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Analise. dos Sistemas de Medi¢cao MSA eee =eleere) Oe ¥ a i % ANALISE DOS SISTEMAS DE MEDICAO MSA Manual de Referéncia Terceira Edigao | igi Americana pubic em Ontubro de 198» 2 digo Amercana publics em Feerete de 195; 2 meas em. ano de 199, 3 Eigdo Americana publica em Margo de 2002; 2 Impress em Mao de 2003. ooo 08 crtos reservados @ 1990, 9 1985, © 2002 Dainler Cys Corporation Ford Mot Company, Ganaal Motos Corporation Primeira Edigao Brasileira publicada em Junho de 1997 ‘Segunda Edigao Brasileira publicada em Fevereiro de 2004 “Este manual 6 publicado de acordo com o protocolo de traducao estabelecido pela Chrysler, Forde General Motors, sondo este manual a traducao oficial em Portugués, ‘Todas as tradugdes sancionadas do QS-9000 s8o somente para referéncia, uma vez que o Ing! idioma oficial, em inglés, devem ser resolvidas usando 0 @S-9000 em Inglés. 0s direitos autorais desta tradugao pertencem & Chrysler, Ford e General Motors.” Cépias da versao em inglés podem ser obtidas no: ‘Automotive Industry Action Group (AIAG) (01-248-358-3003 (U.S.A.) Carwin Continuous Improvement 44-1 708-861 333 (U.K) Cépias da verséo em portugués podem ser obtidas no: IQA — Instituto da Qualidade Automotiva 55 11 5533-4545 (Brasil) PREFACIO Este Manual de Referéncia foi desenvolvido por um Grupo de Trabalho de Anélise dos Sistemas de Medigio (MSA), autorizado pela Forga Tarefa da DaimlerChryslet Corporation/Ford Motor Company/General Motors Corporation atuante no tema de Requisitos de Qualidade para Fornecedores, ¢ sob os auspicios da Sociedade Americana para a Qualidade (ASQ) e do Grupo de Agio da Indiistria Automotiva (AIAG). Os membros do Grupo de Trabalho responsdvel por esta Terceira Edigdo foram David Benham (DaimlerChrysler Corporation), Michael Down (General Motors Corporation), Peter Cvetkovski (Ford Motor Company), Gregory Gruska (Third Generation, Inc., Tripp Martin (Federa} Mogul) e Steve Stahley (SRS Techical Services). No passado, a Chrysler, a Ford, ¢ a General Motors, cada qual tinha suas préprias diretrizes e formulérios para garantir que o fornecedor cumprisse uma exigéncia qualquer. As diferencas entre tais diretrizes resultavamn ‘em demandas adicionais que recaiam sobre os recursos do fornecedor. Para melhorar esta situacio, a Forga ‘Tarefa foi formalmente estabelecida para padronizar os manuais de referéncia, procedimentos, formulérios para relatérios ¢ a nomenclatura técnica utilizada pela Chrysler, Ford, ¢ General Motors. Nestas circunstancias, a Chrysler, a Ford, ¢ a General Motors concordaram em 1990 desenvolver, e, por meio do AIAG, distribuir um Manual de Anélise dos Sistemas de Medi¢io - MSA. A primeira edicao foi bem recebida pelos fornecedores que fizeram valiosas contribuigdes com base em experiéncias priticas de aplicaglo. Tais contribuigdes foram incorporadas na segunda e nesta terceira edigao. Este manual, aprovado e endossado pela DaimnlerCarysler Corporation, Ford Motor Company, e General Motors Corporation, € umm documento de referéncia suplementar a0 QS9000. (© manual é considerado uma apresentagao inicial da analise do sistema de medi¢io, Nao tem a intengao de limitar a evolucdo dos méodos de anélise apropriados a determinados processos ou produtos. Embora estas diretrizes pretendam cobrir as situagdes que normalmente so pertinentes aos sistemas de medigao, poderdo ocorrer algumas questoes. Estas questées deverdo ser encaminhadas para o setor denominado Qualidade Assegurada do Fornecedor (SQA) do seu cliente. Se vocé tiver divide como contatar 0 setor de Qualidade Assegurada do Fornecedor (SQA) apropriado, 0 comprador do Escritério de Suprimentos de seu cliente poderd ajudé-to, © Grupo de Trabalho de Anélise dos Sistemas de Medi¢do (MSA) expressa stia gratidio: pela lideranga e comprometimento dos Vice-Presidentes Tom Sidlik da DaimlerChrysler Corporation, Carlos Mazzorin da Ford Motor Company, ¢ Bo Andersson da General Motors Corporation; pela assisténcia do AIAG no desenvolvimento, produgio, € distribuicdo do manual; pela orientacao dos lideres da Forga Tarefa, Hank Gyn (DaimlerChrysler Corporation), Russ Hopkins (Ford Motor Company), ¢ Joe Bransky (General Motors Corporation), em associagdo com a ASQ representada por Jackie Parkhurst (General Motors Corporation), a Sociedade Americana para Testes ¢ Materiais (ASTM International), Este manual foi desenvolvido para atender as necessidades especificas da indistria automotive. Os Direitos Autorais (Copyright) deste Manual so da DaimlerChrysler Corporation, Ford Motor Company, € General Motors Corporation, com todos os direitos reservados, 2002. Manuais adicionais poderio ser solicitados ao AIAG e/ou a permissio para copiar partes deste manual para uso interno nas organizagdes fomecedoras poder ser obtida do AIAG pelo telefone 248-358,3570. ‘Margo, 2002 PREFACIO Este Manual de Referéncia foi desenvolvido por um Grupo de Trabalho de Andlise dos Sistemas de Medico (MSA), autorizado pela Forga Tarefa da Chrysler/Ford/General Motors atuante no tema de Requisitos de Quatidade para Fornecedores, ¢ sob os auspfcios da Divisio Automotiva da Sociedade Americana para 0 Controle de Qualidade (ASQC) € do Grupo de Agao da Inddstria Automotiva (AIAG). Os membros do Grupo de Trabalho responsdvel por esta Segunda Edigdo foram Ray Daugherty (Cinysler), Victor Lowe, Jt. (Ford), o encarregado pelo grupo Michael H. Down (General Motors), © Gregory Gruska (The Third Generation Inc.) No passado, a Chrysler, a Ford, ea General Motors, cada qual tinha suas proprias diretrizes ¢ formulérios para garantir que 0 fornecedor cumprisse uma exigéncia qualquer. As diferengas entre tais diretrizes resultavam em demandas adicionais que recaiam sobre os recursos do fornecedor, Para melhorar esta situagdo, a Forea Tarefa foi formalmente estabelecida para padronizar os manuais de referéncia, procedimentos, formuldrios para relatérios © a nomenclatura técnica utilizada pela Chrysler, Ford, € General Motors, Nestas circunstancias, a Chrysler, a Ford, e a General Motors concordaram em 1990 desenvolver, ¢, por meio do AIAG, distribuir um Manual de Andlise dos Sistemas de Medico - MSA. A primeira e foi bem recebida pelos fornecedores que fizeram valiosas contribuigdes com base em experiéncias praticas de aplicacao. Tais contribuigdes foram incorporadas nesta segunda edi¢o. Este manual, aprovado € endossado pela Chrysler, Ford, e General Motors, pode ser utilizado pelos fornecedores para implementar as técnicas de Andlise dos Sistemas de Medigdo - MSA em seus processos de manufatura e também para satisfazer as exigéncias da QS9000. © manual pode ser considerado uma apresentacdo inicial da analise do sistema de medigao. Nao tem a intengao de limitar a evolucdo dos métodos de anslise apropriados a determinados processos ou produtos. Embora estas diretrizes pretendam cobrir as situagdes que normalmente so pertinentes aos sistemas de medigio, poderao ocorrer algumas questdes. Estas questées deverdo ser encaminhadas para 0 setor denominado Qualidade Assegurada do Forecedor (SQA) do seu cliente. Se vocé tiver diivida como contatar o setor de Qualidade Assegurada do Fornecedor (SQA) apropriado, o comprador do Escritério de Suprimentos de seu cliente poderd ajudé-lo. A Forca Tarefa expressa sua gratidio: pela lideranca ¢ comprometimento dos Vice-Presidentes Thomas T, Stallkamp da Chrysler, Norman F. Ehlers da Ford, e Harold R. Kutner da General Motors; pela assisténcia do AIAG no desenvolvimento, producdo, € distribuigao deste manual; pela orientagao dos Ifderes da Forga Tarefa, Russell Jacobs (Chrysler), Stephen Walsh (Ford), e Dan Reid (General Motors); e, pela supervisio da ASQC. Bis a razdo pela qual este manual foi desenvolvido para atender as necessidades especificas da indiistria automotiva, Os Diteitos Autorais (Copyright) deste Manual sio da AIAG, com todos os direitos reservados, 1994, Manuais adicionais poderio ser solicitados ao AIAG elou a permissio para copiar partes deste Procedimento para uso interno nas organizacdes fornecedoras poderé ser obtida do AIAG pelo telefone 810-358.3570. Fevereiro, 1995 Consulta Raépida ao Manual MSA - 3a. Edicao Tipo do Sistema de Medigio Método MSA Capitulo Amplitude, Média & Amplitude, ANOVA, Bete dented Tendencia, Linearidade, Cartas de Controle 7 Detecgio de Sinal, etn tdsiea: ‘Aniilises de Testes de Hipsteses m Nao-Replicével (ex: Testes destrutivos) Cartas de Controle v Amplitude, Média e Amplitude, ANOVA, eee eee ‘Tendéncia, Linearidade, Cartas de Controle oe Sistemas Maitiplos, Dispositivos Cartas de Controle, ANOVA, mv de Medico ou Bancadas de Teste ‘Andlise de Regressao : Processo Continuo Cartas de Controle am Miscelinea ‘Abordagens Alternativas v Relatrios dispontveis em hhuptwww aig. org/publicasions/quality/msa’ him Outros Historicamente, e por convengdo, a variagao de 99% tem sido usada para representar a variagdo “total’ do erro de medigao, representada pelo fator multiplicador 5,15 (onde «,,,.6 multiplicado por 5,15 para representar a vatiagdo total de 99%). A variagdo total 99,73% 6 representada pelo fator muttiplicador 6, que significa + 3c, @ representa a variagao total da curva “normal”. Se o leitor quer aumentar 0 nivel de cobertura da variacao total da medicao (variagao total) para 99,73%, por favor adote nos calculos o multiplicador 6 em vez de 5,15. Plena consciéncia de qual fator multiplicador usar é crucial para a integridade das equagées de céloulo e respectivos resultados. Isto é especialmente importante ao se comparar a variabilidade do sistema de medigao contra a tolerancia. vi INDICE CAPITULO I-- DIRETRIZES GERAIS PARA OS SISTEMAS DE MEDICKO en CAPETULO I~ Segio A Introdugio, Objetivo e Terminologia...... ‘Qualidade dos Dados de Medico objetivo cane “Terminologia ; Sumério de Termos Valor Verdadeiro CAPITULO I - Seco B (0 Processo de Medigo Propriedades Estatistcas dox Sistemas de Medico Fontes de Varig ssn Os Efeitos da Variabilidade do Efeitos nas Decisdes....... feito nas Decisdes sobre 0 Proto feito nas Decisdes sobre 0 Proceso Acritagaa de um Novo Processo Ajuste e Controle do Processo (Experimento do Fan) CAPETULO I~ Sesto Estratégia ¢ Planejamento: ‘da ‘Medicao ‘Complexidade Identficagao do Objetvo do Processo de Medigao Ciclo de Vide da Medica ; Critérios para a Selegio de wn Projeto do Pracesso de Medigao Pesquisa dos Varios Métodos de Processo de Medicao. Desenvolvimento e Projeto de Conceitos e Propostas CAPITULO 1 ~ Segao D Desenvolvimento das Fontes Geradoras de Medi Coordenagao de Dados. Pré-requsitos e Premissas Provesso de Selegzo da Procedéncis do Dispositivo de Medigio Conceito de Engenharia Detalhado Consideragdes sobre a Manutengio Preventiva Especficagdes Avaliagdo das Cotacies Dacumentagdo Disponivel Qualificagdo no Fornecedor Transporte Qualificagdo no Cliente Documentacdo Fornecda Tépicos Sugeridos a Inclur Numa Lista de Controle para 0 Desenvolvimento de wm Sistema de Medigdo 36 CAPITULO 1 = Segio E ‘Questées Relativas & Medigao 39 Tivos de Variagdes Peculiares @ um Sistema de Medigto : a ‘: sme 40 Definigdes e Fontes Potenciais de Variacdo : q 40 Variagdo do Processo de Medi .u..1nonne ea ala teeta on AB Variagao da Localizacao. 48 Variagdo da Dispersio vunnnennininenninnasinenrnnr snennaninnninenvnnnnnnnnnnne SD Variagéo do Sistema de Mediciio 56 Comentarios amen 59 CAPITULO 1 - Seco F Incerteza da Media .. Generatidades vii Incerteza da Medigéo ¢ a Andtise dos Sistemas de Medig@o ~ MSA ou Rasireabilidade da Medicao Diretriz ISO para Expressar a Incerteza na Medigao. CAPITULO 1 - Secio G. Anilise de Problema de Medicao ... CAPITULO TI - CONCEITOS GERAIS PARA AVALIAR OS SISTEMAS DE MEDIGAO. CAPITULO Tl ~ Segi0 A nmr Fundamentos CAPITULO Ht - Segio B. Selegio/Desenvolvimento de Procedimentos de Teste CAPITULO TI Se680 C srr . Preparagao para um Estudo do Sistema de Medigao CAPITULO It - Segio D Anélise dos Resultados ~ Critério de Aceitabilidade CAPITULO Il - PRATICAS RECOMENDADAS PARA SISTEMAS DE MEDIGAO SIMPLES... CAPITULO IIE - Seco A sro Exemplos de Procedimentos de Teste CAPITULO III ~ Seco B Direrizes para o Estudo do Sistema de Medigio por Variveis Diretrizes para a Determinacao da Estabilidade Diverrizes para a Determinagéo da Tendéncia - Método da Amostra Independent. Diretrizes para a Determinagio da Tendéncia ~ Método da Carta de Controle Diretrizes para a Determinacdo da Linearidade g Diresrizes para a Determinagao da Repetiividade e Reprodbilidade. Metodo da Amplitude ron so Ge ei eeh eet erate att Método da Média e Amplitude Carta de Médias... i Cartas de Amplitudes Carta de Segiiéncias (Run Chart). Grifico de Disperséo “Whiskers Chart”. Cartas de Err0s Histograma Normatizado Grifico X-V de Médias por Tamanho. Grificos K-¥ de Comparacao Céleulos Numéricos . Andlise Numérica dos Resultado. Método da Andlise de Vartnacia (ANOVA) ooo : Aleatorizagio e Independéncia Estatistic a CAPITULO Il - Segio C Estudo dos Sistemas de Medigie por Avibutos ‘Métodos de Andlise de Risco.. Método Analitied um G CAPITULO IV - PRATICAS PARA SISTEMAS DE MEDIGAO COMPLEXOS.... CAP{TULO IV — Seco A Priticas para Sistemas de CAPITULO IV ~ Segao B Estudos de Estabilidade ‘SI: Pega Unica, Medigéo Unica por Ciclo. ‘52: n23 Pegas, Medico Unica por Ciclo por Pega. 83: Amosira Grande de um Processo Estdvel ‘84; Amosiras Divididas (Geral), Amostra Unica por Ciclo, 55: Bancadas de Teste. : CAPITULO IV — Seqao C Estudos de Variabilidade : Vi: Estudos-Padrio de Repetitividade e Reprodutiilidade do Dispositivo de Medigao (R&R)... viii V2: Leituras Miitiplas com p22 Instrumentos. V3: Divisdo de AMOStrAS wwnmnnnsosnunsonrnen V4: Divisdo de Amostras. V5: VI com Pecas Estabilisadas V6: Andlise de Séries por Tempo V7: Andlise Line onan Seine i V8: Tempo versus Degradagda da Caractertstica (Propriedade).. 155 V9: V2 com Leituras Miitiplas Simultneas ¢ p23 Instrementos iu CAPITULO V - OUTROS CONCEITOS DE MEDICAO, CAPITULO V - Segio A Reconhecimento do Beto da Excessiva Variagio na Propria Pega CAPITULO V - Segio B : Méiodo da Média e Amplitude CAPITULO V ~ Secio C. Curva de Desempenho do Disposi CAPETULO V ~ Se¢40 D rune Reducio da Variagdo por Meio de Leituras Mhiplas CAPITULO V ~ Segio E aoe ‘Abordagem do Desvio-Padrio Composto para a Reet dade e Reprodutibilidade éo Dispositivo de Medigio(R&R) : Beda APENDICES su : Apéndice A Conccitos de Analise de Varidncia.... Apéndice B.. impacto do R&R sobre o fndice de Capbiidde . Formulas. Estudo de Repetitividade do Disposit Apéndice F Cleulo Alternativo da Variagao da Pega (VP) Usando um Termo de Comegio do Ero Apéndice F.. Modelo P.1S.M.OE.A para Anélise do Ero... GLOSSARIO .. BIBLIOGRAFIA wowownnonn EXEMPLOS DE FORMULARIOS INDICE REMISSIVO Processo do Usuirio para Realimentar/Aperfeigoar 0 Manual de Andlise dos (MSA). ix Numero Zoovonsone " 12 13 4 15 16 7 18 19 LISTA DE TABELAS Titulo Filosofia de Controle e Interesse Propulsor.. Dados para um Estudo de Tendéncia Estudo de Tendéncia — Andlise do Estudo de Tendéncia Estudo de Tendéncia — Andlise de Estudo de Estabilidade para a Tendéncia ..... 90 Dados para um Estudo de Linearidade... Estudo de Linearidade — Resultados Intermediarios .... Estudo do Dispositivo de Medigao (Método da Amplitude) Tabela ANOVA ..cssseseinsesnnnesectseesen 120 Anélise ANOVA ~ Porcentagem de Variagao © Contriouigao 124 Comparagao dos Métodos ANOVA e da Média e Amplitude ... 122 Relatério do Método ANOVA para R&R do Dispositivo de Medico. 122 127 143 Conjunto de Dados para um Estudo de Atributos Exemplos de Sistemas de Medigéo ... Métodos baseados no Tipo de Sistema de Medigao ... Conjunto de Dados para Andlise do Desvio-Padrao Composto Estimativa dos Componentes da Variancia .. Dispersdo 5,15 Sigma ... Andlise de Variancias (ANOVA) ... TTabela de Resullados ANOVA (Partes a e b) Comparagao entre Gp Observado e Cp Real 181 187 188 189 . 190 . 193 xi Numero anon LISTA DE FIGURAS Titulo Pagina Exemplo de uma Cadeia de Rastreabilidade para a Medigao de um Comprimento .. i Variablidads do Sistema de Mediga0 - Diagram do Causa e Efeto. Relacionamento entre os Varios Padrées ... : Discriminagao .. Impacto do Numi gC Distribuicdo de um Processo sobre as Atividades de Controle e Andlise....... 45 Cartas de Controle do Processo ..... Caracteristicas da Variagdo do Processo de Medig¢ao. Relacionamento entre Tendéncia e Repetitividade Andlise da Carta de Controle quanto a Estabilidade Estudo de Tendéncia - Histograma do Estudo de Tendéncia .. Estudo de Linearidade — Andlise Grafica.............:0000 .e Folha de Coleta de Dados para a Repeiitividade © Reprodutibilidade do Dispositivo de Medico ie sennee 104 Carta de Médias - “Superpostas” : Carta de Médias - “Nao Superposta Carta de Amplitudes — "Superpostas’ .... Carta de Amplitudes — "Nao Superpostas’ . Carta de SeqUéncias por Pega (Run Cra) Gratico de Dispersao .... Carta de Bigodes Cartas de Erros. Histograma Normaiizad i Gréfico X-Y das Médias por Tamanho Graficos X-Y de Comparagao ....... Folha Preenchida de Coleta de Dados para a Repetitividac Reprodutibiidade do Dispositivo de Medigao ... Relatdrio de Repetitvidade e Reprodutibilidade do Dispositivo de Medigao Gréfico de interaca Gratico de Residuos Exemplo de Processo “Areas Cinzentas” Associadas com o Sistema de Medica . Exemplo de Proceso com Pp = Ppk = 1,33 Curva de Desempenho do Dispositive de Avaliagao Atributiva Projetada no Grafico de Probabilidade Normal Curva de Desempenho do Dispositivo de Avaliag (33a & b) Carta de Controle para Avaliacéo da ‘Medigao vee (84a & b) Célculos do Método da Carta de Controle para Avaliar um Processo de Mediga0....... 2 Curva de Desempenho do Dispositivo de ‘Medigao ‘Sem| Etro . Curva de Desempenho do Dispositivo de Medi¢ao - Exemplo Desempenho do Dispositivo de Medigao Projetado no Grafico de Probabilidade Normal ... (88a, b & c) Andlise Grafica do Estudo do Desvio-Padrao 113 oa 4 119 119 126 126 133 139 140 "164 & 165 166 & 167 Cp Observado vs. Cp Real (Baseado na Tolerancia xii AGRADECIMENTOS ‘Ao longo dos anos muitas pessoas trabalharam para gerar este documento, A seguir foram mencionadas apenas algumas destas pessoas que dedicaram muito de seu tempo e esforgo no desenvolvimento deste manual. ASQ € 0 AIAG contriburam com tempo e instalagdes para o desenvolvimento desta publicagao. Greg Gruska, representando a Divisio Automotiva da ASQ, John Katona, como ex-presidente do Grupo de ‘Trabalho de Revisao, foram colaboradores significativos para o desenvolvimento ¢ publicacao deste manual. As téenicas descritas no Capitulo IIT deste documento foram primeiramente investigadas e desenvolvidas por Kazem Mirkhani da “Chevrolet Product Assurance” sob a dirego e motivacao de Bamey Flynn, O estudo do dispositivo de medigao para varidveis, baseado num artigo de R. W. Turner da General Electric (1962. ASQC Transactions), foi vatidado por Jim McCaslin Conceitos foram estendidos aos estudos para atributos e &s curvas de desempenho do dispositive de avaliagao por Jim McCaslin, Gregory Gruska e Tom Bruzell da Chevrolet (1976 ASQC Transactions). Estas técnicas foram consolidadas e editadas por Bill Wiechec em Junho de 1978, resultando na publicacio do livro da Chevrolet Andlise do Sistema de Medigao. Ao longo destes tiltimos anos foram desenvolvidas matérias suplementares. Em particular, Sheryl Hansen ¢ Ray Benner da Oldsmobile documentaram a abordagem ANOVA e os intervalos de confianga. Nos anos '80 Larry Marruffo e John Lazur da Chevrolet atualizaram 0 manual Chevrolet. John Lazar ¢ Kazem Mirkhani organizaram as segdes do manual e reforgaram al guns conceitos tais como estabilidade, linearidade, e ANOVA. Jothi Shanker da Electronic Data Systems Corporation (EDS) contribuiu na preparago da atualizacao para “Supplier Development Staff”. Atualizagdes adicionais incluram os conceitos de identificagio ¢ qualificagao da variagio na propria pega, bem como uma descricéo mais completa da estabilidade estatistica, as quais foram contribuigdes do Comité de Revisdo Fstatistica da General Motors Corporation. s ditimos aperfeigoamentos foram: a atualizagdo do formulério para aderir & atual documentagdo QS9000, mais explicagdes ¢ exemplos pata facilitar 0 uso do manual, a discussao sobre 0 conceito de incerteza da medigao, ¢ a inclusto de assuntos omitidos ou inexistentes quando o manual original foi escrito. Esta atualizagao inclui também o conceito de ciclo de vida do sistema de medigio e caminha em direcao de uma anélise da medigo similar & anélise convencional do processo. Nesta revisio foram inciufdas partes do manual interno da GM Powertrain, Processos de Medicao: Planejamento, Utilizacéo e Aperfeicoamento, impresso em 28 de Abril de 1993. Oatual sub-comité para re-escrever este manual € presidido por Mike Down da General Motors Corporation compie-se de David Benham da DaimlerChrysler Corporation, Peter Cvethovski da Ford Motor Company, Greg Gruska, como representante da Divisio Automotiva da ASQ, Tripp Martin da Federal Mogul, ¢ Steve Stahley da SRS Technical Services. Contam-se também significativas contribuigdes feitas por Yanling Zuo da Minitab, Neil Ullman da ASTM International, e Gordon Skattum da Divisao de Tecnologia do Colégio de Rock Valley. © AIAG contribuiu com tempo e instalagdes para ajudar o desenvolvimento desta publicagao. Finalmente, 0 consenso coletivo sobre 0 contetido deste documento foi alcangado pelos membros do Grupo de Trabalho MSA, representando a General Motors Corporation, a DaimlerChrysler Corporation a Ford Motor Company. Michael H. Down David R. Benham Peter Cvetkovski General Motors Corporation DaimlerChrysler Corporation Ford Motor Company xiii xiv Capitulo 1 Diretrizes Gerais para os Sistemas de Medico Capitulo I DIRETRIZES GERAIS PARA OS SISTEMAS DE MEDICAO Capitulo 1 Segio A Inzodugio, Objeivo e Terminologia Capitulo 1- Segio A Introdugdo, Objetivo ¢ Terminalogia CAPITULO | - Segdo A Introdugao, Objetivo e Terminologia Introdugao Qualidade dos Dados de Medigao Atualmente os dados de medigio so utilizados mais fregiientemente ¢ de ‘maneiras diferentes do que antigamente. Por exemplo, a deciséo de ajustar ou nao ajustar um processo de manufatura, agora 6 comumente baseada em dados de medigo. Os dados de medigdo, ou alguns valores estatisticos calculados a partir deles, so comparados com os limites de controle estatistico do processo; se a comparagio indica que 0 processo esté fora de controle estatistico, algum ajuste (de algum tipo) é entdo realizado. Se no, permite-se que 0 processo siga sem ajuste. Outro uso dos dados de medigao ¢ para determinar se existe alguma significativa relagao entre duas ou mais varidveis. Por exemplo, pode-se suspeitar ue uma dimensio critica de uma pega plistica moldada esté relacionada com a temperatura de injecio do material. Esta possivel relagio poderia ser estudada por meio de um processo estatistico chamado “andlise de regresso” que compara as medigdes da dimensio critica com as medigSes da temperatura de injego do material Os estudos que exploram tais relagdes so exemplos do que o Dr. W. E. Deming chamou de estudos analiticos. Em geral, 0 estudo analitico € aquele que aumenta © conhecimento sobre o sistema de causas que afetam 0 processo, Dentre os ‘ais importantes sos dos dados de medigio estio os estudos analiticos pois, eles nos conduzem finalmente ao melhor entendimento do process O beneficio de usar um procedimento “baseado em dados” é muito dependente dda qualidade dos dados de medigdo usados. Se a qualidade dos dados & baixa, © beneficio decorrente do uso do procedimento € comumente precério. Tgualmente, se a qualidade dos dados € alta, o beneffcio costuma ser significativo. Para garantir que o beneficio resultante do uso de dados de medigio seja suficiente para cobrir 0 custo de obté-los, atengio deve ser daca & qualidade desses dados. ‘A qualidade dos dados de medigo € definida pelas propriedades estatfsticas das riiltiplas medigdes obtidas a partir de um sistema de medigio operado sob condigdes estéveis. Por exemplo, suponhamos que um sistema de medigio operando sob condigdes estéveis, seja utilizado para obter varias medigées de determinada caracteristica. Se as medigGes de uma caracterfstica estio todas “préximas” ao valor do padrio mesie, dizse que a qualidade dos dados ¢ “alta” Igualmente, se algumas, ou todas as medigdes estao “distantes” do valor do padro mesire, entdo a qualidade dos dados € dita “baixa”, As propriedades estatisticas mais comumente usadas para caracterizar a qualidade dos dados sio a tendéncia e a varidincia do sistema de medigao. A propriedade chamada tendéncia refere-se & localizagio dos dados em relagio ao valor de referéncia (padrao), ¢ a propriedade chamada variancia refere-se & dispersio dos dados. Capitulo 1 Segao A Intodugio, Objetivo e Terminologia Objetivo Terminologia ‘Uma das razdes mais comuns da baixa qualidade dos dados é a excessiva variagdo. Grande parte da variagao existente num conjunto de medigoes pode serdevida a interacio entre o sistema de medigao e seu ambiente. Por exemplo, © sistema de medi¢fo para medir 0 volume de liquido num tanque pode ser sensivel temperatura do ambiente no qual ele esteja em uso. Neste caso, a variago pode ser devida & mudangas no volume ou devida as mudangas na temperatura ambiente, Isto € indesejavel, pois dificulta a interpretagao dos, dados ¢ do sistema de medigio, Sea interagdo gera muita variago, a qualidade dos dados poderi ser to baixa de modo a se tornarem initeis. Por exemplo, um sistema de medigao que presenta grande variagio podera ser impr6prio para uso na andlise de um processo de manufatura, pois a variagio do sisterna de medigao poderd mascarar 2 variagao do processo de manufatura. Grande parte do trabalho de gerenciamento de umn sistema de medico consiste em monitorar e controlar a Variag2o. Entre outras coisas, isto significa que énfase deve ser dada a0 aprendizado de como o sistema de medigio interage com o ambiente, conseqlientemente, somente dados de qualidade aceitavel serio gerados. © objetivo deste manual é apresentar diretrizes para avaliar a qualidade de um sistema de medigao, Embora tais diretrizes sejam suficientemente genéricas para uso em qualquer sistema de medigao, elas destinam-se principalmente aos sistemas de medigao utilizados no émbito industrial. Este manual no pretende ser um ccompéndio de andlises para todos os sistemas de medigao. Seu principal foco de atengdo € 0 conjunto de sistemas de medigo que permitem replicar leturas em cada pega. Muitas destas andlises sio titeis para outros tipos de sistemas de medigio € por isso o manual contém referencias e sugestdes a respeito, Recomends-se consultar fontes estatisticas competentes para situagGes mais complexas ou incomuns, aqui nao inclufdas. Para os métodos de andlise dos sistemas de medigo no contidos neste manual € necesséria a aprovago do cliente. A discussio da andtise do sistema de redigo poderd se tomar confusa ¢ mal conduzida se nao houver um conjunto de termos estabelecido para descrever as propriedades esiatisticas comuns e os elementos do sistema de medigao associados. Esta seg fornece um sumario dos termos utitizados neste manual, Neste manual so utilizados os seguintes termos: © Medigio é definida como “a atribuigdo de nimeros (ou valores] as coisas materiais para representar as relagGes existentes entre elas, no que concerne as suas particulares propriedades”, Esta definigao foi criada por C. Eisenhart em 1963. A atribuigao de nimeros é definida como processo de medig30, ¢ 0 valor atriburdo chamado de valor da medigao. Cuptuto 1~ Segio A Introdugto, Objetivo ¢ Terminologia 0 de Medico & qualquer aparato utilizado para obter medigdes; este termo € freqiientemente utilizado para descrever especificamente os aparatos usados no local onde se situa 0 proceso de produgdo; inclui os aparatos tipo passa/ndo-passa (também, ver referéncia n® 03, bibliografia), ‘¢ Sistema de Medico ¢ a colegio de instrumentos ou dispositivos de medigdo, padres, operagoes, métodos, dispositivos de fixagéo, software, pessoal, ambiente e premissas usadas para quantificar a unidade de medicao ou corrigit a avaliagio da caracteristica sendo medida; 0 processo completo utilizado para obter medigoes, ‘Destas definigdes se conclu que um processo de medigao pode ser visto como um processo de manufatura que produz nimeros (dados) como resultado, Abordar 0 sistema de medicio desta manera € particularmente itil, pois nos permite consolidar fod0s 0s conceitos, filosofi, e instrumentos que ja se mostraram siteis no campo do controle estatistico do provesso. Sumario de Termos! Padrao ‘© Fundamento aceito para comparagao © Critério de aceitagio * Valor conhecido, contido cntre limites de incerteza declarados ¢ aceite como um valor verdadeiro * Valor de referéncia Um padro deve ser uma definigdo operacional: uma definigéio que produz ‘0s masmos resultados quando aplicada pelo fornecedor ou pelo cliente, ‘com o mesmo significado ontern, hoje amanha Equipamento Ba: 0 * Discriminagao, legibilidade, resolucio ¥ Também conhecidas como: menor unidade de leitura, resolugio de medigao, limite da escala, ou limite de deteccto ¥ Uma propriedade inerente determinada por projeto ¥ Menor unidade da escala de medio ou do resultado dado por um instrumento Y Sempre relatada/registrada como uma unidade de medigao Y Regra 10 a 1 (regra baseada na experiéncia obtida pela pritica) Veja Capitulo I, Seco E para definigdes de termos e discussio a respeito, Capitulo = Segzo A. Introdugio, Objctvo e Terminologia YA sensibilidade de um sistema de medigdo para processar a variagao de uma particular aplicacio YO menor estimulo de entrada (input) que resulta em um sinal de safda (output) detectivel V Sempre relatada/registrada como uma unidade de medigéo © Valor de referéneia Valor aceito de um artefato VY Necessita de uma definigao operacional Y Usado como um substituto do valor real © Valor verdadeiro Y Valor real de um artefato 7 Desconhecido ¢ impossivel de ser conhecido Variagao da Localizagao © Exatidio Y “Proximidade” 20 valor verdadeiro, ow a um valor de referéncia aceito ¥ ASTM inclui o efeito da localizagio ¢ dos erros de dispersio ‘Tendéncia Y Diferenga entre a média observada das medigdes ¢ 0 valor de referencia Y Erro sistemético que faz parte do sistema de medigio ves © Estabilidade YA mudanga da tendéncia no decorrer do tempo, Y Umprocesso de medigio estavel esté sob controle estatistico com respeito a localizagao ¥ Também conhecida como: Deslocamento lento € gradual + Linearidade ¥ Mudanga da tendéncia a0 longo do campo de operagio normal Y Correlagdo dos miitiplos e independentes erros de tendéncias a0 longo do campo de operagao Ero sistemtico que faz. parte do sistema de medigao Capitulo 1~ Segio A Introdugio, Objetivo e Terminalogin Variagdo da Dispersao © Precisiio? / “Proximidade” das leituras repetidas, uma das outras 7 Umerro aleat6rio que faz parte do sistema de medigao © Repetitividade Y Variagdo entre medigdes obtidas com um mesmo instrumento T quando usado varias vezes por um mesmo avaliador, enquanto ; medindo idéntica caracteristica de uma mesma pega \ ¥ Variagao entre sucessivas medigbes (curto prazo) feitas sob YN condigées fixas e definidas ea Y Comumente descrita como V.E. ~ Variagio do Equipamento Capacidade ou potencial do instrumento (dispositivo de medigaio) Variago dentro do préprio sistema (within-system) © Reprodutibilidade Y Variagio entre médias das medigdes feitas por diferentes avaliadores, utilizando 0 mesmo dispositive de medicao, enquanto medindo uma caracteristica de uma peca Para a qualificacdo do produto e do processo, o erro pode ser do avaliador, do ambiente (tempo), ou do método Comumente descrita como A.V, ~ Variagdo do Avaliador Variagao entre condigdes do sistema (between-system) ASTM E456-96 inclui a repetitividade, efeitos do laboratsrio, e efeitos ambientais, bem como os efeitos do avi SAN © GRR ou R&R do Dispositivo de Medigao Votre reterncte Y Repetitividade e Reprodutibilidade do Dispositivo de Medicto: \ ! estimativa combinada da repetitividade ¢ da reprodutibilidade do sistema de medigzo Y Capabilidade do sistema de medigiio: dependendo do método Ta tusado, pode incluir 0 efeito do tempo ou nao © Capabilidade do Sistema de Medigao Y Estimativa (curto prazo) da variagdo do sistema de medigao (exemplo: “R&R” incluindo graficos) Nos documentos da ASTM, nao existe “a preciso de um sistema de medi¢a0” isto é, “a preciso” ndo pode ser ‘epresentada por um nico ndmero. Capitulo I~ Segdo A Inzodugio, Objetivo e Terminologia Me +" Desempenho do Sistema de M Y Estimativa (longo prazo) da variagio do sistema de medigao (exemplo: Método da Carta de Controle no longo prazo) ‘© Sensibilidade YO menor estfmulo de entrada (input) que resulta em um sinal de safda (output) detectével YO poder de resposta do sistema de medicio as variagdes da caracteristica medida Y Determinada pelo projeto do dispositive de medigao (diseri- minagao), qualidade inerente (OEM — Original Equipment Manufacturer, Fabricante do Equipamento Original), manutencio durante 0 trabalho, ¢ condigdes operacionais do instrumento & padraio VY Sempre relatadaltegi jada por meio de uma unidade de medigio © Consisténcia YO -grau de variagdo da repetitividade no decorrer do tempo 7 Um processo de medigdo consistente esté sob controle éstatistico quanto & dispersio (variabilidade) ¢ Uniformidade 7 Avatiagao da repettividade ao longo do campo de operagao normal ¥ Homogeneidade da repetitividade Variagao do Sistema O sistema de medigéo deve ser estdvel e consistente, obrigatoriamente. AA variagio do sistema de medigio pode ser caracterizada por: © Capabilidade Y — Variabilidade das leituras tomadas no decorrer de um curto periodo de tempo ‘© Desempenho 7 Variabilidade das leituras tomadas no decorrer de um longo periodo de tempo ¥ Tem como base a variagio total © Incerteza Y _Estimativa de um intervalo de valores em relagdo ao valor medido dentro do qual acredita-se estar contido o valor verdadeiro Todas as descrigdes da variagéo total do sistema de madicao supdem ‘que o sistema seja estavel e consistente. Por exemplo, os componentes, da variagao podem incluir qualquer combinagao de itens mostrados na Figura 2, pagina 15. Padrdes e Rastreabilidade Institutos Nacionais de Medigao Rastreabilidade Capitulo 1 Sega A Introdugio, Objetvo e Terminologia ‘O National Institute of Standards and Technology (NIST) € 0 principal Instituto Nacional de Medigo (NMI) dos Estados Unidos e atua sob o U.S. Department ‘of Commerce. O NIST, anteriormente denominado National Bureau of Standards (NBS), atua como 0 mais alto nivel de autoridade sobre metrologia nos Estados Unidos. A principal responsabilidade do NIST ¢ fornecer servigos de medigo ¢ manter os padres de medigao que auxiliam a industria americana na realizagao de medigées rastreadas, enfim 0 NIST auxilia a comercializagio de produtos e servigos. O NIST fornece tais servigos diretamente a muitos tipos de inddstrias, mas principalmente, atende aquelas que necessitam do mais alto nivel de exatido em seus produtos e que incorporam em seus processos 0 que hi de mais avangado e moderno na metrologia. ‘A maioria dos paises industrializados do mundo mantém seus proprios NMI's {que similarmente 0 NIST fornecem padres de metrologia ou servigos de medigao de alto nivel. O NIST trabalha cooperativamente com esses outros NMT’s para garantir que medig6es feitas num pafs nio sejam diferentes de ‘outras feitas em outro pais. Isto € alcangado por meio de Acordos de Reconhecimento Miituo (MRAS) € por se fazer comparagdes interlaboratoriais entre os NMIJs. Algo importante de se notar & que as capacidades desses NMIs variam de pais para pais, e nem todos os tipos de medigdes so regularmente comparados, portanto, diferengas podem existir. Assim, € importante entender para quem as medigdes siio rastreadas e como sao elas rastreadas, A rastreabilidade € um importante conceito no comércio de bens e servicos Medigoes rastredveis até um mesmo padrio (ou até padres similares) coincidirfio mais exatamente do que aquelas que nao o sao. Isto ajuda reduzie a necessidade de re-teste, a rejeigdo de produto bom, ¢ a aceitagdo de produto aim, A rastreabilidade é definida pela ISO ~ Vocabuldrio Internacional de Termos Bésicos/Gerais da Metrologia (VIM) como: “A propriedade pela qual uma medicdo ou 0 valor de wm padrio pode ser relacionado com referéncias conhecidas, geralmente padroes nacionais ou internacionais, por meio de um ininterrupto encadeamento de comparagdes, tendo todas elas suas respectivas incertezas conhecidas”. A rastreabilidade de uma medicao geralmente ¢ estabelecida por meio de uma cadeia de retro-comparagdes até alcancar 0 NMI. Contudo, muitas vezes na inddstria, a rastreabilidade de uma medigao pode ser retro-encadcada até um valor de referéncia ou até um “padrao de consenso” acordado entre um cliente eum fornecedor. A conexio de rastreabilidade desses padres de consenso até © NMI nem sempre ¢ claramente entendida, portanto em ultima instancia € muito importante que as medigdes sejam rastredveis até © ponto que satisfaca as necessidades do cliente. Com o progresso das tecnologias de medigao e com 0 uso do que hi de mais avangado e moderno em sistemas de medigio, na indistria, a definigfo de onde e como uma medigao € rastredvel passa a ser um conceito sempre em evolucao, Capitulo} Segto A, Intvodugie, Objetiv e Ter Padrito do Comparador de ‘Comprimento Interferéncia adrso de Onda Nacional 4 Padraéo de Interferémetro Blocos Padrao de Referéncia aLaser Referéncia/Comparador Padrao AG a ! oa de Trabalho t nt He Dispositivo de Medigao Dispositivo para a Produgao de Fixagio ere Figura 1: Exemplo de uma Cadeia de Rastreabilidade para a Medico de um Comprimento Valor Verdadeiro © NMI opera conjuntamente com varios laboratérios nacionais, fornecedores de dispositivos de medicdo, as mais modernas ¢ avangadas empresas de manufatura, etc., para garantir que seus padrées de referencia sejam apropriadamente calibrados e diretamente rastredveis contra os padroes mantidos pelo proprio NMI, Estas organizagdes governamentais ¢ privadas, usarao entao seus padres no fornecimento de servicos de calibragao e medicio: para os Jaboratrios de metrologia dos clientes ou para os laborat6rios de dispositivos de medigdo, para as atividades de calibracao de padres de trabalho ‘ou de outros padraes primdrios. Esta conexto ou encadeamento de eventos finalmente encaminha-se para dentro da frea fabril e entdo determina as regras de rastreabilidade da medigdo. As medigSes que podem ser retro-conectadas a0 NIST através desta ininterrupta cadeia de medig6es, so ditas rastredveis ao NIST. Nem todas as organizagdes tém uma érea de metrologia ou laboratérios de dispositivos de medigao dentro de suas instalagies e, portanto, dependem de laboratérios comerciais/independentes externos para fomecer a rastreabilidade da calibragao e dos servigos de medigdo. Este ¢ um meio aceitével e apropriado de conseguir a rastreabilidade até o NIST, desde que a capacidade do laborat6rio comercial/independente possa ser garantida por meio de processos, tais como 0 de credenciamento de laboratérios 0 objetivo do processo de media ¢ 0 “verdadeiro” valor de uma pega. Deseja- se que qualquer leitura individual resulte 180 proxima deste valor quanto for possivel (economicamente possivel). Infelizmente, 0 valor verdadeiro nao pode ser conhecido com certeza. Contudo, a incerteza pode ser minimizada pelo uso de um valor de referéncia bascado numa precisa definigo operacional da caracteristica, e pelo uso dos resultados de um sistema de medigio com discriminagio de mais alta ordem e rastredvel ao NIST. Devido ao valor de referéncia ser utilizado como um substituto do valor verdadeiro, geralmente estes termos sto intercambidveis. Tal pritica nfo € recomendada 10 ‘Capitulo I Segio B 0 Processo de Medico CAPITULO | - Seco B O Processo de Medi¢ao* Processo aser Gerenciado Para efetivamente gerenciar a variagao de qualquer processo hé a necessidade de se saber: © Oque o processo deveria estar fazendo © O que pode dar de errado © O que o processo esté fazendo As especificagdes e 0s requisitos de engenharia definem aquilo que 0 process deveria estar fazendo. © propésito da Anélise de Modo e Efeitos da Falha Potencial do Processo* (PFMEA) é definir 0 risco associado com as falhas potenciais do proceso € propor acdo corretiva antes que tais falhas possam ocorrer. O resultado do PFMEA ¢ transferido para plano de controle. Aumenta-se 0 conhecimento sobre aquilo que um proceso esté fazendo por meio da avaliagao de seus parémetros e resultados. Esta atividade, geralmente chamada inspegao, € 0 ato de examinar os parimetros do processo, pegas em Processamento, subconjuntos montados, ow produtos finais jé feitos com o auxilio de padrdes adequados e aparatos de medigio que capacitam o observador a confirmar ou negar a premissa de que 0 processo est operando de maneira estavel © com variagao aceitivel, segundo um determinado objetivo do cliente, Porém, esta atividade investigativa é em si mesma um processo. Processo Geral Entrada oe Saida (Input) ——) Operacio (Output) Processo de Medig&o Medigao — Anélise |) Decisao = Valor Infelizmente, a industria tem tradicionalmente enfocado a atividade de medigao € andlise como uma “caixa preta”, O equipamento costuma ser 0 foco principal diz-se que, quanto mais “importante” fora caracteristica a medir, mais caro ser © dispositivo de medigio. A utilidade do instrumento, sua compatibilidade com © processo € com 0 ambiente, além de sua usabitidade, foram raramente questionadas. Consegilentemente estes dispositivos de medio foram muitas vezes usados de forma imprdpria ou simplesmente nao foram usados, aries deste capitulo foram adaptadas com permissio de Measurement Systems Analysis ~A Tutorial by G. F. Gruska e M. S. Heaphy, The Third Generation, 1987, 1998. Veja o Manual de ReferBncia: Andlise de Modo e Efeitos de Faiha Potencial (FMEA) ~ 3a, Edigao, uw Capitulo 1- Seco B © Processo de Medico O== Propriedades Estatisticas dos Sistemas de Medigao 5 p.279- 281 A atividade de medigio ¢ andlise € um process - wm processo de medigéo. Sobre cle podem ser aplicadas todas ¢ quaisquer técnicas de controle do processo: gerencial, estatistica, ¢ légica. Isto significa que primeiramente os clientes devem ser identificados, bem como, ‘suas necessidades. Um dos clientes, 0 dono do processo, deseja tomar a decisio ccorreta com um minimo de esforgo. A geréncia deve obrigatoriamente fornecer os ‘Tecursos para comprar 0 equipamento necessario e suficiente para tanto. Porém, comprar o melhor ou o de mais recente tecnologia de medigio no necessariamente _garantira corretas decisBes atinentes ao controle do processo de producto. © equipamento é unicamente uma parte do processo de medigo, O dono do processo deve saber como usé-lo corretamente € como analisar e interpretar os resultados, A geréncia deve por isso fornecer claras definig&es operacionais € padrées, bem como, treinamento e apoio. Por sua vez, 0 dono do processo tem a obrigagio de monitorar e controlar o proceso de medicao de modo a garantir resultados corretos ¢ estéveis, que inclui uma completa visdo da andlise dos sistemas de medi¢do — considerando o estudo do dispositivo de medica0, 0 procedimento, 0 usudrio, e o ambiente; ou seja, levando em conta as condighes normais de operagio. ‘Um sistema ideal de medigo produz somente medigdes “corretas” a cada vez que € usado. Cada medigao sempre vai aderir a um padrao*. Um sistema de medigdo que produz medigses como este, seré denominado como tendo as seguinte propricdades estatfsticas: variancia zero, tendéncia zero, € probabilidade nula de classificar erroneamente qualquer produto medido, Infelizmente, sistemas de medigdo com tais propriedades estatisticas tao desejaveis raramente existem, e portanto, os gerentes do processo sio ¢geralmente forgados a usar sistemas de medico com propriedades estatisticas menos desejéveis. A qualidade de um sistema de medigdo & geralmente ome seot Bea: oben \"NO ys Yom \ \ soueeoo ojefoid op odepiien de oP 5 frome. / - = wma fh [ge not ne an 2.096 jreuce seouppuss A“ << rar extn oe | Satna aad ‘onspje ogbeuuojop _ . SeouRar! wtow SePRPHNGLox0f0ld ~~ oan ed sessisand \ aginasuco RI oRSeueR SBPEUOIORIALIO;UY seosuejee | edag 15 Figura 2: Variabilidade do Sistema de Medigao — Diagrama de Causa e Efeito i Capitulo I~ Segio B 0 Processo de Medigio Os Efeitos da Variabilidade do Sistema de Medigao Efeitos nas Decisées Devido as virias fontes de variagdo que afetam o sistema de medicio, leituras repetidas feitas sobre uma mesina pega ndo produzem um mesmo ¢ idéntico resultado, As leituras diferem umas das outras por conta das causas comuns € especiais, Os efeitos das varias fontes de variagdo sobre o sistema de medigto devern ser avaliados tanto no decorrer de um curto periodo de tempo quanto no decorrer de um longo periodo de tempo. A capabilidade do sistema de medigdo € 0 erro (aleatério) do sistema de medigao no decorrer de um curto perfodo de tempo. £ a combinagao de erros quantificados pela linearidade, uniformidade. repetitividade e reprodutibilidade, O desempenho do sistema de medicao, tal ¢ qual 0 desempenho do processo, & 0 efeito de todas as fontes de variagao no decorrer do tempo. Isto € aleangado pela determinagao de se 0 nosso proceso esté em controle estatistico (isto &, estavel e consistente; variagdo unicamente devida as causas comuns), esté ajustado no objetivo (nenhuma tendéncia), & tem uma variagdo aceitavel (repetitividade € reprodutibilidade do dispositive de medig#o — R&R) em relacdo & amplitude de resultados esperados. Isto adiciona estabilidade e consisténcia na capabilidade do sistema de medigao. 0 cteito acumulado de todas as fontes de variacao 6 frequentemente chamado de er70 do sistema de medigao, ou por vezes, somente “erro”. Isto é consequéncia de serem os resultados do sistema de medicao usados para a tomada de deciséo a respeito do produto e do processo. Apés medir uma pega, uma das ages que pode ser tomada ¢ a determinagio da situagao em que ela se encontra. Historicamente, determina-se se @ peca & aceitivel (dentro da especificago) ou inaceitivel (fora da especificagio), Um outro cenzrio muito comum é a classificacdo de pecas em categorias especificas (exemplo: tamanhos de pistao), Daqui para frente, nesta discussao a titulo de exemplo, sero usadas duas categorias de situagao: fora da especificagdo ("ruitn’) ¢ dentro da especificagao {"boa’). Isto porém, nao restringe a aplicacéo para outras atividades de categorizacao. Além das classificagdes citadas, outras séo: retrabalhavel, recuperdvel, ou refugavel. Segundo a filosofia de controle do produto, esta atividade classificatdria é a principal razio para se medir uma pega. Porém, pela filosofia de controle do processo, 0 interesse & focado sobre a variag&o da pega, se é€ devida a existéncia de causas comuns ou de causas especiais no processo. Capitulo 1 Sogo B 0 Processo de Medicio losofta Interesse Controle do Produto ‘A pega situa-se numa especffica categoria? Controle do Processo A variagiio do processo & estivel ¢ uccitivel? ‘Tabela 1: Filosofia de Controle e Interesse Propulsor A seco seguinte trata do efeito resultante do erro de mediga0 na decisao sobre 6 produto, Mais além, hé uma outra segio que aborda o impacto do erro de ‘medigao nas decisGes sobre 0 processo, ceaunnac Pata melhor entender o efeito do erro do sistema de medigao nas decisdes Efeito nas sobre o produto, consideremas 0 caso onde toda a variabilidade decoreente de Decisées sobre 0 miiltiplas leituras de uma tinica pega é devida a repetitividade e reprodutibilidade Produto do dispositive de medigio. Isto significa, 0 processo de medigao esté sob controle estatistico e tem tendéncia zero. Algumas vezes uma decisio errada serd tomada, Isto ocorrerd sempre que uma peea qualquer com distribuigio de medigdes como acima referida se sobrepor ‘a. um limite de especificagao. Por exemplo, uma pega boa ds vezes ser charmada de “ruin” (erro tipo I, riseo do produtor ou alarme falso) se: UE E, uma pega ruim as vezes ser chamada de “boa” (erro tipo II, risco do consumidoricliente ou porcentagem de fathas) se: UE LSE / \ ou \ NOTA: Porcentagem de alarme falso + porcentagem de falhas = porcentagem de erro, 7 Capitulo 1 Segio B © Processo de Medigio Assim, a possibilidade de se tomar uma decisdo errada acerca de uma pega com relagdo aos limites da especificago, unicamente existe quando 0 erro do sistema de medigao intercepta tais limites. Isto determina trés distintas reas: UE LSE I II Tr I T Objetivo onde: 1 Pegas ruins serio sempre chamadas de ruins Il Decisdes erradas possivelmente possam ser tomadas IIL Pegas boas serdo sempre chamadas de boas, Desde que a meta seja maximizar as decisdes CORRETAS com relagdo a situagao do produto, existen duas possibilidades de escolha: 1) Aperfeigoar 0 proceso de produgio: reduzir a variabilidade do proceso, de modo que nenhuma pega produzida pertenga&s reas tipo I. 2) Aperfeigoar o sistema de medigdo: reduzir o erro do sistema de medigao para diminuir o tamanho das areas tipo I de modo que todas as pegas produzidas venham a pertencer & érea tipo III, minimizando assim o risco de tomar uma decisio errada. Esta discussZo supde que 0 processo de medigio esteja sob controle estatistico € ajustado ao objetivo. Se qualquer uma destas premissas fosse violada haveria pouca confianca de que qualquer valor observado nos conduziria a uma deci correta, Para o controle do processo, as seguintes necessidades devem ser satisfeitas: Efeito nas i - Decisdes sobre 0 Processo '* Ajuste a0 objetivo * Variabilidade aceitavel © Controle estatistico Assim como explicado na segao anterior, 0 erro de medi¢ao pode causar decisoes incorretas acerca do produto. © impacto nas decisdes sobre © processo seri: © Chamar de causa especial uma causa comum © Chamar de causa comum uma causa especial 18 Capitulo I~ Seto B © Provesso de Medicio A variabilidade do sistema de medigdo pode afetar a decisao referente & estabilidade, ajuste a0 objetivo, e variagaio de um proceso. A relagio fundamental existente entre a variagZo observada do processo e a sua Vat real é Sis = Sea + Ors onde: §3,, = varidncia observada do proceso 2, = variincia real do processo 02,, = Vatidincia do sistema de medigao 0 indice de capabilidade® Cp € definido como Gp = lntervalo de Tolerdncia 60 Levando em consideragio esta relagdo na equacto das varidincias, resulta a relagdo entre os indices de capabilidade do processo observado ¢ real: (Cr, = (Cry, + (CPYZ Supondo que o sistema de medigio esteja sob controle estatistico ¢ ajustado a0 objetivo. o Cp real do processo pode ser comparado graficamente como 0 Cp observado.!” Entio, a capabilidade observada do proceso ¢ uma combinagao da capabilidade real com a variagdo devida ao proceso de medigao, Para alcangar a meta de capabilidade especifica de um processo, ¢ necessdrio extrair um fator equivalente a variagio da medigao, Por exemplo, se o indice Cp do sistema de medigao for 2, 0 indice Cp real do proceso terd que ser maior ou igual a 1,79 para que o indice calcukado (observado) seja 1,33. Se o indice Cp do sistema de medigao fosse 1,33, 0 processo teria que apresentar variago nula para que o resultado final (observado) fosse 1,33 - uma situacdo claramente impossivel. Emibora nesta diseussdo tenha sido usado 0 indice Cp, os resultados so também vélidos para o indice de ‘desempenbo Pp. 10 para formulas e grificos veja o Apéndice B. 19 ‘Capito I~ Segéo B 0 Processo de Medico Aceitagao de um Novo Processo Quando um novo proceso (de usinagem, de producdo, de estamparia, de manuseio de material, de tratamento térmico, ou de montagem) ¢ adquirido, ‘geralmente ha uma série de fases a executar como elementos da atividade de aceitago do mesmo. Muitas vezes isto envolve alguns estudos do equipamento feitos no proprio fornecedor, e ento no local do cliente. ‘Alguma confuusio poderé ocorrer caso o sistema de medigao usado num determinado local nao for consistente com o sistema de medicdo proposto para uso em circunstincias normais. Uma situagdo comum de uso de diferentes instramentos é 0 caso de © instrumento usado pelo fornecedor ter uma discriminagdo de ordem mais alta do que @ apresentada pelo instrumento de producio (dispositivo de medigio). Por exemplo, pegas medidas com uma maquina de medico por coordenadas durante as atividadles de aceitagéo do novo equipamento, ¢ apés isto, medidas com um simples dispositivo de medigdio de altura durante a producdo; amostras medidas (pesadas) com uma balanga eletrdnica ou balanga mecdinica de laboratério durante as atividades de accitagio do novo equipamento, ¢ apés isto, pesadas com uma simples balanga mecdinica durante a produgao. No caso de 0 sistema de medigio (de mais alta categoria), usado durante as atividades de aceitagao do novo equipamento, ter um R&R de 10%, ¢ 0 Cp real do processo ser 2,0, entio 0 Cp observado do processo durante a aceitagdo sera 1,96." Variagao da peca produzida Variago da CMM ‘Quando este processo ¢ estudado na produgao com um dispositive de medigao tipico de produgio, maior variagdo (isto 6, menor Gp) ser observada. Por ‘exemplo, se 0 R&R de um dispositive de medigdo de produgao for 30% e 0 Cp real do processo for também 2,0, entdo 0 Cp observado do proceso serd 1,71, Um cenétio pior ainda, dé-se quando o dispositive de medigio da produgio nio foi qualificado mas, mesmo assim € usado. Se 0 R&R do sistema de medigao fosse realmente 60% (mas este fato nao fosse conhecido), enti 0 Cp observado do processo seria 1,28. A diferenga causada no Cp observado de 1,96 para 1,28 decomte dos diferentes sistemas de medigdo (um com R&R 10%, outro com [Nesta discussdo supde-se nula a variagdo da amostra. Na realidade 1,96 € 0 valor esperado, enquanto que © resultado real variara em toro dele. 20 Capitulo 1 Seeko B © Processa de Medigio Variago real do proceso .. ‘Variagao observada do processo. Ajuste e Controle do Processo (Experimento do Funil) supostos 60%). Sem este conhecimento, poderemos despender esforgos em ‘ao, simplesmente tentando ver aquilo que esté errado com 0 novo processo. Variagao do dispositivo de medigao da produgao Muitas vezes as operagées de manufatura utilizam uma Gnica pega no inicio do dia para verificar se 0 proceso esté ajustado ao objetivo, Se a peca medida discorda do objetivo, o processo ¢ ajustado. Mais tarde, em alguns casos, outra peca é medida e outra vez o processo pode ser ajustado. O Dr. Deming denomina este tipo de medigao e tomada de decisiio como uma manipulacdo imprépria (tampering). Considere-se a situagiio em que o peso da camada de metal precioso sobre uma pega é controlado contra um objetivo de 5,00 gramas. Suponha-se que os resultados da balanga usada para determinar 0 peso variam + 0,20 gramas, mas isto € desconhecido pois a andlise do sistema de medi¢do nunca foi realizada. A instrugio de operacio solicita ao operador verificar 0 peso e ajustar o processo ‘com base em uma amostra a cada hora, Se o resultado estiver fora do intervalo 4,90 a 5,10 gramas, o operador deve ento ajustar 0 proceso outra vez. Durante © ajuste, suponha que 0 processo esteja operand a 4,95 gramas mas, devido ao erro de medigao o operador observa 4,85 gramas. De acordo com as instrugoes 0 operador tenta ajustar 0 proceso empurrando-o para cima 0,15 gramas. A partir daf 0 proceso passa a operar com um objetivo de 5,10 gramas. Quando o operador verifica novamente 0 ajuste do proceso encontra 5,08 gramas e portanto 0 deixa prosseguir, O super-ajuste do processo Ihe adicionou variagdo e continuard a fazer isto. Este € um exemplo do experimento do funil que o Dr. Deming usou para descrever 0s efeitos da manipulacao imprépria.” O erro de medigio somente agrava 0 problema. As quatro regras do experimento do funil sio: Regra I: Nao fazer ajustes ou nunca agir, exceto em caso de 0 processo se tornar instével. Deming, W. Eduards, Our of the Crisis, Massachusetts Institute of Technology, 1982, 1986. 2 Capitulo I~ Segio B 0 Processo de Medico Regri 2: Ajustar o processo de uma quantia igual e em sentido oposto de onde © processo estava na tiltima medigao feita. Regra 3: Reajustar o processo 20 objetivo. Em seguida ajustar 0 processo de uma quantia igual ¢ em sentido oposto ao objetivo. Regra 4: Ajustar 0 processo para 0 ponto da whima medicao. A iinstrugio de ajuste para processar o metal precioso é um exemplo da regra 3, Regras 2, 3, ¢ 4 adicionam progressivamente mais variagio a0 processo, A regra 1 & a melhor escolha para produzir a minima variagdo, Outros exemplos do experimento do funil so: * Re-calibragiio de dispositivos de medligo com base em limites arbitrétios — isto é, limites que nao refletem a variabilidade do sistema de medigZo. (regra 3) + Re-padronizar o sistema de medigo apés uma quantidade arbitréria de ‘usos, sem qualquer sinal ou histéria de mudanga (causa especial). (regra 3) * Auto-compensagao ~ ajusta-se 0 proceso com base na tltima pea produzida, (regra 2) * Treinamento durante o trabalho, onde o operador A treina o operador B, ‘que por sua vez, mais tarde treina o operador C.... sem um material padrio para o treinamento. Isto é similar ao jogo de “transmitir verbalmente uma hist6ria de uma pessoa para outra, e ao longo do tempo, para Virias pessoas” (regra 4) * Pecas sio medidas, foram encontrados valores fora do objetivo, mas quando projetados numa carta de controle 0 processo se mostra estavel — por isso, rnenhuma ago é tomada. (regra 1) Capitulo I~ Segée C Estatégia ¢ Planejamento da Medio CAPITULO | - Segado C Estratégia e Planejamento da Medigao Introdugao Complexidade planejamento € essencial, muito importante de ser feito antes do projeto e da compra de equipamentos ou sistemas de medicao, Muitas decisdes tomadas durante 0 estigio de planejamento poderio afetar a definigio daquilo que se quer € a selegdo do equipamento de medigao. Qual € 0 propésito ¢ como serdio ‘usados os resultados da medigiio? A fase de planejamento define o rumo a seguir e tem um significativo efeito sobse quo bem o processo de medio vai ‘operar € mais, pode evitar problemas possfveis no futuro, bem como, pode reduzir 0 erro de medigio, Em certos casos, devido ao risco envolvido do componente/peca a medit, ‘ou ainda, por causa do custo e da complexidade do aparato de medigao, © cliente do fabricante do equipamento original (OEM) poderé usar 0 proceso de Planejamento Avancado da Qualidade do Produto (APQP) € seu comité para decidir sobre a estratégia de medi¢ao no fomecedor. Nem sempre 0 produto e as caracteristicas do processo necessitam sistemas de medigdo cujo desenvolvimento inclua este tipo de andlise minuciosa. Os instrumentos de medigao de tipo padrio, geralmente mais simples, como micrémetros ou paquimetros, podem ngo requerer uma estratégia tao ampla nem um planejamento tio profundo. Uma regra prética é verificar se a caracteristica a medir (do componente/peca ou do sistema) esté identificada ro plano de controle ou € importante para determinar a aceitagao do produto ou processo. Outra orientacio € verificar 0 nvel de tolerdncia designada para aquela dimensao espectfica, Em qualquer caso, a regra geral é 0 bom-senso. O tipo, a complexidade, ¢ o propésito de um sistema de medigo podem ‘demandar varios niveis de atividade gerencial, planejamento estratégico, andlise do sistema de medigdo, ou outras consideragbes especiais para a sua selecdo, avaliagao e controle, Os instrumentos ou aparatos simples de medigao (isto €, balangas,fitas-métrica, dispositivos de limites-fixo, dispositivos para atributos) podem nao necessitaro mesmo envolvimento de certo nivel gerencial, o mesmo planejamento, ou a mesma anélise que outros sistemas de medigo demandam por serem mais complexos ou criticos (isto 6, padrdes-mestre ou referéncias, CMM, bancada de teste, dispositivos de medigio automética na linha de produgéo, etc.). Qualquer sistema de medigao pode requerer mais ov menos planejamento estratégico € andlise minuciosa dependendo do produto considerado ou da situagao do proceso. A decisio sobre 0 nivel apropriado deve ser deixada para a equipe do Planejamento Avancado da Qualidade do Produto (APQP) designada pelo cliente para aquele proceso de medigio. grau de envolvimento ou 0 nivel de implementagao em quase todas as atividades citadas a seguir devem ser determinados pelo particular sistema de ‘medigdo, pelas consideragdes acerca do controle do dispositivo de medigao € do sistema de calibragdo que suportam aquele sistema de medigao, pelo profundo conhecimento do processo, e pelo bom-senso. 23 Capitulo = Segao C [sratégiae Planzjamento da Motigio Identificagao do Objetivo do Processo de Medigao Ciclo de Vida da Medigao Critérios para a Selegao de um Projeto do Processo de Medico primeiro passo ¢ estabelecer 0 propésito da medigéo e como os resultados serio utilizados. Para realizar esta tarefa, € muito importante que desde o inicio do desenvolvimento do processo de medigao seja organizada uma equipe multifuncional. ConsideragGes especfficas devem ser feitas com relagdo as auditorias, ao controle de proceso, ao desenvolvimento do produta/processo, © & anflise do “Ciclo de Vida da Medigio”. © conceito de Ciclo de Vida da Medigdo expressa © pensamento de que os ‘métodos de medigao podem mudar como passar do tempo, conforme se aprende ‘ese melhora 0 processo, Por exemplo, a medicao da caracteristica de um produto pode comegar com @ finalidade de alcangar a estabilidade e estabelecer a capabilidade do processo. Isto pode nos conduzir a uma melhor compreensio das caracteristicas criticas do processo (controle do processo) que diretamente afetam as caracteristicas da pega. A dependéncia da informacao sobre a caracteristica da pega diminui e 0 plano de amostragem pode ser modificado conforme aquele aprendizado (de cinco pegas por hora para uma pega por turno). Ainda, 0 método de medicao pode mudar com a troca de equiipamentos, de uma CMM para algum tipo de dispositivo de avaliagio por atributos Eventualmente pode-se descobrir que € necessério monitorar bem poucas pegas, desde que haja manutengao do proceso ou que a manutengao e 0 ferramental sejam avaliados € monitorados... e afinal, pode ser que isto € tudo o que se necessita. O nfvel de medigao acompanha o nivel de compreensio do processo. Muitas das medigdes e monitoramentos ora realizados podem eventualmente ser transferidos aos fornecedores de material recebido. A medigao de uma caracteristica, feita numa mesma érea do processo durante muito tempo, evidencia falta de aprendizado ou um processo de medigao estagnado. Antes de se permitir a compra de um sistema de medigio deve-se desenvolver » ‘Questées Relativas & Metigao Cuidadosa atengaio tem que ser dade 2o(s) material(is) selecionado(s) ara um padrao, Os materiais empragados devem ser adequados 20 so e a0 escopo do sistema de medic&o, bem como, devem ser ‘compativeis com as fontes de variagéo atreladas ao passar do tempo, tais como, desgaste e fatores ambientais (temperatura, umidade, etc.), —- [[reasoccnctatnca | fram] [evwcme | Feel Padrio de Transferencia ¥ v Equipamento de Mediggo e Teste Pada de Trabalho Padio de Voricagso Figura 3: Relacionamento entre os Varios Padrées Padrao de Verificagao ‘Um artefato (objeto) de medicao muito parecido com aquilo que 0 processo de medigo é suposto medir, mas que tem a peculiaridade de ser mais estavel do ‘que 0 processo de medio que esté sendo avaliado, Valor de Referéncia ‘Um valor de referéncia, também conhecido como valor de seferéncia aceito ou valor do padro mestre, E um valor de um artefato (objeto) ou conjunto que serve como referéncia acordada para comparagio. Os valores de referéncias aceitos silo baseados no que se segue: * Determinados pela média de varias medigdes feitas com um equipamento de medico de mais alto nivel (exemplo: laboratério metrolégico ou equipamento dimensional). ‘Valores legais: definidos e impostos por lei. * Valores te6ricos: baseados em principios cientificos. * Valores designados: bascados em trabalho experimental (feito com apoio de teoria idénea) de alguma organizagio nacional ou internacional, a2 Capitulo I - Segao Questdes Relatvas & Medigio '* Valores dé consenso: baseados em trabalho experimental cooperativo sob © patrocinio de um grupo cientifico ou de engenharia; valores definidos por meio de consenso dos usudtios tais como equipes composta de profissionais e organizagdes comerci '* Valores acordados: valores expressamente acordados pelas partes afetadas. Em todos os casos, 0 valor de referencia necessita ser baseado numa definigdo operacional e em resultados oriundos de um sistema de medig&o aceitdvel Para conseguir isto, o sistema de medig2o usado para determinar 0 valor de referéncia deve incluir: ‘* Instrumento(s) com ordem de discriminaggio mais alta do que as ordens de discriminaggo dos sistemas de medigo usados para a avaliagao normal (rotineira); instrumento(s) com erro do sistema de medicao mais baixo do que os erros dos sistemas de medigio usados para a avaliagfio normal (cotineira), ‘© Sua calibragao feita com padries rastredveis até o NIST ou outro NML. ‘Valor Verdadeiro © valor verdadeiro ¢ a medida “real” da pega. Embora seja este valor desconhecido e impossivel de ser conhecido, ele é 0 objetivo do processo de ‘medigdio, Toda e qualquer leitura individual deve situar-se to préxima do valor verdadeiro quanto for (economicamente) possfvel. Infelizmente, 0 valor verdadciro jamais poderd ser conhecido com certeza. Em todas as analises, © valor de referéncia € utilizado como a melhor aproximagio do valor verdadeiro. Devido ao valor de referéncia ser usado como um substituto do valor verdadeiro, estes termos so comumente intercambiados. Esta substituigio de um nome pelo outto e vice-versa no é recomendada Diseriminagio ‘A discriminago 6 a quantidade de mudanga com relacdo a um valor de eferéneia que um instrumento pode detectar € confiavelmente indicar. ‘A discriminagao € também denominada de legibilidade ou resolugio. A medida desta capacidade ¢ tipicamente o valor da menor graduago na escala do instrumento. Se o instrumento tem graduagdes amplas, entio meia graduagdo poderd ser usada ‘A regra pritica geral € que a discriminagio do instrumento de medicao deve ser pelo menos um décimo (1/10) do intervalo a ser medido. Tradicionalmente, 6 intervalo medido era adotado como sendo igual ao intervalo de tolerincia especificado para o produto. Mais recentemente a regra 10 para 1 vem sendo interpretada de modo que 0 equipamento de medigdo possa diseriminar pelo ‘menos um décimo (1/10) da variagio do processo. Isto € consistente com a filosofia do aperfeigoamento continuo (isto é, 0 foco do processo € 0 objetivo designado pelo cliente). 2Veja também ASTM: E177-90a, 43 Capitulo I~ Segto E ‘Questdes Relaivas & Medico a rng! Eonar Ea ATT mm 10 20 90 40 0 Go 7 80 90 190 110 120 130 140 (0 Biegnse 4 . ° rhb toibjridu ul A regra prética anteriormente apresentada aqui pode ser considerada como 0 onto de partida para determinar a discriminagao; isto porque a discriminagao no inclui qualquer outro elemento de variabilidade do sistema de medigao. Devido a limitagdes econdmicas e fisicas, 0 sistema de medigao nao identificard cada uma das peas da distribuicao do proceso como tendo caracteristicas medidas separadas ou diferentes. Em vez disto, a caracteristica medida seré agrupada conforme seus valores medidos, em categorias de dados. Todas as pegas de uma mesma categoria de dados terJo o mesmo valor para aquela caracteristica Se o sistema de medigo nao tem suficiente discriminagto (sensibilidade ou resolucio efetiva), ele pode no ser apropriado para identificar a variagio do Processo ou para quantificar os valores individuais da caracterfstica da pega. Se este for 0 caso, deverio ser empregadas melhores técnicas de medigio. A discriminagio ¢ inaceitével, para efeito de andlise, se no puder detectar 1 variagao do proceso, e também serd inaceitavel, para efeito de controle, se nfo puder detectar as causas especiais de variagio (veia Figura 5). 44 ‘Capitulo I~ Segio B Questées Relativas a Medigio Quantidade de Categorias: Controle Analise 1 Categoria de Dados 2 4 Categorias de Dados Pode ser usada para controle somente se: * A vatiagdo do processo for poquena | « gnacertdvel para estar oS quando comparaca com as espect | * faramettos © os indues do prooesso egbee «Alun pd fr plana om rela | + Uncamats nda seo processo Oana expr do proceso | ext roduzind pes cove ov « Apineoal ent devanago essa | Mlecolome a exPacieng um deslocamento da mécia + Pode ser usada com téenicas de conifole da semivardvel baseadas + Goralmer Inacotavel para estimar fa estibuigSo do procasso ‘0s pardmelros e os indices do processo, desde qua, somente * Pode produzirinsensiveis cartas | fomece estimativas grossoiras 0 cortvole por vardvols 5 ou mals Categorias de Dados + Pod sor usada com cartas de canto por vargvels, | enomaneete Figura 5: Impacto do Némero de Distintas Categorias (nde) da istribuigdo de um Processo sobre as Atividades de Controle e Anilise Sintomas de discriminagao inadequada podem aparecer na carta de amplitudes. A Figura 6 contém dois conjuntos de cartas de controle derivadas de um mesmo conjunto de dados. A Carta de Controle (a) mostra a medicéo original obtida por aproximago ao milésimo de polegada. A Carta de Controle (b) mostra esse mesmo conjunto de dados arredondado para o centésimo de polegada mais préximo. A Carta de Controle (b) parece indicar o processo fora de controle devido aos limites de controle artificialmeme “fechados”. Os valores “zero” para amplitudes decorrem do arredondamento de dados, em vez de representarem uma indicagao da variago dentro do subgrupo. ‘Omelhor sinal de discriminaco inadequada pode ser visto por meio da variagio do processo, representada numa carta de amplitudes do Controle Estatistico do Proceso ~ (CEP). Em particular, quando a carta de amplitudes mostrar somente um, dois, ou trés valores possiveis para a amplitude (dentro dos limites de controle), as medigdes estardo sendo feitas com discriminacao inadequada. E também, se a carta de amplitudes mostrar quatro valores possfveis para a amplitude (dentro dos limites de controle) € mais do que um quarto (1/4) de valores nulos, entio as medigdes estarfo sendo feitas com discriminagao inadequada, 45 Capitulo 1 Segio E (Questoes Relatvas A Medigao, Retomaindo 2 Figura 6, Carta de Controle (b), existem somente dois valores possiveis para a amplitude dentro dos limites de controle ¢valores de 0,00 & 0,01). Por isso, a regra corretamente identifica a razdo da falta de controle ‘como sendo discriminacio inadequada (sensibilidade ou resolugdo cfetiva) Naturalmente, este problema pode ser remediado por meio da modificagio da capacidade de detectar a variagdo dentro dos subgrupos, aumentando a discriminacio das medigées. A discriminagdo de um sistema de medigao ser adequada se sua resolugdo aparente for pequena com relagdo A variagdo do processo, Deste modo, a recomendagdo para a discriminagao adequada seria o aparente no maximo igual a um décimo (1/10) da variacao total do proceso (seis sigma ou seis desvios padriio), em vez. da tradicional regra «que estipula ser a resolugdo aparente no méximo um décimo (1/10) do interval de toleraincia. Eventualmente, existem situagdes em que se alcanga a condigao de proceso estavel e altamente capaz usando um sistema de medigdo estavel, “melhor-da- sua-categoria”, ¢ nos limites priticos da tecnologia. A resolucio efetiva pode ser inadequada e aperfeicoamentos adicionais a esse sistema de medigao tornam- se impossiveis. Nestes casos especiais, o planejamento da medigio pode requerer técnicas alternativas para monitorar 0 proceso. Somente pessoal ‘écnico qualificado, familiarizado com o sistema de medigdo e com o proceso de produgao, poder tomar decisdes e documentar tais decisies. A aprovacio do cliente serd obrigatéria e as resolugdes deverdo ser documentadas no Plano de Controle. 46 014s fe Carta Xbarra/R (Discriminacao = 0,001) g EE Pee Biies oe 2 } 0140 - | Média = 0,197 3 i 0135 > LIC = 0,1350 A subarypo g 002 | 3 lsc = 0.01717 i 3 oo1 ~ = : f= ocore | | F ooo =| uceo Carta Xbarra/R (Discriminagao = 0,01) ous 5 vse = 0.498 Fos + Mea = 0.1998 Fares be = asso B ‘Subgtupo 0. 5 10 15 20 25. 150 = oote0 R= 0.0068 veo Figura 6: Cartas de Controle do Processo * ‘BA Figura 6 foi adapiada do Evaluating the Measurement Process, por Wheeler and Lyday, Copyright 1989, SPC Press, Inc., Knoxville, Tennessee, a7 Variagao do Processo de Medigao Variagao da Localizagéo Capitulo I~ Segdo E Questes Relativas 4 Medici Parad maioria dos processos de medigZo, a variagao total é usualmente descrita como uma distribuigio normal. A probabilidade normal € uma premissa dos meétodos-padrao utilizados na andlise dos sistemas de medigdo. De fato, existe sistemas de medigio nao normalmente distribuidos. Quando isto ocorre, © a normatidade € assumida, o método MSA pode superestimar o erro do sistema de medicdo. © analista de medigées deve identificar e corrigir as avaliagées dos sistemas de medigao ndo-normais. Localizagao Dispersao Figura 7: Caracteristicas da Variagio do Processo de Mediciio Exatidio 0 conceito de exatidao est relacionado com a proximidade (e com a coincidéncia) entre a média dos resultados medidos (um ou mais resultados) € um valor de referéncia, O proceso de medigiio deve estar sob controle estatistico, de outra maneira, a exatido do processo nada significard. Em algumas organizagées a exatido é vsada como tendéncia, sendo ambas consideradas intercambidveis, A ISO (International Organization for Standardization) ea ASTM (American Society for Testing and Materials) usam 9 termo exatidio para juntar a tendéncia com a repetitividade, Para evitar confusdo que pode resultar do uso da palavra exatidao, 2 ASTM recomenda utilizar unicamente 0 termo fendéncia para descrever o erro de localizagéo. Esta recomendagio seré cumprida neste texto. 48. Capitulo I~ Segio E Questdes Relativas a Maigs0 Tendéncia ‘A tendéncia € conhecida como “exatidio”, Nao se recomenda 0 uso do termo “exatidio” como aliemnativa para “tendéncia”, pois a palavra “exatidao” tem varios significados na literatura. jo TENDENCIA =o} Média do Valor de Reforncta Sistema de Medico A tendéncia é a diferenca entre 0 valor verdadeiro (valor de referéncia) ¢ 2 média das medigdes observada para uma caracteristica, medighes estas, feitas, sobre uma mesma pega. A tendéncia ¢ a medida do erro sistematico de um sistema de medicdo. uma parcela do erro total, composta dos efeitos combinados de todas as fontes de variagio, conhecidas ou desconhecidas, cujas contribuigdes ao erro (otal tende a destocar consistente e previsivelmente todos 95 resultados de repetidas aplicagdes de um mesmo processo de medigao na casio da realizagio das medigbes. As causas possiveis para uma tendéncia excessiva so: ‘+O instrumento necesita calibragio + Desgaste do Instrumento, equipamento ou dispositivo de fixagio + Padrio-mestre desgastado ou danificado, erro do padrio-mestre * Calibracdo inapropriada ou uso inapropriado do padrio-mestre ‘+ Instrumento de baixa qualidade — quanto a0 projeto ou quanto 2 conformidade de manufutura © Erro de linearidade ‘+ Dispositive de medigao errado para aquela aplicagio + Método de medigio diferente ~ ajuste, carga, aperto/fixagio, técnica de ‘operagao © Medicao da caracteristica errada ‘+ Deformagaa/distorgao (da pega ou do dispositive de medigio) * Ambiente ~ temperatura, umidade, vibragdo, * Violacdo de alguma premissa ~ erro na aplicagdo de uma constante (valor constante) + Aplicagdo - tamanho da pega, posigdo, habilidade do operador, fadiga, erro de observagao (legibilidade, paralaxe) mpeza © procedimento de medigao empregado no processo de calibragio (isto &, usando os “padrdes-mestre”) deve ser tio idéntico quanto possivel 20 procedimento de medigio usado na operag0 normal (rotineira), 49 Capitulo I~ Sego E ‘Questdos Relativas a Medico Estabilidade Estabilidade (ou Deslocamento Lento e Gradual) € variagao total nas medigies obtidas com um sistema de medigao aplicado sobre 0 mesmo padréio-mestre ‘ou pegas quando medindo uma tinica caracteristica no decorrer de um periodo de tempo protongado. Isto é, estabilidade & a variago da tendéncia ao longo do tempo. Tempo ‘alr de Referéncia ‘As causas possiveis da instabilidade sao: ‘+ Instrumento necesita calibragdo, reduzir o intervalo de tempo entre calibragdes + Desgaste do instrumento, equipamento, ou dispositive de fixagdio ‘+ Envelhecimento normal ou obsolescéncia ‘+ Manutengio precéria ~ ar, energia, hidréulica, filtros, corrosio, ferrugem, limpeza © Padrio-mestre desgastado ou danificado, erro do padrao-mestre ‘+ Calibragdo inapropriada ou uso inapropriado do padrio-mestre ‘* Instrumento de baixa qualidade — quanto ao projeto ou quanto & confor- midade de manufatura 4 Projeto do instrumento nao robusto ou método nilo robusto * Método de medigio diferente — ajuste, carga, aperto/fixagio, téenica de operagao + Deformacio/distoredo (da pega ou do dispositive de medicao) © Deslocamento dos pardmetros ambientais lento e gradual ~ temperatura, umidade, vibragio, limpeza * Violagdo de alguma premissa ~ erro na aplicagao de uma constante (valor constante) + Aplicagio - tamanho da pega, posicéo, habilidade do operador, fadiga, erro de observacdo (legibilidade, paralaxe) Linearidade A diferenga da tendéncia ao longo do intervalo de operagao esperado (medica) no equipamento € chamada de linearidade. A linearidade pode ser imaginada como a variagio da tendéncia com respeito ao tamanho (medio). 50 Capitulo I= Seco E Questbes Relativas & Medica 4 TENDENCIA aa TENDENCIA = Valor 1 Valor N Um valor nao aceitavel para a linearidade pode ser conseqiiéncia de varias peculiaridades do sisterna. Nao assuma a tendéncia como sendo constante. Tendéncia Constante Linearidade ~ Tendéncia Néo-constante oy Valores de Referéncia Tendéncia Constante Linearidade ~ Tendéncia Nao-constante ‘Tondéncia Posttiva = Tendéncia Zero TendOncia Negativa Observado ~ Referéncia Valores de Referéncia As causas possiveis do erro de linearidade sao: © Instrumento necesita calibragao, reduzir o intervalo de tempo entre calibragdes © Desgaste do instrumento, equipamento, ou dispositive de fixagio ‘* Manutengao precéria — ar, energia, hidréulica, filtros, corrosao, ferrugem, Timpeza ¢ Padrio(6es)-mestre desgastado(s) ou danificado(s), erro dos) padrao(6es)- mesire, minimo/maximo SI Capitulo 1= Sepa E ‘Questdes Relativas 2 Medigio Variagao da Dispersao \Velor de Referéncla Repetitividade ‘+ Calibragdo inapropriada (ndo cobrindo © intervalo de operagao) ou uso inapropriado do(s) padrao(des)-mestre + Instrumento de baixa qualidade ~ quanto ao projeto ou quanto & conformidade de manufatura * Projeto do instrumento nio robusto ou método no robusto * Dispositivo de medigfo errado para aquela aplicagdo * Método de medigdo diferente — ajuste, carga, aperto/fixagdo, wenica operacional * Deformagao/distorg’o (da pega ou do dispositive de medigo) variando com 0 tamanho da pega © Ambiente - temperatura, umidade, vibragdo, limpeza * Violagdo de alguma premissa — erro na aplicagdo de uma constante (valor constante) + Aplicagéo — tamanho da peca, posig#o, habilidade do operador, fadiga, erro de observacdo (legibilidade, paralaxe) Precisio ‘Tradicionalmente, a preciso descreve o efeito liquido da discriminagio, da sensibilidade, ¢ da repetitividade ao longo do intervalo de operacio (tamanho, intervalo, e tempo) de um sistema de medigao. Em algumas organizagies a precisio e a repetitividade sio conceitos intercambidveis. De fato, a preciso é muito freqiientemente usada para descrever a variagio esperada em repetidas, medicdes feitas a0 longo do intervalo de mediao; tal itervalo de medica pode ser em tamanho ou em tempo (isto é, “um aparato € tao preciso para valores, baixos quanto para valores altos do intervalo de medi¢a0”, ou ainda, “é tio preciso hoje como ontem”). Pode-se dizer que a preciso é para a repetitividade aquilo que a linearidade ¢ para a tendéncia (embora, os erros de precisao e repetitividade sejam aleatérios, e os erros de linearidade e tendéncia sejam sistematicos).. A.ASTM define a preciso num sentido mais amplo para incluir a variagdo de diferentes leituras, dispositivos de medigao, pessoas, laboratérios, ou condigoes. Repetitividade Tiadicionalmente a repettividade é conhecida como a variabilidade “le um nico avaliador”. A repetitividade € a variagdo das medigdes obtidas com um instrumento de mediedo, usado virias vezes por um avaliador, enquanto ‘medindo uma mesma caracteristica de uma mesma pega. Ela éa variagao inerente 0 equipamento, ou € a capabilidade do préprio equipamento, A repetitividade & ‘comurente denominada como sendo a variag2o do equipamento (VE), embora isto seja uma idéia errada. De fato, a repetitividace ¢ uma variagao de causa comum (erro aleatério) decorrente de sucessivas medigdes feitas sob condigdes, definidas. © melhor termo para designar a repetitividade € variago dentro do sistema, pois as condigdes de medigao sdo fixas e definidas — sao entidades, ‘mantidas fixas: pega, instrumento. padro, método, operador, ambiente, e certas premissas. Além do mais, tal e qual a variagao dentro do equipamento, a repetitividade incluiré também todas as variagdes dentro (veja.a seguir) provenientes de qualquer condicio do modelo de erro. 52 Avaliador A Capitulo 1 Segio EB Questbes Relativas 8 Medigso As causas possiveis de uma repetitividade precéria sao: * Variagdo dentro da pega (amostra): forma, posigdo, acabamento superficial, conicidade, consisténcia da amostra Variagdo dentro do instrumento: reparo, desgaste, falha do equipamento ou dispositive de fixagdo, baixa qualidade ow manutengo precéria © Variagdo dentro do padrio: qualidade, classe, desgaste * Variagdo dentro do método: variagao no ajuste, na técnica operacional, no zerar © equipamento, na fixago da pega, no aperto do dispositive, na densidade de pontos (a densidade de pontos ¢ a freqliéncia de pontos de medigo numa dada érea). + Variagdo dentro do avaliador: técnica, posigio, falta de experiéncia, habilidade de manipulagao, treinamento de manuseio, sentimento/ sensibilidade pessoal, fadiga © Variagdo dentro do ambiente: pequenas flutuagdes cicticas na temperatura, umidade, vibragao, iluminagao, limpeza ‘+ Violagao de alguma premissa — estabitidade, operagio apropriada ‘+ Projeto do instrumento no robusto ou método niio robusto, uniformidade precéria ‘* Dispositivo de medigao errado para aquela aplicagao ‘* Deformagdo/distorgao (da pega ou do dispositivo de medigao), falta de rigidez * Aplicagao ~ tamanho da pega, posigao, erro de observagao (legibilidade, paralaxe) Reprodutibilidade Tradicionalmente a reprodutibilidade € conhecida como a variabitidade “entre avaliadores”. A reprodutibilidade é tipicamente definida como a variagdo das médias das medigdes feitas por diferentes avaliadores, utilizando um mesmo instrumento de medigao, enquanto medindo uma mesma caracteristica de ‘uma mesma pega. Isto € muito real para instrumentos manuais influenciados pela habilidade do operador. Contudo, nao é real para processos de medigo fem que 0 operador ndo se constitui na maior fonte de variago (exemplo: stemas automaticos). Por esta razdo, a reprodutibilidade é denominada como a Variagio das médias entre sistemas, ou entre condigées de medigio. Reprodutibilidade A definigio da ASTM vai além isto, potencialmente ela inclui no somente os diferentes avaliadores, mas também os srentes dispositivos de me- 0, laboratérios, e ambientes (temperatura, humidade), bem como inclui a repetitividade no c 8B célculo da reprodutibilidade. 33 Capitulo I~ Seto ‘Questées Relativas a Medico AS caisas possveis para o erro de reprodutbilidade Variagdo entre pegas (amostras): diferenga de médias quando medindo tipos de pegas A, B, C, etc., usando 0 mesmo instrumento, os mesmos ‘operadores, e @ mesmo método. Variagéo entre instrumentos: diferenga de médias usando instrumentos A, B,C, efc., para as mesmas pegas, mesmos operadores, © mesmo ambiente. Nota: neste estudo, 0 erro de reprodutibilidade € geralmente confundido ‘com 0 erro do método e/ou com o erro do operador. Variacdo entre paces: influéncia média de diferentes conjuntos de padres no proceso de medi¢ao. Variagdo entre métodos: diferenga de médias causada pelo variar das densidades de pontos, sistemas manual vs. automético, métodos para zerat ‘© equipamento, métodos para fixagdo da peca, métodos de aperto/fixacao, ete Variagéo entre avaliadores (operadores): Diferenga de médias entre os avaliadores A, B, C, ete., causada por treinamento, técnica operacional, habilidade e experiencia, Este € o estudo recomendado para a qualificagao do produto e do processo, bem como para a qualificago do instrumento de medigo manual. Variagdo entre ambientes: diferenga de médias em medig6es feitas no decorrer do tempo 1, 2, 3, etc, causata pelos ciclos ambientais; este € 0 estudo mais comum para os sistemas altamente automatizados, quando da ‘qualificagdo do produto e do proceso. ‘Violagao de alguma premissa no estudo Projeto do instrumento no robusto ou método nao robusto Eficdcia do treinamento do operador Aplicagdo — tamanho da pega, posigdo, erro de observacio (legit paralaxe) Como mencionado nas duas titimas definigdes apresentadas, existem diferengas nas definigdes usadas pela ASTM e aquelas apresentadas neste manual. A literatura da ASTM enfoca as avaliagGes interla- boratoriais, com interesse nas diferengas laboratério-a-laboratério, incluindo a possibilidade de diferentes operadores, dispositivos de medigéio e ambientes, bem como, incluindo a repetitvidade dentro de um mesmo laboratétio. Portanto, as definigdes deles englobam estas, diferencas. Pelos padrées ASTM, a repetitividade é a melhor situagao que 0 equipamento poderd ter sob condi¢des atuais (um operador, um dispositive de medicao, um curto periodo de tempo) e a reprodutibilidade representa as condigdes operacionais mais comuns, onde existe variagao de miitiplas fontes. Sa Capiulo T~ Seco ‘Questoes Relativas A Meticaoy R&R do Dispositivo de Medigaio O R&R do dispositivo de medigao é uma estimativa da variagao combinada da repetitividade e da reprodutibilidade. Dito de outra forma, o R&R € 2 varidinc resultante da soma das varidncias dentro do sistema ¢ entre sistemas reproduibiidade * Orepevidade Valor de Referéncia Sensibilidade A sensibilidade é 0 menor estimulo de entrada que resulta num sinal detectével (préprio para ser usado). Ela representa o poder de resposta do sistema de medig&io as variag6es da caracteristica medida. A sensibilidade ¢ determinada pelo projeto do dispositivo de medica (discriminacdo), pela qualidade inerente do fabricante do equipamento original (OEM), pela manutengao durante o trabalho, e pela codigo de operagio do instrumento e seu padrao, Elaé sempre relatada por meio de uma unidade de medida. Dentre os fatores que afetam a sensibilidade incluem-se: © Capacidade para isolar um instrumento, e reduziras vibragdes que 0 afetam © Habilidade do operador ‘* Repetitividade do aparato de medigzio ‘+ No caso de equipamentos eletrOnicos ¢ pneuméticos, capacidade para realizar a operagio sem desvios # Condigées sob as quais o instrumento esté sendo usado, tais como: 0 ar do ambiente, a sujeira, a umidade 55 Capitulo L= Sesto E (Questdes Relativas & Medica Consisténcia A consisténcia 6 a diferenga da variagao das medigdes tomadas no decorrer do usc tempo. Ela pode ser vista como a repetitividade no decorrer do tempo. Amplitude ‘wesia uc Os fatores que afetam a consisténcia so causas especiais de variagio, tais como: © Temperatura das pecas ‘© Aquecimento inicial requerido por equipamentos eletrOnicos + Equipamento desgastado Uniformidade Auniformidade é a diferenca da variagio ao longo do intervalo de operagao do dispositivo de medigao, Ela pode ser considerada como a homogeneidade da repetitividade ao longo do tamanho (da medida). Os fatores que afetam a uniformidade incluen * O dispositivo de fixagao permite menores/maiores tamanhos em diferentes posigdes ‘© Legibilidade precéria da escala * Paralaxe na leitura Vy ‘Capabilidade Variagao do _ Sistema de A capabilidade de um sistema de medigd0 é uma estimativa da variagdo combinada a dos erros de medicdo (aleat6rios e sistematicos) baseada numa avaliagofeita Medi¢ao ‘em curto prazo. A capabilidade simples inclui os componentes de: © Tendéncia ou linearidade incorretas + Repetitividade © reprodutibilidade (R&R), incluindo a consisténcia determinada no curto prazo Consulte 0 Capitulo TIT para os métodos tipicos ¢ exemplos de quantificagdo de cada um desses componentes. Uma estimativa da capabilidade de medicdo, portanto, é uma expressio do erro esperado para condigdes definidas, escopo e intervalo de um sistema de medigdo (isto difere da incerteza de medigio, que € uma expresso da amplitude esperada do erro ou de valores associados com 0 resultado de medigio). A expresso da capabilidade da variagao combinada (varifincia), quando os erros de medigio ndo estio correlacionados (aleat6rios ¢ independentes), pode ser quantificada como: 36 Capitulo 1 Seg E Questies Relativas & Medici = 62 2 capabitdade = © “endénca (inecrdadey * F = R&R Existem dois pontos essenciais para entender e corretamente aplicar a capabilidade de medicao: Primeiro ponto, uma estimativa da capabilidade esta sempre associada com ‘um escopo definido para a medigao—condigdes, intervalo e tempo, Porexemplo, ndo 6 suficiente dizer que a capabilidade de um micrometro de 25mm é 0,1 mm sem qualificar 0 escopo e as condigdes do intervalo de medigio. Ainda, este € 0 motivo porque um modelo de erro € to importante para definir processo de medicio. O escopo para uma estimativa da capabilidade de medigaio pode ser algo bem especifico ou pode ser também uma declaragao geral de ‘operagio, sobre um limitado intervalo, ou sobre o intervalo de medigao inteiro. Curto prazo pode significar: a capabilidade ao longo de uma série de ciclos de medigo, o tempo para completar a avaliagio do R&R, um perfodo de produci especificado, ou o tempo representado pela freqliéncia de calibragio. Uma declaragao da capabilidade de medigdo necesita unicamente ser completa 0 suficiente para, razoavelmente, replicar as condigdes de medigiio e sua amplitude, Um Plano de Controle documentado pode servir para este propésito, Segundo ponto, a consisténcia no curto prazo € a uniformidade (erros de repetitividade) ao longo do intervalo de medigao esto incluidas na estimativa da capabilidade. Para um instrument simples, tal como um micrometro de 25mm, a repetitividade ao longo de toxio o intervalo de medigo, sendo usado por operadores normais e hdbeis, € esperada ser consistente e uniforme. Neste exemplo, a capabilidade estimada pode incluir todo o intervalo de medigao para miiltiplos tipos de caracteristicas sob condigGes gerais. Intervalos maiores ou sistemas de medigdio mais complexos (isto &, uma CMM) podem demonstrar erros de medigo, de (incorreta) linearidade, de uniformidade, e de consisténcia 1o curto prazo uo longo do intervalo medido. Por causa destes erros estarem correlacionados, eles nd podem ser combinados usando uma simples formula linear como acima mostrado. Quando a (incorreta) Tinearidade, uniformidade ‘ou consisténcia variarem significativamente ao longo do intervalo, o planejador de medigio e 0 analista de mediedo terd0 unicamente duas escolhas priticas: 1) Relatar a capabilidade maxima (pior caso) para as condigées intei- ramente definidas, escopo ¢ intervalo do sistema de medigao, ou 2) Determinar e relatar as avaliagdes miltiplas de capabilidade para algumas faixas definidas do intervalo de medigao (sto , faixa menor do intervalo, faixa intermedtiéria do interval, faixa maior do intervalo), Desempenho ‘Como ocorre com 0 desempenho do proceso, o desempenho do sistema de medigdo € 0 efeito total de todas as fontes de variagdo significativas ¢ determindveis no decorrer do tempo. O desempenho quantifica a avaliagio (no longo prazo) dos erros de medica combinados (aleatério € sistemitico). Portanto, o desempenho inclui, no longo prazo, os componentes de erro seguintes: ‘© Capabilidade (erros no curto prazo) + Estabilidade e Consisténcia 37 Capitulo I= Segio E (Questies Relativas & Medigio Consulte 0 Capitulo III para 0s métodos tipicos e exemplos de quantificagao de cada um desses componentes. Uma estimativa do desempenho de medigao ¢ uma expressio de erro esperado para condigdes definidas, escopo ¢ intervalo do sistema de medicZo (isto difere da incerteza de medigao, que € uma expresso de amplitude esperada de erro ‘ou valores associados com o resultado de medigd0). O desempenho de variagao combinada (variancia), quando os erros de medi¢o nfo estio correlacionados (aleatério e independente), pode ser quantificado como: does =F Lapatidate +O Caatitate +O Lanai Anda, como ocorre com a capabilidade no curto prazo, 0 desempenko no longo. prazo esté sempre associado com um escopo definido de medi¢ao (condighes, intervalo e tempo). O escopo para a estimativa do desempenho de medicao pode ser muito especsfico ou pode ser uma declaracio geral de operago, sobre ‘uma limitada faixa do intervalo de medigo ou mesmo sobre todo esse intervalo. Longo prazo pode significar: a média de virias avaliagdes da capabilidade feitas no decorrer do tempo, o erro da média no longo prazo de uma carta de controle de medigZo, uma avaliagao dlos registros de calibragao ou miiltiplos estudos de Tinearidade, ou ainda, o erro médio de varios estudos R&R feitos no decorrer da vida do sistema de medigao (ou ao longo do intervalo de medigo) Uma declaragéio do desempenho de medigio necessita unicamente ser completa © suficiente para, razoavelmente, representar as condigdes de medigdo ¢ sua amplitude, ‘A consisténcia no longo prazo ¢ a uniformidade (err0s de repetitividade) 20 Jongo do intervalo de medigio esto incluidas na estimativa do desempenho, © analista de medigao deve estar ciente das possiveis comrelagdes de erros, € assim nao superestimar a estimativa de desempenho, Isto depende de como os componentes de erros foram determinados. Quando a (incorreta) linearidade no Iongo prazo, a uniformidade, ou a consisténcia variarem significativamente 0 longo do intervalo, o planejador de medica € o analista terdo somente duas escolhas priticas 1) Relatar 0 desempenho maximo (pior caso) para as condigées infeiramente definidas, escopo ¢ intervalo do sistema de medicao, ou 2) Determinar ¢ relatar as avaliagdes miiltiplas de desempenho para algumas faixas definidas do intervalo de medigdo (isto ¢, faixa menor do intervalo, faixa intermedisria do intervalo, faixa maior do interval). 58 Comentarios O== Capitulo 1 Seg E ‘Questbes Relativas & Medica Incerteza * A incerteza de medigio € definida pelo Vocabulério Internacional de Termos Bisicos/Gerais da Metrologia - VIM como um “pardmetro associado a0 resultado de uma medigio, que caracteriza a dispersao de valores que pode razoavelmente ser atribuida ao mensurvel” *. Veja maiores detalhes no Capitulo 1, Secao F. Dos pardmetros do sistema de medicio, a exatidio ¢ a precisio sio os mais familiares ao pessoal de operagio, isto porque eles sio usados no dia-a-dia, bem como, sdo usados também em discussdes técnicas ¢ de vendas Infelizmente, estes termos sao também os mais obscuros visto que, frequentemente um é substitufdo pelo outro e vice-versa. Por exemplo, se 0 dispositivo de medigio ¢ certificado por um 6rgdo independente como exato, ‘ow se 0 instrumento é garantido pelo fornecedor por ter alta precisio, entéio é cerrado imaginar que todas as leituras se situardo muito proximas dos valores reais, Isto ndo 86 € conceitualmente errado como pode induzir a decisdes erradas acerca do produto e do processo, ‘Acsta ambigiiidade adiciona-se as da tendéncia e repetitividade (como medidas de exatidao e precisio). importante ter em conta que: «A tendéncia e a repetitividade so independentes uma da outta (veja Figura 8). ‘© Controlar uma destas fontes de erro no garante 0 controle da outra. Conseqtentemente, os programas de controle dos sistemas de medigao (tradicionalmente conhecidos como Programas de Controle dos Dispositivos de Medico) devem obrigatoriamente quantificar © acompanhar todas as fontes relevantes de variago, 2°" Mencuravel esta definido pelo VIM como “a particular quantidade sujeta 8 medigo ‘Veja também 0 Ca Capitulo 1~ Segto E Queses Relativas & Medico Repetitividade Aceitavel Nao aceitavel Aceitavel éncia Tend Nao aceitavel Figura 8: Relacionamento entre Tendéncia e Repetitividade Capitulo 1 Segio F Tncerteza da Medigfo CAPITULO | - Segdo F Incerteza da Medigao Generalidades A Incerteza da Medigao € um conceito usado internacionalmente para descrever 22 qualidade do valor da medigo. Enquanto este conceito tem sido reservado para muitas das medigdes de alta exatidao realizadas em reas de metrologia ‘ou laborat6rios de dispositivos de medigao, os padrdes do sistema da qualidade, tais como QS-9000 ou ISO/IEC TS 16949, exigem que “A incerteza da medigo seja conhecida ¢ consistente com a capacidade de medigao requerida para qualquer equipamento de inspec, medigo ou ensaio”. * Em esséncia, a incerteza € o intervalo designado a um resultado de medigio que descreve, dentro de um nivel de confianca definido, que o intervalo esperado contem o resultado verdadeiro da medigio. A incerteza de medigao é normalmente relatada como uma quantidade bilateral. A incerteza é uma expresstio quantificada da confiabilidade da medigo. Uma expresso simples deste conceito 6 Medigio Verdadeira = Medigio Observada (resultado) + U Ugotermo paraa “incerteza expandida” (mensurdvel) do resultado da medigao. A ineerteza expandida é 0 erro padrao combinado (t,), ou € 0 desvio padrl0 dos erros combinados (aleatério € sistemitico) do proceso de medigio multiplicado pelo fator de cobertura (k), que representa a drea da curva normal para um nivel de confianga desejado. Lembrete: a distribuigao normal. é geralmente aplicada como premissa inicial para os sistemas de medigio. As Diretrizes para a Incerteza na Medicdo da ISOMEC estabelece o fator de cobertura como suficiente para relatar a incerteza a 95% de uma distribuigao normal. Isto € freqiientemente interpretado como k U= ka, 0 erro padrio combinado (u,) inclui todos os componentes significativos da variagio do proceso de medigo. Na maioria dos casos, os métodas de andlise dos sistemas de medicdo realizados conforme preceitua este manual podem ser usados como um instrumento para quantificar muitas das fontes de incerteza da medicao. Geralmente, 0 mais importante componente do erro padrio 1000, 3a. edigio, Segao 4.11.1 61 Capitulo 1- Segio F Tncerteza da Medio Incerteza da Medigao e a Analise dos Sistemas de Medicao - MSA Rastreabilidade da Medicao combinado pode ser quantificado por Fxroponyr Oulras significativas fontes de erro podem ser consideradas com base na aplicagio da medi¢go. Uma dectaragio de incerteza deve incluir um escopo adequado que identifique todos ‘0s erros significativos e permita que a medio seja replicada. Certas incertezas so calculadas a partir do erro do sistema de medi¢ao no longo prazo, outros, a partir do erro do sistema de medicao no curto prazo. Contudo, uma expresso simples pode ser quantificada como: 226 2 Ye = Ssesempento ‘ouros E importante lembrar que a incerteza de medigao é simplesmente uma estimativa de quanto a medi¢ao pode variar no instante em que € feita. Devem ser consideradas todas as fontes significativas de vatiaga do processo de mediga0 ‘mais os erros significativos de calibragdo, dos padroes-mestre, dos padrdes, do método, do ambiente e outros no anteriormente considerados na proceso de mediga0. Em muitos casos, esta estimativa usaré métodos de andlise dos sistemas de medigio ~ MSA e de repetitividade € reprodutibilidade ~ R&R para quantificar aqueles erros-padrao significativos. B apropriado reavaliar periodicamente a incerteza com relagio ao processo de medigao, para garantir a continuidade da exatidio da estimativa, ‘A mais importante diferenga entre a incerteza e © MSA é que 0 foco do MSA esté na compreensao do processo de medigdo, na determinagdio da quamtidade de erto do processo, ¢ também na avaliagio da adequagio do sistema de medigéo para o controle do processo e do produto. O MSA promove o entendinento e 0 aperfeigoamento (reducao da variagio). A incerteza € 0 intervalo de valores da medigio; ela € definida por um intervalo de confianga associado ao resultado da medigdo, dentro do qual se espera estar contido o valor verdadeiro da medi A rastreabilidade € a propriedade de uma medicio ou 0 valor de um padréo por meio do qual tal medigéo pode ser relacionada com referéncias estabelecidas, usualmente padres nacionais ou intemacionais, a0 longo de um encadeamento (niio interrompido) de comparagdes. Todas elas (as referén- cias) com suas incertezas devidamente estabelecidas. Portanto, é essencial entender a incerteza de medigao de cada elo desse encadeamento. Através da incluso das fontes de variagdo da medigio. provenientes do curto ¢ longo prazo que sdo introduzidas pelo processo de medigio e pelo encadeamento da rastreabilidade, a medi¢ao da incerteza pode ser avaliada, ¢ assim garantindo que todos 0s efeitos da rastreabilidade tenham sido levados em conta. Isto, por sua vez, pode reduzir os problemas de correlacdo entre medigoes. Diretriz ISO para Expressar a Incerteza na Medigéo Capitulo I~ Segie F Incerteza da Medigio ‘A Diretriz para Expressar a Incerteza de Medi¢do (GUM) nos orienta como a incerteza de uma medigao pode ser avaliada e expressa. Ao mesmo tempo que a GUM fornece ao usuairio um entendimento da teoria e estabelece orientagdes de como as fontes de incerteza da medig&o podem ser classificadas combinadas, ela deve ser considerada como um documento de referéncia de allo nivel, e no como um manual tipo receituario de “como fazer”. A GUM fornece também orientacdo ao usuério em alguns dos mais avangados t6picos, tais como, independéncia estatistica das fontes de variagio, andlise de sensibilidade, graus de liberdade, etc.; tais t6picos sao criticos na avaliagao dos sistemas de medigZo mais complexos, tipo multi-parametros. 63 Capfiulo 1 Sesto F Tncertera da Mediga0 4 Capitulo I- Sexo G Anise de Problema de Medigio CAPITULO | — Segao G Anéalise de Problema de Medicgao Introdugao Passo 1 Passo 2 ‘A compreensio da variagdo da medicdo e a sua contribuigdo & variaglo total devem ser consideradas como um passo fundamental na solucao bésica de problemas. Quando a variagao no sistema de medigtio exceder a todas as outras varidveis, de inicio ser4 necessério analisar e resolver tais questdes antes de trabalhar sobre o resto do sistema. Em alguns casos, a variagdo proveniente do sistema de medigio € negligenciada ou ignorada, Isto pode causar perda de tempo e de recursos quando se enfoca 0 proceso de produgo enquanto a variagdo relatada realmente € causada pelo aparato de medica. Nesta seco sera feita uma andlise sobre os passos da solugo basica de problemas ¢ seré também mostrado como tais passos se relacionam com a ‘compreensio das questées de um sistema de medigao. Cada empresa pode usar proceso de resolugao de problemas aprovado pelo seu cliente. Se o sistema de medigao foi desenvolvido utilizando métodos mostrados neste ‘manual, 0s passos iniciais j4 existiro em sua maioria. Por exemplo, um diagrama de causa ¢ efeito pode jé exist relatando preciosas ligdes aprendidas acerca do processo de medigao. Estes dados pré-existentes devem ser coletados ¢ avaliados antes de qualquer solugdo formal do problema, Identificar as Quest6es Ao trabalhar com sistemas de medi¢do, como com qualquer outro processo, & importante definir claramente o problema ou questo. As questdes de medigtio podem tomar a forma de exatidao, variagdo, estabilidade, etc. O importante 2 fazer € tentar isolar a variago de medicdo, e sua contribuigio da variagdo do processo (a deciso pode ser trabalhar sabre o processo de produgio, em vez de trabalhar sobre o aparato de medigao). A descricao da questao necesita ser tal c qual uma adequada definigdo operacional de forma que qualquer pessoa possa entendé-la ¢ ser capaz de atuar sobre ela Identificar a Equipe ‘A equipe de solugdo de problema, neste caso, dependerd da complexidade do sistema de medigdo e da questio a resolver. Um sistema de medigio simples pode unicamente requerer um par de pessoas. Mas, caso 0 sistema de medigéio (ea questio a resolver) for mais complexo, a equipe poderd crescer (o tamanho méximo de uma equipe deve ser limitado a 10 membros). Os membros da cequipe (c suas respectivas fungdes) devem estar identificados na folha de solugao de problema, 65 Fluxograma do Sistema de Medig¢ao e Passo 3 do Processo de Produgado A equipe deve analisar todos os fluxogramas historicamente existentes para 0 sistema de medigo ¢ para 0 proceso de produgio. Com isto a equipe seré Ievada a discutir informagdes conhecidas e desconhecidas acerca da medigao e suas relagdes com 0 processo de produc, O fluxograma do proceso de produg0 poderd identificar novos membros que deverao ser integrados A equipe. Diagrama de Causa e Efeito Passo 4 A equipe deverd analisar todos os Diagramas de Causa ¢ Efeito existentes que versam sobre o Sistema de Medigao. Em alguns casos isto poderia jé trazer ‘uma solucdo ou uma solugdio parcial do problema. E mais, isto poderia conduzir a uma discussdo das informagdes conhecidas e desconhecidas. Inicialmente a equipe deveria utilizar o seu conhecimento sobre © assunta para identificar as variaveis que mais contribuem ao problema, Estudos adicionais podem ser feitos para comprovar as decisées. Planejar — Implementar — Estudar — Atuar (PDSA) 7” {sto conduz. a um ciclo Planejar ~ Implementar — Estudar ~ Atuar, 0 qual ¢ a forma de realizar um estudo cientifico. Experimentos so planejados, dados sio coletados, a estabilidade ¢ estabelecida, hipsteses sZo feitas ¢ comprovadas. ‘até que uma solugio apropriada seja alcangada, Solugdo Possivel e Comprovacao da Correcao 5 pasos e a solugdo siio documentados para registrar a decistio. Um estudo preliminar € realizado para validar a solugao. Isto pode ser feito usando alguma forma de delineamento de experimentos para validar a solugdo. Também, estudos adicionais podem ser realizados no decorrer do tempo, incluindo-se af as variagbes do material ¢ as variagBes aml Instituir a Modificagao A solugdo final est4 documentada no relatGrio; entio, 0 departamento (€ as fungdes) apropriado modifica 0 processo de modo a que o problema nao volte a ocorrer tio futuro, Isto poder requcrer modifieagses nos procedimentos. nos padrées, ¢ nos materiais de treinamento. Este € um dos mais importantes passos do processo. Muitas questées e problemas tém ocofrido e voltam a ocorrer de um momento para outro. 2 W, Edwards Deming, The New Economics for Industry, Government, Education, The MTI Press, 1994, 2000. 66 Capitulo 1 ‘Conceitos Gerais para Avaliar os Sistemas de Medigdo Capitulo IT CONCEITOS GERAIS PARA AVALIAR OS SISTEMAS DE MEDICAO Capitulo I~ Sequo A Fundamentos 68 Capitulo I= Segto A Fundamentos CAPITULO II - Segdo A Fundamentos Introdugao Fases 1&2 do Teste Entender 0 processo de medi¢ao e questionar: ele satistaz as exigéncias? Questionar: © processo de medigao satisfaz &s exigéncias no decorrer do tempo? Inicialmente devem ser avaliados dois importantes pontos: 1) Verificar se esté sendo medida a varidvel correta, ¢ se 0 local para medir tal caracteristica é 0 apropriado. Verificar 0 dispositivo de fixagao e 0 respectivo aperto, se aplicaveis. Identificar também todas as questoes ambientais erfticas que interagem com a medigao. Se a varivel que est sendo medida no ¢ a certa, entdo ndo importa quio exato ou quao preciso & o sistema de medigao, isto simplesmente consumiré recursos, sem beneficis 2) Determinar quais propriedades estatfsticas 0 sistema de mediglo necessita ter para ser considerado accitavel. Para fazer esta determinagao ¢ importante saber como 0s dados serio utilizados; sem este conhecimento, ndo seré possivel determinar as propriedades estatistcas apropriadas. Apés a determinagiio das propriedades estatisticas necessérias, 0 sistema de medigio deve ser avaliado para comprovar se realmente possui tais propriedades ou no. Esta fase 7 6 uma avaliagio para verificar se esté sendo medida a variavel conreta (€ certo medir al variavel?} e se 0 local para medir tal caracteristica € apropriado, verificar, ainda, se a medigio esta sendo realizada com um sistema de mediglo que cumpre com as especificagtis de seu projeto. (Verificar 0 dispositive de fixagdo € 0 respectivo aperto, se aplicdveis). Além disto, verificar se existem 4questes ambientais criticas que interagem com a medicao. A fase | poderia usar estatisticamente 0 delineamento de experimentos para avaliar oefeito do ambiente ‘operacional sobre os parimetros do sistema de medigao (exemplos: tendéncia, linearidade, repetitividade e reprodutibilidade). Na fase 1, 0s resultados de testes podem indicar que o ambiente operacional niio contribui significativamente para a Variagao total do sistema de medigio, Adicionalmente, a variago atribuivel & tendéncia ¢ linearidade do aparato de medigéo deveria ser pequena quando comparada com 0s componentes de repetitividade ¢ reprodutbilidade. O conhecimento angariado durante a fase 1 do teste deve ser usado como ponto de partida para 0 desenvolvimento do programa de manutengdo do sistema de medigdo, bem como, para determinar o tipo de teste que serd usado na fase 2. As questdes ambientais podem implicar numa mudanga de local, ou na implementagao de um ambiente controlado para o aparato de mediGao. Por exemplo, se houver um significative impacto da repetitividade € reprodutibilidade sobre a variagio total do sistema de medigéo, um simples experimento estatistico de dois fatores poderia ser realizado periodicamente como sendo a fase 2 do teste. A fase 2 fornece © monitoramento continuo das fontes-chave de variagdo para garantir a confianga perene do sistema de mediga0 (e dos dados porele gerados), e/ou fornece um sinal para avisar que o sistema de medigao se deteriorou no decorrer do tempo. 69 Capitulo i) — Seg A Fundamentos 10 Capitulo M ~ Segzo B Selegao/Desenvolvimento de Procedimento de Teste CAPITULO II - Secdo B Selegao/Desenvolvimento de Procedimentos de Teste “Qualquer ti nica pode ser sil se suas limitagdes forem compreendidas e observadas”. Muitos procedimentos apropriados estio disponfveis para avaliar os sistemas de medigzo, A escolha de qual procedimento usar depende de muitos fatores, 2 maioria desses fatores necesita ser determinada caso a caso, em fungi do especifico sistema de medigao a ser avaliado. Em alguns casos, um teste preliminar pode ser necessério para determinar se o procedimento € apropriado ‘ou no ao particular sistema de medigio. Este teste preliminar deve ser parte integral da Fase 1 do teste, discutida na sego anterior Questies gerais a considerar ao selecionar ou desenvolver um procedimento de avaliagio. * Os padres, tais como aqueles rastredveis ao NIST, devem ser usados no teste? Se sim, qual € o nivel apropriado ao padrdo? Os padres sao freqiientemente essenciais para avaliar a exatidio de um sistema de medica, Se 0s padres niio forem utilizados, a variabilidade do sistema de medigzo ainda assim pode ser avaliada, mas isto pode nao ser suficiente para avaliar sua exatidao com razoavel credibilidade. A falta de credibilidade pode ser tum problema, por exemplo, ao tentar resolver um aparente confito entre © istema de mediigao do produtor e o sistema de medigao do cliente. Para o teste continuo na Fase 2, 0 uso de medigées ocultas pode ser considerado. Medigdes ocultas sio aquelas obtidas no ambiente real de trabalho por um operador que nao sabe estar sendo conduzida uma avaliagao do sistema de medigio. Apropriadamente administrados, os testes baseados em medigdes ocultas ndo so contaminados pelo conhecido efeito Hawthorne, + O-custo do teste. ‘+O tempo requerido pelo test. + Todo termo que no tem uma definigao comumente aceita deverd ser definido operacionalmente. Exemplos de tais termos so: exatidao, precisio, repetitividade, reprodutibilidade, ete. 3 W. Eduards Deming, The Logic of Evaluation, The Handbook of Evaluation Research, Vol. 1, Elmer L. Struening and Guttentag, Editors, 0 “feito Hawthorne” refere-se 20s resultados cothidos de uma série de experimentos industriais realizados nas Fabricas de Hawthorne da Westem Electric, entre Novembro de 1924 ¢ Agosto de 1932. Nestes experimentos, os pesquisadores sistematicamente modificaram as condigbes de trabalho de cinco montadores e monitoraram os resultados, Quando as condigées de trabalho melhoravam, a produgdo erescia. Contudo, quando as condigbes de trabalho eram deterioradas, 2 produgao continuava @ melhorat. Isto foi interpretado como resultado de os trabalhadores terem desenvolvido uma atitude mais positiva part o trabalho to somente como resultado de eles serem parte do estudo, em vez de ser unicamente © resultado das condigies de trabalho modificadas. Veja A History of the Hawthorne Experiments, by Richard Gillespie, Cambridge University Press, New York, 1991 7 Capitulo I~ Sega0 B Seleclo/Desenvolvimento de Provedimento de Teste ‘+ AS medigdes feitas por um sistema de medigdo serdo comparadas com as medigdes feitas por outro sistema de medicao? Em caso afirmativo, qualquer pessoa deve considerar 0 uso de procedimentos de teste que Tequerem 0 uso de padroes tais como aqueles discutidos na Fase | do teste, anteriotmente apresentada, Se os padres no forem usados, pode ainda ser possfvel determinar se os dois sistemas de medigio esto trabalhando de forma consistente ou 10, um em rela se 0s sistemas nao esto trabalhando consistentemente (um em relagdo a0 outro), entdo, pode ndo ser possfvel, sem o uso de padries, determinar qual dos dois sistemas necessita de aperfeigoamento, * Quao freqiientemente a Fase 2 do teste deve ser realizada? Esta decisio pode ser bascada: em propriedades estatisticas do sistema de medigao (individualmente considerado}, nas conseqiiéncias para a fabriewlinha de produgdo/operacdo, e ainda, nas consequéncias para os respectivos clientes de um processo de manufatura que, realmente, nao esté sendo monitorado devido A existéncia de um sistema de medigdo que nfo funciona apropriadamente, Emadigio a estas questdes genéricas, outras especificas de um particular sistema de medigio sendo testado podem também ser importantes. Encontrar as questoes especificas, significativas de um particular sistema de medicao, é um dos d objetivos da Fase 1 do teste. 2 Capitulo 11 Seeio C Preparagio para um Estudo do Sistema de Medigio CAPITULO II - Ségdo C Preparagao para um Estudo do Sistema de Medi¢gao Como em qualquer estudo ou andlise, 0 planejamento © o preparo necessérios € suficientes deverdo ser feitos antes da realizagao do estudo do sistema de ‘medigéo. Seguem alguns t6picos de preparago a considerar antes da realizagao de um estudo: 1) Aabordagema ser usada deve ser planejada, Por exemplo, se houver alguma influéncia do avaliador na calibragzo ou uso do instrumento, confirme isto utilizando: julgamentos de engenharia, observagdes visuais, ou um estuido do dispositivo de medigao. Existem alguns sistemas de medigo para os guais 0 efeito da reprodutibilidade pode ser considerado desprezivel; por exemplo, quando um botio é pressionado e um méimero € impresso. 2) A quantidade de avaliadores, a quantidade de pegas da amostra, ¢ 0 mimero de leituras repetidas devem ser determinadas a priori. Alguns fatores que devem ser considerados nesta escolha, si0: (a) Criticidade da dimensdo — dimensdes eriticas exigem mais pegas na amostra e/ou mais medig6es repetidas. O grau de confianca desejado para as estimativas resultantes do estudo do dispositive de medicao é a razao disto. (b) Configuragao da pega — pegas volumosas ou pegas pesadas podem impticar em menor quantidade de pegas na amostra e mais medigdes repetidas sobre a mesma pega 3) Pelo fato de que 0 propdsito avaliar a totatidade do sistema de medigiio, os avaliadores escolhidos deverao ser selecionados dentre aqueles que normalmente operam o instrument, 4) A selegio das pegas que compdem a amostea € critica para uma andlise addequada.e depende inteiramente do projeto do estudo de Andlise do Sistema de Medicdo (MSA), depende também do propdsito do sistema de medigao, € principalmente, da disponibilidade de peeas que representam © proceso de produgio. Para situagdes de Controle de Produto onde a medigdo resultante, associada a0 critério decisério, determina “conformidade ou nao- conformidade especificagdo da caracteristica” (isto ¢, inspego 100% ‘0u inspecdo amostral), as pegas constituintes da amostra (ou padrdes) devem ser selecionadas, mas nao necessitam cobrir todo 0 intervalo de variagao do processo. A avaliagao do sistema de medio é baseada na tolerdncia da caracteristica (isto 6, %6R&R com relago & TOLERANCIA). Para situagdes de Controle do Proceso onde a medicao resultante, associada ao crtério decisorio, determina a “estabilidade do processo, tendéncia, e aderéncia com a variagao natural do processo" (isto 6, CEP, B Capitulo IL Sega C Prepinagio para um Esudo do Sistema de Medicior monitoramento do proceso, capabilidade do proceso, e aperfeigoa- mento do processo), a cisponibiidade de pegas no decorrer de todo 0 intervalo de operacao do processo torna-se muito importante. Uma estimativa independente da variagao do processo (estudo de capabilidade do proceso) ¢ recomendada quando se avalia a adequagao do sistema de medigao com 0 objetivo de controlar 0 proceso (Isto 6, %6R&R com relagio a variagao do pracesso). ‘Quando uma estimativa da variagdio do processo obtida de forma independente no esteja dispontvel, OU para se determinar a tendéncia do processo € a continua adequacdo do sistema de medico para o controle do processo. as pegas da amostra devem set selecionadas a partir do proceso de produgio e devem representar 0 intervalo total de operagio de produgio. A variagio das pegas da amostra (VP) selecionadas para 0 estudo de Anilise do Sistema de Medtigio (MSA) é usada para calcular a Variago Total (VP) do estudo. O indice V7 (isto é, R&R em telageo ao valor VT) é um indicador da tendéncia do processo € da adequacao continua do sistema de medigao destinado 20 controle do proceso. Se as pegas da amostra NAO representam o proceso de produgio, VF deve ser ignorado na avaliacdo. Ignorar VI-nao afeta as avaliagSes ‘com relagio & tolerancia (controle do produto) ou uma estimativa independente da variagdo do proceso (controle do processo). As amostras podem ser selecionadas tomando-se uma pega por dia no decorrer de varios dias. Repetindo, isto ¢ necessério pois as pegas sero tratadas durante a andlise como se elas estivessem representando a amplitude da variagao da produgio no processo, Devido ao fato de que cada pega ser medida virias vezes, todas elas deverdio ser devidamente numeradas para identificagio. 5) Oinstrumento deve ter uma discriminagdio que permita pelo menos a leitura direta de um décimo da variagdo esperada do processo da earacteristica, Por exemplo, se a variagio total da caracteristica for 0,001, 0 equipamento deverd ser capaz de “ler” uma variagao de 0,001 6) Garantir que 0 método de medigao (isto é, avaliador ¢ instrumento) realmente mede a dimensiio da caracteristica e esté seguindo o procedimento de medigao definido. E muito importante a maneira pela qual um estudo é realizado. Todas as andlises apresentadas neste manual supdem a independéncia estatistica” das leituras individuais, Para minimizar a probabilidade de erros decorrentes dos resultados, 108 seguintes pasos sio necessétios: 1) As medigdes devem ser feitas numa ordem aleatéria"! para assegurar a dispersio aleatéria ao longo do estudo de quaisquer desvios ou variagdes ue possam ocorrer. Os avaliadores devem desconhecer a identificagao da pega numerada que esté sendo verificada, para evitar qualquer tendéncia (possivelmente conhecida). A despeito disto, a pessoa que conduz 0 estudo deve conhecer a identificagio da pega numerada que est sendo verificada, para registrar os dados consistentemente, ou seja: Avaliador A, Pega I, primeira medicio; Avaliador B, Pega 4, sceunda medicao; etc. 4 Capitulo 1 Seglo C Preparagio para um Estudo do Sistema de Medigao 2) Ao ler o equipamento, os valores medidos devem ser registrados até 0 limite pritico da discriminagdo do instrumento, Aparatos mecéinicos devem ser lidos e os resultados registrados até a menor unidade que a escala discrimina, Para leituras eletronicas, 0 plano de medigio deve estabelecer uma norma comum para registrar o digito significativo mais a-direi Aparatos analégicos devem ter sua leitura registrada 2 metade da menor graduago ou ao limite de sensibilidade © resolugdo. Para aparatos analdgicos, se a menor graduagao da escala for 0,001", entéo os resultados da medigio devem ser registrados até 0,00005". 3) Oestudo deve ser gerenciado ¢ observado por uma pessoa que entende a importincia de conduzir um estudo confide. Varios fatores necessitam ser considerados a0 se desenvolver 0s programas para os testes Fase 1 ou Fase 2: + Que efeito 0 avatiador causa no proceso de medigao? Se possivel, os avaliadores que normalmente usam 0 aparato de medigao devem set inclufdos no estudo. Cada avaliador deve usar o procedimento - em todos os seus passos - que normaimente usam para obter as leituras. O eteito de quaisquer diferengas existentes entre os métodos usados pelos avaliadores se refletira na Reprodutiblidade do sistema de medigao. + A calibragio do equipamento de medigio feita por um avaliador € provavelmente uma causa significativa de variagao? Se sim, os avatiadores devem re-calibrar 0 equipamento antes de cada grupo de leituras. ‘© Quantas pegas devem constituir a amostra e quantas medighes repetidas em cada pega sio requeridas? A quantidade de pegas requeridas dependerd de quio significativa é a caracteristica a medir, bem como, depencder também do nivel de confiabilidade cxigido para a estimativa da variagio do sistema de medicao. Embora a quantidade de avaliadores, quantidade de medigoes em cada peca, e a quantidade de pegas possam variar, ao usar as praticas recomendadas e discutidas neste manual, a quantidade de avaliadores, ‘a quantidade de mediodes em cada peca, e a quantidade de pecas devem ermanecer constantes entre os programas de teste da Fase 1 e da Fase 2, ouainda, entre os testes seqenciais da Fase 2 para os sistemas ‘comuns de medica. Se a consténcia entre os progtamas de teste © os testes sequenciais for mantida, as comparagdes entre os varios resultados dos testes seréio muito melhores. au Nao hi correlagao entre leituras. Veja Capitulo Il, Segio B, “AleatorizacZo e Independéncia Estatistica”