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Copyright © 2017 M. S.

Fayes

Revisão: M. S. Fayes
Capa: Dri K.K.
Diagramação: Cristiane Saavedra
Imagem: AdobeStock

Todos os direitos reservados.

Esta é uma obra de ficção. Nomes, personagens,


lugares e acontecimentos descritos são produtos da
imaginação da autora. Qualquer semelhança com nomes,
datas e acontecimentos reais é mera coincidência.

ESTE LIVRO SEGUE AS REGRAS DA NOVA ORTOGRAFIA DA


LÍNGUA PORTUGUESA
São proibidos o armazenamento e/ou a reprodução de
qualquer parte dessa obra, através de quaisquer meios —
tangível ou intangível — sem o consentimento por escrito
da autora.
SUMÁRIO
Capa
Ficha Catalográfica
Thomas
Rainbow
Thomas
Rainbow
Recado da Autora
Sunshine
Conheça o livro RAINBOW
Eu estava nervoso. Mais do que poderia ou deveria
admitir. Já tinha secado as mãos suadas mais de vinte
vezes na calça jeans, mas nada do que eu fizesse, adiantou
para que o sentimento de algo torcendo meu estômago
aliviasse.
Era difícil internalizar aquele lado sentimental dentro
de mim mesmo. Mas eu acreditava que por Rainbow valia
a pena sofrer todas essas agruras sentimentais que via nos
cartões de Dia dos Namorados.
Estava preparando uma surpresa especial para ela
naquela noite. Era noite de verão, seus irmãos estavam
fora, estávamos todos de folga das aulas na Universidade
que cada um estudava, o que nos deixava livres para
aproveitar aquele momento. Só nós dois. Não que eu
tivesse intenções escusas. Era apenas que eu a queria pra
mim.
Dias antes eu tinha comprado o presente que esperava,
de coração, que Rainbow aceitasse sem nenhuma
hesitação. Minha alma estava completamente tomada pela
expectativa de sua resposta, mas acreditava que nosso
tempo de namoro fosse mais do que o suficiente para
deixá-la segura para seguir adiante nos planos que eu
tinha para nós dois.
Claro que qualquer pessoa poderia simplesmente virar
e dizer que estávamos completamente loucos, tomando
atitudes precipitadas, mas eu pouco me importava. Eu
apenas queria Rainbow Walker no meu futuro, como já a
tinha no meu presente. Não conseguia descompactar as
imagens de nós dois como um casal ainda separado, sem
viver a plenitude que um casal de namorados vive.
Eu sabia que Rain tinha a cabeça mais fechada e
conservadora para alguns aspectos e decisões que
acreditava que deveria decidir. E, honestamente, até me
sentia um cara privilegiado por estar com uma garota que
tinha tanto respeito pelo seu corpo, que abria mão de
vivenciar tudo o que se apregoava dos prazeres da carne,
apenas para que sua essência fosse mais do que
preservada.
Ela era quem acreditava ser. Embora seus pais tenham
criado seus filhos para serem mais livres que muitos
adolescentes que eu conhecia, ainda assim, as irmãs
Walker, surpreendentemente, mantinham um estilo de vida
contrário aos ensinamentos passados pelos pais. E pouco
se importavam com a opinião da sociedade ou da maioria.
Elas seguiam o que o coração de cada uma comandava.
Apenas isso.
Mas onde eu estava com aqueles pensamentos?
Eu queria me casar com Rainbow. Na minha mente
analítica até mesmo cheguei a cogitar a hipótese de estar
tão empenhado em fazer o pedido para simplesmente
vencer a barreira da castidade imposta, mas coloquei no
papel todos os prós e contras. Busquei pesquisas e
estatísticas no Google, nem um pouco animadoras, sobre
casais que se casam em idade tão precoce, mas acabei
aliviando meu coração quando minha mãe simplesmente
disse que ela se casou com meu pai aos dezoito anos.
Logo depois do Ensino Médio. Num rompante
apaixonado, após o Baile de Formatura. E estavam juntos
até hoje.
A minha mãe ainda completou que a vovó Mary
também passou por essa mesma experiência, casando-se
aos dezenove, grávida, a bem da verdade, mas ainda
assim, permaneceu naquele estado conjugal por mais de
cinquenta anos, até que meu avô morresse.
Ou seja, os gráficos analíticos que fossem à merda. Eu
tinha o DNA de jovens casamenteiros na família mesmo!
Quando decidíamos que nossa alma gêmea estava à mão,
simplesmente chegávamos lá e pegávamos com vontade.
Sem dar chance para o destino, o acaso.
Rainbow Walker era minha.
Era meu anjo, meu arco-íris, a garota dos meus sonhos,
que irradiava alegria e aquecia meu coração sempre que
estava ao meu lado.
Eu a queria para ser muito mais do que minha amiga e
namorada. Queria para ser minha esposa, mãe dos meus
filhos, minha parceira para a vida.
Ouvi o pigarro logo atrás de mim e me virei
bruscamente.
Ela estava bem ali.
Em um vestido lindo e até os joelhos, preto, com
estampas florais. E vou dizer que notei os detalhes,
porque eu sabia que ela odiava vestidos, mas sempre se
vestia primorosamente quando saíamos para jantar em
algum lugar.
— Você está linda — falei e a puxei para o calor dos
meus braços.
Ela corou. Depois de tanto tempo, Rainbow ainda
corava com cada pequeno elogio meu.
Beijei a ponta de seu nariz e em seguida depositei um
beijo suave nos seus lábios.
— Obrigada. Você também. Já decidiu para onde
vamos? — perguntou desconfiada.
— Vamos jantar em um lugar muito bacana, depois vou
dançar agarrado com você, uma música lenta e romântica
e — passei a mão em seus cabelos —, vamos ver o que
vai ser.
— Okay.
Sua confiança em mim era até mesmo constrangedora.
Se ela soubesse que minha vontade era simplesmente
arrancar suas roupas naquele instante, possivelmente
sairia correndo dali rapidamente e se trancaria no quarto.
Puxei-a pela mão em direção ao meu carro e bati a
mão na caixa que eu mantinha no bolso.
Aquele dia seria decisivo.
Thomas estava nervoso. Eu podia dizer pelos dedos
que tamborilavam ao ritmo da música, enquanto o carro
seguia para o restaurante que ele havia escolhido.
Observei-o pelo canto do olho e segurei o suspiro
enlevado que queria dar. Ele ainda tirava meu fôlego,
todas as vezes que o via.
Todas. As. Vezes.
Estava em uma calça jeans escura, com uma camisa de
botão cinza escura e uma jaqueta de couro por cima. Os
cabelos estavam ainda meio úmidos do banho e uma
mecha caía teimosamente sobre a testa. Eu adorava tirar
aquela pequena mecha dali. O carro estava impregnado
com o perfume cítrico que eu amava.
Seus olhos voltavam para mim a todo o momento e
sempre me dedicava um sorriso.
Thomas segurou minha mão, como sempre fazia, e
apoiou nossos dedos entrelaçados sobre sua coxa. Eu
podia sentir que sua mão estava suada e seus dedos
tremiam, além de estarem gelados.
— Você está nervoso com alguma coisa? — perguntei
desconfiada.
Ele me olhou de esguelha e engoliu em seco.
— Não... por que pergunta?
— Suas mãos estão dando sinais claros de algum tipo
de estresse — falei e escutei seu riso.
— Minha nerd voltou à ativa?
— Sua nerd nunca saiu deste corpo, garoto Punk —
brinquei.
Quando nos conhecemos, aquelas foram as alcunhas
pelas quais nos tratamos no início. Para Thomas, eu era a
nerd, imediatamente. Ele, ao contrário, era o Punk.
Embora não fosse em hipótese alguma. Thomas era tudo,
menos punk. Apenas tinha a pinta e gostava de pensar que
levava a fama.
Ele era um lorde, na verdade.
— Não estou nervoso. Muito — corrigiu. — Apenas
estou pensativo.
— Pensativo? Em quê? O que poderia estar fazendo
seus pensamentos serem tão intensos que geram respostas
fisiológicas tão intensas?
— Já disse o quanto acho você fofa quando começa a
falar comigo como uma verdadeira professora? —
perguntou.
— Você sempre fala isso. Mas vou ignorar que está
tentando mudar de assunto.
Thomas riu e vi que chegamos ao restaurante. Era
chique. Diferente do habitual que sempre íamos.
— Uau. Por que estamos aqui? Ocasião especial? —
perguntei.
— Digamos que você merece um jantar num lugar
refinado, de vez em quando.
— Uhhh... mesmo que você saiba que eu sou uma
garota de hambúrgueres e batatas fritas?
— Mesmo assim.
Thomas desceu e fez sinal para que eu esperasse.
Revirei os olhos. Todas as vezes ele fazia aquilo.
Mandava que eu ficasse quieta no banco, à espera que ele
abrisse a porta pra mim. Um gesto tão antiquado e
cavalheiresco, que me deixava constrangida e emocionada
ao mesmo tempo.
Abriu a porta de seu SUV e ainda fez com que eu me
sentisse uma criança de dois anos sendo desafivelada, já
que fez questão de soltar o meu cinto de segurança.
— Você sabe que meus dedos conseguem executar essa
ação, certo? Polegar e opositor? — Mostrei os dedos e fiz
uma pinça, segurando seu nariz.
— Sei, sei. Mas ainda assim, eu consigo fazer isso, ó
— disse e sapecou um beijo longo e muuuuito gostoso na
minha boca. Cheguei a suspirar. — Viu? As regalias de ter
seu cinto desfeito por um cavalheiro como eu...
— Você é muito metido, Thomas — falei e comecei a
rir, enquanto ele me ajudava a descer do carro.
Thomas não se contentou em segurar minha mão
apenas, ele colocou o braço sobre meus ombros, em um
gesto tão protetor e possessivo que sempre deixava
minhas pernas bambas, enquanto seguíamos para o
restaurante.
A Hostess à porta conferiu os nomes e nos guiou para
a mesa que nos estava designada.
Nós nos sentamos à luz de velas e senti meu rosto
aquecer em puro embaraço. Nunca tive um jantar
romântico como aquele antes! Eu apenas lia sobre aquilo
em livros de romance ou via em cenas de filmes. Meu
Deus! Era tão surreal me ver na mesma situação! Mesmo
que fosse com meu próprio namorado.
— Por que você está vermelha? — Thomas perguntou,
bebendo um gole da água que havia acabado de ser
servida.
Aproveitei e espelhei seu gesto, bebendo quase que o
conteúdo todo do meu copo. Esperava não babar na roupa,
tamanha a ânsia em aplacar o nervosismo do momento.
— Estava aqui pensando que vejo essa cena de jantar
a luz de velas apenas em romances.
— Nós temos um romance — ele disse e piscou. —
Então, você agora tem sua própria cena para contar.
Ele pegou minha mão e beijou os nódulos dos meus
dedos.
— Eu sei. E obrigada. Vou guardar na memória. Mas
ainda assim, você poderia me levar para comer batatas
fritas, ou uma pizza, passar num drive-thru, encomendar
em casa, e ainda assim seria romântico, desde que você
estivesse junto — falei.
— Mas eu queria te dar a memória inesquecível de
uma noite completamente diferente e fora do comum.
Aquele tipo de evento que você poderá contar para seus
filhos, netos...
Corei mais ainda. O olhar de Thomas era tão intenso.
Tão cheio de promessas veladas e um amor profundo.
Meu coração acelerou. Como vinha acelerando já há
muito tempo, desde que havia tomado a decisão que
queria compartilhar com ele, mas ainda não havia
encontrado o jeito adequado ou a hora certa de lhe
revelar.
Eu achava que o momento certo havia finalmente
chegado. Achava que estava pronta. Achava não. Tinha
certeza. Thomas era o amor da minha vida. Aquele que fez
com que eu saísse de dentro da casca onde havia me
enfiado e simplesmente acreditou que aqui havia um
potencial lindo a ser admirado e amado.
Ele fez com que eu passasse a acreditar em mim
mesma, passasse a amar a mim mesma, antes até mesmo
de começar a amá-lo.
E nunca, nunca me forçou a absolutamente nada no
tempo em que estávamos juntos, abrindo mão de uma parte
tão vital de sua vida, uma parte tão carnal e necessária da
conexão humana entre um casal, pelo simples fato de
respeitar minha decisão e compreender meu desejo.
Mas eu queria que ele fosse o meu primeiro. Aquele
que despertasse meu corpo para a vida, para os choques
elétricos prometidos pelos livros de romance.
Eu queria o sentimento intenso e devastador que
poderia retirar o chão de uma pessoa com um simples
pensamento. Eu queria experimentar aquilo tudo com
Thomas. Com ninguém mais.
E achava que devíamos viver o momento, o hoje, o
agora, porque nunca sabíamos o dia do amanhã.
Um apocalipse zumbi poderia chegar a qualquer
momento. Um universo distópico poderia se estabelecer
no mundo e, embora houvesse a perspectiva de um Quatro,
personagem lindo e super gato, – de acordo com palavras
de Sunshine –, da série Divergente aparecer, ainda assim,
eu queria poder dizer que vivi os melhores momentos da
minha vida, ao lado do melhor cara que conheci no meu
despertar do primeiro amor.
A comida chegou, tirando meus pensamentos
turbulentos do foco central.
Thomas conversava sobre tudo e sobre nada.
Eu respondia e rebatia suas piadas ridículas, ríamos e
compartilhávamos a comida. Dividimos a sobremesa,
como um casal feliz.
Parecia que o Petit Gateau veio recheado em bebida
alcoólica, porque um sorriso estúpido teimou em ficar nos
meus lábios, sempre que Thomas levava a colher à minha
boca.
— Eu sei comer sozinha, Thomas — falei e ri. Mas
abocanhei o punhado de sobremesa que ele me ofertava.
— Eu sei, mas ainda assim, poder fazer isso é
superlegal. Agora me diga aqui — perguntou. — Eu estou
abrindo a boca naquele reflexo que toda mãe faz quando
está dando comida aos bebês?
Comecei a rir.
— Que reflexo?
— Aquele, oras. Quando elas levam a comida à boca
dos bebês, você já reparou que elas abrem a boca
simultaneamente?
— Sim. E não. Você não está fazendo isso. Porque está
concentrado em não fazer. O reflexo só acontece se você
não estiver ligado nisso — falei e ri.
Thomas comia três colheradas do doce e me dava uma.
Ergui uma sobrancelha interrogativamente para ele.
— Desculpa, baby. Eu sou maior e preciso de muito
mais energia que você — disse e riu.
— Besteira, seu guloso. Seu cavalheirismo foi embora
por aquela porta ali quando a sobremesa chegou — falei.
— Você quer mais um?
— Não. Estou satisfeita. Fora que não vou querer
malhar para perder tudo isso que comi aqui hoje —
admiti.
— Você não precisa malhar. É perfeita do jeito que é.
— Falou o cara que malha e tem os músculos todos
definidos.
— Eu sou homem. É diferente.
— E as mulheres não devem estar com seus corpos
sarados, à altura de namorados malhados?
Thomas pegou minha mão e beijou um dedo de cada
vez.
— Você é perfeita do jeitinho que você é, Rain. Se
gostasse de malhar, queria que fosse porque você gosta, e
não porque se sente na obrigação de provar algo a alguém.
Se você não gosta, eu não tenho um pingo de problemas de
ficar enfiado contigo, assistindo um milhão de temporadas
de Netflix, desde que não aquelas enfadonhas, e comendo
baldes de pipocas — falou.
Meu coração deu um salto triplo carpado com um
mortal duplo para trás. Completou com um twist quando
ele simplesmente beijou a palma da minha mão e disse:
— Eu te amo exatamente do jeito que você é, Rainbow
Walker.
— Eu também te amo, Thomas Reynard — devolvi.
— Agora vamos dançar. Há um salão lindo ali à nossa
espera.
Segui meu namorado disfarçando as pernas bambas e o
coração galopando no peito. Sempre que ele declarava
seu amor daquela forma eu me derretia como manteiga ao
sol.
Puxei Rainbow pela mão e a guiei para o meio do
salão. Era muito óbvio que naquela noite, meu lado mais
romântico estava duplamente aflorado. Eu já tinha
combinado com o DJ que assim que eu sinalizasse, ele
começaria uma canção romântica, que falava na letra, tudo
o que eu queria dizer a ela mais tarde. Então, nem bem
começamos a dançar a melodia que ainda agitava a pista,
quando sinalizei para o DJ, amigo meu, claro, e Perfect,
de Ed Sheeran começou a tocar.
Yeap. Pode me chamar de maricas do caralho. Mas o
cara sabia escrever músicas românticas imbatíveis. Fora
que tinha uma voz fantástica. Bem que eu queria ter um
timbre como o dele para cantar eu mesmo a letra para a
minha garota.
Rainbow suspirou audivelmente.
— Uau... eu amo essa música.
— É mesmo? — perguntei, tentando disfarçar meus
dedos que tremiam, enquanto eu a ajeitava nos meus
braços.
— Sim.
Fiz com que sua cabeça descansasse em meu ombro e
apoiei meu queixo sobre sua têmpora. Meu Deus... o
perfume de Rainbow mexia comigo, em todos os
momentos. Desde que a conheci. Desde que dancei com
ela pela primeira vez. Naquela primeira festa, anos atrás.
Em uma desculpa fajuta para ter aquela garota em meus
braços, tive seu cheiro impregnado e marcado em minha
memória olfativa para o resto dos meus dias.
E eu me perguntava se seria sempre assim.
Nossos corpos se balançavam ao ritmo suave da
música e suspirei fundo. Precisava pensar com clareza
como daria prosseguimento aos meus planos. Na minha
cabeça, tudo já estava planejado. Eu havia traçado todo
um cronograma mental, mas percebi que assuntos do
coração nem sempre obedecem aos comandos sinápticos.
Deixei que meus instintos guiassem meus atos. Eu
achava que até ali, na altura do campeonato, eu e Rainbow
já tínhamos tanta coisa pela qual passamos, então, gestos
impensados poderiam ser esperados e gerar muito mais
emoção do que os programados milimetricamente por
tanto tempo.
Sem que ela percebesse, alcancei a caixinha que
levava no bolso e retirei a aliança dali em gestos sutis.
Peguei sua mão que estava apoiada em meu peito e,
discretamente, simplesmente deslizei a joia pelo dedo de
sua mão delicada, que eu ainda mantinha na minha.
Observei seus olhos, antes fechados, se abrirem em
choque.
Ela olhou para mim sem entender, ou melhor, minha
garota era nerd, ela era bem entendida. Com certeza
estava entendendo bem, mas em seus olhos verdes eu
podia ver a incerteza do momento brilhando
insistentemente.
— T-Thomas?
— Preste atenção na música, Rain — falei.

EU ENCONTREI UM AMOR PARA MIM


QUERIDA, ENTRE DE CABEÇA E ME SIGA
BEM, EU ENCONTREI UMA GAROTA, LINDA E DOCE
OH, EU NUNCA SOUBE QUE VOCÊ ERA QUEM ESTAVA ESPERANDO POR MIM

PORQUE ÉRAMOS APENAS CRIANÇAS QUANDO NOS APAIXONAMOS


NÃO SABÍAMOS O QUE ERA
EU NÃO VOU DESISTIR DE VOCÊ DESSA VEZ
MAS, QUERIDA, APENAS ME BEIJE DEVAGAR
S EU CORAÇÃO É TUDO O QUE EU TENHO
E, EM SEUS OLHOS, VOCÊ ESTÁ SEGURANDO O MEU

AMOR, EU ESTOU DANÇANDO NO ESCURO


COM VOCÊ ENTRE OS MEUS BRAÇOS
DESCALÇOS NA GRAMA
OUVINDO A NOSSA MÚSICA FAVORITA
QUANDO VOCÊ DISSE QUE PARECIA UMA BAGUNÇA
EU SUSSURREI BAIXINHO
MAS VOCÊ OUVIU, QUERIDA
VOCÊ ESTÁ PERFEITA ESSA NOITE

BEM, EU ENCONTREI UMA MULHER


MAIS FORTE QUE QUALQUER UM QUE EU CONHEÇA
ELA COMPARTILHA OS MEUS SONHOS
EU ESPERO QUE UM DIA EU COMPARTILHE SEU LAR
EU ENCONTREI UM AMOR PARA CARREGAR MAIS DO QUE MEUS SEGREDOS
PARA CARREGAR AMOR, PARA CARREGAR NOSSAS CRIANÇAS

NÓS AINDA SOMOS CRIANÇAS, MAS ESTAMOS TÃO APAIXONADOS


LUTANDO CONTRA TODAS AS POSSIBILIDADES
EU SEI QUE NÓS FICAREMOS BEM DESTA VEZ
QUERIDA, SÓ SEGURE MINHA MÃO
S EJA MINHA GAROTA, EU SEREI SEU HOMEM
EU VEJO MEU FUTURO EM SEUS OLHOS

AMOR, EU ESTOU DANÇANDO NO ESCURO


COM VOCÊ ENTRE OS MEUS BRAÇOS
DESCALÇOS NA GRAMA
OUVINDO A NOSSA MÚSICA FAVORITA
QUANDO EU VI VOCÊ NAQUELE VESTIDO
PARECENDO TÃO LINDA
EU NÃO MEREÇO ISSO, QUERIDA
VOCÊ ESTÁ PERFEITA ESTA NOITE

AMOR, EU ESTOU DANÇANDO NO ESCURO


COM VOCÊ ENTRE OS MEUS BRAÇOS
DESCALÇOS NA GRAMA
OUVINDO A NOSSA MÚSICA FAVORITA
EU TENHO FÉ NO QUE VEJO
AGORA SEI QUE ENCONTREI UM ANJO EM PESSOA
E ELA ESTÁ PERFEITA
EU NÃO MEREÇO ISSO
VOCÊ ESTÁ PERFEITA ESTA NOITE.

Rainbow passou os braços sobre meus ombros e


enfiou o rosto no vão do meu pescoço. Eu podia apenas
ouvir os soluços de seu choro e a quentura de algumas
lágrimas deslizando contra a minha pele.
— Rain?
Como o DJ já havia acordado o momento, a música
tocou duas vezes. Estávamos atraindo a atenção ao redor,
porque Rainbow estava realmente, realmente chorando
nos meus braços.
Okay. Aquele pode ter sido um pedido de casamento
estranho, mas eu não esperava uma crise de choro.
— Rain?
Ela ergueu o rosto, só um pouquinho, o suficiente para
que eu ouvisse sua voz.
— Você está falando sério? — perguntou com a voz
embargada.
Puxei seu cabelo, de forma que seu rosto ficasse bem à
frente do meu.
— Mais sério do que a certeza de que a lua sobe no
céu todas as noites e o sol surge todas as manhãs.
— Oh, meu Deus, Thomas!
Ela começou a chorar de novo.
— Espera, eu não sabia que ia fazer você ter uma crise
de choro, Rainbow! Você quer uma água? — perguntei
preocupado.
— N-não.
— Mas será que você vai pelo menos olhar pra mim?
— implorei.
Ela ergueu o rosto.
— Eu estou horrível agora. Você fez com que eu
borrasse a maquiagem e ainda melecasse sua camisa —
disse e fungou.
— Foda-se. Quero saber da sua resposta — falei. —
Melhor, preciso saber da sua resposta.
— Sim, Thomas! Sim!
— Ah, nossa... graças a Deus, garota. Achei que ia ter
que apelar para outros meios.
— Seu bobo — ela disse e passou os braços em volta
do meu pescoço.
Então, ela selou o acordo com um beijo que quase
tirou meus pés do chão.
— Eu te amo, Rain.
— Eu te amo mais, Thomas.
— Vamos ficar repetindo a noite inteira, mas eu vou
ganhar sempre no argumento.
Começamos a rir. Acenei para Stanley, o DJ,
agradecendo.
Saí com minha garota a tiracolo dali.
O medo que senti no início, aquele que fez com que
minhas mãos suassem? Aquele medo fora embora. Eu
estava levando a garota dos meus sonhos pra casa, a
garota perfeita, aquela que sempre faria com que meu
coração batesse mais rápido, pra casa.
E em seu dedo anelar, brilhava uma discreta aliança
que representava apenas uma parcela do imenso amor que
eu sentia por ela e provavelmente continuaria sentindo até
o fim dos meus dias.
Eu segui o trajeto do restaurante até em casa, sem
acreditar. Eu apenas olhava para a aliança que Thomas
deslizara tão sorrateiramente no meu dedo enquanto
dançávamos.
Mal podia crer que aquela era sua intenção. E a letra
da música falava tudo o que seu coração queria dizer e o
meu queria complementar.
Quando ele começou a rir, acabou atraindo a minha
atenção, que tinha meio que devaneado.
— Se essa não é uma música perfeita, não sei mais
qual seria, além da que usei para dançar com você — ele
disse, ao mesmo tempo em que aumentava volume do som
do carro. Bruno Mars estava cantando Just the way you
are. Para minha total surpresa, Thomas simplesmente o
acompanhou na estrofe: — When I see your face... there is
not a thing that I would change — ele cantava e beijava
minha mão. Eu podia sentir meu rosto esquentar em puro
embaraço e emoção. — Cause you’re amazing... just the
way you are... and whe you smile...
Ao dizer aquilo, Thomas passou a mão pelo meu rosto.
Acho que posso ter até mesmo ronronado como um
gatinho. Talvez. Oh, meu Deus... eu esperava que não...
— The whole world stops, and stares for a while...
cause, girl, you’re amazing... just the way you are... —
cantou e beijou a palma da minha mão.
Embora não pudesse se inscrever para um The Voice,
Thomas tinha a voz linda e ouvi-lo cantar foi mais do que
o meu coração estava preparado para aquele momento.
Senti uma lágrima deslizando, novamente, levando o resto
de maquiagem que ainda perambulava pelo meu rosto.
Ele abaixou o volume do carro.
— Vai chorar outra vez?
— Você faz esses gestos fofos e espera que eu fique
impassível? — perguntei e funguei.
— Você é a garota mais perturbadoramente linda que
já conheci, sabia? — disse e sorriu.
Antes, porém, colheu a gota de lágrima que teimou em
escorrer.
— E você é o garoto mais espantosamente romântico
que já namorei, sabia? — brinquei.
— Você só namorou comigo, Rainbow — ele zombou.
— Eu sei.
— Então essa sua frase foi ridícula e não valeu de
nada.
— Valeu pra mim.
— Foi muito pouco romântica. Eu disse uma frase
romântica. Você disse uma frase... enfadonha. Minha
nossa... eu cantei pra você!
Comecei a rir.
— Thomas... você é o garoto mais perturbadoramente
lindo, sexy, engraçado, romântico, fofo, surpreendente,
maravilhoso e galante em que já coloquei meus olhos —
falei de maneira solene.
— Uau. Agora sim. Foi bem bacana.
A música prosseguiu no carro e um silêncio
confortável assumiu, com Thomas apenas assoviando o
restante da melodia.
Meus pensamentos divagaram novamente, para outra
realidade, outra dimensão, mas eu tinha certeza de algo
resoluto: Thomas fazia parte de cada pequeno plano que
eu traçava à frente, em meu futuro.
Nós dois, ali, naquele carro, estávamos vivendo como
se estivéssemos dentro de uma enorme bolha de
felicidade.
Éramos tão jovens, mas tínhamos tanta certeza do amor
que sentíamos um pelo outro que, nada ou ninguém
poderia ser capaz de estragar aquele momento.
Bem, talvez Storm, se resolvesse aparecer antes da
hora.
Thomas parou o carro, porém não desligou o motor.
— Quer entrar? — perguntei, mas torcendo que ele
simplesmente quisesse. Ou eu teria que implorar.
— Tem certeza?
— Sim.
— Storm está aí?
Comecei a rir. Ele e Storm tinham uma história antiga
de ameaças com objetos de cozinha.
— Não.
— Espere sentada aí — falou e saltou do carro.
Esperei pacientemente.
— Vai soltar meu cinto de novo? — perguntei quando
ele abriu a porta.
— Sempre que tiver oportunidade — disse e me
beijou. E de novo. E mais uma vez.
Entramos na minha casa em silêncio. Tudo estava
apagado. Meus pais não estavam em Nova Jersey.
Estavam no Colorado. Storm tinha saído e Sunny estava
com Mike. Então a casa era absolutamente só nossa. Por
um tempo.
Subimos as escadas e olhei por cima do ombro. Dei
um sorriso, constrangida, mas ainda assim, completamente
segura do que faria dali pra frente.
Bom, meu coração ainda estava meio que subindo na
boca, eu tinha medo dele querer saltar de bungee-jump
diretamente da minha goela para o chão, mas eu
enfrentaria meus piores temores, especialmente se eles
estivessem relacionados a alguma dúvida na autoestima
que Thomas vinha lutando para deixar sempre em alta,
desde que nos conhecemos.
Quando passei pela porta do quarto, esperei que ele
me seguisse e tranquei, recostando-me para ganhar fôlego.
E coragem.
Thomas se virou para mim.
— Rain?
Nem esperei que ele falasse nada. Eu me joguei em
seus braços e deixei que ele segurasse o peso do meu
corpo.
Como foi pego de surpresa, acabou dando alguns
passos para trás e desabou na minha cama, com o som de
nossas risadas ecoando no ar, intercaladas com os beijos
que eu estava mais do que empolgada em compartilhar
com ele.
Em algum momento, que não consigo dizer qual foi, os
risos sumiram e deram lugar apenas ao crepitar de uma
paixão reprimida há muito tempo.
Ergui a cabeça e deixei que o beijo lânguido que ele
me dava tomasse uma proporção maior e mais
avassaladora. Quando nossos lábios se separaram, abri os
olhos e conectei meu olhar ao dele. Suas pupilas estavam
dilatadas, provavelmente refletindo as minhas, que
deviam estar do tamanho das bolas de gude que Storm
gostava de colecionar.
Thomas colocou uma mão na minha nuca e me puxou
para outro beijo. Sua outra mão deslizava pelas minhas
costas, ganhando a extensão agora das minhas coxas
desnudas, já que eu meio que estava escarranchada sobre
ele, e meu vestido havia subido consideravelmente. Senti
meu rosto ficar quente e, provavelmente, devia estar
ficando vermelho.
Eu podia sentir o tecido subir de pouquinho a
pouquinho, podia sentir meu coração bater acelerado
contra o peito comprimido contra o meu.
Thomas mudou nossas posições bruscamente e agora
eu me encontrava logo abaixo do seu corpo forte. Percebi
que seu coração também retumbava forte como o meu. Eu
podia sentir os batimentos cardíacos acelerados.
— Você não tem que fazer isso — ele disse. — Você
sabe disso, não é? Podemos esperar o tempo que você
quiser.
Passei os braços pelo pescoço forte e o puxei para um
beijo longo que falasse mais do que eu gostaria de falar
com palavras.
— Eu sei. Mas eu quero que você seja o meu primeiro.
— E eu quero que você seja a minha última. Minha
única — disse e seus olhos eram tão puros e verdadeiros
que meu peito encheu de emoção. Por um instante achei
que pudesse explodir.
Com minhas mãos ansiosas tentei abrir os botões da
camisa que ele usava. Consegui desabotoar apenas os
quatro primeiros, até que Thomas simplesmente
arrancasse a camisa por cima da cabeça.
Thomas ergueu o vestido e o ajudei a me livrar da
peça que impedia que nossas peles se conectassem
totalmente.
Estávamos protegidos agora apenas pela barreira da
calça jeans que ele ainda mantinha, bem como minhas
roupas íntimas.
Thomas olhava para mim de maneira tão ardente que
sequer me dei conta de que estava seminua, pela primeira
vez, diante dele. Não tive tempo de sentir embaraço.
Ele me beijou e mostrou que a paixão aquece com
toques singelos e promessas veladas de momentos que só
podem ser compartilhados por dois amantes que entregam
seus corpos um ao outro. No caso ali, éramos dois jovens
amantes, ainda na arte da aprendizagem.
Sempre considerei o ato do amor como um ato de
entrega plena e total. Não apenas um contato físico e
carnal. Algo muito mais profundo e de vínculo intenso.
Algo de alma.
Talvez eu fosse careta por pensar assim. Tantas
meninas na minha idade tinham vida sexual mais liberal e
sem amarras, trocavam de parceiros sem problemas ou
conflitos, viviam intensamente o que os prazeres do sexo
podiam proporcionar.
Eu só achava que aquela filosofia não era para mim.
Eu via o ato em si como algo tão sublime e
surpreendente que fazia com que o elo entre duas vidas
ficasse muito mais forte e intenso. Era uma experiência
compartilhada no nível mais profundo do ser humano.
Dois corpos juntos. Em total confiança um com o
outro. Ambos com o intuito de gerar e receber prazer,
numa troca constante e perfeita. Ou assim deveria ser.
Não senti quando a mão de Thomas abriu meu sutiã.
Senti seu beijo em todo o meu rosto, no meu pescoço, em
partes do meu corpo que eu nem imaginava que fossem
solicitar o carinho explícito dele.
Okay, eu não era tão pudica e inocente assim. Os
livros já haviam me alertado para as ondas de prazer que
a boca de um homem poderia proporcionar ao corpo de
uma mulher.
— Minhas mãos estão tremendo — ele admitiu. —
Quase não consegui abrir o fecho do seu sutiã — disse
rindo.
Ainda bem que meu Thomas ainda estava ali.
Compartilhando o momento intenso, mas ainda assim
fazendo questão de manter o clima ameno e diminuindo a
onda de embaraço que eu poderia sentir por estar com os
seios à mostra.
— Eu estou tremendo. Isso pode ter dificultado o
trabalho.
— Está dificultando o fato de você ser a garota mais
linda que já pus os olhos, Rain — ele disse e beijou meu
queixo.
— Thomas?
— Hummm?
— Evolua.
Ele começou a rir e continuou a doce tortura que
estava me proporcionando.
Quando ele mesmo começou a abrir o fecho de sua
calça, olhou atentamente para mim e perguntou:
— Tem certeza? Absoluta?
— Yeap.
— Tipo muita certeza mesmo?
— Muita certeza mesmo.
Dali em diante foi apenas um borrão muito doido e
confuso. Por favor, não me peçam para descrever em
detalhes intensos aquilo que considero como indescritível.
O primeiro contato do corpo forte e nu de Thomas
contra o meu foi como um choque daqueles
desfibriladores que equipam os hospitais e ilustram tantas
cenas de seriados e filmes épicos. Se não me engano, já
tive um choque daqueles, mas não tenho a memória, mas
poderia ser algo parecido. Talvez.
Quando Thomas, por fim, esteve pronto a possuir meu
corpo, na essência máxima do verbo possuir, posso dizer
que segurei o fôlego por instantes longos que arderam
meus pulmões.
— Se você não respirar, vai morrer diante de mim, e
isso vai ser muito chato — disse, brincando. Eu podia ver
que ele estava tentando controlar seus próprios impulsos.
Gotas de suor brotavam de sua testa.
— Jura? Isso é novo e estou com medo. Da dor. Mas
não vou amarelar.
— Se você relaxar o corpo, vai ser mais fácil.
— Disse Conan, o Conquistador, quando invadiu a
pequena cidadela — brinquei.
Ele começou a rir e avançou em uma única arremetida
que fez com que meu corpo ficasse tenso por um momento
com a dor rasgante, que ardeu até mesmo a alma.
— Uau. Okay. Pronto.
— Pronto?
— Sim. Passamos da etapa mais difícil e laboriosa —
falei.
Thomas riu e o balanço de seu corpo fez coisas
engraçadas com o meu, já que estava agora anexado e
acoplado intimamente, como uma peça muito interessante
de Lego.
— Até mesmo nesse momento épico você tem que ser
nerd?
— Bom, você foi meio punk nessa investida para
romper o selo de garantia de lacrado de fábrica, não é? —
eu disse e ele riu mais intensamente. Ohhh... vibrações
estranhas no baixo ventre. — Thomas?
— Yeap, Rain? — perguntou e dessa vez, dessa vez,
aquele safado começou a fazer o que os livros
prometiam... e puta merda... eu vi estrelinhas espocando
bem diante dos meus olhos.
— Faça a magia acontecer.
— A magia começou a acontecer do momento em que
você entrou na minha vida, linda — disse e pronto. Meu
coração desceu numa montanha-russa muito doida e foi
bater um High Five para o estômago que agora começou a
dançar can-can sobre o útero.
Yeap. Meu corpo estava cantando. Já ouviram essa
expressão? Pois o meu estava cantando. Eu poderia
colocar meu cérebro analítico para fazer toda uma análise
do ato em si e pesquisar as reações que meu corpo estava
apresentando a cada movimento ritmado de Thomas contra
o meu.
Mas deixei de pensar.
Quando seus lábios se juntaram aos meus, deixei que o
instinto assumisse e tomasse direção do meu corpo, ou
seguisse aos comandos do de Thomas.
Ele poderia não ser tãoooo experiente, mas era bem
mais do que eu, então, para mim, era o comandante
daquele navio que seguia rumo a uma onda vertiginosa.
Um puta tsunami que simplesmente derrubou a nós dois na
praia, sem fôlego algum.
Só foi um tempo depois que percebi que ainda
estávamos vivos.
— Thomas?
— Hummm...
— Eu te amo.
Ele ergueu a cabeça e beijou a ponta do meu nariz,
depois meu queixo e só depois meus lábios.
— Nunca mais do que eu.
— Podemos argumentar aqui a noite toda, mas eu acho
que vou ganhar hoje — falei e passei os braços pelo seu
pescoço, mesmo que eles estivessem moles e da
consistência de macarrões.
— Eu sempre venço esses argumentos e essa fala é
minha.
— É?
— Sim. Você roubou na maior cara dura.
— Foi mesmo. Mas tem uma razão.
— E qual seria?
— Você conseguiu vencer a estatística que diz que na
primeira vez é muito difícil a mulher ter orgasmos
múltiplos.
Thomas riu e deu um olhar sem vergonha, daqueles
que eu amava.
— Eu consegui isso, não é?
— Nossa, como você é metido.
— Eu poderia fazer uma piada suja com essa sua frase
agora — disse e eu revirei os olhos. Ainda estávamos
“indevidamente” engatados. Céus. Que embaraço. O que
fazíamos agora?
— Seu besta. Mas sim, você simplesmente... minha
nossa...
Thomas rolou para longe de mim e me puxou, de volta.
Éramos uma confusão doida de corpos suados. Eca. Mas
era um “eca” romântico e fofo.
— Eu também só posso dizer... minha nossa...
— Então... estamos empatados?
Olhamos um para o outro e começamos a rir.
— Minha nossa...
— Minha nossa...
Dissemos aquilo ao mesmo tempo e rimos. Thomas
entrelaçou os dedos aos meus e beijou cada um.
— Okay, fique aí e vou ver como vamos nos limpar.
— Sério? Esse é o protocolo depois?
Dessa vez Thomas revirou os olhos.
— Não há um protocolo, Rain. Deixe de analisar as
coisas. Siga apenas o instinto. O que você quer fazer?
— Dormir?
— Então vamos dormir. Mas eu preciso cuidar disso
— disse e mostrou o preservativo. Oooh... sim... eu era
nova naquilo. Certo. Vá cuidar do pacote, cara.
— Então, tá. Espera. Eu vou com você.
— Para o banheiro? Você quer tomar banho? —
perguntou e ergueu a sobrancelha de maneira
despudorada.
— Não, seu besta. É para garantir que não vai
aparecer ninguém e te pegar com a mão na... no...
Ele riu.
— Okay, você vai proteger minha retaguarda. Saquei.
Como uma equipe.
— Isso aí.
— Por isso que eu te amo, Rain.
— Porque eu vou proteger sua retaguarda?
— Não. Porque hoje jantamos num restaurante chique
e romântico, dançamos uma música romântica, onde
coloquei uma aliança em seu dedo e te pedi em
casamento, não com as palavras abertamente românticas,
viemos para sua casa, fizemos aquilo que eu esperei por
muito tempo e valeu a pena cada minuto longo e árduo de
espera — disse e passou a mão no meu rosto —, e
esperaria mais tanto tempo, se preciso fosse, e você
simplesmente encerra a noite dizendo que vai proteger
minha retaguarda porque somos uma equipe.
— Essa sou eu.
— Porque somos Thomas e Rainbow.
— E Rainbow e Thomas.
Okay. Dali foi mais lindo ainda.
Protegi realmente a retaguarda de Thomas. E era uma
retaguarda bem bonita, tenho que dizer. Ainda mais
porque estava meio que bem à vista dos meus olhos e das
minhas mãos agora.
Voltamos para o meu quarto e vesti minha camiseta
preferida, a que ele me deu quando namorávamos e ainda
jogava pelo WestBears. Aquela camiseta azul, com o
número 18 e seu nome às costas, sempre me acompanhava
nos meus sonhos. Thomas registrou meu traje e deu um
sorriso satisfeito. E, só então, nos deitamos e...
Bem... eu dormi. Como nunca tinha dormido antes.
Ao lado do cara que tinha escolhido para ser meu
amigo, meu namorado e agora meu amante. Em breve,
muito em breve, de acordo com seus planos loucos, seria
meu marido.
Acho que dormi com um sorriso no rosto.
Pode ser que tenha acordado com um sorriso maior
ainda.
Não sei.
Achei que no dia seguinte me sentiria diferente. Como
se tivesse uma nova capa de revestimento sobre mim e
acusasse: essa garota aqui agora já conhece os prazeres
carnais.
O que senti foi apenas o fortalecimento dos
sentimentos que sempre tive por Thomas e a certeza de
que o que estava escrito para ser nossa história era apenas
um começo e permaneceria em nossos corações ou nos
daqueles que nos conhecessem ao longo de nossa
existência.
Abri um olho apenas e dei um sorriso, porque estava
deitada em cima do peito forte de Thomas Reynard. Só
não estava preparada para dar de cara com Thunder
Assustador Storm, bem diante da minha cama, nos olhando
com a cara mais assustadora do mundo e dessa vez com
uma frigideira em mãos. Quase dei um grito de morte.
— Vai ser muito bom vocês dois começarem a me
explicar o porque estou sentindo vibrações estranhas aqui
nesse ninho de perdição que você chama de quarto,
Rainbow — falou e sua sobrancelha se ergueu em um arco
aterrador. Cara, Storm poderia ser medonho quando
queria.
Thomas se ergueu em um cotovelo e olhou para o meu
irmão e de volta para mim.
— Levante a mão, pelo amor de Deus, Rain. Mostre
para esse possível projeto de assassino da frigideira que
somos um casal muito feliz a caminho do altar — ele
disse.
Storm arregalou os olhos, enquanto eu erguia minha
mão orgulhosamente, tal qual uma donzela e ostentava a
aliança que havia recebido de Thomas na noite anterior.
— E isso deu direito a selar o acordo com, o quê? O
dote da noiva? Literalmente?
— Storm! Cala a boca!
A confusão atraiu meus pais, que entraram no quarto, e
Sunshine, com a escova de dente, na boca. Ela arregalou
os olhos em choque quando viu Thomas deitado na minha
cama. Mas seu semblante mudou, quase que
imediatamente, para o de uma plena conhecedora do que
estava rolando ali. E a escova quase desabou da boca,
porque o sorriso que ela deu foi bem safado.
Bom, aquela não era uma novidade, mas a situação
parecia ser um pouco incriminatória.
E estava sendo embaraçoso lidar com a reunião de
família ali.
— Okay, pai e mãe. Parece que teremos um casamento
para celebrar — Storm disse. — Rainbow finalmente
conheceu Thomas no sentido bíblico e não pode viver em
pecado.
— Storm! — gritei chocada.
— Que maravilha, Rain! Já não era sem tempo! Viver
o amor, formar uma linda família, ser feliz... — a mãe
disse. — Nos dar netinhos, não é, Herb?
— Minha filha está crescendo! — meu pai completou.
Escondi o rosto no peito de Thomas e apenas senti o
riso que ele dava.
Minha família era louca.
Completamente sem noção. Disfuncional para alguns,
alheia aos ditames sociais para outros.
Ainda assim, aprendi a entendê-los e me aceitar como
um elo diferente na equação que formava toda aquela
química Walker.
E agora eu teria uma vida a seguir dali em diante.
Seria uma Rainbow Walker Reynard.
Testei o sobrenome na boca e amei a forma como saiu.
Eu era jovem, tinha muita coisa para viver pela frente.
Mas queria viver os sonhos e esperanças ao lado daquele
que fez brilhar em mim as cores que sempre carreguei em
meu próprio nome.

Fim
Este Conto foi escrito especialmente para todos
aqueles que, de alguma forma, amaram o livro Rainbow,
se apaixonaram pelos personagens, pelo casal fofo, pelo
amor juvenil e encantador que Rainbow e Thomas
vivenciaram, mas sempre “pediram” por uma “cena”
especial dos dois.
Eu realmente optei por ter deixado que Rainbow
fizesse a escolha de permanecer e resguardar sua
castidade em seu livro, muito por acreditar que aos
dezessete, idade em que ela estava no livro, sua
maturidade ainda não estava voltada para decisões tão
importantes como esta na vida de uma mulher.
Pode parecer estranho, mas faz muito parte dos
princípios com os quais fui criada, embora não critique
quem viva de maneira diferente, em hipótese alguma, já
que cada um é dono de suas próprias decisões, mas uma
das coisas que fiz questão de mostrar é que as garotas não
devem simplesmente entregar seus corpos como um
ditame da moda, mas sim como algo pensado, e uma
atitude importante e bem tomada, já que é o bem mais
precioso que possuem, a estrutura que as carrega e deve
ser respeitada como tal. Acredito que muitas
adolescentes, hoje em dia, precisam entender que têm,
sim, que se amar primeiro, e não precisam viver com a
conduta lasciva que o mundo impõe, como uma forma de
aceitação social.
Daí Rainbow ter sido uma garota pudica, cheia de
princípios, com essa decisão tão firmemente enraizada
dentro de si. E Thomas apenas prova que, sim, existem
garotos que podem respeitar essa decisão das garotas,
basta saber onde procurar.
Como o coração de vocês ficou à deriva, carente de
um pouco mais, resolvi brindá-los com uma cena do
“depois dos felizes para sempre” dos dois, embora vocês
ainda terão o prazer de vê-los ao longo das histórias dos
irmãos.
Espero que tenham gostado...
Mesmo que tenham deixado saudade, assim como
deixaram em mim, assim que terminei de escrever.
Beijooooo no coração de cada um de vocês.
Lov Ya’ll
P.S. Por eu ser uma pessoa muito legal e atender aos
apelos de amigas sugestivas, segue abaixo o primeiro
capítulo do livro da SUNSHINE!!!! YAAAAY!!!
Esta é uma cena do livro SUNSHINE, que em breve,
se Deus quiser, estará nas mãos de vocês. Ainda sem
data prevista, okay? Mas estou disponibilizando apenas
um trecho, para deixá-las se preparando para o que
virá por aí... Estejam apenas cientes de que é um trecho
que pode, ou não, sofrer alterações futuras.
Eu estava chateada e não poderia fingir o contrário.
Embora Tyson tenha me convidado para o Baile de
Primavera, ainda assim, o cara que eu queria ali ao meu
lado estava bem distante, sem sequer fazer ideia de que
meus sentimentos por ele eram tão ou mais profundos do
que eu alegava.
Por ser um espírito muito mais livre e despojado do
que minha irmã mais velha, Rainbow, as pessoas faziam
uma ideia errada ao meu respeito. E eu deixava. Porque
aquilo fazia parte do meu jeito em manter uma faceta
minha completamente escondida dos outros.
Eu não gostava que ninguém descobrisse que dentro de
mim havia um lado muito mais romântico e incurável do
que se imaginava. Eu gostava que pensassem que eu era
volúvel como o vento, que trocava de paixões como quem
troca de camiseta, exatamente para proteger os
sentimentos que eu fazia questão de manter guardados só
para mim e meu diário. Meu diário fofo.
Okay. Apenas me julguem. Eu ainda tinha um diário
como melhor companheiro de sempre. Era ali que eu
depositava meus pensamentos e deixava minhas ideias
vagarem livres. E eu tinha que mantê-lo escondido do
Storm, que vasculhava minhas coisas à procura do Santo
Graal, como assim ele o chamava.
E era ali que eu havia confidenciado todo o amor
platônico que senti por Mike Crawford durante todo o ano
anterior, quando ele estudou com Thomas, namorado da
minha irmã.
Mike era o receptor do time de futebol americano e
agora, formado no Ensino Médio, jogava por Princeton,
mesma Universidade onde Thomas havia se matriculado,
para ficar próximo de Rainbow.
Fiquei mais do que surpresa com minha irmã mais
velha. No ano anterior, ela era uma concha fechada e
completamente obsoleta. Não fazia questão de se enturmar
com absolutamente nenhuma pessoa na face da terra, salvo
à exceção se fossem personagens fictícios de seus livros
de Literatura. Nem livros hot eram, pelo amor de Deus.
Eu pensando que minha irmã estava toda enamorada de
Christian Grey, quando na verdade ela curtia uma paixão
sutil por Mr. Darcy, de Orgulho e Preconceito. Pelo amor
de Deus. Era um lado muito culto que eu já não tinha.
Daí eu me sentia um pouco torta de uma maneira
estranha. Eu e Rainbow éramos como água e vinho. Não
vou nem dizer água e óleo, porque estas duas substâncias
não se misturam nunca, e eu e ela tínhamos uma boa
relação. Consegui inclusive incutir algum senso de moda
na vida daquela criatura.
Agora ela andava um pouco mais arrumadinha e fazia
jus à honra de ter como namorado o cara mais quente do
pedaço. Se Thomas Reynard já era um pedaço de mau
caminho naquela época, onde era o quarterback do time na
escola, imagine agora que era o quarterback reserva de
Princeton?
Porra. Eu tive que me abanar, porque a imagem por si
só já me deixava eufórica, mas ao mesmo tempo, tive que
me estapear, já que eu estava ofegando pelo namorado da
minha irmã, pelo amor de Deus!
Claro que se Mike Tapado Crawford, não fosse tão
teimoso e, repito, tapado, eu poderia estar ofegando, neste
momento, por ele.
Senti a mão de Tyson em meu ombro e fingi um sorriso
que não queria dar.
— Hey, gata. — Custei a não revirar os olhos e bufar
de maneira nem um pouco elegante. Se havia algo que eu
odiava era que alguém me chamasse de gata. — Vamos
dançar... você já bebeu seu ponche, já conversou com
Jamylle e Tayllie, agora é a minha vez de desfrutar da sua
companhia.
— Tyson, eu estou com uma unha encravada... por isso
estou mais quieta. Estou arrependida de ter escolhido este
salto. — Apontei para o sapato maldito e não senti culpa
nenhuma em mentir sobre o estado da minha unha, que
passa bem, obrigada.
— Vamos, Sunny... por favor, gatinha.
Maldita hora que aceitei ir ao baile com ele. Recebi
dois convites. De Tyson Creed e Maxwell Stevens. Mas
quem escolhi? O que eu achava mais bonito. Meu lado
fútil falou mais alto e agora eu estava pagando um preço
altíssimo por aquele pecado, porque o garoto era
insuportável.
Era muito errado se eu dançasse com ele e fechasse os
olhos, mas imaginasse que estivesse nos braços de outro?
Eu sabia que estava enganando meu pobre coração
fantasiando com um garoto proibido. Mike agora era um
universitário. Deixou o posto de veterano da escola, no
Ensino Médio, que já era um patamar altíssimo para mim,
e se elevou ao cargo mais elevado na escala máxima e
inalcançável na vida de uma reles mortal. Meu lado
dramático estava afloradíssimo.
Quando Tyson enlaçou minha cintura, permiti que
puxasse meu corpo contra o seu, já que a música era uma
balada lenta, mas não fiquei satisfeita, já que não queria
que ele tivesse ideias.
Tentando não fazer contato visual, deitei a cabeça no
ombro dele e apenas deixei que meus pensamentos
vagassem para a última memória que tinha de Mike.
Eu estava terminando de pintar as unhas dos pés de
um tom azul fulgurante quando ouvi o som de vozes no
andar inferior. Eu sabia que Thomas passaria ali mais
tarde para se despedir de Rainbow, já que iria para
Princeton, para o início de suas aulas.
— Sunny!
Ouvi Rain me chamar e estranhei, já que ela sempre
fazia questão de manter o bonitão só pra ela. Mas quem
a culparia, não é mesmo? Eu faria exatamente igual.
Sacudi meus pés no ar, na tentativa ridícula de fazer
com que o esmalte secasse um pouco mais rápido.
— Desça aqui! Thomas e Mike querem se despedir!
Quando ela disse aquilo, senti meu coração pular
três batidas e pensei que poderia estar com alguma
espécie de arritmia. Talvez até mesmo precisasse de um
desfibrilador rápido, só pra garantir o retorno da onda
Q, mas enfim...
Quase caí da cama, na pressa em sair do quarto.
Antes de descer, conferi meu visual no espelho que
ficava no corredor à frente da escada e vi que estava
tudo no lugar.
Cabelo sem frizz? Checado.
Blusa legal? Checado.
Sutiã mantendo tudo no lugar e nenhuma alça fora?
Checado.
Bunda pequena e comportada na calça jeans skinny?
Checado. Com ressalvas. A parte da bunda pequena.
Meu traseiro era um trunfo, mas me irritava
profundamente. Digamos que Rainbow tinha airbags. Eu
tinha amortecedores traseiros.
Quase voei da escada quando tropecei no degrau e
percebi que borrei a porra do esmalte.
— Caralhooooo...
Quando cheguei à base, notei que Thomas e Mike
estavam exatamente ali e tinham ouvido meu pequeno
desabafo verbal. E nem um pouco politicamente correto.
Senti o rosto esquentar um pouco e, talvez, pode ser
que tenha ficado um pouco avermelhado como um
pimentão, e dei um sorriso sutil.
— Olá. Desculpem por isso.
Meeeerda! Olhei para o carpete do degrau da escada
e percebi imediatamente que o esmalte azul tinha
deixado uma mancha lá. Minha mãe comeria meu fígado
na manteiga, besuntado com um pouco de ervas e
manjericão. Porra.
— Só um instante, meninos.
Subi correndo as escadas e peguei meu kit de
removedores de esmalte.
Quando desci, vi que Rainbow já estava entretendo
os rapazes na cozinha. Ótimo. Assim eu não teria plateia
para a limpeza da minha cena do crime.
Fora que também escaparia do esporro que receberia
por conta do carpete.
Ajoelhei no pé da escada e com um algodão
embebido em removedor, me dediquei à tarefa hercúlea
de tentar remover a mancha azul petróleo, que ficava
linda, diga-se de passagem, na minha unha, mas
adquiria um tom funesto no maldito carpete.
Minha concentração era quase no mesmo nível que a
da equipe de criminalística do CSI NY, então eu estava
abduzida totalmente na tarefa e não percebi a
aproximação de ninguém, até que ouvi o pigarro.
— Uma bela vista a que tenho daqui — a voz que eu
reconheceria em qualquer lugar do mundo disse.
Corei até a raiz dos cabelos e te juro, se isso fosse
possível, minha cabeleira negra teria se transformado
em um tom maravilhoso de vermelho escarlate naquele
instante.
Esperei um pouco para recobrar a compostura e
fechei o frasco do removedor, tentando evitar um
desastre maior, já que minhas mãos estavam mais
trêmulas do que as do Sr. Jacobson, um antigo vizinho, e
ele tinha Parkinson severo.
— Oh, eu cometi um pequeno deslize e preciso
eliminar a cena do crime antes que Rainbow caia
matando em cima de mim — falei, tentando parecer
jovial. Mike me deixava nervosa. Toda a minha
jocosidade ia embora pelo ralo quando ele estava no
mesmo lugar.
— Entendi. Você poderia continuar. Eu estava
achando seu trabalho muito interessante. — Quando
olhei para o rosto dele, percebi um sorriso matreiro e,
em seus olhos azuis, brilhava uma leve fagulha de...
luxúria?
O quê? Okay. Talvez fosse pelo fato de que a minha
bunda estivesse dando o ar da graça. Maldita bunda.
Sempre fazendo aparição antes da minha inteligência.
Eu ri descaradamente, tentando aliviar o clima.
— Seu tarado. Você estava olhando para o meu
traseiro, Mike? — perguntei de supetão.
O idiota nem sequer pestanejou. Achei que ele fosse
ficar ressabiado, envergonhado, qualquer coisa que
terminasse com o sufixo ado, mas não rolou.
Ele simplesmente continuou encostado na parede, me
olhando atentamente.
— Se eu confessar o crime, vou ter direito à
penitência?
— Você vê algum padre aqui? — devolvi a
brincadeira.
— Garota, você é dura na queda, não? — ele riu.
Ergui meu corpo por completo e o encarei de frente.
Larguei o chumaço de algodão e o frasco do produto e
coloquei minhas mãos nos bolsos de trás do meu jeans.
Ainda bem que não tinha pintado as unhas das mãos. Ou
eu teria totalmente estragado o serviço.
— Então... vocês vão seguir para Princeton? —
perguntei o óbvio. Quase dei um tapa na minha própria
cabeça. Imbecil. Assim ele saberia que eu estava
stalkeando a vida dele.
— Yeap. A ideia é ficar durante a semana e voltar nos
finais de semana.
Mike não era muito falador. Ele era conhecido por
ser extremamente introspectivo e centrado.
Ao contrário do que muita gente esperava, Mike não
era festeiro, mesmo quando ocupava o posto de receptor
mais fantástico da escola, mesmo que as garotas
pulassem de biquíni à sua frente e mesmo que você
acenasse em sua cara que estava a fim dele.
Não que eu tenha feito alguma das coisas citadas.
— Legal.
Idiota. Onde estava toda a minha esperteza? Minha
leveza e jovialidade em conversar como uma maritaca,
sem dar bola para o que pensassem de mim? Eu fazia o
estereótipo da garota tapada e avoada, mas somente
quem me conhecia de verdade conseguia vislumbrar a
verdadeira essência de quem realmente era Sunshine
Walker.
Mike coçou a cabeça e pareceu um pouco sem jeito,
já que o papo não evoluiu.
Vamos lá. Houve uma festa, há um tempo, onde eu
dancei com ele e digamos assim que... trocamos um beijo
ardente. Depois daquele beijo, Mike simplesmente
evaporou e fugiu de mim como se eu tivesse herpes.
Foi desconcertante, mas eu entendi o recado. Ele não
queria nada com uma caloura como eu. Ele estaria se
formando no Ensino Médio, enquanto eu ainda seria
uma garota escolar. Ou simplesmente, eu poderia
internalizar que, eu não signifiquei absolutamente nada
para que valesse um décimo de pensamento a mais.
Não como eu pensei nele depois daquilo. Aquele
receptor capturou meu coração, exatamente como fazia
com a maldita bola oval que Thomas lançava para ele
durante um jogo.
E a analogia foi bem similar, porque no jogo, o
receptor pegava a bolinha bonitinha, corria fugindo dos
brutamontes que queriam lhe derrubar no meio do
caminho e fazia o quê? Um touchdown na end zone. E
para fazer isso o que ele deveria fazer? Largar a porra
da bola oval. Então, analisando o esquema das coisas
em minha mente louca, Mike pegou meu coraçãozinho,
correu as jardas e boooom! Arremessou o pobre órgão
vital longe. E... end zone. Ou... friend zone. Que foi mais
ou menos a zona de relacionamento que passamos a
manter depois. Ficamos na zona dos amigos apenas.
— Eu gostaria de saber se posso manter contato com
você... — ele sondou e pareceu constrangido.
Ergui uma sobrancelha, quase em choque diante da
questão apresentada, mas consegui me recompor.
— Ahn... claro. Somos amigos, não somos? — tentei
brincar de maneira mais leve possível.
Vi quando um dos lados de sua boca se ergueu em um
sorriso brando.
— Sim. Claro, Sunny.
Thomas apareceu naquele momento com o braço
acima dos ombros de Rainbow. Minha irmã estava tão
feliz e triste ao mesmo tempo.
Espera. Eram dois sentimentos distintos, mas
estavam estampados nos olhos dela.
Eu imaginava que ela ficaria com saudades de seu
namorado fofo. Thomas fora muito mais do que um
simples companheiro de beijos quentes. Ele cumpriu a
proposta fielmente ao cargo de namorado do ano. O
cara desbancou totalmente qualquer outro macho da
espécie.
— Assim que eu chegar lá, eu te ligo, okay? E você
não precisa ficar preocupada, Rain. Porque vamos fazer
um período de teste. Ver se vai funcionar esse esquema
de ficar lá durante a semana ou não. — Thomas
segurava o rosto da minha irmã e eu tentava não babar
no interlúdio romântico. Quando olhei para o lado,
percebi Mike me observando atentamente.
— Você sabe que vai ser melhor, não é? — Rain
falou. — Ficar voltando direto pra cá todo dia vai ser
inviável.
— Mas podemos descobrir um meio de transporte
que facilite — ele teimou. — Posso ver se tem rota do
trem.
Rainbow riu.
— Thomas, apenas vá, se esforce, estude e volte
quando puder, okay? Eu vou estar aqui. Até que
comecem minhas aulas, nós vamos acabar nos
ajustando. — Quando minha irmã tinha ficado tão
sábia? Ah, sim... desde sempre e mais ainda quando
nossos pais hippies resolveram se aventurar e ficar fora
por alguns meses, nos deixando sozinhos e aos cuidados
dela. — Você sabe que vai dar certo.
Storm entrou pela porta naquele momento.
— Whoa... o que é isso? Reunião de alguma espécie
de fraternidade? Vocês entendem que eu não posso ir
com vocês, certo? Eu sei que vocês estão aqui tentando
me levar junto, mas caras... eu ainda estou na escola,
então por favor, não insistam...
Todos rimos, porque não havia jeito de ficar de mau
humor ao lado de Storm. A não ser quando ele estava
sendo insuportável. E esses eventos eram esporádicos,
graças a Deus.
Thomas se afastou com Rain, Storm despediu-se de
Mike e subiu as escadas e eu fiquei sozinha novamente.
Mike chegou perto e estendeu a mão para mim.
— Se comporte na escola, Sunny — ele disse e não
consegui evitar em revirar os olhos. Ele achava que
estava falando com quem? A irmã mais nova, porra? —
Eu vou manter contato, okay?
— Okie-dokie.
Sem esperar por aquele movimento, Mike me puxou
para um abraço e depositou um beijo no topo da minha
cabeça.
Eu agarrei a barra de sua camiseta e aspirei
singelamente o cheiro gostoso que ele sempre levava de
Old Spice.
Quando nos separamos, Mike abaixou o rosto e
depositou um beijo suave no canto da minha boca.
Ah, minha nossa. Eu ia morrer ali. Porque minha
vontade era grudar as mãos naqueles cabelos lindos
dele e puxá-lo para um replay daquele beijo naquela
festa, há tanto tempo... eu queria uma recordação mais
vívida. Eu queria tudo dele.
Sem mais nem menos, Mike se virou e foi embora.

Voltei para o presente quando senti a mão de Tyson


deslizando para a minha bunda.
— Tyson?
— Hummm?
— O que você está fazendo? — perguntei numa boa,
porque sou gentil, mas eu sabia exatamente o que o idiota
estava fazendo e eu apenas queria alertá-lo para o que
viria.
— O que você acha, gatinha?
— Que tal se eu achatar suas bolas com uma joelhada
certeira, e logo em seguida socar esse seu nariz petulante?
— perguntei e olhei com todo o ódio que eu poderia
exprimir em minha voz.
A mão de Tyson continuou no mesmo lugar e seu
agarre se tornou mais firme.
— Por que fingir que não quer isso, Sunny? Todo
mundo sabe que você gosta de dar uns amassos por aí...
— ele falou em deboche.
— É mesmo? E por acaso você soube isso de quem?
— Dos caras...
— Por acaso dos mesmos caras que são seus amigos e
que sempre receberam um não como resposta minha? —
Tentei me livrar de seus braços de tentáculos.
— Ah, qual é, Sunny... você quer isso... vamos.
Quanto mais eu me contorcia para sair do agarre
brutal, mais Tyson achava graça. Como a pista de dança
estava tremeluzindo com as luzes estroboscópicas do
caralho, além da música ensurdecedora, eu sabia que
ninguém daria atenção ao que estava acontecendo ali.
— Eu acho que a garota mandou você soltá-la, cara.
Virei meu rosto rapidamente ao ouvir sua voz. Eu
nunca poderia imaginar. Mike estava ali, na minha frente,
melhor, às minhas costas, como um cavaleiro de armadura
brilhante, disposto a me salvar!
CONHEÇA O LIVRO RAINBOW

Sinopse:
Rainbow Walker sempre se sentiu diferente das
garotas da sua idade. Com um nome peculiar e uma
família estranha, ela nunca conseguiu estabelecer
vínculos ou manter muitas amizades. Agora, em uma
nova cidade, ela terá de se adaptar a uma nova escola e
rotina, ao mesmo tempo que precisa deixar sua
introspecção de lado. Mas Rainbow não está sozinha
nessa jornada, já que uma pessoa inesperada entra em
seu caminho, fazendo com que ela precise rever todos os
velhos preconceitos em relação aos outros, obrigando-se
a deixar as pessoas entrarem na sua vida. Reviravoltas,
conflitos familiares e toda espécie de desventuras
típicas de uma adolescente no Ensino Médio não podem
competir com o que ela menos esperava encontrar: o
amor e a autodescoberta.

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