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SIMULADO DE INFORMATIVOS – GRAN DELTA

Prof. Felipe Leal

FELIPE LEAL
Graduado em Direito pela Universidade Federal da Paraíba (2003),
mestrado em Direito Ambiental e Políticas Públicas pela Universidade
Federal do Amapá (2012) e Doutorando em Ciências Jurídico-Criminais
nas Universidades de Porto e de Coimbra, em Portugal (2017-2021).
Ingressou na Polícia Federal em 2005, como Papiloscopista Policial
Federal, adquirindo experiência na área pericial, e, desde 2006, é
Delegado de Polícia Federal, tendo já chefiado Delegacias Especializadas
na Repressão ao Tráfico de Drogas/PA (2006-2007), na Repressão
aos Crimes Ambientais/AP (2008-2010) e na Repressão a Crimes
Financeiros/PB (2011 -2012), bem como atuou como Chefe do Núcleo
de Inteligência em Pernambuco (2013-2014). Após, foi designado
como membro do Grupo de Inquéritos da Operação Lava Jato junto ao
Supremo Tribunal Federal e ao Superior Tribunal de Justiça (2015-2016),
sendo convidado a assumir a Divisão de Contrainteligência da Polícia
Federal em Brasília (2016-2017). Na docência, é um dos responsáveis
pela formação profissional de novos policiais, com a elaboração
de Caderno Didático para a Academia Nacional de Polícia (ANP). Já
elaborou Manuais de Investigações para autoridades policiais. Tutor da
Disciplina Criminologia em Cursos de Aperfeiçoamento Profissional da
ANP. Professor em Faculdades de Direito e em curso de pós-graduação
da ANP. Coordenador Pedagógico da Escola Nacional de Delegados de
Polícia Federal.

1. À luz do CPP e da jurisprudência do STJ, julgue o seguinte item, relativo à prisão,

aos recursos, aos atos e aos princípios processuais penais.

A possibilidade da execução provisória da pena privativa de liberdade é orientação

predominante na jurisprudência do STF e do STJ. Nesse cenário jurisprudencial,

entende-se que a Constituição brasileira não condiciona a prisão – mas sim a cul-

pabilidade – ao trânsito em julgado da sentença penal condenatória. Com o acór-

dão penal condenatório proferido em grau de apelação esgotam-se as instâncias

ordinárias e a execução da pena passa a constituir, em regra, exigência de ordem

pública, necessária para assegurar a credibilidade do Poder Judiciário. Nessa lógica,

é possível a execução provisória não apenas de pena privativa de liberdade, como

também a execução provisória em penas restritivas de direito, quando aplicadas

em substituição às penas privativas de liberdade.

Comentário

Errado.

Ao final da assertiva, o examinador informa ser possível execução provisória de pena

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restritiva de direito. Impossibilidade firmada pelo STJ, conforme EREsp 1.619.087-

SC, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, Rel. para acórdão Min. Jorge Mussi, por

maioria, julgado em 14/6/2017, DJe 24/8/2017

(Informativo 609 STJ)

2. Matheus foi denunciado pela prática dos crimes de tráfico de drogas (Art.

33, caput, da Lei nº 11.343/2006) e associação para o tráfico (Art. 35, caput da

Lei nº 11.343/2006), em concurso material. Quando da realização da audiência de

instrução e julgamento, o advogado de defesa pleiteou que o réu fosse interrogado

após a oitiva das testemunhas de acusação e de defesa, como determina o Código

de Processo Penal (Art. 400 do CPP, com redação dada pela Lei nº 11.719/2008),

o que seria mais benéfico à defesa. O juiz singular indeferiu a inversão do in-

terrogatório, sob a alegação de que a norma aplicável à espécie seria a Lei nº

11.343/2006, a qual prevê, em seu Art. 57, que o réu deverá ser ouvido no início

da instrução. Nesse caso, o juiz agiu corretamente, eis que o interrogatório, em

razão do princípio da especialidade, deve ser o primeiro ato da instrução nas ações

penais instauradas para a persecução dos crimes previstos na Lei de Drogas. Fonte:

FGV (adaptada).

Comentário

Errado.

O juiz não agiu corretamente, pois o interrogatório do acusado, após a Lei n.

11.719/2008, passou a ser o último ato de instrução, devendo essa alteração pre-

valecer sobre as disposições em contrário presentes em leis especiais, conforme

novo entendimento do STJ.

(Informativo 609 STJ)

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3. Em relação às imunidades parlamentares, a Constituição Federal estabelece que

a prerrogativa dos Deputados e Senadores não serem violados civil e penalmente

por suas opiniões, palavras e votos, no exercício da função, é denominada imuni-

dade material, que pode ser excepcionada quando as manifestações não guardem

pertinência, por um nexo de causalidade, com o desempenho das funções do man-

dato parlamentar. Fonte: adaptação de questão elaborada pela FCC.

Comentário

Certo.

O entendimento de imunidade material sempre como excludente de tipicidade na

conduta de parlamentares possui limites. Não mais encontra respaldo jurispruden-

cial a imunidade absoluta.

Reza o art. 53 da Constituição Federal: Os Deputados e Senadores são invioláveis,

civil e penalmente, por quaisquer de suas opiniões, palavras e votos.  

Todavia, o Supremo Tribunal Federal já decidiu, inclusive:

Que os atos praticados em local distinto escapam à proteção da imunidade, quando as


manifestações não guardem pertinência, por um nexo de causalidade, com o desempe-
nho das funções do mandato parlamentar;(...) e o fato de o parlamentar estar em seu
gabinete no momento em que concedeu a entrevista é fato meramente acidental, já que
não foi ali que se tornaram públicas as ofensas, mas sim através da imprensa e da inter-
net;  [Inq 3.932 e Pet 5.243, rel. min. Luiz Fux, j. 21-6-2016, 1ª T, DJE de 9-9-2016.]

Em caso julgado pelo STF, um parlamentar reclamante noticia que um vídeo seu foi

publicado com relevantes edições nas redes sociais por um Deputado Federal, de

maneira a ofender sua honra objetiva.

Sem ingressar no mérito do caso concreto, certo é que o Supremo Tribunal Federal

reforça em seus julgados mais recentes, principalmente a partir do ano de 2016, a

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existência de limites ao manto protetor da imunidade material, não presente quan-

do ofensas com animus difamandi ou injuriandi são provenientes de quem não es-

teja, na ocasião, “vestido de seu mandato parlamentar”, ausente, pois, a projeção

do exercício de suas atividades.

Com efeito, o futuro Delta precisa ter atenção às questões de concurso elaboradas

sobre o assunto. Quando se tratar de conduta realizada fora do recinto parlamentar

e sem nexo com o desempenho das funções do mandato parlamentar, não há que

se falar em imunidade material. Atenção também nas divulgações em redes sociais

sem o nexo referido, pois acreditamos que isto será abordado nos próximos con-

cursos. A depender da narrativa da questão, provavelmente a imunidade absoluta

não se sustentará no gabarito.

(Informativo 876 STF)

4. Conforme Lei n. 12.850/2013, o acordo de colaboração premiada não pode dei-

xar de ser sigiloso antes do recebimento da denúncia.

Comentário

Errado.

Conforme dispõe o art. 7º, §3º, da Lei 12.850/2013, O acordo de colaboração pre-

miada deixa de ser sigiloso assim que recebida a denúncia, observados os direitos

do colaborador.

Um questionamento naturalmente surgiu com a publicidade de colaborações ainda

no curso de investigação criminal: o sigilo do acordo somente pode ser levantado

quando do recebimento da denúncia ou é possível que isto ocorra antes?

Decidiu o STF que o parágrafo citado não encerra observância absoluta, mas

termo final máximo. Deve ser mantido até esse ponto apenas se houver

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necessidade concreta.

(Informativo 877 STF)

5. Computam-se, na pena privativa de liberdade e na medida de segurança, o tem-

po de prisão provisória, no Brasil ou no estrangeiro, o de prisão administrativa e o de

internação em hospital de custódia e tratamento psiquiátrico. Esse cômputo é deno-

minado pelo Código Penal de detração. Entende-se por considerar a data da prisão

preventiva como marco inicial para a obtenção de benefícios em sede de execução

penal e não a progressão a data da publicação da sentença condenatória. Fonte:

adaptação de questão elaborada pelo IESES (concurso Cartório - TJ/PA- 2016)

Comentário

Certo.

Em caso de prisão processual, anterior pois à sentença condenatória, entendeu o

STF considerar a data da prisão preventiva como marco inicial para a obtenção de

benefícios em sede de execução penal e não a progressão a data da publicação da

sentença condenatória.

(Informativo 877 STF)

6. A prática de crime ou contravenção penal contra a mulher com violência ou gra-

ve ameaça no ambiente doméstico impossibilita a substituição da pena privativa de

liberdade por restritiva de direitos. 

Comentário

Certo.

Vide Súmula 588 STJ

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7. É aplicável o princípio da insignificância nos crimes ou contravenções penais pra-

ticados contra a mulher no âmbito das relações domésticas. 

Comentário

Errado.

Vide Súmula 589 STJ.

8. Pedro, objetivando futura candidatura ao mestrado, mediante imposição de seu

“login” e senha, de logo registrou atividade acadêmica falsa em seu currículo, na

plataforma Lattes. Reunidos elementos de prova em seu desfavor, a autoridade po-

licial resolveu pelo indiciamento, ao considerar Pedro incurso no art. 299 do Código

Penal. Nessa situação, o indiciamento foi equivocado, pois não é típica a conduta de

inserir, em currículo Lattes, dado que não condiz com a realidade. Fonte: adaptação

de questão elaborada pelo CESPE - concurso técnico judiciário - TJ AC - 2012.

Comentário

Certo.

O crime de falsidade ideológica está previsto no art. 299 do CPB, in verbis:

Art. 299 - Omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia

constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser

escrita, com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre

fato juridicamente relevante:

Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa, se o documento é público, e reclu-

são de um a três anos, e multa, de quinhentos mil réis a cinco contos de réis, se o

documento é particular.

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Parágrafo único - Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecen-

do-se do cargo, ou se a falsificação ou alteração é de assentamento de registro

civil, aumenta-se a pena de sexta parte.

É sabido que a falsidade deve ser capaz de enganar e que o objeto material do

crime é o documento público ou particular. Sobre o tema, uma importante decisão

do STJ nesse informativo afirma que a capacidade de enganar não está presente

quando o objeto material for um documento eletrônico sem validade jurídica por

não conter assinatura judicial e suas informações devam ser objeto de aferição por

quem nelas tem interesse, como é o caso do currículo inserido na plataforma vir-

tual Lattes do CNPQ.

(Informativo 610 STJ)

9. Em regra, as provas, no processo penal, podem ser produzidas a qualquer tempo,

inclusive na fase recursal, desde que observado o contraditório; no procedimento do

tribunal do júri, entretanto, exige-se a antecedência mínima de três dias antes da

instrução em plenário não apenas para a juntada de documento ou objeto, mas tam-

bém para a ciência da parte contrária a respeito de sua utilização no Tribunal do Júri.

Comentário

Certo.

Segundo o art. 479 do CPP, com redação dada pela Lei 11.689/2008, durante o

julgamento no Tribunal do Júri, não será permitida a leitura de documento ou a

exibição de objeto que não tiver sido juntado aos autos com a antecedência mínima

de 3 (três) dias úteis, dando-se ciência à outra parte. 

Pois bem, restava-se saber se a antecedência mínima de 3 (três) dias úteis era ape-

nas para a juntada aos autos do documento, ou se aplicava o prazo como reserva

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temporal de ciência à outra parte.

Ao julgar o REsp 1.637.288-SP, o STJ entendeu que de nada adiantaria a exigência

de que o documento seja juntado em tempo razoável se não vier acompanhada da

necessidade de que a parte contrária seja cientificada também em tempo razoável

da juntada, razão pela qual o prazo de 3 dias úteis a que se refere o art. 479

do Código de Processo Penal deve ser respeitado não apenas para a junta-

da de documento ou objeto, mas também para a ciência da parte contrária

a respeito de sua utilização no Tribunal do Júri.

(Informativo 610 STJ)

10. Acerca do sigilo das operações de instituições financeiras (Lei Complementar

nº 105/2001), pode-se afirmar que independe de prévia autorização do Poder Ju-

diciário a quebra de sigilo de contas públicas, eis que, por força dos princípios da

publicidade e da moralidade (CF, art. 37), não têm elas, em geral, direito à intimi-

dade e à privacidade. Fonte: adaptação de questão elaborada pelo IBADE (concur-

so Delegado PC AC - 2017)

Comentário

Certo.

O Supremo Tribunal Federal consolidou o entendimento de que as contas públicas,

por força dos princípios da publicidade e da moralidade (CF, art. 37), não têm, em

geral, direito à intimidade e à privacidade. Por conseguinte, não são abrangidas

pelo sigilo bancário.

O sigilo de informações necessário à preservação da intimidade é relativizado quan-

do há interesse da sociedade em conhecer o destino dos recursos públicos.

(Informativo 879 STF)

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11. Octávio, Procurador da República, presente em audiência, de logo teve ciência

de ato que pretendia recorrer. Com relação ao prazo recursal, o início do cômputo

somente se inicia com a remessa dos autos com vista à instituição, pois o prazo

processual, considerado em si mesmo, não tem necessária relação com intimação

(comunicação ou ciência de atos daqueles que figuram no processo), mas com o

espaço de tempo de que as partes ou terceiros interessados dispõem para a prática

válida de atos processuais que darão andamento ao processo.

Comentário

Certo.

O Superior Tribunal de Justiça, na análise do assunto, considerou aspectos práticos

e legais. Em uma visão pragmática, a um, reconheceu o grande volume de trabalho

de Promotores e Procuradores da República, responsáveis por várias ações penais,

ante os princípios da oficialidade e da obrigatoriedade da ação penal. A dois, por

considerar o princípio da unidade, entendeu que nem sempre o(a) Promotor(a)/

Procurador(a) da República presente na audiência será o mesmo agente público

responsável pela condução e, posteriormente, pela impugnação dos atos praticados

durante a audiência.

Avançando, citou várias normas legais, decidindo que o início do cômputo


do prazo para a prática de novos atos só dispara com a remessa dos autos

com vista à instituição.

• Lei Orgânica dos Ministérios Públicos Estaduais (art. 41, IV, da Lei n.

8.625/1993);

• Lei Complementar n. 75/1993, do Ministério Público da União (art. 18, II, “h); e

• Art. 180 do CPC.

Nesse mesmo Informativo, sublinhe-se, consta decisão do STJ, reafirmando mes-

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mo tratamento à Defensoria Pública:

A data da entrega dos autos na repartição administrativa da Defensoria Pública é o ter-


mo inicial da contagem do prazo para impugnação de decisão judicial pela instituição,
independentemente de intimação do ato em audiência. HC 296.759-RS, Rel. Min. Ro-
gério Schietti Cruz, por maioria, julgado em 23/8/2017, DJe 21/9/2017.

(Informativo 611 STJ)

12. Com relação às prerrogativas parlamentares, o ato emanado do Poder Judiciá-

rio que houver aplicado medida cautelar que impossibilite direta ou indiretamente o

exercício regular do mandato legislativo deve ser submetido ao controle político da

Casa Legislativa respectiva, nos termos do art. 53, § 2º, da CF. Fonte: adaptação

de questão elaborada pelo CESPE (concurso Juiz - TJCE - 2012)

Comentário

Certo.

Diferentemente do entendimento do ministro Marco Aurélio, entendeu a maioria do

Supremo Tribunal Federal que o Poder Judiciário dispõe de competência para de-

cretar, por autoridade própria, as medidas cautelares a que se refere o artigo 319

do Código de Processo Penal em desfavor de parlamentares.

Todavia, em respeito à independência harmônica que rege o princípio da separação

dos Poderes, e considerando que medidas cautelares diversas da prisão acabam

por impossibilitar direta ou indiretamente o exercício regular do mandato legislati-

vo, o Supremo Tribunal Federal, interpretação conforme à Constituição, decidiu que

tais medidas aplicadas pelo Poder Judiciário, por reserva de Parlamento, devam

ser submetidas, ao controle político da Casa Legislativa respectiva, nos termos do

art. 53, § 2º, da CF: Desde a expedição do diploma, os membros do Congresso

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Nacional não poderão ser presos, salvo em flagrante de crime inafiançável. Nesse

caso, os autos serão remetidos dentro de vinte e quatro horas à Casa respectiva,

para que, pelo voto da maioria de seus membros, resolva sobre a prisão.

Ainda sobre o tema, é importante mencionar que o art. 53, §2º, da CF não pode

ser invocado no caso de prisão decorrente de sentença condenatória transitada em

julgado. Foi esse o entendimento do STF, conforme se observa no Informativo

712, abaixo transcrito parcialmente, com grifos nossos:

Detentor de mandato eletivo e efeitos da condenação - 3

O Min. Teori Zavascki acrescentou que não procederia a alegação de ofensa ao art.

53, § 2º, da CF. Afirmou que o dispositivo preservaria, no que diz respeito às imuni-

dades reconhecidas aos parlamentares federais, a regra segundo a qual, no âmbito

das prisões cautelares, somente se admitiria a modalidade de prisão em flagrante,

decorrente de crime inafiançável. Afirmou que nesse preceito não se compreenderia

a prisão resultante de sentença condenatória transitada em julgado. Destacou que

a incoercibilidade pessoal dos congressistas configuraria garantia de natureza rela-

tiva. Assim, ainda que pendente a deliberação, pela casa legislativa correspondente,

sobre a perda de mandato parlamentar do condenado por sentença com trânsito em

julgado (CF, art. 55, § 2º), não haveria empecilho a que o Judiciário promovesse a

execução da pena privativa de liberdade imposta. No caso, aduziu a impertinência

dessa questão — no que foi acompanhado pelos Ministros Ricardo Lewandowski e


Rosa Weber —, pois não se poderia atrelar a suspensão dos direitos políticos com a

perda do mandato. Assentou que a manutenção ou não do mandato, nas hipóteses

de condenação definitiva, deveria ser resolvida pelo Congresso. Consignou, ainda,

que o regime constitucional conferido ao tema quanto ao Presidente da República

também não salvaguardaria o embargante, pois mesmo o Chefe do Executivo esta-

ria sujeito à prisão decorrente de condenação transitada em julgado. Desse modo,

o fato superveniente citado não alteraria a condenação imposta, sequer inibiria a

execução penal. Vencido o Min. Marco Aurélio, que reiterava a incompetência do STF

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para julgar o feito, tendo em vista a renúncia do parlamentar ao cargo que ocupava

antes da decisão condenatória. AP 396 QO/RO, rel. Min. Cármen Lúcia, 26.6.2013.

(AP-396). AP 396 ED-ED/RO, rel. Min. Cármen Lúcia, 26.6.2013. (AP-396)

(Informativo 881 STF)

13. Há perda de objeto da ação de usucapião proposta em juízo cível na hipótese

em que juízo criminal decreta a perda do imóvel usucapiendo em razão de ter sido

adquirido com proventos de crime. Fonte: adaptação de questão elaborada pela

FCC - concurso Juiz - TJ AP - 2014 c/c questão elaborada pelo CESPE - concurso

Juiz - TRF 2º Região – 2013.

Comentário

Certo.

Segundo o Superior Tribunal de Justiça, apesar de a independência das instân-

cias ser regra, os sistemas processuais civil e penal admitem exceções, em que se

adota o sistema da adesão, por meio do qual uma instância simplesmente adere

ao julgamento da outra.

SISTEMA DE ADESÃO
PREVALÊNCIA DO JUÍZO CRIMINAL PREVALÊNCIA DO JUÍZO CÍVEL
Art. 92 do CPP. Se a decisão sobre a
existência da infração depender da solução de
Art. 935 do CC. A responsabilidade civil é controvérsia, que o juiz repute séria e fundada,
independente da criminal, não se podendo sobre o estado civil das pessoas, o curso da
questionar mais sobre a existência do fato, ou ação penal ficará suspenso até que no
sobre quem seja o seu autor, quando estas juízo cível seja a controvérsia dirimida
questões se acharem decididas no juízo por sentença passada em julgado, sem
criminal prejuízo, entretanto, da inquirição das
testemunhas e de outras provas de natureza
urgente.

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No caso julgado, o STJ entendeu pela prevalência do juízo criminal. E concluiu que,

após decretado o confisco do bem por meio de sentença penal condenató-

ria transitada em julgado, nada resta ao juízo cível senão curvar-se ao pro-

vimento exarado pelo juízo criminal, cabendo à parte interessada insurgir-se

perante aquele juízo, por meio dos referidos embargos

Do exposto, há perda de objeto da ação de usucapião proposta em juízo cível na

hipótese em que juízo criminal decreta a perda do imóvel usucapiendo em razão de

ter sido adquirido com proventos de crime.

14. Em 2014 o STF adotou o entendimento de o desmembramento do processo

ser a regra geral quando houver corréus sem prerrogativa de foro no STF. Admite,

porém, como exceção julgamento único de ação penal que indicar a união indisso-

ciável entre as condutas, e não a mera conexão.

Comentário

Certo.

Aos dias 13 de fevereiro de 2014, após negar provimento a recurso (agravo regi-

mental) interposto contra o desmembramento do Inquérito (INQ) 3515, que corre

no Supremo Tribunal Federal contra o deputado federal Arthur Lira (PP/AL) pela

suposta prática dos crimes de lavagem de dinheiro, ocultação de bens e corrupção

passiva, os ministros concordaram em adotar o entendimento de que o desmem-

bramento do processo fosse, doravante, uma regra geral quando houvesse

corréus sem prerrogativa de foro no STF1.

Anos antes, porém, o STF havia decidido alguns casos pelo não desmembramento,

diante da possibilidade de decisões contraditórias em separado. Assim foi, como

exemplo, a Ação Penal 470/MG (“Mensalão”).


1 Fonte: http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=260291

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Nesse sentido, inclusive, a Súmula 704 do STF: Não viola as garantias do juiz na-

tural, da ampla defesa e do devido processo legal a atração por continência ou

conexão do processo do corréu ao foro por prerrogativa de função de um dos de-

nunciados.

Por ser mais recente, a decisão de desmembramento como regra geral fez supor

nova postura jurisdicional. Como se esperava, porém, exceções seriam reconheci-

das à regra proposta como geral.

E nessa esteira, no julgamento do Inq 4506 AgR/DF, no último dia 14 de novem-

bro, o STF entendeu pelo não desmembramento indicando hipótese para a exce-

ção: a união indissociável entre as condutas, e não a mera conexão.

(Informativo 885 STF)

15. Com o advento da lei 11.690/2008, o Código Processo Penal abandonou o sis-

tema presidencialista, de modo que a inquirição de testemunhas pelas partes deve

preceder à realizada pelo juízo.

Comentário

Certo.

Antes da Lei n. 11.690/2008, estabelecia o Código de Processo Penal que “as per-

guntas das partes seriam requeridas ao juiz, que as formularia à testemunha. O

juiz não poderia recusar as perguntas da parte, salvo se não tivessem relação com

o processo ou importarem repetição de outra já respondida”.

Com o advento da lei acima, o art. 212 do CPP passou ter uma nova redação: “As

perguntas serão formuladas pelas partes diretamente à testemunha, não admitin-

do o juiz aquelas que puderem induzir a resposta, não tiverem relação com a causa

ou importarem na repetição de outra já respondida. Parágrafo único. Sobre os pon-

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tos não esclarecidos, o juiz poderá complementar a inquirição”.

Abandonou-se, pois, o sistema presidencialista em homenagem ao sistema acusa-

tório, em que o juiz participa apenas ao final, de maneira supletiva. Passou-se a

vigorar o procedimento inicial de direct-examination pela parte que arrolou, para

em seguida se oportunizar à parte contrária as suas perguntas à testemunha (cros-

s-examination).

A despeito da alteração legal, alguns magistrados ainda iniciam audiência formu-

lando suas perguntas. E foi o que ocorreu no processo analisado pelo STF. Impe-

trado o HC 111815/SP, o STF reafirmou que a inquirição de testemunhas pelas

partes deve preceder à realizada pelo juízo. Com efeito, embora não tenha

anulado o processo-crime a partir da audiência de instrução e julgamento, decidiu

pela necessidade de nova oitiva, mantidos todos os demais atos processuais.

(Informativo 885 STF)

16. O princípio da insignificância é aplicável aos crimes contra a administração pública. 

Comentário

Errado.

Vide Súmula 599 STJ.

17. Para a configuração da violência doméstica e familiar prevista no artigo 5º da

Lei n. 11.340/2006 (Lei Maria da Penha), exige-se naturalmente a coabitação entre

autor e vítima. 

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Comentário

Errado.

Vide Súmula 600 STJ.

18. Sobre o regime jurídico da prisão provisória e das medidas cautelares pessoais

no ordenamento jurídico pátrio, segundo orientação doutrinária e jurisprudencial,

é correto afirmar que a prisão preventiva poderá ser substituída pela domiciliar

quando o agente for mulher com filho de até 04 anos de idade.

Comentário

Errado.

Com a Lei n. 12.403/2011, o Código de Processo Penal brasileiro foi alterado, com

a previsão de medidas cautelares diversas da prisão, razão pela qual a privação

processual de liberdade, já excepcional, tornou-se medida subsidiária.

Para a aplicação da prisão preventiva ou de qualquer outra medida cautelar, o le-

gislador estabeleceu a necessidade de serem preenchidos os seguintes requisitos:

Art. 282 do CPP. As medidas cautelares previstas neste Título deverão ser aplica-

das observando-se a:

I - necessidade para aplicação da lei penal, para a investigação ou a instrução

criminal e, nos casos expressamente previstos, para evitar a prática de infrações

penais;

II - adequação da medida à gravidade do crime, circunstâncias do fato e condições

pessoais do indiciado ou acusado.

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Constata-se que se consagrou o princípio da proporcionalidade (entendido como o

binômio necessidade e adequação das medidas a serem aplicadas), previsto im-

plicitamente na Constituição Federal e diretamente ligado à garantia dos direitos

fundamentais.

É por isso que, sempre que possível, a prisão preventiva será substituída por outra

medida cautelar menos lesiva ao investigado ou acusado. É o que dispõe o artigo

321 do CPP:

Art. 321. Ausentes os requisitos que autorizam a decretação da prisão preventiva,

o juiz deverá conceder liberdade provisória, impondo, se for o caso, as medidas

cautelares previstas no art. 319 deste Código e observados os critérios constantes

do art. 282 deste Código.

I - (revogado)

II – (revogado)

Diversas são as cautelares diversas da prisão. Destacamos (a) comparecimento

periódico em juízo; (b) proibição de acesso ou frequência a determinados lugares;

(c) proibição de manter contato com pessoa determinada; (d) proibição de ausen-

tar-se da comarca; (e) recolhimento domiciliar no período noturno e nos dias de

folga; (f) e suspensão do exercício de função pública ou de atividade de natureza

econômica ou financeira.

Por não outra razão, em uma representação policial pela prisão preventiva, sugere-

-se, como melhor técnica, demonstrar a ineficácia das demais medidas cautelares,

não restando outra alternativa senão a prisão preventiva dos suspeitos. Apenas

como ultima ratio, a prisão preventiva ressoa como medida cabível.

Nesse sentido, o informativo 887 apresenta o julgamento do HC 136408/SP, Inq

4506 AgR/DF, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes,

no qual o Supremo Tribunal Federal invocou a Lei 13.257/2016, que versa sobre

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políticas públicas para a primeira infância, e determinou a substituição da preven-

tiva por prisão domiciliar de uma mãe com filho de até 12 anos de idade.

(Informativo 887 STF)

19. A imunidade formal prevista no art. 51, I, e no art. 86, “caput”, da Constituição

Federal, tem por finalidade tutelar o exercício regular dos cargos de Presidente da

República e de Ministro de Estado, razão pela qual não é extensível a codenuncia-

dos que não se encontram investidos em tais funções.

Comentário

Certo.

A imunidade formal prevista no art. 51, I, e no art. 86, “caput”, da Constituição

Federal, tem por finalidade tutelar o exercício regular dos cargos de Presidente da

República e de Ministro de Estado, razão pela qual não é extensível a codenuncia-

dos que não se encontram investidos em tais funções.

Com esse entendimento, o Supremo Tribunal Federal, nos autos do INQ 4483 e INQ

4327, ao tempo em que reconheceu a imunidade formal do Presidente da República

e dos Ministros de Estado, diante da negativa da Câmara dos Deputados, decidiu

pelo prosseguimento das ações aos codenunciados, com o desmembramento dos

processos de acordo com os critérios de competência.

Com relação à imputação do crime de organização criminosa, acrescentou o STF

que por se trata de delito autônomo, eventuais delitos cometidos em seu âmbito

não ensejam, necessariamente, o reconhecimento da conexão para processo e jul-

gamento conjuntos.

Entendeu, por fim, o STF que o prosseguimento das ações não e traduz na possibili-

dade de responsabilização indireta dos detentores de imunidade formal, amparados

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pela decisão da Câmara dos Deputados, uma vez que, no processo, penal, tem-se o

princípio da responsabilidade penal subjetiva, cabendo ao Ministério Público o ônus

da prova acerca dos elementos constitutivos do tipo penal incriminador, produzindo

os elementos de prova capazes de demonstrar, em relação a cada um dos acusa-

dos, a perfeita subsunção das condutas.

(Informativo 888 STF)

20. Segundo o Supremo Tribunal Federal, é possível extraditar estrangeiro conde-

nado por seu país de origem a crimes de sequestro praticados há mais de 20 anos,

por ser tal delito permanente, não prescrevendo enquanto não for encontrada a

pessoa ou o corpo.

Comentário

Certo.

Interessante decisão do Supremo Tribunal Federal ao julgar a possibilidade de extradi-

ção de ex-militar da marinha argentina, acusado de participação em crime de seques-

tro, tortura e eliminação de pessoas no período compreendido entre 1976 e 1983.

De um lado, ministros sustentaram que, não sendo o Brasil signatário da Conven-

ção Interamericana sobre o Desaparecimento Forçado de Pessoas, que prevê a im-

prescritibilidade dos delitos de lesa-humanidade, a extradição deveria ser negada,

sob argumento de falta de dupla punibilidade, considerando a morte presumida da

vítima e a prescrição máxima prevista no CPB: 20 anos.

Vencidos, porém, foram esses ministros. Por maioria, o STF entendeu que o crime

de sequestro, por ser permanente, não prescreve enquanto não for encon-

trada a pessoa ou o corpo.

(Informativo 888 STF)

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21. O “habeas corpus” não pode ser empregado para impugnar medidas cautelares

de natureza criminal diversas da prisão, eis que não presente ameaça ou ofensa,

direta ou indireta, à liberdade de ir e vir.

Comentário

Errado.

Ao julgar dois “Habeas Corpus”: 147303/AP e 147426/AP, o Supremo Tribunal Fe-

deral entendeu ser possível impetrar em face de medidas diversas da prisão, como

o afastamento das funções. Dois argumentos foram decisivos: 1) tais medidas, em-

bora diversas da prisão, afetam interesses não patrimoniais importantes da pessoa

física; 2) Se descumpridas, podem ser convertidas em prisão processual.

(Informativo 888 STF)

22. À luz do posicionamento jurisprudencial, em caso de imputação do mesmo fato

delituoso em ações penais diversas, ocorrendo coisa julgada nos juízos diferentes, deve

prevalecer a primeira condenação, em respeito ao princípio da Segurança Jurídica.

Comentário

Errado.

Situação um pouco inusitada, porém de fácil resolução. O Superior Tribunal de Jus-

tiça entendeu que diante do trânsito em julgado de duas sentenças condenatórias

por fatos idênticos, deve prevalecer a condenação mais favorável ao réu.

Abstraindo-nos do caso em si, apresento um exemplo no qual se mostra possível a

ocorrência dessa situação. Admita-se que se investigue uma organização criminosa

(ORCRIM) estruturalmente ordenada e caracterizada pela divisão de tarefas, com

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objetivo de praticar crimes de contrabando. Em uma cidade “A”, onde os suspeitos

residem e possuem comércio, tramita o inquérito policial a investigar a ORCRIM. Al-

gumas apreensões são realizadas nas cidades fronteiriças “B” e “C”, materializando

a importação de mercadorias proibidas, com a prisão de alguns integrantes da OR-

CRIM já investigada na cidade “A”. Em todas as cidades, as investigações avançam,

de modo a alcançar todos os integrantes. São eles denunciados nas cidades “A”,

“B” e “C”, com imputação dos mesmos fatos delituosos, incursos no art. 2º da Lei

12.850/2013 c/c art. 334-A do CPB, gerando condenações com trânsito em julgado.

(Informativo 616 STJ)

23. (2013/CESPE/PG-DF/PROCURADOR) Desde que o STF declarou incidental-

mente a inconstitucionalidade do artigo 2º, § 1º , da Lei n. 8.072/1990 (“A pena

por crime previsto neste artigo [crime hediondo] será cumprida inicialmente em

regime fechado”), não é mais obrigatória a fixação do regime inicial fechado para

o condenado pelo crime de tráfico de entorpecentes, podendo a pena privativa de

liberdade ser substituída por restritivas de direitos quando o réu for primário e sem

antecedentes e não ficar provado que ele se dedique ao crime ou esteja envolvido

com organização criminosa.

Comentário

Certo.

No julgamento do Recurso Extraordinário 1.052.700, ocorrido em 03/11/2017, em

Plenário Virtual, o Supremo Tribunal Federal decidiu por fixar a tese: “É inconstitu-

cional a fixação ex lege, com base no art. 2º, § 1º, da Lei 8.072/1990, do regime

inicial fechado, devendo o julgador, quando da condenação, ater-se aos parâmetros

previstos no artigo 33 do Código Penal”.

Já haviam julgados nesse sentido:

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AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. MATÉRIA CRIMINAL. JUL-

GAMENTO MONOCRÁTICO PELO RELATOR. POSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE IMPUG-

NAÇÃO AOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. REGIME DE CUMPRIMENTO

DE PENA. HABEAS CORPUS CONCEDIDO DE OFÍCIO. 1. […] 3. É inconstitucional

a fixação de regime inicial fechado com base unicamente na hediondez do delito

(HC 111.840, Rel. Min. Dias Toffoli, Pleno, DJe 17.12.2013). 4. Agravo regimental a

que se nega provimento. Ordem de habeas corpus concedida de ofício apenas para

determinar ao Juízo de 1º grau que reexamine, afastada a vedação do art. 2º, §

1º, da Lei 8.072/1990, a possibilidade de fixação de regime inicial de cumprimento

de pena menos gravoso, atendo-se ao previsto no art. 33, §§ 2º e 3º, do Código

Penal. (ARE 935.967 AgR, Rel. Min. EDSON FACHIN, Primeira Turma, julgado em

15.03.2016, grifei)

Ocorre que, nas palavras do Ministro Edson Fachin, fez-se necessária a consolidação

da jurisprudência, diante do descumprimento dessa orientação por outras instân-

cias, sob o argumento de que a declaração de inconstitucionalidade no julgamento

do HC 11.840/ES, por ter se dado de forma incidental, não teria efeito erga omnes2.

No Informativo 889 STF, consta que, já em sede de repercussão geral, o Supremo

Tribunal Federal reafirmou a tese acima no Recurso Extraordinário com Agravo

1.052.700 – MG.

(Informativo 889 STF)

24. Conforme entendimento jurisprudencial, o art. 53, § 2º, da Constituição Fe-

deral, ao dispor acerca de imunidade formal conferida a deputados federais e se-

nadores, confere uma prerrogativa constitucional aos parlamentares do Congresso

Nacional e, justamente por se tratar de norma de exceção, deve ser interpretada

restritivamente. Assim, um Juiz de primeiro grau, fundamentadamente, pode im-

2 http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudenciaRepercussao/verPronunciamento.
asp?pronunciamento=7206125.

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por a parlamentares municipais as medidas cautelares de afastamento de suas fun-

ções legislativas sem necessidade de remessa à Casa respectiva para deliberação.

Comentário

Certo.

Conforme Informativo 881 STF, no julgamento da ADI n. 5.526/DF, entendeu a

maioria do Supremo Tribunal Federal que o Poder Judiciário dispõe de competência

para decretar, por autoridade própria, as medidas cautelares a que se refere o ar-

tigo 319 do Código de Processo Penal em desfavor de parlamentares. Todavia, em

respeito à independência harmônica que rege o princípio da separação dos Poderes,

e considerando que medidas cautelares diversas da prisão acabam por impossibili-

tar direta ou indiretamente o exercício regular do mandato legislativo, o Supremo

Tribunal Federal, interpretação conforme à Constituição, decidiu que tais medidas

aplicadas pelo Poder Judiciário, por reserva de Parlamento, devam ser submetidas,

ao controle político da Casa Legislativa respectiva, nos termos do art. 53, § 2º, da

CF: Desde a expedição do diploma, os membros do Congresso Nacional não po-

derão ser presos, salvo em flagrante de crime inafiançável. Nesse caso, os autos

serão remetidos dentro de vinte e quatro horas à Casa respectiva, para que, pelo

voto da maioria de seus membros, resolva sobre a prisão.

Ainda sobre o tema, é importante mencionar que o art. 53, §2º, da CF não pode ser

invocado no caso de prisão decorrente de sentença condenatória transitada em jul-

gado. Foi esse o entendimento do STF, conforme se observa no Informativo 712 STF.

No Informativo 617 STJ, o Superior Tribunal de Justiça entendeu ser possível que o

Juiz de primeiro grau, fundamentadamente, imponha a parlamentares municipais

as medidas cautelares de afastamento de suas funções legislativas sem necessida-

de de remessa à Casa respectiva para deliberação. Com relação ao art. 53, § 2º,

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da Constituição Federal, segundo a decisão judicial, o referido artigo dispõe acerca

de imunidade formal conferida à deputados federais e senadores, sendo, pois, uma

prerrogativa constitucional conferida aos parlamentares do Congresso Nacional e,

justamente por se tratar de norma de exceção, deve ser interpretada restritivamente

(Informativo 617 STJ)

25. É lícita a obtenção de dados pela polícia das conversas de whatsapp em celular

sem prévia autorização judicial, desde que apreendido o aparelho no flagrante.

Comentário

Errado.

O STJ entendeu não haver ilegalidade na perícia de aparelho de telefonia celular

pela polícia, sem prévia autorização judicial, na hipótese em que seu proprietário

– a vítima – foi morto, tendo o referido telefone sido entregue à autoridade policial

por sua esposa.

Tal decisão deve ser analisada a partir do contexto em que foi proferida: 1) o celu-

lar pertencia à vítima e não ao acusado; 2) a vítima veio a falecer e houve autori-

zação da esposa; 3) o celular teria sido um veículo para a prática do crime.

Recomenda-se cautela para não alargar esse entendimento, considerando outras

decisões de Tribunais Superiores, cada vez mais inclinadas a considerar ilícita a

prova quando não há autorização do proprietário/detentor do aparelho celular, nem

decisão judicial permissiva.

“PENAL. PROCESSUAL PENAL. RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. TRÁ-

FICO DE DROGAS. NULIDADE DA PROVA. AUSÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL

PARA A PERÍCIA NO CELULAR. CONSTRANGIMENTO ILEGAL EVIDENCIADO. 1. Ilí-

cita é a devassa de dados, bem como das conversas de whatsapp, obtidas dire-

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tamente pela polícia em celular apreendido no flagrante, sem prévia autorização

judicial. 2. Recurso ordinário em habeas corpus provido, para declarar a nulidade

das provas obtidas no celular do paciente sem autorização judicial, cujo produto

deve ser desentranhado dos autos”. (STJ. RHC 51.531/RO, 6ª Turma, Rel. Min. Nefi

Cordeiro, julgado em 19/04/2016)

(Informativo 617 STJ)

26. Com referência ao crime de dispensa ou inexigibilidade de licitação fora das

hipóteses previstas em lei (art. 89 da Lei n. 8.666/1993), julgue o item seguinte. 

A consumação do art. 89 reclama a configuração de dolo de dano ao erário (dolo

específico), embora não seja necessária a comprovação do efetivo dano.

Comentário

Certo.

A Primeira Turma do STF não conheceu Recurso Especial interposto por Deputado

Federal, condenado como incurso nos crimes previstos nos artigos 89 e 90 da Lei

de Licitações, perpetrados quando de sua gestão como prefeito municipal, em ra-

zão dos termos do Enunciado 279 do STF: Para simples reexame de prova não cabe

recurso extraordinário.

Na sequência, a Turma, também por maioria, afastou a prescrição da pretensão

punitiva suscitada e determinou a imediata execução da pena, com expedição de

mandado de prisão.

Ocorre que os argumentos utilizados pela defesa, não refutados pelo Relator, pode-

riam ser determinantes caso o Recurso fosse conhecido, reascendendo a importân-

cia do estudo dos tipos penais ora referidos. Vamos a eles:

Lei 8.666/1993: “Art. 89. Dispensar ou inexigir licitação fora das hipóteses pre-

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vistas em lei, ou deixar de observar as formalidades pertinentes à dispensa ou à

inexigibilidade: Pena - detenção, de 3 (três) a 5 (cinco) anos, e multa. Parágrafo

único. Na mesma pena incorre aquele que, tendo comprovadamente concorrido

para a consumação da ilegalidade, beneficiou-se da dispensa ou inexigibilidade ile-

gal, para celebrar contrato com o Poder Público”.

Lei 8.666/1993: “Art. 90. Frustrar ou fraudar, mediante ajuste, combinação ou

qualquer outro expediente, o caráter competitivo do procedimento licitatório, com

o intuito de obter, para si ou para outrem, vantagem decorrente da adjudicação do

objeto da licitação: Pena - detenção, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa”.

Há entendimentos, cada vez mais recorrentes, que a consumação do art. 89 re-

clama a configuração de dolo de dano ao erário (dolo específico), embora não

seja necessária a comprovação do efetivo dano.

O tipo descrito do art. 89 da Lei de Licitação tem por escopo proteger o patrimônio

público e preservar o princípio da moralidade, mas só é punível quando produz re-

sultado danoso. (Apn 261/PB, Rel. Min. Eliana Calmon, Corte Especial, julgado em

02/03/2005)

As ações criminais, que envolvem o cometimento de crimes previstos na Lei de Li-

citações, exigem, para a configuração do delito, a evidenciação do dolo específico

e do dano ao erário, para que consubstanciem a justa causa para a condenação

penal. (APn 330/SP, Rel. Min. Francisco Falcão, Rel. p/ Acórdão Min. Luiz Fux, Corte
Especial, julgado em 03/10/2007)

O entendimento dominante no Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que o

crime do art. 89 da Lei 8.666, de 1993, somente é punível quando produz resulta-

do danoso ao erário. (Apn 214/SP, Rel. Min. Luiz Fux, Corte Especial, julgado em

07/05/2008)

No Informativo 856 STF (março e 2017), o Supremo Tribunal Federal já havia se

manifestado pela exigência de 03 critérios para a consumação do crime do art. 89

da Lei 8.666/1993:

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O primeiro critério consiste na existência de parecer jurídico lavrado idonea-

mente pelo órgão competente. A investigação policial deve então enfrentar as

circunstâncias não apenas da elaboração do parecer como também da própria

escolha do parecerista, se possuía à época conhecimentos suficientes para tanto,

ou se a designação apenas foi para suprir formalidade, entre outras diversas dili-

gências possíveis.

O segundo critério a ser observado corresponde à indicação da especial finali-

dade de lesar o erário ou promover enriquecimento ilícito dos acusados. Por essa

razão, a autoridade policial, quando do indiciamento, deve reunir elementos sobre

o elemento subjetivo da conduta.

O terceiro critério é a comprovação de indícios de concurso de agentes, deman-

dando a descrição da existência de vínculo subjetivo entre os participantes para a

obtenção do resultado criminoso, não bastando a mera narrativa de ato administra-

tivo formal eivado de irregularidade. Ressalvo que o concurso de agentes, embora

não presente entre os licitantes, pode ser revelado entre um ou mais licitante e os

servidores públicos/agentes políticos.

(...) Diante das peculiaridades que envolvem a distinção entre, de um lado, o ilícito

cível e administrativo e, de outro lado, com maior desvalor jurídico, o ilícito penal,

há a necessidade de sistematizar critérios para análise da ocorrência ou não do tipo

versado no art. 89 da Lei 8.666/1993. Busca-se, com isso, reduzir o elevado grau

de abstração da conduta prevista no tipo penal e, por consequência, atender aos

princípios da “ultima ratio”, da fragmentariedade e da lesividade.

Entendeu que podem ser estabelecidos três critérios para a verificação judicial da

viabilidade da denúncia que trate da prática do crime disposto no art. 89 da Lei

8.666/1993. Esses critérios permitem que se diferencie, com segurança, a conduta

criminosa definida no art. 89 da Lei 8.666/1993 das irregularidades ou ilícitos ad-

ministrativos e de improbidade, intencionais ou negligentes.

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O primeiro critério consiste na existência de parecer jurídico lavrado idoneamente

pelo órgão competente. Nesses termos, o parecer do corpo jurídico, quando lavra-

do de maneira idônea, sem indício de que constitua etapa da suposta empreitada

criminosa, confere embasamento jurídico ao ato, até mesmo quanto à observância

das formalidades do procedimento. O parecer jurídico favorável à inexigibilidade

impede a tipificação criminosa da conduta, precisamente por afastar, desde que

inexistentes outros indícios em contrário, a clara ciência da ilicitude da inexigibili-

dade, e determina o erro do agente quanto ao elemento do tipo, qual seja, a cir-

cunstância “fora das hipóteses legais” (CP, art. 20).

O segundo critério a ser observado corresponde à indicação, na denúncia, da espe-

cial finalidade de lesar o erário ou promover enriquecimento ilícito dos acusados.

Para tanto, o crime definido no art. 89 da Lei 8.666/1993, de natureza formal, inde-

pende da prova do resultado danoso. Porém, para que a conduta do administrador

seja criminosa, é exigível que a denúncia narre a finalidade do agente de lesar o

erário, de obter vantagem indevida ou de beneficiar patrimonialmente o particular

contratado, ferindo com isso a razão essencial da licitação (a impessoalidade da

contratação).

Sobre esse critério, asseverou que a denúncia não mencionou a existência de in-

dício de que o acusado teria agido com o fim de obter algum proveito ilícito ou de

beneficiar a OSCIP contratada, em detrimento do erário. Ponderou, ainda, que o

tipo previsto no art. 89 da Lei 8.666/1993 tem como destinatário o administrador

e adjudicatários desonestos, e não os supostamente inábeis. A intenção de ignorar

os pressupostos para a contratação direta ou a simulação da presença desses são

elementos do tipo, que não se perfaz a título de negligência, imprudência ou impe-

rícia — caracterizadores de atuar culposo.

Como último critério, destacou a necessária descrição do vínculo subjetivo entre os

agentes. Assim, a imputação do crime definido no art. 89 da Lei 8.666/1993 a uma

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pluralidade de agentes demanda a descrição indiciária da existência de vínculo sub-

jetivo entre os participantes para a obtenção do resultado criminoso, não bastando

a mera narrativa de ato administrativo formal eivado de irregularidade. Em outros

termos, deve-se perquirir se a denúncia, ao narrar a prática de crime em concurso

de agentes, indica a presença dos elementos configuradores da união de desígnios

entre as condutas dos acusados, voltadas à prática criminosa comum.

E com relação ao art. 90, temos o inverso: não é preciso comprovar o dolo de

dano ao erário (dolo específico), porém é necessário comprovar o efetivo dano

ao Erário.

(Informativo 890 STF)

27. Conforme entendimento jurisprudencial, a cautelar fixada de proibição para

que agente diplomático acusado de homicídio se ausente do país sem autorização

judicial não é adequada na hipótese em que o Estado de origem do réu tenha re-

nunciado à imunidade de jurisdição cognitiva, mas mantenha a competência para

o cumprimento de eventual pena criminal a ele imposta.

Comentário

Certo.

A cautelar fixada de proibição para que agente diplomático acusado de homicídio se

ausente do país sem autorização judicial não é adequada na hipótese em que o Esta-

do de origem do réu tenha renunciado à imunidade de jurisdição cognitiva, mas man-

tenha a competência para o cumprimento de eventual pena criminal a ele imposta.

No caso do RHC 87.825-ES, importante destacar que o Estado Estrangeiro renun-

ciou apenas à imunidade de jurisdição cognitiva, permanecendo então soberano

quanto à jurisdição executiva.

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Foi decretada medida cautelar em seu desfavor impedindo sua saída do país sem

autorização judicial, com base em dois argumentos:

1) Para assegurar a aplicação da lei penal; e

2) No interesse da proteção à instrução criminal.

O primeiro argumento não encontra lastro lógico e jurídico, pois, como dito, a ju-

risdição executiva não cabe ao Estado brasileiro. O segundo argumento, por seu

turno, não se sustenta por si só, uma vez que eventual intento de não comparecer

a atos do processo é reserva de autodefesa ao acusado plenamente possível (nova

redação dos artigos 185 e 4743 do CPP):

Art. 185. O acusado que comparecer perante a autoridade judiciária, no curso do

processo penal, será qualificado e interrogado na presença de seu defensor, consti-

tuído ou nomeado.                 (Redação dada pela Lei nº 10.792, de 1º.12.2003).

Grifos nossos.

Art. 474.  A seguir será o acusado interrogado, se estiver presente, na forma

estabelecida no Capítulo III do Título VII do Livro I deste Código, com as alterações

introduzidas nesta Seção.           (Redação dada pela Lei nº 11.689, de 2008). Gri-

fos nossos.

Na sequência do entendimento supra, o Superior Tribunal de Justiça reconhecer a de-

cisão da medida cautelar não apresentou fundamentação suficiente, demonstrando a

adequação aos riscos que se pretendia com ela evitar, de modo que é de se reputar

indevida a proibição do impetrante ausentar-se do país sem autorização judicial.

A respeito do tema, seguem importantes artigos da Convenção de Viena (Decreto

n. º 56.435/1965):

ARTIGO 29.º A pessoa do agente diplomático é inviolável. Não poderá ser objec-

3 Equivocadamente, a decisão do STJ cita o art. 475 do CPP.

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to de qualquer forma de detenção ou prisão. O Estado acreditador tratá-lo-á com

o devido respeito e adoptará todas as medidas adequadas para impedir qualquer

ofensa à sua pessoa, liberdade ou dignidade.

ARTIGO 31.º O agente goza de imunidade de jurisdição penal do Estado acredita-

dor. Goza também da imunidade da sua jurisdição civil e administrativa, salvo se

se trata de: a) Uma ação real sobre imóvel privado situado no território do Estado

acreditador, salvo se o agente diplomático o possuir por conta do Estado acredi-

tante para os fins da missão; b) Uma ação sucessória na qual o agente diplomático

figura, a título privado e não em nome do Estado, como executor testamentário,

administrador, herdeiro ou legatário; c) Uma ação referente a qualquer atividade

profissional ou comercial exercida pelo agente diplomático no Estado acreditador

fora das suas funções oficiais. 2. O agente diplomático não é obrigado a prestar de-

poimento como testemunha. 3. O agente diplomático não está sujeito a nenhuma

medida de execução, a não ser nos casos previstos nas alíneas a), b) e c) do pará-

grafo 1 deste artigo e desde que a execução possa realizar-se sem afetar a invio-

labilidade de sua pessoa ou residência. 4. A imunidade de jurisdição de um agente

diplomático no Estado acreditador não o isenta da jurisdição do Estado acreditante

ARTIGO 32.º O Estado acreditante pode renunciar à imunidade de jurisdição dos

seus agentes diplomáticos e das pessoas que gozam de imunidade nos termos do

artigo 37.º

2. A renúncia será sempre expressa.(...)

(Informativo 618 STJ)

28. O Supremo Tribunal Federal, por maioria, concedeu “habeas corpus” coletivo,

impetrado em favor de todas as mulheres presas preventivamente que ostentem

a condição de gestantes, de puérperas ou de mães de crianças sob sua responsa-

bilidade. Considerando a cultura do encarceramento, que se revela pela imposição

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exagerada de prisões provisórias a mulheres pobres e vulneráveis, e que resulta

em situações que ferem a dignidade de gestantes e mães, com prejuízos para as

respectivas crianças, cabe ao Judiciário adotar postura ativa ao dar pleno cumpri-

mento a esta ordem judicial, sem exceções. Nas hipóteses de descumprimento da

presente decisão, a ferramenta a ser utilizada é a reclamação.

Comentário

Errado.

Em decisão inovadora, o Supremo Tribunal Federal concedeu “habeas corpus” co-

letivo em favor de todas as mulheres presas preventivamente que ostentem a

condição de gestantes, puérperas ou de mães de crianças e de pessoas com defici-

ência sob sua responsabilidade, como também em favor das adolescentes sujeitas

a medidas socioeducativas, na mesma condição - e enquanto perdurar tal condição

-, excetuados os casos:

1) de crimes praticados por elas mediante violência ou grave ameaça, contra seus

descendentes;

2) de situações excepcionalíssimas, as quais deverão ser devidamente fundamen-

tadas pelos juízes que denegarem o benefício.

Por essa razão, o habeas corpus” coletivo não afasta jurisdição de primeiro grau, por-

quanto os juízes podem considerar uma situação como excepcional, a justificar a não

extensão dos efeitos do “habeas corpus” coletivo a casos concretos. Cabe ao magis-

trado decidir pela extensão dos efeitos, pela manutenção excepcional da prisão pre-

ventiva, ou pela prisão domiciliar, que, se inviável ou inadequada em determinadas

situações, poderá ser substituída por medidas alternativas arroladas no 319 do CPP.

A autoridade policial, ao representar pela prisão preventiva de mulheres nessa con-

dição, deve fundamentar o pedido em uma das hipóteses de exceção acima, bem

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como justificar a impossibilidade de outra medida alternativa.

(Informativo 891 STF)

29. O mandado de segurança se presta para atribuir efeito suspensivo a recurso

criminal interposto pelo Ministério Público

Comentário

Errado.

Vide Súmula 604 STJ.

30. Havendo dúvida resultante da omissão cartorária em certificar a data de re-

cebimento da sentença conforme o art. 389 do CPP, pode-se presumir a data de

publicação com o lançamento de movimentação dos autos na internet, a fim de se

verificar a ocorrência de prescrição da pretensão punitiva.

Comentário

Errado.

Houve, em caso julgado pelo STJ, omissão cartorária na publicação da sentença,

reservando-se os servidores ao lançamento do andamento processual “Mandado

Expeça-sentença”, registrado junto ao sistema eletrônico de gerenciamento de pro-

cessos (eJUD).

Considerando as formalidades próprias, na dúvida, o Superior Tribunal de Justiça

reconheceu a não publicidade da sentença e, por conseguinte, entendeu pela não

interrupção do prazo prescricional.

(Informativo 619 STJ)

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31. Conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal, a incitação ao ódio público

contra quaisquer denominações religiosas e seus seguidores não pode ser atribuída à

conduta de líder espiritual ainda que responsável por propalar opiniões intolerantes,

diante da proteção absoluta, por cláusula constitucional, da liberdade de expressão.

Comentário

Errado.

No julgamento do RHC 146303/RJ, o STF entendeu que a incitação ao ódio público

contra quaisquer denominações religiosas e seus seguidores não está protegida

pela cláusula constitucional que assegura a liberdade de expressão.

O argumento de liberdade de expressão não pode - nem deve - servir como salvo

conduto à ofensa dos demais direitos. Impõe-se respeitar restrições previstas na

própria Constituição.

Entenda o caso:

Os ministros consideraram que as declarações de uma pastor são “islamofóbicas” e

incitam o ódio a várias religiões. O pastor publicou na internet textos e vídeos ofen-

sivos a seguidores de crenças diversas da sua, como muçulmanos, católicos, judeus,

espíritas e umbandistas. Em algumas publicações, o réu pedia pelo fim das outras

religiões e doutrinas, além de imputar fatos ofensivos aos devotos e sacerdotes.

O crime de discriminação religiosa está previsto na Lei 7.716/1989, a mesma que

pune o racismo. Condenado, inicialmente, pela 20ª Vara Criminal da Capital (RJ),

a três anos de reclusão, em regime aberto, além do pagamento de 36 dias-multa,

o pastor teve a pena privativa de liberdade substituída por restritiva de direito. O

Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) apenas reduziu a quantidade de dias-

-multa, mantendo a condenação. Não satisfeita, a defesa do pastor impetrou habe-

as corpus no Superior Tribunal de Justiça (STJ), que rejeitou o pedido. Na decisão, o

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ministro Joel Ilan Paciornik escreveu que “não se trata apenas de defesa da própria

religião, culto, crença ou ideologia, mas sim de um ataque ao culto alheio, que põe

em risco a liberdade religiosa daqueles que professam fé diferente à do paciente 4.

(Informativo 893 STF)

32. Diante da abolitio criminis promovida pela Lei n. 13.654/2018, que deixou de

considerar o emprego de arma branca como causa de aumento de pena, é de rigor

a aplicação da novatio legis in mellius.

Comentário

Certo.

A Lei 13.654/2018 revogou a causa de aumento de pena do inciso I, §2, do art.

157, que estabelecia aumento de um terço até a metade se a violência ou ameaça

fosse exercida com emprego de arma.

 § 2º  A pena aumenta-se de 1/3 (um terço) até metade:                 (Redação dada

pela Lei nº 13.654, de 2018)

 I - se a violência ou ameaça é exercida com emprego de arma;

À época, utilizava-se interpretação extensiva de modo a considerar possível para a

exasperação da pena:

–– AS ARMAS PRÓPRIAS: REVOLVER, PUNHAL ETC.

–– AS ARMAS IMPRÓPRIA: TACO DE BEISEBOL, FACÃO DE AÇOUGUE, GAR-

RAFAS ETC.

Desde que efetivamente empregadas, tanto as próprias como as armas impróprias

implicavam o aumento de pena.

Com o advento da Lei 13.654/2018, ao tempo em que foi revogado o inciso acima
4 Fonte: http://www.gazetadopovo.com.br/justica/considerado-islamofobico-pastor-e-condenado-por-
discriminacao-religiosa-ef69l4j8hlzub83qibf4e5wyd. Acesso em 16/01/2018, às 13:01:00.

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comentado, foi inserido o §2 -A, inciso I:

§ 2º-A  A pena aumenta-se de 2/3 (dois terços):                 (Incluído pela Lei nº

13.654, de 2018)

I – se a violência ou ameaça é exercida com emprego de arma de fogo;

De um lado, temos um aumento maior de pena (antes 1/3 (um terço) até metade;

hoje de 2/3). Todavia, o legislador se utilizou da expressão “arma de fogo”, de

modo a afastar a possibilidade de interpretação extensiva, que antes, como visto,

contemplava as armas impróprias.

(Informativo 626 STJ)

33. O Superior Tribunal de Justiça, efetuando controle de convencionalidade, reco-

nheceu a inexistência do crime de desacato em ambiente democrático, em razão

de recomendação expedida pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos

(CIDH). Tal entendimento foi endossado pelo Supremo Tribunal Federal, segundo

o qual as leis que punem a expressão ofensiva contra funcionários públicos, geral-

mente conhecidas como ‘leis de desacato‘, atentam contra a liberdade de expres-

são e o direito à informação.

Comentário

Errado.

Em dezembro de 2016, a Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) des-

criminalizou a conduta tipificada como crime de desacato a autoridade, por en-

tender que a tipificação é incompatível com o artigo 13 da Convenção Americana

de Direitos Humanos (Pacto de São José da Costa Rica). A decisão foi tomada na

sessão desta quinta-feira (15)5.

5 http://www.stj.jus.br/sites/STJ/default/pt_BR/Comunica%C3%A7%C3%A3o/noticias/
Not%C3%ADcias/Quinta-Turma-descriminaliza-desacato-a-autoridade

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Todavia, no mês de maio de 2017, a Terceira Seção do Superior Tribunal de Justiça,

que reúne as duas turmas de direito penal do STJ, resolveu pacificar o entendimento

sobre o assunto no julgamento de Habeas Corpus e decidiu, por maioria, que não há

incompatibilidade do crime de desacato (art. 331 do CP) com as normativas internacio-

nais previstas na Convenção Americana de Direitos Humanos (Informativo 607 STJ).

Enfrentando essa questão, o Supremo Tribunal Federal na esteira do posiciona-

mento final do STJ, entendeu que o desacato constitui importante instrumento de

preservação da lisura da função pública e, indiretamente, da dignidade de quem

a exerce. Não se pode despojar a pessoa de um dos mais delicados valores cons-

titucionais, a dignidade da pessoa humana, em razão do “status” de funcionário

público (civil ou militar).

(Informativo 894 STF)

34. A superveniência da maioridade penal não interfere na apuração de ato infra-

cional nem na aplicabilidade de medida socioeducativa em curso, inclusive na liber-

dade assistida, enquanto não atingida a idade de 21 anos. 

Comentário

Certo.

Vide Súmula 605 STJ.

35. No entendimento do Supremo Tribunal Federal, o delatado não tem legitimi-

dade para impugnar um acordo de colaboração premiada, por se tratar de negócio

jurídico personalíssimo, salvo se a impugnação versar sobre a competência para

homologação, considerando o imperioso respeito às disposições constitucionais

quanto à prerrogativa de foro.

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Comentário

Certo.

Na apreciação do HC 151605/PR, rel. Min. Gilmar Mendes, a 2º turma do Supremo

Tribunal Federal, por maioria, concedeu a ordem de “habeas corpus” para deter-

minar o trancamento de inquérito instaurado perante o STJ em desfavor de go-

vernador, considerando a homologação de colaboração premiada em seu desfavor,

proposto pelo Ministério Público Estadual e homologado pelo juiz, em usurpação à

competência e jurisdição do Superior Tribunal de Justiça.

Dois pontos merecem destaque, diante do entendimento pendular, no caso concre-

to, entre as Cortes Superiores.

STJ STF
O STJ analisou a validade do acordo, em sede de Essa interpretação, contudo, está em descompasso
reclamação. Reconheceu a usurpação da própria com o entendimento do STF, segundo o qual
competência, mas apenas após a homologação a delação de autoridade com prerrogativa
do acordo. Conforme a decisão, até os depoimentos de foro atrai a competência do tribunal
do colaborador, não havia elementos contra competente para a respectiva homologação
autoridades com prerrogativa de foro. Como os e, em consequência, do órgão do Ministério Público
elementos que atraíram a competência do STJ teriam respectivo.
surgido com o acordo, teria sido correto homologar o
acordo e, em seguida, remeter os autos ao STJ

Após a instauração do inquérito, a defesa do O STF entende que o delatado não tem legitimidade
paciente impugnou a utilização das declarações para impugnar o acordo, por se tratar de negócio
do colaborador. O STJ decidiu, então, que jurídico personalíssimo. O contraditório em relação
o paciente não tinha legitimidade para aos delatados seria estabelecido nas ações penais
impugnar o acordo. instruídas com as provas produzidas pelo colaborador.
A impugnação quanto à competência para
homologação do acordo, porém, diz respeito
às disposições constitucionais quanto à
prerrogativa de foro. Assim, ainda que seja
negada ao delatado a possibilidade de impugnar o
acordo, esse entendimento não se aplica em caso de
homologação sem respeito à prerrogativa de foro.

(Informativo 895 STF)

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36. No entendimento do Supremo Tribunal Federal, é possível a realização de

“emendatio libelli” em segunda instância mediante recurso exclusivo da defesa

desde que não altere o “quantum” de pena aplicado em 1º grau, ausente, pois,

“reformatio in pejus”.

Comentário

Certo.

Duas interessantes controvérsias da leitura do HC 134.872/PR:

1) A (im)possibilidade de “emendatio libelli” em grau de recurso.

2) A (in)existência de “reformatio in pejus” em recurso exclusivo da defesa na hi-

pótese de “emendatio libelli” quando não alterado o “quantum” de pena aplicado

em 1º grau.

Pois bem. Entendeu o Supremo Tribunal Federal, no caso julgado, ser possível a

realização de “emendatio libelli” em segunda instância mediante recurso exclusivo

da defesa desde que não altere o “quantum” de pena aplicado em 1º grau, ausente,

pois, “reformatio in pejus”.

(Informativo 895 STF)

37. Compete à Justiça Eleitoral processar e julgar os crimes eleitorais e os comuns

que lhe forem conexos, ressalvada a competência originária do Tribunal Superior e

dos tribunais regionais.

Comentário

Certo.

Em se tratando de investigação de delitos eleitorais conexos com crimes comuns, o

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Supremo Tribunal Federal, por jurisprudência já firmada nesse sentido, reconheceu

a competência da justiça especializada.

Sobre o assunto, reza o art. 35, inciso II, do Código Eleitoral:

Art. 35. Compete aos juízes:

II – processar e julgar os crimes eleitorais e os comuns que lhe forem conexos,

ressalvada a competência originária do Tribunal Superior e dos tribunais regionais;

Ao ensejo, colacionamos dois julgado importantes sobre competência de crimes

eleitorais:

1) Competência para o julgamento de vereadores acusados de prática de

crimes eleitorais: A despeito da competência do Tribunal de Justiça para o julga-

mento de vereador nos crimes comuns e de responsabilidade, tal como previsto na

Constituição Estadual do Rio de Janeiro, não há na Constituição Federal previsão de

foro privilegiado para vereador. Não há, pois, como aplicar o princípio do paralelis-

mo constitucional, como pretende o impetrante, para se concluir pela competência

originária do Tribunal Regional Eleitoral para o julgamento de vereador nos crimes

eleitorais. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS Nº 316-24.2011.6.00.0000

-CLASSE 16—ANGRA DOS REIS - RIO DE JANEIRO. Relator: Ministro Marcelo Ribeiro.

2) Competência para o julgamento de menores acusados de prática de cri-

mes eleitorais: O juízo da vara da infância e da juventude, ou do juiz que exerce

tal função na comarca, é competente para processar e julgar ato infracional come-
tido por menor inimputável, ainda que a infração seja equiparada a crime eleitoral.

Ac.-STJ, de 11.6.2003, no CC nº 38.430:

(Informativo 895 STF)

38. Nos casos de violência contra a mulher praticada no âmbito doméstico e fa-

miliar, é possível a fixação de valor mínimo indenizatório a título de dano moral,

desde que haja pedido expresso da acusação ou da parte ofendida, ainda que não

especificada a quantia, e independentemente de instrução probatória.

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Comentário

Certo.

A Terceira Seção do Superior Tribunal de Justiça reúne a Quinta e a Sexta Turmas,

responsáveis pela matéria penal. Ambas já haviam firmado o entendimento de que

a imposição, na sentença condenatória, de indenização, a título de danos morais,

para a vítima de violência doméstica, requer a dedução de um pedido específi-

co, em respeito às garantias do contraditório e da ampla defesa.

Havia, porém, uma controvérsia, conforme tabela que se segue?

QUINTA TURMA SEXTA TURMA


É necessária a indicação do valor pretendido NÃO é necessária a indicação do valor
para a reparação do dano sofrido pretendido para a reparação do dano sofrido.
O juízo deve apenas arbitrar um valor
mínimo, mediante a prudente ponderação das
circunstâncias do caso concreto.

No julgado em comento, a Terceira Seção uniformizou o entendimento, adotando

o posicionamento da Sexta Turma.

Outra questão analisada foi sobre a necessidade ou não de produção de provas

para se arbitrar o valor mínimo de dado moral. Teríamos duas decisões possíveis:

DECISÃO 01 DECISÃO 02
É necessário provar não apenas a Não há razoabilidade na exigência de instrução
materialidade/autoria, como também o dano probatória acerca do dano psíquico, do grau de
moral sofrido. humilhação, da diminuição da autoestima, etc.,
se a própria conduta criminosa empregada pelo
agressor já está imbuída de desonra, descrédito
e menosprezo ao valor da mulher como pessoa
e à sua própria dignidade.

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Ao decidir pela desnecessidade de produção de prova quanto ao dado moral so-

frido, o STJ entendeu que, nos casos de violência contra a mulher pratica-

dos no âmbito doméstico e familiar, é possível a fixação de valor mínimo

indenizatório a título de dano moral, desde que haja pedido expresso da

acusação ou da parte ofendida, ainda que não especificada a quantia, e in-

dependentemente de instrução probatória.

(Informativo 621 STJ)

39. Nos casos de furto praticado em local sujeito à administração militar em detri-

mento de patrimônio sob administração militar, quando praticado por civil, é com-

petente a Justiça Comum Federal para processar e julgar o feito.

Comentário

Errado.

O STJ reafirmou ser crime militar o furto praticado em local sujeito à administração

militar em detrimento de patrimônio sob administração militar, ainda que prati-

cado por civil.

Observou-se que esse entendimento pode ser revisto quando do julgamento da

ADPF n. 289 perante a Suprema Corte, na qual a Procuradoria-Geral da República

pretende o reconhecimento da incompetência da Justiça Militar da União para jul-

gamento de civis em tempo de paz.

Em resumo, temos duas situações:

JUSTIÇA COMUM JUSTIÇA MILITAR


Furto praticado em local sujeito à administração Furto praticado em local sujeito à administração
militar em detrimento de patrimônio particular, militar em detrimento de patrimônio sob
quando praticado por civil. administração militar, quando praticado por civil.

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(Informativo 621 STJ)

40. Sobrevindo condenação definitiva ao apenado, por fato anterior ou posterior ao

início da execução penal, a contagem do prazo para concessão de futuros benefí-

cios seria interrompida, de modo que o novo cálculo, realizado com base no soma-

tório das penas, teria como termo a quo a data do trânsito em julgado da última

sentença condenatória.

Comentário

Errado.

No entendimento anterior do STJ, na esteira do posicionamento do STF, sobrevindo

condenação definitiva ao apenado, por fato anterior ou posterior ao início da

execução penal, a contagem do prazo para concessão de futuros benefícios seria

interrompida, de modo que o novo cálculo, realizado com base no somatório das

penas, teria como termo a quo a data do trânsito em julgado da última sentença

condenatória.

Em mudança importante de entendimento, ponderou a Terceira Seção que uma

nova condenação não possui consequência automática no regimento de cumpri-

mento da pena, de modo que a regressão para regime mais gravoso somente ocor-

re se assim justificar o somatório das penas.

Lei n. 7.210/1984

Art. 111. Quando houver condenação por mais de um crime, no mesmo processo

ou em processos distintos, a determinação do regime de cumprimento será feita

pelo resultado da soma ou unificação das penas, observada, quando for o caso, a

detração ou remição.

Parágrafo único. Sobrevindo condenação no curso da execução, somar-se-á a pena

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ao restante da que está sendo cumprida, para determinação do regime.

Art. 118. A execução da pena privativa de liberdade ficará sujeita à forma regres-

siva, com a transferência para qualquer dos regimes mais rigorosos, quando o

condenado:

II - sofrer condenação, por crime anterior, cuja pena, somada ao restante da pena

em execução, torne incabível o regime (artigo 111).

Não só. Reconheceu o STJ que os artigos acima não determinam alteração do ter-

mo a quo referente à concessão de novos benefícios.

Reconheceu ainda que a condenação por crime anterior à execução penal em

curso não desmerece hodiernamente o comportamento do sentenciado e não se

presta a macular sua avaliação, visto que é estranho ao processo de resgate da

pena. E o crime no curso da execução penal já possui seus efeitos, como infração

disciplinar, repercutindo no bojo do cumprimento da pena.

Com efeito, embora forçosamente tenhamos somatório das penas para efeito de

unificação, por falta de previsão legal, nova condenação não deve alterar da data-

-base para concessão de novos benefícios executórios.

ENTENDIMENTO ANTERIOR ENTENDIMENTO ATUAL


Sobrevindo condenação definitiva ao A alteração da data-base para concessão de
apenado, por fato anterior ou posterior ao novos benefícios executórios, em razão da
início da execução penal, a contagem do prazo unificação das penas, não encontra respaldo
para concessão de futuros benefícios seria legal.
interrompida, de modo que o novo cálculo,
realizado com base no somatório das penas,
teria como termo a quo a data do trânsito em
julgado da última sentença condenatória.

(Informativo 621 STJ)

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41. No entendimento do Supremo Tribunal Federal, em razão da vedação constitu-

cional à prisão perpétua (art. 5º, XLVII, b, da CF), a pena unificada para atender

ao limite de trinta anos de cumprimento, determinado pelo art. 75 do Código Penal,

também é considerada para a concessão de outros benefícios, como o livramento

condicional ou regime mais favorável de execução.

Comentário

Errado.

Em razão da vedação à pena perpétua, prevista no art. 5º, XLVII, b, da Constitui-

ção Federal, temos, por imperativo, a necessidade de se proceder à unificação das

penas na fase de execução penal, não sendo permitido somatório acima de 30 anos

(art. 75 do Código Penal).

Todavia, é importante ressalvar que isto não afasta a possibilidade de cumprimento

de pena para além de 30 anos. Imaginemos um condenado a 96 anos por diversos

homicídios. As penas por cada homicídio serão reunidas, conforme exposto, com

o objetivo de não ultrapassar o limite legal. Após 04 anos de pena, restando, pois,

26 a cumprir, temos a superveniência de condenação de 15 anos, desta vez por

estupro com resultado morte, reclamando nova soma: (26+15=41). Ainda que se

aplique novamente o redutor, teríamos 04 anos já cumpridos com novos 30 anos:

(04+30=34).

Avançando com a hipótese acima, outro ponto merece atenção. Ainda que não hou-

vesse a condenação por estupro, qual seria a razão de se condenar a 96 anos, se

temos o limite legal de 30 anos? Explico. Com base na Súmula 715 do STF: “A pena

unificada para atender ao limite de trinta anos de cumprimento, determinado pelo

art. 75 do Código Penal, não é considerada para a concessão de outros benefí-

cios, como o livramento condicional ou regime mais favorável de execução”.

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Neste Informativo, tem-se que o HC 112182/RJ foi impetrado por condenado a

pena unificada de 79 anos e 06 meses de reclusão, invocando o princípio da indivi-

dualização da pena e a vedação constitucional à aplicação de sanções perpétuas, ao

requerer que o limite de 30 (trinta) anos previsto no art. 75 do Código Penal fosse

considerado também como referência para o cálculo de benefícios como a progres-

são de regime e o livramento condicional.

Por maioria, a 1º Turma denegou a ordem, com base na Súmula 715 do STF. Dife-

rentemente de certames para a Defensoria Pública, o(a) candidato(a) ao cargo de

Delegado(a) deve sustentar o acerto do entendimento atual, com base na Súmula

referida.

(Informativo 896 STF)

42. No entendimento do Supremo Tribunal Federal, é possível que o relator de um

HC determine a remessa de “habeas corpus” ao Plenário, de forma discricionária,

com fundamento no art. 21, XI (1), do Regimento Interno (RI/STF).

Comentário

Certo.

Em preliminar, por maioria, o Supremo Tribunal Federal entendeu pela possibilidade

de o relator determinar a remessa de “habeas corpus” ao Plenário, de forma dis-

cricionária, sem a necessidade de motivar o ato.

Na decisão, reconheceu-se que o STF encontra, em sua composição Plenária, a uni-

dade sinérgica à qual incumbe, por excelência, a guarda da Constituição e o exer-

cício integral de sua competência e que determinadas matérias são naturalmente

vocacionadas ao crivo do Tribunal, em sua composição Plenária.

(Informativo 897 STF)

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43. Sistema de vigilância realizado por monitoramento eletrônico ou por existência

de segurança no interior de estabelecimento comercial, por si só, torna impossível

a configuração do crime de furto.

Comentário

Errado.

Pela primeira turma do STF, a existência de sistema de vigilância em estabeleci-

mento comercial não constitui óbice para a tipificação do crime de furto.

Antes, o assunto era controvertido. Como exemplo, citamos a decisão abaixo:

FURTO TENTADO. CRIME IMPOSSÍVEL. SUSPEITA. VIGILÂNCIA PERMANENTE SO-

BRE A ACUSADA. INEFICÁCIA ABSOLUTA DO MEIO. ATIPICIDADE. ABSOLVIÇAO

MANTIDA. RECURSO MINISTERIAL IMPROVIDO. (BRASIL. TJRS. Matéria Penal. ACR

n. 70027892116/Porto Alegre RS, 5ª Câm. Criminal, Relator: Des. Aramis Nassif, j.

02.09.2009, v.u. Boletim AASP, n. 2658, 14 a 20 de dez. de 2009, p. 5411-5413).

Ocorre que a controvérsia não mais existe. Esse assunto foi, inclusive, matéria da

Súmula 567 STJ: Sistema de vigilância realizado por monitoramento eletrônico ou

por existência de segurança no interior de estabelecimento comercial, por si só,

não torna impossível a configuração do crime de furto (grifos nossos).

(Informativo 897 STF)

44. De acordo com o entendimento do Supremo Tribunal Federal, é extemporâneo

recurso interposto antes da publicação do acórdão.

Comentário

Errado.

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Questão interessante foi discutida pelo Supremo Tribunal Federal. Tratou-se de um

Habeas Corpus impetrado sobre decisão do Superior Tribunal de Justiça que consi-

derou intempestivo recurso especial por ter sido ele protocolado antes da publicação

de acórdão do Tribunal de Justiça. Decidiu o STF não ser o recurso extemporâneo.

(Informativo 897 STF)

45. De acordo com o entendimento do Supremo Tribunal Federal, há manifesta

ilegalidade na transferência de preso preventivo para outra unidade da Federação,

sob o argumento de suposto tratamento privilegiado, se a remoção for determi-

nada sem o estabelecimento de contraditório prévio, exigência essa presente nos

requerimentos de medida cautelar pessoal, “ressalvados os casos de urgência ou

de perigo de ineficácia da medida”.

Comentário

Certo.

No HC 152.720/DF, o STF decidiu pela manifesta ilegalidade de transferência de

preso preventivo para outra unidade da Federação, sob o argumento de suposto

tratamento privilegiado, considerando que a remoção foi determinada sem o esta-

belecimento de contraditório prévio, exigência essa presente nos requerimentos de

medida cautelar pessoal, “ressalvados os casos de urgência ou de perigo de inefi-

cácia da medida”.

(Informativo 897 STF)

46. Não se aplica o princípio da insignificância a casos de transmissão clandestina

de sinal de internet via radiofrequência, que caracteriza o fato típico previsto no

art. 183 da Lei n. 9.472/1997.

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Comentário

Certo.

Vide Súmula 606 STJ.

47. A majorante do tráfico transnacional de drogas (art. 40, I, da Lei n. 11.343/2006)

configura-se com a prova da destinação internacional das drogas, ainda que não

consumada a transposição de fronteiras. Terceira Seção, julgado em 11/04/2018,

DJe 17/04/2018.

Comentário

Certo.

Vide Súmula 607 STJ.

48. No entendimento do Superior Tribunal de Justiça, configura causa de extinção

de punibilidade o pagamento de débito oriundo de furto de energia elétrica antes

do oferecimento da denúncia, pela aplicação analógica do disposto no art. 34 da Lei

n. 9.249/1995 e do art. 9º da Lei n. 10.684/2003.

Comentário

Errado.

O Superior Tribunal de Justiça, em mudança de entendimento, decidiu não mais

configurar causa de extinção de punibilidade o pagamento de débito oriundo de fur-

to de energia elétrica antes do oferecimento da denúncia, uma vez que, a conside-

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rar o bem jurídico tutelado, não pode o crime de furto receber o mesmo tratamento

dado ao inadimplemento tributário.

(Informativo 622 STJ)

49. Não se aplica o princípio da insignificância ao furto de bem de inexpressivo va-

lor pecuniário de associação sem fins lucrativos com o induzimento de filho menor

a participar do ato.

Comentário

Certo.

Em caso julgado pelo STJ, embora insignificante o valor do bem subtraído, enten-

deu-se pela relevância da conduta, ao induzir menor de idade a participar do ato de

subtração, afastando-se, por tal motivo, a incidência do princípio, presentes, pois,

tipicidade formal e material.

(Informativo 622 STJ)

50. Não incide a causa de aumento de pena prevista no art. 40, inciso III, da Lei

n. 11.343/2006, se a prática de narcotraficância ocorrer em dia e horário em que

não facilite a prática criminosa e a disseminação de drogas em área de maior aglo-

meração de pessoas.

Comentário

Certo.

A causa de aumento de pena prevista no art. 40, inciso III, da Lei n. 11.343/2006

é de natureza objetiva não sendo necessária a efetiva comprovação de mercancia

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na respectiva entidade de ensino, ou mesmo de que o comércio visa a atingir os

estudantes, sendo suficiente que a prática ilícita tenha ocorrido em locais próximos.

III – a infração tiver sido cometida nas dependências ou imediações de estabele-

cimentos prisionais, de ensino ou hospitalares, de sedes de entidades estudantis,

sociais, culturais, recreativas, esportivas, ou beneficentes, de locais de trabalho

coletivo, de recintos onde se realizem espetáculos ou diversões de qualquer natu-

reza, de serviços de tratamento de dependentes de drogas ou de reinserção social,

de unidades militares ou policiais ou em transportes públicos;

Ocorre que, ainda que objetiva, pode ela ser afastada se o caso concreto revelar

absoluta impossibilidade de sua ocorrência. No caso julgado, o tráfico se deu no

período da madrugada, em um domingo, horário em que a escola não estava em

funcionamento. Do exposto, segundo o STJ, a proximidade da escola, neste caso,

tratou-se de elemento meramente circunstancial, sem relação real e efetiva com a

traficância realizada, afastando-se a aplicação da majorante.

(Informativo 622 STJ)

51. No entendimento do Supremo Tribunal Federal, são cabíveis embargos infrin-

gentes contra decisão proferida em sede de ação penal de competência originária

das Turmas, se satisfeito, como requisito de cabimento, a existência de dois votos

minoritários absolutórios em sentido próprio.

Comentário

Certo.

No entendimento do Supremo Tribunal Federal, são cabíveis embargos infringentes

contra decisão proferida em sede de ação penal de competência originária das Tur-

mas, se satisfeito, como requisito de cabimento, a existência de dois votos

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minoritários absolutórios em sentido próprio.

Entendeu-se que o Regimento Interno do STF (RISTF) não foi revogado de modo

expresso pela Lei 8.038/1990, não havendo incompatibilidade entre os dois diplo-

mas normativos.

Como requisito de cabimento dos embargos infringentes, o RISTF prevê a neces-

sidade de, pelo menos, quatro votos vencidos de conteúdo absolutório em sentido

próprio em favor do réu. Quando da publicação do Regimento Interno, os processos

eram julgados apenas pelo pleno. Com efeito, no normativo em comento não há

previsão de requisitos em julgamentos de competência originária das Turmas.

Assim, por precedentes mais próximos, analogia e com base nos princípios gerais

do Direito, o STF definiu critério específico de admissibilidade para embargos in-

fringentes nas Turmas, a considerar, por lógica processual, o número menor de

integrantes.

(Informativo 898 STF)

52. No entendimento do Superior Tribunal de Justiça, a existência de denúncias

anônimas somada à fuga do acusado, por si sós, configuram fundadas razões a

autorizar o ingresso policial no domicílio do acusado sem o seu consentimento ou

determinação judicial.

Comentário

Errado.

A Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça entendeu que a existência de “de-

núncias anônimas” somada à fuga do acusado, por si sós, não configuram fundadas

razões a autorizar o ingresso policial no domicílio do acusado sem o seu consenti-

mento ou determinação judicial.

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Para o STJ, não houve uma investigação com vistas a verificar a procedência das

notícias anônimas, não se considerando ainda como elemento justificante a mera

fuga ante a iminente abordagem policial, razão pela qual não foram reunidos ele-

mentos mínimos a justificar a entrada no domicílio, em ofensa ao direito funda-

mental da inviolabilidade do domicílio, insculpido no art. 5°, inc. XI, da Constituição

da República, envenenando a descoberta, como elemento de prova, de drogas em

depósito no local.

Com esse entendimento, decidiu-se por determinar o trancamento da Ação Penal

n. 0001783-23.2016.8.26.0695, baseada em inquérito policial iniciado por auto de

prisão em flagrante diante da apreensão de 132 pedras de crack, 84 papelotes de

cocaína e ainda 26 trouxinhas de maconha.

(Informativo 623 STJ)

53. O depositário judicial que vende os bens sob sua guarda comete o crime de

peculato.

Comentário

Errado.

A questão central discutida no âmbito do HC 402.949-SP foi sobre a possibilidade

de se imputar o crime de peculato ao depositário judicial que vende os bens sob

sua guarda.

Sobre o tema, temos que abordar inicialmente o art. 327 do CPB, in verbis:

Art. 327 - Considera-se funcionário público, para os efeitos penais, quem, embora

transitoriamente ou sem remuneração, exerce cargo, emprego ou função pública.

§ 1º - Equipara-se a funcionário público quem exerce cargo, emprego ou função em

entidade paraestatal, e quem trabalha para empresa prestadora de serviço contra-

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tada ou conveniada para a execução de atividade típica da Administração Pública.

§ 2º - A pena será aumentada da terça parte quando os autores dos crimes previs-

tos neste Capítulo forem ocupantes de cargos em comissão ou de função de dire-

ção ou assessoramento de órgão da administração direta, sociedade de economia

mista, empresa pública ou fundação instituída pelo poder público.

E na consideração de funcionário público, embora a decisão do STJ tenha sido

pouco precisa, temos que distinguir função pública, como exercício de um dever

(ex.: jurado/mesário, advogado dativo, funcionário direto da EBCT), de encargo

público, como prestação de um favor (ex.: o administrador judicial, inventariante

dativo, o tutor dativo e o curador dativo).

Como o administrador judicial não exerce função pública, mas um encargo pú-

blico, não pode ser considerado funcionário público, razão pela qual não deve a ele

ser imputado o crime de peculato, salvo em caso de concurso de agente com quem

ostente condição descrita no art. 327 do CPB.

(Informativo 623 STJ)

54. A embriaguez do agente condutor do automóvel, por si só, não pode servir de

premissa bastante para a afirmação do dolo eventual em acidente de trânsito com

resultado morte.

Comentário

Certo.

Nesse interessante caso, o STJ entendeu que o dolo eventual não se presume ao

considerar, por si só, a embriaguez ao volante, posicionando-se no sentido da neces-

sidade de reunir elementos de prova que permitam ao menos suscitar a possível pre-

sença de um estado anímico compatível com o de quem anui com o resultado morte.

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No dolo eventual, temos a vontade consciente de praticar uma conduta assumindo

o risco de alcançar um resultado previsto, com relevância penal, em relação ao qual

se é indiferente.

Um motorista, ainda que dirigindo sob influência alcoólica, pode ter a conduta de

minimizar os riscos, dirigindo com a prudência que lhe resta. Pela Teoria da Repre-

sentação no Dolo Eventual, o resultado deve ser previsível e de possível “represen-

tação”. Ao decidir respeitar as demais leis de trânsito, o motorista se nega a agir

com tolerância a um determinado resultado típico de “visualização antecipada”.

(Informativo 623 STJ)

55. Na primeira fase do Tribunal do Júri, ao juiz togado não cabe apreciar a exis-

tência de dolo eventual ou culpa consciente do condutor do veículo que, após a

ingestão de bebida alcoólica, ocasiona acidente de trânsito com resultado morte.

Comentário

Errado.

Na primeira fase do Tribunal do Júri, ao juiz togado não cabe apreciar a existência

de dolo eventual ou culpa consciente do condutor do veículo que, após a ingestão

de bebida alcoólica, ocasiona acidente de trânsito com resultado morte.

Não se revela suficiente invocar a regra do in dubio pro societate, uma vez que, as-

sim atuando, o juiz togado se escusa de emitir o indispensável juízo técnico sobre o

assunto, que reclama dogmática penal em complexo e técnico exame de conceitos

jurídico-penais.

Ao ensejo, certo é que muitos possuem dificuldades em distinguir dolo eventual

com culpa consciente. Nos dois casos, o resultado previsível (previsibilidade obje-

tiva) é “representado” pelo agente (previsibilidade subjetiva). Ocorre que, no dolo

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eventual, o resultado é tolerado, não se importando quanto ao risco (quantificação

do perigo). Na culpa consciente, o agente imagina que, por alguma razão consegui-

rá evitá-los, minimizando o risco com que se importa.

Suponha um graduado em direito, a caminho do tão esperado exame da OAB. Co-

meça a chover e o limpador do para-brisa do carro, embora acionado, não funciona.

Caso decidisse por parar o veículo, por certo iria chegar atrasado à prova. O gradu-

ado cogita parar o carro, mas entende que ainda possui razoável alcance de vista.

O perigo em continuar é previsível e, em sua mente, há representação do pior:

atropelar alguém ou abalroar o carro. Decide continuar, mas em velocidade redu-

zida, acreditando que, dessa maneira, considerando suas habilidades como moto-

rista, nada ocorrerá. Todavia, infelizmente, atropela um pedestre. Nesse exemplo,

temos a culpa consciente: resultado previsível, “representado” pelo agente, mas

não tolerado por imaginar inclusive que seria possível evitá-lo.

(Informativo 623 STJ)

56. No entendimento do Supremo Tribunal Federal, é constitucional a Resolução

36/2009 do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), que dispõe sobre o

pedido e a utilização de interceptações telefônicas, por ter sido editada ao abrigo

do art. 130-A, § 2º, I e II, da Constituição Federal.

Comentário

Certo.

O Plenário do Supremo Tribunal Federal entendeu pela constitucionalidade da Re-

solução 36/2009 do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), que dispõe

sobre o pedido e a utilização de interceptações telefônicas, por ter sido editada ao

abrigo do art. 130-A, § 2º, I e II, da Constituição Federal, não tendo criados novos

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“requisitos formais de validade” das interceptações, consubstanciando as normas

correlatas em regras desejáveis de padronização formal mínima dos ritos adotados

nos procedimentos relacionados a interceptações telefônicas, em consonância com

as regras previstas na Lei 9.296/1996.

(Informativo 899 STF)

57. O foro por prerrogativa de função aplica-se apenas aos crimes cometidos du-

rante o exercício do cargo e relacionados às funções desempenhadas

Comentário

Certo.

Ao estudarmos o regime jurídico aplicável aos Deputados Federais e Senadores,

imperioso se mostra destacar, de início, que as irrenunciáveis prerrogativas não são

relacionadas à pessoa do parlamentar, mas sim ao cargo que ocupam, na tentativa

de blindá-lo em dique de proteção à autonomia funcional que a importância de sua

representatividade impõe.

Não há como renunciar à prerrogativa, mas é possível que o parlamentar renuncie

ao mandato, o que pode implicar a perda dessa proteção. Todavia, essa renúncia

pode configurar subterfúgio para desloca­mento de competências constitucional-

mente definidas, que não podem ser objeto de escolha pessoal, o que pode impli-

car o reconhecimento da sub­sistência da competência do STF para continuidade do

julgamento:

“Deputado federal. Renúncia ao mandato. Abuso de direito: reconhecimento da

com­petência do STF para continuidade do julgamento da presente ação penal. (...)

Renúncia de mandato: ato legítimo. Não se presta, porém, a ser utilizada como

subterfúgio para desloca­mento de competências constitucionalmente definidas, que

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não podem ser objeto de escolha pessoal. Impossibilidade de ser aproveitada como

expediente para impedir o julgamento em tempo à absolvição ou à condenação e,

neste caso, à definição de penas. No caso, a renúncia do mandato foi apresentada

à Casa Legislativa em 27‑10‑2010, véspera do julgamento da presente ação penal

pelo Plenário do Supremo Tribunal: pretensões nitidamente incom­patíveis com os

princípios e as regras constitucionais porque exclui a aplicação da regra de compe-

tência deste Supremo Tribunal. (...) As provas documentais e testemunhais reve-

lam que o réu, no cargo de diretor financeiro da Assembleia Legislativa do Estado

de Rondônia, praticou os crimes de peculato, na forma continuada, e de quadrilha

narrados na denúncia, o que impõe a sua condenação. Questão de ordem resolvida

no sentido de reconhecer a sub­sistência da competência deste STF para continuida-

de do julgamento.” (AP 396, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgamento em 28‑10‑2010,

Plenário, DJE de 28‑4‑2011.) Vide: AP 333, Rel. Min. Joaquim Barbosa, julgamento

em 5‑12‑2007, Plenário, DJE de 11‑4‑2008.

No âmbito das imunidades e prerrogativas, mais precisamente no tocante ao foro

especial por prerrogativa de função, houve mudança de entendimento antes con-

solidado no Supremo Tribunal Federal, que passou a reconhecer, em nova linha

interpretativa, a aplicação do foro por prerrogativa de função apenas aos crimes

cometidos durante o exercício do cargo (nexo temporal) e relacionados às fun-

ções desempenhadas (nexo funcional).

A norma constitucional não sofreu alterações, mas a realidade fática e a percep-

ção social dos valores, conforme a teoria tridimensional do direito de Miguel Reale

(Fato, valor e norma).

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ENTENDIMENTO ATUAL
ENTENDIMENTO ANTERIOR
(INFORMATIVO 900)
Relação dos fatos com as funções Relação dos fatos com as funções
(crimes cometidos no exercício do (crimes cometidos no exercício do
mandato) mandato)
Deputados Federais e Senadores eram Deputados Federais e Senadores eram
julgados pelo Supremo Tribunal Federal julgados pelo Supremo Tribunal Federal
quando a ele imputados infrações penais quando a ele imputados infrações penais
comuns (não se confundindo com os crimes comuns (não se confundindo com os crimes
de responsabilidade), inclusive crimes de responsabilidade), inclusive crimes contra
contra a vida, crimes eleitorais, e os crimes a vida, crimes eleitorais, e os crimes de
de menor potencial ofensivo, seja ou não menor potencial ofensivo, se relacionado
relacionado com suas funções. com suas funções.
Relação dos fatos com as funções Relação dos fatos com as funções
(crimes cometidos ANTES do exercício (crimes cometidos ANTES do exercício
do mandato) do mandato)
O processo em curso quando da diplomação O processo em curso quando da diplomação
era remetido ao Supremo Tribunal não mais é remetido ao Supremo Tribunal
Federal, considerando-se válidos os atos já Federal.
praticados.
Extinção do Mandato Extinção do Mandato
Com a extinção do mandato, cessa o foro e Com a extinção do mandato, temos duas
os autos são encaminhados/devolvidos ao situações:
primeiro grau. - A instrução processual ainda está em
curso: os autos são remetidos para a 1ª
instância.

- A instrução processual já se encerrou: os


autos permanecem no STF.

(Informativo 900 STF)

58. Segundo entendimento do Supremo Tribunal Federal, é vedada a condução

coercitiva de investigado, para fins de reconhecimento, sob pena de responsabili-

dade disciplinar, civil e penal do agente ou da autoridade e de ilicitude das provas

obtidas, sem prejuízo da responsabilidade civil do Estado.

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Comentário

Errado.

O Supremo Tribunal Federal, em voto da maioria do Plenário, entendeu que a con-

dução coercitiva de investigados ou de réus para interrogatório não foi recepcio-

nado pela Constituição Federal, independentemente de prévia e regular intimação

não cumprida, sob pena de responsabilidade disciplinar, civil e penal do agente ou

da autoridade e de ilicitude das provas obtidas, sem prejuízo da responsabilidade

civil do Estado.

Todavia, observe-se que não foi analisada a condução de outras pessoas como tes-

temunhas, ou mesmo de investigados ou réus para atos diversos do interrogatório,

como o reconhecimento.

Com efeito, ainda é possível termos condução coercitiva, inclusive sem reserva de

jurisdição.

a.Se devidamente intimada, a testemunha não comparecer à convocação para

prestar depoimento, salvo os casos de possível recusa (art. 206 do CPP)6; e

b. Se devidamente intimado, o investigado não comparecer à convocação com vis-

tas a oportunizar possível reconhecimento seu por uma vítima em face de crime a

ele imputado.

(Informativo 906 STJ)

6 Art. 206.  A testemunha não poderá eximir-se da obrigação de depor. Poderão, entretanto,


recusar-se a fazê-lo o ascendente ou descendente, o afim em linha reta, o cônjuge, ainda
que desquitado, o irmão e o pai, a mãe, ou o filho adotivo do acusado, salvo quando não for
possível, por outro modo, obter-se ou integrar-se a prova do fato e de suas circunstâncias.

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59. A nomeação judicial de Núcleo de Prática Jurídica para patrocinar a

defesa de réu dispensa a juntada de procuração.

Comentário

Certo.

Pacificando entendimento controverso entre a Quinta e a Sexta Turmas, a Terceira

Seção do Superior Tribunal de Justiça entendeu que a nomeação judicial de Núcleo

de Prática Jurídica para patrocinar a defesa de réu dispensa a juntada de procura-

ção, eis que se trata de um exercício do munus público por determinação judicial,

sendo, portanto, afastada a incidência da Súmula 115/STJ.

(Informativo 624 STJ)

60. É dispensada a existência de procedimento administrativo fiscal com a poste-

rior constituição do crédito tributário para a configuração do crime de descaminho

(CP, art. 334), tendo em conta sua natureza formal.

Comentário

Certo.

Segundo Súmula Vinculante n. º 24 do Supremo Tribunal Federal, não se tipifica

crime material contra a ordem tributária, previsto no art. 1º, incisos I a IV, da Lei

nº 8.137/90, antes do lançamento definitivo do tributo.

No HC 121798/BA, o impetrante sustentava ser indispensável, para a consumação

do descaminho, a constituição do crédito tributário, em analogia ao tratamento ju-

rídico dado aos crimes do art. 1º, incisos I a IV, da Lei nº 8.137/90.

O STF negou o HC, sustentando ser dispensada a existência de procedimento ad-

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ministrativo fiscal com a posterior constituição do crédito tributário para a configu-

ração do crime de descaminho (CP, art. 334), tendo em conta sua natureza formal.

(Informativo 904 STF)

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