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Introdução:

Tudo começou quando uma pepita de ouro foi encontrada na fazenda de Três Barras no
final de 1979 (há controvérsias sobre a data), atraindo, nos meses seguintes, mais de 30
mil pessoas. A fazenda foi invadida pelos garimpeiros e passou a ser controlada pela
ditadura militar – o líder era Sebastião Rodrigues de Moura, o major Curió, que tinha
feito “fama” perseguindo guerrilheiros no Araguaia (em 1982, o major se tornou
deputado federal e, em 1988, deu nome a Curionópolis, onde oficialmente está Serra
Pelada). Munidos de pás e picaretas, os garimpeiros desterraram o morro de 150 m de
altura, deixando no lugar uma cratera de 24 mil m2 que se transformou num lago de 200
m de profundidade com a ação das chuvas. Serra Pelada foi o maior garimpo a céu
aberto do mundo, de onde foram extraídas toneladas de ouro.

A fase áurea foi entre 1982 e 1986, quando 100 mil pessoas se acotovelavam em
Curionópolis (hoje com 18 mil habitantes). O garimpo em Serra Pelada durou até 1992,
quando o governo fechou a mina. Até o encerramento, 56 toneladas do valioso metal
foram arrancadas (incluindo aí a extração clandestina).

Amados irmãos no Senhor Jesus Cristo

Grande parte do ensino de Jesus foi transmitida por meio de parábolas. Dos quatro
evangelistas, Mateus foi o que mais registrou parábolas em seu evangelho. Somente no
capítulo 13 foram registradas sete parábolas ensinadas por Jesus.

As parábolas ensinadas por Jesus, de um modo geral, eram histórias nas quais ele fazia
uso de coisas reais e conhecidas por seus ouvintes com o propósito de ensinar-lhes uma
lição principal, especialmente a seus discípulos. Observe que no contexto de Mateus 13,
o propósito de Jesus, ao ensinar por parábolas é duplo: 1) ocultar as verdades do reino
aos de coração endurecido que não o reconheceram como o Messias e 2) revelar os
mistérios do seu reino aos que nele creram (Mt. 13.11-16). Os discípulos do Senhor
foram privilegiados, pois receberam dele a explicação e o entendimento das parábolas
(36,51).

As parábolas ensinadas por Jesus, em especial as de Mateus 13, expressam verdades


acerca do reino dos céus. O Senhor introduziu suas parábolas com a seguinte expressão:
“O reino dos céus é semelhante a…”. Na pessoa e obra de Jesus o reino dos céus se
manifestou entre os homens. Muito do seu tempo foi gasto na pregação do evangelho do
reino, na qual estavam incluídas as parábolas do reino. Cada parábola apresenta um
aspecto desse reino. Por exemplo, algumas vezes Jesus fala do reino como uma
realidade presente (ex: parábola do grão de mostarda – crescimento do reino na terra,
31,32) e outras como uma realidade futura (a parábola da rede – juízo final, 47-50).
Algumas parábolas apontam para a pessoa e a obra do rei Jesus (parábola dos lavradores
maus – oposição a Jesus e sua morte); outras expressam a atitude cristã dos súditos do
seu reino (bom samaritano – ser misericordioso, Lc.10.30-37; as parábolas do tesouro e
da pérola – Mt.13.44-46).

Neste sermão vamos atentar especialmente para as parábolas do tesouro escondido e da


pérola e descobrir o que Jesus requer de nós como súditos do seu reino. Vamos tratar
das duas num só sermão porque ambas estão relacionadas entre si e ao mesmo tempo
expressam a mesma verdade acerca do reino dos céus. Além disso, ambas as parábolas
apresentam algumas características próprias: 1- são duas parábolas curtas não seguidas
de uma explicação explícita, ao contrário das parábolas do semeador e do joio. 2- ambas
as parábolas foram dirigidas especialmente aos discípulos de Jesus e eles entenderam o
que o Senhor lhes ensinou nelas. Portanto, essas parábolas são dirigidas por Jesus à sua
igreja a fim de revelar-lhe uma verdade importante acerca do reino dos céus.

Atentemos para as parábolas do tesouro escondido e da pérola. O Senhor Jesus nos diz o
seguinte: “O reino dos céus é semelhante a um tesouro oculto no campo, o qual certo
homem tendo-o achado, escondeu”. E, transbordante de alegria, vai, vende tudo o que
tem e compra aquele campo. O reino dos céus é também semelhante a um que negocia e
procura boas pérolas; e, tendo achado uma pérola de grande valor, vende tudo o que
possui e a compra (Mt. 13.44-46). Vejamos primeiramente a explicação dessas
parábolas dentro do contexto da época. Depois vamos atentar para a aplicação do ensino
de Cristo contido nessas parábolas para nossas vidas como seus discípulos e cidadãos do
seu reino.

A explicação das parábolas do tesouro escondido e da pérola

Na parábola do tesouro escondido Jesus conta a história de certo homem que encontrou
um tesouro escondido num campo. O Senhor não diz quem foi o homem (empregado,
arrendatário) que encontrou o tesouro nem tampouco como ele o encontrou, se arando,
cavando ou plantando no campo, não sabemos. Também não sabemos qual foi o tesouro
encontrado. O que sabemos apenas é que certo homem encontrou um tesouro que estava
escondido num campo. Tal fato não era algo anormal e fora da realidade. Era uma coisa
comum tanto na época do AT (Pv. 2.4; Jr.41.8) quanto do NT esconder tesouros
debaixo da terra por causa das guerras e revoluções tão freqüentes na época. Era mais
seguro guardar um tesouro escondido no campo do que deixá-lo em casa, pois este,
estando em casa, poderia ser roubado por ladrões ou levado pelos invasores como
despojo. Acontecia, porém que, na maioria das vezes, o proprietário do tesouro morria
sem revelar a ninguém onde tinha escondido o tesouro. Assim, o tesouro escondido no
campo poderia ou não ser encontrado por alguém. O Senhor fala de algo conhecido por
seus ouvintes. Ele não está usando uma figura irreal e fantasiosa ao falar do tesouro
escondido. Mas ele está falando de algo real e conhecido e também possível de
acontecer.

Na verdade, ao longo da história, vários tesouros escondidos têm sido encontrados.


Podemos citar alguns exemplos: Certo fazendeiro inglês, por volta do século XIX
encontrou, ao arar o seu campo, um cofre contendo belos pratos de prata do tempo dos
romanos; e até aqui em Maragogi, no início do ano de 2004, foram encontradas muitas
moedas de prata de grande valor na escavação das ruas para a obra de saneamento da
cidade.

O homem que encontrou o tesouro no campo não estava à caça de tesouros escondidos.
Ele o encontrou ao acaso. E qual foi a sua reação ao achar o tesouro escondido? A
primeira coisa que ele fez foi esconder o tesouro de volta. E depois, tomado por grande
alegria por ter encontrado o tesouro, ele volta para sua casa, vende todos os seus bens e
compra aquele campo no qual o tesouro estava escondido. Agora o campo era seu junto
com o tesouro nele escondido.
Agora atentemos para a parábola da pérola de grande valor. O Senhor Jesus desta vez
conta a história de um negociante de pérolas que estava à procura das melhores. Pérolas
tinham um grande valor no primeiro século da era cristã assim como tem o diamante em
nossos dias. Elas serviam como símbolo de status e posição entre os ricos. Apenas os
ricos as possuíam. A própria Bíblia no NT fala das pérolas como objeto de grande valor
naquela época (Mt. 7.6; I Tm. 2.9; Ap.18, 11,12). Por serem valiosas, as pérolas eram
muito procuradas por seus negociantes. Estes faziam longas viagens em busca das
melhores e mais valiosas pérolas. O homem da parábola é um negociante que está em
busca das melhores pérolas. Jesus não diz para onde ele foi, mas tão somente diz que ele
encontrou em sua busca a pérola que tanto procurava, a pérola de grande valor. Uma
oportunidade única na sua vida. Ele não sossegou enquanto não a obteve. O que então
ele fez para adquiri-la? Jesus diz que aquele negociante, “tendo achado uma pérola de
grande valor, vendeu tudo o que possuía, e a comprou”. A pérola que tanto procurava
agora era sua.

Comparando ambas as parábolas, observamos um ponto de semelhança entre elas. Esse


ponto de semelhança está na atitude dos dois homens depois de terem encontrado o
tesouro e a pérola: Ambos reconheceram o imenso valor do que tinham encontrado e
com alegria não hesitaram em vender tudo que tinham para obterem o que tinham
encontrado. Observando esse detalhe da parábola de que os dois homens se desfizeram
de seus bens para possuírem o tesouro que encontraram podemos nos perguntar: “Eles
fizeram a coisa certa? Ou foi uma loucura o que eles fizeram?” Certamente que seus
parentes e conhecidos desaprovaram a atitude deles por não saberem o que eles estavam
fazendo. Mas ambos os homens sabiam muito bem o que estavam fazendo e eles
fizeram a coisa certa. Eles descobriram que aquilo que encontraram era muito mais
valioso do que tudo quanto poderiam ter. Por essa razão, eles não pensaram duas vezes,
mas com o coração resoluto e alegre e sem nenhum sentimento de perda desfizeram-se
de tudo quanto possuíam para obterem o tesouro e a pérola que encontraram. Este é o
ponto central da parábola através do qual Jesus quer nos ensinar uma verdade acerca do
seu reino.

A aplicação do ensino da parábola do tesouro e da pérola

Qual é a mensagem que Jesus quer aplicar no nosso coração com o ensino das parábolas
do tesouro escondido e da pérola? Que tipo de atitude ele exige de nós como súditos do
seu reino? Antes de atentar para a verdade central que Jesus quer aplicar no nosso
coração com estas parábolas, vejamos primeiramente o que Jesus não está nos
ensinando nelas:

Jesus não está ensinando que o crente deve comprar a sua salvação assim como os dois
homens compraram o tesouro e a pérola. Alguns pensam assim ao interpretarem estas
parábolas. Mas não devemos chegar a essa conclusão, pois a Bíblia, que não se
contradiz em lugar nenhum, nos ensina em vários textos que nossa salvação é uma
dádiva graciosa de Deus (Ef. 2.8-10; 2Tm. 1.9). O preço da nossa salvação foi o sangue
de Cristo e não algo que podemos fazer para obtê-la. Não podemos comprar o reino de
Deus. Pelo contrário, Deus é quem nos faz herdeiros e súditos do seu reino por pura
graça mediante a fé em Cristo.

Jesus também não está ensinando que o crente deve fazer um voto de pobreza ao vender
tudo quanto tem para se tornar participante do reino de Deus. Alguns pegam o detalhe
da parábola de que os dois homens se desfizeram de tudo que tinham para obterem o
que tinham encontrado e afirmam isso. Mas não é isso que Jesus está ensinando. Não é
assim que você agora, por ser um crente, vai vender sua casa, seu carro e todos seus
bens para seguir Cristo. Sempre existiu e existirão cristãos fiéis que são ricos no sentido
material. Isso é dom de Deus. Ser cristão não é sinônimo de ser pobre no sentido
material. Portanto, Jesus não está nos ensinando a se tornar pobres nestas parábolas.

Qual é então a atitude correta que Jesus requer dos seus discípulos nas parábolas do
tesouro escondido e da pérola? A verdade central da parábola que Jesus quer colocar no
nosso coração é a seguinte: O reino dos céus com tudo o que ele é e possui é um tesouro
tão valioso que o crente que o encontra reconhece seu imenso valor e, motivado por
grande alegria, dispõe-se de todo o coração a entregar tudo quanto possa interferir na
obtenção desse reino tão valioso. Em outras palavras: aqueles que percebem o imenso
valor do reino de Deus que foi revelado em Cristo sacrificarão qualquer coisa para
desfrutar das riquezas desse reino.

O crente que encontrou o Rei Jesus Cristo e todas as bênçãos do seu reino (o perdão dos
pecados, nova vida no Espírito, governo e cuidado de Cristo sobre sua igreja, vida
eterna), consciente de todos estes benefícios, abandonará alegremente o seu velho estilo
de vida para então viver em total gratidão e louvor ao seu Rei e Salvador Jesus Cristo
que, por pura graça, o faz desfrutar das riquezas do seu reino. Por causa de sua grande
alegria por ter encontrado o Salvador de sua vida e se tornar um herdeiro do seu reino
eterno, o crente não desejará outra coisa senão viver para o seu Senhor. E ele fará isso
sem nenhum constrangimento, mas com toda alegria, pois ele agora sabe que, pela graça
de Deus, foi transportado do império das trevas (uma vida de miséria e pecado) para o
reino de luz do Filho Amado de Deus (perdão e salvação).

Podemos ilustrar a verdade dessas parábolas com o exemplo de dois homens de Deus
que alegremente abandonaram o mundo para seguir Cristo. Estes homens foram Paulo e
Moizés. Cristo encontrou Paulo na estrada de Damasco e mudou completamente a sua
vida. Paulo, que antes era um autêntico fariseu que buscava sua salvação pelas obras da
lei, conheceu Cristo e sua salvação graciosa e abandonou sua falsa religião (ver Fp. 3.7-
10). Em Hebreus 11.24-27 lemos que Moizés, pela fé, abandonou as riquezas e os
prazeres do Egito por amor a Cristo. Paulo e Moizés encontraram o tesouro escondido e
a pérola de grande valor. Eles encontraram Cristo e as riquezas do seu reino e
entenderam que isso valia muito mais do que qualquer riqueza ou honra que poderiam
obter neste mundo. Eles se alegraram com as riquezas de Cristo que agora eram também
suas e, portanto, dedicaram suas vidas ao seu Rei e Salvador Jesus Cristo.

Deus nos fez encontrar o tesouro do seu reino. Ele nos revelou Cristo e sua obra de
salvação em nosso favor. Seu reino se manifestou a nós. Ele nos fez compreender que o
seu reino com todas as suas riquezas valem muito mais do que o ouro e a prata ou
qualquer riqueza perecível que o mundo pode nos oferecer. Por seu Espírito, Deus
também nos motiva a tomar a atitude alegre de abandonar qualquer coisa que possa nos
impedir de desfrutar das riquezas do seu reino. Qual tem sido a nossa atitude como
súditos do reino de Deus? Será que nós temos percebido o imenso valor do reino de
Deus? Cristo é o nosso maior tesouro? Ocupa ele o primeiro lugar em nossa vida? Seus
mandamentos e promessas valem mais para nós do que qualquer coisa que este mundo
pode nos oferecer? Ou será que nos apegamos tanto às coisas terrenas que nos
esquecemos de colocar o reino de Deus em primeiro lugar na nossa vida?
Irmãos, Cristo nos chama a tomar uma atitude firme e decisiva de segui-lo. Ele quer o
nosso coração. Ele quer que sejamos discípulos alegres e gratos pelos benefícios do seu
reino que ele nos deu de graça. Ele quer que abandonemos qualquer coisa que nos
impeça de desfrutar das suas bênçãos. Cristo exige de nós o alegre abandono de todas as
coisas que nos atrapalha de desfrutar das riquezas do seu reino e nos impede de servir a
ele de todo o nosso coração. Pode ser que queremos seguir a Cristo e ao mesmo tempo
viver em nossos pecados. Tal atitude é inaceitável a Cristo. Ele disse que é impossível
servir a dois senhores e que devemos amar a Deus de todo o nosso coração. Pode ser
que desejemos tanto as riquezas materiais que nos esquecemos do imenso valor das
riquezas do reino que Cristo nos dá (perdão, vida eterna). Mas Jesus nos diz: (ler
Mateus 6.19-21; tb.Cl.3.1-4). Pode ser que ficamos tão preocupados em cuidar da nossa
vida e dos nossos interesses aqui na terra que deixamos de obedecer e confiar em Deus.
Mas Jesus nos diz: “Buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas
estas coisas vos serão acrescentadas” (Mt. 6.33).

Aqueles que se agarram aos tesouros terrestres e aos prazeres mundanos a ponto de
desprezarem Cristo, acabam perdendo as riquezas do reino. Isso é uma atitude insensata.
Pois Cristo falou: “Quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á… Pois que aproveitará o
homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Ou que dará o homem em troca da
sua alma”? Por outro lado, ele também afirmou: “… e quem perder a vida por minha
causa, achá-la-á” (Mt. 16.25,26). Quer dizer, aquele que reconhece o imenso valor do
reino de Deus e alegremente abandona o mundo para seguir Cristo faz a coisa certa, age
com sabedoria. Pois não é tolo “aquele que se desfaz do que não pode ter para ganhar o
que não pode perder”. O crente sábio e feliz que encontrou Cristo e reconheceu o
imenso valor de suas riquezas, seguirá alegremente o seu Salvador e não perderá as
bênçãos do reino de Deus, mas desfrutará delas agora e eternamente.

Amém.