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Texto: 2 Reis 5:1-19

Introdução:
TEMA:
Atitudes corretas são muito importantes quando se trata de lidar com a palavra
de Deus
1. Muitos estão rejeitando e cometendo equívocos com relação a palavra de Deus,
porque as suas atitudes não são corretas
2. Muitos têm uma atitude de querer agradar a si mesmos, em vez de agradar a Deus
3. A história de Naamã, o leproso nos dá uma visão sobre a importância de uma atitude
correta.
“Ora, Naamã, chefe do exército do rei da Síria, era um grande homem diante do seu
senhor, e de muito respeito, porque por ele o Senhor dera livramento aos sírios; era
homem valente, porém leproso”.

Naamã era um homem bem sucedido (era o chefe do exército do rei da Síria).
Naamã era um homem que tinha seu talento reconhecido pelo próprio rei.
Naamã era amado por seus soldados.
Naamã gozava de muito conceito e respeito por todos do seu país.
Naamã era um homem abençoado por Deus (por meio dele, Deus dera livramento aos
sírios).
Naamã tinha uma esposa que o amava e se preocupava com ele.
Naamã era valente.

Naamã era feliz? Não! Naamã era um homem quase feliz.


Ele até que poderia ser muito feliz, mas havia um “porém”: Naamã era leproso.

(Lembre-se que naquela época a lepra não tinha cura; privava o doente do convívio
social e levava-o a uma morte diária, lenta, sofrida e solitária).

É exatamente assim que muitas pessoas se sentem. Apesar de terem alcançado o


sucesso profissional e familiar, apesar de gozarem do respeito de todos que o rodeiam,
apesar de se sentirem pessoas abençoadas por Deus, apesar de serem valentes e
lutadores, não são inteiramente felizes. Há sempre um “porém” que consume suas
energias, privando-os da felicidade plena, levando-os a experimentar uma mortificação
diária, lenta, sofrida e solitária.

No entanto, Naamã, que era um homem quase feliz, encontrou a cura do seu mal e a
felicidade plena.

UM HOMEM QUASE FELIZ ENCONTRA A FELICIDADE!

E nós, também podemos encontrar a nossa, se mantivermos as mesmas posturas que ele
manteve:

1) NAAMÃ DEU OUVIDOS AO TESTEMUNHO DE UMA PESSOA SIMPLES.um


homem quase feliz
“Os sírios, numa das suas investidas, haviam levado presa, da terra de Israel, uma
menina que ficou ao serviço da mulher de Naamã. Disse ela a sua senhora: Oxalá que o
meu senhor estivesse diante do profeta que está em Samária! Pois este o curaria da sua
lepra. Então Naamã foi notificar a seu senhor, dizendo: Assim e assim falou a menina
que é da terra de Israel. Respondeu o rei da Síria: Vai, anda, e enviarei uma carta ao rei
de Israel”.

Naamã deu ouvidos às palavras de uma menina-escrava. Tanto acreditou que levou o
assunto ao seu rei, que o autorizou a viajar para Israel e, ainda, se dispôs a escrever uma
carta de recomendação ao rei de Israel.

Esta menina era muito simples; provavelmente, analfabeta. Mas, Naamã acreditou em
suas palavras, pois ela falava de algo que conhecia pessoalmente lá da sua terra e não de
alguma teoria que aprendera em bancos escolares.

E nós, quantas vezes temos desprezado o testemunho vivo de alguém tão-somente


porque se trata de uma pessoa simples? Será que poderíamos contar quantas vezes o
patrão ou a patroa desprezou o testemunho de seus empregados cristãos? Será que
teríamos condições de contabilizar quantas vezes o rico não deu ouvidos aos crentes
pobres? Ou, quantas vezes o “doutor” desqualificou a palavra de fé das pessoas
simples?

Sabe o que a Bíblia diz acerca deste assunto? um homem quase feliz
“Deus escolheu as coisas loucas do mundo para confundir os sábios; e Deus escolheu as
coisas fracas do mundo para confundir as fortes; e Deus escolheu as coisas ignóbeis do
mundo, e as desprezadas, e as que não são, para reduzir a nada as que são; para que
nenhum mortal se glorie na presença de Deus” (I Coríntios 1.27-29).

2) NAAMÃ FOI BUSCAR AJUDA.um homem quase feliz


“Foi, pois…”.

Quando estamos enfrentando um problema sério na vida, especialmente doenças graves,


incuráveis, ficamos como que anestesiados, tão grande é a desgraça que se abateu sobre
nós e nossa família.

“Não tem jeito! Não tem cura! Não tem saída!” Parece que o diagnóstico dos
especialistas fica ecoando em nossa mente e nos deixa de mãos e alma amarradas.

Por mais certos que eles estejam, porém, sua perspectiva é puramente humana.

A Bíblia nos diz, por outro lado, que para Deus não existe a palavra IMPOSSÍVEL.

Naamã não se deixou abater com o diagnóstico dos médicos.


Ele acreditou e tomou uma decisão, uma atitude de fé: Foi, pois… buscar ajuda em
Deus.

Muitas vezes até acreditamos no testemunho de fé das pessoas mais simples, mas
ficamos paralisados diante da desgraça e não tomamos a decisão de nos levantarmos
para buscar a face de Deus.

Sabe o que a Bíblia diz acerca deste assunto?um homem quase feliz
“Buscai ao Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto” – Isaías
55.6.
“Cheguemo-nos, pois, confiadamente ao trono da graça, para que recebamos
misericórdia e achemos graça, a fim de sermos socorridos no momento oportuno” –
Hebreus 4.16.

3) NAAMÃ SE HUMILHOU PERANTE DEUS.um homem quase feliz


“… e levou consigo dez talentos de prata, e seis mil siclos de ouro e dez mudas de
roupa. Também levou… a carta… Veio, pois, Naamã com os seus cavalos, e com o seu
carro, e parou à porta da casa de Eliseu. Então este lhe mandou um mensageiro, a dizer-
lhe: Vai, lava-te sete vezes no Jordão, e a tua carne tornará a ti, e ficarás purificado.
Naamã, porém, indignado, retirou-se, dizendo: Eis que pensava eu: Certamente ele sairá
a ter comigo, pôr-se-á em pé, invocará o nome do Senhor seu Deus, passará a sua mão
sobre o lugar, e curará o leproso. Não são, porventura, Abana e Farpar, rios de
Damasco, melhores do que todas as águas de Israel? Não poderia eu lavar-me neles, e
ficar purificado? Assim se voltou e se retirou com indignação. Os seus servos, porém,
chegaram-se a ele e lhe falaram, dizendo: Meu pai, se o profeta te houvesse indicado
alguma coisa difícil, porventura não a terias cumprido? Quanto mais, dizendo-te ele:
Lava-te, e ficarás purificado. Desceu ele, pois, e mergulhou-se no Jordão sete vezes,
conforme a palavra do homem de Deus; e a sua carne tornou-se como a carne dum
menino, e ficou purificado”.

Naamã trouxe seu ouro e sua prata: símbolos da sua riqueza pessoal.
Naamã trouxe dez mudas de roupas finíssimas: símbolos do seu bom gosto.
Naamã trouxe uma carta de recomendação do rei da Síria: símbolo do seu prestígio.

Porém, Naamã trouxe também a altivez, o orgulho dentro do seu coração.

O texto bíblico declara que Naamã esperava que o profeta de Deus viesse recebê-lo à
porta – quem sabe – com um tapete vermelho, impressionado com sua riqueza, bom
gosto e prestígio e faria um ritual elaborado diante dele, pelo qual estaria disposto a
pagar muito bem (se resolvesse o seu problema, é claro).

Mas, Deus é sábio e resolveu quebrar o orgulho de Naamã por meio do profeta, que,
além de nem sair pra fora para ver “o importante general sírio”, enviou um moleque de
recado para lhe ordenar que se banhasse sete vezes no barrento Rio Jordão.

Naamã se revoltou. Revelou o orgulho que havia em seu coração e negou-se a cumprir a
ordem do profeta. Não fossem seus soldados a convencê-lo a obedecer, Naamã teria
voltado para a Síria exatamente do mesmo jeito que de lá viera. Mas seus soldados o
amavam (até chamavam-no de “pai”) e insistiram com ele, e ele cedeu.

Mesmo contrafeito, tomou o banho da humilhação sete vezes (o número sete é o


número-símbolo daquilo que é perfeito ou completo – isto significa que Naamã foi
completamente humilhado diante dos seus soldados). Quando Deus viu que Naamã se
humilhou, restaurou a sua saúde!

Quantas vezes nos aproximamos de Deus tentando impressioná-lo com nossa “riqueza
pessoal”, com nossas palavras bem elaboradas e com nosso prestígio? Mas Deus não se
impressiona com nada destas coisas que nós consideramos importantes, antes, decide
humilhar-nos, para que entendamos que qualquer ação Dele em nossa vida é graça, e
não mérito humano.
Quantas pessoas já voltaram para casa sem a benção divina porque não quiseram se
humilhar diante de Deus? Talvez tenha se negado a ir à frente para receber a oração ou
para admitir publicamente a sua miséria e infelicidade; ou, então, revoltaram-se contra
alguma orientação de um homem de Deus.

Sabe o que a Bíblia diz acerca deste assunto?um homem quase feliz
“Qualquer, pois, que a si mesmo se exaltar, será humilhado; e qualquer que a si mesmo
se humilhar, será exaltado” – Mateus 23.12.
“Deus resiste aos soberbos; porém, dá graça aos humildes” – Tiago 4.6.

4) NAAMÃ CONVERTEU-SE NUM VERDADEIRO ADORADOR.um homem quase


feliz
“Então voltou ao homem de Deus, ele e toda a sua comitiva; chegando, pôs-se diante
dele, e disse: Eis que agora sei que em toda a terra não há Deus senão em Israel; agora,
pois, peço-te que do teu servo recebas um presente. Ele, porém, respondeu: Vive o
Senhor, em cuja presença estou, que não o receberei. Naamã instou com ele para que o
tomasse; mas ele recusou. Ao que disseNaamã: Seja assim; contudo dê-se a este teu
servo terra que baste para carregar duas mulas; porque nunca mais oferecerá este teu
servo holocausto nem sacrifício a outros deuses, senão ao Senhor”.

Deus impôs a humilhação a Naamã com um propósito: revelar-se a ele.

A cura divina restaurou não apenas o físico de Naamã, mas também sua alma.

Seu corpo foi curado, sim, mas sua visão acerca das coisas espirituais foi totalmente
aberta; agora ele sabe que só há um Deus verdadeiro em todo o mundo, o Deus de
Israel.

A quantos falsos deuses será que Naamã já havia implorado cura? Somente o Deus
verdadeiro supriu sua maior necessidade!

Todo o ouro, prata e presentes que ele trouxe quer agora dar ao profeta, não para
comprá-lo ou impressioná-lo, mas como uma legítima expressão de gratidão por aquilo
que Deus fez em sua vida através daquele homem.

(O profeta de Deus não aceita, pois os verdadeiros homens de Deus não se prevalecem
destes momentos para arrancar dinheiro ou presentes das pessoas).

Naamã pede, então, para carregar duas mulas com terra. Sim, terra! Quatro sacos de
terra. Porque? Para colocar num cantinho de sua casa e ali, sobre aquela pequena porção
da terra de Israel, adorar ao Deus verdadeiro. É meio esquisito, é claro, mas foi sua
forma simples de expressar que a partir daquele momento ele seria um verdadeiro
adorador do Deus de Israel e que nunca mais iria adorar ou oferecer sacrifícios a outros
deuses.

Quando Deus abençoa alguém, Sua benção sempre quer ir além daquilo que a pessoa
pediu. Junto com a graça solicitada, Deus quer salvar a alma daquela pessoa, por meio
da fé em seu único filho, Jesus Cristo.
Infelizmente, muitos que um dia foram curados e abençoados por Deus irão para o
inferno, pois rejeitaram um compromisso mais sério com Ele. Querem tão-somente se
livrar do sofrimento e voltar o quanto antes ao seu velho estilo de vida.
Querem a benção, mas rejeitam o Abençoador.

Foi assim com os 10 leprosos que Jesus curou de uma só vez: somente um voltou para
agradecer.

Sabe o que a Bíblia diz acerca deste assunto? um homem quase feliz
“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que
todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” – João 3.16.
“… eis que em sonho lhe apareceu um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não
temas receber a Maria, tua mulher, pois o que nela se gerou é do Espírito Santo; ela dará
à luz um filho, a quem chamarás JESUS; porque ele salvará o seu povo dos seus
pecados” – Mateus 1.20-21.
“Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adoração o Pai em
espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem” – João 4.23.

5) NAAMÃ REAVALIOU SEUS CONCEITOS.um homem quase feliz


“Nisto perdoe o Senhor ao teu servo: Quando meu amo entrar na casa de Rimom para
ali adorar, e ele se apoiar na minha mão, e eu também me tenha de encurvar na casa de
Rimom; quando assim me encurvar na casa de Rimom, nisto perdoe o Senhor ao teu
servo. Eliseu lhe disse: Vai em paz”.

Tão logo Naamã declarou que nunca mais iria adorar ou oferecer sacrifícios a outros
deuses, senão ao Deus verdadeiro, se lembrou que o seu senhor, o rei da Síria, quando
entrava no templo do deus Rimom (um deus sírio), gostava de se apoiar na sua mão e
ele, Naamã, por respeito ao seu senhor e no cumprimento de seus deveres, também tinha
que se encurvar diante da estátua daquele falso deus.
Agora ele sabe que isto é errado e pede perdão a Deus.
Foi seu primeiro conflito espiritual; sua primeira reavaliação de seus atos e estilo de
vida.

Esta é a marca mais legítima daqueles que de fato tiveram uma experiência real e
transformadora com Deus: uma total e completa reavaliação de todas as suas atitudes,
de toda a sua filosofia de vida e de todas as suas crenças e posturas.
Tais pessoas querem agora viver de maneira tal que agrade ao Deus verdadeiro.

E quanto a nós? Nossas “experiências” com Deus ou com seu poder têm nos levado a
uma tão grande reflexão? Ou, levianamente, continuamos a viver nossas vidinhas do
mesmo jeito que antes?

Sabe o que a Bíblia diz acerca deste assunto? um homem quase feliz
“Pelo que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis
que tudo se fez novo” – II Coríntios 5.17.
“Exterminai, pois, as vossas inclinações carnais; a prostituição, a impureza, a paixão, a
vil concupiscências, e a avareza, que é idolatria; pelas quais coisas vêm a ira de Deus
sobre os filhos da desobediência; nas quais também em outro tempo andastes, quando
vivíes nelas; mas agora despojai-vos também de tudo isto: da ira, da cólera, da malícia,
da maledicência, das palavras torpes da vossa boca; não mintais uns aos outros, pois já
vos despistes do homem velho com seus feitos e vos vestistes do novo, que se renova
para o pleno conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou” – Colossenses 3.5-
10.

Conclusão
Naamã, que era um homem quase feliz, voltou para casa feliz e curado, mas também
transformado. Com foi que isto aconteceu? Como um homem quase feliz encontrou a
felicidade?

a) Ele deu ouvidos ao testemunho de uma pessoa simples;


b) Ele foi buscar ajuda em Deus;
c) Ele se humilhou diante de Deus;
d) Ele se converteu num verdadeiro adorador;
e) Ele reavaliou os seus conceitos.

Façamos o mesmo!

UM HOMEM QUASE FELIZ ENCONTRA A FELICIDADE!

Cura de Naamã I Rs 5.1-19

Os capítulos 4.1 - 6.23 nos oferecem uma série de histórias maravilhosas de milagres
realizados por Eliseu. Ele tinha recebido uma dupla porção do Espírito de Elias (II Rs
2.9), e assim efetuou cerca do dobro dos milagres deste (ver II Rs 2.19). As histórias
maravilhosas ilustram como Yahweh autenticou o Seu profeta Eliseu, fazendo dele um
violento contraste com os falsos profetas de Baal, os quais não tinham ne-nhum poder
espiritual.

Eliseu possuía abundância do poder divino. Ele tinha ressuscitado mortos; tinha
multiplicado alimentos; e agora ele curaria uma doença incurável, que algu-mas
traduções identificam com a lepra. A palavra hebraica correspondente, sara'at,
entretanto, inclui sintomas de certo número de enfermidades. Entre essas,
prova-velmente havia alguns casos autênticos da doença de Hansen, mas a maioria dos
sintomas dados no capítulo 13 de Levítico não descreve a lepra.

5.1

Naamã. Ver sobre ele na ajuda principal. Estamos tratando aqui com um estrangeiro, um
sírio, o povo que muitas vezes tinha sido hostil a Israel. Não muito atrás, o autor sacro
nos dera uma descrição detalhada sobre uma guerra entre Israel, Judá e a Síria (ver I Rs
22). Isso significa que o milagre a ser realizado aqui teve a distinção de ser em favor de
um "inimigo" de Israel. Desse modo, o amor universal de Deus foi demonstrado. "Pois
Deus amou o mundo de tal maneira..." (Jo 3.16).

Uma coisa notável, aqui destacada, foi que as vitórias obtidas por aquele militar sírio e
pagão foram atribuídas à ajuda de Yahweh. Talvez o autor sagrado tivesse em mente a
vontade geral de Deus, que controla todas as coisas, e não que Naamã tivesse alguma
lealdade especial a Yahweh, o qual, assim sendo, o ajudava.

Porém leproso. Embora poderoso e bem-sucedido quanto a outros aspectos de sua vida,
ele tinha um ponto fraco que o maculava: era afligido pela temida lepra. Naturalmente,
o termo hebraico sara'at referia-se a certo número de enfer-midades, embora também
incluísse alguns casos de lepra genuína. "A lepra era um imposto pesado contra o valor
de Naamã" (Adam Clarke, in loc). O milagre visava a corrigir onde o homem estava
invalidado. Também é significativo que o general sírio tenha sido forçado a buscar
ajuda precisamente onde ele não queria ir: entre os odiados israelitas.

5.2

E da terra de Israel levaram cativa uma menina. Ajuda necessária no lugar errado.
Assim devem ter pensado os sírios. Uma pequena menina israelita tinha sido feita cativa
em um dos assaltos feitos pelas tropas sírias. Era comum nas guerras antigas que, entre
os derrotados, os poucos que sobrevivessem fossem reduzidos à posição de escravos.
Também era comum que mulheres e crianças fossem levadas como escravas ou para
haréns estrangeiros. Assim sendo, o general sírio tinha o opró-brio de ser um leproso, ao
mesmo tempo em que seu país era maculado por suas práticas imorais.

"Naamã era um homem de valor, mas era um leproso. Para quantos homens na história
do mundo essas palavras são aplicáveis! Eles são pode-rosos no intelecto, poderosos em
sua capacidade, mas não são íntegros e sãos em sua alma. Portanto, aquelas grandes
habilidades não redundavam em nenhum bem para o mundo ou para os próprios
eventos" (Raymond Calking, in loc).

A providência de Deus tinha posto a menina pequena na família de Naamã. Ali ela fora
reduzida a ser escrava da esposa de Naamã. Cf. Joel 3.6 quanto ao tráfico fenício de
escravos judeus. É triste pensarmos em como uma menina pequena, levada para um país
estrangeiro, arrebatada de sua parentela e de seus amigos, foi escravizada, finalmente,
na casa de um general pagão. Mas assim ditava a moralidade da época. Mulheres e
crianças eram as vítimas inocentes.

5.3

Oxalá o meu senhor estivesse diante do profeta. A pequena menina israelita tinha
consciência do poder e da reputação de Eliseu e sabia que ele poderia resolver o
problema de enfermidade de Naamã. Ela falou à esposa do general sírio sobre a
"salvação" dele.

Em Samaria. Essa cidade era a capital do reino do norte (Israel). O profeta, embora
viajasse com frequência, fazendo seus circuitos por toda a nação de Israel, por muitas
vezes tinha contatos com a capital do país. Muita gente ali saberia como localizar o
homem de Deus. "Foi então que o mistério da providência divina começou a operar"
(Adam Clarke, in loc).

As circunstâncias assumem algumas vezes formas extraordinárias, a fim de que os


eventos necessários possam ocorrer. Falamos em coincidências, mas isso é
simplesmente a nossa ignorância sobre como as coisas operam neste mundo.

5.4

Foi Naamã e disse ao seu senhor. A esperança. A palavra dita pela menina israelita logo
se espalhou. Deram ouvidos à menininha por estarem desespera-dos. O grande general
Naamã não haveria de envolver-se em alguma discussão teológica: se existem ou não as
curas espirituais, se há fraude nessa questão e se ele seria o recebedor dos
acontecimentos excepcionais que, ocasionalmente, ocorriam em Israel. Israel, embora
por muitas vezes fraco militarmente, tinha a reputação de produzir homens de grande
poder espiritual, e os sírios tinham plena consciência desse fato. Era exatamente esse
tipo de fato que Naamã queria ouvir. Os leprosos geralmente caem no desespero e em
profundas ansiedades, domina-dos por essa terrível enfermidade.

"A pequena menina tinha-se comportado tão bem que foi dado o devido crédito às
palavras dela, e uma embaixada do rei da Síria ao rei de Israel foi organizada a partir
delas" (Adam Clarke, in loc).
5.5

Enviarei uma carta ao rei de Israel. O portador da citada carta foi o próprio general
Naamã. Ele buscava a ajuda do rei, sobretudo na localização de Eliseu. Naamã levou
uma companhia de homens armados, como guarda-cos-tas, e também uma grande soma
em dinheiro e dez mudas de roupa, que serviriam de presente ao rei de Israel, a fim de
encorajar a sua cooperação. Sem dúvida, parte desses materiais valiosos acabaria sendo
presenteada a Eliseu, visto que era costumeiro presentear os profetas quando a ajuda
deles era buscada.

Naquele tempo ainda não tinha começado o uso de moedas, portanto a referência aqui
ao dinheiro, sem dúvida, deve ser a metais preciosos divididos em pequenas porções.
Naamã levou consigo dez talentos de prata e seis mil siclos de ouro. Não obstante, 340
quilogramas de prata (os dez talentos) e 68 quilogramas de ouro (os seis mil sidos)
representavam um grande valor, que somente um homem muito rico poderia ter
oferecido. E também havia dez mudas de roupa de primeira qualidade, conforme
podemos ter certeza.

5.6

Para que o cures da sua lepra. O propósito da carta. Naamã, o portador e sujeito da
carta, era um general sírio, mas tinha uma necessidade especial. Ele era leproso e
procurava a cura para a sua enfermidade. Não há nenhuma informa-ção sobre os
presentes que teriam sido dados, embora isso fosse costumeiro. Os chefes de estado
naturalmente recebiam mercadorias valiosas da parte de supli-cantes e visitantes. A
abordagem foi direta e honesta, mas o rei de Israel julgar-se-ia vítima de um truque.

5.7

Procura um pretexto para romper comigo. Incompreensão geral. Jorão, rei de Israel,
ficou consternado diante da carta apresentada pelo general sírio. O rei de Israel
compreendeu mal o teor da carta. O rei da Síria não esperava que Jorão fizesse o
trabalho de Deus, de salvar e curar. Só queria que ele o enviasse a Eliseu, que tinha a
autoridade de Yahweh e poderia realizar a obra de cura. Mas Jorão imaginou que fosse
tudo um truque, a fim de que o rei da Síria tivesse um motivo para lançar um ataque
contra Israel, que não "cooperara" quando fora solicitado, para beneficiar um grande
general sírio. Por isso, o rei de Israel rasgou suas roupas para demonstrar sua
indignação. Cf. outros incidentes como o caso presente, em II Rs 2.12; 6.30 e 11.14. Os
dois países estavam em paz, mas Jorão achou que Ben-Hadade estava querendo reiniciar
as hostilidades, tal como havia feito contra seu pai, Acabe (ver I Rs 20.1-3). O rei Jorão,
acostumado a matanças, foi surpreendido por uma carta que propunha salvação e cura.

"Jorão estava em posição difícil para renovar as hostilidades, após a severa derrota de
seu pai (I Rs 22.30 ss.)" (Ellicott, in loc).

5.8

Ouvindo, porém, Eliseu. As notícias sobre o incidente logo chegaram aos ouvidos de
Eliseu. Portanto, as circunstâncias estavam sendo arranjadas pela intervenção divina, em
benefício de Naamã, um ato de graça e amor. Eliseu enviou então uma repreensão ao
estúpido rei de Israel. Havia, realmente, poder para curar em Israel, e Jorão sabia disso,
embora em sua consternação sobre a hipotética guerra se tivesse esquecido de onde
estava esse poder. Ele não tinha poder diante de Yahweh, mas sabia onde encontrar
alguém que o tivesse. A solução para o problema era óbvia, mas em sua perturbação, a
mente de Jorão parecia não estar funcionando muito bem.

A Vantagem. A operação de um milagre daquela envergadura teria uma repercussão


internacional positiva. Os homens maus da Síria compreenderiam que havia um Deus
real e ativo em Israel, Yahweh, que era uma força para ser levada em conta. Talvez as
notícias tivessem um valor evangelizador. O verdadei-ro Deus seria buscado pelos
pagãos.

5.9-10

E parou à porta da casa de Eliseu. O trecho de II Rs 6.13 parece indicar que Eliseu
estava em Dotã. Essa cidade ficava a apenas dezesseis quilômetros de Samaria, pelo que
Naamã e seu séquito puderam chegar com facilidade até onde estava o profeta de Deus.
Portanto, ali estava Naamã, e todos os seus homens de guerra, cavalos, poder e dinheiro,
defronte da porta da casa do profeta. Mas Eliseu não deu a menor atenção a toda aquela
pompa. Não ficou admira-do, de modo nenhum, pelo "grande homem". De fato, em
lugar de ir pessoalmente até o general sírio, enviou um mensageiro com a seguinte
mensagem: "Vai, lava-te sete vezes no Jordão, e a tua carne será restaurada, e ficarás
limpo".
Por favor, que o leitor preste atenção à completa ausência de ostentação por parte de
Eliseu. A maioria dos homens teria efetuado uma festa para recepcionar o general e seu
séquito, fazendo a questão tornar-se uma ocasião importante. Eliseu, em contraste com
isso, nem ao menos se interessou em ir ao encontro de Naamã. Contudo, não negou o
milagre de que o pobre homem precisava tão desesperadamente.

E ficarás limpo. Essas palavras foram usadas porque a lepra era considera-da uma
imundícia, que desqualificava a sua vítima para o contato social e para a adoração no
lugar santo. Ver Levítico 13.3. A sara'atera um símbolo do pecado: nojenta, debilitante e
incurável. Mas onde há a impossibilidade, é precisamente aí que o poder de Deus opera.

5.11

Naamã, porém, muito se indignou. Ele tinha suas fantasias. O grande homem de Deus
sairia ao encontro dele, inclinar-se-ia perante ele, como um grande homem diante de
outro. Eles trocariam aquelas longas saudações e cumprimentos tipicamente orientais.
Haveria grande expectação, enquanto Eliseu se preparasse para efetuar a cura. Todos em
volta ficariam transidos de espanto, esperando o grande momento em que, de súbito, a
lepra ir-se-ia embora. Todos soltariam grandes gritos de triunfo e alegria. Haveria
festivida-des e celebração. E para sempre, depois disso, todos falariam sobre o notá-vel
acontecimento que tivessem visto. Em lugar de tudo isso, sem embargo, o profeta
simplesmente dissera para Naamã lavar-se no rio Jordão por sete vezes, e nem ao menos
se importara em ir ao encontro dele, pessoalmente. Ademais, Naamã não acreditava no
modus operandi do esperado milagre. Que bem lhe faria mergulhar por sete vezes no
lamacento rio Jordão? A coisa toda era ridícula. Naamã perdeu a fé em Eliseu como um
profeta. Certamente Eliseu não estava agindo de maneira dignificada, como deveria
fazer um homem de Deus.

Moveria a mão sobre o lugar da lepra. Naamã esperava que Eliseu realizasse algum rito
dramático de imposição de mãos, e não apenas man-dasse um breve recado.
Naturalmente, a imposição de mãos, por longo tempo, fora uma maneira de curar e os
estudos demonstram a sua eficácia. Alguma espécie de energia é transferida do curador
para o candidato à cura.

O Nome de Yahweh. Sem importar o meio pelo qual o milagre ocorresse, estava bem
entendido, até pelo pagão Naamã, que Yahweh seria a fonte do poder, e que Eliseu seria
apenas um instrumento da cura. O homem, só pelo fato de ser um homem, tem o poder
de curar, e isso também vem de Deus. Além disso, há aquelas ocasiões em que é
necessário maior poder, e então a graça supre a intervenção divina. Existe a cura
psíquica, natural, mas o poder divino às vezes também intervém. Bons medicamentos
que curam, e que os cientistas têm descoberto através do intelecto, da intuição e de
trabalho árduo, também são dons de Deus.

5.12

Abana e Farfar... melhores do que todas as águas de Israel? Os rios sírios, Abana e
Farfar, eram rios relativamente limpos, muito melhores do que o lamacento rio Jordão,
de Israel. Então, se a cura pela água tivesse de ser ordenada, por que os rios da Síria não
podiam ser utilizados? Parecia humilhante para Naamã sujeitar-se àquele miserável rio
em Israel. Portanto, lá se foi Naamã queixando-se, desconhecendo quão grande ver-dade
curadora lhe tinha sido dita.

Tomado de indignação, Naamã afastou-se da casa de Eliseu. O general sírio havia


acabado de abandonar a esperança de cura. Sua mente estava enevoada por preconceitos
e juízos precipitados. Ele estava crendo em coisas que não correspondiam à verdade.
Estava iludido. Pensava que sabia muito.

"Damasco continua sendo conhecida por suas águas saudáveis" (Ellicott, in loc). Ambos
os rios sírios eram correntes provenientes de montanhas, alimentadas pelas colinas
eternas, mas o rio Jordão era um lamacento rio de vale.

5.13

Então se chegaram a ele os seus oficiais. Os servos de Naamã não lhe permitiram
abandonar o projeto. A mente deles não estava ofuscada pela ira insensata e pelo
orgulho nacionalista. Respeitosamente dirigiram-se a Naamã como seu "pai" e tentaram
acalmá-lo em sua ira.

Naamã era homem de valor. Por muitas vezes ele havia arriscado a vida em batalhas.
Tinha a reputação de realizar qualquer tarefa, por mais difícil que fosse. Ele não era
homem de rejeitar coisas difíceis de ser realizadas. Em consequência, seus oficiais
raciocinaram com ele à base de sua reputação e valor. Caso o profeta tivesse dito que
ele poderia ser curado se realizasse algum ato difícil e perigoso, ele teria cumprido a
tarefa sem fazer perguntas. No entanto, o profeta dera uma ordem humilde e de fácil
obediência: "Vai e lava-te por sete vezes no Jordão". Por que, pois, toda aquela
indignação? O raciocínio deles penetrou fundo na cabeça dura de Naamã. Sua ira se
amainou. Ele concordou em tentar. Ele continuava tendo suas dúvidas, mas pelo menos
faria o que lhe fora ordenado. Este versículo adiciona um pequeno e fino toque à
narrativa. Os oficiais do exército sírio, querendo o melhor para o seu general,
convenceram-no com palavras gentis. Ele deveria fazer o que estava certo tanto por si
mesmo, como por causa deles, pois seus destinos estavam todos entrelaçados.

"... sentindo-se bastante envergonhado, Naamã humilhou-se e obedeceu à palavra do


Senhor" (Thomas L. Constable, in loc). A decisão de Naamã foi outro detalhe do drama
que tinha sido arranjado para operar a sua cura. Naamã pôs-se na correnteza divina dos
acontecimentos.

5.14

E mergulhou no Jordão sete vezes. Obedecendo a ordem divina, Naamã mergulhou no


rio Jordão por sete vezes, o número divino, o número de poder. Dramaticamente,
Naamã mergulhou por uma, duas, três vezes, e nada aconteceu. Os circunstantes
olharam tudo nervosamente. A fé de Naamã ficava um pouco abalada a cada mergulho
que abortava em seus resultados. Na sexta vez, todos olhavam cheios de expectação.
Nada acontecera. Então veio a sétima vez; ele mergulhou, e reapareceu — e eis que ele
estava curado de sua lepra! Houve grandes gritos e muito clamor, e aqueles sírios
pagãos louvaram o nome de Yahweh.

"Se a cada semana banhássemos a nossa alma em um sábado real e adorássemos no


santuário, e se a cada dia mergulhássemos na Bíblia e conhecêssemos momentos
verdadeiros de oração consagrada, então haveria um milagre, que seria operado em
nosso favor, tão verdadeiramente como foi no caso de Naamã" (Raymond Calking, in
loc).

Mas o orgulho, o mundanismo e a fé débil nos impedirá de receber esse milagre, tal
como recusar-se a mergulhar por sete vezes no rio Jordão teria deixado Naamã
continuar com a sua lepra.

Como a carne duma criança, e ficou limpo. A praga horrenda tinha ido embora;
juventude e vigor apareceram em lugar da horrenda enfermidade. A pele era como a
pele de um menino pequeno. "Quão poderoso é Deus! Quão grandes coisas Ele é capaz
de fazer mediante os meios mais simples e mais fracos!" (Adam Clarke, in loc).
Curas de casos de lepra, nas páginas do Novo Testamento: ver Mt 8.2,3; Mc 1.40-42; Lc
5.12,13; 17.12 ss. Cf. Mt 11.5 e Lc 7.22.

"O fato de que nos dias de Eliseu um leproso arameu foi curado, ao passo que nenhum
leproso israelita o foi (ver Lc 4.27) aponta para a apostasia de Israel" (Thomas L.
Constable, in loc).

5.15

Voltou ao homem de Deus. O feliz retorno de Naamã. Em contraste com a história


neotestamentária na qual apenas um leproso, entre dez, voltou para agra-decer ao
Senhor Jesus (ver Lc 17.12 ss.), Naamã retornou à casa de Eliseu para agradecer ao
profeta de Deus. Em consonância com a presente história, o leproso que retornou para
agradecer a Deus era um samaritano, um "estrangeiro". Dessa vez, Eliseu concedeu a
Naamã uma audiência particular. Ele não enviou um mensageiro para falar com ele.
Naamã louvou o Deus de Israel, algo que Eliseu tinha esperado que ele fizesse (ver o vs.
8). Naamã havia adotado um monoteísmo vital, e não apenas formal. Ele agora não
acreditava apenas em uma proposição teológica, mas dedicara a sua alma ao único Deus
vivo e verdadeiro, Elohim.

Naamã voltou a Eliseu com o coração cheio de gratidão e as mãos cheias de ricos
presentes para serem dados ao profeta. Mas o melhor de tudo foi que ele retornou com
um coração cheio de fé, a qual não existia na primeira vez. Agora Naamã era um
homem novo que seguiria um destino mais alto na vida do que ele tivera antes.

5.16

Não o aceitarei. Eliseu estava interessado na mudança ocorrida em Naamã. E estava


grato a Yahweh por ter dado aquela grande demonstração de poder. Mas não estava
interessado nos trezentos e quarenta quilos de prata (os dez talentos), nem nos sessenta e
oito quilos de ouro (os seis mil sidos), nem nas dez mudas de roupa que Naamã havia
trazido como presente para o homem de Deus (ver o vs. 5). Yahweh era a recompensa
de Eliseu, e ele nada mais buscava. Naamã, com toda a sinceridade, continuava instando
com o profeta para que aceitasse os seus presentes. Afinal, era costume dos profetas e
dignitários aceitar presentes dos visitantes (ver I Sm 9.6-9), mas Eliseu não seguia
aquele costume particular."... digno é o trabalhador do seu salário" (I Co 9.8-14). Não
obstante, Eliseu não forçou a questão, tal como o apóstolo também não o fez.
Presumivelmente eles ganhavam a vida à sua maneira, ou tinham alguma forma segura
de rendimentos que escapa ao nosso conhecimento. Eliseu aceitou a hospitalidade da
rica dama e seu suprimento de alimentos (capítulo 4), de forma que, sem dúvida, em
certas ocasiões, o profeta vivia dessa maneira. É provável que a comunidade dos
profetas plantasse seu próprio alimento e criasse seus próprios animais. Ver Êxodo
23.15 quanto ao princípio do costume na sociedade dos hebreus.

5.17

Seja dado levar uma carga de terra de dois mulos. Levando alguma terra de Israel. Para
nós, o pedido de Naamã parece incomum: ele queria levar para a Síria, a quantidade de
terra que seria normalmente transportada por dois mulos. Mas isso se refere a um
estranho costume e crença dos antigos. Era a ideia de que cada terra tinha seu próprio
deus, que só podia ser adorado ali. Deixar um território e viajar para outro era ficar sob
a jurisdi-ção de outro deus, o proprietário espiritual daquela terra. Em consequência, se
Naamã quisesse adorar a Yahweh-Elohim na Síria, ele precisaria ter algu-ma terra com
ele, sobre a qual Yahweh exerceria jurisdição. O ato de Naamã dava testemunho de sua
sinceridade. Obviamente, ele ainda não se havia livrado de antigas superstições. Por
outro lado, todos nós temos algumas tolices em nosso credo e em nossos atos.
Provavelmente, Naamã faria algu-ma espécie de altar com a terra, e isso se tornaria o
centro de seu culto privado. Cada vez que ele fosse adorar, orar ou sacrificar, haveria de
lembrar-se do grande acontecimento no rio Jordão, e seu coração se inundaria de alegria
e louvor. Cf. Êx 20.24 e I Rs 18.38.

5.18

Nisto perdoe o Senhor a teu servo. Naamã teria de enfrentar uma certa dificuldade
espiritual. Ele mesmo adoraria somente a Yahweh, mas como alto oficial do estado
sírio, teria de fazer-se presente quando seu rei e a casa de Rimom oferecessem ritos e
sacrifícios pagãos aos deuses adorados em sua terra. Sua vida e seus rendimentos
dependeriam de tal cooperação, embora seu coração se revoltasse diante disso. E assim,
Naamã pediu que Eliseu perdoasse a sua presença em um templo idólatra, quando o
culto religioso oficial de seu país assim o exigisse. A divindade principal da Síria era
Hadade-Rimom, cujo nome é aqui abreviado simplesmente para Rimom. Ele era o deus
da chuva e da agricultura e, naturalmente, um dos deuses do lugar, embora
evidentemente fosse a divindade mais importante para muitos sírios. Rimom era um
ramo da adoração a Baal.
Encurvar-se na casa de Rimom tornou-se uma expressão proverbial que fala de
compromissos perigosos e desonestos com o mal.

Alguns intérpretes põem os verbos deste versículo no passado, como se Naamã


estivesse pedindo perdão por sua idolatria passada, e não pela participa-ção antecipada
no futuro. Mas quase certamente Naamã pediu perdão por atos futuros que ele não
poderia evitar. Fisicamente ele estaria em templo pagão, mas em seu coração estaria
longe dali.

"No curso de seus deveres, ocasionalmente Naamã teria de prestar respeito ao deus de
seu senhor, o rei da Síria" (Thomas L. Constable, in loc).

5.19

Vai em paz. Eliseu compreendeu a dificuldade e situação impossível de Naamã e deu a


sua bênção. Foi em reconhecimento disso que Eliseu se despediu dele com essas três
palavras. A gentil compreensão de Eliseu sobre a questão, e sua bênção, permitiram que
Naamã se fosse em paz.

Indulgências? Os versículos 18 e 19 deste capítulo foram envolvidos na controvérsia


medieval sobre as indulgências. Podem pecados futuros ser perdoados ou
negligenci-ados, diante de alguma espécie de provisão eclesiástica? Mas o uso desses
dois versículos na controvérsia é anacrônico, para dizer o mínimo, e, quanto à
realida-de, um absurdo óbvio.

Certa distância. Um espaço não identificado, talvez um ou dois quilômetros. Quando


Naamã ainda não ia longe, o moço ganancioso de Eliseu, Geazi, quis ir atrás do dinheiro
que seu senhor havia recusado receber!

NAAMÃ No hebraico, «deleite».

Há dois homens com esse nome, na Bíblia: 1. O segundo filho de Bela, filho de
Benjamim (Gên. 46:21). Naamã foi o cabeça da família dos naamitas (ver Núm. 26:40).
Ao que parece, ele foi exilado por Bela, seu pai (ver I Crô. 7:7), ou, então, nessa
passagem, o seu nome aparece como Uzi. Ele deve ter vivido em torno de 1876 A.C. 2.
Naamã, o Sírio: a. O Nome. Como já vimos, no hebraico esse nome significa «deleite».
Esse nome é confirmado como nome próprio nos textos administrativos ao RasShamra,
e tambem como epíteto de personagens reais, como Krt, ‘Aght e Adonis. Em II Reis 5:1
ss, essa palavra aparece como um nome próprio pessoal. Na Septuaginta, encontramos
as formas Naiman e Neeman. b. Comandante do Exército Sírio. Naamã comandava o
exército sírio, em Damasco, nos tempos de Jorão, rei de Israel. Naamã foi homem
habilidoso e corajoso, que merecia a posição que ocupara. — O trecho de II Reis 5:1 diz
que ele era «...grande homem... herói da guerra, porém leproso». Isso posto, ele
tipificava os homens em geral. Nos homens sempre haverá aquele porém, algo que lhes
enfeia o caráter, que lhes macula a descrição. Era um adversário confesso do povo de
Israel (ver I Reis 20). Antes de sua conversão ao Senhor, o rei dos arameus,
provavelmente Ben-Hadade II (de acordo com Josefo, Anti. 18.15,5), deu crédito a
Naamã pelas muitas vitórias dos sírios, dependendo do seu gênio militar (5,1). Naamã
era servo (alto oficial) do rei da Síria.

c. Intervenção Divina.

Não há que duvidar que a lepra em muito humilhavaNaamã e lhe servia de empecilho,
apesar de suas outras qualidades. A esposa de Naamã recebeu como criada uma pequena
menina israelita. Essa menina anunciou que em Israel havia um profeta que seria capaz
de curar a lepra do general sírio (ver II Reis 5:3,4). O rei sírio interessou-se pelo caso, e
enviou um apelo, dirigido ao rei de Israel, por meio de uma carta (ver II Reis 5:5).

Mas o rei de Israel, longe de sentir-se lisonjeado, desconfiou que Ben-Hadade estava
querendo achar uma desculpa tola para atacá-lo, e comentou: «Acaso sou Deus, com
poder de tirar a vida, ou dá-la, para que este envie a mim um homem para eu curá-lo de
sua lepra?» (vs. 7). Mas o profeta Eliseu ouviu falar no incidente, e sugeriu que Naãma
lhe fosse enviado, porque ele se dispunha a ser o agente humano daquela cura divina.
Naamã havia solicitado a interferência do rei da Síria, provavelmente por pensar que a
sua presença no território de Israel haveria de causar dificuldades, a menos que lhe fosse
permitido o ingresso em Israel, devido a uma razão específica. Não é provável, contudo,
que Naamã tivesse pensado que o rei de Israel pudesse fazer por ele alguma coisa. Seja
como for, a questão chegou ao conhecimento do homem certo, Eliseu. Todo esse relato
mostra-nos como a providência de Deus pode operar das maneiras mais surpreendentes.
A menina israelita escravizada foi o primeiro elo dentro dessa cadeia de acontecimentos
providenciais. d. Uma Tola Pompa. Naamã estava doente e precisava de ajuda. Porém,
chegou diante da casa de Eliseu com toda a pompa inútil que sua importância social lhe
permitia (vs. 9). Chegou mesmo a esperar que Eliseu viesse vê-lo a fim de prestar-lhe as
devidas honrarias, pois, para Naamã, parecia que Eliseu lhe era socialmente inferior,
apesar do fato de que ele tinha a reputação de ser grande profeta.

Ver o vs. 4. Em seguida, recusou-se a obedecer às instruções simples que Eliseu lhe
havia mandado, ou seja, mergulhar por sete vezes nas lamacentas águas do rio Jordão.
Todos sabiam que na Síria havia rios mais limpos e mais bonitos, nos quais Naamã
poderia lavar-se. Mas é que aqui é dada uma outra lição ao mundo: quando Deus
intervém, é ele quem dita as regras. O primeiro passo da sabedoria consiste na
obediência. e. Yahweh estava usando Naamã, além de ajudá-lo, mas não exatamente
conforme o general sírio havia antecipado. O plano de Deus nem sempre é claro para
nós, e nem é lógico, segundo o nosso ponto de vista, no entanto, mostra-se sempre
eficaz. Uma de nossas mais preciosas doutrinas é a da providência de Deus como nosso
Pai. E equivocamo-nos quando pensamos que essa providência só opera em prol
daqueles a quem consideramos «justos». Deus sempre pensa maior do que os homens.
f. Os Servos Fazem a Parte que Lhes Cabe.

Os servos de Naamã salientaram que Eliseu não determinara nenhuma coisa difícil. De
fato, se o tivesse feito, Naamã estaria ansioso para provar o seu valor. Naamã afastara-
se, aborrecido, diante de uma tarefa simples, que visava ao seu próprio bem-estar.
Somente a intervenção de seus humildes servos impediu que ele desse vazão à sua ira e
deixasse de atender a tão simples recomendação. Esse aspecto do incidente (vss. 13 ss)
mostra-nos como a arrogância do homem lhe é prejudicial. A verdade é que uma das
principais características do ser humano é a arrogância, que se apega a ele como uma
praga.

g. O Grande Milagre.

Naamã mergulhou nas barrentas águas do Jordão por nada menos que sete vezes. Ao
sair da água pela sexta vez, continuava leproso. Temos nisso uma lição sobre a
necessidade de completa obediência. Porém, ao sair das águas do Jordão pela sétima
vez, «...sua carne se tornou como a carne duma criança, e ficou limpo» (vs. 14). Ali
estava a manifestação do poder de Deus, de cuja conclusão ninguém seria capaz de
escapar. Ver o artigo sobre os Milagres. Até os nossos próprios dias, os homens de
ciência tentam encontrar a cura para a lepra; e parece que um grande avanço, nessa
direção, está prestes a ser conseguido. Talvez os homens, com seus medicamentos,
consigam fazer o que a simples palavra de Deus sempre foi capaz de fazer, com maior
eficiência. Há coisas que simplesmente não podemos fazer contando com nossos
próprios recursos. E, então, é quando precisamos da intervenção divina. h. Um Naamã
Transformado. Ninguém poderia ser curado conforme Naamã o foi, e não sair dali uma
pessoa diferente. Naamã prontamente confessou que Yahweh é o único verdadeiro
Deus. E pediu que lhe fosse dada a carga de terra, do selo de Israel, que dois mulos
pudessem transportar, para que a levasse consigo, quiçá para que pudesse adorar
Yahweh diante de um «altar de terra». (Êxo. 20:24). Naamã sabia que seu senher (o rei
da Síria) havia de continuar com seu culto pagão (vs. 18), e que ete (Naamã), teria de
acompanhar o rei; mas seu coração não esta-ia dedicado a tal culto. E pediu que Eliseu o
perdoasse por esse pecadilho. E Eliseu disse-lhe que se fosse em paz, o que talvez
indique uma certa liberalidade de sua parte, deixando com o próprio Naamã a solução
para seu problema de consciência. É que existem coisas que não estão sujeitas ao nosso
controle pessoal.

i. O Oportunista e Cobiçoso Geazi.

Ver o artigo sebreGeazi. Naamã ofereceu riquíssimos presentes a Eliseu, embora este
nada tivesse cobrado por seus serviços. Mas quando Naamã já ia a certa distância,
Geazi, que fora testemunha da falta de interesse pelo dinheiro, da parte de Eliseu, não
conseguiu resistir e saiu atrás do general sírio. E disse uma inverdade a Naamã,
afirmando que Eliseu mudara de parecer, precisando agora de algum dinheiro e de boas
vestes. Como já seria de esperar, imediatamente Naamã entregou a Geazi o que este lhe
solicitou. E assim pelo menos temporariamente, Geazi tornou-se um homem rico. Mas,
ao voltar, Eliseu perguntou-lhe onde estivera. E a resposta de Geazi foi outra estúpida
mentira, para encobrir um estúpido erro: «Teu servo não foi a parte alguma» (vs. 25).
Como castigo, a lepra de Naamã apareceu subitamente no corpo de Geazi; e o profeta
disse que os seus descendentes também seriam afligidos por essa afecção cutânea.
Destarte, a punição de Geazi foi tão severa quanto o milagre fora extraordinário. Talvez
a misericórdia de Deus tenha intervindo em favor de Geazi em algum ponto do futuro,
pois a misericórdia e o amor de Deus ainda são mais poderosos do que a profecia.

j. Naamã é Mencionado por Jesus.

No trecho de Luc. 4:27, o Senhor Jesus aludiu à cura de Naamã como um exemplo da
graciosidade de Deus em favor dos homens, uma graça não limitada ao povo de Israel.
Isso antecipou a universalidade da missão cristã e 0 raiar de um novo dia para a
humanidade.

Naamã

[duma raiz que significa “ser agradável”].

1. Neto de Benjamim através de seu primogênito, Bela. (1Cr 8:1-4, 7) Tendo fundado
uma família, os naamitas na tribo de Benjamim (Núm 26:40), o próprio Naamã é
alistado em outro lugar como um dos “filhos” de Benjamim. — Gên 46:21.

2. Um chefe do exército sírio do décimo século AEC, durante os reinados de Jeorão, de


Israel, e de Ben-Hadade II, da Síria. Naamã, ‘grande homem, valente, poderoso e
estimado’, foi aquele por meio de quem “Jeová dera salvação à Síria”. (2Rs 5:1) A
Bíblia não fornece pormenores sobre como e por que Naamã foi usado para dar esta
salvação à Síria. Uma possibilidade é que Naamã chefiou as forças sírias que com bom
êxito resistiram aos esforços do rei assírio Salmaneser III de tomar a Síria. Visto que a
Síria, por permanecer livre, constituía um estado-tampão entre Israel e a Assíria, isto
talvez servisse ao objetivo de retardar o avanço agressivo da Assíria no O até que
chegasse o tempo devido de Jeová para permitir que o reino setentrional fosse ao exílio.

Curado da Lepra. Naamã era leproso, e embora os sírios não exigissem seu isolamento,
como a lei de Jeová exigia dos leprosos em Israel, mesmo assim, saber que podia ser
curado desta repugnante doença era deveras boas novas. Obteve estas novas por meio da
escrava israelita da sua esposa, moça que lhe falou sobre um profeta em Samaria, que
podia curar a lepra. Naamã partiu imediatamente para Samaria, com uma carta de
apresentação de Ben-Hadade II. No entanto, o rei israelita Jeorão, depois de recebê-lo
com frieza e suspeita, enviou-o a Eliseu. Eliseu não se encontrou pessoalmente com
Naamã, mas, em vez disso, mandou que seu servo dissesse a Naamã que se banhasse
sete vezes no rio Jordão. Com orgulho ferido, e evidentemente achando que, sem
cerimônia e futilmente, tinha sido mandado de um lugar para outro, Naamã virou-se
enfurecido para ir embora. Se os seus ajudantes não tivessem raciocinado com ele e
indicado a razoabilidade das instruções recebidas, Naamã teria voltado ainda leproso ao
seu país. Acontece que ele se banhou sete vezes no Jordão e ficou milagrosamente
limpo, o único leproso que Eliseu foi usado para curar. — 2Rs 5:1-14; Lu 4:27.

Torna-se Adorador de Jeová. Então, cheio de gratidão e humilde apreço, o chefe do


exército sírio retornou a Eliseu, a uma distância de talvez 50 km, e ofereceu-lhe um
presente bem generoso, que o profeta insistentemente recusou. Naamã pediu então um
pouco de terra de Israel, “a carga de um par de mulos”, para levar para casa, a fim de
que pudesse oferecer sacrifícios a Jeová sobre solo de Israel, votando que daí em diante
não adoraria outro deus. Naamã talvez pensasse em oferecer sacrifícios a Jeová sobre
um altar de terra. — 2Rs 5:15-17; compare isso com Êx 20:24, 25.

A seguir, Naamã solicitou que Jeová o perdoasse quando ele, na execução de seus
deveres civis, se curvasse perante o deus Rimom, junto com o rei, o qual evidentemente
era idoso e doentio, e se apoiava em Naamã. Neste caso, curvar-se ele seria apenas
mecânico, tendo por único objetivo cumprir com o dever de dar apoio físico ao rei, e
não em adoração pessoal. Eliseu acreditou no sincero pedido de Naamã, respondendo:
“Vai em paz.” — 2Rs 5:18, 19.

Depois de partir, Naamã foi alcançado pelo cobiçoso servo de Eliseu, Geazi, o qual,
mentindo, fez parecer que Eliseu mudara de idéia, e, afinal aceitaria uns presentes.
Naamã, de bom grado, deu-lhe presentes de prata e de roupa. Mas, Jeová puniu Geazi
por este ato ganancioso e mentiroso, com o qual tentara lucrar com a operação do
espírito de Jeová, abusando do cargo de ajudante de Eliseu, infligindo a lepra a ele e aos
seus descendentes por tempo indefinido. — 2Rs 5:20-27.

UMA GRANDE MISÉRIA DIANTE DO GRANDE DEUS - MC 1:40-45

Em primeiro lugar, a miséria extrema a que o homem pode chegar. Esse texto pinta com
cores vivas a dolorosa situação a que um ser humano pode chegar. Certo homem na
Galiléia começou a ter sintomas estranhos no seu corpo. Um dia, verificou que sua pele
estava ficando escamosa e cheia de manchas. Sua esposa, assustada, recomendou-o a ir
ao sacerdote. Ele foi, e recebeu o sombrio diagnóstico: “Você está com lepra, está
impuro, imundo”. Aquele homem voltou cabisbaixo, vestiu-se de trapo e sem poder
abraçar sua família, retirou-se para uma caverna ou uma colônia de leprosos, fora da
cidade.

Os anos se passaram, sua doença agravou-se. Agora, desenganado, coberto de lepra,


corpo deformado, aguarda num total ostracismo social a chegada da morte. Até que um
dia fica sabendo que Jesus de Nazaré estava passando pela Galiléia. A esperança
reacendeu no seu coração. Ele rompeu o bloqueio da aldeia, esgueirou-se pelas ruas e
prostrou-se aos pés de Jesus.

Em segundo lugar, a compaixão infinita do Filho de Deus. A atitude natural de qualquer


judeu seria escorraçar aquele leproso e atirar pedras nele. O leproso estava infringindo a
lei, pois era impuro e não podia sair do seu isolamento. Mas Jesus sente compaixão por
aquele homem chagado, toca-o, cura-o e devolve-o à sua família, restaurando-lhe a
dignidade da vida.

Esse incidente é um exemplo solene da sombria condição humana afetada pela doença
mortal do pecado. Também é um retrato da compaixão e do poder absoluto de Jesus,
para curar e salvar.

Uma grande necessidade


Enquanto Jesus percorria as cidades da Galiléia pregando o evangelho, apareceu um
homem leproso. O evangelista Lucas, que era médico, usando uma linguagem mais
precisa, diz que ele estava coberto de lepra (Lc 5.12). O mal já estava em estado
avançado.
A palavra lepra vem de lepros do verbo lepein que significa descascar. Um leproso é
alguém com a pele descascando. Naquela época, a lepra abrangia alergias de pele em
geral, das quais os rabinos tinham relacionado 72, tanto de curáveis quanto
incuráveis.190 A palavra grega para lepra era usada para uma variedade de doenças
similares; algumas delas eram contagiosas, degenerativas e mortais.191 A lepra descrita
no texto em apreço era deste tipo: uma doença insidiosa, repulsiva, lenta, progressiva,
grave e incurável. Ela transformava o enfermo numa carcaça repulsiva. O leproso era
considerado um morto-vivo. A cura da lepra era considerada como uma
ressurreição.192 Só Deus podia curar um leproso (2Rs 5.7).
A lepra era a pior enfermidade do mundo: a mais temida, a mais sofrida, a de
conseqüências mais graves. O filme Ben-Hur retrata esse drama, quando Messala envia
para a prisão a mãe e a irmã de Ben-Hur e elas ficam leprosas e são levadas para uma
colônia de leprosos já com os corpos desfigurados pela doença contagiosa.
A lepra era um símbolo da ira de Deus contra o pecado. Os rabinos consideravam a
lepra um castigo de Deus.193 Ela foi infligida por Deus para punir rebelião (Miriã),
mentira (Geazi) e orgulho (Uzias).
A lepra era um símbolo do pecado194 e como tal, possui várias características:
Em primeiro lugar, a lepra é mais profunda que a pele (Lv 13.3). A lepra não era apenas
uma doença dermatológica. Ela não ataca meramente a pele, mas, também, o sangue, a
carne e os ossos, até o paciente começar a perder as extremidades do corpo.195
Semelhantemente, o pecado não é algo superficial. Ele procede do coração e contamina
todo o corpo. O homem está em estado de depravação total, ou seja, todos os seus
sentidos e faculdades foram afetados pelo pecado. O pecado atinge a mente, o coração e
a vontade.196 Ele atinge os pensamentos, as palavras, os desejos, a consciência e a
alma.
Em segundo lugar, a lepra separa. Larry Richards diz que o impacto social da lepra era
ainda maior do que seus problemas físicos. Além do sofrimento infligido por tal doença,
a pessoa deveria ficar isolada da comunidade.197 A lepra afligia física e moralmente,
pois os leprosos tinham de enfrentar a separação de
seus queridos e o isolamento da sociedade.198 O leproso precisava ser isolado,
separado da família e da comunidade. Ele não poderia freqüentar o templo nem a
sinagoga. Precisava viver numa caverna ou numa colônia de leprosos. Todo contato
humano era proibido.
A lei de Moisés proibia terminantemente a um leproso se aproximar de qualquer pessoa
e quando alguém se aproximava, precisava gritar: Imundo! Imundo!, a fim de que
nenhuma pessoa dele se aproximasse. A lei de Moisés diz: “As vestes do leproso, em
quem está a praga, serão rasgadas, e os seus cabelos serão desgrenhados; cobrirá o
bigode e clamará: Imundo, Imundo!” (Lv 13.45).
Assim é o pecado. Ele separa o homem de Deus (Is 59.2), do próximo (ódio, mágoas e
ressentimentos) e de si mesmo (complexos, culpa e achatada auto-estima).
Em terceiro lugar, a lepra insensibiliza. William Barclay fala de dois tipos de lepra que
havia no período do Novo Testamento: Primeiro, a lepra nodular ou tubercular. Este
tipo de lepra começa com dores nas juntas e com nódulos avermelhados e escuros na
pele. A pele torna-se rugosa e as cartilagens começam a necrosar. Os pés e as mãos
ficam ulcerados e o corpo deformado. Segundo, a lepra anestésica. Esse tipo de lepra
afetava as extremidades nervosas. A área afetada perdia completamente a sensibilidade.
O paciente só descobria que estava doente quando sofria uma queimadura e não sentia
dores. Com o avanço da doença, as cartilagens iam sendo necrosadas e o paciente perdia
os dedos das mãos e dos pés.199 A lepra atinge as células nervosas e deixa o doente
insensível.
De forma semelhante, o pecado anestesia e calcifica o coração, cauteriza a consciência e
mortifica a alma. Como a lepra, o pecado é progressivo. Um abismo chama outro
abismo. É como um sapo num caldeirão de água. Levado ao fogo, o sapo vai se
adaptando à temperatura da água e acaba morrendo queimado.
Em quarto lugar, a lepra deixa marcas. A lepra degenera, deforma, deixa terríveis
marcas e cicatrizes. Quando a lepra atinge seu último estágio, o doente começa a perder
os dedos, o nariz, os lábios, as orelhas. A lepra atinge os olhos, os ouvidos e os sentidos.
O pecado também deixa marcas no corpo (doenças), na alma (culpa, medo), na família
(divórcio, violência). David Wilkerson, trabalhando com jovens drogados na cidade de
Nova Iorque, fala de jovens que sob o efeito avassalador das drogas, arrancavam as
unhas e os próprios olhos, mutilando-se.
Em quinto lugar, a lepra contamina. A lepra é contagiosa, ela se espalha. O leproso
precisava ser isolado, do contrário ele transmitiria a doença para outras pessoas.
O pecado também é contagioso. Um pouco de fermento leveda toda a massa (1Co 5.6).
Uma maçã podre num cesto apodrece as outras. Davi nos ensina a não andarmos no
conselho dos ímpios, a não nos determos no caminho dos pecadores nem nos
assentarmos na roda dos escarnecedores (Sl 1.1). O pecado é como o Rio Amazonas; até
uma criança pode brincar na cabeceira desse rio. Contudo, na medida em que avança
para o mar, novos afluentes vão se juntando a ele e então, transforma-se no maior rio do
mundo em volume de água. Nenhum nadador, por mais audacioso, se aventuraria a
enfrentá-lo. O pecado é como uma jibóia que o domador domesticou. Um dia essa
serpente venenosa vai esmagar os seus ossos. A Bíblia diz que quem zomba do pecado é
louco. O pecador será um dia apanhado pelas próprias cordas do seu pecado.
Em sexto lugar, a lepra deixa a pessoa impura. A lepra era uma doença física e social.
Ela deixava o doente impuro. O leproso era banido do lar, da cidade, do templo, da
sinagoga, do culto. Ele deveria carregar um sino no pescoço e gritar sempre que alguém
se aproximasse: Imundo! Imundo!200 Os dez leprosos curados por Jesus gritaram de
longe, pedindo ajuda (Lc 17.13). Eles não ousaram se aproximar dele.
O pecado também deixa o homem impuro. A nossa justiça aos olhos de Deus não passa
de trapos de imundícia (Is 64.6). Nós somos como o imundo.
Em sétimo lugar, a lepra mata. A lepra era uma doença que ia deformando e destruindo
as pessoas aos poucos. Elas iam perdendo os membros do corpo, ficando chagadas,
malcheirosas e acabavam morrendo na total solidão. Um leproso era como um morto-
vivo.
O pecado mata. O salário do pecado é a morte (Rm 6.23). O pecado é o pior de todos os
males. Ele é pior que a lepra. A lepra só atinge alguns, o pecado atingiu a todos; a lepra
só destrói o corpo, o pecado destrói o corpo e a alma; a lepra não pode separar o homem
de Deus, mas o pecado o separa de Deus no tempo e na eternidade.
Um grande desejo
O leproso demonstra quatro atitudes:
Em primeiro lugar, o leproso demonstrou grande determinação (1.40). Ele venceu o
medo, o autodesprezo, os complexos e o repúdio das pessoas. Ele venceu os embargos
da lei e saiu do leprosário, da caverna da morte. Ele venceu a revolta, a dor, a mágoa, a
solidão, a frustração e a desesperança. Adolf Pohl faz o seguinte comentário:
Do versículo 45 entende-se que o miserável leproso forçou a passagem até Jesus no
meio de um povoado. Ele simplesmente rompeu a zona de proteção que os sadios se
cercaram. Quando ele surgiu, para horror dos circundantes, num piscar de olhos os
lugares ficaram vazios. Só Jesus não fugiu. Jesus o deixou aproximar-se. Até aqui se
falou que Jesus “veio” (v. 7,9,14,21,24,29,35,38); agora alguém vem a Ele (v. 10,45),
demonstrando que entendeu a vinda dele.201
O leproso aproximou-se de Jesus e levou sua causa perdida a Ele. Ele se aproximou
tanto de Jesus a ponto do Senhor poder tocá-lo. Isso é digno de nota porque a lei
ordenava: “[...]habitará só; a sua habitação será fora do arraial” (Lv 13.46). Esse leproso
não se escondeu, mas correu na direção de Jesus. Não corra de Deus, corra para Ele.
Não fuja de Jesus, prostre-se aos seus pés. Ele convida:
“Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei” (Mt 11.28).
Ele furou o bloqueio, transcendeu, fez o que não era comum fazer. Ele contrariou os
clichês sociais e quebrou paradigmas. Dispôs-se a enfrentar o desprezo, a gritaria ou
mesmo as pedradas da multidão.
Ele rompeu com a decretação do fracasso imposto à sua vida. Ele estava fadado à morte,
ao abandono, ao opróbrio, à caverna, ao leprosário. Contudo, ele se levantou e foi ao
Salvador. Ele esperou contra a esperança e não desanimou.
Em segundo lugar, o leproso demonstrou profunda humildade (1.40). Ele se ajoelhou
(1.40), prostrou-se com o rosto em terra (Lc 5.12) e adorou o Senhor (Mt 8.2). Ele
reconheceu a majestade e o poder de Jesus e o chamou de Senhor. Ele demonstrou que
tinha necessidade não apenas de cura, mas do próprio Senhor. Adorar ao Senhor é
maravilhar-se com quem Ele é mais do que com o que Ele faz. Adoramos a Deus pelas
suas virtudes e damos graças pelos seus feitos.
Em terceiro lugar, o leproso demonstrou genuína fé (1.40). Ele se aproximou de Jesus
não com dúvidas, mas cheio de convicção. Ele sabia que Jesus podia todas as coisas.
Ele sabia que para Jesus não havia impossíveis. Ele creu e confessou: “Se quiseres,
podes purificar-me” (1.40). A fé vê o invisível, toca o intangível e torna possível o
impossível. Pela fé pisamos o terreno dos milagres. Pela fé vivemos sobrenaturalmente.
Pela fé podemos ver a glória de Deus.
Corrie Ten Boon, passando pelas agruras indescritíveis de um campo de concentração
nazista, dizia: “Não há abismo tão profundo que a graça de Deus não seja mais
profunda”. O limite do homem não esgota as possibilidades de Deus. O deserto, onde
Ismael desfalecia na ante-sala da morte, tornou-se a porta da sua oportunidade. Deus
transforma o vale da ameaça em porta da esperança.
Em quarto lugar, o leproso demonstrou plena submissão (1.40). O leproso não exige
nada, mas suplica com fervor. Ele não decreta, roga. Ele não reivindica direitos, mas
clama por misericórdia. Ele não impõe seu querer, mas demonstrou plena submissão à
vontade soberana de Jesus.
O próprio Jesus praticou esse princípio no Getsêmani. A vontade de Deus é sempre boa,
perfeita e agradável. É a vontade dele que deve ser feita na terra e não a nossa no céu.

Um grande milagre
Quatro atitudes de Jesus são aqui destacadas nesse milagre:
Em primeiro lugar, uma compaixão profunda (1.41). Marcos nos leva até o coração de
Jesus e revela o que o levou a agir. “Jesus, profundamente compadecido, estendeu a
mão, tocou-o, e disse-lhe: Quero, fica limpo!” (1.41). Literalmente, a tradução seria:
“tocado em suas entranhas ou em seu íntimo” diz William Hendriksen.202
Jesus é a disposição poderosa de Deus para ajudar. Em Jesus, Deus fez uma ponte entre
Ele e os excluídos.203 Jesus sentiu compaixão pelo leproso em vez de pegar em pedras
para o expulsar da sua presença. Jesus sentiu profundo amor por esse pária da sociedade
em vez de sentir náuseas dele. Todos tinham medo dele e fugiam dele com náuseas, mas
Jesus compadeceu-se dele e o tocou.
O real valor de uma pessoa está em seu interior e não em sua aparência. Embora o corpo
de uma pessoa possa estar deformado pela enfermidade, o seu valor é o mesmo diante
de Deus. William Hendriksen diz que Jesus não considerava ninguém indigno, quer
leproso, ou cego, surdo ou paralítico. Ele veio ao mundo para ajudar, curar e salvar.204
John Charles Ryle diz que as pessoas não estão perdidas porque elas são muito más para
serem salvas, mas estão perdidas porque não querem vir a Cristo para serem salvas.205

Mesmo que todos o rejeitem, Jesus se compadece. Ele sabe o seu nome, seu problema,
sua dor, suas angústias, seus medos. Ele não o escorraça.
Em segundo lugar, um toque generoso (1.41). O toque de Jesus quebrou o sistema
judaico em um lugar decisivo, porque o puro não ficou impuro; entretanto, o puro
purificou o impuro.206 Segundo a lei, quem tocasse em um leproso ficava impuro, mas
em vez de Jesus ficar impuro ao tocar o leproso, foi o leproso quem ficou limpo. A
imundícia do leproso não pôde contaminar a Jesus, mas a virtude curadora de Jesus
removeu todo o mal do leproso.207
J. Vernon McGee diz que há um lado psicológico tremendo nesse milagre, pois
ninguém toca um leproso.208 Fazia muitos anos que ninguém tocava naquele leproso.
Quando dava um passo para a frente, os outros davam um passo para trás. Aquele
homem não sabia mais o que era um abraço, um toque no ombro, um aperto de mão.
Jesus poderia curá-lo sem o tocar. Mas Jesus viu que aquele homem tinha não apenas
uma enfermidade física, mas também uma profunda carência emocional. Jesus tocou a
lepra. Mostrou sua autoridade sobre a lei e sobre a enfermidade. Jesus curou as suas
emoções, antes de curar a sua enfermidade. O toque de Jesus curou a sua alma, a sua
psiquê, a sua auto-estima, a sua imagem destruída.
Os Evangelhos falam do toque curador das mãos de Cristo. Algumas vezes era o doente
quem tocava em Jesus. Isso não era nenhuma mágica. O poder de curar não se originava
em seus dedos ou vestimentas. Ele vinha direto da sua poderosa vontade e do seu
coração compassivo.209
Jesus pode tocar você também. Basta um toque de Jesus e você ficará curado, liberto,
purificado. Ele não se afasta de nós por causa das nossas mazelas.
Em terceiro lugar, uma palavra extraordinária (1.41,42). Jesus atendeu prontamente ao
clamor do leproso: “Se quiseres, podes purificar-me”. Ele respondeu: “Quero, fica
limpo! No mesmo instante, desapareceu a lepra, e ficou limpo” (1.41,42). O toque e a
palavra trouxeram cura. William Hendriksen diz que a introdução condicional do
leproso: “Se quiseres”, é suplantada pela esplêndida prontidão do Mestre: “Eu quero”.
Aqui a vontade junta-se ao poder, e a subtração do “se”, com a adição do “fica limpo”,
transformam uma condição horrível de doença numa situação de saúde estável.210
A cura foi completa e instantânea. O milagre de Jesus foi público, imediato e completo.
O sacerdote poderia declará-lo limpo (1.44), mas só Jesus poderia torná-lo limpo.
Hoje, há muitos milagres sendo divulgados que não resistem a uma meticulosa
investigação. Mas quando Jesus cura, a restauração plena é imediata e pública. Não há
embuste nem propaganda enganosa.
Em quarto lugar, um testemunho necessário (1.44). Jesus disse ao homem: “[...]vai,
mostra-te ao sacerdote e oferece pela tua purificação o que Moisés determinou, para
servir de testemunho ao povo” (1.44). O sacerdote era a autoridade religiosa e sanitária
que fornecia o atestado de saúde e pronunciava a purificação (Lv 14.1-32). Ele deveria
dar o atestado de reintegração daquele homem na sociedade. O sacerdote deveria atestar
a legitimidade do milagre. O verdadeiro milagre é verificável. Como já foi dito, o
sacerdote poderia declará-lo limpo, mas só Jesus poderia torná-lo limpo.211
Ele deveria ir ao sacerdote para dar testemunho ao povo. Precisamos anunciar o que
Deus fez por nós. O testemunho desse milagre poderia gerar fé no coração dos líderes
religiosos de Israel. Isso era um testemunho para eles. Contudo, no caso de persistente
incredulidade, esse milagre seria um testemunho contra eles.
Uma grande advertência (Mc 1.44,45)
O propósito de Jesus ao percorrer as cidades da Galiléia era pregar o evangelho (1.38,
39). Jesus estava fugindo da busca infrene da multidão de Cafarnaum por milagres
(1.35-37). No entanto, agora, por compaixão, cura um homem coberto de lepra, mas faz
uma advertência. Vejamos três fatos dignos de observação:
Em primeiro lugar, uma ordem expressa. Jesus lhe disse: “Olha, não digas nada a
ninguém...” (1.44). Por que Jesus deu essa ordem? Por duas razões:
Primeiro, porque sua campanha na Galiléia era evangelística e não uma cruzada de
milagres. Jesus estava percorrendo as cidades da Galiléia com o propósito de pregar o
evangelho. Ele acabara de fugir da multidão de Cafarnaum que o buscava para receber
milagres. Jesus não quer ser conhecido apenas como um operador de milagres. Ele veio
para buscar o perdido, para remir os homens de seus pecados e não apenas para curar
suas enfermidades. Jesus, doutra feita, denunciou esse interesse apenas temporal e
terreno das pessoas que o buscavam: “Em verdade, em verdade vos digo que me
buscais, não porque vistes sinais, mas porque comestes do pão e vos saciastes” (Jo
6.26). Jesus queria ser conhecido como um portador de boas-novas e não como um
realizador de milagres.212 O diabo sempre quis distrair Jesus da sua missão, fazendo-o
escolher o caminho da fama em vez do caminho da cruz. Muitas vezes, o diabo
escondeu-se atrás da multidão ávida por milagres.213
Segundo, porque não queria despertar precocemente a oposição dos líderes judeus. Os
líderes judeus tinham inveja de Jesus. O Senhor sabia que eles estavam se levantando
contra Ele e não queria apressar essa oposição. Jesus não queria provocar uma crise
prematura, diz William Hendriksen.214
Em segundo lugar, uma desobediência flagrante. O homem curado não conteve sua
alegria e entusiasmo. Diz o texto: “Mas, tendo ele saído, entrou a propalar muitas
cousas e a divulgar a notícia...” (1.45). O verbo grego está no tempo presente,
evidenciando que o homem estava propalando e divulgando continuamente acerca da
sua cura.215 Certamente ele tinha motivos para abrir a sua boca e falar das maravilhas
que Jesus havia feito nele e por ele. Contudo, isso não lhe dava o direito de desobedecer
a uma ordem expressa do Senhor que o libertara do cativeiro da morte.
Jesus mandou aquele homem ficar calado e ele falou. Hoje, Jesus nos manda falar e nós
rebeldemente nos calamos.216 A desobediência desse leproso purificado não é tão
condenável quanto a nossa desobediência atualmente. Somos ordenados a falar as boas-
novas do evangelho a todos e não falamos a ninguém.217
Em terceiro lugar, uma conseqüência desastrosa. A desobediência sempre produz
resultados negativos. Diz o evangelista Marcos: “Mas, tendo ele saído, entrou a propalar
muitas coisas e a divulgar a notícia, a ponto de não mais poder Jesus entrar
publicamente em qualquer cidade, mas permanecia fora, em lugares ermos; e de toda
parte vinham ter com ele” (1.45).
O entusiasmo daquele homem foi um estorvo na campanha evangelística de Jesus. Era
uma espécie de zelo sem entendimento. A apresentação de Jesus nas sinagogas da
província foi interrompida. O Senhor não alimentou a curiosidade da multidão que o
buscava apenas para ver ou receber os seus milagres, por isso permaneceu fora das
cidades em lugares afastados.
Concluindo, podemos afirmar que Jesus curou o leproso física, emocional, social e
espiritualmente. Aquele homem recobrou sua saúde e sua dignidade. Ele foi reintegrado
à sua família, à sinagoga e ao convívio social. Ele deixou de ser impuro e tornou-se
aceito.
Jesus ainda hoje continua curando os enfermos, limpando os impuros, restaurando a
dignidade daqueles que estão com a esperança morta. Venha hoje mesmo a Jesus.
Coloque a sua causa aos seus pés. Ela pode estar perdida para os homens, mas Jesus é o
Senhor das causas perdidas. Ele pode restaurar, sua vida, seu casamento, sua família e
fazer de você uma bênção.