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LIÇÃO 9

SUBSÍDIO PARA O ESTUDO DA 9ª LIÇÃO DO 3º TRIMESTRE DE


2018 – DOMINGO, 26 DE AGOSTO DE 2018

O HOLOCAUSTO PERFEITO
Texto áureo

“Na qual vontade temos sido


santificados pela oblação do
corpo de Cristo, feita uma vez”
(Hb 10.10)
LEITURA BÍBLICA EM
CLASSE – Levítico 1.1-9.

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO
Meus distintos e prezados amigos leitores, que o Bom Deus continue lhes
abençoe e lhes ajude a compreender mais uma vez os tesouros infindáveis da Sua
Palavra! Queiram sentir-se a vontade para mais um estudo exaurido das Sagradas
Escrituras, e, desta feita, no que se refere a um tipo de sacrifício muito antigo entre
os povos bíblicos, mas oferecido a Deus de forma peculiar entre o povo de Israel – o
holocausto, onde a vítima era completamente queimada como oferenda ao Senhor,
porém esta vítima não era humana, mas animal.

Nesta lição vamos aprender que “os holocaustos da Antiga Aliança eram
transitórios e imperfeitos, mas o sacrifício de Jesus Cristo é perfeito e eterno”.

Portanto, mostraremos que o Holocausto é o Sacrifício mais Antigo;


discutiremos a respeito do Holocausto na História de Israel; e compreenderemos que
Jesus Cristo é o Holocausto Perfeito.

Assim, diletos leitores, tenham uma agradável e boa aula.

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I – O HOLOCAUSTO, O SACRIFÍCIO MAIS ANTIGO

Segundo as Sagradas Escrituras, A primeira vez que a palavra holocausto


aparece na Bíblia é em Gênesis 22.2, onde Deus pede a Abraão que sacrifique seu
único filho em holocausto. Isso significa que esse tipo de sacrifício já era feito
mesmo antes de Deus dar leis de como fazer esse tipo de sacrifício ao seu povo
através de Moisés.

No holocausto, o animal era queimado sobre um altar em oferta ao Senhor.


Ou seja, era uma oferta queimada totalmente ao Senhor. Normalmente eram
queimados animais de gado (bois, ovelhas, bodes, etc.). Os mais ricos tinham essa
possibilidade. Também eram oferecidos holocaustos de aves (pombas, rolinhas,
etc.). Os mais pobres traziam essas ofertas, pois estavam dentro das suas
possibilidades financeiras.

“e disse a Arão: Toma um bezerro, para oferta pelo pecado, e um


carneiro, para holocausto, ambos sem defeito, e traze-os perante o
SENHOR.” (Lv 9. 20);

“Se a sua oferta ao SENHOR for holocausto de aves, trará a sua oferta
de rolas ou de pombinhos.” (Lv 1.14).

Em geral, as ofertas trazidas perante Deus deveriam custar algo àquele que
as trazia. A oferta em si não era o mais importante, mas a mudança que acontecia
no coração das pessoas. Oferta sem mudança de coração não valia de nada. Por
isso, o salmista reflete:

“Abre, Senhor, os meus lábios, e a minha boca manifestará os teus


louvores. Pois não te comprazes em sacrifícios; do contrário, eu tos
daria; e não te agradas de holocaustos. Sacrifícios agradáveis a Deus
são o espírito quebrantado; coração compungido e contrito, não o
desprezarás, ó Deus.” (Sl 51. 15-17)

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1. Definição de holocausto.

Etimologicamente falando, a palavra holocausto é de origem grega holos


(todo) e kaustro (queimado). Do hebraico Shoá (a catástrofe). Originalmente, o
termo holocausto era utilizado para nomear uma espécie de sacrifício praticado
pelos antigos hebreus, em homenagem a Deus, em que a vítima era totalmente
queimada.

É importante também lembrar que esse termo Holocausto foi dado a uma
ação sistemática de extermínio dos judeus, em todas as regiões da Europa
dominadas pelos alemães, nos campos de concentração, empreendida pelo regime
nazista de Adolf Hitler, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), justamente
pelo seu caráter exterminador das vítimas.

2. Objetivo do holocausto.

O holocausto normalmente era oferecido como oferta pelo pecado, culpa e


gratidão a Deus (Lv 1.4; 1 Sm 6.14). Havia regras para tudo. Desde os utensílios, a
hora, as pessoas, as vestes, o local, os instrumentos, o animal, enfim, tudo era
regulado pela Lei do Holocausto para que não fosse oferecido algo que fosse
indigno da Glória e Excelência de Deus.

De acordo com a Lei dos Holocaustos, cada um oferecia ao Senhor aquilo


que estava dentro de suas possibilidades. No caso de alguém rico, com muitas
posses era inadmissível que ele apresentasse algo irrelevante para Deus. O
sacrifício que o Senhor exigia era proporcional aos bens de cada um. Contudo a
qualidade do holocausto era inegociável, deveria ser “um macho sem defeito”.

O ofertante deveria entregar ao Senhor o melhor dos seus bens, em uma


demonstração clara de gratidão, submissão e amor a Deus por tudo o que Ele havia
feito por amor àquela família. O holocausto deveria ser feito “à entrada da Tenda do
Encontro para que seja aceito pelo Senhor”. A ideia aqui era mostrar a indignidade
do ofertante em entrar na presença de Deus. Seus pecados, limitações e
incredulidade, deveriam ser reconhecidas por meio dessa distância. O fato de não
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poder passar da entrada da Tenda mostra que o nosso Deus é Santo e nós
pecadores.

Ali, à entrada da Tenda, na presença dos sacerdotes, o ofertante deveria


colocar as mãos sobre a cabeça do animal. A intenção era a de transferir seus
pecados e os de sua família para aquele holocausto.

3. A tipologia do holocausto.

Assim está escrito em Hb 10. 4-6:

(v.3) “Mas nesses sacrifícios cada ano se faz recordação dos pecados”, (v.4)
“porque é impossível que o sangue de touros e de bodes tire pecados”. (v.5) “Pelo
que, entrando no mundo, diz: Sacrifício e oferta não quiseste, mas um corpo me
preparaste;” (v.6) “não te deleitaste em holocaustos e oblações pelo pecado.”
O caro sacrifício da vida de um animal imprimia no pecador a seriedade do
seu próprio pecado diante de Deus. Por Jesus ter derramado o seu próprio sangue
por nós, seu sacrifício é infinitamente maior do que qualquer oferta do Antigo
Testamento. Considerando a dádiva incomensurável que Ele nos deu, devemos
responder oferecendo-lhe a nossa devoção e serviço.

II – O HOLOCAUSTO NA HISTÓRIA DE ISRAEL.

Conforme o comentarista da Lição: “a oferenda de holocausto pode ser


encontrada nos três principais períodos da história de Israel no Antigo Testamento:
patriarcal, mosaico e nacional”. Vejamos, portanto, cada um deles.

1. No período patriarcal.

Eis algumas características da era patriarcal, inclusive, o modo de adorar a Deus:


1. Hábitos nômades. Abraão, Isaque e Jacó foram fundadores, não de cidades,
como foram Menes, Ninrode e Assur, mas de uma etnia e uma fé. Viviam em tendas
e mudavam-se de um lugar para outro. Embora não fossem pessoas sem propósito
nem andarilhos sem lei, foram peregrinos, que migraram por terem sido chamados
por Deus, inspirados por um propósito sublime e de longo alcance.

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2. O aspecto patriarcal. O pai era: a) o líder da família; b) o chefe militar (Abraão
liderou uma expedição à Mesopotâmia); c) o sacerdote da família (ele construía os
altares e oferecia os sacrifícios pela família); d) o profeta da família (para ele e
através dele Deus fazia conhecer Sua vontade e Seus propósitos).
3. Conceitos sobre Deus. Os patriarcas agarravam-se firmemente aos seguintes
conceitos: a) a unidade de Deus — não existe traço de politeísmo predominante; b)
a personalidade de Deus — não há vestígio de panteísmo, nem de adoração à
natureza, abundantes no Egito; c) a universalidade de Deus — Ele é o Deus de toda
a terra (Gênesis 18.25); o Deus de Abraão e Israel; ele domina sobre o Nilo e o
Eufrates, assim como sobre o Jordão; d) a santidade de Deus — Ele jamais é
desfigurado pelo mal das divindades pagãs. O Juiz de toda terra fará justiça
(Gênesis 18.25).
4. Formas de adoração. Não havia templos nem festas determinadas; nenhum sinal
definido do sábado, embora a posterior lei de Moisés remonte ao fato de Deus ter
descansado da criação no sétimo dia e haja sinais da divisão semanal do tempo
(Gênesis 8.10–12). Havia altares rudimentares, sacrifício de animais (holocausto),
monumentos consagrados, votos, peregrinações, orações, dízimos e o rito da
circuncisão.

2. No período mosaico.

A lei sobre o sacrifício de holocausto foi dada apenas no tempo da antiga


Aliança feita por Deus com Moisés e com o povo de Israel no Antigo Testamento.
Dessa aliança sugiram diversas leis dadas por Deus para que o povo fosse santo.
Várias dessas leis falavam acerca de sacrifícios de animais ordenados por Deus
para fins específicos (para perdão de pecados, para gratidão, para purificação, etc.).
Naquela época, por exemplo, Deus ordena que se sacrifiquem animais pelo pecado
do ser humano; esses animais seriam substitutos do ser humano e, assim, ele seria
perdoado.

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3. No período nacional.

Como bem destacou o comentarista da Lição, “após a conquista de Israel, os


holocausto continuaram a ser oferecidos ao Senhor”, e isto vemos com Josué (Js
8.31); com Gideão (Jz 6.26); e com o Rei Saul, mesmo feito de maneira indevida, (1
Sm 13. 9,10).

III – JESUS CRISTO, O HOLOCAUSTO PERFEITO

1. A encarnação de Cristo (Sl 40.6-9;).

A encarnação de Cristo foi, indubitavelmente, o cumprimento do que Davi


escreveu em Salmos de número 40.

Em Sl 40.6-9, assim está escrito: “Sacrifícios e ofertas não quiseste; abriste


os meus ouvidos; holocaustos e ofertas pelo pecado não requeres. Então, eu disse:
eis aqui estou no rolo do livro está escrito a meu respeito; agrada-me fazer a tua
vontade, ó Deus meu; dentro do meu coração, está a tua lei. Proclamei as boas-
novas de justiça na grande congregação; jamais cerrei os lábios, tu o sabes,
SENHOR.”

Assim, este salmo nos diz que Deus não deseja sacrifícios de animais, senão
obediência à sua vontade. O único sacrifício que Deus deseja do homem é a
obediência. Em sua essência o sacrifício é algo nobre; significava que o homem
tomava algo que era caro ou precioso ou valioso para ele e o entregava a Deus para
lhe manifestar seu amor. Mas sendo o que é a natureza humana, era fatalmente fácil
que a ideia do sacrifício degenerasse. Era fácil pensar no sacrifício como um meio
para comprar o perdão de Deus. O sacrifício deveria ser essencialmente sinal e
objeto de amor e devoção; de fato, o nosso sacrifício perfeito vem a ser nossa
obediência a Deus.

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Eis o que as Sagradas Escrituras conclamam a esse respeito:

“Porém Samuel disse: Tem, porventura, o SENHOR tanto prazer em


holocaustos e sacrifícios quanto em que se obedeça à sua palavra? Eis que o
obedecer é melhor do que o sacrificar, e o atender, melhor do que a gordura de
carneiros.” (1 Samuel 15.22).

“Oferece a Deus sacrifício de ações de graças e cumpre os teus votos para


com o Altíssimo” (Salmo 50.14).

“Pois não te comprazes em sacrifícios; do contrário, eu tos daria; e não te


agradas de holocaustos. Sacrifícios agradáveis a Deus são o espírito quebrantado;
coração compungido e contrito, não o desprezarás, ó Deus.” (Salmo 51.16-17).

“Pois misericórdia quero, e não sacrifício, e o conhecimento de Deus, mais do


que holocaustos.” (Oséias 6:6).

“De que me serve a mim a multidão de vossos sacrifícios? —diz o SENHOR.


Estou farto dos holocaustos de carneiros e da gordura de animais cevados e não me
agrado do sangue de novilhos, nem de cordeiros, nem de bodes. ... Não continueis a
trazer ofertas vãs ... o incenso é para mim abominação... Pelo que, quando
estendeis as mãos, escondo de vós os olhos; sim, quando multiplicais as vossas
orações, não as ouço, porque as vossas mãos estão cheias de sangue... cessai de
fazer o mal. Aprendei a fazer o bem.” (Isaías 1.10-20).

“Com que me apresentarei ao SENHOR e me inclinarei ante o Deus excelso?


Virei perante ele com holocaustos, com bezerros de um ano? Agradar-se-á o
SENHOR de milhares de carneiros, de dez mil ribeiros de azeite? Darei o meu
primogênito pela minha transgressão, o fruto do meu corpo, pelo pecado da minha
alma? Ele te declarou, ó homem, o que é bom e que é o que o SENHOR pede de ti:
que pratiques a justiça, e ames a misericórdia, e andes humildemente com o teu
Deus.” (Miquéias 6.6-8).

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2. O sofrimento de Cristo (Hb 5.7).

Em Hb 5.7, assim está escrito: “O qual nos dias da sua carne, tendo oferecido,
com grande clamor e lágrimas, orações e súplicas ao que podia livrar da morte, e tendo sido
ouvido por causa da sua reverência”

Como bem nos diz William Barclay:

Isso nos lembra Jesus no Getsêmani. Pensa nisto quando fala de suas
preces e súplicas, de suas lágrimas e seu clamor. A palavra usada para
clamor tem muito significado. O termo grego krauge designa esse clamor
que o homem não tenta expressar, mas sim que arranca quase
involuntariamente de seu ser pela angústia e agonia de alguma tremenda
tensão ou alguma dor dilaceradora. De modo que, o autor de Hebreus diz
que não existe agonia do espírito humano pela qual Jesus não tenha
passado. Os rabinos tinham o dito: “Há três tipos de súplica uma mais
elevada que a precedente: oração, clamor e lágrimas. A oração faz-se em
silêncio; o clamor em alta voz; mas as lágrimas superam tudo”. Não há
porta através da qual as lágrimas não passem. Jesus Cristo conheceu até
a oração desesperada das lágrimas.

3. A morte e ressurreição de Cristo. (Hb 9. 24-28).

Com esses versículos, supracitados, o autor pensa na suprema eficácia do


sacrifício de Jesus. Isto é, sublinha o modo em que a obra e o sacrifício de Cristo
foram supremos. A saber:

(1) Jesus não entrou num lugar santo humano, feito pelo homem; entrou na
presença de Deus no céu. O que Jesus nos concede não é a entrada em uma
denominação qualquer, não! Mas, sim, a entrada à presença de Deus. Temos que
pensar no cristianismo não em termos de sermos membros de alguma
denominação, apenas, isso é importante, e que tenhamos uma para nos reunirmos
em comunhão com os santos em Cristo Jesus, mas em termos relacionais, que
tenhamos uma íntima comunhão com Deus. (2) Cristo entrou na presença de Deus
não por si mesmo, mas por nós. Sua entrada na presença de Deus não foi para sua
glória e exaltação, senão para nos abrir o caminho; para estar na própria presença
de Deus e defender nossa causa. Em Cristo existe o maior paradoxo do mundo: a da
maior glória e a do maior serviço ao mesmo tempo; a de alguém por quem o mundo
existe e que existe para o mundo; a do Rei eterno e do eterno Servo.
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(3) O sacrifício de Cristo se fez e não precisa ser realizado de novo. O ritual
do Dia da Expiação devia repetir-se anualmente fazendo-se expiação pelo que
bloqueava o caminho a Deus. Mas o sacrifício de Cristo jamais precisa ser repetido.
O caminho a Deus fica aberto para sempre e jamais pode ser fechado de novo. Os
homens são sempre pecadores e o serão, mas isto não significa que Cristo deva
continuar oferecendo-se a si mesmo indefinidamente. O caminho está aberto de uma
vez para sempre.

CONCLUSÃO

Portanto, como bem expressou o nosso comentarista da Lição: “não podemos


ignorar o sacrifício de Cristo. Se o fizermos, sobre nós recairá o justo e esperado
juízo de Deus” (Hb 10.26,27).

Cantemos ao nosso Bom Deus este lindo coro extraído do hino de número
236 da nossa Harpa Cristã.

“Já nos lavou, já nos lavou,


Com Seu precioso sangue, Jesus, Salvador.
Nos libertou, nos libertou,
Com Seu precioso sangue do vil tentador.”

[Professor. Teólogo. Tradutor. Jairo Vinicius da Silva Rocha – Presbítero, Superintendente e


Professor da E.B.D da Assembleia de Deus no Pinheiro.]

Maceió, 25 de agosto de 2018.