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ESCOLA DE COMANDO E ESTADO-MAIOR DO EXÉRCITO

ESCOLA MARECHAL CASTELLO BRANCO

Grupo de Trabalho 35

Cel ANGELO BRAIT JÚNIOR


Cel ARMANDO MACHADO DE SOUSA
Cel CARLOS ALBERTO RODRIGUES PIMENTEL
Cel DOUGLAS ALEIXO VIEIRA DA SILVA
CMG FN LUIZ CAETANO BOAVENTURA BRESCIANI
Cel JOÃO MARINONIO ENKE CARNEIRO
Cel JOSÉ FERNANDES FILGUEIRAS FILHO
Cel ROGÉRIO CAUM
Cel PEDRO WINKELMANN SANTANA DE ARAUJO

DIREITO INTERNACIONAL HUMANITÁRIO

Drª NAJLA PALMA

Rio de Janeiro

2017
GT 35
DIREITO INTERNACIONAL HUMANITÁRIO (DIH)
Questão 1
O Estado A vive um conflito armado com o Estado B, e neste contexto,
durante uma incursão militar do Estado A no território do Estado B, um oficial
general, integrante das Forças Armadas do Estado A, ordenou um ataque contra
uma aldeia civil baseado em informações que recebeu do seu órgão de inteligência
de que um importante comandante militar das tropas inimigas lá se encontrava em
uma festa de casamento. A ordem foi cumprida e do ataque resultou a morte do
comandante militar e de mais 200 civis, todos nacionais do Estado B, que
participavam do evento festivo.
Considerando que os Estados A e B aderiram às Convenções de Genebra de
1949 e são partes dos Protocolos Adicionais I e II de 1977, examine, e justifique, se
algum princípio do Direito Internacional Humanitário (ius in bello) foi violado.

Resposta:
Sim. O Princípio da Limitação. De acordo com o Art 50 e alíneas 1, 3 e 4 do
Art 51, do Protocolo Adicional I de 1977, os civis do Estado B gozavam de uma
proteção geral contra os perigos resultantes de operações militares, pois não
tomaram parte diretamente das hostilidades. Além disso, são proibidos ataques
indiscriminados em que sejam utilizados métodos ou meios de combate cujos
efeitos não possam ser limitados, o que foi o caso na presente questão.

Questão 2
O Estado A sofreu atentados terroristas em seu território e encontrou
evidências de que os responsáveis pelo evento eram ativamente apoiados pelo
governo de fato do Estado B. Desta feita, considerando os atentados terroristas um
ato de guerra do Estado B, o Estado A invocou seu direito de legítima defesa e
bombardeou determinadas cidades do Estado B deflagrando um violento conflito
armado. Durante as hostilidades inúmeros nacionais do Estado B foram capturados
pelo Estado A e levados para uma base militar do Estado A localizada em território
do Estado C na qual foram torturados durante seus interrogatórios para que
fornecessem informações sobre os terroristas. Os Estados A e B são partes às
Convenções de Genebra de 1949, mas não aderiram aos Protocolos Adicionais de
1977. Avalie se houve alguma violação às regras do DIH.

Resposta:
Sim. Ainda que possa não haver legitimidade na declaração de guerra do
país A, por não ter sido avaliada e confirmada por organismo internacional, a
deflagração do conflito armado já impõe a ambos os países, signatários das
Convenções de Genebra, as normas do Direito Internacional Humanitário. Ao
capturar nacionais do país B, quer sejam eles prisioneiros de guerra, civis com
indícios de envolvimento com ações hostis, ou mesmo civis sem qualquer
envolvimento, o DIH assegura os direitos fundamentais, inclusive à justiça imparcial,
à defesa, ao tratamento com humanidade, sem violência ou intimidação (Art 13°, Tit
II, CG 3; Art 5°, Tit I, CG 4). Além disso, não é permitida nenhuma tortura física ou
moral para obter informações dos prisioneiros de guerra (Art 17°, Tit III, CG 3).
Questão 3
O aparato normativo do ius in bello dedicado aos Conflitos Armados Não-
Internacionais (CANI) é rudimentar se comparado às normas do Direito Internacional
Humanitário concebidas para os Conflitos Armados Internacionais (CAI). Aponte as
razões desta assimetria jurídica e cite as principais normas do DIH aplicáveis aos
CANI.

Resposta:
As razões para assimetria existente entre o aparato normativo dedicado aos
Conflitos Armados Não-Internacionais (CANI) e as normas do Direito Internacional
Humanitário concebidas para os Conflitos Armados Internacionais (CAI) podem ser
apontadas pela própria destinação de dispositivo. As normas para os CAI
relacionam-se à Estados em conflito havendo um interesse comum a ser atingido
em prol da humanidade. Diferentemente, as normas relativas aos CANI estarão
limitadas ao interesse unitário do Estado no qual o conflito está inserido,
resguardando os direitos humanos dos indivíduos. Portanto, a desproporção relativa
aos CANI limita-se a autodeterminação de cada Estado soberano de conter os
abusos em seu território.
As principais normas aplicáveis ao CANI derivadas do DIH estão elencadas
no Protocolo Adicional II às Convenções de Genebra e referem-se a tratamento
humano, feridos, enfermos e náufragos, proteção dos bens indispensáveis à
sobrevivência da população civil, proteção de obras e instalações contendo forças
perigosas, proteção de bens culturais e lugares de culto, proibição de
deslocamentos forçados, sociedades de socorro e ações de socorro.

Questão 4
As Convenções de Genebra completaram 67 anos em 12 de agosto de 2016
e o controle da aplicação do ius in bello permanece sendo um dos maiores desafios
deste ramo do Direito Internacional. Identifique e comente um mecanismo de
implementação das regras do Direito Internacional Humanitário.

Resposta:
Dentre os mecanismos de implementação das regras do Direito Internacional
Humanitário, pode-se destacar os Institucionais como, por exemplo, as potências
protetoras.
As potências protetoras são os mais antigos mecanismos de controle de
aplicação do DIH. Trata-se da utilização de um Estado neutro, ou parte não
envolvida no conflito, como representante de um dos estados beligerantes. Está
previsto no Art 8º, da I Convenção de Genebra, que encontra equivalentes nos Art
8º, da CG II e CG III e no Art 9º, da CG IV.

Questão 5
Dentre os princípios que regem a República Federativa do Brasil nas suas
relações internacionais está a defesa da paz e a solução pacífica dos conflitos (art.
4º da CF). Considerando que o país não tem perspectivas de envolvimento em um
conflito armado, avalie a importância do Direito Internacional Humanitário no atual
cenário nacional.
Resposta:
O Brasil, apesar de sofrer sistematicamente com problemas internos
principalmente nas áreas social, política e econômica, possui uma tradição pacífica
na resolução de conflitos, que é reconhecida internacionalmente, além de ser
signatário de diversos acordos internacionais na área do DIH. A política externa
brasileira tem como estratégia posicionar o País como respeitador do DIH, inclusive
com aspirações à uma cadeira no Conselho Permanente de Segurança da ONU e
promovendo uma intensificação em participações em missões de paz. Neste
contexto, já existe o ensino do DIH (DICA) nas Forças Armadas, principalmente aos
militares componentes dos contingentes de missões de paz, mas é preciso que o
poder político atualize a legislação brasileira aos ditames da Convenção de
Genebra, pois o Brasil tem a obrigação de processar e julgar desvios dos militares
envolvidos em missões de paz, e há uma possibilidade, mesmo que remota, que
algum caso seja levado até ao TPI.