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O mundo do trabalho nas sociedades da antiguidade clássica: Grécia e Roma

Algumas das civilizações da antiguidade baseavam-se em sistemas escravistas, apesar da existência de


outras formas de trabalho. Em cada sociedade essa relação de trabalho foi instituída visando a
objetivos e a justificativas diferenciadas.
Grécia Antiga
Para os gregos dos séculos VI a IV a.C., a condição de escravo estava ligada à concepção de política
que a sua sociedade desenvolveu, principalmente em Atenas.
Na Grécia, o cidadão, para participar ativamente das discussões dos problemas da pólis (cidades-
estado), bem como se dedicar à elaboração de leis e aos cargos públicos, necessitava do ócio - tempo
livre - para exercer essas funções.

Apesar da sociedade grega ser voltada para as cidades e à vida urbana, a agricultura constituía-se na
principal atividade econômica, ou seja, eram livres os camponeses que retiravam da terra seus próprios
meios de subsistência. Por isso, possuir terra tinha grande importância para esta sociedade. A escassez
de terras facilitou a formação de núcleos urbanos independentes.
Mas, para manter a estrutura das cidades, conseguir tempo livre para dedicar-se a sua administração e
produzir riqueza, foi necessário que generalizasse o trabalho escravo. Portanto, o escravismo tornou-se
o modo de exploração econômico que sustentava a cidade e o campo e que proporcionava privilégios
às elites gregas.
A escravidão na antiguidade originou-se, principalmente, da guerra ou das dívidas. A grande maioria
destinava-se ao trabalho agrário, nas minas, nas oficinas, nas residências e para o Estado.
Ser escravo nas pólis significava não poder participar da vida política, ser excluído de parte das festas
religiosas, ser desprovido de direitos e da educação para jovens cidadãos. A única instrução que um
escravo podia receber estava associada ao tipo de trabalho que desempenhava na casa do patrão.
Roma Antiga
Assim como na Grécia, em Roma a escravidão foi praticada por vários séculos. A escravidão provinha
principalmente dos prisioneiros de guerras, resultado das conquistas realizadas pelo Império Romano.

Nas cidades romanas, os escravos pertencentes aos ricos senadores ou plebeus faziam parte da “família
urbana”, dependendo diretamente dos seus senhores ou de outros escravos. Esses escravos
desempenhavam serviços domésticos e profissionais, como: arquitetos, músicos e gramáticos. Os
escravos também desenvolviam serviços como: nas pedreiras, fábricas de tijolos e nos moinhos.

Sendo assim, os romanos distinguiam os escravos entre especializados em determinados ofícios e os


escravos de serviços mais penosos.

Merecem destaque alguns aspectos do direito romano, em relação à condição dos escravos. Estes não
tinham direito de contrair matrimônio legítimo. Os filhos de escravos pertenciam ao senhor. Portanto,
os escravos eram vistos como “coisa”, ou um instrumento – um grau acima do gado, propriedades de
um senhor.

O escravo romano podia adquirir sua liberdade pela concessão de seu dono, vontade do príncipe ou
pelo benefício da lei, como no caso da venda de um escravo com a cláusula de ser liberto em
determinado prazo.
Filosofa e escravidão
Por volta dos séculos VI e V a.C., a filosofia teve início na Grécia. Esta dimensão do conhecimento
humano possui grande importância para a sociedade contemporânea, pois tem contribuído na discussão
de temas relacionados à política, à ética, à moral, à liberdade e outros. O conhecimento da filosofia só
foi possível para os cidadãos gregos porque possuíram tempo reservado para dedicarem-se a reflexão,
a cidadania e ao governo, enquanto os escravos realizavam atividades não reflexivas, de transformação
da natureza, consideradas inferiores pela sociedade grega. Portanto, a diferença social entre os homens
era considerada “natural”, não havia, para os gregos, contradição entre a divisão do trabalho manual e
intelectual, sendo assim, o comando de uma parte e a obediência de outra.
Na época de Aristóteles (século IV a.C.), discutia-se que havia homens feitos para liberdade e outros
para a escravidão, isto significava que, todo aquele que não tinha nada de melhor para oferecer do que
o uso de seu corpo e a força física, estavam condenados à escravidão por natureza.