pensamento que
procura fazer emergir da escuridão este mundo dessacralizado.

Antes deste bloco irá o leitor encontrar ainda “Estudos da Tradição”, um


conjunto mais heterogéneo de artigos que procura apresentar e expor ensinamentos,
métodos espirituais, simbolismo e outras facetas das tradições religiosas do mundo;
objetivo, aliás, partilhado com a própria revista. Apesar de não serem abordadas todas
as tradições religiosas, o considerável número de brilhantes estudos de vários aspectos
dessas tradições oferece uma maravilhosa amostra do dedicado trabalho de homens e
mulheres que partilham um modo especial de olhar e aceitar a Realidade. Destaca-se o
artigo gentilmente cedido por Mateus Soares de Azevedo, com o qual se cumpre um
dos objetivos desta revista, a publicação de artigos originais de autores de língua
portuguesa.

368
No último bloco deste número, denominado “Fragmentos de espiritualidade”,
são oferecidas algumas pérolas de sabedoria espiritual de várias tradições da
humanidade, aquelas que fazem brotar “sutis lágrimas, … quando o corpo e a alma são
invadidos por Essa Infinitude que não cabe em parte alguma”.

Na abordagem das diversas tradições reveladas da humanidade em futuros


números da Sabedoria Perene, que se pretende iniciada no contexto de cada uma
delas, não faltarão estudos relativos às artes tradicionais e às ciências que delas
brotaram. Essa abordagem ou abordagens tradicionais que se procurarão desvendar
nos artigos seleccionados resultam do recurso às metodologias consagradas nessas
mesmas tradições, como por exemplo, a Hermeneia (Grega), a Nirukta (Hinduísmo), a
Lectio Divina (Cristianismo), as práticas cabalísticas como a gematria, notariqon, e
temura, e as ciências islâmicas das letras, ilm alhuruf.

O leitor menos conhecedor dos ensinamentos oferecidos pelos três grandes


pensadores que deram origem a esta corrente de pensamento compreenderá, ao
percorrer os preciosos ensaios constantes nesta compilação, que esta revista é,
sobretudo, direcionada para aqueles que reconhecem uma verdade fundamental na
“unidade transcendente das religiões” e que buscam a via do conhecimento (da pura
gnose). Ela dirige-se ao homem como um todo, “feito à imagem de Deus”, e ao seu
Intelecto, o qual não existe sem a presença do Amor e da Beleza que abrem as portas
para o Sagrado. “A beleza é o esplendor da Verdade”, diz Frithjof Schuon.

Apresentado de forma sumária o número 1 da Sabedoria Perene, interessa


revelar alguns dos objetivos dos outros números. Em primeiro lugar, é intenção dos
editores que esta venha a ter um carácter temático. Assim, no número 2 será dada
especial ênfase à arte, bem como à sua ligação ao símbolo. Para o número 3 foi dada
uma abordagem da crise do mundo moderno e dos
problemas ambientais.

Revista Sabedoria Perene – Número 1145

A renovação do interesse na Tradição – Whitall N. Perry

Tradição e Sophia Perennis


A Filosofia Perene – Frithjof Schuon
Religio Perennis – Frithjof Schuon
O que é a Tradição? – Seyyed Hossein Nasr
Compreender a palavra “Tradição” – Ali Lakhani
A função espiritual da Tradição: uma perspectiva
perenialista – Reza Shah-Kazemi

145
http://www.box.net/shared/h2vbo2nlz2

369
Carta aberta sobre a Tradição (resumo) – James Cutsinger

Estudos da Tradição
O ponto de partida de René Guénon, parte I – Miguel Conceição
Esoterismo islâmico – René Guénon
Ritos e símbolos – René Guénon
Gnose cristã – Frithjof Schuon
Mulheres de Luz no Sufismo – Sachiko Murata
Sobre a tradução – Ali Lakhani
Religião, Ortodoxia e Intelecto – William Stoddart
Schuon e as grandes figuras espirituais do séc. XX – Mateus Soares de Azevedo
Nembutsu como ‘Lembrança’ – Marco Pallis

In memoriam
René Guénon – Martin Lings
A Tradição Primordial: Um tributo a Ananda Coomaraswamy – Ranjit Fernando
Um sábio para o nosso tempo: O papel e a obra de Frithjof Schuon – Harry Oldmeadow

Fragmentos de espiritualidade
Pitágoras – São Simeão, o Novo Teólogo – Padres Jean-Pierre de Caussade e Loius
Lallement – Frithjof Schuon – Black Elk – Bhagavan Sri Ramana Maharshi – Jalâluddîn Rumi

Revista Sabedoria Perene - Número 2146

Breve introdução à “doutrina tradicional da arte” – Timothy Scott


Em cada homem um artista – Brian Kebble
A ordem cultural: arte e literatura – Agustín López Tobajas

Doutrina tradicional da arte


Uma figura de linguagem ou uma figura de pensamento? –
Ananda K. Coomaraswamy
Princípios e critérios da arte universal – Frithjof Schuon
A universalidade da arte sagrada – Titus Burckhardt
A iniciação e os ofícios – René Guénon

Exposição tradicional da arte


A porta Real – Titus Burckhardt
A dança de Shiva – Ananda K. Coomaraswamy
Mensagem da arte indumentária pele-vermelha – Frithjof
Schuon
O impacto total da arte: os fundamentos espirituais do teatro de
Shakespeare – Mateus Soares de Azevedo
O vórtice de Tomar – Dalila L. Pereira da Costa

In memoriam
Titus Burckhardt e a escola perenialista – William Stoddart

146
http://www.box.net/shared/3tkribyar8

370
Revista Sabedoria Perene - Número 3147

“Direções para o suprasensível” – Harry Oldmeadow

Metafísica e simbolismo: Sacralização da Natureza


Ver Deus em toda a parte – Frithjof Schuon
Uma metafísica da natureza virgem – Frithjof Schuon
O simbolismo da água – Titus Burckhardt
Notas sobre a ecologia espiritual de São Francisco de Assis e
Sw