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Título IV

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7 -~Pllno da ald'~Úl do Merimdé Bani-Saiam, no deito ocidcnt~l. num ti J

loc~1 ondo o braço do Damio\ll 50 aproli:íma mullo do descrlo. ~5 cs~­ ",. W~ :;\

vações do Junkcr resliluirQm·nos uma oldala humilde, cujas CQsas não ~ \~,

estão construídas ao acaso. mas sim ao longo de uma rua que tem'i!

lorma de um S muilo alongado, As casas. das Quais a niais vasta mede

3 mOlrOS por 2, são con!iruldas em IIdolJtlS modelados ~ miJo. e não 1

tiim lormil delinida, nem abDrlUrils. As pesse_!> prolegiam-so nolas con­

tra ns Intempéries por moia de um talhado de dUilS âgUêS formado por


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s:.~l~

uma eslelrn apoiada em dois prumos de pau e uma vara hori1onlal. Um

pequeno canal cavado no interior levava ,as âguas servidas e as àsuils

pluviais,para uma talhada barra. Por V!!l:e,. há IImil 8stéíra estendida f~

no chão. 1;1 por vezes"também hIi um granQe OS50 de hipopótamo enter­

rado na terra e consolidado com toda, no ill!erior, peno da pillodn, para

servir do dograu ,ou de mesa. Fora da aldeia encontraram-se abrigos


/
para animols, om mamríllls lovos, fesso contendo cc:stQ$ ou tolhas de 23
t:ilI'ra p..rn os provisõc:s. lareiras' umas vezes cava::l!ls 8 amras cons­
truíúas COm tijolelrns. bolas, cones de barro, 11 fíoalmenle elfll5 que
clIogilvam 11 ter 4 melros de dlAmatro. Alguns cacos receberam uma decD­
!
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-:1
raçilo multo sllmãrill. Uma pequen!l figura humlllUl prova que os ilnifi- .. ']
c!!,> de Merimdé lenlllrem a escultura, sem grande. i!xílO. Os objectos
da adorno pessoal ~ão muho raros. Agulhus do asso serviam para co~<:!r
reles. A descebl!rla da um luse do barro 6 impDrtanto rl1lrquo, prc,,~ quo !1
a tecelagem erl! cOMecida ( ... ). A utensilagcm IItlco I ... ) c;omprccnr!e r
nlôlchlldos do snelC ou do pedra dura, de !lumo bcrn polltlu, .;rr~li. pon­
tas de seUs e de lanças, cabeças de maças de Drmas GOl forma de púril,
facas. pedras de afiar. martelos e balas do fundoD. c
Noutra aldeia. da me$ma época. acham·se hobilaçõ'cs ovais. silos.
'COfi1 grlios dD cavada o do trigo, e mllsmo um p50 de cevadD, lumufos,
mós, clarlil, en.rançóldos (caslarlll, estelraria) e 1ecclagc.m, .
IA. Varann'•• o lI~morn Dnf... d.... rll~l

COt.~ENTAIl:.1; 01 Embora 110 '01.'0 d~ d~scD~<n. oclma transcrita•• 0 ".i.


(.ic um~ .Idei. nUIC.icu. ~o;:lcmo. cDa.k1r.r~·lo v~lIn" uma .Idoi. "Olpci~ au,11.'.
mostlpo"miç., c:?S tOlllpO= hJs16rtccs dD rOllll"J C'ijrpC:lo ou úns retnDi 5um'''ÍDl OjJ
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babilnnio. Do laclo, as póvoações e a vida rurDi. muito pouto se modiiicam alravb
dos $~çulos. ~lnda hole Ilxislem, na Mesopotâmia: o ai.... por exemplo. em algumas
01,1ela5 POrTuguosas da Bêira Alia OU dú Trás,o$·Montos . • vida' é Qua." tão primi­
tiva como nas da velho Egipto. ~ 'claro Que os materiais IIllcos, de que $0 fllzinm
0$ insllumentos no NeoHlico, foram sondo $ubsllluldos par bron!1I li depois por, ferro.
No S8U livrinho, .A Vidn no AnliDo EglplQ" Boris da Rachewjltz diz: (Quem
leve ocasião de assislir no Ellipto às várias aclivldades Bllrrcolns. ícrt corlllrnenle
nalado os muitos ponlos do conlacto entro as cenas descritas hê milên;os (nas pln­
lura5 do~ túmulos. elc., I) a lualidado do hDJe••

bJ' Assim G,0mo no Nuolllico surgem u aldoia. (povoações de vIvos!. assim


lambém nnln começam U$ noarilpoles (aldeias do monos], cuja forrnD mais caracto­
risli!:. é. na Europa, a megalhlcu. em quo sobra cada sepultura 50 elevam Urnn ou
mais enormes podr., tosc-..s - os mególllo. {palavra quo slgnilica tgrend." pedras>l.
Q. quais, conSDanlo li forma 11 a disposlçlo, lOrnam Q nomo de monh!;;I, ou CAI".,
cromlot:h", nlinhamontos. Au! 50 dê Il civilização dos povos construlores de tais
monumentos o nome do civililllyllo .ml!j1olltlt::tl ou cultura mcgaUlica.

24

....".: :~-~,"":r:-'-:
Título 11
iítulo I

B- As primniras cidlldes oBe Icrlam mais do 100 ou 200 melros do lado. e erguer­ 9 - I(Bruscamente, no período que antecede Ménss (meados do 4.0 mi­
-se.iam sobro montfculos naturais ou artificiais, por causa das cheias. Apesar disso, lênio a. C.)... a isto ê um progresso que ultrapassa todos os outros - .
estas, Quando excessivas, -facilmente arrasavam tais pOl/Oaç:6es da tljolD cru, quando a escrita aparece. Elementar, pois ela é ainda essencialmente figura­
" não fariam inImigos InvMoros; sobra os rOSIDS, outras toidaelos s& levantavam-. tiva, evolui contudo para <>' fonetismo. Por cima das cenas pictogrfllj.
A cldilde rodeava-se da alguns quilômetros de larras da cultiva. onde podia cas, são gravadas curlas legendas onde os signos figurativos começam
h,)Var OU não aldeias de agricultores. O conjunto constitula a cldade·ostoda, a que
a ser empregados com um valor simbólico depois fonético: participando
so chama também "lvIdado.
EnQl1anta nas aldei... as habitaçõos nlia passavam da cabanas da câniços do rébus (enigma figurativo) e do alfabeto, esta escrita revela-se já
melicados. dentro da muralha citadina situavam·se casas rectanllulllras, de taipa constitufda, adulta. capaz. de exprimir abslracções, produto dum esforço
ou odobes. som janelas para " Ilxtorior. com uma nla çomum e, de cena época tacleante (durante quantos séculos 7) e dum método, Que, enfim, abriu
em dlanto, um p6t10 cOl1lràl.-os quais corc.vam " templo Imofada do Dous) vitoriosamente o séu caminho.lI
e ri pal6cio do'"rel. ­
A planta de cidade 5uméria do Nlpur, na margem nordeste do rio Eulrates,
IA. Moter... o Nilo" 11 Clvlli%áÇi1o Eglpcla.).
executada por 1500 a. C., amai. podgo planta que conhecemo., mostra uma rirea
murada de aproximadamente um qull6metro quadrado, com 7 portas, e, nela, 2 gran·
des templos (ou!"ro situa-se extra·muros) O um glande parque. Um canal atrevessa
a urbe. O palilcio não aparece assinalado (talvez fosso o próprio edlffcto do tomplol. COMENTARIO: 01 .; cosrumó gsn;,ralí.ar " ""oloção da escrita, tal coma
28 Havia sempre 11m marcada, ou mais; por vetes ti mercado nloctuilva·se a uma Morot a aproseÍlta para ° EgJpto. om Ires fesQs: fi!lurativa. Ideográfica e fonôdca. 29
porta ou às portAS da cidade: ai acorriam os lavradoras ald.ãos, oS vendedoros MilS os mtldornos ling"ISlas niio aceitam eSSe modelo .,VOIUlivo ou não aceitam
ambulallles 8 os ;>aslorO$ nôrnadas do descrto, ai t~lflhilm o eonGolho do~ enciãos nllnhum modalo gorai. "ncOnlrando difBfenças de origem o de ovolução em vArias
administraviI " jl!sUça. oscrltas. Vor, por exempla, em Iranc6s, Garçes MOI1Oin. cHlsto'rD do lo Llnlluistlquo
do.. Orlnin... oU XX' "il>clu. Paris, P.V.F .. 1967, ou. 11m tradução porruguesa. Jillf..
!5amuol Naal: Kramor, A História comOÇtl nn SumOrl.; Jamcs KriSlevll. IlHislórln de llngllllljor.t., Lisboa, Edições 70. 1969).
H.. n'Y BreaSlod. A Conquista da CMlIloçila).
b) E como 11 em quo material escreviam 1
Os habitantes de Mesopttt3mía. seguindo o exemplo elos primeÍlos p..crave·
dores, os SumériQs. gravavam. com ostilelo (inicialmenlo do cana, mais tardo melá·
licol, os seus sinais. em placas da argila húmida. Como a manoira do oS gravar
produzIa umas Impressões triangulares, isto O.' em forma do cunha, chamou'58
a esra escrita cumdrormo~ Tntlavia,. algumas raras vuzes inscreveram QS sinais cscri ..
turários na pedra - usim nllma granda pedra se encontra gravado o Código da
Hamurâbi.
Os eglpc:los, 011 gravavam os seus sinais na podra, ou escreviam·nos, com
caneta, constitufda por Ílm caniço aparado, e tinta, em lolhas feila~ do tiras de
uma planta, (conal chamada papiro, sobreposta.. e Justapostas. e cofadas. Ess~
escr;l. recebou o nome da hlorogUII"". (de .hiero, == sl!gtado li (Olilo, "'·escultura
ou cinzeladura), por se ter encontrado ll,avada n"$ paredlls " colunas dos templos
e se lar por Isso ontem:Jidu de carácler religioso, mas linha, 'quando lrilçadD em'
p~piro. uma forma simplificada - e hlcnlllcn. usada nos c."ríto$ sacordoleis, - a
outra ainda mels slmpllllcada - a dom6lica (de ,damoSJ = povo). usada nOi O$crítos
pro r.a nos, comuns.

7
I
I

Titulo HI
Ii OS <!f!OS !e:.:~o;sm o noma de um 1!contecimento not~vel - por
I exemplo, 1(0 ano do comelall. Mais tarde. Os Eglpcios numeraram os
anos a partir da subida de cada rei ao trono. «datandO assim os acon­
tecimentos do 1.° ou 10." ano de tal rei li.

pomo" Hem)' Dressted. oJ\ Conquls:ta d" Clvlli.oçlluJ.

12 , - Tamb~m na Bilbilónia KO calendário luni-solar comportava 12 me.


10 - «Desde tempos imemoriais. o habitante do vale do Nilo obser­
ses' de 30 dias ... Como os 12 meses não perfa1.iam mais que 360 di!l5.
vava como o retorno periódico, das aves. sobretudo, dos palmlpedes.
9s13\13 previsto juntar de tempos a tempos, um mês intercalar.li
anunciava li retirada das águils do Nilo e. por consequllncia. o momento
mais propfcio para o cultivo da terra. Esta pontualidade levou os anti­ • ,G~OI1J9S Conlcnau. «Ao Vida OUDlh:lll1no na BDbl1lóni• .. 1111
gos egípcios il dividir o ano em estações que correspondasssm élO ano A$$lrlll').
agrlcola. A primeira estação começava quando a cheia do Nilo fa1.iã
sentir os seus primeiros efeitos em Ménfis (por volta de 19 de JUlho};
chamOU-58 a Inundação:- A segunda. mais ou menos correspondente ao 13 -:- 'O dia di.,idià-se em 12 horas de luz e 12 horas de noite. tosse
nosso Inverno. era conhecida por Germinação (ou Emergência - o apa­ qual fo:;se a Insolação real. Determinava-se a hora com relógio::l de
recimento dCls terras, quando as éguas se retiravam). Finalmente, a ter­ vários tipos; rel6gios de sol. em que a sombra indica a marcha do astro;
ceiíil. o Estio. designado por Falta de Agua (ou Ceifai. marcava a época vasos de áQ'.Ia (clepsidras). de capacidade calculada para que enches­
das colheitas. Cada' uma das três estações oompunha-se. assim, de sem ou esva:!:iil5sem segundo, certo ritmo horârío. marcado por linhas
3D interiores de níveis de ilgua; e listas indicando a posição de várias 31
quatro meses, que nas datas eram indicados com um simples número
progressivo. Dizia-se. por exemplo: «Estaçao da Inundação. terceiro mllsb. estralas, em relação ao meridiano do lugar, para medir' as horas
nocturnas.1t
I!!Qris da Rachewllu. "A Vida no JlntlgD Eglpto.).
(A. MDrel, ,,0 1'1110 e a Civilização Egrp=la.).

11 - «Os cAlculas dos· astrônomos permitiram fixar no ano 4236 a. C.


a data da introdução do calendário (no Egipto l. _. Ap6s mais de seis
mil anos, esse calendário é ainda o nosso, tendo em conta as variações
do tamanho dos' meses que os Romanos assaz inoportunamente lhe
introduziram ...
~Os meses eram inicialmente calculados, como entra todos os
povos primitivos, pela duração da revolução lunar... Mas o tamanho
real do an~ depende do Sol, e não da Lua. de modo que o mês lunar,
Se é certo Que divide o ano pouco mais ou menos em duodécimos, niio
oferacê. todavia, mais que uma simples aproximação. sem dúvida
cõmoda. mas com -Jnccnvenientes .. ;" E como os Egípcios tinham já
aprendido que o ano tem 355 dias. «abandonaram o calendário lunar
e dividiram o ano ~m 12 meses de 30 dias, aos quais o novo Calendàrío
juntou 5 dias feriados. para completar o ano de 365 dias./]

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mulo I
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LIVRO 11./

Capítulo I
AS CIVILIZAçõES ,c\GAICOLAS
.:
AS (3000 a 500 a, C,)

(IVlllZÀÇÕ~S Secção I

A Economia e as Técnicas
14- UM· MANUAL DE AGRICULTURA: «Outrora um agricultor deu
estes ·consclhos ao seu filho: Ouando estiveres em condições de culti­
var o laU campo. tem ·cuidado em abrir os teus canais de irrigação, 33
mas de modo que a âgua não seja demasiada. Duando o tiveres esva­
ziado da água, cuida da terra regada para que 56 mantenha plana; não
deixes nenhum boi pisá-Ia, Expulsa os (animais) vadios 6 trata esse
campo como uma terra compacta: desbrava-a com dez machados estrei­
tos (que não pesem mais de 300 gramas cada um). O seu restolho
deve ser arrancado à mãos amarrado an~ molho5; os seus buracos
mais pequemos devem ser cheic.s com /I grade: e o campo deve ser
vedado dos quatro lados. Enquanto o campo queimar (ao sol do Verão).
deve ser dividido em par·tes iguais. Que as tuas alfaias zumbam de
actividade. A canga deverá ser consolidada. o teu novo chicote fixado
com pregos e o punho do antigo reparildo pelos fílhos dos traba­
lhadores.»

ITIi)XLo sumilrio d. 1700 il. C... in Samunl Noah Kramer. QA Hi••


tórlll começa na SlIm6rillltj.

'5 - A AGRICULTURA EG!PCIA VISTA POR UM VISITANTE GREGO:

I I

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lOS habitantes do Delta são certamente aqueles que, de todos os ho­
mens vivendc noutros pàlses ou no resto do Egipto. recolhem os frutos

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da terra cóm menor fadiga; não penam abrindo regosl com Ei chamla. . Secçao 11
. nem se sorvem da enxada: quando " rio regou, ele pr6p'io. os seus
C<impos e em seguida se retirou, cada um deles s!lÇneia e larga no A Sociedade e o Governo
campa os porcos; Quando estes, pisando, enterraram las sementes, só
lhe resta esperar o tempo da ceifa.» I
I Subsecção I
l!ier~dolo. lIHlsl6rins~ - Séc. V a. C,).
o CHEFE POLfTICO
(Rei)
16 - A AGRICULTURA E O RIO:

a} «Eles tremem, aqueles quo vêem o Nilo quando batem as suas


I 17 - o REI DA CIDADE ESTADO DE URUC: nEra uma vez, na cidade
de Uruc, um ente formidável chamado Gilgamês. Nele, dois terços
eram· deus e um terço era homem~.
vagas: mas os prados riem, as margens florescem. ás oferend;rs dos
deuses descem do céu; os homens rendem-lhe home~agem, o coração C.As AvanfurllS do GUgom6s" in T. H. Corler, ~Os mois Anti·
dos deuses rejubil~:» . I gOl ConlOs da Humanldado_l.

(rexto dao Piramides de Sacara, apud A. MoreI, uO Nilo " ..

eM... ,.o """''''. I 18 - O REI DO EGIPTO {Fara61

o Fara6 EIra quem governava. Elo nomeava Os altos luneionilrlos. rElcebia os


34 e.mba;xadorcs estrangeiros. comandava os exércitos, admlnlslfõlva 11 iU~liça, o. sobre· 35
bl ~A altura da inundação conveniente para uma boa irrigação tudo, adorava 0$ deuses e pmtagí. 0$ templos c o snu cloro.
variava segunda as provlncias; era conhecida 8 ins~rita nos nil6me­
tros... Em Ménfis par exemplo. penSDva·s~ que a altura convenienta ltMal acordava. manhã cedo, lia o seu coríeio, ditava as respostas
era de 16 cóvados (8 metros) ... Se li cheia não a'l1ngia 16 côvados e. sendo caso disso. conv':lI::ava o conselho. Depois de banhar-se. e re­
.ou ultrapasst!\'.l os 1 B, era desastrosa,lI vestido das insrgnias da realeza. olerecia um sacriflcio '(aos deuses) •
escutava as preces.· e exorlações do grande socerdote. repartia o seu
lO. Dar.ul. '!tA AgUD no EglplD Amigo.). r tampo enlra as audiências. 03· julgamentos, o passeio e os prazerez.»
Nesses prazeres tinham lugar importante a caça e outros desportos,
como a corrida, o tiro ao arca, o lançamento do dardo, os desportos
, I
el' «A cheia do Nilo não tinha chegada a tempo durante sele anos. náuticos ...
O cereal escasseava, os grãos mirravam, s6 havia a1im~ntos ém pequena O acordar do rei era uma cerimónia e um espectáculo. a que so
quantidade, todos se achavam privado~ das seus rrndimentos. Che· admitiam somente as pessoas reilis. o vizir (primeiro·ministro). o grande
gava-se a não podei andar; as crianças choravam; 0F jovens estavam csacerdote. os altos funcionárias.
desanimados; os velhos tinham o coração triste: sentados no chão, de Entravam o barbeiro. a manicura e {) pedicuro. O rei era lavado.
pernas cruzadas, as mãos contra o peita. Mesmo os riobres experimen­ untado. p!"rfumado. .
tavam necessidades;' os templos fechavam-se, '05 sant~ários cobriam-se Na cabeça, de cabelo curto, punha uma peruca. Dessas cabeleiras
de poeira. Em resumo: tudo que existe vivia na afliçiid.» postiças tinha grande variedade. e mudava de cabeleira conforme as
. ..' ..
(Tell!O do uma estela gravada num rofhedo
I
aa ilhola do
ocesiões. Sobre ela usava um diadema ou uma coroa. segundo os casos.
Da .peruea pendia, dando a volta à cara. uma barba postiça. quando em
SehQill· I trajo de festa.

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I .
Uma'tanga plissada. mais rica c de forma diiere)te das das outras b} cClJa~1do o deus descia à taira. habitava, um vasto palácio
pessoas. constituia o essencial do vestuário. Ao pesdoço. vários cola­ (templo). onde os «servidores do deus. (05 padres) o lã sua estâtua)
rEIS preciosos. de que pendia um peitoral: nos braços e pernas; pulsei­ I lavavam, vestiam, perfumavam! distraiam com cantos e música, .. para
ras. As vezes. vestia sobre, tudo isso uma túnica I[!~e e transparente. que ele pudesse cumprir o seu olicio de deus; assegurar a boa mar·
de mangas curtas.: Os pés descalços. ou calçados dei ricas sândárias.lI cha do universo.lI

CPlane MonCeC. aA Vida QUDtldlnna 110 E9rpto'l. (Serge S3uneron, .0. Podres do Antlgu Egip\o.J.

Subsecção 11 I Subsecção IV
O V1ZlR I
(O Primeiro-MinIstro do ReI) I A NOBREZA
I
,19 -Instruções do' Rei ao seu Vlzlr: I' , 21 Um texto do :Ú milênio a. C. enumera as funções do villr (primeiro.ministrol

~
'«Olha bem tua sala de audiência; vigia tudo o que aí se faz. Ser
e. acessoriamente. 8$ 'da outros funcionários. Não pcrmjlíndo a sua eKtansão repra.,
duzi·lo aqui. Ilis a súmula Que dela exirai Bori. da Rachewilrz. em ~A Vida no
vizir não é ser doce: é ser firme; é ser um muro de bronze em volta Antlgl) Elllpto»:
do ouro da casa do seu, Senhor. I
J:s tu quem tem de velar por que tudo seja feito segundo a leí uAo passo que ó soberano (fara6) é o srmbolo vivo do Estado
3S e os regulamentos, de modo a que cada qual veja rJspeitados 03 seus e funciona como intermediário entre as divindades çôsrnicas e o seu 37
direitos. I povo, uma hierarquia de funcionários encarrega-se do governo, O vizir.
Um luncionârio (como tu) deve viver com a cara descoberta. de modo especial, alMa o soberano da preocupação diária dos negó­
A água e o vento transmitem tudo que ele faz. Nada do que ele faz cios. mantendo-o. porém, sempre informado da sua marcha. 05 6rgãos
fica desconhecido ... o que Deus ama é que se façà a justiça: o' qUe locais gozam de cima autonomia jurisdicional. mas naela deve escapar
Deus detesta é que se favoreçam uns contra outros. I ' 8C! olhar vigilante' ds Chancelaria, [vi.z:ir e outros altos funcionários}.

ele pede. explica-lhe as razÕes da tua deci.são.n I


Ouve sempre o queixoso, seja quem for. e. se não deferires 'o que à qual são, enviadas cõpiasde todos os aclos importantes. ( ... ) Esta­
fetas, correios diplomáticos. mensageiros públicos e privados assegu­
ram os continuas contac:tos entre o palácio e todos os 6rgãos peri­
""""'" ,.w'" .m "m.'.. '" o'l"'''''''' féricos ... »
A vasta família faraônica (Ramsês 11. por exemplo. teve mais de
duz!1ntos filhos) era aproveitada para quadros da alto funcionalismo.
Suhsecção 111 I O lugar privilegiado da nobreza (os altos funcionários, os chefes
militares. os ricos senhores de terras) vê-se nestes conselhos que um
TE~~~OS E SACERDOTE1 rei dirige a ,seu' filho (futuro rei!:
, «Honra osGrandes .... magnifica os Grandes, para que eles actuem
20 - li} o tamanho B Irnportàn.:ia dos templos variava muito: ia dcsdc a'Quelo conforme as tuas ordens. pois aquele que é rico na ,sua casa age impar­
cujo clero ola inferior 8 dez pasSQas, até aquele que. como b do Deus ,t.:'1on, em cialmen.te; ele posSui {tudo}. e nada deseja, O homem pobre não fala
Tebas. no, .'cuJo XII 11. C., possulll propriedades ocupando perto de três Inil quil&.
segundo o direito.»
m.llros qUBclra:los (11. com mais de quatrocentas mil cabeças tio gado e oitenta mil
possoas. entre padros. empJe(Jados. operArias e asçravo.1 I Mas 0-.

I
f(
I
"":,:"'> '.""_". ,- ".' ,.,,'1. ", .)"-:. ;,"}·':.'···:·:~.:;·l. ·~·.t:.·-. 'j().:~::-r"~'-;: .
«Se encontrares um Senhor de cidade ! ... ) que tenha violado a á parte na éorte. a dos, escribas nenhum é pobre. Mas o que actua

Lei ( ... ). um homem perigoso que fale muito. um fautdr de desordens. mediante a inteligência de outrem (o ignorante) não obtém ê>:itos ..

então suprime-o (, .. ). deslr~i 11 sua raça e a sua merl6ria e os seus A de escriba é a maior das profissões; mesmo Sendo·se rapaz é·se res­

partidários.) , peitado pelos homens '" Repara: não há profissão que não tenha um

superior, a não ser a de' escriba, pois ele próprio li um superior...

Nenhum escriba tem falta de mantimentos nem das outras cOisas

Subsecção V
que vêm de casa do Rel. Meskenet (deusa dos nascimentos) preparou

O êxito -para c:! escriba: ele é posto à cabeça dos funcionários e o seu

o FUNCIONALISMO POBLlCO'
pai, e a sua mãe agradecem a Deus.lI

(Os Escribas) j
Iln A. Moret. cO Nilo a 11 Civilização Eglpcis.}.
1 - A APRENDIZAGEM lA vida escolar na Sumêria)
I
22 - «Este documento. um dos mais humanos que até jhoJe foram exu­
Subsecção VI
mados no Próximo Óriente. ti uma composição sumér 11 e consagrada
à vida quotidiana de um estudante ... O estudante surpério da Que se
fala nesta antiga composição, e Que não difere ssnsi~elmente dos de OS COMERCIANTES
hoje, tem receio de chegar atrasado à escola «com temor de que o mes­
1:""- O COMéRCIO
tre o puna». Ao ilcordar.' apressa a mae para lhe preparar o almoço.
Sua mãe dá-lhe dois pãezinhos. e ele vai para a escola. 1 24 ai Nos domínios do Estado e nos dos templos «os armazéns e en­
38 Na escola. recita a sua placa (a placa de argila escrita em caracte­ trepostos regorgilavam de mercadorias. destinadas ao uso duma fracç1io 39
res cuneiformes). prepara nova placa, escreve-a. I da população. Ouando as necessidades dessa colectividado se acha·
Mas foi punido várias vezes com chibatadas. por chegar atrasado. vam satisfeitas, o excedente podia, ser entregue ao comércio e então.
por se ter levantado na aula. por ter conversado, por a ~ua escrita «não os dois grandes domlnios trocavam directamente os seus produtos. ou
ser .satisfatória., por ter .saldo indevidamente pela pbrta principal .. _ os produtos dum domínio eram vendir.!::õg a negociantes, que os reven­
A aprendizagem do 'escriba era, pois, dura; mas depois. quando I deriam. correndo ós resp'ectivos riscos. A par dos grandes domlnios
tívesse tirado o seu curso. sua vida seria bastante agreídável (a acredi­ colectivos. havia uma massa de proprietários particulares, grandes,
tar o Que um deles deixou dito ... I.• médios e pequenos, criadores de gado ou produtores de cereais. frutos
(Apud Samuel Noah "ramer. IA I
História CDI)1I19" no. SumérlD»).
e legumes. que precisavam de vesluârio .. mobília, e objectos da adorno
e de IUllo. os quais não podiam obter senão vendendo os excedentes
da sua colheita ou, da' sua criação. Do mesmo modo, existiam artesãos
11 - A VIDA DOS ESCRIBAS NO EGlPTO livres. explorando uma ofiéin<t de que eri3m proprietários e que viviam
do que fabricavam. Por fim. havia marcadores que não produziam nada,
23 - «Instruções que um homem chamado Duaf, filho 'Itie Kett compôs mas compravam e revendiam tudo que corresse no paIs. Toda esta
para seu filho chamado Pepl. enquanto viajava para a ResidêncIa, dase­ ge(lt6. cómpradores, vendedores e comerciantes, se encontrava 110S
Jandometê.lo !la escale dos LIvros. com ,os filhos dos IEscrlbas: mercados. I ... } No túmulo de Kaemat. o artista representou negocian­
, tes que expõem meré~doriasem fardos e cestos e gesticulam. sentados
Deveseritregar-te do coração aos livros. Olha osl escribas. como ou de pé, vociforando. (Tratava-se do Fenlcios.) Os clientes. que che­
são livres de trabalhos pesados: acredita. nada. ganha aos livros. Lê gam com seus sacos às costàs. gesticulam também, e. sem dúvida.

ç­
o final do Kemit e encontrarás esta máxima: - O escriba ··estâ em toda' o seu vocabulário não era martas rico nem menos forte que o dos mer­
. I
!
.'" ~ ~"
cadores, A chegada dum barco estrangeiro. vindo. CjIJ!lr do Alto Nilo secvia pari: la!er Oma s$lrada P6ralela. 'de teria batida. Pontes. não havia nenhuma

(da Nubia). quer da Síria. atraia, .ao mesmo tempo Que os curioso,s sobre o NUo. ca". havia sabre o~ canais.' Passava·s.. a vau. ou de barco.

,sempre divertidos de ver. os estrangeiros de trajos polícromos Ela sua 0$ ricos utilizavam. para as pequenas deslocaçôes. as cadeirinhas. levadas

por criados. Para dcslocaçõos maioros. .crviam-~e do carro puxado por burros ou

pacotilha. os comerciánt8s. que instalavam uma tenda e vendiam pro­ onagr05. mais tarde por cavalos.

visões aos Fenlcios.»· ' Mas o ve'rdadelro meio da lranSpOrle para todos. no Egiplo como. na Moso­

potâmia, oram o. barco$, iI remos o à vela, puxadO's à sirua ou empurradO's .~ vara

Não 50 conhecia li macda. Pagava'$o com oulr05 géneros. quer lazendo a ava­ nos conais. Havia-os de vários lipos - para possoas. para gado. para diversas espé­

liaçáo direclamenle. qúer, em cena época, lalendl>-ôl em chOI, unidade puramnnte cies qe ·mercadorhu.
Idnal. quo nBO clti.tl. amoedada, mas çorre~pc;;"dla a cerlOs puas dI! Duro. praia ÓUanlD ..... longa. viagefls ia estrangeiro. quando não fossem por mor. laliarr.­

e cobre. Ou linlãlJ. no fim do 2." milênio a. C., paga\lll·so Otn melai, nio amoodado. -se em carilvanas da asnDs ou Ol1agros; mais 'arde de camelos; nenhum comercianto

mas segundo o peso, 50 atrovia " a'ronlar sozinho. isolado. us poriDO' do doscrlo C dos caminhos paI/co

seguras.
(Pi.m! Monlet. «A Vld. Quotidiana ntl Eglplo.!.

b) O comélcio externo era. na Mllsopolllmlll, muito mais impOrl8f1!O quo no


til DIREITO COMERCIAL
Eglplo,
26 - Código de l-IamurábJ:
«Quer se trate de homens livras, quer de libertos ou mesmo de
escravos ... vêem-se. no decurso da História. certos nogociantes chegar «Art,a 1 00 - Se um homem entregar prata a oUlro homem para

a uma situação preponderante. ter escritório, sucursais. enfim dirigir neg6clo cpnjuflto. os ganhos e perdas serão declarados perante o deus

verdadeiras empresas cuja actividade variada irradia por lodo o país e divididos em parles iguais.lI

40 e até se estende ao estrangeiro.lI ,41


Tal cama o Eglpto. lello do madeiras. lamb6m a Babilónia. pelo mesmo
COMENTÁRIO: Notar: la'
<decl.rados ~erant.. <leu:;), 110 templo em presença
dos sacerdOles" que tinham funções nolariais o judiciais. pois. corno se vê noutros
mOllvo, as importava da fenlcia IIs15, no mllo de O.ir!s, traz dar uma grando anigos. julgavam plehos ,enuQ p;;r!Ículares;
árvore: Gilgamh ai abate o eadro sal/rado ... ).
Mas oa semilas da Mesopoljmia IBm ainda buscnr cobre 11 Arml'mia e DO bl o dasllJwohiimento comerciai da MospootAmla é. ~t ••lada por esta 11

CiJucaso. como 110 GollO' de Omii' (continuação dll Golfo Pérslco). dondo lambltm oulias dlsposiçõos rc!clentes 8t1 Gaml

uniam diarila, praIa BO Elão lreglãó a Leite do Tigrel e , Asia Monor, ouro no Iralos mercan'Ii •. · bom coma pelas ­ .. l;tU ven­
NOlln da SIris 11 iO Eg;pto, alabastro, ouro, praIa, pedru preciosas. lápis·lnúll dlam. designadamoolc: cereob. lar,1. .. .......... H,1~. azane, jumentos. bois,

c simples pedra de cantaria 80 planallo do Irão. Exportavam cevada e logumes para carneiros Q po,,,os. lã u escravos.

diversas .rel/iões, cilindros-selos 8 vasos para o EOlpto, do qual recebiam especiaria.


o Incenso [para o culto religioso) que os marinheiros eolpelos do Mar Vermelho
linham Itlo buscar DQ Sudoosle da Arãbla.

IGaorges Coolenau. aA Vida Quotidiana na Babil6/1ta 11 no


Subsecção V'I
A$.5lria). .
OS ARTIFICES OU OPERÁRIOS
11 - os TRANSPORTES 27 - a) aO fundidor, viste-o à boca do forno; SIlUS dedos. são duros
25 - o comercio IIxigla clesloCilçiio das pessoas e IfIm.pones de mercadorias.
e
'como escamas de crocodilo cheira mal como uma barrica de peixe ...
No' ElllplD. as peuoas pobre$ viajavam a 1"6 -Ianlla om redor dos quadris. Q canteiro esgota-se a trabalhar a dura pedra: quando ~ermina. seus
sandálíiÍs ao ombro. penduradas de um pau, saco com ~s mercad!,rlus ou prQ·lis6os. braços estão arruinados e ele abatido ... O barbeiro vai de estrada em
Havia tanfas estradas corno canais. poIs a terra QUI! so Itrava para abrir o canal estrada à procura de clientes e CO'lsome os braços para encher o estõ·

:,~:,.\., -.--;"
_0

mago, como uma abelha que sé nutra do próprio ,trabalho ... Ó pedreiro Depois. tendo 06 operários abafio uma das entradas. o Mesmo
adoece a labutar, s6 c;ome pão e lava·se uma 'única vez; é tão miserá­ escriba loi e disse-lhas: HPorque forçaram a entrada do porto? Eu já
vel Que dificilmente se descreve a 'sua .condição _.. O sapateiro. _, pede lhes tinha dado o trigo. Partam, pois. ou os culparei por tudo aquilo
constantemente esmola: o que come é courO••. 1J que desapareça.n ,
(Lxlracto da caderno dum liscal da necrópole de Tebas. apud
(.56I1r8 deu Ollcloo - prlnc!pios do 2.' milênio e. C. -- DPud p, Bonnour8 8 oulros, .Do~umtnIO~ da HIsl6rio Viva" Oossier n,' 1,
A. More!••0 Nilo b 11 Clvlllmçao Eglpclul. , Ficha 2. Resumido),

b) TOdavia"á situação dos art[fices e operàríos nem sempre era COMENTARlO do orgonlxador dos «Documentos.:
tão mã como tais palavras mostram.
«A moral corrente proibia obrigar os operários e servos a traba­ 1 - Os serlrjços de aprolrjsionamento solriam da incu,;a dos IIscrlbas; os ope·
lhar mais do que o razoável. rArlos quoixD""m-$1l e amoaçalrarr\ apelar para o governador; 0$ escriba., inQu;et.,s,
lornecoram-Ihos um dia da Irlvelos.
A sorte dos art/fices não era excessivamente miserável quando os
seus senhores se dignavam.,;como Bakanl::onsc a Aoma-Rov. mandar­ A distribuição do mês fora In&uricillnlôl, Um cheio oporllrlo inellara os
,2 -
-lhes construir habitações e 'oficinas limpas ,6 arejadas, c6modas, [! seus cam~rada5 a Ir bus'cnr o IIlgo ao pOrlo (f1uviall da desemba'Quo. tomando a
Quando os viveres e vest\.lário lhes eram distribuldos regularmente ... responsabilidade de
mandar ilvisnr o governador. (Pode acrescentar·se que. apesar
Os dias festivos e feriados eram frequentes, E os mais sérios e Mbeis da nova distribuição, os operários forçaram. cntrad3 no pOrlO, o QUO. levDu o C$criba
a censurá-los' 11 ame"çã·!os••
podiam tornar-se contrameSlres ou fiscais. amealhar alguns valores e
acabar os seus dias como pequenos proprietários ou patrões.»
42 43
(Plerre MOIIIOI, erA Vldo !luolidipntl nQ EglpIO»).
Subsecção VIII

Mas 'mult~s vezes era pior: OS CAMPONESES


28 - Os -operários de um templo e oS seus problemas com o paga­ 29 - a) «Eram os camponeses qúem suava sob o sol eSGandante, re­
mento dos sallirlos gando a terra com as águas do Nilo. fabricando os tijolos, construindo
os templos e os túmulos reais. Contudo, a sua dura eXistência não era
1 -"O escrib~' da contabilidade Hat-Nalao e os padres divinos s6 trabalho, tinham também momentos de alogria: havia sombras fres­
desta casa {oficina de um templo] escutaram o que so diz entre os cas e água pura. os ceifeiros sabiam tocar flauta e à tardinha bebiam
operários: «Nós estamos -sem vestultrio. sem bebidas, sem peixe ... uns tragos de cerveja. assistiam às alegres brincadeiras das crianças.»
Vamos dirigir-nos ao governador ... Que nos dêem os meios de viverlJ
«Foram-Iha dados os víveres ... para o día.a (C. B. Fali., cO. Três PrimeirDS MilênlDs do Hislótint.

2 - aForam dadas duas medidas de trigo aos operários para


o mês. . b) De facto, era muita dura a vida do lavrador:
O capataz Khons disse aos operários: flDigo-(hes eu: Desçam ao
porto e tomem os vIveres. Que às
genl8s do governador lhes vão dizer». «Não te lembras- da condição do lavrador, na OCBSlao em que
Depois o escriba Amon-Nakto ocupou-se de dbr·lhes os víveres taxem a colheita 7 Os vermes levaram-lhe metade do grão e o hipopó­
depositados no porto, tamo comeu o resto. Os ialos são numerosos no campo, caem do céu

'"
1(>

l
os gafanhotos, os animais comem e os pássaros pilh,:,m ... - que ca!a­ toras, rios emprag;.::bs .e nos ccntribuintes recalcitrantes .... Em suma ...

midades para o lavradorl O que possa restar, depois disso, os ladrões a diferença não seria grande .entre as pessoas livres da mais baixa con­

o levam ... Chega ~ntão o escriba do imposto e taxa a colheita ... .Lá dição e aqueles a quem a chamamos escravos.)

estão os guardas com .seus basiões, os negros com suas bengalas.


I ?i.rre Montet.• A Vid. Ouotidlana nD Egipla»j.
E dizem: - uDâ os grãos!» Não os hã.... Então eles batem no lavra­
dor. caído no chão; atam-no, deitam-no a um fosso, onde chafurda,
de cabeça para baixo. Sua mulher é também amarrada, seus filhos 31 - Es<;riturade venda de escravo; «Os Iilhos de Zakir de boa von­
acorrentado:;. Seus vizinhos abandonam-no e fogem. levando os seus tade venderam a SUGI escrava Nane] e o filho que ela amamentava. por
grãos ... » , 9 si cios de .prata, preço combinado .. ·aos filhos de Y •• _ Os vendedores
. garantem os casos de deserção. reivindicação e qualidade 'reconhecida
IToxto oglpcio do 2.· mnónlo a. C.. io A. Morei. cO Nilo " 11
CllIililaç80 EglpclnJ l.
de escravo real ou de homem livre.»

(Texlo babilônico. npud G. Contenaul.

c) Por outro lado, porám:

Quando vem a cheia do Nilo. «o povo. que. durante esse; tempo. Subsecção X
não tem trabalho para fazer, abandona-se aos prazeres. aos festins. a
tOda a espécie de divertimentos». AS LUTAS SOCIAIS
(Diodoro. da Sic1lia. eBlbliol8eft Histórica. - século I a. C,). 32 - Dl Nâ 2.' metade do 3:' mi"!oio AC., hDu'Ie ne EOiplo glündes o prolonga·'

44 das' perturbações; Invasões e.trangeiras u guerra civil. Um velho escriba da época


45
deixou testemunhD. quo lanlo mos". as Inversões sociais temporárias. de Que ele
se lamclltll. como o estaóo anterior e normal de riqueza li sur.ramacia de uns 8 mI5~­
Subsecção IX ria o sulciçõ~5 da. QUllOS;

OS SERVOS «Vêds: acontecem coisas nunca vistas no passado: o rei á raplado


pelos pobres ... a Pirâmide está agora vazia daquilo que continha listo
30 - Alguns criados eram homens livres. Assim. segundo parece. os é, o càrpo embalsamado dei faráõ foi levado do seu túmulo, na pirâ­
chemso. mide). Alguns homens' sem fé nem lei privaram da realeza o país;
«O chemso acompanhava. nas suas saldas, o senhor, e, quando revoltaram'se contra o fa'iJó! ...
este parava. e 'estendia a esteira no chão, segurava a grand!! bengala Os pobres tornaram-se ricos, enquanto os proprietários jú ·'fl'.! tllln
do patrão, enxolava-Iha' as moscas; o amo podia então receber os seus . nada ... Os grandes (clero, nobreza) empregam-se agora nos ai ,ilazéns,
intendentes. ouvir os relatórios. Outro cluimso íevélva as sandálias do Aquele que não tinha sequer uma p'arede pilra abrigar seu sono, é dono
senhor durante a marcha (os Egípcios. mesmo ricos, preferiam andar de umleíto ... Aquele que jllmais fabricara um bole. tem agora navios:
descalços, só se calçando por cerim6nial; chagados ao destino, lim­ o seu antigo proprietârío olha para eles. mas já lhe não pertencem.

pava·lhe os péS e calçava-lhas. Outros criados livres serviam à mesa.» Aquele que. não tinha uma junta de bois. possui agora manadas; o que

Os escravos, geralmente de origem estri!ngeira (prisioneiros de não tinha um pão de seu. tomou'Se proprietário de uma granja. e '0 seu

guerra e seus de.scendentes), eram, como animais ou coisas. proprie­ celeiro está cheio com. o que era de outrem ...

dade do seu senhor. Este podia alugá-los ou vendê· los. Mas, a não ser Aquele que nunca tiv'eiil 'sapatos, tem agora coisas preciosas. Os

os que trabalhavam nas mInas. não sofriam. em regra. maus tratos'. que' .possuiam 'vestuário andam agora esfarrapados; mas o que nunca

J:: certo que «o senhor batia no' seu escravo, mas também ,batia nos pas­ tecera para si próprio dispõe agora de finos tecidos. Aquele quo nada

, -"'.­ "-;':'.~:~:"'!?', '


11
sabia da lira possui agora uma harpa ... A mulher que não tinha sequer o mito con.stí!l.!i. 90iS um~ng(ediente indispensâvel de toda a civi­

. uma caixa. tem' agora um armário: a Que via o seu rosto na água possui lização primitiv:u

um espelho de bronze... Mas as damas que dormiam nas camas de


. (B. Malinows1ci. ITr6s En&aios sobre li Vidn Soelal dos Pri·
seus maridos, deitam-se np. chão, sobre peles ..• Sol rem como criadas , .. mltlvouJ. .
O ouro, o lápis-lalÚli. a praIa. a rnalaquita. as cornalinas, o bronze ...
adornam agora. o pescoç!? das escravas .. , Entretanto as senhoras
dizem: ........, «Ai!, se tivéssemos .alguma coisa para comerlll E 'seus corpos
sofrem por .causa de seus vestidos velhos ... lI. Subsecção 11

" IAdmonlçQIl$ dD 'IIm dbto ançlfto, in A. Merot, ,,0 NIIQ " a OS DEUSES AGRARIOS
ClvlllmçAo I:glpol0 •• l'IesumldD).
34 - O Hino a Oslrls:
b) lia pobre está melhor morto que vivo, «Saúde a ti. Osiris, senhor da eternidade, rei dos deusBs. cujos
Se tem sal. I]âo tem pão, nomes são múltiplos. cujos' destinos são sublimes, 'cujas formas são
S~ tem pão, não tem sal, misteriosas nos templos,._
Se tem carne. não tem cordeiro, . Seu nome é duradoiro. na boca dos homens. como deus primordial
Se tem cordeiro. não te.m carne~. das Duas-Terras reunidas [Alto.e Baixo Egipto). alimento e substância
apresentada perame a divina Enéada. Esplrito entre os Espíritos ...
j Provérbio sumêrlo racolhido na tradição oral hâ mais d. As plantas crescem li' sua ordem e no solo gera ele os seus pro­
3500 anos, In Samuel Noa" Kreamur, cA Hlslõrlll co meça nll
dutos. O Céu e os astros obedecem-lhe ... os mortos temem-no. as 47
46 Sum6rlaJI·
Duas-Terras adoram-no ... ll

(Texto do estela do 2." milênio a. C.. In A. Mornl, .0 Nilo • "


Secção 111 Clvlll"çlIo Egrpcill»]. .
A .Religião
35 - o) à MltD cio Osrrl8: O dou5 Osrris era um grando rei. QUO sucedera a seu
paI, Gab la Terral: de par<:9ria com sua mulhÍlr, ti dousa-mágica Isis. ,n,inau aDS
Subsecção I homens D Bl)rlcultur., Inventou o pão, o vinho I) a corvDja (elementDs Dssencinis da
alimontaçlo do povo eglpclol, rO\l6101l·lhos a metalurgia. Mlls 31lU irmão TII.o ou
A TRADiÇÃO E O MITO· Sete mata-o: IIloga-o no Nilo, [;0,111-0 etn pedaços. quo espalha pelos e.".viai•.
33 - ~O mito é uma história inventada que parte dum acontecimen.to Entôo (sis procura, r.colhao rnürte os membros esparsos, refaz o corpo (como
múmia) D. usando da $"a ciência málllca, rsssusclta Oslrl". Que vivorA agora olorn.·
verdadeiro ocorrido nó passado. A Blisa acontecimento jumiJ factos da monte, mas no Colu.. Vingando-o. SIW filho. o deus H6rus. cambaiO e vence Sole.
sua imaginação e interpreta um B outros de uma forma sobrenatural. o suceda ilIO pai no trDno do Egip!o, Oele racAbem om horança 8SIa reino os reis
atribuindo-os a espíritos ou a deuses. humono$ - os iaraOs, que, ilIsslm, têm carácter divino.
Uma vez criado o mito. o homem primitivo encontra nele a expli­
cação para todos os factos que n50 percebe racionalmente. e vê nele b] A significação do mito osi,lano: Este mrto, não só procura explicar a
ilscendência divina dos I.,aés, como. sobreludo. exprime_ no drama de Q,lris, aO
a verdadeira causa das regras e costumes do grupo social a que pertence. mesmo tempo deus da vegetação " divlnllaçiilJ do Nilo, o mistério do nascimento
Em resumo. a função do mito consiste em reforçar a tradição, em <lu plantas o snus frulos, \\ depoi. " da sua martD. quando, n. mesma DCilSi~o em
t:onferir-Ihe um valor maior, fazendo-a remontar a uma realidade inicial quo a cheia do Nilc4r:abá, o vento ardenlo do doserto (Selo ou THão) sopra. e a.
dum car6cler mais sobrenatural. espiga.. de Irigo ceifadas' são bilt!d~•• para se separar ti Illiio, da Que uma palre,
,/).'7
. ;{.,.
pela semenlDlra. volta 11 lena, .u. sellullura; quando o rio tiver outra \/nz !scu,n­ Subsecção IV
dado o solo Iliver lambém reuusçítadol, para renascer em novas ...pigas •.•
Mitos semelhantes c;,;;slem raferidos a outros deuses ogn\rios: (> Tamu! slrio
Idepois rnQ50pOlâmicol. " Adónis fenleio (depois cipriota e gregol. o MalduquB
A ZOOLATRIA
babilón;o. o A~sur ._. (E &ol)fron\e-5C c;IJm o milo da Prometeu tlroQDI.
31- Cada cidade tinha o seu Deus Anlmal; 11 ... o animal sagrapo. que
IApuu 11. More:. cO Nilo .. 11 Clllili'D~o Egípcia.). . variava conforme o deus em favorlem certa cidade). era evidentemente
proscrito da mesa (isto é. não podia ser comido): enQuanto na cidade
vb:inha não Se privavam de consumi-lo normalmente .. , As gentes de
Subsecçáo lil OXY/TinchUs Inome de Uma' Cidade,egípcia). tendo $abido que as do
Cynopolis (nome de outra, signifícando'«cidade do CãOll) haviam comido
OS DEUSES CELESTES oxirrincos (determinados -peixes, e também aves, do Nilo. que deram
Ó nome li cidade a.cima nomeada, por serem o totem do seu primitivo
36 - a) HIno ao Deus Rá (o Soll: uQue belo é leu levantares-te no clã], caçaram cães. Imolaram-nos 8 comeram-nos como vitimas.,. se·
horizonte do céu. ó Rá(Soll. iniciador da vidal Ouando te arredondas gundo conta Plutarco ... ,Um melo infal/vel da ser desagradAve! aos seus
no horizonte. enches a terra de tuas belezas; és encantador, sublime _.. ' vizinhos Bra evidentemente pôr ao lume na caçarola o animal !totem)
Ouando repousas no horizonte ocidental, a Terra fica em trevas, :como 'de que eles faziam o suporle terrestre do seU deus ... lI.
morta... Mas a auronl vem. tu despontas no horizonte, irradias como
Disco do dia, as trevas dissipam-se ... As Duas-Terras do Egipto põem­ (Serge SUllnor",.,. 0;0" P"drDII do Antigo Eglploll.
·se em festa ... Todos os animais !ie alegram, as árvo~es e plantas cres·
cem. as aves voam de seus ninhos, com as asas abertas em adoração
48 do te.u ka ... Tu criaste a Terra segundo o teu coração. com os homens 49
Subsecção V
e 05 'animais. tudo que na Terra existe.... os palses estrangeiros ...
a terJ'a do Egipto ... Tu crias o Nilo no mundo inferior e o fazes sair à
5uperlfcie da terra. onde queres, para alimentar os homE!ns do Egipto ...
o CULTO FUNERARIO
e também puseste o Nilo no Céu, para -que desça aos povos afasta­ 38 - a) O embalsafTI,ento de rico - «Primeiro, com a ajuda dum ferro
dos. para regar seus campos. nas suas regiões, de que eles vívam ... lI. curvo, extraem o cé'rebro pelas narinas ... Em seguida. com uma pedra .. ,
(Texto do 2.•• milênio a. C., In A. More!. cO Nilo o 11 Civillmç:ão cortante, fazem uma incisão no flanco e retiram os intestinos. que lim­
Elllpcla.J. pam e purificam com vinho de palmeira e purificam uma segunda vez
com arômatl'ls moidas. Depois enchem o ventre de mirra pura triturada.
de canela e de todos os outros arõmatas. com excepr;:iio do incenso.
b) .Honra Deus (Rá-o 5011 ... Ele dirige. bem 9 seu rebanho:
o cosem. Feito isto, salgam o corpo cobrindo-o de natrão (carbonato de
os homens. EI~ fez o Céu e a Terra, segundo o seu desejo; ele lhes
sódio natural} durante 70 dias ... Lavam o corpo, enrolam-no todo em
mata a sede. com 'água. e cria o ar para dar vida às suas narinas ... faixas de linho fino. com uma camada de borracha (como cola) ... Metem
Pará eles fez as plantas. os animais, as aves, os peixes, para alimentA­ O morto num estojo de madeira em forma de figura humana... que
-los. Mas também mata os seus inimigos. e castiga seus próprios filhos ... guardam no interior de uma câmara funerária ... li
Para os homens, Deus criou os reis. para suster o dorso dos fracos,
Pára eles criou a magia, como uma arJTIa para defendê-los das feiti­ b) ICEmbalsamento de' pobre - Desinfectam os intestinos... me­
çarias ... » tem-no no sal durante 70 dias; entregam o corpo.»
,_Conselhos pÍlra Merikaral. In A. MOlet, ~O Nilo c I> Civili2S'
ção Elllpclall.' ' (Her6dato. "HI.t6rlllssj.

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