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RECURSOS DE SUPERPOSIÇÃO

1. INTRODUÇÃO

• Recurso extraordinário (ou excepcional, ou de superposição) é GÊNERO do qual são espécies:


a) RE para o STF (art. 102, IIl, CF/88);
b) REsp para o STJ (art. 105, III, CF/88);
c) Revista para o TST;
d) REsp para o TSE (art. 276, I, Código Eleitoral).

2. FUNDAMENTAÇÃO VINCULADA

• Recurso de fundamentação vinculada.


 As hipóteses de cabimento estão previstas na CF (art. 102, III, e art. 105, III);

3. PRÉ-QUESTIONAMENTO

• Para que o RE e o REsp sejam conhecidos, é preciso que haja o pré-questionamento.


Considera-se pré-questionamento o enfrentamento, pelo tribunal recorrido no acórdão
impugnado, da questão de direito que é objeto do recurso excepcional.

 A manifestação ou o debate sobre o tema configura o pré-questionamento, ainda que


não tenha sido mencionado (pré-questionamento implícito) ou indicado o dispositivo
ou preceito normativo (pré-questionamento expresso).

A matéria pré-questionada é a que constitui FUNDAMENTO DETERMINANTE; seja o


fundamento determinante vencedor, seja o fundamento determinante do voto vencido
(art. 941, §30, CPC).

Não configuram pré-questionamento as considerações laterais, irrelevantes, que não


constituam fundamento do acórdão. Como apenas para registro de uma opinião
pessoal. São, na realidade, obiter dicta.

Exemplo: a parte invoca a aplicação de uma determinada regra legal. O tribunal recorrido ignora a alegação
da parte, que, por isso, opõe embargos de declaração. Os embargos não são acolhidos e a omissão, por
isso, permanece.
 O STJ entendia que a continuidade da omissão impedia o preenchimento do requisito do pré-
questionamento, tornando inadmissível o recurso especial.

 O STF, por sua vez, entendia que a continuidade da omissão não poderia prejudicar a parte que
havia alegado a questão e a reiterado nos embargos de declaração.
 O entendimento do STF foi consagrado no NCPC, criando uma FICÇÃO LEGAL DE PRÉ-
QUESTIONAMENTO:

Art. 1.025. Consideram-se incluídos no acórdão os elementos que o embargante suscitou,


para fins de pré-questionamento, ainda que os embargos de declaração sejam
inadmitidos ou rejeitados, caso o tribunal superior considere existentes erro, omissão,
contradição ou obscuridade.
4. EXAURIMENTO DAS INSTÂNCIAS ORDINÁRIAS

• Os RE e REsp pressupõem uma decisão contra a qual já foram esgotadas as possibilidades de


impugnação nas INSTÂNCIAS ORDINÁRIAS ou na INSTÂNCIA ÚNICA. Não podem ser
exercitados per saltum.
 Súmula 281 do STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando couber, na Justiça
de origem, recurso ordinário da decisão impugnada".

5. PREPARO

• O recurso especial exige preparo ( art. 10 da Lei n. 11.636/2007)


 O recolhimento do preparo, composto de custas e porte de remessa e retorno, será
feito no tribunal de origem, perante as suas secretarias e no prazo da sua interposição.
 A COMPROVAÇÃO deve ser feita CONTEMPORANEAMENTE À INTERPOSIÇÃO DO
RECURSO (parágrafo único do art. 10 e art. 1007 do CPC).

6. RECURSO EXCEPCIONAL E OS CONCEITOS JURÍDICOS INDETERMINADOS

• É possível o CONTROLE DA APLICAÇÃO de conceitos jurídicos indeterminados e das cláusulas


gerais.
• Interposto o recurso com base nos fatos descritos no acórdão recorrido, É POSSÍVEL
QUESTIONAR A INTERPRETAÇÃO DADA PELO TRIBUNAL DE ORIGEM ao TERMO
INDETERMINADO CONTIDO NO TEXTO NORMATIVO.
 Irá discutir se aquele FATO examinado pelo tribunal recorrido subsome-se ao tipo
normativo.
 Ex:, o controle da aplicação de cláusula geral, tais como a boa-fé (5°, CPC), a
de negociação processual (190, CPC) e o poder geral de cautela (301, CPC), etc.

7. RECURSOS EXTRAORDINÁRIOS E INTERPRETAÇÃO DE CLÁUSULA CONTRATUAL

• NÃO SE ADMITE RECURSO EXTRAORDINÁRIO QUE OBJETIVE O REEXAME DE CLÁUSULA


CONTRATUAL.
Súmula 454 do STF: A interpretação de um contrato, ou de suas cláusulas, cujo
escopo seja a obtenção do sentido e alcance da manifestação de vontade,
envolve matéria de fato, porquanto averigua a intenção dos contraentes,
sendo defeso o respectivo reexame em sede de recurso especial.
Súmula 5 do STJ: A simples interpretação de cláusula contratual não enseja
recurso especial.

ATENÇÃO! A QUALIFICAÇÃO JURÍDICA pode ser analisada pelo tribunal superior NO ÂMBITO DO
RECURSO ESPECIAL. O que não se permite é o simples reexame da prova ou da cláusula contratual.
 Perceba: quando a interpretação da cláusula contratual DETERMINAR O TIPO DO CONTRATO
(se aluguel ou comodato, p. ex.) de que se trata a causa, é possível submetê-la ao controle
jurisdicional por meio de recurso especial.
8. RECURSOS EXTRAORDINÁRIO E ESPECIAL CONTRA PROVIMENTOS DE URGÊNCIA

De acordo com os arts. 102, III, e 105, III (CF), o STF e o STJ têm competência para, em RE e em REsp,
respectivamente, julgar as CAUSAS decididas em única ou última instância, quando a decisão
recorrida, além de outras hipóteses, violar norma constitucional (RE) ou de lei federal (REsp).

1. Parte da doutrina e da jurisprudência passou a entender que não seria possível interpor REsp
ou RE contra ACÓRDÃO PROFERIDO EM AGRAVO DE INSTRUMENTO.
 Isso porque “CAUSA” está a tratar da EXTINÇÃO DO PROCESSO COM OU SEM
RESOLUÇÃO DO MÉRITO, não abrangendo as decisões que versam sobre incidentes
processuais.

2. À luz do CPC-2015, HÁ EXPRESSA POSSIBILIDADE DE AGRAVO DE INSTRUMENTO CONTRA


DECISÕES INTERLOCUTÓRIAS DE MÉRITO DEFINITIVAS (art. 1.015, II, CPC).
 o termo “CAUSA” constante do texto constitucional abrange não somente o julgamento
final da demanda, como também a resolução de qualquer incidente no processo, de
sorte que se afigura cabível o RE ou o REsp CONTRA QUALQUER ACÓRDÃO.

DIVERGÊNCIA: Enunciado n. 735 da súmula do STF : não cabe recurso extraordinário contra ACÓRDÃO
QUE DEFERE LIMINAR.

JURISPRUDÊNCIA A razão do entendimento repousa na circunstância de o julgamento assim


proferido decorrer de um juizo de cognição sumária, sendo provisório. O recurso
extraordinário estaria a RECLAMAR PROVIDÊNCIA DEFINITIVA para instaurar o
contencioso constitucional.

THEODORO JÚNIOR O fato de a decisão ser provisória e estar fundada em cognição sumária não a
citado por DIDDIER afasta do conceito de causa. Na verdade, O RECURSO EXTRAORDINÁRIO REVELAR-
SE-IA INCABÍVEL NA ESPÉCIE, PORQUE ENVOLVE REEXAME DE FATOS OU PROVAS.
Além disso, é reflexa ou indireta a alegada violação a dispositivo constitucional.

STJ STJ segue, EM PRINCÍPIO, o entendimento do STF: Entende que, VIA DE REGRA,
não é cabível recurso especial para reexaminar decisão que defere ou indefere
liminar ou antecipação de tutela, EM RAZÃO DA NATUREZA PRECÁRIA DA
DECISÃO, por falta de cumprimento do requisito do exaurimento de
instância".(STJ, AgRg no AREsp 620.462/SP)

DIDDIER completa: Não se pode afastar de modo absoluto o cabimento do recurso especial contra
provimentos de urgência, sendo CABÍVEL QUANDO IMPOSSÍVEL A MEDIDA: ou em razão da violação a alguma
regra que vede ou restrinja sua concessão

9. PROCEDIMENTO DO RE E DO RESP NO TRIBUNAL LOCAL (ART. 1.030, CPC)

Recebida a petição do recurso pela secretaria do tribunal, o recorrido será intimado para apresentar contrarrazões no prazo
de 15 (quinze) dias, findo o qual os autos serão conclusos ao PRESIDENTE ou ao VICE-PRESIDENTE DO TRIBUNAL RECORRIDO,
que deverá:
I – NEGAR SEGUIMENTO:
a) a RE que discuta questão constitucional à qual o STF não tenha reconhecido a existência de repercussão geral ou
a RE interposto contra acórdão que esteja em conformidade com entendimento do STF exarado no regime de
repercussão geral;
b) a RE ou a REsp interposto contra acórdão que esteja em conformidade com entendimento do STF ou do STJ,
respectivamente, exarado no regime de julgamento de recursos repetitivos;
II – ENCAMINHAR o processo ao órgão julgador para realização do JUÍZO DE RETRATAÇÃO, SE O ACÓRDÃO RECORRIDO
DIVERGIR DO ENTENDIMENTO DO STF OU DO STJ exarado, conforme o caso, nos regimes de repercussão geral ou de
recursos repetitivos;
III – SOBRESTAR o recurso que versar sobre CONTROVÉRSIA DE CARÁTER REPETITIVO AINDA NÃO DECIDIDA PELO STF
OU PELO STJ, conforme se trate de matéria constitucional ou infraconstitucional;
IV – SELECIONAR o recurso como REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA constitucional ou infraconstitucional, nos
termos do § 6º do art. 1.036;
V – REALIZAR O JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE e, se positivo, remeter o feito ao STF ou ao STJ, DESDE QUE:
a) o recurso ainda não tenha sido submetido ao regime de repercussão geral ou de julgamento de recursos
repetitivos;
b) o recurso tenha sido selecionado como representativo da controvérsia; ou
c) o tribunal recorrido tenha refutado o juízo de retratação.
§ 1º Da decisão de INADMISSIBILIDADE proferida com fundamento no inciso V caberá AGRAVO AO TRIBUNAL SUPERIOR,
nos termos do art. 1.042.
§ 2º Da decisão proferida com fundamento nos incisos I e III caberá AGRAVO INTERNO, nos termos do art. 1.021.

O PRESIDENTE OU VICE-PRESIDENTE DO TRIBUNAL RECORRIDO, AO RECEBER O RECURSO, TEM


QUATRO OPÇÕES:
ADMITIR O RECURSO determinando sua remessa ao respectivo tribunal superior.

NÃO ADMITIR O RECURSO dessa decisão CABERÁ AGRAVO em RE ou REsp (art. 1.042, CPC)

EM INCIDENTE PARA JULGAMENTO DOS RECURSOS REPETITIVOS


SELECIONAR DOIS OU MAIS deverá encaminhá-lo ao tribunal superior competente PARA FINS DE
RECURSOS REPRESENTATIVOS AFETAÇÃO, DETERMINANDO A SUSPENSÃO DO TRÂMITE DE TODOS OS
DA CONTROVÉRSIA PROCESSOS PENDENTES, individuais ou coletivos, que tramitam no Estado ou na
região, conforme o caso (art. 1.036, § 10, CPC).

NEGAR SEGUIMENTO AOS se o acórdão recorrido COINCIDIR com a orientação já firmada pelo tribunal
RECURSOS SOBRESTADOS NA superior em:
ORIGEM • RECURSO REPETITIVO selecionado como representativo da controvérsia
(art. 1.040, I, CPC); ou,
• REPERCUSSÃO GERAL NÃO RECONHECIDA, cabendo dessa decisão agravo
interno para o plenário ou órgão especial, conforme previsão regimental
(art. 1.030, § 2°, CPC).

• Intimação – contrarrazões: 15 dias (art. 1.030, caput, CPC).

• Após as contrarrazões, procede-se ao JUIZO DE ADMISSIBILIDADE (provisório) e, se POSITIVO,


remete-se o feito ao STF ou ao STJ, DESDE QUE o recurso (art. 1.030, V do CPC):

a) NÃO TENHA SIDO submetido ao regime de repercussão geral ou de julgamento de recursos repetitivos

b) tenha sido SELECIONADO COMO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA

c) o tribunal recorrido tenha REFUTADO O JUÍZO DE RETRATAÇÃO

INADMITIDO o recurso (V do art. 1.030 do CPC), CABE AGRAVO PARA O TRIBUNAL SUPERIOR
(arts. 1.030, § 1°, e 1.042, CPC).

ATENÇÃO! O juizo de admissibilidade feito pelo tribunal a quo PRESSUPÕE que:


a) o RE ou REsp ainda NÃO TENHA SIDO SUBMETIDO ao regime da repercussão geral ou do recurso
especial repetitivo (art. 1.030, V, "a"); e,
b) tenha sido SELECIONADO COMO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (art. 1.030, V, "b").
• A DECISÃO QUE NEGA SEGUIMENTO (art. 1030, I) poderá ser impugnada por AGRAVO
INTERNO (art. 1.030, §2º, CPC).
 O agravo interno atuará como veículo do DIREITO À DISTINÇÃO: o recorrente poderá
demonstrar que seu caso É DISTINTO, a justificar A NÃO APLICAÇÃO DOS
PRECEDENTES OBRIGATÓRIOS referidos no inciso I do art. 1.030 do CPC.
 Não provido o agravo interno, caberá RECLAMAÇÃO para o STF ou STJ (art. 988, § 5º,
II do CPC). O agravo interno terá exaurido as instâncias ordinárias de impugnação e,
com isso, terá sido preenchido o PRESSUPOSTO DA RECLAMAÇÃO.

• Versando o recurso sobre tese já submetida ao regime do julgamento dos casos repetitivos,
cabe ao tribunal local "SOBRESTAR O RECURSO" (art. 1.030, III, CPC), e NÃO ENCAMINHÁ-LO
AO TRIBUNAL SUPERIOR.
 Contra a decisão de SOBRESTAMENTO cabe AGRAVO INTERNO (art. 1.030, §2º, CPC),
INSTRUMENTO PARA O EXERCÍCIO DO DIREITO À DISTINÇÃO

 Se a questão AINDA NÃO FOI SUBMETIDA ao tribunal superior, para a fixação da tese,
SOMENTE O RE OU RESP, QUE TENHA SIDO ESCOLHIDO COMO REPRESENTATIVO DA
CONTROVÉRSIA, deve ser encaminhado ao tribunal superior (art. 1.030, IV, CPC).
"Somente podem ser selecionados recursos admissíveis que contenham abrangente
argumentação e discussão a respeito da questão a ser decidida" (art. 1.036, § 6º, CPC).
 Presidente ou Vice-Presidente do tribunal local fará essa seleção.

• Se o RE ou REsp for interposto contra acórdão que tenha divergido de precedente de


repercussão geral ou de recurso especial repetitivo, cabe ao tribunal local, ANTES DE REMETÊ-
LO ao tribunal superior, ENCAMINHAR O PROCESSO AO ÓRGÃO QUE PROFERIU O ACÓRDÃO
RECORRIDO, PARA QUE PROCEDA AO JUIZO DE RETRATAÇÃO (art. 1.030, II, CPC).

• Somente na hipótese de o órgão julgador não se ter retratado, é que o RE/RESP


ADMISSIVEL, selecionado como representativo da controvérsia, deve ser encaminhado ao
tribunal superior (art. 1.030, V, "c", CPC).

9.1. LEGITIMIDADE PARA PROVOCAR A INSTAURAÇÃO DO INCIDENTE

O presidente ou o vice-presidente de TJ ou de TRF

O presidente ou o vice-presidente de tribunal superior (analogia) em decisão proferida em última instância

O relator em tribunal superior independentemente de provocação

Na prática: partes, terceiros, MP ou DP (provocando os orgãos)

1036. § 1º O presidente ou o vice-presidente de tribunal de justiça ou de tribunal regional federal


selecionará 2 (dois) ou mais recursos representativos da controvérsia, que serão encaminhados ao
Supremo Tribunal Federal ou ao Superior Tribunal de Justiça para fins de afetação, determinando a
suspensão do trâmite de todos os processos pendentes, individuais ou coletivos, que tramitem no Estado
ou na região, conforme o caso.

A regra também se aplica no âmbito do STJ. É que cabe RE contra decisão de última instância proferida
pelo STJ, e, sendo o RE repetitivo o presidente ou vice-presidente do STJ fará a seleção.

§ 4º A escolha feita pelo presidente ou vice-presidente do tribunal de justiça ou do tribunal regional


federal não vinculará o relator no tribunal superior, QUE PODERÁ SELECIONAR OUTROS RECURSOS
REPRESENTATIVOS DA CONTROVÉRSIA.
ATENÇÃO! Essa não vinculação também significa que O RELATOR, NO TRIBUNAL SUPERIOR, PODE
ENTENDER QUE NÃO É CASO DE INSTAURAR O INCIDENTE. Se isso acontecer, o relator comunicará o
fato ao presidente ou ao vice-presidente que os houver enviado, para que seja REVOGADA A
DECISÃO DE SUSPENSÃO referida no art. 1.036, § 1º (art. 1.037, § 10, CPC).

§ 5º O relator em tribunal superior também poderá selecionar 2 (dois) ou mais recursos representativos
da controvérsia para julgamento da questão de direito independentemente da iniciativa do presidente ou
do vice-presidente do tribunal de origem.

Na prática: partes, terceiros, Ministério Público ou Defensoria Pública. Nada impede que requeiram a
instauração do incidente: se o relator, no tribunal superior, pode agir ex officio, tanto mais pode agir
a partir da provocação de alguém.

9.2. PODERES DO RELATOR

Na DECISÃO DE AFETAÇÃO, constatando a presença do PRESSUPOSTO do caput do art. 1.036


(“multiplicidade de RE ou REsp com fundamento em idêntica questão de direito”), o relator:

Art. 1037. (...)


I - identificará com precisão a questão a ser submetida a julgamento;
II - determinará a suspensão do processamento de todos os processos pendentes, individuais ou
coletivos, que versem sobre a questão e tramitem no território nacional;
III - poderá requisitar aos presidentes ou aos vice-presidentes dos tribunais de justiça ou dos tribunais
regionais federais a remessa de um recurso representativo da controvérsia.

Ainda:

Art. 1038. O relator poderá:

I - solicitar ou admitir manifestação de pessoas, órgãos ou entidades com interesse na controvérsia,


considerando a relevância da matéria e consoante dispuser o regimento interno;
II - fixar data para, em audiência pública, ouvir depoimentos de pessoas com experiência e conhecimento
na matéria, com a finalidade de instruir o procedimento;
III - requisitar informações aos tribunais inferiores a respeito da controvérsia e, cumprida a diligência,
intimará o Ministério Público para manifestar-se.

§ 1º No caso do inciso III, os prazos respectivos são de 15 (quinze) dias, e os atos serão praticados, sempre
que possível, por meio eletrônico.

§ 2º Transcorrido o prazo para o Ministério Público e remetida cópia do relatório aos demais ministros,
HAVERÁ INCLUSÃO EM PAUTA, devendo ocorrer o julgamento com preferência sobre os demais feitos,
RESSALVADOS OS QUE ENVOLVAM RÉU PRESO E OS PEDIDOS DE HABEAS CORPUS.

É aplicável ao incidente de julgamento o art. 984 do CPC, que cuida da SUSTENTAÇÃO ORAL EM IRDR:

Art. 984. (...)


II - poderão sustentar suas razões, sucessivamente:
a) o autor e o réu do processo originário e o Ministério Público, pelo prazo de 30 minutos;
b) os demais interessados, no prazo de 30 minutos, DIVIDIDOS ENTRE TODOS, sendo exigida
inscrição com 2 dias de antecedência.

9.3. RETRATAÇÃO DO A QUO EM RAZÃO DO JULGAMENTO DO RECURSO REPETITIVO


PUBLICADO O ACÓRDÃO que julgou o RE ou REsp repetitivo, "O ÓRGÃO QUE PROFERIU O ACÓRDÃO
RECORRIDO, na origem, REEXAMINARÁ o processo de competência originária, a remessa necessária
ou O RECURSO ANTERIORMENTE JULGADO, se o acórdão recorrido CONTRARIAR a orientação do
tribunal superior" (art. 1.030, II, e art. 1.040, II, CPC).
 Os recursos repetitivos tem, portanto, o peculiar EFEITO DE RETRATAÇÃO, permitindo que o
órgão a quo adeque o seu entendimento àquele firmado pelo tribunal superior.

Art. 1.041. § 1º REALIZADO O JUIZO DE RETRATAÇÃO, com alteração do acórdão divergente, o tribunal
de origem, se for o caso, decidirá as demais questões ainda não decididas cujo enfrentamento se tornou
necessário em decorrência da alteração.

• HAVENDO RETRATAÇÃO QUE CONSIDERE A INEXISTÊNCIA DE DISTINÇÃO ENTRE A QUESTÃO


DISCUTIDA NO PROCESSO E A TESE QUE FUNDAMENTOU O ACÓRDÃO:
 admite-se AÇÃO RESCISÓRIA (§ 5º do art. 966 do CPC), cabendo ao autor demonstrar,
fundamentadamente, tratar-se hipótese fática distinta ou de questão jurídica não
examinada, a impor outra solução (art. 966, § 6º, CPC).
 O REsp ou RE será cabível QUANDO NÃO TIVER HAVIDO RETRATAÇÃO.

ATENÇÃO! É possível que o RECURSO SOBRESTADO verse sobre outras questões além da questão
repetitiva (§ 2º do art. 1.041 do CPC).
 Nesse caso, O TRIBUNAL DE ORIGEM VAI REEXAMINAR APENAS A QUESTÃO REPETITIVA para
exercer ou não a retratação:

a) Se a questão repetitiva for prévia às demais e, COM A RETRATAÇÃO, tudo se alterou, o


recurso terá seu objeto atendido, não havendo mais razão para prosseguir.

b) Se houver a retratação, mas a solução das DEMAIS QUESTÕES SE MANTIVER, o recurso


interposto - e que estava até então sobrestado - SERÁ SUBMETIDO AO JUÍZO
PROVISÓRIO DE ADMISSIBILIDADE, independentemente de ratificação pelo recorrente.
 Admitido o recurso, será encaminhado ao STF ou ao STJ para apreciação das
demais questões.
 Não admitido, CABERÁ AGRAVO, nos termos do art. 1.042 do CPC.

Exemplo: o acórdão examinou as questões X, Y e Z. O recurso foi interposto atacando X, Y e Z, mas X é uma
questão repetitiva. Por isso, o recurso ficou sobrestado:
1. Fixado o paradigma em favor do recorrente, o recurso volta para a turma para rejulgamento da questão
X.
2. Rejulgada a questão X (com retratação), podem Y e Z também ser alteradas, mas podem não ser, pois
podem ser questões independentes.
3. O recurso, então, vai prosseguir, pois a turma manteve Y e Z. Vai submeter-se ao juizo de admissibilidade
e, caso este seja positivo, vai para o tribunal superior examinar aquelas questões que estavam fora do
repetitivo.
4. O recurso já fora interposto e ficara sobrestado; não é caso de um novo recurso.

• O efeito de retratação decorre de uma simples e única circunstância: A DECISÃO FINAL FOI
PROFERIDA POR UM TRIBUNAL SUPERIOR, a quem cabe dar a última palavra acerca da
interpretação daquela determinada questão de direito.
10. PRIMAZIA DA DECISÃO DO MÉRITO DO RE OU RESP (ART. 1.029, §3º, CPC)

Art. 1029. § 3º. 0 Supremo Tribunal Federal ou o Superior Tribunal de Justiça poderá
desconsiderar vício formal de recurso tempestivo ou determinar sua correção, DESDE QUE
NÃO O REPUTE GRAVE.

O STF ou o STJ pode, DESDE QUE, quando TEMPESTIVO O RECURSO, e NÃO REPUTE GRAVE:
a) DESCONSIDERAR vicio formal (2);
b) DETERMINAR A CORREÇÃO de vicio formal (1).

1. O defeito/vício NÃO SE CONSIDERA GRAVE QUANDO PUDER SER CORRIGIDO: P. ex.,


defeitos relativos à representação processual, ausência de assinatura do advogado, etc,
e o RECORRENTE NÃO PROCEDE À RETIFICAÇÃO DETERMINADA, desaguando no NÃO
CONHECIMENTO DO RECURSO.

2. Desconsiderar o defeito: ou seja, NÃO HÁ sequer a necessidade de determinar a


correção.
 É possibilidade de o tribunal superior IGNORAR DEFEITOS INSANÁVEIS, DESDE
QUE NÃO OS REPUTE GRAVES.

Ex: A falta de pré-questionamento é um defeito insanável: não há como determinar ao


recorrente que corrija o seu recurso, trazendo uma decisão recorrida que tenha
enfrentado a questão de direito por ele controvertida. Informativo 365 do STF.

• O propósito é fazer com que o STF se manifeste sobre questões relevantes e firme
precedentes obrigatórios em relação a elas. (Min. Ellen Gracie, Inf. 365 do STF)
 A regra atribui esses poderes apenas aos tribunais superiores. O Presidente
ou Vice-Presidente do tribunal recorrido não pode aplicar o dispositivo.

Assim, inadmitido o recurso pelo Presidente ou Vice-Presidente do tribunal de origem, ao


recorrente cabe interpor agravo para que o tribunal superior: a) ou entenda presente o
requisito de admissibilidade cuja ausência fora proclamada no juizo provisório de
admissibilidade, ou, ainda que concorde com o Presidente ou Vice-Presidente do tribunal de
origem, haja por bem b) suplantar a ausência do requisito de admissibilidade e conhecer do
recurso.
 Com a repartição do duplo juizo de admissibilidade, o § 3º do art. 1.029 do CPC será
aplicado, quase sempre, QUANDO DA ANÁLISE DO AGRAVO em REsp ou RE.

11. PROFUNDIDADE DO EFEITO DEVOLUTIVO

Art. 1034, parágrafo único. Admitido o recurso extraordinário ou o recurso especial por um
fundamento, DEVOLVE-SE ao tribunal superior o conhecimento dos demais fundamentos para a
SOLUÇÃO DO CAPÍTULO IMPUGNADO.

• Se o RE ou REsp for INTERPOSTO POR OUTRO MOTIVO, e for conhecido, poderá o STF ou STJ,
ao julgá-lo:
 conhecer ex officio ou por provocação:
a) todas as matérias que podem ser alegadas a qualquer tempo (§ 3º do art. 485,
além da prescrição ou da decadência) – OUTRO MOTIVO/FUNDAMENTO.
Art. 485, § 3º. O juiz conhecerá de ofício da matéria constante dos incisos IV, V, VI e IX, em qualquer
tempo e grau de jurisdição, enquanto não ocorrer o trânsito em julgado.
IV - verificar a ausência de pressupostos de constituição e de desenvolvimento válido e regular do processo;
V - reconhecer a existência de perempção, de litispendência ou de coisa julgada;
VI - verificar ausência de legitimidade ou de interesse processual;
IX - em caso de morte da parte, a ação for considerada intransmissível por disposição legal;

b) bem como todas as questões SUSCITADAS e DISCUTIDAS no processo,


relacionadas ao capítulo decisório objeto do recurso extraordinário (causa de
pedir e pedido recursais) (art. 1.034, par. ún.), MESMO QUE NÃO TENHAM SIDO
ENFRENTADAS NO ACÓRDÃO RECORRIDO.
 DESDE QUE TENHA HAVIDO O PRÉ-QUESTIONAMENTO DA
QUESTÃO DE DIREITO.

Art. 1034, caput. Admitido o recurso extraordinário ou o recurso especial, o Supremo Tribunal Federal
ou o Superior Tribunal de Justiça julgará o processo, aplicando o direito".
 CONHECIDO O RECURSO, o tribunal superior NÃO SE LIMITA A CENSURAR A DECISÃO
RECORRIDA À LUZ DA SOLUÇÃO QUE DÊ À QUAESTIO IURIS: cassando tal decisão e restituindo
os autos ao órgão a quo, para novo julgamento.
 Fixada a tese jurídica correta, o tribunal aplica-a à espécie, isto é, julga 'a causa'...

• Poderá o STF ou STJ analisar matéria que NÃO FOI EXAMINADA na instância a quo, POIS O
PRÉ-QUESTIONAMENTO DIZ RESPEITO APENAS AO JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE:

 O JUÍZO DE REJULGAMENTO da causa é diferente do juízo de admissibilidade:

1. Para admitir o recurso: pré-questionamento;

2. ADMITIDO, no JUÍZO DE REJULGAMENTO não há limitação cognitiva, a não ser


a limitação horizontal (extensão do efeito devolutivo);

3. Poderá o tribunal superior REJULGAR A CAUSA, dentro dos limites horizontais,


com base em toda a EXTENSÃO VERTICAL.

OBS: O "EXCEPCIONAL" em um RE ou REsp está em seu juizo de admissibilidade,


tendo em vista as suas ESTRITAS HIPÓTESES DE CABIMENTO.

• Admitido o recurso, todas as questões podem ser examinadas, respeitada extensão do efeito
devolutivo, sobretudo por conta do art. 1.034 e da consagração do princípio da primazia da
decisão de mérito (art. 40, CPC).

Jurisprudência:

TJ, la T., REsp n. 1.080.808/MG, rel. Min. Luiz Fux, j. "1. As matérias de ordem pública, ainda que desprovidas de préquestionamento,
podem ser analisadas excepcionalmente em sede de recurso especial, cujo conhecimento se deu por outros fundamentos, à luz do efeito
translativo dos recursos. Precedentes do STJ: REsp 801.154/TO, DJ 21.05.2008; REsp 911.520/SP, DJ 30.04.2008; REsp 869.5340, DJ
10.12.2007; REsp 660519/CE, DJ 07.11.2005. 2. Superado o juizo de admissibilidade, o recurso especial comporta efeito devolutivo amplo,
porquanto cumpre ao Tribunal "julgar a causa, aplicando o direito à espécie" (Art. 257 do RISTJ; Súmula 456 do STF)"

O STJ, contudo, já proferiu decisão em sentido diverso:

No julgamento do AgRg nos EREsp 999.342/SP, rel. Min. Castro Meira, sua Corte Especial entendeu não ser possível examinar questões
cognoscíveis ex oficio, caso não haja o indispensável prequestionamento. Afirmou-se que, ainda que tenha o recurso sido admitido por
outro fundamento, não será possível examinar esse tipo de questão ou um fato superveniente, se não houver prequestionamento a seu
respeito. Mais recentemente, sua 2ª Turma, seguindo aquele precedente da Corte Especial, confirmou que "mesmo as matérias de ordem
pública precisam ser prequestionadas". (EDcl nos EDcl no AgRg no AREsp 32.420/PB, rel. Min. Humberto Martins, j. 21/6/2012, Dic.
28/6/2o12).
11.1. QUESTÕES SUPERVENIENTES: APLICAÇÃO DO ART. 493

Art. 493. Se, depois da propositura da ação, algum fato constitutivo, modificativo ou extintivo
do direito influir no julgamento do mérito, CABERÁ AO JUIZ TOMÁ-LO EM CONSIDERAÇÃO, de
ofício ou a requerimento da parte, no momento de proferir a decisão.

• O juiz DEVE, de ofício ou a requerimento, LEVAR EM CONTA, no momento do julgamento, os


FATOS SUPERVENIENTES que constituam, modifiquem ou extingam direitos.

 STJ: Deve o tribunal apreciar O DIREITO SUPERVENIENTE, sendo, inclusive, CABÍVEIS


EMBARGOS DE DECLARAÇÃO PARA SUPRIR A OMISSÃO quanto à aplicação do direito
superveniente. (REsp 734.661/R, p. 303)
 O STJ admite a análise de direito superveniente DESDE QUE NÃO SE ALTERE A
CAUSA DE PEDIR, QUANDO SE INVOCA APENAS NORMA NOVA, sem alteração
dos fatos.

 DIDDIER discorda: Ao examinarem o REsp e o RE, o STF e o STJ, JULGAM A CAUSA,


REFORMANDO ou ANULANDO a decisão recorrida. Com o julgamento opera-se a
substituição ao acordão recorrido.
 Diante do art. 1.034 do CPC, o tribunal superior, uma vez conhecendo do
recurso excepcional, poderá examinar toda a causa, COM PROFUNDIDADE,
cabendo-lhe, inclusive, apreciar questões examináveis a qualquer tempo.

1. SE O DIREITO SOBREVÉM ANTES de encerrado o julgamento no tribunal local, somente


poderá ser objeto de análise pelo STF ou STJ, se houver o PRÉ-QUESTIONAMENTO do direito
superveniente. (STJ, 1º T., AgRg no Ag n. 456.538/MG)
 Posicionamento que tem PREVALECIDO ATUALMENTE.

 DIDDIER discorda: “Se o recurso especial foi admitido ou conhecido, é possível


apreciar toda a causa, inclusive a alegação de direito ou fato superveniente. É preciso,
porém, aplicar o disposto no art. 933 do CPC.

2. SE O DIREITO SOBREVÉM APÓS INTERPOSIÇÃO do recurso extraordinário, deverá o STF ou STJ


apreciá-lo, desde que seja conhecido ou admitido o recurso excepcional.

11.2. SÚMULA 292 E 528 DO STF E O PARÁGRAFO ÚNICO DO ART. 1.034 DO CPC

• Aplicáveis aos RE e REsp;

Súmula 292, STF: "Interposto o recurso extraordinário por mais de um dos fundamentos
indicados no art. 101, III, da Constituição", a admissão apenas por um deles não prejudica o seu
conhecimento por qualquer dos outros".

Súmula 528, STF: “Se a decisão contiver partes autônomas, a admissão parcial, pelo Presidente
do Tribunal a quo, de recurso extraordinário que, sobre qualquer delas se manifestar, não
limitará a apreciação de todas pelo Supremo Tribunal Federal, independentemente de
interposição de agravo de instrumento.”
Exemplo 1 – Dois capítulos:
O autor propôs uma demanda postulando: a) a resolução do negócio jurídico; b) a condenação do réu a
perder o sinal pago; e, c) a reintegração da posse do bem.
A sentença julgou procedentes todos os pedidos, dai seguindo apelação que impugna toda a sentença.
O tribunal, ao conhecer do recurso, resolve, por unanimidade, dar-lhe parcial provimento, a fim de
afastar a condenação do réu à devolução do sinal, mantendo a sentença nos demais capítulos.

Contra esse acórdão o réu interpõe REsp, impugnando:


a) a resolução do contrato por existir contrariedade a dispositivo de lei federal (CF/88, art. 105, III, a); e,
c) a reintegração da posse do bem, alega haver divergência jurisprudencial (CF/88, art. 105, III, c).

 O relator admitiu o recurso pela letra A, e inadmitiu pela letra C.

Exemplo 2 – Um capítulo (situação diversa):


No REsp o réu impugnou apenas a reintegração da posse do bem, alegando a contrariedade a dispositivo
de lei federal (CF/88, art. 105, III, a), e a divergência jurisprudencial (CF/88, art. 105, III, c).

 O relator admitiu o recurso especial pela letra A, e inadmitiu pela letra C.

Pelos enunciados 292 e 528 da Súmula do STF, NÃO SERIA NECESSÁRIA, NEM ÚTIL, EM AMBOS
OS CASOS, A INTERPOSIÇÃO DE AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL.
 Pois, admitido o recurso por um dos fundamentos, cabe ao tribunal superior apreciar
tudo que fora nele alegado. ENUNCIADO SUMULAR EQUIVOCADO, pois:

a) No exemplo 1, O RECURSO IMPUGNA CAPÍTULOS DIFERENTES, sendo admitido apenas


em relação a UM deles. Não admitido o recurso quanto ao outro capítulo, deve a parte
interpor AGRAVO, SOB PENA DE OPERAR-SE O TRÂNSITO EM JULGADO, apto a impedir
o reexame pelo tribunal superior desse capitulo inadmitido.

 O parágrafo único do art. 1.034 do CPC restringe a possibilidade de


conhecimento dos demais fundamentos relativos ao capitulo impugnado:

Art. 1034, parágrafo único. Admitido o recurso extraordinário ou o recurso


especial por um fundamento, DEVOLVE-SE ao tribunal superior o conhecimento
dos demais fundamentos PARA A SOLUÇÃO DO CAPÍTULO IMPUGNADO.

Assim, o capítulo não agravado tornará imune pela coisa julgada, não podendo
ser rediscutido em recurso extraordinário, apenas em AÇÃO RESCISÓRIA.

b) Se o capítulo impugnado do acordão recorrido tiver MAIS DE UM FUNDAMENTO, e o


recurso controverter todos eles, o CONHECIMENTO PARCIAL desse recurso NÃO
IMPEDE que o STF ou o STJ examine o capitulo impugnado em sua profundidade,
conhecendo os demais fundamentos.
 O não conhecimento de algum dos fundamentos do recurso pelo orgão a quo
NÃO OBSTA O SEU REEXAME, EM PROFUNDIDADE, pelo orgão ad quem.

Gustavo Felipe Barbosa Garcia citado por Diddier: "estas súmulas só deveriam
ser aplicadas na hipótese de um mesmo capitulo da decisão ser objeto de
recurso, com mais de um fundamento"
12. RECURSOS EXTRAORDINÁRIOS E REEXAME DE PROVA

• Não é possível a interposição de recurso extraordinário para a REVISÃO DE MATÉRIA DE


FATO.
 É pacífica a orientação dos tribunais superiores de não admitir recursos extraordinários
para a simples revisão/apreciação de prova, tendo em vista o seu CARÁTER DE
CONTROLE DA CORRETA APLICAÇÃO DO DIREITO OBJETIVO (enunciados 279 do STF e
07 do STJ)

• Há possibilidade de REsp por VIOLAÇÃO ÀS NORMAS DO DIREITO PROBATÓRIO, entre as


quais se incluem aquelas decorrentes do CPC e do CC que cuidam da matéria - notadamente
quando tratam da valoração e da admissibilidade da prova.
 A questão da valorização da prova exsurge como questão de direito.

• É possível imaginar RE para discutir a UTILIZAÇÃO DE PROVA ILÍCITA, que é vedada


constitucionalmente.

ATENÇÃO! “O chamado erro de valoração ou valorização das provas, invocado para permitir o
conhecimento do recurso extraordinário, SOMENTE PODE SER O ERRO DE DIREITO, quanto ao valor
da prova abstratamente considerado. Assim, se a lei federal exige determinado meio de prova no
tocante a ato ou negócio jurídico, decisão judicial que tenha como provado o ato ou negócio por outro
meio de prova ofende ao direito federal.” (RE n. 84.699/S)
 STJ: "A valoração da prova, no âmbito do REsp, PRESSUPÕE CONTRARIEDADE A UM PRINCÍPIO
OU REGRA JURÍDICA NO CAMPO PROBATÓRIO".
 "Embora não seja possível o REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO por expressa vedação
do Enunciado n. 7/STJ, É POSSÍVEL, por medida de direito, a revaloração probatória,
QUANDO DEVIDAMENTE DELINEADOS OS FATOS E AS PROVAS NO ACÓRDÃO
RECORRIDO". (STJ, AgRg no REsp n. 1.159.867/MG)

OBS: Se, para combater as AFIRMAÇÕES DE FATO constantes do acórdão recorrido, FOR NECESSÁRIO
REPORTAR-SE A ALGUM DOCUMENTO OU A ALGUM FATO ALI NÃO RETRATADO, aí incidem os
enunciados 7 e 279 das súmulas do STJ e do STF.
 P. ex., o tribunal afirma que há recibo de quitação nos autos, mas, ainda assim, a parte ré há
de ser condenada ao pagamento postulado. Nesse caso, partindo-se dos próprios fatos
afirmados no acórdão recorrido, pode-se interpor o recurso especial para alegar violação a
dispositivo da legislação federal que confere força probatória ao recibo. Trata-se de questão
de direito relacionada com a aplicação do Direito Probatório.

13. EFEITO SUSPENSIVO

• O RE e o REsp NÃO TÊM EFEITO SUSPENSIVO AUTOMÁTICO (art. 995, CPC). Permitem, por
isso, o CUMPRIMENTO PROVISÓRIO da decisão recorrida.

O §5° do art. 1.029 do CPC disciplina o requerimento:

§ 5°. O pedido de concessão de efeito suspensivo a recurso extraordinário ou a recurso especial


poderá ser formulado por requerimento dirigido:

l - ao TRIBUNAL SUPERIOR respectivo, no período compreendido entre a publicação da decisão


de admissão do recurso e sua distribuição, ficando o relator designado para seu exame
prevento para julgá-lo;
II - ao RELATOR, se já distribuído o recurso;

III - ao PRESIDENTE ou VICE-PRESIDENTE DO TRIBUNAL RECORRIDO, no período compreendido


entre a interposição do recurso e a publicação da decisão de admissão do recurso, ASSIM
COMO NO CASO DE O RECURSO TER SIDO SOBRESTADO, nos termos do art. 1.037.

ATENÇÃO! Exceção: EFEITO SUSPENSIVO AUTOMÁTICO: quando interpostos contra decisão que
julga o incidente de resolução de demandas repetitivas (art. 987, §10, CPC).
 Aplicável, por analogia, AO RECURSO EXTRAORDINÁRIO EVENTUALMENTE INTERPOSTO
CONTRA DECISÃO DO STJ EM JULGAMENTO DE RECURSOS ESPECIAIS REPETITIVOS, em razão
da existência de um microssistema de julgamento de casos repetitivos (art. 928, CPC).

14. INTERPOSIÇÃO SIMULTÂNEA DE RESP E RE – TWO ISSUE RULE

• Trata-se de situações em que uma decisão se assenta em mais de um fundamento,


QUALQUER UM DELES SUFICIENTE PARA SUSTENTAR A DECISÃO AUTÔNOMAMENTE. Nesse
caso, o recorrente tem de impugnar todos eles, SOB PENA DE NÃO CONHECIMENTO DO
RECURSO, em razão de sua INUTILIDADE.
 Questão decidida e não impugnada se sujeita à preclusão; se apenas um dos
fundamentos for impugnado, a decisão, mesmo que o recurso venha a ser acolhido,
PERMANECERÁ SUSTENTADA PELO FUNDAMENTO NÃO IMPUGNADO.
 two issue rule do direito americano.

1. Acórdão com MAIS DE UM CAPITULO: cada um impugnável por uma modalidade de recurso.
2. UM MESMO capítulo do acórdão com MAIS DE UM FUNDAMENTO: matéria constitucional e
matéria legal.
 SE QUALQUER FUNDAMENTO SUSTENTAR A DECISÃO AUTONOMAMENTE, deverão ser
interpostos RE contra a parte constitucional e REsp contra a parte infraconstitucional
da fundamentação.
 Súmula 126 do STJ: "É INADMISSÍVEL RECURSO ESPECIAL, quando o acórdão
recorrido assenta em fundamentos constitucional e infraconstitucional,
QUALQUER DELES SUFICIENTE, POR SI SÓ, para mantê-lo, e a parte vencida não
manifesta recurso extraordinário".
 Súmula 283 do STF: "É INADMISSÍVEL O RECURSO EXTRAORDINÁRIO, quando a
decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não
abrange qualquer deles".
NOTA: TAL INTERPOSIÇÃO CONJUNTA SOMENTE DEVE SER EXIGIDA SE AMBOS OS FUNDAMENTOS
(constitucional e infraconstitucional) figurarem como rationes decidendi do julgado, sendo
AUTÔNOMOS. Se um fundamento for autônomo (consistindo numa ratio decidendi) e o outro figurar
como obiter dictum, não será necessária a interposição conjunta, devendo-se interpor apenas o
recurso relativo ao fundamento que constituiu a ratio decidendi do julgado.

ATENÇÃO! O FUNDAMENTO DA DECISÃO PODE SER UM E O FUNDAMENTO DO RECURSO, OUTRO.


 O recurso pode dizer que o acórdão violou a norma X, por não aplicá-la; exatamente por não
ter sido aplicada, a norma X não foi o fundamento da decisão.
Exemplo: o acórdão pode fundamentar-se na aplicação de uma determinada lei; o recurso
pode fundamentar-se na INCONSTITUCIONALIDADE desta lei; O FUNDAMENTO É LEGAL, MAS
O RECURSO É EXTRAORDINÁRIO.
 Nesse caso, É IMPRESCINDÍVEL, para que seja ADMITIDO O RECURSO
EXTRAORDINÁRIO, OPOR PREVIAMENTE EMBARGOS DE DECLARAÇÃO para que se
obtenha o PRÉ-QUESTIONAMENTO RELATIVAMENTE À MATÉRIA CONSTITUCIONAL,
demonstrando omissão do tribunal quanto ao exame da inconstitucionalidade da lei.

MOMENTO DA INTERPOSIÇÃO DO RECURSO SIMULTÂNEO


Os recursos especial e extraordinário serão interpostos perante o presidente ou vice-presidente do tribunal
recorrido em petições distintas (art. 1.029 do CPC);

No caso de interposição conjunta, os autos seguirão para o STJ (art. 1031 do CPC);
 Os autos irão ao STF após a decisão sobre o REsp, CASO O RE NÃO TENHA FICADO PREJUDICADO.

Art. 1031. Na hipótese de interposição conjunta de recurso extraordinário e recurso especial,


os autos serão remetidos ao Superior Tribunal de Justiça.
§ 1º Concluído o julgamento do recurso especial, os autos serão remetidos ao Supremo Tribunal
Federal para apreciação do recurso extraordinário, SE ESTE NÃO ESTIVER PREJUDICADO.

PRAZO
a) O prazo para a interposição de é comum;
b) A interposição de um, no meio do prazo, não gera preclusão consumativa do direito de interpor o outro,
porquanto não há exigência legal de interposição simultânea;
c) Há casos em que devem ser interpostos tanto o REsp como o RE, mas a interposição de cada um obedece
ao prazo comum de 15 dias, não havendo necessidade de interposição simultânea

SUBSTITUTIVIDADE COMPARTILHADA
Para a EFICÁCIA do recurso, "NÃO BASTA a sua interposição CONTRA AMBOS OS FUNDAMENTOS,
nem a sua ADMISSÃo quanto a ambos os fundamentos: somente terá UTILIDADE com o seu
PROVIMENTO em relação a ambos os fundamentos.
O RE encaminhado ao STF não deve ser admitido, caso o REsp NÃO TENHA SIDO PROVIDO.
 Trata-se de perda do objeto do RE pela decisão do REsp (art. 1031, § 1º).
ATENÇÃO! Somente o PROVIMENTO DE AMBOS os recursos é que tem a aptidão de REFORMAR o
acórdão recorrido, e, como consequência, a produção do EFEITO SUBSTITUTIVO. Assim:

• Se apenas um único recurso for PROVIDO: NÃO HÁ SUBSTITUTIVIDADE; *


• Se apenas um único recurso NÃO for CONHECIDO: O OUTRO NÃO SERÁ em razão da INUTILIDADE (a
decisão de não conhecimento deverá ser impugnada por recurso, sob pena de ambos não serem
conhecidos);
• Se um recurso NÃO for PROVIDO: o outro NEM SERÁ CONHECIDO, pois é INUTIL.

* Eventual ação rescisória há de ser proposta perante o tribunal de origem, pois, NÃO HAVENDO
SUBSTITUTIVIDADE, A DECISÃO QUE PRODUZ COISA JULGADA É A RECORRIDA.
LEMBRETE: o EFEITO SUBSTITUTIVO PRODUZ-SE QUANDO O RECURSO FOR CONHECIDO, seja para ser
desprovido, seja para ser provido. Se, entretanto, O RECURSO FOR PROVIDO PARA ANULAR A DECISÃO
RECORRIDA, em razão de um error in procedendo, NÃO SE PRODUZ O EFEITO SUBSTITUTIVO, MAS O
RESCINDENTE.
 Assim, "quando o acórdão recorrido estiver acoimado de vício in procedendo, o provimento,
de qualquer um dos recursos, será suficiente para operar o juízo de cassação recursal,
devolvendo-se os autos ao juízo a quo para que ele profira uma nova decisão, eliminando-se
a ilegalidade em que havia incidido o julgado recorrido.

# Repercussão geral no RE e a súmula 283 do STF:


Decisão que se lastreia em DOIS FUNDAMENTOS AUTÔNOMOS, AMBOS DE ORDEM CONSTITUCIONAL,
e impugnados pelo recorrente.
 Se o STF reconhece que em apenas um há repercussão geral o recurso não deve ser conhecido,
vez que o FUNDAMENTO não admitido se mostra intacto e apto a sustentar a decisão originária
recorrida.
 Nesta hipótese, o STF não examinará, mesmo que seja matéria de ordem constitucional e pré-
questionada. Caberá ação rescisória da decisão orinária transitada em julgado.

# Interposição de recurso especial do fundamento autônomo infraconstitucional e recurso


extraordinário, do constitucional:
a) Se, nesse caso, o STF não reconhece a repercussão geral, poderá ser julgado o recurso especial,
ante o enunciado 126 da súmula do STJ?
b) Ainda que preencha seus requisitos próprios, o recurso especial deverá ser considerado
admissivel, diante da substitutividade compartilhada demonstrada no item anterior?
 Se não há repercussão geral da questão constitucional e essa constitui fundamento
autônomo do acórdão recorrido, o recurso extraordinário não preenche um de seus
requisitos, não devendo ser conhecido. Haverá de ser aplicado o enunciado 126 da
Súmula do STJ. Ainda que provido o recurso especial, o acórdão recorrido manter-se-
á integro e higido, sustentado pelo fundamento constitucional.

• O STF tem entendido que, nos casos de ofensa reflexa ou indireta à norma constitucional,
NÃO CABE O RECURSO EXTRAORDINÁRIO, NÃO HAVENDO REPERCUSSÃO GERAL.
 A matéria não é constitucional, segundo o próprio STF. Nesses casos, cabe ao STF
determinar a conversão do recurso extraordinário em recurso especial (art. 1.033,
CPC).

Art. 1033. Se o Supremo Tribunal Federal considerar como reflexa a ofensa à


Constituição afirmada no recurso extraordinário, por pressupor a revisão da
interpretação de lei federal ou de tratado, remetê-lo-á ao Superior Tribunal de Justiça
para julgamento como recurso especial.
PROCESSAMENTO DOS RECURSOS EXTRAORDINÁRIOS INTERPOSTOS CONJUNTAMENTE
1. Interposição: prazo de 15 dias, perante o Presidente ou Vice-Presidente do tribunal de origem;

2. Intimação do recorrido: após recebida a petição pela secretaria, abrindo-lhe vista; (1029)

3. Os autos serão remetidos ao STJ para julgamento do RE;

4. Concluso o REsp, serão os autos remetidos ao STF, para apreciação do RE, se este não estiver
prejudicado; (1031, § 1º);
 O RE fica prejudicado, quando o REsp vem a ser CONHECIDO E PROVIDO (SALVO
QUANDO HÁ FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL SUFICIENTE). Possíveis resultados para o
REsp:
a) não ser conhecido ou ser conhecido, mas não provido: os autos serão enviados
ao STF para apreciação do RE.
 Se for o caso de SUBSTITUTIVIDADE COMPARTILHADA o RE restará
prejudicado.

b) ser conhecido e provido: o RE restará prejudicado, SALVO SE EXIGIDA A


SUBSTITUTIVIDADE COMPARTILHADA.

INCOERÊNCIA/EQUÍVOCO JURISPRUDENCIAL: O STF reputa indispensável a


interposição simultânea de ambos os recursos, SOB PENA DE FALTA DE INTERESSE
RECURSAL, mas considera haver PERDA DO MESMO INTERESSE com o provimento de
apenas um dos recursos interpostos.

A colenda corte entende que, com o provimento do REsp, a pretensão da parte já foi
atendida (desconstituição da decisão que lhe foi desfavorável), restando prejudicado
o RE. É que, nesse caso, o acórdão do tribunal de segunda instância é substituído pelo
acórdão do STJ, ocasionando a PREJUDICIALIDADE (perda do interesse processual)
do RE (STF, RE 459.960 AgR, rel. Min. Eros Grau).

5. O RE será prioritário em relação ao REsp, QUANDO O JULGAMENTO DESTE DEPENDER DA


DEFINIÇÃO DA CONSTITUCIONALIDADE DA NORMA DE DIREITO FEDERAL TIDA COMO VIOLADA.
 Se questionada, no REsp, a aplicação de lei federal que, no RE, é APONTADA COMO
INCONSTITUCIONAL, o julgamento REsp depende do prévio desfecho RE.

Nessa hipótese:

Art. 1031. (...)


§ 2º Se o relator do recurso especial considerar prejudicial o recurso extraordinário, EM
DECISÃO IRRECORRÍVEL, sobrestará o julgamento e remeterá os autos ao Supremo
Tribunal Federal.

§ 3º Na hipótese do § 2º, se o relator do recurso extraordinário, EM DECISÃO


IRRECORRÍVEL, REJEITAR A PREJUDICIALIDADE, devolverá os autos ao Superior
Tribunal de Justiça para o julgamento do recurso especial.
15. RECURSO ESPECIAL (art. 105, III, CF)

Art. 105. Compete ao STJ:


III - Julgar, em recurso especial, as CAUSAS DECIDIDAS, em ÚNICA ou ÚLTIMA INSTÂNCIA,
pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos tribunais dos Estados, do Distrito Federal e
Territórios, quando a decisão recorrida:

a) CONTRARIAR TRATADO OU LEI FEDERAL, OU NEGAR-LHES VIGÊNCIA

• O termo "contrariar" é mais abrangente do que "negar vigência". Contrariar supõe toda e
qualquer forma de ofensa ao texto legal, é mais do que negar-lhe vigência.
• “Contrariar” NÃO ADMITE sequer que tenha havido uma suposta INTERPRETAÇÃO RAZOÁVEL,
enquanto se o dispositivo tiver sido razoavelmente interpretado, não se lhe terá negado
vigência.
• "Negar vigência" ocorre quando:
a) se aplica lei que NÃO TEM APLICAÇÃO à espécie EM LUGAR DA LEI FEDERAL CABÍVEL;
b) se faz incidir sobre fato CERTO DISPOSITIVO LEGAL INAPLICÁVEL.

Lei federal compreende: a) lei complementar federal; b) lei ordinária federal; c) lei delegada federal;
d) decreto-lei federal; e) medida provisória federal; f) decreto autônomo federal.

• É cabível REsp por ofensa a DISPOSITIVO CONTIDO em decreto regulamentar,


quando o decreto extrapola o poder regulamentar, restando ofendido o princípio da
legalidade. O STF entende que a hipótese não se situa no âmbito da constitucionalidade, mas
no da legalidade. Logo, não cabe RE.
• Não cabe REsp por violação a regimento interno de tribunal (Súmula 399 do STF).
• Não cabe o REsp, pela alínea "a" por SUPOSTA ofensa a ENTENDIMENTO jurisprudencial do
próprio STJ.
 A JURISPRUDÊNCIA FIRMA ORIENTAÇÃO A RESPEITO DA INTERPRETAÇÃO A SER
CONFERIDA A DISPOSITIVOS LEGAIS. A jurisprudência do STJ não foi seguida,
exatamente porque determinado dispositivo foi interpretado diferentemente da
orientação por ele ministrada. Logo, deve o REsp apontar violação ao respectivo
dispositivo legal, e não à jurisprudência ou ao enunciado da súmula do STJ.

b) JULGAR VÁLIDO ATO DE GOVERNO LOCAL CONTESTADO EM FACE DE LEI FEDERAL

Se o ato de governo local foi julgado válido, significa que a lei federal restou afrontada. Entre a lei
federal e o ato de governo local, o acórdão recorrido optou por este último, quedando por
possivelmente violar a lei federal.
 Significa que o ato administrativo pode ter violado a lei federal. AO JULGAR VÁLIDO O ATO
ADMINISTRATIVO, O ACÓRDÃO RESTOU, IGUALMENTE, POR VIOLAR A LEI FEDERAL.

c) DER A LEI FEDERAL INTERPRETAÇÃO DIVERGENTE DA QUE LHE HAJA ATRIBUÍDO


OUTRO TRIBUNAL

É preciso que essa divergência seja entre TRIBUNAIS DIVERSOS e ATUAL. Não cabe o REsp se a
divergência ocorrer dentro do mesmo tribunal (súmula do STJ, nº 13), tendo em vista o DEVER DE
UNIFORMIZAÇÃO imposto pelo art. 926 do CPC. É preciso, apenas, que haja DIVERGÊNCIA ENTRE
PRECEDENTES de tribunais diversos, cabendo ao STJ eliminar essa divergência e firmar a orientação a
ser seguida pelos tribunais.
Art. 1029. § 1º Quando o recurso fundar-se em dissídio jurisprudencial, o recorrente fará a
prova da divergência com a certidão, cópia ou citação do repositório de jurisprudência, oficial
ou credenciado, inclusive em mídia eletrônica, em que houver sido publicado o acórdão
divergente, ou ainda com a reprodução de julgado disponível na rede mundial de computadores,
com indicação da respectiva fonte, devendo-se, em qualquer caso, mencionar as circunstâncias
que identifiquem ou assemelhem os casos confrontados.

Cabe ao recorrente "mencionar as circunstâncias que identifiquem ou assemelhem os casos


confrontados" (na praxe denomina-se CONFRONTO ou COTEJO ANALÍTICO entre o acórdão recorrido
e o acórdão paradigma). Ou seja, não é suficiente, para comprovar o dissídio jurisprudencial, a simples
transcrição de ementas, sendo necessário que o recorrente:
1. TRANSCREVA TRECHOS do relatório do acórdão paradigma e, depois, do relatório do
acórdão recorrido, COMPARANDO-OS, a fim de demonstrar que ambos trataram de casos bem
parecidos ou cuja base fática seja bem similar.
2. Após, transcreve-se trechos do voto do acórdão paradigma e trechos do voto do acórdão
recorrido para, então, confrontá-los, demonstrando que foram adotadas teses opostas.
 Trata-se do método do distinguishing, a comparação entre o precedente invocado e a decisão
recorrida.

# A divergência jurisprudencial é hipótese autônoma de fundamentação?

(Ma) defende ser autônoma a hipótese de cabimento de recurso especial fundado na divergência jurisprudencial.
O recorrente não lamenta um vício de atividade (error in procedendo) ou de avaliação jurídica (error in
iudicando), mas aponta fundamento autônomo - e extrínseco do julgado - qual seja, este se apresentar
divergente de acórdão(s) de outro(s) Tribunal(is), assim dando o mote ao STJ para emitir a última voz sobre a
controvérsia, como guardião do Direito Federal, comum.

(Mi) a divergência jurisprudencial não constitui fundamento autônomo do recurso especial, devendo, nesse
caso, o recorrente demonstrar que a interpretação adotada na decisão recorrida não é a correta, estando a
hipótese abrangida pela alínea “a” do inciso III do art. 105 da CF. Na verdade, a demonstração do dissídio
jurisprudencial consistiria em mero reforço do fundamento de violação à lei federal.
 Tal entendimento ignora o objetivo do texto normativo, que é o de permitir que o STJ uniformize a
interpretação da lei federal e, com isso, forneça paradigmas que tornem mais previsíveis as decisões
judiciais, diminuindo a insegurança jurídica.

Súmula 203 do STJ: "não cabe recurso especial contra decisão proferida por órgão de segundo grau
dos Juizados Especiais". É que o órgão de segundo grau dos Juizados Especiais não se encaixa na
previsão constitucional.
Súmula 83 do STJ: Se a jurisprudência do STJ se firmou no mesmo sentido do acórdão recorrido, não
cabe o recurso especial pela divergência jurisprudencial.

15.1. FUNGIBILIDADE

Em vez de levar à extinção do procedimento recursal sem exame do mérito, o fato de o recurso
especial versar sobre questão constitucional leva à conversão dele em recurso extraordinário, com
a remessa dos autos ao STF.

Art. 1.032. Se o relator, no STJ, entender que o recurso especial versa sobre QUESTÃO CONSTITUCIONAL,
DEVERÁ CONCEDER PRAZO DE 15 DIAS para que o recorrente demonstre a EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO
GERAL e SE MANIFESTE SOBRE A QUESTÃO CONSTITUCIONAL.

Após intimação do recorrido, para que complemente as suas contrarrazões:

Parágrafo único. (...), o relator remeterá o recurso ao STF, que, EM JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE, PODERÁ
DEVOLVÊ-LO AO STJ.
 Cabe ao STF dar a ÚLTIMA PALAVRA: se entender que o caso é mesmo de recurso
especial, terá o STJ de examinar o recurso.

15.2. COMPLEMENTO

• Admite-se a interposição de RE contra acórdão que julgar REsp, em caso de interposição


simultânea.
 Da decisão do STJ, no recurso especial, só se admitirá recurso extraordinário se a
questão constitucional objeto do último for diversa da que já tiver sido resolvida pela
instância ordinária. (STF, Pleno, AI 145.589-RJ-AgRg, rel. Min. Sepúlveda Pertence, DJ
2416/1 994, p. 16.652)

• É possível que o STJ exerça o CONTROLE DIFUSO da constitucionalidade da lei apontada


como violada.
 REGRA: não pode o STJ examinar a questão constitucional se ela já estiver PRECLUSA, em
razão da não impugnação pelo recurso correto na instância ordinária (o acórdão assentava em
fundamentos constitucional e legal e a parte vencida não interpôs o RE).
 EXCEÇÃO: Se não havia interesse na interposição do RE contra o acórdão proferido na
instância ordinária; p. ex.: a PARTE VENCEU, MAS A SUA ALEGAÇÃO DE
INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FOI REPELIDA.
 Duas são as soluções, afim de discutir a constitucionalidade de lei federal:

a) Adotada por Diddier: no julgamento do REsp poderia o STJ examinar a questão


constitucional, de oficio ou por provocação da PARTE VENCEDORA nas contrarrazões
do REsp interposto pela parte vencida; e contra esse julgamento caberá RE, tendo em
vista a aplicação do art. 1.034 do CPC.
b) interposição, de logo, de RE (adesivo) condicionado à procedência do julgamento do
REsp interposto pela outra parte.

• Atual entendimento do STJ: cabe o REsp em REMESSA NECESSÁRIA. NÃO HÁ QUALQUER TIPO
DE PRECLUSÃO NA AUSÊNCIA DE APELAÇÃO, não havendo óbice à interposição de REsp contra
o acórdão que julga a remessa necessária.
 É possível, ainda, que o erro de procedimento ou de julgamento surja no acórdão que
apreciou a remessa necessária, não havendo, portanto, óbice à interposição do REsp.
16. RECURSO EXTRAORDINÁRIO (art. 102, III, CF)

• Ao STF cabe conferir interpretação às normas constitucionais, fazendo-o por meio de controle
concentrado de constitucionalidade ou por meio do CONTROLE DIFUSO, sendo este realizado
usualmente por meio do RECURSO EXTRAORDINÁRIO.

• O papel do RE, dentre os recursos cíveis, é o de RESGUARDAR A INTERPRETAÇÃO dada pelo


STF aos dispositivos constitucionais, garantindo a inteireza do sistema jurídico constitucional
federal e assegurando-lhe validade e uniformidade de entendimento.

Observações:

➢ O art. 102, III, não faz menção a qualquer órgão jurisdicional que tenha proferido a decisão recorrida.
O que não ocorre com o recurso especial:
 se um juiz/órgão singular julgar a causa em última ou única instância, será cabível o RE;
 cabe RE contra decisão proferida por órgão recursal dos JUIZADOS ESPECIAIS CÍVEIS (súmula
640 do STF), ao revés do Resp.
➢ STF: NÃO CABE RE contra decisão proferida em processamento de precatório (súmula, n. 733), porque
se trata de decisão administrativa;
➢ STF: NÃO CABE RE contra acórdão que defere medida liminar (súmula, n. 735), PORQUE NÃO É
DECISÃO FINAL, E SIM PROVISÓRIA, DECORRENTE DE COGNIÇÃO SUMÁRIA.
➢ Cabe RE contra acordão que “CONTRARIAR” (102, III, “a’’) TRATADO INTERNACIONAL SOBRE DIREITOS
HUMANOS (se eregido à estatura constitucional - emenda constitucional - § 3° do art. 5°, CF)

Art. 102. Compete ao STF, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe:


III - julgar, mediante RE, as causas decididas em única ou última instância, quando a decisão recorrida:

a) CONTRARIAR DISPOSITIVO DESTA CONSTITUIÇÃO

• A norma constitucional tida como contrariada deve ter sido objeto de debate no acórdão ou
na decisão recorrida. Deve haver pré-questionamento.
• A contrariedade deve ser DIRETA e FRONTAL, sendo vedado quando INDIRETA ou REFLEXA.
 se, para demonstrar a contrariedade a dispositivo constitucional, é preciso, antes, demonstrar a
ofensa à norma infraconstitucional, então foi essa que se contrariou, e não aquela. Não cabe,
portanto, o RE, mas REsp para o STJ.

Em vez de levar à extinção do procedimento recursal sem exame do mérito, a OFENSA REFLEXA LEVA
À CONVERSÃO DO RE EM RESP:

CPC. Art. 1033. Se o STF considerar como REFLEXA A OFENSA À CONSTITUIÇÃO AFIRMADA
NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO, por pressupor a revisão da interpretação de lei federal ou
de tratado, REMETÊ-LO-Á AO STJ PARA JULGAMENTO COMO RECURSO ESPECIAL.

 REGRA DA FUNGIBILIDADE: Caberá ao relator – CONVERTENDO O RE EM RESP -


determinar a intimação do recorrente para que adapte o seu recurso e se manifeste
sobre a questão infraconstitucional (analogia ao art. 1032).
 A conversão do RE em REsp, ambas, juntas, estabelecem o “livre trânsito de
recursos entre o STF e o STJ”.

• Se o recorrente já houver interposto simultâneamente um REsp, o RE convertido AMPLIA O OBJETO


do REsp já interposto.
• A regra NÃO EXIGE que se demonstre a existência de DÚVIDA sobre o cabimento do RE. PRESSUPÕE
QUE O STF RECONHEÇA que a discussão posta no recurso envolve análise do Direito infraconstitucional.
OBS: Se o RE foi interposto contra acordão proferido por turma recursal dos JECs NÃO CABERÁ A
CONVERSÃO, vez que não se admite o reexame da questão de Direito infraconstitucional, via REsp,
quando originada dos juizados especiais cíveis.

b) DECLARAR A INCONSTITUCIONALIDADE DE TRATADO OU LEI FEDERAL

DISPENSA o pré-questionamento: o que importa é a MANIFESTAÇÃO DO TRIBUNAL RECORRIDO que


reconheça a inconstitucionalidade de uma lei ou de um tratado.

1. Interposto o recurso, a ARGUIÇÃO INCIDENTAL, pela alegação de inconstitucionalidade de lei, em


CONTROLE DIFUSO, SE SUBMETE À CLÁUSULA DE RESERVA DE PLENÁRIO, devendo ser submetida a
questão ao plenário ou órgão especial para que se analise, EM ABSTRATO, A INCONSTITUCIONALIDADE.
2. Reconhecida a inconstitucionalidade, os autos retornam ao orgão fracionário (turma ou câmara) para
julgamento do caso (procedimento, arts. 948 a 950, CPC).
3. Julgado o caso, caberá recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, "b".

# Cabe RE contra decisão proferida em sede de controle concentrado de constitucionalidade exercido por
Tribunal Justiça?
 STF: Sim. Reconhecida a inconstitucionalidade de lei estadual em face de norma da Constituição do
Estado, DESDE QUE TAL NORMA CONSTITUCIONAL CONSTITUA MERA REPETIÇÃO DE DISPOSITIVO DA
CF.

c) JULGAR VÁLIDA LEI OU ATO DE GOVERNO LOCAL EM DETRIMENTO DA CONSTITUIÇÃO

A decisão recorrida privilegiou a lei ou o ato de governo local em detrimento da própria Constituição
Federal.

se o ato ou a lei local prevalece sobre a norma se a lei local atenta contra (rectius, invade competência de)
constitucional, cabe o RE pela letra "c". lei federal, cabe RE pela letra "d" (matéria constitucional,
art. 24, CF).

NOTA: é comum que a parte interessada tenha alegado a inconstitucionalidade da norma, e o TRIBUNAL NÃO A
TENHA ACOLHIDO, julgando válida a lei ou o ato local. Nesses casos, não é necessário que se observe a cláusula
de reserva de plenário (art. 97, CF/1988). A cláusula de reserva de plenário somente deve ser observada,
quando se RECONHECE A INCONSTITUCIONALIDADE da norma, e NÃO QUANDO TAL INCONSTITUCIONALIDADE
É AFASTADA.

d) JULGAR VÁLIDA LEI LOCAL EM DETRIMENTO DE LEI FEDERAL

Não há hierarquia entre lei local e lei federal. Na discussão sobre a aplicação de lei local em detrimento
de lei federal há QUESTÃO CONSTITUCIONAL DA COMPETÊNCIA LEGISLATIVA (arts. 22 e 24, CF).
16.1. REPERCUSSÃO GERAL

A repercussão geral não se confunde com a antiga "arguição de relevância", que existia ao tempo da CF/1969:

ARGUIÇÃO DE RELEVÂNCIA REPERCUSSÃO GERAL


✓ A decisão do STF não precisava de motivação; ✓ A decisão sobre a repercussão geral precisa ser
✓ Era tomada sob sigilo. motivada (art. 93, IX, CF/88);
✓ É pública;
✓ Exige quorum qualificado para a deliberação;
✓ A decisão sobre a existência ou não de
repercussão geral é irrecorrivel;
✓ Admite-se embargos de declaração.

A EC 45/2004 acrescentou o § 3º ao art. 102 da CF/88, inovando em matéria de cabimento do RE.


 Prevê o dispositivo que é ônus do recorrente demonstrar "a repercussão geral das questões
constitucionais discutidas no caso", a fim de que o "tribunal EXAMINE A ADMISSÃO do
recurso, somente podendo recusá-lo pela manifestação de dois terços dos seus membros".

• O quorum qualificado é para considerar que a questão NÃO TEM repercussão geral.
• PRESUME-SE QUE HAJA REPERCUSSÃO GERAL, somente cabendo ao PLENÁRIO do STF (por
2/3 de seus membros) deixar de conhecer do RE por falta de repercussão geral.
• É possível que a TURMA do STF conheça do recurso, por reputar geral a questão discutida,
SEM NECESSIDADE DE REMETER OS AUTOS AO PLENÁRIO, desde que haja no mínimo 4 votos
a favor da repercussão geral (se são onze ministros, e oito é o mínimo de votos para negar a
existência de repercussão geral, é correto dispensar a remessa ao plenário se quatro ministros
já admitem o RE).
 NÃO É PERMITIDO À TURMA, porém, considerar que o recurso, por esse motivo, é
INADMISSÍVEL.

Art. 1035. O STF, em decisão irrecorrível, não conhecerá do recurso extraordinário quando a
questão constitucional nele versada não tiver repercussão geral, nos termos deste artigo.
§ 2º O recorrente (em suas razões) deverá demonstrar a existência de repercussão geral para
apreciação exclusiva pelo STF.
§ 9º O recurso que tiver a repercussão geral reconhecida deverá ser julgado no PRAZO DE 1
ANO e terá preferência sobre os demais feitos, ressalvados os que envolvam réu preso e os
pedidos de habeas corpus.

"Repercussão geral" é CONCEITO ABERTO, a ser preenchido por norma infraconstitucional, que se
valeu de outros conceitos jurídicos indeterminados, para que se confira maior elasticidade na
interpretação dessa exigência, que, afinal, terá a sua exata dimensão delimitada pela interpretação
constitucional que fizer o STF.

§ 1º Para efeito de repercussão geral, será considerada a existência ou não de questões


relevantes do ponto de vista econômico, político, social ou jurídico que ULTRAPASSEM OS
INTERESSES SUBJETIVOS DO PROCESSO.

• Não é possível estabelecer uma noção a priori, ABSTRATA, do que seja questão de repercussão
geral, pois ESSA CLÁUSULA DEPENDE, SEMPRE, DAS CIRCUNSTÂNCIAS DO CASO CONCRETO.
INDÍCIOS DE REPERCUSSÃO GERAL
José Carlos Barbosa Moreira:
a) decisão capaz de influir concretamente, de maneira generalizada, em grande quantidade de casos;
b) decisão capaz de servir à unidade e ao aperfeiçoamento do Direito, ou particularmente significativa para
seu desenvolvimento;
c) decisão que tenha imediata importância jurídica ou econômica para circulo mais amplo de pessoas ou
para mais extenso território da vida pública;
d) decisão que possa ter como consequência a intervenção do legislador no sentido de corrigir o
ordenamento positivo ou de lhe suprir lacunas;
e) decisão que seja capaz de exercer influência capital sobre as relações com os estados estrangeiros ou
com outros sujeitos do Direito Internacional Público.
Medina, Wambier e Wambier:
a) repercussão geral jurídica: a definição da noção de um instituto básico do nosso direito, "de molde a
que aquela decisão, se subsistisse, pudesse significar perigoso e relevante precedente";
b) repercussão geral política: quando "de uma causa pudesse emergir decisão capaz de influenciar
relações com Estados estrangeiros ou organismos internacionais";
c) repercussão geral social: quando se discutissem problemas relacionados "à escola, à moradia ou mesmo
à legitimidade do MP para a propositura de certas ações";
d) repercussão geral econômica: quando se discutissem, por exemplo, o sistema financeiro da habitação
ou a privatização de serviços públicos essenciais.

HIPÓTESES DE PRESUNÇÃO ABSOLUTA DE REPERCUSSÃO GERAL


1035. § 3º Haverá repercussão geral SEMPRE que o recurso impugnar acórdão que:
I - CONTRARIE súmula ou jurisprudência dominante do Supremo Tribunal Federal;
II – (Revogado); (Redação dada pela Lei nº 13.256, de 2016)
III - tenha RECONHECIDO a inconstitucionalidade de tratado ou de lei federal, nos termos
do art. 97 da Constituição Federal.

Do RE interposto contra acórdão de IRDR:


987. Do julgamento do mérito do incidente caberá recurso extraordinário ou especial, conforme o caso.
§ 1º O recurso tem efeito suspensivo, presumindo-se a repercussão geral de questão constitucional
eventualmente discutida.

ATENÇÃO! Se a decisão recorrida estiver de acordo com o entendimento do STF e mesmo assim o orgão
manifestar-se pelo não conhecimento do recurso, deverá o recorrente valer-se do método do distinguishing,
demonstrando a existência de repercussão geral, provocando a manifestação do STF, que poderá, até mesmo,
modificar seu entendimento.

A circunstância de a decisão recorrida conformar-se com o entendimento do STF não afasta, necessariamente, a
existência de repercussão geral, o que evita o temido "engessamento" da jurisprudência e contribui para a
constante revisitação de temas cuja solução pode variar ao sabor das contingências sociais, políticas, econômicas
ou jurídicas, sobretudo porque o STF adota a chamada interpretação concreta do texto constitucional a que
aludem autores do porte de Friedrich Muller e Konrad Hesse, de sorte que as normas constitucionais devem ser
interpretadas de acordo com o contexto do momento. É por isso, aliás, que cabe o agravo interno contra decisão
do Presidente ou Vice-presidente, que não admitir recurso extraordinário nos casos dos incisos I e II do art. 1.030
do CPC.

16.1.1. EFICÁCIA VINCULANTE DO PRECEDENTE EM REPERCUSSÃO GERAL

O pronunciamento do Plenário do STF sobre a repercussão geral de determinada questão VINCULA


os demais órgãos do tribunal e DISPENSA, inclusive, que se remeta o tema a um novo exame do
Plenário, em RE que verse sobre a questão cuja amplitude da repercussão já tenha sido examinada,
HAJA OU NÃO ENUNCIADO SUMULADO A RESPEITO.
 MAS ATENÇÃO! O precedente vinculante é do Plenário do STF (RECONHECENDO OU
NEGANDO); Reconhecida a repercussão geral pela TURMA do STF (turma não pode negar
repercussão geral, FRISE), NÃO HÁ PRECEDENTE VINCULANTE.

O § 8° do art. 1.035 do CPC ratifica isso: "Negada a repercussão geral, o presidente ou o vice-
presidente do tribunal de origem negará seguimento aos recursos extraordinários sobrestados na
origem que versem sobre matéria idêntica".

Nesses casos, e apenas nesses (pois a competência para decidir sobre a ausência de repercussão geral
é do Plenário do STF), admitir-se-á o juizo de inadmissibilidade do recurso extraordinário, pela
ausência de repercussão geral, por decisão do Presidente ou Vice-Presidente do tribunal a quo (art.
1.030, I, CPC), ou por decisão de relator (art. 932, III, CPC) ou por acórdão de Turma do STF. Também
será dispensada nova manifestação do Plenário se o tema já foi decidido em ação de controle
concentrado de constitucionalidadel: no caso, incide o efeito positivo da coisa julgada do processo de
controle concentrado.

§ 11. A súmula da decisão sobre a repercussão geral constará de ata, que será publicada no
diário oficial e valerá como acórdão.

16.1.2. INTERVENÇÃO DE AMICUS CURIAE E SUSPENSÃO DOS PROCESSOS PENDENTES

1035. § 4º O relator poderá admitir, na análise da repercussão geral, a manifestação de terceiros,


subscrita por procurador habilitado, nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal.
 A regra justifica-se como uma forma de qualificar o debate em torno da questão.
Relaciona-se, portanto, com a formação de um precedente obrigatório. Por causa disso,
parece que a norma se aplica apenas aos casos em que a repercussão geral será
examinada pelo Plenário do STF.

§ 5º Reconhecida a repercussão geral, o relator no STF determinará a suspensão do processamento de


todos os processos pendentes, individuais ou coletivos, que versem sobre a questão e tramitem no
território nacional.
 A regra aplica-se exclusivamente aos casos em que a repercussão geral será julgada
pela técnica dos recursos extraordinários repetitivos. A suspensão dos processos
pendentes, à espera da solução do caso-piloto.
 Não se aplica quando o recurso extraordinário for julgado por uma turma, cuja decisão
não tem força para servir como modelo para a solução dos casos pendentes ou futuros.
 Não se aplica quando o recurso extraordinário for julgado em incidente de assunção
de competência, que pressupõe não haver casos repetitivos pendentes (art. 947, caput,
CPC).

16.1.3. REQUERIMENTO DE EXCLUSÃO DO PROCESSO DA ORDEM DE SOBRESTAMENTO

1035. § 6º O interessado pode REQUERER, ao presidente ou ao vice-presidente do tribunal de origem,


que EXCLUA DA DECISÃO DE SOBRESTAMENTO e inadmita o recurso extraordinário que tenha sido
interposto INTEMPESTIVAMENTE, tendo o recorrente o prazo de 5 dias para manifestar-se sobre esse
requerimento.
 A regra visa evitar que um recurso intempestivo possa ficar obstaculizando o reconhecimento
do trânsito em julgado. Como a intempestividade não há como ser corrigida, não há razão para
suspender o processo, nesse caso, pois o trânsito em julgado da decisão já se operou.

§ 7º Da decisão que indeferir o requerimento referido no § 6º ou que aplicar entendimento firmado em


regime de repercussão geral ou em julgamento de recursos repetitivos CABERÁ AGRAVO INTERNO.